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MORADIA ESTUDANTIL PARA A UNIVERSIDADE DE Sテグ PAULO


MORADIA ESTUDANTIL

PARA A UNIVERSIDADE DE Sテグ PAULO

Trabalho Final de Graduaテァテ」o


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

MORADIA ESTUDANTIL PARA A UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Trabalho Final de Graduação

LARA AQUILINO BARRETO REIS Nº USP 4262150 Orientadora: Profª. Drª. Anália Amorim

São Paulo 02 de Dezembro 2015


Resumo O trabalho final de graduação em questão consiste no desenvolvimento de um projeto de uma nova moradia estudantil para a Universidade de São Paulo, localizado na região da Santa Efigênia, no centro da cidade de São Paulo. O projeto visa suprir parte do déficit atual de vagas de moradia da USP, atendendo estudantes de qualquer campus ou polo de pesquisa da universidade, além de inserir e contextualizar os estudantes e a própria USP na dinâmica urbana da cidade de São Paulo.


Agradecimentos Agradeço primeiramente à minha orientadora Anália Amorim por ter me acompanhado durante este ano de realização do TFG, e o modo como ela me guiou, ensinou e instruiu com excelência contribuindo para a elaboração do trabalho. Agradeço muito aos meus pais Tarcísio e Valéria, pois sem eles nada disso seria possível, às minhas irmãs Beatriz e Débora, e à minha família como um todo pela compreensão e apoio em todas às decisões e pela paciência nessa jornada que realizei durante todo o curso de arquitetura. Minhas amigas e companheiras de faculdade, Fernanda, Bruna, Nathália e Cindy, que fizeram com que os anos de graduação fossem mais divertidos e prazerosos. Agradeço a Karina pela grande ajuda nas tardes de TFG e por ser essa amiga companheira e sempre disposta a auxiliar. A Nathália, já arquiteta, que nos acolheu na sua casa em muitos almoços e noites de trabalho e que sei que essa amizade continuará pela vida. Não teria superado os dias de crise sem as mensagens e todo o apoio da Mariana Panseri também. A Cindy eu tenho que agradecer e muito. Primeiro por ser companheira de todos os momentos e situações, de caronas, de tudo, pois não imagino como teriam sido esses anos sem ela. Agradeço a compreensão e paciência pelas indecisões e teimosias, e por termos seguido em todos os momentos juntas, na FAU, no intercâmbio, no estágio, na conclusão do TFG, e agora e daqui para a vida, tanto pessoal como profissional. Muitíssimo obrigada Camilla, Jeniffer e Fernanda por terem contribuído e acompanhado tudo o que já conquistei e pelo companheirismo de sempre, as quais foram imprescindíveis nestes anos. O auxílio e conhecimento da Fê também foi fundamental para o resultado do trabalho. Um grande obrigada à minha amiga Fernanda Cretella pelo auxílio, paciência e risadas, que foi fundamental para a conclusão deste trabalho. E por fim, não menos importante, um agradecimento especial à Flávia, uma grande amiga e agora companheira de profissão, que me ajudou em muitas etapas do TFG e do curso, com muita paciência, dedicação e carinho tanto em situações de trabalho como de lazer e que sei que ainda vamos trabalhar e passar por muitos momentos juntas. Obrigada a todos que contribuíram de alguma forma para esta minha conquista!


Sumário 13 1. Introdução 14 16

Moradia Estudantil O alojamento estudantil no Brasil e no cenário internacional

19 2. A Universidade de São Paulo 23 24

Os Campus e centros de pesquisa de São Paulo O Conjunto Residencial da USP – CRUSP

31 3. Terreno do projeto 32 Localização 35 O Centro de São Paulo: requalificação e transformação 36 Levantamento de dados: estudos do entorno 36 Implantação do terreno 37 Fotos do terreno e do entorno 39 Mapa de Transportes 40 Mapa de Equipamentos 41 Análise da topografia da região 42 Análise da Insolação 43 Diretrizes do Plano Diretor Estratégico

45 4. O projeto 46 A Moradia Estudantil 50 O Progama 52 Implantação 54 Tipologias


56 Planta Térreo 58 Planta andar tipo 01 60 Planta andar tipo 02 62 Planta andar livre 64 Planta apartamento individual 65 Planta apartamento compartilhado 66 Planta apartamento familiar 66 Planta apartamento PNE compartilhado 68 Corte AA 70 Corte BB 72 Corte CC 74 Elevações

77 5. Conclusão 81 6. Maquete Eletrônica: Imagens 95 7. Referências de projeto 92 93 94

Alojamento Estudantil da Universidade de Lisboa Projeto do Grupo SP Arquitetos para o concurso Moradia Estudantil UNIFESP Projeto do Grupo SP Arquitetos para o concurso Moradia Estudantil UNIFESP

101 8. Bibliografia


Moradia Estudantil A partir da experiência obtida em um intercâmbio realizado em Lisboa, Portugal, foi possível ter contato e visualizar diversas referências arquitetônicas de qualidade presentes em diversas cidades da Europa. A vivência do cotidiano de um estudante que mora sozinho, estuda longe do contato da família e amigos, em uma nova universidade, fez com que despertasse interesse a respeito dos diversos aspectos sobre essa “vida de estudante”. Além disso, nas viagens por alguns países da Europa, foi possível perceber e visitar diversos edifícios de alojamentos estudantis que atendiam as demandas das universidades, tinham ótimas resoluções arquitetônicas e era perceptível que faziam parte da vida e do dia-a-dia dos estudantes.

A vivência na Cidade Universitária de São Paulo durante os anos de graduação também

contribuiu para observar a dinâmica do cotidiano universitário. Em relação a moradia estudantil da USP em São Paulo, pode-se perceber que o número de vagas disponível é escasso em relação ao número de alunos existentes, levando-se em conta o campus Armando Salles de Oliveira, a Faculdade de Direito, a Faculdade de Medicina, a EACH e todos os polos de pesquisa e apoio da universidade. A USP em São Paulo possui 41149 alunos de graduação matriculados e 24514 alunos de pós graduação. Segundo o Anuário Estatístico da USP de 2013, o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP) possui 1692 vagas, o que representa 2,5% do número total de alunos. Diante desses dados pode-se perceber que existe um grande déficit de vagas de moradia estudantil. Os alunos que se candidatam às vagas do CRUSP aguardam por longos períodos e muitas vezes acabam não tendo êxito no processo. Já foram realizados diversos movimentos, greves e atos que reivindicam mais vagas e consequentemente mais condições de moradia para os estudantes da USP. Sabe-se também que os alojamentos estudantis devem fornecer vagas a apenas uma parcela do total de número de alunos, mas considerando o porte da Universidade de São Paulo, a questão da universidade inclusiva e o número de alunos matriculados fica evidente que é necessário uma ampliação do número de habitações destinadas aos estudantes. Proporcionar condições adequadas aos universitários que necessitam auxílio de moradia durante o período acadêmico é um dever da universidade. No Brasil ainda há uma desvalorização e falta de investimento neste setor, de modo este quadro merece atenção especial a fim de a atender num aspecto global às necessidades do aluno universitário que, muitas vezes, desiste por falta de condições financeiras. O ideal seria funcionar do mesmo modo que em outros países e em até

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algumas universidades brasileiras, onde ter acesso à residência estudantil é praticamente inerente ao processo de ser um aluno universitário. Muitos dos alojamentos estudantis observados na Europa estavam localizados fora do campus ou afastados dos edifícios acadêmicos da Universidade, devido a questões de localização e proximidade com os centros urbanos, distinto do padrão mais comum que encontramos em muitos campi do Brasil. Esse aspecto coloca em pauta a questão da relação entre as universidade brasileiras e as cidades em que estão inseridas.

Tabela 11.01

Moradia estudantil, em 2013

Campus

Bolsas Auxílio Moradia

Bauru Lorena Piracicaba

Vagas de Moradia

Total

0

60

60

142

0

142

2

177

179

Pirassununga

102

132

234

Ribeirão Preto

399

390

789

São Carlos

193

252

445

1.243

1.692

2.935

399

0

399

2.480

2.703

5.183

São Paulo São Paulo - EACH Total Processado em: 04/2014 Inclui as vagas destinadas aos alunos de Pós-Graduação. Fonte: CODAGE

Nº VAGAS CRUSP 1.692

2,5% Nº ALUNOS USP = 65.633

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O número insuficiente de vagas de moradia oferecidas na Universidade de São Paulo, aliado às percepções acerca da moradia estudantil tanto no Brasil como na Europa e à experiência como estudante, promoveram o interesse em desenvolver uma nova moradia estudantil para a USP São Paulo em um local fora do campus Armando Salles de Oliveira, de modo que seja inserido de forma adequada na malha urbana da cidade. Assim acredita-se que o projeto em questão seja também um precursor de outras unidades de moradia estudantil de modo que dissemine esse tipo de habitação pela cidade, ocupando-a e tornando democrática a existência de moradias adequadas para estudantes.

O alojamento estudantil no Brasil e no cenário internacional A moradia estudantil no Brasil é marcada por uma grande diversidade de formas e aspectos da maneira de habitar. Atualmente existem cerca de 115 residências estudantis, desde as pequenas casas que compõem as repúblicas estudantis até os alojamentos estudantis maiores e mais complexos

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que compõem diversos edifícios. Devido a questões históricas, culturais, políticas e econômicas muitas universidades no Brasil quando dispõem, oferecem poucos edifícios destinados à moradia dos estudantes. Assim é possível notar que os alunos acabam se estabelecendo em outros tipos de moradia, como as repúblicas, pensionatos, entre outros. Já no cenário internacional é possível perceber que as Universidades destinam um investimento maior em moradia estudantil, uma vez que grande parte delas possui alojamentos e a maioria dispõe de um número de vagas adequado ao número de alunos, além é claro, da infraestrutura e arquitetura de qualidade que apresentam. Alguns dos edifícios estudantis internacionais tiveram grande importância em se tratando de arquitetura. O Pavilhão Suíço de Le Corbusier na Cidade Universitária de Paris se tornou um símbolo e uma grande referência do Movimento Moderno devido a sua linguagem arquitetônica1. A Casa do Brasil também na Cidade Universitária de Paris, de Le Corbusier e Lucio Costa, representa a relação entre Le Corbusier e o Brasil. O Projeto apresentou elementos característicos da arquitetura moderna brasileira2, ao mesmo tempo que iniciou uma nova vertente dos trabalhos de Corbusier que podem ser notados nos projetos do Convento de La Tourette e a Unidade de habitação de Marseille. Porém, não se pode deixar de lado os alojamentos brasileiros que são de grande importância e significativos para algumas universidades, como por exemplo o CRUSP, conjunto residencial da USP, A Casa do Estudante Universitário da Universidade de Brasília, o conjunto residencial da UNICAMP em Campinas, entre outros. Vale ressaltar que o CRUSP e a Casa do Estudante da UNB receberam, na sua elaboração, grande influência da arquitetura moderna europeia, de modo que esta trouxe elementos característicos da arquitetura moderna que foram aplicados na elaboração desses projetos no Brasil. Apesar de apresentar alguns edifícios de qualidade arquitetônica, as universidades brasileiras apresentam um déficit em relação a disponibilidade de vagas de moradia estudantil e falta de investimentos. Assim torna-se necessário, dentro do escopo de cada universidade, criar novos espaços de moradia estudantil para abrigar os alunos com qualidade e fomentar a necessidade de valorização e construção de uma vida acadêmica qualificada.

1

(Júnior, 2003) pag.03

2

(Júnior, 2003) pag.06

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A Universidade de São Paulo foi criada em 1934 e hoje é uma das instituições de nível superior mais reconhecidas e de grande importância para o ensino e educação no Brasil. Em 1935 o governador Armando Salles de Oliveira iniciou o processo de desenvolvimento do plano de urbanização e formação da Cidade Universitária. Até então as faculdades eram espalhadas pela cidade São Paulo. Com o crescimento populacional e o adensamento na cidade tornou-se necessária a formação de um local de estudos, seguindo o exemplo de cidades estrangeiras tanto da Europa como dos Estados Unidos. Em 1954 tornou-se possível viabilizar algumas obras como a avenida de entrada e o edifício da reitoria3. O processo de construção do campus do Butantã foi marcado por projetos que não foram realizados ou que ficaram incompletos, inclusive o próprio conjunto residencial da USP (CRUSP), que não executou todas as ideias e as propostas do projeto inicial. Em 1956, o arquiteto Hélio de Queirós Duarte realizou uma proposta de replanejamento do campus3. O arquiteto propôs como principal solução o desenvolvimento de um centro principal para a cidade universitária, o que chamou de core, o “coração” da universidade. Ele serviria como conexão entre os diferentes setores existentes, complementando as outras propostas de caráter mais funcionalistas e trazendo maior integração e sociabilidade para o campus, mas ainda mantendo a formação da cidade universitária por setores de afinidade acadêmica. Foram desenvolvidos alguns projetos para esse centro, porém mais uma vez não foram executados. Até 1962 algumas outras obras foram concluídas, como o laboratório de Hidráulica, entre outros. Durante a década de 1960 outros projetos foram executados como o edifício de História e Geografia, projeto de Eduardo Corona, também não exatamente do jeito que foram planejados, e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, projeto do arquiteto Vilanova Artigas3. Vale destacar que muitos dos projetos que não foram realizados, transformaram de forma significativa as propostas de composição da cidade universitária. Os projetos buscavam solucionar as dificuldades de integração e comunicação entre as unidades espalhadas pelo local. Havia um projeto que interligava as faculdades, por meio de térreos compartilhados, como uma rua, jardins e pátios que compunham um conjunto interligado proporcionando a convivência universitária. Porém, só foram executados o primeiro e o ultimo edifício desse projeto, perdendo assim a ligação entre as unidades. Devido as condições politicas da década de 1960, muitas ideias iniciais foram modificadas. A Faculdade de Filosofia foi transferida para a Cidade Universitária após ser invadida na unidade da rua Maria Antonia, iniciando assim um processo de construções de instalações improvisadas no campus, onde algumas delas continuaram existindo até hoje. Nesse cenário o CRUSP também foi construído em 1963, porém apenas metade do planejado foi realizado.

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(Universidade de São Paulo Centro de Preservação Cultural, 2005) págs. 61-67 3


Na década de 1970 com o desenvolvimento do Fundusp, Fundo de Construção da Universidade de São Paulo, outros edifícios foram viabilizados, muitos deles seguiram a proposta do modelo de pré-fabricação que estava em vigor na época, contribuindo para o panorama econômico da cidade de São Paulo. Nas décadas seguintes, com o adensamento dos demais setores da Cidade Universitária, começaram a surgir novas questões de gestão e planejamento em relação a segurança e violência urbana, que qualquer cidade em crescimento apresenta, de modo que o seu “isolamento físico não é garantia de qualidade de vida” (Universidade de São Paulo Centro de Preservação Cultural, 2005) pag. 68. A Cidade Universitária da USP apresentou diversos empecilhos para o desenvolvimento de seu espaço físico. Com as diversas mudanças de planejamento e atropelos dos projetos, vale colocar em questão se foi possível estabelecer uma Universidade integrada, ou apenas um conjunto de Faculdades isoladas. (Universidade de São Paulo Centro de Preservação Cultural, 2005) A Cidade Universitária apresenta aspectos e comportamento como uma cidade qualquer, porém, é uma cidade voltada internamente para a produção e desenvolvimento do ensino e educação, e que visa devolver o conhecimento para a sociedade. Atualmente o campus Armando Salles de Oliveira apresenta questões complexas que estão em pauta de diversas discussões, pois a gestão atual criou um ambiente fechado e que se isola da cidade em que está inserido. Deve haver uma maior articulação entre a cidade e a Cidade Universitária, afinal, não se trata de um condomínio inserido no meio urbano, e sim um centro de conhecimento que tem relações diretas e essenciais com a cidade. O papel da Universidade é bem colocado pelo historiador Joseph Rykwert: “A Universidade, a sociedade de estudantes e de estudiosos é um caso muito particular da sociedade em geral. O que a torna especial é a sua inevitável autoconsciência. Ela tem consciência de ser uma sociedade, mas também é construída para refletir sobre a sociedade onde se insere”4. (Universidade de São Paulo Centro de Preservação Cultural, 2005) Nota extráida de: Joseph Rykwert, “Le Università come archetipi instituzionali del nostro tempo”, em Zodiac 18, p. 253-255, Milão. 4

Atualmente a USP possui em São Paulo cerca de 65633 alunos matriculados nos cursos da Universidade. Sendo que 41149 são alunos de graduação e 24514 de pós-graduação, segundo o Anuário Estatístico da USP.

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Números de alunos de graduação distribuídos por campus no estado de São Paulo

Fonte: Anuário Estatístico da USP Números de alunos de pós-graduação distribuídos por campus no estado de São Paulo

Fonte: Anuário Estatístico da USP

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Os Campus e centros de pesquisa de São Paulo Na cidade de São Paulo além do campus Armando de Oliveira Salles existem outras unidades da USP e alguns centros de pesquisa. Como é possível observar nos mapas abaixo.

Fonte: Anuário Estatístico da USP

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O Conjunto Residencial da USP - CRUSP O projeto do Conjunto Residencial da USP, o CRUSP foi elaborado pelos arquitetos Eduardo Kneese de Mello, Joel Ramalho Júnior e Sidney de Oliveira. O projeto inicial previa alojar 2160 alunos, distribuídos em 12 blocos. A construção iniciou-se em 1962 e, devido ao panorama político da época e a necessidade de conclusão rápida, foram executados e inaugurados apenas 6 blocos: A, B, C, D, E e F. Com a mudança no planejamento da Cidade Universitária, algumas avenidas foram prolongadas e alguns edifícios remanejados em sua implantação, fazendo com que as estruturas planejadas para receber os outros blocos das residências estudantis, fossem destinadas para outros edifícios e usos, como o edifício da Reitoria que foi construído a partir das estruturas correspondentes dos blocos “K” e “L”.

Implantação dos edifícios do CRUSP

Mapa de elaboração própria. Base: Maps Apple

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Os blocos foram implantados paralelos uns aos outros ao longo de um eixo real, composto por um passeio coberto. As circulações do conjunto destinam-se ao pedestre, onde este não tem encontro com a via dos automóveis. O térreo composto por pilotis foi elaborado para proporcionar permeabilidade, privacidade dos apartamentos que se encontram nos andares superiores e também para promover diversas atividades.

Fonte: site panoramio. Foto André Bonacin

Atualmente existem 8 blocos , sendo os blocos A, A1 (recém construído), B, D e F destinados aos alunos de graduação e os blocos C e G destinados aos alunos de pós graduação. Os edifícios possuem térreo e mais seis andares acima. Os apartamentos são compostos por três quartos individuais, uma pequena sala comum e um banheiro com as dependências separadas. Cada bloco do CRUSP dispõe de 60 apartamentos e cada um mede cerca de 39m2 , podendo variar devido as adaptações que são feitas no edifícios.5 (Cabral, 1997) pag. 142

5

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O bloco da circulação é destacado por um elemento vertical que se encaixa na planta retangular que contém os apartamentos. Próximo ao bloco da escada, as cozinhas comunitárias se encontram em apenas dois andares. Nos outros andares, alguns edifícios apresentam salas de vídeo, estudo ou então também um apartamento. Existem algumas diferenças entre os blocos em relação a distribuição da planta, pois com o tempo foram realizadas adaptações e mudanças nos usos, como inserção de uma lavanderia, diferentes usos para as salas de vídeo etc. O projeto de Kneese, tinha como objetivo criar espaços de uso coletivo, promover a vida em comunidade, atendendo as demandas estudantis, da prefeitura do campus e do Fundusp. Desse modo teve que seguir determinadas diretrizes de projeto para atingir os objetivos, como por exemplo o uso da estrutura e materiais aparente, a modulação e pré-fabricação, além da redução de algumas áreas habitacionais. Na planta abaixo está representado uma planta de um pavimento tipo do CRUSP, em uma andar que existe a cozinha comunitária.

Planta Pavimento tipo CRUSP

Áreas de uso coletivo intermediário/geral

Áreas de uso coletivo imediato - sala comum e sanitário

Dormitórios individuais

Em uma conversa com uma aluna moradora de uma das unidades do CRUSP, ela comentou que ela gosta de morar no conjunto, que é suficiente para as necessidades do seu dia a dia, mas que precisa de muitas melhoras, em relação a acessibilidade, manutenção, infraestrutura dos apartamentos, entre outros. O que mais incomoda é a falta de equipamentos para uso imediato para alimentação e a falta de privacidade em relação ao tratamento acústico das unidades. Os

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apartamentos não possuem uma copa ou cozinha própria planejada em projeto, se existem foram os próprios estudantes que adaptaram. A cozinha coletiva funciona até certo ponto, ela comentou que por ser compartilhada com um número grande de alunos não é possível deixar os utensílios no local de modo que os alunos tem que criar uma logística de levar e trazer todos os materiais que precisam , dificultando o preparo dos alimentos, o que faz com que a maioria utilize o refeitório na maioria das refeições. Além disso ela acredita que os espaços de uso comum poderiam ser melhor aproveitados para promover a convivência entre os alunos que habitam os edifícios. O conjunto residencial da USP apresenta tanto aspectos positivos quanto aspectos negativos, mas consegue atingir os objetivos habitacionais dos estudantes em termos de habitabilidade. Porém, a principal questão que deve ser resolvida é a escassez de vagas de moradia, pois como já foi mencionado, atualmente existem vagas apenas para 2,5% dos estudantes. Dessa forma se torna essencial a ampliação do sistema residencial da USP. Abaixo são algumas fotos capturadas após uma visita realizada em um apartamento do edifício F do CRUSP, da aluna que forneceu o depoimento.

Acervo pessoal

Acervo pessoal

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Acervo pessoal

Acervo pessoal

Algumas faculdades da Universidade de São Paulo desenvolveram outras formas de residência estudantil como uma alternativa ao CRUSP, as casas dos estudantes. Em São Paulo existem as casas dos estudantes da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Direito São Francisco. Essas moradias se diferem do CRUSP pois não possuem a mesma gestão. A Casa da Faculdade de Direito do Largo São Francisco pertence ao Centro Acadêmico XI de agosto, de modo que o prédio é mantido pelo centro acadêmico juntamente com um pequeno aluguel de contribuição dos moradores. Já a Casa do estudante da Faculdade de Medicina não possui nenhum vinculo com o seu Centro Acadêmico, e é mantida a partir do aluguel do estacionamento para o Instituto da Criança, além de receber uma ajuda financeira da Faculdade de Medicina. Os estudantes que utilizam essas residências julgam de grande valia, pois o custo é inviavel nas redondezas das universidades, além do que o CRUSP acaba sendo distante para eles. Diante deste quadro, onde as Faculdades e os estudantes buscam outros meios de habitar, fica evidente a necessidade de ampliar as vagas de moradia estudantil e inseri-las na cidade, tornando mais viável a localização em relação aos locais de estudo.

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Localização O terreno escolhido para o desenvolvimento de projeto está localizado no encontro da Avenida Rio Branco com a Rua dos Gusmões, na região da Santa Efigênia no centro da cidade de São Paulo.

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Para a implantação da nova moradia estudantil para a Universidade de São Paulo optou-se por inseri-la fora do campus Armando Salles de Oliveira, pois a nova residência de estudantes tem como objetivo receber alunos de todos os campus presentes na cidade de São Paulo. Isso porque o déficit de vagas de moradia atinge não só as unidades que estão na Cidade Universitária, mas também todas as unidades distribuídas pela cidade, de modo que todos os cursos devem ter direito à vagas destinadas aos alunos. Mesmo que exista o sistema de bolsa auxílio moradia, ainda é muito discrepante a oferta e a demanda de habitação estudantil. Atualmente a Cidade Universitária vem sendo pauta de diversas discussões a respeito da sua relação com a cidade em que se insere. Por ser uma cidade, com uma dinâmica urbana particular, e que envolve muitas pessoas, apresenta diversos problemas de segurança, violência, gestão, entre outros. Assim algumas medidas que foram tomadas acabaram colocando a Cidade Universitária em uma situação de isolamento da cidade, com barreiras tanto físicas como sociais em relação ao entorno urbano. Diante disso, torna-se importante estabelecer novas formas de comunicação com a cidade, colocando os habitantes e usuários do campus em contato direto com o meio em que estão inseridos. Uma residência estudantil localizada em um local de grande dinamismo urbano, social e econômico torna-se importante para estabelecer essa nova relação com a cidade.

POR QUE FORA DA CIDADE UNIVERSITÁRIA?

Exemplos de universidades que tem os alojamentos inseridos no contexto urbano

Inserção do estudante na cidade

Quebra das barreiras entre cidade X universidade

Fomentar a questão universidade aberta

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A região selecionada está bem servida de comércios, equipamentos urbanos e pelo sistema de transporte. Está próximo às linhas azul, amarela e vermelha do Metrô, dando acesso à todas as unidades que estão distribuídas em São Paulo. No mapa abaixo é possível observar a localização do terreno em relação às outras unidades.

Mapa com localização das unidades da USP em São Paulo e local para o projeto

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O Centro de São Paulo: requalificação e transformação Os espaços valorizados, quando são produtivos e consumidos, se tornam mercadorias, ou seja, se tornam um produto imobiliário. Esses por sua vez passam a ser pensados e planejados a fim de atender as demandas da produção em detrimento das necessidades básicas existentes no cotidiano dos habitantes desses locais.6 O adensamento das periferias da cidade de São Paulo nos últimos anos é resultado da especulação imobiliária das áreas centrais, a transformação da propriedade em produto do capital, além de diversas outras barreiras urbanas existentes. Dessa forma as áreas próximas aos locais de trabalho que contém infraestrutura e serviços urbanos essenciais acabam sendo tomadas pelas classes de renda mais alta, de modo que os trabalhadores dessas mesmas regiões que pertencem às classes de baixa renda, são obrigados a habitar as regiões periféricas.7 Até a década de 1950 o que hoje se conhece por centro da São Paulo era conhecido como cidade. Havia essa denominação pois nessa região era onde se concentravam os serviços públicos, empregos, comércios, etc, e as áreas periféricas eram escassas desses recursos. Tais aspectos promoveram uma concentração de pessoas, serviços e empresas que atuavam e habitavam a região, resultando em um encarecimento do preço do solo urbano no local8. Dessa forma os usuários da região começaram a migrar para outros locais, para tentar fugir dos altos preços imobiliários, o que provocou mudança de uso e função, esvaziamento e mudança na população dos edifícios. Com isso houve uma transformação significativa no quadro do centro de São Paulo, o que influenciou diversos setores e questões da cidade.

6

(Alves, 2011)

7

(García, 2014) pag. 265

Diante disso, alguns anos atrás verificou-se que estava ocorrendo um fenômeno de esvaziamento das áreas centrais da cidade de São Paulo, onde estas apresentaram crescimento negativo. Porém, segundo o censo demográfico realizado pelo IBGE em 2010, identificou-se que esse processo está sendo revertido9, devido ao aumento do interesse imobiliário. Nos últimos anos também houve incentivo em valorizar algumas áreas da cidade por parte da Prefeitura e também de inciativas privadas, para promover uma renovação urbana. Com a elaboração do novo Plano Diretor Estratégico e outras medidas pode-se perceber que existe um planejamento com diversas estratégias para a melhoria, valorização e requalificação espacial da região central de São Paulo.

8

(Alves, 2011)

9

(García, 2014) pag.266

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Para o desenvolvimento do trabalho foi escolhido um terreno no centro de São Paulo, próximo a região da Luz, na Avenida Rio Branco. É importante inserir os estudantes na cidade, para que eles possam aproveitar os aspectos que a acidade tem a oferecer e também perceber a dinâmica urbana que existe em uma cidade, de forma a complementar a formação do aluno e minimizar a alienação aos problemas e questões que existem no meio em que vive. Dessa forma, implantar a nova moradia estudantil da Universidade de São Paulo no centro de São Paulo, que está passando por um intenso processo de requalificação e renovação urbana, é viável e extremamente válido, tanto para a cidade, como para os estudantes e para a Universidade.

Levantamento de dados: estudos do entorno Implantação do terreno Foram selecionados dois terrenos para comportar o programa estabelecido para a nova moradia estudantil. Atualmente são dois estacionamentos, um coberto e um descoberto. Em um dos edifícios encontrava-se uma concessionária já desativada mas que não exerce mais o seu uso. Acredita-se que tornar esses terrenos em moradia irá levar pontos positivos para a região além de transformar o uso existente no local.

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Fotos do terreno e do entorno

Acervo pessoal

Acervo pessoal

39


Acervo pessoal

40


Mapa de Transportes

Estação Metrô - Linha Amarela

Ciclovia

Estação Metrô - Linha Vermelha

Corredor de ônibus previsto pelo PDE

Estação Metrô - Linha Azul

Corredor de ônibus existente

Estação CPTM

Ponto de ônibus 05

Local de projeto da Moradia Estudantil

0 100

200

500

41


Mapa de Equipamentos

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Museus

Saúde

Bibliotecas

Educação

Teatro

Esportes

Outros equipamentos de cultura

Parques e praças

Local de projeto da Moradia Estudantil

05

0 100

200

500


A partir dos dados e mapas levantados, pode-se perceber que a região escolhida para implementação da nova moradia estudantil é bem servida e abastecida de serviços, equipamentos públicos, de cultura, saúde e lazer, além de uma vasta rede de transportes, o que torna possível o deslocamento dos estudantes para qualquer campus ou polo da Universidade de São Paulo, assim como outros locais da própria cidade. No mapa de transportes também se encontram as distâncias até os terminais e aeroportos, já que muitos estudantes são provenientes de outras cidades e estados. Inserir o conjunto residencial no centro de São Paulo promove a contextualização dos estudantes na cidade. Permite que eles compreendam de uma forma mais abrangente as dinâmicas e aspectos que giram em torno do âmbito urbano. A residência estudantil dentro do campus também possui suas vantagens, mas na cidade em questão torna-se importante aumentar e promover o diálogo do estudante com o meio urbano, mantendo o contato do universitário com todas as questões politicas, econômicas e sociais que estão evidentes nas ruas da cidade diariamente. Acredita-se que por mais rico que seja o conhecimento trocado e produzido dentro das salas de aula e faculdades, essa inserção é de extrema importância para a formação do aluno.

Análise da topografia da região O terreno selecionado encontra-se em uma região relativamente plana, com desníveis pequenos, o que contribuirá para o programa e ideias que serão estabelecidos, pois existe a intenção em criar praças que conectem o terreno.

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Análise da Insolação Para a análise da insolação foram realizados alguns estudos com o modelo 3D para ilustrar o comportamento do Sol nos terrenos escolhidos. Na primeira imagem trata-se de um dia de fevereiro as 08h45. Devido ao entorno imediato não ter grandes alturas pode-se notar que o terreno recebe bastante sol na parte da manhã. Já na segunda imagem trata-se de um dia em fevereiro as 16h30. Nessa imagem nota-se que alguns edifícios do entorno causam algumas sombras, mas não tem grande efeito de sombreamento, mostrando também que os terrenos recebem sol até o período da tarde.

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Diretrizes do Plano Diretor Estratégico De acordo com o novo Plano Diretor Estratégico os terrenos escolhidos estão inseridos na Macroárea de Estruturação Metropolitana e na Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana. Em relação ao novo zoneamento estabelecido, os terrenos escolhidos estão inseridos dentro da Zona de Centralidade. Tais classificações recebem diversas atribuições e pontos a serem seguidos, e os de importância para o desenvolvimento do projeto estão colocados na tabela a seguir. Classificação Plano Diretor

Classificação Lei de Zoneamento

Macroárea de Estruturação Metropolitana Zona de Centralidade Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana

Parâmetros de Ocupação mín. 0,3 C.A

básico 1

T.O

0,7

Recuos Mínimos

5m Frente

máx. 2 Gabarito máximo

28m

3m Fundos e Laterais

Perímetro de Qualificação Ambiental

PA 1

Taxa de permeabilidade

0,25

Pontuação QA mínima

0,7

Cobertura Vegetal (alfa)

0,5

Drenagem (beta)

0,5

Mapa zoneamento – Cor Marrom: Zona de Centralidade Recorte de mapa extraído do site Gestão Urbana

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A Moradia Estudantil Como ponto de partida, tomou-se como base três pilares como as diretrizes para o desenvolvimento de projeto, sendo eles: CONVIVER, ESTUDAR e HABITAR. Uma moradia estudantil universitária tem a missão de acomodar os estudantes e garantir que tenham condições de viver e de conduzir a vida acadêmica de forma adequada. Além das necessidades básicas, os estudantes demandam algumas infraestruturas e serviços mais específicos que contribuem para facilitar o cotidiano dos mesmos. Desse modo, a residência estudantil tem certas peculiaridades e características importantes que foram levadas em conta para tornar o edifício funcional, satisfatório e adequado.

A inserção da nova moradia no centro de São Paulo proporcionou ao edifício e aos estudantes

uma conexão direta com a cidade, de modo que a troca é mutua. Os estudantes conseguem aproveitar grande parte da infraestrutura que o centro fornece e ao mesmo tempo levarm para a cidade alguns conhecimentos e atributos, estabelecendo assim uma troca mútua. A implantação do edifício no formato de dois “C” que se unem em um andar comum, foi uma escolha pensada diretamente no papel do edifício para com a cidade. Por serem dois terrenos separados por uma rua, a Rua dos Gusmões, optou-se por criar essa implantação para fugir do alinhamento comum dos edifícios com a calçada. Desse forma, criou-se o recuo central das edificações, no formato de dois “C” para evitar fechar os lotes e excluir a cidade, criando um conjunto aberto ao entorno urbano. Assim, a implantação estabelecida permite que os dois edifícios componham uma praça comum, que conecta os dois lotes e use a Rua dos Gusmões como elemento conector, criando assim um espaço de uso público, onde podem ser desenvolvidas diversas atividades, eventos e ocasiões. A Rua dos Gusmões está elevada e no mesmo nível da praça. Nela utilizou-se um piso intertravado para aumentar a permeabilidade e também criar uma distinção entre os pisos da calçada e da rua, pois, mesmo que o objetivo seja unir os dois lotes no mesmo nível, essa diferenciação é importante para que o motorista fique atento e saiba distinguir os lugares permitidos para passagem. Essa escolha de pisos diferentes já faz com que o motorista diminua a velocidade automaticamente e que este fique mais atento ao ambiente em que o cerca, como podemos ver em muitas cidades da Europa.

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Esquema ilustrativo que representa a elevação da Rua dos Gusmões, colocando a calçada, a praça e a rua um mesmo nível.

Na praça os canteiros de grama e árvores contêm alguns bancos para permitir a ocupação em vários momentos do dia e criar diversas situações para os usuários. Os desenhos dos canteiros criam caminhos que podem conduzir o pedestre a diversos pontos dos dois lotes. A arquibancada existente utilizou-se do sutil desnível em que existe no conjunto dos lotes, de modo que cria um ambiente agradável para convivência e também útil para diversos eventos. No andar térreo do edifício existem espaços destinados para comércios, onde a maior parte deles têm a entrada pela Avenida Rio Branco. A administração do edifício e algumas salas de ateliê público também são se encontram no térreo. No edifício à esquerda da Rua dos Gusmões, há uma sala de esportes e ginástica destinada aos estudantes e também ao público, e um auditório também de uso múltiplo. No edifício à direita, existe um refeitório com a gestão e funcionamento na mesma linha do SESC (Serviço Social do Comércio), onde tanto os estudantes como os usuários de centro de São Paulo podem usufruir dessa infraestrutura. Esse refeitório serve como apoio alimentar aos estudantes, podendo usufruir da infraestrutura universitária interna de cada campus nos períodos de aula. Cada edifício possui duas portarias, uma delas com acesso pela Avenida Rio Branco e a outra pela Rua dos Gusmões, onde o pedestre percorre o caminho da marquise e consegue acessar a portaria. As portarias permitem o acesso vertical dos estudantes aos andares que contém as unidades habitacionais. Os edifícios são compostos pelo andar térreo, conforme foi descrito acima

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e 7 andares acima do térreo. Existem duas variações de tipologia de pavimentos que se intercalam na distribuição dos andares. O terceiro andar difere-se dos outros pois é o andar livre e apresenta usos e ocupações distintas. O andar livre é composto por áreas destinadas ao uso coletivo geral e uso coletivo intermediário e também por algumas unidades de apartamentos. Este pavimento é um dos elementos estruturadores do projeto, pois abriga a biblioteca e o corredor de circulação, que conectam os dois edifícios através de pasasrelas em estrutura metálica sobre a Rua dos Gusmões, a uma altura de 10m, criando assim um andar comum aos edifícios. Na biblioteca os estudantes podem, além de estudar, observar a dinâmica urbana que os cerca. O corredor de circulação, que também é suspenso, cria o arremate de conexão entre os dois edifícios, compondo assim uma continuidade no andar livre. Além disso, esse andar estabelece diversas áreas de convivência e de serviços específicos destinados aos estudantes, como lavanderia coletiva, depósito, um bar e lanchonete, sala de jogos, sala de ginástica, espaços de estudo, cozinha coletiva, como poderá ser observado nos desenhos. Desse modo, os edifícios conseguem estabelecer o diálogo com a cidade através da praça de conexão, e também o diálogo interno da moradia estudantil através da biblioteca e do corredor que compõem as pontes de vinculação. Uma das grandes preocupações que foi tratada no edifício criar um espaço dinâmico e que fugisse do senso comum das habitações estudantis, ao mesmo tempo que fosse funcional e aplicável. Em se tratando das unidades habitacionais, cada apartamento comporta até quatro pessoas, de modo que existem 4 tipos de unidades. As unidades com 4 quartos individuais, as com 2 quartos compartilhados para duas pessoas, podendo ser alunos ou então um aluno com um filho, as unidades familiares, para famílias de estudantes que tenham filiação e companheiros, e as unidades acessíveis universalmente (PNE) que também são de quartos compartilhados. Cada apartamento possui além dos dormitórios como área privativa, uma copa com equipamento de cozinha básico, uma área de serviço, e um banheiro com as dependências separadas, sendo estas áreas de uso coletivo imediato. A “célula”, a unidade privativa do dormitório individual tem as dimensões de 2,30x3,80m. As unidades compartilhadas e familiares são compostas a partir desse módulo. Todos os apartamentos possuem 10x7m. A estrutura se encaixa de forma diferente em cada unidade devido aos deslocamentos dos apartamentos em relação a mesma. As unidades de apartamentos proporcionam aos estudantes um ambiente funcional e agradável de modo que fornece as infraestruturas básicas para a vivência do dia a dia tanto pessoal

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como acadêmico dos estudantes. A copa e a área de serviço são suficientes para suprir as demandas mais imediatas. Vale ressaltar que no andar livre encontram-se alguns locais destinados ao uso comum dos estudantes mas que desempenham funções de serviços e infraestrutura habitacional, como a lavanderia coletiva, a cozinha coletiva que possui um equipamento mais completo, além dos depósitos e a lanchonete que funciona tanto como um suporte às refeições rápidas e emergências, como também à um local de ponto de encontro e convívio.

Esquema ilustrativo da movimentação

dos

apartamentos, onde os mesmo são deslocados um

em

outro,

relação

ao

utilizando-se

da mesma estrutura e mesma laje.

Os apartamentos são distribuídos de maneira intercalada nos andares tipo, de modo que um avança em relação ao outro na horizontal, criando assim corredores dinâmicos e com uma espacialidade diferenciada, fugindo dos extensos corredores comuns em muitos edifícios habitacionais. Além das unidades se intercalarem, o que diferencia um andar tipo do outro é a distribuição dos apartamentos, onde os andares são intercalados verticalmente, criando assim nichos nas fachadas do edifício. A estrutura e a laje se mantem a mesma, e apenas os apartamentos se deslocam, resultando em uma fachada dinâmica, com movimento e presença. As fachadas dos dormitórios estão voltadas tanto para a praça interna, com visão para a Rua dos Gusmões, como para a Avenida Rio Branco, dependendo de cada edifício. No corredor de acesso as unidades, os espaços que são formados pelos recuos dos apartamentos também criam ambientes de convivência e integração, garantindo assim a troca de cultura e conhecimento entre os estudantes. Esses mesmos corredores são abertos nas laterais, protegidos com um guarda corpo, permitindo a ventilação cruzada e iluminação natural dos mesmos e dos ambientes comuns dos apartamentos, como a copa, banheiro e área de serviço que têm as aberturas voltadas para o corredor. Cada andar tipo também contém duas salas de estudo e espaços de convivência como áreas de uso coletivo geral, distribuídos pelo pavimento.

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PROGRAMA A partir da experiência obtida no intercâmbio e os anos de graduação foi possível entender as demandas do cotidiano de um estudante universitário. Aliando o conhecimento dos aspectos e elementos necessários de uma habitação estudantil adequada com o programa estabelecido pelo Concurso Público Nacional de Arquitetura : Moradia Estudantil UNIFESP, foi possível elaborar um programa adequado e funcional para a nova residência de estudantes da Universidade de São Paulo. Além disso, a visita e análise de diversos edifícios de moradias estudantis, tanto brasileiros como estrangeiros, contribuíram para a execução do programa. Com os três pilares principais estabelecidos para o programa, “CONVIVER”, “ESTUDAR” e “HABITAR” foi possível conduzir e elaborar a concepção do projeto. Um dos principais aspectos da formação do estudante é a troca de conhecimento e cultura, por isso é fundamental que os alunos tenham momentos de integração, de modo que no projeto o intuito foi criar diversos espaços que pudesse promover tais aspectos. Além de interagir e cultivar a vida social é necessário garantir e cumprir os estudos acadêmicos, assim nos edifícios foram elaborados espaços de estudo, tanto individuais como coletivos. Muitos dos estudantes que optam e necessitam morar na residência estudantil são oriundos de outras cidades e estados. Assim, a moradia tem que ser confortável e ergonômica, de modo que o estudante possa sentir que aquele espaço lhe pertence, promovendo o sentimento de “estar em casa”. Para isso a célula de habitação e o conjunto como um todo foram desenvolvidos e pensados levando em consideração todas as demandas que o estudante exige no seu cotidiano universitário.

PILARES DO PROGRAMA

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DIRETRIZES DO PROGRAMA


Espaço

Quantidade

Área m²

Localização

Descrição

ESPAÇO DE USO PRIVATIVO Quantidade de vagas (camas) Quarto individual

104

416

8,75

Andar tipo 01, Andar tipo 02 e Andar Livre

Moradia regular de um aluno

Quarto Compartilhado

31

124

17,9

Andar tipo 01 e Andar tipo 02

Moradia para dois alunos ou um aluno com filho

Quarto Familiar

12

48

11,15

Andar tipo 01 e Andar tipo 02

Moradia para um casal com um ou dois filhos

Quarto PNE (compartilhado)

5

20

17,9

Andar tipo 01 e Andar tipo 02

Moradia para alunos portadores de necessidades especiais

Total

152

608

ESPAÇOS DE USO COLETIVO IMEDIATO 01 Banheiro ( cabine sanitária, banho e lavatório) a cada 04 alunos

152

4,5

Andar tipo 01, Andar tipo 02 e Andar Livre

Serviços de Higiene que atende até 04 alunos

01 copa a cada 04 alunos

152

7,5

Andar tipo 01, Andar tipo 02 e Andar Livre

Serviços de cozinha e alimentação que atende até 04 alunos

01 Área de serviço a cada 04 alunos

152

3,25

Andar tipo 01, Andar tipo 02 e Andar Livre

Serviços de lavanderia local que atende até 04 alunos

Total

304

15,25

ESPAÇOS DE USO COLETIVO INTERMEDIÁRIO Salas de estudo para cada 44 alunos

7

40

Andar tipo 01, Andar tipo 02 e Andar Livre

Espaços de estudo com mesas coletivas

Salas de convivência para cada 22 alunos

14

28,9

Andar tipo 01, Andar tipo 02 e Andar Livre

Espaços de sociabilização e convívio entre os alunos

ESPAÇOS DE USO GERAL Biblioteca

01

200

Andar Livre

Biblioteca com coletânea de livros da Universidade

Sala de Multimídia/ Informática

02

45,53

Andar Livre

Sala com equipamentos de multimídia, informática

Sala de Jogos

01

65

Andar Livre

Espaço para jogos recreativos e de lazer

Sala de esportes

02

65/100

Andar Livre e térreo

Espaço com equipamentos para práticas esportivas

Lavanderia coletiva

02

56

Andar Livre

Sala com equipamento de lavanderia para complementar o uso intermediário imediato

Cozinha coletiva

02

56

Andar Livre

Sala com equipamento de cozinha para complementar o uso intermediário imediato

Depósito/ Área Técnica

02

56

Andar Livre

Espaço para armazenamento de objetos e pertences maiores e utensílios técnicos do edifício

Lanchonete Universitária

01

100

Andar Livre

Lanchonete para refeições rápidas e para servir de auxílio aos estudantes

Refeitório

01

340

Térreo

Refeitório de uso misto, tanto público como para os estudantes

Bicicletário

02

40 - 65

Térreo

Estacionamento para as bicicletas

Sala Multiuso

02

80

Térreo

Espaços para desenvolvimento de diversas atividades, palestras, eventos, entre outros

Ateliê Público

02

70

Térreo

Espaços para desenvolvimento de atividades pelo público e pelos estudantes

Auditório

01

150

Térreo

Local equipado para palestras, eventos no formato de auditório adaptável

Total áreas conjunto edificado

19685 m²

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IMPLANTAÇÃO Os edifícios da moradia estudantil foram implantados no formato de dois “C” com o intuito de criar um espaço comum entre eles ao mesmo tempo inserindo a cidade no conjunto. Desse modo a praça interna formada conecta a Rua dos Gusmões com os dois lotes proporcionando um espaço de integração entre os edifícios e o entorno urbano, entre a Universidade de São Paulo e a cidade. A intenção em utilizar-se dessa implantação foi também proporcionar as visuais das fachadas para todo o entorno, tanto para a Avenida Rio Branco, como para a Rua dos Gusmões, como para a praça, posicionando as edificações de modo a integra-las à cidade. Para não criar grandes barreiras e isolar mais ainda a rua, optou-se por uma implantação que convida o pedestre a entrar e utilizar a praça que é de uso público, além dos locais no térreo que também oferecem serviços para o público em geral. Assim, os edifícios estabelecem uma comunicação entre si e com o entorno que os cerca, tornando o conjunto mais democrático e permeável em relação ao panorama urbano em que está inserido. Parâmetros de Ocupação Área terrenos

7450 m²

Área edificada

22000 m²

C.A

2,9

T.O

0,35

Gabarito

27m

Recuos adotados

5m Frente 3m Fundos e Laterais

O coeficiente de aproveitamento utilizado foi de 2,8 , pois a presença de diversas unidades de comércio localizadas no térreo promovem a fachada ativa e a grande praça pública de conexão promove a fruição pública, o que contribui para o desconto de áreas na contagem do C.A, já que torna parte da área não computável. Além disso, por ser de propriedade da Universidade, há um aumento no fator de interesse social, que influencia a outorga onerosa aumentando o potencial construtivo adicional.

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AVENIDA RIO BRANCO

AVENIDA RIO BRANCO

RUA VITÓRIA

RUA DOS GUSMÕES

RUA GENERAL OSÓRIO


TIPOLOGIAS O esquema a seguir ilustra a distribuição das tipologias das 4 unidades existentes. No edifício da esquerda se encontram 11 unidades, sendo 7 unidades com quartos individuais, 3 unidades compartilhadas e 1 unidade familiar. As unidades para os Portadores de Necessidades Especiais (PNE) estão distribuídas entre os andares de modo que existem 5 apartamentos dessa tipologia. O edifício da direita contém 13 apartamentos, sendo 09 unidades de quartos individuais, 3 unidades compartilhadas e 1 unidade Familiar. Cada edifício possui dois núcleos de circulação vertical que permitem o acesso aos demais pavimentos.

APARTAMENTOS QUARTOS

APARTAMENTO QUARTO INDIVIDUAL

VAGAS

104

416

416

31

62

124

APARTAMENTO QUARTO FAMILIAR

12

24

48*

APARTAMENTO QUARTO PNE E COMPARTILHADO

05

10

20

APARTAMENTO QUARTO COMPARTILHADO Quantidade

*(Considerando o nº de camas, pois para família podem ter os filhos e/ou companheiro que

TOTAL

56

152

512

608

não são estudantes)


DISTRIBUIÇÃO DOS USOS

ESPAÇOS DE USO PRIVATIVO : Dormitórios ESPAÇOS DE USO COLETIVO IMEDIATO: copa, banheiro e área de serviço ESPAÇOS DE USO COLETIVO INTERMEDIÁRIO: Salas de estudo, espaços de convivência ESPAÇOS DE USO COLETIVO GERAL: corredores de acesso, biblioteca, cozinha coletiva, etc

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PLANTA TÉRREO O andar de recebimento dos estudantes e conexão entre o edifício e o entorno, assim como a conexão entre a cidade e a Universidade. Grande parte das salas existentes no térreo são destinadas ao comércio, promovendo a fachada ativa. A praça que se distribui no térreo tem os canteiros de área verde com um desenho que compõe caminhos que o pedestre pode optar em seguir para ter acesso aos diferentes ambientes da praça. Esse desenho cria uma conexão entre os dois lotes, de modo que projetam uma continuidade no piso. A rua dos Gusmões é elevada em relação as outras ruas, de modo que fica no mesmo nível da calçada e da praça, resultando em um grande espaço contínuo e integrado. Nesse pavimento também existem outros espaços de uso múltiplo além da praça. O auditório, a sala de esportes, os ateliês públicos e o refeitório podem ser utilizados tanto pelos estudantes como pelos usuários da região do centro. O refeitório tem como objetivo suprir a demanda alimentar dos estudantes, mas com uma gestão e funcionamento na mesma linha do SESC, uma vez que por estar inserido no centro existiria uma dificuldade em utilizar o sistema de restaurante na mesma gestão e funcionamento dos campus. Assim os universitários conseguem ter um apoio e uma opção mais acessível. Os estudantes podem acessar os andares das unidades habitacionais através de duas portarias que se encontram em cada edifício. É possível acessar tanto pela Avenida Rio Branco , como pela Rua dos Gusmões, onde podem percorrer a marquise até o destino final. TABELA DE AMBIENTES

1.1

Comércio

1.5

Administração e secretaria

1.9

Bicicletário

1.2

Portaria

1.6

Auditório

2.0

Café

1.3

Ateliê Público

1.7

Sala de práticas esportivas

2.1

Banca de jornal e revistaria

1.4

Sala Multiuso

1.8

Banheiros

2.2

Refeitório

2.3

Cozinha do refeitório

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PLANTA ANDAR TIPO 01 Nos pavimentos tipo é possível perceber a intercalação e os deslocamentos das unidades uma em relação a outra, tanto no mesmo pavimento, como em pavimentos tipo diferentes. A estrutura e a laje se mantém as mesmas, de modo que apenas as unidades realizam essa movimentação, compondo os corredores dinâmicos e funcionais. As circulações verticais estão distribuídas em locais estratégicos para rota de fuga e acesso as unidades. Existem alguns recortes nas lajes que criam vazios, proporcionando uma maior conexão de visão entre os andares, proporcionam um maior aproveitamento da luz natural e ventilação do edifício, de modo que são diferentes nas tipologias dos andares tipo.

No edifício da esquerda existem 11 unidades de apartamentos, sendo 7 unidades com

quartos individuais, 3 unidades compartilhadas e 1 unidade familiar. As unidades para os Portadores de Necessidades Especiais (PNE) se encontram distribuídos entre os andares de modo que existem 5 apartamentos dessa tipologia. No edifício da direita são distribuídos 13 apartamentos, sendo 09 unidades de quartos individuais, 3 unidades compartilhadas e 1 unidade Familiar. Cada edifício possui dois núcleos de circulação vertical que permitem o acesso aos demais pavimentos.

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PLANTA ANDAR TIPO 02 A diferença principal entre os andares tipo é o deslocamento dos apartamentos, que um avança onde o outro recua, criando assim a fachada dinâmica com os nichos das unidades. Além disso algumas áreas de estudo, de uso coletivo intermediário apresentam algumas diferenças entre um pavimento e outro. A estrutura foi pensada para poder compatibilizar essa movimentação das unidades, onde os pilares estão alinhados com as paredes divisórias entre os apartamentos e quando este está recuado o pilar se destaca nos corredores que também apresentam esse caminho de reentrâncias.

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PLANTA ANDAR LIVRE Esse pavimento consegue resumir grande parte dos objetivos propostos no projeto. Estão reunidos nesse andar espaços de uso coletivo tanto para suprir as necessidades diárias como para promover a troca de cultura, experiências e conhecimentos. Os ambientes de estudo, cozinha coletiva, lavanderia, lanchonete e outros em conjunto estabelecem o programa e finalidades do projeto, resumindo os pilares do projeto, CONVIVER, ESTUDAR e HABITAR. Além disso o andar livre estabelece a ponte entre os dois edifícios através da biblioteca e da circulação, resultando em um pavimento comum aos dois edifícios, onde os moradores podem acessar as dependências dos dois edifícios através dessas passarelas de conexão.

TABELA DE AMBIENTES

1.1 Cozinha coletiva

1.5 Sala de informática e multimídia 1.9 Corredor de circulação

1.2 Lavanderia coletiva

1.6 Biblioteca

2.0 Lanchonete Universitária

1.3 Depósito/Área técnica 1.7 Sala de práticas esportivas

2.1 Cozinha da lanchonete

1.4 Banheiros

2.2 Áreas de convivência

1.8 Sala de jogos e carteado

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PLANTA APARTAMENTO INDIVIDUAL ESCALA 1:50

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PLANTA APARTAMENTO COMPARTILHADO ESCALA 1:50

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PLANTA APARTAMENTO FAMILIAR ESCALA 1:50

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PLANTA APARTAMENTO PNE COMPARTILHADO ESCALA 1:50

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CORTE AA O corte em questão consegue abordar os dois edifícios e a praça de conexão. Voltado para o centro do quarteirão, tem-se a visão das dependências internas dos apartamentos e ao fundo a passarela de conexão entre os dois edifícios. Pode-se observar a distribuição dos apartamentos nos pavimentos tipo, de modo que eles recuam e avançam, e as paredes dos nichos e espaços formados são pintadas com cores que criam uma identidade visual para o conjunto. Na praça é possível notar a modesta arquibancada criada a partir do desnível natural do terreno e que foi acentuada de modo a compor esse elemento. Os edifícios possuem a mesma altura, de 26,8m, que fica de acordo com o gabarito estipulado pelas leis do novo Plano Diretor Estratégico. Em relação a estrutura e materiais, utilizou-se vigas de concreto protendido para garantir uma estrutura adequada e obter uma altura de viga que não prejudicasse o pé direito dos pavimentos. Além disso foi possível estabelecer os balanços dos corredores e dos nichos dos apartamentos. Para as lajes optou-se utilizar a laje alveolar composta por painéis de concreto protendido com altura constante e alvéolos longitudinais, que reduzem o peso da peça e da estrutura como um todo. Além disso esses painéis dispensam escoramento , contribuindo para o processo de montagem durante a obra, reduzindo custos e tempo. Os pilares tem um diâmetro de 40cm ou então 40x20cm nos pilares de seção retangular e acompanham o material do restante da estrutura. No corte é possível observar a laje alveolar.

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ESCALA 1:300


CORTE BB O Corte BB foi desenvolvido em apenas um dos edifícios para poder destacar as dimensões e proporções do edifício em si. É possível observar os corredores entre os apartamentos e as diferenças existentes entre os pavimentos tipo, tanto em relação ao posicionamento das unidades como aos vazios criados para proporcionar uma permeabilidade entre os andares. Nota-se ao fundo a fachada dos apartamentos que se encontram voltados para a Rua dos Gusmões.

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ESCALA 1:300


CORTE CC O desenho em questão trabalha com o estudo dos dois prédios em conjunto. Pode-se notar as vistas das paredes da circulação dos pavimentos, com as aberturas das áreas comuns das unidades, da copa, banheiro e área de serviço. O vazio e o guarda corpo que o circunda também são exibidos, mostrando mais uma vez as especificidades de cada pavimento, o que torna o projeto único e fora do comum. É possível entender e observar a biblioteca, que estabelece a conexão dos prédio. Com uma estrutura metálica engastada na estrutura dos edifícios, a biblioteca apresenta um pé direto duplo com um mezanino superior onde existe um espaço equipado com mesas destinado aos estudos dos alunos. Essa passarela é um elemento estruturador do conjunto como um todo, pois concretiza diversos objetivos de projeto e torna possível unificar os dois edifícios em um mesmo pavimento.

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ESCALA 1:300


ELEVAÇÃO 01 A elevação 01 representa a vista das fachadas dos edifícios voltadas para Av. Rio Branco. Pode-se notar a ocupação dos dois edifícios nos lotes e a biblioteca conectando os dois blocos. O entorno do conjunto edificado não apresenta grandes alturas, somente do outro lado da avenida e no miolo do quarteirão. O projeto ficou dentro do estipulado pelo Plano Diretor, onde o gabarito máximo é de 28m e os edifícios tem 26,8.

ELEVAÇÃO 02 A elevação 02 é na verdade também um corte. Ela representa a vista da Rua dos Gusmões, de modo que secciona a biblioteca e o corredor de circulação que passam sobre a rua. É possível perceber a relação desses elementos de conexão, as passarelas, com os edifícios, assim como suas proporções e comunicação com o conjunto do edifício. Ao fundo pode-se notar a fachada dinâmica criada pelos apartamentos e os nichos. A empena cega na lateral do edifício existe uma vez que é formada pelas paredes laterais dos apartamentos que possuem as fachadas principais voltadas para a Av. Rio Branco e para a praça interna. A empena cega destaca as passarelas, permitindo a estruturação das mesmas que possuem um pé direito duplo, e cria uma alternativa de implantação e de aproveitamento das fachadas das ruas principais, já que foge da ideia usual de colocar os prédios voltados para a rua no alinhamento do recuo.

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CONCLUSÃO A universidade tem a importante função de formar e gerar cidadãos e profissionais que irão contribuir para o desenvolvimento econômico, social e político do país. Os estudantes são protagonistas dentro das Universidades, portanto valorizá-los e garantir condições adequadas de estudo e moradia são obrigações das instituições. É evidente que apenas uma parcela dos estudantes precisa auxílio de moradia, mas isso deve ser condizente ao número de universitários existentes e ao porte da universidade. Através dos dados existentes do número de alunos matriculados e das vagas disponíveis para residência na Universidade de São Paulo fica evidente a necessidade de ampliação da oferta de moradia estudantil, conforme foi mencionado no trabalho em questão. O projeto desenvolvido para uma nova moradia estudantil para a USP atinge os objetivos quanto à ampliação do número de vagas de moradia, criando uma nova residência que atende às necessidades dos estudantes de todos os campus e polos de pesquisa da universidade, ao mesmo tempo que insere os mesmos na cidade de São Paulo. O projeto também retoma a pauta da universidade aberta, da relação da Universidade com a cidade, pois no panorama atual a mesma deve ser inclusiva. Os “muros da Universidade” devem ser derrubados para que seja possível a compreensão da importância da cidade, das trocas que podem e devem ser feitas entre esta e a cidade. A troca mútua gerada pela inserção de uma residência estudantil na cidade ocorre devido a diversos aspectos e traz diversos melhoramentos para o local em que está inserida. A presença de unidades de comércio no térreo do edifício permite incluir a universidade no panorama econômico da região, alimentando o ciclo de retroalimentação do comércio e utilidades que se encontram no entorno da moradia, promovendo assim a economia local. No período universitário os estudantes estão em constante aprendizado e se deparam com diversidades étnicas, culturais, econômicas, sociais e políticas. O contato com novas opiniões, pontos de vista e conhecimentos no geral possibilitam que a cidade seja encarada de uma maneira mais crítica, trazendo para a mesma um retorno positivo quanto ao crescimento nos diversos âmbitos. O público pode usufruir de diversos espaços do conjunto, desde da praça pública ao auditório, trazendo benefícios para a cidade e evidenciando a troca que existe entre a mesma e a Universidade como um todo. A prospecção de residências estudantis instaladas fora do campus e

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distribuídas pela cidade visa estabelecer as conexões necessárias entre o universitário e a cidade, além de garantir essa troca mútua. O projeto visa ser um precursor de outras unidades de moradias estudantis, disseminando esse tipo de habitação pela cidade, promovendo assim uma cidade mais democrática, funcional e dinâmica. O projeto propõe uma arquitetura funcional e apropriada que permite o diálogo com o entorno do centro de São Paulo, além de desviar do senso comum das demais habitações, preserva os parâmetros de viabilidade que fundamentam o desenvolvimento do projeto. A cidade de São Paulo possui uma dinâmica urbana intensa e diversificada, onde inserir e contextualizar uma moradia estudantil no centro da cidade torna-se um desafio, mas que, no final demonstra ser uma proposta necessária e relevante para o panorama atual da cidade e da Universidade. Assim, os elementos e aspectos que foram designados ao conjunto tornaram possível a estruturação e concepção dos pilares de projeto “conviver”, “estudar” e “habitar” , resultando no projeto obtido.

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Alojamento Estudantil da Universidade de Lisboa Autores: CVDB Arquitectos Localização: Pólo Universitário, Lisboa, Portugal Esse projeto tem ótimas propostas e soluções arquitetônicas que atendem as demandas dos estudantes em relação ao programa e forma, por isso acredito ser uma referencia relevante para o desenvolvimento do trabalho. O escritório CVDB ganhou o concurso de habitação estudantil para Lisboa em 2014 e ainda não foi construído. A colocação das aberturas compõem uma fachada dinâmica e funcional, de modo que atende os usos internos dos ambientes e cria um elemento arquitetônico de qualidade.

Fonte: site CVDB Arquitectos

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Fonte: site CVDB Arquitectos


Projeto do Grupo SP Arquitetos para o concurso Moradia Estudantil UNIFESP

Autor: Projeto grupo 42, Álvaro Puntoni Localização: UNIFESP Campus Osasco

Nos projetos do concurso para a moradia Estudantil da Unifesp houve uma procura em atender o programa estabelecido e ao mesmo tempo criar um ambiente dinâmico e integrado para os estudantes da Universidade. A presença de espaços de convivência, os corredores com interação nas unidades, os espaços de uso múltiplo e a separação do individual e do coletivo, em relação a privacidade, acústica e ergonomia, são alguns aspectos relevantes que foram considerados para a elaboração do trabalho em questão.

Fonte: Concurso Moradia Estudantil UNIFESP (site), vencedores, Projeto nº42

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University of Southern Denmark Autores: C.F. Møller Architects Localização: Odense, Dinamarca O projeto em questão possui uma solução interessante e adequada para o terreno em que se encontra, devido a implantação que permite aproveitamento de 360º das visuais e fachadas. As torres são rotacionadas a partir de um eixo, e em cada torre há um jogo de recuos e avanços, formando nichos e reentrâncias que tornam o edifício dinâmico, curioso e atraente. Esse dinamismo e os espaços internos criados a partir desse jogo na estrutura foram importantes para a definição de alguns aspectos do projeto em questão.

Fonte: C.F. Møller Architects

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Lara Aquilino Barreto Reis Trabalho Final de Graduação

TFG Moradia Estudantil para a Universidade de São Paulo  

Lara Reis Dezembro 2015

TFG Moradia Estudantil para a Universidade de São Paulo  

Lara Reis Dezembro 2015

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