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ARTISTAS

Denise Alves-Rodrigues Fernanda Porto Isadora Brant Júlia Franco Braga Jonas Van Holanda Laura Berbert Patrícia Araujo Valentina D’Avenia AUTORES CONVIDADXS PARA O GUIA

Bernardo Zabalaga Eduardo Suarez Elvira Espejo Ayca Fernanda Peñarrieta Iván Cáceres Jobana Moya Julieta Paredes Matecha Rojas Max Jorge Hinderer Cruz Narda Alvarado Silvia Rivera Cusicanqui CURADORA CONVIDADA

Catarina Duncan CURADORIA GERAL

Beatriz Lemos

De 27 de janeiro a 06 de maio de 2018


OUTRAS TRAVESSIAS A pretensão de universalidade tem se revelado um aspecto problemático do pensamento ocidental. Facultada pela crítica pós-colonial, essa constatação nos possibilita indagar de que modo certos pontos de vista, formas de conhecimento e comportamentos se impõem e disseminam-se, historicamente, em detrimento de tantos outros. Acrescente-se, ainda, que tal supremacia beneficia determinados grupos sociais, na medida em que respalda seus privilégios. No contexto latino-americano, a prevalência de visões hegemônicas sobre as perspectivas minoritárias se deu, sobretudo, em função dos empreendimentos coloniais e capitalistas modernos. Agindo em termos político, cultural e econômico, as investidas colonizadoras de natureza espoliadora tiveram nas comunidades e culturas não ocidentais e não cristãs os seus objetos de opressão por excelência. Porém, as perspectivas negligenciadas e suas experiências correlatas mantêm-se vivas, reinventando-se e repercutindo apesar das sistemáticas tentativas de apagamento. É nos rastros dessas experiências que caminham as agentes envolvidas com a residência Lastro Travessias Ocultas, ocorrida na Bolívia e desdobrada na presente mostra. Atentas à condição de inferioridade impingida aos conhecimentos tradicionais bolivianos e andinos, suas propostas cartografam e sugerem formas de resistência à colonialidade – renitentemente mobilizadas pelos povos da América Latina ao longo dos séculos de exploração. Ao realizar a exposição Travessias Ocultas – Lastro Bolívia, o Sesc reitera a sua preocupação com a defesa e o fomento da diversidade cultural, compreendida pela instituição como fundamental para a trajetória da sociedade. Com isso, compromete-se com uma abordagem vivencial e conceitual afeita a operar com dispositivos alternativos e críticos frente aos profundos problemas sociais, econômicos e ambientais que dão o tom do capitalismo global.

OTRAS TRAVESÍAS La pretensión de universalidad se ha revelado como un aspecto problemático del pensamiento occidental. Facultada por la crítica poscolonial, esa constatación nos posibilita indagar de qué modo se imponen y se diseminan históricamente determinados puntos de vista, formas de conocimiento y comportamientos en detrimento de tantos otros. Adicionalmente, dicha supremacía beneficia determinados grupos sociales en la medida en que respalda sus privilegios. En el contexto latinoamericano, la prevalencia de visiones hegemónicas acerca de las perspectivas minoritarias se dio, sobre todo, en función de los emprendimientos coloniales y capitalistas modernos. Actuando en términos políticos, culturales y económicos, los intentos colonizadores de naturaleza expoliadora tuvieron las comunidades y culturas no occidentales y no cristianas como sus objetos de opresión por excelencia. Sin embargo, las perspectivas ignoradas y sus experiencias correlacionadas se mantienen vivas, reinventándose y repercutiendo a pesar de los sistemáticos intentos de borrarlas. En los rastros de esas experiencias caminan las agentes involucradas con la residencia Lastro Travessias Ocultas, ocurrida en Bolivia y desplegada en la presente muestra. Atentas a la condición de inferioridad impuesta a los conocimientos tradicionales bolivianos y andinos, sus propuestas cartografían y sugieren formas de resistencia al colonialismo – insistentemente movilizadas por los pueblos de Latinoamérica a lo largo de los siglos de explotación. Al realizar la exposición Travessias Ocultas – Lastro Bolívia, el Sesc reitera su preocupación con la defensa y el fomento de la diversidad cultural, comprendida por la institución como fundamental para la trayectoria de la sociedad. Con eso, se compromete con un abordaje vivencial y conceptual capaz de operar con dispositivos alternativos y críticos frente a los profundos problemas sociales, económicos y ambientales que matizan el capitalismo global.

Sesc São Paulo Sesc São Paulo


MUITO ALÉM DO OCIDENTE

MÁS ALLÁ DEL OCCIDENTE Ritual é o mesmo que pensamento. Silvia Rivera Cusicanqui

Ritual es lo mismo que pensamiento. Silvia Rivera Cusicanqui

Uma noção central para o pensamento de mundo andino é a Pacha. Se traduzíssemos para uma concepção ocidental, seria algo em torno da ideia de que o todo é constituído pelo tempo-espaço. Pacha é a concepção de uma totalidade dinâmica, entendida como o conjunto de elementos que os seres vivos são capazes de captar através de seus sentidos, intuições, pensamentos e inspirações. Dentro da Pacha fluem três distintas esferas da vida, que possuem, cada uma, dois polos contrários: o universo espiritual e o universo material. Nessas três esferas encontramos: Alaxpacha (fora) e Hananpacha (acima); Kaypacha (aqui) e Akápacha (agora); Ukupacha (abaixo) e Manqhapacha (dentro)1a. Todos estão em eterna interação e, quando se cruzam, criam o sublime momento da existência dos seres, entendido também como o estado de consciência. Esta amplitude de conhecimento possibilita um estado de vasta liberdade espiritual, uma percepção de ser enquanto reflexo do macrocosmo circundante. Segundo a filosofia andina, não existe nada estático; nada “é”, porque tudo se “está fazendo”... Tudo flui de dentro para fora e regressa de fora para dentro, em ciclos permanentes. Nada está somente sendo, tudo está se fazendo e se desfazendo, transformandose, indo e vindo; em pares que estão em oposição e complemento; nada começa e nada termina, tudo se recria2a. A compreensão da Pacha pode ser considerada uma das bases para explicar o motivo de, especialmente a Bolívia, não ser de forma alguma uma sociedade antropocêntrica. Sua aspiração mais elevada

Una noción central para el pensamiento del mundo andino es la Pacha. Si lo traducimos a una concepción occidental, sería entorno a la idea de que el todo se constituye por el tiempo-espacio. Pacha es la concepción de una totalidad dinámica, entendida como el conjunto de elementos que los seres vivos son capaces de captar a través de sus sentidos, intuiciones, pensamientos e inspiraciones. Dentro de la Pacha fluyen tres distintas esferas de la vida, que poseen, cada una, dos polos contrarios: el universo espiritual y el universo material. En esas tres esferas encontramos: Alaxpacha (afuera) y Hananpacha (encima); Kaypacha (aquí) y Akápacha (ahora); Ukupacha (abajo) y Manqhapacha (adentro)1b. Todos están en eterna interacción y, cuando se cruzan, crean el sublime momento de la existencia de los seres, entendido también como el estado de conciencia. Esta amplitud de conocimiento posibilita un estado de vasta libertad espiritual, una percepción del ser como reflejo del macrocosmos circundante. Según la filosofía andina, no existe nada estático; nada “es”, porque todo se “está haciendo”... Todo fluye desde adentro para afuera y regresa de afuera para adentro, en ciclos permanentes. Nada está solamente siendo, todo se está haciendo y deshaciendo, transformándose, yendo y viniendo; en pares que están en oposición y complemento; nada comienza y nada termina, todo se recrea2b. La comprensión de la Pacha puede ser considerada una de las bases para explicar el motivo de, especialmente Bolivia, no ser de ninguna forma

1a Em conversa com o artista de origem aymara Ivan Cáceres, ele me explicou: “A primeira esfera da Pacha é constituída de Alaxpacha (fora), que no plano vivencial ou verbal, abarca o espiritual e ‘o que se foi’, ou seja, tudo o que se nos adiantou neste plano, e de Hananpacha (acima), que é a vida que existe no espaço de cima, o firmamento e seus astros, além dos animais que voam. A segunda esfera é composta de Kaypacha (aqui), espaço e momento que nos permite perceber a nós e aos demais objetos do cosmo, os seres, a água, as montanhas e tudo em volta, e de Akápacha (agora), o plano da consciência humana, em que o passado e futuro estão presentes no tempo agora; representa o movimento do espaço que o tempo ‘faz e desfaz’. E, finalmente, a terceira esfera da vida é composta pelos polos Ukupacha (abaixo), que é o mundo das entidades que não podemos ver, e Manqhapacha (dentro), onde nasce o tempo interminável e onde se cresce para dentro no âmbito espiritual.” 2a Anotações a partir de conversas com Ivan Cáceres.

1b Durante una conversación con el artista de origen aymara Ivan Cáceres, él me explicó que: “La primera esfera de la Pacha está constituida de Alaxpacha (afuera), que en el plano vivencial o verbal, abarca lo espiritual y “lo que se fue”, es decir, todo lo que se nos adelanto en este plano, y de Hananpacha (encima), que es la vida que existe en el espacio de encima, el firmamento y sus astros, además de los animales que vuelan. La segunda esfera está compuesta de Kaypacha (aquí), espacio y momento que nos permite percibir a nosotros mismos y a los demás objetos del cosmos, los sere, el agua, las montañas y todo lo que nos rodea, y de Akápacha (ahora), el plano de la conciencia humana, en la que el pasado y el futuro están presentes en el tiempo de ahora; representa el movimiento del espacio que el tiempo ‘hace y deshace’. Y, finalmente, la tercera esfera de la vida es compuesta por los polos Ukupacha (abajo), que es el mundo de las entidades que no podemos ver, y Manqhapacha (adentro), donde nace el tiempo interminable y donde se crece para adentro en el ámbito espiritual.” 2b Anotaciones a partir de las conversaciones con Ivan Cáceres.


é a contínua manutenção do equilíbrio entre o micro e o macrocosmo. Trata-se da eliminação do yo (eu), para uma constante ressignificação em comunidade. Ou seja, constitui-se de uma predileção ao coletivo em detrimento de uma diferenciação individual. Para se entender a cosmovisão andina é preciso considerar que a vida rural é totalmente simbiótica ao meio urbano e está associada a diferentes zonas e altitudes específicas. Cultura e costumes se dão enquanto relação entre humano, natureza e o divino. “As pessoas são filhas e filhos das montanhas e são irmãs e irmãos dos animais, em especial do condor e da lhama”3a – que são animais sagrados. As esferas naturais e espirituais são inseparáveis e interdependentes, interagem por meio da própria existência do ser e se comunicam no cotidiano a partir da prática ritualística. É através do ritual que o sagrado cria espaço e movimento apropriados no mundo material. Para a cultura aymara, a Pachamama (Mãe Terra) não é uma entidade mística. Ela é parte integrante dos corpos. É a vida em si mesma. Essa formulação de pensamento que compreende a terra como a própria vida está presente nas cosmovisões ameríndias – comum aos povos originários na extensão do Brasil ao México. Na Bolívia, país predominantemente indígena, a terra é reverenciada a todo momento a partir do conceito de reciprocidade. Todas as ações humanas são elaboradas a partir da troca entre mundo material e espiritual. Tal concepção vai de encontro às lógicas ocidentais vigentes e ao sistema capitalista, o que faz desse o único país latino-americano rotulado como um dos “estados descolonizantes de colonos”, locais que, em certa medida, saíram do domínio de seus colonizadores e recuperaram seu controle político4a. Essa restauração política é consequência direta de dois fatores que fundamentam a atual sociedade boliviana e que estão presentes na conformação das comunidades indígenas: a organização ancestral, précolonial, e a organização sindical – introduzida como resultado da Reforma Agrária de 1952. São, em média, 37 grupos étnicos, com línguas e culturas próprias, sendo os mais numerosos os aymaras, quéchuas e guaranis. Os aymaras constituem grande parte da população e não por acaso conseguiram eleger um de seus representantes como presidente do país. O discurso ideológico boliviano é o discurso indigenista pós-revolução

una sociedad antropocéntrica. Su aspiración más elevada es la continua manutención del equilibrio entre el micro y el macrocosmos. Se trata de la eliminación del yo, para una constante resignificación en comunidad. Es decir, se constituye de una predilección al colectivo en detrimento de una diferenciación individual. Para entenderse la cosmovisión andina es necesario considerar que la vida rural es totalmente simbiótica al medio urbano y está asociada a diferentes zonas y altitudes específicas. La cultura y las costumbres se dan como relación entre lo humano, la naturaleza y lo divino. “Las personas son hijas e hijos de las montañas y son hermanas y hermanos de los animales, especialmente del condor y de la llama”3b – que son animales sagrados. Las esferas naturales y espirituales son inseparables e interdependientes, interactúan por medio de la propia existencia del ser y se comunican en el cotidiano a partir de la práctica ritualística. Es a través del ritual que lo sagrado crea espacio y movimiento apropiados en el mundo material. Para la cultura aymara, la Pachamama (Madre Tierra) no es una entidad mística. Es parte integral de los cuerpos. Es la vida en sí misma. Esa formulación de pensamiento que comprende la tierra como la propia vida está presente en las cosmovisiones amerindias – común a los pueblos originarios en la extensión de Brasil a México. En Bolivia, país predominantemente indígena, la tierra es reverenciada en todo momento a partir del concepto de reciprocidad. Todas las acciones humanas son elaboradas a partir de la troca entre mundo material y espiritual. Tal concepción va en contra de las lógicas occidentales vigentes y del sistema capitalista, lo que hace de este el único país latinoamericano rotulado como uno de los “estado decolonizantes de colonos”, locales que, en cierta medida, salieron del dominio de sus colonizadores y recuperaron su control político4b. Esa restauración política es consecuencia directa de dos factores que fundamentan la actual sociedad boliviana y que están presentes en la conformación de las comunidades indígenas: la organización ancestral, pre-colonial, y la organización sindical – introducida como resultado de la Reforma Agraria de 1952. Son, en promedio, 37 grupos étnicos, con lenguas y culturas propias, siendo los más numerosos los aymaras, quechuas y guaraníes. Los aymaras constituyen gran parte de la población y no por casualidad consiguieron elegir uno de sus representantes como presidente del país.

3a HAVERKORT, Bertus; HIEMSTRA, Wim. (Eds.). Comida para el pensamiento: visiones antiguas y experiencias nuevas de la gente rural. Leusden: ETC/COMPAS, 1999. 4a Settler States of the World. The Decolonial Atlas, 2014. Disponível em: <https:// decolonialatlas.wordpress.com/2014/11/03/settler-states-of-the-world/>. Acesso em: 25 de dez. 2017.

3b HAVERKORT, Bertus.; HIEMSTRA, Wim. (Eds.). Comida para el pensamiento: visiones antiguas y experiencias nuevas de la gente rural. Leusden: ETC/COMPAS, 1999. 4b Settler States of the World. The Decolonial Atlas, 2014. Disponible en: <https:// decolonialatlas.wordpress.com/2014/11/03/settler-states-of-the-world/>. Acceso el: 25 dic. 2017.


de 1952, que instaura a importância da especificidade enquanto experiência histórica e o posicionamento de embate com o pensamento europeu. Sociedade, natureza e história formam a base estrutural da noção social, diferenciando-se da realidade encontrada nos demais países latino-americanos, cujas trajetórias de formação (ainda fortemente vigentes) dos estados-nação pautam-se pela aliança ideológica com o colonizador: o desejo de totalidade que visa unidade cultural e racial – ideia de identidade como estratégia de controle. Em suma, a construção de nação na América Latina confirma a negação do índio, por ignorar violentamente a heterogeneidade étnica/racial e sua relação com a terra: “O nacionalismo se apresenta como um batismo ontológico.”5a Nesse sentindo, se evidencia em âmbito universal a impossibilidade de coexistência harmônica entre a medula do estado-nação (e seu sistema hegemônico do capital) e o modo filosófico de existência indígena. No contexto brasileiro, é importante firmar a luta indígena por demarcação de terras, mas também, e não menos relevante, a urgência pela autonomia do indivíduo indígena por parte do Estado. O processo de colonização não só desacreditou a cosmovisão dos povos originários como buscou apagar tais saberes. Constantemente nos deparamos com as imposições culturais não compatíveis com as nossas ancestralidades, a consciência de tempo é um importante exemplo desta ruptura imposta. Para o pensamento ocidental, o tempo se dá de forma linear, categorizado por passado, presente e futuro, como uma linha cronológica. Na cosmovisão ameríndia, o passado está de frente, é visível e reconhecível. Já o futuro está de costas, por ser incerto e obscuro. A ideia de futuro é intangível e não se pode antecipar, é a incerteza da vida, “e essa falta de garantia, essa falta de certeza, libera a pessoa de construir uma projeção para o mundo”6a. A noção de tempo de nossos povos originários é circular, não se articula o fim cronológico, ao contrário, reverencia a memória ancestral como potência do tempo presente. O eixo colonial comprimiu o tempo ameríndio para nos inserir em uma dimensão temporal passada, estigmatizando-nos como primitivos ou incivilizados. Descolonizar a compreensão do que é o tempo, para que a contemporaneidade das existências ocorra no mesmo instante, é uma das lutas internacionais do Feminismo Comunitário, movimento de mulheres bolivianas iniciado pelo grupo Mujeres Creando Comunidad, fundado pela

El discurso ideológico boliviano es el discurso indígena post-revolución de 1952, que instaura la importancia de la especificidad como experiencia histórica y el posicionamiento de choque con el pensamiento europeo. Sociedad, naturaleza e historia forman la base estructural de la noción social, diferenciándose de la realidad encontrada en los demás países latinoamericanos, cuyas trayectorias de formación (aún fuertemente vigentes) de los estados nacionales se guían por la alianza ideológica con el colonizador: el deseo de totalidad que busca la unidad cultural y racial – idea de identidad como estrategia de control. En resumen, la construcción de nación en América Latina confirma la negación del indígena, al ignorar violentamente la heterogeneidad étnica/racial y su relación con la tierra: “El nacionalismo se presenta como un bautismo ontológico.”5b En este sentido, se evidencia en el ámbito universal la imposibilidad de coexistencia armónica entre la medula del estado-nación (y su sistema hegemónico del capital) y el modo filosófico de existencia indígena. En el contexto brasileño, es importante establecer la lucha indígena por la demarcación de tierras, y también, y no menos importante, la urgencia por la autonomía del individuo indígena por parte del estado. El proceso de colonización no sólo desacreditó la cosmovisión de los pueblos originarios sino buscó apagar tales saberes. Constantemente nos deparamos con las imposiciones culturales no compatibles con nuestras ancestralidades, la conciencia del tiempo es un importante ejemplo de esta ruptura impuesta. Para el pensamiento occidental, el tiempo se da de forma lineal, categorizado por el pasado, el presente y el futuro, como una línea cronológica. En la cosmovisión amerindia, el pasado está de frente, es visible y reconocible. El futuro está de espaldas, por ser incierto y oscuro. La idea de futuro es intangible y no se puede anticipar, es la incerteza de la vida, “es esa falta de garantía, esa falta de certeza, libera a la persona de construir una proyección para el mundo”6b. La noción de tiempo de nuestros pueblos originarios es circular, no se articula el fin cronológico, al contrario, reverencia la memoria ancestral como potencia del tiempo presente. El eje colonial comprimió el tiempo amerindio para introducirnos en una dimensión temporal pasada, estigmatizándonos como primitivos o incivilizados. Descolonizar la comprensión de lo que es el tiempo, para que la contemporaneidad de las existencias ocurra en el mismo instante, es

5a SALMÓN, Josefa. El espejo indígena: el discurso indigenista en Bolivia 1900-1956. La Paz: Plural editores/CID, 1997. 6a KRENAK, Ailton. As alianças afetivas: entrevista com Ailton Krenak, por Pedro Cesarino. In: VOLZ, Jochen; RJEILLE, Isabella. (Orgs.). 32ª Bienal de São Paulo: incerteza viva: dias de estudo, pesquisas para a 32ª bienal em Santiago, Chile; Acra, Gana; Lamas, Peru; Cuiabá e São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2016.

5b SALMÓN, Josefa. El espejo indígena: el discurso indigenista en Bolivia 1900-1956. La Paz: Plural editores/CID, 1997. 6b KRENAK, Ailton. As alianças afetivas: entrevista com Ailton Krenak, por Pedro Cesarino. In: VOLZ, Jochen; RJEILLE, Isabella. (Orgs.). 32ª Bienal de São Paulo: incerteza viva: dias de estudo, pesquisas para a 32ª bienal em Santiago, Chile; Acra, Gana; Lamas, Peru; Cuiabá e São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2016.


ativista de origem aymara Julieta Paredes. O movimento marcha pela despatriarcalização como base para as políticas públicas do país e, ao lado de outras iniciativas recentes, como o coletivo Ni Una Menos, da Argentina, se estabelece como uma nova vertente dentro dos movimentos feministas na América Latina. O alicerce da ideologia do Feminismo Comunitário é a relação obtida entre despatriarcalização e descolonização. No livro El desafío de la despatriarcalización, as feministas comunitárias evidenciam que o patriarcado (sistema de todas as opressões e violências que vive a humanidade e a natureza) contém a colonização e não o contrário, nem tão pouco são dois sistemas paralelos. A colonização é uma ferramenta do patriarcado e, portanto, a despatriarcalização compreende a descolonização, convertendo-se em uma de suas tarefas fundamentais. Adentrar em uma visão feminista não ocidental, não individualista, que agregue outras subjetividades e outros corpos e esteja em comunhão com a natureza, como o Feminismo Comunitário, compõe o motivo pelo qual a residência se manifestou no mundo enquanto trabalho e vivência. Com o objetivo de cruzar fronteiras e, assim, diminuí-las, as artistas brasileiras, Denise Alves-Rodrigues, Fernanda Porto, Isadora Brant, Jonas Van Holanda, Júlia Franco Braga, Laura Berbert e Patrícia Araujo, a artista suíça Valentina D’Avenia e as curadoras Beatriz Lemos e Catarina Duncan se encontraram pelo interesse comum por construções de narrativas não ocidentais e pela busca da prática de espiritualidade e política no cotidiano. Contudo, o impulso inicial do trânsito se consolida em uma das afirmações feministas do projeto: a urgência de uma total abertura de caminhos, uma ode para que corpos de mulheres cis, corpos de pessoas trans, corpos lésbicos e corpos heterossexuais tenham livre trânsito no mundo e na América Latina. A residência de pesquisa autônoma aconteceu entre os meses de dezembro de 2016 e janeiro de 2017, configurando-se em uma viagem pelo território boliviano. Partindo de Santa Cruz de La Sierra, passando por Samaipata, por La Paz e por um período no Lago Titicaca, mais precisamente na Isla del Sol, percebeu-se, por meio de ensinamentos diários e da ativação de questionamentos sobre formas de resistência e atuação micropolítica, a presença da diversidade de saberes provindos dos povos originários. À experiência de viagem somou-se a continuidade dos encontros como grupo de estudos e, após um ano, a residência é materializada em uma exposição organizada por equipes, conscientemente, só de mulheres. Sediada no bairro do Bom Retiro, onde há grande concentração

una de las luchas internacionales del Feminismo Comunitario, movimiento de mujeres bolivianas iniciado por el grupo Mujeres Creando Comunidad, fundado por la activista de origen aymara Julieta Paredes. El movimiento marcha por la despatriarcalización como base para las políticas públicas del país y, al lado de otras iniciativas recientes, como el colectivo Ni Una Menos, de Argentina, se establece como una nueva vertiente dentro de los movimientos feministas en América Latina. El fundamento de la ideología del Feminismo Comunitario es la relación obtenida entre despatriarcalización y descolonización. En el libro El desafío de la despatriarcalización, las feministas comunitárias evidencian que el patriarcado (sistema de todas las opresiones y violencias que vive la humanidad y la naturaleza) contiene la colonización y no lo contrario, ni tampoco son dos sistemas paralelos. La colonización es una herramienta del patriarcado y, por lo tanto, la despatriarcalización comprende la descolonización, convirtiéndose en una de sus tareas fundamentales. Entrar en una visión feminista no occidental, no individualista, que agregue otras subjetividades y otros cuerpos y esté en comunión con la naturaleza, como el Feminismo Comunitario, compone el motivo por el cual la residencia se manifestó en el mundo como trabajo y vivencia. Con el objetivo de cruzar fronteras y, así, disminuirlas, las artistas brasileñas, Denise Alves-Rodrigues, Fernanda Porto, Isadora Brant, Jonas Van Holanda, Júlia Franco Braga, Laura Berbert y Patrícia Araujo, la artista suiza Valentina D’Avenia y las curadoras Beatriz Lemos y Catarina Duncan se encontraron por el interés común en narrativas no occidentales y por la búsqueda de la práctica de espiritualidad y política en el cotidiano. Sin embargo, el impulso inicial del tránsito se consolida en una de las afirmaciones feministas del proyecto: la urgencia de una total apertura de caminos, una oda para que los cuerpos de mujeres cis, los cuerpos de las personas trans, los cuerpos lésbicos y los cuerpos heterosexuales tengan libre tránsito en el mundo y en América Latina. La residencia de investigación autónoma ocurrió entre los meses de diciembre de 2016 y enero de 2017, configurándose en un viaje por el territorio boliviano. Partiendo de Santa Cruz de La Sierra, pasando por Samaipata, por La Paz y por un periodo en el Lago Titicaca, más específicamente en la Isla del Sol, se percibió, por medio de enseñanzas diarias y de la activación de cuestionamientos sobre formas de resistencia y actuación micro-política, la presencia de la diversidad de saberes provenientes de los pueblos originarios. A la experiencia de viaje se sumó la continuidad de los encuentros como grupo de estudios y, después de un año, la residencia se materializa en una exposición organizada por equipos, conscientemente, solo de mujeres.


da comunidade boliviana em São Paulo, a mostra faz alusão direta a referências andinas, tanto pela perspectiva das artistas residentes quanto pelas trocas com interlocutorxs bolivianxs no Brasil e na Bolívia. Para tanto, a expografia e a identidade visual evocam uma dimensão labiríntica semelhante à feira ao ar livre da cidade de El Alto e aos padrões gráficos da arquitetura neo-andina. Os trabalhos reunidos, idealizados durante a experiência de trânsito, derivam de pesquisas desenvolvidas em solo boliviano e se localizam em um universo comum de adivinhação, de criação fantástica, de rituais, oráculos, jogos, mapas e calendários. A partir da presença, ainda tímida, mas crescente, de práticas ancestrais nas sociedades urbanas contemporâneas, foram postos em ação estudos sobre a cosmovisão andina e o contexto político na Bolívia atual, tendo como grande interlocutora a teoria descolonial, especialmente na voz da antropóloga Silvia Cusicanqui. Tais referências nos auxiliam na desautomação do pensamento hegemônico para romper com os padrões adotados e permitir uma reflexão acerca do processo ocidental-colonizador que nações como o Brasil e a Bolívia têm como história. Com uma programação complementar de cursos, palestras, apresentações de dança e música, ações comunitárias e uma feirafesta de abertura, além da escolha por todo conteúdo bilíngue, o ensejo do projeto parte da compreensão das confluências e contradições proporcionadas pela forte presença da cultura boliviana em São Paulo – uma das mais populosas e ativas comunidades na cidade, que conta com quase 200 mil pessoas. Distribuídos por distintas zonas geográficas, bolivianas e bolivianos ocupam e ressignificam praças, bairros e a culinária de São Paulo. Mesmo que dados ainda comprovem – com pesar – a iminência de trabalhos escravos ou subempregos vivenciados por algumas dessas pessoas, nota-se o agenciamento e comprometimento enquanto comunidade, família e união cultural. Tentamos trazer para esta exposição, em forma de guia, essas iniciativas de resistência tão fundamentais para a experiência do ser migrante. Travessias Ocultas – Lastro Bolívia é dedicada a todas as imigrantes e os imigrantes que resistem, a cada dia, nesta cidade.

Con sede en el barrio Bom Retiro, donde hay una gran concentración de la comunidad boliviana en São Paulo, la muestra hace alusión directa a referencias andinas, tanto por la perspectiva de las artistas residentes como por los intercambios con interlocutorxs bolivianxs en Brasil y en Bolivia. Para ello, la expografía y la identidad visual evocan una dimensión laberíntica semejante a la feria al aire libre de la ciudad de El Alto y a los patrones gráficos de la arquitectura neoandina. Los trabajos reunidos, idealizados durante la experiencia de tránsito, derivan de investigaciones desarrolladas en suelo boliviano y se localizan en un universo común de divinación, de creación fantástica, de rituales, oráculos, juegos, mapas y calendarios. A partir de la presencia, aún tímida, pero creciente, de prácticas ancestrales en las sociedades urbanas contemporáneas, se pusieron en acción estudios sobre la cosmovisión andina y el contexto político en la actual Bolivia, teniendo como gran interlocutora la teoría descolonial, especialmente en la voz de la antropóloga Silvia Cusicanqui. Tales referencias nos auxilian en la desautomatización del pensamiento hegemónico para romper con los patrones adoptados y permitir una reflexión acerca del proceso occidentalcolonizador que naciones como Brasil y Bolivia tienen como historia. Con una programación complementaria de cursos, conferencias, presentaciones de baile, música, acciones comunitarias y una feriafiesta de apertura, además de la elección por todo el contenido bilingüe, la oportunidad del proyecto parte de la comprensión de las confluencias proporcionadas por la fuerte presencia de la cultura boliviana en São Paulo – una de las más pobladas y activas comunidades en la ciudad, que cuenta con casi 200 mil personas. Distribuidos en distintas zonas geográficas, bolivianas y bolivianos ocupan y resignifican plazas, barrios y la culinaria de São Paulo. Aunque los datos aún comprueben – con pesar – la inminencia de trabajos esclavos o subempleos vivenciados por algunas de esas personas, se nota el agenciamiento y compromiso como comunidad, familia, y unión cultural. Intentamos traer para la exposición, en forma de guía, esas iniciativas de resistencia tan fundamentales para la experiencia de ser migrante. Travessias Ocultas – Lastro Bolívia es dedicada a todas las inmigrantes y los inmigrantes que resisten, cada día, en esta ciudad.

Beatriz Lemos

Beatriz Lemos


CÓMO USAR ESTA GUÍA

COMO USAR ESTE GUIA Travessias Ocultas – Lastro Bolívia traz como proposta de guia1a um entrosamento conceitual entre as obras, eixos curatoriais e dinâmicas educativas, familiares e individuais com o público, tendo como base a experiência de residência de pesquisa artística na Bolívia realizada pelo grupo de artistas e curadoras deste projeto. O guia é organizado por dez palavras principais – Cosmovisão, Enigma, Paisagem, Política, Reciprocidade, Resistência, Sagrado, Sociedade, Tradução e Travessia –, selecionadas pela curadoria a partir de conceitos-chave trazidos pelas artistas em seus trabalhos. Cada uma dessas palavras-guia contém um texto escrito por autorxs bolivianxs, verbetes escritos pela curadoria, sinopses das obras relacionadas a cada eixo, palavras-chave de cada obra, indicações de outras obras em “Ver também” e três perguntas direcionadas para o público. A seleção de autorxs bolivianxs foi feita por afinidade e interlocução com artistas, antropólogos, pesquisadores e ativistas residentes na Bolívia e no Brasil, e, enquanto alguns textos foram produzidos especialmente para esta publicação, outros foram retirados de bibliografias referenciais para a pesquisa do projeto. Essa estrutura editorial foi pensada para abarcar o uso compartilhado e horizontal do público, pesquisadores, educadores e artistas. Todo o conteúdo presente nos materiais gráficos é bilíngue, com versão em português e em espanhol, visando à maior acessibilidade da comunidade imigrante latino-americana e, consequentemente, à inserção e frequência desse público na mostra.

Travessias Ocultas – Lastro Bolivia trae como propuesta de guía1b una comprensión conceptual entre las obras, ejes curatoriales y dinámicas educativas, familiares y individuais con el público, teniendo como base la experiencia de residencia de investigación artística en Bolivia realizada por el grupo de artistas y curadoras de este proyecto. El guía está organizado en diez palabras principales – Cosmovisión, Enigma, Paisaje, Política, Reciprocidad, Resistencia, Sagrado, Sociedad, Traducción y Travesía –, seleccionadas por la curaduría a partir de conceptos-clave traídos por las artistas en sus trabajos. Cada una de estas palabras-guía contiene un texto escrito por lxs autorxs bolivianxs, artículos escritos por la curaduría, sinopsis de una o dos obras, cinco palabras clave para los trabajos, indicaciones de otras obras relacionas con la misma palabra en ‘‘Ver también’’ y tres preguntas direccionadas al público. La selección de lxs autorxs bolivianxs se basó en la afinidad e interlocución con artistas, antropólogos, investigadores y activistas en Bolivia y Brasil, y, mientras algunos textos fueron producidos especialmente para esta publicación, otros fueron retirados de bibliografías referenciales para la investigación del proyecto. Esta estructura editorial fue pensada para abarcar el uso compartido y horizontal del público, investigadores, educadores y artistas. Todo el contenido presente en los materiales gráficos es bilingüe, con versión en portugués y español, dirigido a una mayor accesibilidad de la comunidad inmigrante latinoamericana y, por tanto, a la inserción y frecuencia de este público en la muestra.

Beatriz Lemos e Catarina Duncan

Beatriz Lemos y Catarina Duncan

1a Este guia tem como referência editorial o Guía para maestros, do artista e crítico uruguaio Luis Camnitzer, publicação produzida para a exposição Bajo un mismo sol: Arte de América Latina hoy com curadoria de Pablo Leon de la Barra dentro do programa Guggenheim UBS MAP Global art iniciative.

1b Este guía tiene como referencia editorial la Guía para maestros, del artista y crítico uruguayo Luis Camnitzer, publicación producida para la exposición Bajo un mismo sol: Arte de América Latina hoy con curaduria de Pablo Leon de la Barra para el programa Guggenheim UBS MAP Global art iniciative.


Não existe “pós” nem “pré” em uma visão da história que não é linear nem teleológica, que se move em ciclos e espirais, que marca um rumo sem deixar de retornar ao mesmo ponto. O mundo indígena não concebe a história linearmente, e o passado-futuro estão contidos no presente: a regressão ou a progressão, a repetição ou a superação do passado estão em jogo em cada conjuntura e dependem dos nossos atos mais que das nossas palavras.

C O S M O V I S Ã O

No hay “post” ni “pre” en una visión de la historia que no es lineal ni teleológica, que se mueve en ciclos y espirales, que marca un rumbo sin dejar de retornar al mismo punto. El mundo indígena no concibe a la historia linealmente, y el pasado-futuro están contenidos en el presente: la regresión o la progresión, la repetición o la superación del pasado están en juego en cada coyuntura y dependen de nuestros actos más que de nuestras palabras. Ch’ixinakax utxiwa: una reflexión sobre prácticas y discursos descolonizadores. Buenos Aires: Tinta Limón, 2010. p. 54.

Silvia Rivera Cusicanqui Antropóloga Antropologa (La Paz, Bolívia • 1949)


¿CÓMO COMENZÓ EL MUNDO? ¿QUIÉNES SON LOS CONTADORES DE NUESTRAS HISTORIAS? ¿CUÁL ES LA SEMEJANZA ENTRE EL CUERPO Y EL COSMOS?

COSMOVISÃO • COSMOVISIÓN Cosmovisão é a maneira de uma cultura entender de forma integrada a relação entre os mundos materiais e espirituais, em conexão com os seres vivos e a natureza, instaurando um diálogo entre matéria-espírito, origem-finalidade. A cultura Inca possui a presença de um vasto panteão de deuses e acredita que mesmo as coisas inanimadas possuem espíritos que, quando evocados, trazem abundância, florescimento e mutação. A Ilha do Sol, localizada no Lago Titicaca, no planalto central andino, foi um grande ponto de referência e inspiração para o desenvolvimento dos projetos da residência. O lago é o umbigo do mundo, considerado o berço das mais antigas civilizações sul-americanas, onde tudo se forma e se transforma. Além do Deus-Sol, Viracocha, Huiracocha ou Apu Kun Tiqsi Wiraqutra, existem cultos a Mama Quilla (a Lua, a serpente e a mãe dos seres da noite), a Mama Zara (milho-mãe), a Mama Lama (lhama-mãe) e a sereias.

La cosmovisión es la manera en que una cultura entiende de forma integrada la relación entre los mundos materiales y espirituales, en conexión con los seres vivos y la naturaleza, instaurando un diálogo entre materia-espíritu, origenfinalidad. La cultura Inca posee la presencia de un amplio panteón de dioses y creen que incluso los objetos inanimados tienen espíritus que, cuando son invocados, traen abundancia, florecimiento y mutación. La Isla del Sol, localizada en el Lago Titicaca, en el altiplano central andino, fue un gran punto de referencia e inspiración para el desarrollo de los proyectos de la residencia. El lago es el ombligo del mundo, considerado la cuna de las más antiguas civilizaciones sudamericanas, donde todo se forma y se transforma. Además del Dios-Sol, Viracocha, Huiracocha o Apu Kun Tiqsi Wiraqutra, existen cultos a la Mama Quilla (la Luna, la serpiente y la madre de los seres de la noche), la Mama Zara (madre del maíz), la Mama Lama (madre de la llama) y las sirenas.

PALAVRAS-CHAVE mito • animismo • apropriação • acaso • perspectivismo PALABRAS CLAVE mito • animismo • apropiación • azar • perspectivismo

COMO O MUNDO COMEÇOU? QUEM SÃO OS CONTADORES DAS NOSSAS HISTÓRIAS? QUAL A SEMELHANÇA ENTRE O CORPO E O COSMOS?

Isadora Brant

TODO CORPO PRODUZ UM DUPLO

2017

Um tecido-painel apresenta diversos materiais costurados em sua superfície, formando uma constelação de fragmentos, inspirados nas mesas divinatórias. Um vídeo construído a partir de textos de autores diversos, acerca de temas como magia, pensamento mitológico e animismo, e imagens captadas na Ilha do Sol e na cidade de La Paz é projetado sobre o mesmo tecido. Os textos foram organizados como legendas, numa lógica de colagem, formando o roteiro para a narrativa audiovisual.

Tecido, retalhos, linha, pedras, graveto, prego e vídeo Tejido, retazos, hilo, piedras, palo, clavo y video 1,60 x 1,40 m

Un panel de tela presenta diversos materiales cosidos en su superficie, formando una constelación de fragmentos, inspirados en las mesas adivinatorias. Un video construido a partir de textos de diversos autores, acerca de temas como la magia, el pensamiento mitológico y el animismo, e imagenes captadas en la Isla del Sol y en la ciudad de La Paz es proyectado sobre la misma tela. Los textos fueron organizados como subtítulos, en una lógica de collage, formando el guión para la narrativa audiovisual.

As legendas do vídeo foram construídas a partir das seguintes obras • Los subtítulos del video fueron construidos a partir de las siguientes obras Isabelle Stengers – artigo Reativar o animismo • Silvia Cusicanqui – documentário Mar Arriba, direção de Julio Ramos • Pedro Cesarino – palestra Objetificação e visualização nas artes ameríndias, durante o seminário Histórias indígenas, realizado pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP) • Mircea Eliade – livro Mito e Realidade (Perspectiva, 1972) • Gaston Bachelard – livro A poética do espaço (Martins Fontes, 1989) • Luisa Elvira Belaunde – palestra A pele da água: O kene Shipibo-Konibo e suas transformações contemporâneas, durante o seminário Histórias indígenas, realizado pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP).


ILHA DA LUA

2017

A partir de filmagens, fotografias, anotações de diário e outras pesquisas, a artista constrói a narrativa de um sonho. Através deste filme relata uma travessia da Ilha do Sol até a Ilha da Lua pelo Lago Titicaca durante a noite. O trajeto se desdobra em um diálogo sobre amizade e liberdade em relação a percepções sutis daquele lugar. A Ilha da Lua, horizonte da travessia, circunda a narrativa enquanto astro de um céu invertido, criado pela água do lago adormecido como um espelho; como lugar de interseção entre o real e o sonho.

Vídeo HD exibido em TV de tubo Video HD exhibido en TV de tubo 5 min 29 seg

A partir de grabaciones, fotografías, anotaciones de diario y otras investigaciones, la artista construye la narrativa de un sueño. A través de esa película, relata una travesía nocturna por el Lago Titicaca desde la Isla del Sol hasta la Isla de la Luna. El trayecto se despliega en un diálogo sobre amistad y libertad en relación a percepciones sutiles de aquel lugar. La Isla de la Luna, horizonte de la travesía, circunda la narrativa como estrella de un cielo invertido, creado por el agua del lago adormecido como un espejo; como lugar de intersección entre lo real y el sueño.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN Breviário Celeste, Denise Alves-Rodrigues • Ilha da Lua, Laura Berbert Innombrable (Objeto I e II), Jonas Van Holanda • Capítulo VIII, Valentina D’Avenia

PALAVRAS-CHAVE lua • ilha • chuva • espelhamento • transformação PALABRAS CLAVE luna • isla • lluvia • espejo • transformación

Laura Berbert

E G

N I M A


Iván Cáceres Arquiteto e artista Arquitecto y artista (La Paz, Bolívia • 1976)

O que no ocidente é visto como doença, nos Andes se considera boas notícias vindas do outro mundo, porque algo está se refazendo. As compreensões gerais ocidentais mencionam “enigma” como algo que não se pode compreender ou que não é possível interpretar, como um conjunto de palavras de sentido encoberto para que a mensagem seja de difícil entendimento. Portanto, é um mistério, já que é algo que não se pode explicar ou que não se consegue descobrir. Se a explicação do enigma sai à luz, o fato ou a coisa em questão deixa de ser um enigma, já que sua compreensão se torna acessível a todas as pessoas. O ocidental perdeu essa ligação com a espiritualidade, não entregou o segredo, em vez disso busca o entendimento da existência. São sociedades sem magia, portanto, tratam de compreender, querem reencontrar uma dimensão sagrada do mundo, com alguém que te leve até a significação da vida, esta ordem das coisas te nega o ingresso a este mundo, por enquanto o segredo é negado... Não exploramos mais que a fina camada das imagens nascentes. Sem dúvida, a imagem mais frágil, a mais inconsistente, pode revelar profundas vibrações. Lo que en el occidente ven como enfermedad, en los Andes se considera como buenas noticias desde el otro mundo porque algo se está rehaciendo. Las comprensiones generales occidentales mencionan “enigma” como algo que no se puede comprender o que no logra interpretarse, como un conjunto de palabras de sentido encubierto para que el mensaje sea de difícil entendimiento, por lo tanto es un misterio ya que es algo que no se puede explicar o que no logra descubrirse, si la explicación del enigma sale a la luz, el hecho o la cosa en cuestión deja de ser un enigma, ya que su comprensión se vuelve accesible para todas las personas. El occidental ha perdido la condición de ese enlace con la espiritualidad, no tiene entregado el secreto, más bien busca el entendimiento de la existencia. Son sociedades sin magia, por lo tanto tratan de comprender, quieren reencontrar una dimensión sagrada del mundo, con alguien que te lleve a la significación de la vida, este orden de las cosas te niega ingresar a este mundo, el secreto te es negado por ahora… No exploramos más que la delgada capa de las imágenes nacientes. Sin duda, la imagen más frágil, la más inconsistente, puede revelar vibraciones profundas.

COMO DESVENDAR UM ENIGMA? QUAL É O MELHOR LOCAL PARA SE GUARDAR UM SEGREDO? COMO ABRIR CANAIS DE COMUNICAÇÃO COM OUTROS PLANOS DE EXISTÊNCIA?

¿CÓMO DESVELAR UN ENIGMA? ¿CUÁL ES EL MEJOR LUGAR PARA GUARDARSE EN SECRETO? ¿CÓMO ABRIR CANALES DE COMUNICACIÓN CON OTROS PLANES DE EXISTENCIA?

ENIGMA Um enigma não se apresenta com facilidade, ele requer esforço e atenção para ser decifrado. Da mesma forma não é possível compreender um novo território por inteiro. Quando entendemos que as escolhas são coletivas e a razão não nos conduz, precisamos consultar outros meios para nos guiar. O medo é inevitável, o desconhecido assusta. Pedindo licença às entidades presentes, abrimos os caminhos através de oráculos, leituras e jogos. Nossa carta era O Mundo, número XXI dos Arcanos Maiores, fertilidade e benção divina. Durante a viagem, as grandes decisões eram tomadas por um jogo de cara ou coroa com pesos bolivianos, além de diversas consultas e ritos com Yatiris e guias espirituais. Tempos e espaços confluem em um aqui e agora para se perceber a sinergia que existe no todo. O universo é uma escrita cifrada, um idioma enigmático, salve Pachamama. Não importa a resposta, o mistério é comum.

Un enigma no se presenta con facilidad, él requiere esfuerzo y atención para ser descifrado. De igual forma no es posible comprender un nuevo territorio enteramente. Cuando entendemos que las decisiones son colectivas y la razón no nos conduce, necesitamos consultar otros medios para guiarnos. El miedo es inevitable, lo desconocido asusta. Pidiendo permiso a las entidades presentes abrimos los caminos a través de oráculos, lecturas y juegos. Nuestra carta era El mundo, número XXI de los Arcanos Mayores, fertilidad y bendición divina. Durante el viaje, las grandes decisiones eran tomadas por un juego de cara o cruz con pesos bolivianos, además de diversas consultas y ritos con Yatiris y guías espirituales. Tiempos y espacios confluyen en un aquí y ahora para percibirse la sinergia que existe en el todo. El universo es una escritura cifrada, un idioma enigmático, salve Pachamama. No importa la respuesta, el misterio es común.


2016/2017

Índice Austral é uma ferramenta para orientar intenções ao Sul. Um pequeno triângulo de argila seca, contendo um sigilo gráfico que foi desenhado em coletivo. Durante a residência errante, Índices Austrais foram deixados em pontos de passagem da viagem, onde cumpriam sua função de direcionar vontades e desejos ao Sul Global.

Argila seca e impressão colorida A3 Arcilla seca y impresión colorida A3 8,00 x 7,00 x 1,00 cm

Índice Austral es una herramienta para orientar las intenciones al Sur. Un pequeño triángulo de arcilla seca, que contiene un sigilo gráfico que fue dibujado en colectivo. Durante la residencia errante, Índices Austrais fueron dejados en puntos de pasada del viaje, donde cumplían su función de direccionar voluntades y deseos al Sur Global.

PALAVRAS-CHAVE euforia • apocalipse • mutação • experimento • hibridismo PALABRAS CLAVE euforia • apocalipsis • mutación • experimento • hibridismo

ÍNDICE AUSTRAL

PALAVRAS-CHAVE mapa • sul • terra • rastro • sigilo PALABRAS CLAVE mapa • sur • tierra • rastro • sigilo

Denise Alves-Rodrigues

Júlia Franco Braga

LAGO CHAMADO APOCALIPSE

2017

Vídeo Video 15 min

Vídeo filmado no Lago Titicaca, Ilha do Sol, Apacheta sul (16°02’24.9”S 69°08’18.7”W).

Video grabado en el Lago Titicaca, Isla del Sol, Apacheta sur (16°02’24.9”S 69°08’18.7”W).

Em uma sociedade pós-tudo, em que o real e o virtual se confundem, utilizamse enigmáticos objetos na tentativa de comunicar-se durante uma atividade híbrida, na qual possíveis rituais iniciáticos buscam um maior alcance do despertar dos sentidos. Espiritualidade e alteração artificial de consciência se associam em nome de uma experiência.

En una sociedad post-todo, donde lo real o virtual se confunden, se utilizan objetos enigmáticos como intento de comunicarse durante una actividad híbrida, en la cual posibles rituales iniciáticos buscan el alcance de un despertar mayor de los sentidos. La espiritualidad y la alteración artificial de conciencia se asocian en nombre de una experiencia.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN SI NO, Patrícia Araujo • Jogo de Questões, Patrícia Araujo e Valentina D’avenia • Breviário Celeste, Denise Alves-Rodrigues • Bichos Artifices, Júlia Franco Braga • Todo corpo produz um duplo, Isadora Brant • Jugando Escribo, Isadora Brant


P S G

A E

I A M

Com relação à paisagem, a Bolívia é um cenário metafísico e atemporal, preso em um desenvolvimento violento, tentando conservar tradições mestiças e uma história subjetiva ao longo do tempo. Nessas paisagens é possível viajar no tempo, caminhando por seu território e tratando de entender seus processos políticos, sociais e culturais. Descobre-se um ambiente que subsiste graças aos seus artistas reflexivos sobre seu contexto, enclausurados, críticos acerca da colonização interna e sobre a dominância de uma só identidade... Artistas em permanente resistência. A Bolívia é um país com aproximadamente 11 milhões de habitantes e com mais de 1 milhão de km², a maior parte da população é radicada na área urbana, e, até a década de 90, era dominada por uma elite branca. Hoje, com sua nova realidade política, destaca-se o surgimento de uma “burguesia chola”, que mantém um discurso de origem pré-colombina e rituais ancestrais, mas com desejos e aspirações de influência global. É por isso que a principal perspectiva da paisagem boliviana é uma viagem constante entre o seu presente, passado e futuro. A Bolívia possui um conjunto de territórios que evolui a cada dia, tentando encaixar-se em um imaginário global de desenvolvimento, ainda apostando na conservação de um patrimônio cultural. Hablando de paisaje, Bolivia es un escenario metafísico y atemporal, atrapado en un desarrollo violento, tratando de conservar tradiciones mestizas y una historia subjetiva a lo largo del tiempo. En estos paisajes puedes viajar en el tiempo caminando su territorio y tratando de entender sus procesos políticos, sociales y culturales. Se descubre un ambiente que subsiste gracias a sus artistas reflexivos hacia su contexto, enclaustrados, críticos hacia la colonización interna y hacia una sola identidad dominante... Artistas en permanente resistencia. Bolivia es un país de aproximadamente 11 millones de habitantes y con más de 1 millón de km², la mayor parte de su población radica en el área urbana, y, hasta los años 90, estaba dominada por una elite blanca. Hoy, con su nueva realidad política, se destaca el surgimiento de una “burguesía chola” que mantiene un discurso de origen precolombino y de ritos ancestrales, pero con deseos y aspiraciones de influencia global. Es por esto que la perspectiva principal del paisaje boliviano es un constante viaje entre su presente, pasado y futuro. Bolivia tiene un conjunto de territorios que evolucionan día a día, buscando encajar en un imaginario global de desarrollo, aún apostando por la conservación de un patrimonio cultural.

Matecha Rojas Curadora (La Paz, Bolívia • 1968)

Eduardo Suarez Pesquisador Investigador (La Paz, Bolívia • 1987)


¿CUÁNTAS CURVAS TIENE EL CUERPO? ¿CÓMO EL CUERPO SE VUELVE PAISAJE? ¿ES POSIBLE COMUNICARSE CON LA MONTAÑA?

PAISAGEM • PAISAJE A paisagem é uma invenção ocidental que surge no século XV e aparece na prática pictórica como retrato mítico (bíblico) ou utópico (no Renascimento) de realidades distantes. As iconografias europeias representam a paisagem como algo que não sai da dimensão do quadro, por mais que toque o artista. A natureza, fora do campo religioso, é percebida como algo a ser domesticado e possuído (algo parecido com o que chamamos hoje de perspectiva geopolítica). Mostra-se necessário renunciar a certos padrões de comportamento adquiridos anteriormente para alcançar a percepção de que a natureza não está fora de nós e de que é preciso cultivar uma contraiconografia da paisagem ocidental. Deste modo, entenderemos que somos paisagem e estamos em constante movimento. A natureza não é estática, ela é travessia. As experiências topológicas e geográficas que o território boliviano nos proporcionou confirmam que a escala nos é diferente e, assim, suas formas de entendimento. A paisagem em movimento acontece junto com o corpo, como o serpentear da cobra ou o voo do condor.

El paisaje es una invención occidental que surgió en el siglo XV y aparece en la práctica pictórica como método de cuantificación de las posesiones terrenales o como un retrato mítico (bíblico) o utópico (en el Renacimiento) de realidades distantes. Las iconografías europeas representan el paisaje como algo que no sale de la dimensión del cuadro, aunque conmueva al artista. La naturaleza, fuera del campo religioso, es percibida como algo que se debe domesticar y poseer (algo parecido a lo que hoy llamamos de perspectiva geopolítica). Se muestra necesaria la renuncia a ciertos patrones de comportamiento previamente adquiridos para llegar a la percepción de que la naturaleza está fuera de nosotros y que es necesario cultivar una contra-iconografía del paisaje occidental. Así, entenderemos que nosotros somos paisaje y que estamos en constante movimiento. La naturaleza no es estática, es travesía. Las experiencias topológicas y geográficas que el territorio boliviano nos proporcionó confirman que la escala es diferente para nosotros y, por eso, también sus formas de entendimiento. El paisaje en movimiento ocurre junto con el cuerpo, como el serpentear de la serpiente o el vuelo del cóndor.

PALAVRAS-CHAVE linha • loxodromia • bússola • orientação • Sul PALABRAS CLAVE línea • loxodromia • brújula • orientación • Sur

QUANTAS CURVAS TEM O CORPO? COMO O CORPO TORNA-SE PAISAGEM? É POSSÍVEL COMUNICAR-SE COM A MONTANHA?

Fernanda Porto

TOPOGRAFIA DE IMPRECISÃO

2017

Carvão, ferro, adesivo, vídeo, vidro, cortiça, água do mar e ouro • Carbón, hierro, adhesivo, video, vidrio, corteza, agua del mar y oro • 170 x 60 cm, 10 min

Na geometria, a loxodromia é descrita como uma curva que corta um feixe de planos mantendo sempre um mesmo ângulo. Aplicada ao campo das navegações, essa curva corresponde à distância mínima de um percurso entre dois pontos da Terra. Partindo desse estudo, a artista buscou por linhas durante a permanência em território boliviano. Em seu percurso, surgiram caminhos, curvas, falhas, traços, riscos que se encontraram na paisagem e no corpo, mesclando-se, confundindo-se e, logo, seguindo-se. Portanto, buscar linhas nesse trajeto não significou estabelecer precisões. Se o plano inicial era cartesiano, seu desenho em viagem se fez sinuoso, determinando uma topografia imprecisa, nessa zona geologicamente inestable. A linha perpassa a palavra, o corpo boia como estratégia de sobrevivência e a bússola se apresenta como objeto de precisão e ficção de um sul a ser alcançado.

En la geometría, la loxodromia se describe como una curva que corta un haz de planos manteniendo siempre un mismo ángulo. Aplicada al campo de la navegación, esa curva corresponde a la distancia mínima de un recorrido entre dos puntos de la tierra. A partir de ese estudio, la artista buscó líneas durante la permanencia en el territorio boliviano. En su recorrido, surgieron caminos, curvas, fallas, rasgos, riesgos que encontraron en el paisaje y en el cuerpo, mezclándose, confundiéndose y, luego, siguiendo. Por lo tanto, buscar líneas en este trabajo significó establecer precisiones. Si el plano inicial era cartesiano, su dibujo en el viaje se hizo sinuoso, determinando una topografía imprecisa, en esa zona geologicamente inestable. La línea pasa por la palabra, el cuerpo boya como estrategia de sobrevivencia y la brújula se presenta como objeto de precisión y ficción de un sur a ser alcanzado.


DESFAZENDO EM ILHA

2017

A Ilha da Lua e a Ilha do Sol são duas ilhas do Lago Titicaca que se encontram uma em frente à outra. Com a ajuda de uma pequena pedra coletada na Ilha da Lua, a artista desfaz uma montanha de terra na Ilha do Sol. O corpo, habituado ao continente, se percebeu sem fôlego, sem borda, imerso numa paisagem rarefeita e num processo contraditório de dissolução e (re)composição com a paisagem. É possível resistir como a natureza? O que o encontro entre a ilha e o corpo produz? Em que momento o lago tomou a proporção do lago? Movida por essas questões, a ação é pensada como uma via de (re)encontro com a terra. Um corpo-montanha é desfeito enquanto se compõe em outra forma.

Vídeo HD Video HD 20 min

La Isla de la Luna y la Isla del Sol son dos islas del Lago Titicaca que se encuentran una enfrente de la otra. Con ayuda de una pequeña piedra recogida en la Isla de la Luna, la artista deshace una montaña de tierra en la Isla del Sol. El cuerpo, habituado al continente, se percibió sin aliento, sin borde, inmerso en un paisaje enrarecido y en un proceso contradictorio de disolución y (re)composición con el paisaje. ¿Es posible resistir como la naturaleza? ¿Qué produce el encuentro entre la isla y el cuerpo? ¿En qué momento el lago tomó la proporción del lago? Movida por esas preguntas, la acción es pensada como una vía de (re)encuentro con la tierra. Un cuerpo-montaña es deshecho mientras se compone en otra forma.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN Lago chamado apocalipse, Júlia Franco Braga • Ilha da Lua, Laura Berbert • Atravessia, Fernanda Porto e Laura Berbert

PALAVRAS-CHAVE corpo • fôlego • ilha • montanha • resistência PALABRAS CLAVE cuerpo • aliento • isla • montaña • resistencia

Patrícia Araujo

P Í C

O T

L I A


Max Jorge Hinderer Cruz Filósofo, escritor e curador Filósofo, escritor y curador (Santa Cruz de la Sierra, Bolívia • 1980)

Como poucos outros países, a Bolívia conta com uma história exemplar de insurgências e movimentos anticoloniais e descoloniais, de considerável impacto tanto na política quanto na produção de conhecimento. (...) Por isso é importantíssimo ressaltar a importância de agentes culturais e artísticos, que têm buscado desafiar a construção do visível e do invisível no que é a relação entre cultura e política e têm sabido atravessar as distintas camadas sociais no país, sem subjulgar os mecanismos de representação da arte burguesa nem a sua lógica colonial. E esses, na Bolívia, não têm feito falta. Do século XVI ao século XXI, de Guamán Poma de Ayala a Lórgio Vaca, de Túpac Katari a Fausto Reinaga, de Silvia Rivera Cusicanqui ao Taller de Historia Oral Andina, de Jorge Sanjinés, Beatriz Azurduy Palacios e o grupo UKAMAU às Mujeres Creando, a Bolívia evidencia uma eterna matriz de “matéria política viva”, de criação e rebeldia em movimento. A complexa trama de história, ancestralidade e de resistência ao processo colonizador sem dúvida tem criado um verdadeiro clima de revolução cultural no país que, expressando-se irreverentemente na nossa contemporaneidade, assim como o peso do passado que carregamos nas nossas costas, se projeta incessantemente para o futuro. Como pocos otros países, Bolivia cuenta con una ejemplar historia de insurgencias y movimientos anti-coloniales y des-coloniales, de considerable impacto tanto en la política como en la producción de conocimiento. (...) Por eso es importantísimo resaltar la importancia de agentes culturales y artísticos, que han buscado desafiar la construcción de lo visible e invisible en lo que es la relación de cultura y política y que han sabido atravesar las distintas camadas sociales en el país, sin subyugarse a los mecanismos de representación del arte burgués ni a su lógica colonial. Y estos en Bolivia no han hecho falta. Del siglo XVI al siglo XXI, desde Guamán Poma de Ayala a Lórgio Vaca, de Túpac Katari a Fausto Reinaga, de Silvia Rivera Cusicanqui al Taller de Historia Oral Andina, de Jorge Sanjinés, Beatriz Azurduy Palacios y el grupo UKAMAU a las Mujeres Creando, Bolivia evidencia una eterna matriz de “materia política viva”, de creación y rebeldía en movimiento. El tejido complejo de historia, ancestralidad y de resistencia al proceso colonizador, han sin duda creado un verdadero clima de revolución cultural en el país que se expresa irreverentemente en nuestra contemporaneidad, e igual al peso del pasado que llevamos en nuestras espaldas se proyecta incesantemente al futuro.

COMO PROVOCAR E TRANSFORMAR DIARIAMENTE O SEU ENTORNO? O QUE É POLÍTICA? O QUE PODE EXISTIR ENTRE O SIM E O NÃO?

¿CÓMO PROVOCAR Y TRANSFORMAR SU ENTORNO TODOS LOS DÍAS? ¿QUÉ ES LA POLÍTICA? ¿QUÉ PUEDE EXISTIR ENTRE EL SÍ Y EL NO?

POLÍTICA Política é o exercício cotidiano de se manifestar e acontece dentro e fora de nossos corpos. Percebe-se na Bolívia uma concepção própria de se entender e fazer política: ela sempre deve seguir o ideal comunitário, seja na construção coletiva de moradias entre vizinhos ou na posição político-partidária pintada no próprio muro de casa. A estrutura política colonial ainda vigente em toda América Latina é excludente e, por isso, não encontra lugar nesse país que visa o fazer político como parte integrante da vida. A desconstrução do entendimento ocidental de política é urgente, para que seja possível considerar o direito da Terra e o direito à Terra. Desde o feminismo comunitário até a justiça ecológica, vimos surgir na Bolívia uma política em que a coexistência se torna possível. O corpo coletivo descentraliza o indivíduo e o sistema do capital para apresentar um modo de viver alternativo que, conhecido como suma qamaña, nhandereko ou “bem viver”, propõe a harmonia entre os seres em comunidade.

La política es el ejercicio cotidiano de manifestarse y ocurre dentro y fuera de nuestros cuerpos. En Bolivia se percibe una concepción propia de entender y hacer política: ella siempre debe seguir el ideal comunitario, bien sea en la construcción colectiva de viviendas entre vecinos o en la posición político-partidaria pintada en el propio muro de la casa. La estructura política colonial aún vigente en toda América Latina es excluyente y, por eso, no encuentra lugar en ese país que orienta su quehacer político como parte integral de la vida. la desconstrucción del entendimiento occidental de la política es urgente, para que sea posible considerar el derecho de la Tierra y el derecho a la Tierra. Desde el feminismo comunitario hasta la justicia ecológica, vemos surgir en Bolivia una política donde la coexistencia se vuelve posible. El cuerpo colectivo descentraliza al individuo y al sistema del capital para presentar un modo de vivir alternativo que, conocido como suma qamaña, nhandereko o “buen vivir”, propone la armonía entre los seres en comunidad.


SI NO*

2017

Caixas de madeira, cartas de papel e caneta Cajas de madera, cartas de papel y bolígrafo Dimensões variadas • Dimensiones variables

Em 2016, Evo Morales lançou um plebiscito que muda a constituição e garante a possibilidade de tentar um quarto mandato. Ao rejeitar o “NÃO” votado pela maioria, Morales recorreu ao congresso e concorrerá às eleições em 2018. Ao percorrer algumas ruas de La Paz e El Alto, a artista observou a aparição das palavras “SI” e “NO” estampadas nos muros das cidades. Muitas vezes rasurados ou sobrepostos, os escritos se tornam manchas, sugerindo uma terceira palavra entre o “sim” e o “não”. Com a interseção destas duas palavras, Patrícia Araujo propõe um jogo/oráculo, no qual participante faz uma pergunta e retira uma carta. As cartas-respostas variam entre “SI”, “NO” ou “SINO”. Em português, “SINO” seria “mas” ou “no entanto”.

En 2016, Evo Morales lanzó un plebiscito que cambiaría la constitución, garantizando la posibilidad de su candidatura al cuarto mandato para las elecciones presidenciales. Al rechazar el “NO” votado por la mayoría, Morales recurrió al congreso y va a concurrir en las elecciones de 2018. Recorriendo algunas rutas de La Paz y de El Alto, la artista observó la aparición de las palabras “SI” y “NO” estampadas en los muros de las ciudades. Muchas veces rasgados o superpuestos, los escritos se vuelven manchas, sugiriendo una tercera palabra entre el “sí” y el “no”. Con la intersección de estas dos palabras, Patrícia Araujo propone un juego/oráculo en el cual el participante hace una pregunta y retira una carta. Las cartas-respuesta varían entre “SÍ”, “NO” y “SINO”. En portugués, “SINO” sería “mas” o “no entanto”.

*Em colaboração con Iván Cáceres

* En colaboración com Iván Cáceres

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN Vasos comunicantes, Fernanda Porto • Bichos Artífices, Júlia Franco Braga • Pasamontaña, Patrícia Araujo

PALAVRAS-CHAVE cidade • jogo • tradução • oráculo • anunciação PALABRAS CLAVE ciudad • juego • traducción • oráculo • anunciación

Patrícia Araujo

R E C P R C I A D

I O D E


Fernanda Peñarrieta Socióloga e Bruxa de Luz Socióloga y Bruja de Luz (Tarija, Bolívia • 1979)

A reciprocidade não é nada mais que a consciência cíclica do dar e receber da terra presente nos distintos seres que a habitam em diferentes planos dimensionais. A reciprocidade é contínua,fluxo de energia constante e interação entre duas polaridades: masculino-feminino, céu-terra, dentro-fora, frio-calor, seco-molhado. A partir dessa interação a criação é possível: o terceiro, a margem entre polaridades, o novo que se gera. Ter consciência da reciprocidade, despertar-se diante deste evento cotidiano, nos gera a possibilidade de refletir e ritualizar o ato de tirar da terra aquilo que precisamos: desde as necessidades espirituais até as materiais. Na Bolívia, antes de começar a plantar, a construir, a lutar... reservamos um tempo e um espaço para pedir a benção e a permissão da terra, entregando-lhe nossa melhor colheita, a bebida que ela gosta, sementes, flores e doces. Damos para pedir a permissão de poder receber. Para nunca esquecer que é um ciclo constante de retroalimentação, em cada primeira sexta-feira do mês, em cada terça-feira de ch’alla, em cada data estabelecida de acordo com os calendários agrícolas e religiosos, repetimos esse ato sagrado convertido em festa. La reciprocidad no es más que la conciencia cíclica del dar y recibir de la tierra hacia las distintos seres que la habitan desde diferentes planos dimensionales. La reciprocidad es continua, flujo de energía constante e interacción entre dos polaridades: masculino-femenino, cielo-tierra, dentro-fuera, frío-calor, seco-mojado. A partir de esa interacción es posible la creación: el tercero, el borde entre polaridades, lo nuevo que se genera. Tener consciencia de la reciprocidad, estar despiertos ante este evento cotidiano, nos genera la posibilidad de reflexionar y de ritualizar el acto de tomar de la tierra lo que necesitamos: desde necesidades espirituales hasta las materiales. En Bolivia antes de empezar a sembrar, a construir, a luchar... nos damos el tiempo y espacio para pedir bendición y permiso a la tierra, entregando nuestra mejor cosecha, la bebida que a ella le gusta, semillas, flores y dulces. Damos para pedir permiso de poder recibir. Para no olvidar nunca que es un ciclo de constante retroalimentación, cada primer viernes del mes, cada martes de ch’alla, cada fecha establecida según los calendarios agrarios y religiosos, repetimos este acto sagrado convertido en fiesta.

VOCÊ SE MOVE PELO OUTRO? COMO CONVIVEMOS COM A TERRA? O QUE VOCÊ NÃO SABERIA RESPONDER?

¿USTED SE MUEVE POR EL OTRO? ¿CÓMO CONVIVIMOS CON LA TIERRA? ¿QUÉ ES LO QUE USTED NO SABRÍA RESPONDER?

RECIPROCIDADE • RECIPROCIDAD A reciprocidade é uma prática histórica das comunidades rurais aymara e quéchua, também conhecida como el ayni, e se apresenta como um sistema econômico-social. Nas comunidades bolivianas, o apoio e auxílio dos vizinhos são fundamentais, principalmente para a construção de casas, no plantio e na colheita, criando-se assim um sistema de auxílio, confiança e irmandade. As pessoas que receberam ajuda terão a responsabilidade de devolver o gesto reciprocamente. Esse é um exemplo prático para uma estrutura dialógica que possibilita a complementação. Da mesma forma acontece na natureza, nas relações entre sagrado e profano, matéria e espírito em que essas ideias são compreendidas de forma não binária e complementar. Trata-se de uma relação e, como qualquer relação, está orientada pela reciprocidade.

La reciprocidad es una práctica histórica de las comunidades rurales aymara y quechua, también conocida como el ayni, y se presenta como un sistema socioeconómico. En las comunidades bolivianas, el apoyo y auxilio de los vecinos son fundamentales, principalmente para la construcción de casas, en la plantación y en la cosecha, creándose así un sistema de auxilio, confianza y hermandad. Las personas que recibieron ayuda tendrán la responsabilidad de devolver el gesto recíprocamente. Este es un ejemplo práctico para una estructura dialógica que posibilita la complementariedad. De la misma forma ocurre con la naturaleza, en las relaciones entre sagrado y profano, materia y espíritu en que esas ideas son comprendidas de forma no binaria y complementaria. Se trata de una relación y, como cualquier relación, está orientada por la reciprocidad.


2017

Concreto, led, pneu, vidro, fonte e adesivos Concreto, led, neumático, vidrio, fuente y pegatinas Dimensões variadas • Dimensiones variables

“Ser homem, (artífice), é alterar os objetos com técnicas sempre outras, a fim de alterar-se a si próprio.”*

“Ser hombre, (artífice), es alterar los objetos siempre con otras técnicas, con el fin de alterarse a sí mismo.”*

Trata-se de uma instalação feita a partir de fotografias que busca explorar o estado psicossocial fragmentado e refratado. Exigências psíquicas e ideológicas do mundo imaterial com o mundo material da Bolívia contemporânea. A partir de derivas nas cidades de La Paz e El Alto, a artista coleta imagens e materiais que compõem uma espécie de suporte imagético daquele espaço.

Se trata de una instalación hecha a partir de fotografías que busca explorar el estado psicosocial fragmentado y retratado. Las exigencias psíquicas e ideológicas del mundo inmaterial con el mundo material de la Bolivia contemporánea. A partir de derivas en las ciudades de La Paz y El Alto, la artista recoge imágenes que componen una especie de soporte magnético de aquel espacio.

PALAVRAS-CHAVE retórica • diálogo • absurdo • surdez • escuta PALABRAS CLAVE retórica • diálogo • absurdo • sordera • escucha

BICHOS ARTÍFICES

PALAVRAS-CHAVE migração • etcétera • mutação • artifício • transhumano PALABRAS CLAVE migración • etcétera • mutación • artificio • transhumano

Júlia Franco Braga

Patrícia Araujo e Valentina D’Avenia

JOGO DE QUESTÕES

2017

Duas pessoas sentadas frente a frente se fazem perguntas e nunca se dão respostas. A dinâmica se torna um jogo de diálogo ou um monólogo de questões contínuas, cada pergunta é respondida apenas por outra pergunta e, quando postas em contexto sequencial, causam um efeito inquietante ou absurdo. A ação será performada ao vivo, com uma atualização das perguntas depois de um ano da residência ter acontecido. Localizadas em um lugar comum do Sesc Bom Retiro, as artistas iniciam o jogo e o áudio é transmitido pelo espaço por sistema de som. Ativação da proposta “Peça de questões”, do livro Grapefruit (1964) de Yoko Ono.

* Título retirado da transcrição da palestra O Homem enquanto Artifício, de Vilém Flusser. Disponível em: <http://www.arquivovilemflussersp.com.br/ vilemflusser/?p=595>. Acesso em: 28 dez. 2017.

* Título retirado de la transcripción de la conferencia O Homem enquanto Artifício, de Vilém Flusser. Disponible en: <http:// www.arquivovilemflussersp.com.br/ vilemflusser/?p=595>. Acceso el: 28 dic. 2017.

Performance

Dos personas sentadas frente a frente se hacen preguntas y nunca se dan respuestas. La dinámica se convierte en un juego de diálogo o un monólogo de cuestionamientos continuos, cada pregunta es respondida apenas por otra pregunta y, cuando se colocan en un contexto secuencial, causan un efecto inquietante o absurdo. La acción será presentada en vivo, con una actualización de las preguntas después de un año de haber ocurrido la residencia. Localizadas en un lugar común del Sesc Bom Retiro, las artistas inician el juego y el audio es transmitido por el espacio a través de un sistema de sonido. Activación de la propuesta “Peça de questões”, del libro Grapefruit (1964) de Yoko Ono.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN SI NO, Patrícia Araujo • Todo corpo produz um duplo, Isadora Brant • Innombrable (Objeto I), Jonas Van Holanda


R E I S Ê C I

S T N A

Deveria empreender a travessia, atravessar através dos medos e das inseguranças que são um muro, duro e impenetrável, às vezes físico, às vezes não. Muro insensível, sempre presente no vento que gela a pele quando as fronteiras se cruzam. Ia embora do país, deixava seres queridos que nem souberam de sua partida. Amarrou forte um nó no aguayo que, como um ventre estendido e colorido, abrigou todas as coisas que ela queria levar. O nó do aguayo fechava também as memórias ancestrais de seu povo, que iam presas no maravilhoso tecido que cobria seu coração doído. Sem dúvida ia deixar muitos órfãos; coisas, lugares, sentimentos, esses abandonos iam pesar muito ao carregá-los nas costas. Era uma dor dupla, uma por todas as coisas que vão embora e outra pelas que ficam. Migrar é colocar o corpo no deslocamento e na travessia de territórios. As pessoas se movem de um lado a outro o tempo todo, mas a palavra migrar define uma condição política imposta pelo capitalismo, para oprimir, explorar, discriminar mais às pessoas. Migrantes são corpos vulnerabilizados, muito mais se são mulheres migrantes. Irmãs e irmãos, lembrem-se de que vocês podem sempre desatar o nó e deixar sair as memórias de luta, de dignidade, de esperanças, de processos de mudança para viver bem. Disso se trata a vida: viver bem. Debía emprender la travesía, atravesar a través de los miedos y las inseguridades que son un muro, duro e impenetrable, a veces físico, a veces no. Muro insensible, siempre presente en el viento que hiela la piel cuando se cruzan las fronteras. Se iba del país, dejaba seres queridos que ni se enteraron de su partida. Amarró fuerte un nudo en el aguayo que como vientre extendido colorido cobijó todas las cosas que ella quería llevar. El nudo del aguayo cerraba también las memorias ancestrales de su pueblo, que se irían prendidas en el maravilloso tejido que cubriría su corazón dolido. Sin duda que iba a dejar muchos huérfanos; cosas, lugares, sentimientos, esos abandonos iban a pesar mucho al cargarlos en la espalda. Era un dolor doble, uno por todas las cosas que se van y otro por las que se quedan. Migrar es poner el cuerpo en el traslado y la travesía de territorios. Todo el tiempo la gente se mueve de un lado para el otro, pero la palabra migrar define una condición política impuesta por el capitalismo, para oprimir, explotar y discriminar más a las personas. Migrantes son cuerpos vulnerabilizados, mucho más si son de mujeres migrantes. Hermanas y hermanos, recuerde que siempre pueden desatar el nudo y dejar salir las memorias de luchas, de dignidad, de esperanzas, de procesos de cambio para vivir bien. De eso se trata la vida: vivir bien.

Julieta Paredes Feminismo Comunitário Feminismo Comunitario (La Paz, Bolívia • 1968)


¿ES NECESARIA LA FUERZA PARA RESISTIR (Y EXISTIR)?

POR ONDE COMEÇAR A DESATAR UM EMARANHADO DE NÓS? O QUE É PRECISO PARA ATRAVESSAR UMA FRONTEIRA?

¿POR DÓNDE COMENZAR A DESATAR UN ENREDO DE NUDOS? ¿QUÉ ES NECESARIO PARA CRUZAR UNA FRONTERA?

RESISTÊNCIA • RESISTENCIA São muitas as formas de resistir: seja pela luta que se faz de forma consciente e proposital, seja por uma demanda externa que acarreta uma impossibilidade de escolha. Contudo, todas as formas de resistir partem de uma urgência da sobrevivência. A migração é uma delas, como também o corpo da mulher cis e o corpo trans. Exercer o direito de ir e vir é resistência. Reivindicar o direito de decisão sobre o próprio corpo é resistência. A compreensão de que toda opressão, seja ela de gênero, raça ou classe, passa necessariamente pelo crivo do patriarcado proporciona a identificação de mecanismos que geram a submissão e a violência, ativando assim o engajamento na resistência enquanto ação política. A descolonização só se torna factível a partir da despatriarcalização, como orienta uma das vertentes do feminismo na Bolívia. Resistência é a luta diária em que os limites individuais são constantemente ressignificados.

Son muchas las formas de resistir: ya sea por la lucha que se hace de forma consciente y propositiva, o por una demanda externa que acarrea una imposibilidad de elección. Sin embargo, todas las formas de resistir parten de una urgencia de sobrevivencia. La migración es una de ellas, como también el cuerpo de la mujer cis y el cuerpo trans. Ejercer el derecho de ir y venir es resistencia. Reivindicar el derecho de la decisión sobre el propio cuerpo es resistencia. La comprensión de que toda opresión, bien sea de género, raza o clase, pasa necesariamente por la crítica del patriarcado proporciona la identificación de mecanismos que generan sumisión y violencia, activando así el compromiso de la resistencia como acción política. La descolonización sólo se vuelve factible a partir de la despatriarcalización, como indica una de las vertientes del feminismo en Bolivia. La resistencia es una lucha diaria en la que los límites individuales son constantemente resignificados.

PALAVRAS-CHAVE viagem • lua • coragem • sonho • travessia PALABRAS CLAVE viaje • luna • coraje • sueño • travesía

É PRECISO FORÇA PARA RESISTIR (E EXISTIR)?

Laura Berbert

A LUA & A FORÇA

2017

Publicação-correspondência elaborada a partir do caderno de viagem, contendo narrativas sobre o corpo em trânsito, relatos de sonhos, anotações e reflexões sobre a travessia enquanto busca e efêmera possibilidade de experimentação – o deslocamento enquanto via de compreensão – do corpo e das forças que o atravessam. A lua & a força é uma carta escrita a partir de textos e imagens relacionando a lua e sua simbologia à condição do corpo da mulher em trânsito.

Publicação offset Publicación offset 64 páginas • 11 x 16,2 cm

Publicación-correspondencia elaborada a partir del cuaderno de viaje, conteniendo narrativas sobre el cuerpo en tránsito, relatos de sueños, anotaciones y reflexiones sobre la travesía como una búsqueda y efímera posibilidad de experimentación – el desplazamiento como vía de comprensión – del cuerpo y de las fuerzas que lo atraviesan. A lua & a força es una carta escrita a partir de textos e imágenes relacionadas a la luna y su simbología asociada al cuerpo de la mujer en tránsito.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉM Desfazendo em Ilha, Patrícia Araujo • Jogo de questões, Patrícia Araujo e Valentina D’Avenia


S G D

R

A A O

Para mim, existe algo de sagrado na cultura andina que me remete à La Cancha, o maior mercado popular da minha cidade, Cochabamba. Esse mercado se estende por várias quadras da zona sul. A profusão de imagens, a desordem organizada, os pontos de venda ecléticos e, sobretudo, a vibração das cores, me dão a sensação de caminhar em um cemitério no dia dos mortos ou de entrar em uma igreja barroca de São Francisco em La Paz. Lembro-me de ter visto, há alguns, anos um documentário sobre homens e mulheres médicas de distintos países. Em determinado momento, mostravam as práticas de um curandeiro da zona do Lago Titicaca. A simplicidade e a força de seus gestos me surpreenderam: não havia nenhuma afetação. Tudo era muito natural. Os gestos de benzer ou invocar participavam do cotidiano de uma forma muito verdadeira. Uma das características mais intensas da prática do sagrado na Bolívia é a sua relação com o mestiço, a hibridização e, sobretudo, uma capacidade ímpar de transformar criativamente os modelos. As formas de representar, habitar e praticar o sagrado tendem sempre a gerar uma linha difusa, a distanciar-se do habitual, para nos mostrar que essa relação é sempre mais próxima do que imaginamos. Para mí hay algo de lo sagrado de la cultura andina que me remite a La Cancha, el mercado popular más grande de mi ciudad, Cochabamba. Este mercado se extiende por varias cuadras de la zona sur. La profusión de imágenes, el desorden organizado, lo ecléctico de los puestos de venta y, sobre todo, la vibración de los colores, me dan la sensación de caminar en un cementerio el día de los muertos o de entrar a la iglesia barroca de San Francisco en La Paz. Recuerdo hace unos años ver un documental sobre hombres y mujeres médicas de distintos países. A cierta altura se mostraban las prácticas de un curandero de la zona del Lago Titicaca. Me sorprendió la simplicidad y fuerza de sus gestos: no había ninguna afectación. Era todo muy natural. Los gestos de bendecir o invocar participaban de lo cotidiano de una forma muy verdadera. Una de las características más intensas de la práctica de lo sagrado en Bolivia es su relación con lo mestizo, la hibridación y, sobre todo, una capacidad impar para transformar modelos creativamente. Las formas de representar, habitar y practicar lo sagrado tienden siempre a generar una línea difusa, a correrse de lo habitual, para mostrarnos que esa relación siempre es más próxima de lo que nos imaginamos.

Bernardo Zabalaga Artista e xamã Artista y chamán (Cochabamba, Bolívia • 1978)


¿CÓMO HACER PARA ESCUCHARSE? ¿LOS CICLOS DE LA VIDA SERÍAN CAPÍTULOS DE UN LIBRO? ¿CUÁLES SON TODAS LAS PALABRAS POSIBLES PARA HABLAR DE UNA SOLA COSA?

SAGRADO Utilizar a intuição é exercitar o sagrado em nós. Em viagem, vivemos a integração da terra com o ser, da alma com o corpo, do corpo individual com o coletivo. O sagrado está em tudo. O culto a Pachamama nos ensina o retorno à terra, às nossas avós e avôs e às sabedorias ancestrais. Assumimos o tempo como essa espiral girando no vazio e desejamos a abertura de portais energéticos. Muitos dos projetos desenvolvidos em residência adentram uma busca por mitologias, ancestralidades, rituais e saberes ocultos. Quando se faz uma pergunta, se encontra a resposta, quando algo é reconhecido, passa a existir. A vibração energética da Bolívia é contagiante para quem a recebe. Os caminhos eram escutados e, dessa forma, nos guiamos. O processo é fixo, mas intuitivo. Entendemos que a vida de todo ser se resume em expansão e contração.

Utilizar la intuición es ejercitar lo sagrado en nosotros. Durante el viaje, vivimos la interacción de la tierra con el ser, del alma con el cuerpo, del cuerpo individual con el colectivo. Lo sagrado está en todo. El culto a la Pachamama nos enseña el retorno a la tierra, a nuestras abuelas y abuelos y a las sabidurías ancestrales. Asumimos el tiempo como esa espiral girando en el vacío y deseamos la apertura de portales energéticos. Muchos de los proyectos desarrollados en residencia se adentran en una búsqueda por las mitologías, ancestralidades, rituales y saberes ocultos. Cuando se hace una pregunta, se encuentra una respuesta, cuando se reconoce algo, pasa a existir. La vibración energética de Bolivia es contagiosa para quien la recibe. Los caminos eran escuchados y, de esa forma, nos guiamos. El proceso es fijo, pero intuitivo. Entendemos que la vida de todo ser se resume en expansión y contracción.

PALAVRAS-CHAVE sacrilégio • repetição • invocação • subversão • sacro PALABRAS CLAVE sacrilegio • repetición • innovación • subversión • sacro

COMO FAZER PARA SE ESCUTAR? OS CICLOS DA VIDA SERIAM CAPÍTULOS DE UM LIVRO? QUAIS SÃO TODAS AS PALAVRAS POSSÍVEIS PARA SE FALAR DE UMA SÓ COISA?

Jonas Van Holanda

INNOMBRABLE (OBJETO 1)

2017

A semântica da palavra DIABO é uma referência colonial na América Latina, não existindo uma tradução para o aymara. O medo instaurado e compartilhado através do catolicismo e das missões jesuítas europeias deslegitimou todas as manifestações religiosas dos povos originários, desenhadas pelos colonizadores como O Mal. Catalogar todos os sinônimos possíveis para DIABO não é nada além de uma repetição fadada a uma perda semântica. Ou a um ganho sentimental. Deus não é indivisível, mas europeu.

Áudio em loop Áudio en loop Dimensões variáveis • Dimensiones variables

La semántica de la palabra DIABLO es una referencia colonial en Latinoamérica, no existiendo una traducción al aymara. El miedo instaurado y compartido a través del catolicismo y de las misiones jesuíticas europeas deslegitimó todas las manifestaciones religiosas de los pueblos originarios, dibujadas por los colonizadores como El Mal. Catalogar todos los sinónimos posibles para DIABLO no es nada más que una repetición destinada a una pérdida semántica. O a una ganancia sentimental. Dios no es indivisible sino europeo.


CAPÍTULO VIII

2017

É preciso alimentar a terra antes de construir. Na Bolívia, acredita-se que sacrifícios e oferendas à Mãe Terra são necessários antes das construções arquitetônicas. Aqui, uma parede de terra crua foi construída com a técnica milenar do adobe: tijolos de terra crua, água e palha. Os tijolos foram produzidos manualmente durante um retiro de sete dias no qual a artista ficou em contato contínuo com a terra, em um ritual de transformação do corpo individual, em oferenda ao corpo coletivo. Capítulo VIII é o capítulo que se inicia após um primeiro ciclo de sete. Testemunho, prova e incentivo ao renascimento simbólico a partir do ensino telúrico, que convida cada ser humano a pensar a própria vida como um livro, em que se podem abrir e fechar capítulos por meio de rituais psicomágicos.

Adobe e bambu Adobe y bambú 2,00 x 2,00 x 1,80 m

Es necesario alimentar la tierra antes de construir. En Bolivia, se cree que los sacrificios y ofrendas a la Madre Tierra son necesarios antes de las construcciones arquitectónicas. Aquí, una pared de tierra cruda fue construida con la técnica milenaria de adobe: ladrillos de tierra cruda, agua y paja. Los ladrillos fueron producidos manualmente durante un retiro de siete días en el cual la artista permaneció en contacto continuo con la tierra, en un ritual de transformación del cuerpo individual, en ofrenda al cuerpo colectivo. Capítulo VIII es el capítulo que se inicia luego de un primer ciclo de siete. Testimonio, prueba e incentivo al renacimiento simbólico a partir de la enseñanza telúrica, que invita a cada ser humano a pensar en la propia vida como un libro, en el que se pueden abrir y cerrar capítulos por medio de rituales psicomágicos.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN Bichos Artífices, Julia Franco Braga • Innombrable (Objeto II), Jonas Van Holanda

PALAVRAS-CHAVE terra • sacrifício • cura • sabedoria • construção PALABRAS CLAVE tierra • sacrificio • cura • sabiduría • construcción

Valentina D’Avenia

S O I E A D

C D E


Elvira Espejo Ayca Artista plástica, tecedora, poetisa, cantora e narradora da tradição oral de sua comunidade Artista plástica, tejedora, poetisa, cantante y narradora de la tradición oral de su comunidad (Província Abaroa, Oruro, Bolívia • 1981)

Eu sabia que a criatividade estava dentro do têxtil porque minha mãe me ensinou quando eu tinha seis anos, e aos quinze anos eu já tecia peças grandes. Nos Andes que vamos pensando a partir de três pontos de vista: um deles é a mente, outro é o coração e o terceiro é a ação das mãos, a noção de tocar o objeto. Essa linguagem das mulheres me ajudou a repensar e, graças a isso, chegamos ao resultado da pesquisa que escrevemos, porque queríamos unir a teoria escrita pelos especialistas acadêmicos com o que as tecelãs diziam no campo. Começamos a compreender em aymara ou em quéchua como se monta o telar, e então as tecelãs me fizeram entender, pois a linguagem é muito importante. Em aymara não existem as palavras que elas utilizavam quando diziam, por exemplo, “fios flutuantes” ou “suplementarias”, “complementárias”, então não coincidiam (...). Defendo a ideia de uma cultura que não seja compartimentada por uma hierarquia da sociedade: indígena, não indígena, urbana, classe alta, classe baixa, classe média... este é um colonialismo inadequado. Yo sabía que la creatividad estaba dentro del textil porque mi madre me ha entrenado desde los seis años y a mis quince años ya tejía prendas grandes. En los Andes se habla de tres corazones, que tú vas pensando desde tres puntos de vista: uno es mente, otro es corazón y el tercero es la acción con las manos, la noción de tocar al objeto. Este lenguaje de las mujeres me ayudó a repensar y, gracias a eso, es el resultado de la investigación que hemos escrito porque queríamos casar entre la teoría que escriben los expertos académicos y las tejedoras, lo que decían en el campo. Comenzamos a agarrar esta estructura de cómo se arma el telar desde la lengua aymara o quechua, y ahí las tejedoras me sacó de duda porque el lenguaje era muy importante, en aymara no había esas palabras cuando decían, por ejemplo, hilos flotantes o suplementarias, complementarias, entonces no coincidían (...). Defiendo la idea de una cultura sin compartimentarla por una jerarquía de la sociedad: indígena, no indígena, urbana, clase alta, clase baja, clase media, este es un colonialismo inadecuado. Transcrição de fragmento do vídeo disponível em • Transcripción de fragmento del video disponible en <https://www.youtube.com/watch?v=UtP_pfiU8-M> (acesso em: 23 dez. 2017) Entrevista ao jornal O Globo, disponível em • Entrevista de la artista plástica al periódico O Globo <https://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-naosei/elvira-espejo-ayca-artista-plastica-sociedade-uma-so-nao-tem-queseparar-1-21794867> (acesso em: 23 dez. 2017).

COMO IDENTIFICAR DINÂMICAS DE PODER?

¿CÓMO IDENTIFICAR LAS DINÁMICAS DE PODER?

QUAIS SÃO AS ESTRUTURAS INVISÍVEIS DE UMA SOCIEDADE? POR QUE SE DISFARÇAR?

¿CUÁLES SON LAS ESTRUCTURAS INVISIBLES DE UNA SOCIEDAD? ¿POR QUÉ DISFRAZARSE?

SOCIEDADE • SOCIEDAD Uma sociedade é feita de escolhas históricas. A Bolívia tem uma composição social diversa, entre quéchuas, aymaras, guaranis e outras etnias. Os povos indígenas compõem mais da metade da população do país; seguido, majoritariamente, por mestiços e por uma minoria branca. Ainda assim, é perceptível a existência de mecanismos de exclusão, discriminação e exploração desses povos originários. No entanto, os últimos quinze anos foram marcados por mudanças significativas nesse processo de opressão, evidenciado na livre circulação dos povos e na ascensão social dessas comunidades. A experiência que tivemos nas cidades de Santa Cruz de la Sierra, El Alto e La Paz ampliou nossas limitadas estruturas demarcadas de classe, etnia e gênero. Os padrões coloniais, mesmo os percebidos de forma internalizada, limitam e restringem outras formas de se entender enquanto sociedade. O aprendizado está na simbiose entre sociedade e vida comunitária.

Una sociedad es hecha de decisiones históricas. Bolivia tiene una composición social diversa, entre quechuas, aymaras, guaraníes y otras etnias. Los pueblos indígenas componen más de la mitad de la población del país; seguido, mayoritariamente por mestizos y por una minoría blanca. Aún así, es perceptible la existencia de mecanismos de exclusión, discriminación y explotación de esos pueblos originarios. Sin embargo, los últimos quince años fueron marcados por cambios significativos en ese proceso de opresión, evidenciado en la libre circulación de los pueblos y la ascensión social de esas comunidades. La experiencia que tuvimos en las ciudades de Santa Cruz de La Sierra, El Alto y La Paz amplió nuestras limitadas estructuras demarcadas de clase, etnia y género. Los patrones coloniales, incluso los percibidos de forma internalizada, limitan y restringen otras formas de entenderse como sociedad. El aprendizaje está en la simbiosis entre sociedad y vida comunitaria.


2017

Dispositivo construído para facilitar a comunicação entre mundos. A pedra de ametista foi escolhida como matériaprima para o objeto por ser o elo entre o mundo material e o mundo espiritual. O diabo é a representação de nós mesmos. O sujeito apaixonado está possuído pelos próprios medos. O peso ancestral e político da palavra “diabo” se desdobra com a identificação de feridas que possam ser abertas. Os mineiros de Potosí entendem essa relação narcisista como uma chave para o medo de serem levados pela montanha comedora de gente. Eles apostam sua fé no medo. Oferecem fumo, álcool, coca e fetos de suas lhamas por um pacto com sua pulsão de morte antecipada: o Diabo. Etimologicamente, ele não existe na língua aymara. Foi inventado nas outras culturas para suprir o papel de saturno eminente e terreno. O céu e a terra se convergem afinal.

Mandíbula de silicone e pedras de ametista Mandíbula de silicona y piedras de amatista Dimensões variáveis • Dimensiones variables

Dispositivo construido para facilitar la comunicación entre mundos. La piedra de amatista fue escogida como materia prima para el objeto por ser el eslabón entre el mundo material y el mundo espiritual. El diablo es la representación de nosotros mismos. El sujeto apasionado está poseído por los propios miedos. El peso ancestral y político de la palabra “diablo” se desdobla con la identificación de heridas que puedan ser abiertas. Los mineros de Potosí entienden esa relación narcisista como una clave para el miedo de ser llevados por la montaña comedora de gente. Ellos apuestan su fe en el miedo. Ofrecen tabaco, alcohol, coca y fetos de sus llamas por un pacto con su pulsión de muerte anticipada: el Diablo. Etimológicamente, él no existe en la lengua aymara. Fue inventado en otras culturas para suplir el papel de saturno eminente y terreno. El cielo y la tierra convergen al final.

PALAVRAS-CHAVE cidade • refúgio • troca • relação PALABRAS CLAVE ciudad • refugio • intercambio • encuentro • relación

INNOMBRABLE (OBJETO 2)

PALAVRAS-CHAVE chacra • ritual • proteção • afetação • monstro PALABRAS CLAVE chacra • ritual • protección • afectación • monstruo

Jonas Van Holanda

Patrícia Araujo

PASAMONTAÑA

2017

Os lustra-botas são personagens recorrentes nas ruas de La Paz. Cobrindo os rostos com pasamontañas, gorros e bonés, eles marcam presença nas calçadas da cidade, oferecendo o serviço de engraxate que já integra o imaginário e a vida cotidiana dos pacenhos. Percebendo o uso da máscara como um elemento dúbio, tanto de afirmação quanto de negação social, que pode ser utilizado como abrigo e esconderijo, a artista iniciou uma investigação acerca dessa simbologia, que é também a anunciação de um lugar físico e social na cidade.

Cartaz Cartel 59 x 84 cm

Los lustrabotas son personajes recurrentes en las calles de La Paz. Cubriendo los rostros con pasamontañas, gorros y gorras, ellos marcan la presencia en las aceras de la ciudad, ofreciendo el servicio de tinte que ya integra el imaginario y la vida cotidiana de los paceños. Percibiendo el uso de la máscara como un elemento dudoso, tanto de afirmación como de negación social, que puede ser utilizado como un abrigo y escondite, la artista inició una investigación sobre esa simbología, que es también la anunciación de un lugar físico y social en la ciudad.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN Bichos Artífices, Julia Franco Braga • Innombrable (Objeto II), Jonas Van Holanda


T D Ç

R Ã

A U O

Por ter crescido em um lugar onde se misturavam dois idiomas (espanhol e quéchua), para mim é natural que utilizemos a palavra que transmita melhor nossas ideias ao nosso interlocutor. Porque traduzir é como acariciar a ideia, às vezes se consegue transmitir sua essência e, às vezes, só a forma externa. Por outro lado, a tradução é uma ferramenta que permite fazer as ideias viajarem pelo mundo inteiro com diversas tonalidades e texturas de acordo com o contexto em que seja traduzida. Particularmente, prefiro estas traduções às estritamente literais, inflexíveis. Nos Andes, é comum que uma palavra tenha o mesmo significado em quéchua e em aymara, como a palavra “warmi”, que significa “mulher”. Na universidade, meus companheiros e companheiras começaram a utilizar a palavra “belleza” com a mesma conotação utilizada no Brasil (“beleza”, palavra que haviam conhecido por meio de imigrantes brasileiros). Tradução, para mim, também significa MIGRAR, as ideias e as palavras precisam dela para circular livremente. Desde sempre, os imigrantes têm impulsionado esse intercâmbio de ideias, cultura e conhecimentos entre os povos, usando a tradução como uma ferramenta imprescindível. Porque o ser humano é imigrante por natureza. Sinto uma permanente saudade da minha llajta. Por haber crecido en un lugar dónde se mezclaban dos idiomas (español y quechua), para mí es natural que utilicemos la palabra que transmita mejor nuestras ideas a nuestro interlocutor. Porque traducir es como acariciar la idea, a veces consigues transmitir su esencia y a veces sólo la forma externa. Por otro lado, la traducción es una herramienta que permite hacer viajar ideas por el mundo todo con diversas tonalidades y texturas según el contexto dónde sea traducido. Particularmente prefiero estas traducciones sobre las que son estrictamente literales, inflexibles. En los Andes es común que una palabra signifique lo mismo en quechua y en aymara, como la palabra “warmi”, que significa “mujer”. En la universidad, mis compañerxs comenzaron a utilizar la palabra “belleza” con la misma connotación que se utiliza en Brasil (“beleza”, palabra que habían conocido a través de inmigrantes brasileños). Traducción para mí también significa MIGRAR, las ideas y las palabras la necesitan para circular libremente. Desde siempre, hemos sido los inmigrantes que hemos impulsado ese intercambio de ideas, cultura y conocimientos entre los pueblos usando como una herramienta imprescindible la “traducción”. Porque el ser humano es inmigrante por naturaleza. Siento una permanente saudade de mi llajta.

Jobana Moya Web designer e ativista do coletivo de mulheres imigrantes Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas Web designer y activista del colectivo de mujeres inmigrantes Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas (Quillacollo • 1981)


¿CÓMO TRADUCIR EL CIELO? ¿QUÉ NOS UNE FRENTE A UNA IMPOSIBILIDAD DE TRADUCCIÓN? ¿CÓMO RESISTIR A LA COLONIZACIÓN DEL PROPIO PENSAMIENTO?

TRADUÇÃO • TRADUCCIÓN Não pretendemos traduzir uma experiência, nem tão pouco propor um panorama de lugares ou contextos. Ao contrário, temos como intuito ampliar sentidos e questionamentos. Entre nós, refletimos sobre a impossibilidade de alcançar um retrato da Bolívia, afinal, somos estrangeiras. Percebeu-se, em viagem, que a memória é falha e que as perspectivas estão em constante mutação. Porém, o exercício contínuo é de descolonização, primeiramente, da nossa forma de pensar, depois, de agir e falar. Nesse sentido, a presença de outras vozes, principalmente a colaboração de bolivianas e bolivianos – parceiros de viagem ou imigrantes no Brasil – sempre foi uma prioridade para a ocorrência desta exposição. São muitos xs bolivianxs que vivem em São Paulo e entendem, no dia a dia, que a linguagem é um dos principais meios de resistência e que a tradução é uma ferramenta de comunicação e empoderamento.

No pretendemos traducir una experiencia, ni tampoco proponer un programa de lugares o contextos. Al contrario, tenemos como propósito ampliar los sentidos y cuestionamientos. Entre nosotras, reflexionamos sobre la imposibilidad de alcanzar un retrato de Bolivia, al final, somos extranjeras. Se percibió, en el viaje, que la memoria es falla y que las perspectivas están en constante mutación. Pero, el ejercicio continuo es de descolonización, primero, de nuestra forma de pensar, después, de actuar y hablar. En este sentido, la presencia de otras voces, principalmente la colaboración de bolivianas y bolivianos – compañeros de viaje o inmigrantes en Brasil – siempre fue una prioridad para la ocurrencia de esta exposición. Son muchos lxs bolivianxs que viven en São Paulo y entienden, en el día a día, que el lenguaje es uno de los principales medios de resistencia y que la traducción es una herramienta de comunicación y empoderamiento.

PALAVRAS-CHAVE cosmo • observação • desenho • mecânica • tecnologia PALABRAS CLAVE cosmos • observación • dibujo • mecánica • tecnología

COMO TRADUZIR O CÉU? O QUE NOS UNE DIANTE DA IMPOSSIBILIDADE DA TRADUÇÃO? COMO RESISTIR À COLONIZAÇÃO DO PRÓPRIO PENSAMENTO?

Denise Alves-Rodrigues

BREVIÁRIO CELESTE

2016/2017

Entre as cinco semanas de travessia de São Paulo a La Paz, o céu noturno dos locais de estadia foram observados e registrados usando um aparelho astronômico manual desenvolvido pela artista. O registro foi convertido em pranchas de leitura que serão usadas em um aparelho sonoro eletrônico que traduz o desenho em notas musicais.

Madeira, circuito eletrônico e cobre Madera, circuito electrónico y cobre 60 x 40 x 15 cm

En las cinco semanas de travesía de São Paulo a La Paz, el cielo nocturno de los lugares de estancia fue registrado usando un aparato astronómico manual desarrollado por la artista. El registro fue convertido en tablas de lectura que serán usadas en un aparato sonoro electrónico que traduce el diseño en notas musicales.


JUGANDO ESCRIBO

2017

Como um grunhido se torna palavra? Qual o parâmetro para o informe tornarse código? Recortes e fragmentos de um livro de alfabetização escolar e de um dicionário ilustrado – ambos encontrados em El Alto – compõem um atlas de conversas sobre a sistematização da forma. Jugando Escribo é um ensaio sobre a matéria quando esta se torna linguagem, mas também um comentário sobre pedaços da história ocidental e seus trágicos resultados lógicos.

Recortes de dicionários ilustrados e livro de alfabetização • Recortes de diccionarios ilustrados y libro de alfabetización • 2,20 x 1,60 m

¿Cómo un gruñido se convierte en una palabra? ¿Cuál es el parámetro para que el informe se convierta en código? Recortes y fragmentos de un libro de alfabetización escolar y de un diccionario ilustrado – ambos encontrados en El Alto – componen un atlas de conversaciones sobre la sistematización de la forma. Jugando Escribo es un ensayo sobre la materia cuando ésta se convierte en lenguaje, pero también un comentario sobre pedazos de la historia occidental y sus trágicos resultados lógicos.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN Ilha da Lua, Laura Berbert • Innombrable / Objeto I, Jonas Van Holanda • Jogo de Questões, Patrícia Araujo e Valentina D’Avenia

PALAVRAS-CHAVE símbolo • sistema • linguagem • jogo • grunhido PALABRAS CLAVE símbolo • sistema • lenguage • juego • gruñido

Isadora Brant

T V S

R E I

A S A


Narda Alvarado Artista (La Paz, Bolívia • 1975)

Uma travessia é um ir indo que se transforma em um querer entender a realidade que cada pessoa percebe ao passar por um determinado lugar. Podemos navegar em distintos mares, voar sobre imensas planícies ou subir montanhas de diferentes alturas, mas esse lugar onde a transformação acontece está em nós mesmxs. E, por isso, uma travessia é um ir entendendo, apenas. Mas em qualquer trajeto nunca faltam inconvenientes, e, consequentemente, a necessidade de tomar decisões. É assim que, neste mundo apressado e cada vez mais ambicioso, eu diria que a fórmula do sucesso existencial radica em dar ouvidos ao verdadeiro órgão da razão: isso que chamam de coração. Não falo de coisas românticas, mas de sempre buscar percorrer o caminho que nos permita crescer ou amadurecer como seres humanos. Ir indo, por aí, com anseios capitalistas presos no peito, não contribui com este planeta que somente precisa de mais amor. Na verdade, uma travessia é o objetivo em si mesmo e, por isso, adquirir poder não poderia ser a sua máxima finalidade. É preferível apenas ir, sem pressa, sem planos, sem compromissos e sem sequer procurar imagens de nosso destino no Google. Temos de ir indo, encontrando o que se encontre, quando se encontre. Por isso mesmo, um bom ir indo se conclui quando ficamos despenteados, cansados, sujos, sedentos, mas tranquilos e realizados. O objetivo é esse. Una travesía es un ir yendo que se convierte en un querer entender la realidad que cada persona percibe en su paso por un lugar determinado. Podemos navegar en distintos mares, volar sobre inmensas planicies o subir montañas de diferentes alturas, pero ese lugar donde la transformación sucede es en unx mismx. Y por esto, una travesía es un ir entendiendo nomás. Ahora, en cualquier trayecto nunca faltan los inconvenientes, y en consecuencia el tener que tomar decisiones. Es así que, en este mundo apurado y cada vez más ambicioso, diría que la fórmula del éxito existencial radica en hacer caso al verdadero órgano de la razón: eso que llaman corazón. No hablo de cosas románticas, sino de tratar siempre de tomar el camino que nos permita crecer o madurar como seres humanos. Ir yendo, por ahí, con ansias capitalistas pegadas en el pecho, no aporta a este planeta que solo necesita más amor. De hecho, una travesía es un fin en sí mismo, y por esto, adquirir poder no podría su máxima finalidad. Resulta preferible ir nomás, sin apuros, ni planes, ni agendas, y sin siquiera buscar imágenes de nuestro destino en Google. Hay que ir yendo encontrando lo que se encuentre, cuando se encuentre. Por esto mismo, un buen ir yendo concluye cuando unx acaba despeinadx, cansadx, empolvadx, sedientx pero tranquilx y realizadx. Éste es el fin.

QUAIS SÃO OS LIMITES QUE O CORPO COLOCA E QUAIS SÃO OS LIMITES QUE SÃO COLOCADOS AO CORPO? COMO DEVOLVER O MAR? O QUE MUDA QUANDO NOS DESLOCAMOS?

¿CUÁLES SON LOS LÍMITES QUE EL CUERPO COLOCA Y CUÁLES SON LOS LÍMITES COLOCADOS AL CUERPO? ¿CÓMO DEVOLVER EL MAR? ¿QUÉ CAMBIA CUANDO NOS DESPLAZAMOS?

TRAVESSIA • TRAVESÍA Travessias são feitas por negociações. É preciso ceder energia, calcular rotas e considerar fronteiras físicas e simbólicas para se chegar ao lugar desejado. Quando não se quer saber o destino, a jornada se torna prioridade. Um caminho é sempre entre pontos, uma jornada, porém, é a experiência desse início sem fim. Em travessia, os corpos evidenciam-se, e tornam-se signos em movimento; e todo olhar que nos encerra também nos limita. É preciso navegar contra ventos fortes para chegar à Bolívia e para que a Bolívia chegue ao mar.

Las travesías son hechas por negociaciones. Es necesario ceder energía, calcular rutas y considerar fronteras físicas y simbióticas para llegar al lugar deseado. Cuando no se quiere saber el destino, la jornada se torna una prioridad. Un camino es siempre entre puntos, una jornada, pero, es la experiencia de ese inicio sin fin. En la travesía los cuerpos se evidencian, y se vuelven signos en movimiento; y todo el mirar que nos encierra también nos limita. Es necesario navegar contra los vientos fuertes para que se llegue a Bolivia y para que Bolivia llegue al mar.


2017

A artista levou de La Paz à Fortaleza uma garrafa de 600 ml contendo a água do mar que a artista boliviana Narda Alvarado coletou em 2002, na Praia de Iracema, litoral cearense. A garrafa contém uma urgência: um pedido de devolução do mar após 15 anos e 5.000 km de distância de seu “lugar de origem”. Em uma carta endereçada à Narda, Fernanda descreve a ação e propõe uma segunda: o mergulho de um caderno de páginas ainda em branco. Ao devolver o mar ao mar e propor um novo recipiente para este, a artista trata da ausência de uma costa marítima na Bolívia, elaborada diariamente pela população boliviana. Fernanda enxerga nessa falta uma presença simbólica de um mar boliviano, onde afetos tornam-se matéria e manobra de ações sociopolíticas, culturais e econômicas no país.

Registro de ações em vídeo e carta em impressão offset • Registro de acciones en video y carta en impresión offset • 1 min, 14,8 x 21 cm

La artista transportó una botella de 600 ml conteniendo agua de mar que Narda Alvarado, artista boliviana, recogió en 2002, en la Praia de Iracema, litoral cearense. La botella contiene una urgencia: la devolución del mar después de 15 años y 5.000 km de distancia de su “lugar de origen”. En una carta dirigida a Narda, Fernanda describe la acción y propone la segunda: el sumergimiento de un cuaderno de páginas aún en blanco. Al devolver el mar al mar y proponer un nuevo recipiente para este, la artista trata de la ausencia de una costa marítima en Bolivia, diariamente elaborada por la población boliviana. Fernanda ve en esa falta una presencia simbólica de un mar boliviano, donde los afectos se vuelven materia y maniobra de acciones sociopolíticas, culturales y económicas en el país.

PALAVRAS-CHAVE caminho • limite • impulso • ciclo • exaustão PALABRAS CLAVE camino • límite • impulso • ciclo • agotamiento

VASOS COMUNICANTES

PALAVRAS-CHAVE mar • matéria • caderno • conteúdo • continente PALABRAS CLAVE mar • materia • cuaderno • contenido • continente

Fernanda Porto

Fernanda Porto e Laura Berbert

ATRAVESSIA

2017

As artistas elaboram um percurso infinito a partir da justaposição de imagens realizadas ao longo de uma caminhada pela Rota Sagrada da Eternidade do Sol – caminho que liga norte e sul da Ilha do Sol, no Lago Titicaca. A caminhada foi feita no primeiro dia de 2017 a partir do desejo de conhecer, com o corpo, a medida exata da Ilha do Sol. Ao compreender que elaborar medidas, eleger números e efetuar cálculos é também uma forma de produzir ficções, a soma dessas imagens da ilha produz um caminho sem pontos fixos de partida e chegada.

3 cartazes em impressão offset 3 carteles en impresión offset 42 x 59,4 cm

Las artistas elaboran un recorrido infinito a partir de la yuxtaposición de imágenes realizadas a lo largo de una caminata por la Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol – camino que une norte y sur de la Isla del Sol, en el Lago Titicaca. La caminata fue realizada el primer día de 2017 a partir del deseo de conocer, con el cuerpo, la medida exacta de la Isla del Sol. Al comprender que elabora medidas, elegir números y efectuar cálculos es también una forma de producir ficciones, la suma de esas imágenes de la isla produce un camino sin puntos fijos de partida y llegada.

VER TAMBÉM • VER TAMBIÉN Topografia de Imprecisão, Fernanda Porto • Breviário Celeste, Denise Alves-Rodrigues


SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO Administração Regional no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Danilo Santos de Miranda Superintendentes Técnico Social Joel Naimayer Padula Comunicação Social Ivan Paulo Giannini Administração Luiz Deoclécio Massaro Galina Assessoria Técnica e de Planejamento Sérgio José Battistelli Gerentes Artes Visuais e Tecnologia Juliana Braga de Mattos Adjunta Nilva Luz Assistentes Sandra Leibovici e Kelly Teixeira Estudos e Desenvolvimento Marta Colabone Adjunto Iã Paulo Ribeiro Artes Gráficas Hélcio Magalhães Adjunta Karina Musumeci Sesc Bom Retiro Gerente Monica Machado Adjunto José Henrique Coelho Programação Juliano Azevedo (coordenação) e Michael Anielewicz Comunicação Vania Vassalo Infraestrutura José Lucas Gonçalves Alimentação Cleizer A. Marques Administrativo Ivoneide Oliveira Serviços Rogério Silva Rodrigues Exposição Travessias Ocultas – Lastro Bolívia Curadoria geral Beatriz Lemos Curadora convidada Catarina Duncan  Produção Melanina Produções Culturais Expografia Isa Gebara Projeto Gráfico Fernanda Porto e Julia Franco Braga Ação Educativa Graziela Kunsch Montagem das obras Install Produtora de Arte Revisão e tradução de textos Marina Caldeira Agradecimentos Antonio Andrade, Antonio Canedo, Beatriz Morales Barroso, Erik Fernandes, Karina Morais, Lineth Hiordana Ugarte Bustamante, Lipcia, Marilia Bonas, Manu D’Albertas, Paulo Iles, Rakel Gomes, Rebeca Grinspum, Rene Quisbert, Sandy Molina, Uolli Briotto e Willians Santos.

TRAVESSIAS OCULTAS - LASTRO BOLÍVIA De 27 de janeiro a 6 de maio de 2018 Terça a sexta 9h às 21h Sábado 10h às 21h Domingo e feriado 10h às 18h Sesc Bom Retiro Al. Nothmann, 185 São Paulo - SP AGENDAMENTO DE GRUPOS agendamento@bomretiro.sescsp.org.br


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Catálogo Travessias Ocultas  

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