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edição #32 jul./ago. 2010 distribuição dirigida

André Arteche O gato da novela Ti Ti Ti Moda Inverno em dois lindos editoriais HIV Aids Sem medo mas com respeito


Editorial

Tempo de pensar A vida é feita de diversos momentos, entre eles, o mais importante é aquele em que precisamos tomar uma decisão. É a hora que tudo pode mudar, podemos garantir o que conquistamos ou planejar um futuro diferente. O presente é quando mudamos o que virá lá na frente. Estratégia não seria a palavra, mas consciência, consciência de que somos os senhores do tempo, das nossas ações. E para tudo isso é preciso pensar, refletir. Este segundo semestre será propício para isso. Eleições, fim de ano, momento de revermos nossas ações, avaliar o passado e acreditarmos no futuro. Todo dia é tempo decisivo na vida, por isso, precisamos sempre saber onde queremos chegar. “Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve”, já dizia o gato de Alice no País das Maravilhas. Saiba aonde quer chegar, lute pelo seu espaço, se possível, reúna aliados, lutem juntos, para que o destino seja o idealizado, não aquele que se chegou apenas pelo desenrolar dos fatos. O seu destino, você quem faz. A Lado A vem este bimestre com mais páginas, mudanças editoriais e fôlego renovado. Você percebe isso nesta edição. Mais qualidade e assuntos importantes. Revelações e muita energia. Destacamos o texto de nosso psiquiatra Gustavo Adam sobre o Homem Objeto. Você pode até ser um, mas tenha consciência disso. Divirta-se com o sempre maravilhoso conto do nosso escritor Wander Mosco. Há também o importante texto sobre a AIDS, revelando dados da nova pesquisa do Ministério da Saúde. Falamos também de projetos que merecem que tiremos o nosso chapéu, como o quarto para o filho gay e o trabalho universitário que mos4tra um editorial de moda ousado, ambos lançados

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em Curitiba. Os nossos dois editoriais de moda desta edição abordam o inverno de maneiras diferentes: um inspirado nos desenhos do artista gay Tom of Finland e outro apenas com fios artesanais, fotografado em Montevidéu, no Uruguai. Em nossa capa, o ator André Arteche que interpreta um personagem gay no remake da novela global Ti Ti Ti. Você confere também uma super entrevista com o gaúcho. Esperamos que a revista o inspire a pensar, a debater, a lutar pelos seus direitos, a entender melhor a vida. Não adianta ter ansiedade, o tempo não pode ser dominado, mas ele pode se tornar um grande aliado, use tudo ao seu favor e chegue lá. Enquanto isso, siga a gente no Twitter e no Orkut. Vale lembrar que o site da Lado A é atualizado diariamente e já marca em média mais de 6 mil visitantes únicos por dia. Passe no site e comente as matérias, é sempre bom saber o seu retorno sobre o nosso trabalho.

Allan Johan publisher


Expediente capa Foto Divulgação de André Arteche por Jorge Bispo

nesta edição 04 Editorial Lado A - 4 anos 08 Entrevista André Arteche 11 Moda Natureza Bruta

LADO A # 32 - jul./ago. 2010

16 Bens de Consumo

Tiragem 5 mil

18 Conto do Wander Fetichistas

J. Responsável Allan J. Santin DRT-PR 8019 Jornalista Profissional Diplomado

21 Comportamento O homem objeto

Editor Allan Johan Projeto Gráfico e Diagramação Anderson de Souza Website Supermodular Colaboradores do site: Raquel Gomes, Arthur Virmond de Lacerda Neto, Beto, Fer Valois, Wander Mosco, Leandro Allegretti, Fernando Carlos, Eduardo e Paulo . Contato 41 - 3027.6599 contato@revistaladoa.com.br Para anunciar: contato@revistaladoa.com.br Correspondências CP 10321 CEP 80730-970 Curitiba - PR As matérias assinadas não expressam a opinião editorial da Revista Lado A.

24 Coluna social 30 Especial A cara da Aids 34 Guia Cultural 36 Moda Tramas em Montevidéu 41 Comportamento Boas ideias que nos dão orgulho 44 PR Guia GLS 46 RS Guia GLS 48 SC Guia GLS 50 Playlist DJ Luan Fernandez 50 Pastel e seus amigos

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André

Arteche

O ator gaúcho André Arteche tem 26 anos e irá interpretar na novela Tititi o personagem Julinho. Conhecido por sua atuação na novela Caminho das Índias, é o novo papel que deve alçar o ex-modelo ao estrelato. O rapaz pode ser visto no Domingão do Faustão, no quadro Dança dos Famosos, onde mostrou que é talentoso de sobra. 8 8

Fotos: Divulgação – Fotógrafo: Jorge Bispo

Entrevista


Lado A - Como será o personagem Julinho, de Tititi, será um gay assumido? André Arteche - O Julinho é assumido sim. E teve problemas na sua família por conta disso. No original, o personagem não existia porque não se falava sobre homossexualidade tão abertamente como hoje em dia. O Julinho foi escrito especialmente para esta versão da novela. É um personagem que fala sobre a diferença, debate questões importantes, sempre com naturalidade.

Lado A - Tem cena de sexo do Julinho com o Osmar? Tem beijo?

André Arteche - Não. A relação é apresentada de uma forma mais sutil. O amor entre os dois fica muito claro, me parece que já é o suficiente.

Lado A - O Julinho vai ser um cabeleireiro. Ele vai seguir o estereótipo do cabeleireiro afeminado? Hoje, esta profissão é super valorizada, com profissionais muito bem remunerados, como é o local de trabalho dele e a abordagem deste personagem? André Arteche - O Julinho é um cara normal. Feliz, apaixonado e que vive uma história real. Por isso não haverá nenhum tipo de estereótipo na sua composição.

Lado A - Você cogitou em algum momento não pegar o papel por ser um gay? Quais cuidados você tomou para construir o personagem? André Arteche - Quando soube que seria gay me motivei ainda mais por ser um universo distante de mim. Para um ator é ótimo fazer personagens diferentes da sua realidade pois exige pesquisa, observação... Procurei construir um personagem com interior, cheio de vida e esperança.

Lado A - Você já sofreu assédio de outro homem? Como você lidaria com esta situação? André Arteche - Já aconteceu. Mas aí falei que não era a minha e ficou tudo numa boa.

Lado A - Você é gaúcho, infelizmente a gente sabe

Na minha família não sei de nenhum até hoje, mas acho que se eu tivesse um filho gay reagiria bem. Se o parceiro dele fosse uma pessoa legal, companheira... que os gaúchos acabam sendo vítimas de brincadeiras de mau gosto, como você lida com isso na vida real? Te incomoda? André Arteche - Acho engraçado, não me incomoda nada. Cada estado tem sua brincadeira peculiar e deve se manter o bom humor.

Lado A - E esse preconceito de ex-modelos na televisão, você acha que se fosse feio a carreira de ator seria mais fácil? André Arteche - Acho que se a pessoa for bom ator ou boa atriz tanto faz o que ela fazia antes, não tenho esse preconceito. E obrigado pelo “se eu fosse feio”, mas também não me acho nenhum exemplo de beleza.

Lado A - Como você cuida do corpo, seus esportes prediletos?

André Arteche - Faz algum tempo que eu comecei academia, mas até então gostava só de correr na

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praia. Procuro sempre fazer exercícios aeróbicos e me alimentar bem.

Lado A - O que você pensa dos gays de maneira geral e de assuntos como casamento gay, adoção de filhos por casais do mesmo sexo e a lei antidiscriminatória para punir atos de preconceitos contra os LGBT? André Arteche - Sou muito cabeça aberta, acho que as pessoas tem que buscar a sua felicidade. Sou a favor dos casamentos, da adoção de filhos e, por enquanto, acho a lei antidiscriminatória necessária porque preconceito ainda existe sim.

Lado A - Você participaria de uma campanha em prol dos direitos dos homossexuais? André Arteche - Não, porque eu não sou homossexual, apenas estou fazendo um personagem que é. Quero muito que o Julinho ajude a derrubar esse tabu, mas não é do meu feitio aderir a campanhas. Prefiro trabalhar com a arte, votar com consciência e tentar exercer meu papel de cidadão.

Lado A - Por que há tantos atores gays que não saem do armário? Você conhece algum? O que eles pensam? André Arteche - Há muitos atores, mas também há muitos médicos, engenheiros, jogadores de futebol. Entendo também as pessoas que preferem manter uma certa discrição, ninguém precisa sair por aí falando a orientação sexual, seja ela qual for.

Lado A - Como você reagiria se tivesse um filho e ele te dissesse que é gay? Já passou por situação semelhante na família? André Arteche - Na minha família não sei de nenhum até hoje, mas acho que se eu tivesse um filho gay reagiria bem. Se o parceiro dele fosse uma pessoa legal, companheira... isso é o que importa. Como eu disse, sou cabeça aberta, quero que as pessoas sejam felizes, cresçam com generosidade e descubram seus caminhos. É isso que procuro levar comigo e passar para os outros também.

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Moda

fotografia: Herickson - www.herickson.com estilo: Germano Wiedermann

Peacoat Efeeme para Look, ceroula Hering e botas vulcanizadas. テ田ulos aviador e dogtag Dolce&Gabbana, relテウgio Emporio Armani.

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Boina Diesel, cinto Underwood, jeans Forum para Mister Jeans e camisa Zara. Cinto Riffel para Airlab, jeans Brookside para Look e bonĂŠ de pele Alcott. Perneiras vulcanizadas Pantaneiro.

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BonĂŠ e mochila Redley para Airlab, jeans Brookside para Look. Cinto Underwood, luvas de cobertura e botas vulcanizadas.

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Colete bomber Look, suporte atlテゥtico AE underwear. テ田ulos aviador Renoma Paris, luvas de malha e botas vulcanizadas.

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Colete Underwood e cuecas AE Underwear. Boné de pele Alcott, óculos Diesel, correntes e lenço D&G.

Modelos: Thiago, Marcelo e Cris Produção executiva: Lado A Assista o vídeo do editorial em www.revistaladoa.com.br

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Bens de consumo

Mini Cocottes Le Creuset Aos amantes da culinária, a marca mais emblemática e cara de panelas do mundo lançou uma coleção inteira de miniaturas que podem ir ao forno e serem usadas para servir pequenas porções. Em diversas cores, as mini caçarolas são um mimo. Neste mês, eles lançaram novas cores. Achamos um kit com quatro peças por R$280 na internet. www. lecreuset.com.br

M:Zero:Melissa para eles No último SPFW, quem roubou a cena entre os calçados foi o mocassim de plástico feito pela Grendene. A marca M:Zero já foi lançada nos EUA e deve chegar em breve por aqui. A tecnologia e apelo já conhecidos entre as meninas agora exploram o mercado masculino. No site da empresa é possível encontrar os dois modelos disponíveis em sete opções de cores. Segundo o atendimento ao consumir da marca, os sapatos estarão disponíveis em agosto, ao valor tabelado de R$120, que pode variar. www.mzeroshoes.com.br

Philips Norelco CoolSkin Moisturizing Shaving System Utilizando um sistema de barbear a frio, seja seco ou molhado, o aparelho despeja camomila e vitaminas enquanto lâminas localizadas em uma plataforma flexível fazem o serviço. Com visual futurista, o aparelho promete um barbear sem prejudicar a pele e cortar o pelo bem próximo à raiz. O aparelho é lavável e a base do produto recarrega o dispositivo de creme de barbear automaticamente. Valor: US$ 150 nos EUA.

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Bens de consumo Cyber Shot WX5 e TX9 A Sony acaba de lançar seus novos modelos da linha Cyber Shot, voltados para o uso pessoal. Além de criar imagens 3D em vídeo, estas duas câmeras possuem o 3D Sweep Panorama, recurso que possibilita gerar imagens de prédios inteiros, por exemplo. Ao mover as câmeras na horizontal ou vertical, dezenas de imagens são combinadas para criar uma fotografia única. Já o Sweep Multi Angle, resulta em uma imagem 3D que pode ser vista em um televisor compatível. As duas tem 12,2 megapixels de resolução, fazem vídeos em alta qualidade e estarão disponíveis em setembro. Preço para a União Européia: €319,00 (WX5) e €399,00 (TX9).

Abdoliance Após os 30 anos, por razões hormonais, os homens começam a perder um pouco a facilidade de perder peso e medidas. O Abdoliance tem a capacidade reverter esse quadro e acelerar a queima de gordura localizada. Voltado ao mercado masculino, o produto é uma combinação de flavonóides da laranja e cafeína do guaraná que penetram na camada adiposa, segundo o fabricante detentor da marca. No Brasil é possível obter receita do Abdoliance com médicos cosmetologistas e elaborar o produto em farmácias de manipulação. Em média, 100g custam R$100.

Apple iPhone 4 O aparelho traz mais de 100 novidades em relação ao seu antecessor, o iPhone 3G. Entre as exclusividades da quarta geração, os consumidores poderão ter conversas com vídeo, além de poder transmitir duas imagens ao mesmo tempo. No corpo do smartfone há duas câmeras, uma na frente e outra atrás, com 5.0 megapixels, flash LED e zoom digital de 5 vezes. A tela possui 3,5 polegadas e a maior resolução de imagens, concentrando 326 pixel por polegada, quase a mesma resolução do iPad. O Iphone 4 está disponível nas versões branca ou preta. Preço: a partir de US$199 na Apple.com.

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Contos do Wander

Fetichistas Por Wander Mosco Rapaz alto, ombros largos, passava rapidamente pelo corredor. Ele imaginava estar a salvo do compromisso firmado com sua amiga. Eram passos rápidos de pernas longas e torneadas, fazendo voar pequenas particulas de poeira no ar em sua corrida desenfreada. Aquele rapaz havia concentrado sua mente em desejar que seu caminho estivesse livre, sem obstáculos, sem fechaduras. Como naquelas escassas ocasiões na vida de um ser humano quando não há pro-

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blemas, contudo sobram soluções. Tocou a porta, abriu, mas não conseguiu entrar. O espelho dentro do cômodo denunciava uma presença feminina, parada atrás dele, no corredor. Garota esguia, vestindo terno preto, levantando rapidamente da cadeira. Um vulto havia passado perto de sua mesa chamando-lhe a atenção. Ela atravessou o corredor em direção ao outro lado do andar. Naquele momento lembrou que estava de salto amaldiçoando seu dia


por ter ido trabalhar com aquele sapato. Sua respiração ofegante e trôpega denunciava a pressa em alcançar um objetivo. Seus últimos passos foram decisivos; quase saltando se aproximou daquela figura, que vira perto de sua estação de trabalho, encarando-o pelo espelho do banheiro. “Não se esqueça do nosso compromisso” disse ela com ternura na voz. “Eu lembrei que tenho compromisso com minha tia”. “Por favor” mais uma vez a sedução feminina se traduziu naquela voz suave e aveludada. A conversa através do espelho se estendeu por mais algum tempo até que o cara se entregou às súplicas. O corredor estava completamente vazio; não havia vista para nenhuma das mesas do andar, mesmo assim, o rapaz temeu ser ouvido e murmurou sua resposta afirmativa. A voz quase não alcançou os ouvidos receptores. Ela pediu que repetisse e ele se aproximou, sussurrando mais uma vez. O acordo estava selado e os dois se afastaram. Distanciamento carnal, elevando suas mentes a uma idéia fixa enquanto terminavam seus últimos afazeres.

“Cruzaram alguns corpos pelo caminho; passavam, cumprimentavam e iam. Suas mentes vagavam ainda em muitas suposições diferentes”

Faltava pouco para o fim da tarde e o relógio digital, na parede, tinha dois significados distintos: no caso masculino era o sentimento de culpa por aceitar uma tarefa que envolvia seus desejos mais íntimos e ao mesmo tempo contradizia seus princípios; no caso feminino havia um grande júbilo estridente naquela alma cheia de espaços e desejos. Quando chegou o momento de cumprir sua promessa, aquele garoto sentiu enorme peso sobre seus ombros e quase correu em direção à porta; seria tão rápido que ela nunca poderia alcançá-lo, mas um rubro ardor de tesão o manteve intacto em sua cadeira, aguardando resignado. Seu coração parecia congelado, havia batimentos, todavia seu compasso era quase nulo. Seus olhos se desviaram da janela; aquele vidro parecia uma moldura sobreposta desvendando o horizonte finito dos prédios, do concreto. Visualizou uma bolsa vermelha, pendendo de um braço esgalgado. Aquela moça parecia ansiosa mas ao mesmo tempo calma. Era a própria contradição encarnada. Havia um alívio por satisfazer os prazeres e um sorriso amarelado por não conseguir enxergar as consequências. Seu andar foi um complemento como a catástrofe e sua reconstrução. Chegou de mansinho se aproximando da mesa do amigo; ele estava compenetrado observando a vista da janela. A persiana estava entreaberta. Enquanto caminhavam pelos corredores, em direção a saída, podiam sentir o frio dos mausoléus chamados de salas. Era como se um ar nefasto consumisse todos os integrantes daquela paisagem. A garota tocou-lhe a mão gerando um pequeno tremor, como uma pequena erupção, quando o magma apenas começa a se mover. Ela sorriu de leve entre os lábios, tão sensível quanto uma pétala; muito fácil de quebrar. Cruzaram alguns corpos pelo caminho; passavam, cumprimentavam e iam. Suas mentes vagavam ainda em muitas suposições diferentes. Conforme andavam pelas calçadas, em

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direção ao estacionamento, pareciam acreditar que o destino de seus atos seria repleto de bons frutos. Poderiam repetir seus encontros e até marcar, com regularidade, essas escapadas. Aquela mulher, então, esboçou um sorriso mais pesado que traduzia uma alegria muito maior, um contentamento condizente aos luxuriosos com desejos refinados. Seu encantamento era tanto que ela simplesmente ignorou o mundo ao seu redor, foi radiante, como se estivesse acima dos meros mortais, pois estava prestes a realizar seus desejos, entregar-se a impulsos, se satisfazer por completo. Olhava para o amigo a quem via com outros olhos agora; seu instrumento rumo à satisfação. Distração quebrada ao ouvir a buzina estridente. O rapaz a segurou com força fazendo-a cair em si: percebeu que estava colocando os saltos no asfalto. “Calma” disse aquela figura masculina; a observou, mediu e sentiu que estava bem. Já no carro dela o garoto se soltava, falava; desde amenidades de sua vida, contratos do trabalho, seu tipo de serviço na empresa e, ao perceber o quanto este último assunto a deixava entediada, mudava para pequenas explicações sobre suas manias; havia tantos detalhes que sua mente tentava suprimir, mas sua voz descarregava todos sem piedade nos ouvidos da motorista. Finalmente chegaram à casa dela. No subsolo, ainda estacionando o carro, ambos se fecharam. O ar, de repente, ficou pesado e um pequeno remorso instigou a ambos; suas cabeças se inclinaram. Tudo parecia errado, pensavam ter respotas para todos seus impulsos, mas naquele momento fraquejavam. Mentes perdidas como se entrassem num grande labirinto. Ela saiu do carro, todavia ele relutava. Quando finalmente abriu a porta e deu os primeiros passos para fora do carro sentiu que estava em terreno desconhecido; sabia naquele momento que sua vida se transformaria. “Venha logo”

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“Preciso me acostumar à ideia ainda” “Pensei que já tinhamos um acordo” “Não é tão simples” “É só sexo, é tara, nada mais” “Não sei qual vai ser a sua reação e tenho mais medo ainda de como serão nossas vidas depois de hoje. Você talvez se irrite, não me olhe mais com os mesmos olhos... Sua amizade vale muito pra mim” “Serei ainda mais sua amiga” Pelas mãos ela o tirou do carro e guiou sua alma. Subiram pelo elevador em silêncio absoluto. Um espelho no fundo refletia aqueles seres, tão perdidos, tão imersos em culpa sem nem ao menos terem transgredido nenhuma lei, nem as da física. Quem os visse ou diria que ela levava um prisioneiro ou talvez, olhando por outro ângulo, dissesse que ele a mantinha em cativeiro. Idéias torpes de desistência ocorreram, mas faltava muito pouco. “Tem certeza? Entende as consequências?” disse o colega de escritório. “Eu não tenho as respostas” Abriu a porta, descansou a bolsa em um pequeno balcão dentro do hall, e fechou-a em seguida. Foram poucos segundos que empregnavam a aura franca e destemida da situação. Ele sentiu um aroma forte e a garota apontou na direção do quarto. “O perfume vem de lá, é de rosas” Cruzaram a sala e seguiram em direção ao cômodo perfumado. Os sentidos dele previam a cena que presenciaria: visualizou mentalmente cada detalhe. Ela, mais uma vez, foi a condutora da situação abrindo-lhe o caminho. “Por favor seja muito carinhoso com ele, é a primeira vez que meu marido transa com outro homem. Eu vou ficar sentada aqui próxima da porta para assistir” “Eu acho que não vai dar certo, tem certeza que é isso que ele quer?” “Ele fará por mim”.


Comportamento

O homem objeto Dr. Gustavo Pradi Adam Transformações no imaginário coletivo podem ser perceptíveis através da maneira como elas se refletem na cultura popular. E existiria mecanismo mais intenso de manifestação dessa cultura do que a propaganda? Grupos de pessoas são constantemente convocados por agências de publicidade para se pesquisar o impacto que determinadas campanhas poderiam fazer sobre vendas. Nesse contexto, a imagem do físico masculino parece estar sendo explorada em um ritmo crescente. Percebe-se a multiplicação de descamisados em propagandas de perfume, carros e até camisas! Por outro lado, tais transformações podem repercutir em alterações de comportamento, em que alguns homens podem assumir o papel do, assim denominado, homem objeto. O fenômeno comercial não é recente, contudo. Talvez pela maior expressão das mulheres no mercado de trabalho, a partir do final da II Guerra, começou-se a explorá-las não somente como objetos sexuais (afinal, as feministas não surtavam

tanto contra isso?), mas também como consumidoras. Mais recentemente, começou a ser percebido que existia outro dinheiro significativo que estava dando sopa por aí... O dinheiro de determinados homens que não apenas fazem sexo com outros homens, mas que, de acordo com estudos, acumulam mais riquezas, em média, do que aqueles que curtem sexo vaginal. É o chamado “pink money”, o “dinheiro rosa”. Fico dividido, então, entre crer na existência de uma abertura cultural maior à aceitação de imagens com certo ar de homoafetividade e entre acreditar que o mercado está apenas interessado em dinheiro, independente de sua cor. De qualquer maneira, dá para se tentar usar esse dilema a nosso favor. Quando você deixa de comprar um produto cuja empresa finge que você não existe, você a pressiona e, de quebra, favorece a concorrente que pagou um belo marmanjo para mostrar os peitorais em uma foto. Isso é interessan-

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te não só pelo prazer que a proliferação desse tipo de imagem vai proporcionar a você, mas também porque outras pessoas também a estão vendo e, eventualmente, se acostumando um pouco melhor à ideia de que homens possam curtir sua sensualidade, e não existir somente como provedores assexuados de arranjos familiares convencionais. Por outro prisma, saindo do inconsciente coletivo para o subconsciente individual, a maneira que a mente funciona pode ser engraçada. Algumas linhas de estudo da psique humana acreditam que todos temos crenças muito profundas a respeito de nós mesmos e que elas podem, através de uma série de mecanismos, gerar comportamentos que servem, em determinado contexto, apenas para corroborá-las. Neste sentido, a possibilidade de o homem existir como objeto sexual pode ser tão interessante para crenças disfuncionais de alguns, que a pessoa pode chegar a funcionar apenas como tal, em detrimento de outros papéis impor-

tantes de sua vida. Minha opinião? Se você percebe que costuma se anular intelectual e emocionalmente em relacionamentos, parecendo que a sua única importância nele é o sexo, pare um pouco e tente analisar o quanto isso tem de verdade. Certamente perceberá que você vale mais do que isso. Caso isso não seja o suficiente para começar a buscar caras que valorizem sua mente, ou, caso ache um relacionamento legal, perceba que não consegue relaxar e curtir, procure ajuda. O mesmo vale para a situação oposta, em que você parece conseguir gostar apenas de corpos vazios, se desinteressando no momento em que percebe algo a mais. Agora, se você consegue ter a amplitude de repertório de viver desde experiências que privilegiem o aspecto animalístico da relação, até as mais intelectualizadas ou românticas, é isso mesmo! Seja um objeto (e se divirta com isso), mas seja também um sujeito.


Coluna social Buda’s Bar (Curitiba)

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Black Box (Curitiba)

Side Caffe (Curitiba)


Coluna social Concorde (Florian贸polis )

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Hunter (Florian贸polis)

Yes! (Balne谩rio Cambori煤)


Coluna social UP (Joinville)

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James Bar (Curitiba)

Twiga (Curitiba)


Especial

A cara da AIDS Muito se fala que as novas gerações não viram o cantor Cazuza, aos 31 anos, na capa da revista VEJA, em 1989; que a oferta gratuita de medicamentos contra a doença minimizou a preocupação em se prevenir contra a AIDS. Cazuza morreu menos de um ano depois de tirar a foto ao lado. Em um filme lançado sobre a sua vida, é dito que ele encarou a doença e queria mostrar como era ter o vírus, para ajudar as pessoas a se previnirem. Se antes a AIDS tinha a cara do Cazuza, que em poucos meses foi da aparência de um jovem playboy carioca a um cadáver agonizante, hoje, a AIDS tem a cara de estrelas de Hollywood (quantos não devem ter o vírus?) e esta invisibilidade estaria afastando os mais jovens da prevenção, do uso da camisinha como forma de se protegerem. Então, é preciso fazer duas coisas: mostrar a foto de VEJA e dizer: por mais remédios que existam, a AIDS ainda leva à morte. Pode demorar mais do que meses, mas o doente de AIDS ainda tem lipodistrofia (perda da gordura), e mesmo com todos os medicamentos para corrigir os buracos que surgem no tecido muscular, ainda ficam desfigurados. Eles ainda desenvolvem sarcoma de Kaposi (tumores malígnos) e sofrem em uma UTI. Não acredite que a AIDS deixou de matar, de ser uma doença que reduz as pessoas a uma sobrevida. A AIDS não deve ser temida e sim respeitada, pois o vírus destrói o sistema imunológico de seus portadores e

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em muitos casos vence a batalha contra as drogas mais modernas, dando passagem livre para doenças oportunistas. Hoje, se vive mais com o vírus mas as mazelas de se ter o HIV não são menores; e entre estes pontos críticos está o preconceito. Nós e a AIDS Desde o início da epidemia da AIDS, há 30 anos, os gays estiveram relacionados à doença. Se há um uso inconveniente da AIDS para condenar o estilo de vida gay, não sabemos, mas podemos afirmar que o estilo de vida nada tem a ver com a doença. O simples uso da camisinha pode evitar a infecção por meio sexual, a forma mais comum de pegar o vírus. Quem faz sexo sem proteção está sujeito a pegar o vírus, não há outra forma garantida de evitar. Se o hiv se espalhou na comunidade, uma coisa é certa: não houve prevenção correta, não


há conscientização do uso da camisinha. E é isso que precisamos mudar. Faça o que quiser, mas use camisinha. Teste-se e passe a usar sempre o preservativo. Nos EUA, pesquisas recentes perceberam que 1 a cada 9 homossexuais possuem o HIV. Na Espanha, um número semelhante: 1 a cada dez, o mesmo divulgado pelo Brasil. Em 18 de junho, 10 dias antes do dia do orgulho gay, o Ministério da Saúde do Brasil informou no VIII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e AIDS, em Brasília, o resultado de uma séria pesquisa que percebeu a prevalência de 10,5% do vírus HIV entre gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH). A pesquisa foi conduzida em 10 cidades de médio e grande porte, demorou quase um ano para ser concluída e reúne o que há de mais moderno em estatística de populações invisíveis. Da Angola, onde coordena uma pesquisa similar a brasileira, a médica pesquisadora Dra. Ligia Keer, responsável pelo estudo, falou com a Lado A, por email, e deu algumas explicações sobre o trabalho que coordenou por 12 meses e entrevistou mais de 3600 homens que fizeram sexo homossexual no último ano. Para a médica, os resultados são próximos da realidade: “O que posso lhe dizer é que acredito nos resultados, e que eles devem ser utilizados não para discriminar, mas para reduzir os riscos aumentados entre esta população”, afirmou a Dra. Ligia ao saber que boa parte da comunidade tem medo de que os dados sejam usados para aumentar o preconceito contra os gays. O vírus não está concentrado, afirmou a pesquisadora, “mesmo entre pessoas de alto nível sócio-econômico, como em Belo Horizonte que só trabalhou com HSH de classes A e B”, completou a profissional que é pós doutora em Infectologia pela Harvard Medical School e pela Universidade de São Francisco. Para Ana Roberta Pati Pascom, técnica responsável pela Assessoria de Monitoramento e Avaliação do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, não há motivos de se preocupar que o estudo aumente o preconceito

Conhecimento nunca é demais É preciso entender que o sexo anal possui mais risco em razão do ânus ser uma região hipervascularizada (cheia de veias), por causa do atrito maior e falta de lubrificação natural. Faça o uso do gel lubrificante e não faça sexo sem preservativo. Se você possuir alguma doença sexualmente transmissível, o risco de infecção pelo HIV aumenta. Lembrese que a camisinha é a única forma de evitar DSTs e o HIV. Se você possui o vírus, também deve usar o preservativo pois se você se infectar com um vírus de outro tipo, os remédios precisarão ser mais fortes e os efeitos colaterais serão maiores. A região anal ainda possui muitas bactérias, e o uso do preservativo além de prevenir contra o HIV e outras várias doenças sexualmente transmissíveis, ajuda evitar que bactérias entrem no seu organismo. Pela concentração do HIV na comunidade gay, em razão de muitos não usarem o preservativo, estima-se que um homossexual tenha 11 vezes mais risco de se infectar com o vírus HIV. Se você usar sempre o preservativo, o seu risco será zero! contra gays. “Em nenhum momento foi dito que a pesquisa era representativa para gays e outros HSH do Brasil. O estudo é claro: faz referência às 10 cidades onde a pesquisa foi realizada. O RDS é uma técnica amostragem probabilística e representa a população que é estudada”, elucidou.

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A preocupação dos organismos de saúde com a comunidade gay quando se fala em AIDS é justificada. Hoje, 30% dos casos de AIDS do Brasil são entre HSH. Ou seja, casos de pessoas portadoras do vírus que desenvolvem a doença que reduz a capacidade de reação do sistema imunológico que pode levar à morte por doenças oportunistas. Uma simples gripe pode matar, se o organismo estiver debilitado. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde coordena o programa brasileiro de AIDS, um dos melhores do mundo. Eles afirmam que prevenção e auto-estima são fundamentais, pois quem se ama, se cuida. E pensando nisso, o governo federal sempre investe na auto-estima da comunidade gay, seja em busca do combate ao preconceito, seja reafirmando que a discriminação torna a comunidade gay mais vulnerável. Então se ame, se proteja, e ajude na luta contra a AIDS. A pesquisa A categoria chamada de HSH inclui gays, bissexuais, e todo homem que fez sexo com outro homem; no estudo não incluiu-se as travestis. A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas (PCAP) dos HSH brasileiros utilizou o método Respondent Driven Sampling (RDS), na qual cada candidato indica os próximos entrevistados, desenvolvido pelo Doutor Douglas Heckathorn, sociólogo Universidade Cornell, de Nova York. A técnica foi criada em 1997 para descobrir como usuários de drogas injetáveis poderiam evitar a infecção pelo vírus HIV, o mecanismo de um usuário convidar outro para participar de pesquisas foi chamado de Peer-Driven Intervention (PDI). O método possui fórmulas que corrigem erros de aplicação, como o de uma pessoa apontar outra que faz exatamente o mesmo que ela e pode ser aplicado em comunidades que são difíceis de serem acessadas, como a comunidade homossexual. A pesquisa brasileira entrevistou 3859 HSH, e teve 3616 entrevistas válidas. Para participar, o HSH não poderia ser travesti e precisava ter feito sexo

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homossexual nos últimos 12 meses e ter mais de 18 anos de idade. As pesquisas foram conduzidas nas cidades de Curitiba, Itajaí, Santos, Manaus, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campo Grande e no Distrito Federal. Além de um questionário, os participantes precisavam coletar sangue para análise.

Dados sobre o grupo pesquisado pelo Ministério da Saúde A pesquisa PCAP 2010 com HSH ainda não foi publicada, mas a Lado A teve acesso a alguns dados apresentados no Congresso e outros enviados para nós após solicitados.

Perfil

52,2% possuem mais de 11 anos de estudo 26,9% são da classe social A/B 84% não vivem com o companheiro Apenas 45,5% se consideravam homossexuais ou gays (o restante se considerava: 28,1% bissexuais, 8,8% heterossexuais, 15,7% HSH, entre outros) 11% participavam ou integravam um grupo de ativismo gay (Apenas 25,7% conhecem alguma ONG que trabalha com prevenção ao HIV)

Preconceito

12,4% afirmaram ter sido vítima de agressão física por causa da orientação sexual 53,5% foram discriminados, agredidos ou humilhados por conta da orientação sexual 51,3%% se sentiram discriminados no trabalho,


28,1% na escola ou faculdade e 13% em um ambiente religioso

Teste do HIV

54% já fizeram o teste de HIV na Vida; 23,5% fizeram o teste no último ano; (Na população em geral, entre os homens, 28,5% apenas se testaram para o HIV e 11,2% no último ano) 66% realizaram o teste na rede pública;

Vida Sexual

51% tiveram a primeira relação sexual com outro homem 43,6% tiveram a primeira relação sexual antes dos 15 anos de idade 79,7% fizeram sexo com parceiros casuais nos últimos 12 meses 64,7% fizeram sexo com parceiro fixo no último ano 47% tiveram de 2 a 5 parceiros sexuais casuais no último ano (16,2% transaram com mais de 10 pessoas, 16,9% de 6 a 10, e 20% tiveram apenas um parceiro) 14,1% afirmaram terem sido vítimas de violência sexual

Conhecimento e Prevenção

70,8% afirmaram terem recebido preservativo gratuito no último ano 83,8% receberam os preservativos no serviço público de saúde 9,5% receberam material educativo sobre o DST/AIDS 98,5% sabem que a melhor forma de evitar a infecção pelo HIV é usando camisinha 72,9% acreditam que ter parceiro fiel e sem HIV significa reduzir o risco de transmissão do vírus 94,1% sabem que uma pessoa de aparência saudável pode ter o HIV

DSTs e Aids

22,9% já tiveram algum fator que pode sugerir uma DST (verrugas, bolhas, feridas, corrimento na genital) 70,3% procuraram o serviço público de saúde 7% declararam já ter tido sífilis na vida (A pesquisa apontou uma prevalência de 13,4%) 10,5% possuíam o vírus HIV (5,4% já sabiam que eram soropositivos)

Uso da camisinha

69,9% usaram a camisinha na primeira relação sexual (25 a 64 anos) 53,9% dos jovens usaram o preservativo na primeira relação sexual Apenas 25,6% relataram terem só feito sexo com camisinha nos últimos 12 meses com o parceiro fixo (entre os jovens HSH o uso foi de 29,3%) Já 47,9% afirmaram ter usado o preservativo todas as vezes que transaram com parceiros casuais nos últimos 12 meses (entre os jovens HSH o uso foi de 54,3%)

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Guia Cultural Florianópolis

Joinville II Semana da Diversidade O Grupo Arco-Íris, de Joinville realizará II Semana da Diversidade, com a finalidade de comemorar o orgulho gay de uma forma cultural, buscando promover o debate entre a comunidade. Entre as atrações, palestra com Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia, Festival de Cinema Mix Brasil, debates, peças teatrais, exposições e a segunda Parada da Diversidade da região.

Cócegas Ingrid Guimarães e Heloisa Perissé encenam nove histórias no aclamado espetáculo Cócegas, criando uma atmosfera cômica multifacetado. Entre as personagens encontram-se esposas, atrizes, evangélicas, adolescentes, garotas de programa e desempregadas. SERVIÇO Quando: 30 e 31 de julho e 1º de agosto de 2010.; Onde: Teatro Governador Pedro Ivo; Quanto: R$ 70,00 e R$ 56,00 ; Info: (48) 3233-7229

Simplesmente Eu, Clarice Lispector

SERVIÇO Quando: 1º a 8 de agosto de 2010; Onde: Joinville - Santa Catarina Quanto: Livre; Info: www.diversidadejoinville.com.br

Curitiba 3º Salão Nacional de Cerâmica O 3º Salão Nacional de Cerâmica reúne 194 obras de mais de 100 artistas brasileiros. Dividida em três categorias – artística, popular e design – as peças são inspiradas na tradição familiar, meio de sobrevivência, produção em larga escala e artistas como adornos.

Peça dirigida e adaptada por Beth Goulart. Um monólogo que mostra a trajetória de Clarice Lispector em direção ao entendimento do amor, de seu universo, suas dúvidas e contradições. Baseado em textos extraídos de depoimentos, entrevistas, correspondências e trechos de livros. SERVIÇO Quando: 30 e 31 de julho e 1º de agosto de 2010; Horário(s): Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h; Onde: Teatro Álvaro de Carvalho; Quanto: R$ 50,00; Info: (48) 3028-8070

SERVIÇO Quando: 01 de julho a 03 de outubro de 2010; Onde: Casa Andrade Muricy ; Quanto: Livre; Info: (41) 3321-4798

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Guia Cultural As Cabeleireiras Mulheres, solidão e o universo GLBT são temas dessa comédia que homenageia os anos 80 por meio de sua estética e música. Um salão à beira da falência e o marido que foge com a funcionária travesti são algumas das cenas desta peça hilária.

abstracionistas de Alfredo Volpi (1896-1988) e Cícero Dias (1907-2003). SERVIÇO Quando: Até 09 de agosto de 2010; Onde: Galeria de Arte Simões de Assis; Quanto: Livre; Info: (41) 3232-2315

Porto Alegre

Ivete Sangalo

SERVIÇO Quando: até 25 de setembro – sábados, às 21h; Onde: Teatro Cultura; Quanto: R$20; Info: (41) 3224-7581

Cor e Forma II

A cantora Ivete Sangalo, um dos maiores ícones da música brasileira, estará em pleno inverno sulista trazendo o axé baiano para esquentar os gaúchos. No show, a musa cantará sucessos como Poeira, Festa e Berimbau Metalizado. Novas canções como Na Base do Beijo e Meu Segredo também estarão no repertório. SERVIÇO Quando: 1º de outubro de 2010; Onde: Gigantinho ; Quanto: R$ 60, R$ 80, R$ 130 e R$ 300; Info: (51) 3230-4600

Horizonte Expandido

A Galeria Simões de Assis exibe a mostra Cor e Forma II. São 80 obras que, em comum, exploram cores e formas geométricas de 10 artistas brasileiros. Entre os destaques da mostra estão as pinturas

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O Santander Cultural recebe a exposição Horizonte Expandido, constituída por 72 obras de 16 artistas. A mostra com peças dos anos 60 e 70 busca reflexão a partir das obras contemporâneas. Entre os artistas, nove são internacionais, como Gordon Matta-Clarck, Nancy Holt, Vito Acconci, Dennis Openheim e Bas Jan Ader. SERVIÇO Quando: 26 de maio até 15 de agosto de 2010; Onde: Santander Cultural; Quanto: Livre; Info: (51) 3287-5500


Moda

Tramas em MontevidĂŠu 37


Fotografia: Rodrigo Bragaglia www.rodrigobragaglia.com Produção: Rodrigo Bragaglia e Daniel Ortega Style: Daniel Ortega Modelo: Alexei Angelov Agradecimento: Splendido Hotel


Comportamento

Boas

idéias

que nos dão

orgulho

Fazer um projeto voltado para a comunidade gay é sempre um desafio. Além da crítica geral é preciso enfrentar a crítica da própria comunidade. Selecionamos dois projetos, um de arquitetura e um de moda, direcionados aos gays e que ajudam a dar visibilidade a uma causa de todos: o direito de sermos felizes. Pode ser que você não se identifique e ache que um projeto voltado aos gays sempre reforça preconceitos e estereótipos. Mas é preciso admitir que os projetos são bárbaros e ousados. São projetos pioneiros, que criam um estranhamento – aqui está o grande mérito deles – e que acima de tudo celebram o nosso direito de termos algo que podemos chamar de nosso.

O trabalho de conclusão de curso do designer de moda Drigo Orizzi é mais do que genial, ele chega onde ninguém nunca pisou e levou obviamente nota dez. O estilista paranaense vencedor do prêmio João Turin 2008 se inspirou no filme Pink Flamingos para criar um guarda roupa para homens de vanguarda, inspirado no guarda roupa delas. O editorial da sua coleção foi apresentado com modelos em caixas de plástico representando os bonecos Ken. O namorado da Barbie ganha novas atitudes, chegando a praticar glory hole com o boneco da caixa ao lado. Em outra foto, os três bonecos estão juntos, na mesma caixinha se amassando.

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Quarto do filho gay A Casa Cor Paraná ganhou na edição deste ano um espaço totalmente inusitado. A dupla de arquitetos Daniel Casagrande e Luiz Maganhoto criou um ambiente voltado a um jovem gay assumido e descolado. O quarto era parte integrante da casa principal do evento e trazia detalhes como teto recortado em gesso na forma de tribal, um painel enorme do corpo do dono do quarto, itens de arte como um cuco moderno e uma máscara veneziana sobre a cama. O closet possuía neons em suas prateleiras de acrílico e a mesa de vidro de estudo era em formato fálico. Todo o ambiente exalava cultura e sensualidade. Os rodapés eram cravejados com cristais e as paredes ganharam grandes espelhos.

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» PR Guia GLS « Curitiba Bares Blues Velvet - R. Trajano Reis, 134 - S. Francisco Side Caffe - Al. Cabral, 597 - Centro; www.sidecaffe.com.br; telefone: (41) 3222-7151 Buda’s Bar - Al. Cabral, 613 - Centro; telefone: (41) 3049-2500 Jack In - Lamenha Lins, 1540 - Rebouças James Bar (F) - R. Vicente Machado, 894 Nick & Cia - R. Clotário Portugal, 98 Opção Bar - R. Saldanha Marinho, 856 - Centro Bar do Simão - R. Visconde do R. Branco, 1687 (atrás da Rua 24 horas); telefone: (41) 3024-7173 Bar Code - R. Jaime Reis, 310 – São Francisco; telefone: (41) 3027-4410; www.barcodecwb.com

Sauna Batel - R.Teixeira Coelho, 54 - Batel Caracala - R. Alferes Poli, 1039 - Centro Opinião - R. Amintas de Barros, 749

Cascavel BOATE Tribos Club - R. Engenheiro Rebouças, 1935

Foz do Iguaçu BOATE Space N. Club - R. Arq. Décio L. Cardoso, 469 - Centro SAUNAS Club 956 - R. Dom Pedro II, 956 - Centro Sauna Aquarius - R. Eng. Rebouças, 968

BOATES

Londrina

Cats Night Club - Al. Dr. Muricy, 949 - Centro

BOATE

Black Box - Mateus Leme, 585 - Centro; telefone: (41) 3027-4410; www.box-club.com New SPM - R. Fernando Moreira, 185 Studio 1001 - Al. Dr. Muricy, 1001- Centro Manhattan - R. Augusto Stelfeld, 199

Friends - R. Bem-Te-Vi, 136 - Centro

Twiga - Av. Vicente Machado, 1082 - Batel; telefone: (41) 3092-3060; www.twiga.com.br Tribe Club - Rua Augusto Stelfeld, 308 - Centro; telefone: (41) 8469-3324; www.tribeclub.com.br Cruising Dragon Video Box - R. Voluntarios da Patria, 475 conj. 708; telefone: (41) 3225-1496 lanches Super Dog (F) - R. Manoel Pedro (esquina com a R. Munhoz da Rocha próx. Mc Cabral) SAUNAS Sauna 520 - R. Sen. Souza Naves, 520 - Cristo Rei Club 773 - Bar e Sauna - R. João Negrão, 773 - Centro; telefone: (41) 3225-3690

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Bares Valentino - Av. Pres. Faria Lima, 486 - Jd. Maringá NY Lounge - Av. Bandeirantes, 160 - V. Ipiranga

Maringá BOATES Dvinyl (F) - Av. XV de Novembro, 370 Luxurius Concept Hall - Av. São Paulo, 1005 - Zona 7 Espansão - Avenida Brasil, 2345 SAUNAS Sauna Tropical - Av. Humaitá, 743 Spaço 53 - Av. Centenário, 53 - Jd. Aeroporto

Ponta Grossa Bar Ponto G Lounge Bar - R. 7 de Setembro, 728


» RS Guia GLS « Porto Alegre

Coruja - R. Comendador Coruja, 189 - Floresta

Boates

Floresta - R. Dr. Valle, 88 - Floresta

Cabaret Indiscretus - R. Ernesto Alves, 169 - Floresta

Plataforma -R. Pernambuco, 2765 - Navegantes

Cine Theatro Ypiranga - Av. Cristovão Colombo, 772 - Floresta Eróticos Videos - Av. Alberto Bins, 786 - Centro Ocidente - Rua J. Telles esq. O. Aranha - Bom Fim

Thermas Point Sul - R. Cabral 468 - Rio Branco; www.thermaspointsul.com.br; telefone: (51) 3331-6324 Thermas Mezzaninu - R. São Salvador, 108 - Santa Maria Ghorett

Caxias do Sul

Refugius Megadanceteria - R. Marcílio Dias, 290 - Menino Deus

Boates

Vitraux Club - R. Conceição, 492 - Centro

NOX - R. Darcy Zaparolli, 111 - V. Iguatemi

NEO (F) - Av. plínio Brasil Milano, 427 - Auxiliadora BARES Anexo 456 - R. Fernandes Vieira - 4556 - Bom Fim Cia. da Arte Café - R. dos Andradas, 1780 Era uma vez - Av. Brasil, 132 - São joão Metrô Bar - Av. Farrapo0s (Estação) - S. Geraldo

Studio 54 - Visconde de Pelotas, 87 - Centro

São Leopoldo Boate My Way - R. D. João Becker, 968 - Centro

Pelotas BAR Odeon - Praça Gen. Pedro Osório, 63 - Centro Boate

Píer 174 - R. da República, 174 - Cidade Baixa

Free Space - R. 13 de maio, 626 - Centro

Venezianos Pub Café - R. Joaquim Nabuco, 397 - Cidade Baixa; www.venezianos.com.br; telefone: (51) 3221-9275

BAR

Santa Cruz do Sul Little Up - Júlio de Castilhos, 327 - Centro

SAUNAS Arpoador - R. Ivo Corsueli, 210 - Petrópolis Barros Cassal - R. B. Cassal, 496 - Independencia Convés Sauna Club -Av. Mauá, 1897 - Centro

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» SC Guia GLS « Florianópolis Bares Bar do Deca - Praia Mole (último no sentido Galhetas) Blues Velvet - R.Pedro Ivo, 147 - Centro Café das Artes (F) - R. Esteves Júnior, 734 Jivago Lounge - R. Dep. Leoberto Leal, 4 Rancho do Maneca - SC 405 Km 1, nº 472A Deny’s Bar - R. João Grumiche, trav. 437 - Kobrasol Ilha Café - R. Major José Augusto Faria, 20 - Centro BOATES Concorde Club - Av. Rio Branco,729 - Centro; www.concordeclub.com.br; telefone: (48) 3222-1981 Mix Café - R. Menino Deus, 47 - Centro SAUNAS

SAUNAS Sauna Clube - R. 2450, nº 86 Centro Sauna Batel - R. 2800, nº 422 - Centro Sauna Bianca - Rua Jamaica, 700 - Centro

Blumenau BOATES Galesi Mix 157 - R. Alwin Schader, 1 - Centro Fly Music Club - R. Carlos Rieschbieter, 950 - Centro SAUNA Sauna Bruno - R. Presidente Vargas - 173 - Centro

Criciúma

Thermas Hangar - R. Henrique Valgas, 112 - Centro Thermas Oceano - R. Luiz Delfino, 231 - Centro. tel.: (48) 3222-4547

BOATE

PEGAÇÃO

Joinville

Hunter Videoclub - R. Padre Roma, 431 - Último andar; www.huntervideoclub.com.br; telefone: (48) 3228-5868 Magia Video Club - R. Hoepcke, 76 - Centro

Bal. Camboriú Bares Duo Lounge - R. 300, 120 - Centro Sublime Café - R. Alvin Bauer, 555 - Centro Boates Levion - Av. Brasil, 3801 - Centro London - Av. do Estado, 1008 (Itajaí - BnC) Yes! Mix Club - Av. Atlântica, 1960 (Pç. Tamandaré) - Centro; www.yes.art.br; tel.: (47) 9959-0449

48

AVA Pub - Rod. Luiz Rosso, 1km após 28º GAC

Bar UP Bar - Rua do Príncipe, 766 BOATEs Ivyx Club Mix - Av. Procópio Gomes, 602 - Centro UP Club - Av. JK, 615 - Centro; www.upjoinville.com.br; tel.: (41) 3026-1767 SAUNA Thermas Joinville - R. Independência, 721 - Anita Garibaldi

Lajes Bar Habuhiah Bar - R. Gonçalves Dias, 183 (Fundos) - Coral 2002 - Barreiros


Playlist

DJ Luan Fernandez

O gatíssimo DJ curitibano esta há 3 anos na cena tribal e vem tocando nas melhores pistas do Sul. Performático e perfeccionista, seu estilo predileto é o Tribal House. Com carisma e feeling, sua pista nunca fica parada. Atualmente ele é residente do Code Bar e da Black Box, em Curitiba.

Divulgação

Top 10 01 – Zambrano & Hinojosa – Viciosa (Original Mix) 02 – Alex Dubbing & Luan Fernandez – Plastic Funk (Original Mix) 03 – Dennis Ferrer – Hey Hey (Original Mix) 04 –Cristina Aguilera – Not Myself Tonight (Original Mix) 05 – Luis Alvarado – I’ Love (Original Mix) 06 – Cheley Took The Night (Original Mix) 07 – Lady Gaga – Alejandro (Original Mix) 08 – Alvaro & Afro Bros – Dubbelfris (Original Mix) 09 – Tim Deluxe & Sam Obernik (Original Mix) 10 – Gramophonedzie – Why Don´t You (Original Mix)

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Luan Fernandez


Revista Lado A N°32  

A mais antiga revista para o público GLS brasileiro sem conteúdo erótico. Revista premiada e editada em Curitiba - PR com conteúdo de moda,...

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