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Jenny B. Jones

LĂĄ VocĂŞ Vai Encontrar-me

Adoro Romances em E-book 1


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Lá Você Vai Encontrar-me

Lá Você Vai Encontrar-me Nota da autora Como Finley, este ano, inesperadamente também perdi um membro da minha família, o meu pai adotivo. Ele nos deixou apenas alguns meses antes de ter visto os frutos do seu trabalho e sou muito grato por sua participação na minha vida. Ele me ensinou a apreciar a comida e era um ótimo cozinheiro, sempre deixava uma comida deliciosa no final do dia em frente a minha porta e também me ensinou a apreciar os livros e citações de Mark Twain assim como outros suspenses, comedias e livros de inteligência. Ele teria feito qualquer coisa por mim e isso me trouxe de volta algumas lembranças especiais. Ele foi um dos meus maiores incentivadores e meu melhor amigo. Eu o amava por ser o pai que ele não tinha que ser. Mas sempre foi. Então, eu vou fingir que não é tarde demais e ele poderá ler uma citação de John Mayer: "Diga o que você precisa dizer.”. Este livro é carinhosamente dedicado a Kent Hughes. Há muito tempo através você tomou a decisão de criar duas crianças quando um novo cachorro Labrador teria tornado a sua vida bem mais fácil. Obrigado por tudo que você fez por mim, iniciando pelas mensagens de incentivo a minha carreira, deixada no meu banheiro. Mas é melhor parar por aqui, já que você sabe que se eu tivesse que contar cada ação de incentivo seria na casa dos bilhões e ambos sabemos que se eu começar a contar, assim que chegar à marca de mil ficarei um pouco confuso, como sempre.

Olhe para si mesmo e você irá encontrar ao longo da vida ódio, solidão, desespero, fúria, ruína e decadência. Mas olhe para Cristo e você vai se encontrar, e com Ele tudo será diferente e novo. —C. S. Lewis, Livro Cristianismo Puro e Simples.

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Lá Você Vai Encontrar-me Jenny B. Jones Sinopse: O Luto trouxe Finley para a Irlanda. O amor vai levá-la para casa. Finley Sinclair não é uma típica de dezoito anos de idade. Ela é inteligente, difícil, e inquieta Com uma próxima entrevista no conservatório de música de Manhattan, Finley precisa compor sua peça de audição. Mas sua criatividade desapareceu com a morte de seu irmão mais velho, Will. Ela decide estudar no exterior, na Irlanda, para que ela possa seguir o diário de viagem de Will. É o lugar que ele sentia mais perto de Deus, e ela está esperançosa de que estar ali vai ajudá-la a fazer as pazes com a perda dele. Então, ela concorda em um programa de intercâmbio e embarca no avião. Beckett Rush, galã teen e bad boy de Hollywood, está voando para a Irlanda, para terminar as filmagens de seu mais recente filme de vampiros. No voo, ele conhece Finley. Ela é a única garota que parece imune ao seu charme. Implacável, Beckett a convence ser sua assistente em troca de sua ajuda como guia turístico. Uma vez na Irlanda, Finley começa a desmoronar. A perda de seu irmão e da pressão da escola, sua audição e qualquer coisa que está acontecendo entre ela e Beckett, a leva a um novo e perigoso vício. Quando Deus vai mostrar-se para ela neste paraíso esmeralda? Em seguida, ela experimenta algo que muda radicalmente a sua perspectiva sobre a vida. Poderia Deus convencê-la de que tudo o que ela estava procurando esteve com ela o tempo todo?

Revisão Inicial: Soneide Revisão Final: Shay e Roze Formatação: Roze Distribuição: Grupo ARE

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Comentário da revisora Roze: O livro vai te fazer chorar... já aviso... ele tem final feliz, mas durante a leitura as emoções afloram... O romance entre a Finley e o Beckett se torna quase secundário, porque o livro trata sobre as perdas, encontrar a esperança e o perdão... No início, achei que o livro era sem graça, mas no desenrolar do livro eu fui me emocionando e gostando da Finley, do seu coração grande e de sua procura de paz, de encontrar as respostas junto a Deus e seguir em frente... A Finley sente muito a morte do irmão em um ataque terrorista na Irlanda, dois anos atrás e ela vai até lá para tentar entender o por quê do irmão gostar de lá e encontrar respostas. Nesse meio tempo, ela encontra um cara, que é ator e que se apaixona por ela e que vai junto nessa busca. Você vai se emocionar com ela e a senhora que está com câncer e morrendo sozinha, em um asilo. Ela vai tentar ajuda-la a encontrar a paz e o perdão da irmã, que nunca mais ela viu... Eu recomendo o livro, ele me emocionou muito!!

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Prólogo Às vezes, eu penso sobre quando eu era pequena e o meu irmão mais velho me levava para empinar pipas. - Solte a linha, a deixe voar! - Ele gritava. Era quase doloroso assistir a minha pipa. Ela ficava no ar amarrada à minha mão, dançando sozinha no céu. Minha respiração ficava presa na garganta e a pulsação selvagem e louca no meu peito. Meu coração subia e descia a cada mergulho, como se eu estivesse voando amarrada a ela em vez de estar com os meus dois pés no chão, apertando os olhos contra o sol para ver a dança. E se ela cair? E se o vento levá-la embora? Eu contava os segundos até que eu pudesse puxá-la para mim. Então, me transformava naquela pipa. Eu era frágil contra o vento, ficava subindo por um minuto e girava rapidamente, iniciando assim a minha louca descida, com apenas o objetivo de achar algo em que me segurar durante o voo. Antes que eu pudesse voltar ao presente, perdi o seu controle e ela voou para longe de mim. Desaparecendo para sempre.

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Capítulo um

Eu estou no meu caminho para a Irlanda! Eu praticamente perdi uma noite inteira de sono no avião, mas quem se importa? Grandes coisas estão esperando por mim. Eu sei disso. —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

- Senhorita? Eu retirei um fone quando a aeromoça se inclinou sobre mim. – Sim? - Temos algumas vagas disponíveis na primeira classe. Será que você gostaria da alteração? Fiz uma breve avaliação dos pros e contra da mudança: bancos como poltronas reclináveis, refeições que não tinha gosto de queimado e nenhum cara na minha frente se inclinando para trás até que ele estivesse no meu colo? - Sim, por favor. Peguei minha mochila e segui a mulher através do corredor estreito, esquivando-me de duas senhoras que estavam indo para o banheiro. Será mais de cinco horas de voo para o Shannon, Irlanda. Eu não posso reduzir a distancia para chegar lá o mais rápido possível, mas um assento confortável certamente ajudará a passar o tempo mais rápido. - Aqui vamos nós. - A aeromoça sorriu amplamente e seus olhos se encheram de uma quantidade excessiva de entusiasmo por ter feito uma boa ação, como se ela fizesse isso diariamente. Agradecendo a aeromoça, eu deslizei para o banco, o couro da poltrona automaticamente se modelava ao meu corpo à medida que eu me acomodava, guardava a minha mochila proximo aos meus pés. - Divirta-se - disse ela. Divirta-se? Olhei para o cara ao meu lado encostado na parede, ele estava com a cabeça apoiada na mão e com um boné, que além de cobrir todo o seu cabelo, ainda bloqueava a visão dos seus olhos. Devido à imobilidade de seu corpo, presumi que ele já estava dormindo.

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Depois que me acomodei, tirei meu travesseiro de viagem, fechei o zíper do meu casaco e deitei-me. Alcançando o jornal, abri na segunda página, onde o artigo escrito na capa me congelou. “. . . O último atentado no Iraque foi reivindicado pelo terrorista Hassan Al Farran, líder da célula da Al Qaeda, acusado de ser o responsável pela explosão mortal no Afeganistão que matou varias crianças em uma escola, bem como o correspondente da CNN e humanitário Sinclair, filho do magnata da hotelaria Marcus Sinclair. Na lista de hierarquia, Al Farran é o número quatro no comando do Taleban, continua livre e ameaçando novos ataques.” Como sempre aquela agitação familiar começou no meu estômago, fiz algumas respirações profundas. Um dia a dor não seria tão forte como se a perda do meu irmão tivesse acabado de acontecer ao invés de dois anos. Meu psicanalista disse que eu já deveria ter passado por esta etapa, mas eu ainda não consegui uma forma de superá-la. Quem sabe se daqui a alguns anos seja diferente... Eu continuei a ler o artigo, mas não consegui nenhuma informação nova e logo as palavras ficaram sem sentido e desfocada até que eu finalmente fechei os meus olhos e descansei um pouco, enquanto as luzes se apagavam no avião.

- O comandante ligou o sinal de cinto de segurança. Por favor, permaneçam em seus assentos e evitem andar no avião. Em algum lugar na névoa do meu cérebro sonolento, a voz da aeromoça foi registrada, porém eu não conseguia acordar, estava tão cansada e o encosto do avião era tão quente e confortável. - Senhor, a sua amiga precisa colocar o cinto de segurança. - Por mais que eu goste de uma garota adorável deitada em meu ombro - uma voz melodiosa sussurrou perto do meu ouvido: - Eu acho que você pode precisa ouvir a aeromoça. Levantei minha cabeça como uma idiota quando o avião estremeceu. - O quê? Onde eu estou? Que horas são? O rapaz ao meu lado riu e depois que pisquei algumas vezes eu o vi com mais clareza. Resmunguei com meu rosto corado. - Eu estava apenas... - Dormindo em mim? - Ele acenou com a cabeça e com isso o seu cabelo loiro acabou saindo um pouco para fora do seu boné. Uau. - E eu .... Adoro Romances em E-book 7


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- Roncou? - Sua voz carregava um sotaque da Irlanda. - Não muito. Olhos cinzentos, maçãs do rosto proeminentes, um sorriso que revelou uma covinha adorável, que na certa causava na maioria das adolescentes um ataque de adoração, muita hiperventilação e uma voz baixa e melodiosa que era suficiente para enviar calafrios ao longo do meu pescoço. - Oh meu Deus - Shhh. Ele pressionou um dedo nos meus lábios. - Não diga uma palavra, eu quero permanecer neste voo sem ser incomodado. - Beckett Rush. Ele deu aquele sorriso de milhões de dólares novamente. O que permitiu que com apenas dezenove anos, fosse escolhido para o papel principal em uma Saga de filmes como o vampiro sombriamente romântico Steele Markov. - Se você ficar em silêncio sobre minha identidade eu lhe darei um autógrafo. Ele se inclinou para mais perto e acrescentou. - Mas você deve saber que eu desisti de autografar partes do corpo. Eu pisquei duas vezes e fiquei com a boca aberta formando um O sem conseguir responder. - Eu sei que é chocante - disse ele. - Eu acho que a aeromoça pensou que estava lhe fazendo um favor deixando ficar próxima a mim, mas... - Eu não quero seu autógrafo - eu finalmente consegui falar. Beckett inclinou a cabeça e mostrou-se entediado. - Tudo bem. Quer então uma foto, porem só será possível mais tarde, depois que pousarmos e eu tomar o meu café da manhã. - Eu também não quero uma foto sua. - Eu me afastei o máximo possível de seu assento. - A última coisa que eu quero Sr. galã teen e bad boy de Hollywood é ser fotografada com você, onde certamente irá parar em alguma revista de terceira categoria. - Como se eu precisasse deste tipo de coisa. - Sua carranca foi à primeira expressão facial verdadeira que eu tinha testemunhado desde que acordei. Sem dúvida, Beckett não tinha outra reação a sua pessoa a não ser bajulações e desmaios de garotas adolescentes. E de suas mães. - Já nos conhecemos? - Ele perguntou. - Não. - Procurando em minha mochila, peguei uma revista e passei os olhos na capa. Nenhuma das meninas se parecia comigo. Eram todas magérrimas, ao Adoro Romances em E-book 8


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contrário do meu corpo, elas tinham pernas magricelas, onde as minha eram musculosas graças há anos como Líder de Torcida e seus cabelos eram exibidos com penteados e cortes atuais cheios de graça, enquanto o meu era escuro e longo e no momento estava preso em um coque bagunçado devido há um dia interminável de viagem. - Você tem certeza, então? - Absolutamente. - Voltando à revista para a minha bolsa, peguei a partitura que eu vinha trabalhando há semanas. Minha parte da audição. - Porque agora que dei uma boa olhada... Você me parece bastante familiar. Passei os dedos por minha franja retirando dos meus olhos e logo após olhei para ele de modo desafiador e resmunguei - Eu tenho um desses rostos. - E você certamente tem uma forte antipatia por mim. - Eu podia sentir seus olhos me estudando como se estivesse tirando as minhas medidas. - Como se eu tivesse feito alguma coisa para você. - Você não fez nada. - Então... - É o seu tipo - eu disse sem olhar para cima. - Eu conheço o seu tipo. - Bem, agora isso é interessante. Seu perfume estava me sufocando, provavelmente impregnado no lado da camisa a qual eu tinha adormecido contra ele. De repente, lembrei que provavelmente tinha marcas de vinco no meu rosto devido a seu ombro. Como isso era embaraçoso. - Será que você teve uma boa soneca, então? Meninos, como ele viviam sempre atrás de reconhecimento, é como se fosse uma regra para a espécie inteira. - Tudo bem. Obrigada. - Desde que ficou claro quem eu sou. - Ele levantou uma sobrancelha loira quando eu não respondi. - Para começo de conversa seria educado você me dizer o seu nome... desde que você já me fez de travesseiro e babou em mim, acho que no mínimo deveria saber pelo menos o seu primeiro nome.”. Eu suspirei e olhei para a janela onde eu não vi nada, alem do céu escuro. - Você parece como uma Myrtle - disse ele a si mesmo. - Talvez uma Mavis. Mas eu posso estar enganado. - Finley. - Falei enquanto tentava arrumar o cabelo despenteado com os dedos. – Finley Sinclair. Silêncio. Então seus olhos se arregalaram. - Você é a garota do hotel famoso? Adoro Romances em E-book 9


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Aqui vamos nós. - Meu pai possui um ou dois hotéis. - Um ou dois mil. - E então um novo entendimento ocorreu. - Você teve um ano e tanto. Eu acho que eu a vi na capa da People alguns meses atrás. Herdeira da famosa rede de hotéis sai para clubes e festas pela noite a fora. - Isso foi na última primavera. - Eu tenho trabalhado muito para apagar esta imagem negativa, ficando longe do que o meu pai vinha chamando de temporada louca. Graças a Deus, qualquer pequena quantidade de notoriedade que eu tinha não se estendia aos países estrangeiros. Gostaria de recomeçar sem um passado negro. - O artigo foi grosseiramente exagerado e sinto muito se com isso mantive um fotógrafo longe de você. Mas não se preocupe, o seu título Garoto Mimado esta seguro. Eu não quero mais isso. - Nunca mais gostaria de lembrar ou falar da minha lista de aventuras do ano passado, mas uma coisa é certa, isso só ocorreu por me associar a pessoas como Beckett ou meu ex-namorado que só quer viver com muita diversão sem nenhum limite. Eu não perdi o brilho dos olhos de Beckett, antes de sua máscara amável retornar. - Desde que você não é um membro do meu fã-clube, vamos falar de outra coisa - disse ele. - Um tópico mais seguro, talvez. O que a traz para a Irlanda? Devido a anos de boas maneiras implantados no meu ser, tornou-se impossível ignorá-lo totalmente. Mas como desejava ainda estar dormindo profundamente, ignorando a turbulência ou quem estava sentado ao lado. - Eu estou indo a Abbeyglen para um programa de intercâmbio. Estou com duas semanas de atraso, ao invés de chegar no mês passado acabei optando por um participar de uma orquestra, agora chegarei poucos dias antes da escola começar. Meu corpo foi sacudido como se nós estivéssemos batendo em bolsão de ar. - Assim seus pais ficam livres de você. - Na verdade, a escolha foi minha. Meu irmão veio aqui em seu último ano e eu queria fazer o mesmo, espero ver todos os seus lugares preferidos. - Pensei em seu diário de viagem na minha mochila, imprensado entre um romance e outros livros no compartimento de bagagem e também na “Vontade de violino” que iria usar para entrar no Conservatório de Nova Iorque. Meus planos são de ficar em Abbeyglen ate março e então voltar para Charleston, desta forma irei fazer a pós-graduação com a minha turma. Ficarei apenas o tempo suficiente para absorver a cultura, comprar para meus pais algumas lembranças e mudar totalmente a minha vida. Beckett colocou o cotovelo no braço do meu assento e se inclinou para mim. Eu sinto muito pelo seu irmão. - Como é que você sabe sobre Will? - O que aconteceu com ele atraiu a atenção de todo mundo. Eu já li dois documentários com base na vida do seu irmão.

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A raiva tinha domínio sobre minha cabeça e eu considerei ficar puxando uma daquelas máscaras até que as manchas pretas nos meus olhos fossem embora. A vida de Will era mais do que alguns filmes oportunistas. Como eles se atrevem a comercializar o evento que dividiu a minha família? Eu já tinha visto mais que suficiente das imagens do vídeo real de sua morte para me assombrar o resto dos meus dias. - Eu sei que deve ter sido difícil. - Obrigada - eu disse finalmente. - A vida pode ser difícil no mundo real. O que o senhor Vampiro sabe de dificuldades? Ele vivia em um palácio mágico onde as meninas jogavam pétalas de rosa e sua lealdade era interminável. Sem falar que o orçamento para o lançamento de seus filmes poderia construir uma centena de escolas no Afeganistão, meu irmão tinha trabalhado tão duro para corrigir isso. Com um sorriso na voz ele disse. - Um pequeno conselho. Você pode querer se mostrar acima dos outros quando chegar a Abbeyglen. Os irlandeses são considerados uma das nações mais gentis na terra, para seu conhecimento. Eles não irão suportar as suas atitudes rudes e seus olhares carrancudos. - Os olhos de Beckett passearam preguiçosamente sobre o meu rosto. - Muito embora esse olhar pudesse ser apenas para mim. O menino era irreal. - Será que você consegue falar de verdade com uma garota? - Sim. - Ele coçou o queixo enquanto pensava isso. - Sim, sempre. Eu delicadamente limpei minha garganta e estudei as minhas unhas. - Você não significa absolutamente nada para mim. - Interessante. Eu acho que há uma primeira vez para tudo. - Ele encolheu os ombros. – Então, você não sente nada por sentar ao meu lado e também não quer o meu autógrafo. O que é que você quer Finley Sinclair? Um pouco de paz. Algum silencio para ouvir a voz de Deus novamente. Eu quero encontrar a Irlanda do meu irmão. Para colocá-la em música. E eu quero o meu coração de volta. - Eu saberei quando encontrar. - Eu olhei para o lado passando de Beckett para o céu da noite. - Ou quando o que ele for me encontrar.

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Capítulo dois

Ligue para casa quando chegar, você sabe como sua mãe se preocupa com tudo e tenha cuidado com estranhos, não se pode confiar em ninguém hoje em dia. Mensagem de texto do papai enviado para o meu iPhone

Nossa se daqui a uma eternidade eu não entrasse mais em um avião, ainda assim seria cedo demais para repetir a experiência, neste momento o que eu mais desejava na vida era poder deitar em uma cama macia e esticar meu corpo cansado, para assim recuperar as minhas forças através de um sono longo e profundo. Depois de várias tentativas frustradas para chegarmos a um assunto em comum, eu e Beckett desistimos e passamos as horas seguintes alternando entre o sono e fingindo que não havia ninguém na cadeira do lado. Depois de um tempo comecei a me sentir mal por ignorá-lo e não fazer um esforço maior para compreendê-lo, enquanto decidia como mudar a situação, abri a minha revista e dei de cara com um artigo sobre a estrela de cinema sentado ao meu lado e sua noite selvagem em Los Angeles, semanas atrás. A reportagem começava com uma briga com o seu produtor, seguido por um jantar no Spago com três atrizes loiras e finalizava com cenas de um quarto de hotel destruído. Era demais para mim, então voltei a ignorá-lo e resolvi assistir a um dos filmes do avião ao invés de continuar a ler sobre sua vida. - Aproveite a sua estadia em Abbeyglen. - Beckett disse enquanto pegava a sua bolsa no compartimento de malas e os passageiros a nossa frente se aglomeravam no corredor. - Obrigada. - Eu coloquei a minha mochila no ombro e finalmente encarei os seus olhos risonhos. - Prazer em conhecê-lo. - Minha voz era tão sem graça como o meu cabelo, que neste momento estava totalmente murcho. Aqueles lábios cheios se curvaram. - Certo, o prazer foi todo meu, Felicity. - É Finley. - Foi ótimo viajar sentado ao seu lado. - Seu sotaque fez suas palavras quase soarem sinceras. - Uh-huh. - Eu entrei no corredor, grato por sair daquele avião. - Quem sabe? - Disse. - Podemos combinar de sair qualquer dia desses, já que frequentamos os mesmos círculos sociais. Adoro Romances em E-book 12


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Fiquei de lado para ultrapassar uma mulher lenta, que estava na minha frente e depois falei para aquele garoto arrogante. - Obrigada, mas tenho certeza de que não saio com pessoas iguais a você. - Isso não é o que relata nos tabloides. - Meus dias de festa acabaram. -Meu olhar foi do topo da sua cabeça coberta pelo boné ate os seus sapatos de grife. - Aquilo foi apenas temporário, uma fase ruim, não é algo que eu queira repetir. - Um pouco de diversão não faz mal a ninguém, na verdade é isso o que paga as minhas contas. - Há coisas no momento mais importante para me ocupar, como a minha audição. Eu não iria estragar tudo novamente. Beckett me olhou por um segundo antes de jogar a cabeça para trás e rir. Você irá se cuidar, não é Frances. Espero que encontre o que precisa na Irlanda e talvez. um pouco de diversão. - Meu nome é... - Eu mordi meus lábios, não valia a pena corrigir, pois esse garoto era apenas um ator sem inteligência, era evidente que não tinha um cérebro pensante, apesar de ser incrivelmente bonito e com uma voz que poderia fazer qualquer garota fraca entregar o seu corpo com apenas uma palavra. Quando a fila finalmente começou a avançar, observei os dois adolescentes na minha frente parar de repente encarando o Beckett. - É ele - Será? - Não é o Beckett Rush. - Falei alto suficiente para eles ouvirem. - Apenas a altura é parecida, este aí não tem aquele rosto deslumbrante. - Eu abaixei minha voz para um sussurro. - E também é um pouco lerdo, se vocês me entendem. Deixando Beckett para trás, de preferência para sempre, peguei o meu amado violino e em seguida fui para a área de desembargue do aeroporto de Shannon. Saindo do tráfego de quem viaja a trabalho, liguei para casa. A voz sonolenta da minha mãe atendeu no quarto toque. - Cheguei!. - É bom ouvir sua voz. - Eu ouvi o barulho de cobertores e meu pai resmungando ao fundo. Era apenas dez horas da noite lá, mas meus pais dormiam sempre muito cedo. - Seu pai disse que a ama e ligará para você em breve. - Não acredito que ele acabou de virar e voltou a dormir? - O homem dorme durante furacões minha filha. - Minha mãe bocejou. - Agora Finley, não se esqueça do conselho que lhe dei.

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- Eu me lembro de tudo mãe. - Será que eu nunca vou conseguir fugir do meu passado? - Vou ligar para a psicóloga se ficar estressada ou deprimida. - Ou se os seus sentimentos começarem a lhe sufocar. - Eu melhorei muito nestes últimos seis meses mãe. - Havia parado com os remédios de ansiedade e também com as conversas depressivas. - Você prometeu que não iria forçar a barra, amamos muito você e só pedimos que você se cuide, você passou por um período muito difícil e não quero que nada volte a machucá-la. - É melhor eu ir mãe, a família O'Callaghans provavelmente esta esperando por mim. - Eu já sinto sua falta, ligue assim que possível e fique longe da morcela, não se esqueça de que é um embutido sem carne, recheado principalmente com sangue coagulado e arroz de cor escura. - Mãe. - E não tente andar de bicicleta no lado errado da rua. Dez minutos depois, estava esperando a minha bagagem na esteira, quando uma fila interminável de malas começou a surgir como se fossem soldados cansados, foi uma longa e cansativa espera antes que eu pudesse ver a minha. - Desculpe-me. - Eu tentei ultrapassar um homem enorme, que estava no meu caminho. - Senhor, se eu pudesse... - Ah não! Lá se foi a minha mala. Depois de esperar mais uma volta da esteira me preparei para a luta, usando um pouco mais de cotovelo/violência do que boas maneiras, cutuquei o homem e estendi a mão para a alça da minha bolsa. Peguei uma e enquanto tentava agarrar a outra falei - Senhor, você se importaria de me ajudar? A fadiga bateu em mim como uma maré alta. Toquei na mala de novo, senti os meus dedos fazendo contato, mas não conseguia agarrá-la. Acabei me afastando das pessoas e sentando no chão, sabendo que eu teria que esperar até que a esteira completasse o circuito novamente para ter uma nova chance. Eu me sentia tão cansada, com fome, fedida e com uma necessidade enorme de cafeína no meu organismo. Senhor me ajude, não quero ficar sentada e berrando aqui no meio do aeroporto. - Eu acredito que esta é a sua mala? Eu olhei para cima e vi Beckett de pé, em cima de mim, com a minha mala traidora ao lado dele. O cara poderia colocar qualquer pessoa em transe apenas com um olhar. - Como você sabia que esta era a minha mala? Adoro Romances em E-book 14


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- Foi apenas um palpite. - Seu sorriso arrogante surgiu em seus lábios. Depois de ver você quase executar um gracioso mergulho de cisne sobre a esteira de bagagens. - Seus instintos de vampiro o tornam uma pessoa muito estranha. - Meus dedos roçaram de leve os seus quando segurei a minha mala e de imediato meu rosto queimou com a visão de seu sorriso. – Obrigada. - Bem-vindo à Irlanda, Fiona Sinclair. - E com isso, Beckett me dispensou, indo embora. Por um momento fiquei imaginando sua cara se tivesse aceitado o seu autógrafo e depois vendido na internet. Continuei andando puxando as minhas coisas, mas a sensação era como se estivesse arrastando uma montanha de tanto cansaço, até que finalmente cheguei à área da recepção e fiquei procurando na pequena multidão uma menina ruiva, com grandes olhos castanhos, que fosse similar a imagem que eu tinha no meu telefone. - Finley? - Esgotada, mas cheia de esperança, me virei para a voz. A adolescente estava bem atrás de mim, com os olhos brilhantes e um sorriso largo. Você é Finley! - Ela me esmagou contra o seu corpo em uma espécie de abraço, apesar de ser bem menor que eu. - Eu a reconheceria em qualquer lugar. Você é exatamente igual a sua foto! Eu abracei a menina e ri. - Eu acho que você é a Erin. - Pelo menos eu esperava que ela fosse a minha anfitriã, caso contrário estaríamos em uma grande confusão. - Você fez uma boa viagem? - Ela perguntou. Do outro lado do saguão vi Beckett rodeada pelo que deveria ser sua comitiva de boas vindas. - Um pouco turbulenta. - Venha conhecer a minha família. - Fui direcionada a um trio sorridente. - Esta é a minha mãe, Nora. Meu pai, Sean. - Muito prazer em conhecê-la - disse Nora, enquanto me abraçava carinhosamente e Sean apertava a minha mão. Os pais de Erin lembravam um casal da televisão “O gordo e o Magro” (sua mãe era pequena e gorda e seu pai era alto e magro), pareciam todos muito alegres para esperar uma estranha às três da manhã. - E este é o Liam. - disse Erin, com menos entusiasmo. - Eu tenho doze anos. - Seu cabelo castanho era parecido com o pai, um tom mais escuro do que os meus. - Mas eu sou muito maduro para a minha idade e é importante você saber, no caso de sentir vontade de namorar um homem mais jovem. - Maduro? - Erin bufou. - Você ainda brinca com Legos.

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- Na verdade fico praticando para o meu futuro na engenharia. - Sua voz falhou por causa de um grito involuntário. – Mamãe, diz que um dia as garotas irão se impressionar com a minha inteligência. - Liam balançou as sobrancelhas para mim. Melhor ficar comigo enquanto ainda estou disponível. - Não se assuste querida. - Nora puxou o filho para o lado dela. - Ele acha que é o Romeu da atualidade. Erin olhou para o irmão. - E você sabe o que aconteceu com o Romeu. Saímos do aeroporto com Sean no volante e a família se revezando em me fazer diversas perguntas, ao mesmo tempo em que falava sobre cada um deles, eu queria falar que não estava conseguindo acompanhar a conversa, que o meu cérebro tinha virado mingau a muito tempo atrás, mas eu apenas sorria e acenava com a cabeça, quando necessário. - Herdamos uma pousada. - disse Erin mudando de assunto. - É muito trabalho, mas também há muita diversão. Meu pai se aposentou do exército e agora faz toda a parte de manutenção da pousada e queimando seus dedos na cozinha. - Mostre a Finley a sua mão papai. - Ela riu à medida que seguíamos viagem. Mamãe tem que fazer um curativo novo todos os dias. - Houve algum tempo em minha vida, que não precisasse me esquivar da linha fogo para viver? - disse Sean O'Callaghan, dirigindo o carro na estrada. - Agora eu danço vestindo um avental e fazendo geleias. - E você esta realizando um excelente trabalho. - Nora deu um tapinha no braço do marido e lançou uma piscadinha para nós, no banco de trás. As estradas passavam depressa e percebi que aos poucos a paisagem ia perdendo a sua aparência de metrópole e dando lugar ao campo, apesar de estar escuro demais para conseguir enxergar algo muito longe. Sentia um vazio no peito enquanto tentava imaginar a beleza escondida pela noite, durante o dia sabia que o campo seria tão verde como se Deus houvesse acabado de pintar, semelhante às fotos do meu irmão. Nós passamos por uma fazenda que mostrava torres de um castelo por cima do seu muro e acabei me inclinando por cima do irmão de Erin para obter uma visão mais próxima. - Elas estão por toda parte. - disse Erin. - Apenas ruínas, também possuímos uma em nossa propriedade. - Parece como nos contos de fadas, como se uma princesa estivesse ali. - eu disse mais para mim do que para os demais. - Talvez ela fosse protegida por um dragão furioso e um dia o seu príncipe finalmente chegaria para salvá-la. Sentado ao meu lado, Liam acariciou a minha mão. - Eu irei salvá-la a qualquer hora, Finley. Houve vários momentos em que precisei de salvação, mas eu queria esquecelos. Esta estadia na Irlanda marcava um novo começo, sem problemas, sem atitudes desesperada e definitivamente sem drama. Adoro Romances em E-book 16


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- Chegamos! Segui Erin para fora do carro com minhas pernas pesadas e fui me dirigindo ao meu lar temporário, auxiliada pelas luzes do pequeno estacionamento. A casa estava situada em uma colina, como se estivesse vigiando a cidade abaixo. Persianas azul-cobalto apareciam nas janelas de madeira pintadas na cor creme, cada uma com um arranjo floral onde as flores e folhas se derramavam para o lado de fora. Tudo me atraia para dentro e prometia uma estadia de felicidade. - Quer que eu leve o seu violino? - Liam estendeu a mão e eu o segurei mais firme. - Não é necessário. - Eu não o confiava nas mãos de outra pessoa, não que fosse uma paranoica de instrumentos, é que já estávamos juntos há bastante tempo, desde quando o ganhei na quarta série, às vezes sentia que poderia correr para uma casa em chamas só para salvar o meu violino. Atravessando o degrau da frente, me deparei com um labrador chocolate que estava de guarda abanando o rabo. - Cão bonito. - Eu acariciei a cabeça macia e suave dele. - Esse é o Bob. - Erin abriu a porta. - Ele pertence a um dos hospede. Com Sean e Liam levando as minhas coisas para o quarto, Erin e sua mãe começaram a me mostrar à pousada. - Esta é a nossa sala de estar. - disse Nora. - Do outro lado da cozinha é área dos hospedes. - A parte boa. - disse Erin. - A parte que não tem nenhum telhado com goteiras. A casa era aconchegante e enorme, tinha três quartos, uma sala, uma cozinha grande e uma pequena copa onde ficava uma mesa de carvalho, cheia de marcas escondida no canto, parecia que tinha sido feitas muitas refeições ali, mas eu não conseguia encontrar uma partícula de poeira e eu sabia que meu pai iria adorar isso. A família vivia aqui e aquele ambiente não combinava com tristeza e arrependimento. - Leve-a para cima Erin e mostre o lugar onde ela vai ficar. - Nora O'Callaghan me deu um abraço de forma maternal. - Eu terei um bom e grande café da manhã pronto quando você acordar. Erin e eu seguimos para uma escada de carvalho tão limpa que o brilho chegava até ofuscar um pouco os meus olhos, estava atrás dela quando percebi o modelo de sua calça jeans e o estilo familiar de seu suéter cinza, quando resolvi vir para cá não sabia o que deveria vestir, mas cada pessoa irlandesa que eu vi até agora estava vestida como a maioria das pessoas americanas, as roupa de Erin poderia ter sido comprada no shopping, ao lado da minha casa. No segundo andar, Erin me mostrou o quarto de seu irmão, onde os sons de desenhos infantis flutuavam através da porta fechada. - Eu

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aconselho você a ficar o mais longe possível do quarto de Liam. - Seu rosto em forma de coração estava franzido. - Cheira a chulé. Espiamos um pouco o seu quarto, que era duas portas depois do de Liam. As paredes amarelas combinavam perfeitamente com a sua personalidade. - Minha mãe achou que você iria preferir o quarto que fica no sótão. Ela disse que você provavelmente prefere ter o seu próprio espaço, alem de querer praticar a sua música sem ser incomodada, não dá para ouvir nenhum barulho lá em cima, então é para onde estamos indo agora. As escadas ficaram mais inclinadas e estreitas e o meu corpo cansado lutava contra cada movimento. Quando cheguei ao topo, conseguia enxergar todo o céu e o luar através de uma janela tão grande quanto o carro O'Callaghans. - Diz-se que a filha do proprietário original do Birch Hill House gostava de subir aqui para ficar esperando o seu noivo, um marinheiro. - Erin parou diante da janela com um sorriso brincando em seus lábios. - Uma vez estava tudo programado para sua volta, ela havia recebido a sua mensagem, então subiu aqui e esperou... e esperou. - Sua voz caiu para um sussurro triste. - Depois de duas semanas sem fazer nada a não ser olhar em direção ao oceano, ela finalmente teve que aceitar a verdade nua e crua. Eu olhei para o horizonte, na direção em que o mar estava. - Seu barco chocou contra as rochas, matando-o, assim ele não podia mais voltar? - Não. - Erin piscou. - Ele tinha um senso de navegação horrível e na verdade deveria ter sido sapateiro como seu pai, se quisesse mesmo se casar com ela. - Ela me olhou com cautela e falou. - Aqui é um pouco escuro e pequeno, não é? Antes que eu pudesse responder, Erin fez um giro feliz diante da janela, seu rabo de cavalo vermelho balançando no ar. - Eu acho que Abbeyglen é exatamente o que você precisa e você vai amar aqui. - Eu espero que sim. - Eu sorri para ela, entusiasmada. - Estou certa que farei o possível para que seja assim. - Boa noite então, sei que você está exausta, então vou parar de falar e deixar você descansar um pouco. - Ela me abraçou novamente e saiu silenciosamente para que pudesse ficar ali contemplando a mesma imagem, aquela vasta escuridão para além do nada. Deus, meu irmão sentiu a sua presença tão forte aqui na Irlanda. Será que Você estará aqui para mim? Mas como de costume não houve resposta, na verdade nunca houve. Depois de escovar os dentes, encontrei a Sra. O'Callaghan e tive que recusar o seu pedido para arrumar a minha cama, sobre uma pequena mesa ao lado do meu travesseiro ficava uma luminária, a única luz no quarto, após terminar com a cama comecei a desempacotar as minhas calças, guardando-as tudo perfeitamente dobrada nas gavetas, pendurei minhas camisas e saias por cor em um cabideiro e então comecei a alinhar os meus sapatos, ajustando seus ângulos, até que cada um Adoro Romances em E-book 18


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era simétrico ao seu companheiro, depois disso a paz se estabeleceu na minha mente. Por um momento. Cai em cima da cama sem nem mesmo me preocupar em tirar o meu pijama, peguei minha mochila e tirei o diário de viagem do meu irmão. Com Handel tocando suavemente no meu laptop, comecei a esfregar minha mão sobre a capa de couro macio do livro, em seguida abri a primeira página e vi letra familiar de Will. O formato de sua letra arredondada e pequena. Diário de Viagem de Will Sinclair Programa de Intercâmbio , Abbeyglen, Irlanda Mamãe tinha me dado o diário depois do funeral do meu irmão. Dois dias após, recebi o convite confirmando a minha aceitação no programa para estudar no exterior, no mesmo país e na mesma cidade que Will, ele tinha adorado este lugar e retornou a ele varias vezes após o intercambio. Depois que eu comecei a compor eu sabia que a minha música-teste seria para Will e sua Irlanda. Até agora ela era inspirada por cada foto em seu diário, só que eu não consegui chegar a um final. Embora já tivesse a primeira página do seu diário memorizada na minha cabeça fiz questão de ler as suas palavras de novo. Acabei de chegar a Abbeyglen. Estou animado para ver tudo. Quero fazer tudo. Este lugar é incrível. Era a última página que me atormentava. O diário de viagem estava repleto de informações e algumas fotos, cada uma com um cuidadoso comentário, mas no final colocado no centro do papel havia uma imagem de uma cruz celta, sem explicações... Nenhum comentário. Eu precisava ver cada lugar que meu irmão visitou, sentir o que ele sentiu, na verdade eu precisava sentir. . . Alguma coisa de novo. Gostaria de colocar os pés em cada marco e ver com os meus olhos o que meu irmão relatou em seu diário. Estava ciente quando achasse a cruz celta seria o fim da minha jornada e teria o que eu precisava para escrever o final da minha audição. Talvez eu pudesse encontrar Will em cada uma das paradas, pois a cada dia que passava a minha dor por ele parecia crescer, ao contrário das minhas lembranças, que diminuíam. E isso não podia acontecer, eu não permitiria. Meus olhos cansados visualizaram a sentença final em seu primeiro dia. Deus eu vejo você em tudo.

Fechei o livro e apaguei a luz. Eu também queria conhecer este lugar incrível. Mas Deus? Eu não consigo vê-lo em nenhum lugar.

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Capítulo três

• Dois ovos, 200 calorias. • Um copo de suco de laranja, 110 calorias. • Uma fatia de algo semelhante ao bacon, cerca de dois gramas de gordura. Minha capacidade de recitar informação nutricional é um dos meus alguns talentos, aprendi quando precisava perder um pouco de peso todos os anos, de forma rápida para as eliminatórias de Líder de Torcida. Eu não conseguia lembrar uma única fórmula de matemática, mas o valor nutricional de uma rosquinha? Isso sempre. Na segunda-feira pela manhã sentei-me na cozinha com Liam e Erin. O sol entrava por uma janela alta, enquanto eu tomava um copo de suco e observava Sean e Nora trabalharem, eles cozinhavam para seus hóspedes como se eles estivessem em uma corrida. Com o efeito do Jet-lag na minha cabeça, observa-los só me deixava mais cansada. - Sean leve os prontos. - Nora passou por seu marido, fazendo três tarefas ao mesmo tempo. - Finley, me desculpe não poder sair por aí neste fim de semana. É uma estação ocupada aqui na pousada, mas assim que as coisas se acalmarem, vamos levá-la para lugares muito bons. - Como a caverna de estalactites. - disse Liam. - É escuro e assustador e meio molhada. - Essa ideia só poderia vir de você. - disse Erin. - Mamãe o que significava lugares importantes? - Há alguns lugares que eu gostaria de visitar. - Eu pensei nas imagens da revista do meu irmão. - Como os penhascos de Moher. - Local bonito perto Doolin. - Sean disse do fogão. - Não é muito longe daqui. Os O'Callaghans tiveram a amabilidade de fazer comigo um tour por Abbeyglen, no fim de semana, mas o trabalho em sua pousada não permitia muito tempo fora. Eu odiava ficar sem um carro, se tivesse meu próprio transporte ficaria apenas dirigindo se rumo. Nem a própria Erin tinha, ela ainda me disse que era raro algum adolescente possuir um carro, este fato era muito estranho em minha opinião. - Você está nervosa com relação a escola? - perguntou Erin. - Um pouco. - Quem não estaria? Eu havia estudado na mesma escola privada toda a minha vida e agora eu estava indo para uma escola católica. E se as meninas no Sagrado Coração de Jesus não gostarem de mim? E se elas rirem do meu sotaque do Sul?E se eu não me adaptar as normas da escola? E se o uniforme cortar meu fornecimento de ar? Adoro Romances em E-book 20


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- Aqui está o prato para a mesa seis. - Sean disse. - Pão francês, ovos e frutas. - Jovem. - Nora espreitou por debaixo da mesa os pés de seu filho. - Onde está a sua outra meia? Liam encolheu os ombros. - Eu só consegui achar uma. - Temos que sair em quinze minutos. Vá procurar a outra. - Eu já procurei. - Liam começou a resmungar. - Ok, o primeiro dia de aula sempre é o mais difícil para você. - Nora pegou o filho pelo braço. - Vamos lá procurar juntos, tenho a sensação de que será mais fácil assim. Sean cutucou um ovo na frigideira. - Alguém pode levar este para mim? - Eu levo. - disse Erin. - Não! - Nora parou com um pé no primeiro degrau. - Não depois do que você fez da última vez. - Seus olhos bondosos viraram para mim. - Você se importaria? Ela virou a cabeça olhando desta vez para a Erin. - Esta aí não é confiável. A última vez que ela serviu o café da manhã aos hóspedes foi uma loucura, só conseguimos encontrá-la trinta minutos depois, sentada a uma mesa com a sua coleção de minhoca. Erin mordeu um pedaço de salsicha. - Eu gosto de partilhar a minha paixão pela ciência. - Nossos clientes não querem ouvir falar de excrementos de vermes, na mesa do café da manhã. - Ela deu a Liam um pequeno empurrão. - Continue que eu já vou. - Mesa de canto perto da lareira. - Sean entregou a bandeja para mim e então ajustou a alça de seu avental cheio de babados. - Eu mencionei que eu costumava andar em um tanque de guerra para ganhar a vida? Empurrando a porta com meu ombro, entrei na sala de jantar, onde seis mesas enchiam o espaço coberto com panos brancos. Às oito horas apenas quatro dos convidados estavam no local e minhas passadas vibravam no piso de madeira. O convidado no canto estava virado em direção à lareira de costas para mim com um livro em uma mão e uma xícara de chá na outra. - Aqui está. - Eu coloquei a comida quente na mesa e aproveitei para dar uma olhada em seu rosto. - Você! Beckett levantou a cabeça e sorriu. - Bom dia para você também. - Ele pousou o livro e olhou para o prato. -Você não cuspiu como brinde na minha comida, não é? - Você vai ficar aqui? - Eu vou. Adoro Romances em E-book 21


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- Aqui? No Birch Hill House? Em um desses quartos? Neste pousada? Beckett sorriu devido a minha tagarelice. - Você não vai ter alguma ideia sobre como roubar a chave reserva e se esconder dentro do meu quarto. - Ele cobriu a boca em um sussurro. - A filha do gerente já tentou isso. De todas as famílias que poderiam me hospedar, eu fui escolhida justamente para uma que estava hospedando o Beckett Rush. Isso não podia ser real. - Desde que ficarei aqui por um tempo, trabalhando em um filme, eu acho que nos encontraremos bastante. - Ele pegou o xarope e derramou sobre sua comida. Está na Irlanda apenas alguns dias e você já encontrou o seu pote de ouro. Este era o cliente da O'Callaghan. Eu não poderia ignora-lo. Eu não podia. Oh, mas como queria. O que fazia com que este cara despertasse em mim uma vontade louca de arranha-lo? De alguma forma eu consegui falar. - Tenha um bom dia. Ele perfurou a comida com o garfo e disse. - Sonhe comigo enquanto você estiver na escola. - Teria que ser com ou sem os seus dentes falsos? Ele me deu uma piscada lenta. - O nome correto é presas. - É meio triste você ter que usar adereços para ganhar as meninas. - É absolutamente trágico, não é? - Seu sorriso chegou a seus olhos. - Não se esqueça de me colocar em sua lista de oração.

Minhas meias cortavam a circulação, a suéter do uniforme coçava e minha roupa íntima parecia estar encenando uma espécie de revolta, para me fazer tão desconfortável quanto possível. E estes foram os pontos positivos do dia. Sentada no quinto período, eu ouvi a professora de Inglês Mrs. Campbell, dar uma prévia do ano. Não importa o país, era a mesma lenga - lenga. Se você não fez sua lição de casa, você ira ser reprovada. E se você for reprovado, você nunca obterá o seu emprego de sonho. E se você não receber o seu emprego dos sonhos, então você precisa parar e começar a praticar a frase: - Você quer ser uma pessoa importante como quem? Como ela não parava de falar, olhei para a minha mesa e percebi que, em algum momento durante a ultima hora, havia reorganizado meu material. Três canetas descansavam perfeitamente alinhadas em um ângulo 90° para o meu notebook, que repousava exatamente no centro da mesa. Adoro Romances em E-book 22


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Eu fiz da organização uma válvula de escape, depois que Will morreu quando eu não estava fugindo de casa, eu ficava em casa organizando os armários de todos. - Alunos você estão no sexto ano. - Sra. Campbell andava na frente da sala de aula, com os olhos de águia como se fosse atacar cada um de nós. Nós parecíamos xerox perfeitas uma das outras, com os nossos sapatos escuros, saias xadrez, e suéteres. - Depois que finalizar o semestre na Primavera deste ano, vocês serão lançados para o mundo real. Você sabe o que você quer fazer? Onde você está indo? Sabe o que você quer ser? Meu estômago se apertou com todas aquelas perguntas. Como foi que eu tinha chegado tão rápido aos dezoito anos? Adulta? Neste momento de separação de duas etapas de vida, preparando para sair de casa e ir para a faculdade e deixar minha infância para trás? Meus irmãos tiveram a mesma criação, porem cada um já tinha seu destino selado para sempre, como assinaturas nas historias infantis. Alex pegou a primeira bola de futebol com dois anos e nunca mais largou, tornando-se um dos mais queridos zagueiros do país. E Will foi a uma viagem missionária na oitava série e a partir daí começou a defender a causa dos menos afortunados, fosse através de seu trabalho na CNN ou da sua fundação para construir escolas no Afeganistão. Até agora eu era sem futuro na família. Mas isso ia mudar. - Todos os anos pedimos aos nossos alunos do sexto ano para concluir um projeto final.- Sra. Campbell parou perto da minha mesa, infelizmente na minha frente. - O tema deste ano será SERVIR - disse ela. - Nós não queremos apenas enviar jovens inteligentes no mundo, mas tipo pessoas compassivas. Por favor, peguem um desses envelopes lacrados e passe o restante para trás. Peguei o envelope do topo e entreguei a pilha para a garota atrás de mim e tentei sorrir. - Eu sou Beatrice Plummer. - ela sussurrou. - Você pode ter ouvido falar de mim. - Eu acho que não. Ela correu uma unha bem cuidada em seu envelope. - Meu pai é o diretor da Sr. Plummer. - Deve ser difícil ter um pai como diretor. - Na verdade não, acho que é bastante útil. Sabe Taylor Risdale? - A atriz?

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- Ela é minha prima em terceiro grau. - Seu tom superficial estava me dando nos nervos. - Ela está filmando um filme aqui. - Eu acredito que ouvi algo sobre isso. - Eu estou nele. - Seu sorriso era satisfeito e também uma mensagem de que era uma honra para mim ela estar falando comigo. - Então você é a garota nova. A norte-americana? Eu balancei a cabeça. - Gostaria de se sentar comigo e com meus amigos para o almoço? - Ele falou de uma forma tão confiante que pareceu ser mais uma afirmação do que uma pergunta. Nós meninas às vezes agimos como animais selvagens, somos capazes de farejar o mais forte entre nós. Em questão de segundos eu já tinha um quadro total de Beatrice, a forma de sua cabeça, como seu cabelo escuro caiu com simetria perfeita por cima do ombro, pingentes de diamantes brilhando em seus ouvidos. Até mesmo as suas meias pareciam de alguma forma diferente do que as nossas. Eu tinha acabado de conhecer a abelha rainha Sagrado Coração. - Obrigada, mas eu estou comendo com Erin. - Fiz um gesto para onde minha anfitriã estava sentada, no lado oposto da sala. - Quer se juntar a nós? Os lábios brilhantes de Beatrice se curvaram em um pequeno sorriso. - Uma palavra de conselho? - Hum, tudo bem. - Você poderia pensar um pouco mais alto. - Ela falou seu discurso de vendas, com toda a finesse de um vendedor de carros usados. - Com algumas orientações da minha parte, você poderia ser uma das meninas populares do colégio. - Como você. Ela jogou o cabelo. - É claro. - Obrigada pela oferta. Vou pensar sobre o assunto. - Eu poderia ter nascido privilegiada, mas minha mãe me ensinou a não esnobar os demais. Bem, mas se tratando de atores egocêntricos. Virei para frente quando a Sra. Campbell pigarreou para chamar a atenção de todos. - Alunos, por favor, abram os envelopes. Eu tirei abrir a tampa e enfiei a mão dentro. Cathleen Sweeney. Adoro Romances em E-book 24


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- Em seu papel esta a identidade de uma pessoa que você vai passar muito tempo com ele. - Sra. Campbell juntou as mãos, com os olhos brilhando de emoção. - Cada um de vocês irá adotar um idoso de um de nossos lares próximos. Ok, eu posso fazer isso. Uma chance para fazer companhia a uma pessoa idosa? Quão difícil pode ser? - Você vai ter que acompanhar o seu idoso pelo menos 20 horas até o final do prazo. Você vai ler para eles, falar com eles, conhecê-los, tornar-se uma parte de suas vidas. E antes que chegue as nossas férias de Natal, você vai transformar esta experiência em um projeto. - Sra. Campbell passou um maço de papéis para cada aluna e a sala se transformou com o som de trinta meninas a folhear suas páginas grampeadas. Sra. Campbell explicou cada tarefa e como seriamos pontuadas. - Meu plano é que esta experiência ensine mais do que qualquer livro jamais poderia. - Ela fez uma pausa e seus olhos garimparam a sala. - Minha esperança é que quando você anda longe deste, você muda. Um trabalho que poderia mudar a minha vida? Pode contar comigo.

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Capítulo quatro

As pessoas aqui são tão agradáveis. Eles são mais hospitaleiros do que qualquer casa da região sulista e isso quer dizer alguma coisa. Não conheci uma alma cruel ate o momento. —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

No refeitório. Que tipo de lanche é isso que é servido nas escolas aqui na Irlanda? Erin mordeu seu sanduíche. - Por que é estranho? Você está sentindo falta das alegrias de uma cantina saudável com: batatas fritas, pizza, frios e cachorro quente. - Não que comesse aquele lixo na cantina, na verdade nos últimos meses eu tinha realmente mudado a minha dieta, mas a alimentação escolar é um direito de passagem de cada adolescente. Claro que como as normas já estavam estabelecidas não teríamos opção de escolha - Podemos trazer nosso próprio almoço e comer fora das dependências da escola. - disse Erin. Almoço fora do campus. Talvez não seja uma ideia tão ruim, afinal. - Ugh, lá vai Beatrice e as Patricinhas. - A amiga de Erin chamado Orla apontou para o grupo de meninas que atravessam a rua. - Onde eles estão indo? Orla tirou um pó compacto da bolsa e começou a cobrir o brilho na testa, onde a franja loira balançava. - Irão à escola dos meninos. São Rafael. - Como você as chama? As Patricinhas? - Comecei a comer o meu sanduíche de manteiga de amendoim com geleia, tirando um pouco da geleia de morango e as bordas do pão. - Patricinhas; - disse Orla. - Como no filme. Acho que elas são melhores do que o resto de nós, com certeza elas deixam isso bem claro. - Éramos amigas. - disse Erin. - Isso foi antes delas ficarem tão arrogantes e ousadas. Não nos importamos com um pouco de diversão, mas nós não concordamos com algumas atitudes do grupo. Adoro Romances em E-book 26


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- Sim. - Orla abriu o saco de papel marrom e olhou lá dentro. - Nós somos divertidas. A uns dois finais de semana atrás, ficamos acordadas a noite toda assistindo uma maratona de documentários inteligentes. - Ela revirou os olhos para Erin. - Estamos com certeza bem selvagem. - Você se esqueceu de dizer Erin que Beckett Rush esta hospedado na sua casa. - Eu estava muito orgulhosa de como minha voz soou casual, como se todos os dias eu dormisse sob o mesmo teto que um fenômeno adolescente. Erin esticou o pescoço e olhou ao redor para verificar se alguém ouvira o meu comentário. - Mamãe me fez prometer que não falaria sobre ele. Algo sobre um contrato que ela teve que assinar quando ele chegou aqui, todos na cidade já sabem, mas a nossa família não pode dizer uma palavra. Foi à coisa mais difícil que eu já tive que fazer. Você não pode falar sobre ele também. Nós não sabemos quem poderia ser imprensa disfarçada. Uma palavra para eles e perderemos a pousada, os nossos bens e as nossas economias. - Uau. - Eu sei, não é incrível? - Erin começou a suspirar. - Beckett é tão lindo, você não acha? - Eu acho. - Eu tomei um gole de água. - Se for o seu tipo. Ela sorriu. - Meu tipo alto, loiro e com uma boa aparência. - Eu teria cuidado com ele, Erin. - Oh, eu sei. A minha mãe já me avisou. Mas ele já ficou na nossa casa por três semanas e não foi nada mais que um cavalheiro. Não deu uma única abertura para mim. - Ela suspirou. - Tem sido uma decepção total. - A Bea foi contratada pela equipe técnica para participar das filmagens, você acredita? - disse Orla. Erin assentiu. - Ela fará uma pequena participação. Orla pegou um pacote de biscoitos. - Mas você acha que ficará próxima a Scarlett Johansson. - É algo para se orgulhar. - disse Erin. Orla bufou. - Que orgulhoso que nada, sua prima é atriz e facilitará o seu show, Bea tem todos os tipos de conexões e acredita que deve usá-los. Ela vai atropelar qualquer um para conseguir o que quer. Melhor ficar de olho nela. Eu vi o jeito que ela olha para você, Finley. Como você é nova aqui. Coloquei o meu pão perfeitamente no centro da bandeja e falei. - Isso é ridículo. Eu não quero nada que ela tenha. Erin olhou na direção de São Rafael. - Apenas certifique-se de que continue assim. Adoro Romances em E-book 27


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Naquela noite, eu acordei assustada. O suor grudava a minha camisa na pele, meu coração batia forte o suficiente para acordar toda a aldeia e as lágrimas corriam pelo meu rosto. Outro sonho onde eu vi Will. No entanto, eu nunca chegava até ele e ele não podia vir até mim. Uma e meia da manhã. Eu rolei e suspirei percebendo que eu estava morrendo de fome. O jantar tinha sido alguma mistura de salsicha e eu não conseguia engolir mais do que algumas mordidas. Às vezes, a carne me dá nojo. Talvez isso seja Deus me dizendo para ser uma vegetariana. Decidida a superar o pesadelo e acalmar o meu estômago roncando, eu acendi a lâmpada de cabeceira e abri o diário de viagem do meu irmão. Eu já tinha lido ele de capa a capa. No entanto eu ainda me sentia tão atraída por ele como se estivesse me esquecendo de ver algo. Eu tinha que encontrar uma maneira de sair para o campo e ver realmente a Irlanda. O O'Callaghans estavam tão ocupados que não havia uma forma de dizer quando teriam tempo para passear. Paciência nunca foi o meu ponto forte. Ou ficar enrolando a minha marcha ré. Deus, eu sei que nós não conversamos há muito tempo e você parece ser uma pessoa tranquila, mas se você pudesse abrir algumas portas para que eu consiga um carro. Eu quero ver a terra que meu irmão se apaixonou. Conversar com as pessoas que ele nunca esqueceu. Ver o mundo como ele viu. Ele acreditava que este era o lugar mais bonito da terra. E eu preciso definitivamente de ver alguma beleza. Minha barriga roncou de novo e eu sabia que tinha que fazer algo sobre isso. No ano passado eu ocasionalmente me esquecia de comer. Meu orientador me dizia que eu estava deprimida Eu estava arrasada. Eu vesti um moletom do Mickey Mouse sobre o meu pijama e coloquei minhas pantufas de coelho e fiz o meu caminho para baixo, descendo os dois lances de escadas diretas para a cozinha. A cozinha ganhou vida quando liguei o interruptor e fui investigar a geladeira. Avistei o leite e lembrei-me da impressionante diversidade de cereal no armário enorme da despensa. Assim que peguei uma tigela, um baixo gemido soou atrás de mim. Eu me virei e escutei. Nada. Adoro Romances em E-book 28


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Voltando para a geladeira, peguei o leite. E ouviu o gemido novamente. Um som triste, desesperado e triste, como se um animal estivesse com muita dor do lado de fora da porta traseira. Fui até a porta e meu coração se apertou com os lamentos solitários. Girando o botão, eu fui para fora da casa e dei a volta no convés. A luz da cozinha brilhava como um holofote sobre o Labrador chocolate que eu tinha visto no degrau da frente, no dia em que cheguei. - Olá, rapaz. - Eu me movia lentamente, apenas no caso do cachorro se assustar e resolver me morder. - O que aconteceu? O Labrador me fitou com atenção e começou a abanar a cauda feliz. - Você está sozinho? Você precisa de alguém para conversar? - Eu estendi a mão hesitante e comecei a coçar a sua cabeça. - Porque eu estou totalmente a fim de conversar. - Você quer agora? Eu segui a voz atrás de mim. Lá no canto segurando uma lanterna e um roteiro, estava Beckett Rush sentado. - Você me assustou. - Meu coração batia freneticamente no meu peito. - Eu consegui sentir isso. - Ele fechou seu roteiro. - Você acha que eu não tenho cérebro? - Seu olhar viajou sobre a minha cabeça e eu percebi que eu estava segurando o leite como uma arma. - Eu peço desculpas pelos meus reflexos felinos. - falei baixando o leite. - É evidente que você estava ouvindo os gemidos de uma dor devastadora. Ele sorriu. - Morto por uma caixa de leite. - O cão estava chorando. Eu... - E lá estava eu com o meu pijama. Na frente de Beckett Rush. A estrela de cinema de Hollywood. - Eu queria dar uma olhada. Ver o que estava acontecendo. - A única pelo qual o Bob está sofrendo é por comida. - Beckett levantou um prato. - Eu fiz um sanduíche, Bob é muito bom em compartilhar. - Ele deveria ter aparecido na hora do jantar quando eu teria prazer em dividir. - É tão ruim assim? Eu tenho metade de um sanduíche aqui. Eu olhei para ele com cautela, como se o espaço entre nós estivesse cheio de minas terrestres.

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- Eu só vou jogá-lo fora. - Beckett bateu no assento ao lado dele. - Sente-se. Coma. Eu prometo que você está em segurança. Estou cansado demais para fazer qualquer outra coisa. - Porque você fala que ele faz isso de propósito? - Com outro coçar na cabeça ofegante de Bob eu escorreguei para o assento vago. - Ele aparece o tempo todo. Através da luz fraca eu conseguia ver por baixo do pão presunto, queijo, alface e maionese. Comecei a tirar a maionese, a metade da carne e reservei um pedaço de pão. - Comedora seletiva. - Eu seleciono o que como. - Dei uma mordida e sorri. Bob deu outro gemido então com um suspiro de resignação deitou aos pés de Beckett. - Vê? - Ele coçou a orelha do cão. - Algumas pessoas gostam de mim. - Ele é um solitário. Olhos de Beckett ficaram presos nos meus. - Eu acredito ter escutado que você disse que também estava muito solitária. - Essa era uma conversa privada, entre mim.... eu engoli o meu pedaço de sanduíche... e Bob. - Então o que você está realmente fazendo aqui fora? - Sua voz estava muito sonolenta. - Perdi o sono e você? - Repassando o roteiro. - Ele ergueu o script. - Eu estive dentro de lugares fechados o dia todo e precisava sair, tomar um pouco de ar. - Ele passou a mão pelos cabelos loiros como um surfista, só estava faltando uma prancha de surf e o protetor solar para completar o cenário. - Parece que as cenas não foram tão bem hoje. - Ele tirou o casaco, levantou esticando-se em toda a sua altura, que deveria ser alguns centímetros a mais que eu e depois pairou sobre mim. Eu segurei minha respiração quando Beckett se aproximou, eu conseguia sentir o cheiro do amaciante em sua camisa enquanto ele colocava o seu casaco sobre meus ombros. - Você está fria. - Obrigada. - Deixei-me respirar de novo, me aconchegando em seu casaco. Assim que Beckett sentou inclinou o seu corpo na minha direção. - Estou prestes a pedir-lhe um favor. - E eu estou prestes a lhe dizer não. - Não é uma cena romântica, embora eu estivesse disposto a ensaiar isso. Adoro Romances em E-book 30


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- Ainda assim, não. - Cavar fundo no coração difícil, que coração insensível este que você tem Frankie. - É Finley. - Cavar fundo e encontrar alguma bondade. - Ele estendeu a script. - Eu preciso de alguém para ler a parte de Selena. - Selena, a duquesa do vampiro mutante? A mulher que come sapos, cuja parte inferior do corpo é coberta de escamas, porque sua mãe teve um caso com um tritão? - Eu sabia que você era uma fã. Filmes idiotas nunca mudam. - Eu vou lhe levar a uma visita ao set. Revirei os olhos. - Eu vou chamar o meu amigo Jake Gyllenhaal para pega-la. - Já tem ele na discagem rápida. - Eu não vou falar para os seus amigos sobre o seu traje de dormir. - Seu olhar caiu nos meus pés. - Bonita pantufa. - Tudo bem. - Eu peguei o roteiro e deixei de lado meu sanduíche meio comido. - Mas amanhã vou voltar a ignora-lo. - Página cinquenta e um. - A covinha na bochecha se aprofundou. - E para as meninas que tentam ficar longe de mim, irei sempre usar os meu encanto. - Estou ciente das minhas defesas, por isso estou praticamente imune a tudo. Beckett apenas inclinou a cadeira para trás e riu. - Essas são suas últimas palavras, Flossie. Suas famosas últimas palavras.

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Capítulo cinco

De: jaynelson@newyorkconservatory.com Assunto: Audição Preparações Esta mensagem é para confirmar a sua hora de audição que será realizada às 13h do dia 20 de outubro, no Conservatório de New York. Por favor, traga seu instrumento, sua música e qualquer material complementar que seja indispensável, uma vez que não serão fornecidos pelo conservatório. Estamos ansiosos para conhecê-la e recebê-la no nosso estimado campus.

Na terça-feira acabei não almoçando para a minha primeira aula de música. Desde que o Sagrado Coração não tem especificamente uma orquestra, meus pais arranjaram um professor particular para me dar aulas de violino e como forma de preparo para a minha audição. O violino sempre será o meu primeiro amor, mas se queria ser reconhecida como compositora, eu precisava praticar mais com o piano. Eu já praticava piano a três anos e ainda não esta nem perto de ser como o Beethoven. Eu fui para a sala de música usando a minha mochila como um escudo a minha frente. Com coragem sentei em um piano, ele era velho o suficiente para ter sido usado na arca de Noé, mas graças a Deus a sala de musica era pequena e silenciosa. Um santuário. Sempre me sentia assim nestes lugares. Os instrumentos guardados nos armários eram como velhos amigos, as canções religiosas dobradas e riscadas colocadas nas estantes me acolhiam como a um filho prodigo retornando ao lar, o cheiro oleoso junto com o perfume de rosas. Era como. . . Uma igreja. Corri meus dedos sobre as teclas tocando uma canção de Beethoven e automaticamente libertei os meus pensamentos para repassar a estranha noite de ontem. Ajudei o Beckett com suas falas até 3h da manhã e só paramos porque não conseguíamos mais parar de bocejar. Quando ele começava a trabalhar automaticamente a sua arrogância e seu exibicionismo desaparecia, ficando em seu lugar um cara que era um perfeccionista com relação ao seu trabalho, que sem descanso repetia o mesmo texto até memoriza-lo e por tabela eu tinha a coisa toda Adoro Romances em E-book 32


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memorizado também. Ele era sério e também moderado. Pensei nas pessoas que gostavam de mim e de minha musica. E por algumas horas eu quase gostava de estar com ele. Voltei minha atenção para frente da sala e parei de tocar assim que vi uma imagem de Cristo pendurada na parede. O silêncio encheu meus ouvidos e eu fiquei. . .esperando. Realmente não sei o que. Uma conexão. Um sinal. Uma voz a me dizer como ter minha antiga vida de volta? - Eu disse ao diretor Plummer, precisamos redecorar aqui. Eu me assustei com a voz atrás de mim. - Oh, Olá. Uma mulher mais velha entrou na sala sorrindo, com duas fileiras de dentes grandes. - Sou a Irmã Maria, a professora de música. - Ela começou a olhar ao redor da sala e automaticamente segui o seu olhar. Os pisos de madeira, os painéis de madeira, os lustres que pendiam pelas correntes que eram provavelmente eram de latão, mas agora eram um deposito de pó. - Com exceção de duas horas por dia aqui, é um lugar agradável de paz e tranquilidade - disse a irmã Maria. - Mas é um pouco monótono e escuro para o meu gosto. Eu continuo esperando que o Sr. Plummer o traga para esta década, mas até agora preciso me conformar com um visual da década de 1970. - Ela balançou a cabeça e murmurou - Captar recursos um sacrilégio. - Então você ensina aqui? - Meio período. Os princípios da fé. - Ela olhou para a cruz. - Você esta se candidatando? - Parece uma boa aula. - eu disse, apenas para jogar conversa fora. - Talvez você queira participar no próximo semestre. Como a minha sorte não estava colaborando eu provavelmente seria reprovada antes. - E sobre as aulas deste semestre? - Certo. Nós temos que apresentar uma audição perfeita de piano para uma escola exigente de ricos. Eu tenho este direito, não é? - Ela começou a sorrir do seu comentário, um sorriso cheio de vida, daquele tipo que chama a atenção e faz as pessoas sorrirem mesmo sem motivo. - Sim. - A perfeição era exatamente o que eu queria para a canção de Will. - Eu tenho a maior parte de uma composição feita, só falta o final. - De onde você vem mesmo? - America. Carolina do Sul. Adoro Romances em E-book 33


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- Ah, é um lugar encantador. - Pode ser. - Mas não era assim quando você saiu? - Ela sentou no banco do piano, ao meu lado. - É complicado. - Você é uma adolescente, tudo para você é complicado. - É apenas... - Eu abracei minha mochila como uma tabua de salvação. - Eu não esperava por isso. - O que a aconteceu na sua vida? Ou Abbeyglen? – Sorrindo, ela inclinou a cabeça e me olhou com aqueles olhos azuis que lembrava os olhos da minha mãe, por um momento lembrei que passei os últimos dois anos fugindo de todos os tipos de compaixão e compreensão demonstrada pelas pessoas a minha volta, porém neste momento, eu não queria me desviar do olhar da irmã Maria. - Eu realmente não sei. - Eu balancei minha cabeça. - Não deve ser nada, acho que só estou filosofando sobre tudo. - Eu vou passar uma atividade para casa. Eu mentalmente comecei a preencher todos os buracos em meu coração, com aqueles sentimentos de avó carinhosa. - Saia, vá ver a cidade, conheça a nossa terra e o seu povo. - Seus olhos brilhavam de alegria. - É um lugar muito bonito e principalmente cheio de vida. Em todos os lugares que eu olho eu vejo Deus. - Parece o meu irmão falando, ele veio aqui no seu último ano e se apaixonou pelo lugar. - Então, você precisa descobrir a Irlanda que ele viu. - Estou tentando, porém as pessoas com quem estou hospedada possuem uma pousada, eles mal têm tempo para dormir. - Não se preocupe, Deus vai abrir uma porta para você. - Irmã Maria colocou a mão enrugada na minha. - Não há nada que você esteja procurando que não pode ser encontrada na Irlanda de Deus como: uma boa música, belas paisagens, comida maravilhosa e talvez até mesmo partes de si mesmo que estejam perdidas aí dentro de você. Terá que ser apenas corajosa o suficiente para enxerga-las. - Você faz parecer tão fácil. Ela riu de novo. - Você sabe o que vem depois da lição de casa, certo? - Normalmente uma apresentação. Mas acredito que a minha vida não seja tão agradável para ser colocada em um trabalho escolar. Adoro Romances em E-book 34


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- Errada. Da próxima vez que nos encontrarmos deverá me apresentar a sua lição de casa. - Mal posso esperar. - Portanto, já que finalizamos este assunto vamos começar a aula, com você me mostrando o que sabe. - Ela bateu palmas. - Tocando algo agora. Sem a necessidade de pegar a partitura na minha mochila, comecei a por os dedos sobre as teclas e mergulhei na canção de Will. Minha execução foi impecável e o meu tempo um sonho, realizando tudo em um total de dois minutos, senso que cada nota era executada apenas para a direita. Então de repente acabou. - Isso é tudo que eu tenho no momento. - Eu esperava que ela fizesse vários elogios sobre as minhas habilidades avançadas e também sobre a minha visão criativa. - Sua canção precisa de um final. - Eu não consegui termina-la, sei que é uma exigência para cada canção, porem eu ainda estou trabalhando para encontrar o seu final. - Eu disse a ela sobre a revista e como isso encheu meu saco, bloqueando a minha criatividade. - Você viu essa cruz? - Claro. Você sabe onde compro uma? - Irmã Maria piscou confusa e depois de apertar a ponta do nariz falou. - Existem milhares delas, eles estão por toda a Irlanda. - Mas eu tenho que encontrar uma especial para dar de presente. - Esperei pela risada ou com o comentário que eu estava sendo tola, mas ela apenas me estudou por um momento antes de franzir os lábios. - Então, é aí que encontrará fim para a canção? - Ela bateu na foto. - Sim. - Então, você deve encontrá-la, mas enquanto isso você deve continuar praticando. - Ela apertou minha mão, sua pele era quente contra a minha. Ninguém se preocupou em me dizer o seu nome. - Finley Sinclair. - Um nome bonito. - Ela sorriu. - Você sabe o que significa? Eu olhei para o meu relógio. - A menina atrasada para a sua aula? - Guerreiro. - Irmã Maria levantou-se, observei que a sua forma era pequena e ligeiramente curvada, estava de uniforme assim como os outros professores. - Seu nome significa guerreiro justo. - Sua palma descansava na minha cabeça como se estivesse me abençoando. - E Finley Sinclair, tenho a sensação de que é apenas o que você é. Adoro Romances em E-book 35


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O sol estava brilhante, os pássaros cantavam, as árvores balançavam. Enfim, era uma bela tarde para adotar uma doce vovó idosa. Eu andei cerca de 500 km da escola até a casa de repouso Rosemore. Depois de apresentar a minha papelada para a enfermeira-chefe, segui as suas orientações para chegar ao salão C. O edifício cheirava a desinfetante e outras coisas que eu realmente não gostaria de lembrar. Eu passei por uma mulher de cabelos louros com um andador, que sorriu para mim e acenou. - Olá! - Disse ela. - Olá! - Eu acenei de volta e continuou andando. As pessoas mais velhas eram tão agradáveis. Bati na porta 12 e entrei, sentada em uma cadeira de rodas estava Cathleen Sweeney, ela tinha cabelos brancos, estava com uma calça de pijama rosa sobre suas pernas finas, um chinelo azul macio e um olhar muito sonolento. Oh, ela parecia à pessoa mais doce do mundo. - Olá, Sra. Sweeney. Estou... - Saia do meu quarto! Eu dei um passo para trás quando a mulher despertou como um dragão de vigília. - Mas eu sou Finley Sinclair e... - Eu não me importo se você é a Santíssima Virgem Maria, saia agora. Meu coração triplicou os batimentos. - Eu sou da escola, você foi designada para que... Ela me olhou por cima de seus óculos bifocais e juro que conseguia visualizar os seus olhos disparando um raio sobre mim, a qualquer momento. - Você tem cinco segundos para sair daqui, eu não quero qualquer colegial lendo histórias no meu quarto ou interrompendo o meu dia, vá fazer o seu trabalho em outro lugar, porque eu não a quero aqui. Por medo, choque ou cérebro congelado, fiquei presa ao chão, os meus pés bloqueando a minha saída daquele quarto. - Enfermeira! - Sra. Sweeney gritou. - Enfermeira! Oh, droga. Oh não, por favor. - Enfermeira! Adoro Romances em E-book 36


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- Certo, estou saindo! - Eu levantei minhas mãos como se a Sra. Sweeney tivesse uma arma apontada para mim em vez de seu dedo ossudo. - O que está acontecendo aqui? - O diretor da enfermagem entrou pela porta, seu corpo enorme enchendo o espaço. - Cathleen, pare de gritar. - Então tire ela daqui. - Esta jovem é da escola Sagrado Coração, conversei sobre isso com você a semana inteira? Lembra-se da nossa conversa? - A única que lembro é sobre ter que comer mais ameixas? A enfermeira respirou profundamente e lentamente liberou o ar. - Aquela conversa sobre como ser agradável e não assustar as crianças. - Está tudo bem - eu disse, com pulso acelerado. - Ela não me assustou... Muito. - Bem eu quis assusta-la. - Cathleen descansou suas mãos sobre as rodas da cadeira e olhou para enfermeira. - Eu disse a você Belinda, eu não quero qualquer acompanhante. Eu não quis no ano passado, nem no ano anterior e também não quero neste ano. - É uma pena. - A enfermeira caminhou até Cathleen e inclinou-se até que ficaram olho no olho. - Ela fica, você não vai expulsá-la do seu quarto. Isso não era como eu tinha imaginado esta experiência. Eu estava pronta para trazê-la alguns dos cookies do Sr. O'Callaghan. Agora nem mesmo os queimados eu traria. Como é que alguém consegue sobreviver a isso? - Eu acho que deveria ir embora. - Eu puxei a alça da minha mochila. - Eu vou... - Sra. Sweeney me olhou quando já na porta acrescentei. - Eu só vou ver se consigo ser transferida para outro interno, não deve ser difícil. - Disse adeus a ambas e sai correndo do quarto. - Espere! - Eu estava no meio do corredor quando a enfermeira me alcançou. Eu sinto muito por Cathleen. - Ela arfava com cada palavra, sem fôlego depois de sua pequena corrida. - Ela é uma pessoa difícil. Meus dois últimos anos foram difíceis, mas aquela mulher era um terrorista. De verdade não tem problema, irei procurar um novo interno para ajudá-lo. A pele morena da enfermeira enrugou quando ela franziu a testa. - Eu gostaria que você lhe desse outra chance, eu sei que Cathleen é um pouco dura, mas ela precisa de alguém agora. - Ela baixou a voz e fechou os olhos por um momento. Cathleen esta com câncer, ela tem no máximo mais alguns meses de vida. - Ela está morrendo? - Eles me colocaram com uma idosa que esta morrendo? De jeito nenhum. Não havia mais nenhuma maneira de piorar as coisas. - Hum. É melhor eu voltar para casa. Muita lição de casa para fazer. Adoro Romances em E-book 37


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- Por favor, reconsidere a sua decisão, a Cathleen precisa de você. - Não senhora, com certeza ela não precisa. - Eu balancei minha cabeça não querendo explicar mais nada e desesperada para sair daquele lugar. - Adeus. Murmurei outro pedido de desculpas e sai correndo. No hall de entrada a mulher de cabelos louros com o andador sorriu e acenou novamente. - Volte em breve!

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Capítulo seis

Olá irmãzinha, vi o seu texto na noite passada. Lucy mandou dizer que está muito orgulhosa e que você tome cuidado para não ficar beijando qualquer Pedra Blarney. Amo você e sinto muito a sua falta, principalmente no jantar de família aos domingos, no ultimo tive que me consolar comendo a minha torta... Bem, para falar a verdade comi a parte que seria a sua. Amo você. Alex, enviado para o meu iPhone

- Mas você tem que me direcionar para outra atividade. Era quarta-feira depois da aula, eu estava com as minhas mãos espalmadas sobre a mesa da Sra. Campbell, mostrando todo o meu desespero, esperando que ela sentisse o cheiro do meu medo. - Finley, se eu a transferir, terei que fazer o mesmo com a metade da classe e eu não vou fazer isso. - Ela é difícil! - Na verdade ela é uma mulher solitária que só precisa de um pouco de compaixão, de todos nós. - Eu não posso voltar para lá, certamente há algo mais para fazer como: voluntário para uma igreja ou um orfanato local? A Sra. Campbell balançou a cabeça. - Se você não concluir este projeto você não passa de ano. É simples assim. - Ela colocou uma pilha de papéis em um arquivo. - Erga a cabeça, você pode vencer este desafio. - Mas... - Engasguei com as palavras. Logo em seguida tentei novamente. - Ela está morrendo. Sra. Campbell estendeu a mão e deu um aperto no meu ombro. - Mais uma razão para continuar, Cathleen precisa de você. Percebe a missão especial que foi designada a você? Eu só olhava para ela. Missão especial para mim seria entrevistar Lady Gaga, esta atividade era cruel e incomum, uma verdadeira tortura para mim. - Não é negociável. - Sra. Campbell pegou outra pasta e começou a folhea-la. Faça acontecer. Adoro Romances em E-book 39


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- Ela deixou bem claro que não quer minha companhia. Minha professora sentou-se na cadeira e começou a escrever, percebi que todo o seu foco estava no seu trabalho. - Então eu acho que você vai ter que se esforçar mais. - Eu não posso simplesmente... - Sim, você pode e mais importante você vai fazer. Tente não levar para o lado pessoal. Tomar conta de Cathleen. - Mas Cathleen é o única que não será reprovada. Sra. Campbell deu um pequeno sorriso. - Ore sobre isso. Sim, porque isso já foi determinado, assim como outras coisas nos últimos tempos. Com um suspiro cansado, eu saí da escola seguindo o corredor ate a porta pela qual eu podia ver a Nora me esperando no carro. - Sem sorte com a troca? - Erin perguntou do banco da frente. - Não. - Eu não tinha ideia do que fazer, mas tinha muitas horas livres antes de chegar o momento de ir ao local. - Nós temos uma reserva para o fim de semana com um grupo de Scrapbooking. - disse Nora. - Eles pagaram extra pelo almoço e o jantar. Erin olhou para o irmão como se ele fosse lodo da lagoa. - Então eu tenho que ficar cuidando de Liam. - Isso é muito bom. - disse ele ao meu lado. - Assim terei tempo para sair com Finley. - Suas sobrancelhas finas balançaram. - E também posso mostrar-lhe o que um homem de verdade pode fazer com Legos. Nora estava saindo do estacionamento da escola quando acrescentou. – Finley, meu amor, nós vamos ter que adiar aquele passeio novamente, mas eu prometo que nós conseguiremos uma folga para realiza-lo. - Seus olhos me observaram pelo retrovisor, eles estavam cansados e não pude deixar de sentir pena dela. - Ainda estamos nos adaptando a essa coisa de pousada, com certeza em breve encontraremos o nosso equilíbrio. A boa notícia é que Sean comprou uma bicicleta nova para você, então você vai ser capaz de andar pela cidade. O carro subiu a colina para a casa e ao ver o oceano ao longe, senti uma pontada de saudade do litoral Charleston. Nora parou o carro na frente da pousada e enquanto saiamos apareceu um velho caminhão verde, ele estremeceu e rugiu enquanto parava na garagem. - Comporte-se, Erin - Nora avisou. – Liam, não lhe faça um questionário. Antes que eu pudesse questionar o tom estranho de Nora, eu dei uma olhada mais atenta para o homem atrás do para-brisa e tudo se tornou claro de repente. Adoro Romances em E-book 40


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- Olá, Sra. O'Callaghan. - Beckett disse, assim que saiu do caminhão. Abanando a cauda e balançando a língua para fora, Bob pulou da parte de trás do caminhão. - Olá, querido. Você teve um bom dia? - Nora perguntou isso como se ele tivesse acabado de voltar de seu trabalho árduo como um contador. - Maravilhoso como sempre. - Seus olhos cinza piscaram para em mim enquanto ele segurava Nora pelo braço. - Provavelmente em parte devido a seu brilhante pão francês, esta manhã. - Você realmente deveria diversificar seu paladar, tente outras coisas do cardápio. - As bochechas pálidas de Nora ficaram um rosa vivo. - Ah, e você talvez queira descansar neste fim de semana, pois teremos um grupo de Scrapbook vindo se hospedar. - Um grupo de meninas com uma tesoura. -- disse Liam. "Isso nunca termina bem para mim. - E a pobre Finley. - disse Nora. - Nós iríamos levá-la para passear um pouco neste fim de semana, mas agora não será possível. - Ela me deu um tapinha nas costas. - A menina provavelmente vai nos denunciar por negligência, ate o momento ela nem sequer viu os penhascos de Moher, no entanto não dispomos de tempo. Erin? Erin estava ali parada com os olhos vidrados em Beckett, sua boca estava inclinada em um ângulo estranho, como se tivesse sido atingido por um raio ou era apenas uma reação à visão de um galã adolescente internacional. - Eu poderia levá-la. Todos nós fitamos Beckett por um momento constrangedor, até que ele repetiu. - Eu ficaria feliz em levá-la aos rochedos. - Ele estava tão perto de mim que acabei sentindo cheiro do seu xampu. Eu esperava que ele usasse o perfume de sua marca própria, vendidos pelas lojas de departamento mais finas, mas para minha surpresa era algo que me fazia lembrar a Pantene. - Está tudo bem. - O que deu nele? - Posso esperar até na próxima semana. A carranca de Nora se aprofundou. - No próximo fim de semana estaremos ajudando com a reunião de família Donnelley, eles amam a groselha de Sean. Oh, Finley, eu me sinto tão mal. - Eu realmente não me importo. - disse Beckett. - Eu ficarei o resto da tarde de folga, são apenas uns poucos quilômetros de distância. - Ele nivelou seu olhar com o meu. - Você ficará segura comigo. - Se são poucos quilômetros eu posso andar, acho que preciso de um pouco de exercício e... Adoro Romances em E-book 41


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- Que bobagem. - Nora me olhou como se eu fosse um alienígena. - Vocês dois saiam daqui agora e façam um bom passeio. Oh, não. - Mas eu... - Gostaria de se juntar a nós, Erin? - perguntou Beckett. Erin piscou duas vezes. - Não. Não, obrigada. Lição de casa. Eu tenho lição de casa. - Tudo resolvido então. Ate mais! - Nora passou um braço em torno de cada criança e começou a escolta-las para dentro. Erin andou virada para trás, com a boca escancarada e ainda com aquele olhar sem foco. - Bob, vamos. - Quando Beckett abriu a porta do passageiro da caminhonete, o Labrador pulou atrás, na cabine. - Vai entrar Finley? Ou você quer ir andando com o meu cachorro? - Eu preferiria ir com os demais. - É evidente que esta está pesando sobre a Sra. O’Callaghan. Você não quer deixá-la chateada, não é? Por que não esperar que o Sr. Casanova sempre apertasse os botões certos? Tudo bem. - Lutei para dar o primeiro passo em sua direção até que ele pegou minha mão e me ajudou a subir. - Mas não faça nenhuma gracinha. O rosto dele era todo inocência. - Isso dói. O caminhão frágil de Beckett começou a levar-nos pela curta distância até os penhascos de Moher. Eu olhava pela janela enquanto o vento entrava e resfriava a cabine, mesmo vestidos com nossas jaquetas, ainda sentia as rajadas de vento. Beckett não disse uma palavra, dando-me a oportunidade de vivenciar cada pedacinho dos campos de Abbeyglen em que passávamos e eu fazia o máximo para armazenar tudo em minha cabeça. - É uma cidade muito bonita, não é? - Ele desligou o rádio. - Eu nunca me canso dela. - Você vive aqui? - Vivi em Galway os primeiros dez anos da minha vida, depois fui morar na América. Mas eu volto sempre que possível para ver meus avós. Eles que me criaram. - E a sua mãe? - Ela morreu, que Deus a tenha, quando eu era apenas um bebê. Minha mãe teve que abandonar sua carreira de atriz por minha causa. Meus pais eram jovens, apenas com dezenove anos quando eu nasci. Mamãe chegou a atuar em uma novela e as coisas estavam começando a dar certo, então eu apareci e ela teve que procurar um novo emprego, e suas oportunidades nesta área já não existiam mais. Adoro Romances em E-book 42


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Beckett estacionou o caminhão e Bob apertou seu nariz na janela para verificar o nosso progresso. - A entrada do parque, ficarei por perto para guia-la. - Ele andou ate o meu lado e me ajudou a sair do caminhão. Tentei não olhar para o seu cabelo loiro dançando na brisa, porque além de ser gesto estúpido e algo que qualquer garota faria no meu lugar. - Por que você se ofereceu para me trazer ate aqui? Ele hesitou enquanto atravessava a rua para a entrada. - Eu estou grato pela sua ajuda na noite passada. Eu estava com um pouco de dificuldade com minhas cenas e recentemente não tenho andado bem nas gravações. E isso estava chamando a atenção do diretor, mas hoje... - Ele colocou um chapéu na cabeça e deu um sorriso engraçado. - Depois que ensaiei com você, tudo voltou ao normal. Meu diretor disse que Steele Markov reviveu. - Então eu tenho o poder de ressuscitar os mortos-vivos. - Algo assim. - Quando seus olhos se fixaram nos meus, eles escureceram. Você fez a diferença. - Bom. - Um prazer inesperado deslizou através de mim. - Ainda bem que pude ajudar. Ele parou inesperadamente. - Tenho uma proposta para você. - Não em sua vida. - Ouça-me, quero... - Eu não estou interessada. - Não é nada desonesto. - Seu sotaque estava mais forte e eu me perguntei se tinha machucado seus sentimentos, mas isso era impossível. - Eu só quero que você seja minha assistente. Eu ri enquanto fechava o meu casaco. - E o que isso significa? - Estou falando sério. - Ele puxou o chapéu ainda mais para baixo, para não mostrar o seu rosto. - Você só tem que trabalhar algumas horas por dia depois da escola, me ajudar com o roteiro, é só isso. Eu prometo. Meus olhos se estreitaram. - E o que eu recebo em troca, o direito de me exibir com você? Meu nome ligado com o seu nas revistas? Não, obrigada. - Eu só estou pedindo para você, por que você é diferente. Você não está a fim de mim e eu não estou a fim de você, desta forma não há nenhum risco de envolvimento durante este período. Bem, o que ele havia falado doeu mais do que um corte de navalha no tornozelo. É claro que ele não estava a fim de mim. Por que ele deveria estar? Ele tinha a sua disposição belas atrizes durante todo o dia. Adoro Romances em E-book 43


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- O que eu quero dizer é que na realidade você não fica impressionada com o meu nome ou o que ele possa fazer por você. - Ele balançou a cabeça como se estivesse tentando bloquear uma ideia. - Eu sei que é uma loucura. - E o que eu recebo em troca? - Eu vou levá-la para conhecer a Irlanda, vou lhe mostrar todos os lugares que você quer conhecer. - Ele ergueu as mãos no ar. - Sem compromisso e não farei nada de engraçado. - Eu não sei. - Você quer recriar os passos do seu irmão, certo? - Sim. - Desesperadamente. Por Will e por mim. - Eu realmente preciso da sua ajuda, Finley. O apelo verdadeiro no seu rosto me fez questionar se seria um erro tão grande assim me envolver em qualquer coisa que Beckett Rush fizesse parte, então resolvi pagar para ver. - Vamos ver o tipo de guia turístico você é em primeiro lugar. O vento aumentou ainda mais à medida que a gente se aproximava dos penhascos. - É a brisa do mar - disse ele. - Espere até ver a água. - Subimos um pouco a trilha até que finalmente ele parou para que eu pudesse dar uma boa olhada. - A melhor vista fica lá em cima. - Ele apontou para o restante da trilha. Automaticamente peguei minha câmera e comecei a fotografar. - Você não pode me apressar. - Você já falou que esta avaliando a minha capacidade como guia. Eu voltei a fotografar o cenário lá embaixo. - Eu gostaria muito de andar pelas falésias e não apenas ver através de um passeio de carro. - Ao longe pude avistalas, elas eram irregulares e majestosas com a sua grama verde no topo como cobertura e as ondas azuis do mar logo abaixo. Eu gostaria de ter meu violino neste momento para compor uma canção. - O que você está procurando? Com isso abaixei minha câmera. - Eu não sei. - eu disse honestamente. - Só sei que eu tenho que olhar. - Vamos continuar, vou levá-la para um lugar melhor. Eu fui atrás dele praticamente correndo para acompanhar seus passos largos, logo começamos a passar por outros turistas, eu via de tudo, desde um homem de sapatos feios, mas confortáveis, como uma mulher usando uma pochete, pessoas tirando fotos do lugar e ate mesmo uma família posando para que um estranho capturasse este momento para sempre. Beckett sempre mantinha a cabeça abaixada, com óculos escuros que cobriam os seus famosos olhos. A trilha começou a se estreitar e logo que viramos ao redor de um canto, avistei vacas em um campo Adoro Romances em E-book 44


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tão verde como esmeraldas, mastigando o seu pasto e ignorando os demais que buscavam contemplar a vista. Ao passar pela cerca comecei a tirar fotos. - Eles são vacas Finley, existem um monte deles em Charleston. Chegamos ao topo do penhasco e fui obrigada a redescobrir como respirar. Os penhascos se estendiam ao nosso redor, abaixo as ondas batiam contra as rochas e aves ficavam mergulhando em direção ao mar e depois retornavam e pousavam sobre as rochas. O vento balançava o meu cabelo ao redor do meu rosto e com uma mão trêmula fazia tentativas de recoloca-los no lugar. Eu conhecia este lugar, estas rochas, essas águas, este céu. Eu respirei fundo, tentando guardar dentro de mim o cheiro e o gosto que sentia na minha língua. Era completamente novo, contudo familiar, conseguia sentir as duas sensações ao mesmo tempo. Minha visão era uma piada, não conseguia ver tudo ao mesmo tempo, era necessário ficar girando a cabeça e o corpo para visualizar apenas partes e não o todo. Beckett ficou ao meu lado. - Algumas pessoas falam que são apenas falésias, mas eu não concordo. Balancei a cabeça concordando e virei para olha-lo. - Você não acredita que seja. É. - Lutei com as palavras, mas parecia não haver jeito de colocar em palavras o que vi e o que sentia naquele momento. Seu peito subiu quando ele inalou e com os olhos ainda nos meus falou. - Sigame. Tirei mais algumas fotos, à maioria enquanto andava. Saímos do caminho principal até chegarmos a um aviso que dizia. Por favor, não continue além deste ponto. - Eu sou o do tipo que tenta seguir esses tipos de avisos nos dias de hoje. Eu olhei para a placa. - Talvez devêssemos voltar. - É apenas para os rebanhos de turistas não irem mais longe, cuidado com os passos. - Eu fiquei parada onde estava. - Se vou ser o seu guia turístico farei isso direito. - Ele estendeu a mão. - Você acha que a levaria a algum lugar perigoso? - Você morde as pessoas para sobreviver. - Não seja uma galinha. - Se você me empurrar sobre a borda, os meus pais ficaram devastados. Ele agarrou minha mão e me puxou para junto do seu corpo. - Eles provavelmente vão me enviar uma nota de agradecimento. - Beckett continuou segurando a minha mão, me puxando para acompanhar seus passos por cinco segundos inteiros ate chegarmos ao pico. Ao chegar à vista panorâmica, os meus olhos estavam cheios de lagrimas. O sol deslizava ao longo da água tornando o caminho luminoso. A torre do castelo apareceu do lado oposto apenas me pedindo para entrar e explorar. Parecia ser completamente o oposto do que já tinha visto por aí. Pequenas flores amarelas dançavam em nossos tornozelos enquanto eu olhava para a paisagem a frente. - Eu entendi direito. - eu disse. - O pedaço da música que escrevi a partir de foto deixada por Will se encaixa perfeitamente aqui. - Lembrei-me da composição embaixo da Adoro Romances em E-book 45


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imagem dos penhascos e das suas palavras em seu diário. - Senhor, seu amor fiel alcança ate o céu, faça a minha fidelidade chegar aos céus. - Percebendo que eu tinha acabado de falar as palavras em voz alta meu rosto começou a queimar. Quando meu irmão veio aqui há muito tempo o fez lembrar-se deste versículo. Será que o seu amor chega até aqui, meu Deus? E se estende para além do céu. . . Por que parece que ele não pode me encontrar? - É lindo - eu disse com a minha voz constrangida. - É mais do que isso. - Ele fitou o oceano abaixo. - É como se Deus tivesse pintado e em seguida dado vida. - Beckett inclinou a cabeça para mim, levantou seus óculos aviadores e deixou seus olhos queimarem os meus. - Esta é a Irlanda, Finley, é rústica, selvagem e é santa. Eu não conseguia desviar o olhar do dele, a brisa jogava meu cabelo de um lado para o outro e tudo o que eu podia fazer era olhar para este garoto cheio de surpresas. Com o seu olhar penetrante ainda segurando o meu, seus dedos começaram a trilhar o meu rosto, fechei meus olhos enquanto sua pele tocava a minha, senti o seu polegar traçando um caminho na minha bochecha. Atrás de mim ouvi uma gaivota lançar o seu grito no ar e o encanto foi quebrado. Beckett pigarreou e baixou a sua mão. - Isso foi... Insanidade. Ridículo. Um momento de loucura. Foi segundos de calmaria para um coração quebrado. - Foi um erro. - Ele fechou a jaqueta apertada se protegendo contra o frio. - Certo, mas é claro. - Finley - ele sussurrou. - Sim? - Não temos um acordo? Rezando para ter forças de retornar a uma vida de angústia, respondi. - Sim.

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Capítulo sete

Todo mundo sai para os pubs, que é um lugar familiar, nada parecido com um boteco. É onde você conversa com seu vizinho, ouvi boas músicas, come uma refeição quente e ainda escuta historias engraçadas de todo mundo. —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

- A cidade está comentando sobre o Dia de São Patrício. - disse Erin para Orla e eu, enquanto passávamos pela porta do Pub Molly Delaney. A multidão do almoço enchia todo o balcão de carvalho bem como as mesas do salão e as cabines reservadas. - Bem, graças a Deus sou a filha de Sean O'Callaghan. - Erin sorriu. Boa tarde Molly. - Uma mulher pequena de cabelos grisalhos olhou para nós e fez um gesto com o queixo. - Eu acabei de achar uma mesa para vocês meninas, é aquela que esta a direita da janela para que assim vocês possam ver os belos rapazes passeando lá fora. - Ela nos deu uma piscadela atrevida e começou a rir. Eu não tenho cinco meninas de graça, né? Claro que eu sei que vocês não estão aqui apenas para comer o melhor ensopado de Abbeyglen. Vocês têm as suas datas para a dança para que? Eu passei o meu dedo para baixo no cardápio pegajoso em busca de uma salada, mas estava difícil conseguir me concentrar em alimentos com aquele homem no canto de trás tocando seu violão. Tudo o que eu queria fazer era ver e ouvir as outras conversas. - O que é Dia de São Patrício? - Oh, você não avisou a ela ainda? Que ela terá um dia inteiro de danças e comida pela frente? - Molly sacudiu a cabeça. -É preciso encontrar para essa garota uma data. - É apenas um feriado. - disse Orla. - Com uma tradição boba onde as meninas pedem aos os meninos para dançar com elas. - Tradição boba? - O velho homem da mesa ao lado pousou a sua caneca de vidro e empurrou de lado o seu prato de peixe. - Ora, é quase o dia mais importante do ano. Molly pigarreou e se inclinou para mim. - Esse é Ennis O'Toole, o prefeito. Não dá a mínima para a história, só consegue cheirar o dinheiro que os turistas irão deixar após o evento. - Eu escutei isso Molly. - Mr. O'Toole levantou de sua cadeira e se juntou a nós. - Era 1477 e nenhum outro senão o próprio Cristóvão Colombo navegou em nosso porto, com um navio diferente de qualquer outro já visto antes em Abbeyglen. - Os Adoro Romances em E-book 47


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olhos do prefeito brilhavam sob as pálpebras caídas. - Então Colombo ficou doente e o padre Patrick Flanagan o curou. Molly estalou a língua. - Pensei que ele estava à beira da morte. - É verdade, mas o padre Patrick Flanagan tinha o dom da cura em suas mãos e o curou. A tripulação estava se preparando para o pior enquanto Colombo atracava e acampavam aqui com febre, mas o Padre Flanagan orou por ele 24 horas direto, ele não bebeu nem comeu durante a vigília, só rezava para o homem. Os homens de Colombo pensaram que o bom padre estava apenas ministrando os últimos sacramentos. - A voz do prefeito fez com que estivéssemos dentro da história e a vi desdobrar dentro da minha mente. - Ao amanhecer do dia seguinte Colombo acordou um novo homem, pedindo por seu navio... - E um copo de cerveja. - disse Molly. - Uma grande festa foi celebrada pela sua recuperação milagrosa. - disse O'Toole. - Durou o tempo de uma vigília de oração e como era um famoso explorador, pediu uma bênção sobre Abbeyglen, desejando prosperidade para todos. Desde então, nossas redes de pesca ficaram cheias e nossas vacas gordas. - E não se esqueça da dança estúpida. - Orla resmungou. O prefeito voltava para sua mesa quando mencionou. - É onde eu encontrei a minha esposa. - E por que as meninas tem que pedir aos meninos a dança? - eu perguntei. - Porque o Padre Flanagan era muito tímido. - Mr. O'Toole colocou uma batata frita em sua boca. - Ele nunca pediria a uma senhora para dançar. - Ele era um padre. - disse Orla. O homem deu de ombros. - Tecnicamente. - É apenas uma velha tradição. - disse Molly. - Foi assim durante varias gerações. Eu serei o quarto anel ao redor da lua esta noite. A Chuva, e você sabe o que isso significa? - Que você viu a previsão meteorológica? Hora de plantar as cebolas? - Não. - Falou outro homem andando. - É que você precisa encontrar três grilos de barriga para cima na sua varanda. - Você foi muito útil. - Molly revirou os olhos. - Deixe as meninas conversarem, elas têm grandes coisas para planejar. - Ela anotou nossos pedidos de bebidas e se apressou de volta a cozinha. - A festa é um grande negócio por aqui. - Erin apoiou o queixo nas mãos. Existe um festival durante todo o dia, à noite tem bancas de jogos e toda a cidade vem assistir as dança, tudo do lado de fora. Muito romântico. ou completamente deprimente. Adoro Romances em E-book 48


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- Erin não encontrou um par no ano passado. - Eu não sei por que fazer tanto barulho por isso. - disse Erin. - Eu tenho todos os anos que me estressar com este assunto, inclusive já começou a me sair varias espinhas por causa disso. - Tudo bem, meninas, o que vocês vão querer? - Molly começou a distribuir nossas bebidas sobre a mesa. - Hambúrguer. - Erin devolveu o cardápio. - Eu também. - disse Orla. Minhas boas intenções para uma salada murchou na hora, eu teria que comer ela mais tarde. - Faça três. - Pensando bem comendo toda essa comida caseira e cheia de colesterol eu teria um bom motivo para voltar a correr, caso contrario a minha saia ficaria tão apertada que seria necessário um numero maior. - Então. - disse Orla quando Molly se afastou - tem alguma ideia sobre quem você vai chamar para o baile, Finley? A alguém aqui que você se interesse?. Naquele momento vimos uma multidão subir da calçada até a porta. O primeiro a aparecer foi o Beckett seguido por mais cinco membros do elenco. Incluindo uma menina que reconheci como a sua bela colega de elenco. Beckett acenou para o homem atrás do bar. Seus olhos percorreram o salão enquanto ele cumprimentava os bons cidadãos de Abbeyglen. Então ele viu a nossa mesa. Seu olhar ficou fixo nos meus. Ele sorriu. Uma pequena e lenta curva de seus lábios. - Não. - Desviei do seu olhar me esforçando para trazer minha atenção para as meninas. Definitivamente não há ninguém aqui do meu interesse.

Depois da escola eu pulava na minha bicicleta e seguia para o local das filmagens, deslizava pelas barricadas improvisadas para manter os fãs obsessivos à distância, sabia que deveria ter ido visitar a Sra. Sweeney, mas por alguma razão eu não estava no clima para o seu assédio verbal ou seus olhares de morte. Seria muito melhor fazer isso no dia seguinte. No meio das filmagens de uma cena ao ar livre, a equipe de filmagem andava por toda a propriedade como abelhas em busca de mel e olhando para o fundo podia ver o que os atraiu para esta cidade em particular, era um castelo de pedra gigante, sentado corajosamente no prado, mas ele não era apenas uma ruína ou um pedaço de torre, embora desgastado e surrado o seu exterior era encantador, como se a qualquer momento alguém pudesse baixar a ponte levadiça para começar os eventos do dia a dia. Tinha suas falhas como algumas janelas quebradas e torres desmoronando pela ação do tempo ou do homem, não importava, eu sabia que não era nada que não pudesse ser corrigido em um bom estúdio de edição. De onde Adoro Romances em E-book 49


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estava dava para imaginar mulheres com seus grandes vestidos deslumbrantes no interior e/ou homens montados a cavalos depois de um dia de caça e/ou guerra. Membros da equipe passavam por mim como se eu fosse invisível. Foi possível observar duas mulheres com os rostos fantasmagóricos cheios de pó branco, um homem carregando uma luz e uma senhora equilibrando três cafés. Todas essas pessoas passaram e que sorte a minha, pois foi a Beatrice a primeira pessoa que tomou conhecimento da minha presença. - O que você pensa que está fazendo? - Beatrice ficou ali em um corpete justíssimo e uma saia balão que se arrastava no chão, segurando um brownie e uma Coca-Cola. Meu cérebro entrou no modo calculador e começou a calcular a gordura, as calorias e o carboidrato, dividindo pela raiz quadrada de seu desprezo desagradável. - Eu lhe fiz uma pergunta. - disse ela. Eu dei um passo para trás e outra menina se aproximou. Taylor Risdale, a rainha dos filmes de vinte e poucos anos. Ela era ainda mais bonita pessoalmente, com o seu cabelo repuxado-mel e seu corpo magro sem curvas. Sua pele era retocada a perfeição, eu não consegui encontrar um único defeito. Eu poderia odiála por esse motivo. - O que está acontecendo? - Perguntou Taylor. - Outro intruso? - Eu...hum....vim ver o Beckett. - Por que eu tinha concordado com isso? Porque eu precisava do caminhão de Beckett. - Você veio para ver Beckett, não é lindo? - Beatrice comeu um pedaço de seu brownie e meu estômago se revirou com a visão de seus lábios vermelhos mastigando. - Esta é uma propriedade particular. - disse Taylor com um pouco menos de hostilidade do que a sua prima. - Eu sei disso. - Olhei para além dela, na esperança de ver sinais de Beckett. Eu não estou aqui para persegui-lo. Eu... - Isso é o que todas dizem. - Taylor riu. - É sério, se você deixar me explicar. - Não se envergonhe ainda mais. - Beatrice balançou a cabeça como uma mãe incomodada. - Tenha um pouco de dignidade. Eu estava perdendo a paciência e também a minha coragem. - Beckett me pediu para espera-lo aqui. - Claro que sim. - Beatrice tomou um gole delicado de sua Coca-Cola. - E eu sou a rainha da Inglaterra. - Há algum problema aqui? Adoro Romances em E-book 50


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Quando vi Beckett, eu quase chorei de gratidão. Bob trotou ao lado dele com uma bola de tênis encharcado em seus dentes, eu sabia que estava salva. - Eu estou cuidando disso. - Taylor deslizou para o seu lado e colocou o braço em torno de seu bíceps. - Só mais uma fã boba. De acordo com os tabloides, os dois estavam namorando há meses, em um relacionamento que era tão volátil como era misterioso. Beckett deu as meninas um sorriso brando quando Bob abanou o rabo contra o joelho de seu mestre. - Eu convidei Finley para vir aqui. O rosto de Taylor congelou como se tivesse se sentado em um par de presas. Beckett, posso falar com você? - Mais tarde. - Ele retirou a sua mão e veio para o meu lado. - Finley é a minha nova assistente, a Maria saiu e no momento eu preciso de ajuda. - Eu não era nada em comparação com a Taylor, ela era um modelo, a deusa. Beatrice poderia ate ser bonita, mas ela não era perfeita, tinha algumas curvas e um galo em seu nariz. - Eu poderia ajudá-lo. - disse Beatrice. - Não. - A voz de Beckett era lisa como um sax alto. - Você já tem muito que fazer. Precisamos de você para o seu papel, eu não posso suportar a ideia de que tenha destruído a sua verdadeira vocação. - Mas... - Obrigada de qualquer maneira. Beckett pegou meu braço e me guiou na direção oposta. - Muito bom. - eu sussurrei. Ele olhou para baixo e sorriu. - Beatrice? Ela não é tão ruim. - Acredite, ela só é assim quando está ao seu redor, nestes momentos ela jorra charme e transborda bondade, mas é bom preveni-lo que antes de você chegar lá ela estava brotando chifres demoníacos e soltando fumaça pelo nariz. - Não se preocupe, eu tenho o número dela. - Oh, eu aposto que sim, para ser mais precisa na discagem rápida. Beckett riu e em seguida apontou para um trailer. - Esse é o meu trailer, vamos para dentro. - Se a sua próxima atitude é ficar mais confortável, devo lhe advertir que com certeza o meu pai terá o maior prazer em lhe dar um soco no nariz. - Ciara está me esperando lá dentro para retocar a minha maquiagem e se pudermos... Comecei a rir neste momento Adoro Romances em E-book 51


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- O que foi? Isso é engraçado para você? - Ele abriu a porta do trailer e Bob pulou para dentro. - Você vem com sua própria equipe de maquiagem, eu só preciso de um minuto para processar este momento. Um músculo em sua mandíbula estava saltado quando ele segurou a porta para eu entrar. - Finley, esta é Ciara um dos maquiadores. - Ele me entregou um script e se sentou na frente da mulher e sua caixa mágica de cosméticos. - Finley irá me ajudar, por isso certifique-se que ela se sinta em casa. - Bem-vinda, Finley. - Ciara parecia ter a mesma idade que a mãe de Erin, seu próprio rosto estava sem maquiagem, apenas emoldurada por uma faixa de cabelo cor cereja. Seu sorriso revelava uma falha entre os dentes da frente o que aderia bem ao seu estilo rebelde. - Ah. - Ela pegou um pincel de pó do cinto em volta da cintura. - Você sabe quem apareceu hoje? Folheei o roteiro e tentei desaparecer do círculo de sua conversa, mas observando através dos meus cílios não deixar de ver os lábios de Beckett se tornar uma linha fina e o aperto de seus dedos no braço da cadeira. - Obrigado pelo retoque. - Ele se virou para mim, com o sorriso de volta no lugar. - Página cinquenta e dois, iremos iniciar a partir do topo. Enquanto líamos a cena, eu assistia a Ciara retocar seu visual de vampiro. A maquiagem deveria ter afeminado o Beckett, mas de alguma forma isso não aconteceu, com a mão hábil, Ciara apenas afinou as suas extremidades, tornando-o ainda mais áspero. . . Perigoso. . . Rude. Sua roupa era de 1800, com o corte das calças de carvão e da jaqueta pude apreciar a criação devido aos detalhes históricos. - Lá vai você, chefe. - Ela recolheu seu material e começou a guardá-los. - Vejo você em dez minutos. - Obrigado, Ciara, agora tire uma pausa. Você ficou em pé durante o dia todo. - Eu vou ler aquele livro que você me deu. - disse ela. - Esse menino. - ela lhe deu um aperto fraterno nos ombros. - Sempre lendo livros e repassando logo após. Ele ainda sugere ser uma má pessoa. - Ciara arrastou-se para fora do trailer e o vento bateu na porta fechada, rangendo, Bob começou a rosnar para a sua bola. - Só... - Eu comecei. - Não acredite em uma palavra que ela disse. - Você lê e muitas vezes parece.... - Ela só disse isso para me fazer parecer inteligente. - Tudo bem. Ele bateu no script. - Começaremos de novo. Eu virei à página de volta para o início da cena, quando porta se abriu novamente. As orelhas de Bob se contraíram e sua cauda parou de abanar. Adoro Romances em E-book 52


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- Olá, meu filho. - Um homem que poderia ter sido gêmeo de Tom Cruise entrou. Ele tirou os óculos Ray-Ban e examinou o trailer. - E quem é você? Meus olhos se arregalaram em seu tom brusco, abri a boca para responder, mas Beckett falou antes de mim. - Esta é Finley, ela é minha assistente temporária. Finley, este é meu pai, Montgomery Rush. - Prazer em conhecê-lo. - Mr. Rush estendeu a mão e um grande diamante brilhava em um de seus dedos. – Beckett - disse ele dispensando-me. - Você soube do roteiro referente a sequencia da serie? - Sim. Mordida Noturna a sequencia. - E você leu? Beckett foi ate um frigobar e pegou duas garrafas de água, entregando uma para mim antes de abri-la por conta própria e leva-la aos lábios. - Não li ainda. - Como não, precisamos negociar, os termos que nos enviaram são inaceitáveis. Leia o roteiro. - Qual é o ponto? - Ele colocou sua água para baixo e olhou para seu pai. - Será uma versão ligeiramente alterada do filme atual. É o que aconteceu antes da atual, bem antes do seu personagem surgir no filme. E é por isso irão nos pagar uma grande quantia, é porque desta vez - seus olhos brilharam como o Natal eles vão pagar em dobro e eu já tenho tudo planejado. Beckett estalou os dedos para Bob e então abriu a porta encarando o céu nublado. - Estou certo que você tem.

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Capítulo oito

    bicicleta 

Café da manhã: uva e chá com açúcar ou creme Almoço: sopa e uma maçã Total de Calorias diárias: 425 Total de exercício necessário: duas milhas de Dias restantes para a audição: 40

Como herança de família, eu sofria de disfunção alimentar e até o momento não conheci ninguém que não tivesse. Agasalhada contra o vento na hora do almoço, fomos para a área externa da escola com as meninas e fiquei sentada pensando sobre o estranho dialogo do dia anterior entre Beckett e seu pai. Eu já tinha lido que seu pai era o seu empresário gerente e comandava com mãos de ferro a sua carreira, aparentemente essa era a sua fórmula de sucesso, caso contrário oWalmart não teria o boneco do Steele Markov em suas prateleiras e também adolescentes não iriam como rebanhos enlouquecidos para verem a meia-noite, à estreia de seus filmes. - Você não gostou da sua sopa? - Erin levou sua colher à boca e olhou para a garrafa térmica mal tocada que a sua mãe tinha feito para mim. - Ainda está quente e você deve saber que alguns legumes fornecem poderosos antioxidantes que podem retardar o processo de envelhecimento, eu fiquei lendo este artigo fascinante ontem. - Biscoitos. - Orla colocou um cookie em sua boca. - Aproveite e torne-se o médico que irá descobrir como obter antioxidantes em um biscoito. - Está muito bom. - eu disse. - Acho que não estou com fome hoje. - Com certeza foi o stress de ontem, o meu psicólogo sempre falava que quando esses sentimentos começassem a surgir era para pegar o meu verso favorito e ficar repetindo em voz alta ou na minha cabeça, o que na maior parte das vezes acabava me deixando ainda mais doente, quantas e quantas vezes eu apenas desejei nestes momentos que Deus passasse por aqui e me levasse com ele ate as nuvens. Vocês já viram isso? - Peguei a minha mochila, tirei de dentro o diário de meu irmão e fui direito para a última página. - Esta cruz? Orla foi quem primeiro olhou. - Eles estão por toda parte neste país. - Você precisa encontrar esta daí? - perguntou Erin. Eu rapidamente expliquei as minhas razões. - Eu não consigo terminar a minha música, sem visita-la e sem esta música, irei estragar mais uma vez a audição marcada no Conservatório de Nova Iorque. - Cruz e credo. - Orla olhou por cima do meu ombro. - Lá vem a Beatrice. Adoro Romances em E-book 54


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A abelha rainha e suas duas damas de companhia vieram até a nossa mesa. Olá, meninas. O que há de novo no seu pequeno mundo? - Nós estamos conversando sobre música - disse Orla. - Na verdade sobre música e sopa. Beatrice bateu suas longas unhas na mesa e começou a me fitar com seus olhos castanhos escuros. - O que exatamente você pensou que estava fazendo no set ontem? Sem pressa para responder, agitei minha a colher na minha garrafa térmica e assisti algumas cenouras e batatas balançarem no caldo. - Trabalhando? Ela colocou uma das mãos em seu quadril. - Eu sei o que você está fazendo e francamente é patético. - Que fora, hein Beatrice. - disse Orla. - Você esta louca porque o Beckett escolheu a Finley e não você. Beatrice ignorou o comentário e continuou a me olhar. - Se você acha que ele gosta de você está ficando louca, ele nunca sairia com uma pessoa igual a você, ele só se relaciona com as atrizes. - É apenas um trabalho e não uma oportunidade para namorar, eu não quero ser parte do seu currículo, só concordei em ser sua assistente porque ele irá me ajudar. com um projeto. - Isso é tudo o que ela precisava saber, pois eu não daria mais nenhum detalhe. A ansiedade girou como um ciclone dentro de mim e a comida de repente tornou-se uma massa sólida no meu estômago, empurrei a garrafa para tirá-la de vista, pois ao olha-la comecei a visualizar apenas minhocas e pedaços gordurosos de carne de algum pobre animal sacrificado. Em todas as coisas do mundo serei mais do que vitoriosa se crer naquele que me ama. Em todas as coisas do mundo serei mais do que vitoriosa se crer naquele que me ama. Em todas as coisas do mundo serei... - Oh, eu aposto que ele está ajudando a você. - O lábio superior de Beatrice se curvou. - Basta olhar a si mesmo, o mundo do cinema é apenas para privilegiados que podem ao mesmo tempo compreende-lo e suporta-lo. Orla mordeu uma maçã. - Você fez apenas uma participação num filme e um comercial de meias. Beatrice ergueu o queixo pontudo. - Eu odiaria que você... saísse machucada ou se metesse em encrencas, tendo assim que acabar com a sua curta estadia em Abbeyglen. Isso seria terrível. - O sorriso dela fez minhas entranhas enrolarem. Estou apenas olhando por você como uma amiga faria e sendo a filha do diretor, esta é uma das minhas obrigações. - Ela começou a se afastar com seus dois guarda-costas, que de vez em quando lançavam olhares negros sobre os seus ombros ossudos. Adoro Romances em E-book 55


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- Isso foi uma ameaça? - Perguntou Orla. - Eu não gosto disso. - Beatrice só é insegura. - disse Erin. - Ela está achando que tem uma chance de entrar no círculo íntimo de Beckett e Finley tornou-se uma ameaça inesperada, alem do fato de que você está saindo com a gente e não com ela tonar isso ainda pior. - É realmente só um trabalho. - Eu torci a tampa da minha garrafa térmica. A Irlanda deveria ser o lugar onde finalmente encontraria a paz. Deus, por que então estou sentindo que faço parte de uma novela ruim? - Você não tem que se preocupar. - Orla apontou para a minha sopa. - Você vai comer isso? - Não. - Posso ficar com ela? - Sim. - Então empurrei para ela. - Eu acho que perdi o meu apetite.

Depois da escola, subi na minha bicicleta e pedalei para longe do Sagrado Coração de Jesus, rumo a Rosemore, lar de idosos. Talvez tivesse visitado a Sra. Sweeney em um dia ruim, provavelmente ela não se sentisse bem naquele dia e por isso estava ranzinza. Deus me ajude a passar por esta aprovação, porque eu não tenho nada para oferecer a alguém que está nos seus últimos estágios de vida, nem mesmo queria estar próximo a ele neste momento, mas, por favor. . . Ajude-me. Andando pelo corredor sem parar cheguei a acenar para Belinda a enfermeirachefe e ainda sorri para a mulher idosa na cadeira de rodas no meio do lobby, com determinação segui o piso de linóleo do salão C. É a ala da Sra. Sweeney. Parei na frente do quarto 12, bati na porta e em seguida olhei para dentro. - Olá? Ela olhou para mim de sua cama. - Pode entrar. Eu entrei. - Eu acho que tivemos um início muito ruim, minha senhora. - Não me faça sair desta cama, criança. Engoli em seco e continuei andando cada vez mais próxima do ninho do dragão. - Meu nome é Finley Sinclair. E eu quero ser sua amiga.

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Ela olhou para mim como se tivesse acabado de lhe oferecer um passeio no deserto. - Eu não tenho energia para lidar com você hoje, então estou lhe pedindo para deixar o meu quarto! - Eu não posso fazer isso, Sra. Sweeney. - Eu avancei mais. - Você e eu vamos passear um pouco e também trouxe um livro para você. - Eu retirei Orgulho e Preconceito da minha bolsa. - Eu não gosto de ler. Relaxei os meus músculos. - Bem, isso não é problema, irei ler para você. - Você se acha melhor do que uma televisão? - Ela jogou a cabeça para trás e deu uma risada frágil. - Pelo menos eu posso pressionar o botão mudo da TV quando quero silencio. - A senhora provavelmente acha que isso é engraçado, não é? - Eu acho que de alguma forma eu mereço isso. - Você já leu Orgulho e Preconceito? - Não. - Ela retrucou. - Nunca tive tempo para esses contos românticos. Sentei-me na cadeira ao lado dela, em seguida movimentei um pouco em direção à porta apenas no caso de precisar fazer uma saída precipitada, vai que ela resolve que deveria comer crianças. - É um grande livro. - Na verdade eu não tinha lido, mas percebi que todo mundo havia, então chegou a minha hora, a minha intuição é que seria como a Carta Magna para as meninas. - Eu não quero ouvir isso. - Sra. Sweeney virou a cabeça e olhou para a parede. - Eu não te conheço e certamente não quero ficar ouvindo a sua voz tagarelando nos meus ouvidos. - Eu me apresentei a você, não se lembra de que eu sou da escola e... - Jovem, eu não tenho muito tempo de vida. - A Sra. Sweeney falou cada palavra como um tiro. - E não quero passar o pouco que resta com pessoas que transbordam saúde! Então era isso. - Você sabe o quê faço aqui? Estou aqui para espalhar a droga de um pouco de bondade e luz e não posso fazer isso com você gritando comigo! - Olhos injetados olharam para onde estava, sabia que poderia lhe causar um ataque de coração, mas não conseguia parar. - Eu estou até aqui com a morte e acha que estou contente com este projeto? Você! Não é uma idosa doce e também não é uma idosa que gosta de contar histórias. Você! Sra. Sweeney cruzou os braços ossudos sobre o seu peito magro e bufou. Agora, é você que precisa de mim. Adoro Romances em E-book 57


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Eu fui em direção a sua cama. - Realmente eu preciso obter as minhas horas de prestação de serviço, então seremos amigas quer você goste ou não. - Eu vou chamar a enfermeira. - Ela pegou o botão. - Eu pago muito dinheiro para estudar naquele lugar e nem sequer consigo me sentir segura. Sua respiração estava ofegante e comecei a sentir uma pontada de culpa. - Se é assim que os jovens se comportam hoje em dia, então o mundo inteiro está condenado, condenado em minha opinião! - Eu não irei embora e sei que não é correto tratar os mais velhos desta maneira. - Recuei para a cadeira, empurrando-a em direção a sua cama alguns centímetros, em seguida abri o livro. - É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma boa fortuna deve sempre estar à procura de uma esposa. - Gibberish. - A Sra. Sweeney segurava os seus dedos ossudos sobre as orelhas. - Você está falando bobagem e cadê a enfermeira? A porta se abriu e a enfermeira Belinda correu para dentro. - É melhor que esteja realmente precisando de mim. Sra. Sweeney respirou fundo duas vezes e novamente reconsiderei a minha postura. - Esta moça aqui não quer sair, ela tomou conta do meu quarto, invadindo a minha privacidade, eu quero que ela saia agora. - Você fez isso, invadiu a privacidade dela sem sua permissão? Eu segurava o livro contra o peito e falei. - Sim. - E você se recusou a sair depois que a Sra. Sweeney pediu para ir embora? Meu pulso batia freneticamente. - Sim. Belinda balançou a cabeça e em seguida sorriu. - Isso é ótimo para você. - Ela me deu um tapinha nas costas e riu. - Agora sim isso é o que eu gosto de ver. Cathleen, você pode gritar o quanto quiser, mas Finley é bem-vinda para ficar em seu quarto. Na verdade, eu estou prescrevendo.... - Você não pode prescrever nada. - disse a Sra. Sweeney. - Você não é médica com certeza não pode fazer. - Então vou escrever como uma recomendação e agora senhoras tenham um bom dia. - Assobiando para si mesma, Belinda saiu fechando suavemente a porta atrás dela. Com os lábios apertados o suficiente para fechar objetos a vácuo, a Sra.Sweeney olhava para mim de sua cama. Na parede havia um relógio que Adoro Romances em E-book 58


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marcava o tempo, nos lembrando de que ele estava se esvaindo, não somente naquele dia, mas em nossas vidas também. - Se serve de consolo. - eu disse depois de um momento. - Eu também não estou me sentindo muito bem com esta situação. - Aqueles olhos de águia nem sequer piscaram. - Eu... hum... Sinto muito, não consigo lidar bem com o stress. Ela pigarreou e se remexeu nos travesseiros. - Traga-me um copo de água. Pelo menos ela estava começando a me aceitar. - Sim, senhora. Fui até a mesa ao lado de sua cama e encontrei um jarro cor de rosa com seu último nome escrito nele com letras apressadas e irregulares. Ela pegou o copo da minha mão, e levou aos seus lábios rachados e cinzentos. Voltei para o meu lugar e abri o livro. - É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma boa fortuna deve sempre estar à procura de uma esposa. - E como os segundos estendiam-se como caramelo quente, eu li durante os 30 minutos mais longos da minha vida. No momento em que eu coloquei um marcador entre as páginas e fechei o livro olhei para a Sra. Sweeney, ela estava inclinada em um ângulo engraçado e roncava mais alto do que um homem de quatrocentos quilos. Coloquei o livro na minha bolsa e levantei da cadeira, fui andando na ponta dos pés em direção à porta. - Consiga um livro melhor. - Eu congelei com a minha mão na maçaneta. A Sra. Sweeney abriu os olhos que estavam inchados e com pálpebras pesadas. - Eu falei serio consiga um livro melhor, este aí é bobagem absoluta, apenas uma menina imbecil correndo atrás de um garoto idiota? Eu não quero mais ter que ouvi-lo. Eu virei minha cabeça até que poderia cobrir o meu sorriso. - Sim, Sra. Sweeney. - Eu não poderia estar mais de acordo. - Existe algum outro clássico que você gostaria de ouvir em vez deste? - Eu diria que sim. - ela disse enquanto abria a porta. - Traga-me alguma coisa escrita por aquele cara, Stephen King.

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Capítulo nove

STEELE MARKOV Estou preso. Neste corpo de vampiro. Em um mundo que não me entende Eu não quero a imortalidade. . . Eu quero a minha liberdade. - Presas da noite, cena 5, página 24 Fierce Brothers Studios

Quando chegar ao céu um dia, irei perguntar a Deus como é possível que o tempo passe mais rápido nos fins de semana do que nos dias de aula. O sábado e o domingo voaram, ajudei a família com os seus convidados do scrapbooking, fiz minha lição de casa, teclei com meus pais, falei com o meu irmão Alex e sua esposa Lucy e então li um pouco mais do diário de Will. Sentado na sala de música na segunda-feira antes de iniciar as aulas peguei um recorte de jornal e deixei meus olhos memorizarem todos os detalhes daquela imagem, apesar de estar meio embaçada, ela capturava uma cidade onde tinha casas pintadas em cores azuis e encharcadas do sol da manhã, estavam cercadas por uma grama que era tão verde como se fadas retocassem suas cores todas as noites enquanto as pessoas dormiam. Sob a foto escrito com a letra infantil de Will tinha um versículo dos Salmos. Senhor, Tu és a minha lâmpada, o meu Deus, ilumina as minhas trevas. Eu conhecia a escuridão. Não era a escuridão do céu sombrio fora das janelas do meu quarto e nem aquela feita da sombra de uma nuvem que me seguia a cada minuto do dia. A minha escuridão era uma voz que me sussurrava que nunca iria conseguir terminar esta música, que nunca se fecharia os buracos em minha alma e nunca conseguiria refazer os passos do meu irmão. Descansei o livro no meu colo e olhei em volta, à medida que estou sozinha em um ambiente sempre deixo os meus ouvidos abertos para o som do espaço, como o zumbido das luzes acima, o silenciador da carro lá fora, os pássaro cantando ao longe na garoa. Deus, onde estás? Nenhuma resposta. Eu fechei meus olhos e tentei mais uma vez. Oi, Deus, sou eu... O que é preciso para ter alguma atenção sua? Eu tenho tantas coisas para dizer, mas eu não encontro as palavras certas, é como se você fosse um abridor de latas e houvesse retirado à tampa de meu coração e depois o deixou sozinho sangrando. Por que está tão calado? Porque me deixou sozinha neste momento de dó. Adoro Romances em E-book 60


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- Dormindo ou orando? Virei à cabeça e encontrei a irmã Maria andando em minha direção. Seu rosto enrugado tinha um brilho rosado que para qualquer outra mulher só poderia vir de um blush Sephora, mas eu não duvidava que uma irmã usasse uma maquiagem. Suas calças cáqui estavam perfeitamente passadas e a sua blusa do uniforme estava ordenadamente dentro do cós de elástico. Quando ela deslizou na cadeira ao meu lado, eu pude ver o brilho dos seus olhos como se ela fosse me contar uma piada inteligente. - Eu... hum... Pensei que poderia ter um pouco de tempo com Deus antes de começar a aula. - Isso me fez soar tão madura, tão pura, neste momento não importava que apenas um de nós tivesse aparecido em nossa reunião divina. Irmã Maria olhou para frente com um grande sorriso pressionando as suas bochechas redondas. - É um bom lugar para se sentar e pensar, eu venho aqui de vez enquando para ficar um pouco sozinha. - Depois continuou. - E também tem uma acústica boa, descobri que é o melhor lugar para praticar minhas músicas dos Beatles, eu canto a parte de Paul, é claro. Meu tom é quase perfeito em 'Let It Be'. O truque é ficar longe de laticínios, pois obstruem a garganta. - Ela dirigiu seu foco em mim. - Mas agora estávamos falando sobre você. - Nós estávamos? - Eu creio que lhe dei algum trabalho de casa. Como foi? - Meu teclado foi entregue ontem, pratiquei durante três horas na noite passada. - Não foi este tipo de lição de casa que passei. - Oh. - Abracei minha mochila e descansei meu queixo no topo. - Eu fui para os penhascos de Moher. - Boa menina. E? - E isso é tudo. - E o que você viu? - Os penhascos. - Minha mente me levou de volta ao lugar e quase podia sentir o estreitamento do ar no meu rosto. - Os pássaros, o oceano abaixo de nós. - Isso é o básico, mas o que você realmente viu? - Irmã Maria esperou minha resposta com um olhar no rosto que me fez querer falar a coisa certa. - Eu acho... - Essa coisa de procurar o “eu” profundamente era como vasculhar um pudim. - Eu vi o que meu irmão viu quando ele esteve aqui há muito tempo atrás, poderíamos ter ficado parado no mesmo ponto, assistido as mesmas ondas e subido as mesmas rochas. Meu irmão disse que quando visitou aquele lugar, lembrou-se de um versículo da bíblia que falava sobre a fidelidade de Deus chegar até o céu. Adoro Romances em E-book 61


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- Hmm. - Seus lábios ficaram franzidos enquanto ela considerava isso. - E você conseguiu sentir que Deus existe? Conseguiu ouvi-lo? Dei uma leve risada. - Deus não esta exatamente a fim de sair comigo nestes dias. - Ele anda ocupado. - Ela riu e me deu uma cotovelada. - Ele fica com uma Irmã Maria Theresa de cada vez, é natural que ele esteja ocupado, não que tenha escutado isso de mim. Isso foi uma brincadeira. - Seu rosto se esticou de repente em uma máscara de seriedade. - Finley, você simplesmente deve continuar orando. Como se já não estivesse? Bem, pelo menos levemente. - Mas ele não está ouvindo. - Oh, ele está ouvindo tudo bem. - Não está, confie em mim. - Eu ergui meu queixo para cima onde um teto bloqueava a minha visão do céu e de Deus. - Não ouvi um pio dele em mais de um ano. - Assim, você acha que a linha entre vocês está bloqueada, às vezes quando estamos com uma má comunicação não sabemos se é a nossa linha ou a linha do receptor. - Ela colocou algumas composições na estante. - Difícil dizer quando a tanta interferência com o sinal nestes dias. - Ela colocou mais composições na estante. - Eu acredito que Deus falou com você nas falésias. - Sua mão pousou sobre o topo da minha cabeça. - Mas talvez você não estivesse realmente escutando.

Do meu lugar, no set de filmagem, eu assistia a Beckett ficar em uma árvore a 30 metros acima de nós, ligado por uma série de cabos. Vi também a Taylor Risdale usando um vestido de seda cranberry, com uma cintura tão fina que não passaria em uma das minhas pernas, agitando um leque chinês. O diretor pegou o megafone e gritou. "E.ação! Beckett voou pelo ar, os cabelos balançando ao vento e sua camisa branca desabotoada ondulando enquanto ele passava pela floresta como um príncipe nobre apesar dos dentes muito afiados. - Eles vão usar a tecnologia para fazer os cabos desaparecerem. - Mr. Rush estava ao meu lado, com um olho em seu filho e o outro em seu BlackBerry. - Parece assustador. - falei. - Eles são muito cuidadosos e os efeitos especiais já percorreram um longo caminho desde quando eu deixei de atuar. - Eu acho que muitas coisas mudaram desde então. - Apenas algumas coisas, é ainda um jogo de sobrevivência. - Ele abaixou o telefone. - Eu espero que você não tenha ideias sobre meu filho, espero que entenda o que estou dizendo? Adoro Romances em E-book 62


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Por que todo mundo diz isso para mim? Será que eu tenho um olhar desesperado? - Eu só estou aqui para ajudar. - Você parece ser uma garota legal e espero que você não tenha muitas esperanças, pois vejo isso o tempo todo, várias meninas se jogando para ele. - Ele riu. - Eu me lembro daqueles dias de loucura. - Então você gerencia sua carreira e sua vida amorosa?- Será que eu realmente disse isso? - Não se engane. - Ele me deu toda a sua atenção. - Sua vida amorosa e a sua carreira é a mesma coisa. Dez minutos depois, Beckett se juntou a nós limpando o suor de sua têmpora, embora não estivesse muito quente.- Pai. - Beckett acenou com a cabeça para seu pai, em seguida concedeu um sorriso para mim. - Olá, Frances. Garoto insolente. - Aqui está a sua água. - Nossos dedos se tocaram quando entreguei a garrafa e uma eletricidade subiu no meu braço. Ah não, isso não pode acontecer, eu não estou atraída por ele. Tinha que pensar em algo rápido para me distrair de seus ardentes olhares e também da imagem da sua camisa. Por favor, ela até poderia ser elegante em 1800, mas agora os únicos homens que usavam camisas de babados também tinham uma coleção de sapatos de salto e bolsas para combinar. E o seu cabelo, com certeza ele precisa de um corte. E as suas calças? Oh. Quem eu estava enganando? Beckett era tão masculino como picapes e testosterona. - Este café está frio. - Mr. Rush parou uma assistente que estava passando. Eu ficaria para sempre em dívida com você, se me pegasse outro café, por favor. Com creme de leite e duas colheres de açúcar. - Ele deu-lhe um sorriso e vi onde Beckett conseguiu o seu charme. - Obrigado, querida. - Essas pessoas não trabalham para você, Pai. - Beckett massageou os músculos de seu pescoço. - Se eles trabalham para você também trabalham para mim. Agora, sobre esse contrato... - Depois, Finley e eu estamos indo ensaiar. Mr. Rush me estudou mais uma vez e pela expressão em seu rosto poderia afirmar que não havia passado em seu teste. - Eu vou junto, gostaria de falar com você agora. - Eu estou trabalhando. Um riso familiar me fez gemer. - Pai? Você disse pai? - Beatrice dançou ate onde estávamos com um sorriso predatório em seus lábios. - Você é o famoso Mr. Rush?

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Montgomery Rush se preparou para dar a Beatrice o seu famoso sorriso. - Meu filho é o famoso. - Como vai o senhor? - Sua voz tornou-se melosa como a de Marilyn Monroe. Como assim? não foi você quem construiu a carreira de Beckett, apoiando-o desde que ele era apenas um garoto com um sonho? Positivamente inspiradora. - Nunca houve qualquer escolha. - Mr. Rush olhou para seu filho como se estivesse avaliando suas medidas. - Ele começou a atuar muito jovem, ainda menino e a única coisa que podia fazer era movê-lo para Los Angeles e nutrir o seu sonho. A mandíbula de Beckett estava cerrada. - Eu não me lembro de ter dito a você que queria ser ator. - É claro que você falou. “Pai eu quero estar ator”. Isso é exatamente o que você me disse. - Eu tinha seis anos naquela época, também queria ser um astronauta e um cowboy. - Meu Deus, ele já era especial naquela época, um orgulho. - Mr. Rush pousou a mão nas costas de seu filho. - Ainda é e continuará a ser por muitos anos. - Você é um pai maravilhoso Mr. Rush. - Beatrice murmurou. - E o seu filho tem sido assim, útil para mim no set. - Seus olhos víbora se concentraram em mim. - Ele esta indo além, para fazer sentir-me em casa. Meu temperamento estava em ponto de explosão, mas não era por ciúmes, definitivamente não era. Eu simplesmente queria Beatrice fora da minha vista, apenas removida da minha presença, na verdade gostaria que ela estivesse em outro planeta. - Beckett, deixe-me saber quando você estiver pronto para repassar o roteiro. - Eu disse. - Eu vou pegar algo para comer da mesa do Buffet. - Eu vou acompanhá-la. - Seus dedos circularam o meu braço e por um segundo eu tive um flash do braço cativante de Taylor. Ossuda. Quase tão fino como o meu pulso. O que ele sentiu quando segurou a minha? E a minha gordura do braço? Flácido? De repente, um lanche já não estava mais nos meus planos. - Eu vou falar com o seu diretor. - disse Rush. - Prazer em conhecê-la... - Beatrice. - Ela olhou para mim antes de colocar seu sorriso bonito novamente. - Eu tenho certeza que vou vê-lo por perto. Retirei o meu braço das garras de Beckett e caminhei até a área que abrigava a comida. Duas mesas debaixo de uma barraca coberta de coisas que eram fáceis de ser ingeridas em movimento como: Sanduíches, frutas, batatas fritas, bolos, barras de granola, doces. Tudo disponível, peguei um bolinho de açúcar e observei o açúcar deixar um rastro de cristal em meus dedos, meus dentes afundaram na primeira mordida e meu paladar cantou uma musica em agradecimento. - Muitos lanches para se escolher - disse eu, quando Beckett entrou e pegou uma barra de proteína. Adoro Romances em E-book 64


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- É uma armadilha. - Ele rasgou o invólucro. - Isso atrai você e então a próxima coisa que você sabe é que não pode mais fechar o botão de sua calça. Engoli a mordida que havia dado no doce, sentindo a lenta descida pela minha garganta e desejei poder coloca-la para fora, como não era possível passei a desejar que a gordura não se multiplique nas minhas células. Deixando o resto do doce de lado peguei uma Coca-Cola Diet para compensar, Beckett pegou outra água de um refrigerador, em seguida sentou ao meu lado, deixando apenas alguns centímetros entre nós. - Eu não estou saindo com a Beatrice. Coloquei o doce em um guardanapo e deixei-o desmoronar na minha mão. - Eu não perguntei nada. - Eu sei. - Seu suspiro estava cansado. - Eu só. Eu não preciso que esse tipo de rumor se espalhe... Que eu estou perseguindo meninas do Sagrado Coração. E gostar de mim. - Eu estou aqui apenas para ser a sua assistente e como pagamento receberei um passeio por toda a Irlanda. É só isso. Além de... - Ele bateu na manga da sua camisa branca. - Todos nós sabemos a sua reputação. - Finley, eu... - Ele fechou a boca. - Sim? - Nada. - Ele rasgou a embalagem da sua barra de proteína e jogou-a sobre a mesa. - Esqueça isso. - Beckett. - Montgomery Rush levantou o seu BlackBerry enquanto caminhava em nossa direção. - Será que você viu a manchete de ontem no E!, na verdade a manchete principal? - Eu vou olhar mais tarde, vamos Finley. Seu pai começou a ler a matéria em voz alta no seu telefone. “Beckett Rush foi visto em Londres no sábado passado. O garoto de Hollywood teria marcado três encontros com três meninas diferentes no La Trattoria... Tudo ao longo de seis horas. Duas das meninas descobriram a duplicidade e uma briga começou. Taylor Risdale terminou saindo fora antes das lutas iniciarem. O empresário de Beckett não pôde ser contatado para comentar o assunto. - Mr. Rush riu. - Você sabe o que isso significa né? - Isso significa que mais uma vez o meu nome está na lixeira. - Na verdade que suas vendas de DVD irão subir pelo menos 5%. - Mr. Rush sorriu e olhou para mim para fazer uma celebração estranha. - Isso não é ótimo? - Com certeza. - Eu olhei para Beckett e lembrei a sensação de ficar ao lado dele em cima das falésias. O cara era um grande jogador e eu não ia esquecer este detalhe. Adoro Romances em E-book 65


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Capítulo dez

O ar aqui parece mais limpo, as cores mais nítidas, minha cabeça. . . Mais silenciosa. É como se realmente pudesse ouvir os meus pensamentos... Ouvir a voz de Deus.....E isso geralmente é uma coisa muito boa. . . —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

Neste momento estou me preparando para testar um novo bolinho caseiro que será de banana com framboesa criada pelo pai de Erin. Enquanto passava ao redor da mesa de jantar uma cesta com a novidade, ele nos fitava com uma expressão nervosa ainda usando um avental que dizia "Eu doei grandes armas em troca de novos pãezinhos". - E então? - É muito bom papai - disse Erin. Liam falou com a boca cheia de bolinho - É o meu favorito. - Isso é o que você disse sobre o de chocolate na semana passada. - disse Sean. Erin pegou a manteiga. - E a mesma coisa com o de morango antes disso. - É, o meu pai tem culpa de superar a si mesmo? Ele é um gênio. - Não deixe de comer o seu jantar. - A mãe de Erin passou o prato de peixe ao redor da mesa. - Finley, como você está indo na escola? - Estou gostando dela, até agora a maioria das meninas tem sido muito legal comigo. - Eu cortei o bacalhau com força, em pedaços minúsculos devido ao acumulo de tensão do dia inteiro, a minha mente mais parecia com um bale esfarrapado de tanto girar e se retorcer, tudo graças a minha música, minha audição, o projeto de Inglês, Beatrice e Beckett, e pensar que tinha achado que este programa de intercâmbio seria como uma grande férias. Erin mordeu uma batata frita ou como ela chamava um chip. - Beatrice esta sendo brutal com a Finley. - Sério? - Nora perguntou com o rosto cheio de preocupação. - Estou muito feliz que você finalmente conseguiu se afastar dela Erin, ignora-la, meninas.

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Liam empurrou as mangas. - Eu vou cuidar disso se você me quiser, ás vezes essas coisas que só precisam de um homem para entrar em cena." - Isso não é realmente necessário. - Eu coloquei ketchup na minha batata enquanto abria um sorriso. - Além disso, eu conheço o tipo dela, ela vai se esquecer de mim assim que tiver um novo alvo. - Esperava que isso acontecesse o mais breve possível, já estava sem energia para lidar com ela. - Não gosta da comida? - Nora apontou para o meu prato. - Você quer que lhe faça outra coisa? - Não, está muito gostoso. - Eu engoli um pedaço de peixe e senti escoar a gordura sobre a minha língua, peguei um copo de água e bebi forçando o peixe descer pela minha garganta e logo em seguida comecei sentir a minha inquietação crescente. Eu me sentia oprimida. Tudo fora de lugar. Eu não podia explicar, mas tudo estava fora do lugar, sentia tudo rodando.· Cabeças se viraram quando uma batida veio da porta que dava para a sala de jantar dos hospedes e Beckett entrou - Bem-vindo! - Nora levantou-se e foi para o balcão. - Eu ia pegar um prato para você. Estou tão feliz que você possa se juntar a nós neste momento. - Tem certeza que você não se importa? - Não! - disse a família O'Callaghan inteira. Erin apenas ficou com seu olhar vidrado como se estivesse em transe ou chocada. - Olá. - Sean puxou outra cadeira para a mesa e ficamos tão espremidos que não poderia passar um pano de prato entre nós, meu joelho tocou o de Beckett quando ele se sentou ao meu lado e pude observa-lo olhando para mim com o canto dos olhos e sorrindo. Nora colocou um prato em sua frente. - Seu pai não quer se juntar a nós? - Não foi possível, ele tinha reuniões esta noite. - É uma pena que não tenha outro quarto para ele ficar aqui. - disse Nora. - Ele está bem alojado com o resto da equipe? Beckett se serviu de um pouco de peixe e batatas fritas. - Eles têm em um grande hotel, que fica cerca de trinta minutos da rodovia principal, com as muitas regalias que meu pai exige. - E por que você não ficou com ele? - Eu não pude deixar de perguntar. - E perder isso aqui? - Ele deu uma mordida no peixe e seus olhos giravam de tanta felicidade. - O céu. A mãe de Erin riu. - Pare com isso. Adoro Romances em E-book 68


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- Mas é verdade. - Conte-nos como o filme vai indo. - pediu Sean. - Eu sei que a Erin está morrendo de vontade de saber tudo sobre ele. Certo? - Hum. - Sua boca abria e fechava como um peixinho. - Sim. Sim, eu gostaria. Essa resposta tinha sido realmente compreensível, achei um grande progresso, logo mais ela seria capaz de articular mais algumas sílabas e voltar a olhar normalmente. Beckett falou sobre seu filme apenas por alguns minutos, depois se inclinou para trás e começou a fazer perguntas sobre a família. Ele perguntou a Sean sobre o funcionamento de uma hospedaria e sobre as refeições, ate mesmo ouviu atentamente quando Sean disse a ele sobre dois banheiros transbordando no segundo andar. Depois de interrogar Nora sobre o seu dia, ele discutiu jogos de vídeo com Liam. Quando o prato de Beckett foi limpo, Nora trouxe o café e torta de maçã para a sobremesa, logo em meio ao barulho de xícaras nos pires e garfos nos pratos a sala estava cheia de histórias e risadas. Sentada eu observava como a família sorriam uns para os outros, quando um terminava a frase do outro, como se caçoavam, e isso me fez pensar na minha família, a forma como éramos... Antes da mudança......Antes se termos um a menos. Deus isso é tão injusto. Por que você acabou com a minha família? Por que levou o meu irmão? Por que não um condenado ao corredor da morte? Algum agressor de criança que merecia a morte. Meu irmão era bom. Ele era gentil. Ele viveu todos os dias para você. E para quê? Eu pressionei meu guardanapo aos lábios, em seguida coloquei-o na mesa. Acho que vou dar uma voltinha enquanto ainda há luz lá fora. - Olhe a ruína na propriedade. - Erin mencionou. Eu sorri para os pais de Erin. - Irei andar para perder um pouco dessa incrível sobremesa. - Você gostaria de alguém para ir com você? - perguntou Nora. - Não, obrigada, não irei demorar muito. - Eu agarrei o meu casaco do pino perto da porta e fui para fora. O céu cinzento ameaçava uma tempestade e pelo cheiro de terra e de umidade sabia que não iria demorar muito a chegar. Coloquei meus fones de ouvido e programei para começar a minha própria canção no iPod. Mal havia saído do quintal quando percebi um Labrador familiar correndo ao meu lado. -Vá para casa Bob. - Seus olhos verdes com alma olhavam para mim como se estivesse me mandando conforto e amor. O mundo de um cachorro era tão simples. Coçando a sua cabeça falei - Você tem que voltar para trás, Beckett vai pensar que eu o raptei. - É isso mesmo que ele ira pensar. - Beckett caminhou em nossa direção com sua jaqueta marrom, as mãos enfiadas nos bolsos e um boné de beisebol na cabeça. - Bob, não confie nessa garota, ela parece inocente, mas sabemos o tipo dela.

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Desliguei a música. - Tenho certeza que você pensaria, é igual ao que escrevem de você. Ele colocou a mão seu coração. - Outro insulto vindo de seus lábios doces. Você é assim com todos os caras ou... ou apenas com os astros encrenqueiros? Seu sorriso ia desaparecendo enquanto caminhava ao meu lado até a entrada da garagem. - Por que você saiu? - Eu apenas queria andar. - Você estava sentada lá como se você tivesse acabado de perder seu melhor amigo. - Reação atrasada pela mudança do fuso horário. - Sério? - Ele diminuiu seus passos e me observou. - Interessante. - Volte para dentro Beckett. - Eu a contratei para ser minha assistente, então se alguém vai ficar dando ordens aqui, este alguém serei eu. - Estou fora do horário de trabalho. - chutei uma pedra com o meu sapato. - vá se encontrar com uma de suas fãs. - E acabar com essa conversa fascinante? - Ele jogou um pedaço de pau para Bob e ficamos assistindo a corrida do cão e depois seu retorno para continuar brincando. Voltei minha atenção para o dono de Bob. - Por que você fica na hospedaria? - Porque eles cozinham bem. - Era verdade, mas acho que deveria ser por outra razão. - Então, onde será o nosso próximo ponto turístico? - ele perguntou. - Eles não são apenas paradas turísticas. - Para mim era mais do que isso, eram como um mapa feito pelo meu irmão anos atrás, a minha longitude e latitude de harmonia para com ele. - Eu não sei para onde iremos agora, estive muito ocupada com trabalhos escolares e treinando musica para pensar sobre isso. - O vento da noite soprou e fez com que me encolhesse mais profundamente em meu casaco, as meninas da Carolina do Sul não estavam acostumadas às baixas temperaturas em setembro. - Qual a sensação de ir para a escola? Parei com a visão de algumas flores silvestres ao longo do lado da estrada e chegou a pegar uma. - Escola? - Eu dei de ombros. - Agitada... Ocupada... Barulhenta. Você vai a um monte de aulas e aprende um monte de coisas que você não se importa e provavelmente nunca vai usar, começa a orar pela manhã para que o tempo voe e chegue logo o almoço para ver seus amigos, se irrita com a suas notas e deseja com todas as suas forças um duplo bloco da aula de Inglês ou de tempo na sala de estudo porque o resto é apenas cansativo. Adoro Romances em E-book 70


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Seus lábios se espalharam em um sorriso. - Soa grandioso. - Certo. - Não, o que eu quero dizer é que você tem sorte. - Desmaiei na dissecação de um porco no ano passado, bati minha cabeça e tive que usar um band-aid gigante na minha testa durante uma semana. Ele pegou a flor da minha mão e minha pele começou a formigar onde seus dedos tocaram os meus. - Mas você tem essas memórias. - E você não? - Sua voz era neutra como se ele tivesse falando sobre algo banal, mas a tristeza em seus olhos dizia outra coisa. - Vocês não possuem uma escola no set? Ele balançou a cabeça. - Geralmente junta-se alguns atores mirins e contratase um tutor. Eu me formei no ano passado. - Então sem uma turma, sem baile e sem aula de ginástica fedorenta. - Não. - Você se arrepende disso? Minha respiração parou quando Beckett esticou o braço e colocou a flor na minha orelha com um sorriso melancólico sobre os lábios. - Eu me arrependo de um monte de coisas. - Seu rosto estava a centímetros do meu quando ele me estudou. - Eu sinto muito por você não ter essa experiência. - eu sussurrei. - Ninguém disse que a vida deveria ser justa. - Deveria ser. O ar se acalmou suspenso por palavras não ditas, pensamentos pesados e duas pessoas que não conseguia desviar o olhar um do outro. Finalmente Beckett sorriu e uma covinha apareceu. Neste momento, nossa bolha particular se rompeu. - Então você é uma futura formanda e está no sexto ano. - Beckett pigarreou e olhou para o céu escuro acima de nós. - Tenho certeza de que a filha do magnata da hotelaria Marcus Sinclair e irmã de dois irmãos celebridades tem todo o seu futuro planejado. - Em outubro irei fazer um teste para o conservatório, se passar irei estudar lá. Vou me especializar em violino e composição, isto é, se eu passar no teste. - Claro que você vai passar. - É a minha segunda tentativa. - Eu não queria dizer isso, mas algo sobre a música do vento e a luz das estrelas soltou a minha língua. - A música é minha vida, é a única coisa que fez sentido nestes últimos anos. Adoro Romances em E-book 71


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- Eu não consigo imaginar você falhando em alguma coisa. - Ele ergueu a sobrancelha, virando a declaração em uma pergunta. - Na primeira audição. Eu nem sequer consegui entrar no prédio. - A velha vergonha passou através de mim como se voltasse no tempo. - Meus pais me deixaram na entrada, e fui para o auditório enquanto eles estacionavam o carro, subi os degraus e parei em frente às grandes portas duplas. - Ainda podia sentir o metal sob a minha pele. - Então eu me virei e fui embora. - As portas eram tão pesadas, meus braços não conseguiam abri-las, a minha cabeça não conseguia acompanhar o ritmo da musica, meus dedos não paravam de tremer para sequer segurar o violino. - Eu simplesmente não consegui fazê-lo, meus pais me encontraram sentada em um banco na frente de um dormitório - As minhas mãos estavam em torno de meus joelhos, estava cantarolando a minha musica e chorando lágrimas quentes. Isso foi há seis meses. - Hoje tenho uma nova psicóloga que me disse que isso não era loucura e que não podia ser o fim. - E como é que anda a nova música? - Tem que ser perfeita, mas neste momento não é. - Da última vez iria usar um pedaço de uma musica genérica, mas esta composição seria pessoal, ela seria Will. - Alguém já lhe disse que você é muito dura consigo mesmo? - Toda a minha vida. E você? - Era hora de girar essa conversa ao redor. Atuar é a carreira que você sempre sonhou? - Quem não gostaria de ter a minha vida? - Isso não responde à minha pergunta. - Droga, não responde. - Você sente falta de sua mãe? - Eu nunca a conheci, então não, mas sinto falta de como poderia ter sido. - Ele inclinou a cabeça. - Não é nada parecido com o que você esta passando agora, essa história horrível sobre seu irmão. Como você pode recomeçar com algo assim? - Você nem imagina. - Os pontos na velha ferida fisgaram dentro de mim enquanto pensava sobre sua pergunta. - Eu tive a esperança de que ele estava vivo por quase um ano. - Eu limpei meu nariz e disse-me para parar de falar, nunca havia dito isso aos meus psicólogos. - Eu rezei por horas durante meses, eu ainda tinha fé e aonde isso me levou? Onde estava Deus quando meu irmão morreu? Quando o meu mundo implodiu? - Minha voz se quebrou e eu cobri o meu rosto com as mãos. - Eu tenho que ir. - Corri passando por Beckett o mais rápido que conseguia. Com Bob correndo à frente Beckett me acompanhou com apenas três passos, ele pegou meu braço e me puxou para si - Espere. - Sei que deveria estar mais presente em casa, sei que eu deveria, mas não consigo. - Através das minhas lágrimas pude notar a sua preocupação enquanto me olhava e isso só acrescentou mais um nó para o emaranhado escuro dentro de mim. Adoro Romances em E-book 72


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- Eu quero ser eu de novo, voltar a ter fé, sentir esperança, sentir... Alguma coisa, algo além de... Feiura. - Fechei minha boca e ele apenas balançou a cabeça. - Hey. Não há problema em ficar com raiva. - Beckett deslizou seus braços ao redor de mim e me envolveu em um abraço. - Mas você não pode desistir de sua fé. - O que você sabe sobre isso? - Perguntei contra sua jaqueta. - Eu vejo um monte de TV. - Ele fazia círculos nas minhas costas enquanto me desmanchava em seus braços, apesar de não ser meu comportamento padrão. Pisquei longe as últimas lágrimas e falei - Eu derramei minhas angustias para um vampiro. - É um dos nossos muitos truques. - Ele deu um passo para trás e o vento passou no espaço entre nós. - Antes de eu terminar com você, irá ser tornar do tipo que deseja sair com os morcegos. Ignorando o seu comentário coloquei a mão no meu bolso, peguei meu telefone e toquei na tela. - Você reconhece isso? Colocando sua mão sobre a minha Beckett puxou o telefone para ele. - É uma cruz celta. - Eu tenho que encontrá-la. Ele olhou para mim e deu uma risada baixa. - Elas estão por todo o país. Existem milhares como esta. Não, não poderia haver mais de uma como aquela. - Essa aparentemente capturou a atenção do meu irmão, tenho que encontrá-la, pois foi à última coisa que ele colocou em seu diário e se eu não localizá-la, a minha viagem será incompleta automaticamente, a minha peça de audição também, ficará incompleta. Preciso encontrar isso. - Vai ser quase impossível. - Foi importante para o meu irmão e agora.... - balancei minha cabeça sabendo que soaria como uma louca - agora se tornou minha obsessão. - Eu parecia ter uma coleção de loucuras, apenas nuvens negras que formavam dossel de cinza sobre a minha cabeça. - Mas e se você abandonar este sofrimento e a sua culpa? - Sua voz era tão suave como a brisa da noite. - Não há problema em deixá-los ir. Eu balancei a cabeça e sai de seu feitiço. - Eu não posso - eu disse. - Agora não. Ainda não. E às vezes eu temia. . . Que nunca conseguiria.

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Capítulo onze

 Almoço: uma maçã, 2 bolos de arroz simples e uma cocacola Diet.  Calorias: 150  Sabor: Zero  Dias para audição: 32

Quando pedalava com a minha bicicleta passei próximo a um casal conhecido, era o açougueiro que passeava com sua esposa com um guarda-chuva sobre suas cabeças. - Bom dia para você, Finley da América. - Bom dia para vocês, Sr. e Sra. Walsh. - Eu amava a melodia daquele sotaque. - Claro que nós vimos você correr esta manhã - disse Walsh, quando parei e coloquei meus pés no chão. - Chamamos você, mas minha esposa disse que tinha essa coisa aí nos ouvido e assim não podia me ouvir, mas esta correndo tão rápido que parece estar com medo de ser tosquiada como uma ovelha. Eu ri, as minhas pernas pareciam geleia devido àquela maratona, bom para lembrar-se de não colocar um tênis de corrida por um mês. - Da próxima vez que você passar por aqui, pare para tomar um chá. - disse a Sra. Walsh. - Eu vou fazer isso. - Quando eu estava longe pensei o que aconteceria quando voltasse para casa, jogássemos fora a formalidade e parassemos apenas para uma conversa educada. Na Irlanda? Isso significava que seria melhor ainda na minha casa, em breve. Caia uma chuva fina nesta fria tarde de quarta, enquanto segurava meu guarda-chuva e dirigia a minha bicicleta com apenas uma mão, uma habilidade que eu tinha orgulho de ter adquirido e que era necessária. Eu tinha certeza que não tinha tido um dia sem frio desde minha chegada, acredito que era o preço a pagar por estar em um dos lugares mais bonitos do planeta. Pulando fora da minha bicicleta e a colocando sobre o toldo da Rosemore, entrei. Toda vez que abria a porta, uma onda de decepção tomava conta de mim, a casa de repouso parecia igual a minha ultima visita, não sei por que continuava esperando ela se transformar magicamente na Disney World ou em algum outro lugar de felicidade e sorrisos, mas isso nunca iria acontecer. Esta era uma construção aonde as pessoas de idade vinham para passar seus últimos dias, aonde vinham para morrer. Como a Sra. Sweeney. Adoro Romances em E-book 74


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- Olá - eu disse para a enfermeira de plantão, na recepção do asilo e segui o meu caminho até a porta da Sra. Sweeney. - Olá? - Esperei o comando da Sra. Sweeney habitual para “sair”, mas não ouvi nada. O quarto estava escuro, exceto apenas por uma fraca luz que entrava pela janela. Acendi as luzes. - Sra. Sweeney! - Ela estava deitada no chão enrolada, com os olhos arregalados e tremendo. Corri até ela, caindo de joelhos. - Você está bem? Ela fechou os olhos. - Será que isso... Aparenta que estou bem? - Deixe-me chamar a enfermeira. - Não. - Seu sussurro soou tão alto no quarto. - Só me ajuda a levantar, estou... Estou muito fraca. - Você pode ter quebrado alguma coisa, acho que não deveria movê-la. - O que a Erin teria feito? Ela conhecia todos os médicos? Sra. Sweeney levantou a cabeça e olhando para mim falou - Não sou eu que tenho 83 anos de idade? Acredito que eu saberia se algo foi quebrado, apenas não consigo me mexer, pare de tagarelar e me dê algum tipo de assistência. Relutantemente coloquei meus braços debaixo dela e lentamente levantei-a do chão, a mulher não pesava mais do que o irmão de Erin, assim que se acomodou em sua cadeira de rodas ela soltou um longo suspiro. - Obrigada. - Enquanto descansava um cotovelo na cadeira e apoiava a cabeça na mão, perguntei. - Tem certeza que está se sentindo bem? - Tudo bem. - Porque você me agradeceu? - Sofri um acidente. - Ela continuou a respirar fundo com os olhos fechados, como se estivesse tentando não reviver os últimos momentos no chão. - O que aconteceu? Sra. Sweeney permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de finalmente responder. - Eu tinha que ir ao banheiro, normalmente faço isso sozinha. - Ela levantou a cabeça e tomou mais algumas respirações. - Estava escuro, acho que eu estava um pouco grogue, pois tropecei em meus chinelos. - Segurando as mãos no colo ela fez uma careta. - Nada de importante aconteceu. - Deve ser por causa do tempo. - eu disse. - Quanto tempo você ficou no chão? - Não importa. - ela retrucou assim que a cor voltou ao seu rosto. - Faça-se útil e me pegue um copo de água. - Mordi minha língua e fiz o que ela disse deixando meu coração volta ao seu ritmo normal. - Você não deveria estar na escola? - É a hora do almoço. - Eu forcei minha voz para falar em um tom de calma.

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- Estes povos irlandeses são loucos por deixar seus adolescentes correrem pela cidade toda no horário de almoço, mesmo que não façam nada sempre sabem onde encontrar problemas. - O mais escandaloso e o melhor é sempre visitar lares de idosos. - Entregueilhe o copo. - Eu ainda acho que deveria chamar a enfermeira, para que lhe desse uma olhada. - Não se atreva, fui picada e medicada o dia todo. - Tem certeza que nada dói? - Só os meus ouvidos. - Da minha tagarelice, já entendi. - Eu sorri apenas para irritá-la. - Eu trouxe um livro para ler. - Sra. Sweeney pigarreou enquanto me sentava e pegava a minha bolsa. - Stephen King. - Mostrei-lhe a capa. – Carrie. - Eu li este anos atrás. - Sra. Sweeney esfregou o cotovelo. - Eu acho que eu poderia ficar sem escutar até que me traga outro. - Uma vez que é sobre uma garota que acaba aterrorizando as pessoas, pensei que talvez você pudesse pegar alguns novos truques. Ela me fitou severamente. - O único mal nesta sala é você, sua menina impertinente. Ela era meio direta. No domingo, quando estava sentada com a família O'Callaghan na sétima fileira de sua igreja, encontrei-me fora de sintonia, enquanto rabiscava meu nome em um papel comecei a tramar a minha abordagem com a Sra. Sweeney, a tarefa não ia ser fácil, precisava lidar com ela de uma forma que iria mantê-la afastada sentimentalmente, porque não receberia minha pontuação na escola e para isso eu precisava ser amigável o suficiente para levá-la a cooperar. Minha conclusão na igreja foi que ela era obviamente uma mulher orgulhosa, então se ela era parecida comigo, ter simpatia sobre a sua situação não iria conquistá-la. Após o desaparecimento do meu irmão, não havia nada que eu detestava mais do que as pessoas que falavam palavras ensaiadas e abraços falsos. A Sra. Sweeney não precisava disso também. Pelo menos essa era a minha teoria e desde que a obtive em uma igreja certamente era inspirada por Deus ou simplesmente do tédio ou que era por cauda da musica, a única certeza que tinha era que precisava passar por essas 20 horas o mais rápido possível, aí então eu poderia dizer adeus para a essa mulher de mau humor. - Você está pronta para eu ler? - Tomei o copo estendido pela sua mão e coloquei em cima da mesa de cabeceira. - Eu estava pronta há dez minutos, se for necessário esperar por mais um tempo serei obrigada a escrever um romance eu mesma. - Sim, senhora. - Abri o livro e comecei a ler, enchendo as frases com uma voz animada e fazendo uma pausa para suspense em todos os lugares certos, compondo uma trilha sonora na minha cabeça. No momento em que cheguei ao Adoro Romances em E-book 76


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capítulo três, os olhos da Sra. Sweeney estavam fechados e sua respiração lenta e uniforme, em outras situações me sentiria insultada, mas eu decidi que eu gostava dela desse jeito. - Toc, toc! - A enfermeira Belinda colocou a cabeça para dentro e sorriu. - Cathleen, eu trouxe suas cartas... Oh - Ela baixou a voz retumbante. - Ela está dormindo. Eu verifiquei para ter certeza que a Sra. Sweeney estava verdadeiramente fora. - Ela caiu esta tarde. - eu sussurrei. - Será que melhorou agora? - Belinda balançou a cabeça e o laço em sua cabeça cambaleou. "Ela teve uma semana difícil, mal sai da cama agora e isso parte o meu coração.- Ela estendeu um envelope apenas quando um alarme soou, em algum lugar no corredor. - Faça-me um favor e mantenha isso em sua gaveta, tenho que ir ver outro residente. Cathleen sempre me diz para jogar as suas cartas, mas eu sei que ela sempre pega depois para guarda-las O alarme continuou a gritar como um pássaro com raiva e Belinda saiu do quarto, fui na ponta dos pés ao redor da cama da Sra. Sweeney, em direção a sua cômoda, estendi a mão para a gaveta de cima e a coisa não se mexia, continuei puxando com mais força, apenas na terceira tentativa ela abriu e varias cartas se derramaram no chão. Olhando para dentro da gaveta vi pilhas e pilhas de cartas com os mesmo envelopes brancos, o mesmo endereço, todas para Fiona Doyle, Galway de Cathleen Sweeney. Cada uma tinha o carimbo de retorno ao remetente, assim como a que estava em minhas mãos.

- Por hora estamos apenas dando uma olhada Erin. - Nora O'Callaghan levantou um vestido marfim suave que brilhava sob as luzes da House of Formal Wear, uma loja que na maior parte do tempo tinha uma pequena seleção de vestidos de noiva sob encomenda e peças personalizadas para bailes. - Como é, as meninas usam vestidos brancos e os meninos usam...? - Camisas brancas. - disse Erin. - Calças agradáveis, muitos ternos desgastados, geralmente em cores claras. - Eu estava esperando que os caras tivessem que se vestir como Colombo. Falei enquanto olhava duas prateleiras de vestidos florais brancos do tipo que você usaria em uma noite de verão na praia ou brincando através de um campo de flores silvestres irlandês procurando fadas e duendes. - Você viu algo que tenha chamado a sua atenção? - Uma mulher colocou a cabeça entre as duas prateleiras e vi que tinha uma fita métrica pendurada em seu pescoço e uma almofada de alfinetes enrolado em seu pulso. - Deirdre torna isso mais especial a cada ano. - disse Nora.

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- Eu e minha filha claro, estamos pensamos em começar a encomendar algumas peças, as pessoas na China conseguem fazer belos vestido de baile também. - Nada se compara ao seu e você sabe disso. Deirdre levantou a mão humilde. - Você escolhe o vestido em qualquer tamanho. - ela me disse - e depois ajustamos para se adequar ao seu corpo.. - Oh, Erin o que você acha deste? - Nora ergueu um vestido branco, com um top pregueado e saia de cor de chá, comprida. - Essa foi feita para a sua pequena estrutura. - disse Deirdre. - O que você acha Finley? - perguntou Erin. - Você está linda nele. Nora pegou um punhado de vestidos e empurrou-nos para os vestiários. Vamos rápido com isso, fico aqui fora escolhendo os modelos. Eu deixei o seu pai e Liam em casa cuidando de uma máquina de lavar quebrada, então depressa, por favor, estou com medo de ficar tanto tempo fora, Liam poderá abrir e remodelar a maquina como se fosse um robô. - Quem você está covidando para a dança? - Eu perguntei a Erin, do meu camarim quando tirei meu suéter pela cabeça. O espelho na minha frente enquadrou meu corpo me aproximei e meus olhos traçaram a linha dos meus quadris, meu estômago enxuto e as pernas sob os meus jeans. O que o mundo vê quando eles olham para mim? - Eu tenho em mente pedir a Samuel Connolly. - Erin disse do outro lado da parede. - Ele é do quinto ano, mas maduro para sua idade, muito inteligente e não me resta muito tempo para pedir, mas por que não se caras que pedem ao invés de nos garotas? Eu acho que ele gosta de mim, mas não tenho certeza. - Ele seria um idiota se não gostasse de você. - Eu peguei um vestido deixando-o deslizar para baixo e cair como uma cascata sobre mim. O material era macio contra a minha pele e tentei me imaginar dançando nos braços de um cara bonito, o rosto sorridente de Beckett veio à mente e pisquei para afastá-lo, mas que pensamento tolo. Alcançando a porta sai e parei junto ao camarim da Erin. - Que sinais você viu que Samuel está interessado? - Oh, muitos deles. - Erin relatou - ele disse Olá para mim na terça-feira, acenou para mim de sua bicicleta no último domingo, estou bem certa de que ele sorriu quando passei por ele em nosso carro na sexta-feira, mas posso estar errada, poderia apenas estar espirrando, ele estava longe, difícil dizer com toda certeza. - A porta do camarim rangeu quando Erin saiu. - Então, basicamente é isso ou ele está loucamente apaixonado por mim. ou ele nem sabe que eu existo. Com hesitação em seu rosto, Erin se juntou a nós. Nora cavou em sua bolsa e pegou o seu telefone. - Oh, se o seu pai pudesse vê-la agora e começaria a chorar. Adoro Romances em E-book 78


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- Mamãe, sem fotos. - Pode ser a sua última dança no festival, caso você se mude no próximo ano, preciso documentar tudo. - A câmera piscou duas vezes. - E, Finley, você esta uma visão, esta linda. - Ela tirou mais duas fotos. - Sua mamãe irá adorar. - Nora fez um círculo em torno de mim. - Só um pouco de aperto e uma dobra aqui e ali, Deirdre ira realizar estes ajuste e será como se tivesse sido feito para você. Erin sorriu. - Eu acho que ele foi. Vestimos de volta as nossas roupas e tanto Erin como eu ficamos olhando fixamente os nossos vestidos favoritos. - Tem uma chamada perdida de novo. - Nora nos disse, quando nos seguiu para fora do camarim. - Esta é a terceira vez que o seu pai liga, é melhor eu levá-las para casa. - Ela segurou o telefone no ouvido e caminhou em direção à frente da loja bem quando Beatrice e as suas amigas entravam na loja. - Oh grande. - Eu virei e olhei para o outro lado, estudando uma arara de vestidos com grande interesse, eram vestidos para as mães das noivas. - Olá, Bea. - disse Erin - veio comprar um vestido? - Estou apenas ajudando minhas amigas a fazer suas escolhas. - Bea e suas servas sorriram ao mesmo tempo. O sorriso de Erin não vacilou. - Já encontrou o seu? Beatrice jogou o cabelo. - Eu já tenho um mais que especial encomendado, é claro. - Ela ergueu o queixo enquanto olhava ao redor. - Meu pai tinha que me encomendar alguns vestidos diferentes para a estreia de Hollywood do filme, então eu me antecipei e escolhi um vestido para o baile também, lógico se não estiver trabalhando no próximo filme, acho que estarei disponível para o festival. Espero que você possa encontrar um par neste ano. - Ela olhou para Erin com piedade fingida. - Foi muito triste no ano passado ver você ir sozinha. A boca de Erin caiu. - Bem, eu.... - Na verdade são dois anos consecutivos, né? - Beatrice e suas meninas compartilharam um sorriso arrogante. - Morte social na certa eu suponho. - Seus lábios se curvaram em um sorriso. - Boa sorte este ano. - Mas... - as bochechas de Erin brilhavam em um rosa vivo. - Eu. Eu tenho um par este ano. Como em um filme ruim paranormal, o tempo pareceu parar enquanto eu olhava para Erin e ela olhava para mim. - É mesmo? - A voz de Beatrice pingava com descrença tão grossa como uma massa de bolo. - Quem é?

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Erin limpou a garganta e olhou para mim novamente. - Você vai ter que esperar e ver. - Se fosse oficial, minha irmã adotiva tinha acabado de cruzar o lado negro. O desespero tinha acabado de fazer esta boa menina ficar má.

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Capítulo doze

 Dias até audição: 34  Café da manhã: 2 ovos e uma coca Diet .  Calorias: 108  Exercício: 1 hora  Lazer: 30 min. conversando com mamãe e papai.

Senti o mundo desmoronar sobre a minha cabeça ontem à tarde, quando sai da escola de bicicleta no horário do almoço, em direção casa de repouso. Precisava realizar àquelas horas de trabalho estabelecidas pela escola e encerrar esta experiência com a Sra. Sweeney, pois estava claro que ela estava se deteriorando, eu não queria fazer parte deste processo e também não deveria presencia-lo. Que tipo de escola forçaria isso a uma criança? O sol aquecia meu rosto enquanto pedalava e minha mente me conduzia aos fatos daquela manhã. Depois da minha corrida, não tinha mais nada para fazer, então peguei minha Bíblia desgastada e abri aleatoriamente, foi quando li à mensagem que estava em Isaías 43. Não temas, porque eu te remi; chamei pelo teu nome, tu és meu. Eu vou estar com você quando você passar pelas águas turbulentas e quando você passar pelos rios eles não irão oprimi-lo. Se isso era verdade, onde estava Deus quando meu irmão morreu? Onde estava Deus quando estava no fundo do poç no ano passado, fazendo escolhas estúpidas, vendo dois psicólogos ao mesmo tempo e assistindo aos meus pais me vigiarem por medo de que cometesse alguma loucura? E onde estava Deus agora? Chegando à casa de repouso estacionei a minha bicicleta e enfiei a mão no cesto levantando uma pequena cesta de pequinique. Pensei na voz de Nora O'Callaghan quando deu a ideia. - Leve a Sra. Sweeney para um piquenique. - ela disse. - leve-a para fora daquele lugar, pois ela precisa de algum sol. - Se isso não desse certo eu seria reprovada em Inglês. - Boa tarde, Sra. Sweeney. - Bati duas vezes, em seguida caminhei para dentro, como de costume as luzes estavam apagadas, entrando apenas uma pequena claridade por uma brecha na janela, já estava habituada ao fato, mas achava que toda essa escuridão não lhe fazia bem. Acreditava que a sua dor estava baixa hoje, pois ela estava prestes a começar alguma terapia de vitamina D. - Como você está se sentindo? De sua cama a Sra. Sweeney virou a cabeça em minha direção enquanto caminhava para sua janela. - Quem é você? - A mesma menina que estava aqui quarta-feira e a cada visita gloriosa antes disso. Adoro Romances em E-book 81


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- Eu nunca te vi antes na minha vida. - Ela apontou o dedo em direção à porta. - Saia do meu quarto, agora. - Boa tentativa, mas devo acrescentar que apesar dos meus protestos, Belinda me garante que não há nada de errado com sua mente. - Agarrei com as duas mãos e puxei as cortinas inundando de luz o quarto. A Sra. Sweeney deu um grito do fundo da garganta e jogou os braços para cobrir seu rosto. - Eu não suporto o sol! Virei-me e sorri. - Eu também não acredito que os vampiros a morderam. Ela piscou contra a luz. - Rude, você é uma criança impertinente. Eu andei até sua cama e ajeitei os seus travesseiros, valorizando a organização de sua mesa de cabeceira. - Vejo que você tomou uma chuveirada hoje, mas o seu cabelo precisa de uma escovação, diga-me onde está a sua escova ou terei que procurar em todas as suas gavetas. - Você não quer descobrir o esconderijo secreto das minhas revistas, não é? - O quê? Colocou as mãos em seu peito ossudo declarou - Está na gaveta Top e cuidado, pois o meu cabelo é fino. - Se você estiver comparando com um ninho de aves. - Eu falei a segunda gaveta! - A Sra. Sweeney sentou-se rapidamente cuspindo fogo. - Não abra esta gaveta! - Mas já era tarde demais, enquanto abria a gaveta vi as pilhas de cartas devolvidas novamente, seus envelopes pareciam saltar para fora pedindo para ser tocadas e livrá-los dos recessos espaços da gaveta. - Eu disse para fechar isso. - retrucou a Sra. Sweeney. Mordendo a minha língua para não fazer nenhuma pergunta, peguei a escova e comecei a penteá-la lentamente enquanto narrava o dia anterior. - Eu comprei um vestido ontem. - essa seria a minha nova tática, falaria com a Sra. Sweeney sobre fatos e coisas fascinante que ocorriam fora daquelas paredes. - Erin e eu encontramos lindos vestidos, mas a Beatrice apareceu na loja quando saiamos. - A Sra. Sweeney fechou os olhos como se estivesse dormindo. - Beatrice é a vilã nesta história, caso você ainda não tenha entendido, sinto que ela tem uma história de assédio a Erin e seus amigos. Erin disse a Bea que tinha um par para a dança, ela ira chamar o Samuel, mas se ele disser que não, será muito ruim para ela. Mas pensando bem, quem poderia dizer não a Erin? Ela é linda. E eu sei que eu deveria orar pela Beatrice, mas, bem, a minha lista de oração esta muito ocupada agora que eu te conheci, simplesmente não tenho tempo. Devo continuar orando por seus joanetes? Seus lábios franziram apertados. - Vou entender isso como um sim. - Continuei escovando o seu cabelo delicadamente. - Onde eu estava? Oh, eu ia convida-la para um piquenique. Adoro Romances em E-book 82


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Seus olhos se abriram. - Um o quê? - Piquenique - eu disse, com mais entusiasmo do que sentia. - Você irá amar. Uma batida soou na porta, em seguida Belinda e um assistente entraram no quarto. - Na hora - eu disse - ela está pronta. - Não, eu não estou! - A Sra. Sweeney brigou quando as duas enfermeiras a colocaram suavemente em sua cadeira de rodas. - Ponham-me no chão, agora, vocês não pode me maltratar, sou uma mulher doente. - Você disse ao seu médico que se sentia bem hoje. - disse Belinda - e a Finley ofereceu-se a levá-la lá fora para conseguir um pouco de ar e alguma comida. Chegando ao armário da Sra. Sweeney à enfermeira tirou um casaco e colocou sobre os ombros dela, aproveitei e peguei um cobertor nos pés da cama e coloquei sobre suas pernas. - Pronta? Seus olhos estavam arregalados, seja com raiva ou medo não dava para dizer. - Não, eu não quero ir, quero comer o meu almoço aqui. - O prato do dia é carne e repolho - disse a enfermeira Belinda - e você odeia repolho. - Vamos Sra. Sweeney. - Eu soltei o freio de sua cadeira de rodas e agarrei as alças. - Prometo que não vou mantê-la fora após o seu toque de recolher. - Eu dei a enfermeira Belinda um olhar interrogativo, mas ela colocou seus dois polegares para cima e acenou em direção à porta. - Um trabalho e tanto! - Belinda falou, enquanto me olhava empurrar a cadeira de rodas em direção ao final do corredor, levando o nosso piquenique na dobra do meu braço e rezando para isso não se tornasse um desastre. - Não reclame no ouvido da Finley, Cathleen - Belinda disse assim que saímos fora. O sol brilhava sobre nós e a Sra. Sweeney protegeu seus olhos com a mão trêmula. - É muito claro. - Eu posso cuidar disso. - Eu puxei os meus óculos de sol rosa de cima da minha cabeça e coloquei na Sra. Sweeney. - Você ficou fabulosa. - Eu quero voltar para dentro. - Assim que a gente almoçar. - Eu não estou com fome. - Eu conheço este sentimento, a minha psicóloga disse que se expor a uma nova situação faz isso com as pessoas. - Eu empurrei a cadeira de rodas pela calçada. Adoro Romances em E-book 83


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- Só me deixe saber se você quiser que eu ande em cavalinhos, tenho certeza que apanharíamos mais ar assim. - A Sra. Sweeney passou a me ignorar, colocando os braços cruzados sobre o peito e as mãos dobradas dentro das mangas do seu casaco, mas ao passarmos pela padaria seus olhos se fecharam e ela inalou o aroma do local. - Quando foi a última vez que a senhora saiu? - Andamos na frente de uma loja de presentes e uma mulher acenou da janela, onde empilhava figurinhas do Dia de São Patrício. - Há algum tempo. - a Sra. Sweeney disse finalmente. - Tipo, mês passado? - Não. - No ano passado? - Ela balançou a cabeça enquanto olhava por todo o centro como se fosse um filme de Spielberg. - Quando? - Eu não sei. - Sua voz era tão suave como um espinheiro. - Cinco anos mais ou menos. - Você não saiu da casa de repouso durante todo este período? - Não é à toa que ela estava tão infeliz. - Por quê? - Não é da sua conta. - Ela levantou a mão em saudação a uma mulher empurrando um carrinho de bebê. - Sra. Sweeney... - Eu segui a calçada para a esquerda em direção a um pequeno parque. - Quem é Fiona Doyle? A Sra. Sweeney tossiu em seu punho e balançou a cabeça confusa. - Ela não é ninguém. Eu dirigi a sua cadeira sobre a grama colocando todo o meu peso nela para fazer com que se movimentasse. - Que tal este lugar? - Tirei o meu casaco jogandoo no chão, em seguida peguei da cesta o nosso almoço. - Foi a Nora que embalou isso para nós, aqui está um pouco de frango e um pouco de salada. - Levantei o recipiente final. - E se nós formos boas meninas, teremos como sobremesa um pouco dos famosos biscoitos de chocolate de Sean. - Segurei o prato da Sra. Sweeney, cortando a carne em pedaços pequenos assim que terminei entreguei a ela. - Então, você estava me contando sobre as cartas... Isso é um monte de cartas que você escreveu para ninguém. - Se tiver que ficar aqui pelo menos me deixe comer em paz. - Eu apenas pensei que talvez pudesse pesquisar o endereço atual para você. A Sra. Sweeney me olhou enquanto a ajudava com o garfo. - Eu tenho o endereço correto e não estou confusa. Adoro Romances em E-book 84


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- Então por que-..... - Não vou discutir isso com você. - Com um suspiro mordeu o frango, um sinal que a conversa tinha acabado. Mantendo um olho em nosso belo cenário e outro na minha carga idosa, notei que ela comia como um pássaro, mas um bem cansado e também muito lento, era difícil de assistir. Continuei a ajudá-la com seu almoço, mantendo a minha conversa unilateral, estava a meio caminho através de outra história sobre Beatrice quando um homem entrou em nosso caminho. Ele usava calças largas, uma camiseta velha e os seus dreadlocks longos e escuros pendiam como cordas de um barco, de longe esse era o pior disfarce de Beckett. - Boa tarde senhoras. - Peguei um pedaço de frango para o nosso convidado. - Olá. - Bonito dia - disse ele com um sotaque jamaicano - nem mesmo uma nuvem no céu. - Sim, está um lindo dia. - eu disse. - interessante este sotaque irlandês caribenho que você possui. Sra. Sweeney olhou para ele com uma cara de desconfiança. - Estou pronta para voltar a qualquer momento. - Certamente você quer ficar mais um pouco. - Ele sorriu para mim revelando até mesmo os seus dentes brancos. - Ouvi dizer que há muitos atores na cidade e você deveria procurar a companhia deles. - Peguei a minha salada. - Eles não tem nada de especial. - Eu conheço um em particular que é bom para se conhecer, o nome dele é Beckett Rush seg.... - Eu já vi melhor. - Seu sorriso se aprofundou. - É mesmo? Além disso, Beckett Rush é uma espécie de... - Charmoso e viril? - Eu ia dizer feminino e pastoso. Ele riu e pegou os restos de uma perna de frango que estava na minha mão e levou a boca. - Desde que você insiste em rasgar o meu coração, o mínimo que você pode fazer é me alimentar.

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- Quem é este homem? - Perguntou a Sra. Sweeney. - O que está acontecendo aqui? - Este - eu disse - é Beckett Rush, ele é um ator. - O olhar impressionado da Sra. Sweeney me fez rir. - Ele é a estrela de um filme de vampiros. Seus olhos se arregalaram com interesse agora. - Isso é verdade? - É minha senhora. - Ele tomou uma de suas mãos nas suas e deu-lhe um pequeno aperto. - Apenas um dos meus pequenos disfarces para que eu possa ir e vir sem ser incomodado, estamos fazendo um filme a poucos quarteirões de distância e a Finley é gentil o suficiente para me ajudar com as minhas falas. - Oh, ela é realmente muito útil. - disse a Sra. Sweeney. - Finley, sirva ao rapaz um prato. - Ele deve ser muito ocupado para comer conosco, um ator da sua importância provavelmente deve comer com o elenco ou ir a alguma reunião no seu horário de almoço ou ate mesmo dar alguns autógrafos para suas fãs histéricas. - Eu disse a você que lhe daria um autografo a qualquer momento. - Ele se sentou na grama ao meu lado com o seu joelho roçando a minha perna. - Agora Sra. Sweeney, odeio o gosto de chá, mas o frango esta com um cheiro muito bom, aposto que você costumava ser uma ótima cozinheira, estou certo? Pisquei duas vezes, certamente meus olhos estavam falhando. O que era aquilo no rosto da Sra. Sweeney? Era um... um sorriso? Ela se jogou sobre a mão dele e deu uma pequena risada. - Claro que cozinhava, mas compotas era a minha especialidade. - Ah. - Beckett se aproximou de mim e pegou outro pedaço de frango, seu braço roçou meu ombro e me forcei para não recuar. – Então, você sabe tudo sobre açúcar e especiarias. - Ele balançou seu dedo gorduroso na direção da Sra. Sweeney. - Você é o meu tipo de mulher. Ela riu de novo, um som tão enferrujado como se seus tubos não houvesse tocado essa música nos últimos anos. Olhei para Beckett e balancei a cabeça com vergonha. - Você simplesmente não consegue desligar, não é? Ele piscou um olho cinza. - Só uma parte do meu encanto, Frannie. Não sei o que acontece às vezes, que não consigo lembrar o nome verdadeiro dela. Os lábios da Sra. Sweeney curvaram em um meio sorriso quando ela me lançou um olhar. - Conte-me sobre seu filme. Assim fez Beckett, como se tivesse todo o tempo do mundo, ele explicou todo o enredo e personagens, trazendo vida à saga com as habilidades de um irlandês contador de histórias, a Sra. Sweeney estava inclinada para frente em sua cadeira se pendurando animada em cada palavra que ele proferia. Adoro Romances em E-book 86


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- Agora sim isto é que é um conto. - Ela sentou-se quando Beckett terminou. Não aquele lixo que ela tentou ler. - Eu disse que estava arrependida e que não irei insultá-la com Jane Austen novamente. Agora me diga como ia saber que você tinha um gosto por sangue? - Eu fechei a tampa da minha água e coloquei de volta no refrigerador. - Embora, agora que penso nisso o seu gosto faz todo o sentido. - Filha desrespeitosa. - a Sra. Sweeney murmurou, mas havia um pouco de cor em suas bochechas e a sua carranca habitual estava mais leve. Se não me enganei, ela estava se divertindo, uma vibração inesperada de felicidade deslizou através de mim, pois só queria uma mudança de cenário e ganhar algumas horas para o meu projeto. Mas de alguma forma. . . Poderia ter iluminado o dia da Sra. Sweeney, com a ajuda de Beckett. Seu telefone tocou no bolso e quando verificou o display, a sua testa começou a franzir, perguntei - Namorada número doze sentindo a sua falta? Distraidamente ele disparou um texto rápido. - Algo assim, tenho que voltar. Seu sorriso voltou quando se levantou sacudindo seus dreads loucos. Ele pegou a mão da Sra. Sweeney novamente, - foi uma honra conhecê-la... Por favor... Não deixe a Finley falar mal de mim quando sair, apesar de adorar cada palavra que ela fala de qualquer maneira.- Beckett ainda a ajudou com seu cobertor antes de focar aquele olhar profundo em mim. - Obrigado pelo o almoço, isso foi... inesperadamente maravilhoso. Eu não sabia se ele se referia à comida ou a nossa companhia, de qualquer forma, vindo de seus lábios, as palavras soavam tão deliciosas como um bolo de chocolate. Deus ajude-me com uma carga de imunidade contra este rapaz, pois me apaixonando por ele só terei problemas... E eu já tenho muitos. - Á proposito, Bob me pediu para lhe dizer que está pronto para outra aventura. Eu retirei a grama que estava grudada na saia do meu uniforme. - Eu odeio ter que perturbar a mente de um labrador, então quais os seus planos para este fim de semana? - Filmar, porem terei alguns períodos de inatividade. - Eu vou escolher um lugar. - Faça isso. - E com outro sorriso para a Sra. Sweeney, Beckett foi embora. - Este sim é um jovem cavalheiro. - disse a Sra. Sweeney. - Com certeza. - Eu fiquei assistindo sua partida até que desapareceu na esquina. - Ele está bem. - Tudo bem? - Ela sacudiu as migalhas do seu colo. Adoro Romances em E-book 87


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- Ele é de primeira classe. - Coloquei meu casaco, sentindo o tempo esfriar com a sua saída, então peguei a sua cadeira de rodas. - Ele também é um jogador frio e selvagem como o vento irlandês. - Jesus. - Ela resmungou enquanto a empurrava de volta para a calçada. - Não me diga que estou enganada quando falo que ele é um bom garoto. - Descansando o queixo em suas mãos desabou em sua cadeira, como se o dia tivesse subitamente consumido toda a sua energia. - Eu posso detectar uma pessoa ruim a um quilômetro de distância e eu conheço muito bem o seu tipo. - Eu serei uma boa ouvinte caso você decida me explicar melhor. - Eu cantarolava um novo pedaço da minha canção que estava se formando na minha cabeça. - Talvez também me fale algo sobre as cartas, a confissão é boa para a alma. - Eu esperava que ela se fechasse para mim mais uma vez, mas ela permaneceu em silêncio, por alguns segundos, correndo os dedos sobre a guarnição de seu cobertor. - Eu acredito que a minha alma está além do ponto de ajuda. - Isso não é verdade, nunca é tarde demais. - Ela olhou para a cidade que estava a sua frente com olhos pesados de fadiga e também com uma dor tão profunda que não tinha um nome. Eu já tinha visto aquele olhar em meu próprio reflexo. - Eu desisti, existem certas coisas há muitos anos - disse ela - meu destino é como aqueles envelopes fechados deixados de lado.

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Capítulo treze

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Horas treinando a minha musica: 3 Horas de sono: 4 Horas olhando para a cruz: 2

O banco do piano gemeu quando me sentei na sala de música era sexta-feira durante o almoço. Abri o diário do meu irmão na página que já tinha lido duas vezes naquela manhã. Fui para Galway ontem à noite, havia Pessoas em todos os lugares, curtindo a vida, sorrindo, apenas dispostos a deixar o mundo cuidar de si mesmo por algumas horas. O sentimento era contagiante, especialmente quando entrei no Pub McPherson ,para comer o especial da noite e ouvir um pouco da música tradicional irlandesa. O violino me fez querer dançar, assim como muitos que estavam dançando no local, o tambor batia como o meu próprio coração e o som de uma pequena flauta que parecia não ser maior do que um lápis, me lembrou das ilhas de Aran flutuante ,não muito longe de Abbeyglen. Deus estava aqui esta noite, nas cordas do violão e também na voz do cantor. Percebi a quanto tempo deixei de pensar na minha volta para casa e sei que não quero mais voltar. O Senhor enviará o seu amor fiel por dia. Sua canção estará comigo no meio da noite, uma oração ao Deus da minha vida. Salmo 42:8 - Feliz sexta-feira. - Irmã Maria entrou na sala de aula, com um sorriso gentil no rosto. Esta era a mulher que me ajudaria com a audição e que teria certeza de quando chegasse a hora eu estivesse pronta . - Olá. - Engraçado como nesta sala eu respirava mais fácil e também que quando a via os músculos dos meus ombros se soltavam, neste momento poderia apenas... Ser eu mesma. Guardei o meu diário na bolsa e coloquei os dedos nas teclas. - Vamos iniciar com o piano hoje, afinal será apenas nos duas. Por que você não apenas aquece ele para mim? Toquei algumas escalas apenas desfrutando da liberdade do conhecimento e do eco que reverberava das notas. - Você toca piano de ouvido. ela disse, quando parei. Adoro Romances em E-book 89


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- Eu posso ler uma música se você preferir. - Eu sei que você pode. - Ela acenou para o piano. - Mas por hoje basta tocar. - O quê? - Qualquer coisa que você quiser. - Pensei sobre isso por um momento antes de começar uma velha canção do Black Eyed Peas, em estilo de jazz. - Não. - Ela colocou as mãos na minha. - Você tem alguma coisa própria que passa em sua mente neste momento, isso é o quero ouvir. - Como? Ela sorriu. - Experimente. - Eu fiquei sentada lá enquanto os minutos passavam. - Sem pressa. Eu sentia que isso era... Errado, invasivo e também pessoal, como se ela estivesse me pedindo para abrir o meu coração e deixá-la ver a bagunça feia que ele tinha se tornado. - Eu não posso. - Finley - disse a irmã Maria. - Não há perfeição aqui. A música nunca é perfeita, ela tem falhas e tem caráter. Sempre tem que começar áspera, especialmente quando isso é o que você sente. - Ela cruzou os braços sobre o peito. - Agora comece. Meus dedos pairavam sobre as gastas teclas de marfim, a minha respiração ficou mais rápida, assim como uma vontade inesperada de chorar. - Feche os olhos. A mulher era uma mandona, mas a obedeci. Por favor, Deus. Então comecei a tocar, uma melodia do fundo da minha alma, do lugar onde a desolação estava fixada, onde ansiedades da semana se reuniam como as calorias, assim era o começo da música. Três minutos depois minhas mãos se moviam sobre as teclas negras, mas meus dedos pressionavam para voltar às teclas brancas, até que tudo fez sentido. Meu pé segurou o pedal quando ouvi o final da canção na minha cabeça, segundos antes das minhas mãos poderem executar. Lágrimas pingavam sobre o meu queixo e minhas mãos obrigando-me a sair do meu transe. - Não posso fazer isso. - Eu parei. Irmã Maria só olhou para mim, sem nenhuma expressão no rosto, nada de julgamento. - Sente-se melhor? - Não muito.

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Ela sorriu e balançou a cabeça lentamente. - Você tem o dom, Finley Sinclair. Acredito nisso. - Eu tenho que terminar este pedaço de audição. - E você vai, mas não se apresse. - Mas eu tenho que chegar ao fim ant.... - Quando você estiver pronta para ouvir o resto, você terminará, assim como fez hoje. - Ela se pôs de pé e mexeu os dedos em direção à minha caixa do violino. Agora, antes de ouvi-la tocar a sua música de novo, por que você não me conta o que está em sua mente? Levantei-me e comecei a desembrulhar o meu violino passando a mão sobre o diário de Will. - Eu não consigo parar de pensar em Cathleen Sweeney, a mulher que tenho que visitar como parte do meu projeto de Inglês. - E Deus sabia que eu não queria pensar sobre ela. Ela assentiu com a cabeça. - Eu já ouvi falar dela. - Você sabe alguma coisa sobre ela? - Só que ela não tem qualquer família e ouvi dizer que ela é um pouco difícil. - Ela é uma solitária. - Será que tinha acabado de defender a Sra. Sweeney? Quero dizer, ela está doente e morrendo e acha que é tarde demais para fazer as pazes com Deus. - Então talvez você seja a pessoa certa para ajudá-la a ver a luz. - Mas Deus e eu não estamos nos falando, lembra-se? - Ainda? - Irmã Maria olhou para o teto e soltou um suspiro exagerado. Quanto tempo este impasse vai durar, então? Eu balancei minha cabeça. - Eu sinto pena da Sra. Sweeney. - Compreensível - disse ela - mas nada útil. - O que devo fazer? Irmã Maria levantou as mãos e depois começou a encolher ombros. - Nada? - Mas... - Ideias começaram a surgir na minha cabeça. - Eu acho que tenho que fazer alguma coisa. - Peça a Deus. Senti como se já tivesse usado este tema demais. - Eu disse que nós estamos...

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- Pergunte a ele de qualquer maneira.- Irmã Maria riu. - Você ficaria surpresa se ele já estivesse aqui em virtude da sua imensa procura por ele. - Falando em parábolas como se voltasse ao Novo Testamento. - Eu estou tentando trazê-lo de volta, isso e a dança do Jazz. - Ela olhou para a minha mochila no chão, onde meu diário estava à vista. - O que diz a pagina que você leu hoje? - Meu irmão fala sobre o seu passeio em Galway. - Um lugar muito bonito e também pode ser bastante animado. - Ele parecia encantado com a música. - Ah, sim e quem não ficaria? - Eu ouvi uma música irlandesa, será que é tão diferente lá? - Depende, mas se há uma diferença tenho toda a confiança de que você pode identifica-la. Eu deslizei meu arco contra as cordas duas vezes e em seguida parei. - Será mesmo que ele ouviu Deus? - Eu dei uma risadinha, mas era um som vazio. - Ele viu Deus onde quer que fosse, mas ouvi-lo em um pub de todos os lugares. - Tenho certeza que o Senhor gosta de um pouco de violino e de bodhran(instrumento musical de percussão irlandês que se assemelha a um tamborim) também. - Ela se sentou em uma cadeira de alumínio entrelaçando os dedos enrugados no colo. - Então, você disse que ouviu a nossa música? - Eu tenho ouvido bastante. - Mas você ouviu? - Irmã Maria inclinou a cabeça me perfurando com aqueles olhos analisadores. - Realmente ouviu? Talvez você devesse dar uma olhada por si própria. - Eles tocam hinos ou algo assim? Ela trocou a letra da música na frente. - Depende de quem está escutando.

- Ei Finley. - A maquiadora de Beckett levantou uma mão enquanto me dirigia para o set. - Beckett está em seu trailer, vá lá para dentro. Beatrice estava ao lado dela e atirou dardos letais na forma de um olhar astuto. - Obrigada Ciara. - Eu não dei cinco passos antes que Beatrice parasse do meu lado. Adoro Romances em E-book 92


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- Quanto tempo você vai deixar isso continuar? - ela perguntou. - Eu não tenho ideia do que você está falando. - Ser assistente pessoal de Beckett. - Ela teve a coragem de fazer aspas no ar. - Você está tão desesperada por sua atenção que já assinou um contrato para ser a sua baba de cachorro e sua copeira pessoal? Eu não estava com vontade de explicar o meu acordo com Beckett para ela. Eu não sou sua copeira. - Apenas lhe entreguei uma água. - E Bob e eu somos amigos. - Eu acenei para um cara da câmera que passava. - Eu sinto muito se isso é difícil para você aceitar, mas eu não posso mais negar meus sentimentos fortes pelo animal que fica babando. - Você não é o tipo do Beckett. E eu não sei. - É por isso que nos damos tão bem. - E não se esqueça de Taylor, você acha que tem algo que ela tenha melhor? - Não, - Apenas um olhar para Taylor e começava a me sentir como se fosse enorme de gorda, muito feia e totalmente desajeitada em um todo. Fiz um movimento para sair e Beatrice balançou em seus calcanhares para fechar todas as minhas saídas. - Você não é o que ele quer. - Uma das muitas bênçãos que já esperava esta manhã. - Você acha que é uma benção. - Olha. - Eu girei o meu corpo até estarmos face a face. - Só ouça, não estou interferindo na sua paixão de adolescente, Beckett e eu somos amigos e... - Eu não me importo. Eu bloqueei as imagens em minha mente. - O que vocês dois são não é da minha conta e nem devo representar nenhuma preocupação para você. Ela levantou uma sobrancelha com perfeição. - Se você ficar entre Beckett e Taylor, eu prometo que vai ter muitos problemas. - Eles são um casal? - Eu assisti Beatrice de perto. A única vez que vi Beckett e Taylor juntos foi nos tabloides. - Não importa, não estou aqui à procura de autógrafos e nem para namorar, então acho que não tem com o que se preocupar. Ela deu um passo para perto, mas tão perto que eu podia ver as rachaduras no seu batom. - Eu ouvi o Sr. Rush advertir o Beckett contra você com os meus próprios ouvidos. Isso não deveria ter doído, mas doeu. O que Beckett decidiu sobre isso? Adoro Romances em E-book 93


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Eu suspirei como se fosse à atriz. - Deve ser cansativo manter esta drama o tempo todo. - Olhei para o meu relógio. - Você ouviu Ciara, Beckett está esperando por mim. Fui me afastando dela com as mãos apertadas em punhos e as bochechas queimando no meu rosto. A ousadia daquela menina, ela sim que precisava de um terapeuta. E disso eu entendia. Bati uma vez na porta de Beckett antes de entrar. - Eu disse que iria dar uma olhada nos contratos. - Beckett levantou a mão em saudação quando se sentou em uma das cadeiras de pelúcia ao lado de seu pai. - Não há tempo para você ler os contratos. - disse Rush - basta assina-los. Isso lhe renderá três filmes para o próximo ano. A tensão na sala era espessa como o pudim de chocolate do Sr. O'Callaghan. Deslizei passando por eles e fui para a pequena cozinha, peguei uma Coca-Cola Diet e deixe o líquido frio queimar minha garganta. - Eu quero ler o material. - Sentindo-me como uma hóspede indesejada que reabriu o frigorífico, me escondi atrás da porta e comecei a organizar o conteúdo pela sua altura. - Eu sou o seu empresário, e é o meu trabalho ajudar a selecionar o que você irá fazer, será que estou enganado? - Não, mas talvez seja hora de diversificar. - Para quê? Estamos construindo um império aqui. - Para algo que não envolva dentes e sangue. - Isso é o que os fãs querem ver. - Beckett passou as mãos pelo seu cabelo. - Eu não posso fazer isso para sempre. - Claro que não, você só tem um pequeno tempo para pousar como um galã adolescente, e deve aproveitá-lo ao máximo antes de passar para a próxima fase em sua carreira. - Mr. Rush colocou os contratos sobre a pequena mesa. - Quero estes contratos assinados quando voltar na próxima semana. - Onde você está indo agora? - Los Angeles, quero ter uma conversa com um cara sobre mais mercadorias do Beckett Rush. - Os cartazes e biografias não autorizadas não foram suficientes? Seu pai não sorria quando ele parou na sua frente. - Você pode não entender as coisas agora, mas um dia ainda vai me agradecer por isso. - A porta bateu atrás dele, deixando o trailer mergulhado em um silêncio constrangedor.

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- Só... - Eu me afastei da geladeira e mexi no capuz do moletom, que usava por cima do meu uniforme. - Quando posso conseguir o meu boneco do Beckett? - Vamos executar as linhas, ok? - Seu tom era tão afiado como uma estaca pontiaguda. - Tudo bem. - Sentei-me com a minha bebida e o script. - Onde você quer começar? - Página cinquenta e seis. - Fizemos essa cena dez vezes. - E ainda não esta correta. - Ele empurrou o script para mim. - Eu quero que ela seja perfeita. - Ele beliscou a ponta de seu nariz e fechou os olhos como se estivesse em guerra com uma dor de cabeça. - A página cinquenta e seis. - Entendi, estou pronta para quando você decidir iniciar. Sentia sua irritação vibrar, Beckett ficou lá por mais um momento e quando estava me preparando para iniciar com uma linha, ele olhou para cima e falou. - Sinto muito. - Não é isso que esta na sua linha. - Eu fiz uma varredura da página. - Você deveria dizer... Ele estendeu a mão cobrindo as minhas e o roteiro junto. - Sinto muito, Finley. Eu não tinha a intenção de descontar o meu mau humor em você. Sua pele era quente contra a minha. - Está tudo bem. - Fale-me sobre o seu dia. Eu pisquei com a mudança de assunto. Não conseguia entender aquele garoto. - Hum...O quê? - Sobre seu dia, me fale sobre a escola. - Você não quer repassar as linhas? - Isso pode esperar. - Ok. - Lambi meus lábios nus e lamentei a falta de um brilho. Taylor nunca teria seus lábios nus. - Na verdade, não houve nada de emocionante. - Eu não quero nada emocionante. - Ele se inclinou para frente, como se estivesse prestes a divulgar segredos internacionais. - Eu quero o que é normal. - Bem... - O que eu não daria para puxar apenas uma coisa sexy do meu dia chato. - Estamos lendo Macbeth em Inglês, fiz 85 pontos em um teste em matemática. – Serio, isso era o melhor que eu poderia fazer? - Eu... hum... não conseguiu mostrar o meu trabalho a tempo e não consegui créditos para alguns Adoro Romances em E-book 95


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problemas e sinceramente odeio quando isso acontece.- Sufoquei um sorriso. - Eu tive uma aula de música na hora do almoço e sai com a irmã Maria. - Ela é quente? - Por ser uma setentona, sim, eu acredito que ela é. Ele tirou a mão da minha e recostou-se na cadeira. As linhas duras deixaram o seu rosto e seu sorriso de Los Angeles voltou. - Qual é o assunto você menos gosta? Eu fiz uma careta. - Por quê? - Porque eu quero saber. - História, sempre fico confusa sobre todas as datas, as guerras e os nomes dos homens que eu nunca vou realmente utilizar para nada. - Eu amo história - disse ele - as vitórias, as derrotas, as histórias do mais fraco. Peguei minha coca e corri meu dedo ao redor da borda. - Você se arrepende de não ir à escola? Não ter uma infância normal? Ele olhou pela janela emoldurada por cortinas de linho bege, puxada para deixar entrar o sol. - Eu tive uma vida incrível, qualquer um teria trocado de lugar comigo. Foi a minha vez de inclinar-se para mais próximo dele. - Não foi isso que eu perguntei. Seu peito subiu quando ele tomou uma respiração profunda. - Eu não posso reclamar do que tive, poderia parar de trabalhar hoje e ainda ter uma vida dentro dos meus padrões atuais. Tenho garagem cheia de carros em todas as minhas cinco casas. Amigos em todo o mundo. Um assento de primeira classe em qualquer avião, indo a qualquer lugar que queira. - Seu rosto rivalizava com um anjo. - Mas... Tentei mudar o foco. - Você nunca quis ser um cara normal? Ele balançou a cabeça. - Eu não posso querer isso, não é uma opção. - Mas poderia ser se.... - Agora - ele disse me cortando. - Conte-me sobre a Sra. Sweeney. Eu estudei o seu rosto pensativo. - Como é que sou sempre a única a ficar discorrendo sobre os fatos durante as nossas conversar? - Porque é para isso que eu estou pagando você. Deixei essa passar e falei sobre a minha avó adotada. - Então, eu só preciso cuidar dela para que eu possa obter a aprovação na matéria de Inglês. - Antes que ela fique muito ruim e morra. - Mas a irmã Maria acha que eu preciso ajudá-la. Adoro Romances em E-book 96


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- E o que você acha? - Eu acho que poderia encontrar esta Fiona Doyle, talvez seja fácil de resolver. Às vezes não é nada mais do que a Sra. Sweeney lhe deve algum dinheiro e esteja tentado lhe pagar a anos ou ela emprestou seu jeans favorito há muito tempo e o quer de volta. Seus lábios se curvaram. - Você sabe que é mais do que isso. - Você está certo, mas não tenho tempo para descobrir isso, porque tenho que encontrar um pub em Galway. - Qualquer pub vai servir? - De McPherson, eu acho, é um com uma música que vai alterar minha vida para sempre, me dará uma felicidade eterna e fará com que eu veja Deus. Você entende, um bem simples de achar. - Então você precisa do som mágico da Irlanda e algumas informações sobre um nativo Abbeyglen, Francine. -Os olhos de Beckett dançavam com o brilho da luz do sol. - Estou prestes a resolver todos os seus problemas. - Beckett levantou-se e deu um puxão no meu cabelo. - Prepare-se para louvar e adorar-me. - Seu sorriso era um veneno estranho e eu estava bebendo-o para dentro de mim. - E quando é que vamos começar com este culto e adoração? - Sábado à noite. - Ele caminhou até a porta do trailer pronto para abri-la. - E Finley? - Seus olhos pousaram no meu uniforme escolar, em seguida voltaram para o meu rosto. - Pois não? - Use algo bonito.

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Capítulo quatorze

Galway é tão diferente de Abbeyglen. Mais alta, mais movimentada e bem maior. Os irlandeses amam seus fins de semana, devido à possibilidade de saírem na sextafeira e sábado à noite. O ar crepita com entusiasmo. Tudo é possível... —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

No sábado à noite, enquanto me olhava no espelho do banheiro, levava a chapinha para o mesmo pedaço de cabelo pela décima vez, o vapor flutuava dela e tinha certeza que se continuasse a passa-la naquele lugar ficaria careca em vez de um cabelo domado. Depois de uma rápida passada de spray no cabelo, passei gloss rosa sobre meus lábios e comecei a examinar meu trabalho. Sombra esfumaçada destacava meus olhos, em conjunto com o delineador preto e rimel. Meu cabelo estava em cascata sobre os ombros como se eu fosse uma estrela de filme preto-ebranco. Estava vestida com uma blusa cinza de paetê coberta por um Cardigans preto, uma saia justa carvão e sandálias altas e cintilantes. O reflexo no espelho era de uma menina totalmente chique e descolada, mas através dos meus nervos, tudo o que podia perceber nesta noite era a gordura extra que pairava sobre a cintura da minha saia. Os meus dias de comer bem naquele local estavam me denunciando. Quando houve uma batida na porta sai do transe da minha inspeção e com uma respiração profunda a abri. - Beckett esta lá em baixo. - disse Erin. - E você está... Divina. - Isso é bom, hein? - Borrifei um pouco de perfume no meu pescoço e pulsos. - Eu não posso acreditar que você tem um encontro com o cara mais gostoso do mundo. Eu chequei meus dentes. - Não é um encontro. - Independente do nome de você chamá-lo, ainda é totalmente legal. - Você quer vir conosco? Ela balançou a cabeça vermelha e eu podia vê-la se transformando no modo zumbi que ficava quando estava ao lado de Beckett. - Não, eu não posso... Eu não conseguiria, então hoje irei à casa da Orla, vamos fazer tratamentos faciais e comeremos tanta pizza e bolos de fadas que podemos aguentar. Pelo menos com a Orla posso falar frases completas e depois de ontem à noite, no jantar, quando deixei cair às batatas... Adoro Romances em E-book 98


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- Eu não acho que Beckett tenha notado. - Elas caíram em seu colo, Finley. Beckett tinha aparecido na hora do jantar, novamente. Apesar de Erin ficar um pouco desajeitada com os legumes, ele apenas riu e falou com ela como se fosse um velho amigo e não como alguém que tinha acabado de tentar queimar sua virilha. Era estranho, era quase como se ele gostasse de sair com a família O'Callaghan. Certamente ele tinha um lugar mais emocionante para estar em uma noite de sexta-feira, no entanto, ele preferiu ficar sentado à mesa de jantar com a gente, comer assado com batatas e ficar rindo de todas as piadas de Liam. Desci as escadas e quando entrei na sala de estar vi Beckett sentado no sofá em frente à Nora. - E então, eu comecei a tossir e a minha presa saiu da minha boca e... Beckett levantou a cabeça e virou aqueles olhos cinza quentes para mim. Um sorriso lento se espalhou pelo seu rosto. - Olá, Flossie Sinclair. Meu estômago deu um salto acrobático dentro de mim. - Olá, Beckett Rush. - Aqui está o seu casaco. - Nora entregou a jaqueta de Beckett. - Não se esqueça do toque de recolher. - Eu não vou minha senhora. - disse ele sem tirar os olhos de cima de mim. Eu vou ser um perfeito cavalheiro. Nora riu. - Eu não duvido um minuto disso. - O telefone tocou na cozinha. - É melhor eu ir atender e quanto a vocês dois divirtam-se. - Ela correu para fora da sala deixando nós dois sozinhos. Beckett caminhou até mim enquanto eu inalava a sua colônia. - Você está linda. Minha pele se aqueceu com a intensidade de sua voz. - Você também, nem de longe tão... Pálido. Ele olhou positivamente para a sua roupa, nada mais que simples jeans escuro, uma camisa de abotoar e um blazer de tweed que era incompatível com ele, até mesmo porque ele poderia ter vestido algo escolhido por um de seus estilistas. - Eu decidi deixar toda a maquiagem para você esta noite. - Ele segurou o meu casaco e me virei, empurrando os braços através das mangas. Seus dedos roçaram meu pescoço quando ele levantou meu cabelo para fora do colarinho. - Eu gosto do que você fez com o seu cabelo. - Eu apenas o escovei. - encolhi os ombros um ombro - nada demais. Uma hora e meia depois, caminhávamos pelas ruas de Galway, eu estava com um rapaz que a maioria das meninas teria morrido mil mortes para ter esta oportunidade. Naquele momento ele usava um chapéu inclinado sobre um olho e um par de óculos dando-lhe uma aparência formal e estudiosa, talvez não pudesse reconhecer Beckett à primeira vista, mas após algum tempo. Adoro Romances em E-book 99


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- Quantos personagens você pode se transformar? Ele estava do outro lado da rua, em frente a um restaurante com janelas verdelimão e uma porta vermelha, como um dia dos namorados. Na Irlanda tinha visto combinações de cores que nunca teria sonhado que iria funcionar e, no entanto, de alguma forma dava certo. Com certeza era muito mais acolhedor do que o portão de ferro preto que estaria na frente da minha casa, quando chegasse a hora de voltar. Olhei a vitrine e vi chapéus como aqueles usados para a competição em Kentucky, Derby ou que vestia a realeza para eventos extravagantes. Peças mágicas construídas de fita, plumas, rendas e brilho. Continuei com a minha analise lenta, o prédio ao lado pintado de azul turquesa e acentuado com flores brotando de todas as janelas e potes me pararam, espreitando encontrei o meu próprio pedaço do céu quando percebi que estava olhando para uma loja de música, cheia de instrumentos que brilhavam e fazendo-me querer pressionar o nariz contra o vidro e dizer a Beckett para voltar a me procurar em uma hora. - Nós vamos perder a hora - Beckett chamou. - Espere só um... - fui colocada em movimento quando ele pegou a minha mão e em velocidade me empurrava pela estrada de paralelepípedos. Ele continuou neste ritmo até chegarmos ao Pub McPherson. A música nos cercou como o ar, à medida que entravamos e seguíamos a caminho de uma pequena mesa. Era outro mundo. Beckett puxou minha cadeira e fez um gesto para frente onde cinco homens tocavam. - O homem no violino é Donal Murphy, um bom homem, se quiser saber informações sobre qualquer um em Abbeyglen fale com ele. Sabia que conheceu o meu avô, há rumores de que ele está vivo desde o início dos tempos. Ele olhou para mim. Rugas se estendiam por toda a sua face, suas mãos tinham mais osso do que a pele, suas calças pendiam de seu quadril como se não houvesse nada para se agarrar, mas foram seus olhos que me marcaram. Eles podiam pertencer a um rapaz de vinte anos de idade, era tão vivos... Brilhantes, quase como se iluminado pelo fogo. - Este é o pub do seu irmão. - Beckett abriu um cardápio. - Donal se mudou para cá quando sua esposa morreu no ano passado, mas mesmo assim ele continua a viver com o que tem. - Ele está tocando sem uma letra de música. - Irmã Maria ficaria orgulhosa. Donal Murphy terminou sua canção, ergueu o violino e inclinou-se para a multidão. Eles bateram palmas loucamente, gritando seu nome e levantando as suas bebidas.Velho como a terra e o homem ainda tinha seus fãs. Beckett levantou e acenou para o Mr. Murphy vir a nossa mesa. - Beckett Rush, e que chapéu é esse? - Mr. Murphy deu um tapa nas costas dele. - Ah, mas é uma bela surpresa e o que você está fazendo por aqui? Adoro Romances em E-book 100


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Beckett olhou para mim. - Pesquisa. - E quem é esta senhora encantadora? - Esta é Finley Sinclair da América e ela precisa de algumas informações. - Serio, eu sou um homem velho que não sabe nada e precisa molhar a sua boca, então. - Deixe-me reformular isso, na verdade ela precisa de uma fofoca. Mr. Murphy estatelou-se na terceira cadeira. - Agora eu posso tentar ajudar. Seus olhos brilhavam com malícia quando ele plantou os cotovelos ossudos em cima da mesa. - O que você quer saber, Finley da América? - Senhor, você sabe algo sobre Cathleen Sweeney? Seu rosto se comprimiu em um estremecimento. - Mulher estranha. Escreveu alguns livros para algumas lojas da cidade. Silenciosa, mal-humorada e sempre parecia ter uma pedra no sapato. - Ela está morrendo. - eu disse. Mr. Murphy assentiu. - Eu já tinha ouvido falar disso. - Ele balançou a fina cabeça branca. - As pessoas disseram que é câncer, mas eu sei que é o coração dela. A mulher esta sendo devorada pela culpa, ela levou-a ao seu redor por mais tempo do que eu posso contar e finalmente esta apodrecendo o seu coração rabugento. Eu não poderia ajudar, mas tinha que tomar um pouco o seu partido. - Ela não é tão ruim assim. Mr. Murphy vaiou com o riso. - Ela assusta ate a casca de uma árvore... Ela é terrível e todas as pessoas sabem deste fato, ela deixou o Sr. Sweeney poucos anos após o seu casamento, há rumores de que ele bebeu até morrer devido à solidão, você não pode simplesmente ir deixando o seu marido. - Mas e se ela tinha uma razão? - disse. - A Sra. Sweeney parece não ter família ou amigos, mas ela envia cartas para alguém chamada Fiona Doyle, deve valer a pena envia-las já que tudo voltou ao remetente por anos. - Bem, acredito que elas são enviadas de volta fechadas. Por que sua irmã iria querer falar com alguém como Cathleen Sweeney? - A irmã dela? Então algo aconteceu entre elas? - perguntei. - Ah, claro que sim. - Levantou-se encerrando conversa. - Agora tenho que ir atender aos pedidos. - Espere! - Eu chamei. - Mr. Murphy! - Ele parou meio do caminho e virou para mim. - O que aconteceu? Adoro Romances em E-book 101


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- Você não sabe? - Eu balancei minha cabeça. - Cathleen roubou o noivo de sua própria irmã. - E com isso ele partiu, deslizando no meio da multidão, de volta a sua música amada. - Então, o que você acha disso? - disse Beckett. - Salvo... - Sim? - Se a Sra. Sweeney foi quem roubou o homem, por que ela é a única que é amarga? - Eu não sei, a menos que seja por que... - E então me lembrei das palavras enigmáticas da Sra. Sweeney. Meu destino é como aqueles envelopes fechados e deixados de lado. - Porque ela precisa do perdão de sua irmã. Com a multidão zumbindo em torno de nós, ouvimos a banda e pude ver todos os instrumentos que meu irmão tinha descrito, mas ninguém tocou com tanta vida como Mr. Murphy. Enquanto a banda pegava o ritmo, Mr. Murphy largou o arco e começou a dançar uma giga, a multidão batia palmas no tempo da musica e logo um casal se levantou e se juntou a ele. Em seguida, mais três. A música tornou-se uma coisa viva na sala, bem como no meu coração, onde ele enviava poderosas ondas de choque... alguma coisa. - Eu gostaria que você pudesse ver seu rosto agora. - Eu olhei do outro lado da mesa, para encontrar os olhos de Beckett. - Eu nunca poderia descrevê-lo, mas isso aqui. Você sente isso? - Eu coloquei a mão no meu peito. - Você sente algo? Seu sorriso era um elevador lento de seus lábios. - Eu sinto que há algo de fato. - Eu nunca ouvi nada parecido como Mr. Murphy, ele brinca com tudo que tem. - Desejaria que ele dançasse tão bem e... - Shh. Espere. - Eu levantei a minha mão cantarolando. - Eu tenho que gravar isso. - Agarrando o meu telefone teclei alguns botões para ativar o gravador de voz e cantarolava junto, direto para ele. - Eu preciso mudar parte da canção de Will, agora percebo isso de forma clara. - Através da banda? - Não, na minha cabeça, às vezes é como se Deus simplesmente transferisse os dados. - O Deus que não está falando com você? Sorri. A canção chegaria junto. - Ele me envia cartas de amor ocasionalmente, eu acho. - Você deve tocar esta noite. Adoro Romances em E-book 102


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Eu olhei de volta para a banda, deixando a música preencher cada corte e buraco no meu espírito. - Eu só quero ouvir. Beckett segurava os saleiros e pimenta. - Então, vamos dançar. - Não, obrigada. Ele estendeu a mão. - Se você quiser que o efeito seja completo, não terá um bom resultado a partir de seu assento. - Antes que eu pudesse argumentar, ele me puxou para ficar de pé e saiu em direção à multidão. Pensei que não haveria espaço para mais uma pessoa, mas Beckett nos espremeu entre as pessoas e virou seus olhos risonhos para mim. - Eu não sei dançar assim. aproximando do meu pescoço.

eu disse, já sentindo o meu embaraço se

- Você não tem que saber os passos. - Ele me puxou para mais perto, descansando a mão no meu quadril. - Só sinta a música. - E com um olhar de desafio, nos colocou em movimento, girando, pulando, batendo palmas, nos impulsionando ao redor do pequeno espaço. Meus sapatos pisaram no chão tosco e quando tropecei nos pés de Beckett, seu corpo próximo me acalmou imediatamente. - Eu tenho você. - Seu rosto pairava a centímetros do meu. - E não vou deixa-la cair. A música mudava de ritmo constantemente, os instrumentos tocando a sua própria melodia, mas ainda assim se unindo em unidade perfeitamente incompatível. - Você está se esforçando muito. - Beckett cantou fora de tom em meu ouvido. - Não pense demais, relaxe. Presumi que ele estava falando sobre a dança, mas poderia muito bem ter sido um conselho para cada parte da minha vida, pois quanto mais pensava, mas as coisas se mostravam fora de rumo. Então, apenas me deixei levar pelo momento, meus pés pularam para o ritmo frenético e liberei o meu domínio sobre Beckett, batendo palmas enquanto seguia a sua liderança. Meu cabelo passava pelo meu ombro e batia na minha cara, fiquei imaginando que devia estar parecendo um frango tendo um ataque, mas eu nem ligava. O tambor bateu em um ritmo feroz fazendo as batidas retumbarem no meu peito. O violino de Donal Murphy cantou o solo, chamando cada coração vazio e solitário na sala vir para o centro e ser feliz. E o meu coração desejava responder. A flauta seguia entrelaçada com a guitarra quase como se fossem anjos orquestrando as notas. O Senhor enviará o seu amor fiel por dia; Sua canção estará comigo no meio da noite. Você está aqui para mim também, meu Deus? Ou apenas para aqueles tão fortes em sua fé como Will? Rindo, Beckett pegou minha a minha mão direita e girou em volta de mim. E então eu estava rindo também. Era o som feito por uma menina que não tinha perdido um irmão, uma menina que não estava com raiva e que não teve o seu mundo abalado. A música explodiu em direção ao seu final e Beckett me girou mais uma vez. Completamente sem fôlego eu segurava os seus ombros para me equilibrar e recuperar o fôlego. Adoro Romances em E-book 103


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Ele me suspendeu no ar como se eu não pesasse nada. - Admita para mim - disse ele - você esta se divertindo. - Estou sim. - Inclinei a cabeça para trás e sorri. - Você estava certo. - O que é isso? - Ele segurou seu ouvido. - Eu não acho que ouvi corretamente. - Você está certo, e eu estava... Errada. Com seus olhos de prata em mim, ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, seu dedo acariciou a pele delicada da minha orelha quando ele colocou a mecha no lugar. - Você não é tão ruim, Finley Sinclair. Eu não poderia me afastar de seu olhar mesmo se o Pub estivesse pegando fogo. - Você também não é tão ruim... Às vezes. - Mas não podemos nos envolver. - Não. - Eu engoli seco. - Definitivamente não. Seu rosto abaixou um pouco sobre o meu. - Porque eu sou uma má influência. - E eu quero ficar longe de problemas. Sua voz era áspera... Rouca. - Isso nunca iria funcionar. Eu dei um passo para ficar mais perto dele. - Impossível. Ele traçou meu rosto com a ponta do polegar. - Nós nem sequer gostamos um do outro. - Eu praticamente não suporto você. E em seguida seus lábios esmagaram os meus. No meio do Pub McPherson, com o Mr. Murphy tocando o seu violino e estranhos dançando em torno de nós. Enrolei meus braços ao redor do pescoço de Beckett puxando ele para mais perto. Meus olhos se fecharam com a música e Beckett me consumiu com seus lábios quando eles deslizaram sobre os meus mais uma vez. Era ao mesmo tempo demais e não o suficiente. E tinha que parar. Afastei-me trazendo dedos trêmulos aos meus lábios. - O que aconteceu? Uma nuvem caiu sobre os olhos de Beckett quando ele deu um passo para trás. - Você só me beijou. - Eu não te beijei, você que me beijou! Ele limpou a garganta e passou a mão sobre a barba por fazer em seu rosto. Isso é uma questão de opinião. - Isso não é verdade e o que Taylor acha disso? Eu... Adoro Romances em E-book 104


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Beckett colocou um dedo sobre os meus lábios, travando os seus olhos com os meus. -A culpa é Donal Murphy e suas melodias mágicas, nos faz esquecer-se de tudo. - Ele deixou cair a sua mão. - Vamos esquecer isso. De acordo? Esquecer o beijo que ligou fios elétricos dentro de mim da cabeça ate os dedos dos pés? Que suas mãos seguraram-me como se nunca fosse me deixaria partir? Que meu coração pulou no meu peito e voou como um pássaro? Eu balancei a cabeça. - Já está esquecido.

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Capítulo quinze  Número de cemitérios visitados esta semana: 2  Número de milhas a correr hoje: 3  Número de vezes que eu refiz o meu cabelo na última hora: 3  Número de vezes que eu pensei num certo vampiro nos últimos 30 minutos: 12,5

Beckett Rush, o ator mais quente do planeta. Beijou-me. Este era o pensamento que se repetia na minha cabeça durante todo o domingo e também na segunda-feira na escola. No tempo todo em que estive na igreja, fiquei rabiscando corações e desenhos sem forma, logo que percebi o que tinha feito começava a cobri-los com grandes Xs. Erin havia olhado por cima dos ombros os meus rabiscos e feito uma carranca, imaginei que agora ela teria duvidas sobre a minha salvação ou talvez apenas das minhas habilidades artísticas. E hoje na escola tinha sido a mesma coisa. Em trigonometria fui chamada duas vezes a responder questionamentos da professora e em ambas às vezes a minha resposta inteligente foi: "Huh?”. E quem poderia ouvir Beatrice drone como Macbeth, quando ouvia a voz de Beckett no meu ouvido? Via seu rosto esculpido chegando perto do meu? Tudo porque Beckett me beijou, simples assim e eu não sabia o por que. Ele não gostava de mim e eu não gostava dele e ainda tinha a Taylor... Eu não conseguia ter foco nas outras áreas da minha vida. - Nós sentimos sua falta no almoço hoje de novo. - disse Orla, enquanto caminhávamos do lado de fora, depois da escola. - Eu tenho que conseguir concluir rapidamente as minhas horas no asilo. - O relógio da Sra. Sweeney estava passando e eu não queria estar por perto quando Deus apertasse o botão de soneca eterna. Erin correu para nos alcançar. - Há um novo documentário hoje à noite sobre a colheita de órgãos. Quem está dentro? - Olá, meninas. Viramos-nos ao mesmo tempo e ficamos cara a cara com a Beatrice ladeada por seu séquito de seguidoras. - Como é que a caça de um par para o baile esta indo? - Beatrice perguntou a Erin. As duas meninas ao seu lado compartilharam um sorriso cruel. - Eu já tenho o meu par. - disse Erin. Adoro Romances em E-book 106


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- Quem foi que disse que você estava à procura novamente? - Beatrice perguntou. - Eu. Eu, hum, não sei nada a este respeito. - O sorriso de Beatrice era como unhas em um quadro sem corte seco. - Deixe-me adivinhar... Deve ser porque ele não existe? - Você está chamando a Erin de mentirosa? - Orla empurrou as mangas da camisa até os cotovelos. - Se o vestido do dia de St Patrício se encaixa... - Condescendência borbulhava dos lábios de Beatrice. - Mas se ela diz que tem um par, então quem sou eu para duvidar? Mal posso esperar para conhecê-lo.- Beatrice e a sua irmandade de esnobes se despediram e em seguida caminharam pela calçada, na direção contrária a nossa, descartando completamente um mundo onde os normais como Erin e o resto de nós existiam. - Eu tenho que encontrar um par. - Erin murmurou. Orla enfiou duas gomas de mascar na boca e ainda olhando para a parte de trás da cabeça de Beatrice falou - Meu primo ainda está disponível. - Seu primo usa delineador. - É apenas uma fase. - Finley, você deve chamar o Beckett para ir com você. - disse Erin. Eu tropecei em uma pedra do tamanho de um quarto. - Não, de nenhuma maneira e ele nem gosta de mim desse jeito. - Será que ele iria? - Você esta cantarolando desde a sua noite em Galway com ele.- O tom de Orla me desafiava a contar alguns detalhes. - Só estou trabalhando na minha música. - Você continua repetindo isso a todo o momento - disse Orla. - Mas se eu tivesse saído com Beckett Rush... Acho que também estaria cantarolando.

Eu dei quatro voltas ao redor da cidade em minha bicicleta, antes de finalmente parar no set, e isso era apenas porque eu precisava me dar um tempo queimando um pouco do meu nervosismo e também tinha que queimar algumas calorias adquiridas a partir de um fim de semana indulgente demais, na cozinha do Sr. O'Callaghan. Mas infelizmente não funcionou. Guardei a minha bicicleta e caminhei para o campo aberto onde à equipe fervilhava em torno dos atores em cena. Adoro Romances em E-book 107


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O diretor falou com Taylor, e quando ela balançou a cabeça vigorosamente os seus cabelos incrivelmente volumosos corriam em volta dela, como fios de seda como se fossem boas extensões. Algo ruim arranhou a minha garganta e eu tossi na minha mão. Beckett se afastou de sua posição ao lado de Taylor. E olhou diretamente para mim. Ele usava outra roupa ridícula do século XIX, mas eu duvidava que em qualquer outro homem de 1800 se parecesse arrojado... Asperamente bonito... Ou arrogante... Ou encantador. Oh meu Deus, ele era como uma febre, uma praga que nenhum de nós poderia resistir. - Ação! A cena veio à vida quando Beckett estendeu a mão e tocou o rosto impecável da Taylor. Desviei os olhos e me concentrei no grupo de câmera, era apenas mais um lembrete de que Beckett tinha uma namorada. E não era eu. Nem eu quero que seja. - Corta! Façam uma pausa de meia hora. A equipe se separou como formigas em uma tempestade de areia e Beckett me chamou a atenção, em seguida, sacudiu a cabeça na direção ao seu trailer. Eu poderia trabalhar para ele, mas não estava a sua disposição assim que me chamasse. Que tal um pouco, por favor, se não se importa? Enquanto me dirigia para o trailer, parei e conversei com Ciara pegando algumas dicas sobre um sombreamento com corretivo. Então, fiz uma pausa nas barracas de lanches roubando um cookie, dei uma mordida e em seguida joguei fora. Não há mais lugar para um prato cheio de comida para mim, uma mordida num cookie representava uns cinco minutos de corrida, ou seja, não valia a pena. Depois de ajudar um cinegrafista com algum equipamento, finalmente me reboquei para o trailer de número seis e bati na porta de metal. Meus dedos mal fizeram contato antes de a porta se abrir totalmente. E lá estava Beckett, inclinando-se contra a abertura, a camisa de linho branco e antiga desabotoada, o cabelo deitado em ondas perfeitas e seus olhos cheios de uma malícia preguiçosa. - Eu te procurei no domingo. - disse ele. Eu apontei para a camisa. - Sério? Este modelo é de 1875? Ele olhou para baixo. - Ele direciona a garotas selvagens. - Sim, como aquelas que trabalham no Hooters e que tem uma coisa por bancos traseiros. - Você não atendeu ao telefone no domingo. Adoro Romances em E-book 108


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Eu me esforcei para encontrar o seu olhar. - Você vai me deixar entrar? - Você vai responder a minha pergunta? - Eu estava ocupada. - Fazendo o quê? - É um dia santo. Eu fui à igreja e passei o resto do tempo refletindo sobre o sermão e como posso aplicar seus princípios à minha vida. - Você nem gosto dessa igreja. - Tudo bem. - eu disse. - Não queria admitir isso, mas rezei por sua alma escura. Agora, deixe-me entrar. - Cuidado. - disse ele. - O degrau quebrou esta manhã. - Beckett estendeu a sua mão grande e me puxou até que eu estava de pé ao lado dele na porta, impedida de me mover para dentro. - É comovente saber que estavam orando por mim. - Ele olhou para baixo, prendendo-me no lugar com o olhar. - E pensar que acreditei que você estava me ignorando. Meu Deus, Harry Potter não tem qualquer tipo de magia como o tipo que este cara estava utilizando. - Por que você achou isso? - Eu não sei. - A voz de Beckett era baixa e áspera. - Pensei que a noite de sábado poderia ter assustado você. - Andar pelas ruas de Galway? - Eu fiz o possível para as minhas palavras saírem em um tom calmo e inalterado. - Jantar no pub? Um pouco de dança? Fofocando com o seu amigo? - Meus olhos caíram sobre os lábios e usando toda a minha força de vontade voltei a olhar os seus olhos. - Por que isso me afetaria em alguma coisa? Os risos das meninas vieram atrás de nós, quebrando o feitiço e me fazendo lembrar que Beckett e eu não estávamos sozinhos, mas onde todos pudessem nos ver. Beatrice e Taylor passavam. Taylor deu um aceno fraco e eu levantei a minha mão em troca. Beatrice olhou para Beckett, então de volta para mim, com os olhos de uma cobra prestes a dar o bote. - Entre. - Ele me deu um leve empurrão para dentro e fechou a porta. Caminhando para a geladeira, Beckett pegou uma coca Diet, em seguida, entregoua a mim. - Obrigada. - Eu tomei um gole, grata por ter algo a fazer. - Quer repassar as linhas? Ele ficou muito perto, tão perto que poderia estender a mão e traçar a linha de sua mandíbula. Quando um sulco formou em sua testa seus olhos procuraram os Adoro Romances em E-book 109


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meus e meu coração parou por alguns segundos, antes de se lembrar de bater novamente. Os segundos passavam. Finalmente interrompi o silêncio. – Beckett. - Eu tive uma ótima noite no sábado - disse ele, como se não compreendesse muito bem a situação. Eu não queria ficar satisfeita, no entanto estava mais que satisfeita. - Você gostou? Seus lábios se levantaram em um sorriso torto. - Sim. - Oh - Sério? Ele se divertiu? Comigo? Beckett se afastou e eu aproveitei a oportunidade para respirar. Movimentouse para uma das cadeiras e se sentou. Pegou uma sequencia de caracteres no estofamento. - Uma dessas fotos do diário de seu irmão fica em Lahinch, gostaria de saber se você gostaria de dar um passeio lá, no domingo depois de irmos à igreja. Como amigos? Como um menino e uma menina que se beijaram depois de executar um rodopio de uma dança, em um pub irlandês? - Espera... - Quando? - Você vai para a sua - disse ele - e eu vou para a minha. - Você vai a uma igreja?" - Igreja da Irlanda, sim. - Eu juro que vi seu rosto corar. - Meu vizinho costumava levar-me quando era pequeno, não é uma grande coisa. - Por alguma razão tive uma sobrecarga com esta informação. - Isso não esta de acordo com o seu tipo, não é? - Beckett Rush, festeiro da América, vai à igreja aos domingos. - Você está rindo de mim? Eu sentei e cruzei as pernas. - O seu pai sabe que você faz isso? - É uma pergunta simples ou é sim ou não, Finley. Ou você quer ir ou não, eu apenas pensei que você gostaria de ver um pouco mais da cultura local. Isso é tudo. - Você poderia simplesmente ir comigo e a Erin no domingo. Não, espere provavelmente é melhor não comparecermos juntos de qualquer maneira, vai que você tente me beijar durante o convite. Ele arqueou uma sobrancelha. - Você não conseguia manter suas mãos longe de mim no sábado. - Eu? - Eu apontei o dedo na cara dele. - Você foi o único que insistiu para dançarmos.

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- E você amou cada minuto, vamos admita. - Inclinando-se para frente, Beckett apoiou os braços sobre os joelhos e olhou diretamente para mim. - Finley? Ele traçou o padrão de xadrez no braço da minha cadeira, tão próximo a mim que quase podia sentir os dedos dele na minha pele. - Eu me diverti muito no sábado e realmente quero que você acredite nisso. Ao meu lado uma gotícula de suor brilhava na minha lata. - Você já disse isso. - Eu não acho que você acredite em mim o tempo todo e isso é muito triste. Ele deu um pequeno suspiro. - Quando estou com uma garota, gosto de causar uma boa impressão. - Eu não fico com caras que têm namorada. - Não acredite em tudo que você lê nos tabloides. - E o que exatamente isso quer dizer? Ele deu de ombros, evasivos. - Além disso. - Estudei sua expressão. - Você disse que queria esquecer o que aconteceu. - Ele levantou-se, pôs as mãos em cada lado da minha cadeira e ficou suspenso sobre mim, seus lábios um sopro de distância dos meus. - Eu não sei por que eu gosto de sair com você, mas eu adoro. - Vocês atores não são pagos para pensar de uma forma regular. - Eu é que não conseguia pensar, não com ele tão perto. - Você. - Ele mudou o ângulo até a sua boca estivesse próximo ao meu ouvido. - Foi a melhor parte do meu fim de semana. Virei minha cabeça apenas um pouco, até que nossos olhos se encontraram novamente e roçava a minha bochecha contra a dele. - Eu ainda estou esperando você resolver a questão Taylor. Eu ouvi seu suspiro verdadeiro neste momento. - Você pode confiar em mim, pois não estou cruzando nenhuma regra arbitrária? - Você tem uma namorada. - E se eu não tiver? - Você está me dizendo que não tem? Atrás de nós a porta se abriu e Beckett ficou de pé. - Confira o site da revista People! - Taylor entrou no trailer segurando seu iPhone. - Fizemos a manchete do dia. - Beatrice estava atrás dela, com um sorriso torto no rosto. - Estamos repassando as linhas - disse Beckett. - Eu verei isso mais tarde. Mas Taylor não seria dissuadida. - Eu vou ler para você. Adoro Romances em E-book 111


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- Não Taylor... - Presas do elenco tem uma noite selvagem no sábado à noite em Doolin. Taylor riu quando ela nos mostrou na tela. Beckett entrou na minha frente, bloqueando a minha visão, mas com uma cotovelada no seu lado acabei lhe afastando um pouco, e o que vi revirou o meu estômago. Era uma foto de Beckett, cercado por um grupo de colegas do elenco, em algum pub. Seu braço estava pendurado em torno de Taylor e ela olhava para ele como se ele fosse todo o seu mundo. - Um par de lágrimas quentes de Hollywood superior à cidade' - Taylor leu. - A grande imagem, hein? Eu olhei para Beckett com um punho invisível em volta do meu coração. – é, eu acho que este foi superior ao meu sábado à noite.

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Capítulo dezesseis Você estava muito para baixo no telefonema de ontem. Você sabe que pode conversar com seu velho pai, sobre qualquer coisa. Exceto sobre meninos, coisas intimas de mulheres. E sem falar naquele sujeito chamado Bieber. Mensagem de texto do papai enviado para o meu iPhone

O relógio marcava quatro e quarenta e cinco da manhã, quando finalmente admiti a derrota para uma noite perdida sem dormir e levantei-me. Meus olhos estavam desfocados e doloridos e tinha tanta certeza que não precisava olhar em um espelho para saber que eles estavam inchados e exigiria varias camadas de corretivo aplicado, como se fosse uma massa corrida. Ligando a lâmpada, abri a gaveta na mesa de cabeceira e peguei a minha Bíblia. Não me sentindo particularmente inspirada comecei a folhear as páginas e parei de forma aleatória. Meu dedo pousou no segundo capítulo de Efésios e puxei as cobertas até o queixo antes de ler as palavras. Não sentindo nada saltando para mim ou sussurrando, "Finley, isso é Deus falando com você", fechei a Bíblia depois de alguns minutos e tentei em vez disso rezar. Se houvesse grilos na sala, eles com certeza teriam fornecido a trilha sonora para quebrar o silêncio que pairava no quarto de tão grande. Deus, eu não sei se você está ouvindo, mas eu não tive uma ótima semana. Ela até que começou bem, Galway é linda, a sua música incrível. Por um tempo, eu me senti tão livre e viva e então as coisas ficaram complicadas. Beckett me beijou e isso não significou nada para ele. Eu só caí na mentira de que as coisas fossem diferentes, que ele seria diferente e talvez esta mudança fosse por minha causa, que ele mudaria seus caminhos por alguém igual a mim. Sou apenas mais uma garota que ele cortejou e beijou. Diversão sem sentido para ele. Confusão total para mim. Eu fiquei sentada lá por mais alguns minutos, apenas no caso de que Deus quisesse falar através das vigas ou enviar um anjo com uma trombeta para me entregar uma boa notícia. Mas nada. Por que eu deveria me preocupar com tais respostas? Bem desperta e acelerada devida a minha frustração, pulei fora do meu pijama de gatinha e vesti minha roupa de corrida. Agarrando o meu iPod segui na ponta dos pés escada a baixo e sai pela porta dos fundos, para a luz fraca do amanhecer. Quando uma canção da velha escola Crowder tocou no meu ouvido me dirigi para descer à calçada, dobrando o meu corpo contra o vento e o declive da estrada. Adoro Romances em E-book 113


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Meus pés tocaram o chão e com cada golpe do meu tênis passei a respirar um pouco mais rápido e também um pouco mais fácil. Isso era familiar e reconfortante. O oxigênio bombeando em minhas veias, o movimento dos meus braços e pernas, a matança das calorias. Quando estava no terceiro tempo da canção do Rei Leão percebi alguém se aproximando, quando olhei atrás de mim, minha cabeça teve que repetir o movimento por duas vezes. Beckett. Vestido da cabeça aos pés de preto, de seu tênis Nike ao seu gorro, ele pegou o meu ritmo. E então comecei a correr de verdade. - Espere. Eu o ouvi dizer sobre o som de uma guitarra lamentando. Uma menina legal teria parado naquele momento, uma garota sofisticada teria fingido que nada estava acontecendo. Eu? Comecei a correr o mais rápido possível, sem sequer olhar para trás, sabia que ele estava logo atrás de mim. Cortei através do campo rochoso do Sr. Dell e usando um pouco da minha agilidade de Líder de Torcida saltei por cima do muro de pedra. A grama bateu nas minhas pernas, mas apenas a empurrei sem ter a mínima ideia para onde estava indo e esperando que o Sr. Dell não possuisse um touro. - Finley! - Vá embora - falei de volta. Cinco segundos depois uma mão agarrou a barra da minha jaqueta e em seguida os dedos de Beckett fecharam em torno do meu braço, obrigando-me a parar. Arranquei os meus fones de ouvido. - O que é? - Minha respiração estava enfurecida, dentro e fora dos meus pulmões. Beckett me manteve retida e olhou para mim como se eu tivesse perdido minha mente. - Eu quero falar com você. - Eu estou ocupada. - Eu agitei a mão em direção ao prado. - Eu tenho muitos campos para ir antes de terminar o meu tempo de corrida. - Eu torci meu braço para deixado-lo livre e recomecei a andar mais profundamente sobre a propriedade e Beckett continuou a me seguir. - Você está louca? - Porque você está interrompendo a minha corrida matinal? Sim. - Não é sobre isso que eu estou falando. - Eu não posso imaginar o que mais você poderia estar se referindo. - Corta essa, Finley. Apenas fale comigo.

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- E dizer o quê? - Me virei para ele. - Que vê-lo na Internet, numa festa com o elenco depois de me deixar em casa me machucou? Ou talvez você queira me dizer que o nosso beijo na noite de sábado significou alguma coisa? Bem, não para todos os itens acima. - Eu não sou este idiota que você pensa que eu sou. - Você está certo. - Eu olhei para o sol nascendo no horizonte. - Eu acho que você pode ser pior, mas se acredita que irei fazer parte de uma das legiões de garotas que caem sob seu feitiço celebridade, você está enganado. - Eu não acho isso. - Como você pode não achar? - Minha voz se levantou. - Cada menina que você olha desmaia aos seus pés, mas sabe o quê você não sabe? Eu não estou impressionada por você Beckett. - A mentira doeu quando tropeçou para fora de meus lábios. - Eu não vejo o que todo mundo vê, sábado à noite foi divertido, mas beijá-lo foi um erro e nós dois concordamos com isso. Ele arrancou o gorro e passou os dedos pelo cabelo. - E se eu mudei de ideia? - Seus olhos de mercúrio seguravam os meus. - E se eu não consigo parar de pensar sobre isso? Com uma pequena risada balancei minha cabeça. - O que é isso? a segunda fase do plano de sedução do Beckett Rush? - Eu apunhalei o seu peito com um dedo. - Eu não estou em você, não posso ser tão mundana como todas as atrizes que você namora, mas eu não sou um idiota. - Finley... - Tenho certeza de que você e seus amigos deram boas risadas às minhas custas. Em todas estas coisas, eu sou mais do que vitorioso... - Você falou sobre a sua noite lá em casa comigo e com o Sr. Murphy? - As lágrimas iam cair a qualquer momento, mas eu seria amaldiçoada se ele me visse chorar. - Não, não é assim. - Beckett estendeu a mão para mim, mas me afastei. - Eu verdadeiramente dizer o que eu disse sobre a noite de sábado... Eu adorei cada minuto." Seu sotaque engrossou quando sua testa franziu em uma carranca. - Você não pode acreditar em tudo o que vê ou lê na imprensa. - Então, você e Taylor não são um casal? - Ele abriu a boca e em seguida voltou a fechá-la. - Que um bom namorado você é. - Eu forcei a minha voz para ser plana e uniforme. - Estou consumida positivamente de ciúmes sobre o que Taylor tem, quero dizer, o que é um cara digno de confiança e moral. Ela é tão sortuda. - Eu não posso explicar tudo, mas... - Porque não há o que explicar. - Coloquei meus fones de volta, acionei o volume e corri na direção de casa. Deixando Beckett bem distante de mim. Adoro Romances em E-book 115


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Eu fiquei com a Erin e as meninas do lado de fora, na hora do almoço, por alguns minutos, antes de jogar os restos da minha maçã no lixo e subir na minha bicicleta para ir ver a Sra. Sweeney. Entre seu ronco devido as minhas escolhas de leitura, gritando pela polícia e ameaçando arremessar o seu pudim no meu rosto, era uma hora em que eu não iria fazer nada além de acumular um tesouro no céu. Deus me devia por esta. Enquanto isso, Erin foi compensada com uma velha senhora que já tinha tricotado para ela um chapéu e lenço que combinavam. - Boa tarde Sra. Sweeney. - Bati duas vezes e em seguida entrei no quarto. Como à senhora está se sentindo hoje? Uma bandeja solitária estava em cima do carrinho, ao lado da cama da Sra. Sweeney. - Vá embora. - É bom ver você também. - Eu apontei para o prato coberto em sua bandeja. O que é isso? - Bangers and mash. - Uh-huh. - Salsicha e purê de batatas. Com o que eles estão te alimentando já que você nunca ouviu falar disso? - Bem, se ele é tão bom porque você não está comendo? - Porque eu não quero. - Sra. Sweeney estava deitada sobre os travesseiros e as suas rugas ficavam mais pronunciadas nesta sala iluminada apenas por sua luz de leitura. - Quer que eu corte as salsichas para você? - Eu sou uma criança que não pode cortar a própria carne? Nós duas sabíamos que ela não havia cortado sua própria comida em semanas. Ultimamente eu tinha visto uma auxiliar de enfermagem ajuda-la a se alimentar. - Eu não estou com fome, feche logo esta tampa. - Ela virou a cabeça empalidecendo. - Eu não suporto este cheiro. - Você esta se sentindo enjoada? - É claro que estou, lembra-se tenho câncer. Cobri a comida e empurrei o carrinho para longe. - Você tem que comer para se sentir forte. Adoro Romances em E-book 116


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Ela resmungou e revirou os olhos. - Mas eles não estão me trazendo algo gostoso, apenas papinha como se eu fosse um bebê pequenino. Vasculhei a minha bolsa e tirei algumas bolachas do almoço de ontem. - Eu tenho a coisa certa.- Abri o pacote e entreguei para ela. - Agora coma. - Alguém já lhe disse que você é mandona? - Alguém já lhe disse que você precisa escovar seu cabelo? - Andei até a sua cama e ajeitei os seus travesseiros. Em seguida peguei a escova que ela tinha começado a manter em sua mesa e gentilmente comecei a alisar os seus rosnados do dia. - Vejo que você tomou banho hoje, pois o seu cabelo esta com um cheiro agradável e limpo. - Hmmm. Deus, ajude-me a passar por essa mulher e também que ela melhore as suas frases fazendo o uso de palavras reais em seu contexto, aquelas que contenham vogais e tudo mais. - Eu sei que você está morrendo por uma atualização sobre a minha vida, posso ver isso em seus olhos ardentes, por este motivo não irei mais mantê-la em suspense. - Os olhos da Sra. Sweeney fecharam-se como se estivesse dormindo e tomei isso como um convite. - Eu tenho praticado dia e noite a minha música para realizar uma boa audição. Ninguém conseguiu identificar a cruz no diário do meu irmão, o que significa que ainda não tenho um final para a minha canção, pois não é possível utilizar nela notas antigas. Ainda não achamos um par para a Erin e ela é um caso perdido, pois aparentemente, quando fica estressada começa a ver revistas médicas online. A Beatrice continua a assediá-la e ela não é exatamente uma boa pessoa para mim também. Eu nem sequer esperei a Sra. Sweeney comentar algo, pois, sabia que ela não iria. - Eu acho que toda cidade tem que ter uma semente ruim. Roncos de um lenhador saiam dos lábios rachados da Sra. Sweeney e continuei a escova-la com suavidade e com o meu monologo. - Então fui para Galway com Beckett no sábado à noite, você o conhece, é aquele ator que estava babando em cima do nosso pequeno piquenique. Conhecemos alguém que pode ser do seu conhecimento. - Suspendi a parte superior de seu cabelo para dar-lhe uma pequena elevação. - Donal Murphy. Os olhos fechados da Sra. Sweeney se encolheram. - Disse que te conhece há muito tempo e o homem certamente parecia cheio de informações. - Um maldito intrometido é o que ele é. - A voz da Sra. Sweeney pareceu como um fogo de artifício. - Não dá para acreditar em uma palavra que ele fala. Eu me acomodei na cadeira ao lado da cama. - Eu sei sobre sua irmã. - Você não tinha o direito de bisbilhotar! Você não apenas conheceu o homem, não é? Seu cabelo caiu sobre os travesseiros quando ela se levantou da cama. Você fique fora da minha vida! Adoro Romances em E-book 117


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- Quanto tempo se passou desde que você falou com ela? - Saia agora! - Ela se virou de lado e puxou as cobertas até o queixo. Legal, se tivesse que ter essa conversa com as suas costas, tudo bem. - Eu sei que você se preocupa com sua irmã. - Silencio. - Mr. Murphy disse que... hum... você roubou o seu noivo, e embora eu nunca tenha feito isso fiz algumas coisas bem terríveis, como machucar as pessoas, principalmente a minha família e também perdi alguns amigos. Sei o que é gostar de fazer más escolhas, aquelas que parecem certo no momento, e também sei o que é gostar de pagar as consequências. Sra. Sweeney não sei em que você acredita, mas acho que se pedir a Deus para limpar a sua ficha, ele o faria. É muito fácil, só que isso é algo que não posso fazer pela senhora. Sua respiração estava lenta e constante e sabia que provavelmente iria ficar assim até que ela realmente dormisse. - Mas acho que ao mesmo tempo a senhora quer o perdão de sua irmã também. E... - Eu esperava que não me arrependesse disso. - Neste caso posso ajudar. O relógio na parede assinalava os segundos, a lâmpada zumbia, mas não obtive resposta da Sra. Sweeney. - Ok. Aqui está o negócio. - eu sussurrei. - Talvez você não devesse confiar em mim para realizar isso, porque no momento Deus e eu... Não temos uma parceria legal, e tudo isso me deixa meio louca no momento, ou talvez por ter feito varias interferências no ano passado que agora esta tirando uma folga de Finley. Mas mesmo sabendo disso, ainda irei orar sobre isso, irei orar pela senhora. Por que... Funguei contra lagrimas inesperadas - incomoda-me saber que a senhora não terá este desfecho e acredite em mim, a senhora irá precisar muito dele, todos nós precisamos, mas a senhora em especial porque é a mulher mais mal-humorada que conheço... Mas parece que passei a me importar muito com você. Oh... E este era o ponto? Caminhando ao redor da sua cama, arrastei-me até a porta e a abri para ir embora. - Finley? Aquela voz rouca me fez parar. - Sim, minha senhora? - Meus olhos se encheram de lágrimas de novo e eu pressionei meus lábios para conter um sorriso. - Traga o seu violino da próxima vez. - Sim, senhora. - E Finley? - Sim. Adoro Romances em E-book 118


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- Não ingira nenhuma tolice que a Beatrice falar. - Eu não vou, Sra. Sweeney. Atrás de mim a lâmpada foi desligada e o quarto ficou escuro.

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Capítulo dezessete

STEELE MARKOV Não, não tenho nenhum reflexo no espelho. Eu não tenho nenhuma razão para olhar para ele. Eu me vejo refletido em seus olhos. Eu sei o que você pensa sobre mim. Mas e se eu te disser que, você esta errada? Presas da noite, cena 8, página 48 Fierce Brothers Studios

- Isso é um livro o que você está lendo. Beckett olhou para mim por cima do seu livro, que era a biografia de George Washington, enquanto ficava parada na porta de seu trailer, bloqueando o sol da tarde de quarta-feira. - Tem um monte de palavras difíceis nele. - Ele arqueou uma sobrancelha. Talvez você possa me ajudar a entendê-lo. - É apenas a primeira impressão. - Fechei a porta atrás de mim e entrei. - Estou aqui para dizer que quero cair fora do nosso acordo. - Beckett coçou o seu ombro e bocejou como um príncipe em seu castelo. - Eu disse que estou fora. Ele voltou sua atenção para o livro. - Eu ouvi você da primeira vez. - Ok, então. - Eu estava ali como uma tola, contando de quantas maneiras eu adoraria dizer que tinha me apaixonado por ele. - Eu só queria dizer adeus. - Renúncia, eu não aceito. - Seu longo dedo lentamente virou uma página. Meu rosto corou de tanta raiva. - Não finja que isso incomoda a você .... A minha sentença de morte veio quando Beckett bateu com o livro sobre a mesa e ficou de pé, fechando a distância entre nós em apenas três passos e se elevou sobre mim. - Você quer que eu seja um cara festeiro, tudo bem, você quer que eu persiga qualquer coisa em um jeans apertados, irei aceitar isso também, mas pelo menos eu tenho sido fiel ao nosso acordo. - E para com Taylor? Você esta sendo fiel a ela? Adoro Romances em E-book 120


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- Você me disse que iria me ajudar até o final do filme, este era o nosso acordo, no caso de você precisar de um lembrete. - Mas-... - Eu não a tenho levado para onde quer que você peça? - Sim. - Será que eu te tratei mal nestes momentos? Eu balancei minha cabeça. - Não, mas... - É isso que você sempre faz? Apenas se desliga quando as coisas ficam difíceis? Fugindo quando algo não segue pelo seu caminho? Eu vacilei em suas palavras. - Você é um idiota. - Talvez. - Sua mandíbula se apertou. - Mas não é sobre isso que estamos falando. Parece-me que você é a única pessoa boa por aqui e eu pensei que você fosse melhor do que isso. Sim, bem, eu não era. - Porque você não pode me deixar ir? Seu olhar lentamente mergulhou em meus lábios e em seguida deslizou de volta para os meus olhos. - Talvez eu não queira. - Ele massageou a parte de trás do seu pescoço. - Eu pensei que éramos amigos. - Algo nadou nos seus olhos. Alguma coisa antiga, quase melancólica. - Finley, eu sei que você está chateada e sinto muito, mas a minha vida não é minha, há muitas coisas sobre este negócio que você não entende. - Eu entendo mais do que você pensa. - Como o fato de que Beckett era um mestre manipulador e um jogador fatal. - Não - disse ele. - Você não sabe nada, além disso, como é que você vai chegar a todos os lugares que você mapeou? Você vai desistir disso também? - Eu vou encontrar um jeito. - Ou você me deixa levá-la, de acordo como foi originalmente discutido pó nós. - Por quê? Por que você está fazendo isso? - Porque eu quero você aqui. Suas palavras fortes ficaram penduradas entre nós, equilibrando-se entre sua interpretação e a minha. - O que isso quer dizer? - Que ele gostava de mim? Que ele queria passar mais tempo comigo? Adoro Romances em E-book 121


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Quando ele olhou para mim, o seu lado malandro tinha ido embora. Em vez disso, vi um cara que estava cansado, que estava em alta demanda de todos que o conheciam. - O diretor estava ameaçando me substituir no filme há apenas um mês. - Ele falou baixinho, como se suas palavras pudessem vazar através das paredes do trailer. – Então, você veio e me ajudou com as minhas linhas e eu tinha recebido vários empurrões para assinatura de contratos para os próximos filmes. - Então, eu sou o seu amuleto da sorte? - Amargura perfurou meu ego como um alfinete. Por que eu ainda me importo? Beckett estendeu seus braços com ambas às mãos levantadas e lentamente retirou o gorro da minha cabeça. Ele passou a mão no meu cabelo e sorriu. Sempre. Peguei meu gorro de suas garras. - A melhora em suas habilidades de atuação não tem nada a ver comigo. Ele plantou a mão sobre o espaço acima da minha cabeça e suspirou. - Eu não consigo explicá-lo. - Experimente. - Você é real, Finley. Você é falha e não é perfeita como todas as outras garotas que eu vejo. Então, o que é ser real? É não viver em Hollywood. - Eu fico apenas... confortável em torno de você. Todo mundo é tão falso, tão ansioso para beijar minha bunda, para me dizer sim quando a resposta é não. Não é isso que eu quero. Ninguém mais além do diretor tem a coragem de me dizer quando eu realizo uma linha ruim ou atrapalho uma cena. Mas com você. Preciso direto de um feedback honesto. - Pergunte ao seu pai. As sobrancelhas de Beckett se juntaram. - Ele grita com qualquer pessoa da terra que sugira que eu não estou entregando um desempenho de Oscar com cada palavra. - Parece muito encorajador para mim. - Não. - Sua mandíbula ficou tensa. - Eu quero alguém que seja sincero. Você tem alguma ideia do quanto é pouca à honestidade que eu vejo? Eu não posso confiar em ninguém. Mas como você mal me tolera.- Seus lábios se curvaram. - É perfeito. - Desculpe, mas não estou interessada, o nosso acordo era que eu fosse apenas a sua assistente, não lhe devo mais nada. - Você quer descobrir a lápide que esta na foto do seu irmão? Adoro Romances em E-book 122


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- É claro que quero, mas também lembro claramente de você dizer que era impossível. - Eu irei fazer isso acontecer. - Você mesmo disse que havia milhares. - Confie em mim. Minha risada foi baixa e cínica. - Eu posso não estar no topo da minha classe, mas eu não sou uma idiota total. - Eu estou pedindo para você fazer uma coisa para mim. - Sua voz era tão sincera, mas ele era um ator. - Faça isto como minha amiga e irei encontrar o local da foto. - Beckett? - Eu curvei o meu dedo e ele inclinou-se até que meus lábios estavam perto de sua orelha. - Sim? - Arranje outro amigo.

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Capítulo dezoito

Na Bíblia você disse que seu amor é constante e que a verdade sempre me protegerá. Eu não posso acreditar que partes do forte Dun Aengus ainda estão de pé e isso me fez pensar como tudo é tão maluco, mesmo que você tenha construído a Ilha de Inishmore ao longo de milhares de anos, você está neste momento comigo aqui e agora. Você permanecerá sempre aqui comosco inabalável. —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

- Ele beijou você? Erin parou de repente, bem na frente da entrada para a escola, como se o choque tivesse paralisado suas pernas. - Eu não posso acreditar que você manteve isso em segredo Finley, isso é incrível. - Não, não é. É horrível. - Eu estou disposta a experimentar esse horror a qualquer momento - disse ela. - Mas para ser honesta, ele fez ou disse qualquer coisa para que você perca a... Esperança? - Não acredito que ele esteja a fim de mim, sinto que o beijo foi apenas um comportamento habitual dele. - Apenas algo que Beckett fazia com regularidade com qualquer garota com lábios. - Mas, ainda assim, não poderia ter colocado o mais ínfimo pedaço de meu coração nisso, pois quando terminou, uma parte de mim queria que Beckett me falasse: Eu nunca senti nada parecido como a sensação de quando o beijei. - Seria como Shakespeare. - Então a fantasia continuava com algumas declarações de adoração e algumas proclamações da minha beleza inebriante. - Bem como isso não aconteceu, então você fingiu que não sabia nada sobre um beijo. Erin suspirou. - Infelizmente, eu não sei de verdade. Eu entrei pelas portas do Sagrado Coração de Jesus e a realidade me trouxe de volta a Terra, com o cheiro de desinfetante misturado com o perfume de algumas centenas de meninas. Meu pulso acelerou de repente quando percebi que tinha esquecido meu notebook e uma folha de trabalho em casa. Deus ajude-me. Adoro Romances em E-book 124


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Erin e eu andamos em direção à aula de Inglês enquanto a temperatura caia uns bons trinta graus, logo encontrei a fonte do frio quando me sentei na frente de Beatrice. Meu sorriso era amigável, como se não tivesse nenhuma preocupação no mundo. - Bom dia. - Sim? - Ela estudou suas notas para o nosso quiz sobre Macbeth, sem sequer olhar para mim. - Taylor me disse que você não ficou muito feliz com a foto dela e Beckett nos tabloides. - Eu realmente não me importo, já lhe falei que Beckett e eu somos apenas amigos e isso é tudo, nada mais, além disso. Ela virou uma página com as suas notas. - Você se joga para ele a cada oportunidade e isso é realmente embaraçoso. Eu me joguei em cima dele? Eu? - Essa é uma... Perspectiva interessante, mas acho que nós duas sabemos que não é verdade. - Eu sei o que eu vi. - Seus lábios se curvaram em um rosnado. - Você sabe que é melhor para eles e suas carreiras que sejam um casal, pelo menos no período em que eles estão fazendo esses filmes. - E o sucesso de Taylor significa mais trabalhos para você? - Porque isso significava mais do que Beatrice sendo a protetora do namorado de sua prima, na verdade era estritamente sobre ela. - É de conhecimento público que ele está envolvido com a Taylor. Ele estava? Eu simplesmente não sabia de mais nada e muito menos não entendia por que ele não ira a público e assumia este romance. - Eu sou apenas a sua assistente. É isso. - Ou era a sua assistente. - E não era tão mais inteligente para você conseguir este emprego? Bea recostou-se na cadeira com a coluna tão reta que mais parecia à parede atrás dela. - Cuidado, Finley. - Ela estalou os lábios. - Eu odiaria que algo acontecesse a você devido a alguma atitude e que isso faça se arrepender. - Tudo bem, classe. Limpem as suas mesas. - A Sra. Campbell começou a entregar o quiz pela sala enquanto me virava para frente. Estava lendo a pergunta número seis quando senti o primeiro puxão, olhei para trás, mas a Beatrice estava escrevendo furiosamente em seu papel. Quando comecei a responder a pergunta de número dez ela me espetou outra vez. - O que é? - Eu assobiei, mas a minha vontade mesmo era enfiar o meu lápis na sua mãozinha bem cuidada. Adoro Romances em E-book 125


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- Finley Sinclair - Sra. Campbell disse, o seu sotaque tão afiado quanto o olhar sobre seus óculos bifocais. - Algum problema? - Ela lançou um olhar para Beatrice, então balancei a cabeça. - Não, minha senhora. Após o teste, a Mrs. Campbell nos colocou em grupos para ler o próximo ato de Macbeth. Assim quando estava dando o meu melhor desempenho de Lady Macbeth, vi Beatrice caminhar com Sra. Campbell para o corredor. Continuei lendo, embora fosse difícil me sentir totalmente no personagem, já que o papel do meu marido era feito por uma garota chamada Teresa Muldoon. Sra. Campbell colocou a cabeça dentro da sala. - Finley, pode vir aqui, por favor? Beatrice voltou para dentro e os cabelos na minha nuca se arrepiaram. - Sim disse enquanto ia em direção à professora no lado de fora. Ela levantou meu quiz e em seguida o da Beatrice. - Gostaria de me explicar isso? Eu olhava para a nota vermelha. - Nós duas precisamos estudar mais? - Senhorita Sinclair, por duas vezes peguei você virando para olhar o teste da Beatrice. - Eu não estava olhando para o teste dela. Ela... - E então vejo que vocês duas fizeram os mesmo pontos, e não é só isso, mas que erraram as mesmas questões. - Mas ela era... - E agora também que utilizar das mesmas suposições ridículas, vamos o que você tem a me dizer? Olhei novamente para os questionários. - Meus palpites são completamente originais, e se alguém colou foi ela. - Sim, principalmente a sua resposta à pergunta sobre o que fez o bom rei Duncan? - Ela leu o meu teste. - Ele tem uma coroa muito legal. - Seu tom era seco, como as costeletas de porco que Nora serviu no jantar na noite passada. - Muito impressionante, mas você poderia ter pelo menos estudado o suficiente para saber quando estava copiando uma resposta completamente ridícula. - Mas eu não copiei, eu criei esta resposta ridícula sozinha, a Beatrice sim copiou! Em todas estas coisas, eu sou mais que uma vencedora por meio daquele que me ama... - Eu vi como você se virou sozinha. - Virei-me naquele momento, porque ela estava me espetando com o lápis. Adoro Romances em E-book 126


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A Sra. Campbell me olhou como se tivesse acabado de lhe dizer que o céu estava roxo. E mesmo eu percebi como aquilo soava inacreditável. Porque uma garota de dezoito anos de idade, propositadamente cutucaria alguém com um lápis como parte de um plano diabólico para coloca-la em apuros? Beatrice Plummer. - Eu entendo como isso parece um absurdo, mas estou falando a verdade. Um frio passeou pelo meu pescoço junto com a frustração que estava pressionando a minha têmpora. Porque como a Beatrice sempre foi aluna aqui e o seu pai era o diretor, ela era a única com credibilidade, eu era apenas uma herdeira de hotéis, com uma má reputação que parecia estar me seguindo desde a América. - Estou muito desapontada com você, terei que denunciar isso e ele irá constar em seu registro. - A Sra. Campbell ergueu o queixo e olhou para mim. - Vamos supor que é a sua última ação disciplinar. - Mas não fiz nada, eu juro. - Estamos acertadas, ok. - Sra. Campbell abriu a porta e com as minhas mãos crispadas caminhei para dentro da sala de aula, onde todas as meninas me observavam, incluindo uma que usava um sorriso revelador.

- Você vai amar as Ilhas Aran. - Nora estacionou no cais e sorriu para mim e Erin quando saímos. - Que pena que o Beckett estivesse ocupado, não é de admirar que não foi capaz de trazê-la antes, acho que algo não permitiu. Erin me deu uma cotovelada enquanto caminhávamos em direção à entrada. Como seus lábios nos seus. - Mas isso não importa. - Nora entregou os nossos bilhetes para um homem corpulento com um casaco, enquanto o frio passava através da minha jaqueta. Com Sean e Liam cuidando da casa, finalmente tenho a chance de levá-las para passear. Tenho sido negligente em meus deveres. Este passeio será apenas para dar um descanso a sua mente dessa terrível Beatrice e do diretor que é o pai dela e que não fica atrás na maldade. - Nora continuou a resmungar enquanto subíamos a bordo do barco aberto. Eu tinha ligado para a Nora assim que havia saído da aula de Inglês e na hora ela veio buscar a mim e a Erin, porém antes de nos levar embora, teve que ficar cara a cara com o diretor Plummer, por um bom tempo enquanto esperávamos, assim que saímos, Nora apenas verificou se estávamos bem e perguntou o que queríamos fazer com o resto do dia. Imediatamente pensei sobre o diário do meu irmão e o próximo ponto que queria visitar. Adoro Romances em E-book 127


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Afinal quem precisava de Beckett e seu caminhão? E dos seus lindos olhos... Ou da sua forma esculpida... Ou da sua voz de mel... Ou daquele rosto que o proclamava como um ser favorecida por Deus. Não eu. Puxei o meu chapéu mais para baixo da minha cabeça enquanto ficava no parapeito, entre Nora e Erin. O vento sobre a água a empurrava para cima, como se fosse um louco que estava perturbando o oceano, viajando de penetra. Eu sabia exatamente como se sentia. Eu estava marcada também. E se a Beatrice estivesse no barco, teria jogado ela no mar. Deus, ajude-me a encontrar o que o meu irmão encontrou. Ele tinha uma fé tão inacreditável. Será que ela nunca foi abalada? Mesmo em seus últimos momentos, será que ele não duvidou de que estaria na sua presença? Duas horas depois, pisei fora da balsa para o cais com as pernas bambas, depois de ter sido jogada de um lado para o outro por causa do Atlântico agitado. Nora alugou para nós bicicletas no cais lotado de Inishmore, uma das três ilhas Aran. - Não é lindo?" - Erin perguntou enquanto pedalava ao meu lado, seu cabelo vermelho chicoteando para trás tão selvagem quanto à terra que nos rodeava. A ilha era pequena, mas movimentada, uma mistura de natureza nua e comércio moderno crescendo. Lojas e bares nos atraiam para entrar e sentar-se durante todo o dia, mas foi à pedra e a grama sob o céu ensolarado que cantou para mim. - Acho que este dia clama por um sorvete - disse Nora. - Para o almoço? - Perguntei. - Às vezes, uma garota precisa mudar de atitude. Nora nos conduziu para o Café de Joe Fitzpatrick, onde a música celta saltava sobre a sobrecarga de alto-falantes. Erin pediu um sorvete com duas bolas, enchendo-o com todas as coberturas e complementos disponíveis. Tudo o que sabia era que a temperatura estava quarenta e cinco graus junto com as brisas do mar e mesmo assim fazia muito frio para comer em uma estrada rochosa ou favas de baunilha. Dei apenas algumas mordidas, e assim que vi que ele derretia no copo joguei fora. - Vamos agora para o forte Dun Aengus - disse Nora. Minhas pernas estavam cansadas enquanto pedalava em direção ao centro de visitantes, onde deixamos nossas bikes e compramos outro bilhete. A partir deste lugar caminhamos durante vinte minutos morro acima, comecei a colocar as luvas que tinha guardado na minha jaqueta antes de chegar ao topo. Adoro Romances em E-book 128


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- Olhe para isso! - Erin disse quando chegamos ao topo. A fortaleza relatada pelo meu irmão estava com a sua beleza gritante contra a borda da água. As pessoas sentavam nas pedras em torno dela, tirando fotos e deixando as crianças brincarem. Nora se afastou para tirar algumas fotos também.

- Vamos lá. - Erin nos levou mais a frente, para que pudéssemos subir sobre as ruínas que eram três anéis de pedra restantes, em uma parede de laje. Navegando pelas pedras soltas, ela me levou até a borda, onde a terra havia desmoronado completamente. - Existe outras formas de proteção? - eu perguntei. - A centenas de metros abaixo. - Ela apontou para alguns grandes pedaços pendendo da ardósia. - É a melhor vista que existe. - Vamos nos sentar aqui? - Tão perto do penhasco? - Não. - Ela riu e sua voz deslizava no vento. - Nós mentimos sobre ele. Você não vai cair. - Eu vi quando ela caminhou até a beirada e deitou de bruços. - Venha ver o mar. Com um passo vacilante me juntei a ela. Embora estivesse em terra firme e sem nenhuma possibilidade de cair, ainda conseguia sentir que havia um longo caminho para baixo. Quando vi as ondas do mar batendo nas rochas falei - esta ilha me lembra do que meu irmão falou sobre Deus e da sua proteção. - E o que isso te faz pensar? - Na Sra. Sweeney - eu disse sem pensar - tenho a sensação de que tudo para ela no momento é resultado de seus tempos difíceis, acredito que toda vez que ela se levantava outra onda batia nas suas costas e a derrubava, até que ela não quis mais se levantar. - Assim como eu, mas a minha audição iria mudar tudo, ela tinha este proposito. - Erin, você sabe o que aconteceu com seu marido? - Era hora de começar a fazer alguma pesquisa. - Não, mas você já perguntou a Sra. Sweeney? - Ela não vai falar sobre o seu passado comigo. Erin deu uma pequena risada. - Eu sei apenas as senhoras certas que você deve perguntar. As irmãs MacNamara, se há algo a ser descoberto, elas terão essas informações. - Será que elas falariam comigo? Adoro Romances em E-book 129


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- Elas conversam até com um toco de árvore. Se você conseguir suportar seus sofás de plástico barato e quinze gatos, valeria a pena a visita com certeza. - É realmente da minha conta... Eu suponho. - A Sra. Sweeney é agora sua responsabilidade Finley, e não duvide disso. Nós caímos em um silêncio confortável, como se estivéssemos assistindo a uma cena que nos rodeava, pintado pelos golpes do pincel majestoso de Deus. Minutos se passaram antes que o frio do vento e a umidade no ar finalmente chegassem a mim. - Você sabe que estamos cercadas por pessoas neste momento, mas apesar de ser um lugar cheio de gente e belo ainda me sinto... Solitária aqui. Erin levantou a cabeça me presenteando com um sorriso lindo. - Só se você quiser.

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Capítulo dezenove

 Café da manhã: uma mordida no peixe: 3 calorias  Coca Diet para fazer o peixe descer: 0 calorias  Exercício: correr três vezes ate à casa de banho para fazer xixi

O planeta teria de explodir para o dia de hoje conseguir ficar pior. A Sra. O'Callaghan fez peixe para o almoço, as minhas meias estavam em dois tons diferentes de azul e eu acidentalmente entrei no chuveiro junto com o Liam, vendo o suficiente para me deixar cicatrizes para o resto do ano. Eu só queria terminar esta sexta-feira para chegar logo o fim de semana. Quando finalmente chegamos à escola, Erin parou em seu armário, mas eu continuei andando pelo corredor até chegar ao número 328, o qual pertencia a Beatrice. Eu nem sequer me incomodei em dizer Olá, enquanto ela girava a combinação. - Você está me acusado de colar durante uma prova. Ela levou um tempo olhando para cima, com uma expressão entediada, apenas adicionando lenha para o fogo do meu temperamento. - Eu não tenho a menor ideia do que você está falando. - Sério? - Eu ri. - Você poderia ser mais imatura? Quero dizer, furando com um lápis as minhas costas para que eu me virasse? E em seguida, copiar o meu teste? Você não poderia realmente fazer melhor do que isso? Seus olhos se arregalaram, em um choque fingido. - Estou realmente ferida, Finley, porque você esta me acusando desta forma, talvez você queira ir chorar no ombro de Beckett, mas deve se lembrar de que ele pertence a Taylor. Olhei para ela duro, tinha sido a capitão da equipe de torcida por bastante tempo, então podia fazer com toda certeza uma intimidação e uma perfeita cambalhota para trás. - Eu quero que você para de mexer com a Erin. Bulling é tão fora de moda como um crime. - Quem é você para vir aqui na minha escola e me dizer o que devo fazer? Você caminha por este campus como se governasse o lugar. Uma pequena herdeira com o seu dedo torto, que perseguiu tanto o Beckett até que ele começou a lhe pagar para que você ficasse próxima a ele. - Sua voz cantante pressionou as minhas têmporas. - E isso não sendo bom o suficiente, você ainda tem ciúmes de mim. - Eu quero que você diga a Sra. Campbell a verdade... - A verdade é tão subjetiva. Eu sei qual é a minha verdade, você já sabe a sua? Quem vai dizer quem está certa? Oh, eu sei, é o meu pai, o diretor. Adoro Romances em E-book 131


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- O que você ganha com isso? Isso faz você se sentir melhor, consigo mesma? - Sim, na verdade faz e tenha um bom dia. - Ela levantou a sua mochila por cima do ombro. - E não entre em mais problemas, eu odiaria que você fosse mandada de volta para casa. - Ela foi embora me deixando acabada com a sua maldade e seu veneno. Com dez minutos faltando para o primeiro sinal, fui em direção à biblioteca, com o meu rosto em chamas de raiva. Depois de dar um calmo “Olá” para o bibliotecário, escorreguei para dentro, passando pela prateleira de ficção e sentei em um dos computadores. Meu primeiro e-mail seria enviado aos meus pais dizendo-lhes o quão maravilhoso estava às coisas e quão bom o povo da Irlanda realmente era. Aparentemente, Beatrice Plummer era uma exceção e ao mesmo tempo um desapontamento nacional. Não querendo voltar para aquele corredor, para ganhar algum tempo, comecei a fazer uma rápida pesquisa sob o nome de Sweeney Cathleen, fiz uma varredura através de uma página inteira de resultados inúteis, mas foi à segunda página que prendeu a minha atenção, era referente aos Arquivos da Biblioteca Pública Abbeyglen. Sentando-me ereta, cliquei no link e ele me levou a um índice da biblioteca que tinha uma coleção de cópias digitalizadas do jornal Abbeyglen. O que temos aqui? Digitando mais algumas palavras-chave, esperei o banco de dados fazer sua pesquisa, dois minutos depois encontrei o anúncio do casamento da Sra. Sweeney, anotando a data no meu notebook, continuei com a minha leitura. Percorri a lista e parei em outra menção de seu sobrenome que era o obituário de Charles Sweeney, três anos após o seu casamento. O homem, Mr. Murphy, havia dito que ele morreu de solidão, quando sua esposa o deixou. Inclinei-me mais perto do monitor e comecei a ler o próximo relato. Três meses após a morte do Sr. Sweeney havia outro obituário, era de David John Sweeney, filho de Charles e Cathleen Sweeney que havia morrido em 23 de abril, na época ele só tinha dois anos. Meu Deus. Uma grande perda. Não me admira que a Sra. Sweeney seja tão mal-humorada. - Lendo alguma coisa boa? - Levantei minha cabeça na direção da voz familiar e cliquei em uma página diferente. - Oi, Irmã Maria. - Ela conectou um computador ao meu lado e sorriu. - Esta fazendo algum trabalho de casa? - Algo do gênero. - Olhei para o computador dela e vi uma tela familiar. - E você? - Ela mexeu no seu mouse. - Mudando o meu status no Facebook. - Estava me erguendo na cadeira para dar uma olhada melhor. - Desde quando o fato de ser casada é complicado? Adoro Romances em E-book 132


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- Só estou esperando para ver quanto tempo leva para o Padre Tom notar. - Mas você está casada com Deus! - E isso não é complicado? - Ela riu e então notou os rabiscos apressados no meu caderno. - Pesquisa - eu hesitei em dizer a ela, mas apenas com um olhar dela, foi como derrubar uma garrafa de soro da verdade. - Eu estava investigando Cathleen Sweeney e descobri que ela teve uma vida muito difícil, em minha opinião. - O que você encontrou? - Irmã Maria recostou-se na cadeira e me deu total atenção. Eu rapidamente mostrei a página. - O tempo está se esgotando e a Sra. Sweeney está indo ladeira abaixo rapidamente, é como se ela estivesse esperando isso há muito tempo. - E este é um problema agora? - Eu tenho que ajudá-la, ela não pode morrer sem o perdão de sua irmã. - Falei para a Irmã Maria sobre as cartas na gaveta. - Eu não cheguei a ler, mas tenho certeza que são, provavelmente, apelos para Fiona Doyle. Irmã Maria considerou isso por um momento. - Talvez. - Você sabia sobre Charles Sweeney? - Sabia dele, sim. - Como ele morreu? - Pergunte a sua viúva. - Ela não quer falar sobre ele. - Eu não me lembro do que aconteceu, mas se quiser saber deve conversar com as irmãs MacNamara. - Elas são altamente recomendadas – sorri - Erin disse que elas são as fofoqueiras da cidade. - Eu prefiro dizer que são as historiadoras da cidade. - disse a freira - a casa delas fica após o Pub de McGann, sobre a ponte é a segunda casa à esquerda. Elas estão nesta casa há 85 anos. - Ela digitou alguma coisa em seu computador. - Então me diga Finley, por que você se importa? - Porque sim... - Eu não tinha certeza se conseguiria explicar os fatos. - Eu não quero que ela morra antes de falar com a sua irmã, a julgar por todas aquelas cartas, parece que a Sra. Sweeney passou anos tentando se comunicar com a irmã. Será que ela merece morrer sem ser ouvida? Sem receber o seu perdão ou sem conseguir a sua paz? - Eu apontei para as matérias. - Eu acho que ela viveu a maior parte de sua vida atormentada, casou com o noivo de sua irmã, foi uma párea na Adoro Romances em E-book 133


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cidade e em seguida ainda perdeu um filho. - Eu sabia um pouco sobre esse tipo de perda, assistindo a minha própria mãe chorar. - Tenho certeza de que ninguém lhe pediu para roubar o noivo da sua irmã. - Erros acontecem, todos nós entramos em situações onde fazemos coisas que nos arrependemos, mas ela é maior do que seus erros. - Minha voz se elevou no pequeno laboratório. - A Sra. Sweeney deseja ser lembrada por algo além do que ela fez de errado e as pessoas que ela eventualmente machucou com estes erros. O Sorriso da irmã Maria era lento enquanto se arrastava por suas bochechas. Ela pegou minha mão e deu um apertão. - Deus quer que ela saiba que não será definida por seus erros. - Seus olhos azuis cintilantes perfuravam os meus. - Ele queria que ela soubesse que a ama e a perdoa e que não precisa ser como era antes, ela só precisa chegar até ele. - Talvez ela queira - eu sussurrei - talvez ela o encontre. A freira assentiu. - Então, ela precisa acreditar que ele já a ouviu e que está trabalhando sobre o seu desejo, é importante ouvir com o coração. - Irmã Maria fechou sua página no Facebook e desligou o computar. - Ao invés de escutar com a cabeça. - Eu estava me referindo a Cathleen Sweeney - eu disse enquanto ela se afastava. - Eu também, minha querida. - Ela caminhava com um sorriso. - Eu também."

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Capítulo vinte

De: AlexSinclair@SinclairEnterprises.com Assunto: Uma grande noticia Olá, irmãzinha, adivinhe? Você vai ser titia! Lucy e eu acabamos de descobrir que vamos ter um bebê. Se ele sair gritando, vamos nomeá-lo de depois da Finley. Muito amor, Alex

- Por que tenho quer ir com você? - Porque não quero visitar as irmãs MacNamara sozinha. - eu disse, enquanto Erin contava o dinheiro e entregava a Anne Daly. Ela era a proprietária do Daly Read, uma pequena livraria que ficava imprensada entre a loja de flores Carnation Pink e o Pub de McQuarry. O Sean costumava comentar que se um homem bebesse demais no bar, ele poderia tropeçar na floricultura e levar sem querer para sua esposa algumas flores ou poesias. - Aqui está o seu troco, querida. - A Sra. Daly colocou as moedas na mão estendida de Erin, em seguida, colocou o livro de capa dura com segurança em um saco de cor creme. - Esta edição é apenas para colecionadores. - Eu não sei por quê. - Erin puxou o livro da bolsa e passou a mão sobre a capa branca simples. - Não faz muito tempo que foi lançado, mas será nomeado em breve um best-seller, a senhora deve colocá-lo na frente, em um pé alto para chamar bastante atenção. Sra. Daly sorriu. - Eu tenho que admitir que senti o mesmo arrepio de que quando toquei a primeira vez em um livro da saga Twilight. - Qual é o nome deste livro? - Perguntei e a Erin levantou o exemplar para a minha inspeção. - Micromecânica das células capilares. - Eu provavelmente deveria abrir um espaço na prateleira para sua continuação. - disse a Sra. Daly. - Uma boa tarde para vocês e como sempre senhorita Erin, nós te agradecemos por suas... Compras excêntricas. Erin seguiu para fora, onde subimos em nossas bicicletas. - Você ouviu o jeito que ela disse excêntrico? - Erin colocou seu livro suavemente na sua cesta. - Como me sinto nestes momentos tão louca, igual às irmãs MacNamara. Será que estou destinada a ter uma casa com um aspecto assustador e uma horda de gatos peludos? - Nada disso é verdade Erin, bem, possivelmente apenas a metade. Adoro Romances em E-book 135


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Nós pedalamos pela cidade, passando pelo Pub McGann e outras lojas. O vento levantou nossos cabelos como uma flâmula no momento em que passávamos sobre a ponte. Erin seguiu na direção de uma segunda calçada, onde havia uma fileira de casas inclinadas, alinhadas como pássaros coloridos em uma linha elétrica. O lugar em que moravam as irmãs MacNamara era velho e imediatamente sabia que ao entrar dentro da casa, sentiria um cheiro úmido e mofado. A casa tinha dois andares e parecia ter sido feita de gesso branco, possuía uma guarnição verde em torno de cada janela torta, havia painéis de persianas na metade destas janelas, só que no momento estavam mal penduradas na posição vertical, como se tivessem desistido a muito tempo de ficar no lugar corretamente. Eu não tinha certeza do que iria encontrar lá dentro, mas eu temia que fosse uma dessas casas de filmes de terror, que permitiam que os adolescentes entrassem para nunca mais cuspi-los de volta. Erin teve de bater sete vezes antes que a porta finalmente se abrisse. Ele rangeu quando se movimentou poucos centímetros de largura, mas era o suficiente para ver um olho verde olhando para nós, através da rachadura. - Você é um amigo ou um inimigo? Com um suspiro Erin se virou para mim. - Tem certeza que você está pronta para isso? - Amiga - Eu falei por cima do ombro. - Então dê a volta na casa - falou uma voz áspera - só os vendedores e ladrões podem entrar pela porta da frente. - Ok, então. - O lado que seguimos era decorado com vasos quebrados cheio de rosas de seda, suas folhas estavam desbotadas e desgastadas pelo tempo. - O que é isso? - Apontei para uma porta traseira de cor vermelha, saindo de uma garagem inclinada. - Este é o BMW das irmãs - Erin subiu os degraus de concreto para a porta dos fundos. - Elas compram um novo a cada ano. - E quando andam nele? - Aos domingos. - Ela deu apenas três batidas desta vez na porta, para ela se abrir. O mesmo olho verde, com pálpebras caídas, olhou de volta para nós. - Você é a filha de Sean O'Callaghan? - Sim, senhora - disse Erin - e eu trouxe uma amiga, gostaríamos de falar com vocês se possível. - Uma visita? Erin assentiu. - Sim, senhora.

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A porta se abriu totalmente, revelando uma velha mulher sorridente da altura do meu ombro. - Vou colocar a chaleira no fogo, minha irmã irá mostrar a sala de estar para vocês. - Ela segurou a mão sobre sua boca como se fosse um megafone e gritou. Hilde! Uma xérox da primeira mulher apareceu, como se tivesse sido invocada pelo tom indelicado do nossa anfitriã anterior. - Nós temos convidadas, Lavena? As duas claramente eram gêmeas e combinavam desde o topo dos seus cabelos preto curto e tingidos até os seus vestidos jeans e sapatos confortáveis marrons. - Você é cega, irmã? - Lavena perguntou enquanto caminhávamos através de sua cozinha em direção à sala de estar. - Elas não estão bem aqui? Eu não falei que iria fazer o chá? - Você está tão arrogante hoje. - A voz de Hilde caiu para um sussurro. - Na verdade ela não está diferente de qualquer outro dia, mas venham sentar comigo, senhoras encantadoras. A sala de estar era decorada no estilo de Alice no País das Maravilhas misturada com Jane Austen. O papel de parede tinha paisagens de um prado ensolarado e um plástico cobria o sofá vitoriano. Gatos cobriam todo o plástico, eles estavam por toda parte de todas as cores e raças. - Bonito, não é? - Hilde passou a mão em um gato siamês que pulou em seu colo, assim que ela se sentou. - Eles são bons companheiros, sintam-se livres para acariciá-lo. Eles não irão arranhá-las. - O plástico debaixo do braço fino do sofá estava em tiras. - É um prazer ter a companhia de vocês hoje, sobre o que vamos falar? - Hilde bateu uma unha vermelha sobre os lábios. - Querem falar sobre os preços terríveis da carne que o novo açougueiro nos trouxe? A maneira escandalosa que a Sra. Clarke coloca as suas calcinhas no varal, que fica no jardim da frente de sua casa? O fato de que o Sr. Clarke foi visto... - Na verdade... - Erin a interrompeu - gostaríamos de lhes fazer algumas perguntas sobre... - Onde o novo bibliotecário tem passado suas noites? Erin piscou duas vezes. - Não. - Ela me lançou um olhar e cobriu o seu riso com uma pobre desculpa de tosse. - Antes de chegar a este assunto, a Finley talvez queira mostrar-lhes uma foto. Enfiei a mão na bolsa e depois de algumas escavações peguei o diário de Will. - Você já viram esta cruz? Hilde enfiou a mão na blusa e puxou os óculos, que estavam amarrados a uma corrente de ouro. - Vamos dar uma olhada. - Ela pegou o diário da minha mão Adoro Romances em E-book 137


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estendida e um de seus gatos começou a farejar e inspecionar o material. - Parece com a de Ailfred McCarthy. Sim, é ela mesma. - Deixe-me ver isso. - Lavena entrou mancando na sala, pegou o diário e segurou bem próximo ao seu rosto. - Você é tão cega como um morcego. Qualquer um com olhos pode ver que é a de Fergus Fitzpatrick. - Tem certeza? E como é que pode, já que a sua pedra foi derrubado na tempestade a mais de sessenta e três anos? - Bem, ela também não tem certeza se é Ailfred - Lavena falou como se sua irmã tivesse sugerido que dois mais dois é cinco. - Ele morreu em 1856, com a idade de oitenta e um, deixando para trás uma esposa e três namoradas. - Ela me devolveu o diário. - A Sra. McCarthy acabou comprando a cruz mais simples e barata que ela conseguiu encontrar e em seguida, cuspiu nela o resto de seus dias. - Nós não sabemos de quem é - disse Hilde. - Não, nós não temos a mínima ideia. - Lavena marchou de volta para a cozinha. Outro beco sem saída, mas pelo menos tinha sido uma procura divertida. - Minha amiga Finley, tem passado um pouco de tempo com Cathleen Sweeney - disse Erin. - Oh - As sobrancelhas prolongadas da Sra. Hilde levantaram em direção a sua testa. - Cathleen Sweeney, ela tem vários problemas. - Você não sabe o que está falando. - Lavena voltou trazendo uma bandeja de cookies e dois gatos curvados em torno de seus tornozelos. - Cathleen Sweeney era minha amiga e é melhor ter cuidado antes de dizer alguma coisa. - Amiga? - Hilde bufou. - Pedir um lápis dela na escola, quando tinha seis anos não os torna amigas. - O que você pode nos dizer sobre seu marido? - eu perguntei. - O que aconteceu entre eles? - Ele morreu de um coração partido só isso - disse Hilde. - Todo mundo sabe disso. Cathleen o roubou de seu primeiro amor verdadeiro com a sua astúcia e depois que o anel estava em seu dedo, sua alma verdadeira apareceu e então ele percebeu como era terrível a pessoa com que ele tinha se casado, mas já era tarde demais. Cathleen teve o bebê e em seguida deixou o pobre Sr. Sweeney, não permitindo sequer deixar o homem ver seu próprio filho e agora me responda que tipo de mulher ela é? - Uma mulher inteligente, - sua irmã falou - aquele homem era ruim por completo, você podia enxergar isso em seus olhos redondos. Não lhe disse que ele tinha os olhos de uma cobra? Claro que lhe falei. Os dois estavam nesta cidade juntos e Charles não deixaria Cathleen fora de sua vista.

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Hilde passou a mão nas costas de um gato maior do que seu colo. - Cathleen era uma mulher fria, uma esnobe. Casou com o homem da sua fantasia e então não falou com qualquer um de nós mais, como se não fossemos bons o suficiente. - Ela estalou a língua enquanto encarava a mim e a Erin considerando os fatos. - Ela não tinha um único amigo na cidade. - Porque ela não tinha permissão para ter um! - Lavena sentou-se na cadeira ao lado da irmã e olhou através dela. - Ela não podia ir a lugar nenhum sem ele, não podia falar com ninguém, ele era um homem totalmente possessivo. - Voltando-se para nós, Lavena fez uma pausa para causar um efeito dramático. - Uma vez que o bebê ficou doente, ela que nunca havia deixado a casa sem o marido, mas ele estava trabalhando naquele momento, teve que entrar na farmácia, ela estava com um pequeno chapéu empoleirado em sua cabeça e tinha um pequeno véu que cobria parte de seu rosto, muito na moda... - O dinheiro de Charles que o comprou. - Silêncio irmã! - Lavena latiu. A chaleira assobiou da cozinha, mas as duas ignoraram. - Onde eu estava? Cathleen, Charles, químico, esta minha irmã me deixa maluca, oh sim, como estava dizendo, ela caminhou até a farmácia e justo naquele dia eu estava trabalhando atrás do balcão. Ela escapuliu com o seu véu cobrindo o rosto e o bebê doente em seu quadril, ela estava em busca de um atendimento medico e você poderia dizer com certeza que ela estava com uma terrível pressa. - Porque ela estava com medo de ter que falar com alguém - disse Hilde. Nunca quis fazer contato visual com nenhum de nós. Um gato preto estava perto dos meus pés e começou a olhar para mim, mirando as minhas pernas escolhendo um lugar para pousar. Abaixei-me, cocei sua orelha e ouviu seu ronronar sólido. Lavena passou as unhas vermelhas através de seus cachos bem cortados. - Então, enquanto Cathleen estava esperando sua vez para ser atendida, o seu bebê começou a chorar insistentemente. Ela ficou de pé e começou a murmurar varias coisas para ele, mas de nada adiantava, ele continuava a chorar e chorar. No seu desespero estendeu a mão e arrancou o seu chapéu para fora de sua cabeça. - E varias cobras saíram? Lavena ignorou a sua irmã e pousou seus olhos treinados em cima de mim. - E foi aí que eu vi os hematomas, estavam em sua bochecha, ao redor dos seus olhos. Aquele homem fez isso com ela, com certeza ele fez e é por isso que Cathleen Sweeney não estava autorizada a se relacionar com as demais pessoas da cidade. Porque ela se casou com um homem ciumento horrível. - E então ela o deixou? - Perguntei. - Oh, mas é claro que sim, ela simplesmente atravessou o rio. - disse Lavena. O que foi um escândalo na época. Nunca mais a vi desde então. O marido dela sabia como manter a calma, então ele dizia a todos que não sabia como sobreviver com seu o coração partido e como ele ficava andando pela sua casa todas as noites, Adoro Romances em E-book 139


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à espera de sua patroa voltar. Neste período ele fez mais empréstimos no banco do que nunca. - Ele merecia o seu sucesso. - disse Hilde. Lavena encolheu um ombro ossudo e continuou. - Então... ele morreu. - E todo mundo culpou a Sra. Sweeney - eu disse. - Claro que eles a culparam. - Lavena pegou um chumaço de cabelo solto do seu gato com a sua luva. - Ele teve um ataque cardíaco. Caiu morto em seu escritório, enquanto estava emprestando a Jimmie McBride dinheiro para suas galinhas. Hilde balançou a cabeça. - Jimmie nomeou o seu primeiro frango de Charles. - Todo mundo disse que ele morreu de desgosto. - disse Lavena. - Mas eu sabia a verdade. Três meses depois o menino deles faleceu de febre. Então, se alguém ficou consumido de desgosto... foi Cathleen Sweeney.

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Capítulo vinte e um

Deus tem me permitido viver, varias história aqui na Irlanda. A cada dia, há algo novo para se descobrir. . . —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

- O que você acha que você está fazendo? Às dez horas na manhã de sábado, Beckett saiu de seu caminhão, apenas quando o meu frágil taxi estava se rebocando até a pousada dos O'Callaghans. Um homem de cabelos grisalhos saiu da cabine e tirou o boné. - Bom dia. Beckett trovejou na minha direção. - Eu perguntei o que você está fazendo? Olhei para o taxista velho que, aparentemente, dava a impressão que tinha deixado à dentadura em casa. - Indo para um encontro quente. Beckett cruzou os braços como um verdadeiro príncipe escuro olhando para sua próxima vítima. - Tudo bem, estou apenas indo para Galway ver a irmã da Sra. Sweeney. - O que Beckett está fazendo aqui? Ele deveria estar trabalhando. - E como você conseguiu o endereço? - Mexendo nas suas gavetas. - Por que você não foi ao set nos últimos dias? - Porque eu te disse que estava fora do nosso acordo. - E eu disse: eu não vou aceitar isso. - Minha viagem me espera, tenho que ir, se quiser pode gritar comigo mais tarde. Ele passou a mão pelos cabelos loiros e bufou. - Vou levá-la. - Não. - Eu dei um passo em direção ao carro minúsculo, mas Beckett colocouse em meu caminho. - Eles estão filmando as cenas da Taylor hoje e eu não tenho nada melhor para fazer, então, a menos que você esteja com medo de andar no carro comigo, como se está com medo de ser minha assistente... Adoro Romances em E-book 141


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Eu olhei para ele. - Depois das últimas vinte e quatro horas que eu tive, estou farta de qualquer gracinha sua, então sugiro que você saia do meu caminho. Apareceu uma covinha na sua bochecha esquerda. - Foi tão ruim assim, hein? - Sua simpatia me oprime. - Você está pensando que Sr. Donahue irá levá-la de volta para a América, então? - Eu tenho novas informações sobre a Sra. Sweeney e preciso ver a sua irmã em Galway. - Agora? - Exatamente. - A mulher estava piorando a um ritmo alarmante. - Quanto tempo nós temos? - Por favor, seja gentil e saia do meu caminho, o contador do táxi esta ligado. - Eu vou levá-la. - Eu prefiro ir andando. - Mr. Donahue. - Beckett sorriu para o velho. - Nós não vamos precisar de você hoje, mas obrigado por ter vindo. - Ele colocou um pouco de dinheiro na mão do velho. - Não! Eu preciso de você! - Eu fiz um mergulho para a maçaneta da porta traseira, mas Beckett pegou primeiro. - Tenha um bom dia. - disse Beckett. O Sr. Donahue coçou a cabeça e olhou para nós. - Não se afastará sem mim Sr. Donahue. Beckett apertou o homem no ombro. - Por que você não entra na pousada e diz a Sra. O'Callaghan que quer um pedaço de torta? Sobrancelhas espessas do Sr. Donahue dispararam para cima. - Torta? - E todo o café que você puder colocar no frasco que você mantem sob seu assento. O motorista tirou o boné novamente. - Um bom dia para vocês. E antes que eu pudesse impedi-lo, o Sr. Donahue desligou o carro e saiu mancando em direção a casa, em busca de um lanche da manhã. Fechei os olhos e esperei que meu sangue esfriasse. - Eu vou reclamar com o seu superior. - Isso seria com a sua esposa e ela é surda de um ouvido, por isso certifique-se de falar em voz alta. Adoro Romances em E-book 142


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É claro. - Por que você fez isso?- Minha voz era lisa com a derrota. - Porque o sr. Donahue é velho demais para estar atrás de um volante e dirigir no meio da estrada. Ele sofreu três acidentes no mês passado, dois com uma árvore e um com um esquilo. Eu odiava não ter um carro, me sentia tão presa, tão louca e tão impotente. Em todas estas coisas, eu sou mais do que vitorioso... Beckett foi até a sua caminhonete e abriu a porta do passageiro. Bob se atirou da varanda e saltou na parte de trás, o rabo batendo contra a lateral do carro como um tambor. - Entre - Beckett empurrou o queixo em direção ao táxi antes de dar um suspiro longo de sofrimento. - Por favor. Eu fiz uma pose que era uma combinação artística de atitude e rebeldia. Ele teve a coragem de sorrir. - Você está com medo de ficar sozinha comigo. - Bem, aparentemente o meu encanto é tão avassalador que você não consegue manter as suas mãos para si mesmo sempre quando estou perto, mas não, eu não tenho medo de você. - E eu precisava falar com a irmã da Sra. Sweeney. - Você esta desperdiçando a luz do dia. Pisando em direção ao caminhão, atirei vários punhais em Beckett. - Não tente qualquer gracinha. - Não sonharia com isso. - Ele pegou minha mão e me ajudou a entrar. O rádio tocava enquanto seguíamos pelas estradas sinuosas rumo a Galway. Nuvens cinzentas se misturavam acima de nós no céu e a chuva ameaçava transbordar tudo. Eu assistia aos prados verdes de cada lado do caminhão e me perguntava se meus olhos jamais se adaptariam a tal cor vibrante. Ele ligou o aquecedor. - Você vai me ignorar todo o caminho? - Provavelmente. - Com um sorriso de pirata Beckett esticou o braço direito em toda a parte traseira do assento. Seus dedos roçaram meu ombro e eu avancei para longe no momento em que meu estômago deu um leve rosnado. Depois de acordar tinha praticado por três horas, sem me preocupar em parar para comer. A data para a audição estava chegando e comecei a sentir cada segundo que passava. - O mínimo que você poderia fazer é oferecer um pouco de conversa. - Beckett se esquivou de um buraco, mantendo os olhos na estrada. - O que você quer que eu fale? - Seria a coisa mais educada a fazer. - Ok, vamos conversar então. Adoro Romances em E-book 143


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- Qualquer tópico vai cair bem. - Eu ficarei sentada aqui silenciosamente pensando em um e só para constar, pode demorar um pouco. - Nós poderíamos falar sobre o tempo. - Nesta manhã o seu sotaque era quase tão forte como o café da Nora. - Ou podemos discutir política, mas isso nunca é um tópico amigável e nem a economia. - Ele tirou seu foco da estrada e nivelou seu olhar com o meu. - Ou você poderia apenas me dizer o que aconteceu para que você esteja tão zangada. - Beatrice aprontou, ela basicamente me acusou de colar na prova de Inglês. E você sabe por quê? - Esta é a sua maneira de demonstrar amor? - Porque ela acha que sou uma ameaça para você e sua namorada Taylor. Olhei o seu rosto a procura de qualquer reação, mas é claro que não havia nenhuma. O garoto era um ator treinado, deixando-me ver apenas o que ele queria. - Beatrice está com medo, porque se não houver o casal Beckett e Taylor, haverá menos trabalhos para ela. Foi tão idiota dizer aquilo em voz alta que acabou me deixando brava novamente. Os limpadores faziam um barulho alto contra o pára-brisa rachado, no silencio que se seguiu me virei para ver como estava o Bob. - Ele está bem - disse Beckett. - Ele ama a chuva. Bob corria de um lado do caminhão para o outro, a cabeça jogada para trás, abocanhando a chuva com os dentes muito grandes. - Nada sobre você faz sentido. - disse. - Nem mesmo o seu cão. - Talvez Bob e eu sejamos apenas mal compreendidos. - Ou dementes. - Quer que eu peça a demissão da Beatrice? Sim. - Não. - O que eu mais queria eram respostas. Mas acho que o seu silêncio sobre o assunto Taylor era a minha resposta, eles estavam juntos, por mais confuso que fosse e os meus lábios nunca mais poderiam tocar os de Beckett novamente. O resto do percurso se arrastou em silêncio. Beckett observava a estrada, enquanto eu olhava pela janela, guardando as paisagens no meu coração. O que teria acontecido se eu pudesse dirigir por aquela estrada? O que eu poderia fazer para empurrar Beckett para fora do meu peito, tomar as rédeas e apenas continuar? Depois de algumas voltas, Beckett finalmente saiu para uma estrada de cascalho. Paredes de pedra cercaram o campo em torno de nós, que era preenchido com uma grama tão alta que deveria bater nos meus joelhos. Adoro Romances em E-book 144


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- É aqui. - Beckett me passou as instruções enquanto eu pegava a minha bolsa. - É aquela casa branca lá. A casa de dois andares estava no meio de um campo. Uma cerca continha os cavalos que corriam no quintal. Portadas vermelhas transmitiam uma saudação alegre, dando-me a esperança de que a mulher dentro seria agradável. O caminhão seguiu até a calçada antes de balançar e parar. Beckett pulou para fora e deu a volta para abrir minha porta. - Obrigada. - Eu apenas demonstrei o meu apreço erguendo o queixo quando ignorei sua mão estendida. - Eu volto daqui a pouco. - Você não vai lá sozinha, o Sean e a Nora me matariam. - A ideia até que é tentadora. - eu murmurei. - Tudo bem então, vamos lá, mas não fique no meu caminho. Seu sorriso era irritante. - Eu não sonharia com isso. Não me preocupando em esperar por Beckett, subi os degraus e bati na porta. Nenhuma resposta. Eu levei meu punho até a porta novamente. - Olá? Chamei. Ouvi um barulho e movimento na casa após um total de trinta segundos, depois a porta se abriu e uma pequena mulher apareceu. – Sim? - Sra. Doyle? Eu sou Finley Sinclair. - Você está aqui por causa do porco? - Não. - Eu lancei um olhar por cima do meu ombro. - Ainda que venha acompanhada por um. - Então? - Seu cabelo era cortado delicadamente em torno de suas orelhas e suas roupas estavam tão na moda como o pijama da Sra. Sweeney estava fora. Quem você disse que era? - Eu sou uma amiga de um membro da sua família. - Ela sorriu revelando agradável dentes bonitos. - E qual seria este membro? - A sua irmã. - Seu rosto caiu como se eu tivesse dado um soco nela com uma ventosa. - Eu não tenho uma irmã. - Cathleen Sweeney? - Ela está morta para mim. - Sra. Doyle começou a fechar a porta, mas parei com a minha mão. - Por favor, você tem que me escutar. Cathleen está doente. Adoro Romances em E-book 145


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- Da cabeça! - Não. - Bem, talvez um pouco. - Ela está morrendo de Câncer ósseo e não lhe resta muito tempo. - As palavras caíram no chão como bombas irritadas. O rosto da Sra. Doyle estava apertado, mas ela permaneceu impassível, os olhos demonstravam apenas uma leve irritação. - Acho que ela enviou você ate aqui. - Não. - Firmei a minha voz, mas estava desesperada para ela ver a urgência. Ela não tem ideia de que estou aqui. Por favor, sra. Doyle não a deixe morrer com questão entre vocês. - Ela lhe contou o que ela fez comigo? - Eu balancei minha cabeça. - Ela pegou o meu noivo, foi o que ela fez, o homem com quem eu deviria me casar e se casou com ele. Charles Sweeney tinha jurado me amar todos os dias da minha vida e ele me deixou por ela. - Manchas vermelhas subiam pelo seu pescoço pálido. - Você vai querer ouvir o resto da historia. Ela tem o que merece. - Um homem que abusava? - Eu não acredito nisso, Charles era um homem gentil e elegante, não faria mal a uma mosca e então ela o atraiu para a sua teia e sangrou ele ate secar. Talvez ele tenha virado um bêbado, mas ela que o forçou. Havia uma maldição sobre o casamento deles e isso não é bom. Cathleen deixou de ser a minha família no dia em que disse sim para ele. - A Sra. Doyle puxou a porta de tela fechando-a. - Um bom dia para vocês. - E fechou-se dentro da casa. Eu olhei para o sinal de boas-vindas gaélico que estava na minha cara. - Isso não foi muito bom. - Virei para Beckett. - Minha senhora, seu coração esta cheio de misericórdia. - Seu coração está cheio de dor. Eu acho que sabia um pouco sobre isso. - Eu tenho que corrigir isso. Beckett inclinou a cabeça, pousando os seus olhos suaves nos meus. - Ora, Finley? Como eu poderia explicar? - A Sra. Sweeney não pode morrer achando que a sua alma está condenada. Ela não pode ir sem saber que ela foi perdoada. - Eu balancei a cabeça, sem saber explicar os meus próprios motivos. - É importante e isso é tudo que eu sei. Ele acenou com a cabeça. - Isso é o suficiente. - O suficiente para quê? Ele desceu os degraus e então me encarou novamente. - O suficiente para que eu possa ajuda-la. Eu persegui os seus calcanhares, seguindo-o até o caminhão. - Eu não pedi nada para você. Adoro Romances em E-book 146


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- Eu sei. - Ele segurou a porta aberta com um sorriso torto. - E isso mostra exatamente o tipo generoso de cara que eu sou. - E o que eu tenho que fazer em troca? Beckett sorriu. - Eu tenho uma vaga em aberto para um assistente.

- Cathleen teve um dia difícil. A enfermeira da tarde falou em um tom de pena abafada, como se a Sra. Sweeney fosse tão frágil como um vidro. Eu senti raiva crescer no meu peito. Ela não sabia, a Sra. Sweeney não gostava deste sentimento? Eu só balancei a cabeça e desci ate a ala C, onde encontrei a Sra. Sweeney na cama, de olhos fechados e com o rosto tenso de desconforto. Eu queria perguntar se ela estava bem, se havia alguma coisa que eu poderia fazer para fazer tudo isso ir embora, mas se o fizesse não seria melhor do que a enfermeira. Beckett tinha me deixado lá, quando voltamos para Abbeyglen, a minha mente estava cheia com tantos pensamentos, tantas preocupações, eu só queria poder tirá-los e colocá-los na ordem correta como os sapatos no meu armário. Sentada na cadeira ao lado da cama dela, peguei na minha bolsa um novo livro do Stephen King, era uma coisa pavorosa, mas a Sra. Sweeney iria adorar. Não que ela se disponha a me contar. Seu ronco tinha reduzido consideravelmente. - Eu pensei que você gostaria de alguma leitura hoje. - Tirei meu marcador e o coloquei sobre a mesa. - A menos que você prefira fazer outra coisa. Ela balançou a cabeça e estremeceu sob os cobertores. Peguei um edredom grosso no final de sua cama e espalhei sobre ela, colocando-o sobre os ombros e ao mesmo tempo falando sobre o meu dia. - Você não vai acreditar no que Beatrice fez agora, ela me colocou totalmente em apuros ao fazer uma acusação de trapacear na prova de inglês. - Afofei os travesseiros da Sra. Sweeney, corrigi a inclinação de sua cama e lhe deu um pouco de água fresca. - Erin disse que vai criar uma praga para atingir apenas a Beatrice. - As pernas da cadeira arrastaram no chão quando me sentei e puxei-a na direção da sua cama. - Sra. Sweeney, quero que você saiba que não me importo com o que aconteceu com sua irmã e seu noivo no passado. Eu sei que você não era uma má pessoa, pelo menos não de propósito. - Claro que era - veio à voz ofegante - e não seja tão ingênua, roubei o noivo da minha irmã e é exatamente isto o que aconteceu, então sou uma má pessoa. - Eu sei sobre seu filho. - Cinco longos segundos se passaram antes que ela falasse. - Ah... John - Ela soprou o nome como uma oração, um pedido, um arrependimento. - Você pode me dizer o que aconteceu com ele? Adoro Romances em E-book 147


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Seus lábios se apertaram quando ela balançou a cabeça. - Este não um conto feliz. - Você me ouviu lendo um livro sobre uma menina que tentou matar uma cidade inteira. Qualquer outra coisa que você me diga neste momento, seria café pequeno. Ela inalou de modo lento e profundo, como se estivesse chamando as memórias pela respiração. Seus olhos estavam sonolentos e vidrados e pela sua forma poderia que ela havia tomado morfina para retirar um pouco da dor e o seu filtro de costume. - Meu pai era um jogador e continuou assim por toda a sua vida - a Sra. Sweeney disse finalmente, com as palavras um pouco arrastadas - ele apostava em qualquer coisa, cavalos, política... no tempo. Foi assim que se encontrou com ele. Meu pai estava à beira de perder a casa e isso teria matado a minha mãe, uma vez que a propriedade tinha sido de sua família há gerações. - Ela lambeu os lábios ressecados antes de lhe oferecer mais um gole de sua água. - Os tempos eram difíceis, mas meu pai conseguiu um empréstimo que tinha uma alta taxa de juros. - Uma de suas filhas? - Ela assentiu com a cabeça contra o travesseiro. - Nosso nome significava algo naquela época e Charles Sweeney tinha dinheiro, mas ele não tinha respeitabilidade e assim ele comprou. - Você? - A minha irmãzinha, ela era a mais bonita e gostou dele imediatamente. Charles era um sedutor, isso ele era, mas eu vi através dele, eu vi sua alma. - Ele era abusivo? - Eu não podia dizer a ela que tinha falado com as irmãs MacNamara, mas talvez ela tivesse acabado de pensar que eu era uma boa adivinha. Sra. Sweeney tossiu em seu punho. - Não com as mãos. Oh, ele era muito inteligente para fazer isso, então começou a deixar hematomas onde às pessoas não podiam ver... em primeiro lugar. - Então, como é que você acabou com ele? As três linhas entre suas sobrancelhas se aprofundaram. - Estou cansada, menina. Deixe-me em paz agora. Mas eu não podia parar, ainda não. - Você tomou o lugar de sua irmã, não é? - A história verdadeira é que eu queria ele para mim. - Não, você não o queria. - eu disse suavemente. - Você estava protegendo sua irmã sem que ela soubesse. Sua tosse balançava o seu corpo magro e a ajudei a tomar outro gole de água. - Deixe-me agora, estou velha e doente e você é apenas muito curiosa. Adoro Romances em E-book 148


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- Como ele morreu? - A cidade disse que eu o matei. - Você? - Como se os desejos fossem balas... Um sentimento tomou conta de mim, tão poderoso que poderia ter iluminado aquela sala escura. - Eu... Eu quero orar por você... Salva-lá. - Peguei a mão dela de qualquer maneira e a mesma ficou pendurada quando ela tentou se afastar. - Estou um pouco enferrujada e talvez isso não seja exatamente poético. - Eu só quero que seja rápido. Fechei meus olhos e esperei por uma sensação de paz divina sobre mim antes de começar, porém isso não aconteceu. - Senhor, tu sabes da dor da Sra. Sweeney. Ela a esta carregando já a um longo tempo, porem agora ela precisa deixá-la ir. Abra a porta para que ela possa fazer as pazes com sua irmã, ajude as duas a enxergar a verdade e encontrar o seu caminho de volta para a outra e ao mesmo tempo para você. Deus, deixe-me ser as mãos e os pés da Sra. Sweeney, use-me para ajudá-la em tudo o que puder. - Eu cortei-lhe com um olhar. - Mesmo que ela fale mal de mim e tire sarro da minha voz quando leio um livro. - Proteja sempre ela. - Amém. Sra. Sweeney não disse nada, mas quando apertei a sua mão ela não se afastou ou gritou chamando o enfermeiro, o que em si já era um pequeno milagre. - Deixe-me agora. Levantei-me cheia de um sentido rasgado de propósito. - Estarei de volta na segunda-feira. - Vou contar os segundos. - E iremos conversar mais, gosto dessas coisas de coração para coração. - Terminamos com este assunto, vamos esquecer ele. - Você não quer que eu faça isso. - Eu tenho vivido com isso há mais de 50 anos, não preciso mais nada adicionando a minha dor. - Irei corrigir isso, Sra. Sweeney. Adoro Romances em E-book 149


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Ela levantou varias rugas na sua testa frágil. - Faça-nos um favor. Eu me inclinei para mais perto. - Sim, minha senhora? - Fixe na sua própria vida, a que esta florescendo dentro de você.

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Capítulo vinte e dois

Suas fotos postadas no Facebook de Abbeyglen são lindas. Mas o que acha de começar a sorrir em suas fotos para agradar a sua irmã do coração favorita? Amo você, garota! Lucy enviado para o meu iPhone

Passei uma hora antes do jantar correndo para cima e para baixo na Estrada O'Callaghans. A inclinação íngreme da calçada daria uma resistência extra para minhas pernas e enquanto isso acontecia eu estava imaginando minhas coxas se tornarem mais magras a cada passo. Uma série de preocupações flutuou pela minha mente e isso só me fez correr mais, pelo menos os meus problemas eram um combustível saudável para a queima de calorias. Quando comecei a pedalar ate as embarcações com a minha bicicleta, pude perceber que tinha perdido pelo menos um numero no tamanho do meu jeans e isso me deu uma sensação de realização tão grande, pois havia tantas coisas que pareciam fora de controle no meu mundo e descobrir que finalmente havia algo que eu podia controlar era o máximo. Quando entrei pela porta dos fundos na cozinha a família já estava reunida. Nora e Sean estavam no fogão discutindo sobre os ocupantes do quarto bagunçado Rosebud, enquanto Liam se sentava ao lado de sua irmã que segurava um telefone no ouvido. Nora parou de falar quando passei por ela. - Já terminou a sua corrida? - Sim, está previsto chover amanhã, então pensei em compensar correndo o dobro hoje. - Será que você não exagerou em virtude do que aconteceu hoje pela a manhã? - ela perguntou. Eu sabia que a minha mãe tinha informado sobre os meus "problemas" recentes de ansiedade e depressão. - Meu orientador me disse que era uma boa maneira de neutralizar a ansiedade ou a depressão. - disse apenas para seus ouvidos. - Ah. - Sua pausa foi meio estranha. - Bem, você me procuraria se você estivesse se sentindo sobrecarregada, não é? - Claro. A porta entre a sala de jantar dos hóspedes e a cozinha se abriu, mas já sabia mesmo sem ver a pessoa quem tinha acabado de entrar. Adoro Romances em E-book 151


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- Beckett - Liam saltou de seu assento. - Ei, cara. - Beckett levantou a mão e ele e o Liam começaram a fazer algum aperto de mão masculino e tribal. - Liam - eu disse. - Você não sabe a maneira correta de cumprimentar um ator com um ar de miss? Beckett caminhou até a mesa. - Não para este homem aqui. - Sua voz caia, enquanto se sentava ao meu lado. - Mas você é bem-vinda para me cumprimentar dessa forma a qualquer hora. - Falta pouco para começarmos o jantar. - Sean olhou para o fogão. - Finley, você poderia servir a Beckett algo para beber, por favor? Beckett fitou a minha expressão menos do que agradável. - Apenas água, tudo bem. Não coloque muito gelo e adicione uma fatia de limão. - Ele pegou a minha mão e correntes elétricas viajaram pelo meu braço. - E, por favor, não cuspa nela. - Isso é um monte de coisas para se lembrar, mas você ira entender se me esquecer de pelo menos um desses comandos, ok? - Seu polegar deslizou pelo meu braço enquanto ele ria e me deixava ir. Erin colocou o telefone ao lado do prato, em seguida apoiou o queixo na mão. Samuel Connolly está me evitando. Beckett sorriu para Erin. - Você percebeu que acabou de falar uma frase completa na minha frente? - Acredito que deixar cair às batatas em seu colo foi uma experiência de ligação. - Fico feliz pelo bem alcançado através deste ocorrido. Voltei à mesa com água de Beckett sem o limão e coloquei ao lado do seu prato. - Certamente o Samuel não esta lhe ignorando. - Ele está sim. - Ela atirou para Beckett um olhar tímido, então passou a ler as suas mensagens de texto. - Dê um fora nele. - disse Beckett. - Vamos discutir bem este assunto antes de qualquer ação. - Erin respirou fundo. - Há duas semanas, estávamos nos falando por telefone, mensagens de texto, mensagens no Facebook, mas agora ele não responde mais as minhas mensagens e nem atende as minhas ligações. - Talvez ele esteja apenas ocupado. - Sentei-me ao lado dela, inalando o aroma de frango assado. - Ou talvez saiba que tenho a intenção de chamar-lhe para a dança.

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- Ou talvez - Liam disse - ele foi atacado por um zumbi que sugou parte do seu cérebro e seus membros estão apodrecendo enquanto estamos conversando. Erin piscou duas vezes. - Eu acho que se isso acontecesse após o nosso encontro, não me importaria nem um pouco. Sean serpenteava para a mesa vestindo um avental com a frase "Homens de verdade fazem as verdadeiras crostas de torta". - Esse menino não seria louco de não ir com você, Erin. - Ele empurrou as mangas para cima. - Preciso ter uma conversa com ele? Com certeza tenho que lhe mostrar a minha coleção de arma! - Isso não me ajudará, papai. Eu só não entendo o que mudou, estávamos nos falando todos os dias e de repente... nada. Fico me perguntando o que fiz de errado. Associando os fatos, apostaria meu telefone que a Beatrice estava por trás disso. - Sem grandes planos com o elenco? - Nora colocou um prato de frango na mesa. Beckett piscou-lhe o sorriso de milhões de dólares. - Eles estão comemorando um aniversário, mas quando você me disse que estava fazendo o seu famoso frango, eu sabia que este era o lugar onde a festa maior iria acontecer. - Sério? - Ele não poderia desligar o encanto por um segundo? Ele estava praticamente flertando com a mãe de Erin. - Estou feliz por ter alguém que aprecie a minha comida. - Nora estava bem atrás de mim e balançou o dedo na minha direção. - Esta daqui come igual a um pássaro sem apetite e Liam não quer nada mais que cachorro quente com batatas fritas. O jantar seguiu lento, com Sean e Beckett trocando histórias sobre suas viagens pelo mundo. Nora tentou animar Erin com o assunto do seu potencial par para a dança, mas nada a animava, exceto a promessa de uma sobremesa. Liam participou de todas as conversas e de alguma forma encontrou uma maneira de inserir meninas ou legos em cada assunto. Cortei o meu frango em pedaços pequenos e comi o que pude, mas assim que o sabor cremoso de manteiga passou pela minha língua parei de comer imediatamente, deixando de lado o meu prato sem comer nem metade, nada contra a comida, é que me recusava a entupir minhas artérias com produtos lácteos engordativos. Descobri que a Irlanda não era o lugar mais fácil para manter uma dieta. Meus pedaços de frango restantes foram parar debaixo do meu purê de batata, e embora meu estômago insistisse que não estava muito cheio, ele teria que se conformar. Peguei a minha água e bebi mais dois copos de vez. - Agora é a hora da sobremesa. - Nora levantou-se e foi até a geladeira. - Sean fez uma bela torta. - Vamos levá-la para a sala. - disse Erin. Sean se levantou. - Irei pegar o café.

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Eu me levantei com a intenção de ajudar Nora a servir, mas Beckett chegou antes de mim. Com nada mais a fazer, sentei com o Liam no sofá, quando pegou o controle remoto e ligou a TV, a sala se encheu com o som de uma estação BBC. “...O Taliban enviou uma mensagem de vídeo para o primeiro-ministro britânico ameaçando um novo ataque a menos que o suspeito de terrorismo seja libertado da prisão. Kakir Mullah é acusado de planejar o atentado no metrô de Londres. Ele também é suspeito de ter ligações com o atentado contra uma escola no Afeganistão, que tirou a vida de vinte e cinco crianças e um repórter-americano...” - Mudança de canal. - Beckett pegou o controle remoto e rapidamente trocou o canal quando apareceu o rosto do meu irmão sorrindo para mim na TV. - Vamos assistir outra coisa, né? - Volte para o canal anterior - eu disse. - Por que você mudou? - Quanto mais você precisa ouvir a mesma historia? - Ele entregou a Liam o controle remoto, em seguida, virou-se para mim com os olhos preocupados. Também não há nada de novo mesmo. Balancei minha cabeça enquanto lágrimas indesejadas pressionavam contra os meus olhos. - O nome do Will. - Funguei e piscou para longe as lagrimas. - Eu queria ouvir o nome dele. - Hora de comer a sobremesa! - Nora e Sean vieram trazendo pratos cheios com a sua torta caseira. - Eu vou dar um passeio. - A sala estava se fechando para cima de mim e eu lutava para recuperar o fôlego. - Mas já correu hoje. - disse Nora. - Estarei de volta em breve, preciso apenas de um pouco de ar. Agarrei o meu casaco que estava nas costas da cadeira e corri para fora. O céu da noite ainda tinha as cores do crepúsculo e com sorte demoraria a entrar na sua escuridão completa. Com este pensamento comecei a andar seguindo a luz que vinha após o muro do quintal, além do bosque de árvores e muito a frente da campina. Respirei o ar divertindo-me com a falta da umidade que estaria a minha espera ao voltar para casa. Sabia neste momento que havia trocado o calor sufocante de Charleston pelo frio do Abbeyglen. Deus, quando é que o frio no meu coração irá embora? A minha sensação era que até mesmo o verão quente de Charleston não poderia derreter este gelo. Cortando caminho pela grama caminhei até encontrar a ruína do castelo que Erin tinha me falado, neste momento era um pouco mais de um cilindro de pedra agora, deveria ter sido uma torre algum dia. Puxando meu casaco mais apertado ao redor de mim, entrei e passei a mão sobre a parede rochosa. As vinhas costuravam dentro e fora de fissuras, desafiando a gravidade enquanto eles se agarravam. Quantos anos esta ruina estava aqui? Ao som de folhas sendo esmagadas me virei e vi o Beckett. - Finley. Adoro Romances em E-book 154


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Somente uma palavra, foi tudo o que ele disse, mas nela pude ouvir toda a sua piedade e isso me fez querer derrubar para baixo aquela torre, pedra por pedra, com minhas próprias mãos. - Eu quero ficar sozinha. Ele cruzou os braços e se encostou à parede que estava se deteriorando. - Eu não vou a lugar nenhum. Virei para ele não me ver enquanto limpava meus olhos, manchando os meus dedos com rímel aguado. - Não há tanta maldade no mundo na verdade, não é? - Com certeza, mas a Deus também. - Os homens que mataram Will e as outras crianças destruíram tantas famílias e o que restou delas nunca mais será a mesma coisa. - Ah, Flossie. Seus braços vieram em torno de mim por trás e me puxaram contra o seu peito, seu queixo descansando na minha cabeça enquanto ele me segurava firme. - Eu tenho que achar aquela cruz da imagem e tudo o que há de errado comigo ira mudar. - Fin, você sabe que quando encontrá-la... o seu irmão não estará lá. Fechei meus olhos contra a dor. - Eu sei. - E que não irá encontrá-lo em Nova York, independente de finalizar a sua audição ou não, pois ele não vai voltar. O fundo do poço caiu sobre mim em forma de lágrimas e não pude reprimi-las de nenhuma forma. Com um suspiro rouco deixei a tristeza transbordar em cada respiração. Beckett me virou para me abraçar de frente. Seus braços fortes me seguravam firme, com uma mistura de ternura e força enquanto ele sussurrava palavras de conforto que eu mal conseguia ouvir devido ao meu próprio choro. Segundos, minutos, que pareceram horas passsaram antes que pudesse levantar a minha cabeça e eliminar a última das minhas lágrimas. A vergonha rolou através de mim, quando percebi que tinha acabado de soluçar tudo sobre um dos meninos mais famosos do mundo e praticamente usei a sua camisa como um lenço de papel. Afastei-me dele e enchi meus pulmões com uma respiração gelada. - Eu tinha uma casa na árvore. - Um pássaro voou por cima de nós como se estivesse voltando para os seus entes queridos antes de deitar. - Ele sempre vinha até mim como se eu fosse uma Rapunzel, apesar de ser muito mais velho ele sempre tinha tempo para mim. Ambos os meus irmãos eram bons, mas com Will e eu era diferente, pois ele me tratava como se eu fosse especial. Beckett deu um sorriso torto. - E você é. Eu queria rir com as palavras de Beckett, mas estava sem energia. - É estranho no mesmo local que Will, seguir os seus passos, ver as mesmas coisas Adoro Romances em E-book 155


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que ele presenciou e, além disso, saber o que ele pensava sobre todas elas, então se hoje tenho o seu diário deve haver uma razão maior. - Então nós vamos encontrá-lo. - Seu olhar era tão pesado sobre o meu que não conseguia desviar. Ele me segurou no lugar, fazendo-me impotente para sequer piscar. - Por que você está aqui, Beckett? Sua voz era áspera como as pedras. - Algo me disse que havia uma moça com a necessidade de ser salva. - Ele capturou minha mão e segurou contra seu peito e o seu coração batia num ritmo constante sob minha palma. - Talvez só esteja cuidando da minha assistente ou talvez Deus tenha colocado na minha mente que deveria segui-la. - É bom saber que o Senhor esta falando com um de nós, mas como você sabe, li varias vezes o diário do meu irmão, e cada vez mais gostaria de ter a sua fé absoluta e sua visão do mundo, pois em sua opinião era muito lindo. - E não é? - Beckett recuou. - Olhe ao seu redor. - Mas porque as pessoas vão embora? - Levantei as minhas mãos e comecei a passa-las nos braços para diminuir o frio. - Irmãos morrem, crianças desaparecem, o ódio durante as guerras, às vezes é tão difícil assistir ao noticiário e ainda encontrar uma razão para vida... Deus... e o porquê de tudo isso. - Eu limpei minha garganta contra um caroço. - Eu assisti ao vídeo da explosão que matou o meu irmão, na verdade o mundo inteiro assistiu e como explicar aquilo? - Você duvida que haja um Deus? - Não. - Pensamentos passavam pela minha cabeça e nenhum deles parecia fazer sentido o suficiente para até mesmo falar em voz alta. - Mas não o vejo mais como o via quando era uma criança, ele não é mais o Deus de histórias felizes que vinha com bolachas ultrapassadas e ponche aguado. Eu acho... que não sei mais quem ele é. - Umm... Sua lei é o amor e o seu evangelho é a paz? - Pisquei os olhos lacrimejantes. - Você seriamente acabou de citar uma canção de Natal? - Eu sou uma espécie de iniciante com estas coisas. - Beckett riu e começou a arrastar o chão com a ponta do sapato. – Então, no ano passado fizemos um filme na Itália - Ele enfiou as mãos nos bolsos e estudou uma erva daninha aos seus pés. - Eu estava passeando sozinho quando entrei em um belo edifício antigo que era na verdade uma igreja, eu nunca disse a uma alma viva sobre isso, mas... algo parecia ficar me chamando naquela direção, voltei lá no dia seguinte e outras vezes depois disso. Peguei emprestada uma Bíblia de um cara que cuidava da igreja e comecei a lê-la. Ainda tenho muito que descobrir, mas de alguma forma sei que tudo aquilo é real e olha que nem sou tão esperto com essa coisa de pesquisa, no momento não tenho as respostas para suas perguntas, só sei que Deus disse para confiar nele e isso é o que estou tentando fazer. Adoro Romances em E-book 156


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- Isso não é bom o suficiente para mim neste momento. - Eu não podia acreditar que estava debatendo sobre fé com um príncipe de Hollywood. - Eu quero respostas e preciso entender este mundo novamente. Beckett caminhou até mim e estendeu a mão sobre a minha cabeça. Ele arrancou uma flor selvagem de videira que crescia nas fendas, ela era uma flor violeta que não tinha recebido a mensagem de que o verão já acabou. - Talvez você tenha que parar de ir contra os seus sentimentos. - Ele abriu a minha mão e colocou a flor no seu centro. - E começar a seguir o caminho de acordo com as suas verdades.

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Capítulo vinte e três

De: Finley_Sinclair@SinclairEnterprises.com Assunto: Pequeno Alex. Parabéns pelo bebê. As coisas aqui estão ótimas. Não, ainda não pedi o autógrafo de Beckett Rush. Estou gastando muito tempo praticando a minha musica. Mal tenho tempo para notar que o rapaz existe.

Ouvi o farfalhar da família O'Callaghan lá embaixo, no domingo à tarde, preparando-se para o almoço. Meu estômago começou a reclamar comigo, lembrando que eu havia pulado o café da manhã devido à minha corrida matinal e em seguida passei os próximos 30 minutos de leitura no diário de Will. Os cantos da foto colada na página que lia naquele momento estavam afiados e ficava levantando as bordas da pagina como se quisesse se libertar. Enquanto as imagens estavam borradas, as cores eram incrivelmente nítidas. Na foto, acima do oceano, existiam fileiras de casas alinhadas e muito próximas, pintadas de cores azuis, verdes e amarelos, elas mais pareciam um bolo confeitado, como se você pudesse passar o dedo sobre elas e ficar com ele cheio de açúcar de confeiteiro. Sob a foto Will tinha rabiscado um verso que reconheci ser de Salmos. Senhor, Tu és a minha lâmpada. Oh meu Deus, ilumina as minhas trevas. Enquanto lia essas palavras não era a minha voz que ouvia na minha cabeça e sim a voz grave do Will, como se estivesse sentado ao meu lado. Lahinch é apenas cerca de dez quilômetros de Abbeyglen. A Liscannor Bay é um local popular para surfistas e jogadores de golfe ou apenas um cara em busca de uma boa comida num Pub. Estava entrando no Pub McDougal, quando me diziam que poderia encontrar a melhor xícara de chá e o melhor bacalhau do mundo. Lá chove muito, mas nada pode escurecer a cidade, pois as cores estão ao redor de tudo. Quero manter meus olhos numa boa e sem as nuvens escuras. Palavras de um garoto de dezoito anos de idade. A maioria dos rapazes de sua idade seria poética apenas com assuntos referente a garotas e carros, mas as maiorias dos caras não cresceram para se tornar um repórter investigativo da CNN, com a idade de vinte e três anos. - Finley? - Erin começou a me chamar segundos antes de aparecer na minha porta. - Beckett está aqui para ver você. Adoro Romances em E-book 158


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- Por quê? - O rosto da minha amiga anfitriã ainda estava cheio de tristeza. - Disse que vocês estavam indo para Lahinch. Oh... Realmente não tinha considerado a possibilidade que ele falava a verdade ou que se lembrava da sua promessa de me ajudar. - Qualquer palavra de Samuel? - eu perguntei. Ela assentiu com a cabeça vermelha. - Ele me mandou uma mensagem curta para dizer que ele não poderia ir ao baile comigo. - Ele te deu algum motivo? - Não. - Pergunte a outro menino, mostre a Samuel que ele não pode te derrubar. - Eu já fiz isso, mandei um e-mail para Patrick Sullivan há uma hora e isso é a coisa mais estranha. - Erin sentou-se na beira da minha cama, ainda com a sua saia da igreja. - Ele disse que sim e estava todo animado, mas 30 minutos depois ele me mandou uma mensagem de volta e disse que não poderia ir mais, pois tinha outro compromisso. Erin olhou para mim com os olhos arregalados. - O que há de errado comigo? Essa era a maior duvida na vida de cada menina. - Nada. - A cama rangeu quando me sentei ao lado dela. - Esses meninos deveriam estar pagando a você e caro pela oportunidade de ser o seu par. - A este ritmo serei a única que vai ter que desembolsar o dinheiro, mas não consigo entender o que fiz para fazê-los se virarem contra mim. Patrick e eu somos amigos desde que usávamos fraldas, nossas mães cantam juntas no coro da igreja e ele nunca teve uma namorada na vida, então ir comigo para este baile não significa uma grande ameaça à sua reputação. - Erin não acho que isso tem alguma coisa a ver com você, na verdade tenho quase certeza que é obra de Beatrice. - Essa menina é uma... Bufo Marinus. - Você acabou de xingar usando termos científicos? - Ela é um sapo. - Beatrice me odeia e está te punindo para me atingir. - Eu não sabia o que fazer sobre isso. - Mas nós vamos dar a volta por cima. - Afirmei a ela que estava indo para o baile de St. Patrício com um menino. - E você irá. - Eu cutuquei a com o meu cotovelo. - Você vai ter um par.

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- Eu acho que deveria orar sobre isso e em seguida esperar um milagre... Por favor, Deus me ajude. - Certo. - Presumia que Deus a atenderia, pois como era para a Erin com certeza não estava ocupado ou nem seu horário de almoço estendido com sempre acontecia comigo. - Garotas! - Nora nos chamava lá de baixo. - Vamos para Lahinch, comigo e Beckett. - Não. - Erin levantou-se e endireitou seus ombros com determinação. - Acho que irei me consolar, orando por um par, será que isso é um sacrilégio? - Deus disse que o amor tudo suporta. Erin encontrou seu sorriso novamente enquanto descíamos as escadas. Meus olhos se estreitaram quando observei o rapaz na sala de estar que estava falando com Sean e Nora. O seu cabelo era escuro e liso como um chinês, a sua camisa era de um rosa extravagante, a sua calça cinza, além de sapatos pretos brilhantes, uma blusa amarrada em suas costas e um chapéu inclinado na cabeça. Coloquei a minha bolsa no ombro e perguntei - será que o seu contrato para o filme não será cancelado? Uma covinha apareceu em sua bochecha. - A cor do cabelo saíra quando laválo. Examinei a roupa que ele tinha escolhido para seu disfarce. - A cor é a menor das suas preocupações, diga-me que não está carregando uma bolsa também. Ele bateu no bolso de trás. - Eu tinha que traçar uma linha em algum lugar. Beckett estendeu meu casaco e me ajudou a vesti-lo. - Alias, você está linda. Meu coração disparou como um pássaro antes de um pouso forçado com o comentário, até que percebi o quanto parecia um comentário ensaiado da parte dele e que provavelmente falava para todas as mulheres que encontrava. Dizendo adeus ao clã O'Callaghans saí em direção ao caminhão de Beckett, enquanto ele abria a porta do lado do passageiro e pegava a minha mão, sua expressão mudou, seus dedos apertaram os meus e o seu olhar duro estava fixado para algo além do meu ombro. Virando-me, pude ver o foco de sua ira. Uma limusine preta. - Será que é uma de suas namoradas? – Perguntei, quando o veículo parou ao lado do caminhão. - Apenas meu empresário. Quando Montgomery Rush saiu do banco de trás, Beckett plantou uma das mãos sobre o caminhão, como se estivesse ancorando por causa de um vento muito forte. - Bom dia, o hotel está reservado hoje à noite, então ficarei aqui. - Seu pai tirou os óculos escuros. - Esses Calhoun pegarão as minhas malas, certo? Adoro Romances em E-book 160


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- O'Callaghan - disse Beckett. - E não, eles não irão, afinal aqui não é o Four Seasons. Montgomery Rush olhou para a casa de três andares e fez uma careta. - Será que você já leu as manchetes? Sua noite de terça-feira e aquela briga com alguns paparazzi fizeram as manchetes do dia, quase chegando ao topo das historias, mas você ainda não pode superar um escândalo de divórcio de celebridade. Beckett não moveu um músculo, mas podia sentir a sua tensão saltando para fora dele como uma estática. - O E! canal quer uma entrevista exclusiva. Eu disse a eles que você poderia falar algo esta noite ou amanhã, de modo que a tempo de verificar a sua agenda e depois me posicionar. - Eu não vou fazer esta entrevista e você sabe disso. - Seu assessor já confirmou. - Sem a minha autorização. Os dois se olharam durante um momento como se fossem dois pistoleiros num filme de faroeste, enquanto o silêncio se prolongava, me vi imaginando um barulho de tiro ou um urubu crocitando no céu. Mr. Rush olhou para o disfarce de seu filho. - Quando você voltar deste passei e me entregar os contratos assinados, vamos ter uma conversinha seria, rapaz. - Eu não vou assiná-los. O olho esquerdo de seu pai se contraiu num espasmo. - Neste negócio não há garantias que haverá novos contratos, o quente de hoje amanhã poderá se tornar um nada. Eu não quero que você perca essas oportunidades. - E se eu quiser seguir uma oportunidade diferente? - Não há tempo para isso agora, quem sabe mais tarde quando o mercado de vampiro estiver morto, então te espero esta tarde. Apenas você e eu. - Ele olhou para mim como se só agora percebesse que ele e Beckett não estavam sozinhos. A menos que você queira lidar com isso agora. - Para nos tornarmos uma unidade - Beckett disse sem emoção. - Você não pode usar isso para sempre. Beckett resmungou algo baixinho e deu a volta para o seu lado do caminhão. Ele colocou suas longas pernas para dentro e então fechou a porta com um estrondo retumbante. O motor ganhou vida, soando mais alto do que nunca e com movimentos bruscos Beckett fez um rápido trabalho para arrancar o carro, o mais rápido possível dali. - Então, seu pai... - Não quero falar sobre isso. Adoro Romances em E-book 161


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- Seria justo, devido eu ter chorado os meus problemas em cima de você na noite passada. - Eu não quero estragar meu rímel. - Ele ligou o rádio e um homem cantou uma canção sobre um amor que deu errado. Lancei um olhou para Beckett. - Se você simplesmente me falasse... - Deixa isso pra lá Florença. - Tudo bem. Vou lhe falar algo novo, você esta parecendo uma menina. - E eu nem tenho um equipamento para provar isso.

O caminho era sinuoso e estreito e os barulhos do vento que entravam no carro mais se pareciam como uma sinfonia. Em um determinado momento retirei os fones e comecei a cantarolar uma nova faixa para a minha melodia. Beckett nem sequer fez um comentário, ele já estava acostumado com isso agora. Eu não pude deixar de ficar triste quando ele parou em dois cemitérios no caminho e não encontramos a minha cruz celta. Apesar de no mínimo, dez delas serem parecidas com a da foto. Trinta quilômetros depois, chegamos a Lahinch, passei a caminhar ao lado de Beckett tirando fotos de tudo o que via. Com a foto do meu irmão em minha mente, olhei para a pitoresca aldeia do lado do porto e era exatamente igual ao que eu esperava. As casas tinham as cores do arco-íris com gaivotas voando de um lado para o outro em cima. O cheiro de água salgada no ar e nuvens ameaçadoras acima de nós que ameaçavam desabar um temporal a qualquer momento. - Devagar - Eu falei, quando Beckett estava bem na frente. - Eu não quero perder o dia. - Com medo que o seu cabelo fique loiro ao meio-dia? Ele parou com uma postura rígida e a boca em uma linha fina, notava-se que ainda estava chateado com a luta com seu pai. Eu conhecia bem este sentimento, pois discuti com meus pais todos os dias do ano passado. Passamos por um grupo de adolescentes com câmeras apostos. Uma loira de pernas compridas olhou para Beckett e em seguida chamou uma amiga. De onde estava dava para ouvir os seus sussurros, enquanto passávamos por elas. - É que... - Não. - Parecia com ele. Adoro Romances em E-book 162


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- Vá lá conferir. Olhei para trás. - Elas estão vindo em nossa direção. Beckett passou o braço em volta de mim e me puxou para o seu lado. - Faça alguma coisa sobre isso e lhe comprarei o seu almoço. - Eu acho que é ele! As meninas riam atrás de nós, enquanto inclinei minha cabeça no ombro de Beckett e com uma explosão de coragem entrelacei meus dedos com os dele. - Johnny. - Meu sotaque Charleston era tão exagerado quanto alto. - Não se preocupe com essa espinha gigante, pois o nosso amor supera qualquer coisa. Seu braço apertou um pouco mais a minha cintura. - Frances, querida - ele falou, - quando voltarmos para casa, comprarei o anel de casamento que você me pediu, isso depois que você me deu os trigêmeos que estão agora na idade madura de dezesseis anos. - Eu sou uma mãe solteira? - Eu assobiei. - E eu um pai de um bebê doente. - Isso me fez rir. - Eu acho que você já tem o título para o seu próximo filme. As meninas que falavam com sussurros atrás de nós diminuíram seu ritmo. - Você sabe que eu não vou me casar com você, Johnny. - Minha voz cresceu o suficiente para toda a cidade ouvir. - Não até você sair da estrada e desistir de sua banda de flauta cheia de garotos e finalmente obter um diploma do ensino médio. Beckett inclinou seu rosto perto do meu e me lançou um olhar rápido, antes de recompor a sua fisionomia, mas não mudou rápido o suficiente ante de ver o aparecimento de um olhar de um homem completamente apaixonado. - Eu vou cair fora da estrada, Frances, assim que você desistir de seus sonhos de rodeio, pois toda vez que você é chifrada por um touro, sinto o meu coração ser arrancado dentro de mim - Beckett virou a cabeça e suspirou. - Ok, elas já se foram. Eu deixei a minha mão na dele e tentei sair de seu abraço, mas ele permaneceu colado ao redor do meu ombro. – Você não pode se afastar agora. – o sorriso era tão gostoso como um chocolate derretido. - O perigo está à espreita em cada esquina e eu preciso de você para me proteger. - Ele inclinou a cabeça para baixo quando uma multidão passou por nós e entrou em um restaurante. - Pronta para o almoço? Acima de nós vi uma placa que sinalizava Burdick do Mickey. - Melhor peixe e fritas da cidade, pelo menos de acordo com a opinião deles. - Não, realmente não estou com fome ainda, pois tomei um grande café da manhã. - Por que eu disse isso? A mentira tinha tropeçado tão facilmente da minha boca. Adoro Romances em E-book 163


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- Tem certeza que você não quer comer? - Perguntou Beckett. Olhei para o restaurante e inalei o cheiro de massa frita. - Sim. Eu comeria um sanduíche em casa, ou algumas frutas ou ate mesmo algumas batatas da noite passada. Ele nos levou para uma estrada pavimentada que passava por dentro de uma loja de surf azul e ia direto para a água. Paramos nos trilhos que davam para o mar, onde uma inclinação de pedras cinzentas pesadas introduziu a linha de costa. As nuvens escuras duelavam com o pedaço de sol visível, mas a luz parecia muito fraca para segurar o céu sombrio. Dois meninos em skates passaram apertados por nós, enquanto olhava para a água, ainda dentro dos braços de Beckett, deveria ter movido, mas não o fiz, pois estava ajudando com seu disfarce e nada era real. Fechei os olhos e escutei esperando um momento em que os sons se tornariam uma música na minha cabeça, tudo começando pelo som crescendo dos pássaros, o ritmo das ondas, a fermata, a pausa, o vento beliscando meu rosto. - É lindo, não é? - Sua voz era reverente, como se estivesse assistindo a Deus pintar a cena neste momento. À distância, a água que batia na margem já era conhecida dos campos verdes, além das lojas da vila e das casas alinhadas. Estes eram lugares acolhedores, onde as pessoas viviam com suas famílias, e me perguntei se algumas daquelas pessoas estavam cientes de quão rapidamente a vida pode mudar. Como seus entes queridos podem ser tomados em um instante. Lá embaixo havia um homem com uma roupa de surfista molhada, remando sua prancha branca para o mar aberto. - Está muito frio. - disse eu. - As pessoas surfam com este tempo? - Durante todo o ano. Eu peguei uma nota de inveja em sua voz. - Alguma vez você já surfou aqui? - Sim. - O homem remou para mais longe enquanto as ondas vinham ao seu encontro. - É uma sensação de liberdade como nenhuma outra, mas a minha habilidade é bem menor do que gostaria. - Mas como seria diferente se você e seu pai nunca tiram férias? - Você não pode ganhar dinheiro se parar de trabalhar. - Beckett, sobre o seu pai... - Olhe para o surfista. - Segui seu dedo e vi a tentativa dele de subir em sua prancha, apenas para cair de volta no mar, o garoto tentou mais cinco vezes sem sucesso.

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- Qual é o ponto? - Eu perguntei, quando uma chuva começou a cair sobre nós. - É porque é sempre inverno aqui. - O ponto é... - Beckett disse virando os olhos em mim - esse cara não se preocupa com as regras, ele não se preocupa com a temperatura da água... ou com o tempo... ou a com todas as outras razões pelas quais ele não deveria surfar, ele só quer estar na água e fazer o que ele mais ama, simplesmente estar num lugar onde ninguém pode lhe dizer o que fazer ou o que ele tem que se apressar para a reunião seguinte. Apenas o vento em seu cabelo e o sal nos lábios. Sua voz era mais apaixonada do que em qualquer fala de roteiros que ele já tinha expressado. - E é isso o que você quer? Ele estendeu a mão e meu pulso dobrou quando seu polegar deslizou sobre o meu lábio inferior. - Você sabe o que eu quero Finley? Eu não conseguia desviar o olhar, não conseguia falar, por isso só balancei a cabeça. - Isso. - Beckett abaixou a cabeça e selou sua boca com a minha. O beijo me afetou como uma ressaca do Atlântico. Eu provei o mar, a raiva, a chuva e algo que eu não poderia começar a definir. Seus lábios suavemente procuraram e acalmaram os meus, enquanto suas mãos saíram do meu cabelo úmido e emolduraram o meu rosto, como se eu fosse delicada o suficiente para ser varrida pelo tempo e neste momento era exatamente assim que me sentia. - Pare. - Eu empurrei o seu peito e tentei ganhar alguma distância. - Eu não posso fazer isso, pois você está com Taylor. - Finley. - Eu não quero ser mais uma de suas conquistas fáceis, não me sinto bem com essas coisas. - E eu? - Ele fechou sua mão em um punho e apertou-a contra a sua cabeça. Não posso fazer as minhas escolhas. - Ele se virou para o corrimão e olhou para o surfista que agora estava de pé em cima de sua prancha e das ondas. - Se você ainda acha isso de mim, então você não me conhece bem. - Então me diga Beckett, dê-me uma razão para não acreditar em tudo o que se fala e escreve sobre você. - Eu achei que era isso que estávamos fazendo aqui. - O surfista caiu na água e Beckett se afastou. - Eu tenho uma reunião com me pai. A amargura enrolou no meu estômago enquanto outra onda de discussão era evitada. Dei uma última olhada em Lahinch, me perguntando sobre a luz que o meu irmão não conseguia esquecer. E que eu lutava para encontrar a qualquer custo. Adoro Romances em E-book 165


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Capítulo vinte e quatro

Estou assistindo a cidade se preparar para o Festival do dia de St Patrício e é quase tão divertido quanto o próprio evento. As meninas estão totalmente estressadas com isso e eu não tenho a mínima ideia do por que. — Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

- Você está deliberadamente sabotando qualquer chance que a Erin tenha de encontrar um par para o dia do festival. A guerra teve inicio quando o olhar de ódio da Bea estava sendo dirigido a mim em plena segunda-feira, depois da escola, assim que parei frente a frente com ela. - Eu pensei que ela já tinha um par certo para esta data incrível. - Beatrice falou cada palavra de uma forma como se eu fosse tão inferior a ela que jamais deveria me dirigir uma palavra. - Talvez ela tenha mudado de ideia. Enquanto isso as meninas marchavam para cima e para baixo no corredor, para escaparem o mais rápido possível do Sagrado Coração. Alguns permaneceram por perto para ouvir a conversa que era mais interessante do que qualquer coisa esperando por elas em casa. - O que você está dizendo a esses garotos para que eles desistam da Erin? Eles são seus amigos? - Eu não tenho a mínima ideia do que você está falando. Certamente ambos preferem ir com você e assim quem sabe você consiga roubar um dos pares de Erin. - Erin é gentil e tem um coração de ouro, jamais faria algo para machucá-la. Por que você quer fazer isso com ela? Você não se importa com os seus sentimentos? Não importa o que você pensa de mim, essa sua atitude é o golpe mais baixo dos baixos, já que não tem motivos para fazer isso. - Estava me sentindo doente só de olhar para Beatrice. - Você está seriamente doente. - Como é? O que é que isso quer dizer? No aspecto daquele sorriso felino, de repente soube como se iniciava as brigas entre garotas. - Há tanta informação interessante lá fora, na internet, não é? Como detalhes de suas façanhas ou as suas noites selvagens nos clubes. - Isso foi há muito tempo atrás. - E também pelo um curto período apenas. Todo mundo sabe sobre isso. Adoro Romances em E-book 167


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- Você está brincando com as pessoas grandes agora e eu te avisei que se mexesse comigo iria se arrepender. - O que você quer de mim? Um pedido de desculpas? Ela jogou o cabelo escuro por cima do ombro e sorriu. - Já passamos por esta etapa há muito tempo e hoje não aceitaria suas desculpas, nem se você servisse para mim em uma bandeja de prata, mas como vejo a preocupação em seus olhos e você deve estar seriamente preocupada seria bondosa com você, até mesmo por que qual é a utilidade de ter informações... se você não usá-la? A raiva passou pelos meus membros quando Beatrice deu três passos de distância, parou e se virou. - Você pode verificar no seu telefone. Enviei-lhe um link de sua paixão. Não que você deva se iludir pensando que é qualquer coisa se não descartável para Beckett, mas eu sabia que você gostaria de ficar atualizada sobre seus passos. Esperei até que ela estivesse fora de vista para então pegar o meu telefone e acessar a minha lista de e-mail. Em apenas três cliques segui o link para uma página no site Hoje à noite, da Entertainment. “Beckett Rush passa à noite de sábado nos braços de três belezas irlandeses festejando a noite toda.” Dei um zoom na imagem abaixo do título e vi Beckett no meio de um sanduíche de garotas na pista de dança. Suas mãos estavam em cima dele e seus lábios estavam pressionados contra a bochecha de uma menina. Li o resto do artigo fazendo uma careta. Depois comecei a ler novamente. - Essa cobra. - Eu não podia acreditar nele. - Isso é desonesto, sujo e um ninho de cobra. Corri para fora, peguei na minha bicicleta e pedalei o mais rápido que minhas pernas conseguiam. Porque era tempo de confirmar minha volta ao trabalho e tempo para mostrar ao Beckett quem realmente sou e o que se passa na minha mente.

- Abra a porta. - Batia na porta do trailer de Beckett, não me importando com quem estivesse assistindo. - Abra essa porta! - Mas apenas isso não estava me levando a nenhum lugar, então quando puxei a alça, ela veio facilmente em minhas mãos e quase cai dentro do trailer. - Você... - Comecei a editar melhor as palavras que usaria me lembrando de o que não faria a Irmã Maria corar. - É desonesto, manipulador de uma pessoa fraca.

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Segurando um livro de história grosso, Beckett se sentou em uma cadeira com um traje de gala e bebeu uma caneca de café. - Você não fechou a porta e de repente estou me sentindo a mostra. Puxei a porta com tanta força que o trailer balançou, logo após avancei sobre Beckett novamente. - Como você pode simplesmente mentir para mim desse jeito? Seu rosto era tão neutro quanto a Suécia. - Você vai ter que ser mais específica, pois há tantas possibilidades. Peguei meu celular do bolso, apertando alguns botões e empurrei na direção a ele. - Isso parece familiar? Ele estudou o site por apenas um segundo. - Parece que eu estava numa boa. Um riso irracional saiu dos meus lábios e vieram à tona. - Então é você? Na foto? Ele soprou seu café. - Parece que sim. - Uau, eu não sabia que você tinha tantos talentos, não só você é o vampiro favorito da América, mas também pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Algo brilhou em seus olhos. - Eu preciso voltar ao trabalho. - Por que deixa alguém fazer isso e depois coloca digitalmente com o seu rosto? - Meus lábios se curvaram em um sorriso triste. - Há quanto tempo isso está acontecendo? Ele bateu sobre o seu livro fechado. - Você não está fazendo sentido. - Você não poderia ter ido para este clube em Limerick na noite de sábado, pois comeu o jantar com a gente na pousada e depois me seguiu até as ruínas do castelo. - Eu saí logo após tudo isso. Balancei minha cabeça. – Não, você ficou jogando videogame por três horas com Liam, o Sean me falou. - Ele não parava de ficar cantando louvores sobre Beckett, mais uma vez, assim como Nora e a Erin. - Talvez depois disso. - Você está mentindo, porque apenas você não me diz a verdade? - Porque não tenho nada a ver com isso. - Beckett ficou de pé e se elevou sobre mim. - Você não consegue entender a minha vida, Finley, já tentei dizer-lhe que ela não pertence a mim e eu quis muito lhe dizer isso. Hoje eu tenho toda uma equipe de pessoas que organizam cada minuto... cada detalhe. - Ele deu uma risada sem alma. - Eu não estou mais nem aí para metade e certamente não estou autorizado a refutá-la. - Você não estava em uma briga de bar na semana passada, não é? Adoro Romances em E-book 169


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- A última luta que participei ainda usava aparelho nos dentes. - E sobre o escândalo do ano passado, sobre o quarto de hotel que ficou uma lixeira e sobre as exigências bizarras para o diretor? Beckett sentou-se e segurou a cabeça entre as mãos. - Nunca toquei sequer num saco de amendoim deste hotel. - Você está namorando Taylor Risdale? - Eu tinha que saber a verdade. Ele tinha me beijado, segurou minha mão e me fez promessas com os olhos de estrela de cinema. Ele inclinou a cabeça para trás na cadeira e com um olhar exausto ficou um momento estudando o teto. - O primeiro filme estreou em edição limitada e ele estava morrendo. As críticas foram horríveis e todos tinham muito a perder, então eles decidiram criar uma historia sobre um relacionamento entre mim e Taylor. Isso acontece o tempo todo neste meio. - Quem decidiu? - Será que isso importa? - Eu acho que provavelmente é importante para você. Beckett esfregou a ponta do nariz e suspirou. - Meu empresário. - Seu pai. - O mesmo. - Beckett... De repente eu estava cheia de vontade de ligar para os meus pais e dizer-lhes o quanto eles significavam para mim, como tinha sorte de ter na minha vida pessoas que se importavam comigo e me ajudavam, em vez de me transformar em um fantoche para seu próprio ganho. - Eu sinto muito. - Eu não quero que você sinta pena. - Ele se levantou novamente e foi para a cozinha, colocando os braços de cada lado da pia. - Você deve entender isso melhor do que ninguém. Pena pode ser um carrasco muito cruel. - Por que você o deixa seguir com isso? - Ele só ficou fora de controle. Tudo começou com uma história, depois outra meia dúzia, então meu pai começou a fabricar coisas muito além deste boato entre mim e Taylor. Ele criou toda essa pessoa diferente do que realmente eu sou... e você quer saber o que é realmente terrível? - Beckett olhou através de mim. Funcionou. A propagação do filme foi como um fogo e todo mundo ficou a salvo e Adoro Romances em E-book 170


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agora nós temos todos os produtores e diretores derrubando as nossas portas de tanto bater. - E os fãs. Ele acenou com a cabeça. - Os fãs de carteirinha. - Mas você vendeu a si mesmo no processo. Beckett fechou a distância entre nós e com as mãos curvadas em volta dos meus braços disse - Eu nunca fui nada além de mim mesmo com você. Você... é real... é honesta... você é... você. O olhar reverente em seus olhos me fez querer confessar todos os meus pecados e dizer-lhe que não era quem ele pensava que eu era. Eu era apenas uma garota que levantava às 3h00 para praticar musica, provavelmente a única que dobrava as suas calcinhas antes de coloca-las na gaveta, que não gostava de comer a comida que era servida em seu prato, que tinha pesadelos sobre sua audição e que por varias vezes ficava pesquisando o nome de Will só para ver se havia algumas imagens novas. - Apenas diga a seu pai como você se sente. - Não é assim tão fácil. - Ele correu as mãos para cima e para baixo nos meus braços e seu calor começou a inundar as minhas veias. - Você não quer assinar os contratos que ele está atirando em você, não é? - Eu só... Preciso de algum tempo para descobrir quem eu sou hoje e o que eu quero ser no futuro. Sabe aquele livro de história ali? - Ele empurrou o queixo em direção à mesa. - Eu estou fazendo algumas aulas on-line, mas meu pai ainda não sabe. - Você não quer ser um ator? Seus ombros se levantaram em um encolher de ombros. - Eu não sei o que eu quero fazer ainda, pode parecer estúpido, mas tenho orado sobre isso. - Não é estúpido. - Ele não parecia funcionar para mim, mas ouvi dizer que fez maravilhas para os outros. - Converse com o seu pai, Beckett. Ele balançou a sua cabeça loira. - Eu tenho todo o elenco confiando que irei fazer os próximos dois filmes, então não posso simplesmente ir embora assim. - Ele pegou a minha mão e começou a me fitar. - E não consigo me afastar de você. Meu coração bateu perigosamente no meu peito. Beckett Rush, o Mr. garoto capa de revistas, gostava um pouco de Finley Sinclair da Carolina do Sul? Era à coisa mais impossível da vida. - Eu não sou como as outras meninas. - eu disse. - Eu não me pareço com elas ou tenho as mesmas atitudes.

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- Você é muito melhor. - Ele deu um passo mais perto, sua mão se estendendo para tocar o meu rosto e seus lábios ficaram de repente apenas um sussurro de distância... Em seguida apenas um sopro. - Você é muito melhor. A porta do trailer foi aberta de repente e Beckett e eu nos separamos. Meu rosto estava muito vermelho quando Montgomery Rush entrou, seus olhos não perdendo nada. - Você deveria estar no set, nós ainda temos um filme para gravar. Beckett me observava. - Eu irei para lá em breve. - Não nos deixe esperando, Beckett. - O pai dele saiu. - Você tem um monte de pessoas que depende de você. Será que tinha acabado de me tornar uma delas?

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Capítulo vinte e cinco  Horas de prática: 3  Horas de sono: 5  Horas ouvindo mamãe falar sobre Alex e Lucy se tornando pais: ...

Depois de mais de uma hora de conversa, acenei adeus às meninas que estavam na nossa habitual mesa de piquenique no pátio, jogando os restos do meu sanduíche no lixo. Pulei na minha bicicleta com o meu violino na minha cesta e me encaminhei para o caminho familiar da casa de repouso. O sol aquecia minha pele através da minha jaqueta leve depois de vários dias de chuva triste e me senti grata pela mudança. Eu nunca iria reclamar sobre o clima tropical em Charleston novamente. Bati duas vezes na porta da Sra. Sweeney, enquanto adentrava para o seu quarto escuro, senti uma vaga tristeza que pairava no ar como uma nuvem pronta para derramar chuva. A enfermeira Belinda me deu um pequeno aceno e um sorriso triste. - Uma última pílula, Cathleen, sei que você consegue. Sente-se para mim. - Estou muito cansada. - Eu sei, você teve um dia muito difícil, mas isso vai ajuda-la com a dor. Eu estava de pé congelada pelo desamparo e apenas assistia a enfermeira que com facilidade fez a Sra. Sweeney engolir a pílula com segurança. Belinda levou um copo de água para os lábios secos da Sra. Sweeney e em seguida, a deitou novamente na cama. A respiração voltava aos seus pulmões, como se ela tivesse acabado de gastar toda a energia que lhe restava durante aquele dia. - A Finley está aqui para vê-la e parece que ela trouxe o seu violino. - A voz de Belinda saiu cansada e eu sabia que deveria ter trabalhado muito com a Sra. Sweeney. - Você está pronta para uma visitante, então? Não houve resposta, a Sra. Sweeney ficou ali com os olhos fechados, a testa franzida, e um brilho fino de suor agarrado às têmporas. - Talvez você devesse voltar amanhã - disse Belinda. Porque a Sra. Sweeney estava morrendo e não havia nada que alguém pudesse fazer sobre isso. - Tudo bem. - Eu me virei para sair, grata por ser dispensada e apenas parei quando ouvi aquela voz fraca.

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- Fique. - Sra. Sweeney tossiu durante alguns segundos antes de repetir, como se ela soubesse que eu precisava ouvir duas vezes a mesma resposta para acreditar. - A menina pode ficar. - Você tem certeza? - Belinda colocou os cobertores em torno de sua paciente magra. A Sra. Sweeney apenas acenou com a sua cabeça cinza. - Não deixe que Cathleen fale demais na sua orelha. - Belinda me deu uma piscada e depois desapareceu. Sentei na minha cadeira habitual sem saber o que dizer ou o que fazer. - Você gostaria que eu lesse para você agora? Ela balançou a cabeça. A sala estava carregada com um novo peso e isso me fez querer pular de volta na minha bicicleta e pedalar até em casa, estava muito desconfortável com este novo território, mas mesmo assim peguei a sua escova e levemente comecei a pentear os seus cabelos. - Eu sinto muito que você esteja se sentindo mal hoje. - Isso foi insatisfatório. Deus ajude-me. O que eu digo a ela? Desculpe, mas você está morrendo e realmente não quero estar perto de você quando isso acontecer? Ou quando ficar muito ruim? Ou quando você não estiver bem o suficiente para dizer algo arrogante? - Eu conversei com a minha mãe ontem - eu disse a ela enquanto observava a sua respiração que vinha em sopros irregulares. - Ela está preocupada porque eu não tenho ligado muito, mas acho que enviar mensagens todos os dias é mais que suficiente, não é? - Seu peito subia e descia enquanto ela cochilava, mas mesmo assim continuei a pentear os seus cabelos e de alguma forma, entre o ritmo fácil da tarefa de rotina e o peso na sala, meus pensamentos tomaram um rumo diferente. Eu tenho sido negligente em ligar para a minha mãe - eu disse, sabendo que estava falando para mim mesmo. - Mas tenho muito medo de seus olhos oniscientes olharem para mim e ver que ainda não estou muito bem e também tenho medo de dizer a ela que eu acho que vou estragar a minha audição. E se eles não gostarem da música que fiz para Will? Eu preciso que eles a aceitem e também preciso encontrar aquela sepultura danada. Eu só... só estou tentando encontrar um fechamento, estou tentando tão duro e mesmo assim não estou conseguindo. Beckett pensa que sou muito dura comigo mesmo, mas o que é que ele sabe? Ele está vivendo duas vidas e não pode decidir qual ele quer. Como eu posso seguir o seu conselho? Mas, às vezes... às vezes eu acho que esse buraco dentro de mim nunca será preenchido. Pulei de volta para a cadeira, sentindo-me um pouco melhor após este descarregamento e ao mesmo tempo um pouco pior também. Curvando a cabeça ali, comecei a sussurrar uma oração. - Deus, me ajude a ajudar a Sra. Sweeney, nós duas precisamos de você neste momento. Eu quero que você a cure desta doença e tire a sua dor, permita que isso vá embora para que ela possa viver mais tempo e também para que ela possa fazer mais piqueniques. Eu rezo para que ela possa transformar o seu coração e volte a aceitar você e perdoar-se. E, por favor, me ajude a terminar a minha música, não é apenas um capricho para mim, ela é tudo.

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Com os olhos bem fechados lutei contra as lágrimas que ameaçavam derramar. Senti uma mão que caia no meu ombro e dava um tapinha bem fraco. Olhando para cima encontrei a Sra. Sweeney me observando através de pálpebras pesadas. - Deixa pra lá - ela sussurrou. Meu nariz estava uma bagunça escorrendo. - Quanto você ouviu? - Chega. - Ela acenou com a mão em direção a um copo de água e automaticamente me mudei para pegá-lo. Segurando a cabeça como Belinda fez, coloquei o copo nos seus lábios enquanto tomava alguns goles com dificuldade antes de retornar ao seu travesseiro. Olhei para o padrão listrado em azul de sua colcha. - Minha vida deve parecer uma bobagem para a senhora. A Sra. Sweeney fechou os olhos e quando pensei que ela tinha voltado a dormir, uma voz rude soou no quarto escuro. - Isso é amargura e ele vai comer você. Fiquei com raiva do meu pai por me vender como um gado, depois senti raiva por que a minha própria irmã não iria me perdoar e não conseguia ver que sua vida era melhor sem Charles e também muita raiva por estar presa por um marido vil. Ela apertou os lábios e balançou a cabeça. - E furiosa com Deus por que tinha levado a minha criança, minha única alegria neste mundo. - Às vezes Deus não é justo, não é? - Eu sabia que era suposto que eu seria o sol e a luz lá, mas simplesmente não conseguia fingir que estava tão confiante na minha fé. - Todos esses anos desperdiçados. - Eu tive que me inclinar mais para poder ouvir as suas palavras. - Acabaram. - Você nunca se casou novamente? - eu perguntei. Ela deu um leve aceno de cabeça. - Mas você poderia ter começado de novo, ter mais filhos e ser feliz. - Era muito fácil ser infeliz sozinha do que fazer os outros infelizes também. Não queria usá-los como um casaco de pele grande. Eu só... fiquei trancada sozinha nesta prisão de tristeza e raiva. E o que ganhei com isso? - Uma tosse sacudiu o seu corpo. - Não cometa os mesmos erros que eu, não se prenda a velhas mágoas. Você pode passar seus anos culpando a Deus, a outras pessoas, mas no final sempre é de acordo com a sua escolha. Irei morrer sabendo o que fiz de errado, poderia ter corrigido isso, mas não fiz. - Não é tarde demais para falar com sua irmã. - Isto é sobre você agora. Não sobre mim. - Mas... Ela balançou a cabeça novamente. - Vá em frente, deixe-me agora, irei ouvir a sua música outro dia.

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Sua cor, a sua voz e sua força estavam a cada minuto diminuindo e os seus olhos começava a ficar injetados de sangue. A Sra. Sweeney estava sumindo rapidamente e o seu tempo se esgotando.

Encontrei Beckett em seu trailer, conversando com uma mulher que reconhecia como uma técnica de traje. - Olá, Finley. - Seu sorriso me fez querer escrever sonetos. - Marta está aqui apenas para fazer ajustes na minha camisa. - Será que o seu babador perdeu uma linha? - Na verdade perdeu um botão - disse Marta. - Mas acho que ele vai ficar feliz agora. - Obrigado, Marta - disse Beckett. - Você me dizia como o seu marido está indo? - Melhor agora que ele está empregado - disse ela, enquanto arrumava o seu Kit de agulha e linha. - Obrigado por falar com o estúdio e criar essa entrevista. - Ainda bem que pude ajudar. Marta se endireitou. - Houve um rasgo no vestido roxo de Taylor e devo ir vê-la agora, em seguida localizar sapatos para... Ela nem sequer terminou a frase antes de se apressar para fora do trailer iniciando uma conversa consigo mesma e deixando Beckett e eu sozinhos. Ele puxou o laço da minha trança. - Olá. - Sua testa franziu. - Tudo bem? - Claro. - Isso não soa nem um pouco convincente. O que há de errado? Tudo. - Eu estou bem. - Fale comigo, Finley. O jeito que ele estava olhando para mim agora? Eu poderia ficar olhando ele para sempre. - A Sra. Sweeney teve um dia difícil. - E isso tornou o seu dia ruim? - Ela ficou muito pior nos últimos dias, a Belinda disse que o câncer ósseo pode fazer isso com as pessoas, pois ele se move rapidamente. Eu só... sinto que preciso fazer alguma coisa. Adoro Romances em E-book 176


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- Como? Eu mal conseguia me concentrar devido os seus dedos brincando com as pontas do meu cabelo. - Eu... - O que tinha mesmo que fazer aqui? - Hum, eu não sei. - Será que faria você se sentir melhor visitar a sua irmã de novo? - Eu queria que ela tivesse acabado de ver a Sra. Sweeney. Tudo o que a mulher tem que fazer é dizer a sua irmã "eu te perdoo". Eu fico imaginando se eu e meu irmão tivéssemos brigado antes dele partir para o Afeganistão. Mas graças a Deus isso não aconteceu, poucos dias antes de viajar ele me levou para comer fora e fomos ao cinema. - Podia ver isso tão claramente na minha cabeça, naquela ocasião eu usava um suéter branco, um jeans novo e brilhantes botas vermelhas e ele me disse para parar de crescer. E então ele morreu e eu continuei crescendo durante a noite. - Qual o filme que você viu? - Beckett perguntou, como se isso importasse. - Um com Brad Pitt. - Eu já ouvi falar deste cara. - É uma das minhas memórias favoritas e nossa melhor noite, mas o que teria acontecido se Will tivesse ficado com raiva? Ou se tivesse acreditado em algo terrível sobre mim? Eu morreria só de pensar que ele tivesse morrido pensando coisas ruins ao meu respeito. - Como a Sra. Sweeney e sua irmã. - Beckett lentamente me puxou para ele e apoiou o queixo na minha cabeça. - Amanhã vamos ver Fiona Doyle. Eu me perguntava sobre esta nova proximidade nossa. O que nós éramos? - Por acaso se ela aceitar falar com a gente mesmo assim você sabe que ela não vai falar com a Sra. Sweeney. - Certa vez sentou-se ao meu lado uma menina mal-humorada em um avião que se recusava a tirar uma foto comigo ou pegar um autógrafo e sabe de uma coisa, ela teria a coragem suficiente de tentar novamente. - Esta menina não vai cair aos prantos em seus pés. Ela me parece muito inteligente. Ele sorriu. - Então, sou o cara que ela está namorando agora. Eu dei um passo para trás, suas palavras caindo em mim como um meteorito. É isso que somos agora? - Eu poderia ser. Eu e o Beckett Rush. Meu cérebro não conseguia processar este fato. - Mas você é... Adoro Romances em E-book 177


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- Estou interessado em você mais do que como um amigo. - Ele olhou para a minha cara confusa. - Você me faz querer... - Usar o botão da vida real? ...ser eu mesmo, dizer que estou matriculado na faculdade e também dizer a todos que eu não estou namorando a Taylor. - Então faça isso. Uma sombra caiu sobre seu rosto. - Eu tenho um monte de gente contando com esses filmes e não é assim tão fácil. - Ele chegou mais próximo quando me afastei um pouco. - Mas estar com você é... - Mas não posso estar com alguém em segredo, como se estivéssemos fazendo algo errado. - Até o momento ele estava decidido viver a sua vida dupla e eu não poderia fazer isso. - Você realmente quer ficar comigo em público? Ter o seu nome arrastado pela lama? Eu não quero a sua reputação na lixeira. - Ela já está e um pouco mais não vai doer. - Você diz isso agora, mas espere só até ver o seu nome nas revistas com algumas manchetes inventadas de como eu estou te traindo com outras três meninas ou ambos estamos vivendo drogados e nossas famílias querendo que a gente vá para um tratamento. Tratamento e eu achando que era apenas uma coisa que tinha em comum com as estrela de cinema. - Finley, confie em mim, será melhor se mantivermos isso apenas para nós por um tempo. A porta do trailer se abriu atrás de mim e quando vi a tensão do Beckett, nem sequer precisei me virar para saber quem estava lá. - Olá, pai. - Você, venha comigo. - Mr. Rush apontou o polegar para fora. - Nós precisamos ter uma conversa agora. - Eu estou ocupado. Seu pai levantou os temidos contratos. - Você ainda não assinou. - Não. - Por quê? Beckett deu de ombros. - Falaremos sobre isso mais tarde. - Você vai fazer esses filmes, filho. Adoro Romances em E-book 178


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- Irá agora forjar a minha assinatura? - perguntou Beckett. - Como você fez da última vez? - Não foi ilegal, afinal você ainda era menor de idade. - Bem, agora tenho dezenove anos. - Beckett olhou para seu pai. - E estou assumindo os meus próprios riscos. - Há uma fila de homens jovens apenas esperando para tomar o seu lugar. - Os meus papéis como ator? - Beckett perguntou em voz baixa. - Ou o meu papel como o talento de Montgomery Rush? Mr. Rush fitou o seu filho com os olhos apertados. - Se você não assinar isso, no próximo filme de vampiro alguém irá tomar o seu lugar. É isso que você quer? - Eu ainda não sei. - Beckett sacudiu a cabeça loira e se afastou. Simplesmente ainda não sei.

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Capítulo vinte e seis

Caso a minha mãe precise fazer uma reserva no melhor hotel de Manhattan qual você indicaria? O seu! Sem chances, não faz mais parte desta lista, querida! - Mensagem enviado para o meu iPhone

No sábado entrei no camarim ao lado de Erin, na ala de vestidos formais do Hargood, enquanto retirava a minha calça li a última mensagem de texto de Beckett mais uma vez, “Você e eu hoje as 16:00”. - Deixe-me ver como ficaram os vestidos em vocês. - Nora falou do lado de fora. - Esta será a última chance de fazer algum ajuste antes do próximo sábado. Deslizando o meu vestido branco, puxei o zíper e deu-lhe um puxão. Olhando no espelho percebi que a minha cintura estava tão fina que meu corpo semelhava-se a uma ampulheta e isso não me deixou nada satisfeita. Em todas estas coisas, eu sou mais do que vitorioso. . . Continuei a falar a mim mesmo para focar no positivo. Meu conselheiro sempre dizia que pensamentos negativos eram apenas mentiras do diabo, mas neste momento me sentia como se ele tivesse um megafone no meu ouvido e também berrava que o meu bronzeado da Carolina do Sul há muito tempo foi embora. Arrastei meus olhos para o resto do vestido, desta vez admirando a forma como o comprimento da saia subia quando me virava e isso me fazia sentir como uma princesa. Talvez uma que tinha dançado grandes bailes naquele castelo que ficava nas terras do O'Callaghans ou simplesmente uma que namorou um rapaz chamado Beckett Rush. - Hora de ser uma modelo! - Nora tinha um novo grupo de hospedes que estavam fazendo o check-in quando saiamos e eu sabia que ela estava ansiosa para voltar para casa. Erin e eu abrimos as portas ao mesmo tempo, ela estava hesitante quando saiu e foi rapidamente para frente do espelho de corpo inteiro, enquanto estava parada lá sua mãe tirou uma foto com seu telefone. - Mamãe! - Seu pai vai querer ver como ficou. - Seus olhos se enrugaram nos cantos. Você está linda, Erin, muito mais que linda. - Então, Nora se virou para mim enquanto ficava de lado agarrando o topo do meu vestido flácido. - O que não está se encaixando? - perguntou Nora.

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- Está tudo bem. - Enquanto tentava arrumar ela viu as mangas cair dos meus ombros. - Bem, vou chamar a costureira, pois nós não podemos deixar isso cair durante a dança. - Espere. – Mas Nora já tinha ido embora, correndo para a loja em busca de alguma ajuda. - Você perdeu muito peso. - Erin me estudou no espelho. - Apenas achei que era a minha imaginação, mas agora eu posso realmente enxergar isso. Parte de mim estava emocionada com a sua declaração, mas a outra parte se preocupou ao ver a expressão no rosto de Erin. - É apenas alguns quilos e isso era o que eu queria. - Isso era tudo que eu queria. ... e achamos que as medições dela deveriam estar erradas ou houve um erro nas alterações. - Nora apressou-se de volta para o vestiário com uma funcionária de aparência atormentada, que usava uma fita métrica em volta do pescoço. - Venha até aqui, por favor. - A mulher acenou para o espelho. - Está tudo bem, posso corrigir isso quando voltar para casa ou até mesmo usar um xale. - Parecia um comentário idiota ate mesmo para mim e quando a mulher e Nora ambos balançaram a cabeça eu sabia que era inútil resistir. Subi na pequena plataforma e deixei a mulher colocar a fita métrica em cima de mim, com as minhas bochechas rubras no espelho. A mulher fez uma última medição na minha cintura e então consultou sua prancheta de trabalho. - É o tamanho exato que tenho escrito e nós não cometemos nenhum erro. - Você perdeu mais de um quilo ou talvez mais de dois. - disse Nora. - E você tem se exercitado muito duro. - Eu não sinto que tenho perdido tudo isso. Eu... Eu acho... Estou correndo muito e sempre costumo engordar um pouco no verão para depois perder quando volto para a escola. Isso acontece todos os anos, normalmente o perco com as atividades de líder de torcida, mas agora como estou aqui e não faço mais isso, compenso montando na minha bicicleta para ir a todos os lugares e me exercitando todas as manhãs, desta forma é natural um pouco de peso ir embora. - As palavras fluíam para fora uma após a outra. Nora hesitou um pouco, processando a minha explicação sinuosa antes de finalmente dar um breve aceno de cabeça. - Você esta fazendo uma série de exercícios, mas também não esta comendo corretamente. Você geralmente come os almoços que envio? - Sim. Claro. - Estou sob muita pressão ultimamente e tenho certeza de que meu apetite vai voltar. - Assim que realizar a audição, refazer cada passo do meu irmão, retirar a Beatrice das minhas costas, reunir a Sra. Sweeney com sua irmã e descobrir o que Beckett realmente quer de mim. Eles não entendiam nem meus pais, nem a Nora e Adoro Romances em E-book 181


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muito menos a Erin, acho que para isso eles deviam tentar viver a minha vida por pelo menos um dia. - É um bocado de ajuste, mas podemos consertá-lo - disse a costureira - e poderemos entregar de volta para você na próxima semana, porem isso vai custar um extra. - Tudo bem. - eu disse - Eu vou pagá-la. - Eu vou dar uma olhada em seus sapatos. - disse Nora. - Estarei lá na frente. - Você nunca almoça com a gente. - Erin olhou para mim como se tivesse de alguma forma a decepcionado, como se de repente eu fosse outra pessoa. - Eu tenho que ir ver a Sra. Sweeney durante o almoço, para que possa chegar ao set depois da escola e você sabe disso. - Eu esperava que ela concordasse comigo, mas não o fez. - Existe algo que você quer me dizer? - Ela perguntou. Minha vida começou a ser um espiral fora de controle a partir do dia que meu irmão morreu e continuo tentando colocar tudo de volta em seu lugar, mas nada fica estabilizado em seu lugar. - Não, não consigo pensar em qualquer coisa. - Eu ficaria feliz em orar por você ou apenas ouvi-la se você precisar de alguém para conversar. - Eu estou bem, de verdade. - Minha risada saiu um pouco alta demais. – Nós, os americanos, não estamos acostumados a andar em qualquer lugar ou até mesmo andar de bicicleta pó aí, sinto que nunca estive mais saudável em minha vida. - É apenas que... no jantar já percebi você empurrar as coisas no seu prato, ou dando a Liam seu frango ou lhe passando a sua sobremesa. - Eu estou estressada e isso é tudo. Mas isso vai acabar em breve, pois o filme vai encerrar em poucas semanas. - Oh meu Deus, todas as apostas seriam concluídas em breve e então o que seria de Beckett e eu? Será que ele apenas iria me esquecer? Nunca mais entrar em contato comigo? E se eu realmente fosse apenas a sua aventura de verão? Uma distração no seu outono? - Apenas... Eu vou ficar bem, o problema é que agora tenho muita coisa na minha mente. - Tudo bem. - Erin não soara tão convencida. - Mas se você quiser... - Ela parou no meio da frase e se virou me colocando em uma posição que ficava para frente da loja. - O Patrick Sullivan, ele está aqui agora comprando uma gravata. Suas bochechas ficaram cheias de manchas vermelhas. - Eu não posso sair agora. - O cara com a camiseta verde? - Ela balançou a cabeça em silêncio. - Com os jeans rasgados? - Sim. Adoro Romances em E-book 182


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- Volto daqui a pouco. - Espere! Não! Segurando meu top folgado segui em direção ao Patrick e seu amigo, enquanto eles se dirigiam rumo à seção dos homens. - Desculpe-me, você é o Patrick, não é? Ele se virou. - Sim - Eu sou uma amiga de Erin O'Callaghan. - Ele ficou pálido na hora. - Você se lembra dela, né? A garota que você concordou em ir ao baile e de repente cancelou quando a Beatrice Plummer se apoderou de você? - Eu não sei do que você está falando. Eu só... não poderia ir com a Erin. - Com certeza até mesmo porque você é um idiota fraco que machucou a minha amiga. - Seu pomo de Adão balançou, mas ele não protestou. - Eu quero saber o que Beatrice lhe disse para você dispensar a Erin. Ele olhou para o amigo e depois de volta para mim. - Nada. Eu dei um passo para frente. - Eu não tenho medo de fazer uma cena aqui. - Ok, tudo bem! - Suas bochechas ficaram rosadas. - Ela me disse que poderia me conseguir um encontro com Taylor Risdale se eu não fosse ao baile. - E ela conseguiu? De repente ele fitou os seus sapatos com muito interesse. - Mais ou menos, eu pude me sentar em uma mesa com a Taylor, Bea, seus amigos e cerca de dez outros caras durante uma noite no pub. Eu lancei os meus olhos furiosos para o seu amigo. - E você foi um deles? - Sim, mas valeu a pena, quero dizer você já viu Taylor Risdale? - Valeu a pena? Patrick, você quebrou o coração de Erin e arruinou a sua amizade por meia hora e um ensopado de carne com uma atriz que nem sequer lembraria o seu nome se um Oscar dependesse disso. Patrick levantou a cabeça e olhou para mim com olhos de um cão de caça. Basicamente. Mas eu consegui um autógrafo dela. - Na verdade, não foi na data em que você pensou que seria, porém, não é? - Não. - Você está sendo usado. - E eu estou bem com isso. Adoro Romances em E-book 183


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- Mas você ainda pode ir com Erin de qualquer maneira, afinal dois podem jogar esse jogo, né? - Mas antes mesmo de terminar a frase Patrick e seu amigo já balançavam a cabeça. - Eu vou ficar fora disso - disse Patrick. - Estou realizado e neste momento sou um homem muito feliz. - Eu também - disse o amigo - valeu a pena cada segundo, ainda consegui que a Taylor assinasse no meu peito, farei de tudo para tatua-lo. - Atraente. - Me sentia tão perdida com essa conversa. - Existe algum cara na escola que Beatrice não falou? - Talvez Joshua Smith - disse Patrick - ele simplesmente se transferiu para nossa escola há três dias. Fora isso, para todos os caras do quinto e sexto ano foi prometido datas com Taylor. - Para ficar longe de Erin e deixar de ser seu amigo. - Minha voz pingava com nojo. - Este filme é a maior coisa que já ocorreu em Abbeyglen - disse Patrick - não é nada pessoal contra a Erin, apenas achamos que deveríamos aproveitar esta oportunidade. Eles eram uns idiotas, todos eles, exceto talvez este Joshua Smith, precisava falar com ele antes que a Beatrice o fizesse.

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Capítulo vinte e sete    

Café da Manhã: Diet Coke Almoço: atum e um bolinho de arroz Tempo gasto na corrida: trinta minutos Tempo gasto praticando a audição: uma hora

- Então, para onde é que você está me levando? - Eu perguntei depois que Beckett começou a dirigir o seu caminhão pela estrada a noite, com o Bob sentado entre nós, a sua cauda batendo e seus olhos sonhadores sobre mim, neste momento eu poderia apostar que ele estava adorando este novo arranjo. - Indo para Galway, ver a irmã da Sra. Sweeney. - E este é o nosso encontro? - Não, será o jantar logo após. - Ele olhou na minha direção e sorriu. - Sabia que não seria um grande encontro até tudo isso estar resolvido. - Então é tudo de acordo com o seu interesse? - Ele estendeu a mão sobre Bob e segurou a minha mão. - Sei que são motivos totalmente egoístas. Mas na verdade não era o que Beckett tinha me provado por diversas vezes, ser exatamente o oposto do que o mundo pintava dele ou apenas o que seu pai fez acreditar que ele era. - Você falou com seu pai? - perguntei. - Não, ele vai ficar em LA até que ache que me acalmei para poder impor suas vontades novamente e também não estou retornando suas chamadas no momento. - Você sabe que terá que falar com ele em algum momento. - Mas não agora. - Ele ligou os limpadores de para-brisa que guinchavam em um ritmo sincronizado contra a chuva. - Ainda tenho muitas coisas para descobrir. - Quer-me falar sobre isso? - Sua mão encontrou a minha de novo e a segurou como se estivesse à procura de força e colhendo com o conforto de tudo o que sentia através do nosso toque. Hoje à noite ele não estava usando qualquer disfarce. Era apenas o Beckett com seu próprio cabelo loiro, ondulado e um pouco longo, sem chapéu, um suéter de tricô cinza, igual a um que tinha visto em uma loja no centro, jeans que diziam que ele era um tipo sem frescura com marcas e sem bolsos de fantasia, sem óculos de sol deixando a mostra seus penetrantes olhos cinzentos olhando para o meu.

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- Talvez eu possa querer fazer uma pausa de atuação. - As palavras saíram lentamente, como se ele estivesse testando-os como se tentando decidir como elas soariam. - E fazer o quê? - Ir para a escola, talvez. - Qualquer campus universitário que aceite você terá que criar um bloqueio a sua volta, para evitar todas as meninas gritando. Ele encolheu os ombros. - São detalhes para se descobrir mais tarde, na verdade só quero ser normal por um tempo. - E deixar os dentes falsos em casa? - Exatamente, perdi a infância e tudo o que conheço é o trabalho. - Eu não sei se a sua vida um dia será normal. - Talvez não, mas não tem que ser igual agora, tão orquestrada que eu nem me reconheço, estou muito cansado de ser enganado, de não conhecer as pessoas com que estou falando e nunca sabendo se as pessoas estão me dizendo o que quero ouvir ou se eles têm alguma opinião oculta. Tudo que quero é estar com pessoas que são verdadeiras e que queiram se juntar a mim verdadeiramente e não toda essa porcaria falsa de Hollywood. Ele levantou nossos dedos sobre a cabeça dorminhoca de Bob e beijou a palma da minha mão. - Como você. Eu amo como você tem tudo planejado, como sabe o que quer ser, onde está indo e principalmente quem você é. Você vê alguma coisa errada vai atrás dela e faz o certo acontecer. Estar perto de você me faz querer deixar ir embora todas essas mentiras e apenas ser eu mesmo. Depois dessa declaração fui obrigada a mudar de assunto. - Você vai sair viajar com a equipe quando o filme termina? - Estou pensando em ficar mais algumas semanas. - E depois? Ele deu um sorriso destinado a me tranquilizar. - Então, talvez um pouco mais. - O caminhão espirrou em uma poça quando ele fez uma curva à esquerda. - Eu mereço umas férias, estive pensando em ficar uns seis meses fora, voltar às minhas raízes, sair com você, com os O'Callaghans, com as pessoas que me conhecem de verdade e em quem confio. Eu deveria ter ficado feliz com isso, teria seis meses com ele e isso significaria até a primavera, quando eu iria embora, mas algo sobre este fato balançou os meus nervos, pois em seis meses ele teria tempo para descobrir que eu era apenas simplesmente um ninguém. E neste momento chegaria a hora de cair fora do amor para o mundo real. E o tempo para perceber que eu não era um forte motivo para ele continuar sendo qualquer um. Adoro Romances em E-book 186


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- Aqui estamos - disse ele - na bela casa da Sra. Doyle. A casa parecia a mesmo, no entanto a urgência era muito mais elevada do que a última vez que estivemos lá. Minha missão com a Sra. Sweeney estava quase completa. Eu só precisava de mais duas horas e antes que acabasse precisava resolver esta pendência. Beckett segurou um guarda-chuva sobre nós enquanto nos levava pelo caminho de cascalho até a porta e bateu. O cheiro de seu perfume normalmente trazia alegria aos meus sentidos, dançaram naquele momento sobre os meus reflexos e brincaram no meu estômago vazio. Sabendo que logo iríamos jantar lembrei que tinha pulado o desjejum e comi apenas um pouco de atum e bolos de arroz no almoço, pois como sempre usei esse tempo para praticar a audição em seu lugar. Mas eu comeria com ele no restaurante e talvez até em um momento de loucura ingerisse um pouco de pão. A porta se abriu e um rosto familiar espiou. - Sim? - O reconhecimento sobre nos apareceu no rosto da Sra. Doyle. - O que você está pensando ao vir até este fim de mundo durante esta chuva?" - Nós gostaríamos de conversar com você - eu disse - por favor, é muito importante. - Eu não tenho nada a dizer. - Percorremos um longo caminho e esta menina está apenas tentando ajudar. Beckett dissolveu a tensão do ambiente com o seu sorriso megawatt. - Por favor, senhora. Ela bufou e olhou para o nosso guarda-chuva escorrendo. - Sejam rápidos sobre isso. - Ela abriu a porta. - Vocês estão sujeitos a pegar uma gripe lá fora. Sacudindo a chuva seguimos a Sra. Doyle para a sua sala de estar. - Sentemse. - Ela golpeou um pequeno Yorkie para fora de seu sofá. - Vou pegar um pouco de chá. - Você pode parar de me olhar tão arrogante - eu sussurrei para Beckett quando sentei ao seu lado. - Você ainda não ganhou a batalha. Ele olhou para mim com seus olhos sorrindo e em seguida apertou os lábios no meu rosto e o meu coração sombrio tornou-se um pouco mais dele. Algum tempo depois a Sra. Doyle voltou à sala trazendo uma bandeja com as nossas xícaras, colocando-a em cima de uma mesa de café cereja. – Bem, agora vocês podem me falar porque vieram. Beckett segurou a sua xícara chinesa tão delicada nas mãos como se estivesse interpretando um herói de um filme naquele exato momento. - Nós só queríamos que você soubesse que a Sra. Cathleen Sweeney não viverá por muito mais tempo. A colher da Sra. Doyle fez uma pausa em seu copo. - Só... Cathleen... ela esta muito ruim, não é?

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- Ela dorme a maior parte do tempo - eu disse - e ainda sente muita dor, de vez em quando fala sobre o seu passado e faz algumas menções a você, é claro. Sra. Doyle cortou um pedaço do que parecia ser um pão de abóbora com as mãos levemente tremulas. - E quem foi que você disse que estava com ela? - Eu frequento a escola Sagrado Coração em Abbeyglen e fui designada para visitar a Sra. Sweeney como um projeto escolar, ela seria a minha avó adotada, por assim dizer. Ela, hum... houve algumas conversas sobre seus arrependimentos, onde me contou sobre seu casamento, sua culpa, sua raiva... sua amargura. - Sua amargura? - Sra. Doyle, eu disse, a sua irmã se casou com o Sr. Sweeney para protegê-la. Ela serviu um pedaço de pão em cada um dos três pratos e depois os direcionou em nosso caminho. - Eu amava aquele homem e na verdade nunca entendi como ela poderia pegar algo tão precioso de sua própria irmã. - Ela estava protegendo você. - Ela o queria para si mesma. - Ele abusou dela - disse Beckett. - Isso não foi apenas fofoca de aldeia, nunca foi um namoro ou um casamento feliz e ela apenas estava tentando poupá-la disso, assim ficou com ele para salvar a sua própria vida. A Sra. Doyle sentou-se imóvel como uma estátua de museu. - Eu... Eu não fiquei sabendo nada disso. - Ela relatou tudo em suas cartas para você. - Eu peguei em um canto do pão de abóbora e comecei a calcular: meia hora de corrida e devido à camada de manteiga, acrescentei mais 15 minutos. - Você não leu alguma delas? - E por que eu faria isso? - Sra. Doyle levantou sua voz em meia oitava. - E você não queria saber por que ela tinha feito tudo aquilo? - Perguntei. - Eu vi a situação com os meus próprios olhos, quando ela fletarva com ele e como as suas sutilezas aqueciam o seu coração. - Seu pai estava na falência. - Era tão estranho estar dando a um estranho informação tão pessoal sobre a sua própria família. - E Charles Sweeney tinha uma reputação miserável, ele queria construir bancos, mas a cidade não confiava nele. Assim... - Não. - A Sra. Doyle sacudiu a cabeça branca. - Não, meu pai não teria tomado dinheiro em troca de nosso casamento. - Isso é exatamente o que aconteceu - disse Beckett. - O dinheiro trocou de mãos e você foi cortejada pelo Sr. Sweeney primeiro, a sua primeira escolha entre você e sua irmã. Adoro Romances em E-book 188


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Pálida, Fiona Doyle recostou-se na cadeira com uma mão segurando um guardanapo, como se a revelação era quase demais para suportar. - Tenho que acreditar que a minha irmã fez isso por mim? - Cathleen começou a perguntar sobre ele e fez algumas investigações sobre esse recém-chegado, o Mr. Sweeney - eu disse - descobrindo que ele tinha uma péssima reputação em Dublin, pois a mulher que ele havia tratado miseravelmente o deixou em pleno altar, causando um grande escândalo para si mesmo e a sua família. - Então ela pediu ao seu pai para desfazer o arranjo - disse Beckett - mas seu pai não quis ouvi-la, ele estava com muitas dividas e Charles Sweeney era perigoso demais para atravessarem o seu caminho, então ela o convenceu a deixá-la tomar o seu lugar. Os olhos da Sra. Doyle se encheram de lágrimas e seus lábios tremeram. - Se isso for verdade por que ela não me contou? - Ela não teve permissão de Charles Sweeney enquanto estava vivo. Ele a ameaçou com a fazenda de seu pai e quem sabe mais o quê, e depois que ele morreu tentou entrar em contato com você durante todo este tempo. Tirando os óculos sem aro a Sra. Doyle deu um suspiro cansado e saudou o cão no colo. - Eu estava tão envergonhada que Charles me trocou por Cathleen, aonde quer que fosse à cidade, as pessoas olhavam para mim com tanta pena, as velhinhas me apontavam e sussurravam: Aquela ali é Fiona Higgins e ela não merecia ficar com alguém tão fino como Charles Sweeney. Eu precisava fugir desta situação e simplesmente fui embora, meu pai me deu dinheiro e fui trabalhar em um escritório em Limerick e nunca mais olhei para trás. - E você se casou? - Perguntei. - Oh, sim. - Um fantasma de um sorriso cruzou os seus lábios. - Dois anos mais tarde conheci um homem, ele era um médico do condado e parou para verificar a Sra. Travis, a velha senhora que me alugava um quarto, o vi depois que lhe atendeu em troca de um lugar para ficar e um jantar. Fomos casados até a sua morte no ano passado. - Ela fez um gesto com o queixo em direção ao console de uma lareira. Esses são os nossos três filhos e hoje temos dez netos. - Você teve toda uma vida linda. - Isso era tão injusto. - Sua irmã perdeu aquele marido terrível e seu único filho e nunca mais se casou. Ela passou o resto de sua vida escrevendo para você e-... - Finley - a mão de Beckett no meu braço me acalmou. - Sra. Doyle, o único desejo de morte de sua irmã é que ela tenha o seu perdão e nós consideramos que seria um grande gesto se você fosse visitá-la na casa de repouso, apenas perdoar uns aos outros. - Por que diabos ela precisa do meu perdão? Sua história é bastante... fantástica, realmente não sei em que acreditar e ainda estou muito ferida depois de todos esses anos. - Sra. Doyle fungou em seu guardanapo amassado. - Quanto à minha visita, estou com medo de que não seja possível, as minha crianças não vivem nas proximidades e eu sozinha não sei o que fazer, pois não sei dirigir. Adoro Romances em E-book 189


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- Fácil de resolver - disse Beckett. - Vou enviar alguém para buscá-la, a senhora só precisa me avisar quando. Ela o olhou com reserva clara. - Eu não sei. - Você é uma mulher de fé Sra. Doyle? - perguntou Beckett. - Eu sou uma devota católica toda a minha vida. - Então pense nisso como bênção a alguém. - Beckett olhou com olhos tão atentos como o olhar de Steele Markov. - Ou apenas fazer a coisa certa. - Ele se levantou e me puxou com ele. - Obrigado, minha senhora, vamos deixá-la para que viva a sua noite agora. Ela nos levou até a porta, seu rosto ilegível enquanto fechava a porta atrás de nós. - Como ela ainda podia ter alguma dúvida? - Eu perguntei assim que Beckett começou a nos dirigir ao caminhão. - Nada sobre a vida dessas duas mulheres tem seguido o caminho da verdade, ela tem anos de desgosto para se livrar antes de fazer esta visita. A chuva caía como lençóis no para-brisa e o frio que deslizou para dentro começou a se estabelecer entre nós. E mesmo isso sendo tão louco eu queria acreditar nele, porque em algum lugar ao longo do caminho Sra. Sweeney tinha se tornado importante para mim. E ela não poderia ir sem saber que havia pessoas no mundo que a amava. E antes de gostar de mim.

Eu estava a segundos de distância de jogar o telefone de Beckett pela janela. - Você é um cara muito popular - eu lhe disse assim que terminou a sua sétima chamada, depois de ter deixado a casa da Sra. Doyle. - Sinto muito, são negócios. - Ele me enviou um sorriso tímido enquanto dirigia. - E também percebi que tinha esquecido algo no set, você se importaria de pararmos lá antes de ir para o jantar? Com o jeito que ele estava olhando para mim teria concordado com qualquer coisa. - Não tem problema. O contorno familiar de Abbeyglen nos cumprimentou e eu senti uma pontada de decepção, esperava que o nosso encontro fosse a Galway, com algumas musicas da alma o suficiente para me fazer dançar e embalar o meu coração. Mas Beckett queria comer em um de seus bares favorito. Eu estava muito chateada para comer de qualquer jeito. Como poderia a Sra. Doyle sentar lá e ouvir tudo o que havíamos dito e não correr imediatamente para Adoro Romances em E-book 190


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fora e ver a sua irmã? O caminhão parou cambaleando, logo após Beckett saiu e caminhou para o meu lado com um passo sem pressa. - Você quer que eu vá com você? - Eu perguntei quando a porta se abriu. O castelo estava diante de nós quase escondido nas sombras escuras. Eu poderia imaginar que fosse um covil de vampiros. - Eu não quero deixá-la aqui sozinha. - Sua mão apertou em torno da minha enquanto ele me ajudava a descer. - Alguma coisa pode pegar você neste tempo. Eu estava com medo que algo já tinha feito isso e ele tinha pés de menino, um sorriso enigmático, além de letal e olhos hipnóticos. Segurando o guarda-chuva sobre mim, Beckett apertou a mão nas minhas costas e me guiou através da grama molhada para a entrada do castelo. - Eles se esqueceram de apagar a luz da varanda. Sorri quando Beckett entrou na minha frente, suas mãos trabalhando no trinco da porta que os construtores tinham criado, já que o tempo tinha acabado com a original. A porta rangeu sobre suas grandes dobradiças uma vez que se abriu. Beckett pegou a minha mão com os seus dedos em torno dos meus e me puxou para dentro. A escuridão nos consumiu quando entramos pela porta, e eu piscava contra a onda de tontura que puxava a minha cabeça. Certamente eram apenas meus olhos se ajustando à escuridão. - Apenas em torno deste canto estão às luzes, não é muito longe. - Ele apertou a minha mão. - Estou com você. Comecei a arrastar meus pés lentamente pelo piso irregular com medo de tropeçar e cair de cara no chão. - O que você disse que precisava fazer aqui? Ele me puxou para mais perto dele e pude inalar o cheiro quente de sua camisa. - Isso. Após o arredondamento do canto, luzes apareceram e minha visão voltou e ao mesmo tempo a minha respiração ficou suspensa, em um suspiro. No centro do grande salão, em meio a câmeras e equipamentos modernos, havia velas tremeluzentes cobrindo o espaço e o transformando em um sonho mágico. Desde os candelabros aos pilares de ferro até atingir o chão, as velas deslizavam em seus próprios ritmos enquanto formavam um círculo em torno de uma mesa com duas cadeiras, à espera dos visitantes da noite. - Oh! - eu suspirei. - Meu Deus! Beckett deu uma risada calma, com a sua mão ainda firme sobre a minha. Você provavelmente preferia algo em Galway. - Não. - Eu balancei a cabeça e pisquei forte para afastar as lágrimas. - Não, está perfeito aqui. - Então meus braços se estenderam ao redor dele segurando-o o mais perto possível, pois estava naquele momento simplesmente sem palavras. Como você fez isso? Adoro Romances em E-book 191


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Sua respiração fez cócegas na minha orelha enquanto ele riu. - Através de todos aqueles telefonemas e também tive muita ajuda. Eu me afastei. - Você fez isso para mim? - Nem todo o mundo é escuro, Finley. - Ele apertou os lábios na minha testa e me deu um meio sorriso. - Eu sei que você deve estar morrendo de fome e tenho certeza que ouvi seu estômago fazer burburinho uma vez ou duas. Ele me levou para a mesa e em seguida com um floreio puxou a minha cadeira. - Minha senhora. A este ritmo nunca mais iria me recuperar de seu feitiço. - Nós temos um jantar hoje à noite bom, acho que vou conseguir obter a sua aprovação. Em cima da mesa de marfim coberta estavam seis baixelas de prata tão brilhantes que eu podia ver meu próprio reflexo. Beckett levantou a tampa de cada um enquanto ele listava seus conteúdos. Assado. Feijão verde em um molho de manteiga. Aqui temos um pouco de pão, cortesia do Sr. O'Callaghan. E uma salada com amêndoas e essas pequenas coisas de cranberry. - Sorrindo sobre o último item, Beckett apresentou todos para a minha inspeção, mas eu não precisava olhar para dentro para saber o que eu iria encontrar, pois ele tinha de alguma forma descoberto a minha refeição favorita quando voltasse para casa, esta era o meu conforto, a minha favorita quando a minha mãe cozinhava para mim. Um cardápio que eu jantei muitas vezes desde a morte do meu irmão. - Isso é uma torta de morango? - eu perguntei. - É. - Beckett mergulhou seu dedo através de uma onda de chantilly. - Você não faz ideia do quão difícil foi conseguir ela feita, os irlandeses não gostam de torta de morango como vocês americanos e isso se tornou um pequeno milagre. - Eu amo isso. - Eu queria rir e chorar ao mesmo tempo quando uma centena de emoções passou pelo meu coração. - Como você soube? - Eu conversei com Nora e ela me falou. - Minha mãe. - Sim e pelo jeito, ela diz que você não a liga muito, mas você pode cuidar disso mais tarde porque agora iremos comer. Ele me entregou um prato de porcelana branca com aros e uma faixa fina de ouro. - Beckett isso é incrível e não sei como lhe agradecer. - Que tal obrigado pela comida. - Ele serviu duas fatias de carne assada no meu prato e em seguida pegou vários itens secundários. - Não quero nada tocando no seu prato, certo?

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Eu deveria ter me sentido encantada, mas estava muito ocupada assistindo a enorme quantidade de comida crescendo no meu prato. - Eu não posso comer tudo isso. - Coma o que quiser. - Ele distribuiu uma salada para ele, seus olhos me observando. - Nós vamos pegar as sobras e levar para Bob e então talvez, ele nos perdoe por deixá-lo sozinho no caminhão. Beckett manteve uma conversa leve me presenteando com histórias animadas das suas primeiras experiências na TV antes de se mudar para Los Angeles e com a sua cadência e seu riso poderia escuta-lo até que o sol viesse à tona. - Por que você está franzindo a testa para o seu pão? - Uma luz brilhou em todo o contorno do rosto carrancudo de Beckett. - Não está bom? - É muito bom. - Eu o rasguei quatro partes e em seguida passei a cortar o meu assado em pedaços tão pequenos como se fosse para uma criança de três anos. Só estou pensando na Sra. Doyle, eu acho. - Se eu comesse esta refeição o vazio no meu estômago iria embora, só que já estava tão acostumada a este vazio. - Você fez tudo o que estava ao seu alcance. - Beckett colocou um pedaço de carne entre os lábios. - Agora só temos que ter fé que ela seguirá os seus sentidos. - Mas estou correndo contra o tempo. Beckett pousou o garfo deixando-a tilintar em seu prato. - Você não é responsável por seus erros. - Eu sei. Ele não entendia. - Você sabe que eu gosto de você? - Beckett pegou meu prato intocado e colocou sobre o seu. - Minha boa aparência e mente brilhante? Ele se inclinou para mim e sorriu. - Seu coração. A boca de Beckett pairou perto da minha fazendo meu pulso chutar em andamento. - Eu amo o seu coração, Finley Sinclair, mas você quer assumir o peso do mundo em seus ombros. - Seus dedos afastaram o meu cabelo e roçou a pele do meu rosto. - E é hora de deixá-lo de lado e se concentrar em uma coisa boa.

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Capítulo vinte e oito

Os meninos estavam alegres e as meninas entusiasmadas, todos dançando em forma de casais ou em um grupo. Até que um acidente aconteceu, o jovem Terrence McCarthy colocou a sua perna direita entre as pernas da Miss Finnerty–...

"Bola de Lanigan", uma canção Irlandesa tocada em Pub.

- Você está linda, Finley. Erin colocava uma rosa de paetê no meu cabelo enquanto nós duas nos estudávamos através do espelho da cômoda. Havia algo sobre como usar um pouco de sombra a mais nos olhos e um vestido novo levantava o meu espírito e me fazia acreditar que tudo poderia acontecer nesta noite tão louca. - Você parece uma princesa de verdade. - eu disse, desejando pela milionésima vez que tivesse uma cintura igual dela e era uma coisa que ela conseguiu tão facilmente, pois ela comia de tudo, não se exercitava como eu e ainda consumia o pão francês de seu pai, enquanto eu só comia as minhas tiras de cenoura. - Estou contente que a loja de roupas tenha conseguido corrigir o seu vestido antes do baile, pois ele se encaixa em você como uma luva. Abanando-me contra um calor nervoso sorri para ela no espelho cuidado para não deixar o batom rosa pálido em meus dentes. - Era apenas um pequeno aperto, muito simples de ajustar. - E pensar que verá seus pais em pouco mais de uma semana e ainda vai ter um grande momento em Nova York. Na noite passada tive outro pesadelo em que estragava tudo na audição, pois não tinha um final para a minha música e a comissão me expulsava. - Eu acho que vou para baixo. - Peguei minha bolsa sentindo o vestido balançando em volta de mim quando me movimentava. - Você irá impressionar o seu par, Erin, eu prometo. - O quarto superaqueceu de repente em uns dez graus e varias manchas começaram a flutuar na minha linha de visão, estendi a mão e me segurei no batente da porta. - Finley? Você está bem? Adoro Romances em E-book 194


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Devagar comecei a inalar e rezei para melhorar logo. - Sim, estou bem, apenas... tomei muita cafeína hoje, eu acho. - E não comi o suficiente porque não tive tempo para isso. Erin passou um pouco de pó em sua carranca. - Estou muito preocupada com você, você esta muito... diferente. - Apenas mais estressada por conta que esta tão perto da audição, como tem ainda muitas coisas para fazer, sem falar que estou preocupada com a Sra. Sweeney. Ela havia passado a maior parte da semana dormindo o tempo todo, foi muito difícil testemunhar seu declínio. - Eu acho. - Erin hesitou torcendo as mãos recém-pintadas. - Parece que você está meio distante e tipo... não sei muito mais calma que o normal, especialmente no jantar e isso me preocupa, pois tenho lido ultimamente e... às vezes quando você sofre um trauma, pode compensar em outras áreas para ajudar a lidar com o fato. - Traduza Dra. Erin? Meu tom era leve, mas o rosto de Erin não estava nem um pouco. - Eu só... Pergunto-me se você já percebeu o quão pouco você come, isso está ficando cada vez pior e este poderia ser o motivo de se sentir tão mal esta noite? - Eu estou bem, talvez um pouco nervosa apenas. - Você pode me falar qualquer coisa, você sabe, não é? - Eu não tenho nenhum problema com a alimentação, é isso que você quer que eu diga? - Eu ri. - Isso é ridículo. - Você está sob muita pressão, seria mais que compreensível apenas uma reação do cérebro humano. - Nossos pares provavelmente estão esperando na sala, podemos falar sobre isso mais tarde. - Ou de preferência nunca. Combati a minha dor de cabeça e desci as escadas com uma mão na barra do meu vestido e a outra no corrimão. Nora estava no fundo tirando fotos com sua câmera. - Você esta parecendo uma modelo, não é verdade Beckett? Beckett Rush, a estrela do cinema e das presas, estava ao lado de minha mãe anfitriã com os olhos brilhando sobre mim da mesma forma que haviam ficado quando admirava as falésias ou o mar em Lahinch. - Ela esta incrível. - Tomando minha mão ele a beijou apenas no topo igual a um cumprimento de 1800. É evidente que seu filme estava na sua cabeça neste momento. - Linda por dentro e por fora - disse Beckett.

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Nora tomou mais algumas fotos de nós dois, eu no meu vestido e Beckett em seu terno imaculadamente adaptado da cor do trigo. - Eu gostaria tanto de poder ir dizia Nora - mas Liam escolheu este momento para ficar doente, por isso não seria divertido para nós. Liam escolheu esse momento para chama-la em seu quarto. - É melhor ir ver o que o meu paciente precisa agora. - Gostaria de te dizer que você esta muito atraente - eu disse a Beckett, observando Nora subir os degraus. - Mas acredito que hoje não tem comparação a todos os eventos de tapete vermelho que você já foi. - Todas aquelas meninas glamourosa em seu braço. - Eu nunca fui a um festival de cidade ou a um baile de formatura. - O sorriso dele não fez nada para ajudar a minha tontura. - Esta é uma noite especial para mim também, acredito que posso até ser um cara normal. - Só que você não é. Você é Beckett Rush e sabe muito bem que vai haver uma pequena multidão para vê-lo e a mídia terá varias fotos postadas ate a meianoite. Ele aqueceu uma das minhas mãos entre as suas. - Eu tenho certeza que alguém da minha equipe irá cuidar disso então. - Como o seu pai. Beckett deu de ombro indiferente. - Ele não sabe o que estou fazendo hoje à noite. A campainha tocou e ouvi Sean fazer o seu caminho da cozinha ate a porta para atender. - Acho que meu par chegou - eu disse. Beckett olhou por cima da minha cabeça. - E a minha está descendo as escadas neste momento. Erin flutuou em nossa direção como uma visão. O cabelo dela estava em um penteado complexo sobre a cabeça, graças a nossa tarde no salão de beleza. Seus brincos pendentes brilhavam a luz e combinavam com o paetê em seus calcanhares. Um dia eu queria ter sua elegância e ficar totalmente chic. - Olá, Beckett. - disse ela, com as bochechas num rosa brilhante. - Obrigada um... Obrigada por... ir comigo. - Ei, sou apenas eu. - Ele deu um sorriso de irmão mais velho para deixa-la à vontade. - O cara que está comendo o jantar com você há semanas, você já me viu diversas vezes com molho tártaro no queixo e leite nos meus lábios, não fique nervosa, ok? Meu coração derreteu um pouco mais quando Beckett entrou em uma história sobre um tempo em que ele rasgou suas calças, em uma estreia.

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- Seu par Finley. - Sean olhou para o recém-chegado. - Vocês rapazes estão cientes da minha vasta experiência no exército? Nora voltou à sala com sua a câmera. – Sean, se você já terminou de assar os bolos, vá coloca-los para descansar e deixe os caras em paz. - Fico feliz que você pode se juntar a nós. Beckett estendeu a mão para o meu par e apertou. - Eu sou o Beckett Rush. - Joshua Smith. - Ele olhou para o Sean ansiosamente e disse. - Uau, quem diria, depois de apenas algumas semanas vivendo aqui eu iria encontrar um ator famoso e ter um par para uma dança?

Eu ouvi a música com meio quilometro de distância. Sentada ao lado de Beckett enquanto ele dirigia, estava tão pressionada contra ele e o câmbio de marchas que mal conseguia respirar. No meu outro lado Erin e Joshua riam do quanto nós quatro estávamos amontoados no caminhão de Beckett, parecíamos mais como palhaços de circo. Estava tão contente por ter uma desculpa para ficar tão perto Beckett que nem ligava e enquanto seguíamos a minha mente continuava repetindo as palavras de Erin e a expressão do seu rosto, mas ela estava errada, pois não havia nada de errado comigo. Nada que não iria embora quando descobrisse a fonte da última foto do meu irmão, terminar a ultima parte da audição e tiver a minha carta de aceitação na mão do Conservatório. Mas e se a Erin tivesse dito algo a Nora? E se Nora falasse com a minha mãe? - Aqui vamos nós. – disse Beckett, estacionando entre um carro compacto e outro caminhão na beira da estrada, desligou o motor e então abriu a porta. - São Patrício ficaria feliz por você estar aqui... com certeza ele ficaria. - Beckett disse, enquanto me ajudava a descer segurando as minhas duas mãos. - E assim estou Finley Sinclair. - Entregando-me o meu xale, Beckett se inclinou para mim. - Há algo te incomodando hoje? - Só uma dor de cabeça. - Forcei um sorriso e empurrei para trás o medo que estava avançando sobre mim. - Guarda uma dança para mim? - Eu irei lutar arduamente contra todos os rapazes apenas para chegar até você. Bati em sua lapela. - Prometa-me que não vai morder ninguém. Paramos em um trailer que vendia lanches e o cheiro era tão forte quanto a música era alta. Eu lia o cardápio limitado enquanto torcia o colar na minha garganta. Não tinha nenhuma opção de salada. - Eu vou querer um ensopado de carneiro e uma Coca-Cola - disse Beckett. Finley? Adoro Romances em E-book 197


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Eu não sei. Eu não sei. Estava com fome, mas tudo parecia ruim para mim. Por que não podiam ao menos ter alguma fruta? - Diet Coke e... um peixe com fritas, eu acho. - Aí está você! - Orla acenou com uma mão e arrastou um menino adolescente muito estranho com o outro. - Aedan McCourt, estes são meus amigos. Amigos, este é Aedan. O cara era apenas tão alto até o nariz de Orla, seus dentes eram tortos, mas a Orla parecia cativada por ele do mesmo jeito. - Eu não tinha ideia de que você já tinha convidado um par - disse Erin. - Você não disse uma palavra sobre isso. - Foi de última hora. - Orla deu um laço no braço de Aedan. - Seu par cancelou poucas horas antes deste evento. Aedan franziu a testa. - Ela esta terrivelmente doente. - A miserável pegou uma intoxicação alimentar. - Orla sorriu. - Não é incrível? Uma grande barraca para o evento estava montada na frente da escola e pelo menos metade da cidade estava lá dentro e a outra metade se derramando para fora em direção aos jardins, onde as luzes de fadas estavam amarradas de árvore em árvore. Quando terminamos a nossa comida, caminhos rumo à entrada da barraca e para completar tinha uma trilha sonora que cantava enquanto seguíamos e fazia com que meus nervos ficassem em frangalhos com os acordes de um violino e os duelos de varias guitarras. Beckett abriu a porta basculante e segurou-a para que pudéssemos entrar. Foi uma vitoria o que vivi naquele momento e nunca me esquecerei do olhar no rosto de Beatrice Plummer quando Erin entrou na dança, de braço dado com o Beckett. A sala inteira pareceu parar e todas as meninas com idade inferior a vinte anos soltaram um grito coletivo e cinco deles muito alto. Beckett lidou com tudo isso com a sua sutileza habitual, ele assinou alguns autógrafos, prometeu um par de danças, mas em seguida educadamente disse à multidão que estava hoje à noite à disposição da Erin. E pensar que já o rotulei como um idiota de classe mundial. Nós nos sentamos em uma mesa dobrável e assistimos a banda. - Esse é o seu amigo Donal Murphy, não é?- Eu apontei em direção ao palco, tentando acalmar ao mesmo tempo a minha mente e o meu estômago enjoado. - Ele volta a cada ano. - Erin sorriu quando ela bateu as mãos com a melodia. Acho que ele e São Patrício foram companheiros desde o primeiro baile. - Tudo bem Beckett? - Beatrice estava atrás de sua cadeira, com toda a sua altura e magreza pairando atrás dele. - É uma surpresa vê-lo aqui, sem a Taylor. O rosto de Beckett franziu com as suas palavras, mas dentro de um segundo o seu sorriso se restabeleceu. - Eu nunca fui ao baile da cidade aldeia sabe e quando Adoro Romances em E-book 198


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perguntei a Erin se poderia acompanhá-la, não pude acreditar na minha sorte quando ela disse que sim. Os cílios de Beatrice vibravam como as pernas de uma formiga irritada. Realmente, é isso mesmo? - É. - Beckett descansou o braço em volta da cadeira de Erin. - Mas quem não gostaria de vir com a Erin? Cinco minutos depois de conhecê-la já sabia que ela era uma das pessoas mais amáveis que encontrei e hoje em dia é tão refrescante encontrar alguém com um coração tão genuíno, você não acha? - O sorriso de Beckett nunca vacilou, mas em seus olhos tinham um aviso para Beatrice. - Nós ficamos muito próximos ao longo dos últimos meses e a Erin é como se fosse da minha família e você sabe como sou um grande protetor de família, não é? - Ele riu e Erin lhe deu um pequeno aperto no ombro. - Qualquer um que machucá-la terá que responder a mim, com certeza, não que ninguém nunca faria, pois seria uma grande loucura, com certeza que sim. - Totalmente louco - eu disse, aproveitando a cor que subia cada vez mais no pescoço de Beatrice e o sorriso brilhante no rosto de Erin. - Conte comigo também para o seu fã-clube, Erin O'Callaghan - Joshua Smith pegou uma batata frita no prato. - Você sabia que ela é capaz de recitar toda a tabela periódica? - Tenha uma noite encantadora, Beatrice. - Beckett virou as costas e se afastando dela durante a noite toda. Orla assistiu Beatrice pisar fora. - Ela tem uma guerra programada em sua mente. - E eu posso lidar com ela. - Beckett me deu um pequeno sorriso. - E também posso segurar meu pai quando ela e Taylor correrem para ele. - Obrigada. - Erin falou sobre a música. - Isso foi realmente agradável de todos vocês. - Eu quis dizer isso. - Beckett levou a colher até o seu guisado. - Sou grato por tudo que você e seus pais fizeram por mim e a Beatrice precisa saber que ela não pode mexer com você. - Ela vai voltar a aprontar. - eu disse. - Eu sei pelo seu olhar que ainda não terminou. - Não há nada para se preocupar. - Beckett olhou para o meu prato intocado. Não esta com fome? Eu nem sequer tive que olhar para saber que a Erin estava me encarando com a intensidade de um espião internacional. - Não, está tudo bem, apenas muito ocupada conversando para ter tempo de comer. - Dança comigo em breve?

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- Ainda não sei. - Comecei a cortar o meu maltratado peixe em pedaços pequenos, empilhando alguns em cima de outros e empurrando alguns sob minhas batatas fritas. - Com a forma como todas as meninas estão olhando para você acho que nunca vou ter a minha chance. - Olhei para trás. – Nossa, ate mesmo aquele garotão de terno azul lá atrás está te observando como se fosse um doce. - É possível que eu lhe ofereça uma dança lenta. - Beckett olhou para o colegial, que encheu a boca com um pedaço de sanduiche. - Eu às vezes me sinto um pouco livre demais com as opções. Uma hora mais tarde, eu tinha tomado tanta coca Diet que o meu estômago estava borbulhando. Mas isso não preenchia aquele espaço vazio que pedia uma boa refeição e isso era um sentimento que estava me deixando estranha e de forma alguma aliviava o peso da minha cabeça, mesmo após dar algumas mordidas no peixe e comer três batatas fritas que correspondiam a quinhentas calorias, a Erin não ficaria satisfeita. Mas isso seria apenas por hoje, amanhã começaria a comer direito novamente. Deus, eu posso controlar isso... Eu posso. - É hora de me mostrar suas habilidades na dança. - Orla agarrou seu par pela mão. - Voltaremos a ver todos vocês em poucas horas. - Ela se inclinou para sussurrar no meu ouvido. - Eu tomei algumas dessas bebidas energéticas e espero que os guitarristas consigam me acompanhar. Atraída pela habilidade de Donal Murphy tocar violino, deixei Joshua levar-me para o esmagamento louco dos bailarinos. Eu não tinha ideia de como era a forma adequada de se dançar, mas a minha hesitação foi logo substituída pelos braços incomuns de Joshua e sua cabeça sacudindo como um avestruz com raiva. Um grupo se formou em torno de nós enquanto Beckett, Erin, Joshua e eu começamos a dançar. Eu deveria me sentir bem e até gostar daquele momento, já que em todo lugar eu adorava dançar, além disso, eu era uma líder de torcida e aquele era o meu ambiente, tudo ligado ao movimento do corpo e ritmo. Mas ao invés disso eu estava preocupada e sem fôlego. A minha respiração saia como se eu tivesse acabado de correr uma maratona em vez de dançar apenas quatro miseras músicas, como já não conseguia mais nem me mexer decidi fazer o meu caminho de volta para a mesa. - Ei, eu acredito que você me deve uma dança. - Beckett me interceptou quando a banda mudou para uma música lenta. Eu estava tão cansada, precisando apenas de uma pequena pausa. Mas era o Beckett Rush e quantas vezes na vida um cara como ele havia pedido a uma garota como eu para dançar? Beckett pegou a minha mão e me levou de volta para o salão, me aconchegando perto de seu peito, enquanto nós dançávamos na borda externa da multidão. - Alguma sorte na cruz do meu irmão? - Ainda não, mas irei encontrá-lo, já segui algumas pistas, mas até agora nenhuma delas era a correta. Adoro Romances em E-book 200


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- E você vai continuar procurando? Nós não podemos desistir. Minha audição é na próxima semana e as notas da música ainda não chegou até a mim e eu sei que a cruz... - Finley, eu não vou desistir. - Ele me segurou mais apertado enquanto eu olhava contra as luzes que de repente estavam muito brilhantes. Pressionando a minha cabeça no peito de Beckett pensei em ouvir a batida do seu coração, mas em vez disso encontrei-me fechando os olhos contra a sensação de enjoo que tomou conta de mim. Quanto tempo essa canção vai durar? - Pronta para girar? - perguntou Beckett. As manchas voltaram diante dos meus olhos e eu pisquei para afastá-las. Minha cabeça borbulhava com tanta tontura. - Não, eu não acho que... Mas já era tarde demais. Sorrindo, ele me girou para fora e os meus dedos deslizaram dos seus antes que ele pudesse me puxar de volta. - Finley? - A voz de Beckett veio de longe e eu queria responder, mas meus lábios não se moviam e minhas pernas se transformaram em geleia. O terreno se inclinou abaixo de mim e eu fui levada com ele, para baixo. Estendendo a mão às cegas apenas senti quando cai no chão. E a cena diante de mim escureceu.

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Capítulo vinte e nove

Abbeyglen tem uma maneira de levantar o animo de uma pessoa quando ela esta para baixo. Normalmente isso ocorre quando mais preciso. —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

- Finley. Quando abri meus olhos, automaticamente percebi duas coisas ao meu redor: a primeira Beckett inclinado sobre mim, com os olhos arregalados e uma carranca de preocupação e a segunda era que cada cidadão de Abbeyglen estava pairando atrás dele, em um círculo gigantesco. - Oh, não. - eu sussurrei. - Você está bem? - Ele olhou para algumas pessoas que estavam de pé, muito perto. - Voltem um passo para trás, dê-lhe algum espaço para respirar. - Ele olhou de volta para mim. - Você simplesmente desmaiou, aconteceu tão rápido que não consegui nem te segurar. - Como algo saído de um filme - disse Orla. Comecei a me levantar do chão, consciente de um joelho latejante e do orgulho dilacerado. - Eu tenho certeza que quero morrer neste momento. Beckett me ajudou a levantar. - Você está muito pálida. - Deve ser pela vergonha. Beckett me puxou para mais perto e estudou meu rosto com um olhar que estava longe de ser romântico. - Você está bem? Eu ri. - Sim, é claro, sou uma desajeitada e não calçava saltos tão altos há bastante tempo. - Finley, você simplesmente não caiu, - disse Erin. - Você desmaiou. Beckett respirou fundo. - Este foi o momento mais longo da minha vida. Eu lutei contra um gemido quando o diretor Plummer, vestido com um terno de linho cor de pêssego da moda, caminhou em nossa direção com o antigo prefeito mancando ao lado dele. - Precisamos chamar um médico. - disse o prefeito. Adoro Romances em E-book 202


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- Não! - Eles não podiam. - Devo ligar para minha mãe? - O rosto de Erin estava tomado de preocupação. - Definitivamente sim. - disse Plummer. – Mocinha, você esteve fora do ar por pelo menos uns dez segundos. - Não, por favor. - Meu coração batia num ritmo selvagem. Por que eu não comi hoje? Por que eu era tão estúpida. Tinha acabado de decidir que iria parar com isso. Apenas queria ter certeza que caberia no vestido. E isso só... Não estava me fazendo sentir nada melhor... Até agora. Senhor ajuda-me. Se minha mãe descobrir isso, estou morta, pois ela vai me fazer voltar para casa. - Foram as luzes. - Eu me assustei quando a música começou a tocar novamente. - E a multidão, acabei tonta com tudo isso. - Mas Beckett e o Sr. Plummer estavam com uma expressão duvidosa. - Vamos nos sentar e pegar um pouco de água para você. O diretor franziu a testa para um casal de adolescentes perigosamente juntos, em seguida direcionou toda a sua atenção para mim e Beckett enquanto seguíamos para a nossa mesa. - Tem certeza que está se sentindo bem? - perguntou o Sr. Plummer. - Você levou um bom tombo com certeza. - Sim. - Humilhação. Você poderia morrer com isso? - Eu estou bem, de verdade não há necessidade de chamar ninguém. - Mas e o seu joelho? - disse Erin. - Está apenas um pouco dolorido, é sério, ficará bom como novo em poucos minutos. - Não. - Erin apontou. - Quero dizer, olhe para o seu joelho, ele está sangrando através de seu vestido. Com certeza, uma mancha carmesim tinha vazado através do meu vestido em torno do meu joelho. Ah não... O meu vestido lindo... Arruinado... E assim acaba a esta noite. O diretor examinou o perímetro e em seguida fez um gesto para alguém atrás de mim. - Traga o kit de primeiros socorros! - Sr. Plummer pediu um curativo, entregando-lhe as chaves. - Na escola, por favor. Seja rápido sobre isso. O prefeito complementou. - Nós vamos colocar algo sobre isso. Erin colocou o braço em volta de mim. - Siga em frente e sente-se por agora, retire todo o peso de sua perna. Adoro Romances em E-book 203


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Eu só queria ir para casa. Só conseguia sentir fadiga, exaustão e vergonha se misturando dentro de mim, enquanto pegava um guardanapo de cima da mesa e o colocava em cima da minha ferida escorrendo. Deveria estar parecendo tão glamorosa para o Beckett. - Está tudo bem e não estou precisando de nada. Será que toda a cidade tinha que me olhar dessa maneira? Será que ninguém nunca tropeçou? Cinco longos minutos mais tarde alguém voltou carregando um punhado de band-Aid. - Por que você demorou tanto tempo, Beatrice? - perguntou o Sr. Plummer. Claro que seria ela, até mesmo porque esta noite exigia uma cereja no topo. Sinto muito, mas há tanta coisa no escritório da enfermeira que tive dificuldade em encontrar os curativos e tive que abrir um monte de armários e gavetas, mas aqui está Finley. Beatrice me olhava com um sorriso de satisfação total enquanto me entregava os band-Aid. - São de tamanhos diferentes, pois não tinha ideia do que você iria precisar, então eu só... peguei algumas coisas. - Muito útil. - disse Plummer. - Obrigado, querida. Útil? Gostaria de saber se este seria um bom momento para lembrar ao seu querido papai que ela havia me acusado injustamente de colar da sua prova ou como ela quase sabotou todas as chances de Erin para ter um par no baile. - Suas mãos estão tremendo. - Beckett pegou um curativo e se ajoelhou no chão. Ele direcionou os seus famosos olhos para a pequena multidão que estava em torno de nós até que as pessoas se afastaram. - Apenas deixe-me saber se precisar de algo mais.- Beatrice me deu um último sorriso e então girou sobre os calcanhares se afastando. Os dedos de Beckett eram frios na minha pele enquanto ele limpava o meu joelho com um guardanapo e vi quando o algodão branco fresco ia embora, vermelho e sujo. - Você teve uma queda bem grande e realmente sinto muito. - Não foi culpa sua. - Eu o vi aplicar suavemente o band-Aid. - Precisamos chamar a sua mãe de acolhimento. - Mr. Plummer estendeu a mão para o telefone. - Não! - Ele não podia, por favor, Deus, não. - Eu não quero preocupá-la e já me sinto melhor agora. - eu menti. - Prometo que vou ficar aqui o resto da noite e beberei um pouco de Coca-Cola Diet para me acalmar. - Eu implorei a ele com meus olhos. - Hoje é uma grande noite e não quero estragar a noite de ninguém, por favor. - Atirei ao Sr. Plummer um olhar suplicante. Adoro Romances em E-book 204


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Ele relutantemente voltou a colocar o telefone no bolso do terno. - Se você voltar a sentir, mesmo que seja apenas um pouquinho de tontura, deve comunicar a alguém, pois ainda acho que deveríamos chamar os O'Callaghans. - Irei ficar de olho nela senhor. - disse Erin. - Assim como eu. - Beckett me olhava com o cenho franzido. - Tudo bem, mas irei verificar você mais tarde. - O diretor se afastou com o prefeito, fazendo o caminho mais curto em direção a um grande cavalheiro dançando sobre uma mesa e meus ombros automaticamente relaxaram. - Por que você não me disse que estava sentindo tão mal lá casa? - Erin voltou para Beckett. - Ela já havia passado mal antes de sairmos de casa. Beckett olhou para mim enquanto endireitava a minha saia manchada. - Você estava se sentindo assim a noite toda? - Não precisa se preocupar, foi só um mal estar passageiro e isso não é uma grande coisa. - Eu queria ir para casa. Eu queria ir para a cama, puxar as cobertas sobre minha cabeça e acorda em um novo dia.... Onde faria todas as coisas direito. - Por que você não me disse nada? - Perguntou Beckett. - Eu estou bem. - Quantas vezes tenho que repetir isso? - Vamos voltar a dançar, pois ate onde eu sei é para isso que estamos aqui. - Minha voz soou um pouco mal-humorada, então acrescentei um sorriso e estendi a minha mão para Beckett. - Além disso, eu não tive toda a minha dança com você. - De jeito nenhum. - disse ele. - Erin, você e Joshua podem ir se divertir, ficarei sentado aqui fazendo companhia a Finley. Joshua ofereceu o braço para Erin. - Eu faço um passo de Hip-Hop incrível você quer ver? Erin hesitou. - Finley, eu não sei... Posso falar com você por um segundo? - Vá. - Acenei para a pista de dança. - Eu estou bem e Orla você pode ir também. Beckett e eu assistimos Joshua levar uma Erin preocupada para o centro da multidão, com Orla e seu par ao lado deles. Eu sabia que eles estavam falando de mim. - Erin estará observando você à noite toda. - disse Beckett. Observei as pedras de gelo no meu copo, que se chocavam enquanto tomava um gole de Coca-Cola Dieta antes de respondê-lo. - Ela não tem motivos para se preocupar, seu coração é tão bondoso. - E contava com a sua bondade para não relatar a sua mãe sobre o meu pequeno episódio, embora soubesse que não deveria contar com isso. Um pânico percorreu meus nervos enquanto pensava em todas as minhas possibilidades de castigo. Adoro Romances em E-book 205


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Beckett puxou sua cadeira para mais perto de mim até que seus pés tocaram os meus. - Você me diria se algo estivesse acontecendo, não é? Seus olhos me olhavam de uma forma tão direta que eu temia que ele pudesse ver diretamente na minha alma cada mentira e cada verdade percorrida. - Sim e sinto muito por ter arruinado a sua noite. - Exceto por quase ter um ataque cardíaco, eu me diverti. - Beckett esfregou as minhas mãos na sua, como se estivesse tentando transferir o seu calor. - Agora, posso dizer que fui a um baile na cidade, sem ter nenhuma grande promoção ante ou até um agendamento prévio. Eu empurrei aquele pesado cansaço e a névoa da minha cabeça e tentei me concentrar com todas as minhas forças restantes em seus olhos nos meus, sua mão suave que cobria a minha e a sua proximidade reconfortante. Amanhã comeria mais, a Erin estava certa, eu não poderia continuar fazendo isso. - Eu não sabia que havia uma lista. - Olhe para os seus braços, você esta toda arrepiada. - Antes que eu pudesse protestar, ele tirou o seu casaco e colocou sobre meus ombros e imediatamente me senti cercada por seu calor e daquele cheiro que era só de Beckett Rush. Eu queria permanecer neste casulo seguro para sempre e que quando retornasse para casa não houvesse uma Erin com vários questionamentos. - Eu tenho uma lista. - disse ele. - De coisas que eu perdi por causa do meu trabalho. - Como o quê? - Eu assistia um par limpar a mesa ao nosso lado. - A escola, passeios com turma, feriados... - Ele passou o dedo sobre a minha mão. - Fin, você jura que me falaria realmente se estivesse com algum problema? Você acabou de ser... está tão diferente ultimamente. Ele também? - É claro que estou me comportando de forma diferente, na verdade estou ficando louca por causa desta audição. - Eu sei que você está trabalhando duro nela, mas... Eu me mudei para mais perto dele esperando desta forma distraí-lo. - O que mais está na lista? - Lista - As coisas que você não consegue fazer. Ele piscou devido à mudança de assunto, mas deixou passar sorrindo. - Beijar uma menina sob as estrelas. Adoro Romances em E-book 206


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- Pena que estamos do lado de dentro. Ele olhou para cima, apontou para uma teia de luzes brilhantes acima de nós. Parece que elas nos encontraram de qualquer maneira. Eu descansei minha cabeça contra seu ombro desejando que pudesse ficar lá para sempre. - As pessoas estão olhando. - Na minha vida tem sempre alguém olhando. - Eu sorri apesar de sentir a nota triste em sua voz. - Mas às vezes vale a pena fazer algo de qualquer maneira. - Seu sorriso voltou. - E você vale a pena, Flossie, definitivamente vale a pena. E enquanto a banda tocava, meus amigos dançavam, o meu joelho queimava, Beckett cobriu meus lábios com os seus e eu senti minha cabeça girar mais uma vez.

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Capítulo trinta

De: LisaRivers@SeaScapeCounseling.org Assunto: Check-in Nós não nos falamos há algum tempo e sua mãe pensou que seria bom conversamos um pouco, porém ao ligar para o seu número caiu direto no correio de voz.

- Sinclair, você esta sendo chamada no escritório do conselheiro. Sra. Campbell dobrou uma nota de convocação para o auxílio estudantil e me entregou na segunda-feira de manhã. Eu li a convocação que era uma mensagem rabiscada com tinta azul em papel reciclado com testes antigos impressos no verso. Enquanto me levantava e saía da aula de Inglês, tinha certeza que se me virasse iria encontrar todas as vinte e cinco meninas da sala me olhando ou cochichando coisas sobre mim como: Essa é a garota que desmaiou no baile? Essa é a namorada de Beckett Rush? Que diabos é que ele vê nela? Fui agradecendo até o momento em que cheguei ao escritório do conselheiro à maravilha meus joelhos estarem me sustentado. Ontem me arrastei o dia inteiro toda tensa e tediosa. Beckett teve que filmar e eu acabei indo a igreja com a família O'Callaghans. Erin estava muito quieta e pensativa, sem a sua áurea borbulhante habitual e eu sabia que ela estava pensando no sábado à noite e sobre dizer ou não a sua mãe o ocorrido. Enquanto isso continuava observando os passos da Nora, esperando que a qualquer momento ela me puxasse para o lado e começasse a fazer um milhão de perguntas sobre o meu desmaio. A principio fiquei esperando no meu quarto a maior parte do dia enquanto tocava a canção de Will mais e mais, até que quebrei uma corda do violino, sendo obrigada a mantê-lo longe de mim por um tempo. Em todas estas coisas, eu sou mais do que vitorioso... Eu disse a minha prece correndo e bati na porta do conselheiro. - Entre. Assim que entrei, o meu estômago caiu no chão. Além da Sra. Mawby, a conselheira que estava em sua mesa, estava a Nora O'Callaghan ocupando uma cadeira ao lado dela e em uma tela do computador atrás de ambas aparecia o rosto da minha mãe on-line assistindo a todos nós. - Feche a porta atrás de você, Finley. - A Sra. Mawby gesticulou para uma cadeira marrom. - Sente-se, por favor.

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Era pior do que eu pensava. - Oi, mamãe. - Meu sorriso estava plastificado e frágil em meu rosto. - Olá querida, a Sra. Mawby pensou que todos nós deveríamos ter uma conversa. A conselheira limpou a sua garganta primeiramente. - É sobre a sua saúde. Não. Não, não, não. Eu olhei para a minha mãe ao mesmo tempo. - Mas estou bem e não há nada de errado comigo, eu juro. - É do meu conhecimento que você desmaiou no sábado à noite. - disse a Sra. Mawby. Eu lancei um olhar tímido para a Nora. - Foi a Erin quem falou? Ela balançou a cabeça. – Não, a Sra. Mawby acabou de me ligar e me informar. - Por que você não nos contou? - A voz da minha mãe estava carregada de cansaço como se o ocorrido fosse uma canção que se repetia todos os dias, durante os últimos dois anos. - Finley, foi uma amiga preocupada que falou comigo hoje. - A Sra. Mawby cruzou as pernas e apoiou o cotovelo sobre a mesa bagunçada. - Ela testemunhou o seu desmaio durante o festival e está muito preocupada com você. As paredes do pequeno escritório começaram a mudar de forma e a se mover de uma só vez para o centro, me fechando dentro - E quem é essa minha amiga? - Beatrice Plummer. - É essa a sua informante? - perguntou Nora, - a mesma menina que tem acusado a Finley de fraude? E quem esta dando uma de valentona para cima da minha filha? Eu pensei que esta informação era proveniente de uma fonte confiável. Minha mãe cortou o discurso dela. - Finley, você voltou a desmaiar? Minha cabeça girou para ela ficando num ângulo estranho. - Sim. - Isso já aconteceu antes? - perguntou Nora. - quantas vezes desde que você chegou aqui? - Não, esta foi à primeira vez, minha senhora. - Na verdade a Beatrice ouviu a Erin falar que você teve outro desmaio em casa antes das festividades. - Os óculos vermelhos e finos deslizaram pelo nariz da Sra. Mawby enquanto ela me encarava por cima deles com seus grandes olhos de coruja, que piscavam muito. - É verdade?

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- Eu... às vezes fico estressada e acho que cai um pouco a taxa de açúcar no meu sangue. - Ou quando você pula alguma refeição, o que você comeu no sábado? Perguntou a minha mãe. - Não o suficiente. - eu disse casualmente, como se fosse apenas uma coisa boba que deixei escapar. - Fiquei um tempo trabalhando na audição e depois estávamos tão preocupadas com o que faríamos com o nosso cabelo que me esqueci de comer, mas estava comendo durante o baile, eu estava. - Uma refeição completa? - perguntou Nora, - Ela está comendo que nem um pássaro pequenino desde que chegou aqui, não dei muito importância no início, mas agora... - Comi um pouco de peixe e algumas batatas fritas no baile e estava muito gostoso. - Enquanto falava percebi como soava ridículo este meu comentário e também que todas elas estavam olhando para mim como se eu fosse um caso perdido... Ou se não soubesse o que fazer comigo... Ou ainda como se tivesse um grande segredo no meu armário e elas quisessem que eu o arrastasse para fora. Deus, o que há de errado comigo? Por que estou aqui nesta situação? Por que todo mundo não pode me deixar em paz ou deixar que eu lide com os meus problemas do meu jeito? - Senhorita Sinclair. - A Sra. Mawby falou o meu nome com um som tão grave que quase sugeri a ela uma afinação de voz. - Não importa as intenções de Beatrice, mas acredito que ela tropeçou em cima de algo que precisamos tomar algumas medidas, desta forma a Sra. O'Callaghan, a enfermeira da escola e outras pessoas foram informadas da sua... dificuldade anterior. - Sobre a minha depressão? Sobre o meu ano de terapia? Será que você não teria ficado triste também após este ocorrido? - Minha voz se quebrou como galhos numa chama. - Meu irmão morreu, ele foi assassinado. - Isso já é o suficiente. - minha mãe avisou. A Sra. Mawby continuou. - Eu esperava que quando começasse a sentir alguns desses sentimentos chegando... Ou apenas ouvir qualquer daqueles velhos pensamentos negativos, você iria simplesmente pedir ajuda. Eu tinha um teste importante em uma semana, será que eles honestamente esperavam que me importasse com algo, além disso? Eu tinha muita coisa para fazer antes desta data chegar. Não poderíamos lidar com isso mais tarde? - Beatrice está lá fora pronta para me prejudicar, ela mesma me garantiu isso e além disso afirmou que precisava garantir a minha volta o quanto antes para casa. Ela está com raiva de mim simplesmente por que sou amiga e assistente de Beckett Rush e também por que sou a garota nova que imediatamente fez vários amigos e ela não era um deles. Ela é ciumenta, amarga e mesquinha. Lágrimas entupiram a minha garganta, mas mesmo assim continuei. – Nora, ela arranjou para que cada menino dispensasse o convite da Erin para ir ao baile e Adoro Romances em E-book 210


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desta forma poder humilha-la diante de todos, ela tinha tudo planejado desde o inicio e tudo porque queria se vingar de mim. - Essa parte é verdade. - disse Nora. - ela sempre foi uma má companhia para a Erin e eu nunca fiquei tão feliz como quando a minha filha saiu de seu círculo. - Mas eu acho que já ficou bem claro para nos três, o fato que a Finley desmaiou no baile. - disse minha mãe. - E que também já havia se sentido mal naquele dia. Em todas estas coisas, eu sou mais do que vitorioso... - Eu não estou doente, por que simplesmente vocês não podem confiar em mim? - Finley, - minha mãe disse - esta não é uma questão de confiança e sim uma questão de saúde e sobre a sua vida, você tem estado muito... frágil, uma vez que havia melhorado seu pai e eu decidimos deixá-la vir para Abbeyglen para que pudesse melhorar ainda mais, mas agora estamos preocupados e se a sua dor estiver se mostrando neste momento de uma forma diferente? - Tenho tudo no controle, por favor - eu implorava. - Tenha fé em mim, superei varias coisas para estar aqui e ser capaz de fazer este programa, já no primeiro dia de aula fui designada para um projeto onde envolve uma mulher morrendo, logo eu, depois dos últimos dois anos que passei? E então Beatrice vem atrás de mim com sede de vingança, não me sai nada bem no meu primeiro teste para o Conservatório, e agora... isso. - Retirei o cabelo do meu rosto. - Isto não tem sido fácil para mim, mas eu estou tentando, e é assim que sou, vocês poderiam me dar um crédito apenas por isso e também confiar em mim para saber que quando não me sentir bem irei procurar a minha terapeuta e mais uma vez vou garantir a vocês que neste momento estou bem. - Às vezes, ela sai para correr no mesmo dia de manhã e à noite. - disse Nora. - Estou apenas estressada. - Peguei um lenço de papel da mesa da Sra. Mawby e sequei meus olhos. - Isso é o que faço para relaxar e foi o meu próprio terapeuta que me disse para fazer isso. Você iria preferir que jogasse, comesse em excesso, bebesse álcool ou usasse drogas? Eu pensei que isso era saudável. Há tanta coisa acontecendo comigo nos últimos dias, será que ninguém consegue ver isso? - A forma como elas estavam olhando para mim era insuportável, dando a impressão que já haviam me julgado e condenado e doía mais ainda o olhar da minha mãe, de não saber o que fazer com a sua filha doente, só que eu não estava doente, poderia mudar esta situação hoje se quisesse. - Eu acho que você esta fazendo muita coisa ao mesmo tempo. - disse minha mãe - nem parece que está dormindo. - Mas é claro que ela não dorme, pois em vez de dormir fica treinando a sua musica durante todas as horas da noite - disse Nora. - O som mal chega até nós, mas percebo que toca durante muito tempo sem nenhum descanso e quanto mais se aproxima a hora dela partir para Nova Iorque, mais intensificado esta ficando os seus treinos. - Nora acariciou minha mão. - Estamos apenas preocupados e... - Mãe, você sabe o quão importante à música é para a minha vida e essa chance de entrar para esta escola no momento é tudo para mim. Adoro Romances em E-book 211


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- O que sei é que você leva tudo ao extremo, sempre é assim, desde a sua música até mesmo para a sua temporada de revolta após a morte de seu irmão e o seu conselheiro nos relatou mais de uma vez sobre o seu perfeccionismo. - Por favor, pare. - Eu cobri os meus ouvidos e comecei a balançar a cabeça, tudo estava tão confuso, um verdadeiro emaranhado de cordas que não conseguia consertar de desta forma também não conseguia relaxar. - Minha audição será em nove dias e então vocês poderão me enxergar novamente, pois o estresse não mais existirá, pois quando tocar a nota final para a comissão sei que vou ser eu mesma novamente, tenho certeza disso. - Isso passará, pois o meu futuro será definido. Minha mãe passou a sua mão pelo seu rosto. - Finley, eu te amo tanto, depois de tudo que passamos só quero que você seja capaz de falar comigo e me dizer o que está sentindo. - Eu sei. Ela deixou escapar um suspiro e varias linhas de expressão surgiram em sua testa. - Eu quero que você vá com calma, pois não vale a pena ficar tão chateada por causa deste teste. - Para mim vale. - Lágrimas de raiva escorriam pelo meu rosto. - Você me disse, antes de vir para a Irlanda, que estava dando a minha liberdade e que confiaria nas minhas decisões, agora, deixe-me fazer isso. - E isso não é nada mais do que a ansiedade para a audição? - Sim. - Minha voz implorava para que ela deixasse isso pra lá. - Sim. - Talvez isso não tenha sido nada. - disse a minha mãe. - Eu espero e rezo para que esteja certa, mas tudo o que tenho para me guiar é o que essas senhoras estão me dizendo e o fato de que você desmaiou sábado é assustador, neste momento o mais quero é vê-la em pessoa, abraçá-la e saber que está segura e bem. E se você não estiver bem, levá-la para casa. Ela não disse isso, mas estava claro na sua mensagem, uma promessa não dita. Minha mãe não acreditou em mim, na verdade ninguém naquela sala acreditava. - Estarei aí na próxima semana. - Balancei minha cabeça enquanto o pânico se tornava um tornado dentro de mim. - Eu tenho que voltar para a aula. - Dê-me um abraço. - Nora levantou-se e estendeu os braços. - Nós nos preocupamos muito com você, gostaria que Abbeyglen fosse um lugar tranquilo e que você fosse feliz neste período. - Eu serei. - Por favor, deixe-a acreditar em mim. - Em breve. - Mas não poderia viver comigo mesmo se não tiver a certeza de estar fazendo de tudo para ajudá-la, meu amor. Você se tornou uma filha para mim. Adoro Romances em E-book 212


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Culpa, luto e humilhação me sufocavam até que comecei a tossir. - Eu tenho que ir. Abri a porta e tropecei para fora do corredor, com as pernas bambas. Deus, eles estão tão errados, uma coisa para me preocupar. Onde você está? Por que você não me ouvir? Por que você não fala comigo? Parei no primeiro bebedouro que encontrei e deixe que a água fria entrasse pelos meus lábios e deslizasse na minha garganta, tinha que acalmar os meus nervos, mesmo com o silêncio de Deus. Como não estava resolvendo, sai correndo pelo corredor sem me importar em ser vista ou com as faixas de rímel que deveriam estar escorrendo pelo meu rosto ou se era esperado de volta a classe, adentrei pela sala de música quase arrancando a porta. Sentei-me ao piano, pressionado meus pés aos pedais, colocando meus dedos trêmulos nas teclas lascadas e comecei a tocar. Lágrimas escorriam sem controle enquanto a canção de Will inundava a sala, e naquele momento coloquei toda a minha raiva e cada grama de medo nas notas, fechando os olhos deixei a melodia saturar e enrolar em volta do meu coração como se fosse uma bandagem e antes de sarar completamente cheguei ao fim... Parou... A canção simplesmente acabou de morrer. Por que não poderia simplesmente escrever o final dela? Por que nada parecia estar funcionando? Onde estava este fim? E se este fim fosse tão profundo como a minha dor? E se ele só... Não existisse. - Deus, você tem exigido muito de mim - eu disse para o silêncio ensurdecedor. - Por que cada vez que procuro você me sinto mais sozinha, onde está você quando eu chamo? Onde você estava quando meu irmão morreu? Por que você não fala mais comigo? - Porque você não está realmente ouvindo. Virei em direção à porta, limpando as minhas lágrimas enquanto as minhas bochechas coravam. - Irmã Maria. Ela andou pelo corredor como se fosse uma poderosa vingadora e se sentou ao meu lado, no banco do piano. - Teve um dia ruim? - Ela enfiou a mão no bolso e me entregou um lenço de papel. Apenas assenti e comecei a chorar novamente. - Eu não aguento mais e não sei como fazer... apenas viver um dia normal. - Simples, mude o seu jeito normal de viver e sobreviverá a isso. - Você não entende. - Então me diga. Como? - Eu fiz algumas coisas estúpidas enquanto pensava que tinha tudo sob controle e controle é tudo que eu sempre quis, só para poder consertar as coisas, Adoro Romances em E-book 213


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fazer o bem a todos, fazer com que esse sentimento ruim fosse embora de uma vez por todas, mas não consegui e acho que não vou conseguir nunca. - Você está ainda convencida que Deus não vai ouvi-la? - Será que a minha vida seria uma bagunça tão grande se ele me ajudasse? - Se você está fazendo tudo do seu jeito, sim. - Irmã Maria apoiou o cotovelo em algumas teclas e me deu um pequeno sorriso. - Não lembra que ele mandou um sujeito chamado Pedro andar sobre a água uma vez? Estamos todos convidados a fazer isso ao longo de nossas vidas, ele apenas aparece de forma diferente para cada um de nós. - Seus dedos ossudos agarrarm meu pulso. - Neste momento é o seu tempo e Jesus está esperando... as suas mãos e dizendo: Eis me aqui para você. - Como se fosse assim tão fácil... Eu estou tentado todos os dias. - Para tentar verdadeiramente significa aceitar o amor de Deus e a sua cura, aceitar que o mundo pode ser feio, mas o seu coração não tem que ser. É preciso ter coragem, Finley Guerreira. Você mantém a sua raiva e amargura não em busca de uma cura, mas como uma bandeira de sua mágoa e isso é real, visível e muito forte. - disse ela. - Mas assim também é o amor de Deus e essas são as armas que ele está segurando para você. - Eu leio a Bíblia e não vejo nada e quando rezo sinto... nada e estou tão cansada disso tudo, me sinto tão... vazia. - E, no entanto tornou-se como um vício, não é? - os olhos azuis cristalinos da Irmã Maria fitavam os meus - porque é algo que você já conhece e confia e fechando o seu coração a Deus e ao resto do mundo não vai preencher esses lugares vazios. Ele só faz mais espaço para Satanás entrar em seu coração, faz com que suas mentiras sejam mais fáceis de acreditar, diz que você não é digna e que Deus verdadeiramente não se importa com nada, nem se importava com o seu irmão, sua família ou você. Finley, você não pode ouvir a voz do Senhor sobre toda essa distração, mesmo com os sons de sua própria música bonita. Parecia muito simples. - Você é uma freira e deveria me dizer apenas que Deus se importa e que ele esteve lá o tempo todo. - Quando é Satanás, ele deixa a sua linha com Deus destruída, é assim que você sabe que esta com ele, neste momento deve ser com isso que você está lidando, será que era isso que o seu irmão iria querer para você? - Não. - eu disse. - Ele estava tão em paz com Deus, tão cheio de fé e esperança... e então ele se foi. - Eu funguei um pouco, depois limpando o meu nariz no tecido. - Às vezes, eu penso em como foram os seus momentos finais e eu mal posso suportar esta agonia. - Jesus estava lá, esperando, com seus braços abertos. Ele ama o seu irmão mais até do que você é capaz e ele também chora com você. Deus tem falado constantemente com você, através da beleza da Irlanda, na majestade das falésias, no ritmo de cicatrização das ondas, nas palavras da Sra. Sweeney e no diário do seu irmão. - Irmã Maria deu um aperto de mão e sua pele era tão suave como a de Adoro Romances em E-book 214


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um bebê. - Ele diz: 'Eu estou aqui, vem para mim assim que estiver pronta para confiar no que você sabe... e não no que você sente. O que Beckett disse naquela noite na torre arruinar? Confie na verdade? Estes dois faz parecer tão simples. - Você não pode andar sobre a água segurando todo esse peso. - disse a irmã Maria - isso só faz você se afundar direto para baixo, o deixe sair minha querida, pois essa sua raiva não irá manter a memória de Will vivo. - Isso é tudo o que tenho conhecido nos últimos dois anos. - Olhe a Sra. Sweeney, ela teve uma doença debilitante na maior parte da sua vida e o medo a deteve. - Irmã Maria balançou a cabeça. - Todos aqueles anos perdidos, faz sentido para você tudo o que ela desistiu? - Não. - Não isso não fazia sentido. - Você e Sra. Sweeney precisam achar que estão controlando as coisas, mas realmente não controlam nada. A Sra. Sweeney não foi corajosa o suficiente para render-se e nem a sua irmã. Escolha você neste dia se quer a vida ou a morte, ter uma história de vitória, não precisamos mais ter outra vida reivindicada por aquela bomba para ser enterrada nas cinzas, sob os escombros daquela escola. Eu acredito que você já mudou a vida da Sra. Sweeney. - Irmã Maria abraçou meu corpo mole. - Agora deixe Deus mudar a sua.

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Capítulo trinta e um

 Horas de prática: Não o suficiente  Horas preocupante: Muitas

Evitei Erin e qualquer outra pessoa que quisesse falar comigo o resto do dia. Amanhã seria outro dia e melhor que hoje. Mas e o dia de hoje? Foi muito ruim. Minha respiração vinha de forma superficial e minhas mãos estavam tão escorregadias devido ao suor enquanto pedalava a minha bicicleta rumo ao set. Ajudar ao Beckett neste momento era a última coisa que queria fazer. Por que simplesmente não podia ficar sozinha no meu quarto com meu violino? Em um transe profundo estacionei a minha bicicleta, enquanto andava até o trailer de Beckett passei por alguns membros da equipe que trabalhavam naquele momento fora do castelo. Com os pés de chumbo pulei pelo degrau quebrado e me deixei entrar. Meu peito estremeceu com uma nova rodada de lágrimas quando cheguei à geladeira e peguei uma Coca-Cola Diet, apertei o possível contra a minha bochecha, permitindo que a frieza infiltrar-se em minha pele antes de abri-la, deixando que uma queimadura familiar invadisse a minha garganta. A porta se abriu novamente e me virei bem devagar. - Beckett, eu tive a pior... - O que você está fazendo aqui? - Montgomery Rush entrou, deixando a porta entreaberta atrás dele. - Onde está meu filho? Ele olhou para meu estado desgrenhado, mas não fez nenhum comentário. Eu... Eu não sei. - Meu nariz escorria como uma torneira. - Ele esta provavelmente no castelo como todos os outros. Foi então que comecei a olhar para uma revista em sua mão, não havia se passado nem mesmo dois dias completos desde o festival e uma imagem de Beckett com Erin já estava decorando uma capa. Mr. Rush pegou a direção do meu olhar. - Algum problema para ver a manchete? Ela diz que Vampiro estrela participa de um festival com seus colegas de elenco bêbado. Como se precisasse de um festival para isso. - Como você pode fazer isso com seu filho? - O que fiz salvou o meu filho, pois a venda de bilhetes para o seu filme irá subir dez por cento só esta semana. - Ele bateu com o dedo na revista. - E tudo por causa disso. Adoro Romances em E-book 216


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- Mas isso é... - Sensacional? Esplêndido? Olha, isso é exatamente o que os americanos querem ler e adoram ver. - Mas isso não é Beckett. - Ele não deveria ter ido naquele festival, em primeiro lugar e ele tem sorte de seu assistente ter criado essa história antes de qualquer coisa. Taylor e sua prima tentaram falar comigo e eu não quis ouvi-las, mas elas estavam certas, desde que Beckett veio para este lugar e desde que começou a sair com você, ele está incontrolável. Você percebe o quão importante é a sua imagem? E que a Taylor faz parte disso, não você. - Ele é seu filho... não apenas mais um negócio. - O que ele é na verdade é um profissional. - Sério? - Meu temperamento queimava, estava tão desgastado naquele momento que nada mais me importava. - Isso não é como o mundo esta enxergando ele neste momento, graças a você. - O que você sabe sobre este negócio? Você é uma grande responsabilidade para o Beckett e está causando um enorme tumulto na vida dele. - Ele apontou um dedo para mim. - Na verdade, se você se preocupasse tanto assim com ele deveria parar de vê-lo, afinal você não é boa o suficiente para imprensa. - Por quê? Porque ao meu lado ele seria um cara calmo ou normal? - Você não é glamorosa o suficiente para ele. - Ele começou a me avaliar e eu sabia o que encontraria... Algo indigno, muito feio e muito simples. - Será que você percebe o quão infeliz Beckett é? - Perguntei. - O que está acontecendo aqui? - Cabeças se viraram quando Beckett entrou em seu trailer, seguido pela Taylor e Beatrice. - Sua amiga aqui estava me dizendo como você está infeliz - disse Rush. - E ele esta fazendo tudo isso para agradá-lo. - Finley fique quieta. - Beckett cruzou o espaço e me puxou para o seu lado. - Eu acho que conheço muito bem o meu filho. - Sério? - Eu senti os dedos de Beckett apertar o meu braço, mas mesmo assim continuei falando como se a minha língua estivesse possuída pela fúria. Você sabia que ele está tendo aulas de uma faculdade on-line? Que ele quer uma vida normal? - Isso já é o suficiente. - Beckett rosnou. - Mas o que você fez. Você-...

Adoro Romances em E-book 217


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- Você tem algo a dizer da sua...? - Mr. Rush enrolou a revista em suas mãos e começou a bater contra a palma da mão. - Agora, não seria o momento. - Beckett rosnou para fora. - Então, quando que é? - Perguntei. Será que eles não iriam conversar? - A vida é curta demais para isso e se você não tiver um amanhã? - Você aprendeu um pouco dessa atitude no hospital mental? - Beatrice passou por trás do Mr. Rush com um sorriso brilhante no rosto de marfim. Eu apenas a olhava enquanto balançava a cabeça. - Passagem de um aconselhamento. - disse ela. - Você estava lá não estava? - Beckett exalou como se fosse uma tortura sequer olhar para Beatrice. - O que você está falando, Bea? - Sua nova namorada - Taylor colocou sua bunda para dentro - Ela tirou um pouco de férias no ano passado em uma instalação de tratamento. - Ela inclinou a cabeça como se estivesse lutando para lembrar os fatos, enquanto me sentia nua exposta e absolutamente sozinha. - Como... Como é que você sabe sobre isso? - Eu tenho os meus caminhos. Minha voz se elevou com cada palavra. - Como a Beatrice procurando nos meus arquivos da enfermeira quando ela tão gentilmente foi buscar um curativo para mim? - Você é um nome famoso na América. - Os olhos de Beatrice brilhavam com a vitória. - E não foi tão difícil de encontrar informações online. - Na verdade deveria ser impossível. - Eu queria que o chão me engolisse viva ou que me derrubasse, depois me encobrisse e me cuspisse em algum lugar no centro da Terra. - Os únicos que tem conhecimento disso são meus pais, a Nora O'Callaghan, e a escola. - Oh. - Beatrice enviou para o Beckett um olhar simpático. – Nossa, o Beckett não sabia? Eu me virei para ele esperando que tomasse as dores por mim e colocasse a Beatriz em seu devido lugar, mas ele ficou ao meu lado de braços cruzados e o rosto duro como pedra. - Eu acho que todo mundo precisa sair daqui, agora. - Mas nós estamos juntos nisso. - disse Montgomery a Beckett enquanto ele saia. - Saia - Beckett repetiu, olhando para as meninas que tentavam ficar. Adoro Romances em E-book 218


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- Precisamos nos reagrupar. - Taylor olhou de mim para o seu namorado falso. - Em breve. - Nós vamos corrigir isso, Taylor. - Eu ouvi o Sr. Rush dizer. - Agora. - Beckett fechou a porta com um estrondo, depois começou a esfregar as mãos sobre o seu rosto antes de lentamente se virar para mim. - Beckett me desculpe, mas seu pai... - Eu não quero falar sobre isso. - Ele apontou para as cadeiras. - Sente-se. Seu tom balançou o meu mundo, pois percebi que algo estava muito errado e algo além do pai de Beckett e muito além de Beatrice. - Você está terminando comigo? Ele se sentou ao meu lado e olhou para as suas mãos. - Erin e eu estamos conversando... - O que a Beatrice disse, se você me deixar explicar eu... - Eu não me importo com o que ela disse. - Ele ergueu a cabeça. - Eu não me importo onde você esteve e o que você fez, pois tudo o que me importa é o agora. - Eu não fiquei internada em nenhuma clínica, apenas passava com um terapeuta de lá, era uma terapia do luto e para ansiedade. - As palavras sangravam de mim e eu não queria parar até que Beckett colocou a mão sobre a minha. - Finley, há algo muito errado acontecendo. Eu pisquei para conter as lágrimas. Deus, Deus, Deus. Não conseguia continuar a prece, pois tudo o que conseguia dizer era o nome dele. - Eu deveria ter visto isso. - disse Beckett. - O quê? - Eu tinha medo que ele não me falasse e ainda mais medo do que iria me falar. - Eu acho... Acho que você está com um problema. Eu não consegui me segurar e uma risada escapou. - Este é apenas o dia Vamos ajudar a Finley? Será que todo mundo pensa que sou louca? - Eu não acho que você está louca. - Seu polegar deslizou sobre os nós dos meus dedos. - Na verdade acho que você está à beira de... ter um transtorno alimentar. Minha mão se transformou em gelo na sua. - Fale o que você pensa de uma só vez. - Eu não posso fingir que não reconheço os sintomas, pois sou um ator e acha que eu não vejo isso o tempo todo? Eu deveria ter percebido mais cedo. Adoro Romances em E-book 219


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Eu puxei minha mão da dele e me levantei. - Eu não sou anoréxica. É isso que você está pensando? Pareço isso para você? - Não é sobre... - Ainda estou muito longe de um índice inferior a 85. - Erin e eu achamos que você está apenas naquele ponto que não tem retorno e eu estou muito preocupado com você. Eu podia ouvir meu pulso batendo forte devido a raiva nos meus ouvidos. Então, você e a Erin estavam falando sobre mim. Alguém mais? Taylor? Beatrice? - Claro que não. - Ele se levantou e ficou de pé na minha frente. - Mas acho que nós precisamos conversar com a Nora. - Tarde demais, já falei com ela hoje e saiba que o decreto foi que estou estressada, na verdade eu sou assim caso você não tenha ainda notado, pois sempre tenho muita coisa em minha mente e também porque todo o meu futuro vai ser decidido na próxima semana. - E depois? - Os olhos de Beckett me desafiavam a desviar o olhar. - Então o que, Finley? - Recomeço... tudo vai ficar bem. - Será? - Ele começou a caminhar no pequeno limite do trailer. - Você vai ser como o seu irmão, então? Será que você colocará a sua paz sobre a música? Ou você vai passar a sua obsessão para outra? - Como é? - Peguei minha Coca Diet para poder fazer algo com as minhas mãos. - É com isso que você está com medo? De que irei concentrar toda a minha atenção em você? Que terei bastante tempo livre apenas para ser a sua verdadeira namorada? - Isso não é justo e você sabe disso. = Mas eu não sou a sua verdadeira namorada, sou apenas a garota que você está vendo em segredo, aquela que o seu pai quer fora do seu script permanentemente. - Você é muito mais do que isso, você se tornou a minha melhor amiga e a pessoa que eu quero ficar todo o meu tempo com ela e se alguém tem o meu coração é você. - Mas isso não é bom para sua imagem, não é? Então você continua a deixar que o seu pai alimente a todas essas histórias para a imprensa, pois o meu rosto com o seu não iria vender bilhetes, mas se for a Taylor com certeza. - Nós estamos falando sobre você e o fato de que precisa de ajuda.

Adoro Romances em E-book 220


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Havia um nó no meu peito onde o oxigênio deveria existir. - Eu não preciso de sua ajuda ou de qualquer outra pessoa. Beckett parou na minha frente e segurou os meus ombros com as mãos. - Eu já vi isso acontecer varias vezes. Você esta ouvindo o que estou te dizendo? Eu sei como começa e sei infelizmente como termina, já percebi a maneira como você corre, é como se o próprio inferno estivesse lhe perseguindo e também tem a maneira de como precisa controlar tudo o que toca para poder representar a perfeição. - Ele engoliu em seco e seu pomo de adão balançou. - Eu percebi que você escondia a sua comida debaixo do seu guardanapo naquela noite em que estávamos aqui. - O assado estava ruim. - Não. - Ele balançou a cabeça com seus olhos me chamando de mentirosa. Isso não é verdade. Um soluço escapou pela minha garganta e eu tentei engoli-lo. - Estou cansada Beckett, a única coisa que quero agora é ir para casa e... - E fingir que esta tudo bem? Ou tocar o seu violino até seu arco quebrar novamente? - Sim! E daí se eu fizer tudo isso? Vou continuar até que tenha encontrado o final da minha musica, até mesmo porque se não encontramos a cruz do meu irmão a musica não terá o seu final correto e isso é errado! - E minha audição não dará certo. - A única coisa confusa no momento é você. Os transtornos alimentares são... - Cale a boca! - Eu queria que ele parasse de falar sobre isso como se fosse uma marca que eu tinha que usar. - E quanto a você? O quanto você é perfeito? Eu não sou a única atrapalhada aqui, sou? Por que você não joga limpo com o seu pai? Sua sobrancelha levantou lentamente. - Eu acho que você já fez isso por mim. - Diga a ele que você odeia agir desta maneira e que você quer ir para a escola, será que realmente é tão difícil? Talvez seja mais fácil olhar para os problemas de outra pessoa. - Isso é diferente. - É? - Eu não tinha o direito de jogar isso no seu belo rosto. - Não fique aí me julgando quando você está vivendo uma mentira também, você enxerga a falsidade de todos, mas na verdade é um impostor e o rei deles. Você nem sequer tem a coragem de viver a sua própria vida, é apenas um fantoche de Montgomery Rush. Beckett olhou para mim tão decepcionado e deu um passo involuntário para trás. Eu esperava que ele gritasse e rugisse, mas em vez disso no silêncio daquele momento, ele fechou os olhos como se estivesse clamando por cada grama de sua força para não me atirar para fora do trailer com as próprias mãos. Adoro Romances em E-book 221


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- Finley. - Sua voz era calma e mortal quando ele finalmente falou. - Eu a deixei ser mais do que qualquer outra pessoa na minha vida, pensei que tínhamos algo, não importa como ele se parece, mas era muito real para mim, a cada segundo tenho sido honesto sobre isso. - Não é o suficiente. - falei surpresa com as minhas próprias palavras, porque este menino tinha conquistado um grande pedaço de mim e sido o meu ponto mais brilhante em Abbeyglen. - Eu não vou namorar com alguém que deixa o mundo achar que ele é outra pessoa. - E você não está fazendo exatamente a mesma coisa? Eu olhei para o seu rosto mal barbeado, com o cabelo loiro caindo sobre a testa, os lábios carnudos que tanto tinha beijado e para aqueles olhos que tinham me mostrado nada além de bondade até hoje. - Eu não posso mais fazer isso. - Finley... - Não Beckett, é o fim de novo. Ele apontou diretamente para mim. - Você quer terminar comigo pelo menos faça isso pelo motivo certo, não se afaste de mim só porque sou o primeiro a lhe dizer que pode ser uma anoréxica. Tenha a coragem de enfrentar isso. Eu balancei minha cabeça. - Isto é sobre na verdade você, pois nunca vou ser uma Taylor e nunca serei boa o suficiente para você, até mesmo porque se eu fosse, você diria a seu pai e ao mundo que ela não é sua namorada. - Eu tenho pessoas que dependem desses filmes, na verdade centenas de pessoas e temos que administrar isso muito bem. - Você soa como o seu pai. - Minha flecha o atingiu em cheio, peguei minha bolsa e comecei a sair. - Você precisa de ajuda. - disse ele quando coloquei a minha mão na porta. Você sabe que terei que falar com Sean e Nora. - Você não pode me corrigir, Beckett. Ninguém pode, aparentemente até mesmo o próprio Deus não pode e neste momento estou te pedindo para não ir falar sobre isso com os O'Callaghans. Por mim e é tudo o que eu quero de você. - Eu não posso fazer isso, não importa o que você pensa, eu me preocupo com você. - Até a audição pelo menos e então, não importará mais o que você diga ou que você faz. Porque eu não teria mais absolutamente nada. Ele deu um suspiro cansado e depois assentiu uma vez. - Você tem até lá.

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Capítulo trinta e dois

Fiquei apenas um curto período na Irlanda, mas sei que estou mudado para sempre... —Diário de Will Sinclair, Abbeyglen, Irlanda.

- O que você está fazendo aqui tão cedo? Entrei no quarto da Sra. Sweeney, em Rosemore, na sexta-feira às sete da manhã, com o meu estojo de violino na minha mão e todo o mundo sobre os meus ombros. Normalmente tenho corrido muito, o que era exatamente o que meu corpo desejava, mas hoje queria estar aqui. - Eu pensei que não mais a veria, já que finalizou as horas obrigatórias do seu projeto. Ou ainda lhe falta uma última hora aqui dentro? - Sua voz estava tão arrastada, fraca e lenta que não soava como ela mesma, na verdade nem a sua visão naquela cama se parecia com ela, havia um tubo de oxigênio preso em seu nariz e um soro conectado em sua mão fina como um papel. - Como você sabia que eu tinha varias horas de projeto? Ela não respondeu e também não precisava afinal a Sra. Sweeney estava muito mal naqueles últimos tempos. Sentei em uma cadeira ao lado de um café da manhã intocado, assim como todas as outras refeições destinadas a ela, pois ultimamente quando vinha isso era tudo o que davam para ela, algo que ela pudesse engolir agora que ela mal tinha energia para mastigar ou o estômago para mantê-lo. Aquela bebida enlatada parecia muito ruim e ela já havia deixado isso bastante claro para mim. - Eu terminei minha peça audição na noite passada. Ela lambeu os lábios. - Está feliz? - Não sinto isso há anos. - Ela irá me fazer, gostaria que eu lesse algo para você? - Ela balançou a cabeça contra a fronha branca. - Eu tenho o novo livro do Stephen King, que é garantia para fazer você sorrir e me dá pesadelos. - Não - ela sussurrou, enquanto seus olhos se fecharam. Ficamos ali sentadas no silêncio de seu quarto enquanto os ponteiros do relógio mudavam rapidamente, lá fora no corredor uma enfermeira empurrava um carrinho com os medicamentos e as bandejas de café da manhã para quem estivesse começando a sua manhã ou contando suas horas restantes. Adoro Romances em E-book 223


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O meu próprio café da manhã foi aveia que mais parecia crescer e se multiplicar na tigela. Eu havia engolido um pouco dela para baixo, dizendo a mim mesmo que a aveia era apenas um grão muito nutritivo. Apesar de ter comido há horas atrás o meu estômago ainda se sentia como se tivesse explodido duas vezes o seu tamanho e estava esticando o meu uniforme através de meu corpo com muita força. A minha falta de sono, nas últimas quatro noites, me pesava até o ponto que deveria estar mais parecendo com uma lesma. Na noite anterior Erin tinha ficado observando cada mordida que eu dava, assim como tinha feito com todas as demais refeições naquela semana. Cheguei a comer metade de um peito de frango e empurrei a outra metade no meu guardanapo quando ninguém mais estava olhando. Assim que pude liberei tudo para baixo no vaso sanitário e então me sentei na tampa e comecei a chorar. Talvez eu fosse aquele tipo de garota, apenas uma pessoa que estava perdendo a batalha contra o vazio. E ele tinha começado tão simples, apenas para perder alguns quilos e então assim que o peso começou ir embora comecei a andar mais e mais de bicicleta ate que se tornou algo que eu poderia contar e controlar. Eu gostei e muito. - Sra. Sweeney... - Meus olhos ficaram vidrados com uma renovada tristeza quando trouxe meus pensamentos de volta para a minha amiga que estava morrendo. - Sinto muito por sua irmã, Beckett e eu tentamos falar com ela novamente. Ela assentiu com a cabeça. - Ele me disse. - Oh. - Apenas o pensamento dele me fez doer. - Você o viu? Com os olhos ainda fechados ela moveu um dedo na direção da sua cômoda, onde havia um buquê gigante de rosas. - Foi o Beckett que lhe deu? - Ela não respondeu, mas podia ver o cartão de onde estava com o nome dele. - Ele e eu meio que brigamos, - disse. - acabamos falando um para o outro algumas... coisas estúpidas. Ele sentia mesmo tudo àquilo que disse? - Bem, ele acha que eu não me cuido muito bem, mas é tão difícil viver de acordo com essa garota ideal que ele tem em sua cabeça, a maioria dos caras querem supermodelos, glamorosas e cheias de drama. Beckett quer alguém que não se importa com sua vida dupla e ele deve estar louco já que achava que eu era alguma coisa e eu não sou. Eu não poderia estar mais longe da sua ideia de uma garota perfeita para ele. Por que eu estava matutando sobre isto? Por que não conseguia calar a boca. - E os meus pais pensam que tenho problemas demais, mas posso virar o jogo agora mesmo se eu quisesse. Mas então por que ainda estava devastado pela culpa por comer o meu jantar? E por que o café da manhã me fez querer ir ao banheiro e jogar tudo fora? - Eu não sei o que há de errado comigo. - eu disse. Sua mão se moveu alguns centímetros em relação a mim na cama e quando olhei para cima vi que os olhos vidrados da Sra. Sweeney estavam nos meus. Estendi a mão e levemente cobri os meus dedos com os dela. - Sinto muito por sua irmã Sra. Sweeney, pensei que pudesse consertar isso, parecia que poderia consertar tudo, mas não posso e com isso acabei estragando as Adoro Romances em E-book 224


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coisas. Você pediu desculpas a ela várias vezes, tentou explicá-la e se ela não tem a graça de perdoá-lo e agradecer-lhe, então é ela a única errada no momento. Eu espero que você possa... - Partir em paz e sem nenhum tipo de amargura com você quando partir. - Eu espero que você possa confiar que o que você fez por ela foi um sacrifício incrível. Eu não posso imaginar do que você desistiu e o que sofreu e tudo isso para salvar seu pai e manter a sua irmã longe daquele homem horrível. Sua mão apertou a minha e eu não parava de falar. - Deus quer que você saiba que você está perdoada e você não precisa perguntar mais uma vez, porque a sua culpa já foi exterminada e limpa há décadas e ele te ama, na verdade sempre te amou, mesmo quando o seu marido te tratava mal ou quando não podia mostrar a você, Deus sempre mantinha o seu coração em sua mão direita. Eu não sabia de onde vinham as palavras, mas brotavam de mim como se fosse à irmã Maria. - Você é linda e digna e vai se reunir com o seu filho e nunca mais sentirá dor novamente. Você acredita nisso Sra. Sweeney? Lágrimas escorriam de ambos os olhos enquanto ela apertava a minha mão novamente. Cem mil palavras giravam na minha cabeça como flocos de neve em uma tempestade de inverno, mas nenhum parecia certo para o que estava no meu coração, para o que essa mulher precisava ouvir. - Sua irmã vai enxergar a verdade. - Embora talvez não deste lado do céu. - E ela vai se arrepender de todos os anos que ela não a teve em sua vida. - Inclinei-me e dei um beijo na testa da Sra. Sweeney. - Porque ela perdeu a oportunidade de saber a pessoa maravilhosa que você é. - Toque para mim. - Ela apontou para o meu violino. - Toque. - Tem certeza que você está pronta para isso? Ela assentiu com a cabeça e então concordei. Peguei o arco ajustando ao meu violino e deixei a música de Will derramar. Em cada movimento eu o via nas falésias, observando as ondas em Lahinch, olhando por cima da borda da forja na ilha, perdendo o seu coração para a música de Galway. Toquei colocando todo o meu sentimento para fora, orando para que aquela música pudesse curar uma menina e uma mulher de seus espíritos pesados e dos seus corações ocos. Atingiu a final da nota, puxando-a e deixando-a ecoar na sala antes do bip de termino do soro da Sra. Sweeney. Acima das batidas do meu coração a Sra. Sweeney fungou e então murmurou algo. - O quê? - Eu me inclinei para mais perto dela. - Eu sei... essa melodia, senti a sua solidão ao toca-la. - Ela respirou, trabalhando o seu peito frágil fazendo subir sob seu vestido. - O final ainda está errado. - É o melhor que consegui fazer. - eu sussurrei. - Necessita de esperança. - Com seus olhos fechados, lágrimas deslizavam pelo rosto de alabastro. - Para mim... por favor. - Sua mão estendeu a mão para a minha. - Encontre a sua esperança.

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Lá Você Vai Encontrar-me

Capítulo trinta e três STEELE MARKOV Essa fome que rói dentro de mim. E se eu deixá-lo ir, o que restará-... Presas da noite, cena 8, página 49 Fierce Brothers Studios

Sábado de manhã. Ninguém disse uma palavra sobre o "incidente" para mim. A família andava na ponta dos pés e eu sabia que eles estavam esperando pelo dia de amanhã, quando voltaria a ser novamente um problema dos meus pais, pelo menos temporariamente. Eu esperava. Eu tinha acabado de passar a chapinha pelo meu cabelo quando recebi uma mensagem. Encontre-me no fundo das escadas. Beckett. Eu não tinha falado com ele exatamente 112 horas, nem mesmo ele tinha participado durante este período do nosso jantar em família. No entanto ele nunca saiu da minha mente. O telefone apitou novamente. Ignore a minha mensagem anterior, estou chegando agora em casa e irei aí dentro te pegar. Apesar de a mensagem ter enviado uma emoção cautelosa pela minha espinha, pausadamente coloquei uma faixa sobre o meu cabelo, perdi alguns minutos esticando o pano sobre a minha cama, arrumei a minha mesa e finalmente sai da minha arrumação e desci as escadas com um passo hesitante por um momento. Beckett estava na sala conversando com Sean e a conversa parou assim que cheguei. - Bom dia para você. - Beckett disse formalmente. - Bom dia. - E se ele estivesse certo sobre mim? - Bem, é melhor dar uma olhada no meu bolo de banana. - Sean caminhou de volta para a cozinha assobiando uma música e ignorando o constrangimento que corria pela sala. - Como tem passado? - Perguntei. Os olhos de Beckett estudaram o meu rosto. - Você não está dormindo o suficiente. Adoro Romances em E-book 227


Jenny B. Jones

Lá Você Vai Encontrar-me

Eu inalei para garantir ar dentro de meus pulmões e tentando manter o meu coração antes dele sair do meu peito. - Eu tenho praticado muito, elaborei um final e pensei que havia conquistado o fim da minha música, mas... Acontece que eu não a encontrei. - Eu preciso que você venha comigo. Eu pisquei devido ao seu tom rude. - Eu não acredito que é uma boa ideia. - Isto não é sobre... - ele abaixou a voz - acontece que... - Eu ainda não... - Eu encontrei. - Ele levantou uma cópia da cruz do irmão. - Eu a encontrei. Suas palavras eram um coro milagroso e comecei a repeti-las na minha cabeça. - Como isso é possível? - Eu verifiquei quase todas as lápides dentro de um perímetro de 50 milhas e também contratei algumas pessoas nos Estados Unidos para pesquisar online, mas eu encontrei sozinho ontem, não sei por que já que não era o lugar que estava planejando começar a minha busca. - Ele acenou com a foto. "Clonmacnoise.” (é um dos primeiros pontos cristãos na Irlanda) - É perto? - Trata-se de uma viagem de duas horas. - Ele esmagou um chapéu sobre sua cabeça, que era outro disfarce parcial para o dia. - Nós podemos ir ate lá e estar de volta o mais breve possível para que de tempo de fazer as malas para Nova York. - Eu não sei. - Como eu poderia estar no mesmo caminhão com Beckett quando eu havia perdido ele? E quando estava tão furiosa com ele? - Eu tenho muita coisa para fazer hoje. - Você estava esperando por isso há semanas, não perca a oportunidade apenas por causa de seu orgulho estúpido. - Tais palavras são tão estimulantes. - disse. - Estou ficando cada vez mais confusa só por ter esta conversa. - Pegue seu casaco. - Eu ainda estou muito brava com você. - Anotado.

Duas horas e dez minutos depois, enfrentando a uma estrada estreita cheia de ondulações no meio do nada, chegamos ao estacionamento do Clonmacnoise. Adoro Romances em E-book 228


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- E o que exatamente é esse lugar? Estávamos tão ocupados no caminhão em não discutir sobre as asneira que ele pensava que eu era, que tinha me esquecido de perguntar sobre o local. - Um antigo mosteiro construído a mais de 400 anos. Os monges de toda a Europa vieram para rezar e estudar aqui. - Ele estava estranhamente calmo e eu me perguntei por que ele estava mesmo fazendo isso. Porque ele era um homem de palavra. Passeamos através de um pequeno museu enquanto ele explicava um pouco da história, mas sentindo a minha urgência apertou sua mão nas minhas costas e me levou através de uma multidão de pessoas pelos salões e finalmente para a área externa. Saindo da escuridão da exposição, foi difícil olhar contra o sol quando pisamos na grama. Diante de nós havia uma visão que roubou a respiração do meu corpo. Cruzes celtas. Centenas delas. Marfim, cinza, branco, de todas as formas e tamanhos. Se a paz era um lugar, o mapa levaria uma pessoa aqui. - Oh! - eu disse. - Uau. - Beckett deslizou seus óculos de sol sobre os olhos e olhou para a propagação dramática antes de nós. - Eu sei que é muito impressionante. - É... - Eu dei alguns passos para ser capaz de levar tudo dentro. - Santo... É santo e reverente. Muita gente andava, mas poucas falavam, o lugar me fez lembrar o silêncio do cemitério de Arlington, um lugar que meus pais tinham nos levado um verão, no entanto esses terrenos pareciam muito mais velhos. O sol brilhava mais forte sobre as cruzes brancas e o céu que se estendia sobre nós parecia mais azul. O rio Shannon corria no fundo parecendo um contraste da vida contra os emblemas da morte, mas não era isso que via e sim o que sentia. A presença e um poder como se fossem braços invisíveis, a me envolver em um abraço silencioso. - Essa é uma antiga catedral, a de São Ciaran. - disse Beckett. A ruína estava no centro, apenas as paredes e caminhamos em direção a ela. - Olhe para a forma como o céu está tão azul através do que sobrou das aberturas de janelas. Ela não era apenas uma ruína e sim tudo graças ao motim de lápides e cruzes. Sua forma era completamente branca contra uma grama verde vívida abaixo dela e o céu sem nuvens acima. Eu tinha que andar pelos jardins e tocar estas pedras. Meus dedos atropelavam as inscrições, suas formas e seus desenhos, o seu toque era áspero e as texturas tão frias. Deus, você está aqui e isso é tão certo como eu respiro e sei o que você é. Tinha que encontra-lo em um cemitério de todos os outros lugares possíveis e com todos esses marcadores de morte ao meu redor.

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Pássaros negros voavam e gritavam acima de nós antes de pousar em uma das torres e em breve muitos outros os seguiram com os seus barulhos fazendo uma intrusão rude sobre a quietude da manhã. - Eles estão sempre por perto. - Beckett apontou para um grupo em uma árvore. - Tem centenas deles aqui. - É como se eles precisassem aguardar algo neste perímetro e como é sempre escuro lá. - Aguardar? - Mas o escuro nunca ganha. - Ele me olhou. - Não vence aqui, ele não fez isso com o seu irmão e não fará com você, Finley. Minha risada saiu pequena e estranha. - Você parece tão certo disso. - Vamos lá. - Ele pegou minha mão e me puxou pelas sepulturas. O sol aquecia a minha pele enquanto meus pés pisaram sobre o terreno irregular. - Elas todas parecem tão semelhantes - eu disse. - Você tem certeza de que achou uma que é única? - Eu sei que é. - Depois de passar por mais três linhas ele parou. - Não há outra igual, verifique a imagem. E ele estava certo, a pedra que meu irmão capturou na foto estava um pouco torta, com um magro braço estendido para a esquerda, no centro havia um círculo ligando o tronco e os braços da cruz que resistia a tudo, nós celtas enchiam o fundo, mas a maioria desapareceu e unidimensional devido ao tempo. Atrás da cruz estavam mais três que parecia quase idêntico a ela, mas esta era diferente. Porque ela era a única que tinha atraído o olhar do meu irmão e significou algo o suficiente para ser colado na última página de seu diário. Eu me abaixei para o chão e limpei um pouco da poeira da gravura na base. - Eamon McDonagh. Beckett abaixou-se ao meu lado, com o joelho tocando o meu. - Não é possível ver a data, mas não me parece ser tão antiga quanto algumas que vi aqui, talvez um pouco mais de cem anos de idade. Eu me esforcei para decifrar o que estava escrito. - Você consegue ler isso? A escrita era tão desbotada e desgastada pelo tempo, que temia ter perdido as palavras na cruz e assim à mensagem de meu irmão. Beckett se aproximou e tirou os óculos de sol. - Mas em todas estas coisas... Ele fez uma pausa e olhou. - nós somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou. Minha mão automaticamente se estendeu e apertando contra as letras. Romanos 8:37. - Lágrimas se agruparam em meus olhos. - É o meu verso. Adoro Romances em E-book 230


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- O que você quer dizer? Engoli em seco e tentei respirar um pouco de coragem. Arrepios dançavam em meus braços e eu sabia que estava em um daqueles momentos que Deus havia projetado apenas para mim. - Quando os meus pais me indicaram esse último conselheiro, foi necessário que eu tivesse que escolher um verso, como se fosse o meu grito de guerra. Toda vez que me sentia para baixo ou apenas precisava de ajuda tinha que dizer o meu verso em voz alta, algo que me ajudasse. Beckett pegou seu telefone e começou a teclar, franzindo o cenho enquanto ele percorria até encontrar o que estava procurando. - Você está certa. - Ele segurou o telefone de modo que pude ver o versículo em letras pretas em negrito. - Você sabe o resto? - Ele perguntou. - Eu acho que não o li ainda. - Eu dei de ombros. - Quando você está lidando com o mal e as trevas tendem a manter as coisas curtas e doces. A mão de Beckett encontrou o meu braço. - Finley, leia, por favor, o restante. - Eu realmente não acho que... - Basta ler isso. - Peguei o telefone e suspirou. - Em voz alta assim como é o seu grito de guerra. Humilhação guerreava dentro de mim assim como a curiosidade, por isso me concentrei nos próximos versículos. - Porque eu estou bem certo... - Eu limpei minha garganta e tentei apenas ouvir a minha própria voz. - Que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. - Meu coração se encheu e o vazio gota a gota foi desaparecendo. E eu li novamente aquelas palavras. Nem a morte, nem a vida não teria o poder de me separar do amor de Deus. No auge do desespero e nem a profundidade da dor pode me separar do amor de Deus. Era como Irmã Maria disse que ele tinha estado lá o tempo todo, apenas uma constante em minha vida, mas eu não estava disposta, assim como essa cruz estava sentada lá por centenas de anos e o resto da minha mensagem esteve sempre nesse versículo, apenas esperando por mim para encontrá-lo, esperando por mim para acreditar e vivê-la. - Irmã Maria tentou me dizer, mas não quis ouvi-la, na verdade não tenho estado a fim de ouvir ninguém. - Meus dedos acariciaram as linhas duras do túmulo. - Minha mente está tão cheia de... Raiva, que eu não podia... Eu não conseguia ouvir nada de bom e não foi possível ouvir a Deus. Eu pensava... Eu pensei que ele tinha me deixado, assim como havia abandonado o meu irmão. As lágrimas corriam sem controle quando me virei para Beckett. - Beckett, eu sinto muito, pois estava errada sobre tanta coisa.

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Ele estendeu a mão e enxugou as lagrimas do meu rosto. - Não, eu que sinto muito, Fin. Os pensamentos giravam em minha mente e naquele momento não sabia por onde começar. - Eu não sei se tenho um distúrbio alimentar, mas... algo está errado comigo. - Eu não tinha sido capaz de tomar o café da manhã mais de uma vez naquela manhã e tinha consciência disso, neste momento sabia que precisava de ajuda. Beckett apertou minhas mãos e só ouvia. - Eu não me tornei isso que todo mundo acha que sou - eu disse depois de um momento. - Ultimamente eu... Eu me sinto melhor quando estou com fome e quando meu estômago dói, aí quando me vejo dentro disso fico com esta onda de alegria total, algo que estive procurando por dois anos. - Saiu tudo para fora. Eu disse isso e Beckett ainda estava ao meu lado segurando minha mão. - E... Eu estou com muito medo, porque não sei o que vou dizer a minha mãe, já que teve tanta tristeza ultimamente e não posso suportar o que isso vai fazer com ela. - Mas eu sabia que tinha que dizer a ela. - Ela vai ficar orgulhosa por falar a verdade. - disse Beckett. - Isso é tudo o que todos querem de você, a sua honestidade e depois você irá voltar e lutar contra isso, se te conheço bem é isso que fará - ele passou o polegar pela minha bochecha você vai sair dessa mais forte e melhor do que nunca. - Era para eu ter descoberto esta cruz e a sua inscrição sozinha... Mas você descobriu por mim. - O vento soprou e o meu cabelo voou ao redor do meu rosto. Por que você iria gastar tanta energia com isso? A boca de Beckett curvou lentamente. - Caso você ainda não tenha notado estou completamente apaixonado por você, Finley Sinclair. - Eu queria pressionar uma pausa em suas palavras e em seguida repeti-las mais e mais. - E também porque sei o que isso significa para você e agora está olhando para o encerramento desta etapa e isso é uma coisa que você poderá colocar para descansar em sua mente. Ele levantou o rosto para o sol e deu um pequeno sorriso, soltando as minhas mãos das suas. - Meu nome verdadeiro é Michael Shaunessy, meu pai mudou quando eu tinha três anos para que Beckett Rush nascesse. Eu sou louco por filmes de tubarão, os romances dos Dickens e histórias em quadrinhos, eu não consigo entender filmes mais estranhos e não importa o quanto me gabe por aí, não gosto da carne enlatada da Sra. O'Callaghan. Sua voz caiu para baixa e profunda enquanto seu olhar segurava o meu. - E não há muito tempo machuquei uma menina linda e muito ferida por não ser capaz de tomar as rédeas da minha própria vida, mas amanhã uma nova história irá correr na mídia, dizendo ao mundo que a Taylor e eu somos apenas amigos agora. Ele tirou o chapéu, mostrando seu rosto pela primeira vez para que todos pudessem vê-lo. - Haverá uma nova garota na minha vida, quando ela estiver pronta para lidar com isso. - Com lágrimas nos meus olhos ele se inclinou e me beijou. Meus lábios cobriram os dele com todo o meu coração, até mesmo aquelas partes escuras e perigosas começaram a gritar por um reparo. Com as mãos, Beckett embalou o meu rosto e a brisa afiada empurrou contra as minhas costas, algo começava a florescer no meu interior, como se fosse uma flor empurrando através do solo, no frio do inverno. Não havia uma vida antes para mim, mas esta nova eu queria vivê-la. Adoro Romances em E-book 232


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- Eu senti tanto a sua falta. - Beckett beijou minha testa deslizando seus lábios contra a minha testa. - Eu também senti muito a sua falta, fique revendo aquela nossa briga na minha cabeça e tudo o que falei soava muito errado. - Não, você não estava errada, percebi que algumas coisas que você falou eram verdade também e resolvi falar com o meu pai há alguns dias. - Ele fez uma pausa para permitir que um casal caminhasse ao nosso redor. - Eu disse a ele que não ia fazer mais filmes por um tempo, que precisava de uma pausa, um tempo para colocar a minha cabeça no lugar e descobrir o que quero fazer de agora em diante, apenas algum espaço para ser um cara normal, aproveitando para pescar com o Bob, ir para a praia e quem sabe talvez pegar um trem para triathlon. - Essa última parte realmente não é muito normal. - Eu quero visitar algumas faculdades e ver se talvez consiga ir para uma escola em tempo integral, por um período. - O que seu pai disse? - Muita coisa. - Beckett parou para assistir alguns turistas, duas fileiras a frente. - Nós tivemos uma grande discussão e então ele saiu e não falei mais com ele desde então. - Eu sei que isso está te matando. - Temos que reconfigurar o nosso papel, sabe? Eu preciso de um pai agora e não um empresário. - Então, não há mais vampiros? - O filme termina na próxima semana e então estarei aposentando oficialmente as minhas presas. - Os corações das meninas iram se quebrar. Ele inclinou meu queixo e seu olhar firme bloqueou o meu. - Eu só estou preocupado com o coração de uma garota. Oh, Meu Deus. - Estou muito confusa no momento. - eu disse. - Eu quero dizer que eu estou completamente sem rumo. Você entende isso, certo? Como estou petrificada no momento não tenho ideia do que vai ser de mim amanhã, a minha mente não está em um bom lugar e o meu senso de realidade aparentemente está meio distorcido. Beckett me puxou para ele e me envolveu em seus braços. - Eu lidei com atores de Hollywood por anos e acho que poderia ser um bom apoio para você então, eu aceito o desafio.

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- Eu sou uma bomba relógio no momento, só esperando um ataque de pânico grande acontecer. - eu disse contra seu peito. - Você realmente quer estar perto para ver isso? - Sim, eu quero. - Ele beijou o topo da minha cabeça. - Você pode fazer isso, Finley e sei que você pode se curar. - Espere um momento... - Eu coloquei meu ouvido ao vento e ouvi os sons em torno de mim, uma melodia entrou em meu coração e pude ver as notas caírem no lugar dos últimos compassos da canção de Will. Eu tinha que cantarolar para selá-la no meu coração e espírito. Beckett sorriu. - Você está recebendo alguma coisa de lá? - Sim. - Eu ri, naquele momento realmente ri. - Eu acho que finalmente consegui. - E o que é isso? - Esperança. - eu disse. - Eu estou cantarolando a esperança da Sra. Sweeney. Beckett segurou a minha mão na sua. - E a sua própria? - Talvez. - Eu balancei a cabeça. - Quem sabe. Deus, eu não sei o que vem pela frente ou o que vai acontecer a seguir, mas você estará lá, não é? Mesmo quando os truques do mundo me fizer acreditar que não. As coisas serão diferentes, eu serei diferente e farei a coisa certa dessa vez. - Então, por que você acha que seu irmão colocou a foto em uma página em branco? - Beckett perguntou quando nós dois começamos a olhar para a cruz de Will. Pensei na imagem colada exatamente no ponto final do seu diário. - Porque estava destinado a mim terminar a sua história o tempo todo.

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Capítulo trinta e quatro 

Dias para a audição: 2

- Você tem certeza que quer fazer isso? - Beckett colocou a minha bagagem na parte traseira de seu caminhão ao lado de Bob, que acenava para mim com o rabo alegre. - Eu tenho que fazer isso, acredite, esperei uma eternidade por este momento. Ele abriu a porta do passageiro enquanto a névoa da manhã cobria a nós dois. - Você poderia ficar aqui enquanto eu lhe mostrava alguns truques sensuais de vampiros. Fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha barbeada. - Eu não quero nem saber o que isso significa. - Finley, o seu irmão... - Eu sei. - Deslizei no banco, enquanto entrava na cabine - Mas mesmo assim irei tocar para ele. - Eu tinha adicionado às últimas notas e finalmente terminado uma perfeita canção. - E você vai deixá-lo ir. - Beckett levantou uma sobrancelha devido a minha pausa. - Sim, eu tenho certeza que vou deixá-lo ir. Ele me levou para o aeroporto de Shannon, onde relutantemente me deixou na calçada. - Eu poderia ir com você. - Você poderia sim e isso é muito gentil da sua parte, mas eu preciso falar com meus pais, sozinha. - Prometa que vai voltar? - De uma forma ou de outra. Mesmo que fosse apenas para pegar as minhas coisas e realizar as minhas despedidas. Meus pais estavam falando sério sobre minha saúde e havia uma grande chance de não terminar o meu intercambio. Beckett me ajudou com a bagagem e então me puxou para um beijo, automaticamente relaxei em seus braços amando a sensação de seu peito forte e à segurança de seu abraço. Adoro Romances em E-book 235


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- Cuidado. - disse ele. - Chame-me se precisar de mim e tanto faz se é noite ou dia. - Ele deu a Bob um tapinha na cabeça e em seguida deu a volta para o lado do motorista. - E, Finley? - Sim? - Você irá arrasar com a sua musica. Eu balancei a cabeça e puxei a minha bolsa mais apertada ao redor de mim. Eu acho que irei sim. - eu disse. - Tudo dará certo dessa vez. Durante uma hora e meia esperei pelo meu voo junto com uma multidão de crianças gritando, uma mulher gritando em seu telefone, um homem três vezes o tamanho de mim, além de duas freiras que pareciam ter mais de noventa anos. Em todas estas coisas, eu sou mais do que vitorioso. . . - Passageiros do voo 1028 para Nova York, preparar para o embarque. Com os nervos tensos de cafeína e adrenalina entreguei a mulher o meu bilhete e entrei no avião. Eu estava realmente fazendo isso. Rastejando no ritmo de um caracol, segui a linha do corredor a caminho dos nossos lugares, parando para deixar os passageiros preencher os bagageiros e se acomodar em seus lugares. Finalmente sentei na minha cadeira 12C, sorrindo para a uma mulher à minha direita que ocupava o assento da janela. Peguei meu iPod apenas para fazer uma rápida escuta da canção de Will antes da decolagem e enquanto estava colocando os meus fones de ouvido o meu telefone tocou. - Esqueceu-se de desligar isso. - Peguei a minha bolsa e comecei a procurar o meu telefone. - Olá? - Finley, é Belinda do Rosemore. Eu queria que você soubesse que a Cathleen piorou na noite passada e ela não deve passar de hoje. Minha bolha de felicidade estourou na hora. - Eu estou a caminho da minha audição. - Querida, eu só queria que você soubesse, mas se estivesse aqui ela nem sequer teria a percepção da sua presença no quarto. - Será que a sua irmã não apareceu? - Não. - A Sra. Sweeney está sozinha? - Nós estamos aqui. Mas não era a mesma coisa, ela não tem alguém para escovar o seu cabelo ou segurar a sua mão ou para ler o Stephen King e até mesmo lhe tocar violino.

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- Eu te vejo quando você voltar. - disse Belinda. - Não se preocupe, ela sabia que você se importava com ela e isso é o que importa. E a linha ficou muda, a Sra. Sweeney estava sozinha assim como ela tinha ficado durante toda a sua vida, sem ninguém a se importar com ela, exceto o pessoal do asilo, mas eu tinha que ir para Nova Iorque, pois todo o meu futuro dependia disso já que era uma parte da minha vida. Precisava compartilhar a minha homenagem a Will. Eu podia sentir-me bem sobre o fato de que tinha passando boa parte do meu tempo com a Sra. Sweeney, fui uma de suas poucas amigas. Segurei meu telefone e distraidamente toquei na tela enquanto a minha mente girava. Antes que eu percebesse puxei o arquivo das minhas fotos e meus dedos foram automaticamente para um grupo bem familiar e então eu estava olhando para o rosto do meu irmão, a última foto que ele me enviou, apenas dois dias antes da explosão. Ele estava no meio de um lugar empoeirado, apenas um lote de terra estéril, cercado por crianças sorridentes segurando livros. Seus filhos. Sua escola. Era um retrato da vida. De alegria. Do amor. - Desculpe-me. - Juntei minha bolsa e depois peguei no bagageiro a minha bagagem de mão. - Desculpe-me. Sai correndo através do corredor até encontrar o primeiro comissário de bordo. - Existe algum problema? - perguntou uma comissária loira. Eu queria fazer algo que o honraria, será que a maioria entenderia que não havia outra pessoa para ajudar a este coração. - Senhorita, há algo errado? - Sim. - Mas tinha absoluta certeza que estava prestes a fazer a coisa certa. - Eu tenho que estar em outro lugar.

Quando o táxi me deixou no lar de idosos, ignorei o balcão das enfermeiras e fui direto para o quarto da Sra. Sweeney. Por favor, não deixe que seja tarde demais, meu Deus. Empurrando a porta respirei quando encontrei a Sra. Sweeney exatamente onde a havia deixado na última visita, que era deitada em sua cama, mas esta não era a Sra. Sweeney que eu conhecia, ainda era o seu corpo, ainda tinha aquele rosto pisado em desconforto, mas a sua pele estava pálida contra o sol que tinha conseguido entrar pela fresta de sua cortina. Sentei na minha cadeira habitual e peguei a mão dela. As lágrimas que tinham se tornado minha companheira constante à tarde caia quente e rápido.

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- Sra. Sweeney - eu sussurrei. - Eu... Eu tenho tanto para te dizer, não fui para Nova York porque queria estar aqui com você, porque o meu irmão se foi e não há nada que eu faça que irá recuperá-lo ou fazer desaparecer o que aconteceu. Mas você me ensinou que é preciso viver para as pessoas que estão aqui e deixar ir à amargura e a raiva que na verdade é uma merda em nossa vida e estou muito cansada de viver assim, mas estar aqui com você? Ele teria adorado isso e também teria gostado muito de conhecer você. - Minha voz engrossou. - Eu queria dizer-lhe que apesar de nenhuma de nós sentir muita simpatia uma pela outra no começo, eu hoje a amo, passei a adorar as nossas conversas mesmo sendo a única a falar, aprendi a gostar da leitura de seus livros de terror, para mim bastava ver o seu rosto e foi você que me mudou. - Sua mão estava fria na minha e eu podia sentir os seus ossos. - E eu acho que você é muito corajosa, pelo que fez para a sua irmã, gostaria de ser valente como você, sendo assim... Irei para casa, vou voltar para a América. As palavras saíram quebradas e engataram quando houve uma junção delas e o que se estabeleceu em minha mente, formando uma decisão do que faria com o meu futuro. - Eu preciso arrumar minha cabeça antes, sobre algumas coisas para que possa voltar para esta cidade, neste momento sei que não posso ficar aqui, mas não vou deixar você, ficarei aqui com a senhora o tempo todo. O tempo todo que é preciso para você morrer. Para deixar este mundo e me deixar. Mas desta vez, eu não ia ficar com raiva. E eu não vou culpar ninguém. Porque você foi para mim um presente. - Sra.Sweeney, para onde você está indo não haverá mais dor ou sofrimento. Você será amada, adorada e muito feliz. Eu posso ver você dançando no céu, agora com seu filho. Sorrindo, rindo. Eu parei por um momento e descansei minha cabeça no meu braço, chorando em silêncio, enquanto uma vida ia embora. - Obrigada. - eu sussurrei. - Obrigada por ser a minha amiga e por tudo que me ensinou. Por tudo que você me confiou, eu nunca vou te esquecer. Nunca. Peguei meu telefone e apertei alguns botões até que a música começou a tocar. - Eu refiz o final por nós duas. Eu sorri pensando o quão orgulhosa Irmã Maria estaria neste momento. Uma batida soou atrás de mim e quando girei vi um rosto familiar em pé na porta. - Olá - eu disse. - Entre. Fiona Doyle deu uma olhada para sua irmã e começou a soluçar. - Eu queria falar com ela, para dizer a ela que estou muito arrependida e para agradecê-la... e eu perdi a minha chance. - Sra. Doyle segurou os trilhos da cama da Sra. Sweeney, sacudindo os ombros. - É tarde demais. Peguei a mão trêmula da Sra. Doyle e juntei com a da Sra. Sweeney. - Nunca é tarde demais. Três horas mais tarde, no escuro da sala e cercada pela enfermeira Belinda, Fiona Doyle e eu, a Sra. Cathleen Sweeney tomou a sua última respiração ofegante e entrou para os braços de Jesus. Porque eu acreditava que ela estava no céu e finalmente poderia viver a sua vida. Quando saí da casa de repouso fiz a ligação mais importante da minha vida. Adoro Romances em E-book 238


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- Mãe? O verde da Abbeyglen se espalhou em volta de mim enquanto estava lá fora e respirando, comecei a captar a sua beleza no meu coração e na mente, neste momento fiz uma promessa silenciosa que um dia iria voltar aqui, mas apenas quando estivesse completamente curada e inteira. - Eu não consegui embarcar. Não, eu estou bem. Quero dizer... não, eu não estou bem, mas mãe eu preciso voltar para casa. Em todas estas coisas, eu sou mais do que vitorioso naquele que me ama. - Estou pronta para voltar para casa.

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Epílogo

Dois anos mais tarde. O vento bagunçava o meu cabelo enquanto eu corria pelo campus do Conservatório de Nova Iorque. Meus sapatos afundavam na grama cortada enquanto o sol aquecia o meu rosto. Eu segurava mais apertada a corda na minha mão e parei para olhar para cima, onde minha pipa branca dançava no ar. - Eu pensei que estaríamos estudando para as provas semestrais. Eu me viro e encontro Beckett Rush de pé atrás de mim, com uma mochila pendurada em um dos ombros e os olhos risonhos direcionados para mim. - É um lindo dia e nós precisamos de uma pausa. - Você se parece mais com um idoso do que um calouro. Ele anda ate mim, envolve os seus braços em volta da minha cintura e beija a minha bochecha quente. Ele aponta para a pipa. - Você aprendeu isso no seu grupo de apoio? O que eu deveria ir para uma vez por semana e que começaria a levar a serio no início no próximo mês. - Não... Será que você já tomou alguma decisão sobre o seu roteiro? - Papai e eu ainda estamos discutindo isso. Desde que Beckett está fazendo apenas um filme por ano devido aos seus estudos na Universidade de Nova York, ele tem que fazer valer a pena o que até agora ele tem se saído muito bem. No ano passado recebeu um Globo de Ouro por sua interpretação de um jovem Charles Dickens, em um filme pequeno. Bons papéis estão começando a vir no seu caminho e até agora não mais do que o necessário. - Traga ela para mais próximo. - diz Beckett. - A sua pipa está ficando muito longe. Mas não fiz isso, fiz o contrário, imaginando que ela poderia tocar o céu e enviar um Olá para o meu irmão Will e para a Sra. Sweeney. Este ano, no natal, eu e Beckett vamos voltar para a Irlanda para visitar alguns dos parentes de sua mãe e colocar flores no túmulo da Sra. Sweeney e para o seu filho.

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Uma homenagem para a mulher que me ensinou a deixar ir, deixar Deus entrar em mim e me consertar, deixar o amor voar como uma pipa nas nuvens, sem restrições por escuridão e dor. Quatro anos atrás, meu irmão morreu e o meu mundo desmoronou em um milhão de minúsculos fragmentos. Dois anos atrás fui para a Irlanda e conheci um vampiro arrogante, uma mulher velha com raiva e uma freira travessa. E eu conheci a Deus. Que lentamente, dolorosamente, divinamente me remendou. Um enorme vendaval golpeou em todo do campus. - A segure, Finley. Beckett pegou a minha linha, mas já era tarde demais. Eu a deixei ir.

Fim

Adoro Romances em E-book 241

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