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revista

especializada em tratamento de

OS DESAFIOS DO

TRATAMENTO

DE LODO Digestão biológica do lodo MBBR em tratamento de esgoto doméstico Tratamento de águas subterrâneas

9 772236 261086

agosto / setembro -2013

Destaques da Fenasan 2013


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Índice

10

Os desafios do tratamento de lodo

28

Digestão biológica do lodo

TRATAMENTO DE EFLUENTES

TRATAMENTO DE EFLUENTES

32

Tratamento de águas subterrâneas

16

Sustentabilidade no tratamento de efluentes

EQUIPAMENTOS

36

Filtros biológicos percoladores

SEÇÃO

43

Destaques da Fenasan 2013

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Novidades

18

Avaliação do desempenho de um sistema piloto de MBBR tratando esgoto doméstico

DESTAQUE

49

Grundfos espera crescer 25% até 2014


Editora Rogéria Sene Cortez Moura editora@revistaTAE.com.br

Assinaturas, Circulação e Atendimento ao Cliente Rogéria Sene Cortez Moura atendimento@revistaTAE.com.br

Publicidade João B. Moura Yara Sangiacomo publicidade@revistaTAE.com.br

Comunicação Loiana Cortez Moura comunicacao@revistaTAE.com.br

Redação Anderson V. da Silva, Bruna Lavrini, Carla Legner e Cristiane Rubim jornalismo@revistaTAE.com.br

Criação e Editoração Anderson Vicente da Silva Paula Zampoli anderson@revistaTAE.com.br

Impressão e Acabamento Gráfica IPSIS A Revista TAE é uma publicação da L3ppm - L Três publicidade, propaganda e marketing Ltda. Rua Aracanga, 330 – Pq. Jaçatuba CEP 09290-480 - Santo André - SP Tel.: +55 11 4475-5679 www.revistaTAE.com.br Acesse as nossas mídias sociais www.facebook.com/revistaTAE www.twitter.com/revistaTAE

Conselho Editorial: Adriano de Paula Bonazio; Alice Maria de Melo Ribeiro; Arno Rothbarth; Douglas Moraes; Eric Rothberg; Fábio Campos; Geraldo Reple Sobrinho; Giorgio Arnaldo Enrico Chiesa; Hercules Guilardi; Jeffrey John Hanson; João Carlos Mucciacito; José Carlos Cunha Petrus; José Luis Tejon Megido; Lucas Cortez Moura; Luciano Peske Ceron; Marco Antônio Simon; Nelson Roberto Cancellara; Patrick Galvin; Paul Gaston; Paulo Roberto Antunes; Ricardo Saad; Santiago Valverde; Tarcia Davoglio; Tarcísio Costa; Valdir Montagnoli. Colaboraram nesta edição: André Luis Moura (Laffi Filtration); Alessandra Cavalcanti e Bruno Dinamarco (B&F Dias); Eduardo Bertella (Kanaflex); Amin Kaissar El Khoury (Etatron); Luciana Beneton (Tecitec); Gilberto Albertini e Maria Candida Stecca D’Angieri (MANN+HUMMEL Fluid Brasil); Pamela Santos e Eng. André G. Gomes (GEA); Paulo Lisboa e Carolina Garcia de Souza (Xylem); Edgard Luiz Cortez (Iteb); Viviane Lorenzetti, Sandro Sandanelli e Renato Zerbinati (Grundfos); William Seiti Okada (Huber): Anna Carolina Raposo Camelo Motinaga (Centroprojekt); (NHR Engenharia); Fábio Campos (USP); Rosvaldo Catino (SENAI); Henrique Martins Neto (EQMA); Fernando de Barros Pereira (General Water); Natália Correia da Silva e Caio Ribeiro Gomes (Hexis); Pedro Porto (Degrémont); Rordão Macedo Júnior (Hidrogeron); Savério Meris Junior (Tigre); Robinson Zuntini (Calgon Carbon); André Levi G. do Amaral (Festo) e Aparecida Souza de Paula (Sabesp).

Editorial

O exemplo do papa Recentemente recebemos a visita do papa Francisco, que contagiou e uniu pessoas de diferentes raças, nacionalidades e credos em uma só fé, com suas atitudes e gestos de simplicidade e humildade. Assim, tivemos durante sua estada surpresas gratificantes que independente de outros tipos de movimentos e interesses, mostrou que a união gera força para conquistar novos ideais e romper barreiras. Em sua última entrevista divulgada pela Rede Globo, quando questionado pelo repórter a respeito da migração dos fieis católicos para os evangélicos, respondeu dentro de sua simplicidade que comparava a situação a de uma mãe que cria seu filho a distância, sem envolvimento, por correspondência, o que é impossível. Explicou que a migração pode estar ocorrendo por falta de acompanhamento, proximidade e afeto. A feliz comparação do papa Francisco pode ser aplicada também no mundo empresarial. É preciso estar junto dos mercados de atuação, saber o que acontece no setor, acompanhar e prestar assistência aos clientes. E o nosso mercado de tratamento de águas e efluentes não é diferente - é preciso entender a necessidade da população, envolver órgãos municipais, estaduais e federais, consumidores e conscientizá-los da importância de viabilizar recursos para gerar novas condições para o desenvolvimento do setor, aprimorando sempre a qualidade de produtos e serviços. Em nossa matéria de capa, abordamos os desafios enfrentados no tratamento de lodo e de águas subterrâneas, desde os tipos existentes, etapas, alternativas, soluções e novidades nesse processo. Apresentamos também um especial sobre a 24ª edição da Fenasan – consolidada como um dos mais importantes eventos em saneamento da América Latina. No total, reuniu 220 expositores, entre empresas nacionais, multinacionais e nove estrangeiras com bases nos Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Espanha, Turquia, Reino Unido e China. Segundo informações da organização, 33 empresas participaram do evento pela primeira vez, o que reforça a importância da feira para o mercado. Ainda nesta edição: Uma multinacional dinamarquesa apostando na potencialidade do nosso mercado; as plantas utilizadas no sistema de tratamento de águas residuais e outras. Boa leitura e bons negócios! Rogéria Sene Cortez Moura - Editora Revista TAE - Informação cristalina e bem tratada. Errata: Na matéria “Modelo de negócios para tratamento de água e efluentes”, edição nº 13 - junho/julho de 2013, pág 42 desconsiderar a informação que a empresa participante possui 50 anos de experiência, considerar a seguinte informação: “Somando a história de cada uma dessas empresas que constituiram a Nova Opersan, são mais de 50 anos de experiência nas diferentes áreas de atuação envolvidas no desenvolvimento de projetos para o meio ambiente”, desconsiderar ainda a informação contida na pág 44, AOO, e considerar a seguinte informação: “Para uma nova planta podem ser usados o EPC, o BOT e o BOO. Quando a planta já existe, será feito um AOT ou um O&M dependendo do estado e conservação da planta ou se haverá incremento de vazão a ser tratada” Os artigos e matérias não refletem a opinião desta revista, assim como declarações emitidas por entrevistados e através de anúncios, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seus autores e anunciantes. A reprodução total ou parcial das matérias só é permitida mediante autorização prévia da Revista TAE, e desde que citada a fonte.


NOVIDADES Foz|Saneatins inaugura a maior estação de tratamento de esgoto da região norte

Foto: Divulgação

Um dos oito objetivos do milênio estabelecidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população sem acesso permanente e sustentável a água potável e esgotamento sanitário. Mesmo havendo muito o que fazer, evidenciam-se esforços cada vez mais expressivos de governos e empresas para a melhoria dos serviços de água e esgoto. No Tocantins, um exemplo desse compromisso foi a inauguração, no dia 5 de junho, da estação de tratamento de esgoto – Norte. Contando com o apoio da Prefeitura de Palmas e do Governo Estadual, a Foz|Saneatins investiu R$ 25 milhões para a implantação do equipamento considerado o maior da Região Norte e um dos mais modernos do país. A ETE Norte elevará a capacidade de tratamento do esgoto de Palmas e integrará o conjunto de estações que atendem atualmente cerca de 50% da população com esse serviço.

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Inicialmente, a estação atenderá 85 mil habitantes. Contudo, ela foi desenvolvida para acompanhar o crescimento das redes de esgoto e, consequentemente, da população atendida, chegando a tratar, na sua capacidade máxima, até 770 mil litros por segundo, beneficiando diretamente 215 mil pessoas. “O início das operações da ETE Norte permitirá que voltemos nossos esforços para a expansão das redes de coleta de esgoto na Bacia do Brejo Comprido, Sussuapara, Bacia do Água Fria e Bacia do Prata, beneficiando novas famílias com a coleta e tratamento de esgoto. Esse é um importante passo para garantirmos que a maior parte da população palmense seja atendida nos próximos quatro anos, elevando a qualidade de vida, a saúde e o respeito ao meio ambiente na capital”, explica Mário Amaro, diretor presidente da Foz|Saneatins. A ETE Norte levou dois anos e meio para ser construída e conta com as mais modernas tecnologias de tratamento. Toda operação é automatizada e controlada por operadores em salas remotas. Assim, amplia-se a segurança dos integrantes e a qualidade do processo, através do monitorado em tempo real. O início da operação da nova estação é o ponto alto do ciclo de investimentos em água e esgoto que Palmas recebe desde o ano passado. Mas o trabalho não para por aí. Até 2017, a capital do estado receberá aproximadamente 240 milhões para a revitalização dos sistemas existentes e expansão dos serviços de água e esgoto. Nes-

te período serão construídas novas estações de tratamento de esgoto e elevatórias, além da expansão das quatro ETEs existentes, implantação de coletores tronco, emissários e as redes coletoras que permitirão o atendimento a mais de 80% da população de Palmas. Tecnologia A eficiência de uma estação de tratamento de esgotos é definida pelos diferentes níveis de purificação até a desinfecção final. No caso da ETE Norte, o processo de depuração das impurezas inclui tratamento primário, secundário e terciário - modelo que é considerado um dos mais completos e eficientes da atualidade. O tratamento primário envolve a remoção de sólidos grosseiros através de uma grande peneira e também a retirada numa caixa retentora de areia, óleos e graxas. O tratamento secundário, por sua vez, destina-se ao tratamento da matéria orgânica através de bactérias que efetuam sua decomposição, juntamente com o processo de adição de oxigênio. Depois dessa etapa, os sólidos produzidos são removidos nos decantadores e, posteriormente, submetidos à secagem e disposição adequada. No entanto, o efluente (líquido resultante) do tratamento secundário ainda possui nitrogênio e fósforo, materiais que em quantidade elevada podem prejudicar o equilíbrio dos ecossistemas de rios e lagos. Por isso, é realizado o tratamento terciário, que elimina quase que totalmente esses elementos, resultando num efluente com alto nível de pureza.


O Grupo Açotubo acaba de fechar parceria com a Tupy, uma das maiores indústrias de fundição da América Latina. “A união das empresas líderes de mercado proporciona, além de qualidade, uma disponibilidade maior de produtos aos clientes”, afirma Fernando Del Roy, gerente corporativo de marke-

A tecnologia de biofilme da Biowater atende desafios únicos para superar problemas sazonais de efluentes Biowater Technology, uma fornecedora e fabricante líder do mercado de processos e equipamentos de tratamento biológico avançado de efluentes para instalações industriais e locais ao redor do mundo, foi adjudicada com um contrato outorgado pela Village of Bloomingdale, Michigan, EUA (municipal) para fornecer seu processo de tratamento biológico Compete Mix Fixed Film (CMFF®). A planta de tratamento de efluentes existente em Bloomingdale enfrenta flutuações sazonais exclusivas devido às descargas de uma escola regional e de uma indústria de alimentos. A lagoa existente não conseguia atingir os novos limites de amônia e

ting do Grupo Açotubo. A nova linha de conexões irá atender as áreas industriais, construção civil, petróleo e gás, usinas, agrícola e insumos. “O Grupo Açotubo possui uma distribuição forte e atuante na área do varejo. E a linha da Tupy se encaixa perfeitamente tanto para o perfil do pequeno varejo, quanto para as médias e grandes empresas”, finaliza Del Roy. Hoje o Grupo Açotubo é a maior distribuidora do

Brasil, atua nas linhas de tubos e barras de aço, conexões, trefilados, tubos e chapas de inox, sistemas de ancoragem e prestação de serviços industriais.

as baixas temperaturas das águas residuais aumentavam o problema. A municipalidade selecionou o CMFF® da Biowater, que é baseado no conceito MBBR (Reator de Biofilme com Leito Móvel), no qual o biofilme é fluidizado e remove matéria orgânica e nitrifica a amônia e NKT. “A melhor solução para superar os desafios das flutuações sazonais e de baixa temperatura seria projetar um processo CMFF® aeróbico em três estágios, seguido de clarificação por gravidade”, disse Laura Marcolini, presidente da Biowater Technology US, LLC. O clima frio em Bloomingdale tem um impacto significativo na eficiência do tratamento de efluentes. A remoção de contaminantes como DBO, SST e outros nutrientes dos efluentes é necessária, independentemente das condições climáticas. O processo CMFF® da Biowater Technology oferece

um benefício adicional em condições extremas de climas frios, devido ao seu biofilme robusto. Esta tecnologia foi desenvolvida na Noruega e tem benefícios importantes, quando comparada aos processos convencionais de tratamento de águas residuais, como o de Lodos ativados, Biorreatores com membranas, RBS e de lagoas. “A Biowater e seu processo de biofilme foram pré-selecionados para se candidatar a este processo durante a fase de design, devido às suas qualificações, experiência e solução para os desafios sazonais com os quais nos deparamos. O resultado final atendeu as nossas expectativas, sem alterações. O início das atividades, treinamento e o desempenho inicial do sistema atenderam as exigências impostas”, disse Cary Bond, da Fleis & VandenBrink Engineering, Inc., (Engenheiro de Projetos).

Foto: Divulgação Tupy

Açotubo anuncia parceria com a Tupy

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NOVIDADES

Dow lança membrana ecológica para purificação de água A Dow Water & Process Solutions lança no mercado uma nova versão da Dow Filmtec, membranas com tecnologia de ponta para a dessalinização e o reúso da água. As novas Filmtec ECO representam a terceira geração de membranas de osmose reversa e, entre seus principais benefícios, garante uma redução significativa dos custos de energia e do consumo de produtos químicos. Isso significa menor impacto ambiental e maior simplicidade no processo como um todo. Atendendo aos mais altos padrões de qualidade, as mem-

Oxidação com Ozônio A Hidrogeron disponibiliza ao mercado seus geradores de ozônio, utilizando somente ar atmosférico e energia elétrica e sem a necessidade de produtos químicos. Os geradores de ozônio Hidrogeron facilitam o trabalho do operador, garantindo a

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branas Filmtec ECO possibilitam uma redução de até 40% na passagem de sal, além de minimizar em 30% o consumo de energia, quando comparados aos elementos de osmose reversa padrão. Empresas de diversos setores papel e celulose, alimentos e bebidas, usinas de etanol e petroquímicas - e dos mais diferentes portes podem se beneficiar com a inovação das novas membranas. A Filmtec ECO opera sob 30% menos pressões, ao mesmo tempo em que entrega uma rejeição de sais mais elevada. Isso é possível graças aos espaçadores de alimentação com baixo diferencial de pressão, proporcionando 99,7% de rejeição a 150 psi. As membranas combinam uma nova formulação para poliamida (mate-

rial filtrante) com aprimoramentos dos espaçadores para diminuir a resistência à passagem da água. Oferecida nas configurações ECO-400i, ECO-440i e ECO-500i, as Filmtecs ECO também proporcionam maior resistência à incrustação, desempenho de fluxo e rejeição de sais em águas industriais. “A vasta experiência da Dow, combinada com a inovação direcionada por pesquisas e uma escala de amplo alcance, deram origem à linha Filmtec ECO. Os novos elementos colocam em prática princípios de design que alinhados ao contexto mundial, colaborando para o sucesso dos clientes e a responsabilidade com o meio ambiente”, afirma Felipe Pinto, gerente de marketing da Dow Water & Process Soluctions para a América Latina.

segurança do processo além de ser uma tecnologia limpa e sustentável, não gerando resíduos. A Hidrogeron foi a primeira empresa a utilizar sistemas de geradores de ozônio em tratamento de águas para abastecimento público, instalada na ETA da cidade de Pavuna desde 2012, operado pela CAGECE (Companhia de Sanea-

mento do Ceará), o sistema funciona na pré-oxidação, proporcionando significativa redução de consumo de cloro e adequação de outros parâmetros. Saiba mais: www.hidrogeron.com

Foto: Divulgação

Os Tanques em PRFV (Plástico Rígido com Fibra de Vidro) comercializados pela MANN+HUMMEL Fluid Brasil são confeccionados com a mais alta tecnologia e materiais de excelente qualidade, proporcionando alta confiabilidade, performance, segurança e vida útil superior aos disponíveis no mercado. Disponíveis em

diversos tamanhos os tanques MANN+HUMMEL Fluid Brasil são os produtos ideais para aplicações de abrandamento, filtros multimídia, colunas de troca iônica e outras aplicações existentes em tratamento de água e efluentes. Além dos tanques em PRFV a MANN+HUMMEL Fluid Brasil possui uma linha completa de soluções para tratamento de água e efluentes como: filtros tipo cartucho, membranas, vasos de pressão (OR), equipamentos de osmose reversa, re-

Foto: Divulgação

Tanques em PRFV da MANN+HUMMEL Fluid Brasil


Com o apoio da Itaipu, Paraná vai ganhar a 1ª planta experimental de hidrogênio Foz do Iguaçu vai ganhar a primeira planta para a produção experimental de hidrogênio do Paraná e a segunda da região Sul do país. A estrutura começou a ser construída no início de julho, em uma área de 2 mil metros quadrados, dentro do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). A expectativa é que a produção comece até o final do ano. O projeto é uma parceria da Itaipu Binacional, Eletrobras e a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI) e foi desenvolvido com apoio do Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (CENEH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Além da planta experimental, a parceria com a Eletrobras (assinada em outubro de 2011) já viabilizou a instalação do Núcleo de Pesquisa em Hidrogênio (NUPHI), também no PTI. Pesquisadores e bolsistas foram contratados para atuar no centro. O coordenador brasileiro da Comissão Interna de Conservação de Energia (Cice), engenheiro Marcelo Miguel (ENEE. DT), disse que os estudos vão possibilitar, no futuro, que Itaipu aproveite a energia que hoje deixa de ser gerada pela água excedente do reservatório para abastecer uma grande central de produção de hidrogênio. O mesmo modelo de produção poderá ser adotado por outras hidrelétricas do país, abrindo a possibilidade de novas unidades de negócio para o setor elétrico. “Com o hidrogênio, Itaipu

poderá elevar em até 6% a sua eficiência energética e se tornar referência dentro do sistema Eletrobras para a aplicação dessa tecnologia”, disse. Benefícios do hidrogênio Marcelo Miguel comentou que o hidrogênio é um elemento abundante na natureza, com alta densidade energética e isento do carbono – um dos responsáveis pelo chamado efeito estufa. Ou seja, trata-se de uma alternativa economicamente viável e ambientalmente correta. O potencial de aplicação, segundo ele, é amplo. Armazenado em grandes cilindros, em forma de gás, ou em pequenas células de combustível, o hidrogênio pode gerar energia para abastecer residências e indústrias, veículos elétricos ou até mesmo ser utilizado como bateria de telefones celulares. “A utilização em larga escala seria uma revolução energética, já que 93% do universo é composto por hidrogênio”, estima Marcelo Miguel, explicando que é possível isolar o elemento químico a partir de qualquer material, inclusive do lixo. No caso de Itaipu, a escolha da extração pela água (composta por oxigênio e hidrogênio) foi natural. “O Brasil é o país das hidrelétricas. Outros países, para produzir o hidrogênio, precisam queimar gás, petróleo ou carvão. Aqui, seria um processo totalmente limpo e ainda evitaríamos o desperdício de energia com a água escoada pelo vertedouro.” Frentes de pesquisa Os estudos desenvolvidos pelo Núcleo de Pesquisa em Hidrogênio (NUPHI) poderão ser testados na futura planta experimental – que terá 180 m2 de construção.

O principal equipamento da unidade, chamado de eletrolisador, foi comprado por meio de concorrência internacional e está em processo de fabricação pela empresa italiana H2Nitidor. O equipamento permite produzir hidrogênio por meio da eletrólise, ou seja, a separação dos elementos químicos da água (hidrogênio e oxigênio). O coordenador do Núcleo de Pesquisas em Hidrogênio (NUPHI), Ricardo José Ferracin, disse que o principal objetivo do centro é investigar o ciclo de vida do hidrogênio, envolvendo as etapas de produção, purificação, compressão, armazenamento, controle de qualidade, transporte e uso final em células a combustível e outras aplicações. Outra frente de pesquisa é a produção de hidrogênio a partir da criação de algas. O centro também pretende promover a interação do hidrogênio com o Programa Veículo Elétrico (VE) – para abastecer com células de hidrogênio parte da frota de veículos elétricos de Itaipu. “O hidrogênio tem a perspectiva de se inserir na matriz energética (do Brasil) até 2050, sobretudo na área do transporte”, explicou Ferracin, que também é o responsável pela planta de produção experimental. Além da H2Nitidor e da Hytron, empresa spin-off (termo utilizado para descrever uma empresa que nasceu a partir de um grupo de pesquisa) da Unicamp, o centro já fechou parcerias com instituições como a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Nacional de Missiones (UNAM), da Argentina.

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CAPA

Foto: Depositphotos.com

por Cristiane Rubim

Os desafios do tratamento de lodo Veja um pouco dos tipos, etapas, alternativas, soluções e novidades

O

tratamento adequado do lodo é realizado em diversas etapas e processos que dependem de tecnologia, da disposição final e do espaço físico disponível. O importante é que cada uma delas altera ou melhora as características físicas, químicas e biológicas do lodo, já que passam pelo crivo de questões técnicas, econômicas, ambientais e de saúde pública. O lodo é o sedimento composto por uma mistura de substâncias que apresentam minerais, colóides e partículas advindas de matéria orgânica decomposta em suspensão no meio aquoso. Em uma ETA, por exemplo, é um resíduo constituído de água e sólidos suspensos

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somados a produtos dos reagentes aplicados nos tratamento da água. Já em uma ETE, é uma mistura sólida e semi-sólida de substâncias orgânicas e inorgânicas, tem aspecto desagradável e mau cheiroso, elevada concentração de água (95%) e trata-se do principal subproduto do tratamento de efluentes. Por motivos técnicos e econômicos, o destino final dos resíduos dos sistemas de tratamento de água e esgoto é um grande desafio para os países. De acordo com o Programa de Pesquisas em Saneamento Básico (Prosab), trata-se de processo complexo que necessita de intercâmbio entre diversos conhecimentos, representando de 20% a 60% dos custos operacionais de uma ETA/ETE. O Prosab aponta que, no Brasil, a coleta de esgotos atende a 40,12% da população ur-


bana e, deste volume coletado, apenas 40% recebe tratamento adequado, o que gera perspectivas significativas de crescimento e de geração de lodo. Grande parte destes resíduos é lançado em rios. William Seiti Okada, M.Sc. e analista de processos no departamento de engenharia da Huber Technology, empresa alemã presente em mais de 60 países que atua no tratamento e reúso de esgoto sanitário municipais, efluentes industriais e tratamento de resíduos, diz que existe uma preocupação com o condicionamento do lodo para sua disposição final, já que a presença, em sua composição química, de metais pesados, substâncias endócrinas e outros pode representar perigo para o meio ambiente e a sociedade. “Por estas razões procura-se reduzir ao máximo o volume e armazenar o lodo da melhor maneira possível, de modo que possa ser descartado de forma segura. Sistemas de adensamento, estabilização, desidratação e secagem têm por objetivo separar a fase líquida da sólida, reduzindo o teor de água deste lodo, bem como eliminar possíveis ameaças ao meio ambiente” afirma. Mas com as exigências das leis ambientais atuais, que obrigam as operadoras a dar um destino apropriado a estes resíduos provenientes do tratamento de água e efluentes, novas alternativas e soluções vêm sendo debatidas e pesquisadas. Quanto a essas normas, se referem ao manejo de lodo, tanto industrial quanto doméstico. É comum, em várias cidades do país, que as indústrias transportem o lodo resultante dos processos produtivos a aterros sanitários, o que acaba contaminando os solos e exalando um odor desagradável. Para evitar isso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou em novembro de 2002 uma resolução que estabelece normas e diretrizes para a produção de resíduos sólidos industriais. Também cabe às Secretarias Estaduais do Meio Ambiente estabelecer e fiscalizar o cumprimento das normas e é permitido que cada município aprove suas próprias leis sobre o tema.

Para dar suporte à sustentabilidade dos sistemas de água e esgoto, uma das saídas encontradas é a utilização dos resíduos sólidos do saneamento básico como matéria-prima alternativa, que se mostra uma solução ambiental e econômica adequada. As características do lodo fazem com que ele tenha valor agregado potencial, alto teor de matéria orgânica, macro e micro nutrientes e deve ser encarado como insumo e não como resíduo perigoso. Adubos orgânicos, substratos, tijolos cerâmicos, concretos, óleos, combustível estão entre os vários produtos que po-

Tijolos ecológicos O lodo proveniente das estações de tratamento de água (ETAs) pode ser utilizado para fabricação de tijolos cerâmicos, chamados ‘tijolos ecológicos’. O Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) certificou o projeto da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) após várias avaliações técnicas. O Itep avaliou a resistência, permeabilidade e durabilidade, entre outros requisitos técnicos e de qualidade. E obteve o melhor resultado percentual em nível nacional na produção do material, com massa produzida de até 15% de lodo extraído das ETAs. O estudo surgiu da preocupação da companhia com o destino final correto dos resíduos, conforme Política Estadual de Resíduos Sólidos, Lei nº 14.236, de 13 de dezembro de 2010. Um dos objetivos é contribuir para a redução da extração de argila, usada na fabricação de tijolos, nas jazidas, aumentando sua vida útil e diminuindo os impactos ambientais da atividade, além de evitar o envio do lodo para aterros. A empresa atua com um inventário com a quantidade de lodo produzido e planejamento da logística de remoção e distribuição do sedimento, além de parcerias com olarias. Os tijolos tem fins comerciais para construção civil.

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CAPA

dem ser produzidos pelo uso dos lodos de água e esgoto como matéria-prima. Sobre a importância da higienização do lodo, os principais patógenos que podem colocar em risco a saúde humana e animal são os ovos de helmintos, bactérias e cistos de protozoários.

Tipos e etapas Segundo Anna Carolina Raposo Camelo Motinaga, D.Sc. e química de processos II da Centroprojekt, empresa que fornece componentes, equipamentos e sistemas completos, além de engenharia, projeto e

Geração de energia

o lodo tem redução de cerca de 72% em peso, 42% em volume e aumento de 300% em poder calorífico, apresentando potencial de geração de energia similar à linhita (carvão)”, revela. Outra vantagem é que as cinzas provenientes da queima do lodo podem ser aproveitadas na fabricação de fertilizantes devido ao alto de teor de fósforo em sua composição. “Este processo, desenvolvido em parceira entre a Huber e a Universidade de Munique, não somente elimina o uso de aterros sanitários, como também contribui para a geração de energia eficiente e preservação do meio ambiente”, salienta o analista de processos.

Foto: Hubert

De acordo com William Seiti Okada, M.Sc. e analista de processos no departamento de engenharia da Huber Technology, há, hoje, um consenso de que o lodo é útil e pode ser aproveitado para gerar valor. “Existem tecnologias disponíveis no mercado capazes de reduzir o volume do lodo, bem como aproveitá-lo como fonte de combustível para geração de energia térmica e elétrica”, explica. Foi pensando nisso que a Huber desenvolveu um sistema inovador e autossustentável, batizado de Sludge2Energy, capaz de secar o lodo e utilizá-lo como fonte de energia térmica e elétrica. “Neste processo,

construção (EPC) para tratamento de água e efluentes, o principal objetivo do tratamento de lodo é gerar um produto mais estável e com menor volume para facilitar seu manuseio e, consequentemente, reduzir os custos nos processos subsequentes. Os tipos de tratamento de lodo existentes no mercado, estão divididos pelos objetivos a serem alcançados em grupos como: adensamento, estabilização, desaguamento, secagem térmica e incineração. Digestão anaeróbia - Produz energia através do gás metano gerado. Também cha-

Sistema Sludge2Energy, seca o lodo e o utiliza como fonte de energia térmica e elétrica

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um objetivo específico que provoca uma alteração ou melhoria das características físicas, químicas e biológicas do lodo. Para atender à forma escolhida e adotada como foi citado acima, estas etapas de tratamento também passam normalmente por questões técnicas, econômicas, ambientais e de saúde pública.

Digestão anaeróbia mada biogasificação ou metanização, é um tratamento por decomposição que gera biogás, formado por cerca de 60% de metano, que pode ser queimado ou utilizado como combustível. As bactérias anaeróbicas, que sobrevivem na ausência de oxigênio, decompõem rapidamente os resíduos orgânicos. O resíduo sólido pode ser tratado aerobicamente para formar composto orgânico. Digestão aeróbia (ATAD) - É um processo simples e voltado para pequenas instalações. As bactérias aeróbicas, que sobrevivem apenas na presença de oxigênio, decompõem rapidamente os resíduos orgânicos, tendo como produtos gás carbônico e água. Começa com uma fermentação ácida na qual os açúcares simples da matéria são fermentados, transformando-se em acetato. No final, após o consumo de todo o oxigênio, vem a digestão anaeróbica, que irá produzir metano. Incineração - É indicada para grandes volumes, quantidades acima de 2.250 ton/ano, restrita a grandes áreas metropolitanas. Serve para estabilização, redução de volume e recuperação de energia. Proporciona maior redução no volume para disposição final e exige balanço de massa e energia detalhada. Com o uso de sofisticados sistemas de filtros de ar, tem incinerador de múltiplas câmaras. O lodo bruto possui alto poder calorífico (autocombustível). O tratamento do lodo, após a sua geração, inclui uma ou mais das seguintes etapas: adensamento, estabilização, condicionamento, desidratação e disposição final. “Mas o uso destas etapas vai sempre depender da tecnologia a ser utilizada, do que o cliente quer e necessita e do espaço físico disponível”, adverte. Cada etapa do tratamento do lodo tem

Anna Carolina nos explica o tratamento de lodo através da digestão anaeróbia, que inclui as etapas de adensamento, digestão, cogeração e desaguamento. O adensamento normalmente é a primeira fase do manejo do lodo. É a etapa em que há redução do volume do lodo. “Como contém muita água, o adensamento é exatamente o processo para aumentar o teor de sólidos do lodo e, consequentemente, reduzir o volume.” Um dos métodos utilizados é o adensamento por centrífugas, mas existem outros, conforme diz, como por gravidade e ainda por flotação. Adensamento por centrífugas - O lodo com água é introduzido, sob a força centrífuga, os sólidos em suspensão se depositam na parede interna do tambor. Depois, são empurrados para o menor diâmetro, onde são descarregados. O líquido sai do tambor pelo diâmetro maior. Adensamento por gravidade – Há presença de partículas flocosas com elevado teor de sólidos em suspensão, que sedimentam em uma massa única (manta de lodo). Adensamento por flotação – A separação do líquido-sólido é feita com injeção de bolhas de gás na massa líquida. As bolhas de gás aderem às partículas sólidas, como óleos ou graxas, diminuindo a densidade, e promovem o arraste ou flutuação até a superfície. Com o lodo adensado, segue para a etapa de digestão, onde é feita a estabilização de substâncias instáveis e da matéria orgânica presente no lodo. Os objetivos da digestão são estabilizar total ou parcialmente as substâncias instáveis e matéria orgânica, reduzir o volume do lodo através de fenômenos, como liquefação, gaseificação e adensamento, e dotar o lodo de características favoráveis à redução de

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CAPA

duo sólido e, dependendo da sua classificação, pode ser de classe I (perigosos), II (não inertes) ou III (inertes), de acordo com Anna Carolina. Segundo ela, cada classificação em que os lodos se encontram tem um destino final definido. “Se os lodos forem classificados como não perigosos, por exemplo, podem ter as seguintes destinações finais: Landfarming, incineração ou compostagem”, indica. Dentro das etapas usuais de tratamento de lodo no mercado, fazem parte o adensamento, a estabilização e a desidratação. Já citamos sobre adensamento, Okada nos explica um pouco melhor sobre a estabilização e diz que esta etapa visa à atenuação ou eliminação de algumas características indesejadas do lodo que envolve processos físicos, químicos ou biológicos. “Processos geralmente aplicados nesta operação são a digestão aeróbia, estabilização química (adição de produtos químicos) e o tratamento térmico”, acrescenta. Complementando sobre a desidratação, o objetivo desta etapa, segundo Okada, é reduzir o

Foto: Centroprojekt

umidade, com processo sólido-líquido. “Com a digestão anaeróbia, quando estabilizado, será possível a sua utilização como fonte de húmus, condicionador de solo para fins agrícolas e ainda destruir ou reduzir a níveis previamente estabelecidos os micro-organismos patogênicos”, explica Anna Carolina. Na etapa específica de cogeração, há o processo composto de um motor de combustão interna no qual o biogás (ou qualquer outro combustível auxiliar) pode ser queimado, gerando energia elétrica. “O calor dos gases de combustão e do arrefecimento do motor é utilizado para aquecer água até 95°C e ainda apresenta eficiência de 80% a 90%”, especifica Anna Carolina. Na etapa final, ocorre o desaguamento, que consiste em esgotar a água ainda presente no lodo. “O desaguamento pode ser realizado em diversos tipos de sistemas de desidratação, como leito de secagem, filtro-prensa de esteira (belt press), filtro-prensa de placas, filtro a vácuo, centrífugas, etc.” Com o lodo desidratado, ele se torna um resí-

Planta de Malenovice, tratamento de lodo

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Tipos de tratamento de lodo e objetivos

volume de lodo por meio da redução de teor de água. O processo de desidratação varia de acordo com o tipo de lodo a ser tratado.

Existem vários métodos de pré-tratamento de lodo atualmente, segundo Anna Carolina. Ela destaca que a empresa dispõe do ultrassom, que tem demonstrado alta eficiência e excelentes resultados. “O ultrassom facilita a hidrólise nas membranas das células, reduzindo, assim, o tempo requerido para a digestão anaeróbia. Além disso, a matéria não facilmente degradável é convertida em matéria facilmente degradável”, aponta. Outras vantagens observadas com a utilização do ultrassom também foram: aumento da redução de sólidos voláteis (de 40% a 55%), aumento da geração de biogás em 50% e melhora da capacidade de desaguamento do lodo em 5% do ST com a redução de consumo de polímero em cerca de 1/3. Quanto ao processo utilizado de digestão anaeróbia, segundo ela, é importante desta-

Foto: Centroprojekt

Outros métodos

Sistema de pré-tratamento de lodo com ultrassom

car que há a geração de biogás, onde é estimada em função da quantidade de sólidos voláteis destruídos durante a digestão (0,75 a 1,12 m³ gás/kg de sólidos voláteis destruídos ou ainda 28 m³/1.000 habitante por dia). Contato das empresas: Huber: www.huberdobrasil.com.br Centroprojekt: www.centroprojekt-brasil.com.br

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TRATAMENTO DE EFLUENTES

Fotos: Divulgação NHR Engenharia

Sustentabilidade no tratamento de efluentes

ETE ESEC Automasafety

O

sistema de tratamento de águas residuais utilizando plantas é um dos mais antigos que se tem conhecimento e dos mais eficientes, tendo em conta o grau de contaminação dos efluentes. Trata-se da conjugação e da evolução de dois sistemas existentes em numerosos países e, sem dúvida, os mais comuns: os sistemas com lagoas (anaeróbicas, facultativas e de maturação) com o sistema wetlands ou pântanos artificiais. Características mais importantes: - Tratamento primário, secundário e terciário; - Depuração de efluentes, chegando a uma eficiência de mais de 95%; - Sem necessidade de gerenciamento de lodos; - Sem maus odores nem ruídos; - Suporta variações de fluxo (aumentos signi-

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ficativos na quantidade de efluente); - Baixo ou nulo consumo de energia elétrica; - Vida útil ilimitada; - Obra civil simples e econômica; - Integração paisagística; - Manutenção reduzida a cuidados fitossanitários. As plantas utilizadas são um tipo de macrófitas aquáticas denominadas Typhas e dentre elas a Typha dominguensis. Esta espécie pode ser encontrada em todo o mundo, facilmente adaptável, resistente a índices moderados de salinidade e com uma característica especial de absorver metais pesados. Estas plantas em estado adulto apresentaram melhores índices de adaptação e resistência à pragas do que as plantas cultivadas em estufas. O tapete biológico utilizando plantas adultas pode estar formado em aproximadamente três meses desde a sua implantação comparada aos nove ou dez meses que necessitam a planta jovem. Isto se deve ao sistema radicular se encontrar mais desenvolvido e a reprodução por rizoma se dar de imediato. As macrófitas são constituídas por uma rede de tubos para receber ou emitir oxigênio. Durante o dia as raízes recebem oxigênio puro


através da fotossíntese. À noite as raízes recebem oxigênio do ar (21%) bombeado ao longo dos tubos desde as folhas. O processo de transferência de oxigênio para o interior da planta ocorre tanto nas folhas como nos caules. Pela superfície das raízes e rizomas é sempre ejetado oxigênio para o ambiente exterior. A estrutura de aplicação (EDA) das plantas sobre as lagoas, o sistema de flutuação, desenvolvido e patenteado com nossa colaboração, se mostra eficaz tanto para plantio de mudas como de planta adulta. Constitui-se de duas peças sendo uma estrutural (peça rede) e outra de acomodação da planta (peça cesto). Cada peça rede tem uma superfície de 0,53 m², com possibilidade de corte sem perder a flutuabilidade e não deixa espaços significativos entre elas, favorecendo a fixação de novas plantas e a rápida formação do tapete vegetal.

Os testes hidrodinâmicos têm sido satisfatórios, com baixa resistência ao fluxo e desprezível quando considerado juntamente com as raízes das plantas. Ao conseguir flutuar as plantas em lagoas ou tanques, se potencializa o tratamento em aproximadamente 35% se comparado com um sistema de lagoas. Isto permite que se possa reduzir as superfícies dos sistemas. Quanto à economia na implantação uma estação ecológica (ESEC) é 40% mais barata e o custo é 70% menor na manutenção. Isto é decisivo na hora de decidir que tipo de tratamento será utilizado. Sintetizamos este sistema com o seguinte esquema:

Em cada peça rede podemos acomodar até vinte peças cesto, o que equivale a 40 plantas por metro quadrado. Esta densidade seria muito alta. Em condições climáticas favoráveis utilizaríamos entre 16 e 20 plantas adultas obtendo a cobertura vegetal desejada em aproximadamente 3 meses. No caso de utilizar mudas às quais, devido as suas características, são mais frágeis, a densidade seria maior entre 24 a 30 mudas por metro quadrado e de 6 a 9 meses para obter os mesmo resultados. NHR Engenharia

ETE ESEC Mundo Novo

Tel.: (51) 3276 7991 e-mail.: engenharia@nhrengenharia.com www.nhrengenharia.com

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TRATAMENTO DE EFLUENTES por Fábio Campos e Rosvaldo Catino

Avaliação do desempenho de um sistema piloto de MBBR tratando esgoto doméstico

E

ntende-se por saneamento básico uma série de medidas de ordem preventiva e corretiva que visem a promover saúde e segurança aos cidadãos e ao meio ambiente, o que o torna um dos principais parâmetros para avaliação da qualidade de vida da população. Em uma época em que vivemos um crescente aumento populacional atrelado a igual aumento na produção de bens de consumo, a tarefa de proteger o ambiente e o indivíduo dos resíduos gerados pelas diversas atividades humanas, torna-se complexa e necessária. O tratamento de águas residuárias provenientes das indústrias, comércios e residências, está presente nesse contexto e tem se tornado uma preocupação constante no meio social, político e acadêmico, encontrando-se inserida nas principais agendas governamentais. No intuito de atender as novas expectativas, as agências de saneamento básico têm buscado, através de seus planos diretores, o aumento da capacidade de recebimento e tratamento de esgoto nas estações de tratamento de esgoto (ETE), entretanto, algumas situações podem vir a comprometer a sua execução. Dentre os diversos fatores que possam contribuir negativamente, está a capacidade de crescimento das unidades de tratamento da ETE, isto é, a indisponibilidade de área física para seu aumento. A tecnologia dos sistemas MBBR – Moving Bed Biofilm Reactors – apresenta-se como uma alternativa viável para promover o aumento da capacidade de tratamento da ETE quando não há disponibilidade de área. Sistemas MBBR são obtidos mediante a introdução de pequenos anéis plásticos (bio-

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mídias) em tanques de aeração, assim, tais reatores além de contar com a biomassa em suspensão normalmente desenvolvida, possuem, também, um biofilme aderido aos anéis, o que lhes confere uma maior capacidade no recebimento e tratamento de cargas orgânicas e de nutrientes sem necessitar de um aumento da área construída. O presente trabalho teve por objetivo específico acompanhar, desde a partida, um reator do tipo MBBR, avaliando seu desempenho frente à remoção de matéria orgânica carbonácea e nitrogenada, variando-se a aplicação da Carga Orgânica Superficial (COS) e Volumétrica (COV), prescindindo da recirculação de lodo secundário.

Sistema MBBR A tecnologia de sistema de tratamento de esgoto do tipo MBBR foi desenvolvida na Noruega na década de 1980, através da parceria firmada entre a companhia Kaldnes Miljǿteknologi (KMT), especialista em tratamento de efluentes doméstico e industrial, e o Instituto de Pesquisa SINTEF (Rusten et al, 2000). Basicamente, o processo de MBBR consiste em uma tecnologia adaptada aos sistemas de lodos ativados, por meio da introdução de pequenas peças de plástico de baixa densidade e de grande área superficial (biomídias) no interior do tanque de aeração, que atuaram como meio suporte para desenvolvimento do biofilme, mantidos em constante circulação e mistura seja em função da introdução de ar difuso ou devido à existência de agitadores mecanizados; não havendo a necessidade de recircular o lodo (WEF, MOP


Fotos: Divulgação

n o 35, 2010; Minegatti, 2008; Rusten et al, 2000; Ødegaard et al. 1994). A figura 1 apresenta as possíveis configurações desses tanques.

Figura 1 - Agitação em reatores (a) aeróbios, (b) anóxicos e anaeróbios

Dessa forma, o sistema MBBR incorpora as melhores características dos processos de crescimento de biomassa em suspensão e de biomassa aderida, conferindo ao processo um aporte considerável de sólidos em suspensão, proporcionando o aumento da população de microrganismos atuantes na depuração do esgoto, permitindo assim, tratar cargas orgânicas carbonáceas e nitrogenadas mais elevadas quando comparado ao sistema de lodo ativado. Resumidamente, podem-se destacar as seguintes vantagens (Fujii, 2011; WEF, MPO no 35, 2010): • Menor volume dos reatores biológicos se comparado com o sistema de lodo ativado conjugado com clarificadores para alcançar os mesmos objetivos de tratamento; • As taxas de aplicação de sólidos para as unidades de clarificação são significantemente reduzidas quando comparadas às de sistemas de lodo ativado; • Não há necessidade de operações de retrolavagem para controle da espessura de biofilme ou desentupimento do meio suporte por se tratar de reatores de mistura completa e fluxo contínuo; • Ao contrário do sistema de lodos ativados, não depende da etapa de separação de sólidos para manter a densidade populacional de microrganismos, uma vez que a maior parte da biomassa ativa é retida continuamente no reator; • Sua versatilidade permite considerar viável uma grande variedade de formas geo-

métricas para o reator; • Maior capacidade para absorver cargas de choque; • Ocorrência de desnitrificação em zonas anaeróbias nas camadas profundas do biofilme; • Facilidade para oxidar cargas com altas taxas de componentes solúveis dentro do biofilme; • Possibilidade de trabalhar com baixa idade do lodo; • Maior eficiência da nitrificação independente da Idade do lodo. Um ponto a ser considerado em contraste com as inúmeras vantagens dessa tecnologia é o consumo de oxigênio. A necessidade de manter viáveis tanto a biomassa aderida quanto a em suspensão deve requerer uma maior quantidade de Oxigênio Dissolvido (OD). Além disso, a ocorrência da nitrificação bem como a energia necessária para manter em agitação a biomídia, contribui para um maior consumo de OD. Diversos autores tem apontado para uma faixa de OD entre 2 a 5mgO2/L para que o processo não seja comprometido.

Biomídias Comercialmente, encontram-se disponíveis no mercado, biomídias com área superficial específica variando de 450 a 1200 m2/m3, permitindo, quando em termos de equivalência com a concentração de sólidos em suspensão presentes no tanque, valores típicos da ordem de 1000 a 5000 mgSS/L (WEF, MPO no 35, 2010). A figura 2 ilustra alguns modelos de biomídias e suas especificações. O preenchimento com biomídias pode variar de 25 a 70% do volume líquido do tanque dependendo do objetivo a que se destina o tratamento, Reis (2007) citando alguns dados de literatura, indica que a razão entre o volume de suporte (leito estático) e o volume do reator (Vs/Vr) não deve ser superior a 0,7. Esses elementos são fabricados em polietileno e têm densidade específica entre 0,94 e 0,96 g/cm³. Os choques entre as biomídias mantidas no interior do tanque de aeração podem causar perdas da biomassa aderida às suas faces exter-

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TRATAMENTO DE EFLUENTES

Figura 2 – Modelos e especificações de biomídias de acordo com os principais fabricantes

nas, dessa forma, como parâmetro de projetos, considera-se apenas a área superficial específica, que é traduzida pela razão entre a totalidade da área da biomídia e o volume por ela ocupado, considerando a devida distribuição das peças no reator (Fujii, 2011; Minegatti, 2008).

Carga Orgânica Volumétrica (COV) A COV corresponde à razão entre a carga orgânica aplicada ao reator biológico e o volume do mesmo, dado por kg DBO ou DQO/m3.d, sendo representada através da equação 1:

Variáveis de controle De acordo com Von Sperling (1997), em processos de tratamento de esgoto estão envolvidas variáveis de entrada, controle, medida e manipuladas. Variáveis de entrada são aquelas às quais não é possível controlar diretamente, tais como vazão e características do afluente; variáveis de controle são aquelas impostas ao sistema para seu melhor desempenho, são determinadas através das informações obtidas pelas variáveis de medidas e mantidas através das variáveis manipuladas. Entende-se que o processo MBBR possui as mesmas características operacionais de um sistema de lodos ativados acrescido, contudo, da parcela de biomassa aderida; logo, suas variáveis de controle serão muito próximas daquelas usuais ao sistema de lodos ativados. A seguir serão detalhadas algumas variáveis envolvidas no controle do MBBR: Carga Orgânica Volumétrica (COV), Carga Orgânica Superficial (COS) e Oxigênio Dissolvido (OD).

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Minegatti (2008) lista valores de COV utilizados em alguns experimentos. Esses valores podem ser observados na tabela 1.

Tabela 1 – COV aplicada em diversos experimentos

Para efeito de comparação, a tabela 2 relaciona alguns valores de COV aplicados em outras tecnologias de tratamento de esgoto (Reis, 2007).


Na tabela 3, podem-se observar valores de COS obtido em alguns experimentos (Minegatti, 2008).

Tabela 2 – Valores típicos de COV aplicados em outras tecnologias

Carga Orgânica Superficial (COS) COS refere-se à razão entre a carga orgânica aplicada ao reator biológico e a totalidade da área superficial em função da biomídia. Trata-se de uma variável de grande importância para o processo MBBR, sendo expressa em gDBO ou DQO/m 2.d, como apresentado na equação 2.

Tabela 3 – COS aplicada em diversos experimentos

Entretanto, deve-se ressaltar que, segundo a literatura, existe uma relação direta entre o parâmetro COS e a ocorrência de processos de nitrificação, de modo que quanto maior os valores de COS aplicados ao sistema, melhor será a eficiência do mesmo em relação à remoção de matéria orgânica, em contrapartida, tais taxas diminuirão a ocorrência de nitrificação.

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TRATAMENTO DE EFLUENTES

Pastorelli et al (1997) apud Minegatti (2008) relata ter obtido boas taxas de nitrificação com o emprego de COS de 3,5gDQO/m2.d

Oxigênio Dissolvido (OD) A introdução de OD no interior do reator deve atender às necessidades metabólicas da população de microrganismos presentes, bem como promover a completa mistura do conteúdo do tanque. Dessa forma, o sistema MBBR, por contar com a presença da biomassa aderida além da biomassa em suspensão, juntamente com as biomídias, naturalmente requer uma taxa de aplicação de OD superior à encontrada para os sistemas de lodos ativados. Diversos autores apontam para a necessidade de se manter uma concentração de OD no reator entre 2 e 5mgO2/L, sem a qual, a eficiência do processo é afetada. Assim, para Rusten et al (1994), a concentração de OD é a variável mais preponderante ao sistema.

(a) Estação elevatória de esgoto, construída no CRUSP; (b) Recebimento do esgoto no CTH – Tratamento preliminar; (c) Estação elevatória de esgoto no CTH; (d) Tanques de equalização; (e) Decantador primário Figura 3 – Principais unidades da pesquisa

Materiais e métodos A pesquisa foi desenvolvida por meio de experimento em escala piloto, sendo posto em operação um reator biológico com volume útil de 1m 3, instalado no campo experimental de tratamento de esgoto do Centro Tecnológico de Hidráulica, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária. O esgoto sanitário que alimentou a unidade piloto era proveniente do CRUSP – Conjunto Residencial da USP, recebendo tratamento preliminar por meio de gradeamento e desarenação, sendo em seguida encaminhado para um decantador primário. Na figura 3 apresenta-se o conjunto de unidades que integram o tratamento preliminar, e na figura 4, a piloto MBBR. Para alimentação da unidade piloto MBBR, o esgoto, após passar pelas etapas do tratamento preliminar, foi descarregado em um reservatório elevado de equalização com 2000 L de volume total, composto por duas caixas de fibro-cimento de 1.000 de volume unitá-

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Figura 4 – Vista da piloto MBBR utilizada na pesquisa

rio (figura 3-d). Da equalização o esgoto era transferido por gravidade para o decantador primário (figura 3-e) sob vazão controlada de forma a manter o tempo de detenção hidráulica entre uma e duas horas, de onde era recalcado para o tanque de aeração mediante o uso de uma bomba centrífuga. A figura 5 apresenta o ‘lay out’ da piloto. Cerca de 30% do volume útil do reator MBBR foi preenchido com biomídia PZE®, de produção nacional, com área superficial específica


Tabela 5 – Valores dos parâmetros operacionais admitidos

Variáveis de monitoramento

Figura 5 – ‘Lay out’ da piloto MBBR

de 600m2/m3; o OD foi introduzido por meio de difusores localizados na base do tanque, sendo alimentado por uma linha de ar comprimido. Na figura 6 é mostrada a biomídia utilizada no experimento.

Figura 6 – Biomídia PZE® utilizada no estudo

A fim de avaliar a eficiência do processo MBBR no que diz respeito à remoção de matéria orgânica e de nitrificação, foram realizadas, duas vezes por semana, análise das variáveis Demanda Química de Oxigênio (DQO) e Nitrogênio Total Kjeldhal (NKT), referentes ao esgoto bruto (decantado) e efluente final (total e filtrado). Para caracterizar quantitativamente a biomassa aderida à biomídia, foram realizadas determinações de sólidos em suspensão voláteis (SSV), através da extração do biofilme, seguindo a metodologia: • Em cada determinação, foram coletadas biomídias do tanque de aeração, utilizando-se peneira; • O material coletado era transferido para o frasco da figura 7-a, até completar volume de 100 mL (cerca de 8 unidades), adicionando-se, em seguida, água destilada; • O conteúdo dos frascos foi transferido para cápsulas de porcelana e cada elemento foi raspado em suas superfícies externa e interna com escova de uso odontológico (figura 7-b); • Ao mesmo tempo da raspagem, os suportes iam sendo lavados com água destilada, recolhendo-se todo o volume produzido em um béquer (figura 7-c);

Parâmetros operacionais A fim de avaliar o comportamento do sistema frente a diferentes valores aplicados de COS e COV, bem como sua influência da capacidade de remover matéria orgânica carbonácea e nitrogenada, o experimento foi dividido em dois estágios. No primeiro foi aplicado uma COS média de 11gDQO/m2.d e no segundo estágio, uma COS média de 6gDQO/m2.d, mantendo, em ambos os estágios, o mesmo nível de preenchimento com biomídia e OD. A tabela 5 resume os valores dos principais parâmetros operacionais adotados ao longo do estudo.

Figura 7 – Procedimento experimental para quantificação de biomassa aderida

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TRATAMENTO DE EFLUENTES

• Posteriormente foram realizadas as determinações das concentrações de SSV e SST. Por fim, foram realizadas medições de pH e OD diárias no tanque de aeração.

Discussão dos resultados Ao longo do experimento observou-se uma grande estabilidade do piloto nas variáveis pH e OD, não havendo grandes oscilações, o que permitiu uma melhor avaliação da eficiência da mesma. A figura 8 apresenta a série histórica.

Figura 8 – Série histórica dos parâmetros pH e OD

Remoção de matéria orgânica carbonácea A tabela 6 apresenta, resumidamente, os valores aplicados para os parâmetros operacionais nos dois estágios. Como se pode observar na tabela 6, os valores médios aplicados para COV nos dois estágios são parecidos com os apresentados

na tabela 2, enquanto que para COS são superiores aos usuais (tabela 3). Uma dificuldade enfrentada ao longo do estudo foi causada pela instabilidade da bomba de recalque de esgoto. Por tratar-se de vazões pequenas, a bomba do tipo centrífuga utilizada não seria a mais adequada, o que provocou grande variação nas vazões aplicadas, como se pode notar nos valores máximos e mínimos dos parâmetros operacionais. Na tabela 7 são apresentados os dados estatísticos referentes ao monitoramento da variável DQO no esgoto bruto e no efluente MBBR, nos dois estágios. Na figura 9 é apresentada a série histórica (médias móveis de 4 termos) relativas a DQO do esgoto decantado e do efluente final da piloto MBBR e os diagramas Box-Whiskers na figura 10 ilustram a eficiência de remoção obtida em cada estágio. Nota-se, no estágio 1 uma eficiência de remoção média de 84% e no estágio 2 de 77%, o que demonstra uma variação muito pequena, mesmo mediante a diminuição pela metade dos parâmetros COS e COV, permitindo supor a estabilidade do sistema diante da diminuição da carga orgânica aplicada, no que diz respeito a formação e manutenção do biofilme. Percebe-se um significativo aumento no valor de DQO afluente no estágio 2 (tabela 5), o que pode justificar os valores superiores de DQO no

Tabela 6 – Valores médios obtidos dos principais parâmetros operacionais

Tabela 7 – Estatística descritiva das concentrações de DQO – esgoto bruto/efluente MBBR

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Figura 9 – Série de resultados de DQO afluente, efluente estágios 1 e 2

Figura 10 – Eficiência de remoção de DQO

Figura 11 - Eficiência de remoção de DQO filtrada

efluente desse estágio quando comparado com o anterior. Nessas condições, observou-se no estágio 1 uma relação média de DQO/SSV-Biofilme da ordem de 2,45kgDQO/ kgSSV-Biofilme, enquanto que no estágio 2, de 3,18kgDQO/ kgSSV-Biofilme. Deve-se ressaltar que o sistema operou com apenas 30% de enchimento de biomídia, valor bem abaixo do comumente empregado em MBBR e sem reciclo de lodo secundário. Na figura 11 se podem observar os valores de remoção para DQO filtrada nos dois estágios, a fim de avaliar a influência da eventual perda

de sólidos no efluente final na eficiência do sistema. No estágio 1 obteve-se, na média, 93% de eficiência, enquanto que no estágio 2, 87%; um ganho de cerca de 10 e 12%, respectivamente, quando comparados com os dados da DQO total.

Remoção de nitrogênio Na tabela 8 são apresentados os dados estatísticos referentes ao monitoramento da variável NKT no esgoto bruto e no efluente MBBR, nos dois estágios. Nota-se um considerável aumento, na média superior a 50%, na concentração de


TRATAMENTO DE EFLUENTES

Tabela 8 – Estatística descritiva das concentrações de NKT – esgoto bruto/efluente MBBR

NKT presente no esgoto durante toda o estágio 2. A princípio, não existe uma explicação para essa alteração, uma vez que não ocorreu nenhuma mudança na rede de esgoto que chega à elevatória que alimenta o piloto. Tal fato fez com que a carga de nitrogênio aplicada no estágio 2 permanece-se igual a aplicada no estágio anterior, mantendo-se em 0,4 kgN/m3.d e em relação ao biofilme em 2,2gN/m2.d, valores esses não condizentes a esgoto sanitário. Na figura 12 é apresentada a série histórica (médias móveis de 4 termos) relativas ao NKT do esgoto decantado e do efluente final da piloto MBBR e os diagramas Box-Whiskers na figura 13 ilustram a eficiência de remoção obtida em cada estágio. Observa-se uma baixa eficiência de remoção de NKT, em torno de 58%, durante o estágio 1, indicando que o fenômeno de nitrificação não ocorreu de forma satisfatória no reator MBBR. A possível explicação para o fato pode ser atribuído à taxa de COS, aplicado ao experimento, ser alta e típica para remoção de matéria orgânica, bem como o baixo TDH ter dificultado a ação das bactérias

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Figura 12 – Série de resultados de NKT – afluente, efluente estágios 1 e 2

Figura 13 – Eficiência de remoção de NKT

Figura 14 - Eficiência de remoção de NKT filtrado

nitrificantes, tanto que o mesmo não ocorreu durante o estágio 2, onde o valor de COS fora diminuído pela metade e o TDH dobrado, gerando uma remoção de nitrogênio média de 70%. Nessas condições, observou-se no estágio 1 uma relação média de NKT/SSV-Biofilme da ordem de 0,51kgN/kgSSV-Biofilme, enquanto que no estágio

2, de 1,04kgN/kgSSV-Biofilme. Na figura 14 se podem observar os valores de remoção para NKT filtrada nos dois estágios, a fim de avaliar a influência da eventual perda de sólidos no efluente final na eficiência do sistema. De acordo com as figura 14, não se observa um ganho considerável na eficiência do


processo, quando comparada com os valores obtidos para o efluente total.

Caracterização da biomassa aderida O monitoramento quantitativo da série histórica do biofilme e os valores médios em cada estágio podem ser observados nas figuras 15 e 16. Percebe-se que durante todo o estágio 1 os valores de SSV mantiveram-se na ordem de 1g/L, valor esse tal reportado na literatura, o que demonstra a efetividade da biomídia PZE® em oferecer aderência ao bio-

Figura 16 – SSV na biomassa aderida

filme; contudo, no estágio 2, com a diminuição da carga orgânica aplicada, nota-se uma diminuição da concentração de SSV na biomídia, mas que, como demonstrou os resultados de remoção de DQO e NKT, não comprometeu a eficiência do processo.

Conclusão

Figura 15 – Série histórica de SSV na biomassa aderida

SOLUÇÕES EM TRATAMENTO DE EFLUENTES E REÚSO DE ÁGUA PROJETO, FABRICAÇÃO E MONTAGEM DE SISTEMAS DE TRATAMENTO DE EFLUENTES INDUSTRIAIS COM REÚSO DE ÁGUA COMPOSTOS POR EQUIPAMENTOS TAIS COMO: FILTRO PRENSA, SEPARADOR DE ÁGUA E ÓLEO, DEMINERALIZADOR DE ÁGUA, FILTRO DE POLIMENTO, ENTRE OUTROS. TAMBÉM DISPOMOS DE: - LABORATÓRIO E EQUIPAMENTOS PILOTO - LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS

Ao término do estudo pode-se concluir que: • O processo de MBBR sem reciclo de lodo secundário é viável para remoção de cargas orgânicas carbonáceas e nitrogenadas, mesmo com um baixo enchimento de biomídias;

• A determinação do valor de COS empregado ao sistema é fundamental para a ocorrência ou não do processo de nitrificação e consequente remoção de nitrogênio; • A biomídia PZE® utilizada no experimento mostrou-se eficiente no que diz respeito à área superficial e capacidade de aderência ao biofilme. Ver referências bibliográficas em nosso site: www.revistatae.com.br

Fábio Campos

Biólogo e Doutorando em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP.

Rosvaldo Catino

Engenheiro Sanitário e professor da Faculdade de Tecnologia e Processos Ambientais no SENAI.

FILTROS PRENSA

BAGS DESIDRATADORES DE LODO

ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE EFLUENTES

SEPARADORES DE ÓLEO (SAO)

Al.Araguaia, 4001 - Tamboré - Barueri - SP - Cep:06455-000 - Site: www.tecitec.com.br

Tel (11) 2198.2200 - Fax (11) 2198.2211 - Email: tecitec@tecitec.com.br


TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTE

Foto: depositphotos.com

por Carla Legner

Digestão biológica do lodo

O

tratamento de água é um conjunto de procedimentos físicos e químicos que são aplicados para que ela fique em condições adequadas para o consumo, ou seja, para se tornar potável, livrando o líquido de qualquer tipo de contaminação. Uma das etapas que pode ser utilizada no tratamento de água é a digestão biológica de lodo, utilizada para o tratamento de resíduos provenientes das estações de tratamento de esgoto (ETE’s), ou em biodigestores, mecanismos que usam o potencial energético da matéria orgânica descartada para gerar energia na forma de biogás. O lodo é o resíduo do tratamento, dessa forma, a principal característica de um tratamento biológico de efluentes com lodo ativado é a ocorrência de microrganismos que usam a poluição como alimento. A água é o principal

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componente do lodo e seu conteúdo depende se é lodo primário (sólidos), secundário (digestão biológica) ou terciário (precipitação química). Existem basicamente dois tipos de digestores, o anaeróbio e o aeróbio. São compostos em geral por um único tanque que opera em regime continuo ou batelada. De acordo com Henrique Martins Neto, engenheiro químico da EQMA Engenharia, Química e Meio Ambiente, empresa especializada em fornecer as melhores soluções para sistema de tratamento de água, esgoto e efluentes industriais, o tratamento biológico de lodo é uma das quatro etapas necessárias para a correta separação de resíduos sólidos da fase líquida, ou seja, separar a sujeira da água. A quantia de matéria orgânica e atividade celular são muito elevadas, desta forma sua principal função é estabilizar a biomassa ainda ativa que


é removida do sistema de tratamento da fase líquida, desse modo em poucas horas após a remoção do excesso de lodo do tanque de aeração, inicia-se o processo de putrefação do lodo, que exala maus odores. Além da putrefação, o processo seguinte de secagem do lodo com equipamentos como filtros e prensa é brutalmente prejudicado, pois a biomassa produz um biopolímero que não permite a extração de água, mesmo com elevada pressão fornecidas pelos equipamentos, produzindo assim uma torta com muita umidade e pouco uniforme. Normalmente quando o lodo de excesso é encaminhado para a unidade digestora ainda na forma fluida apresenta a concentração de sólidos da ordem de 5%, sendo que após secagem em leitos ou em centrifugas o teor de sólidos varia entre 20 a 25% já para filtros prensa são comuns valores de 30 a 35%, ou seja em ambos os casos o lodo se apresenta como torta semi-sólida que ainda possui mais da metade do seu peso composto por água intersticial, porém com o volume extremamente reduzido.

Tipos de digestores Podemos considerar tratamento anaeróbio de esgotos qualquer tipo de processo de digestão que resulte na alteração da matéria orgânica biodegradável, na ausência de oxidante externo, com produção de metano e dióxido de carbono, deixando na solução aquosa subprodutos como amônia, sulfetos e fosfatos. No sistema de digestão anaeróbio, o conteúdo do reator pode ou não ser homogeneizado através de misturadores mecânicos e também pode contar com sistema de aquecimento comum em um país de clima temperado, pode-se dizer que a digestão anaeróbia ocorrerá com melhor desempenho em torno de 40 oC e para temperatura abaixo de 5 oC é praticamente inexistente. “Um destaque importante para este tipo de sistema é a formação do biogás ou gás natural, composto por aproximadamente 50% de metano e 50% de gás carbônico, que é uma ótima fonte de energia limpa e barata, existem diversas plantas deste tipo operando em países como

Alemanha e Holanda”, completa o engenheiro. O processo de digestão é desenvolvido por uma sequência de ações realizadas por vários tipos de bactérias, no qual se podem distinguir quatro fases subsequentes: hidrólise, etapa de quebra das moléculas mais complexas em carboidratos mais simples, aminoácidos e ácidos graxos (reação com a água). A acidogênese, onde é feita a conversão dos compostos solúveis produzidos na hidrólise para ácidos graxos voláteis. Depois a acetogênese, onde bactérias acetogênicas oxidam os ácidos graxos de cadeia longa para acetato, CO 2 e H 2. E por fim a metanogênese, onde bactérias metanogênicas produzem gás metano. Na ausência de oxigênio encontramos somente bactérias anaeróbias, que podem aproveitar o oxigênio combinado. As bactérias acidogênicas destroem os carboidratos, proteínas e lipídios transformando-os em ácidos voláteis. As bactérias metanogênicas convertem grande parte desses ácidos em gases, predominando a formação de gás metano. A estabilização de substâncias instáveis e da matéria orgânica presente no lodo fresco também pode ser realizada através da adição de produtos químicos. Esse processo é denominado estabilização química do lodo. Já em sistemas de digestão aeróbia são utilizados aeradores mecânicos ou difusos que promovem a mistura e fornecem o oxigênio necessário a biomassa, seu principal benefício é o menor tempo requerido para o processo e, portanto apresenta menor volume do tanque, porém deve-se mencionar que o custo energético é maior. Henrique explica que em ambos os processos o fenômeno é muito similar, ou seja, o lodo ainda muito ativo e com excesso de matéria orgânica é enviado ao digestor, ficando submetido à condição de pouco alimento, no caso fazendo referência ao material presente na água residuária já previamente removido no tratamento da fase líquida. “Desse modo o pouco material biodegradável disponível está localizado nas reservas internas das células, que passam a ser a única fonte de alimento, este fenômeno é também conhecido por respiração endógena, que

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TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTE

ocorrem de maneira fermentativa ou oxidativa, respectivamente em digestores anaeróbios e aeróbios. Ao passar do tempo, em geral de 15 a 45 dias de detenção dentro do digestor a concentração de matéria biodegradável se esgota por completo e o lodo está praticamente inativo, pronto para a próxima etapa de desidratação”, enfatiza Henrique.

Outras etapas de tratamento

Fotos: EQMA Engenharia

As outras três etapas necessárias para o tratamento são: o adensamento, anterior a digestão, que consiste na redução do volume do lodo através de processos físicos, desidratação posterior a digestão, que emprega processos de evaporação ou ação mecânica (prensagem ou centrifugação), e a última etapa, responsável pela higienização, em geral efetuada através de aquecimento convectivo, capaz de reduzir a concentração de patógenos como bactérias, vírus e parasitas (nematódeos e helmintos) a níveis aceitáveis. “Em geral ambos os sistemas possuem ótima eficiência e a diferença básica na escolha do melhor ou projeto mais indicado está no estudo entre o arranjo geral da estação de tratamento de efluente, volume de lodo produzido e custos energéticos”, explica Henrique. O engenheiro explica ainda que alguns arranjos de estação de tratamento de efluentes possibilitam a eliminação completa do digestor de lodo, porém requerem a adição de sistemas mistos com-

Sistema lodo ativado convencional com digestor biológico de lodo e leito de secagem

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postos por reator anaeróbio seguido de aeróbio. Os esquemas mistos mais comuns são reatores UASB seguido de lodo ativado, filtro biológico, ou lagoa de estabilização. No sistema misto, o lodo de excesso oriundo do filtro biológico ou lodo ativado é direcionado para o reator UASB, que pode realizar até três processos ao mesmo tempo, são eles: tratamento da água residuária, adensamento e digestão do lodo. Essas funções extras do UASB estão relacionadas com a robustez e a elevada eficiência no processamento de elevadas cargas orgânicas devido à formação do manto de lodo, que origina seu nome.

Sistema misto com reator tipo UASB, lodo ativado e leito de secagem

De acordo com Henrique existe também outra alternativa ao regime misto, que é o processo de lodo ativado modalidade aeração prolongada, recomendado para sistema de médio a pequeno porte com baixa produção de resíduos. Neste a digestão do lodo de excesso ocorre dentro do próprio tanque de aeração, juntamente com o esgoto afluente. No lodo ativado modalidade aeração prolongada não há o decantador primário, que é responsável pela remoção de parte dos sólidos em suspensão e matéria orgânica afluente, portanto a biomassa recebe o esgoto bruto e requer tempo de detenção mais longo, originando assim tanques de grandes dimensões, se comparado ao convencional, por isso a denominação aeração prolongada. Nesta condição a relação entre a quantidade de alimento disponível para


os microrganismos é muito baixa (fator A/M), obrigando-os a utilizar a respiração endógena para prosperar, desse modo o lodo de excesso é praticamente estabilizado junto com a água residuária afluente, porém ainda deve ser adensado e desidratado.

Como escolher o melhor processo? A EQMA Engenharia, Química e Meio Ambiente trabalha com projetos para atender toda a demanda dos clientes, porém Henrique ressalta que antes da escolha do melhor processo, a empresa sempre faz uma avaliação crítica do arranjo geral da estação de tratamento de efluente, volume de lodo gerado, consumo de energia, insumos químicos, espaço disponível etc. “Em geral os digestores são mais utilizados em estações de médio e grande porte, sendo quase que obrigatórios em estações de tratamento de esgoto domésticos municipais ou grandes instalações industriais, portanto a demanda de

mercado acaba sendo praticamente a mesma das estações de tratamento. Já para sistemas de pequeno porte a demanda é muito pequena, tendo em vista a baixa geração de lodo e possibilidade de se eliminar o digestor através de arranjos no sistema de tratamento do efluente líquido”, completa Henrique. Apesar de ser um processo pouco utilizado, o sistema de digestão de lodo tem suas vantagens: é uma alternativa que propicia o aproveitamento energético do lodo (geração de biogás com elevado conteúdo de metano), a digestão anaeróbica combinada com a queima do biogás é uma alternativa ecológica sem emissões gasosas e com redução de sólidos voláteis de até 70% e é uma solução que propicia um lodo final de volume muito reduzido e isento de patogênicos. Contato da empresa: EQMA Engenharia: www.eqma.com.br


TRATAMENTO DE ÁGUA por Carla Legner

Fotos: Divulgação General Water

Tratamento de águas subterrâneas

A

água é uma substância composta de hidrogênio e oxigênio, mas em alguns casos podemos encontrar outras substâncias em sua composição, como os sais minerais. Nos oceanos, por exemplo, existe uma grande quantidade de sal misturada à água. Sua existência é essencial para todas as formas de vida, porém a falta de água pura para consumo humano é um grande problema mundial. A grande desigualdade social, o mau uso dos recursos naturais e o desperdício agravam ainda mais o problema de escassez de água no mundo. Uma solução para resolver o problema da falta desse líquido tão precioso, é o reapro-

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veitamento de águas impuras. A natureza apresenta dois tipos de águas para possível tratamento e consumo humano: superficiais e subterrâneas, mas independentemente da sua origem, toda água destinada a consumo passa por um tratamento. Denomina-se superficial toda água que escoa ou está contida na superfície do solo, em rios ou lagos. A água subterrânea é a que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios intergranulares das rochas sedimentares, ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas, e que sendo submetida a duas forças (de adesão e de gravidade) desempenha um papel essencial na manuten-


ção da umidade do solo, do fluxo dos rios, lagos e brejos. De um modo geral, a água subterrânea não contém oxigênio dissolvido. No entanto, pode existir a presença de Dióxido de Carbono, Ferro, Manganês, Amônia e em algumas zonas de agricultura a presença de nitratos e alguns pesticidas. Durante a infiltração, sob a ação de adesão, uma parte da água fica presa nas regiões mais próximas da superfície do solo, formando a zona não saturada. A outra parte, com a ação da gravidade, alcança as zonas mais profundas do subsolo, constituindo a zona saturada. A zona não saturada, também conhecida como zona de aeração ou vadosa, é a parte do solo que em alguns espaços está preenchido pela água. Nesses espaços, pequenas quantidades de água se espalham de maneira uniforme, e suas moléculas se aderem às superfícies dos grãos do solo. Nessa zona encontramos a zona de umidade do solo (parte mais superficial), a zona intermediaria (brejos e alagadiços, onde há uma intensa evaporação da água subterrânea) e a franja de capilaridade (região mais próxima ao nível d’água do lençol freático). A região da zona saturada está abaixo da zona não saturada, onde os poros ou fraturas da rocha estão totalmente preenchidos por água, atingindo esta zona por causa da gravidade até alcançar uma profundidade limite, onde as rochas estão tão saturadas que a água não pode mais penetrar. Aqui, a água corresponde ao excedente da zona não saturada que se move de forma lenta formando o manancial subterrâneo. Uma parcela dessa água irá desaguar na superfície dos terrenos, formando as fontes e olhos de água. A outra parte forma o caudal basal que deságua nos rios, perenizando-os durante os períodos de estiagem. De acordo com Fernando de Barros Pereira, engenheiro e gerente comercial da General Water, a água subterrânea representa aproximadamente 98% de toda a água doce dis-

ponível na Terra, enquanto a água superficial, apenas os 2% restantes. Assim como as águas superficiais, as águas subterrâneas também podem ter a sua qualidade prejudicada por causa da ação do homem, através de contaminações do solo, por exemplo. Nos casos mais extremos o uso dessas águas pode se tornar inviável. “As águas subterrâneas são naturalmente mais protegidas do que as águas superficiais, portanto estão muito menos suscetíveis às contaminações por despejos de esgotos ou efluentes industriais, além de possuírem uma qualidade muito mais estável. Entretanto, por se tratar de uma água que fica durante muito tempo em contato com os minerais que compõem o subsolo, a mesma pode possuir uma carga mineral superior às águas superficiais. Para redução desses teores minerais é necessário tratamento específico”, explica Fernando. De acordo com o engenheiro, o tratamento

Sistema de tratamento de água Indústrias Anhembi - Osasco

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TRATAMENTO DE ÁGUA

Sistema de tratamento de água Indústrias Anhembi - Osasco

deve ser dimensionado de acordo com as características específicas da água. Normalmente as águas subterrâneas possuem uma carga mineral superior às águas superficiais e o tratamento visa corrigir esses parâmetros. Os parâmetros mais comuns são o Ferro, Manganês, Fluoreto, Dureza e Alcalinidade. O tratamento da água subterrânea deve ser dimensionado de acordo com a qualidade da água obtida e com a qualidade que se deseja atingir após o tratamento.

Tipos de tratamento Fernando explica que o tratamento das águas subterrâneas pode ser feito com diversas tecnologias, sempre de acordo com a qualidade da água bruta e com a qualidade de água que se deseja atingir. Ele pode ser feito por uma filtração simples ou até utilizando-se osmose reversa. De acordo

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com o representante da General Water, os tratamentos mais comuns são: a oxidação e filtração com Zeólita de Manganês, para remoção de Ferro e Manganês; resinas catiônicas para abrandamento (redução da dureza); ultrafiltração para remoção de teores mais elevados de alguns minerais, como o Ferro e até osmose reversa para redução de sais (águas subterrâneas salobras, que são características de áreas costeiras) e/ou obtenção de água deionizada. “É bom ressaltar que essas e outras tecnologias podem ser combinadas dentro de um mesmo sistema de tratamento. Por exemplo, para uma água subterrânea que possua altos teores de Ferro, Dureza e Alcalinidade, o tratamento pode utilizar oxidação, filtração e osmose reversa”, completa o engenheiro. A General Water é especialista em desenvolvedores de soluções para a obtenção e tratamento das águas subterrâneas, não sem restrição para uma ou outra tecnologia. “Nosso expertise não está restrito a tecnologias específicas”, enfatiza Fernando citando alguns exemplos. No sistema de tratamento do Shopping Iguatemi Alphaville, a General Water extrai água de dois poços tubulares profundos com cerca de 10 ppm de Ferro e, através de um processo de oxidação e filtração em dois estágios, reduz esse teor para menos de 0,3 ppm, que é o limite de potabilidade estabelecido na portaria 2.914 do Ministério da Saúde. Outro case interessante é o das Indústrias Anhembi, em Osasco/SP. Lá, a General Water também faz o tratamento da água e reduz o teor de ferro de 3ppm para menos do que 0,1 ppm. Esse baixíssimo teor é necessário, pois a grande maioria da água é destinada à fabricação de água sanitária. O tratamento lá ocorre em diversos estágios, culminando em uma ultrafiltração. “O grande diferencial da General Water é que somos uma gerenciadora de recursos hídricos, ou seja, somos responsáveis por todas as etapas necessárias para a pro-


dução da água, dentre elas o tratamento. Nós somos responsáveis pelo dimensionamento, implantação e operação dos sistemas, que visam atender a uma qualidade de água estabelecida em contrato. Nossa remuneração é baseada unicamente numa tarifa por m³ de água fornecida ao cliente”, ressalta Fernando.

Qualidade e vantagens Durante o trajeto que a água percorre entre os poros do subsolo e das rochas, a depuração da mesma ocorre através de alguns processos físico-químicos, como a troca iônica, decaimento radioativo, remoção de sólidos em suspensão neutralização de pH em meio poroso, além da eliminação de microorganismos que chamamos de processo bacteriológicos, que agindo sobre a água alteram suas características, tornando-a mais adequada para o consumo humano. Desta forma, a composição química da água subterrânea é o re-

sultado da mistura entre a água que adentra o solo e da própria evolução química. As águas subterrâneas apresentam algumas qualificações que tornam o seu uso mais vantajoso em relação ao das águas dos rios: são filtradas e purificadas naturalmente através da percolação, determinando excelente qualidade e dispensando tratamentos prévios; não ocupam espaço em superfície; têm maior quantidade de reservas; necessitam de custos menores como fonte de água; as suas reservas e captações não ocupam área superficial; apresentam grande proteção contra agentes poluidores; o uso do recurso aumenta a reserva e melhora a qualidade; sofrem menor influência nas variações climáticas; são passíveis de extração perto do local de uso; possuem temperatura constante; possibilitam a implantação de projetos de abastecimento a medida da necessidade.

Mercado Em função da crescente demanda por água e da piora na qualidade dos mananciais superficiais, além dos crescentes aumentos nas tarifas das concessionárias, o uso de águas subterrâneas tem aumentado pelo país, especialmente nos grandes consumidores, como indústrias, centros comerciais e condomínios. Fernando explica, que como as águas subterrâneas quase sempre necessitam de tratamento, o mercado tem apresentado uma acentuada curva de crescimento, especialmente para empresas que fazem a gestão completa do sistema de abastecimento e são responsáveis por toda a operação e manutenção dos poços, bombas e estações de tratamento. Esse tipo de gestão completa possibilita ao consumidor de água focar inteiramente no seu “core business”, deixando o abastecimento de água potável para uma empresa especialista.

Sistema de tratamento de água Indústrias Anhembi - Osasco

Contato da empresa: General Water: www.generalwater.com.br

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EQUIPAMENTOS por Eng. André G. Gomes

Filtros biológicos percoladores Algumas considerações sobre o meio de suporte

O

s filtros biológicos percoladores (FBP), como muitos outros tipos de sistemas de tratamento biológico de águas residuais, podem ser desenhados como sistemas aeróbios ou anaeróbios, sendo este o meio mais comum de interferir quanto à dominância de certas espécies, visando determinados resultados. Atualmente são bem conhecidas as cinéticas de degradação da maioria dos compostos presentes em efluentes domésticos, e até em muitos tipos de efluentes de processos industriais. Levando em consideração tais cinéticas (e suas variações segundo os parâmetros do processo), as reações de oxidação e redução e a afinidade das bactérias por compostos específicos em determinadas condições, é possível prever o comportamento e eficiência de qualquer sistema ao longo do tempo. O desenvolvimento e a atividade da maioria dos microrganismos, entre eles as bactérias, são relacionáveis, quer direta quer indiretamente, com as condições em que se encontram. Parâmetros como temperatura;água; pH; oxigênio; tipo, estado e concentração de compostos; espécies e famílias de microrganismos e suas inter-relações (predação, simbiose, etc.); luz; entre outros, são fatores que, em maior ou menor escala, promovem ou inibem a presença e ou a atividade desta ou daquela espécie e, portanto, facilitam ou impedem que a remoção de determinado composto ocorra,e em maior ou menor extensão. Com o objetivo de alcançar melhores resultados e de obter correlações que permitam a sua repetição e precisão em processos similares, têm sido criados e aperfeiçoados ao longo das últimas décadas uma série de modelos específicos para FBP, cuja robustez e aceitação pela comunidade científica são baseadas na obtenção de dados coerentes quando

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comparados com valores reais verificados em campo, em determinadas condições. Através da constante evolução de áreas como a microbiologia, bioquímica e fenômenos de transporte, entre outras,da aplicação de métodos de cálculo e estatísticos, e com o auxílio da informática, foi e tem sido possível aperfeiçoar os modelos existentes, e diferenciar e limitar sua aplicabilidade para processos particulares, inclusive com a consideração de determinadas constantes, específicas para determinados conjuntos, sistemas, ou somente para uma ou outra condição específica.

Meio de suporte / recheio / enchimento Este é o principal componente de um FBP, e consiste principalmente em uma área superficial fixa para adesão do biofilme. Porque é fixo, o meio de suporte permanece imóvel, enquanto a água percola através do sistema. O tipo de meio de suporte influencia diretamente quer os custos de instalação como os custos operacionais de um FBP. No entanto, é importante sublinhar que o meio de suporte não significa apenas uma área superficial para a colonização e desenvolvimento de microrganismos, que são os reais responsáveis pelo desempenho do sistema. Para que a eficiência venha a ser conforme o previsto, o sistema FBP deve ser desenhado para fornecer aos microrganismos uma distribuição uniforme de nutrientes e oxigênio, e permitir a remoção efetiva de resíduos sólidos e dissolvidos provenientes do seu metabolismo. Assim, todos os componentes de um FBP devem ser desenhados para permitir que a película de microrganismos aderida ao meio de suporte não venha a ser limitada em seu desenvolvimento e atividade. Porque o principal componente de qualquer FBP é de fato o seu recheio / enchimento, é importante descrever as características daquele que seria o enchimento ideal, ou seja, do en-


chimento que menos interfere no ecossistema microbiológico que se pretende criar, e que melhor promove os resultados pretendidos. Convém sublinhar que existem diferenças importantes entre os FBP e outros sistemas de tratamento baseados em biofilme aderido a um meio de suporte, pelo que nem todos os itens que a seguir se mencionam são aplicáveis da mesma forma, ou têm a mesma importância, entre diferentes sistemas de tratamento. Este breve estudo é o meio de suporte para adesão de biomassa, em filtros biológicos percoladores.

Área superficial específica Esta constante, intrínseca a qualquer recheio, pode ser real ou aproximada, e traduz a relação entre a área disponível para a fixação de microrganismos em uma unidade de volume. Quando expressa em metro quadrado por metro cúbico [m²/m³], pode variar entre valores relativamente baixos, de 40 a 60 m²/m³ para o caso da pedra britada de 4 polegadas, até valores relativamente elevados, de 320 a 400 m³/m³, para enchimentos estruturados, etc. O valor da área superficial específica de um enchimento é real quando está perfeitamente definido, e aproximado quando não é possível tal exatidão, devido às características variáveis do recheio. No primeiro caso, estão os enchimentos estruturados e as peças randômicas, fabricadas com características e dimensões definidas; no segundo caso, a grande variedade de elementos naturais, como a pedra, etc., cujas características somente podem ser encontradas através de valores médios (dimensões, massa, superfície específica, etc). A superfície específica é, por vezes, também denominada de “densidade do recheio”, o que não deve ser confundido com o peso específico do recheio (massa por unidade de volume), de suma importância no desenho estrutural de outros componentes de um FBP. É importante distinguir entre a área superficial total e a área superficial real, ou seja, aquela realmente disponível para a fixação e desenvolvimento do biofilme. A área superficial mensurável em poros de ínfimas dimensões, como a existente em partículas de areia, antracite,

carvão ativo ou outras partículas de reduzido volume unitário, nem sempre pode ser utilizada como superfície para biofilme. Com o desenvolvimento do biofilme, a espessura deste aumenta rapidamente, formando uma película cada vez mais espessa. Porque os microrganismos recebem por difusão os nutrientes e oxigênio de que necessitam, as camadas inferiores da película de biofilme terão cada vez menos acesso a estes compostos, verificando-se uma diminuição gradual de sua eficiência, até eventualmente atingir um cenário extremo, em que as camadas inferiores do biofilme se tornam anaeróbias. Quando tal ocorre, a camada de biofilme perde a capacidade de adesão ao meio de suporte. Dependendo do tipo e das características morfológicas do enchimento, essa camada de biofilme pode ser facilmente removida através de uma lavagem, ou ficar retida nos poros e ou interstícios, sem que seja removida. Este fato funciona como um incremento da carga aplicada ao FBP, podendo implicar, em alguns casos, em uma perda de sua área superficial disponível. Existe também uma alta probabilidade de que esta situação ocorra quando se utiliza, para a remoção carbonácea (DBO), um recheio com elevada área superficial. Uma vez mais, dependendo das características dos enchimentos, nem sempre uma elevada área superficial é proporcional à obtenção de uma alta eficiência. Porque a carga orgânica aplicada é em grande parte convertida em biomassa, ou seja, incorporada em microrganismos, a espessura da camada de biofilme será aumentada rapidamente. Um enchimento com uma superfície específica elevada forçosamente implica que os interstícios / canais existentes por unidade de volume (por metro cúbico, por exemplo), serão relativamente reduzidos. Consequentemente, é grande a probabilidade de que ocorra uma perda de superfície disponível, pelas mesmas razões antes mencionadas, entre outras que serão ainda indicadas. Assim, para a remoção de DBO, somente deve ser considerada a utilização de um enchimento com uma área superficial específica elevada quando o enchimento tiver características

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EQUIPAMENTOS

intrínsecas que permitam a remoção / escoamento do excesso de biofilme. Como referido, a performance global de um FBP não depende apenas de um ou outro componente, mas sim de todo o sistema, que deve ser projetado para fornecer aos microrganismos as condições ideais para seu desenvolvimento e atividade plena. Por outro lado, para a remoção de amônia (nitrificação), um enchimento com área superficial específica elevada é um bom indicador da capacidade do FBP. Em sistemas aeróbios, quando o valor de DBO atinge um patamar relativamente baixo, podendo ser considerado como limitante, as bactérias passam a utilizar a amônia, convertendo-a em nitritos e nitratos. Este processo implica um menor crescimento da camada de biofilme e,consequentemente, é menor o potencial de colmatação dos canais / interstícios do enchimento. Obviamente que, fazendo comparações entre as dimensões de filtros percoladores, quando maior a superfície específica de um enchimento, menor o volume requerido do enchimento, e consequentemente, dos restantes componentes do FBP. Mas, de modo a proporcionar as tais condições ideais ao biofilme (difusão de nutrientes e oxigênio, remoção de excedentes e de compostos resultantes do metabolismo, etc.), a área superficial específica de um enchimento deve ser considerada com alguma ponderação, e levando em conta as características próprias de cada caso, e não apenas visando o desenho de um FBP de pequenas dimensões, que na prática poderá implicar resultados muito inferiores aos pretendidos, e até a impossibilidade de operar o sistema.

Índice de vazios Esta constante, também associada a qualquer enchimento, pode ser real ou aproximada (mesmas considerações que para a área superficial específica), e traduz a percentagem de espaços livres, vazios, por unidade de volume. Esta constante pode variar entre 15% e 97%, ou seja, em um volume de um metro cúbico (1000 L), o material do enchimento propriamente dito pode ocupar entre 85% (850 L) e 3% (3 L) desse volume. É a relação entre o volume de vazios pelo

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volume total, não de massa pelo volume.Este parâmetro implica considerações importantes para os FBP, como para qualquer outra unidade baseada em biofilme aderido, quer do ponto de vista operacional, como estrutural. Sobre o ponto de vista do processo, quanto maior o valor do índice de vazios de um enchimento, maior é o espaço entre os elementos / canais que o constituem, e consequentemente, maior a facilidade com que os fluídos (líquido e ar) percolam através do recheio,promovendo a difusão de nutrientes e oxigênio com o biofilme, e removendo os excedentes do metabolismo e o biofilme em excesso. Independentemente do valor do índice de vazios, é de extrema importância que qualquer enchimento, randômico (plástico ou mineral), ou estruturado (plástico), possua uma configuração que não crie obstáculos à livre circulação de líquido e ar (ou apenas líquido, em sistemas anaeróbios). Assim, não deve possibilitar a acumulação de sólidos (SST afluentes ao FBP e excesso de biofilme), mas sim promover o escoamento dos mesmos de modo que os fluxos líquido e gasoso não sejam restringidos.

Canais livres e com diâmetro adequado para passagem de fluxo Como mencionado anteriormente, em outras palavras, a eficiência de um FBP depende, apenas, de dois fatores: a) manutenção dos microrganismos na fase de crescimento exponencial (sempre que possível), e b) microrganismos em quantidade suficiente para remover as concentrações dos compostos contaminantes (mediante balanços mássicos e cinéticas de crescimento e remoção, e das características do enchimento). É desejável e relativamente fácil manter os microrganismos na fase de crescimento exponencial, fase em que a taxa de crescimento supera em muito a taxa de morte celular, como ilustrado em curvas de crescimento microbiano. Para tal, são necessários alguns procedimentos, como a lavagem percoladora no caso de FBP, cujo desempenho é realmente conseguida quando aplicada em enchimentos estruturados. Esta lavagem percoladora consiste na manipulação da velocidade de rotação dos braços do dis-


tribuidor, para que a carga hidráulica aplicada por metro quadrado seja tal (realizados os cálculos) que permita a remoção da camada exterior da película de biofilme, apenas, sem remover as camadas inferiores. Largamente utilizado há várias décadas em FBP com enchimentos estruturados, este procedimento é extremamente eficaz na manutenção e conservação da espessura do biofilme, permanecendo os microrganismos praticamente em constante fase de crescimento exponencial. Devido à geometria interna destes recheios, é facilmente conseguido o escoamento do excesso do biofilme, ao longo de toda a profundidade do enchimento, sem que seja comprometida a eficiência do FBP. A frequência da lavagem percoladora e a duração do procedimento são calculadas em função do processo, de modo a que, entre lavagens, a espessura da camada de biofilme cresça o suficiente para continuar com um alto nível de difusão e remoção de compostos, sem que, no entanto, alcance uma espessura que impeça a difusão de oxigênio e nutrientes entre os fluidos e o biofilme (que origina pontos de anaerobiose e predação intra espécies). Na prática, é um procedimento simples, com resultados eficazes. Apesar de poderem existir diferentes espécies ao longo da profundidade de um enchimento, com cinéticas diferentes, é essencial que a lavagem percoladora não possua restrições ao longo da profundidade. Devido à configuração e aleatoriedade dos enchimentos randômicos, em plástico ou brita, não são conseguidas tão altas eficiências na lavagem percoladora como quando utilizados enchimentos estruturados. Consequentemente, se considerados dois FBP cujo recheio totalize uma mesma área superficial disponível para biofilme em cada, pelas razões mencionadas, é comum que os resultados em termos de eficiência de remoção sejam diferentes. Em termos estruturais, um enchimento mais adequado deve possuir canais amplos e verticalizados, facilitando a percolação do líquido e do ar por toda a área superficial, uniformemente e em toda a extensão, fornecendo os nutrientes e oxigênio necessários ao biofilme, e promoven-

do uma fácil remoção do excesso de biofilme. Dessa forma, para além da manutenção da fase exponencial de crescimento, toda a área superficial específica do enchimento é realmente a área disponível para a fixação e desenvolvimento do biofilme, sem perdas ou pontos de ineficiência.

Configuração preventiva de pontos de entupimento e colmatação Este parâmetro é da maior importância para o objetivo do FBP, apesar de ser muito difícil de quantificar. O entupimento ou a colmatação de um filtro biológico, seja percolador, anaeróbio ou aerado submerso, pode ser traduzido como o tamponamento mecânico de um ou mais canais, sendo normalmente causado por material particulado, quer afluente ao filtro proveniente de uma etapa anterior, quer pelo desprendimento não controlado do biofilme (em casos de anaerobiose, quando a espessura deste atinge o valor crítico). O entupimento pode ser também resultado do crescimento excessivo do biofilme, formando pontes entre os espaços vazios do enchimento, ou reduzindo a abertura dos canais (diminuição do calibre), quando nenhuma ação preventiva é realizada.Outra causa do entupimento e colmatação é a não uniformidade do índice de vazios de um dado enchimento. Estas situações são comuns em enchimentos à base de elementos randômicos, cuja disposição aleatória durante a fase de instalação pode causar zonas de maior densidade do que outras (zonas com mais peças plásticas ou mais pedras por metro cúbico). Em recheios a base de elementos randômicos, é natural que as zonas de maior densidade de peças venham a entupir, ficando inoperacionais, enquanto o resto do recheio, alimentado pela totalidade da carga hidráulica e mássica, venha a criar canais preferenciais ou regiões localizadas de elevada vazão, em que o líquido atravessa o enchimento em uma velocidade tal que simplesmente arrasta toda a camada de biofilme que exista na trajetória. É também possível que todo o recheio à base de elementos randômicos esteja uniformemen-

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te compactado, criando empoçamentos de grandes dimensões sobre a área ocupada pelo enchimento. No caso da brita, este fato é comumente causado pelo trânsito e/ou movimento de máquinas e equipamentos sobre o topo para remexer o enchimento, visando a desobstrução de eventuais zonas compactadas. Se forem peças plásticas, devido ao alto índice de vazios por peça e a relativa maleabilidade que estas apresentam quando em operação (mesmo em um filtro de profundidade reduzida de 1,0 m apenas), a compactação generalizada é natural e impossibilita a remoção adequada de sólidos e biomassa em excesso do recheio, mesmo se remexido. No entanto, no caso de recheios à base de elementos plásticos, o empoçamento da camada superior é menos comum, dado o índice de vazios das peças e sua configuração unitária. Por razões inerentes às características dos recheios randômicos instalados em FBP (quer pedra britada como elementos plásticos), mesmo em um filtro com recheio de 1,0 m de profundidade é simplesmente impossível que as peças estejam bem espaçadas e pouco compactadas. Como se sabe, é impossível evitar tais situações quando se utilizam elementos randômicos, devido à fator aleatório da disposição das peças. A única forma de impedir que esta situação possa ocorrer seria colocar o recheio dentro do tanque, peça por peça ou pedra por pedra, uniformemente distribuídas (com o mesmo espaçamento entre cada). A tendência ou probabilidade de entupimento pode ser prevista ou comparada entre vários tipos de enchimentos, através dos valores do índice de vazios e do diâmetro de passagem dos canais de diferentes recheios. O diâmetro de passagem dos canais é a variável de maior importância, devendo ser convenientemente estudada a fim de evitar quaisquer problemas operacionais e consequentemente nos resultados.O entupimento e a colmatação são problemas muito graves para a operação e eficiência dos FBP. Quando ocorrem, a melhor possibilidade é que se trate de um problema crônico de manutenção, e a pior possibilidade é que anule toda a capacidade

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do FBP em operar conforme o desenho. É imperativo, portanto, utilizar um recheio cuja configuração minimize a ocorrência de entupimentos e colmatações. Os recheios mais adequados, portanto, são os estruturados, porque possuem canais amplos e verticalizados de modo a permitir o escoamento constante de sólidos e biomassa, sem permitir sua sedimentação e ao longo do tempo, criar pontos de acumulação. Possuem índices de vazios elevados, constantes e uniformes ao longo de um dado volume, sem qualquer zona mais densa ou compacta que possam originar canais preferenciais e empoçamentos.

Material de construção inerte Materiais como madeira, papelão, tecidos, ou qualquer outro material biodegradável não é adequado para filtros biológicos (percoladores ou outros), por razões óbvias. De modo similar, materiais metálicos como aço, alumínio ou cobre não devem ser utilizados, pois sofrem corrosão que irá inibir o crescimento biológico (exceto se com proteção superficial não reativa). Na prática, virtualmente todos os tipos de enchimento comercialmente disponíveis são resistentes à corrosão, resistentes ao apodrecimento ou a perda de suas características mecânicas, e resistentes a ataques químicos pelos compostos presentes no efluente a tratar. No entanto, alguns enchimentos plásticos são susceptíveis de ataques por radiação UV. Plásticos em cuja composição não são adicionados compostos na quantidade requerida para evitar este tipo de ataque, rapidamente se tornam quebradiços quando expostos à luz solar direta. Este fenômeno é bem conhecido e perfeitamente evitável através de inibidores UV, devendo a presença de tais inibidores ser um fator determinante na seleção de um enchimento plástico, randômico ou estruturado, para um FBP (constantemente exposto à luz solar direta).

Baixo custo de instalação e operação Como comentado, um recheio / enchimento para um FBP não é mais do que uma dada quantidade de unidades de área superficial,


que deverá fornecer as condições mais adequadas para um constante desenvolvimento de microrganismos aderidos em sua superfície. Entre dois enchimentos de iguais características, é lógica a escolha do mais econômico. No entanto, se os enchimentos possuírem diferentes características, deverá ser bem ponderada a seleção entre o que possui as características mais adequadas, tendo em consideração todos os pontos mencionados anteriormente. A seleção do enchimento mais adequado deve, portanto, não apenas considerar os custos de instalação, que acontecem uma vez, mas principalmente os custos operacionais. Se o FBP for convenientemente desenhado e o enchimento for corretamente selecionado, o descumprimento dos limites de descarga será fácil de atender, e a operação do FBP será simples, sem quaisquer problemas. Em apenas algumas semanas ou poucos meses de operação, a operação diária e os resultados obtidos no FBP irão indicar se a escolha foi inteligente e ponderada, ou fruto de uma decisão despreparada e sem conhecimento. Proceder a uma substituição que se tornou necessária (visando melhorias na qualidade do efluente através da reforma de um antigo FBP, ou pela ampliação da capacidade de tratamento, etc.), é inevitável e deve ser realizada.

Boa resistência mecânica Uma das características requeridas dos enchimentos para FBP é a resistência mecânica (pela questão da profundidade dos recheios, que podem atingir 6, 10 ou mesmo 15 metros). Em um FBP de porte médio ou grande, é desejável que o meio de suporte seja capaz de suportar o peso de um ou mais operários sobre a camada superior (para acesso ao distribuidor rotativo, remoção de objetos da camada superior, etc). Em todos os casos, para este tipo de aplicações, é importante que qualquer material plástico seja de primeiro uso, e que possa ser avaliado durante a seleção através de uma ficha técnica onde se indiquem as principais características físicas e mecânicas. Para além de dever suportar o tráfego pedestre no topo do enchimento, este deverá também suportar com facilidade o peso da biomassa aderida ao longo de todo o volume do mesmo (que pode atingir vários metros de profundidade). Os elementos randômicos em plástico (PP, PVC, PEAD) apresentam falhas graves no que respeito à resistência mecânica em apenas alguns metros. Como referido antes, porque as peças que constituem este tipo de recheios são distribuídas de forma aleatória / randômica sobre a estrutura de suporte, é muito comum que a posição final de cada peça não seja a po-

sição em que sua resistência mecânica apresenta o maior coeficiente. Estes recheios, para além dos potenciais riscos que sua utilização pode implicar para o desempenho de um FBP, não devem ser utilizados em filtros cuja profundidade seja superior a 2,0 – 2,5 m, sob risco de colapso e esmagamento das peças das camadas inferiores. Um dos resultados deste fato é o incremento da obstrução dos canais e espaços vazios entre as peças, potenciando riscos elevados de ineficiência do sistema e de colmatação. Sobre a questão de poderem ser acedidos, e percorrida sua área superficial, tal procedimento é

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extremamente perigoso, quer pela reduzida resistência estrutural de cada peça, pelo risco de movimentação das peças e consequentes danos físicos, e pelo risco biológico em caso de queda. Os elementos em pedra apresentam melhores características estruturais que as mídias randômicas plásticas, devido ao tipo de material. Sem mencionar eficiência ou operação, mas apenas sob o ponto de vista da resistência mecânica, estes elementos randômicos podem ser empilhados até vários metros. Existem, no entanto, outras considerações estruturais que merecem ser mencionadas, como a resistência das placas de suporte, que precisam ser dimensionadas para resistir a várias toneladas, tal como a parede perimetral que envolve FBP cilíndricos. De igual forma, sobre a questão de poderem ser acedidos, e percorrida sua área superficial, tal procedimento é também de grande periculosidade, pelo risco de movimentação das peças e consequentes danos físicos, como pelo risco biológico em caso de queda. Os enchimentos estruturados apresentam características únicas comparativamente com os elementos randômicos, tais como a constante uniformidade dos vazios ao longo do recheio, fator crucial também para uma adequada estabilidade mecânica. São formados por chapas / folhas de material inerte (PP, PVC), onduladas e corrugadas, pelo que as áreas superficiais específicas podem ser muito superiores às observadas em elementos plásticos e brita. As chapas / folhas são montadas dando origem a blocos, que possuem portanto índices de vazios extremamente elevados (> 97%). Criados pelas ondulações das chapas / folhas, os blocos são então formados exclusivamente por canais (podem ser cruzados, verticais, mistos; a aplicabilidade depende de cada caso). Assim, toda a área superficial disponível para a adesão da película de biofilme, área esta que é real, está contida nos próprios canais, pelo que a uniformidade da percolação e consequente distribuição de nutrientes e oxigênio é total e muito eficiente. A remoção dos excedentes da metabolização, sólidos inertes alimentados aos FBP, e ainda do biofilme em excesso (pela lavagem percoladora), é facilmente alcançada

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devido à configuração dos canais: amplos, com diâmetros definidos e, se cruzados, com angulação de 60o, facilitando o escoamento dos sólidos. Sob o ponto de vista da resistência mecânica, a maioria dos fabricantes produzem estes enchimentos com uma espessura constante das chapas, implicando que para FBP de profundidade reduzida, o peso específico poderá ser superior ao requerido (custos superiores aos necessários), e para FBP de alguma profundidade, o peso específico poderá ficar aquém do requerido (implicando instabilidade mecânica e possível risco de esmagamento das camadas inferiores). No entanto, existem fabricantes que produzem estes enchimentos com espessura variável, calculados segundo normas internacionais, garantindo que o FBP terá nas camadas inferiores a espessura recomendada para suportar todo o peso do enchimento das camadas superiores, e respetivo biofilme aderido, podendo ser o enchimento para a camada superior desenhada para suportar tráfego pedestre, ou até equipamentos pesados. Finalmente, pela própria configuração dos enchimentos estruturados (superfícies inferior e superior planas), a camada superior permite o acesso e trânsito pedestre (e até de maquinário), sem potencial risco de queda.

Conclusão Os enchimentos estruturados são os recheios que possuem virtualmente todas as principais características requeridas e da maior importância para Filtros Biológicos Percoladores. Estes enchimentos têm sido utilizados nestas aplicações há mais de 30 anos. Pelas suas características e baixo custo, são o enchimento de eleição para o tratamento de águas residuais domésticas e industriais em unidades de tratamento biológico baseados em biomassa aderida a um meio de suporte, desde há várias décadas, por todo o mundo. Eng. André G. Gomes

Coordenador de Produtos de Tratamento de Água e Efluentes GEA Sistemas de Resfriamento www.geasr.geagroup.com Tel.: (19) 3936-1522


EVENTOS por Carla Legner

Foto: Divulgação Fenasan

Destaques da Fenasan 2013

conteceu entre os dias 30 de julho e 01 de agosto, no pavilhão azul do Expo Center Norte em São Paulo, a 24º edição da Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (Fenasan). O evento promovido pela Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp) recebeu mais de 17 mil visitantes e teve 220 expositores. Considerada como o maior evento técnico e mercadológico da América Latina, o encontro é

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para difundir novas tecnologias, discutir políticas de incentivo e sedimentar a economia. “A feira para nós tem um viés muito importante em questão de juntar e defender as questões ligadas a saneamento. Então todas as principais empresas, as melhores tecnologias disponíveis no mercado hoje estão aqui conosco, inclusive algumas empresas internacionais, este ano temos sete países diferentes na feira”, destaca Maria Aparecida Souza de Paula, química na área de coordenação de qualidade da Sabesp, diretora do projeto sócio ambiental e coordenadora do premio da AESabesp.

Novidades A Grundfos, empresa líder mundial em soluções avançadas em bombeamento, trouxe para o evento a nova geração de um sistema já consolidado, o SQFlex. Trata-se de um equipamento que prevê a possibilidade de água para comunidades remotas onde não existe eletricidade, através de energia renovável como solar e eólica. A mudança é a ampliação da capacidade de produção através de um modo denominado RSI, que converte a corrente contínua que vem das placas (sol) transformando em trifásica 380V, que é uma corrente alternada que alimenta bombas de até 12 cavalos. “Com isso eu consigo um aumento de produção de água de aproximadamente 100 m3 por hora, então durante um dia de 7 horas de sol, gera em torno de 700 m 3 de produção de água”, explica Renato Zerbinati, coordenador de produtos e aplicações da empresa. O representante da Grundfos explica que no começo o novo sistema pode parecer um investimento caro, mas depois analisando o custo e a dificuldade de levar energia elétrica a uma comunidade remota, é fácil concluir que vale a pena. “Esse sistema se paga em 1 ano e meio ou 2, facilmente. O que nós queremos é agregar melhor investimento e qualidade para nossos clientes”, completa.

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Outra empresa que trouxe boas novidades foi a Hexis Cientifica. Durante a feira sua equipe apresentou dois lançamentos, o iMPNplate 1660, um dispositivo portátil e reciclável para quantificação de coliformes totais que além de permitir uma circulação de ar uniforme em todos os seus 16 poços, possui uma placa rígida dispensando o uso de suporte, permite o resultados de forma qualitativa e quantitativa podendo ser usado também em tratamento de esgoto. “Fizemos uma pré estréia do produto na Sabesp no início da semana e foi muito bem recebido lá e aqui na feira também. Todo mundo que nos visitou gostou bastante, principalmente pela ótima qualidade, bom resultado e fácil manuseio”, enfatiza Natália Correia da Silva, representante da Hexis. A outra novidade é o colorímetro BR900. Caio Ribeiro Gomes, promotor técnico de produtos da Hexis, explica que é um equipamento que trabalha com comprimento de ondas de 420/520/550 e 610 nanômetros, para análise tanto de estações de tratamento de água (ETA) quanto para análise de efluentes. Sua aplicação

é direcionada para análises em campo, mas pode ser utilizada também em laboratório. Tem sistema de transferência de dados em USB, memorização de dados e usuário, classificação da amostra, monitoramento online, portátil, a prova de água e possui cerca de 100 métodos na memória. A Xylem, representante das marcas Flygt, Godwin, Sanitaire, Leopold, Wedecom é líder mundial em transporte e tratamento de águas e efluentes trouxe para essa edição da Fenasan algumas novidades. O lançamento do Bloco Leopold, que de acordo com Carolina Garcia de Souza, analista de marketing da empresa, é uma tecnologia inovadora no Brasil traz uma economia

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EVENTOS

tanto de energia como de espaço para retro lavagem. Outro item apresentado é o Flygt Experior, uma bomba que gera uma economia de energia de ate 50%. “Ainda estamos apresentando aos clientes a bomba do modelo CD325. É a primeira vez que a gente traz esse produto para uma feira de saneamento, já está no mercado e é bastante conhecido para área de mineração, mas tem algumas funções de saneamento e por esta razão trouxemos esse ano”, completa Carolina. Há 22 anos a Sidrasul atua no mercado de bombeamento e perfuração e está sempre em busca de soluções inovadoras e de alta tecnologia para o mercado de saneamento e trouxe para a Fenasan três produtos que são sucessos no mercado mundial.

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Equipamentos e serviços A Degrémont, empresa especialista em criar soluções para o tratamento de águas e efluentes não trouxe para feira um produto específico e sim a apresentação de um novo departamento, um setor destinado a equipamentos e serviços. Pedro Porto, Account Executive da empresa explica que a instituição é uma empresa de engenharia com ênfase em construção de estações de tratamento de água e esgoto, focando em soluções mais compactas e equipamentos para indústria, pequenas empresas e também grandes projetos. “Na parte de equipamentos, nosso grande diferencial é que normalmente as estrutura de trata-

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As bombas de dragagem, da fabricante italiana Dragflow, produzidas nas versões hidráulicas e elétricas, e possuem capacidade de extração de sólidos muito superiores às dragas tradicionais utilizadas no Brasil. São bombas robustas que bombeiam até 70% de sólidos, e as opções hidráulicas são ideais para a utilização em locais de difícil acesso, onde não há energia elétrica. Outro grande destaque da empresa foram as motobombas submersíveis para águas residuais da fabricante Caprari. Estes produtos têm os diferenciais de serem hidráulicos, autolimpantes e possuírem características antiobstruções, já para o setor de águas profundas a empresa apresentou a linha de bombas de eixo vertical prolongado da Caprari, que conforme a empresa proporciona vantagens de segurança de funcionamento, baixos consumos energéticos e durabilidade, já que podem ser fabricadas em ferro fundido, bronze ou aço inox. A Tecniplas, um tradicional fabricante de equipamentos em PRFV, marcou presença na Fenasan 2013 apresentando seus equipamentos, como os grandes reservatórios para até 2.500 m³, sua linha de tanques e equipamentos especiais para as empresas projetistas e fornecedoras de ETAs e ETEs.

mento de água para grandes projetos são feitas em concreto e nós trabalhamos com estrutura metálica facilitando a estruturação de projetos compactos em todos os aspectos (custo, locomoção, engenharia, etc)”, ressalta. Na divisão serviços, estão sendo implantandos equipamentos de locação. São estações compactas completas montadas em conteiners e distribuídas aos clientes de forma prática e rápida. Os contratos de aquisição podem variar de período, podem ser acertos para situações emergências na falta de água, como em catástrofes ou em contratos anuais. “Estamos começando com esse novo setor agora, mas a perspectiva para o futuro é muito boa, já que a recepção dos clientes na feira foi bastante positiva”, completa Pedro. Especialista em tecnologias sustentável, a Hidrogeron destacou na Fenasan 2013 os geradores de Ozônio de grande porte para estação de tratamento de médio e grande porte, além de consolidar a marca e produtos já existentes no mercado e que ainda buscam espaço para crescimento. “A feira teve um movimento bastante interessante, mas o retorno é difícil avaliar de imediato, o que nós conseguimos aqui são bons contatos para posteriores negócios, mas o interesse dos clientes ao entrar no estande e conhecer os produtos foi bastante positivo, conta Rordão Macedo Júnior, executivo de vendas de empresa. A Centroprojekt, empresa de engenharia e saneamento ambiental esteve na feira para promover a recente parceria que fez com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Trata-se de um projeto para implantar

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Para a GEA, a Fenasan foi uma ótima oportunidade para as empresas demonstrarem ao público sua presença, diferencial de mercado e ainda a troca de informações entre os principais clientes. De acordo com André Gomes, coordenador da divisão de tratamento de água e efluentes este ano a empresa trouxe para feira os produtos em destaque no mercado pela eficiência e qualidade. “Entre os nossos sistemas, podemos destacar o módulo de decantação para aplicação de filtro fixo já implantado em algumas obras e projeto em órgãos públicos”, completa André.

Outros segmentos Para Fenasan 2013 a Tigre veio focada apenas em produtos para infraestrutura. De acordo com Savério Meris Junior, executivo de produtos no segmento alguns produtos tiveram destaque. Na parte de esgoto, tubos e tubulações. “A novidade da Tigre foi trazer conexões com processo de fabricação renovado, ou seja, fornecer para o mercado tubos conexões conformadas através de tubos produzidos pelo processo de injeção eliminando algumas etapas, o que proporciona a conexão um acabamento melhor, como uma qualidade e precisão muito maior. Na parte de

tubulações estamos mostrando nossos tubos de polietileno tanto para água quanto para esgoto e nossos tubos de PVC”, explica o representante. A Calgon Carbon, empresa líder na indústria de carvão ativado não trouxe uma novidade efetiva no setor apenas apresentou novos processos para melhorar a eficiência e produção do carvão ativado. Robinson Zuntini, gerente de vendas na América do Sul ressalta que o destaque da feira foi o uso de ultravioleta para canais abertos onde é possível tratar efluentes de alta complexidade, o sistema de oxidação avançado que usa adjuvantes químicos para tratar efluentes complexos e o sistema para potabilidade de água com lâmpadas dedicadas. “Para o mercado brasileiro ainda é um produto em aceitação, temos um mercado ativo em tratamentos convencionais, aqui usamos a esterilização apenas como benefício, mas lá fora já é uma obrigação, mas acredito que futuramente vamos ser obrigados a fazer isso aqui no Brasil também. Hoje muitas empresas estão preocupadas com

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tecnologia de ultrafiltração (UF) por membranas com capacidade de tratamento de até 1,0 m3/s para melhorar a capacidade da ETA Boa Vista. Essa será a primeira planta UF no Brasil destinada para o mercado público, na produção de água potável. O valor do projeto é de aproximadamente R$ 60 milhões com duração de até 18 meses para entrega da obra.

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Mercado Para muitos participantes e expositores, a feira foi o momento ideal para fazer bons negĂłcios e analisar o mercado, mas RondĂŁo, representante da Hidrogeron ressalta que a feira ĂŠ um empurrĂŁo, mas nĂŁo se pode esquecer o trabalho em campo com vendedores e apresentação dos produtos. â€œĂ‰ um mercado sazonal tendo seus altos e baixos, mas a nesse momento a gente avalia que estĂĄ mediano, nĂŁo estĂĄ ruim ou fracoâ€?, enfatiza. Caio Ribeiro Gomes, promotor tĂŠcnico de produtos da Hexis explica que o paĂ­s estĂĄ em constante evolução devido Ă quantidade e a capacidade de produção de ĂĄgua no Brasil, sendo assim hoje vemos um mercado que tende cada vez mais a crescer e nĂŁo a diminuir. “A população aumentou, entĂŁo ĂŠ uma tendĂŞncia para o futuro aumentar a capacidade de tecnologia em todos os setores de ĂĄgua, o que precisa ĂŠ mais responsabilidade das pessoas que comandam o nosso paĂ­s para verificar o quanto ĂŠ importante manter a qualidade da ĂĄguaâ€?, ressalta. “A feira esse ano estĂĄ muito boa com a presença de bastante clientes querendo comprar o novo produto, desta forma vemos que o mercado vai receber bem essa inovaçãoâ€?, ressalta Eduardo Bertella, gerente de marketing da Ka-

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meio ambiente, mas não por que a legislação obriga, mas sim por que eles se obrigam a ter um bom resultado, desta forma a função dos grandes fabricantes Ê trazer e explicar essas tecnologia e trabalhar lentamente para que o mercado se adapte�, explica Robinson. De acordo com AndrÊ Levi G. do Amaral, Product Mananger de Automação de Processo da Festo, a empresa destacou duas novidades para feira. A primeira Ê automoção com terminal de vålvulas em rede, onde Ê possível descentralizar a automoção de uma ETA ou ETE, com isso aperfeiçoar os custos e a parte de manutenção. O outro foco foram as ferramentas pneumåticas que trazem grandes vantagens em relação às peças elÊtricas como automoção, velocidade, dinâmica, peso, manutenção.

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naflex. A empresa trouxe este ano para Fenasan o lançamento de um produto que começa a ser fabricado na próxima semana. Trata-se dos tubos perfurados para drenagem Kananet, com elevada captação de líquidos, super-resistência, leveza, excelência no raio de curvatura e fabricação em PEAD. O tubo dreno Kananet é para água pluvial e esgoto atendendo todas as normas da Sabesp, proporcionando significativa economia na realização da obra e grande facilidade na instalação. “Nos já temos um produto similar no mercado e que tem sido muito vendido, todos os estádios feitos para copa estão usando esse item para área de drenagem. Este novo produto chegou para melhorar ainda mais a qualidade, a prin-

Os vencedores do Prêmio AESabesp 2013 Destaque AESabesp - Encontro Técnico: Unidade de Negócio RMSP Leste da Sabesp. (Foi a unidade da Sabesp que apresentou o maior número de trabalhos técnicos no Encontro Técnico). Categoria “Melhor Estande” (Escolhidos sob os critérios de ações sustentáveis durante a Feira) • Atlas Copco; • B&F Dias; • Pieralise. Categoria “Inovação Tecnológica” • Hexis Científica; • Helibombas; • Schwing Equipamentos. Categoria “Atendimento a Cliente” • Bombas Leão; • Cassio Lima; • Sulzer. Destaque “Destaque AESabesp – Fenasan 2013” • Higra Industrial. (A empresa que apresentou a somatória e a otimização de todos os critério da premiação).

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EVENTOS

cipal mudança é basicamente o uso dos anéis, facilitando a conexão com estancamento maior e melhor”, completa Eduardo. Além das atividades entre clientes e expositores, a Fenasan também realizou um Congresso Técnico onde o tema foi “Energia para o Saneamento Ambiental”, a palestra contou com vários nomes da esfera pública de saneamento e dirigentes da Sabesp, além de 108 palestras e 3 cursos técnicos. Para encerramento do evento, foi entregue o Troféu AESabesp às empresas que mais se destacaram na Fenasan 2013. “Com relação ao prêmio conseguimos ter ideia da mudança do segmento no mercado. Estamos mudando toda a questão de suprimentos onde as empresas entenderam o conceito das práticas sustentáveis”, lembra Aparecida Souza de Paula, representante da Sabesp e coordenadora do prêmio. Contato das empresas: Calgon Carbon: www.calgoncarbon.com Centroprojekt: www.centroprojekt-brasil.com.br Degrémont: www.degremont.com.br Festo: www.festo.com GEA: www.geasr.geagroup.com Grundfos: www.grundfos.com.br Hexis Cientifica: www.hexis.com.br Hidrogeron: www.hidrogeron.com Kanaflex: www.kanaflex.com.br Sidrasul: www.sidrasul.com.br Tecniplas: www.tecniplas.com.br Tigre: www.tigre.com.br Xylem: www.xyleminc.com

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DESTAQUE por Bruna Lavrini

Grundfos espera crescer 25% até 2014

Fotos: Divulgação Grundfos

De acordo com Sandro Sandanelli, diretor geral da Grundfos no Brasil, a empresa é uma das três maiores do setor no país e é responsável por cerca de 10% do market share.

Sandro Sandanelli diretor geral da Grundfos no Brasil

Multinacional dinamarquesa aposta na potencialidade do mercado brasileiro e foca no aumento da base de clientes

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Grundfos é uma multinacional dinamarquesa especializada em sistemas de bombeamento. A gama de soluções da empresa vai de sistemas de abastecimento de água até serviços farmacêuticos, por exemplo. A indústria está presente em 47 países, no Brasil, o foco da multinacional é pegar uma carona no crescimento do país e duplicar a receita até 2014. Segundo a empresa, o Brasil se tornou um mercado promissor por conta dos resultados que vem apresentando. De acordo com a Grundfos o setor de bombeamento no país movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano, o mercado nacional é um dos mais fortes da América Latina. Mundialmente o setor de soluções para bombeamento fatura 30 bilhões de Euros por ano.

Planos para crescimento No Brasil a empresa esta trabalhando em três estados, em São Paulo – com a matriz localizada na cidade de São Bernardo do Campo –, e com duas filiais, uma em Recife e a outra no Rio de Janeiro. O objetivo é suprir a alta demanda da região Sudeste e explorar a promissora região Nordeste do país. Para entrar em grande estilo no mercado nacional, que é disputado com outras 20 empresas, a Grundfos foca em: participação no mercado, prospecção de clientes, novos nichos e ampliação de portfólio e, para suportar todo este plano de ação, reforço na infraestrutura e atendimento ao cliente. “Sempre fomos uma empresa voltada para o produto e para o desenvolvimento tecnológico. Agora, estamos aperfeiçoando o padrão de qualidade do atendimento ao cliente, por intermédio de um contínuo aprimoramento da prestação de serviços e de uma atuante política comercial”, diz Sandanelli. De acordo com a Grundfos, os principais alvos da empresa para o mercado de sistemas de bombeamentos no Brasil são: saneamento básico, abastecimento de água, indústria de processos, ar-condicionado e pressurização, mercado alimentício, mineração e setor petroquímico. Segundo Sandanelli, muitas oportunidades de mercado estão surgindo no que se refere a saneamento básico e abastecimento de água, o nicho está em destaque por conta dos investimentos em infraestrutura. Hoje, a Grundfos no Brasil está com uma carteira de mais de 2 mil clientes, dentre eles estão companhias como a Vale do Rio Doce, Sabesp e Petrobras.

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Além dos projetos de infraestrutura, que o diretor-geral da Grundfos atribui a outros fatores que vão além dos Jogos Olímpicos e Copa do Mundo – como a real necessidade de investimento em áreas remotas do país que ainda vivem sem condições estruturais para saneamento básico e bombeamento de água potável –, o executivo acredita que a construção civil será outra grande alavanca para o mercado. “O Brasil ainda é muito carente de moradias, portanto, ainda serão construídos muitos apartamentos e casas”, afirma.

Investimentos Para atingir a meta de crescer 25% até 2014, a Grundfos vem aplicando altos investimentos no país. Para atingir o objetivo, a empresa investiu cerca de R$ 10 milhões em infraestrura, o montante foi destinado a implantação da tecnologia SAP e em uma nova bancada de testes. Segundo o diretor-geral da multinacional, existe a possibilidade que nos próximos cinco anos aconteçam aquisições de novas plantas e até abertura de novas filiais com o objetivo de atender a demanda do crescimento que pretendem atingir.

Pós-venda e a estratégia de crescimento Para Sandanelli, o pós-venda é ponto fundamental da estratégia de crescimento. “O mercado não pode ter como foco somente as novas construções que necessitam de sistemas de bombeamento. As plantas já existentes também precisam de novos projetos, ou mesmo o empresário que o contratou terá outros sistemas para ser implantados ao longo do tempo de relacionamento com a prestadora de serviço. Por isso, o pós-venda é tão importante quando a própria venda, é neste ponto que o consumidor mede a capacidade de suporte do fornecedor e ganha confiança ou não.” Para dar conta da demanda de pós-venda, a Grundfos tem um sistema de ensino chamado: Academia Grundfos. O projeto capacita parceiros para o programa de manutenção

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preventiva e reparo de equipamentos. “Além de dar o devido suporte do pós-venda, nós tentamos implantar um diferencial na venda. A negociação pode até ser um pouco mais longa, mas vamos atrás de todas as informações sobre a necessidade do cliente para que ele possa adquirir o produto ideal para a instalação. Além da preparação dos parceiros que prestam assistência técnica, a empresa está preparada com kits que são específicos para o desgaste natural dos equipamentos. Dessa forma, o cliente não deixa de ser atendidos por falta de peças ou assistência técnica. “Os kits vão para suprir detalhes da manutenção, que, por vezes, acabam sendo deixados de lado, o técnico acaba reaproveitando pequenas peças que deveriam ser trocadas e a próxima manutenção acaba acontecendo antes do tempo ideal”, explica Sandanelli. Todos esses pontos fazem parte da estratégia de crescimento e consolidação da empresa no Brasil. “Hoje, o mercado brasileiro ainda não representa um grande número diante do total de faturamento da Grundfos no mundo. Justamente por conta disso, a empresa vem investindo forte no país que tem um grande potencial”, afirma o diretor geral. Contato da empresa: Grundfos: www.grundfos.com.br


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