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#1 . ano 1 - 2012

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distribuição gratuita

Comida

Bebida

Diversão

Academia Brasileira Academia Brasilei da Cachaça Cachaça Uma reunião dos

Arte

apreciadores da “branquinha”

Hoje, na Academia, somos

40 membros, 30 homens e 10 mulheres. O compositor Carlos Cachaça é o patrono geral da Academia.

Paulo Antônio Magoulas, presidente


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Birita, boteco e música

Luis Fernado Vieira Ilustração: Boni bonirj@gmail.com

Geraldo Ribeiro. Ilustração: Ykenga

dos donos de bares, os frequentadores com boas histórias para contar também terão espaço em nossas edições. Vamos estar sempre ao seu lado – sóbrios – para acompanhar os melhores momentos de sua vida e dividir com o nobre leitor, entre birinaites e acepipes, informações leves que pos-

Expediente

Editorial G

ostaria de propor um brinde à primeira edição do Calunga de Buteco, que chega às suas mãos, embora para isso o nobre leitor tenha de colocar o jornal na mesa ou no balcão. Nossa ideia é levar até você informações sobre tudo que está acontecendo nos melhores bares, botecos e pés sujos do ramo. Seus personagens e histórias servirão de inestimáveis fontes para as nossas pautas. A ideia é usar textos curtos, linguagem coloquial e muita ilustração para mostrar o que rola na mesa dos bares e nos balcões dos pés sujos de nosso estado. Se você tem uma história interessante, como a do grupo da “Turma do Sabão”, que mostramos nesta edição, pode mandar para a gente, que, certamente enriquecerá nossas páginas. O Calunga pretende ser o porta voz dos bebuns e apreciadores em geral das boas coisas da vida, principalmente daquelas bem geladas e acompanhadas de deliciosos tira-gostos. Além

sam contribuir para um dia a dia – ou noite - mais agradável. Entre um levantamento de copo e outro, vamos sugerir mais um esforço ao nobre companheiro etílico, não muito chegado ao esforço físico: a virada de página. Um brinde e vida longa ao Calunga!

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s botecos estiveram presentes na vida do carioca e, com o passar do tempo, frequentá-los passou a ser um estilo de vida. A princípio seus proprietários tinham uma relação muito de perto com seus frequentadores, que estendiam o pagamento de suas contas, por dias, muitas vezes meses, graças ao famoso “pendura” ou “fiado”, que a intimidade na amizade garantia. A figura do português, dono de bar, foi por muito tempo retratada nas músicas e nas piadas. O compositor Wilson Batista sempre os criticava. Das brincadeiras surgiam músicas sobre o assunto, como “No Boteco do José” e de outras falando de bebidas como “Bolinho de Cachaça”, “Coquetel 44” e “Mais uma taça”, entre tantas. No carnaval outros autores fizeram da bebida seu hino momesco, como “Turma do funil”, “Cachaça”, “Camisa listrada” e “Bebo sim”. Até as ditas caipiras como “Marvada Pinga”. Compositores de várias gerações e gêneros usaram a bebida como tema e inspiração, como “Carlos Cachaça”, Patrono da “Academia Brasileira da Cachaça”, que a incorporou ao nome. Os músicos sempre estiveram ligados à boemia. Alguns eram estimulados a produzir quando em ação degustativa, como Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Padeirinho, Gracia do Salgueiro, Roberto Ribeiro, Vinícius de Morais, Tom Jobim e muitos e muitos outros. Alguns lugares ficaram conhecidos, pela frequência desses artistas, como o “Café Nice”, templo dos artistas, “Bar Gouveia”, “escritório” de Pixinguinha, “Boate Zum - Zum”, frequentada pelo pessoal da bossa nova, capitaneada pelo seu proprietário e compositor Paulo Soledade, e hoje, o “Bip-Bip”, do querido Alfredinho, que não deixa morrer o verdadeiro espírito do bote-

co, com música de primeira qualidade, cerveja gelada e o companheirismo de todos. Música e birita fizeram ressurgir o bairro boêmio da Lapa, através do belo trabalho de Lefê de Almeida, com seu ponta-pé inicial no bar “Semente” e “Carioca da Gema” e de seus seguidores muito bem produzidos e através das idéias inovadoras, de Plínio Fróes, em seu “Rio Scenarium” e dos seguidores “Café Cultural Sacrilégio”, “Democráticos”, “Casa da Mãe Joana” e as ruas com bares que enchem de alegria ano após ano seus frequentadores. Citei a Lapa, porque ela está no centro do mapa dos acontecimentos, mas à sua volta outros bairros crescem, como Santa Teresa, Catete, Botafogo, Cais do Porto, Gamboa e Saúde, estendendo-se a Vila Isabel, Tijuca, Madureira, Leblon, Humaitá e outros. São milhares de pessoas espalhadas em bares, boates, blocos, escolas de samba, vibrando ao som de baterias e trios elétricos, em grupos que vão além do carnaval, invadindo o resto do ano, com muita bebida, música e alegria. Cervejas patrocinando shows e carnaval, cachaças de alambique, com preferência de drinques nacionais, a partir da caipirinha e muito sacole de batidas. O Rio é uma festa o ano inteiro, tudo organizado pelo espírito alegre do carioca, que de sua cultura dos bares, invade com música o resto do país. Vou tomar minha cachaça. Agora fiquei na dúvida entre a “Maguinifica”, “Chacrinha”, “Coqueiro”, “Seleta” ou as que selecionei nas visitas aos alambiques. Brindo a todos com “Unidos beberemos. Sozinho também”. l

UMA PUBLICAÇÃO YKENGA EDITORIAL LTDA DIRETOR-PRESIDENTE: Bonifácio Rodrigues de Mattos - YkengaEDIÇÃO E TEXTO: Geraldo Ribeiro EDITOR DE ARTE: Boni FOTOGRAFIA: Boni, Geraldo Ribeiro e divulgação ILUSTRAÇÕES: Ykenga, Boni, T.I: Wellington EspindolaCOMERCIAL:Natália EspindolaTIRAGEM: 20 mil exemplares e internet DISTRIBUIÇÃO: Gratuita www.ykenga.com.br EMAIL: ykenga@ykenga.com.br

ESPAÇO CULTURAL

Itaipuaçú - Maricá aconchegofestaseeventos@hotmail.com 2638.8239/2638.8031/9260.0122


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Brasa pra minha sardinha A

pintura sempre esteve presente em ambientes dos mais variados e um dos estilos bastante usados em botecos é o Naif, considerado amplamente ingênuo, porque representa os artistas que não frequentaram nenhum tipo de escola. Ao contrário do que já se pensou, a arte primitiva é tão importe quanto todas as outras e possui grande qualidade pictórica. Falando em termos gerais, sua principal característica é a simplicidade pela ausência de elementos que se fazem presentes em obras de artistas que tiveram formação acadêmica. Em sendo popular não poderia deixar de estar presente num dos lugares mais frequentados, para encon-

tros etílicos da nossa sociedade, que é o botequim. Neles encontramos em suas paredes as mais variadas representações desse tipo de arte. Podemos então citar um dos artistas de maior representatividade nos botecos cariocas, que foi Nilton Bravo, o preferido entre todos os donos de botecos de origem portuguesa, que em princípio e meados do século passado, dominavam esse tipo de comércio no Rio de Janeiro. Não poderíamos falar de arte nos botecos sem citar Nilton Bravo, o mais conhecido muralista nesse gênero. Ele é um capítulo à parte, inclusive descende de várias gerações de artistas que pintavam botecos e igrejas no Rio de Ja-

Netto cartunsdonetto@gmail.com.br Facebook: Cartuns do Netto

Branca Paixão. Jornalista e Artísta Plástica Foto: Divulgação

neiro. Seu avô Manoel Pinto Bravo e seu pai Lino Pinto Bravo foram seus mestres.Quem quiser ver uma obra desse artísta é só ir biritar na Adega Flor de Coimbra, na Lapa. Sequindo a mesma linha podemos citar artístas que usam como tema de suas obras, botequins, como Vidal (Santa Tereza/RJ) Tuca Moreno (Salvador/BA), Di Branco (Maricá/RJ), Hélio Natividade (RJ) e tantos outros. As artes plásticas sempre estarão ligada aos bares, seja na tematica, decoração, ou na frequência da maioria dos artístas nesses botecos da vida. Foi muito prazeroso colocar azeitona na minha empada, a pintura. Agora vou relaxar e tomar minha cachacinha. l Branca Paixão: a arte Naif é um dos estilos mais usados em bares e botecos

Alguns trabalhos da artistas plástica Branca Paixão, em exposição


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Harmonização da cachaça

com a gastronomia &culinária brasileira contemporânea

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Academia Brasileira da Cachaça foi fundada em outubro de 1993, no dia em que o bar Academia da Cachaça fez oito anos de existência. Foi uma homenagem a um estabelecimento que foi pioneiro no oferecimento de boas cachaças. Inicialmente, foram escolhidos 30 acadêmicos, sendo que os dez restantes seriam convidados no ano seguinte, para evitar possíveis esquecimentos. Caso algum acadêmico viesse a falecer, ele seria substituído por outro que demonstrasse desejo de ocupar a cadeira. Cada cadeira teria um patrono, escolhido por seu titular, que poderia ser vivo ou não. Mas os patronos seriam eternos. Na época, três patronos escolhidos estavam vivos: Caio Mourão, Paulo Gracindo e Gianfrancesco Guarnieri. Infelizmente, todos faleceram. No ano seguinte mais dez acadêmicos foram selecionados e o Sérgio Arouca, escolheu para seu patrono, o compositor Noca da Portela. Quando mais tarde o Arouca faleceu, o Noca se candidatou à sua cadeira e foi eleito. Assim ele ficou como patrono dele próprio. É o único caso e também o único patrono vivo atualmente.  Hoje, na Academia, somos 40 membros, 30 homens e 10 mulheres. O compositor Carlos Cachaça é o patrono geral da Academia.  Perdemos alguns companheiros que já foram substituídos: Albino Pinheiro, Fausto Wolff, Ferdi Carneiro, Francisco Milani, Gisela Magalhães, João Nogueira, Machadão, Sargenteli, Yale Renan e o Sérgio Arouca, já citado. Temos alguns outros que já não ostentam boa saúde e não podem mais beber, mas consideram a cachaça de alambique a verdadeira bebida brasileira e sempre utilizam o seu nome em sua defesa.  Nossa diretoria é Paulo Antonio Magoulas, como Presidente, desde o início, Raul Hazan, como Tesoureiro, e Luiz Fernando Vieira, como secretário.  Continuamos realizando um trabalho de divulgação da boa cachaça, sempre convencendo os proprietários de bares e restaurantes à adotá-las em seus cardápios. Nossas reuniões diminuiram em quantidade, mas quando existem, são sempre maravilhosas. E todas as noites de posse são muito concorridas.  Somos uma entidade que funciona sem nenhuma ajuda governamental e estamos sempre presentes no principais eventos de cachaça realizados no país. l

Gilvan Chegure Ilustração: Boni

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“Academia Brasileira da Cachaça. Paulo Antonio Magoulas Fotomontagem: Boni

Uma entidade impar “

ada vez mais a gastronomia brasileira contemporânea é valorizada aqui e cada vez mais respeitada no estrangeiro. Não só pelo sabor exótico, como também por ser realmente saborosa e bastante variada, uma vez que, no quesito culinário, há uma grande diversidade de opções de cardápios & pratos para praticamente qualquer gosto. Na realidade, dentro da culinária tupiniquim, há uma gama enorme de sabores, aromas e a prazerosa possibilidade de inéditas combinações de elementos que transformarão essa alquimia em pratos irresistíveis não só para os iniciados, como para quem mais vier. Ou seja, o mundo !!! Essa química, que rola nos “muitos Brasis culinários”, cada vez mais, traz ao conhecimento geral muitos pratos regionais, que virão encantar o paladar dos mais exigentes gourmets. Isso realmente é muito gratificante e instigante. Hoje, a culinária regional, com os seus temperos, aromas, sabores e matéria prima local partem das cozinhas humildes, para os mais refinados ambientes. Essa difusão partiu de fatos muito significativos e importantes: - A vontade dos chefs brasileiros (o mestre e baluarte, José Hugo Celidônio) de assumirem como elementos importantes no trato e na consequente divulgação da culinária brazuca como um todo, ou particularmente, das muitas possibilidades culinárias desses muitos Brasis, dentro de um só Brasil. - A descoberta e depois a paixão dos grandes chefs internacionais, principalmente os franceses (capitaneados principalmente pelo mestre Claude Troisgros, que assentou âncoras por aqui e descobriu as múltiplas possibilidades de criar & adaptar a culinária brasileira ao gosto dos mais experientes e renomados gourmets e logicamente quebrando tabus e criando uma cozinha elaborada e digna dos melhores salões do mundo. - Com a criação de cursos, em todos os níveis, foi incutida na mente a opção de carreira. A valorização do profissional ligado aos prazeres da boa mesa, em todos os níveis e hierarquias. Possibilitaram a melhoria da qualidade na elaboração dos pratos e consequentemente dos cardápios. Dentro desse contexto, a cachaça, bebida brasileira, com a tradição de mais de

quatro séculos de participação na vida e no cotidiano do pais, cada vez mais, deixa de ser “a mardita”, “aquela que matou o guarda”, “marafo” e tantos outros apelidos pejorativos e difamantes, para tornar-se um elemento bastante importante e presente nas mais importantes e sofisticadas mesas e nas cozinhas brasileiras. Há algum tempo, graças a DEUS, não é pecado, desaforo ou vício, degustar, sem medo de ser feliz, uma boa cachacinha. Logicamente a cachaça sempre esteve presente na mesa do brasileiro, primeiramente em todas... Nesse tempo de Brasil colônia, chegou ao status de moeda de troca para o comércio, o que causou a ira da Coroa Portuguesa, pois era uma forma do povo da Terra de Vera Cruz dar uma sacaneadazinha nos opressores colonizadores. Mais para frente, marginalizou-se e ficou muito mal vista nas grande metrópoles brasileiras. Essa situação permaneceu até bem pouco tempo. No panorama atual, a cachaça começa a se valorizar e achar seu lugar nas prateleiras e mesas mais exigentes. E o seu nome e sabor viajam por todo pó mundo. Logo que o estrangeiro chega ao Brasil e no Rio, particularmente, quer saber onde pode tomar ou degustar uma “caipirinha”. Aliás, ela é a quinta bebida mais consumida nos principais hotéis de cinco estrelas em todo o mundo. Pretendemos nesse espaço, mostrar as diversas facetas da nossa cachaça, na harmonização com os pratos da nossa culinária. Nos aguardem nos próximos números. Dentro do tema, vamos apresentar as maneiras de harmonizar a cachaça com os mais variados pratos (entradas, pratos principais, sobremesas e até cafezinho), a sua vitoriosa utilização na elaboração de pratos & drinques Vamos falar da baixa gastronomia (comida de botequim) e mostrar receitas onde ela está presente. Nos aguardem. Até o próximo número.

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Segundo o Aurélio Gastronomia [Do gr. gastronomía.] Substantivo feminino. - Conhecimento teórico e/ou prático acerca de tudo que diz respeito à arte culinária, às refeições apuradas, aos prazeres da mesa. - Arte de regalar-se com finos acepipes. Culinária [F. subst. de culinário.] Substantivo feminino. - A arte de cozinhar.


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oA arterigami das

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tsuru(cegonha) simboliza a felicidade, boa sorte e saúde.

dobraduras de papel O Gazela por Boni

origami entrou meio por acaso e bem cedo na vida de Luiz Eduardo Bonifácio, o Boni. Aos quatro anos de idade ganhou um brinquedo em forma de livro, feito pelo artista Plim Plim, com restos de embalagens e papel. No final havia, como desafio, um sapo de origami. Foi o que o menino precisava para tomar gosto pela arte da dobradura de papel. “Era fim de ano. Vi numa revista

Coruja de Roman Diaz por Boni

qualquer uma ilustração de uma paisagem natalina toda feita de papel. Na hora me lembrei do sapinho que tinha feito e vi que existia um universo de origami que eu ainda desconhecia. Depois desse dia procurei saber mais, achar fontes e me apliquei”, relembra. De lá para cá, buscou pesquisar sobre o assunto e, mesmo tendo atuado em outras áreas – ilustração, infografia e design –, nunca abandonou o origa-

mi. Boni busca criar modelos próprios, como o Cristo Redentor, que ilustra esta página. Com várias exposições no currículo - a mais recente foi no Espaço Capemi, no Centro – tem se dedicado a repassar seus conhecimentos através de workshops e cursos ministrados para crianças e adultos. Seus trabalhos – alguns deles nestas duas páginas - costumam ser emolduradas, se transformando em quadros que podem enfeitar as paredes de escritórios, salas e quartos. Graduado em Comunicação Social (habilitação publicidade e propaganda) pela Faculdade Hélio Alonso, Boni tem passagem por vários órgãos da imprensa, atuando sempre na área de comunicação visual. “Não me recordo como ou o que me motivou a desenhar. Me entendo por gente já desenhando”, diz.

Combinado japonês Criado e dobrado por Boni

de papel que não a quadrada (retangular, circular, etc.). Reza a lenda que aquele que fizer mil origamis da garça de papel japonesa (Tsuru, “garça”) teria um pedido realizado. A crença foi popularizada pela história de Sadako Sasaki, vítima da bomba atômica. l

Quadros de origami para decoração

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té metade do século XIX, o origami era restrito aos adultos pelo alto custo do papel, porém, em 1876, o origami passou a ser ensinado nas escolas, fazendo parte da educação dos japoneses.

Carpa - de Robert Lang Por boni

O termo origami vem do japonês: oru, “dobrar”, e kami, “papel” e serve para definir a tradicional e secular arte japonesa de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la. Apenas um pequeno número de dobras diferentes é utilizado pelo origami. Elas podem ser combinadas de diversas maneiras, de modo a formar desenhos complexos. Em geral, o artista parte de um pedaço de papel quadrado, cujas faces podem ser de cores ou estampas diferentes, prosseguindo-se sem cortar o papel. Praticado desde o Período Edo (16031897), o origami tradicional japonês nem sempre é tão rígido em relação a essas convenções. Permite até mesmo o corte do papel durante a criação do desenho, além do uso de outras formas Cristo - Criado e dobrado por Boni

São Jorge - Modificado a partir do modelo de Davi Brill. Por Boni

Boni -

encomendas e aulas

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Presépio - com modelos de Akira Yoshizawa Dobrado por Boni


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... no Beco do Rato(Lapa). Geraldo Ribeiro Foto: Geraldo Ribeiro

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Beco do Rato fica meio escondido, literalmente, num beco da Rua Moraes e Vale, circundado pelas ruas da Lapa, Joaquim Silva e a Avenida Augusto Severo. Apesar de se situar um pouco distante do burburinho da Lapa está sempre cheio. Tudo por conta do cardápio de alternativas que oferece aos frequentadores: samba, choro, teatro e cinema, que podem ser acompanhados de uma cerveja estupidamente gelada – especialidade da casa – ou de uma cachacinha mineira com uma farta porção de pastel de angu, uma iguaria de origem africana. A iguaria vem diretamente da cidade mineira de Itabirito para as mesas do bar, trazida pelo proprietário Márcio Pacheco, nascido naquela localidade. A receita ele não revela nem sob tortura. A grande novidade é a massa, feita de um fubá de moinho só encontrado no interior de Minas, de onde Márcio traz mensalmente cerca de duas mil unidades, que fazem o deleite da freguesia, composta por artistas, jogadores de futebol, jornalistas e formadores de opinião em geral. Além do Beco do Rato, a única chan-

O endereço da boa música,

da cerveja gelada e do pastel de angu ce de experimentar o famoso pastel é indo a Itabirito. Márcio diz que até poderia produzir a iguaria no Rio mesmo, mas faz questão de ir buscar em Minas por dois motivos básico: “Manter a tradição e porque o fubá de moinho, a matéria prima, não é encontrado por aqui.” Márcio classifica seu bar como uma “resistência cultural”, da música e de suas raízes. Ele faz questão de dar palpite em tudo. Da decoração, com toques religiosos, à programação variada, que acontece de terça a sábado. Uma vez por mês o estabelecimento abre aos domingos – não tem data fixa – para uma feijoada. O bar, que hoje é um dos estabelecimentos mais badalados da Lapa, começou como um pequeno depósito de água. Um dia Márcio chegou com um isopor recheado de cerveja para consumo próprio e foi juntando amigos. Foi a deixa para mudar de ramo. De início acanhado, com público que não passava de 15 pessoas, o Beco do Rato atrai hoje nos finais de semana até 450 pessoas. O samba de raiz que rola às terças-

Marcio, dono do Beco do Rato: “meu bar é como uma resistência cultural.”

-feiras e sábado é animado pelos grupos Empolga Samba e Trio Bacana, integrado por Paulinho da Aba, Claudinho Guimarães e Evandro Lima. O samba rola por lá também às quartas e sextas-feiras-feiras. Já a quarta-feira é reservada ao chorinho. Volta e meia o espaço recebe apresentações teatrais e exibição de filmes, em seu cineclube. O sucesso da programação do Beco do Rato é tamanho, que acabou se expandindo para outras paragens. Em parceria com o músico Moacyr Luz, Márcio Pacheco criou o Samba da Luzia, que acontece às sextas feiras, no Clube Santa Luzia, perto do Aeroporto Santos Dumont, espaço onde cabem cerca de 1.500 pessoas, o triplo da capacidade do bar da Lapa. A título de curiosidade o nome Beco do Rato tem origem numa prática da malandragem dos anos 60 e 70, que fazia pequenos furtos nas imediações e depois de limpar as carteiras dos incautos as jogavam no local. Quando as vítimas procuravam a delegacia mais próxima para registrar queixa, o delegado os aconselhava a ver se encontravam documentos ou sinal dos seus pertences num tal “beco do rato”. O nome, de início rejeitado por Márcio, quando da criação do bar, acabou se impondo e hoje representa o endereço da boa música, da cerveja gelada e do pastel de angu no Rio. l

Associação de Cultura e Tradição Nordestina de São Gonçalo - RJ apresenta e convida todos a...

Show

Trio Nordestino Sorteio de brindes Comidas e bebidas tipicas Forró e muita diversão

Binho

- grafiteiro

fabioscerqueira@hotmail.com


poeta dos traços O precisos e do humor leve Geraldo Ribeiro Ilustrações: Arquivo/Adail Foto: Boni

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os 81 anos de idade e com mais de 60 de estrada como desenhista, Adail José de Paula, ou simplesmente Adail, como é mais conhecido na imprensa, não é do tipo que vive do passado nem se lamentando da falta de espaço para seu trabalho. Ele simplesmente vai à luta “Hoje, para sobreviver da charge e da caricatura é preciso procurar outros espaços”, ensina, com sabedoria, o velho mestre dos traços precisos, ao falar sobre o pequeno espaço que jornais e revistas reservam atualmente para este tipo de trabalho. Avesso à tecnologia, ele não se rendeu à era digital. Se mantém fiel ao lápis, borracha, aquarela e tinta para dar forma às suas idéias e ao seu humor leve, que tem muito a ver com a sua personalidade e seu temperamento tranquilo. Afastado das redações desde 1991, quando se aposentou pela Ultima Hora vem buscando outros espaços para sua arte. De lá para cá já participou de inúmeras exposições de caricaturas e ilustrações, além de ter publicado o livro Humor Espírita. Também tem usado seus traços em favor de causas nobres, como a ajuda a desabrigados das últimas enchentes na Região Serrana e, desde 1980, é colaborador assíduo do Jornal Espírita. Um outro talento de Aldir tem se mantido paralelamente ao de exímio desenhista: o de compositor. Ele não perde uma oportunidade. Tudo é motivo para virar letras de músicas, muitas delas de cunho educativo e voltado para as crianças. Paulista de Registro, cidadezinha que fica na divisa com o Paraná, Adail começou a demonstrar talento para o desenho ainda em criança. A profissionalização também veio cedo. Aos 17 anos começou a publicar no jornal O Governador e, em seguida, no A Marmita, ambos paulistas. Daí não parou mais. Nem durante o tempo em que passou na Força Aérea Brasileira, de 1948 a 1954. Em 1955, depois da passagem pela FAB, veio para o Rio de Janeiro, de onde não saiu mais. Após um curto período num jornal do Amaral Neto, foi em 1957 para o Diário de Notícia, onde permaneceu 20 anos, até o fechamento da publicação, na década de 70. Com o término do Diário de Notícia trabalhou no suplemento dominical da

revista Manchete e de lá foi para o Jornal dos Sportes e, posteriormente, para O Cruzeiro, onde atuou ao lado de um time de primeira, que incluía Ziraldo, Juarez Machado e Daniel Azulay. Por seu talento e caráter, Adail é até hoje respeitado pelos antigos colegas, que sempre têm uma palavra de carinho e admiração. “Adail tem um talento incrível”, “É uma pessoa muito carismática, muito fácil de lidar”, “Seus desenhos sempre tiveram uma certa elegância”, falam dele, respectivamente, André Brown, Guidacci e Chico Caruso. Esse é Adial, que hoje se divide entre sua casa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio, onde integra o conselho fiscal, e os trabalhos como free lancer que vão pintando. l

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... no bote do Chico e Alaíde no Leblon. O Chico e a Alaide trabalhavam como empregados no bar Bracarense, no Leblon, point de intelectuais e também famoso pelo chopp bem tirado e acepipes bem temperados, aconteceu o inesperado. Sem motivo aparente, foram sumariamente demitidos. Mas como “quem é bamba não bambeia”, como dizia o mestre Candeia, ao invés de ficarem chorando sobre o “chopp derramado” foram à luta e batalha daqui, batalha dali, abriram o próprio bar. Não deu outra. Se era o Chico quem “tirava“ o melhor chopp do pedaço e a Alaíde a quituteira que deixava chef francês babando, só podia ser, como

Chico Caruso, Ykenga e Jaguar

O nome da bola Chico Salles

N

o ano dois mil e quatorze Acontecerá no Brasil Mais uma Copa do Mundo Com bola de nome sutil A pesquisa foi profunda E se chamará Raimunda Um apelido gentil. Raimunda é bem brasileira Graciosa e redondinha Foi chamada de pelota Na pelada é a rainha No gramado é a figura Jabaculê, Tanajura Chulipa ou Juaninha.

se fosse o boi lambendo cria. Não demorou muito e já estava bombando e os seguidores da simpatia, do tempero e do chopp bem tirado da dupla genial não encontram outra alternativa senão mudarem de mala e cuia para o novo Chico&Alaide. E assim meus camaradas, é possível, nas tardes prosaicas do Leblon compartilharmos de uns beberuchos, um bolinho de aipim com carne seca ou camarão com figuras impolutas como o cartunista e PHD em biritologia, Jaguar, o não

Raimunda é uma beleza É um nome original Representa a sutileza Uma idéia genial É popular e granfina Alem de ser feminina Faz o maior carnaval. Cuidado com a redonda Não chute no ponto errado Evite chutar no pito Onde o ar é injetado Estourando a Raimunda E a alegria se afunda Com o jogo acabado.

Teófilo Otoni, Chico (o dono do bar e jockey) e Otávio Augusto

Trate sempre a Raimunda Com zelo e aptidão Na hora do lançamento Momento de atenção De trivela ou, com efeito, Colocando-a no peito Levantando a multidão. l

Por seu talento e caráter, os amigos têm sempre uma palavra de carinho para o Adail

menos famoso, o grande chargista Chico Caruso, o poeta Chico Salles, os atores globais Maria Gladys e Otávio Augusto, o Teófilo Otoni, parceiro de longas datas e vários copos, Roni, o grande chef dos petiscos incrementados à base de caranguejos canadense e outras mumunhas internacionais. Não poderíamos deixar de citar o grande (no sentido lato da palavra) Alexandre Milagres, pneumologista renomado e incansável batalhador contra o tabagismo e o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, que também bate ponto por. l

Roni, Maria Gladys e Chico Salles


Passatempos

... Bar São Jorge(São Gonçalo).

Adivinhações

Abaixo, Seu Cláudio Ao lado Norivan

Quando ele bota ela ri, quando ele tira ela chora?

Pé Sujo do “seu “ Cláudio, P

é sujo é todo boteco sem muito luxo ou vaidade, onde a freguesia geralmente saboreia seus beberuchos e tira-gostos em pé ou encostado ao balcão. O nome talvez se origine do fato de que o piso e o banheiro nem sempre primem pela limpeza. Mas no bar São Jorge, do “seu” Cláudio, não é bem assim. Localizado no bairro Lindo Parque, em São Gonçalo, chama a atenção pelo cuidado com a higiene e tem mais. Lá é o “quartel general” da Turma do Sabão”. Com o despretensioso propósito de valorizar as boas coisas que a vida reserva, o grupo é

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seus personagens e histórias constituído por personagens da mais alta estirpe em seu métier tais como: advogados, cachaceiros profissionais, engenheiros, jornalistas, analistas da vida alheia, seguranças, alienigenas, professores, colhedores de descartáveis e afins. Presidido pelo venerável e vitalício Carlos, grande promoteur, é ele quem organiza os encontros social-gastronômicos da Turma do Sabão, em geral quando ocorre aniversário de algum constituinte do grupo ou festa dedicada ao santo do dia. Nessas ocasiões, entram em cena os “chefs de cuisines

di buteco”, Mathias e Paulo Pepé, que aproveitam a ocasião para mostrar suas habilidades gastronômicas. Mathias, como bom nordestino, apresenta como “piece de resistence” bode e seus derivados. Isto é: bode assado, buchada de bode, churrasco de tripa de bode e feijão carregado com carne de bode. Até os chifres do bode são sorteados e o ganhador fica na obrigação de usar na cabeça o adorno até o final do encontro. Já Paulo Pepé, como bom gonçalense que é, prefere desaguar seus experimentos culinários nas iguarias

da esquerda para a direita: Mengão, Gaúcho, Prd. Carlos, Eduardo Ivis, chef Matias e Ruy

aquáticas. Faz parte do seu menu a sardinha feita na pressão, caranguejo com molho e tutu de feijão, siri ao leite de coco, cabeça de dourado ensopado, caldeirada de lula e camarão que faz qualquer cristão comer rezando. Isso acompanhado pelas “louras geladas” do “seu” Cláudio, que nessas ocasiões, lá do alto de seus “80 e lá vai fumaça” de idade, desenvolve um outro atributo, o de filósofo e psicólogo-conselheiro......de boteco é claro ...tem malandro que chora e tudo, dizendo ter feito regressão ….é mole ou quer molho? l

Dificil de ser comido e fácil de cercar gado?

Entrei no fundo do mar saí no fundo da areia quem quiser me decifrar pegue no bê-a-ba e leia. É batata mas não se come? Que está na cozinhar na orquestra e no automóvel? É cachorro mas não tem rabo?

Que sabe os dias mas não sabe as horas. Que a moça tem embaixo, o homem não tem e a mulher velha já teve quando era moça? Eu tenho, você tem e ninguém tem?

R: Aliança, Arame farpado, Bacalhau, Baleia, Batata da perna, Bateria, Cachorro quente, Calçada, Calendario, Cedilha, A letra E.

O maior distribuidor de gêneros alimentícios do estado do Rio de Janeiro

O encontro está animado, mas existem sete diferenças entre o primeiro e o segundo quadro. Tente encontrá-los.

Com a cabeça anda uma parte do mundo, sem a cabeça anda o mundo todo?

Chega até a porta da casa mas não entra.

CEASA SG

Jogo dos 7 erros

Labirinto Este sujeito bebeu muito e não pode dirigir. Ajude o “bebum” a voltar para casa em segurança. Se beber não dirija.


Homenagem

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T

inha eu dezessete anos de idade, quando deixei de comprar um cheeseburger e uma limonada suíça, preparados no capricho pelo Chiquito, na cantina do colégio, para ter o privilégio de adquirir o primeiro número de O Pasquim. Bem, a razão disso tudo eram os “calunguinhas” do Jaguar que eu, ainda moleque, já conhecia das páginas da revista Manchete, que meu pai comprava semanalmente. Embora a revista O Cruzeiro fosse a mais badalada, o velho alegava que esta era de direita e, por questões ideológicas, preferia aquela. Aí eu surrupiava a publicação e recortava os cartuns e colava num caderno escolar. Eles serviam de modelos para meus “calunguinhas”. De lá pra cá muitos alcalóides rolaram goela adentro. (Tião Calunga)

Cartuns de Jaguar marcaram época em O Pasquim

Profile for Wellington Espíndola

Calunga de Boteco  

Nossa ideia é levar até você informações sobre tudo que está acontecendo nos melhores bares, botecos e pés sujos do ramo. Seus personagens e...

Calunga de Boteco  

Nossa ideia é levar até você informações sobre tudo que está acontecendo nos melhores bares, botecos e pés sujos do ramo. Seus personagens e...

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