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Um ano após acriação do CARno Jamor, João Cunhae Silvaanalisao trabalho que tem sido desenvolvido – insistindo nacriação de umamentalidade de ambição naformação de jovens com aspirações asingrarem no circuito profissional. E assume que aúnicapressão que sente é adasuaprópriaresponsabilidade.

No final de 2007, Michelle Larcher de Brito e Gastão Elias estavam na linha da frente do ténis juvenil mundial e conquistavam os importantes títulos do Orange Bowl e do Eddie Herr International. Cerca de três anos volvidos, com falta de confiança e lesões à mistura, os dois namorados tentam libertar-se do impasse em que se encontram as respetivas carreiras.

PRÓXIMA EDIÇÃO 15 de outubro PUBLICIDADE

FERNANDO CORREIA

Este número do Jornal do Ténis/Record faz parte integrante do n.º 11.496 de 1 de outubro 2010 e não pode ser vendido separadamente

TaçaDavis SeleçãosofreunoJamor–mas bateurecordehistóricocom umaquartavitóriaconsecutiva quevaleuasubidadedivisão

FERNANDO CORREIA

Dosonhoaoatualpurgatório docasal“luso-americano”

FERNANDO CORREIA

CunhaeSilvafazbalançoao CentrodeAltoRendimento


02

Sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Match-point

TÉNISNATV

JOÃO LAGOS

1/10 2/10 4/10 5/10 6/10 7/10 8/10

9:00h-12:00h 9:00h-11:05h 8:00h-14:15h 8:00h-14:15h 8:00h-14:15h 8:00h-14:15h 7:30h-14:15h 16:00h-18:00h 23:00h-0:30h 8:00h-12:00h 15:30h-17:00h 12:30h-14:30h 12:15h-13:30h 13:00h-18:45h 13:00h-18:45h 23:45h-0:30h 13:00h-20:45h 23:15h-0:30h 7:35h-9:00h 11:00h-13:00h 13:00h-14:45h 17:30h-18:30h 15:00h-16:30h

WTA Tour Tóquio – ½ Finais WTA Tour Tóquio – Final WTA Tour Pequim – 1º Dia WTA Tour Pequim – 2º Dia WTA Tour Pequim – 3º Dia WTA Tour Pequim – 1/8 Final WTA Tour Pequim – ¼ Final WTA Tour Pequim – ¼ Final WTA Tour Pequim – ¼ Final WTA Tour Pequim – ½ Finais WTA Tour Pequim – ½ Finais WTA Tour Pequim – Final WTA Tour Pequim – Final WTA Tour Linz – 3º Dia WTA Tour Linz – 1/8 Final WTA Tour Linz – 1/8 Final WTA Tour Linz – ¼ Final WTA Tour Linz – ¼ Final WTA Tour Linz – ¼ Final WTA Tour Linz – ¼ Final WTA Tour Linz – ½ Finais WTA Tour Linz – ½ Finais WTA Tour Linz – Final

8:00h-11:30h 1:00h-1:30h 7:30h-11:00h 4:00h-6:00h 18:00h-19:50h 7:00h-15:00h 7:00h-15:00h 7:00h-15:00h 7:00h-15:00h 23:00h-1:00h 7:00h-10:00h 10:00h-10:30h 11:00h-15:00h

ATP 500 Pequim – 1/8 Final ATP Champions Tour Bélgica – Resumo ATP 500 Pequim – ¼ Final ATP 500 Tóquio – ½ Finais ATP 500 Pequim – Final ATP 1000 Xangai – 1ª Ronda ATP 1000 Xangai – 1ª e 2ª Ronda ATP 1000 Xangai – 2ª Ronda ATP 1000 Xangai – 1/8 Final ATP 1000 Xangai – Melhor Encontro do Dia ATP 1000 Xangai – ¼ Final ATP World Tour Uncovered ATP 1000 Xangai – ¼ Final

19:00h-19:30h 22:00h-22:30h 12:30h-14:30h 14:30h-16:30h 16:30h-17:00h 12:30h-14:30h 14:30h-16:30h 16:30h-17:00h 6:00h-7:30h 7:30h-9:30h 12:30h-14:30h 19:50h-21:30h 21:30h-23:20h 23:00h-1:00h 16:00h-17:40h 17:40h-18:40h 16:20h-18:00h 18:00h-19:00h 0:40h-1:10h 18:30h-19:00h 20:40h-21:40h 21:50h-22:50h 9:30h-11:30h 23:50h-2:00h 9:00h-9:30h 9:30h-11:30h

ATP Champions Tour Bélgica – Resumo ATP World Tour Uncovered ATP 500 Pequim – 1/8 Final ATP 500 Tóquio – 1/8 Final ATP World Tour Uncovered ATP 500 Pequim – ¼ Final ATP 500 Tóquio – ¼ Final ATP Champions Tour Bélgica – Resumo ATP 500 Tóquio – ½ Finais ATP 500 Pequim – ½ Finais ATP 500 Pequim – ½ Finais ATP 500 Tóquio – ½ Finais ATP500 Pequim – ½ Finais ATP 500 Pequim – Final ATP 1000 Xangai – 1ª Ronda ATP 500 Tóquio – Resumo ATP 1000 Xangai – 2ª Ronda ATP 500 Pequim – Resumo ATP World Tour Uncovered ATP World Tour Uncovered ATP 500 Tóquio – Resumo ATP 500 Pequim – Resumo ATP 1000 Xangai – ½ Finais ATP 1000 Xangai – ½ Finais ATP World Tour Uncovered ATP 1000 Xangai – Final

10/10 6:00h-7:30h 15:00h-16:30h 16:30h-18:00h 16/10 13:00h-15:00h

ATP 500 Tóquio – Final Solverde Tennis Cup – Final Feminina Solverde Tennis Cup – Final Masculina ATP 1000 Xangai – ½ Finais

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CARLOS RODRIGUES

16/10

TAÇA DAVIS. Espírito de equipa e homogeneidade caracterizam Seleção Nacional masculina

Querumoseseguirá? A É R recente subida de Portugal ao Grupo I da Zona Europa/ÁfricaTaça Davis deixou bem patente que a força do selecionado português, que não possui estrelas que possam marcar a diferença, assenta na coesão, homogeneidade do grupo e espírito de equipa que se vive no seio da Seleção, algo que é de louvar. Para isso contribuiu seguramente um trabalho de conjunto, cuja liderança tem sido assumida e muito bem pelo presidente da Federação Portuguesa de Ténis, José Maria Calheiros, ao apostar forte na dignificação das provas intersseleções (Taça Davis e Fed Cup), mas muito bem seguido por uma gestão eficaz do ponto de vista técnico e psicológico pelo selecionador nacional Pedro Cordeiro, cuja experiência competitiva, companheirismo e sensibilidade de liderança têm sido decisivos no fortalecimento do sentido de coesão que se vive na seleção. as não só. Pessoalmente estou convencido de que os muitos meses que alguns dos selecionados (Gil, Machado, Sousa) vivenciaram em conjunto na mesma estrutura de treino teve também o seu efeito na aproximação relacional dos joga-

M

LIVRE ARBÍTRIO

MIGUEL SEABRA

dores e consolidação do espírito de solidariedade que evidenciam. evidente que, como em qualquer outro tema, as opiniões divergem, havendo quem advogue outros caminhos que não o da concentração dos melhores valores nacionais numa mesma estrutura de treino. Exemplo paradigmático de divergência é a dos irmãos McEnroe, com Patrick (selecionador nacional e responsável pelo programa de alta competição da USTA) a advogar um rumo de concentração e dedicação total ao ténis desde cedo, enquanto o carismático John (vencedor de 7 Grand Slams) acaba de lançar a sua própria academia em Nova Iorque, defendendo um envolvimento progressivo que permita aos jovens alguma liberdade de vida e a prática simultânea de outros desportos. divergência parece-nos, contudo, meramente aparente, existindo valências em ambas as vias, que são complementares na medida em que os atletas não deixam de ser pessoas, naturalmente com características diferentes, podendo adaptar-se melhor a um sistema ou outro conforme a idade e enquadramento familiar ou so-

A

ETERNIDADE. Começo a perder conta às vezes que, ao longo dos últimos meses, alguns leigos me referiram que “o Federer está acabado” ou que “o Federer não vai ganhar mais nada”. E discordo, sublinhando que o suíço esteve no mais elevado dos cumes durante mais tempo do que qualquer outro fora-de-série, que é normal a erosão do tempo e do

cial em que se inserem. Contudo, no caso de Portugal, onde a massa crítica é muito pequena (estamos a falar de menos de uma dúzia de atletas) e o espaço geográfico diminuto, defendemos com grande convicção a concentração numa mesma estrutura de treino. ecebemos assim, com alguma preocupação, as notícias do “desmembramento” do grupo sob a batuta de João Cunha e Silva, com cada um agora preocupado e concentrado nos seus objetivos pessoais… como se tais objetivos pudessem ser prejudicados numa estrutura comum, que é perfeitamente conciliável com a afetação de técnicos diferentes no acompanhamento mais direto aos atletas. É “só” uma questão de existirem mais ou menos recursos financeiros disponíveis nessa estrutura, que deverá albergar tanto quanto possível os melhores técnicos nacionais. Uma coisa é certa: perder-seão seguramente objetivos comuns enquanto grupo, designadamente em termos de planeamento, o que poderá ter reflexos na Taça Davis, onde o sucesso de Portugal está muito dependente da forma e motivação com que os atletas chegam às eliminatórias… n

sucesso, que (ainda) é número três mundial e que esteve a dois match-points de jogar a final do Open dos Estados Unidos. Os campeões merecem mais respeito e não sou tão cruel para eles – irei vêlos onde quer que joguem, nem que seja num qualquer court 13 e bem fora do top 100. Nem julgo regressos como o do austríaco Thomas Muster, que não ganha

um encontro no circuito Challenger, ou da japonesa Kimiko Date-Krumm, que aos 40 anos até ganha a Maria Sharapova – tal como não julguei o regresso do sueco Bjorn Borg, com uma raqueta de madeira, no início da década de 90. Para mim, os campeões são e serão eternos: aquilo que eles ganharam nunca ninguém lhes irá retirar.

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Nota: a programação é fornecida pelos respectivos canais, pelo que quaisquer alterações de última hora são da inteira responsabilidade dos emissores.

Director: João Lagos. Director adjunto: Rui Oliveira. Editores: Miguel Seabra (JT) e Norberto Santos (Record). Redacção: Manuel Perez, Pedro Carvalho e Carlos Figueiredo. Fotografia: Fernando Correia (editor JT), Paulo César (editor Record) e Gianni Ciaccia. Departamento Gráfico Record: Eduardo de Sousa (director de arte), João Henrique, José Fonseca e Pedro Almeida (coordenadores gráficos), Cristiano Aguilar (editor Infografia) e Nuno Ferreira (coordenador digitalização). Redacção e Publicidade: Rua da Barruncheira, 6, 2790-034 Carnaxide Telefone: +351 21 303 49 00. Fax: +351 21 303 49 30. E-mail: jornaldotenis@lagossports.com


Um ano de CAR 03

Sexta-feira, 1 de outubro de 2010

CUNHAESILVAFAZBALANÇOPOSITIVODEUM ANOÀFRENTEDOCENTRODEALTORENDIMENTO

Espíritodemissão MANUEL PEREZ

IDEAIS. Ajudar a criar uma mentalidade de ambição é objetivo do técnico

n Cumpriu-se, no passado mês de se-

tembro, um ano desde a entrada em funcionamento do Centro de Alto Rendimento (o CAR Jamor Ténis), projeto subsidiado pelo Estado e sob a coordenação de João Cunha e Silva. O conceituado treinador lisboeta tem em mãos mais um desafio. E é com o mesmo espírito de missão que vem sendo bem sucedido noutros projetos com a sua assinatura, que espera continuar a cumprir o objetivo que lhe foi destinado no CAR: formar tenistas profissionais. Duas dezenas de atletas de ambos os sexos beneficiam do apoio de uma equipa técnica eleita por Cunha e Silva, composta pelos treinadores Pedro Cartaxo e Diogo Mota, e pelo preparador físico Luís Lopes. A escolha dos

SEM REGALIAS. Não há lugares cativos no CAR

Instalações e meios para vingar

Asregrassão paracumprir n Francisco Franco Dias, terceiro

classificado no Europeu de juniores e campeão nacional desse escalão, saiu do CAR no final da época passada. João Cunha e Silva prefere não individualizar qualquer situação, boa ou má, ocorrida na estrutura que lidera. Deixa, contudo, a seguinte explicação: “Trata-se de um assunto do foro interno. Como se sabe, o Francisco até era nosso atleta no CETO. Tenho por ele grande carinho e reconheço-lhe potencial. Só que as pessoas têm de revelar maturidade e uma postura adequada para perceberem o projeto no qual estão integradas. No caso dele, não cumpriu determinadas regras.” n

FOTOS CARLOS RODRIGUES

de – mas que não é estanque. Pode mudar a qualquer momento. Essa competência e dedicação têm sido do inteiro agrado dos atletas e não param de nos chegar mais candidaturas. Por último, é sempre importante olhar para os resultados que vão sendo conseguidos para se atingir o objetivo e é com satisfação que vemos atletas ambiciosos e conhecedores das dificuldades. Gostava que as pessoas percebessem que também é importante ajudar a criar uma mentalidade de ambição. Gostava também de explicar como é inovadora a nossa forma de estar e a dinâmica do próprio projeto. No que respeita, por exemplo, à permanência dos atletas no CAR, não há lugares cativos, sendo todos eles avaliados imparcialmente. A dinâmica de que

falo, para além da qualidade do trabalho diário, passa também pela participação em torneios internacionais. O dinheiro é do Estado e tem de ser bem utilizado. JT – Quais os principais entraves até agora encontrados? JCS – A grande dificuldade é que a base de recrutamento não é tão alargada como se desejaria. Entre 20 atletas haverá sempre um ou outro que não vai dar certo; se tivéssemos 50 seria mais fácil dizer que 10 poderiam chegar com êxito ao profissionalismo. JT – Os três técnicos que escolheu não foram do agrado de alguns treinadores da nossa praça. Volvido um ano, está consciente de que fez a aposta certa nas pessoas certas? JCS – As pessoas têm a liberdade de criticar. A mim foi-me dada liberda-

de de escolher. Se bem que tal tenha acontecido dentro de um prazo breve, o retorno tem sido o melhor, na base da dedicação e da competência. Convém referir que não encontramos assim tantos técnicos com um estalar dos dedos. Fiz as coisas de uma forma digna e competente. Os atletas estão satisfeitos e a FPT também. JT – Diz-se que a coordenação técnica implica um pagamento mensal de 10 mil euros. Sem se pretender a confirmação desses valores, aquilo que importa saber é se não sente mais pressão por estar a trabalhar com dinheiros do erário público? JCS – A única pressão que sinto é a da pessoa responsável que sou; daquilo que me dispus a fazer; e faço gala em demonstrá-lo. Isso para mim é que é a grande responsabilidade. n

Francisco Dias saiu do CAR

RESPONSABILIDADEADOBRAR

EntreGil,oCETO eoCARnoJamor n João Cunha e Silva é, provavelmente, um dos técnicos mais atarefados do ténis mundial: acompanha de perto Frederico Gil; é o responsável geral pelas escolas de ténis do CETO e o gestor do Centro de Alto Rendimento. n

FERNANDO CORREIA

to está sedeado no Vale do Jamor e beneficia das excelentes instalações do Complexo de Ténis do Estádio Nacional – que, para além dos muitos campos de terra batida, passou a incluir também um recinto coberto para as agruras do inverno desde o final de 2008. Os jogadores chamados “residentes” ficam alojados no Centro de Estágio, na Cruz Quebrada, tal como as outras esperanças do ténis nacional que ocasionalmente se lhes juntam para beneficiar das condições técnicas e de treino.

FERNANDO CORREIA

• O Centro de Alto Rendimen-

“Aequipatécnicatem umrácioimbatível: doistreinadoreseum preparadorfísico” nomes que podem integrar o CAR são da inteira responsabilidade da Federação Portuguesa de Ténis e surgem de uma troica constituída pelo diretor técnico nacional, Santos Costa, e pelos coordenadores das Seleções, Pedro Cordeiro e Nuno Mota. A Cunha e Silva é-lhe concedido o poder de veto quando alguém não cumpre os mais diversos requisitos. Jornal do Ténis – O CAR está a corresponder às expectativas criadas quando aceitou o convite? João Cunha e Silva – A existência do CAR permite, logo à partida, duas ou três coisas que talvez nunca tenham existido com este grau de profissionalismo. Uma tem a ver com a equipa criada sob a minha alçada, num rácio que é imbatível: dois treinadores e um preparador físico a tempo inteiro, supervisionando um grupo de atletas. Nesse aspeto, ninguém terá a mesma capacidade de fazer frente. O projeto assenta no trabalho de grupo, no potenciar de verbas e na oferta de parceiros de treino. Por outro lado, o trabalho tem sido feito de uma forma competente, com uma equipa jovem – em tempo e em ida-

ASAÍDADEFRANCISCODIAS

Cunha com Carvalho e Nicau

DEVIDOAHORÁRIOESCOLARTREINA-SEMENOSEM PORTUGALDOQUENOUTRASPARAGENS

DESTAQUE. Vasco Mensurado é uma das vedetas do CAR

Metadedoqueéexigível CARLOS RODRIGUES

n No elenco do Centro de Alto Ren-

dimento, seis atletas têm estatuto de residentes (os chamados fixos Francisco Ramos, Vasco Mensurado, Diogo Rocha, Rodolfo Pereira, Joana Valle-Costa e Bárbara Luz) e há ainda mais de uma dúzia a trabalhar no âmbito do CAR. No balanço de um ano de “trabalho positivo”, João Cunha e Silva não deixa, contudo, de la-

mentar o grande empecilho que continuam a ser os horários escolares em Portugal – um problema que se arrasta há muito e que coloca os desportistas portugueses de várias modalidades em pé de desigualdade com a concorrência. E Cunha e Silva faz uma interessante interpretação da disponibilidade: “Os atletas treinam-se metade daquilo que podiam. Numa

semana, com apenas um dia de folga, deviam treinar-se 25 horas de ténis, ou seja, no court, e mais o treino físico. Isso implicaria uma carga horária de cinco horas/dia, algo impossível de concretizar com os horários escolares. Se calhar, os nossos jovens fazem milagres. Espanhóis e franceses, por exemplo, conseguem atingir essas cargas horárias de treino.” n


04 Taça Davis PEDRO CARVALHO (TEXTO), FERNANDO CORREIA E CARLOS RODRIGUES (FOTOS) n Após os triunfos sobre Dinamarca (4-1) e Chipre (5-0), a Seleção portuguesa assinou uma tripla de vitórias em 2010. Na hora da verdade, o esquadrão comandado há já seis temporadas por Pedro Cordeiro selou o regresso ao Grupo 1 (na verdade, a 2.ª Divisão) da maior competição por equipas do ténis mundial, batendo por 3-2 a BósniaHerzegovina no playoffdo Grupo II da Zona Europa-África. O Jamor voltou a ser o palco eleito para a eliminatória e o público, à semelhança do secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, não faltou à chamada – embora algumas “vuvuzelas” pudessem ter contribuído para galvanizar as hostes lusas após uma primeira jornada muito difícil e um alarme no segundo dia…

Sexta-fei

PORTUGALBATE BÓSNIA-HERZEGOVINA PARAGARANTIRESPERADO EMERECIDOREGRESSOAOGRUPOI

Dever cumprido. Fosse discutido o confronto no papel e Portugal ganharia todos os embates frente a um quarteto bósnio em que Aldin Setkic surgiu como o mais cotado. Todavia, o favoritismo nem sempre se confirma, como se viu com Rui Machado. Demasiado ansioso pela longa espera for-

Oatualnúmero1 portuguêssentiu-se malnoencontrode paresmasrecuperou çada enquanto via Frederico Gil lutar quase cinco horas pelo primeiro ponto, nem os cubos de marmelada ajudaram. Excelentes auxiliares na manutenção da condição física, de nada serviram para contrariar a indisciplina tática, confessada pelo próprio algarvio depois de entregar literalmente os dois primeiros sets. Quando “acordou”, já não foi a tempo de evitar o 1-1 ao final do primeiro dia. Curiosamente, horas antes, mas com Gil, ficou uma imagem algo semelhante mas em ordem inversa. Fresco de pernas, mas mais ainda de cabeça (depois de em vésperas do estágio ter passado preciosos dias em família, intercalados com muito golfe em campos da região de Lisboa), o número 1 nacional provou uma vez mais ser o grande esteio atual da equipa lusa.

Maratona. Mesmo sem viver uma

boa fase a nível individual, o lisboeta defendeu o conjunto com unhas, dentes e muito suor. Depois de em 2008 ter sido derrotado por Roger Federer nos quartos-de-final do Estoril Open, Gil vingou esse desaire, também no Jamor, mas perante um “clone” do suíço: no regresso aos cortes depois de 15 meses parado pela operação ao joelho esquerdo, o gigante Amer Delic (1,96m) viu Frederico entrar demasiado compenetrado até chegar a quatro match-points no tie-break do terceiro set. Quis o destino que a situação se invertesse a partir daí. Desperdiçadas as oportunidades, Delic aproveitou a desaceleração de Gil e falhou por pouco um amortie que poderia dar-lhe dois match-points antes de o português selar o triunfo na quinta partida. No sábado, o par assumia contornos decisivos. Sem inventar, os capitães apostaram nos seus “pontas-delança” e Cordeiro colocou no Centralito aquela que já é a dupla portuguesa com os melhores resultados de sempre na Taça Davis. Frederico Gil e Leonardo Tavares não defraudaram, apesar do susto pregado por “Fred” quando, ao sexto jogo do terceiro set, se dirigiu ao banco.

Alarme. Com as bancadas mudas, a

Dupla Gil/Tavares deu ascendente

linguagem corporal do número 1 não era a melhor. Do enfermeiro Abílio Costa recebeu gelo no pescoço e pernas, enquanto a sua irmã descia ao court com os chocolates e Coca-Cola pedidos pelo capitão para elevar os níveis de açúcar. Perante tal cenário, a

PORTUGAL3,BÓSNIA-HERZEGOVINA2 A FICHA DO CONFRONTO

PlayoffGrupo II – Europa/África Data: 17, 18, 19 de setembro de 2010 Local: Complexo de Ténis do Estádio Nacional Palco: Centralito (2.000 lugares) Superfície: Terra Batida Bolas: Head ATP 1.º Singular: Frederico Gil (83.º ATP) v. AmerDelic (sem ranking),6-3, 6-4, 6-7(14), 3-6, 9-7 (4:52h) 2.º Singular: Aldin Setkic (330.º ATP) v. Rui Machado (124.º ATP), 6-4, 6-3, 1-6, 6-1 (2h46) Par: Frederico Gil/Leonardo Tavares v. AmerDelic/Aldin Setkic, 6-1, 6-4, 4-6, 6-4 (2h50) 3.º Singular: Frederico Gil v. Aldin Setkic, 6-4, 6-3, 6-3 (2h19) 4.º Singular: DamirDzumhur(1.112.º ATP) v. João Sousa (259.º ATP), 4-6, 6-4, 6-1 (1h45)

desconcentração tomou conta de um até então afinadíssimo “Leo” e o terceiro set acabou nas mãos do inimigo. O quarto parcial, já com Gil renascido, permitiu nova festa lusa, celebrando-se a conquista do 2-1. Apesar das 7h02m de ténis nas pernas, mais o desgaste emocional, Pedro Cordeiro jamais duvidou da força anímica do seu número 1 para o dia de todas as decisões. “O Gil é um touro”, garantiu. Ainda assim, entrou “manso”

no terceiro singular e, com o carrasco de Machado pela frente, limitou-se a cumprir – taticamente perfeito, Frederico jogou com a irregularidade natural de Setkic, carimbando o passaporte de Portugal rumo ao Grupo I. Feito o 3-1 e para cumprir calendário, João Sousa começou por justificar o seu bom momento de forma, mas acabou batido em três sets pelo campeão europeu de Sub-18 e número 3 mundial de juniores, Damir Dzumhur. n

PARECIDOCOM FEDERER,DEL

Umsósia

n Pela primeira vez a representar a

Bósnia-Herzegovina na Taça Davis, Amer Delic deixou de queixo caído muitos dos que acorreram ao Jamor, tal as semelhanças físicas partilhadas com… Roger Federer. “Gostava de ser também comparado pelo ténis,

MARATONA. Após duelo de 5 horas, Amer Delic meteu-se em gelo...


Taça Davis 05

ra, 1 de outubro de 2010

DEPOISDACELEBRAÇÃO,PROJEÇÃODOPRÓXIMOANOFACEÀESLOVÁQUIACOM SUÍÇAÀESPREITA

Federernohorizonte?

ESTEIO. Frederico Gil assegurou os 3 pontos do triunfo

Emcasodevitória sobreaEslováquia,os portuguesespoderão defrontarFederer... confiança, não escondendo alguma preocupação. “Jogar em casa é sempre bom, mas é preciso preparar este regresso ao Grupo I com todo o cuidado. É certo que, da parte dos eslovacos, a terra batida não é a superfície de eleição, mas atendendo à altura do ano, temos de ser cautelosos na escolha do local.”

Público. Cordeiro sublinha que é difícil antecipar como os “seus” jogadores estarão nessa fase da tempora-

LICFOI DUROANTAGONISTA

noJamor

mas não se pode ter tudo”, brincou o “norte-americano” adotado desde 1996, fugido da guerra no seu país. Aos 28 anos, deu o seu contributo à equipa, embora sem qualquer ponto conquistado, mas, a par dos jornalistas bósnios que estiveram em Portugal, foi uma das melhores fontes sobre tudo o que se ia passando no Jamor. Através do seu Twitter, partilhou fotos e informações durante todo o fim-de-semana, destacando-se a imagem de um banho de gelo tomado pelo antigo número 60 mundial após as 4h52m do encontro perdido para Gil. n

TOP-10LUSOSDATAÇADAVIS TOTAL DE ELIMINATÓRIAS

1º 2º 3º 4º 4º 6º 7º 8º 9º 10º

João Cunha e Silva Nuno Marques Emanuel Couto Bernardo Mota Leonardo Tavares Rui Machado Frederico Gil Alfredo Vaz Pinto Pedro Cordeiro José Vilela

30 27 20 18 18 17 16 15 12 11

TOTAL DE VITÓRIAS (SINGULARES-PARES)

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º

João Cunha e Silva Nuno Marques Frederico Gil Emanuel Couto Bernardo Mota Leonardo Tavares Pedro Cordeiro Alfredo Vaz Pinto José Vilela Rui Machado

37v-40d 32v-26d 25v-13d 24v-15d 16v-14d 15v-13d 10v-15d 9v-26d 9v-17d 9v-13d

da: “Espero poder contar com todos.” Para lá da parte competitiva, cujo trabalho de casa começou já a ser feito, constatando que Lukas Lacko (número 1 eslovaco, 72.º mundial) apenas venceu quatro (em 13) encontros em terra batida na presente época, o capitão voltou a deixar expresso o desejo de contar com muito apoio do público português. “É necessário preparar tudo ao pormenor e acredito que com o tempo de que dispomos isso será possível. Especialmente ao nível da promoção e até mesmo da recolha de patrocínios de entidades que possam tornar este importante regresso ao Grupo I numa mais-valia para todos os intervenientes do ténis português.”

Federer? Dentro do corte, os joga- COMEMORAÇÃO. Alegria esfusiante no momento da qualificação dores farão o seu melhor para confirmar o favoritismo sobre uma seleção frente à qual Portugal perdeu na única ocasião em que se defrontaram... em Trnava, num piso rápido, em recinto coberto e face a opositores com credenciais de top 100. Em 1996, então capitaneados por José Vilela, três – Nuno Marques, Emanuel Couto e Bernardo Mota – dos chamados Quatro Mosqueteiros perderam por 5-0 para a dupla Karol Kucera (na altura 93.º e futuro 6.º ATP) e Jan Kroslak (89.º), liderada pelo titular olímpico de 1988, e ainda hoje capitão, Miloslav Mecir. Em caso de “vingança” seguir-se-á um confronto com a Suíça de Roger Federer, caso o campeoníssimo opte por voltar a representar o seu país. n

FERNANDO CORREIA

n Celebrada a subida de divisão – depois de ter marcado presença no Grupo I pela última vez em 2007 – Portugal viu o sorteio ditar um embate na primeira ronda frente à Eslováquia (4 a 6 de março de 2011). Mais sorte teve ainda pelo facto de voltar a atuar em casa, sendo que no reinado de Pedro Cordeiro a equipa lusa jamais perdeu jogando dentro de portas. Todavia, o próprio capitão alertou para os perigos do excesso de

NA ESLOVÁQUIA. Fragoso, Mota, Couto, Marques e Vilela em1996

REI DACHUVAEMWIMBLEDON

PROMOÇÃOEEQUIPATÉCNICA

ELEIÇÕESJÁDÃOQUEFALAR

Solcontrariou juizbritânico

Muitaajuda... eacustozero!

JoséM.Calheiros algoevasivo

n A tarefa de um juiz-árbitro na Taça Davis pode ser bem stressante. Que o diga Stéphane Apostolou, quando em 2005 “desfez” o seu computador portátil no CT Estoril durante o Portugal-Eslovénia, só porque o mesmo quis “descansar”. À frente do Portugal-Bósnia esteve uma verdadeira sumidade do ténis mundial, também ele habituado ao stress, mas muito mais calmo. Sir Alan Mills geriu os acontecimentos no Centralito e trouxe com ele a experiência de 23 anos como juz-árbitro de Wimbledon. Famoso pelas ordens dadas para interromper os encontros sempre que a chuva caía no All England Club, o autor da autobiografia “Lifting the ´Cover” ainda viu umas nuvens sobrevoarem o Vale do Jamor, mas o sol imperou ao longo dos três dias de prova. n

n A Seleção portuguesa voltou a

n Na hora dos festejos, não faltou

JUIZ-ÁRBITRO. O famoso Alan Mills esteve no Jamor

contar na equipa técnica com o apoio dos “americanos” Luís Miguel Nascimento e Israel Monteiro e novamente a custo zero. Uma situação que Pedro Cordeiro deseja ver clarificada na planificação para 2010, a par da possível inclusão de um médico na comitiva. Mas as “borlas” conseguidas pela FPT não ficaram por aí. Em termos de promoção junto do público, a eliminatória ficou a cargo de... estrangeiros: alunos da Universidade do Texas – colegas de Israel Monteiro – que aproveitaram a ocasião para fazer um trabalho sobre o seu curso de marketing! Apetrechados de cartazes, folhetos e outros materiais andaram pelas ruas de Lisboa e arredores a “apregoar” o Portugal-Bósnia e fizeram-no de… boa vontade. n

quem lembrasse a proximidade do novo ato eleitoral para a presidência da FPT, a par da urgência em preparar ao detalhe a presença no Grupo I da Taça Davis. Confrontado com o tema das eleições e um possível novo mandato, o atual presidente José Maria Calheiros mostrou-se evasivo, confirmando apenas que o seu “reinado” termina em dezembro – o que, de certa forma, promete começar a agitar os bastidores do ténis luso, ainda para mais navegando-se atualmente em excelente maré de resultados da Seleção. Sobre o desafio de um eventual regresso à presidência, Manuel Valle-Domingues, presença assídua nos grandes momentos da modalidade, não fechou a porta à possibilidade... mas com cautela. “Estou sempre disponível para ajudar desde que seja necessário e reúna consenso. Dessa forma, teria muito gosto em voltar a assumir o cargo, mas não faço disso objetivo de vida”, confessou o atual presidente do Clube Escola de Ténis de Oeiras. n


06 Jovens lusos além-fronteiras MANUEL PEREZ

Sexta-feira, 1 de outubro de 2010

NAMORADOSMICHELLEBRITOEGASTÃOELIASENCARAM NOVASETAPASNACARREIRA

n O destino juntou-os do outro lado do Atlântico e oficializaram o romance entre ambos na Primavera, aquando da passagem pelo Estoril Open. Ambos foram em busca do sucesso na IMG Bollettieri Tennis Academy, na Florida. Já viveram momentos mais saborosos nas respetivas carreiras, antes de sentirem alguns amargos de boca nos últimos tempos. São Michelle Larcher de Brito, de 17 anos, e a Gastão Elias, de 19. Como grandes fenómenos da nossa modalidade, o ténis português continua a acreditar neles, acompanhando-os à distância. Eis o levantamento do estado atual de dois jovens que continuam a viver o sonho americano, quando Michelle vai entrar na nona temporada nos States e Gastão caminha para a quarta.

Queda. A menina do Restelo está perto de abandonar o Top 200, numa altura em que ostenta o pior ranking (198.ª) dos últimos dois anos e dois meses. A partir de Fevereiro, depois de ter completado 18 anos, deixará de estar subjugada à regra que limita o número de tor-

neios às tenistas mais novas. “Sem esse tipo de restrições, ela poderá jogar mais e poderá também prepararse para os eventos mais fortes rodando mais vezes nos mais pequenos”, faz questão de lembrar António Brito, o pai, treinador e mentor de Michelle. E ainda dá para acreditar no sonho americano, oito anos depois de a família Larcher de Brito (pai, mãe, filha e os dois gémeos) ter rumado para a Florida? “Não se tratou de ir à procura de um sonho”, começa por justificar António. “Viemos para cá, simplesmente porque nos ofereciam melhores condições.” Perto do fim, a atual temporada tem sido a mais modesta de Michelle desde a aposta no circuito profissional. Para além da descida no ranking (terminou 2009 na 114.ª posição), o saldo de encontros ganhos e perdidos este ano é negativo: 12 vitórias e 17 derrotas. António Brito reconhece que se tratou de

FERNANDO CORREIA

Sinaldealarmeainda nãotocou,apesarde Michelleestarperto desairdotop200

EM BAIXA. Problemas físicos, técnicos e não só têm minado a ascensão esperada das duas jovens promessas do ténis profissional luso “uma época fraca”. “Mas já passou”, faz questão de antecipar, se bem que Michelle possa ainda disputar um torneio de 75.000 dólares, dentro de um mês (semana de 8 a 15 de Novembro), em Phoenix, no Arizona. “Depois vamos ver se encerra logo aí a temporada, deixando para Janeiro mais um ou dois torneios, pois só após o final desse mês pode inscrever-se nas provas que quiser. Para a Michelle esta regra foi um obstáculo e ela sentiu dificuldades, pois chegava a estar mais de um mês sem poder competir e quando voltava à competição colocava uma grande

pressão em cima dela”, esclarece.

Serviço. Regressar ao Top 100, ou “ficar o mais perto possível”, é o objetivo a curto prazo. “Tenho a certeza absoluta que isto vai melhorar. A Michelle tem ainda grande margem de manobra e estaríamos mais preocupados se já tivesse 20 anos. Mas ela também sabe que chegou a um ponto da carreira em que terá de dar um salto”, sustenta António Brito. Seguiu-se a análise àquilo que se pretende melhorar: “O serviço tem sido a causa de alguns insucessos, mas melhorou nos últimos dois/três meses,

tendo nesse aspeto dado um pequeno passo em frente, mas, no essencial, ela terá de ter mais calma e ser mais cautelosa. Não pode estar sempre a bater forte do fundo do corte e esperar pela altura certa para atacar ou defender. Tem de saber qual o momento certo para finalizar o ponto, evitando muitas vezes fazê-lo muito cedo, optando por ter alguma paciência.” Antes de encerrar a temporada, ao que tudo indicano próximo mês, e também antes da pré-época, Michelle continua os estudos, com uma maiorintensidade após a passagem pelo US Open. O 11º ano está quase completo. n

BARRAREGRESSOU ACASA

Ricaaventura semresultados n Para lá de Michelle e Gastão, João Barra (16 anos) tentou o sonho americano entre 2007 e 2009, na companhia da mãe e quatro rmãos. Antes de deixar a Academia da IMG sentia que o nível do ténis português era fraco e ganhava facilmente, percebendo que lá perdia facilmente. Treina agora com César Coutinho. n

GASTÃOESTÁNOBRASILCOM JAIMEONCINS,APÓSERRODECASTING COM PITI BORGES

Recuperarotempoperdido

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n Apesar de ter superado o calvário

JAIME ONCINS. Gastão Elias acredita no trabalho com o brasileiro

das lesões, Gastão Elias está ainda longe de possuir o desejado ritmo competitivo para almejar a subida dos íngremes degraus do ranking ATP. O atual 749º jogador mundial completa 20 anos no final do próximo mês e o seu sonho americano passa por se sentir, em primeiro lugar, feliz. Parte dessa felicidade encontrou-a na ligação a Jaime Oncins, treinador brasileiro com quem trabalha – sediado em S. Paulo – há dois meses. “O Jaime percebe perfeitamente aquilo que passei e estou a passar nesta etapa da carreira. E também sabe, claro, aquilo que é preciso fazer para dar o

passo seguinte, sendo importante ter junto de mim alguém que já viveu situações parecidas”, afiança Pepê, entusiasmado perante esta recente relação com o paulista de 40 anos, ex-Top 40 ATP, e proprietário da Oncins Tennis, academia gerida com os irmãos Eduardo e Alexandre.

Dureza. Sob a supervisão da IMG e do empresário norte-americano Ben Crandell (o mesmo de Michelle), Gastão continua ligado obviamente à academia Bollettieri, mas segue um novo rumo, após uma dança de treinadores. O último foi o madeirense Piti Borges. Experiência que não foi

além das duas semanas: “O Piti é um tipo porreiro, mas nos esquemas de treino senti que não era bem o que procurava, notando-se que não tinha a tal experiência ao mais alto nível”. Num futuro imediato, aquilo que o melhor desportista jovem português de 2007 reclama é competir o mais possível. “Falta-me a dureza da competição e sinto que acabo por tomar decisões erradas no meu jogo, falho pontos que não falhava quando estava em forma e com o tal ritmo que terei de recuperar. Por outro lado, todos os dias me dói qualquer coisa, precisamente por ter estado muito tempo sem competir”. n


Ténis Feminino 07

Sexta-feira, 1 de outubro de 2010

EVENTONORTENHOLEVAPORTUGUESESÀCONQUISTADEPONTOSEJOGA-SEEM LOCALDIFERENTE

CTP recebe provas Future ITF

Rotatividade entraemvigor n Congregando uma vez mais as

vertentes masculina e feminina, com prémios monetários no valor global de 15 mil dólares para a prova pontuável no ranking ATP e 10 mil para o evento que oferece pontos para a tabela WTA, o Porto Open abandonou as suas origens. Disputado desde 1999 nas instalações do Complexo Desportivo do Monte Aventino, propriedade da Câmara Municipal do Porto, o torneio transferiu-se para o CTP. A decisão partiu da Porto Lazer, uma entidade ligada à autarquia apostada em entrar num sistema de rotatividade pelos clubes de ténis da cidade. Mas a oferta não é tão grande como o desejado para se organizar um certame misto que exige infraestruturas capazes de corresponder às diretrizes internacionais; assim sendo, o desconhecimento dessa realidade na Invicta pode criar um ciclo vicioso em vez da tal rotatividade… n

AnovavidadeRita MANUEL PEREZ n Entre os seis representantes portu-

CIDADE BERÇO. Guimarães é agora a base de treino da ex-campeã nacional

gueses – três masculinos e três femininos – que ultrapassaram, pelo menos, a primeira ronda, esta semana do Porto Open, conta-se Rita Vilaça. A bracarense que no início do mês passado completou 17 anos, poucos dias antes

Duplaespanhola éagoraresponsável pelaevolução dajovembracarense de atingir a final do Campeonato Nacional de juniores, está a viver uma nova fase na sua carreira. A ex-campeã nacional de Sub-12 e 14 está a treinar-se, há um mês, no Open VS, o recém-inaugurado clube de ténis em Guimarães, sob a supervisão de dois técnicos espanhóis contratados à Academia Sanchez/Casal. Para trás fica uma ligação ao Clube de Ténis de Braga e, depois, a um treinador particular que implicava viagens constantes entre a cidade dos arcebispos e Lousada. O início da ligação à nova estrutura criada na Cidade Berço não podia ter começado melhor: logo no

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ALGUMDESCONHECIMENTO

primeiro torneio internacional conseguiu voltar a ganhar uma ronda no quadro principal, apenas pela segunda vez em 14 tentativas e mais de um ano após o primeiro sucesso, em

maio de 2009, em Cantanhede. À hora de fecho do JT, Rita Vilaça tentava o acesso aos quartos-de-final depois de ter assistido às derrotas das compatriotas Bárbara Luz e Marga-

rida Moura – com a recém-finalista do Campeonato Nacional Absoluto a vender bem cara a derrota à norteamericana Samantha Powers (3-6, 75, 6-1) ao cabo de 2h05m. n PUBLICIDADE


Jornal do Ténis - 1/10/2010  

Jornal do Ténis - 1/10/2010

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