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Distrib

Bebedouro

Jornal Regional de Bebedouro

Gratuuiição ta

nº 20

saúde

Agosto de 2012

Eleições 2012

ela continua doente Faltam remédios, equipamentos e profissionais no Hospital Municipal

dada a largada Cinco são os candidatos que concorrem à Prefeitura da cidade

Pág. 2

perfil

um ecologista Como o biólogo Edmilson Escher virou um senhor da natureza

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futsal imprensa

um jogo que é pra lá de sujo Como Roberto Civita, de Veja, se compunha com o bicheiro Carlinhos Cachoeira Pág. 4-5

elas na quadra O preconceito que as meninas encaram para jogar no Bebedouro Arte

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Bebedouro

2 Eleições 2012

Cinco candidatos à Casa Branca

Objeto de uma reportagem do jornal Brasil Atual, em dezembro de 2010, intitulada O Hospital que Sofre, que trazia denúncias da falta de funcionários e de remédios e mostrava como funcionava o arremedo de UTI que punha a vida dos pacientes em risco, o Hospital Municipal Júlia Pinto Caldeira volta, agora, passado um ano e meio sem que a situação tenha se alterado, a ser matéria desta edição, que traz ainda o perfil de Edmilson Escher, biólogo, artista, cantor e escritor bebedourense, um “apaixonado pela natureza”, e o drama das meninas jogadoras do Bebedouro Futsal Arte que, para fazer o que gostam, enfrentam o preconceito – da família e da sociedade. O jornal também traz a cabeluda história do bicheiro Carlinhos Cachoeira – que continua preso em Brasília e brigou com colegas de cela porque anda “estressadíssimo” –, grande amigo do ex-senador Demóstenes Torres, do Democratas de Goiás, homem de elevado estofo ético e moral que acabou cassado pelos seus pares. Como perguntar não ofende, vamos lá: o que vai acontecer com Roberto Civita, dono da revista Veja, ou com um de seus imediatos, o jornalista Policarpo Junior, diretor da revista em Brasília, que gastam páginas e mais páginas para estampar manchetes que visam deseducar os leitores em relação às questões nacionais? Cachoeira, pasmem, sugeria até a seção da revista em que notas de seu interesse fossem publicadas. A vergonha está contada nas páginas centrais desta edição. Esperamos que satisfaça a volúpia de todos. É isso. Boa leitura!

Carlos Orpham (PT) de vice – quem dizia que Hélio Bastos não seria candidato por causa de problemas com suas contas tanto da campanha para depu-

tado estadual quanto de sua administração na Prefeitura teve a afirmação desmentida com o registro da candidatura do ex-prefeito. O pedetista esbanja confiança junto com seu vice, o petista Orpham. O registro dos candidatos a prefeito e vereador ocorreu entre 5 e 10 de julho, mas a campanha começa muito devagar nas ruas. Ou o dinheiro está curto para todos ou eles apostam numa campanha mais curta. Os analistas de plantão (da esquina do pecado) dizem que o “bicho vai pegar” nesta eleição.

bebedouro

A 94ª cidade de São Paulo! Em 2012, bebedourense irá consumir quase R$ 1,3 bi Bebedouro é a 94ª cidade paulista – dentre as 645 do Estado – e a 309ª cidade brasileira com maior potencial de consumo e apontada como uma das melhores do país. Em 2011, ela ocupava a 98ª posição, segundo estudo da IPC Marketing, empresa de pesquisa de mercado que estuda os perfis socioeconômicos dos municípios brasileiros. Segundo o estudo, caiu o número de consumidores das classes C1, D e E, o que significa que a renda das famílias melhorou no período. Bebedouro ficou atrás de outras cidades da região, como Catanduva, Barretos

mauro ramos

editorial

A coligação liderada pelo DEM traz Fernando Galvão como candidato a prefeito e Rômulo Camelini (PMDB) a vice-prefeito. O Partido Verde confirmou a candidatura do atual vice-prefeito Gustavo Spido a prefeito e de Sérgio Mariotini (PV) a vice. Silvio Seixas (PP) é candidato a prefeito, tendo Sueli Carízio (PRB) de vice. O atual prefeito Italiano (PTB) vai tentar a reeleição, com Carminha Campanelli, do mesmo partido, candidata a vice. E o ex-prefeito Hélio Bastos (PDT) vai com

divulgação

Foi dada a largada à corrida eleitoral para a Prefeitura

e Sertãozinho, com previsão de consumo de R$ 2 bilhões, e foi ultrapassada também por Jaboticabal (R$ 1,346 bilhão) – o potencial de Bebedouro é

de R$ 1,283 bilhão. Também no consumo per capita elas estão à frente de Bebedouro, com consumo na faixa dos R$ 18 mil contra R$ 17.380,42.

Expediente Rede Brasil Atual – Bebedouro Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Enio Lourenço e Lauany Rosa Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (11) 3295-2800 Tiragem: 10 mil exemplares Distribuição Gratuita


Bebedouro

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Saúde

Só não está na UTI porque não há UTI municipal

Pública pedindo o ajustamento das demandas. Hoje o quadro pouco se alterou. Logo na entrada do pronto-socorro ou no corredor dos ambulatórios de especialidades do hospital vê-se a dificuldade no atendimento. A aposentada septuagená-

Uma queixa Os profissionais de enfermagem estão insatisfeitos com a desvalorização de suas profissões no sistema público da cidade. Os técnicos de enfermagem afirmam que sempre falta algo no Hospital Municipal, o que faz do improviso uma regra no dia a dia. “Sempre falta gaze, atadura ou

algum material – diz uma enfermeira. E completa: “A gente gostaria de ser reconhecido profissionalmente, pois se desdobra muito para ganhar apenas R$ 680,00. Isso faz com que muita gente tenha de buscar um segundo e terceiro emprego na iniciativa privada para viver” – finaliza ela.

Promotoria A Ação Civil Pública movida pela Promotoria de Justiça do Ministério Público Estadual contra a Prefeitura Municipal e o Estado de São Paulo – por causa das irregularidades encontradas em 2010 – encontra-se parada, embora o Sistema Único de Saúde (SUS) preveja que o Estado deva gerir o hospital quando o município não tem recursos e nos casos de ele atender a uma

microrregião. O prazo para a regularização estendeu-se a maio de 2011, quando o Tribunal de Justiça (TJ-SP) tomou a decisão de manter o hospital funcionando, por não haver provas dos problemas apontados. Segundo a Promotoria de Justiça, as partes envolvidas foram intimadas, os depoimentos foram recolhidos e o processo encaminha-se para o final.

ria Lurdes dos Santos aguardava uma amiga ser atendida e afirmava: “Aqui tudo é péssimo: higiene, comida, tratamento. Faltam remédios e a espera é longa. Os mais pobres sofrem por precisarem deste hospital”. Na mesma an-

tessala, a dona de casa Neusa Onória Sabino, 62, relata a dificuldade para achar um médico gastroenterologista para o filho João Guilherme Sabino, 11, que há uma semana sofre de dores de estômago. “É a terceira vez que vimos aqui.

Na primeira, não havia médico especialista e nos mandaram retornar na semana seguinte. Na segunda vez, um clínico geral foi incapaz de resolver o problema. Hoje tentamos de novo. A gente é de Monte Azul e perde o dia no hospital” – conta. Desde dezembro de 2011, Adriano Gaio Salles trata uma hérnia de disco. Ele aguarda há setes meses que um neurocirurgião o opere em Barretos, pois Bebedouro não tem esse especialista. “Às vezes, venho ao hospital de Bebedouro duas ou três vezes por dia tomar algum remédio para amenizar a dor” – complementa.

Afinal, qual é o remédio? O diretor do Departamento Municipal de Saúde, Saulo Ramalho Luz, concorda que os problemas da saúde ainda não foram resolvidos. Ele assumiu o cargo em abril no lugar do também médico Fernando Piffer e é enfático: “A cidade não tem UTI. Nós temos um pronto atendimento adaptado por necessidade, para evitar que morresse muita gente. A fim de evitar óbitos na espera por regulação de vagas em outros municípios, trabalhamos com esse tipo de socorro, mas não é UTI”. Quanto às quedas de energia no hospital, Saulo afirma que elas não foram solucionadas, mas garante que existem projetos para adaptar um novo gerador.

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Em dezembro de 2010, o jornal Brasil Atual publicou reportagem sobre os problemas enfrentados na área da saúde da cidade, em especial no Hospital Municipal Júlia Pinto Caldeira. Na época, a situação era crítica. Faltavam profissionais, remédios, equipamentos, material de trabalho, havia constantes apagões de energia no hospital e um pronto atendimento inadequado, que simulava uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Tudo isso levou o Ministério Público Estadual, em conjunto com alguns Conselhos de categorias profissionais (Medicina, Farmácia e Enfermagem), a entrar com uma Ação Civil

enio lourenço

Pacientes se deparam com irregularidades no Hospital Municipal há quase dois anos Por Enio Lourenço

“Até se instalar o novo gerador, o que está aí suporta, porque dividimos a rede. Quando falta energia, pode faltar no prédio, mas nas alas mais importantes, o pronto-socorro e o centro cirúrgico, não há mais esse problema” – conta. O diretor de saúde acha que os bebedourenses são muito exigentes nas reclamações, mas não vivem a realidade do setor no Brasil. “Nós ainda temos ambulância para buscar as pessoas em casa. Não pode ser como eles [a po-

pulação] querem. A saúde no país é ruim.” Segundo Saulo, são necessários mais verbas e menos trâmites burocráticos para a saúde melhorar na cidade. “O dinheiro do município não é suficiente para manter um hospital. Gastamos até 28% do orçamento da cidade, sendo que a lei exige, ao menos, 15%. Outro ponto: quando falta material ou remédio, eu esbarro na tramitação legal, nas licitações. A lei exige isso” – conclui.


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A revista Veja, entre corrompidos e corruptores

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Cláudio belli

Roberto Civita, dono da Veja: unha e carne com Cachoeira

dizia que “a diretoria atrapalhava os negócios da Delta. Foi a mesma operação do episódio dos Correios, que deu origem ao ‘mensalão’. Cachoeira dava os dados, Veja publicava e desalojava os adversários de Cachoeira. Assim, ela cumpria o papel de vigilante de desmandos e fustigava os governos Lula e Dilma, pelos quais nunca demonstrou simpatia.” Basta lembrar a capa de maio de 2006 com Lula levando um pé no traseiro, juntando grosseria e desres­peito. Para não falar de outras, do ano anterior, instigando o impeachment do presidente da República. O sucesso dos dois governos Lula e os altos índices de aprovação da presidenta Dilma Rousseff exacerbaram o furor da revista. A proximidade do diretor da sucursal de Brasília com Cachoeira, e deste com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), sempre elogiado

De narradora dos fatos, a revista semanal Veja, da Editora Abril, tornou-se personagem da cena política brasileira. Gravações feitas pela Polícia Federal, autorizadas pela Justiça, mostram que o contraventor Carlinhos Cachoeira era mais do que fonte de informações. Seu relacionamento com o diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Junior, permitia que sugerisse até a seção da revista em que notas de seu interesse seriam estampadas. Veja virou instrumento de Cachoeira para remover do governo obstáculos aos seus objetivos. Um entrave seria o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do Ministério dos Transportes, que dificultava a atuação da Delta Construções, empresa ligada ao contraventor. Segundo o jornalista Luis Nassif, a matéria da Veja sobre o DNIT, publicada em junho de 2011,

Por: Lalo Leal

reprodução

As ligações íntimas da Editora Abril com o contraventor Carlinhos Cachoeira

por Veja, veio a calhar. Até surgirem as gravações da Polícia Federal levando a revista a um recolhimento político só quebrado em defesas tíbias de seu funcionário e do que ela chama de “liberdade de imprensa”. Veja diz-se “enganada pela fonte”, argumento desmentido pelo delegado federal Matheus Mella Rodrigues, coordenador da Operação Monte Carlo. O policial mostrou que o jornalista Policarpo Junior sabia das relações de Demóstenes com Cachoeira, mas nunca as denunciou, protegendo “meliantes”, como resumiu a revista CartaCapital.

Segundo Veja, a “liberdade de imprensa” estaria ameaçada se o jornalista, ou seu patrão Roberto Civita, fosse depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional que investiga o caso. Mas, na mesma edição, ela clama por um controle da internet, agastada com as informações sobre seus descaminhos na rede. A internet expôs a relação do trio

Cachoeira-Demóstenes-Veja e uma enxurrada de expressões nada elogiosas levaram a revista ao topo dos assuntos no Twitter. Os principais veículos do país silenciaram ou apoiaram a relação – exceção feita à Rede Record e à revista CartaCapital. Alguns, como O Globo, tomaram as dores da Editora Abril. O colunista Merval Pereira isentou a revista. Em editorial, o jornal

josé antonio teixeira

Imprensa comercial se diz independente. Será?

Otavio Frias: numa gelada

reagiu à comparação feita por CartaCapital entre o dono da Editora Abril e o magnata Rupert Murdoch, punido pela Justiça britânica pelo mau uso de seus veículos de comunicação no Reino Unido. A Folha de S.Paulo, também em editorial, aliou-se a Veja. Mas sua ombudsman, Suzana Singer, que tem a incumbência de criticar o jornal, disse não saber “se algo comprometedor envolvendo a imprensa surgirá

desse lamaçal”. Para lembrar em seguida que ao PT interessa com o caso Cachoeira empastelar o ‘mensalão’: “A imprensa não pode cair na armadilha de permitir que um escândalo anule o outro. Tem o dever de apurar tudo – mas sem se poupar. É hora de dar um exemplo de transparência.” Contudo, a cobertura da Folha das relações Cachoeira-Demóstenes-Veja limita-se a notas superficiais.


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wilton junior

A ideia de que o caso Cachoeira desviaria as atenções sobre o julgamento do “mensalão” foi alardeada pela mídia. E usada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para se livrar da acusação de negligência. Explica-se: A PF enviou a Gurgel a denúncia das relações promíscuas entre Cachoeira e Demóstenes em 2009. Se ele desse andamento à denúncia, o processo seria público

Em 2005, Policarpo Junior foi a uma CPI testemunhar em favor de um bicheiro que se dizia vítima de chantagem de um deputado carioca que exigia propina para não colocar seu nome no relatório final de uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio. Nenhum jornal nem a ABI alegaram tratar-se de uma intimidação à imprensa. Uma explicação para a baixa exposição de jornais e jornalistas a investigações está no poder

de interferência dos grupos midiáticos na política eleitoral. Exemplo clássico vem da viúva do dono da Globo sobre o governo Collor: “O Roberto colocou-o na Presidência e depois tirou. Durou pouco. Ele se enganou” – disse dona Lily no lançamento do livro Roberto & Lily, em 2005. A ação não foi isolada. Globo e Veja demonizavam Lula para derrotá-lo, em 1989. E exaltavam o jovem “caçador de marajás”.

jose cruz

Testemunha de defesa Mídia e “mensalão”: tudo a ver

e comprometeria a eleição de Demóstenes ao Senado, de Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás e de gente suspeita de servir a Cachoeira. Gurgel não explicou por que segurou o

processo. Respondeu às acusações dizendo que as denúncias partiam dos envolvidos no “mensalão”, temerosos diante da iminência do julgamento no qual ele será o acusador.

Apenas três vezes na história A CPMI começou em maio e tem seis meses para concluir as apurações. Mas não mostra ânimo de convocar o jornalista de Veja e seu patrão. A hipótese é a de que o PMDB seria sensível ao lobby da mídia por uma blindagem e não seria arranhado com a exposição de seus políticos a investigações. E o PT, concorrente por espaço no governo, não capitalizaria os resultados. A concentração em pou-

cos grupos nacionais e transnacionais deu poder à mídia. Governos e instituições públicas viram reféns dos meios de comunicação e temem enfrentá-los. Apenas três vezes na história veículos de comunicação foram alvo de CPIs. Em 1953, o dono do Última Hora, Samuel Wainer, sugeriu ao presidente Getúlio Vargas que seu jornal fosse investigado quanto às operações de crédito mantidas com o Banco do Brasil. Dez

anos depois, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) foi acusado de ter ligações com a CIA – o instituto alugou, num período pré-eleitoral, o jornal A Noite do Rio, para colocá-lo a serviço da oposição ao presidente João Goulart. E em 1966 houve investigação sobre uma operação de US$ 6 milhões entre a Globo e o grupo TimeLife, que acabou com o império dos Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Congresso tem autonomia para chamar quem quiser A presidenta da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que representa os donos de veículos, Judith Brito, fez oposição ao governo Lula, assim como o Instituto Millenium, que reúne articulistas, jornalistas e patrões da imprensa – o instituto faz eventos para afinar a sua cobertura. Em um deles estavam Roberto Civita (Abril), Otavio Frias Filho (Folha) e Roberto Irineu Marinho (Globo). Vários desses colaboradores escrevem e falam,

por exemplo, contra as cotas raciais nas universidades, criticam a política econômica dos governos Lula e Dilma, discordam da política externa brasileira e fazem campanha contra a CPMI de Cachoeira. Cabe lembrar a observação do jornalista Mino Carta sobre a peculiaridade brasileira de jornalista chamar patrão de colega. Com isso diluem-se interesses de classe e uma difusa “liberdade de imprensa” é utilizada para encobrir contatos suspeitos. Até entidades como

a Associação Brasileira de Imprensa, por seu presidente, Maurício Azêdo, confundem as coisas. Em depoimento ao programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, Azêdo não admite a ida de jornalistas à CPMI para prestar depoimentos, sob a alegação de intimidação ao trabalho jornalístico, mas condena a promiscuidade de alguns profissionais com fontes próximas ou ligadas ao crime. No mesmo programa, o professor Venício Lima ressaltou o impacto das

escutas ilegais do jornal News of the World sobre as relações mídia-sociedade na Inglaterra. “Levou Murdoch (o dono do jornal) e seus jornalistas a depor na Comissão de Esportes, Mídia e Cultura da Câmara dos Comuns e na Comissão Leveson, que tem caráter de inquérito policial.” Isso não ameaçou a liberdade da imprensa britânica. Aqui, ninguém está imune a convocações para prestar depoimento no Congresso Nacional. À Record, o presidente

da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), foi direto ao ponto: “Todos devem ser investigados no setor público, privado e na imprensa. Sem paixões e sem arroubos. Descobriremos muitas coisas quando forem feitas as quebras de sigilo – o fiscal, por exemplo. Devemos apoiar a liberdade de expressão. Mas não podemos confundi-la com organização criminosa. Para o bem da sociedade e da própria liberdade de expressão”.


Bebedouro

6 perfil

Edmilson Escher: uma vida para a ecologia Biólogo, artista e palestrante são apenas algumas das facetas desse bebedourense romântico foram a fagulha da futura carreira de pesquisador. Aos 45 anos, Escher é professor de biologia da rede pública estadual de ensino (principal ocupação profissional), mestrando do programa de pós-graduação de Produção Vegetal na Unesp de Jaboticabal e ministra palestras-show, acompanhado de seu violão, quando discute ecologia com os mais diversos grupos sociais e investe na carreira artística.

enio lourenço

Edmilson Escher sempre se encantou com a biodiversidade da natureza. Na infância, enquanto seus amigos optavam pelas atiradeiras para matar passarinhos, ele se satisfazia com uma caderneta de anotações onde registrava o nome das diversas espécies. “Fui taxado de boboca e apanhei muito por isso, mas preferia espantar os passarinhos para não morrerem.” – conta. Aquelas tardes joviais de observações do meio ambiente

Seu lado cantor e escritor

enio lourenço

A produção cultural do biólogo são livros, discos e poemas que ele publica nas redes sociais. O Manual de Arborização das Calçadas, de 2004, nasceu a partir da experiência de um ano como diretor municipal de Meio Ambiente. “É um guia de A a Z, que ensina as pessoas a plantar uma árvore na frente de casa e indica 86 espécies nativas” – conta. Já no livro

Tempo de Ecologia – título, também, de sua palestra-show – ele desperta a consciência ecológica das pessoas. Agora, Escher prepara o livro digital Um sonho Ecológico, que é a sua autobiografia. Os capítulos narram a participação das pessoas em diversos momentos de sua vida – na educação, nas artes, na política. “É a minha quebra de ingenuidade. Eu falo muito

sobre o coronelismo na política e os interesses pessoais dos envolvidos”. A faceta de músico também está presente na obra de Escher, que lançou o disco Raiz e prepara um novo intitulado Rural. As quinze faixas sertanejas de cada álbum cantam a história do homem do campo e sua relação com o meio ambiente. “Enobrecem a cultura rural” – diz. No entan-

to, ele aponta a dificuldade para lançar o álbum: “O disco espera liberação de verba da Lei Rouanet. O projeto foi aprovado, mas faltam os recursos das empresas. Muitas delas não jogam limpo e querem ficar com parte do dinheiro. Por isso, vou esperar a mudança da lei pela presidenta Dilma. Não quero fazer as coisas por debaixo do pano”.

estrangeiras, descaracterizando a mata nativa. A solução agora é transformar a área em

parque municipal, com a presença de guardas e da polícia ambiental.”

O trabalho ligado ao meio ambiente o levou à política. Porém, essas experiências o tornaram cético. “Eu sou descrente e apartidário. Trata-se de uma guerra, de um vale tudo. Não quero mais fazer parte disso.” Em 1985, Escher colaborou na gestão do ex-prefeito Sérgio Stamato. “Criamos o Parque Ecológico, mas a ideia de trabalhar com educação e de

se criar um minizoológico foi abandonada. Não era para se tornar isso que está aí” – diz. O projeto previa uma área de 1000 alqueires. “Com a chegada dos bairros Centenário, Jardim das Acácias e do Distrito Industrial, o parque foi sendo cercado e a área reduziu-se para seis alqueires.” O biólogo lamenta que hoje o parque esteja abandonado e seja usado por usuários de drogas.

Em 2004, no último ano do governo do ex-prefeito Davi Peres Aguiar, Escher retornou à vida política, no cargo de diretor de Meio Ambiente, e transformou o parque em uma Estação Ecológica, que tem legislação ainda mais restritiva. “Hoje, porém, o local não tem condições de ser uma Estação Ecológica. Durante os governos Piffer (89-92/9700) foram plantadas espécies

enio lourenço

A desilusão com a política


Bebedouro

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Os estudos e o futuro

futsal

Mulheres e jogadoras

Escher vai retomar o mestrado na Unesp de Jaboticabal, em 2013, trancado devido a problemas financeiros. O biólogo tem um projeto para a floresta nativa da Fazenda Santa Irene, uma tradicional área verde da cidade. “O cultivo de roça no entorno da floresta possibilita que plantas invasoras se estabeçam nas suas bordas. Então, eu pretendo pegar espécies nativas e fazer uma nova bordadura na floresta. Isso deveria ter sido

feito anos atrás para protegê-la da cana, do colonião e das braquiárias africanas.” Esse romantismo com a natureza resume seus objetivos: “Minha vida é a ecologia e eu não vou parar de estudar nunca, porque quanto mais a gente estuda, mais percebe que não sabe nada. O meu objetivo é contribuir para manter os fragmentos de floresta remanescentes em Bebedouro, porque floresta completa não existe mais”.

Poema da vida Por Edmilson Escher Sou vivo como planta e existo no ser Sou fruto desse mecanismo Que não faz distinção, Que coloca um caminho à frente e conduz a emancipação Do mineral, do vegetal e do animal. Será que alguém duvida disso ainda? Seria o mesmo que ignorar a própria existência, Mostrando-se na carência de si mesmo! É chegada a hora da percepção maior, O momento da transição necessária, Para que sustentabilidade seja como a estrutura de uma falésia, Acenando ao mar a tranquilidade de suas rochas erodidas e equilibradas.

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Paulistas, catarinenses, gaúchas. As meninas não têm mais de 20 anos e já moraram em diversos Estados. São andarilhas do esporte amador, que trazem em seus rostos juvenis a luta contra o preconceito da família e da sociedade por fazerem do futsal a sua vida. “Sempre joguei futebol na escola ou na rua com os moleques” – afirma a pivô Andreliza Machanoschi,18. A equipe sub-21 do Bebedouro Futsal Arte tem oito jogadoras, que integram também a equipe adulta, formada de 12 atletas – campeã da Série Prata da Copa Record de Futsal. Em julho, elas representaram Bebedouro nos Jogos Regionais e por pouco não subiram ao pódio – o time ficou em 4º lugar. “Elas superaram as nossas expectativas, mas com a derrota para Orlândia (2x1), em jogo em que perdemos uns 15 gols, não conseguimos chegar à final” – diz o treinador Marcelo Rodrigo Castro.

enio lourenço

enio lourenço

Elas enfrentam preconceitos para alcançar seu sonho

O salário das garotas varia de R$ 300 a R$ 500 – livre de moradia e alimentação. A goleira Thalita, 20, é um exemplo. Ela largou o emprego de técnica de manutenção de banda larga em São Paulo e apostou na defesa da meta bebedourense. “Eu jogava no Taboão da Serra e conciliava o esporte com a outra profissão. Mas uma amiga me falou da peneira do Bebedouro, disse que aqui havia boa estrutura, preparador de goleiras, então optei por vir pra cá e viver do futsal.” O preconceito é lugar comum no dia a dia das salonistas, por elas praticarem um esporte tradicionalmente de homens. A

catarinense Veronice Gomes Ferreira, 18, outra goleira e estudante de educação física, acredita que a segregação de gênero é um problema nacional. “Santa Catarina, onde há a melhor estrutura do futsal feminino, tem um povo muito racista e que subestima a mulher como se ela não tivesse capacidade de atingir os seus objetivos” – conta. “A própria família, ao saber que queremos nos tornar jogadoras de futsal, chama de ‘sapatão’” – complementa a ala Natália Urso. Os beliches dos quartos conjugados talvez sejam os maiores cúmplices dos sonhos das esportistas. Ao falar da distância e da saudade de amigos e familiares, uma ou outra olham para o lado, mexem no cabelo e com a voz embargada dizem: “é complicado, né?”. Devido ao pouco tempo de folga entre os treinamentos e jogos, as atletas fizeram do Bebedouro Futsal Arte a sua nova família.

Jogos Regionais

Bebedouro sediou competição Disputa foi entre 8 mil atletas, 61 cidades e 24 esportes Os 56º Jogos Regionais do Estado de São Paulo ocorreram em Bebedouro, no início de julho. Ribeirão Preto sagrou-se campeã geral da competição, seguida por Araraquara e Franca. Bebedouro ficou em 7º lugar. Na segunda divisão, a campeã foi Altinópolis, seguida de

Olímpia e Guaíra. Segundo o diretor de Esportes de Bebedouro, Lúcio Mauro dos Santos, sediar os Jogos foi realizar um sonho que vem desde 2009. “Antes não tínhamos pistas de atletismo adequadas e nem estrutura para certas modalidades. Agora, Bebedouro está completa e

isso vai ficar para a cidade” – diz. Bebedouro conquistou seis medalhas: uma de ouro (voleibol feminino), quatro de prata (voleibol masculino, caratê masculino, tênis feminino e xadrez feminino) e uma de bronze, que a equipe da melhor idade ganhou no jogo de damas.


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8 palavras cruzadas palavras cruzadas

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Horizontal – 1. Cada uma das unidades residenciais, em prédio de habitação coletiva 2. Grande tronco de madeira 3. Sigla de Roraima; Estado brasileiro onde fica uma parte da Floresta Amazônica; Botequim 4. Causar tribulação, afligir 5. Instrumento manual, usado para cavar ou remover terra e outros materiais sólidos; Relativo a número 6. Adv. (ant.) Agora; Suave 7. Imediatamente, já; Clube do Remo 8. O ser humano, a humanidade; Designa um tempo limite em que alguma coisa, evento etc. termina ou deve terminar 9. Sílaba que não tem acento tônico; Parte do palácio de um sultão muçulmano onde ficam as mulheres 10. Sigla do Estado de Rondônia; Despenca; Igreja episcopal

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Vertical – 1. Causar algum tipo de impedimento ou perturbação 2. Porta, de madeira ou de ferro que, a partir da rua, dá acesso a um jardim público ou a uma casa, edifício etc.; Nome de famoso treinador brasileiro de futebol, de sobrenome Glória 3. Atmosfera; Galho 4. Série ou conjunto de roubos (plural) 5. Ghraib, famosa prisão iraquiana; País situado na extremidade oriental da Península Arábica; 6. Colocar em posição reta e vertical 7. República parlamentar federal de dezesseis estados cuja capital é Berlim 8. Sigla do Estado do Espírito Santo; Medida agrária; Gemido 9. Entreter-se, distrair-se 10. Chá, em inglês; Pessoa que mostra cortesia, amabilidade, gentileza 11. Curso de água doce, Letra anterior ao ene

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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato.

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p a o r r t r a o r a o m t o o

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t a p a r b u u m a o r m a c

m e n t o s e a b a r l a r i e r i c o m e n o a c r n a t e h a r e m a i s e

Palavras cruzadas

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