Issuu on Google+

1


2


Costura

Com muita técnica e criatividade, GRAV GRAV cria bolsas bordadas em ponto cruz, na madeira

I

nspirada pela natureza, a designer turca Merve Burma, baseada em Istambul, traz ao mercado uma novidade, a sua marca Grav Grav, com bolsas de madeira decoradas em ponto cruz. Trabalhadas com cuidado, feitas à mão, as peças são finalizadas com padronagens bordadas, entre elas, pássaros, flores, folhagens e frutas. “Crio acessórios únicos, mochi-

las, clutches e bolsas de madeira, feitos à mão com materiais naturais, como nogueira, carvalho e faia. Elas recebem adornos em ponto cruz, couro e bordados. Cada uma delas é uma obra de arte”, comenta Merve. Ainda segundo a artista, há, harmonicamente, referências tradicionais e modernas no trabalho da Grav Grav. A madeira e o couro mostram-se uma combinação perfeita. Além do que, bordados em ponto cruz resgatam o sentimento de nostalgia quando combinados à moda atual. Modernas, mas com um toque antiguinho, as bolsas bordadas criadas pela jovem de-

signer estão à venda em sua loja online: gravgrav.com, onde também há mais informações sobre seu trabalho. O mais legal? A Grav Grav envia as peças para o mundo todo!

bordados em ponto cruz resgatam o sentimento de nostalgia

3


Carreira

Juliana Jabour

trocou política internacional por moda

Além da linha própria, ela assina a direção criativa da Lez a Lez

Q

uando era adolescente, a estilista mineira de origem libanesa Juliana Jabour, 39 anos, queria ser diplomata. Levou o sonho tão a sério que cursou política internacional na universidade de Georgetown, em Washington, nos Estados Unidos, e Política de Integração da União Europeia, na Sorbonne, na França. De lá foi para Londres, onde teve seu primeiro contato profissional com a moda e mudou radicalmente seus planos. Foram dez anos fora do Brasil até retornar com um novo sonho: ter sua própria marca. Hoje, 11 anos depois, a grife que leva seu nome tem um estilo desejado por empresas poderosas, como a Lancôme, da 4

qual foi embaixadora em 2010, e a japonesa Uniqlo - ela foi a primeira brasileira a desenvolver uma linha para a marca. Uma das parcerias mais recentes resultou em uma coleção cápsula para a Lez a Lez. O negócio deu

tão certo que Juliana foi convidada para assumir sua direção. Recentemente, a estilista esteve em Salvador para lançar o Verão 2016 da marca catarinense na loja do Salvador Shopping e conversou com a VOGUE. Confira.


Entrevista

Como se deu a mudança de futura diplomata para estilista? Quando morei em Londres, comecei a trabalhar como vendedora na Joseph, que era a loja mais bacana que tinha lá. O dono era um marroquino radicado na Inglaterra, que, além da marca própria, vendia outras, de vanguarda. Eu atendia gente como Madonna e Whitney Houston. Ele gostou de mim, me treinou e eu virei assistant buyer. Comecei a ir aos desfiles e showrooms para escolher produtos para a loja dele. Entrar na moda dessa forma fez você enxergar o mercado de um jeito diferente? Não sou formada em moda. Tudo que eu sei, aprendi na prática, e isso me deixou com o pé bem no chão. Eu consigo ver o lado business da coisa. Minha formação em política internacional e diplomacia também me dá uma bagagem que ajuda a saber como lidar com qualquer situação. É uma escola pra vida. Como surgiu o convite para ser diretora criativa da Lez a Lez? Fui convidada para fazer uma coleção cápsula inspirada em Jurerê Internacional, em virtude da abertura da flagship da Lez a Lez lá, e deu supercerto. O namoro começou durante o processo de desenvolvimento dessa coleção. Além de você à frente da Lez a Lez, tem Dudu Bertholini na Lunender e Vitorino Campos na Animale. Há uma tendência de estilistas assumirem marcas?

Eu acho que é uma tendência que está começando a acontecer aqui e que lá fora a gente já vê, como o Marc Jacobs, que era diretor criativo da Louis Vuitton e recebeu toda a infra pra marca dele florescer. É uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo que estou levando meu conhecimento de imagem de moda pra dentro do grupo, o grupo me dá em troca know how em setores que estou engatinhando, o lado administrativo que eles sabem fazer muito bem. Como funciona sua criação para a Lez a Lez? Minha base está em São Paulo há 15 anos. A Lez a Lez fica em Guaramirim, Santa Catarina, para onde eu vou duas vezes por mês. Participo da concepção da coleção na parte macro, ajudo a dar as diretrizes para a equipe. São 12 pessoas no estilo, entre estilistas e designers gráficos. Como você separa o momento de pensar a sua marca com a criação dos outros projetos? Tenho que levar minha expertise pra a Lez a Lez, mas sem querer mudar o DNA dela. Eu não posso querer que a Lez a Lez vire uma Juliana Jabour. Isso não é um propósito. A Juliana Jabour tem um produto arrojado, mas restritivo, vende pra menos gente. Já a Lez a Lez é uma potência, eu tô ali para aperfeiçoar, agregando e não mudando. Quanto estou pensando na Juliana Jabour, não trabalho com tema. No meu processo criativo isso me limita um pouco. Uso um monte de referências, vou juntando o mosaico. Prefiro escrever o livro para depois dar o título, do que começar

com o título e depois ficar presa sem saber para onde ir. Você se destaca também nos acessórios. Qual a sua relação com esse tipo de produto? Eu amo acessório. Brinco dizendo que prefiro fazer acessório do que roupa e isso transparece no meu trabalho. Falando em acessórios, quais são as suas apostas para o Verão 2016? Os sapatos com pegada esportiva, assim como os masculinos, como os Oxford e mocassins, e as botinhas meio polainas com o cano mais larguinho, que dão uma afinada na silhueta. As bolsas-saco continuam firmes e fortes e as pequenas, de sair à noite, também. Elas vêm com patchwork de materiais. Os brincos continuam máxi, mas com essa cara meio anos 80, em acrílico ou resina com metal, numa linguagem mais contemporânea. Qual o segredo para lidar com o consumo em tempos de crise? No caso da Juliana Jabour, que é uma marca com um preço médio mais alto, é quase tido como uma coisa supérflua em tempos de crise. Acho que a ideia é fazer produtos cada vez mais desejáveis, mais atemporais, que não sejam tão caricatos, de uma tendência, de uma estação. Que sejam clássicos para que a pessoa pague caro, mas usufrua daquilo por um longo período de tempo, que sejam desejáveis, atemporais e fieis ao DNA da marca, porque é isso que vai manter o cliente.

5


6


7


Carreira

Cara Delevingne

Abandona carreira e fala sobre assédio sexual na moda.

Cara Delevingne está sempre posando para fotos, fazendo caretas e interagindo animada com fotógrafos. O que não imaginávamos é que na verdade, ela estava infeliz com a carreira de modelo. Apesar do grande sucesso e das dezenas de desfiles dos quais fez parte, Cara decidiu abandonar o mundo a moda e focar em Hollywood. Os motivos da decisão são uma mistura de desabafos com denúncias e foram concedidos ao jornal britânico The Times.

8

“Modelar me fez sentir um pouco vazia depois de um tempo. Não me fez crescer como ser humano e eu meio que esqueci o quão jovem eu era… Eu me sentia velha”, declarou.

E esse não foi o único problema que enfrentou com sua imagem. “Também é algo psicológico porque se você se odeia, odeia seu corpo e a sua aparência, e isso vai piorando e piorando”. A situação ficou tão grave, que a ex-top começou a ter surtos de psoríase, uma doença genética de pele, por causa de grandes níveis de estresse. “As pessoas colocavam luvas para me tocar porque pensavam que era como


Carreira

lepra, ou alguma doença (contagiosa) do tipo”, relembrou. Além das questões que envolviam sua autoestima, Cara também fez importantes denúncias sobre a indústria na qual construiu seu nome. Ela revelou, por exemplo, que existem muitos fotógrafos que resolvem entrar na moda apenas pelas garotas.

“Eu acredito que exista assédio sexual em todos os mercados. Não acho que é apenas no das modelos, embora eu acredite que é pior lá. Eu sou um pouco feminista e isso me deixa enojada. É horrível e nojento, já que estamos falando de meninas jovens demais. Você começa nessa carreira quando você é muito nova e se submente a coisas que não são legais”. Finalizando a entrevista, Cara confirmou o que já vinha sendo especulado há meses: ela, definitivamente, não voltará a ser modelo.

9


10


11


Moda

SPFW:

J

JOÃO PIMENTA

oão Pimenta é o nome mais radical da moda masculina brasileira hoje. Radical porque ele é fiel às suas crenças de estilo, que começaram com um primorosamente bem executado mix de referências femininas bem marcantes (pense em corsets, nas curvas do corpo da mulher, em babados, bordados decorativistas) em sua moda masculina, evoluíram para uma roupa desejável por homens que buscam peças exclusivas e que saiam do comum e, nesta coleção, se firmaram num conceito de streetwear couture com forte apelo de alfaiataria – DNA de João -, desfilado por homens mas que poderia muito bem ser vestido por mulheres, o que já fazem as clientes do estilista. Nesta coleção, João ganhou uma nova parceria, a do stylist Daniel Ueda. A dobradinha dos dois levou a um feliz resultado da conexão de dois grandes talentos em diferentes áreas mas com pontos importantes de convergência:

12

Ueda sabe apreciar um bom maximalismo e exuberância decorativista, além de ter um olhar de styling sem preconceitos, importante para entender o trabalho de João. Ao mesmo tempo, tem um olhar prático e conectado com o desejo de consumo do momento, o que tornou possível uma guinada nesta temporada rumo a uma coleção superelaborada mas mais próxima do cliente que aprecia roupas especiais, tendência em alta especialmente entre o público masculino. Outra novidade na passarela do estilista foi a participação de quatro paraatletas medalhistas de ouro em campeonatos mundiais e panamericanos na abertura do desfile. E m o c i o n a nt e a entrada de todos, vestindo belamente os looks da coleção, ao som, ao vivo, da orquestra baiana do projeto Neojiba, que ensina pessoas de baixa renda não só a tocar, mas a confeccionar seus próprios instrumentos à base de plástico. Elizabeth Rodrigues Gomes, campeã de arremeso de peso e lançamendo de dardo abriu o desfile de cadeira de rodas (ela tem esclerose múltipla), seguida da corredora e saltadora com deficiência visual Silvania Costa de Oliveira e seu guia Wendel de Souza Silva, do corredor e saltador Mateus Evangelista Cardoso (nasceu com paralisia cerebral) e do lançador de disco e de dardo Claudiney Batista dos Santos (não tem uma perna). Na coleção, a ideia dos uniformes (“porque trazem

esse conceito de roupa sem gênero”, diz João) permeia os looks, com influência militar e quase todos os tecidos confeccionados especialmente para o estilista, incluindo materiais especiais como os paletós, calças e bermudas feitos de tecido de rede (aquela, de se balançar mesmo) confeccionados por comunidades sustentáveis da Paraíba. De lá também saíram os looks criados a partir das franjas das redes. Já as belas jaquetas brilhantes metalizadas foram feitas a partir de um tear de fitas de VHS (!). Nos bordados, há referências a Bispo do Rosário e também ao momento de crise e angústia no país, o inicial ponto de partida de João, e que resultou em bordados de linha de pedaços de corpos humanos, como o estômago na jaqueta jeans e o pênis na camisa. A ideia era continuar com esses bordados, mas com a entrada, há um mês, de Daniel Ueda no time, os dois repensaram vários pontos juntos, fizeram novas peças, mantiveram os bordados, mas em apenas dois looks e chegaram a um novo caminho. Valeu a pena. (CAROLINA VASONE)


13


Exposição

Galeria Millan expõe um dos últimos projetos do artista Tunga

A

berta nesta terça (18.10) ao público, a exposição “Pálpebras” exibe as últimas obras de Tunga, feitas pelo artista para a mostra na Galeria Millan, com projeto interrompido por sua morte, aos 64 anos, em junho passado. Os dois espaços da galeria recebem 30 trabalhos inéditos ou vistos em raras ocasiões. Dividida em duas áreas, a exposição reúne na sede da Millan os “Phanógrafos”, derivados da série “Cooking Crystals” (2010), onde caixas de madeira dão 14

suporte para os mais diversos objetos, como garrafas com líquidos decantados, âmbar, pedras e elementos escatológicos. No segundo andar da galeria, a instalação “Delivered Voices” (2015) contempla diversas técnicas: vídeo, escultura e performance. No espaço inaugurado ano passado pela Millan, o Anexo, esculturas orgânicas da série “Morfológicas”, um estudo sobre as formas e o corpo humano, se revelam ora sexuais, ora surreais. Com a interrupção da produção das obras, algumas esculturas não

foram produzidas pelo artista no material final, e são exibidas no molde que ele deixou, em durepóx. A qualidade do molde é tamanha, que não dá para dizer o que é molde, o que é escultura final. Imperdível. Serviço “Pálpebras” – Galeria Millan Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1360 – Vila Madalena Data: 18 de outubro a 12 de novembro Horários: Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 18h


15


16


VOGUE - Laís de Oliveira