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Sumário

Expediente

Editorial Nesta edição da revista Patria que Pariu, abordamos o tema imigrantes japoneses que tem influenciado a nosssa cultura. Concentrados no Bairro da Liberdade, encontramos um novo país dentro de São Paulo. São galerias, livrarias, e até templos para aqueles que desejam meditar. Conheça melhor esse pequeno mundo oriental na edicao especial Japão da PQP!

06 Estação Liberdade

15 On the Road

Karen Madeo - Editora-Chefe e Revisão

Kym Kobayashi - Fotógrafia e Ilustração

08 A moda Karin Feller 10 O grafismo de Atsuo

Marla Cruz - Projeto gráfico

Pedro Frischeisen - Fotografia e Ilustração

12 A loucura de Titi 18 Dicas

Exemplares www.revistapqp.com.br www.editoraquita.com.br Redação redação@pqp.com.br twitter.com/revistapqp facebook.com/revistapqp issu.com/revistapqp

20 Galeria 23 Sessão Destaque

Editora Quitá

Pátria que pariu


Estacao Liberdade O bairro da Liberdade, recebeu esse nome pela época da abolição dos escravos, sendo palco de grandes revoluções. Em 1908, trazido pelo navio Kasato-Maru, foi aqui que os primeiros imigrantes japoneses se abrigaram. Hoje o Bairro da Liberdade é o ponto certo para aqueles que procuram conhecer melhor a cultura oriental. Andar pelas ruas estreitas, ir aos restaurantes, fazer compras, ver as luzes das típicas lanternas orientais suzuranto, os letreiros bilíngües e verticais, as cores, os aromas, a feira de artesanato, o jardim, os templos de oração, fazem o brasileiro se sentir como se estivesse mesmo no japão. Não dificilmente se encontra alguem falando japonês, seja cantando em karaokês ou até vendendo em galerias, aí os gestos acaba sendo o ponto forte para uma boa comunicação.

Templo budista

Anualmente são promovidos no bairro o Dizo Matsuri, que celebra o nascimento de Buda, o Tanabata Matsuri, Festival das Estrelas e o Toyo Matsuri, festividade de encerramento do ano. Há também aos domingos, a feira de artesanato com artigos variadíssimos, desde leques de madeira, até os estranhos limpadores-de-língua. E assim é o povo brasileiro, produto de uma intensa miscigenação, diversas etnias, costumes e cultura.

Livraria FonoMag Pátria que pariu

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Fotos: arquivo pessoal


Perfil

A moda de Karin Feller

Karin Feller, estilista e ilustradora, a moça tem 23 anos e é uma das poucas e boas novidades da moda no Brasil. Conhecida por produzir uma marca jovem super feminina, Karin os hits da sua coleção vão de tricôs, coletes e até semijoias. Sua marca tem feito muito barulho ultimamente e a jovem já exporta suas criações para países como França, Canadá e Japão. Karin revende suas coleções em lojas conhecidas e frequentadas pelas jovens brasileiras, abrangindo diferentes tribos e estilos. Lola e Maria, uma das lojas em que a prodígio expões suas criações, é uma boa dica para a meninada antenada.

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Perfil

O Grafismo cute de Atsuo Atsuo Nakagawa, nascido e criado no Japão, veio expor no Brasil em Março de 2008, e aqui acabou achando a essência de seu trabalho. Suas obras são constituidas de elementos folclóricos, o que as tornam singulares na área onde atua. Atsuo reúne e atribui características de diferentes culturas de países em que visitou, mesclando imagens do Ocidente e o Oriente. Devido seu estilo de vida nômade, Atsuo precisa se adaptar com os novos insturmentos de trabalho encontrados em diferentes lugares, tendo que improvisar com diferentes tipos de materiais em suas composições.

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Este ano Atsuo, apresentou 45 de seus trabalhos na exposição Eu Sou o Lobo, na Choque Cultural, em pinheiros. Seus trabalhos vão de pinturas à esculturas.

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Perfil

A Loucura de Titi

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Hamilton “Titi Freak”Yokota é um artista japonês conhecido por suas exposições em várias galerias no mundo.

bairro da Liberdade. Certamente você já deve ter visto um de seus trabalhos por aí.

Com seu traço característico e sua paleta de cores vibrantes. São comuns em sua arte, desenhos de rostos com um traço lembrando esboços feito à lápis, aos quais junta cores e sombreados. Em suas obras também mistura desenho de letras no estilo wild e bomb, nomenclatura utilizada no mundo do Graffiti.Traz para as ruas de são Paulo um pouco da cultura oriental, fato que chamou a nossa atenção.

T. Freak (como ele assina seus trabalhos), ajudou as vítimas do terremoto no Japão em 2002, produzindo um quadro para arrecadação de dinheiro, chamado Cruz Vermelha Japan. Confira alguns de seus trabalhos!

Seus trabalhos estão espalhados por diversos pontos da cidade, sendo uma boa parte concentrada na região do

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On the road A jovem Bárbara Akemi da Costa, 19 anos, nascida no brasil, em São Paulo capital, tem mais história pra contar do que muito marmanjo. Desde 2007 on the road, Bárbara passou 4 anos viajando e é a terceira geração de japoneses de sua família. Foi ao Japão sem pretensões e voltou ao Brasil com muita bagagem e 4 línguas em seu vocabulário. Filha de brasileiros e neta de japoneses, não esconde

suas origens, herdou olhos puxados e um tom de pele moreno que caracterizam sua singularidade.

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Por que você foi ao japao?

Na escola eu acabava ficando mais com os estrangeiros, pois haviam muitos peruanos, espanhóis, americanos e nós saíamos juntos. Não tinha nem festas ou baladas, nós íamos prós games, boliches… Aquela coisa de japoneses, mais ligados à tecnologia.

Em 2005 meu pai foi ao japao para trabalhar em logística, sem dinheiro ele foi com apenas alguns dólares trabalhar com esse segmento, com alguns contatos ele acabou se arriscando e em 2006 minha mãe acabou indo também. Já em 2007, eu acabei indo para o japão por estar de saco cheio daqui e por querer acompanhar minha família, já que estavam todos lá.

Como foi sua experiência no Japão?

Bom, lá a maioridade é 21, é a idade que você pode beber e fumar, lá eu não podia nem comprar um cigarro, mas eu comprava mesmo assim (risos), eu chegava falando inglês e botando a banca, porque lá eles respeitam muito os americanos. Nos bares e restaurantes eles têm ambientes fechados, respeitando a privacidade dos clientes e facilitando aos jovens beberem, não há fiscalização e eles não se ligam muito nisso.

Foi dividido, como começar do zero, nascer de novo, eu não conhecia ninguém. No começo foi muito estranho, eu cheguei e fui morar no interior, era muito morto. Eu passei a minha vida inteira em São Paulo e não estava adaptada a vida interiorana japonesa. Eu cheguei sem saber falar a língua japonesa e desenrolava apenas as palavras chaves, quando eu cheguei estudei 8 meses direto, não fazia nada, só estudava, depois de um tempo acabei aprendendo a língua. Cheguei a participar de um time de futebol japonês e nós íamos pra algumas cidades competir, depois acabei conhecendo alguns contatos e montava viagens juntando pessoas que estavam a fim de ir para as cidades grandes japonesas, nesse meio tempo eu morei em algumas cidades grandes por algum tempo.

Quais portas a sua ida ao japão lhe abriram? O Japão não me abriu portas, me abriu a mente. Ficou estupidamente aberta. Os japoneses têm a cabeça muito fechada, mas eu trabalhei e convivi com pessoas de todo lugar do mundo. Morei em outros lugares do mundo justamente porque acabei conhecendo outras culturas, outras pessoas, fui morar em Londres e fiquei por lá uns 7 meses estudando a língua. Lá no Japão não importa o que você é, você trabalha para ter a mesma renda, então você trabalha com o que quer, isso faz parte da cultura e do modo sistemático deles viverem. Na época do terremoto, por exemplo, estava rolando a maior bagunça e eles conseguiam se organizar em filas indianas no meio do caos e do pânico.

Como foi o processo de adaptação com os japoneses na escola japonesa? Lá é muito diferente, não tem algumas regalias que nós, brasileiros, temos. Lá você não pode sair da aula pra fumar, por exemplo, eles são muito sistemáticos, não podem atravessar a rua fora da faixa de pedestres, são muito robóticos.

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Como foi a sua volta ao Brasil? Quando eu voltei ao Brasil, voltei ao meu passado. Voltei achando que o tempo estava parado em 2007 e achando que estava tudo igual. Fico atenta à algumas coisas que eu não estava ligada anteriormente. O dinheiro aqui é sujo, as pessoas jogam bitucas de cigarros nas ruas. Lá a gente não pode fumar na rua, porque pode sujar, mas dentro pode. Quando eu voltei, para arranjar o emprego que eu estou foi meio estúpido, porque aqui no Brasil tudo funciona na base do QI (Quem Indica), eu fui perguntar pro manobrista, que sempre me cumprimentava na rua, como eu fazia pra entrar e ele acabou arranjando alguém pra me indicar. Acho meio medíocre porque lá a gente não precisava de indicação e nem de sobrenome, era na base do marketing pessoal, já aqui é por puro “interesse”, lá elas te acolhiam pelo seu merecimento. Não havia hierarquia ou status, ninguém queria saber sobre o que eu tenho ou eu deixo de ser, eles gostavam de mim pela minha alma.

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Como entramos no assunto de baladas e festas, aqui no Brasil é tudo muito liberado, como que você, jovem, fazia no Japão para poder se divertir?

Foram algumas dessas diferenças que acabaram me mudando como pessoa.

Fotos: arquivo pessoal


Dicas

Livros// Memorias de uma Gueixa Um lindo romance escrito por Arthur Golden que, apesar de americano, soube retratar bem a vida fascinante porém triste das gueixas pré e pós 2ª Guerra Mundial. Criaçao auto biografica de umas das gueixas mais famosas do Japão, a história aborda a tradição e costumes de um povo nada liberal no século 20, com detalhes e riqueza de emoções. Tão bem escrito, recebeu uma linda adaptação para os cinemas, com um filme dirigido por Rob Marshall em 2005. O filme recebeu, merecidamente, o Oscar de melhor fotografia. São linda as paisagens por onde a personagem passa e é uma boa pedida para quem quer conhecer um pouco mais do Japão, sem sair de casa, claro.

Musica// Nao me abandone jamais Escrito por Kazuo Ishiguro, uma historia envolvente pela riqueza e sutileza da trama. A escrita de Kazuo é até simples, sem muitas descrições dos lugares e personagens, destacando mais o desenvolvimento destes.

Toe

O estilo do grupo tende ao rap, R&B com um toque de pop, têm fãs pelo mundo inteiro, já que eles não se limitam apenas a cantar, mas trazem também as danças de rua que deixam a performance do grupo mais rica e por consequência, atrai cada vez mais público (principalmente o feminino).

O grupo musical apresenta melodias fortes e gritantes, com um som que mistura bateria experimental e estilo alternativo. A guitarra ao fundo entra em sintonia com os arranjos, representando a singularidade do som da banda, que possui um vocal delicado e suave, ótimo para momentos de criação.

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Filmes//

Animacao//

Akira Kurosawa

Tekkonkinkreet

É o cineasta japonês mais conhecido no Ocidente, fato que ajudou a popularizar o cinema em seu país. Kurosawa trabalha com filmes classificado pelos críticos como “Dramas Realistas Contemporânaeos”, onde ele evoca o Neorealismo Italiano. Seus filmes mais prestigiados são: Rashomon (1954); Son-

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hos (1990) e Macadayo (1993). Em 1989, foi premiado com o Oscar pelo conjunto de sua obra que inspirou, encantou, enriqueceu e entreteu o público em todo o mundo influenciando muitos cineastas.

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Branco & Preto – obra de Taiyo Matsumoto mais conhecido como Tekkonkinkreet são duas crianças orfãs, abandonadas por seus pais em Tokyo.Vivem juntos nas ruas da cidade do Tesouro. O Branco representa o coração, sempre ao lado da bondade, é protegido pelo Preto,

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A histora é uma ficção cientifica distópica, onde a personagem narra boa parte da sua vida em um internato inglês. Aos poucos você vai descobrindo que este internato não é igual os outros e esconde uma verdade terrível. A adaptação para os cinemas é digirida por Mark Romanek traz lindas paisagens e emocionantes atuações da atriz Keyra Knightley e os não tão conhecidos, porém talentos Carey Mulligan e Andrew Garfield. Uma atenção especial tambem à trilha sonora. De cortar o coração.

Da Pump

que representa a razão. Sobrevivendo à marginilização e provocando o medo nas pessoas, juntos vão se mantendo entre o caos da cidade.


Ilustração de Kym Kobayashi: www.flickr.com/_toro

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Pátria que pariu Espaço para divulgar novos artistas., com o tema Japão. Mande seus trabalhos para revistapqp@pqp.com.br, nossa próxima edição PQP Alemanha.

Galeria

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Ilustração de Karen Madeo


Galeria

Templo Busshinji Em meio a tantas confusões da vida metropolitana, no templo conseguimos um tempo para nos conhecer e meditar, fugindo dos cansaços do cotidiano paulistano. Desde 1955 a Comunidade Budista Soto Zenshu está instalada no Brasil. A calmaria e o ambiente bucólico despertam um interesse na prática da meditação nos ocidentais. Para os incitantes, as quartas e

sábados a partir das 18:00hrs inicia-se o Zazen. O templo é situado no bairro da liberdade, próximo ao metrô São Joaquim. Rua São Joaquim, 460, Liberdade

Livraria Fonomag Localizada na rua dos estudantes, a livraria fonomag é um local que possui um amplo acervo de títulos de revistas e livros que valorizam a arte e cultura japonesa. É um local ideal para quem busca maior conhecimento sobre o assunto.

Ilustração de Marla Cruz: www.cargocollective.com/marlacrz

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Com um vasto acervo de mangás, os frequentadores, que, eram grande parte japoneses que procuram livros e revistas específicas, têm se misturado aos consumidores ocidentais, gaijin, que graças à internet acabam se

interessando pela literatura japonesa. Além dos HQs, a livraria conta também com uma sessão de livros de trabalhos manuais como origami, artesanato, pintura e sumie (trabalho com nanquim), diversificando seu público desde crianças atraídas pelos HQs até as senhoras que buscam dicas de pinturas e tricô.

Bar Do Sumô A maioria dos freqüentadores do bairro da liberdade conhecem a feirinha dos fins de semana, os famosos mercados que vendem comidas típicas e iguarias japonesas, porém não tiveram a oportunidade de conhecer um segredo apaixonante da cultura nipônica. Para se divertir e encontrar com os amigos, o bar do sumô, serve drinks e cervejas com petiscos tradicionais da culinária japonesa. Em um ambiente

pequeno e aconchegante, o preço baixo e a simpatia dos serventes agradam à todos.

Padaria Itiriki Bom lugar para se reunir com os amigos e provar doces e salgados rápidos e deliciosos. Com um grande espaço, o andar de baixo te deixa naquela dúvida do que comer, cheio de opções que vão de coxinha à muffins. Acima, espaço para comer e também optar pela variedade de bebidas, recomendamos o suco de pobá de frutas. O folhado de pão de queijo é ótimo e o Ichigo Daifuku (morango envolto com doce de feijão e massa de arroz) é uma

delícia, o azedo do morango quebra a doçura do feijão. Pode não ser o lugar mais barato do bairro mas é um dos mais legais, com um ótimo ambiente e cheio de opções para comer.


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Ilustração de Pedro Frischeisen: www.flickr.com/photos/pedrofn2


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Ilustração de Marla Cruz: www.cargocollective.com/marlacrz

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Revista Patria que te Pariu  

revista produzida em 2011 junçao de arte/moda/fotografia Interdisciplinar Faculdade Anhembi morumbi quarto semestre