NOITE de VÍDEO ARTE

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INTRODUÇÃO A primeira parte da NOITE DE VÍDEO ARTE apresenta vídeos pelos estudantes da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV) de Maputo. Os vídeos são resultado do workshop dirigido por três artistas da Suíça: Quynh Dong, Christoph Oertli e Olga Titus. A segunda parte inclui nove vídeos destes três artistas, que permitem um olhar sobre o seu trabalho e sobre a vídeo arte suíça contemporânea, reflectindo a natureza multicultural da sociedade suíça de hoje. O futuro pertence ao meio vídeo, com imagem em movimento e som. Está omnipresente no nosso quotidiano nos tablets, smartphones, nos clips de música, publicidade e nas redes sociais e, também é popular entre os jovens, em Moçambique. Pode ser usado para animação, filmar pessoas e música, registar observações e narrar histórias. Então, que acontece quando três vídeo artistas da Suíça se juntam aos estudantes da ENAV num workshop de 5 dias, de 5 a 9 de Setembro de 2016? Vai, sem dúvida, ser uma experiência emocionante e estamos curiosos por descobrir! A vídeo arte tem uma tradição que remonta aos anos ‘60 e caracteriza-se pela sua diversidade. Os vídeos e as vídeo-instalações podem ser vistos em exposições, museus e galerias, em colecções e festivais e, já fazem parte da educação artística. A «VIDEO WINDOW» traz trabalhos de Quynh Dong, Christoph Oertli e Olga Titus para mostrar o quão diversa pode ser a vídeo arte, os diversos interesses artísticos, conteúdos, formas e expressões que pode tomar. As possibilidades visuais e auditivas, aparentemente ilimitadas, são o que faz este meio fascinante e mágico. E não deixam de nos surpreender, sempre. Bruno Z'Graggen curador


Nasceu perto de Hanoi (Vietname) em 1982. Com a família, emigra para Berna, na Suíça, em 1990. Desde 2008, vive e trabalha em Zurique. 2008-10 MA Belas-Artes, Univ. de Arte, Zurique 2005-08 BA Belas-Artes, Univ. de Arte, Berna 2000-04 Desenho Gráfico, Escola Design, Berna Quynh Dong expõe na Suíça e, internacionalmente, desde 2004, encenando performances e participando em projecções e festivais de vídeo arte, colaborando como especialista em vídeo na opera e no teatro. Recebeu vários prémios e participou em residências, por exemplo, na Rijksakademie (Amesterdão), entre 2013–2015. Meios: Vídeo, performance, instalação, esculptura (cerâmica), pintura (aguarela) Mais informações: https://quynhdong.ch PROJECÇÃO Quynh Dong adora música e é uma cantora apaixonada. Em "Sweet Noël" reconstrói a imagem do mestre da pintura tradicional Vietnamita, Ngyen Gia Trí, criando um cenário. Num jardim paradisíaco vemos onze figuras idênticas de uma bela mulher asiática usando vestido longo. Ela adopta poses várias, representando comportamentos gestuais asiáticos típicos e cantando a famosa love song vietnamita “Hai mùa noel”. Subita e maravilhosamente, no meio do vídeo, começa a nevar. Num vídeo musical, a divertida banda 7Dong apresenta mais uma love song, “A estrela, tu e eu”, num estilo asiático pop. Com estes dois vídeos, a artista transporta-nos para a esfera da cultura asiática do seu país de origem e convida-nos, por um momento, a emergir nesse mundo. Ao nível emocional, a encenação da beleza exagerada ao ponto de se tornar kitsch questiona a criação, disseminação e percepção de estereótipos culturais. Ao mesmo tempo, levanta questões sobre identidade, solidariedade e desejo, que todos experimentamos. Em contratse, cinco curtos vídeo-poemas capturam imagens atmosféricas da paisagem urbana de invernal de Zurique, onde a artista reside. VÍDEOS "Sweet Noël" (Doce Natal), 2013; HD, cor, som, 16:9, 7'39" "Ngôi Sao Anh Và Em" (A estrela, tu e eu), 2010; HD, cor, som, 16:9, 3'36" "Video Poems", 2009/2010; SD PAL, cor, som, 4:3, 2'57"


Nasceu em 1962, em Winterthur. Viveu em Zurique, Paris e Canadá. Reside e trabalha em Basel e Bruxelas. 1992-95 Design Áudiovisual, Escola de Design, Basel 1983-87 Desenho Gráfico, Escola de Design, Zurique Christoph Oertli é performer e vídeo artista desde 1995. Realizou documentários, foi operador de câmara a bordo de um cruzeiro e editor freelancer. É orador convidado na Escola de Arte de Lucerne, desde 2004. Exibe na Suíça e no estrangeiro, participa em projecções, festivais e residências artísticas incluindo, várias no Cairo. Meios: vídeo e performance Mais informação: www.christophoertli.ch PROJECÇÃO O trabalho de Christoph Oertli é caracterizado pela proximidade da performance, dança e teatro e, pelo interesse em observar pessoas e espaços públicos nas grandes cidades, fora da Suíça. Os três vídeos oferecem uma introdução às várias fases do seu trabalho, dois deles gravados no continente africano. No seu último trabalho, "Ethiopian Run", Oertli apresenta-nos um grupo de estudantes de arte da Universidade de Addis Abeba que coreografa num salão, mostrando-os enquanto experimentam sapatos novos. Simbolicamente, ele permite-lhes por os sapatos e abandonar o edifício. Parecem representar uma nova geração, auto-confiante e com esperança. Em "Cairo", Oertli leva-nos num passeio pela cidade, dando-lhe um toque de sonho, através do recurso a slow motion e sons ausentes. Seguimos jovens, alternadamente, de dia e de noite, por terraços, ruas movimentadas, praças repletas de gente e montes com céus impressionantes. Um cosmos metropolitano revela-se-nos, bem remoto das atracções turísticas das Pirâmides. Em "Trabalho doméstico", Oertli mostra-nos as suas qualidades de performer no estúdio, com doses de drama e ironia. A sua virtuosa dança ao ritmo da música jazz à volta de candeeiros balanceantes termina em desastre. VÍDEOS "Ethiopian Run", 2015; HD, cor, som, 16:9, 14' “Cairo", 2006; SD PAL, cor, som, 4:3, 11' "Housekeeping" (Trabalho doméstico), 2001; SD PAL, cor, som, 4:3, 7'


Nasceu em 1977 em Glarus, de mãe Suíça e pai de origem indiana, residente em Kuala Lumpur. Olga vive e trabalha em Winterthur. 2002–2006 Belas-Artes e Novos Media, Escola de Arte e Design, Lucerne 1996–1999 Estágio, Design de Embroidery, União PLC Embroideries, St. Gallen Olga Titus tem exibido na Suíça e no estrangeiro, desde 2004. Participa em festivais e projecções de vídeoarte. Recebeu prémios e participou em residências, em Bangalore, Varanasi e Buenos Aires. Meios: vídeo, instalação, fotografia, objectos, desenho, colagem, técnica mista Mais informação: www.olgatitus.com PROJECÇÃO Olga Titus utiliza, frequentemente, a colagem com animação em stop motion. A busca pessoal pela identidade é o tema central do seu trabalho. Residente na Suíça, é influenciada pela estética asiática e indiana, através do pai. O seu primeiro vídeo "Tenho coração de passarinho" é exemplo do estilo virtuoso e irónico com que utiliza crossfades para mostrar, simultaneamente, ícones dos dois mundos. Bollywood e a espiritualidade indiana fundem-se com a tradição suíça. O cantor indiano Sangeeta Kumar entoa uma canção popular suíça em Hindi, mimetizada pela artista. Em "O My!", Titus volta a fazer uma fusão cultural enquanto experimenta uma composição dramática que usa a cortina teatral. Há ornamentos coloridos, máscaras e símbolos com associações a África. a música de Ourania Lampropoulou e peças de todo o mundo, são exemplo desta fusão, com um instrumento associado aos países alpinos e conhecido mundialmente. Em "Hybrids", Titus evoca uma paisagem planetária num estilo ficção científica, para questionar a origem das civilizações e dos conflitos, recorrendo a meios muito simples e criando um discurso utópico que opõe à violência, o amor incondicional. VÍDEOS “Hybrids", 2014; HD, animação, cor, som, 16:9, 5'20" "O My!", 2014; HD, animação, cor, som, 16:9, 4'31" "Han äs Herzeli wie äs Vögeli" (Tenho coração de passarinho), 2006; SD PAL, animação, cor, som, 4:3, 2'34"


Bruno Z'Graggen (curador) Quynh Dong I Christoph Oertli I Olga Titus (artistas)

Textos Bruno Z'Graggen I Tradução e Desenho Gráfico ZOOM I Imagem de capa Quynh Dong