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Aprenda dicas fundamentais para montar o seu próprio bar, um negócio que parece ser apenas diversão, mas que dá muito mais trabalho do que se imagina.

Dois irmãos transformaram sua história em uma boa ação: depois que o pai faleceu de câncer, eles deram início a um projeto chamado Amigos da Alegria.

Página 3

A cada dia, mais estrangeiros são atraídos para as praias do Ceará, um dos melhores destinos para os amantes do kitesurf.

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JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA

MAIO// JULHO DE 2013

ANO 12

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N° 35

Parque do Cocó: Legalize já!

A

mbientalistas relatam que sem a legalização do Parque do Cocó, as dificuldades encontradas para proteger a área vão aumentar, principalmente no que

se refere às constantes tentativas da construção civil de ocupar áreas que deveriam ser consideradas de proteção integral, por serem ambientalmente sensíveis. De acordo

Consultoria de moda

Aposentados

Profissionais trabalham a imagem das pessoas As personal stylists não pensam somente na moda. Buscam perceber quais são as necessidades de consumo de suas clientes. Página 10

Alimentos Saudáveis

Este é mais um modismo ou veio para ficar?

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Rádio Web

com o srquiteto e urbanista José Sales, o parque é vital para agradabilidade climática de Fortaleza, podendo sua Páginas 8 e 9 degradação causar sérios danos à cidade.

Sorvetes Artesanais

Mais opções para quem curte o sabor do gelado

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Turismo de Negócios

Internet indica novo formato para o rádio

Uma nova vertente no turismo local

Consideradas revistas, as rádios webs difundem conteúdos diversificados com novos olhares para o público cibernético. Página 13

O segmento apresenta expressivo crescimento com a chegada de novos eventos e construções de equipamentos na capital. Página 15

Sex Shop

A vida dos ídolos do futebol para além dos campos

Mercado em alta atrai até clientes mais tímidos

A carreira de atleta é curta e os momentos de glória tendem a ser esquecidos pelo grande público. Ciente disso, alguns jogadores de futebol se previnem e investem no futuro longe dos estádios e das torcidas. Página 6

Cada vez mais lucrativo e popular, o mercado erótico em Fortaleza está em alta e fazendo muito sucesso, principalmente entre o público feminino. Lojas diversificam estratégias de olho nesta nova clientela. Página 7

Doação

Entrevista

Voluntários distribuem sopa em Fortaleza

Adriana Santiago fala sobre o livro “Haiti por si”

Membros da Sociedade Espírita Caridade e Esperança se mobilizam para preparar cerca de 130 litros do alimento. A distribuição da sopa ocorre em noites de quarta-feira no Centro e na periferia da cidade. Coletivo - Página 1

A professora do Curso de Jornalismo da Unifor conta como foi conhecer o país e mostrar um novo olhar além da tragédia. A publicação é um projeto da Agência de Informação Frei Tito (Adital). Coletivo - Página 6

www.unifor.br/radiounifor

O outro lado do som


SOBPRESSÃO

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MAIO / JUNHO DE 2013 • # 35

Editorial

Ensaio

A pressão Sobpressão, sobre pressão, sobre impressão. Afinal, o que é jornalismo se não a impressão do jornalista? Escrevemos nossas impressões ou sobre elas. Por mais imparcial que um jornalista ache que seja, ele não é imparcial, nunca será. Parodiando Descartes: Penso, logo não sou imparcial. Tenho uma impressão e vou imprimila em meu texto. Em meu texto, minha fala, meus atos, minha personalidade, em tudo o que eu fizer. Ser parcial, ou não ser imparcial, é inerente ao ser humano. E, ainda que em alguns momentos não pareça, jornalista também é humano. Sobre a impressão do fazer jornalístico, sobre como é, verdadeiramente, ser jornalista: Também sobre a pressão do fazer jornalismo. Dizem que jornalista não faz nada se não estiver sob pressão. Pois eu mesma, agora, escrevo isso sob pressão e sobre pressão e impressão, sob a pressão do meu professor/editor. Quando no meu estágio de estudante escrevo sob a pressão da minha chefe e dos meus colegas de trabalho. A pressão me leva a refletir, quem sabe a pressão não seja uma coisa boa, nem que apareça só de vez em quando. Muitas vezes é ela que me faz escrever melhor, mais rápido, algumas vezes mais coerente, outras Artigo

Thiciane Diniz

Uma história sobre a beleza menos, o importante é terminar o texto. Bem, o fato é que a pressão ajuda. Quem sou eu para falar sobre pressão e impressão? Uma estudante de jornalismo! E mesmo depois de me formar ainda serei uma estudante de jornalismo, até mesmo depois de 30 anos de trabalho se trabalhar com jornalismo, ainda serei uma estudante de jornalismo. Acredito que a mesma pressão que nos faz escrever de uma forma ou de outra é também a que nos faz querer crescer, mas estar sempre em desenvolvimento, em aprendizado, buscando saber mais do que já sabemos. Porque o jornalista deve acompanhar o Mundo e este não para! Nada se aprende por inteiro, nada se apreende por inteiro. É necessário passar por outros lugares, ter outras impressões, passar por demissões, ter novas missões, quem sabe até passar por novas profissões, sofrer novas pressões e por aí vai. Lugares e impressões mudam o tempo todo, assim também devo mudar eu, enquanto jornalista e enquanto ser humano. É bom estar sempre estudando, me modificando, sendo impressionada e impressionando. Com pressão! Júlia Norões

O filme ‘Beleza Americana’ (American Beauty), de 1999, é um filme que trata sobre vários temas bastante complexos das relações humanas e da sociedade contemporânea, e oferece ao telespectador ter a sua própria ótica da situação. ‘O ter e o ser’, ‘as aparências enganam’, enfim, seu olhar diante de tudo aquilo. Talvez um dos temas mais importantes de ‘Beleza Americana’ seja mesmo o desejo de transformação. O enredo que mostra vários retratos e padrões de vida, indicando que sempre é possível haver mudanças. Muito rapidamente o telespectador é convidado a entrar na casa de Lester Burnham (Kevin Spacey), e ver de perto a sua rotina. Lester ficava exausto em ver a mulher, não se entendia com a filha adolescente, se via e era visto por ambas como um perdedor, tinha um trabalho burocrático e pouco excitante. Além do mais, estava prestes a ser demitido. Tudo muda para o personagem principal, na noite em que ele é praticamente obrigado a assistir a uma apresentação da filha no colégio. Ele conhece e se apaixona por Angela, a melhor amiga dela. Uma garota aparentemente mimada e egoísta, que sempre quer ser o centro das atenções, e com um tipo ideal de “beleza americana”. Daí por diante o que se segue pode parecer, para alguns, como uma história que lembre um pouco a obra ‘Lolita’, mas na verdade, é sobre o redespertar da paixão para a vida.

O filme vai muito além do que poderia ser considerado até um clichê, um homem mais velho que sente bastante atraído por uma garota bem mais nova, e que vem a ser a amiga de sua filha. Angela não é a sua estrada para felicidade. Ela representa para Lester o catalisador da liberdade. O estopim para as suas mais radicais mudanças de atitude. Ela o liberta de anos de paralisia emocional. Ela o tira do ponto em que ele havia se petrificado e parado de sonhar, e o coloca em uma situação na qual ele deseja ganhar respeito, poder e beleza. Nenhum dos personagens é inteiramente mau ou bom, e essa é parte da beleza do filme. Eles são moldados pela sociedade de tal maneira que eles não podem ser eles mesmos. ‘Beleza Americana’ pode ser considerado um filme essencialmente crítico ao estilo de vida da sociedade contemporânea em geral (não só da americana), que tenta projetar suas frustrações numa felicidade passageira e materialista, que distorce o ser quando prega o ter. Mas, acima de tudo, uma história sobre a beleza. Uma beleza ironicamente tratada, a beleza hipócrita e somente superficial, estética, como no título, que nos desafia com a frase “olhe bem de perto” (Look Closer, no original). Ou então uma visão existencialista da beleza, a valorização das coisas mais belas e simples da vida, como uma sacola plástica voando. Uma sacola, que costumam usar para colocar lixo, como símbolo de beleza. Estudante do 7º semestre de Jornalismo

Estudante do 7º semestre de Jornalismo

Géssica Saraiva

Registro fotográfico

Homem precisa, Homem destrói Desde que as questões ligadas à sustentabilidade entraram na pauta dos veículos de comunicação, tudo o que faz referência ao meio ambiente virou de interesse geral. Proteger tornou-se a palavra e a ação. Mas como envolver a população nessa luta? A resposta é simples, educar é a solução. Mas não se engane, porque educar não é uma tarefa fácil. Principalmente quando a sociedade está infectada pelo vírus do desenvolvimento a qualquer preço, onde os meios não justificam os fins e a palavra de ordem é lucrar. E é aí, que surge a contradição, desenvolver nunca foi sinônimo de destruição, então como o homem, que tanto precisa do meio ambiente para sobreviver, pretende desenvolver sem ele? Se analisarmos os fatos da evolução humana, perceberemos que desde a pré-história, o homem tira da natureza sua sobrevivência, seja pela caça ou pela pesca. Portanto sua evolução está intimamente ligada à preservação meio ambiente, tornando impossível a sobrevivência humana sem os recursos oferecidos pela natureza. Esse fato também foi citado na Declaração de Estocolmo, em 1972, como de importante relevância para. “O homem é ao mesmo tempo criatura e criador do meio ambiente, que lhe dá sustento físico e lhe oferece a oportunidade de desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. A longa e difícil evolução da raça humana no planeta levou-a a um estágio em que, com o rápido progresso da ciência e da tecnologia conquistou o poder de transformar de inúmeras maneiras e em escalas sem precedentes com o meio ambiente natural ou criado pelo homem, é o meio ambiente essencial para o bem-estar e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, até o direito à própria vida”. Então, se chegamos à conclusão de que sem meio ambiente não existe futuro para a raça humana, por que a sociedade insiste em sua destruição? Não posso afirmar, mas isso pode está claramente ligado a sua ignorância. Para a maioria das pessoas, as questões ambientais estão apenas ligadas a demarcação de território, queimadas em matas ou até mesmo, crimes contra espécies em extinção. Geralmente ninguém pensa que o estilo de vida pode ser uma séria agressão ao meio ambiente. Que seu luxuoso apartamento no entorno do Parque do Cocó pode ter sido construído em área de preservação ou que seu hábito de não reutilizar produtos reciclável contribui para esse crime contra a natureza. Estudante do 8º semestre de Jornalismo

O Mercado São Sebastião pode surpreender bastante quando se caminha com olhar atento. Desta perspectiva, do segundo andar, a impressão é de que se está em um museu de arte moderna, ou diante do Museu do Louvre, da pirâmide frontal multiplicada. FotograFia: Eduardo Cunha • tExto: JaninE noguEira

Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) Fundação Edson Queiroz - Diretora do Centro de Comunicação e Gestão: Profª. Maria Clara Bulgarim - Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Wagner Borges - Disciplina: Projeto Experimental em Jornalismo Impresso (semestre 2012.2) - Reportagem: André Ítalo Rocha, Bárbara Macêdo, Camille Vianna, Cibele Juliana, Géssica Saraiva, Giselle Nuaz, Júlia Norões, Lia Sequeira, Lívia Marques, Luana Matos, Lucas M. Dantas , Lucas Matos, Mara Rebouças, Natanna Oliveira, Marcelo Marinho, Patrícia Borges Nogueira, Ravena Sombra e Thiciane Diniz - Projeto gráfico: Prof. Eduardo Freire - Arte final: Aldeci Tomaz - Professores orientadores: Eduardo Freire e Janayde Gonçalves - Coordenação de Fotografia - Júlio Alcântara - Revisão:Prof Celiomar Pinto - Conselho Editorial:Wagner Borges e Adriana Santiago - Supervisão gráfica:Francisco Roberto - Impressão: Gráfica Unifor - Tiragem: 750 exemplares - Equipe do Laboratório de Jornalismo (Labjor) - Estagiário da Redação: Janine Nogueira, Lígia Costa, Priscila Baima e Thais Praciano Estagiário de Fotografia:Marina Duarte,Luis Barbosa e Débora Queirós - Estagiário de Produção Gráfica:Mahamed Prata - Edição: (Monitor da disciplina) Wolney Batista Sugestões, comentários e críticas: jornalsobpressao@gmail.com


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Um bar para chamar de seu Sonho antigo vira tema de trabalho de conclusão de curso

Apesar do aparente glamour, entrar nesse segmento não é uma das tarefas mais fáceis na hora de empreender. Proprietários e especialistas desvendam os segredos.

Lucas M. Dantas e André Ítalo Rocha

Não restam dúvidas de que, nos últimos anos, o hábito de frequentar bares só aumentou entre os adeptos da boemia. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% dos gastos com alimentação no País correspondem à alimentação fora do lar. Na pesquisa anterior, feita em 2003, a parcela era de 24,1%. A cerveja do fim de semana, claro, é um dos responsáveis por este crescimento. Talvez decorra daí, a ideia equivocada de que o mercado de bares é um filão. O que pouca gente sabe é que ser dono de um estabelecimento desse tipo é uma das atividades mais desgastantes que há e o retorno financeiro, muitas vezes, pode ser decepcionante. Na opinião dos que acabam se aventurando – e obtêm sucesso -, um bom planejamento e a manutenção do foco na originalidade são os principais segredos para não se arrepender de empreender no ramo. De acordo com Pedro Macha-

Leonardo e Pedro, proprietários do Floresta Gourmet, realizaram o sonho de abrir um bar há menos de um ano

do, proprietário do Floresta Bar, “começar um restaurante ou um bar querendo copiar a ideia de alguém é fracasso certo. Já há tantos [bares] na nossa cidade que ninguém vai querer mais do mesmo”, opina o empresário. No caso do Floresta, por exemplo, que foi inaugurado há apenas 10 meses – e já foi ampliado -, os proprietários resolveram apostar, antes de mais nada, na segurança de um cardápio atraente e na música como os carros-chefes da casa. “Trouxemos um chef da melhor hamburgueria de São Paulo para pensar receitas e sentamos para decidir opções variadas

para a galera que gosta de música. Isso foi essencial”. Não dá para negar que as alternativas musicais do Floresta são bastante ecléticas. As opções, mudando de acordo com os dias da semana, vão de samba-rock, e jazz ao pop rock. Isso acaba atraindo os mais variados públicos e, melhor, fidelizando-os. O outro lado da conta Mas nem só de glamour vive o proprietário de bar. De acordo com o Sebrae-CE, cerca de 20% dos bares inaugurados na capital fecham as portas antes de completarem um ano de funcionamento. Para Leonar-

5 passos para montar o seu bar O Sobpressão consultou especialistas do Sebrae-CE para descobrir quais são os caminhos para realizar esse projeto de empreendedorismo

inFográFico: anDré ÍtaLo rocha

Foto: Lucas M. Dantas

do Lacerda, investidor cearense, isso “se deve ao fato de que a maior parte das pessoas que empreendem não se planeja e, ao encarar a realidade percebem que não era bem o que imaginavam”. No caso dos bares, a ilusão é óbvia. “Se você acha que quer abrir um bar porque vai curtir a noite e beber todos os dias, não abra porque é justamente o oposto”, aconselha Hannah Moreira, estudante de jornalismo cujo pai possui um botequim há mais de 30 anos e, por isso, descarta veementemente tal possibilidade para seu futuro. Outro erro frequente é subestimar o fluxo de saída de caixa. Nesse tipo de estabelecimento, as despesas podem chegar facilmente à casa dos 90% do faturamento. Nesse sentido, um dos passos principais a serem seguidos é justamente reunir investimentos para empreender com segurança. Hoje, as melhores fontes de investimentos para novos empresários são os bancos públicos ou familiares, que, via de regra, possuem os juros mais baixos. Ao que tudo indica, o mercado de bares e restaurantes, um dos mais antigos do mundo, não deve acabar tão cedo. Mesmo em tempos de crise – e principalmente neles -, sempre haverá algum cliente potencial em busca de uma cerveja gelada e um bom tira-gosto. Para quem resolver assumir a bronca, no entanto, é importante se preparar, estudar o mercado, entender os clientes e não subestimar todas as dificuldades. Tomar tais precauções pode evitar que você seja obrigado a pedir a conta mais cedo.

O Sebrae-CE oferece cursos na área de capacitação de novos empresários. O programa PRÓPRIO, por exemplo, ensina o passo-apasso para montar o seu negócio. Mais informações no site http://www.ce.sebrae.com.br

Quando estava no último semestre da graduação em administração de empresas, no fim de 2012, o fortalezense Rafael Guimarães, 28, decidiu unior o útil ao agradável na hora de realizar o seu trabalho de conclusão de curso. Com o sonho antigo de um abrir um bar na cidade onde nasceu, aproveitou a oportunidade para montar um plano de negócios voltado para o projeto. “Comecei a ter esse desejo antes mesmo da faculdade, época em que já frequentava muitos bares. Daí, no fim no curso, não sabia que tema fazer para o TCC e achei essa ideia interessante”, conta. Durante o período de pesquisa, Rafael percebeu que a iniciativa não era tão fácil quanto imaginava e acabou abrindo sua cabeça para novas ideias. “Nos formulários que eu entregava para as pessoas responderem, eu coloquei algumas opções de bairros para identificar a melhor localização, mas a maioria acabou citando bairros que não estavam entre as alternativas, principalmente os da Zona Sul de Fortaleza. Isso me permitiu perceber a carência que havia naquela região”, conta. Na gaveta Após a defesa de seu trabalho, o hoje administrador de empresas admite que ainda não sabe quando colocará o projeto em prática, mas, pelo menos, já tem uma noção de como será o seu bar. “Quero que seja no estilo pub, aquele bem típico mesmo, como os irlandeses. Percebo que falta esse tipo de bar em Fortaleza. Muitos usam o nome ‘pub’ só por usar, porque querem ser chamados de pub, mas, na verdade, não são”, afirma. Segundo Rafael, no seu bar, não faltará música e cervejas variadas, para todos os gostos.

Através da sua pesquisa, Rafael percebeu uma carência de bares na Zona Sul de Fortaleza Foto: arquivo PessoaL


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Alimentação Saudável: modismo ou saúde? Os fortalezenses tem ido mais a restaurantes de comidas naturais, isso pode indicar que estão se alimentando melhor, ou isso é apenas modismo?

Alimentação saudável vem sendo amplamente divulgada nas mídias como uma forma de ter uma vida com mais saúde, mas será que o aumento de pessoas querendo consumir esse tipo de alimentação é só modismo ou uma busca por uma vida mais saudável? “Acredito que você pode também fazer uma alimentação saudável em restaurantes que não sejam específicos de comida natural. O que acontece é que as pessoas vão para esses restaurantes por conta da privação a comida. Por exemplo, ir para uma churrascaria pode despertar a gula de uma pessoa. Ela estará próxima de um alimento gorduroso..”

Lia Sequeira

Ter uma boa alimentação é sinônimo de uma vida saudável. Será que isso vem sendo cada vez mais reconhecido pelos fortalezenses? Ao procurar restaurantes de comida natural em Fortaleza percebemos que houve um aumento nas opções de lugares que servem comidas mais saudáveis assim como também muitos fast-foods também fizerem algumas mudanças em seus cardápios. A nutricionista Rebecca Nogueira nos explica que o aumento de pessoas querendo ter uma alimentação mais saudável se deve à grande divulgação da mídia, mas esse tipo de comida não é tão acessível para boa parte da população o que faz com que a maior oferta de alimentos saudáveis em restaurantes não indica que exista uma melhor alimentação dos fortalezenses. Mas será que a mídia faz realmente com que as pessoas repensem seus hábitos alimentares ou consumir alimentos saudáveis é só uma moda que foi influenciada pela a mídia? Caio Vieira, dentista, nos conta que costuma ir a alguns restaurantes de comidas naturais quando está tentando readequar a alimentação para que ela seja mais saudável e comenta que vê pessoas nesses restaurantes que “você percebe que ela está ali só porque é moda, dá para perceber que a pessoa não está gostando do que está comendo”. Mariana Paula, estudante de jornalismo, também é adepta à alimentação saudável e costuma frequentar restaurantes de comidas naturais ela nos diz que tem amigas que só vão para esses restaurantes porque “está na moda, porque elas me conhecem e aproveitam para me fazer companhia”. Camila Rios diz que adora comer em restaurantes naturais e que tem amigas que iam só para lhe fazer companhia, mas que acabaram gostando da comida. Ela afirma que “tem gente que vai só por modismo, mas que quando chega lá acaba gostando. Sendo por modismo ou não as pessoas que frequentam esses lugares conseguem ter uma

Modismo ou busca por mais saúde?

Lucas Catrib Estudante

Restaurante Natural, uma opção para quem quer ter uma alimentação saudável

Qualquer iniciativa para ofertar alimentos mais saudáveis é válida, contanto que haja aliado a isso um aumento na procura e no consumo desses alimentos. Nutricionista

alimentação mais balanceada principalmente com a correria do dia-a-dia quando boa parte da população não tem tempo para ir para casa na hora das refeições e acaba tendo que comer em algum restaurante. Rebecca Nogueira nos explica que “algumas pessoas tinham dificuldade em manter uma alimentação saudável comendo fora de casa devido a falta de opção de restaurantes que ofertavam esse tipo de cardápio, hoje está um pouco mais fácil encontrar”. Além dos restaurantes de comidas naturais os fast-foods também têm investido em um cardápio mais saudável como o Mc’Donalds que agora oferece frutas e saladas no seu cardápio o que segundo a nutricionista Rebecca pode ser considerado como uma estratégia de marketing já que sempre foram conhecidos como vilões da alimentação saudável. Ela

Foto: retiraDa Da internet

acrescenta que mesmo sendo uma estratégia para conquistar mais clientes “qualquer iniciativa para ofertar alimentos mais saudáveis é valida, contanto que haja aliado a isso um aumento na procura e no consumo desses alimentos”. Além do Mc’Donalds também existe a Subway que já entrou no mercado como um fast-food de comida saudável fazendo sucesso entre jovens e adultos , pois oferece uma alimentação com mais qualidade sem parecer ser natural.

Verdelima: Dom Sebastião Leme, 837 - Fátima / tel: (85) 32577013 Rua Joaquim Nabuco, 1283 - Aldeota / tel: (85) 32244807 Natural Leve: Rua Costa Barros, 2000 - Aldeota / tel: (85) 32244422 DNA Natural: RAv. Beira Mar, 2200, Ponta Mar Hotel, Lj. 4 - Meireles / tel: (85) 30310080 Tutti Leve: Av. Dom Luís, 500, Lj. 409 - Aldeota / tel: (85) 34587567 TGergelim: Av. Barão de Studart, 1043 - Aldeota / tel: (85) 32619394

“Eu acho que quem frequenta esses lugares é porque sabe que vai encontrar comida saudável de qualidade. Mesmo que hoje em dia vários restaurantes ofereçam opções saudáveis, nesses específicos é possível encontrar maior variedade de pratos, mais opções.” Juliana Abrantes Estudante

“Eu acredito que as pessoas estão buscando uma melhor alimentação, pois elas estão mais preocupadas com o bem estar, com a saúde. ” Ravena Sombra Estudante

Pirâmide Alimentar, um guia da boa alimentação A Pirâmide alimentar divide em oito grupos os alimentos existentes. Ela foi criada para auxiliar as pessoas sobre o que elas devem comer mostrando de forma gráfica a quantidade de cada tipo de alimento que devemos consumir diariamente. Ela tem como objetivo principal mostrar que uma alimentação saudável deve ser variada e moderada. A partir desse tipo de alimentação é possível diminuir doenças como a obesidade e a carência de nutrientes. A pirâmide tradicional é dividida em seis grupos alimentares, que estão repartidos em quatro degraus. Na base, se encontram os carboidratos, importantes fontes de energia; acime, estão os vegetais e frutas; logo depois, as proteínas de carnes e grãos, além dos laticínios e por último, estão

os lipídeos e açúcares, que devem ser consumidos com moderação. Apesar de ter um conceito único, existem diversos tipos de pirâmide alimentar adapta-

das de acordo com os hábitos alimentares de alguns países, respeitando culturas e a disponibilidade de alimentos daquela região.


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# 35 • MAIO / JUNHO DE 2013

Sorvetes artesanais agradam o fortalezense Novas sorveterias oferecem sabores diferenciados para o consumidor como mais uma forma de amenizar o calor que toma conta de Fortaleza Júlia Norões e Patrícia Borges

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Fortaleza estava cerca de 3 graus mais quente no fim de 2012. Os dados foram divulgados em novembro do mesmo ano. Este aumento da temperatura é esperado nos meses de outubro a janeiro, quando há menos vento e não chove. Os meteorologistas da Funceme esperavam que com as chuvas do primeiro quadrimestre do ano, o inverno, a situação fosse melhorar. Mas em 2013 as chuvas foram escassas. Em fevereiro, março e abril as chuvas ficaram 46,4% abaixo do normal. Ou seja, o calor continuou. Diversas empresas (do fornecedor de ar-condicionado ao vendedor de água) aproveitaram para fazer do calor uma forma de ganhar dinheiro. Entre todos os negócios que podem lucrar com o aumento do calor, um ramo que cresceu bastante foi o das sorveterias e gelaterias. O mercado de sorvetes, antes dominado pelos tradicionais Juarez e 50 Sabores, vem crescendo aceleradamente desde o último ano e os novos estabelecimentos estão trazendo novidades em ambiente e sabor. Em janeiro de 2013, o italiano Roberto Verdura juntou-se a outros três empresários e abriu a gelateria Venetoni. Os gelatos, todos de fabricação própria, são feitos com material de alta qualidade e sem conservantes. “Utilizamos a melhor e a mais

Empório Dayse Mota, a mistura de ambiente aconchegante com inovação em sabor e produtos. Fotos: JÚlia norÕEs

A gelateria Venetoni destaca-se pela qualidade e frescor da matéria prima utilizada em seus gelatos. Fotos: JÚlia norÕEs E divulgaçÃo

fresca matéria prima”, conta Roberto, mostrando alguns materiais utilizados na fabricação dos gelatos e doces da Venetoni, como o creme de leite fresco de búfala, que tem um teor de colesterol mais baixo em relação ao creme de leite comum e não tem gordura hidrogenada. Além dos diferentes sabores, a Venetoni tem um ambiente agradável, espaçoso e ecologicamente correto. Na decoração, foram utilizados diversos materiais reciclados: antigos baldes de fazendas leiteras foram transformados em bancos e o teto é feito de madeira de demolição. A estudante de Jornalismo Rebeca Noleto, já é cliente assídua, “quase todos os domingos estou lá, seja com amigos ou com meu namorado. O ambiente é agradável, tem lugar para estacionar e o preço é bem acessível”. Outra sorveteria que também está trazendo novidades para o consumidor é a Empório Dayse Mota, inaugurada em março do mesmo ano. A proprietária, Dayse Mota, abriu o estabelecimento com o marido, com quem já possui uma fábrica de laticínios. Contando com mais de 80 sabores, além de diversos picolés e sobremesas artesanais, a sorveteria, tem um espaço moderno e aconchegante. “Quero que as pessoas cheguem aqui e pensem: estou em casa!”, conta Dayse. Outro diferencial é o atendimento, a estudante de Medicina Veterinária Liza Granja conta que já foi ao local em um dia de muito movimento, mas nada deixou a desejar, “fui pela primeira vez em um domingo, estava cheio de gente, mas mesmo assim fui bem atendida, havia espaço físico para todos e o ambiente é super agradável”.

Os sabores inesquecíveis O mercado de sorveterias e gelaterias aumentou bastante em Fortaleza, mas como manter uma clientela fixa e continuar chamando novos clientes para o espaço? Com sabores e atendimentos diferenciados. Dayse, proprietária do Empório Dayse Mota, acredita que seus sabores exóticos são mais um diferencial para a marca, porque além de inovadores são também muito fiéis aos sabores originais, como o incrível sorvete de pé de moleque, que de tão próximo ao sabor do bolo típico, é como comê-lo cremoso e gelado. O que acontece também com os sabores maçã verde, pistache de bronte, bem casado e o alcoólico de smirnoff ice, que também possui o mesmo teor de álcool que a bebida, mas transformado em sorvete. Matéria prima especial Para produzir gelatos de sabores deliciosos e marcantes é necessário, além de técnicas especiais, uma matéria prima diferenciada. É o que explica Roberto, um dos sócios da gelateria Venetoni. Ingredientes como a amarena (um tipo de cereja silvestre). As avelãs e alguns dos chocolates são importados diretamente da Itália. E o creme de leite de búfala fresco, que tornam possível o desenvolvimento de um produto de qualidade, textura e sabor únicos.

Sabores exóticos e ingredientes especiais ajudam a manter clientes antigos e conquistar novos. Foto: JÚlia norÕEs


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MAIO / JUNHO DE 2013 • # 35

O negócio é pendurar as chuteiras Após a aposentadoria, exjogadores se firmam no mercado de trabalho. O futebol ficou para trás, agora o foco é se tornar profissional liberal Bárbara Macêdo e Lucas Matos

O Futebol é o esporte mais popular no Brasil. Fama, dinheiro e reconhecimento são palavras relacionadas aos profissionais desse esporte. Mas, nem só de bola vive o homem! São diversos os exemplos de jogadores que largaram o espaço entre as quatro linhas e assumiram outras atividades. Mas o que levou esses homens a mudarem de profissão? Claudemir Bindá de Sousa, 42 anos, se define dentro de campo como um jogador baixinho, rápido, habilidoso, um jogador versátil. Começou no Ceará em 1988, nas categorias de base do clube. Mas, tudo aconteceu de uma forma muito rápida. Em 1989, saiu do time juvenil do Vovô e migrou para o time principal do Alvinegro de Porangabuçu. No ano de 1991, assinou o seu primeiro contrato como jogador profissional. “Eu tive uma passagem muito curta no futebol. Comecei jogando futebol nas escolinhas aqui do Terra e Mar, no Mucuripe, e na época surgiu as escolinhas da SUDEF, que hoje é extinta. Lá eu treinei durante um ano, depois fui chamado pra fazer um teste no juvenil do Ceará (...) eu fiz o teste e passei, isso foi no final de 87, e em 88 eu já estava treinando com o pessoal do juvenil do Ceará”, conta o ex-jogador. Em 1995, Claudemir, um dos principais jogadores do Ceará, sofreu sua primeira lesão grave. “Rompi os ligamentos do joelho, e o Clube não me ajudou a fazer o tratamento. Paguei do meu bolso a fisioterapia, academia, e quando acabei o tratamento, voltei a jogar. Naquela época não era tão fácil voltar ao futebol, pois as condições eram poucas e o tratamento demorava muito”, relata o ex-jogador com certa revolta. Finalizou a carreira no time do Tiradentes em 1998, ainda por conta da lesão. Trabalho atual Campeão cearense em 1996, o ‘baixinho’, atualmente é frentista da Nacional Gás. Logo ao encerrar a carreira nos campos recebeu um convite de um conselheiro do time do Ceará, que trabalhava na empresa na época, para ficar no posto de combustível e no almoxarifado da. “Ele me deu a oportunidade há 15 anos. Trabalho no posto de combustível e também como recepcionista da oficina”, é assim que o craque

Ex-jogador, hoje, frentista do Posto da Nacional Gás, do Grupo Edson Queiroz Foto: Lucas Matos

assume sua nova realidade. Ele se diz muito satisfeito com o que fez dentro do futebol, mas que agora o momento é outro. “Aqui é muito tranquilo, espero continuar e me aposentar nessa empresa. Gosto daqui, o trabalho é bom e sem muita pressão. Tento levar a vida todos os dias, trabalhando e fazendo com que a gente permaneça muito tempo”, destaca. Claudemir não tem dúvidas que foi a melhor escolha. Quem o indicou, já o conhecia há bastante tempo e sabia da responsabilidade que tinha. “Gosto de dar o meu máximo. Então ele me deu essa oportunidade porque viu que eu queria alguma coisa a mais. No futebol a situação estava ficando difícil, já que eu não estava conseguindo nenhuma valorização”, acrescenta.

Claudemir, no tempo em que jogava no Ceará Sporting Club. Era o ponta esquerda do alvinegro Foto: arquivo Diário Do norDeste

disso. Pedem para bater foto comigo, autógrafos, e isso é bom. Gosto de ter o meu trabalho reconhecido. Me sinto realizado por ter jogado no time pelo qual torço”, diz o ex-jogador. Porém, ele não deixou o futebol de lado. Sempre que pode participa de jogos com outros também ex-jogadores que deixaram história. “Não deixei de lado o futebol, até porque sempre gostei disso, mas quando podemos bater um ‘racha’, ou até um amistoso festivo, compareço. Não tenho aquele físico de quando eu era atleta, mas a gente se vira no campo”, diz com risadas. “Minha vida é o comércio” Diferentemente de Claudemir, que se aposentou por conta de uma lesão no joelho, Solimar

Futebol após a aposentadoria A popularidade de Claudemir ainda é grande, sempre que anda nas ruas é abordado por torcedores que comentam sobre o seu estilo de jogar. “Os torcedores tem um carinho especial por mim, e sempre gostei

Em seu restaurante, localizado no Bairro de Fátima, Solimar não sai da sua nova ocupação. O comércio sempre esteve nas veias do ex-jogador Foto: Lucas Matos

Solimar vestiu as camisas do Ferroviário, Ceará e Fortaleza na sua passagem pelo futebol cearense. Foto: arquivo Diário Do norDeste

Luis Rossini, quando decidiu que não voltaria aos gramados foi somente porque achou que havia chegado o momento. E hoje seu foco é o restaurante de sua propriedade. Foram 20 anos de sua vida dedicados ao esporte, mas segundo o ex-jogador, nunca foi dependente do sustento proporcionado pelo futebol. “Sempre tive uma visão além do esporte. Meus pais eram comerciantes, no Rio Grande do Sul, (...) quando vim para o Nordeste, construi família aqui, construi negócio, não pude dar continuidade ao trabalho dos meus pais lá. Depois decidi abrir lojas de confecção no Ceará.” Solimar e a esposa administraram durante muito tempo três lojas. E como “já tinha uma ‘queda’ pelo comércio”, percebeu que o ramo de alimentação era uma oportunidade. Convenceu a esposa a trocar as lojas por um restaurante. “No começo foi difícil ela aceitar a ideia, mas eu disse que era melhor, e depois ela começou a aceitar”, relembra o ex-volante. Segundo o ex-jogador, ele não volta aos campos nem para bater um racha, há não ser que seja em um dia de folga do restaurante. “O restaurante toma muito o meu tempo, mas eu gosto. Gosto de conversar com os clientes e, às vezes, relembrar boas histórias minhas”. Solimar parou aos 31 anos, em 2001, no Tiradentes. Hoje, aos 44 anos, o que lhe incomoda é o fato do filho não tê-lo visto jogar, mesmo assim sabe que tudo o que já fez valeu a pena e foi tudo muito bom, “se pudesse, faria tudo de novo”, relata com ar de dever cumprido. Restaurante Tronco do Gaúcho “É de onde nós tiramos nosso sustento, temos uma responsabilidade grande perente o restaurante, gosto de estar presente em tudo, pois como diz o ditado ‘o olho do dono é que engorda o boi’. Sou administrador, cozinheiro, assador, se precisar lavar banheiro, a gente lava. Gosto de botar a mão na massa, também como questão de exemplo para os funcionários”, relata. Não são só amigos do comerciante que fazem parte da grande clientela fiel. Torcedores de diversos times, profissionais da imprensa, e também pessoas que nem mesmo o viram jogar, dão uma passada no estabelecimento, não para ver Solimar, mas, sim, para apreciar o cardápio pra lá de bom do gaúcho que vem “arrastando” o cearense pelo paladar. O Tronco do Gaúcho funciona desde 2005, e nesse ano recebeu o prêmio do Comida di Buteco com o prato Trio Arena Castelão.


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Sex Shop é o endereço certo da busca pelo prazer O mercado do erotismo em Fortaleza está se expandindo cada vez mais, e as Sex Shops não estão mais em lugares escondidos e escuros da cidade.

Um grande marco do mercado erótico no ano passado, segundo as empresas do setor, foi o lançamento da trilogia de livros que falam de forma mais aberta de sexo, o best-seller “Cinquenta tons de cinza”. Segundo a Abeme, os itens eróticos citados nos livros como máscara, algemas e chicotes tiveram crescimento de venda de 35% no último trimestre do ano.

Thiciane Diniz

O que parecia improvável há algum tempo, está virando realidade. As pessoas estão perdendo a vergonha de assumir que frequentam Sex Shops. A Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), estima que os mais de 10 mil pontos de venda de produtos eróticos em atividade no país movimentaram cerca de R$ 1 bilhão no ano passado, com uma média de 8 milhões de artigos vendidos mensalmente. O negócio do sexo tem se mostrado tão lucrativo que não é raro encontrar pessoas das mais variadas profissões que desistiram de suas atividades convencionais e foram tentar a sorte no setor. De olho no bom retorno, alguns empreendedores não poupam investimentos milionários para se projetar no comércio do sexo. Solange Vieira, proprietária da Delirium Sex Shop, montou seu próprio estabelecimento quando notou a imensa procura por produtos eróticos. Ela afirma que as mulheres de 20 a 35 anos de idade são as maiores frequentadoras. ‘’Entre os produtos mais procurados por elas está a ‘bolinha’”(Bolinhas de chocolate que contém um óleo corporal perfumado). Estrategicamente localizadas, e sempre movimentadas, as sex shops hoje têm um público fiel e garantido. A Geren-

Cinquenta Tons de Cinza impulsiona as vendas do mercado erótico

Os comerciantes de produtos eróticos comemoram as vendas aquecidas, impulsionadas pelo clima de fantasia do livro.

Via Libido: Clientes do sexo feminino já criaram até uma rede de comunicação sobre os produtos. (Foto: Divulgação).

te e proprietária da Sex Shop Via Libido, Elizabeth Andrade, avalia que houve uma diminuição do preconceito por parte das pessoas em adquirir produtos, e afirma que estamos sendo testemunhas de uma nova revolução sexual. “Não era assim a 12 anos. Acho que a postura das sex shops e o respeito a seus frequentadores colaborou muito para isso. No caso específico da Via Libido, foi abrir as portas da loja, mostrar que lá dentro era só uma loja e que há produtos para todos os tipos de casais. Foi um trabalho de formiguinha”. Apesar das mudanças, Elizabeth acredita que ainda há muitas pessoas que tem receio de entrar na Sex Shop. Segundo dados da Abeme, o público feminino representa 70% da demanda por produtos eróticos. Quando questionada sobre a frequência do público feminino na Via Libido, Elizabe-

th afirma que atualmente, as mulheres representam a maior porcentagem do público alvo da sex shop. “A maioria dos produtos é de uso essencialmente feminino ou para o casal, hetéro ou homo feminino. As mulheres já criaram até uma rede de comunicação sobre os produtos. Elas conversam sobre isso, trocam informações e as revistas femininas sempre trazem matérias sobre produtos eróticos. Os homens não conversam e não têm informação. É uma questão cultural. Os homens não dizem uns para os outros, por exemplo, que estão com problemas de ereção”. Elizabeth acredita que a concorrência em Fortaleza é saudável e que o consumidor acaba sendo privilegiado, com lojas cada vez mais preparadas e especializadas no assunto. “Cada concorrente tem uma proposta diferente de trabalho. Então eu acho positivo.”A loja Via libido, atualmente localiza-

da no bairro Meireles, possui um grande acervo de produtos para venda on-line pelo site. A loja conta ainda com um blog, escrito pela própria Elizabeth, em que ela atualiza as novidades da loja, conversa com os clientes e escreve artigos especiais para o público masculino. Conversar com os clientes e ter proximidade com eles é um dos segredos do sucesso para o negócio, garante Elizabeth. “Eu adoro conversar com meus clientes. E, mesmo à medida que me distancio, vou abrindo janelas para que estejam perto de mim. No site você pode comentar os produtos e eu mesma atendo os e-mails enviados para o ‘sac’ e meu telefone pessoal estão disponíveis em todas as mídias. O blog também tem espaço para comentários e eu mesma respondo. Então, eu quero estar sempre perto do meu cliente porque eu acredito nisso”. Entre as razões do sucesso, Elizabeth é precisa em afirmar que a loja teve um grande dife-

Entre os itens mais vendidos nas lojas de Sex Shop estão os kits com algemas de pelúcia, chicote falso e lingeries pretas. rencial: a escolha do local. “Foi bastante ousado para a época abrir a loja em uma avenida como a Abolição em uma área nobre de Fortaleza, mas vinha ao encontro do que eu acreditava. A escolha do ponto segue a filosofia da empresa: ‘brinquedo de gente grande’. Simples assim! E estamos conseguindo vender essa idéia. Acho vitorioso porque vender um conceito é muito mais difícil do que vender apenas produtos”.

Ata-me Sex Shop: Rua Senador Pompeu, 622-A, Fortaleza/ CE - Centro - (85)3081.6275 ou (85)3254.1669 Via Libido Sex Shop: Rua Desembargador Feliciano de Ataíde, 2211, Ed Queiroz, Fortaleza/CE, (85) 86151334 ou (85) 3242.9595 Delirium Sex Shop: Rua Padre Pedro de Alencar, N 221, Loja 10, Messejana, Fortaleza/CE, (85) 3474 –0983

Fantasias e Lingeries são campeãs em vendas no setor

Cinquenta Tons de Cinza, Os itens eróticos citados nos livros como máscara, algemas e chicotes tiveram crescimento de venda de 35%. (Divulgação).

Mas, afinal, qual a fórmula para o sucesso de uma sex shop? A resposta pode vir de uma das lojas mais conhecidas da cidade atualmente, a Ata-me Sex Shop, filial que funciona há pouco mais de sete anos na Capital. Dono e gerente da loja, o paulista Martins que já trabalha há mais de 28 anos nesse ramo, revela que viu na cidade de Fortaleza, um forte potencial para o mercado e não se arrepende de ter feito essa escolha. Localizada na Rua Senador Pompeu, no Centro, a Ata-me Sex Shop possui um anúncio fixo no jornal O Povo, além de propagandas em revistas e sites na Internet para pro-

mover a loja. “O importante é divulgar o nome”, afirma. Sendo referência como uma das melhores Sex Shops da capital, a Ata-me já conquistou seu espaço. Martins é bastante preciso quando questionado sobre o retorno positivo que a loja teve: “A Ata-me trabalha principalmente com a diversidade dos produtos e qualidade do atendimento. Mais do que nos ramos mais tradicionais, é preciso rapidamente, logo que o cliente entrar na loja, compreender as suas intenções, e frequentemente adivinhar o que ele deseja. A Ata-me existe desde 1981, o que significa 29 anos de experiência”.

Entre os produtos mais procurados na loja, Martins afirma que lubrificantes, e fantasias são os campeões em vendas, além de lingeries e próteses. E qual seria o conselho para alguém que quer começar nesse ramo em Fortaleza? Segundo Martins, é fundamental ter uma boa reserva de capital e conhecimento na área do mercado erótico. O mercado do erotismo já conquistou seu espaço em Fortaleza, quebrando as barreiras do preconceito e crescendo junto com o consumidor. Até para os mais inibidos, a Sex Shop se tornou convidativa.


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Ambientalistas lutam por polí O maior parque ecológico da América Latina aguarda, há cerca de 30 anos, por uma oficialização como Unidade de Conservação de Proteção Integral. Géssica Saraiva e Mara Rebouças

Situado no coração de Fortaleza, o Parque Ecológico do Cocó é o grande responsável pelos ventos que arejam a cidade. “Fortaleza possui uma agradabilidade climática desconhecida em outras capitais do Nordeste”, explica o arquiteto e urbanista, José Sales Costa Filho. O advogado Arnaldo Antunes, do Movimento SOS Cocó ressalta que para a criação da Unidade de Conservação deve ser feito um Plano de Manejo, com “estudo, levantamento de fauna e flora, previsão do tratamento de toda a área e formação de um Conselho Consultivo/Gestor, incluindo representantes do poder público e da sociedade civil e comunidades”. O Conselho deve monitorar e fiscalizar o nível de preservação da área. “Daí, percebe-se claramente que a regularização da proteção do Cocó, com a criação legal do Parque, certamente fará muita diferença” , explica. Segundo a advogada e especialista em Direito Ambiental, Geovana Cartaxo, o parque é vital para a cidade, seja pela sua função climática ou por funcionar como abrigo de fauna e flora. “A sua importância é imensa para Fortaleza, desde símbolo de luta e resistência ambiental, e como área de paisagem e escoamento dos recursos hídricos, evitando enchentes”, ressaltou. A geógrafa, e também especialista em Direito Ambiental, Mary Andrade, explica

Alessander Sales fala sobre a legalização. Foto: arquivo pessoal

Parque do Cocó: anfiteatros utilizados para eventos culturais na cidade.

Foto: géssica saraiva

que os benefícios do Parque do Cocó para a cidade estão diretamente ligados a sua vegetação, tornando-se necessária a preservação do ambiente. “Tudo o que está naquela região tem sua devida importância. As áreas de mangue, por exemplo servem como proteção contra enchentes no rio, controlam a salinização dos lençóis freáticos, fornecem suporte biológico e físico para ecossistemas costeiros, servem como refúgio e área para alimentação de peixes e crustáceos, proteção e conservação da fauna de natureza rara, armazenamento e reciclagem de matéria orgânica e nutrientes”, frisou. Outra área que merece a preocupação das autoridades são as dunas. “Elas absorvem as águas pluviais, mantêm e preservam os ecossistemas, alimentando os rios subterrâneos. Evitam a contaminação dos aquíferos continentais pelas águas salgadas e salinização dos solos. Conclui-se portanto, que Fortaleza ficará vulnerável a enchentes com proporções semelhantes ao que acontece em São Paulo, caso não seja criada com urgência uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, legalizando o Parque do Cocó, para impedir a exploração dos recursos naturais”, afirma a geógrafa Mary Andrade. Em 2009, a Lei nº 9.502, de autoria do vereador João Alfredo (PSOL) criou a Área de

Tipos de Unidades de Conservação Em 18 de julho de 2000 foi criada a Lei Nº 9985, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, As Unidades de Conservação estão divididas em Proteção Integral e de Uso Sustentável. Criado por Ato do Poder Público “deve ser precedido de estudos técnicos e de consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade”, explica o advogado Arnaldo Antunes, do SOS Cocó. Os parques pertencem ao primeiro grupo, assim como as estações ecológicas, reservas biológicas, monumento natural e refúgio da vida silvestre. As Estações ecológicas e reservas biológicas não permitem sequer a visitação pública. O monumento natural e o refugio da vida silvestre podem permanecer em áreas privadas, sob a determinação de que o proprietário cumpra as limitações de uso. Como justificativa para a criação de uma Unidade de Conservação, a professora Mary Andrade cita a proteção e a conservação dos recursos naturais, recuperação e manutenção do equilíbrio ecológico para preservar as bio-

blico a responsabilidade por “definir tas terrestres e aquáticas, proteção em todas as unidades da federação de ambientes naturais dedicados às espaços territoriais e seus compoespécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migranentes a serem especialmente protegidos, sendo sua alteração permitória e condições proporcionadas para atividades de educação amtida somente através de lei, vedadas qualquer utilização que comprobiental e pesquisas científicas. A especialista em Direito Ammeta os atributos que justificam sua proteção.” O objetivo básico é biental, professora Geovana Carpreservar “os ecossistemas naturais taxo, explica que é incumbência de grande relevância ecológica e do Poder Público criar parques beleza cênica, possibilitando a reaecológicos, seja municipal, estalização de pesquisas científicas e o dual ou nacional, como Unidade desenvolvimento de atividades de de Proteção Integral. Neste caso, educação e interpretação ambienestabelecendo o uso dos recurtal, de recreação em contato com a sos naturais apenas para fins de Trilha no Parque do Cocó Foto: Mara rEbouças recreação,contemplação, pesquisas e educação am- natureza e de turismo ecológico”. Os parques nas cidades e em áreas rurais biodiversas funcionam “como áreas de biental. Sobre o art 225, parágrado III, regulamentado pela Lei relaxamento, para amenizar o clima e proporcionar a re9985/2000, ela observa que fica determinado ao Poder Pú- carga hídrica da região. Um verdadeiro abrigo”, conclui.


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olíticas ambientais

Poligonais: Mapa define nova delimetação para área de proteção. Foto: acervo público

Relevante Interesse Ecológico, para preservar as dunas. O Projeto de Veto Popular, apresentado pela então Prefeita Luiziane Lins, no ano passado, objetivava proibir a construção de obras públicas e privadas na Poligonal do Par-

que do Cocó, com exceção para iniciativas de utilidade publica ou interesse social. Mobilização A professora Mary Andrade cita o SOS Cocó, Salve as Dunas do Cocó e Em Defesa do

Curiosidades sobre parques Os primeiros no mundo Os parques ecológicos foram as primeiras unidades de conservação criadas no mundo. O primeiro é o Yellowstone, famoso por ter o mesmo nome do filme Zé Colméia, situado nas montanhas rochosas nos Estados Unidos. No Brasil foram os Parques Nacionais do Iguaçu e Itatiaia. O Rio Cocó O Rio Cocó começa na Serra da Pacatuba, compreende Maraca-

naú até chegar a Fortaleza, em uma área de aproximadamente 45 quilômetros. Desagua no Oceano Altântico, nas praias do Caça e Pesca e Sabiaguaba. Em Fortaleza passa pelos bairros ,José Walter, Jangurussu, Passaré, Barroso, Mata Galinha, Cajazeiras, Castelão, Dias Macedo, Jardim das Oliveiras, Aerolândia, Alto da Balança, Salinas, São João do Tauape, Cocó, Dunas, Edson Queiroz, Praia do Futuro e Sabiaguaba, incluindo uma área de dunase manguezais.

Cocó, como exemplos pela mobilização da sociedade civil. Para o arquiteto e urbanista, José Sales Costa Filho, a situação do parque é lamentável. “A demora na legalização é pura afalta de interesse político. As autoridades simplesmente ignoram a existência do Parque do Cocó. A Prefeitura de Fortaleza empurra a responsabilidade para o Governo do Estado e o Governo rebate para a Prefeitura. Isso é lamentável, essa situação precisa ser resolvida urgentemente”, ressalta. Mas a novela sobre a legalização do espaço, que já se arrasta há quase três décadas, parece finalmente apontar para um final feliz. Com o ajuizamento da ação, feita pelo Ministério Público Federal (MPF), através dos procuradores Alessander Sales e Nilce Cunha, e o pedido de veto das obras no espaço, o processo de legalização do Parque Ecológico do Cocó deve ser concluído até o final

de 2013, segundo informações repassadas à imprensa pelo secretário-executivo do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), João Paulo Cavalcante. O MinistérioPúblico Federal pede que a delimitação da área seja feita pela União, Ibama, Semace e Prefeitura de Fortaleza. De acordo com os procuradores, a extensão referente ao parque poderia ter sido fixada desde 2008, quando o estudo do Conpam aprovou mais 266 hectares para o Parque Ecológico do Cocó, ampliando de 1.155,20 hectares para 1.312,3 hectares, criando a Unidade de Conservação de Proteção Integral. A proposta foi elaborada pelo Grupo de Trabalho, sob a coordenação do Conpan; em parceria com a União, através do IBAMA; o Estado, através da Secretaria do Meio Ambiente (SEMAM) e o Município, com a Secretaria do Meio Ambiente(SEMAM) e integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). Porém, não houve iniciativa do Governo do Estado, alegando que seriam inviáveis as desapropriações. Para o procurador da República, Alessander Sales, a legalização do Parque do Cocó não implica em grandes custos, nem mesmo com indenizações para propriedades privadas, visto que elas são minoria. As áreas não indenizáveis se dividem em três: Área de

Proteção Permanente (APP), composta por dunas e margens de rio, sem aproveitamento econômico; Terras de Marinha com Área de Proteção Permanente e Terras de Marinha sem Área de Proteção Permanente. Polêmicas No começo desse ano, duas polêmicas em torno do parque foram apontadas. A primeira, foi a construção de uma “via paisagística”, margeando o Cocó. O projeto aprovado pela Câmara do Vereadores de Fortaleza, no dia 23 de abril, previa a construção de uma via, segmentando no Parquedo Cocó e a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) das Dunas do Cocó. Após muitas reviravoltas, a construção da via, que seria incluída no projeto viário de Fortaleza, foi vetado pelo Prefeito Roberto Cláudio. A segunda polêmica se deu sobre a construção de um mirante no parque e uma ponte estaiada, projetada para ligar o bairro Cidade 2000 ao Centro de Eventos do Ceará e desafogar o fluxo de veículos da Avenida Sebastião de Abreu em direção à Avenida Washington Soares. Em 2012, a construção de um empreendimento imobiliário na zona de preservação ambiental do parque, chamou a atenção das autoridades para a especulação.

Queimas: Foto aérea mostra queimadas no parque. Foto: eDson Freire

Até quando o parque vai resistir ao descaso? Sem saber ao certo onde começam e onde terminam seus limites, o Parque do Cocó encontra muitas dificuldades para manter sua unidade de conservação. Lutar contra a especulação imobiliária e a falta de conhecimento da população tem se tornado uma árdua tarefa aos cuidadores e defensores do parque. Especulação comercial Para o arquiteto, José Sales Costa Filho, a especulação imobiliária não é a principal ameaça enfrentada pelo Parque do Cocó. A especulação comercial e a falta de consciência ambiental da população são problemas muito mais preocu-

paço do Cocó como lixo, despejando seus dejetos. Isso é um absurdo, a maioria daqueles condomínios possuem rede de esgoto e não existe a necessidade de agredir de tal forma aquele ambiente”, frisou.

Arquiteto: José Sales fala da especulação imobiliária na área. Foto: Mara Rebouças

pantes. “Se nós andarmos pe las ruas e avenidas que limitam o Cocó, podemos perceber a quantidade de prédios comer-

ciais que são construidos dentro da área referente ao parque. Isso sem falar nas construções residenciais que utilizam o es-

Queimadas Outro problema que atinge o Parque do Cocó, há anos, são as queimas feitas no coração do parque. “A região próxima ao rio Cocó e Cidade 2000, onde antes observava a presença de centenas de garças, hoje existe uma enorme clareira aberta com queimadas frequentes. Todos os finais de semana registro alguma quei mada”, explica Edson Freire,

que mora no entorno do parque ressaltando que é muito comum ver focos de queimadas no parque durante a noite.“Nos últimos dois anos observei acelerada degradação do Parque do Cocó. Até quando o Cocó resistirá às agressões do homem?”, protesta o morador. Para o arquiteto José Sales esse problemas está principalmente ligado a falta de conscientização ambiental das pessoas. “ Até hoje, eu não vi nenhuma campanha do Governo ou Prefeitura, em prol da conscientização ambiental. O que é um absurdo, pois existem verbas destinadas a isso”, frisou.


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Consultoria de imagem enaltece pontos fortes e disfarça defeitos Serviço de consultoria é cada vez mais procurado por pessoas e empresas que apostam na importância da imagem para o sucesso pessoal e profissional Luana Matos

30 segundos é o tempo que uma pessoa leva para tirar suas primeiras impressões em relação à outra, sejam estas positivas ou negativas. A maioria das pessoas “desconhece” a importância de se passar uma boa imagem, causar uma boa impressão em determinados momentos da vida e dedica pouca atenção à força que tem provocar bons sentimentos a primeiro vista, seja para conseguir o emprego desejado, seja para atrair mais clientes para a sua loja, ou até mesmo para conseguir um namorado novo. Com o propósito de ajudar as pessoas a trabalhar melhor os seus pontos fortes, buscar o auto conhecimento, melhorar a sua a auto estima, projetar uma imagem favorável do seu eu para os outros, ganhar segurança sobre o que melhor se adapta ao seu tipo de corpo, e é claro, sem perder o seu estilo e sua personalidade, surge o profissional de Consultoria de Imagem. Ao contrário do que muitos pensam o consultor de imagem não é um profissional que trabalha unicamente com moda, apesar da moda fazer parte do trabalho de construção da identidade visual que a cliente deseja projetar, o serviço não visa somente esse objetivo, mas sim ajuda a cliente a perceber melhor suas necessidades, se conhecer melhor e também a

compreender as particularidades de se vestir de uma maneira em seu ambiente de trabalho e de outra em seus momentos de lazer, por exemplo. É o que afirma a consultora de imagem e diretora do Instituto de Moda Consultoria de Imagem (IMCI), Juliana Brito “O personal Stylist auxilia exatamente isso, respeitando o estilo da cliente, a imagem que a cliente quer projetar, indicando as cores ideais, as peças e cortes ideais, dizendo qual é o formato de corpo que a cliente tem, que diferentemente da vendedora que joga a peça, já que a intenção é comissão, a personal Stylist ela é honesta, ela indica a peça certa, ou seja, a cliente confia no que a personal indica pra ela”. As mulheres ainda são as maiores consumidoras de moda do mundo, se preocupam mais do que o público masculino com o que vestir em uma ocasião específica, às vezes não sabem como combinar a bolsa com o sapato, o acessório com o vestido, o que usar em uma festa de dia e o que usar em outra a noite, o equilíbrio e harmonia da maquiagem, enfim, muitas tem dúvidas sobre algum assunto e acabam errando, exagerando ou vulgarizando na construção do seu look e sem perceber acabam projetando uma imagem desfavorável dela mesma. “A questão é que cada vez mais as pessoas estão percebendo a importância da imagem, de procurar um profissional que ajude a melhorar a imagem dela, que ajude a auxiliar e tentar na hora de escolher o look ou na hora de montar a peça, as clientes elas ficam meio perdidas, não tem noção e o personal Stylist vai auxiliar exatamente nisso”, conta Juliana.

Cada vez mais as pessoas estão percebendo a importância da imagem, de procurar um profissional que ajude a melhorar a imagem dela. Consultora de Imagem Juliana Brito, Consultora dE iMagEM

CoM CliEntE EM sErviço dE

Aposte nas dicas de moda para uma boa imagem Como combinar o cinto nas produções? Regra elementar é que o cinto não precisa ser (sempre) da mesma cor que o calçado. Uma delas é escolher o cinto para ser o acessório de destaque com uma cor mais ousadas. http://goo.gl/Sprnc Quer ganhar alguns centímetros a mais? O primeiro aspecto importante e caprichar na maquiagem, cabelos e colocar brincos grandes para ressaltar o rosto. Outro aspecto é abusar dos decotes em “V” tanto para os vestidos quanto para as blusas, já que esse tipo de decote

alonga o pescoço de quem veste. http://goo.gl/UfqiR Como usar saia longa? As mais clássicas fazem o estilo noite ou festa, nesta categoria temos as saias de tecidos nobres como lurex, tafetá, tule e paetê. A saia de paetê é bastante versátil e que casa super bem com camisa chiffon ou outros tecidos fluidos como seda por exemplo. A melhor escolha de calçado para esta produção são as sandálias ou scarpins, os acessórios como clutch, brincos e colares não podem ficar de fora. Já as de renda, tafetá ou tule ficam incríveis com corpete tomara que caia

que pode ser liso ou com bordado. Uma modelagem que ganhou destaque nos últimos tempos foi a saia longa transparente de shape soltinha com um forro mais curto e justo embaixo deixando a mulher discretamente sensual. http://goo.gl/Z7ql8 Macacão, sim? O macacão além de representar elegância, é uma roupa muito confortável e prática de usar, por isso colocamos algumas dicas de como usar essa peça no dia a dia, no trabalho, jantar e balada, pois esta peça promete ser o próximo hit da estação. http://goo.gl/Uyl3R

PErsonal shoPPEr. Foto: arquivo PEssoal

O que significa ter uma “boa imagem”? “”Ter uma boa imagem significa estar em sintonia consigo mesmo, ser o que é, expressar o que é, coerência, transparência, autenticidade”.

“Vai além de vestir-se bem, a pessoa deve ser detentora de uma reputação intacta, seja em qualquer quisito que possamos analisar”.

Domingos Cunha

Márcio Bonifácio

Padre

Estudante de direito

“Ter uma boa imagem pra mim é a pessoa estar bem consigo mesma, feliz,saudável, com uma aparência legal sem estar preso a ditadura da moda”.

“Devemos julgar através dos valores que a pessoa traz, se é alguém que respeita família, convive bem com os colegas e se é um amigo presente”.

Bruno Tavares

Valney Junior

Educador Físico

Analista de sistemas


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Serviço auxilia empresas e eleva auto-estima Izabel Menezes conheceu o serviço especializado de Consultoria de Imagem através de uma amiga e como iria se tornar dona do seu próprio negócio, sentiu a necessidade de contratar uma profissional, pois segundo ela passou anos usando uniformes e percebeu que naquele momento precisaria se vestir de outra maneira, mudar seu estilo e saber como se vestir melhor no seu dia a dia. “Mudei totalmente minha rotina de trabalho, passei anos usando farda todos os dias e esse ano ao me tornar comerciante e dona de uma loja, senti a necessidade de mudar meu estilo de vestir, me sentir mais segura e confiante no dia a dia”, conta Izabel. Para a comerciante a Consultoria de Imagem trouxe muitas vantagens, melhorias, tanto no quesito pessoal quanto profissional. “Mudou minha vida pessoal e profissional completamente, me sinto mais segura, confiante, minha auto estima inclusive melhorou muito com a consultoria”, afirma. Ao ser indagada sobre a importância desse profissional e em que ele contribui para a melhoria da vida das pessoas, Izabel conta que foi fundamental para a sua vida e que um profissional como esse faz sim a diferença na vida das pessoas. “No meu caso, foi fundamental esse profissional para a minha vida, pois ela conseguiu organizar meu closet, montar looks que jamais imaginei, tirar aquela sensação de ter várias peças de roupas e não saber combinar, não saber se aquela roupa ficava melhor para o dia ou noite, enfim...Um profissional como esse faz toda a diferença”, conta a comerciante. Demanda O mercado de consultoria de imagem no estado e na capital está crescendo cada vez mais,

Empresa treina sua equiPe através Da consuLtoria

Para que entenDaM MeLhor as necessiDaDes De caDa cLiente. Foto: arquivo PessoaL

Avaliamos a importância do profissional como uma verdadeira necessidade para a sociedade, pois uma consultoria de imagem pode melhorar a vida de qualquer um Diretora da G&G Noivas e Maison Blanc

apesar de existirem poucos profissionais com formação adequada e especializada, diferentemente de São Paulo (onde concentra o maior número de profissionais), Rio, Sul e Sudeste do país, a demanda por esse tipo de serviço só aumenta em Fortaleza.

Para Juliana Brito a demanda pelo serviço só tende a crescer e as pessoas não procuram mais porque desconhecem o serviço e os benefícios que ele possui. ���Acredito que as pessoas não procuram mais ainda porque não conhecem exatamente esse serviço. E é por isso que eu vou cada vez mais à mídia, a televisão explicar o que é a necessidade de se ter uma Personal Stylist. A necessidade só vai surgir de acordo com que o serviço for divulgado”, conta Juliana. Algumas pessoas contratam os serviços para si, mas também existem empresas que justamente por lidarem com o público e este está cada vez mais exigente, contratam a Consultora de Imagem para ministrar palestras para os funcionários, como é o caso das lojas G&G Noivas e Maison Blanc. Para Zenna Barbosa ( Diretora da Maison Blanc), o objetivo almejado foi totalmente alcançado,

pois a Equipe aprendeu rapidamente o biótipo de cada cliente e o que cada uma deve usar, além do que fez com que os funcionários pudessem prestar assistência total a seus clientes. “Com o objetivo de aperfeiçoar a equipe, fazendo com que nossos funcionários possam dar total apoio aos nossos clientes, para que eles sempre transmitam a todos que estão bem vestidos e que as roupas que elas usem possam valorizar o biotipo de cada uma. Alcançamos o nosso objetivo, pois nossa equipe aprendeu rapidinho no curso, que teve até teste prático”, conta Zenna. Reconhecimento Zenna diz que é fundamental e essencial a presença desse profissional na sociedade. “Avaliamos a importância do profissional como uma verdadeira necessidade para a sociedade, pois uma consultoria de imagem pode melhorar a

vida de qualquer um. A apresentação pessoal no ambiente de trabalho, na vida social e no lazer pode nos trazer inúmeros benefícios e conquistas”, conta. Quando se fala em uma pessoa ter uma boa imagem, a primeira coisa que nos vem a cabeça é que ela é bonita fisicamente, a aparência dela está de acordo com os padrões estabelecidos de beleza, com os estereótipos, está bem vestida, em harmonia com o todo, mas isso só para algumas pessoas, para outras para uma pessoa pode apresentar uma boa imagem ela deve reunir bons valores, princípios e costumes. Para Márcia Catunda ter uma boa imagem é mais do que simplesmente ter “bons” atributos físicos. “Mais do que a aparência, ter uma boa imagem é saber agradar e ser uma pessoa autêntica e sincera, que faz o bem sem esperar nada em troca, e como disse anteriormente, é uma pessoa que passa mais confiança e credibilidade em tudo o que ela faz ou fala, uma pessoa que tem índole, principios e bom comportamento”, afirma. Para quem deseja investir na profissão de Personal Stylist não é apenas necessário ter uma bom gosto, entender de moda, bom senso e ter sensibilidade na área.

IMCI- Instituto de Moda Consultoria de Imagem Juliana Brito. jfb.styling@gmail. com | imcijb@gmail.com (85) 96833312 | (85) 88859038 Maison Blanc Av.Antônio Sales,2180 - Aldeota Fone:(85)3268-1009 www.maisonblanc.com.br G&G Noivas Rua:Alberto Magno,272, Montese Fone:(85) 3491-7777 www.gegnoivas.com.br

Conheça os três ramos que a atividade abrange A consultoria de imagem abrange os seguintes ramos: Personal Stylist, Personal Closet e Personal Shopper. Apesar dos três serviços fazerem parte da consultoria de imagem, existe diferença entre as três funções, o Personal Stylist é um serviço de consultoria de moda especializada, o que quer dizer que essa profissional vai até a casa do cliente, conversa com ele, observa seu estilo, a maneira como vive, as suas necessidades, o que ele busca, e a partir daí sugere algumas mudanças com base no que a cliente necessita, além da entrega do dossiê. A consultoria é realizada

por meio de quatro análises: Análise do tipo físico: trabalha-se a famosa ilusão de ótica, onde o que são pontos francos em você esconde-se e evidenciam-se os pontos fortes. Identificam-se quais os cortes de roupa, acessórios, tecidos, cores e padrões que se adéquam melhor ao tipo físico do cliente; o segundo é a descoberta do estilo pessoal: através de um questionário a profissional analisa a personalidade, o estilo de vida social e profissional, as motivações, a fim de atingir o objetivo do cliente e propor mudanças na imagem; a terceira é a analise cromática, que através do estudo mor-

fológico (cor dos cabelos, dos olhos e da pele), descobrem-se quais são as cores que contribuem positivamente com a sua aparência e a quarta e última é a análise do formato do rosto, então encontra-se o que é harmônico e favorável a sua aparência visual, como os cortes de cabelo, armações de óculos, maquiagem e acessórios. Já o Personal Closet é responsável por ir até a casa do cliente, observa o que ele já tem e formar os looks para trabalho, lazer e eventos especiais, além de sugerir a mudança e a compra de novas peças e acessórios para compor o seu closet, ao final

da sessão é entregue um look book, ou seja, é um álbum de fotografias criado, um registro feito pelo consultor de todos os looks criados durante a sessão. E a última etapa da consultoria de Imagem é o Personal Shopper, para muitos a etapa mais prazerosa das três. Quem é que não gosta de passar umas horinhas no shopping fazendo compras? Umas justificam essa paixão como forma de esquecer dos problemas, outras dizem que sempre falta alguma coisa no armário, outras falam que é uma forma prazerosa de combater a TPM , e outras assumem que não precisam de

nada, mas que acabam não resistindo as novidades das vitrines e acabam comprando. Essa etapa consiste em o profissional de consultoria de imagem (Personal Shopper) acompanhar a cliente as compras para que esta saiba como comprar as peças que melhor se adéquam ao seu novo estilo, ajuda também a fazer compras mais racionais e não emocionais, ou seja, comprar as roupas certas e que combinam com seu novo estilo, além de economizar tempo e dinheiro, conhecer outras opções de lojas e comprar peças que consigam maximizar com as outras peças já existentes em seu guarda roupa.


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Irmãos iniciam ações sociais em causas distintas Projetos voluntários podem transformar a vida de muitas pessoas que precisam de ajuda. Mas existe uma vida que muda muito mais: a de quem inicia. Camille Vianna

Existem muitas ações voluntárias espalhadas por Fortaleza. Ajuda a crianças carantes, a pessoas com câncer, idosos abandonados e outros. As histórias são muitas, mas o que não se percebe, é que para um ação voluntária ter começado, foi preciso que alguém desse o primeiro passo. Júlia Mapurunga, começou um projeto social em Fortaleza, que motivou a muitas ações diferentes. O projeto se chama Amigos da Alegria e inicou há sete anos. Ná época, Júlia e seu irmão, João Mapurunga, estavam com o pai doente, que depois veio a falecer. Diagnosticado com câncer, passou alguns anos internado no Instituto do Câncer. Durante a internação de seu pai, Júlia decidiu comemorar seu aniverário na ala pediátrica do instituto. “Foi a primeira vez que fui visitar as crianças. E depois desse dia, as visitias não pararam”. Com cerca de 10 amigos e parentes mais próximos, o aniversário de Júlia foi a primeira reunião do projeto.

O Instituto gostou tanto da do aniversário, que pediu para o grupo ir outras vezes, especialmente nas datas comemorativas. “Começamos indo no natal, páscoa, carnaval... E depois foram os aniversários e outros eventos”. Os eventos são comemorados com festa e alegria, os voluntários se vestem de palhaço, fazem apresentações, e animam as crianças. O grupo foi crescendo, e outros amigos iam se interessando pelas ações. “Depois de um tempo, percebemos que estávamos nos tornando um projeto. A necessidade de um nome veio, e pensamos em Amigos da Alegria”, diz Júlia. Com o tempo, hospitais, institutos, e ONG´s pediam para o grupo ir visitá-los. “Além das crianças, começamos a ajudar os idosos, pessoas que estão sofrendo com a seca... Não teve um planejamento certo, as pessoas foram nos chamando e o projeto foi expandindo”, diz a fundadora. Atualmente, o projeto conta com cerca de 100 voluntários. Outro olhar João Mapurunga, descobriu dentro do projeto, um novo amor. Seu aniversário, no ano passado, escolheu comemorar no hospital Alberto Sabin. Além das crianças com câncer que ele já conhecia, descobriu

Além das crianças, começamos a ajudar idosos, pessoas que estão sofrendo com a seca... Não teve um planejamento, as pessoas foram nos chamando e o projeto foi expandindo. Júlia Mapurunga, fundadora do projeto Amigos da Alegria.

outras que precisavam de ajuda. Essas crianças, sofriam de Amiotrofia Muscular Espinha (AME), e foram vistas a primeira vez por João no seu aniversário. “Conheci as crianças com AME e vi o amor das mães pelos filhos. Fui me interessando pela patologia e comecei as visitar as crianças e adolescentes. Além dos que estão nos hospitais, visito também os que moram em casa.” A maior meta dele é uma ajuda maior do governo. “O governo disponibiliza para essas famílias que vêm com o filho doente para tratamento, um salário mínimo. Mas só de despesa com leite, fralda, e remédios é cerca de R$ 300,00. Não tem como se manter com o que sobra, é muito pouco!”

(1) Voluntário, Júlia e João Mapurunga, vestidos de palhaço. (2) Voluntários reunidos em uma das ações (3) Márcia Victor e João Mapurunga Foto: arquivo PessoaL

Ajudar a crianças com AME é um desafio aos voluntários

João Mapurunga, com o Gugu ( que sofre de AME) de um ano e cinco meses e sua mãe Foto: arquivo PessoaL

Júlia Mapurunga, fundadora do Amigos da Alegria e uma das crianças, na festa de Natal realizada pelo grupo. Foto: arquivo PessoaL

A amiotrofia muscular espinhal, consiste em uma patologia genética degenerativa, que afeta as células do corno anterior da medula, resultando em fraqueza e atrofia muscular caracterizada por problemas nos movimentos voluntários. João Mapurunga ajuda cerca de 10 jovens, entre 2 a 18 anos. “Tem a Bibi, o Xavier, a Tatá, o Brendon...Eles sempre ficam muito felizes quando chego. Alguns falam, outros não, mas é o sorriso no rosto deles que me motiva a visitá-los e continuar o trabalho.” Márcia Victor, 47, amiga de João, o acompanha na ação desde o ínicio. Ela fala que muitas pessoas não conseguem

ver as crianças por dificuldade de encarar suas limitações. “Os amigos, sempre nos dão o suporte necessário. Tem gente que diz: ‘Márcia, eu ajudo com leite, fralda, mas não consigo ir visitá-los, não vou aguentar ver a situação deles’”. Os meninos com AME tem dificuldade de sentar, comer e sugar a saliva, andar, aumento da probabilidade a infecções respiratória, acúmulo de secreções nos pulmões e garganta. “Procuro ir visitá-las uma vez por semana. Depois de conhecê-las, passei a ver a vida de outra forma. Tem muita gente que precisa não só de ajuda financeira mas também de amor e carinho”, diz João.


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RádioWeb abre novas fronteiras na comunicação Sem leis para regulamentação e sem necessidade para concessões, as Rádios Web surgem formando novos talentos musicais e profissionais na área de rádio Natanna Oliveira

Com o advento da internet, Rádios Web nascem com um propósito: fazer com que artistas que não desfrutam de oportunidades no meio midiático, demonstrem seus trabalhos e se tornem conhecidos. Além disso, traz experiências para pessoas interessadas em atuar nessa área de rádio, formando novos radialistas. Inserido nesse contexto encontra-se Matheus Salvany, apresentador do programa “Apasseio” na Rádio Órbita. O radialista diz: “a linguagem do rádio é muito apaixonante. Pra dizer a verdade, às vezes esqueço que faço rádio web, na minha cabeça eu simplesmenEntrevista

te faço rádio, não existe distinção”. E acrescenta: “percebo um reconhecimento da classe artística local, até da imprensa, que já me manda releases e sugestões de pauta e já teve até músico se oferecendo pra ir ao programa”. Já os cantores e bandas tornam-se mais conhecidos, devido esse veículo expandir o talento desses profissionais para outros meios de comunicação fazendo com que o conteúdo seja absorvido por um maior número de pessoas. Dessa forma, o cantor e compositor Caio Castelo afirma: “participar de uma Rádio Web amplia nosso público e leva o trabalho à pessoas novas, que ainda não o conheciam e que podem gostar e propagar a mensagem”. Comprovando esse pensamento de Caio Castelo, a banda cearense “It Girl”, que participou de uma das programações da Rádio Órbita e da Rádio Unifor, viveu uma grande surpresa ao ver

Dilson Alexandre Mendonça

Rádio Web possibilita democratização Dilson Alexandre é jornalista, coordenador do curso de jornalismo da Faculdade 7 de Setembro (Fa7) e também professor de Comunicação Social. Foi produtor de radiojornal no programa Rádio Serviço veiculado na Rádio O Povo CBN e recentemente, o jornalista pesquisou e escreveu um artigo sobre Rádio Web. A cerca desse novo veículo de comunicação, Dilson Alexandre relata quais as contribuições desse meio para a disseminação de concepções. Sobpressão-QuaisascontribuiçõesdeumaRádioWebparaasociedade? Dilson Alexandre - Uma é a questão da liberdade de expressão, sem necessidade de autorização do Governo ou posse de uma concessão de emissora de rádio. Pessoas, comunidades, sindicatos, associações, escolas, universidades, etc. podem usar uma rádio na web como forma de difusão de suas ideias, de manifesto ou até em busca de apoiadores. Redes sociais complementam bem uma rádio web. SP - Qual sua opinião sobre a ausência de leis para Rádio Web? DA - Não acredito que deva haver lei ou limitação sobre web rádio. Assim como não há para vídeos, conteúdo jornalístico, etc. O autor do conteúdo deve ser responsabilizado pelo que diz, independente se é numa rádio, tv, jornal, web rádio, carro de som, etc. SP - Para você, qual o futuro da Rádio Frequência? DA - Continuarão sendo importantes, caminhando para oferecer mais serviço, variedades e menos música. A indefinição do padrão de rádio digital brasileiro só atrapalha o desenvolvimento do veículo. Mas a internet oferece potencial para o crescimento do conteúdo em áudio, para rádios comerciais, comunitárias e web rádio.

Rádio Unifor editando áudio a ser inserido nos programas. Foto: veronessa LiMa

as músicas compostas pela banda sendo escolhida para tocar todos os dias em uma das programações da rádio web, Ponto Alternativo: “isso demonstrou que a rádio web realmente disseminou o nosso som e isso foi muito bacana”. A banda acredita que esse meio de comunicação será bem mais sólido, contribuindo para a democratização da comunicação. Segundo Pedro Lustosa, o vocalista da banda, já existe som de carro que sintoniza rádio web. “Quando realmente popularizar o acesso da internet, tenho certeza que a Rádio Web será o grande lance. Daqui a algum tempo vai ter a grande rádio web do país” diz Yuri Lobato, violinista da It Girl. Para Caio Castelo, o diferencial da Rádio Web é o público “é um nicho diferente”, diz ele. O cantor acha interessante à auto regulação da web: “já que é muito conteúdo sendo jogado na internet o tempo todo, é preciso ter qualidade e inovação para se destacar. E num mercado artístico cada vez mais prolífero e, consequentemente, segmentado, a criação de Rádio Web é muito interessante”. Daniel Sousa técnico da Rádio Web Umic Genibaú, diz que esse é o maior desafio de manter uma rádio web em pé, já que na internet você não fica preso a um só tipo de mídia: “entrar no gosto popular nessas condições é bem difícil”, afirma o técnico. Rádio Frequência X Rádio Web A rádio convencional que transmite programações via frequência, possue limites geográficos, ou seja, cobre apenas alguns km. A Rádio Cauipe, por exemplo, cobre um raio de 5 a 7 km, o equivalente aos municípios de Caucaia e um bairro de Fortaleza, Barra do Ceará.

Como montar sua Rádio Web?

1º passo: Você precisa de internet e um servidor para receber e transmitir os arquivos quando a programação é ao vivo. 2º passo: O servidor depende de quantos ouvintes você pretende ter, ou seja, quanto mais ouvintes você tem mais caro é. 3º passo: Alguns dos programas que pode ser usado para transmitir rádio via web são o Samcast, o programa responsável por enviar o áudio do computador pro servidor, o Zararadio, o programa responsável por fazer o gerenciamento dos áudios, vinhetas, por exemplo, e o Reaper,

Porém, para acessar as programações de uma rádio web, o ouvinte precisa apenas ter um aparelho para conectar-se a internet. Isso ajuda a expandir o público desse novo veículo, globalizando a programação. À vista disso, profissionais do meio tradicional sentem-se inseguros em apresentar programações nesse novo meio de comunicação. É o que afirma Eliziane Correia, ex-radialista da rádio convencional e atual radialista de rádio web: “sinto falta da interação entre ouvinte e apresentador, mesmo com a programação da rádio web sendo ao vivo e o ouvinte interagindo pelas redes sociais, nunca será da mesma forma de uma rádio tradicional, quebrando um pouco a sintonia”, afirma Eliziane. As rádios web, atuam como rádio revista, divulgam conteúdos culturais, informativos e de entretenimento ao mesmo tempo. E por ser um espaço disponível para difundir diversas ideologias, cada um é responsável pelo seu conteúdo não precisando de patrocina-

o programa que grava e edita o áudio para possíveis reprises. 4º passo: É indispensável ter uma mesa de som digital, um bom microfone e um bom computador. 5º passo: A internet precisa ser no mínimo constante, não precisa ser muito rápida, internet 3G, dá pra transmitir a programação completa, sem riscos de travar ao ser veiculada. 6º passo: O diferencial de todo esse processo é o áudio chegar ao servidor e o servidor transmitir para a quantidade de ouvintes cotratadas, não operando em ondas de rádio. Fonte: Rádio Web Umic Genibaú

dores para manter a rádio em funcionamento. Até as propagandas são educativas, como a campanha da Rádio Unifor sobre comportamento no ônibus, por exemplo. Dessa forma, a professora de rádio, Alessandra Oliveira que também coordena a Rádio Unifor, sugere: “o governo deveria facilitar o processo de concessão de rádio. O conteúdo da web é legal, mas deveríamos ter mais rádios como as da web, inovadoras, menos comerciais, que não cobram jabá e que de fato incentivem a cultura, proporcionando que novos talentos locais tenham visibilidade. A web é muito importante por isso, mas acho que deveríamos lutar por um espaço na frequência”.

Rádio Unifor radio.unifor.br Rádio Órbita www.orbitaradio.com.br Rádio Cauipe cauipefm.com.br


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E o vento trouxe...

Os ventos constantes do Ceará propiciaram o crescimento do kitesurf em todo o litoral. Em busca dessas boas condições, muitos estrangeiros agora vivem no Estado para trabalharem com o esporte.

Kate Chandler se divertindo em sua casa, na Lagoa da Taíba.

Giselle Nuaz

O Ceará é um dos melhores lugares do mundo para a prática do kitesurf e vários fatores são determinantes para definir o estado como o Havaí do esporte: o vento é constante e a posição que sopra é perfeita, pois sempre sopra paralelamente à praia, facilitando o velejo; as praias cearenses são “intermináveis”, não oferecendo obstáculo como bancadas de pedras ou ilhas, o que garante um abiente seguro para quem está aprendendo ou para os profissionais que precisam de um ambiente ideal para seus treinos. Além do mar, as lagoas que existem na costa também são conhecidas internacionalmente: Lagoa do Uruaú, no litoral leste, Lagoa do Cauípe e Lagoa da Taíba, no litoral oeste, cenários bastante divulgados em revistas, em vídeos e sites do exterior para conquistar velejadores do mundo todo e fazê-los vir experimentar os ventos cearenses. Vendo um potencial a ser explorado nas condições naturais do nosso estado, vários são os ramos que hoje são direcionados para esta prática esportiva:escolas de kite, serviços de transfer, bugueiros e até kite-táxi podem ser encontrados pela Costa Oeste. Trazidos pelo vento Kate Chandler, inglesa nascida em Londres, mora na Taíba há 7 anos e escolheu a pequena cidade pesqueira por causa do vento: “ Quando decidi que ia trabalhar com o kite, ainda na Inglaterra, comecei a pesquisar sobre os melhores lugares ao redor do mundo, fui para o Egito, Ilhas Filipinas (Boracay), Ilhas Canárias, República Dominicana, e logo desci para conhecer o Nordeste do Brasil. Viajei tudo

Foto: rYan goLoversic

e apesar de se usar uma prancha a pessoa que deseja praticar o esporte deve ter noções básicas de navegação antes de começar. Para dominar esta técnica e saber da segurança necessária, o velejador deve fazer um curso básico de 9 horas com um profissional capacitado. O aprendizado deve ser feito com equipamento de proteção: capacete, colete à prova d’água e o tamanho da pipa deve ser ideal para o vento. No litoral, portanto, é possível encontrar pessoas que não são instrutoras mas estão dando aulas. Fortaleza é uma área regulamentada pela Secretaria dos Esportes para a prática do kitesurf, onde é permitido decolar e pousar kites em três pontos da Praia do Futuro: na área do Caça e Pesca, na Barraca Guarderia Brasil e na área em frente ao Açaí do Jojó, mas o velejador tem sempre que se manter a 50 metros de distância da arrebentação, que é onde costumar estar os banhistas.

por aqui,mas percebi que as melhores praias estavam entre Fortaleza e Jericoacoara, daí acabei escolhendo a Taíba por ser o local que achei mais seguro porque o vento não é tão forte como em Jeri”. Na Taíba, Kate montou pousada e restaurante voltados para o público de kitesurfistas. O vento também foi o fator decisivo para o italiano Kicco Risi decidir pela Lagoa do Uruaú como sua nova casa. Há 20 anos Kicco trabalha na divulgação da lagoa pelo mundo afora e seu projeto está dando certo: hoje ele tem um centro para treino dos profissionais, uma escola de kitesurf e o resort Uruaú Kite Village, que é destinado a kitesurfistas. Pensando na população local, Kicco tem um projeto social que visa a beneficiar as crianças do Uruaú e introduzí-las no esporte. Localizado entre o mar e a lagoa, o Pro Kite Brasil é hoje conhecido no mundo todo como um local perfeito para treinos, isso porque na alta temporada, que vai de julho a janeiro, as duas lagoas da costa oeste, Lagoa do Cauípe e da Taíba ficam bem cheias de pipas e como a quantidade de velejadores aumenta a cada ano, cresce também a procura por lugares mais vazios. Desafios A grande dificuldade para quem trabalha com o kitesurf é a falta de organização nas praias cearenses e a falta de incentivo do governo local, além do preconceito por parte da população de que kite é um esporte perigoso. “Muita gente aqui no Brasil não quer fazer o curso e acha que kite é igual a surf, que você pode aprender sozinho, mas não é bem assim.” explica Kate, que é instrutora. Quem deseja praticar kitesurf não vai surfar, vai velejar: kite significa pipa em inglês

Kicco Rissi voando em frente à casa que hoje está transformada em pousada.

Foto:

arquivo PessoaL

3 tipos de prancha para velejar

Freestyle Prancha menor que permite ao velejador manobras rápidas.

Regata Usada para competições de alta velocidade.

Wave Prancha de surf adaptada para surfar usando o kite.

AKC A Associação de Kitesurf do Ceará (AKC) existe há 11 anos e é a única associação brasileira que promove campeonatos anuais. Miguel Saboya, atual presidente, falou que este ano o campeonato cearense vai acontecer em 3 etapas e nas 3 categorias: freestyle, wave e regata. A primeira vai ser realizada em agosto e já tem como local definido, a barraca Guarderia Brasil, na Praia do futuro, em Fortaleza. As outras duas etapas devem acontecer em setembro e outubro. Em 2013 a associação começa também a credenciar instrutores e juízes.

Escolas de Kitesurf: Brazil Kite Co. - (85) 8797-5696 / Ayo KiteGuru - (85) 9611-5721 Pro Kite Brazil - (85) 9982-3179


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Seminário de Prefeitos do Ceará, o evento foi realizado em abril, no Centro de Eventos do Ceará.

Foto: LÍvia Marques

Do turismo de lazer ao turismo de negócios Nos últimos anos, Fortaleza vem se destacando internacionalmente como um ponto turístico para quem também deseja aliar turismo e negócios Lívia Marques

O Ceará sempre foi um dos destinos mais procurados do Brasil para quem deseja passar férias, descançar e conhecer belas praias. Mas há cinco anos, o estado vem crescendo em outras vertentes do turismo. “Fortaleza é uma cidade privilegiada e

agora se diferencia das demais por dar, aos turistas, a opção de fazer turismo de lazer e de negócios. Eles vêm aqui para um congresso e acabam voltando com a família para passar as férias”, afirma Moacir Soares, ex-Secretário de Turismo de Fortaleza. Nos últimos dois anos, Fortaleza vem despontando no cenário nacional como a mais nova capital do turismo de negócios do país. E para comprovar esse feito, a capital do Ceará foi eleita a oitava, entre as dez cidades brasileiras que mais receberam eventos internacionais

no ano de 2012. Ao todo foram 8 eventos internacionais sediados no município. Os dados foram divulgados pela Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA — International Congress & Convention Association). E nos próximos anos, Fortaleza também será sede de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo e a reunião de cúpula do grupo Brics, formado por cinco países considerados economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), agendada para março de 2014.

Mas o fator determinante para o rápido crescimento do turismo de eventos no Estado foi a construção do Centro de Eventos do Ceará. Por ser um dos maiores espaços para eventos do Norte e Nordeste, o equipamento vem chamando a atenção de organizadores e promotores de eventos de todo o país. “Há alguns anos já vínhamos estudando Fortaleza para sediar nosso evento, mas não havia aqui um espaço que comportasse grande máquinas. Agora que tem o Centro de Eventos, não pensamos duas vezes”, confessou Júlio Vianna,

diretor de uma das maiores feiras do segmento têxtil do país. E o novo empreendimento já mostrou resultados no ano passado. Segundo a Secretaria de Turismo do Ceará, o Centro de Eventos, em apenas seis meses de funcionamento já conseguiu impactar cerca de 1% do PIB cearense. Para Bismark Maia, Secretário de Turismo do Estado, o Centro de Eventos veio para consolidar o crescimento do turismo em Fortaleza. “Um empreendimento desses traz muitos benefícios para a cidade. Quando se tem um grande evento, os hotéis e restaurantes ficam lotados e isso influencia diretamente na nossa economia”, afirmou o secretário. Segundo Salmito Filho, o turismo de negócios impacta bem mais na economia do que o turismo de lazer. “O turista de negócios, mesmo passando menos tempo, ele chega a gastar até três vezes mais do que o turista de passeio. Como ele vem passar pouco tempo, ele vem disposto a gastar e investir em sua comodidade”, informou o secretário. Mesmo com o grande crescimento do turismo de eventos, Salmito defende que, além do Centro de Eventos, Fortaleza ainda precisa construir novos equipamentos para receber outros eventos. Aliado à isso, a infra-estrutura da cidade também precisa se adequar para comportar um grande fluxo de turistas. “A Copa do Mundo de 2014 é o evento teste que vai provar se a cidade está ou não preparada para receber grandes eventos. E nós vamos lutar para que ocorra tudo bem”, alegou Salmito.

Em Fortaleza: sobra mercado, falta qualificação Uma das grandes preocupações dos empresários ligados ao setor do turismo de negócios no Estado é a capacitação dos profissionais que compõem esse mercado. E com a chegada de grandes eventos em Fortaleza, o mercado abre novas oportunidades de empregos. Entretanto, aumenta também a exigência na hora de contratar esses profissionais. “Com a expansão do turismo de eventos no Ceará, o mercado carece cada vez mais de profissionais qualificados para preencher essa grande demanda. Vagas nós temos, só faltam os profissionais”, afimou Circe Jane, presidente do Sindicato das Empresas Organizadoras de Eventos e Afins do Estado do Ceará (Sindieventos Ceará). São muitas as profissões que compõe o trade turístico de eventos, entretanto, a grande maioria dessas profissões não possuem cursos técnicos ou de capacitação. “Se você fizer uma comparação com a Coréia (do Norte), para trabalhar na

Norma Zélia Pinheiro, chefe de cerimonial da Prefeitura de Fortaleza na apresentação de um evento.

construção civil ou na montagem de eventos, por exemplos, as pessoas lá precisam ter pelo menos, o que chamamos no Brasil de curso técnico. Aqui, alguns montadores de eventos não concluíram nem o ensino médio”, ressalta Roslavo Brilhante, sócio-diretor de uma empresa ligada ao segmento de eventos.

O Senac Ceará, há três anos criou um núcleo voltado especificamente para o turismo. Ao longo desse tempo, o órgão já conseguiu profissionalizar mais de cinco mil alunos nos mais diversos cursos voltados ao turismo. Mesmo com a grande procura, Isaac Coimbra, Coordenador de Turismo do Senac Ceará reconhece

Foto: LÍvia Marques

que ainda são poucos os cursos ofertados para o setor do turismo de eventos. “Recentemente o Senac lançou o curso de cerimonialista de eventos, mas poucas pessoas se interessaram por ele”, lamenta Isaac. Para Norma Zélia, o setor do turismo de eventos ainda é um setor pouco explorado e algumas profissões não tem o seu

devido reconhecimento. “Em minha profissão, por exemplo, as pessoas confundem cerimonialista de eventos com organizadores de festas sociais e por não conhecerem a profissão, acham que não precisam de capacitação nessa área”, informou a Chefe de Cerimonial da Prefeitura de Fortaleza. Para Edna Câmara, diretora de uma empresa responsável pela contratação de recepcionista de eventos, a situação é um pouco diferente. “Existe, em Fortaleza, alguns cursos profissionalizantes para recepcionista de eventos. Muitas meninas tem essa capacitação, mas a nossa grande dificuldade hoje é encontrar recepcionistas que falem duas ou mais línguas”, comenta Edna.

Curso: Cerimonialista de /eventos Senac Ceará- Núcleo de Turismo Rua Tibúrcio Cavalcante, 1750 - Aldeota / tel: (85) 3433.3884 http://ce.senac.br/turismo


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Aumenta a busca de turistas por destinos exóticos O turismo exótico é cada vez mais tendência entre brasileiros viajantes que buscam novas experiências em lugares considerados inusitados Cibele Juliana e Ravena Sombra

Não é de hoje que o brasileiro adora viajar e explorar lugares diferentes, seja dentro do próprio país ou fora dele. Com a ascensão da nova classe média, as possibilidades aumentaram e a preferência pelos roteiros exóticos está cada vez mais em alta, especificamente do ponto de vista cultural. As rotas não convencionais estão em toda parte e têm atraído à atenção dos viajantes, ora nos fabulosos cenários exibidos na atual trama global das oito, ora nas belíssimas fotografias espalhadas nos livros de viagens, que inspiram e atraem os espíritos mais aventureiros. De acordo com a consultora de turismo e especialista em roteiros personalizados, Carla Nóbrega, um dos países mais procurados para a temporada de 2013 é a Turquia, desbancando, inclusive, os clássicos Argentina e França. “As pessoas têm aguçado a curiosidade em experimentar novas sensações, sentem a necessidade desse choque de cultura que só um país cheio de particularidades pode causar. É claro que, de certa forma, os cenários onde são gravadas as novelas acabam influenciando”. Segundo ela, uma boa alternativa é agregar países adjacentes

Templo muçulmano localizado na cidade de Agra, Índia é muito visitado por pessoas do mundo inteiro Foto: Cibele juliana

na organização do itinerário, sobretudo em se tratando de lugares mais distantes, como é o caso da Ásia e Oceania. “Os vôos para estas localidades costumam ser longos e cheios de escalas, então, é bastante viável prolongar a estadia e vivenciar a vasta experiência sensorial proporcionada por esses destinos”, explica. Costumes e crenças As diferenças culturais de um país podem ser consideradas um dos grandes atrativos de quem busca um destino dife-

renciado, principalmente para os turistas mais arrojados. Entretanto, atentar-se para as formalidades de cada lugar é regra básica de todo viajante, bem como respeitar e tomar consciência da condição de visitante. Em países muçulmanos ou árabes, é expressamente proibida a troca de carícias entre casais ao público, implicando em multa severa para quem violar as regras. Na Índia, encarar pessoas na rua é considerado um ato de ofensa, assim como rejeitar um alimento

Nepal, Tailândia, Índia e Vietnã estão entre os escolhidos pelos turistas como opções de pacotes exóticos Foto: CibElE Juliana

oferecido. Entre uma norma e outra, o encanto do turismo vigente também está nas tradições, que tornam o roteiro ainda mais atraente. “Gosto de viagens impactantes, que mostrem um tipo de realidade diferente da que estou acostumada. Meu primeiro destino exótico foi um tour pela Indochina e, apesar da disparidade de costumes, há dois traços muito semelhantes entre os asiáticos e os brasileiros: a hospitalidade e o bom humor”. Destaca a empresária Alyssandra Rocha.

Curiosidades

Estranhezas das iguarias estrangeiras Sabores que vão além do tradicional Os espetinhos de carne bovina estão para os brasileiros, assim como os pratos de gafanhotos fritos estão para os tailandeses. Mais exemplos? Os vietnamitas adoram a garrafada medicinal produzida à base de cobras e escorpiões e os australianos apreciam fortemente a carne de canguru cozida no vapor. “Bastante comum, mas falta estômago na hora de colocar na boca”, conta Daniela, que diz não ter tido coragem de experimentar muitas dessas iguarias. É difícil encarar uma viagem exótica sem cogitar a possibilidade de provar os sabores locais, embora seja considerada parte da experiência. Para muitos, o fato não é apenas uma novidade, mas um desafio de quem carrega uma cultura gastronômica arraigada. “É preciso mergulhar no universo e deixar o espírito aventureiro fluir”, completa Alyssandra. Custos Há quem diga que viajar é se tornar mais rico, que a experiência auxilia na expansão da mente para abertura de novos horizontes e amplia a bagagem cultural, portanto, um investimento. Os destinos exóticos, além de terem charme e beleza peculiares, em sua maioria, são mais em conta do que os países europeus, levando em consideração o custo de vida local. “O que pesa nas viagens exóticas são as passagens aéreas, pois os preços costumam ser bem elevados e as taxas igualmente caras. De qualquer forma, acaba compensando bastante pelos demais gastos, como hospedagem e alimentação baratas”. Explica a estudante Daniela Damasceno, que escolheu a China como destino de suas últimas férias.

Miojo e sorvete na Tailândia. Baratas na Birmânia são apreciados Foto: CibElE Juliana


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