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PLANO DE INFRAESTRUTURA VERDE PARA O CAMPUS CIDADE UNIVERSITÁRIA IEV- CUASO


Coordenação workshop - Prof. Dr. Paulo Renato Mesquita Pelegrino LABVERDE- FAUUSP - coord. Prof. Dra. Maria Assunção de Ribeiro Franco Participantes (ordem alfabética) Bruno Mendes

Juliana Simionato

Cintia May

Gerson Amaral

Cyra Malta

Prof. Dr. José Guilherme Schutzer

Douglas Costa

Prof. Dr. Newton Becker

Elizabeth Lima

Ramon Stock Bonzi

José Otávio Lotufo Co-autoria, Design e Produção Carme Machí Castañer Taícia Helena Negrin Marques Links de acesso Labverde: http://www.fau.usp.br/depprojeto/revistalabverde/index.html http://www.usp.br/fau/depprojeto/labverde/ Realização:

Apoio:

Plano de Infraestrutura Verde para o CUASO


O QUE VOCÊ ENCONTRARÁ AQUI introdução porque uma IEV Infraestrutura Verde e natureza como provedoras de serviços ecossistêmicos e socioambientais no Campus.

metodologia funções

1. aplicações, usos e mobilidade

2. manejo das águas 3. vegetação 4. paisagens produtoras

elementos aplicações reflexões e próximos passos

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Plano de Infraestrutura Verde para o CUASO


introdução A proposta apresentada nesta publicação tem suas raízes em dois projetos aprovados pela Superintendência de Gestão Ambiental da USP (SGA) no ano de 2013, o “Plano de viabilidade de Infraestrutura Verde para o CUASO” e o “USP 2020”. O objetivo desses projetos era o de utilizar o campus da USP, Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (CUASO), como um piloto para a discussão, planejamento e viabilidade de estratégias e técnicas de Infraestrutura Verde (IEV), criando uma rede verde multifuncional de dispositivos de Infraestrutura Verde que pudesse trazer benefícios ecossistêmicos e para a vida das pessoas.

A partir dos planos aprovados no SGA, foi desenvolvida a disciplina AUP671- Projeto de Infraestrutura Verde. Os trabalhos acadêmicos elaborados aí resultaram do empenho dos estudantes em lançar e testar ideias relacionadas às possibilidades de aplicação dos elementos da IEV no campus. Esse estúdio de projeto foi desenvolvido como um laboratório, e partiu da coleta e análise de dados referentes aos aspectos do meio físico, abiótico, biótico e de uso e ocupação do solo.

Levantamento in loco para evento da Oficina de Projeto. 15 a 22 de Setembro 2014. autoria: Newton Becker LABVERDE

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Como continuação da disciplina AUP671, e partindo dos resultados obtidos aí, desenvolveu-se nas dependências da FAU-USP uma oficina de projeto durante os dias 15, 18, 19 e 22 de setembro de 2014. A oficina contou com a participação de uma equipe multidiscplininar e de stakeholders (atores) interessados na melhoria do Campus. Os objetivos eram o de fomentar projetos de paisagens multifuncionais integrados desde a escala do edifício, às redes de infraestrutura de drenagem urbana e de mobilidade, além do cultivo de uma floresta urbana e melhora da biodiversidade.

Integração entre as diversas escalas edifício- quadra- Campus autoria: Taícia H. N. Marques 6

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Sendo assim, a oficina formatou um programa de metas, objetivos e identificou uma série de tecnologias (elementos) de IEV que poderiam ser implementados no Campus. A partir da tabulação desses dados e do enfoque estratégico de aproveitamento dos serviços ecossistêmicos provenientes da utilização de tecnologias inspiradas nos processos naturais, capazes de gerar maior flexibilidade e resiliência ao Campus, foram identificados diversos locais passíveis de receber as tecnologias propostas. Após a identificação dos locais, duas simulações foram feitas.

Os resultados alcançados até o presente momento são apresentados nesta publicação e visam, tanto fomentar a base de estudo para as próximas etapas do desenvolvimento de um Plano de Infraestrutura Verde para o CUASO, quanto informar os usuários e contribuir para que os administradores do campus possam dispor de alternativas de tratamento de seus espaços abertos e assim alcançar condições mais saudáveis e produtivas para as atividades que são desenvolvidas cotidianamente pela comunidade da USP.

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Antes da urbanização, o local do Campus da USP era dividido entre uma rica área de várzea situada ao longo da planície de inundação do Rio Pinheiros e as áreas de campos e matas das colinas que margeavam essa várzea. O campus do CUASO se estendia como planície pluvial, entre duas bacias hidrográficas, a do Jaguaré e a do Pirajussara, e concentrava as águas levadas por estes até o rio Pinheiros. Principalmente entre os anos 40 e 50, no período que precedeu à implantação do campus da USP-CUASO, foram executadas intervenções de grande impacto sobre o território ocupado pelo rio Pinheiros e seus afluentes, o que viabilizou a implantação de edifícios, infraestruturas, industrias e diversos equipamentos. Entre as principais atuações se destacam, o aterramento de planícies de inundação, a retificação, canalização e ocultação dos corpos d’água, formadores da bacia do rio Pinheiros, além da retificação do próprio rio, em 1945.

As operações para canalização, retificação e ocupação de córregos tornaram-se um tipo de prática comum na cidade de São Paulo, que obedecia a lógica do afastamento rápido das água, justificado como medida de saneamento necessária à vida urbana. No entanto, estas ações impactaram negativamente o território e seus processos indispensáveis para garantizar a proteção dos recursos naturais existentes.

Antes da retificação e na atualidade. Fotos aéreas da área do Campus CUASO junto à Bacia do rio Pinheiros, cidade de São Paulo, SP. Junho 1940 e anos 2000. fonte: SEURBE 8

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Produziu-se a partir daí, perda da capacidade de infiltração do solo, o aumento da velocidade de escoamento das águas, a alteração das condições térmicas prévias à urbanização e a eliminação de grande parte da fauna e biodiversidade. Na área entorno ao campus da USP-CUASO, a incorporação de novas áreas cobertas por asfalto, drenadas por infraestruturas da engenharia hidráulica tradicional, tem lançado, desde sua implementação, um volume cada vez maior e mais poluído de água no rio Pinheiros e em seus afluentes, além de impactar negativamente a biodiversidade, e a qualidade de vida das pessoas. O endurecimento da paisagem, através da implementação dessas infraestruturas “cinzas”, resultou num local onde pouco se aproveita os recursos encontrados localmente e onde cada vez mais impactos ambientais são vistos. Essa situação das áreas de entorno se repete dentro do Campus da USP onde espaços abertos originalmente permeáveis e ocupados por plantas e água, foram substituídos por sistemas de infraestrutura impermeáveis e serviram de base para a implantação de um sistema de mobilidade que prioriza o transporte motorizado, seja ele público ou privado, enquanto faltam infraestruturas que incentivem o deslocamento a pé e em bicicleta.

Localização e direção das águas: o Campus CUASO está localizado entre as bacias do Jaguaré e Pirajuçara, sendo suas águas pluviais destinadas naturalmente, a estes dois cursos d’água. fonte: imagem google Earth. Elaboração: Taícia H. N. Marques LABVERDE

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porque uma IEV Infraestrutura Verde e natureza como provedora de serviços ecossistêmicos e socioambientais

Este manual antecipa estratégias que possam orientar a tomada de decisões para a implantação do Plano de Infraestrutura Verde do Campus. Para isso são apresentadas opções de emprego de dispositivos naturais, de forma mista às infraestruturas urbanas existentes, com o objetivo de melhorar a gestão das águas urbanas enquanto requalificam os espaços abertos do campus. Essa transição possibilita modernizar ou alterar os vários elementos das infaestruturas “cinzas” que atuam de forma rígida e centralizada num sistema híbrido de infraestruturas distribuídas, flexíveis e capazes de regular fluxos metabólicos. Estas estratégias partem da ideia do emprego da paisagem como uma infraestrutura que mediante tecnologias verdes (elementos), contribui para reverter os efeitos danificadores dos processos da urbanização sobre o território. Estes elementos se integram como uma rede de sistemas naturais e resilientes, inserida no tecido urbano, para beneficiar o meio ambiente e seus habitantes, a esta rede verde mulfifuncional denominamos Infraestrutura Verde (IEV). Lagoa: Jardim Botânico de Berlim, Alemanha.2012 autoria: Taícia H. N. Marques LABVERDE

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Drenagens centralizada (acima) e natural (abaixo): Desenho esquemĂĄtico do funcionamento centralizado do sistema de drenagem convencional e do funcionamento da drenagem de forma natural. fonte: LID, 2010. Elaborado por Carme MachĂ­.

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Sistema Centralizado, descentralizado e distribuído. fonte: Baran, 1964. Elaborado por Taícia H.N.Marques.

Os benefícios que esta rede pode oferecer se dão de diversas formas, por exemplo, contribuindo para o manejo das águas de chuva, restituindo áreas verdes, mitigando os efeitos de ilha de calor, criando um ambiente propício para a caminhada e o uso da bicicleta, trazendo bem estar e saúde às pessoas, ampliando e qualificando a presença de fauna entre outros. A implantação da IEV garante a retomada de conceitos ecológicos no projeto de uma paisagem multifuncional, que seja tecnica e financeiramente viável, atenda a preocupações estéticas e possa ser replicada em outras paisagens urbanas. Este tipo de infraestrutura pode ser adotada em diversas escalas e situações, desde áreas mais extensas, como parques e áreas de preservação, até intervenções pontuais, como arborização viária, tetos e muros verdes e dispositivos de controle na fonte de escoamento superficial das águas de chuva, desenvolvendo estratégias de transição para fazer uso dos recursos naturais de forma mais eficaz.

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Esquema conceitual da metodologia empregada. fonte: Elaborado pelos participantes do workshop.

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metodologia Durante a oficina de projeto ‘Infraestrutura Verde para o Campus da USP- CUASO’, desenvolvida pelo laboratorio LABVERDE, foi possível a consolidação de um processo metodológico ágil e perspicaz baseado na proposta de pensar uma rede verde de dispositivos para os espaços abertos do Campus associados a seus possíveis benefícios, que se respalda na lógica da combinação de objetivos e elementos para geração rápida de ideias.

1º passo: detectar quais os objetivos e metas a serem atingidos através da implementação das estratégias de infraestrutura verde. 2º passo: identificar como atingir os objetivos e metas através dos elementos de infraestrutura verde passíveis de serem implementados no Campus. 3º passo: identificar onde estes elementos podem ser implementados. as áreas abertas passíveis de receber projetos específicos ou serem englobadas em redes mais amplas de infraestrutura verde.

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1º passo:

como?

2º passo:

Objetivos

Elementos

Lazer Caminhar Pedalar Amenização de veículos Transporte público Encontro Melhorar a drenagem Arborizar Conservar as nascentes Naturalizar córregos Biodiversidade Recuperação áreas degradadas Conservação vegetação significativa Agricultura urbana Acessibilidade Divulgação eventos Retrofit de Edifícios Resíduos e dejetos sólidos Conforto e energia

Caminhos verdes Corredores verdes Floresta urbana Canais naturalizados Biovaleta Jardim de chuvas Canteiros pluviais Bacias Alagados/lagoas Tetos e Paredes Verdes Cisternas Pisos drenantes Áreas reservatório Ilhas flutuantes Hortas e Pomares Geometria Viária Ciclo Faixa-Rua-Via Mobiliário Urbano Comunicação Sinalização Abrigos Transposições Conveniência Biomassa Solar Eólicos Trilhas Verdes Compostagem/ reciclagem Bioengenharia Passarelas

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aonde?

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3º passo:

Áreas passíveis de receber elementos de IEV Recuperação paisagística do 01 Parque dos Museus Transposições e acessos 02 Beira-raia 03 Parque linear do Pirajussara 04 Tejo Praças de Encontro/ multiplo uso 05 Praça do Relógio 06 Córrego Oculto 01 07 Córrego Oculto 02 Parques viários Corredor do Cerrado Estacionamentos drenantes Cinturões de Mata Atlântica Córregos ocultos e nascentes Ruas compartilhadas Novos Edifícios Retorfite de edifícios existentes

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camadas/ funções Usos- mobilidade- acessibilidade Manejo das Águas Vegetação Paisagens produtivas LABVERDE

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4º passo: 4o passo: Formular questões entorno das áreas selecionadas. 5o passo: Combinar objetivos, elementos e áreas passíveis de receberem projetos a fim de responder a questão elaborada no 4a passo.

Como redesenhar os estacionamentos para renaturalização da drenagem?

Após a listagem de objetivos, elementos e áreas passíveis de projeto foi feita uma correlação entre os dois primeiros ítens (objetivos e elementos) e quatro funções derivadas dos diversos benefícios esperados para o Campus: usos e mobilidade, manejo das águas, vegetação e paisagens produtivas. Dessa forma foi possível compreender quais funções poderiam ser desempenhadas por cada elemento na paisagem.

Esquema conceitual da metodologia empregada. fonte: Elaborado pelos participantes do workshop. autoria foto: Carme Machí.

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5º passo:

funções

valorização das águas

elementos IV

Lagoas pluviais

melhora da drenagem infiltração e fitorremediaçao Parede Verde

evapotranspiração eficiência energética

lazer e esporte

Floresta Urbana

áreas mais seguras biodiversidade paisagens produtivas

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funções

Os benefícios esperados através da aplicação de elementos de IEV na paisagem foram agrupados em quatro funções gerais:

1. Apropriação, uso e mobilidade;

2. Manejo das águas;

3. Vegetação;

4. Paisagens Produtivas;

Campus CUASO: as quatro funções gerais: apropriação, uso e mobilidade; manejo das águas; vegetação; paisagens produtivas . fonte: http://www.imagens.usp.br. LABVERDE

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1. apropriação, uso e mobilidade Os espaços abertos foram analisados a partir da morfologia urbana imposta no desenho original do campus, os quais foram orientados pelo racionalismo funcional da época, gerando vários aspectos negativos dentre eles a segregação funcional e a geração de áreas livres pouco atrativas para uso e ocupação. Além dessa característica, as distancias excessivas entre os edifícios e a desconexão destes com o viário, transformam a rua em via exclusiva para circulação de veículos, sem outras atividades e alienada da vida quotidiana. A introdução de tecnologias de IEV tem como objetivo reinterpretar as tipologias tradicionais , propciar espaços urbanos mais vivos e dinâmicos, atribuindo novos usos, amenizando os fluxos de circulação e se adaptando para situações de mudança conforme três componentes básicos para a revitalização do espaço público: concentração, conectividade e multifuncionalidade (Morales, Manuel de Solá, 2008). A partir destes componentes serão explorados os potenciais de apropriação, uso e moblidade dos espaços abertos do Campus.

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Lazer e esporte Considerando as dimensões totais de áreas verdes e instalações esportivas existentes, o CUASO torna-se uma área de grande atrativo para que diversas atividades de lazer ocorram, assim como para a prática de esportes. Estas áreas podem integrar-se à rede geral de equipamentos urbanos de São Paulo, oferecendo atividades tanto para seus usuários como para os frequentadores externos. Segurança A segurança no Campus pode ser intensificada justamente pelo uso constante dos espaços abertos, pelas atividades de convívio, de socialização e a presença de fluxos constantes de pedestres e ciclistas.

Pedestre cruzando a rua em segurança no Campus CUASO, SP. fonte: http://www.imagens.usp.br.

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Encontros, eventos e geração de comércio informal Existem no campus grandes distâncias a percorrer, e a degradação dos espaços públicos, somados ao isolamento dos prédios que se voltam para si, prejudicam os encontros e a socialização, tão importantes na vida universitária, na vida urbana. Para melhora destes fatores é preciso valorizar os espaços abertos de forma a também manter um fluxo contínuo de troca de conhecimento através de eventos e concertos, atividades esportivas ou culturais e exposições ou palestras que possam ocorrer em diversos horários e locais abertos do Campus. Saúde pública A presença de uma rede verde multifuncional pode melhorar a qualidade do ar, atuar como barreira acústica, servir como proteção contra ventos e projeção de material particulado proveniente das ruas e avenidas. Além disso, a presença de áreas verdes pode ser um fator de relaxamento para as pessoas que utilizam o Campus o que agrega valores anti-stress e pode trazer benefícios pscicológicos. Harmonização de veículos O elementos de IEV podem estar presentes como estratégias de Traffic Calming para a melhora da segurança do pedestre.

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Circulação de pedestres e bicicleta A circulação a pé pode ser beneficiada através da qualificação dos espaços abertos e calçadas. Paralelamente, propõe-se o incentivo ao uso da bicicleta, não só como atividade recreativa, mas também como modo de transporte alternativo e ambientalmente sustentável, através da adequação do sistema de ciclofaixas existente, sua extensão e conexão com o sistema de transporte coletivo e individual, dentro e fora do próprio campus. Transporte público A Infraestrutura verde poderá estar associada a meios de transporte sobre trilho, por exemplo o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), preenchendo as áreas permeáveis entre os trilhos. Além disso, elementos de IEV podem ser dispostos ao longo de percursos como corredores verdes ou associados às paradas de ônibus e VLT, em tetos verdes e outros elementos na paisagem.

Rua compartilhada no Campus CUASO, SP. fonte: http://www.imagens.usp.br. autoria: Cecília Basto.

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2. manejo das águas

O Campus da USP pode ser abordado do ponto de vista ecossistêmico, considerando os diversos processos ecológicos assim como aqueles resultantes das atividades humanas. Atualmente o manejo das águas pluviais é feito através de infraestruturas tradicionais, rígidas e centralizadas responsáveis pelo afastamento rápido das águas durante as chuvas. Esse sistema, apesar de eficiente no afastamento das águas, vem se tornando cada vez mais sobrecarregado e lança um grande volume de águas poluídas por componentes difusos em cursos d’água a jusante, causando outros danos infraestruturais e ambientais. Através da aplicação de elementos de IEV, associados a estas redes, será possível restabelecer algumas funções ambientais quanto ao ciclo natural das águas e flexibilizar a rede atual de infraestrutura. Estas poderão ser tratadas e coletadas localmente, serem parcialmente ecaminhadas para reservatórios de aproveitamento, serem drenadas para corpos d’água a jusante ou infiltrar lentamente no solo, reabastecendo as fontes subterrâneas de água. Dessa forma, será possível devolver ao meio ambiente ou utilizar água de qualidade a partir das chuvas .

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Conservação das nascente O Campus abriga diversas nascentes, que poderão ser protegidas e recuperadas através da infraestrutura verde, garantindo a qualidade das águas e a perpetuação das nascentes.

Nascente do Oceanográfico da USP fonte: ‘Córregos ocultos na Cidade Universitária’. autoria: Ramón Stock Bonzi

Melhora da drenagem Os elementos de IEV podem ser inseridos nas áreas de nascentes e ao longo dos córregos além de serem dispostos com os objetivos de incrementar o retardamento, infiltração, armazenamento e evaporação das águas pluviais. Valorização da água As águas dos córregos históricos localizados no interior do Campus, hoje se encontram canalizadas, tamponadas e tem as costas de edifícios e acessos voltados para si, ao longo de seus cursos. Através da implementação de estratégias de IEV, esses córregos poderão ter suas margens requalificadas ao mesmo tempo que são reintegrados no contexto do Campus, através de acessos, áreas de caminhada, ciclovias e áreas de estar interconectadas com outros espaços abertos de multiplo uso. LABVERDE

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3. vegetação

Parte-se da prospecção de IEV, com atitudes de sobrevivência no ambiente urbano, que possa conectar massas arbóreas e reestabelecer fluxos de biodiversidade ou corredores verdes, através da utilização de espécies capazes de tolerar intensa competição perante os altos níveis de estresse ambiental. À inserção deste sistema, aliam-se os objetivos de resiliência dos ecossistemas naturais, estabelecendo, por sua vez, novas condições e uso da paisagem, tais como seu cultivo ou suas funções para fitorremediação. Desta maneira, cria-se uma rede que conecta os ecossistemas naturais num sistema extenso e continuo.

Capim barba de bode no Campus do CUASO, SP. 2014. fonte:https://arvoresdesao paulo.wordpress.com/fotosplantas-do-cerrado. 30

Língua de tucano no Campus do CUASO, SP. 2014. fonte:https://arvoresdesao paulo.wordpress.com/fotosplantas-do-cerrado. 2014.

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Biodiversidade No seu estado natural, esta região apresentava uma vegetação particular, confluência de vários biomas, combinando o cerrado, a mata Atlântica e os alagados de várzea. Propõe-se a identificação da flora e fauna significativa com o intuito de conservar as partes intactas e propor um progressivo reflorestamento e replantio, como alternativa ao plantio de grama existente. Bioremediação em áreas contaminadas No campus, existem áreas degradadas de diversas naturezas. Propõe-se a identificação do tipo e nível de degradação, além da aplicação de sistemas de bioremediação, contenção de contaminantes e remoção de entulho. Conservação e recuperação da vegetação significativa A mata no entorno do Instituto de Biologia e diversos pequenos bolsões de cerrado devem ser preservados, enriquecidos e conectados. Igualmente, as massas arbóreas significativas devem se conservar e expandir para criação de cinturões de Mata Atlântica.

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4. paisagens produtivas

Como rede de dispositivos naturais, a IEV transforma a paisagem em um sistema mais eficiente em termos energéticos, visando a contribuição no desenvolvimento de um território energeticamente sustentável. À função energética, vincula-se a ideia da reciclagem, geração de energia e redução do consumo em edificações. No esforço por desenvolver paisagens mais sustentáveis do ponto de vista energético, e se integrando ao sistema de Infraestrutura Verde proposto, estas novas estratégias, que conservam e transformam eficientemente a energia, redistribuemse no Campus, seguindo os princípios de flexibilidade e descentralização inerentes a IEV. Tratados como pequenos sistemas de energia, e se integrando ao desenho dos espaços verdes, seguiriam a lógica da interação entre geração e consumo de energia locais.

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Reciclagem e destinação de resíduos Os tipos de resíduos gerados no campus devem ser analisados quanto à melhor destinação e potencial energético.

Destinação conjunta de diversas variedades de resíduo. Campus do CUASO, SP. fonte: http://noticias.bol.uol.com.br.

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Edifícios energeticamente eficientes O campus abriga edifícios de grande porte, que poderiam aperfeiçoar o consumo de energia. Devem se considerar estratégias básicas para o retrofite destes prédios para a melhora do desempenho térmico, a instalação de sistemas de energia renovável como painéis solares ou fotovoltaicos e pequenas turbinas eólicas, além da incorporação de sistemas para melhora da eficiência energética. A introdução de estratégias de IEV podem atuar principalmente durante a fase de retrofite, através da utilização de elementos de pequeno porte capazes de contribuir para a requalificação térmica do edifício.

Painéis solares no telhado de edifício.Campus CUASO, SP. fonte: www.imagens.usp.br.

Plantas de biomassa Explora-se o potencial da produção de energia através de recursos naturais, como a biomassa. Para direcionar o aproveitamento energético dos recursos, a matéria viva existente pode ser usada como fonte natural renovável de baixo custo, parte de uma estratégia para geração de energia no local. 34

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Paisagens produtivas e agricultura urbana ecológica Tratando-se de um grande equipamento que desenvolve pesquisas e serviços sociais e educativos, o campus pode ser um rico local de agricultura urbana experimental. Se aplica a ideia da agricultura urbana ecológica, para cenários de transformação de áreas verdes gramadas em espaços de alta produtividade agrícola, gerando produtos para o consumo local, com ciclo de nutientes fechados através de processos de compostagem e utilização de água armazenada da chuva para irrigação.

Agricultura urbana. Campus CUASO, SP. fonte: http://www.imagens.usp.br.

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elementos

Os elementos de IEV devem ser estabelecidos conforme as necessidades derivadas das deficiências atuais dos espaços abertos do Campus. Advogando por táticas sustentáveis, estas prioridades atendem aos aspectos abordados até aqui seguindo as 04 funções gerais: 1. Apropriação, uso e mobilidade; 2. Manejo das águas; 3. Vegetação; 4. Paisagens Produtivas. Deste modo, podemos indicar os vários elementos ou dispositivos que integram uma rede verde multifuncional, expondo todo seu potencial para aplicabilidade no plano de Infraestrutura Verde para a melhora dos espaços abertos do Campus, como sistemas integrados para múltiplos benefícios ecossistêmicos e socioambientais.

Exemplos de elementos da Infraestrutura Verde.

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Jardim de Chuva Trata-se de depressões topográficas que receberam o escoamento da água pluvial proveniente de telhados e demais áreas impermeabilizadas limítrofes. O solo age como esponja, removendo poluentes difusos. Em função das condições geotécnicas locais, a água pode ser infiltrada ou vertida em extravasadores. Mesmo jardins de chuva pequenos podem ser muito eficientes na melhoria da qualidade da água. Funções : Infiltração parcial ou total, capacidade de retenção de parte das águas das chuvas, remoção de poluentes, evapotranspiração.

Desenho em perspetiva e corte de Jardim de Chuva. autoria: trabalho gráfico das autoras. Foto: Jardim de chuva biblioteca Maple Valley, Washington, EUA. autor: Nathaniel S.Cormier 38

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Canteiro Pluvial Trata-se basicamente de jardins de chuva que foram compactados em pequenos espaços urbanos. Pode contar com um extravasador caso não tenha suficiente capacidade de infiltração. Funções: Infiltração parcial ou total, capacidade de retenção de parte das águas das chuvas e remoção de poluentes, evapotranspiração.

Desenho em perspetiva e corte de Canteiro Pluvial. autoria: trabalho gráfico das autoras. Foto:Liberty Center Parking Garage. Portland, Oregon. autor: Nate Cormier. LABVERDE

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Biovaleta Semelhantes aos jardins de chuva, dispõem-se neste caso longitudinalmente preenchidas com solo e vegetação que filtra a água e processa os poluentes, retardando o tempo de escoamento e dirigindo as águas ao ponto de retenção e detenção. Consegue também infiltrar, mas não tanto como no caso do jardim de chuva. Funções: Infiltração parcial ou total, remoção de poluentes, evapotranspiração.

Desenho em perspetiva e corte de Biovaleta. autoria: Taícia H. N. Marques Foto Biovaleta do parque East Esplanade, Oregon, Portland, EUA. fonte: Nathaniel S. Cormier 40

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Lagoa Pluvial O funcionamento seria o mesmo da bacia de retenção, recebendo o escoamento superficial da drenagem. Parte da água pode permanecer retida durante o período de chuva, como um alagado construído. Precisa de grande espaço pois permite armazenar volumes maiores. Funções: retenção, contribuindo às vezes à melhora da água e da biodiversidade.

Desenho em perspetiva e corte de Lagoa Pluvial. autoria: trabalho gráfico das autoras. Foto Jardim Botânico de Berlim., 2012. fonte: Taícia H. N. Marques. LABVERDE

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Teto Verde Apresentam uma cobertura de vegetação sobre terra com composto orgânico e areia, protegendo da infiltração por meio de uma membrana impermeável. Os tetos verdes ampliam as áreas verdes, constrastando com o espaço ocupado por edifícios na cidade. Funções: aumento da eficiência energética nos edifícios, estende a vida útil da impermeabilização da cobertura, criação de habitat, biodiversidade, mitigação das ilhas de calor urbano.

Desenho em perspetiva e corte de Teto Verde. autoria: trabalho gráfico das autoras. Foto telhado verde Centro Cultural de São Paulo, SP.

fonte: www.jardimdesiguta.blogspot.com. 42

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Hortas e Pomares Urbanos Trata-se de hortas também comunitárias instaladas nas imediações de comunidades, nas quais os próprios moradores produzem hortaliças e frutas tanto para consumo próprio como para comércio local. Funções: geração de atividades sociais, economia informal integrada às potencialidades naturais, biodiversidade e serviços ecossistêmicos, preservação de patrimônio e valorização da qualidade estética da paisagem agrícola, aproximação do cidadão as práticas agrícolas e os elementos naturais, promoção da convivência baseada na apropriação cooperativa dos espaços públicos, contribuição ao abastecimento e a segurança alimentar.

Desenho em perspetiva de Horta Urbana. autoria: Carme Machí. Foto horta urbana ‘Value Farm Shenzen’, Shenzen, China. fonte: www.solam.com. LABVERDE

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Floresta Urbana Trata-se de uma floresta, dentro ou nas proximidades dos núcleos urbanos e seus habitantes, influenciada por fatores impactantes da cidade, principalmente os da poluição sonora e ambiental. Para tanto, as florestas urbanas exigem uma manutenção e cuidado especial, e a seleção de espécies resilientes às condições adversas do meio ambiente urbano. Funções: Criação de hábitat para espécies vegetais e animais e melhoria da biodiversidade, conexão de áreas verdes, captação de carbono e redução do efeito de ilha de calor, funções de evapotranspiração e contribuição ao aumento da disponibilidade da água, redução da erosão e proteção das áreas de encosta e áreas de várzea dos rios.

Desenho em perspetiva e corte Floresta Urbana. autoria: Carme Machí. Foto Berlim, Alemanha, 2012. fonte: Taícia H.N.Marques 44

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Caminhos verdes Cinturoes de Mata Atlântica- Cerrado Rotas que unem, através da natureza, fragmentos florestais ou unidades de conservação, separados pela interferência humana, e que, no caso específico de São Paulo, podem ser visualizados conectando as áreas de cerrado e mata Atlântica. Funções: O corredor pode proporcionar o abrigo, refúgio e alimentos às diversas espécies animais que circulam neste, e reduzir os efeitos da fragmentação dos ecossistemas ao promover fluxo gênico entre as espécies de fauna e flora.

Desenho em perspetiva de Caminhos Verdes e Cinturão de Mata Atlântica- Cerrado. autoria: Carme Machí. Foto Jena, Alemanha, 2012. fonte: Taícia H.N.Marques LABVERDE

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Parede Verde Instalação de estrutura vertical, ancorada à parede ou autoportante, com aparência de jardim vertical, que pode ou não ser usado para o cultivo como forma de agricultura urbana. Funções: biorretenção, umedecimento do ar por evaporação, redução de temperaturas internas ao edifício, qualidades estéticas.

Desenho em perspetiva Parede Verde. autoria: Carme Machí. Foto parede verde. fonte: Taícia H. N. Marques 46

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Piso drenante Tipo de pavimento trafegável ou pisoteável altamente permeável que permite o armazenamento e a infiltração de águas pluviais, e contacto direto do solo com o ar. Geralmente este pode ser executado com blocos, sejam estes vazados ou intertravados, também são usados os pavimentos filtrantes, geossintéticos, geocélulas, grelhas de metal, passarelas de madeira, gramados, brita, pisos flutuantes com armazenamento, entre outros. Funções: Aumento da permeabilidade do solo, filtração de partículas, redução da vazao de escoamento.

Desenho em perspetiva Piso Drenante. autoria: Carme Machí. Foto aplicação ‘pisograma’, São Paulo. fonte: www.rhinopisos.com. LABVERDE

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Ilhas Flutuantes Sistemas ativos para tratamento das águas, compostos de plantas aquáticas, que funcionam de maneira semelhante às ‘wetlands’ construídas, atuando como estruturas secundárias e terciárias de tratamento de esgoto, e secundarias de efluentes industriais. As ilhas flutuantes estariam inspiradas no conceito da biomimética, e agiriam de maneira altamente eficiente em relação ao seu custo de implantação se comparar com as estações de tratamento de águas residuais convencionais. Funções: melhora da qualidade da água, ajuda à criação e manutenção de hábitat tanto terrestre quanto aquática na interfase entre os dois, auxilio na degradação da matéria orgânica presente, aumento da qualidade estética dos corpos de água, etc.

Desenho em perspetiva Ilha Flutuante. autoria: Carme Machí. Foto ilha flutuante. Biomatrix Water. Filipinas. fonte: www.biomatrixwater.com 48

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Vegetação em curva de nível Dispostas paralelamente às curvas de nível, as massas de arbustos podem retardar a descida das águas e diminuir o efeito erosivo do escoamento superficial das águas de chuva nas áreas de maior encosta. Além disso, o plantio de árvores tanto ao longo das curvas de nível quanto dispostas pelo terreno em declive/ aclive pode evitar o processo erosivo e criar ambientes para o crescimento de outras espécies vegetais e desenvolvimento da fauna. A vegetação em curva de nível, também pode compor áreas destinadas à agricultura. Funções: Filtragem e desaceleração do escoamento das águas, contenção de erosão, produção de alimentos, criação de ecossistema.

Desenho em perspetiva Vegetação em curva de nível. autoria: Carme Machí. Foto área em declive com espécies nativas. São Paulo. fonte: www.arvoresdesaopaulo.wordpress.com LABVERDE

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Canais e córregos ocultos renaturalizados Trata-se de recuperar os cursos d’água que sofreram modificações de maior ou menor intensidade através por exemplo, da ocupação das suas margens e perda da vegetação ripária, redução da seção, interrupções ao longo do canal, retificação, etc. O procedimento da renaturalização envolve ações diversas que podem ser realizadas conforme a cada caso. Entre estas podemos destacar a descanalização e restituição da vegetação da calha e replantio de vegetação ciliar nas margens, a substituição de canais fechados por canais a céu aberto, a eliminação de interrupções para restauro do fluxo, a recuperação do leito principal para escoamento da vazão de base, e desenho natural do canal. Funções: regulação dos picos pluviométricos, controle das enchentes e dos danos socioeconômicos associados, melhora da qualidade das águas, contenção das margens, valorização da paisagem, reaproximação e convivência com a água no espaço público, evapotranspiração e melhora do microclima, restituição da vida vegetal e animal.

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Desenho em perspetiva Córrego Renaturalizado. autoria: Carme Machí. Foto Córrego Pirarungáua renaturalizado no Jardim Botánico da cidade de São Paulo, SP. fonte: http://www.ambiente.sp.gov.br/ LABVERDE

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Piso drenante Jardim de Chuva e Lagoas Pluviais Telhado Verde Sistemas de bioengenharia Canais pluviais

Circulação de tráfego lento e ruas compartilhadas Ruas para pedestres e bicicletas Transposições e melhora da acessibilidade

Cinturões de Mata Atlântica e de Cerrado Cinturões de Mata Atlântica e de Cerrado Divisoras de água Corredores verdes e Arborização

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aplicações

Combinando os objetivos e funções aos elementos que integram a IEV, foi possível partir para o próximo passo da metodologia, na busca de locais passíveis de receber intervenções dentro do Campus. Para tal, foram elaborados trê mapas temáticos da área conforme o potencial encontrado para a inclusão de elementos que podem colaborar para o manejo local das águas, para a melhora da mobilidade e para o aumento das áreas verdes e biodiversidade. Como ferramenta de auxílio para a descoberta dessas áreas potenciais e o lançamento de ideias, foram formuladas uma série que questões, tais como: Como podemos tornar mais segura e viável a circulação dos pedestres?, como podemos diminuir as áreas de estacionamento?, como podemos renaturalizar a drenagem?, como podemos conectar as manchas de vegetação?

Mapas temáticos: durante a Oficina foram elaborados mapas temáticos focados nas possibilidades quanto às águas, mobilidade e áreas verdes em relação à implementação de elementos de IEV no CUASO. LABVERDE

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Como resultado, foi possível prospectar áreas com características similares, as quais foram agrupadas sob um mesmo nome, como por exemplo “Transposições e acessos”, ou únicas e passíveis de receberem projetos específicos, como por exemplo “Praça do Relógio”. Abaixo, segue a lista destas potenciais áreas, com destaque no mapa ao lado, para aquelas “únicas”. 01 Recuperação paisagística do Parque dos Museus - - Transposições e acessos 02 Beira-raia 03 Parque linear do Pirajussara 04 Tejo -- Praças de Encontro/ multiplo uso 05 Praça do Relógio 06 Córrego Oculto 01 07 Córrego Oculto 02 -- Parques viários -- Corredor do Cerrado -- Estacionamentos drenantes -- Cinturões de Mata Atlântica -- Córregos ocultos e nascentes -- Ruas compartilhadas -- Novos Edifícios -- Retorfite de edifícios existentes Áreas passíveis de projetos específicos na área do Campus. fonte: material gráfico realizado pelos autores com base do Google Earth.

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02 04 06

05 07

03

01

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evapotranspiração amenização trafego de veículos biodiversidade

fitoremed paisagem sustentável

valorização das águ e paisagem tratamento

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IV - vegetação em curva de nível

recuperação vegetação

amenização tráfego

IV - córregos renaturalizados

diação

uas

das águas

valorização das águas

melhora da drenagem

biodiversidade paisagens produtivas

IV - ilhas flutuantes

fitoremediação

benefício saúde pública

Imagem ilustrativa do corte de córregos renaturalizados próximos a avenidas. autoria: Gerson Amaral. LABVERDE

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IV - áreas filtrantes e reservatórios

melhora da drenagem

fitoremediação

IV - corredores verdes

fluxo pedestres recuperação vegetação biodiversidade bicicletas

melhora do transporte público

Recuperaçao da vegetaçao

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evapotranspiração e fitorremediação

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IV - biovaletas

amenização tráfego

melhora da drenagem

IV - pavimento drenante

fluxo pedestres bicicletas

melhora da drenagem

geração de paisagens urbanas mais sustentáveis

prioridade do pedestre melhora da drenagem Imagem ilustrativa do corte ao longo de avenida. autoria: Gerson Amaral. LABVERDE

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reflexões próximos passos

Este breve manual tem por princípio ser um material didático, acessível para o público geral, que enuncia os benefícios que a introdução de estratégias de Infraestrutura Verde poderia trazer quanto à sustentabilidade do Campus e à qualidade de vida de seus usuários. Além disso, o conteúdo desta publicação pode ser considerado no âmbito da própria cidade de São Paulo, ou outros contextos urbanos- principalmente frente à atual crise hídrica - pois aborda alternativas para o manejo e tratamento local das águas urbanas mediante múltiplas possibilidades de aproveitamento deste recurso. Sendo assim, o manual pode ser utilizado como base de orientação para a instalação e priorização de alternativas naturais frente àquelas tradicionalmente utilizadas a fim de reverter a deficiência pela qual vem passando esse sistema centralizado e rígido de infraestruturas, historicamente instalado no meio urbano.

Vista a partir do telhado da FAU. Campus da USP, SP. 2014. autoria: Newton Becker LABVERDE

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A transição de infraestruturas rígidas e centralizadas, para formatos que retomem funções ecossistêmicas e possam contribuir para uma cidade mais resiliente, pode ser alcançada mediante o emprego de Infraestruturas Verdes. No desenvolvimento deste manual foram abordados os elementos passíveis de implementação no Campus e seus benefícios diretos, como o manejo local das águas pluviais e a ampliação de áreas verdes, e complementares tais como, saúde pública, lazer, encontro, fluxos de pedestres e bicicletas, microclima, entre outros que possam vir a contribuir para a melhora da operabilidade de diversas funções urbanas do Campus. Desta maneira, o conceito de Infraestrutura Verde supõe um sistema natural que integra estratégias que beneficiam tanto à recomposição de ecossistemas naturais quanto à melhora da qualidade de vida. Levando-se em consideração esses aspectos, este manual espera contribuir no direcionamento de estratégias de melhora da sustentabilidade geral do Campus da USP lançando um modelo piloto de ação que antecipe futuras atuações nos outros campi. O manual dispõe, para a Prefeitura da USP, diretrizes para a tomada de decisão, apresentando exemplos de como tornar as infraestruturas do campus mais resilientes, com o objetivo de gerar benefícios ecológicos e climáticos, com contrapartidas e ganhos financeiros, ecossistêmicos e de bem-estar para os usuários. Além destes aspectos, também é mencionada a importância do desempenho das infraestruturas de mobilidade que priorizem os deslocamentos a pé e por bicicletas; a implantação de medidas para a melhora da eficiência energética; e, por fim, o aproveitamento dos resíduos sólidos urbanos, através de sua gestão e destinação eficientes.

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Em relação ao trabalho desenvolvido pelos pesquisadores da USP, este manual pretende abrir oportunidades de pesquisa através do teste de hipóteses de introdução de elementos de Infraestrutura Verde. Tais hipóteses podem, e devem, ter um carater multidisciplinar, a partir do momento que diversas mensurações e testes podem ser feitos, desde aqueles que avaliam sua viabilidade econômica e benefícios diretos, até aqueles de carater técnico e de desenho. A proposta é que o próprio Campus seja tratado então, como local de teste das tecnologias pesquisadas. Visa-se também tornar o projeto conhecido pela Comunidade do Campus através de uma linguagem acessível que os informe a respeito das intenções do Plano de Infraestrutura Verde para o CUASO. Dessa forma, pretende-se abrir possibilidades à participação no processo de definição das próximas etapas do projeto e ao mesmo tempo popularizar o conhecimento sobre a importância de gerir adequadamente os recursos hídricos através de infraestruturas multifuncionais que possam beneficiá-los no dia a dia do campus de diversas formas. Os próximos passos do desenvolvimento do Plano visam a concretização de projetos pontuais, ou seja, da inserção de elementos de Infraestrutura Verde conforme as necessidades existentes em locais específicos do campus. A partir da implementação desses projetos será possível avaliar os impactos gerados quanto a seus diversos benefícios, sobretudo àqueles relacionados ao manejo das águas pluviais.

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Plano de Infraestrutura Verde para o Campus Cidade Universitária da USP  

Este manual antecipa estratégias que possam orientar a tomada de decisões para a implantação do Plano de Infraestrutura Verde da Cidade Univ...

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