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Que suba a temperatura... Encontrar ao homem com quem acaba de se casar em flagrante com outra mulher não formava parte dos planos que Julie Driscoll fez para suas esplêndidas núpcias. Agora é uma noiva sem noivo, mas decidida a desfrutar de sua noite de núpcias, e para isso serve o bonito irmão do trapaceiro de seu marido. Chris Dennison é tudo aquilo que o seu irmão não é, e ainda por cima seu corpo é dos que convertem as fantasias sexuais mais ardentes em realidade... ... E que comece a festa. Chris não pensa rechaçar a noiva enganada. Depois de sonhar com ela durante cinco anos, a oportunidade de acariciar o delicioso e incitante corpo de sua cunhada é muito tentadora para resistir. Quando a jovem o segue ao Complexo Tropical que Chris construiu, insiste em que o único que quer é o prazer quente de dois corpos unindo-se sob o sol. Porém fica a Chris convencê-la de que em realidade, ele quer muito mais...


Capítulo 1 Julie Driscoll era, sem lugar de dúvidas, a noiva mais formosa que Chris Dennison tenha visto. O vestido de cor marfim sem suspensórios deixava os braços da jovem ao ar e, se fechava os olhos, Chris podia imaginar o quão sedosa seria aquela pele sob as pontas de seus dedos. Embora o véu ocultasse o seu rosto, a Chris não custava ver em sua mente aqueles olhos grandes da cor do mar do Caribe ao amanhecer e de seus longos cílios, o nariz pequeno, um pouco arrebitado e os lábios carnudos e rosados. Os seios da jovem enchiam com elegância o sutiã do vestido, embora só em vê-lo já faziam com que sua boca secasse e as mãos suassem. A saia ampla e cavada de seu vestido de noiva cobria quase que por completo o corredor inteiro da Catedral Grace de São Francisco e a Cris recordou um delicioso merengue 1, um merengue tentador que o desafiava a levá-lo inteiro a boca, de uma só e luxuriosa lambida. Chris sentiu um nó no seio quando viu a noiva se aproximar e o estômago foi encolhendo com cada passo que Julie dava para o altar. Aquela mulher ia chegar até o final. Chris teve dezoito meses para preparar-se mentalmente para aquele momento e, contudo, a realidade o golpeou com um soco no intestino. Apertou os punhos, respirou fundo para se tranquilizar e obrigou-se a não dar a volta e sair correndo da igreja tão depressa como podia. Fez uma promessa e, ao contrário de alguns homens de sua família, quando ele dava sua palavra, tinha por costume cumpri-las. — Quem entrega esta mulher em matrimônio a este homem? Chris observou, com uma dor amarga invadindo o estômago, ao pai da noiva, Grant, levantar o véu e revelar o sorriso nervoso de Julie, um sorriso que não alcançava os olhos. — Sua mãe e eu a entregamos — respondeu Grant, e Chris conteve a maldição que gritava em seu cérebro quando o prometido de Julie, o meio-irmão mais velho de Chris, Brian, adiantou-se para pegar a mão tremente de sua noiva. *** — Mas pode-se saber onde está? Está na hora de cortar o bolo. — Estou segura de que estará aqui de um momento a outro — Julie Driscoll Dennison tentou tranquilizar a acelerada organizadora de sua boda — Por que não pede a um dos amigos do noivo que olhe no banheiro enquanto eu vou ver se está no vestíbulo. 1

Doce feito com ovos batidos a ponto de neve e misturado com açúcar.


Sinceramente, dir-se-ia que Brian já deveria saber que o noivo não pode desaparecer no meio do banquete. — Vai tudo bem? — Wendy, a dama de honra de Julie, aproximou-se com sigilo para falar com ela. — Não encontro o Brian. Acredito que necessitava um momento a sós. Wendy elevou uma sobrancelha. — Já... Está bem, possivelmente Brian não era o cara mais introspectivo do mundo, mas, era o dia de suas bodas. Deus sabia que Julie estava um pouco aflita com tudo aquilo. — Suponho que não o terá visto. Wendy balançou a cabeça. — Onde está o seu irmão? Acreditei que o trabalho do padrinho era vigiar o noivo. — Foi embora logo depois de fazer o brinde. — Disse Julie. A noiva sorriu um pouco ao pensar no brinde de Chris. Tão ensaiado, tão civilizado. Tão pouco próprio dele. Chris não era um cara que se preocupasse muito pelo que as pessoas pensassem dele, sobre tudo não a multidão pomposa e prepotente que se dignou a assistir as bodas de Julie. O estilo depravado e natural de seu cunhado o fazia destacar-se entre aquela massa, inclusive quando tentava encaixar. Ao contrário de Brian, que poderia ter pousado para a capa da GQ 2, o cabelo castanho escuro de Chris sempre ia um pouco desarrumado, e seu corpo enorme e musculoso sempre parecia muito grande para a roupa que levava. Mas tinha uma aparência absolutamente deliciosa com o smoking que pôs para as bodas e uma camisa branca que contrastava de uma forma muito sedutora com sua pele, bronzeada pelo forte sol caribenho. Chris sempre tinha sido muito bonito, com um estilo um tanto rude, possivelmente, e tinha melhorado ainda mais nos últimos cinco anos da última vez em que Julie o tenha visto. Julie fechou os olhos e tentou não imaginar os bronzeados músculos que ocultava aquele smoking. Ela acreditava ter superado o amor adolescente e absurdo que tinha tempos atrás, e certamente o dia de seu casamento com o meio-irmão do objeto de seus desejos não era o melhor momento para ressuscitá-lo. Julie deu uma bofetada mentalmente, era o dia de seu casamento, pelo amor de Deus. Todos aqueles meses de duro trabalho e preparativos ao fim davam seu fruto e não era o momento de reviver o teimoso sentimento, morto muito tempo atrás, por certo, que tinha sentido algo pela ovelha negra da família de seu noivo. A noiva saiu do salão de baile e abriu caminho pelo vestíbulo sem deixar de deter-se para trocar alguns comentários corteses com os convidados que se encontravam. Ao aproximar-se do quarto de vassouras, ouviu um golpe seco atrás da porta fechada. Depois uma risada. E logo um gemido. Um gemido decididamente masculino. 2

GQ (Gentlemen´s Quarterly) é uma revista mensal sobre Mosa, estilo e cultura para os homens, através de artigos sobre alimentação, cinema, fitness, sexo, música, viagens, desporto, tecnologia e livros.


Com o estômago mais ou menos na altura dos tornozelos, Julie teve um horrível pressentimento, não queria imaginar o que ia encontrar atrás da porta. — Filho da Puta! — Sua voz soou-lhe muito longínqua, como se saísse do final de um longo túnel e cheio de ecos. Fechou os olhos com tanta força que teve caibas nas pálpebras. Aquilo não podia estar acontecendo. Não podia. Mas ali estava Brian, inconfundivelmente, imóvel em pleno ato de penetração enquanto segurava a outra mulher na parede. A garota a olhava com a boca aberta por cima do ombro de seu marido de um modo que teria sido inclusive cômico em outras circunstâncias. Julie lançou um olhar a outra mulher. Ah, claro, a encantadora Vanessa, a ajudante que acabava de começar a trabalhar para Brian. Julie tinha pensado em um momento que o contrato de Vanessa tinha mais haver com suas pernas longas e seus seios exagerados que com sua habilidade como secretária, e brigou consigo mesma por haver sido tão estúpida e haver dado a Brian o benefício da dúvida. Por Deus, jurou sobre a tumba de sua avó e pelas chaves de seu adorado Ferrari que nunca, jamais isso voltaria a acontecer. Tinha prometido que a próxima vez que tivesse relações sexuais seria com Julie, em sua noite de núpcias. E com os preparativos do casamento em seu auge, tinha sido mais fácil acreditar que admitir que estava a ponto de cometer o pior engano de sua vida. — Julie, não é nada. Não significa nada — Brian fechou com rapidez as calças do smoking e depois segurou o cós quando as calças voltaram a cair até os tornozelos. Vanessa tinha baixado a saia e procurava a calcinha, um movimento que lançou Brian para trás, que tropeçou com um esfregão e um balde antes de cair de bunda em cima de Vanessa. Julie jamais tinha em dar um soco à traição, mas imaginou que a sensação devia ser muito parecida. Um golpe seco no meio do seio e a sensação de ficar sem ar até terminar ofegando como um peixe recém-pescado. Uma dor que a atravessava inteira, acompanhada pelo ardor gélido da humilhação. Contudo, a noiva tentou não perder o controle, não queria que Brian visse que por dentre estava ficando em pedaços, explodindo em milhares de fragmentos diminutos. A mente de Julie trabalhava a mil por hora, tentando encontrar o mais apropriado que pudesse dizer ou fazer em uma situação como essa. Mas não havia forma de varrer aquilo sob o tapete com um punhado de sutilezas sociais. Pegar o esfregão e colocá-lo em algum lugar extremamente doloroso possivelmente não fosse a melhor resposta, por mais atrativa que seja não resultaria em nada. — Supõe que temos que cortar o bolo — disse Julie, até a frase soou absurda os seus próprios ouvidos. Aturdida, retornou ao salão como pode. Como podia ter sido tão estúpida? Permitir que a arrastassem até o altar como uma espécie de vaca destinada ao sacrifício. A doce Julie, a perfeita Julie, a que sempre fazia o que tinha que fazer por seus pais, por sua família, pela empresa. Tão decidida estava a não armar briga por nada que se negou a admitir a verdade sobre seu futuro marido.


Apenas consciente do que fazia, Julie abriu caminho para a porta do salão de baile do hotel Winston, a jóia da coroa do império de hotéis de luxo D&D. Seu pai, Grant Driscoll, e o pai de Brian, David Dennison, tinham adquirido a propriedade não fazia nem dois anos. Em só um ano estava fazendo suar a Fairmont a gota gorda no mercado dos hotéis de luxo de São Francisco. Mas nem sequer viu o precioso salão de baile recentemente redecorado com suas sofisticadas aranhas de luzes e as tapeçarias de seda que transmitiam um ambiente de elegância e luxo antigo. A Julie dava igual às dezenas de milhares de dólares em rosas brancas que adornavam cada uma das setenta mesas que tinha para acolher os convidados do casamento. Nem sequer se importou se esbarrava com um garçom e que uma tava de Merlot 3 salpicasse a saia de seu vestido de noiva de Vera Wang4 feito à medida Atravessou a multidão sem ver mais que o contorno impreciso das mãos dos convidados que tentavam estreitar a sua mão e beijá-la na bochecha para felicitá-la. Fez caso omisso de todos e cada um e dirigiu-se ao estrado que havia na parte dianteira do salão e que nesse momento era ocupado pela orquestra. Quando subiu o primeiro degrau a radiante noiva sentiu uma mão firme que agarrou-lhe o braço, mas sem sequer reconheceu Wendy quando se soltou dos dedos da amiga. Julie fez um gesto à orquestra para que parassem, segurou o microfone e o baixou até que esteve a altura da boca. Foi então quando se deu conta de que estava tremendo. Não era um simples tremor nas mãos a não ser um autêntico tremor por todo o seu corpo. Ficou olhando a multidão que representava a alta flor e nata da sociedade de São Francisco. Pela extremidade do olho viu o prefeito olhando para uma de suas primas. Os sócios de seu pai, os vereadores da cidade e os ricos financistas e suas esposas, todos a olhavam com atitude espectador. Julie umedeceu os lábios e apertou o microfone. Os dedos ficaram brancos quando apertou o microfone com se fosse um salva-vidas. Olhou a sua direita e o estômago encolheu-se quando dois garçons entraram com o carrinho que levava o bolo de casamento de cinco andares, de chocolate e framboesa com baunilha, e o colocaram ao seu lado. — Podem aprestar atenção, por favor? A petição era desnecessária, todo mundo estava olhando para ela com a boca ligeiramente aberta. — Agradeço que tenham vindo para celebrar o dia que se supunha que ia ser o dia mais especial da minha vida. — Alagou-a uma sensação vaga, como se abandonasse seu próprio corpo e pudesse ver-se do outro lado da sala. O que ia dizer a pequena noiva psicopata? — Por desgraça, esse pelo dia foi arruinado pelo fato de meu marido — Julie assinalou com um gesto a parte posterior do salão, onde Brian lutava apara abrir caminho entre a multidão. — decidisse que seu banquete de casamento era o lugar perfeito para transar com a sua nova ajudante.

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Merlot – É uma das responsáveis pelas características dos vinhos tintos de Saint Émillion, região de Bordeaux, França, sendo utilizada para a elaboração de vinho tinto para ser consumido jovem. 4 Vera Wang - estilista norte-americana, nascida em 1949.


Um coro de gritos afogados e murmúrios elevaram-se entre a multidão que pôs tudo em perspectiva de repente. As pessoas ficaram olhando com boca aberta e olhos esbugalhados enquanto estiravam o pescoço para ver o noivo. — Assim, embora peço que sigam desfrutando da festa, acredito que vou dar a noite por encerrada. — recolheu a saia inteira e logo que tinha conseguido sair do estrado quando Brian a alcançou por fim. — Julie, sinto muito, por favor, tem que me escutar. — Brian tinha penteado o cabelo e endireitado o smoking, e uma vez mais era a encarnação da masculinidade impecável. Agarrou-a pelos braços com tanta força que Julie soube que ficariam marcas e depois lhe disse com tom suplicante: — Sou viciado em sexo. É uma enfermidade. Não posso evitá-lo Jules... Julie se desfez das mãos de seu noivo de um puxão e uma onda de raiva surgiu de repente e tirou-lhe de seu estado de choque. Essa era a classe de desculpa que tinha ocorrido a Brian: algo que o absorvia de toda responsabilidade pessoal e pedia compreensão no lugar de censura, Julie ficou tão furiosa em um momento que temeu que saíssem chamas pela sua cabeça. — Viciado? — chiou. — Pois para ser um viciado não teve maiores problemas para não me pôr um dedo em cima! Brian aproximou-se dela com gestos decididos, mas Julie se apartou e tentou rodeá-lo. — Eu tenho a culpa de querer evitar um caso permanente de congelamento? — Murmurou Brian em voz tão baixa que só ela podia ouvi-lo. Para a multidão falou um pouco mais alto. — Como pode me dar as costas assim quando mais necessito do seu apoio? Todos os olhos se cravaram no drama que se desenvolvia sobre o cenário. — Saia do meu caminho, Brian. — Julie tinha que sair daquele salão, tinha que afastar-se de todos e de tudo o que a tinha obrigado a submeter-se aquela humilhação pública. Brian moveu-se outra vez para agarrá-la, Julie estirou o braço por instinto e seus dedos entraram em contado com a superfície cremosa do bolo. Girou-se um pouco e agarrou a parte superior do bolo, bastante pesado, por certo. Depois fez toda força que ficavam e estrelou o bolo contra o rosto de Brian. — Possivelmente queira subir o zíper da calça. — Burlou-se Julie. Depois, Julianna Driscoll, muito serena a princesa do império hoteleiro D&D, endireitou os ombros, levantou o queixo com arrogância e saiu manchada de vinho e bolo e totalmente enfurecida, do salão do banquete.


Capítulo 2 — Maldito seja, maldito seja, maldito seja! Julie arrancou o véu e amaldiçoou outra vez quando a metade do cabelo saiu do couro cabeludo. As forquilhas saíram disparadas de sua cabeça como confete e seu liso e perfeito coque francês ficou dizimado, com isso as mechas loiras de seu cabelo ficaram pegajosas por causa do laquê na altura do queixo. Tirou o par de Manolos feitos a medida e entrou no banheiro a grandes pernadas para procurar uma escova. O reflexo que viu no espelho era alarmante, para chamá-lo de algum jeito. Estava tinta, cortesia de uma combinação de ira e todo o champanhe que tinha consumido. Leva o cabelo com um estilo muito parecido ao da Medusa5, algo muito parecido ao que via alguns de seus piores dias a nada mais do que levantar da cama. Uma risada perturbada começou a formar na garganta. Seu precioso vestido sem suspensórios, confeccionado para que se adaptasse à perfeição ao seu pequeno corpo, tinha uma gigantesca mancha de vinho no sutiã e um grande borrão negro na saia, onde tinha ficado preso nas portas do elevador durante a sua frenética fuga do salão de banquetes. Como pode estar acontecendo isso? Geralmente, Julie não era das que se deixava levar pela autocompaixão. Como podia quando tinha mais do que qualquer mulher tinha direito a pedir? Uns pais implicados em sua educação, embora não especialmente carinhosos, e um noivo — não, já era seu marido — bonito e com êxito. Um trabalho que adorava, como diretora executiva de eventos específicos em Winston e um gênero de pagamento que permitia-lhe ter um adorável apartamento de dois dormitórios no Pacific Heights. Era pedir muito que fosse a única com que seu marido se deitasse na noite de núpcias? De repente sentiu um nó no seio e começou a ficar sem fôlego. O sutiã do vestido impedia de que o ar chegasse aos pulmões e Julie começou a tirar como uma louca os botões que cobriamlhe as costas inteiras. Grunhiu e tirou o tecido, mas os dedos tremiam incapazes de dominar os botões forrados de seda. Começou a hiperventilar ainda mais e soube que estava a uns instantes de desmaiar. Com a sorte que tinha era capaz de golpear com a cabeça no sanitário e sofrer uma lesão cerebral maciça.

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Medusa (em grego: Μέδουσα, Médousa, "guardiã", "protetora"), na mitologia grega, era um monstro ctônico do sexo feminino, uma das três Górgonas. Filha de Fórcis e Ceto quem quer que olhasse diretamente para ela era transformado em pedra. Ao contrário de suas irmãs Górgonas, Esteno e Euríale, Medusa era mortal; foi decapitada pelo heroi Perseu, que utilizou posteriormente sua cabeça como arma,[6] até dá-la para a deusa Atena, que a colocou em seu escudo. Na Antiguidade Clássica a imagem da cabeça da Medusa aparecia no objeto utilizado para afugentar o mal conhecido como Gorgoneion.


— Merda de vestido. — ofegou enquanto tentava alcançar em vão os botões. Por que tinham que fazer um vestido de noiva tão difíceis de pôr e tirar? Que classe de tradição sádica era essa, colocar uma mulher em um vestido que não poderia tirar, a não ser se houvesse uma emergência? Se pudesse encontrar a tesoura de unha, poderia cortar e tirar o vestido. Derrubou o conteúdo do nécessaire no chão e estava revolvendo como uma possessa entra as coisas quando ouviu alguém bater na porta da suíte. — Espera — chiou enquanto procurava entre o conteúdo da nécessaire com as mãos tremendo. Onde estavam as malditas tesouras? Wendy tinha usado essa manhã para cortar um fio solto da prisão fortificada de seu penteado, possivelmente estava na sala... — Deixe-me entrar — Era Wendy, que falava com tom firme através da pesada porta de madeira. Julie apertou com os punhos o tecido do vestido. — Vai. Agora mesmo não quero falar com ninguém. — Jules se não me deixar entrar, sua mãe vai fazer com que o gerente lhe dê uma chave. Julie sentou no chão do banheiro, derrotada. Não cabia a menor dúvida: sua mãe era bem capaz de fazer isso e Julie já não tinha forças para enfrentar a histeria de Barbara Driscoll. Tinha que deixar Wendy entrar, embora só fosse para bloquear a porta. — Já vou. — levantou devagar e no processo pisou na barra da saia. Ouviu o ruído de um tecido que rasgava e ao olhar viu o rasgão de dez centímetros na costura, onde a saia do vestido se unia ao sutiã. A verdade é que por vinte mil dólares dir-se-ia que o vestido teria que aguentar um pouco mais. Julie abriu a porta. Sua melhor amiga tinha uma expressão preocupada e cautelosa em seus grandes olhos castanhos. Cruzou a porta sem dizer nada e abraçou a Julie. — Está bem? Julie se solto do abraço de sua amiga com suavidade, mas com firmeza. Embora agradecesse o gesto, temia derrubar-se com um simples abraço. — Parece um desastre. — Sim, já sei. Não lhe custava nada fazer uma ideia da imagem que estava dando, sobre tudo em comparação com a Wendy, que tinha um aspecto sexy e cheio de glamour, com sua ata figura e o cabelo escuro realçado a perfeição pelo vestido longo e lilás de dama de honra. Uma nova onda de angustia veio sobre Julie quando recordou que mais de quinhentos amigos e parentes seguiam sem dúvida abaixo, perguntando-se que demônios estava passando. A respiração voltou a acelerar e deu a volta para tirar o vestido, desesperando-se para desfazer do volumoso vestido. — Me ajude a tirar o vestido.


— Espera, espera. — Wendy a agarrou pelos ombros para deter os frenéticos movimentos. Depois deu a volta e em um momento tinha desabotoado os botões e os broches do espartilho de encaixe francês que levava. Quando o vestido caiu aos seus pés, convertido em um atoleiro de espuma branca, Julie respirou fundo várias vezes. Que maravilha poder encher os pulmões com liberdade. Depois abriu os olhos e o separou com um chute. Depois de tirar o restritivo espartilho do torso, aproximou-se do armário seu penhoar violeta felpudo. Com quase dez anos de antiguidade, andrajoso e esvaído depois de muitas lavagens, consolava-a tanto como a mantinha favorita de um bebê. — Brian odeia este penhoar. Dizia que parecia um a avó. — Julie desfrutou da profunda satisfação quando atou o cinturão ao redor da cintura. — Obrigou-me a deixar de usá-lo diante dele, ia desfazer dele esta noite. Sentou-se na beira da cama, junto com Wendy, e ocultou o rosto entre as mãos. Seu penhoar favorito parecia o símbolo de tudo ao que tinha estado disposta a renunciar no decorrer de sua relação com Brian. Acabaram as caminhadas pelas colinas de Marín porque Brian queria que fizesse exercícios sob o olhar estrito e regulamentado de seu treinador pessoal do clube olímpico. Nada de usar Mona e moderna porque necessitava toda a ajuda possível para parecer maior e mais sofisticada. Deveria trocar o seu encantador e pequeno tesouro por um BMW série 56 porque era mais “mais apropriado para a imagem que tinha que manter”. Tantas coisas, grandes e pequenas, mas todas que ela gostava, coisas que formavam parte dela. Tinha renunciado a todas com uma missão concreta: ser a filha perfeita, a noiva perfeita, ser perfeita. — Não posso acreditar que me fez isso. — disse. — Você pode acreditar que me tenha feito isso? — Julie ficou olhando para Wendy. As sobrancelhas elevadas de Wendy e seu consolador tapinha no joelho de Julie foram mais que suficiente para saber que nada daquilo a tinha pega de surpresa. — Sinto-me como uma estúpida. De verdade pensei, depois de surpreendê-lo na primavera, que seria fiel. Mas estou certa que nunca deixou de me enganar em todo esse tempo. — A verdade é que não, não deixou de te enganar. — A convicção de Wendy provocou um formigamento de irritação que atravessou os ombros de Julie. — E você como sabe com tanta segurança? — Jules, o vi por toda a cidade. — Ao contrário de Julie, Wendy era uma farrista convencida e adorava explorar os restaurantes e boates mais animadas de São Francisco. Apesar de todos os seus esforços, eram estranhas às vezes em que Julie se unia com ela para passar uma noite de festa. — Pelo menos uma vez por semana o via com alguma mulher no Bubble Louge ou no Redwood Room. E se chegava sozinha, saía acompanhado. Havia vezes que Julie agradecia a franqueza de Wendy, mas essa não era uma delas.

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— Por que não me disse nada? — Para ser justa Wendy não tinha culpa do comportamento de Brian, mas Julie não podia acreditar que a mulher que levava cinco anos sendo sua melhor amiga fora capaz de ocultar semelhante informação. — Mas te disse — disse Wendy exasperada. — mais de uma vez. E cada vez voltava a aceitálo. Sempre soube que não ia trocar. Se você estava disposta a não da importância a suas aventuras, quem era eu para tentar te convencer do contrário? Julie sentiu um nó no estômago e embora não disse nada reconheceu que o que Wendy dizia era verdade. Desde que tinha apresentado Brian a Wendy, ela tinha falado mau de Brian. Era muito hábil, dizia Wendy. Muito lisonjeador, muito refinado, um repelente menino Vicente, mas com melhor pinta. Tinha tentado ás vezes com sutileza — mas a maior parte sem ela — convencer Julie para que o deixasse. Uma vez, depois de uma festa, Wendy tinha afirmado que Brian tinha entrado, e isso com Julie na habitação do lado. A acusação tinha deixado Julie com tanta raiva que não tinham se falado durante um mês inteiro. Elas terminaram por fazer as pazes, mas desde este dia, se Wendy tinha algo contra Brian, não falava. Mas apesar da estrita política de “sem comentários” que tinha instaurado, Wendy tinha sido incapaz de ficar calada essa primavera. Tinha visto Brian saindo do hotel Cliff à primeira hora da manhã de um feriado, quando se supunha que estava em Seattle á negócios. A essas alturas, Julia já tinha começado os preparativos do casamento que planejavam para o outono, embalada em sua imagem de futura senhora de Brian Dennison. Convenceu-se de que Brian havia tido um deslize, mas só dessa vez. E dado que Julie viu-se obrigada a admitir, embora só fora para si mesma, sua vida sexual não era espetacular, parte dela perguntava se possivelmente não fora também culpa dela. Depois disso, jurou esforçar-se mais para ser a classe de amante que seu futuro marido queria e assim evitar futuros lapsos. Claro que, no fundo, Julie sabia que aquela não tinha sido a primeira e nem a única vez. Que era pelo que suas tentativas de dar mais ardor a sua vida sexual se reduziram a comprar um montão de lingerie caro e dois encontros bastante medíocres nos últimos seis meses. Ao menos gostava muito de sua roupa interior, que era muito sexy, embora Brian não soubesse apreciar. Depois daquilo, Julie se resignou a ter um matrimônio cômodo, embora não fora apaixonado. Depois de tudo, em um matrimônio havia coisas mais importantes que sexo. E ao casar-se com Brian, contribuía para unir as duas famílias, a fortalecer sua relação empresarial e elevar o perfil público da companhia. Embora tivesse vontade de voltar atrás, não poderia ter feito sem provocar a mãe de todos os desastres. Contudo, o desastre tinha arrumado um jeito de encontrar com ela. — Deus, sou um autêntico desastre — gemeu Julie enquanto caia na cama. Depois sentou e apertou os punhos. — Quero ir aí embaixo e dar um bom soco nesse rosto perfeito. Wendy lançou uma áspera gargalhada. — Venha, vamos. Eu seguro ele. Mas não se esquece de dar um bom chute entre as pernas. Então ouviram que alguém batia na porta.


— Julie, deixe-me entrar. Julie fez uma careta ao ouvir a voz tremente que arrastava as palavras. Genial. Sua mãe não era só um caso emocionalmente perdido, como de costume, mas também estava bêbada. Geralmente, era Julie quem tinha que acalmar a sua mãe e fazê-la sair da árvore emocional que se encontrava, mas essa noite não tinha forças para fazer isso. Agarrou a Wendy e implorou-lhe: — Tem que se desfazer dela. Wendy foi para a porta e fez um gesto para que Julie se escondesse na cozinha da suíte enquanto ela atendia a porta. Julie ouviu a voz mais apagada de Wendy e logo a mais aguda de sua mãe. — Lá embaixo está um caos — soluçava sua mãe — Não fazem mais que me perguntar o que aconteceu e eu não tenho nem ideia. Grant desapareceu com o Brian e Julie tem que descer e tranquilizar todo mundo. — A voz de Barbara foi sumindo e Julie ouviu o grasnido apagado de sua mãe soando o nariz. — E toda a imprensa local está por aqui. O que vou fazer? Não há ninguém que me diga o que tenho que dizer. — Senhora Driscoll por que não vai ao seu quarto e toma um pouco de café? Eu chamarei à coordenadora do casamento e farei com que ela resolva tudo. — Mas Julie... Julie apareceu na porta e Wendy se mexeu para bloquear a porta com o seu corpo. Por sorte, a mãe de Julie era pequena assim Wendy não teve problemas para fazer-se de gorila de boate. — Confie em mim, senhora Driscoll é melhor que sua filha não veja ninguém agora mesmo. Quem sabe o que seria capaz de fazer? Em circunstâncias normais não serie tão fácil enrolar a mãe de Julie e era óbvio que o estresse da noite tinha tirado as forças da boa mulher. Com um pequeno sorriso de lástima e o pedido de que Julie fosse visitá-la quando se sentisse com ânimo, Barbara aceitou ir ao seu quarto até o dia seguinte. Julie tomou nota mentalmente de enviar um Martini bem carregado. Depois deu um suspiro de alívio quando ouviu que Wendy fechava a porta e corria o ferrolho de segurança. Sua amiga retornou a suíte e rodeou os ombros de Julie com um braço. — Pronto. Minha mãe vai sofrer por fim um ataque de nervos e será minha culpa. — Não passa nada com ela. Amanhã há primeira hora vão ligar todas as suas amigas para soltar os “ohs” e os “ahs” de rigor pelo escândalo que provocou e sua mãe vai desfrutar de toda essa compaixão e todos os cuidado que vão lhe dar. Julie bufou. — Crê que sobrará um pouco de compaixão para mim? — Sabe que está melhor assim, verdade? Julie encolheu os ombros e sentou na cama. — Acredito poderíamos ter conseguido com que funcionasse. Conhecemo-nos desde sempre. Andamos no mesmo círculo. Jamais tive de me preocupar se por acaso ia atrás do meu dinheiro.


— Ou de seu corpo. — Wendy andou diretamente para o minibar e voltou com os braços carregados de garrafas diminutas. — Para algumas pessoas... — O sexo não é importante. — Wendy terminou por ela a frase. — Se tivesse dado alguma vez com um cara que soubesse o que é que faz... Julie revirou os olhos. Deitou com mais de um cara antes de Brian (com três, para ser exata) e os resultados jamais haviam sido essa comoção transcendental que descreviam todas as suas amigas. Também não se preocupou muito pelo assunto. Wendy não se rendia. — E além do sexo, o que tem a confiança, a companhia, e tudo isso? Admite-o Julie, a única razão pela que começou a sair com o Brian era porque não tinha que se esforçar e também porque era um modo de garantir a aprovação de seu pai. Julie gemeu incapaz de negar a verdade. — É patético. Eu sou patética. — Foi você que falou, não eu. — disse Wendy Julie deu a língua, depois passou a mão pelo cabelo e fez uma careta quando os seus dedos ficaram presos com uma densa capa de laquê. — Agh, necessito de uma ducha. Prepare umas taças. Julie ouviu o tilintar das garrafas quando entrou debaixo da água e começou a esfregar-se com vigor para tirar até o último vestígio de maquiagem, laquê, vinho e bolo, e um intento de apagar aquele dia de sua vida no processo. Estava tão farta de ser educada... Não queria controlar a língua para manter as aparências. Sua coragem tinha manifestado de uma vez, já que levavam 26 anos de atraso. Quinze minutos depois, estava saindo do banho, sem laquê e sem maquiagem. Olhou a taça que Wendy oferecia e sacudiu a cabeça. Sua amiga franziu o cenho, confundida. — E Chardonnay,7 o que sempre bebe. — Me dê isso — disse Julie enquanto agarrava uma garrafa de tequila do aparador. — Isto... Jules está segura de que quer beber isso? — O Chardonnay é para jovens sem coragem. Desde hoje, sou uma mulher forte e independente. — E abriu a garrafa de Corvo com vontade. — Eu gostaria de propor um brinde pela versão nova e melhorada de Julie Driscoll. Uma nova Julie que faz o que quer, quando quer e que não sei deixa manipular por ninguém. Sobre tudo pelo babaca de seu marido, um idiota incapaz de esperar cortar o bolo para ter sua primeira aventura. — Levantou a garrafa e virou de uma vez só. A nova imagem de garota durona de Julie Driscoll ficou arruinada quando se engasgou com a bebida.

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Chardonnay - É uma uva da família da Vitis vinifera, a partir da qual é fabricado vinho branco de qualidade. Também é conhecida como aubaine, beaunois, melon blan e pinot chardonnay.


— Arg, isto é asqueroso sem a mescla para fazer margaritas. — Julie pegou o vinho para tirar o sabor de gasolina que tinha ficado na boca. — Será melhor que vá pouco a pouco antes de me pôr com a tequila. Seus olhos demoraram a parar em uma garrafa de Veuve Clicquot8 que esfriava em um balde junto com duas taças de champanhe de cristal de Baccarat. — Que romântico. — Disse com sarcasmo enquanto pegava a garrafa com uma mão e as taças com a outra. Julie sentou na cama junto com Wendy e em instantes abriu a garrafa e derramou um pouco do líquido borbulhante no carpete. Depois deu uma taça de champanhe a Wendy. — Vamos tentar outra vez. Um brinde pela nova Julie Driscoll, tapete antigo e raposa flamejante do momento. — Tomou um comprido gole de champanhe. As borbulhas faziam cócegas pela garganta e esquentou o ventre imediatamente. Wendy tinha um grande sorriso no rosto. — Já era hora! — Sei. Faz anos que me diz que tenho que me afastar de meus pais, viver minha própria vida e me desfazes do Brian. Acredito que tudo isso que aconteceu é uma forma de dizer ao mundo que já era hora. Tenho um mundo de possibilidades pela frente, e começa agora mesmo. À medida que o álcool ia esquentando no ventre, Julia ia se entusiasmando cada vez mais com sua nova vida. — Quero encontrar alguém selvagem, alguém totalmente inadequado para mim. — Deveria deitar com o irmão dele. — Disse Wendy com o rosto acalorado pelo champanhe. — Já sabe, dois metros de homem, ombros largos e musculosos. Já imagino o que esconde debaixo desse smoking. E viu as mãos? Prometedoras, muito prometedoras. Sabe, seria a vingança perfeita e ia encher o saco do Brian. — Não posso ir pelo Chris. — Mas enquanto falava, o cérebro de Julie encheu de imagens de Chris nu, sobre ela, debaixo dela, movendo-se dentro dela. — Além disso, embora quisesse, não sou o seu tipo. Wendy revirou os olhos e fez um gesto para que Julie a ajudasse a tirar o vestido de dama de honra e usar por um dos penhoares de cortesia que tinha na suíte. — Besteira. A única razão pela que os homens não chegam em você é por essa atitude que tem de mosca morta. Acredite-me, com um pequeno estimulo da sua parte, e apareceria um montão de caras que adorariam ter uma oportunidade para te despentear um pouco. — Bebeu o resto do champanhe que tinha e depois preparou uma vodca com tônica no minibar. — Chris Dennison não é nenhuma exceção.

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Veuve Clicquot - É uma marca de champanhe, facilmente reconhecida pelo distinto rótulo laranja em sua garrafa.


Julie ligou a televisão. Sua incapacidade para “ligar” era um dos temas favoritos de discussão das duas amigas, que ao longo dos anos tinham falado até não poder mais, uma conversa que Julie não gostaria de ter nesse momento. Apesar dos ruidosos protestos que Wendy dava no sentido contrário, no fundo Julie não parecia com que tivesse muito com o que trabalhar. Supunha-se que era bastante atrativa. Mas com 1,60 de altura, o cabelo loiro ondulado, os grandes olhos azuis e as modestas curvas de seu corpo, pareciam bastante com Sandra Dee, a menina boa de Grease, que com Marilyn Monroe. Até poderia ter tatuado “futura mãe de família respeitável” na testa. Não podia dizer que era das que despertavam pensamentos luxuriosos nos outros. Coisa que tampouco tinha incomodado muito até o momento. Está bem, tinha incomodado no ano em que Chris e ela tinham coincidido em Berkeley, quando ela era uma ingênua do primário e ele, o menino do último curso que a protegia muito. Foi criado por sua mãe, por isso, Julie só o tinha visto umas quantas vezes em sua vida e só recordava vagamente a aquele tipo grande e bonito que tinha sido amável com ela nessas ocasiões, mas quando se deparou com ele durante sua primeira semana no campus, Chris aos seus vinte e dois anos, tinha inspirado nela de repente todos os tipos de fantasias e sensações sexuais, sentimentos que Julie não tinha experiência. E depois não havia voltado a experimentar. — Sou como sua adorável irmã pequena — disso com tom sombrio — Sempre fui. — Não pode evitar sorrir ao lembrar, de Chris batendo em uns meninos de alguma fraternidade que tentava embebedá-la com cerveja de barril ou ponche de garrafão. — Não o tinha visto desde que se largou, depois da monumental bronca que teve com seu pai e Brian justo depois que eu me graduei em Berkeley. Deus, está tão bom. — Julie mal tinha pensando em Chris durante os cinco anos transcorridos desde que partiu. Ou melhor, não se permitiu pensar nele, possivelmente porque, no fundo, sabia que terminaria tal e como estava nesse momento. Com o cérebro cheio de imagens lascivas, inquietas, tensas e com o corpo palpitando em lugares onde não tinham por que palpitar e sem esperança de encontrar alívio no muito bonito pedaço de carne responsável por tudo aquilo. Uma hora e meia depois, Julie passava por todos os canais de televisão pela milésima vez enquanto terminava os restos do champanhe. Wendy roncava entre os travesseiros com uma bolsa meio vazia de M&M's de manteiga de amendoim apertada no punho. Maldita fosse Wendy e toda essa conversa de se vingar jogando-se nos braços do Chris. Não podia deixar de pensar nele, enredado em seus lençóis de seiscentos fios, todo músculos e pele bronzeada. A luxúria acumulava-se no ventre da Julie, mesclada com a indignação, enquanto examinava cada traço da suíte nupcial. Supunha-se que era sua noite de núpcias, maldito seja. Supunha-se que tinha que estar rodando por aquela cama e pulando na jacuzzi com o homem com o que se casou. Por estranho que parecesse, a ideia não era tão dolorosa como embaraçosa. Uma vez superado o susto inicial, Julie se deu conta de que a enchessão de saco que tinha era mais por seu orgulho ferido que porque Brian tivesse quebrado o seu coração. Queria casar-se com ele, ao


menos isso tinha pensado. Contudo, sempre soube que o seu teria sido um matrimônio baseado na compatibilidade mais que na paixão. E tinha parecido bem. Mas até esse momento não se deu conta da pouca consideração que sentia Brian por ela, tão pouca que tinha sido capaz de fazer algo assim no dia de seu casamento. Se olhasse as coisas com perspectiva, dar-se-ia conta de que tinha atuado como um covarde, era de se supor então que Brian pensasse que podia pisá-la sem mais? Mas tudo isso ia trocar, desde esse mesmo instante. Possivelmente Wendy tivesse razão. Possivelmente só tinha que deixar de se comportar como uma menina boa para que os homens se inteirassem de que debaixo havia uma deusa do sexo esperando a que alguém a soltasse. Só havia um modo de averiguar. Foi à penteadeira e tirou um pequeno pacote de papel de que extraiu o salto de cama de La Pérola que tinha eleito para essa noite. Quando o pôs, a seda fresca aliviou sua pele ardente. Estirou o tecido sobre os quadris e alargou o braço para ficar outra vez o penhoar violeta, depois agarrou a nécessaire íntima que com tanta consideração proporcionava o pessoal do Winston. A velha Julie jamais faria algo como o que tinha planejado, mas à nova Julie tinham prometido sexo essa noite, e ela iria ter.


Capítulo 3

Chris ficou olhando o minibar enquanto se procurou sua seguinte seleção. Tinha que reconhecer a seu pai e Grant: eles sim que sabiam com o que tinha que encher um minibar. Podia embebedar-se uma semana inteira se quisesse. Que era com toda probabilidade o que teria feito si não tivesse que ir quase ao amanhecer para Recife Holley. Escolheu uma garrafa de Jack Daniel's e o misturou com a outra metade da Coca-cola que tinha sobrado do Cuba livre que acabava de beber. Fez uma careta ao ver quanto custava o licor na folha de preços do minibar. Certo, era absurdo esconder-se em sua habitação e beber um licor de preço ridículo quando podia estar desfrutando em abaixo de graça. Mas era incapaz de enfrentar-se aquilo. Tinha comprido com sua obrigação. Tinha aparecido, tinha sido o padrinho perfeito e tinha fingido estar encantado de ver que a pequena Julie Driscoll se encadeava a um imbecil integral como Brian. Depois, tinha saído correndo dali nada mais cuspir o brinde preparado e totalmente insincero que tinha tido que soltar. Chris não fazia ilusão com seu irmão e a classe de marido em que ia se converter. Brian era exatamente igual ao seu pai: hábil, intrigante, o típico cara que precisava ficar sempre por cima. Um caráter que vinha muito bem nos negócios, mas que era um inferno para as mulheres que metiam em suas vidas. Seu pai já ia pelo quarto matrimônio e era muito provável que enganasse a sua mulher. David Dennison não podia renunciar à emoção da caça ou a satisfação da conquista. E Chris não albergava dúvidas: Brian era igual a seu pai. Apertou com mais força a taça e sentou entre as grandes almofadas que adornavam a cama grande da habitação. Não sabia por que estava tão aborrecido. Tampouco era como se tivesse passado os últimos cinco anos suspirando por ela. Pelo menos não muito. Mas tinha passado nove meses desde que tinha recebido o anúncio do compromisso. Nove meses para desfazer-se de qualquer ilusão que tinha de chegar a desfrutar de algo que a doce Julie tinha para oferecer. Não obstante, as imagens daquela garota seguiam atormentando-o. Julie com seu biquíni vermelho de verão quando tinha acabado de completar dezesseis anos. Uns seios pequenos e redondos que se apertavam contra o sutiã do biquíni, com os mamilos endurecidos pela água fria. Julie no clube de campo, a menina perfeita com seus requintes e suas pérolas. Sempre tinha sido toda uma dama, inclusive na adolescência, quando o irritava com sua ingenuidade ao tempo que lhe inspirava fantasias nas que ele tirava as calcinhas brancas de algodão e lhe demonstrava quão divertido podia ser comportar-se mau. E ao fim a pior imagem de todas. Julie, em pé ante o altar junto a seu irmão, tão frágil como uma boneca de porcelana enquanto fazia os votos que a uniam a Brian.


Bebeu de uma vez o resto da taça, como se com isso pudesse afogar as vozes de sua cabeça que o botavam louco por não haver aproveitado quando tinha chance com Julie. Ah, não, por alguma estranha razão aos vinte e dois anos havia tido que desenvolver uma veia nobre quando se tratava daquela garota, possivelmente porque sabia por instinto que se saía com ela sozinho, terminariam os dois sofrendo. Assim em lugar de permitir desfrutar daquela longa fantasia recorrente em que ensinava a inocente Julie tudo o que tinha que saber sobre as alegrias do sexo, decidiu ser o seu protetor em lugar de seu amante. E enquanto ele estava no Caribe se matando para pôr Recife Holley no topo dos resorts de luxo de primeira classe, o que havia tentado arruinar tinha sido o safado de seu meio-irmão. Um golpe na porta o tirou com um sobressalto de sua meditação. Uma olhada pelo olho mágico revelou à última pessoa que tivesse esperado ver ali. Julie Driscoll (mas bem Dennison, com os rasgos distorcidos pelo efeito aquário da mira) esmurrava com determinação a porta de seu quarto que era suposto ser a sua noite de núpcias. Chris puxou o ferrolho e abriu a porta. Por um momento acreditou que estava sofrendo uma alucinação. Ou possivelmente tinha feito uma mescla um pouco forte com o último rum e Coca-cola que ficava no minibar, deprimiu-se e estava sonhando. Certamente não era a primeira vez que Julie invadia seus sonhos, mas geralmente levava algo um pouco mais provocador que a desfiada bata violeta de avó que já tinha na universidade. Tinha que ser real, porque se fosse um sonho, a essas alturas a bata já estaria no chão e ele já estaria meio metido naquele corpo. O que não evitou que o sangue acumulasse na virilha. O ano que tinham coincidido em Berkeley, Chris tinha chegado à porta do dormitório da residência da jovem em incontáveis ocasiões e a tinha encontrado recém saída da ducha e envolta naquele penhoar. A ideia de despojá-la daquele objeto suave e gasto para poder percorrer com a língua toda sua pele suave e úmida se burlou em quase todas aquelas ocasiões da promessa que tinha feito de não lhe pôr as mãos em cima. O pênis cresceu na cueca e Chris se recordou com fúria que era uma mulher casada, e com seu irmão, se por acaso fosse pouco. Tinha que ter acontecido algo grave para que Julie estivesse ali. Como lhe ocorria, a ele juntar-se quando necessitava tudo o sangue possível no cérebro? — Aconteceu algo com Brian? — perguntou Chris quando Julie não disse nada. Ela tinha ficado olhando com a boca um pouco aberta. Chris quase podia sentir o calor daquele olhar em sua pele enquanto o ia percorrendo inteiro, primeiro o seio, depois o abdômen plano para seguir baixando, até que as sobrancelhas femininas se elevaram com certo interesse. Chris baixou os olhos e ficou avermelhado quando se deu conta de que não levava mais que a boxer e que o vulto da braguilha seguia crescendo sob o olhar da jovem. — Posso entrar? — disse Julie, embora relutante, ergueu os olhos para o rosto de Chris. Chris se afastou para deixá-la passar e em algum lugar de seu cérebro nublado pelo minibar se disparou um alarme. Geralmente, as mulheres não visitavam as habitações de outros homens às duas da manhã de sua noite de núpcias. Julie sentou na beira da cama e acendeu a lâmpada sobre a mesa. A luz a envolveu em um


fulgor tênue que iluminou seu cabelo de ouro pálido e sua pele suave como a de um bebê. Aparentava uns quatorze anos com seus grandes olhos azuis e os lábios suaves e rosados. Ela voltou a olhar para ele e em sua expressão havia algo menos inocência. Com pênis ameaçando aparecer pela braguilha da cueca, Chris pegou com gesto casual um dos roupões que penduravam em seu armário e fez uma careta quando se deu conta de que o tamanho único não se aplicava a seu corpo. O roupão cabia nos ombros, mas não cobria o seio e apenas o deixava esticar os braços. Mas ao menos se o seu amiguinho decidia aparecer à cabeça pela cintura, Julie não teria que vê-lo. — Foi cedo da festa, não? — disse a jovem, como se fosse o mais normal do mundo estar em seu quarto quando deveria estar desfrutando de sua primeira noite de sexo conjugal — Nunca gostou dos eventos que exigem gravata. Chris assentiu. — Não, e eu tenho que pegar um voo mais cedo — sentou-se na cama, ao lado dela e só seu aroma foi suficiente para voltá-lo louco. Como em seus melhores sonhos, Julie tinha aparecido em sua habitação de hotel. Mas na realidade falavam de trivialidades, do banquete e seus planos de viagem enquanto ele tinha uma ereção capaz de cravar pregos em qualquer lugar. E embora cada uma de suas terminações nervosas era consciente do que tinha diante e lhe rogava que a jogasse na cama e lhe colocasse a língua entre as pernas, Chris sabia que não era para isso para o que Julie tinha ido ali. Ou sim? Perguntou-se quando a jovem se encolheu de ombros e uma das mangas do penhoar se deslizou e deixou o ombro descoberto. A boca de Chris secou ao ver o diminuto pedaço de cetim de cor marfim que se apoiava naquela pele suave. — Surpreendi Brian transando com a sua ajudante no quarto de vassouras. A revelação da Julie o arrancou por um momento da fantasia que estava tendo em que tirava a manga com os dentes e o descia pela pele sedosa do braço feminino. — Que o surpreendeu o quê? — Fui buscá-lo para cortar o bolo e o encontrei transando com a sua nova ajudante, Vanessa, no quarto de vassouras que há perto do salão de banquetes. Julie parecia surpreendentemente tranquila, dadas às circunstâncias. Claro que Julie nunca se deixava levar por suas emoções. Se alguém podia dirigir uma situação assim com elegância, essa era Julie. — Então, eu subi no palco e expliquei a todos o que tinha acontecido, e depois esmaguei o bolo na cara dele. Não devia ter sido muito divertido, mas Chris não pôde conter a gargalhada. A serena e perfeita Julie estrelando um bolo na cara do tão perfeito Brian. E nada menos que diante de quinhentos de seus amigos mais íntimos e sócios empresariais. Chris não pôde evitar a risada baixa que lhe brotava do seio. — Merda, sinto ter perdido isso. — Fez uma pausa e tentou recuperar a compostura —


Perdoa que me tenha rido. Sei que para ti não tem nenhuma graça. Uma risada travessa que Chris não tinha visto jamais cruzou a cara da jovem. — Na verdade, foi hilário. Por que, Brian ainda levava a braguilha aberta, o idiota. — Sinto-o muito. — Chris se aproximou um pouco mais e lhe envolveu os ombros com um abraço de consolo, Julie se aconchegou contra ele, seu amigo enterrou o nariz na suavidade de seu cabelo e aspirou ao aroma limpo e afresco da jovem. Chris sempre tinha se encantado como Julie cheirava a sabão fresco e flores brancas. O pênis cresceu o que lhe pareceu outro centímetro e Chris disse-se com toda firmeza que se acalmasse. Julie tinha ido ali para que a consolassem, não para que lhe atirassem os trastes. Mas então a jovem se voltou para ele e deslizou a mão pelo torso, por dentro do roupão, depois o rodeou até apoiar os dedos na pele nua de suas costas. Chris esteve a ponto de ficar a ronronar quando os dedos femininos riscaram pequenos desenhos nos músculos de seus ombros. — Me alegro tanto de ver-te outra vez, Chris — murmurou Julie se aconchegando ainda mais contra ele até que a baforada cálida de seu fôlego lhe fez cócegas no pescoço — Senti sua falta. — Eu também me alegro muito de ver-te, Jules. — Chris acariciou as costas com gesto tranquilizador. Só a estava consolando. O que tinha isso de mau? Nada. Baixou um pouco mais a mão e pôs a prova à resistência do quadril feminino antes de esquivar o traseiro da jovem com nobreza para voltar a passar as mãos nas costas. Julie se apartou um pouco, mas sem deixar de abraçá-lo, enquanto com a mão seguia provocando a pele nua das costas masculina. — Supõe-se que é minha noite de núpcias. — O rosto da jovem era sombrio, mas não com a expressão dolorida que Chris poderia esperar de uma mulher que acabara de descobrir a traição do homem que amava — Se supõe que esta noite a ia passar fazendo o amor com meu marido. A única coisa que Chris podia fazer era assentir. Aonde queria chegar com tudo isso? — Sabe que passei toda a minha vida tentando ser perfeita? Tenho-o feito tudo bem, tudo o que meus pais quiseram, e olhe o que consegui. Era certo. Ao contrário dele, Julie tinha passado a vida tentando conseguir a aprovação de seus pais — sobre tudo a de seu pai — Um dos grandes motivos pelo que nunca havia dito nada a Julie era porque sabia que Grant Driscoll jamais aprovaria que sua filha andasse por aí com o filho selvagem de Dennison, o produto de um segundo matrimônio, breve e escandaloso, com uma garçonete de Las Vegas. Sempre que Chris tinha ido visitar seu pai e se encontrou com Grant Driscoll, o magnata tinha deixado muito claro que não gostava da ideia de que Chris olhasse a sua filha sequer. Julie tinha tido tanto cuidado de manter sua amizade em segredo que ele sabia que nunca o apresentaria em sua casa como seu namorado. Naquele momento, Chris tinha decidido que era melhor conformar-se com uma amizade; temia que se chegasse a deitar-se de verdade com ela, não seria capaz de evitar gritar aos quatro ventos que aquela mulher era dela e a merda com as consequências. E enquanto isso tragou o ressentimento que lhe inspirava ter que ocultar sua inocente relação como se fora uma espécie de sujo secreto.


E quando Chris tinha abandonado o redil familiar para perseguir seu sonho de fundar seu próprio complexo de luxo soube que Julie jamais deixaria a segurança do ninho familiar para reunir-se com ele. Tampouco era que ele tivesse considerado a opção de perguntar-lhe, pelo menos não mais de umas cem vezes. Naquela época não tinha tido a oportunidade de ter um futuro com ela e tampouco tinha essa noite. Mas ali estava ela, olhando-o com aqueles grandes olhos azuis, mostrando os ombros sensuais e enchendo-o com uma mescla perturbadora de luxúria e ternura, querendo raptá-la e levá-la para sua ilha paradisíaca até que reconhecesse que era dele e de ninguém mais. Que diabos estava acontecendo? Tinha tido anos inteiros para superar todas aquelas panaquices. Tinha tido tempo de sobra — por não falar de mulheres de sobra — para conseguir superar o fato de que sua irracional teimosia com a Julie jamais encontraria satisfação. Que importava se estivesse em seu quarto? Era muito velho para deixar que Julie (que não tinha nem a mais remota ideia do tornado que bramava no interior de Chris) enredasse-o. Embora soubesse que não era boa ideia que seguisse acariciando-a, percorreu com o polegar a curva da bochecha da jovem enquanto tentava como podia não fazer caso da intensa descarga que o atravessava do polegar aos ovos. — Oxalá pudesse me haver parecido mais com você, oxalá tivesse tido o valor de me defender e dizer o que queria. Em lugar disso, deixei que me convencessem para me casar com um homem que sabia que nunca me faria feliz. Chris assentiu. — Sempre pensei que você merecia algo melhor. — Envolveu-a entre seus braços e a estreitou com força. — E desde hoje mesmo eu também sei. E aí é onde entra você. A mão do Chris se congelou nas costas dela. Por um instante tinha parecido que voltavam para os velhos tempos. Quantas vezes tinha consolado a Julie quando o menino que gostava rompia com ela? É obvio, uma parte dele, a parte que palpitava com insistência na virilha, morria por despi-la, mas tinha sido capaz de contê-la e recuperar o ritmo antigo e conhecido de sua velha amizade. Mas ali estava esse olhar outra vez. Esse olhar que dizia que queria lambê-lo da cabeça aos pés e, talvez, uma atenção especial às partes intermediárias. Oxalá. Devia estar muito bêbado, ou haver-se voltado louco. Ou as duas coisas. — Chris, quero te pedir um favor muito grande. — A expressão da jovem tinha perdido o fulgor luxurioso e se converteu em um gesto de expectativa cortês. — O que queira Jules. — Quero que te deite comigo. — O que? — Não podia havê-la entendido bem. — Deite-se comigo, por favor — repetiu Julie, cuja expressão era tão impaciente e civilizada como si te estivesse pedindo que lhe servisse um pouco mais da coca-cola light. Mas quando Chris não fez nada salvo olhá-la com a boca aberta, Julie continuou — Falo a sério. Levo toda a vida


deixando que outras pessoas me digam o que quero porque temia lhes desagradar. Depois desta noite, dá-me igual o que pense alguém. Por uma vez, quero ter algo que quero de verdade. E é você. Os olhos da Julie arderam e se liquidificaram uma vez mais enquanto suas mãos procuravam sob as lapelas do roupão masculino e lhe acariciavam o seio. — Desejo-te, Chris — sussurrou outra vez antes de inclinar-se para deslizar os lábios pela pele da clavícula do empresário. Contudo, Chris fez o que pôde para recordar todas as razões pelas que não deveria aceitar a oferta. Para começar, ela estava em um momento vulnerável. Tinha encontrado a seu marido transando com outra apenas umas horas depois das bodas. Isso já era suficiente para mandar a qualquer ao abismo do comportamento irracional e pouco apropriado. E, além disso, Julie cheirava a champanhe e ele jamais se aproveitou de uma garota bêbada, nem sequer na universidade, quando era um idiota que vivia em uma fraternidade. A mão dela se deslizou pelo interior da coxa do Chris e seus dedos foram abrindo caminho, atormentando-o sob a perna da calça do calção. O pobre esteve a ponto de correr-se ali mesmo. — Sei que está chateada —gemeu Chris — mas não acredito que queira fazer isto de verdade. — OH, pois eu estou bastante segura do que quero. — Julie se levantou, desprendeu-se da bata violeta, que deixou cair ao chão, agarrou a mão masculina e cobriu com ela um seio através do cetim cremoso da combinação que levava. — Vou amanhã — disse Chris, incapaz de resistir à tentação de percorrer com o polegar o bico duro do mamilo que lhe era oferecido — e não sei quando poderei voltar. Quão único posso te prometer é uma noite. — Por Deus bendito, tinha o seio da Julie Driscoll na mão. A mera ideia fez rugir sua cabeça com tal estrépito que quase não ouviu o que ela disse a seguir. — Sei como é Chris — disse Julie com aquele tom rouco tão sexy que o empresário não tinha ouvido jamais, enquanto lhe acontecia uma perna por cima das coxas para sentar-se sobre ele escarranchada — Disso se trata, precisamente. Chris não teve tempo de pensar a que se referia à mulher que tinha entre seus braços. Julie se elevou sobre os joelhos e lhe rodeou o pescoço com os braços. Apesar de todas suas bravatas, o beijo que lhe deu era vacilante, com os lábios logo que separados, lhe buscando a boca com a mais ligeira das pressões. O sabor da jovem explodiu na boca de Chris, doce, picante, disparando-se por sua coluna até que as mãos tremeram de desejo. O homem lhe separou os lábios com a língua; necessitava-a, precisava sentir a língua feminina enredando-se com a sua. As mãos de Julie se enredaram no cinturão do roupão que levava Chris e este se despojou com impaciência do objeto, com um gemido ao sentir os seios cobertos de cetim contra seu torso. Chris sugou e mordeu os lábios; estava perdendo o controle a toda velocidade enquanto deslizava as mãos pelas costas da jovem e logo as baixava para cobrir a curva suntuosa de seu traseiro. Apesar de todas as fantasias que tinha tido com Julie, estando com ela, acariciando-a, beijá-la, saboreá-la, a realidade era melhor que tudo o que podia ter imaginado. Chris arqueou os quadris contra o V que desenhavam as coxas femininas para que a jovem pudesse sentir como


ardia por ela, quão grande estava por ela. Julie deixou escapar um gemido e se apertou um pouco contra ele. Foda-se. Tinha que frear um pouco ou o único que ia se divertir essa noite era ele. — Está segura de que quer fazer isto? — perguntou ele, rezando para que Julie dissesse que sim, mas com a necessidade de assegurar-se de todos os modos. Era certo que fazia muito tempo que não a via, mas a Julie que ele tinha conhecido nunca tinha sido das que se dedicavam a ter relações sexuais casuais e Chris duvidava muito que isso tivesse trocado. — Muito segura — gemeu Julie, que abriu as pernas mais ainda sobre os quadris masculinos para que ele pudesse sentir o calor que irradiava sua excitação através do algodão fino da boxer — Sempre te desejei Chris, e agora por fim tenho a oportunidade de te fazer meu. Os pensamentos masculinos se enlamearam no forno da luxúria, mas um diminuto grão de esperança se alojou em meio de suas tripas. Apesar de tudo o que havia dito, era possível que Julie quisesse algo mais? Possivelmente uma vez solucionado todo aquele desastre com o Brian, uma vez que a vida de Chris se acalmasse um pouco, existia a possibilidade de que pudessem estar juntos? — Além disso — sussurrou ela entre um beijo e outro — eu adoro pensar como se encheriam o saco todos se chegassem a averiguar isto. As mãos do Chris ficaram imóveis sobre os seios da jovem. Algo para vingar-se de seu marido. Disso se tratava. Deveria haver-se dado conta assim que a tinha visto pelo olho mágico da porta. A realidade não fez nada por acalmar seu pênis embora sim, deteve em seco aquelas vagas fantasias que começavam a formar-se de viver com Julie algum dia, felizes para sempre. Pois claro. Ele era o filho pequeno, que ninguém tomava a sério. Suficiente para jogar um pó mas não para muito mais. As mãos masculinas se esticaram sobre os quadris da Julie ao mesmo tempo em que algo escuro e primitivo se elevava em seu interior. Se o único que Julie queria era uma simples transa despretensiosa entre amigos, quem era ele para negar-lhe Dar-lhe-ia o que queria. Um pó tão intenso e extraordinário que as lembranças a torturariam durante o resto de sua vida, como ela tinha torturado a ele. E com um pouco de sorte, ao poder ter Julie justo onde a queria e como a queria, possivelmente por fim poderia tirá-la da cabeça de uma vez por todas. Trocou de posição e a jogou sobre a cama, de barriga para cima, segurando os pulsos com uma mão por cima da cabeça. A outra mão a deslizou pelo plano firme do ventre de Julie, antes de seguir baixando. A umidade empapava o tecido da combinação quando Chris introduziu os dedos no calor que queimava as coxas femininas. Emitiu um som profundo de satisfação quando sentiu que o pênis endurecia ainda mais, até o impossível. A seda roçava o botão do clitóris da jovem e Chris o sentiu pulsar baixo ele quando incrementou a pressão e introduziu os dedos nas dobras alagadas daquele sexo doce e palpitante. Sugou a língua de Julie e chupou seus gemidos, seus ofegos roucos. — Estou ansioso para entrar em você. A jovem estremeceu contra ele, quase a ponto de desfazer-se entre seus braços. Chris tirou


a mão de entre suas coxas e sorriu por ouvir o indignado protesto de Julie, mas ele queria que viesse quando estivesse dentro dela, queria olhá-la nos olhos e ouvi-la gritar seu nome enquanto palpitava e lhe rodeava o pênis como um punho fechado. Soltou-lhe os pulsos e baixou a combinação até a cintura. Durante um instante eterno não a tocou, limitou-se a ficar sobre ela, sujeitando-a com os braços, para poder absorver aqueles seios perfeitos. Afinal Julie começou a retorcer-se, com o rosto avermelhado de vergonha sob aquele olhar descarado. Chris se deitou de lado e se incorporou sobre um cotovelo enquanto com a outra mão a explorava quase com preguiça. — Sabe — disse ele enquanto cobria com uma palma enorme quase toda a pele cremosa — quantas vezes imaginei isto? — A pele dela era, por impossível que parecesse, inclusive mais suave que o tecido de seu penhoar, com os mamilos pequenos e rosados, tensos e eretos como casulos pequenos e duros. Por um momento a cólera de Chris por sentir-se utilizado se desvaneceu enquanto gozava da sensação daquela pele acetinada contra a palma de sua mão. Inclinou-se para riscar com a língua a borda inferior do seio feminino. — Lembro que te olhava na piscina. Você levava um biquíni branco e xadrez vermelho. — Rodeou-lhe com a língua o mamilo e lhe deu de presente o mais ligeiro dos toques — A água fria te endurecia os mamilos, como agora. — Os dedos de Julie se entrelaçaram no cabelo de seu amante e não deixaram que sua boca se separasse de sua sensibilizada pele — Imaginava te tirando o biquíni, para que pudesse saborear você. — Chris continuou a torturar um mamilo e logo o outro. — Por favor — sussurrou Julie, que fazia rodar a cabeça pelo colchão e se arqueava para sua boca, rogando algo mais que aquela carícia que a atormentava. Chris fechou os lábios com firmeza ao redor de um mamilo e atormentou o outro com um beliscão suave de seus dedos. Abriu mais a boca e envolveu tudo o que pôde daquela mulher com os lábios, depois se separou um pouco e sugou com força. Depois se colocou sobre ela e se acomodou entre suas pernas sem deixar de beijar, sugar e lamber seus seios de todas as formas que sempre tinha imaginado. Julie rodeou a cintura com as pernas e se apertou contra ele. A combinação tinha subido até os quadris e o calor úmido da jovem se esfregava com paixão contra o abdômen dele. O aroma da excitação da jovem flutuava no ar, almiscarado e doce de uma vez. Aquela mulher o estava matando. — Deus, é preciosa. Os olhos de Julie brilhavam vidrados de desejo, com os cabelos solto sob a cabeça, sexy e despenteada. A combinação tinha formado redemoinhos ao redor da cintura, por cima despia uns seios cheios e alegres e por baixo o matagal exuberante de uns cachos de cor dourada escuro. As pernas abertas ofereciam a Chris uma vista perfeita de sua carne rosada e resplandecente. A parte de seu cérebro que ainda era capaz de pensar se maravilhou ante aquela criatura extraordinariamente sensual que espreitava sob a virtuosa fachada de Julie. Ali, no meio de sua cama, havia uma mulher sexy, impaciente e mais ardente do que nenhuma mulher poderia chegar


a ser jamais. O pênis de Chris pulsou e ele soube que não poderia esperar muito mais. Tinha esperado por Julie muitos anos, maldita seja. Tinha que penetrá-la de uma vez. Já. Levantou-se e se desfez da boxer. — Oh, mãe — disse Julie com uma voz tímida quando a ereção de Chris ficou livre por fim. Seu amante não pôde evitar uma quebra de onda de puro orgulho masculino quando viu o brilho de admiração que havia nos olhos femininos. E sob a admiração… nervosismo. Inclinou-se, apoiou o peso nos braços e apanhou a boca feminina em outro beijo que a abrasou. — Isto vai estar muito bem. Melhor que bem. Chris pegou uma camisinha e o pôs com um movimento rápido, depois acomodou seu peso entre as coxas da Julie. Baixou a mão, colocou-se sobre o sexo da jovem e se introduziu com um embate. — Deus, tem a vagina tão apertada — sussurrou enquanto introduzia toda sua grossura no interior da jovem. Fechou por um momento os olhos quando sentiu a pressão firme dos finos músculos da jovem lhe envolvendo o pênis. Empurrou outra vez, com mais decisão, e Julie deixou escapar um pequeno ganido. Possivelmente a luxúria o tivesse deixado sem cérebro, mas teria que estar cego para não notar a careta de dor que cruzou o rosto de Julie. — Merda. — Até um taco tão suave soava estranho nos lábios da Julie. A jovem sorriu envergonhada e acariciou a bochecha de Chris com os dedos — aconteceu há muito tempo. — A risada suave que seguiu ao comentário fez que a jovem se esticasse ao seu redor de um modo insuportável. Chris esteve a ponto de ficar vesgo quando o calor sedoso e ardente da jovem pressionou o membro. Chris apertou os dentes e sufocou de forma implacável o impulso de afundar-se nela imediatamente e até o fundo. — Quanto? Julie conteve o fôlego e levantou os quadris com certa vacilação. — Uma relação sem pena nem glória faz quase um ano. Que diabos acontecia com seu meio-irmão? Como demônios tinha podido manter as mãos longe daquela mulher? Chris não teria encontrado sentido nem nas melhores circunstâncias e certamente era incapaz naquele momento, quando quase com toda segurança tudo seu sangue tinha abandonado seu cérebro. Tentou concentrar-se com desespero para pensar com um pouco de coerência, coisa nada fácil quando introduziu mais alguns centímetros do sexo mais tenso e úmido que jamais havia sentido. Deveria ter ido mais calma, haver dado há Julie mais tempo para acostumar-se ao seu tamanho… Tentou sair e Julie voltou a fazer outra careta. A crua realidade da dor da jovem liberou parte do sangue de Chris, que retornou obediente, a seu cérebro. Merda. Estava tão impaciente por fazer experimentar a aquela mulher o que não tinha vivido em sua vida que tinha terminado por lhe fazer dano. Possivelmente estivesse zangado pelo fato de que ela o estivesse utilizando


para vingar-se de seu irmão, mas era importante que ela também desfrutasse de verdade. Não há nada como saber que está causando a uma mulher um desconforto notável para matar o momento. Mas Julie tinha outras ideias. — Não — disse enquanto rodeava melhor as pernas ao redor da cintura de Chris — Nem te atreva a parar. — Pontuou a ordem com um arremesso diminuto dos quadris, e os ovos de Chris se esticaram ante aquela fricção deliciosa. — Deveria ter me contado. — inclinou-se sobre ela e a beijou com ternura na testa, ansiava acalmá-la e consolá-la depois de havê-la atacado com a delicadeza de um adolescente de dezesseis anos na noite de formatura — Teria sido um pouco mais doce com você. — Por alguma razão não me pareceu que fosse o lugar adequado para falar de Brian e nossa desastrosa vida sexual. — Julie lhe acariciou as costas com as mãos e Chris faltou toda sua força de vontade para resistir o impulso de afundar-se ainda mais nela — Por favor, não pare — disse outra vez — Quero fazê-lo. Faz muito tempo que te desejo. Não acredito ter desejado a ninguém como desejo você. Outro pequeno empurrão dos quadris e Chris teve que as sujeitar com firmeza para evitar qualquer outro movimento. — Julie, deixa de se mover. Não quero te machucar. Mas a jovem apertou os músculos internos para lhe rodear e lhe soltar o membro em uma carícia insuportável. Um sorriso manhoso cruzou os lábios femininos e voltou a encolher os músculos. Chris lançou a cabeça para trás com os olhos apertados. Por Deus, um homem só podia aguentar até certo ponto. Colocou a mão entre os corpos dos dois e encontrou com o polegar o botão tenso do clitóris feminino. — Não se mova — disse outra vez enquanto a rodeava com carícias tensas e firmes. Em poucos segundos, Julie estava derretendo ao seu redor, elevando os quadris em impulsos diminutos e inconscientes à medida que se ia umedecendo cada vez mais com cada golpe do polegar de Chris. A tensão começou na base da coluna de Chris e se foi abrindo caminho até seu testículo. Não ia durar muito. E ela estava tão perto, ofegava com suspiros entrecortados e tinha os mamilos eretos, como picos de cor cereja, com o orgasmo apenas à volta da esquina. Mas Chris sabia que não ia poder aguentar nem um segundo mais dentro dela sem correr-se e antes se cortava o ovo esquerdo que permitir-se chegar ao final antes que ela. Tinha chegado o momento de tomar medidas drásticas. — Não — protestou Julie quando Chris, com suavidade mas com firmeza, desprendeu-se das pernas que lhe rodeavam a cintura e se retirou. Frustrada, as lágrimas alagaram os olhos da Julie — Não pode parar agora. — Não quando estava tão perto do que sabia que seria o orgasmo mais intenso de toda sua vida. Por não dizer o único orgasmo que tinha tido jamais a mãos (por assim dizê-lo) de outra pessoa.


Chris a interrompeu com outro daqueles beijos que a derretiam inteira. — Não vou parar, Jules. — deslizou-se pelo corpo dela até que sua cabeça ficou ao mesmo nível que a dela, com o estômago apertado entre as pernas da jovem. Elevou a mão para embalar a mandíbula feminina e Julie se esqueceu do que estava dizendo quando Chris explorou sem pressas a boca com a língua — Mas sim vou fazer que tudo vá muitíssimo melhor, já o verá. Julie voltou a excitar-se muitíssimo mais. Chris fechou os olhos, cujo azul logo que ficava visível entre os grossos cílios negros. A sua era uma expressão decidida. Decidida a dar a Julie todo o prazer possível. Os dedos e a língua de Chris encheram de cuidados os mamilos de Julie, até que ela acreditou que ia se voltar louca se não parava e que o mataria se parasse. Chris baixou a mão para abrir as dobras úmidas da virilha, acariciando-a, acalmando-a e, por incrível que fosse, a excitando ao mesmo tempo. Julie se sentou na cama, emocionada, quando a boca de Chris seguiu às mãos. Não era a primeira vez que a jovem se perguntava se não tinha sido muito impulsiva a decisão de deitar-se com Chris. Não era que não estivesse passando bem. Ele estava passando em grande, mais que com qualquer outro homem em toda sua vida. Mas era muito mais intenso, muito mais entristecedor do que jamais teria imaginado. Como nesse momento, pensou enquanto baixava a cabeça, estupefata ao ver as ondas de cabelo escuro que contrastavam com a pele pálida de suas coxas. Sempre tinha sentido muita vergonha deixar que um homem fizesse aquilo, mas suas inibições fugiram com a primeira carícia firme da língua de Chris naquela zona já hipersensibilizada. Julie gemeu de desejo quando a pressão doce e cálida dos lábios de Chris enviou quebras de onda de prazer que ressoaram por cada uma de suas terminações nervosas. — Sinto ter te machucado. — O rumor profundo da voz de Chris fez cócegas junto à pele feminina — Mas agora vou curar com beijos. A língua daquele homem fazia magia, girando e afundando-se em sua ardente essência. Julie apertou os punhos contra o edredom e agitou a cabeça de um lado a outro. Nem em suas melhores fantasias poderia haver-sentido uma sensação melhor. Primeiro um e depois dois dedos se deslizaram em seu interior e alargaram a entrada, atormentando um punhado de nervos que ela nem sequer sabia que tinha. — Você tem um sabor tão bom — murmurou Chris e sua linguagem franca a fez ficar vermelhar — Não tem nem ideia de quantas vezes me peguei sonhando te saboreando com a língua e os dedos. A imagem enviou um choque de prazer que passou por todo seu corpo fazendo com que se contorcesse contra a boca faminta de Chris. Seus gemidos e gritos de prazer foram fundidos com quente, beijos molhados de sucção. A tensão fez um nó no estômago. A pressão firme dos dedos de Chris, e a sucção suave de seus lábios e sua língua foram arrastando-a em uma espiral de desejo. Julie não pôde conter um orgasmo, mas teria gostado. Ela arqueou as costas e se levantou da cama, depois, gozou em uma onda aparentemente interminável enquanto seus estridentes gritos se desvaneciam em suaves suspiros para ir se acalmando.


Poderia ter passado segundos ou horas enquanto ficava ali, um pouco aturdida. Soltou o edredom e deixou cair às mãos com as palmas para cima dos lados da cabeça. Pouco a pouco foi consciente de que Chris ia abrindo caminho de beijos por seu ventre e seu seio. O empresário se deteve um instante para atormentar um mamilo com um mero toque da língua, como se tivesse compreendido que o hipersensibilizado pico não poderia suportar uma sucção mais firme nesse momento. — Melhor? — sussurrou-lhe enquanto se acomodava uma vez mais entre suas pernas. Julie o sentiu, incrivelmente grosso e duro, pressionando fortemente o interior das coxas. — Muito melhor, obrigada — respondeu e lançou uma risada ao ver o grande sorriso que se estendeu pelo rosto de Chris. — Não é que você está me agradecendo pelo chá — se burlou ele ao inclinar a cabeça para beijá-la. Levantou uma mão e a entrelaçou no cabelo feminino enquanto a outra lhe agarrava uma perna e a subiu para o quadril. Trocou de posição e Julie gozou da sensação daquele membro que se estirava e deslizava quando Chris introduziu a cabeça. — Pronta para tentar outra vez? Julie tentou dizer que sim, mas tudo o que lhe saiu foi um confuso ‘’sim’’ quando a hábil pressão combinada com a fricção em seu interior enviou uma nova onda de calor por todo seu corpo. Uma veia se sobressaiu no pescoço de Chris e o suor começou a cair da testa de Chris enquanto lutava por manter o controle. Essa vez não se lançou em um embate, mas sim foi introduzindo-se pouco a pouco, centímetro a centímetro até que por fim se afundou nela até tal ponto que os comichões de prazer percorreram a coluna inteira de Julie. — Está bem? — O rosto de Chris estava marcado por linhas tensas de concentração e os braços tremiam um pouco ao suportar seu peso. Era uma criatura bela e selvagem a estava sobre Julie, com todo o corpo estremecido pelo esforço de não perder o controle. A modo de experimento, a jovem trocou os quadris de posição e ofegou de repente quando o movimento apoiou a base do pênis de Chris contra seus clitóris. Ao confundir aquele som com um gemido de dor, o homem lançou um juramento e começou a retirar-se. — Sinto muito… — Não, por favor, não pare. Não me dói, juro-lhe isso. — Julie se apertou contra ele outra vez, rezando para que voltasse a mover-se dentro dela — Estou bem, incrivelmente bem. — Julie deslizou as mãos pelas costas de seu amante e agarrou as nádegas, apertando para introduzi-lo ainda mais nela — Acredito que posso sentir os batimentos de seu coração dentro de mim. Foi todo o incentivo que Chris precisava. Finalmente começou a mover-se, saindo e entrando do corpo dela pouco a pouco, gemendo quando ela se apertava a seu redor para tentar introduzi-lo mais nela com cada impulso. Julie levantou os joelhos por instinto para abrir-se mais. Chris colocou as mãos sob os joelhos da jovem e apertou as coxas contra o seio para abrir mais as pernas e que pudesse sentir


seu pênis quando deslizava contra seus clitóris cada vez que entrava nela. Julie ouviu de forma vaga seus próprios gemidos, cujo volume ia aumentando com cada investida. Cravou as unhas nos músculos duros das nádegas dele e gritava enquanto ele investia uma e outra vez até que outro orgasmo a golpeou com tal força que poderia ter jurado que tinha visto estrelas. Chris jogou para trás a cabeça ao chegar ao clímax, um grito gutural escapou de sua garganta. Julie o espremeu com doçura e sentiu uma deliciosa sensação de poder quando ele se afundou nela com força. E quando se derrubou sobre ela, Julie o embalou rodeando-o com braços e pernas. Era muito maior que ela e possivelmente deveria haver-se sentido asfixiada, mas em lugar disso, enterrou a cara no pescoço dele e sentiu uma satisfação imensa. Ela, a aborrecida e pequena Julie Driscoll, tinha o poder de converter Chris Dennison em uma tremente e indefesa massa de carne.


Capítulo 4 Chris ficou sobre ela vários minutos, consciente até certo ponto de que era muito provável que a estivesse esmagando, mas incapaz de mover-se. Enterrou o nariz no pescoço de Julie e inalou o aroma doce de sua pele misturado com seu próprio suor. Seguia tremendo após aquele intenso orgasmo que o tinha fundido por completo, mas com só perceber seu próprio aroma nela já foi suficiente para que seu membro começasse a endurecer-se de novo no interior dela. Ao fim rodou de lado, apenas capaz de acreditar o que acabava de passar, e isso que Julie se abraçava contra seu seio. Julie Driscoll estava em sua cama, nua, virtualmente ronronando depois de uma sessão do sexo mais ardente e vigoroso do que ele tinha desfrutado jamais. O que demonstrava que a realidade era muito, muito melhor que qualquer fantasia que poderia ter imaginado. Roçou com a mão direita os sedosos cachos loiros de seu cabelo, acariciou a curva do ombro e desenhou a linha suave de seu braço. Cobriu-lhe a mão com a sua e fez uma careta quando a realidade veio em forma de um gigantesco anel de compromisso que arranhou a palma da mão. — E agora o que? — perguntou. Julie se apoiou em seu seio e lhe dedicou um sorriso dormitado. — Estava pensando que podia te dar uns cinco minutos ou algo assim para que se recuperasse, e depois possivelmente poderíamos fazê-lo outra vez? O sangue se acumulou no pênis ao ouvir a sugestão da dela, mas uma vez mitigada a necessidade mais ardente, Chris não era tão fácil de distrair. — Refiro-me a Brian. — disse enquanto fechava o polegar e o indicador ao redor do mamilo para dar mais ênfase a suas palavras — Vai pedir o divórcio? —Não sei. — Julie apartou a mão, estendeu os dedos e franziu o cenho ao ver a ofensiva jóia. Mas tampouco se incomodou em tirar. A mandíbula do Chris se fechou um pouco mais e esticou todos e cada um dos músculos. —Não pensará ficar com ele? Não depois do que tem feito. Não depois do que acabamos de fazer. —Não quero falar disso esta noite. —Julie cobriu o seio de beijos ligeiros como plumas—. Agora mesmo não quero pensar em nada salvo isto. — Deslizou a mão entre as pernas e com um profundo murmúrio de satisfação capturou a ereção que começava a crescer. Chris fechou os olhos e arqueou sob suas mãos. Julie tinha razão. Para que complicar as coisas? Por que dar voltas ao fato de que menos de vinte e quatro horas atrás aquela mulher se casou com seu irmão? Nada disso importava essa noite. Essa noite, era Chris, não Brian, que afundava os dedos no quente e cremoso sexo de Julie. Era ele o que baixava a mão e cobria a da


Julie para lhe ensinar exatamente como gostava que o acariciassem. Era seu pênis que Julie estava bombeando com movimentos rápidos e firmes até que Chris se encontrou palpitando e retorcendo-se como se minutos antes não se correu até quase perder a consciência. Era ele o que a contemplava deslizar-se por seu pênis e gemer quando seu membro desaparecia centímetro a tentador centímetro no interior de sua doce vagina. Essa noite, era Chris o que a contemplava gemer e retorcer-se ao gozar sobre ele. Essa noite, aquela mulher era sua e com isso era suficiente. Tinha que ser sério. *** Uma luz cinza começava a acariciar o céu quando Chris fechou a mala. Julie estava, estirada de barriga para baixo, com os lençóis retorcidos que deixavam ao ar toda suas suaves costas e uma perna cremosa. Ao Chris picavam os dedos, ansiava alisá-los por aquela pele, e lhe fez a boca água com só pensar em enterrar a língua entre suas pernas e fazer que despertasse gozando em sua boca. Mas resistiu, em parte porque já tinha atrasado sua partida todo o possível. A esse passo teria sorte se conseguia chegar a tempo ao voo para St. Thomas. Mas também porque suas emoções pareciam uma confusão. Longe do prazenteiro estado de esgotamento no qual geralmente se encontrava depois de uma noite como a anterior, essa manhã fervia de raiva e velhos ressentimentos. O que esperava que dissesse Julie se a despertava para despedir-se? Sabia o que ele queria que dissesse que ia anunciar seus planos para deixar Brian de uma vez por todas e que fugiria com ele. Nem em sonhos ia ocorrer isso, por muitas coisas que tivessem acontecido à noite anterior. Era muito melhor assim, recordou-se Chris enquanto botava os sapatos silenciosamente. Porque ele não tinha tempo para dedicar a sua vida pessoal. Aquela sensação amarga e angustiosa que tinha na boca do estômago não eram mais que as velhas feridas que se voltavam a abrir. O desejo esquecido muito tempo atrás de que, por uma vez, escolhessem a ele em vez do idiota de seu irmão. Que não o escolhessem como prato de segunda mesa ou, no caso da Julie, como uma forma conveniente e poderosa de vingar-se. Chris acreditava que já tinha superado tudo isso durante os anos que se passou levantando seu próprio e triunfante negócio longe da influência de sua família. Mas ver Julie passar ao seu lado rumo ao altar havia o tornado a arrastar tudo, fervendo, à superfície. E passar a noite descobrindo todos os segredos daquele sexy e delicioso corpo tampouco tinha ajudado muito. O melhor era ir sem ruído e a toda pressa, não seguir alargando mais as coisas. Contudo, não parecia bem deixá-la sem dizer nada, sem algum tipo de despedida. Por pura cortesia escreveu uma nota rápida: Tenho que pegar um voo muito cedo. Foi estupendo te ver outra vez. Obrigado por uma noite extraordinária.


Chris mordeu a caneta e ficou olhando as palavras que tinha escrito. A nota parecia um pouco brusca e acrescentou: Venha me ver quando necessitar uma pausa desse mundo de loucos. Esteve a ponto de rabiscar o último. E se fosse vê-lo? Chris encolheu o estômago de angústia ao pensar que ela pudesse aparecer em Recife Holley. Um homem podia suportar a tortura emocional só até certos limites. Não, Julie não queria nada mais dele, só que a ajudasse a igualar o marcador com o Brian. Dar-se-ia conta de que era mais que um simples convite que não significava nada, mas ao menos evitava que a nota fora de um desprezo absoluto, em plano «obrigado por uma boa noite, já nos veremos». Assinou com seu nome e se permitiu um último olhar a aquele corpo dourado, cremoso, esgotado pelas carícias que tinha feito; depois fechou a porta atrás dele sem fazer ruído.


Capítulo 5 Julie fechou os olhos, respirou o ar salgado do Caribe e sentiu que todas suas tensões se fundiam sob o quente sol tropical. Isso era justo o que necessitava, pensou enquanto o zumbido profundo do motor do barco a adormecia deixando-a em um estado de devaneio. Uma semana inteira de sol, areia e coquetéis com guarda-chuvas. E o que era mais importante, uma aventura ardente e sem compromissos para pôr a cereja no bolo. Um punhado de antecipação começou a florescer em seu ventre. Tinham passado dez dias desde que tinha despertado sozinha na suíte de Chris e em menos de dez minutos o voltaria a ver. Suspirou de prazer quando a brisa ligeira acariciou a pele dos ombros, que o vaporoso top branco sem costas nem mangas deixava descoberto. Formava parte das muitas compras nas que tinha insistido Wendy enquanto preparava a viagem ao complexo turístico de Recife Holley. Julie se acomodou no suave banco estofado do barco e não pôde evitar deixar-se impressionar pelo serviço do hotel até o momento. A ela e a vários passageiros mais os tinha recebido um minivan no aeroporto Charlotte Amalie de St. Thomas e os tinha levado com toda comodidade, ar condicionado incluído, ao barco privado de Recife Holley. Uma vez a bordo tinham servido um delicioso ponche de rum, um coquetel de camarões-rosa e um delicioso sortido de fruta fresca tropical enquanto aguardavam a chegada de outros hóspedes. Se as boas-vindas davam uma ideia do serviço que ia receber, Julie começou a compreender por que Recife Holley estava adquirindo tão depressa a reputação de ser um dos lugares favoritos dos jovens e ricos para descansar, recuperar-se e divertir-se. Não pôde evitar admirar Chris por ter feito realidade seu sonho. Recordava com claridade seus dias de universidade, quando Chris tinha falado de fundar seu próprio complexo turístico, longe da sombra do D&D. Chris tinha realizado seu sonho. — Não é mais que um clube sórdido para a gente que vai aos montes — tinham grunhido Brian e seu pai quando Recife Holley havia sido descrito como “um luxo hedonista de primeira ordem” na revista Travel & Leisure9. — Pode crer que não há mais que orgias e gente correndo nua por aí. É uma vergonha para o D&D que Chris se meteu em algo assim. Julie jamais se incomodou em particularizar que Recife Holley não tinha nada absolutamente que ver com o D&D, que Chris tinha levantado o complexo do nada e que procurou seus próprios investidores. Que ela soubesse, seu amigo não tinha pego nem um centavo de seu considerável fundo fiduciário. Mas Julie sabia que não tinha sentido discutir. Grant Driscoll, Brian Dennison e David Dennison, todos sofriam de um caso grave de síndrome de “Se não foi inventado aqui”. Se não lhes tinha ocorrido primeiro, era que não merecia a pena incomodar-se. 9

Travel & Leisure – Revista americana sobre viagens


Os nervos e a antecipação lhe faziam bulir o sangue. Viajar até ali tinha parecido uma ideia estupenda quando Wendy tinha sugerido dois dias antes. — Precisa sair daqui — havia dito Wendy enquanto examinava os montões de presentes de bodas que salpicavam o apartamento de Julie uma semana depois do desastre de suas bodas. — Oxalá — gemeu Julie passando os dedos pelo cabelo —. Mas tenho que devolver todos os presentes e escrever notas de desculpa a todos os convidados. — A jovem sondou o que Geralmente era um quarto impecável. — Cartões de desculpa? O que se supõe que tem que dizer, «desculpem que o noivo se dedicasse a foder com outra no quarto das vassouras»? Isto não deveria estar fazendo Brian? — Não sei. Mas mamãe insistiu — disse Julie —. E ultimamente está feita um desastre, não podia discutir com ela. — O que passou à nova Julie? A Julie que não deixa que a manipulem assim, como agora? — perguntou Wendy enquanto se acomodava na cadeira de madeira de respaldo alto, em frente de Julie. — Acredito que se foi a minha lua de mel. — Não, esses são Brian e Vanessa. — Não me recorde isso. — Julie deixou cair a cabeça sobre a mesa. Seu telefone emitiu um timbre agudo. — Não — disse Julie quando Wendy fez ameaça de ir responder — Seguro que é um desses pervertidos. Como se descobrir seu marido transando com outra mulher em seu banquete de casamento não fosse suficiente, por alguma razão a imprensa amarela nacional tinha decidido publicar a história de Julie. No que devia ser uma semana incrivelmente lenta para as notícias sobre celebridades, Julie tinha aparecido em um artigo chamado «A herdeira se volta louca». Um convidado do mais atento tinha proporcionado aos tablóides várias fotos indiscretas, incluindo uma de Julie com o véu torcido, o vestido rasgado e manchado de vinho tinto e uma expressão raivosa na cara enquanto jogava o bolo na cara de Brian. Durante os últimos dias a tinham acossado com chamadas telefônicas e cada um de seus movimentos tinha sido açoitado por fotógrafos enquanto a imprensa amarela tentava pintá-la — a ela, a aborrecida e obediente Julie Driscoll — como a seguinte Paris Hilton. Graças a Deus que ninguém — salvo Wendy, é obvio — sabia o que tinha ocorrido com Chris. Seguro que a teriam deserdado. Coisa que, terei que admiti-lo, tinha seu atrativo nesses instantes, com sua mãe chamando cinquenta vezes ao dia, histérica perdida, e seu pai quase tantas vezes como sua mãe, embora sua atitude fosse muito mais fria e mordaz quando reprovava o desastre que tinha provocado em público. E Brian, que era o que os tinha metido a todos naquele caso, não estava sofrendo nenhuma só das consequências; não, ele se dedicava a desfrutar de seus coquetéis em Fiji enquanto sua nova noiva o lubrificava com azeite de coco. Para quando voltasse, o fiasco inteiro já se teria


esquecido. Já que o pensava, sair da cidade até que o mundo se esquecesse do escândalo de suas bodas parecia uma boa estratégia. — Antes que me esqueça, também trouxe isto. — Wendy colocou a mão em sua maleta e tirou um grosso calhamaço de papel. — São os papéis da anulação. Pedi a uma das sócias que jogasse uma olhada e disse que tudo parece em ordem. Quão único tem que fazer é assinar. Julie assinou com tal entusiasmo que a caneta deixou um rastro no acabamento rústico da madeira da mesa da cozinha. — E saiu no US Weekly — disse Wendy ao tempo que atirava a revista em cima dos documentos legais. A revista estava aberta por uma foto de Julie, sem maquiagem e com a roupa que ficava para sair a correr, quando tinha saído a procurar seu café da manhã habitual. Tinham tirado a menos de um quarteirão de seu apartamento. — Tem razão, tenho que sair daqui — gemeu Julie. — Como sempre, vou um passo diante de você. — Wendy tirou outro sobre de sua maleta e o abriu com um floreio— Me tomei a liberdade de reservar, à nova e melhorada Julie Driscoll, com sua guelra e tudo, uma semana de estadia no ultra luxuoso complexo turístico de Recife Holley, no paraíso tropical das Ilhas Virgens. Julie levantou a cabeça de repente. — Que tem feito o que? — Não se preocupe, usei seu cartão de crédito. Sabe que te quero como a uma irmã, mas vinte mil à semana é um pouco demais para uma simples ex-aluna anexa de segundo ano. — Não posso ir ali, é o hotel de Chris. Se vou ali e alguém o averigua, a imprensa o vai passar em grande. Isto — Julie agitou o exemplar do US Weekly sob o nariz de Wendy — não será nada em comparação com o caos que se pode armar. Por não falar de meus pais, que são capazes de me matar. — E o que? — burlou-se Wendy. — O que quer que te diga, si estivesse preocupados um pouco mais com sua felicidade e um pouco menos as ações e o status social, jamais teria casado com Brian em primeiro lugar. Assim, em realidade, todo este desastre é culpa deles. Não sei por que se preocupa tanto em protegê-los. Wendy tinha crescido em um bairro acomodado de classe média alta dos subúrbios de Nova Iorque e jamais poderia compreender a pressão a que se via submetida para manter certa posição social. Não obstante, Julie sabia que tinha seu ponto de razão. Não era a toa que Wendy estivesse no caminho de converter-se em sócia de sua empresa em tão pouco tempo. — Além disso — continuou —, quem vai se inteirar? Eu, certamente, não penso dizer a ninguém, e Recife Holley não é famoso por sua discrição? A ver, quando Brad e Angelina estiveram ali, ninguém se inteirou sequer até um mês depois de que se fossem. Era certo. Um dos pontos fortes mais importantes de Recife Holley, sobre tudo para as celebridades, era que a imprensa nunca parecia ser capaz de encontrar a ninguém ali.


Possivelmente fora possível desaparecer, embora só fora uma semana. Com Chris. Um sorriso maroto cruzou o rosto de Wendy. — Não soa nada mal, né? — pegou o acetinado folheto —. «Faremos todos os esforços necessários para garantir o prazer e a satisfação de nossos clientes». — Wendy meneou as sobrancelhas. —E pela expressão de sua cara, está recordando com toda exatidão os «esforços» que fará Chris, não? Julie sentiu que ficava vermelha sob o sorriso cúmplice e satisfeito de Wendy. Possivelmente fora a nova Julie Driscoll, mas seguia sem estar muito orgulhosa de haver-se deitado com o padrinho em sua noite de núpcias, e isso foi o que disse. Wendy desprezou todas suas objeções com um gesto da mão. — Se alguém merecia um boa transa com um bom homem, essa é você. Se acaso, deveria estar orgulhosa de ti mesma por tomar a iniciativa. — Não acredito que uma simples aventura de uma noite seja algo do que estar orgulhosa — grunhiu Julie. Mas não pôde evitar sorrir ao recordar a saudosa noite. De acordo, possivelmente se sentia um pouco orgulhosa de si mesma. — Está bem, apague esse sorriso de êxtase da cara. Não tem que me esfregar pelos focinho todo esse bom sexo, sobre tudo quando faz séculos que eu não o provo. Julie o duvidava muito, dada a ativa agenda de Wendy, que não passava noite sem encontro. — Nada de bom sexo — disse, incapaz de resistir a oportunidade de mofar-se de seu amiga. — Sexo assombroso. Perfeito e assombroso. — Então não entendo por que não está dirigindo agora mesmo ao aeroporto como um míssil. O sorriso da Julie se desvaneceu ao recordar aquela manhã, quando tinha despertado sozinha na cama revolta que ainda cheirava a Chris e a sexo. Uma única folha de papel estava dobrada no travesseiro, a seu lado. Tenho que pegar um voo muito cedo. Foi estupendo te ver outra vez. Obrigado por uma noite extraordinária. Passe para me ver quando necessitar uma pausa desse mundo de loucos, Chris. Pois quanta emoção, nem que se aconteceram a noite tomando um café. Julie estava convencida de que Chris tinha passado bem, tinha três pacotes vazios de camisinhas e os músculos doloridos que o demonstravam. Está bem, assim que dizia que fosse a visitá-lo. Mas estava bastante segura de que só havia dito por que sabia que não tomaria a palavra. E certamente não a esperaria ali menos de um mês. — Tivemos nossa noite — disse Julie — e nenhum dos dois tinha intenção de levar as coisas mais à frente. Não quero passar... — Enrugou o nariz ao pensar no potencial desconforto da


situação. — Não quero que pense que estou… não sei, acossando-o ou algo assim. Wendy desprezou os protestos de sua amiga com a mão. — Ouça, os planos mudam. Quer ou não quer vê-lo outra vez? — disse a eterna otimista. — Seria genial, mas estou em pleno trâmite de anulação. A última coisa que me falta é me envolver com alguém o que impossibilite anular meu matrimônio. — Quem disse algo sobre envolver-se com alguém? Eu estou falando de uma semana em um paraíso tropical com um cara que é um escândalo. Por que não te dá um capricho? E quando voltar, a anulação será definitiva e a imprensa terá passado ao seguinte pedaço de merda da semana. Enquanto isso, você poderá presumir de saber que o verdadeiro escândalo (que te está deitando com o Chris), seguirá sendo alto secreto. Julie brincou com o folheto, pensando; — Está oferecendo sexo sem laços, não há cara que rechace isso — a animou Wendy. — E pelo que tenho lido sobre esse lugar, se Chris estiver o bastante louco para rechaçar a oferta, não terá problemas para encontrar um substituto adequado. Julie enrugou o nariz para ouvir isso. Chris tinha estado no certo sobre uma coisa. O sexo casual não era a sua e ela não se expôs dessa forma a noite que tinha passado com Chris. Uma coisa era o sexo sem complicações com um velho amigo, e outra muito diferente era fazer com um completo desconhecido. Mas… — Seria agradável poder passar um tempo só na praia para me expor às coisas — admitiu Julie. Wendy viu que sua amiga se estava rendendo e esboçou um grande sorriso. — Vamos fazer as malas. Dado que já as tinha feito para sua lua de mel, Julie supôs que já estava quase pronta para ir, mas Wendy não pensava o mesmo. — OH, meu Deus, mas o que é isto? — Wendy tirou o vestido tubo novo de Julie, negro, de linho, e as calças curtas de cor cáqui. — Vamos à praia com a bandeira da paz? E isto? — Pegou a peça ofensiva, uma camisa de campo com um estampado tropical. — Por favor, me diga que não é do Tommy Bahama. — O que? Essa roupa não está tão mal. — Claro, não está tão mal se quer encaixar em uma viagem de pensionistas. — Wendy lançou um bufado desdenhoso quando viu o macaco que Julie tinha metido na mala. Essa tarde Wendy a levou a fazer uma maratona de compras, intercalado com uma série completa de tratamentos de beleza em um dos salões mais exclusivos de São Francisco. — Está completamente segura de que necessito uma virilha brasileira10? — tinha perguntado Julie, não muito segura, depois de que a esteticista explicou o procedimento com todo detalhe. 10

Depilação Brasileira é a mais conhecida das "depilações biquini", e envolve a remoção de todos os pêlos na região pélvica, frente e verso, embora às vezes deixando uma fina faixa de pêlos no púbis


Wendy se manteve firme. — É obvio. Embora insistisse em te pôr o biquíni mais recatado do mundo. — Wendy pôs os olhos em branco ante o persistente conservadorismo de Julie. — Melhor prevenir do que remediar. É mais fácil relaxar quando não está preocupada com pelos perdidos. Pois olhe, por isso não ia ter que preocupar-se, pensou Julie mais tarde quando saiu com uma careta da sala de tratamentos, despojada de todo salvo por uma pequena parte sobre o monte de Vênus. Depois puseram rumo ao Nordstrom, onde Wendy pagou os estudos de Direito trabalhando como assessora de compras pessoal. Não havia nada que gostasse mais que gastar o dinheiro dos outros, assim que passou despojando Julie de seu delicioso e elegante estilo. Ao final do dia, o guarda-roupa que levava Julie de férias estava tão bem provido que teria que trocar de conjunto cinco vezes ao dia para chegar a usar tudo. Wendy tinha carregado a bagagem Louis Vuitton da Julie com coquetes vestidos de Chloe e Narcisista Rodríguez, lingerie de La Pérola, sexys sandálias de tiras da Jimmy Choo e o que tinha que ser a maior caixa de camisinhas do mundo. E essa manhã tinha deixado Julie no aeroporto internacional de São Francisco com a advertência de que não se esquecesse do protetor solar quando estivesse fodendo como uma louca na praia. Julie fechou os olhos e sentiu que a tensão abandonava seu corpo enquanto o barco atravessava as tranquilas águas azuis. O murmúrio dos outros hóspedes aumentou de volume e, quando abriu os olhos, viu que se estavam aproximando do cais de Recife Holley. Diria que após haver-se criado visitando e trabalhando em alguns dos melhores complexos turísticos do mundo, Julie teria que ter sido imune à vista. Não obstante, lhe escapou um assobio de admiração ao contemplar pela primeira vez os domínios de Chris. Era exatamente igual ao folheto, só que as fotos jamais poderiam transmitir o aroma do mar, a calidez do sol ou o ritmo tranquilizador das ondas que lambiam a costa com suavidade. Um enorme edifício principal de estuco rosa pálido se encarapitava em uma colina, sobre a praia. Uns quantos endoideçam de vários tamanhos, desde cabanas pequenas a quase mansões, se achavam entre as palmeiras. A praia, de areia branca como açúcar, estendia-se ao longo de centenas de metros e os hóspedes ocupavam camas e sombrinhas instaladas de modo que garantissem espaço e privacidade suficientes. Julie sabia que havia várias praias mais pequenas e isoladas ao redor da ilha, incluindo a que estava diante do bangalô que Wendy tinha reservado. Estava desejando dar seu primeiro banho naquele mar quente e transparente como o cristal. Não viu Chris até que já quase estavam no cais. Perto tinha amarrados vários iates. Alguns deviam pertencer aos hóspedes do hotel, mas a maioria, conforme tinha lido Julie no folheto, pertenciam ao complexo turístico e estavam a disposição dos hóspedes, que podiam reservar para fazer excursões privadas. — Chris, você se superou — disse Julie baixo quando o barco atracou no cais. E ali estava, esperando para receber aos recém chegados, como um Mr. Roarke moderno da série A Ilha da Fantasia. Mas em lugar de um traje branco, Chris era a encarnação do


despreocupada ilhoa. Uma camisa estampada tropical solta, em tons azuis e brancos que pendurava dos largos ombros e que não se incomodou em meter pelas calças curtas morenas. Nos grandes e bronzeados pés usava sandálias e tinha oculto os olhos atrás de um par de óculos de sol Oakley com cristais de espelho. Por não falar de que era muito mais sexy do que Mr. Roarke tinha sido jamais. Seu cabelo, da cor do café, estava dourado pelo sol do Caribe e tinha um corpo duro e bronzeado. Exsudava um carisma masculino que ia além da simples beleza. E Julie já sabia de primeira mão que aquele homem era muito capaz de converter todas suas fantasias em realidade. — OH, meu Deus— exclamou uma loira alta dirigindo-se a seu grupo de três amigas. —Esse é o proprietário? É lindo. Ao que parece Julie não era a única que pensava isso. — Sim, esse é Chris Dennison. Foi o que construiu este lugar de um nada. — Julie fez uma careta por ouvir-se. Parecia uma mãe orgulhosa de seu pequeno. — Ouvi dizer que veio aqui com uns amigos e voltou para casa com um projeto empresarial — disse a loira do sorriso agradável. — Claro que com seus contatos tampouco surpreende tanto seu triunfo. — Este lugar não tem nada a ver com os complexos turísticos D&D, se for o que acha — disse Julie. — Fez tudo sozinho, sem a ajuda nem a influência de seu pai. — Dá a sensação de que o conhece bastante bem — disse a loira. Suas três amigas também estavam olhando a Julie quando o grupo se dirigiu à parte dianteira do barco. Ah, genial, bonita forma de passar despercebida. — Nossas famílias se conhecem — respondeu com a esperança de que não pedissem mais detalhes. A loira abriu muito os olhos. — Espera, já sei quem é! É Julie Driscoll! Eu sou Amy, por certo. — A loira lhe tendeu a mão. — Tenho lido algo sobre você no Chronicle. Refiro ao seu casamento. Vi a reportagem no Chronicle. Julie agradeceu o intento de dizer as coisas com tato, mas estava bastante segura de que Amy tinha reconhecido por alguma publicação com muito menos reputação que o periódico de São Francisco. — É de São Francisco? — Da Napa, na realidade. Meu pai tem uma adega. — Amy mencionou um vinhedo que Julie conhecia. — Só quero dizer que te admiro muito. Brian Dennison é um autêntico idiota e merecia algo muito pior que um pouco de bolo na cara. Suas amigas assentiram e se mostraram de acordo entre murmúrios. O sorriso de Julie se iluminou. Possivelmente a tivessem descoberto, mas ao menos essas mulheres pareciam inclinadas a ser aliadas mais que inimizades. — Obrigada. Estou segura de que viram tudo o que estiveram publicando sobre mim. — As


garotas fizeram umas quantas caretas pormenorizadas. — Parte da razão de vir aqui é para me afastar de tudo isso assim que agradeceria muito que não dissessem a ninguém em casa que estou aqui. Amy pareceu quase ofendida ante semelhante sugestão. — Pois claro que não. Merece uma autêntica pausa de toda essa merda. Não diremos nenhuma só palavra. — Olhou a suas amigas em busca de assentimento e cravou sobre tudo os olhos em uma morena alta de aspecto áspero que, na verdade, parecia aborrecida com todo aquele bate-papo. A Julie a cara resultava vagamente conhecida, mas não terminava de localizá-la. — Eu vou casar dentro de umas semanas, esta é minha despedida de solteira. — Amy apresentou com rapidez ao resto do grupo antes de continuar. — Sei o muito que afeta a animação de organizar as bodas. Terá que os ter muito bem postos para plantar-se diante de todo o mundo e dizer a merda contudo, sabe? Julie não pôde evitá-lo: Amy e suas maneiras bruscas, mas cordiais lhe caíram de maravilha. A ela nunca lhe tinha dado muito bem fazer-se valer e era agradável que alguém, embora fora uma perfeita desconhecida, respaldasse-a. — Está aqui sozinha, não? Julie assentiu. — Sim, estou tomando uma pausa da realidade enquanto espero que minha anulação seja definitiva. As quatro garotas lançaram uma risada de compreensão ou assentiram compassivas. Jennifer, uma ruiva de aspecto atlético, deu umas amáveis palmadas no ombro de Julie. — Bom, se decidir que quer companhia, veem nos buscar. Amy não pode fazer nada — Jennifer lançou um olhar de soslaio a um grupo de quatro tipos bonitos que reuniam sua bagagem atrás delas, — mas te garanto que as demais nos vamos passar isso em grande. — Tê-lo-ei em conta — disse Julie com um sorriso. Julie sentiu que ficava sem fôlego quando ela e outros hóspedes baixaram ao mole. Cada vez estava mais perto do lugar onde aguardava Chris. A prima de Chris, Carla, uma mulher muito bonita com o cabelo escuro e encaracolado, permanecia a seu lado com um singelo vestido de praia estampado de flores. Julie se pôs de lado a toda pressa para comprovar seu aspecto e deixou que vários hóspedes mais passassem por diante. Cavou-se o cabelo e passou pelo nariz vários lenços de papel. Com sol ou sem ele, Julie não queria que Chris a visse suarenta. Pelo menos ainda não. O que diria? Estaria contente de vê-la, não? Depois de tudo, como havia dito Wendy, estava oferecendo sexo sem compromissos, que homem com sangue nas veias diria não a isso? Sobre tudo quando os dois sabiam quão formidável seria? Contudo, Julie era incapaz de desfazer-se dessa pequena e molesta incerteza que lhe carcomia o estômago. Respirou fundo para criar ânimo, pendurou no ombro a correia de sua bolsa Murimaki «Te quero», do Vuitton, e baixou ao cais .


*** Chris lutou por manter o sorriso cordial e cortês enquanto saudava os vinte e cinco novos hóspedes que acabavam de chegar. Agradeceu os óculos de sol que ocultavam as bolsas sob os olhos injetados em sangue. Supunha-se que devia transmitir uma imagem de luxo e relaxação e não ficaria muito bem que os hóspedes o vissem tão abatido. — Sorri — vaiou entre sorrisos Carla, sua prima e subdiretora do complexo turístico. — Estou sorrindo — lhe vaiou Chris por sua vez. —Não, não está sorrindo. Está mostrando os dentes. Chris fez um esforço e levantou as comissuras da boca. — Isso está melhor— disse sua prima. Chris suspirou e estreitou as mãos de um casal de Londres. Ele era músico ou algo assim. Tampouco importava muito. Parte do atrativo que tinha Recife Holley para os ricos e famosos era que o pessoal nunca deixava entrever que lhes impressionava a fama, se é que lhes impressionava. Levanta homem, disse-se. Nem sequer estavam em temporada alta e já estava moído. Mas nos dez dias transcorridos desde sua volta de São Francisco tinha perdido o seu contador e o seu diretor de eventos. E tudo enquanto tentava planejar a luxuosa e ultra secreta bodas de uma das atrizes mais populares da televisão. Tanto ele como Carla tinham estado trabalhando quatorze horas ao dia para tentar não atrasar-se. Não ajudava muito que quando por fim caía na cama, esgotado, não pudesse dormir. Não com as imagens da Julie mantendo-o acordado, e frustrado. Tinha sido uma autêntica estupidez levar-lhe à cama. Não importa o que ela tinha sido o agressor. Ele tinha mais experiência e deveria ter sabido que não era uma boa ideia. Mas Julie era tão bonita e tão doce, e ele levava tanto tempo desejando-a… Fazer amor com ela — e isso era o que tinha sido: não a tinha atirado, não tinha sido só uma transa, não simples sexo — tinha sido uma das experiências mais incríveis de sua vida. Recordava cada detalhe daquela noite, a que sabia Julie, a que cheirava, cada movimento de seu formoso corpo. Ali onde todas suas amantes se desvaneciam em um contorno impreciso embora agradável, cada momento com Julie destacava com uma claridade brilhante e diáfana. Até então Julie tinha existido de uma forma vaga em seu subconsciente e só surgia para atormentá-lo em sonhos eróticos. Depois daquela noite as lembranças da Julie invadiam sua consciência como criaturas vivas. Seu sabor, doce e salgado de uma vez, a suavidade cremosa da pele no interior de suas coxas, os ofegos pequenos e ardentes que estalavam entre seus lábios quando gozava, tudo isso se repetia de forma incessante em sua cabeça. Como um idiota qualquer tinha acreditado que uma noite com ela poderia compensar todos aqueles anos de luxúria insatisfeita, mas em lugar disso o tinha deixado dolorido, faminto e desejando mais, muito mais. Mas por muitas vezes nos últimos dez dias se expôs chamá-la para convidá-la a seu hotel ou meter-se em um avião a São Francisco, Chris sabia que o melhor era não aproximar-se. Nada bom poderia sair de um idílio entre os dois e ele estava muito encalacrado nesses momentos para se


arriscar a enredar-se na bonita beleza de Julie. Optou por devolver sua atenção, não sem grande esforço, aos hóspedes que se supunha que devia receber e contemplou o cais para examinar ao resto do grupo. Um grupo de quatro mulheres, todas jovens e atraentes, dirigiam-se para ele e Chris tentou conjurar uma faísca de interesse. No passado tinha desfrutado de aventuras fugazes com suas clientes, de forma discreta, é obvio. No que a ele se referia, se uma mulher bonita e solteira estava procurando uma aventura amorosa na ilha e o interesse era mútuo, quem era ele para dizer não? Possivelmente isso fora o que necessitava, disse a si mesmo enquanto examinava a cada uma das mulheres. Alguém novo para tirar o sabor da Julie da boca. Mas enquanto contemplava às mulheres, encontrou-se com que era incapaz de entusiasmar-se muito. Por Deus, mas o que tinha? Supunha-se que uma noite com uma mulher não te destroçava a vida inteira. De acordo, tinha sido uma noite louca, ardente e selvagem com a mulher que encarnava todas as fantasias masculinas, adolescentes ou adultas, que ele tinha acariciado alguma vez, mas contudo… Encontrava-se saudando com toda cortesia ao grupo de mulheres quando seu olhar se posou na última passageira que descia pelo cais. Teve a sensação de que acabavam de dar um soco no estômago. Não podia ser! Tinha que ser uma alucinação induzida pela insônia. A pequena loira com óculos de cristais violeta do Gucci só se parecia com Julie. Levava o cabelo solto e encaracolado, e caía um pouco por debaixo da mandíbula. Vestia um top branco sem costas nem mangas e uma saia combinando pelo quadril que proporcionou a Chris uma bonita vista de um abdômen plano e bronzeado e um umbigo decorado por uma joia diminuta. Qualquer fantasia absurda de que aquela pudesse ser Julie se desvaneceu imediatamente. Chris podia afirmar que tinha um conhecimento bastante íntimo do umbigo de Julie Driscoll e não cabia dúvida de que ali não tinha nenhum adorno. O sorriso de Chris se converteu em genuína quando sentiu os primeiros sinais de interesse. Sabia que não podia ter a Julie, mas não tinha nada de mal divertir-se um pouco com sua dupla sexy. Ao fim teve a jovem diante e sentiu que lhe escapava todo o ar dos pulmões quando a jovem tirou os óculos de sol. Um pouco parecido à alegria estalou em seu ventre, seguido quase imediatamente por um nó duro e frio de pavor. Era um milagre. Era um desastre. Estava bem fodido, de forma absoluta e irrevogável. — Olá, Chris — disse Julie sem fazer caso da mão que tinha estendido Chris e abraçando-o em seu lugar — Este lugar é assombroso e sei que vou passar um bom momento aqui. *** Julie deu um passo atrás e elevou a cabeça para olhar o rosto de Chris. Não era tão fácil. Quando o tinha rodeado com seus braços tinha tido que conter-se para não ocultar a cara na V de pele que deixava ao descoberto o pescoço aberto da camisa.


Julie desvaneceu o sorriso quando viu a expressão sombria do rosto dele. Tinha-a animado tanto aquele sorriso amplo com a que a tinha recebido que se convenceu de que ele estava tão contente de vê-la como ela de vê-lo. Mas nesse momento a olhava em silêncio, com os olhos ocultos depois dos óculos de sol e seus lábios carnudos apertados em uma careta tensa. — O que está fazendo aqui? Não era exatamente a boa-vinda que Julie tinha esperado. — Eu também me alegro muito de ver você, Chris. Apesar dos óculos de sol, Julie sentiu os olhos masculinos que lhe percorriam o corpo inteiro e assimilavam o top sem mangas nem costas que deixava o abdômen ao ar. Sentiu que endureciam os mamilos sob o fino tecido de algodão e, não pela primeira vez, questionou-se se tinha sido muito sucedida em seguir às cegas o critério do Wendy. — Confia em mim, Jules — havia dito Wendy quando Julie tinha protestado que não podia ficar um sutiã com aquela camiseta. — Deus te benzeu com uns seios perfeitos. São o bastante grandes para ter um bonito seio mas não tanto como para parecer vulgar quando vai sem sutiã. Julie tinha aceitado, mas nesse momento se sentia tão nua como se as mãos do Chris tivessem tirado o top. — Olá, Carla, também me alegro de ver você outra vez — disse Julie ao tempo que estendia a mão à prima de Chris. Carla um lançou a seu primo um olhar desconcertado antes de responder. — Posto que Chris parece ter esquecido suas obrigações como anfitrião, me deixe que te ajude a se instalar. — Deu a Julie a chave e um mapa para chegar a sua cabana lhe assegurou que sua bagagem estaria esperando na habitação quando chegasse. — Se quer esperar um momento — disse Carla, — podemos te levar no carrinho de golfe. Julie rechaçou o oferecimento com cortesia, com a esperança de que o passeio dissipasse a raiva que sentia enrolando-se em seu ventre. Por que se mostrava tão frio? Por um momento esteve a ponto de retornar ao barco de um salto e voltar para casa. Nunca tinha gostado de causar problemas. Nem ficar onde não era bem-vinda. Mas então ergueu a coluna. A velha Julie possivelmente daria a volta para correr mas a nova Julie não pensava deixar-se arredar. Que Chris não a queria ali? Muito bem. Como Jennifer tinha dito no barco, havia coisas de sobra para entreter-se na ilha. *** Chris observou a Julie partir com passo irado, hipnotizado pela elasticidade daquele delicioso traseiro que se movia sob a saia. Resistiu o impulso de ir atrás dela e desculpar-se. Chris tinha visto a dor nos olhos dela, o modo em que tinha alagado sua doce e emocionado sorriso. Seu comportamento tinha sido imperdoavelmente rude, comportou-se como um autêntico imbecil, mas Julie o tinha pego despreparado, maldita seja, tinha aparecido sem anunciar-se, como uma de suas ridículas fantasias feitas realidade. E Chris, que jamais tinha tido nenhum problema para


conduzir-se com soltura entre as mulheres, encontrou-se de repente perdido por completo. Assim em lugar de acompanhar Julie até sua cabana, ficou junto à Carla, tentando reagrupar suas forças e averiguar qual devia ser seu próximo movimento. — O que foi isso? — perguntou Carla a Chris quando Julie já não pôde ouvi-los. — Uma complicação que não preciso agora mesmo. — Não acaba de voltar de seu casamento? Onde está seu marido? — Deixa o tema, Carla. — Espera um momento, ela e você… em seu casamento? — Carla possivelmente se abstivera de confusões próprias, mas adorava viver outros através de Chris. — Falei para deixar o tema. — Chris sentiu a tensão que ia penetrando em seu pescoço com a promessa de uma dor de cabeça de revide se não tomava um tylenol e dormia um pouco em um futuro não muito longínquo. — Aha, parece que esta vai ser uma semana muito divertida.


Capítulo 6 Julie jogou um último olhar no espelho e ajeitou os suspensórios da camisa de cor rosa pálido. O decote ligeiramente franzido evitava que a seda grudasse muito no torso, e quase melhor, já que o top e a saia combinando em seda e gaze era outro conjunto que requeria a ausência de sutiã. Na verdade, o modo que a saia colava ao seu corpo simplesmente não permitia tampouco outra roupa interior, mas Wendy tinha assegurado que podia usar sem problemas uma de suas novas tangas. O que já em si era toda uma aventura. Depois de passar a maior parte de sua vida tentando evitar que as calcinhas entrarem pelo traseiro, não era difícil acostumar-se a ter uma tira de tecido colocado continuamente por aí. Embora tinha que admitir, pensou enquanto examinava seu reflexo, que estava bonita. Sexy mas com gosto. A cor rosa pálido da seda a favorecia e fazia ressaltar o dourado recém-adquirido de sua pele, cortesia do tratamento auto bronzeador que tinha recebido depois da depilação com cera, processo que tinha parecido um tanto invasivo. A sedosa queda do tecido fazia ressaltar seu pouco impressionante busto enquanto dissimulava de uma forma milagrosa o que ela sempre tinha considerado uma bunda muito arrebitada. Um último retoque com seu brilho de lábios favorito e estaria pronta para enfrentar Chris. O curto passeio dessa tarde até a cabana não tinha servido muito para acalmar sua irritação, mas a tensão tinha começado a desvanecer-se assim que tinha posto o pé dentro da frescura proporcionada pelo ar condicionado da cabana. Os móveis de vime suntuosos, mas cômodos da casa de campo, a imensa cama de casal com seu mosquiteiro e o que era mais importante, a bela praia de areia branca que tinha justo diante do terraço, fez maravilhas com seu aborrecimento. Para que ia perder o tempo dando voltas ao pouco entusiasmo recebido de Chris quando tinha todo aquele luxo ao seu dispor? Mas depois de repassar todos os serviços que oferecia o complexo, Julie não pôde evitar desejar que a resposta de Chris tivesse sido um pouco mais efusiva. Além da variedade habitual de serviços que se ofereciam no SPA, Recife Holley também oferecia tratamentos só para casais nos que os amantes podiam dar massagens um a outro e envolver-se em mel ou usar saunas privadas ou banhos de vapor. E o menu do serviço de quarto incluía um sortido de cestas com regalias que foram desde camisinhas a azeites para massagens de diferentes sabores, passando por algemas e anéis para o pênis. Chris algemado à cama e coberto de azeite com sabor a coco. Só a ideia enviou uma onda de calor pelas coxas de Julie. Depois de desfazer as malas pegou o mais modesto de seus novos biquínis e foi tomar um banho no mar. Quando tinha sido a última vez que tinha desfrutado de umas férias de verdade?


Era certo que tinha visitado mais complexos turísticos de cinco estrelas dos que podia contar, mas sempre estava trabalhando ou medindo à competência. Não recordava a última vez que tinha chegado a um lugar bonito e não tinha tido nada melhor que fazer que ir nadar ou tornar uma soneca sob o quente sol tropical. Mas tinha chegado o momento de enfrentar à realidade, sob a forma de Chris. Essa noite se celebrava o coquetel de boa-vinda no restaurante da praia do complexo. Chris teria que estar ali, dado que era o anfitrião oficial. Sentiu um nó no ventre, uma mescla de antecipação e apreensão. O único tinha que fazer era falar com ele a sós um par de minutos, explicar que o único queria dele eram um par de semanas relaxantes, nada mais. Em deferência aos saltos de sete centímetros e meio de suas sandálias de contas douradas, Julie utilizou o carrinho de golfe cortesia da cabana para, salvar a curta distância que a separava do coquetel. A festa já estava em pleno apogeu e levou um minuto encontrar Chris entre a multidão de oitenta e tantos convidados que se formavam redemoinhos junto ao bar ou ocupavam várias mesas. Julie não pôde evitar sorrir quando viu seu traje. Ainda levava o conjunto que se pôs para ir ao mole, um aspecto que encontrava seu eco na maior parte dos convidados masculinos. As mulheres, pelo contrário, haviam-se posto elegantes vestidos de praia e saias de desenho e Julie tomou um instante para agradecer por ter elegido um dos conjuntos mais elegantes que trouxe. Chris lançou um sorriso rápido e a saudou com uma leve inclinação de cabeça, mas não fez movimento algum de aproximar-se dela. A dor a pegou como um mosquito e brigou consigo mesma por ficar tão paranóica, como se o necessitasse somente a ele. A vida de Chris possivelmente parecesse umas largas férias, mas, de fato, estava trabalhando. Não podia deixar tudo para entretê-la só porque ela decidiu aparecer ante sua porta. Julie abriu caminho entre a multidão para tentar aproximar-se aonde Chris se encontrava conversando com um grupo de mergulhadores que tinha chegado no barco mas a deteve uma garçonete para perguntar o que gostava de beber. — Tomarei um vinho branco… — A mulher a olhou espectador. Vamos ver, acaso não tinha deixado atrás de uma vez seus dias de vinho branco? — Tomarei um margarita com gelo — disse. Quando a garçonete se afastou, Julie pegou uma barquinha de caranguejo de outro garçom que passava e procurou de novo Chris com o olhar. Acabava de encontrá-lo quando ouviu uma voz conhecida a sua esquerda. — Hei, Julie, por aqui! — Amy e seu grupo de amigas tinham juntado várias mesas e o grupo de mergulhadores se sentou com elas — Vem sentar conosco. Julie não sabia o que fazer. O certo era que o grupo parecia estar passando bem mas ela queria falar com Chris. Queria assegurar-se de que não tinha visto em realidade aquele olhar surpreendido e angustiado nos olhos dele quando se desceu do barco. Amy estava muito ocupada movendo às pessoas e colocando outra cadeira entre ela e um


tipo alto, loiro e atrativo cujo nome Julie recordava vagamente que era Mike. Que diabos. Chris estava imerso em sua conversa com o casal de Londres. Possivelmente fosse melhor esperar que a multidão tivesse diminuído um pouco antes de tentar falar com ele. Recolheu a taça que havia trazido à garçonete e se sentou na cadeira que a ofereciam. — Julie, já conhece a Jen, Kara e Chrissy — disse Amy assinalando as suas três amigas. — E estes são Mike, Dan, Greg e Brad. Julie estreitou com gesto cordial as mãos de todos e observou que nenhum deles se mostrava muito sutil na hora de olhá-la de cima abaixo. Tomou um pouco de sua taça e soube que a calidez que sentia não tinha nada que ver com a tequila. Chame-me frívola, pensou, mas era agradável ver-se admirada depois de passar boa parte de sua vida sentindo-se invisível. O grupo ficou a conversar e Julie se inteirou de que os meninos eram todos companheiros da faculdade de Empresariais de Harvard. Todos tinham trinta e tantos anos e tinham aproveitado bem o bom da internet nos finais dos anos noventa. Reuniam-se ao menos uma vez ao ano para desfrutar das melhores partes do mundo para mergulhar. — Me diga, Julie, você mergulha? —perguntou Mike. Os cachos loiros caíam de uma forma encantadora sobre a testa e tinha uns olhos de cor azul clara muito bonitas. — Tenho feito um par de vezes, mas a verdade é que não é o meu. — Contou a toda pressa à história de sua última e desastrosa imersão no Havaí quase dois anos antes. Tinham sido as primeiras férias (e as últimas) que tinha passado com Brian. Ele a tinha convencido para ir mergulhar em águas profundas apesar dos protestos de Julie, que tendia a sofrer um ataque de pânico quando a água se obscurecia muito. Uma vez na água a tinha roçado uma foca e Julie, ao pensar que era um tubarão, aterrorizou-se e se agarrou a Brian, que tinha acidentalmente tirado o bico. Ao chegar ao navio, seu noivo lhe havia dito que não voltaria a mergulhar com ela jamais se ia comportar se como uma menina pequena. Depois, ele se tinha passado o resto das férias mergulhando com a sexy monitora australiana. — Dado que nunca superei o medo às águas profundas, era uma boa desculpa para me limitar a fazer snorkeling11. — Houve risadas e gestos de assentimento entre algumas das garotas. Mike tinha franzido o cenho. — Mas isso não tem nenhuma graça. Se não estava cômoda a essa profundidade, esse cara deveria te haver levado a fazer imersões mais curtas até que adquirisse mais confiança. — O cavalheirismo nunca foi o ponto forte de Brian — disse Julie enquanto lambia o sal da taça e dava outro sorvo. — Razão a mais para te sentir afortunada por te haver desfeito desse imbecil — disse Jen ao tempo que levantava sua bebida de abacaxi — Pela Julie e sua recém-adquirida e merecida liberdade de todos os idiotas do mundo.

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Snorkeling é um passeio em que o turista flutua, equipado com roupas de neoprene, colete salva-vidas, máscara e snorkel, geralmente com pouca velocidade de correnteza, e observando a fauna e flora aquática


Julie pôs-se a rir e levantou sua taça. O certo era que se sentia livre. E era genial. — Parece que estão se divertindo muito bem. Julie estremeceu ao ouvir aquela voz tão conhecida atrás dela. Inclinou a cabeça para trás para olhar para Chris, que examinava ao grupo com um sorriso que parecia um pouco tenso nos cantos. — Tem um hotel fabuloso — se espraiou Amy — Já estamos nos divertindo. Julie observou Chris, que se ia movendo ao redor da mesa para ir saudando-os um a um. Era ela ou estava olhando de cima abaixo a todas as mulheres salvo a ela? Julie levantou a mão e se atirou do lóbulo da orelha; de repente se sentia coibida. Apenas cinco minutos antes se sentou segura de si mesmo e sexy, mas nesse instante tinha a sensação de ser uma adolescente torpe entre um grupo cheio de glamour. Kara, uma cópia da Sophia Loren de olhos incitantes e uma sinuosa juba de cor castanha escura, monopolizava a atenção de Chris. Os maravilhosos olhos de cor negra azulada do gerente se cravaram nela com um brilho alegre e mostrava o brilho de seus dentes brancos ao rir de algo que havia dito a amiga de Amy. Julie tomou outro gole de sua taça e depois fez um rápido gesto a uma garçonete para que levasse outra. Justo quando já não suportava vê-lo seguir paquerando com Kara, Chris se dirigiu para ela, agarrou-lhe uma mão e a levou aos lábios. Inclusive esse pequeno contato foi suficiente para enviar uma onda de calor por seu braço. A boca dele torceu em um divertido meio sorriso. — E é um prazer ver você outra vez, Jules. Me alegro de ver que está recuperando de seu recente fiasco. Estou seguro de que seus novos amigos lhe ajudarão a esquecer tudo. — antes que Julie pudesse responder, Chris se ergueu e se desculpou. —Deveria seguir saudando meus convidados — disse. —Mas espero que desfrutem todos da velada e do resto de sua estadia. Julie esteve prestes a sair correndo atrás dele. O que foi que aconteceu? Chris se tinha mostrado do mais cordial e aquele beijo na mão tinha sido suficiente — por embaraçoso que fosse — para que molhasse as calcinhas. Mas a que se referia com «seus novos amigos»? Era uma maneira de se livrar dela para não ter de entretê-la? Logo que ouviu a conversa desses novos amigos, que ia aumentando de volume à medida que se acumulavam as taças vazias. A Julie custou muito segui-la, consumida como estava pelo frio comportamento de Chris. Convenceu-se de que Wendy tinha razão, que se aparecia ali e lhe oferecia sexo sem compromissos, não haveria forma humana de que Chris a rechaçasse. Mas, aparentemente, foi o que ele estava fazendo. Será que eles não tinham tido um ótimo tempo juntos? Tão mal o tinha feito, tão inepta tinha sido, que Chris repugnava a ideia de deitar-se com ela outra vez? Julie tentou não perder o controle de suas emoções, tentou ver as coisas do ponto de vista de Chris. Que ele soubesse, Julie tinha percorrido mais de quatro mil e quinhentos quilômetros para vê-lo depois de ter passado só uma noite com ele. Para ser justos, aquilo era uma espécie de perseguição. O melhor que podia fazer era deixar suas intenções claras como a água. Assim que ele tivesse um momento livre, Julie se plantaria diante dele e lhe diria que queria reavivar a chama


de sua velha amizade, mas com uns quantos benefícios acrescentados. Nada mais. Então ele já não teria razões para preocupar-se se por acaso havia expectativas pouco realistas por parte de Julie. — Segue zangado com você? — O que? — Julie viu a expressão preocupada dos olhos azuis da Amy. Ai, Deus, tinha averiguado de alguma forma o de sua noite com o Chris? — Por deixar plantado a seu irmão? — esclareceu-lhe Amy. — Ah, já. Acredito que todo este assunto não foi muito fácil para ele, isso é tudo — disse Julie. — Falando de casamento, me diga o que planejou para o seu. — Amy aproveitou com avidez a mudança de tema. Como todas as noivas, descreveu com entusiasmo cada detalhe de suas iminentes núpcias, até o número de cristais que foram adornar seus sapatos de noiva de seda. Julie lançou os «ohs» e «ahs» correspondentes sem deixar de vigiar nem um momento Chris, à espera de que se tomasse uma pausa. Bebeu da taça com um último gole e ao levantar-se notou que lhe tremiam um pouco as pernas. Para alguém de seu tamanho, duas taças sem comer nada mais que uma barquinha de caranguejo podiam tombá-la. Tomou nota mentalmente de fazer uma visita à bandeja dos queijos e as bolachas salgadas depois de falar com Chris. Chris estava junto a uma das barras, apoiado em um cotovelo com ar despreocupado enquanto tomava sua taça. Julie levantou a mão para saudá-lo e o olhar dele vacilou assim que a jovem soube que a tinha visto. Mas ao parecer não podia desfazer-se da conversa que estava sustentando com uma modelo. A modelo e seu noivo, uma estrela do rock, estavam entre os hóspedes que já levavam vários dias no complexo e dava a sensação de que Chris e ela já eram muito bons amigos. Julie tomou coragem e continuou aproximando-se, tentando caso ignorar a sensação incômoda que tinha no estômago e da tensão que sentia na garganta. Jamais se tinha considerado ciumenta, nem sequer quando Brian tinha dado razões para ser. Mas se aquela mulher se voltava a passar a mão pelo cabelo e lançava outra risada estúpida, Julie ia arrancar todas e cada uma daquelas mechas perfeitas da raiz. Abriu caminho entre a multidão até que se encontrou junto a Chris, que lhe sorriu, mas não fez nada para dar por finalizada sua conversa com a modelo. Ao fim, Julie pediu outra margarita, para que parecesse que tinha uma razão para estar no bar. — OH, aí está Johnny — disse por fim Megan, ou Madeline, ou como se chamasse. — Será melhor que lhe corte a retirada antes que dita ir dar um banho em bolas. — Chris — Julie o agarrou pelo braço antes que ele pudesse encontrar outra razão para escapar, — preciso falar contigo. — Ocorre algo? Há algum problema com seu alojamento? —perguntou Chris, que sabia que não se tratava disso. — Não, o problema é que tenho a impressão de que não me quer aqui. Chris conteve o impulso de tornar a rir. Que não a queria ali? Merda, sim que a queria ali. Queria sentá-la no bar e subir de um puxão a saia até a cintura para ver de que cor eram as calcinhas. Depois queria tirar essas calcinhas com os dentes e passar mais ou menos uma hora


averiguando se o gosto era tão bom como recordava. Depois queria levá-la a sua cabana e mantêla ali, nua a semana inteira. Fode por todos os lados possíveis com a vã esperança de que possivelmente assim tirasse a obsessão de uma vez, já que era óbvio que uma noite não tinha sido suficiente. Mas tinha que seguir atendendo a festa e mesclando-se com os convidados. E quando terminasse com isso, tinha que voltar para seu escritório e seguir trabalhando nessas estúpidas bodas que foram celebrar em duas semanas, as bodas que em um princípio tinha parecido uma grande ideia, mas que nesse momento o estava voltando louco. Merda, sim, queria-a ali. Muito. E esse era justo o problema. Assim em lugar de permitir que o distraísse Julie e seus mais que notáveis encantos, estava mais que decidido a manter distância. Se ela queria fugir ao paraíso durante uma semana, estupendo, mas ele tinha duas semanas carregadas de trabalho e não podia enredar-se nos jogos de Julie para cara enfrentar o papai. — Pois claro que te quero aqui. Quero que todos meus hóspedes se sintam bem-vindos. Os olhos da jovem se estreitaram de forma quase imperceptível quando lambeu o sal do bordo da taça de margarida. Chris tragou saliva com certa dificuldade; oxalá pudesse perseguir aquela doce língua com a sua e meter-lhe na boca. — Sei que foi uma surpresa — disse Julie. — Mas com tudo o que está passando, precisava fugir a algum lugar tranquilo, algum lugar onde pudesse passar despercebida, sabe? — A jovem deixou a taça no bar e deu um passo para ele. O aroma a flores frescas e pele cálida esteve a ponto de fazer Chris cair de joelhos, mas conseguiu seguir em pé e não perder a compostura. Julie posou a mão no braço dele, e a palma fresca da jovem, queimou a pele de Chris. — E esperava… passar algum tempo com você. — Merda, aquela mulher não podia pôr as coisas fáceis, verdade? Embora fazê-lo esteve a ponto de acabar com ele, Chris tirou a mão. — Oxalá pudesse te dar o que quer, mas não acredito que possa. A confusão enrugou as sobrancelhas loiras e perfeitamente arqueadas da Julie. — Não sei o que crie que quero, mas o certo é que só esperava reavivar a chama de nossa amizade — a jovem lhe dedicou um sorriso pícaro, — com uns quantos benefícios acrescentados. Justo o que ele tinha pensado. Chris não teria acreditado que o tema fora para tanto, mas, por alguma razão, para lhe ouvir dizê-lo em voz alta se voltou a encher o saco outra vez. — Amizade? Julie, não te tinha visto em cinco anos e aparece em minha suíte em sua noite de núpcias para transar e poder se vingar de outro. — Aquelas palavras salpicadas de veneno lhe brotaram da boca antes que seu cérebro pudesse ativar a função de edição. — Não sei se isso nos faz muito bons amigos. Surpresa, dor e ao fim uma humilhação tingiu a cara de Julie. Chris sentiu que a alma caía aos pés. Merda. Tinha ferido a aquela mulher. Possivelmente tivesse querido utilizá-lo para vingar-se um pouco de Brian e seu pai, mas Julie seguia sendo a mesma garota doce e sã que conjurava nele toda uma onda de instintos protetores. Vê-la ferida o fez sentir-se como uma merda, e saber que


tinha sido ele o que a tinha ferido o fez sentir-se mais merda ainda. — Desculpe. — Chris estirou a mão, mas ela já estava se afastando. — Obrigada por deixar claros seus sentimentos — disse Julie e tinha que dizer em seu favor que a voz só tremeu um pouco. — Agora, se me desculpar, estou segura de que posso encontrar algo que me mantenha ocupada, muito obrigada. — afastou-se como um raio do lado de Chris e abriu caminho a toda pressa entre a multidão. Chris tentou ir atrás dela, mas não demoraram para abordá-lo seus convidados e se viu obrigado a intercambiar saudações corteses e falar de nada. Quando se deteve pediu outra taça, cercou sem muitas vontades uma conversa com um magnata da informática de Silicon Valley. Não lhe interessava muito o modo no qual a seguinte geração de programas ia revolucionar a base de dados corporativas, mas Chris tinha tido quatro anos para aperfeiçoar o sorriso de interesse perfeito para esses casos. Seu olhar não deixava de posar-se em Julie, que tinha retornado com seu grupo de solteiras e mergulhadores e ria e conversava como se não tivesse uma só preocupação no mundo. Chris sempre tinha admirado sua habilidade para recuperar a compostura imediatamente quando algo a alterava. E certamente ele a tinha alterado. Odiava o duro que tinha sido com ela, mas não podia evitar pensar que possivelmente fora o melhor. Se Julie pensava que era um absoluto idiota, cumpriria sua parte e não tentaria aproximar-se dele. Além disso, o que lhe havia dito era verdade. Sim, em outro tempo tinham sido amigos, mas não tinham seguido em contato e não haviam tornado a falar até um dia antes de suas bodas com seu meio-irmão. Deixando à parte seu recente comportamento, era óbvio que Julie estava contente em seu ninho seguro e protegido. Um mundo no qual sempre fazia o que se esperava dela, no qual nunca se questionava a mamãe e papai e, em troca, sempre haveria alguém para cuidar dela. Chris assentiu a algo que disse o diretor geral da tal empresa informática, mas sua atenção se centrou por completo em Julie. Esta ria de algo que dizia o tal Mike e botava a mão no braço com gesto coquete. Embora o cérebro de Chris insistisse em que guardasse distância, isso não impediu que um nó de ciúmes se enroscasse no estômago. Mal pôde conter o impulso primitivo de aproximar-se do grupo, dar um murro ao Mike na cara e levar a Julie a sua guarida, como um homem das cavernas. Em lugar disso bebeu o resto da taça e massageou o pescoço. A dor de cabeça havia tornado a penetrar pela base do crânio e teve que fazer provisão de todas suas forças para manter o sorriso. Era uma das coisas que pior levava do trabalho. A maior parte do tempo adorava seu trabalho. Era por natureza uma criatura muito sociável, a classe de cara que fazia amigos em todas as partes e sempre estava disposto a ir de farra. Levantar o complexo turístico de um nada tinha sido um sonho feito realidade e ele estava feito para o papel de anfitrião deslumbrante. Conhecer gente nova, sentir o sincero prazer que exsudavam quando ele lhes oferecia um entorno luxuoso e único que até os mais mimados dos fabulosamente ricos eram capazes de apreciar, proporcionava-


lhe mais satisfações que todo o resto junto. E saber que tinha feito tudo sozinho, sem ajuda alguma de seu pai ou do dinheiro de seu pai… bom, isso não era mais que a enorme cereja que adornava o bolo. Mas às vezes, como nesse momento, pensava que oxalá pudesse dar uma pausa. Não só do trabalho em si, que tinha triplicado no último ano com a crescente popularidade do complexo, mas também da carga social que tinha que suportar como proprietário e gerente de Recife Holley. Claro que o único culpado era ele. Desde o momento em que inaugurou Recife Holley, Chris tinha cheio a lista de convidados com seus amigos e conhecidos, todos eles pessoas jovens e ridiculamente ricas como ele. Recife Holley tinha adotado imediatamente o ambiente de um clube de amigos e a carga de que todo mundo se sentisse como um membro preferencial recaía no Chris, inclusive quando a lista foi crescendo até incluir menos amigos e mais desconhecidos. O resultado, que formava parte do grande atrativo de Recife Holley, era que os hóspedes se sentiam como se estivessem em uma imensa festa na casa caribenha de um amigo e Chris fosse o anfitrião do século. Mas essa noite ao anfitrião só gostava de deixar cair em uma rede de seu terraço, abrir uma cerveja e possivelmente ler um livro. Ou possivelmente só ficar olhando o mar de cor turquesa até que dormisse. Ou, melhor que tudo isso, levar Julie a sua cabana e fazer amor até cair esgotado. Mas em lugar de tudo isso cercou uma nova conversa com um membro secundário da realeza britânica enquanto observava Julie, que se tinha aproximado do corrimão que aparecia à praia com o Mike agarrando-a do braço com ar casual. Lorde O-que-fora se afastou ao fim em busca de sua noiva e Chris se apoiou no bar e pediu ao barman uma garrafa do Caribe Lager e dois tylenols. — Não deveria tomar isso com álcool, sabe? — disse Carla quando tragou as barras com um gole de cerveja. — Não é bom para o fígado. — Agora mesmo a dor de cabeça tem prioridade absoluta, o fígado vai ter que esperar — Chris tomou outro comprido gole de cerveja. — Tão mal está, né? — Carla o observou com ar especulativo. — Só estou muito cansado. —Bocejou e massageou o pescoço para recalcá-lo. —Já. — Carla olhou atrás dele, à esquerda de Chris, para o corrimão. Um sorriso ardiloso cruzou seus lábios carnudos — Por que não se joga na piscina? Chris não se incomodou em fingir que não sabia do que Carla estava falando. — Para começar, está casada com meu irmão… — Mas pediu a anulação — interrompeu Carla. — Ah, sim? Como sabe? — Me disse Amy. — A cabeça frisada e castanha de Carla assinalou com um gesto ao grupo das solteiras — Passei um momento com elas esta tarde, na piscina. — Inclusive embora tenha pedido a anulação — disse Chris sem fazer caso da pequena pontada de emoção e alívio que o atravessou inteiro — isso não troca nada. Julie não é a classe de


mulher com a que possa me deitar e deixá-la sem mais. — E se não lhe importa? E se só gosta de uma pequena aventura sem complicações que a ajude a superá-lo tudo? Chris não se incomodou em explicar que o problema não era Julie. — Confia em mim, Carla. Isto só pode terminar mau, para os dois. — Crie que antes não terminava mal alguma vez? Chris sentiu que começava a perder os estribos. — Assim de mal não. — Pelo menos para mim. — Só porque é sincero e tente manter as coisas em um plano casual não significa que algumas pessoas não saiam feridas. A diferença é que antes nunca se importou. Possivelmente essa era a forma que tinha o universo de vingar-se dele. Depois de todas suas aventuras sem sentido, de todas as mulheres que se foram com um sorriso melancólico nos lábios, a única mulher que desejava mais que nada no mundo aparecia e quão único queria era uma aventura sem compromisso. E sua prima estava dando todas as razões que havia para que aceitasse a oferta de Julie. Chris não respondeu e depois de um minuto Carla continuou: — Olhe, as mulheres tomam suas próprias decisões, boas e más, e se lhe dizem que quão único querem também é algo sem compromisso, não é sua responsabilidade procurar intenções ocultas. Algumas estarão dizendo a verdade, outras não, mas não é você o que tem que protegêlas de si mesmas. — Julie não é como as outras mulheres — disse Chris. — Não têm tanta experiência como as demais. — E o que? Você tampouco a tinha em seu tempo. Deus, para uma vez em sua vida que estava tentando fazer as coisas bem — embora fora por motivos egoístas — e quão único conseguia era uma dor de cabeça. — De todos os modos, possivelmente tenha perdido sua oportunidade — disse sua prima enquanto assinalava com um gesto o outro lado da sala. — Acredito que há outra pessoa disposta a entretê-la. Chris girou bem a tempo de ver Mike, com o braço ao redor da cintura de Julie, seguir a seus amigos e ao grupo de solteiras ao pátio que dava ao restaurante.


Capítulo 7 No dia seguinte, Chris saltou da cama às cinco e meia da manhã. Posto que já levava duas horas acordado, o mesmo podia levantar-se. Depois de uma corrida rápida de oito quilômetros ao redor da ilha, tomou um banho e foi sem pressa para seu escritório. Tinha que repassar os planos para as grandes bodas povoada de celebridades, a ser realizada no hotel em dez dias depois. Era a primeira vez que iam albergar um evento dessas características e Chris e Carla estavam fazendo uma ponte para tentar assegurar-se de que tudo corresse à perfeição. Para complicar as coisas, a noiva era uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood e estava decidida a manter a localização de suas bodas absolutamente secreta para que não se inteirasse a imprensa. Era um desafio imenso, inclusive apesar do compromisso de Recife Holley com a intimidade de seus hóspedes. Carla e Chris se viam reduzidos a falar em código com todo o pessoal, os fornecedores e qualquer que pudesse filtrar o evento à imprensa. Pelo lado bom, se as bodas iam bem, Recife Holley se converteria no lugar mais exclusivo do mundo para celebrar umas bodas. E melhor ainda, assim que tivesse notícias de seu êxito, seu pai teria que admitir ao fim que embora Brian fosse o herdeiro do reino, que Chris era quem realmente o que tinha que ter para governar um império. Enquanto isso, pensou Chris enquanto afundava os dedos na nuca, era uma sorte que o trabalho tirasse Julie da cabeça. Passou toda a noite a imaginando entrelaçada com aquele mergulhador, o tal Mike, e aquela visão o havia tornado louco. Carla já estava no escritório, esperando-o. — Graças a Deus que está aqui. Já me chamou cinco vezes esta manhã para repassar o orçamento. — Carla olhou o relógio. — E que, só são às quatro da manhã na Costa Oeste? Essa mulher é uma psicopata. Ah, e esse chefe de segurança que tem… Chris tomou uma taça de café e escutou pela metade enquanto Carla se despachava a gosto sobre o chefe dos guarda-costas de Jane Bowden. — Acredita que somos uns incompetentes — bramou sua prima. — Quer que façamos comprovações detalhadas dos antecedentes de todo o pessoal, até a última garçonete do hotel! Chris se sentou atrás da mesa, em frente de Carla. — O que queria Jane? — perguntou Chris. Carla podia queixar do guarda-costas tudo o que quisesse. No que ao Chris se referia, era Jane o autêntico espinho que os atormentava aos dois — Volta a queixar-se das flores? A noiva não entendia como podiam custar tanto as flores quando estavam em uma ilha tropical. Não parecia compreender que as hortênsias que queria não cresciam no Caribe. — Não, esta vez é o organizador — disse Carla. — Acredita que deveríamos conseguir um


preço melhor pelo champanhe. Chris ligou o computador e não demorou a encontrar em sua base de dados o número do telefone da ajudante pessoal da noiva. — Eu diria que quando pagam a alguém um milhão de dólares por episódio, não se discuti por este tipo de coisas. Não era a primeira vez que Chris se questionava se tinha sido boa ideia aceitar a organização das bodas de Jane Bowden. O dinheiro e a publicidade lhes foram vir de pérolas, mas depois de passar quatro semanas negociando até o último centavo, não estava muito seguro de que compensasse as dores de cabeça. — Sei — disse Carla. — Eu pensava que o sentido deste lugar, era que se tiver que preocupar-se pelo orçamento é que não deveria estar aqui. Chris conseguiu adotar um tom cordial quando deixou a mensagem para a ajudante de Jane pedindo que o chamasse para falar do organizador. — Se essa mulher não se tranquilizar, vai terminar com um dom muito especial no bolo — disse Chris. — Essa não é uma atitude muito própria de um empresário dedicado a agradar seus clientes. — Carla abriu um arquivo e entregou a versão mais recente do menu do casamento de Jane. — Não se pode dizer que hoje esteja pelo trabalho de agradar a ninguém. — E falando de agradar, a que se dedica hoje sua amiga? —perguntou Carla. Chris franziu o cenho. — Como quer que saiba? Estou seguro de que está muito entretida por aí. — Não me cabe dúvida. Alguém pode se divertir muito em um lugar como este. — Sim, como se você soubesse de primeira mão —soltou Chris — A mulher que passa quase cada noite com a única companhia dos sorvetes Ben & Jerry. — Está insinuando que estou engordando? — Carla se levantou pela metade de sua cadeira. Sua prima saía para correr todos os dias e fazia exercício sem perder nem um só dia com um dos preparadores pessoais do complexo. Gorda não era certamente um dos adjetivos que Chris utilizaria para descrevê-la. — Não, só digo que não tem vida própria. — E te faz falta uma boa transa. Está começando a perder o senso de humor — disse Carla. — Olhe quem fala. Quanto tempo faz? Quatro anos? — Três. — Para te matar. Você já passou de mau humor à hostilidade. Acredito que é você a que necessita um pouco de ação. — Nada disso, não posso me permitir perder meu gingado. Portanto, é a minha vez de ser a desagradável. — A jovem elevou uma sobrancelha e olhou a Chris — Você, por outro lado, tem que ser fascinante com todas essas pessoas encantadoras que vêm visitar você. Acredito que tem que procurar à senhorita Julie e se aliviar um pouco.


— Já te falei… — Ah, já, todas essas tolices da menina boa. Bom, pois com outra. O que acha de Kara DeMartinis? — Carla se referia à morena que tinha chegado com o grupo da despedida de solteira — Pelo que tenho entendido, é das que são capazes de reagir a partir da lâmpada. Chris enrugou o nariz, um tanto enojado. — Só se quero pegar algo. — Kara DeMartinis era uma habitual das festas, a classe de garota que era famosa por nada em realidade, salvo um comportamento escandaloso e uma larga lista de noivos ricos. Chris abriu a folha de cálculo do orçamento do casamento e começou a revisar o montão de notas que Sarah, a ajudante de Jane Bowden, tinha-lhe mandado por fax. Pensou que oxalá pudesse seguir a sugestão da Carla e ir procurar Julie onde estivesse e passar o resto da semana — tal e como ela havia dito — «reavivando a chama de sua amizade». Por estranho que parecesse e apesar do que havia dito a Julie a noite anterior, a ideia não deixava de ter seu atrativo, inclusive sem os benefícios que sua amiga tinha mencionado. Embora não a tinha visto e apenas se mantiveram em contato nos últimos anos, Chris tinha sentido falta dela. Tinha sentido saudade de ver filmes estúpidos com ela. Tinha sentido saudade do modo no qual a jovem se ruborizava enquanto ria da piada mais obscena que só podia ocorrer a ele. Tinha sentido saudade do modo no qual enrugava o nariz quando bebia com o melhor dos ânimos sua parte do barril de cerveja. Sentia falta do modo no qual Julie, ah, com tanta educação, evitava a seus possíveis pretendentes de modo que os meninos nem sequer se davam conta de que tinham sido dispensados. Chris tinha deixado essa amizade atrás quando tinha dado as costas à família e a empresa de seu pai. E que ela começasse a sair com Brian tinha sido a gota que faltava. Chris não só não estava disposto para ouvir falar da nova vida e o novo amor da Julie, mas sim não podia evitar sentir que se Julie era o tipo de mulher que podia apaixonar-se pelo Brian, possivelmente não era o tipo de pessoa que ele tinha acreditado que era. Assim tinha deixado morrer sua já incomum correspondência. Tinha-lhe parecido mais fácil soltar amarras de tudo. Estava tão perdido em suas reflexões que Carla teve que aproximar-se fisicamente a sua mesa e agitar uma mão diante dele para captar sua atenção. — Hey. Tão interessante é a seleção de aperitivos? Chris se deu conta de que levava quase uma hora olhando sem ver a primeira página do menu das bodas. Ao fim se centrou nos grandes olhos castanhos da Carla. — Perguntava se queria algo para comer. Chris olhou o relógio. Só eram às onze da manhã, mas dado que não tinha tomado o café da manhã, um almoço cedo pareceu uma grande ideia. — Sim, vamos até o café — disse, se referindo ao restaurante pequeno e informal que havia junto a uma das piscinas. — Não — disse Carla. — Vamos ao bar da praia. Acredito que a vista é melhor.


Chris ainda estava tentando averiguar a que se referia sua prima com aquilo quando seu estômago, animado pela menção da comida, rugiu com força suficiente para afogar qualquer outro pensamento que pudesse ter seu dono. *** — Julie, você quer algo? Julie, que estava meio dormindo em sua rede, girou a cabeça para Amy. — Hmm? Amy assinalou com a cabeça ao garçom, que esperava com paciência, com seu uniforme de camisa tropical, calças curtas soltas e sem sapatos. Julie não pôde evitar sorrir. Se estivesse em um dos complexos turísticos do D&D, o garçom usaria uma camisa engomada, calças largas e sapatos de vestir, embora trabalhasse na praia sob o implacável sol do Caribe. Aquele adorno informal era uma das pequenas, mas não obstante importantes diferencia que convertiam a Recife Holley em um lugar muito mais acolhedor que outros hotéis de cinco estrelas. Depois de tudo, como se supunha que uma pessoa ia relaxar se estava agitando continuamente se por acaso errava? — Eu adoraria tomar um Pellegrino com lima, por favor — disse Julie ao garçom. Amy pôs os olhos em branco. — OH, não seja tão aborrecida. — Sim — interpôs Jen. — Eu vou tomar uma margarita, Amy um Bloody Mary e Kara e Chrissy vão compartilhar uma jarra de ponche de rum. As outras garotas a olharam espectadores. Julie olhou o relógio. — Mas só são dez e meia. Kara pôs os olhos em branco com uma expressão que parecia de autêntico desgosto. — Não seja tão estirada — disse. Ao contrário que Amy e Jen, seu tom não era de brincadeira. — Pode te relaxar um pouco, sabe? — Bom… — Julie, só era uma brincadeira. Pede o que queira — disse Amy enquanto lançava um olhar furioso a Kara. Julie se alegrou de poder atribuir seu rubor ao calor do sol. Que típico. A boa da Julie pede uma água enquanto as demais garotas soltam o cabelo. Kara tinha razão. Estava de férias e se podia permitir… não, merecia se soltar um pouco. — Eu gostaria de tomar esse Pellegrino — sorriu a Amy e depois lançou a Kara um olhar de soslaio — e um chá sorvete de Long Island. —Sempre que tomasse a água junto com o álcool, disse-se Julie, tudo iria bem. O garçom voltou três minutos depois com as taças. Julie se acomodou na rede e deu um comprido trago. Havia algo na bebida doce e a força do licor que a fez sorrir. Tinha a sensação de


que estava cometendo uma travessura e ninguém ia dizer nada, e assim o disse a Amy. — Pois é bastante triste, Julie, a verdade, se o único que fizer falta para que se sinta como uma garota má é tomar uma taça antes das doze. — Admito que não preciso de muito — disse Julie enquanto tomava outro gole. — Brindo pelas garotas más, ou, ao menos, um pouco travessas — disse Amy e todas as garotas se apressaram a brindar as taças. Julie sorriu ao grupo, agradecendo uma vez mais que Amy a tivesse acolhido sob sua asa. De outro modo teria passado a semana sentindo-se como uma intrusa, espreitando à espera de que alguém falasse com ela. Embora o complexo tinha a reputação de ser o lugar perfeito para se divertir se estava solteiro, Julie observou que todos outros hóspedes solteiros tinham ido com amigos. Sabia que desfrutaria da solidão e a tranquilidade enquanto estivesse ali, mas era agradável saber que podia ter companhia quando quisesse. E Amy e suas amigas — por não mencionar ao Mike o mergulhador, como o chamava Julie — pareciam dispostos e impaciente por assegurar-se de que o passava bem. Ao contrário de Chris, o muito imbecil. Seguia sem poder acreditar tudo o que havia dito aquele homem. De verdade pensava que era uma menina rica e malcriada? Que o único que queria era utilizá-lo para vingar-se de algum modo? Está bem, possivelmente tivesse razão, ao menos um pouco de razão. Mas também se deitou com ele porque era o que desejava, de verdade. E de verdade, de verdade que queria voltar a deitar com ele, embora tal admissão — por silenciosa que fosse — esteve a ponto de fazê-la engasgar-se. Bom, era óbvio que não havia nada que fazer. Tinha desfrutado de uma noite incrível com ele e teria que deixar as coisas assim e tentar concentrar-se no bom, e disso havia muito. Mas certamente pensava afastar-se dele todo o possível durante o resto de sua estadia, embora só fora para demonstrar que não fazia nenhuma falta sua atenção para passar bem. Mas o fato de que a tivesse rechaçado com tanta facilidade ainda a alterava. Que vergonha! Tinha deixado claro que quão único queria era sexo e ele nem sequer ia se tomar a moléstia. O tinha deixado perfeitamente claro no bar a noite anterior. Menos mal que Julie não lhe tinha contado toda a verdade, como tinha fantasiado durante toda a viagem sobre ele. Sobre como a agarraria entre seus braços e a beijaria como só ele sabia, derretendo-a e deixando-a sem fôlego. E que logo passaria toda a semana lubrificando-a com azeite de coco e fazendo-a gozar até que já não pudesse mover-se. Em lugar disso a tinha recebido com expressão aterrada, frieza e ao final autêntica hostilidade. Passe para me ver quando necessitar uma pausa desse mundo de loucos. Sim. Ao menos todo esse desastre a ensinaria a não aceitar de forma impulsiva um convite que sabia de sobra que só foi feito por pura cortesia. Envergonhada ou não, ferida ou não, ali estava e pensava divertir-se embora morresse no intento.


Julie deu outro gole à taça e se surpreendeu ao ver que já terminou a metade. Será melhor que freie um pouco, disse-se e o acompanhou de um gole do Pellegrino. O sol, combinado com o álcool, embalou-a até adormecê-la. Ouviu vagamente às garotas falando sobre outros hóspedes que acabavam de chegar à praia. — Acreditei que íamos ter isto para nós sozinhas — ouviu dizer Jen. A ilha tinha várias praias entre as que escolher. A maior parte dos hóspedes, sobre tudo os casais, ficavam perto de suas cabanas, onde era mais fácil contar com certa intimidade. Amy e suas amigas, pelo contrário, tinham elegido a praia principal que havia diante do complexo turístico; preferiam estar onde se encontrava a ação. Mas até o momento elas cinco eram quão únicas podiam pôr um pouco de ação por ali. Julie abriu um olho. Como não, era o magnata dos chips e sua prometida. O casal pediu ao menino que atendia a praia que afastasse um pouco mais as redes do grupo das solteiras. — Bom, o que acontece com você e Mike? Julie ficou calada um momento até que se deu conta de que Jen estava falando com ela. — Sim, está muito bom — disse Chrissy, uma loira baixa que poderia haver-se feito passar pela irmã de Julie. — Mas Dan também, e dado que Mike parece muito ocupado já… — Mas se conheci o Mike ontem — disse Julie. — Como ia acontecer algo já? — OH, venha já —brigou Amy. — Um dia em um lugar como este é tempo de sobra. — A jovem baixou um pouco os óculos do Versace e olhou Jen por cima delas. — Não é certo, Jen? Jen se estirou com preguiçosamente antes de responder. — O que quer que te diga, há pouco tempo, os recursos são escassos e tenho que trabalhar rápido. — Jen se enrolou com Greg ontem à noite — disse Kara. — É o cara moreno dos olhos verdes, não? — perguntou Julie e terminou a taça com um último gole. Quase por arte de magia apareceu o garçom e Amy pediu outra ronda para todas. — Não, esse é Dan —esclareceu Jen — Greg é o dos olhos azuis e cabelo de cor loiro cinza. — Então, o outro é Brad, não? — disse Amy. — Pois você deveria sabê-lo, esteve sentada a seu lado durante o jantar — brigou Jen. — Já, como se eu estivesse de acordo. A essas alturas já estava tão bêbada que tive sorte se fui capaz de lembrar meu próprio nome — riu Amy — Pobre Brad, seguro que pensou que ia ver um pouco de ação, a última aventura da futura noiva, hum! — Amy suspirou — Por desgraça para ele, estou muito apaixonada pelo Will para olhar sequer a outro homem. — Panaquice — disse Kara drasticamente. — Está bem, posso olhar, mas não penso fazer nada mais — disse Amy. Julie pôs-se a rir e pegou a nova taça que oferecia o garçom. Sentiu uma ligeira pontada de inveja por ouvir as brincadeiras daquele grupo de amigas. Com exceção de Wendy, Julie tinha perdido o contato com a maior parte de suas amigas nos últimos dois anos porque passou a maior parte do tempo com os amigos de Brian e suas esposas. Embora fossem pessoas muito agradáveis, jamais tinham deixado de tratar Julie com um ar de inconfundível condescendência e sempre se


referiam a ela como a noivinha do Brian. Como resultado, Julie sempre havia tentando comportarse com eles da maneira mais amadurecida possível. As garotas começaram de repente a contar histórias de outras férias e a brincar entre si sobre façanhas passadas. — Lembra-se do cara da Jamaica, Amy, o do piercing na língua? —perguntou Jen. Julie sentiu outra pontada de ressentimento. Graças ao Brian, perdeu a oportunidade de ter amigas como aquelas e desfrutar de suas próprias loucuras. — Né, não sabia que podia fazer isso. Julie seguiu o olhar de Jen praia abaixo. A prometida do magnata dos chips, de atributos farto improváveis, tirou o sutiã do biquíni e estava passando protetor solar nos seios com toda tranquilidade. — Estupendo — disse Kara e não demorou nem um instante em desfazer-se de seu próprio sutiã. Julie ficou olhando com a boca aberta enquanto as demais tiravam os sutiãs a uma velocidade mais que notável. — Vamos, Julie — a animou Amy. Julie sacudiu a cabeça. Beber pela manhã era uma coisa, mas não tinha a menor intenção de ficar com os seios ao ar diante de um montão de desconhecidos. — É que esqueci o protetor solar na cabana. — Depois deu outro sorvo a sua taça. Kara lançou um olhar desafiante e atirou um bronzeador no colo. Sobressaltada, Julie se atirou parte da taça pelo estômago. — Tem um fator de proteção de 45. Houve algo na atitude de Kara que irritou Julie, como se tivesse notado que a atitude despreocupada e divertida de Julie só era uma fachada e soubesse que no fundo era tão aborrecida que Kara nunca se incomodou em falar com ela. Ou possivelmente era o modo em que Kara virtualmente tinha metido os seios na cara de Chris à noite anterior, durante o coquetel. Fosse o que fosse, depois de cobrar ânimo com outro gole do chá Long Island, Julie respirou fundo e desatou o sutiã de seu biquíni de cor coral brilhante. Os dois pequenos triângulos que cobriam os seios caíram imediatamente e Julie conteve o impulso de cobrir-se; em lugar disso levou as mãos à costas e se desatou a outra parte. Imediatamente sentiu que os mamilos arrepiavam quando a cálida brisa do mar roçou a pele. Aplicou-se a toda pressa uma generosa capa de protetor solar e olhou a seu redor, envergonhada. Jen pôs-se a rir. — Não há ninguém olhando — disse enquanto agarrava o tubo de bronzeador da Julie e o aplicava nela também. Julie olhou ao seu redor. Pois não, o diretor geral da companhia informática estava entretido no Wall Street Journal, sem advertir o festim de seios que tinha ante seus olhos. Julie agarrou seu livro, uma grossa obra histórica que apresentava a um forte nativo das terras altas escocesas. Que aspecto teria Chris com uma saia escocesa? Perguntou-se com um


sorriso. Sua compostura se alterou um pouco quando viu que o garçom voltava a aproximar-se. Ao contrário que as outras mulheres, ela não era capaz de ficar ali como se não passasse nada. Sem dar aparente importância, Julie ajustou o respaldo da rede para que ficasse plano e se deu a volta. — Jules, quer outra? Sabia que não deveria. Claro que tampouco deveria estar expondo a pele virgem de seus seios ao dano do sol. Mas que diabos. — Pois sim, mas esta vez que seja um daiquiri de banana. — Certo, era a classe de taça que estava decidida a evitar a todo custo, mas depois de dois chás de Long Island, estava a ponto de cair de bruços na areia. Não se deu conta do engano que tinha cometido até depois de haver-se ventilado quase a metade do daiquiri. Nas Ilhas Virgens, como na maior parte do Caribe, o rum da bebida era mais barato que a mescla que acrescentava. Para economizar dinheiro, os barmen estavam acostumados a ser mais que generosos com o rum. Recordou que se esqueceu de pedir uma marca do continente. Tampouco estou fazendo nenhum dano, pensou ao tempo que as palavras de seu livro começavam se confundir. Depois de tudo, estava de férias. *** O café da praia ainda não estava muito cheio, apenas algumas mesas estavam ocupadas. A maior parte dos hóspedes estavam desfrutando de uma das muitas praias ou da piscina, ou tinham saído para mergulhar ou fazer snorkel. Enquanto Carla esperava que trouxessem os pedidos, Chris se aproximou do terraço do café, que aparecia à praia principal do complexo. Esta também estava quase vazia, como a maior parte das redes. Que não daria ele por ter uma hora para deitar na areia e ficar olhando as águas tranquilas de cor turquesa. Mas essa era a bênção e a maldição de dirigir um lugar assim. Chris vivia em um dos lugares mais bonitos da terra, mas cada vez tinha menos tempo para desfrutá-lo. Chris observou ao garçom que se apressava pela areia com uma bandeja cheia de bebidas. Seu olhar parou no grupo ao que servia o garçom e ficou sem fôlego. Era um grupo de mulheres, Amy e sua despedida de solteira. E na rede mais próxima estava Julie. Embora estivesse de barriga para baixo, Chris se deu conta de que era ela. Reconheceu o perfil quando se apoiou nos cotovelos para pegar a taça que dava o garçom. Levava o cabelo loiro e encaracolado recolhido de qualquer modo com uma pinça, com uns brincos úmidos agarrando na nuca. A pele das costas resplandecia com uma incitante cor dourada sob o sol brilhante e Chris sentiu que uma onda de calor invadia a virilha quando seu olhar seguiu descendo pelo corpo feminino. De onde estava tinha uma vista espetacular da bunda de Julie, apenas coberto pelo tecido


brilhante de cor coral do biquíni. Chris sempre adorou sua bunda. Que não era gorda, como ela sempre dizia, a não ser redonda e suculenta. E — como Chris sabia de primeira mão — perfeito, firme e suave ao tato. Sentiu que os dedos coçavam ao imaginar soltando os laços que sujeitavam as calcinhas do biquíni para revelar… — Eeh, espero que passaram creme. A voz da Carla o sobressaltou, tirando de seu sonho. — O que? — disse sem muito entusiasmado. — Uma queimadura nos seios é do mais doloroso que há — disse Carla. Chris enrugou o cenho e voltou a olhar o grupo. Pois sim, as quatro novas amigas da Julie estavam fazendo topless. E ele nem sequer tinha notado. Que umas garotas fizessem topless não era tão estranho em Recife Holley, mas Chris era um homem. Só porque visse seios nus na praia todo o tempo não significava que não soubesse apreciá-los. Mas que diabos acontecia com ele para que ficasse tão hipnotizado pela bunda da Julie que nem sequer tinha visto quatro (e agora que se fixava, observou que eram bastante bonitos) pares de seios nus a menos de dez metros de seu nariz? Aquilo começava a ser ridículo. E só então, Julie virou e Chris gemeu. Pois claro, Julie também estava fazendo topless. Ao tempo que ficava verde a si mesmo por comer-lhe com os olhos, Chris não poderia ter parado nem que o tivessem ameaçado com uma arma. Não tinha os seios maiores do grupo — Kara era a que levava o título, admitiu Chris com objetividade — mas os seios da Julie eram sem dúvida os mais atraentes. Suaves, de pele cremosa, com uns mamilos duros e rosados que apontavam ao céu azul espaçoso. Chris ficou com água na boca ao pensar em riscá-los com a língua. — Quer um guardanapo? — Um o que? — Chris se voltou para Carla, que tinha posto os olhos em branco. — Está caindo à baba. — Já temos a comida pronta? — Tinha que sair dali. Deu a volta para entrar outra vez, mas já era muito tarde. — Chris! Né, Chris! — Kara o tinha visto no terraço e agitava os braços com entusiasmo suficiente como para que suas taças se movessem de um lado a outro. Chris devolveu a saudação sem muita convicção e fez ameaça de voltar para interior do café. — Vem tomar uma taça conosco — exclamou Kara. Todas as demais, exceto Julie, como não deixou de notar Chris, estenderam o convite. — Será melhor que vá. — Chris gostou de tirar da Carla o sorriso presunçoso com um tapa. — Não quereria danificar sua reputação de anfitrião sempre serviçal. — Carla virou e entrou no café. Chris franziu o cenho, mas foi para os degraus que levavam a praia. Não era uma loucura que o convidassem a unir-se a cinco mulheres em topless e ele tivesse a sensação de que preferia ficar à cauda das multas de trânsito?


Aproximou uma cadeira à contra gosto da rede de Julie e fez o que pôde para não ficar olhando-a como um autêntico homem velho. Sob o bronzeado da Julie, sua pele estava ruborizada pelo calor e um leve brilho de transpiração resplandecia no vale que ficava entre seus seios. Em um intento de distrair-se da necessidade de percorrer com a língua aquela pele úmida, Chris se encontrou cravando os olhos no piercing que levava no umbigo: o pequeno diamante aparecia ao ventre da Julie e resplandecia sob o sol. Chris geralmente odiava as joias corporais quando se levavam muito longe, mas jamais tinha podido resistir a um piercing no umbigo, e o fato de que fosse o ventre da Julie só o fazia muito mais atraente. — Sabe? Se alguém me houvesse dito que um dia Julie Driscoll colocaria um piercing no umbigo e que se banharia em topless em uma praia pública, teria pensado que estava louco. Julie sorriu, com os olhos ocultos pelos óculos de cristais de cor violeta. — Às vezes uma garota tem que animar as coisas um pouco, já sabe, que não se perca o interesse. A jovem tomou um sorvo de seu daiquiri, mas arruinou o efeito despreocupado quando o guarda-chuva bateu na bochecha. Chris se obrigou a tirar os olhos de Julie e se concentrou na conversa de Amy e Kara. A julgar pelas risadas e as vozes que estavam a ponto de serem muito altas, as garotas passaram boa parte da manhã bebendo sob o sol. — Não estamos em apuros ou qualquer outra coisa, né? — perguntou Amy de repente — Pelo topless? Vimos a como se chamo… — Amy assinalou com descuido à mulher que estava algo mais abaixo na praia e cujos seios animados se elevavam ao ar como cones de tráfico — e supusemos que não passava nada. Chris se obrigou a sorrir. — Por mim não há problema. — O qual era certo quando se tratava de outras mulheres. Mas os dedos coçavam pela necessidade de envolver Julie com uma toalha e apertar bem o tecido. Possivelmente com cinta adesiva. Supôs que deveria agradecer que não houvesse ninguém mais por ali para vê-la. O único cara que havia na praia parecia se mais interessado em vigiar sua carteira de ações, e o pessoal do café da praia tinha visto tanto em Recife Holley que uns seios nus pareciam tão escandalosos como os pés descalços. Até uns dez minutos antes, Chris teria jurado ele sentia o mesmo. Depois olhou a Julie, que acabou o daiquiri e fez um gesto ao garçom para que se aproximasse. Chris pegou o pulso dela com uma mão. — Você não acha que deveria parar um pouco? — O que, virou meu pai? — soltou Julie com aspereza. — Não seja desmancha-prazeres, Chris — disse Jen — Peça algo para você também. Chris optou por fazer caso e pediu uma cerveja e quando Julie pediu outro daiquiri, Chris a interrompeu. — E se assegure que é do continente — disse ao garçom.


Julie se sentou na rede, indignada, e seus seios balançaram de um modo que fez que Chris desse voltas a cabeça. — Não tem que me cuidar, Chris. Já não tenho dezoito anos. — Pois certamente não parece — disse ele por sua vez. De repente se deu conta de que se detiveram todas as conversas e cinco mulheres de seios nus o olhavam assombradas. Genial, cara. Assim se faz, a melhor forma de fazer que suas hóspedes se sintam cômodas e relaxadas. Mas antes que pudesse dar marcha atrás e acalmar a situação, viu algo por cima do ombro da Kara que provocou um nó na boca do estômago. Os mergulhadores haviam retornado de sua excursão e os quatro se dirigiam para eles.


Capítulo 8 Ao Chris dava igual à má impressão que pudesse dar, não tinha nenhuma intenção de deixar que Mike e companhia vissem Julie assim. Levantou sem mais delongas e agarrou com uma mão o braço dela. — Temos que falar — disse ao tempo que a levantava de um puxão. Julie cambaleou para ele e o empresário deixou escapar um vaio quando os seios femininos entraram em contato com seu antebraço. Tinha que vesti-la sem perder mais tempo. — Ponha isto — disse enquanto dava uma toalha. As outras quatro mulheres tinham ficado olhando sem dizer nada. Julie fez caso omisso da toalha e o deixou cair na areia. — Me solte — disse. Tentou soltar-se, mas Chris a sujeitava com firmeza pelo antebraço — Mas qual é o seu problema? — Julie voltou a tentar soltar-se outra vez e cambaleou. Chris tropeçou ao receber todo o impacto do peso da jovem, mas as arrumou para sujeitá-la antes que caíssem os dois. — Oh, oi Mike, oi meninos. — Julie acabava de fixar nos quatro meninos que subiam pela praia e os saudou com o braço livre. Os quatro homens levavam óculos de sol, mas os cristais escuros não puderam ocultar a expressão libidinosa que invadiu os quatro sorrisos quando viram que as mulheres estavam de topless. O ciúme retorceu as tripas de Chris. Sabia que não deveria se importar. Julie não era nada dele. Não deveria importar se queria mostrar os seios ao mundo inteiro, mas foi incapaz de conter aquele impulso primitivo e irracional que se disparou quando aqueles homens lançaram um olhar de desejo a aquele corpo que ele considerava dele. Não, não é tua, nunca foi e nunca o será. E uma reação como esta é o exemplo perfeito de por que tem que manter distância. Quanto mais longe dela, melhor. Não obstante, Chris não podia ficar ali sentado e deixar que outros quatro homens comessem Julie com os olhos. Assim que se inclinou e, sem fazer caso de seu chiado, agarrou-a pelas pernas e a jogou no ombro. Rodeou-lhe com um braço firme as coxas e fez um gesto a Amy para que pegasse a toalha e a bolsa de praia da Julie. — Desça-me agora mesmo, imbecil — chiou Julie enquanto esmurrava as costas com o punho quando Chris empreendeu o caminho que levava a cabana dela. Chris deu um tapa firme no traseiro, mas depois não pôde resistir a tentação de rodear a nádega com a palma da mão para dar um bom apertão. — Está passando a mão na minha bunda? — Cala a boca, quer que todo mundo ouça? — brigou Chris. — Não me importo com quem nos ouça, é você o que está levando a uma de suas hóspedes


como se fosse um neandertal. Seguro que isso fica muito bem. — Né, isso é que você está bêbada antes das doze da manhã e quer andar por aí sem sutiã. — Chris virou a esquina. — Não estou bêbada. Chris bufou. — Digo-te que não o estou. E quanto a estar de topless, não te ouvi te queixar de nenhuma das outras. Ai. Chris deu um par de empurrões enquanto procurava a chave em sua bolsa. — O que faz que meus seios sejam especialmente ofensivos? Chris tomou um momento para deixar que seus olhos se acostumassem à penumbra da cabana. Passou pela pequena cozinha e o salão e entrou no dormitório, onde lançou sem mais delongas Julie sobre o colchão gigante. Depois tirou a toalha, mas a garota fez caso omisso dele e deixou que o tecido se deslizasse por seu corpo e caísse ao chão. — Brian sempre pensou que eram muito pequenos — disse olhando o seio nu. Aquela mulher seguia falando de seus seios. Chris esteve a ponto de gemer de frustração. — Acha que preciso de implante? Chris tragou saliva em um intento de conseguir umedecer um pouco a boca que tinha ficado seca como o deserto. Estava-lhe tirando o sarro, não? Mas quando a olhou, viu que a sua maneira, um pouco bêbada, por certo, ela estava preocupada de verdade. Tinha franzido o cenho, apoiou-se nos cotovelos e tinha metido o queixo para ver melhor. — Acredito que seus seios são perfeitos — disse Chris ao fim e a expressão de felicidade que cruzou o rosto dela foi quase suficiente para fazê-lo cair de joelhos ali mesmo. Como se tinha metido outra vez na mesma situação, a sós com uma Julie Driscoll quase nua e desejando-a tanto que o pênis estava a ponto de fazer estalar a braguilha, mas sabendo sem sombra de dúvida que não deveria fazer nada absolutamente sobre o tema? — Seriamente? — insistiu Julie. Oh, Deus, aquela mulher tinha que deixar de falar de seus seios e botar algo em cima ou ele ia voltar se louco. Chris tentou apartar a vista, mas até seu aroma, aquela pele cálida e o bronzeador com aroma de coco, eram suficientes para esticar a virilha. — Por citar um de nossos filmes favoritos, “há uma falta de seios perfeitos no mundo e seria uma pena perder os seus”. O sorriso de Julie se iluminou um pouco mais, se é que isso era possível. — A Princesa Prometida. Faz anos que não a vejo. — Bom, botãozinho, se for uma menina boa e não põe o sutiã do biquíni, podemos vê-la em minha casa antes que vá. — Eu gostaria— respondeu Julie em voz baixa, mas não fez nada para se cobrir. Incapaz de suportá-lo mais, Chris pegou de um tapa a toalha do chão e o pôs ao redor. Mas antes que pudesse erguer-se, o braço da Julie rodeou o ombro e Chris sentiu que os dedos


femininos enredavam entre o cabelo um pouco úmido da nuca. — Que te importa se outros homens me vejam de topless, Chris? Julie tinha os lábios rosados e separados e se ele não pudesse cheirar a já leve doçura do rum em seu fôlego, teria se inclinado mais para saboreá-la. — Está com ciúme? — picou ela. Causou-lhe uma dor quase física estirar a mão e desprender com suavidade a mão da Julie de seu cabelo. Aquela garota o estava matando, fez um nó nas tripas quando seu cérebro conjurou uma corrente de imagens dos dois, nus, passando o resto da tarde envoltos em um vigoroso matagal de membros entrelaçados. Mas Julie estava bêbada e isso estava alimentando suas paqueras. E gostasse Chris ou não, o mesmo instinto protetor e o ciúme que fazia que quisesse ocultá-la dos olhos de outros homens era o que evitava que se esquecesse de seu sentido comum e se derrubasse sobre essa cama com ela. Isso e saber que se voltava a tomar, sobre tudo bêbada como estava, só terminariam complicando a vida ainda mais. — É somente que não quero que se meta em uma situação que não possa dirigir, Jules — disse ao fim. Era uma desculpa patética, mas que outra coisa ia dizer? Que em só pensar que outro homem pudesse vê-la nua gostava de atravessar uma parede com o punho? Ou que só a ideia de que estava ciumento o confundia e enchia o saco mais do que tinha estado em toda sua vida? Julie tirou o lábio inferior com uma panela carrancuda. — Não sou nenhuma menina. — A jovem pesavam as pálpebras quando o olhou entre as pestanas inclinadas. — Isso eu já sei. É só… digamos que me custa acabar com os velhos costumes. A jovem pôs os olhos em branco, igual à adolescente áspera que afirmava não ser. — De acordo, Chris, vou fazer um trato com você. Eu não tiro o sutiã do biquíni e não me aproximo de você, se isso for o que quer. Mas você tem que relaxar um pouco e deixar que me passe bem. Chris franziu o cenho de repente. — Jamais falei que não queria que se aproximasse de mim. — Idiota. Chris não pôde conter o sorriso. Não sabia se chegaria a se acostumar ouvir palavrões da boca de Julie. — Deus, deveria ter visto a sua cara quando apareci aqui. Estava morto de medo, como se esperasse que tirasse da bolsa um coelhinho cozido ou algo assim. Chris fez uma careta, mas não tentou defender-se. — Eu tive um grande momento com você, Chris, e pensei que tinha acontecido o mesmo com você — disse Julie em voz baixa — Mas sei muito bem que não se deve que confundir um sexo estupendo com o verdadeiro amor. Sobre tudo com você. Isso sim que o golpeou como uma estaca no coração. Chris conteve o fôlego por um instante, doído, quando o casual comentário dela acertou o alvo em cheio. Infelizmente para ela,


Chris não estava disposto a ser seu brinquedo pessoal da semana. E embora a ideia o pusesse fisicamente doente, não tinha nenhum direito a detê-la se queria buscar um substituto. — Está bem, de acordo. Eu relaxo. Mas você tome cuidado. — Quando Julie abriu a boca para protestar, Chris a silenciou tampando a boca com a mão. — Olhe, sei que é uma mulher adulta e que quer passar isso bem, mas isso não troca o fato de que até agora levou uma vida bastante protegida. Assim não se volte louca. Nem todos os caras são bons meninos como eu. — Está bem, papai — disse Julie de mau humor. E depois, com um tom mais cordial — Significa isso que somos amigos outra vez? — Sim, suponho que sim. Julie voltou a deixar cair entre os travesseiros e fechou os olhos. Chris se inclinou sobre ela e depositou um beijo na pele suave da testa. Antes que Chris pudesse reagir, Julie deslizou os braços pelos ombros e levantou a cabeça. Abriu os suaves lábios sobre os de Chris e tirou um pouco a língua para incitar a pele escorregadia da boca de seu amigo. Com um suspiro, Chris se deixou levar pelo beijo. Julie se sentia tão assombrosamente bem, doce e cálida, com o matiz picante do rum por debaixo. Ao tempo que o cérebro mandava que parasse, que se apartasse, que se levantasse daquela cama, Chris percorreu o braço com a mão. Deslizou a palma pela pele sedosa do ventre dela e foi subindo sob a toalha com que a tinha envolvido. Julie deixou escapar um pequeno gemido quando a mão dele envolveu um seio, depois deslizou as mãos pelas costas de Chris e introduziu os dedos pela cintura de suas calças curtas. Chris gemeu ao saborear a sensação de tê-la entre suas mãos, ao sentir o sabor daquela mulher em sua boca, ao perceber o calor feminino logo que contido que se esfregava contra suas calças. Um golpe seco ressoou na porta da cabana. O ruído devolveu Chris o sentido comum com uma sacudida. Separou-se da Julie e se sentou tão rápido na cama que ficou tonto. — Vai embora — exclamou Julie. — Julie? Sou Amy. Só queria ver… — Estou bem, vai embora — repetiu Julie. Ficou de joelhos e tentou atrair Chris outra vez à cama. — Bom, onde estávamos? — Julie, deveria ir. — Chris tentou se soltar com suavidade dos braços que lhe rodeavam o pescoço, mas a jovem o envolvia como um polvo — Não podemos fazer isso — disse com uma careta ante sua própria falta de convicção. — Por que não? Não é como se não o tivéssemos feito antes. E esteve tão bem — murmurou Julie enquanto o torturava com mordidas incitantes no pescoço e nas orelhas. — Não deixei de pensar nem um momento no bem que me sentia quando me fodeu até o fundo, com tanta força. Chris esteve a ponto de gozar em só ouvir isso, escandalizado e insuportavelmente excitado por aquela linguagem tão pouco própria da Julie. Fechou os olhos. Estava desejando render-se à


lógica dela, mas sabia que se odiaria, e Julie também o odiaria, se o fizesse. — Só porque tenhamos cometido um engano uma vez não significa que tenhamos que voltar a cometê-lo. Julie deixou cair os braços e se derrubou de novo na cama. — Muito bem. Suponho que terei que arrumar isso sozinha. — Com um sorriso pícaro estirou os dedos e deslizou a palma da mão pelo ventre nu. Enquanto Chris a olhava, paralisado de luxúria, deslizou a mão sob a cintura da calcinha do biquíni e se arqueou para acolher os dedos com um gemido rouco. Chris tinha mil razões para não voltar a cair jamais no desejo que inspirava Julie, mas nesse instante não ocorreu nenhuma, porque todo o sangue de seu corpo fugiu para sua virilha. O pênis palpitava enquanto observava os dedos dela se moviam sob o tecido sedoso do biquíni. Secou a boca quando Julie capturou seu próprio mamilo entre dois dedos e o apertou um pouco. O empresário tinha tentado ser bom com todas suas forças, fazer o que devia. Mas a resistência de um homem tem um limite. Aos poucos segundos estava na cama ao lado da Julie, cobrindo com sua mão a da jovem, que se acariciava e massageava o seio. Julie abriu os olhos de repente e depois os lábios em um ofego surpreso ao sentir a carícia masculina. Chris aproveitou a oportunidade para envolver a boca com a sua e afundar a língua para saboreá-la e atormentá-la. Deslizou a palma da mão pelo ventre plano e bronzeado da jovem e se deteve só um momento para desatar um lado do biquíni e tirar o brilhante tecido de cor coral. Tragou saliva ao ver aqueles dedos esbeltos que se enterraram entre as dobras escorregadias do sexo dela. O clitóris era uma amora vermelha perfeita, suculenta e banhada por sua própria umidade, que aparecia com impaciência entre os lábios suaves da vagina, Julie se acariciava, rodeava-se com os dedos com um ritmo firme e constante, e gemia. O som enviou onda de calor que fizeram crepitar diretamente os ovos do Chris e este soube que não ia aguentar nem um segundo mais sem tocá-la. Riscou com dois dedos a suculenta fenda . Os dedos da jovem ficaram imóveis. — Não para — sussurrou ele entre um beijo e outro, beijos úmidos com os que cobriu o seio inteiro. — Me mostre como se dá prazer. Julie deu um suspiro estremecido e continuou acariciando-se. Chris deslizou os dedos pela entrada da jovem e provocou outra quebra de onda de umidade que banhou o sexo feminino ao pressionar em seu interior. Fechou os olhos e deixou escapar um gemido ao sentir os músculos escorregadios que rodeavam os dedos. Julie se fundia a seu redor como mel quente, açúcar líquido que banhava sua mão em seu doce calor ao arquear-se e incitá-lo para que colocasse mais os dedos. Ela também movia os dedos mais rápidos, com mais firmeza, assim Chris cruzou os seus e começou a colocá-los e tirá-los, retorcendo-os para que a sensação fosse extrema. Lambeu as gotas de suor do seio feminino e depois seguiu subindo, acariciando a pele da Julie com a língua até que capturou o mamilo duro como uma pedra. Sugou-lhe o seio com força e esteve a ponto de


gozar quando ela se esticou contra ele e deixou escapar um grito penetrante. O sexo feminino se estremeceu ao redor dos dedos do Chris em ondas, apertando-lhe em sua presa escorregadia. Tinha que penetrá-la. Já. Brigou um momento com o botão das calças e depois sorriu ao colocar-se sobre ela. Julie tinha os olhos fechados e os lábios separados e sua respiração se ia acalmando. Depois emitiu um ruído que fez Chris gemer. Mas não de prazer. Estava roncando. Dormiu. Ao Chris tivesse gostado de levar o mérito de ter feito que se corresse até o ponto de deprimir-se, mas sabia que o único responsável pelo estado inconsciente da jovem era o bom do Capitão Morgan. O som dos suaves roncos femininos o torturou enquanto saía. Apertou os protestos de seu pênis com uma mão, tentando baixar aquela dureza dolorosa. Isso era o que passava quando se fazia de tolo com mulheres bêbadas. *** Julie acordou de repente. Levantou a cabeça do travesseiro, abriu as pálpebras cheias de crostas e olhou pela habitação. Mas que hora eram? Olhou a faixa de luz que penetrava pelas cortinas. Estava anoitecendo, supôs. Tirou as pernas da cama e fez uma pequena careta quando sentiu o cérebro agitando-se dentro do crânio. Como tinha podido ocorrer? Ficar a beber as dez da manhã e para tudo sem ter tomado o café da manhã. Tinha um sabor asqueroso na boca, como se tivesse estado comendo sanduíche de terra. Levantou-se com certa vacilação e olhou o relógio do rádio que tinha na mesa. Cinco e meia. Aproximou-se das portas que levavam ao pátio da cabana e retirou as cortinas. Que estranho. Estava muito escuro para a hora que era. Acendeu a luz do banheiro e piscou os olhos quando a assaltou o fulgor. Examinou-se por cima do copo enquanto tomava uns quantos goles de água. Que bonito. Tinha o cabelo de ponta, uma autêntica Medusa, e levava um rastro de saliva seca na bochecha. Grunhiu o estômago quando bebeu a água. Serviço de quartos e cama outra vez. — Sim, eu gostaria de pedir algo para jantar — disse quando respondeu a operadora. — Jantar? Senhora, ainda estamos abrindo para servir o café da manhã. — Café da manhã? —disse Julie como uma tola. — Sim, mas não começamos a servi-lo nas habitações até as seis. Mas se quer fazer seu pedido agora, será um prazer levar-lhe logo que nos seja possível. Café da manhã? Era possível que…? Julie olhou seu relógio. Sim, assim era, segundo a janela que mostrava a data era segunda-feira pela manhã. De algum jeito tinha arrumado para dormir quase dezoito horas seguidas. — Senhora? A voz da operadora a sobressaltou e a devolveu a um estado semiconsciente.


— Sim, quero dizer, não, não quero tomar o café da manhã agora mesmo. Deve pensar que sou uma autêntica idiota. Ou uma autêntica bêbada. Claro que a operadora do serviço de quartos era o menor de seus problemas, não? Dadas suas façanhas do dia anterior, havia várias pessoas que certamente pensavam que era idiota. Começando com Chris. — Ai, Deus — gemeu ao recordar de forma vaga que seu amigo a tinha levado até sua habitação. E depois… ai Deus, os momentos que passaram até que ela ficou adormecida. Os dedos do Chris sobre seu corpo, e dentro de seu sexo, fazendo que gozasse quase até… não, espera, ela havia desmaiado. Julie fechou os olhos com todas suas forças e a embargou a vergonha quando recordou o que havia dito, o que tinha feito. Oh, Deus bendito, Tinha se tocado na frente dele! Colocou a mão na calcinha e tinha começado a masturbar-se em um intento de incitá-lo. Como era óbvio, tinha funcionado até certo ponto, mas até que ponto Julie não estava de todo segura. Quebrava a cabeça tentando lembrar o que tinha passado logo, se é que tinha passado algo. Deitaram-se? Ou ele foi embora depois de pô-la a mil? Possivelmente, se tivesse muito cuidado, poderia arrumar para evitá-lo durante os seguintes cinco dias. Fez um nó no estômago quando seu cérebro emitiu uns quantos fragmentos mais da manhã anterior, como o trailer mal editado de um mau filme. Tirou o sutiã do biquíni. O último daiquiri de plátano. Chris tornando-lhe ao ombro e levando-a da praia. Sacudiu a cabeça e fez uma taça de café. Em sua noite de núpcias jurou que a nova Julie ia animar as coisas. Ao contrário da filhinha boa e obediente que sempre tinha sido, a nova Julie não teria medo de armar, de ser o centro da atenção e de provocar algum e outro escândalo. Mas embebedar-se, despir-se em público e que a levassem de um lugar diante de seus novos amigos não era precisamente o que tinha em mente quando fez seus votos. O que podia dizer a Chris, “Desculpe por ter me jogado em seus braços como uma atriz de filme pornô?”. Sempre lutou para levar uma vida tão aborrecida, que nunca se desviou do bom caminho e nunca ignorou as regras, essa Julie jamais tinha tido que enfrentar-se a uma situação parecida. E intimidar Chris para que se deitasse com ela quando era óbvio que ele não queria reatar sua amizade não entrava absolutamente em nenhum de seus planos. Para piorar as coisas, Julie tinha demonstrado que tinha razão, não? Depois de tudo seus protestos dizendo que não tinha viajado até ali com nenhuma expectativa concreta, pegou-se a ele como um marisco à primeira de mudança. Só porque cometemos um erro uma vez não significa que tenhamos que voltar a cometê-lo. Embora o resto da conversa tinha sido envolvido em uma espessa névoa, essas palavras ressonaram com claridade em sua mente. Um engano. Para ele isso era o que tinha sido deitar-se com ela. Não umas quantas risadas, não um bom momento que merecia a pena repetir, a não ser um engano. Que importava que finalmente tinha se rendido no dia anterior? Ela estava meio nua — tocando-se, pelo amor de Deus! — e implorando para que a fodesse. Julie não se considerava


nenhuma perita em homens, certamente, mas até ela sabia que tinha feito uma oferta que qualquer homem solteiro e hetero teriam que estar quase morto para resistir. Recordou então que, antes que ela tivesse tirado a artilharia pesada, ele partiu. Só havia uma solução. Afastar-se todo o possível de Chris durante o resto de sua estadia. Voltou a olhar o relógio. Às seis da manhã. Algo dava voltas na cabeça. Algo que se supunha que tinha que fazer esse dia. Fez outra careta quando o recordou. Mergulhar. Ia mergulhar com o Mike essa manhã. Não tinha muita vontade de ir, mas Mike tinha parecido tão sincero ao dizer que queria ajudá-la a superar sua aversão que não sabia como recusar. Se acaso, ao menos em um par de horas teria garantido que não se tropeçaria com o Chris. Olhou para fora, o sol, que nesse instante derramava sua luz amarela como a de um limão por toda a praia. Se livrou da ressaca graças à água e ao café e sentiu que a invadia uma energia inquieta. Sem dúvida um dos efeitos secundários de dormir quase um dia inteiro. Decidiu que uma boa corrida era melhor para matar um pouco o tempo e se livrar de umas quantas toxinas, então ela colocou o tênis e saiu. Uma hora depois se sentia reanimada e um pouco enjoada de correr com o estômago vazio. Deu um rodeio pelo restaurante da piscina para pedir uma vitamina de frutas. Enquanto esperava a que preparassem a potente vitamina de pêssego, o olhar da Julie se cravou no homem que nadava na piscina. Surpreendeu-se ver outra pessoa levantada tão cedo. Quem quer que seja que fora, era assombroso. Tinha umas costas forte e bronzeada que resplandecia sob a superfície da água e os braços se estremeciam ao empurrá-lo pela água sem aparente esforço com umas braçadas impecáveis. Depois gemeu quando se deu conta de quem era. — Uma garota não pode respirar tranquila nem um momento? — Como disse, senhorita? — perguntou a garçonete, que estava muito ocupada limpando o bar. — Oh, nada — disse Julie. — Só estou esperando minha vitamina. O que acontecia, é que tinham ido recolher os pêssegos ao pomar? Julie lançou um olhar furtivo a Chris, ainda absorto em suas braçadas. Julie rezou em silencio para poder sair dali sem que ele se desse conta. Sabia que ao final teria que dar a cara, mas nesse momento temia morrer de vergonha ali mesmo. Durante um décimo de segundo se expôs a possibilidade de saltar o café da manhã de tudo e pedir algo ao serviço de quartos, mas temia seriamente desmaiar por falta de açúcar antes de chegar a sua cabana. Lançou um suspiro de alívio quando apareceu por fim a garçonete com um grande copo de plástico cheio de uma espessa vitamina. Segue nadando. Por favor, que aquele homem seguisse nadando. Deixou escapar um ruidoso suspiro quando virou bem a tempo de ver Chris saindo da piscina. A água jorrou pelo torso musculoso quando se levantou. Ainda não a tinha visto, estava


muito ocupado secando o rosto e o cabelo. Ainda podia escapar. Por desgraça, os pés se negaram a obedecê-la e não pôde correr. Em seu lugar ficou ali plantada, com a saliva lhe manchando sem dúvida a camiseta de suspensórios muito finos e bebendo-lhe com os olhos. Inclusive depois da noite que tinha passado conhecendo Chris de uma forma tão íntima e pessoal, a visão daquele corpo meio nu era suficiente para que dobrassem os joelhos. Seguiu com os olhos as gotas de água que percorriam os abdominais estremecidos e teve que fazer um esforço para conter-se e não atirá-lo ao chão para secar-lhe com a língua. — Ah, olá, Jules. Levantou cedo. O olhar de Julie retornou de repente à cara de Chris, surpreendida de ver o que só se podia descrever como um sorriso cordial em seu rosto. Que estranho, depois do dia anterior, esperava que a evitasse como se fosse a peste. — Tudo bem? — perguntou Chris quando ela seguiu sem dizer nada. — Estou bem. Por que pergunta? — Julie tomou um comprido gole de sua vitamina e saboreou a doçura gelada que se deslizava por sua garganta. Não era só a corrida o que subia a temperatura dela. Os ombros de Chris se estremeceram quando secou os braços e as costas com a toalha. — Pareceu-me que teria uma pequena dor de cabeça. Julie lançou uma gargalhada nervosa. Pela razão que fosse, Chris estava sendo muito agradável essa manhã, mas decidiu não dar muitas voltas. — Bom, sim tinha ressaca, suponho que dormi inteira. Não tenho ideia de que hora fui dormir, mas despertei faz mais ou menos uma hora e meia. Chris deixou escapar um assobio baixo enquanto se reunia com ela no bar. Agradeceu à garçonete que imediatamente colocou diante dois copos gigantes, um de água e outro de suco de laranja. — Estava mais bêbada do que pensei. O cabelo da Julie ficou em pé. — Não estava tão bêbada. — Evitou o olhar de seu amigo fingindo colocar açúcar antes de tomar outro gole. — Claro, por isso ficou inconsciente dezoito horas seguidas… — Não fiquei inconsciente. Ultimamente não dormi nada bem e… — Justo depois de tentar se aproveitar de mim — terminou Chris com um irritante sorriso de satisfação. Julie acreditava que era impossível ter mais calor, mas a temperatura de seu rosto aumentou uns dez graus. Claro, se Chris pensava que ela estava bêbada na noite anterior, por que não seguir o jogo? — Estava tão bêbada que nem sequer sei do que está falando. —Seu anfitrião tinha proporcionado à estratégia perfeita: deixar passar como se não lembrasse de nada. Chris pôs-se a rir, mas o tom zombador que Julie temia não apareceu.


— Bobagens. Não estava tão bêbada. — Mas acaba de dizer… — Sim, porque sabia que te foste encher o saco e é um bebê quando perde os papéis. Foi correr esta manhã? A súbita mudança de tema foi muito para a mente da Julie, ainda um pouco intumescida, assim ainda demorou um momento em responder. — Sim. Queria ir antes que ficasse muito calor. E não sou nenhum baby. O de «baby» era algo que levava perseguindo-a toda sua vida. Por uma vez queria que a chamassem de beleza ou sexy. — É adorável. E eu sei o que você quer dizer, eu também tento fazer exercício antes que o sol chegue ao ponto de ebulição. Para não mencionar que tampouco gosto muito que todos meus hóspedes me vejam assim. — Chris assinalou com um gesto as calças curtas de lycra que levava a modo de traje de banho. — A menos que seja Lance Armstrong12, as calças de lycra não são um objeto que um homem deva usar. Julie ficou olhando o objeto em questão. Pelo modo em que se adaptava como uma segunda pele a aquelas coxas atléticas e lustrosas e ao corpo extraordinariamente apertado e fantástico que cobria, Julie não pôde menos que estar de acordo. Por não mencionar que não fazia muito por ocultar os mais que impressionantes bens que Chris tinha entre as pernas. O empresário pigarreou um momento. OH, Deus, ficou olhando a virilha. Bom, tampouco era culpa dela. Tinha sido ele o que tinha começado a falar de seu corpo e o modo em que as calças se aferravam com ternura a todas suas… partes. — Pois eu acredito que está muito… bem — disse Julie. E acompanhou a afirmação com um gole tão grande de sua vitamina que imediatamente teve que fechar os olhos e segurar a cabeça quando esteve a ponto de sofrer um congelamento cerebral instantânea. Uma gargalhada profunda ressoou no seio masculino. — Deus, Jules, você me mata. Só você poderia ser tão educada enquanto come com os olhos o pacote de um cara. Julie afogou um grito. — Não me estava comendo com os olhos seu… seu pacote. — Ouça, não é uma queixa. Escuta, Julie, quanto a ontem… — A verdade é que não quero falar disso. Não estou muito segura do que passou — mentirosa — mas não vou dar maior importância às intenções ou falta delas que possa ter. Sei que atuei de um modo inapropriado e estou muito envergonhada. Prometo que não voltarei a me jogar em seus braços no resto da semana, e se o faço, pode me mandar para casa sem me devolver o dinheiro, de acordo? 12

Lance Armstrong (Plano, 18 de setembro de 1971) é um ciclista estado-unidense, conhecido por ter vencido o Tour de France sete vezes consecutivas (1999-2005), logo após ter-se restabelecido de um câncer. Lance é também fundador da Lance Armstrong Foundation, organização que auxilia vítimas de câncer.


—Julie, não referia a… Por que não podia deixar o tema de uma vez? — Não posso evitar que seja um cara francamente bonito e desfrutei muito quando me deitei com você, mas — Julie levantou as mãos quando ele abriu a boca para interrompê-la — também entendo que não se interessa em deitar comigo outra vez e vou respeitar seus desejos, por muito que me chateia. Chris não disse nada, só ficou ali em pé, olhando-a com expressão um tanto confusa. — E agora, se me desculpar, tenho que ir. — Julie dedicou um sorriso triste ao olhá-lo. — Vou mergulhar com Mike. Sem dúvida para você será um alívio saber que já tenho a alguém que me distraia e que não vou mais te acossar. Chris pegou o seu braço quando deu a volta para partir — Não tem que se envergonhar de nada. Não estou aborrecido… Julie se soltou de um ligeiro puxão. Só Deus sabia o que era capaz de fazer se aquele homem seguia tocando-a. Depois fez um esforço por recompor a serena aparência que sempre lhe tinha servido tão bem antes de falar. — Porei todo meu empenho em não te causar mais moléstias durante o resto de minha estadia. Julie se permitiu um último olhar, tão ávida como discreta, ao tórax de Chris antes de virar e afastar-se. Quem sabia quando voltaria a estar tão perto de um espécime masculino de semelhante perfeição? *** Porei todo meu empenho em não te causar mais moléstias durante o resto de minha estadia. Quem diabos falava assim? Pensou Chris enquanto terminava a água e o suco. Julie. Julie falava assim. Julie, quando se sentia ameaçada ou incômoda, sempre corria para se esconder atrás da armadura de cortesia e cumprimentos. Era gentil, por isso escolheu cuidadosamente essa expressão ridícula quando estava chateada. Mas, Chris sempre adorava provocar e tentar olhar para o gênio aparentemente inexistente, gostava de vê-la constrangida. Chris voltou andando para sua casa enquanto ia se secando com a toalha. Por não mencionar que aquela garota estava de férias. Julie tinha pago, o que até ele admitia que era uma quantidade obscena de dinheiro para alojar-se ali e, fossem quais fossem suas razões para ter viajado até Recife Holley, merecia se divertir se quisesse. O empresário franziu o cenho. Mas não se sua ideia de diversão incluía soltar o sutiã do biquíni e andar na frente de qualquer um que quisesse olhar os seus seios. Em confusão se colocou. Mal tinha podido dormir a noite anterior enquanto tentava conter o impulso de sair correndo, forçar a porta da cabana de Julie e fodê-la como era óbvio que aquela garota queria. Tampouco tinha sido capaz de fazer nada no escritório. No único que podia pensar


era na sensação do sexo doce e ardente da Julie rodeando os dedos, quão magnífico tivesse sido deslizar seu pênis pelos suaves lábios daquela cova escura. Uma e outra vez até que não ficou mais remédio que ir para casa e fazer uma pausa só para poder concentrar-se depois. E vê-la assim, suada e ruborizada depois da corrida, punha-o a mil, até tal ponto que teve que botar a toalha ao redor da cintura para não escandalizar a algum inocente membro do pessoal ou a algum cliente. No único que podia pensar era em voltar a estar dentro dela e resultava que ela ia passar a manhã com Mike. Mike, com sua cara bonita de surfista e sua impaciência de bom menino, sem dúvida tinha podido jogar a Julie uma boa olhada no dia anterior, antes que Chris arrumasse para devolver Julie a sua cabana. Fantástico, merda. O futuro êxito de Recife Holley dependia de sua capacidade para levar ao êxito aquelas estúpidas bodas e graças a uma mulher loira e miúda com uns seios perfeita e um bunda descarada, ele era incapaz de concentrar-se um minuto. Tal e como ele tinha temido, Julie representava a maior distração do mundo em um momento de sua vida no qual não podia permitir o luxo de distrair-se. A pergunta era, como diabos se supunha que devia solucioná-lo? A resposta óbvia era jogá-la de Recife. Mas nem sequer ele era tão idiota e, além disso, que imagem daria de Recife Holley se ele se fazia famoso por jogar a suas hóspedes sem razão aparente? E embora detestasse admitir, Chris tampouco estava preparado para se despedir daquela mulher ainda. Horas mais tarde seguia sem saber o que fazer e Carla tampouco o ajudava muito. — O que quer dizer com que não passou nada? — disse Carla quando Chris contou o que tinha passado depois que Julie e ele deixou-a praia levando Julie junto com ele como se fosse o homem das cavernas e não passou nada? Mas se estava praticamente nua. — Carla se recostou em sua poltrona e cruzou os braços, indignada. — Estava bêbada… — E se jogando em seus braços, embora não sei muito bem por que, tendo em conta quão imbecil foi com ela… — Não queria me aproveitar dela. — Oh, por favor, já aceitou ofertas de centenas de mulheres igualmente bêbadas. — Não tantas! — Esta bem, dúzias. Chris fez um cálculo mental rápido e não discutiu. — Dúzias de mulheres — continuou Carla — e jamais sentiu o menor escrúpulo por seus estados de embriaguez. — Carla fez uma pausa e um pequeno cenho enrugou a testa — Bem, isso não é inteiramente verdade, eu nunca vi alguém passar a estar em perigo iminente de vômito. O que dizia Carla era verdade e, merda, doía. Chris jamais havia sentido nenhum escrúpulo por seu comportamento. — Nenhuma estava tão bêbada para não saber o que estava fazendo. — Era um argumento


bastante débil, mas pela primeira vez em sua vida Chris estava custando justificar seu comportamento. —E Julie? —E Julie o que? O tom da Carla se fez mais exasperado ainda. — Estava tão bêbada para não saber o que estava fazendo? Chris pensou bem a pergunta antes de responder. Não cabia dúvida de que Julie tinha bebido muito, mas se tinha que ser sincero consigo mesmo, tinha que admitir que tinha sido mas bem um caso de perda de inibições que de que Julie fizesse algo que não teria feito de nenhuma outra maneira. Igual a noite de núpcias. Chris sentiu uma tensão conhecida no estômago quando recordou as horas que tinha passado com ela naquela grande cama de Winston. A tinha feito sua de todas as maneiras que tinham ocorrido e, contudo, seguia juntado e ansiando-a quando subiu ao avião para voltar para Recife Holley. Igual a nesse mesmo instante, ao recordar a sensação do seio de Julie, nu e perfeito, sob sua mão. Mas não tinha estado bem aproveitar-se da falta de inibição da Julie em sua noite de núpcias, igual a tampouco teria estado bem se tivesse deitado com ela no dia anterior. — Depois de todos os putos sermões que me jogou sobre meu comportamento no passado, dir-se-ia que estaria orgulhosa de minha contenção. Carla pôs os olhos em branco. — Muito bem, por uma vez não escapou das calças. O que quer, uma medalha? Chris tentou lançar um olhar assassino, mas sem grande resultado. — Quão único digo é que é óbvio que a deseja. E embora ela tenta manter a compostura, está claro que o sentimento é mútuo. Assim não vejo por que segue torturando. Por não falar de como me atormenta, que tenho que carregar com seu perpétuo mau humor. — Não é boa ideia, Carla. — Mas que problema há? A que tem tanto medo? — Medo? — burlou-se Chris. — Eu não tenho medo de nada — disse, possivelmente com muita paixão porque Carla se recostou em sua poltrona e o olhou com os olhos entrecerrados com essa expressão tão dela. — Você gosta dela, verdade? — disse ao fim com um brilho nos olhos, como se acabasse de descobrir algum grande e escuro segredo. — Pois claro que eu gosto… — Não, você gosta dela de verdade. Segue suspirando por ela, como quando foi à universidade. — Eu jamais… Sua prima continuou, esmagando qualquer protesto que ele pudesse ter feito. — Estava louco por ela naquele tempo. Em seus e-mails sempre era “Julie e eu temos feito


isto, Julie e eu temos feito aquilo…”. — Sim, e sempre estava saindo com outra pessoa. — Sempre se estava atirando a outra pessoa —corrigiu Carla. — Mas a que desejava de verdade era Julie. — Só fomos amigos. — Sigo sem entender por que nunca tentou — disse Carla sem advertir a tensão que agarrava cada músculo do corpo masculino. — Deixemos o tema — disse Chris. Foi mais duro do que tinha pretendido, mas ao menos sua prima fechou a boca com um arqueamento surpreso das sobrancelhas. Chris retornou ao computador e tentou tirar Julie da cabeça, mas os comentários da Carla devolveram todas aquelas desagradáveis lembranças da universidade, quando tinha ido viver com seu pai. Naquela época estava fora de controle, bebia, ia de farra em farra e não parava de se meter em confusões. Quase quinze anos depois via seu comportamento como o que era. Uma chamada de atenção para um homem que via seu breve matrimônio com sua mãe — por não falar do próprio Chris — como um engano. David Dennison apenas ficou com a mãe do Chris, uma garçonete de Las Vegas, tempo suficiente para deixá-la grávida. Embora a tinha deixado com uma compensação, mais que generosa, durante a maior parte da vida de Chris seu contato com seu filho se limitou a uns quantos cartões de Natal e aniversário (sempre acompanhadas de um grande cheque) e uma visita ao ano, de vez em quando dois. Quando Chris completou os dezessete anos e fazia o último curso no instituto, sua mãe, que já não suportava mais o comportamento cada vez mais amalucado de Chris, tinha-o enviado para viver com David. Tinha chegado o momento, havia-lhe dito, de que seu pai fizesse algo mais que pôr dinheiro para solucionar o problema. Mas só porque Chris estivesse vivendo na mesma casa isso não significava que David ou a que então era sua mulher se envolvessem em sua vida. O casal, igual a Brian, que era cinco anos menor, só aparecia na gigantesca mansão do Hillsborough durante uns minutos entre o trabalho e as obrigações sociais. Contudo, Chris tinha arrumado para meter-se em confusões de sobra, mas descobriu que quando ninguém se importava, a coisa perdia bastante graça. Em seu lugar tentou centrar-se nos estudos e ganhou a distraída aprovação de seu pai quando conseguiu ir bem sem muito esforço. Mas inclusive então, Chris nunca teve a sensação de que aquela era sua casa, nunca sentiu que seu pai e Brian fossem sua família de verdade. Por não falar já nos amigos da família, que jamais tinham sabido o que pensar dele. Todo mundo tinha sido muito agradável com ele, mas tinha ouvido rumores suficientes. Especulavam sobre sua mãe, fofocavam que era uma stripper ou, pior ainda, uma prostituta que tinha enrolado de algum jeito ao David Dennison para que se casasse com ela e desse milhões de dólares. Chris jamais se incomodou em tentar convencê-los da verdade. Que Gina Dials era uma jovem ingênua de vinte e dois anos quando David Dennison a tinha conquistado. Que se tinha apaixonado de verdade do David e que haveria devolvido os milhões em um abrir e fechar de


olhos em troca da oportunidade de ter uma família de verdade com ele. Só Julie chegou perto da verdade. A jovem tinha visto Gina umas quantas vezes quando esta tinha ido visitar Chris na universidade. Julie foi a única pessoa do presumido círculo social de seu pai que teve o valor suficiente para perguntar sem rodeios pelos rumores. Quando disse a verdade sobre o matrimônio de seus pais, Julie se tinha limitado a sorrir. — Sabia que tinha que ser uma mulher agradável. Olhe como saiu você — havia dito. Mas apesar de toda sua doçura, Julie jamais ia ser dele. O que não tinha impedido que ele a desejasse com todas suas forças. Quando completou os vinte anos e Julie tinha dezesseis, Chris já tinha desfrutado de umas quantas garotas más, mas então tinha jogado uma olhada a Julie, com sua pele cremosa e aquelas curvas jovens e frescas, e se tinha perguntado o que faria falta para fazer que uma garota boa como Julie se comportasse má. Suas reflexões deveram ser bastante óbvias por que Grant Driscoll não tinha perdido tempo: tinham-no esquecido e o tinha desenganado de qualquer ideia que Chris pudesse ter sobre Julie. Pode ser que fosse o filho do David, tinha-lhe grunhido. Mas não é um de nós. Não se aproxime de Julie. Chris nunca soube se Grant tinha feito a mesma advertência explícita a Julie, mas em Berkeley foi óbvio que a garota queria manter em segredo sua crescente amizade. Chris se tinha exposto durante um tempo a ideia de seduzi-la para vingar-se, para desforrarse de umas pessoas que, apesar da pouco entusiasta aceitação de seu pai, jamais o chegariam a aceitar como um dos seus. Mas logo se deu conta que gostava muito de Julie para fazer isso. Assim Carla queria saber por que não tinha tentado alguma vez? Jamais o admitiria ante ela, mas podia admiti-lo para si. Porque tinha sido um covarde, assim simples. Porque sempre tinha sabido que qualquer relação com Julie terminaria reduzindo-se a uma simples escolha: ou ele ou sua família. E sempre soube que ele perderia. E como o idiota que era, durante um tempo, depois de licenciar-se, tinha tentado conseguir a aceitação de seu mundo trabalhando duro para seu pai e Grant no D&D, tentando demonstrar que era um deles, alguém digno de uma garota como Julie. Tinha passado três anos batendo a cabeça contra o muro antes de abandonar tudo para construir Recife Holley. — Se ela estiver disposta, não sei por que não tenta e tira isso de uma vez da cabeça — disse Carla, o tirando de repente de sua desagradável viagem pela rua das lembranças. Chris esfregou os olhos com a esperança de que isso devolvesse ao primeiro plano os números da folha de cálculo. — Pedi que deixasse o tema. Além disso, nos dois sabemos que agora mesmo não posso permitir distrações. — É que agora não está distraído? — respondeu Carla. — Sabe? Possivelmente se te lançasse e tirasse isso de cima, poderia se concentrar nisto de uma vez. Chris não se incomodou em dizer a Carla que já tinha feito e que isso não tinha feito muita trinca no desejo que sentia por ela. — Não é tão fácil.


— O que pior poderia ocorrer? — Maldita fosse, aquela mulher era como um cão com um osso. O pior? Que Julie se fosse e retornasse ao seio de sua família, deixando a ele sozinho e com todos aqueles patéticos desejos que havia tornado a despertar. Basicamente, o inevitável. Por sorte soou o telefone antes que Chris se visse obrigado a pensar em uma resposta. Enquanto Carla sustentava outra conversa cheia de tensão com o chefe de segurança de Jane Bowden, Chris retornou ao sempre crescente orçamento das bodas. Mas por muito que tentasse concentrar-se, não podia tirar Julie da cabeça, coisa que, como bem tinha dito Carla, já era uma enorme distração sem nem sequer haver-se deitado com ela outra vez. Deus, nesse momento estava sofrendo todas as consequências que mais temia mas sem nenhum dos benefícios. E se o pensava bem, levava anos obcecado com uma versão idealizada de Julie. Uma Julie que jamais o teria utilizado para vingar-se, que jamais teria proposto a um cara uma aventura casual. Nos cinco anos transcorridos da última vez que a tinha visto, Julie se tinha convertido em uma pessoa diferente. Possivelmente se Chris tomava uma dose de realidade, da mulher real em que Julie se converteu, poderia enterrar aquela obsessão de uma vez por todas. Mas primeiro a ia ter em uma cama. E começando essa mesma noite.


Capítulo 9 Ou isso pensava. Chris olhou furioso para Julie do outro lado do pátio. A jovem estava no bar da praia com um vestido branco de flores sem mangas e revelava a dourada pele das costas abaixo da cintura. Seu cabelo loiro e ondulado brilhava sob a luz jogada pelas tochas. Chris apertou a mandíbula quando a viu dar outro giro e mover-se sem perder um passo ao ritmo da música da banda de salsa que tocava a vários metros do bar. O voo da saia de seu vestido deixava descobertas às coxas. Se não tomava cuidado, com o seguinte movimento ia descobrir as nádegas redondas e perfeitas. Mas Mike voltou a atraí-la para si e estendeu os largos dedos pela pele sedosa e nua das costas de Julie. Os nódulos brancos de Chris contrastaram com seu bronzeado quando apertou os dedos ao redor do copo que sustentava. O nó que tinha nas tripas se esticou quando Mike atraiu os quadris de Julie para os seus e os dois se moveram com ritmo sensual em perfeita harmonia. Julie jogou o cabelo para trás o cabelo e seu rosto desenhou um amplo sorriso quando riu de algo que Mike disse, justo então tropeçou e Mike, o muito bode, aproveitou a oportunidade para tocar a sua bunda enquanto fingia ajudá-la. Depois subiu a mão pelas costas a toda pressa, como se tivesse sido um acidente, mas Chris notou a expressão lasciva que adquiriam os traços de Mike. Como também notou o rubor que banhava as bochechas de Julie; se foi de vergonha ou de excitação, Chris não sabia. Mas sim que se deu conta de que a jovem não estava tentando apartarse. Não o suportava mais. Ver outro homem tocando sua pele nua. Vê-la mover-se contra outro homem em um baile que virtualmente simulava uma relação sexual. Tinha ido ao bar essa noite para aceitar a oferta de Julie: sexo sem compromissos. Não esperava vê-la rindo, paquerando e tocando a outro homem, passando-lhe tão obviamente bem. E tampouco esperava o brilho ardente de raiva que o tinha invadido ao vê-la com outro. Aquela mulher era dele. Mas nem parou para analisá-lo. Não podia. Um só pensamento, um sozinho, reverberava por todo seu cérebro. Enquanto estivesse na ilha, Julie era dele; pertencia só a ele. *** Julie riu com Mike com a esperança de que não notasse a tensão. — Possivelmente eu deveria sentar. Estas sandálias não são feitas para dançar, precisamente. Para demonstrá-lo, nesse preciso instante o salto de agulha de uma sandália se meteu em


uma rachadura. Julie tropeçou e caiu contra o tórax de Mike, que a sujeitou pondo uma mão firme no traseiro. Julie ficou tensa e se endireitou. Mike levava todo o dia fazendo o mesmo. Essa manhã, com o pretexto de comprovar o tanque de oxigênio, as tinha arrumado para roçar os seios com a mão pelo menos dez vezes. Por não mencionar as dúzias de roce “casuais” nas pernas, as carícias nos braços e as vezes que tinha pego a mão. Julie sorriu com decisão quando reataram o ritmo do baile. O problema era que tampouco podia dizer que ela o tivesse desanimado. Essa manhã, depois da topada com Chris na piscina, Julie tinha saudado Mike com algo mais que sua habitual cordialidade. Para falar a verdade, comportouse como uma autêntica coquete. Depois que se burlaram dela por se jogar nos braços de Chris, Julie havia se sentida obrigada a demonstrar-se a si mesma que havia outros homens no mundo além dele. E chame-a superficial, presumida, mas necessitava que algum homem confirmasse seu atrativo, que lhe demonstrasse que podia conseguir um homem sem necessidade de ficar em roupa e comportar-se como uma estrela de pornô aficionada. Mike era justo o que necessitava. Era um homem francamente bonito por direito próprio e poderia ter conquistado a qualquer das mulheres solteiras que havia em Recife Holley. Mas estava prestando atenção a ela e Julie teria que estar morta para não desfrutar desse pequeno estímulo a seu orgulho. Claro que essa noite tinha que pagar as consequências por lhe dar a ideia equivocada. Não era que Mike não lhe agradasse. Agradava muito. Era divertido e considerado, por não falar de quão muito bonito era. Mas com ele não sentia nada. Seu toque não provocava comichões pela coluna. Não lhe arrepiavam os mamilos quando ele acariciava os seios com o olhar. E essa manhã, quando Mike tinha tentado beijá-la, em lugar de ansiar o sabor de sua boca como uma mulher morta de fome, virtualmente se tinha atirado do navio para tentar evitá-lo. E nesse instante tinha que sofrer o desconforto do polegar masculino que desenhava círculos diminutos em seus rins e não sabia muito bem como ia se apartar com elegância sem provocar uma situação constrangedora para os dois. Julie olhou por cima do ombro de seu companheiro com a esperança de chamar a atenção de Amy ou Jen. Possivelmente Julie parecia o bastante desesperada, uma delas a veria e iria ao resgate. Ficou sem fôlego quando viu Chris, que a olhava sem apartar os olhos do bar. Encolheram os dedos dos pés nas sandálias e voltou a tropeçar quando ele se separou do bar e se dirigiu a ela sem pressa, mas com decisão. No meio do caminho Kara aproximou-se dele e, como sempre, Julie sentiu uma onda de irritação ao ver a muito belo morena de pernas largas. Julie sabia que era irracional, Kara sempre tinha sido muito civilizada com ela. Contudo, tinha uma atitude cínica e calculista que em Julie a punha doente. Kara envolveu a cintura de Chris com os braços e moveu os quadris contra as do homem em um movimento sedutor que Chris se ecoou de boa vontade. Rodeou os ombros da jovem com os


braços e sorriu de sua altura, esse sorriso preguiçoso e encantador que nunca deixava de enviar uma sacudida pela coluna de Julie. O orgulho e a dor se enfrentaram enquanto Julie lutava por manter a compostura. Se por acaso não bastasse com que virtualmente riu dela por suas façanhas sexuais, em cima tinha que vê-lo babar por outra mulher. Uma morena alta e curvilínea. Não é de admirar. Chris sempre tinha sentido preferência por tudo o que Julie não era. Com isso desapareceu todo pensamento de rechaçar Mike. Demonstraria a Chris que havia homens — montões de homens — aos que as loiras miúdas como ela pareciam atraentes, por não falar de sexy e desejável. Julie fechou a brecha de um centímetro que separava seus quadris dos de Mike e executou um intrincado giro. A mão masculina se esticou sobre a cintura de Julie e a luxúria tingiu o sorriso do homem. — Obrigada outra vez por me levar hoje a mergulhar — disse Julie com a voz entrecortada. — Eu me senti tão segura com você lá embaixo… Os olhos azuis do Mike brilharam ao olhá-la. — Estou feliz de que tenha gostado. Espero poder fazer que lhe passe isso bem com muitas outras coisas. Oh, mãe. Não ia fazer nenhuma graça quando Julie o deixasse com só um beijo em sua porta. Ela assumiu que o mais correto, era desiludir Mike com suavidade antes que se tomasse a moléstia de acompanhá-la a seu quarto. Mas certamente não pensava deixar que Chris a visse ir sozinha. Uma mão caiu sobre seu ombro e Julie nem sequer teve que olhar para saber quem era. Uma onda de calor irradiou do ponto de contato daquela palma larga e cálida até a boca de seu estômago. — Posso interromper? — Embora formulada como uma pergunta, tanto ela como Mike reconheceram a exigência pelo que era. — Julie, parece-te bem? — perguntou Mike, a luxúria coquete de sua expressão deu passo à preocupação. — Está tudo bem — disse Julie enquanto girava para olhar Chris. Quando Mike começou se afastar, Julie o agarrou de repente pela mão — Vejo mais tarde, ok? Mike sorriu, assentiu e lanço um olhar venenoso, a Chris. — Não conte com isso — murmurou Chris quando Mike já não pôde ouvi-lo. Em lugar de agarrá-la entre seus braços e empreender um novo baile com ela, Chris agarrou a Julie pelo antebraço e levou ela para fora da pista para um canto escuro do pátio em que não havia clientes. Julie tirou da mão que a sujeitava e tentou sem muito êxito cravar no chão os saltos de suas sandálias. — Que mania tem em me tirar a força dos lugares? — disse enquanto tropeçava atrás dele. Chris olhou com o cenho franzido a mão que envolvia o braço dela, mas não a soltou. — Está tentando me deixar louco? — Os olhos azuis de Chris cintilavam com uma fúria que Julie jamais tinha visto.


— Posso saber o que você tem? — Disse Julie. Apesar da pouca luz, Julie viu que a boca de Chris se convertia em uma linha tensa e que entrecerrava os olhos. — Praticamente estavam transando em plena pista de dança. Só estou evitando que cometa uma estupidez, e sabe. — Não entendo por que sequer se importa— respondeu Julie; um tom desagradável penetrou em seu tom — Deixou claro que não te interesso. — E já que não me interessa, acha que pode montar isso com o primeiro cara que te faça conta? Julie fez uma careta quando os dedos do Chris se esticaram e se cravaram na pele de seu antebraço. — Possivelmente. — Não tinha intenção de deitar-se com o Mike, mas Chris não tinha por que sabê-lo. — Não acredito que seja teu assunto. — Ao menos tenho o consolo de saber que o primeiro em receber a oferta fui eu. Julie puxou o braço, mas Chris seguia sem soltá-la. — Não foi isso. — Então o que foi? — disse ele em voz baixa e ameaçadora. — Porque me parece que sua noite de núpcias foi apenas o começo de sua vingança contra Brian, que pretende realizar fodendo com tudo que respire. Julie sentiu aquelas palavras como um soco no estômago. Ficou sem ar nos pulmões e, por um momento, inclusive se enjoou. — Sabe? — disse enquanto lutava para que não lhe quebrasse a voz — Jamais lamentei, nem por um segundo, a noite que passei com você. Até agora. — soltou-se de um puxão. Tinha um nó na garganta e sabia que ia chorar, incapaz de suportar aquela última humilhação, Julie deu a volta e pôs-se a correr. *** Chris não podia acreditar no que acabava de dizer. Como tinha podido ser tão incrivelmente bruto? Sobre tudo com Julie, a única pessoa que tinha reconhecido que ele era algo mais que um idiota, algo mais que um intruso na boa sociedade. Era a única que o tinha tomado a sério quando falava sobre criar um lugar como Recife Holley. E essa noite, em lugar de levar a cabo seu grande plano de sedução, tinha arremetido contra ela. O estômago se embrulhou com culpa quando voltou a reviver a dor da jovem, a expressão estupefata de seu rosto para ouvi-lo. Fossem quais fossem suas intenções, Julie jamais o magoaria de forma deliberada como acabava de fazer ele com ela. Encheu-se de obscenos insultos e saiu correndo atrás dela. Não levou muito tempo para alcançá-la. Havia uma lua quase cheia assim tinha uma visão clara dela correndo pela praia, e tampouco era que se pudesse mover muito rápido com aquelas estúpidas sandálias.


— Julie — a chamou enquanto corria detrás dela — Desculpe. Para, por favor. Ela não parou, mas continuou correndo tão rápido como pôde com os saltos agulha que cravavam na areia com cada passo. — Me deixa em paz. — Desculpe — repetiu Chris quando chegou a sua altura. — Não falava sério, é que estava tão… — Minha noite de núpcias não foi por vingança — disse Julie. — Está bem, possivelmente um pouco, mas sobre tudo era por algo que queria de verdade. Neguei isso durante anos e ao fim tinha a oportunidade, assim a aproveitei. Chris sentiu que um punho lhe espremia o coração quando viu o brilho de lágrimas nos olhos dela. — E agora — continuou Julie com a voz a ponto de quebrar-se, — sinto-me como uma idiota, não faço mais que me jogar nos braços de alguém que nem sequer me deseja. Chris não pôde suportá-lo mais. — Acredita que não desejo você? —sussurrou-lhe ao tempo que a abraçava com gesto brusco. Julie levantou os braços e empurrou o peito em um intento de liberar-se, mas Chris a estreitou com mais força. — A verdade é que te desejo como a ninguém — sussurrou Chris, enquanto enterrava o nariz na suavidade do cabelo dela — Tentei ser bom e não me aproximar de você, mas a verdade é que me volta louco. Julie não respondeu, mas tampouco tentou desviá-lo. — E agora que sei quão maravilhoso é tocar você — seguiu sussurrando Chris ao tempo que entrelaçava os dedos no cabelo de Julie, — o que é transar com você — sussurrou enquanto levantava a cabeça para poder contemplar aqueles grandes e preciosos olhos, aquela boca rosada e sexy — tira-me de gonzo pensar no que estou perdendo. Os braços da Julie se deslizaram por seu pescoço e com uma mão lhe sujeitou a nuca e abaixou a cara para beijá-lo. Assim que a boca de Chris roçou a dela, ele teve a sensação de que ia explodir. Abriu a boca sobre a de Julie e introduziu a língua para que brincasse com a dela enquanto com as mãos soltava a tira que sustentava o vestido. Os dois gemeram de uma vez quando a mão dele capturou o seio dela e o apertou, massageou-o e o beliscou com um ardor que excluía qualquer doçura. — Diga que me deseja — ofegou Chris ao tempo que desenhava a garganta de Julie com os lábios. — Desejo-te — gemeu Julie enquanto afundava os dedos nos músculos dos braços dele — Desejo mais que tudo no mundo. Chris gemeu quando a jovem deslizou com descaramento a mão pelo vulto que forçava as calças e depois espremeu e acariciou o pênis até que o teve duro como uma rocha. As mãos dele


levantaram a saia de Julie, Chris gemeu na boca dela quando suas mãos encontraram a pele suave que deixava exposta a tanga de Julie. Chris colocou uma mão entre as pernas e sentiu a umidade cálida que empapava a fina tira de tecido. — Está tão molhada, pronta para mim — murmurou ao tempo que sugava a língua feminina — Tenho que entrar em você — Deslizou os dedos sob o muito fino tecido da tanga e gemeu quando um líquido ardente lhe empapou a mão. O pênis se agitou na calça exigindo ocupar o lugar dos dedos. — C-camisinha — gaguejou Julie. — Tenho uma camisinha na bolsa. — A jovem respirou fundo e se separou para procurar a bolsa que tinha caído na areia. Chris ficou desconcertado por um instante. Julie levava camisinhas na bolsa? O que significava isso? O que dizia isso de seus planos para essa noite? Que…? Um segundo mais tarde era incapaz de pensar de forma racional quando as laboriosas mãos da Julie lhe abriram o zíper e baixaram as calças curtas até os joelhos. Joelhos que ameaçaram dobrar-se quando ela acariciou o pênis da raiz à ponta e com tal expressão de admiração que Chris se sentiu como um deus do sexo. E depois, em um movimento que lhe fez fechar os olhos de repente e apertar os dentes, Julie se inclinou, o meteu na boca e fez girar a língua ao redor da ponta. Chris repassou a toda pressa à lista dos jogadores dos Gigantes de São Francisco13 para tentar não gozar ali mesmo. — Para — gemeu quando seu cérebro se negou a concentrar-se no beisebol e preferiu obcecar-se com a sucção cálida e úmida da boca feminina e as incitantes lambidas daquela língua. Chris agarrou a cabeça de Julie com as mãos e a apartou com suavidade ao tempo que se ajoelhava na areia. A jovem o envolveu inteiro, beijando-o e lambendo o pescoço, o tórax, os ombros enquanto ele colocava a toda pressa à camisinha. Chris nem sequer se incomodou em lhe tirar as calcinhas, limitou-se a enganchar o tecido com um dedo e apartá-la quando Julie se acomodou em seu colo. Julie baixou a mão, agarrou a ereção e a colocou contra sua entrada. E logo — sim, Deus, sim— Chris estava dentro dela e a calidez úmida de seu sexo o rodeava como um punho quando ela o absorveu por completo. Chris sujeitou os quadris quando Julie o montou com força, a toda pressa. Os quadris dele respondiam a cada embate do dela, um por um. Não havia elegância nem sutileza naquele ato, enquanto Chris se cravava nela sem compaixão. O empresário baixou depois a cabeça, rodeou um mamilo com a língua, o meteu na boca e sugou, possivelmente com muita força. Julie chiou e jogou a cabeça para trás enquanto lhe cravava a pélvis sem parar. Para um pouco, disse-se Chris com dureza. Ia muito depressa, com muita força, Julie não ia a… — Chris, Chris, Chris — cantarolou Julie enquanto se endurecia e dava uma sacudida contra ele. Depois abriu muito a boca em um grito silencioso, e cravou as unhas no bíceps ao tempo que sofria um último estremecimento. 13

Gigantes de São Francisco é um time de Beisebol de São Francisco


Mas Chris não parou, mas sim a jogou de costas na areia e empurro duas, três vezes, cravando-a na areia com cada golpe de quadril. O orgasmo o golpeou com uma força cegadora enquanto lutava por introduzir-se ainda mais no corpo dela. Depois caiu em cima dela, tremendo com as últimas pulsações da ejaculação. — Oooh. — Chris deu um salto quando a jovem deu uma dentada no pescoço, e não com muita doçura precisamente. — O que é isso? — Foi muito cruel comigo — disse Julie. Chris se levantou acima dela e sorriu. — Sei e o sinto, céu. — inclinou-se e beijou a ponta daquele nariz perfeito. — Vai ter que me compensar. — Julie deslizou as mãos por debaixo da camisa e passou às unhas por todas as costas. — Acreditava que acabava de fazê-lo — a provocou Chris enquanto desfrutava do sabor daquela mulher ao deixar um rastro de beijos por suas bochechas e pálpebras. — Mmm. — A jovem se agitou contra ele. — Não foi um mau começo, mas tem muito mais que fazer antes que esteja disposta a perdoar você. — Nesse caso — disse Chris enquanto ficava de joelhos e a ajudava a sentar-se, —será melhor que voltemos para minha casa, onde posso te lavar até o último grão de areia e de passagem possa te demonstrar quanto o sinto. Vestiram a roupa o melhor que puderam sem deixar de rir ao tentar tirar o pior da areia o um ao outro. — Este seria um grande tratamento de beleza — disse Julie enquanto oferecia as costas a Chris. — Esfoliação a fundo com areia. Hey, acredito que faltou algo. — E lançou um olhar provocador por cima do ombro antes de levantar a saia. Chris ficou maravilhado. Só vendo aquela bunda redonda e salpicado de areia voltava a ficar duro outra vez. Não tinha experimentado uma recuperação tão rápida desde que estava na universidade. Atraiu-a para ele e se esfregou contra ela a braguilha apertada. — Tenho uma ducha estupenda em minha casa, muito grande — sussurrou enquanto tirava a língua para saborear a pele do lóbulo feminino, doce como um pêssego — Cabem, duas pessoas. — Isso soa — Julie fez uma pausa e arqueou o pescoço para dar melhor acesso — genial. O som de vozes trouxe os dois de repente para o momento. Antes que alguém os descobrisse saíram correndo e só se detiveram para que Julie pudesse tirar as sandálias. Uns minutos depois chegaram ofegando à porta do quarto de Chris. O empresário abriu a porta para Julie enquanto tentava fazer caso omisso da sensação que tinha, como se estivesse em plena queda livre, precipitando-se em algo que não tinha experimentado jamais. Fechou a porta principal, apanhou a Julie contra a madeira e a beijou como se estivesse morrendo de fome, duro como uma rocha embora não fazia nem cinco minutos que gozou. Existia uma possibilidade muito real e perigosa de que por muito que se deixasse levar por suas fantasias, possivelmente nunca deixasse de desejar Julie. E que quando a jovem fosse ele ficasse ali plantado com um desejo que não tinha nada que ver com o desejo sexual.


Obrigou-se a tirar tudo isso da cabeça e optou em seu lugar por centrar-se no sabor quente e doce da boca dela, na suavidade viçosa de seus lábios debaixo dos dele, no movimento impaciente dos dedos de Julie sobre sua pele. De momento, ao menos, Julie tinha decidido estar ali, estar com ele. Algum dia se iria, é obvio. Mas ao menos Chris podia assegurar-se de que aquela mulher sentisse falta dele quando pegasse o avião. Chris não perdeu tempo na hora de levar Julie ao quarto de banho e despi-la por completo. — E agora — disse enquanto a guiava à ducha recoberta de mármore, — vamos ver se podemos te deixar limpa outra vez. O banheiro de Chris era o sonho de qualquer hedonista, com sua jacuzzi do tamanho de uma pequena piscina e uma ducha independente com vários chuveiros que pareciam golpear Julie de todos os ângulos possíveis. Claro que tampouco teve muito tempo para admirar as comodidades quando Chris agarrou o chuveiro móvel, girou-a para ajustar a pressão e passou pela parte posterior das coxas, Julie chiou quando a água lhe deu no traseiro e os vibrantes jorros fizeram cócegas na pele. — Olhe, olhe aonde você coloca essa coisa — riu enquanto tentava se afastar. Uma pele úmida se deslizou contra outra pele igual de úmida quando Julie se retorceu brincalhona, junto a ele, depois cuspiu por um momento quando um dos outros chuveiros foi diretamente no rosto. Com uma risada baixa, Chris a agarrou pela cintura e rodeou as costas contra seu torso enquanto utilizava o chuveiro que tinha na mão para rodear os seios com gesto incitante. Os mamilos femininos se arrepiaram convertidos em pequenos e ofegantes pontos. — Tenho que ter certeza de que tirei toda areia. — A voz dele, baixa e profunda, reverberava nas paredes da ducha e vibrava pelo corpo de Julie como uma carícia. — Não acredito que tenha areia aí em cima — respondeu a jovem enquanto arqueava com picardia as costas até que apertou as nádegas contra as coxas musculosas de seu amante. O pênis de Chris se elevou contra os rins da jovem, dura e insistente. — E por aqui? — A voz de Chris era mais rouca quando foi baixando o chuveiro e roçou a parte superior das coxas com o jorro. A outra mão abandonou a cintura dela e Julie o observou, conteve um gemido quando essa mão cobriu o monte de Vênus. Um calor líquido a atravessou inteira e empapou a mão de Chris. Assim de preparada estava, pronta para disparar como um foguete a menor carícia daquelas mãos. Pouco a pouco, com gesto deliberado, Chris a abriu com os dedos e a expôs por completo ao jorro quente da ducha. Com a primeira passada, Julie esteve a ponto de morrer de susto. Com o segundo, deixou escapar um gemido e cravou as unhas no antebraço de Chris em um intento inútil de detê-lo. Aquela estimulação era excessiva em uma zona já hipersensibilizada pelo anterior orgasmo. Julie encolheu os músculos do estômago e os sons ásperos de sua própria respiração encheram sua cabeça e bloquearam todo o resto. Sem uma palavra, sem um só som, Chris deixou o chuveiro em seu suporte e enquanto sustentava Julie, estirou o braço para agarrar uma barra branca de sabão. Um aroma intenso a coco encheu a câmara cheia de vapor quando Chris a esfregou para criar uma espuma densa. Virou


Julie para apoiar as costas na parede e depois deslizou as mãos por todo seu corpo em carícias firmes e seguras. Enquanto que antes a havia tocado de uma forma desesperada, quase frenética, na ducha o fazia com lentidão, com movimentos deliberados. Aqueles dedos a esfregavam, faziam a espuma, massageavam de cima abaixo as costas, as pernas, os braços. Apesar de sua atitude quase preguiçosa, não cabia dúvida de que Chris estava tão excitado como ela. Seu pênis se sobressaía ereto de seu corpo, grosso e repleto de veias, com a cabeça torcida de uma deliciosa cor vermelho escuro. Julie jamais tinha sido uma grande admiradora dos pênis, mas a impressionava a beleza primitiva da ereção de Chris. Aquele pau que se inchava e elevava, só por ela. As mãos de Chris cobriram os seios e riscaram com os polegares escorregadios círculos ao redor dos mamilos. Julie fechou os olhos, a cabeça rodava pelo mármore duro como se pensasse por um momento que ia gozar só com a sensação daquelas mãos em seus seios. Os dedos masculinos a beliscavam e atiravam dos mamilos, depois a acalmavam. — Por favor — murmurou sem saber muito bem se estava rogando que parasse ou que seguisse. Chris capturou o rogo com a boca e introduziu e tirou a língua com um ritmo que fez ansiar a Julie senti-lo dentro outra vez. Embora em comparação com a praia se estava movendo a passo de caracol, havia uma intensidade especial nele, em sua maneira de tocá-la. Levantou a cabeça e a expressão de seus olhos fez Julie conter o fôlego. Tinha desaparecido todo rastro do Don Juan encantador. Aqueles olhos se obscureceram de tortura, desejo e possivelmente inclusive fúria. A expressão desapareceu antes que Julie pudesse seguir analisando-a e uma vez mais o sabor de sua boca sobre a dela, a sensação de suas mãos sobre seu corpo, afastou qualquer pensamento lógico de sua cabeça e quão único pôde fazer foi sentir. Julie entrelaçou os dedos em umas mechas espessas e úmidas de cabelo quando ele a beijou, com mais força ainda, atormentando-a com suaves mordidas. A jovem gemeu e se apertou mais a ele até que enterrou os mamilos com impaciência no torso masculino e sentiu o pênis de Chris deslizar-se pela pele ensaboada do ventre. Baixou uma mão entre os dois e a agarrou; e seu sexo se estremeceu ao senti-la tão grosso, tão quente, duro como uma rocha entre seus dedos. Chris gemeu e se inclinou até apoiar a testa na da Julie. Depois apertou a mandíbula quando a jovem apertou o punho uma vez, dois, antes que lhe detivesse a mão. — Não quero gozar outra vez até que tenha acabado contigo. Houve só uma insinuação de ameaça em sua voz, mas em lugar de assustá-la, enviou uma rajada de calor entre as pernas e que ameaçava sofrendo uma combustão espontânea. Chris agarrou as mãos dela entre as suas, as levantou por cima da cabeça e as sujeitou contra a parede de mármore. Enquanto com uma mão sustentava com facilidade ambos os pulsos, a outra ficava livre de percorrer os seios úmidos e nus. Impaciente por acariciá-lo de novo, Julie tentou liberar uma mão de um puxão, mas Chris não pensava consenti-lo. Apesar de não machucar, a mão que a sujeitava era firme.


Um calafrio que não tinha nada ver com a temperatura despertou cada nervo dela com um grito. Chris estava esfregando cada centímetro de sua pele ensaboada e seguia a cada carícia com os lábios e a língua. Sugou e mordeu o pescoço, os ombros e os seios, com tal força que Julie se preocupou que deixasse marca, mas foi incapaz de pedir que parasse. Embora tampouco Chris ia parar, nem que o pedisse. E essa ideia, tanto como o quente puxão dos lábios dele sobre um de seus mamilos, fez que derretessem os joelhos. Chris se inclinou sobre ela. Julie estava apanhada, com o mármore escorregadio às costas e o muro musculoso do torso dele pressionando-a por diante. Chris levantou uma perna dela e a apoiou no quadril, depois utilizou a mão e guiou a ponta de seu pênis até que acariciou a boca úmida do sexo dela, Julie logo que foi capaz de reconhecer como próprios os sons que escapavam de sua boca enquanto ficava nas pontas dos pés e lutava por conseguir um contato mais profundo. Mas Chris era implacável, introduzia a grossa cabeça de sua ereção dentro dela, mas depois a tirava para desenhar círculos quentes e sedosos ao redor de seus clitóris. E logo voltava a introduzir e se afundava um centímetro mais, mas a tirava antes de penetrar à profundidade que ela gostaria. Julie puxou a mão que segurava o pulso, mas em vão. Chris a olhou e esboçou um enorme sorriso; um brilho quase malvado resplandecia em seus olhos através do vapor. Aquele olhar dizia que Julie era dele e que ia fazer com ela o que ele quisesse e sabia de sobra que Julie desfrutaria com cada segundo do que queria infligir. Julie decidiu que procedia uma aproximação mais direta. — Deixa de me atormentar e me foda de uma vez. Chris abriu muito os olhos, escandalizado e encantado para ouvir aquela gráfica exigência. Julie aproveitou o momento, soltou uma mão e envolveu o pênis com ela ao tempo que a apertava e se colocava para que ele pudesse afundar-se nela. Depois de encaixar o cotovelo sob o joelho que tinha apoiada no quadril, Chris dobrou os joelhos e com um só embate alto e forte a penetrou. Um grunhido baixo escapou de seu seio enquanto a sustentava ali, com os quadris pegos às da jovem enquanto pressionava para entrar nela até onde pudesse e possivelmente um pouco mais. As mãos dela se cravaram nos ombros de Chris quando se retorceu contra ele, convencida de que era capaz de matá-lo ou voltar-se louca se aquele homem não começava a mover-se. Mas ele somente a sujeitou ali, com os olhos apertados e a mandíbula tensa, cada músculo em tensão para poder conter-se. E então, por incrível que parecesse, Chris se retirou. — Não! — O protesto da Julie ressoou por aquela câmara de mármore e cristal. Chris emitiu uma só palavra enquanto a agarrava entre seus braços. — Camisinha. Apesar de toda sua frustração, Julie deu as graças a Deus porque ao menos a um dos dois funcionava ainda alguma neurônio. Chris a levou ao dormitório, apartou com uma mão o edredom e a depositou de lado na ampla cama. Depois tirou uma camisinha da mesa e Julie o observou ficar com os olhos nublados pela luxúria. Aquele homem era um espécime extraordinário, todo músculos duros estremecidos sob a pele bronzeada e salpicada de pelo. O aroma a sabão e


excitação masculina irradiava dele em ondas, acrescentando seu ardor quase até um ponto doloroso, Julie não sabia que era possível estar tão excitada, que se podia pender sobre um precipício no qual a menor carícia ameaçava enviando ao abismo. Seu amante se inclinou e a beijou com uma suavidade surpreendente, com os lábios sugando com doçura os seus e deslizando o nariz junto à da Julie em uma carícia cheia de ternura. Ajoelhou-se entre suas coxas e Julie mordeu o lábio ao antecipar a sensação da penetração. Mas para sua surpresa, Chris levantou as pernas dela, apoiou-as em seus ombros e baixou a cabeça para enterrar a língua nas dobras do sexo. Julie enredou as mãos no cabelo de Chris, não sabia se para apartá-lo ou para apertá-lo mais contra si. O empresário fez uma lenta exploração da fenda, uma carícia que disparou os quadris da Julie fora da cama quando o prazer invadiu a coluna. — É inclusive melhor do que lembrava — sussurrou Chris. — É tão doce e suculenta, como um pêssego pequeno e úmido. — Julie gemia e ofegava, custava-lhe respirar enquanto ele a comia, implacável, lambendo-a e sugando-a até fazê-la cair nisso esquecimento é, neném — Julie apenas o ouviu murmurar — Eu adoro quando goza na minha boca. E isso foi exatamente o que fez Julie: seu corpo inteiro se sumiu nos espasmos quando as ondas de prazer a banharam inteira. Depois relaxou no colchão, caso que ele a penetraria então. Mas Chris ficou onde estava e a cobriu de beijos doces e tenros até que, por incrível que fora, Julie sentiu outro orgasmo que se formava na base da coluna. Chris agarrou o clitóris entre os lábios e o sugou com suavidade até que ela estalou entre seus lábios. O empresário a penetrou quando se afastava a última onda de prazer, o corpo feminino se ateu a seu redor quando ele se apertou contra ela. Julie estava tão torcida, tão sensível, que não sabia se poderia suportá-lo e pôs as mãos nos quadris em um intento não muito decidido de detêlo. Mas Chris não admitiu oposição alguma, agarrou-a pelas mãos e as sujeitou por cima da cabeça igual na ducha. Indefesa. Julie voltava a estar indefesa embaixo dele, sob o que ele queria fazer. Indefesa contra o prazer que inclusive nesse momento, quando acreditava que já não poderia suportar mais, ia cimentando em seu interior à medida que Chris se balançava contra ela em uns embates profundos e quase imperceptíveis. Aquele homem estava por toda parte, rodeava-a, o pelo de seu seio lhe roçava os mamilos enquanto seus beijos lhe tiravam o fôlego. Seus movimentos eram lentos, lânguidos, como se pudesse fuder até que ela entrasse em combustão espontânea de puro prazer sexual. Julie estava ardendo. Chris se converteu em todo seu mundo: o sabor daquele homem em sua boca, o som de sua voz sussurrando coisas que já nem sequer era capaz de entender, e sobre tudo e acima de tudo, a sensação daquele homem em seu interior, tão doce e profundo que por um momento quis mantê-lo ali para sempre e não soltá-lo jamais. Estava-se partindo, desfazendo-se, rompendo-se em um milhão de fragmentos diminutos. Ouviu Chris gemer de forma vaga e sentiu que afundava os dedos nas curvas suaves de seus quadris quando ele também se estremeceu e tremeu. As partículas femininas começavam a


encontrar o caminho de volta, a assentar-se em um pouco parecido a certa ordem. Mas quando Julie abriu os olhos e olhou aquele rosto duro e formoso, perguntou-se se alguma vez voltaria a ser a mesma. Entre o esgotamento soltou raízes uma semente de inquietação. O sexo com Chris tinha sido intenso antes, mas dessa vez se sentia como se tivesse desatado algo com o que não contava. Aquele homem sempre tinha tido o encanto do menino mau, da ovelha negra, mas pela primeira vez Julie se deu conta de que Chris era perigoso. Não em um sentido físico, não era um perigo que fora a pôr em risco sua vida. Mas certamente era uma ameaça clara para sua segurança emocional. Tinha vivido negando-se aquilo, pensando que não sentia por ele mais que uma teimosia adolescente que não se desvaneceu. Mas Chris tinha arrancado às viseiras e tinha revelado a profundidade das emoções que podia desatar se Julie voltava a baixar a guarda. Se não tomava cuidado, aquele homem ia romper o coração dela sem remédio. *** Julie acordou desorientada. Olhou ao seu redor. Estava no dormitório principal da casa, uma habitação com paredes forradas de branco, os tetos altos e as vigas à vista. A luz filtrava pelas portas e banhava o edredom com o que se havia para defender-se da brisa fresca do ar condicionado. Deu a volta e franziu o cenho quando viu o travesseiro vazio que havia ao seu lado. Onde estava Chris? Havia tornado a fugir enquanto ela dormia? Depois da noite anterior, não estava muito segura de poder suportar se Chris se foi outra vez sem despedir. Um tinido apagado ressonou por cima do zumbido do ar condicionado. Julie se levantou da cama, franziu o nariz ao ver o vestido enrugado e empanado de areia e optou por usar camisa que Chris tirou. Era tão grande que as mangas curtas chegavam até os cotovelos e o bordo roçava os joelhos. Depois seguiu os sons que saíam da cozinha aberta que dava ao salão da vila. Chris trabalhava em excesso em cortar uma pequena montanha de fruta. Por um momento Julie não disse nada e desfrutou da oportunidade de admirar as linhas lustrosas das costas masculina que marcavam ao trabalhar. O empresário estava sem camisa, vestido sozinho com um par de desfiadas calças curtas de cor cáqui. Os músculos do ombro e o braço vibravam enquanto cortava um abacaxi em partes pequenas, perfeitos e uniforme. Como se houvesse sentido seu olhar, Chris fez uma pausa em seu trabalho e deu a volta para saudar Julie com um sorriso tão cálido e sexy que a jovem o sentiu até na ponta dos pés descalços. Depois cruzou o salão aberto até a cozinha e se encontrou envolta em um paraíso de pele cálida e braços musculosos. Julie apoiou o rosto nos músculos firmes do torso de Chris e enterrou o nariz nas suaves mechas de pelo que o adornavam. Banhou-a o aroma masculino: sabão, sexo e homem. Julie sentiu o suspiro satisfeito de Chris contra seu cabelo e o abraçou com mais força. — Bom dia — disse enquanto ficava nas pontas dos pés para receber o beijo de Chris com


sabor de abacaxi. O empresário a agarrou pela nuca e Julie abriu a boca sem duvidar quando seu amante converteu o que tinha começado como um simples beijo inocente em um pouco mais profundo. Julie estava a ponto de arrastá-lo à cama outra vez quando ele levantou a cabeça. — Venha, vamos ao terraço. Julie o soltou a contra gosto e pegou a fonte de fruta que indicou Chris enquanto ele levava uma bandeja com uma cafeteira, taças e pratos. A jovem ficou sem fôlego quando saiu ao pátio pela porta. Situada por cima do resto do complexo turístico, o terraço de Chris oferecia uma vista de duzentos e setenta graus da baía. A cor turquesa da água era quase iridescente sob o sol da manhã e ao longe viu o perfil do Virgin Gorda, a vários quilômetros de distância. — Este lugar é incrível — suspirou Julie enquanto colocava a fonte de fruta na mesa. Chris se sentou em uma das poltronas acolchoados de teca. Julie se serve uma taça de café e foi sentar em outra poltrona ao seu lado, mas ele a agarrou pela cintura e a sentou no seu colo. — Eu acho que é incrível — murmurou Chris. Em uns cinco segundos ia derreter sobre aquele homem como uma parte de manteiga ao sol. — Realmente, estou falo sério — disse Julie percorrendo com as pontas dos dedos o fornido antebraço que rodeava a cintura — Recife Holley é fantástico. — Jogou a cabeça para trás e a apoiou no ombro do Chris para poder olhá-lo — Estou muito orgulhosa de você, Chris. Ele inclinou a cabeça e a beijou com ternura na bochecha, no nariz e por fim na boca. — Obrigado, Jules. Ficaram em silêncio vários minutos, conformando-se tomando o café e desfrutar das vistas. — E sua cabana é também fantástica — disse Julie então. — Tem as melhores vistas da ilha — murmurou ele. — É muito mais… pequena do que esperava — comentou Julie. O certo era que quando Chris havia dito que fosse a sua casa, Julie esperava que a levasse a uma das enormes cabanas, quase pequenas mansões, em realidade, que havia na colina, mas em lugar disso tinham ido a um endoideci pequeno, mas precioso. A jovem não tinha explorado muito mais à frente do banho, três dormitórios, mas tinha dado a impressão de que era um lugar espaçoso e cômodo que encaixava a perfeição com a personalidade informal e relaxada de Chris. —Vivo só — respondeu ele enquanto estirava uma mão e escolhia uma parte de abacaxi para dar na boca de Julie — Não tem muito sentido que ocupe um dos edifícios grandes. — E quando tem… visitas? — Julie se obrigou a falar antes de tragar a parte agridoce da fruta. Detestava a nota de ciúmes que tingia sua voz, mas também se perguntava quantas mulheres tinham desfrutado da perícia de Chris com a ducha de massagens. — Não as tenho — limitou a dizer Chris ao tempo que oferecia uma parte de manga. O suco doce que estalou na língua distraiu Julie por um instante. A fruta sabia alguma vez tão bem em casa? — O que quer dizer com que não tem visitas?


— Quero dizer que aqui não fica ninguém. Por que iriam ficar quando tenho habitações de sobra para cem pessoas? — Nunca? — Julie girou a cabeça para poder olhá-lo à cara. Custava-lhe acreditar que Chris não tivesse visitas noturnas regulares. — Até ontem à noite, nunca — sussurrou Chris. Tampouco lhe dê tanta importância, advertiu-se Julie com firmeza. A noite anterior, vulnerável atrás de vários e intensos orgasmos, tinha começado a confundir um sexo assombroso com outra coisa. Mas à luz do dia tudo voltava a ficar claro uma vez mais. Estavam se divertindo. Estavam compensando uma década de desejo mútuo nunca satisfeito. Uma vez que passasse a febre, tudo voltaria para a normalidade. Ela iria a sua casa, ele ficaria ali e a vida continuaria tal e como ambos a conheciam; só que os dois conservariam lembranças muito felizes da idílica semana que tinham passado em Recife Holley. Chris interrompeu seu silencioso sermão, cobriu a boca com a sua e a impediu de articular qualquer outro pensamento racional. Chris tinha sabor de manga. Uma pena que tivesse que ir a menos de uma semana porque não custaria nada acostumar-se aquilo. Não me custaria nada me acostumar a isto, pensou Chris enquanto colocava a língua na boca da Julie. Adorava sentir o peso suave do corpo dela em seu colo, cheirar seu aroma, doce e limpo, mas marcado também pelo aroma do próprio Chris; o aroma a sexo. Jamais tinha levado ali a uma mulher. Aquela era sua casa, seu santuário, e embora, desfrutava da parte social de seu trabalho, para ele era importante saber que tinha um lugar no qual podia estar sozinho sem que ninguém o incomodasse. Quando se tratava de mulheres, era ele o que sempre ia a suas habitações, assim sempre tinha a opção de ir se quisesse. E a maior parte das noites queria. Muito poucas vezes gostava de despertar ao lado de uma mulher. As manhãs tendiam a tirar a uma mulher certo glamour e Chris preferia as ver em toda sua glória e sofisticação. Gostava de ter privacidade, desfrutava da solidão que ofereciam as manhãs e não se entusiasmava a ideia de ter que falar de nada em concreto com uma mulher virtualmente desconhecida nada mais despertar. Mas Julie não era nenhuma desconhecida. Por alguma razão, havia parecido natural dormir junto a ela. Tão natural que fez um nó no estômago. Julie se ia em só uns dias, recordou-se antes de adormecer-se, e não podia dedicar-se a suspirar por ela e fantasiar com mil noites mais dormindo a seu lado depois de fazer o amor até deixá-la esgotada. Mas essa manhã a tinha visto cálida e despenteada, adormecida com a cara enterrada em um travesseiro, e em lugar de fugir ao escritório se pôs a fazer o café da manhã. Tinha uma tonelada de trabalho pendente, mas tinha preparado o café da manhã, nada menos, porque não tinha nenhuma vontade de deixá-la e queria lhe dar uma desculpa para que ficasse. E por muito que queria fazer amor, seguir explorando as profundidades recém achadas de sua sensualidade, também queria falar com ela, isso só, passar o momento juntos como antes. Embora não era que estivessem falando muito no momento. Chris ofegou quando Julie girou para


ele. Depois agarrou as pernas por detrás dos joelhos e a acomodou em seu colo. Julie respondeu com um gemido quando Chris deslizou uma mão pela suave pele da coxa. A palma seguiu subindo até que o polegar se posou na dobra que ficava entre a coxa e o quadril da jovem. Não levava nada sob a camisa e os dedos de Chris não encontraram nada salvo pele nua e sedosa. Não cabia dúvida: não custaria nada acostumar-se a isso. *** Julie demorou outra hora em retornar a sua casa. Chris a acompanhou e a deixou na porta com outro daqueles beijos que tiravam o fôlego. — Se entrar, não vou sair mais — disse Chris ao apartar a boca a contra gosto — Janta comigo esta noite? Julie sabia que certamente tinha na cara o sorriso mais atordoada e sonhadora do mundo, mas deu igual. — É obvio. Estava tão contente que ficou a cantarolar ao entrar na cabana. Estava cansada, agradavelmente dolorida e, entretanto, cheia de uma energia inexplicável. Ia de caminho à ducha quando notou a luz que piscava no telefone da mesa. Tinha várias mensagens. O primeiro era da Amy. — Julie, sou Amy. Tentei localizar você ontem à noite depois que fosse. — A boca de Julie curvou em um sorriso ao pensar por que tinha sumido. Se Amy soubesse. — Bom, só queria te avisar que vamos fazer a todas as pedicures e vamos dar umas massagens esta manhã, a partir das nove. Decidi pedir uma hora para você também assim que nos vemos no SPA. Julie jogou uma olhada ao relógio. Menos de 15 minutos. Ia ter que se apressar. — Jules, sou eu. — A Julie caiu à alma aos pés quando ouviu a voz de Wendy. Para que a chamava Wendy se não houvesse uma emergência? — Sinto dar noticias chatas, nem sequer ia chamar, mas não queria que levasse um susto quando voltasse para casa. — Julie pôs os olhos em branco. Vamos Wendy, fala — O caso é que Brian não deixou de me chamar para tentar averiguar onde está. — A mão de Julie apertou o telefone e depois relaxou quando Wendy continuou — Não falei é obvio, mas deveria saber que está procurando você. E há outra coisa. — Julie sentou ao bordo da cama e se dobrou quando as náuseas invadiram o estômago — Vai recorrer à anulação. Não quer assinar os papéis. Diz que não é tão singelo. Enfim, sinto dar a surra com isto enquanto está de férias, mas queria que estivesse preparada para o furacão de merda que te espera. Me chame se me necessitar. Incrível! Mas o que se acreditava Brian que ia passar? Que se ele negava a assinar, Julie retornaria correndo ao seu lado? Conhecendo Brian e seu ego, certamente era o que tinha pensado. Parte dela queria chamá-lo nesse mesmo instante e dizer que acabava de desfrutar do sexo mais incrível que tinha experimentando, e, por certo, com seu irmão menor. Ia ver se ele ia voltar de fato, estava jogando mão do telefone quando se deteve em seco. Não. Não ia danificar


tudo. Ia desfrutar de suas férias, maldita fosse, e se Brian queria negar-se a assinar a anulação, era assunto dele. Já se ocuparia dele quando voltasse para casa. Claro que a ideia de esfregar ao presunçoso do Brian pela cara… bom, o que fosse que tivesse com Chris, era do mais tentadora. Julie fez tudo o que pôde por tirar Brian da cabeça e o mundo real. Que melhor forma de relaxar que desfrutar de uns quantos cuidados deliciosos? Meia hora depois, Julie e as quatro amigas se envolveram nos esponjosos roupões do SPA e desfrutavam enquanto esfregavam os pés, aplicavam-lhes varias loções e os deixavam cuidados e perfeitos. Inclusive conseguiu esquecer-se quase por completo do Brian até que Amy perguntou se estava bem. — Pois claro — disse Julie dando um pequeno coice quando a mulher que estava esfregando com pedra-sabão a planta do pé esquerdo se topou com um ponto no qual Julie tinha cócegas. — Por que não ia estar? — Possivelmente não conheço você o suficiente — Amy fez uma pausa para assentir quando sua pedicura mostrou um frasco de esmalte iridescente de cor violeta, — mas não parece tão alegre como sempre. É como se estivesse dando voltas a algo. Kara lançou a Julie um olhar ardiloso. — É pelo Chris? Porque foram os dois muito depressa. Quatro pares de olhos se cravaram como um só em Julie. — N-não — disse Julie com a sensação de que uma baforada de calor acendia as bochechas. Embora estava dizendo a verdade (Chris era a menor de suas preocupações nesse momento), ainda se sentia como se a tivessem surpreso fazendo algo que não devia. — A cara que pôs o pobre Mike quando Chris te tirou dali — riu Kara. — Como se alguém acabasse de lhe atropelar ao cão. — De verdade estava Mike muito aborrecido? — perguntou Julie. Sabia que não havia dado esperanças a Mike. — Você não se preocupe pelo Mike — sorriu Chrissy, — que o menino já encontrou consolo, — Por sorte para você — disse Kara com um matiz desagradável na voz — para o Mike as loiras miúdas são mutáveis, o mesmo lhe dá uma que outra. Ao contrário que ao Chris — o olhar duro da Kara se cravou outra vez na Julie, — que só tem olhos para ti. — Não seja uma harpia, Kara — disse Jen, — só porque tenha passado de ti por completo. Julie olhou a Amy, cujo sorriso era cada vez mais crispado com cada comentário mordaz que torcavam suas amigas. Possivelmente sim se desafogava e lhes contava o desastre com o Brian, talvez pudesse evitar que Jen e Kara terminassem montando uma autêntica briga de gatas. E, em qualquer caso, essas mulheres tinham muito mais experiência que ela, seguro que podiam dar bons conselhos. — Esta manhã me chamou minha melhor amiga — disse Julie sem elevar a voz. — Brian quer recorrer à anulação. — Imbecil — disse Jen pondo os olhos em branco.


— Não posso acreditar que tenha tão pouca vergonha — disse Amy — É que acredita que podem solucioná-lo? — Não tenho nem ideia — respondeu Julie. — Brian sempre se sai com a sua e pode que tenha metido nessa cabeça que tenho que vou voltar para ele me arrastando. — Grande idiota. — Chrissy se inclinou para ela e deu a Julie uns tapinhas na coxa. — Espero que não deixe que danifique as férias, — Disso nada — suspirou Julie enquanto tentava convencer-se a si mesmo tanto como às demais. — Mas é uma tensão que agora mesmo não necessito, sabem? Oxalá pudéssemos terminar de uma vez e seguir adiante. — E encontrar a alguém que me queira de verdade, acrescentou para si. — Por que não diz que está jogando de esconder o salsichão com seu irmão? — disse Kara — Eu diria que isso lhe fará trocar de opinião sobre a anulação. — É que não é isso — protestou Julie, mas o comentário da Kara chegou muito fundo. Aquela garota tinha reduzido sua aventura com Chris a sua essência mais sórdida. Mas acaso a própria Julie não se expôs esfregar a Brian pela cara só umas horas antes? Podia protestar tudo o que quisesse, mas ela não era ninguém para dar lições de moralidade. Kara se burlou um pouco mais. — O que acontece, é que acha que Chris e você vão ter um “felizes para sempre”? Jen a interrompeu antes que Julie pudesse responder. — Não faça nenhum caso. Só porque todos os caras se fartam dela em um par de semanas, acredita que acontece com todo mundo. Kara lançou a Jen um sorriso presunçoso e malvado. — Mas os dois meses que passei com seu menino foram a hóstia. Tirou-se os separadores dos dedos de um puxão e se foi a grandes pernadas a fazê-la esfoliação e o tratamento com mel. Jen levantou o dedo do meio em um gesto dedicado às costas de Kara. — Nem caso — disse Amy. — Se aborrece em seguida e sempre gosta de provocar algum drama. Se não houver uma câmara seguindo-a constantemente, não está segura de existir de verdade. — Por que são amigas dela? — A Julie escapou a pergunta antes de poder conter — Sinto, isso foi uma grosseria. Amy suspirou. — Não, para nada. Kara e eu crescemos juntas. Antes era muito diferente, antes que seus pais se divorciassem. Vai de harpia que não se perde nem um sarau para chamar a atenção de seus pais. — Oh, por favor — soltou Jen, zangada. — Seus pais se divorciaram faz mais de quinze anos. Não pode seguir desculpando seu comportamento só porque foi simpática contigo quando tinham quantos, cinco anos? — Chrissy deu a razão com um gesto da cabeça. Era óbvio que não era a primeira vez que as garotas tinham aquela conversa — Se esqueça da Kara e suas panaquices de


pobre menina rica, meu papai não me quer — disse Jen enquanto olhava com intenção a Julie e logo a Amy. Julie tentou relaxar, mas não podia tirar da cabeça os comentários da Kara. — O que pensa do Chris? — perguntou Julie enquanto Amy e ela andavam para receber seus tratamentos faciais. — Que está como um pão, e parece um cara bastante agradável — disse Amy. — Mas o que disse Kara… É que é o irmão de Brian. — Julie girou um pouco para poder ver o perfil da Amy, com uma máscara verde de algas — Não crie que o que me deite com ele é… bom, de mau gosto? Amy lançou uma pequena gargalhada. — Julie, Brian estava transando com sua secretária no quarto das vassouras em pleno banquete de bodas, de suas bodas, e se preocupa fazer algo de mau gosto? A esteticista lançou uma risada e sustentou com suavidade a cabeça da Amy para que não a movesse. Julie agradeceu ter posta também uma máscara que ocultasse sua vergonha. Com a Julie nova ou sem ela, seguia sem fazer nenhuma graça que sua vida privada se fizesse tão pública.


Capítulo 10 Uma esfoliação, um tratamento com ervas e uma massagem completa seguiram sem ser suficientes para tranquilizar Julie. Todas as dúvidas e receios que tirou da cabeça retornaram de repente com os maliciosos comentários de Kara. Mas o que acreditava que estava fazendo? Pensava enquanto tomava banho para tirar os resíduos deixados por um sem-fim de capas de azeites e loções. Ah, sim, isso, estava deitando com o meio-irmão de seu marido, o mais jovem e selvagem. Se seus pais soubessem, matavam-na. Seu pai sempre se desesperava com o comportamento de David Dennison e as aventuras que não deixavam de alimentar as páginas das revistas de fofocas. Se a imprensa chegava a inteirar-se onde estava Julie e o que estava fazendo, ia montar uma boa bagunça. Mas Julie não era idiota. Sempre soube que aquele impulso poderia levá-la ao desastre, mas estava tão farta de se preocupar pelo que pensava todo mundo e por ter que fazer sempre o que devia, que durante um tempo ao menos, tinha podido se esquecer da realidade e se divertir um pouco. Ninguém poderia saber que estava ali. E ninguém poderia saber de Chris. Mordeu a unha do polegar e rezou para que nenhuma das garotas dissesse nada quando voltassem para casa. Sobre tudo Kara. Essa sim que parecia capaz de falar tudo por pura maldade. Por outro lado, Julie e ela não andavam nos mesmos círculos. Possivelmente nem sequer se desse conta que Julie podia ser objetivo da imprensa. Olhou o relógio. Às quatro e meia. Ainda tinha uma hora e meia antes de encontrar Chris para jantar. Uma hora e meia para chamá-lo e cancelar o encontro. Porque isso seria o mais inteligente. Terminar de uma vez antes de dar a alguém mais o que falar. E antes que os sentimentos de Julie se complicassem ainda mais. Vamos, a quem estava tentando enganar? Apesar de toda a conversa com Wendy e deixando de lado sua resolução dessa manhã de manter as coisas em um plano casual e sem complicações, o caso era que não havia nada casual no que aquele homem a fazia sentir, não havia nada casual no que sentia quando as mãos e os lábios de Chris a tocavam. Mas inclusive se havia uma mínima probabilidade de que fizessem durar aquilo além dessa escassa semana, seriamente poderia enfrentar-se a seus pais e lhes dizer que estava apaixonada pelo Chris? Boa pergunta. Gostasse ou não, Julie ainda tinha uma responsabilidade com sua família e a empresa. Quando voltasse para casa, bastante confusão tinha que solucionar sem acrescentar em cima à mescla um ardente romance com o irmão de seu ex-marido. Deveria cortar aquele tema de raiz antes que muitos sentimentos — quer dizer, os dela — terminassem pisoteados pelo barro.


Mas antes que pudesse pegar o telefone ouviu que alguém batia na porta. Fechou melhor o roupão branco de algodão e abriu a porta para encontrar-se com Chris apoiado com gesto informal na porta. O cabelo de cor café resplandecia com mechas brunidas pelo sol e enrugava os preciosos olhos azuis em um sorriso de auto-depreciação. —Sei que tínhamos combinado de nos encontrar dentro de uma hora — disse enquanto se separava da porta e rodeava a cintura dela com os braços — mas não podia esperar para ver você outra vez. Levantou-a do chão para beijá-la e todo pensamento de cancelar o encontro e terminar com a aventura se dissolveram com o primeiro roce da boca dele. Julie não pensava negar nada aquele homem — nem a si mesma — nada, diabos. — Levo todo o dia pensando em você — disse Chris com tom quase acusador. Levou-a sala e a sentou em seu colo no sofá de vime acolchoado — Levo seis horas com os olhos cravados em umas folhas de cálculo, mas sou incapaz de me concentrar porque em quão único penso é nisto. — Desatou-lhe o nó da cintura e abriu as lapelas pouco a pouco, depois lambeu os lábios quando os seios da jovem ficaram expostos ante seus olhos. O brilho ávido e ardente dos olhos de Chris fez que Julie se sentisse a mulher mais bela e desejável do universo. Quando cobriu os seios com as palmas grandes e cheias de calos, Julie foi incapaz de conter-se. Afundou os dedos na seda densa de seu cabelo e atraiu sua boca para introduzir a língua entre os lábios suaves de Chris. Desejava-o, desejava-o como a ninguém. Nesse momento dava igual a aquilo não ia a nenhum lugar, que quando deixasse Recife Holley Chris e ela seguissem caminhos separados sem olhar atrás. Importou-lhe pouco que se o mundo o averiguava, o escândalo seria maior que quando David Dennison tinha deixado à mãe de Brian pela de Chris. Julie não pensava renunciar a aquilo de nenhuma maneira. Estava disposta a aceitar o que Chris pudesse dar e desfrutar do tempo que pudessem passar juntos. E se, como temia, terminava com o coração quebrado? Cruzaria essa ponte quando chegasse a ele. *** Chris nunca tinha suficiente quando se tratava de Julie. Era tão simples. Julie sentou contra os travesseiros de sua gigantesca cama com um sorriso satisfeito nos lábios. Chris não pôde resistir ao desejo de inclinar-se e saboreá-la. — Mmm — gemeu Julie. — É o amante mais assombroso do mundo — ronronou. O tom suave e rouco de sua voz foi suficiente para que Chris voltasse a ficar quase duro. — Vai me matar — suspirou. Julie olhou contra ele com um sorriso travesso e sonolento. — Sério? Porque eu tenho a sensação de que necessito mais prática. — Percorreu as costas com as unhas, com suavidade, uma carícia que fez Chris se estremecer até as pontas dos pés —


Tudo isto de sexo selvagem e desinibido é novo para mim. Tenho muito que fazer para me pôr em dia. — Estava dando mordidas no pescoço, seguidos por pequenas lambidas com a língua, como Chris gostava. — Confia em mim — disse enquanto percorria a coxa com a mão — o teu é inato. Por incrível que parecesse, voltava a estar excitado. Mas justo quando deslizava o corpo feminino sob o seu para o segundo assalto, os dois estômagos rugiram. Com estrépito. E em estéreo. Julie virtualmente balançou a cama de tanto rir. — Deus, para ser uma garota tão pequena tem uma barriga muito estrondosa — disse Chris enquanto se separava dela. — Olhe quem fala! Você parece uma jaula de leões na hora de comer. Os dois voltaram a rir até tal ponto que as lágrimas corriam pelas bochechas. E enquanto outra quebra de onda de hilaridade o envolvia, Chris admitiu que nem sequer tinha tanta graça. Mas se sentia tão bem, que outra coisa podia fazer se não rir? Aparentemente, Julie pensava o mesmo. O sorriso de Chris desapareceu quando observou os seios da jovem, que balançavam quando ria. Com um gemido zombador, Chris voltou a jogá-la na cama e envolveu os seios com as mãos enquanto grunhia e a mordia no pescoço. — Não — ofegou Julie enquanto fazia o que podia para fugir, embora fez uma pausa quando o sentiu duro e ardente contra sua virilha. Por um momento se apoiou nele antes de falar. — Não — repetiu. — Morro de fome. Temos que comer. — Tirou as mãos e Chris soltou a contra gosto os seios. — Suponho que precisamos conservar as forças — disse Chris enquanto olhava Julie, que se tinha posto o roupão. Julie se levantou e se dirigiu ao banho, um segundo depois Chris a ouviu abrir a ducha. — Quer ir ao bar da praia? — exclamou Julie por cima da água. Chris pensou um momento. Nunca tinha sido um grande fã dos largos jantares românticos com velas. Para falar a verdade, depois de um par de horas a sós com uma mulher, geralmente começava a aborrecer-se e a ansiar alguma companhia adicional para animar um pouco as coisas. Além disso, sabia que deveria sair pelo complexo e conversar com os outros hóspedes. Mas por estranho que fosse — por mais aterrador que fosse, em realidade—, a ideia de compartilhar Julie com alguém mais essa noite não o atraía absolutamente. Não queria ver, nem pensar com ninguém mais. Queria ela toda para ele. Uma ideia que teria feito parar de medo se tivesse parado a para um momento. Assim não parou. Em lugar disso foi à ducha, entrou e agarrou a barra de sabão das doces mãos de Julie. — Tenho uma ideia melhor — disse enquanto a massageava com suavidade com a espuma com aroma de coco. — Por que não pedimos algo ao serviço de quarto e fazemos um piquenique na praia para poder ter você só para mim? Julie atraiu sua boca para a dela e rodeou a cintura dele com uma perna. Chris tomou como


um sim. Quando chegou o jantar estavam tão mortos de fome que se lançaram sobre a comida como um par de hienas. Não faz falta dizer que não chegaram à praia, mas bem que gritaram ao garçom que deixasse a bandeja na mesa de café. Depois de engolir a metade de seu hambúrguer em uns dois segundos, Julie parou com um gemido. — Oh, tenho que parar um pouco ou vou passar mal. Cobriu a boca e Chris não pôde acreditar no que ouviu a seguir, por mais delicado e silencioso que fora. — Isso foi um arroto? — Uma gargalhada surpreendida estalou no seio. — Fica quieto, idiota! — Julie jogou o guardanapo, um gesto seguido por outro arroto bastante alto — Tampouco é para tanto — chiou enquanto ficava vermelha até as raízes — Sou humana e comi muito rápido, assim arrotei. Como se você não fizesse todo o tempo. Chris secou outra lágrima da extremidade do olho, — Já sei, já sei, é só… — começou a rir outra vez, — é só que você é… — Já sei — disse Julie pondo os olhos em branco. — Eu sou perfeita. Nunca arroto, nunca solto pum, nunca cheiro mau, nunca digo o que não devo, nunca faço o que não devo, e estou até os narizes. — apoiou-se no respaldo do sofá com os braços cruzados em gesto beligerante. — Estou farta de ser perfeita todo o tempo. Chris se deu conta de que havia tocado um ponto sensível. — Né — disse enquanto limpava a boca, apoiava no respaldo ao seu lado e rodeava os ombros dela com os braços. Depois levantou a cabeça dela para que o olhasse. — Sei que não é perfeita. — As sobrancelhas de cor dourada escuro da jovem se inclinaram quando apartou a vista. Chris rodeou a bochecha com a mão e atraiu o rosto para ele — Mas tanto faz. De fato, eu gosto mais assim. Se esqueceu que te conheci quando foi uma adolescente desajeitada, antes de que se convertesse em uma mulher perfeita e toda arrumada. É a Julie de verdade com a que eu quero estar. A que arrota de vez em quando. Julie lançou uma risada tímida. Chris a beijou na testa. — Ás vezes diz o que não deve. — Beijou-a na bochecha. — E eu gosto sobre tudo da garota que anda por aí com homens que não lhe convêm. — Passou a língua pela superfície escorregadia dos dentes. — Mas me nego a aceitar os peidos na cama. Julie lançou um chiado e o golpeou com uma almofada. A luta corpo a corpo resultante terminou com os dois meio nus, ofegando no chão e completamente excitados outra vez. Julie mordeu o lábio com paquera e se apertou contra a crescente ereção de Chris. — Mmm, parece que recuperou as forças. Chris deslizou uma mão sob a lapela do roupão e fez rodar um dos mamilos entre o polegar e o indicador. Depois se inclinou e rastreou com a língua o lado aveludado do pescoço da Julie. — Mais ou menos. Mas antes necessito a sobremesa. — incorporou-se um momento e recolheu a cesta que tinha escondido atrás do sofá da sala.


— O que é isso? — perguntou Julie. Mas Chris se deu conta pelo brilho impaciente de seus olhos que já sabia. Quando tinha pedido o jantar, também havia dito que lhe enviassem uma das cestas “especiais” de Recife Holley para casais. Pela expressão de sua cara, parecia que Julie estava impaciente por provar o conteúdo. — Vamos ver o que temos aqui — disse Chris chamando-a com um gesto para que se reunisse com ele no sofá. Depois foi tirando os artigos um por um. — Azeite para massagens com aroma de canela. — Chris esboçou um sorriso de aprovação quando Julie pegou o frasco e esfregou um pouco nas mãos ao tempo que sentia com gosto o aroma especial — Hmm, isto não nos faz falta. — Atirou um tubo de lubrificante por cima do ombro. — Mas estas… Julie agarrou as algemas falsas recobertas de veludo, e um ligeiro rubor apareceu nas bochechas. — Quer me atar? — A ideia era essa — sorriu Chris. — Pois eu tenho uma melhor — disse Julie. Levou-o ao dormitório e deu um suave empurrão no tórax para que ele caísse na cama. Sem pressa, deliberadamente para que não ficassem dúvidas sobre suas intenções, rodeou-lhe uma mão com uma das algemas. Chris sentiu um pequeno enjoo quando todo o sangue de seu corpo foi de repente para seu pênis. Não era a primeira vez que praticava aquele tipo de jogos, mas nunca no papel de submisso. A ideia de ter Julie em cima dele, lambendo-o, acariciando-o, fodendo, enquanto ele ficava ali, incapaz de detêla, era, sem lugar de dúvidas, o mais erótico que podia imaginar. O empresário ficou parado, sem mover-se, e deixou que atasse a outra mão. — Faz o que queira comigo, neném. Estou preparado. Julie mordeu o lábio e esboçou um sorriso sensual que tirou o fôlego de Chris. — Isso já vejo — disse enquanto observava a ereção que forçava o tecido da boxer de seu amante. Depois tirou o roupão e, nua, ajoelhou-se na cama junto a Chris. O rangido do veleiro quando Julie ajustou as ligaduras enviou uma quebra de onda de faíscas por cada terminação nervosa do Chris, que trocou de postura, inquieto, sobre os lençóis. — Não se mova — ordenou Julie enquanto passava a corda pelos barrotes e fechava os clipes de cada extremo detrás ajustá-los às algemas. O tom autoritário excitou Chris ainda mais. — Que mandona. Eu gosto. — murmurou. Depois deu uns puxões às ataduras para provar — Estou a sua mercê. E agora o que vai fazer? *** Julie deslizou a mão pelo seio, um simples roce, mas adorava o modo no qual os músculos vibravam e se estremeciam sob suas mãos. — Eu não tenho certeza. Quando tinha visto as algemas, tinha-lhe parecido a oportunidade perfeita para levar a cabo


uma pequena vingança pelo modo no qual Chris a tinha dominado a noite anterior. Nesse momento não estava muito segura de como proceder assim que tomou um momento para olhá-lo e beber-lhe com os olhos. Era todo músculos, fibra e pele brunida. E ela podia fazer o que quisesse com ele. Uma explosão de umidade estalou entre as pernas. Julie sentou escarranchada sobre ele e esfregou o escorregadio monte contra a ereção que elevava o tecido da boxer. Ao parecer era um passo na direção adequada porque Chris gemeu e levantou os quadris até cravar mais contra ela. Julie se inclinou como se fosse beijá-lo, mas se deteve justo antes de roçar os lábios. O fôlego úmido de Chris se mesclou com o de sua captora quando se elevou para ela em um intento de capturar a boca dela. — Ainda não — sussurrou Julie enquanto baixava a cabeça para percorrer aqueles firmes peitorais com a língua. Os bíceps dele se esticaram quando Chris apertou e relaxou as mãos em um intento inconsciente de forçar as ataduras. Julie saboreou a embriagadora sensação de poder ao sentir a impaciência de seu prisioneiro. Podia torturá-lo de verdade se quisesse. A pergunta era, quanto tempo Chris poderia aguentar? Julie deslizou um pouco até que ficou ajoelhada sobre as panturrilhas de seu cativo e agarrou a cintura da cueca com os dedos. A ereção de Chris se liberou de repente como se agradecesse a possibilidade de fugir dos limites da roupa intima. O pênis dele ficou apoiado em seu ventre, grosso e largo, com a ponta torcida elevando-se para roçar o umbigo de seu dono. Julie desentupiu o frasco de azeite e se verteu uma generosa quantidade nas mãos. Começou pelos pés de Chris e foi subindo, massageando os músculos com passadas firmes e suaves até chegar às panturrilhas e logo as coxas. Um ligeiro suor fazia brilhar a pele dele e o aroma intenso e almiscarado se mesclava com o aroma quente da canela. — O que você acha? — perguntou Julie. Chris encolheu os dedos dos pés, os músculos das coxas vibravam cada vez que as mãos dela deslizavam por sua pele. — É fantástico — gemeu Chris — mas possivelmente poderia me esfregar um pouco mais acima. — Assim? — Julie deslizou por seu corpo até rodear a cintura com as pernas e verteu um pouco de azeite no tórax. Chris deixou escapar algo que estava entre a gargalhada e o gemido quando Julie se inclinou para esfregar os seios contra o tórax dele. — Aah, a canela me põe a cem — disse ela quando o azeite fez fazer cócegas na pele ruborizada. — Já está a cem — murmurou Chris. Moveu o quadril abaixo e Julie sentiu o pênis de Chris, duro e grosso, esfregando-se contra a parte interna de suas coxas. Julie ficou de joelhos e se inclinou sobre ele de modo que os seios penduravam, incitantes, sobre os lábios masculinos. — Qual é o gosto? — provocou-o enquanto se inclinava de modo que Chris logo que pudesse tocar o mamilo com a língua — É bom? —inclinou-se um pouco mais e Chris começou imediatamente a sugar o mamilo com uma pressão que provocou outro estalo de calor entre as


pernas de Julie. — Tem um sabor doce e picante — sussurrou ele entre uma lambida e outra — e arde. Está ardendo. Julie voltou a baixar o corpo até que ficou sentada escarranchada na cintura dele. Chris era como um festim erótico e ela não sabia o que saborear antes. O cativo se elevava contra sua coxa, seu membro ia endurecendo com cada segundo que a olhava e tentava antecipar-se ao seguinte movimento de sua captora. Julie pegou o azeite de massagem e verteu um pouco mais na mão, experimentou uma lânguida e profunda sensação de satisfação quando jorrou entre os dedos e caiu na pele de Chris. Depois esfregou as mãos e as levou aos seios. Sentiu o olhar azul e ardente de Chris, como uma carícia que seguia cada movimento de seus dedos e da palma de sua mão quando começou a acariciar-se e se lubrificou de azeite os seios e os mamilos. Chris teve medo de estar a ponto de gozar nesse mesmo instante, enquanto a olhava. As mãos dela se moviam sobre os seios e Chris não pôde conter um gemido quando a jovem beliscou com suavidade os mamilos entre o polegar e o indicador. Fez água na boca ao pensar em saborear aqueles mamilos rosados e duros. Os dedos coçavam por sentir a presa escorregadia e musculosa do sexo da Julie fechando-se ao redor dele. Trocou de postura embaixo dela e esfregou o pênis dolorido contra a suavidade da parte interna da coxa de Julie. — Jules, se não avançar um pouco, muito em breve não vai ter muito com o que trabalhar. Julie foi deslizando as mãos por seu próprio corpo pouco a pouco e o olhou com uma severidade fingida. — Acredito que meu prisioneiro esqueceu quem manda aqui — disse enquanto ia deslizando até ficar escarranchado nas coxas dele. Uma mão pequena se estirou para envolver a ereção de Chris. Uma grossa gota de fluido seminal apareceu na ponta e Chris gemeu quando Julie usou o polegar para estendê-la ao redor em uma carícia que o fez esticar os testículo e apertar os dentes. — Por favor, Julie, não estou de brincadeira — gemeu. — Eu tampouco — disse Julie ao inclinar-se sobre ele. Chris conteve o fôlego, com todos e cada um dos músculos tensos ao antecipar o momento no qual os lábios e a língua da jovem se fechassem sobre ele. Mas o momento nunca se produziu. Em lugar disso sentiu o deslizamento suave de uma pele lisa, o comichão quente do azeite de canela quando Julie esfregou os seios contra o pênis de Chris. A visão de seu grosso membro entre os seios de Julie esteve a ponto de ser sua perdição. Várias gotas mais escaparam para mesclar-se com o azeite sobre a pele cremosa de sua captora. Chris esteve a ponto de estalar quando Julie apertou os seios e rodeou o pênis com a pele impregnada em azeite e líquido seminal. Esticaram os ovos, advertindo do orgasmo iminente. — Para, por favor — rogou Chris sem fôlego, embora depois lamentou quando Julie se levantou de repente e se foi — Aonde vai? — disse, incapaz de conter a nota frenética de sua voz. Julie desapareceu no banheiro. Chris trocou de postura, inquieto, enquanto a ouvia


rebuscar algo e depois suspirou aliviado quando a viu reaparecer segundos mais tarde. Sustentava um pacote aberto de alumínio. — Graças a Deus — rosnou Chris. Mas para imensa frustração do cativo, Julie se limitou a deixar a camisinha na mesa e não fez movimento algum para colocar nele, estirou-se sobre ele, assumo contra seio e abriu as coxas, que deixou cair ao redor dos quadris do Chris. — É muito impaciente — sussurrou antes de inclinar-se para beijá-lo. Chris sugou com avareza os lábios e a língua de Julie e absorveu o sabor da jovem tingido de canela. Embora mantivesse as aparências e não parecia ter perdido o controle, Chris podia sentir o leve tremor das mãos de Julie e quão úmida estava quando se esfregava contra seu pênis. Estava seguro de que ela tampouco seria capaz de aguentar muito mais. Julie vaiou e suspirou quando deslizou seu sexo aberto e muito, muito molhado contra ele e o provocou com sua pele escorregadia e excitada. Depois se incorporou e agarrou a camisinha. Chris grunhiu com impaciência quando Julie tirou sem pressa a camisinha e foi pondo pouco a pouco. — Deus, está tentando me matar? Julie o fez calar e deu um apertão de advertência no pênis. — Jamais pus uma camisinha e quero me assegurar de que o faço bem. Chris conteve uma maldição justo quando sua torturadora desenrolava o último centímetro ao redor de seu membro palpitante. — Aah, isso está melhor — disse Julie — Bem envolto, como um presente, e só para mim. — Sustentou-o em uma mão e colocou a cabeça contra sua entrada. Depois gritou e se apoiou no seio de Chris quando este elevou os quadris e a penetrou com um embate firme. Julie começou a se mover e abriu os joelhos para poder esfregar o clitóris contra ele com cada ataque. Elevou-se um pouco e se inclinou para trás para poder olhar Chris, que se movia como um animal sem domar embaixo dela. O suor escorria pela pele dele impregnada de azeite. Palpitava-lhe o seio enquanto lutava por manter o controle e vibravam os bíceps ao forçar as ataduras, com as mãos rodeando as barras da cabeceira. E aquele homem era dela. Todo dela. Julie seguiu baixando o olhar, até o lugar onde ambos estavam unidos e deixou escapar um suave grito. Viu sua pele, rosada e resplandecente, empapada e excitada ao aceitar com impaciência a invasão de seu amante. Observou o grosso pênis de Chris que se retirava quase por completo de seu corpo e logo voltava a desaparecer em seu interior quando seu corpo entrava nela. Nesse momento levantou a vista e viu Chris, que, com um brilho satisfeito nos olhos, via-a observando-os. O empresário apoiou bem os pés no colchão e se cravou nela. Julie arqueou as costas e gritou quando o sentiu penetrá-la ainda mais, por impossível que fosse. O orgasmo a golpeou com tal força que ficou sem fôlego e seu corpo se fechou ao redor do membro de Chris sem poder evitá-lo. As mãos apoiadas nos ombros de Chris a sujeitaram enquanto continuava movendo-se, acima e abaixo, extraindo até a última quebra de onda densa de seu próprio clímax enquanto o


conduzia ao dele. Em poucos segundos ele gritou e gozou com tal força que Julie sentiu cada palpitação, cada sacudida de Chris dentro dela. — Maldita seja, mulher, pode me manipular quando quiser — bramou Chris quando ao fim pôde falar outra vez. Julie adorava o modo no qual Chris a fazia sentir, a salvo, segura de si mesma, tanto que podia provar o que fora com ele, sexualmente falando, sem preocupar-se com vergonhas ou inibições. Podia deixar-se levar por completo. — Me alegro. Porque acredito que eu gosto. — Para grande assombro dele, assim era. — Possivelmente sejam todos esses anos de deixar que todo mundo controlasse minha vida — refletiu. — Possivelmente — disse ele com um bocejo enquanto Julie se apertava contra seu seio. Chris ficou calado uns minutos e sua captora estava já a ponto de dormir. — Hmm… Jules — sussurrou. — Hmm? — Poderia me soltar? *** Vou embora quando ela dormir, pensou Chris mais tarde enquanto jazia na cama com a cabeça de Julie apoiada em seu ombro. Ainda era cedo, mas a respiração da jovem se ia regularizando e aprofundando. Chris sabia que em seu sorriso havia um matiz presunçoso. Julie tinha ficado esgotada. Também estava com sono. Lutou contra a necessidade de dormir. Tinha que ir para casa. De fato, queria ir para casa. Não gostava de passar a noite inteira com uma mulher. Necessitava seu espaço, sua privacidade. Além disso, nunca dormia bem com uma mulher em sua cama. E com todo o trabalho que tinha com as bodas iminentes, precisava dormir bem… Julie se aconchegou mais contra o torso duro e peludo que tinha atrás. Abriu um olho à luz cinza da manhã que se filtrava pelas persianas das portas. Ainda era cedo, nem sequer tinha amanhecido. Sorriu. Chris ainda demoraria horas em se levantar. Tinha tempo de sobra para saborear a sensação do ter em sua cama. Como se lesse o pensamento dela, o musculoso antebraço dele se esticou ao redor da cintura de Julie e a jovem sentiu uma coxa firme cheia de pelo que se deslizava entre os seu ao tempo que encaixava os quadris dela em sua pélvis com mais firmeza. Julie sentiu uma onda imediata de calor ao sentir sua ereção palpitando contra as nádegas dela. Esfregou-se com suavidade contra ele, satisfeita quando Chris respondeu com um gemido baixo e surdo. Mordeu o lábio inferior para afogar um gemido quando os dedos dele beliscaram os mamilos enquanto Chris cobria o ombro e o pescoço de beijos ardentes com a boca aberta.


Assombroso. Uma carícia, um beijo e já estava molhada. Jamais tinha imaginado que fosse proprietária de uma libido tão ativa. Trocou de postura para girar entre os braços de Chris, mas ele esticou o braço que a rodeava e evitou que desse a volta. — Quero-te assim — sussurrou com calor contra o pescoço enquanto lhe levantava a perna e a apoiava em sua própria coxa. Julie pôde senti-lo, duro e medindo a entrada de seu corpo. — Assim posso te tocar. — Das palavras passou à ação, deslizou os dedos entre as pernas da Julie e acariciou a pele impaciente — Eu adoro sentir o muito que me deseja — disse antes de pegar uma camisinha. O som do pacote que se rasgava provocou um calafrio pela coluna dela. Julie se esticou de antecipação quando sentiu a mão de Chris roçar as nádegas ao botar a camisinha. Depois estava deslizando em seu interior, estirando pouco a pouco seu corpo enquanto seus dedos pareciam estar por toda parte, beliscando os mamilos, esfregando entre as pernas, até que Julie teve a sensação de que ia explodir. E Chris nem sequer se moveu. — Põe-me tão duro — disse ele; sua voz era um sussurro áspero no ouvido da Julie. — Não posso acreditar o muito que eu gosto de foder você. Suas palavras, junto com o movimento de quadris que as acompanhou, enviaram uma quebra de onda de calor ao sexo da Julie. — Oh, meu Deus, é tão bom — gemeu Julie, que arqueou as costas e se apertou contra a mão que tinha diante e os quadris que tinha atrás. Adorava aquela posição, que permitia que sentisse pressão e fricção de formas novas e muito interessantes. Julie não demorou muito em ficar a ofegar e estremecer-se contra ele enquanto seu corpo se contraía e palpitava a seu redor ao chegar ao orgasmo. Mas Chris não tinha terminado com ela. Ao contrario da noite anterior, quem mandava essa manhã era ele e ia sair com a sua. E Julie estava mais que disposta a permitir. A colocou de barriga para baixo, inclinou-se para trás e depois a levantou até que a jovem ficou de joelhos. Julie apertou os punhos nos lençóis com um gemido. — Você gosta de ser uma garota má, não? — disse Chris enfatizando a pergunta com um duro golpe de quadris. — Sim — ofegou ela, apenas coerente quando se tornou para trás para recebê-lo. A palma masculina caiu sobre as nádegas de Julie com um tapa que extraiu um gemido dela ao tempo que seu sexo palpitava e se fechava ao redor de Chris. — Você gosta, verdade? Você gosta que bata em você como se fosse uma menina má. — Chris deu outro tapa e a ligeira ardência enviou um raio aos mamilos e ao sexo dela. Julie foi incapaz de responder, mas tampouco pôde evitá-lo e retorceu o traseiro para tentar incitá-lo a que desse mais daqueles deliciosos tapas. — Goze comigo — ordenou ele ao tempo que alternava açoites ligeiros com embates profundos e duros que penetravam no corpo feminino cada vez mais. — Quero que goze outra vez.


Julie ouvia a respiração alterada de Chris, o som incrivelmente excitante da palma de sua mão golpeando a bunda. Aquele homem a empurrava cada vez mais para que chegasse mais alto até que se cambaleou ao bordo de um prazer tão feroz que temeu que a consumisse. Fechou-se ao redor do membro dele e gemeu quando o pênis de Chris pareceu impossivelmente maior, impossivelmente mais duro em seu interior. — Oh, Deus. A força do orgasmo caiu sobre ela como um golpe físico. Onda após onda de êxtase que a atravessou como um chiado e se precipitou por cada uma de suas terminações nervosas do último cabelo da cabeça até a ponta dos dedos. Derrubou-se sobre o travesseiro, débil, sem forças entre os braços de Chris. Percebeu de uma forma vaga que seu amante se estremecia contra ela e ouviu o gemido profundo que fez palpitar o seio masculino. Chris se derrubou sobre as costas dela e depois rodou de lado com a Julie agarrada contra ele. Uma vez que desvaneceu a sorte sexual, Julie sentiu uma vaga sensação de inquietação. Cada vez que Chris a tocava, cada vez que tinham relações sexuais, sentia-se como se estivesse perdendo outra parte de si mesma entre as mãos de Chris. Na universidade tinha estado meio apaixonada por ele e muito temia que a outra metade tinha começado a cair também. Julie era realista e sabia que não devia permitir que ele se desse conta daquela horripilante realidade. Inclusive embora ao Chris interessasse algo mais que uma aventura, passou-se os últimos anos afastando-se de sua família e D&D. Seguro que o último que gostava de era mesclarse com tudo aquela animação. E Julie era o bastante honesta consigo mesma para dar-se conta de que parte da atração que exercia sobre ele era a novidade, ver o que se sentia ao converter a princesa perfeita em uma garota má. Uma quebra de onda de calor invadiu seu corpo ao recordar até que ponto tinha sido malote nas últimas vinte e quatro horas. Mas não era somente o sexo. O tempo que tinha passado com ele nos últimos dias a tinha feito recordar todas as razões pelas que em seus dias de universidade adorava sua companhia. Por que aquele homem era tão bom amigo. Era divertido e inteligente. Não a julgava quando queria ver filmes tolos ou um programa absurdo de televisão. Jamais a fazia sentir-se como se tivesse que manter um nível inalcançável de perfeição. Estar com lhe recordou quanto tinha sentido falta dele quando se foi. Uma dor intensa lhe perfurou o coração. Essa vez, quando se separassem, o ia sentir falta de ainda mais. Em só quatro dias teria que retornar a São Francisco, enquanto que Chris certamente não perderia o tempo para encher qualquer vazio que Julie pudesse deixar em sua cama. Que ela soubesse, possivelmente nem sequer voltariam a falar-se outra vez. Aquela ideia era muito mais que deprimente. Duvidava muito que Chris estivesse interessado em algum tipo de relação à distância. — Chris? — Sim, botãozinho? Julie sentiu um reticente sorriso que atravessava os lábios para o ouvir usar aquele apelido.


— Promete-me uma coisa? A alma foi aos pés quando ouviu a vacilação de Chris. Menos mal que não ia pedir uma promessa de amor eterno. Então sim que a teria decepcionado de verdade. — O que? — perguntou Chris enquanto flexionava a mão com gesto nervoso sobre o ventre dela. Julie deu a volta para poder olhá-lo e levantou a mão para acariciar a incipiente barba da bochecha. — Só me prometa que quando isto terminar, não vai desaparecer por completo outra vez. Chris sorriu e o alívio que percebeu naquele gesto esteve a ponto de romper o coração de Julie. — Isso é fácil — disse Chris. — Até que voltei a ver você, não me dava conta de que tinha sentido sua falta todos esses anos. Não vou desaparecer. Julie sabia que era muito mais do que Chris oferecia geralmente a suas amantes e muito menos do que ela tão bobamente queria. Mas teria que bastar.


Capítulo 11 As palavras de Julie seguiam ressoando na cabeça de Chris dois dias depois, enquanto tentava concentrar-se nos preparativos do casamentos que ia se celebrar dentro de uma semana. Só me prometa que quando isto terminar, não vai desaparecer por completo outra vez. Deus. Mas se era ela a que ia; em dois dias, para ser exato. Deveria se sentir aliviado. Tinha custado em se concentrar o que não está nos escritos e uma vez que Julie se fosse, possivelmente ao fim poderia centrar-se nas bodas do inferno. Mas o único que ansiava era meter-se na bolsa de lona Louis Vuitton de Julie e segui-la até São Francisco. Essa manhã, na cama, havia sentido a tentação inclusive maior de pedir que ficasse para que pudessem averiguar de uma vez o que havia entre eles. Mas Chris conhecia a família de Julie e sabia que o dever a chamava. Tinha-o notado no cenho que tinha franzido a testa dela quando apareceu no balcão de Chris. Com suas férias a ponto de terminar, a vida real e todas suas preocupações começavam a fincar as garras na Julie para tirá-la da ilha e levar a de volta com sua família e um mundo onde não havia lugar para ele. Mas tampouco importava, recordou-se Chris com ferocidade. Não era como se estivesse preparado para sentar a cabeça e ter uma relação para o resto de sua vida, nem sequer com Julie. Então por que desejava a presença daquela mulher por cima de todas as coisas? Ao princípio tinha tentado atribuí-lo à satisfação de uma fantasia. Depois de tudo, levava quase uma década cobiçando-a. Era de esperar que se permitisse certos luxos. Mas já tinham passado quatro dias. Quatro dos dias mais assombrosos de sua vida, uma vida superficial e emocionalmente em quebra, e Chris começava a perguntar-se o que teria para oferecer sua existência uma vez que se fosse Julie. Sacudiu a cabeça e tentou esquecer-se de uns pensamentos tão ridículos. Estava drogado pelo sexo. Isso era tudo. O sexo com Julie era muito melhor do que o tinha sido em muito tempo — está bem, nunca — com ninguém, tanto que estava dominado pela novidade. Mas e se Julie ficava ali com ele? O brilho se desgastaria e com o tempo deixariam de lhe obcecar seus espessos cachos loiros e a sensação que sentia quando roçavam as coxas quando Julie baixava a cabeça para… —Terra chamando Chris! A bola enrugada de papel o golpeou na boca entre aberta. — Tem que chamar o fornecedor de licores outra vez — disse Carla enquanto agitava uma fatura diante dele — O preço que nos deu pelo champanhe, é inferior ao que nos está cobrando. Chris sacudiu a cabeça em um intento de limpar a de qualquer visão da Julie e sua perfeita e rosada boca.


— Foi mal. Estou um pouco distraído. Carla pôs os olhos em branco. — Isso é porque tem tudo o sangue na outra cabeça. Chris esboçou um sorriso envergonhado, mas não discutiu. Carla tinha razão e estava começando a ser um autêntico problema. Nos últimos quatro dias, Chris tinha cometido um engano no pedido de catering, atou-se com as reservas da família da noiva e tinha colocado a oito deles em uma cabana de dois dormitórios em lugar de em uma das mansões, e sem querer tinha posto a direção da noiva em um e-mail que tinha mandado a Carla e no qual chamava à futura noiva “puta mimada e mais emocionante que um chotis14”. Menos mal que Carla tinha podido solucionar seus desastres. Inclusive assim, e se não faltasse só uma semana para as bodas, a Chris não cabia dúvida de que a noiva já teria trocado de lugar. — Isto não é próprio de você — disse Carla pela centésima vez essa semana. — Geralmente sempre está muito centrado. Jamais te tinha visto te pôr tão parvo por uma mulher. Chris fez uma careta e cravou os olhos nas faturas que tinha em cima da mesa. Por isso precisamente deveria alegrar-se de que Julie se fosse em um par de dias. Estava distraído por completo em um momento no qual, certamente, não podia permitir-lhe Essas bodas podia ser um dom do céu para suas relações públicas ou um desastre, e estavam tão curtos de pessoal que tanto Carla como ele tinham que concentrar-se aos cem por cem nas bodas e em levá-la a seu fim sem nenhum contratempo. Entretanto, passou a manhã lutando contra o impulso de fugir do trabalho, ir procurar Julie e arrastá-la até sua casa. Mas tragou o ressentimento de ter que desperdiçar no trabalho um só momento dos dias que ficavam a ela na ilha e se centrou no que estava dizendo Carla. — Não queria te dizer nada — continuou Carla — porque o certo é que parece feliz, mas te necessito aqui, Chris. Não posso fazer isto sozinha e sabe. — É verdade, sei. E a partir de agora mesmo, já estou aqui, aos cem por cem. Julie terá… — Eu terei o que? Chris sentiu que o cérebro se convertia em papa quando a causa de sua distração apareceu na porta de seu escritório com um aspecto delicioso, com aquele alegre vestido de praia estampado de flores e sujeito por uns suspensórios muito finos. Calçava um chinelo de salto alto muito pouco prático e o olhar dele tropeçou com o reflexo prateado do anel que rodeava o cuidado dedo do meio do pé direito. Chris sentiu uma tensão incômoda na virilha quando recordou que tinha estado chupando esse mesmo dedo essa manhã, com o pé da Julie apoiado em seu ombro enquanto seu pênis abria caminho pelo sexo dela. Pouco a pouco, centímetro a centímetro, tal e como Julie gostava… — Eu terei o que? — repetiu Julie. Chris jogou um rápido olhar a Carla, que mostrava uma expressão severa e espectadora. Trabalhar. Isso. Centrar-se. Como não. 14

O chotis é uma música e dança com origem na Bohemia.


— Terá que entender que tenho que anular o almoço para poder resolver uns detalhes das bodas que estamos organizando. — A atriz, não? —perguntou Julie enquanto se aproximava do escritório de Chris para olhar por cima de seu ombro. Carla lançou a Chris um olhar furioso. — Você contou? Sabe quantas vezes me pôs a parir Dão o Casulo insistindo em quão importante é que ninguém saiba que Jane vai celebrar suas bodas aqui? — Dão o Casulo era o apelido carinhoso que tinha dado Carla ao chefe de segurança de Jane. Juro que se aparecer por aqui um só jornalista, eu mato você. Julie interveio antes que Chris pudesse responder. — Não tem nada do que preocupar-se. — E levantou uma mão para dar ênfase — Acredite, entendo a necessidade de discrição que exige o tema. Carla assentiu e voltou a sentar em sua poltrona enquanto soltava, um suspiro exasperado. — Para falar a verdade, parte de mim sente a tentação de dizer à imprensa para que Jane cancele as bodas. Está sendo uma autêntica dor na bunda — disse Carla. Antes que Chris pudesse detê-la, Julie agarrou a fatura do distribuidor de licores e formou uma ruga adorável na testa quando leu. — Sabem que estão cobrando mais da conta por estas caixas — disse Julie. — Já sei — respondeu Carla — Disse trezentos e cinquenta dólares por caixa, mas agora diz que dado que a quantidade trocou, tem que nos cobrar trezentos e setenta e cinco dólares… Julie a interrompeu com uma gargalhada áspera. — Não, refiro-me a que está cobrando de mais de verdade. Não é a primeira vez que trabalho com estes caras e sei que podem fazer um preço melhor. Chris sentiu que punham os cabelos de ponta para ouvir o que insinuava Julie, que era muito estúpido para saber quando o estavam fraudando. Sabia o que estava fazendo, merda, e só porque ela passasse os dias revoando pelo escritório de vendas de Winston, não significava que tivesse ideia de como tirar adiante um evento como aquele. — Acredito que já nos ocupamos disso — soltou a Julie — Há algo que queira me falar? Chris fingiu não notar o olhar ferido que lançou Julie embora necessitasse de toda sua força de vontade para não sentá-la em seu colo e beijá-la até que o perdoasse. — Vim ver se queria comer comigo — disse Julie, — mas é óbvio que não é um bom momento. Deu-se a volta para ir, mas antes de chegar à porta ouviu a voz de Carla. — Assim conhece alguém no Kingsley's? — Trabalhei com eles quando estive no hotel que tem D&D em St. Barts — disse Julie. — Poderia chamá-los para vocês se quiserem. — Não… — começou a dizer Chris. — Por que não? —Carla se encolheu de ombros. — Toma o número. — Já tenho — disse Julie enquanto se sentava na mesa de Carla e marcava.


Chris e Carla a observaram e escutaram, chocados e admirados de uma vez. Na conversa mais doce e civilizada que Chris tinha ouvido jamais, Julie arrumou para negociar o preço de seu fornecedor de licores e baixá-lo outros trinta por cento. — Isso foi… — começou Carla. — Impressionante — terminou Chris por ela. — Obrigada — disse Julie com um encolhimento de ombros. — Tendo em conta que é como ganho a vida, é agradável saber que faço bem meu trabalho. — Eu acreditava… — começou Chris, mas Julie o interrompeu. — Sei exatamente o que acreditava. Pensava que o meu não era mais que um título sem sentido, que porque sou a filha do chefe, nunca me incomodei em trabalhar de verdade. Julie tomou o silêncio do Chris como um assentimento. Não sabia, por que se surpreendia tanto, nem por que lhe doía tanto que Chris a visse como a viam, todos outros. A princesa malcriada do papai, cujo trabalho não era mais que um título em um cartão de visita com seu nome em um elegante relevo. Era certo que desfrutava de um estilo de vida muito agradável, cortesia da fortuna de seus pais, mas também gostava de seu trabalho como diretora de eventos especiais do Winston, e quebrava a cabeça para assegurar-se de que as recepções que organizava superassem todas as expectativas. Sob sua direção, o Winston se converteu no lugar mais “up” de São Francisco para celebrar as festas mais espantosas de todas as festas espantosas da alta sociedade da cidade. Julie conteve o impulso de fazer uma lista a Chris de todos seus lucros. Não tinha que justificar-se ante ele. Mas era uma dose de realidade que custou assumir depois da idílica semana que tinham passado juntos. Enquanto ela ia se apaixonando por ele cada vez mais, ele a via como uma garota da alta sociedade, superficial e ociosa. O qual não era a receita ideal para viver felizes para sempre. Carla ficou olhando a Julie com uma expressão especulativa nos olhos. — Chris, posso falar com você um minuto? — Carla se levantou e assinalou a porta com um gesto. Chris a seguiu ao corredor e deixou Julie ali, dando voltas à cabeça, Julie não ouviu nada da conversa, só sussurros apagados junto à porta. Conteve o impulso de aproximar-se de escutar e ficou onde estava, sentada na mesa de Carla. Retornaram ao cabo de uns minutos; Carla parecia impaciente e satisfeita, Chris indubitavelmente incômodo. — Isto vai soar muito estranho — disse Carla com as mãos juntas, — e não me ocorreria pedir isso se não fosse uma amiga tão… — fez uma pausa e lançou um olhar de soslaio a Chris — íntima do Chris. Julie se apoiou na borda da mesa de Carla e fez um gesto para que continuasse. — Suponho que te terá contado que nosso chefe de eventos nos deixou sem avisar faz umas duas semanas e que também perdemos a outros membros de nosso pessoal…


— Querem que ajude vocês com as bodas? — interrompeu-a Julie. — Agradeceríamos isso mais do que você pode imaginar — disse Carla com um sorriso de alívio. A expressão de Chris era tão sombria como a da Carla satisfeita. — Não sei, Carla. Não se ofenda Julie, mas uma coisa é fazer uma chamada e usar seu nome para nos conseguir um bom preço e outra organizar os detalhes de um evento desta magnitude. — Ah, não me diga — disse Julie, o desdém jorrava de cada uma de suas palavras. — E quantos “eventos desta magnitude” você organizou? —perguntou quando sabia de sobra que a resposta era nenhum. — Porque só ano passado fui à coordenadora das bodas de Whitney Taylor. — Até Chris, que nunca tinha prestado muita atenção à alta sociedade de São Francisco, reconheceu o nome da herdeira do império petroleiro — Assistiram mil pessoas, Chris, assim acredito que posso dar uma mão em umas bodas dez vezes mais pequena. Chris não parecia muito convencido e Julie sabia exatamente o que estava pensando. Que sua ideia de coordenar umas bodas se limitava a escolher as flores e sugerir lagosta como prato principal. Bom, obras são amores, pensou. Julie desfrutou da oportunidade de demonstrar que se equivocava e lhe ensinar que ela era muito mais do que parecia. — Muito bem — disse. — Façamos um trato. Me dê o resto da tarde para trabalhar com você. Se o único que faço é atrasar e não contribuir com nada, vou para casa na sábado como estava planejado. — De acordo — disse Chris com tom brusco e a instalou ao outro lado de sua mesa. Duas horas depois, Julie tinha reorganizado por completo seus arquivos e tinha idealizado quatro menus diferentes para satisfazer as incompreensíveis preferências do Jane Bowden. Depois se reuniu com o chefs e utilizou até a última grama de seu adorável feitiço loiro e seus olhos azuis, até tal ponto que o cozinheiro se mostrou encantado de preparar todos os pratos para que Jane Bowden os provasse e aprovasse quando chegasse. E para perplexidade de Carla e seu infinito agradecimento, Julie tinha falado com Dão o Casulo e o tinha convencido — e para tudo sem gritos nem maldições! — que não havia razão alguma para rodear a ilha com o iates repletos de guardas armados para manter à imprensa de fora. Ao final, Chris levantou de sua poltrona e levantou as mãos. — Admito-o. Sinto te haver subestimado. Sim ainda está disposta, eu adoraria que ficasse e nos ajudasse com as bodas. Julie sabia que seu sorriso era bastante presunçoso, mas não pôde evitar. — Possivelmente possa me persuadir, depende da oferta. Chris estirou a perna para roçar a dela sob a mesa. — Posso oferecer grandes benefícios — disse movendo as sobrancelhas. Julie pôs-se a rir; sua anterior irritação começava a desvanecer-se sob a força daquele sorriso. A verdade, quem podia culpá-lo por subestimá-la? Se nem sequer seu próprio pai tinha ideia de quanto trabalhava, e isso que era seu chefe.


— A verdade é que necessitamos sua ajuda — disse Chris, já mais a sério. O empresário cruzou os braços e se derrubou em sua poltrona. — Tampouco tem que pôr essa cara — disse Julie. — Pensa como se sentiria você se tivesse que pedir a um hóspede que está pagando uma fortuna para alojar-se em um complexo do D&D que te ajudasse com um evento. É embaraçoso, por não dizer outra coisa. Julie entendia como se sentia Chris. Sabia bem a pressão que implicava ocupar-se de todos os caprichos de um hóspede sem aparente esforço. Permitir que alguém visse o trabalho que custava arruinaria a ilusão. — É que eu não sou um hóspede qualquer, sou sua… — fechou a boca de repente. Merda, tinha estado a ponto de referir-se a si mesma como sua noiva. Isso sim que o teria feito fugir apavorado. — Sou sua amiga — começou outra vez — e resulta que tenho muita experiência com este tipo de coisas. — E é obvio te devolverá a importância de todas suas férias — disse Carla. Depois olhou a Chris em busca de aprovação. Carla se dirigiu a sua mesa para comprovar seu computador. Depois franziu o cenho quando começou a percorrer a página. — Só há um problema… — Cravou outra vez com o mouse e sacudiu a cabeça — é muito embaraçoso… — Olhou a Julie com uma careta tensa no rosto. — Com as bodas vamos estar cheios desde sábado, incluindo sua cabana. Sei que é um abuso, mas temos habitações de sobra disponíveis no alojamento do pessoal e estou segura de que podemos arrumar algo. — Julie vai se alojar comigo — interpôs Chris. — Com você? — disse Carla sem incomodar-se em ocultar sua surpresa. — Mas ninguém fica jamais em sua casa. Inclusive essa vez que estávamos cheio e veio seu melhor amigo te visitar, obrigou-o a dormir em minha casa… Julie sentiu que se o fazia um nó no estômago, possivelmente havia esperança. Possivelmente isso era um sinal, uma indicação de que Chris queria algo mais que uma simples aventura. Possivelmente sentia algo por ela que ia além da luxúria e a amizade. — Por Deus, tampouco é para tanto! — disse Chris enquanto passava os dedos pelo cabelo. Olhou primeiro a Julie e logo a Carla. Depois repetiu em um tom de voz muito mais baixo — Não é para tanto. Julie olhou os pés vários segundos e se centrou no rosa brilhante das unhas dos pés. Sim piscava, as lágrimas que enchiam os olhos iam correr-lhe pelas bochechas e isso seria a humilhação definitiva. Sempre se tinha dado bem ocultar suas emoções e não ceder às lágrimas de frustração ou raiva diante de ninguém. E certamente tampouco pensava fazê-lo diante de Chris. Assim não era para tanto. Ficar em sua casa não significava nada, como tampouco deitar-se com ele. Acaso não levava toda a semana repetindo o mesmo?


*** Julie passou os dois dias seguintes trabalhando lado a lado com Chris e Carla para organizar os últimos detalhes do casamento. Chris tinha insistido em que tinha que divertir-se também e se assegurou de que essa tarde tivesse tempo de sobra para desfrutá-lo na praia ou na piscina com Amy, Jen, Kara e Chrissy. As garotas foram à manhã seguinte e depois disso, Julie passaria todo o tempo ocupada, ajudando Chris e Carla com os últimos preparativos das bodas que ia se celebrar à semana seguinte. Inclusive apesar da insistência de Chris, Julie se sentiu culpada ao tomar a tarde livre. Parte dela ainda estava ressentida pelas dúvidas iniciais de Chris. Sempre tinha tido a sensação de que tinha que trabalhar mais e ficar mais horas que outros para demonstrar aos outros empregados que não tinha conseguido aquele trabalho só por puro nepotismo. E a pressão se multiplicava naquelas bodas porque queria demonstrar a Chris quão bem fazia seu trabalho, que podia contar com ela. Contudo, era um prazer afastar-se dele umas quantas horas, limpar-se um pouco e começar a lutar com umas emoções que lhe estavam indo das mãos. Era uma situação perigosa. Embora Julie sempre se levou bem com ele e tinha desfrutado de sua amizade, quanto mais tempo passava com Chris, mais crescia sua admiração por ele. Adorava a inteligência daquele homem, sua penetrante perspicácia empresarial, sua capacidade para dirigir as crises e seguir motivando a um pessoal ao que já exigia um esforço sobre-humano. E adorava notar que ele começava a confiar nela e permitia fazer o que melhor sabia fazer Julie: organizar os detalhes e assegurar-se de que todas as partes implicadas no evento ficavam satisfeitas, com a segurança de que tudo ia sair à perfeição. A mãe da noiva já tinha chamado Carla para felicitá-la por sua nova coordenadora de casamento. — É fabulosa — se entusiasmou a senhora Bowden. — É obvio que sabia que tinha tudo controlado — matizou imediatamente, — mas é um prazer saber que Julie está cuidando de nós. — Ótima impressão depois de só uma chamada de telefone — havia dito Chris com um sorriso cálido. A lembrança da aprovação que tinha brilhado nos olhos masculinos ainda era capaz de provocar um comichão pela coluna. Era uma tolice, em realidade. Julie já sabia que fazia muito bem seu trabalho. Não sabia por que a admiração do Chris lhe parecia tão importante, mas enchia um vazio em seu interior ao saber que alguém a necessitava. Claro que seus motivos não se apoiavam só na generosidade e o desejo de ajudar Chris. Ficar ali uns dias a mais também resultava útil a ela. Ou a sua covardia, dependendo do ponto de vista que adotasse. Sabia que só estava evitando a realidade, atrasando o enfrentamento inevitável que se produziria quando voltasse para casa. Não era a primeira vez que se perguntava o que ia passar quando chegasse a São Francisco. Algo tinha trocado nela e não parecia que pudesse retornar a sua vida cotidiana sem mais. Não era só que sua vida amorosa já não lhe resultasse satisfatória. Nos últimos dias,


enquanto trabalhava com Chris, não tinha podido evitar pensar em sua carreira, ou a falta dela. Certo, tinha um emprego e tinha a sorte de sentir paixão por ele. Mas já fora a filha do chefe ou não, tinha que enfrentar-se a uma dura verdade: sua carreira profissional no D&D tinha uns limites muito claros. Ao contrario de Chris, que estava disposto a confiar no instinto de Julie e a escutar de verdade suas ideias, seu pai geralmente a tirava de cima com o proverbial tapinha na cabeça. Chris tinha razão, em certo sentido. Para seu pai, o trabalho de Julie não era mais que um cargo em um cartão de visita. Uma forma de mantê-la ocupada e sob controle até que se casasse, tivesse filhos e deixasse de trabalhar para criar a seguinte geração de príncipes e princesas da alta sociedade. E inclusive embora seu pai tivesse planos para fazer Julie subir na empresa, a jovem não estava muito segura de que isso era o que ela queria. Sempre seria a companhia de seu pai, com suas regras e as coisas feitas a sua maneira. Por não mencionar que teria que trabalhar com Brian, coisa em que preferia nem sequer pensar. Oxalá se parecesse mais a Chris e tivesse o valor para deixar atrás sua família e abrir caminho ela sozinha. Mas se tinha passado os últimos vinte e seis anos fazendo sempre o que devia, cumprindo com sua obrigação de cara a seus pais e a empresa. Não podia dar as costas de repente a todas suas obrigações. Suspirou, obrigou-se a relaxar a mandíbula e recordou que não era o momento de fazer análise de sua vida. Era o momento de desfrutar do calor do sol sobre sua pele, da suave brisa do Caribe em seu cabelo e do aroma salobra do mar. Oxalá pudesse ficar ali, no paraíso, para sempre. — Não sei o que está fazendo para que tenha essa expressão, mas já estou ciumenta. Julie girou a cabeça de repente para olhar Jen, recostada na rede que tinha ao lado. — Sim — disse Amy. — Acreditei que meu prometido lhe dava bem, mas é óbvio que Chris tem habilidades que vão além das de qualquer mortal. — Certamente é verdade — sorriu Julie — mas de fato estava pensando em quão divertido é trabalhar com ele. Compenetramo-nos muito bem. — Arrumado que sim — disse Chrissy com uma risada. — Arrumado a que se compenetra contigo por todo o escritório, na cadeira… — Tem uma mente muito suja — riu Julie. Mas ao tempo que protestava, seu cérebro se alagou de imagens da tarde anterior. Apesar de toda a loucura das bodas, Chris tinha encontrado um momento para jogar. Carla tinha ido falar com o cozinheiro. — Volto em vinte minutos — disse olhando os dois com intenção — Entendido? Vinte minutos. Chris tinha respondido com expressão inocente ao olhar severo da Carla, mas assim que sua prima fechou a porta atrás dela, Chris se levantou da cadeira e rodeou o imenso escritório. Sem uma só palavra tinha tirado a Julie de sua cadeira e a tinha sentado sobre a escorregadia superfície da mesa. — Mas o que…?


Chris tinha afogado os protestos da jovem com um beijo e tinha metido a mão sob a saia sem olhares. Já só aquela urgência tinha provocado uma vibração de calor na Julie que a atravessou inteira. Saber que aquele homem a desejava até esse ponto já era suficiente para que estivesse pronta imediatamente. Chris tinha deixado escapar um gemido de satisfação ao sentir a umidade que tinha molhado em um momento o tecido sedoso das calcinhas de sua garota. Depois não tinha perdido um instante e se pôs a toda pressa a camisinha que tinha tido a precaução de meter no bolso das calças curtas. Tirou a calcinha de Julie, jogou-a na mesa e a penetrou com urgência, afundando-se tudo o que pôde com um só embate. Julie sentiu que o corpo esticava de agradar ao recordar o modo em que gozou quase imediatamente. Tinham terminado com cinco minutos de sobra, o que deu a Julie tempo suficiente para correr ao banheiro a se assear e salpicar a cara com água, fria para mitigar o rubor orgástico que tingia as bochechas. Quando Carla retornou, Julie tinha voltado para seu posto no escritório, em frente de Chris, e estava estudando a última, revisão dos acertos florais, Julie estava convencida de que tinham saído impunes da travessura, e isso que Chris se negou a devolver a calcinha, que tinha preferido guardar em um bolso. — Para que me deem sorte — disse com um sorriso que tirou o fôlego de Julie. Mas Carla não tinha por que sabê-lo. — O seu é ridículo, francamente — disse Carla e Julie captou a expressão de asco em seu rosto quando levantou o pacote vazio da camisinha. — Trojan Mágnum — leu Carla na etiqueta. — Chris, é um fantasma, que saiba. E agora me digam que não o têm feito em cima de minha mesa. Julie o assegurou entre gagueiras e conteve o impulso de fugir do óbvio desdém de Carla enquanto Chris, o muito idiota, ria a gargalhada ao ver sua prima comprovar sua mesa em busca de provas. — Mas que ligaaada está nele — disse Amy com tom cantante. As outras garotas se uniram atirando beijos ao ar. — Julie e Chris, sentados em uma árvore… — cantarolou Jen. — Não diga isso, Jen — disse Chrissy. — É óbvio que estão fazendo o amoooor. — Mas querem calar de uma vez? Estou tentando desfrutar do último dia que vamos passar aqui, esta bem? — soltou Kara de repente. — Não é tão fácil relaxar quando atuam como se estivéssemos no recreio. Assim Chris se está atirando a Julie. A quem, diabos, importa? Julie não tinha nem ideia de como tinha conseguido Kara aquela reputação de farrista. Jamais em sua vida tinha conhecido a alguém tão capaz de terminar com toda a diversão de qualquer momento. O caso era que, de repente, o sol do Caribe pareceu abafadiço, a brisa estava colocando areia pelo nariz e a boca tinha sabor de sal pelo banho que tomou. Embora ainda ficavam um par de horas antes de retornar com Chris e Carla, Julie decidiu recolher suas coisas. — Não vá, Jules — rogou Amy. — É nosso último dia e quero passar um momento com você.


— Sim, não faça nem caso a essa. — Jen não se incomodou em levantar a cabeça do livro que estava lendo para assinalar a Kara. — Está de saco cheio porque ela não fodeu ninguém e se fizermos muito ruído, a ilha tem lugares de sobra onde pode ir sozinha. Kara tirou seu iPod da bolsa e com um olhar cheia de intenção, colocou os fones. — Não passa nada — disse Julie enquanto recolhia sua bolsa da praia. — Deveria ir, de todos os modos. — Oh, venha — disse Jen. — Pode ficar um pouco mais. Tomamos uma taça e nos contas mais detalhes das bodas super secretas. Julie pôs-se a rir. — Se acham que vou falar, estão enganadas. — As garotas levavam todo o dia tentando surrupiar informação sobre os noivos. Tinham jurado por tudo quanto é sagrado que manteriam o segredo, mas Julie sabia de sobra que seria muito suculento para não compartilhá-lo com ninguém. Inclusive estava custando um triunfo resistir ao impulso de chamar Wendy: Jane Bowden era uma das atrizes favoritas de sua melhor amiga. — Prometo-lhes que hoje saio logo e vou jantar com vocês — disse Julie com um pequeno gesto da mão sem fazer caso dos afáveis protestos das garotas. — Né, Julie! Julie sorriu. Suas amigas não sentiriam falta dela por muito tempo. Mike, Brad, Greg e Dan se aproximavam pela praia. Julie tomou um momento para admirar o suculento desdobramento de carne bronzeada sobre músculos. Nenhum deles chegava a Chris à sola dos sapatos, claro estava, mas tampouco estava cega. Amy tinha razão. Estava muito ligada nele. Mas muito. E trabalhar com Chris só estava piorando as coisas, criando um efeito de bola de neve. Quanto mais tempo passava com ele, mais desejava sua companhia. Por não falar do sexo. Isso também parecia alimentar-se de si mesmo. Em lugar de dissipar-se, o desejo que sentia por ele parecia fazer-se mais intenso cada vez que faziam amor. Em seu momento Julie tinha acreditado estar apaixonada pelo Brian, mas ao fim tinha compreendido que nem sequer se aproximou. O moderado afeto e a atração passageira que sentia pelo irmão maior de Chris não tinham nem ponto de comparação com o que sentia nesses momentos. Mas não havia razão para que Chris se inteirasse. No que a ele se referia, Julie o estava passando bem com um velho amigo, fazendo realidade um antigo desejo. E se quando chegasse o momento de ir, deixava a ilha com o coração machucado e maltratado… bom, a única responsável seria ela.


Capítulo 12 Chris fez o que pôde por parecer absorto no que dizia a supermodelo, mas sua atenção monopolizava Julie, que estava sentada com a Amy e suas amigas e os mergulhadores. Também observou, não sem alívio, que Mike estava muito ocupado com Chrissy sentada em seu colo. Dado que era a última noite para vários convidados, incluindo o grupo de amigas e ao de mergulhadores, o dever de Chris era socializar e alternar com seus clientes antes de ir jantar com Julie. Mas o que queria fazer em realidade era encerrar-se em sua casa com ela, como já tinha feito várias vezes na última semana. O qual era uma loucura, tendo em conta que também estava passando várias horas ao dia com ela no escritório para trabalhar na organização das bodas. Descobriu que depois de terminar o trabalho do dia, a ideia de levar a Julie a um dos três restaurantes do complexo tinha muito pouco atrativo para ele. A maior parte das noites o que gostava era de pedir algo ao serviço de quartos e passar a noite vendo os filmes favoritos dos dois e fazendo amor. Essa mesma tarde Julie tinha passado todas suas coisas à casa dele para que sua cabana pudesse ser ocupada a manhã seguinte vários convidados das bodas. Chris se tinha plantado ali, a vê-la desfazer as malas e guardar sua roupa nas gavetas, junto às dele, e ver como colocava sua lâmina com cuidado no bordo da ducha. Tudo aquilo deveria havê-lo feito sentir uma intensa sensação claustrofóbica, mas em lugar disso, sentia-se estranhamente satisfeito. Aquilo estava indo das mãos. Estavam-se fazendo realidade todos seus receios sobre uma possível relação com a Julie. Sempre tinha sido a única garota que não tinha podido esquecer, a garota boa, doce e sexy que havia o tornado louco. Tinha-a posto em um pedestal e se obrigou a não tocá-la jamais, temeroso de que um só beijo, uma carícia, nunca fora bastante. Merda, como odiava ter razão. Quando Julie tinha chegado a Recife Holley, Chris se tinha convencido de que aquela garota tinha mudado com os anos. Que a jovem doce, divertida e surpreendentemente inteligente pela que tinha perdido em amores na universidade já não existia, se é que alguma vez o tinha feito. Essa garota jamais se casou com Brian. Nem tampouco tivesse utilizado Chris para jogar um pó e vingar-se de seu marido em sua noite de núpcias. Chris compreendeu que se enganou de forma deliberada ao pensar que podia manter-se a distância e dar o que os dois queriam: uma aventura sem compromissos que satisfizera o gosto de ambos pelo proibido. Que idiota. Do momento em que a tinha visto no jantar familiar, antes de suas bodas, tinha tido aquela estranha sensação, como se precipitasse, por um escarpado, tinha sabido que mais valia não aproximar-se ou se arriscaria a sair machucado. Bom, pois estava bem fodido, muito bem. Porque no pouco tempo que Julie tinha passado com ele, tinha demonstrado a Chris que era tudo o que ele tinha criado em sua mente, e muito mais. Trabalhava cada dia a seu lado e com


cada dia ia caindo mais e mais sob o feitiço de Julie. Não custava nada imaginá-la ali, em sua vida. Convertida em sua companheira, em sua amante. Observou-a do outro lado do bar lotado e sentiu um nó no seio quando Julie sorriu a outro hóspede. Nos últimos dois dias havia sentido a tentação mais de uma vez de pedir que ficasse. A merda com a volta a casa, a merda com sua vida em São Francisco. Podia ficar ali, com ele, e ver aonde ia aquilo. Mas apesar da assombrosa conexão que havia entre os dois, Chris não sabia em realidade a que ater-se. Era óbvio que Julie gostava, e que gostava de estar com ele, e a Chris não cabia dúvida de que a jovem desfrutava do sexo. Mas não era idiota. Sabia que uma grande parte da razão que a tinha levado ali tinha sido poder escapar do caos que tinha em casa, e que tinha prolongado sua estadia para evitar isso mesmo. Mas na hora da verdade, Julie não estava preparada (se chegava a estar alguma vez) para dar as costas a sua família e começar uma nova vida com ele. — Estamos desejando voltar com a Nicole e seu noivo, mas tem que prometer que não vai vazar para a imprensa — dizia Nádia. — É obvio — respondeu Chris enquanto tentava se obrigar a concentrar na conversa e não na ambígua relação que mantinha com Julie — Somos famosos por nossa discrição. — Discrição? Suponho que isso só se aplica a seus hóspedes e não a você mesmo. Chris girou para ouvir a voz. Kara estava tão perto que quando virou, não pôde evitar lhe roçar os amplos seios. E só se por acaso Chris não tinha notado o profundo decote do vestido que levava, sem mangas nem costas, Kara apertou os braços com sutileza contra os flancos dos seios até que estes ameaçaram escapando dos limites do vestido. Em outras circunstâncias, Chris teria agradecido a generosa exibição de carne feminina, mas o caso foi que lhe resultou desconcertantemente fácil centrar-se no rosto da Kara quando respondeu. — Não sei muito bem a que se refere. — A você e Julie — respondeu Kara ao tempo que substituía o sorriso coquete por uma cara antissocial — A como vão colocando mão pelas esquinas; estou segura de que à imprensa adoraria saber como passou a garota de um irmão a outro. Chris ficou tenso. — Não sei como foram averiguar — disse com tom de advertência. — Não me olhe. — Kara adotou uma expressão inocente — Não me faz falta dar à imprensa mais razões para me incomodar. Chris, que era muito consciente da reputação daquela mulher, bufou. — Seria capaz de ir à estreia de uma camiseta se acreditasse que vai haver paparazzi. O sorriso da jovem se esticou nas comissuras e seus olhos verdes adotaram um matiz duro como uma pedra. — Em qualquer caso, não me faz falta competir por um espaço na imprensa — disse com um olhar desdenhoso para Julie. — Tampouco é que tenha muito do que me preocupar. — Passou os dedos com gesto sedutor pelo antebraço do Chris. — Escuta, quando Dona Menina Boa for para


casa, se sentir falta de uma mulher de verdade, me dê um toque. O jato de papai está preparado vinte e quatro horas do dia. Chris conteve o impulso de limpar o lugar onde o tinha acariciado Kara, mas antes de que pudesse responder, sentiu uma presença cálida e familiar atrás dele. Julie. Nem sequer tinha que girar para saber que estava ali. Podia cheirar seu perfume suave, a flores, e o aroma limpo de seu xampu. Girou-se, aliviado, rodeou-lhe a cintura com um braço e a atraiu em um abraço apertado. — Oi, botãozinho. —Depois se inclinou sobre ela e deu um suculento beijo na boca. A expressão de sua garota se suavizou, mas também lançou um olhar receoso a Kara, que parecia resolvida a fingir que Julie não existia. — Todo mundo vai para o restaurante — disse Julie a Kara com um grande sorriso . — Amy queria que dissesse isso. Kara lançou a Chris um último e sedutor olhar antes de dar a volta e afastar-se com um pavoneio. — Uma mulher que não vou sentir falta — disse Julie com ferocidade. Chris lançou uma risada. — Parece que nos sentimos um pouco territoriais, não? — Tem algum problema com isso? — Julie elevou o queixo, desafiadora. — Certamente que não — sorriu o empresário ao tempo que agarrava esse queixo teimoso. E o caso era que não se importava, o que dava um pouco de medo. Geralmente, quando uma mulher começava a dar amostras de ciúmes, Chris pensava que era hora de pôr distância entre os dois — Eu gosto que fique ciumenta. — Bem — sussurrou Julie e se elevou um pouco para beijá-lo no pescoço, no lugar exato que garantia que o pênis de Chris ficasse em posição firme. Ao mesmo tempo colocou algo na mão. — O que é isto? — conseguiu dizer ele. — Só um aviso. Chris sentiu que se punha inclusive mais duro quando baixou a cabeça e viu a bolinha de tecido sedoso que tinha no punho. A calcinha de Julie. A tanga de encaixe e seda de cor rosa pálido da Julie. Gemeu ao tempo que sorria. Nem em um milhão de anos se teria imaginado a Julie Driscoll dando a tanga em meio de um restaurante. Era outro dos surpreendentes lados de quão jovem Chris adorava: a mulher assombrosa, sensual e sexualmente segura de si mesma que tinha cobrado vida em sua cama. Recordou a primeira vez que tinham feito, só umas semanas atrás, mas teve a sensação de que tinham passado anos. Chris se tinha preocupado muito aquela noite, e se tinha contido para não assustá-la com toda a força do desejo que sentia por ela. Mas da noite que tinha começado na praia e tinha terminado em sua cama, Julie se tinha desfeito de todas suas inibições. Chris tinha dado rédea solta a sua luxúria porque sabia que Julie podia assumir tudo e devolver inclusive mais. Para grande regozijo de Chris, tinha descoberto que detrás daqueles olhos grandes e inocentes se ocultava uma mente muito suja.


— Um aviso? —perguntou enquanto seus olhos examinavam o bar em busca da rota de escapamento mais rápida. A merda com o de alternar com os clientes. Tinha que colocar a Julie em algum lugar mais privado antes de fazer-se dano, ou machucar alguém, com a imensa ereção que tinha de repente. — Um aviso do que te espera. — Julie pôs-se a rir e arrastou os dedos pelo antebraço masculino em uma clara brincadeira da carícia da Kara. Mas em lugar de se repugnar como tinha ocorrido com a outra garota, o roce suave da Julie enviou lascas quentes a todas suas terminações nervosas. Chris deslizou a mão pelas costas, até a cintura, e deu à voluptuosa curva um bom apertão enquanto a atraía para ele com mais firmeza. — Vejo-te no jantar — sussurrou Julie ao tempo que se deslizava entre seus braços. Outro beijo suave no pescoço e a jovem tinha desaparecido. Deixando-o só e dolorido enquanto tentava dominar sua ereção. Girou o corpo para o bar com a esperança de que ninguém notasse que as calças curtas ficavam antinaturalmente apertadas no traseiro. *** Julie se meteu no reservado junto ao Greg com um sorriso satisfeito. Missão cumprida, e com não pouca finura, embora estivesse mal que o dissesse ela. A Julie sempre tinham dado bem as negociações. Nunca perdia a calma nem permitia que a situação se fizesse hostil. Quem teria pensado que suas habilidades viriam tão bem no mundo das entrevistas? Kara lançava olhadas assassinas, mas Julie se limitava a responder com um sorriso sereno. A cara que tinha posto Chris quando tinha dado sua tanga… Embora só fora isso, era agradável saber que a atenção de seu amante não estava decaindo. Produzia-lhe um comichão de emoção nada razoável saber que ela, que até fazia muito pouco tinha uma vida sexual francamente normal, era capaz de pôr de joelhos a todo um atleta sexual como Chris. Desculpou-se para ir ao banho enquanto outros esperavam os aperitivos. Acabava de terminar e estava na porta quando esta se abriu de repente e a enviou tropeçando surpreendida ao corredor. Antes de poder reagir, um par de grandes mãos bronzeadas a voltavam a colocar de um empurrão no banheiro. — Mas o que está…? Chris a olhou desde sua altura com um sorriso que era decididamente animal. — Crie que me pode dar a calcinha e partir tão contente? — Abandonou-a até que a teve sentada no mostrador que havia junto aos lavabos. — Tem que aprender a não jogar com fogo, botãozinho. — E se entrar alguém? Não tem clientes dos que se ocupar? — gaguejou Julie, mas depois ficou calada quando a expressão dos olhos de Chris a fez molhar-se nesse mesmo instante. — Tem razão, será melhor que tranquemos a porta. Com um movimento tão rápido que Julie deu voltas a cabeça, Chris a desceu do mostrador


e a apoiou na porta. Depois levantou a saia até a cintura enquanto desabotoava a toda pressa as calças curtas e os descia pelos quadris. — Volta-me louco — gemeu Chris contra o pescoço dela, depois se estremeceu de sorte quando a jovem rodeou a ereção com os dedos. — Penso em você, nua e molhada — deslizou dois dedos pela fenda da Julie como se queria demonstrar seu argumento — e esqueço tudo. Soltou-a de repente e pegou a bolsa com um grunhido de satisfação quando encontrou uma camisinha. Aos poucos segundos o tinha posto. Dobrou os joelhos, levantou Julie ainda apoiada na porta do banho, e a penetrou com força. — É uma menina muito má, olhe que me dar a calcinha assim. —Depois mordeu o ombro nu. Julie afogou seus gemidos no ombro de Chris e rodeou a cintura com as pernas. Uma gota de suor rodou pelas bochechas acesas do empresário. — No único que posso pensar é em você, em fazer que você gozar — grunhiu Chris. — Por você esqueço de tudo, salvo em me colocar dentro de você, até o fundo e com tanta força como posso. As palavras de Chris, combinadas com a impressão de senti-lo tão duro e pesado em seu interior, foram suficientes para que Julie caísse disparada pelo abismo. As mãos masculinas apertavam a bunda com uma força que deveria ter doído, mas Julie se aferrou a ele sem poder conter-se enquanto ele seguia martelando com os quadris. Depois, Chris se apoderou de sua língua e afogou seu próprio gemido quando gozou com tal intensidade que dobraram os joelhos. — Acredito que se não tomarmos cuidado, nos vamos matar — murmurou Chris enquanto fazia o que podia para recuperar a compostura. Justo então ouviram umas vozes junto à porta. Julie grunhiu quando a porta se abriu um par de centímetros, só para que a bloqueasse. — Só um segundo — resmungou Chris. Julie não pôde evitar lançar uma risada quando viu o reflexo dos dois no espelho. Deixando à parte que ela tinha a saia pelas axilas e Chris as calças curtas pelos tornozelos, deixando à parte a roupa desalinhada, era óbvio o que tinha estado passando naquele banho. A cara de Julie estava ruborizada com uma intensa cor rosada e levava o cabelo pego às bochechas em mechas suarentas. Além disso tinha a pele ao redor da boca irritada pelo rastro de barba do Chris, Julie levantou a cabeça e olhou a Chris, que se apoiava com as duas mãos na parede. O suor corria pela cara e estava ofegando como se acabasse de correr os cem metros rasos. — Isto não vai dar muito boa impressão — murmurou ele com uma risada reticente. Julie rodeou o pescoço com os braços e deu um rápido beijo no queixo. — Bobagens. Recife Holley tem fama de ser um lugar muito sexy. O que tem de mau que o proprietário aproveite? — Sexy é uma coisa. Puto, outra. Julie deu um tapa no ombro fazendo-se de ofendida.


— Só porque tenha relações sexuais em um banheiro público não significa que seja uma puta. — Pelo menos Julie preferia pensar que não era. — Você jamais poderia ser uma puta — disse Chris enquanto se apartava um pouco dela para poder subir as calças — Tem muita classe. — Mas sexy com classe, não? Não é que seja uma dessas estiradas com classe? — O tom da Julie era ligeiro, mas estava um pouco preocupada. Fazia tudo o que tinha podido durante a última semana para demonstrar a Chris que era algo mais que uma princesa boa e malcriada, e parecia que tinha feito algum progresso. — Com classe e muito, mas que muito sexy, definitivamente — a tranquilizou ele enquanto a ajudava a estirar o vestido. —Tão sexy que se não sair daqui logo, a quem esteja esperando fora vai terminar no lavabo de cavalheiros. *** Quando se reuniram com o grupo para jantar, Chris sentia essa classe de relaxamento que só se obtém de uma imensa satisfação sexual. Mas, por assombroso que parecesse, bastava com que Julie roçasse a coxa com a mão para que seu pênis cobrasse vida, esperançoso. Por sorte, a toalha ocultava tudo o que passava da cintura para abaixo e Chris aproveitou a circunstância para deslizar a mão pela perna bem tonificada da Julie, sob o tecido sedoso da saia, para poder sentir o calor úmido e suave do sexo da jovem, completamente nu sob suas carícias. Kara lhes lançou um olhar assassino, como se soubesse com exatidão o que tinha passado entre a visita da Julie ao banheiro e sua volta com Chris de braços dados. Chris respondeu com um sorriso presunçoso. Uma mulher de verdade, chamou-se Kara. Não tinha nem ideia da deusa do sexo que se ocultava sob a imagem de menina boa que Julie cultivava com tanto esmero. Não podia acreditar que tivesse levado tanto tempo averiguá-lo. E não podia acreditar que ficasse tão pouco tempo para desfrutá-lo. Fez um nó no estômago e o delicioso mahi-mahi à churrasqueira que estava mastigando de repente teve sabor de terra. Baixou a mão um pouco e a deixou no joelho de Julie. — Bom, Julie, e quando você volta para casa? — perguntou Jen, como se lesse os pensamentos de Chris. — No próximo sábado — disse Julie. Ao Chris o animou um pouco ver que ao menos parecia um pouco triste. — Tem que me chamar assim que volte para São Francisco — disse Amy. — Pode vir me visitar na adega. E, é obvio, tem que vir a minhas bodas o mês que vem. — É muito amável de sua parte — disse Julie. — Chris, possivelmente possa ir você também com ela? O sorriso fugiu da cara da Julie e Chris se encontrou esperando em tensão a resposta de sua garota. — Estou segura de que Chris tem muito que fazer aqui — disse Julie com tom despreocupado, como se aquilo fosse uma ideia ridícula.


— Por desgraça, estamos ao completo. Não poderia deixar a Carla na estacada assim— respondeu Chris, que atuava como se não sentisse a tentação de segui-la até São Francisco como um maldito e penoso cachorro abandonado. — Além disso — disse Kara com desdém, 3 tampouco é que Julie possa passear a seu novo amante pelo clube de campo sem que os periquitos da alta sociedade se lancem como possessos. Embora o comentário pretendia ser zombador, Chris não pôde negar que Kara tinha dado justo no prego. Com sua perícia sexual recém achada ou sem ela, Julie não era das que fazia alarde abertamente da aventura que estava tendo com o irmão de seu marido. Julie se recostou no respaldo de sua cadeira e cravou na Kara um olhar gélido. — Tem que ser muito triste — disse Julie — saber que a única forma de conseguir chamar a atenção é que lhe conheçam como a harpia maior do mundo, e que levou essa necessidade de atenção tão longe que já nem sequer agrada a suas próprias amigas. Uma grande gargalhada estalou entre os lábios de Jen, seguida imediatamente pela risada afogada de Chrissy. Kara afogou um grito de indignação e olhou a Amy em busca de apoio, mas esta evitou seus olhos ao tempo que sacudia pouco a pouco a cabeça e se ruborizava. — É que se passa, Kara, e já não tem graça. — disse Jen. Kara se levantou e olhou furiosa a cada um. Mas através da arrogância e a indignação, Chris viu uns vestígios de vulnerabilidade. Por um momento acreditou vislumbrar a uma menina pequena que gritava, para que alguém, quem fosse, prestasse atenção, e durante essa fração de segundo sentiu lástima por ela. Mas a menina ficou oculta imediatamente por um sorriso presunçoso de superioridade. — Pode ser que seja uma chata, mas ninguém jamais se esquece de meu nome. — Depois se foi com passo colérico e agitando sua espessa juba castanha. — Bem feito — disse Jen, que elevou uma taça para brindar pela Julie. — É agradável ver que a gata doce e bem educada também sabe usar as unhas. Todos outros seguiram seu exemplo e brindaram pela Julie, por enfrentar a uma das chatas maiores do universo conhecido. Nas poucas semanas transcorridas desde que haviam tornado a ver-se, aquela mulher divertida, sexy e surpreendentemente dura tinha deixado pasmado Chris a cada momento, e se perguntou uma vez mais como diabos ia arrumar-se para deixá-la partir.


Capítulo 13 Na manhã seguinte, Jane Bowden, a rainha incontestável da televisão, chegou com seu noivo a reboque. O caos resultante se recordaria a partir de então e para sempre em Recife Holley como “furacão Jane”. — Típicos novos ricos de Hollywood — murmurou Carla várias horas depois, quando Julie e ela se encontraram reorganizando a disposição das mesas pela quinta vez. — Vamos, Carla, não sejamos esnobes — brigou Julie, embora também estava algo mais que um pouco molesta. O ensaio da cerimônia era em menos de uma hora, mas em lugar de estar assegurando-se de que tudo estava em ordem para o jantar dessa noite, Julie e Carla estavam apanhadas, com o resto do pessoal, suando e trabalhando sob o sol tropical. Jane tinha jogado uma olhada sob a carpa de gaze para olhar a configuração das mesas para a recepção do dia seguinte e imediatamente a tinha declarado inaceitável. Nem Julie, nem a mãe de Jane, nem sequer o noivo, puderam a convencer de que havia coisas mais importantes que reclamavam sua atenção. — Mamãe, você não sabe nada, assim se cale, sim? — soltou-lhe Jane a sua progenitora. — Temos que dispô-lo para que todo mundo tenha uma boa vista. — Jane insistiu em que terei que reconfigurar toda a distribuição das mesas para que todo mundo tivesse visão da praia. Até que se deu conta de que, se distribuíam as mesas assim, o sol de últimas horas da tarde cegaria a todos e cada um dos convidados antes que se servisse o bolo. Então os obrigou a trocar tudo outra vez. — Tenho que ir — soltou Jane então. — Tenho uma hora marcada com a manicure e a pedicure. Tal e como vão as coisas, não sentiria saudades de terminar com cogumelos. A mãe de Jane, uma mulher de rosto doce de quarenta e tantos anos, tão suave e gordo como sua filha agressiva e ossuda, ofereceu a Julie e Carla um sorriso de desculpa antes de pôr-se a correr atrás de sua filha. — Olha-o pelo lado bom — disse Julie enquanto levantava duas cadeiras dobradiças por cima dos ombros. — Poderia ter feito isto amanhã, justo antes da cerimônia. E ao menos assim não terá tempo para trocar o menu. — Esta noite não — assentiu Carla, — mas te aposto cinco perus a que tenta trocar o menu do banquete. — Carla girou de repente a cabeça quando Dão, o chefe de segurança de Jane, chamou-a. — Por Deus, não comecemos — murmurou Carla enquanto recolhia a pasta e suas notas. — Se me pedir que repassemos uma vez mais «possíveis pontos de infiltração», me vou cortar as veias. — Vamos, Carla — brincou Julie, — é bonito. — Sim — bufou Carla, — se você gostar de lidar com as defesas que são todo músculos e nada de cérebro. — E, a julgar pelo meneio dos quadris da jovem ao aproximar-se de Dão, Carla


certamente gostava desse tipo de caras. Apesar de sua relação telefônica, nem a um observador casual lhe escaparia a tensão sexual que vibrava entre aqueles dois como um ardente brilho. Julie estava segura de que quando os convidados das bodas deixassem a ilha, Carla e aquele tipo terminariam enrolando-se. Isso se não se matavam antes, claro. Mas nesse momento ela tinha maiores problemas que solucionar que a possível vida sexual da Carla. Ou seja, uma noiva que parecia ter deixado a medicação. A Julie não surpreendeu absolutamente que a última hora da tarde Chris a levasse a um lado para falar com ela. — Temos um problema — disse. Julie fez tudo o que pôde por concentrar-se no que dizia seu amante, embora não resultava muito fácil porque Chris não deixava de esfregar a pele suave da parte interna do cotovelo com o polegar. — Jane decidiu que não podemos servir aspargo de nenhuma maneiras, porque isso foi o que Sarah Michelle Gellar comeu em suas bodas. — Julie pôs os olhos em branco e se preparou para o pior. — Assim quer toothfish em seu lugar. — Mas isso custa o dobro, para não mencionar que não pode ser mais politicamente incorreto. Chris passou os dedos pelo cabelo. — Sim, sei e tentei dizer-lhe dir-se-ia que depois de todas as confusões que me montou com o orçamento… — Apertou a mandíbula e apareceu uma veia na têmpora esquerda. Julie ficou nas pontas dos pés e plantou um suave beijo na boca com a esperança de dissipar parte da tensão. Funcionou um pouco, a julgar pelo modo no qual a boca, masculina se abriu com impaciência sobre a sua. Julie se separou dele a contra gosto antes de responder. —Não se preocupe, eu me ocupo de tudo. Deu a volta, mas antes que pudesse ir, Chris a agarrou pela mão, atraiu-a para si e voltou a rodeá-la com seus braços. — É fantástico, de verdade, te ter aqui, me ajudando — suas palavras foram pontuadas pelo modo em que a apertava inteira contra ele em um quente abraço. —Não sei o que faríamos sem você. — Estou desejando que me demonstre quão agradecido está — respondeu Julie com paquera enquanto desfrutava da sensação de acariciar as poderosas costas musculosas sob o tecido da camisa. Respirou a fragrância salgada e saponácea que emanava da pele do seio do Chris e teve que conter-se para não mandar a tomar ventos ao Jane e suas preocupações pelo menu e arrastar ao Chris a um lugar um pouco mais privado. — Mas suponho que será melhor que esperemos até um pouco mais tarde para que me dê agradeça — disse ao tempo que se desprendia a contra gosto de seus braços. — Mais tarde, então — disse Chris com um sorriso animal. Julie notou com satisfação que a única frustração que o empresário parecia sentir nesse momento era de natureza sexual. — Mais tarde — respondeu por sua vez.


*** Para Chris foi incrível a maneira que Julie não teve nenhuma dificuldade para lidar com cada crise. Resolveu com toda facilidade o fiasco do pescado recordando sem dramalhões a Jane o pesadelo que suporia para suas relações públicas que a imprensa se inteirasse de que tinha servido uma espécie em perigo de extinção em seu banquete de bodas. Um vestido de noiva que “encolhia” ao engomá-lo? Julie localizou a uma garçonete que dava a casualidade de que era uma costureira perita e além de estar disposta, era capaz de fazer as alterações necessárias sem nem sequer pedir à gratificação que Julie tinha prometido. — Encolhido? E uma merda. O que passa é que tem que deixar os hidratos de carbono — burlou Carla enquanto observavam Amalie, a garçonete, que estava dando os últimos pontos ao vestido, perfeitamente entalhado já, de Jane — Não pode passar toda a vida se matando de fome e esperar não inchar como um globo com o primeiro pão-doce que coma. Julie escapou uma risada cansada, mas a sufocou imediatamente quando Jane lançou as duas um olhar assassino. Um padrinho bêbado? Julie arrumou para levá-lo da festa e lhe tirar a curda o suficiente como para que pudesse fazer o brinde de rigor. Convidados que foram passear na praia? Julie alertou aos garçons para que tomassem cuidado, já que a areia podia fazer um pouco escorregadia a pista de dança. Nesse momento estava ao bordo dessa mesma pista de dança, observando aos noivos, que giravam como selvagens ao ritmo de Brick House. Parecia um milagre, mas Jane estava sorrindo. Até Dão, o cara de segurança, tinha esboçado um sorriso para ouvir algo que estava dizendo Carla. Chris se aproximou de Julie por detrás e passou um braço pela cintura. —Olhe — sussurrou enquanto roçava com o nariz os cachos loiros que rodeavam a orelha feminina — Virtualmente resplandece. Julie suspirou. Chris inclinou a cabeça para poder olhá-la. Foi então quando notou a estranha e triste expressão da cara de Julie. — O que te ocorre? Conseguiu converter a godzilla das noivas de Hollywood na encarnação da noiva enrubescida. Deveria estar muito orgulhosa. — Obrigada — disse Julie com um sorriso fugaz. — Parecem muito felizes — suspirou. — Pois você não parece muito feliz por eles. — Chris sacudiu um pouco o braço em um intento de tirá-la de sua depressão. — Pois o sou. Me alegro por qualquer um que consiga encontrar à pessoa adequada. O braço de Chris se esticou ao redor da cintura da jovem. — Está pensando em Brian. — O empresário não pôde evitar o tom ressentido que penetrou na voz. — Sim. Não. — Julie girou para olha-lo — é que me resulta duro olhá-los e saber que fui o bastante fraca para me casar com alguém só porque, segundo meus pais, era a pessoa


«adequada». Julie elevou a cabeça e o olhou com uns olhos cheios de auto-depreciação, uns olhos que resplandeciam com uma intensa cor azul à luz das tochas. Qualquer ressentimento que Chris pudesse sentir para seu irmão ficou anulado pela necessidade de consolar aquela mulher. — Não pense — lhe disse atraindo-a para si e lhe massageando os ombros para lhe aliviar a tensão. — Tem razão — disse Julie colocando o nariz no pescoço aberto da camisa. — Só temos dois dias mais e não quero que Brian se interponha entre nós. A banda começou a tocar uma balada lenta. — Vamos — disse Chris ao tempo que a tirava a pista de baile. Balançou-se contra ela e moldou o corpo da jovem contra o seu. Era um prazer tê-la entre seus braços, sentir sob suas mãos as costas e a cintura esbelta da jovem, e a cabeça feminina sob seu queixo. Não queria pensar na partida da Julie. Preferiu concentrar-se naquele momento concreto e no modo em que aquela mulher encaixava a perfeição entre seus braços. Julie rodeou com os braços a cintura do Chris e se aproximou um pouco mais enquanto se moviam ao ritmo da música em perfeita harmonia. Aproximou-se ainda mais e fez cócegas na pele quando Chris deslizou as mãos pelos ombros, que deixavam ao descoberto os finos suspensórios de seu vestido acetinado de gaze. O calor emanava do empresário em ondas e seu aroma, quente e oceânico, a envolvia. Estava apaixonada por ele. Não havia forma de negá-lo. Tinha tentado lutar contra seus sentimentos, havia-se dito que estava apanhada na fantasia que supunha ver feito realidade ao fim sua teimosia adolescente. Que se estava vingando do Brian tendo ao fim a aventura que sempre tinha querido ter com seu irmão mais velho, a ovelha negra da família. Sempre tinha estado louca por ele, do instante que tinha posto os olhos em cima. Mas sempre soube que Chris jamais seria o cara adequado para ela. Era muito selvagem, muito hostil com o mundo no qual ela tinha sedo criada. Além disso, jamais tinha mostrado o menor interesse por ela. Mas o que Julie sentia em Recife Holley ia muito além de uma teimosia adolescente. O que sentia era profundo e real. E não era só que o sexo fosse assombroso. Julie possivelmente não tivesse muita experiência, mas não era tola. E teria que ter sido parva para não reconhecer a intensa conexão que sentia com Chris, algo que ia muito mais à frente da cama. As mãos masculinas se deslizaram até sua cintura. Julie suspirou quando sentiu o fulgor quente da excitação que despertava entre suas coxas. Aquele homem a fazia sentir-se tão… bem. Não havia outra forma de expressá-lo. Bonita e sexy. Mas também preparada e capaz. Os elogios que tinha dedicado ao modo em que Julie tinha dirigido as bodas de Jane e todos os desafios conseguintes significavam mais para a Julie do que Chris poderia entender. Nem sequer ela tinha entendido até essa noite, quando o empresário havia dito que não poderiam ter feito sem ela. Quando tinha sido a última vez que se havia sentido indispensável de


verdade, como se estivesse fazendo algo importante? Seu pai sempre a tinha visto com olhos críticos, até tal ponto que Julie trabalhava como uma condenada só para obter uma palavra de elogio dele. Dava igual a seus companheiros dissessem sem parar quão boa era, ela sempre estava lutando por alcançar o esquivo completo de Grant Driscoll. E Brian? Quando a tinha tratado Brian como algo mais que um adorno sem cérebro? Segundo ele, o cargo de Julie como diretora de eventos especiais do Winston não era mais que um hobby desenhado para mantê-la ocupada entre um ato social e outro. E pensar que tinha sido o bastante imbecil para casar-se com ele, e só para ter ao fim a sensação de que tinha feito algo bem aos olhos hipercríticos de seu pai. Era gracioso, mas o curto espaço de tempo que tinha passado longe do olhar atento de sua família tinha feito maravilhas por sua auto estima. Não recordava a última vez que se havia sentido tão segura de si mesma, tão capaz e tão apreciada. Por uma vez não estava olhando constantemente por cima do ombro, preocupada se por acaso alguém a surpreendia cometendo um engano. Não se questionava todo o tempo à espera que alguém (quer dizer, seu pai ou Brian) pusessem em dúvida suas decisões. Chris e Carla tinham posto toda sua confiança nela e suas habilidades e tinham proporcionado uma energia e um entusiasmo aparentemente sem limites para enfrentar-se inclusive à noiva mais exigente. Oxalá o trabalho fora igual em casa. Se agarrou um pouco mais contra Chris enquanto se balançavam ao ritmo da música e se perguntou se possivelmente não necessitasse uma mudança de ares a longo prazo. Possivelmente, como Chris, a ela faltava sair do ninho de uma vez para ver do que era capaz de verdade. Oxalá pudesse ficar ali. Mas desterrou imediatamente essa ideia. Chris nem sequer tinha insinuado nada parecido e, com confiança ou sem ela, Julie não tinha intenção de arriscar o coração e o orgulho perguntando se podia ficar algum tempo mais em Recife Holley. Contudo, estava decidida a fazer grandes mudanças, e logo que voltasse para casa ia pedir a seu pai que a mudasse a outro complexo do D&D por um tempo. Driscoll teria que aceitar, até que ele entenderia que Julie não queria trabalhar no mesmo escritório que Brian. Possivelmente se mudasse a Nova Iorque, ou inclusive a Londres. Ou a St. Barts. Então ao menos estariam na mesma região geográfica, sugeriu-lhe uma voz ardilosa. Julie, mentalmente, apartou a ideia de um bofetão. Por muito tentadora —embora absurda — que fosse a ideia, Julie não pensava ficar sentada no Caribe suspirando se por acaso Chris ocorria que gostava de tê-la como noiva. Levantou a cabeça e o olhou, e sentiu um estremecimento ao ver aquele calor já tão conhecido em seus olhos da cor negra azulada da meia-noite. Tinha uns lábios carnudos, um pouco separados em uma expressão que Julie tinha chegado a reconhecer muito bem nas duas últimas semanas. Desejava-a. Ao menos tinha isso. — Se segue me olhando assim, não vamos aguentar até que Jane jogue o buque — brincou Chris. Julie lançou uma risada quando desvaneceram as últimas notas da balada e atraiu Chris


para ela para um último abraço. — Oxalá pudéssemos ir para casa, mas suponho que isso não seria muito profissional. Uma expressão surpreendida cruzou a cara de Chris, uma expressão tão fugaz que Julie acreditou havê-la imaginado. Então se deu conta do que havia dito. Havia dito “para casa” para referir-se à cabana de Chris, como se também fosse dela. Um simples equívoco, compreensível, além disso. E totalmente insignificante, verdade? Ao parecer não, se confiava na tensão que tinha surto na cara de Chris. Desesperada por evitar qualquer outro desconforto, Julie deu a Chris um beijo rápido na mandíbula e se desprendeu de seus braços. —Tenho que dizer aos garçons que para trazer o champanha para cortar o bolo — disse. — Com um pouco de sorte, Jane não a estrelará na cara ao noivo.


Capítulo 14 — Venha, vamos. — Chris a observava com impaciência enquanto Julie botava umas calças curtas e uma camiseta em cima do brilhante biquíni de cor coral. — Já vou — disse ela com um grunhido. — Mas não vejo para que tanta pressa. São sós nove e vinte e cinco. Chris podia perdoar o mau humor. Eram quase às duas da manhã quando os últimos convidados das bodas tinham deixado ao fim a praia e se dirigiram a uma das cabanas maiores. E, pensou Chris com um sorriso presunçoso, não se podia dizer que Julie e ele foram a dormir diretamente. Mas esse dia era especial e ele queria começar antes possível. Ia ter a Julie só para ele, sem ninguém ao redor, o dia inteiro. Sem interrupções. Como não ia estar impaciente? — Já botei seu protetor na mochila — exclamou Chris enquanto Julie revolvia pelo banho. — Já sei. Estou pegando o protetor labial — soltou ela ao tempo que pegava o tubo de onde o tinha deixado com tudo cuidado, no aparador do banheiro. Justo entre o creme de limpeza e o hidratante. Por alguma razão estúpida, a colocação de seus artigos de penteadeira fez Chris sorrir. Recordava-o da universidade, a forma que tinha de pôr cada cosmético, cada objeto de roupa, em um lugar concreto, e sempre o devolvia ali depois de usá-lo. Nisso não tinha mudado nada. Quando tinha levado suas coisas à cabana de Chris, este havia sentido uma emoção estranha enquanto observava como fazia lugar com todo cuidado para suas coisas entre a desordem masculina. Mas Chris tampouco queria dar voltas ao feito de que parecia do mais natural ter o xampu da Julie junto ao seu na ducha. Nesse momento, quão único queria era tê-la só para ele e dar um dia assombroso. Tinha planejado esse dia em parte como forma de agradecer por tudo o que tinha ajudado com as bodas. Julie merecia um prêmio por renunciar a suas férias para dar uma mão a ele e a Carla. E bem sabia Deus que não teriam sobrevivido sem ela. Dizer que não tinham estado preparados para as bodas de uma exigente aspirante a estrela de Hollywood seria ficar muito curtos. Tomar nota: A próxima vez que tente algo novo para ampliar o negócio do hotel começa com algo um pouco menor. Mas esse nunca tinha sido seu estilo. Chris sempre fazia as coisas muito bem ou não aparecia, e as primeiras bodas de relevo de Recife Holley não ia ser nenhuma exceção. E ao parecer ainda não tinha acabado a sorte, porque tinha levado a Julie bem a tempo para salvar a bunda. Assim que uma excursão em veleiro ao redor das ilhas vizinhas e os recifes desertos era o


menor que podia fazer. E, olhe por onde, ao mesmo tempo podia satisfazer também suas próprias necessidades. Sorriu enquanto Julie descia pela praia grunhindo e sujeitando o chapéu com uma mão para evitar que a brisa marinha da manhã o levasse. — Estamos preparados? — exclamou Chris quando chegaram ao mole. — Tudo preparado para sair, Chris. — Nathan, um nativo da ilha que trabalhava como marinheiro de coberta nos navios do complexo, fez cintilar um sorriso branco que contrastava com sua pele escura. — Leva gasolina de sobra e o reservatório potável cheio, suficiente para que tomem banho se faz falta. E recolhi a geladeira da cozinha como me pediu. Um lento sorriso se estendeu pela cara da Julie ao admirar o Prazer do Holley, um Beneteau 505 de cinquenta pés. Parecia-se muitíssimo ao que tinha o pai de Chris, o navio no qual Julie e Chris tinham navegado juntos no porto esportivo de São Francisco o último ano que ele tinha passado em Berkeley. Pela forma em que os olhos da jovem se enrugaram atrás dos óculos de sol de cor lavanda, era óbvio que se lembrava. — Chris — chiou; seu porte, geralmente tão sereno, tinha fugido apavorado ante tanta emoção. — É um Beneteau 505. Nem sequer sabia que estava na frota. — Já sei. Não forma parte da frota do complexo, é para meu uso pessoal. Geralmente o tenho no dique seco, na Tórtola, mas pedi a Nathan e Ricky que fossem recolher. Pensei que possivelmente você gostaria de navegar a vela em lugar do motor todo o tempo. Julie virtualmente resplandeceu sob a luz brilhante do sol que se refletia na água. — Eu adoraria. A última vez que naveguei foi… Deus, antes que fosse. Chris se sentiu desfalecer um pouco por ouvir isso. Como podia ter sido tão idiota? Possivelmente se tivesse incomodado em chamar, merda, se tivesse enviado algum email nos últimos cinco anos, possivelmente Julie jamais teria começado a sair com Brian. Possivelmente Chris teria tido alguma oportunidade se tivesse lutado por ela. Chris tropeçou ao subir a bordo do Prazer do Holley e esteve a ponto de mandar sua mochila ao fundo da baía. O que se acreditava, que teriam terminado juntos? Inclusive se Julie tivesse estado disposta a abandonar o ninho protetor de sua família — e isso era um “se” de proporções gigantescas — Chris se conhecia o suficiente, sabia como era em uma relação. Não, se naquele tempo tivessem terminado juntos, ele se teria aborrecido e a teria deixado, como tinha feito com quase todas as mulheres com as que tinha saído. Igual a se tentava converter o que tinham em algo mais, aquilo estava destinado a fracassar. Ao menos isso era o que Chris se dizia por que era mais fácil enfrentar-se a isso que à ideia de que possivelmente tivesse quebrado a oportunidade de estar com uma mulher com a que poderia ter passado o resto de sua vida. Julie não pareceu notar sua angústia quando subiu a bordo com gesto impaciente e ficou a inspecionar cada centímetro quadrado da coberta antes de baixar a ver o que tinha que oferecer a cabine.


Chris, enquanto isso, repassou a lista de detalhes com Nathan sem pôr os cinco sentidos porque uns quantos se concentravam por completo na Julie e naqueles sentimentos horripilantes e tão pouco conhecidos que aquela mulher despertava nele. De verdade se teria aborrecido de Julie? Na universidade jamais se cansou de sua amizade. E depois de duas semanas de companhia quase constante — por não falar do sexo contínuo, — Chris não sentia a menor sensação de aborrecimento. Era possível que Julie fosse a mulher de sua vida? A única mulher da que alguma vez se cansaria, a mulher junto à que poderia despertar durante o resto de sua vida? Era uma ideia tão aterradora que até se enjoou um pouco. Porque isso significava que teria que acreditar no grande amor, e ele não acreditava. E estava bastante seguro depois de ver os desastres nos que se colocaram seus pais — até a própria Julie, diabos — em busca desse ideal. Obrigou-se a sorrir quando Julie botou a cabeça pela escotilha e o ajudou a esquivar o cais ao tirar marcha atrás o navio do degrau. Chris sentiu que seu sorriso se ia fazendo mais natural à medida que respondia ao entusiasmo contagioso da jovem. O incomum afeto que sentia pela Julie era produto do desejo contido durante tantos anos, combinado com o carinho sincero da amizade. Tinha-a cobiçado durante, Deus, quase dez anos, assim tinha sentido que levasse mais do normal tira-la da cabeça, sexualmente falando. — Faz um dia tão bonito — gorjeou Julie. — Embora suponha que aqui todos os dias são bonitos. Chris girou com cuidado o navio para rodear o recife e pôs rumo a um grupo de ilhas pequenas que se sobressaíam como grandes esmeraldas brilhantes no horizonte de cor turquesa. — Não diria o mesmo durante a temporada de furacões. Julie fez uma careta irônica, depois elevou a cabeça para o sol e Chris ficou sem fôlego ao ver o fulgor brilhante que se refletia na curva da bochecha feminina e destacava a pele dourada dos seios, que se enchiam por cima do decote redondo da camiseta de Julie. — É como nos velhos tempos. — Não de tudo — disse Chris. — A que se refere? — No navio de meu pai nunca fiz o que tenho pensado fazer hoje. Julie suspirou, colocou-se atrás dele e deslizou a mão com gesto sedutor pelos abdominais. Depois posou as pontas dos dedos justo por debaixo da cintura da bermuda que levava Chris. — Ah, sim? E como o que, por exemplo? Os seios femininos se apertaram com uma sensação deliciosa contra as costas do Chris quando Julie ficou nas pontas dos pés para dar uma mordida no ombro. — Uns quantos centímetros mais abaixo e vais ter uma ideia muito clara do que tenho planejado — murmurou Chris. — Mmm, não me diga? Ao empresário o atravessou uma onda de calor quando Julie teve a amabilidade de baixar a


mão um pouco mais e provocá-lo até que o pôs duro e isso sem deixar de sustentar o peso dos testículos com a mão. Chris baixou a contra gosto a mão e a deteve. — Mas antes tem que se encarregar da vela maior para que possamos sair daqui. Ainda estavam à vista do cais, onde se tinham reunido vários convidados à bodas para fazer um cruzeiro matinal. Com uma cara fingida, Julie se afastou sem pressas e ocupou seu posto. Chris foi incapaz de conter o sorriso. — O que? — disse ela à defensiva quando notou sua expressão. — A pequena Julie Driscoll esteve a ponto de me fazer gozar justo diante da mãe da noiva. *** A Julie ainda ardiam as bochechas quando Chris manobrou para colocar o navio em uma baía ao sul de recife Sandy, uma ilha deserta a varias milhas de Recife Holley. Não tinha visto o grupo que estava reunindo no cais, e não tinha sido consciente de que para eles seria óbvio o que estava fazendo os sós cinquenta metros da costa. Soprava um vento firme e puderam salvar a vela quase toda a distância que os separava de recife Sandy. Julie baixou as velas com movimentos eficientes enquanto Chris jogava a âncora. Julie tirou uma garrafa de água da bem provida geladeira e jogou um comprido trago enquanto saboreava o sol, o mar e, sobre tudo, o bonito homem com o que se encontrava. Olhou-o com total falta de vergonha através dos cristais dos óculos de sol. Seguia deixandoa alucinada o incrivelmente sexy que era Chris. Tirou a camisa assim que tinham saído e ficou só com uma bermuda vermelha. A cor bronze de sua pele resplandecia ao sol e os músculos das costas vibravam enquanto atava uma corda. Julie lambeu os lábios sem querer ao fixar-se naquelas mãos grandes de dedos largos. Tão grandes, o bastante para cobrir as costas inteiras, mas sempre sensíveis a cada uma de suas necessidades. Suspirou de forma audível e tomou outro comprido gole da água gelada. Estava começando a entender o que possivelmente tinha querido dizer Brian quando afirmava que era viciado no sexo. Só que ela não era viciada em sexo. Ela era viciada no Chris. Voltou a suspirar. — Ocorre algo? — perguntou Chris enquanto limpava as mãos na bermuda depois de atar todas as cordas. Aquele homem era a fantasia definitiva de um dia perfeito na praia, com o cabelo escuro manchado de mechas loiras e vermelhas e os Ray-bans emoldurando à perfeição aquele sorriso amplo e descarado. — Só tenho um pouco de calor — disse Julie indo a seu lado e rodeando a cintura com os braços. — Isso é porque leva muita roupa — respondeu Chris enquanto tirava a camiseta com um


só movimento. Julie levantou a cabeça e sorriu. — Não sei, ainda tenho muito calor. As mãos masculinas se apressaram a baixar as calças curtas e a deixaram coberta por quatro triângulos de tecido de cor coral e tamanhos diversos. — E está incrivelmente boa — disse. Os dedos de Julie se entrelaçaram nas densas ondas do cabelo de Chris e elevou a cabeça para receber seu beijo. Mas em lugar do beijo profundo e carnal que ela esperava, a boca masculina se mostrou surpreendentemente terna quando cobriu os lábios e a língua de beijos doces e ligeiros como plumas. Julie sentiu um puxão no sutiã do biquíni e estremeceu quando o objeto soltou. Um puxão mais e Chris estava arrojando o sutiã em cima de um dos bancos da coberta. Depois deslizou as mãos pelas costas nuas e as colocou por debaixo da cintura da calcinha do biquíni; uma onda de umidade brotou entre as coxas da Julie ao sentir o tato quente dos dedos de Chris na pele nua do traseiro. Antes de poder decidir se queria protestar, Chris tinha desatado as tiras que sustentavam a calcinha e se encontrou nua por completo em um navio, a plena luz do dia. O acanhamento superou por um momento o desejo e se apartou enquanto estava em busca de algo com o que cobrir-se. Mas Chris não consentiu. — Não há ninguém em vários quilômetros de distância— disse em um sussurro quente que provocou faíscas que atravessaram todas as terminações nervosas femininas. — Estamos completamente sozinhos — continuou Chris, que fazia as delícias de Julie lhe desenhando com os dedos a parte inferior dos seios, — e o outro dia não teve maior problema para tomar o sol em topless. — Mas, é que… estou nua — disse ela, embora soubesse quão estúpida parecia. — Muito melhor para começar a tirar essas marca do biquíni, céu. —As mãos de Chris cobriram as costas inteiras quando a atraiu de novo para seu seio e Julie gemeu contra a boca masculina ao sentir o pelo áspero de Chris contra seus mamilos. Julie tinha uns dedos hábeis que não demoraram em desabotoar a bermuda Chris e em uns segundos estava descendo pelas pernas bronzeadas e cheias de músculos. Depois baixou a mão para acariciá-lo e uma calidez cremosa estalou entre as coxas ao antecipar aquele membro comprido e duro em seu interior. Com um só movimento Chris a pegou entre seus braços e Julie fechou os olhos e deixou que a invadisse uma pequena fantasia. Ele era um pirata e ela a donzela inocente que ele tinha sequestrado para aproveitar-se dela… — Aaah! —Julie estava caindo pelo ar, mas seu grito se interrompeu de repente quando se chocou contra a água, de bunda. Saiu à superfície cuspindo água bem a tempo de que Chris quase a esmagasse ao atirar-se


de cabeça a só uns centímetros dela. — Seu idiota — chiou Julie enquanto usava a mão para lançar à cara de Chris todo um muro de água. Chris apartou o cabelo da cara e uivou de risada. — Deveria ter visto a sua cara quando caiu… — Não caí, atirou-me. — Só queria ajudar. — O sorriso masculino mostrava a falsa desculpa. Julie se lançou contra ele com um chiado e tentou subir à cabeça para afundar-lhe a Chris não custou esquivá-la e a imobilizou envolvendo uma perna com a sua e sujeitando os braços ao torso. Balançaram-se e se salpicaram até que Julie conseguiu liberar-se e sair nadando para a borda. Chris não demorou para alcançá-la e a interceptou quando a água chegava aos joelhos. Julie tentava chegar à praia tropeçando e rindo, mas Chris rodou em cima dela até que se sentou com a Julie em seu colo e a água lambendo com suavidade o seio dos dois. Julie, sem fôlego, separou-se da cara várias mechas de cabelo. — Acredito que já me esfriei um pouco — disse com uma risada rouca. Depois se retorceu até ficar mais cômoda, apoiada nele, e notou contra o quadril a mais que evidente ereção de Chris. — Mas acredito que não demoraria muito em me esquentar outra vez. Chris a atraiu para si para que se apoiasse mais contra ele. Julie tinha cruzado as pernas, o que a deixava aberta ao suave assalto da mão masculina, que se deslizou pela coxa da jovem para atormentá-la entre as pernas. — Já está molhada — murmurou, — mas vamos ver se podemos te esquentar também. Julie afogou um grito e apoiou a cabeça no ombro de Chris. A boca deste capturou os gemidos da jovem, os dedos masculinos se deslizaram por sua fenda e a abriram para deixar o botão duro de seu desejo a mercê do suave ataque de Chris. Um dedo se deslizou pela entrada do corpo da Julie e desenhou um círculo ao sair, estendendo assim a suntuosa umidade da jovem, que se mesclou com a água salgada e cálida do mar do Caribe. Julie começou a gemer quando Chris a acariciou primeiro com doçura e depois cada vez com mais pressão. A mão da jovem se deslizou com gesto inconsciente para agarrar o pulso da outra mão que envolvia com firmeza a cintura. Julie tirou a mão e subiu a mão até que a palma do Chris envolveu um seio. — O que quer que faça? — sussurrou ele, acariciando com a língua o lóbulo da orelha. A Julie não saíam as palavras. Era estranho que depois de tudo o que tinham compartilhado ela ainda pudesse sentir vergonha. Mas era tão decadente, estar ali fora, a plena luz do dia. — Diga-me — disse Chris ao tempo que detinha as carícias entre as pernas da Julie. Julie sujeitou com a outra mão o pulso e impediu que a mão masculina abandonasse seu posto entre suas coxas. — Não pare. —Qualquer sentido da modéstia que pudesse ficar não era rival para a


intensidade do desejo que a invadia. — Me diga como quer que te toque — repetiu Chris. Julie tragou saliva. E logo, em voz tão baixa foi logo que podia ouvir-se ela mesma, o explicou. — Toque os meus mamilos. Os dedos da mão esquerda de Chris rodearam com suavidade o mamilo esquerdo da jovem, provocando-o, dando golpes, em uma carícia que só alimentou a frustração feminina. — Assim? — Não. — Então como? Julie fechou os olhos sob o sol, sob a vergonha que ameaçava superando a necessidade que sentia de dizer exatamente o que queria e como. — Belisca-os — murmurou. E depois, com voz mais firme. — Belisque-os… Quebrou a voz em um gemido satisfeito quando ele a obedeceu e tirou com firmeza do duro botão. — É tudo? — Me toque… — gemeu Julie — entre as pernas, como antes. —Cobriu o dorso da mão que descansava entre suas pernas e a apertou contra seu sexo bastou para que ele exercesse a pressão que ela ansiava. — Ah, assim — murmurou quando os dedos masculinos se deslizaram pela pele escorregadia que cobriam. — Dentro — rogou Julie com um grito quando sentiu a deliciosa sensação dos dedos que a abriam ainda mais. — Mais ainda. Julie se retorceu contra ele e continuou ofegando palavras de fôlego. Os dedos de Chris se afundaram e a penetraram enquanto cravava a palma contra o monte de Vênus da jovem. Uma última e firme carícia e Julie gozou, estremecendo contra ele. Chris a sustentou contra seu corpo, sujeitava-a com um braço enquanto a acariciava com a outra mão até que arrancou até o último tremor do corpo. Julie suspirou e relaxou contra ele. Sentia-se bastante orgulhosa de si mesma. Por ser uma mulher que se passou a maior parte de sua vida tentando agradar a outros, não dava nada mal exigir que a agradassem. Ficou ali vários minutos, reclinada entre os braços masculinos. Sentia-se segura, envolta na calidez de Chris, em seu aroma. — É tão doce — sussurrou ele roçando com os lábios a pele tenra do ombro. Julie girou a cabeça e acariciou com a bochecha a mandíbula firme de seu menino. Chris trocou de postura embaixo dela e tentou estirar as pernas para colocar-se em uma posição mais cômoda. Julie foi consciente imediatamente da ereção que palpitava com insistência contra seus rins. Deu a volta e se sentou escarranchada em Chris, de modo que seu membro ficou embalado pelo calor úmido do sexo da Julie, ainda palpitante. —Não — grunhiu ele quando ela se retorceu um pouco. Cada movimento fazia que o pênis


de Chris se esfregasse de uma forma deliciosa contra a entrada úmida da jovem. — As camisinhas estão no navio — protestou ele enquanto tentava sem muita, convicção levantá-la. — Não precisamos — disse Julie ao inclinar-se para beijá-lo — Levante.


Capítulo 15 Chris olhou para Julie, que desceu de seu colo e ajoelhou diante dele quando ele se levantou. Por um segundo sentiu uma leve tontura, e não ajudou muito que Julie se erguesse um pouco e rodeasse os músculos firmes das panturrilhas com as mãos. O empresário conteve o fôlego ao sentir os suaves seios femininos apertados contra suas coxas e também sua ereção crescente, desesperado por sentir a boca de Julie, que estava a só uns centímetros da cabeça palpitante de seu membro. Um gemido surdo retumbou no seio quando Julie roçou a parte posterior das coxas com as palmas das mãos e atraiu-o para ela, Chris pôde sentir o calor de seu fôlego na pele hipersensibilizada. Depois fechou os olhos quando sentiu que Julie se inclinava para frente. Mas em lugar de envolvê-lo com a boca como ele esperava, Julie depositou um beijo, primeiro em um quadril, depois na outra. — Eu adoro quão suave tem a pele aqui — sussurrou enquanto fazia girar a língua sobre a parte sem pelo que tinha Chris junto ao quadril. O empresário exalou um suspiro entrecortado. — Deus, por favor, Julie — ofegou enquanto entrelaçava os dedos nos cachos úmidos que emolduravam a cara ruborizada da jovem. — E eu adoro quão duro está aqui. — Julie elevou os olhos azuis semi fechados para encontrar-se com o olhar dele, depois lambeu os lábios como se não pudesse esperar mais para saboreá-lo. — Eu adoro saber o muito que excito você. Embora acabe de gozar, tenho a sensação de que poderia gozar outra vez só de olhá-lo. Chris tinha pensado que nada podia excitá-lo mais que ouvir Julie rogar que beliscasse os mamilos e dizer que colocasse os dedos na doçura de seu sexo. Mas se equivocava. A ter ajoelhada diante dele, tão perto que podia sentir seu fôlego quente no pênis… estava pondo-o tão duro que doía. Gemeu e a sujeitou pelo cabelo quando agarrou a ereção com a mão e a apertou com suavidade antes de acariciá-la com mão mais firme. A língua dela, delicada e rosa, saiu para saborear a gota de umidade que se aferrava à ponta do pênis de Chris. Julie fez girar a língua ao redor da cabeça, e deu um golpe, primeiro com doçura e depois com mais firmeza com o passar do sensível lado inferior. O empresário deixou escapar um grito e jogou a cabeça para trás quando os lábios da Julie se fecharam sobre ele e o envolveram em uma sucção cálida e úmida. Não era a primeira vez que o chupava, mas nunca com aquela espécie de determinação resolvida, aquela espécie de… entusiasmo. Julie parecia concentrada, só e exclusivamente, em agradá-lo com os lábios e a língua. — Adoro chupar o seu pênis — sussurrou como se lesse o pensamento dele. Aquelas palavras, francas e carnais, saindo de uma boca tão doce foram quase suficientes para fazer que


gozasse. A mão da Julie ajustou suas carícias às passadas de sua boca à medida que o devorava até o fundo e logo ia soltando, centímetro atrás incitante centímetro, para depois encher de cuidados a cabeça cheia com forma de ameixa. Chris sentiu o impulso de agarrar a cabeça da Julie e obrigá-la a meter até a garganta, mas se conteve e se conformou permanecendo ali, passivo e crédulo, enquanto ela impunha o ritmo, beijando-o, lambendo-o, chupando-o, saboreando-o. O empresário sentiu que esticavam os testículos e lutou contra o clímax iminente que se abatia sobre ele como um trem. Queria absorver cada detalhe daquele momento. O calor úmido da boca e a língua de Julie, seus preciosos olhos azuis que o olhavam com intenção enquanto observava o prazer crescente de Chris, o peso suave de seus seios que se balançavam com suavidade quando a água girava e lambia seu corpo. Uma mão furtiva penetrou entre as pernas de Chris e embalou com doçura os testículos, fazendo-os rodar pela palma enquanto sua proprietária a chupava com avidez. Julie emitiu um gemido profundo e Chris sentiu a vibração com cada célula de seu corpo. Não estava seguro de querer gozar assim, e não sabia se ela sequer quereria. Cravou os olhos na boca cheia e úmida que se deslizava por seu membro, grosso e brilhante. Depois agarrou a cabeça da Julie entre as mãos para deter seus movimentos. — Tem que parar — gemeu — Estou muito perto. A língua feminina o rodeou cheia de desejo. — Quero sentir como você goza na minha boca. — Julie o obrigou a soltar a cabeça e seguiu chupando até que quase a colocou até a garganta. Chris viu estrelas quando gozou, palpitante e denso, quase na garganta de Julie. Depois inclinou as costas quando Julie seguiu sugando sem deter-se, até extrair a última gota de sêmen. Os joelhos de Chris dobraram com a força daquele orgasmo, afundou-se na água e pegou Julie entre seus braços enquanto se maravilhava do leve tremor que invadia as mãos. Como era capaz de fazer aquilo? — Fazer o que? — perguntou Julie com uma nota vacilante na voz. Chris nem sequer se deu conta de que o havia falado em voz alta. Abraçou-a com mais força e tentou tirar-se da cabeça, tanta suscetibilidade como ameaçava afligindo-o. — Fazer o que? — repetiu Julie, que tentava sair de seus braços. — Tenho feito algo mal? Chris a abraçou ainda mais, atraiu-a e a obrigou a sentar-se de cara com ele e que o rodeasse a cintura com as pernas. — Deus, não — sussurrou enquanto enterrava a cabeça na curva suave do pescoço dela e inspirava aquela pele perfumada e cálida antes de saboreá-la com uma mordida suave quando o aroma já não foi suficiente. —Então o que tenho feito? —insistiu Julie com a voz afogada pelo ombro musculoso do Chris, O que podia dizer? Que o tinha feito gozar como alguma vez em sua vida? Que ela, uma


relativa novata no que se referia ao sexo, alguma vez deixava de surpreendê-lo e assombrá-lo cada vez que faziam amor? Que tinha a sensação de que poderia fazer amor sem parar e que jamais deixaria de desejá-la e que com só pensar nisso morria de medo? — É que não posso acreditar no que me faz sentir — disse Chris ao fim. — O que é o que te faço sentir? — Julie se apartou um pouco e agarrou o rosto entre as mãos para poder olhá-lo nos olhos. Chris levantou a mão para acariciar a bochecha e passar o polegar por seus lábios carnudos. — Algo assombroso — disse Chris em voz muito baixa. — O que me faz sentir é absolutamente assombroso. Julie ficou olhando Chris, mas foi incapaz de ler a emoção que se ocultava atrás de seu intenso olhar, escuro como a meia-noite. Mil perguntas se confundiam no cérebro dela. Posto que nunca tivesse levado Chris ao orgasmo desse modo, Julie gostava, é obvio da sua resposta. Mas possivelmente aquela expressão de esgotamento entristecedor fora do mais normal, dadas às circunstâncias. Assombroso. Assombroso como em “quero você, é assombrosa”, ou, mas bem “é assombroso o bem que me sinto sempre depois de uma boa mamada”? Mas dado que não havia nada na expressão de saciedade de Chris que indicasse uma emoção mais profunda, Julie guardou suas perguntas e se limitou a inclinar-se e beijá-lo com suavidade para tentar transmitir toda a ternura que sentia com aquela única carícia. — O que você me faz sentir também é assombroso. Algo cintilou nos olhos do Chris, algo ardente e penetrante, mas desapareceu antes que Julie pudesse identificá-lo. E depois, sem prévio aviso, Chris se levantou de repente; mal teve tempo de segurar Julie antes que ela caísse de costas na água pouco profunda. — Tenho fome — disse Chris a toda pressa — Não tem fome? Há uma tonelada de comida no navio. — mergulhou entre as ondas e sua cabeça escura reapareceu molhada uns metros mais à frente. Depois, com braçadas lentas e elegantes, Chris se dirigiu ao navio ancorado. Julie sabia que tinha que manter o tipo, ao menos até o momento de agarrar a balsa. Estava começando a ver coisas que não existiam. Por exemplo, por um instante teria jurado que tinha visto algo parecido ao amor nos olhos de Chris, antes que ele fosse a nadar sem pressa de volta ao navio. Mas só porque ela queria vê-lo, isso não significava que estivesse ali. Ia para casa em uns dias e aí tudo ia se acabar. Solicitaria o traslado e, armada com seus recém conhecimentos e experiências, tentaria ser a mulher forte e independente que sabia que levava dentro. E uma vez que tivesse posto sua vida em perspectiva, veria sua aventura amorosa com Chris como o que era. Uma anomalia momentânea no radar de sua vida amorosa, um interlúdio apaixonado que a ajudaria a fazer arrancar sua nova existência como mulher sexy, solteira e independente capaz de controlar sua própria vida. Não era, disse-se com firmeza enquanto colocava a cabeça debaixo da água, amor. Pelo menos não do de verdade, de que levava a matrimônio, a ter filhos e a esfregar o um ao outro uma


pomada nos pés. Recorda quem é Chris. O irmão de Brian. O filho de David Dennison. De tal pau, tal lasca, igual ao seu irmão. Chris nunca tinha dado a entender que quisesse algo mais. Possivelmente ela se apaixonou por ele, mas não era tão parva para acreditar que Chris era o tipo de homem no qual uma mulher podia depositar suas esperanças. Julie subiu pela escada do navio e se viu envolta imediatamente por uma enorme e grossa toalha de praia. Levantou a cabeça e viu Chris, sorrindo desde sua altura com uma expressão tão tenra que ela não demorou em esquecer tudo o que acabava de dizer. Embora aquele homem sempre tivesse sido uma espécie de menino mau, a ovelha negra da família, também era generoso com sua família e seus amigos. E considerado, aquele dia era a prova. E era muito mais que isso. Era inteligente, responsável e um homem com recursos. Terei que ser uma pessoa extraordinária para levantar um pouco de um nada e convertê-lo em uma empresa respeitada, por não falar de muito lucrativa, em sós cinco anos; pois isso tinha sido exatamente o que tinha feito Chris com Recife Holley. Não era a primeira vez que Julie pensava que seu pai e o de Chris não tinham feito muito boa eleição ao preparar ao Brian para que, com o tempo, fizesse-se cargo do D&D. Brian possivelmente vestisse e atuasse como se esperava de um executivo com experiência, mas no fundo só era um menino mimado ao que só importava o poder que podia proporcionar o cargo. Arderam-lhe os olhos com uma mescla de água salgada e lágrimas ao contemplar sua própria estupidez. Ela também tinha se enganado com a pose de Brian e inclusive quando tinha começado a suspeitar a verdadeira natureza de seu prometido, tinha preferido deixar-se enganar por causa dos desejos de seus pais. Passou anos centrando-se no irmão equivocado. Desde o começo tinha querido Chris. Amava-o com cada centímetro de seu dolorido e inchado coração. Seus olhos o perseguiram com avidez enquanto Chris recolhia uma cesta de piquenique, umas redes e uma enorme manta para a praia e carregava tudo na pequena lancha-barco a motor que ia leva-los a costa. Mas dava igual se o queria ou não. Chris não ia trocar seu estilo de vida nem seus costumes só porque Julie se apaixonou por ele. E Julie não estava preparada para dar as costas a suas obrigações familiares por algo que não era real. Limpou o rosto e foi recolher o biquíni e as calças de onde Chris tinha deixado. Quão único tinha que fazer era aguentar o tipo até a hora de ir e assegurar-se de que Chris jamais se inteirasse do que ela sentia em realidade. *** Que fácil era falar, pensou Julie mais tarde enquanto ajudava Chris a estender a gigantesca manta na areia e a desdobrar as duas redes. O dia inteiro parecia desenhado para seduzi-la. O


veleiro, a praia privada, aquele piquenique ridiculamente sofisticado, com a lagosta, o vinho frio e tudo… Como se Chris necessitasse ajuda. Julie sentiu uma nova onda de desejo enquanto admirava o tórax nu do homem que estava dispondo o almoço diante dela. E o homem lançou um sorriso pícaro quando a surpreendeu olhando-o, como se soubesse com toda exatidão o que estava pensando. — Primeiro a comida, depois a sobremesa — disse ao mesmo tempo em que a arrastava à manta, ao seu lado. Julie se estirou na areia e atraiu Chris para si até jogá-lo em cima dela. Rodeou-lhe o pescoço com os braços e baixou a cabeça para apoderar-se de sua boca em um beijo lento e profundo. Chris respondeu com entusiasmo enquanto deslizava a palma da mão sob a camiseta que Julie pôs junto com as calças. Julie se retorceu e suspirou ao sentir aquela mão cálida sobre seu estômago. Uns segundos depois, Chris soltou os lábios e começou a cobri-la de beijos pela testa, as bochechas e o nariz. Julie elevou o rosto a aquela boca; o coração enchia de gozo ao sentir a ternura daquelas carícias. Depois desenhou com as mãos os músculos firmes das costas dele. Como desfrutava os sentir vibrar sob a pele ardente e lisa. Levantou uma perna, apoiou-a no quadril de Chris e deixou que a pélvis deste se apoiasse na suave curva de seu ventre. A boca de Chris voltou a cobrir a sua e começou a dar doces mordidas no lábio inferior para logo aliviá-las com uma ligeira lambida. Depois se elevou um momento e a olhou sem dizer nada. Os olhos azuis dele resplandeciam de desejo, e de algo mais. Era como se nesse momento estivesse tão afligido como Julie pelo puro prazer de estar ali com ela. Como se ele também se sentisse a pessoa mais afortunada do planeta por estar naquela praia fazendo amor. Deus, como amava esse homem. Mas o único som que emitiu Julie foi um ligeiro gemido e voltou a atrair sua cabeça para a dela para tentar transmitir toda essa emoção em um beijo. Possivelmente fosse o duro sol do meio-dia, possivelmente fosse o fato de saber que aquela era uma das últimas vezes que poderiam fazer amor, mas, de repente, tudo se fez mais vivo, mais intenso. O corpo de Julie se converteu em uma massa de sensações incontroláveis envoltas no calor do sol, a carícia doce da brisa e o som e o aroma do oceano. A textura de sua pele, e o pelo áspero em alguns lugares e suave como o de um bebê em outros de Chris. Seu aroma, quente, almiscarado, invadia os sentidos de Julie. Queria tocá-lo, saboreá-lo por toda parte, memorizar cada centímetro de seu corpo e absorvê-lo como algo próprio. Suas carícias se fizeram mais frenéticas à medida que se intensificava o anseia palpitante que sentia entre as coxas. — Por favor, Chris, te quero dentro de mim — sussurrou. Desejava-o tanto que quase era uma dor física. Mas Chris se negou a incrementar o ritmo.


— Tranquila, botãozinho. Temos todo o dia e desta vez quero tomar com calma. Julie gemeu quando Chris tirou a camiseta dela; o tecido de algodão abrasou os mamilos já hipersensibilizados. A calidez do sol os fez erguer-se ainda mais, até que foram como diminutos pontos eretos que exigissem os beijos e a sucção da boca dele. A jovem suspirou de alívio quando viu que Chris baixava a cabeça, mas em lugar de oferecer a sucção firme que Julie ansiava, rodeou as auréolas com a língua, primeiro uma, depois a outra, com a boca aproximando-se de um milímetro de onde ela o necessitava mas sem chegar a tocá-la jamais. — Não me atormente — murmurou Julie dando um forte puxão de cabelos para deixar claro seu argumento. Chris abandonou os seios dela por completo e desenhou um suave caminho de beijos pela pele lisa do ventre. Julie decidiu que tinha que provar com outro enfoque. Soltou-lhe o cabelo, colocou a mão entre os dois e esfregou com firmeza a ereção que forçava o grosso nylon de suas calças curtas. — Quero-te, Chris, dentro de mim, já. Mas em lugar de obedecê-la, Chris lançou uma suave risada e se apoderou da mão dela para tirar de sua braguilha. — Paciência, Jules. Você tem paciência e prometo que a espera merecerá a pena. Julie abriu a boca para protestar quando ele se apoderou de sua outra mão e sujeitou as duas mãos por cima da cabeça. Mas qualquer protesto de Julie morreu em seus lábios quando Chris se acomodou melhor sobre ela, esmagou-lhe brandamente os seios com o torso e encaixou o aço de sua ereção contra o sexo de Julie, que ardia e se fundia embaixo dele. — Esta vez quero te tocar por toda parte — sussurrou Chris antes de investir a língua com a sua em um ritmo profundo e conhecido. Julie gemeu e se retorceu embaixo dele, a ponto de alcançar o clímax, e Chris nem sequer tinha tirado as calças. Era como se os jogos sexuais de um momento antes nem sequer tivessem ocorrido. Chris tinha despertado em seu interior uma ânsia que jamais ficaria satisfeita de tudo. A boca do Chris percorreu a garganta de Julie, cruzou a clavícula e por fim, sim, fechou-se sobre o mamilo com um puxão firme que levantou os quadris de Julie da manta. Julie se esfregou contra ele, lutando por soltar as mãos e ofegando com força. Chris soltou as mãos e Julie colocou imediatamente os dedos no cabelo para apertá-lo contra ela. O empresário usou os dedos para atormentar o outro bico ereto, mordeu-a e a beliscou até que a jovem esteve a ponto de voltar-se louca de prazer e dor. As pernas femininas se entrelaçaram com as de Chris e com a planta do pé Julie esfregou toda a panturrilha para respirá-lo enquanto com as mãos massageava os músculos das costas e os ombros. Chris tinha a pele cálida, úmida de suor, e Julie pôde cheirar a excitação que emanava dele em feito ondas. — Oh, sim — suspirou a jovem de prazer e antecipação quando Chris desenhou um caminho de beijos quentes e úmidos por seu ventre. O empresário baixou as calças e a calcinha do biquíni com um só movimento.


Depois deslizou a mão pelo interior das coxas com a boca seguindo o progresso dos dedos. Julie estremeceu quando o calor do fôlego dele roçou o sexo como o mais suave dos beijos. Sua carne, já muito excitada, inchou-se ainda mais e seu corpo se esticou, ansiando a carícia daqueles lábios e aquela língua. — Tem ideia do muito que eu gosto de te comer? — sussurrou Chris. A língua dele riscou com delicadeza a abertura ao tempo que separava os lábios com os dedos para abri-la ainda mais a seu olhar e suas carícias. — Tem um gosto assombrosamente bom. — A língua de Chris girou ao redor do botão duro do clitóris de Julie. — E quando gozar em minha boca, imagine o que deve sentir quando estou dentro de ti, palpitante, escorregadia e rodeada ao redor do meu pênis. Chris enterrou a boca nela com impaciência, girava e colocava a língua e sugava o sexo com os lábios. Julie já estava tão preparada que gozou em questão de segundos gritando o nome de Chris. — Ai! Julie baixou a cabeça e olhou Chris com os olhos um pouco nublados. Resultava um pouco estranho que depois de só duas semanas parecesse do mais normal ver a escura cabeça do empresário enterrada entre suas coxas. Foi então quando notou que tinha apertado tanto os punhos no cabelo dele que tinha que estar doendo. — Oh, sinto muito — ofegou. — Não passa nada — riu enquanto esfregava o ventre com o queixo. — Tomarei como um complemento, só estava tentando me manter aí embaixo. Julie agitou a cabeça e riu, tentou fechar as pernas e deixá-lo fora, mas o empresário não cedeu e sujeitou com firmeza os quadris enquanto cobria de beijos o ventre. Julie deixou de rir quando o abraçou com força. Como ia deixar tudo aquilo? Aquele pensamento provocou tal dor que encheram os olhos de lágrimas. Piscou a toda pressa para espantá-las antes que Chris as visse. Mas que alternativa tinha? Preferiu então concentrar-se na ternura com a que Chris a acariciava. Era tão assombrosamente sensível, nunca deixava de prestar atenção ao que gostava para dar o máximo prazer. Julie sempre tinha pensado que era um tópico quando o lia nas novelas românticas, mas o certo era que Chris conhecia seu corpo melhor que ela mesma. E o empresário estava fazendo bom uso dessa habilidade nesse momento. Os dedos dele tinham começado a acariciar a entrada, do corpo de Julie para depois penetrá-la com impulsos firmes que reviviam o desejo dela e antecipavam o momento em que enterraria seu pênis nela, no mais profundo, além do que nenhum homem tinha chegado. — Necessito-te dentro de mim — sussurrou Julie com a boca no pescoço de Chris. Precisava sentir essa união, a fusão dos dois corpos, inclusive mais do que necessitava o alívio físico. Necessitava as lembranças que poderia saborear, as lembranças daqueles breves momentos nos que Chris formava parte dela de verdade.


— Pois me peça isso — provocou ele, dominando-se. Julie conteve um sorriso. Chris adorava de obrigá-la a dizer obscenidades. — Foda-me Chris. Coloque seu pau até o fundo. O empresário deteve suas palavras com um beijo quase selvagem e gemeu na boca dela ao tempo que tirava a camisinha a toda pressa. Em poucos segundos, a ponta grossa de sua ereção foi abrindo caminho pelo sexo de Julie, raspando com uma sensação deliciosa aquela carne escorregadia e palpitante. Julie se arqueou para ele para absorvê-lo mais em seu interior e utilizou os músculos para meter-lhe mais. Rodeou-o com os braços e as pernas e arqueou para receber cada uma das investidas dele. Quero-te. Julie enterrou a boca aberta no ombro de Chris para evitar falar em voz alta. Quero-te, gritava sua mente enquanto ela gozava, apertando os músculos ao redor de seu membro em vibrantes quebras de onda, dando tudo a aquele homem, o coração, a alma, quando o orgasmo a abrasou inteira. Quero-te, sussurrou Julie em silêncio enquanto o via segui-la ao abismo. Os olhos dele se cravaram nela, ardentes, convidando-a a compartilhar sua rendição e ceder juntos a aquela sensação tão entristecedora, tão intensa. Chris se derrubou sobre ela com um gemido profundo e apoiou a cara na almofada suave dos seios femininos. Julie o abraçou com força e fechou os olhos para tentar gravar na mente cada detalhe desse momento. Não podia ter a eternidade, mas o presente era dele. E nesse instante, o presente era perfeito, que inferno. *** O sol da manhã golpeou Chris no rosto. Piscou os olhos enquanto se acostumava à luz brilhante e sorriu ao ver os cachos loiros e despenteados que cobriam o torso nu. Depois de comer e se vestir outra vez, Julie e ele tinham desfrutado de um decadente piquenique composto por cauda de lagosta, vinho branco e fruta fresca. Depois de dormir à sombra, tinham ido se banhar nus outra vez. Chris tinha insistido em voltar a passar o protetor em Julie por todo corpo, o que tinha levado a que voltassem a fazer amor. Ao final tinham retornado ao navio com a intenção de se pôr de novo rumo a Recife Holley, mas então Julie tinha dito que entardeceria em só uns minutos, e se não seria maravilhoso contemplá-lo do iate. Chris tinha concordado com gosto e tinham decidido que, posto que tinham comida e água potável de sobra, bem poderiam passar a noite no navio. A noite tinha sido perfeita e limpa e ele tinha feito uma cama improvisada com as almofadas dos bancos e os lençóis que tinha tirado de um dos beliches. — Para que passar a noite embaixo quando temos tudo isto? — havia dito Julie enquanto se estirava com preguiça e contemplava o céu cheio de estrelas. Era uma beleza, tão bonita com a luz da lua quase cheia destacando cada uma de suas curvas que Chris se viu obrigado a fazer amor uma vez mais.


Mas já tinha amanhecido e tinham que pôr rumo à casa de uma vez. Tinha que voltar para o trabalho e Julie tinha que fazer as malas. Porque ia embora ao dia seguinte. Rodeou-a com os braços com mais força, quase sem querer. Julie trocou de postura em dormindo com um pequeno ruído de protesto. Chris preferia não pensar em sua partida, na verdade. Fechou os olhos e por uma vez não tentou tirar da cabeça as perigosas ideias que o rondavam. E se não ia? Pelo que se tratava aquela viagem era de fazer umas quantas mudanças, não é? E o que podia mudar sua vida mais que deixar São Francisco? Bem sabia Deus que Carla e ele necessitavam ajuda para dirigir o complexo turístico. Era perfeito, Julie teria um trabalho a sua medida e podia mudar-se a sua casa… Ao Chris deu um tombo o coração e depois começou a pulsar mais depressa. Jamais em sua vida pensou em viver com uma mulher e sentiu um formigamento de pânico ao pensar que estava considerando a ideia. Mas mais forte que o pânico era a voz que dizia que aquela era uma grande ideia, sem dúvida. Inclusive uma ideia perfeita… Julie voltou a trocar de postura junto a ele e Chris abriu os olhos. A jovem o olhava com atenção e durante um instante de loucura Chris pensou que possivelmente sabia exatamente o que estava pensando. Julie o olhava em silêncio; seus olhos azuis ardiam com uma cor turquesa que contrastava com o tom dourado de sua pele. Tinha a boca rosa e imprecisa, torcida pelos beijos de Chris. Umas sardas diminutas salpicavam o nariz e Chris podia ver cada pestana que se frisava em seus olhos, tão largas que quase tocavam as sobrancelhas. Era tão adorável que Chris sentiu o seio doer. O empresário observou que uma comissura da boca feminina se elevava em um sorriso diminuto e curioso. —O que? Peça-lhe, peça-lhe idiota. Diga que não quer que vá, que quer que fique aqui, contigo para averiguar se está apaixonado por ela ou não. —Nada. Só pensava no formosa que é. Covarde. Julie sorriu ainda mais e o atraiu para ela. Já o pedirei mais tarde, quando se apresente a ocasião. Não solta algo como isso a uma mulher que acaba de despertar. Julie rodeou a cintura com uma perna e colocou a língua na boca dele. E não se interrompe a uma mulher quando é óbvio que tem outras coisas na cabeça. Ia esperar a oportunidade que estava procurando e então pediria que ficasse, que se arriscasse por ele, pelos dois. Uma quebra de onda de calor o abrasou inteiro quando uma mão se fechou sobre seu membro, que se ia endurecendo a toda pressa. Mas logo. Muito depois.


Capítulo 16 A oportunidade surgiu quando retornavam para casa. Julie, ao leme do barco, recostou-se contra o tórax de Chris, que rodeava a sua cintura com os braços, depois girou a cabeça e sorriu. O empresário a beijou, divertindo-se no sabor da sua boca. A vida era perfeita, como tinha que ser. Por que tinha sido tão covarde até esse momento? Jamais se tinha considerado uma pessoa medrosa. Sempre tinha ido atrás do que queria. Julie tinha sido a única exceção. Mas Chris a queria ao seu lado, mais do que tinha querido nada em sua vida e precisamente por isso se convenceu de que nunca poderia funcionar, que Julie jamais daria as costas a sua família. Mas nesse preciso momento, naquele navio, enquanto a beijava e parecia pôr naquele beijo todo seu coração e sua alma, como podia duvidar Chris de que ela sentia por ele quão mesmo ele por ela? Julie pôs fim ao beijo com um suspiro. — Oxalá não tivesse que ir — comentou. Chris não poderia ter pedido um pé melhor embora ele mesmo tivesse escrito o guia. — E se não fosse para casa amanhã? A jovem ficou tensa entre seus braços e deu a volta para olhá-lo. — Por que não ia para casa amanhã? — Que pressa há? Poderia ficar aqui. — Chris, tenho um trabalho, tenho uma vida a que tenho que retornar. Chris vacilou um momento. Em realidade esperava que Julie não deixasse escapar a oportunidade e dissesse que sim sem duvidá-lo. — Aqui necessitamos de ajuda — disse em um intento absurdo de salvar algum resto de orgulho. — Está dizendo que quer me contratar? — Julie sentiu os olhos nublaram de dor e Chris sentiu outra onda de esperança. — Não, quero dizer, sim, mas há… Quero que fique por nós. — Chris se passou uma mão pelo cabelo. Por Deus, sentia-se como um pirralho de treze anos convidando uma garota ao baile. Onde diabos tinha ficado seu orgulho? Agarrou o leme quando se aproximaram do mole de Recife Holley. Mas a expressão da Julie se suavizou ao fim e seu sorriso enviou um formigamento quente ao ventre do Chris. —Sério? Chris sentiu que um sorriso curvava os lábios. Abriu a boca para responder, mas ao colocar o navio no cais se deu conta de que havia mais navios, navios que ele não conhecia, ancorados na praia. Um Zodiac pequeno passou junto a eles a toda velocidade, com vários passageiros


disparando suas câmaras sem parar. —Que porra é essa? Chris e Julie amarraram o navio a toda pressa, recolheram suas coisas e baixaram ao cais. Dúzias de pessoas formavam redemoinhos ao redor, gritando, e empurrando-se, e dava a sensação de que a polícia da ilha estava tentando colocar várias pessoas no barco do complexo. Um homem saltou para eles chiando coisas incompreensíveis. Julie se encolheu quando o homem colocou algo pela cara e Chris a atraiu para si em um movimento instintivo. Maldição, eram paparazzi? Aos poucos segundos os tinha rodeado mais gente, por si necessitava uma resposta a essa pergunta. Carla e Dão conseguiram abrir caminho de algum modo entre a multidão, seguidos de vários policiais que arrumaram para manter aos fotógrafos a raia para que eles pudessem sair dali. — Graças a Deus que retornou! — disse Carla. — Apareceram ontem à noite, depois de que fossem. Não tenho nem ideia de como souberam… — Porque houve uma filtração — a interrompeu Dão com voz tensa. Chris se encontrou com o olhar inquieto de Julie. Não fazia falta ser um gênio para imaginar quem tinha dado o aviso à imprensa. — Kara — disseram os dois juntos. Carla apertou os punhos de pura frustração. — Jane e seu marido já se foram, e não é como se tivessem podido fotografar as bodas. — Mas Dão não parecia muito convencido. — Mas isso não é o pior — continuou Carla. — Não foi Jane Bowden a que provocou toda esta animação, foi… — Não disse nada mais porque a interrompeu a aparição de dois homens atrás dela. — Julie, há alguém que quer ver-te. Chris a ouviu afogar um grito e não soube bem se foi porque de repente a tinha apertado no ombro ou ao reconhecer aos dois homens. Seu irmão Brian e o pai da Julie os olhavam furiosos por cima dos cachos escuros de Carla. Julie sentiu que o corpo de Chris ficava rígido; depois sentiu um calafrio quando o empresário soltou o ombro e se apartou. Brian se adiantou com os punhos apertados e estufando o peito. — Que diabos você pensa que está fazendo com minha mulher? Chris, que nunca tinha sido dos que se esgotavam olhou furioso a seu irmão desde sua altura superior. — No que a mim respeita, se não soube apreciá-la quando era tua, agora não tem nada que reclamar. Por não mencionar — Chris deu um passo adiante com atitude ameaçadora e deu um golpe em Brian no tórax com o dedo — que já não é sua mulher. — Em realidade não assinei os papéis do divórcio — disse Julie enquanto lançava olhadas nervosas a seu pai e ao Brian. — Ainda. Os olhos do Chris se encheram de confusão e ira mas antes de que Julie pudesse tentar explicar-se, seu pai a agarrou pelo braço. — Não vamos discutir isto aqui — disse. Voltou para a Julie; a ameaça que ocultava sua voz


baixa compensava sua falta de volume. — Observará que todos os repórteres da imprensa amarela mais sórdida do país estão neste mesmo instante nesse cais ou na água, tirando fotos como loucos. A Julie caiu a alma aos pés e sentiu que tudo o sangue abandonava seu rosto. Em poucas horas, minutos possivelmente, enviariam suas fotos a todas as páginas de fofocas da internet. Sua foto e sua história se converteriam em pasto da imprensa amarela durante semanas inteiras. Como podia ter sido tão tola? E ainda por cima tinha levado Chris a lama com ela, e a reputação de empresário dele. Mas se saía com a sua, ao menos estaria ali para trabalhar a braço partido para seu lado para levantar de novo Recife Holley. — Tem razão — disse com um grande nó na garganta. — Vamos a um lugar mais discreto. Pôs-se a andar para o edifício principal com a ideia de meter-se no despacho. — Julie — a voz do Chris irrompeu entre o rugido de medo que invadia a cabeça da Julie. A expressão dele era tensa, com as linhas do rosto muito marcadas. — Não tem que ir com eles. Mas sim tinha que ir com eles. Tinha que explicar; a seu pai e a Brian o que tinha pensado fazer e o que não com sua vida e seu tempo. E se não gostavam… por estranho que fosse e por uma vez em sua vida, podia dizer com toda sinceridade que dava igual. — Tenho que ir — disse ao Chris. — Confia em mim, é o melhor. Uma vez no escritório, Julie girou e olhou a Brian, que parecia surpreso pela determinação de sua mulher. — Porque não assinou os papéis do divórcio? — Porque não vai haver nenhuma anulação — disse o pai de Julie. O corpo baixo e forte do Grant Driscoll luzia umas bermuda e uma pólo branco de golfe que já tinha manchas de suor sob os braços. O contraste com Brian era óbvio e descarnado. O marido de Julie, apesar de seu acalorado gênio, mal tinha começado a suar sob o intenso sol do Caribe. — Pois claro que vai haver — virtualmente gritou Julie, a que agradou a expressão surpreendida de seu pai. Jamais tinha levantado a até esse momento, mas a sensação era mais agradável. — Não posso acreditar que queira que siga casada com um homem que não tem feito mais que me pôr os chifres, incluindo o dia de minhas próprias bodas. Grant suspirou e se passou os dedos pelo cabelo curto e loiro que começava a encanecer. — Não tem que seguir casada para sempre. Só um ano, possivelmente dois, até que se esqueça de todo este assunto. Logo, cada um pode ir pro seu lado, mas fazendo as coisas com discrição. A mandíbula de Julie esteve a ponto de golpeá-la no seio de puro assombro. — Está de brincadeira? — Tem que voltar para casa e arrumar o desastre que provocou. — O desastre que eu provoquei? Eu? — Julie assinalou com um gesto de impotência a Brian, que não mostrava o menor sinal de vergonha por seu comportamento. — Mas se foi ele o que… — Dá-me igual quem começou — a cortou Grande. — Foi você a que montou o número.


— E foi você a que fugiu com meu irmão — interpôs Brian. — … e a imprensa negativa resultante que recebemos foi demolidora para a companhia — terminou Grant. — E agora, com este fiasco — assinalou com um gesto o cais que se via pela janela, onde o que parecia uma legião de jornalistas estava subindo a bordo do barco de bom grau ou não, à polícia dava igual, — seremos ainda os mais bobos de todos. Temos que apresentar uma frente unida embora só seja algo temporário. O nó que Julie tinha no estômago foi inchando até que quase esteve a ponto de asfixiá-la. — Chamas dois anos de “temporário”? Estamos falando de minha vida. — Julie detestou a forma em que quebrava a voz, detestou a forma que tinha de olhá-la seu pai, como se fosse a maior desilusão do século. E, sobre tudo, odiava o fato de sentir a tentação de fazer exatamente o que dizia seu pai, embora só fora para apagar aquela horrível expressão da cara. Mas não ia fazer porque ao fim tinha aceitado a verdade. Ali não tratava dela ou de sua felicidade. Tratava-se de um pouco mais fundamental e sempre tinha sido assim. — Como me encontrou? — Não graças a essa filha da mãe da Wendy,— disse Brian. Julie sacudiu a cabeça sem poder acreditar-lhe seriamente havia sentido um pouco parecido sequer ao afeto por aquele idiota mimado? — Uma mulher, Kara não sei o que, não teve nenhum problema em nos chamar pouco depois de alertar aos meios. — E, entretanto, a ninguém parece importar que você estivesse transando com sua secretária e que depois lhe levasse às ilhas Fiji no que se supunha que era nossa lua de mel — disse Julie com desdém. Brian ao menos teve a decência de ruborizar-se. — Os dois se comportaram como autênticos estúpidos — disse Grant. — Mas só fica uma solução. O fato é que este desastre de matrimônio tem a nossos investidores preocupados com uma possível ruptura entre o David e eu. Conforme está o mercado, temos que fazer tudo o que possamos para nos assegurar de que os investidores saibam que nossa companhia não vai se desabar. — Quer dizer que sou eu a que tenho que fazer tudo o que possa — cuspiu Julie. Era incrível. Ridículo. Os benefícios da D&D não deixavam de crescer e compensaria de sobra qualquer escândalo que ela tivesse contribuído a causar. As ações não demorariam nada em voltar a subir. Ali do único que se tratava era do ego de seu pai. Odiava perder, desprezava os reversos de qualquer tipo. Essa era sua forma de forçar a situação para não ter que admitir que se equivocou ao fomentar o matrimônio da Julie e Brian. — Sinto muito, papai, mas isso é impossível. — Julie se sentiu orgulhosa de suas palavras. Tinha falado com voz firme e clara, sem o menor sinal de vacilação. — O que? — estalaram Brian e Grant ao uníssono, com os olhos quase saindo da órbita de surpresa. — Não penso fazê-lo. Vou voltar para casa, mas só o tempo suficiente para fazer definitiva a


anulação. Depois vou de São Francisco por um tempo. — De fato pensava voltar para Recife Holley e, com um pouco de sorte, para o resto de sua vida. A boca de Grant abriu e fechou como a de uma carpa tirada da água. — Fará o que eu te digo, ou já pode se considerar repudiada e deserdada — bramou. Julie sentiu uma pontada aguda, como uma punhalada no seio. Assim estavam as coisas. A isso se reduzia tudo. O que sempre tinha temido, mas nunca tinha querido reconhecer de tudo. Na hora da verdade, o mais importante para seu pai era a empresa. Não sua felicidade. Grant só importava com Julie na medida que pudesse ajudá-lo a manter a imagem limpa e perfeita do império D&D, os hotéis da boa sociedade. — Não posso acreditar que me faça isto. — Pois acredite nisso jovenzinha — disse Grant assinalando-a com o dedo para deixar as coisas claras. — Tem uma reserva em um voo que sai de St. Thomas esta noite. Mais vale que o pegue. *** A Chris o acossaram hóspedes desgostados e empregados preocupados assim que Julie se afastou com seu pai e seu — se punha doente inclusive pensar nisso — marido. Fez o que pôde por tranquilizar aos hóspedes que estavam cheios de saco (com toda a razão) ao ver invadida sua intimidade. A maior parte da imprensa tinha jogado a segurança do complexo turístico e a polícia da ilha, mas, bom, o que podia fazer salvo permitir que se fossem antes de devolver parte da estadia? Embora os paparazzi tivessem ido com a ideia concreta de encontrar a Julie, ele tampouco podia garantir que não distribuíram outras imagens. Lá se ia à reputação de Recife Holley como um dos poucos complexos turísticos que podia garantir a intimidade de seus hóspedes. Era certo que a infiltração da Kara à imprensa era uma anomalia, mas os clientes em potência não a veriam como tal. Frustrado, passou uma mão pelo cabelo e começou a descer pelo cais, rumo a sua casa. Depois do êxito das bodas do Jane Bowden se havia sentido como um rei, mas quarenta e oito horas depois tinha que enfrentar-se ao pior reverso de sua carreira. Mas não era isso o que o fazia sentir-se como se alguém lhe estivesse devorando as vísceras. Não, por muito aborrecido que estivesse pelas perspectivas futuras de Recife Holley, era Julie a que lhe estava retorcendo as tripas. É o melhor. Três simples palavras pronunciadas com sua voz calma e doce, mas suficientes para acabar com ele. Julie lhe tinha dado as costas e se foi correndo com papai assim que ele a tinha chamado com o dedo. Chris tampouco tinha surpreso. Sempre tinha sabido que ia ocorrer. Mas estava muito cheio o saco. Sobre tudo consigo mesmo, por ser o puto idiota maior do mundo e chegar a acreditar que essa vez ia ser diferente, por pensar por um segundo só que Julie ficaria com ele e poderiam viver felizes para sempre. E também estava cheio o saco com a Julie,


por ser justo a garota que ele sempre tinha sabido que era. Chris retornou a sua quinta e foi um alívio ver que Julie não tinha chegado ainda. Agarrou uma cerveja, saiu ao terraço e acariciou a ideia de sair antes que ela voltasse para fazer as malas. Não. Não era nenhum covarde. Desde o começo tinha sabido no que se estava colocando e se não queria sair ferido, não deveria haver-se aproximado nem a um metro de Julie Driscoll. Não, era hora de que enfrentasse a ela como um homem quando fosse despedir-se dele. Era o melhor, como havia dito ela. Quanto antes se fosse Julie, antes poderia ficar ele a trabalhar para salvar o que ficava da reputação de Recife Holley. — Chris? — Cada fibra do corpo dele se esticou ao ouvir a voz de Julie. Em poucos instantes ela o encontrou no terraço. Com o cabelo revolto, os olhos inchados e o nariz vermelho de chorar, parecia uma menina triste e perdida. Chris se aferrou aos braços da rede de teca para evitar ir até ela e envolvê-la em seus braços. Ela se aproximou, sentou-se ao bordo de sua rede e pôs uma mão vacilante no braço. — Sinto muito tudo isto. Farei tudo o que possa para… Chris a interrompeu em plena frase. — Por que não me disse que não ia assinar os papéis da anulação? Julie se separou de um salto, sobressaltada. — Porque não importava, não era mais que um simples tecnicismo. — Um simples tecnicismo? — A amargura que abrasava a garganta estalou em uma corrente de bílis — Não te pareceu que podia me importar estar fodendo à mulher de meu irmão? — Não pareceu se importar muito o dia de minha noite de núpcias — soltou ela. De acordo, nisso tinha razão. — Me deixe adivinhar, não vai dar a anulação em um futuro próximo. — Pode acreditar isso? Papai quer que siga casada com o Brian um ano ou dois. — Julie se levantou e andou furiosa pelo terraço. — Como se isso não fora nada. — E o vais fazer, não? — disse ele quase com desprezo. Ela deixou de andar e olhou ao Chris com atitude derrotada. — Papai diz que se não o fizer, me vai deserdar. Vai tirar meu fundo fiduciário, minha atribuição, tudo. Bom, isso deixava as coisas claras. Julie estava muito acostumada a uma vida de luxos e comodidades para arriscar-se a perder sua herança. E o que era mais importante: o dinheiro era o símbolo que definia a aprovação de seu pai. Se Grant Driscoll o tirava, o tirava tudo. Chris não tinha nenhuma possibilidade, se é que alguma vez a tinha tido. — Vai logo, então? — Esta noite — suspirou a jovem. — Mas só por um tempo, só até que resolva tudo e possa fechar meu apartamento. Depois penso voltar. O coração do Chris deu um tombo e durante apenas um segundo se permitiu recuperar a esperança, permitiu-se acreditar que aquela mulher ia suportar de verdade que deserdasse sua família só para estar com ele. Amava-a tanto que isso era o que queria acreditar, mais que nada no


mundo. Mas sabia melhor que a maioria que querer que alguém lhe amasse tanto como para fazer sacrifícios não era suficiente. Que Julie estivesse disposta a correr a casa a menor ordem de seu pai era uma boa dose de realidade que recordava que aos olhos daquela família — aos olhos de Julie — ele sempre seria a “ovelha negra”. Sempre teria que olhar de fora seu mundo perfeito. Inclusive se Julie voltava com ele e continuavam com aquela charada algum tempo mais, ao final ela se daria conta de que tinha cometido um engano. Chris faria um favor aos dois se cortava já pelo são e não alargava as coisas até um final menos desagradável. — Por que vai se incomodar em voltar? — Perguntou tranquilo, quase carente de qualquer emoção, que congelou o coração de Julie no seio. Depois começou a pulsar outra vez, palpitando de apreensão. — O que quer dizer? Antes estávamos falando de que ficasse aqui, contigo. Só porque tenha que retornar a São Francisco por um tempo, isso não significa que não possa voltar aqui. — Julie tentou controlar a histeria que penetrava em sua voz. Tinha confundido por completo o que havia dito Chris naqueles poucos minutos, antes que os distraíra a animação que se montou em Recife Holley? Porque tinha pedido que ficasse, não? Não havia dito que queria estar com ela? — Foi uma ideia absurda — disse Chris sem mais. Julie conseguiu tirar a voz do corpo apesar do punho gelado que lhe atendia a garganta. — E quanto a nós? — Um evasivo encolhimento de ombros foi a única resposta que recebeu. Desesperada, a jovem provou um enfoque diferente. — Você mesmo disse que necessitavam ajuda. Depois desta semana, sabe o boa que sou… — E quanto tempo acha que poderia viver com o salário que posso me permitir te pagar? — soltou-lhe Chris. — Quanto tempo antes que vá correndo a papai para que te devolva seu fundo fiduciário e me deixe para trás? — Sabe que eu não faria isso! — Bastaria com o que Chris pudesse pagar a ela, o que fosse. — Vamos, Julie, uma coisa é jogar a ser a garota trabalhadora durante uma semana e outra muito diferente ter que trabalhar de verdade para pagar as faturas. E, com franqueza, agora mesmo tenho metido todo meu dinheiro neste lugar, não me sobra a dinheiro para cuidar de você. — E quanto a nós? — perguntou Julie outra vez. Sabia qual ia ser a resposta, dizia cada um dos batimentos de seu machucado coração, mas precisava ouvi-lo. Precisava ouvir Chris dizer para que não ficasse nenhuma ambiguidade. Por um instante temeu estar a ponto de vomitar quando viu a expressão compassiva na cara de Chris. — Jules, nos dois sabíamos que isto ia terminar antes ou depois. Isto só adianta as coisas. Algo se rompeu no interior de Julie ao ver o sorriso condescendente dele. A jovem não podia acreditar que fosse o mesmo homem que tinha trabalhado a seu lado e com quem tinha feito amor com tanta paixão e ternura durante duas semanas. Esse homem a tinha cuidado com admiração e respeito. Esse homem a tinha feito sentir-se querida. O muito bonito homem que a olhava naquele momento sem piscar era um autêntico, desconhecido. O mundo se derrubou e Julie viu tudo de repente com uma claridade diáfana. Era uma idiota. Deixou-se arrastar por uma fantasia, um conto de fadas no qual Chris era o príncipe


azul que ao fim via nela à mulher inteligente e capaz que era em realidade. Mas o certo era que Chris era como todos os outros. Olhava-a e quão único via era a uma princesa mimada. Uma mulher superficial, com pássaros na cabeça, incapaz de cuidar de si mesma. Acreditava haver demonstrado o contrário durante a última semana, mas era óbvio que nem sequer isso tinha sido suficiente. — Muito bem — disse Julie; inclusive pareceu que sua voz soava velha e cansada. — Estou farta de tentar demonstrar a todo mundo o que valho. Sei o que posso fazer, sei do que sou capaz, mas não penso me matar tentando fazer você mudar de opinião. — Percorreu-o inteiro com os olhos, memorizando cada linha daquela maravilhosa cara e cada músculo de seu bem lavrado corpo. — Mas quero que recorde uma coisa — disse depois, surpreendida do tranquilo e firme que era sua voz. — Quando voltar a vista atrás e sinta falta do que poderíamos ter tido, recorda que foi você. A decisão foi sua. Eu estava disposta a correr o risco e me colocar de cheio nisto, é você o que se deu por vencido. Cinco horas mais tarde Julie se encontrava no aeroporto de St. Thomas, na porta de embarque, esperando a saída do voo 95 com destino a Miami. Ali pegaria o voo que a levaria a São Francisco. Não queria ir para casa, mas estava tão aturdida que era incapaz de pensar em qualquer outra opção. De momento ia se concentrar em conseguir a ajuda de Wendy para pôr fim a aquela farsa de matrimônio. Depois já se ocuparia de coisas maiores, por exemplo, que diabos ia fazer com sua vida. Brian e seu pai se foram em outro voo horas antes, obrigada Deus. Era evidente que estavam tão convencidos de que ia obedecê-los que não tinham achado necessário acompanhá-la a casa em pessoa. Muito a seu pesar, Julie não deixava de levantar a cabeça a cada cinco minutos; parte dela seguia esperando que aparecesse Chris e a levasse a Recife Holley. Chris não tinha prestado nem a menor atenção a seu discurso, em especial a frase “vai sentir minha falta quando for”. Contudo, Julie se alegrava de havê-lo dito. Necessitava que Chris soubesse o que pensava, necessitava que soubesse tudo ao que ela estava disposta a renunciar, pensasse ele o que pensasse dela. Ou não a tinha acreditado ou tinha dado igual porque apenas havia dito adeus com a mão quando Julie subiu ao barco, nem sequer tinha esperado a que o navio deixasse o cais para ir. Por surpreendente que fosse, Julie não gostava de chorar. Por sorte se assentou sobre ela um manto de atordoamento enquanto fazia as malas e tinha decidido aferrar-se a ele com todas suas forças. Sabia que mais tarde choraria, mas de momento era agradável dar um descanso a todas essas emoções tão intensas que tinham sido suas companheiras constantes nas últimas semanas. Anunciaram seu voo e Julie sentiu que ficava sem fôlego e que começava a palpitar o coração mais depressa. Estava sofrendo um ataque cardíaco? Tomou umas quantas baforadas de ar; custava respirar e a invadia uma onda de pânico, escura e implacável. Não sabia o que


acontecia, mas havia algo em seu interior, uma voz que saía até dos ossos, que gritava que não subisse a esse avião. Se o fazia, arruinaria sua vida. Seu futuro inteiro desfilou ante seus olhos. Uma imagem de si mesma dedicando um sorriso cortês a Brian em alguma reunião social, obrigada a suportar sua companhia em nome das “aparências”, pelo bem da companhia. Viu-se rompendo chifres no trabalho, na empresa de seu pai, sabendo que este estava disposto a sacrificar a sua única filha no altar da imagem pública. Julie pegou sua bagagem de mão e foi direita ao terminal principal. Nem bêbada pensava subir a esse avião. Assim que tomou a decisão, o coração começou a pulsar mais devagar e respirou um pouco melhor. Sentia-se, possivelmente não tranquila, mas ao menos não tinha a sensação de estar a ponto de sofrer um ataque cardíaco. Não me sobra dinheiro para cuidar de você. As palavras de Chris ressoavam em sua cabeça, ofensivas por quão certas eram. Tinha razão. Chris não tinha motivos para acreditar que Julie sabia defender-se sozinha, no plano financeiro ou em qualquer outro; depois de tudo, levava a maior parte de sua vida aos cuidados de outros. Mas no que a ela respeitava, esses outros tampouco o tinham feito tão bem, assim por que ela não ia tentar? Duvidava que se saísse muito pior que os outros.


Capítulo 18 Chris estava observando a paisagem pela janela de seu escritório com o olhar vazio. O sol da tarde se refletia na água da baía e impedia de ver o barco que ia chegar com a última leva de hóspedes. Mas não fazia falta vê-lo para saber que estava aproximando. Jogou uma olhada ao seu relógio. Eram 15:24. Max, o capitão do barco havia dito que chegaria às 15:25 e Max sempre era pontual. — Preparado para ir? — Carla pôs uma mão no ombro e o empurrou com suavidade. Chris exalou um forte suspiro e fez o que pôde por pôr cara de festa, como tinha feito cada semana dos últimos dois meses. Obrigava-se a adotar a máscara do anfitrião cortês e encantador, baixava ao cais e recebia ao novo grupo dos mais enriquecidos do mundo que chegavam em busca das férias de luxo por antonomásia. E cada semana observava como desembarcava cada hóspede com uma intensidade inquebrável. De vez em quando vislumbrava uma figura magra e pequena com um cabelo de cachos loiros e o coração dava um tombo com a esperança doentia. E cada uma das vezes era outra pessoa. Chris sabia que era ridículo esperar que Julie dissesse a seu pai e a Brian que fossem se ferrar. E igual de improvável, se não mais, que depois pegasse um avião e voltasse para Recife Holley. Contudo, não passava um só dia sem que ressoassem em sua mente as palavras de despedida da jovem. Sem que Chris perguntasse se a decisão de tirá-la de sua vida não tinha sido o pior engano que tinha cometido. — Chris, venha, homem, tenta não pôr essa cara, sim? A não ser que você tenha acabado de atropelar um cachorro — disse Carla com tom doce apesar de suas palavras — Estas pessoas vêm em busca do paraíso e o paraíso não tem um amargo irritado com o coração quebrado. —Eu não tenho o coração quebrado. Carla bufou. — Angustiado pelos cantos? Te encerrando em sua casa cada noite? Sem mostrar nenhum pingo de interesse por nenhuma das muitas hóspedes solteiras que tivemos nos últimos dois meses? Se isso não é ter mal de amores, eu te digo. Chris olhou furioso a Carla, incapaz de discutir a dolorosa e exata descrição que tinha feito sua prima de seu comportamento. — E se houver alguém que sabe de mal de amores, essa é você, não? — Chris sabia que estava se comportando como um animal. Só a ele ocorria esfregar no rosto de Carla aquela dolorosa ruptura, mas ao parecer não podia conter-se. — Pois olhe para você, assim é — lhe soltou sua prima — E agora entendo quão pesada devia me pôr. Assim chama, e diga que a quer e acaba com isso de uma vez. — A jovem se deteve


um momento para guardar uns papéis em um arquivo — Além disso, está afetando o seu trabalho e temos muito que fazer para que ande distraído por aí. E era Julie a quem tinha que agradecer a nova carga de trabalho. Apesar de todas suas birras e queixas, Jane Bowden tinha posto pelas nuvens diante de todos seus amigos, incluídos uns quantos que tinha na imprensa, as assombrosas bodas, uma autêntica maravilha, que lhe tinham organizado em Recife Holley. Posto que se tinha ido antes de que os paparazzi caíssem sobre a ilha como uma praga de lagostas, a atriz, por milagroso que fosse, não tinha nada mau que dizer sobre Chris, Carla e o resto do pessoal do complexo turístico. Graças a ela, Carla já tinha recebido a reserva de dois casamentos mais em só um par de meses e Chris estava cortejando de forma ativa a uma princesa sueca que estava percorrendo vários hotéis do Caribe. Não estava nada mal, tendo em conta que tinham organizado suas primeiras bodas só dois meses antes. Oxalá Julie estivesse ali para ajudá-los, pensou Chris com tristeza. Mas não era por sua competência e experiência na gestão de eventos pelo que a jogava tanto de menos. Estava apaixonado por ela, disso não cabia dúvida, e o coração doía mais e mais com cada dia que passava sem ela. Deu-se conta de que queria Julie uns cinco minutos depois de vê-la partir. Esse não era o problema. — Jamais desafiaria assim a seu pai. — Mas o que é isto, o sistema feudal? Julie te quer. Se pedisse que voltasse, fá-lo-ia em um abrir e fechar de olhos. Chris invejava a convicção que tingia a voz da Carla. —Sempre tem feito o que diz seus pais. Sempre faz o que deve. É sua maneira de ser. — É óbvio que está tentando trocar, ou não teria se metido na cama com você. Chris o pensou um momento e por um instante sentiu um momento de esperança. Mas inclusive embora fora certo que Julie o queria, foi-se, não? Só depois de que a jogou na rua, ele lembrou com voz dura. Mas tinha meus motivos, recordou também. As mulheres como Julie não deixavam atrás os estreitos laços familiares que as rodeavam como garras — por não falar de um fundo fiduciário gigantesco — em nome do amor. Aquela mulher possivelmente tivesse amadurecido um pouco, mas no fundo seguia sendo a mesma universitária que nem sequer queria que seu pai soubesse que Chris e ela eram amigos. —Você não entende o que acontece com sua família. Julie leva toda a vida dominada por seu pai, fazendo tudo o que ele diz sem questioná-lo jamais. E isso não vai trocar em só um par de semanas. Carla cravou nele um olhar analítico. — Sabe o que penso? — disse depois de uns segundos. Chris não estava seguro de querer sabê-lo, mas preferiu não falar — Penso que a subestimou muito, muitíssimo. Possivelmente eu


não a conheça tão bem como crê que a conhece, mas sei que Julie era feliz aqui. Possivelmente tenha razão. Possivelmente tivesse deixado tudo em um par de meses e houvesse retornado correndo para casa com papai, mas não me parece isso. Acredito que está procurando desculpas porque é muito covarde para arriscar o coração. No fundo segue sendo esse adolescente zangado ao que rechaçou seu pai e todo seu mundo. — Obrigado pela análise, doutora Freud — falou para sua prima ao tempo que se levantava da cadeira com a força suficiente para derrubá-la — Mas se tiver terminado com as panaquices, temos que ir receber aos nossos hóspedes. Baixaram ao cais envoltos em um silêncio tenso. Chris saudou os hóspedes e fez tudo o que pôde para mostrar-se cordial e encantador apesar da tormenta interna que tinha crescido com os comentários de Carla. Sua prima se equivocava. Não tinha medo: estava sendo prático. Do que servia submeter-se e submeter Julie a uma tortura emocional quando ele já podia prever o resultado, tão claro como o dia? A menos que te equivoque. Eu estava disposta a correr o risco e me colocar em cheio nisto. Fez um nó na garganta quando recordou a cara da Julie, a expressão vencida e resignada que havia em seus preciosos olhos azuis. E ele que tinha feito. Tinha acabado com ela. Inclusive quando tinha voltado para o chalé de Chris depois de falar com seu pai, e Julie ainda tinha forças para lutar. Mas quando Chris se obrigou a dizer que se fosse, tinha-lhe dado o golpe de graça. Ficava doente com só em pensar. Não queria recordá-la olhando-o com aquela resignação derrotada. Queria recordá-la sorrindo, olhando-o com o calor da paixão quando ele se introduzia no calor generoso de seu corpo. Olhando-o com amor. E o tinha atirado tudo pela porta. A dor o atravessou como uma lâmina. Carla tinha razão. Era um idiota. Um covarde. Aquele dia, em seu chalé, Julie estava disposta a lutar, disposta a enfrentar a seu pai, ao Brian e a todas as pessoas que pretendiam controlá-la. Quão único queria era seu apoio e em lugar disso, ele tinha cedido ao medo de que o ferissem, a sua puta covardia, e a tinha afastado de seu lado. Deveria notar-se algo do que estava pensando porque sua prima o olhou. — Sabe que te quer — disse Carla — E, ao contrário de mim, ela não é uma cadela rancorosa. Aposto que se você pedir perdão te dará outra chance. Chris conseguiu esboçar um pouco parecido a um sorriso e rodeou o ombro da Carla com um braço enquanto rezava para que sua prima tivesse razão. — Acha que vai ser tão fácil? — Pode que o orgulho te arda um pouco, mas sim, eu diria que Julie quer perdoar. Venha, voltemos para escritório para que possa chamá-la. Roga e suplica, mas a traz o quanto antes. Necessito sua ajuda com a princesa. Chris seguiu a Carla, um sorriso sincero que se estendia por seu rosto pela primeira vez em dois meses. Julie. Se a chamasse já, sua garota poderia agarrar um avião essa noite e estar de volta entre seus braços pela manhã.


Oxalá fora tão fácil. Depois de retornar correndo ao escritório, Chris marcou o número da Julie em São Francisco, mas apenas para ouvir uma mensagem dizendo que o número já não era mais operacional. E não tinha fornecido nenhum outro número. Sua companheira em Winston, com quem Chris foi contatado mais tarde, falou que Julie já não trabalhava ali e não, não tinha informação de seu paradeiro atual. Chris desceu e chamou Brian. — Não sabemos onde está — disse Brian — Grant recebeu um email que dizia que não pensava voltar para São Francisco, mas não dizia onde estava. A indiferença de seu irmão fez que a raiva que cozinhava a fogo lento no seio de Chris passasse ao ponto de ebulição. Brian riu de um modo que fez Chris desejar poder cometer um fratricídio por telefone. — Francamente, eu pensei que ela ainda estava com você. Não acredito que chegasse muito longe sem seus cartões de crédito e o colchão de sua conta corrente. — Assim Grant tirou os cartões? —perguntou Chris enquanto apertava os olhos com o polegar e o dedo do meio para conjurar a dor de cabeça iminente que o ameaçava. — Pois sim. Total e absolutamente. Quase tem um ataque do coração quando viu que Julie não estava nesse avião. Mas já sabe como é, jamais deixa que ninguém o ponha em evidência. Nem sequer Julie. Chris desligou o telefone com uma bola de ira e angústia no estômago. Deus, Julie estava sozinha em algum lugar, sem dinheiro e, aparentemente, seu pai não se importava. Ao contrário do que tinha pensado, Julie não necessitava o apoio de ninguém para enfrentar seu pai dominador. A preocupação, o orgulho e o pesar formaram um nó que apertou seu estômago. Carla tinha razão. Tinha-a subestimado. Percebendo que reafirmou a sua determinação: ele iria encontrá-la e ia utilizar todos os meios necessários para convencê-la a perdoá-lo. Ao final, em um último esforço desesperado por encontrá-la, Chris procurou nas listas de antigas reservas enquanto amaldiçoava por não tomar nunca o tempo necessário para introduzir a informação dos hóspedes na base de dados informática. Depois de procurar o que lhe pareceram centenas de folhas e notas manuscritas, ao fim encontrou o número da melhor amiga da Julie, Wendy. Chris suspirou com impaciência quando o telefone de Wendy soou pela terceira vez. Merda. Ia cair na secretária eletrônica. Possivelmente deveria reservar um voo para visitá-la em pessoa… — Diga? —a voz do Wendy parecia um pouco entrecortada. — Wendy, sou Chris Dennison. — Que você quer? Chris olhou para o telefone, surpreso de que não se formou nenhum pedaço de gelo. — Estou procurando a Julie — começou a dizer. — Olhe, vou te dizer o que disse ao seu pai. Julie está bem. Sabe cuidar de si mesma. Não precisa se preocupar com isso. E agora, faça um favor e deixa-a em paz. — Mas a que…


— Não, me escute você — Wendy ficou com raiva — Julie é uma das melhores pessoas que conheci e você jogou com ela e quebrou o seu coração. Finalmente tem a oportunidade de organizar sozinha sua vida e não penso deixar que a machuque mais. Chris tragou saliva com esforço. — Ela está feliz? — Está nisso — respondeu Wendy. — Você pode dizer… — O estalo da linha o interrompeu antes que pudesse terminar — ... que a quero? Chris apertou com impaciência o botão de rediscagem, e amaldiçoou quando caiu na secretária eletrônica. Quem diabos Wendy acredita que é para interpor-se entre ele e a mulher que amava? No entanto, conseguiu controlar sua raiva o suficiente para deixar uma mensagem civilizada. Não tinha sentido ficar contra a única pessoa que parecia saber onde estava Julie. — Wendy, eu sei que não tem motivos para confiar em mim. E não te culpo por tentar proteger a Julie. Sei que crie que sou um imbecil e provavelmente tem razão. Mas também deveria saber outra coisa. Eu a amo. Eu a queria desde que ela tinha dezesseis anos. Eu a amo mais do que nunca pensei que chegaria a amar alguém. Tudo que te peço é a chance de dizer a ela em pessoa, assim, por favor, me liga e me diga onde está, para que possa… — O assobio agudo que lhe indicava que tinha esgotado o tempo para deixar a mensagem — Merda — murmurou enquanto desligava. Tudo o que podia fazer era ficar olhando o telefone como um adolescente apaixonado e rezar para que a melhor amiga da Julie o chamasse. *** —… e pode celebrar a recepção aqui fora, junto à piscina — Julie assinalou com um gesto o extenso terraço da piscina, que nesse momento ocupavam várias redes — ou podemos instalar umas carpas e uma pista de dança provisória na praia. Christina, a princesa da Suécia, olhou as instalações do Ritz-Carlton do St. Thomas com olho crítico. —Eu gosto de suas ideias, mas queremos examinar outras propriedades da zona antes de tomar uma decisão. Julie sorriu e assentiu com gesto afável. —Espero que encontre o que busca. É obvio, estaríamos encantados si escolhesse o Ritz e faremos tudo o que esteja em nossa mão para agradar cada um de seus caprichos. Julie sabia que não era boa ideia pressionar Christina para que tomasse uma decisão antes que a princesa estivesse preparada. E embora um casamento real fosse um sucesso, tampouco era que necessitassem o negócio com desespero. Nos dois meses desde que se converteu na diretora de eventos especiais do Ritz, Julie já tinha fiscalizado com sucesso meia dúzia de noivados de diferente magnitude. Como se isso não fosse suficiente, nesse momento estava trabalhando em um plano para


vender cerimônias de casamento organizadas a casais que quisessem cerimônias pequenas e, ao mesmo tempo, grandes desenvolvimentos. Se não se equivocava com as contas, podiam chegar a juntar várias centenas de milhares de dólares por ano. Julie retornou ao escritório de vendas para preparar a reunião que tinha com o diretor de restauração. Nada mal para uma mulher que nem sequer tinha podido conseguir uma recomendação de seu antigo chefe. Nem tinha se incomodado em pedir a seu pai uma referência, temia que a) tentasse sabotála ou b) se apresentasse na ilha em pessoa, para levá-la a São Francisco. Por sorte, seu currículo falava por si mesmo e vários de seus antigos colegas tinham dado boas recomendações e tinham prometido manter seu paradeiro em segredo para que sua família não soubesse onde estava. Ainda parecia um pouco surrealista. Ali estava outra vez, trabalhando em outro hotel. Mas dessa vez ninguém podia acusá-la de conseguir o emprego por uma questão de nepotismo. E se tratando do orçamento das festas de seus clientes, o céu era o limite, mas quando se tratava de seu orçamento pessoal, esta tinha um teto bastante limitado do que ela estava acostumada. Naquele dia, ao deixar o aeroporto, tinha pegado um táxi e tinha ido a um hotel, apenas para descobrir que seu cartão de crédito foi rejeitado por falta de pagamento. Em sua conta corrente tinha dinheiro suficiente para cobrir o alojamento por algumas noites. Desesperada, tinha chamado Wendy, que, como sempre, tinha a solução perfeita. Para a sorte de Julie, o diamante de seis quilates de seu anel de noivado era de tão alta qualidade — pelo menos uma coisa terei que reconhecer a Brian, o cara sabia comprar joias — que o joalheiro estava disposto a devolver, se não todo o dinheiro, ao menos uma quantidade substancial. Em qualquer outra circunstância, Julie possivelmente se sentiria culpada por usar o dinheiro do anel, mas nesse caso tinha pego o dinheiro que lhe tinha girado Wendy e tinha aberto uma conta corrente em St. Thomas sem nenhum escrúpulo. Depois de tudo, era o menos que Brian podia fazer. Uma vez saldadas as contas de seu cartão de crédito e outras faturas, Julie tinha ficado com o suficiente para ir usando até que encontrou um emprego remunerado. Menos mal que o Ritz tinha uma vaga para a sua especialidade. Não recebia milhões, mas pela primeira vez em sua vida, Julie tinha certeza que a tinham contratado porque seus chefes acreditavam em sua capacidade e em sua disposição a trabalhar duro. Aquele trabalho era perfeito para ela, estimulante, divertido e, além disso, incluía alojamento e comidas em um dos complexos turísticos mais bonitos do Caribe. Contudo, o trabalho não era suficiente para que não lhe decaísse o ânimo de vez em quando. Quando foi ao pequeno escritório que tinha ao final do dia, sentiu que se instalava em seu seio um fardo mais que conhecido. Olhou a seu redor, a grande habitação única com sua grande cama, a prática cozinha e uma só cadeira em frente da mesa, e sentiu o peso da solidão que desmoronava a seu redor. Sentia falta de seus amigos de São Francisco, sobre tudo de Wendy. Mas ainda era muito cedo para chamá-la, Wendy ainda estaria no trabalho.


Mas a nostalgia era o menor de seus problemas. Sentia falta de Chris. Deus, como sentia falta dele! Tudo recordava a ele. O aroma do oceano recordava à bronzeada pele masculina. Cada vez que via um cara com cabelo loiro prateado pelo sol dava a volta. Mas só durante uma milésima de segundo, até que seu cérebro reagia e a recordava que Chris estava em Recife Holley e que não merecia que ela andasse sofrendo por ele, não quando a tinha jogado com tanta frieza e a tinha despedido como se não fosse mais que uma princesa inútil e mimada da alta sociedade. Estava tão convencido de que a conhecia que nem sequer se incomodou em olhar além da superfície. Cada vez que recordava as palavras de despedida de Chris os olhos enchiam de lágrimas. O modo em que a tinha deixado partir sem lutar, como se nem sequer merecesse a pena fazer um esforço por ela. Deveria odiá-lo; disse-se pela milésima vez. Ou, como mínimo, estar muito, mas muito zangada com ele. Como podia amar a alguém que não tinha fé nela? É que era muito melhor que seu pai ou Brian? Como eles, Chris esperava que colocasse o rabo entre as pernas e saísse correndo da casa como uma boa menina. Julie preparou uma tigela de cereais. Não era o melhor jantar do mundo, mas era o único que tinha em seu apartamento. Oxalá Chris pudesse vê-la nesse momento. Não poderia dizer que era a vida fácil que ele sem dúvida pensava que Julie tinha retornado. Quer dizer, se é que se incomodava em pensar nela alguma vez. Aquela deprimente ideia foi quase suficiente para fazê-la perder o apetite. Mas mastigou com determinação e teve o mesmo bate-papo que teve a noite anterior, e a noite antes que essa, e a outra. Vou esquecê-lo. E quando o esquecer vou conhecer alguém novo. Alguém que me queira e saiba apreciar a mulher inteligente, capaz e independente que sou. Manteve o ânimo, mais ou menos, exatamente quarenta e cinco minutos, até que se tropeçou com O Lago Azul enquanto ia trocando de canal na televisão. A visão de dois amantes pulando na praia e na água lhe recordaram tanto a seu último dia com o Chris que se pôs a chorar ali mesmo. Soou o telefone, assim Julie respirou fundo e se soou o nariz antes de responder. — Diga? — disse com a voz chorosa. — Jules, meu Deus, está bem? A voz preocupada de Wendy ao outro lado da linha provocou uma nova quebra de onda de soluços. — Estou b-bem — gaguejou, solo para que Wendy não pensasse que tinha morrido alguém nem nada. — Só queria ver como estava. Suponho que não vai tão bem? — Estou bem — repetiu Julie e essa vez só tremeu a voz um pouco. Bebeu um copo de água fria para tirar o sabor pegajoso e salgado das lágrimas — É somente… É uma estupidez. É que estou vendo O Lago Azul e não posso deixar de pensar em Chris. — Julie lutou por controlar-se — Sei que é uma tolice, a ver, levo todo este tempo mantendo o tipo. — Em público ao menos. Que


Wendy soubesse, Chris não era mais que outro tio que lhe tinha jogado uma má passada a Julie e para esta era um alívio haver-se desfeito dele. Julie sentia vergonha em admitir, inclusive para Wendy, que o certo era que tinha sido o bastante imbecil para apaixonar-se por ele. — Julie, estava apaixonada por ele e o cara quebrou o seu coração — disse Wendy. Julie sentou, surpreendida. — Não estou apaixonada por ele — disse, embora sua voz carecia por completo de convicção. Wendy deu uma risada cansada. — Sei que está tentando se fazer de dura diante de todo mundo, mas recorda com quem está falando. Julie desabou no sofá e trocou A Lago Azul pela MTV. — Sou tão transparente assim? — Para mim, sim. — Não sei por que não posso esquecê-lo. O que tem essa teoria que diz que, para superar um relacionamento leva o dobro de tempo que durou a suposta relação? Ou é a metade de tempo que durou a relação? Em qualquer caso, já aconteceram dois meses! A estas alturas já deveria me haver esquecido ele e não me desmoronar cada vez que vejo um casal pulando por uma praia. — Ao menos estava zangada, o que era melhor que a auto compaixão — E não consigo superar o modo em que me deixou ir. Que ele soubesse, podia ter voltado com Brian, e nem se importou. Wendy murmurou algumas palavras de consolo e depois ficou calada uns segundos. — De fato — disse Wendy — isso me leva a outro motivo que tenha te ligado. Pensei em não te dizer isso, mas depois me dei conta que não seria melhor que seus pais se fazia o que pensava que era melhor para ti em lugar de deixar que decidisse sozinha. Um calafrio passou pela nuca de Julie. — Bem, pode falar. — Ontem recebi uma chamada de Chris. Te teria chamado antes mas com a diferença horária, decidi esperar até que tivesse saído do escritório. O coração da Julie deu um pulo no seio e depois começou a pulsar com tanta força que sentiu a vibração nos dedos das mãos e dos pés, mas recordou sem piedade que não devia criar ilusões. — O que queria? — perguntou Julie. — Estava tentando ficar em contato com você. Tinha chamado o seu número antigo em Winston. Inclusive chamou Brian. No final me chamou como último recurso. — Disse-lhe onde estou? — Na fração escassa de segundo em que Wendy levou a responder, Julie enviou uma fervorosa oração ao céu. E se Chris tentava ficar em contato com ela? O que ia fazer? E o que era pior, e se sabia onde estava e não tinha tentado ficar em contato com ela e tampouco tinha intenção de fazê-lo? — Não.


Julie fechou os olhos e soltou o ar que tinha estado contendo nos pulmões com um grande suspiro. Mas ao alívio o seguiu imediatamente a cólera quando ouviu as seguintes palavras de Wendy. — Disse-lhe que estava bem, mas que se lhe importava algo, que não se aproximasse de ti. — Por que teve que dizer isso? — Porque pensei que era o melhor. Mas depois voltou a chamar e deixou uma mensagem e… agora já não estou tão segura. — O que disse? — Não sei, coisas. — Wendy estava ocultando algo e nem sequer tentava dissimular. — Por que não quer me dizer o que disse? — Porque o que disse é melhor que diga pessoalmente. Não quis lhe dar seu número sem te perguntar antes, mas acredito que deveria chamá-lo. Parecia muito preocupado quando se inteirou de que lhe tinham tirado o cartão. — Genial, assim está preocupado. Certamente ainda pensa que mal posso sobreviver sem a conta corrente de papai. Seguro que te chamou para ficar tranquilo, nada mais. — Apesar de suas duras palavras, Julie não pôde sufocar completamente o sentimento de esperança tentando se livrar do nó de confusão que estava sobre seu estômago. — Acredito que é mais que isso — disse Wendy, ainda evasiva — Realmente, você deve ligar e descobrir. Ou melhor, ainda, vai visitá-lo. Como se fora tão simples. — Dois meses atrás eu disse que fosse a merda e que estava melhor sem ele. Por que você acha que agora é uma boa ideia ir atrás dele? Wendy fez uma pausa e pensou a resposta. — Digamos que eu acho que ele percebeu o erro que cometeu. — A jovem fez uma pausa e logo lançou uma risada — Tenho sorte de não estar na mesma sala que você, não é? Julie olhou para o seu punho fechado. Wendy tinha razão. Se estivesse ali em pessoa, Julie possivelmente já lhe tivesse dado um bom soco. — E se voltar a me jogar? — Apesar da semente de esperança que sussurrava que Wendy tinha razão, a ferida aberta deixada pela fria despedida de Chris estava muito longe de curar-se. E se Wendy estava errada? Julie não sabia se seria capaz de suportar outra esmagadora rejeição de Chris. — Você foi forte o suficiente para levantar de novo (e me deixe acrescentar que com uma rapidez impressionante) quando seu pai se desentendeu com você. Acredito que pode dirigir a situação com o Chris e o que seja que passe depois. Além disso, acredito que há muitas possibilidades de que isto termine como você quer. — Obrigado, Wen. Eu te amo. — Eu também te amo muito, querida. E agora, vai atrás dele.


Capítulo 18 — O casamento vai ser aonde? —perguntou Chris a Carla diante de um prato de panquecas de banana e coco que tinha pedido para um café da manhã no trabalho. — O Ritz do St. Thomas — disse Carla enquanto empapava um crepe com xarope de arce 15 quente. — Mas isso é tão, tão… —Chris procurou as palavras adequadas — injusto — disse ao fim. Carla arqueou uma sobrancelha. Chris fez uma careta para o que disse; o que soou muito esnobe. — Deus, começo a parecer com meu pai. — Injusto ou não, o assessor de Christina disse que a sua alteza ficou impressionada de uma forma especial pela mulher que está no comando do departamento de eventos especiais. Disse que lhe inspirava maior confiança à capacidade do Ritz para satisfazer o nível de exigência que pede a princesa. Uma onda de cólera invadiu o rosto de Chris. — O que , isto aqui é um hotel decadente? — É verdade que disse que em termos de beleza, Recife Holley era muito superior, mas ao final tanto a ela como a seu pessoal pareceu que o Ritz era mais capaz de albergar o acontecimento. Chris amaldiçoou em voz alta. — Temos que ser realistas, Chris, precisamos de alguém que pode realmente lidar com essas coisas. Até agora não fomos mau, sobre tudo por pura sorte. Mas, aparentemente, somos incapazes de encontrar o modo de organizar um destes grandes eventos sem descuidar aos outros hóspedes, e isso não é justo. Chris puxou o lábio inferior enquanto pensava. — Disse que era a pessoa que organiza os eventos do Ritz o que decidiu à princesa? Carla assentiu. Chris se levantou de um salto sem uma só palavra e agarrou sua carteira. — Chama o Max e lhe diga que necessito que me leve ao St. Thomas. Imediatamente. — O que está fazendo? — Vou a caça nos campos da competição. *** — Obrigada pela oportunidade de organizar o casamento de sua alteza. Estamos 15

É um tipo de mistura doce muito usada no Canadá, para temperar por exemplo presunto assado no espeto.


entusiasmados. Eu vou enviar os dados na próxima semana e podemos começar a trabalhar os detalhes. Julie desligou e ficou olhando para o telefone. No final, não tinha chamado Chris na noite anterior. Entrou no site do hotel, e tinha procurado o número principal de Recife Holley, inclusive tinha tido o telefone na mão antes de deter-se. O escritório estaria fechado e não sabia o número privado do Chris. E que possibilidades tinha que estivesse em casa às nove da noite? O mais provável seria que estivesse com os hóspedes, assegurando-se de que tudo estava à perfeição no mundo de fantasia que tinha construído para eles. Possivelmente inclusive pior, poderia estar jantando com uma formosa jovem solteira que tivesse ido à ilha para passar as férias e que não chegasse com suficiente bagagem familiar para afundar o Titanic. Quando esse pensamento tão deprimente se enraizou em sua mente, decidiu adiar a chamada até pela manhã, quando Chris se encontrasse no escritório, sozinho. Pelo menos por agora. Julie tentou escapar dos pensamentos negativos. Se ia fazer, tinha que ter fé, pelo menos por uns minutos e acreditar que possivelmente, só possivelmente, Chris também estava suspirando por ela. Chama-o de uma vez, chiou uma voz dentro de sua cabeça. Julie pegou o telefone de repente e marcou o número antes de poder trocar de opinião. — Boa tarde, Recife Holley, com quem deseja falar? Julie pediu que a pusessem com o escritório de Chris e fechou os olhos; o coração saía pela boca. Respirou fundo várias vezes para acalmar-se e se concentrou na suave música reggae que brotava pelo telefone. Um pouco caipira. Chris deveria trocá-la. Olá, Chris, sou Julie. Tenho entendido que estava tentando falar comigo. Muito impessoal. Chris, sou Julie. Não posso deixar de pensar em você e quero vê-lo em breve. Certo, mas muito necessitado. Chris, eu te amo desde que tinha dezoito anos, oxalá nunca tivesse me casado com seu irmão, assim poderia me haver casado com você e ter tido seus filhos e nunca teria terminado metida nesse desastre com o Brian. Também certo mas quase bordeando a loucura. E, para ser justos, jogava quase toda a culpa em Chris e sim, ele tinha ido embora, mas foi ela que nunca tinha dito a Chris o que sentia e que acabou saindo com Brian. Chris, eu te amo. Quero estar com você e espero que possamos pegar o que tínhamos e convertê-lo em algo real e duradouro. Houve um estalo na linha e Julie se preparou para dizer em voz alta. — Escritório de Chris Dennison, Carla falando. Julie levou um momento para acalmar-se.


— Carla, olá, sou Julie Driscoll. Precisava falar com o Chris. — Vá, acaba de sair, faz… não sei, uma hora. Foi uma coisa muito estranha. Disse algo sobre a concorrência e saiu. Não tenho nem ideia de aonde foi. — Sabe quando vai voltar? — Bem, não. Quer deixar um número se por acaso me chama? — Não, tentarei chamar mais tarde. — Chris saberia imediatamente que era um número das Ilhas Virgens. Julie queria dizer ela mesma que seguia no Caribe. Precisava ver sua reação. Ou ouvi-la, ao menos. Julie folheou seus papéis. Depois de passar a súbita adrenalina que tinha experimentado enquanto marcava o número, sentia-se totalmente desanimada. De repente, seu ajudante irrompeu no escritório. — Julie, sinto te interromper, mas há um cara que quer te ver. Não quer me dizer… Julie levantou a cabeça bem a tempo para ver uma mão grande e bronzeada que abria a porta de tudo. Um homem alto e forte passou junto à ajudante da Julie com gesto decidido. A Julie deixou cair a caneta da mão e o estômago fez um triplo salto mortal com uma cambalhota quando olhou naqueles olhos tão dolorosamente conhecidos, aqueles olhos negro azulados. — Sinto incomodar, mas… — A voz do Chris se foi apagando quando reconheceu à mulher que o olhava com a boca aberta de trás do imenso escritório. O empresário sacudiu a cabeça. Não podia ser… Julie fechou a boca de repente e tentou serenar-se, mas Chris nem sequer tentou conter-se, voou pela habitação e a agarrou entre seus braços. Julie. Chris enterrou o nariz em seu cabelo, rodeou-a com os braços e a levantou do chão. O aroma fresco, a flores, da jovem lhe ofuscou o cérebro e se sentiu tão bem ao notar o peso conhecido daquele corpo entre seus braços que por um momento nem sequer pôde falar. Julie, ao parecer, não sofria da mesma aflição. — O que está fazendo aqui? — perguntou tentando apartar-se mas Chris a abraçou com mais força, não tinha nenhuma intenção de soltá-la — Como me encontrou? Wendy me disse que não te havia dito onde estava… Chris a interrompeu lhe rodeando a nuca com a mão para imobilizá-la e beijá-la com paixão. Buscou-lhe a língua com a sua e desfrutou de seu sabor doce e salgado de uma vez. Já responderia a todas suas perguntas depois. Nesse momento quão único queria era desfrutar da incrível boa sorte que lhe tinha permitido encontrá-la outra vez. Chris sabia que, essa vez, jamais a deixaria escapar. Julie lhe devolveu o beijo com febril impaciência, absorvendo a língua masculina e afundando-se em seu tórax como se quisesse meter-se em sua pele. Brotavam-lhe do fundo da garganta uns gemidos indefesos que enviavam uma sacudida de desejo diretamente entre as pernas de Chris. — Isto… Julie, vai tudo bem? — Chris ouviu a voz da ajudante. Tinha a sensação de que


chegava do fundo de um poço, apenas capaz de atravessar a bruma de luxúria que lhe invadia o cérebro. Julie se desprendeu de seus braços e Chris teve que soltá-la a contra gosto; sorriu quando a viu alisar o top sem manga e correr a mão pelo cabelo. — Sim, Meg, tudo vai bem. Chris é um velho amigo. — Só alguém que a conhecesse muito bem seria capaz de detectar o ligeiro tremor de sua voz. Essa era Julie, impecável e profissional. Meg saiu e fechou a porta atrás dela. Chris a atraiu imediatamente outra vez. — Não posso acreditar que esteja aqui de verdade — disse Julie enquanto percorria as costas com as mãos como se queria demonstrar-se que era ele de verdade — Como me encontrou? — Não te encontrei. Quer dizer, não sabia que estava trabalhando aqui. Chris sentiu que a jovem ficava rígida e a abraçou um pouco mais para que não pudesse escapar. — Então por que está aqui? — Queria descobrir quem havia ido tão bem com a princesa da Suécia a decidir realizar seu casamento aqui. — Chris lhe dedicou o brilho de um sorriso, sorriso que se desvaneceu quando Julie não lhe respondeu com outra — E queria contratar a essa pessoa para meu hotel. Julie apoiou as mãos no seio do Chris e tentou apartá-lo. — Veio aqui para me oferecer um trabalho? — Não, bom, sim, mas não você especificamente. Não tinha nem ideia de que a concorrência era você. Julie virou o rosto, mas não tão rápido como para que ele não visse tremor de seu encantador lábio inferior. — Acreditei que estava contente de me ver. Julie deixou escapar um suspiro entrecortado. — Por um minuto pensei… — Depois sacudiu a cabeça. — O que? — perguntou Chris enquanto agarrava o queixo com uma mão e a obrigava a olhá-lo outra vez. Não pôde resistir. Atraiu-a para si, tirou um momento à língua e riscou a rechonchuda curva do lábio inferior feminino — me diga o que acontece, botãozinho, para que eu possa arrumá-lo. Julie deixou escapar outro suspiro entrecortado e apartou a cabeça. — Estou desapontada, está bom? Tinha essa estúpida fantasia que possivelmente tinha estado me buscando e tinha vindo a me dizer que… — Dizer o que? Julie se limitou a sacudir a cabeça. — Dá igual. Por certo, Wendy me disse que a tinha chamado, que estava preocupado. Chris apertou a boca em uma careta sombria. — Não te disse nada mais? — Recordava haver dito umas quantas coisas mais na


mensagem seguinte. Ou Wendy não o tinha repetido ou a Julie importava um nada. Pois esperava que fora o primeiro, se não... — Acredito que isso era o essencial. Pois já vê. — Julie estendeu os braços e lhe mostrou com ar sarcástico seu pequeno escritório. — Apesar do que pensava, parece que a pequena e mimada Julie sabe cuidar-se sozinha. Chris olhou o escritório. — Acredito que o demonstrou sem deixar a menor duvida, além de demonstrar que sou o maior idiota que pisou na face da terra. — Não penso discutir — murmurou Julie, mas Chris pôde ver um leve sorriso formando-se na comissura dos lábios femininos. — Olhe, sei que fui um idiota. Deveria ter tido fé em você, mas não tive. — Chris acariciou seu rosto, tocou uma mecha de cabelo; maravilhava-lhe pensar que aquela mulher estava ali, que era real e que ao fim ele tinha a oportunidade de fazer algo bem. — Falhei tanto com você que quase me volto louco — admitiu. A Julie lhe iluminaram os olhos — Tampouco tem que te alegrar tanto. Passei-o fatal. — Então por que não me procurou antes? — Não quis acreditar que foi capaz de dar as costas a tudo só para estar comigo. Os olhos femininos se nublaram e apartou o olhar; uma vez mais Chris sentiu toda a força de sua própria estupidez. Não o fazia graça mas ia ter que suplicar a sério. Que diabos. Julie valia a pena. — Fui um idiota — repetiu. — Acredito que isso já ficou estabelecido. Chris riu e pegou a mão dela, depois brincou com seus dedos. — Isto vai soar piegas, mas te desejei do primeiro momento em que te vi. Acredito que todo mundo sabia exceto você. Mas a todo mundo faltou tempo para me dizer que nem me ocorresse me aproximar. Que possivelmente meu pai fosse um Dennison, mas não por isso merecia te pôr nem sequer um dedo em cima. As delicadas sobrancelhas de Julie franziram em um pequeno cenho. — Será que eu não tinha nada a dizer sobre isso? — Vamos, Julie, você também sabia, inclusive quando estávamos na universidade se assegurava de que seus pais nunca se inteirassem de que saíamos por aí. Pois claro que eu sabia que podíamos ter um rolo, mas na hora da verdade você jamais enfrentaria a sua família por mim. — Embora o tom do Chris não era acusador, só franco, Julie se estremeceu para ouvir a verdade. — Suponho que tem razão — admitiu a contra gosto. — Eu gostaria de dizer que aconteceu muito tempo e que já não sou essa adolescente de dezoito anos sem coragem, mas até faz somente uns meses, era uma mulher de vinte e seis anos sem coragem disposta a casar-se com seu irmão para fazer feliz a meu pai. Tampouco é que me surpreenda que pensasse que ao final terminaria correndo a casa com o rabo entre as pernas. — A queda derrotada dos ombros femininos rompeu o coração do Chris, que lhe apertou ainda mais a mão.


— Equivoca-te. Fui um covarde, deveria ter acreditado em você, deveria te haver acreditado quando disse que estava ponta para arriscar tudo. — sentou-se em uma poltrona de couro que Julie utilizava quando tinha convidados e acomodou a jovem em seu colo — Eu também estou preparado para me arriscar e se me der outra oportunidade, juro-te que jamais permitirei que o lamente. Julie o beijou e se fundiu nele com um suspiro quando a invadiu uma quebra de onda de amor e desejo. Parte dela se perguntava se não deveria fazer-se de dura, fazê-lo passar pior, antes de render-se por completo. Mas ali estava Chris, queria-a e Julie não estava pelo trabalho de perder mais tempo reprimindo o perdão. Claro que isso não lhe impediria de aproveitar todo o possível o sentimento de culpa masculino. — Não acha que por isso vai poder me contratar tão facilmente. — Posso-te oferecer um posto muito competitivo — murmurou Chris entre beijo e beijo — Por não mencionar os incentivos adicionais. Oxalá tivesse sabido que estava aqui — sussurrou sem abandonar os lábios da Julie — porque poderia ter preparado um pacote muito melhor. — Deste pacote não tenho nenhuma queixa — disse Julie enquanto deslizava a mão entre os dois para apertar a ereção que ameaçava lhe arrebentar a braguilha. O empresário emitiu uma mescla de gargalhada e gemido. — Segue sem estar completo. Para começar, não tenho anel. Isso a fez deter-se em seco. O coração lhe disparou quando Chris a levantou com suavidade de seu colo, agarrou-lhe os dedos trementes entre os seus e se ajoelhou diante dela. Depois voltou a agarrar as mãos e as levou de uma em uma, pouco a pouco, aos lábios. — As duas semanas que passamos juntos me fizeram compreender algo que sabia a muito tempo. Amo-te, Julie, mais do que amei jamais a alguém, mais do que tinha acreditado possível amar a alguém. Julie conteve a respiração com um soluço e caiu também de joelhos. — Eu também te amo, não sabe quanto — murmurou enquanto entrelaçava os dedos em seu cabelo e atraía a boca do Chris para a dela. Por mais assombroso que parecesse, nos escuros olhos azuis do Chris começaram a brilhar as lágrimas e se pomo de adão se contraiu antes de continuar. — Sei que certamente é muito cedo. Depois de tudo, acaba de sair de um matrimônio. Mas crie que pode te enfrentar à ideia de voltar a ser Julie Dennison outra vez? Julie se engasgou com um soluço e lhe rodeou o pescoço com os braços. — Não é muito cedo assim se me está pedindo isso, a resposta é sim.


Epílogo

Era, sem lugar a dúvidas, a noiva mais formosa e sexy que tinha pisado na terra. O coração do Chris estava tão cheio que temeu que explodisse o peito quando Julie se aproximou dele. O vestido de seda destacava suas doces curvas e a Chris coçavam os dedos com vontade de tirar. O cabelo com mechas douradas caía pelos ombros e os cachos suaves roçavam a pele ligeiramente bronzeada. Não levava véu que ocultasse seu cabelo, mas sim uma flor branca e esponjosa atrás da orelha direita. Esboçava um sorriso tão grande que quase cobria todo rosto, e uma felicidade pura e sem fim emanava de seus olhos azuis. Chris custou respirar quando a viu aproximar-se; o coração palpitava com tanta força que estava seguro de que sua noiva poderia vê-lo através do linho fino de sua camisa. Com o coração na garganta, Chris tomou a mão que Julie estendeu e, de repente, a tormenta furiosa que despertava em seu interior se converteu em uma calma absoluta. Já estava. Ao fim sustentava em sua mão tudo o que sempre tinha querido da vida. *** — Mas onde está? Não é hora de cortar o bolo? — Perguntou Carla a Julie. Julie pôs uma mão no ombro da prima de seu marido para tranquilizá-la. — Não se preocupe. Está ali mesmo, falando com o Drew — e assinalou ao amigo do Chris, do instituto. — Isto é muito mais divertido que suas últimas bodas. — Wendy, uma vez mais dama de honra de Julie, aproximou-se dela com cuidado e rodeou a cintura com um braço. A jovem posou por um instante a cabeça no ombro do Wendy. — Estou de acordo. Claro que isso poderia ser porque desta vez me casei com cara que devia, para variar. — Do outro lado da pista de baile seu olhar se encontrou com o de Chris. O olhar velado que lançou seu marido era tão ardente que a fez ficar envergonhada no quente sol do Caribe. Ao notar o noivo distraído, seu padrinho deu a volta, sorriu e saudou as mulheres com a taça. O olhar da Julie voltou a cravar-se em Chris. Estava desejando ficarem a sós. Os últimos meses não tinham sido fáceis, ficaram indo e vindo de St. Thomas. A Julie não tinha parecido bem deixar ao Ritz na mão e ficou até as bodas da princesa Christina. Ao princípio Chris se mostrou decepcionado, mas tinha terminado por compreender o sentido da responsabilidade de Julie, e inclusive a quis mais por isso. Assim durante quatro meses tinham pagado ao Max umas quantas horas extras para que os levasse e trouxesse do St. Thomas no barco. O último mês especialmente tinha sido uma tortura porque Julie tinha insistido em que


ficassem sem sexo para fazer de sua noite de núpcias algo muito mais especial. Julie lambeu os lábios com gesto inconsciente ante a perspectiva de despir a seu marido. Oh, sim, os quinze segundos escassos que poderia aguentar iam ser muito, mas que muito especiais. — Eu que o diga, esse sim que é o homem ideal — suspirou Wendy — Acredito que nenhum homem olhou assim para mim. — Não sei o que dizer, mas parece que o amigo do Chris, Drew, não tirou os olhos de você o dia todo. Wendy jogou uma olhada furtiva ao padrinho do Chris. Pois sim, o cara estava olhando e os olhos verdes brilhavam sob umas sobrancelhas escuras e arqueadas. — Hmm. Parece um desses fanfarrões frios. Julie levantou a cabeça e olhou ao Wendy, surpreendida. — Acreditei que esse era seu tipo. Wendy franziu o cenho. — Já não. Depois soltou a cintura de Julie para ir em busca do garçom que levava o champanhe. Era assombroso quão diferente era esse casamento da anterior. Ao contrário da última vez, que tinha posto um vestido muito sofisticado, nessa ocasião Julie usava um singelo vestido de cetim, sem mangas. O desenho recordava a lingerie e roçava com picardia as curvas de seu corpo enquanto que chegava aos tornozelos e permitia vislumbrar os pés da Julie, totalmente nus salvo por um anel de platina com um diamante diminuto. Era um presente do Chris, que tinha mandado desenhar especialmente para que fizesse jogo com o delicioso e singelo diamante de três quilates que lhe adornava a mão esquerda. Um pequeno grupo de amigos e parentes se reunia no bar da praia, sob uma tenda. Até os pais da Julie pareciam estar desfrutando da festa. Pouco depois de que Chris tinha pedido, Julie tinha chamado a sua mãe, que tinha demonstrado uma determinação surpreendente em seus esforços para que pai e filha se reconciliassem. Embora Julie duvidasse que alguma vez chegassem a estar muito unidos, nos últimos meses seu pai e ela tinham assinado uma trégua cada vez mais sólida. Por mais irônico que seja, Grant Driscoll parecia impressionado com a independência recém-adquirida de sua filha que no passado fazia de tudo para poder agradá-lo. Julie sentiu a presença do Chris inclusive antes que a tocasse. Apoiou-se em seu peito e girou para lhe acariciar com o nariz a pele cálida da garganta que o pescoço longo deixava ao ar. Estava muito bonito com as calças negras de linho e a camisa branca de etiqueta. Ao contrário dela, ele sim que ia calçado, com uns chinelos de couro negros. Os dois observaram Carla, que trabalhava em excesso pela tenda dando instruções aos garçons e dizendo à orquestra a canção que deviam tocar enquanto eles cortavam o bolo. — É francamente agradável que, para variar, seja outra pessoa a que se ocupe de tudo — disse Julie enquanto se abraçava contra ele. —Sim, me recorde que dê a Carla umas férias — disse Chris beijando os cachos. Os dedos masculinos soltaram o casulo de gardênia que Julie botou atrás da orelha e a jovem sentiu as


pétalas que acariciarem a bochecha e o ombro ao cair — Quando acha que podemos fugir? O fôlego quente de Chris acariciou o ouvido antes que os dentes do empresário se fechassem sobre seu lóbulo em uma mordida brincalhona. Os mamilos da Julie se endureceram sob o tecido sedoso de seu vestido. Esse era o problema de lugares tropicais. Quando se excitava, não havia forma de ocultá-lo dizendo que era o frio. — Acredito que deveríamos ficar um pouco mais… — A umidade empapou a seda da tanga de cor marfim de La Pérola quando sentiu a ereção larga e dura do Chris que ia crescendo contra seu ventre. — Mas conheço certo lugar de senhoras ao que poderia dar bom uso… E essa vez, quando surpreenderam ao noivo de Julie Driscoll Dennison em flagrante, foi com a absoluta e ruidosa aprovação da noiva.


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