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JORNAL-LABORATÓRIO SOBPRESSÃO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIFOR

SET/OUT 2009

ANO 6

FOTO: WALESKA SANTIAGO

FÔLEGO N° 19

Unifor sedia o maior evento esportivo universitário do ano FOTO: WALESKA SANTIAGO

A Universidade sediou a quinta edição dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) e mostrou a qualidade de sua estrutura esportiva e a força de seus atletas Aline Veras

Resgatar a importância das competições estudantis no Brasil, promover a inclusão social de jovens a partir de uma prática positiva e saudável e abrir espaço para os novos talentos do esporte nacional, são as principais metas das Olímpicos Universitários JUBs. Disputada desde 2005, a quinta edição dos jogos foi realizada pela primeira vez em Fortaleza entre os dias 14 e 23 de agosto. O maior evento do esporte estudantil brasileiro, que agora conta com o incentivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), reuniu cerca de três mil e quatrocentos participantes de todos os estados do país. Do Ceará, foram 136 estudantes de instituições de ensino superior. Entre os esportes praticados nos jogos estão o atletismo, basquete, futsal, handebol, judô, natação, vôlei e xadrez. As disputas foram travadas em vários locais da capital. A Unifor sediou as competições do atletismo e alguns jogos de futsal, basquete e vôlei. A Universidade de Fortaleza foi bastante elogiada pelas entidades organizadoras do evento e pelos próprios atletas, que ficaram surpresos pela qualidade da estrutura e dos equipamentos que a Universidade dispõe. Talita de Almeida, campeã nos JUBs com o futsal feminino, diz que a medalha de ouro nessa edição dos jogos é uma consequência da estrutura do ginásio poliesportivo onde a equipe treina de segunda à sábado. “Antes da construção do ginásio, nós treinávamos numa quadra de dimensões muito menores e isso nos prejudicava nas competições, porque as quadras profissionais eram quase do tamanho de um campo de futebol. Então nós precisávamos, duas semanas antes de qualquer competição, ir treinar na quadra do Paulo Sarasate. Só assim é que nós tentávamos igualar as condições de jogo com as adversárias”, explica Talita, que fez a sua quinta participação nesses

CAMILA MARCELO

WALESKA SANTIAGO

CAMILA MARCELO

WALESKA SANTIAGO

WALESKA SANTIAGO

JUBs. Ela também conta que os atletas dos outros estados, quando vieram participar dos jogos universitários em agosto, ficaram maravilhados com a estrutura do ginásio porque não imaginavam que no Nordeste poderiam encontrar tanta tecnologia e equipamentos de primeiro mundo. Equipamentos e profissionais qualificados Ral Ciney, assessor técnico, garante que o objetivo da Unifor é prezar pela qualidade da preparação dos atletas. Por isso ela dispõe, além dos equipamentos e infraestrutura necessários, de profissionais altamente qualificados. Ciney também diz que a Unifor não fez nenhuma preparação específica para receber os Jogos Universitários. “A Unifor sempre está preparada. Os JUBs são um dos vários eventos que acontecem dentro da Universidade. Hoje, nós recebemos campeonatos nacionais e internacionais de diversas modalidades esportivas. Já tivemos um mundial escolar, sediamos anualmente o GP Internacional de Atletismo. Então, nós nos sentimos a vontade e tranquilos para receber grandes eventos”. E faz questão de frisar a evolução dos atletas ao longo dos JUBs: “Nessa edição nós tivemos um grande desempenho no vôlei e no futsal, principalmente, tanto no feminino como no masculino. As equipes, que disputavam a primeira divisão, conseguiram vagas na divisão especial que abriga as melhores i i i á i do d país”. í ” equipes universitárias Mas os esportes individuais não obtiveram bons resultados.De uma maneira geral, no entanto, a Unifor, a cada ano, mostra uma melhora evidente. Em 2007, a classificação geral mostrava a Unifor na décima terceira posição dentre as 20 melhores universidades. Em 2008, subimos para a nona colocação e, nesse ano, nossos atletas conseguiram ficar na sétima posição do quadro geral de medalhas. A primeira colocada foi a UNIP, de São Paulo. A próxima edição dos Jogos Olímpicos Universitários será realizada na cidade de Blumenau, em Santa Catarina.


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Mergulho com sabor de aventura Entrevista

Praticada por lazer ou como modalidade esportiva, a atividade está presente em todo o mundo. No Ceará, há pontos de mergulho com grande riqueza marinha Lardyanne Pimentel

A primeira noticia que se tem de incursões do homem ao mar datam de 460 a.c. O grego Scyllios ,contratado pelo rei persa Xerxes para recuperar jóias e ouro em navios persas naufragados, é considerado o primeiro mergulhador. A história do mergulho se desenvolveu tanto pela curiosidade do homem em desvendar um mundo desconhecido, além do seu habitat natural, como seu uso em táticas de guerra. Hoje, o mergulho é praticado em todo o mundo como hobby ou como modalidade esportiva. No Estado do Ceará, há vários pontos de prática. Entre eles, o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio que funciona desde 1997, com uma área de 33,20 km e distância de 10 milhas náuticas (18 km) do porto do Mucuripe em Fortaleza, na direção nordeste. O parque é a única unidade de conservação do estado. Ele possui sete locais de mergulho, tais como Cajueiro, Farinha e Cabeça do Arrastado. Neles há uma grande variedade de vida marinha, como o tubarão lixa, a raia manteiga e o parum preto que podem ser apreciado durante o mergulho. O estado também oferece mergulhos em naufrágios, tais como o Navio do Pecém e o Petroleiro do Acaraú, afundados na Segunda Guerra Mundial, todos localizados no litoral de Fortaleza. Os navios são verdadeiras cidades submersas de graciosos cardumes de peixes, golfinhos e tartarugas. Escolas e Segurança Para desfrutar da riqueza e aventura no mar, no entanto,

O casal Jan e Monique Ruiter adora mergulhar no Ceará

FOTO: WALESKA SANTIAGO

Mergulho e profissão

Ruiter em barco pesqueiro de ferro afundado em 1986

são necessários certos procedimentos. O primeiro passo é procurar uma escola de mergulho com instrutores qualificados e verificar, por meio do site do Ministério da Defesa, a validade do cadastro e certificado de segurança da empresa. Em seguida, obter informações da empresa junto à Secretaria do Meio-Ambiente. O mergulho pode ser praticado a partir dos dez anos de idade. Os alunos iniciantes passam por cinco aulas teóricas sobre os procedimentos técnicos e a ciência do mergulho, e cinco práticas na piscina que simulam a imersão no mar. Na etapa final, mergulham em águas abertas. Concluindo o curso, o aluno recebe um certificado internacionalmente reconhecido, permitindo, assim,

FOTO: MARCUS DAVIS

a prática de mergulho em qualquer área marítima do mundo. É importante sempre lembrar que a atividade é realizada em outro habitat, completamente diferente do seu, portanto, deve-se ficar atento ao estado dos equipamentos de mergulho e às medidas de segurança transmitidas pelo instrutor. O local escolhido também deve ser pesquisado com cautela, pois poderá oferecer perigos naturais, como, por exemplo, fortes ventos que podem dificultar a queda na água e provocar fortes enjoos.

Serviço Island Diving Brasil: Porto das Dunas - (85) 3361.7040/ 8723.3765 info@islanddiving-brasil.com

Aventura, liberdade e contato com a natureza foram as palavras usadas pelos holandeses Jan Ruiter e Monique Ruiter para definir o que significa o mergulho. Eles trabalham há quinze anos na área e viajam o mundo praticando a atividade. Destacam o Mar Vermelho, as Ilhas Maldivas, a Indonésia e o Ceará, entre os lugares mais belos em que já mergulharam. O casal é proprietário da Escola de Mergulho Island Diving Center, a única em funcionamento, hoje, no Ceará. A escola oferece cursos para todos os níveis, do iniciante ao profissional, e cursos especiais de mergulho, tais como correnteza e noturno. O Fôlego conversou com eles: Fôlego - Como iniciou o interesse pelo mergulho? Casal - Na Europa, a prática de mergulho é bem difundida, existindo milhares de adeptos. Foi como um passatempo que iniciamos a atividade e descobrimos a possibilidade de trabalharmos com o mergulho. Folêgo - Como foi que decidiram vir morar e trabalhar no Brasil? Casal - Decidimos abrir uma escola de mergulho em outro

país, mas em uma região onde a prática fosse zero. Então, viajamos por vários países, como a Indonésia e o Caribe. Porém, boa parte das regiões dos países que visitamos já possuía várias escolas de mergulho. No Ceará, encontramos as condições ideais para os nossos planos, pois a única escola de mergulho que havia era o Projeto Netuno, que já não existe mais. Hoje, somos a única escola de mergulho da região. Fôlego - Quais são as qualidades naturais que o mar do Ceará oferece para a prática do mergulho? Casal - O mergulho no Ceará é prazeroso. Quando mergulhamos ou levamos alunos para mergulhar, verificamos todas as condições climáticas como a temperatura e os ventos, pois tudo isso influencia na segurança. Há ventos fortes no Parque Marinho da Risca do Meio, resultando em uma superfície conturbada, mas isso não impede a prática do esporte. Os nossos alunos, iniciantes na atividade, passam por aulas teóricas, práticas na piscina, mergulham na lagoa do Uruau, em Beberibe, e, só então, depois desse processo de aprendizagem, podem ir ao mar.

Saiba...

Sinais mais utilizados na comunicação subaquática

Eu, olhe-me

Não consigo compensar

Venha Aqui

Pare espere aí

Ok de superfície

Perigo

Estou sem ar

Ok (Okay)

Compartilhar ar

Descer

Estou com pouco ar

Devagar / Fique calmo FOTOS: DIVULGAÇÃO


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Kartismo é adrenalina, liberdade e frio na barriga Pequeno e veloz. Essas são as características do kart, um esporte a motor que é garantia de diversão para toda a família, unindo lazer e competitividade Lauro Pimentel

O kart nasceu durante a Segunda Guerra Mundial, quando militares ingleses e americanos construíram pequenos veículos motorizados que eram utilizados para o transporte de ferramentas nos campos de batalha. Além dessa função, os militares também aproveitavam os primeiros karts para organizar corridas amigáveis nos tempos livres. No Brasil, o kart chegou em 1959 através do comerciante de automóveis Cláudio Daniel Rodrigues, que ficou fascinado após assistir a uma corrida desses pequenos carrinhos nos Estados Unidos. O que ele não imaginava era que o kartismo se transformaria na maior escola do automobilismo brasileiro. Além de revelar vários nomes do automobilismo mundial, como Rubens Barrichello

e Felipe Massa, o kart também é muito praticado como esporte amador, como divertimento. No Ceará, essa categoria corre no Kartódromo Internacional Júlio Ventura, localizado no Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza. Lá, grupos de amigos podem montar suas baterias, de no mínimo 10 pilotos, e competir em 25 circuitos diferentes, que variam de 900 a 1070 metros. Os karts utilizados nessas competições amadoras possuem chassis profissionais e podem chegar até 70 km/h ao final da reta. “A direção é um pouco dura e atrapalha no início, mas depois a gente esquece e dá para pilotar numa boa. Sentir o vento no rosto e a adrenalina nos dão uma sensação maravilhosa”, descreve Orlando Dias Branco Filho, logo após uma corrida com os amigos. O único pré-requisito para a prática do kartismo é o de que o piloto seja maior de oito anos de idade. Segundo o Presidente do Kart Clube do Ceará, Stênio Junior, a procura pela categoria de aluguel é muito grande, principalmente à noite e pode ser pratica-

Largada da corrida entre amigos no Kartódromo Internacional Júlio Ventura, no Eusébio

da de segunda a sábado. “No Kartódromo já foram feitos campeonatos de médicos e de empresários. Num desses campeonatos tivemos pilotos com mais de 70 anos de idade”, conta Stênio Júnior. Em Fortaleza, além do

Kartódromo Júlio Ventura, existem outros lugares onde o kart também pode ser praticado. São locais que possuem infraestrutura adequada para quem deseja iniciar a prática. Nesses estabelecimentos, é possível a realização de even-

FOTO: LAURO PIMENTEL

tos, como aniversários, festas pessoais e confraternizações. Eles contam com atendimento médico e lanchonete, o tempo das voltas é cronometrado e, ao final de cada corrida, os pilotos podem ver quem teve a melhor e a pior volta.

Como gente grande As competições de kart não são apenas para os adultos. Existem categorias onde só os jovens pilotos competem. Para começar a correr, basta ter aptidão para o kartismo. No Kartódromo Internacional Júlio Ventura existem pessoas que observam esses novos talentos, convidando aqueles que realmente têm habilidade para pilotar. Depois que a vocação é descoberta, o iniciante passa por um curso, com aulas teóricas e práticas. Depois, é necessária apenas a aquisição de equipamento, contratação de um mecânico e começar os treinamentos. Giovanni de Castro Filho, 19, que iniciou a carreira aos dez anos de idade, passou por todas essas etapas. Ele sempre se interessou por competições automobilísticas, mas quem o incentivou a iniciar o kart foi seu pai. “Meu pai me levou para conhecer o kartódromo, eu gostei e me firmei”, diz o jovem piloto. Apesar da pouca idade, ele já possui várias conquistas. Entre elas está a de campeão cearense da categoria Cadete e a 7ª colocação no brasilei-

ro na categoria Piloto Júnior Menor de Kart (PJMK). Castro Filho diz que só abdicou de sair nos finais de semana por conta de seus treinamentos, mas que tudo era compensado pelo que sentia enquanto pilotava. “Os treinos eram puxados, começavam de manhã e iam até o final da tarde. Mas o sacrifício valia a pena. Pilotar me dá uma sensação de liberdade, autoconfiança, adrenalina bastante elevada e um friozinho na barriga”, conta.

Serviço Federação Cearense de Automobilismo – FCA: Rua Silva Paulet, 769 85 3224-4078 fca@fca.com.br / haroldo@fca. com.br Guararapes Kart Clube: Avenida Coronel Miguel Dias, 1018 (85)3278-4659 / 8634-6444 www.guararapeskartclube.com.br Race Kart Fortaleza: Avenida Washington Soares, 6061 (85)3274-2401 / 8721-0568 www.racekartce.com.br Giovanni com seu pai na premiação da quarta etapa na categoria Cadete, aos onze anos FOTO: ARQUIVO PESSOAL


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De bicicleta pela América Latina No dia 30 de outubro de 2002, Rafael Limaverde, então com 26 anos, acordou cedo, arrumou suas malas e partiu em uma viagem de bicicleta. Só retornaria dois anos depois Machu Picchu, no Peru, cidade símbolo do Império Inca, localizada no topo de uma montanha Gabriela Ribeiro

estava muito caro, por volta de R$3,40. Aí eu vi que se fosse para a Europa, iria reduzir minha viagem drasticamente . Então, no meio do caminho, decidi ficar só na América Latina, porque eu poderia ter mais tempo de viagem.

Limaverde nos pés do vulcão Cotopaxi, no Equador FOTO: ARQUIVO PESSOAL

experiência muito legal de auto conhecimento. Rafael - Por que viajar pela América Latina? Fôlego - Na verdade, a minha intenção era viajar pelo Mundo, assim como fez o autor. Mas eu viajei em uma época muito complicada. Tinha acabado de acontecer o ataque terrorista ao World Trade Center e as coisas ainda estavam muito fechadas. Eu não conseguia pegar tantas caronas. Outra coisa: o dólar

Fôlego - Essa viagem tinha algum objetivo? Rafael - O que mais me impulsionou foi a insatisfação com a vida que eu levava aqui, da maneira como eu trabalhava. Não era por uma causa social, como pela paz. Era por mim mesmo. Eu queria aprender certas coisas, vivenciar situações que você só presencia quando se coloca no mundo dessa maneira. Durante a viagem, comecei a escrever e colocar informações no site para que meus amigos e familiares acompanhassem, para saberem onde eu estava, como estavam as coisas. Essa experiência foi super legal. Através da internet eu conheci muita gente, cheguei a ficar na

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Sem ter experiência prévia como ciclista e sem saber falar espanhol, Rafael viajou por toda a América Latina. Antes, trabalhava na área de arte em uma empresa de comunicação pela manhã e no jornal O Povo à tarde. Tinha um carro, morava só em um apartamento alugado, mas com móveis próprios. No entanto, sentia-se infeliz. Resolveu, então, viajar de bicicleta. Juntou dinheiro durante um ano, retirou o FGTS de oito anos de trabalho e vendeu todos os seus bens. Passou por países que não fazem parte do circuito tradicional de turismo, como Nicarágua e Panamá, além de ter visto outros lados do Brasil. Pedalou uma média de 30.000 quilômetros. Em entrevista ao Fôlego, esse paraense, que mora em Fortaleza desde os sete anos, conta-nos um pouco sobre sua experiência, suas impressões da viagem e sobre o livro que vai lançar.

Fôlego - Como começou a fazer cicloturismo? Rafael Limaverde - Depois de oito anos trabalhando no jornal, decidi que iria viajar. Queria fazer uma viagem longa, mas não sabia direito como. Aí eu li o livro do Antônio Olinto, chamado “No guidão da liberdade”. Ele deu a volta ao mundo de bicicleta. Viajar assim possibilita chegar e ter acesso a pessoas e lugares que de outra maneira não há, por conta do tempo, das distâncias. O próprio veículo é um super cartão de visitas, sempre chega alguém para falar contigo, para conversar. Então essa relação de proximidade com o lugar e com as pessoas que se está conhecendo é muito maior do que com qualquer outra forma de viajar. É essa proximidade, a possibilidade de conhecer certos lugares que não são visitados, não são turísticos, não são os mais badalados, que me chamava atenção. Também tem o fato de ficar sozinho na estrada durante horas, foi uma

Mapa do roteiro percorrido por Rafael Limaverde em dois anos de viagem FOTO: ARQUIVO PESSOAL

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

casa de pessoas que acessavam o site. Por isso eu resolvi editar o material e transformar em um livro. Fôlego - Como foi a preparação? Rafael - De preparação física foram seis meses. Eu fazia natação, corria e pedalava. Para viajar de bicicleta você tem que ter apenas o mínimo, que é estar bem de saúde. Não é preciso ser atleta. Fôlego - Como foi lidar com a solidão, em alguns momentos? Rafael - Quase sempre se conhece alguém, eu conheci pessoas maravilhosas. Muitas vezes ficava hospedado no Corpo de Bombeiros, na Cruz Vermelha, no Exército. Dificilmente estava realmente sozinho. Solidão mesmo só quando estava na estrada. Mas eu não tenho muito problema com a solidão, meu trabalho é solitário, pois trabalho com arte. Pior que


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FGTS de oito anos de trabalho (que foi meu patrocínio) e comprar uma casa. Eu voltei apenas com R$ 6.000 para recomeçar. Torrei todo o resto na viagem e não me arrependo. O que eu aprendi, muito do que eu sou e tenho agora, foi graças a essa experiência. Fôlego - Qual foi o momento que te deu mais medo? Rafael - Todas as situações te colocam medo (o frio, estar em outras cidades), mas ele é necessário, pois traz cautela, cuidado. Só não pode virar um engessamento, não se pode deixar de fazer as coisas por conta do medo. As cidades grandes, por exemplo, deixavam-me mais cauteloso. Daí eu chegava em um domingo de manhã, cedinho, que era mais calmo. Ia para uma pousada, deixava minhas coisas guardadas. Há algumas regrinhas de segurança que te deixam mais tranquilo. Mas para estar nesse mundo você tem que se preparar, na medida do possível, para o que vai acontecer.

a solidão era a saudade. Acho que era uma das coisas mais pesadas no final do processo. Fôlego - Do que teve de se desprender para fazer a viagem? Rafael - Quando se viaja de bicicleta, tem sempre que repensar as coisas que está levando. Se não tiver função, você se desfaz. Isso foi um grande ensinamento. Conheci pessoas absolutamente felizes, com uma paz de espírito invejável, que não têm quase nada (bens materiais). Antes, eu achava que ao quebrar o cartão de crédito você já estava viajando. Quando vendi meu carro, as pessoas achavam que eu era doido, diziam para eu pegar m e u

Fôlego - Durante a viagem, você encontrou outros cicloturistas. Dentre eles, um senhor de mais de 60 anos. A idade não influencia? Rafael - No Peru, encontrei o Hans, um senhor de 63 anos. Ele vinha em sentido contrário, em uma rua deserta. E depois, quando eu já estava no Brasil, conheci também a Dona Aurora, uma senhora que veio do Rio Grande do Sul até Fortaleza de bicicleta. Ela saiu com 59 anos e chegou aqui com uns 63. Já havia se aposentado, então vinha bem devagar, passava dias em uma cidade. Com essas pessoas, a gente aprende muito sobre idade, de como a gente se subestima. Eu tinha 27, 28 anos e as pessoas achavam que era loucura viajar assim, imagina com 60 anos. Rompe com os preconceitos que nós temos, com a idade, com a velhice. Essas pessoas estão aí para mostrar que é possível fa-

zer o que quiser, independente da idade. O importante é o espírito jovem. Fôlego - E o roteiro? Rafael - Como não deu certo viajar pelo mundo, na Venezuela eu decidi ficar apenas na América Latina. Eu tinha um roteiro prévio que ia se moldando de acordo com as minhas necessidades e meus interesses. Se eu encontrava com alguém e essa pessoa sugeria uma cidade interessante para eu visitar, eu poderia mudar o roteiro. E aí ele foi se desenhando conforme a própria viagem. Fôlego - Seus relatos, com o passar do tempo, vão tomando cunho de crítica social e política. Você voltou mais politizado? Rafael - Eu voltei mais chato. Viajar pela América Latina dá uma sensação muito dúbia. Ao mesmo tempo em que há pessoas e lugares maravilhosos, é um lugar de muita pobreza, desigualdade e corrupção. Não é possível ficar à mercê disso. Para mim, escrever sobre essa situação e colocá-la no livro é uma questão de necessidade, um papel que eu tenho que desempenhar. Tenho que dizer o que eu vi, passar esse conhecimento. As pessoas vão saber que determinadas situações existem. Acho que esse é o primeiro caminho para repensar a forma que a gente está vivendo, o que os governos estão fazendo, e, principalmente, a distância que a gente tem da América Latina. Assim, eu comecei não mais a relatar apenas os fatos que ocorreram no dia, mas as minhas impressões mesmo. Fôlego - O que diria para quem vai começar a viajar de bicicleta? Rafael - É uma experiência muito particular. Para mim, foi um divisor de águas, mudou a relação que eu tinha comigo mesmo, com o dinheiro, com o mundo, com carro, com a cidade, com a poluição. Toda viagem é mais do que um deslocamento banal no espaço. É uma maneira de rever o mundo, de rever você mesmo. É ter acesso a coisas que você não entende, a adversidades e diferenças que existem no mundo e isso faz muito bem. Eu diria isso: é uma experiência transcendental, mas tem que ter paciência, ser realmente apaixonado pelo que você está fazendo, porque se você tiver dúvida, você desiste, pois não é fácil. Não vou dizer: ‘Cara, vá que é um barato’. Mas também não é tão difícil como a gente imagina, visto que a Dona Aurora e o Hans têm mais de 60 anos e estão aí. É uma experiência gratificante. Então você tem que estar a fim mesmo, como tudo na vida.

Serviço Informações sobre o livro: www.bicicletapelomundo.com.br

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Sprint

Viva o Rio 2016

FOTO: DIVULGAÇÃO

O mundo parou para ver o Rio de Janeiro como a cidadesede dos Jogos Olímpicos de 2016, durante a tarde do dia 2 de outubro. Após uma campanha que enalteceu as belezas da cidade maravilhosa, o Rio despontou como o principal candidato para a vaga. Concorriam com ele as cidades de Chicago (Estados Unidos), Tóquio ( Japão) e Madri ( Espanha). O projeto para a realização das Olimpíadas está estimado em 25 bilhões de reais, composto por repasses municipais, estaduais, federais e privados. Após a festa da vitória, as atenções se voltam à preparação da cidade em virtude dos jogos, onde o mundo vai acompanhar por 15 dias o espetáculo.

A tradição não se confirma FOTO: DIVULGAÇÃO

Pela primeira vez, o Brasil chegou ao Mundial de Judô com dois campeões mundiais e voltou para casa sem nenhuma medalha. Tiago Camilo e Luciano Corrêa, as maiores esperanças brasileiras, foram eliminados logo na primeira fase do mundial. Já no feminino, o Brasil ficou em quinto lugar, registrando o resultado mais significante desde 2003, quando Edinanci Silva foi bronze. Para o presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Paulo Wanderley, é hora de sentar e avaliar onde foi o erro na preparação brasileira. Considerado o Mundial das zebras, a competição em Roterdã não trouxe muita sorte para os melhores judocas da atualidade. Dos 32 medalhistas nos Jogos de Pequim presentes na competição, somente dois voltaram a conquistar medalhas.

Brasil e mais 10 países já estão na copa de 2010 A classificação da seleção brasileira veio com uma atuação de gala, que misturou talento e frieza frente à seleção argentina. Sem cair na provocação e no clima de guerra da torcida, a seleção venceu a Argentina por 3 a 1 e garantiu uma das quatro vagas sul-americanas para o Mundial, com três rodadas de antecedência devido à derrota do Equador por 2 a 0 para a Colômbia e a do Uruguai por 1 a 0 para o Peru. Até o momento, 11 países já estão com passaportes carimbados para a África do Sul: Brasil, Paraguai, Holanda, Espanha, Inglaterra, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, Austrália, Gana e África do Sul.

Icasa na Série B em 2010

FOTO: DIVULGAÇÃO

Após 25 anos, o Icasa, de Juazeiro do Norte, confirmou sua volta à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Com a goleada em cima do Paysandu, o verdão de Cariri, como é chamado carinhosamente pela torcida, chegou aos 21 pontos em 10 jogos, ficando com a melhor campanha da Série C. O time de Juazeiro do Norte também teve o melhor ataque, com 22 gols (média de 2,2 por partida) e a melhor defesa da competição, tomando apenas sete gols, ao lado do América/MG. A última vez que o time figurou na Segunda Divisão nacional foi em 1984, quando a competição ainda era disputada em sistema mata-mata - o Icasa acabou eliminado logo na primeira rodada. O acesso do Verdão à Série B do Campeonato Brasileiro mostra a força do interior do estado, sempre presente nas competições nacionais.

O retorno de Jade à ginástica Após um ano afastada da ginástica devido a lesão no punho direito, Jade Barbosa voltou a treinar e foi convocada para a seleção brasileira permanente. Jade não poderá disputar o Mundial de Londres, em outubro, porque ainda sente muitas dores da lesão. Porém, na época das Olimpíadas, a ginasta contou que teve de forçar o treinamento porque queria disputar os Jogos.


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Paraquedismo busca sonho de voar FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Voar livremente, como um pássaro. Essa é a essência que alimenta o paraquedismo, um esporte radical que busca romper os limites do ser humano João Guilherme Facó

Assim como qualquer outro esporte de aventura, a essência do paraquedismo atrai o jovem com muita intensidade, por se tratar de uma atividade radical e que transmite adrenalina. A faixa etária predominante está entre 25 e 45 anos de idade. Apesar da sintonia, a prática do paraquedismo é pouco difundida no Ceará, devido fundamentalmente ao alto custo requerido para praticá-lo, além de o esporte ser popularmente conhecido como perigoso. A Federação Cearense de Pára-Quedismo (FCPQ) é um dos órgãos que promove a prática do esporte no estado. A regularidade com que os atuais 53 afiliados praticam a atividade se dá principalmente aos finais de semana, dependendo da disponibilidade de se montar uma decolagem, o que inclui um número razoável de atletas aptos para saltar. O Aeródromo Feijó, no bairro Siqueira, é a principal área de salto em Fortaleza.

No interior, os municípios de Iguatu, Quixadá e Acaraú também recebem eventos de paraquedismo. Perigoso é um estereótipo facilmente desmistificado por Alysson Rocha, presidente da FCPQ, que crê na segurança do esporte caso sejam seguidas todas as instruções de cartilha. “São realizados no Brasil mais de 2.500 lançamentos por final de semana, o

que totaliza 10.000 por mês. Até agosto foram efetuados 80.000 lançamentos e tivemos apenas um acidente fatal. Ainda assim, a causa não foi por falha no equipamento. A suspeita é que o atleta teve um mal súbito”, explica. No que diz respeito ao custo financeiro, não há mito algum. Um iniciante deve desembolsar a quantia de R$ 500 para começar a saltar. O valor inclui o

curso preparatório e o primeiro salto. Já saltos para atletas graduados podem chegar até R$ 125. Aqueles que desejam ingressar no pára-quedismo cearense devem procurar uma escola, instrutor credenciado ou mesmo a FCPQ. O interessado deve ser maior de idade, caso contrário deverá trazer uma autorização dos pais. Para muitos, o paraquedismo é um esporte radical que busca

romper o destino do ser humano. Destino de viver no chão. “Descrever a sensação de um salto é impossível. O mais fácil é olhar a expressão das pessoas quando pousam. Êxtase total. Comecei a saltar em 2005 simplesmente porque achava que não poderia deixar minha vida passar sem experimentar a sensação de um salto. Estou com 300 saltos e não penso em parar”, explica Rocha. História do esporte A atividade, amplamente praticada por necessidade militar, desenvolveu-se principalmente na Segunda Guerra Mundial, quando os paraquedas eram utilizados no lançamento de tropas e suprimentos. Desde o primeiro salto, em 1798, do francês AndréJacques Garnerin, a técnica do paraquedismo tornou-se popular, passando a ser vista como uma forma de esporte no início da década de 1950. Charles Astor foi o pioneiro do esporte no Brasil, introduzindo a prática em 1931, no Aeroclube de São Paulo. No Ceará, Adelson Julião é considerado como um dos responsáveis pelo pioneirismo do esporte no estado, atuando na formação de alunos cearenses e fundando, em meados dos anos 80, a Federação Cearense de Paraquedismo.

Esporte com arte e cidadania O projeto da Organização Não Governamental Renovação dos Valores pela Arte (Revarte) é uma iniciativa com finalidade social, cultural e comunitária Mara Rebouças

A ONG Revarte realiza aulas de judô para crianças e adolescentes cadastrados gratuitamente na biblioteca Monteiro Lobato. Aliada à prática do esporte, a Revarte também promove aulas de música, percussão, flauta, artesanato, teatro e narração de histórias. As atividades são realizadas pelo projeto que atua no bairro Conjunto Alvorada. As idealizadoras, Lúcia Cardoso e Alice Tupinambá contam com a colaboração de voluntários e doações. A Biblioteca Monteiro Lobato e o Judô Maria Edilaine, 13, está cadastrada na biblioteca desde 2007. Há pouco mais de dois anos, a judoca não conhecia o projeto. Ela conta que “umas amigas daqui falaram sobre a

Revarte investe na formação de crianças carentes, como Érica Hellen e Salomão FOTO: DIVULGAÇÃO

Revarte e minha mãe veio saber como era para eu entrar. Ela me trouxe, eu me inscrevi e até hoje estou aqui”. Maria Edilaine toca flauta, pratica judô e garante que as duas ati-

vidades “estão ajudando não só pra conhecer esporte e música, mas no colégio também”. O atleta Cardoso Neto, filho de Lúcia Cardoso, uma das idealizadoras do Projeto,

é o responsável pela organização das turmas de judô. A formação em artes marciais com aulas práticas do esporte são ministradas pelos irmãos Marcelo e Michael Barbosa. Os judocas, da mesma forma que as crianças da Revarte, entraram para o esporte através de um projeto social. “A nossa vida no judô começou em uma associação pra crianças carentes, em um bairro também muito carente, o Lagamar. Eu comecei com sete anos e meu irmão (Michael Barbosa) com nove. Então, crescemos nesse meio social. Quando completamos a maioridade e a faixa preta nos introduzimos nesse meio. Como? Ajudando as crianças. Éramos ajudados e agora temos a oportunidade de ajudar”, conta Marcelo Barbosa. O irmão de Marcelo relembra que muitos dos amigos de infância que não tiveram uma oportunidade de acolhimento social “ são, hoje em dia, usuários de droga e estão cumprindo pena em presídio”. O atleta acrescenta “se eu não tivesse participado do projeto, se o

judô não tivesse entrado na minha vida, talvez eu tivesse seguido o caminho deles. Então, contribuo com tudo aquilo que eu sei, para que eu possa dar uma oportunidade como a que eu tive ou até melhor”. Disciplina, determinação e sucesso “Não é a toa que, no Japão, o judô é matéria escolar e de nível superior”, informa o atleta Michel. A disciplina ensinada pela filosofia das artes marciais tem levado a cearense Drika, judoca cadastrada como leitora da Revart a representar o Brasil no exterior. A jovem esportista já conquistou medalhas de prata pelo Campeonato Sul- Americano Juvenil e Júnior e o Bronze pelo Campeonato Sênior de Judô. Mais de cem crianças são recebidas pela biblioteca Monteiro Lobato para praticar judô e o professor Michel Barbosa garante que a modalidade “por ser tão interessante, faz com que a criança queira viver mediante a filosofia do esporte”.


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Ideal para todas as idades A natação, além de esporte competitivo, pode ser também um remédio, pois ajuda a tratar e prevenir doenças e a desenvolver músculos Aline Veras

Sabe-se que, desde a préhistória, o homem já nadava, fosse para conseguir alimentos ou para outros momentos de necessidade. Na civilização clássica grega, já havia provas de natação em homenagem a Poseidon, deus grego dos mares. Na Inglaterra, tem-se notícia da existência de associações desportivas praticando natação como esporte competitivo desde 1839. Já na primeira olimpíada da era moderna, o Barão de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos, fez questão de selecionar o esporte como um dos que fariam parte da competição mundial. Ao longo dos anos, a natação vem se confirmando não apenas como um dos esportes mais praticados, mas também como um dos que mais trazem benefícios à saúde. Por essa razão, muitos médicos recomendam que bebês, grávidas, deficientes físicos e idosos pratiquem o esporte aquático. A professora de Educação Física da Unifor e especialista em treinamento desportivo, Diane Rebouças, garante que a natação previne inúmeras doenças respiratórias. A prática, ainda quando bebê, ajuda a desenvolver um sistema respiratório mais resistente a doenças e alergias. “Por a água ser um ambiente resistido, ou seja, que te mantém em movimentação contra uma

Natação é um dos esportes mais praticados no Brasil, perdendo apenas para o futebol, além de ser o esporte mais procurado por crianças em idade escolar

resistência específica, a natação desenvolve toda a parte muscular, tonificando e enrijecendo a musculatura. Para o público infantil, essa tonificação melhora todo o desenvolvimento motor da criança. Andar, correr, todo esse movimento é favorecido”, afirma a professora, que diz ainda ser a natação, o esporte mais completo. Além disso, com a amortização do impacto dos movimentos físicos pela água, a probabilidade de sofrer uma lesão é praticamente nula. Diane recomenda aos pais que queiram levar seus filhos

para praticar natação, que os levem a partir do sexto mês de vida por conta da cartela de vacinação das crianças. Com seis meses, elas estão com as vacinações básicas e já têm uma segurança maior em relação a aspectos externos, ou seja, começam a desenvolver uma maior resistência. Nos adultos, Diane Rebouças diz que os benefícios da natação para a saúde vai tanto no aspecto de condicionamento como no aspecto estético. “Para o adulto, a natação ajuda na melhoria cardiovascular e cardiorres-

piratória. Isso é imprescindível porque o praticante está dentro de um meio onde se precisa ter uma respiração adequada, o estímulo da respiração é constante e faz com que o atleta desenvolva todas as suas capacidades cardiorrespiratórias e isso traz somente benefícios ao sistema respiratório e cardíaco”, diz Diane. Ela afirma, também, que o gasto calórico da natação é de aproximadamente 600 calorias por hora. A natação, como qualquer outra atividade física, não traz apenas uma melhoria

Artigo

FOTO: WALESKA SANTIAGO

na saúde de seus praticantes, traz um equilíbrio entre corpo, mente e social. A atividade física também ajuda na interação com o meio, socialização e ajuda no controle do estresse, já que, com a grande concentração exigida à hora da respiração e nos movimentos, faz com que o praticante alivie as tensões e esqueça um pouco dos problemas do dia a dia. Não podemos esquecer que a natação também, se praticada regularmente, melhora os aspectos físicos como tonificar os músculos e definir a silhueta.

Gabriela Ribeiro

Copa de 2014: nem tudo são flores Desde a escolha de Fortaleza como cidade-sede da Copa do Mundo de 2014, tem-se anunciado a lista de todos os aspectos positivos da realização dos jogos na terrinha. Os problemas e as dificuldades para a realização de uma Copa, no entanto, não aparecem em nenhuma lista. Passada a euforia, fica a preocupação com o tempo e a quantidade de mudanças que deverão ser feittos. O campeonato mundial não fica apenas no jogo de futebol. Há, também, preocupações socioeconômicas. O plano apresentado por técnicos ligados à Prefeitura e ao Estado ficou estimado em R$ 9,2 bilhões. Valor que deve ser questionado e estudado, pois o valor da candidatura do Rio de Janeiro a sede das

Olimpíadas de 2016 ficou orçado em 11,2 bilhões. Agora que o Rio foi escolhido, esse valor já subiu para 25 bilhões. O secretário dos esportes, Ferruccio Feitosa, já disse que tem R$ 5 bilhões garantidos. Resta esperar. Transporte público, para que te quero? Os turistas que vêm para a Copa não esperam ter que alugar carros ou tomar vários ônibus e vans para chegar ao destino desejado. Para o problema do transporte público, foi proposta uma extensão do Metrofor. Apesar de a construção da estação de metrô ainda estar paralisada, foi sugerida uma ampliação, com intuito de criar uma linha que passe nos bairros Aldeota, Cocó e Papicu.

O metrô por si só não traz solução mágica para o problema. O transporte também sofre com a pouca quantidade de ônibus e vans rodando. As ruas de Fortaleza, além da enorme quantidade de buracos, são estreitas, não há muitos viadutos e a sinalização é péssima: a resposta para todos os males foi a colocação de um semáforo em cada esquina, ajudando a engarrafar ainda mais o trânsito. Estádios: os elefantes brancos Não vão ser construídos novos estádios em Fortaleza. Na verdade, foi proposta apenas uma reforma do Castelão para que fique de acordo com as determinações da FIFA. As mudanças do Castelão estão estimadas em R$ 400 milhões. Custo alto, con-

siderando que o estádio precisa apenas aumentar o número de vagas para estacionamento e ampliar a área da imprensa. O Castelão já conta com 56.000 lugares numerados e camarotes climatizados e panorâmicos. A experiência sul-africana Problemas podem surgir com o sorteio das chaves para as cidades. Apesar de todas as chaves terem pelo menos um time forte, Fortaleza corre risco de receber seleções sem grande destaque no futebol internacional, como Egito ou Iraque. A experiência da África do Sul na Copa das Confederações mostrou que as cidades contempladas com chaves inexpressivas não conseguiram lotar os estádios. Além disso, o

preço dos ingressos para os estrangeiros foi bem mais caro do que os ingressos vendidos para os sul-africanos, o que fez com que poucas pessoas se interessassem em ir. Questionamentos aparecem também quando o assunto é segurança pública. Países em desenvolvimento têm sérias limitações sociais. A violência não vai embora só com aumento de policiais nas ruas. Na África do Sul, a seleção do Egito foi assaltada. Para que a Copa seja uma experiência inesquecível, é preciso repensar seriamente as políticas públicas implementadas no Brasil. Se não houver seriedade dos nossos estadistas e comprometimento de todos, esse é um projeto que tende a falhar.


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SOBPRESSÃO

FÔLEGO

SET / OUT DE 2009

Pesca: esporte alternativo Diversão garantida para toda a família, a pesca esportiva promete emoções que vêm atraindo um público de todos os sexos e de todas as gerações João Bandeira Neto

“Nada se compara ao prazer de duelar com o peixe”, afirmam os amantes da pesca esportiva. O esporte, tão pouco divulgado, começa a ganhar espaço entre um público que,até poucos anos atrás, tachava a prática esportiva como um passatempo para velhos e que não oferecia emoção alguma. Isso começa a mudar, pois a atividade atende um público do mais variado estilo, entre eles, os jovens e mulheres que aos poucos estão descobrindo o prazer de pescar, aliado a uma disputa saudável onde o praticante contempla as belezas naturais e desfruta da emoção de uma boa pescaria. Essa modalidade esportiva está aos poucos conquistando mais adeptos, tornando a pesca um esporte reconhecido mundialmente. A pesca esportiva é uma evolução ecologicamente correta da pesca amadora, uma atividade que se pratica como um esporte, sem que dela dependa a subsistência do pescador. Por muitos anos, a pesca esportiva esteve associada à pesca profissional. A realidade encontrada hoje pelos novos praticantes do esporte é completamente diferente. Atualmente, há uma dissociação da modalidade com qualquer outro tipo de pesca, sendo diferenciada da pesca profissional, cuja finalidade é a pesca para sobrevivência. Pesque e Solte A prática da pesca esportiva foi introduzida e difundida nos Estados Unidos por Lee Wulff, quando ele decidiu fazer da pesca dos finais de semana um esporte competitivo. Esse esporte chegou ao Brasil em 1940, onde foi introduzida a prática da filosofia do “pesque & solte” (catch & release - pescar & libertar). O lema defendido pelos praticantes da pesca esportiva é o de levar do peixe apenas a recordação da foto, devolvendo-o para seu habitat natural após pescado. Na base dessa filosofia reside uma ética específica: a solidariedade com os outros pescadores, que também terão a oportunidade de “duelar” com os peixes que foram soltos e ao próprio

Pesca consciente: Manuel Odorico faz parte da geração que adota a filosofia do pesque e solte FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Vítor Picanço tem a pesca como esporte favorito FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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Novos públicos

Torneios de pesca

Com a divulgação e popularização do esporte, a prática da pescaria esportiva vem atraindo cada vez mais pessoas do sexo feminino. Até então, a pesca esportiva estava relacionada a homens e sem espaço para a entrada de mulheres, mas isso começa a mudar. No Ceará, estão regulamentadas na APEECE cerca de seis mulheres, que nos finais de semana buscam na pescaria uma forma de diversão e relaxamento. O número de mulheres que praticam o esporte é cada vez maior. As associações de pesca esportiva por todo o Brasil estudam fazer um campeonato nacional de pesca esportiva apenas para mulheres.

As competições geram disputas até os últimos momentos. Os critérios de avaliação para os torneios variam por região. O mais usado é o por pesagem, onde o peixe é pesado vivo e o competidor tem a soma dos seus pesos acumulados ao longo do dia. Ao final, tudo é contabilizado e o pescador que alcançar a maior quantidade de gramas acumulados torna-se o vencedor. Durante a competição, utiliza-se apenas vara de pesca, linha e anzol. Os locais da prática são os mares, rios e lagos, utilizam-se iscas naturais ou artificiais, molinetes ou carretilhas.

peixe. Esse trabalho de conscientização começa a ganhar espaço dentro das associações de pesca esportiva espalhadas por todo o Brasil. “A prática do Pesca e Solte é de suma importância ambiental, pois preserva o peixe no seu melhor estado e permite uma reprodução continua”, diz Manuel Odorico, presidente da Associação de Pescadores Esportivos do Estado do Ceará (APEECE), criada recentemente para difundir e fortalecer o esporte no estado do Ceará. Além da preservação ambiental defendida por essa filosofia, estudos mostram que a lucratividade com o turismo esportivo é muito superior do que o simples fato de apenas pescar e vender o quilo do peixe. “Quando vamos praticar nossas pescarias, deixamos um lucro superior a qualquer compra de peixe na região que visitamos”, destaca Odorico. O argumento reforça um dos objetivos da criação da APEECE, que é o de conscientizar os pescadores amadores para utilizarem dessa prática de pescaria e se regularizarem perante a associação, tornando a modalidade um esporte ainda mais popular. No Brasil, segundo dados do Ministério da Pesca, existem hoje cerca de 22 milhões de pescadores amadores e profissionais. A atividade das competições e viagens de pesca movimenta cerca

de três bilhões de reais por todo o país. Saindo da rotina A pesca esportiva é vista por muitos como uma forma alternativa de relaxamento das atividades diárias. A prática permite um contato direto com a natureza, proporcionando ao esportista uma aproximação com o meio ambiente e o fazendo despertar para a sua preservação. Segundo os praticantes, a pesca requer concentração, pois no momento em que se está pescando, o silêncio e a paciência são essenciais para a captura do peixe. A experiência da pesca é adquirida com anos de prática ao longo dos rios, açudes e mares. Os mais novos adeptos destacam os prazeres da aventura quando se está na prática do esporte. O divertimento de se pescar um peixe com quase 8 kg no anzol, é considerado, por eles, como uma das sensações mais prazerosas que o esporte pode proporcionar. Essa sensação vem atraindo jovens de todas as idades a iniciarem no esporte, buscando vivenciar a emoção que antes só era contada pelos pais e avôs.

Serviço Associação de Pescadores Esportivos do Estado do Ceará (APEECE): www.apeece.com.br

Caderno Fôlego - Fundação Edson Queiroz - Universidade de Fortaleza - Diretora do Centro de Ciências Humanas: Profa. Erotilde Honório - Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Eduardo Freire - Disciplina Jornalismo Especializado I - Professor Orientador: Alejandro Sepúlveda - Projeto Gráfico: Prof. Eduardo Freire - Diagramação: Priscila de Almeida - Suporte técnico: Aldeci Tomás -Supervisão gráfica: Francisco Roberto - Impressão: Gráfica Unifor - Tiragem: 500 exemplares - Editores Adjuntos: Aline Veras, Gabriela Ribeiro, João Bandeira Neto, João Guilherme Facó, Lardyanne Pimentel, Lauro Pimentel

Sugestões, comentários e críticas: cadernofolego@gmail.com


Fôlego # 19