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Tudo que vocêê voc queria ser


“[...] Aqui estaremos eternamente - embora amanhã vamos embora - repetindo consecutivamente os momentos da semana e sem poder sair nunca da consciência que tivemos em cada um deles, porque assim captaram-nos os aparelhos; isso nos permitirá sentir-nos numa vida sempre nova porque não haverá outras recordações em cada momento da projeção, que as tidas no momento correspondente da gravação”. “A Invenção de Morel”, de Adolfo Bioy Casares


Tudo que você queria ser Estar no mundo é deixar rastros. Rastros de várias naturezas. Há quem diga que a maior parte da poeira das casas são pedacinhos de pele, de cabelo. Os rastros mais primitivos. Mas nos especializamos nessa arte (tantas vezes desatenta). Desde nomes em troncos de árvore até um fotolog que esquecemos de deletar. Às vezes é um retrato, uma peça de roupa. Às vezes é qualquer coisa que não dá para tocar. Estar no mundo também é encontrar com esses rastros. Indícios e pistas de qualquer coisa que já foi. E talvez seja sobre isso que queremos pensar com esses filmes... No encontro com os passados de outros, com nosso próprio passado, e na potência do presente de em breve ser também vestígio. Tentar encontrar uma maneira de falar sobre os vestígios com que convivemos é o que tem movido esse projeto. Do que você (acha que) precisa se desfazer? Abra suas gavetas. Que pequeno objeto pesa mais na sua vida? Quantas cartas você jamais enviou? Quantos bilhetes você encontrou perdidos dentro de livros? Que peças você precisa juntar para completar um quebra-cabeças de qualquer coisa que já nem existe mais? A história de Nádia não é só a história de uma Penélope contemporânea, que espera o retorno do seu nômade Ulysses, mas a história de alguém que encontrou no espaço ao redor, um espaço conhecido, camadas do desconhecido, véus do tempo, os rastros que vamos deixando por onde vivemos. Essa história vai ser dividida em dois grupos e, conseqüentemente, em dois filmes.


Primeiro - Dos rastro que podemos tocar Na realização dessa primeira seqüenciam vamos priorizar a relação da personagem Nádia com os objetos desse outro que foi embora, Fernando, e com os seus próprios objetos. É através desses vestígios materiais que tentaremos construir a narrativa. Cada pequeno elemento, cada fotografia, carta, roupa, terá grande importância. Nesse caso, os vestígios de que estamos falando são de fato pistas que Fernando deixou para trás. Coisas que não foram na sua mala, e que agora precisam ser empacotadas para que o apartamento seja desocupado. Para que consigamos transformar simples objetos em elementos narrativos precisaremos, antes de tudo, buscar uma certa familiaridade com eles. É nesse momento que nós, equipe, nos colocamos nesse processo. Abriremos nossas gavetas e compartilharemos um pouco de nossa intimidade, tentando encontrar entre as nossas coisas alguém que alguém que agora está longe de nós deixou para trás e compartilharemos essas histórias antes de colocarmos esses objetos em cena misturados com os objetos que realmente precisaremos produzir para que a narrativa se construa. Por tratar-se de coisas muitas vezes pequenas e sutis, precisaremos buscar o máximo de controle e clareza na forma que filmaremos, escolheremos as cores, disporemos os objetos no espaço. Assim escolhemos trabalhar nessa seqüência com o mínimo de improvisação possível, tentando amarrar o roteiro e as cenas da forma mais fiel possível e dando indicações precisas para a atriz. Pretendemos trabalhar com imagens limpas, de boa qualidade, para que esses objetos sejam valorizados.

Segundo – As imagens-vestigiais Os rastros aos quais daremos importância nessa segunda seqüência já não serão tão palpáveis. Nesse momento tentaremos desenvolver uma espécie de ensaio sobre como as próprias imagens se tornam rastros e como dispositivos de várias naturezas estão implicados nesse processo. Esse filme se configura como uma reflexão acerca das várias qualidades das imagens que vamos deixando para trás cotidianamente e, muitas vezes, sem tomarmos conhecimento. O que é da ordem do visível e se torna invisível por esquecimento? O que é da ordem do invisível e se torna visível por negligência? Trabalharemos com três texturas de imagens, as quais serão descritas mais a frente, que trazem em si características estéticas de registros íntimo. Como guardávamos nossos momentos íntimos no passado? Como guardamos agora? Como dispositivos de vigilância por guardar esses momentos agora, sem que muitas vezes nos demos conta? Nessa seqüência, diferentemente da primeira, priorizaremos as dimensões macroscópicas do espaço. O “todo” do jeito que este se mostra. Planos abertos, característicos de alguns dispositivos precários, como a webcam, e de vigilância. Trabalharemos também com uma proposta mais próxima da performance. Não só no que diz respeito a direção de atores, mas uma dimensão performativa também de quem está com a câmera na mão. Faz-se necessário aqui que passemos a idéia de uma presença em cena que não é personagem. Um outro, que observa de dentro. Um outro que somos nós mesmos.


Conceitos Fotográficos Tudo que eu queria ser é um filme sobre rastros, resquícios, tempo. O filme, que será filmado duas vezes, trás isso nas suas duas estruturas. Estas, por sua vez, traduzem os rastros de duas formas distintas e, portanto, a fotografia tem papel fundamental nessa distinção. A primeira experimentação (vou distingui-los entre primeira e segunda experimentação) terá como conceito de direção uma vertente mais clássica do cinema, com uma imagem limpa, uma montagem invisível e a atuação representativa, encaixada nos moldes clássicos. A fotografia e a montagem, portanto, refletem essa “invisibilidade” ou “classicalidade”, buscando a limpeza da imagem, sua perfeição. Utilizaremos, pois, a imagem da câmera Canon T2i, um dispositivo de filmagem full HD, com grande variabilidade de foco. A câmera nesta, não tem corpo. Ela busca estabilidade, permanência, invisbilidade e, portanto, um olhar imparcial. Ela não representa alguém, mas está ali em frente ao que importa no filme. Por esses motivos, a câmera é sempre estática, fazendo-se uso de tripé. Os enquadramentos são decupados e pensados em como melhor apresentar os elementos que são importantes para a cena/sequência. Existe um ou outro movimento de câmera, mas retorno a afirmar, não é uma câmera fluida e ela não representa o olhar de alguém. Já a segunda experiência terá seus rastros representados principalmente através da fotografia e da textura da imagem. Por isso, podemos afirmar que a fotografia desempenha papel fundamental nesta. Os rastros serão os registros, conscientes ou não, que a personagem deixa no mundo. Nós estamos a todo tempo sendo registrados por câmeras de vigilância, câmeras de trânsito, câmeras fotográficas, webcans, câmeras de celular e até mesmo por câmeras escondidas. Muitas imagens de nós estão pelo mundo e, de certa forma, não temos sequer consciência ou acesso a elas. Ela – a nossa imagem – é um dos rastros que deixamos no mundo, é um pouquinho de nós a cada rec acionado. É, então, baseado nestes conceitos que estabelecemos a construção da segunda experimentação. A construção se dará através de dispositivos de filmagem que representem esses rastros. Esses dispositivos, não são dispositivos comuns e possuem, intrinsicamente, representações e interpretações. O primeiro deles é uma câmera VHS. Esta, que há muito saiu de uso, traz no peso da sua imagem suja e um pouco lavada, uma identificação da imagem como rastro/imagem como arquivo. A câmera se posiciona como um observador das ações de Nádia, não se tenta invisível, pois revela um olhar. É como se a própria Nádia tivesse consciência de sua presença, assim como quando nossos pais e/ou familiares nos filmam. Por ser uma câmera “viva”, que sugere a presença de alguém, essa mesma câmera tem independência e escolhe o que quer olhar. Ela é fluida, está na mão de quem observa a personagem. Assim como a atriz, a câmera performa e direciona o seu


olhar pra onde deseja, não permanecendo unicamente centrada nos movimentos da atriz. A independência da câmera é importantíssima para a construção de mise-en-scène nesta experimentação. A imagem VHS é a base da segunda experimentação, porém, existem outros dois dispositivos rastreadores. O segundo deles é a webcan. Inserido na contemporaneidade, o filme não poderia deixar de lado a tecnologia digital. É por isso que a webcan entra como representativa desse mundo cibernético de autoregistro. Nós, jovens internautas, não cultivamos mais álbuns de fotos analógicas ou fitas de vídeo. Todos os nossos registros cotidianos estão guardados em computadores, HD’s , Cd’s, pen drives, etc. Não existe mais a mania palpável dos objetos de registros, tudo é digital. Dessa forma, os nosso rastros são digitais e mais ainda, internéticos. Estamos, a cada novo dia, postando mais fotos em álbuns online, ou postando vídeos em páginas como vimeo e youtube, ou cultivando e escrevendo em blogs, divulgando vlogs e vídeo-diários, etc, para que nossos amigos, conhecidos e parentes comentem e compartihem do nosso dia-a-dia. A experiência da auto-captura se tornou muito comum, principalmente pela propagação dos vlogs e blogs de vídeo. Todos se filmam e postam sua vida na internet. Nádia não tem como único objetivo colocarse online. No entanto, a experiência de se auto-gravar, de se colocar em frente da câmera, parte dessa experiência constante de ver outras pessoas fazendo isso. Podemos pensar que um das finalidades de Nádia em se auto-filmar é meio que registrar - para mostrar ou não a Fernando – um processo de “libertação” dela, na medida em que ela toca uma música para ele ou por ele. A cena da webcan não foi escolhida ao acaso. É justamente por ela se assemelhar muito com o que vemos na internet, com pessoas comuns fazendo suas próprias versões de músicas de cantores famosos ou com a intenção de auto-promoção, que a cena ganha uma segunda dimensão, muito semelhante a arquivos que temos acesso cotidianamente. O terceiro e último registro de rastro na segunda experimentação é o da câmera de vigilância do prédio no qual ela mora. Não nos damos conta, mas a todo e qualquer momento estamos sendo registrados por câmeras públicas. Só estamos a salvo da observação alheia quando estamos escondidos sob o nosso teto, pois quando não, perdemos a noção de como a nossa imagem está sendo vinculada por ai. É dentro do elevador, da garagem, do ônibus, do shopping… poderia passar horas pensando em lugares ao qual estamos completamente expostos. Nessa medida, a câmera de vigilância entre como o dispositivo de rastro ao qual não temos completa consciência e/ou controle.


Filme Um


Filme Dois


Testes de fotografia


Conceitos de Direção de Arte Seqüência 1:

Toda a arte deve trabalhar para criar a imagem dos rastros deixados por Fernando naquele apartamento em seus mínimos detalhes. Tudo deve ser mostrado com mais proximidade, acompanhando o olhar de Nádia sobre aquele apartamento. Deve-se trabalhar as sutilezas dos objetos presentes no local para que, aos poucos, o espectador perceba que ele nunca realmente teve intenção de fixar ali. Que todo aquele local é apenas mais um rastro, inclusive Nádia. A cenografia deve passar isso através, principalmente, de poucos móveis e móveis de improviso, criando assim uma dicotomia entre a efemeridade da presença de Fernando naquele local com a tentativa de instalação de Nádia, mesmo que aos poucos, naquele local. O figurino deve trabalhar para mostrar o momento que Nádia está vivendo, ou seja, de descoberta e mudança. Logo, por estar trabalhando em guardar as coisas daquele local, a personagem usa roupas mais caseiras, que a deixem mais à vontade para utilização do processo. Ao mesmo tempo, também, deve usar um figurino que passe a ideia de que Nádia é também mais um rastro deixado por Fernando, que ela mesma se mistura aos objetos, móveis e todos os elementos que compõem aquele quarto (camisas como “Fui à Recife e lembrei de você” são ideais).” Assim como o figurino, a caracterização deve trabalhar em dar o tom mais natural possível à Nádia. Ela não está preocupada com sua aparência durante o seu processo, logo ela deve ter a aparência de quando resolvemos passar um feriadão em casa assistindo filmes, lendo livros, etc. Os objetos são importantíssimos. Eles que darão toda a significação do filme. É através deles que os rastros vão sendo revelados aos poucos e Nádia vai descobrindo Fernando. Outra coisa de suma importância são os objetos dela em comparação aos dele. Os objetos de Fernando são bibelôs, lembrancinhas, objetos comprados em outros locais, já os objetos de Nádia não são objetos de registros de uma viagem, são os objetos de quem fica, uma caneca simples, vários livros, etc. Para a construção da paleta de cores, utilizaram-se fotos antigas da mãe da Lara Vasconcelos, para poder obter as cores dos rastros em uma imagem, chegando então nas cores: Azul-esverdeado, Rosa-Queimado e Amarelo. Todos insaturados e com uma qualidade um tanto velha.


Sequência II:

Neste caso mais importante que os rastros que Fernando deixou são os rastros que Nádia vai deixando no local. Aqui não acompanhamos o olhar dela, mas observamos ela própria deixar seus rastros ali. A arte deve trabalhar em uma perspectiva mais macro, como se o espectador observasse tudo através de uma janela, ou da quarta parede, ou até mesmo de uma pessoa que está juntamente com ela no quarto. A cenografia trabalha para a construção de um ambiente mais caseiro, mais aconchegante. Os móveis estão ali porque foram entregues daquela forma, no entanto, Nádia tenta dar sua própria cara e ambiência àqueles móveis, tornando, assim, um quarto que tem um clima pesado e mais envelhecido em um tom que esteja mais a sua cara. Figurino e cenografia trabalham mostrar uma personagem que faz um registro seu. O essencial para estas duas áreas é se fazer a seguinte pergunta: “Se eu fosse fazer um registro meu, independente que ele fosse de caráter pessoal ou para que outra pessoa assistisse, como eu estaria?”. A partir deste questionamento, constrói-se uma pesquisa para a construção do figurino e caracterização da personagem. Os objetos presentes trabalham para fortalecer a presença de Nádia naquele local e pontuar os rastros que ela mesma deixa ali. Assim como a cenografia, eles têm uma proporção mais macroscópica e estão compondo uma imagem que reforça as sensações vividas pela ação performática de Nádia, formando uma imagem coesa. A paleta de cores aqui, foram geradas através de registros que podemos encontrar pela internet, sejam vlog e videlogs, ou apenas registros caseiros e familiares. Assim chegamos à uma paleta baseada no Marrom, Bege e Amarelo.


Paleta Filme Um


Filme Dois


Locações As Locações Internas

Para que Tudo o que você queria ser pudesse se concretizar num quarto marcado por rastros, pensamos em ocupar um quarto grande e vazio, que fosse minimamente limpo de cores e adereços – para que pudéssemos colocar nossos próprios rastros e os dos personagens – e igualmente acessível e disponível às mudanças que inevitavelmente iríamos executar. Opção 1 – Quarto do pai da Luciana Além de ser um quarto de visitantes, que poderíamos usar com maior comodidade para as gravações, não havia muitos elementos fixos, o que nos permitiria realizar mais mudanças sem danificar qualquer móvel. Entretanto, além do quarto ser pequeno, pensamos que a ausência de móveis poderia ser um problema pela necessidade de fretes, além da possibilidade de ter que desmontar e remontar os móveis.

Opção 2 – Quarto do Victor As paredes limpas e a ausência de móveis fixos contribuíram para que esse quarto entrasse nas opções. Entretanto, o pequeno tamanho da janela (o que poderia dificultar a entrada de luz), a presença de um cachorro inquieto no apartamento em questão e a possível necessidade do projeto de ter que pintar paredes inviabilizou que esse quarto fosse o oficial.


Opção 3 – Quarto da Lara O quarto por muito tempo foi a escolha mais acertada dentre as opções por seus vários elementos que já remetiam a rastros e memórias. Entretanto, as cores das paredes davam a idéia de um quarto individualizado demais, dificultando a criação da idéia de um quarto de casal. O pequeno tamanho do quarto também era um empecilho, bem como a pouca entrada de luz natural.

Opção 4 – White Maria A quarta opção foi escolhida como locação oficial depois da confirmação de que precisaríamos construir dois cenários na mesma locação, e não apenas um. Os motivos foram simples: o espaço era desocupado (ninguém mora na casa em questão) e o quarto era grande o suficiente para construir dois cenários. No fim das contas, as características originais do quarto não importavam muito, pois iríamos construir praticamente tudo do zero. Além do mais, a casa na qual o quarto está inserido possui inúmeros móveis e adereços, que facilitariam a produção de objetos e da cenografia.


As Locações Externas Para a locação externa, era importante pensar em uma fachada de prédio que remetesse a um lugar que não foi construído ontem ou na semana passada, e que carregasse um ar de que muitas pessoas já haviam passado por ele. Ao mesmo tempo, não poderia ser um prédio velho ou antigo, pois há uma cena no roteiro que prevê a utilização de uma câmera de vigilância dentro do elevador. Por último, o prédio deveria ser acessível para que a equipe pudesse conseguir autorização para as gravações.

Opção 1

Opção 4

Opção 2

Opção 3

Opção 5

A locação externa escolhida foi a número 5, pois possuía uma paisagem mais limpa de carros, árvores e afins – apenas o necessário. Possuía também uma rua mais larga, o que permitira maior movimentação da equipe no dia das gravações. O lugar se localiza próximo de uma pracinha com potencial para entrar no filme, o que fez com que a escolha recaísse sobre essa locação. Por fim, o prédio em questão ainda seria de livre acesso, pois é a residência de um dos membros da equipe, o que facilitaria mais uma vez a produção.

Opção 5


Orçamento total

Orçamento

1. Pré-produção (direção de arte) 1.1 Cenografia 1.1.1 Material de pintura 1.1.2 Frete para os móveis Total

Preço R$ 154,25 R$ 30,00 R$ 184,25

1.2 Produção de objetos 1.2.1 Impressões 1.2.2. Confecção de objetos de arte e cena Total

Preço R$ 57,40 R$ 81,67 R$ 146,07

1.3 Figurino 1.3.1 Roupas e acessórios Total

Preço R$ 0,00 R$ 0,00

1.4 Caracterização 1.4.1 Maquiagem Total

Preço R$ 0,00 R$ 0,00 TOTAL: R$ 330,32

2. Produção 2.1 Manutenção das atividades 2.1.1 Alimentação 2.1.3 Material de limpeza Total

Preço R$ 40,00 R$ 6,50 R$ 46,50

2.2 Captação de recursos 2.2.1 Impressão dos postais e marcadores Total

Preço R$ 74,00 R$ 74,00 TOTAL: R$ 120,50

3. Desprodução e pós-produção 3.1 Transporte do material utilizado 3.1.1 Frete 3.1.2 Captura de imagens em VHS Total

Preço R$ 30,00 R$ 20,00 R$ 50,00


Check List de Cenografia comprados: - 1 galão de tinta azul pavão - 1 lata de 18L de tinta camurça - 2 rolos de tinta - 1 kit (rolo de tinta + bacia para tinta) - 1 corante azul - 1 corante amarelo - 2 pincéis - 1 solvente emprestados: - Cama de casal -2 escrivaninhas (uma do breno e outra da casa) - Prateleiras + mão-francesa - Material de construção (furadeira, parafusos, pregos...) - 1 lata de 18L de tinta branca - 1 arara de parede - 2 criados-mudos


Check List de Objetos - Cama - Guarda-roupa - Estante - Criado-mudo - Espelho com moldura - Caixa de postais - Cartões postais de diversos locais - Cartão postal de Belo Horizonte - Foto 3X4 de Nádia - Livros de Nádia - Caixa de papelão - Roupas de Fernando - Livros de Fernando • - Discos de Fernando • - Bibelôs de viagem • - Colecionador • - Fotos de Fernando com outras pessoas - Bilhetes de metrôs - Entradas de museus - Passagens de ônibus • - Bilhetes de cinema • - Cifra da música Tudo que você queria ser, do Milton Nascimento - Violão • - Fita adesiva • - Carta com carimbo de devolução - Selos canetas - Carta lacrada - Bolsa - Molho de chaves - Bicicleta


ET2I squetes Filme Um


T2I

Planta baixa

1:50


VHS

Filme Dois


VHS

Planta baixa

1:50


conceiTo de caracTeriZação


conceiTo de Figurino


conceiTo de objeTos


UTILIZADOS EM CENA


Pisca-Pisca


Livros


Vaso de planta


UTILIZADOS EM CENA


UTILIZADOS EM CENA


Caixa de Postais


anรกlise Tร‰cnica


“TUDO QUE VOCÊ QUERIA SER” Um Roteiro de Lara Vasconcelos


FADE IN: 1.INT.CASA - QUARTO – MADRUGADA Quarto escuro. Pelas persianas da janela entra uma luz precária. O dia ainda não nasceu. Podemos ver uma estante de livros, porta retratos, pequenos bibelôs. No espelho, duas 3x4 (de uma moça e de um rapaz) encaixadas na moldura e uma frase escrita com caneta piloto: “Antes de conhecer todos os lugares do mundo, quero um lugar que me conheça.” Em off, o som de duas pessoas respirando. Na cama dormem um rapaz e uma moça. Os dois tem pouco mais de vinte anos. Rostos muito próximos. Respiram o mesmo ar. A moça acorda, abre os olhos e encara o rapaz durante um tempo. O sono retorna e os olhos vão se fechando aos poucos. Ela volta a dormir. O rapaz acorda. Agora a moça está de costas para ele. Ele mergulha o rosto nos cabelos dela e permanece por algum tempo assim. Em seguida, levanta sem fazer barulho. Vai até a estante e pega a câmera fotográfica. Pendura no pescoço. Caminha até a janela e a abre lentamente, de forma que a primeira luz do dia faça desenhos nas pernas da moça. Ele se abaixa próximo a cama, enquadra o rosto de Nádia e clica. Ela acorda com o barulho do obturador. O relógio no criado mudo marca 5:22. A moça abre os olhos e ao ver Fernando, sorri sem jeito. O som das respirações vai ficando mais baixo até sumir. Ele lhe dá vários rápidos beijos seguidos. Eles se abraçam, riem e logo um silêncio se instala. Durante um tempo permanecem assim, abraçados, calados, olhando pro teto. 2.INT.CASA - QUARTO – MADRUGADA Fernando está arrumando uma grande mochila sobre a cama. Ele dobra as roupas em rolinhos e as vai encaixando na bolsa. A câmera caminha até a janela. Vemos uma moça enxugando os cabelos no apartamento da frente.


Agora podemos ouvir os passos de Nádia andando até a janela. Ela entra no enquadramento. Olha o dia nascendo lá fora. Ela Fecha a janela. 3.INT – CASA – QUARTO – DIA Nádia está dormindo na cama. Ela está vestida com uma roupa de sair e tem no rosto um resto de maquiagem e uma trança no cabelo. Ela acorda, abre os olhos e fita por um tempo o travesseiro vazio ao lado. 4.INT. CASA – QUARTO - DIA Nádia sai do banheiro enrolada numa toalha. Abre duas portas do guarda-roupas. Um dos lados está vazio. 5.INT. CASA - SALA - DIA Nádia está na sala, sentada no sofá. Na Tv está passando o filme “Na natureza selvagem”. Ela não parece prestar muita atenção. No vestido estendido no colo, grampos de cabelo. Nádia prende as laterais do cabelo e começa a tecer nele uma trança. Ela finaliza, prende o cabelo e coloca a TV no volume zero. Nádia senta no chão, em frente ao móvel da TV. Nele há alguns livros. Ela passa o dedo pelas lombadas. Retira dois livros da estante. “A invenção de Morel” e “As Cidades Invisíveis”. Ela coloca “A invenção de Morel” de lado e abre “As Cidades Invisíveis”. Uma dedicatória: “Para Fernando, um mapa dos nossos desejos. De muito tempo antes do tempo. Emília”. 6. INT. CASA - QUARTO - NOITE Nádia está sentada na lateral cama. Um abajur está ligado no criado-mudo. Ao lado dele o pequeno relógio. Ela o pega, ajusta a hora para 5:22 e tira as pilhas dele, deixando-o parado. Devolve para o criado- mudo. Nádia começa a desfazer a trança do cabelo. Na cama, ao lado dela, um cartão postal de Palmas (TO). Com o cabelo completamente solto, ela levanta, vai até a estante e pega uma caixa. Nádia sobe na cama e senta de pernas cruzadas com as costas apoiadas na parede. Ela abre a caixa e retira de lá um bolo de postais. São de vários cantos do mundo. Nádia vai passando de


um por um, cuidadosamente. Ela pega o postal que está em cima da cama, o de Santiago, e lê o que tem no verso dele: “Nádia... Precisei cair no mundo e ver as coisas, todas elas, iluminadas. Às vezes penso que vejo coisas que ninguém mais vê. Eu sinto falta de tudo que foi. Te extraño, F.” Ela põe o postal no topo da pilha, coloca dentro da caixa e a guarda na gaveta da cômoda. 7. INT. CASA - QUARTO – DIA Nádia acorda, se vira na cama e fica olhando o espaço vazio ao seu lado. Senta e começa a trançar o cabelo. Levanta e vai na direção da cozinha. Nádia está vestindo uma grande blusa velha escrita “Fui ao Recife e lembrei de você.” Na cozinha, coloca água para esquentar no fogão. Pega a garrafa de café que está em cima da bancada, tira a tampa e a coloca na pia. Abre o armário. Lá tem vários copos e duas canecas. Uma é de cerâmica branca e a outra é um souvenir do Canadá. Ela encara as duas por um tempo, depois pega a branca. 8. INT. CASA – QUARTO - NOITE Nádia está no quarto, em frente do espelho. Ela vai até a estante e pega a caixa de postais. Procura entre os cartões o de Belo Horizonte. Ela retira sua 3x4, agora solitária, que está presa na moldura do espelho, encaixa o postal de Belo Horizonte e em seguida encaixa a foto por cima, como se o cartão fosse um plano de fundo. Olha sua montagem por um tempo. Sai do quarto. 9. INT. CASA – QUARTO – DIA Nádia entra no quarto com uma grande caixa de papelão. Sobre a cama, vários objetos de Fernando. Ela começa a guardá-los na caixa. Forra o fundo com alguns livros, depois guarda algumas roupas e discos.


Nádia encontra um colecionador com lembranças de viagem. As páginas estão cheias de fotos de Fernando com pessoas que ela não conhece, bilhetes de metrô, entrada de museus, passagens de avião. Ela vai olhando todas as páginas com atenção. Para em uma que tem uma cifra de música. Levanta, pega um violão que está pendurado num armador, senta na cama e tenta a cantar e tocar “Tudo que você queria ser – Milton Nascimento”. Ela não acha o tom correto. Recomeça a música mais uma vez e finalmente desiste. Guarda a pasta na caixa. Lacra a caixa com fita adesiva. No criado mudo vemos uma carta com carimbo de devolução, alguns selos canetas e uma carta lacrada. Nádia pega a carta, põe selos nela. Apanha a bolsa que está sobre a cama e coloca a carta dentro e sai. 10. EXT. CASA – DIA Nádia aperta o botão do elevador e espera. Entra no elevador e desce até o térreo. Caminha até a portaria e se dirige a porteiro. Deixa com ele a chave do apartamento na portaria. Caminha até onde sempre guarda sua bicicleta, destranca a corrente, monta e sai pedalando. 11.INT. CASA – TARDE Nádia retorna ao apartamento. Larga a bolsa e as chaves na mesa da sala. Caminha até o quarto e vê a câmera fotográfica de Fernando em cima da cama. Ela pega a maquina, foca na cama e clica. Olha para o visor da câmera para ver a imagem e é tomada de um grande estranhamento ao ver que na fotografia dorme uma moça, que ela não conhece, na cama que naquele momento estava vazia. O quarto também está diferente. É outro. Nádia decide tirar a foto de outro ângulo. Outra vez a moça “invisível” aparece na foto. Ela então se posiciona onde supostamente estaria o rosto da moça. Clica e na imagem aparece um rosto sereno, adormecido. E agora levemente familiar. Nádia vai até a caixa, que está na sala, retira o lacre e pega o colecionador com lembranças de viagem do Fernando. Procura a moça em uma das fotos. Encontra uma fotografia da moça como Fernando em uma praia.


Nádia tira a foto do colecionador e lê o que está escrito no verso: “Eu e a Emília em Alghero, onde tudo começou. Janeiro/04” 12. INT. CASA- SALA – NOITE Nádia está de cabelos soltos, sentada em frente ao computador, descarregando a câmera fotográfica. Ela olha as fotos que tirou a tarde toda. Fotos de uma casa que não existe mais, senão nessas imagens. Nas fotografias Fernando e Emília aparecem em momentos íntimos. Jogam vídeo-game, comem comida asiática, lêem. A mobília está um pouco diferente de como é hoje. Fernando parece feliz. Nádia fecha a pasta das fotos. Clica no ícone da mesma, hesita um pouco e aperta “Delete”. 13. INT. CASA- DESPENSA – DIA Vemos apenas os braços e as pernas de Nádia. Ela está empurrando a caixa com as coisas de Fernando para a dispensa. Ela deixa a caixa lá e fecha a porta. Caminha até o quarto, fecha as cortinas. Vai até a sala e para em frente à janela. Agora podemos ver a cabeça de Nádia. Seu cabelo está curto. Ela tira da bolsa o postal de Belo Horizonte. Olha para ele por um tempo. O guarda na bolsa. Se vira, pega uma mala que está encostada na parede. Abre a porta de casa. Sai. Fecha a porta. FADE OUT.


Equipe Roteiro e Direção Lara Vasconcelos Assistente de direção Leonardo Mouramateus Produção Victor Costa Lopes Fotografia Luciana Vieira Direção de arte Al Mitchu Assistente de Direção de Arte Guilherme Silva Cenografia Samuel Brasileiro e Carol Castro Produção de Objetos Tarcísio Rocha Assistente de Produção de Objetos Breno Baptista Figurino Mariana Nunes Caracterização Vanessa Feitosa Atriz / Performer Nádia Fabrici


Tudo que voce queria ser  

Projeto das duas sequencias de "Tudo que voce queria ser"

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