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Expediente i A Revista Páprika é um projeto experimental realizado em 2014/2 como Trabalho de Conclusão do Curso de Comunicação Social/ Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Editora Laís Coletta

Diagramação Laís Coletta

Revisão Letícia Rodrigues Marcos Coletta

Redação

Laís Coletta

Artes Gráficas Laís Coletta

Orientação Laene Mucci


Editorial Arte de tecer histórias O jornalismo possui em sua essência o desafio de contar histórias. Por mais que o narrador não presencie o fato, um texto jornalístico deve ser rico em detalhes a ponto de levar o leitor ao momento exato de um acontecimento, a uma descoberta inédita, a uma reflexão sobre a vida, a sentar-se com pessoas ou estar em lugares que muitas vezes ele não teria a oportunidade de estar. Para isso, o jornalista deve ter sensibilidade, desnudar-se de seus preconceitos, estereótipos e julgamentos e parar para dar ouvidos. Posteriormente, ele cuidadosamente tece as histórias que se cristalizam no tempo e escreve relatos que se entrelaçam e constroem os registros do passado e do presente. Nesta edição, a revista Páprika buscou transmitir relatos de quem está fazendo a diferença no cenário cultural e ajudando a construir a história de Viçosa. Dentre otimistas e pessimistas, todos os entrevistados vivem pela arte, ainda que não exclusivamente, e esse é o ponto em comum entre suas trajetórias. Um artista plástico, um poeta, um músico ou ator, todos tem muita história para contar; planos, perspectivas e visões de mundo. Sem pautas engessadas, as longas entrevistas neste semestre de trabalho renderam um conteúdo inestimável. Histórias de vida, que poderiam preencher infinitas páginas e apresentar diversas facetas de cada personagem, foram costuradas a fim de resumir esta experiência. Não foi uma tarefa fácil, mas o que virá a seguir te levará a conhecer um pouquinho melhor sobre Viçosa e a riqueza oriunda de uma esfera cultural pouco projetado para o grande público.

Foto: Laís Coletta

Boa leitura!

3


16

SUMÁRIO

ACABAMENTOS

Circuito de Arte da Violeira PISOS

B

1

PORCELANATO PADRÃO CIMENTO QUEIMADO (REF: PORCELANATO PORTOBELLO, MODELO CONCRETISSYMA ARGENTO 90X90 NATURAL O U PRODUTO COM APARÊNCIA, CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES ). RODAPÉ H=5cm EM TIRAS DO MESMO PISO.

2

PARQUET EM MADEIRA DE LEI CUMARÚ, 24X24cm. RODAPÉ: V. DETALHE 01 (PR 05/05)

ASSOALHO EM MADEIRA DE LEI CUMARÚ,RÉGUAS DE 10cm DE LARGURA. V. DETALHE 01 (PR 05/05)

3 4

PLACAS DE PEDRA OURO PRETO 20x40 cm. ASSENTAMENTO AMARRADO HORIZINTAL

5

LADRILHO HIDRÁULICO 20x20 cm, PADRÃO QUADRICULADO 4x4

PAREDES

PINTURA EM TINTA ACRÍLICA (REF: TINTA ACRÍLICA CORAL "CARMESIM VERMELHO", COD: 31YR 10/591 O

1

U PRODUTO COM APARÊNCIA,

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES)

PINTURA EM TINTA ACRÍLICA (REF: TINTA ACRÍLICA CORAL "LAGO GLACIAL", COD: 90GY 82/028 O

2

U PRODUTO COM APARÊNCIA, CARACTERÍSTICAS

FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES) PINTURA EM TINTA ACRÍLICA (REF: TINTA ACRÍLICA CORAL "CHÁ DE HORTELÃ", COD: 10GY 49/081 O

3

U PRODUTO COM APARÊNCIA,

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES) PINTURA EM TINTA ACRÍLICA (REF: TINTA ACRÍLICA CORAL "METRÓPOLE", COD: 30GG 10/050 O

4

U PRODUTO COM APARÊNCIA, CARACTERÍSTICAS

FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES)

5

PINTURA EM TINTA ACRÍLICA CINZA GRAFITE

6

PLACAS DE PEDRA OURO PRETO 20x40 cm. ASSENTAMENTO AMARRADO HORIZINTAL

TETO 1

GESSO E PINTURA EM TINTA ACRÍLICA (REF: TINTA ACRÍLICA CORAL "LAGO GLACIAL", COD: 90GY 82/028 O CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES)

2

TETO EXISTENTE E PINTURA EM TINTA ACRÍLICA (REF: TINTA ACRÍLICA CORAL "CHÁ DE HORTELÃ", COD: 10GY 49/081 O U PRODUTO COM APARÊNCIA, CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES) SANCAS: PINTURA EM TINTA ACRÍLICA (REF: TINTA ACRÍLICA CORAL "LAGO GLACIAL", COD: 90GY 82/028 O U PRODUTO COM APARÊNCIA, CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DESEMPENHO E FORMATO EQUIVALENTES)

3

APLICAÇÃO DE GESSO E PINTURA EM TINTA ACRÍLICA BRANCO NEVE

U PRODUTO COM APARÊNCIA,

ESPECIFICAÇÕES CO

CORRIMÃO AÇO INOX PRESOS À PAREDE POR GANCHOS INOX BARRA REDONDA 1/2"

SO1

SOLEIRA EM MADEIRA DE LEI CUMARÚ NIVELADA COM PISOS ADJACENTES SOLEIRA EM GRANITO PRETO ABSOLUTO NIVELADA COM PISOS ADJACENTES

SO2

Reinagurado o teatro

LUMINÁRIAS:

TODAS AS LUMINÁRIAS DE SOBREPOR, COM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS EMBUTIDAS. ONDE O TETO NÃO PERMITIR, REBAIXAR DEPÓSITO 7,60 m²

a- LUMINÁRIA SEÇÃO CIRCULAR PARA 2X22W COMPACTA b- LUMINÁRIA PENDENTE COM BULBO ESFÉRICO Ø=30cm PARA LÂMPADA COMPACTA EQUIV. 60W. d- ARANDELA BIDIRECIONAL PARA 2x40W (COMPACTA ), 15x30cm, COM DIFUSOR EM ACRÍLICO LEITOS NA COR ÂMBAR ;

LABORATÓRIO 160,58 m²

23,0

23,0

OBS: - PARA MAIS ESPECIFICAÇÕES V. DETALHE 1 ( PR 05/05 ) E DEMAIS PRANCHAS - O TRATAMENTO ACÚSTICO DO TEATRO DEVE SER OBJETO DE PROJETO ESPECÍFICO - A MADEIRA DE LEI A SER UTILIZADA NA OBRA É CUMARÚ

A

A

DEPÓSITO 7,60 m²

TABELA DE PORTAS

23,0

mais antigo de Viçosa

ELEMENTO NOME

P1

34

PORTAS

DEPÓSITO 7,60 m² 23,0

150

23,0

SANITÁRIO 3,71 m²

COPA 3,71 m²

23,0

23,0

77 161,5

54,5

HALL 13,40 m²

30,5

C

156,5

23,0

J-1

73

41,5

2

SO2

90

03

04

05

06

07

2

132

PLUVIAL

16

15

14

4

1

13

12

11

10

09

417

F

6

72,5

i=48%

1

4

S 4 1

1

4

S 1

15

S 4

2

S 1

251,5

112,0

1

4

1

18 1

50 6

1120

J-2

1

200 15

PLUVIAL i=1% COTA 81 cm

112,0

_

2,78

02

210 + 99 100 (BAN)

_

3,09

02

CORRER

(A 15 cm DO PISO)

1,05

04

DOBRADIÇA VAI-VEM CROMADA

9

6,27

02

(A DEFINIR EM PROJETO)

01

P5

PRANCHETA ANGELIM

P6

PRANCHETA ANGELIM

P7

MDF 30 mm

J1

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

305 15

1

418 953

D

177 PLUVIAL i=1% COTA 88,6 cm

391,5 768

B

1

6

112,0 199,5

PLUVIAL i=1% COTA 102 cm

PLUVIAL i=1% COTA 95,4 cm

200

175

60

ANODIZADO PRETO

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J5

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J6

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J7

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J8

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J9

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

300,0 208,5

445 305

300,0 347,4

79 120

79 12,5

79

79,5

79 230

79 50

79 27

_

PUXADOR IXOX

_

PALITO Ø= 32X450mm (REF.GLASSVETRO 01.39.025)

VENEZIANAS ALUMÍNIO

PAINÉIS FIXOS LATERIAS (QUADRO DE ALUMÍNIO REVEST. C/ VENEZIANAS)

_

MADEIRA DE LEI MARCO SEM ALISAR

VERNIZ

_

MADEIRA DE LEI TRILHO EM ALUMÍNIO TRILHO INFERIOR EMBUTIDO SOB A FOLHA DA PORTA

VERNIZ

_

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

VIDRO LISO 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

(REF. MAÇANETA PAPAIZ CLÁSSICA CROMADO )

_

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO LISO 6 mm

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO LISO 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

230

0,95

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

230

0,10

02

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

230

0,63

02

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

230

1,82

02

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

179 13,57

9

10,41

230

0,40

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

230

0,21

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

240 1872,5

UFV

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA PRÓ-REITORIA DE ADMINISTRAÇÃO - DIVISÃO DE OBRAS

CAMPUS VIÇOSA DEPTO. DE ECONOMIA DOMÉSTICA

01/06 ARQUITETO (S)

400 cm

GIOVANI CORREA GIACOMINI

PLANTA TÉRREO INDICADA CAU - 56655-1

DATA:

-

A CONSTRUIR

-

A DEMOLIR

-

TOTAL

-

ORDEM:

JUNHO 2013 DESENVOLVIMENTO

ÁREAS CONSTRUÍDA

PROJETO DE REFORMA DO TEATRO E ACESSIBILIDADE

ESCALA:

PAD

CCH

SEDE

PROJETO EXECUTIVO

INTERESSADO (S)

REITOR

TEREZA ANGELICA BARTOLOMEU NILDA DE FÁTIMA FERREIRA SOARES PRÓ- REITOR LEISA MARIA GRANZINOLLI

À moda caipira

5 Hildeu

40

Roberto D’arte

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

J3

J4

ARQUITETURA DED

De Rolê no Bar do

Opinião -

J2

FOLHA:

10 38

LAMINADO MELAM. VERDE AMAZONAS

ANODIZADO PRETO

PALITO Ø= 32X450mm (REF.GLASSVETRO 01.39.025)

PAINÉIS FIXOS LATERIAS (ESTRUTURA MET. REVEST. EM COMPENSADO REV. CUMARÚ)

_

(V. PROJETO)

LEGENDA

1041,5

665,5

ESCALA 1:75 100

(REF. LAM. MELAM. MADEPAR )

PUXADOR IXOX

_

2X (29X349)

OBS: PAINÉIS FIXOS LATERAIS H=260

C

PLANTA TÉRREO

0

LAMINADO MELAM. VERDE AMAZONAS

(COM MOLA

HIDRÁULICA)

(REF. MAÇANETA PAPAIZ CLÁSSICA CROMADO )

OBS: - CONFERIR MEDIDAS NO LOCAL 6

N

Comece a transformar o mundo olhando para o seu redor

(REF. LAM. MELAM. MADEPAR )

PIVOTANTE

MARCO/ALISAR_ MATERIAL ACABAMENTO

OBS: PAINÉIS FIXOS LATERAIS

(REF. MAÇANETA PAPAIZ CLÁSSICA CROMADO )

DOBRADIÇA ABRIR

DOBRADIÇA ABRIR

ALVENARIA A CONSTRUIR 4

112,0

(COM MOLA

HIDRÁULICA)

DOBRADIÇA ABRIR

70

PLUVIAL

30

1

112,0

70

70

4

02

E

i=6% 4

6

PLUVIAL

6

PLUVIAL

112,0

02

01

6

ALINHAMENTO

139 17

215,0

5

15

41,5

1

4

179,0

2

P-4

1

1

2

08

i=6%

02

5,01

4,37

2,34

230

VEDAÇÃO

TIPO PIVOTANTE

8,30

_

_

210 + 90 99 (BAN)

17

128

02

15

1

SO2

15

2

01

15

178,5

2

21,5

5

i=6%

,5

ELEVADOR

5

6

2

23,0

6

6

511,5 222

161,5

15

1

PLUVIAL

438,5

6

141

147

2

1

119,0

i=6%

S 87

244

1

S

5

i=48%

SO2

1

i=1%

542

(8 x 29)

1

GRELHA FERRO FUNDIDO

1 1

253

-

181

23,0

1

106

E

SO 2

APOIO 1,94 m²

103,5

582

18

1

23,0

15

SO 2

50 35

18

130 1

SO 2

50 15 18 17

252

230

208,5

F

215,0

P-3

HALL 31,80 m²

_

210 + 90 50 (BAN)

LAMINADO MELAM. VERDE AMAZONAS

23,0

3

3

D P-3

JANELAS

193,5

1

30,5

128,5

_

2X 90

210 + 2X 50 84 (BAN)

ANODIZADO PRETO

23,0

23,0 25 S

210 + 2X 139 90 (BAN)

_

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

(REF. LAM. MELAM. MADEPAR )

VESTUÁRIO SECRETARIA 50,97 m²

13,0

_

VIDRO TEMPERADO 10mm

P4

130

3

3

DIMENS.(cm) ÁREA QNT. ALT. LRG. PEIT. (m²)

ACABAMENTO

PRANCHETA LAMINADO CUMARÚ ANGELIM LIXADO E ENVERNIZADO

P3

S

0,0

S

1

MATERIAL VIDRO TEMPERADO 10mm

P2


w À moda w caipira Francisco de Assis Costa, ou Chiquinho Rozado, é contador, radialista, produtor cultural e músico. O sobrenome artístico “Rozado” foi escolhido em homenagem à família da mãe, e se tornou uma referência de peso quando se fala em música caipira em Viçosa. Há 13 anos como apresentador de rádio, o músico foi o primeiro a colocar um programa de música caipira no ar e, após dois anos parado, retorna com o “Cheiro de Relva” prometendo também trazer muitas novidades dentro e fora das rádios.

Um contador e cantador Chiquinho gosta do trabalho na contabilidade, afinal foi o seu primeiro emprego e é muito grato pela estabilidade que o seu próprio escritório lhe proporciona hoje. Mas a música tem o seu lugar mais que especial. Nascido em Ubaporanga, uma pequena cidade no leste de Minas, chegou a Viçosa para estudar e ajudar na função de office boy no escritório de contabilidade do irmão. Sempre esteve rodeado de músicos na família, principalmente mãe e pai, que tocavam violão, e os irmãos, que também acompanhavam na cantoria. Na pequena cidade, a sua principal influência era a música sertaneja, presente no repertório das festas de família e nas rádios de Ubaporanga – lembra com saudades de acordar ouvindo Tonico e Tinoco e Tião Carreiro e Pardinho. Começou a tocar bem novo; antes dos dez anos já arriscava uns acordes no violão e aos poucos foi levando essa afinidade com a música mais a sério. Quando chegou a Viçosa, o movimento musical que prevalecia era o da jovem guarda. Apesar de se considerar um admirador de toda música proveniente da cultura popular brasileira, Chiquinho sentia falta de ter um espaço para a música sertaneja nas rádios, já que nenhum programa

6

contemplava esse estilo musical. No ano de 1997, em um evento de amigos, o músico conversava com um radialista da Universitária FM, e sugeriu que a emissora se organizasse para colocar no ar um programa sobre música caipira. Na mesma hora, o diretor de programação aprovou a ideia e deu o aval para que, não só o programa fosse criado, mas que fosse Chiquinho o apresentador e que entrasse no ar na mesma semana. Sem nenhuma experiência em rádio, o músico começou a apresentar o programa “Cheiro de Relva”. Ele acredita que com o tempo conseguiu criar um estilo próprio de conduzir o programa; com um ritmo menos acelerado do que o habitual, ele conversa com o ouvinte e lhe apresenta detalhes da música que está sendo reproduzida. O nome do programa é inspirado na música de Dino Franco e Mouraí, e também denominava o grupo de amigos e músicos em Viçosa, do qual Chiquinho fazia parte. Eles se reuniam a fim de tocar o sertanejo raiz e viajavam por toda a região alcançando reconhecimento neste cenário. Paralelamente, o músico também integrou a dupla “Geraldo Carreiro e Chiquinho Rozado”, que lhe rendeu visibilidade e fez com que seu nome se destacasse no cenário musical de Viçosa.

Após um ano como radialista, Chiquinho sugeriu à emissora que fosse realizada uma comemoração no aniversário do programa, com o propósito de reunir os violeiros da cidade em uma apresentação ao vivo. No dia 07 de novembro de 1998 estreou o show “Violas e Canções”, e Chiquinho não continha seu nervosismo. Estava na dúvida se haveria adesão do público, já que no mesmo dia também acontecia um show da banda Trem Mineiro na cidade. O evento ocorreu no auditório do Departamento de Engenharia Florestal da UFV, DEF, e, surpreendentemente, lotou o espaço. Pessoas em corredores e janelas se aglomerando para ver a apresentação. Para o músico, isso sinalizou a carência do público pela música caipira e motivou Chiquinho a continuar divulgando esse estilo musical e mantendo a regularidade no evento. No ano seguinte, a comemoração foi transferida para o Centro de Vivência da UFV, a fim de acomodar o numeroso público. Em 2000, devido a proporção alcançada pelo “Violas e Canções”, a apresentação contou músicos das cidades Teixeiras e Paula Cândido, próximas a Viçosa. Nesta edição, também foi lançado o “Espelho de Violeiro” de Geraldo Carreiro e Chiquinho Rozado, o primeiro CD de música sertaneja gravado em Viçosa.


No ano de 2001, participaram do show a Orquestra Mineira de Viola e as duplas Marechal e Rondon e Cacique e Pajé, muito conhecidas e respeitadas em âmbito nacional. Nesse ano, o teatro Fernando Sabino não comportou o número de pessoas; além das 800 cadeiras ocupadas, o público se distribuiu em pé. A partir de 2002 o “Violas e Canções”, além de Viçosa, começou a ser realizado em outras cidades, como Ipatinga, Pirapora e Belo Horizonte. Em 2007, o evento fez parte da programação do aniversário de 136 anos de Viçosa, realizado no Espaço Multiuso da UFV com um público de 1.500 pessoas. Posteriormente, aconteceram outras duas apresentações marcantes realizadas na Semana do Fazendeiro. Elas se dedicaram a fazer um paralelo entre as gerações da música caipira, com convidados de diversas idades, como Rafael Ramos, violeiro com 10 anos de idade e Antônio de Dona, com 71. Chiquinho ficou na Rádio Universitária FM de 97 a 2005. No meio de 2005 ele foi para a 95 FM, com o “Programa de Índio”, que ia ao ar todos os domingos de 6 às 8h da manhã. Por ser uma rádio comercial e o programa ser realizado ao vivo, o público se tornou mais variado e dava bastante retorno, já que os ouvintes podiam ligar diariamente para sugerir temas e músicas.

Violas e Canções 2014 Fotos: Laís Coletta

Ramon e Rozado

A viola vai muito bem, obrigado O grupo de músicos “Cheiro de Relva”, pela grande quantidade de integrantes, tinha dificuldade de se reunir para os shows. Os conflitos de horários, problemas de logística ou mesmo o alto custo para manter a banda, fizeram com que Chiquinho buscasse trilhar uma carreira mais individual. Mesmo com um CD lançado, a dupla “Geraldo Carreiro e Chiquinho Rozado” também chegava ao fim, e neste momento Chiquinho decidiu investir de forma mais dedicada em montar uma dupla com o seu filho. Ramon, filho de Chiquinho, toca violão desde os seis anos de idade, mas nunca havia se interessado pelo viola caipira. Porém, em 2004, quando foi realizado o festival da canção em Viçosa, Ramon teve a oportunidade de conhecer o violeiro Cícero Gonçalves e se apaixonou pelo instrumento. A partir de então, começou a investir mais tempo para desenvolver suas habilidades na viola e a se profissionalizar juntamente com o pai. A dupla Ramon e Rozado começou em meados de 2007 e em 2012 eles gravaram o primeiro CD, em BH. Após o lançamento, eles entraram em uma sequência de viagens para divulgação do álbum e este fato impossibilitou Chiquinho de continuar a apresentar seu programa ao vivo na rádio. Desta forma, os programas começaram a ser gravados e o público desagradou com a perda da interação com o apresentador. Devido ao trabalho de Chiquinho, aos projetos que participa e a agenda da dupla Ramon e Rozado, o músico se afastou há dois anos da rádio.

Cenário e atores trazem humor à apresentação

João Carlos e Carlos Leite

Fim do show, os sete músicos e os dois atores se despedem do público

7


Felizmente, em novembro desse ano, o “Cheiro de Relva” retornou à Rádio Universitária FM, no horário de 6 às 7h, de segunda à sábado. Para comemorar a volta do programa, no dia 18/10, o palco do Fernando Sabino teve o prazer de receber novamente o show “Violas e Canções”. O espetáculo contou com sete músicos, dentre eles a dupla convidada “João Carlos e Carlos Leite”, músicos da cidade de Poços de Caldas. A apresentação possui uma proposta diferenciada nos palcos; Chiquinho se preocupa muito com a organização do cenário que cada ano procura reproduzir um ambiente diferente e chama atores que interpretam pessoas do meio rural para conduzir o show. É, praticamente, um musical que busca, na interpretação teatral juntamente com o cenário e músicos, uma maior interação com a platéia. Este ano, Chiquinho procurou simular uma venda de cidade do interior, onde, enquanto um músico se apresentava, os outros se sentavam em mesas e apreciavam o tira-gosto e uma típica cachaça mineira. Um show muito divertido, ainda que extenso, mas que não deixa em nenhum momento a atenção se perder. Na ocasião, Chiquinho falou da sua volta às rádios e de como é gratificante estar novamente no ouvido das pessoas quase diariamente: “não tem coisa melhor do que estar no palco e perceber que tem tanta gente feliz com a volta do programa e que quer ouvir as raízes da música caipira”. Quanto ao termo, Chiquinho prefere usar “caipira” para denominar a música sertaneja raiz, pois afirma que outros estilos musicais se apropriaram do nome “sertanejo”. A simplicidade, sutileza em falar do amor e a narração de fatos cotidianos

8

transformados em poesia, é o que emociona Chiquinho ao cantar a música caipira. Ele cita que uma das músicas que mais o comove é “Amor de Violeiro”, de Rolando Boldrim, quando diz “no braço da viola tem o meu cativeiro”. “Se não fosse o programa ‘Cheiro de Relva’ não haveria essa popularização maior da música caipira em Viçosa. Hoje, todas as emissoras têm programas destinados a tocar viola. Se não tivesse ninguém para cuidar disso, quem estaria fazendo isso na cidade?” diz o músico muito satisfeito com o seu trabalho na cidade. Chiquinho foi precursor desse estilo em Viçosa e pretende continuar propagando a música caipira por meio de projetos como o “Toca Viola”. Esta iniciativa reúne artistas da cidade, de todas as idades, que se juntam para tocar nos bairros de Viçosa aos domingos. Como são muitos músicos, nunca faltam voluntários que se prontificam a ir para praças e bares sem o mínimo incentivo financeiro. O projeto existe há cinco anos, e o que o motiva é, principalmente, a vontade de tocar viola e a satisfação dos moradores em recebê-los em suas proximidades. Outra pretensão de Chiquinho é gravar o segundo CD da dupla “Ramon e Rozado” no ano que vem, esse será o terceiro CD da carreira de Chiquinho. Em 2015, Chiquinho também tem uma perspectiva bem positiva para o show “Cheiro de Relva”, que agora entrou para o calendário cultural de eventos oficiais da UFV. Ele gostaria de estender em número e relevância os convidados da apresentação, e passar a realizá-la no gramado das quatro pilastras, em um enorme espetáculo para toda a comunidade. Sorte para Chiquinho!


A venda de Chiquinho Na garagem do prédio, Chiquinho construiu sua própria “venda”, decorada com objetos rústicos que lembram um verdadeiro cenário. Neste ambiente, que remete a um pacato mercadinho de cidade de interior, ele geralmente recebe os amigos e faz o que mais gosta: tocar viola. É realmente inspirador entrar neste local tão a cara do músico. P

Os objetos antigos que decoram o ambiente são encontados em lojas de objetos usados

Coleção de cachaças com rótulos temáticos

Fotos: Laís Coletta

Troféus e premiações de Ramon e Rozado

Devoto de São Francisco de Assis, Chiquinho também coleciona inúmeras imagens do santo pela venda

w A família dos 1.000 anos w Em 2012, a família de Chiquinho Rozado comemorou o aniversário de mil anos. Esse número é resultado da soma das idades dos 17 irmãos que acreditaram que não poderiam ter deixado essa ocasião passar em branco. A festa foi realizada em dois dias e reuniu os descendentes de Bernadino e Julieta, 17 filhos, 42 netos, 27 bisnetos e um tetraneto. O evento foi tão inusitado que até o quadro “Me leva Brasil” do programa Fantástico, da Globo, fez uma matéria sobre o acontecimento. A festa movimentou Viçosa e celebrou a união de todos da família Rozado Costa. 9


Comece a transformar o mundo u e r s e o d a or o olhand

10


Fotos: acervo pessoal de Marcelo

Marcelo aprendeu na prática os benefícios que a união entre arte e educação podem gerar para a formação de um ser humano. Nos palcos, começou aos cinco anos, e aos 18 já dava aulas de matemática em colégio de Viçosa. Atualmente, o ator, diretor de teatro, produtor cultural e presidente da ONG Humanizarte, considera que encontrou um sentido em sua vida colaborando para a humanização de jovens carentes através da arte.

11


“Tenho certeza, que mesmo diante de todas as mudanças ocorridas na sociedade, o ato de refletir e se emocionar

Marcelo Andrade

artisticamente transforma comunidades e é o verdadeiro alicerce para a construção de uma sociedade mais humana e justa. A arte transformou a minha vida e consequentemente a de muitos”. Marcelo

Professor, ator, diretor, produtor cultural, cidadão.

Desde a infância Marcelo Andrade Soares possuía um ambiente favorável para o seu crescimento como artista. O avô paterno tinha um espaço onde eram vinculados filmes na cidade de Cajuri –MG, e, aos cinco anos de idade, o menino, que já se interessava pela sétima arte, começou ajudar o avô no local. Aos poucos, ele foi herdando a administração da parte artística do espaço e, nele, começou a arriscar suas primeiras peripécias no palco. O seu avô materno deixou de herança muitos livros, cujo repertório era de clássicos da literatura brasileira e inspirava o menino a interpretar peças em seu grupo escolar. Veio para Viçosa, juntamente com seus pais, para estudar o segundo grau. Quando chegou no 3º ano, Marcelo foi morar no Rio de Janeiro. Prestou vestibular em várias áreas, mas acabou optando por cursar Engenharia Civil, na UFV. Assim que entrou na universidade, Marcelo começou a dar aulas de matemática, teatro e outras matérias que lhe era solicitado em colégios da cidade. O estudante tinha facilidade com matemática, mas ensinar a matéria era um desafio, já que quase ninguém gosta de se dedicar aos números, “e nem eu mesmo gostava”, confessa. A fim de instigar a concentração e motivar seus alunos, Marcelo decidiu ler crônicas no início das aulas. Para Marcelo, era perceptível que a leitura despertava a imaginação dos alunos e melhorava o raciocínio. No final do ano, o resultado: a aprovação da classe havia elevado de 40% para 90%. Outra observação do ator, foi a de que os alunos que praticavam teatro na escola, também tinham uma média melhor dos colegas que não praticavam. Esses indícios levaram Marcelo a concluir, na prática, que a utilização da arte, em suas variadas formas, possui efeitos positivos no aprendizado de crianças e adolescentes. Como professor permaneceu por 18 anos, deu aulas em colégios particulares e no estadual Colégio Viçosa, onde montou um grupo de teatro que se chamava CARO, em homenagem aos professores Carvalho e Rodrigues, que davam muito incentivo ao seu trabalho e chegavam a parar as suas aulas para possibilitar as apresentações de Marcelo. Marcelo prestou sete períodos de engenharia civil até se

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dar conta de que realmente não gostava. Depois disso, fez cinco períodos de agronomia, quatro de letras, quatro de pedagogia e não formou em nenhum. Hoje ele entende que isso foi em função da rotina acelerada que vivia; dava 60h de aula por semana e continuava ativo no teatro. Em 1993, Geraldo Reis, ex-aluno de Marcelo, foi nomeado prefeito de Viçosa e chamou o ator para ser secretário de cultura. Ele diz que não gostou muito da ideia, e que “fugiu do prefeito durante dois meses” a fim de recusar a proposta, mas não adiantou. Geraldo não abriu mão, e, após uma negociação entre eles, Marcelo aceitou ser coordenador do departamento de cultura. Oito meses depois, ele cedeu e, finalmente, se tornou Secretário de Cultura com a condição de que fosse criado um Centro Experimental de Artes. Assim que começou a sua gestão, Marcelo consegui implantar o Centro que era destinado a realizar oficinas de arte gratuitas para os alunos da rede pública de ensino, com o objetivo de ajudar no aprendizado de crianças e adolescentes. Uma proposta diferente quando pouco se falava na união entre arte e educação na cidade, ainda mais para alunos carentes. O projeto cresceu rapidamente e se tornou referência no estado. Em 2001, Marcelo foi chamado para atuar em uma novela e decidiu se mudar para São Paulo. Conversando com um amigo sobre o seu desagrado em deixar o projeto do Centro Experimental de Artes, que dava passos cada vez maiores, recebeu a notícia de que a empresa TIM estava procurando um projeto para apoiar por meio da lei de incentivo à cultura. Marcelo escreveu o projeto para o Centro e seu amigo o encaminhou à empresa de telefonia. Hoje, com 11 anos de história, o programa TIM ArtEducação, antigo Centro Experimental de Artes, atende anualmente cerca de 5.000 crianças e adolescentes de escolas públicas que participam gratuitamente de oficinas artísticas de teatro, dança de rua, dança contemporânea, dança de salão, jazz, balé, danças folclóricas, coral, percussão, música, contação de história, circo, arte digital e artes plásticas. O programa também foi implantado em 17 cidades da Bahia e duas em Sergipe.


Meu amigo, Fernando Sabino Marcelo leu o livro “O Grande Mentecapto”, do viçosense Fernando Sabino, em uma aula de LET100, uma matéria de português básico da UFV. O ator adorou o enredo e já visualizava a adaptação do livro para os palcos “uma audácia”, comenta. O estudante decidiu escrever a adaptação do livro e ensaiar com seu grupo de teatro da cidade. Já finalizando o espetáculo para a apresentação na UFV, Marcelo resolveu correr atrás de Fernando Sabino para que ele viesse na estreia da peça. Sabino residia no Rio e, mesmo que já tivesse autorizado a adaptação do livro por Marcelo, não se importava muito qual o fim isso levaria, e, por isso, evitava atender as inúmeras ligações de Marcelo. “Um dia eu disse para a secretária: Fernando Sabino querendo ou não, eu vou fazer uma grande estréia e se ele não gostar, não tem problema, vai ter que me mandar prender”, brinca o diretor. Conta Marcelo, que cinco minutos depois a secretária do escritor retornou dizendo que ele viria para Viçosa em alguns meses e presenciaria a estréia. Confirmada a ilustre presença, o ator, com 23 anos, resolveu

pedir apoio ao maior meio de comunicação do país, a Rede Globo, e foi determinado a falar diretamente com Roberto Marinho. Chegou na “Vênus Platinada”, antiga sede da TV Globo, no Jardim Botânico, e a primeira pergunta que ouviu foi: “Quem é você?”. O argumento pouco ensaiado foi de que o estudante de Viçosa queria pedir apoio da emissora para divulgação de sua peça. Depois de alguma insistência, encaminharam Marcelo para a secretária particular de Roberto, Lígia – que posteriormente se tornou muito amiga do ator – e ela disse que ele “não estava”. Porém, Lígia simpatizou com o rapaz e amigavelmente encaminhou o estudante para o contato de Yves Alves, ex-diretor da Rede Globo Minas. Pouco tempo depois, Marcelo marcou uma reunião com Ivys em BH e levou para presenteá-lo uma lata de Doce de Leite Viçosa e pastéis de angu. O diretor da Globo já havia experimentado as especiarias de Viçosa e adorou o presente. Ele perguntou se o estudante realmente tinha os direitos de Fernando Sabino e se ele iria presenciar sua peça. A condição acertada entre os dois foi a de que se o consagrado escritor viesse à Viçosa e gostasse do espetáculo, Marcelo teria garantida a divulgação da peça no Brasil inteiro e, ainda, uma matéria no programa “Fantástico”. No dia da estreia, Fernando Sabino chegou à cidade e o foco foi todo para o escritor. Com o teatro lotado, ele sentou-se para assistir a peça dos 40 atores amadores, que mesclava atuação e dança no tablado improvisado no Centro de Vivência da UFV. No fim do espetáculo, eles foram aplaudidos incansavelmente pela platéia que adorou a encenação dos estudantes. O convidado de honra foi parabenizar Marcelo que se surpreendeu com tanta euforia: “Fernando Sabino enlouqueceu, ele sentou comigo na casa de hóspedes da reitoria, onde tinha uma mesa imensa, e perguntou ‘O que você que fazer agora da sua vida? Quer que eu monte uma peça profissional para você? Quer um filme, fazer novela?” E Marcelo disse que queria que ele ajudasse a garantir a continuidade e regularidade das apresentações de “O Grande Mentecapto” com seu grupo de Viçosa. Fernando então

se encarregou de levar a peça para outras cidades, como Rio de Janeiro, lá eles conquistaram repercussão em grandes meios de comunicação, como no Jornal do Brasil que colocou a peça no ranking dos 10 melhores espetáculos em cartaz na cidade na época. Isso tudo acontecia no período de férias dos atores e eles faziam duas sessões de quinta a domingo, com teatros sempre cheios. A montagem permaneceu durante dez anos em cartaz e foi apresentada em diversos estados do Brasil. Depois de todos esses acontecimentos, Fernando Sabino e Marcelo Andrade se tornaram grandes amigos e, com a influência de Fernando, o ator começou a conhecer muitos nomes importantes do cenário artístico nacional; ia a festas na casa de Carlos Drummond, Tônia Carreiro, conheceu Rubem Braga, saía com Roberto Marinho e Adolfo Bloch, antigo dono da Rede Manchete, entre outros. Todos esses contatos ajudaram muito Marcelo a projetar ainda mais sua carreira como diretor e como protagonista de projetos sociais na região de Viçosa. Dentre outras peças dirigidas por Marcelo, está “Hilda Furacão”, obra de Roberto Drummond que foi um grande sucesso em Belo Horizonte e São Paulo entre 1997 e 1999. Marcelo Andrade também adaptou, juntamente com Patrícia Lima, o musical “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, que ganhou repercussão em nível nacional. Ele transformou o livro para os palcos e trabalhou a parte cênica, enquanto Patrícia Lima cuidou da coreografia. Na época de Capitães de Areia Jorge Amado estava brigado com a imprensa e ele rompeu esse silencio para falar da estréia da peça que tanto o agradou. Marcelo adaptou o livro de Zélia Gattai “Anarquistas, GRAÇAS A DEUS – Memórias Zélia Gattai” e construiu o espetáculo com o nome da escritora. Para melhor adaptar a peça que falava sobre a vida da ex-mulher de Jorge Amado, o diretor morou um mês na casa do casal, em Salvador. “A Aurora da Minha Vida”, de Naum Alves de Sousa, “Comunhão de Bens”, de Alcione Araújo “Projetos para um dia de Amor”, baseado em crônicas e poesias de Affonso Romano de Sant’’Anna, “E por falar em amor”, de Marina Colasanti, e “Um Chapéu para Viagem”, de Zélia Gattai, também foram espetáculos produzidos e dirigidos por Marcelo.

Um viçosense inveterado Marcelo Andrade nunca quis sair de Viçosa, ele não sabe explicar o motivo, diz que não é uma vontade racional. Ele possui um apartamento no Rio de Janeiro, mas seu tempo é bastante dividido entre Viçosa, casa de seus pais, e Rio, que ele diz que é

um local para fazer os contatos e se manter ativo no campo das artes. Para construir uma história tão admirável, não tem segredo. Marcelo diz que a fórmula é mesmo correr atrás e não ter medo do que pode não dar certo, ter ousadia. Quando per-

guntado sobre quais foram os maiores desafios que enfrentou durante sua trajetória, o ator é enfático em dizer que sempre enxergava muito poucos, porque sempre acreditou tanto nos projetos que iniciou que nada para ele era uma barreira.

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Marcelo e Regina Duarte emum encontro no Projeto Escritores Brasileiros

Patrícia Lima, grande parceira e amiga do ator

Colaborando com a direção “O Grande Mentecapto/’ com os atores Débora Bloch e Diogo Vilela

Projeto “Grandes Escritores” reúne ícones das letras, como Ignácio de Loyola Brandão, Alcione Araújo e Adriana Falcão

Projetos Sociais

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Em 2002, Marcelo teve a ideia de criar a ONG Humanizarte com o objetivo de oficializar seu gosto em articular arte e educação. Criada em Viçosa, a Humanizarte busca sensibilizar as pessoas a mudarem o olhar sobre a cultura e também de humanizar a arte no sentido de torná-la mais acessível e colaboradora do aprendizado. Com 12 anos de atuação na cidade, a ONG busca promover ações que elevem a autoestima, a inclusão social, combate à violência e descoberta de talentos artísticos que reforçam a missão de transformar através da arte. A ONG também é responsável por turnês de espetáculos e promove capacitações a todos os envolvidos nos projetos da instituição, entidades e secretarias de cultura que participam periodicamente.

Projeto “Arte no picadeiro”


Apresentação de dança promovida pelo TIM ArtEducação

Alunos da oficina de música preparados para a mostra anual realizada pelo Projeto

Dentre os projetos realizados pela equipe está o “Grandes Escritores”, que durou cerca de oito anos e buscava levar nomes consagrados da literatura do país à diversas cidades. O projeto passou por 55 cidades de quatro estados brasileiros e, nos encontros, os autores falavam sobre suas histórias de vida e obra. Para incentivar a leitura, as bibliotecas e universidades visitadas pelo projeto recebiam doações de livros dos autores participantes. Outro projeto similar em nome da ONG Humanizarte foi o “Escritores Brasileiros”, que, através de parceiras, foi levado a todas as capitais do Brasil. No projeto, escritores renomados falavam um pouco sobre as suas obras e ao lado de atores, como Regina Duarte, Marília Pêra, e Eduardo Moscovis, liam trechos dos livros comentados. Através desse projeto, Vera Holtz veio a Viçosa e ficou cinco dias hospedada na casa dos pais de Marcelo. Neste tempo, eles criaram uma relação bastante amistosa e Vera, pouco depois, concordou em se tornar madrinha do Projeto TIM ArtEducação. O TIM ArtEducação é o grande carro chefe da ONG e já beneficiou cerca de 50.000 jovens. Através das oficinas em 12 cidades, crianças e adolescentes se desenvolvem por meio do aprendizado pela arte e pela socialização que ela disponibiliza. O mais recente programa da ONG Humanizarte é chamado ArtEducAção Digital e passa por 12 cidades participantes do TIM ArtEducAção com o objetivo principal de incentivar adolescentes entre 14 e 18 anos, a utilizarem a arte digital para criarem textos curtos que reflitam sobre o mundo em que vivemos. Em parceria com o Governo de Minas o ArtEducAção Digital também está sendo implantado em cinco escolas públicas de Belo Horizonte, Juiz de Fora, Ponte Nova, Cataguases, Leopoldina e Viçosa. P

Vera Holtz, como madrinha do TIM ArtEducação, prestigiando uma apresentação do Projeto.

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Circuito de Arte da Violeira

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Foto: Laís Coletta

A Casa da Mãe Jeane Quem é Jeane? “Difícil, essa pergunta é bastante subjetiva, né? Antes de tudo eu me considero uma artista, eu sou uma artista. Foi o que eu escolhi para minha vida. Apesar de eu ter um rumo inicial que não foi nas artes, desde criança eu já sabia que tinha isso em mim e não me deixaria em paz”

Jeane Doucas tem personalidade forte, é polêmica, bastante expressiva e não mede palavras. Cheguei a sua casa no início da tarde, apenas seguindo as placas que indicavam a “Casa da Mãe Jeane”. Uma cerca viva e um alto portão de ferro circundam a residência da atriz, e, quando passo por essa fortaleza, avisto um grande espaço externo com piscina e área de confraternização. Ao entrar na casa de Jeane, sou surpreendida com o pedido para retirar meus sapatos.

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Descalçada percebo que talvez seja por isso que essa casa guarde uma energia tão diferente e seja tão limpa. Jeane me explica que antes a residência abrigava somente o marido e era bem pequena. Depois de algumas reformas, virou uma construção de dois andares, sendo o segundo dedicado apenas às apresentações artísticas e ensaios - uma sala grande com paredes de vidro e piso de madeira- onde Jeane se sentou e me chamou para a entrevista.


Jeane desde pequena gostava de palco, seja na dança, canto ou teatro. Participou do coral e do grupo de atuação do colégio encenando peças de fim de ano. Nunca imaginou que levaria tudo isso a sério até entrar na UFV, no início dos anos 90, enquanto paralelamente se tornava uma engenheira florestal. Ainda caloura, começou a participar do grupo de teatro de Júlio Paixão, a Cia Philo Dramática Tertúlias ao Vento, ou Tertúlias, e não se tranquilizou enquanto não se dedicou exclusivamente à atuação. Ela concluiu o curso de Engenharia Florestal e começou a trabalhar em Belo Horizonte na área, mas percebeu que sua demasiada sensibilidade artística a impedia de crescer na profissão. Ela coordenava uma equipe de poda urbana e considerava esse trabalho muito complexo. Jeane queria analisar cada detalhe, a estética, o balanço, o volume, e falava para sua equipe podar minuciosamente cada árvore. A empresa, que prezava pela produtividade e não qualidade artística de cada poda, acabou demitindo Jeane ainda no primeiro ano de trabalho. Hoje em dia, Jeane diz que não faz questão de lembrar de nada da sua antiga profissão e brinca dizendo que não sabe nem diferenciar um eucalipto de uma alface. Porém reconhece que a graduação foi útil posteriormente, quando ela decidiu fazer mestrado na área de teatro e já possuía uma formação que permitisse seu ingresso diretamente no mestrado. A princípio, a família de Jeane ficou um pouco contrariada quando ela decidiu se dedicar ao teatro em BH e, na verdade, eles não se sentiram a vontade nem mesmo com o curso de engenharia florestal. “Há quase 30 anos havia o tradicional pensamento de que você tem três profissões para seguir; direito, medicina e uma engenharia convencional” afirma a atriz. Mas a família não impediu Jeane de ir atrás de seus sonhos, ainda que tentassem convencê-la do contrário ou incentivassem que ela procurasse se candidatar a um concurso público ou um emprego “de verdade”. Jeane começou sua profissionalização como atriz no Teatro Universitário da UFMG, uma escola de

ensino técnico com duração de três anos. Ela morou oito anos na capital de Minas, e ainda acha que a cidade tem muito potencial de crescimento no campo artístico. No entanto, a atriz problematiza um aspecto que dificulta o desenvolvimento da cultura em BH e que é comum em polos regionais: a produção e investimento são concentrados na mão de grupos seletos e formam-se as famosas “panelas”. Jeane ainda pontua uma característica específica do estado de Minas: “Sinto muito, mas eu vou falar. Acho que é da característica do mineiro essa questão dos relacionamentos serem uma diplomacia hipócrita. É da cultura do mineiro, não quero falar mal, mas, comparando a São Paulo, as coisas são Degraus que levam ao andar onde acontecem os eventos da Casa pouco profissionais, menos objetivas. (...) Claro que isso existe trabalho chamada de “ações psicofíem todo lugar, mas em Minas isso é sicas” – conceituada pelo diretor temuito mais forte. Das amizades se- atral russo Constantin Stanislavski. rem baseadas nos interesses e nas Ainda na Engenharia Florestal da trocas”. UFV, Jeane conheceu seu atual maPara a artista, isso se reflete tam- rido que na época era professor. Eles bém na crítica cultural; se você ava- começaram a se relacionar depois lia o trabalho de um colega de pro- que ela já não era mais sua aluna e, fissão, você é mal visto, mesmo se a quando Jeane se mudou para BH, crítica for construtiva. “Em São Pau- eles ficavam na ponte entre as duas lo, o universo profissional funciona cidades. Em 2000 Jeane ingressou melhor, mineiro quer ficar bem com na UNIRIO para fazer o mestrado todo mundo, acho legal e até gosto, e a distância entre eles ficou ainda mas prejudica a questão profissio- maior. Em 2003, quando a atriz se nal. E política, então, nem fala!” al- dedicou a escrever sua dissertação, fineta Jeane. ela resolveu voltar para a “roça”, Mesmo com essa crítica incisiva como ela mesma diz. Buscava silênsobre a capital, Jeane diz que sua cio, menos gastos, mais inspiração e carreira na cidade foi bastante pro- a companhia de seu marido. Foi aslífica e com inúmeras experiências sim que voltou para Viçosa e consolimarcantes. Lá ela atuou como figuri- dou sua casa, onde ainda reside. nista, produtora, atriz e professora. Jeane diz que vive em Viçosa Em 1999 recebeu o prêmio de melhor cada dia de uma vez. Não tem uma atriz da cidade, com uma peça dirigi- rotina fixa e se caracteriza como da por Paulo César Bicalho e Papou- uma desempregada que tem trala Bicalho. Esta montagem, acredita balho; “é difícil explicar isso para Jeane, mudou alguns paradigmas as pessoas, porque elas acham que do teatro que era praticado em BH, eu não trabalho, eu só não tenho porque trouxe uma nova abordagem que bater cartão todo dia”. Porém, de trabalhar o ator, dando-lhe maior não ter uma rotina supervisionaliberdade. Essa experiência motivou da pode exigir disciplina e esforço Jeane a voltar para a Academia; ela muito maiores. Passa o dia escredecidiu se inscrever em um mestra- vendo projetos, procurando editais, do no Rio de Janeiro com um projeto respondendo e-mails e buscando se que pesquisasse essa metodologia de planejar para um futuro incerto.

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O Butô e as viagens estava dando aula em um lugar alto e distante do centro mais atingido. A devastação foi completa e Jeane ainda ficou por cinco dias no Japão antes de voltar para o Brasil, tendo de conviver com mais de dez fortes tremores diários: “o governo anunciava que era previsto outro grande terremoto, e deixavam todos em estado de alerta”, conta. Entretanto, depois de retornar ao Brasil, Jeane ainda devia cumprir os requisitos do edital e fazer uma carga de horas/aula na área, montar e apresentar um espetáculo solo. Como já “havia perdido o tesão por não ter terminado o curso no Japão”, decidiu terminá-lo em Buenos Aires, por uma boa relação de custo/benefício. Antes disso, na Alemanha, Jeane foi para acompanhar o marido em seu pós-doutorado. Aproveitou a oportunidade para se inscrever em um edital que bancou suas passagens para fazer um curso no país. Foi quando Jeane começou a desenvolver o seu solo “Se eu estou aqui, eu posso estar ali?” que, após muito tempo de aprimoramento, é a peça que Jeane está em cartaz atualmente. Já sua estadia na Grécia foi motivada pela sua ascendência grega e pelo seu desejo em conhecer o berço do teatro ocidental. Jeane foi aprovada em uma bolsa de pesquisa, durante seis meses. Em Atenas, Jeane estreou oficialmente o seu solo, já com elementos do Butô

Butô: A dança das trevas Traduzindo-se o termo “Butoh”, bu significa dança e toh quer dizer passo - literalmente, dança compassada. A primeira denominação da arte Butô foi “ankoku butoh”, ou “dança das trevas” surgiu no final dos anos 50, quando os japoneses ainda não haviam conseguido esquecer a devastação causada pelas bombas atômicas que atingiram as cidades de Hiroshima e Nagasaki.. Este teatro dança não representa apenas uma ruptura das formas tradicionais de teatro e dança japoneses, mas também retratam uma negação contundente da influência da cultura ocidental, principalmente da americana, que na época era considerada “vitoriosa”. A primeira performance de butô na Europa aconteceu em 1978. O Brasil só tomou conhecimento da dança nos anos 80, através de Kazuo Ohno, o principal nome do Butô em todo o mundo. Ohno morreu aos 103 anos, de insuficiência respiratória. No Ocidente, a arte de Ohno tornou-se conhecida a partir de 1980, quando ele apresentou-se no Festival de Nancy (França). Daí em diante, tornou-se uma lenda viva no cenário artístico internacional. No Brasil, Ohno estreou em 1986.

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Kazuo Ohno

Foto: Emídio Luisi

A formação acadêmica de Jeane é influenciada basicamente por Stanislavski e Grotowski, dois dos mais importantes diretores pedagogos do teatro ocidental no século XX, mas uma grande inspiração da artista é o famoso dançarino e coreógrafo japonês Kazuo Ohno, um dos grandes mestres do Butô, um estilo de dança japonesa surgido após a Segunda Guerra Mundial. Há muito tempo Jeane simpatizava com a ideia de ir ao Japão para estudar o Butô. Ainda em BH, se interessou em conhecer a estética “butoísta”, começando seus estudos no curso técnico. Participou de um curso no Festival de Inverno de Ouro Preto e se aprimorou quando foi para a Alemanha, em 2005, e mais tarde para a Grécia. Finalmente, em 2011, através de um edital de residência artística da FUNARTE - Fundação Nacional de Artes, Jeane conseguiu uma bolsa para ir ao Japão estudar o Butô. Ela correu atrás do contato do estúdio de Kazuo Ohno que a aceitou para estudar durante seis meses. Entretanto, a sua mudança para Tóquio ocorreu no período em que o Japão foi atingido pelo maior tsunami dos últimos 140 anos. Com a catástrofe, Jeane teve que voltar com apenas dois meses de curso. Ela lembra claramente dos momentos assustadores que passou no Japão após o tsunami. Felizmente, no momento do desastre a atriz


No Plans

Foto: Carlos Sperber

Foto: Carlos Sperber

Foto: Carlos Sperber

Cartaz da última peça de Jeane com elementos do Butô.

Depois de sua experiência na Alemanha, Grécia e Japão, a atriz se empenhou ainda mais em transpor para o seu solo uma maneira própria de expressão corporal, somando o seu conhecimento em Butô a características do teatro ocidental. “Eu tento fazer uma fusão dessas duas referências pra criar uma terceira coisa, que eu não sei exatamente o que é, mas que eu acho interessante. Eu tive o retorno dos meus colegas de teatro que diziam que isso que eu havia criado era uma coisa minha” diz Jeane com satisfação. Atualmente, Jeane não sabe ao certo quais são os seus planos. O último espetáculo que a atriz participou foi em fevereiro deste ano, o Madame X, no qual ela atua como diretora. Jeane também participa do projeto “Caravana Arteira”, que é de uma cooperativa de artistas de Viçosa da qual ela faz parte. O projeto é financiado pelo fundo estadual de cultura e se baseia na realização de eventos que promovam atividades culturais em várias cidades no entorno de Viçosa. A incumbência de Jeane na caravana foi realizar uma oficina de teatro e apresentar, em Ponte Nova, o espetáculo Madame X. A cooperativa é integrada por artistas de diversas áreas, como teatro, dança, música, produção cultural e artistas plásticos. A atriz, produtora e diretora, Jeane Doucas, com mais de vinte anos atuando no teatro, acredita que Viçosa não é um lugar interessante para quem deseja viver de arte. Aliás, é bem pessimista nesse sentido: se não fosse o marido, ela diz que estaria em outro lugar. Em 2009, a atriz inaugurou a Casa da Mãe Jeane, um espaço de arte que funcionava no segundo andar de sua casa. Um local onde ela promovia oficinas, minicursos, mesas de discussão, convidava e produzia espetáculos e tudo que motivasse a discussão da questão da arte na cidade. O objetivo era de democratizar a cultura, torná-la acessível por meio de eventos gratuitos ou cobrando ingressos a preços simbólicos. Porém, depois de cinco anos dedicados à Casa, Jeane aos poucos foi se desencantando; havia muito trabalho para pouco reconhecimento da população. Começou a questionar sua estadia na cidade de maneira incansável e concluiu que se quisesse realmente continuar atuando no teatro, deveria ser fora de Viçosa. Agora dedica pouco tempo à Casa e fará eventos esporádicos quando estiver realmente interessada. Ela acredita que a mentalidade da cidade não é voltada para a valorização da cultura, e após um momento de forte desânimo em relação à arte, ela percebeu que deve dedicar suas energias em outros locais. Jeane argumenta que Viçosa não possui nem um teatro próprio, e que o espaço Fernando Sabino, da UFV, o mais ativo da cidade, não se adéqua aos padrões mínimos que possibilitem a atuação em um palco italiano convencional. Jeane defende a necessidade de haver uma reforma administrativa e orçamentária que desenrole os entraves burocráticos que dificultam o desenvolvimento cultural na cidade. Seria uma série de reformulações que iriam garantir a arte e a cultura dentro e fora das quatro pilastras que, aliás, acredita que deveriam ser derrubadas, não somente no plano ideal, mas no plano físico. “Passar um trator em cima dessas colunas que estampam dizeres positivistas – estudar, agir vencer etc., - esta é uma filosofia que vem da opressão” afirma Jeane demonstrando sua posição política.

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Para Jeane, quem tem uma formação acadêmica sem a participação das artes, é apenas um “peão com diploma; peão no sentido de que não sabe o que é um filme bom, nunca leu um livro da literatura brasileira e não conhece o que é música. Teatro?! Nem precisa chegar a tanto”. A artista conclui isso a partir de sua experiência como ex-aluna da UFV, atriz e produtora cultural, e percebe na prática que as universidades em geral privilegiam a formação tecnicista e não a de seres humanos. Apesar disso, Jeane admite que existam muitas pessoas autênticas na universidade e que não se pode generalizar. A atriz recorda seus tempos de UFV e relata: “Na minha época tínhamos muita coisa boa oferecida pela universidade. Quase toda semana tinha orquestra de câmara no auditório da floresta, eram promovidos festivais de música antiga com um pessoal de JF, espaços e oficinas que desenvolviam as nossas potencialidades criativas, havia um festival de rock que já trouxe Hermeto Pascoal, Titãs, Jorge Mautner e outros nomes importantes fora dessa indústria cultural”. Para finalizar, Jeane conta que sua máxima é o ditado popular: “Quem procura acha!”. Se Jeane já encontrou o que procura em Viçosa, nem ela sabe dizer. Talvez ela já tenha encontrado, mas talvez ela decida ir embora para se encontrar em outro lugar. Apesar de estar em estado de calmaria, desde quando começou a atuar na cidade, essa mulher-tsunami tem provocado questionamentos e implantado inquietações. Sente-se ao lado de Jeane durante algumas horas e você sairá, no mínimo, se questionando sobre tudo o que você se propôs a fazer da sua vida até então. P

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Foto: Laís Coletta

Ateliê Elaine Fontes O Ateliê de Elaine Fontes é bastante conhecido pelos moradores do bairro Violeira. Não foi difícil encontrar a casa de três andares feita de madeira, tijolos aparentes e vidro na rua Quinquim Fontes. Os materiais que erguem a casa são ecológicos e oriundos de demolição, e mesmo com aparência robusta abrigam um ambiente com uma decoração delicadamente pensada. Cada canto guarda detalhes que ornam entre si. A construção harmoniza com o ambiente arborizado ao seu redor como se fizesse parte desse ecossistema, refletindo muito a personalidade da artista plástica. Para Elaine, o local se traduz como um “espaço que tece tempos” – slogan do ateliê. O motivo é que nos momentos de quietude e exílio que ela procura neste ambiente, se constrói paralelamente um tempo particular, o seu tempo. Esta frase foi sugestão de um amigo, mas transporta exatamente o que ela busca: rearranjar elementos do dia-a-dia e arquitetar sua própria

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realidade na mais profunda paz. Na hora de começar a criar uma peça de arte, Elaine procura partir de uma mesma linha de pensamento, que irá servir como base para as suas criações. Ela se considera uma artista de fases que jamais reproduz fases passadas; afinal, sua motivação se encontra nessa transformação contínua. As fases de Elaine duram no mínimo um ano e o que ela procura na imersão em fases é de uma unidade entre seus trabalhos. Sua última fase era baseada na reprodução maximizada do interior de flores. Partindo de um trabalho fotográfico autoral de orquídeas e da ampliação destes registros, Elaine fez telas que se inspiram nessa ideia, porém o resultado induz ao abstrato. Ela não buscou a reprodução realista, e sim a visão e o toque particulares do que se apresentava em tamanho maxi-ampliado. Agora ela está iniciando uma nova fase, ainda indefinida, sem planos, assim como suas telas, que se constroem aos poucos. E assim como é sua

vida, baseada em planejamentos que podem ser remodelados. A inspiração nesta nova fase vem de toda parte, e ela anota rigorosamente tudo em um pequeno caderno de esboços: palavras, desenhos, planos... Elaine criou uma rotina diária que segue com disciplina e de tarde ela não abre mão de estar no ateliê. É seu principal local de inspiração, onde tem contato com as matérias-primas de seu trabalho. Elaine se considera caótica na hora da criação, mas, paradoxalmente, se exige uma organização impecável com o ateliê. Tudo em seu lugar. Ela também busca maiores estímulos em viagens, fotografia, música e livros. Aprecia o trabalho de Clarice Lispector e Lya Luft, atualmente lê Hélio Peregrino, mas sempre gosta de ler mais de um livro ao mesmo tempo. Considera a música tão importante como pintar, gosta de cantar e ouvir música clássica, ópera, rock e quase todos os estilos musicais (só não dá chance para sertanejo e pagode).


Fotos: Laís Coletta

Passado Quando pequena, Elaine era inquieta e sempre desenhou; gostava de copiar fotos para o papel reproduzindo luz e sombra. Gostava também de fazer suas próprias roupas com uma proposta diferente das vendidas pelo mercado da cidade. Sempre produziu tudo sozinha, manualmente e totalmente autodidata. Na hora da escolha do curso de graduação, essa aptidão para a criação foi ignorada, ela sabia que tinha um dom, mas não o encarou como uma profissão. Cursou Engenharia de Alimentos na UFV até o quinto período, tinha interesse pelo curso, no entanto, na parte inicial focada na área de exatas, ela possuía dificuldades – principalmente com a física. Quando decidiu mudar de curso, prestou vestibular para nutrição, onde teve maior afinidade com a grade curricular e chegou a concluir a graduação. Não só concluiu como trabalhou na área e fez mestrado. Na graduação Elaine, conheceu seu atual marido Everardo Mantovani que cursava Engenharia Agrícola. Em 1989, Everardo e Elaine foram para a Espanha com o objetivo de cursarem um doutorado, ele na área do manejo de irrigação e ela em nutrição. Porém, após cumprir com um ano de curso, Elaine repensou sua estadia em Córdoba e resolveu aproveitar para seguir a sua vontade de ser artista plástica; “eu nasci assim, não tem como fugir, uma hora o seu lado artista se sobressai e se torna prioridade na vida” revela. A família não apresentou resistência, ela já era independente e o marido a apoiava integralmente. Eles já tinham duas filhas pequenas, Flávia e Lívia. Não é de se surpreender que Elaine tenha se deparado inúmeras vezes com o questionamento: “Nossa você vai largar uma carreira que construiu durante dez anos, uma coisa segura, para viver de arte?”. Mas isso não a influenciou. Elaine valoriza cada momento de aprendizado que teve nas diferentes áreas, enxerga a relevância que eles tiveram na construção de sua personalidade e de lhe apresentar visões diferentes do mundo. “Nada é perda de tempo, como saber se é irrelevante sem se dispor a experimentações?”

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Foto: Lili Mafra

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No ano seguinte, Elaine ingressou na Escuela de Artes y Ofícios Artísticos Mateo Inurria. Uma instituição que possuía um sistema de admissão na graduação pública similar ao vestibular que ocorria no Brasil antes do ENEM. O curso escolhido foi Belas Artes, e isso deveria representar mais cinco anos nas salas de aula. Porém, o marido de Elaine concluiria seu doutorado em três anos e isso significava ter que voltar ao Brasil. Então, Elaine optou por cursar mais matérias por período e graduar-se a tempo, ou seja, ela condensou cinco anos de graduação em apenas três.

Foto: Lili Mafra

P resente Hoje a artista considera que a formação acadêmica em artes é importante, mas não é imprescindível. “Existem autodidatas excelentes, em contrapartida existem artistas formados em universidades que não possuem aquele ‘pulo do gato’”, diz. O curso é importante para ter o contato mais próximo com a técnica e meio artístico, é um facilitador, mas não é essencial. A experiência no exterior para Elaine Fontes é descrita como “excelente e maravilhosa”, mas ela nunca teve vontade de ficar. Já retornaram mais de uma vez à Espanha, para rever os amigos e matar a saudade de um ambiente tão agradável favorável à arte; “é um lugar muito bom, mas para morar, bom mesmo é o lugar que a gente nasceu” diz Elaine. A artista é bem otimista em relação ao cenário das artes no Brasil. Comparado à Espanha, os brasileiros perdem por não terem tanto tempo de história e tradição nas artes, somos um país mais recente. O reflexo disso está na dificuldade de se encontrar pessoas e empresas que investem e patrocinam a cultura. Na Europa, segundo Elaine, é bem mais fácil. Porém, ela conclui que os brasileiros são criativos e possuem inspirações suficientes para traçar um caminho relevante nas artes. Segundo Elaine, Viçosa possui um perfil de moradores diferente de outras cidades interioranas. O número de universitários transforma a mentalidade da cidade que, para a artista, mesmo que provinciana, dispões de meios para se posicionar mais à frente. O perfil dos universitários é, de maneira geral, mais ativo e propenso a promover transformações “eu vejo muitos projetos interessantes partindo de universitários, aqui na Violeira mesmo tem muita coisa acontecendo no meio das artes”. Viçosa, por ser uma cidade pequena, tem suas limitações, mas as vantagens daqui é que possui ambientes extremamente inspiradores e está sempre se renovando. Além do ateliê, Elaine possui uma loja, a “Elaine Fontes Boutique de Arte”, que há um mês mudou-se do centro de Viçosa para o andar debaixo do Ateliê. No local, além de serem comercializadas telas e outros trabalhos seus e de alguns artistas de Viçosa, Elaine procura vender almofadas, imãs, vitrais, sacolas ecológicas, pratos de porcelana, bolsas, quadros de menor valor de compra, etc. Essa variedade de objetos é uma maneira de melhor viabilizar a loja e oferecer algo diferente. A loja é uma pequena galeria, onde ficam expostos os trabalhos de fornecedores de vários lugares, inclusive de outros países, como Portugal, mas buscando manter sempre algum diálogo entre as peças. Atelier/Loja: Rua Quinquim Fontes, 715 Violeira- Viçosa-MG 36570-000.

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Com a aptidão para fazer roupas que carrega desde criança, há dez anos Elaine também faz moda. Mas neste campo ela se considera totalmente autodidata, não possui nenhuma formação na área e faz para vender o que ela faria para si mesma. Ela tem costureiras que colaboram na hora da execução, no entanto, ela desenha e pinta as peças à mão. Cada roupa e acessório confeccionado por Elaine é exclusivíssimo, apenas dois ou três exemplares de cada modelo, com estampas que diferem entre si e que trocam o conceito a cada coleção. Quando pergunto se a artista se apega às suas obras ao ponto de ter certo remorso em comercializá-las, Elaine é bem convicta de sua resposta. Pensa que teve uma compensação financeira por isso, é o trabalho dela e ela vive disso - não que isso seja fácil. A hora de mensurar o valor da obra é complicada, pois existem variáveis além do custo do objeto, e ela também não vende em qualquer circunstância. Elaine já rejeitou vender quadros para pessoas que achou que não tiveram o respeito com o seu trabalho. Não é um mero objeto exposto para venda, é um

pouquinho de Elaine; cada obra guarda seus sentimentos, humor e tempo dedicado naquele trabalho único. Da mesma forma que, quando a artista acredita que a pessoa teve uma forte identificação com sua obra, ela não mede esforços para que fique com a peça. Elaine já chegou a fazer descontos absurdos e parcelar em inúmeras vezes para um estudante que queria presentear a namorada com uma obra da artista. “Se a palavra para isso for temperamental, ok! eu admito que sou. É uma questão de eu me respeitar e valorizar meu trabalho”. Para a artista, a maior gratificação quando se trabalha comercializando um artigo tão pessoal é o respeito. Elaine Fontes, artista plástica profissional, sempre se propõe a encarar novos desafios e faz tudo com muita organização e poesia. Procura expandir continuamente seus horizontes e conhecer novos cenários e novos meios de inspiração. Elaine resume seu olhar pelo trabalho com uma citação de Pablo Picasso: “que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando”. P

Infinito Particular Tudo que vem à mente de Elaine e que pode se tornar o início de uma nova fase de inspirações é colocado em um caderno. As folhas, tamanho A5, concentram tantas ideias diferentes, colocadas de maneira tão aleatória, que parecem que nunca terão um sentido único. Quando a artista começou a recitar as palavras que estavam escritas no papel, parecia poesia. Para que o leitor tenha uma ideia do que é essa “chuva de ideias” de Elaine, decidimos transpor fielmente um pouco de seus escritos para tentar entender o processo de criação da artista. “Retalhos e tudo que possa vir através deles: emendar, costurar, rasgar, pincelar, grudar, dispor lado a lado sem planejamento prévio, só unir tudo. Resto de roupa usada, cheiros, contatos, histórias. Libertar-se da criação. Nada será criado, tudo virá naturalmente sem obedecer a regras nem padrões estéticos. Quando virar algo eu saberei. Será que saberei? Eu espero. (Risos). Sem lavar, passar, ou melhorar o aspecto original, as rugas são bem vindas. Cabeça vazia, computador cerebral tão carregado que deu PANE. Começar do começo, novo, velho, nada. Viagens magníficas armazenadas que não foram digeridas, em ordem decrescente: Estados Unidos e Itália. Agora tenho que recriar tudo. Planos: viagem do Chile, reforma da casa, mudança da loja, fechamento de um ciclo. Container é o que contém. Tudo contém tudo. Corpos contém a mente, um espírito, os órgãos, ossos. Sua mente é um computador que contem sua vida. Um container pode camuflar outras formas. Um container de emoções pode conter tanta coisa que não pode acabar: amor, compaixão, delicadeza, ódio, inveja, rancor, cobiça, avareza, admiração, miséria, feiúra, beleza, afeto, amargura, orgulho, prepotência, arrogância, ira, alegria, alto, astral, estima, desprezo, mentira, fingimento, vergonha, prazer, dor, elegância, medo, e por aí vai. Definição do dicionário: Container é um equipamento para transformar carga; recipiente de metal ou madeira geralmente de grandes dimensões. Dotado de dispositivos de segurança. Depois desta descrição eu vou ao que me interessa. O container é uma coisa muito ampla, muito generosa.” Quando Elaine não consegue escrever essa “chuva de ideias”, ela rabisca. São desenhos abstratos, que significam algo, não para mim, mas remete a artista a um pensamento. E se simplesmente nada sair no papel? Elaine não tem culpa de parar para pensar, contemplar a natureza e de ficar horas desfrutando desse ambiente mágico que é seu ateliê.

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Fotos: Laís Coletta

Ateliê Oswaldo Santana Oswaldo mora na casa 08 do condomínio “Sem Domínio”, um nome bem apropriado para um condomínio que não é fechado e não tem início ou fim. Toco o sino em frente à casa de dois pavimentos, localizada ao lado de uma espécie de galpão. Com uma arquitetura simples e toque rústico, a casa possui um gramado verde e bem cuidado que contorna as duas construções aparentemente recém-reformadas. A cerca em frente ao ateliê, na altura do peito, deixa à mostra toda a intimidade do artista. Ele surge rapidamente no gramado segurando uma pilha de revistas e papéis, e me convida para entrar no

galpão. Uma porta enorme de madeira com entrada em duas folhas se abre, revelando o primeiro andar do ateliê. Este é o local onde Oswaldo armazena seus pigmentos, telas, algumas peças de madeira e argila. Há uma estreita, longa e maciça mesa de madeira destinada à criação de suas obras. Percebo que estão dispostas no chão diversas obras embaladas, e logo sou esclarecida de que são recém chegadas de uma exposição realizada na Pinacoteca da UFV. No segundo andar, funciona um escritório que comporta seus registros, revistas de arte, livros, computador e, atualmente, é onde o artista mais passa seu tempo. Pigmentos utilizados por Oswaldo em suas obras

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Nascido em 1958, na cidade de Resende/RJ, Oswaldo se considera um Viçosense – veio para a cidade com apenas dez anos. A sua educação fundamental e média foi toda aqui e, não muito diferente dos dias atuais, ele possuía poucos incentivos externos para desenvolver seu lado artístico. Lembra-se apenas de Salgadinho, seu ex-professor de educação artística, que era músico e conduzia a aula de forma a desenvolver mais as aptidões musicais do que as outras habilidades. Oswaldo sempre gostou de desenhar e, quando entrou no Coluni, a sala de aula se tornou o lugar preferido de praticar. “Eram uns desenhos psicodélicos, quando eu comecei a ouvir rock and roll” diz o artista que teve no rock sua primeira influência; gostava das capas de CD, que iam desde o rock internacional, como Jimi Hendrix, aos movimentos musicais vanguardistas brasileiros, como Tropicália. Seus desenhos, mesmo que tivessem esse lado abstrato e “psicodélico”, também manifestavam seus pensamentos políticos e o lado engajado do “garoto revolucionário” característico dos anos 60. Quando entrou na universidade, a face artesã de Oswaldo aflorou. Filho de pai alfaiate e sobrinho de sapateiro, o artista sempre acompanhou essa rotina de trabalho e começou, aos poucos, a descobrir sua afeição pelo couro. Unindo a vontade de sair de casa com as suas requisitadas habilidades manuais, Oswaldo passou a investir pesado no que seria sua primeira fonte de renda. Incialmente, ele vendia na própria universidade para seu ciclo de amigos, mas com o desenvolvimento de sua própria técnica, as vendas deslancharam. Enfim mudou-se de casa e foi diretamente para o “antigo bairro dos cabeludos”, o Cantinho do Céu. Mesmo prosperando no artesanato, Oswaldo nunca deixou de desenhar e, para unir as duas habilidades, ele teve a ideia de reproduzir seus desenhos em bolsas de couro. Com um pirógrafo, instrumento similar a uma caneta com uma ponta bem quente, ele delineava seus traços abstratos a partir da queima superficial do couro. Com o passar do tempo, suas peças foram se sofisticando e ele passou a confeccionar baús e outros objetos mais elaborados com um valor mais elevado, o que resultou em uma vida de estudante de relativo conforto financeiro. Graduou-se em Cooperativismo na UFV, profissão na qual atuou por muitos anos e ainda atua, embora queira se desligar dela cada vez mais para se dedicar à arte. Quando se lançou ao mercado de trabalho, Oswaldo foi admitido na Secretaria da Agricultura do Estado e teve de ir trabalhar em Itacarambi, cidade no norte de Minas - na época tinha uma média de seis mil habitantes. Ele conta sem saudade dos três anos em que viveu bastante isolado das novidades da cultura em geral, principalmente da música, cinema e artes plásticas, de que tanto gostava. Em contrapartida, foi o momento em que Oswaldo encontrou a oportunidade de se conhecer como artista plástico; mergulhava profundamente em seus trabalhos e aproveitava para explorar as especificidades naturais que encontrava ao seu redor. Quando ia à sede da Secretaria, em Belo Horizonte, se munia de materiais para criação e testava suas habilidades sem limitações. Em Itacarambi, o artista completou sua primeira série de quadros, inspirada na natureza local. “Predominantemente em tons pastel seco e oleoso”; retratava o horizonte de forma detalhada. Essa série foi exposta apenas em 1988, na UFV, e teve um importante significado na vida de Oswaldo.

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Em 1986, o artista foi transferido pela Secretaria para Belo Horizonte, e, assim que chegou, aproveitou para se inscrever em cursos livres de arte na Escola Guignard da UEMG e também na Escola de Belas Artes da UFMG. Nesta última, ele se empenhou em conhecer a técnica da gravura e foi um momento em que se deleitava com as novidades da arte junto aos seus novos amigos. Oswaldo era movido pela arte, vivia para ir a exposições e aproveitava para criar e conhecer pessoas que poderiam impulsionar sua carreira. Porém, nada de concreto foi conquistado em BH. Oswaldo se casa ainda no norte de Minas e já em BH, no ano de 1989, ele e sua mulher, Ângela, resolvem tentar mestrado fora do país. Ele tentaria uma especialização em organização de cooperativas na agricultura familiar, área na qual trabalhava. Ângela foi aprovada antes de Oswaldo no mestrado no campo da Engenharia Florestal e partiu para Madri, Espanha. De maneira precipitada, antes mesmo de receber o resultado de sua inscrição, o artista decide ir se juntar a Ângela e, como seu curso se iniciaria apenas em quatro meses, ele estava à vontade para fazer tudo o que o interessasse. Oswaldo começou a procurar workshops de arte e a frequentar ateliês e galerias, conhecendo muita gente ligada às artes plásticas. Fez amigos de várias partes do mundo e, juntamente com um grupo de estrangeiros, ele organizou uma intervenção artística na cidade. Esta foi a primeira vez que Oswaldo considera ter exposto fora do país. Enquanto morou em Madri, Oswaldo se impressionou muito com a pintura espanhola antiga, primeiramente a de Velázquez, com características barrocas: “até hoje eu choro ao ver as pinturas desse artista”. A partir disso, procurou conhecer toda a evolução das artes plásticas espanholas, destacando nomes como Greco, Goya, Miró e Tapies como grandes ícones do país. Não demorou muito para que as pessoas começassem a se interessar pelo seu trabalho e o convidassem para representa-lo em suas galerias. Pouco depois “as coisas começaram a fluir” e ele conseguia depender financeiramente apenas de sua arte. Pouco depois a resposta do mestrado saiu e ele havia sido recusado; o motivo foi que, em 1990, Fernando Collor entrou para a presidência e cortou boa parte das bolsas destinadas a especialização fora do país. Mas isso não importou para Oswaldo, que vivia um momento de intenso aprendizado e buscava impulsionar a sua carreira artística.

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A intenção era continuar em Madri, porém, em 1991, Oswaldo, filho único, viu a necessidade de voltar para o Brasil e auxiliar o pai que havia sofrido um derrame. Ainda na Espanha, Oswaldo se separou de Ângela e retornou para casa com a convicção de que voltaria em breve a Madri. No entanto, o destino colocou mais um empecilho e, logo após o acontecimento com o pai, sua mãe foi surpreendida por um câncer de mama. Por esses motivos ele não pode mais voltar a Madri e continuar sua carreira. Oswaldo jamais se importou em acompanhar esse momento junto aos seus familiares, porém, não esconde a frustração por ter encontrado uma realidade tão diferente a da Europa: “Quase morri”, relembra. Quando retornou a casa dos pais, precisava de um local pra colocar suas “tralhas”, como ele mesmo diz, e uma vizinha ofereceu uma antiga casa abandonada de sua família. Era um local praticamente demolido, mas foi onde Oswaldo fixou seu ateliê e começou a trabalhar com maior intensidade a pintura por pigmentação, uma matéria prima bem característica de suas obras até hoje. O artista já utilizava essa técnica em Madri, no entanto, na Europa os pigmentos eram comprados em espécies de farmácia; prateleiras expondo vidros rotulados indicando cada tonalidade. Já no Brasil, ele encontrava esses pigmentos bem perto de casa, de graça, na terra, o que facilitou a maior intimidade com a técnica. Oswaldo voltou a trabalhar com o cooperativismo em uma ONG fundada por amigos na Violeira, chamada CTA e que ainda funciona ativamente no local. Também começou a dar aulas de pintura e desenho na “Oficina Infinito”, um espaço de iniciação artística fundado por um conhecido. Pouco tempo depois, Oswaldo passou por uma época de grande produção; enviava muitos trabalhos para salões fora da cidade e expôs bastante, principalmente em Belo Horizonte. Em 1998, o artista participou do Festival de Inverno de Ouro Preto, onde ele fez um contato muito importante para sua formação, Franz Krajcberg. Franz utilizava em suas pinturas tintas oriundas da terra e, no evento, ministrou uma oficina que levou os interessados aos lugares particulares onde o polonês colhia os pigmentos para pintura. Oswaldo extraiu amostras de pigmentos nestes locais que ele guarda até hoje, há mais de 15 anos. Segundo ele são cores

que não são encontradas em lugar nenhum. Desde então, Oswaldo se firmou em Viçosa, e após um tempo que ele considera que esteve “desinspirado“, atualmente pretende retomar seus planos como artista. As maiores dificuldades que ele considera encontrar em Viçosa é a de articulação e reconhecimento: “estou fora do circuito da arte; os contatos são poucos, e a informação, se não partir de iniciativa própria, não chega“. A forma que encontrou para se atualizar nesse sentido foi a de assinar revistas de artes e buscar bienais, exposições e eventos em outras cidades. Mas ainda assim, se considera “isolado”.

Escultura em barro

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Escritório de Oswaldo Santana

Incisivo, Oswaldo pontua que para se firmar no mercado da arte é preciso contatos. Ele ressalta que este universo no Brasil é rico, existem pessoas dispostas a investir, e pode viabilizar uma vida confortável a artistas, porém ainda é muito restrito. Segundo ele, uma forma de alcançar a inserção nesse mundo é buscar uma especialização na academia; local onde você se torna “mais institucionalizado, conhecido e formalizado”. A internet e o desenvolvimento de outros meios de informação têm ajudado este trabalho de reconhecimento dos artistas. Pode-se, por exemplo, construir um site em que interessados terão acesso ao seu trabalho independente da localidade. Inclusive, Oswaldo, na busca de se modernizar e expandir sua visibilidade, está agora em fase de digitalização de seu acervo. Neste ano, o artista plástico começou a contabilização e registro de seu acervo. Contratou um historiador, que também tem afinidade com as artes, e juntos estão em processo de arquivamento fotográfico de todas as obras do artista. Oswaldo está organizando as peças de acordo com as suas diferentes fases, nomeando cada fase e obra para facilitar o registro. No término de todo esse processo, Oswaldo pretende produzir um livro com as fotografias de seus trabalhos, com recursos de editais de incentivo à cultura. Ele também irá disponibilizar em seu site (www.oswaldosantana.com.br) todo esse acervo para torná-lo mais acessível ao mercado

da arte. “A função da arte é tornar as coisas visíveis, mesmo que elas não sejam reais. Eu torno visíveis essas texturas, cores e desconstrução do óbvio e quero que isto seja visto além daqui”. Para Oswaldo, os meios midiáticos e virtuais são grandes impulsionadores da popularização da arte e tem mudado este mercado de maneira positiva. Segundo ele, a partir do momento que ocorre a divulgação de exposições de maneira tão abrangente - evidenciando críticas, particularidades do artista e repercussão do evento - o público se interessa mais. Recentes exposições que aconteceram no Rio de Janeiro e em BH, como a de Dali e de Escher, mostraram que o investimento alto em mídia é importante para o sucesso de uma mostra. Elas concentraram os maiores públicos da história para eventos desta natureza. Segundo Oswaldo, para se adaptar a esse público que chega até as exposições de arte através da grande mídia, o estilo das mostras também teve que mudar. São mais “interativas e democráticas”. São fáceis de entender e não precisam de mediadores para explicar os significados da obra, são experiências sensoriais e mesmo quem não tem afinidade com o artista se interessa e recomenda a exposição. Oswaldo não desmerece essa busca dos artistas pela adaptação ao mercado mais popular. Entretanto, para ele, existe a diferença entre fazer um trabalho de arte, no qual você dedica mais tempo, de um trabalho de fácil

comercialização e produção em maior escala. Ele problematiza o conceito de arte em alguns trabalhos feitos apenas para ganhar dinheiro; não há a alma do artista naquele objeto e talvez “não seja uma obra de arte, seja artesanato ou algo nesse sentido”, defende. Analisando todas as suas obras ao longo dos anos, o artista conclui que seu estilo principal é o inusitado, pois sempre busca fazer o que nunca fez, circulando por técnicas de gravuras, desenhos, colagens, instalações, objetos, fotografia, pintura. Várias formas de arte que ele ainda busca unir em seu universo. Ele continua trabalhando no CTA na área da gestão de cooperativas e na área de comunicação e design, ainda que aos poucos venha se desligando desta ocupação para se dedicar exclusivamente à arte. Oswaldo acredita que precisa prosseguir com a carreira e aproveitar tudo que conseguiu construir durante esses anos; é o que ele diz ter maior afinidade, que acredita que faz melhor, é a sua paixão. Oswaldo Santana se considera em uma boa fase, pois está reestruturando toda sua rotina e seu modo de pensar a vida. Encontra-se em um momento de intensa profusão artística e de mudança. Agora, com maior bagagem e experiência na arte, um ateliê novo e a conquista de um reconhecimento artístico em Viçosa, chegou o momento de se surpreender. Abre-se um mundo de possibilidades sem destino, sem limites e sem domínio. P

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Reinaugurado o mais antigo teatro de Viçosa O auditório do Departamento de Economia Doméstica da UFV, conhecido como teatro do DED, foi reinaugurado no dia 26 de setembro de 2014, após cinco anos de reforma. O Espaço já foi palco de inúmeras apresentações artísticas ao longo da história da UFV e é considerado o mais antigo teatro ainda em funcionamento na cidade de Viçosa. Dentre as peças representadas, muitas delas foram trazidas pelo diretor e escritor Júlio de Castro Paixão, um dos primeiros coordenadores do espaço.

Uma antiga Paixão A história do auditório do DED é paralela ao momento auge da carreira de Júlio de Castro Paixão no teatro. O teatrólogo, dramaturgo, escritor e poeta, coordenou o auditório durante 13 anos e é um dos responsáveis por elevar o espaço ao patamar de teatro mais ativo na cidade na década de 80 e início de 90. Essa conquista é fruto de muito trabalho e luta de uma restrita equipe que promovia a cultura na universidade. Trabalhando pela Divisão de Assuntos Culturais da UFV, Júlio Paixão trouxe para o DED inúmeras encenações de diversos grupos de teatro, através do Circuito Cultural das Universidades Federais de Minas Gerais e outras parcerias, e concre-

B

tizou a formação do primeiro laboratório de pesquisa em teatro dentro da universidade, a Cia Philo Dramática Tertúlias ao Vento. Júlio afirma que uma de suas principais características é a rigidez com seu trabalho. Talvez por isso, ele tenha alcançado êxito em trazer a discussão sobre o teatro como uma pauta importante dentro da universidade. O escritor buscava, acima de tudo, sensibilizar o público universitário para os benefícios do contato com a arte e afirma que não foi difícil assumir essa meta, já que o interesse de todos os estudantes era visível: o teatro estava sempre lotado e se formavam filas de espera para se inscrever em suas oficinas de teatro. Segundo ele, foi um momento único em que os estudantes puderam participar da cena cultural da universidade na

arte que Júlio considera a mais fascinante. Nascido aos pés da serra da Capivara, no município de São Raimundo Nonato, Estado do Piauí, Júlio Paixão, aos 17 anos, foi cursar direito na Bahia. Na Universidade Federal da Bahia, ele começou a frequentar exibições semanais de cenas curtas, promovidas pelo curso de teatro. A afinidade com as artes, guardada desde sua infância, explodiu em 1957, quando ele largou o direito para cursar Direção Teatral na Universidade Federal da Bahia. Júlio amava o palco, mas gostava mais de estar nos bastidores; nunca pensou em atuar, tinha mesmo um encanto pela direção. Entretanto, sua família foi inflexível e não permitiu a mudança de área, forçando o jovem a voltar, em 1959, para o Piauí. ACABAMENTOS

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DIMENS.(cm) ÁREA QNT. ALT. LRG. PEIT. (m²)

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VIDRO TEMPERADO 10mm

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PRANCHETA LAMINADO CUMARÚ ANGELIM LIXADO E ENVERNIZADO

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1x60W

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210 + 2X 50 84 (BAN)

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ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

210 + 90 50 (BAN)

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LAMINADO MELAM. VERDE AMAZONAS

210 + 90 99 (BAN)

PRANCHETA ANGELIM

(REF. LAM. MELAM. MADEPAR )

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DOBRADIÇA ABRIR (REF. MAÇANETA PAPAIZ CLÁSSICA CROMADO )

VENEZIANAS ALUMÍNIO

_

PUXADOR IXOX PALITO Ø= 32X450m

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(V. PROJETO)

(REF.GLASSVETRO 01.39. PAINÉIS FIXOS LATERIAS (QUADRO DE ALUMÍNIO REVEST. C/ VENEZIANAS)

_

2,78

02

_

MADEIRA DE LEI MARCO SEM ALISAR

_

3,09

02

CORRER

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MADEIRA DE LEI TRILHO EM ALUMÍNIO TRILHO INFERIOR EMBUTIDO SOB A FOLHA DA PORTA

VERNIZ

(A 15 cm DO PISO)

1,05

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DOBRADIÇA VAI-VEM CROMADA

_

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

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(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO LISO 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

179 13,57

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(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO LISO 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO LISO 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

_

60

OBS: PAINÉIS FIXOS LATERAIS H=260

DOBRADIÇA ABRIR

PUXADOR IXOX

PALITO Ø= 32X450m (REF.GLASSVETRO 01.39.

PAINÉIS FIXOS LATERIAS (ESTRUTURA MET. REVEST. EM COMPENSADO REV. CUMARÚ)

_

(REF. MAÇANETA PAPAIZ CLÁSSICA CROMADO )

VERNIZ

ANODIZADO PRETO

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

300,0 208,5

230

230

15 145

15

15 230

15

15 1175

79,5

53 15 12,5

230 1

121

50

J4

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J5

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J6

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J7

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J8

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

J9

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

ANODIZADO PRETO

305

347,4

79 120

79 12,5

79

79,5

79 230

79 50

79 27

9

10,41

230

0,95

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

230

0,10

02

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

230

0,63

02

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

230

1,82

02

(A DEFINIR EM PROJETO)

230

0,40

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

230

0,21

01

(A DEFINIR EM PROJETO)

VIDRO MINI BOREAL 6 mm

PERFIL DE ALUMÍNIO

ANODIZADO NATURAL

OBS: - CONFERIR MEDIDAS NO LOCAL

ALVENARIA A CONSTRUIR

43 27 40

15 145

15

ANODIZADO PRETO

445

300,0

E

18

18

15

HIDRÁULICA)

210 + 99 100 (BAN) 175

(COM MOLA

_

2X (29X349)

(REF. MAÇANETA PAPAIZ CLÁSSICA CROMADO )

PIVOTANTE

MARCO/ALISAR_ MATERIAL ACABAMENTO

OBS: PAINÉIS FIXOS LATERAIS

DOBRADIÇA ABRIR

LEGENDA

50

17

43

1

15

200 15

ALUMÍNIO PERFIL SUPREMA

J3

18

20

IAL

15

F

120

15

90 12

PLUV

1

15 139

J1

J2

15

18

HALL 91,65 m² 335,0

PLUVIAL 1

P-7

78,5

160

SO2

P-7

1

1

41,5

1

179,0

132

-

1

3

3

02

15 1

1

15

2

01

78,5

215,0

15

15

PLUVIAL

90

ELEVADOR

PLUVIAL

2

21,5

15

335,0

1

119,0

20,5

1

239,5

88

153

1 SO2

HALL 9,40 m²

550

12

244

1

1

178,5

1

141

2

1

275

SO2

1

181

103,5

335,0

288,5

16

122

SO2

APOIO 1,94 m²

350

1

15

582

18

1

289,5

15

35

1

1

542

330

50

112

130

147

208,5

230 50

215,0

15

15

1

15

252

J-1

335,0

15 18 17

E

15

41,5

FOYER 91,65 m²

J-3

F

MDF 30 mm

LAMINADO MELAM. VERDE AMAZONAS

256,5

25 17

-

(REF. LAM. MELAM. MADEPAR )

361

17

1

LAMINADO MELAM. VERDE AMAZONAS

PRANCHETA ANGELIM

P7

(COM MOLA

HIDRÁULICA)

_

P5

VEDAÇÃO

TIPO PIVOTANTE

(REF. LAM. MELAM. MADEPAR )

225,5

2

JANELAS

D

17

1

2

17

1

3

02

VIDRO TEMPERADO 10mm

75

75 2

1

02

5,01

b 1x60W

20

SO 2

20

SO2

139

335,0

b 1x60W

P-2

1

d

22,5

2

482 4

29

8,30

_

30

126,5

227 b 1x60W

231,5

_

2X 90

230

P3

259

100

d

100

2x40W

(SOB O BALCÃO)

130

210 + 2X 139 90 (BAN)

(SOB O BALCÃO)

100

259

PLATÉIA (112 EXPECTADORES) - 127,75 m² 2

15 160

15

15

2541,5

D

B

C

N

UFV

100

200

400 cm

PRÓ-REITORIA DE ADMINISTRAÇÃO - DIVISÃO DE OBRAS

CAMPUS VIÇOSA DEPTO. DE ECONOMIA DOMÉSTICA

FOLHA:

PRAÇA DE VIVÊNCIA

02/06 ARQUITETO (S)

GIOVANI CORREA GIACOMINI

PAD

CCH

ÁREAS

SEDE

CONSTRUÍDA

PROJETO DE REFORMA DO TEATRO E ACESSIBILIDADE

A CONSTRUIR

PLANTA 1º PAVIMENTO

A DEMOLIR

PROJETO EXECUTIVO

ESCALA 1:75 0

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

ARQUITETURA DED

PLANTA PRIMEIRO PAVTO.

ESCALA:

INDICADA CAU - 56655-1

DATA:

ORDEM:

TOTAL

JUNHO 2013 DESENVOLVIMENTO

INTERESSADO (S)

REITOR

TEREZA ANGELICA BARTOLOMEU NILDA DE FÁTIMA FERRE PRÓ- REITOR

LEISA MARIA GRANZINOL

34


Foto: Laís Coletta

sentar porque não tinha ninguém do departamento disponível para abrir o auditório. Muitos dos alunos que procuravam as oficinas de Júlio buscavam um meio de complementar o desempenho profissional; como, por exemplo, torna-los mais espontâneos, perder a timidez e aguçar a criatividade. O laboratório acontecia em dois módulos, um preparatório para iniciantes, no qual eram ensaiadas cenas menores, mais leves e descontraídas, e o módulo dois, em que eram produzidas longas e elaboradas peças de teatro. Júlio coordenou o espaço de 1983 a 1996, quando se aposentou pela universidade. Ele se diz satisfeito pelos trabalhos que realizou no teatro do DED, mesmo apesar de alguns entraves comuns à estruturação de uma universidade pública. Júlio lembra-se claramente dos seus alunos de destaque, e diz que muitos se descobriram atores em sua oficina e seguiram a carreira na profissão - assim como Jeane Doucas. Atualmente, Júlio de Castro Paixão é o fundador e ocupante da Cadeira Vinicius de Moraes, da Academia de Letras de Viçosa e, agora, está se dedicando na carreira de escritor. Publicou três livros de contos, um de poemas e uma peça infantil – que já foi encenada na universidade dirigida por um ex-aluno de Júlio -, e está para publicar mais dois livros de contos e um de poemas. Júlio ainda não foi conhecer a reforma do teatro do DED. Fonte: novacoletanea.blogspot.com

Depois de passar seis meses sem maiores perspectivas em sua cidade natal, Júlio decidiu fazer Engenharia Florestal na UREMG, antiga UFV. Ele havia visto uma matéria sobre o curso que já conquistava relevância no cenário nacional, e sentiu que sua forte empatia por botânica poderia ser a base de sua futura área de estudo. Em 1960, Júlio muda-se para Viçosa e pouco depois começa a se envolver com o Diretório Acadêmico (DA) do curso. A partir disso, conheceu pessoas que também gostavam de teatro e queriam atuar dentro da universidade. Forma-se, então, um grupo amador de teatro, que ensaiava peças regularmente. A primeira apresentação de maior visibilidade foi com a peça “Quem casa, quer casa”, de Martins Pena, em um Encontro da UNE, em BH onde Júlio paixão acaba premiado como melhor diretor. Orgulhoso, o estudante ficou animado a dedicar-se à atividade paralela e se envolver cada vez mais com o teatro. No ano seguinte, ele recebeu outra premiação como melhor diretor com a peça “O Auto da Compadecida”, que foi recebida com muitos elogios. Em sua especialização na Engenharia Florestal inclui-se um curso em Dendrologia na Universidade de Colônia, Alemanha, e, no Rio de Janeiro, Ciências Florestais da Organização dos Estados Americanos. Nos Estados Unidos, o escritor obteve mestrado em Biometria Florestal pela “Oregon State University”, uma vertente que trabalhava mais a área de exatas da Engenharia Florestal. Quando retornou ao Brasil, Júlio foi admitido como Diretor da Divisão de Inventários Florestais do IBAMA, na época IBDF. Pouco depois, a mulher do escritor passou em um concurso no Departamento de Economia Doméstica, da UFV, e ele começou a pensar em uma forma de também vir para Viçosa. Convidado para ocupar o cargo de coordenador geral dos técnicos do DED, na Divisão de Assuntos Culturais, ele retorna à cidade. Sua trajetória pela cultura em Viçosa se torna mais sólida quando Júlio passa a ministrar o laboratório de artes cênicas da UFV, que acontecia invariavelmente no DED. As oficinas eram noturnas e durante a semana; nelas o diretor trabalhava a prática e a teoria do teatro moderno baseada na metodologia de Stanislávski. Júlio relata que haviam muitos funcionários do DED que não apoiavam a utilização do auditório para promoção das peças e oficinas teatrais. Por duas vezes ele lembra que, faltando alguns minutos para a peça estrear, como eles não possuíam a chave do teatro, o grupo foi impedido de apre-

Júlio de Castro Paixão; inspiração e talento a serviço da cultura viçosense

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A Reforma

Foto: Laís Coletta

Simulação gráfica da planta original

A primeira demanda pela reforma do teatro do DED surgiu em 2009, e, pouco tempo depois, começou a execução da obra. Em 2012, entretanto, a visão da administração central e os objetivos dos gestores do teatro mudaram, e todo o projeto teve de ser adaptado para uma segunda necessidade. O novo objetivo da reforma seria fazer um ambiente integrado à dinâmica do edifício, mas que possuísse um acesso externo autônomo. Outra prioridade da obra seria trazer acessibilidade, não só para o auditório, mas também para o prédio do depar-

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tamento. O arquiteto da UFV responsável pelo “reprojeto” do auditório foi Giovani Giacomini, e ele trabalhou juntamente o engenheiro Wander da Silva Rodrigues. O grande desafio da equipe foi reformular as plantas com a obra já em andamento, a partir de necessidades totalmente diferentes daquelas idealizadas primeiramente. Para atender às demandas de acessibilidade, a escada de acesso ao departamento foi reconstruída, pois antes possuía aproximadamente 60 cm, e foi feito um elevador dentro do prédio. Além disso, os corredores foram ampliados, foram erguidos

banheiros independentes, maiores e mais acessíveis. A rede elétrica, telhado, mobílias e equipamentos de dados e de voz, também foram reformulados e substituídos. Giovani confessa que não foi uma obra de fácil execução, pois, apesar da redefinição do projeto ter sido efetuada rapidamente, ao longo da reforma as novas plantas tiveram que ser revistas de maneira constante. Afinal, a construção do auditório data 1973 e os executores da obra não tinham a posse de todo o projeto inicial. Cada dia era uma surpresa o que se encontrava na estrutura do departamento.


Foto: Laís Coletta

Finalizada oficialmente em setembro desde ano, a obra obteve um resultado bastante satisfatório. As perspectivas de seus administradores é utilizar o “novo” auditório/teatro do DED em benefício de toda a universidade, na promoção da educação e artes de todas as formas – que se abram as cortinas! P

Teatro do DED após a reforma

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Opinião

Roberto D’arte Roberto D’arte atua como jornalista cultural no jornal Tribuna Livre e como professor de filosofia do ensino médio na escola estadual Esedrat e na Faculdade de Viçosa, onde, além de matérias ligadas à sua formação acadêmica, ministra uma disciplina sobre cinema. Roberto veio de Boa Nova –BA para Viçosa, em 1993, a fim de se aventurar na cidade universitária e conhecer Minas, a terra do Clube da Esquina. Após se formar em filosofia na Bahia, ele pretendia cursar letras, mas, como não tinham vagas nesse curso, caiu de pára-quedas na formação como economista, que não finalizou. No jornalismo ele começou redigindo um informativo amador ainda no ensino médio e era revisor de um jornal na Bahia. Em Viçosa, ele trabalhou revisando o jornal Folha da Mata e, posteriormente, foi admitido como redator do jornal Tribuna Livre. Como não havia curso de jornalismo na UFV, Roberto conquistou uma licença para atuar regularmente na profissão na área de impressos. Fez teatro durante muito tempo, é apaixonado por música e tudo que envolve cultura. Mesmo com pouco tempo para se dedicar a fazer arte, Roberto escreve com freqüência para o seu blog “Dentro D’arte”, edita e redige o Gamboa - jornal distribuído gratuitamente na sua cidade natal - e pretende publicar, em 2015, um livro paradidático chamado “Cinéfilo”, que reúne 33 textos autorais que mesclam filosofia com cinema. Como colaborador da Páprika, nesta edição ele escreve sua opinião enquanto educador e a maneira como enxerga a formação cultural dos jovens e adolescentes que convive em Viçosa.

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l a r u t l o Cu

ã ç a c u Ed

Há pouco tempo ouvi de uma estudante de ensino superior algo que me deixou estarrecido. Com 20 e poucos anos, a jovem disse com todas as letras que não sabia quem era Milton Nascimento. Vale frisar que ela não disse que não conhecia bem a sua obra ou que desconhecia o movimento musical mineiro reconhecido mundialmente como Clube da Esquina. Ela, que é mineira, foi categórica ao afirmar que não conhecia um dos ícones da Música Popular Brasileira, com quase 50 anos de carreira. Esse episódio não foi um fato isolado. Ao longo da minha atuação como professor dos ensinos fundamental, médio e superior, nos últimos 15 anos, tive a oportunidade de ouvir adolescentes e jovens dizerem algo parecido com relação a Caetano Veloso, Maria Bethania, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque, Moraes Moreira, Oswaldo Montenegro, Fagner, Belchior, entre outros nomes de peso da MPB pós-década de 60. Alguns alunos até hoje, quando questionados sobre tamanho desconhecimento cultural, usam o argumento furado de que tais artistas não são do seu tempo. Normalmente, diante de respostas assim, costumo brincar que também não sou do tempo de Bach, Beethoven, Ataulfo Alves, Dalva de Oliveira, Dorival Caymmi, mas procurei conhecer a obra deles. Verdade seja dita: nem sempre fui o responsável por procurar conhecer esses e outros nomes da música clássica ou da chamada velha guarda da música brasileira. Eles me foram apresentados em casa, por amigos, em livros, revistas ou, surpreendentemente, através de um singelo serviço de sonorização pública (chamado Som da Cidade) que existia em minha pequena Boa Nova-BA nas décadas de 70 e 80, quando vivi, respectivamente, a infância e parte da adolescência. Conversando há pouco tempo com a cantora e compositora Aline Calixto, eu dizia que conheci ainda na infância boa parte do repertório de Clara Nunes (uma de suas inspirações musicais) através do rádio AM e do mencionado Som da Cidade. Eram as letras de suas músicas e de outros tantos artistas da MPB que eu e a criançada da época copiávamos (muitas vezes com palavras ou trechos errados) em nossos cadernos. Aline, que viveu a infância nos anos 80, disse que foi apresentada à obra de Clara Nunes e a de outros sambistas que a influenciaram pelos pais. Mais tarde, antes mesmo de se tornar cantora e compositora, ela também ampliou a sua educação musical com pesquisas, ouvindo discos e trocando informações com amigos.

Por Roberto D’arte

Tive o prazer de ver na plateia de seu show “Clara Viva” (em homenagem à sambista mineira, apresentado em Viçosa em 2013) vários adolescentes e representantes do público universitário (alguns deles, felizmente, ex-alunos). O mesmo aconteceu em maio do mesmo ano, quando o cantor e compositor Flávio Venturini se apresentou no gramado das Quatro Pilastras da Universidade Federal de Viçosa (UFV) para um público de mais de mil pessoas. Como o show foi à tarde, deu para notar que havia centenas de jovens das novas gerações e até mesmo crianças (levadas pelos pais, certamente fãs do ex-vocalista do fantástico grupo 14 Bis). Não quero parecer preconceituoso com certos movimentos musicais que ganharam a atenção das gravadoras e da grande mídia nos últimos tempos, mas é certo que há uma enxurrada de compositores, cantores, cantoras, duplas e bandas que deu à música brasileira contemporânea (para não ir mais longe) uma feição pobre e superficial (em letras e melodias). Não basta vivermos na época mais fácil da história para obtermos todo tipo de informação (do passado e do presente). É preciso que saibamos selecionar o que, de fato, possa acrescentar algo de bom em nossa formação cultural e existencial. Afinal, muito do que somos também vem do que lemos, ouvimos, assistimos e conversamos. P

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Bar do Hil deu

40


De rolê

o h l i F u Hilde

que tiscos e p s ao como evido , não tem d o t i u uvir za té m comerciali a e não o do a e o ele Viços iment ito ou abelec êmios para chegar a u frango fr ira-gost s e o o t de se a da imo a itos b e . Os carne a estufa do x je atrai mu ponto já er ar, falar a e d d n u o b n f o h e i o h t s n o S r i s f o l . a te e bo . E ost eu os rig o exp ividualmen esregião ntes de ab ercearia, o Hild nte 40 an ã d s a r a s OB está dame u to prados ind ustar cada a lia e a a m e hoje cen- famí nava um anos, Hilde oxima le r d deg p n com a o há – e va pode cio ava haete no n z l , a s i r s a u , l e f s a b o a s o c c i a ã r o e d u a q e se l ing Calça udança de onde desd o irmãos t ade d dicialid c pp m e n o o i p i c h c A í S o seu s . n i e a u o a s e u h o s o q l ç e . e to d a ta pe Vi corda mais pen ldeu acredi conjun s e “ r tro de i motivada ão, quando vam. o e s o e Hi fo bar u não mesm levisõ alçad vam local Hilde ade outro que goscial é m duas te s do c se instala ir, ol n a b e r e r d t b e i z f o te sa e fu e di : que i d na c das ” l e a i s a s l r e b r o e e r s a b g d v o a h eé jo d o a o sb osidad issiona de estabe- antigo que am os i ois tem ércio, d os doi e s r p r s u , p a c o p ã am que o com prime rofiss – uma ovo o tipo lá for eram vel para o n il- ta da p ra lidar com ão é nada da rodada foi um dos a cidao ã n a H pois sejá da ue n ldeu abo n dade p bar do nto de ssa q ajuda - que Hi inar TV a c conseguiu lecime ndimento. O a Avenida mas confe nta com a á s ncion o que s a as e sses a co dois fu mente ro , a tradiçã te todos e e, empre mudou par 2, onde se fácil. Ele s i a m l 5 n l a e er e de ão, 13 r de truir dura ção centra ae e se m atu deu s s c Brand dias de hoj ória mulh endo que u início, o Ba a n z i o o o l c ã n a ç e c lo o Bu cep ã, at os ,s N e g h s a é i r . o t n r i a , a a b r a ç s o o n , m m n a te s e do ice manté uma parad 8h da excessi- a incipalmen te assíduo e resi á de l t u s s q e à s o pr clien aste berto tornou botequeir içosa. era a ido o desg 2h da lorosa dos o do bar. V s s o r à o é a p v h n r e 6 e pa don am a. sd éb e 1 u pass local foi at viu o ma oje abre d a à segund é próprio o m e d a de is ele un- vo, h , de segund do Hildeu A troc f eu, po hã d l ar i H tar em r do man ama do B ara n p e a m c f u a fi a B A o o t en o d movim inauguraçã a bem próiz a l ção d ue se loca q , Leão

Foto: Laís Coletta 41


Para dar uma opinião mais especializada sobre o assunto, convidamos Jonnhie Lustoza, o editor chefe do site “Destino Cervejeiro”. No portal, ele descreve rotas turísticas essenciais a um bom freqüentador de bar em várias partes do país, e, como sua origem é em Viçosa, ele já havia escrito um post sobre o Bar do Hildeu, mais especificamente sobre a “melhor asinha de frango do mundo”. Jonnhie começou a escrever sobre este assunto quando

S

morou na Irlanda e lá documentava suas experiências em grandes cervejarias. Viajou muito pela Europa conhecendo o melhor da arte cervejeira e hoje alimenta o site com relatos de suas andanças pelo Brasil afora. Atualmente, ele mora em Belo Horizonte, porém não perdeu o contato com o Hildeu e é com muita satisfação que ele aceitou colaborar com nossa revista para contar de um ambiente que não é o mais sofisticado ou que vende a cerveja mais diferenciada, mas é um de seus lugares prediletos:

e existe um lugar que representa as várias facetas da cultura de Viçosa, esse lugar é o Bar do Hildeu, cujo dono é carinhosamente chamado de Hildeuzinho. E quando eu digo cultura, eu não quero me referir ao sentido amplo da palavra e sim ao que ela representa em termos de ser um reflexo das tradições, costumes e expressões sociais viçosenses. O bar é um ponto de encontro de várias camadas da sociedade da cidade, todos eles aglutinados ali discutindo o cotidiano, descontraindo com piadas e “conversas de boteco”, assistindo futebol com fair play, nesse lugar onde todos são amigos, ainda que só ali dentro, o que faz do Bar do Hildeu o santuário ideal para essas pessoas que não se encontrariam em outros lugares e em outras ocasiões, mas que ali se veem regularmente, quase que com hora marcada, numa frequência de dar inveja nos relacionamentos mais amáveis. Não existe ostentação com cervejas, vinhos, doses e pratos caros pois o lugar é um boteco, num sentido carinhoso da palavra. Lá todo mundo acaba sendo igual nesse aspecto. Se o sujeito é novo por lá e pede uma opinião a respeito do que comer, vai ouvir de todo mundo, entre várias indicações, que o bolinho de carne é sensacional e sem semelhantes na cidade. Eu, além do bolinho, indicaria a asinha de frango frita, que pra mim é a melhor do mundo, sem exageros, até porque eu faço questão de experimentar essa iguaria por onde passo em minhas andanças por aí afora. E não é que eu descobri um monte de gente que compartilha da minha opinião? Arrisco dizer que criei vários adeptos e seguidores da asinha de frango do bar, a melhor do mundo, que se fosse servida com uma certa “pompa” seria artigo de luxo nos melhores bistrôs do Brasil. O pai do Hildeuzinho, também Hildeu, foi quem começou tudo isso, mas hoje o Hildeu filho leva a responsabilidade de gerir um dos bares mais tradicionais de Viçosa. Se alguém comentar isso com ele, ele irá sorrir, agradecer e fazer alguma piada, o que é próprio dele. Talvez seja essa a essência que reúne tanta gente boa por ali, já que boas energias atraem boas energias, se propagando, juntando todos os elementos num ciclo transmitido dos “mais velhos de casa” para os novatos e por aí vai. Só conhecendo mesmo para saber... P

42


Paprika  
Paprika  

A Revista Páprika é um projeto experimental e trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFV. Ela busca retratar his...

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