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1 CULTURA BRASILEIRA 1. A CULTURA BRASILEIRA DA SEMANA DE ARTE MODERNA AOS DIAS ATUAIS: 1.1. Na cultura e nas ciências, o século XX não seria menos revolucionário no Brasil do que em outras regiões do mundo. No início do século, um movimento pelo encontro das raízes nacionais começaria a tomar corpo. Estender-se-ia por diversas décadas, mas teria seu ponto culminante nos anos de 1920. 1.2. Até então, a cultura nacional tinha a França como modelo. Entretanto, as mudanças ocorridas na arte européia acabaria levando artistas brasileiros a iniciarem um movimento de renovação cultural. Destacaram-se nesse movimento os escritores Mário de Andrade e Oswald de Andrade, os pintores Emiliano di Cavalcanti e Anita Malfatti e o músico Heitor Villa-Lobos. O acontecimento mais importante foi a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo em fevereiro de 1922. 1.3. A partir de 1945, nova guinada nas artes nacionais. Parcela das elites paulistana e carioca empenhou-se na formação de grandes empreendimentos culturais, como a fundação de museus de artes plásticas, a montagem de companhias de teatro e de estúdios de cinema. Para esses empreendimentos, eram contratados profissionais estrangeiros, que traziam a vanguarda européia para o público brasileiro. 1.4. O período era de renovação e mudanças. Na literatura surgia um grupo de escritores jovens que ficou conhecido como Geração de 45. Na música popular, a revolução viria na época de Juscelino, com a bossa nova que daria dimensões internacionais à música brasileira. Tão jovem quanta ela, o Cinema Novo abriria caminhos inéditos para nossa sétima arte, enquanto pintores e escultores viveriam um processo de experimentação permanente. Na arquitetura haveria o fenômeno de Brasília, resultado da ação de três criadores singulares: Juscelino Kubitschek, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. 2. A SEMANA DE ARTE MODERNA; 2.1. Em fevereiro de 1922, realizou-se em São Paulo a Semana de Arte Moderna. Durante três dias, artistas brasileiros adeptos da arte moderna apresentaram-se no Teatro Municipal de São Paulo. Os nomes que mais se destacaram na Semana de Arte Moderna fora os dos escritores Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho, Oswald de Andrade; dos músicos Heitor Villa-Lobos e Ernani Braga; dos artistas plásticos Emiliano Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Vítor Brecheret. 2.2. Alguns membros do Partido Republicano Paulista e do jornal Correio Paulistano e uma parcela da nova burguesia paulista e carioca, como Armando Álvares Penteado, Paulo Prado e Alfredo Pujol, apoiaram e financiaram o evento. 2.3. Um dos objetivos do movimento modernista era reagir criticamente contra os padrões arcaicos e à invasão cultural estrangeira que despersonalizava o Brasil. A reação modernista implicava abrasileirar a cultura brasileira. Entretanto como explicava Mário de Andrade: “ Veja bem – abrasileiramento do brasileiro não quer dizer regionalismo nem nacionalismo... pra ser civilizado artisticamente, entrar no concerto das nações que hoje em dia dirigem a civilização da Terra, (o Brasil) tem que concorrer para este concerto com a sua parte pessoal, com o que o singulariza e o individualiza... 2.4. Entre os princípios da Semana de Arte Moderna, estava a defesa da liberdade de expressão e a incorporação das “mais modernas formas de expressão do estrangeiro”, não para copiá-las, mas para recriá-las de maneira própria. A autêntica expressão artística brasileira deveria conter elementos dos diferentes “brasis” : o rural e o urbano, o antigo e o moderno. Em maio do mesmo ano, Mário e Oswald de Andrade ajudaram a fundar a revista Klaxon (buzina de automóvel em francês), para sistematizar e divulgar as idéias modernistas. 2.5. No início do século XX, a cultura francesa dominava os meios artísticos e intelectuais brasileiros. Os principais expoentes de nossa intelectualidade liam e falavam o francês e viajavam constantemente para Paris a fim de realizar seus trabalhos ou buscar inspiração. Os modernistas de 1922 contestavam justamente esse comodismo cultural, essa produção transplantada da Europa.


2 2.6. Para o escritor Mário de Andrade, a cultura de um povo deveria nascer enraizada à sua terra, como um aprofundamento do terreno nacional. Era um protesto contra a mentalidade subserviente, contra o sentimento de inferioridade do brasileiro em relação ao europeu. Era também uma crítica à dominação cultural e política do Brasil pelos estrangeiros. 2.7. Atacavam os sonetos formais do Parnasianismo e utilizavam o verso livre, sem métrica e rima perfeitas. Criticavam o sentimentalismo piegas do Romantismo e os romances científicos de descrição minuciosa do Naturalismo. Acreditavam que a arte não deveria imitar a realidade, mas recriá-la. A literatura não deveria ter fórmulas fixas, arbitrárias, que limitassem a criação artística. 2.8. A Semana de Arte Moderna se deu nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, com exposições de artistas plásticos, apresentação de programas musicais e declamações de versos dos poetas das novas tendências modernistas. O público, acostumado à antiga estética, vaiava. Jornais criticavam. Monteiro Lobato acusava o grupo de mistificador. Mas o Modernismo viera para ficar. 2.9. Depois da chamada Semana de 22, surgiram diversas revistas que articulavam os vários grupos modernistas. Esses grupos se filiaram às correntes estéticas e políticas, como o futurismo – primitivismo, surrealismo, anarquismo, e grupos que passaram do nacionalismo estético para o integralismo (nacionalismo político extremado). A morna vida intelectual da República Velha começava a esquentar, e novas opções estéticas e políticas se abriram para os intelectuais. 3. O MOVIMENTO ANTROPOFÁGICO 3.1. No início do século XX, a cultura francesa dominava os meios artísticos e intelectuais brasileiros. Os principais expoentes de nossa intelectualidade liam e falavam o francês e viajavam constantemente para Paris a fim de realizar seus trabalhos ou buscar inspiração. Os modernistas de 1922 contestavam justamente esse comodismo cultural, essa produção transplantada da Europa. 3.2. Para o escritor Mário de Andrade, a cultura de um povo deveria nascer enraizada à sua terra, como um aprofundamento do terreno nacional. Era um protesto contra a mentalidade subserviente, contra o sentimento de inferioridade do brasileiro em relação ao europeu. Era também uma crítica a dominação cultural e política do Brasil pelos estrangeiros. 3.3. O literato Oswald de Andrade foi outra figura central do movimento. Ironizava em suas obras a submissão da elite brasileira aos países desenvolvidos. Em 1928, lançou com Tarsila do Amaral o Movimento Antropofágico . Esse documento lançado pelos modernistas, que propunha a deglutição (o aproveitamento de tudo que fosse útil) da cultura européia, que seria remodelada pelas entranhas ( a realidade) da terra brasileira. Era comer ou ser comido. 3.4. O episódio histórico que inspirou a utilização do termo antropofágico foi a deglutição, em 1556, do bispo Sardinha (representando a cultura importada) pelos índios brasileiros caetés (representando a cultura genuinamente nacional). Com esse espírito nasceu o trocadilho em cima da frase de Shakespeare To be or not to be, that is the question (ser ou não ser, eis a questão) que, no Manifesto, transformou-se em Tupi or not tupi, that is the question. 3.5. Ao mesmo tempo, intelectuais como Menotti del Picchia e Plínio Salgado seguiam outro rumo. Com tendências nacionalistas, fundaram o Movimento Verde-Amarelo. 4. O MODERNISMO E SUAS ARTES PLÁSTICAS: 4.1. O numeroso grupo dos pintores modernistas, do qual se destacaram Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro, recebeu influência dos movimentos artísticos europeus, como o cubismo. A temática brasileira – mulatas, negros, índios – assumia assim uma nova forma. 4.2. Embora sem participar da semana modernista, a pintora Tarsila do Amaral também foi inspirada pelas novas idéias. A partir de uma viagem a Minas Gerais, realizada em 1924, Tarsila criou um estilo próprio: geométrico na forma, caipira na temática e no uso das cores rosa e azul. Depois de 1928, os quadros da


3 pintora começaram a apresentar figuras desproporcionais, pintadas em cores fortes. A tela Abaporu, denominação indígena para antropófago, data desse período. 5. A MÚSICA E O CINEMA DE 1917 A 1930. 5.1. A música brasileira também conheceu uma renovação semelhante à das artes plásticas e da literatura. O compositor Heitor Villa-Lobos realizou, ainda bastante jovem, uma viagem ao Norte e Nordeste do país, onde pesquisou cantigas folclóricas para utilizá-las em peças musicais: choros, sinfonias, coros e música de câmara. 5.2. Como outros modernistas brasileiros, Villa-Lobos ganhou projeção na Europa e nos Estados unidos, onde regeu algumas de suas composições. No Brasil o músico contribuiu ainda para a renovação do ensino musical nas cidades de São Paulo e Rio de janeiro. 5.3. Nessa época, a música popular alcançava prestígio entre as elites; e a indústria fonográfica se instalava no país. Em 1917, foi gravado pela primeira vez um Samba: Pelo telefone, de Donga. Compositores como Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), autor de Carinhoso, chegaram a ter projeção internacional. Pixinguinha, no início de carreira, tocou em bandas que animavam sessões de um cinema ainda mudo. 5.4. Como em todo o mundo, o cinema firmou-se nessa época como uma das principais formas de entretenimento das populações urbanas. O primeiro filme brasileiro com enredo – Nhô Anastácio chegou de viagem –, ainda da época do cinema mudo, data de 1908. Outros filmes, como O Guarani e Inocência, inspirados em obras literárias, provocaram filas nos inúmeros cinemas da recém-inaugurada avenida Central (atual Rio Branco), no Rio de Janeiro. O tumulto chegava a ser tão grande que a polícia era chamada várias vezes para organizar a multidão. 5.5. Na década de 1920, a indústria cinematográfica norte-americana ganhou projeção mundial, sobretudo a partir de 1927, com o lançamento de filmes sonoros. Apesar da concorrência norte-americana, o cinema brasileiro conseguiu manter-se ativo nos anos 1920 e 1930. 6. A CULTURA BRASILEIRA E A ERA VARGAS: 6.1. O ano de 1930 é marco na vida política nacional. A literatura, as artes plásticas e os trabalhos de muitos intelectuais brasileiros refletem o espírito nacionalista da época. As preocupações voltavam-se para a formação do povo e da nação brasileira e para as condições sociais do país. Os artistas, alguns participantes da Semana de Arte Moderna de 1922, reivindicavam maior liberdade de expressão e condenavam, na maior parte dos casos, os regimes fascistas e as injustiças sociais existentes no mundo. 6.2. Historiadores e cientistas sociais como Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freire abandonaram uma abordagem que privilegiava os heróis nacionais, para se preocuparem com a influência dos povos africanos na formação da cultura brasileira, a participação dos movimentos populares na história nacional e a análise da colonização portuguesa, no contexto da dominação da América pelos povos europeus. 6.3. Em 1934, o interventor do estado de São Paulo, Armando Sales de Oliveira, criou a Universidade de São Paulo (USP). Para iniciar os cursos, foram contratados diversos professores europeus, como o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss. Esses estudiosos tiveram papel de destaque no ensino superior e na pesquisa científica no país. Em 1935, foi fundada a Universidade do Distrito, no Rio de Janeiro. 6.4. Nessa época, um grupo de escritores nordestinos ganhou projeção com obras regionalistas de forte conteúdo social. Os romances de Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz retratavam a dura realidade de personagens do cotidiano brasileiro, como os retirantes, as prostitutas, os mulatos e os pescadores. 6.5. O dia-a-dia, os sentimentos e as sensações serviam de tema para os poetas Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles, que, entre outros, começaram a publicar seus primeiros livros de poesia nessa época. A


4 produção de textos teatrais ganhou destaque na década de 1940, com a obra do dramaturgo Nelson Rodrigues. 6.6. Nelson Rodrigues foi o mais importante autor do teatro brasileiro contemporâneo. Em 1941 escreve sua primeira peça . A Mulher sem Pecado, que apresenta estreita vinculação entre teatro e crônica jornalística, drama e folhetim. Revoluciona a dramaturgia nacional com Vestido de Noiva (1943), Com texto fragmentário, apresenta ações simultâneas em tempos diferentes e coexistência de três planos diferenciados – realidade, memória e alucinação. 6.7. Sua obra teatral foi classificada pelo crítico Sábato Magaldi em peças psicológicas(nas quais se incluem as duas primeiras), peças mitológicas (Anjo Negro, Álbum de Família, ambas em 1946) e tragédias cariocas ( A falecida, de 1954, O Beijo no Asfalto, de 1961). 6.8. A vida pessoal é marcada pela polêmica e pela tragédia: o assassinato do irmão Roberto, a morte do pai, a miséria, os casamentos e amantes, uma filha cega com problemas cerebrais, um filho preso e torturado pelo regime militar que ele defendia. Escreve romances Meu Destino é Pecar e O Casamento. Deixa 17 peças. Publica suas crônicas jornalísticas nos volumes As Confissões de Nelson Rodrigues e O Óbvio Ululante (ambos em 1968). 6.9. Nas artes plásticas, a segunda geração da moderna pintura brasileira iniciou na década de 1930 e atuou num ambiente em que o ímpeto destruidor já se achava arrefecido. A ascensão de Getúlio Vargas propunha, em princípio, um novo Brasil e a arte já estava mais na fase construtiva, em termos de uma proposta modernizante, do que na fase contestatória e destrutiva. 6.10. Já tinha acontecido a Revolução de 1930 e derrubara velhas estruturas não parecia mais, para vários setores sociais daqueles dias, o problema relevante. O modernismo deixara de ser simplesmente um ato de rebeldia para se tornar um verdadeiro processo de renovação cultural no contexto de nossa história recente. 6.11. O nacionalismo lírico foi uma das correntes preponderantes da pintura dos anos 30: como o nome indica, partiu para uma descoberta sentimental e bucólica do Brasil afastado dos grandes centros. Apareceram então pintores como Guinard, especialista em retratar as silenciosas cidades históricas do interior mineiro, e Pancetti, o mestre das paisagens marinhas. Estilisticamente, a pintura se mantinha dentro do realismo visual: mais do que a originalidade da forma, interessava a poesia do conteúdo. 6.12. A combinação nacionalismo-poesia-ingenuidade expressiva desembocaria diretamente, nos anos 40, na chamada Pintura Ingênua, caracterizada pela técnica elementar, absolutamente desprovida de qualquer elaboração intelectual mais profunda, e pelo gosto dos temas e ambientes populares. Representaram bem essa tendência nomes como Alfredo Volpi, Heitor dos Prazeres e, sobretudo, Djanira da Mota e Silva. Esta última distinguiu-se pelo colorido vivo e chapado e pelas representações de pessoas sem rosto, tentando retratar o povo como um todo, como um elemento coletivo e desindividualizado. 6.13. Tendo surgido nos anos 30, Portinari (1903-1962) veio a ser não só o maior de todos os pintores modernos brasileiros como também um dos maiores das Américas e do Mundo. Portinari pode ser considerado um expoente do expressionismo social, à maneira dos muralistas mexicanos Siqueiros e Rivera, mas com uma concepção plástica toda especial. 6.14. Portinari foi sobretudo um gênio eclético: soube, com o mesmo talento, retratar, de maneira carinhosa, um ambiente provinciano em “Futebol” e maneira patética , virulenta e agressiva o drama de todo um povo na série dos Retirantes do Nordeste. Portinari foi a síntese mais perfeita que o Brasil já produziu na pintura, entre o clássico e o moderno, entre o nacional e o universal. 6.15. Em 1936, a partir de alguns esboços do suíço Le Corbusier, dois jovens arquitetos projetaram a sede do Ministério da Educação e Saúde, hoje Palácio da Cultura, no Rio de Janeiro. Eram Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, nomes que a partir de então estariam ligados às maiores realizações da arquitetura e do urbanismo nacional.


5 6.16. A sede do Ministério, de 1936, estava ligada ao racionalismo de Corbusier. Nele predominam as linhas retas e um certo conceito de funcionalidade. Nos anos 1940, liberto desse conceito, Niemeyer alçaria seu próprio vôo, descobrindo a enorme plasticidade do concreto armado. Naqueles anos, projetou o conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, cuja igreja é composta por uma sucessão de curvas que ondeiam sobre o solo, desafiando a lei da gravidade. 6.17. No final dos anos 1950, Niemeyer e Lúcio costa se reencontrariam para construir uma cidade no Planalto central, Brasília. Com todos os defeitos que possam ser apontados, a nova cidade é uma das grandes realização nacionais. A parte de planejamento urbano coube a Lúcio Costa; e a edificação ficou a cargo de Niemeyer. 6.18. Em Brasília, Niemeyer explorou toda a plasticidade do concreto, projetando seus edifícios em curvas brancas tão leves que parecem pássaros prestes a levantar vôo. Em suas próprias palavras, inspirava-se para isso na natureza, no perfil das montanhas, nas eternas “ curvas da mulher amada”. 7. A LITERATURA PÓS 1945 7.1. Durante os anos de 1940, escritores já consagrados, como José Lins do Rego, Jorge amado, Graciliano Ramos e Érico Veríssimo, prosseguiam em sua obra, marcada em maior ou menor grau pelo regionalismo herdado dos anos 1930. Enquanto isso, entrava em cena um grupo de jovens poetas e escritores mais preocupados com a forma literária do que com o conteúdo social eu havia impregnado os romances do ciclo regionalista. Alguns se destacaram, como o poeta Lêdo Ivo. Mas a principal figura da Geração de 45, segundo o crítico Alfredo Bosi, é o poeta João Cabral de Melo Neto. Fugindo à tendência dominante do grupo, João Cabral abordaria os problemas sociais em obras como Morte e vida severina (1955). 7.2. Em 1956, veio à luz uma das obras mais importantes da literatura em língua portuguesa: Grande Sertão: veredas, romance de João Guimarães Rosa, autor que marcou profundamente a literatura brasileira. Ao lado dele, destacou-se também Clarice Lispector, que publicou Laços de família, em 1960. 7.3. Ainda nos anos 1950, estrearam diversos autores novos, entre os quais Autran Dourado, Lygia Fagundes Teles, Dalton Trevisan. Antônio Callado seria outro destaque, particularmente por seu romance Quarup (1967). 7.4. Sob a influência dos poetas de vanguarda norte-americanos, um grupo de intelectuais brasileiros - qual despontavam os irmãos Haroldo e Augusto de Campos – criou a poesia concreta por volta de 1957. O concretismo valorizava o aspecto gráfico e a sonoridade das palavras na poesia: o som, o tamanho, a cor e a forma das letras, assim como sua distribuição espacial no papel. Outro nome importante da poesia é o de Ferreira Gullar. Sua obra é marcada pela preocupação social e pelo sentimento de que o poeta pode, ele também, mudar o mundo. 8. DOS MUSICAIS AO CINEMA NOVO: 8.1. Em 1941, com a criação da Companhia Atlântida Cinematográfica, por um grupo do Rio de janeiro, o cinema nacional ganhou novo fôlego. As comédias musicais dessa época, inspiradas nos filmes americanos, à imagem do modelo hollywoodiano, transmitiam uma imagem do Brasil alegre e despreocupada, onde as diferentes raças conviviam harmoniosamente e era possível a ascensão social. 8.2. Esse gênero de filmes, pouco respeitado pelo público de formação intelectual, passou a ser designado como chanchada. A principal dupla de atores dos estúdios da Atlântida era formada apor Grande Otelo e Oscarito. ( O filme Nem Sansão Nem Dalila, dirigido por Carlos Manga, com o ator Oscarito, era um típico exemplo de chanchada que enchia os cinemas brasileiros. 8.3. Em 1949, foi criada em São Paulo a Companhia Vera Cruz, cujo primeiro filme foi Caiçara, dirigido por Adolfo Celi e lançado em 1950. Sua produção mais famosa, porém, seria O cangaceiro, dirigido por Lima Barreto, que conquistou em 1953 o prêmio especial do Festival Internacional de Cinema de Cannes na


6 França. Um outro filme produzido pela Vera Cruz e que teve reconhecimento internacional, foi o Pagador de Promessas. 8.4. Foi nos anos 60 que um grupo de jovens intelectuais cineastas começaram a discutir um novo caminho estético e político para se retratar os problemas do Brasil. Nasceu desta forma o Cinema Novo. Diretores como Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas), Rui Guerra (Os Fuzis) e, principalmente, Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Santo Guerreiro Contra o Dragão da Maldade, Terra em Transe), reconhecidos internacionalmente, utilizaram-se de manifestações da nossa cultura popular e nacional, muitas vezes de forma alegórica, como base para a elaboração de suas obras, que denunciavam as nossas desigualdades sociais e ressaltavam as nossas especificidades culturais. 9. A MÚSICA: 9.1. Tal como as artes plásticas, igualmente a música se debateu, por muito tempo, entre o nacionalismo e o vanguardismo internacional e as polêmicas foram ásperas e prolongadas. 9.2. Em 1923, Villa Lobos esteve na Europa e tomou conhecimento das correntes de vanguarda da época, fazendo amigos valiosos como Rubinstein, Stokovsky, Florent Schmitt, Ravel, etc. De volta ao Brasil em 1930, dinamizou o ensino musical no Rio de Janeiro e criou o canto Orfeônico. Durante o Estado Novo, prestou relevantes serviços ao sistema vigente reunindo e regendo imensos corais escolares em festas oficiais, com a presença de autoridades. Mesclando a herança popular e folclórica com um estilo ousado e inconfundível, Villa Lobos criou uma obra de valor desigual, mas duradoura em seu conjunto. 9.3. Da obra do mestre ficarão as nove Bachianas Brasileiras como o mais perfeito exemplo de síntese entre o nacionalismo e o universal em sua música. As Bachianas aliam o espírito brasileiro mestiço e tropical ao estilo pré-clássico. Combinam a monumentalidade, humanismo e misticismo do saxão com o espírito rebelde do brasileiro. 9.4. “As ogivas e volutas da catedral bachianas revestiram-se de um timbre jamais ouvido: saiu Bach moreno e requeimado de Trópico, elanguescido de luares seresteiros, assentando em bordões sonoros, despedaçadores de violão – a s ogivas e volutas pré-clássicas são ali substituídas por sinuosos coleios de lianas e cipós bravos” ( Andrade Muricy, contracapa do disco Angel, série As Bachianas Brasileiras). As Bachianas são obras “deliciosamente anacrônicas” (Marcel Marnat, mesma fonte). “Quando a razão as rejeita, o coração as conhece e perdoa; são obras que nada tem de agressivo – o motivo de sua popularidade está no espírito vivo, honesto e eternamente jovem” (Murilo Mendes, mesma fonte). Talvez se possa dizer que as Bachianas Brasileiras eqüivalem, na música erudita latino-americana, às Sinfonias de Beethoven na música erudita européia. 9.5. Dotado de um talento que o coloca numa posição singular em relação a todos os modernos compositores brasileiros, Villa Lobos ficará como uma das heranças mais valiosas em toda a história de nossa arte. 9.6. Em 1958, a música brasileira dá o seu grande passo estético com a chegada da Bossa Nova. Esse gênero era fruto da produção de jovens da classe média urbana do Rio de janeiro. Eles cantavam sua realidade, próxima de pequenos problemas existenciais e amorosos, afastando-se de temas tradicionais da música popular, como a malandragem, próprios do samba do morro. Era a vez dos barquinhos, cantinhos e violões. Recebe influência do Jazz, retrabalha o samba e inventa uma batida sincopada no violão. E também o tempo em que a poesia da MPB dá o seu grande avanço: o poeta Vinícius de Moraes faz o trajeto da literatura para a música sem perda de qualidade. O LP chega de saudade de João Gilberto é um marco. 9.7. Em 1964, enquanto russos e americanos competiam na conquista do espaço. Ângela Maria cantava “ A lua é dos namorados”, requerendo a lua para os românicos e banindo os invasores. 9.8. Ainda em 1961, seis meses após sua posse, Jânio Quadros renuncia à presidência e em seu lugar João Goulart assume com poderes limitados. Em 31 de março de 1964 tropas militares saem de Minas e São Paulo e marcham sobre a Guanabara. Estava deflagrado o golpe militar que deporia Jango. O General Castelo Branco era o novo comandante da nação. Maria Bethânia grava Carcará, dando início à música


7 de protesto, e Roberto Carlos comandava a rebeldia da juventude cantando E que tudo mais vá pro inferno. O movimento comandado por Roberto Carlos ficou conhecido como Jovem Guarda, e contava além de Roberto Carlos com artistas como: Wanderléia (a ternurinha) e Erasmo Carlos (o tremendão). Repetiam de forma mimética, aqui, o que acontecia com o rock dos Beatles na Inglaterra. O iê-iê-iê, como também ficou conhecido o gênero, não tinha nenhum comprometimento político. 9.9. Em 1966 Chico Buarque vence o Festival da Record com a música A Banda. Para o crítico Affonso Romano, em Chico a música funciona como uma construção onde as imagens reafirmam uma música rompendo o silêncio do cotidiano e fazendo falar verdades. A música é o espaço da carnavalização (mistura) e conscientização. 9.10. No Terceiro Festival de Música da Record, em 1967, Caetano canta “Alegria, alegria”. Pela primeira vez acordes de guitarra acompanham uma MPB de poesia fragmentada e radicalmente moderna. Em 1968 n 3º FIC, Caetano canta É proibido proibir. No mesmo festival Geraldo Vandré empolga o Maracanãzinho com a música Prá não dizer que não falei de flores, de forte apelo político-ideológico e harmonia simples. 9.11. Se com a Bossa Nova ganhamos a poesia de Vinícius, no tropicalismo um poeta maluco desfolha a bandeira fazendo uma geleia geral com fragmentos poéticos de Brasil. É Torquato Neto, autor de Marginália II. 9.12. O tropicalismo foi um movimento inspirado no “Manifesto Pau-Brasil”, da Semana de Arte Moderna, de 1922, do poeta Oswald de Andrade. O Tropicalismo criou uma estética antropofágica contemporânea, que procurava deglutir os movimentos de vanguarda vindos de fora do “primitivismo” da cultura popular brasileira, a partir de uma relação de contrastes entre o moderno e o arcaico, o místico e o industrializado, o primitivo e o tecnológico. Suas alegorias e sua linguagem metafórica criavam um humor crítico (paródia) que tentava superar a polarização entre as posições estéticas defensoras da cultura engajada e da cultura de massa. 9.13. O disco manifesto do movimento, Tropicália ou panis et circensis, lançado em 1968, soa revolucionário até hoje, tendo se tornado a síntese das propostas estéticas da linguagem tropicalista. Os diversos procedimentos e efeitos da mistura promovida pelo movimento comparecem neste LP – carnavalização, festa, alegoria do Brasil, crítica musical, crítica social, cafonice – compondo um ritual antropofágico (de devoração) do painel cultural brasileiro. Desse LP participaram além do grupo baiano (Caetano, Gil, Gal, Bethânia), Tom Zé, Torquato Neto, Capinam, Os Mutantes, o maestro Rogério Duprat e Nara Leão (Musa da Bossa Nova), mostrando uma salada musical, com espaço para o rock, o samba, o bolero e a canção romântica. Como dizia Torquato Neto, poeta da Tropicália, “existem muitas maneiras de fazer música e eu prefiro todas.” 9.14. Mas a maioria do público não entendia o movimento. Odiado pela direita, por causa das suas atitudes provocadoras, e longe dos padrões estéticos restritos da cultura engajada proposta pela esquerda, a Tropicália pagaria o preço de sua ousadia com o seu próprio fim. O confronto aconteceu numa noite de 1968, no TUCA (Teatro da Universidade Católica de São Paulo), durante o 3º Festival Internacional da Canção. 9.15. A platéia, formada em sua maioria por estudantes universitários de esquerda, recebe Caetano Veloso (vestido com roupa de plástico verde e preto) com vaias. A reação dos estudantes, durante a interpretação de è Proibido Proibir (uma das palavras de ordem do Maio de 68 francês), foi uma verdadeira agressão com ovos, tomates e bolas de papel atirados ao palco. Caetano Veloso acompanhado pelas guitarras distorcidas de Os Mutantes, interrompeu a sua apresentação e explodiu em um discurso inflamado, denunciando o patrulhamento ideológico e o conservadorismo político-cultural das esquerdas: “ Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder! Vocês têm coragem de aplaudir este ano uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem... Vocês não estão entendendo nada, nada, nada. Absolutamente nada! (...) O problema é o seguinte: estão querendo policiar a música brasileira. Mas eu e Gil já abrimos o caminho (...) Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim, entendeu? Só queria dizer isso, baby, sabe como é?


8 Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? E vocês? Se vocês em política forem como em estética, estamos feitos! (trecho da música: a mãe da virgem diz que não. E o anúncio da televisão. Estava escrito no portão. E o maestro ergueu o dedo. E além da porta ao porteiro. Sim. E eu digo não. E eu digo não. Ao não. E eu digo é Proibido proibir. É proibido proibir .....) 9.16. Assim é que, sem incorrer no discurso militante de esquerda, na música de protesto nem no “comercialismo” do iê-iê-iê, a Tropicália trabalhou a política e a estética num mesmo plano, mostrando as contradições da nossa modernização subdesenvolvida a partir de uma outra forma de arte isso pode ser exemplificado pela música Tropicália (1968) de Caetano Veloso, uma espécie de símbolo e síntese das idéias do movimento. ( “sobre a cabeça os aviões, sob meus pés os caminhões> Aponta contra o chapadão meu nariz.....”) 9.17. A reação dos militares ao clima da época vem em 13 de dezembro de 1968 – o ano que não terminou – com a instauração do AI-5. Gil e Caetano são presos e se exilam na Inglaterra. Chico segue para a Itália. A década de 70 se inicia com um grande vazio cultural, com a conquista da copa do Mundo e as campanhas ufanistas de Médici: Eu te amo meu Brasil. 9.18. O exílio mexeu com a cabeça de nossos compositores. Em 1970 Chico compõe Apesar de Você – a cara daquele tempo. Em 1971, com a música Construção, Chico tece um desenho trágico-mágico do cotidiano brasileiro. A cabeça sidera de Caetano também havia mudado. Em 1973: “Ele lê o destino através do labirinto de labirintos da linguagem, do labirinto das canções. É assim que ele penetra fundo nas existências.” 9.19. Outra música que marcou aqueles tempos difíceis foi Sinal fechado de Paulinho da Viola de medo, de discursos vazio, letras e harmonia perfeitas. 9.20. Em 1978 Caetano grava Sampa. Passeando por São Paulo dez anos após o tropicalismo, ele lembra de quando chegou na terra da garoa. Faz referências à poesia dos irmão Campos, ao Teatro Oficina, ao samba italianizado, aos Novos Baianos e à Rita Lee: influências no seu destino. 9.21. Em 1979 se dá a mobilização pela anistia. A canção O Bêbado e o Equilibrista, imortalizado na voz de Elis Regina, é um retrato fiel dessa época. Em 1984 os comícios pelas Diretas Já levam o povo para as ruas. A música Vai Passar de Chico registra magistralmente esse instante. 9.22. Nos anos 80 é o Rock quem dá as principais respostas à situação brasileira. Em suas letras continuam a existir a preocupação política e estética da década anterior. 9.23. Em 1992 os estudantes voltam às ruas pedindo ética e democracia. Caminham e cantam ao som de Vandré: pintam os rostos como num ritual indígena cheios de alegria, alegria; cantam Chico Buarque, Legião Urbana e Titãs; soltam a energia com a música baiana. Além da nossa música popular nosso jovens sempre estiveram ligados ao Pop internacional . Os jovens de hoje são mais bem humurados que os da geração 68. Não estão presos a ideologia nem a liderança políticas, mas continuam fazendo história ao som de muita música. 10. O TEATRO 10.1. Em 1962, a União Nacional dos Estudantes (UNE) criou o Centro Popular de Cultura (CPC), que se propunha a entender a oposição cultural entre um Brasil atrasado (agrário) e um Brasil moderno (industrializado). Esse movimento exerceu grande influência sobre jovens universitários que se “convertiam” em artista e músicos. Nascia assim o conceito de arte engajada politicamente. A arte deveria ser uma arma política para combater o poder burguês. 10.2. Essa concepção influenciou o teatro surgindo o movimento do Teatro de Arena com Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Oduwaldo Vianna Filho; o Grupo opinião, que promovia espetáculos musicais politicamente engajados, protestando contra o regime militar. 11. MUSEUS E BIENAIS


9 11.1. Em 1947, o empresário Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários Associados, grande cadeia de rádios e jornais, fundo o Museu de Arte de São Paulo (Masp). Para administra-lo, contratou o professor italiano Pietro Maria Bardi. O objetivo de Chateaubriand ao fundar o museu era desenvolver o gosto do brasileiro pela arte e, ao mesmo tempo, sofisticar a visão artística das elites. 11.2. No ano seguinte, o industrial paulista Francisco Matarazzo Sobrinho criou o Museu de Arte Moderna (MAM). Três anos mais tarde, em 1951, Matarazzo foi um dos responsáveis pela realização da I Bienal Brasileira de Artes Plásticas, com mostra de obras brasileiras e estrangeiras. 11.3. Os museus e as bienais colocaram o público brasileiro em contato com a obra de artistas internacionais de grande expressão, Pablo Picasso e Paul Klee, entre eles, Colaboraram, igualmente, para que pintores e escultores nacionais acompanhassem de perto as últimas novidades de Paris, Londres e Nova York. Tornaram familiares para o grande público os trabalhos de artistas brasileiros, como Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Manabu Mabe, Alfredo Volpi, Marcelo Grassmann e Fayga Ostrower. E propiciaram a cristalização de um mercado de consumo para a produção artística, estimulando a formação de galerias para a venda de obras de arte. 12. A TELEVISÃO 12.1. A transmissão das primeiras imagens por televisão no Brasil ocorreu no dia 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi de São Paulo. O responsável por mais esse empreendimento foi Assis Chateaubriand. 12.2. Na década de 1960, a programação das emissoras – eram três em São Paulo (Tupi, Paulista e Record) e uma no Rio de Janeiro (TV Rio) – começava a se aprimorar. Com muitos artistas vindos do rádio, produziam-se programas jornalísticos, de auditório, musicais, telenovelas e teleteatro. 12.3. Em 1965, a TV Record deu início a uma série de festivais de música popular brasileira, que revelaram o talento de jovens compositores e cantores, entre eles Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Edu Lobo, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Elis Regina e Milton Nascimento. Por essa época, começava a projetar-se a sombra da TV Globo, que logo se tornaria nossa maior fábrica de sonhos e ilusões.


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QUESTÕES PROPOSTAS

1. O que foi a Semana de Arte Moderna e quais os princípios defendidos nela? 2. Quais as principais mudanças corridas na década de 1930? 3. Como eram os filmes produzidos pela Companhia Atlântida Cinematográfica? 4. Qual o significado da Bienal de Artes para o Brasil? 5. Que aspectos literários a poesia concreta valorizava? 6. Cite três escritores brasileiros que se destacaram entre os anos 1940 e 1960 e o título de alguma de suas obras. 7. O que foi o cinema Novo?

RESPOSTAS

1. A Semana de Arte Moderna foi o acontecimento mais importante da renovação cultural iniciada no século XX. Realizada em fevereiro de 1922, durante três dias artistas brasileiros adeptos da arte moderna apresentaram-se no Teatro Municipal de São Paulo. Alguns dos princípios da Semana eram; defesa da liberdade de expressão e recriação das formas de expressão vindas do exterior, de forma que a expressão artística apresentasse aspectos dos diferentes “brasis”. 2. Na década de 1930, os trabalhos de muitos intelectuais brasileiros de diferentes áreas (escritores, pintores, etc.) começaram a refletir um espírito nacionalista. As maiores preocupações voltavam-se para a formação do povo e da nação brasileira e para as condições sociais do país. 3. Os filmes eram comédias musicais que se inspiravam nos filmes norte-americanos e que transmitiam a imagem de um Brasil alegre, onde as diferentes raças conviviam hamonicamente e era possível a ascensão social. 4. As bienais de artes, em geral, proporcionaram ao público e aos artistas brasileiros a oportunidade de entrar em contato com obras de importantes artistas europeus e norte-americanos. Além disso,


11 tornaram nossos pintores e escultores mais conhecidos do público brasileiro e propiciaram o surgimento de um mercado de consumo para a produção artística. 5. O concretismo valorizava o aspecto gráfico e a sonoridade das palavras e versos na poesia: o som, o tamanho a cor e a forma das letras, assim como sua distribuição espacial no papel. 6. João Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: veredas; Clarisse Lispector, autora de Laços de família; e Antônio Callado, com seu romance Quarup. 7. O Cinema Novo foi um movimento promovido por jovens cineastas nos anos 1950 que procurava tratar de temas sociais, utilizando como fonte de inspiração o neo-realismo italiano.

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