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Informa ULE A percepção de ser um Espírito Imortal A Universidade Livre do Espírito (ULE) foi criada com o objetivo de levar o aluno à percepção de que ele é um Espírito Imortal. Para tanto, ele obedece ao estudo de várias disciplinas em que o Conhecimento Espírita é gradativamente apreendido nas aulas teóricas e práticas. Seu início se dá pela matrícula no Primeiro Ciclo, que dura um semestre, conhecido como Curso Básico de Espiritismo. Ao todo são seis Ciclos em cujo tempo o aluno vai se aprofundando no estudo de temas em que a visão espírita lhe proporciona a ampliação da própria consciência de si. A ULE se ocupa com que o aluno se aproprie daquela consciência, passo fundamental para seu desenvolvimento espiritual. É fundamental que o Centro Espírita,

em sua função esclarecedora, permita que essa consciência desabroche, a qualquer tempo, sem o que a passagem do indivíduo naquele núcleo espiritual fica improdutiva. Consolar a alma não é apenas evangelizá-la, mas

também, e principalmente, libertá-la da ignorância a respeito de si mesma pelo esclarecimento sobre o sentido e significado de sua designação pessoal. Adenáuer Novaes

LEIA NESTA EDIÇÃO ULE

Entrevista ping-pong

Visualização Curativa

Em seus quatro anos de atividade, já construiu uma História. Nessa matéria, as novidades do projeto, a ampliação da carga horária e as ações para criar uma estrutura financeira para a Reitoria.

Adenáuer Novaes fala sobre temas importantes como Educação e transdisciplinaridade, partilha sua preocupação com a formação dos professores da ULE, aponta mudanças necessárias e deixa mensagem para a comunidade universitária.

Está completando oito anos de atividade e dois mil e quatrocentos atendimentos. O trabalho envolve hoje 17 trabalhadores e inclui atendimento mediúnico aos pacientes e uma meditação - Vizualização Terapêutica - para acompanhantes.

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E MAIS Exercício político como ação moral Pág. 4

Educação à luz do Espiritismo Pág. 7

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A religião pessoal ergue pontes Pág. 8


Informa ULE

ULE muda estrutura curricular e aumenta carga horária

A Universidade Livre do Espírito, após três anos de criada, entra numa fase de reestruturação para atender às formalidades exigidas pelo Ministério da Educação (MEC). A primeira grande mudança ocorrerá na estrutura curricular, mas também estão previstos aumento da carga horária e a realização de ações que produzam recursos financeiros necessários à sustentação de uma Universidade gratuita. “É importante o desdobramento das disciplinas científicas, especialmente Filosofia e Psicologia, para que ofereçam suporte teórico ao Estudo da Doutrina Espírita e ao mesmo tempo atenda às formalidades do MEC”, explica a Reitora da ULE, Cecília Alvarenga. Ela conta que será necessário também duplicar a carga horária, para 40 horas aula por semestre. A nova formatação deverá entrar em vigor no primeiro semestre de 2012. O novo currículo está sendo construído pela equipe pedagógica da ULE formada por Jane Mota, Sandra Portella e a Reitora, e discutida em reuniões com os coordenadores dos seis Ciclos da Universidade. Os encontros visam também, segundo a Reitora, encontrar alternativas para problemas como evasão e dificuldade no ensino/aprendizagem. “As reuniões permitem a troca de ideias e o amadurecimento do trabalho”, diz Cecília.

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A criação do jornal Informa ULE entrou no projeto de reestruturação como um instrumento para divulgar a Universidade, o conhecimento produzido, eventos e atividades que são realizados na Fundação Lar Harmonia e no Centro Espírita Harmonia. Ele irá atrair novos alunos e novos professores. Base segura Os conteúdos das disciplinas serão ampliados para oferecer uma base segura de conhecimento científico. A Doutrina Espírita receberá uma atenção especial com o aprofundamento da perspectiva crítica dos princípios kardecistas e do estudo mais detalhado da obra de autores de grande respeitabilidade no movimento espírita por seu conhecimento e suas pesquisas, como Herculano Pires, Hernani Guimarães, León Denis. Atualmente, a grade curricular é distribuída em seis Ciclos sob a supervisão de seis coordenadores. A partir do segundo Ciclo, são contempladas, além de Espiritismo, matérias como Biologia, Bioenergia, Psicologogia e Psicopatologia, Religião, Ética, Direito, Tanatologia, Filosofia, Educação, Parapsicologia e Política, distribuídas em 20 horas. As aulas são ministradas pelos coordenadores ou por professores convida-

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dos e dentro de cada área é feita a conexão entre o conhecimento científico e o conhecimento espírita. Após três anos, o aluno conclui seus estudos. Do segundo ao quinto Ciclo, a metodologia aplicada é a mesma, com aulas expositivas e dinâmicas e o estudo sistematizado dos temas relacionados às matérias oferecidas. No sexto Ciclo, que está voltado para o tema Religião Pessoal, o esquema se altera um pouco e as aulas são dirigidas para a busca de si mesmo e do religioso em si. Seminários e vivências são introduzidos para estimular a introspecção. Ao término de todos os Ciclos, os alunos produzem, para avaliação, um artigo científico, um banner e apresentam um seminário. Recursos financeiros Para que o novo projeto entre em funcionamento já está planejada a realização, a cada ano, de um almoço, um evento cultural e seminários. Como salienta a Reitora, a Universidade precisa de uma estrutura administrativa que dê apoio aos docentes, à Reitoria e às ações para gerar suporte financeiro. As questões ligadas aos professores também vão receber a devida atenção. Uma primeira questão é aumentar o número de colaboradores, acabando com as coordenações dos Ciclos e criando um corpo docente estruturado. A Reitoria da ULE convida pessoas interessadas e com formação em nível superior para complementar o quadro docente, e de nível médio ou superior para compor o quadro administrativo. Interessados devem entrar em contato com a Reitora. O novo modelo pedagógico e as modificações serão colocadas em prática gradativamente. Um organograma já foi estabelecido e visa uma proposta maior para a ULE. “Hoje”, diz Cecília Alvarenga, “nós visualizamos um projeto bem mais amplo e contamos com o apoio da equipe espiritual, que está sempre nos inspirando”.

Universidade nasce com objetivo de aprofundar saber espírita A Universidade Livre do Espírito (ULE) foi implantada em agosto de 2008 sob a direção do então presidente do Centro Espírita Harmonia, Marcos Cintra, e o idealizador e coordenador da Fundação Lar Harmonia, Adenáuer Novaes. Coordenavam essa primeira fase Bete Castelo Branco, Ana Júlia e Robélia Dórea. O objetivo era aprofundar o saber Espírita através de um currículo que permitisse a interface com a Psicologia e outras áreas do conhecimento científico formal. Havia também a ideia de proporcionar aos alunos um conhecimento holístico e integrativo da vida que lhes ampliasse a visão de mundo. Na configuração inicial a Universidade era dividida em seis Ciclos, um por semestre, incluindo o Curso Básico, e a formação se completava em três anos, com aulas semanais participativas, criativas e

dinâmicas. Expositores experientes eram convidados para dar aulas. A ULE teve nessa época, sua primeira logomarca, criada por Hugo Canuto e Débora Castelo Branco. Ela sintetizava a ideia de aprendizagem, conhecimento e convergência. Os alunos eram avaliados de acordo com a assiduidade, participação e interesse nos seminários e estudos dirigidos e nos exercícios de fixação. No final de cada semestre os estudantes elaboravam um artigo, apresentavam um seminário e um painel que era afixado no Salão de Palestras para exposição e avaliação pela Coordenação da ULE. Em 2010, quando a ULE forma sua primeira turma, Marcos Cintra convida a pedagoga Maria Cecília Alvarenga para assumir a coordenação pedagógica e montar uma estrutura acadêmica que atenda

às especificações exigidas pelo MEC para formalização da Universidade. Em parceria com Jane Mota, Letícia Moura e Sandra Portella, ela constrói o organograma da ULE, define a visão de onde chegar e aponta a responsabilidade e os desafios que seriam enfrentados durante o processo de implantação e solidificação da ULE. Em maio de 2011, Elizabeth Castelo Branco, primeira Reitora da ULE, afasta-se do cargo e Adenáuer Novaes convida Cecília para substituí-la. A nova gestão define como objetivos principais a realização de mudanças no Planejamento Pedagógico e na Matriz Curricular, a capitação de recursos financeiros, divulgação e transparência da gerência e elaboração de um jornal da ULE. O objetivo central é alcançar um status de competência e tornar a ULE referência no Estudo da Doutrina Espírita.

ULE PRODUZ - COORDENAÇÃO ULE, uma educação à luz da Doutrina Espírita A essência da Pedagogia vivenciada na ULE tem, como proposta curricular e de ensino, a junção de conteúdos que derivam do conhecimento de ciências, tais como a Psicologia, a Filosofia, a Biologia e a Sociologia entre outras áreas do conhecimento, que dão aportes teóricos e práticos, necessários para o estudo e aprofundamento da Doutrina Espírita. Nossa prática pedagógica deriva de uma práxis bem fundamentada e alicerçada no interesse pela busca constante de aprimoramento dos conteúdos e das metodologias desenvolvidas pelos nossos docentes e pela coordenação pedagógica. Reflete, assim, nosso compromisso e nossa preocupação com a produção do conhecimento científico em prol do sujeito que aprende.

A proposta pedagógica é aplicada de forma clara e dinâmica e tem, como objeto precípuo, a percepção do sujeito de que si é Espírito imortal e em processo evolutivo. Uma construção gradativa e vivenciada em ciclos, que parte de conteúdos, do menor para o maior nível de complexidade, nas suas diversas abordagens, promovendo sempre o pensamento crítico, analítico, além da valiosa troca de saberes entre os que ensinam e os que aprendem. Assim, interagem todos numa proposta pedagógica relacional, em que o sujeito tem a oportunidade de construir seu conhecimento e, o que para nós é primordial, de sofrer uma transformação interna, inerente ao ser humano, numa busca de valores morais e espirituais que lhes possibilitem uma experiência corpórea feliz, consciente de suas responsabili-

dades e atitudes perante si mesmo e perante o outro. Nosso objeto principal, como se pode perceber, é o sujeito em suas várias dimensões: psicológica, emocional, relacional e afetiva. Uma proposta pedagógica, que versa o conhecimento científico com o conhecimento da Doutrina Espírita. Uma pedagogia, portanto, à luz da Doutrina Espírita, pensada e planejada, para transcender os aspectos intelectuais e morais, visando o despertar de consciência para a imortalidade do Espírito que somos. Aprimorar, Respeitar e Amar são pilares básicos para a solidificação da Universidade Livre do Espírito - ULE. Cecília Alvarenga Reitora da ULE

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Informa ULE Informa ULE - Quais os requisitos para entrar na ULE?

ENTREVISTA Educação é transformação, atualização, um upgrade do Espírito Adenáuer Novaes é idealizador e conselheiro da FLH. Nesta entrevista ele conta como surgiu a ideia da ULE, o que representa, sua base espiritual, os caminhos percorridos e as expectativas para sua consolidação. Informa ULE - Como nasceu a ULE? Novaes - A ULE nasceu de uma conversa que eu tive com meu amigo Djalma Argollo. Dentro dessa conversa ele me falou de uma Universidade Espírita. Há quatro anos eu tinha pensado na ideia de transformar nossos ciclos de estudos numa universidade. Casou-se a ideia dele com a minha de criar a Universidade Livre do Espírito. A partir desse encontro surgiu a ideia efetiva. Convidamos uma pessoa que sabe como implantar uma universidade, Marina, e aí nasceu a ULE, Universidade Livre do Espírito. Informa ULE - Porque uma Universidade? Novaes - Queríamos um conhecimento superior, além do que se estabelece como estudo do Espiritismo. Queríamos algo multidisciplinar que interagisse com outros conhecimentos, aproveitar os conhecimentos científicos que existem a respeito da espiritualidade. Informa ULE - Qual seria o papel desses outros conhecimentos dentro do Espiritismo? Novaes - Interagir conhecimento e não ficarmos restritos ao saber espírita. Os estudos espíritas se baseiam no conhecimento trazido por Alan Kardec e outros, mas são conhecimentos do século XIX. Nós estamos no século XXI. O saber se atualiza, se amplia. É preciso uma interdisciplinaridade porque a ciência evolui. Não podemos desprezar o conhecimento atual e ficar analisando apenas o conhecimento restrito do século XIX. A maioria dos centros espíritas estuda o Espiritismo para aprender sobre Espiritismo. É preciso contextualizá-lo para ampliar o seu alcance na sociedade contemporânea. A multidisciplinaridade é importantíssima porque você vai casar, intera-

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gir, confrontar conhecimentos, o que é extremamente necessário para o aprendizado. Informa ULE - A base seria ainda o Espiritismo? Novaes - Não. A base seria o conhecimento científico, onde o Espiritismo se insere e oferece ao conhecimento científico a ideia da existência do Espírito. Seria igualar esses conhecimentos e aprofundar conhecimentos que já existem em outras áreas. A base é o conhecimento a respeito do ser humano e esse conhecimento se estende para além do Espiritismo. Poderemos aproveitar o conhecimento oriundo da Psicologia, que é um conhecimento que transcende o Espiritismo. A base é o Espiritismo, é a Psicologia, é a Psiquiatria, é a História Universal, é a Biologia, com seus conhecimentos a respeito dos processos vitais. São conhecimentos que transcendem o saber espírita. Então a ULE vai adiante porque a base é mais do que o Espiritismo, é todo conhecimento que concorre para a ideia do espiritual. Informa ULE - Mas não necessariamente faculdades isoladas como no ensino universitário formal... Novaes - Não, por isso nós criamos uma Universidade Livre, totalmente livre. Ela não está vinculada especificamente a um saber ou a uma ideia. Ela é livre. Livre porque todos podem colaborar, todos podem aprender. Todas as ideias podem ser examinadas, analisadas, por isso que é livre. Informa ULE - Há duas universidades espíritas no Brasil formatadas como as universidades tradicionais... Novaes - É, mas a nossa ideia não é formar pessoas para o mercado de trabalho. A nossa ideia é formar pessoas que tenham autoconsciên-

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cia de que são Espíritos. Informa ULE - Como se insere então a proposta pedagógica da ULE? Novaes - Veja, a proposta pedagógica da ULE está em andamento, em processo de transformação, de modificação. Nós gostaríamos que o próprio aluno construísse o saber, que fosse buscando dentro de si mesmo esse saber, com a ajuda do monitor. É aquela ideia socrática de que o conhecimento, o saber, está no próprio indivíduo. A proposta pedagógica caminha nessa perspectiva da construção do saber a partir do conhecimento do próprio Espírito. É nele que também vamos encontrar o saber espiritual. Informa ULE - Recentemente o Curso Básico passou a fazer parte da ULE... Novaes - Nós construímos um modelo em que os alunos se nivelam para entrar na ULE a partir do Curso Básico de Espiritismo, que é uma proposta que a gente vem atualizando desde a década de 80, para que quem entrasse na ULE já entrasse em contato com conceitos básicos e, a partir do primeiro semestre, depois do Curso Básico, portanto, ele fosse aprofundando esse saber.

Novaes - Ser preferencialmente adulto (a partir de 18 anos); ter pelo menos o segundo grau; e, o que é básico, desejar conhecer o Espiritismo. Informa ULE - A ULE tem já tem alguma atuação na área de pesquisa? Novaes - É nossa proposta que o último semestre da ULE seja a estruturação de um projeto de pesquisa. Mas a ULE tem pouco mais de quatro anos, formamos só uma turma. A questão da pesquisa é algo em andamento, não foi esquecido. Não tivemos uma massa crítica suficiente para implantar a área de pesquisa na ULE. Informa ULE - Como fica o reconhecimento do MEC? Novaes - Nós vamos atrás dessa chancela, mas isso não é algo imediato, é o que vamos pleitear na medida em que tivermos as condições legais para isso. Informa ULE - Em relação aos valores e missão da ULE, quais as metas? Novaes - Veja, a ULE está dentro da estrutura da Fundação Lar Harmonia que construiu sua missão e seus valores, valores que perpassam pela ética, pela amorosidade; valores quanto ao respeito à vida humana, à cidadania; consciência da espiritualidade, do valor e da importância da espiritualidade. São vários valores que a Fundação tem e a ULE está dentro dessa estrutura. Ela é vinculada à Fundação, ela tem esses valores capitaneados pelos valores da Fundação e nós estamos perseguindo a implantação desses valores. Posso dizer a você que já estamos utilizando esses valores, para os nossos alunos e para a nossa prática de ensino. Informa ULE - A ULE já é uma realidade no plano espiritual? Novaes - Já era uma realidade no plano espiritual desde a década de 80. Essa ideia básica de criar um curso regular de Espiritismo (ideia de Allan Kardec escrita em Obras Póstumas) é da década de 80, quando elaborei o primeiro Curso Básico de Espiritismo. Já tínhamos essa ideia de ter um curso regular, ter grupos que nascessem a cada ano de

um processo de aprofundamento da teoria espírita, uma ideia é antiga. O plano espiritual já tinha essa proposta, mas faltavam pessoas para levar adiante e isso aconteceu há quatro anos. Nós sentimos, através de desdobramento e também de sonhos relacionados à ULE, que no plano espiritual já existem grupos de desencarnados estudando o Espiritismo para reencarnar com essa teoria mais fresca, digamos assim, mais plantada na própria mente, facilitando o ingresso no Espiritismo quando encarnam. Informa ULE - Há uma ULE no mundo espiritual ou Espíritos estão sendo preparados para dar continuidade à ULE? Novaes - Há uma ULE no plano espiritual para os desencarnados e os encarnados que fazem parte da ULE aqui frequentam também essa ULE no plano espiritual quando dormem. Quando esses desencarnados reencarnam, eles já têm a ideia Espírita na memória, facilitando o ingresso no ambiente Espírita. Informe ULE - Qual a maior preocupação que você tem com a ULE? Novaes - Basicamente a formação dos seus professores. É trabalhar na formação das pessoas, os instrutores. Esses instrutores têm cada vez mais que internalizar o saber espírita, a ideia espírita e integrar o Espiritismo na sua própria vida. Essa é a minha preocupação, porque se o educador integrou o saber espírita ele será um grande exemplo para o aluno. Eu não gostaria de ter simplesmente instrutores que sabem o que é o Espiritismo sem sentir, sem se sentirem Espíritos, sem se verem Espíritos. Então minha preocupação é a formação de educadores. Informa ULE - O que você entende por Educação? Novaes - O termo Educação para mim é muito amplo, engloba até a questão da evolução. Quando escrevi o livro Reencarnação como Processo Educativo, quis retirar a ideia de que a reencarnação é um processo de punição ou de simples aprendizado de conhecimento intelectual a respeito de um tema. Educação para mim é transformação, é fazer uma atualização, uma espécie de upgrade do Espírito. Então, Educação é um termo que pressupõe uma ação de transformação tanto do educando quanto do educador, uma

alquimia que ocorre nessas duas pessoas, quem dá e quem recebe, onde ambos se transformam, ambos se atualizam, ambos se melhoram, ambos passam a conhecer mais, a aprender mais, e a se conhecer mais. Educação é nesse sentido. O que existe de mais superior de ação humana é Educação. Informa ULE - Como entraria aí a perspectiva de que o ser traz dentro de si o conhecimento? Novaes - Educação também como proposta de que eu ensino e eu aprendo. O Espírito que reencarna traz um saber, nem maior nem menor do que o da outra pessoa, mas traz um saber. Educação é troca, é transformação mútua. ULE informa - Você teria uma mensagem para a comunidade acadêmica da ULE? Novaes - Ah, teria... Eu quero dizer às pessoas que frequentam a ULE em todos os seus níveis, desde os alunos do Curso Básico até os alunos do sexto Ciclo, os professores, a coordenação, que os fundamentos desse trabalho é a autoconsciência de ser Espírito; que se, em qualquer nível, essas pessoas se sentirem Espíritos trabalhando na construção da sua evolução espiritual, vou me sentir muito feliz. Então a mensagem que eu dou é: integrem o Espiritismo em suas vidas, tenham consciência de que são Espíritos imortais e se pautem no amor que é a força propulsora do Universo. Informa ULE - Então essa é a missão da ULE? Novaes - É essa: levar a seus alunos a autoconsciência de que são Espíritos imortais.

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Visualização Curativa já atendeu mais de 2 mil pessoas mental e espiritual. “Equilíbrio e harmonia”, garante. A experiência de trabalhar na Cura, para ele, está representada em duas palavras: amorosidade e responsabilidade, tanto dos voluntários como dos pacientes. “Eles vêm nos feriados, chovendo muito, e os trabalhadores também. Todos somos muito comprometidos”. Primeira entrevista

Com dois mil e quatrocentos atendimentos contabilizados, a Visualização Curativa festeja, este ano, o seu oitavo aniversário. E tem motivos. As estatísticas apontam que 10,3% das pessoas submetidas ao tratamento relatam o desaparecimento completo dos sintomas e que 63% afirmam ter obtido melhora significativa. A que atribuir tanto sucesso? Segundo Sheldon Menezes, coordenador do Trabalho e diretor da Fundação Lar Harmonia, não há como provar que as curas relatadas foram resultado da visualização curativa por um motivo simples: todos os atendidos ou estão em tratamento médico ou são orientados a buscar assistência médica. Essa é uma questão básica, se o indivíduo está doente deve procurar um médico para assisti-lo e fazer o tratamento orientado. “Não é milagre”, lembra. Apesar de não ser possível provar cientificamente que a cura ocorreu em função do Trabalho, muitos casos são relatados. O coordenador cita como exemplo a história de um homem que estava com um tumor no fígado e já havia sido desenganado pelos médicos quando procurou a Visualização Curativa. No final do tratamento, o tumor havia desaparecido e isso foi comprovado por exames apropriados. Algumas pessoas respondem rápido

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ao tratamento, outras demoram mais e há ainda aqueles que desistem, mas, em todos os casos, para Sheldon, é muito enriquecedor trabalhar na Visualização Curativa. “É sempre surpreendente ver as respostas das pessoas ao tratamento”, explica. Processo educativo Segundo o coordenador, o objetivo do tratamento é que as pessoas compreendam o seu processo de doença e o sentido dessa experiência em sua vida. Ele diz que a Visualização Curativa visa despertar nas pessoas o próprio curador. “O paciente deve aprender que não é vítima de nada e que está passando por um processo educativo e não obra do acaso”. Partindo do princípio de que toda doença começa no perispírito e repercute no corpo físico, as técnicas utilizadas pelo tratamento têm como alvo o corpo sutil. Sheldon explica que, agindo no períspirito e alterando a formação doentia, depois de algum tempo essa ação repercutirá também no corpo físico, preparando-o para restabelecer o equilíbrio, a saúde. O odontólogo Roberto Baqueiro, que divide a coordenação da Visualização Curativa com Sheldon, ensina que cura é reequilíbrio físico, emocional,

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A Visualização Curativa entrou em atividade em 2003, idealizado pelo psicólogo e diretor da Fundação Lar Harmonia, Adenáuer Novaes, tendo à frente a psiquiatra Márcia Aguiar. Da equipe de voluntários da época, permanece no trabalho apenas Maria Rosina Santos Souza. O trabalho é complexo e para ter acesso ao tratamento o doente deve passar por uma entrevista no Centro Espírita Harmonia e depois ser orientado por trabalhadores da Visualização Curativa. São 10 sessões, uma por semana. As pessoas devem chegar até às 17 horas e assistir a uma palestra sobre temas relacionados à cura. Após a palestra são encaminhados à sala para o tratamento, que começa às 18 horas e termina pontualmente às 19 horas. Os que chegam pela primeira vez recebem antes orientação sobre os cuidados que devem ser observados no dia do tratamento e da necessidade de manter medicamento e orientações do médico que o está assistindo ou de procurar um médico para acompanhá-lo. Nesse primeiro encontro é importante chegar mais cedo. Dentro da sala de cura, as pessoas deitam ou sentam em colchonetes e depois são convidadas à oração e a acompanhar mentalmente a visualização dirigida que geralmente propõe o deslocamento espiritual a um determinado local onde, com a ajuda dos Espíritos que coordenam o trabalho, o tratamento acontece no nível mental e perispiritual.

Atendendo Espíritos Todos recebem passes e, pelo menos uma vez, entre as sessões, cada paciente recebe um passe específico com duração de 30 minutos. No encerramento, cada um pega a sua garrafinha de água, já fluidificada, e leva para casa, devendo consumi-la durante a semana. A ficha de inscrição dos pacientes é levada a uma reunião mediúnica que acontece logo após o tratamento, para atendimento de Espíritos que possam estar agindo de forma obsessiva junto ao paciente. Após as 10 sessões, nova entrevista é feita e avaliada a necessidade de repetir ou não o tratamento. A Visualização Curativa inclui também a Visualização Terapêutica que acontece no salão Francisco Cândido Xavier, após a palestra, e é coordenada pela psicóloga Nádia Matos e pelo médico e dirigente do Centro Espírita Harmonia, Fernando Santos. Participam da equipe Cristiane Barradas, Marcelo Soares, Vera

Tamassia, Antônio Carlos Tanure, Míriam Almeida, Nélia Souza e Rúbia Sampaio. O atendimento é dirigido a pessoas portadoras de problemas não caracterizados como doença e a parentes e acompanhantes das pessoas que estão sendo atendidas. Hoje, a Visualização Curativa tem, além dos dois coordenadores, 15 outros trabalhadores, entre eles, Maria Luiza Souza Baqueiro, Indiara Perrone Bezerra Menezes, Alba Araújo, Veronice Porto, Maria Rosina Santos Souza, Verônica Menezes, Simone e Fernando Santos e Mônica Souza. As atividades de Cura do Centro Espírita Harmonia, inclusive os atendimentos do Ambulatório Médico, são coordenadas pelo Espírito Eurípedes Barsanulfo. Contabilizando dados A partir de 2005, foi iniciado o levantamento de dados sobre o trabalho de cura para contabilizar resultados e compor o perfil das

pessoas que procuram o tratamento. De lá para cá o trabalho ampliou e ficou mais sistematizado, totalizando dois mil e quatrocentos atendimentos. No de pessoas atendidas, o sexo feminino se destaca, representando 70% do total. Com relação à faixa etária, 28% estão entre 22 e 40 anos e 47% entre 41 e 60 anos. Entre as queixas, 50%, em primeiro ou segunda colocação, apresentam depressão e ansiedade; 25%, problemas ortopédicos; e o restante gastrites, neoplasias e cardiopatias. O relato de melhoras também é significativo: 60% referem melhora nos exames e na intensidade dos sintomas; 10,3% relatam remissão total dos sintomas. Os 62% que no início do tratamento consideraram seus sintomas graves ou gravíssimos, no final do tratamento são reduzidos para apenas 17%. Mesmo com o compromisso de comparecer ao Centro por 10 semanas seguidas, 30%, ao término do tratamento, desejam repetir a experiência.

ULE PRODUZ - ALUNO Regando as aspirações humanas para uma sociedade melhor Na atualidade, a palavra “política” está associada a desonestidade, favoritismo, astúcia e privilégios; estratégias para manutenção de interesses individuais na forma de concentração de riquezas ao abrigo do Estado, destoando do seu real significado, que é ação para o equilíbrio das relações sociais desencadeada pelo esforço de cada um, traduzindo a integração das desigualdades de capacidades, interagindo em seus aspectos individuais e coletivos, na dimensão de indivíduos e cidadãos, sociedade e Estado. Nesse sentido, o Espiritismo tem um importante papel, que é conduzir a conscientização do individuo como forma de educar o cidadão, possibilitando o exercício político como ação

moral e ética, traduzindo o bom proceder, demonstrado na ética do seu modo de ser. A atitude política decorre da intermediação do interesse social a partir da ação para a realização de si mesmo e o benefício do outro. Destarte, a preocupação pelo movimento da vida na Terra decorre da ação do Espírito no interesse de sua evolução. A verdadeira política é tarefa do movimento de construção da era do Espírito, para renovação individual e coletiva, sustentada na fé raciocinada, libertando dos dogmas, ignorância e injustiça em relação à distribuição dos benefícios da riqueza, na promoção da vida social do Espírito encarnado. Politicamente, o Espiritismo, baseia-se nas leis de Deus como conteúdo da consciência,

promovendo equilíbrio do humano, constituindo meio para definição do modelo de vida social em perfeita sintonia com a justiça de Deus. Cabe aos espíritas ativar, de forma mais eficaz de auxílio ao outro, o movimento de suas ações para superar a injustiça e iniquidade na prática da sociedade. Ser espírita é ser político, capaz de distinguir intenções, representando o movimento que busca a justiça social em superação da injustiça, confundida com desigualdade.

Istefenson Marques Pinheiro Licenciado em Ciências Espíritas pela ULE

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ULE PRODUZ - DOCÊNCIA Construir a religião pessoal é erguer pontes Cuidar de si é pedra fundamental na construção da religião pessoal e simboliza o amor como reconhecimento de si mesmo, amar-se no limite e na grandeza. É reconhecer a complexidade da sua natureza ao mesmo tempo material, psíquica e espiritual, saindo do simplismo das respostas prontas na busca do contato profundo consigo mesmo. Ao voltar-se para si, à procura de respostas que expressem sua singularidade, a pessoa abre-se a novas possibilidades de crescimento e amadurecimento. O ser humano maduro é aquele que não responsabiliza ninguém pelo que lhe acontece, assumindo diante da vida uma postura proativa. A maturidade psicológica e espiritual conduz à compreensão de que alcançar a religião pessoal não é encontrar per-

feição, mas inteireza; é encontrar um significado para a vida conectando-se às outras pessoas e a todos os elementos da criação, percebendo a pequenez de fazer parte de um imensurável e, ao mesmo tempo, a grandeza de pertencer a este , como elemento singular e insubstituível. Construir a religião pessoal é trazer para a vida cotidiana a percepção de ser Espírito de Deus, preservando a autonomia e praticando a reflexão, o silêncio, mas também “vivendo a vida”, participando ativamente da convivência social e assumindo fragilidades e limitações dessa sociedade, como problemas globais que devem ser resolvidos através do esforço de transformações individuais e coletivas. Construir a religião pessoal é erguer pontes, compreendendo

que os conflitos e dificuldades experimentadas na convivência com o outro fazem parte das relações humanas e são oportunidades para o desenvolvimento de qualidades ainda adormecidas, lembrando que para construir sua casa não precisa destruir a casa do outro. Construir a religião pessoal é ser fiel às escolhas, à palavra dada, ao compromisso ou causa abraçada. Construir a religião pessoal é entregar-se à vida em profundo estado de confiança - Eu confio na vida, confio em Deus, mesmo quando não compreendo o que me acontece. Construir a religião pessoal é manter aberto o coração. Isabel Guimarães Coordenadora do Ciclo VI

ULE INFORMA 10 de julho - o II Ser ULE encerra o primeiro semestre letivo. Pela manhã, às 8 horas, alunos se reúnem com seus coordenadores para apresentação dos trabalhos científicos. Às 9h45m, todos desfrutam do coffee break e às 10 horas, no Auditório Francisco Cândido Xavier, Adenáuer Novaes realiza palestra de encerramento dos Ciclos e coordena a solenidade de formatura do Ciclo VI. Curso Básico de Espiritismo (ULE I) - Acontece às segundas e terças-feiras, das 20 às 22h e aos sábados, das 10 às 12h. É só escolher o melhor dia. Participe! Inicie sua jornada do conhecimento. Inscrições no Centro Espírita Harmonia.

16 de julho - às 10 horas. Aula inaugural do segundo semestre da ULE, no Auditório Francisco Cândido Xavier. Aos poucos, a nossa Universidade vai definindo sua nova formatação e investindo cada vez mais em qualidade. A regra de ouro é promover a autoconsciência de que somos Espíritos. Os atuais coordenadores: Olga Almeida, Jane Mota e Beth Cruz (Ciclo I – Curso Básico); Agne Fideles (Ciclo II); Luiz Carlos Farias (Ciclo III); Ednilze Fideles (Ciclo IV); Marcia Matos (Ciclo V); Isabel Guimarães e Istefenson Pinheiro (Ciclo VI); Agracia Passos e Jane Mota (EAD); Denyse Pinheiro e Marieta Santos (Secretaria); e Sandra Portella (Coordenação Pedagógica).

Expediente Universidade Livre do Espírito Reitora - Maria Cecília Sá Alvarenga Equipe Pedagógica - Jane Mota e Sandra Portella Jornalista Responsável Marcia Matos (MTB 1072) Edição - Marcia Matos Revisão - Chico Muniz (MTB 1096) e Maria Angélica de Mattos Projeto Gráfico e Arte Final Marcelo Bacellar Impressão - Contraste Editora Gráfica Tiragem - 1.500 exemplares

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