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Opinião

SOBPRESSÃO SETEMBRO / OUTUBRO DE 2009

Editorial

Artigo

Sobpressão inova mais uma vez Desde sua criação, em abril de 2004, o Sobpressão passou por diversos formatos e abordou diferentes perspectivas da nossa sociedade. Agora, em sua 20ª edição, não poderíamos deixar de enfatizar o crescimento e fortalecimento d0 periódico no curso de Jornalismo da Unifor. Um diferencial do Sobpressão é a possibilidade de trabalhar com cadernos. Se a princípio o jornal era distribuído isoladamente, a partir de 2008 ocorreu uma fusão com o Fôlego (de caráter esportivo), o Classificado dá Notícia (reportagens produzidas a partir dos anúncios dos classificados) e o Jornal das Organizações (que apresentava notícias de caráter institucional). Esse processo de sinergia, no qual as quatro publicações se unem para formar um jornal mais forte, variado e informativo, despertou um maior interesse por parte dos leitores, além de abranger públicos variados. Ao acompanhar a convergência midiática, outra novidade que surgiu ao longo dos cinco anos de história do Sobpressão foi a criação do Blog do Laboratório de Jornalismo (Labjor). Esse fato permitiu a divulgação

de material extra, bastidores e outras matérias produzidas pelos alunos da disciplina Projeto Experimental em Jornalismo Impresso, além daquelas vinculadas às produções e pelos estagiários do Labjor. O Blog é uma ferramenta indispensável e significante para essa proposta da convergência, pois alia imagem, texto e vídeo e se transforma em um espaço amplo para incentivar a criatividade dos alunos. Nos projetos gráficos iniciais, o Sobpressão aparentava esteticamente uma revista. Por uma necessidade de atualização, mudou para o formato berliner, o que permitiu uma melhor disposição das reportagens, matérias coordenadas, quadros explicativos e opinativos, tornando-se mais moderno e de fácil manuseio. Por ser um jornal-laboratório, a palavra-chave do Sobpressão é experimentar. A marca dessa inovação é visualizada nas reportagens originais e com angulações diferenciadas, produzidas em um ritmo de trabalho intenso, rotina esta que dá nome ao jornal. Por isso, a cada nova edição, o periódico acompanha o estilo daqueles que o

faz. Sem um padrão específico, sem ser estático. Novidade marcante está permeando esta edição 20: o Caderno Fôlego, antes semestral, agora acompanhará o Sobpressão em sua publicação bimestral. A sugestão foi do professor Alejandro Sepúlveda, responsável pela produção do Fôlego. Por enquanto, é uma experiência, sua manutenção dependerá da aprovação do leitor. Ao longo de todas essas edições, por aqui passaram alunos, professores, diagramadores, estagiários de redação, funcionários da gráfica. Eles sempre se dedicaram para manter o padrão de qualidade do Sobpressão, que foi referendado por prêmios como o de melhor publicação laboratorial do Ceará em 2006, dado pela Associação Cearense de Imprensa (ACI), além da melhor reportagem na categoria Produção em jornalismo interpretativo, “Onde a História é oca”, na Expocom 2009, de autoria de Caio Castelo. Toda essa excelência é a característica que o mantem há 20 edições como parte da trajetória acadêmica de tantos jovens jornalistas.

Mirtila Facó Nogueira

Amor maduro Acho que todo mundo, em algum momento, já idealizou o amor de forma extremamente romântica. Isso é absolutamente normal. Entretanto, com o passar do tempo, percebemos que, como tudo nessa vida, até mesmo a ideia de amor pode amadurecer. Não quero dizer com isso que ficaremos com o coração embrutecido ou coisa assim, quero apenas dizer que amar pode ser a coisa mais saudável desse mundo, desde que feita da maneira correta, ou seja, sem extremismos. Para você provar que ama alguém não é necessário espalhar outdoors por toda a cidade, comprar o presente mais caro do shopping ou ainda - em casos mais “graves” - contratar um carro para fazer a tão temida loucura de amor. É possível demonstrar esse sentimento nas coisas mais simples e pequenas. O estar ao lado nas horas em que o outro mais precisa, mesmo que a situação seja bastante triste ou complicada, é uma das maiores provas de que esse sentimento é verdadeiro. Acredito que o tempo é um aliado, afinal, é com o passar dos dias que descobrimos, de verdade, quem merece ou não a maior parcela do nosso coração. Você, com certeza, já deve ter visto um casal de velhinhos andando de mãos dadas pelas ruas ou sentados em um banquinho de praça. Que outra frase viria à cabeça além de: “ai que coisa mais linda, espero que comigo também seja assim”. Se conversarmos com esse mesmo casal e indagarmos sobre a relação, certamente, ouviremos palavras como tolerância, respeito, amadurecimento, confiança e, é claro, amor verdadeiro. Eu conheço casais assim e, a partir de algumas conversas, consegui entender a razão para tudo isso. O segredo está na maneira de viver essa história; cada um tem seu espaço - mesmo que esses espaços sejam próximos um do outro - cada um tem seu modo de pensar e agir. E é, justamente, esse respeito às diferenças que fortalece os laços. Para que duas pessoas sejam feitas uma para a outra não é necessário que elas andem agarradas 24 horas por dia, afinal, um período para respirar um arzinho próprio é sempre bom. Estudante do 7º semestre de Jornalismo

Crônica

Raphael Barros

Difícil acesso às autoridades

Praça do Ferreira, início da noite do dia 3/9: a foto foi feita durante o lançamento de “O Livro das Horas da Praça do Ferreira” , fruto da parceria entre o fotógrafo Jarbas Oliveira e o escritor José Mapuranga, que reúne fotos e textos sobre a praça mais conhecida da cidade, e que recebeu o patrocínio da Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). Devido a baixa luminosidade a captura da imagem foi feita com sensibilidade ISO 800. A lente escolhida foi uma grande angular 16-50mm com 2.8 de luminosidade, na intenção de registrar a amplitude da cena e contemplar a diversidade de pessoas,sentidos e movimentos,característicos do evento e da própria praça. O tratamento da imagem foi realizado no Photoshop para realçar a sensação de abrangência bem como de semelhança com o visor de um relógio, existente na praça, criando um intertexto com o título do livro. Foto e texto: Otávio Nogueira

Falar com uma autoridade de qualquer instituição é difícil. O jornalista tenta, mas a entrevista não engrena. Aí o assessor fala: “desculpa, ele ainda está em reunião, que tal amanhã?”. Ele esquece que a matéria fecha naquele dia, não dá para adiar. Daria para antecipar, porém, no dia anterior, o chefe estava em outra importante reunião. Resumo da história: 1) a matéria sai sem a declaração do sujeito (com a velha frase: “até o fechamento da matéria não conseguimos falar com…”); 2) o jornalista é tachado de preguiçoso pelos leitores, por não ter apurado bem a matéria. Mas chega o dia para quem persiste! Pauta sensacional: entrevistar o espírito de um médico que faz curas espirituais. O jornalista vai. Entra na sala, todos a postos. Concentração. Nada. A comunicação está difícil, diz o médium, deixemos para amanhã. De novo não, pensa o jornalista. Tente de novo, por favor, tenho que fechar essa matéria hoje. Não deu, o espírito não leu seus pensamentos, nem o médium. A matéria não saiu, o editor não quis arriscar:“até o fechamento…”. Os leitores andam deveras céticos. As coisas estão ruins para o lado do nosso jornalista. Recebeu um telefonema: “suba, o chefe quer falar com você”, disse a secretária. Sempre as secretárias, secretários, assessores…, pensou. Subiu. Chá de cadeira. Depois da tarde perdida, a secretária comunica que a reunião foi adiada para o outro dia, pois um dos mais importantes anunciantes chegou e precisou ser atendido. Que seria do jornal sem eles? Desceu. Estava fechando uma matéria recomendada (aquela que a empresa “sugere”), e faltava justamente o depoimento do chefe. Ia aproveitar aquela oportunidade para entrevistá-lo. Não deu certo. Terminou a matéria com a nossa já conhecida:“até o fechamento…”. Estudante do 6º semestre de Jornalismo

Jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) Fundação Edson Queiroz - Diretora do Centro de Ciências Humanas: Profª Erotilde Honório - Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Eduardo Freire - Disciplina: Projeto Experimental em Jornalismo Impresso (semestre 2009.2) - Reportagem: Amanda Nogueira, Ana Carla Calvet, Carolina Barretto, Cleidinaldia Maia, Flaviana Farias, Kelly Freitas, Lucas Benedecti, Mariana Fontenele, Maurício Ponte, Mirtila Facó, Monique Linhares, Otávio Nogueira, Raphael Barros - Projeto gráfico: Prof. Eduardo Freire Diagramação: Aldeci Tomaz - Professores orientadores: Antonio Simões e Eduardo Freire - Coordenação de Fotografia - Júlio Alcântara - Supervisão gráfica: Francisco Roberto - Impressão: Gráfica Unifor - Tiragem: 500 exemplares - Estagiários de Produção Gráfica: Katryne Rabelo - Estagiários de Redação: Camila Marcelo, Viviane Sobral, Wolney Batista - Revisão: Solange Maria Morais Teles

Sugestões, comentários e críticas: jornalsobpressao@gmail.com

Sobpressão # 20  

Jornal laboratório do cruso de jornalismo da Unifor

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