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SOS+SMS

UNIVERSIDADE DE LISBOA FACULDADE DE BELAS-ARTES Licenciatura em Design de Comunicação Ano lectivo 2010/11 Docentes_ António Nicolas e Pedro Almeida — FBAUL . DC5// 3º ANO [2]// ABRIL ‘2011

PROJECTO DE COMUNICAÇÃO / TR. INDIVIDUAL

‘Daily life is becoming a kaleidoscope of incidents and accidents, catastrophes and cataclysms, in which we are endlessly running up against the unexpected, which occurs out of the blue, so to speak.’ Paul Virilio

KOBE,1995 CHERNOBYL,1996 SUMATRA, 2004 HAITI, 2010 SENDAI, 2011 Terramoto em Kobe, Japão, 1995 + Acidente nuclear em Chernobyl, Ucrânia, 1996

UNKNOWN QUANTITY “The World is deeper than the Day thinks, wrote Nietzsche at a time when the only light in question was still that of the sun. But already, here and there – and often even everywhere at once – contemplation of the screen no longer merely replaces that of the written document, the writing of history, bu also that of the stars, to the point where the audiovisual continuum actually supplants the substancial continuum of astronomy. In this ‹‹writing of the disaster›› of space-time, in which the world becomes accessible in real time, humanity falls victim of myopia, reduced to the sudden foreclosure of a confinement created by the time accident of instantaneous telecommunications. From this point on, to inhabit the integral accident of globalization is to asphyxiate not only sight, as desired by Abel Gance and later by cinemascope’s advocates among film-makers, but the daily life of a species endowed, for all that, with the movement of being.” + THE ACCIDENT THESIS “With the globalisation of the real time of telecommunications in these early years of the century, the public stage of the theatre of origins gives way (and how!) to the public screen, where the ‹‹acts of the people›› are played out that liturgy in which serial

cataclysms and catastrophes have the role of a deus ex machina or, alternatively, of the oracle announcing the horrors yet to come and, in this way, denouncing the abomination of the destiny of peoples. With television, which enables hundreds of millions of people to see the same event at the same moment, we are finnaly experiencing the same dramaturgical performance as we once did in the theatre. (...)

“A society which rashly privileges the present – real time – to the detriment of both the past and the future, also privileges the accident. Since, at every moment and most often unexpectedly, everything happens, a civilization that sets immediacy, ubiquity and instantaneity to work brings Accidents and catastrophes on to the scene.”

UM ATLAS DE ACONTECIMENTOS “A velocidade como princípio estrutural fundamental do mundo contemporâneo é uma proposição central da obra do influente teórico urbano Paul Virilio. Na sua visão do mundo, foi a busca da humanidade pela velocidade – ou por uma “aceleração lógica” – que operou uma transformação fundamental na sociedade moderna, visto estar na base do progresso tecnológico. A velocidade, para Virilio, é a essência da inovação na guerra e nos media, que, por sua vez, são os principais agentes que enformam o curso da História.Se concordarmos em assumir, então, que a velocidade e a aceleração – como fins em si próprias – caracterizam o mundo contemporâneo, então talvez não seja descabido pensarmos que estamos cada vez mais incluídos no meio de um contínuo de acontecimentos, onde um substitui o outro sem pausas para considerações ou para consequências. Num instante, surgem novas crises políticas, económicas e ecológicas com uma frequência e uma previsibilidade perturbadoras, enquanto, aparentemente de um dia para o outro, os modos de vida rurais desaparecem e as aldeias se transformam em cidades florescentes; com o simples clicar de um botão, a capital global viaja através de continentes, o que tem ramificações económicas colossais. Nestas condições, como Virilio avisa, uma cultura de amnésia tem tendência a reinstalar-se no quotidiano.”

Paul Virilio, Unknown Quantity, 2002

António Pinto Ribeiro, Debra Singer, Esra Sarigedik Öktem, 2007

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FBAUL / DC5 ‘2011 // PROJECTO SOS+SMS_1


‘The citizen revolution: From all corners of the globe, we are now bearing witness to an emergence of social entrepreneurs with ethics as powerful as their conviction to do the greatest good for all.’ Bruce Mau

N30/ Manifestações em Seattle, 30.11.1999. (1)

‘NO LOGO’/ NAOMI KLEIN (ENTREVISTA) / JORNAL PÚBLICO, 2002 — “Por estes dias Naomi Klein já deve estar na Argentina a preparar um documentário sobre a resposta da sociedade civil ao descalabro de um Estado. É aí, e no Brasil, que a autora de ‘No Logo’, acredita estar o futuro da democracia. O seu livro antecipou um movimento. Hoje, dois anos depois, Naomi Klein mantém o mesmo apetite pela vanguarda. (...) Quando decidiu escrever ‘No Logo’? Comecei a trabalhar no livro em 1996. O que é que a motivou? Nessa altura, o tipo de marketing a que assistíamos estava a mudar. Quer dizer, antes de meados dos anos 90, já havia uma grande quantidade de marketing invadindo as nossas vidas, mas a mudança que testemunho em ‘No Logo’ é que germinou por essa altura. E a mudança corporizou-se em alguns anúncios que interrompiam a nossa cultura, fazendo da nossa cultura marketing. Com isto quero dizer música, moda, educação, fazendo da cultura conteúdo para o marketing. Como fazia parte do público-alvo – era nova, estudava na universidade enquanto isto se passava –, apercebi-me melhor disto do que os meus pais. Isso pareceu-me evidente, e se a si não lhe saltou aos olhos é porque não se apercebeu em que mundo vive. Mas para mim havia algo de diferente entre um festival de música ser patrocinado por uma grande companhia, como a Pepsi, até a Pepsi pôr de pé o seu próprio concerto de rock. Conseguindo conter uma cultura numa só marca. (...) Representava uma mudança quanto à forma com estas companhias globais olhavam para elas próprias. A mudança tinha que ver com esta ideia de ‘marca estilo de vida’. (...) Quatro anos depois o livro foi publicado. Praticamente ao mesmo tempo de Seattle. Para si, aquela reacção era apenas uma questão de tempo, ou ficou surpreendida? Essa é uma pergunta complicada. A verdade é que já tinham acontecido outros ‘Seattles’ antes, com a diferença de não ter sido em Seattle [risos]. A sua pergunta traz consigo algum egocentrismo norte-americano. Já antes tinham acontecido manifestações maiores. (...) Aquele modelo já existia. Mas a verdade é que Seattle só se tornou aquilo que agora conhecemos porque vivemos num mundo centrado nos EUA. E este movimento não foi considerado global até que aconteceu nos EUA. (...) Mas devo dizer-lhe que ter acontecido nos EUA me surpreendeu. Como muitas pessoas, eu tinha acreditado nesta ideia, que nos vendem todos os dias, que os norte-americanos eram felizes. Também é um facto que qualquer activismo é extremamente marginalizado nos media norte-americanos. Muito mais que na Europa, ou no Canadá. Quer dizer eu sou ‘mainstream’ no Canadá. E na Europa também – aí eu tenho acesso aos jornais de referência. Mas sou totalmente clandestina nos EUA [risos]. Qual lhe parece ter sido a consequência que teve o 11 de Setembro no caminho que o movimento estava a percorrer? Acho que este movimento de que falamos tem crescido enormemente no último ano. (...) A verdade é que no ano passado aconteceram mobilizações maciças na Europa. Em Barcelona, durante a cimeira da UE, estiveram 250 mil pessoas. É a maior manifestação de sempre! E só não chegou às primeiras páginas porque foi totalmente pacífica. Mas acho que uma alteração bem mais importante – eu acbei de regressar da África do Sul – é a mobilização por todo o continente africano contra a invasão da cimeira do Ambiente pelas multinacionais. O problema é que damos muito mais importância ao que se passa nos EUA e tendemos a marginalizar o que acontece noutros lo-

cais. E não relacionamos todos estes eventos. Isso é essencial. O mesmo se passa na América Central. Assistimos a uma poderosa rejeição do neoliberalismo aí. Argentina, Brasil, Peru, México. Por todo o continente se começa a rejeitar privatizações, estão a perder a fé no capitalismo. Acha que é essa dispersão que define o que se convencionou chamar movimento antiglobalização? Não é só um movimento. É uma reacção global, descentralizada contra uma ideologia económica, contra uma espécie de fundamentalismo económico que põe o lucro das multinacionais à frente das necessidades das pessoas e sacrifica as nossas democracias. Mas esse movimento – como lhe chamou – mostra-se diferente nos mais variados locais do mundo. Seria muito mau sinal se fosse igual. Não se pretende imitar a marginalização que a globalização representa no movimento, ao definirmos apenas uma forma de activismo, com a partilha das mesmas tácticas e a mesma ideologia. O que ele realmente representa é uma nova atitude contra a supremacia das forças de mercado, exigindo uma democracia mais profunda.

N30/ Manifestações em Seattle, 30.11.1999. (2)

Acredita que este movimento vai conseguir mudar alguma coisa? Eu não acredito que uma manifestação à porta de uma cimeira seja o que muda as coisas neste mundo. O que estes protestos conseguem fazer é abrandar a velocidade da expansão. Eu acredito é nos movimentos de base que, por exemplo, conseguiram bloquear privatizações por toda a América Latina e África. Esses sim, conseguiram ter impacte. Acima de tudo, o que essa convergência à porta de cimeiras tem conseguido é mostrar as relações que existem. (...) Todos existimos dentro de um sistema – a nossa economia é um sistema –, existe aquilo a que eu chamo um fundamentalismo económico, que invade todas estas áreas. O que nos pode ajudar é ultrapassar a política do tema único. Isso quer dizer que existe algo de novo a emergir? Penso que sim! Penso que o modelo económico que tem dominado desde 1989 – a ideia de que não há alternativa a este modelo, que chamarei de neoliberalismo – está em cheque. (...) O que eu vejo como novo e excitante, neste momento, é que por toda a gente – bem... nem por toda a gente, ainda há quem na esquerda queira voltar atrás defendendo o socialismo centralizado como resposta, mas esses representam já uma minoria no movimento – há uma rejeição da centralização do poder como princípio, tanto num sistema capitalista, como num sistema socialista. E renasceu o interesse na democracia participativa. / THE CITIZEN DESIGNER / RICK POYNOR — “By the end of the 1990s, anyone who felt that corporate power was getting out of hand had good reason to be hopeful. After a long period of complacency, public discussion was starting to happen in the US and other liberal democracies, spurred by expressions of disaffection seen at a series of protests, beginning with the World Trade Organization negotiations in Seattle in 1999, and fuelled by the appearance of books such as Naomi Klein’s No Logo and Thomas Frank’s One Market Under God. Some designers, too, were showing signs of unrest. By the late 1990s, Adbusters had become a mustread publication for many, and the magazine’s launch of the First Things First 2000 manifesto gave additional focus to this renewed questioning of design’s position in the scheme of things.

FBAUL / DC5 ‘2011 // PROJECTO SOS+SMS_2

The plans made by the American Institute of Graphic Arts (AIGA) for its national design conference, ‘Voice’, in late September 2001 seemed set to give further impetus to design’s questioning mood. In retrospect, the decision to cancel the event, following 11 September, was unquestionably correct, but it is emblematic of the way that, since that terrible moment, the discussion of formerly pressing issues such as globalization has been pushed aside. (...) It has to be said that designers were not, even before 9/11, conspicuous supporters of the anti-capitalism movement. (...) The problem that dogs all analysis of these issues as they relate to design is, at root, these are political questions. Any discussion that fails to acknowledge this will never move very far beyond vague, platitudinous statements of a desire to ‘improve things’. One of design’s great visionaries, Buckminster Fuller, believed that these issues were so important that they bypassed the trivialities of mere politics. Fuller was right about many things, but on this point he was wrong. There may be more than enough resources in the world to go around, as he often pointed out, but human beings do not spontaneously opt for what he saw as the fair and rational couse of action and share them out. Politics is the only mechanism by which a more equitable arrangement might be achieved. (...) So design badly needs people ready to stand up and speak out. We have a few, but they tend to be lone figures and mavericks, imagemakers such as Shaw Wolfe in the US or Jonathan Barnbrook in the UK. While some argue with alarming vehemence that such work achieves nothing apart from letting off steam and publicizing the designer, I believe that it has considerable value. The consumerist status quo pumps out a vast, overwhelming, massively resourced slurry of consciousness-shaping propaganda. What on earth is wrong in producing and taking support from some alternative points of view?” / N-30/ A BATALHA DE SEATTLE (Ref.ª no programa da disciplina) — Os manifestantes envolvidos nos protestos [da Batalha de Seatlle] tinham motivações e perspectivas políticas distintas. Enquanto os membros das ONGs e humanistas se contrapunham ao encontro como forma de protestar contra o avanço das políticas neoliberais, que consideravam uma ameaça aos direitos humanos e às políticas de saúde, educação e distribuição de riqueza nos países mais pobres, na óptica dos ambientalistas, as manifestações tinham como objectivo impedir as negociações da OMC, chamando a atenção para a degradação ambiental resultante das políticas de desenvolvimento estatais e privadas. (...) Para diversos grupos anarquistas a reunião foi uma ocasião para demonstrar o repúdio ao capitalismo global tanto pelas questões sociais como pelas questões ambientais, através de diferentes formas de acção directa. — www.democracynow.org/2009/11/30/the_battle_of_seattle_10_years /

N30/ Manifestações em Seattle, 30.11.1999. (3)

‘Never doubt that a small group of thoughtful, committed people can change the world. Indeed, it is the only thing that ever has.’ Margaret Mead


CONTEMPORARY EXPRESSIONS: DESIGN ACTIVISM, 2000 ONWARDS / ALASTAIR FUAD-LUKE — “It seems that the interest of the professional design community (practitioners, academics, researchers, theorists, critics and writers) in design activism is gathering fresh momentum. A number of new organizations were established between 1999 and 2008 with an activist agenda focusing on archictecture, social design, slow design and/or interdisciplinary design (..). Authors have explicity named and explored ‘design activism’, while others have suggested new social dimensions for design practice or for increased societal participation in the design process. In 2005, a new biennale for social design was launched in the Netherlands – the Utrecht Manifest. In 2008, there was a gathering of more than 300 design researchers, teachers and practitioners examining diverse sustainability issues at the Changing the Change conference in Turin, Italy. Over the past few years, several design approaches are emerging to challenge the sustainability agenda and look beyond eco-efficiency. These include co-design, social design, slow design and metadesign (...). There are a number of new published works examining particular areas of design activism – in particular, architecture for humanitarian purposes, graphic and communication, critical design, design and feminism, and the wider contemporary design and development agenda. In 2007, the Cooper Hewitt National Design museum, New York, focused on design for the world’s poor with an exhibition and publication entitled ‘Design for the other 90%’. So the design activism agenda appears to be in rude health, but how do we make sense of it?” / ON GOVERNING BY DESIGN / PAOLA ANTONELLI — Design is an inescapable dimension of human activity. To adapt one of my favorite quotes by Reyner Banham, like the weather it is always there, but we speak about it only when it is exceptionally bad or exceptionally good. Design is also a powerful political tool, as pharaohs, queens, presidents, and dictators throughout history have taught us. It comes not only in very visible and traditional applications—in the national identities expressed by currencies, symbols, monuments, and public buildings—but also in less apparent and yet equally momentous applications such as the design of complex systems, ranging from territorial infrastructures to the planning of new communities, and the translation of technological and social innovation for the use of the population. (...) What we advocate: design applied not as a mere aesthetic or functional tool but as a conceptual method, based on scenarios that keep human beings in focus, with the means consequently allotted in elegant, economic, and organic ways to achieve the imagined goals. Even though design alone will not solve everything, it will, as always, help create and implement effective solutions that are attuned to human nature. Several countries are experimenting with this approach. (...) These countries believe that design can support their economy by incorporating innovation and also heighten their cultural status on the global stage. Oddly enough, some of the countries most lauded for their design sophistication, such as Italy and Japan, feature the most design-obtuse governments.” +

rísticas organizativas e às necessidades derivadas do seu trabalho de intervenção social. Essa plataforma, de cariz multimedia, poderá integrar diferentes objectos e suportes (impressos e/ou digitais), adequados a diferentes necessidades da instituição seleccionada e à sua multiplicidade de registos e intervenções, individuais ou em sistemas de parcerias. Unit-y, logo/campanha de promoção/Activismo social, Next Aid, EUA.

3. Gestão da relação entre os requisitos de comunicação e os meios de produção e distribuição disponíveis. METODOLOGIA / CONDICIONANTES Nesta fase, o projecto SOS/SMS inicia-se com a escolha de um das seguintes áreas temáticas: Cidadania e direitos humanos; Solidariedade e inclusão social; Ecologia e preservação ambiental; Políticas artísticas e culturais; Consumo e direitos do consumidor; Cidade e territórios urbanos. + Esta escolha será o ponto de partida para uma investigação que decorrerá em paralelo com sessões temáticas em que os professores e algumas personalidades convidadas apresentem instituições, o trabalho que estas desenvolvem e o público com quem colaboram ou trabalham. Com base na informação recolhida, analisada e sintetizada e na definição de objectivos específicos associados a cada tema e/ou instituição, esta fase do projecto propõe ao aluno a concepção e desenvolvimento de um documento de síntese sobre um dos temas escolhidos, definindo o seu enquadramento histórico, social e cultural, complementado com a apresentação de exemplos (casos de estudo) associados ao tema. O suporte para este documento/dossier poderá ser o formato impresso A4 (máx.) ou digital – blog ou site. CALENDARIZAÇÃO / AVALIAÇÃO Indicação e discussão de temas de trabalho: a partir de 11 de Abril. Conclusão da 1ª fase / Entrega do dossier: 2 e 3 de Maio. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Nível da investigação realizada, grau de conhecimento revelado, capacidade de síntese, clareza de discurso, cumprimento dos prazos estipulados, rigor e qualidade formal do documento apresentado.

http://seedmagazine.com/content/article/on_governing_by_design/ /

INTRODUÇÃO I. Os textos apresentados neste enunciado mostram de forma abrangente, um panorama de crescente politização e responsabilização social da actividade do design, dando nota de uma série de actividades relacionais e de colaboração entre diversos agentes e redes de mediação, pró-activas em relação às mais diversas formas de intervenção – artística, cultural, ambiental, social e económica. Neste contexto, o designer assume--se como catalizador e ‘prosumidor’ de importantes plataformas de comunicação, que de forma global, sustentam e dão relevância a uma consciência crítica sobre a ordem das coisas e o território socio-cultural onde pertencemos. + 2. Em continuidade com as temáticas apresentadas pelo programa de DC5, o projecto SOS+SMS, pretende dar início a um percurso de reflexão e pesquisa sobre os modos de representação e mediação na comunicação, conduzindo o aluno a uma intervenção projectual num cenário de acção mais concreto. Este cenário será proporcionado pela possibilidade de parcerias com diversas ONG’s e instituições estatais ou privadas que permitam explorar a interacção entre o designer e as diferentes ‘redes de ligação’ ao panorama socio-cultural, podendo assim experimentar uma efectiva relação com o mundo do trabalho tendo presente a necessidade prioritária de sintonizar a prática projectual com as dimensões da ética e da cidadania. 1ª FASE Numa 1ª fase, o projecto pretende sensibilizar o aluno para o imperativo ético de compatibilizar a actividade profissional com o sentido de responsabilidade social, cultural e ambiental. Paralelamente, o enunciado procura consolidar os requisitos essenciais ao desenvolvimento da actividade projectual, nomeadamente quanto a: 1. Desenvolvimento dos processos de pesquisa e investigação considerando particularmente as condicionantes sociais, culturais e económicas do projecto; 2. Exploração dos condicionalismos da relação entre o designer e as parcerias estabelecidas em contexto real;

Jonathan Barnbrook, cartaz para a Adbusters, 1999

2ª FASE Dando continuidade aos textos e referências da 1ª parte do projecto e fornecendo ao aluno alguns conceitos e outras referências visuais e textuais, fica agora assinalado com particular enfâse por autores como Naomi Klein, Alastair Fuad-Luke ou Paola Antonelli, o seguinte: a afirmação do modelo democrático como condição inequívoca da prática do design e a definição e a esperança numa democracia participativa como principal inspiração para um motivo de intervenção social e ambiental – neste sentido, ver com particular atenção a entrevista de Naomi Klein. Uma nota de esperança está ainda implícita na resposta de Gilles Lipovetsky (v. pág.4) às nossas perplexidades sobre a condição humana ‘hipermoderna’ – à interrogação sobre a inevitabilidade de um ‘mundo sem alma’, afirma sem hesitações: ‘Não, a realidade é mais complexa’. Ao Design e ao seu espaço de intervenção, caberá certamente uma resposta qualificada e adequada a algumas destas problemáticas. OBJECTIVOS Mediante o trabalho de investigação desenvolvido na 1ª parte do projecto, cada aluno deverá organizar o seu trabalho a partir da escolha de uma das organizações entretanto apresentadas às turmas. A existirem outras escolhas, deverão ser discutidas previamente com os respectivos professores, podendo ou não ser aprovadas. A partir dessa escolha, o aluno deverá estabelecer uma proposta projectual que se assuma como uma plataforma de comunicação, para essa mesma instituição, adequada às suas caracteFBAUL / DC5 ‘2011 // PROJECTO SOS+SMS_3

METODOLOGIA / CONDICIONANTES Nesta 2ª fase do SOS/SMS, o projecto de comunicação, será estabelecido para um cenário de acção concreto que permitirá explorar a interacção entre o designer e essas mesmas parcerias, tendo presente a necessidade prioritária de sintonizar a prática projectual com as dimensões da ética e da cidadania, definindo o seu enquadramento histórico, social e cultural. O projecto será concretizado com os seguintes registos: 1. Criação de uma nova plataforma de comunicação para a instituição seleccionada, que apresente e defina o seu modelo de organização, parcerias e redes de intervenção social onde se integra, características identitárias e tema ou campanha específica em desenvolvimento. Estratégias de comunicação, objectos gráficos e/ou digitais (blog ou site), definidos pelo aluno. 2. Booklet de formato A5, que apresente e contextualize todo o projecto. Desenvolvimento e concepção gráfica definida pelo aluno. CALENDARIZAÇÃO / AVALIAÇÃO Selecção de tema/Instituição: 2 e 3 de Maio. Discussão das propostas projectuais: durante o mês de Maio. Avaliação do projecto: 30 de Maio a 3 Junho. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Nível da investigação relativo à temática seleccionada, criatividade, nível de complexidade e grau de desenvolvimento projectual, adequação das soluções apresentadas à temática, cumprimento dos prazos, rigor e qualidade formal na apresentação do projecto. BIBLIOGRAFIA FULLER, R. Buckminster (1998); Manual de Instruções para a Nave Espacial Terra; Porto: Via Optima. HELLER, Steven e Véronique Vienne (2003); Citizen Designer: Perspectives on Design Responsability; New York: Allworth Press (DG6/136) KLEIN, Naomi (2002); No Logo: O Poder das Marcas; Lisboa: Relógio D’Àgua. (DG 6/59) LIPOVETSKY, Gilles e SERROY, Jean (2010); A Cultura-Mundo. Resposta a uma Sociedade Desorientada; Lisboa: Ed. 70. MAU, Bruce et al. (2004); Massive Change; London: Phaidon. (DGE 432) McDONOUGH, William e Michael Braungart (2002); Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things; North Point Press. (DGE 415) NOBRE, Fernando (2009); Humanidade. Despertar para a Cidadania Global Solidária; Lisboa; Temas e Debates. PAPANEK, Victor (1992); Design for the Real World: Human Ecology and Social Change; London: Thames & Hudson (DGE 89) POYNOR, Rick (2001); Obey the Giant: Life in the Image World; London: Birkhäuser. (DG6/133) POYNOR, Rick (2006); Designing Pornotopia. Travels in Visual Culture; London: Laurence King Publishing. ROBERTS, Lucienne (2006); Good: an introduction to Ethics in Graphic Design; Lausanne: AVA Publishing. (DG6/296) VIRILIO, Paul (2002), Unknown Quantity, Paris: Thames & Hudson e Fondation Cartier pour L’ Art Contemporain. REFERÊNCIAS ON-LINE adbusters.org/ amnistia-internacional.pt/ changingthechange.org/blog/ designthatmatters.org/ designobserver.com/ fuad-luke.com/ inhabitat.com/ massivechange.com/ other90.cooperhewitt.org/ platform21.nl/ seedmagazine.com slowfood.com socialdesignsite.com/ socialdesignblog.org/ spacecollective.org/ utrechtmanifest.nl/ worldchanging.com/ FILMOGRAFIA AN INCONVENIENT TRUTH_ Davis Guggenheim (2006) BARAKA_ Ron Fricke (1992) BATTLE IN SEATTLE_ Stuart Towsend (2007) FOOD, INC._ Robert Kenner (2008) MANUFACTURED LANDSCAPES_ Jennifer Baichwal (2006) THE 11TH HOUR_ Nadia Conners/Leila C. Petersen (2007) TRILOGIA ‘QATSI’_ Godfrey Reggio (1983) O NOSSO GANHA PÃO_ Nikolaus Geyrhralterm (2005) + FAST FOOD NATION_ Richard Linklater (2006) HOME_ Ursula Meier (2008) SAFE_ Todd Haynes (1995) SOYLENT GREEN_ de Richard Fleischer (1973) —


‘Para dar início à determinação da nossa posição a bordo da nossa Nave Espacial Terra devemos, em primeiro lugar, constatar que a abundância de recursos imediatamente consumíveis, obviamente desejáveis ou absolutamente indispensáveis foi, até agora, suficiente para nos permitir continuar, apesar da nossa ignorância.’Richard Buckminster Fuller

THE VIRTUAL WATER PROJECT (Cartaz A0, 1ª edição, 2007) / ‘Virtual water content: The virtual-water content of a product (a commodity, good or service) is the volume of freshwater used to produce the product, measured at the place where the product was actually produced (production-site definition).’ / http://virtualwater.eu/

WE WILL ERADICATE POVERTY. ‘New systems of design – of communication, production, evolution, and exchange – have the potential to create shared wealth on a order of magnitude the world has never seen. Design and its capacities promise to make this century a new era of wealth worldwide.’Bruce Mau

CAMINHAMOS PARA UM MUNDO SEM ALMA? “As nuvens negras que se acumulam sobre as nossas cabeças vão muito além destas considerações: dizem respeito à esfera dos valores éticos e dos ideais. O que resta dos valores nobres num mundo submetido à lei hegemónica do dinheiro e dos media? Onde nos conduz o universalismo dos mercados, dominado pelo individualismo extremo, o culto do sucesso e o consumismo? São muitíssimas as vozes que se erguem contra o fracasso duma época hipermaterialista em que já não haveria senão a busca do poder pelo poder, o egoísmo do cada um por si e a indiferença pelos outros. Predomina a ideia de que a nossa civilização passa por ‘uma crise de valores, uma crise de proporções inauditas’, já não havendo quem seja capaz de falar com a mínima convicção sobre o bem e o mal. O que se generaliza com a cultura-mundo não se distinguiria duma nova bárbarie, dum niilismo radical que, sem qualquer preocupação pelos valores, apenas reconhece a obssessão pelo dinheiro e o cálculo individualista dos interesses pessoais. Muitos aspectos da cultura tecnomercantil ilustram inegavelmente esta dinâmica neoniilista. Mas será a única? Será verdade que só nos resta uma cultura que impõe a supremacia do dinheiro sobre todas as aspirações humanas? Estará o materialismo ‘sem alma’ a triunfar de forma absoluta? Não, a realidade é mais complexa.” +

FBAUL / DC5 ‘2011 // PROJECTO SOS+SMS_4

SOLIDARIEDADE SEM FRONTEIRAS “A consagração hipermoderna dos direitos do homem encontra uma ilustração particularmente exemplar no aumento da influência dos movimentos humanitários e das ONG transnacionais. Eram 200 em 1900, 2.000 em 1960, 4.000 em 1980 e aproximam-se dos 40.0000 actualmente. Nunca as ONG foram tão numerosas, poderosas e prestigiosas. Quer o seu orçamento de funcionamento, quer a sua capacidade de agir não cessam de aumentar: as suas intervenções abrangiam 250 milhões de pessoas no final dos anos 90, contra 100 milhões no início dos anos 80. Os auxílios humanitários de urgência aumentaram seis vezes nos últimos 10 anos, atingindo cerca de 10 mil milhões de dólares em 2000. Enquanto organizações de dimensão internacional que agem em nome da humanidade, defendendo causas que ignoram as fronteiras, as ONG são a figura filantrópica, desinteressada e heróica da cultura-mundo. ‘Nada do que é humano me é estranho’: a frase de Marco Aurélio torna-se agora concreta, numa escala colectiva organizada, com a sua ingerência e a sua urgência humanitárias, transcendendo as barreiras das nações. A multiplicação das ONG, bem como o eco que despertam junto das populações, revelam que de modo algum a alma desapareceu do planeta do hiperconsumo individualista.” Gilles Lipovetsky


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