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Carinho, Proteção e Independência

77 ANOS E 75 ANOS Dupla sertaneja As Galvão dá exemplo de vitalidade

ANO 05 - Nº 09 - 2O SEMESTRE 2017 - R$ 9,00 ISSN 2317-7675 PARCERIA:

NA PASSARELA

DEPOIS

NA PONTA DO LÁPIS Veja o que muda com a reforma da Previdência Social

DOS 60 Conheça as histórias de quem, na melhor idade, se encontrou na carreira de modelo e descobriu que beleza não tem idade

SORRISO EM DIA Saiba como ter boa saúde bucal em qualquer fase da vida

Helô Pinheiro


Nós cuidamos de quem você ama Conte com o profissionalismo, o carinho e a dedicação dos nossos Cuidadores para auxiliar o seu familiar. MAIS DE 160 UNIDADES

NO BRASIL

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Idosos Adultos Crianças Pós‐Cirúrgico Gestantes

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COMERCIAL PROJETOS E VENDAS DE PUBLICIDADE Sede 55 (11) 3256-4696 - 3214-5938 Gerentes de Contas Fábio Braga - 55 (11) 95903-0224 fabio@editoralamonica.com.br Gesner Castro - 55 (11) 99815-3063 gesner@editoralamonica.com.br Luzia Rodrigues - 55 (11) 97014-2726 luzia@editoralamonica.com.br Mislene Guedes - 55 (11) 95903-0244 mislene@editoralamonica.com.br Thais Andrade - 55 (11) 99115-3339 thais@editoralamonica.com.br

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PING-PONG Como lidar com o envelhecimento de forma saudável? Quem responde é o geriatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Camiz

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FIQUE DE OLHO Atenção: descubra o que muda com a reforma da Previdência Social e como ela pode impactar as regras de concessão de aposentadoria e pensões

HISTÓRIAS PARA ACORDAR Inspire-se com os exemplos das irmãs Mary e Marilene, da dupla sertaneja As Galvão. Com 77 e 75 anos, respectivamente, elas se dizem bem longe da aposentadoria

Administração e Financeiro Silvia Medeiros - silvia@editoralamonica.com.br Assinaturas: (11) 3256-4696 - 3214-5938

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SAÚDE EM DIA Perder os dentes e ter de usar dentaduras não é consequência natural do envelhecimento. Saiba como chegar na melhor idade com boa saúde bucal

A Revista Home Angels é uma publicação semestral produzida, distribuída e comercializada pela Editora Lamonica Conectada. Disponível nas versões impresso, web, smartphones e tablets Plataforma digital: MavenFlip Publicações Digitais Produção Gráfica: Leograf www.revistahomeangels.com.br

E MAIS

04 De tudo um pouco

09 Pergunte à Home Angels 23 Artigo 24 Encontre a Home Angels www.revistahomeangels.com.br

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Helô Pinheiro, eterna garota de Ipanema

Foto: Ivana Debértolis

ESPECIAL PARA VOCÊ Muitos homens e mulheres com mais de 60 anos têm investido na carreira de modelo. Veja exemplos de quem já descobriu que o conceito de beleza vai além da aparência

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S UM ÁR I O

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Foto: Gilberto Haidar

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DE TUDO UM POUCO Livros ensinam a viver mais e melhor Tem novidade da Editora Planeta nas prateleiras das livrarias. A primeira é a obra “Viver em paz para morrer em paz” (R$ 31,90), do filósofo e escritor Mario Sergio Cortella. Entre os tópicos abordados pelo autor estão: o que se aprende com o óbvio; saudade, nostalgia, raízes e âncoras; experiências e imprevistos; e as razões da existência. Já “O segredo está nos telômeros – Receita revolucionária para manter a juventude e viver mais e melhor” (R$ 59,90), da ganhadora do Nobel de Fisiologia e Medicina em 2009, Elizabeth Blackburn, e da médica Elissa Epel, explica, em nível celular, como é o processo de envelhecimento e como é possível manter os cromossomos e as células saudáveis, permanecendo com vitalidade e livre de doenças por mais tempo. Mais informações: www.planetadelivros.com.br

Mercúrio passa a ser proibido em produtos para saúde A partir de 1º de janeiro de 2019, estará proibida a fabricação, a importação e a comercialização de termômetros e medidores de pressão que utilizam coluna de mercúrio para diagnóstico em saúde. A medida, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), também inclui a suspensão do uso desses equipamentos em serviços de saúde e a não utilização do elemento químico e da liga de amálgama não encapsulada em odontologia. Vale salientar que a quantidade presente em termômetros de uso caseiro não chega a ser comprometedora, mas, em caso de quebra, é importante ter cuidado na hora de recolher a substância. Informações: www.anvisa.gov.br.

Em dez anos, obesidade cresce 60% no Brasil O brasileiro está mais obeso. É o que aponta a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde. De acordo com o estudo, em 10 anos, a prevalência da obesidade passou de 11,8% para 18,9%, atingindo quase um em cada cinco indivíduos. Esse aumento é um dos fatores que pode ter colaborado para a maior incidência de diabetes e hipertensão, especialmente em mulheres – o diagnóstico médico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016, e o de hipertensão, de 22,5% para 25,7% no mesmo período. Para saber mais acesse o site www.saude.gov.br.

Fotos: Shutterstock

Em 2050, população idosa irá triplicar em São Paulo

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A população com mais de 65 anos, em São Paulo, passará de praticamente 3,2 milhões de pessoas, em 2010, para 10,7 milhões, em 2050. Os dados são do boletim SP Demográfico nº1/17, da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). A pesquisa, baseada no Censo Demográfico, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e nos números do registro civil, prevê redução lenta dos níveis de fecundidade, já que, atualmente, os valores registrados são bastante baixos. Estima-se que, em 2050, as mulheres residentes no estado tenham, em média, 1,5 filho – em 2010, a marca era de 1,7 filho. Quanto à expectativa de vida, ela deverá atingir, daqui 33 anos, 79,07 anos para a população masculina e 84,20 anos para a feminina. Esse horizonte expressa relevante crescimento, uma vez que, em 2010, a vida média era de 71,44 para homens e 78,60 anos para mulheres. Mais informações no site www.seade.gov.br.

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Temperos aumentam a qualidade das conexões cerebrais Pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) mostraram em laboratório que uma substância presente na salsa, no tomilho, na camomila e na pimenta malagueta, a apigenina, é capaz de aumentar a formação de neurônios e fortalecer a comunicação entre eles. Os estudiosos observaram que ela age de modo similar ao estrogênio, hormônio feminino, que em testes tem mostrado capacidade de adiar a progressão de doenças associadas à baixa formação de neurônios, como a esquizofrenia, a depressão, o Mal de Parkinson e o Alzheimer. Para saber mais acesse www.idor.org.

ANS quer estimular participação do paciente na consulta e no tratamento A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) quer estimular uma maior participação do paciente nas decisões relacionadas à saúde, contribuindo, assim, para qualificar o cuidado e tornar o usuário mais consciente sobre suas necessidades. Para isso, a reguladora lançou o projeto Sua Saúde: Informe-se e Faça Boas Escolhas. A iniciativa conta com a parceria de 17 instituições, incluindo entidades médicas, acadêmicas e de apoio ao paciente, e periodicamente tratará de um tema específico. O primeiro a ser abordado é a comunicação com o responsável pelo cuidado, com dicas sobre como se preparar para uma consulta. Outras informações no site www.ans.gov.br.

Alimentação saudável faz bem para os olhos De acordo com estudo conduzido pela Harvard Medical School, nos Estados Unidos, comer verduras diariamente pode baixar o risco de desenvolver glaucoma (doença ocular influenciada pelo fluxo de sangue no nervo óptico) em 20% ou mais ao longo dos anos. Os pesquisadores dizem que o óxido nítrico desempenha importante papel na regulação do fluxo sanguíneo, e como as saladas e as verduras contêm nitratos, precursores dessa substância, acabam fazendo muito bem à visão. Outra pesquisa, essa realizada pelo King College, de Londres, na Inglaterra, mostra também que dietas ricas em vitamina C, que têm propriedades antioxidantes, podem reduzir em um terço o risco da progressão da catarata.

Publicação da Codeagro traz receitas para a melhor idade O Brasil possui uma população superior a 200 milhões de habitantes, sendo 15% com idade superior a 60 anos. Para esse público, a Coordenação de Desenvolvimento de Agronegócios (Codeagro), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, lança o livro “Melhor Alimentação para Melhor Idade”, com dicas de saúde e receitas com os alimentos (laranja, brócolis, espinafre, ovos, carnes e peixes, por exemplo) mais indicados para repor as vitaminas e os sais minerais necessários para uma vida mais longa e saudável. A publicação pode ser baixada gratuitamente no site www.codeagro. agricultura.sp.gov.br.

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Foto: Ivana Debértolis

PI N G-PON G

Paulo Camiz, geriatra, clínico geral e professor de Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

Envelhecimento

saudável

O geriatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Camiz, explica o que é preciso para chegar e viver bem na melhor idade

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ão existe milagre. Para envelhecer de forma saudável é preciso se cuidar durante toda a vida, o que significa ter alimentação saudável, praticar exercícios físicos regularmente, manter uma vida social ativa, dar atenção à saúde emocional e tratar corretamente qualquer tipo de doença. Para o geriatra, clínico geral e professor de Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Camiz, também é fundamental sair da zona de conforto e nunca parar de se movimentar. “É possível continuar sempre se desenvolvendo, mesmo na terceira idade”, diz o médico. E ele acrescenta: “A preguiça é o maior veneno da saúde”.

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Para o especialista, também é fundamental aceitar que a idade chega. “É muito comum a busca pelo não-envelhecimento, o que não existe. Por isso, insisto com meus pacientes para que eles se preocupem com a prevenção de doenças e outros problemas, queiram sempre melhorar e evitem uma vida cheia de estresse”. Para saber mais sobre o assunto, confira a seguir os principais trechos da entrevista que o doutor Camiz concedeu à Revista Home Angels. O que acontece quando envelhecemos? Vamos perdendo reserva funcional, desenvolvendo vulnerabilidade a agressores. Por exemplo, se antes a pessoa tinha uma infecção urinária e sentia dor para urinar, agora, além da dor, ela pode ter incontinência ou até confusão mental. Quando envelhecemos, nossa reserva neurológica fica menor, então qualquer agressão ao sistema nervoso vai se transformar em algo maior. Ainda sobre o exemplo da infecção urinária, a confusão mental também pode acontecer com o jovem, mas tem de ser uma infecção grave. No caso do idoso, basta uma pequena infecção. O mesmo vale para uma fratura. Em um jovem, a batida deve ser forte para quebrar o osso. Com o idoso, uma batida menos intensa já pode provocar a fratura.

A partir de qual idade somos considerados idosos? Tem um conceito, digamos assim, social, e que varia de lugar para lugar. Nos países desenvolvidos, são 65 anos. Já nos subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, é a partir dos 60 anos. E isso vai constantemente sendo alterado, pois o contexto no qual a pessoa se encontra afeta o envelhecimento e a sua qualidade. As pessoas envelhecem de forma mais patológica nos locais com piores condições. Fala-se muito em envelhecimento biológico, mental e social. Eles são diferentes? Sim, e eles dependem muito de como a pessoa os trabalhou ao longo da vida. Mas, frequentemente, uma coisa acompanha a outra. É comum estarem associados. O que é exatamente o envelhecimento social? Isso tem relação com o meio onde a pessoa vive, os relacionamentos que ela tem e as atividades que desempenha. Quando ela está bem inserida e consegue se relacionar

com amigos e familiares, bem como desempenhar atividades e até desafios, inclusive profissionais, sem estresse muito grande, ela está tendo um envelhecimento social saudável. Como vai envelhecer socialmente bem em país em guerra? Impossível. O que mais é preciso para envelhecer de forma saudável? É preciso seguir basicamente cinco pilares: atividade física regular, alimentação saudável, inserção social, saúde emocional e cuidado com as doenças. Nesse último caso, elas frequentemente são consequência dos outros pilares não bem cuidados. Pode explicar um pouco cada um deles? Na atividade física regular, o recomendado é cumprir, pelo menos, 150 minutos por semana de exercícios moderados. Os de força (musculação),


Voltando às atividades físicas, o tipo e a intensidade mudam com o passar dos anos? Isso não está bem estabelecido. O ideal é sempre fazer algo que prepare a pessoa para as suas atividades do dia a dia. No caso do idoso, ele normalmente faz atividade curta, e a musculação prepara para isso. Mas eu não gosto de ficar engessado a um número. Acre-

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Foto: Ivana Debértolis

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os aeróbicos e os voltados para o equilíbrio, que ajudam na prevenção de quedas, são muito importantes para os idosos. Quanto à alimentação, deve-se evitar os alimentos processados e investir nos naturais. Sugiro sempre que a pessoa passe mais tempo na feira do que no supermercado. O idoso, normalmente, não come muita proteína, porque tem carga dentária despreparada, e os alimentos proteicos são mais duros. Isso está errado, eles precisam de proteína, pois perdem músculo com mais facilidade. A inserção social significa que é preciso estar com os amigos, ter bom relacionamento familiar e boas condições de trabalho... E existem alguns fatores que independem da pessoa, mas também são importantes, como calçadas e transporte coletivo seguros. As práticas do governo têm total relação com o envelhecimento saudável. A saúde emocional passa por manter-se sempre bem humorado, calmo, sem ansiedade, depressão ou estresse. Esse pilar é meio que a soma dos anteriores. O cuidado com as doenças, por sua vez, é consequência de tudo, mas existem as enfermidades inerentes à pessoa, e aí é preciso tratamento adequado.

É PRECISO ACEITAR O ENVELHECIMENTO.

AS PESSOAS DEVEM SER

CONSCIENTIZADAS DE QUE NÃO EXISTE ANTIENVELHE-

CIMENTO. TAMBÉM É FUNDAMENTAL PROPOR O ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL Paulo Camiz, geriatra

dito que é preciso dar o que o paciente precisa. Se ele está com a perna fraca, os exercícios devem focar no seu fortalecimento, e assim por diante. O senhor falou sobre cuidados com doenças. Quais são as mais comuns na melhor idade? Tem de tudo, mas, como geriatra, vejo bastante gente com incontinência, osteoporose, demência e problemas relacionados ao equilíbrio, que acabam resultando em quedas. O que se deve evitar nessa fase? Não é especificamente na terceira idade, mas antes de

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chegar lá, para ter um envelhecimento saudável. Deve-se evitar alimentos processados e certos grupos, dependendo do perfil da pessoa. Por exemplo, se ela tem pressão alta, tem de evitar sal; se tem diabetes, evitar carboidrato e gordura. Também é fundamental evitar o sedentarismo, tanto físico quanto intelectual, e o isolamento. A preguiça é o maior veneno para a saúde. Quais conselhos o senhor pode dar para quem está se aproximando dos 60 anos? É preciso aceitar o envelhecimento. As pessoas devem ser conscientizadas de que não existe antienvelhecimento. Também é fundamental propor o envelhecimento saudável. Para isso, é indicado conversar bastante com o médico sobre prevenção e querer sempre melhorar. Outro conselho é não parar nunca. Todo mundo deve se exercitar, ter vida social e sair da zona de conforto, ser desafiado. Dessa forma, estarão sempre se desenvolvendo.


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PERGUNTE À HOME ANGELS Existe uma idade certa para começar a praticar exercícios físicos? Exercício não tem idade para começar, mas é preciso praticá-lo de acordo com cada fase da vida. Na infância, a atividade física afasta o risco de obesidade, estimula a coordenação motora e ajuda no desenvolvimento intelectual. Até os cincos anos, algumas das indicadas são natação e judô. Depois, entre 6 e 11, pode-se praticar basquete, futebol e vôlei. Dos 12 aos 15, passam a ser liberados boxe e musculação. A partir dos 16 valem quaisquer outras, como yoga, pilates e corrida. Para quem tem mais de 60 anos, os exercícios são fundamentais, pois ajudam a garantir mais saúde e qualidade de vida. Nessa fase, as recomendações são os de intensidade leve e moderada – entre eles caminhada, hidroginástica e musculação –, destacando que o acompanhamento de um profissional é muito importante.

Quais as dicas para ajudar o idoso a dormir melhor? Com o envelhecimento, o sono fica mais leve e menos reparador. Nessa fase, existe uma dificuldade real em adormecer e se torna mais comum acordar algumas vezes à noite para ir ao banheiro ou beber água. Para ter um ciclo de sono correto e satisfatório é preciso ter uma rotina organizada, com horários determinados para deitar, levantar, fazer as refeições, praticar exercício físico e cochilar. Claro que nada precisa ser extremamente rígido, mas regular o organismo ajuda a ter noites e dias melhores. Também é importante preencher o dia com atividades prazerosas e cansativas. Além disso, recomenda-se consumir alimentos leves à noite e ter um ambiente adequado e confortável para o descanso.

Como cuidar de pais na terceira idade? O envelhecimento dos familiares é algo complexo e emocionalmente desgastante, e não existe uma preparação prévia. No entanto, é imprescindível aceitar a situação, e entender que, em alguns casos, os papeis podem ser trocados, ou seja, os filhos se tornarem responsáveis pelos pais. Além disso, é necessário paciência. Ficar nervoso ou estressado não ajudará em nada, muito pelo contrário. Para auxiliar os familiares mais velhos a viver essa fase com mais tranquilidade, dê a eles autonomia, independência, respeite as suas vontades e mantenha-se sempre por perto. Em caso de doença, a atenção pode ser mais intensa e requerer a ajuda de um cuidador.

Se você tem alguma dúvida, crítica ou sugestão escreva para canaldoleitor@editoralamonica.com.br 2017 | 2o semestre | Revista Home Angels

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Beleza não tem idade

Fotos: Divulgação

ESPECIAL PARA VOCÊ

Iris Apfel, 95 anos

Homens e mulheres com mais de 60 anos têm sido cada vez mais procurados pelos mercados publicitário e da moda para participar de desfiles, comerciais de televisão e campanhas fotográficas

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Yasmina Rossi, 59 anos Foto: Reprodução

ela definição do dicionário, o significado de beleza é: qualidade, propriedade e caráter do ser ou da coisa que desperta sentimento de êxtase, admiração ou prazer através dos sentidos. Em um mundo cheio de padrões estéticos, no entanto, o entendimento de beleza se distanciou desse seu real significado e ser bonito virou sinônimo de juventude. Com isso, para muitos, envelhecer tornou-se quase um pecado e o decreto de que a beleza chegou ao fim. Será? A resposta é não, prova disso é que cada vez mais homens e mulheres com mais de 60 anos têm investido na carreira de modelo. Fora do

Philippe Dumas, 60 anos

Brasil, Iris Apfel, de 95 anos, Carmen Dell’Orefice, de 86 anos, Deshun Wang, de 80 anos, Veruschka von Lehndorff, de 78 anos, Philippe Dumas, de 60 anos, e Yasmina Rossi, de 59 anos, são apenas Deshun Wang, 80 anos

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é uma delícia e ajuda na autoestima, mas, no geral, o que busco é bem-estar. Estou aqui para aproveitar a vida”, complementa. Com início diferente da garota de Ipanema, a advogada carioca Jeanette Polmon, de 67 anos, começou a modelar há sete anos. “Descoberta” por uma socialite, que lhe achou bonita e indicou que fizesse um curso de modelo e manequim, ela trocou a carreira de funcionária pública federal pelas passarelas e lentes das câmeras fotográficas. Só que, atualmente, quem a vê feliz e realizada, nem imagina que ela já enfrentou um câncer de mama. “Aos 59 anos, descobri a doença. Fiz cirurgia e radioterapia. Quando a perícia não me liberou para voltar ao trabalho no Ministério da Saúde, tive de me aposentar. Sofri um baque, e só pensava no que iria fazer dali por diante”, recorda. A resposta veio em pouco tempo e Jeanette, agora, é bastante requisitada para desfiles e campanhas de moda. Mãe de dois filhos, de 48 e 45 anos, e avó de quatro netos, com idades entre 8 e 21 anos, ela também faz parte do projeto Senhoras do Calendário, que retrata apenas mulheres com mais de 40 anos – presente em todas as edições do anuário, ela já foi fotografa de lingerie e até nua. “Essa nova profissão simplesmente aconteceu na minha vida, e provocou uma mudança radical, além de ter me ajudado a superar o câncer e elevar a minha autoestima. Sou apaixonada pelo o que faço, e a impressão que tenho é que nasci

Foto: Gilberto Haider

alguns dos nomes que têm feito o maior sucesso no mercado publicitário. E por aqui a história não é diferente. A eterna garota de Ipanema, Helô Pinheiro, é um exemplo de como é possível continuar bela e elegante aos 71 anos. A modelo, atriz, apresentadora, jornalista e empresária começou na carreira aos 16 anos, fazendo desfiles e fotos para uma série de marcas. Mais tarde, atuou em novelas na Band e na Globo e comandou diversos programas televisivos – o último foi o Ser Mulher, no canal a cabo Fox Life, ao lado da filha Ticiane Pinheiro. Ativa e agitada, a musa segue na profissão, mas ampliou sua área de atuação. Hoje em dia, além de desfiles e comerciais, ela apresenta shows, faz palestras e tem duas linhas de roupas, a Garota de Ipanema e a Helô Pinheiro by Amarras. “Eu sempre procuro algo para fazer, não consigo ficar parada. A vida só tem graça quando a gente trabalha e se diverte”, comenta. Apesar da rotina corrida, Helô revela que não descuida da saúde e da aparência. Pelo menos três vezes por semana ela frequenta a academia, onde faz aerojazz, musculação e esteira; uma ou duas vezes ao ano aplica botox (em volta dos olhos e da testa); tem uma alimentação equilibrada – mas sem neurose – e nunca dorme maquiada. Ela também dá atenção especial aos cabelos e unhas, e está sempre impecavelmente arrumada. “Procuro ficar bem para mim, e não para os outros. Claro que receber elogios

Helô Pinheiro, 71 anos, a eterna garota de Ipanema

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Foto: Daniel Machado

ESPECIAL PARA VOCÊ

fissional, que adora trabalhar com idosos. “Eles são extremamente alegres, responsáveis e não se cansam tão facilmente, como muita gente pode pensar”. Entre os modelos da agência está Wilson Ademar Manderley, de 65 anos. “Eu trabalhava como garçom, e recebi a proposta de gravar um comercial. No dia, tive um imprevisto e não pude ir, mas fiquei com aquilo na cabeça, não queria perder essa oportunidade. Depois de algum tempo fui atrás e as portas se abriram para mim”, comemora. Realizado na nova carreira, o “ex-aposentado”, além de participar de propagandas de televisão, está fazendo um curso de teatro, oferecido pela própria First. “Essa fase está sendo muito prazerosa. Estou experimentando e realizando coisas que nunca imaginei, e não pretendo parar tão cedo. Antes disso, tive momentos complicados, sofri de depressão, mas agora estou ótimo e tenho perspectivas, fora que passei a me cuidar melhor”, enfatiza.

Jeanette Polmon, 67 anos, virou modelo após a descoberta de um câncer

Foto: Agência First

mens e mulheres mais velhos – atualmente, são 14, com idade entre 60 e 90 anos. “Nosso primeiro trabalho, inclusive, foi com esse público. Há muito espaço para ele, especialmente nos dias de hoje, quando estão cada vez mais em voga os lançamentos de produtos visando à longevidade e o bem-estar”, assegura a proFoto: Agência First

para isso”, afirma. Com convites aparecendo o tempo todo, a modelo diz que ficou mais vaidosa. “Passei a me cuidar muito mais, sem contar que a idade já exige mais atenção com a saúde, a pele, os cabelos...”, acrescenta. Na sua rotina de beleza estão limpeza de pele a cada dois meses, manicure e pedicure toda semana, academia três vezes por semana, massagens às terças e quintas-feiras e alimentação saudável – frutas, verduras e legumes fazem parte do seu cardápio diário. “Tudo o que faço me ajuda a viver melhor e mais feliz”, destaca.

MERCADO CRESCENTE

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, a First Model Agency tem investido bastante em modelos da melhor idade. Segundo a agenciadora Geovana Borges, desde a fundação da empresa, em 1998, o casting traz ho-

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Maria Yvette Fontes da Silva, 80 anos: "a idade só pesa se você permitir"

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Wilson Ademar Manderley, 65 anos: exgarçom e agora realizado como modelo


Novas experiências melhoram a autoestima e a qualidade de vida Segundo a coordenadora na-

cional do curso de psicologia da Faculdade Estácio, Claudia Behar, a ideia de beleza está tradicionalmente ligada à juventude, sendo muito relacionada com o período reprodutivo da mulher. Em compensação, diz ela, como a expectativa de vida aumentou, as empresas têm investido mais nesse público. “A aposentadoria é uma época de extrema dificuldade, com eleClaudia Behar, coordenadora nacional do curso de psicologia vados índices de depressão. Para da Faculdade Estácio quem sempre foi útil, ela representa a exclusão da sociedade. Porém, com essa mudança pelo qual o mundo vem passando, tem sido possível se renovar e investir em outras áreas, o que é muito benéfico para a qualidade de vida e a saúde mental”, acrescenta a psicóloga. Valorização, aceitação e autoestima são fundamentais para a melhor idade. A neuropsicóloga, master coach e palestrante Melcina Moura Moreno comenta que nessa época da vida é imprescindível ter objetivos, ideais e expectativas, assim como na juventude. “Também é preciso se ocupar. A pessoa modelar, desfilar ou praticar qualquer atividade nova depois dos 60 é uma maravilha”. Como explica a profissional, o cérebro do ser humano é neoplástico, o que significa que ele permite inúmeras conexões em frações de segundos. Com o envelhecimento, esse trabalho se torna mais lento, mas continua a ocorrer. “É por isso que conseguimos aprender mesmo mais velhos. E quanto mais aprendemos, mais a nossa mente fica saudável e arejada, nos proporcionando rejuvenescimento e alegria”, conclui a médica. Foto: Thiago Amelotti Portela

Foto: Divulgação

Maria Yvette Fontes da Silva, de 80 anos, também faz parte do elenco da agência de Ribeirão Preto. Há cerca de dez anos, um conhecido a aconselhou a fazer um book. Imediatamente ela aceitou o desafio e, com as fotos em mãos, começou a fotografar e gravar comerciais. Viúva, com cinco filhos, cinco netos e dois bisnetos, a modelo adora ter novas experiências, tanto que o que ela busca agora é ser chamada para alguma campanha internacional. “Estou louca para que isso aconteça. Quero conquistar muitas coisas ainda nessa profissão, e a idade não me amedronta em nada”, declara. Vaidosa, Maria Yvette gosta de estar sempre bem arrumada. “Ainda não me vi com cabelos brancos, tinjo todos os meses. Também faço as unhas semanalmente e não saio de casa sem blush e batom. Cuido bastante da minha aparência e do meu corpo. Primeiro porque trabalho com imagem, e segundo porque já não tenho mais vinte anos”. E se você acha que modelar já está bom para ela? Que nada. Cheia de energia, a também atriz canta em um coral e faz aulas de tai chi chuan e dança de salão. “Faço tudo o que aparece e tenho condições, claro. Velhice não é doença, e só porque passamos dos 60 anos não significa que temos de ficar quietos em casa. A idade só pesa se você permitir, e eu não permito”. Ao contrário do que prega a sociedade dos padrões estéticos, beleza não tem idade. Tem atitude.

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FI QUE DE OL HO

O que muda com a reforma da

Previdência? U A presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger, responde as principais dúvidas

ma questão que tem gerado bastante polêmica no País nos últimos meses é a reforma da Previdência Social. Anunciada pelo governo em dezembro do ano passado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que tem o objetivo de garantir sustentabilidade ao sistema e promover a equidade entre os regimes dos trabalhadores da iniciativa privada e dos servidores públicos, altera as regras

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de concessão de aposentadorias e pensões. Para explicar as principais delas, a Revista Home Angels conversou com a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger. Confira a seguir:

(mulheres) e 50 anos (homens). Nada muda para quem tem direitos adquiridos – já recebe benefícios ou completou as condições de acesso. Haverá regras de transição para quem tem 45 anos ou mais (mulheres) e 50 anos ou mais (homens).

QUEM SERÁ AFETADO

REGRAS DE ACESSO

As novas regras da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 287/2016 valerão integralmente para quem tem menos de 45 anos de idade

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Permanente: A regra atual determina que a soma da idade e do tempo de contribuição deve ser de 85 anos para as mulheres e 95 anos para os ho-


VALOR DA APOSENTADORIA

O valor da aposentadoria corresponderá a 51% da média dos salários de contribuição, acrescidos de 1 ponto percentual dessa média para cada ano de contribuição considerado na concessão da aposentadoria, até o limite de 100%. O trabalhador com 65 anos de idade e 25 anos de tempo de contribuição terá a aposentadoria igual a 76% do seu salário de contribuição. Exemplo: 51% da média de salários + 25 (um ponto por ano de contribuição) = 76% do salário de contribuição. Caso o segurado resolva trabalhar mais cinco anos, esse valor será de 81%.

APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE

No caso de aposentadoria por incapacidade permanente para o trabalho, quando decorrente exclusivamente de acidente no trabalho, o valor corresponderá a 100% da média das remunerações.

PENSÃO POR MORTE

O benefício de pensão por morte terá um valor equivalente a uma cota familiar de 50% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por incapacidade permanente, acrescida de 10% para cada dependente (mínimo de 60%), até o limite de 100%. Exemplo: segurado aposentado, ao falecer, deixa esposa e dois filhos com direito ao recebimento do benefício de pensão por morte. Nessa situação, o valor do benefício corresponderá a 80% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por incapacidade permanente (50% acrescido de 3 cotas individuais de 10%). As regras vigentes atualmente não mudarão para os depen-

dentes de segurados que faleceram antes da reforma.

ACÚMULO DE PENSÃO COM OUTRO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO

Não haverá acúmulo de mais de uma pensão por morte deixada por cônjuge ou companheiro e de pensão por morte com aposentadoria. Contudo, será possível optar pelo benefício mais vantajoso. Vale destacar que as acumulações já existentes serão respeitadas.

PREVIDÊNCIA ÚNICA

Isso não acontecerá. Pela proposta do governo, continuarão coexistindo o Regime Geral de Previdência Social – INSS e os Regimes Próprios dos servidores públicos efetivos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Entretanto, eles passarão a ter convergência de regras de acesso aos benefícios.

“É preciso proteger o que se arrecada”

Foto: Divulgação

mens. A nova proposta estabelece idade mínima de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres. Além disso, ela eleva o tempo mínimo de contribuição de 15 anos para 25 anos. Transição: No caso dos homens com 50 anos de idade ou mais e mulheres com 45 anos de idade ou mais, será aplicado acréscimo de 50% sobre o tempo que, na data de promulgação da Emenda, faltaria para atingir o número de meses de contribuição exigido. Isso significa que os trabalhadores terão de pagar um “pedágio” para se aposentar. Este processo também será aplicado para professor e segurado especial (rural).

“As condições sociais e demográficas do País passam por mudanças, e isso torna necessário fazer adaptações na Previdência. A reforma é importante, pois o sistema precisa ser revisto de tempos em tempos. No entanto, não concordamos com esse formato. O ideal é que fosse melhor viabilizada e mais equilibrada, e não só do ponto de vista dos benefícios, mas também da entrada de recursos. Já apresentamos algumas propostas ao governo, principalmente na parte de arrecadação. É preciso proteger o que se arrecada, e não deixar que esse dinheiro seja desviado para outras áreas. As regras de transição também são muito severas. Acreditamos que dá para fazer mudanças, e elas, inclusive, são necessárias, mas não dessa forma”. Jane Berwanger, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) 2017 | 2o semestre | Revista Home Angels

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HISTÓRIAS PARA ACORDAR

Fotos: Ivana Debértolis

Aos 75 anos e 77 anos, respectivamente, Marilene e Mary formam a dupla As Galvão

Sete décadas de

sucesso

As irmãs Mary e Marilene, da dupla sertaneja As Galvão, lançam biografia e documentário e, aos 77 e 75 anos, respectivamente, se dizem bem longe da aposentadoria

F

oi em 1947, na Rádio Club Marconi, da cidade de Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, que As Galvão, dupla formada pelas irmãs Mary e Marilene Galvão, nasciam para o mundo artísti-

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co. Na época com 7 e 5 anos, respectivamente, as garotas, que sempre contaram com o apoio dos pais, Bertholdo e Maria, encantaram a todos com seus carisma e talento. Dali para o estrelato foi só questão de tempo. Durante algum tempo, as meninas se

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apresentaram em circos, sempre atraindo um grande público e recebendo as melhores críticas. Elas também passaram pelas rádios Difusora de Assis (SP) e Cultura de Maringá (PR). Mas o sonho era mesmo tocar em São Paulo. A oportunidade chegou em 1952, quando


ação Fotos: Divulg

berta Miranda, Dani & Danilo, Tião Carreiro & Pardinho e Tonico & Tinoco. Dirigidas musicalmente pelo maestro Mario Campanha, parceiro de Mary na vida e na arte há 36 anos, as irmãs

"Começamos a cantar sem grandes pretensões, sempre incentivadas pelo nosso pai. Foi ele, inclusive, quem nos deu nossos primeiros instrumentos, a sanfona e o violão"

"Quando iniciamos a carreira, nada foi fácil, tivemos de ter muita paciência e perseverança"

Fotos: Ivana Debértolis

foram convidadas pela Rádio Piratininga. A repercussão foi tão boa que lhes rendeu apresentações na Rádio Nacional, atual Globo, e um contrato com a Rádio Bandeirantes. “Foi uma coisa tão imediata. Na primeira vez que cantamos já nos revelamos artistas. E, apesar da pouca idade, tínhamos estilo. Porém, foi só quando chegamos à capital paulista que começamos a vida profissional para valer”, relembra a dupla, e ainda acrescenta: “No início, apenas os circos tinham as portas abertas para a música caipira. Naquela época ainda havia muito preconceito com esse estilo”. Inspiradas pelas Irmãs Castro, famosas na década de 1940 com a música “Beijinho Doce” – sucesso também na voz de Mary e Marilene –, As Galvão gravaram o primeiro disco, em 78 rotações, em 1960. De lá para cá foram mais de 30 álbuns, uma infinidade de canções e diversas parcerias. Elas já dividiram os microfones, por exemplo, com Nora Ney, Tiê, Daniel, Sérgio Reis, Marciano, Ro-

ajudaram a desbravar o universo do sertanejo feminino, que se expandiu muito nos últimos anos com a chegada de artistas como Marília Mendonça, Simone & Simaria, Paula Fernandes, Maiara & Maraísa e Naiara Azevedo. “As coisas na nossa vida foram acontecendo. Começamos a cantar sem grandes pretensões, sempre incentivadas pelo nosso pai. Foi ele, inclusive, que nos deu nossos primeiros instrumentos, a sanfona e o violão, e aprendemos a tocá-los sozinhas. Quando iniciamos a carreira, nada foi fácil, tivemos de ter muita paciência e perseverança. Mas fomos escolhidas para essa profissão, e somos muito gratas por tudo o que construímos e conquistamos”, afirmam.

DATA COMEMORATIVA

Biografia "Dossiê As Galvão - As Soberanas em 70 Anos de Estrada" marca as sete décadas de carreira da dupla

O primeiro DVD das artistas deve sair nos próximos

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meses, em celebração aos 70 anos de carreira. Além disso, a data está sendo comemorada com a biografia “Dossiê As Galvão – As Soberanas em 70 Anos de Estrada”, escrita pelo fã e amigo Maikel Monteiro, e o documentário “Eu e Minha Irmã, A Trajetória das Irmãs Galvão”, produzido pela Dream Box Films. “Há dois anos, nem tínhamos nos dado conta de que já estávamos perto de completar sete décadas nos palcos. Um jovem que foi assistir ao nosso show que nos lembrou disso”, contam. As irmãs também foram homenageadas há alguns anos com um memorial em Sapezal, pequeno distrito de Paraguaçu Paulista. Instalado em um belo casarão, ele está repleto de fotos, discos, troféus e instrumentos que contam a história da dupla.

CUIDADOS

Mary e Marilene se preocupam com tudo em suas apresentações, principalmente com a maneira de se vestir. Para elas,

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o Foto: Divulgaçã

HISTÓRIAS PARA ACORDAR

isso é sinal de respeito e retribuição ao público, que não se cansa de lhes tratar com admiração e carinho. “Os fãs têm de ser muito

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Memorial em Sapezal, distrito de Paraguaçu Paulista, homenageia as irmãs Galvão com fotos, discos, troféus e instrumentos que contam a história da dupla

respeitados, afinal, só estamos onde estamos graças a eles. Por isso, procuramos estar sempre bem. Eles merecem o melhor de nós”.


"Depois que se aposentarem, procurem fazer algo bonito e que lhes dê prazer. nunca parem, e se façam felizes sempre, assim como nós"

Além de cuidar muito bem do figurino e de seu público fiel, As Galvão tem atenção com a saúde, mas nada em excesso. A dupla revela que não fuma e nem bebe, evita líquidos gelados para não prejudicar a voz, não dispensa o filtro solar e nunca dorme sem remover a maquiagem. Elas ainda procuram levar a vida com Fotos: Divulgaçã

o

A relação entre a dupla e os admiradores é tão bacana que elas, após cada apresentação, fazem questão de dedicar cerca de duas horas para atendê-los, tirar fotos, dar autógrafos e escutar suas histórias. Muitos deles, inclusive, viram amigos. “Temos uma fã que nos acompanha há 60 anos. Falamos com ela constantemente por telefone e até já fomos visitála no hospital em uma ocasião”.

alegria e positividade. “Tentamos ser felizes sempre, por isso somos tão bem-humoradas e equilibradas. Apesar dos 77 e 75 anos, não somos velhas, só temos idade”. Extremamente ativas e prontas a qualquer hora para shows, entrevistas e participações em programas de televisão ou rádio, as irmãs não pensam em parar tão cedo, e aproveitam para dar um conselho ao pessoal da melhor idade. “Depois que se aposentarem, procurem fazer algo bonito e que lhes dê prazer. Nunca parem, e se façam felizes sempre, assim como nós”.

"Os fãs têm de ser muito respeitados, afinal, só estamos onde estamos graças a eles. Por isso, procuramos estar sempre bem. Eles merecem o melhor de nós"

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S AÚDE E M DI A

Boca saudável após os 60 Com o envelhecimento, é normal o organismo passar por mudanças, que também afetam os dentes e a gengiva. Mas, tendo os cuidados necessários, é possível sorrir sem medo

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P

ara manter a saúde em dia, não basta fazer check-ups anuais, ter alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos com frequência. Também é fundamental cuidar da boca, afinal, negligenciar essa região pode causar doenças até mesmo no coração, como a endocardite bacteriana (infecção que atinge as válvulas cardíacas através da corrente sanguínea). Ao contrário do que muita gente pensa, perder os dentes e ter de usar dentaduras não é uma consequência natural do envelhecimento. O certo é sempre manter todos os dentes, o que só se consegue com prevenção e manutenção. “É preciso conscientizar toda a população, em especial os idosos, da necessidade de higienização e tratamento, quando houver algum problema”, comenta a cirurgiã-dentista e consultora científica da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (ABCD), Adriana de Barros Pinto. Na maturidade, a recomendação da especialista é fazer a escovação, no mínimo, três vezes ao dia, e sem muita pressão para não machucar a gengiva e desgastar os dentes, usar creme dental com flúor e passar o fio dental diariamente – se não for possível em todas as escovações, pelo menos à noite é indispensável. Além disso, é importante ter consultas odontológicas regulares. Esses encontros, garante a cirurgiã-dentista, são importantes para se conhecer melhor o paciente. “Muitas pessoas da terceira idade possuem alterações sistêmicas e tomam algum medicamente. Por isso, fazer uma boa anamnese (entrevista) é essencial para podermos traçar o programa ideal para cada um.”

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Conforme o indivíduo vai envelhecendo, algumas enfermidades vão se tornando mais comuns, e isso também acontece com a boca. Nos idosos, um dos problemas de maior incidência é a xerostomia. Também conhecida como boca seca, ela ocorre por conta da diminuição da quantidade de saliva e pode ser causada pelo consumo de determinados remédios ou por alguma disfunção do próprio corpo. Outros problemas bucais que atingem os idosos, segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), são cáries de raiz, gengivite, periodontite, lesões na mucosa bucal (candidíases e leucoplasias, por exemplo) e câncer. Ainda há chances de que a gengiva comece a retrair, aumentando a sensibilidade.

Foto: Divulgação

S AÚDE E M DI A

DOENÇAS COMUNS

DENTADURA

Como já destacamos, o ideal é chegar na melhor idade com todos os dentes, a fim de ter eficiência mastigatória e, consequentemente, a ingestão de uma dieta mais adequada. Porém, muita gente precisa utilizar prótese total removível. “Nesses casos, os cuidados precisam ser redobrados, pois, se a peça não for bem higienizada, pode provocar a proliferação de bactérias e causar doenças, como as fúngicas”, explica Adriana. A dentadura tem de ser lavada todos os dias, com produto indicado pelo cirurgião-dentista, e retirada para dormir – nesse período, ela deve ficar em uma solução de imersão de limpeza. Além disso, é preciso consultar o profissional em caso de afrouxamento, quebra ou rachaduras e fazer a sua substituição a cada quatro anos.

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"É preciso conscientizar toda a população, em especial os idosos, da necessidade de higienização e tratamento, quando houver algum problema" Adriana de Barros Pinto, cirurgiãdentista e consultora científica da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (ABCD)

Prevenção garante dentes fortes e bonitos Chegar na melhor idade com dentes saudáveis e um sorriso bonito não é privilégio de poucos. Para atingir esse objetivo é preciso apenas ter cuidados preventivos desde o nascimento. Confira a seguir quais são eles: Nos bebês, é fundamental higienizar a boca, com gaze embebida em água filtrada, após todas as mamadas; Assim que os primeiros dentinhos surgirem, a indicação é usar escova de cerdas macias, compatível com o tamanho da boca da criança, e pasta sem flúor; Quando os pequenos já conseguirem cuspir sozinhos, a pasta deve ser trocada para a com flúor; Os pais ou responsáveis precisam dar o exemplo, o que significa que eles têm de cuidar dos dentes junto com as crianças, mostrando que a ação é imprescindível para a saúde de todo o organismo; Durante a vida, é fundamental escovar os dentes após cada refeição e ainda usar o fio dental; Alimentação equilibrada, boa hidratação e hábitos saudáveis, como não fumar e não consumir bebida alcoólica, também fazem parte dos cuidados com a saúde da boca; Por fim, é essencial consultar o cirurgião-dentista, pelo menos, uma vez por ano para avaliação completa, limpeza e, se necessário, a realização de tratamento.


*Por Liamar Fernandes

Na terceira idade, no entanto, viagens têm um sentido muito mais especial. Há muitos anos, as pessoas de classe média ou baixa não tinham a oportunidade de viajar por dois grandes motivos: alto custo e expectativa de vida menor que a de hoje. Por isso, não é incomum encontrar pessoas da terceira idade contando que planejaram por toda a vida descobrir o mundo quando se aposentassem ou terminassem de criar os filhos, mas que muitas vezes não conseguiram realizar. A boa notícia é que o aumento de expectativa de vida, o avanço da tecnologia e a globalização estão tornando esse sonho muito mais acessível para todos. Consequentemente, cada vez mais pessoas da melhor idade estão aproveitando essa fase de suas vidas. A maioria delas viaja como diversão e recreação e podem não perceber o quanto essa atitude é importante na ativação do hemisfério direito do cérebro, responsável pelas emoções e imaginação. A viagem, principalmente para o idoso, é revitalizante e traz efeitos surpreendentes para a mente: melhora a autoconfiança, a autoestima e a sensação de segurança. Viajar apresenta novas culturas, novos conceitos, desenvolve o lado

Foto: Divulgação

V

iajar é importante em qualquer momento da vida. A descoberta de um novo lugar, ou a revisitação de um lugar que você gosta, tem poderes incríveis para nossa mente e corpo. A ciência já provou, por exemplo, que viajar nos faz mais felizes do que fazer compras – de acordo com a Universidade de Cornell, dos Estados Unidos, as experiências que vivemos nos deixam muito mais felizes do que bens materiais.

ARTI G O

Os benefícios de viajar na terceira idade

cognitivo, a criatividade, as inteligências social, emocional e pessoal, amplia a rede social e melhora os relacionamentos. Com uma reviravolta na ciência, que antes acreditava que após os 24 anos o organismo perdia neurônios, raciocínio e memória, hoje sabe-se que é possível produzir neurônios e ter boa memória durante toda vida. E não é apenas viajar que pode proporcionar esses benefícios. O cérebro se desenvolve com todas as novas experiências, e pequenas atitudes no dia a dia ajudam a manter esse constante desenvolvimento. Por isso, experimente coisas diferentes, saia da rotina, faça coisas inéditas. Atividades como ler livros, participar de treinamentos, frequentar cinema e teatro, ter hobbies, praticar esporte, aprender um instrumento musical ou um novo idioma também contribuem para este bem-estar e desenvolvimento mental. Se a pessoa da terceira idade se mantiver fisicamente e intelectualmente mais ativa, isso a ajudará a retardar ou afastar as doenças mais comuns nessa fase, evitando o isolamento social e a depressão.

* Liamar Fernandes é master coach e instrutora Licenciada da Sociedade Brasileira de Coaching (SBCoaching)

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