Page 9

SOBPRESSÃO

9

SETEMBRO / OUTUBRO DE 2009

Wikicrimes: o mapeamento da cidadania O mapa virtual Wikicrimes (www.wikicrimes.org) é mais um forte exemplo do potencial colaborativo da rede mundial de computadores. O mapa utiliza a interface do Google Mapas bastando apenas clicar no ponto exato do local onde sofreu ou presenciou um delito em sua cidade. Surge aí uma nova maneira de fazer denúncias, que permite tanto a participação interativa do cidadão quanto o registro de ocorrências, o desenvolvimento de estatísticas e a consulta aos dados armazenados acessível a todos. A forma tradicional de denunciar um crime é necessária, pois é o exercício de cidadania que obriga as entidades públicas a monitorar a segurança e articular ações de prevenção e punição do crime, mas ainda tem suas limitações. A transmissão de informações sobre as estatísticas do crime são monopolizadas pelas instituições policiais, e nem sempre são coerentes com a realidade. A subnotificação é o problema que reforça essa incoerência e muitas das falhas do sistema de segurança pública. Apenas um terço dos crimes

Opinião

Notificar e acompanhar ocorrências criminais em um mapa digitalizado são as propostas da ferramenta Foto: Divulgação

ocorridos no Brasil são registrados nas polícias, dado discutido no seminário de Gestão da Segurança Pública Municipal de 2006, no Rio de Janeiro. “WikiCrimes pretende mudar a lógica tradicional do manuseio da informação sobre crimes já ocorridos e considera que esta mudança está a mercê do próprio cidadão”, explica o criador do mapa, Vasco Furtado, professor universitário e PhD em Inteligência Artificial. Aliando seu conhecimenCésar Silva

Online e offline: os agrupamentos sociais O agrupamento de atores sociais em rede na internet vem ganhando expressividade nos estudos que tratam da cibercultura. Nos últimos anos, tem sido possível acompanhar a profusão de sites de relacionamento que ocupam boa parte do nosso cotidiano. Assim, sites como Twitter, Orkut, Facebook, MySpace, Flickr, Fotolog e outros são vistos quase como lugares obrigatórios para demarcação de territórios. Não estar lá é andar na contramão. Porém, alguns pequenos detalhes que nos passam despercebidos podem nos ajudar a entender mais sobre o funcionamento dessas plataformas e dos usos que delas fazemos. A primeira observação é que esses sites não podem ser chamados de “redes sociais”, porque na verdade, eles não as são de fato. São apenas sites, mas que tornam publicamente disponíveis esses agrupamentos que fazemos tanto no offline quanto no online, neste último caso quando já utilizamos essas plataformas. O termo correto para essas ferramentas é “sites de redes sociais”, como bem explica a professora Raquel Recuero em sua obra lançada ainda este ano, Redes Sociais na Internet (O livro pode ser baixado no endereço wwww.redessociais.net). Nos sites de redes sociais, ainda segundo Recuero, o foco de atenção não está na formação de novas redes - embora é possível prever que elas irão acontecer - mas sim, nos modos como permitem a visibilidade das redes sociais, a manutenção dos laços estabelecidos no espaço off-line. Portanto, uma reflexão que fazemos é que uma das motivações para a apropriação dos sites de redes sociais reside na manutenção de agrupamentos pré-existentes. Isso nos faz entender outro ponto, este também levantado pela professora Recuero. Os atores utilizam sites de redes sociais diferentes para redes sociais diferentes e para construir valores diferentes. Isso nos ajuda a entender porque, de repente, a rede social expressa em um perfil de um usuário em determinado site não é a mesma quando acessamos o mesmo perfil em outra plataforma. Cocluindo, esses sites e os usos que os atores deles fazem podem nos ajudar a entender como esses atores estão vislumbrando e realizando novos agrupamentos sociais, novas formas de sociabilidade em rede. Essas apropriações não apenas nos permite entender como os usuários se relacionam com essas plataformas, mas podem nos fornecer pistas valiosas sobre o quê eles estão buscando. Informações? Conexões? Qual o seu palpite? César Silva é publicitário e mestrando em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará.

to científico em computação à preocupação com a segurança pública do País, Vasco investiu na colaboração direta do cidadão, através da tecnologia, na tentativa de mapear a realidade vivida nas cidades brasileiras e no mundo. Os mais de cinco mil colaboradores do mapa estão espalhados em vários outros países, também. Demonstra que a ferramenta é bem aceita e a ideia é apropriada até por órgãos públicos, como nos Estados

Unidos. Cerca de 500 departamentos de polícia usam algum software de mapeamento para registrar os boletins de ocorrência, diariamente, e o acesso aos mapas, principalmente da população contemplada pelo projeto, é significativa. Em seu blog (http://vasco. blogueisso.com), Vasco faz atualizações sobre seu projeto e avalia os resultados. Conta que até fez propostas para Secretarias de Segurança Pública do País, buscando

parceria, mas só recebeu respostas negativas. Foi uma sugestão da maioria dos usuários do mapa, em pesquisa que fez. O Sobpressão contatou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Governo do Ceará (SSPDS) e, no entanto, a assessoria de imprensa afirmou que não tinha conhecimento da proposta, mas disse que uma reunião com Vasco será muito bem aceita. “Se for algo bom para a população e o Governo, podemos acatar”, explica a assessoria. “O Wikicrimes continua crescendo com a participação popular e de instituições que não são as oficiais de Segurança”, garante Vasco. Assim como o mapa #buracosfortaleza, a interação com a nova ferramenta e a participação do cidadão é uma proposta revolucionária para a intervenção social na realidade. Contudo ainda deve evoluir. “Percebemos que a idéia de colaboração possui apelo, mas isso não é suficiente para que as pessoas participem. Elas precisam ter algo que lhes atinja diretamente”, afirma Vasco.

Web Social: o papel colaborativo A Internet apresenta-se como uma inesgotável fonte de informações que podem e devem ser compartilhadas. Sim, porque atualmente a grande vantagem das redes sociais está justo no fato de elas possibilitarem o compartilhamento da informação. Essa vocação colaborativa que a mídia social revela, deixa claro que não estamos apenas conectando conhecimento, mas pessoas. O que faz com que surjam algumas adversidades, mas também muitas inovações. No infográfico ao lado, são apresentadas cinco dicas de Chris Brogan - referência quando o assunto são mídias sociais - para manter as redes sociais ativas, uma vez que não basta criá-las, é preciso estar presente, utilizá-las, atualizá-las. Atualmente, muitas são as redes disponível na web. Veja um breve resumo de algumas das mais acessadas:

presença brasileira e atualmente tem cobrado pelo serviço. (www.lastfm.com) Facebook: similar ao orkut, o intuito do Facebook é conectar pessoas, compartilhar informa-

ções. (www.facebook.com) Youtube: um dos maiores sucessos da web, o youtube possibilita que os usuários compartilhem vídeos em formato digital. (www.youtube.com).

Infografia

Orkut: site de relacionamentos que possibilita a criação de um perfil virtual. Os brasileiros são os que mais participam da rede. (www.orkut.com) Flickr: Possibilita que os usuários compartilhem fotos, dentro de uma política de direitos autorais. (www.flickr. com) Last FM: rede social voltada para a música, possui forte

Fonte: Cultivate an Active Network (Chris Brogan)

Sobpressão # 20  

Jornal laboratório do cruso de jornalismo da Unifor

Advertisement