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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA LABORATÓRIO DE CARTOGRAFIA DIGITAL- LABOCART FUNDAÇÃO CEARENSE DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO-FUNCAP 1

Título do Projeto: “ANÁLISE INTEGRADA DAS CONDIÇÕES SOCIOAMBIENTAIS DA PRAIA DAS FONTES, CEARÁ, BRASIL”

Fortaleza-Ce 2011 1 INSTITUIÇÃO FINANCIADORA DO PROJETO.


Laboratório de Cartografia Digital LABOCART-UFC Área de concentração: Geociências

1. INSTITUIÇÃO - SEDE Universidade Federal do Ceará Centro de Ciências LABOCART- Laboratório de Cartografia Digital Endereço: Av. Mister Hull, Bairro: Pici, CEP: 60455-760 Fone: (85) 3366 9855 / 3366 9857 Fax: (85) 3366 9864 Página na internet: http://www.labocart.ufc.br

1.1 COORDENADOR Adryane Gorayeb, Doutora Professora efetiva – Universidade Federal do Ceará

1.2 ORIENTANDO Filipe Maciel de Moura Curso de Graduação em Geografia-Bacharelado - Universidade Federal do Ceará


Sumário Introdução..............................................................................................4 Objetivos................................................................................................5 Metodologia...........................................................................................6 Resultados Esperados.............................................................................8 Bibliografia..............................................................................................9 Cronograma de Atividades....................................................................10


1. Introdução Este trabalho pretende analisar as condições socioambientais da Praia das Fontes, no município de Beberibe, localizado no Litoral Leste do Ceará. Esta área é um dos pontos turísticos mais procurados em nosso Estado, em função da exuberância e das peculiaridades de seus ecossistemas litorâneos, que acabam por criar um sistema natural constituído, por exemplo, por fontes naturais de água doce e extensa área de falésias. Logo, temos que a área de estudo é mais vulnerável à intervenção humana, por conta da maior complexidade, gerada tanto pela própria dinâmica natural, como pela ocupação humana dos ambientes ali existentes. A orla marítima representa uma unidade geográfica espacialmente vulnerável a fenômenos naturais ligados aos processos costeiros, como os fenômenos de erosão e deposição praial, inundação costeira, incidência de ventos intensos, marés, entre outros. O estudo da dinâmica da zona costeira é de suma importância, já que ela representa a interface entre o continente, o oceano e a atmosfera, havendo a ocorrência dos processos marinhos, continentais e atmosféricos. Essa interação conduz a variações na morfodinâmica e hidrodinâmica dos ambientes litorâneos, traduzida em um conjunto de formas deposicionais, que, em resposta aos processos hidrodinâmicos, apresenta uma variabilidade espaço-temporal. A ocupação humana dos espaços costeiros vem, portanto modificar os já complexos processos naturais da dinâmica litorânea, alterando o padrão existente, e tornando essas áreas mais vulneráveis do ponto de vista socioambiental. Logo, este trabalho tem o intuito de analisar, de forma integrada, as condições socioambientais da Praia das Fontes, o que permitirá a elaboração de estratégias de planejamento, considerando tanto as formas de uso e ocupação, como as características ambientais da referida área.

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Objetivos

2.1 Geral

A presente proposta tem por objetivo realizar um diagnóstico das condições socioambientais da Praia das Fontes, através de uma análise integrada, que permita a elaboração de estratégias de planejamento para a área de estudo.

2.2 Específicos

• Realizar um levantamento das condições tipológicas das unidades analisadas, através da construção de perfis topográficos e análise textural dos sedimentos praiais; • Representar cartograficamente as unidades de paisagem litorânea, destacando as características do ambiente físico e formas de uso e ocupação; • Elaborar uma síntese dos principais tipos de impactos socioambientais decorrentes dos processos naturais e/ou formas de uso e ocupação dos ambientes litorâneos; • Propor medidas de gestão ambiental para a recuperação e manejo dos ambientes litorâneos, a partir de estratégias de planejamento e educação ambiental;

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Metodologia Os procedimentos metodológicos aqui empregados obedecerão à análise sistêmica das questões socioambientais verificadas na área de estudo. A partir desta abordagem dialética, é possível considerar os fatores que atuam de forma integrada na modificação dos ambientes litorâneos, com o estabelecimento das conexões entre os seus diversos componentes (ROUGERIE; BEROUTCHACHVILI, 1991). Logo, serão utilizados procedimentos específicos para cada tipo de aspecto considerado, sejam aqueles relacionados estritamente aos padrões de ordem físico-natural, como os relacionados mais aos padrões de uso e ocupação. Tais procedimentos consistirão tanto em etapas de gabinete, como em etapas de campo. Para a análise das condições tipológicas das unidades litorâneas, estas duas fases serão cumpridas. Assim, em uma primeira etapa, será realizado o trabalho de gabinete, a partir do qual ocorrerá o levantamento bibliográfico a ser utilizado como base teórica para a análise dos sedimentos coletados na área de estudo, além da análise dos perfis topográficos gerados, ambos a serem cumpridos na etapa posterior. Nesta segunda etapa, haverá ainda a realização de atividades como delimitação das coordenadas geográficas, por meio da utilização de um aparelho GPS, análise de imagens de satélite e/ou uso de fotografias aéreas, além da realização de perfis topográficos perpendiculares à costa, associados à coleta bimestral de sedimentos nas três zonas da praia (Berma, Estirâncio e Ante-Praia). PERFIL DE PRAIA: Para realização dos perfis de praia serão utilizados equipamentos como estação total, teodolito, clinômetro, gps. Como foi posto, as leituras serão realizadas nas três zonas da praia (Berma, Estirâncio e Ante-Praia). O perfil de uma praia varia com o ganho ou perda de areia de acordo com a energia das ondas, ou seja, de acordo com alternâncias entre tempo bom (engordamento) e tempestade (erosão) (Muehe, 2002), sofrendo modificações também a partir da influência antrópica (Dominguez). Serão executados perfis topográficos bimestralmente, durante a baixar-mar das marés sizígia associadas às fases de lua cheia ou lua nova, representando, deste modo, a variação morfológica e topográfica da praia. CLASSIFICAÇÃO TEXTURAL DE SEDIMENTOS: Para a classificação dos sedimentos coletados em campo, será aplicada a técnica de peneiramento mecânico, que consiste na separação, a partir das diferentes variações granulométricas do grão de areia, como descreveu Muehe (2002). Nesta etapa, as amostras recém-chegadas do campo, são lavadas, postas em estufa a uma temperatura média de 60°C, retiradas para serem pesadas em balança de precisão, e levadas para um conjunto de peneiras, fixado a um agitador mecânico. Aí elas ficam durante um período de 15 minutos. Todo o material retido nas peneiras é então, de forma segmentada, pesado. Os resultados são então levados até gabinete, onde receberão tratamento estatístico, através de programa computacional específico: SAG (Sistema de Análise Granulométrica).

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REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA DA PAISAGEM LITORÂNEA: Considerada a importância fundamental exercida pela utilização da cartografia nos trabalhos de investigações ambientais (MATEO; SILVA; CAVALCANTI, 2004), haverá um processo contínuo de elaboração de mapas para representação das unidades da paisagem litorânea. Para tanto, será utilizada uma base de dados espaciais georreferenciados da área de estudo, a partir da utilização de softwares como CAD e SIG, bem como por meio de receptores GPS (Global Posicional Sistem). Neste caso, haverá a representação tanto das unidades naturais, como das formas de uso e ocupação verificadas. AVALIAÇÃO DOS PRINCIPAIS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS: Para elaboração da síntese contendo a avaliação sobre os principais tipos de impactos socioambientais, serão analisados uma série de componentes da paisagem, tanto os bióticos, como abióticos. Nesta etapa, haverá a realização de uma série de trabalhos de campo para reconhecimento das características observadas em laboratório, por meio de imagens de satélite e fotografias aéreas, e análise dos parâmetros socioeconômicos e principais fatores de degradação ambiental.

MODELO DE GESTÃO AMBIENTAL, PLANEJAMENTO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: As medidas que serão propostas para melhoramento da gestão ambiental, planejamento e educação ambiental na área de estudo serão possíveis a partir da análise integrada de todos os resultados obtidos nas etapas anteriores da pesquisa. Será considerada deste modo, uma série de fatores, envolvendo os principais problemas socioambientais constatados, e a caracterização da dinâmica dos processos costeiros naturais e formas de uso e ocupação na área. Além disso, o modelo de gestão ambiental e planejamento a ser proposta, passa necessariamente pela esfera da percepção que a comunidade local tem das potencialidades e limitações do ambiente litorâneo, portanto, diferentes formas de educação ambiental serão consideradas nesse processo de conscientização da população local. O embasamento teórico se dará a partir da utilização de uma série de conceitos e teorias contidos em diversos autores como Atkinson (1995), Bawden,2002, Bitoun et al. (1995), Brunteland (1987), Cadenas Marin (2005), Coyula (1997), Davidovich (1993), Delgado(2005), Dourejanni (2004), Duran e Villanueva (2000) Eagles (1984), Fatheur e Arroyo (1998), Fien(2002), Leff (1998), Mateo (1984), Nordi (1997), Reyes (1997), Silva Quintas (2004), Zanoni e Raynaut (1994).

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Resultados Esperados Espera-se que a realização deste trabalho possa vir contribuir através da geração de novos conhecimentos em torno das reais condições socioambientais da Praia das Fontes, já que isto é condição básica para que possa haver a implantação de um modelo de gestão ambiental eficaz, tanto do ponto de vista social, como do ponto de vista ambiental. Além do levantamento das condições ambientais e do contexto social no qual está inserida a Praia das Fontes, bem como da representação cartográfica e identificação dos principais impactos socioambientais, espera-se, através dos dados aqui obtidos e organizados, engajar a comunidade local numa proposta de planejamento para ocupação ordenada dos espaços, o que se dará, invariavelmente, a partir da proposta de educação ambiental, outro resultado que se espera alcançar.

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Bibliografia ATKINSON, G. La sostenibilidad como resiliencia en sistemas agroecológicos. In: BRASIL. Ministerio de Agricultura. Agricultura y desarrollo sostenible. Madrid: Pesca y Alimentación, 1995. BAWDEN, R. J. Educar para a unidade através da diversidade do conhecer: uma perspectiva sistêmica. In: . Construindo um futuro comum: educando para a integração na diversidade. Brasília: UNESCO, 2002. BITOUN, J. L.; GUIMARAES, T.; BACELAR. Amazônia e Nordeste: os trópicos brasileiros e o Desenvolvimento Auto-Sustentável. In: . Desenvolvimento sustentável no Nordeste. Brasília: IPEA, 1995. BRUNTLAND, G. H. Our commom future. Oxford: Oxford University Press, 1987 CADENAS MARÍN, A. La economía ecológica como ciencia del Desarrollo Sostenible. Encuentros Multidisciplinares, Fundación General de la Universidad Autónoma de Madrid, v. VII, n. 20, 2005, p. 32-39. COYULA, M. Ambiente urbano y participación en un socialismo sustentable. Temas, 1997, n. 9, p. 54-61. DAVIDOVICH, F. A propósito da Eco-Urb´s-92: a temática urbana na questão ambiental. In: . Geografia e questão ambiental. Rio de Janeiro: IBGE, 1993. DELGADO, J. A. El análisis sistémico y su proyección multidisciplinar. Encuentros Multidisciplinares, Fundación General de la Universidad Autónoma de Madrid, v. VII, n. 20, 2005. DOMINGUEZ, J.M.L. – Avaliação regional do problema da erosão na região nordeste do Brasil. http://www. cpgg.ufba.br/lec/eros.htm. Acessado em: 21 de Novembro de 2010. DOUREJANNI, L. Gestión ambiental de recursos hídricos. Conferencia pronunciada en la II Feria del Agua. Panamá: [s.n], 2004. DURAN, F. E. y J. L. VILLANUEVA. Cambios en la concepción y en los usos de la ruralidad: del antropocentrismo productivista al ecocentrismo naturalista, desenvolvimento e meio ambiente. Curitiba: Editora da UFPR, 2000. EAGLES, P. The planning and management of environmentally sensitive areas. London: Longman, 1984. FATHEUR, T., J. C.; ARROYO. Desenvolvimento sustentável: elementos para discussão. In: . Amazônia: estratégias de desenvolvimento sustentável. Belém– Pará, [s.n], 1998. FIEN, J. Educar para um futuro sustentável. In: . Construindo um futuro comum: educando para a integração na diversidade. Brasília: UNESCO, 2002. LEFF, E. Educación ambiental y desarrollo sustentable. Formación ambiental, México, PNUMA, v. 9 e 10, n. 20 e 21, 1998, p. 18-23. MATEO, J. Apuntes de geografia de los paisajes. La Habana: Editorial ENPEs, 1984. SILVA, E. V. S.; CAVALCANTI; A. P. B. Geoecologia das paisagens: uma visão geossistêmica da análise ambiental. Fortaleza: Editora UFC, 2004. MUEHE, Dieter. Geomorfologia costeira. In: Guerra, Antônio José Teixeira; Cunha, Sandra Baptista. (ORGs.). Geomorfologia: exercícios, técnicas e aplicações. 2.ed. Rio de janeiro: Bertrand Brasil, 2002. P. 191-234 NORDI, N. Etno-ecologia e Desenvolvimento Sustentável. Cadernos do IV Fórum de Educação Ambiental. In: ENCONTRO DA REDE BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 1, Rio de Janeiro, 1997, p. 133-136. REYES, J. La Educación Ambiental y la dimensión ambiental del Desarrollo. In: . Contribuciones Educativas para sociedades sustentables. México: Centro de Estudios Sociales y Ecológicos, 1997. ROUGERIE, G; BEROUTCHACHVILI, N. Géosystème et paysages, bilan et méthodes. Paris: Armand Collin, 1991. SILVA QUINTAS, S. Educação no processo de gestão ambiental: uma proposta de Educação Ambiental transformadora e emancipadora. In: . Identidades da educação ambiental brasileira. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. ZANONI, M., C. RAYNAUT. Meio ambiente e desenvolvimento: imperativos para a pesquisa e a formação – reflexões em torno do doutorado da UFPR. Curitiba: Editora da UFPR, 1994, p. 143-167. (Cadernos de Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 1).

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6.Cronograma de Atividades Atividades

Tempo (bimestral) I

II

III

IV

V

VI

VII

VIII

IX

X

XI

XII

Identificar os aspectos geoambientais, níveis de estabilidade, problemas, limitações e potencialidades na Praia das Fontes. Realizar levantamento das informações socioeconômico- culturais das comunidades e da sede municipal. Realizar perfis topográficos, coleta e análise textural de sedimentos. Relacionar o número de áreas e ecossistemas impactados nos setores litorâneos pesquisados. Representar cartograficamente e icnograficamente as unidades ambientais, as principais atividades econômicas e suas relações com os fatores de degradação ambiental. Elaborar e executar propostas de educação ambiental na Praia das Fontes. Promover reuniões nas comunidades. Propor um zoneamento ambiental participativo nas áreas estudadas. Elaborar relatórios parciais da pesquisa. Elaborar relatório final da pesquisa. Redigir e submeter à publicação artigos científicos.

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ANÁLISE INTEGRADA DAS CONDIÇÕES SOCIOAMBIENTAIS DA PRAIA DAS FONTES, CEARÁ, BRASIL  

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