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E SE? Possibilidades para a produção do espaço público cotidiano em Belo Horizonte


Monografia apresentada ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.


E SE? Possibilidades para a produção do espaço público cotidiano em Belo Horizonte

Belo Horizonte 2013

Taísa Teixeira Campos Orientadora: Margarete Maria de Araújo Silva


Não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS.


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Indicadores Questionamentos iniciais

Abrindo caminho – As Brechas

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Sobre a desnecessidade da arquitetura – Brecha 2

Sobre espaços sem subjetividade– Brecha 3

Sobrea apatia dos cidadãos– Brecha 4

Sobre o Projeto Lixo – Brecha 1

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Introdução

Sumário


Projetos que precisam de mão de obra

39 40

37 37 38

Referências

Conclusão

Tá, mas e a Prefeitura?

Projetos

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Projetos que precisam de material

Projetos que precisam de dinheiro

34 Inspire-se

30 32

Mapa do site

- Um arsenal de possibilidades

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Como?

Porque um ambiente virtual para a transformação de um ambiente cotidiano?

Alinhando Conceitos

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INTRODUÇÃO

A investigação que deu origem a essa monografia surgiu a partir de um questionamento sobre a formação de Arquitetos Urbanistas e o campo de atuação desse profissional. Para responder a esses questionamentos foi feita uma pesquisa sobre questões inerentes à produção do espaço público cotidiano de Belo Horizonte.

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Paralelamente ao desenvolvimento da pesquisa foi elaborado um web site – o (disponível em www. esebelohorizonte.wix.com/possibilidades). Enquanto a pesquisa teórica fomentava questões como o papel do Arquiteto, a utilidade da Arquitetura, suas transformações e a produção social do espaço, o site despontou como alternativa à essas questões e como forma de outras experimentações. Dessa forma o trabalho é composto por uma parte teórica e pelo web site. Devido às singularidades de cada formato (artigo e site), é importante ressaltar que, nem todo o conteúdo presente nesse artigo pode ser encontrado no site e vice versa. Apesar disso não prejudicar o entendimento, aconselha-se que ambos sejam acessados.

Figura 1: Associação entre parte teórica e web site. Fonte: Acervo pessoal da autora.


INDICADORES 9 Dado que nem todo o conteúdo do site pode ser encontrado no artigo, fez-se necessária a criação de alguns indicadores. Alguns dos símbolos abaixo apontam quando algum item citado no texto está presente na íntegra no site do . Os outros indicadores referem-se a comentários e referências.

“texto”

Conteúdo disponível na íntegra em www.esebelohorizonte.wix.com/ possibilidades

Referências

Comentários


QUESTINAMENTOS INICIAIS

Durante os anos de formação como Arquiteta Urbanista fui tomada por algumas inquietações que pareciam não incomodar a maioria dos meus colegas. Como diria Marcelo Lopes de Souza sobre a participação democrática, essas aflições surgiam em mim quase como uma crise de urticária. No meu caso isso acontecia quando eu refletia sobre o projeto lixo, desnecessidade da arquitetura, espaços sem subjetividade e apatia dos cidadãos. Explico. 10

Sobre o projeto lixo: ao visitar obras, canteiros ou ambientes onde o projeto estava sendo testado/executado eu via o trabalho do arquiteto (no caso o papel, o projeto) inutilizado. Eu percebia construtores sem saber interpretar os dados que estavam representados no papel e arquitetos que dedicavam horas e horas para produzir aquele papel, mas não tinham conhecimento de fato do que se passava no canteiro. Resultado: distanciamento entre projeto e canteiro, ou entre o pensar e o fazer (como ressalta Sérgio Ferro,1976, abordagem a ser desenvolvida adiante). Sobre a Desnecessidade da Arquitetura: 77% das construções não são acompanhadas por um profissional (Informativo Pini Web, 2013, online) e eu aqui pleiteando um título de Arquiteta Urbanista? Qual seria afinal a necessidade desse profissional para a existência dos espaços urbanos?

ou a desnecessidade?


Sobre os espaços sem subjetividade: atualmente, as intervenções no espaço público, quando não informais, são monopolizadas pelo Estado. Tratam-se, na maioria das vezes, de grandes intervenções que “obedecem à um ritmo de produção de exibicionismo urbano” (Berenstein, 2006). Ao percorrer essas intervenções, eu via um distanciamento entre o sujeito e o espaço, percebia ambientes criados para serem apenas observados e não usufruídos pelos cidadãos. Essas observações evidenciam um descompasso da relação entre a experiência individual do morador e a macro escala da cidade. Sobre a apatia dos cidadãos: eu testemunhava outras tantas pessoas desconfortáveis com a cidade e seus problemas. Ora, se as pessoas conseguiam identificar esses problemas, por que então não havia nenhum tipo de proposição para os mesmos? Percebi, durante a minha trajetória no curso de Arquitetura e Urbanismo, que adesão nem sempre é sinônimo de participação e que não bastava as pessoas terem conhecimento sobre um determinado problema, para que se dispusessem a fazer algo para resolvê-lo. Ao analisar essas aflições, percebi que as questões que me pareciam pontuais eram, na verdade, várias partes de uma totalidade - o modo operante da produção capitalista: .o que eu identificava como projeto lixo é, para Sérgio Ferro (1976), o projeto cumprindo sua função como ordem de serviço nos moldes capitalistas; -arquitetos produtores de papéis (projetos) estão desempenhando sua função de mantenedores da ordem através da perícia técnica (Santos, 2006); -espaços monopolizados e sem subjetividade seguem a ordem de produção das cidades segundo

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os modelos de cidade empresa e cidade mercadoria, como explica Carlos Vainer (2007); e -a apatia dos cidadãos (ou alienação) é peça fundamental para a manutenção da ordem capitalista.

ABRINDO CAMINHO AS BRECHAS

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Os capítulos que seguem tratam, mais detalhadamente, dessas partes que compõe a totalidade capitalista. Com essa abordagem não pretendo ressaltar o fardo desse modo corrente guiado pelo capital, mas essa crítica ajudou a cristalizar possíveis alternativas. Tenho consciência de que não é aqui o lugar de esmiuçar todo e cada conceito que venha a ser abordado (dada a complexidade dos mesmos), mas de relacionar o que outros autores já abordaram, com as possibilidades de atuação no espaço público cotidiano em Belo Horizonte. A cidade capitalista deixa às escuras elementos da vida cotidiana. O objetivo do trabalho é evidenciar alternativas, outras possibilidades muitas vezes deixadas de lado. Para alcançar essas possibilidades tornadas invisíveis pelo capitalismo, é preciso descobrir as lacunas, as contradições geradas pelo mesmo. Os capítulos subsequentes apontam para essas falhas, para as brechas do sistema a partir das quais a transformação é possível. Ward (1990) aponta que é necessário saber usar a estrutura vigente em favor das práticas transformadoras do cotidiano. “Para ele, é possível inserir nos


meios dominantes propostas que sirvam aos propósitos anarquistas de autogestão e para isso, deve-se explorar brechas na estrutura política existente” (Milagres, 2011, p 101). Transcrevendo Marcelo Lopes de Souza: “contradições e conflitos, se bem explorados, podem conduzir a situações bem diferentes de um simples reforço da dominação, perpetuamente renovado por parte do Estado” (Souza, 2003, p.29). Passemos então a desvelar essas brechas, abrindo caminho para novas situações.

SOBRE O PROJETO LIXO BRECHA 1 13 Em visitas a canteiros de obras, eu via projetos de arquitetos sendo jogados no lixo enquanto se discutiam soluções arquitetônicas no chão com um pedaço de tijolo. E se engana o leitor que pensou que, nessas situações, quem riscava qualquer coisa no chão era o arquiteto: o que eu via eram os pedreiros e mestres de obra dando aulas sobre paginação de piso, instalações elétricas, fundações etc. Conforme explica Silke Kapp (2005) a ideia de que toda construção deva ser precedida de projetos técnicos é relativamente recente na cultura ocidental. Mesmo depois do Renascimento, quando surge a figura de um arquiteto que concebe e desenha o que será realizado no canteiro e que entende seu próprio trabalho como atividade intelectual, superior ao trabalho braçal de construção, a maior parte do


espaço humano continua sendo produzida sem esse conhecimento especializado. O projeto é considerado um instrumento pertinente a objetos excepcionais, extraordinários, mas não a ambientes e construções comuns ou, nesse sentido, ordinários. (Kapp, 2005, p.1).

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Fui apresentada ao “O Canteiro e o Desenho”, de Sérgio Ferro, publicado em 1976 que questiona sobre o papel supostamente progressista do desenho e, portanto, a ação projetual em arquitetura. Sérgio Ferro, juntamente com Flávio Império e Rodrigo Lefèvre entendiam que o distanciamento entre o pensar e o fazer era o que mantinha a divisão social do trabalho. Desse modo, concentraram-se em analisar o processo socioeconômico em que a cidade é produzida como forma de combate e transformação das estruturas sociais. O que predomina nesse afastamento entre produção intelectual (projeto) e execução (obra), é a noção de perícia técnica, ou seja, a perpetuação da divisão social do trabalho. Essa noção, que rege a cadeia produtiva da construção civil, baseada na dominação do modo de produção, fundamenta e legitima a profissão e a atuação do arquiteto (Santos, 2006).

Essa me parecia a primeira contradição encontrada no sistema capitalista, ou melhor, a primeira brecha deixada pelo sistema capitalista. Afinal, os espaços cotidianos, ou espaços ordinários, para merecerem a designação de arquitetura, deveriam ser legitimados por um projeto?

Figura 2: Os arquitetos são peças fundamentais para a construção da cidade? Fonte: Acervo pessoal da autora


SOBRE A DESNECESSIDADE DA ARQUITETURA BRECHA 2 Há um verbete de Quattremère de Quincy na Encyclopédie Méthodique, publicada em Paris em 1778, que discorre sobre a utilidade e a necessidade da arquitetura. Transcorro aqui um fragmento desse texto para darmos início à discussão: Entre todas as artes, estas filhas do prazer e da necessidade, (...), não se pode negar que a arquitetura ocupa um papel destacado. Considerada unicamente a partir do ponto de vista da utilidade, a arquitetura é superior a todas as artes. Ela provê a salubridade das cidades, cuida da saúde das pessoas, protege suas propriedades, e trabalha apenas em favor da segurança, da tranquilidade e do bom ordenamento da vida civil. (Quincy, 1778). Mais de dois séculos depois, parte da Academia, responsável pela formação de novos profissionais, ainda insiste nesse discurso. Mas será mesmo a arquitetura tão útil assim? Ou ainda, seriam os arquitetos peças fundamentais para a construção da cidade?

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Por um lado temos uma resposta negativa: não, os arquitetos não são peças fundamentais para a construção da cidade. A foto abaixo e o dado que aponta que 77% da produção habitacional não é acompanhada por um profissional (Informativo Pini Web, 2013, online) ajudam a reforçar esse pensamento: Figura 3: “ O bairro é de quem o habita e não dos patrões e seus arquitetos” Fonte: Ana Beatriz Beraldo, Torino, 2012.

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Por outro lado tem-se uma resposta positiva à questão: sim, os arquitetos são peças fundamentais para a construção da cidade. Afinal, são esses arquitetos que se prestam a manutenção do poder e da ordem capitalista calcados no argumento do controle técnico e da presunçosa produção da cidade. Através de uma breve análise desses argumentos é possível perceber essa suposta superioridade técnica e como ela ajuda para a manutenção do poder do profissional da arquitetura. O trecho destaca as atribuições do Arquiteto (Artigo 2º da lei No 12.378, de 31 de dezembro de 2010):


I - supervisão, coordenação, gestão e orientação técnica; II - coleta de dados, estudo, planejamento, projeto e especificação; III - estudo de viabilidade técnica e ambiental; IV - assistência técnica, assessoria e consultoria; V - direção de obras e de serviço técnico; VI - vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, auditoria e arbitragem; VII - desempenho de cargo e função técnica; VIII - treinamento, ensino, pesquisa e extensão universitária; IX - desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, padronização, mensuração e controle de qualidade; X - elaboração de orçamento; XI - produção e divulgação técnica especializada; e XII - execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico. Como destacado no trecho acima, das doze atribuições, sete apresentam as funções técnicas do Arquiteto, mas não é preciso um olhar delongado sobre a cidade para perceber as contradições e a hipocrisia desse discurso e a realidade das cidades brasileiras. Afinal, quão boa é a produção técnica dessa cidade que, a cada ano, vivencia inúmeros problemas causados pelas chuvas?

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Figura 4: Enchente do Arrudas na Av. Tereza Cristina na virada do ano 2008/2009. Fonte: http://www. em.com.br, acesso em Março de 2013. Ou ainda, que arquitetura é essa que “protege a propriedade das pessoas” (Quincy, 1778), mas deixa tanta gente desabrigada para a construção de obras espetaculares que serão subutilizadas?

Figura 5: Ato público na cidade de Belo Horizonte contra os estádios da Copa. Fonte: http:// luaracolpa.blogspot. com.br, acesso em Março de 2013.

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E mais, que técnica é essa que coloca a vida das pessoas em risco?

Figura 6: Construção do “Minha casa, minha vida” em Niterói, antes de ser entregue. Fonte: http://www. opovoquersaber. com, acesso em Abril de 2013.


SOBRE ESPAÇOS SEM SUBJETIVIDADE BRECHA 3 A crítica da vida cotidiana feita por Henri Lefebvre em meados do século XX é conveniente para iniciarmos discussão da produção do espaço (sem subjetividade) público: A vida cotidiana se define como lugar social [...] desdenhado e decisivo, que aparece sob um duplo aspecto: é resíduo (de todas as atividades determinadas e parcelares que podemos considerar e abstrair da prática social) e o produto do conjunto social. Lugar de equilíbrio, é também o lugar em que se manifestam os desequilíbrios ameaçadores.(Lefebvre, 1991, p.39) Quando esse produto do conjunto social torna-se homogeneizado (via ações do sistema capitalista), as pessoas não podem mais viver sua cotidianidade e a cidade, que a princípio deveria ser o lugar do convívio e da sociabilidade, transforma-se em um ambiente sem subjetividade. Valho-me da analogia da casa tomada, utilizada por Botelho (2007). No conto A casa Tomada de Julio Cortazar (1945) os moradores se recolhem a espaços cada vez menores para se resguardarem das contínuas ameaças. Conforme explicita Botelho (2007), essa seria a metáfora de uma realidade espacial fragmentada, homogeneizada e hierarquizada. Nela “os habitantes não são somente expulsos das suas áreas mais valorizadas, mas sim da própria cidade” (Botelho, 2007), isso porque a cidade não é apenas o lugar da moradia, mas sim da espacialização do nosso modelo

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econômico e político, e que postula o modo de vida dos habitantes.

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Nos gustaba la casa porque aparte de espaciosa y antigua (hoy que las casas antiguas sucumbem a la mas vantajosa liquidación de sus materiales) guardaba los recuerdos de nuestros bisabuelos, el abuelo paterno, nuestros padres y toda la infância (...) Lo recordarè siempre con claridade porque fue simple y sin circunstancias inútiles. Irene estaba tejiendo en su dormitório, eran las ocho de la noche y de repente se me ocurrió poner al fuego la pavita del mate. Fui por el pasillo hasta enfrentar la entornada puerta de roble, y dabla la vuelta al codo que llevaba a la cocina cuando escuché algo en el comedor o en la biblioteca. El sonido vênia impreciso y sordo, como un volcarse de silla sobre la alfombra o un ahogado sussurro de conversación. También lo oí, al mismo tempo o un segundo después, en el fondo del pastillo que traía desde aquellas piezas hasta la puerta. Me tire contra la pared ante de fuera demasiado tarde, la cerre de golpe apoyando el cuerpo; felizmente la llave estaba puesta de nuestro lado y además corrí el gran cerrojoo para más seguridade. Fui a la cocina, calleté la pavita, y cuando estuve de vuelta con la bandeja de mate le dije a Irene: -Tuve que cerrar la puerta de pasillo. Han tomado parte del fondo. Dejó caer el tejido y me miró con sus graves ojos cansados. -¿Estás seguro? Asentí. -Entonces – dijo recogiendo las agujas- tendremos que vivir en este lado. (Casa tomada, Julio Cortazar, 1945) Reflexo de uma cultura funcionalista e aos moldes do capital, a cidade “oscila entre a representação de um vazio, quase geométrico, tão somente ocupado pelos conceitos, pelas lógicas e estratégias”(Lefebvre, 1999, p. 141). Nessa cidade tomada é fácil identificar os conceitos (gentrificação, assepsia urbana etc.), as

Segundo Carlos Vainer no Seminário Nacional Prevenção e Mediação de Conflitos Fundiários Urbanos e promovido pelo Programa Nacional de Capacitação das Cidades /Conselho Nacional das Cidades/Ministério das Cidades. Organizado pelo GT Conflitos Fundiários Urbanos em Salvador, 2007 é possível estabelecer três lógicas simultâneas e complementares no que concerne ao planejamento estratégico: - A cidade é uma mercadoria, a ser vendida num mercado competitivo de localizações, em que os clientes seriam capitalistas, em primeiro lugar, mas também turistas e indivíduos que escolhem onde investir, passear, viver. Para isso se desenvolvem as técnicas do marketing urbano, direta e abertamente decalcadas do marketing tout court. - A cidade é uma empresa, em confronto (competição) com outras cidades-em1


presas, para imporse no mercado de cidades (mercado de localizações). Daí a necessidade de estratégias competitivas, de uma direção empresarial (o prefeito empreendedor), uma flexibilidade que é estranha ao setor público e indispensável ao negócio privado, entre outras características. Assim, por exemplo, Castells e Borja, dois teóricos do modelo, escrevem: “As formas de gestão e de contratação devem [...] responder a critérios de eficiência econômica e eficácia social e não de controle político ou burocrático” (Castells & Borja, 1996, p. 159 – ênfase do autor). A cidade é uma pátria, pensada como tal, o que pressupõe a necessidade de fomentar e consolidar o que autores catalães, e seus epígonos, chamam de “patriotismo cívico” ou “patriotismo de cidade. Nesta cidade, as confrontações, os conflitos e as lutas intestinas

lógicas (capitalista, lucro global etc.) e as estratégias (monopólio estatal, subordinação da vida espontânea a imposições da economia globalizada etc.) ponderadas por Lefebvre e que, normalmente, reduzem a construção do ambiente urbano a um código hegemônico, destituindo-o de subjetividade. Carlos Vainer (2007) e Paola Berenstein (2004) discorreram sobre o mesmo assunto (da imposição de um modelo hegemônico que rege as cidades), mas com enfoques diferentes: Vainer é categórico ao falar da ditadura do capital na cidade em que prevalece o ritmo empresarial propagando, desta forma, um potencial despolitizador e antidemocrático. Conforme Vainer, “se a democracia é a legitimação do dissenso, e, mais que isso, se é o regime que reconhece e valoriza o potencial criativo e inovador do dissenso, a cidade-empresa é a cidade antidemocrática, autoritária1” (Vainer, 2007, p. 3). Berenstein, em uma abordagem quase poética, assume o discurso a partir da ótica da apropriação corporal. Segundo a autora, na cidade homogeneizada, “a redução da ação urbana, ou seja, o empobrecimento da experiência urbana pelo espetáculo leva a uma perda da corporeidade, os espaços urbanos se tornam simples cenários, sem corpo, espaços desencarnados” (Berenstein, 2004, p.2). Exemplos desse totalitarismo e de espaços desencarnados são as chamadas revitalizações urbanas que não trazem nenhum vigor ao ambiente urbano. Essas ações silenciadoras e pacificadoras constituem-se na verdade como obstáculo ao encontro e à reunião de pessoas, servindo apenas ao exibicionismo cultural urbano (também sustentado pela lógica do mercado globalizado). Essas novas espacialidades, constituídas com uma suposta neutralidade,

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anulam qualquer riqueza da vida cotidiana abrigada nas subjetividades.

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são vistas como uma ameaça à luta – da pátria urbana – com outras cidades. A guerra civil é uma ameaça que paira, permanente, sobre a competitividade da cidade: uma cidade conflagrada internamente está fadada à derrota. O argumento é conhecido: como poderemos competir e vencer outras cidades se vamos divididos ao campo de batalha.

Figura 7: Projeto do maior arranha-céu da América Latina proposto para Belo Horizonte. Fonte: http://www. em.com.br, acesso em Abril de 2013

Figura 8: Cidade “Admirativa”, sede administrativa do governo de Minas Gerais. Fonte: http://www. noticias.uol.com.br, acesso em Abril de 2013.


Como retomar então a subjetividade de um ambiente coletivo moldado por práticas hegemônicas?

SOBRE A APATIA DOS CIDADÃOS BRECHA 4

Essa apatia em relação ao espaço pode ser identificada nos exemplos abaixo. Ambos são espaços virtuais criados para motivar proposições acerca do espaço: - o primeiro deriva de um trabalho realizado em 2012 sobre o Prédio 47, edifício que sedia o curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas: Figura 9: Facebook Prédio 47 – Trabalho desenvolvido por Ana Beatriz Beraldo, Cláudia Camargos, Laís Grossi, Rúbia Nascimento e Taísa Campos. Fonte: Acervo pessoal da autora.

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- o segundo, na Rua Nicarágua, advém da pesquisa de Ligia Milagres: Figura 10: Blog de discussão sobre a Rua Nicarágua Fonte: http:// ruanicaragua. blogspot.com, acesso em abril de 2013.

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Os dois trabalhos exemplificados tinham como objetivo motivar reflexões e proposições dos usuários daqueles espaços contudo, em nenhum deles, houve o resultado esperado. Foi possível observar que os usuários dos espaços em questão não são indiferentes ao ambiente (dada as postagens no Blog e “curtidas” no Facebook), porém isso não foi suficiente para gerar algum tipo de proposição mostrando que, adesão nem sempre é sinônimo de participação. A alienação em relação ao espaço cotidiano pode ser considerada uma das barreiras para a transformação. Segundo Karl Marx (2004 [1844]), a alienação (em relação aos meios de produção, à natureza externa, à sua espécie e à sua própria natureza interna) promove a reificação do mundo tornando-o objetivo, sendo que suas regras devem ser seguidas passivamente. A alienação é o alicerce do sistema capitalista, manter essa apatia, essa a alienação, é manter a ordem capitalista. Dentro do contexto desse trabalho cabenos discutir, como o espaço está inserido nessa conjuntura:


A reprodução (das relações de produção, não só dos meios de produção) está localizada não somente na sociedade como um todo, mas no espaço como um todo. O espaço, ocupado pelo neocapitalismo, seccionado, reduzido à homogeneidade ainda que fragmentada, torna-se a sede do poder. (Lefebvre, 1973, p.83) Ao retomar o raciocínio de Marx, Lefebvre aponta que o problema do capitalismo não é oriundo somente das relações de produção, mas da reprodução dessas relações (Lefebvre, 1973). Isso nos ajuda a compreender como o espaço é também uma ferramenta de alienação, uma vez que o capitalismo se reproduz ocupando e produzindo o espaço. Se as relações de produção se reproduzem por meio do espaço, é pertinente pensar que alterações na produção desse espaço são capazes de transformar as relações sociais. 25

ALINHANDO CONCEITOS

Expostas as brechas, é preciso saber como explorá-las no campo da Arquitetura e do Urbanismo. Ficou evidente que os modelos de atuação profissional para os quais os arquitetos são formados perpetuam a representação do poder. Portanto, para não nos submetermos a essa lógica é preciso buscar subsídios em uma outra noção de arquitetura que não coincide com o entendimento tradicional. Me alinho com as defesas de Silke Kapp (2009) e Marcos Rosa (2011) para esboçar uma alternativa a esse modo de atuação. Transcrevo abaixo o que os autores enten-


dem como Arquitetura, papel do arquiteto e campo de atuação. Arquitetura: Proponho que se entenda por arquitetura todo espaço modificado pelo trabalho humano. Essa definição exclui paisagens naturais ou cavernas intocadas e inclui quaisquer paisagens artificiais e construções de toda espécie, sejam elas precedidas por projetos ou não, sejam concebidas por profissionais especializados ou não. Em princípio, não cabe aqui nenhuma distinção entre arquitetura e construção, nem tampouco entre as escalas de edifícios, cidades e paisagens. O espaço modificado pelo trabalho humano – a arquitetura, portanto – é gerado por processos sociais e é meio em que relações sociais são criadas (Kapp, 2005, p. 115).

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Papel do Arquiteto: Se de fato a questão for, como diz Lefebvre, tornar o espaço propício a relações livres de constrangimentos, esse papel não mais consiste em desenhar objetos arquitetônicos ou urbanísticos, mas em produzir interfaces. O arquiteto pode dar um passo atrás e, em lugar de predeterminar espaços, criar instrumentos para que usuários e construtores possam determinálos, eles próprios ( Kapp, 2009, p. 99). Campo de Atuação: Se definirmos o arquitetônico como um espaço aberto à intervenção e, se entendemos o arquiteto como todo aquele que age em seu ambiente, apontamos para a possibilidade de uma outra investigação da cidade e para outra forma de se planejar o urbano. Aceitamos a cidade real, como um produto de decisões políticas, projetos e vontades coletivas e pessoais e acreditamos existir nessa cidade enorme potencial para reorganização, rearticulação e recodificação (Rosa, 2011, p 20).


Em resposta aos questionamentos supracitados vislumbrei um web site que possa se configurar como um campo de ações e articulações em que o pensamento coletivo operaria como força criativa para os possíveis arranjos da cidade. Surgiu então o .................,uma plataforma online que viabiliza pequenas apropriações que vão de encontro à lógica corrente da produção do espaço público e não reduzem os mecanismos que estão em jogo na construção da cidade a um único programa. A plataforma proposta é uma ferramenta que propicia o saber distribuído – explora lacunas na legislação para atuação sobre o espaço cotidiano; mapeia e expõe ações autônomas; recebe propostas de intervenção dos cidadãos e possibilita a obtenção de recursos financeiros, materiais ou pessoais. O .............. está inserido nas brechas deixadas pelo sistema capitalista e visa favorecer outras formas de organização social através de ações propositivas na cidade de Belo Horizonte. O nome é uma provocação aos cidadãos que, normalmente, delegam a responsabilidade de produção do espaço ao Estado/ Poder público. E se houvesse outra possibilidade? E se eu pudesse transformar o ambiente em que vivo? Sem utopias grandiosas, o web site pode expressar uma variedade de consciência social crítica (através do saber distribuído) capaz de dizer “não” e moverse contra o status quo. Alguns dirão que falta clareza

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nessas possibilidades de transformação, dirão que mais do que se questionar sobre um “e se” o que deveria ser questionado é o “e depois”, referindo-se aos valores que permanecem no cotidiano. Em princípio isso pode parecer um problema, mas eu prefiro encarar como virtude. Afinal, para que novas propostas apareçam, ou seja, para que se amplie o espectro de possibilidades, é necessário que saibamos quais são os verdadeiros problemas. Em outras palavras, o “e se” só é possível quando nos perguntamos o “por que” e esse “porque” é o primeiro passo para a transformação do “depois”.

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POR QUE UM AMBIENTE VIRTUAL PARA A TRANSFORMAÇÃO DO AMBIENTE COTIDIANO? Se as relações de produção se reproduzem por meio do espaço [...], alterações na produção do espaço transformam estruturalmente as relações da sociedade, já que a produção do espaço é um dos seus aspectos estruturantes. (Milagres, 2011, p, 22). Conforme aponta Milagres (2011), pode-se inferir que as relações sociais são a chave de contraposição à imobilização e à apatia. A partir de uma análise sobre os escritos de Lefebvre, percebe-se que para transformação social é preciso passar pela produção do espaço. Mas afinal, não seria um site – um elemento do espaço virtual – uma ferramenta para um outro tipo de alienação? A questão aqui discutida é: como e por que um ambiente virtual seria capaz de transformar um ambiente real?


Segundo as bases teóricas já explicitadas, a transformação do cotidiano se dá pela transformação do espaço e vice versa: “a transformação da totalidade passa pela transformação do cotidiano, já que ele é a base sólida sobre a qual a estrutura foi construída (Lefebvre apud Milagres, 2011, p.31). Contudo, são emergentes novas relações entre espaço e cotidiano e que devem ser pontuadas: é notória a onipresença tecnológica – fluxo de informações, tecnologias, novos produtos – como fator de transformação do próprio cotidiano. Harvey (1996) destaca as ondas de inovação que têm transformado o mundo desde o Século XVI. Em uma abordagem histórica, o autor assinala alterações que significaram mudanças radicais na maneira de organizar o espaço, deixando, portanto, marcas muito distintas no palimpsesto urbano (os canais e pontes do início do século XIX; a estrada de ferro, o navio a vapor e o telégrafo dos meados do mesmo século; o automóvel, o rádio e o telefone do início do século XX; e a recente revolução em telecomunicações). Essa revolução tecnológica que vivemos configura-se como nova força de produção espacial e deve ser incorporada ao cotidiano para transformação e compreensão do mesmo. E é nesse contexto que está inserido o site proposto. Não se nega, na discussão dos espaços virtuais, um fator despolitizador e que favorece a alienação dos usuários (muitos que permanecem sentados, diante seus computadores e universos virtuais), mas é preciso evidenciar as “potencialidades que se abrem a partir de experimentações que são possíveis apenas com a engenhosidade da produção computacional” (Costa, 2007, p. 16). Percebe-se no ambiente virtual uma relação dicotô-

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mica com o cotidiano: se por um lado a alienação é reforçada fazendo com que as pessoas não tenham consciência sobre o próprio espaço e permaneçam com a ideia ilusória de revolucionários, por outro é possível chamar a atenção de olhares, até então perdidos, para que possam redescobrir o espaço. Cabe ao homem conseguir fragmentos de pausas no cotidiano, modos de atentar-se de quando em quando para experimentar o corpo no espaço, a fim de re-sensibilizar o primeiro em relação ao segundo. (Costa, 2007, p. 13).

COMO?

30 Retomando a ideia de que adesão nem sempre é sinônimo de participação e que não bastaria fazer com que as pessoas tomassem conhecimento do site para que houvesse, de fato, uma contribuição para a transformação do cotidiano, surge uma outra questão antagônica: se dentre as potencialidades do ambiente virtual está a possibilidade de mobilização, mas isso não exprime uma contribuição efetiva para transformação, como o site poderia funcionar? Considerando a tomada de consciência dos problemas e da situação por parte dos indivíduos como substrato para a transformação e, englobando o poder de decisão e ação dos indivíduos e grupos para a produção do espaço, é possível chegar a uma resposta ao questionamento supracitado. Em Entre o Quintal e o Parque, Milagres (2011) aponta de maneira resumida e esquemática, um quadro com pos-

de sofá


síveis ações para essa retomada do poder.

Figura 11: Rede de produção coletiva Fonte: Entre o quintal e o parque, 2011, p. 106

O que se propõe é a associação dos elementos desse quadro ao ambiente virtual, onde o mais importante não deve ser o resultado final e sim o processo de investigação. Não se trata de delimitar um caminho certeiro em relação ao problema e, menos ainda, um consenso sobre o tema, mas a medida que se abrem novas possibilidades é preciso pensar em novas experimentações. O site proposto pode ser visto como uma “alternativa política e econômica que emerge fora do escopo de ações desencadeadas pelo Estado, com regras próprias, e que pode se articular em certos momentos com instâncias do poder público, sem que dependam delas” (Milagres, 2011, p, 102). Trata-se, portanto, de uma ferramenta que viabiliza a colaboração entre indivíduos e permite o pensamento coletivo e a discussão de maneira horizontal e descentralizada sobre outras possibilidades para a cidade. Essas ferramentas, através da internet, facilitariam o acesso à informação potencializando práticas urbanas cola-

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borativas (Milagres, 2011). Tais ferramentas assemelham-se ao que Ivan Illich (1978) chamou de ferramentas de convivialidade: aquelas disponíveis para serem manipuladas, usadas e transformadas por qualquer pessoa, não admitindo exclusividade e configurando-se como o avesso das estruturas determinadoras e heterônomas que guiam as relações humanas e desconsideram a criatividade coletiva.

UM ARSENAL DE POSSIBILIDADES

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Ao relacionar o quadro de Milagres (2011) ao ambiente virtual concebido obtem-se um novo contexto para a transformação (ver fig. 12). Foi feita a associação entre alguns dos elementos identificados por Milagres (2011) como catalisadores de produção coletiva e as ferramentas aplicadas no ambiente virtual do .......... .... erigindo, dessa forma, um arsenal de procedimentos em relação às possibilidades de articulação para transformação do espaço. A coleção desses procedimentos e a comunicação entre essas experiências numa espécie de rede serviria para mostrar que existe um espectro amplo de ação que não depende do poder público, aumentando as condições para a produção coletiva e autônoma dos espaços públicos cotidianos. (Milagres, 2011, p.105).


Figura 12: Rede de produção coletiva associada ao ambiente virtual do E SE? Fonte: Acervo pessoal da autora

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MAPA DO SITE Figura 13: Mapa do site Fonte: Acervo pessoal da autora

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Pode-se dizer que Home e Inspire-se estão associados à primeira parte do quadro da página 33 e são os elementos responsáveis por subsidiar as relações entre os usuários e o web site. Projetos; Tá, mas e a prefeitura?; e Saiba Mais estão associados à segunda parte da tabela, sendo entendidos como o saber a ser distribuído através das ferramentas.

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Figura 14: Interface do web site proposto Fonte: Acervo pessoal da autora


INSPIRE-SE

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A primeira ferramenta consiste no mapeamento e na exibição de ações autônomas em Belo Horizonte. Essa ferramenta, nomeada Inspire-se, está associada ao trabalho cartográfico de Resistências Urbanas proposto por Oliveira (2013). Acredita-se que com a exposição de outras experiências de produção social do espaço seja possível alimentar um ciclo criativo e influenciar novas pessoas para novas possibilidades e assim por diante. O instrumento supracitado permite ao usuário cartografar especificidades que não constam na representação oficial de Belo Horizonte. O mapeamento consiste em dar visibilidade a dinâmicas não homogeneizadas de produção da cidade e configura-se como uma retomada simbólica do espaço urbano a partir de novas proposições (Oliveira, 2013, disponível em resistenciasurbanasbh.crowdmap.com, 2013, online).


PROJETOS

A proposta inicial do .............. consistia na elaboração de um site de financiamento coletivo voltado para práticas urbanas. A ideia era arrecadar dinheiro para viabilizar pequenas intervenções no espaço público. Contudo, a pesquisa teórica cristalizou mais uma contradição: um site que é o desdobramento de uma crítica ao modo de produção capitalista e suas consequências, mas que se submete ao próprio capital para a realização de projetos.

Surgiu então a ideia de hospedar no site do .. ............. projetos cujas necessidades iam além da questão financeira. Foram criadas três categorias para submissão de projetos – Projetos que precisam de dinheiro; Projetos que precisam de material e Projetos que precisam de mão de obra. As três categorias estão descritas a seguir.

Projetos que precisam de dinheiro Nessa categoria é possível cadastrar projetos para a arrecadação de fundos. O processo de financiamento coletivo, viabilizado pela internet, funciona da seguinte forma - uma plataforma de crowdfunding (ou financiamento coletivo) recebe os projetos para

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serem financiados; o idealizador (cidadão e usuário do site) de cada projeto define o orçamento necessário e o prazo de arrecadação. A partir daí o projeto vai para o voto popular e, quem se identificar com a causa, faz sua doação. Nessa etapa é tudo ou nada: se até o fim do prazo estipulado o valor pré-determinado for alcançado, o idealizador recebe o dinheiro e pode concretizar a sua ideia; caso contrário, se apenas parte da meta financeira for alcançada, o dinheiro é devolvido.

Projetos que precisam de material

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Para viabilizar algumas alterações espaciais nem sempre o elemento transformador é o dinheiro e sim o material. Da mesma forma, podem existir pessoas interessadas nessas transformações que não podem dar contribuições financeiras, mas podem colaborar com a doação de material (sejam ferramentas, elementos construtivos, resíduos em potencial etc.). Para cadastrar um projeto nessa categoria é preciso relacionar os materiais necessários e quantificá-los mas, nesse caso, a lógica de arrecadação é diferenciada. Ao contrário dos Projetos que precisam de dinheiro em que, caso a meta estipulada não seja alcançada, o dinheiro é devolvido, nessa categoria é preciso estabelecer um plano de ação que varia de acordo com o que for arrecadado. Ou seja, mesmo estipulando uma meta x de material a ser arrecadado deve haver uma flexibilidade de atuação caso seja arrecadado somente x/2, ou x/3, ou x/4 etc.


Projetos que precisam de mão de obra Nada melhor para a construção do espaço do que favorecer as relações sociais e potencializar ligações transformadoras através da internet. Com a ferramenta Projetos que precisam de mão de obra é possível mobilizar pessoas seja para construção de determinada obra, seja para outros tipos de intervenções espaciais, como apropriações temporárias, eventos e manifestações. Ao submeter um projeto, o idealizador deve estabelecer uma data, local e atividades a serem desenvolvidas. A quantidade de pessoas envolvidas varia de acordo com cada evento (podendo ou não limitar essa quantidade) e com o potencial agregador dos idealizadores.

TÁ, MAS E A PREFEITURA? Essa ferramenta fornece ao cidadão informação sobre procedimentos e articulações legais e institucionais que podem ajudar na elaboração e manutenção das práticas com potencial transformador. Não se trata de infringir regras, mas de saber como lidar com uma legislação que não tem especificações sobre ações micro-locais. O usuário poderá encontrar dicas que facilitem a relação da ação proposta com o poder público.

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CONCLUSÃO

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O trabalho desenvolveu-se através da investigação de novas articulações sociais que possam viabilizar a produção coletiva do espaço. Nesse exercício crítico a que me propus, descobri que, assim como fazemos com os projetos, para fechar essa etapa de trabalho temos que dar o texto por encerrado, embora o assunto não se encerre. Por esse motivo, é árdua a tarefa de concluir uma pesquisa que terá seus desdobramentos. O que se apresentou até então, foi uma das etapas do trabalho, ou melhor, a primeira etapa do trabalho. Valho-me do argumento supracitado no texto de que o mais importante não é o resultado e sim o processo de investigação, ciente de que o .......... .... proporcionará um processo de investigação contínuo, dado o seu cunho experimental.


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Diagramando tatá