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Divulgação

Lean Logistics Autor: M.e Antonio Carlos Sanches

Possui graduação em Engenharia Industrial pela Universidade Santa Cecília, especialização em MBA Executivo Internacional pela Universidade de São Paulo e mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É doutorando e pesquisador do LALT/UNICAMP. Possui 30 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais em empresas como Pirelli, COOPERS & LYBRAND, O Boticário, SSA Global e Grupo Wheaton Vidros. É professor da disciplina Lean Logistics do curso de especialização em Gestão da Cadeia de Suprimentos e Logística do LALT/UNICAMP e Diretor de Operações e TI da Antilhas Embalagens.

O que é gestão de projetos? O termo Lean surgiu na década de 80 e foi cunhado pelo assistente de pesquisa do MIT (Massachussets Institute of Technology), John Krafcik, após participar do International Motor Vehicle Program. Como resultado de suas pesquisas, em 1990 ele publicou o livro “A Máquina que Mudou o Mundo”, um estudo do Sistema Toyota de Produção, que originou o termo Lean. Tratava-se de um sistema muito mais eficaz e eficiente que o tradicional, de produção em massa, o que rendeu enorme relevância ao estudo de John Krafcik. O Lean Manufacturing surgiu na manufatura da indústria automotiva, e ao longo de vários anos, foi aplicado apenas a esse setor. Posteriormente, o Lean foi estendido a outros ambientes da organização: administração, desenvolvimento de produto, produção, logística, etc. Com essa evolução, surgiu a expressão “Lean Thinking”, que virou sinônimo de mentalidade enxuta. Sua filosofia era, basicamente, eliminar desperdícios. E seguindo sua evolução, mais adiante, os setores aeronáutico, eletrônico, de mineração, da construção civil, bancário, hospitalar, etc., também

passaram a incorporar o sistema Lean. E uma das evoluções do Lean Manufacturing foi sua aplicação em Logística e Supply Chain: o Lean Logistics e o Lean Supply Chain. Apesar da literatura em português ser escassa, a literatura inglesa dispõe de numerosas publicações de artigos e livros. Em síntese, os princípios do Lean Logistics são: • Valor: definir o que é valor; • Fluxo de Valor: Identificar e separar os processos da cadeia produtiva em três tipos: os que efetivamente geram valor; os que não geram valor, mas são importantes para a manutenção dos processos de qualidade; os que não agregam valor e devem ser eliminados; • Fluxo Contínuo: construir um fluxo, dando fluidez às atividades que restaram; • Produção Puxada: as empresas não empurram, são os consumidores que “puxam”; • Perfeição: objetivo constante de buscar a melhoria contínua. A aplicação do Lean Logistics é um processo de longo prazo, que afeta processos e pessoas, com resultados significativos. A ordem de grandeza dos resultados varia de

reduções de desperdícios entre 25 e 50%. Os sete principais desperdícios que nasceram no Lean Manufacturing são: 1. Produção em excesso 2. Tempo de espera 3. Transporte 4. Excesso de processamento; 5. Inventário 6. Movimento 7. Defeitos Uma vez adaptados ao Lean Logistics, eles se reduzem a cinco desperdícios: 1. Tempo de Espera 2. Transporte 3. Excesso de processamento 4. Inventário 5. Movimento Várias empresas do Brasil já implementaram o Lean em suas operações logísticas. Entre elas, a Atlas Transportes e Logística, que usa o conceito Lean adaptado e desenvolvido para sua operação on demand no setor farmacêutico, com a aplicação da visão do cliente em todas as etapas do projeto: • Concepção • Validação • Implantação • Melhorias contínuas

A Atlas também aplicou o sistema Lean na Operação In House, do setor automotivo. Neste caso, o processo envolveu o gerenciamento das etapas de picking, conferência, embalagem, expedição e reabastecimento. A Cedro Cachoeira, empresa nacional centenária, sediada em Belo Horizonte (MG) e que atua no ramo têxtil, foi outra empresa que aplicou com sucesso os conceitos do Lean. Seus objetivos eram reduzir a complexidade da cadeia de abastecimento e torná-la enxuta e ágil. Além da Cedro e da Atlas, outras empresas nacionais e multinacionais instaladas no Brasil aplicaram o Lean em etapas isoladas da cadeia de abastecimento ou integraram algumas delas. Podemos considerar a aplicação dos conceitos do Lean ao Supply Chain segundo as etapas da figura 1. O ponto de partida é a Gestão da Demanda. Ele deve trabalhar com o conceito do sistema de “puxar”, observando sinais da demanda (quais sinais do mercado, concorrência, etc., indicam tendências), utilizar práticas de colaboração (como o CPFR) e de Planejamento (como S&OP – Planejamento de Vendas e Operações), além de utilizar práticas de gestão de estoques. A etapa seguinte é a de Redução de Custos e Desperdícios, na qual deve ser aplicado o conceito dos sete desperdícios. Em seguida, começa a etapa de padronização de processos. Ela permite criar um fluxo contínuo, pois padroniza os processos de Produção, Planejamento e Logística, além dos Projetos, Componentes, Subcomponentes e Embalagens. Quando a padronização é realizada com a ferramenta VSM (Mapa de Fluxo de Valor), é possível visualizar o estado atual e o estado o qual se deseja atingir, eliminando os desperdícios. A padronização da indústria é uma etapa importante. Conforme o segmento, é possível padronizar não apenas produtos, mas também informações ao longo da cadeia. Um exemplo que envolve a logística é a padronização internacional de pallets e contêineres, o que permite sua movimentação e transporte globalmente, com rapidez. A mudança cultural, como em outros trabalhos desta natureza, é um fator determinante, pois envolve mudança de conceitos, entendimento dos mesmos e quebra de paradigmas. O Lean depende das pessoas, não de sistemas e equipamentos. A colaboração entre empresas que se inter-relacionam é outro fator importante para se conseguir, de forma integrada, entregar valor ao cliente, estabelecendo relações de confiança ao longo da cadeia. A figura 2 mostra a aplicação do conceito Lean no Supply Chain, com redução do desperdício em várias etapas: armazenagem, transporte, planejamento, produção, movimentação, separação, etc. A figura também e compara o sistema tradicional com o sistema de “puxar”.

Figura1: conceitos do Lean aplicados ao Supply Chain

Figura 2: Aplicação do conceito Lean no Supply Chain

Uma das formas de se aplicar o conceito Lean é a utilização da metodologia Kaizen, que prevê, em uma semana, o treinamento, o desenho da situação atual, a projeção da situação futura e a implantação do novo processo, eliminando os desperdícios e com ganhos expressivos. A figura 3 ilustra as etapas da metodologia para aplicação do Lean. A implantação do Lean na Logística tem evoluído para além das empresas de transporte ou operadores logísticos. Um exemplo é sua aplicação na logística de serviços, como por exemplo, em hospitais e sistema de transplante de órgãos.

Figura 3: Etapas da metodologia para aplicação do Lean

Referências bibliográficas: Zylstra, Kirk; Distribuição Lean; Editora Bookman, 2008 | Liker, Jeffrey; O Modelo Toyota, Editora Bookman, 2007

36 | Revista Cargo News

FanPage: Cargo News

www.cargonews.com.br

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Lean Logistics Autor: M.e Antonio Carlos Sanches

Possui graduação em Engenharia Industrial pela Universidade Santa Cecília, especialização em MBA Executivo Internacional pela Universidade de São Paulo e mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É doutorando e pesquisador do LALT/UNICAMP. Possui 30 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais em empresas como Pirelli, COOPERS & LYBRAND, O Boticário, SSA Global e Grupo Wheaton Vidros. É professor da disciplina Lean Logistics do curso de especialização em Gestão da Cadeia de Suprimentos e Logística do LALT/UNICAMP e Diretor de Operações e TI da Antilhas Embalagens.

O que é gestão de projetos? O termo Lean surgiu na década de 80 e foi cunhado pelo assistente de pesquisa do MIT (Massachussets Institute of Technology), John Krafcik, após participar do International Motor Vehicle Program. Como resultado de suas pesquisas, em 1990 ele publicou o livro “A Máquina que Mudou o Mundo”, um estudo do Sistema Toyota de Produção, que originou o termo Lean. Tratava-se de um sistema muito mais eficaz e eficiente que o tradicional, de produção em massa, o que rendeu enorme relevância ao estudo de John Krafcik. O Lean Manufacturing surgiu na manufatura da indústria automotiva, e ao longo de vários anos, foi aplicado apenas a esse setor. Posteriormente, o Lean foi estendido a outros ambientes da organização: administração, desenvolvimento de produto, produção, logística, etc. Com essa evolução, surgiu a expressão “Lean Thinking”, que virou sinônimo de mentalidade enxuta. Sua filosofia era, basicamente, eliminar desperdícios. E seguindo sua evolução, mais adiante, os setores aeronáutico, eletrônico, de mineração, da construção civil, bancário, hospitalar, etc., também

passaram a incorporar o sistema Lean. E uma das evoluções do Lean Manufacturing foi sua aplicação em Logística e Supply Chain: o Lean Logistics e o Lean Supply Chain. Apesar da literatura em português ser escassa, a literatura inglesa dispõe de numerosas publicações de artigos e livros. Em síntese, os princípios do Lean Logistics são: • Valor: definir o que é valor; • Fluxo de Valor: Identificar e separar os processos da cadeia produtiva em três tipos: os que efetivamente geram valor; os que não geram valor, mas são importantes para a manutenção dos processos de qualidade; os que não agregam valor e devem ser eliminados; • Fluxo Contínuo: construir um fluxo, dando fluidez às atividades que restaram; • Produção Puxada: as empresas não empurram, são os consumidores que “puxam”; • Perfeição: objetivo constante de buscar a melhoria contínua. A aplicação do Lean Logistics é um processo de longo prazo, que afeta processos e pessoas, com resultados significativos. A ordem de grandeza dos resultados varia de

reduções de desperdícios entre 25 e 50%. Os sete principais desperdícios que nasceram no Lean Manufacturing são: 1. Produção em excesso 2. Tempo de espera 3. Transporte 4. Excesso de processamento; 5. Inventário 6. Movimento 7. Defeitos Uma vez adaptados ao Lean Logistics, eles se reduzem a cinco desperdícios: 1. Tempo de Espera 2. Transporte 3. Excesso de processamento 4. Inventário 5. Movimento Várias empresas do Brasil já implementaram o Lean em suas operações logísticas. Entre elas, a Atlas Transportes e Logística, que usa o conceito Lean adaptado e desenvolvido para sua operação on demand no setor farmacêutico, com a aplicação da visão do cliente em todas as etapas do projeto: • Concepção • Validação • Implantação • Melhorias contínuas

A Atlas também aplicou o sistema Lean na Operação In House, do setor automotivo. Neste caso, o processo envolveu o gerenciamento das etapas de picking, conferência, embalagem, expedição e reabastecimento. A Cedro Cachoeira, empresa nacional centenária, sediada em Belo Horizonte (MG) e que atua no ramo têxtil, foi outra empresa que aplicou com sucesso os conceitos do Lean. Seus objetivos eram reduzir a complexidade da cadeia de abastecimento e torná-la enxuta e ágil. Além da Cedro e da Atlas, outras empresas nacionais e multinacionais instaladas no Brasil aplicaram o Lean em etapas isoladas da cadeia de abastecimento ou integraram algumas delas. Podemos considerar a aplicação dos conceitos do Lean ao Supply Chain segundo as etapas da figura 1. O ponto de partida é a Gestão da Demanda. Ele deve trabalhar com o conceito do sistema de “puxar”, observando sinais da demanda (quais sinais do mercado, concorrência, etc., indicam tendências), utilizar práticas de colaboração (como o CPFR) e de Planejamento (como S&OP – Planejamento de Vendas e Operações), além de utilizar práticas de gestão de estoques. A etapa seguinte é a de Redução de Custos e Desperdícios, na qual deve ser aplicado o conceito dos sete desperdícios. Em seguida, começa a etapa de padronização de processos. Ela permite criar um fluxo contínuo, pois padroniza os processos de Produção, Planejamento e Logística, além dos Projetos, Componentes, Subcomponentes e Embalagens. Quando a padronização é realizada com a ferramenta VSM (Mapa de Fluxo de Valor), é possível visualizar o estado atual e o estado o qual se deseja atingir, eliminando os desperdícios. A padronização da indústria é uma etapa importante. Conforme o segmento, é possível padronizar não apenas produtos, mas também informações ao longo da cadeia. Um exemplo que envolve a logística é a padronização internacional de pallets e contêineres, o que permite sua movimentação e transporte globalmente, com rapidez. A mudança cultural, como em outros trabalhos desta natureza, é um fator determinante, pois envolve mudança de conceitos, entendimento dos mesmos e quebra de paradigmas. O Lean depende das pessoas, não de sistemas e equipamentos. A colaboração entre empresas que se inter-relacionam é outro fator importante para se conseguir, de forma integrada, entregar valor ao cliente, estabelecendo relações de confiança ao longo da cadeia. A figura 2 mostra a aplicação do conceito Lean no Supply Chain, com redução do desperdício em várias etapas: armazenagem, transporte, planejamento, produção, movimentação, separação, etc. A figura também e compara o sistema tradicional com o sistema de “puxar”.

Figura1: conceitos do Lean aplicados ao Supply Chain

Figura 2: Aplicação do conceito Lean no Supply Chain

Uma das formas de se aplicar o conceito Lean é a utilização da metodologia Kaizen, que prevê, em uma semana, o treinamento, o desenho da situação atual, a projeção da situação futura e a implantação do novo processo, eliminando os desperdícios e com ganhos expressivos. A figura 3 ilustra as etapas da metodologia para aplicação do Lean. A implantação do Lean na Logística tem evoluído para além das empresas de transporte ou operadores logísticos. Um exemplo é sua aplicação na logística de serviços, como por exemplo, em hospitais e sistema de transplante de órgãos.

Figura 3: Etapas da metodologia para aplicação do Lean

Referências bibliográficas: Zylstra, Kirk; Distribuição Lean; Editora Bookman, 2008 | Liker, Jeffrey; O Modelo Toyota, Editora Bookman, 2007

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Espaço LALT na Revista Cargo News - Edição 128

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