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Adolfo Rosevics Filho

Relatos de um Tamandareense HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ


Antonio Ilson Kotoviski Filho Almirante Tamandaré - Paraná Outono de 2011

Diagramação, Arte e Impressão Editora Exceuni Ltda exceuni@exceuni.com.br Tel.: (41) 3657-2864

Dados internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira

Kotoviski Filho, Antonio Ilson. Relatos de um tamandareense : história do município de Almirante Tamandaré / Antonio Ilson Kotoviski Filho. - Almirante Tamandaré, PR : Jeenn Carlo Kotoviski, 2011. 494 p. ; 21 cm. Inclui bibliografia. 1. Almirante Tamandaré (PR) - História. I. Título. CDD ( 22ª ed.)

981.622


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Dedicatória -

A concretização deprefeilva, funcionário da SANEPAR. Câmara Municipal de Almirante Tamandaré Cezar Augusto Bini, filho do ex-prefeito e deputado estadual Ambrósio Bini. Colégio Estadual Alberto Krauser. Colégio Estadual Jardim Paraíso. Colégio Estadual Papa João Paulo I. Coordenação de Agronomia da Universidade Federal do Paraná. Inês Matucheski Roehr, Diretora da Escola Estadual Lamenha Pequena. Gerson Colodel - Secretário Municipal de Administração João Antonio Bini, ex-vereador e contabilista. José Ido da Cruz. Josélia Aparecida da Cruz Kotovski, Coordenadora do Projeto Contos e Lendas de um povo. Leônidas Rodrigues Dias, Diretor proprietário da Folha de Tamandaré. Lucimara Bini Bregenski, Diretora da Secretaria de Cultura do Município de Almirante Tamandaré e filha do vereador e prefeito Atílio Bini. Noêmia Cordeiro Kotoviski. Odete Basso da Cruz. Policia Militar do Paraná (Posto Rodoviário, Módulo e Comando Geral). Paróquia Nossa Sra. da Conceição de Almirante Tamandaré. Tribunal Regional Eleitoral/PR, assessoria de comunicação. Vilson Rogério Goinski, contemporâneo prefeito da cidade de Almirante Tamandaré.

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Adolfo Rosevics Filho

Agradecimentos

E

xpressar com limitadas palavras o sentido de agradecimento, muitas vezes se torna uma ação complexa. Já que no contexto desta obra histórica muitos colaboraram com uma parcela na concretização desta ação de guardar o que o tempo sempre tenta fazer-nos esquecer. Alguns diretamente, outros indiretamente e muitos com suas ações que ficaram eternizadas notoriamente na própria história da sociedade tamandareense. Neste espaço especial, onde a ação e as contribuições de muitos foram lembradas, agradeço a fé, credibilidade e confiança que recebi no processo de colheita das informações mais sensíveis a fundamentação desta obra. Mas o agradecimento aqui expressado possui um sentido amplo. Pois, ele não se prende a esta exclusiva página, mas se faz presente em cada relato ou parágrafo. Já que, cada morador desta cidade faz naturalmente história, independente de vontade. Pois, viver já é um processo histórico.


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Considerações iniciais

U

m dia escutei, que quando moramos muito tempo em um lugar, acabamos sendo o próprio lugar. Talvez eu não more tanto tempo em Almirante Tamandaré, a ponto de assim ser. Mas o simples fato de conviver com quem já é o lugar, já me faz também ser uma pequena parte da cidade. A cidade tem uma história. Um conjunto de histórias, que não se encontram em livros, bibliotecas, arquivo publico ou na internet simplesmente. Mas que oralmente ou por ações se propaga pelo vento, carregando em seu contexto, cenários de um passado não tão distante, mas que pode se perder, simplesmente porque se acha que algo para ser histórico, deve ser grande e de notoriedade publica. Foram ações comuns, acontecimentos cotidianos e o pioneirismo, que escreveram a história de Almirante Tamandaré. Pois, foram estes fatos simples, que permitiram que a população local, lograsse êxito, aonde qualquer outro forasteiro que aqui chegasse com ares de aventura e comodidades, já fosse embora por não se adaptar ao trabalho exigido para dar inicio a uma cidade. 9


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Hoje, as coisas estão pronta, fácil, cômodas e mal utilizadas. Talvez, porque contemporaneamente esquece ou não se dá valor aos desafios que desencadearam as ações de diversas pessoas representantes dos vários setores da sociedade, que aqui deixaram seu legado. Ou seja, deixaram uma terra com os caminhos iniciados. Porém, com o eterno ciclo de aperfeiçoamento daquilo que se recebeu e que se repassa. Já que tudo na vida dos homens tende a sofrer a ação de seu trabalho e do progresso que advêm dele. Por isto, o que escrevo hoje, são relatos. Não apologia! E onde muitos viram “devaneios poéticos” ou “contos” e “lendas”, eu consegui perceber a história, ocultada em supostas fantasias. Estes relatos captados são feitos por um tamandareense. Filho, neto e bisneto de pessoas nascidas nesta terra. São relatos conhecido de muitos filhos antigos da terra (pois, viram ou até participaram de muitos fatos pioneiros aqui descritos), mas desconhecidos daqueles que a terra acolheu há pouco tempo. O que será relatado posteriormente são resumos de grandes acontecimentos, que devido a sua particularidade, quebraram a rotina do cotidiano e permitiram que se iniciasse algo novo. Porém, eles passaram despercebidos, já que o pioneiro povo de Tamandaré, não fazia as coisas para colher os méritos advindos do reconhecimento social, cultural, político ou cientifico. Mas sim, para prover uma melhor e mais cômoda sobrevivência no contexto do árduo dia-adia. Os Relatos de um Tamandareense é uma obra cientifica histórica com linguagem adaptada a atender aos anseios de uma plateia heterogênea, cujo, a finalidade é não deixar estes feitos serem apagados com o tempo e fornecer subsí10


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dios situacionais para futuras pesquisas. Nesse sentido, busca funcionar também como um documento de contraposição a qualquer alteração estabelecida sobre fatos notórios e de conhecimento público. Feitas por possíveis interpretações doutrinárias ou ideológicas, que ao invés de preservar a história de um povo, a apagam, mantendo apenas o que lhe interessa e possa ser utilizado para um propósito que lhe traga algum retorno. Diante deste exposto inicial, este livro é a preservação de pequena parte da história municipal expressando-se como uma homenagem a todos aqueles que no contexto desta obra serão citados, e também aos que não serão, mas que mesmo assim deixaram sua marca nessa terra. Sei que muitos não mais estão entre nós em vida. Mas estão na forma de seus empreendimentos em diversas áreas que ajudaram a construir o município que aprendi admirar desde cedo. Está obra também relata ações de pessoas, que ainda estão firme e forte, colaborando do seu jeito, para dar rumo ao progresso da cidade. Pois, o grande mérito de se colaborar com a história do município, não esta no reconhecimento, mas na satisfação de se ter melhorado o lugar em que se vive. Pois, quem faz para a comunidade está fazendo para si próprio, já que todos nós fazemos parte de um grupo, entrelaçada em um contexto de ação e reação.

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Geografia

A

Foto - Antonio Kotoviski, janeiro de 2011

proveitando este maravilhoso dia agradável. Proporcionado por um fresco verão subtropical úmido mesotérmico, fui Morro do Sr. Pedro Jorge andar de mountain bike pelas trilhas entre matas e montanhas que se ostentam maravilhosas na visão de quem aprecia uma paisagem harmoniosa de status de obra prima criada pela Mãe Natureza na contemporânea cidade paranaense de Almirante Tamandaré. Neste passeio, primeiro resolvi subir no morro central junto a Vila de Santa Terezinha, que a propósito representa um belo cartão postal, apesar das marcas deixadas pela exploração de uns de seus principais minerais que é o saibro. Mas que em um contexto geral, representa bem a ação humana de sobrevivência naquela região, se tornando um marco referencial da potencialidade do município, tanto turístico como de extração mineral industrial. 13


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Exausto pela pesada pedala em terreno tão íngreme, descansei em sua parte mais elevada, saboreando a refrescante água bicarbonatada calco-magnesiana1 que brota do abençoado Aquífero Karst, que corta o subsolo do município. Neste tempo fiquei observando a Vila, mas por um momento, minha atenção espontaneamente se prendeu ao sul, na visão da exuberante selva de pedra que parecia brotar da própria linha do horizonte formada por um conjunto de imponentes edifícios de concreto que demarca o status econômico e político da capital paranaense. Apesar da bela vista que se tem de Curitiba, as criações do homem, não proporcionavam a mesma beleza e paz que senti. Pois ao vislumbrar a norte, na direção de Rio Branco do Sul e Itaperuçu; a oeste em direção a Campo Magro e a leste onde esta a cidade de Colombo, a presença de um mar-de-montanhas e uma imensa mata de vegetação típica de florestas subtropicais. Onde se encontram presentes elementos característicos de florestas tropicais e florestas temperadas, que ocupam áreas de latitude superior aos trópicos, mas com algumas características do clima tropical, ainda com predomínio de alguns restos da Mata de Araucárias misturados a uma gama de espécies vegetais característicos da formação descrita como: Araucária, Bracatinga, Erva–Mate, Gabiroba, Pitangueira, Cerejeira, Angico, Guajuvira, Ipê Roxo, Ipê Amarelo, Espinheira Santa, Araticum, Pau-de-Andrade, Eugenias, Timoneira,... A imensa mata e o imponente mar-de-morros que admirava, ainda são timidamente pontilhados por algumas moradias e cortada pela Rodovia dos Minérios e uma solitária estrada de ferro. Porém, ao contemplar toda aquela beleza, 1

ÁGUAS DO PARANÁ. Karst. Disponível em: <http://www.suderhsa.pr.gov.br/modules/conteudo/ conteudo.php?conteudo=52> Acesso em 25 nov. 2010.

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imaginei de forma pessimista o futuro que espera aquela tamanha obra prima natural, baseado no progresso que dinamicamente, mas inconsequente se propaga na contemporaneidade. Então pensei: tudo que hoje observo, um dia, vai ficar apenas na imaginação de quem lê estas imperfeitas linhas descritivas. Espero que eu me engane quanto a esta perspectiva. Neste momento de reflexão sobre o futuro de tudo que observava naturalmente disperso e harmônico, regredi em meus pensamentos. A um passado muito longínquo, em tempos onde a vida se ensaiava a aparecer na face do planeta Terra e o continente africano estava há um pouco mais de 130 quilômetros de onde me encontrava. Isto porque, foi provavelmente no final da Era Geológica denominada de Pré-Cambriano no éon da Proterozoíca 2, que supostamente a base fundamental daquele relevo que sustentava toda aquela riqueza vegetal, se formou. Então pensei: como um Mar-de-Morro tão imponente deste, que se desenvolveu em um contexto de bilhares de anos, orientado por uma complexa sucessão de espigões alongados e vales em “V” profundos, que consequentemente formaram estes hoje desgastados morros, pode ser modificados em apenas décadas e séculos? Conhecedor das diversas respostas que iriam aparecer, deixei de divagar sobre o futuro daquilo que via com mim mesmo, e voltei ao presente. Principalmente porque já estava recuperado do cansaço da íngreme subida, e involuntariamente estava decidindo para onde eu iria ir. Opção não faltava, já que o município possui aproximadamente 194,75 2

SCORTEGAGNA, ADALBERTO. A geologia, o relevo, e os recursos minerais. In: Paraná espaço e memória: diversos olhares históricos-geograficos. Curitiba: Bagozi, 2005, p.29.

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Km².3 Mas o problema é que eu estava sobre o Primeiro Planalto Paranaense. O qual possui como umas de suas características principais, a variação de altitude do relevo que é de 850 á 950 metros acima do nível do mar, a qual a principio é bem notória na altitude do relevo tamandareense, que se encontra a 950 metros. Pois querendo ou não, a consequência disso aliada ao relevo acidentado resulta em trajetos com muitas variações de subidas e decidas. Diante disto, resolvi passar pelas trilhas que levam até os morros da região do Sumidouro que margeiam a Rodovia do Calcário. Que ficavam de frente a antigas dolinas que com o tempo desapareceram. A de se destacar que a localidade recebeu esta denominação já em tempos que transcendem a década de 1920, justamente por causa dessas dolinas e do vale por onde passa o Rio Barigui o qual cria uma imagem de que o rio desaparece nele. Como também o nome se liga a própria característica da dolina, que é justamente o de captação de água (funciona como um ralo no período em que o rio transborda, diminuindo o impacto deste acontecimento natural para as regiões que se encontram nas proximidades por onde passa o rio)4. Da mesma forma, a região que margeia a Rodovia do Calcário é um grande brejo (várzea), ou seja, é uma espécie de “esponja” que capta também a água das inundações e abastece o aquífero, além de colaborar para que os impactos do excesso de água sejam amenizados. Por sorte existem legislações que protegem estas regiões. O problema é que supostamente se desconhecem elas e suas previsões legais. Quando cheguei ao topo, avistei a velha capelinha lá existente. Mas não gostei do que presenciei. Pois, a mesma 3

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IBGE CIDADES@. Almirante Tamandaré- PR. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/ painel.php?codmun=410040#> Acesso em: 28 dez de 2010. CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia. 2ª ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1980, p. 155.


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estava em ruínas, devido à ação de vândalos que por lá passam e destrói uma parte da história de fé, tecida em ações pelo povo pioneiro de Tamandaré. Eis, que aquela capelinha foi erguida a mais de 70 anos. Tomei um fôlego e desci o morro e segui em direção a Tranqueira, utilizandose de um caminho tranquilo que passa pela Rua Antonio Ferro, e se liga com a Rua Antonio G. Tozin, que leva até o Sindicato, onde entrei em um pedaço desativado da antiga estrada do Assungui, que margeia a ferrovia. Foto: Antonio Kotoviski Filho, fevereiro de 2011

Ruínas da Capelinha do Morro do Sumidouro

Bem disposto ao chegar à localidade de Tranqueira, resolvi enfrentar outro trajeto pesado que levasse até a nascente do Rio Barigui localizada na Serra da Betara no encontro com o Arroio Antonio Rosa. Apesar de complicado chegar lá, e com o risco de levar um corridão de algum bicho silvestre, como uma saçurana, já que a nascente se encontra em meio à mata. Fui deslumbrar a rara parte limpa desse rio que serpenteia o município, e que nos períodos 17


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das chuvas de verão e outono, costuma trazer prejuízos com suas enchentes ao pessoal que mora em suas proximidades. Mas ele só faz isto, em resposta aos constantes aterros de dolinas, várzeas e ocupações ilegais que acontecem em sua região de várzea. Satisfeito em poder presenciar tal maravilha infelizmente com o risco de entrar em processo de desaparecer, resolvi explorar algumas estradas rurais que não conhecia. Pois, são mais de 138 km² de zona rural, cortados por elas. Não surpreso encontrei muitas plantações pelo caminho, e como sempre as plantas bem sadias, desenvolvidas e radiantes. Isto se deve a terra fértil composto em sua maior totalidade por solo de cambissolos, e uma pequena porção é de podzólica vermelho-amarelada5, e pela boa média pluviométrica de 1400 mm a 1500 mm anual, que permite uma agradável umidade relativa do ar de 80% a 85%. Já na Rodovia dos Minérios, nas proximidades do Km 22 perto da Água Mineral Timbu. Observei um belo lago, quase atrás do Recanto Ismayr Brandalize. Logo me transcendeu a memória, que aquela paisagem foi fotografada de forma artística, a ponto de em 11 de abril de 1987, esta foto ser utilizada para ilustrar a Capa do Talão de Cheque do Banco Banestado. O qual na época foi um motivo de enorme satisfação para o povo do município, com advento de formalidades de lançamento do talão na própria agência do Banestado do município, envolvendo sua autoridade executiva máxima (Ariel Adalberto Buzato), que recebeu o primeiro talonário6. Mas o locus focus daquele dia, já anunciava claramente que a noite chegaria logo, então resolvi seguir em direção a 5 6

KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p.155. FOLHA DE TAMANDARÉ. Alm. Tamandaré é capa de talão de cheque Banestado. Ano II, nº 48, maio de 1987, p. 03.

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minha casa que fica no Botiatuba. Pelo caminho, ainda matutando sobre a ação humana sobre o relevo, vegetação e a hidrografia de minha querida terra natal, e consequentemente de outros lugares, visualizei o turístico, mas reservado Seminário Franciscano Capuchinho Santo Antônio. Logo, me raio na mente, mais um fato geológico. Desta feita, ligado ao gigante Aquífero Kasrt, que se formou ainda no período Quaternário. Pois, lembrei-me de uma história pitoresca que meu pai (Antonio Ilson Kotoviski) costuma contar. Eis, que segundo ele, quando ainda era criança (há muito tempo isto!), lá pela década de 50, a cidade não possuía uma grande população e progresso tecnológico na comunicação que desfruta atualmente. Tanto é que a energia elétrica era uma coisa rara. A tal ponto de ser produzida particularmente, como fazia meu avô Pedro, já que dispunha de um açude que proporcionava uma capacidade hidroelétrica pequena, mas que conseguia abastecer a sua casa. O mesmo fazia meu tio avô José Kotoviski. Diante deste fato, o divertimento, geralmente eram as pessoas se reunirem nas mercearias, nas casas de conhecidos, em novenas, missas e festas de igrejas. Geralmente, os casados aproveitavam este tempo para conversar sobre os fatos do cotidiano que pertenciam. No Botiatuba, não era diferente, já que a mercearia mais visitada (a única na região) para estes encontros diários era justamente a de meu avô Pedro Jorge Kotoviski. O qual ainda para alegrar mais a freguesia e as visitas de fim de tarde, dispunha de um aparelho de rádio, que mal pegava alguns programas. Mas já era um atrativo para prender a atenção de muitos, naquela época. Pois, parece engraçado, mas as pessoas se reuniam para escutar rádio, e o mesmo ocorria com a televisão, quando ela apareceu. 19


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Num belo fim de tarde, como era de costume, um tradicional cliente, apareceu na mercearia (seu Vicente Krizizanoski), para comprar alguns mantimentos e bater um tradicional papo, enquanto degustava uma boa pinga. Conversa vem, vai,..., muitos assuntos ligados a vários fatos,..., até que o distinto senhor comentou que a Villa de Tamandaré iria afundar. Espantados e ao mesmo tempo curiosos, o pessoal quis saber por quê? Então, o senhor explicou que na época em que se estava construindo o Seminário dos Padres (Seminário Capuchinho Franciscano Santo Antônio), um padre italiano engenheiro e geólogo, foi destacado para supervisionar a obra. Em consequência disso, o padre ao perceber que o solo da região da obra não era muito firme para sustentar o projeto original elaborado inicialmente o modificou. Principalmente devido a alguns testes de superfície e características da região, constatados por suas simples andanças. Eis, que facilmente observou muito lagos natural (dolinas, que se encontra atualmente na propriedade do Sr. Moacir Didoné, margeando a Rua Pedro Jorge Kotovski no Botiatuba), nascentes e rochas calcárias. Constatou então, a partir de seus conhecimentos que possuía de geologia, que a região estava disposta sobre um aquífero cárstico. Diante disto, responsavelmente, alterou o projeto original, o que gerou certo descontentamento entre os superiores de hierarquia da Igreja, que estavam responsáveis pelo local naquele momento. Já que teriam que novamente fazer a fundação da obra. Consequentemente, o padre foi questionado do motivo. E de forma direta ele respondeu que tal providência se dava, porque poderia ocorrer que o prédio do seminário afundasse ou ficasse comprometido demais, a ponto de cair. 20


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Os seus superiores, por falta de conhecimento técnico, não acreditaram muito na história, e continuaram questionando o padre, enquanto alguns pedreiros presenciavam e escutavam as constantes e diárias discussões que ocorriam entre os padres, toda vez que havia necessidade de se mudar ou fazer algo diferente na obra. Fundamentado em seus conhecimentos de engenharia e principalmente de geologia, explicou: “que o grande responsável por esta limitação de edificações mais imponentes na região, era o subsolo, que apesar de ser abençoado por possuir uma abundante reserva de água, era também um perigo para o futuro não só da região, mas de algumas partes mais sensíveis a ele na cidade”. O pessoal, meio assustado, começou a indagar o padre além de expressar que ele estava louco, já que o sacerdote não mais se referia ao destino da construção, mais de outras construções espalhadas pelo município. O padre, percebendo tal agressividade ocasionada pelo temor, acalmou a todos, expressando que tal risco, não se desencadearia tão breve, demoraria décadas e estava extremamente relacionado ao desenvolvimento de Curitiba e da própria Villa Tamandaré. Aparentemente mais tranquilizados, porém, não satisfeitos, assim estavam o pessoal que observava e escutava atentamente aquelas palavras. Já os padres continuavam discutindo e questionando o engenheiro e solicitaram uma explicação mais elucidante do que ele havia comentado. Então o sacerdote, dentro de uma analogia em um contexto de uma previsão, explicitou que: analisem comigo, Curitiba é a capital do Estado do Paraná, onde a Sede governamental estadual se encontra a pouco mais de 17 km de onde estamos. Ou seja, a cidade de Tamandaré é grudada 21


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a capital. Diante deste fato, dentro de uma previsão plausível, Curitiba tende a crescer economicamente e populacionalmente. Em consequência desse fato, por efeito, Tamandaré, também crescerá, mesmo não sendo no ritmo da capital, mas crescerá. Então, mais gente, mais casa, comida e água. Espaço para moradia não falta em Curitiba e região. Comida, dificilmente irá faltar. No entanto água potável, provavelmente terá que sair de outras fontes, que não sejam rios. Principalmente, porque as pessoas mais ignorantes não percebem que quando poluem os rios, diminuem a qualidade da água. A qual terá que ser tratada (na época, década de 30, isto era algo absurdo). E para tratar é muito caro e limitado. Diante deste fato, de onde sairá à água de boa qualidade? Do subsolo. E onde tem um subsolo rico em água? Na Villa de Tamandaré... O problema então recai nesta extração, que provavelmente irá diminuir o volume de água, que é o alicerce liquido das gigantescas cavernas calcárias ocultas aos nossos olhos, que estão sob onde pisamos. Para agravar a situação, a Villa de Tamandaré, também, irá crescer populacionalmente. E isto indica mais construções sobre o solo, que querendo ou não aumentarão o peso sobre estas ocultas cavernas. Neste contexto, enquanto a reposição de água for igual ou superior ao volume de água que sai tudo isto que foi citado não terá efeito. O problema é quando o volume de água que sai, for muito maior que o que entra nas cavernas do subsolo, o qual é possível perceber, quando os poços de água das casas ou as dolinas (lagos naturais) diminuem seu volume ou secam. E quando isto acontecer, a probabilidade da cidade ou algum ponto dela afundar é muito grande, já que possivelmente o aquífero, comprome22


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te o território tamandareense pelo que observei, (atualmente se sabe que o aquífero se estende por quase 80% do subsolo da cidade). Espantados mas ao mesmo tempo aliviados, o pessoal que observou e escutou tudo aquilo, entre eles o ilustre narrador Vicente Krizizanoski (que foi um dos pedreiros da obra do Seminário) do fato escutado pelo meu pai Antonio Ilson Kotoviski. Com o tempo foi contando esta história para outros. E como já é de conhecimento das pessoas, o repasse da história nunca era feita da mesma forma e às vezes, era distorcida involuntariamente e mal interpretada (devido ao contexto da cena presenciada), até que ela ganhou o formato como ficou conhecida entre a população mais tradicional do município. Ou seja, que o padre capuchinho, por divergência no que tange ao afrontamento o qual sofreu no desempenhar de seus serviços, saiu da Villa Tamandaré, amaldiçoando-a com o destino que a cidade iria afundar. Este fato da maldição se refere ao episódio em que os padres discutiram a ponto de o sacerdote italiano se desligar da obra de vez. O qual de cabeça quente expressou: que não adiantava fazer uma obra em uma terra onde mais tarde iria afundar e se tornar um grande lago como também, nunca poderia ser uma cidade de fato (com prédios). E como, esta discussão foi escutada e presenciada pelos pedreiros, estes acharam que o padre engenheiro estava amaldiçoando a localidade. Independente ou não de maldição. Eis, que por um fleche toda esta lembrança de segundos, me fez recordar que a previsão do sacerdote começava acontecer. Pois, na década de 1970 foi perfurado o primeiro poço artesiano para abastecimento da pequena população local, pela Sanepar onde hoje fica o escritório de atendimento ao público da 23


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estatal no município. Já na década de 1980, na gestão do então Prefeito Municipal Ariel Adalberto Buzzato (19841988), a Sanepar, para sanear o crescente abastecimento de água no município, perfurou mais três poços artesianos com vazão de 680 metros cúbicos por hora7, no centro da cidade. Porém os problemas que assolam a cidade tiveram inicio em 1992. Ano em que Sanepar, buscou tentar sanar o abastecimento de água da Região Metropolitana de Curitiba, explorando a água do subsolo8. No entanto lá pelo começo da década de noventa até o inicio do novo século, o centro de Almirante Tamandaré começou a sofrer um pequeno afundamento, mas com graves consequências, justamente causado por uma maior demanda de extração de água do subsolo iniciada timidamente na década de 1970 pela Sanepar. O qual foi marcado, pela interdição9 em 2003 do prédio recém-construído do Colégio Estadual Ambrósio Bini. Que a propósito, havia sido alertado para a sua engenheira responsável pelo laudo de liberação do terreno onde seria executada a obra, ainda antes do seu período de construção. Que a região destinada a aquele fim, que ficava praticamente vizinho de onde se localizava a extração de água do subsolo feita pela Sanepar. Poderia corromper a estrutura da edificação. E por este motivo não se deveria construir lá. Mas a engenheira, com ar de arrogância proporcionado pelo status de carregar um diploma. Mandou o diretor de obras municipal da época Antonio Ilson Kotovski (que não possuía competência legal para interditar a obra, já que se 7

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REVISTA PARANAENSE DOS MUNICÍPIOS. Especial Almirante Tamandaré. Curitiba: Ed. Revista Paranaense dos Municípios Ltda, Fevereiro de 1986, ano XVIII, p. 11. ARAÚJO. Maria Luiza Malucelli. A influência do Aquífero Carste em Almirante Tamandaré. COMEC, 2006, p. 17. Revista Brasileira de Geofísica. Aplicação dos métodos gravimétrico e eletroresistivimétrico-IP em área de risco geotécnico do sistema aqüífero cárstico em Almirante Tamandaré-PR. Disponível em:<http:// www.scielo.br/scielo.php?pid=S010261X2006000300009&script=sci_arttext> Acesso em: 25 nov. 2010

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tratava de uma construção estadual, como também não era o Secretário de Obras), estudar engenharia. Para depois palpitar em assuntos técnicos. Resumindo, atualmente o tradicional Colégio Estadual Ambrósio Bini, se estabelece em dois prédios provisórios, para atender seus alunos. Aguardando a morosidade burocrática e uma decisão resolutiva política estadual e municipal, para resolver o problema gerado pela falta de humildade de uma engenheira em admitir um possível erro de escolha de local da obra, que resultou na condenação estrutural de um prédio público, a ponto de inviabilizá-lo10. Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril de 2011

Ruínas do Colégio Estadual Ambrósio Bini interditado em 2003, contemporânea construção símbolo dos efeitos de construções feitas sobre áreas sensíveis do aquífero

Porém, este fato não foi o único, já que anteriormente ao fato, em 1992, várias residências de mais de dez anos no centro de Almirante Tamandaré, sofreram efeitos em sua estrutura, a qual gerou até um documentário no tradicional programa televisivo Globo Reporte (18 de fevereiro de 2005)11, que abordou este problemático assunto. Por efeito, 10

PARANÁ ONLINE. Colégio construído em área cavernosa está afundando. Disponível em:<http://www.paranaonline.com.br/editoria/cidades/news/474984/?noticia=COLEGIO+CONSTRUIDO+EM+AREA+CAVERNOSA+ ESTA+AFUNDANDO>Acesso em: 25 nov. 2010

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esta reportagem de nível nacional gerou muitas indenizações para serem pagas pela Sanepar aos moradores prejudicados pela extração da água. Além de forçar os prefeitos das gestões que posteriormente a estes fatos vieram e virão, a reverem o contrato que permitia e permitirão a Sanepar a extrair água do subsolo do município. Ocasionando também, a criação de legislações específicas, que limitam a construções de residências tipificadas dentro de um porte específico, em determinadas regiões do centro e proximidades da região de extração, a qual gera muitas discussões, já que muitos moradores interpretam esta proibição legal e previdente, como perseguição política ou desnecessária. Na madrugada do dia 23 de dezembro de 2010 um afundamento de solo progressivo com mais de 3 metros de profundidade se formou na região da Rua Domingos Scucato interditando a mesma e atingindo o terreno da Escola Jaci Real Prado. Além de comprometer por efeito o terreno das instalações provisórias do Colégio Ambrósio Bini localizado no fundo da primeira escola. A prefeitura tentou em vão fechar este mesmo afundamento para liberar a rua. No entanto, o mesmo se formou dias mais tarde a frente do lugar tapado. Na data de 30 de março de 2011, ocorre a interdição total das duas escolas. Mais de 2000 alunos ficaram sem aulas. Em 02 de maio de 2011 a Escola Jaci Real Prado, foi remanejada provisoriamente no prédio estadual que anteriormente serviu de Posto de Saúde, Hospital, Fórum e deposito de medicamento localizado junto a Rua Coronel João Candido de Oliveira. Já o Ambrósio mantém uma parte de seus alunos em um barracão denominado de Campus II em quanto aguarda outras soluções. Esta providente e responsável interdição, já que se fun26


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damenta na preservação da vida de quem utiliza estas instituições, foi interpretada por um grupo de pessoas, inclusive pessoas que carregam um diploma e repassam conhecimento, como um “ato de perseguição política contra os profissionais da escola”! Foto: Paraná Online, dezembro 2010

Afundamento progressivo ocorrido em dezembro na Rua Domingos Scucato em frente à Escola Jaci Real Prado de Oliveira. Marco inicial da trajetória das interdições ocorridas em 30 de março de 2011

Uma lembrança rápida que geram outras. Eis, que involuntariamente lembrei-me destes fatos descritos anteriormente, para espontaneamente me lembrar de um mais antigo, só que ocorrido de forma natural ou místico (quem sabe?), que minha avó Odete um dia me contou. Lembro-me que estávamos indo para Campo Magro, distrito na época de Almirante Tamandaré, quando no caminho, se comentou algo dentro do carro sobre uma curiosa Lagoa Feia. Curioso como qualquer criança da minha idade nesta época. Comecei a fazer perguntas sobre o que era aquela tal Lagoa Feia. Minha avó Odete Basso da Cruz, com seu jeito de italiano antigo de explicar as coisas, já foi direto a resposta, dizendo que era o lugar onde uma igreja católica tinha afundado, porque as pessoas haviam dança11

GLOBO REPÓRTER. Documentário Aquífero Guarani, parte 3, Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=FQG9gpKMF4E>Acesso em: 25 nov. 2010, parte 4, Disponível em:<http://www.youtube.com/ watch?v=Da3LgsDHuVw&feature=related>Acesso em 25 nov. 2010.

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do dentro dela. Não satisfeito, com a resposta, perguntei se ela tinha visto isto acontecer. Ela respondeu que não. Porque, a Lagoa Feia já existia na época em que ela ainda era criancinha, mas que tinha medo de passar por perto, por causa da história que foi contada por seus pais. Independente se foi castigo ou não, ou se o fato descrito se desenvolveu da forma contada, a Lagoa Feia existe, e realmente uma construção ali afundou. Tudo indica que foi devido ao terreno que não suportou aquele peso extra sobre ele, devido justamente a falta de sustentação que um pequeno lençol cárstico possuía ali. Mas este fato transcende as décadas de 90 do século XIX. Atualmente esta localidade, onde ocorreu este raro fenômeno geológico, pertence ao Município de Campo Magro. Mal terminei de recordar tudo aquilo, me vi já em frente ao portão de casa. Mas continuava a carregar comigo aqueles fatos ocasionados por fenômenos geológicos, que me despertaram a curiosidade de saber mais sobre o tal Aquífero Kasrt, o qual após tomar um bom banho e fazer uma leve refeição, fui direto ao computador navegar pela rede mundial de computadores para pesquisar sobre ele. Para minha surpresa descobri que o aquífero, se estende atualmente por mais de 5.740 km² aproximadamente. Praticamente abrangendo quase todos os municípios da Região Metropolitana Norte de Curitiba (Adrianópolis, Almirante Tamandaré, Bocaiúva do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Cerro Azul, Colombo, Doutor Ulisses, Itaperuçu, Rio Branco do Sul e Tunas do Paraná), o norte desta mesma região, além de dos municípios de Castro e Ponta Grossa. Porém, o que me entristeceu, é ter lido uma informação, que o aquífero possivelmente já esteja sofrendo a contaminação por agrotóxicos utilizados há décadas nas culturas 28


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de hortaliças. Como também por resíduos líquidos industriais e orgânicos produzidos pelo homem e pela falta de conscientização da população e das autoridades referente ao seu comportamento descomprometido em preservar os recursos hídricos e consequentemente o meio ambiente.12 No entanto, este comportamento humano já é considerado crime desde o advento da Lei Orgânica Municipal nº 37 do ano de 18 de setembro de 1979 que criava o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente. O qual em seu Artigo 3º citava: “é expressamente proibido o lançamento, de resíduo em qualquer estado da matéria ou forma de energia, proveniente de atividades humanas, em corpos de água na atmosfera ou no solo em que venham implicar em qualquer forma de poluição ou contaminação do meio ambiente, de acordo com o artigo 2º”. Outro fato desolador é notoriamente perceber na cidade, que os principais meios de abastecimento do aquífero estão sendo impermeabilizados ou fechados por aterros e invasões. Isto sem contar que a nova Lei de Edificação do município claramente tipifica que qualquer ato de construções com distancia inferior a trinta metros das margens de um rio estão proibidas. Como também é crime ambiental de jurisdição nacional aterrar várzeas e dolinas. E o que é mais interessante, que estes textos legais não são contemporâneos como se apresentam em suas datas de promulgação. Mas sim, já são aperfeiçoamentos de legislações orgânicas, estaduais e federais da década de 1940. Ou seja, quando a cidade era Timoneira, já existia lei orgânica limitando a construções de prédios e

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RIO+10. Poluição já atinge Aqüífero Karst, Gazeta do Povo (PR), 10 de julho de 2002. Disponível em: <http:/ /www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/RelatorioGestao/Rio10/riomaisdez/index.php.1194.html> Acesso em: 25 nov. 2010.

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protegendo várzeas e dolinas13. O problema, é que são poucos os que respeitam as leis. E por suas ações comprometeram a cidade. Como estava muito cansado e já passava das dez horas da noite, resolvi parar de navegar na rede, e fui dormir. Porém, parcialmente satisfeito, já que fiquei curioso sobre outros assuntos relacionados à terra que me acolhe desde meus primeiros passos.

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Relato espontâneo de Luciano Gulin (Secretario do Meio Ambiente do município na década de 1990), quando citou que no processo de criação da lei de zoneamento e construções do município, se depararam com uma legislação da década de 1940 que já denunciava a fragilidade do solo e a necessidade de proteção dos meios de abastecimento do aquifero. Natal de 2010.

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Os Nativos da Terra Tamandareense

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espertava o radio relógio ao som de uma noticia policial que ocorrera na região metropolitana, isto já às seis e meia da manhã. Era prenúncio de que segunda-feira havia raiado. Sem muito tempo a perder com o noticiário, rapidamente me vesti e alimentei-me. Pois, as sete e quinze era o limite para sair de casa e chegar no horário no Colégio Estadual Jardim Paraíso, onde lecionava. Sem muita correria, já que a escola fica próxima de minha de casa, cheguei tranquilo, pronto para “enfrentar” já nas primeiras duas aulas, a 5ª Série A. Como sempre, encontro a criançada agitada, feliz e extremamente alegre. Porém, como era hora de aula, tive que acalmar os alunos para que eu pudesse iniciar meu importante trabalho. Solicitei que pegassem o livro de História e o abrissem na página 60, para iniciarmos o assunto sobre os indígenas brasileiros. Sem muitas dificuldades, comecei então a apresentação oral do assunto, e com o auxilio dos alunos na leitura dos parágrafos do capitulo a serem interpretados e elucidados. 31


Relatos de um Tamandareense

Eu explicava que quando as expedições portuguesas não oficiais (secretas), ordenadas por D. Manuel I, em 1498. Comandadas por Duarte Pacheco, no que tange o objetivo de explorar o que existia além da linha imaginaria do Tratado de Tordesilhas. Encontraram terras meridionais (região dos atuais Estados do Maranhão e Pará, além de alcançarem a foz do rio Amazonas e a Ilha do Marajó) em relação à descoberta do genovês Cristóvão Colombo a serviço da Espanha em 1492. Mesmo observando focos de vida humana nativa, Duarte Pacheco ficou contente com o resultado da expedição. Posteriormente ao chegar a Lisboa repassou as informações ao rei. O qual sem se perder em temores ordenou que se preparasse a mais poderosa frota naval (que mais parecia uma armada) até então organizada pelo reino luso, (compostas de três caravelas e dez naus, equipadas com canhões e cerca de 1200 soldados e aproximadamente 300 civis). Entregues sobre a responsabilidade do diplomata e militar Pedro Álvares Cabral, que foi auxiliado pelos experientes navegadores Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho14. No dia 22 de abril de 1500, chega a Pindorama (denominação indígena na época para a região do atual Porto Seguro na Bahia que significa terra das “árvores altas ou palmeiras altas”), a poderosa expedição. Sendo recepcionada por homens, totalmente descontextualizado com a cultura e costumes europeus e do mundo condicionado como civilizado que se tinha da época. Pois, isto ficava claro, pela falta de vestimenta dos nativos, porém, ornamentados com pinturas e penas, como descreveu Pero Vaz de Caminha. Pela sua natureza diplomática e experiência no árduo serviço de realizar os primeiros contatos com nativos dos 14

MELANI, Maria Raquel Apolinário. Projeto Araribá: História 6ª. São Paulo: Moderna, 2006, p. 128.

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diferentes lugares que encontraram no mundo, (que por consequência permitiram ao Reino de Portugal ser o maior império ultramarino de sua época). O grupo de Cabral, não encontrou muitas dificuldades em se comunicar e estabelecer relações amistosas com os valorados primitivos nativos ali encontrados inicialmente,... Após esta breve introdução feita de forma proposital, para atiçar a curiosidade dos alunos, ressoa na sala de aula, a pergunta mais aguarda e por mim esperada: “o professor, de onde vieram os índios, que os portugueses encontraram na Bahia?”. Respondendo o questionamento, expliquei que a população nativa encontrada tanto por portugueses, quanto por espanhóis na América, provavelmente tenham vindo do continente asiático e da Oceania. Surpresos com a resposta, os alunos quiseram saber como? Pois, deduziram que se os europeus que já dominavam o transporte marítimo, e mesmo assim demoraram muito tempo para atravessar o oceano Atlântico, então como os nativos, fizeram tal façanha se desconheciam técnicas mais apuradas de construção de barcos com a durabilidade para aguentar uma viagem longa pelo mar? Diante desta curiosidade, comecei a nova explicação: segundo alguns pesquisadores, o ser humano chegou a América através do Estreito de Bering, ainda no período que o planeta Terra sofria com o fenômeno da Glaciação. Pois, nesta época, o mar que banha a região, estava congelado. Ou seja, na busca por alimentos e pela própria sobrevivência, grupos humanos asiáticos nômades, provavelmente no processo de seus deslocamentos, atravessaram sem perceber, a “ponte de gelo” que ligava a Ásia e a América, que atualmente é o traiçoeiro e perigoso Mar de Bering. 33


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Porém, ao chegar à América, resolveram caminhar para o sul. Alguns grupos, conforme iam se adaptando as regiões por onde passavam, nela permaneciam, e começavam por vários motivos ainda não elucidados de forma plausível, a se tornarem sedentários. Já outros, por não se adaptarem, continuavam nômades, e cada vez mais adentrando e se espalhando pelo território americano. Alguns destes grupos, em sua trajetória de sobrevivência se adaptaram tão bem, que conseguiram desenvolver cultura e conhecimentos avançados demasiadamente para o período que viviam (Maias, Astecas, Incas,...). No entanto, outros continuaram estagnados, praticamente poucos evoluíram em ralação ao período da migração continental. No entanto, este processo se desenvolveu em um contexto de aproximadamente 15.000 anos. No entanto, existem divergências, quanto à data do estabelecimento do homem na América, principalmente por que existem cientistas como a pesquisadora Niéde Guidon, que defendem que o homem já faz parte do cotidiano da América, a mais de 50.000 anos. Independente se 15.000 ou 50.000 anos, a ciência ainda não tem certeza se o homem realmente só chegou pelo caminho do Estreito de Bering na América. Isto porque, surgiu a Teoria dos Diversos Caminhos. A qual expõe, que o homem, além de ter atravessado o Estreito de Bering, também, se deslocou da região sul da Ásia, e da região da Polinésia, por via marítima. Navegando com canoas de ilha em ilha, até que chegaram na porção sul do continente americano, onde também começaram se espalhar, só que no sentido leste, norte e sul. No entanto, ainda não foi descartada a possibilidade de que o homem americano teve origem na própria América. Porém, falta uma prova concreta e objetiva para fundamentar esta teoria. 34


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No entanto, muitas dúvidas pairam entre os cientistas e pesquisadores do homem americano, principalmente, porque na cidade de Natividade Paulista, região da Serra do Mar, foi encontrado a base estrutural que fundamenta o início da construção de uma pirâmide15. Isto porque, os nativos encontrados na região do atual território brasileiro, principalmente no que tange a região costeira, eram ainda bem pouco evoluídos no contexto de dominarem técnicas de construções daquele porte encontrado, como também, se quer eram sedentários. Resumindo, o nativo encontrado no Brasil, os quais, denominamos erroneamente de índio, provavelmente tenha aparecido em nosso território, vindo em consequência dessas migrações de grupos nômades, que se processaram por milhares de anos. Após esta explicação toda, que foi desenvolvida em pouco mais de dez minutos, utilizei-me de recursos áudios-visuais, proporcionado pela TV Multimídia. Onde proporcionei aos meus alunos, a assistirem um breve documentário sobre os povos indígenas do Xingu, com um posterior questionário para ser respondido conforme as respostas iam aparecendo no vídeo-aula. No entanto, ficava uma questão ainda sem elucidação, levantada sobre os grupos indígenas, por alguns aluninhos: “existiam nativos em Almirante Tamandaré?”. Surpreso com a pergunta, pois, isto se apreende nas escolas municipais, respondi que sim. E já prevendo as posteriores perguntas, resolvi falar um pouco sobre o povo Tinguí. O qual habitava a região dos Campos de Coritiba, que hoje corresponde a praticamente a toda Região Metropoli15

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ. Reportagem da Gazeta do Povo: Sítios Arqueológico em São Paulo, intriga pesquisadores. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/roteiropedagogico/recursometod/415_Piramides.pdf> Acesso em: 26 nov. 2010.

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tana Norte, a qual se insere o município de Almirante Tamandaré, ainda em tempos que transcendiam a chegada do português a região. Por ser um povo da floresta, se diferenciava um pouco do povo nativo encontrado no litoral, mas que possuíam a mesma origem Tupi-Guarani. Apesar, de eles possuírem as mesmas gêneses, o povo da floresta (Tinguis), ainda se comportava dentro de um contexto característico seminômade. Ou seja, caçavam, pescavam, coletavam alimentos da mata, e conheciam a agricultura, mas a utilizavam apenas como atividade secundaria de sobrevivência e não como a principal. Por este motivo que eram seminômades. Eles se organizavam em grupos que se abrigavam nas tindiqueras (buraco de tingui), que na verdade eram covas abertas no chão. Graças, a observação feita dos hábitos alimentares dos tinguis, foi possível identificar vegetais e animais exóticos (já que certas espécies vegetais e animais eram desconhecidos para os portugueses), e a partir deste fato, o colono, conseguiu classificar o que era comestível ou não. Um exemplo, é o habito que a população da nossa região possui de se alimentar com o pinhão, fruto da Araucária, árvore símbolo do Paraná. Neste contexto, também se observou a correta utilização da mandioca e sua posterior utilização pelo colono como alimento. Em documentos oficiais da época da colonização da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Curitiba), os Tinguis foram descritos como um povo pacífico, que apesar de andarem nus, não carregavam a malicia do europeu “civilizado”. Eram simpáticos e acessíveis. Tão acessível, que acabaram virando serviçais do colonizador da região. De repente interrompendo minha explicação, um aluno que não prestou atenção na explicação inicial sobre este 36


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específico assunto, comenta que queria saber sobre os índios existentes em Almirante Tamandaré, não em Curitiba. Então, expliquei, que quando se pesquisa sobre o habitante anterior a chegada dos portugueses na região, se procede dentro da lógica, que naquele tempo (século XVII), não existia Tamandaré, o que existia eram amplas regiões denominadas por um nome. No caso, não era Curitiba cidade, mais Campos de Coritiba, que abrangia quase toda a Região Metropolitana Norte. Ou seja, aqui onde estamos hoje, em tempos que transcendem a época do Descobrimento do Brasil, a região que pertence ao atual município, era coberto por duas formações vegetais originais: a Floresta Ombrófila Mista, mais conhecidas como Mata de Araucárias, na maior parte do território ao sul e a Floresta Estacional Semidecidual, os quais a população leiga conhece como campo (e ainda pode ser observada no Morro do Sumidouro). Assim como também era a região da cidade de Curitiba, que na realidade daquela época, pertencia a um único lugar, os Campos do Tindiquera e Campos de Coritiba (Curitiba)16. Já no embalo da pergunta, outro aluninho, quis saber o que significava tingui. Segundo os dicionários linguísticos guarani, a origem de seu nome vem do próprio Tupi-Guarani, o qual se interpreta em nossa língua como nariz afilado17. Porém, a última pergunta que me fizeram, antes do sinal soar, demonstrou o quanto à cultura superior em tecnologia bélica e conhecimentos é destrutivo quando resolve desenvolver seus objetivos contra uma população que não possui desenvolvimento equivalente nestas áreas do conhe16 17

FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira, 1996, p. 10. BORDONI,Orlando. Dicionário A Língua tupi na geografia do Brasil. Campinas: Banco do Estado do Paraná, s/d.

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cimento. Pois, fui questionado por que não existem mais índios na região? Respondi que infelizmente pela exploração de seu trabalho que sofreram no contexto da exploração do ouro e de outras atividades econômicas; do constante contato que tinham com os colonizadores dos povoamentos que iam se formando, devido a sua simpatia, docilidade e inocência, eles aos poucos foram se condicionando civilizado aos moldes dos colonizadores; outros que vagavam foram transformados em escravos pelos bandeirantes; já outros se misturaram a outros grupos indígenas ou até mesmo aos colonizadores, já que eram seminômades; alguns grupos foram catequizados por jesuítas, já que existem marcas da passagem desses sacerdotes no município (Recanto Marista ou Parque Santa Maria) e por fim, a doença trazida pelo europeu trouxe a morte aos grupos mais retirados. Ou seja, os tinguis foram supostamente absorvidos e não exterminados, pela nova realidade que raiva na região. Porém, sabemos que o povo tingui existiu, porque deixou muitas marcas. Eis, que muitos moradores da região possuem o sangue tingui nas veias, características físicas e até costumes e comportamentos herdados por deles. Como também é possível perceber de forma notória, o que sobrou de sua língua, nas expressões que denominam coisas, comidas e lugares. Um exemplo é a denominação que recebem alguns bairros tamandareenses: Botiatuba, Pacotuba, Boichininga, Tanguá, Juruqui, Humaitá,... No entanto, infelizmente, não existe mais uma cultura pura que represente o Povo Tingui. Neste momento, um aluno me interrompeu, e disse que o lugar que a tia dele morava tinha nome de índio. Perguntei qual era o lugar. Ele respondeu que era a localidade de 38


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Marianã. Agradeci pela colaboração, porém, expliquei que este nome, não possuía ligação com a língua nativa. Isto porque, a palavra Marianã, na verdade é um antropotopônimo18 que teve origem da expressão: “estou indo para as terras da Maria anã”, ou seja, os moradores mais tradicionais contam que naquela localidade, há muito tempo atrás, não possuía nome, mas morava uma mulher anã chamada Maria. Diante disto, toda vez que as pessoas iam visitar alguém na localidade, expressavam que estava indo para as terras da Maria anã, que com o tempo, se tornou uma palavra só “Marianã”. Sem mais tempos para explicação, tive que ir para a 6ª série, onde por coincidência, abordei a colonização portuguesa na América. Após, ter explicado e respondido os questionamentos feitos por meus alunos, passei algumas tarefas a serem realizadas na própria sala de aula. Enquanto eles faziam a lição, eu aproveitava para fazer a chamada e preencher a burocrática anotação, pertinente ao conteúdo da aula lecionada, no diário de classe. Neste breve momento em que fiquei em silêncio, recordei-me um fato, que escutei ainda criança nas conversas dos adultos, na agência do extinto banco Banestado (primeira agência bancaria na cidade, aberta em 16 de maio de 1977), onde hoje é o atual Banco Itaú. Sendo que o contexto da conversa, poderia ser uma pista para ajudar a elucidar o mistério da origem do homem americano e porque não detalhar melhor o povoamento primórdio da região de Almirante Tamandaré. Pelo menos foi o que me ascendeu na consciência, naquele momento. 18

Antropotopônimos é uma taxionomia de natureza antropo-cultural, que se expressam como denominações inspiradas em nomes próprios individuais complementados por um apelido (prenome, hipocorístico, prenome + alcunha, apelidos de família, prenome + apelido de família). ZAMARIANO, Marcia. Toponímia paranaense do período histórico de 1648 a 1853. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Londrina: Londrina, 2006, p. 91.

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Por quê? Eis, que dentro de uma normalidade, sempre faltando dez minutos para as quinze horas, eu sempre era solicitado a levar o dinheiro arrecadado pela venda de mercadorias na loja de minha avó, para ser depositado no banco. Ao chegar lá, presenciava a rotina de sempre (banco lotado, pessoas importantes da cidade resolvendo seus problemas, gente reclamando, com pressa,...), ou seja, movimento típico de uma cidade que só contava com dois bancos na época (Banestado e o Banco do Brasil). Porém, como o banco estava lotado, o fim da fila estava já próximo ao pessoal que aguardava falar com o gerente. Foi neste momento, que escutei um grupo de pessoas a comentar algo, sobre um ilustre político tamandareense. O qual, havia se metido em uma enorme confusão. Pelo fato de seus funcionários que desempenhavam a sua função de explorar calcário, terem dinamitado uma pedreira na região da Ermida, onde se localizava uma gruta calcária, cujo em suas paredes, estavam dispostos raros exemplares de desenhos rupestres, feitos em tempos ainda não datados. Para ser sincero, não sei o motivo porque este fato ficou gravado, já que mal prestei atenção. Mas, imagino que a grande chave para isto ter ocorrido, foi porque dias mais tarde, escutei outras pessoas, também comentando algo sobre o assunto, inclusive até falando sobre um processo judicial, movido pelo Ministério Público, motivado pela denuncia de um grupo de pessoas, que pesquisavam aqueles desenhos. E posteriormente, porque na escola, a professora explicou sobre a arte rupestre. Mas só hoje, que fui “me ligar” da gravidade daquela ação cometida contra aquele patrimônio histórico/geológico, e posteriormente relacionar a importância daqueles 40


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desenhos e manifestações pré-históricas, para a melhor compreensão da história de minha cidade, do meu Paraná, de meu Brasil e porque não do meu Planeta. Depois, de ter refletido sobre tudo isto, em questão de tão pouco tempo, voltei à realidade, e lá estava o professor de História, que aprendia mais um pouco com sua própria experiência histórica. E como sempre acontecia, o sinal tocou, para o recreio, o qual me possibilitou ir para a sala de computação, pesquisar algo na internet que falasse sobre aquele respectivo fato. Como era algo anterior a informatização dos jornais e da justiça, não obtive resultados mais apurados, para me satisfazer a curiosidade do momento. Porém, descobri que na região dos minérios, existem vários processos, movidos por ONGs e pelo próprio Ministério Público19, contra firmas exploradoras de calcário, motivadas pela destruição de grutas, cavernas e formações geológicas raras. Independente de terem em seu interior, sinais da arte rupestre ou não. Pois, é através de uma gruta, caverna, que se apreende de forma mais objetiva e concreta, sobre a história geológica da região e consequentemente da Terra20. Estas informações despertaram uma lembrança. Pois, no Botiatuba existem e foram encontrados artefatos pré-históricos com características neolíticas. Sendo que alguns destes artefatos foram achados por acidente mais ou menos no ano de 1984. Pois, nesta época os irmãos Milto e Ari Kotoviski, estavam construindo os muros que dividem as suas propriedades. Neste contexto, no processo de escavação de um buraco para fazer o posterior preenchimento de 19

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REDE LATINO AMERICANA DO MINISTÉRIO PUBLICO AMBIENTAL. Ação Civil Pública. Disponível em:<http:/ /www.mpambiental.org/index.php?acao=pecas-pop&cod=95> Acesso em: 27 nov. 2010. MPPR - MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ. O que restou das Cavernas. Disponível em:<http:// www.mp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=893> Acesso em: 27 nov. 2010.

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concreto para fazer a viga do muro, os pedreiros acharam um objeto de pedra curioso. Já que era tipo um bastão com pontas simetricamente iguais e bem polidas. Sendo que na metade deste bastão havia uma saliência que o circulava. Media uns 12 centímetros com pouco mais de dois centímetros de largura. Meu pai que estava no local viu o objeto e pegou para mandar ser analisado. No entanto, ocorreu um acidente. Que me arrependo até os dias atuais. Eis, que fui pegar o artefato escondido para provar na escola que perto de minha casa existia homem da caverna, sem querer derrubei no chão quando tirava da gaveta. Partiu em três pedaços. No entanto, por sorte outros artefatos pré-históricos de pedras foram encontrados no Botiatuba e estão sobre a guarda do Senhor Joanito Kozowski. Foto: Secretaria Municipal da Cultura

Artefatos de pedras pré-históricos encontrados no Botiatuba

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A gênese e desenvolvimento de Almirante Tamandaré

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omo professor, é meu dever manter meus conhecimentos sempre atualizados. Principalmente se levar em conta, que os assuntos da ciência que leciono estão sempre passando por um processo de metamorfose. Já que a Ciência História evolui na mesma velocidade, que se renova e despertam as racionalizações humanas. Diante desta condição, resolvi conhecer um pouco mais da história do município que eu moro. Pelo pouco que consegui observar, as informações prestadas pelos autores alienígenas sobre a região se caracterizam resumidas e superficiais. Mas isto, não é culpa dessas bem aventuradas pessoas. Mas sim de nós historiadores e cidadãos filhos da terra, que pouco se interessamos para desvendar e enriquecer com mais informações, a trajetória do município que nos acolhe. No entanto, para não ser injusto, existem pessoas que estão fazendo isto no município. Os quais se destacam o escritor e professor Pedro Martim Kokuszka com suas obras sobre os imigrantes poloneses na cidade; e um importante legado não terminado sobre o Município, inici43


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ado pelo seu Harley Clóvis Stocchero; a professora Mestra Josélia Aparecida Kotoviski, a qual iniciou em 2000 um trabalho de coleta de lendas e histórias cotidianas do município. Além de outras pessoas, que dedicam uma parte de seu tempo, em resgatar o que o tempo tentou apagar, mas que por falta de divulgação e de informações de seus trabalhos até este momento, infelizmente não puderam ser lembradas. É lógico também, que existe um pessoal que atrapalha. Pois, colhem informações, tenta comercializá-la, além de se promoverem com isto. O que acaba fechando a porta para as pesquisas sérias. Buscando novas informações, percebi que muitos autores e pesquisadores paranaenses, iniciam seus breves comentários sobre o município tamandareense, com a expressão, “que a história de Almirante Tamandaré, se perde no tempo e no espaço”. Tal expressão, na minha humilde e interpretação ainda pouco sábia, está equivocada. Isto se dá ao fato que a gênese da cidade, não começou em um lugar que não existe e tão pouco do nada. Mas a grande questão é: onde e quando tudo começou? Tudo índica, baseado pela atual posição geográfica aonde o município se encontra, (25° 18’ de latitude sul, 49° 18’ de longitude Oeste), que o território antes se chamava de Campos de Coritiba. Pois este fazia parte da abrangente região que compreende a região Metropolitana Norte. Cruzadas e deslumbradas tanto por expedições espanholas comandadas por Álvaro Nuñez Cabeza de Vaca, que vieram do oeste entre 1541 a 154221. Quanto pela pioneira bandeira comandada pelo português Aleixo Garcia em 1524 e 21

STECA, Lucinéia Cunha, FLORES, Mariléia Dias. História do Paraná: do século XVI à década de 1950. Londrina: Ed. UEL, 2002, p. 1.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

mais tarde (1531) pelas entradas portuguesas de Pero Lôbo e Francisco Chaves. As quais, ao desbravarem a Floresta Tropical Atlântica e contornar as serras, vindas do leste, transcenderam os limites imaginários do então Tratado de Tordesilhas, cujas coordenadas plausíveis, segundo RIBEIRO, em 1519 eram de 49° 45' w de Greenwich22. Eis que, independente de qual reino Ibérico era o dono do território. Pelo tratado, a região do Primeiro Planalto Paranaense, nos quais se localizava os Campos de Coritiba, (Curitiba, Almirante Tamandaré, Rio Branco, Colombo, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul,...), pertenciam tudo ao Reino da Espanha. Pois, pelo tratado, todo território a oeste do meridiano imaginário de Tordesilhas, pertenciam à Espanha, porém isto não foi muito observado pelos espanhóis e tão pouco respeitado pelos portugueses, já que a partir de 1580, ocorreu o episodio histórico da União Ibérica, que durou até 1640. Ou seja, o dono do território, foi quem chegou e tomou posse dele. No caso, foram os portugueses. Diante destes fatos, porém com certas restrições de períodos, o começo da história do município tamandareense, se vincula com a própria história da capital paranaense, porém, a de ressaltar, que existem certas particularidades, que criaram um divisor bem claro em suas origens como cidades. Estas particularidades se referem ao fato, que quando o então capitão povoador Gabriel de Lara chegou aos Campos de Coritiba, já encontrou portugueses habitando a região e proximidades. Pois, muitos arraiais já existiam. Provavelmente formadas por Bandeiras (expedições não oficiais, mas sim particulares, com o objetivo de prear nativos e 22

REVISTA ISTO É. O Meridiano de Tordesilhas de acordo com diferentes geográfos. Editora Três, São Paulo, 2000.

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buscar metais e pedras preciosas). Ou seja, aqui no primeiro Planalto Paranaense, já existiam pessoas “civilizadas”, compartilhando a região com os nativos tinguis. Mas a grande questão é: de onde vieram tais “civilizados”? Para responder esta questão é necessário, voltar ao período inicial do descobrimento do Brasil. Isto, porque, foi a partir deste fato que o europeu chegou a América Portuguesa. Pela História oficial, o território luso na porção meridional da América, não começou ser colonizado imediatamente após seu descobrimento. Esta situação ocorria, porque o Reino de Portugal desfrutava de um importante e lucrativo comércio ultramarino, com suas feitorias fundadas nas regiões costeiras das atuais nações da China, Japão, Índia, Arábia, Angola, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, além de outras localidades distribuídas pela região do Oriente. Diante deste fato, a América pouco lhe servia, pois, não possuía algo relevante para ser explorado comercialmente, com exceção do pau-brasil. Naquela época, muitas nações não concordavam com a divisão do mundo, tratada pelos reinos ibéricos. Por este motivo, não a respeitavam. Então, não raro, foi à presença francesa no litoral Brasileiro, que a principio também vinham buscar pau-brasil, e empreender busca a outras coisas comercializáveis na Europa. Conhecedor deste fato e de e que a Espanha já organizava expedições, que saiam da costa oeste da América em direção a leste. Além de noticias sobre ouro e prata encontrado pelos espanhóis em território Inca e Asteca e principalmente porque o monopólio do comércio com o oriente já estava sendo perdido, o então rei de Portugal, Dom João 46


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III, viu a necessidade de proteger o território americano. Para realizar isto, teria que formar povoamentos no território de futuro tão promissor. Mas para colonizar, teria que investir. Percebendo que seria caro tal empreendimento, Dom João escolheu nobres de sua extrema confiança, e lhes doou quinze grandes lotes de terras na América, as quais deveriam ser providas, protegidas e gerar lucros. Mas tudo, a partir de recursos bancados pelos próprios donatários. Resumindo, se fazia assim a primeira forma de organização administrativa no Brasil, o qual é conhecido como sistema de Capitanias Hereditárias. As quais, a Capitania de São Vicente e a de Santana, foram as que se dispuseram em parte, sobre o atual território paranaense. Porém, antes da chegada, de Martim Afonso de Souza para tomar posse da Capitania de São Vicente, em 21 de janeiro de 1532. Já era de conhecimento, que já existiam portugueses morando neste território muito antes de 1531, provavelmente aventureiros que pertenciam a então expedição de Aleixo Garcia e náufragos que vieram parar nestas terras anos após a descoberta da nova terra por Cabral. Estes portugueses antecessores de Martim de Souza formaram pequenas vilas (ainda não oficializadas, mas denominadas como vilas) nas regiões da capitania, e viviam junto com os índios destas regiões. Seus primeiros trabalhos na nova terra era um trabalho de agricultura, já que provavelmente estes homens vinham de regiões agrícolas de Portugal. A caça de escravos índios também era utilizada por esses primeiros homens em terras brasileiras, já que o porto de São Vicente (antes da chegada de Martin Affonso) era conhecido como um porto de escravos. Esses homens que habitavam não só a região de São Vicente. Mas também outros portos mais ao sul (Capitania de Santana, doa47


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da a Pero Lopes), provavelmente vieram de naus clandestinas que vinham em busca de terras e procuravam chegar ao rio da Prata, tanto que em alguns portos da mesma época também se encontravam náufragos espanhóis. Martim Affonso de Sousa não permaneceu no Brasil e voltou a Portugal, mas deixou muitos de seus homens em terras brasileiras, como por exemplo: Braz Cubas que depois se tornou capitão-mor da capitania. Esses homens que ficaram foram aqueles que realmente começaram a colonizar mais intensificamente a capitania de São Vicente, pois começaram a comandar e a organizar a nova terra descoberta. Independente da data, já era notória a presença do “homem europeu” no litoral próximo as atuais terras paranaenses. No entanto, mesmo nas regiões onde não havia traços de povoamentos, já era notório que uma das atividades principais dos habitantes da Capitania, era a busca por índios e metais preciosos. Pois, o que motivava o português vir para a colônia, não era o sonho de uma vida nova no Brasil, mas sim, o enriquecimento, fama e reconhecimento, pelas suas façanhas. As quais lhes trariam o respeito e a honra perdida em Portugal. Ou seja, os colonos que vieram para o Brasil, e ficaram até a sua independência, não vieram para ficar. Mas para um dia voltarem para Portugal, agraciados de fama e fortuna23. No entanto, o problema é que uma grande maioria não voltou, e aqui ficou alimentando o sonho de um dia voltar, e agindo como se fosse um dia voltar, pois, nada faziam para melhorar ou facilitar sua “estadia” em terras brasileira. 23

SALVADOR, Frei Vicente do. História do Brasil. 4ª Ed. São Paulo, Ed. Melhoramentos, 1965, p.59.

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Talvez este comportamento explique, porque hoje, muitos dos que passam e em pouco tempo se vão de Almirante Tamandaré para outros locais, nada deixam de colaboração para melhorar a cidade. Pois, “porque fazer se daqui a algum tempo não vou mais morar aqui!” Esta atitude de outrora, hoje ainda é repetida. Maldita herança deixada por estes gafanhotos. Porém, foi este comportamento ingrato, que mais motivou e deu coragem aos pioneiros colonos, a desbravar as terras paranaenses e consequentemente, deixar suas marcas pelos caminhos. Sendo que, na ânsia pela fortuna e fama, muitos esqueceram o tempo, e foram absorvidos e acorrentados pelo chão que vieram “parasitar”. Este sonho levou o litoral paranaense a ser também habitado, tanto é que segundo os relatos do germânico Hans Staden, já havia português na região desde 1549, onde se efetivou uma povoação em 1578, a qual, futuramente se tornaria Paranaguá. Porém, a sesmaria oficialmente registrada em terra paranaense foi concedida a Diogo de Unhate (Tabelião em São Vicente), em 1614. Três anos após este fato, chega a Paranaguá Gabriel de Lara, integrando a bandeira de Antônio Pedroso. No entanto, só em 1646, o capitão-povoador Gabriel de Lara, após ter encontrado ouro, nas encostas de Serra Negra, comunicou o fato à Provedoria de São Paulo. Simultaneamente, eram comunicados e divulgado a descoberta de ouro, em Iguape, Cananéia, nos Sertões da Ribeira (Apiaí), Sertões do Açungui, que compreendia o sertão das Furnas e os Campos de Coritiba24. Com esta divulgação, iniciava oficialmente a corrida pelo 24

ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Curitiba –PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 138.

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ouro em território paranaense. A partir desse momento, a então intransponível Serra do Mar, deixou de ser um obstáculo, para as expedições rumo ao Primeiro Planalto. Em consequência deste fato, começa a se estabelecer na região dos Campos de Coritiba, pessoas sonhadoras com a fama e riqueza, porém, sem nenhum interesse em ficar na colônia25. Talvez seja por este motivo, que nenhum documento oficial se produziu sobre os primeiros povoados e habitantes da região. Este fato fica notório a partir das informações tecidas por Eleodoro Ébano Pereira. Que apareceu na região como autoridade em assuntos de fiscalização da mineração em 1645, o qual se deparou com arraias com mais de 20 anos de existência, e concluiu que o planalto curitibano era “terra de todos”, garimpeiros, mascates e outros, que ali vinham tentar a sorte26. Mas só alguns os achavam e a aproveitaram. Já os outros, sem terem o que fazer se obrigaram a se fixar na região e tentar sobreviver nela até o dia derradeiro. Pelo trajeto percorrido, muitos arraiais foram sendo formados. O mais importante para a história de Almirante Tamandaré, que se tem registro, foram: os formados pelos caminhos do Açungui, e Arraial Queimado atual cidade de Bocaiúva do Sul e Borda do Campo (atual bairro do Atuba, cidade Curitiba), as margens do Rio Passauna e Conceição e nas proximidades das Minas de Itambé. Pois, os acampamentos formados nessas regiões, permitiam uma melhor exploração da mesma, e consequentemente se ligavam pelos traçados dos rios, apesar das dificuldades extremas existentes. Já que, tanto as bandeiras como as entradas, necessitavam de um lugar seguro para descanso e parada 25

26

MACEDO, José Rivair, MACEDO, Mariley W. Oliveira. Brasil: uma história em construção. São Paulo: Ed. Do Brasil, 1996, p.47-53. ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS...., p. 140.

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para se abastecer de provimentos. Estes arraiais desempenharam esta função, em período tão hostil de exploração do território. No entanto, o surgimento dos arraiais (acampamentos de expedições bandeirantes), não visava o povoamento da região. O fato, dos arraiais se tornarem permanente e gerarem pequenos povoados foi uma consequência desencadeada pelos os aventureiros frustrados, que não tinham mais para onde ir, diante do impacto do fracasso. Mesmo com o risco desta sorte, entradas e bandeiras comandadas por aventureiros ilustres, conseguiram obter alguma fortuna e fama em terras dos Campos de Coritiba. Um desses aventureiros, segundo o historiador Alfredo Elias Junior, foi o bandeirante Antonio Raposo Tavares em 1631. Porém, se destaca o bandeirante capitão Salvador Jorge Velho, que por mais de vinte anos explorou a região27, a qual lhe proporcionou a “Descoberta da Conceição” em 1680, na região do atual Município de Campo Magro à apenas 16 quilômetros da atual sede do município tamandareense. Motivado por esta descoberta, não tardou nas proximidades da região, se desenvolver um arraial, que provavelmente deu origem a um povoamento fixo. Pois, esta ideia se torna plausível quando se observa na lista de ordenanças da Villa de Curitiba. A qual denunciava que 1777 o bairro da Conceição. Já na lista de 1785 é informado que o bairro da Conceição tinha 24 casas28. Um pouco mais distante dali, no ano de 1791, aparece o bairro de Campo Magro com 8 casas29. Sendo que a mesma localidade serviu como ponto fiscal do ouro explorado. 27 28

29

Idem, p. 139. FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, p. 25. PREFEITURA DE CAMPO MAGRO. História. Disponível em:< http://prefeituradecampomagro.blogspot.com/ p/nosso-municipio.html> Acesso em: 15 jan. 2011.

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Ainda no contexto da façanha de Salvador Jorge Velho, o qual aparece à denominação de “Conceição” para a descoberta, fica clara que a região já pertencia a alguém. Pois, na verdade a palavra Conceição é um termo que derivou de uma má interpretação da expressão “de concessão” que significava terra doada pelo rei. A qual identifica algumas regiões de Campo Magro até os dias que aqui estão se tecendo estas palavras, (Conceição dos Freitas, Conceição da Meia Lua, Conceição dos Laras, Conceição dos Túlios,...). Estas expressões denominavam a quem aquelas terras pertenciam. No caso, um exemplo, Conceição dos Freitas, pertenceu à pioneira família dos Freitas, ou seja, não era uma “terra sem dono”, pelo menos na região onde foi descoberto o ouro. Já a Conceição da Meia Lua, foi uma doação concedida no século XIX aos imigrantes poloneses e italianos. Recebe a denominação de “meia lua”, porque esta se trata de uma medida agrária corrente na época30. E realmente não era uma terra sem dono, pois todas as terras tamandareenses foram doadas pelo rei de Portugal ao Marques de Cascaes (Dom Manuel José de Castro Noronha Ataíde e Sousa). Que as doou em parcelamentos menores ao Capitão Povoador Gabriel de Lara, que posteriormente atendeu ao pedido de Matheus Martins Leme (01 de setembro de 1668), Balthazar Carrasco dos Reis (29 de junho de 1661), cedendo parte da Sesmaria do Bariguy31. Sendo que estas posses foram posteriormente deixadas de heranças e parceladas entre outras pessoas. No entanto, outras sesmarias e terras abrangeram o território. Mas como naquele tempo, não havia uma precisão de medida. E poucos dos donatários se preocupavam com o 30 31

Relato de seu Antonio Candido de Siqueira, 2001. NEGRÃO, Francisco. Boletim do Archivo Municipal de Curityba/Fundação da Villa de Curityba, 1668 a 1745. Vol. VII, Curityba, Livraria Mundial, 1924.

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tamanho da doação, já que havia muita terra para usufruir, com certa plausibilidade, as terras da região central de Tamandaré, deveriam integrar algumas dessas concessões (Conceições) cedidas pela Coroa Portuguesa, mas que não foi tomada posse ou sequer aproveitada pelo donatário. Apenas ele sabia que existia. Tanto pode ser plausível este fato, que o primeiro nome da povoação, foi o de Conceição do Cercado. Que devido à forte influencia Cristã Católica, involuntariamente de forma não oficial ganhou ênfase religioso com o acréscimo da expressão “Nossa Senhora” a denominação original. Ou seja, como existe uma denominação para Maria de Nossa Senhora da Conceição, possivelmente, isto ocultou a denominação corrente e oficial da época, que era Conceição do Cercado (concessão do cercado). Pois, a região, onde hoje fica a sede, foi cercada pelo donatário, para avisar os aventureiros e pessoas que pela região ficavam que ali tinha dono. Mas por que esta preocupação? Porque não muito longe dali, foi encontrado um filão de ouro no Rio Pacotuba, o que era um motivo para chamar atenção de outras pessoas, e consequentemente ocorrerem à formação de um arraial. Diante desta condição apontada, dentro de uma plausibilidade, tudo indica, que o povoado que gerou a atual Cidade de Almirante Tamandaré, tenha tido sua gênese, em consequência dessas entradas e bandeiras. As quais tiveram êxito nesta descoberta e reforçada por outras expedições que no desbravar dos Campos de Curitiba, com ares sanhudos de façanha, encontraram ouro na região do Pacotuba 32. A qual prova32

FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, p. 25.

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velmente já possuía esta denominação dada pelos tinguis, que significa dentro de uma lógica, lugar de muita banana33. A partir desse momento ocorrem os primeiros povoamentos fixos na região. E devido à descoberta de ouro na região do Pacotuba e sua posição estratégica, cujo, os caminhos que levavam até as regiões auríferas da Conceição (região de Campo Magro), também passavam pelo pequeno povoado, a região é denominada de Freguesia do Pacotuba. Porém, sem o status oficial de Freguesia (povoação sob o aspecto eclesiástico), e também, porque a localidade já fazia parte dos domínios da Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, principalmente a região de Campo Magro que pertencia naquele momento ao escrivão da Vila, o Capitão Antonio Rodrigues Seixas. Com o fim da febre do ouro, com uma população colona consolidada no primeiro planalto e também havendo uma necessidade de uma organização política mais ampla para facilitar o progresso das vilas e freguesias do território imperial e não mais colonial. A Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais foi elevada ao status de “cidade” pela Lei Provincial n° 05, de 05 de fevereiro de 184234, (nesta época, a região pertencia a São Paulo). Pois, desde 19 de dezembro de 1812, Curitiba já era Sede de comarca condicionada por Alvará Imperial. Diante desta elevação de categoria, a região territorial que compreende contemporaneamente a região de Almirante Tamandaré, pertencia à cidade de Curitiba. Em 1853, Curitiba contava com 27 quarteirões, sendo que as atuais localidades tamandareense ou que fizeram 33

34

CLEROT, Leon Francisco Rodrigues. Glossário Etimológico Tupi/Guarani. Brasília DF: Edições do Senado Federal, Volume 143, 2010, p. 373 FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira, 1996, p. 261.

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parte dele já faziam parte da lista. Cito: Campo Magro, Cachoeira, Veados, Boixininga, Marmeleiro, Botiatuva (Botiatuba), Pacotuva (Pacotuba), Tranqueira e Conceição35. Porém, a sorte do pequeno povoado de Pacotuba foi que soaram noticias do Rio de Janeiro, capital imperial. Na qual em 29 de agosto de 1853, que havia sido aprovado o projeto de criação da província do Paraná, proporcionada pela Lei Imperial nº 704, assinada por Dom Pedro II. No entanto, mesmo com a lei sendo aprovada, a Emancipação Política do Paraná ainda demorou quatro meses para se concretizar. Como resultado de Lei Imperial, em 19 de dezembro de 1853, a Província do Paraná desmembrou-se da Província de São Paulo, deixando de ser a 5ª Comarca de São Paulo. Em consequência deste fato, a cidade de Curitiba foi escolhida como capital da nova província. E, na mesma data da emancipação política da província, chegou à capital Zacarias de Góis e Vasconcelos, o primeiro Presidente do Paraná, que logo declarou que todos os seus problemas de administração poderiam ser resumidos em um só: “povoar um território de 200.000 km² que contava com apenas 60.626 habitantes. Essa população distribuía-se principalmente nas cidades de Curitiba e Paranaguá”. Diante desta nova perspectiva, ocorreu um aumento de fluxo populacional para a capital e região. Da mesma forma, que o progresso da capital, mesmo que engatinhando, influenciava os povoados vizinhos. Percebendo isto, já com pouco mais de 22 anos de província, que o então presidente provincial Adolpho Lamenha Lins, compreendeu a necessidade de elevar a categoria de algumas regiões da Pro35

MARTINS, Romário. Curityba de Outr’ora e de Hoje. Curitiba: Prefeitura Municipal de Curityba, Commemorativa do Centenário da Independência do Brasil, 1922.

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víncia do Paraná. Isto se deveu, porque havia a necessidade de dar uma melhor estrutura administrativa no contexto de recepcionar os imigrantes que começavam a se intensificar no Paraná. Foi nesta minirreforma política/geográficoadministrativa, que a localidade curitibana de “Pacotuva”, foi elevada a categoria de Freguesia em 10 de maio de 1873, por intermédio da Lei nº 43836. Não muito longe da localidade da Freguesia do Pacotuba, o Presidente Provincial Lamenha Linz, funda em 1876 a Colônia Lamenha (denominação criada em homenagem ao presidente da Província, fundador da colônia de imigrantes, em solo hoje tamandareense), formada por poloneses da Silésia e alemães37. Devido ao seu desenvolvimento, em relação às perspectivas da época (final do século XIX). A Freguesia do Pacotuva é elevada a categoria de distrito de Curitiba com a denominação de Nossa Senhora da Conceição, pela Lei Provincial n° 924 de 6 de setembro de 188838, assinada pelo presidente da Província Balbino Candido da Silva. Porém, esta mesma lei estabelecia transferência da Sede no povoado do Pacotuba, para o povoado vizinho de Conceição do Cercado. Não tardou muito (um ano praticamente), o distrito Conceição do Cercado foi agraciada com o status de Villa (a região ganhou autonomia administrativa) em 28 de outubro de 1889, pela então Lei Provincial n° 95739, sancionada pelo Presidente Conselheiro da Assembleia Legislativa Pro36

37 38

39

MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Quadro demonstrativo das Freguesias, Cidades e Villas do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894. Quadro de anexos, p. MFN 630 C. FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira, 1996, p.72. MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Quadro demonstrativo das Freguesias, Cidades e Villas do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894. Quadro de anexos, p. MFN 630 C. Idem, Quadro de anexos, p. MFN 630 D.

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vincial, o Sr. Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá. Cujo, o texto legal expressou em seu artigo: “Fica elevado à categoria de Villa, com a denominação de Villa de Conceição do Cercado, da Paróquia de Pacotuba, com a mesma divisa, e compreendendo as colônias São Venâncio e Antônio Prado e do distrito de Ribeirão da Onça”. Praticamente o status de Villa, possibilitou a localidade um passo importante para ser reconhecido como cidade autônoma. O qual acabou sendo o último Município criado na Província do Paraná em período imperial. No entanto, foi no período inicial republicano brasileiro, em 09 de janeiro de 1890 pelo Decreto nº 15 baixado pelo Capitão de Mar e Guerra José Marques Guimarães, então Governador do Estado do Paraná, o território da Villa Conceição do Cercado, é agraciado com a denominação de “Tamandaré”40. O qual foi inicialmente administrado autonomamente pelo então primeiro Presidente municipal (prefeito) João Alberto Munhoz auxiliado por Vidal José de Siqueira (Vice Intendente) e os camaristas (vereadores): Antônio Cândido de Oliveira, Antônio Cândido de Siqueira, Antônio Ennes Bandeira, Antônio Vieira Bittencourt, Eloy Artigas de Christo e João Cândido de Oliveira, nos períodos de 1890/1892. Até a Proclamação da Republica. A liderança dos municípios cabia ao presidente da Câmara. Que era o candidato mais votado. Por este motivo que o primeiro líder administrativo de Tamandaré é denominado como Presidente da localidade. Ou seja, não existia um poder executivo separado do legislativo representado na figura do prefeito como convivemos atualmente.

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Idem.

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Relatos de um Tamandareense Foto: Galeria dos Prefeitos O Tenente Coronel João Alberto Munhoz administrou o município tamandareense de 25 de janeiro de 1890 a 19 de junho 1892. Era maçom participante da Loja Apostolo da Caridade jurisdicionada ao Grande Oriente e Supremo conselho do Paraná (1902-1920)41. Foi Diretor da Secretaria do Interior do Governo do João Alberto Munhoz, Estado do Paraná em 1894. primeiro Intendente No entanto, só em 25 de janeiro da Vila Tamandaré de 1890 que ocorreu a instalação oficial da autonomia da nova localidade sob o status de município. No ano seguinte a Localidade de Cruzeiro, criada pela Lei nº 116 de 02 de outubro de 1890 com sede no Povoado do Botiatuvinha do Município de Curitiba, foi extinta e anexada ao território de Tamandaré por Ato de 26 de dezembro de 189142. Segundo o Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica de 29 de setembro de 1894, apresentado ao Governador Francisco Xavier da Silva. No período de 1892 a 1893 o Município de Tamandaré contava com apenas 294 eleitores. Uma escola pública promiscua de ensino primário na Sede cuja professora era a Dona Floripa de Siqueira Macedo e posteriormente Dona Gertrudes Domitila da Cunha Martins, uma escola primaria colonial e três escolas particulares (Pacotuba, Tijuco Preto e Conceição). Merece destaque nesta década o camarista: “Coronel” Antônio Ennes Bandeira, o qual se tornou Deputado Esta-

41 42

A Maçonaria no Paraná – Vol. 2 de 7 – Registro de Direitos Autorais nº 240.200. MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Quadro demonstrativo das Freguesias, Cidades e Villas do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894. Quadro de anexos, p. MFN 630 A.

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dual pelo município no Biênio de 1891 e 189243. Ano em que o Estado do Paraná era governado por uma Junta Governativa composta: por Roberto Ferreira, Bento José Lamenha Lins e Joaquim Monteiro de Carvalho e Silva. O qual antes de ser Camarista de Tamandaré e posteriormente deputado pela nova cidade. Foi o 7º Tenente Coronel da Guarda Nacional no período de 03 de abril de 1882 a 04 de setembro de 1885, atual Policia Militar44. Porém, nunca foi presidente ou intendente da cidade. Estava domiciliado na região da extinta Vila de Cruzeiro. Que mais tarde uma parte foi compreendida pelo Bairro de Santa Felicidade. Foto: PMPR/Comandantes Apesar da nova denominação Tamandaré, a população continuou a se referir a Sede municipal como “Vila”. Isto em decorrência da importância do fato histórico por eles presenciados. Tal satisfação é ainda carregada involuntariamente e notória, que ainda hoje (2011), não raro é encontrar descendentes de pessoas que viveram este momento histórico, a se re- Deputado e camarista ferir ao centro de Tamandaré como Antonio Ennes Bandeira Vila. A partir a proclamação da República as Câmaras municipais são dissolvidas. Sendo que era de competência dos governos estaduais nomearem os representantes do “conselho de intendência”. O qual deveria em teoria estar separado do poder legislativo, já que representava o poder executivo. Pois, as câmaras foram restabelecidas posteriormente. Porém, não raro era o presidente da câmara exercer a 43 44

FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná...., p. 117. POLICIA MILITAR DO PARANÁ. Fotos de Comandantes. Disponível em: <http://www.pmpr.pr.gov.br/modules/galeria/fotos.php?evento=1&start=75> Acesso em 13 fev. 2011.

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função de intendente simultaneamente. No entanto, os integrantes da Câmara eram escolhidos pelo povo. Já o intendente era nomeado pelo Governo Estadual. Que pelo fato de não criar atrito com o poder local que era influente sobre a população, já que estava em período de transição. Nomeava o camarista mais votado ao referido cargo, que por este motivo também era o Presidente da Câmara. Em 1905 é criada a figura do Intendente, que vigora até 1930. Ano em que foram criadas as prefeituras. Sendo que esta ficou com o poder executivo, representado pelo cargo de prefeito. E a Câmara Municipal representava exclusivamente o poder legislativo. Nos anos de 1907 até 1912, a Villa de Tamandaré, apresentou os seguintes dados estatísticos em relação a sua população: 1907 moravam na cidade 5854 habitantes; 1908 foram relatas 5927 pessoas; em 1909 habitavam o território, 6075 pessoas; em 1910 foram contadas 6227 habitantes; 1911 o município chegou a ter 6382 moradores. Já em 1912 o município cresceu e alcançou 6542 habitantes, sendo que naquele ano nasceram 200 crianças, natimortos 01, ocorreram 71 casamentos e 62 óbitos45. Existiam no município em 1912, apenas 6 seções eleitorais46. No ano de 1912, o senhor João Cândido de Oliveira, natural da localidade desde antes dela se tornar autônoma se elegeu Deputado Estadual na Legislatura 1912 a 1913. Nesta época, o Paraná era governado pelo Presidente Carlos Calvalcanti de Alburquerque47.

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ANNUARIO ESTATISTICO DO BRAZIL. Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio/directoria Geral de estatística. 1º Anno, Volume I, Republica dos Estados Unidos do Brazil, rio de Janeiro: Typographia da Estatistica, 1916, p.373. Idem, p. 57. FERREIRA, João Carlos Vicente....., p. 121.

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Villa Tamandaré, década de 1920. Foto publicada no livro Álbum do José Pedro Trindade do Paraná, 1927, p.25

Em 20 de setembro de 1912 Ephigênio Garcez Ribas se torna Oficial de Registro Civil de Nascimentos, Casamentos e Óbitos, acumulando as funções de notário público da área da sede do Município de Tamandaré até 19 agosto de 1949, substituindo-o na mesma posição Lauro Baptista de Siqueira48. No período do Intendente João Candido de Oliveira correspondente ao mandato de 1912 a 1916 a Câmara era composta pelos seguintes camaristas: Luiz Guedes Cordeiro, Antonio Stocchero, Júlio Ferreira de Andrade, Alfredo de Souza Von Krüger, Geraldo Euclides de Christo e João Evangelista dos Santos49. De forma ininterrupta o município funcionou bem até o inicio da década de trinta, sendo governado pelos senhores: Vidal José de Siqueira: 20 de junho de 1892 a 19 de 48

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FOLHA DE TAMANDARÉ. Pelas estradas da vida. Ephigênio Garcez Ribas/ Maria Eucharis Franco Guedes. Ano VI, nº 106, 15 de novembro, de 1990. Acta da Sessão Extraordinária de inauguração do edifício destinado a Municipalidade de Tamandaré. 26 de março de 1916.

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Relatos de um Tamandareense Foto: Galeria dos Prefeitos setembro de 1892; Antônio Cândido de Siqueira: 20 de setembro de 1892 a 22 de setembro 1896; Manoel Francisco Dias: 23 de setembro de 1896 a 22 de setembro de 1900 e 23 de setembro de 1900 a 19 de setembro de 1904; Antonio Candido de Siqueira de 20 de setembro de 1904 a 09 de fevereiro de 1908; João Cândido de Oliveira: 10 de fevereiro de 1908 a 19 de Intendente Sr. João de Barros Teixeira junho de 1908; Frederico Augusto de Souza e Vasconcellos: 20 de junho de 1908 a 19 de junho de 1912; João Cândido de Oliveira: 20 de junho de 1912 a 19 de junho de 1916; e 20 de junho de 1916 a 19 de junho de 1920; Theophilo Cabral: 20 de junho de 1920 a 19 de junho de 1924; Antônio Baptista de Siqueira: 1924/1926; Theophilo Cabral: 1926/1928; João Evangelista S. Ribas: 1929/ 1929; João de Barros Teixeira: 1929 a 07 de outubro de 1930 e Serzedello Siqueira: 08 de outubro de 1930 a 11 de abril de 193250. Na Legislatura Estadual de 1930-1931, o cidadão João Cândido de Oliveira, representou mais uma vez a Vila Tamandaré como Deputado Estadual, em um período em que o Estado do Paraná, estava sendo governado pelo Interventor Mário Alves Monteiro Tourinho51. Na década de 1930, a pacata cidade era agitada pelo Golpe de Estado que levou Getúlio Vargas ao poder em 1930, sendo que em Almirante Tamandaré um grupo de expedicionário foi comandado pelo Coronel Eugênio Martins para

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PORTAL DA CIDADE DE ALMIRANTE TAMANDARÉ. Autoridades Administrativas. Disponível em: <http:/ /www.tamandare.pr.gov.br/secretarias/template.php?secretaria=gabinete&sessao=autoridadeAdm> Acesso em: 11 Dez. 2010. FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira, 1996, p. 123.

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dar assistência à transição dessa nova realidade da Nação. A qual gerava tensão entre partidários do antigo regime e defensores do novo regime.

Foto: Galeria dos Prefeitos

Apesar da representatividade política que o município notoriamente possuía, vários fatos conspiraram na década de 1920 contra a Villa Tamandaré, pois segundo Sebastião Paraná em 1925, ao se referir em sua obra “Os Estados da Republica”, sobre a cidade de Tamandaré, ele citava que era um lugar pouco importante. Porém, com diversas caieiras, sendo que, o seu produto era “exportado” Intendente Antonio B. de Siqueira, 1924-1926 para Curitiba52. No entanto, esta condição de pouca importância da localidade, somou-se as diversas tensões políticas de âmbito 52

PARANÁ, Sebastião. Os Estados da Republica. 3ª Ed. Curitiba: França e Cia Limitada, Livraria Mundial, 1925, p. 306.

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Relatos de um Tamandareense Foto: Família Kotoviski nacional. Proporcionado pela Revolução de 30 e da Revolução Constitucionalista de 1932 (o qual meu avô paterno Pedro Jorge Kotovski que servia o Exército Brasileiro nesta época. Onde estava lotado na 5ª Divisão de Infantaria Quartel da Lapa, Brigada da 5ª Região Militar (atualmente 15º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado), compondo a 2ª Bateria do 5º Grupo de artilharia de montanha, no Cabo artilheiro Pedro Jorge Histórico Cerco de Itararé)53. Que Kotoviski em Campanha em Itararé em março de 1933 se somaram a crise econômica mundial que ocasionou consequências para economia agroexportadora brasileira que dependia dos recursos oriundos das exportações de café. Desencadeada pela Quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. Eis, que ocorreu uma grande consequência negativa para a política e economia paranaense, que foram sentidas pelos cofres públicos municipais onde muitos municípios, tiveram imensa dificuldade de se manter administrativamente e autonomamente funcionando, gerando ônus e problemas políticos que acabavam estourando no próprio Estado. Diante desta condição, muitos municípios perderam seu status autônomo e foram anexados a outros, como um remédio provisório para se enfrentar a terrível crise política e econômica que se fazia presente em todo o Brasil. Deste contexto histórico, o município tamandareense foi vitima, pois desapareceu dos mapas paranaenses por 18 53

EXÉRCITO BRASILEIRO. Caderneta militar do Cabo Artilheiro Pedro Jorge Kotovski. 1932 a 25 de abril de 1933.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Galeria dos Prefeitos anos, devido ao Decreto Estadual nº. 1702 de 14 de julho de 1932, sancionada pelo Interventor/Governador Manoel Ribas, que suprimiu a Vila de Tamandaré, administrada nesta época pelo Prefeito Joaquim Agge, gestão 12 de abril de 1932 a 13 de julho de 1932, que mal assumiu seu posto de autoridade máxima municipal. Já que o município passou a pertencer ao município de Rio Branco do Sul, administrado pelo Agente Adminis- Intendente Serzedello de Siqueira, o primeiro admitrativo Dalvino Correia no período nistrador a enfrentar a extinção do município 1932 a 1933. Um breve alento soprou sobre a Vila, com o advento do Decreto nº 931, assinado pelo Interventor/Governador Manoel Ribas, que expressava que a partir de 03 de abril de 1933 se restaurava a autonomia municipal tamandareense. A qual teve como primeiro administrador deste período pós-restauração, o Prefeito Serzedello Siqueira no período de 12 de abril de 1933 a 30 de janeiro de 1934. Enquanto Tamandaré esteve neste período autônomo, governaram os prefeitos/interventores: Tenente Coronel Manoel Miguel Ribeiro: 31 de janeiro de 1934 a 20 de novembro de 1934; o industrial João Antonio Zem: 21 de novembro de 1934 a 29 de dezembro de 1935; o industrial Fredolin Wolf: 30 de dezembro de 1935 a 29 de janeiro de 1936; o comerciante Domingos Scucato: 30 de janeiro de 1936 a 18 de abril de 1936; o industrial Fredolin Wolf: 19 de abril de 1936 a 28 de fevereiro de 1938; Engenheiro Agrônomo Pedro Moacyr Gasparello: 01 de março 1938 a 30 de dezembro de 1938. Porém, o desfrute da autonomia durou pouco, pois

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Relatos de um Tamandareense Foto: Galeria dos Prefeitos em virtude da divisão administrativa de 31 de dezembro de 1936 e sua complementar disposição da divisão administrativa de um mês depois, (31 de janeiro de Prefeitos Fredolin Wolf e João Antonio Zem 1937), fez Tamandaré pertencer ao Termo e Comarca de Curitiba. Porém, foi na gestão do Interventor Pedro Moacyr de Gracia Gasparello, que o golpe derradeiro oficial foi assinado novamente pelo então Interventor/Governador do Estado do Paraná Manoel Ribas (mandato: 1932-1945), que através do Decreto Lei nº. 7573, de 20 de dezembro de 1938, extinguia o município, passando a fazer parte do território de Curitiba. O qual foi administrado pelo Agente Administrativo Hermenegildo de Lara no período de 1938 até 1943. Devido a sua imponente denominação que homenageava o herói de Guerra da Nação, Joaquim Marques Lisboa (Almirante Tamandaré, no caso “Tamandaré”) não ser a única no Brasil. Já que no litoral do Estado de Pernambuco também existia a Vila de Tamandaré, que recebeu o status de município (e que também possui o bairro de Areias). Ocorreu que o senhor Interventor/Governador Manoel Ribas, assinou o novo decreto-lei de nº 199 o qual fazia que a partir de 30 de dezembro de 1943, a localidade passasse a ser denominada de Timoneira. Neste mesmo ano, o território do extinto município, passou a integrar o município de

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Colombo, o qual foi administrado pelo Agente Administrativo Silvio de Lara em 1943. No dia 11 de outubro de 1947, a Lei Estadual n° 02, inciso XXI, sancionada pelo Governador Legal em conformidaFoto: Arquivo do Seminário Santo Antonio

Timoneira em 1945

de com a nova Constituição de 1946, Moyzés Wille Lupion de Tróia, restaura a autonomia municipal54. Sendo seu território formado pelos Distritos Judiciários de Timoneira e Campo Magro e posteriormente sua sede é restaurado em 06 de novembro do mesmo ano. Porém, ainda carregando a denominação de Timoneira, que foi primeiramente administrado por um curto período de dois meses por João Batista de Siqueira 19 de outubro de 1947 a 6 de dezembro de 1947. O qual ficou responsável em organizar o processo de transição e garantir a boa ordem do pleito eleitoral que contava com colégio eleitoral de 1662 eleitores, marcado para a data de 16 de novembro de 1947. O qual teve como primeiro prefeito eleito o Senhor João Wolf. Neste mesmo ano o Governador Moysés Willi Lupion de Tróia inaugura o recém-construído prédio de alvenaria de 54

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DO PARANÁ. Atos do Poder Legislativo. Ano XXXV, Curitiba, 1º de Novembro de 1947, p. 02.

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Relatos de um Tamandareense

300 m² onde funcionaria o Posto Misto de Higiene de 2ª Classe55, junto à contemporânea Rua Coronel João Candido de Oliveira. Porém a preocupação em melhorar as condições do parto e promover um melhor acompanhamento ao desenvolvimento das crianças, também se expressou na gestão do Prefeito João Wolf em 8 de julho de 1949 com o advento da criação da APMI (Associação de Proteção a Maternidade e a Infância)56. A qual se aperfeiçoou em sua trajetória de 63 anos. Sendo que contemporaneamente abrange um universo mais amplo no contexto de assistência social. Inicialmente a APMI compartilhava o espaço junto ao Posto de Puericultura, localizado nas proximidades da atual Escola Alvarenga Peixoto. No entanto por não ter sede própria, era constantemente remanejada de local. Esta situação só foi solucionada na data de 18 de setembro de 1998, quando é inaugurada a sede própria desta importante instituição social, junto a Rua José Carlos Colodel. Eram autoridades no município na gestão do Prefeito João Wolf (Filho de Fredolin Wolf): Senhora Ildemar Irene Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril de 2011

Sede da APMI inaugurada em 1998, a qual compartilhou suas dependências com a Secretaria da Educação de 2005 a 2010 55

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GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. A concretização do plano de obras do Governador Moyzés Lupion 1947-1950. (Arquivo Publico do Paraná, Ano 1947-1950 MFN 1146, Moysés Lupion), p. 84. Ata de fundação da Associação de Proteção a Maternidade e a Infância.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Wolf (presidente da APMI 1949-1951); Jaci Real Prado de Oliveira (Presidente da Secção Municipal da Legião Brasileira de Assistência, 1951); Doutor Eliseo Bittencourt de Camargo (Médico Chefe do Subposto de Higiene (1948-1950) e o Doutor Fernando Veiga Ribeiro assistente do Posto de Puericultura (1951); Delegados: Angelo Brotto Sobrinho (1951) e Generoso Candido de Oliveira em 1951. Inspetor de Ensino em 1950: Professor Odair do Amaral e Silva e posteriormente seu Harley Clóvis Stocchero; Juiz de Paz: Antonio A. da Silva Guedes; Coletores Estaduais: Antonio de Araújo Junior 1948/1949, Arnaldo Pisseti (1950/1951). Fiscal Classificado de produtos da Secretaria de Agricultura: Zair Candido de Oliveira (1951); Juiz Eleitoral Preparador: Adelmar Teixeira (1951); Agente de Estatísticas: Domingos Arnaldo Péres (1948 e 1949), Antonio Johnson (19491951); Secretário-Contador da Prefeitura; Didio Santos (1948 a 1951); Agente do Departamento de Correio e Telégrafos: Rosa Scucato Ziocowski (1948 a1951); Guarda Sanitário do Posto Misto de Higiene: Galdino Arruda; Agente da R.V.P.S.C.: Ismael Pinto (1948 a 1951) e Oficial do Registro Civil: Lauro Baptista de Siqueira. No Distrito de Campo Magro era o Subinspetor Escolar: João Favoreto e o Oficial do Registro Civil era o Senhor Rubens Torres57. No ano de 1952, é entregue pelo então Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, a nova Delegacia de Policia e cadeia com quatro celas para o município de Timoneira58 administrado na época pelo Prefeito Ambrósio Bini, a qual ainda se localiza na atual Rua Coronel João Cândido de Oliveira. Antes de a delegacia possuir prédio próprio, as 57

58

Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931. CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ. 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná. Porto Alegre RS: Livraria do Globo S.A, 1953, p. XVI.

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Relatos de um Tamandareense

pessoas que afrontavam a lei e a ordem no município, eram presas no porão da Prefeitura Velha. Porém, naquele tempo, a realidade criminal do município era bem diferente dos dias atuais, pois, um dos fatores que contribuíam para isto era a pequena população de 8.857 habitantes. Que demograficamente se distribuíam numa proporção de 18,18 pessoas por km², o que caracterizava as localidades povoadas em Timoneira59, mais como comunidade do que propriamente como aglomeração populacional de grande escala. No ano de 1955, se encerrava o mandato do prefeito Ambrósio Bini, o qual se candidata a Deputado Estadual no pleito de 1955. Porém, inicialmente não logrou êxito com sua votação de 2098 votos60. Mas conseguiu voto o suficiente para se tornar suplente direto ao cargo. O qual ocorreu no ano anterior. Desta forma, o senhor Ambrósio Bini, se tornava o terceiro Deputado Estadual61 a representar o município na História de Almirante Tamandaré e o primeiro e único do efêmero Município de Timoneira. No entanto, a localidade já havia construído uma história. E por este motivo, atendendo as reivindicações populares da época, de descontentamento com a denominação hilária de “Timoneira”, expressadas pessoalmente em conversas pelo então prefeito da época João Wolf, junto ao então Governador Moysés Lupion em seu novo mandato (1956/ 1961), que posteriormente sancionou a Lei nº. 2644, em 24 de março de 1956, que restabelecia a denominação Almirante Tamandaré62, sendo esta publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná na Segunda Feira do dia 26 de março de 1956. Eis que ao invés de ser denominado simplesmente 59 60 61 62

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo de 1950. Relato de Cesar Augusto Bini fundamentado em seu acervo histórico sobre o seu pai, março de 2011. FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira, 1996, p.125. PORTAL DA CIDADE DE ALMIRANTE TAMANDARÉ. História da Cidade. Disponível em: < http:// www.tamandare.pr.gov.br/secretarias/template.php?secretaria=gabinete&sessao=historia > Acesso em: 10 Dez. 2010.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

de Tamandaré, foi acrescentada a palavra “Almirante” ao nome, para se diferenciar da cidade pernambucana de Tamandaré. A partir da data de 11 de outubro de 1947, Almirante Tamandaré foi governado ininterruptamente pelos prefeitos: João Batista de Siqueira: 19 de outubro de 1947 a 06 de dezembro de 1947; industrial João Wolf: 06 de dezembro de 1947 a 06 de dezembro de 1951; industrial do calcário Ambrósio Bini: 05 de dezembro de 1951 a 06 de dezembro de 1955; industrial empreendedor João Wolf: 06 de dezembro de 1955 a 05 de dezembro de 1959; industrial do calcário Ambrósio Bini: 06 de dezembro de 1959 a 14 de novembro de 1963; industrial do calcário Atílio Bini: 14 de novembro 1963 a 05 de dezembro de 1963; industrial empreendedor Domingos Stoccheiro: 06 de dezembro de 1963 a 30 de janeiro de 1969; Advogado e funcionário público Antonio Johnson: 31 de janeiro de 1969 a 30 de janeiro de 1973; Tabelião Eurípedes de Siqueira: 31 de janeiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977; Roberto Luiz Perussi: 01 fevereiro de 1977 a 31 de janeiro 1983; Industrial do calcário Ariel Adalberto Buzzato: 01 de fevereiro de 1983 a 31 de dezembro 1988; Roberto Luiz Perussi: 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992; Industrial do calcário Arcidíneo Félix Gulin: 01 de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1996; Advogado Antonio Cezar Manfron de Barros: 01 de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2000 e 01 de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2004; Professor, advogado e assessor Vilson Rogério Goinski: 01 de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2008 e 01 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 201263. 71


Relatos de um Tamandareense

Neste mesmo ano em que Almirante Tamandaré restaurou sua autonomia administrativa. Sendo que, os Prefeitos Foto: Galeria dos Prefeitos Municipais de Rio Branco do Sul (Otavio Furquim) e do município de Timoneira (Sr. João Batista de Siqueira), fizeram um acordo em que: a Prefeitura Municipal de Rio Branco do Sul tomaria conta até a localidade próximas da Igreja de Areias, mais precisamente na divisa com o Rio Barigui, Prefeito João Batista de não levando em conta a divisa oficial Siqueira, primeiro delimitada pela Serra do Betara64. prefeito de Timoneira Diante deste episódio, o bairro de Areias, onde se encontra o contemporâneo Jardim São João Batista, na época era pouco povoado, e pela distância das sedes dos municípios seria mais viável que fosse administrado por Rio Branco do Sul. Na década de 1950, ocorre o aparecimento das primeiras áreas de loteamento regular, ou seja: Vila Santa Terezinha (Sede), Jardim do Norte (Botiatuba), Jardim Fazenda Formosa (Botiatuba), Jardim Parque São Jorge (Cachoeira) e o Jardim Santa Cecília (Lamenha Grande). A futura área de terra que daria origem a Planta Vila Santa Terezinha possuía uma particularidade. Pois a mesma ainda estava presa a uma antiga sesmaria, ou seja, a “conceição do cercado”, a qual foi doada pelo Governo do Estado do Paraná ao município na gestão do prefeito Ambrósio Bini, após a intervenção deste junto ao Governador Bento Munhoz da Rocha Netto. 63

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PORTAL DA CIDADE DE ALMIRANTE TAMANDARÉ. Galeria de Prefeitos. Disponível em: < http:// www.tamandare.pr.gov.br/secretarias/template.php?secretaria=gabinete&sessao=prefeitos/galeria > Acesso em: 10 Dez. 2010. CÂMARA MUNICIPAL DE RIO BRANCO DO SUL. Loteamento São João Batista. Disponível em: <http:// www.camarariobrancodosul.pr.gov.br/his_estradaferro.html > Acesso em: 11 Dez. 2010.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

A década de 1960 começava com um fato de orgulho para o povo tamandareense. Pois, um filho de sua terra alcançava o cargo de Desembargador do tribunal de Justiça Foto: Brasinha/O túnel do tempo/Abril de 2002

O ainda jovem Antonio Johnson (futuro prefeito em 1969). Ao fundo o panorama da Sede de Timoneira em 1952

do Paraná. Eis, que cito o Senhor Isidoro João Brzezinski, nascido em Tamandaré, em 17 de agosto de 1903, filho de imigrantes poloneses que inicialmente se instalaram na Lamenha: Pedro Brzezinski e Paulina Brzezinski65. Iniciou sua vida profissional em 1925 como auxiliar de cartório no Registro Civil da 2ª Vara Criminal, passando ser escrevente juramentado e escrivão interino. Em 1927, tornou-se Promotor interino em Paranaguá e no ano seguinte atuou em Clevelândia. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná em 1929 e no mesmo ano atuou como advogado em Curitiba. Tornou-se em 1931 Juiz Municipal de Piraí do Sul, passando depois 65

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL. Assessoria de Comunicação/ouvidoria/Texto da Placa Fundamental e Homenagem presente no Fórum Eleitoral Desembargador Isidoro Brzezinski em Toledo-PR. 12 de dezembro de 2004.

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por Reserva, Mallet e Ipiranga. Aprovado em concurso público em 1938, atuou como Juiz de Direito nas comarcas de Castro, Tibagi, Mallet, União da Vitória, Foz do Iguaçu, Ribeirão Claro, Wenceslau Braz, Ponta Grossa e Curitiba. Nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná em 1962. Tornou-se Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná em 1964 e Vice-Presidente do Tribunal de Justiça no biênio 1967/1968. Faleceu em 05 de julho de 199066. Como homenagem aos serviços prestados a Justiça do Estado, o artigo 5º da Resolução nº 458/2004 concedeu o patronato do prédio do Fórum Eleitoral de Toledo-PR, inaugurado em 04 de dezembro de 2004. No entanto um fato triste assolou acidade na data de 14 de novembro de 1963. Eis, que falece o ainda jovem prefeito Ambrósio Bini, em seu lugar para conduzir o município por alguns meses, ficou o Presidente da Câmara dos Vereadores, o Sr. Atílio Bini. Já que no ano de 1964, assumiria a prefeitura o Sr. Domingos Stocchero. Até o começo da década de 1970, o município tamandareense era considerado um município do interior, porém, isto mudou com o advento da Lei Complementar n.º 14, de 8 de julho de 1973, sancionada pelo Presidente da Republica Garrastazu Medici, que estabelecia as regiões metropolitanas das grandes metrópoles brasileiras: São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Belém, Fortaleza e Curitiba. Neste novo contexto, aparecia no § 6º do artigo primeiro, da supracitada lei, o nome do município de Almirante Tamandaré como integrante da Região Metropolitana de Curitiba. Atualmente pelos estudos da COMEC, o município se encontra com um status muito alto de integração com a capital. 66

Idem.

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Na data de 15 de setembro de 1985, na gestão do então prefeito Ariel Adalberto Buzzato, a cidade ganhou uma prefeitura nova, há qual muito bem elaborada arquitetonicaFoto – Arquivo José Ido da Cruz

Panorâmica da Sede em 1975, observem a esquina da Av. Emilio Johnson com a Rua Domingos Scucato, a neve sobre os telhados, as ruas não asfaltadas, postes sem iluminação pública e no centro a Prefeitura Velha

mente, que se tornou um marco do crescente progresso do município. O qual não era mais acompanhado pelo saturado e pequeno, porém histórico prédio da Prefeitura Velha. O novo prédio atendeu bem a nova demanda e acolheu a Câmara de Vereadores, a qual se estabeleceu em prédio próprio apenas em 15 de abril de 2000, na gestão do prefeito Cezar Manfron, simbolizando a autonomia do Poder Legislativo no município. Em 1991 o município tamandareense registrou segundo o IBGE, 66.159 habitantes. Sendo que o colégio eleitoral era de 34.962 pessoas. Quarenta e três anos depois do restabelecimento da autonomia municipal, a partir da Lei 9309/90 assinada pelo então Governador Álvaro Fernandes Dias, publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná, nº 3300, de 05 de julho de 1990, a cidade é elevada a categoria de Comarca. 75


Relatos de um Tamandareense

Inicialmente em homenagem aos 104 anos de aniversário de Almirante Tamandaré, foi entregue ao povo tamandareense, o Fórum da Comarca de Almirante Tamandaré, em 28 de outubro de 1993, na gestão do Prefeito Municipal Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin). Porém, pela falta de uma casa destinada ao Juiz, a Comarca não funcionou até resolver este problema burocrático. Apenas com o Decreto Judiciário nº 598 de 15 de setembro de 1995, assinado pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, o então Desembargador Claudio Nunes do Nascimento, ocorre de fato à instalação da Comarca no Município. Oficialmente entregue às onze horas da manhã do dia 28 de outubro de 1995 ao então prefeito Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin) pelos Deputados Estaduais Aníbal Khury e Algaci Túlio e o Desembargador Claudio Nunes do Nascimento, em comemoração aos 106 anos de Almirante Tamandaré. A qual foi criada para atender a crescente demanda judicial, que afogava a Comarca de Rio Branco do Sul, a qual o município tamandareense estava integrado Foto: Folha de Tamandaré, 28 de novembro de 1995 jurisdicionalmente. Assumia como primeiro juiz da Comarca de Almirante Tamandaré que também abrangia com jurisdição a cidade de Campo Magro, o Dr. Osvaldo Solenidade de Inauguração do Fórum. Rompendo a faixa inaugural: prefeito Cide Gulin, Deputado Nallim Duarte, Aníbal Khury, e Deputado Algaci Túlio 76


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

já que a Dra. Ketib Astir José teria apenas sido designada com o status de Juíza Substituta. O primeiro ato da comarca foi realizado sob o protocolo nº001/95, cujo feito, foi possibilitado ao Dr. Wilson de Paula Cavalheiro, cidadão ilustre tamandareense, advogado de profissão, e vereador da cidade na gestão 1996-2000. No ano de 1995 o município possuía 473 Km², ocupada por uma população de 67.000 habitantes (IBGE 1990). Existiam 36.356 eleitores (TER/PR), 55 escolas de 1ª a 4ª séries, 19 de 5ª a 8ª e 07 de Ensino Médio. A Economia se sustentava na produção industrial: cal, calcário, cimento, lustre, bebidas, água mineral; produção agropecuária de hortigrangeiros. Em decorrência de apelos políticos e populares, da região do distrito de Campo Magro por autonomia para conseguirem um progresso mais efetivo, no dia 28 de dezembro de 1995, o então Presidente da Assembleia Legislativa, o Deputado Aníbal Khury promulgou a Lei nº. 11.221 com a seguinte súmula: cria o Município de Campo Magro, desmembrado do Município de Almirante Tamandaré67. Ocorria assim a diminuição de 273 quilômetros quadrados de seu território, até então de 523,105 quilômetros quadrados. A partir deste fato a superfície territorial do município era 194 km². No ano de 1997 a população era de 73.018 habitantes. Sendo 36.597 homens e 36.421 mulheres (IBGE). Já o eleitorado caiu para 31.155 (consequência da divisão do município de Almirante Tamandaré) (TRE/PR). Pois, inicialmente Campo Magro contou com uma população de 16.392 (IBGE). Sendo que em seu primeiro pleito eleitoral contou com 7856 eleitores (TRE/PR). 67

PREFEITURA DE CAMPO MAGRO. Nosso Município. Disponível em: < http://prefeituradecampomagro. blogspot.com/p/nosso-municipio.html> Acesso em: 10 Dez. 2010.

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Relatos de um Tamandareense

No ano de 1997, como estratégia do governo federal para implantar o uso do gás natural nas regiões de alta demanda de energia, começava passar pelo município as tubulações do Gasoduto Bolívia-Brasil. Fonte: Acervo Professora Josélia Kotoviski

Território de Almirante Tamandaré antes da divisão territorial. Os rios Conceição, Juruqui, Passauna, foram os principais marcos de delimitação ou fronteira na divisão do município

Em 2003, com área de 188, 652 km², foram observados 50 Km² de área urbana. O restante era abrangido pela área rural. Que estava ocupada por 89.410 habitantes. Os quais: 80.058 ocupavam a área urbana e apenas 9.532 a área rural. O PIB do Município era de R$ 306.145.851,00. Sendo que a economia girava em torno das indústrias de bebidas, material elétrico, cal e calcário, água mineral, artefatos de borrachas, de plástico, cimento; móveis, metalúrgicas, trans78


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

portadoras e fertilizantes. Após 57 anos passados desde um providencial acordo que a princípio facilitaria a vida dos moradores da localidade do Jardim São João Batista, que era administrado pela Prefeitura de Rio Branco do Sul, mas que na delimitação oficial pertencia a Almirante Tamandaré. Ocorreu que no ano de 2003, a Prefeitura de Almirante Tamandaré, na gestão do então prefeito Cezar Manfron, reivindicou formalmente junto ao Tribunal Regional Eleitoral, que fossem transferidas para o município tamandareense as respectivas secções eleitorais. Cujo, o principal objetivo era que os votos para o pleito de Prefeito e Vereadores, nas eleições de 2004 já fossem computados para os candidatos daquele município68. Em defesa dos interesses do Município de Rio Branco do Sul, que por 57 anos investiram na localidade que não lhe pertencia oficialmente, mas que estava atendendo uma população aproximada de 4.600 pessoas. A Câmara Municipal rio-branquense desenvolveu um estudo, com farta documentação, argumentando que a referida transferência pleiteada pelo município de Almirante Tamandaré, não poderia ser provida sem que fosse ouvida a população (plebiscito). Já que supostamente seriam os que sofreriam a consequência direta daquela mudança. Mesmo ocorrendo um parecer favorável da Assembleia Legislativa através do relator Deputado Durval Amaral, em referencia ao plebiscito, nada ocorreu, e o pedido pleiteado por Almirante Tamandaré, lhe foi concedido. Já no ano de 2005, atendendo as antigas reivindicações dos moradores do Jardim São João Batista. Os quais come8

CÂMARA MUNICIPAL DE RIO BRANCO DO SUL. Loteamento São João Batista. Disponível em: <http:// www.camarariobrancodosul.pr.gov.br/his_estradaferro.html> Acesso em: 11 Dez. 2010

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Relatos de um Tamandareense

çaram a sofrer com as consequências da disputa territorial, e por este motivo pararam de receber de forma adequada os serviços públicos do município que pertencia, até então território não oficial de Rio Branco do Sul. Diante desta circunstancia, o prefeito tamandareense Vilson Goinski, acolheu aos apelos populares e assumiu a responsabilidade pela localidade. Mas isto se deu após a assinatura de um acordo de desistência da área em questão. Feito junto ao Ministério Público das duas Comarcas, e com a presença dos prefeitos das duas cidades (Vilson Goinski e Amauri Johnson). O qual o Município de Rio Branco do Sul, restabelecia a posse do Jardim São João Batista oficialmente a Almirante Tamandaré. Diante deste histórico fato, se concretiza a efetivação da área do Jardim São João Batista como de responsabilidade legal do município, através da Lei nº 1342 de 14 de maio de 2008 de Almirante Tamandaré, que estabeleceu nova delimitação dos bairros do município além de dar outras providências69. Neste contexto, a localidade passou a pertencer ao território de Almirante Tamandaré oficialmente. Mas especificamente ao território do Bairro de Areias. Em consequência de sua autonomia política e judiciária, na data de 17 de março de 2006, é entregue ao povo tamandareense o Fórum Eleitoral Desembargador Jorge Andriguetto, localizado na esquina da Rua Lourenço Angelo Buzato, com a Rua Bertolina Kendrick de Oliveira. No ano de 2007, segundo as informações do IBGE a população do município alcançou 93.051 habitantes. Em 2009, desencadeou-se um fato inédito em 120 anos de história do município. Pois, ocorreu a entrega de 307 69

LEIS MUNICIPAIS. Lei nº 1342 de 14 de maio de 2008 de Almirante Tamandaré. Disponível em: < http:// www.leismunicipais.com.br/cgi-local/showinglaw.pl > Acesso em: 10 Dez. 2010.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril 2011

Foro Eleitoral Desembargador Jorge Andriguetto

apartamentos pertencentes ao Conjunto Habitacional Harley Clóvis Stocchero, adquiridos pelos seus moradores através de financiamento com a Caixa Econômica Federal, que foi construído pela prefeitura municipal de Almirante Tamandaré com o propósito de diminuir o problema habitacional na cidade. Já na data de 04 setembro de 2010, foi inaugurado no bairro da Cachoeira, o Centro Administrativo Vereador Dirceu Pavone. O qual visava disponibilizar em um mesmo lugar, os diversos órgãos municipais, que devido à falta de prédios pertencentes à prefeitura, utilizavam imóveis locados junto a particulares. O qual gerava ônus aos cofres públicos e se espalhavam pela cidade, dificultando o acesso da população, que perdia muito tempo para resolver questões de minutos. Fizeram-se presentes nesta inauguração os Prefeitos Vilson Goinski e o Prefeito de Curitiba o Médico Luciano Ducci além dos vereadores do município. Autoridades como o governador e deputados evitaram aparecer devido a ser período de campanha eleitoral para o governo, senado e câmaras legislativas. Sendo que a presença de candidatos em uma inauguração pública poderia ser inter81


Relatos de um Tamandareense

pretada como crime eleitoral. No que tange a atual contemporaneidade (2010) o município possui 103.245 habitantes, espalhados pelos 194,75 Km². Sendo que estão matriculados nas 53 escolas municipais, 16.923 alunos; nas 17 pré-escolas, 1.188 alunos e nas 12 instituições que possuem ensino médio, 3464 alunos. Existem 668 professores de ensino fundamental, 47 de préescola e 222 de ensino médio. Esta população é atendida por 9 unidades de saúdes mantidas pelo município e 4 privadas. Sua frota automotiva até o momento se configura em: 19.171 automóveis; 1.125 caminhões; 247 caminhões trator; 74 micro-ônibus; 5.470 motocicletas; 859 motonetas; 198 ônibus; 6 tratores. (fora os que estão na ilegalidade ou não estão registrados no município). Neste ano ocorreram 420 casamentos legais, 45 separações e 47 divórcios70. Fonte: Revista Almirante Tamndaré, p. 21

Condomínio Harley Clóvis Stocchero, idealizado na Gestão Vilson Goinski e entregue em maio de 2009.

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IBGE. Almirante Tamandaré-PR. Disponível em:< http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/ painel.php?codmun=410040> Acesso em: 27 mar. 2011.

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Caminhos que levam a Almirante Tamandaré

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e férias, duas semanas para o Natal, aproveitei meu tempo livre para comprar alguns presentes mais sofisticados em Curitiba. Percebendo que eu iria sair, meu pai resolveu ir junto, para levar sua câmera fotográfica digital para arrumar. Como de costume, peguei a Rodovia dos Minérios (PR92, trecho Curitiba - Rio Branco do Sul, cujo, o nome oficial é: Rodovia “Conselheiro Kielse Crisóstomo da Silva”, denominada apenas em 2007, pela Lei nº 15.439 de 15.01.2007 (D. O. E nº 7400) assinada pelo então Presidente da Câmara Legislativa do Paraná, Hermas Brandão)71, para chegar até o centro da capital. No percurso ele começou a me contar. Que quando ele era piá, a Rodovia dos Minérios era conhecida como Estrada Estratégica, que começava no Cemitério do Abranches em Curitiba e ia até Rio Branco do Sul. A qual foi construída pela CCPRB (Companhia de Cimento Portland Rio Bran71

DEPARTAMENTO DE ESTRADA E RODAGEM – PARANÁ. Rodovias Estaduais. Disponível em: < http:// www.der.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=21> Acesso em: 12 Dez. 2010.

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co), em parceria com o Estado, na época governado pelo Sr. Bento Munhoz da Rocha Neto. Sendo que ela só foi aberta em 1953 e finalizada em abril de 195572, pelos funcionários denominados de arigós. Porém, só em 1968, na gestão do Sr. Paulo Cruz Pimentel, que ela foi asfaltada. Antes disso, o caminho era feito pela Estrada do Assungui (com dois “SS”), que começava no Largo da Ordem, em Curitiba (atual Av. Mateus Leme), que remonta o século XIX. Já dentro do município de Almirante Tamandaré, se prolongava pela atual Av. Wadislau Bugalski. Continuando pela contemporânea Rua Rachel C. Siqueira até a Rua Pedro Teixeira Alves que seguia em direção a Rua Antonio Gedeão Tozin até chegar à região do atual Sindicato dos Comerciários no Boixininga (trecho de estrada que foi asfaltada na gestão do Prefeito Roberto Luiz Perussi: 1989/ 1992. Mas que se perdeu, devido à má conservação da via pavimentada), onde se ligava a Estrada da Volta Grande margeando a atual ferrovia (atualmente só existe um pedaço dela denominada de Rua Gustavo Joppert). A qual se liga a Rua Antonio Stocchero no Bairro da Tranqueira, (o qual foi assim denominado, devido a um posto de cobrança de tributos, que fechava a estrada com uma cancela). Que se prolongava até a divisa com a contemporânea cidade de Itaperuçu (que na época era Votuverava (Rio Branco do Sul) e seguia seu destino até a Colônia Assungui (atual município de Cerro Azul). Até 1930 a estrada original do Assungui que passava margeando a ferrovia em seu Km 25 na região do Boixininga (conhecida como Volta Grande), que passava pela propriedade de Pedro Brotto de Andrade (atual Sindicato) pos72

REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Expedição Cientifica a Serra de Paranapiacaba e ao Alto da Ribeira (Cel. João de Mello Moraes). Ed. IBGE, Ano XIX, julho - setembro de 1957, nº 3, p.10.

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suía livre passagem. Porém, com o advento da Revolução este trecho da estrada foi fechado, e nunca mais foi aberto. O qual gerou protesto do comerciante de madeira e lenha Domingos Abdalla da localidade do Itaperuçu no município de Votuverava, que na argumentação de seu requerimento junto à Prefeitura de Tamandaré, cita que por 18 anos utilizou aquele trecho para o transporte de madeira. E que com seu fechamento, necessita fazer uma volta muito grande, o que dificulta seu trabalho73. Por esta estrada, em tempos que o transporte era feito por carroças, a cavalo e a pé. A rotina só era quebrada, quando passava a boiada, vindas do Assungui, com destino ao Frigorífico Blumenau (localizado no contemporâneo Bairro São Lourenço), onde hoje é o Supermercado Mercadorama, ao lado do Parque São Lourenço, que nesta época era um curtume. Em mapas de 1890, ganha destaque a localidade de Botiatuba em Curitiba. Pois, a mesma era um importante local estratégico para o pouso dos tropeiros e de suas boiadas, que paravam nos campos de pastagem do senhor Leão Zeigelboim onde hoje é o Recanto Marista (Parque Santa Maria), que ficava as margens da Estrada do Assungui. Também, foram beneficiadas por esta estrada, as localidades de Areias e Tranqueira, que podem já ser identificadas em mapas da década de 190074.

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Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931. INSTITUTO DE TERRAS, CARTOGRAFIA e FLORESTAS DO ESTADO DO PARANÁ. Coletânia de mapas históricos do Paraná. 2.ed. Curitiba: ITCF, 2006, p. 11, 15 e 19.

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Relatos de um Tamandareense Fonte: Jornal do Bugalski (informativo de divulgação Diante desta nosde campanha eleitoral), setembro de 1992) tálgica lembrança, meu pai continuou com sua “aula de história”, sobre os caminhos que levavam os tamandareenses até a capital. E comentou que as opções para isto na década de 1950 eram poucas. E as estradas que existiam (O patrono do trecho da antiga Estrada do Assungui (Taboão-Sede) Vereador Wadiseram dispostas de um lau Bugalski ao centro, neto do professor trajeto muito compli- Ignácio Lipski. Na foto do seu lado direito sua esposa Lucia Sandri Bugalski e os cado. Pois, eram estrei- filhos Maria Helena, João Carlos, Martim tas, tinham que passar Afonso, Rogério Fernando e Maria Luiza por diversos sítios de moradores pioneiros, sem contar que era mato por todos os lados, subidas íngremes, onde em dias de chuvas atolava até carroça e naturalmente acompanhavam os traçados da ferrovia. Uma dessas estradas era a Estrada da Cachoeira ou Estrada do Humaitá. A qual começava na contemporânea Rua Campos Sales no Bairro do Ahú. E se prolongava margeando a Ferrovia Curitiba-Rio Branco do Sul, e por alguns trechos da atual Avenida Anita Garibalde, onde seguia através da Rua Belém (década de 1950, atualmente Anita Garibaldi), que se estendia até a Estação Ferroviária da Cachoeira. Sempre margeando a já referida ferrovia, nos trechos das contemporâneas Ruas Francisco Kruger, Antonio Johnson e Domingos Scucato, até a Ponte do Rio Barigui, onde se ligava com a Estrada do Assungui, ambas em Almirante Tamandaré.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Galeria dos Prefeitos A origem desta estrada possui vários capítulos. Pois, inicialmente ela começou quando em 1733, o Capitão Antônio Rodrigues Seixas e sua esposa Maria Soares Paes, tomaram posse de sua pequena concessão, e fundaram o primeiro sitio (sua morada). Sendo assim, consequentemente, outros sítios Trecho da antiga Estratambém foram aparecendo, e uma pe- da do Humaitá ou da quena trilha que virou estrada por onde Cachoeira que se inicia cavaleiros passavam para se deslocar na Sede que presta homenagem ao senhor até a Vila Nossa Senhora da Luz dos Domingos Scucato, Pinhais (Curitiba)75. Trechos desta rús- comerciante, industrial do calcário e prefeito tica estrada, provavelmente deram ori- em 1936 gem a moderna Av. Anita Garibaldi. Perguntei para meu pai, por que trechos? Ele respondeu que lá pelo finalzinho da década de 1890, segundo o que é relatado pela história da Construção da Ferrovia Curitiba-Rio Branco do Sul, que era para ir até Cerro Azul, (na época Assungui), no processo de sua construção, o trajeto da ferrovia influenciou o traçado moderno desta antiga estrada. Já que, o traçado da ferrovia passava próximo ao pioneiro caminho, sendo esta um importante ponto de apoio à construção da estrada de ferro. Até, este fato, o caminho original parava nas proximidades da Nascente do Rio Belém. Provavelmente na região onde hoje existe a Estação da Cachoeira (atual Biblioteca Municipal Santos Dumont), que já possuía dois núcleos oficiais de povoamento. Em 1871 a Colônia São Venâncio, fundada no governo do Presidente da Província do Paraná

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PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Bair ros de Curitiba/Cachoeira. Disponível em: <www.curitiba.pr.gov.br/curitiba/Bairros/index.asp > Acesso em: 14 Dez. 2010.

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Venâncio José de Oliveira Lisboa. A qual acolheu alemães, suecos e poloneses. Já a outra colônia data de 15 de agosto 188676, ocasionado pela fundação da Colônia Antônio Prado (composta de imigrantes de 26 famílias poloneses, e 12 famílias italianas) já no município tamandareense77. O qual seus moradores viram nas pequenas trilhas de manutenção que margeavam a estrada de ferro, um caminho alternativo, que ligava tanto a localidade a Sede da Villa de Tamandaré, quanto à capital Curitiba, que já dispunha de um caminho oficial. Ou seja, a trilha que margeou a ferrovia, com o tempo se tornou estrada. Porém, era uma estrada que passava por propriedades particulares, que com o tempo se tornaram uma passagem de servidão, e que com o desenvolvimento da região se oficializou como estrada já em meados da década de 192078. Estrada da Cachoeira. Provavelmente, a estrada herdou a denominação que a localidade recebia, já no século XIX, ou seja, anterior a 1853, quando a região já aparecia como uns dos 27 quarteirões de Curitiba79. Pois, segundo o que os moradores mais antigos contam, a partir de relatos de seus pais, que a região se tornou conhecida por este nome, porque existiam várias cachoeiras, onde as mulheres iam lavar roupa, pessoas iam se banhar, buscar água,... Ou seja, da expressão, vou para a cachoeira, resultou no hidrotopônimo80 que atualmente denomina a região, tanto o bairro da Cachoeira em Almirante Tamandaré, quanto o bairro de 76 77

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KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p. 14. PREFEITURA MUNICIPAL DE COLOMBO.Colombo de todas as gentes. Disponível em: <http:// www.colombo.pr.gov.br/pagina.asp?id=163> Acesso em: 13 Dez. 2010. INSTITUTO DE TERRAS, CARTOGRAFIA e FLORESTAS DO ESTADO DO PARANÁ. Coletânia de mapas históricos do Paraná. 2.ed. Curitiba: ITCF, 2006, p.15- 27. MARTINS, Romário. Curityba de Outr’ora e de Hoje. Curitiba: Prefeitura Municipal de Curityba, Commemorativa do Centenário da Independência do Brasil, 1922. Hidrotopônimo de taxionomias de natureza física resultantes de acidentes hidrográficos, (água, córrego, rio, ribeirão, foz, cachoeira). ZAMARIANO, Marcia. Toponímia paranaense do período histórico de 1648 a 1853. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Londrina: Londrina, 2006, p. 90.

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mesmo nome no município curitibano, os quais estão grudados, a ponto de ser na observação da população local, tudo um lugar só. É denunciada as margens desta estrada no ano de 1931, pelo requerimento do Sr. Moizés Collodel, que nela existia um terreno de invernada de gado. O qual já era utilizado a mais de vinte anos. Pois, segundo o documento, ele reclama que o terreno teria sido cercado indevidamente, o que prejudicou a passagem de tropas pela estrada e que isto atrapalhou o comércio local81. Existiam outras estradas, não tão convencional a população da Sede do município, mas que foram muito úteis, aos colonos imigrantes. As quais se iniciavam na importante Estrada do Assungui. Entre elas, a Estrada da Lamenha Pequena que cruzava a Colônia Lamenha (fundada em 1876, composta por poloneses da Silésia e alemães). Que começava na contemporânea Rua das Laranjeiras, em direção a Colônia Gabriela (fundada 1886 composta de poloneses e italianos), seguindo pela atual Rua Professor Alberto Krauser, onde terminava em território de Curitiba, na Fredolin Wolf. E seguindo até a contemporânea Cruz do Pilarzinho, no Núcleo de Imigrante do Pilarzinho (fundado em 1871, composto por poloneses)82. A Estrada da Lamenha Pequena foi também conhecida como Estrada do Tanguá. Possui o nome de Lamenha Pequena, porque ela foi uma região que se originou do Núcleo de Imigrantes Lamenha, assim denominada em homenagem ao então presidente da Província Adolpho Lamenha Lins. A Colônia Lamenha, situada às margens da estrada 81

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Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931. FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira, 1996, p.72. (apenas dados gerais das colônias fundadas)

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do “Açunguy”, foi parcelada em 139 lotes ocupados por 643 colonos poloneses. A colônia posteriormente foi dividida em duas seções: a Lamenha Grande (hoje Almirante Tamandaré) a Lamenha Pequena (atualmente Curitiba). Uma parte da Lamenha Pequena (Almirante Tamandaré), na década de quarenta, passou a ser denominada de Vila Tanguá, cujo, o topônimo que batiza a localidade, tem origem na língua Tupi, onde a expressão “tan” significa formiga e a expressão “guá” corresponde ao verbo comer. Diante disso, na junção destas expressões, se chega à literalidade: “comer formiga” ou “papa-formiga”. Porém, no dialeto tingui, provavelmente esta literalidade não expressasse o que realmente se pretendia. Porém, como a região possuía uma notória manifestação de formigueiros, possivelmente tanguá, venha expressar terra de formigas. Outro fato relevante, é que a denominação de forma indireta, aponta a existência histórica do povo tingui em território tamandareense. Mas os caminhos que levavam até a capital não eram a única ligação da cidade com outros municípios. Pois, existia a Estrada do Juruqui, a qual também começava na Estrada do Assungui onde contemporaneamente se dispõem a Rua Pedro Jorge Kotovski, no Botiatuba (A Sesmaria do Butiatuba, a qual provavelmente recebeu esta denominação, herdada dos antigos habitantes tinguis, a qual em português se traduz como: abundancia de butiá83). Sendo que atualmente termina no Juruqui e segue como Maria Manosso (nome atual) já em território de Campo Magro, mudando de nome conforme vai transpondo as localidades. Esta estrada margeava em seu começo a nascente do Rio 83

CLEROT, Leon Francisco Rodrigues. Glossário Etimológico Tupi/Guarani. Brasília DF: Edições do Senado Federal, Volume 143, 2010, p 103.

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Passaúna, onde posteriormente se desvinculava desta rota e cruzava o atual município de Campo Magro passando pela misteriosa Lagoa Feia, região do Campo Novo. Sendo que seu destino final era a localidade onde hoje se encontra a cidade de Campo Largo. Já a ligação que Tamandaré tinha com o Município de Colombo, começava também na Estrada do Assungui. Porém, partindo da Sede da Freguesia que ficava no Pacotuba (isto no século XIX e antes dele). O qual podia ser feito começando do cartório, onde hoje é o Pesque-Pague do Lucianinho Buzzato, entrando a direita ao lado da antiga propriedade do Sr. Serzedello de Siqueira (atualmente esta rua não existe mais). Atravessava-se a localidade do Mato Dentro, hoje Rua Ari de Lara Vaz, ligando-se a Rua Isidoro Pedro Buzzato, seguindo pela atual Rua Antonio Ferro, cruzando a linha férrea (que antes de 1906 não existia). E cruzava a Estrada do Assungui, já no Boichininga (em tingui significa “cobra grande”), onde seguia em direção da Sede de Colombo, a partir do Km 4 da contemporânea PR-509 (que a propósito, aproveitou um pedaço da antiga estrada), que com o advento da Lei n° 11.464 de 12.07.1996. (D. O. E n° 4.748), que a denominou de Rodovia do Calcário. A qual corresponde ao trecho que liga a Sede do município de Almirante Tamandaré a Sede do Município de Colombo. Sendo que esta perfaz apenas 8 km. Iniciando no viaduto sob a Rodovia dos Minérios com o nome de Rua Rachel Candido de Siqueira, passando o viaduto sobre a Rua Pedro Teixeira Alves, construída no Governo do Governado Álvaro Fernandes Dias no final da década de 1980. E concluída sua ligação com a Rodovia dos Minérios no ano de 1996 no governo de Jayme Lerner. Porém, foi pelo território tamandareense que passou a 91


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principal estrada que ligava a Capital do Estado ao Norte ao Norte do Paraná. Ou seja, a Estrada do Cerne, construída na gestão de Manoel Ribas em 1929 a qual oficialmente se chama Rodovia Engenheiro Angelo Ferrario Lopes denominada apenas 53 anos depois de sua construção pelo Decreto Estadual nº 5.546 em 18 de outubro de 1982. No entanto, a denominação popular é Estrada do Cerne, o qual é um hidrotopônimo de taxionomia de natureza física resultante de acidente hidrográfico. Pois, a denominação provém do Rio Cerne. Sendo que o Cerne (localidade de Campo Largo) é o lugar onde existe um rio localizado no Km 3584. A partir da conclusão do trecho Santa Felicidade-Cerne, foi determinada a liberação da rodovia ao tráfego, o qual popularmente se originou da expressão “vou pela Estrada do Cerne”, já que o trecho terminava no Cerne85. Sua construção aproveitou alguns trechos já existentes, traçados sobre os pioneiros caminhos que levavam até antigos povoados, que surgiram no contexto da busca pelo ouro, desde antes de 1680. Sua inauguração ocorreu em setembro de 1940, a qual se tornou um importante ponto de escoamento da safra agrí(Construção da Estrada do Cerne/Fonte: DER-Paraná) cola do Norte do Paraná por 84

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TV SINAL. Documentário Estrada do Cerne. Disponível em:< http://tvsinal.wordpress.com/2010/08/13/documentario-estrada-do-cerne/>Acesso em: 20 Fev. 2011. DEPARTAMENTO DE ESTRADA E RODAGEM – PARANÁ. PR-090 - Rodovia do Cerne. Disponível em: < http://www.der.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=21> Acesso em: 20 Fev. 2011.

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mais de 20 anos. A qual agora seguia para o Porto de Paranaguá e não mais para o de Santos como era em outros tempos por falta de estradas no Paraná86. Esta estrada cortava um importante Distrito de Tamandaré denominado de Campo Magro. Porém, que era habitado oficialmente desde o final do século XVII (1680). Sendo que o escrivão da Vila de Curityba o Capitão Antonio Rodrigues Seixas em 1693, já possuía um sitio na região87. No entanto a estratégica estrada que corta a atual sede deste município, o qual era apontada sua existência na lista de Ordenanças da Villa de Curityba, desde o ano de 1791, como bairro de Campo Magro88. Em 9 de abril de 1910, pela lei nº 970, foi criado o distrito de Campo Magro, no município de Tamandaré, com a denominação de Nossa Senhora da Conceição. Esta denominação não prosperou e foi alterada para o nome anterior por força da lei de 4 de abril de 1924. A denominação Campo Magro é um geomorfotopônimo de taxionomia de natureza física (Campo) complementado por um somatotopônimo de taxionomia de natureza antropo-cultural (Magro) 89. Cuja, inspiração teve origem no fato histórico em que os tropeiros que passavam e invernavam pela região, percebiam que durante o período de inverno o gado emagrecia. Pois, eles observavam que este fato se dava ao pouco pasto verde que se dispunha para a boiada. Diante disso, a região no inverno mais parecia um campo minguado que em um contexto de singularidade significa um campo magro90. Da expressão, vou passar pelos “campos 86 87

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Idem. IBGE/DEPARTAMENTO ESTADUAL DE ESTATÍSTICAS DO ESTADO DO PARANÁ. Sinopse de estatísticas do Município de Curitiba 1950. p. 09 Arquivo Público. Ordenanças da Villa de Curityba, 1791. Geomorfotopônimo é um topônimo inspirado em formas topográficas (campo, morro, serra,...). Já somatotopônimo é um topônimo inspirado relativos metaforicamente as partes do corpo humano ou do animal. ZAMARIANO, Marcia. Toponímia paranaense do período histórico de 1648 a 1853. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Londrina: Londrina, 2006, p. 90-91. FERREIRA, João Carlos Vicente Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, p. 72.

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magros” ou por “campo magro”, resultou o nome. No século XVII provavelmente estas terras eram conhecidas como terra (conceição ou sesmarias) do Capitão Antonio Rodrigues Seixas. Este território, não pertence mais ao Município de Almirante Tamandaré desde 11 de dezembro 1995. Tantas estradas históricas, e de repente me raiou um fleche de memória, o qual eu querendo ou não, também presenciei a construção de uma rodovia contemporânea, que foi idealizada para desviar o trafego de caminhões que passavam por Curitiba. Esta estrada é conhecida como Contorno Norte. A qual teve seu primeiro trecho inaugurado (Colombo rodovia da Uva ou PR-417 até a Rodovia dos Minérios ou PR-092) em 07 de novembro de 1989, pelo então governador Álvaro Dias. No entanto, só em 21 de dezembro de 2005, que a ligação definitiva da rodovia com a PR-277, sentido Ponta Grossa foi entregue oficialmente a população do Estado, pelo Governador Roberto Requião. Esta rodovia PR-418, foi batizada de Admar Bertoli (vereador de Curitiba falecido em 2003), e oficializada assim pela Lei Estadual 14.971 de 22 de dezembro de 200591. Devido ao desenvolvimento expressivo da exploração calcareira na Região do Morro Azul, às quatorze horas e trinta de uma segunda-feira datada de 27 de junho de 1988. É inaugurado à pavimentação asfáltica do trecho que liga o Morro Azul a Rodovia dos Minérios, pelo senhor Ariel Adalberto Buzato junto com o Governador Álvaro Dias. A qual não foi entregue oficialmente devido às fortes chuvas. Tantas facilidades para chegar à capital e a outras regiões. Bem diferente das primeiras estradas. Que foram as princi91

DEPARTAMENTO DE ESTRADA E RODAGEM – PARANÁ. Rodovias Estaduais. Disponível em: < http:// www.der.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=21> Acesso em: 20 Dez. 2010.

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pais ligações que os pioneiros habitantes da terra tamandareense tinham com a capital e seus vizinhos municípios, no entanto existiam, outras, que serviram como deslocamento dentro da própria localidade aos habitantes até o advento de estradas mais modernas e que encurtavam distancias. Muitas destas estradas ou trechos originais delas, não existem mais. Porém, é possível perceber nas que sobraram e pouco foram alteradas, devido a distancia com os centros populacionais mais desenvolvidos, que foram abertas a partir de trilhas, devido a sua sinuosidade e inclinação das subidas. Um exemplo de estrada assim é a Estrada do Marmeleiro. No entanto, no inicio do século XX isto iria mudar. Principalmente porque se expressou através do Decreto Estadual n° 35, publicado em 03 de fevereiro de 1890, assinado pelo Presidente do Estado José Marques Guimarães, que especificava as condições e deliberavam outras providencias referente primeira concessão sobre a construção de uma estrada de ferro. Que deveria ligar Curitiba ao Assungui, (que consequentemente passava pela Villa Tamandaré). A qual previa o início das obras em dois anos. Porém, o desejo expressado pelo recém-governo republicano do Estado do Paraná, de desenvolver uma ligação moderna e eficiente. Utilizando um meio de transporte rápido entre Curitiba aos vales dos Rios Assungui e Ribeira, com a intenção de facilitar o escoamento das riquezas naturais, principalmente às de origem mineral e também o transporte de pessoas. Esbarram nas exigências constantes da cláusula segunda do contrato de concessão que especificava o prazo para início das obras, o qual fez prescrever as previsões legais do Decreto Estadual n° 35. Dois anos depois do fracasso da tentativa de constru95


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ção da Estrada de Ferro Norte do Paraná. Ocorre que é assinado pelo primeiro Presidente do Estado do Paraná da Era da nova Constituição Republicana, o Sr. Francisco Xavier da Silva, em 21 de dezembro de 1892, a Lei nº 75. A qual autorizava o Poder Executivo a contratar, por meio de concorrência pública a construção, uso e gozo de uma estrada de ferro que se iniciava em Curitiba e seguia em direção a Vila de Assungui de Cima, com um ramal para Cerro Azul. A qual poderia se prolongar até Jaguariahiva ou outro ponto mais conveniente da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. No entanto, apesar dos privilégios concedidos no texto legal n°75, não se apresentaram interessados. Entre estes privilégios se destacavam: uso e gozo da referida linha por 50 anos; vinte metros de terras de cada lado da linha; garantia de 6% sobre o capital de 2.000$000$000 (dois mil contos de réis), e o direito à desapropriação, na forma da lei, dos terrenos indispensáveis à construção da linha. Não logrando êxito, principalmente pela falta de interesse relacionada à insignificância do capital de dois mil contos de réis. O governo paranaense elaborou uma nova estratégia onde o Congresso Legislativo Estadual do Paraná, autorizou o Poder Executivo a garantir juros de 7% sobre o capital efetivamente empregado, desde que não excedesse a 25:000$000 por quilômetro, além das outras vantagens já ofertadas. Para surpresa, não apareceram interessados na empreitada. Porém, mesmo nos anos agitados que se seguiram a partir de 1894 até a restauração do governo legal em 1896, o sonho da estrada de ferro, não havia acabado. Tanto que no governo de José Pereira dos Santos Andrade, o Poder Exe96


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cutivo autorizou novos estudos, que deveriam ser completos e definitivos e com o objetivo de contratar a construção da referida ferrovia, mediante determinadas condições, que eram: a garantia de 7% sobre o capital empregado, contrariando os editais anteriores. Publicados os editais de concorrência, a proposta da empresa Societè Anonyme de Travaux Dyle e Bacalan, é aceita e em 18 de julho de 1896. Sendo assim foi formalmente lavrado e assinado o tão sonhado e debatido contrato. Concluídos os estudos pela empresa em 1897, sendo elevado o valor da construção, segundo o orçamento apresentado, o Governo Estadual resolveu adiar sua construção. Em mais uma tentativa de realizar o projeto dessa ferrovia o Congresso Legislativo do Paraná, sob a luz da Lei 246, de 20 de novembro de 1897, autorizou novamente o Poder Executivo a contratar a construção da estratégica estrada de ferro. Para decepção total, foi contratada apenas a construção da primeira secção, de acordo com os estudos realizados, ou seja, de Curitiba até o povoado de Rocinha. Mais uma vez a autorização do Poder Executivo de contratar uma empresa que construísse a ferrovia, não foi utilizada. Diante disto, através da Lei 631, de 14 de março de 1906, finalzinho do governo de Vicente Machado da Silva Lima, foi consignada a verba Fretes e Passagens, no orçamento da Receita do Estado do Paraná, para a necessária garantia de juros do capital a ser empregado. Com esse dispositivo legal, foi baixado o Decreto nº 298, de 27 de julho de 1906, assinado pelo então presidente do Estado, o Sr. João Candido Ferreira, que concedia a Gaston de Cerjat, ou a empresa que o mesmo organizasse. Os privilégios para a construção, uso e gozo da ferrovia. 97


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O traçado, segundo os estudos realizados, deveria atingir uma zona geoeconômica bastante povoada por imigrantes poloneses dedicados a cultura de cereais em geral. Igualmente, acusava, no percurso, a existência de campos para a criação de gado e de rica vegetação propícia para a extração da erva-mate e madeiras de lei. Ainda nessa região, o subsolo é formado de rochas calcárias, capaz de fornecer mármore branco, cal e cimento. O início da construção foi em 19 de dezembro de 1906 junto às comemorações do 53º aniversario da emancipação política da Província do Paraná e seu termino se deu em fevereiro de 1909 no segundo governo do presidente estadual Francisco Xavier da Silva, quando a obra alcançou a Vila Rio Branco. Sendo que o primeiro trecho totalizou 43.397 metros. O que permitiu ser inaugurada em 01 de março de 190992. Em meados de 1907, chegava a Vila de Tamandaré a linha férrea. Porém, o local onde ela estava sendo construída, era muito próximo, da pioneira Igreja (capelinha) ali existente desde 1863. Diante deste problema, já que com o advento da passagem do trem, poderia ocorrer o comprometimento da estrutura do edifício. O qual vem ocorrer já com a passagem do trem de serviço (trem que transportava o material para a construção da ferrovia), a igreja foi destruída e outra foi construída mais a frente, em local seguro, já em 1910. Tudo indica que umas das fontes de recurso para o advento da construção desta nova igreja, tenha tido origem na indenização que a construtora da ferrovia pagou pela utilização do terreno por onde ela passa.

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CÂMARA MUNICIPAL DE RIO BRANCO DO SUL. História - Estrada de Ferro Curitiba-Rio Branco. Disponível em:< http://www.camarariobrancodosul.pr.gov.br/his_estradaferro.html> Acesso em 16 de Dez. 2010.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Já com o advento da construção da ferrovia, adentrando em território tamandareense, o Sr. João Candido de Oliveira teve a oportunidade de fornecer os dormentes para a empresa que construía este trecho (divisa Curitiba até os limites com Rio Branco do Sul)93. O custo total da obra atingiu a importância de 3.573:573$492 contos de réis e pelo Decreto n º 183, de 21 de maio de 1907, assinado pelo presidente estadual João Cândido Ferreira, ocorreu por força legal, a transferência de sua concessão à Companhia Estrada de Ferro Norte do Paraná. O ponto inicial da linha era no quilômetro 18 daquela Estrada de Ferro do Paraná, seguindo em direção ao vale do Rio Juvevê, em demanda ao vale do Barigui, atingindo 1.035 metros acima do nível do mar. Onde encontra a divisa das águas das bacias hidrográficas dos rios Iguaçu e do Rio Tacaniça, acompanha o vale deste rio até a zona compreendida entre os afluentes dos rios Cajuru e Rocinha, terminando na Vila Rio Branco, cuja estação está na altitude de Foto: Antonio Kotoviski Filho, fevereiro 2011 892.780 metros, acima do nível do mar94. A estrada originalmente possuía duas pontes com vãos de 40 e Ponte da Ferrovia, que passa sobre 20 metros o Rio Barigui, na Sede do Município 93 94

Relatos do sr. Generoso Candido de Oliveira, 2000. Idem.

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respectivamente; 33 pontilhões e 150 bueiros. Já os funcionários que faziam a manutenção da estrada de ferro eram chamados (apelidados) de turmeiros. A Sede de Almirante Tamandaré, era muito importante para o funcionamento da ferrovia. Pois, devido sua posição geográfica de estar praticamente na metade do caminho entre Rio Branco e Curitiba, era nesta localidade que o trem (Maria Fumaça), parava para abastecer com água sua caldeira, como também, para repor seu combustivo que alimentava o fogo: lenha, principalmente bracatinga. Atualmente, é possível identificar, próximo a ponte de ferro que passa sobre o rio Barigui, a qual margeia a Rua Coronel João Candido, as estruturas que sustentavam as caixas de água, que abasteciam o trem. Para o tráfego da Estrada de Ferro Norte do Paraná, foram construídas cinco estações: Cachoeira (Avenida Francisco Kruger, antiga Estrada da Cachoeira), Tamandaré (na atual Rua Pedro Teixeira Alves, antiga Estrada do Assungui), Tranqueira (que ficava na Rua José Chevônica), (estas três estações se localizavam na região de Almirante Tamandaré), Itaperuçú (na época território de Rio Branco do Sul) e Rio Branco (ponto final). Atualmente no município só a Foto da década de 1990, do acervo da ABPF-Paraná Estação da Cachoeira ainda existe para marcar o ápice do transpor te fer roviário no município e onde se encontra Antiga plataforma de embarque na Sede. Não existe mais 100


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a Biblioteca Santos Dumont. Pois, na data de 12 de janeiro de 1991, o trem deixou de transportar passageiros. No primeiro ano de funcionamento, as principais mercadorias transportadas foram lenha, madeira, cal, pedras, areia, milho e porcos. A erva-mate aparece em pequena escala evidenciando-se nesta estrada tendência maior para o transporte de madeira. Esta madeira a principio era carregada tanto em Rio Branco, quanto na Vila de Tamandaré, e era basicamente lenha (bracatinga), que servia para abastecer, a Termoelétrica95 existente na Vila Capanema, que abastecia com eletricidade a Capital. Após o incremento da comercialização da cal para outras cidades do Paraná e Santa Catarina, com a isenção de impostos pelo Governo do Paraná, houve predomínio deste produto no transporte desta ferrovia. Com a incorporação da Estrada de Ferro do Paraná pela Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, juntamente com a Estrada de Ferro do Paraná, formando uma rede ferroviária no Paraná, Santa Catarina, da Brazil Rilway Co. No governo do presidente estadual Carlos Cavalcanti de Alburquerque, foi baixado termo aditivo, de 06 de maio de 1913, para ampliação da linha, que, a princípio deveria partir da Vila Rio Branco, passar por Cerro Azul, com destino a Santo Antonio do Juquiá, no Estado de São Paulo (porém, isto nunca ocorreu). A não realização deste segundo trecho da ferrovia se liga em um primeiro momento ao advento da Primeira Guerra Mundial, o qual se desencadeou em uma crise econômicofinanceira no Brasil, e consequentemente diminuiu a en95

COPEL. História da energia no Paraná. Disponível em: < http://www.copel.com/hpcopel/root/ nivel2.jsp?endereco=%2Fhpcopel%2Froot%2Fpagcopel2.nsf%2F0%2F938F473DCEED50010325740C004A947F> Acesso em: 12 jan. 2011.

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Relatos de um Tamandareense

trada de capitais estrangeiros (principalmente o inglês, já que era um dos “carros chefes” da guerra). Por este motivo, não foi permitido o emprego de investimentos na ordem de 27 mil contos de réis, o que adiou as obras de execução de seu prolongamento. Porém, outros adventos históricos, políticos e econômicos ocorridos mais tarde, acabaram inviabilizando a construção do prolongamento até o Estado de São Paulo. Do ano de 1909 a 1942 a ferrovia estava sob responsabilidade da Estrada de Ferro Norte do Paraná. Do ano de 1942 a 1975 fez parte da Rede de Viação Paraná Santa Catarina. Do ano de 1975 até 1996, fez parte da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima e por fim de 1996 até o presente instante, a concessão pertence à ALL América Latina Logística. Na década de 1930 ocorre um trágico acidente na ferrovia envolvendo o transporte de passageiros na região do Humaitá. Eis, que o trem desencarrilhou e tombou. Segundo relato de Dona Noêmia Kotoviski, que viveu na pele o acidente, foi nesse dia que a senhora Bertolina K. de Oliveira, esposa do Senhor João Candido de Oliveira, teve o triste destino de perder o seu braço. Depois de escutar tudo aquilo que meu pai contava. Comecei a lembrar das histórias que meus avôs contavam e ainda contam, sobre a aventura e alegria que era ir para Curitiba. Pois, se engana quem pensa que era de carro, e que o trajeto que se fazia não demorava mais de 20 minutos entre a Sede de Tamandaré a Curitiba. Era tudo de carroça, pois na década de 1930 e 1940 era raro ver um carro. Então já se deduz que a viagem era longa, onde meus bisavôs, já saiam de casa de madrugada, para chegar cedo à capital. Pois, a viagem durava em torno 102


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Teodolindo A. Chimelli (Leleto), década de 1940 de três horas e meia ou mais (hoje se estressa por causa de 5 minutos a mais em um trajeto de 20 minutos!), dependendo da localidade de onde saiam. Para quem Descarregamento de Cal Extra Especial no Porto morava nas proxi- de Paranaguá. Observem que era transportado por carroças dentro de barris midades da estação de trem, perdia menos tempo, pois se demorava uma hora mais ou menos entre Tamandaré até a capital. No entanto, só na década de 1940 que o trem começou a transportar passageiros. Como também não era todos os dias. Porém, a ligação com a capital era necessárias, da mesma forma que estas longas viagens. Pois, não se deslocava até ela simplesmente para passear como se faz contemporaneamente. Iam-se comprar remédios, tecidos, ferramentas e outros produtos que não eram vendidos nas mercearias locais. Além de aproveitar para ir ao médico, banco ou fazer algo que não era possível fazer em terras tamandareenses. Já os comerciantes, se deslocavam exclusivamente para buscar produtos encomendados por aquelas pessoas que não dispunham de tempo para se deslocar até a capital. Mas estas encomendas não eram exclusivamente a comerciantes. Mas geralmente por pessoa, que aproveitavam a ida de alguém conhecido para Curitiba, e pedia que lhe trouxesse algo.

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Relatos de um Tamandareense

Na década de 1950, com a construção da Rodovia Estratégica, o transporte rodoviário, melhorou a ponto de surgir uma empresa de ônibus (Expresso Rio Branco)96, que transportava pessoas de Tamandaré até Curitiba. Porém, como o ônibus só passava pelo trajeto da rodovia, os moradores do centro de Tamandaré tinham que ir até onde hoje fica o Portal Maçônico no trevo, para pegar o ônibus, que passava apenas duas vezes por dia. Ou seja, vinha de Rio Branco do Sul catando o pessoal, e posteriormente, a tarde voltava em direção a Rio Branco do Sul. Nesta década de 1950, se destacou o prefeito João Wolf, pela grande quantidade de ruas e estradas que foram abertas, além da construção de pontes. Já na década seguinte, no mandato prefeito Domingos Stoccheiro, ocorreu o advento de uma lei municipal que retirava as porteiras que se faziam presentes em grande parte das estradas. Estas porteiras anteriormente citadas tinham como objetivo, conter a dispersão do gado transportado por tropeiros. Como também, servia para delimitar território, avisando o viajante que aquelas terras tinham dono. Porém, a partir de meados década de 1950, a condução de bovinos diminuiu. E a necessidade de porteiras, perdeu seu principal objetivo. Na década de 1920 até a década de 1960, ocorria um fato curioso para nós da contemporaneidade. Pois, as carroças eram obrigadas por lei a serem emplacadas e pagarem tributo anual (ou seja, uma espécie IPVA). Um exemplo interessante é o requerimento junto a Prefeitura de Tamandaré em 14 de Setembro de 1931 elaborado pelo lavrador Sr. Augusto Hecke, morador na localidade de São Ve96

ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Curitiba –PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26.

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nâncio. Que solicitou uma nova placa (a mesma que usava em sua antiga carroça nº 282), pelo fato desta ter sido destruída pelo fogo que atingiu seu paiol. Pois, esta placa serviu para colocar na nova carroça adquirida de seu genro que mora em Curitiba. Ele pagou 1000 réis pelo requerimento. Já o Sr. Paulo Ribeiro de Castro, que possuía a carroça com a placa nº 02, solicita o fim da cobrança do tributo, em virtude da carroça não existir mais, pois foi destruída pelo fogo97. Fonte: SANTOS, Didio. STOCCHERO. Harley Clóvis. Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira, Timoneira: Prefeitura Municipal de Timoneira, dezembro de 1951

Mapa Rodoviário de Timoneira de 1951

Segundo levantamento da Prefeitura de Timoneira, em 1948 existia: três automóveis, 18 caminhões e duas caminhonetes. Já no ano de 1949 a frota pouco aumentou: pois existiam 4 automóveis, 17 caminhões e 5 camionetes. No ano de 1950 a frota quase dobrou, pois eram 4 automóveis, 97

Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931.

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27 caminhões, 7 camionetes e uma motocicleta98. No ano de 1956, segundo o senso, existiam 163 automóveis registrados na cidade, onde 141 eram caminhões e 22 eram carros de passeio99. Destes 141 caminhões, um pertencia ao meu Avô paterno Pedro Jorge Kotovski, (Ford 46) e o Tio José Francisco Kotovski tinha um BedFord 44. Que utilizavam este meio de transporte para buscar mercadorias na capital para abastecer a mercearia do avô Pedro e também para levar mercadoria a outras localidades (Assungui) como fazia o tio José, além de transportar cereal e cal100. Já meu avô materno José Ido da Cruz, também era proprietário de um caminhão Ford 29 (a manivela), que também servia para trazer e levar mercadoria para a capital. Pois, segundo o que minha mãe conta, meu avô Zé Ido, fornecia ovo para a Fábrica Todeschini e para a Fábrica Lucinda. Já o avô Pedro levava ervamate para o Assungui; levava laranja colhida no Córrego Fundo, para a fábrica de vinho de laranja em frente a Cruz do Pilarzinho. Porém, esta atividade realizada por meus avôs não era exclusiva. Eis que outras pessoas possuíam caminhões: (Antonio Dunaiski (madeira), Francisco de Lara Vaz (madeira e calcário), Leandro Estefano Tosin (calcário), Estanislau Krizizanoski (verdura), Isidoro Goinski (verdura), Cal Macedo (calcário), fora outros não identificados, devido à inelegibilidade da fonte,..., os quais levavam sua produção de verdura, calcário, pedra brita, madeira, vinho,..., para a capital. E dela também traziam mercadorias para abastecer mercearias mais retiradas na região tamandareense. 98

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SANTOS, Didio. STOCCHERO. Harley Clóvis. Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira, Timoneira: Prefeitura Municipal de Timoneira, dezembro de 1951. Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931. KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p.108.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Já os automóveis identificados pertenciam a Pedro Goinski, José Bregenski, Francisco Lara Vaz, Pedro Jorge Kotoviski, João Roque Tosin, família Wolf... No entanto, a de ressaltar que não faz parte desta lista, o dono do primeiro automóvel em Tamandaré. No entanto, um fato narrado pelo meu avô José Ido da Cruz, traz a tona, que a existência de automóveis em Almirante Tamandaré já se fazia desde 1929. Pois, segundo o que ele escutava de seus pais, que o seu Fredolin Wolf (duas vezes prefeito na década de 1930), saiu a pé da Conceição (na época localidade pertencente ao município), até a Barra de Santa Rita, onde os pais de meu avô moravam. E ali, pegou uma carona (carroça) até a capital, onde foi comprar um Ford 1929 (zero). E na capital mesmo aprendeu a dirigir voltando guiando até a Conceição. Outro fato interessante a se destacar, é que além de existirem poucos carros, na década de 1920 até meados de 1960, havia também muita dificuldade em abastecer os carros. Pois, o posto mais próximo da sede de Almirante Tamandaré, ficava na Estrada do Assungui, em Curitiba, ou seja, onde hoje é a Churrascaria do Ervin, na Avenida Mateus Leme, 2746. Isto sem contar, que não se abastecia só o carro. Eis, que os proprietários de automóveis, já levavam tambores para enchê-los ou pediam para quem fosse de caminhão para a capital buscar mercadoria, que trouxesse combustível. Não só para os carros, mais para os geradores de eletricidade. Porém, isto só iria mudar a partir do começo da década de 1970. Quando o seu Ernesto Wolf inaugura o primeiro posto de gasolina na Sede do município sob a bandeira da distribuidora de derivados de petróleo Shell, localizado onde hoje é o atual posto L.M. de bandeira da distribuidora Pelikano, as margens da atual Rodovia dos Minéri107


Relatos de um Tamandareense

os, Km 14,5. No entanto, também na década de 1970, seu Reinaldo Buzzato (ex-vereador do município no período de 1968 até 1972), abre concorrência ao posto do Sr. Ernesto, com um novo posto sob a bandeira da distribuidora Esso (Posto Incasal), localizado também as margens da Rodovia dos Minérios no Km 16, enfrente aos fornos de cal. Este posto não existe mais. A de ressaltar que o primeiro posto no município foi aberto na região do Passaúna nas margens da Rodovia do Cerne, o Senhor Himério Lugarini possuía uma bomba de gasolina sob a marca da Texaco, isto na década de 1940. Em 1976, o Jornal Tribuna dos Minérios tecia o seguinte comentário: “Felizmente aquele barreiro que tínhamos no centro da cidade nos dias de chuva, não se vê graça ao asfalto”. Isto se deve que no final da gestão do seu Eurípides Siqueira, ocorreu o asfaltamento da atual Rua Coronel João Cândido e da (Rua 1) atual Avenida Emilio Johnson. Consideradas as mais importantes da sede do município naquele momento histórico. Porém, só 11 anos depois, em 1987, na gestão do Prefeito Ariel Buzatto, que foram asfaltadas as ruas que cruzam a Avenida Emilio Johnson 101: Rua Antonio de Siqueira, Rua Lourenço Angelo Buzato, Rua Didio Santos, Rua Frei Mauro, Rua Fredolin Wolf, Rua Antonio Zem, Rua Athaíde de Siqueira e a paralela Rua José Carlos Colodel (obs. apenas a parte central). Pois, a Rachel Candido de Siqueira foi asfaltada pelo Estado em 1996 na gestão do Prefeito Cide Gulin. Já a Rua Bertolina K. de Oliveira, recebeu asfalto na 1ª gestão do prefeito Cezar Manfron, assim como a Rua Paulo Bini, rua João Baptista de Siqueira. 101

FOLHA DE TAMANDARÉ. Sede de Tamandaré com Benefícios. Ano II, nº 48, maio de 1987, p. 03.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Banner da Biblioteca Municipal Harley Clóvis Stocchero, 1946

Rua principal de Timoneira (atual Coronel João Candido de Oliveira). Estrada de terra, mato, e praticamente quase em frente, a antiga Sociedade

Com esta nova realidade, a Viação do Sul, que desde o inicio da década de 1970, adquiriu a concessão do transporte viário na Rodovia dos Minérios, criou em 1978 o itinerário Almirante Tamandaré/Curitiba. Cujo, o qual se dispunha partindo do ponto final localizado na Avenida Emilio Johnson, em frente à Cancha de Esporte (atual Praça VicePrefeito Frederico Manfron - praça do skate) com saídas de segunda a sábado (menos 8:30) às 6:20; 7:25; 8:30; 10:30; 12:25; 15:30; 17:30 e 18:45; no Domingo às 7:30; 9:00; 10:30; 13:45; 15:45; 17:30 e 18:45 onde seu destino em Curitiba era o atual Terminal Metropolitano do Guadalupe, antes Rodoviária Intermunicipal, onde o primeiro ônibus de Curitiba com destino a Tamandaré saia de segunda a sábado às 6:55 e o ultimo às 19:45. E no domingo o primeiro era 8:25 e o último as 19:25. Se por acaso a pessoa perdesse o ultimo ônibus para Tamandaré, tinha que esperar a saída do Rio Branco do Sul às onze da noite. A melhor qualidade técnica dos automóveis e consequentemente uma maior acessibilidade à compra de automó109


Relatos de um Tamandareense

veis por parte da população, acabou provocando um maior investimento dos recursos do Estado em infraestrutura para o transporte. Porém, como a Rodovia dos Minérios tinha sido construída no contexto de parceria entre o Estado e a Companhia de Cimento Portland Rio Branco, havia certas restrições sobre a sua manutenção. No entanto, com a crescente demanda de caminhões transportando calcário para o Norte do Paraná, foi que houve a necessidade modernizar a rodovia para deixá-la mais ágil. Foi neste contexto que em 1968, no governo de Paulo Cruz Pimentel teve inicio sua pavimentação. No entanto, com o advento da crescente industrialização da capital, que se refletia em todos os setores da economia na década de 1960, ocorreu um aceleramento da urbanização. E um dos setores atingido, e que deveria ser modernizado rapidamente, foi o do transporte coletivo, o qual era o principal responsável em dar condição para que as pessoas conseguissem chegar até seus empregos102. Porém, o grande propulsor para o avanço do transporte coletivo foi a Lei Complementar n.º 14, de 8 de julho de 1973, sancionada pelo Presidente da Republica Garrastazu Medici, que estabelecia Almirante Tamandaré como integrante da Região Metropolitana de Curitiba, possibilitando a Criação da COMEC (coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) em 1974. Este fato alterou radicalmente o transporte coletivo intermunicipal, o qual se interligou ao de Curitiba com o advento da Rede Integrada de Transporte, em 1980. Em 1986 na gestão do Prefeito Ariel Adalberto Buzzato, ocorreu à construção do Terminal da Cachoeira, na atual Rua Fran102

NEVES, Lafaite Santos. Movimento Popular e Transporte Coletivo em Curitiba. Curitiba: Ed. Gráfica Popular: CEFURIA, 2006, p. 97.

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cisco Kruger, esquina com a Rua Professor Antonio Rodrigues Dias. O qual posteriormente no final da gestão do prefeito Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin) se integrou já em junho de 1993 a outros terminais na capital. Este terminal era abastecido inicialmente pelas linhas São Jorge, Geanini, Monte Santo, São Francisco, Prefeitura, Gramado e Bonfim, pertencente à Viação Tamandaré. A inauguração do sistema integrado, contou com a presença do Governador Roberto Requião, dos Deputados Estaduais Neivo Beraldin e Kleyton Kielse e dos Vereadores da cidade. No ano de 1996, chega a Linha Ligeirinho no Terminal da Cachoeira. Ampliando a mobilidade do usuário do transporte público em Tamandaré. Porém, com a criação do Terminal Rodoviário Metropolitano de Almirante Tamandaré. Cujo nome oficial é Terminal Urbano João de Barros que foi estabelecido pela Lei nº 758/2000, junto à rotária da Rua Domingos Scucato com a Avenida Emilio Johnson, inaugurado em 26 de junho de 2000 na gestão do Prefeito Antonio Cezar Manfron de Barros. A população de Almirante Tamandaré, ganhou novas alternativas de deslocamento utilizando o transporte publico, pois agora, poderia ir para Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Colombo e Curitiba, sem contar o deslocamento para os bairros da cidade. Em 30 de março de 1972, era decretado pelo senhor prefeito Antonio Johnson pelo Decreto nº 06, as condições necessárias para se obter a permissão de taxista no município. Vago no horizonte, e apenas reflito sobre estes tempos, em que para chegar a Curitiba era uma aventura, a qual ocorria o mesmo no deslocamento da Sede para qualquer outra localidade interna. Eram tempos, de estradas que mal 111


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passavam duas carroças ao mesmo tempo, onde que a chuva inviabilizava qualquer “viagem”. Tempos em que carros eram realmente meios de transportes, não expressão de luxo e riqueza. Contemporaneamente se desfruta de percursos de 10 a 20 minutos até a capital e cidades vizinhas; de ônibus de vinte em vinte minuto, dependendo da rua onde se encontra. Tanto progresso, e poucas lembranças, talvez seja esta falta de lembrança que não nos faz perceber que tudo ficou perto, rápido e acessível, mesmo nós achando que não.

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Bairros do Município

A

lmirante Tamandaré é uma cidade composta por diversas localidades, as quais muitas vezes são confundidas como se fossem bairros ou consideradas uma só como é o caso da Cachoeira. Porém, o município possui uma divisão oficial, a qual foi reformada em 2008. Neste contexto se observa que a reforma foi uma consequência da contemplação do Jardim São João Batista como território de fato e direito ao contexto de responsabilidade municipal. Mas mesmo no que tange esta nova condição, as alterações foram mínimas após a autonomia municipal em 1947. Sendo a única exceção o desmembramento do território de Campo Magro em 1995. Diante deste exposto a Lei Ordinária de Almirante Tamandaré nº 1342 de 14 de maio de 2008, estabeleceu 44 localidades como bairros oficiais. Os quais são: Água Boa, que possui uma área 8,47 km², cujo nome é um hidrotopônimo inspirado na expressão “lugar com água limpa”, ou “naquele local tem água boa para se beber ou usar”. Neste sentido a região passou com o tempo a ser 113


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denominada popularmente de “Água Boa”. Sua origem se deu no parcelamento de sesmarias ainda no século XIX. Já o Bairro Alto São Sebastião é um bairro com área de 4,16 km², possui uma denominação hagiotopônima, provavelmente de ênfase religioso, porém como este santo não é popular na região, esta denominação possivelmente tenha vinculo com o dono ou parente deste, o qual se acrescentou ao nome “são”. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011 O Bairro de Araras possui uma área de 4,86 km². Seu nome a principio é um zootopônimo, que indica que a localidade foi inicialmente identificada pela notória quanti- Capela de Alto São Sebastião, construção de 1975 dade de araras ou pássaros que se assemelham a elas. Na divisa com o município de Rio Branco do Sul se encontra o Bairro de Areias o qual possui 3,62 km², cujo, localidade já se encontrava habitada desde o século XVIII. Sendo que a possível origem de seu nome esteja ligada a um ponto de referencia correspondente a um grande areal notório existente nas proximidades do Rio Barigui que cruza a localidade 103, ainda em tempos de desbravação.

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Relato de Wilson Muraro, abril de 2011.

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O Bairro da Barra de Santa Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril de 2011 Rita possui uma área de 5,93 km², o qual recebeu um hidrotopônimo já que legou a primeira parte do nome do Rio da Barra que cruza seu território105, unificado a um hagiotopônimo inspirado no legado de devoção dos italianos que povoaram a localidade desde o século XIX. Pois Santa Rita foi uma mulher de nacionalidade italiana, devotada como protetora dos ca- Contemporânea Capela São João sos impossíveis e contra os de- Batista em Areias construída em 1957, em substituição a pioneira sentendimentos em família. feita de madeira pelos imigrantes Esta área foi um núcleo de as- italianos e moradores ali já domicilipioneiramente em julho de sentamento de imigrantes ita- ados 1911. Em 17 de julho de 2011 colianos106. memora seu primeiro centenário. 104 Já o Bairro de Betara possui Já a torre foi erguida em 1961 área territorial de 2,72 km², cujo nome é um zootopônimo. Pois, betara é um peixe. No entanto de água salgada. Diante disto o nome Betara provavelmente se liga a outro elemento inspirador, como possivelmente seja um apelido que possuía o dono da área ou de alguém que lá vivia, então neste caso seria um antropotopônimo. Esta região se destaca por guardar a nascente do Rio Barigui. Existe também o Bairro da Betarinha que a principio deveria ter área menor que a localidade de Betara, porém ela possui uma área maior, ou seja, 4,69 km². Esta região provavelmente possui a mesma lógica em sua denominação. 104 105 106

Idem. Histórico da Escola Rural Municipal Barra de Santa Rita, 2007. Relato de José Ido da Cruz, março de 2011.

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Relatos de um Tamandareense

No ano de 1853 já eram registrado oficialmente habitantes na localidade de Boixininga. Cujo, sua área perfaz 5,42 km². Sendo que a denominação deriva do dialeto tingui o qual significa “cobra grande”. Este nome se relaciona ao fato de ser uma localidade onde se existia muita cobra107. Já o Bairro Boixininga dos Franças com 2,79 km² possui a expressão “dos Franças” para designar que a área pertencia a família França. O Bairro do Bomfin é uma região recente que surgiu em meados do século XX, cuja denominação se liga aos antigos donos da área que pertencia à família Bomfin. Já que antes da construção da construção da Rodovia Estratégica, as pessoas para encurtar o caminho entre a Lamenha e a Cachoeira, expressavam “vamos varar pelos Bomfin”108. Este bairro possui uma área de 3,02 km². A Antiga Fazenda Teixeira de Freitas que na década anterior a 1873 foi posteriormente parcelada em pequenas chácaras. Abrangia 1,08 Km² na localidade do Butiatuva que fazia limites com as Terras de: Antonio Guedes, Albino Lipla, Florêncio Martins, José Real Prado formaram o Bairro do Botiatuba conhecido atualmente. No entanto esta já era uma localidade já perlustrada desde o século XVII e timidamente habitada no século XVIII109. Porém seu povoamento de fato se deu com a passagem da Estrada do Assungui pelo seu território apenas no século XIX110. No entanto, já no inicio do mesmo século já existia moradores na região. Seu nome tem origem indígena fitotopônima, pois significa terra de muito butiá. Na década de 1950 o Senhor 107 108 109

110

Relatos de Estélio Brotto, 2002. Relato de Valter Johson Bomfin, abril de 2011. SCHAAF, Mariza Budant. A população da Vila de Curitiba segundo as listas nominativas de habitantes 1786-1799. Dissertação de Mestrado, Departamento de História setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná: Curitiba 1974, p. 46 e 54. Escritura Pública de transferência de imóveis e mapa de parcelamento de 10 de fevereiro de 1873.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, 1944 Milto Araújo loteia seu terreno, surgindo assim o Jardim do Norte. No ano de 1987 surge o Jardim Santa Maria, cujo, nome foi inspi- 2ª Igreja Católica do Botiatuba, construída em 1934 rado no Parque Santa Maria o qual o loteamento faz divisa. Contemporaneamente o bairro possui uma área de 4,85 km². Em seu território nasce um pequeno riacho que leva o mesmo nome da localidade e deságua no rio Barigui. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, maio de 2011 Com 2,89 km² de área temos na divisa com Curitiba o Bairro da Cachoeira, cuja denominação é um hidrotopônimo inspirado nos acidentes físicos existentes no Rio Belém (cachoeira), o qual resultou da expresO 3ª prédio da Contemporânea Capela do Di- são vou para a cavino Espírito Santo, construído em local diferente, ou seja, onde se localizava a antiga es- choeira, ou tomar cola das freiras (Nossa Senhora das Graças). banho na..., que deu Popularmente conhecida como a Igreja Redonda origem à denominado Botiatuba, construída em 1971, a qual em sua solenidade de construção, foi feito um breve histó- ção. Sua história já rico, assinado por membros da comunidade e pos- explicitada em capíteriormente colocado dentro de uma garrafa e entulos anteriores coterrada junto com a pedra fundamental

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Relatos de um Tamandareense

meça no final do século XVIII, com Capitão Antônio Rodrigues Seixas e sua esposa Maria Soares Paes, que se estabeleceram na região. Como território tamandareense, a área foi resultado de um desmembramento da Cachoeira original em 1899. Sendo assim, é por este motivo que existe bairro homônimo vizinho. Porém, devido à exploração imobiliária e a concentração intensa existente na região e bairros próximos, a localidade aparenta ser muito maior. Por este motivo que contemporaneamente recebe o nome de Grande Cachoeira. Foto: Luiz Bassetti, maio de 2008

Estação Ferroviária da Cachoeira, atual Biblioteca Municipal Santos Dumont

A Região do Bairro da Campina de Santa Rita possui uma área de 3,56 km², seu hagiotopônimo de conotação religiosa, legada pelos imigrantes italianos que ali se estabeleceram. É uma área já habitada desde o século XVIII. Posteriormente no século XIX se tornou uma colônia de imigrantes italianos que participaram da “política das portas abertas” e receberam do governo imperial áreas para o plantio e povoamento. Já o Bairro da Campina do Arruda aparentemente possui uma denominação fitotôponima. Porém, sua denominação não se liga ao vegetal arruda. Mas sim ao sobreno118


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

me Arruda, pois a expressão é referente a um ser humano “do Arruda”, não “da Arruda” ou “de Arruda”. Nesta condição a denominação é um antropotopônimo, já que representa que aquela campina pertencia a alguém da família Arruda. É um bairro que possui uma área de 2,21 Km². Provavelmente pela proximidade com a Colônia Antonio Prado e Cachoeira, seu território já era habitado ou conhecido desde antes do século XIX. Com 8,00 Km² de baixa intensidade demográfica, o Bairro de Campo Grande é possivelmente uma consequência de um desmembramento de sesmarias já conhecido no século XVII, porém não habitado nesta época. Seu nome é geomorfotopônimo simples. Já com área de 8,46 km² a Capivara dos Manfron, possui origem semelhante à de Campo Grande, com a diferença que a localidade foi batizada popularmente pela identificação “terra dos Manfron”. Porém esta localidade herda o nome do Rio Capivara, provavelmente batizado pela existência deste animal na região. Sendo assim, a Capivara dos Manfron é um hidrotôponimo, por causa do rio, não do animal. No entanto a de ressaltar que o território da Capivara era grande. Sendo que a Capivara dos Manfron herdou o nome do território inicial parcelado. O Bairro da Caximba é uma área com 2,93 km², o único bairro com denominação de origem africana, mais especificamente banta. Cujo qual deriva da palavra cachimba com origem em cacimba que significa “poço cavado até o lençol”111, porém existe uma variação do tupi-guarani que significa “mato que gruda”112. É uma localidade conhecida e já habitada desde o século XIX. 111

112

LOPES, Nei. Novo dicionário banto do Brasil: contendo mais de 250 propostas etimológicas acolhidas pelo Dicionário Houaiss. Rio de Janeiro: Pallas, 2003, p.236 e 239. IPPUC/PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Diretrizes de Planejamento das Regional. 2009, p. 125.

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Relatos de um Tamandareense

Neste bairro existe o Oratório São Sebastião. Cuja, a construção recente da década de 2000, substituiu a antiga capelinha construída pela Família Bueno a mais de sete séculos. Em seu interior se encontra uma imagem de São Sebastião com mais de 100 anos. Nesta comunidade ainda se mantém a tradição das pessoas se reunirem e rezarem uma vez por semana. Segundo as informações de moradores, o encontro ocorre toda segunda-feira às seis da tarde113. Foto: Antonio Kotovski Filho, abril de 2011 Em relação ao Centro (sede) se contempla que sua origem no contexto de povoado já remonta o inicio do século XIX. Porém como localidade oficial a partir da Lei Provincial n° 924 de 6 de setembro de 1888114. Cuja região era conhecida como Conceição do Cercado, pois era uma sesmaria que estava cercada. A qual só foi Oratório de São Sebastião localizado totalmente integrada à locali- no Bairro da Caximba dade para habitação na década de 1950 com a doação do terreno feita pelo Governador Bento Munhoz da Rocha Netto. A outra parte correspondente a Vila Santa Terezinha originaria do parcelamento feito da localidade cercada que na década de 1960. No ano de 1972 o senhor Antonio Ilson Kotoviski loteia sua área de terra na Sede, surgindo desta forma o Jardim São José. O Centro possui uma área de 1,87 km². 113 114

Relato de Adalzi Costa, abril de 2011. MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Quadro demonstrativo das Freguesias, Cidades e Villas do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894. Quadro de anexos, p. MFN 630 C.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Antonio Kotovski Filho, abril 2011

Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, localizada no centro da cidade

O pequeno Bairro do Cercadinho possui uma pequena área de 0,44 km². Recebeu esta denominação por possuir uma área cercada por seu donatário ainda no século XIX. Já o Bairro da Colônia Antonio Prado que possui uma área de 4,56 km² foi estabelecida inicialmente pelo governo provincial entre TaFoto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011 mandaré e Colombo (Curitiba), em 1886, para ser povoada por imigrantes poloneses e italianos. Seu nome é uma homenagem ao então Ministro Imperial da Agricultura Antonio Prado. No mesmo ano a Colônia Santa Gabrie- Igreja Santo Antonio no Prado, construla (oficialmente bairro ção iniciada em 1930 e concluída três anos depois (1933), que substituiu a contemporâneo) foi es- pioneira capela de madeira erguida em tabelecida no municí- 1886. Ao lado o cemitério que data do final do século XIX, estabelecidos às pio pelo governo promargens da Rua Alberto Piekas 121


Relatos de um Tamandareense

vincial para abrigar italianos. Sua área atualmente é 2,57 km². No entanto sua denominação apesar de ter ênfase religioso esta diretamente relacionada a uma homenagem prestada a Sra. Gabriela d´Escrangnolle Taunay, mãe do Presidente da Província do Paraná Alfredo Taunay, que governava neste período115. Já no ano de 1871 se instala pioneiramente na região da atual Grande Cachoeira a Colônia São Venâncio que acolheu inicialmente alemães, suecos e poloneses. Atualmente este bairro se dispõe por uma área de 1,99 km². Seu nome apesar de possuir ênfase religioso é uma homenagem ao Presidente da Província Venâncio José de Oliveira Lisboa, que governava na época da fundação. Porém com a anexação da expressão “São”116. O bairro de Foto: Raioxnews, setembro de 2010 Córrego Fundo é uma região que já era conhecida desde o século XVII, porém habitada apenas no século XIX. Possui uma ligação com as primeiras pesquisas de exploração aurífe- Inauguração do Centro Administrativo Vereador Dirceu Pavoni, inaugurado em um Sábado da ra. Sua origem data de 04 de setembro de 2010, localizado resultou de um praticamente nos limites entre o Bairro da Cachoeira e de São Venâncio desmembramen115

116

KANASHIRO, Milena. Paisagens étnicas em Curitiba: um olhar histórico-espacial em busca de entopia. Tese de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná – UFPR, da linha de pesquisa “Urbanização, Cidade e Meio Ambiente”, Curitiba PR: 2006, p. 205-208. Idem.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

to de sesmarias e posteriores parcelamentos. Atualmente esta região possui uma área de 6,78 km². Seu nome é um hidrotôponimo que expressa à característica do rio que lhe inspirou o nome. Na Grande Cachoeira se encontra o Bairro do Humaitá, perfazendo uma área de 2,03 km². Sua origem se liga ao parcelamento de sesmarias já no século XIX. Da mesma forma que seu território recebe o nome em virtude do próprio desenvolvimento da centenária Estrada da Cachoeira ou do Humaitá (atual Domingos Scucato, Antonio Johnson e Francisco Kruger) e da também centenária estrada de ferro. Pois, sua denominação esta ligada ao tipo de rocha encontrada inicialmente na região, ou seja, no vocabulário tupi-guarani Humaitá significa “agora a pedra é negra”, ou pedra negra. Na divisa com Campo Magro e Curitiba existe o Bairro Juruqui, o qual perfaz 7,17 km², cujo nome foi herdado do rio que nasce e cruza sua terra. Sua história se relaciona a pesquisa da exploração aurífera, e tem origem em uma grande sesmaria doada ainda no século XVII, que posteriormente foi parcelada. Porém seu povoamento só ocorreu timidamente no inicio do século XVIII 117. Sendo que no século XIX e se propagou em consequência a proximidade com a Colônia Nova Romastak e a passagem da estrada do Assungui não muito longe dali. Esta área possui um homônimo na parte do território campo magrensse, cuja, a qual surgiu do parcelamento do município de Almirante Tamandaré em 1995.

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SCHAAF, Mariza Budant. A população da Vila de Curitiba segundo as listas nominativas de habitantes 1786-1799. Dissertação de Mestrado, Departamento de História setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná: Curitiba 1974, p. 46 e 54.

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Relatos de um Tamandareense

O centenário bairro da Lamenha Foto: Família Manosso, década de 1920 Grande surgiu do programa de assentamento e povoamento do Paraná com imigrantes. Inicialmente foi criada com a denominação de Colônia Lamenha cujo antropotopônimia se liga a homenagem prestada ao fundador da colônia em 1876 que foi o Presidente Lamenha Lins. Sua área atual é de 6,31 km². A alteração do nome para Lame- Capela particular da Família Manosso, no Bairro nha Grande ocorreu devido à divisão Juruqui (Campo Magro), da Colônia logo em seguida. A nova construída no século XIX parte que surgiu foi a Lamenha Pe- por Davi Manosso, meu tataravô materno. Ao requena, a qual faz divisa com a re- dor desta capela, foram gião homônima de Curitiba. Sendo enterradas algumas crianças recém-nascidas. que o Bairro Lamenha Pequena ta- Em frente, a senhora Joana mandareense possui 2,25 km², e seu Manosso nome deriva da parte territorial inicial antes da separação118. Sua separação se deu em virtude de uma nova leva de colonos na região. Sendo estes italianos e poloneses, que formaram inicialmente a Colônia Nova Romastak119. Cuja, a denominação não oficial da região surgiu de um fato curioso: os primeiros italianos que se estalaram se referiam à localidade como “Nova Roma” e reconheciam a localidade com esta versão. Porém, quando no processo da distribuição de lotes para os eslavos, os funcionários do governo perguntavam se eles queriam as terras que ficavam na região da Lamenha conhecida como Nova Roma. Sendo que a resposta era: “tak” e repetiam “Roma tak” (Roma sim, em 118 119

PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Guia de Bairros/Lamenha Pequena. 1980. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Escola Estadual Lamenha Pequena/histórico da comunidade escolar e da Instituição. 2009, p. 11.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

polonês). E para não sair do costume, o povo mais simples, popularmente começou a expressar involuntariamente de forma aportuguesada a palavra “Romastak”, por causa da curiosa história e em um contexto cômico. Ou seja, a área da Lamenha teve que ser ampliada devido à chegada de novos imigrantes. Mas oficialmente a região era definida como Lamenha Pequena, (uma analogia a filho grande (mais velho) e filho pequeno (mais novo) no caso Lamenha “Pequena”. Que por ser homologa a região de Curitiba na divisão, começou a ser redenominada oficialmente a partir de como era popularmente conhecidas algumas partes de seu território em Tamandaré (Tanguá, São Miguel, Romastak (que possui uma parte em Curitiba). O Bairro de Marianã é uma re- Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril 2011 gião de povoamento centenário, desde o século XIX, porém de baixa demografia devido ao seu terreno. Sua denominação é uma antropotopônimia que surgiu da identificação do lugar fundada em uma curandeira que morava na região de nome Maria, com características físicas de anã. Diante deste fato, muitos moradores quando tinham que ir para a região expressavam: “estou indo para as terras de “MaOratório Santo Izidoro construído em 1899, ria anã”. Ou seja, com o tempo esta localizado as margens da palavra se tornou uma só Marianã. Av. Wadislau Bugalski na Sua área atua é de 3,96 km². Lamenha Grande O Bairro Marmeleiro é uns dos mais antigos povoamentos da cidade. Pois, por ser uma região que faz divisa com as nascentes do Rio Passauna, provavelmente esta locali125


Relatos de um Tamandareense

dade foi um acampamento de expedições que buscavam o ouro desde o século XVII. Porém seu povoamento se deu já em meados do século XVIII. Seu nome é um fitotopônimo, que se liga a árvore da família das rosáceas com denominação de “Pé de Marmelo” ou Marmeleiro. Muito provavelmente, os primeiros desbravadores para identificar o local e criar um ponto de referencia observaram uma concentração notória desta árvore no local e batizaram com este nome. Sua área atual corresponde a 6,81 km². Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril de 2011

Placa tradicional de 26 de setembro de 1996 no Bairro do Marmeleiro, demonstrando que a área que pertence a Família Trevisan possui uma história centenária Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril 2011

Casa da Família Trevisan no Bairro do Marmeleiro. Na parte inferior na década de 1950 funcionava uma mercearia 126


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Com 6,90 Km², o Bairro do Mato Dentro, é uma região povoada desde o século XIX. Sua denominação deriva da expressão “segue mato à dentro”. O maior Bairro de Almirante Tamandaré é o Morro Azul com 12,23 km², porém sua demografia é baixa. Área de parcelamento de sesmaria conhecida desde o século XVII, porém que só foi habitada com o advento do desenvolvimento da Estrada do Assungui. É uma área de serra, o que já se identifica na primeira expressão de seu nome “Morro”. Já a expressão “Azul” se relaciona a coloração azul do minério de calcário encontrado em abundância na região. Uma das áreas de povoado mais importante para a História do Município é o Pacotuba, pois, depois da Conceição (atual Campo Magro), Campo Magro (a Sede daquele município), o Pacotuba já era habitado estrategicamente desde o inicio de século XVIII. Seu nome foi inspirado no Rio que nasce e corta a região e que foi encontrado uma efêmera quantia de ouro. A palavra “pacotuva” possui varias interpretações. Pacotuba na forma como se expressa se refere à região de muita banana, ou sitio de banana. Porém, “atualmente” isto não cabe para a região. Talvez a localidade onde o rio nasce, possuísse uma concentração notória de bananeira a ponto de receber este nome, para servir de ponto de referencia. No entanto, se levar em consideração que em trezentos anos o nome pode ter sido distorcido até chegar à forma como os conhecemos. Poderia ser Pacotuba igual à Pacotuva que teve origem na palavra “pacatuva” que significa região de pacas. Atualmente esta literalidade tem mais sentido, pois não raro é ver pequenas pacas atravessarem o rio. Atualmente o bairro possui uma área de 9,27 km². 127


Relatos de um Tamandareense Foto: Paróquia Nossa senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, de 15 de julho de 1962

Antiga Capela do Pacotuba Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril de 2011

Contemporânea Igreja do Pacotuba, construção de 1967

O Bairro da Ressaca que possui 1,62 km² é uma região conhecida desde o século XVIII, porém deve ter tido a mesma sorte do bairro Juruqui e Marmeleiro, devido à proximidade com o Rio Passauna e com estas regiões. Seu nome deriva do contexto em que ressaca significa calmaria, em128


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

pregada para explicar que quando os primeiros pioneiros passaram pela região, tiveram um trajeto calmo sem nenhuma adversidade natural ou climática. A Região da Restinga Seca é um bairro com 2,30 Km². Área já conhecida no século XVIII, e provavelmente timidamente povoada nesta mesma época em virtude de sua proximidade com o Pacotuba. Seu nome expressa a característica natural da região, ou seja, uma região física depressiva (um buraco em meio aos morros). “seca”, porque não estava preenchida com água. Esta região se parecia com uma restinga costeira, por isto da denominação analógica dos primeiros aventureiros que passaram pela região. No entanto, a partir de meados da década de 1970 sofreu um intensivo povoamento provocado pela exploração imobiliária. Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, maio de 2011

Capela São Francisco de Assis, prédio de 1997, porém seus alicerces datam de 11 de dezembro de 1984. Antes da Capela as missas eram realizadas nas casas de moradores da comunidade. Sendo que na data de 06 de outubro de 1985, era inaugurado o Centro Social São Francisco de Assis (salão da Igreja), com missa realizada pelo Frei Lourenço Kachuba. O qual a partir desta data serviu para os cultos. O terreno foi doado pelo senhor Vicente Govatiski e Familiares onde em 07 de 0utubro de 1984 começou a construção do Centro Social 129


Relatos de um Tamandareense

O Bairro São Felipe é uma localidade recente parcelada por imobiliária, pois sendo que este se deu em meados década de 1970, no entanto esta região já era conhecida e habitada já no século XIX, pois a mesma pertencia a Sesmaria de Candido Machado de Oliveira, pai do Coronel João Candido de Oliveira. Seu nome de ênfase religioso ligado ao apostolo Felipe. Sua área é de 2,18 Km². Já na Grande Cachoeira o Parque São Jorge ou o Bairro São Jorge, foi criado em 1950 como região de loteamento. Mas já era uma área habitada desde o século XIX. Esta região pertenceu à sesmaria de Candido Machado de Oliveira. Atualmente sua área perfaz 0,99 km². Seu nome é um hagiotopônimo. Ou seja, uma homenagem ao Soldado Romano do exército de Diocleciano e também padre Jorge que foi canonizado como Santo. Fazendo divisa com o Bairro do Juruqui, o Bairro de São Miguel que perfaz 5,19 Km², foi uma região já conhecida desde o século XVIII, pois teve a mesma sorte do Botiatuba e Juruqui. Porém seu povoamento, já começou forte com as primeiras famílias de poloneses em 1876 oriundas das constantes levas de imigrantes que chegavam da Polônia. Seu território a principio ficou praticamente na divisa entre Lamenha Grande, Lamenha Pequena e a Colônia Romastak, porém com características próprias de relevo que o isolaram da abrangência denominativa. A qual resultou consequentemente com o tempo em um topônimo de ênfase religioso que foi inspirada na Capela de São Miguel a qual possivelmente foi inspirada em homenagem ao Arcanjo Miguel. Porém, se coincidência ou não, a pessoa que mais lutou e até brigou com o padre José Góral para ele abençoar a pioneira capela na região, foi o senhor Miguel Krzyzanowski. Que também fez parte como sócio fundador da Sociedade 130


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

São Miguel. Ou seja, possivelmente a escolha do Santo Patrono da Igreja se inspirou no nome deste líder comunitário que desenvolveu a ideia de trazer para região coisas que facilitassem a vida do morador local. Sendo que com o tempo a região ficou conhecida como São Miguel. Seu Miguel Krzyzanowski possui este nome em louvor a São Miguel. Esta denominação da localidade se estende desde a década de 1910 (1914 quando ficou pronta a capela de madeira). Sendo que a atual foi erguida na década de 1950 ao redor desta que era bem menor, a qual só foi desmanchada quando a cobertura do novo templo foi montado. Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril de 2011

Igreja de São Miguel, localizada no Bairro de São Miguel. Inaugurada em 13 de maio de 1954 em substituição a antiga capela ali existente que inspirou o nome da localidade

O Bairro Sumidouro que possui 3,63 km², surgiu em decorrência da passagem da Estrada do Assungui pelo seu território já no século XIX. No entanto o nome deriva da característica da região que é cortada pelo Rio Barigui, que encontra ali uma grande área de várzea. Porém, a característica marcante que denomina a região é ligada diretamente a uma antiga dolina que lá existia e que conseguia cap131


Relatos de um Tamandareense

tar a água. Ou seja, os sumidouros são áreas que podem evoluir de dolinas, que possuem uma “grande capacidade de absorção e drenagem de águas”120. Da mesma forma, se observar a formação de vale por onde passa o Rio Barigui da uma impressão que a água some. Por este conjunto de característica, a região foi denominada de Sumidouro. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, janeiro de 2011

Vale por onde corta o rio Barigui as margens da rodovia do Calcário no Bairro do Sumidouro

O menor Bairro de Almirante Tamandaré é o Taboão, com apenas 0,35 Km², cujo, região derivou do parcelamento territorial da cidade de Curitiba em virtude da autonomia de Tamandaré. Ou seja, o Taboão tamandareense é um homônimo de seu vizinho curitibano separado pelo Rio Barigui, o qual influenciou diretamente na denominação da localidade. Pois com a passagem da Estrada do Assungui pela região, ocorreu a necessidade de se fazer uma ponte. A qual provavelmente era chamada de Taboão devido às tabuas 120

OLIVEIRA, L. M. A gestão de riscos geológicos urbanos em áreas de carste. Curitiba: MINEROPAR, 1997, p. 08.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

grossas de madeira que foram utilizadas para construir a ponte no século XIX. Ou seja, esta denominação é um ergotopônimo. Fonte: banner de inauguração da nova ponte em novembro de 2006 representada na segunda foto

Antiga ponte do Taboão no final da década de 1970. Ao fundo no lado tamandareense a tradicional serralheria nesta época pertencente à família Macionki

Na divisa com Curitiba, existe o Bairro Tanguá com área de 3,43 km², cujo sua origem se deu na redenominação de uma parte territorial de abrangência da Lamenha Pequena para se diferenciar de sua parte homologa curitibana. Seu nome deriva da expressão tupi-guarani “comedor de formiga” ou “comer formiga”. 1ª Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho/ 2ª Foto: Folha de Tamandaré, outubro de 1995

(Capelinha do Tanguá de 1941, localizada no cruzamento entre a Rua Alberto Krauser e a Rua Roberto Drescheler. A primeira foto tirada em 2011 mostra a capelinha restaurada pela 4ª vez em 2008 por iniciativa legislativa do Vereador Nunes (está sem a cruz devido a um caminhão que esbarrou e quebrou no começo de 2011). Já a segunda imagem feita em 1995 depois da 3ª reforma ocorrida em 1995 133


Relatos de um Tamandareense

Afastado da Sede municipal, o Bairro de Tijuco Preto possui uma área de 1,76 Km², sendo que seu povoamento já transcende o século XIX. Seu nome se refere a um lamaçal cortado por uma estrada, a qual pela posição das árvores e a forma que elas se sobrepõem em relação a elas e a estrada, faz parecer um túnel, ou seja, aquele trecho de estrada escurece muito. Mesmo em dias extremamente claros. Deste fato então nasce à explicação para “preto”. Já tijuco significa terra pantanosa ou lamaçal. Uma localidade estratégica para o Império no caminho da Estrada do Assungui foi o atual Bairro de Tranqueira. Pois, como já foi citado em capítulos anteriores, pela Estrada do Assungui passavam muitos tropeiros com suas boiadas, vindas da Colônia Assungui, além de comerciantes ambulantes. Neste contexto na região existia um posto de coleta de tributos, o qual trancava a estrada com uma porteira. Mesmo as porteiras sendo comuns naquela época. Pois, eram elas que não permitia a dispersão do gado da tropa. A porteira de Tranqueira era a lembrada e odiada, já que para passar com a tropa, tinha que pagar o devido tributo. Diante disto, a denominação da localidade ficou conhecida como Tranqueira desde meados do século XIX. Sendo que esta localidade já era habitada antes desta denominação popular. Atualmente o bairro possui uma área de 5,61 km². Consta que aproximadamente no ano de 1901 o empreendedor e político Antonio Stocchero construiu um prédio de dois pavimentos para fins de comércio e hospedaria. Pois, como já foi citado no parágrafo acima, a localidade era um ponto estratégico devido ao posto de cobrança de impostos. Diante disto os tropeiros ali paravam para descansar. 134


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Dossiê histórico de Tranqueira, novembro de 1986

Hospedaria e casa comercial do Senhor Antonio Stocchero datada do inicio do século XX

Próximo a Sede Municipal, existe um Bairro denominado de Varova, por onde passava uma ligação vicinal entre a Estrada do Assungui e a Estrada do Humaitá. No entanto a região é muito antiga e já povoada em meados do século XIX. Pois nesta região, o pai de seu José Real Prado Sobrinho possuía uma mercearia (mais antiga que a da Dona Rachel Candido de Siqueira). Este bairro possui uma área Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011

Portal de entrada do Parque Ambiental Aníbal Khury antigo Haras Tamandaré 135


Relatos de um Tamandareense

de 3,88 km². E seu nome é um fitotopônimo, inspirado na árvore da família das rosáceas, popularmente denominada de Pessegueiro do Mato ou Fruta de Bugre. Em guarani, varova significa “fruta amarga”. Por fim, o antigo Bairro da Venda Velha com área de 7,11 km², cujo qual logrou a sorte da passagem da Estrada do Assungui por algumas partes de seu território. Esta estrada possui esta denominação inspirada em uma antiga casa comercial que remonta o século XIX e que servia de apoio aos tropeiros e viajantes. Foto e fonte: Brasinha, dezembro de 2005, p.10

Capela de São Pedro no Bairro da Venda Velha, imagem do dia da inauguração datado de 06 de novembro de 2005, ocorrida as 10:30 horas com missa solene realiza pelo Frei Darci Roberto Catafesta. Terreno doado por Hezidio e Ana Margarida Cavalli em 1995, projetista da capela: Engenheiro Civil Vitor Hugo

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Estes foram os quarenta e quatros bairros oficiais do município. Porém apresentados de forma resumida. Pois, cada localidade possui característica e história própria que não caberiam em um único livro.

123456789101112-

LEGENDA: 13- Marianã Betarinha 14- Marmeleiro Córrego Fundo 15- Alto São Sebastião Capivara dos Manfron 16- Campina de Santa Rita Tijuco Preto 17- Juruqui Betara 18- Caximba Campina Grande 19- Ressaca Areias 20- Pacotuba Araras 21- Restinga Seca Venda Velha 22- Botiatuba Tranqueira 23- Varova Morro Azul 24- Mato Dentro Água Boa 137


Relatos de um Tamandareense

25262728293031323334-

Sede Sumidouro Boixininga Boixininga dos França Colônia Antonio Prado São Felipe Humaitá Colônia São Venâncio Campina do Arruda Cachoeira

35363738394041424344-

São Jorge Bonfim Lamenha Grande Colônia Santa Gabriela Tanguá Lamenha Pequena São Miguel Barra de Santa Rita Cercadinho Taboão

MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ PREFEITURA DE ALMIRANTE TAMANDARÉ SECRETARIA MUNICIPAL DE URBANISMO E PLANEJAMENTO Área do Município: 191,11km²Área de Influencia do Aquífero Karst 166 km² (86% do território), corresponde às partes escuras do mapa.MAIO 2008

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Composição étnica

N

ão raro, quando vou a alguma festa ou comemoração, encontrar pessoas conhecidas, expressando a frase: “não se conhece mais ninguém na cidade”. Pois, isto se deve ao fato de não se conhecer mais ninguém em uma breve caminhada pelas calçadas da Avenida Emilio Johnson, muita cara nova e pessoas que nunca se viu. Bem diferente dos tempos anteriores à década de 1970, onde todo mundo conhecia todo mundo. Quando ocorria algo diferente ou alguém fazia algo fora do cotidiano, todos já sabiam quem era. Ou seja, bem diferente dos dias atuais. Mas também, são mais de 103.245 habitantes espalhados pelo município121. Não seria absurdo dizer que a cidade virou uma localidade cosmopolita, pois não raro é se deparar com migrantes vindos de todas as partes do Brasil e até de outros lugares fora do país, que se estabelecem ou estão de passagem pela cidade. Esta mesma observação foi verificada pelos 121

IBGE CIDADES@. Almirante Tamandaré-PR. Disponível em:< http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/ painel.php?codmun=410040#> Acesso em 28 dez. 2010.

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Relatos de um Tamandareense

historiadores: Wachowicz, que afirmou que a região de Curitiba é o “maior laboratório étnico do Brasil ou do mundo”, onde se realizou “uma das maiores experiências étnicas”122. Já Wilson Martins, diz que o Paraná foi “um dos estados mais ricos de povoamento imigratório”123. Quando o autor se refere a Curitiba, ele se refere às Colônias fundadas no século XIX, que eram anteriores a existência de Tamandaré autônoma. Mas, que estavam localizadas em território tamandareense. Mas isto não é exclusividade dos nossos tempos. Pois, a História de Almirante Tamandaré se forjou desta maneira, principalmente em períodos anteriores ao século XX. Contemporaneamente, a terra tamandareense por estar muito próximo a capital do Estado do Paraná, recebe muitos migrantes do interior do Estado do Paraná, migrantes do Estado de Santa Catarina e São Paulo e em pequena quantidade do norte e nordeste do Brasil, os quais buscam com sua migração, melhorar de vida. Pois, querendo ou não, a Região Metropolitana e a Capital possibilitam esta chance. Em consequência disso, pelo imóvel na capital possuir um custo mais elevado, muitos migrantes se estabelecem na cidade, nas regiões mais humildes por serem localidades com imóveis mais baratos. Tanto é que este fluxo migratório atingiu a cidade já na década de 1970, onde na primeira gestão do Prefeito Roberto Luiz Perussi (1977/1983), ocorreu uma enorme gama de liberações de loteamentos na região da Cachoeira motivado pela exploração comercial de grandes áreas por imobiliárias da capital124. 122 123

124

WACHOWICZ, Ruy. História do Paraná. 9.ed. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001, p. 19. MARTINS, Wilson. Um Brasil Diferente: Ensaio sobre fenômenos de aculturação no Brasil. São Paulo: Anhembi Limitada. 1955, p. 03. Relato do professor de História Luiz Romero Piva, 2004.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Porém, a liberação para novos loteamentos, na década de 1990, foi extremamente diminuída, em virtude da Lei nº 429 de 20 de maio de 1996 de Almirante Tamandaré assinada pelo prefeito Arcidíneo Felix Gulin125. Que institui o plano diretor de desenvolvimento urbano. Estabelecendo objetivos, instrumentos e diretrizes para as ações de planejamento do município de Almirante Tamandaré e dá outras providências. O qual só permitiu a liberação de loteamentos que atendessem condições mínimas e seguras para a habitação humana e não prejudicasse o meio ambiente. Reforçada pela Lei Complementar nº 03 de 03 de outubro de 2006. Que dispõe sobre o código de parcelamento do solo urbano, sobre remembramento e condomínios horizontais no município de Almirante Tamandaré e a Lei Complementar nº 05 de 20 de dezembro de 2006, que dispõe sobre o código de obras e edificações do município de Almirante Tamandaré126. Ambas assinadas pelo Prefeito Vilson Rogério Goinski. Por este motivo a partir da gestão de Arcidíneo Félix Gulin até as gestões contemporâneas, foram abertos bem poucos loteamentos sob a luz legal. O problema foi que mesmo se buscando proteger legalmente a integridade das pessoas, muitas localidades foram estabelecidas no período posterior ao advento da Lei Municipal 429/1996, por meio de invasões em terrenos que não oferecem nenhuma segurança ao morador, pelo fato de ser construídos junto a morros e em brejos. Ou seja, em áreas que legalmente estão protegidas, seja pela lei de zoneamento ou pela lei ambiental. Mas que por influencia de pseudos “movimentos sociais” e “fal125

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JUSBRASIL. Lei 429/96. Disponível em:< http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/582674/lei-429-96-almirante-tamandare-pr> Acesso em: 28 dez 2010. LEIS MUNICIPAIS. Lei Complementar nº 03 de 03/10/2010 e Lei Complementar nº 05 de 20/12/2010. Disponível em:< http://www.leismunicipais.com.br/legislacao-municipal-da-prefeitura/3154/leis-de-almirante-tamandare.html> Acesso em 28 dez de 2010.

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Relatos de um Tamandareense

sas pessoas bem intencionadas que possuem o poder da oratória e de ideologias”, que exploram nas pessoas mais humildes o sonho delas possuir um terreno próprio e os inspiram a invadir localidades não aptas a receber moradias. Resultado, a manutenção destas localidades irregulares se torna um problema para o município, já que se trata de uma área irregular por ser um terreno particular invadido (podendo até acarretar ao governante crime administrativo. Pois, não é um loteamento do município e sim um terreno particular invadido), e consequentemente causa influencia negativas para imagem de qualquer governante se não fazer algo para a comunidade ali existente. Outro fator são as constantes enchentes (já que, os brejos estão ocupados, e estas são uma área natural de alagamento e manutenção do volume de água do aquífero) e desmoronamentos de casas (pois, estão na inclinação exagerada dos morros e encostas). Porém, esta situação poderia ser evitada pelas autoridades. No entanto, é uma medida que se torna impopular já que muitas pessoas por interesses políticos diversos acabam propagando tal atitude a seu melhor interesse. Sendo que exploram de forma negativa o remanejamento dos moradores para outra localidade com a expressão “expulsão” em seus comentários desses moradores da região irregular e de risco (sem se referirem as condições de invasão, irregularidade e de risco nos mesmos comentários). Independente desta questão habitacional, o fluxo de migrantes que passa por Almirante Tamandaré, é muito grande. Por este motivo os sensos realizados não conseguem ser precisos quanto ao numero de sua população existente na cidade, já que variam muito de ano para ano, devido às extremas entradas de novos moradores e ao mesmo 142


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

tempo as extremas saídas. Em respeito a este fato, a população contemporânea tamandareense, é extremamente mestiça. Pois, se encontra cafuzos, mamelucos e mulatos em grande quantidade, assim como se encontram negros puros das mais diversas etnias e brancos puros das mais diversas origens. Ocorre também a presença de asiáticos puros e mestiços que diretamente também contribuíram e contribuem com a esta impressionante misturas de raças e a formação da cultura na cidade. Já que os hábitos de outras regiões são carregados por estes migrantes, e com os hábitos locais se misturam. Ou seja, dentro de uma analogia, Tamandaré se tornou uma Babilônia cultural. No entanto, nem sempre foi assim. Pois, até as décadas do ano 1960, Almirante Tamandaré possuía notórios traços de seus primeiros povoadores, que foram em grande parte os colonos portugueses. O qual pode ser observado na estatística do censo de 1950, que contou 7794 brancos em uma população geral de 8812 habitantes127. Provavelmente descendentes dos primeiros desbravadores que habitaram a Capitania de São Vicente e ainda no remoto século XVI e das campanhas de imigração da década de 1870, em diante promovida pelo Estado. Registra-se também a presença de traços negros, oriundos diretamente de descendentes do Continente Africano (Angola, Guiné-Bissau, Madagascar e São Tomé e Príncipe), porém este em pequena quantidade apenas 129 pessoas128, devido principalmente à baixa utilização de mão de obra escrava africana na região onde se encontra o município e seus vizinhos. Isto se deve a condição econômica que 127

128

ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Almirante Tamandaré –PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26 Idem.

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os moradores tinham nos séculos XVII e XIX. Já que, esta região da colônia, era uma localidade que pouco oferecia ao Reino de Portugal. Não havia plantações para atender o mercado externo. Eram apenas pequenas plantações que mal atendiam o mercado interno e utilizando a mão de obra indígena, que era muito mais barata (pois, um escravo africano, valia quatro escravos indígenas), além da criação de gado, transportado por tropeiros, um comércio e uma exaurida e efêmera extração aurífera. Ou seja, escravo africano, só era utilizado por pessoas muito ricas e no contexto de serviços domésticos com rara exceção (isto na região de Curitiba). Um dos raros relatos que se tem disponível, da presença de escravos africanos na cidade, foi observada no contexto de uma conversa que presenciei, onde seu Generoso Cândido de Oliveira, contava sobre a sua bisavó Maria dos Anjos. Que era dona de escravos negros, (não de indígenas), já antes de 1840. Quando recebeu a doação das sesmarias na localidade que corresponde o Jardim São Francisco, Monte Santo e a parte onde se localiza a Igreja Matriz. Sua bisavó recebeu o apelido de Sinhá do Terço, porque todo final de tarde ia rezar o terço na pequena Igrejinha de estuque que havia feito em sua propriedade. Como já era uma senhora de idade, sempre andava na companhia de dois escravos que lhe ajudavam chegar até a capela129. Outro fragmento histórico que relata a utilização da mãode-obra escrava africana em território tamandareense no começo do século XVIII (na época era Curitiba e que hoje é Campo Magro), porém, para fins de mineração aurífera, diz 129

Relato de seu Generoso Cândido de Oliveira, aproximadamente em 1995.

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respeito ao português Gaspar Correia. Mas que também se utilizou de escravos nativos (índios)130. Quanto à presença indígena nos traços do tamandareense nato é significativa baixa. Pois, foram registrados nesta época apenas 840 moradores pardos131, entre eles cafuzos, mamelucos e mulatos. Isto se deve em grande parte, as predatórias caçadas aos primitivos habitantes ainda no século XVI e XVII, a qual praticamente exterminou toda uma cultura, e inviabilizou uma miscigenação realmente significativa entre brancos e índios tinguis. Eis, que isto assim aconteceu porque as povoações que se instalaram na região do atual município, chegaram quando praticamente já não havia uma quantidade significativa de nativos percorrendo as terras tamandareense. Ainda lembrando que estas povoações eram formadas por aventureiros em seu inicio, que vieram mais com a intenção de procurar riquezas e caçar índios, do que propriamente criar uma comunidade. Rara à exceção. No entanto, são as características europeias os traços mais predominantes nesta população, principalmente porque no século XIX, o Paraná começa receber uma leva muito grande de imigrantes europeus. Pioneiramente chegam 160 imigrantes entre alemães, poloneses e suecos para ocupar 31 lotes de área 9,98 (ha) da Colônia São Venâncio, localizado em uma região de 300,08 (ha) na Cachoeira em 1871. A denominação São Venâncio só é oficializada para a colônia em 1877. A qual se inspira em homenagem não especificamente ao santo. Mas ao Presidente da Província Venâncio José de Oli-

130

131

PREFEITURA DE CAMPO MAGRO. Turismo r ural/Trilha do Ouro. Disponível em: < http:// prefeituradecampomagro.blogspot.com/p/turismo-rural.html> Acesso em 15 jan. de 2011. Idem.

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veira Lisboa. Porém com a anexação da expressão “São”, para enfatizar o aspecto religioso132. Destaca-se também, os poloneses oriundos da Silésia e alemães num total de 746 pessoas, que se estalaram em 139 lotes de área com 7 (ha) numa região de 921,41 (ha) na Lamenha. Esta divisão foi projetada pelo engenheiro Luiz A. J. Azambuja Parigot. Esta localidade foi à primeira em sua denominação a carregar a homenagem ao proprietário da gleba original, ou seja, o então Presidente da Província Lamenha Lins 1876133. Em 1878 chegam 244 imigrantes entre poloneses e italianos para ocuparem uma área de 350,82 (ha) dividida em 35 lotes de tamanho de 10 (ha) da Colônia Antonio Rebouças em Timbutuva (as margens da antiga Estrada para Campo Largo). A denominação da localidade foi uma homenagem ao Engenheiro que desenvolveu o projeto: Antonio Pereira Rebouças no mesmo ano134. No ano de 1886, 180 imigrantes italianos e poloneses também ocupam o antigo Sitio Ressaca às margens do Rio Barigui, para fundarem a Colônia Santa Gabriela, que possuía inicialmente 40 lotes com tamanhos que variava de 7 a 8 (ha) distribuídos em uma área de 216,00 (ha). O engenheiro responsável pelo projeto foi o Sr. Manoel Francisco T. Correia. Já a denominação da localidade se vincula a uma homenagem a Senhora Gabriela d´Escrangnolle Taunay, mãe do Presidente da Província do Paraná Alfredo Taunay. A qual se anexou a expressão Santa para enfatizar o aspecto religioso135. 132

133 134 135

KANASHIRO, Milena. Paisagens étnicas em Curitiba: um olhar histórico-espacial em busca de entopia. Tese de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná – UFPR, da linha de pesquisa “Urbanização, Cidade e Meio Ambiente”, Curitiba PR: 2006, p. 205-208. Idem, p. 201, 205-208. Idem. Idem.

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Também desde 15 de agosto 1886 existia a Colônia Antônio Prado, composta de imigrantes de 26 famílias poloneses e 12 famílias italianas que ocuparam 54 lotes de tamanho que variavam de 5 a 8 (ha) em uma área de 415,67 (ha)136. Porém, esta ultima compreendia tanto o território tamandareense quanto o do atual Município de Colombo. Esta região foi assim denominada em homenagem ao Ministro da Agricultura Antonio Prado. Fonte: Casa da Memória: Curitiba

Família Wolf. José Wolf e sua esposa Thereza Wolf, com os filhos Fredolin, Alfredo, Hugo, Francisca, Gabriela, Sophia e Thereza/imigração alemã

É graças ao constate estudo que se faz sobre as imigrações que ocorreram na região, que foi possível descobrir um passado, apagado pela própria extinção da cidade em meados do século XX. Ou seja, é por causa de informações simples, como a dos primeiros poloneses que vieram a morar no Botiatuba. Que se descobre que a localidade já era antiga. Pois, José Gelanski e João Gavliki, chegaram ao Botiatuba em 1894137. Ou seja, os imigrantes não legaram 136

137

PREFEITURA MUNICIPAL DE COLOMBO. Colombo de todas as gentes. Disponível em: <http:// www.colombo.pr.gov.br/pagina.asp?id=163> Acesso em: 13 Dez. 2010. KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p.169.

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Relatos de um Tamandareense

apenas seus hábitos culturais, físicos e filosofias. Guardaram a história de Almirante Tamandaré, em sua própria história. Porém, com o advento da Primeira Grande Guerra (19141918) e Segunda Grande Guerra (1939-1945), o Estado do Paraná recebeu uma nova leva de imigrantes, desta vez italianos, russos, ucranianos, poloneses e alemães. Almirante Tamandaré, se tornou o destino de muitos italianos e ucranianos nessa época. Diante de tais fatos, não era raro encontrar na zona rural de Almirante Tamandaré, pessoas falando polonês, italiano e ucraniano nesses períodos citados. Em 1950, o censo demonstrava a presença de 56 estrangeiros e 16 brasileiros naturalizados. Relevando as informações expressadas, as características étnicas culturais que estes diversos povos deixaram como herança são extremamente visíveis nos dias atuais. Do nativo tingui, ficaram as lendas e o vocabulário quando referente a nomes de rios, animais, plantas e regiões. Exemplos: Rio Barigui, Bairro do Tanguá, Juruqui, Pacotuba, Botiatuba, Bracatinga,..., e hábitos alimentares como o de comer pinhão, utilizar a erva-mate. Do africano herdamos as crenças e superstições ligadas às manifestações religiosas africanas, (talvez seja por este motivo que acreditamos em simpatias). Do europeu português, a língua, o dom de comercializar e negociar diplomaticamente, a pele branca, religião cristã católica. Dos poloneses, alemães e ucranianos herdamos novas técnicas de cultivo do solo e a produção de novas culturas como a beterraba e cenoura, a percepção visionaria, o protestantismo; dos italianos herdamos o habito de falar alto, falar simultaneamente se expressando com a mão, o desenvolvimento da cultura da uva e derivados dela, filosofias políticas. Outro fator que tam148


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bém colaborou para que o tamandareense nato, filho dos filhos das décadas anteriores a 1980 carregasse estes traços europeus tão marcantes, foi o fato que os imigrantes vindos a partir de 1870, vieram para se estabelecer definitivamente no território, não para enriquecer e um dia voltar à terra natal. Também deles herdamos as características de sermos um povo fechado, sério, porém muito amigo e fraterno. Quanto às características físicas predominante do povo de Almirante Tamandaré, é muito diversificada. Na região rural predominam pessoas de pele branca, olhos claros (verdes ou azuis), cabelos loiros, bem típica poloneses, ucranianos e italianos do norte da Itália, já que estas regiões até o presente momento não sofreram tanta a influencia da descontrolada urbanização sofrida pelo município, porém se encontram muitos pardos (cafuzos). Já na região sede do município, até meados de 1980, eram típicas as características portuguesas, pele clara, cabelos negros, olhos castanhos e escuros. Já nas regiões urbanas de intenso povoamento a partir da década de 1980, ficou difícil distinguir o que predomina, porém, o que o censo revela é a predominância parda em suas três manifestações (mameluco, cafuzo e pardo). No entanto, o que se percebe, é que dentro de Tamandaré, existem vários tipos de realidades étnico-culturais. Pois, no desempenhar da atividade de professor, consegui observar bem esta realidade. Por exemplo, na Escola Estadual Lamenha Pequena, predomina nos alunos as características da imigração ítalo-polonesa, já no Colégio Vila Ajambi, predomina a característica parda e a forte migração de pessoas do Norte do Estado do Paraná; já no Colégio Jardim Paraíso, existe uma mescla entre pardos do interior do Es149


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tado, pardos filhos de Tamandaré mesmo e alunos que ainda carregam traços dos imigrantes poloneses na região. Ou seja, contemporaneamente, se predomina no município o homem pardo. Querendo ou não, cada um que passa pelo município deixa um pouco de si, mesmo não querendo. Pois, foi assim, que surgiu esta população gigantesca. E por causa dela que Tamandaré progride e tende a progredir mais. Muitos problemas este fluxo migratório trouxe ao município, mas foram estes problemas que quando resolvidos, melhoraram e modernizaram a cidade. Antes Almirante Tamandaré era dos Tinguis, então chegaram os Portugueses e mais tarde os eslavos e germânicos. Porém, hoje Tamandaré é cosmopolita, mesmo sendo um adjetivo exagerado, a cidade é e sempre foi. Porque sempre passou por estas bandas, gente de todas as partes do Brasil e do mundo. Pois, se não foi assim, por que então nosso povo possui características tão diversificadas e mesmo assim consegue conviver com este fato de forma harmônica?

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Potencialidades turísticas

S

abadão ensolarado, sem nada para fazer, assistia a televisão, quando passou uma propaganda de cerveja, que mostrava um cenário de festa, alegria, cheio de mulheres bonitas ao redor de uma piscina onde algumas pessoas se banhavam, enquanto outros saboreavam uma refrescante “loira gelada”. Foi neste momento que me rompeu uma vontade imensa de ir nadar. Logo me lembrei da “Piscina dos Padres” ou Recanto Santo Antônio, que fica a pouco mais de um quilômetro de casa. Sem muita hesitação peguei a bicicleta e fui até lá. Já na portaria avistei o Chicão (Francisco Alves Pereira Neto), arrendatário e guardião daquele maravilhoso ponto turístico tamandareense. Fui naturalmente cumprimentálo, já que ele é um velho amigo e colega de profissão de minha mãe no Colégio Estadual Ambrósio Bini. Conversa vai, conversa vem, comentei que andava meio estressado, devido à correria do dia-a-dia. Neste mesmo instante, ele sorriu e me disse que eu havia vindo ao lugar certo. E foi logo me mostrando à parte rasa da piscina, cujo, 151


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o fundo é cheio de pedrinhas, e simultaneamente me explicando que aquelas pedrinhas ali dispostas no fundo, possuíam propriedades terapêuticas que auxiliavam o relaxamento do corpo, pois, massageiam a sola dos pés. Depois foi me mostrar o banho de relaxamento, que se resume em ficar debaixo de onde escorre a água da piscina, já que ela é um reservatório de água natural corrente. Neste mesmo instante também me aconselhou se caso eu tivesse algum problema nas pernas, resultado de esforço muscular, bastava deixar aquela água cair sobre o membro lesionado por alguns minutos, que praticamente a perna se recuperaria do desgaste. O único problema é ter coragem de enfrentar a congelante água. Após, ter me dado estas dicas, foi atender um grupo de pessoas que vieram visitar o recanto. A partir deste momento, comecei a realizar o necessário procedimento para entrar em um local com água gelada, ou seja, fui me molhando e entrando na piscina aos poucos, enquanto admirava o harmonioso bosque de pinus, que se concentra no interior do recanto. Pois, queria evitar um choque térmico. Já praticamente dentro da água, comecei a nadar e mergulhar, em fim, se divertir e se refrescar. Depois, de um tempo fiquei descansando sentado na beira da piscina, quando um casal, puxou conversa e perguntou se existiam outros pontos turísticos na cidade além desse. Sem muito pensar, disse que sim, e comecei a apresentar o que conhecia de belo e importante que existe em Almirante Tamandaré. Porém, as belezas naturais eles já haviam presenciado, no entanto, eles queriam conhecer locais feitos pelos homens, e que tivesse um valor histórico. De forma espontânea apontei para o prédio do seminário, inaugurado em 1935138, e consequentemente para a pis152


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cina, a qual, expliquei que ela era na década de trinta (1938) uma barragem. Que servia para produzir energia elétrica para alimentar o próprio seminário. Já que, nesta época, a energia elétrica era um conforto raro para os moradores da cidade, e quem tinha era porque a produzia particularmente. Com o tempo, após o desenvolvimento de uma rede estatal de distribuição de energia, a pequena usina foi desativada, e adaptada como piscina. Fonte: capuchinhosprsc.org.b

Seminário Santo Antonio, já foi sede administrativa da Paróquia

No entanto, a construção, mais importante, que inclusive é um patrimônio histórico e artístico do Estado do Paraná, desde 25 de março 1994, sob o processo nº 001/93. Inscrição nº 119, Livro do Tombo Histórico, é a Prefeitura Velha. A qual foi construída na gestão do Prefeito João Candido de Oliveira e inaugurada na mesma gestão, a qual contou em seu ato solene em 26 de março de 1916, com a presença do Presidente do Estado do Paraná, Affonso Alves de Camargo139.

138 139

KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p. 135. GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ/SECRETARIA DO ESTADO E DA CULTURA. Espirais do tempo. Bens tombados do Paraná. Curitiba, 2006, p.47.

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Relatos de um Tamandareense

Porém, após sua desativação em 1986, na gestão do então Prefeito Ariel Adalberto Buzzato, o prédio da Prefeitura Velha, abrigou a Biblioteca Municipal Santos Dumont, a qual foi remanejada para o bairro da Cachoeira, ocupando o prédio da antiga estação ferroviária140. Em seu lugar, foi inaugurada no dia 27 de abril de 2006, com um acervo inicial de 1711 livros a Biblioteca Municipal Dr. Harley Clóvis Stocchero141. A qual foi assim denominada, como justa homenagem, a um cidadão filho nato da terra de Tamandaré, que carregou sua origem, no contexto honroso de fazer parte da Academia Paranaense de Letras, na qual foi o 5º ocupante da Cadeira Nº 6142. Coincidência ou não, o poeta, escritor, advogado e funcionário público, seu Harley, faleceu no mesmo dia e mês (26/03/2005) que se inaugurou o prédio em que hoje se localiza a biblioteca que leva seu nome. Foto: Banner Biblioteca Harley Clóvis Stocchero

Prefeitura Velha década de 1940 140

141 142

PARANÁ OLINE. Nova Biblioteca. Disponível em: <http://www.parana-online.com.br/colunistas/12/35296/ >Acesso em: 02 dez. 2010. Idem. HOERNER Junior, Valério, BÓIA, Wilson, VARGAS, Túlio. Bibliografia da Academia Paranaense de Letras. Curitiba: Posigraf 2001, p. 48.

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Encantados com a explicação, o casal do interior do Paraná, perguntou o porquê daquele prédio, era tão importante para a cidade a ponto de receber o status de patrimônio histórico. Então, expliquei que aquela construção simbolizava a emancipação política do município, ou seja, era um monumento cívico. No entanto, esta não é a única construção histórica que o município possui. Eis, que existe na região do Marmeleiro, a Igreja Nossa Senhora da Luz, a qual foi erguida ainda em 1908. No entanto, não é apenas sua idade que lhe torna especial, já que em seu interior, é possível se desfrutar de belas pinturas, feito por um italiano infelizmente ainda de identidade desconhecida. Impressionados, já que não imaginavam este lado da cidade, o casal pediu que contasse mais, se havia outros pontos históricos e turísticos na região. Sem hesitar, expliquei que já no começo da estrada que leva até a Igreja do Marmeleiro (Igreja Nossa senhora da Luz). Porém, não tão imponente como as outras construções explicitadas, no entanto, um fragmento que marca a religiosidade dos imigrantes poloneses, estabelecidos pioneiramente na região que também ajudaram a escrever a história do povoamento da cidade, é a Capelinha do Pacotuba, construída em 1929 por um grupo de poloneses da Sociedade Tadeusz Kokszko. A qual, também serve como um marco, que indica que ali era um pequeno cemitério, onde foram enterrados alguns filhos de moradores pioneiros da região (os recém-nascidos Adão e José Kotovski e o João Antônio Brzezinski). Fora outras crianças e pessoas não identificadas, cuja, segundo informações, se colocava uma cruz azul na sepultura dos meninos, e uma cruz rosa na sepultura das meninas. Um fato interessante que marcou a Capelinha foi à de155


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predação que ela sofreu por fanáticos religiosos, a qual se deu no furto e destruição de uma imagem de São João, a qual seus pedaços foram jogados no terreno da senhora Doroti Dugonski. Este ato de vandalismo foi motivado pelo fato desses fundamentalistas repudiarem o culto a imagens. Depois de algum tempo, foi doada uma imagem de São João Batista, que permaneceu intacta até a década passada, quando provavelmente um grupo de vândalo, sem motivação alguma consumiram com a imagem. É por este motivo que a Capelinha do Pacotuba, é denominada oficialmente como Oratório São João Batista. Colaboraram com a construção da histórica capelinha: o Sr. Martin Bugalski, que dou o terreno. Já os Senhores: Itaciano José Siqueira, Pedro Polanisnski, Martin Bugalski, Francisco Postareck, Joaquim de Barros Teixeira, Bernardo Brzezinski e meu bisavô paterno Damião Kotoviski, doaram recursos financeiros, o qual foi utilizado pelo Senhor. Tomas Sopa, no desempenhar de seu trabalho em construí-la e pintá-la originalmente de amarelo. A doação do terreno feita pelo senhor Martin Bugalski, e ocorreu em necessidade de pessoas, que por motivos religiosos, pela falta de cemitério ou por não conseguirem pagar o atestado de óbito, lhe geravam o problema de não conseguir sepultar seus entes queridos em um cemitério oficial. Sendo assim, estes eram enterrados nas proximidades, já dentro do terreno de seu Martim, percebendo este fato o generoso cidadão, resolveu ceder um pouco mais o terreno destinado para este fim. No ano inicial do século XXI (2001), a capelinha foi mudada alguns metros de lugar e cuidada pelo empresário Reinaldo de Mello até a presente data. No entanto, no ano de 2002, minha mãe, a Dra. Mestra Professora Josélia Apa156


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recida Kotoviski, desenvolveu um projeto de pesquisa com seus alunos do Colégio Estadual Jardim Paraíso, onde um dos objetivos era dar fundamentação histórica notória, para o tombamento histórico municipal do Oratório. O qual recebeu o apoio e posteriormente foi pleiteado, junto á Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, pela então Vereadora Clarice Gulin (neta de Damião Kotoviski e uma das primeiras mulheres eleitas para o cargo de vereador na história do município, na gestão 2001 até 2004). Porém, só em 25 de junho de 2005, no primeiro mandato Foto: Ari Dias, Junho 2005 do Prefeito Vilson Rogério Goinski, (que a principio é descendente de poloneses), o Oratório São João Batista foi reconhecidamente e merecidamente restaurado. Porém, estes não são os únicos oratórios da cidade, pois, existem A Capelinha do Tanguá, construída com os esforços das famílias Soccher, Wosch, Drechsler, Zgoda, Kleina, Ponchek, Nascimento, Schwonka, Kukla, Wolf, Chiquim, Krauser e Mazarotto Solenidade de Restauração da Capelinha do Pacotuba/o Sr. Esem 1941, a qual foi restaurada tanislau Pupia, Dona Noêmia em 01 de fevereiro de 1957 por Kotoviski, nora do saudoso DaMário Chiquim e Maximo Salva- mião Kotoviski que ajudou a construir a capelinha, ao fundo ro. Em 1995 a partir da iniciativa alunos da Professora Josélia do casal Thomaz e Mirtez Galu- Kotovski (nora de dona Noêmia), o Prefeito Vilson Goinski, zki, a capelinha que representa e a ex-vereadora Clarice Gulin o tempo do Tanguá Colônia, foi (filha de dona Noêmia) 157


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restaurada, com apoio do Vereador João Carlos Bugalski e do Vice-Prefeito Zair José de Oliveira e comunidade143. Também existe a Capelinha São Carlos Boromeu, datada de 1939, localizada na Colônia Gabriela, numa encruzilhada, nas proximidades da Igreja de São Francisco Xavier. A qual é um Patrimônio Histórico Cultural do Paraná, e o primeiro a ser tombado da cidade em 13 de março de 1979 sob o processo nº 071/79. Inscrição nº 70, Livro do Tombo Histórico144. E por fim a mais antiga, com mais de 110 anos que é o Oratório Santo Izidoro, construídos em 1899 na Lamenha Grande. Eles representam a marcante religiosidade do imigrante polonês, que devido às dificuldades que encontravam para chegar até a uma Igreja, rezavam suas missas ao redor delas, como também era um costume europeu, de construir pequenos oratórios nas encruzilhadas como sinal de agradecimento as benções recebidas145. Com grande ar de satisfação, o simpático casal percebendo que eu era um filho da terra, perguntou o que significava o portal de entrada, que existe na margem da Rodovia dos Minérios. Contente pelo interesse deles pela história do município, coisa, aliais que muitos dos que são acolhidos por nossa cidade se quer conhecem, respeitam e até desprezam. Diante deste incentivo involuntário que este filho da terra recebeu, comecei a satisfazer a curiosidade deles. O portal, os quais vocês se referem, é um Portal Maçônico, pois nele se dispõem, a partir de um criativo trabalho de arquitetura, no contexto de uma representação sobreposta 143 144

145

FOLHA DE TAMANDARÉ. Restauração da Capelinha do Tanguá. Ano IX, 28 de outubro de 1995, p. 11. GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ/SECRETARIA DO ESTADO E DA CULTURA. Espirais do tempo. Bens tombados do Paraná. Curitiba, 2006, p. 48. KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p. 177-179.

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de vários compassos, os quais simbolizam as organizações maçônicas. É uma construção recente, inaugura em 11 de setembro de 1999, na gestão do prefeito Cezar Manfron, que revitalizou a antiga praça que lá existia. A qual continha apenas alguns marcos de organização como o Rotary Internacional, e trabalhadas pedras símbolos que representavam a extração do calcário. Foto Antonio Ilson Kotovski Filho, março de 2011

Portal Maçônico construído em 1999

Surpreso o casal fez uma observação comparativa analógica interessante: “Ah! Por isto que a cidade possui vários marcos administrativo no formato de pirâmide de base triangular”. Outra obra contemporânea, que expressa de forma simbólica à cultural da cidade. São os Painéis de Cerâmica, que se dispõem Fonte: Revista Almirante Tamandaré, p.53. na parede externa da Câmara Municipal de Vereadores, que foi inaugurada em 15 de abril de 2000, na gestão Cezar Manfron. Parque Ambiental de Areias, construído O qual um mosna Gestão do Prefeito Vilson Goinski 159


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tra um desenho da Prefeitura Velha (emancipação), junto a um forno rústico de cal, (economia), um livro (história) e uma Araucária (natureza). Já o outro mostra o Portal Maçônico, criados pelo artista R.Hundsdorfe. Apesar de serem poucos os atrativos históricos, a cidade possui muitos parques. Um deles é este que esta a nossa frente no outro lado do muro. É o Parque Santa Maria. Porém, existe um probleminha, é particular, de propriedade da APM do Colégio Marista Santa Maria. No entanto, ele possui um Hotel, que serve para diversos fins. Inclusive, me recordo quando o Coritiba Foot Ball Club fez uma prétemporada no parque, 1989. Eis, que apesar de ser atleticano, acompanhei uns amigos coxas, que foram pegar autografo dos jogadores. Lembro que o Paulo Gobor levou até uma revista Placar do Coxa, comemorativa das maiores torcidas do Brasil, para ser assinada pelos jogadores, entre eles: Tostão, Chicão, Serginho, Pachequinho,..., outros levaram um álbum de figurinha, que continha as fotos dessa turma, apesar de serem rivais, esses caras fizeram história no futebol paranaense. Porém, o Coxa não foi o único a se hospedar ali, o Malutron Sociedade Anônima, Campeão Brasileiro da Terceira Divisão, também fez pré-temporada ali. Pois, o local tem piscina, lago para pescar, pista de corrida, campos de futebol, churrasqueiras, rios, mata, parquinho, um grande salão de festas multiuso, onde são realizadas festas diversas, Festa Junina, concurso de Misses, premiações da Folha de Tamandaré, gincanas,..., resumindo, o parque Santa Maria atende todos os gostos e públicos. Até foi encontrada uma cobra sucuri no Rio Botiatuba que o corta. - Cobra Sucuri? Mas elas não existem só no Mato Grosso e no Norte do Brasil? 160


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-Foi a mesma pergunta que o atendente do 190 fez, quando uma mulher ligou para a polícia avisando que tinha uma sucuri no rio próximo a casa dela. Pensando ser um trote, o policial nem deu bola. Indignada a mulher ligou para a rádio Banda B, os quais surpresos resolveram investigar. -Resultado: a cobra foi encontrada e retirado do local. -Como a cobra apareceu ali? -Tudo índica, que alguém foi para o Mato Grosso ou Norte do País e trouxe um filhote, e possivelmente ele cresceu a ponto de não ser possível mais criar em casa. Por este motivo, o irresponsável e criminoso (já que é crime ambiental introduzir espécies exóticas em um habitat não compatível a ela), ao invés de levar até o Passeio Publico ou no Zoológico de Curitiba (Parque Municipal do Iguaçu), ambos em Curitiba. Resolveu jogar o bicho no lago do parque ou no rio que passa pelo mesmo. - Rapaz, que loucura! - Fora este inusitado fato, meu pai conta, que quando ele era criança, e brincava na região do atual parque, já que o parque fazia divisa com a sua casa, existia uma espécie de gruta, onde existia uma escadaria de pedras. Segundo o que ele escutava na época, aquele local era um buraco onde se abrigavam índios tinguis, e foi usado pelos jesuítas, devido às escadas de pedras que lá existiam e sinais característicos146 que os denunciavam. O problema é que este buraco não existe mais, pois, o terreno cedeu, por causa das chuvas. O que sobrou é apenas um buraco. Contemporaneamente, existe um pessoal ligado a ufologia, que supostamente diz verem luzes e objetos voadores não identificados, saírem de atrás de seus morros e matas (na região das curvas em “s” da rodovia). Mas isto é 146

VENET, Ilio. Jesuítas. Curitiba: Ed. Litero-técnica , 1977.

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mais uma lenda da cidade (ou não!). Pois, eu que moro próximo a mais de 30 anos, nunca tive a oportunidade de ver algo. Até um dia fui explorar a região para ver se achava algum vestígio, que confirmasse esta história. A única coisa que vi, foi uma pequena ilha fluvial que existe no rio Barigui, as margens da rodovia dos minérios, que me valeu o dia. No entanto, existe um parque estadual público no outro lado da rodovia, praticamente de frente a entrada principal do Parque Santa Maria. Trata-se de um dos maiores parques ambientais urbanos do mundo, já que o Parque Ambiental Aníbal Khury, foi criado através da Lei nº 14233, de 28 de novembro de 2003 e decretado de utilidade pública através do Decreto nº 3003 de 19 de maio 2004, o qual possui uma área de 220 hectares147. Devido ao seu passado, esta área ter sido um haras (o Haras Tamandaré), sua estrutura foi aproveitada pelo 4º Esquadrão do Regimento de Polícia Montada, mas também se desenvolvem atividades de equitação terapêutica para deficientes. Ou seja, é um local seguro para qualquer visitante, pois além de ser patrulhado pela policia militar, não se pode beber bebidas alcoólicas no seu interior. No parque existe ainda um Centro de Educação Ambiental mantido pela Sanepar em parceria com o Município. Além de seu lado sócio/ambiental, o visitante pode desfrutar das trilhas para caminhadas, parquinho temático para a criançada, decks de contemplação do lago, mirante, pista para cavalgada e churrasqueiras. O parque estadual foi inaugurado em 1º de junho de 2008, na gestão do Prefeito Vilson Goinski, com a presença do 147

ECOPARANÁ. Parque Ambiental Anibal Khury. Disponível em: <http://www.ecoparana.pr.gov.br/modules/ conteudo/conteudo.php?conteudo=23> Acesso em: 03 dez. 2010.

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então Governador do Estado Roberto Requião, com a benção, missa solene e posterior show do padre cantor Reginaldo Manzotti, que foi transmitido pela TV Educativa, para todo o Brasil148. Outro Parque Ambiental é o do Jardim Mônica, que foi criado com o objetivo de preservar a flora e fauna da região, que possui uma infraestrutura de trilhas, parquinho infantil e um Centro de Educação Ambiental. Foi inaugurado em 1998, na gestão do Prefeito Cezar Manfron. E para finalizar os parques ambientais, existe um no bairro de Areias, praticamente margeando a Rodovia dos Minérios, praticamente na divisa com o município de Rio Branco do Sul, o Parque Ambiental de Areias, cujo qual, possui cerca de 24.000m², foi inaugurado em 2009, na gestão do prefeito Vilson Goinski. É um parque que conta com canchas esportivas, parquinho para as crianças, pista de corrida e churrasqueira, além de um belo lago central. Além, desses parques ambientais, existe o Parque José Air Colodel, também conhecido como Parque Esportivo Paraíso que é um centro de lazer urbano, na região do Jardim Paraíso. O qual conta com churrasqueiras, estacionamento, uma pequena arborização e canchas de futebol de grama, que nos dias de semana funciona como escola de futebol, mantida pelo município. Sua construção ocorreu na gestão do prefeito Cezar Manfron, o qual foi inaugurado no mês de agosto de 1999. Fora os parques públicos, existem muitas sedes campestres de importantes clubes e associações. Entre elas se destaca o Sindicato (Clube Campestre dos Comerciários de Curitiba), na região do Boichininga, o qual pertence ao Sin148 149

Idem. SINDICOM. Clube Campestre dos Comerciários de Curitiba. Disponível em: <http://www.sindicom.org.br/ site/sedecampestre/sinsedecam.asp> Acesso em: 03 dez. 2010.

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dicato dos Empregados no Comércio de Curitiba149. É um local maravilhoso, composto de quadras de tênis, campo de futebol, piscina, churrasqueira, áreas verdes, cachoeira, trilhas, parquinho, restaurante e um mini zoológico. Porém, apesar do restaurante ser aberto ao público não associado, suas piscinas é de uso exclusivo de sócios. A propriedade, onde está estabelecido este clube campestre, pertencia a seu Angelo Brotto Sobrinho, o qual foi homenageado pela SINDICOM, com uma praça próxima a cancela da portaria. Nesta interessante pracinha, existe uma pedra com uma placa de bronze, indicando o nome e a data de descerramento dela que foi em 10 de agosto de 1980. No entanto, apesar de ter sido comprada pelo sindicato, foi mantida a histórica e centenária casa original e o barracão. Onde seu Angelo já antes da década de 1950 produzia vinho, graspa e cachaça sob a marca Brotto (escrito em rotulo amarelo com as letras pretas), para vender na capital e na cidade, concorrendo com a Pinga Batalhosa do seu Jaime Teixeira Alves. Neste mesmo barracão foi feito um restaurante e mais tarde ampliado, sem destruir o original. Porém, no tempo do saudoso e pioneiro encarregado da Álbum da Família Kotoviski

Eu com 7 anos no antigo parque temático existente no SINDICATO/fevereiro de 1984. Na segunda foto, mostra uma cachoeira dentro do SINDICATO, produzida por uma barragem/julho 1995 164


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administração, o Sr. Sebastião Tavares (década de 1980), era parte da decoração rústica do restaurante os gigantes tonéis de vinho, graspa e cachaça. Além de um mini museu com os instrumentos de fabricação dessas bebidas, sendo que o alambique funcionava nessa época, apenas de forma artesanal. Lembro-me do macaquinho-prego Chico que tinha no mini zoológico. Atualmente tem avestruz. Outra sede campestre de clube é o Parque Recreativo Clube Atlético Primavera (Primavera). Clube de futebol profissional curitibano que realizou seu ultimo jogo profissional em 12 de julho de 1969, contra o extinto Clube Atlético Ferroviário (que deu origem ao contemporâneo Paraná Clube do Brasil) perdendo por 3X1. Licenciado das atividades futebolísticas do Estado desde 1970, cujo qual, possui sede e localizada na Região do Juruqui. É um local exclusivo para seus sócios. Porém, que pode ser utilizado para eventos, já que dispõem de um amplo espaço verde, churrasqueiras, quadras esportivas, lago, salão de festas,... Historicamente, a sede desde clube era originalmente um convento pertencente à Ordem dos Irmãos Maristas, que foi adquirido pelo clube na década de 1990, em permuta pela venda de sua sede original no bairro do Taboão em Curitiba, o Estádio João Loprete Frega150. Aproveitando a visita ao Parque Primavera, o turista pode também visitar o Observatório Astronômico Professor Dr. Leonel Moro, que se localiza próximo do parque. Porém, que atualmente pertence ao Município de Campo Magro. - Por que atualmente pertence ao município de Campo 150

FUTEBOL E FRITAS. Adeus Comendador. Disponível em: <http://www.futebolefritas.blogger.com.br/ 2007_09_01_archive.html> Acesso em 03 dez. 2010.

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Magro? - É que na época em que este observatório astronômico foi inaugurado (24 de novembro de 1994), Campo Magro ainda era um Distrito de Almirante Tamandaré. - Mas por que foi escolhido um local isolado para construí-lo? - Os motivos é que ele se assenta sobre um morro de 1062 metros acima do nível do mar. Já o segundo motivo é que a localidade possui as melhores condições meteorológicas de toda a Região Metropolitana e o terceiro é que o local é de fácil acesso. Principalmente para os alunos do Colégio Estadual do Paraná. Pois, o observatório pertence a esta tradicional instituição de ensino do Estado. - A inauguração deste observatório contou com a presença do então Governador Mario Pereira e autoridades municipais e o responsável por ele na época, o Professor José Manoel Luís Ungaretti da Silva e a Diretora Geral da Foto: Álbum Família Kotoviski

Inauguração do Observatório Astronômico Professor Dr. Leonel Moro

Instituição a Professora Adélia Dias Castelã Ribeiro. Existe também, o Parque Aquático Clube de Campo 166


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Águas do Valverde, qual conta com piscinas abastecidas com água natural, área de recreação, uma mata para se fazerem trilhas e lanchonetes. No entanto, para poder desfrutar desta infraestrutura deve-se ser sócio. Lembro que o motivo que me levou associar-se ao clube foi por causa de uma moça, que eu gostava muito. Como descobri que ela era sócia e frequentava aos domingos a piscina, resolvi comprar um título, só para ir ver ela de perto, e vê se conseguia algo. Porém, pouco o usei, e também nas vezes que fui até a piscina, infelizmente não há vi. Já na Rua Pedro Teixeira Alves, nº 54, existe o Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército. Porém, este também é um local restrito aos seus sócios. Já A Fundação Celepar localizada junto a Estrada do Pacotuba, 1123, é um local aberto aos funcionários da Celepar. Mas pode sediar eventos. Fora estes centros lazer restritos, a cidade abriga vários pesque-pague, com estruturas variadas. Uns com piscina e restaurantes, outros só com o lago e lanchonete. Existem também os restaurantes com infraestrutura de chácara de lazer, os quais oferecem jantarem, café colonial, almoço, espaço para lazer, pesca, passeio a cavalo, trilhas,... - Fora parque, o que mais existe? - Se vocês gostam de aventura, ou de um simples passeio, existe o Circuito da Natureza de Turismo Rural. O qual foi desenvolvido e planejado para tornar acessível ao turista, o contato e o resgate com a história e a cultura pioneira da região, além do seu lado social e econômico que visa à promoção do desenvolvimento sustentável de comunidades colonas. Diante disto, neste trajeto, será predominante a produção familiar, o oferecimento gastronômico típico, além de trilhas, caminhos, pesque-pague, artesanato e arquitetura, disponibilizados pelas Colônias do Marmeleiro, 167


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de São Miguel, Lamenha e outras. - É um passeio que pode ser feito de carro ou bicicleta. Mas se vocês quiserem um desafio mais radical, aconselho visitar as diversas grutas existentes no interior da cidade. Cuja formação predominante é o dolomito e o calcário, sendo a Gruta do Sumidouro considerada pelo Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná-Açungui como uma das dez mais importantes da Região Metropolitana Norte de Curitiba e a única que permite a entrada de visitantes. Não há infraestrutura turística nas grutas. - É um passeio bom para vencer o estresse do dia-a-dia. - Sim é muito bom. Porém, se vocês quiserem um local bom e natural para tratar deste mal do capitalismo, recomendo que conheçam a Clínica Naturista Oásis Paranaense, fundada no ano de 1980. Sendo a primeira instituição no Brasil, criada com o propósito de atuar na área da Medicina Alternativa ou Naturopatia, que recebe pessoas dos quatro cantos do planeta151. - Mas como fazemos para achar estes locais, quando viermos visitar a cidade novamente? -Ah! Basta usar o guia de rua do município, que dispõem de todas estas informações. Inclusive, o pioneiro, em elaborar um guia de rua para a cidade, ou melhor, os pioneiros, foi meu pai, Antonio Ilson Kotoviski e o diretor de imprensa Aristides Gustavo Machado. Os quais, na Gestão do Prefeito Cide Gulin, com o apoio da ASSEMAT (Associação dos Servidores Municipais de Almirante Tamandaré, criada em 1985 na gestão do prefeito Ariel Adalberto Buzzato), que no outubro do ano de 1993, junto com a comemoração do 104º aniversário da cidade, lançou o primeiro 151

UNIÃO NORTE - ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA. Clínica Naturista Oásis Paranaense. Disponível em: < http://www.asd-mr.org.br/visualizar_conteudo.php?form_id_area=100 > Acesso em: 10 Dez. 2010.

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guia de rua do município. Que graças a Deus, vingou, e todo ano é reformulado e distribuído pela prefeitura municipal. - Que legais estas suas histórias. Porém, me ocorreu outra questão: fora o hotel do Parque Santa Maria, que pelo que percebi, é reservado a grupos de pessoas. O que o inviabiliza para nós e alguns parentes que poderemos trazer para visitar a cidade, exis- Capa do 1º Guia de Ruas do Municítem locais para se hospepio, com a foto da contemporânea prefeitura do município dar na cidade? - Para ser sincero existem, porém, não são convencionais. Eis, que me refiro ao Spa Hotel do Lago, que é um tradicional ponto turístico de referência internacional, que além de ser um hotel de luxo, é também uma clínica de tratamento para emagrecimento, depressão, estresse e controle do diabetes. O qual foi fundado no ano de 1985, pelo médico Ismael Lago e sua esposa Rosil Lago 152 . Neste hotel se hospedaram personalidades impor tantes como os cantores sertanejos Leandro e Leonardo e o Presidente da CONMEBOL (Confederação Sulamericana de Futebol), o paraguaio

152

PUBLICAR GUIA MAIS.COM. Do Lago Hotel e SPA. Disponível em: <http://www.guiamais.com.br/local/ dolago+hotel+spa-hoteis-curitiba-pr-18429711> Acesso em: 04 dez. 2010.

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Nicolás Leoz, fora outros que não são divulgados, devido ao controle extremo de privacidade que existe neste local. - No entanto, esta privacidade uma vez foi rompida. Pois, segundo o relato de meu tio Otavio Kotoviski, teve uma vez, quando minha prima Flavia Kotoviski, que trabalhava lá, chegou para ele e disse que um hospede estrangeiro queria assistir um jogo de futebol. E como meu tio ia domingo perder tempo assistir o seu Paraná Clube contra o Coritiba no Estádio do Pinheirão, ele falou que levava. Só que horas antes do jogo, meu tio descobriu que o estrangeiro era seu Nicolás Leoz, rapidamente avisou seu amigo Leonel Siqueira (atualmente vereador do município, mandato 2008-2012). O qual ligou para o então Deputado Algaci Túlio, (seu cunhado na época), para que este avisasse o presidente da Federação Paranaense de Futebol, (Onairevis Rolin de Moura), para receber o ilustre visitante. - Mesmo em cima da hora, tudo foi providenciado e tudo ocorreu bem (com camarote e tudo mais). No entanto, no outro dia, aconteceu um mal estar entre minha prima, e uma mulher que faz city tour com os hospedes. Pois, querendo ou não, ocorreu uma perda financeira por parte da “guia turística”. Só que a questão foi resolvida involuntariamente quando a chefe chegou e agradeceu minha prima. Já que o nome do Spa foi divulgado por quase todas as emissoras de rádio e televisão, as quais cobriram o clássico Paratiba, já que involuntariamente, os comentaristas e narradores, expressavam que o presidente da CONMEBOL, seu Nicolás Leoz, estava hospedado no SPA Clinica do Lago, ou seja, fizeram propaganda gratuita. Resumindo, o mal estar não causou proble170


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mas a minha prima. - Ah! E como meu tio raciocinou, tem males que vem para bem. Pois, imagine se a guia leva até o estádio e coloca esta autoridade futebolística máxima sulamericana, no setor de arquibancada, e por um acaso fecha o tempo entre as torcidas rivais, pois era um clássico regional de clubes da capital. Imagine como ficaria a imagem do futebol paranaense e consequentemente brasileiro para o mundo, se caso ocorresse algo com o seu Nicolás? - Rapaz! Que impressionante! - Outro local que hospedou e discretamente hospeda pessoas importantes é o Motel Le Piége. - Motel! - Sim. Pois, a pesar de servir para encontros românticos, os motéis da região, também servem para hospedar viajantes, turistas e pessoas que buscam descansar sem serem perturbados. E a propósito, muito bem hospedado. Um exemplo é o luxo do Le Piége, que possui alguns quartos com piscina, cozinha internacional e outras mordomias, além de uma segurança e discrição que atende aquelas pessoas que não querem ser incomodadas. - Todos estes requisitos, fizeram a Sra. Priscilla Presley, viúva do então rei do Rock, Elvis Presley, se hospedar no Motel Le Piége, no final da década de 80, quando venho resolver questões pessoais em Curitiba. - Porém, o Le Piége não é o único a oferecer tais serviços e conforto, pois o Motel das Orquídeas, o Motel Status, o motel Black Stallion, também oferecem. Existem outros (Seduções, Chalé e o Lemond Park, Caliente), mas que oferecem um serviço mais simples e acessível. Porém, todos estes motéis, não funcionam dentro da mesma rotina livre de 171


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um Hotel. - Interessante esta informação, pois, eu tinha outro ponto de vista sobre eles. Como à tarde já chegava e os frequentadores já se encontravam satisfeito com a visita à piscina começavam ir embora. E eu também, resolvi ir. Mas sem antes se despedir do simpático casal do interior do Paraná que conheci.

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Escritores tamandareenses

N

o dia 20 de dezembro de 2010, fui convidado pela professora mestra Flavia Irene Kokuszka a participar de um evento que concluía sua participação no Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná, mais conhecido como PDE. Neste dia especial, a apresentação do trabalho constituiu em expor ao público os frutos do desenvolvimento de seus esforços em prol da Educação e da preservação da História e Cultura local. O qual gerou um livro que era composto pela história do município, como também pela da biografia dos escritores de Almirante Tamandaré, que foi produzido pelos alunos da 5ª série D, do Colégio Estadual Professora Jaci Real Prado de Oliveira. Além de contar com a presença do compositor da melodia do hino tamandareense. Nesta mesma ocasião, fui convidado a fazer parte das cadeiras dos escritores referenciados no trabalho dos alunos, coordenado pela professora Flavia. Tal fato se deu, devido a eu possuir dois livros de poesias publicados (“Amor 173


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descrito por um apaixonado pela vida” (2001) e “Sonhando escrevi sobre o amor” (2002). Foto: Arquivo da Família Kotoviski

Lançamento do livro: “O amor descrito por um apaixonado pela vida”, do professor Antonio Ilson Kotoviski Filho, no Colégio Jardim Paraíso em 08 dezembro de 2001, junto com o livro “Pintando um verso diferente” que foi uma coletânea de poesias feitos pelos alunos, coordenados pela professora Josélia Kotoviski com posterior distribuição de autografo

No entanto, eu não era o único escritor presente e lembrado. Eis, que foi lembrado do Acadêmico Harley Clóvis Stocchero, que em seu currículo, ostenta a criação das obras poéticas: Ermida Pobre; Os dois Mundos; O pouso dos Guaraipos, Recordações de Clevelândia; Andanças na Terra Tingui; Seleção Poética e Novas Cantigas. Além, de ter redigido a letra do Hino oficial da cidade. É filho nato de Almirante Tamandaré, que brotou neste solo em 22 de outubro de 1926 e faleceu em 23 de março de 2005153. Outro filho de Tamandaré, ou melhor, filha da terra que escreve, é a poetiza Zeliane Aparecida de Christo, autora das obras poéticas: Estranho Sentimento (1999); Eterno 153

HOERNER Junior, Valério, BÓIA, Wilson, VARGAS, Túlio. Bibliografia da Academia Paranaense de Letras. Curitiba: Posigraf 2001, p. 48.

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Amor - Crônicas, Poesias, Pensamentos e Contos (2000) e Coisas do Coração (2002). No ano do centenário da Paróquia Nossa senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, é publicada no periódico Brasinha uma homenagem poética da poetiza Zeliane154 que resumia bem a sua personalidade: Nossa Senhora da Conceição. Exemplos de amor e perfeição, Representa sua linda imagem; Que lutou com toda dedicação, Para a todos levar coragem... Nossa Senhora da Conceição, É o maior exemplo de amor e fé. É uma das maiores partes do coração, Da grande Almirante Tamandaré. Sua vinda trouxe-nos imensa felicidade. Foi muito especial; por isso, digo isto: Foi bom ter unido todos em comunidade, E lá do céu, sorri e abençoa o Cristo. Imagem peregrina, A brilhar na imensidão; Tens uma história que fascina, E desperta fé em todo coração... Espero sempre em ti encontrar, Paz, amor e compreensão; E esta poesia venho lhe ofertar, Nossa Senhora da Conceição! A História vai cumprindo com prosperidade, Seu lindo e inigualável fadário; Unindo todas as comunidades, No primeiro Centenário... 154

BRASINHA. Nossa Senhora da Conceição. Ano III, nº 29, novembro de 1999, p.02.

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Porém, também foram homenageados outros escritores, mas que não eram filhos da terra. No entanto, naquele momento pensei comigo, que era justa a homenagem que aqueles senhores recebiam. Pois, mesmo Almirante Tamandaré não sendo a sua querida terra natal, estes autores, independente do interesse que objetivam, criaram lanços eternos com a localidade, já que não viraram as costas para ela. Respeitaram o chão que os acolheu a parir do momento que colaboraram para enriquecer a cultura e a história da região, e propagar para o mundo com suas obras, o que colheram da terra tamandareense. Um grande exemplo foi o merecido reconhecimento que o escritor e historiador Pedro Martim Kokuszka, nascido na cidade gaúcha de Áurea em 12 de novembro de 1947, recebeu por ter eternizado a chegada dos imigrantes poloneses em Almirante Tamandaré. E em consequência deste trabalho, trazer a tona fatos novos sobre a história tamandareense que até então só se prendia exclusivamente a política e a Sede. Em seu rol de obras, encontramos: Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses; Áurea Primórdios; Os Poloneses de Gaurama; Lendas de Gaurama, Causos e Contos Gauramenses; Áurea e Suas Comunidades Rurais e a Coleção Literatura Infanto-juvenil de Almirante Tamandaré PR. Epigrafe da obra “Nos Rastros dos imigrantes poloneses”, que contempla o universo de seu Pedro: Quisera ter encontrado os rastros das carroças. Mas eles são tantos que se confundem. Há os de hoje, os de ontem e de anteontem. Uns mais apagados e outros mais evidentes nas estradas Do Taboão, Botiatuba, São Miguel, Pacotuba e Largo da Ordem. Quisera adentrar dentro dessa alma polaca e saber o que 176


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tanto rezas a Matka Boska Czenstohowa. Quisera saber, você, mãe do lenço polaco, Por que choras enquanto trabalhas ao lado do fogão. Quisera saber por que esses rastros polacos se apagam tão depressa... Já o catarinense Wellesley NasFoto: Folha de Tamandaré/novembro de 2010 cimento, nascido em Caçador-SC em 15 de agosto de 1950, colaborou com a cultura local ao criar a obra Exaltação a Tamandaré. No entanto, o seu acervo até o momento conta com: Lendas Caboclas do Contestado (1988); Impressões (1994); Cânticos dos cânticos do contestado (1994); Contestado a saga dos bravos (2001), fora outras 22 obras a serem lançadas. Escritor Pedro Martim Outro morador de Almirante, Kokuszka porém, filho de Divisa Nova, é o mineiro José Tomáz da Silva, nascido em 1928, que em sua obra Zé do Correio – Minha Vida... Minha Luta! (2006), destaca sua passagem por diversas cidades do Brasil, inclusive, reserva um capitulo especial onde fala de sua volta a Almirante Tamandaré155. No entanto, produzir um livro não é barato, e nem sempre o sonho de transformar pensamentos, em palavras que ganhem o mundo se torna real. Diante desta condição, e necessário destacar que muitos alunos das Escolas Públicas de Almirante Tamandaré, (Colégio Estadual Jardim Paraíso; Colégio Estadual Professora Jaci Real Prado de 155

SILVA, José Tomaz. Zé do Correio –Minha Vida Minha Luta. Varginha – MG: Gráfica e Editora Correio do Sul, 2006, p. 124-129/161.

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Oliveira, Colégio Estadual Vila Ajambi, além de outros), tiveram em sua história educadores que colaboraram e permitiram que este sonho fosse concretizado. No ano de 2001, sob a coordenação da professora mestra Josélia Aparecida Kotoviski, e os professores colaboradores Delta Izar Garcia e Antonio Ilson Kotoviski Filho, se desenvolveu no contexto do programa educacional Vale Saber, o projeto Pintando um verso bem diferente. O qual resultou em uma coletânea de poemas e poesias dos alunos e professores do Colégio Estadual Jardim Paraíso, cuja, obra foi denominada de Pintando um verso bem diferente156. Já no ano de 2002, também sob a coordenação da professora Josélia Kotovski, e os professores colaboradores Antonio Ilson Kotovski Filho e Mariusa da Cruz Becker, se desenvolveu no contexto do programa Vale Saber, o Projeto Tamandaré: Causos e lendas de um povo157. O qual involuntariamente se tornou um material histórico cultural, muito apreciado e importante, a ponto de ser plagiado e até apossado indevidamente, por pessoas que buscavam promoção ou satisfação junto a seus chefes de repartição publica, que ignoraram a fonte primaria (autor original do conto), e se intitularam autores. Isto gerou alguns transtornos, já que pela legislação vigente toda produção literária, musical, pintura,..., para serem publicadas, necessitavam de autorização de seus autores ou devida referenciação da fonte oral e registro junto ao Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional. Destaca-se o trabalho realizado pelo professor José Carlos Morer, que apesar de ser um filho de Itaperuçu-PR, enquanto prestou serviço ao Colégio Estadual Vila Ajambi em 156 157

KOTOVSKI. Josélia Aparecida. Pintando um verso bem diferente. Curitiba: Ed. Do Autor, 2001. KOTOVSKI. Josélia Aparecida. Tamandaré. Contos e Lendas de um povo. Curitiba: Ed. Do Autor, 2002. (ISBN 433580-812-240)

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Almirante, coordenou a produção da obra Antologia Poética Ajambi 2002158. Que reuniu poesias dos alunos, dentro do contexto do Projeto Vale Saber promovido pela Secretaria de Educação do Paraná. Já no que tange suas produções literárias, se destacam: Da amizade ao amor (1984) e Momentos de Silêncio (1986). Em 2003, a curitibana professora Vera Regina Barbosa Cardoso, do Colégio Estadual Professora Jaci Real Prado de Oliveira, desenvolveu um projeto na disciplina de Língua Portuguesa com seus alunos, que resultou na antologia poética: Brilho de Nossas Estrelas159. Sete anos depois, na mesma instituição de ensino, a professora mestra Flavia Irene Kokuszka, lança o livro: Do presente ao passado: assim se faz história, o qual foi desenvolvido junto aos alunos da 5ª série D. Neste mesmo dia, a professora mestra Maria Aurora B. Manganaro lança o livro: Nossa história em versos, como coordenadora dos trabalhos realizados e colhidos como coletânea junto aos alunos da 5ª série A. Mas, um dos maiores colaboradores, ou o maior colaborador, para que a história e a cultura do município não se percam no tempo e consequentemente não morra, mesmo não escrevendo livro. Mas sim sendo responsável por um tradicional periódico que reproduz a realidade cotidiana do município tamandareense é o lendário jornalista, esportista, radialista e filho nato da terra Leônidas Antonio Rodrigues Dias. Nascido em 11 de agosto de 1944. Dono do tabloide quinzenal Folha de Tamandaré, intitulado como a verdade sem retoque, desde a sua fundação proporcionada pelo seu pai, o professor e jornalista, Antonio Rodrigues Dias, em 31 de março de 1985. 158 159

MORER. José Carlos. Antologia Poética Ajambi 2002. Curitiba: Ed. Do Autor, 2002. CARDOSO. Vera Regina Barbosa. Brilho de nossas estrelas. Curitiba: Imprensa Oficial, 2003.

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Porém a consagração da credibilidade deste jornal ocorreu no advento da Lei 25 de 05 de outubro de 1989, sancionada pelo prefeito Roberto Luiz Perussi, que tornava a Folha de Tamandaré um órgão oficial do município. Longe de demagogia, mas dentro de uma analogia, este fato representa que a Folha de Tamandaré, possui um status no município, equivalente ao que o Diário Oficial do Paraná possui para o Estado ou que o Diário da República possui para a União. Ou seja, a publicação dos atos oficiais da administração pública, independente de Poder no jornal, o qual muita gente acha chato e nem dá atenção, (assim como a Voz do Brasil no Rádio), atende ao Principio Constitucional da Publicidade, expressado no Caput do Artigo 37 da Magna Carta Nacional de 1988. Ou seja, a Folha de Tamandaré cumpre com este papel no município, ao divulgar os atos do Poder Executivo e Legislativo. Atualmente o tradicional jornal cobre oficialmente os municípios de Bocaiúva do Sul, Tunas do Paraná e Campo Magro. Não se pode deixar de destacar, o saudoso jornalista José de Souza Mattos que em 27 de outubro 1967 fundou a Tribuna dos Minérios, que serviu como principal meio de informação da região dos minérios e da cidade de Almirante Tamandaré até o advento da Folha de Tamandaré. Neste período também prestava o serviço de divulgação dos atos oficiais do município. Atualmente a Tribuna dos Minérios cobre especificamente notícias de Rio Branco do Sul, Itaperuçu e Cerro Azul com algum destaque esporádico de algum fato notório e de repercussão mais abrangente sobre Almirante Tamandaré. A Tribuna dos Minérios também presta o serviço de divulgação dos atos oficiais de Rio Branco do Sul, Itaperuçu e Cerro Azul. Outro cidadão tamandareense, que colaborou com a pre180


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servação e divulgação dos acontecimentos marcantes do município, mesmo que efemeramente foi o senhor Nelson Becker, o qual no ano de 1994 fundou o jornal Gazeta Ancorado, que prosperou até o final da década de 1990. Existiram também os periódicos Tamandaré em Noticias, pertencente à Cidinha do Vale, com sede na Rua Antonio Gedeão Tosin, 555, datado de 1996. Porém com efêmera duração de pouco mais de quatro anos; Jornal A Razão do Sr. Jorge Estevão de Souza, datado de 1995 com efêmera duração de um ano além da identificação do Jornal da Cachoeira citado em uma noticia dada pela Tribuna dos Minérios que data de 09 de novembro de 1968. Sei que minha lembrança, a qual de repente se motivou, trouxe à tona a memória de importantes pessoas que com o seu dom de expressar ideias, explorar o passado e principalmente contar o cotidiano citadino, escreveram bem mais que eles imaginam. Pois, ajudam conservar viva uma história tão bonita e cheia de particularidades, que descrevem uma parte da trajetória do povoamento e desenvolvimento não só da cidade, mas do Paraná e consequentemente do Brasil.

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Símbolos do município

N

ão lembro a data, mas era uma comemoração cívica, e como de costume se canta o Hino Nacional Brasileiro antes da abertura oficial de qualquer evento. No entanto, além do Hino Nacional se cantou em seguida o belo Hino de Almirante Tamandaré. HINO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ 1ª PARTE: No teu céu, que é tão belo e azul, Brilha sempre o Cruzeiro do Sul; quando Deus, ao compor o Universo, fez aqui o seu mais belo verso; e ao pintar, também, a natureza, pôs mais cor no pincel, com certeza... Nas tuas matas, no morro ou restinga, nasce, cresce e dá mel bracatinga, que, aliada à extração mineral, sua lenha vai produzir cal, 182


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desta terra maior produção que é exportada por toda a Nação. ESTRIBILHO: Almirante Tamandaré, o teu povo tem força e tem fé, conservando, na sua tradição, Nossa Mãe, Virgem Conceição. 2ª PARTE: Da união do minério e o trabalho por igual produzimos calcário; tendo aqui sempre boa produção nosso milho, a batata e o feijão; também forte é nossa lavoura o repolho, o tomate e a cenoura... o Tingui nos legou o amor que preserva o riacho e a flor; gralha azul nos plantou o pinheiro, que cresceu par ao céu, altaneiro; e os gorjeios de nosso sabiá tem beleza que em outros não há... Nesta terra abençoada e feliz vive um povo que ora e prediz a grandeza de Tamandaré no valor do trabalho e da fé. ESTRIBILHO: Almirante Tamandaré, o teu povo tem força e tem fé, conservando, na sua tradição, Nossa Mãe, Virgem Conceição. 183


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Ao termino do hino, escutei alguns “professores” tecerem comentário ironizando os versos: “... o repolho, o tomate e a cenoura...”. Isto me deixou muito triste, pois, sabendo que aquelas pessoas possuíam um suposto diploma, e por este motivo, deveriam compreender o significado daqueles versos, retruquei o comentário, com a observação: 184


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“vão procurar saber qual é o objetivo de qualquer hino, para depois expressar o que pensam a respeito do que não conhecem!”. Pois estes versos representam de forma metafórica em lato sensu a colaboração do imigrante para com a agricultura. Já que tanto o repolho e a cenoura, não são típicos da região. Deu para perceber pela cara delas e de outros seres que “caíram do caminhão” na cidade e não sabiam nada de nossa cultura, história e geografia, que não gostaram muito do que falei. Porém, mereceram. Pois, como pode alguém que a terra acolheu afrontar ironicamente o verso de uma letra musical que conseguiu captar a história, geografia, economia e cultura local tão perfeitamente e em breve exposição? Para mim, isto é atitude de uma pessoa ignorante, invejosa e descomprometida com o lugar em que lhe provem sustento. É bem característica daquelas pessoas que por onde passam (já que possuem uma vida nômade), apenas usufruem do lugar, tentam aparecer ou tirar proveito de alguma situação e depois de um tempo somem para nunca mais voltar. Chegam sonhando com que é incompatível com suas atitudes, já que para receber algo, é necessário primeiramente doar alguma coisa. Ou seja, este fato retrata bem o pensamento expressado pelo senhor José Tomaz da Silva em sua obra “Minha vida... Minha luta!”: “se você não sabe para onde vai, nenhum caminho lhe servirá”160. Deixando de lado, a lembrança desse desagradável fato, volto a lembrar de coisa boa e perfeita. Pois, se a função de um hino é expressar a cultura, história e notoriedades de uma terra. O Dr. Harley Clóvis Stocchero, conseguiu de for160

SILVA, José Tomaz. Zé do Correio –Minha Vida Minha Luta. Varginha – MG: Gráfica e Editora Correio do Sul, 2006, p. 161.

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ma perfeita, simples e objetiva. Na minha humilde opinião, comparo o contexto descritivo real da letra pacifica do hino tamandareense, com o contexto descritivo real e espontâneo da letra da musica La Marsellaise (hino Francês), que apesar de ser violenta, conseguiu traduzir bem o momento histórico da Nação francesa. Ou seja, a letra do hino tamandareense é um espelho real do que se apresenta na paisagem cotidiana da cidade. Porém, o atual hino tamandareense é uma obra recente, pois, foi redigido em 1993. Pois, tudo o que tinha até este momento era um hino que não acompanhou a evolução da cidade que havia sido criado ainda nos primeiros anos da cidade de Timoneira e contemplava apenas a realidade econômica vinculada à agricultura. Diante disto, o seu Harley, resolveu tecer o hino. Porém, as palavras tecidas deveriam necessariamente ganhar vida. Foi neste contexto, que o acadêmico músico do Conservatório de Música e Belas Artes do Paraná, Paulo Rodrigo Tosin, tamandareense nato, nascido em berço de família tradicional da cidade em dia 15 de julho de 1976, foi convidado e criar a melodia que casasse bem com a inspirada letra do hino municipal. Diante deste desafio, inspirou-se na obra Bodas de Fígaro de Wolfgang Amadeus Mozart, para compor a melodia. O resultado não poderia ser tão menos que a expressão excelente. Diante deste fato, em comemoração ao centésimo quarto aniversário do município o então prefeito Cide Gulin (Arcidíneo Félix Gulin), assina em 28 de outubro de 1993, a Lei Ordinária nº 246 de 1993, aprovada pela Câmara Municipal composta pelos senhores vereadores: Dirceu Pavone, Luiz Carlos Cezlusniak, João Carlos Bugalski, Vicente Romano Lovato, Arlei Bueno de Lara, Tadeu Edison Boza, Alfredo 186


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Mattos Farias, Benito Antonio Buzato, Geraldo Karpeski, Lauro Barchik e Amarildo Pase161. Que dispunha em seu Artigo 1º que fica oficializado o Hino do Município de Almirante Tamandaré, Estado do Paraná (letra e música), sendo a música de autoria de Paulo Rodrigo Tosin e a letra de autoria de Harley Clóvis Stocchero,... A criação do hino satisfez o artigo 6º da Lei Orgânica Municipal, de 03 de Abril de 1990. Aprovada pela Assembleia Municipal Constituinte de Almirante Tamandaré, compostas pelos Sr. João Carlos Bugalski (presidente), João Chevônica Antoniacomi (relator), Celso Augusto Vaz, Dirceu Pavoni, Gerônimo Jarek, João Antonio Bini, Lauro Barchik, Tadeu Edison Boza e Vicente Romano Lovato. No então mandato do Senhor Prefeito Roberto Luiz Perussi. Foto: Folha de Tamandaré/1993 Porém, o mesmo artigo dispunha que são símbolos do município o Hino (já supra referido), Brasão e a Bandeira que devem representar a cultura e a história do município. Diante deste exposto, o Brasão de Armas oficial de Almirante Tamanda- Dr. Harley (no centro), em solenidade de entreré, desde o ano de ga, do atual Hino de Almirante Tamandaré, em substituição ao antigo Hino de Tamandaré, ao 1948, se dispõem então prefeito Cide Gulin a sua esquerda 161

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARANÁ. Resultado das eleições de 05 de outubro de 2008. Disponível em:< http://www.tre-pr.jus.br/internet2/tre/estatico/eleicoes/anteriores/resultados/19921003A74071.pdf > Acesso em: 12 Dez. 2010.

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com os seguintes elementos básicos, no contesto de expressão oficial: em primeiro plano, fazendo menção à produção de calcário do município, figura um forno de cal (em vermelho); do lado esquerdo deste, uma menção ao Rio Barigui, (não uma referencia aos lençóis freáticos existentes na região como é atualmente divulgado); em segundo plano aparecem duas lavouras, aludindo à fertilidade do solo de Almirante Tamandaré; e por último, na porção central superior do brasão, pode-se ver o Brasão de Armas do Estado do Paraná de 1947, ou seja, que há lealdade daquele para com ele162. Este brasão foi um legado do Município de Timoneira. Pois, inicialmente o mesmo estampava os selos de impostos do município extinto. Sendo este desenhado pelo professor João Roque Tozin163. Porém, antes do atual Brasão, existiu um que inicialmenFonte: Acervo da Biblioteca Harley Clóvis Stocchero te se originou do Brasão de Curitiba o qual estava o território vinculado. Ou seja, o primeiro brasão do município. Sendo este alterado apenas com o advento da restauração da primeira figura está o Brasão repredenominação Tamandaré Na sentando a recém-restaurada denomina(Almirante Tamandaré) em ção da cidade como Almirante Tamandaré. Muito pouco alterado em relação ao 1956. Esta alteração foi primeiro brasão que não dispunha o forde cal no centro e o dizer na faixa “Aluma sobreposição de um no mirante Tamandaré”. O segundo Brasão escudo com um forno de elaborado por João Roque Tozin serviu inicialmente ao Município de Timoneira, cal no centro do escudo sendo posteriormente vinculado à realido município por contemplá-lo de antigo, e uma alteração na dade forma mais completa 162

163

PORTAL DA CIDADE DE ALMIRANTE TAMANDARÉ. Brasão. Disponível em: < http:// www.tamandare.pr.gov.br/secretarias/template.php?secretaria=gabinete&sessao=brasao> Acesso em: 24 Dez. 2010. Relato de Claudio Tozin, abril de 2011.

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faixa de denominação abaixo do escudo. Pois antes era Vila Tamandaré. Passando a então a ser Almirante Tamandaré. Porém, este brasão não vingou por muito tempo. Sendo então a ser utilizado o brasão do Município de Timoneira, o qual é utilizado até os dias atuais. Já oficialmente, a Bandeira do Município de Almirante Tamandaré carrega a seguinte expressão: na cor verde, a representação das riquezas naturais do município. O azul faz referência ao céu. Ao centro da bandeira figura o brasão do município, já supra explicitado. Sobre o Brasão se destaca em branco a palavra “município” em fonte grande que abrange tanto a parte verde como a azul, representando seu status administrativo. Já sob o Brasão, figura abrangendo a parte verde e azul em fonte grande na cor branca a expressão “Almirante Tamandaré”, fazendo alusão ao nome do município 164. Esta bandeira foi um legado também da antiga cidade de Timoneira. No entanto, ao invés de possuir as inscrições “Município de A l m i r a n t e Ta mandaré” possui disposta a expressão “Município de TimoBandeira oficial da cidade, neira”. Esta banelaborada por João Roque Tozin deira foi elaborada pelo professor João Roque Tozin. 164

PORTAL DA CIDADE DE ALMIRANTE TAMANDARÉ. Bandeira. Disponível em: < http:// www.tamandare.pr.gov.br/secretarias/template.php?secretaria=gabinete&sessao=bandeira> Acesso em: 24 Dez. 2010.

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Se coincidência ou não, seu Joãozinho (apelido como era carinhosamente chamado o professor e visionário João Roque Tozin) era avô do maestro Paulo Rodrigo Tozin, compositor da melodia do atual hino tamandareense165. E por fim em 28 de setembro de 2010, por iniciativa do Gabinete do vereador Leonel Siqueira, é instituído pela Lei Ordinária Municipal nº 1538 a Timoneira (Ilex theezans martius) como árvore símbolo da cidade. Em relação ao hino antigo cujo, autor não foi identificado, ele se apresentava com a seguinte versificação: Hino de Almirante Tamandaré (Antigo). Almirante Tamandaré, És glorioso pertencente à nação. Almirante Tamandaré, Estarás para sempre no nosso coração, Almirante Tamandaré, És glorioso luzeiro de fé, Sua terra riqueza é, Tens o gado, tens o milho e o feijão, Almirante Tamandaré, És bonita, rica em proteção, Almirante Tamandaré, És glorioso luzeiro de fé. Sua gente feita de fé, Tem indústria que floresce do chão, Almirante Tamandaré, Para sempre lembrada por um mundo de irmãos. Almirante Tamandaré, És glorioso luzeiro de fé. 165

Relato de Claudio Tozin, abril de 2011.

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O nome da cidade

L

embro que estava na segunda série, era aula de Estudos Sociais. E pelo fato de estar estudando em Curitiba (no centenário Colégio Vicentino São José do bairro Abranches), estudávamos sobre a história da capital. Diante deste fato, a professora Regina, explicava o significado do nome Curitiba, o qual derivava de uma expressão indígena que significava muito pinhão, ou terra de pinhão. Nesse mesmo momento, ela resolveu ver se nós alunos conhecíamos outras palavras de origem indígena. Então, começaram a sair um monte de palavras de nossas bocas (a maioria não era indígena). Porém, algumas eram como Barigui, Tamanduá, Tibagi, Tarobá,..., (éramos crianças, então qualquer palavra diferente, achávamos que era do vocabulário indígena). No entanto, como eu também tinha que participar. Expressei: “Almirante Tamandaré”, (na época raciocinei assim, porque sempre escutava as expressões: “nessa terra só vive índio”; “..., lá vem a indiarada de Tamandaré,...”,..., então imaginei que se era terra de índio, o nome do lugar também tinha que ser de índio! Bem inocente!). 191


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Para minha surpresa, a professora falou excelente, porém, explicou que era apenas a palavra “Tamandaré” que tinha origem indígena, já a palavra “almirante” era uma designação hierárquica militar ao posto máximo da Marinha. Como era dia de se falar sobre a influência indígena na língua portuguesa, a professora, pegou um livrinho (Dicionário folclórico para estudantes) de lendas indígenas e para minha surpresa contou a estória de Tamandaré contada pelo povo Tupinambá, que relatava: Sumé era o pai dos gêmeos Tamandaré e Aricute. Tamandaré era calmo e vivia para cuidar da família. Já Aricute era um guerreiro valente que gostava de guerrear. Certo dia, Aricute ao regressar de uma batalha, insultou seu irmão Tamandaré, atirando contra sua cabana o braço de um inimigo que havia decepado. Irritado, Tamandaré bateu com o pé no chão, fazendo nascer uma fonte de água que inundou a Terra. Quando as águas começaram a subir, os índios procuraram o cume dos montes, tentando salvar-se. Tamandaré, que já fora advertido pelo deus Tupã da iminência do dilúvio, pediu aos fugitivos que permanecessem na planície. Mas ninguém lhe ouviu. Somente Tamandaré ficou e subiu com sua esposa numa palmeira bem alta. A terra sumiu e até as montanhas foram cobertas pelas águas. Só se avistava água e o colmo da palmeira que sustentava Tamandaré e sua esposa, flutuando á tona. Quando cessou a inundação, eles desceram e povoaram novamente toda a terra. O povo tupinambá possui a crença que descendem de Tamandaré (Tamendonaré). Ou seja, Tamandaré, é o Noé dos indígenas, e significa aquele que repovoou a terra. 192


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Muito tempo se passou desde aquele dia, e no desempenhar da função de professor de história, descobri que a origem do nome Tamandaré, não se liga aos primitivos tinguis. Mesmo tendo uma variação em tupi que nasce da expressão “tamanda-ré” e também de outra versão “t’-amana-ri”166, mas que significa dentro de uma contemplação ampla: “que veio depois da chuva”. Ou em tupinambá “Tamendonaré”, que possui o mesmo significado e uma variante (que veio depois da chuva ou povoador da terra). Se não tem nada haver com a língua falada pelos primeiros habitantes da terra, então pensei: “por que não se manteve Pacotuva167 (Pacotuba), o qual carregava traços da cultura cristã portuguesa na Expressão Santana (Santa Ana) em união a expressão tingui “Pacotuva”, que provavelmente significava terra de banana ou bananeiras?” 168. Poderia ter mantido a denominação de Conceição do Cercado. A qual apesar de carrega na denominação Conceição um traço influenciado por um trocadilho verbal de palavra. Nos quais os primeiros aventureiros que aqui chegaram, se referiam as sesmarias que era uma concessão de terras feita pelo Rei de Portugal ou pelo Capitão Povoador ou por um donatário que resolveu doar uma parte de sua posse de terra a quem bem entendesse. Pelo fato de serem muito grandes os terrenos e ao mesmo tempo férteis. Esta concessão era expressa como “Conceição”, já que era um trocadilho ligado a ideia de benção, religiosidade vinculada à imagem que se fazia a mãe de Cristo. É por este motivo que existe o bairro da Conceição dos Freitas, dos Laras, 166 167

168

FERREIRA, João Carlos Vicente. O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira, 1996, p. 138. MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Quadro demonstrativo das Freguesias, Cidades e Villas do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894. Quadro de anexos, p. MFN 630 C. CLEROT, Leon Francisco Rodrigues. Glossário Etimológico Tupi/Guarani. Brasília DF: Edições do Senado Federal, Volume 143, 2010, p. 373.

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da Meia Lua, atualmente em Campo Magro. Era a concessão de sesmaria a estas famílias que complementam a expressão. Pois, Conceição se vincula como sinônimo de benção recebida, já que se deriva do latim, concepção169. E a concepção de uma nova vida é sempre uma benção. Por este motivo que os católicos se referem à Maria mãe de Cristo como Virgem Imaculada da Conceição ou Nossa Senhora da Conceição. Neste contexto, fundamentado em documentos oficiais e em mapas de época (século XIX até a criação do município), o qual para minha surpresa, nunca se referiram a região como “Nossa Senhora da Conceição do Cercado”. Mas sim, apenas como Conceição do Cercado170, ou posteriormente e efemeramente “Nossa Senhora da Conceição” apenas. No entanto se faz uma confusão no contexto de interpretação da Lei da Província do Paraná de nº. 924 de 06 de setembro de 1888, que demanda a seguinte redação: “Art. Único - A sede da Freguesia de Pacotuba será o povoado denominado “Cercado”, e a sua invocação passa a ser a de Nossa Senhora da Conceição; revogadas as disposições em contrario.” Ou seja, a denominação do Município deveria ter sido apenas Nossa Senhora da Conceição sem à expressão “Cercado”. Pois “Cercado” era apenas a denominação local que recebeu a nova Sede do distrito. Sendo que a denominação municipal de apenas Conceição do Cercado se deu pela Lei nº 957 de 28 de outubro de 1889, quando a localidade foi elevada à categoria de Villa sob a seguinte disposição legal “Art. Único - Fica elevada à categoria de Villa, com a denominação de Villa da Concei169

170

DICIONÁRIO DE ANTROPONÍMIA. Conceição. Disponível em: < http://www.infopedia.pt/antroponimia/ Concei%C3%A7%C3%A3o> Acesso em: 27 dez. 2010. MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Quadro demonstrativo das Freguesias, Cidades e Villas do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894. Quadro de anexos, p. MFN 630 C.

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ção do Cercado a Freguesia de Pacotuba, com as mesmas divisas, compreendendo as colônias São Venâncio e Antonio Prado, e o Distrito de Ribeirão da Onça”. Mas a denominação oficial foi Tamandaré (não Almirante Tamandaré), ou seja, foi uma homenagem prestada ao ainda vivo Joaquim Marques Lisboa em 09 de janeiro de 1890 pelo Decreto nº 15 baixado pelo Governador e Capitão de Mar e Guerra José Marques Guimarães que era seu amigo e colega de campanhas militares. O qual muito admirava os feitos e a fidelidade ao Brasil que marcaram a vida do velho marujo (expressão “aqui jaz o velho marujo”, a qual solicitou em seu testamento que fosse escrita na sua lapide), que marcou a criação do ultimo município em período imperial. Joaquim Marques Lisboa recebeu o apelido de Tamandaré, em virtude do titulo nobiliárquico dado em 14 de março 1860, que lhe conferia a denominação de Barão de Tamandaré. Sendo esta uma homenagem de D. Pedro II ao Almirante Joaquim Marques de Lisboa, que relembra com esta, o lugar em que com bravura, havia tombado o irmão do Almirante, o Major Manoel Marques de Lisboa, quando este chefiava a defesa do porto de Tamandaré, na costa pernambucana, em 1824. Fato este percebido pelo Imperador enquanto esteve em visita a Pernambuco 02 de julho de 1857, onde foi acompanhado pelo então Comandante Joaquim Marques Lisboa que comandava a Divisão que acompanharia o Imperador na sua visita às províncias do Nordeste (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba). Pois, foi na visita à localidade de Tamandaré (Pernambuco), um dos centros da reação contra os holandeses. Que, no cemitério, ao lado da Igreja de Santo Inácio, estava en195


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terrado o irmão do Comandante, o Major Manoel Marques Lisboa. Foi neste instante que o então Comandante Joaquim Marques Lisboa, pediu permissão ao imperador, para transportar os despojos do irmão para a capital imperial. Dom Pedro II não só concedeu, como determinou que a translação fosse feita com as honras militares, correspondente ao posto que o homenageado possuísse na revolução171. A partir deste dia o gaúcho da localidade de Rio Grande de São Pedro do Sul (atual São José do Norte), se tornava o Almirante Tamandaré. O qual participou nas lutas da guerra da Independência do Brasil na Bahia, da Confederação do Equador e da repressão às revoltas ocorridas durante o Período Regencial: a Cabanagem, a Sabinada, a Farroupilha, a Balaiada e a Praieira. No plano externo, participou da Guerra contra Oribe e Rosas e, com a eclosão da Guerra do Paraguai, comandou as forças navais em operação na bacia do Rio da Prata, em apoio à batalha do Passo da Pátria, à batalha de Curuzu e à batalha de Curupaiti. Nasceu em 13 de dezembro de 1807, e em sua homenagem é comemorada nesta data o Dia do Marinheiro, foi Barão, Visconde, Conde e por fim Marques. Faleceu aos 89 anos, em 20 de março de 1897. Pelos seus feitos, lhe é prestado homenagens diversas entre elas: Patrono da Marinha do Brasil, nomes de cidades (Almirante Tamandaré-PR; Almirante Tamandaré do Sul-RS e Tamandaré-PE), Biblioteca Municipal Almirante Tamandaré em Marabá-PA. Além de homenagens icnográficas (moedas, livros, estátuas,...).

171

MARINHA DO BRASIL. História e Tradição/O patrono/Linha do Tempo. Disponível em: <https:// www.mar.mil.br/menu_v/patrono/linha_do_tempo.htm> Acesso em: 27 dez. 2010.

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Porém, a localidade de Tamandaré foi denominada Timoneira, já que no Estado de Pernambuco, existia uma localidade com a mesma denominação (Tamandaré). Porém, alguns anos após a restauração da autonomia, o município passou a ser denominado Almirante Tamandaré, para se diferenciar do município de mesmo nome em Pernambuco (só Tamandaré). Já a palavra Timoneira significa o feminino de quem governa o timão de uma embarcação. Porém, segundo o historiador João Carlos Vicente Ferreira, o nome dado ao município de Timoneira tem origem na denominação antiga da erva-mate colhida nos arredores de Curitiba, significando “erva que está à mão”, caracterizava-se por ser mais fraca que as demais172. Espécie vegetal natural da região. Ou seja, esta espécie oficialmente se chama Ilex theezans martius e popularmente é conhecida como Caúna, Caúna da Folha Amargosa, Congonha, Erva de Timoneira e Timoneira. Foi muito utilizada como energia para alimentar os fornos da queima da cal e na produção de cabo de ferramentas. Mesmo sendo largamente explorada, ainda existe nas matas mais ainda pouco exploradas da cidade. No ano 2010 por iniciativa do Gabinete do Vereador Leonel Siqueira ocorreu à proposição do projeto para transformar a Timoneira em Árvore Símbolo do Município de almirante Tamandaré. A qual logrou êxito e em 28 de setembro de 2010 foi sancionada pelo prefeito como Lei Ordinária nº 1538/2010. Depois de refletir, cheguei à conclusão que independente de denominação, existem muitas histórias por traz de cada uma delas. Pois, cada uma representou um marco. 172

FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, p. 25.

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Que graças a Deus, esta sendo resgatada aos poucos, para nunca desaparecerem com o tempo. Pois, querendo ou não a cidade tem um nome a zelar. Porém, só zela por ele quem reconhece em si, a colaboração individual que fizeram a sua trajetória.

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Coronelismo

D

ia de eleição, a rotina de sempre, pegar o titulo de eleitor e seguir até a secção eleitoral para votar. Chegando ao local, um movimento frenético das pessoas e dos fiscais. Porém, a natural fila ocasionada pelo enorme número de candidato a serem votados, que sempre acaba confundido quem não está acostumado com a urna eletrônica. Neste contexto, o jeito era esperar. Na fila varias pessoas aguardavam a vez, e lembravam o tempo que o voto tinha que ser falado em voz alta para os mesários. Escutando isto, comecei a pensar o quanto era complicado ser eleitor naquela época. Pois, a pessoa não poderia prometer voto para todos os candidatos que pediam. Como também todo favor que recebia de um político, era um compromisso com o mesmo. Neste sentido, a traição, lhe custava o preço de ser perseguido pelo candidato traído, se este viesse a ganhar o pleito. Ou seja, “para os amigos tudo. Para o inimigo a lei”. Talvez esta frase centenária, seja o melhor exemplo que explique o que era o coronelismo. O coronelismo ou mandonismo local foi um sistema de 199


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poder político que encontrou alicerces na política da República Velha (1889-1930), caracterizado pelo enorme poder concentrado em mãos de um poderoso local. Geralmente um grande comerciante, uma pessoa de posses ou riquezas com empreendimento próspero. O coronelismo é a manifestação patriarcal e do poder privado a serviço da política. Notoriamente representado pelos senhores de posses que coexiste com um regime político de extensa base representativa173. Refere-se especificamente a uma estrutura agrária que fornecia os alicerces de sustentação do poder privado no interior do Brasil. O qual até meados da década de 1970 era uma nação essencialmente agrícola. Caracterizava-se, como um compromisso, uma troca de proveitos entre o Poder Público, progressivamente fortalecido. E a influencia social dos homens fortes locais, notadamente dos senhores de posse e riquezas. A força dos coronéis provinha dos serviços que prestavam ao chefe do Executivo, para preparar seu sucessor nas eleições, e aos membros do Legislativo, fornecendo-lhes votos e assim possibilitando sua permanecia em novos pleitos, o que tornava fictícia a representação popular, em virtude do voto “manipulado”174. Certas competências legais, como eleger o governador, deputados e o prefeito, criar específicos impostos, foram suprimidos do poder central e delegados em definitivo para os Estados e municípios. Essa descentralização, introduzida pela República, fortaleceu o poder local. Os grandes homens de posses ou riquezas interferiam utilizando-se de vários mecanismos nas eleições (violên173 174

MAGALHÃES, Marion Brepohl de. Paraná: política e governo. Curitiba: SEED, 2001, p. 25. Idem, p.26.

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cia, perseguição, troca de favores,..., cada região era uma estratégia). Esses grandes homens de posse ou riquezas eram denominados de coronéis e seu sistema de dominação, o coronelismo, cujo papel principal cabia aos coronéis. Os coronéis acabaram herdando um grande poder. O coronel era uma pessoa que impunha extremo respeito, uma figura local, que propagava sua influencia nas cidades. Nessas localidades, onde a influencia do Estado era pequena, específicas funções públicas, tais como policia, justiça e outras passaram a ser exercida de forma exclusiva, pelos coronéis. Mesmo que no município existissem os delegados, o juiz, prefeito, essas autoridades, encontravamse submetidas ao seu poder. Ou seja, o coronel tinha de mandar e ser obedecido, era a pratica do “mandonismo local”175. Estabeleceu-se uma relação de dominação pessoal do “coronel” sobre seus dependentes. Quando se perguntava a alguém: “Quem é você?”, a reposta era: “Sou gente do coronel fulano”. Essas pessoas constituíam a clientela do “coronel”. Um exemplo desta manifestação de poder é denunciado no relato de seu Antonio Candido de Siqueira (seu Tono). O qual conta uma passagem em que um influente coronel das três primeiras décadas do século XX, ao constatar que o resultado seria apertado. Pediu ao mesário para ver quem estava faltando votar. Identificando na lista, que um dos eleitores era sua gente. Ordenou esbravejando para que seus jagunços fossem buscar o “polaco malandro”, onde estivesse para votar (a de ressaltar que as palavras usadas não foram estas para se referir ao saudoso cidadão filho de poloneses). 175

FAORO, Raymundo. Os donos do Poder. Rio de Janeiro: Globo, 1976.

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Existia uma gama enorme de coronéis espalhados pelos municípios brasileiros. Nem todos os coronéis tinham o mesmo poder de influencia, nem todos eram amigos entre si. Neste contexto, não raro na disputa pelo poder ser comum explodir lutas sangrentas entre bandos de jagunços de coronéis adversários. Ao final, o coronel mais poderoso e de melhor sorte nestes conflitos, acabava por se impor na região em disputa. Geralmente o coronel mais importante estabelecia alianças com outros fazendeiros para eleger o governador do estado. Os coronéis além de manipular os votos através do voto de cabresto, utilizavam muitas outras fraudes para ganhar as eleições. Exemplos: documentos eram falsificados para que menores analfabetos pudessem votar; pessoas que já tinham morrido eram escritas como eleitores; urnas eram violadas e votos adulterados; muitas artimanhas eram feitas na contagem de votos. A força do coronelismo era maior nas regiões menos desenvolvidas economicamente. Pois, nesses lugares a população possuía poucas alternativas de sobreviver fora da agricultura. Já nas regiões mais urbanizadas a população gozava de mais independência política já que podia encontrar empregos no comércio e na indústria. Porém, se o “coronel”, não era de fato coronel, de onde então surgiu esta denominação? O coronelismo institucional surgiu com a formação da Guarda Nacional, criada em 1831, como resultado da abdicação de dom Pedro I, ocorrida em abril daquele ano176. Porém, o governo da regencial (1831-1842) dispôs os postos militares à venda, possibilitando aos homens de posse e riquezas e seus próximos adquirirem os títulos de tenen176

TELAROLLI, Rodolpho. Poder local na República Velha. São Paulo: Nacional, 1977.

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te, capitão, major, tenente-coronel e coronel da Guarda Nacional (não havia o posto de general, prerrogativa exclusiva do Exército). Desta forma, com o tempo, o coronel passou automaticamente a ser visto pelo povo comum como um homem poderoso de quem todos os demais eram dependentes. Configurou-se no Brasil daqueles tempos uma clara distinção social onde os representantes dos dominantes eram identificados pelo rango militar (coronel, major, etc..) enquanto que os dominados pelo coronel eram identificados notoriamente de forma genérica de “gente”, ou a zoológica “cria” (sou “cria” do coronel fulano)177. No entanto, o coronelismo que existiu na Villa de Tamandaré, não era tão radical como foi no nordeste do Brasil, como também, o sistema, não encontrou as mesmas facilidades para se desencadear aos moldes apresentados. O coronelismo na Villa de Tamandaré se apresentou centralizador. Porém, limitado ao poder estadual, devido à proximidade com a capital e a própria característica da população, que apesar de agrária, possuía posse e sobrevivência independente da ajuda ou não do poder local. Tal fato era naturalmente notório. Porque o povo pouco ligava para a política. Pois, independente dela, tinha que trabalhar e buscar formas diversas de conseguir recursos. Já que, infelizmente, no período final do século XIX até meados da década de 1940, a região tamandareense era pouca habitada, possuía uma produção agrícola e pecuária voltada para o próprio sustento, iniciava a exploração da cal e comercializava com a capital alguns excedentes agrícolas, porém, trazia de Curitiba, produtos manufaturados. Resumindo, para o povo, o coronel era um político. Porém, 177

QUEIRÓZ, Maria Isaura - O mandonismo local na vida política brasileira. São Paulo: Alfa-Omega, 1976.

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com fama adquirida devido aos conflitos gerados pelas disputas de poder entre os próprios coronéis. Diante destes expostos, não raro é perceber nos depoimentos das pessoas que presenciaram este momento em Tamandaré. Relatos demonstrando que os coronéis que por aqui pisaram, eram pessoas boas na relação com o povo comum. Pois, eram prestativos e de boa convivência. Porém, longe de haver contradição na informação, eles eram intolerantes na relação de convivência e disputa pelo poder entre eles próprios, ou seja, entre os que tinham o poder. Neste contexto, não raro, era encontrar famílias desses políticos nesta época que não se falavam. Pois, se tratavam como inimigas. E também, não era ficção, entrar em contato com histórias contadas pelos mais antigos, de filhos de coronéis inimigos, que acabavam se casando escondidos para evitar a dura repreensão dos pais. Segundo relatos de seu Generoso Candido de Oliveira, filho do Coronel João Candido de Oliveira; ele relatou que seu pai, não se dava muito bem com sua irmão mais velha, dona Rachel Candido de Siqueira, em virtude de divergências políticas, geradas em consequência do primeiro casamento entre seu pai e sua mãe Amélia. Ou seja, o jovem João Candido de Oliveira pertencia a uma família rival politicamente da família da senhorita e futura esposa Amélia Almeida. O senhor João Candido de Oliveira e Dona Rachel só fizeram as pazes, motivados pela eminência da presença da morte que se aproximava para Dona Rachel, o qual chamou seu irmão para por um fim nas magoas guardada por décadas. O futuro Coronel era maragato (partidário do federalis204


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mo) e a enérgica e política dona Rachel era pica-pau (partidária republicana do poder central forte), a qual comandava todo mundo e era firme em suas decisões, uma característica de sangue da família. O futuro Coronel, porque também pelos relatos de seu Generoso, o seu pai recebeu o comando da Guarda Nacional, do governo federal. Pois, isto se deu, porque naquela época não existia quartel nas cidades pequenas, e como o Brasil estava passando por recente transição de sistema governamental, ocorreu à necessidade do governo central, garantir que esta transição se concretizasse. Apesar de ser maragato, o governo confiou a instrução militar da cidade a ele e também a outros homens politicamente fortes da época, pois, era uma das prerrogativas do Presidente da Câmara esta competência. Porém, um dos motivos que lhe caracterizaram a fama de autoritário, foi justamente esta ordem de promover a instrução militar de civis. Pois, diferente dos dias de hoje, cujo todo cidadão brasileiro que completa 18 anos deve se alistar, porém, nem sempre é convocado. Naquele tempo, não havia alistamento, simplesmente havia um sorteio, onde o “sortudo”, deveria se apresentar. O problema e que muitos não apareciam, e diante desta situação, o coronel, era obrigado por lei, buscar o fulano onde é que se encontrasse utilizando-se dos métodos que melhor se adequassem, independente da vontade do sorteado não querer ir. Outro motivo, era que o então Coronel João Candido de Oliveira, era muito disciplinado, e cumpridor do que lhe era confiado. Por este motivo, era muito exigente e enérgico, já que necessita ver as coisas, do jeito que lhe fora ordenado pelo governo central. Porém, isto não foi uma ação exclusiva dele, pois, outros 205


Relatos de um Tamandareense Foto: Jazigo da Família Siqueira localizado prefeitos e camaristas tiveram por no cemitério do Abranches/ março de 2011 ordem que exercer esta prerrogativa (Tenente Coronel João Alberto Munhoz; Tenente Coronel Vidal José de Siqueira; Tenente Coronel Antônio Cândido de Oliveira; Tenente Coronel Antônio Cândido de Siqueira; Tenente Coronel Antônio Ennes Bandeira; Tenente Coronel Antônio Vieira Bittencourt; Tenente Coronel Eloy Artigas de Christo; Tenente Coronel Manoel Francisco Dias; Tenente Tenente-Coronel Antonio Coronel Frederico Vasconcellos; Cândido de Siqueira, 3º IntenTenente Coronel Theophilo Ca- dente de Tamandaré por dois 1892 a 1896. Falebral; Tenente Coronel João Evan- mandatos cido em 07 de agosto de 1914 gelista S. Ribas; Capitão Manoel Miguel Ribeiro,...). Estas instruções eram feitas na rua mesmo, pois não havia local próprio. Auxiliavam os “coronéis”, sargentos (militares de fato) destacados da capital. Eram os poucos que gostavam desse treinamento militar. Porém, era a lei. Que com o tempo foi perdendo importância, e talvez por este motivo, que algumas autoridades do período de final da década de 1920, deixaram de serem reverenciados ou considerados “coronéis”, pois não eram mais vistos dando instrução militar na rua. O senhor Generoso Candido, expressou que seu pai, “o Coronel João Candido de Oliveira era um homem de personalidade que quando chegava a algum lugar impunha respeito. Transmitia uma segurança e firmeza, percebida por todos e respeitada. Era um homem sincero, leal. Não falava

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bobagem, tão pouco mal dos inimigos na política. Respeitava os inimigos como adversário político. Por este motivo que ele era sempre considerado, mesmo na derrota. Mudava governo, mas ele sempre tinha prestigio com o governo que assumia. Principalmente em reconhecimento pelo trabalho que exercia. Com os próprios filhos ele era também muito enérgico. Mas tinha um coração bom. Não judiava de ninguém, não maltratava ninguém. Se o procurassem, ele sempre atendia. Ele ajudou a organizar o município em 1889”. Porém, apesar de ser bem visto. Não pelo fato de ser coronel, mas porque queria o melhor para a terra de Tamandaré. Sofreu alguns atentados. Não de populares, mas de inimigos políticos ocultos, que estavam de olho em eliminar, adversário tão poderoso e popular. O Sr. João Candido de Oliveira, nasceu em 15 de outubro de 1865 vindo há falecer 91 anos depois, na data de 18 de outubro de 1958178. Casou duas vezes, sendo que a primeira vez foi morar em Rio Branco do Sul (Votuverava), para apagar o incêndio criado com seu proibido casamento, onde montou um armazém e depois se meteu na política com o sogro. Depois disso se estabeleceu na Villa Tamandaré novamente, onde se tornou um importante político estadual do quadro de representantes do Partido Liberal. Este pequeno resumo da vida do nosso mais ilustre Coronel, não é uma particularidade dele, mas sim, um reflexo de como era a política em sua época na Villa de Tamandaré. A qual independente de personagem ou fato mais radical (ou menos), o cenário era sempre o mesmo.

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Lápide do jazigo onde descansa o senhor João Candido de Oliveira com sua esposa junto ao Cemitério Municipal da Sede.

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Relatos de um Tamandareense Foto: Família Cândido Oliveira Neste contexto, o coronelismo existente na Villa de Tamandaré era institucional. Pois, sua base de sustentação, não se baseava na posse de terra ou riquezas simplesmente, mas sim advinha da própria prerrogativa de competências que se faziam necessários na época. Existia sim o autoritarismo e perseguições políticas. Porém, estas características não se igualavam ao contexto apresentado João Candido de Oliveira na região nordeste do país ou regiões mais afastadas dos grandes centros.

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Relato de Luiz Arcélio da Cruz em 2011.

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A política

N

ão precisa ser nascido na cidade, para perceber que é a política, o principal foco de atenção da cidade. Principalmente pelo fato, do município não ser grande economicamente e possuir outras atividades de maior ênfase que concor ram com a política, como é o caso dos grandes centros urbano. Porém, independente de concorrência, a política é sempre

Titulo de eleitor do ano de 1937, pertencente ao Sr. Fernando Araújo Roehnelf 209


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destaque em qualquer lugar do mundo. Gostaria de escrever que política no município possui características peculiares a ele. No entanto, isto não é possível, porque a nossa política local herdou traços da própria política nacional. Neste contexto, não raro é perceber que os mesmos fatos inusitados que ocorrem aqui, acontecem em outros locais. Sempre dentro do mesmo contexto, o poder. Havia um tempo, em que o acirramento político na cidade se dava mais pelo cargo de intendente (prefeito), mesmo sem este receber salário (apenas uma verba, para cobrir despesas burocráticas). Sendo que por consequência tornava a disputa entre camarista uma guerra. Sendo assim, os poucos que disputavam o pleito, assim o faziam, para ter privilégios legais e políticos. Além de provar fidelidade partidária e de amizade, como também para provar força de representatividade (ostentar status social). Porém, outros fatores motivam estes representantes do legislativo, um deles era justamente colaborar com a melhoria do município. A partir da década de 1970, isto mudou em todo o Brasil, pois, com a obrigatoriedade do salário para os vereadores e prefeito, o pleito chamou a atenção de outros populares, que em virtude do salário, poderiam se dedicar a política sem isto trazer consequência ao sustento da família. Neste contexto, pessoas dos mais diversos setores da sociedade, independente de classe social, puderam também fazer parte da democracia ativa. Pois, querendo ou não, a implantação de salário para vereadores e prefeitos, na década de 1970, diminuiu a elitização dos cargos de representatividade pública. Neste contexto, alguns hábitos do tempo do coronelis210


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mo, se tornaram mais notórios. Como fraude e violência entre os partidários dos candidatos. Porém, a partir da própria evolução da sociedade, a Justiça Eleitoral contava com mais autonomia a ponto de coibir de forma enérgica estas ações. No entanto, alguns fatos notórios marcaram os diversos pleitos eleitorais no Brasil. Em Tamandaré isto não foi diferente. Pois, não raro na década de 1990, no período de campanha eleitoral municipal, na época dos grandes comícios, um grupo partidário rival do que se apresentava no palanque, cortar os cabos de energia no poste que abastecia o palco de apresentação dos candidatos. Para impedir que o comício se realizasse, já que geralmente era feito a noite. Como resposta, o grupo partidário vitimado, fazia o mesmo em resposta. Lembro bem disso, porque em uma dessas oportunidades, eu lecionava a noite no Colégio Estadual Jardim Paraíso. Lá pelas nove e meia da noite, mais ou menos, a luz acabou. Motivo: tinham atirado no transformador, para impedir um comício que se realizava nas proximidades. Nesta mesma época, se propagou uma pratica irritante. O furto de placa de candidato. Que inferno, era colocar uma placa para ajudar um candidato, no outro dia, ela já não estava mais lá. Independente se estava posta para dentro da cerca, ou fora da propriedade particular. Eis, que a placa era arrancada e até queimadas. Porém, muitos arrancadores foram pegos pela policia. Mas mesmo assim isto continuou acontecendo. Graças a Deus, que os chefes de coligação entraram em acordo, para não se pintar muro, pelo menos desde 2000. Pois, quando isto acontecia era pintar num dia, no outro, já estava manchado com tinta. Porém, nesta história de placa 211


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e muro, se criou uma imoral prática, da venda do espaço onde a placa seria colocada. Ou seja, o morador deixa desde que o cabo eleitoral pague. Então, não era raro, verificar casas de esquina ou em avenidas importantes do município, com placa de três ou mais candidatos. Pelo menos até a noite! Teve também o episodio do circo, onde os comícios eram feitos no interior deles, depois que as apresentações circenses ocorriam. Porém, ocorreu um fato, ainda na década de 1990, em que ao invés do pessoal cortar a luz. Fizeram a lona de o circo cair em Campo Magro. Por sorte, ninguém se machucou. Pelo menos era o que se comentava na época. Mas este fato, não era exclusivo de grupo x ou y, mas sim é uma pratica de partidários que no superficial raciocínio de achar que esta ajudando seu candidato, na verdade só atrapalha. Pois, queima a imagem do candidato, que muitas vezes, sequer conhece o pessoal que fez isto. Outro fato desagradável, que ocorre dia de eleição, é a compra de voto. Mesmo muitos sendo presos, por isto. Esta é uma pratica comum centenária. Porém, a propaganda de boca de urna é a que mais da serviço para os fiscais do Tribunal Eleitoral e mesários. É por este fato, que eu não gosto muito de trabalhar de mesário ou fiscal dia de eleição municipal. Pois, ter que chamar a atenção de conhecido é complicado, mesmo se estando na razão. Para ilustrar esta pratica, merece destaque um episodio que mais parece conto que história, mas aconteceu. Eis, que em um desses pleitos eleitorais, já no período da manhã, um candidato da região da Cachoeira, na busca por uns votos de ultima hora. Viu se aproximar já nas proximidades da secção eleitoral, uma senhora muito elegante e 212


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bonita. Aproveitando o momento que os fiscais não se faziam presente, interceptou a senhora no caminho, e lhe ofereceu um santinho. A senhora surpresa perguntou se o candidato não estava brincando. Com uma postura séria e educada falou que não, e ainda argumentou que não seria um voto desperdiçado. A senhora também de forma séria expressou: “... o senhor então esta preso!”. Resumindo, o candidato foi fazer boca de urna e ofereceu santinho, justamente para a juíza eleitoral responsável pelo pleito no município! Outro relato de fato histórico verídico, que mais parece uma estória, foi à situação ocorrida, no contexto de impugnação de uma urna na região da Freguesia. Eis, que a impugnação se deu, fundamentada no “voto corrente”, (pratica que consistia em repassar uma cédula original já preenchida, para um eleitor, que recebia algo em troca. Sendo que este, ainda tinha que trazer a sua cédula dada pela mesa sem estar preenchida, para posteriormente ser entregue a outro e recomeçar o ciclo). No contexto da denuncia, se verificou após a abertura oficial das urnas, que realmente o fato procedia. Diante disto, por ser um crime eleitoral, o candidato foi chamado pelo juiz, e lhe foi explicado que ele tinha se utilizado da fraude do voto corrente. Pois, a letras de preenchimento existentes nas cédulas, eram iguais. Sabiamente, o candidato para se defender, olhou para o juiz e expressou: “não tenho culpa que meus eleitores estudaram com a mesma professora179. Por isto que escrevem tudo igual!”. Pelos relatos de moradores antigos que participaram de muitas eleições, antes das urnas eletrônicas, a contagem era manual. Sendo assim, a possibilidade de fraude era grande. Diante desta possibilidade, sabiamente, os responsá213


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veis pelos pleitos eleitorais criaram o seguinte mecanismo: os votos de Almirante Tamandaré, eram contados por pessoas convocadas de Rio Branco do Sul. Já os votos de Rio Branco do Sul, eram contados por convocados da cidade de Almirante Tamandaré. Geralmente era um processo de um dia inteiro. E que quando ocorria a vitória de um candidato a prefeito por uma diferença de menos de trinta votos, geralmente ocorria recontagem. Apesar desses transtornos, a política no município vem evoluindo dentro de uma civilidade. No entanto ainda existe a pratica de compra de voto. Porém, a de ressaltar, que isto só é praticado, porque existem pessoas que “inocentemente” colaboram com ela. Ou seja, se não existir o “cliente”, não existe o aliciador. Pois, infelizmente, muitos do povo acham que estão fazendo um grande negocio vendendo o voto. Quando na verdade, estão cometendo um crime. Um crime que não pode ser entendido como: “não sabia que era crime!”. Pois, tanto nas escolas quanto pelos mais variados meios de comunicação é divulgado amplamente que esta pratica é criminosa. Já em termos de boa recordação, vago na memória nos tempos dos grandes comícios, onde além de se escutar as propostas dos candidatos, a coligação contratava cantores para se apresentarem. Como também, sedia espaço para grupos de musicas, cantores ou artistas locais mostrar sua arte. Era divertido. A partir de 2006 os grandes comícios seguidos de apresentações musicais e artísticas foram proibidos. No entanto o auge ocorreu no Pleito de 2004, quando se apresentaram em território tamandareense, o cantor Alexandre Pires no comício no Bairro Bonfim, as Duplas Sertanejas Milionário e José Rico, Willian e Renam, Cezar e Paulinho, apresentação do humorista Maquito, entre ou214


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tros,... Não raro eram os shows pirotécnicos. Os circos também foram proibidos. Destacaram-se neste período o Circo Áurea e o internacional Le Cirque. Em novembro de 1996 ocorreu a instalação do sistema para emissão de títulos de eleitor o qual permitiu ao cidadão um ganho de tempo. Pois, o mesmo não perdia mais de cinco minutos de espera. Já pelo antigo sistema, o documento demorava no mínimo 90 dias para ficar pronto. Naquele momento histórico, era um programa único no país, que se implantava no Estado do Paraná. Fez-se presente na implantação do sistema o Presidente do TER/PR (Desembargador Luiz José Perroti), os prefeitos de Tamandaré Cide Gulin e o prefeito eleito de Campo Magro que assumiria em 1997, Senhor Louvanir Menegusso, além do Juiz Eleitoral da Comarca Dr. Osvaldo Nallim Duarte e outras autoridades. Tirando estes problemas e fatos pitorescos, Almirante Tamandaré possui em sua centenária história, vários pleitos eleitorais para a escolha de prefeitos e vereadores. Com exceção, da primeira administração, após a primeira vez que foi suprimida a existência autônoma do município. A qual foi indicada pelo governo estadual, o prefeito Serzedelo de Siqueira no sentido de desenvolver ações e condições para os futuros pleitos no período após abril de 1933. Com a extinção da Villa de Tamandaré em 1938 a localidade foi integrada a Curitiba. Ficando nesta condição durante todo o período do Estado Novo (1937 até 1945). Tempo em que as Câmaras Municipais são extintas em todo Brasil. Sendo que mesmo com o advento do ressurgimento das Câmaras Municipais, só em novembro de 1947, que Timoneira volta a ter vereador e também prefeito. Pois, até a este período, a cidade era um distrito de Colombo. 215


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Sendo assim houve os seguintes pleitos eleitorais a partir de 1947 disponibilizados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e Complementados por dados específicos da Câmara de Vereadores de Almirante Tamandaré. O Município Timoneira foi primeiramente administrado por um curto período de dois meses por João Batista de Siqueira 19 de outubro de 1947 a 6 de dezembro de 1947. O qual ficou responsável em organizar o processo de transição e garantir a boa ordem do primeiro pleito eleitoral após a restauração da autonomia que contava com colégio eleitoral de 1662 eleitores, marcado para a data de 16 de novembro de 1947. O qual participou o industrial Sr. João Wolf do PSD, que foi eleito com 584 votos, contra o também industrial o Sr. Antonio Zem da UDN, que ficou em segundo com 524 votos. Nesta mesma data, se elegeram os integrantes da Câmara Municipal de Timoneira, que ficou composta da seguinte maneira: Lauro Baptista de Siqueira, (PSD) com 230 votos; João Batista de Santa, (PSD) com 79 votos; Estefano Witoslawski, (PSD) com 72 votos; Frederico Manfron, (PSD) com 38 votos; Miguel Freitas, (PSD) com 35 votos; Hemetério Torres, (UDN) 175 votos; Sebastião Zem, (UDN) 105 votos; José Ziolkowiski, (UDN) com 70 votos e Angelo Broto Sobrinho, (UDN) 49 votos180. Sendo que: Alfredo Lugarini, Gustavo Joppert e o Sr. Odilon João Trevizam, foram suplentes que exerceram o mandato, com destaque ao Sr. Gustavo Joppert, que foi presidente da Câmara em 1951. Os outros distintos cidadãos tamandareense que exerceram a presidência da Câmara dos Vereadores de Timoneira, nesta gestão foram: Lauro 180

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARANÁ. Resultado das eleições de 11 de novembro de 1947. Disponível em:< http://www.tre-pr.jus.br/internet2/tre/estatico/eleicoes/anteriores/index.jsp > Acesso em: 11 Dez. 2010.

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Baptista de Siqueira 1948 e 1949 e o Sr. Hemetério Torres em 1950181. Desta histórica votação, votaram 1136 eleitores, dos quais 1108 votos foram válidos ocorrendo à abstinência de 526 eleitores, ou seja, 38% do eleitorado não votaram. O que totalizou 1662 eleitores182. Outro fato interessante diz respeito à votação do Sr. Lauro Baptista de Siqueira, o qual ostenta a maior votação de um candidato a vereador no município. Pois, apesar de ter computado “só” 230 votos (na comparação das votações atuais), isto representava uma proporção de 25.4% de votos validos. Em um comparativo, só para se vislumbrar uma ideia, na eleição de 05/10/2008, o candidato a Vereador Aldinei José Siqueira, pegou 1975 votos (foi o vereador mais votado), porém este número só representou 4.29% dos votos válidos183. Arquivo Família do Sr. Joel Siqueira Em 22 de julho de 1951: 49ª Zona (composta de 13 urnas e 13 secções), 2807 eleitores dos quais apenas 723 não compareceram. Totalizando apenas 2064 votos validos, pois 10 foram nulos e 10 foram brancos. Disputaram o cargo de prefeito: o Sr. Ambrósio Bini obtendo 698 votos; Lauro Baptista de Siqueira obteve 672 votos; João Antonio Zem alcançou 500 votos e o Sr. Abel da Lauro Baptista de Siqueira Silva obteve 184 votos. 181

182 183

PORTAL DA CIDADE DE ALMIRANTE TAMANDARÉ. Galeria dos Prefeitos (Poder Legislativo). Disponível em: < http://www.tamandare.pr.gov.br/secretarias/gabinete/prefeitos/galeria.php?gestao=1948 > Acesso em: 11 Dez. 2010 Idem. TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARANÁ. Resultado das eleições de 05 de outubro de 2008. Disponível em:< http://www.tre-pr.jus.br/internet2/tre/estatico/eleicoes/anteriores/resultados/20081005A74071.pdf> Acesso em: 12 Dez. 2010.

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A Câmara Municipal ficou composta por três representantes do Partido Social Trabalhista: Frederico Manfron com 149 votos, Euclides Ribas Machado com 95 votos e Odilon João Trevisan com 93 votos. Já os representantes do Partido Social Democrático foram: José Jarecki com 88 votos, Manoel Freitas com 78 votos e o Sr. Severino Menegusso com 60 votos. A União Democrática Nacional, contou com Alexandre Meger com 61 votos e Alfredo Logarini com 59 votos. E o único representante do Partido Republicano foi o Sr. Pedro Erthal com 89 votos. Foram presidentes da Câmara: os Vereadores Odilon João Trevisan e Frederico Manfron. Foto: Galeria dos Prefeitos Na eleição de 03 de outubro de 1955, elegeu-se pela segunda vez o prefeito o Sr. João Wolf do Partido Social Democrata se elegeu com 1105 votos. Sendo que as nove vagas na Câmara Municipal ficaram assim divididas: 4 vagas para o Partido Social Democrático (991 votos), 2 vagas para o Partido Trabalhista Nacional (577 votos) e 3 vagas para Deputado Estadual e o Partido Democrata Cristão (615 prefeito Ambrósio Bini votos). Sendo que Hemetério Torres com 214 votos; Mario Wolf com 150 votos; Agostinho Túlio com 107 votos e João Batista de Santa com 91 votos, representaram o Partido Social Democrático. Já as três vagas do Partido Democrata Cristão ficaram com Domingos Natal Stocchero com 177 votos; Wadislau Bugalski com 78 votos e José Jarecki com 63 votos. Já o Partido Trabalhista Nacional teve como seu representante: Atílio Bini com 153 votos e Orlando Bonifácio Colodel com 110 votos. 218


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Foram presidentes da Câmara os vereadores: 1956 e 1959 Hemetério Torres, 1957 - Atílio Bini e em 1958 - Domingos Natal Stocchero. Já Sr. Camilo Perussi Neto do PSD, que pegou 90 votos, assumiu o cargo de vereador, já que estava na suplência. Foto: Galeria dos Prefeitos) No pleito eleitoral municipal de 04 de outubro de 1959, foram registrados 2.598 votantes que compareceram, sendo 2.542 votos validos. Sendo que para a o cargo de prefeito o Sr. Ambrósio Bini do PDS, recebeu 1009 votos, Hemetério Torres do PSD, captou 947 votos e o Sr. Antonio Johnson do PTB recebeu 589 votos. João Wolf, primeiro prefeiA Câmara Municipal foi compos- to eleito após a restauração ta por Domingos Natal Stocchero da autonomia municipal com 197 votos; Atílio Bini com 151 votos e o seu Arlindo de França machado com 132 votos, representantes do Partido Democrata Cristão. Já o Partido Social Democrata fez cinco cadeiras na campanha de José Nelepa com 163 votos; Mario Wolf com 161 votos; Fredolin Wolf Junior com 145 votos; Antenor Colodel com 137 votos e seu Camilo Perussi Neto com 132 votos. Já a única vaga do Partido Trabalhista Brasileiro, ficou com Antonio Dalazuana que alcançou 87 votos. Foram presidentes da Câmara: 1960 - Fredolin Wolf Junior; 1961 -Domingos Natal Stocchero; 1962 - Arlindo França Machado e em 1963 - Atílio Bini. Já os suplentes que exerceram mandato: Reinaldo Buzatto com 105 votos, Galdino Arruda com 91 votos e Carlos Zem com 84 votos, ambos do PDS. 219


Relatos de um Tamandareense Foto: Galeria dos Prefeitos Na eleição de 06 de outubro de 1963, existiam no município 4.462 eleitores, sendo que apenas 3.711 votaram, nas 21 secções existentes no município. Elegeu-se prefeito o Sr. Domingos Stocchero da coligação PDC/ UDN, com 1334 votos, seguido de Frederico Manfron do PTB com 1187 votos e Antonio Johnson do Atílio Bini, Presidente da Câmara de Vereadores que exerPTN com 1080 votos. ceu o efêmero mandato de Já a Câmara apresentou a se- prefeito, em decorrência do guinte configuração: Fredolin Wolf falecimento do prefeito AmJunior com 213 votos e Lauro Bap- brósio Bini, em 14 de novembro de 1963 tista de Siqueira com 148 votos, ambos do Partido Trabalhista Brasileiro. Já o Partido Democrata Cristão fez duas cadeiras assumidas por Alido Lindner com 147 votos e João Favoreto com 140 votos. A União Democrática Nacional fez três cadeiras na votação de Sebastião Bueno com 142 votos, Arlindo Machado com 141 votos e Atílio Bini com 132 votos. E por fim as duas vagas pertencentes ao Partido Trabalhista Nacional ficaram com Hemetério Torres com 138 votos e seu Reinaldo Buzato com 137 votos. Foram presidentes da Câmara: 1963 - Atílio Bini; 1964 e 1966- Alido Lindner; 1965 - João Favoretto; 1967 - Arlindo França Machado e em 1968 - Lauro Baptista de Siqueira. Já os suplentes que exerceram mandato: Mario Chiquim (UDN) que pegou 100 votos e o Sr. Camilo Perussi Neto do PTN, que pegou 134 votos. No dia da Proclamação da Republica foi realizado o pleito de 1968 (15/11/1968). Sendo que o eleitorado era de 6.117,

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Galeria dos Prefeitos onde 5.483 apareceram para votar nas 24 secções do município, elegendo o advogado Antonio Johnson do MDB e seu Vice, Frederico Manfron com 2615 votos, seguido por Alido Lindner e seu Vice Fredolin Wolf Junior da ARENA com 2587 votos. Já na composição da Câmara a Aliança Renovadora Nacional levou a melhor, com seis das nove cadeiras disponível. Sendo os ocupantes: Arzemir Francisco Gulin com 353 votos; João Che- Prefeito Domingos Stocchero vônica Antoniacomi com 337 votos; Alceu Milek com 309 votos; Joaquim Bueno de Lara com 297 votos; Reinaldo Buzato com 249 votos e seu Vicente Kochany com 245 votos. Já o Movimento Democrático Brasileiro foi representaFonte: Quadro de Formandos do Ginásio do pelos Sr. Sebastião Bueno com Estadual Alvarenga Peixoto, 1971 308; Francelido Ribas Machado Netto e Rogério Alfredo Tiemann. Presidentes da Câmara: 1969 - Reinaldo Buzatto; 1970 - Rogério Alfredo Tiemann e em 1971 e 1972 - Alceu Milek. Nas primeiras eleições da década de 1970, realizadas em 15 de novembro de 1972, de um partido só. O eleitorado era de 8.443 votantes, sendo que compareceram 7315 para votar e eleger prePrefeito Antonio feito o Tabelião Eurípides de SiJohnson, advogado

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queira e seu Vice Domingos Natal Stocchero, da ARENA I com 3825 votos contra os 3022 do Sr. Federico Manfron e seu Vice Alceu Milek da ARENA II. A Câmara formada pela Aliança Renovadora Nacional ficou assim composta: Arzemir Francisco Gulin com 540 votos; Gumercindo Boza com 526; Camilo Perussi Neto com 514 votos; João Chevônica Antoniacomi com 497 votos; Rogério Alfredo Tiemann com 490 votos; Joaquim Bueno de Lara com 478 votos; Pedro Piekas com 422 votos; Francelino Ribas Machado Netto com 396 votos e Osvaldo Avelino Trevisan com 381 votos. Os presidentes da Câmara foram em 1973 e 1974 - Arzemir Francisco Gulin e em 1975 e 1976 - João Chevônica Antoniacomi. Sendo que os suplentes que exerceram manFoto: Escola Municipal Eurípedes de Siqueira

Posse do chefe do executivo e membros do legislativo (vereadores), e alguns secretários. Prefeito Eurípides Siqueira na primeira fila ao centro de terno claro, a sua esquerda o vice-prefeito Domingos Stocchero o vereador Arzemir Gulin. Foto tirada em frente ao Ginásio Alvarenga Peixoto 222


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dato: Reinaldo Buzatto com 372 votos; Joaquim Bueno Timóteo com 353 e o Sr. Gerônimo Jarek com 312 votos. Nas eleições de 15 de novembro de 1976, volta-se ter dois partidos disputando o pleito, porém com subdivisões dentro deles. A 49ª Zona eleitora contava com 12.399 eleitores dos quais compareceram 10.966 para votar nas 42 urnas espalhadas no município. A dupla do MDB I formada pelo prefeito Roberto Luiz Perussi e o vice Sebastião Natal Colodel alcançou 3779 votos, á dupla do MDB II Alfeu Antonio Cezarini e seu vice Miguel de Freitas captaram 701 votos e o MDB III formada por João Wolf e Osmar Joppert receberam 590 votos. Já a dupla da ARENA I formada pelo Sr. Pedro Jorge e Arzemir Francisco Gulin receberam 3806 votos e a dupla Reinaldo Buzato e Valério Milek, receberam 1133 votos. Mas daí vem o questionamento, o candidato Pedro Jorge pegou mais voto que seu Roberto Perussi, então, por que seu Pedro Jorge não se tornou prefeito? É porque nesta eleição se procedia da seguinte maneira: somavam-se os votos das duplas. Neste caso as três duplas do MDB captaram 5.070 votos contra 4.939 das duplas da ARENA. Diante disto, pelo fato da chapa formada pelo candidato a prefeito Roberto Luiz Perussi e seu vice Sebastião Natal Colodel terem sido a dupla do MDB mais votada, foram eles então eleitos. Já a Câmara ficou distribuída assim: cinco vagas conquistadas para a ARENA pelos candidatos: Ariel Adalberto Buzato com 498 votos; Joaquim Bueno de Lara com 493 votos; Raimundo Prestes de Siqueira com 447 votos; Jorge Jarek com 366 votos e Rogério Alfredo Tiemann com 361 votos. Já o MDB, ficou representado pelo Wilson Moro Conque com 652 votos; Reinaldo Purkote com 523 votos; Eucli223


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des Fávero com 370 votos e José Air Colodel com 361 votos. Este pleito eleitoral, também contou com a primeira mulher a concorrer ao cargo de vereador e se tornar suplente: dona Terezinha Pinto de Camargo do MDB que recebeu 244 votos. Acervo Família Kotoviski

Título eleitoral do ano de 1958. Pertencente a Pedro Jorge Kotovski, o qual disputou o pleito para vereador em 22/07/1951, representando a legenda do PSD, captando 32 votos, (2,5% dos votos validos), ficando apenas como suplente. Este título eleitoral teve valor até 15 de novembro de 1978 224


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Foram presidentes da Câmara em 1977 e 1978 - Wilson Moro Conque; 1979 e 1980 - Joaquim Bueno de Lara e em 1981 e 1982 - Reimundo Prestes de Siqueira. No dia 15 de novembro de 1982, tivemos outro pleito com somatória. Porém, aparecem novos partidos disputando vagas para o executivo e legislativo. O numero do eleitorado dobrou em relação a 1976, sendo um total de 24.048, onde 19.197 votaram nas 83 secções da 49ª zona eleitoral. Com chapa única formada pelo candidato a prefeito Industrial do Calcário Ariel Adalberto Buzato e o seu Vice o Industrial Pedro Jorge, o PDS alcançou 7.236 votos. Contra 7.123 votos das três duplas do PMDB: Moisés Torquato e Antonio Waintuk receberam 3692 votos; Jovino Estevão da Cruz e Osmar Joppert com 2385 votos e Harley Clovis Stocchero e Osmar de Siqueira com 1049 votos. Já o PDT alcançou 225 votos com a dupla Ludovico Kowalski e vice Agenor Tissot. Por fim as duas duplas do PT formadas pelo senhor João Batista Menezes e Valdomiro de Assis que pegou 47 votos e Adão Figura e Waldemar Crisante Sinhori pegou 39 votos, somando 86 votos. Já a Câmara ficou formada por João Sabino com 598 votos; Zair José de Oliveira com 572 votos; João Batista de Siqueira Neto com 557 votos e Fredolin Wolf Junior com 507 votos ambos do PMDB. Já o PDS ficou representado por: Antonio Carlos Buzato com 637 votos; Raimundo Prestes de Siqueira com 579 votos; Wilson Moro Conque com 571 votos; João Chevônica Antoniacomi com 543 votos e Gerônimo Jarek com 496 votos. Foram presidentes da Câmara em 1983 e 1984 - Wilson Moro Conque; 1985 e 1986 - Antonio Carlos Buzato e em 1987 e 1988 - Gerônimo Jarek. Já o suplente que exerceu mandato foi o Sr. Odair Ribas Machado do PMDB, com 504 votos. 225


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Na ultima eleição realizada na histórica data de 15 de novembro de 1988, Almirante Tamandaré passou a ser a Zona Eleitoral 156, sendo que esta iniciou com 26.052 eleitores, onde 24046 apareceram para votar. Com pleito simples para prefeito, a chapa do PDT formada por dois ex-prefeitos Roberto Luiz Perussi e o vice Eurípedes de Siqueira pegaPrefeito Ariel Adalberto ram mais votos que as outras Buzzato/Fevereiro/1986 quatro chapas concorrentes juntas, ou seja, 9258 votos. A chapa do PTB, formada por Moisés Torquato e João Lalico pegaram 3659. Já a chapa do PMDB formada pela dupla Wanderley A. Oliveira e Antonio Carlos Buzato receberam 3373 votos. A dupla do PT formada por Nazário Schimiguel e Felício Neris de Lima captou 545 votos e a dupla do PSC formada por José Roberto Caxiado e Vicente Assunção pegou apenas 210 votos. Formaram a Câmara de Vereadores: o Sr. Tadeu Edison Boza com 897 votos; Dirceu Pavoni com 774 votos; Vicente Romano Lovato com 655; João Antonio Bini com 576 votos e João Carlos Bugalski com 571 votos ambos do PDT. Já o PTB foi representado por Celso Augusto Vaz com 570 votos e Lauro Barchik com 268 votos. Gerônimo Jarek com 538 votos e João Chevônica Antoniacomi pegou 304 votos, ambos do PMDB. Foram presidentes da Câmara: em 1989 e 1990 - João Carlos Bugalski e em 1991 e 1992 - João Chevônica Antoni226


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acomi. Já os suplentes que exerceram mandato foram Benito Antonio Buzato do PTB com 233 votos e seu Zair José de Oliveira do PDT com 550 votos. Foto: Folha de Tamandaré, Relatório do Cerimonial do Compromisso à bandeira e entrega do CDI, 17 de abril de 1989

Vereadores Lauro Barchik, Celso Augusto Vaz, Tadeu Boza, Vicente Lovato, primeira Dama Sueli Regina Perussi, Prefeito Roberto Perussi, Tenente Mobuabi Morederre, José Roberto Perussi e sua esposa Ariete Perussi

Com nova data, o pleito agora se realizava em 03 de outubro de 1992, o município já contava com um eleitorado de 34.962 sendo que nesta eleição votaram 29.065. Mas só foram válidos 23.944. Foi eleito com 8853 votos do PDT, o Industrial do Calcário Arcidíneo Felix Gulin. Seguido de Antonio Cezar Manfron de Barros do PRP com 7338 votos; Ariel Adalberto Buzato do PST com 5304 votos, Miguel Siqueira Donha do PSDB com 828 votos; Irio Decker do PT com 592 votos; Jaime Goes Maciel do PTR com 143 votos e Nilton Luis Pienegonda do PV com 140 votos. A Câmara que agora possuía 11 vagas ficou formada por: Dirceu Pavoni com 1142 votos; João Carlos Bugalski com 585 votos e Tadeu Edison Boza com 437 votos ambos do 227


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PDT. O PST colocou Benito Antonio Buzato com 404 votos; Lauro Barchic com 347 votos e Amarildo Pase com 341 votos. O PFL foi representado por Vicente Romano Lovato com 537 votos e Geraldo Karpeski com 395 votos. O PTB teve como representante o Sr. Luiz Carlos Czelusniak com 595 votos. E por fim o PL teve Arlei Bueno de Lara com 479 votos. Foi presidente da Câmara em 1993 e 1994 - João Carlos Bugalski. Já os suplentes que exerceram mandato foi o Sr. Jadir Ribeiro de Almeida do PFL com 273 votos. Nesta eleição ocorreu um fato novo, pois foi a primeira vez que os candidatos a prefeito de Almirante Tamandaré participaram de um debate transmitido pela televisão. Fonte: Acervo de Carlos Rodolfo da Cruz Em 03 de outubro de 1996, o número de eleitores era 32.734. Porém só votaram 28.550 sendo os votos válidos 25.078. Foi eleito prefeito com 12.224 votos o Bacharel em Direito Antonio Cezar Manfron de Barros do PPB; Dirceu Pavoni do PDT alcançou 10581 voSantinho ou volante de propaganda eleitoral, utitos; João Carlos lizado no pleito eleitoral de 1992 o qual ainda utiBugalski do PTB lizava cédulas de papel 228


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obteve 1323 votos e Luiz Romeiro Piva do PT alcançou 950 votos. Os onzes vereadores foram: Zair José de Oliveira com 506 votos e Allan Gaissler de Queiros com 743 votos representando o PDT; Vicente Romano Lovato com 699 votos e João Antonio Bini com 549 votos ambos do PMDB. Vilson Rogério Goinski com 610 votos e Osni Philipps com 376 votos, representantes do PTB. Reimundo Preste de Siqueira com 529 votos; Osvaldo Stival com 493 votos e Romildo Sebastião Brito com 407 votos ambos do PPB. Wilson de Paula Cavalheiro com 505 votos e Celeste Gregório Marcilio com 278 votos ambos do PFL. Foram presidentes da Câmara em 1997 a 1998 - Wilson de Paula Cavalheiro e 1999 a 2000 - Wilson de Paula Cavalheiro. Os suplentes que exerceram mandato foram Alfredo Matos Farias do PDT com 438 votos; Antonio Angelo Prodóscimo do PMDB com 524 votos; Lauro Barchik do PTB com 358; Matilde Leite Czorne do PPB com 397 e Osvaldir Pedroso do PDT com 330 votos. Fotos: Folha de Tamandaré - agosto e dezembro de 2001 A cabeleireira Sra. Matilde com o fato de assumir através da suplência o cargo de vereadora se tornou a primeira mulher na historia do município a realizar tal façaPrefeito Antonio Vereadora Matilde Cezar Manfron Leite Czorne nha. Na ultima eleição do século XX, no pleito de 01 de outubro de 2000, eram 49.526 eleitores, mas 41.727 apareceram 229


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para votar, para eleger Antonio Cezar de Barros Manfron com 20.927 votos, contra 15.862 votos de Dirceu Pavoni. Os treze eleitos para a Câmara foram: Maria Bernadete Afornali Pavoni com 1620 votos; Walter Ortiz de Camargo com 1489 votos; José Amauri Lovato com 1180 votos; Osvaldo Stival com 960 votos; Aldair de Souza com 946 votos; Antonio Angelo Prodoscimo com 922 votos; Matilde Leite Czorne com 916 votos; João Antonio Bini com 915 votos; Reimundo Prestes de Siqueira com 829 votos; Lourenço Alberto Buzato com 763 votos; Zair José de Oliveira com 709 votos; Clarice Gulin com 544 votos e Luiz Romeiro Piva com 415 votos. Foram presidentes da Câmara em 2001 - Osvaldo Stival; 2002 - Lourenço Buzatto e em 2003 a 2004 - Lourenço Buzatto. Já os suplentes que exerceram mandato foram Francisco Nunes da Silva do PDT com 709 votos e João Gerônimo Filho com 579 votos. Este pleito foi histórico, porque apresentou no quadro dos eleitos, as três primeiras mulheFoto: Folha de Tamandaré 15 de dezembro de 2001 res a ocupar o cargo de vereadora no município de forma direta. Ou seja, sem necessitar ser pelo exercício da suplência. Como também porque foi à primeira eleição municipal do município, que utilizou o sistema eleitoral de urna eletrônica, sendo que o resultado da apuração se processou três horas depois do termino da votação. A primeira eleição municipal do Vereadoras Matilde século XXI de 03 de outubro de 2004, Leite Czorne e Clarice contou com um eleitorado de 46.362, Gulin, sendo homenageadas em 2001 mas os votantes foram 42.902 sendo 230


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os votos válidos 39.739. Foi marcada pela redução de cadeiras para o legislativo de 13 para 11 vagas. Com 20.659 votos é eleito o candidato a prefeito do PMDB, o Advogado Vilson Rogério Goinski; seguido de José Amauri Lovato do PTB com 11032 votos; Lourenço Alberto Buzato do PSDB com 3578 votos; Antonio Claret Giordano Todeschi do PTC com 2324 votos e Roberto Luiz Perussi do PSC com 2146 votos. O pleito eleitoral para o executivo foi marcado pelo fato de pela primeira vez na história do município, uma mulher ter atingido o cargo de vice-prefeito. A detentora desta marca é a Sra. Maria Bernadete Afornali Pavoni. Na Câmara ficou o seguinte: Walter Ortiz de Camargo do PTB com 1449 votos; Aldinei José Siqueira do PL com 1243 votos; José Luiz Tavares do PFL com 990 votos; Matilde Leite Czorne com 771 votos e Osvaldo Stival do PSDB com 962 votos; Francisco Nunes da Silva do PRP com 915 votos; Antonio Angelo Prodoscimo com 866 votos e Osni Philipps com 820 votos do PMDB; Marino Raulino do PTN com 771 votos Adir Paulo de Lara do PSC com 604 votos e Vilmar Perboni do PP com 726 votos. Foi presidentes da câmara o Sr. Antonio Angelo Prodoscimo. Suplente que assumiu, foi o Professor de História Luiz Romero Piva do PT com 718 votos. Já a ultima eleição municipal até o presente momento, foi realizada em 05 de outubro de 2008, e contou com um colégio eleitoral de 55.047 eleitores dos quais 49.549 votaram, porém só 36.410 foram validos. Foi eleito o prefeito Vilson Rogério Goinski com 32.048 votos contra 4.362 do candidato do PSOL, Luiz Romero Piva. Porém, também concorreu ao pleito, o Sr. Antonio Cezar de Barros Manfron, o qual segundo o TRE, teve seus votos considerados nulos. 231


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A Câmara de vereadores ficou formada da seguinte forma: Aldinei José de Siqueira, com 1975 votos; Antonio Angelo Prodoscimo com 1769 votos; Osvaldo Stival com 1438 votos; Walter Ortiz de Camargo com 1432 votos; Antonio Claret Giordano Todeschi com 1344 votos; Nereu Osni Colodel com 1166 votos; Leonel Wandley de Siqueira com 1142 votos; João Marcelo Bini 976 votos; Francisco Nunes da Silva com 925 votos; Edson dos Santos Vieira com 666 votos e Aldair de Souza com 642 votos. Foto: santinho de campanha eleitoral Foi presidente da Câmara o Sr. Aldinei José Siqueira. Com o advento do surgimento da cidade de Campo Magro, alguns políticos, conseguiram a façanha de ser vereador em Almirante Tamandaré e depois em Campo Magro, são eles: Amarildo Vice-Prefeita Dete Pavoni e o Prefeito Vilson Goinski Pase e Arlei Bueno de Lara, como também, o Sr. Geraldo Karpeski que foi vereador em Tamandaré e Vice-Prefeito em Campo Magro. Assim como o senhor Tadeu Boza foi vice-prefeito na primeira gestão do município. Fonte: Gazeta Ancorado, 07/01/1997

Primeiros administradores do Município de Campo Magro: Da esquerda para a direita: Vereadores: Miguel de Lara, Edil Boza, Vice-Prefeito Tadeu Boza, Prefeito Louvanir Menegusso, vereadores: Sergio Campestrine, Amarildo Pase, Rilton Boza, Lufrido Menegusso 232


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Saneamento básico

S

ão raros os lugares no mundo, onde se acha água com tanta facilidade como em Almirante Tamandaré. Em decorrência deste fato o sistema de água tratada e encanada, só foi implantado no município na década de 1970. Pois, em qualquer casa do município em que se visita-se nesta época, possuía um poço de onde se retirava água. No entanto com o processo de urbanização, esta realidade mudou, já que, muitos loteamentos foram abertos. Sendo que grande parte destes novos habitantes que se estabeleceram na cidade, não possuíam condições para construir um poço em casa. Diante deste fato, em outubro de 1975, é oficialmente inaugurado o sistema de abastecimento de água na cidade de Almirante Tamandaré na região da Sede184. O qual era provido por um poço artesiano, localizado junto à sede da Sanepar no município (Avenida Emilio Johnson). No entanto a de ressaltar, que a região da Cachoeira, nas proximida184

Placa de inauguração.

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Relatos de um Tamandareense

des com Curitiba, já recebia água tratada oriunda do reservatório do Bacacheri. Mas não toda a região. Em setembro de 1979 um fato interessante ocorre na cidade. Eis, que o Prefeito municipal Roberto Luiz Perussi envia um ofício à Sanepar solicitando a instalação de uma torneira publica no Jardim Monte Santo, a qual serviu para atender 60 famílias ali estabelecidas. Prontamente a Sanepar instalou a torneira em outubro daquele mesmo ano. Posteriormente uma rede de distribuição de água encanada mais complexa foi instalada na região185. No inicio da década de 1980 até 1986, a Sanepar executou aproximadamente 110 quilômetros de redes de água tratada, que eram abastecidas por três poços artesianos com vazão de 680 metros cúbicos por hora. Sendo que a região da Cachoeira recebia água nesta época e ainda recebe do reservatório situado no Jardim Monte Santo, com capacidade de 1 milhão de litros. O que beneficiava inicialmente três mil famílias. Tranqueira era abastecida por um reservatório de 80 mil litros, atingindo 350 famílias e a rede de Campo Magro possibilitou aproximadamente 200 ligações na época186. Nesta época a pesar de existir esta extração de água do subsolo, não havia o perigo dos locais mais sensíveis de Tamandaré sofrer afundamento como ocorre atualmente. Pois, naquela época as dolinas e várzeas que são pontos de abastecimento do aquífero em períodos de chuvas, não estavam aterradas ou no caso das várzeas não estavam impermeabilizadas pela ocupação humana irregular e criminosa. 185

186

TRIBUNA DOS MINÉRIOS. Monte Santo terá água. Ano XII, nº 278, Rio Branco do Sul, 23 de setembro de 1979, p. 01. REVISTA PARANAENSE DOS MUNICÍPIOS. Especial Almirante Tamandaré. Curitiba: Ed. Revista Paranaense dos Municípios Ltda, Fevereiro de 1986, ano XVIII, p.06-07.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Revista Paranaense dos Municípios

Poço artesiano da Sanepar perfurado em 1985

Em 27 de maio de 2004, o presidente da Sanepar, Stênio Jacob, ao participar de audiência pública na Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, anunciou o investimentos da estatal em Almirante Tamandaré na ordem de R$ 5,2 milhões. Os quais, R$ 2,7 milhões foram utilizados para a construção de reservatório e de distribuição nas localidades de Mato Dentro e Monte Santo187. Já os outros R$ 2,5 milhões foram recursos para a construção do complexo Barigui. Ou seja, um complexo que inclui a Captação e a Estação de Tratamento de Água no Rio Barigui, com capacidade de produção de 200 litros por segundo. Estas obras foram consequência da necessidade de desativação de cinco poços artesianos existentes no centro da cidade. Os quais estavam colocando em risco a própria existência da Sede188. Em 2005, foi entregue a Estação de Tratamento Complexo Barigui. Com o advento desta estação de tratamento, ocorreu a execução de 80 quilômetros de rede coletora de esgoto e 187

188

PARANÁ ONLINE. Sanepar investe R$ 5,2 mi em Almirante Tamandaré. Disponível em: http://paranao n l i n e . c o m . b r / e d i t o r i a / c i d a d e s / n e w s / 8 3 0 7 3 / ?noticia=SANEPAR+INVESTE+R+52+MI+EM+ALMIRANTE+TAMANDARE Acesso em: 18 Jan. 2011. Idem.

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Relatos de um Tamandareense

5.377 ligações domiciliares, o qual gerou em um primeiro momento 1.250 empregos diretos e indiretos. Entre os 141 mil habitantes beneficiados com as obras estão os moradores da Vila Grécia, Botiatuba, Jardim Paraíso e do Jardim Silvana189. Outro fato importante a se destacar, que com este sistema, ocorreu o desativamento de fossas domiciliares que possuíam uma grande capacidade de contaminar o aquífero, como também, o esgoto que irregularmente contaminava alguns rios da região (rio Botiatuba e consequentemente o Rio Barigui. Pois, o Botiatuba é afluente do Barigui). Pois, na região do Botiatuba, por exemplo, para se alcançar o aquífero, basta perfurar apenas 21 metros. Por este motivo que uma fossa possui uma grande capacidade de contaminar o aquífero. No ano de 2005 os domicílios com água tratada alcançaram 21.507 (93% do total, IBGE). Outro fato interessante a se destacar, é que até o inicio do século XXI, mesmo Almirante Tamandaré, sendo vizinho de Curitiba, ele não possuía sistema de captação e tratamento de esgoto. Já a assistência médica-sanitária, registrada até a década de 1950, se resumia a um farmacêutico e uma enfermeira atendente. Sendo que existiam apenas 2 postos de Puericultura (ciência médica que se dedica ao estudo e cuidado com o desenvolvimento do ser humano, mais especificamente da criança), um Subposto de Higiene e uma farmácia. Nesta época, a assistência especializada de um médico, só se tinha na capital. Ou quando o médico vinha da capital para atender um grupo de pessoa. Caso contrário, o atendimento era feito por uma enfermeira e suas assistentes (não formadas)190. 189

190

BEM PARANÁ. Sanepar na RMC/ 1º de Julho de 2010. Disponível em: http://www.bemparana.com.br/metropole/index.php/category/almirante-tamandare/page/5/ Acesso em: 18 jan. 2011. ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Almirante Tamandaré-PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Nos relatos do senhor Antonio Candido de Siqueira, é possível identificar que a assistência médica no município era quase inexistente. Pois segundo estes relatos os partos eram feitos na própria casa das pessoas. Sendo que na década de 1920 se destacou a parteira Ida Schinaider no Pacotuba. Que além de fazer partos era farmacêutica homeopática. Nesta mesma época Tamandaré contava com uma farmácia na região do Pacotuba, de propriedade do imigrante alemão Sr. Walter Bentz, onde era um antigo moinho191. Outras parteiras identificadas, mas na região da Lamenha, foram às senhoras Verônica Scholochaski, Rosa Bugalski e Ernestina Piontek. Porém, na sede e região a senhora Luíza Chevônica Johnson se destacou como excepcional parteira, sendo tal a notoriedade que o Hospital das Clinicas pagava para esta senhora ensinar as enfermeiras a realizarem partos192. Onde na contemporaneidade existe o Deposito de Medicamento da Saúde, localizado no prédio construído na década de 1940 (1947)193, junto a Rua Coronel João Candido de Oliveira, e que anteriormente abrigou o Fórum da Comarca de Almirante Tamandaré. Mas que em seu objetivo geral, inicialmente foi um Posto de Misto de 2ª Classe. Posteriormente na década de 1970 se tornou o Hospital e Maternidade Almirante Tamandaré, onde permaneceu como hospital até o inicio da década de 1980, onde voltou a ser posto de saúde. Já o Hospital passou a funcionar no prédio localizado na Rua Lourenço Angelo Buzato. Porém antes da construção deste posto já existia um posto de Puericultura Imaculada denominado de Concei191 192 193

Relato de Noêmia Kotoviski, aproximadamente em 1990 e de seu Antonio Candido Siqueira, em 2002. Relato de Valter Bomfin Johson, abril de 2011. Placa de inauguração do prédio e GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. A concretização do plano de obras do Governador Moyzés Lupion 1947-1950. (Arquivo Publico do Paraná, Ano 1947-1950 MFN 1146, Moysés Lupion), p. 84.

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Relatos de um Tamandareense

ção de Timoneira que se localizava ao lado da contemporânea Escola Estadual Alvarenga Peixoto. Foto: Alessandra C. de Souza, outubro de1995

Construção da década de 1940, que abrigou o primeiro hospital e maternidade da cidade e posteriormente serviu para acomodar o Fórum

Em 26 de Novembro de 2004, o Dr. Diniz Mehl Andruzko recebe o título de cidadão Honorário da cidade de Almirante Tamandaré, em respeito e reconhecimento ao seu trabalho na área da saúde do município. Pois, a história da saúde no município, se confunde com a história de vida do médico Dr. Diniz. Foi responsável pela proposição do título, o então Presidente da Câmara Municipal, o Sr. Lourenço Buzato194. Nos anos de 1993 foram realizadas 79.621 consultas e 13.795 crianças foram imunizadas contra a poliomielite; em 1994 foram atendidas 112.167 pessoas e 13.262 crianças foram imunizadas contra a poliomielite. No ano de 1995 ocorreram 142.443 consultas realizadas nos postos de saúde. Sendo que a vacinação contra poliomielite atingiu 12.942 crianças de 0-5 anos. Já em 1996, 14.889 foram imunizadas contra a poliomielite. 194

FOLHA DE TAMANDARÉ. Dr. Diniz Andrusko recebe título de cidadão Honorário. Ano XIX, nº 495, novembro de 2004, p. 02.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

No ano de 1996, o Hospital e Maternidade Almirante Tamandaré, localizado na Rua Lourenço Angelo Buzato, foi agraciado pela indicação de uma ambulância no sorteio do Papa Tudo. Ou seja, este sorteio era apresentado pela Xuxa na Rede Globo aos Domingos, e o ganhador do premio deveria sempre indicar uma instituição para ser doada uma ambulância. Sendo assim o contemplado Vanderlei Novakowski, residente na época no Jardim Santa Maria (Botiatuba), indicou o Hospital da Sede no sorteio de 28 de abril de 1996195. Foto arquivo Gazeta Ancorado – 24/12/1996

A apresentadora Xuxa, entregando a chave da ambulância ao Sr. Vanderlei Novakowski e ao dono do Hospital o Cidadão Honorário de Tamandaré, o médico Dr. Diniz Mehl Andruzko

Sobre o assunto ambulância, a primeira foi posta para atender a população na gestão do prefeito Domingos Stocchero, sendo esta uma Rural Willis, que estava sobre responsabilidade do senhor Sebastião Bueno, o qual curiosamente também fazia o translado do falecido do hospital para a casa dos familiares. 195

GAZETA ANCORADO. Xuxa entrega ambulância. Ano II, nº 31, 24 de dezembro de 1996, p.4.

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Relatos de um Tamandareense

Ainda no ano de 1996, se elege vereador o saudoso Dr. Allan Gaissler de Queiros. O qual, por muitos anos prestou serviços à sociedade tamandareense. Outro médico que se destaca na cidade por seu empreendimento de sucesso no campo de combate ao stress, depressão e obesidade a mais de três décadas é o Dr. Ismael Lago. No ano de 1931, em protocolo de nº 36 daquele ano, o Dentista João Gualberto Pereira, tece pedido de revisão da tributação recaída a sua atividade caracterizada de Gabinete Dentário Ambulante. Pois, ele argumenta que a licença de sua permanência no município que era de 90 dias, possui um valor exagerada em comparação com outros municípios da região196. Esta manifestação observada em um simples protocolo demonstra em seu contexto, como era desenvolvido o atendimento dentário no município e região nesta época. Ou seja, como o deslocamento até a capital era complicado. Este serviço era prestado por dentistas particulares que se deslocavam até as cidades da região e permaneciam por um tempo. Voltando posteriormente no ano seguinte.

196

Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

A energia elétrica

C

hego a minha casa ao som de trovoadas e relâmpagos, era mais ou menos oito da noite. Sem muito, a perder tempo, já que tinha que terminar um texto de pesquisa e depois assistir o jogo do Atlético às 21:50 horas da noite, fui tomar um bom e gostoso banho quente. Já no meio do banho, todo ensaboado, cai a luz. Se estivesse no verão nem reclamaria. Mas era inverno. Naquela circunstancia, o jeito foi enfrentar a água fria. Pensei ser uma queda de luz rápida, porém me enganei. Percebi que meu texto que carecia de terminar feito no computador teria que esperar para o dia seguinte. Da mesma forma, imaginava que teria que escutar o jogo do Atlético pelo rádio. Pois, televisão nem pensar. Esquentar o leite só no fogão, pois, o forninho de micro-ondas naquele instante era só uma peça decorativa. Rapidamente me raiou na consciência o quanto somos dependentes da energia elétrica. Pois, algumas horas sem ela, já se torna um caos. Então, aquela noite, também me fez lembrar os tempos contados por meus parentes e meus pais. Pois, eram tem241


Relatos de um Tamandareense

pos em que a energia elétrica, era um artigo de luxo, não de necessidade. Segundo relato de moradores antigos, a energia elétrica em Almirante Tamandaré, era produzida particularmente por quem dispunha de condições financeiras e principalmente que possuía um terreno com rio ou lago capaz de produzir força hidráulica o suficiente para mover geradores de energia. Mas mesmo produzindo energia, a distribuição dela se resumia em atender as necessidades da pessoa que o produzia. Mas não por egoísmo. Mas sim, porque não existia uma rede de distribuição para a comunidade, como existe atualmente. E se existisse, com certeza, a energia gerada, não atenderia a demanda de mais de uma casa com alguns focos acesos. Resumindo, a energia elétrica naqueles tempos (décadas anterior a 1960), só servia para iluminar a noite, fazer funcionar moinhos elétricos e manter funcionando geladeiras comerciais de comerciantes mais abastados. De luxo, só alguns moradores possuíam o rádio elétrico. Sendo um fato comum, as pessoas no fim de tarde, se reunirem nas casas dos conhecidos que o possuíam para escutar a Voz do Brasil, (década de 1950), programas sertanejos, transmitida legalmente pela radio emissora ZYS-25. Na época denominada de Rádio Cultura do Paraná197 de responsabilidade do Sr. Gabriel Cubis, que poderia ser ouvida em 500 quilo-ciclos. A qual se localizava na antiga Estrada da Cachoeira (hoje Rua Antonio Johnson nº 3761 (aproximadamente), terreno onde atualmente se encontra a autopeças Vila Nori). E era abastecida pela energia produzida por um gerador movido por um motor a combustão interna. Esta rádio era filiada a Rede de Paranaense de Emisso197

ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Almirante Tamandaré-PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

ras S/A (antiga Rádio Clube Ponta Grossense S/A). A qual foi solicitada a estabelecer sem direito de exclusividade na cidade paranaense de Timoneira a Radio Cultura do Paraná, sob a luz do Decreto nº 35.655 de 14 de junho de 1954, assinado pelo então Presidente da Republica, o Sr. Getúlio Vargas198. Nesta época seu Antonio Rodrigues Dias apresentava um programa que tocava musica, o qual para descobrir a preferência do ouvinte, ia de casa em casa verificando que músicas elas gostariam de escutar199. Pois, era uma época em que não havia telefone para pedir musica como se faz atualmente. Com o fechamento da Radio Cultura do Paraná, os moradores de Almirante Tamandaré só contemplaram outra radio com sede no município em 1999. Quando então a partir do advento da Lei da Radiodifusão Comunitária - Lei nº 9.612, de 19 de fevereiro de 1998, assinada pelo então presidente da Republica Fernando Henrique Cardoso. Possibilitou que a Radio Comunitária Timoneira no prefixo 104,9 FM, com potência de 20 w (já que por lei, sua transmissão estava limitada a região do município), a funcionar. Esta emissora comunitária se localizava na Rua Didio Santos, nº 276, no centro da cidade, sendo que sua fundação contou com os esforços do Frei Darci Catafesta e com o Sr. Valter Johnson Bomfin200, responsável administrativamente pela rádio. Contemporaneamente a cidade de Almirante Tamandaré conta com a emissora Radio Barigui (em homenagem ao Rio Barigui que passa pelo município). A qual começou a operar legalmente no prefixo AM 1560 MHZ, na cidade em 198

199 200

PRESIDÊNCIA DA REPUBLICA, SUBCHEFIA PARA ASSUNTOS JURÍDICOS. Decreto 35.655 de 14 de junho de 1954. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D35655.htm> Acesso em: 28 dez. 2010. Relato de seu Leônidas Dias em abril de 2011. Relato de Valter Johson Bomfin, abril de 2011.

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Relatos de um Tamandareense

01 de julho de 2007, pertencente ao então Antonio Cezar de Barros Manfron. Sua sede fica na Rua José Carlos Colodel, 306, centro da cidade201. Exemplos de moradores que se serviram de eletricidade nesta época (década de 1940 até 1962) são: meu avô Pedro Jorge Kotovski, que produzia energia, a partir de uma pequena queda de água existente atrás de casa, alimentada pelo curso do Rio Botiatuba; seu vizinho e irmão José Francisco Kotovski, que a principio tinha que encher com a água do rio Botiatuba, um pequeno canal artificial, para daí sim, produzir energia hidráulica suficiente para girar a grande roda do gerador; seu Antônio Gedeão Tosin, que produzia energia em sua propriedade (atualmente onde fica o SPA Estância do Lago), sendo o lago, seu principal provedor de força hidráulica; seu Leandro Estefano Tosin (seu Lalo), que produzia energia elétrica a partir de uma barragem artificial no rio Barigui, (que ainda existe no centro de Tamandaré, próximo à ponte da estrada de ferro, que margeia a Rua Foto – Álbum da Família Kotoviski/outubro de 1975 Coronel João Cândido de Oliveira) a qual abastecia sua fabrica de calcário e residência; seu Rodolfo Estevão da Cruz, depois de usar muita bateria, também construiu um gerador hidráulico de energia elétrica, aproveitando a força do Rio Ruínas do que restou da antiga roda de que fazia girar um pequeno alternada Barra na Localida- água dor, para produzir eletricidade. Não existe de da Barra de Santa mais 201

RADIO BARIGUI. Quem Somos. Disponível em:< http://www.radiobarigui.com.br/> Acesso em: 28 dez. 2010.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Rita. Existiam outras pessoas que também produziam energia para consumo próprio no município, no entanto grande parte da população de 8. 812 pessoas na década de 1950, não desfrutavam de energia em seus lares. No que se refere à produção elétrica mais antiga no município foi feita pelos padres capuchinhos na região do Botiatuba, onde hoje se encontra a piscina dos padres, a qual era uma barragem hidroelétrica que data de 1938. Outra forma de produzir energia era através de geradores movido a motor de combustão interna, porém, era mais caro que produzir energia elétrica hidráulica. Mas para quem não dispunha de muitos recursos, a bateria era uma solução barata, porém trabalhosa de manter. Já que tinha que ser carregada constantemente. Geralmente, quem dispunha de geradores hidroelétricos, faziam a recarga para as pessoas que precisavam. Pois, era uma das formas de se ganhar um dinheiro a mais naquela época. Porém, isto iria mudar já no começo da década de 1960, quando a Companhia de Força e Luz do Paraná, começou a implantar a rede de distribuição de energia elétrica no município, a qual se concluiu na sede municipal no começo da primavera de 1962. O qual foi muito comemorado pelo meu avô José Ido da Cruz, que possuía uma mercearia ao lado do atual Colégio Ayrton Senna (na época Escola Normal Regional Alvarenga Peixoto). Onde neste histórico dia, minha avó Odete Basso da Cruz, ofereceu um jantar por conta da casa, aos funcionários da Companhia de Força e Luz do Paraná em agradecimento ao feito e porque no período da implantação da rede elétrica na sede, foram clientes de almoço e janta da mercearia. Porém, o fato mais marcante para o meu avô Zé Ido, foi à 245


Relatos de um Tamandareense

possibilidade de ele fabricar sorvete. Já que aguardava o advento da energia elétrica para estrear a grande geladeira que era na verdade um grande balcão com água e sal (para não congelar, porém para manter a baixa temperatura inferior à zero). Na qual eram dispostas as formas de picolé e preenchida com a massa, que congelavam em questão de minutos. Depois eram as formas tiradas, os picolés destacados e posteriormente embalados e vendidos pelos meus tios Carlos Rodolfo da Cruz e José Antonio da Cruz, que conta que quando viu o avô Ido com o sorvete, não sabia o que era, pois, aquilo era novidade para ele. Além de picolé, também era fabricado sorvete de massa, ou seja, o seu José Ido da Cruz foi o pioneiro da fabricação de sorvete no município. Mas, isto graça ao advento da energia elétrica publica na cidade. Outro beneficio que foi consequência da implantação da energia elétrica foi o advento da iluminação pública, a qual primeiramente atendendo a Rua 1 (atual Avenida Emilio Johson e a Coronel João Candido de Oliveira. Sendo que a inauguração desta contou com a presença do Governador Ney Braga que auxiliou o prefeito Ambrósio Bini a ligar a primeira luminária. A de ressaltar que nesta época as luminárias tinham que ser ligadas manualmente uma por uma, pois a rede de iluminação não possuía o sistema de rele foto-elétrico (ascende e apaga automaticamente conforme a luminosidade do ambiente). O funcionário responsável posteriormente por este serviço foi o senhor Zé Barbeiro (José Nery). Além do radio, outra forma de lazer sofisticado usufruídos pelos moradores da pacata cidade de Almirante Tamandaré, foi o advento de um cinema na cidade. O qual consta desde o ano de 1957, onde inicialmente se localizava onde 246


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

hoje é a Estância do Lago, já que lá se encontrava uma pequena usina de energia elétrica de propriedade do senhor Antônio Gedeão Tosin. Este estabelecimento se chamava Cine Mauá e possuía a capacidade para 70 lugares e funcionava no sábado e domingo. Mas tarde, com o advento da eletrificação da sede tamandareense, em 1965 o senhor João Roque Tosin (seu Joãozinho), transferiu seu empreendimento cinematográfico para sede, em frente ao atual Colégio Ayrton Sena, na atual Avenida Emilio Johnson. Foto: Arquivo Da Paróquia Nossa senhora da Conceição de Almirante Tamandaré

Cine Mauá de seu Joãozinho (João Roque Tozin), média anual de 83 sessões e aproximadamente 3479 espectadores. A estrutura do cinema também serviu a comunidade da Sede como Igreja Católica, enquanto se construía a terceira Igreja Matriz

A década de 1960, também marcou o surgimento da primeira emissora de Tv no estado, a TV Paranaense cujo canal era o 12. Meses depois o Diário dos Associados fundaram a Tv do Paraná, canal 6, e em 1967 surge a Tv Iguaçu, no canal 4202. Diante desta novidade o Sr. Pedro Jorge Kotovski adquiriu um aparelho de televisão em 1961 (26 polegada, preto e branca, com mais de quarenta quilo). O qual por 202

FERNANDO MORGADO. História da Tv no Paraná. Disponível em:< http://televisionado.wordpress.com/2009/ 10/03/a-historia-da-tv-no-parana/> Acesso em: 28 dez de 2010.

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Relatos de um Tamandareense

ser novidade, atraia os conhecidos toda à tarde no armazém que era proprietário na localidade Botiatuba, para assistir os programas da Tv Paraná canal 6 (Rintintin, Telequete Montila, Bonanza), pois a Tv Paranaense não pegava na localidade. No entanto, mesmo existindo energia elétrica na cidade, nem todo o município era agraciada pela mesma. Pois, até meados da década de 1980, muitas regiões do interior de Tamandaré, não dispunham deste beneficio. Isto fica clara, na informação que a cidade de Almirante Tamandaré após 1985 foi o município da Região Metropolitana, mais beneficiado pelo Programa de Eletrificação Rural203. Estas lembranças que me levam ao passado, apenas mostram o quanto à vida diária é facilitada pela energia elétrica. Pois, vivemos a noite como se fosse dia, já que os dias se tornaram curto demais para atender nossos anseios. E quando a energia cessa, um caos parece nos abater. Somos escravos deste progresso. Às vezes penso se conseguiríamos nos adaptar a rotina dos moradores tamandareenses das décadas anteriores a 1960. No ano de 2005, a população alcançou a marca de 88.277 habitantes (IBGE), com crescimento estimado de 5,6. A população rural diminuiu para 3.522. Já a população urbana alcançou 84.755 habitantes. Sendo que o número de imóvel com energia elétrica foi de 20.768.

203

REVISTA PARANAENSE DOS MUNICÍPIOS. Especial Almirante Tamandaré. Curitiba: Ed. Revista Paranaense dos Municípios Ltda, Fevereiro de 1986, ano XVIII, p.06-07.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Comunicações

N

esses dias em que ligo o computador e me comunico com o mundo em questão de segundo, parece ocultar, que toda esta tecnologia e facilidades de comunicação são recente no nosso país e no mundo. Pois no Brasil, a interligação de computadores só ocorreu em 1988, porém, restritas a universidades brasileiras com ligações às instituições norte-americanas. Em 1989, este sistema começa a abranger e interligar as instituições públicas. Sendo que uma dessas instituições públicas eram os bancos estatais (Banestado, Banco do Brasil,...). Neste contexto, em 15 de dezembro de 1989, as agências do Banco Banestado começavam a se integrar a Rede do Banco 24 horas204. Já em 1990, começava operar tanto no Banco Banestado, quanto no Banco do Brasil e também no Banco Bamerindus o Sistema de Transferência Eletrônica on-line, cujo sistema operava em transmissões via-satélites. Porém, essa interligação digital só chegou ao município de Almirante Tamandaré no final de 1991. Ou seja, as instituições financeiras do muni204

FOLHA DE TAMANDARÉ. Banestado se integra ao Banco 24 horas. Ano V, 1ª quinzena dezembro de 1989, nº 87.

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Relatos de um Tamandareense

cípio, foram as primeiras a utilizar o sistema de interligação de computadores na cidade. Em 1992, as informações através de um sistema interligado, foi aberta ao publico, restrito, porém, se desenvolvia para atender interesses comerciais. Bancos em rede, instituições governamentais e universidades por exemplo. Em 1995, o governo tentou abrir a Rede para acessos a servidores comerciais diversos privados. Porém, só em 1997 com advento de infraestrutura necessária, foi possível tornar popular o acesso à internet no Brasil. No entanto, em tempos do inicio do século XX, a única forma de comunicação rápida mais limitada, que existia com a Capital, Votuverava (Rio Branco do Sul) e por onde se estendia a linha férrea era através do telegrama. O qual poderia ser utilizado na cidade nas estações da Cachoeira, Tranqueira e da Sede. Este sistema de comunicação inicialmente era controlado pela concessionária que administrava a ferrovia até o advento da Empresa de Correios e Telégrafos. Porém, a comunicação tradicional a longa distancia sempre se fez por carta. Esta forma de comunicação transcende as origens do descobrimento, sendo assim, a comunicação por carta sempre esteve presente na história de Tamandaré, sendo que inicialmente esta comunicação era feita por particulares e pessoas comuns, que quando iam para a capital, levavam as cartas aos endereçados, e consequentemente traziam a resposta destes. Com o advento do trem, estas respostas ficaram mais rápidas, já que toda semana o trem passava pela cidade para abastecer, ser carregado e pegar o malote de carta que tinha origem na caixa postal existente no inicio do século XX nas estações de trens (Cachoeira, Sede e Tranqueira). Para poder utilizar este serviço, era necessário que as cartas fossem seladas. 250


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Em 1931 é criado o Departamento de Correios e Telégrafos, o qual melhora um pouco o serviço postal na cidade. Porém, continuou vinculado a Rede Ferroviária, no entanto, neste período se destacou seu Domingos Scucato, pois, por trinta anos foi o principal prestador de serviço e agente do Departamento de Correios e Telégrafos em Almirante Tamandaré205. No ano de 1934, já constava em Tranqueira uma Casa de Correios sob a responsabilidade Senhora Almerinda Kruger. No ano de 1967 foi criado o Ministério das Comunicações que, a partir de 1968, recebe em sua estrutura o já existente Departamento de Correios e Telégrafos - DCT. Sendo que em 20 de março de 1969 o Departamento de Correios e Telégrafos, por meio do Decreto-Lei nº 509 é transformado na empresa pública Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT206. O qual teve como principal agente o Sr. João Scucato, Rosa Scucato Ziolcowski (década de 1940) e posteriormente dona Zélia Viana. Sendo que o trem foi utilizado como meio de transporte de malotes de carta até o advento da Estrada Estratégica. Já pela Estrada Estratégica o ônibus da viação Expresso Rio Branco, foi um meio que facilitou o transporte dos malotes do correio. Porém, a de ressaltar que além da carta, no contexto de emergência, se utilizava o telégrafo, disponível na cidade, desde a chegada da linha férrea na década de 1900. Na gestão do Prefeito Ariel Buzato foi instalado no município, postos de serviços dos Correios e telégrafos nas seguintes localidades: Campo Magro, Tranqueira e Lamenha Grande207. 205 206

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TRIBUNA DOS MINÉRIOS. Centenário de Domingos Scucato. Ano XII, 23 de setembro de 1979, nº 273. MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES. História dos Serviços Postais. Disponível em:<http://www.mc.gov.br/ o-ministerio/historico/historia-dos-servicos-postais>Acesso em: 06 de Jan 2011. REVISTA PARANAENSE DOS MUNICÍPIOS. Especial Almirante Tamandaré. Curitiba: Ed. Revista Paranaense dos Municípios Ltda, Fevereiro de 1986, ano XVIII, p.06.

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Relatos de um Tamandareense

Já a telefone em Almirante Tamandaré, foi uma consequência do próprio desenvolvimento desta tecnologia no Brasil, pois é muito recente, já que se confunde com a própria história da Telepar em 27 de novembro de 1963, Neste período eram 4,5 milhões de paranaenses dividiam 21 mil telefones. Constituída por capital público e privado, a Empresa iniciou a execução de um plano básico de telecomunicações. Multiplicaram-se as instalações e a TELEPAR passou a fornecer serviços locais e interurbanos de telefonia, até então operados precariamente por pequenas companhias, algumas delas somente com serviço local. Ou seja, desde 1887, já existia telefone em Curitiba. Implementado pelo próprio inventor do telefone, Alexander Graham Bell que ligava o Palácio da Presidência do Estado (esquina da Rua Barão do Cerro Azul e Carlos Cavalcanti) com a Secretaria de Polícia, o Quartel do 3º Regimento de Artilharia e a Estação da Estrada de Ferro. Sendo que em 1895 já existiam 50 linhas de telefones particulares estados e telefones públicos. Em 1907, Ponta Grossa recebe a primeira Companhia Telefônica do Paraná. Em 1927 é Criada a Companhia Telefônica Paranaense vendida em 1935.208 Mas com o advento da Telepar processo de modernização foi rápido. Pelo fato de Almirante Tamandaré estar próximo a capital, já em 1966 foi beneficiado com o telefone, pois neste ano, ocorreu uma reunião entre os moradores da Sede, a qual a Telepar fez a seguinte proposta: “era necessário à localidade adquirir no mínimo 50 telefones, para que fosse implantada a telefonia na cidade”. Neste contexto, a proposta foi aceita, sendo que a prefeitura comprou dois, já o 208

KROETZ, Lando Rogério. A história da telefonia no Paraná. Curitiba: TELEPAR, 1982.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

senhor Mario Veiga comprou 15 telefones209. Neste marco inicial, o numero de telefone só possuía dois dígitos. O fone da Prefeitura era 22. No começo dos anos 70, praticamente todo o Estado era pioneiro nos serviços interurbanos com Discagem Direta À Distância (DDD). A partir de 1971 isto mudou com o Plano de 1 Milhão de Telefones para Curitiba. Em 1975, quando o governo federal incorporou a Telepar ao Sistema Telebrás, encontrou uma empresa forte e moderna, com expressiva capilaridade e qualidade na prestação de serviços de telecomunicações. Neste começo de década. Mas cinquenta telefones integraram a rede de Almirante Tamandaré, ocasionando a necessidade de acrescentar mais um digito no numero. Por exemplo: o numero da Prefeitura, referente ao gabinete do prefeito era 262 e a da secretaria era 222210. No ano de 1977 novas linhas são disponibilizadas ao município. Porém, apenas na Sede, no segmento da Rodovia dos Minérios e em alguns pontos do município. Ou seja, Rodovia dos Minérios, na Rua Coronel João Candido de Oliveira, na Avenida Emilio Johson, na Rua Didio Santos, na Rua Pedro Teixeira Alves e na Rua Antonio Stocchero, na Travessa Tamandaré (atual Rua Frei Mauro), Rua Rachel de Siqueira, na Wadislau Bugalski, na estrada da Venda Velha, na antiga Estrada de Colombo, Conceição, Campo Magro e no começo do Pacotuba. Os telefones existentes na cidade eram 55 de proprietários particulares e 88 pertencentes à empresa ou instituições públicas ou religiosas (calcário, comércio, banco, prefeitura,...). Já em 1978 dígitos eram de apenas seis números, exemplo: o numero da prefeitura era: 57-1122 ou 57-1314211. 209 210 211

Relato de Albino Milek (participante da reunião e comprador de dois telefones). GUIA TELEFÔNICO DO PARANÁ REGIÃO SUL 76/77. Almirante Tamandaré. Curitiba: GTB, 1976. GUIA TELEFÔNICO DO PARANÁ REGIÃO SUL 77/78. Almirante Tamandaré. Curitiba: GTB, 1977.

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Relatos de um Tamandareense

Nestes tempos, independente de condições financeiras, já que a linha telefônica era muito cara, a pessoa interessada tinha que esperar para comprar uma linha. Pois, dependia da implantação de ramal em sua rua ou localidade. No final da década de 1980 para promover o acesso ao telefone às pessoas moradoras em localidades mais retiradas, foram criados os postos telefônicos, sendo que para se comunicar com alguém naquela localidade, havia necessidade de ligar para o posto dizer com quem queria falar, e posteriormente aguardar o retorno da ligação. Pois, a atendente, ia avisar a pessoa que recebeu o telefonema, para esta retornar a ligação. Existia um posto telefônico no Marmeleiro, Retiro e Conceição. Era o sistema de telefone comunitário, o qual o primeiro foi inaugurado ainda na segunda Gestão do Prefeito Roberto Perussi, na Rua Arlindo França, no Marmeleiro, sendo a responsável pelo posto a Senhora Terezinha Paulin Stival. Este posto possuía a disponibilidade de dez ramais, mais só sete foram utilizados212. Em abril de 1994, foi inaugurado pelo prefeito Cide Gulin, outro posto telefônico que beneficiou os moradores do Marmelerinho, Cachimba e Marmeleiro213. Já na primeira gestão do prefeito Roberto Perussi a cidade começa a desfrutar de telefones públicos, sendo o primeiro da Sede localizado em frente ao Colégio Estadual Ambrósio Bini na Av. Emilio Johnson, cujo funcionamento era com ficha metálica (uma moeda com dois cortes na cara e um corte na coroa). Neste mesmo período, também foi implantado um “orelhão” (apelido para o telefone público) na Cachoeira. 212 213

Relato do sr. Osvaldo Stival, fevereiro de 2011. FOLHA DE TAMANDARÉ. Telefone Comunitário para Marmeleirinho. Ano VIII, nº 198, 31 de março de 1994, p. 02.

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Já em 1992 foi implantado o Serviço Móvel Celular no Paraná, com a ativação do serviço em Curitiba. Em 30 de janeiro de 1998 foi criado a Telepar Celular S.A, que a partir desta data passa à condição de Concessionária Pública da banda “A”, para a prestação do Serviço Móvel Celular no Estado do Paraná. Porém, só em 1997 é concluída a torre (estação de Rádio Base), que permitiu ao povo de Almirante Tamandaré, utilizar aparelho móvel celular no território da cidade214. Em 30 de junho de 1997, é sancionada a Lei Ordinária de Almirante Tamandaré-PR, nº 547, que institui o programa de apoio à instalação de empresas de telecomunicações e informática na cidade. Pois, esta foi uma boa estratégia, já que com a desestatização da telefonia, o mercado da telefonia e informática se tornou extremamente emergente e concorrida. Em outubro de 1998 a Telepar lança os cartões telefônicos da Série Municípios do Paraná. A qual era uma coleção de 399 cartões. O cartão número 04 desta série era o da cidade de Almirante Tamandaré. O qual teve uma tiragem de 230.000 exemplares. A estampa ilustrativa foi uma corAcervo da coleção de cartão de Antonio Ilson Kotoviski Filho tesia da Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré. Apesar das comunicações mais modernas Cartão da Série Municípios do Paraná 4/399 214

GAZETA ANCORADO. Telefonia celular. Ano II, nº 31, 24 de dezembro de 1996.

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Relatos de um Tamandareense

terem aparecida recentemente no município, seu impacto no cotidiano foi visível. Pois, tecnologias que até na metade da década de 2000 eram consideradas de luxo, hoje são acessíveis a diferentes classes sociais. No entanto, o suporte de infraestrutura dessas novas mídias, ainda carece de melhoramentos. Mesmo tendo ocorrido um progresso bem notório em relação à década anteriores.

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O ensino em Almirante Tamandaré

E

ra intervalo (recreio) no colégio, quando um professor que havia vindo do interior do Paraná pouco mais de um mês, comentou de forma desinformada que achava que o nível de ensino é baixo de Almirante Tamandaré por causa da falta de escolas no município. De forma pacifica e educada, tentei corrigir a informação, expressando que o problema não era a falta de escola, e sim os vetores que permeiam a Educação na região relacionada ao próprio processo de ensino. Porém, o professor ainda argumentou que não acreditava muito nisto, já que conhecia poucas escolas. Diante deste fato expressei que no município existem 17 Instituições de ensino de nível fundamental e médio, vinculadas á rede pública estadual e 49 Instituições de ensino básico. Escolas pertencentes à Rede Pública Estadual do Paraná, segundo o portal da Secretaria do Estado da Educação do Paraná (SEED/PR)215:

215

DIA-DIA-EDUCAÇÃO. Consulta Escolas. Disponível em: <http://www4.pr.gov.br/escolas/listaescolas.jsp >Acesso em 29 dez 2010.

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· Colégio Estadual Professor Alberto Krauser, localizado na Rua Roberto Drescheler, 22, Tanguá, com 791 alunos matriculados; · Colégio Estadual Ambrósio Bini, localizado na Rua São Lucas s/n, Jardim Monte Santo, com 962 alunos matriculados; · Colégio Estadual Professora Ângela S. Teixeira, localizado na Rodovia dos Minérios km 21,5, Tranqueira, com 1035 alunos matriculados; · Colégio Estadual EBJA Ayrton Senna da Silva, localizado na Avenida Emilio Johnson 1172, Centro, com 350 alunos matriculados; · Escola Estadual Floripa Teixeira de Faria, localizada na Rua Nilo Cropolato Matias, 100, Areias, com 582 alunos matriculados; · Escola Estadual Professora Jaci Real Prado de Oliveira, localizada na Rua Domingos Scucato, 998, Jardim Monte Santo, 1079 alunos matriculados; · Escola Estadual Jardim Apucarana, localizada na Rua Indaial, 60, com 362 alunos matriculados; · Colégio Estadual Jardim Paraíso, localizado na Rua Pedro Polak, 01, Jardim Paraíso, com 564 alunos matriculados; · Colégio Estadual Papa João Paulo I, localizado na Rua São Jorge, s/n, Cachoeira, com 1044 alunos matriculados; · Escola Estadual Lamenha Pequena, localizada na Rua Justo Manfron, 2000, Lemenha Pequena, com 236 alunos matriculados; · Colégio Estadual Professora Maria Lopes de Paula, localizada na Rua Estados Unidos 133, Jardim Gineste, com 1080 alunos matriculados; 258


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· Colégio Estadual Vereador Pedro Piekas, localizado na Rua Jacy Ramos Bini, 80, Jardim das Oliveiras, com 583 alunos matriculados; · Escola Estadual Professora Rosa Frederica Johnson, localizada na Rua João Antunes de Lara, 333, Cachoeira, com 732 alunos matriculados; · Colégio Estadual Tancredo Neves, localizado na Rua Rio Negro, 580, Jardim Amazonas, com 1198 alunos matriculados; · Escola Estadual Vila Ajambi, localizado na Rua Professor Alfredo Valente, 428, com 842 alunos matriculados; · Escola Estadual Terezinha Kepp, localizado na Rua Antonio de Oliveira Cruz, 82, São João Batista, com 200 alunos matriculados; · Colégio Estadual Professora Edimar Wright, localizado na Rua João Antunes de Lara, 50, Cachoeira, com 839 alunos matriculados. Já as Escolas municipais de ensino básico existentes até o presente momento, segundo as informações da Secretaria de Educação do Paraná216 são: · Escola Municipal Alexandre Perussi, localizada junto a Rua Antonio Rodrigues Dias s/n, Jardim Bonfim; · Escola Municipal Almirante Tamandaré, localizada na Rua José Carlos Colodel, 129, Centro; · Escola Municipal Alvarenga Peixoto, localizada na Rua Coronel João Candido de Oliveira, 126, Centro; · Escola Municipal Alvorada, localizada na Rua Indaial, 60, Jardim Apucarana; · Escola Municipal Arco-Íris, localizada na Rua Piraquara, 500, Jardim Roma; 216

DIA-DIA-EDUCAÇÃO. Consulta Escolas. listaescolas.jsp>Acesso em 29 dez 2010.

Disponível

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em:

<http://www4.pr.gov.br/escolas/


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· Escola Municipal Clara Anadir Buzato, localizada na Rua Nilo Cropolato Mattias s/n, Areias; · Escola Municipal Bortolo Lovato, localizado na Rua Frederico Domingos Gulin, 70, Tranqueira; · Escola Municipal Coronel João Candido de Oliveira, localizada na Rua João Antunes de Lara, 50, Cachoeira; · Escola Municipal Angela Antonia Misga de Oliveira, localizada na Rua João Goulart, 70, Jardim Cerejeira; · Escola Municipal Helena Witoslawski, localizada na Rua Justo Manfron, 2000, Lemenha Pequena; · Escola Municipal Jardim Ipê, localizada na Rua José Francisco Glodzinski, 37, Vila Feliz; · Escola Municipal Jardim Taiza, localizada na Rua Maringá 100, Jardim Taiza; · Escola Municipal Jardim Graziela localizada na Rua Áustria s/n, Jardim Graziela; · Escola Municipal Jardim Roma, localizada na Rua Campo Largo 1031, Jardim Roma; · Escola Municipal João Batista de Siqueira, localizada na Rua Pedro Teixeira Alves, s/n, Mato Dentro; · Escola Municipal José Antoniacomi, localizada na Rua Carlos Manfron s/n, Tranqueira; · Escola Municipal Lourenço Ângelo Busato, localizada na Rua São Bento, 461, Jardim Monte Santo; · Escola Municipal Eurípedes de Siqueira, estabelecido junto a Rua Leonardo Muraski, 238, Jardim Paraíso; · Escola Municipal Professor Antonio Rodriguês Dias localizada na Rua José Luiz Falcade, 58, Jardim Novos Horizontes; · Escola Municipal Professora Rosilda Aparecida Kowalski, localizada na Avenida Emilio Johnson, 47, Centro; · Escola Municipal Professora Clair do Rocio Sandri, loca260


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lizada na Rua Roberto Bredchseler, 22, Tanguá; · Escola Municipal Professora Mirta Naves Prosdócimo, localizada na Rua Dr. Placido Gomes, 105, Vila Rica; · Escola Municipal São Francisco, localizada na Rua José Real Prado, 1573, Jardim São Francisco; · Escola Municipal São Jorge, localizada na Rua São Jorge, s/n, Parque São Jorge; · Escola Municipal Vereador Atílio Bini, localizada na Rua Jacy Ramos Bini, 80, Jardim das Oliveiras; · Escola Municipal Vereador Vicente Kochany, estabelecido junto a Avenida Wadislau Bugalski, 43, Lamenha Grande; · Escola Rural Municipal Astrogildo de Macedo, localizada junto a Rodovia dos Minérios Km 19, Mato Dentro; · Escola Rural Municipal Boixininga, localizada na Estrada do Boixininga, Cercadinho; · Escola Rural Municipal João Johnson, localizada na Estrada Principal do Morro Azul, Morro Azul; · Escola Rural Municipal Maria Cavassin Manfron, Estrada Principal da Capivara Km 10, Capivara dos Manfron; · Escola Rural Municipal Serzedelo de Siqueira, localizada na Estrada Principal do Pacotuba, s/n, Pacotuba; · Escola Municipal Professor Ignácio Lipski, localizada na Rua dos Pinheiros, 100, Botiatuba; · Escola Rural Municipal Córrego Fundo localizada na Estrada Principal de Córrego Fundo s/n, Córrego Fundo; · Escola Rural Municipal Luis Eduardo Cumim, localizado na Rua Antonio Oliveira Cruz, s/n, Jardim São João Batista. Também o município dá condições para o desenvolvimento da Educação Infantil, os quais: · Centro Municipal de Educação Infantil Bonfim, localiza261


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do na Rua Padre Amantino Azevedo, s/n, Jardim Bonfim; · Centro Municipal de educação Infantil Branca de Neve, localizado na Rua João Cordeiro de Cristo, 09, Vila Grécia; · Centro Municipal de Educação Infantil Cantinho do Céu, localizado na Rua João Antunes de Lara, 30, Cachoeira; · Centro Municipal de Educação Infantil Castelo dos Sonhos, localizado na Rua Indaial, 47, Jardim Apucarana; · Centro Municipal de Educação Infantil Criança Feliz, localizada na Rua Piraquara 500, Jardim Roma; · Centro de Educação Infantil Graziela, localizado na Rua Grécia, 58, Jardim Graziela; · Centro de Educação Infantil Monterrey, localizada na Rua 01, 386, Jardim Monterrey; · Centro de Educação Infantil Paraíso, localizado na Rua Vicente Govatiski, s/n, Jardim Paraíso; · Centro de Educação Infantil Pequeno Polegar, localizada na Rua São Roque s/n, Jardim Monte Santo; · Centro de Educação Infantil Pequeno Príncipe, localizado na Rua Professora Zelete, 103, Jardim Josiane; · Centro de Educação Infantil Regina O. Wolf, localizada na Av. Brasília s/n, Tanguá; · Centro de Educação Infantil Reino Encantado, localizado na Rua Santa Maria, s/n, Parque São Jorge; · Centro Municipal de Educação Infantil Tia Chiquita, localizada, na Rodovia dos Minérios km 22, Tranqueira; · Centro Municipal de Educação Especial e Infantil Maria de Lourdes Siqueira, localizada na Rua Coronel João Cândido de Oliveira, 120, Centro. Algumas escolas desapareceram na Gestão do Prefeito Vilson Goinski (2005-2012). Porém, a atitude tomada de 262


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

extinção de algumas instituições de ensino se deu pela necessidade de remanejamento dos alunos espalhados em pequenas escolas com menos de 60 alunos e sem estrutura, para escolas com infraestrutura moderna e que concentrasse em um mesmo prédio um grande grupo de alunos. Diminuindo desta forma, o custo da burocracia funcional despendido pela escola, que se tornava muito alta na relação número de aluno/prestação de serviço público. Isto acarretou uma diminuição de despesas. As quais a principio se revertem em qualidade para a própria educação. Já que os recursos antes destinados a prover pequenas escolas (que não existem mais), se transferem para o bolo a ser distribuído para o desenvolvimento do ensino (pelo menos é dentro desta lógica administrativa que se fundamenta a ação governamental). Outro fato que possibilitou esta tomada de atitude foi o programa governamental federal de transporte escolar. As escolas municipais extintas foram: · Escola Municipal José Perussi Gasparin, que ficava na Estrada Principal do Marmeleirinho, Marmeleirinho; · Escola Rural Municipal Antonio Prado, que ficava na Rua Alberto Piekas s/n, Colônia Prado; · Escola Rural Municipal Barra de Santa Rita, ficava na Estrada Principal da Barra de Santa Rita; · Escola Rural Municipal Campina de Santa Rita, se localizava na Estrada Principal da Campina, Campina de Santa Rita; · Escola Rural Municipal Cercadinho, localizava-se na Estrada Principal do Sindicato dos Comerciários, Cercadinho; · Escola Rural Municipal Nossa Senhora das Graças localizava-se na Avenida Wadislau Bugalski, 1600, Botiatuba; 263


Relatos de um Tamandareense

· Escola Rural Municipal Sant’Ana, localizava-se na Estrada da Venda Velha, Tranqueira; · Escola Rural Municipal São Miguel, localizava-se na Estrada do Botiatuba a São Miguel, São Miguel; · Escola Rural Municipal Thereza Cavassim Manfron, Estrada Principal de Campo Grande, Campo Grande; · Escola Rural Municipal Vereador Osvaldo Avelino Trevisan, localizava-se na estrada do Pacotuba ao Marmeleirinho. Surpreso com a quantidade de escolas, o professor então tentava entender o motivo do Município de Almirante Tamandaré possuir níveis tão baixos nos índices de desenvolvimento educacionais (IDEB de 2009), média de 4.2217 bem abaixo do índice 6.0 dos países com o ensino mais evoluído. Tentando demonstrar historicamente o contexto da Educação de Almirante Tamandaré que é uma consequência do desenvolvimento tardio da educação no Brasil. Comecei a apresentar um quadro histórico resumido da história da Educação Brasileira forjada aos moldes da civilização europeia dominante no Brasil que foi introduzida em 1549 com a chegada da pioneira Companhia de Jesus (Jesuítas), com o objetivo principal de catequizar os “selvagens nativos” para torná-los cristãos. Ou seja, inicialmente a Educação não era para atender o colono. É lógico que por efeito, esta primeira manifestação do ensino abrangeu os poucos filhos de colonos existentes no território. A partir deste fato o ensino em território brasileiro começou sofrer a sorte das varias ações governamentais históricas. Entre elas as que mais tiveram influência foram: a ordem de saída da Companhia de Jesus do Território Português (na época isto valia para o Brasil), a qual deixou mui217

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Indicadores demográficos e educacionais/Almirante Tamandaré-Pr. Disponível em: <http://simec.mec.gov.br/cte/relatoriopublico/principal.php?system=indicadores&ordem= 5&inuid=4188&itrid= 2&est=Parana&mun=Almirante Tamandare&municod=4100400&estuf=PR>Acesso em: 29 dez 2010.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

tas consequências negativas por mais de dois séculos principalmente na colônia; o remanejamento da Capital Portuguesa e a vinda da Corte para o Brasil, o que obrigou o governo a investir em um sistema educacional para atender as necessidades da nobreza e burguesia deslocada para o Rio de Janeiro e Salvador; o processo de Independência do Brasil, onde a primeira Constituição já mostrou uma tímida preocupação com a Educação; o advento da transferência de competência de responsabilidade do desenvolvimento do ensino básico para as províncias, a qual para muitos cientistas da Educação ocorreu em período e forma não compatível com a realidade brasileira; o desenvolvimento da mentalidade de se repensar a cultura brasileira e manifestações em outros setores sociais na década de 1920; fundação das primeiras universidades nos principais centros urbanos do país; surgimento de tendências nacionais de tentativa de aplicação da teoria da Nova Escola; alteração de regime político e consequente alteração dos projetos educacionais; preocupação com o fim do analfabetismo e a alfabetização de adulto; desenvolvimento industrial brasileiro que norteou a política de ensino no Regime Militar que visava atender as novas necessidades da sociedade naquele momento. E por fim o novo norte ditado pela Constituição de 1988, promulgada após amplo movimento pela redemocratização do País, procurou introduzir inovações e compromissos, com destaque para a universalização do ensino fundamental e erradicação do analfabetismo. Resumindo, a Educação existente no Município, sempre foi um reflexo deste contexto. Mas com um agravante, o extremo aumento populacional que sofreu nos últimos 40 anos. Pois, querendo ou não, teve que se desenvolver uma estrutura para abraçar os anseios da população, que eram e ainda é dita265


Relatos de um Tamandareense

do pelas necessidades imposta pelo sistema capitalista. Diante deste exposto, os relatos mais antigos do desenvolvimento da educação oficialmente em Almirante Tamandaré, se dão pelo texto da Lei nº 731 de 19 de outubro de 1883218, assinada pelo Presidente da Província do Paraná, o Sr. Luis Alves de Oliveira Bello. O qual em seu artigo único dispunha da criação de uma cadeira de instrução primária do sexo masculino, na localidade de Botiatuba, distrito de Pacotuba. Porém, a relatos documentais, que já em 1872, se fazia presente uma escola na localidade. Pois, o Sr. João Cândido de Oliveira foi aluno de Antônio Pires Rocha Pombo e Antônio Joaquim Padilha. No período de 1892 a 1893 o Município de Tamandaré apenas contava com uma escola pública promiscua de ensino primário na Sede cujas professoras foram a Dona Floripa de Siqueira Macedo e posteriormente Dona Gertrudes Domitila da Cunha Martins219. Ainda no século, XIX é relatado à significativa colaboração dos recém-chegados imigrantes europeus estabelecidos nas imediações de Curitiba, entre elas se destaca a Colônia Lamenha. Que futuramente faria parte da Villa de Tamandaré, como principais propagadoras de escolas particulares, com o intuito de desenvolver conhecimento e condições de adaptação do imigrante a cultura local, isto foi observado em 1868220, mesmo existindo na região da Lamenha uma Escola Primaria Colonial221. 218

219

220

221

BLANCK MIGUEL, Maria Elisabeth. Coletânea da documentação educacional paranaense no período de 1854-89. Campinas: Editora Autores Associados, 2000. MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Quadro demonstrativo do professorado do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894, Quadro anexo, p. ( C ). CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ. 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná. Porto Alegre RS: Livraria do Globo S.A, 1953, p. 30. MUNHOZ, Caetano Alberto. Relatório da Secretaria dos Negócios Interior, Justiça e Instrucção Publica/ Resumo das Escolas de Instrucção Primaria do Estado do Paraná. Curityba: Typ. e Lith. a vapor da Companhia Impressora Paranaense, 1894, Quadro anexo, p. (D).

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Na região da Colônia Antonio Prado já se fazia existente uma escola já no ano de 1860, tendo como primeiro professor o imigrante alemão Augusto Hecke, que foi professor do Exército Alemão e Missionário da Igreja Luterana. A escola recebeu varias denominações até se instalar no prédio inaugurado em 1986 e denominado em 1991, como Escola Rural Municipal Antonio Prado. Em 2007 possuía apenas 47 alunos matriculados no ensino de 1ª a 4ª série. Em 2009 contava com 40 alunos e 4 funcionários, o que resultou no seu fechamento que gerou muitos protestos222. Também no Relatório do Superintendente Geral do Ensino Publico do Paraná, o Dr. Victor Ferreira do Amaral e Silva elaborado em 01 de novembro de 1894, é acusada a existência de três escolas subvencionadas (particulares) em Tamandaré. Localizadas no Tijuco Preto, Conceição e Pacotuba223. Sendo que a escola particular no Pacotuba denunciada no relatório de 01/11/1894 supracitado confunde-se com a própria História de vida do professor Ignácio Lipski. Nascido na Polônia em 04 de março de 1850, chegando ao Brasil em 01 de maio de 1876. Onde ao se estabelecer na Freguesia do Pacotuba, decidiu em 20 de fevereiro de 1889 criar uma escola para atender os filhos dos imigrantes poloneses da região224. Esta escola se localizava nas proximidades a atual Rua Dalzira Sila, no Pacotuba. Sabedores deste fato, os moradores da Colônia Lamenha recorreram ao professor Lipski para lecionar a seus filhos. Em 1920, auxiliava o professor Ignácio Lipski, a professora Esther Furquim de Andrade com aulas em português225. Este auxílio se dava 222

223 224 225

GAZETA DO POVO. Moradores entram com mandado de segurança contra fechamento de escola. 16 de abril de 2009. Idem, Anexos de Relatórios, Superintendência Geral do Ensino Publico do estado do Paraná, p. 40. CÂMARA MUNICIPAL DE ALMIRANTE TAMANDARÉ. Dados históricos do Professor Ignácio Lipiski (1850 – 1932). Idem.

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Relatos de um Tamandareense

principalmente no contexto de tradução. Pois naquela época grande parte dos alunos, falavam e só entendiam o polonês. Principalmente na região de São Miguel e nas Lamenhas. Por este motivo não raro nas escolas destas regiões, existirem dois professores na sala simultaneamente226. Por 41 anos o professor Lipski prestou serviços ao desenvolvimento da educação no município, na data de 24 de maio de 1932 falecia. 227 Por esta dedicação em ensinar, mesmo em território distante de sua terra natal. O povo do Município lhe agradece com o advento da Lei nº 1386 de 11 de dezembro de 2008, com o patronato da recém-construída Escola Municipal Professor Ignácio Lipski, localizada na Rua dos Pinheiros, 100, Botiatuba. A qual aglutinou no mesmo prédio a extinta Escola Rural Nossa Senhora das Graças. Em meados da década de 1910, começou a lecionar no município a professora Judith Macedo Silveira formada na Escola Normal de Curitiba, filha única do casal formado por Aurélio Macedo e a professora Floripa de Siqueira Macedo. Nasceu em 17 de outubro de 1893, na cidade recémcriada Villa de Tamandaré. Foi morar em Ponta Grossa, sendo a segunda normalista a se instalar naquela cidade na década de 1920. Ocupou a cadeira número 30 da Academia Feminina de Letras de Ponta Grossa e participou ativamente na sociedade como promotora da paz e da cidadania. Faleceu no dia 22 de março de 1947228. Outra professora que merece destaque é a normalista formada Eudócia de Siqueira, que lecionou no Marmeleiro. A atual sede, contou com uma escola já na década de 1920, a qual é relatada na obra histórica organizada por 226 227 228

Relato de João Bugalski em 2002. PARÓQUIA SANT’ANA DE ABRANCHES. Certidão de óbito Ignácio Lipiski. 16 de abril de 1996. UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ. Alguns mestres que construíram a educação ponta-grossense. Disponível em:< http://tede.utp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=96> Acesso em: 18 jan de 2011.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

José Pedro Trindade “Álbum do Paraná”. O qual na página 25 apresenta uma foto do antigo Grupo Escolar229 que um dia existiu no terreno próximo a contemporânea esquina da Avenida Emilio Johnson, com a Rua Coronel João Cândido de Oliveira. Foto 1927: José Pedro Trindade “Álbum do Paraná”, p. 25

O primeiro Grupo Escolar de Almirante Tamandaré

Já na década de 1910, o professor Sinphrônio Furquim de Andrade utilizava a sua própria residência localizada na atual Avenida Wadislau Bugalski, 1760, onde se encontra a atual residência da saudosa Sr. Izalita Rodrigues do Couto Prado, nascida em 1912, cujo relato foi observado em 2005. Este fato já é apontada pelo o censo escolar de 1916, já que no Botiatuba é relatada a existência de duas escolas ali (provavelmente uma só para meninas e outra só para meninos), os quais totalizavam uma população escolar de 229

TRINDADE, José Pedro. Album do Paraná. 2.ed. Curitiba,. 1927. v.l, p. 25.

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62 crianças. Em 1920 este número aumentou para 89 alunos matriculados230. Porém estas escolas nesta época não era exclusivas só da região, pois, das 539 escolas isoladas do Estado do Paraná, 24 se localizam em Tamandaré, porém nenhum grupo escolar até 1920 dos 26 existentes no Estado. 231 Foto 2002 – arquivo da pro. Josélia Aparecida Kotoviski

Casa da Família Real Prado, que na década de 1910, serviu de escola para os alunos do professor Sinphrônio Furquim de Andrade, além de ser Inspetoria Escolar

No ano de 1939, é fundado pela Igreja Católica o Colégio Nossa Senhora das Graças das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Botiatuba, que se localizava na atual Avenida Wadislau Bugalski, onde se encontra a atual Igreja Redonda do Botiatuba. O qual existiu sob a administração das Irmãs até o ano de 1966, quando o colégio foi fechado. 30 231

LEÃO, Ermelino Agostinho de. Diccionario histórico e geographico do Paraná. 1926. v.1, p.230. CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ. 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná. Porto Alegre RS: Livraria do Globo S.A, 1953, p. 32.

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Em 1967 o Colégio Nossa Senhora das Graças é desmontado, sendo construída uma escola municipal com a mesma denominação, porém sem “das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Botiatuba”, onde mora a professora Ledi Rizolette Straioto, filha de italianos nascido em Roma (que lecionou no colégio das freiras antes de ser desmontado). Esta escola só contava com uma sala de aula, e dentro deste mesmo espaço, se encontravam alunos, de 1ª a 4ª séries. Esta era a realidade que a professora Rizolete teve que conviver e administrar por muitos anos. Pois, foi à primeira professora lotada no município a dar aula no Botiatuba. Esta casa, assim como a escola não existe mais. Porém, a professora ainda mora na mesma localidade232. No ano de 1987 foi construída em alvenaria e inaugurada a Escola Rural Nossa Senhora das Graças, a qual atendia 42 alunos em 2007 de 1ª a 4ª séries. Em 2009 estes Fonte: BONAMIGO, Euclides. Histórico da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré. 1998

Colégio Nossa Senhora das Graças das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Botiatuba, 1939 232

Relato da sr. Ledi Rizolete Straioto, 2001.

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alunos foram remanejados para a Escola Municipal Ignácio Lipski, no terreno vizinho. Ocorrendo desta forma o fechamento da “Escolinha da Rizolete”, como era carinhosamente e popularmente conhecida. A educação da localidade de Tranqueira transcende ao ano de 1924. Pois, é possível este fato ser identificado na própria História de vida da filha da recém-autônoma Villa de Tamandaré, a professora Floripa Teixeira de Faria, gerada da união de Salvador Teixeira de Faria e Clara Bueno de Faria em 11 de janeiro de 1894. Casou-se com Ventura Ribeiro se estabelecendo em Colombo, teve seis filhos, sendo que dois foram adotados. Com o advento do falecimento de seu esposo, a viúva Floripa retornou ao seio de sua terra natal na região compreendida entre as atuais Tranqueira e Areias em Tamandaré, onde para sobreviver trabalhou na agricultura e também de costureira. Neste período, abriu vaga para professora na Escola Isolada de Tranqueira. Na ausência de interessadas, já que no município não existia nenhuma candidata disposta a se locomover até a distante localidade, a Sra. Floripa foi convidada por autoridades da época a assumir o posto, principalmente por sua notória instrução e capacidade para lecionar, apesar de não ser formada. Foi nomeada professora estadual na Escola Isolada de Tranqueira em Tamandaré, no ano de 1924. Prestou bons serviços a Educação da localidade por mais de vinte e cinco anos e aposentou-se nesta mesma escola. Ela faleceu no dia 18 de novembro de 1969233. Contemporaneamente esta história de vida é representada no patronato da escola estadual que leva seu nome, localizada na Rua Nilo Cropolato Matias, 100, Areias. Já a História do Colégio Estadual Floripa Teixeira de Fa233

DIA-DIA-EDUCAÇÃO. Consulta Escolas. Disponível em: <http://www.attfloripa.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=>Acesso em 30 dez 2010.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

rias começa na data letiva de 24 de fevereiro de 1994, quando a mesma recebeu a autorização para funcionar com duas 5ª séries e uma 6ª serie totalizando apenas 71 alunos. Inicialmente estas turmas foram acomodas no antigo salão de baile da Sociedade Operaria Beneficente Esportiva Areias. Já a parte administrativa, compartilhou espaço com a Escola Municipal de Areias. Porém, por motivo de segurança o salão de baile foi interditado em junho de 2001. Sendo que as turmas foram transferidas para três salas comerciais nas proximidades234. Diante desta insustentável condição, o governo estadual se viu obrigado a liberar no final de 2002 a construção do atual prédio sendo que já em abril de 2003 ocorreu o inicio das obras. As quais foram entregues no inicio do ano letivo de (março) 2004, porém inaugurada oficialmente apenas em 23 de maio de 2005 com a presença do Governador do Estado do Paraná Roberto Requião. Onde inicialmente contou com 180 alunos distribuídos de 5ª a 8ª séries. Contemporaneamente oferta o Ensino Médio e funciona no turno da manhã e tarde. Pois, a noite atende duas turmas de APED’s (Ações Pedagógicas Descentralizadas) do CEBJA Ayrton Senna235. O atual Colégio Estadual Floripa Teixeira de Farias como se pode perceber teve origem na Escola Municipal de Areias, a qual em 2007 passou por força da Resolução nº 2457/ 07 de 16 de maio de 2007 a chamar-se Escola Municipal Professora Clara Anadir Buzato. Patronato em homenagem a professora que era moradora da região. Neste ano a escola contava com 223 alunos matriculados. Sendo que esta escola começou suas atividades aproximadamente no ano de 1928, junto à antiga Rua da Igreja, contemporaneamen234 235

Idem. Idem.

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Relatos de um Tamandareense

te denominada Rua Bortolo Muraro, Km 23, no bairro de Areias, em uma casa de madeira. Sendo que nesta época a instituição de ensino se chamava Casa Escolar de Areias. Sendo inicialmente responsável a Professora Maria Ananias do Rosário. No ano de 1930 passou a chamar-se Escola Mista de Areias, onde era responsável pelo ensino a Professora Floripa Teixeira de Faria. Novamente 1961, sofre mudança em sua denominação, passando a ser conhecida como Escola Isolada de Areias. Já 1983, sob a resolução nº 4065/83 de 02 de Dezembro de 1983, começou a ser denominada de Escola Rural Municipal de Areias. Em 1986, é construído o prédio atual junto a Rua da Sociedade Areias, contemporânea Rua Nilo Cropolato Matias nº 107, a 500 metros da Rodovia dos Minérios no Km 23, próximo ao campo de futebol de Areias e da Igreja São João Batista. Sendo que primeiramente recebeu a denominação de Escola Municipal de Areias, a assim ficou até 2007. Longe da Sede, na localidade de da Barra de Santa Rita se destacou como primeira professora da localidade, a dedicada e competente Irene Colodel da Cruz nascida em 09 de abril de 1910. Cuja, atividade de lecionar, foi possibilitada pelo seu pai José Colodel, que doou o terreno e construiu a sala de aula, onde funcionou por muitos anos a pequena Escola da Barra de Santa Rita, isto já na década de 1930. Em reconhecimento a este fato, a Sra. Irene, foi agraciada com um nome de rua na localidade do Jardim Paraíso. Faleceu em 26 de maio de 1982. Na década de 1930 o governo do Estado faz na região uma Casa Escolar 131,47 m² de construção mista236. Foi uma escola construída no período que Tamandaré pertencia a 236

ESTADO DO PARANÁ. Relatório apresentado ao Presidente da Republica Getulio Vargas pelo Interventor Manoel Ribas. Exercício de 1932-1939, p.54.

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Curitiba. No ano de 1982 em um terreno doado pelo Senhor Pedro Slompo, é construída a nova escola, porém mantendo a denominação legada pela localidade onde se encontra. Em 2007 a escola dava sinal que iria fechar, pois só contava com 11 alunos matriculados no curso fundamental séries iniciais. Em 2009 ocorreu o fim de suas atividades. Outra localidade que já na década de 1920 contava com escola a partir de relatos da Sra. Noêmia Kotoviski é a Região da Capivara dos Manfron. Nesta época, dona Noêmia contou que seu pai não queria que ela fosse estudar. Já que era uma coisa desnecessária para a realidade que eles viviam nesta época. Porém, mesmo assim, a mãe de dona Noêmia a mandava para escola para pelo menos apreender a ler e escrever. Mas, no entanto existia outro problema. Eis que faltava professor direto, já que a localidade era de difícil acesso e ninguém com instrução queriam lá morar. Ou seja, apesar de ter sido em 1986 inaugurada a Escola Rural Municipal Maria Cavassim Manfron, o qual recebeu mais tarde algumas ampliações já é um reflexo da existência pioneira da educação na localidade já que é quase centenária. Em 2007 a escola possui matriculados 61 alunos de Ensino Fundamental séries iniciais. Merece também lembrança à história profissional da professora Jaci Real Prado de Oliveira, nascida em 20 de agosto de 1915, que revela a existência de duas Escolas Isoladas na localidade de São Miguel e do Cercadinho que transcende 1925. Também lecionou na Sede, no Antigo Grupo Escolar. Era notoriamente dedicada ao filantropismo, além de outras atividades culturais, que se revertia em beneficio de um lugar melhor para se viver. Faleceu com 79 anos em 29 de agosto de 1994. Atualmente é imortalizada como patronesse da escola estadual que leva seu nome, localizada 275


Relatos de um Tamandareense

na Rua Domingos Scucato, 998 no Jardim Monte Santo.237 Sendo que esta instituição de ensino começou a funcionar dentro de um contexto progressivo de formação de turma no ano letivo de 1995 com uma pequena turma de 5ª série e outra de 6ª série que totalizava 81 estudantes238. Porém, de 1995 até o ano letivo de 2001, a Escola Jaci conviveu sob o regime compartilhado em prédio do Município com a Escola Municipal São Francisco. Sendo que em virtude da crescente demanda, ocorreu que em 1999 a estrutura chegou a seu limite ocupando quatro salas de alvenaria e mais duas salas de madeira construídas pela APM da Escola Estadual239. Diante deste quadro, ocorreu a necessidade imediata da construção de um prédio exclusivo para atender a Escola Estadual Jaci Real Prado de Oliveira que se concretizou em 2002 com a construção de uma unidade nova composta de três blocos: sendo um com oito salas de aula; o segundo com laboratório e sala de multiuso. Já o terceiro é o bloco da recepção composto por salas administrativas (secretaria, biblioteca, sala dos professores, sala de informática e sala de apoio), banheiros240. A Escola Jaci teve origem como supra explicado na Escola Municipal São Francisco que foi fundada em 1991 na região de Campo Verde. Por estar localizado no Jardim São Francisco, herdou o nome. Em 2007 atendeu 288 alunos matriculados nas series iniciais do Ensino Fundamental. Na data de 30 de novembro de 1924, a Srta. Helena Witoslawski, nascida em 22 de março de 1906, forma-se professora normalista pela Escola Normal de Coritiba, a qual 237 238

239 240

KOKUSZKA, Flavia Irene. Do Presente ao passado: assim se faz a história. Almirante Tamandaré, 2010, p. 22. REDE ESCOLA. Escola Jaci Real Prado de Oliveira. Disponível em:< http://www.attjacireal.seed.pr.gov.br/ modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=9> Acesso em: 14 mar. 2011. Idem. Idem.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

já em fevereiro de 1925, de forma pioneira desempenhou suas funções em território tamandareense, na Escola Isolada de Nova Romastak, onde atualmente é patronesse da escola municipal primaria na localidade de Lamenha Pequena. Homenagem esta, prestada na gestão do Prefeito Antonio Johnson, o qual construiu uma nova escola em 1970, porém em outro terreno em território tamandareense. A pesar deste fato, a Escola Isolada Nova Romastak continuou existindo, no entanto com nova denominação de Escola Isolada Lamenha Pequena até 1986241. Foto: Arquivo da Escola Estadual Lamenha Pequena, década de 1960

Escola Isolada Nova Romastak

A existência desta escola só foi possível, porque os pioneiros colonos formadores da Colônia Nova Romastak, decidiram adquirir um terreno para fins recreativos. Sendo que o mesmo possuía uma área de três mil metros quadrados, com uma casa de madeira, (localizado na contemporânea 241

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Escola Estadual Lamenha Pequena. 2009, p. 11 e 12.

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Rua Justo Manfron, nº 250 e conhecida como Casa Romastak que data do inicio do século XX). O qual nos sábados e domingos a casa era ocupada para fins recreativos. No entanto, pelo fato da instituição de ensino mais próxima estar localizado no Bairro do Tanguá, a casa recreativa foi cedida para fins educacionais242. No ano de 1987, ocorreu a união Escola Isolada Lamenha Pequena com a Escola Rural Municipal Helena Witoslawski. Manteve-se a denominação de escola Helena, que inicialmente funcionava como escola primaria. No ano de 1994, a partir dos esforços da Diretora Divanir Lucia Sandri Meguer, implantou-se o ensino de forma gradativa de 5ª a 8ª séries, fazendo nascer a Escola Estadual Lamenha Pequena no período vespertino, autorizada pela Resolução nº 1054/94 de 25 de março de 1994 e reconhecida pela Resolução nº 4725/2010 – DOE: 23 de dezembro de 2010. A qual compartilha o prédio com a escola municipal que se manteve com o status de escola municipal tendo competência Fotos: Escola Municipal Helena Witolawski de ensino de pré-escola a 4ª série e funciona com aluno no período diurno243. Poré m , com o consequente aumento de alunos matriculados, foi inau- Diploma de normalista da profª. Helena Witolawski 242 243

Idem. Idem.

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gurada em 1988 a nova sede da escola no mesmo endereço contemporâneo na Gestão do Prefeito Ariel Buzato. Transcendendo a década de 1920 a Escola do São Miguel por quase um século fez história. No ano de 1994 foi construído um novo prédio em alvenaria em um terreno doado, em substituição a pioneira escola de madeira. Em 1997 a escola deixou de ser multisseriada, sendo que em 2007 atendia apenas 48 alunos de 1ª a 4ª série, numero que diminuiu e acabou provocando o seu fechamento em 2009. Em meados da década de 1920 um acontecimento trágico ocorreu na Escola de São Miguel. Pois, segundo o relato de João Bugalski Sobrinho ocorreu que enquanto o professor Ignácio Lipski lecionava uma histórica figura política da cidade junto com seus subordinados invadiu a sala de aula, ordenando que se parasse de dar aulas em polonês como também, foram confiscados os livros em polonês e queimados244. Foto: Pedro Martins Kokuszka, 1997

A escola nova construída em 1994 ao lado da antiga escola em madeira que não existe mais

No período em que Tamandaré perdeu sua autonomia e 244

Relato de João Bugalski Sobrinho em 2001.

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foi integrada ao território de Curitiba, recebeu do governo do Estado as Casas Escolares em Tranqueira na Sede, Santa Rita e na Ressaca com área de 131,47 m² de construção mista245. A educação na localidade do Córrego Fundo iniciou sua história no ano de 1930, na casa de um dos moradores da região. Somente após 38 anos é que a primeira escola, ainda em madeira, foi construída. O atual prédio da Escola Municipal Córrego Fundo foi construído e inaugurado no ano de 1985, em um terreno doado pela família Freitas. O nome da escola é legado do nome da localidade que esta localizada. Em 2007 atendia penas 23 alunos de 1ª a 4ª séries. Na data de 1937 surgi na região do Tanguá à primeira sala de aula multisseriada com aproximadamente 35 alunos filhos de colonos da região e proximidades. A escola teve várias denominações até chegar ao atual patronato. O qual foi uma justa homenagem à professora Clair do Rocio Sandri que desempenho seu dom de ensinar na escola no período de 1980 e 1985. Sendo que esta senhora faleceu em um acidente no caminho que fazia para chegar ao trabalho. Em 2007 a escola possui 608 matriculados. Na década de 1930 a região do Mato Dentro contava com uma escola isolada funcionando na casas de colonos da própria localidade. Sendo que posteriormente esta escola se estabeleceu em um terreno cedido pelo Senhor Astrogildo de Macedo. Ato que foi oficializado em 1988. Nesta época a escola carregava o nome da localidade onde estava instalada. Sendo que 1990 oficialmente recebeu a denominação de Escola Rural Municipal Astrogildo de Macedo. Em 2007 atendia 76 alunos de 1ª a 4ª séries. 245

ESTADO DO PARANÁ. Relatório apresentado ao Presidente da Republica Getulio Vargas pelo Interventor Manoel Ribas. Exercício de 1932-1939, p.54.

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Já pelo recenseamento geral de 1950, foram foi identificados em um grupo composto por pessoas de mais de 5 anos de idade (7409 pessoas), as quais 3880 sabiam ler e escrever, onde 2101 eram do gênero masculino e 1779 eram do gênero feminino. Já a sede municipal na perspectiva de pessoas com mais de 5 anos alfabetizadas, foram detectas 679, das quais 455 sabiam ler e escrever, sendo deste numero 266 homens e 189 mulheres 246. Este mesmo senso detectou a existência de 39 instituições de ensino primário fundamental comum, estando matriculado o total de 1146 alunos de uma população de 8812 habitantes247. No ano de 1950, no governo de Moisés Lupion foi construído na Sede, (onde hoje se encontram a Escola Municipal Professora Rosilda Aparecida Kowalski em compartilhamento de Foto Família de José Ido da Cruz prédio com Colégio Estadual EBJA Ayrton Senna da Silva, localizada na Avenida Emilio Johnson, 47). Um prédio de alBandeira do Grupo Escolar Almirante Tamandaré, (advenaria de ministrado pela Diretora Mair Piovezam Taborda Ribas) 560 m² que em desfile no Colégio Estadual do Paraná, 1967. Baninspirada na bandeira municipal. Josélia Apareciinicialmente deira da Kotovski, aluna da 5ª Série ao centro, a sua direita contou com Maria Ester Viana, já a direita está Denise M. Bini 246

247

ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Almirante Tamandaré-PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26 Idem.

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6 salas248. O qual abrigou pioneiramente o Grupo Escolar Almirante Tamandaré, o qual contava com quatro salas, cantina, sala para a direção e secretaria. Nesta época apenas funcionava as quatro séries iniciais, sendo a diretora Noeli Buzato Ayub249. O qual só foi ser ampliado na Gestão do Governador José Richa. Ainda na Gestão do Governador Moysés Lupion, o Município recebeu mais três prédios escolares. As Casas Escolares na região do Marmeleiro, Conceição e Campo Novo. Todas de madeira com 144 m² além do inicio da Construção do Grupo Escolar em Campo Magro250. A Escola Rural Municipal Osvaldo Avelino Estival, possui uma história que já remonta a década de 1920. Tempos da professora Eudócia de Siqueira, que lecionou em 1924 para os saudosos senhores Estanislau Pupia (5 anos na época) e OdFoto: Antonio Ilson Kotovski Filho, março de 2011 ilon Trivisan. Porém só em 1948 que o Estado construiu um prédio próprio para receber alunos na região. Em 2007 possuía Casa Escolar no Marmeleiro, construída em 1948. Patrim a t r i c u l a - mônio Cultural. Onde funcionava a extinta Escola Rural dos 29 alu- Municipal Vereador Osvaldo Avelino Trevisan nos de 1ª a 4ª séries. Em 2009 por ter uma quantidade de 248

249 250

GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. A concretização do plano de obras do Governador Moyzés Lupion 1947-1950. (Arquivo Publico do Paraná, Ano 1947-1950 MFN 1146, Moysés Lupion), p. 85. LUGARINI. Célia Maria Bini. Síntese Histórica do Colégio Estadual Ambrosio Bini. 06 de abril de 1995. GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. A concretização do plano de obras do Governador Moyzés Lupion 1947-1950. (Arquivo Publico do Paraná, Ano 1947-1950 MFN 1146, Moysés Lupion), p. 84 e 85.

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alunos muito pequena foi fechada. Neste mesmo ano pela letra da Lei Ordinária Municipal nº 1420 de 20 de maio de 2009, o prédio da escola é Declarado Patrimônio Cultural do Município, assim como todos seus bens móveis pertences da instituição. Na data de 1951, começa a funcionar a Escola Isolada de Campo Grande, tendo como professora pioneira a Senhora Thereza Cavassim Manfrom que já lecionava antes deste acontecimento em sua casa. Em 23 de dezembro de 1982 passou a denominar-se Escola Rural Estadual de Campo Grande. Foi municipalizada em 1991 e atualmente recebe a denominação de Escola Rural Municipal Thereza Cavassim Manfrom, como justa homenagem a primeira professora da instituição. Em 2007 atendia apenas 46 alunos de ensino fundamental das séries iniciais, funcionando em dois períodos. Em 1952, existiam duas instituições de ensino exclusivo para a Educação de Adulto em Timoneira, em 1953 no governo Bento Munhoz da Rocha Netto. Neste mesmo ano Campo Magro distrito de Timoneira, recebeu do Estado um Grupo Escolar de 566 m² com quatro salas.251 Obra iniciada e planejada no governo anterior. Nesta época se destacou a família Dias na difícil tarefa de lecionar em tempos não favoráveis a esta nobre ação. Sendo o professor Antonio Rodrigues Dias uns dos heróis. O qual foi nascido em 1910. Antes de lecionar em um prédio publico próprio para a atividade educacional, ele ministrava suas aulas em sua própria casa252. Foi casado com a saudosa professora Maria Balbina da Costa Dias que exerceu seu nobre trabalho em varias esco251 252

CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ. ..., p. XXIV e 38. Relato de Valério Milek, em fevereiro de 2011.

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las do interior. Sendo o Colégio Cristo Rei em Curitiba, a última instituição antes de se aposentar. Um fato marcante dela, é que mesmo licenciada devido a uma cirurgia que temporariamente a obrigou a andar de muleta, continuou trabalhando para não ver a escola fechar. Pois, não havia professora substituta na época. Detalhe: ela andava aproximadamente seis quilômetros, na condição pós-cirúrgica, para salvar sua escola. Nasceu em 31 de março de 1914 e faleceu com o dever cumprido em 25 de agosto de 1975253. Outro fato difícil que estes professores tiveram que enfrentar foi na década de 1950, época em que por quase cinco meses ficaram sem receber salários254, e mesmo assim continuaram lecionando. O professor Antonio também era um amante da cultura e da informação, o qual esta paixão se concretizou na data de 31 de março de 1985, com a fundação do Jornal Folha de Tamandaré. Ainda jovem quando serviu o exército brasileiro, ajudou a abrir a Estrada da Ribeira (ou seja, em tempos que as ferramentas eram a pá e picareta)255. Porém, sua dedicação pelo esporte local, foi também sua marca. O “Velho Guerreiro” tombou honradamente na data de 29 de março de 1993. Em reconhecimento aos seus feitos foi imortalizado como patrono da escola municipal localizada junto a Rua José Luiz Falcade, 58, Jardim Novos Horizontes e também com a denominação da antiga Estrada do Bonfim (atual Antonio Rodrigues Dias). A qual a propósito morou muitos anos. A escola em que é patrono começou suas atividades no ano de 1995 na casa do Professor Atemildo e da Regina, 253

254 255

FOLHA DE TAMANDARÉ. Maria Balbina estaria completando 91 anos. Ano XIX, nº 507, março de 2005, p. 02. Relato de Valério Milek, em fevereiro de 2011. Relatos de Leônidas Dias, abril de 2011.

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com uma área de 32 m², atendendo Foto: Folha de Tamandaré, março de 2005 na época apenas 17 alunos. Sendo que por cinco anos esteve estabelecida neste local, quando em 2000 foi inaugurada a atual escola. Sendo que em 2007 a instituição já contava com 76 alunos matriculados de 1ª a 4ª séries e possuía 7 funcionários. Contemporâneo de profissão, o senhor Alberto Votche Krauser se destacou na região do Tanguá onde começou a lecionar em 1959 na Escola Isolada Santa Gabriela. Sendo posteriormente nomeado professor Maria Balbina e municipal na gestão do Prefeito Professora o professor Antonio RodriAmbrósio Bini. Porém, a de se desta- gues Dias car a bonita história de superação que fez parte da vida desse cidadão tamandareense nascido em 25 de março de 1920. Eis, que aos 8 anos de idade teve que enfrentar a perda do seu pai e as consequências disso. Sendo internado no Instituto São José no Abranches. Aos dezesseis anos viu a necessidade de trabalhar. Sendo que pelos mistérios do destino perdeu sua mão no desempenhar de seu trabalho em uma serraria existente no Bairro do Tanguá em 1936. Sem muito que fazer a respeito teve que superar o incidente e seguir a vida. Não desistiu de seus sonhos e formou-se normalista na extinta Escola Normal Alvarenga Peixoto256. Era muito ligado aos esportes e as ações beneficentes. Sendo sua história uma parte da Sociedade Educativa Tanguá. Faleceu em 08 de julho de 1979. No entanto sua história de vida ficou preservada no patronato da Escola Esta256

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Colégio Estadual Alberto Krause. Ano 2007, p. 12.

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dual Alberto Krauser quando em 17 de agosto de 1990 a escola foi reconhecida com esta denominação, pela Portaria 2355/90 publicada no Diário Oficial do Estado em 03 de setembro de 1990257. No ano de 1994 foi implantado o Ensino Médio com os esforços da Diretora Professora Regina Olandoski Wolf. No ano de 1997 ocorreu que o Colégio Alberto Krauser deixou de compartilhar o mesmo prédio da Escola Municipal Clair Sandri. Sendo que iniciou em prédio novo atendendo 573 alunos distribuídos em nove salas de aula. O qual teve como primeira diretora desta nova era a Professora Ana Edenir Cavalheiro. No ano de 2003 pela Resolução nº 1521/03 publicada no Diário Oficial do Estado de 23 de junho de 2006 ocorreu o Ato de Renovação da Escola/Colégio e pela ResoFonte: Quadro de Formatura da Escola lução nº 293/07 publicado em 14 de Normal Alvarenga Peixoto Turma de 1963 março de 2007 reconhecido o Curso de Ensino Fundamental258. Porém esta escola tem sua gênese na década de 1980, sendo que pela Resolução 7489/84 publicada no Diário Oficial do Estado em 08 de novembro de 1984 a autorização de funcionamento do Ensino Fundamental. Formando Normalista Alberto Krauser, aluno das Nesta época a Escola Rural Tanguá professoras Geny Leite funcionava apenas com quatro salas. Fagundes, Maria Luiza JoSendo sua diretora a Professora Ju- hson, Noeli Zuleika Busato, Maria Faria Von der raci do Nascimento259. Osten, Marilde Virginia S. Outra ilustre Professora foi a Sra. Lara, Mair Taborda Ribas, Brenny, e o profesRosa Frederica Johnson, patronesse Norma sor João Roque Tosin, Dida contemporânea escola estadual retora Rita S. Siqueira 257 258 259

Idem. Idem, p. 12-13. Idem, p. 07.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto publicada BRASINHA, que carrega seu nome, localizada na novembro de 2003 Rua João Antunes de Lara, 333, Cachoeira. A professora Rosa, nasceu em 15 de julho de 1930, onde já jovem entrou para o magistério, tendo como característica o idealismo e a vocação para o ensino. Lecionou em tempos que o transporte público não existia, e sua locomoção até as escolas que lecionava era feita a pé. Pelo seu exemplo de determinação Professora Rosa Frederica e força para enfrentar estes desa- Johson, aluna das professoras Maria Luiza Johson, fios e nunca esmorecer, no ano de Nor ma M. Kr uger, Alda 1980 como homenagem, foi fun- Doris de Siqueira, Mair Tadada e inaugurada à instituição borda Ribas, Noeli Zuleika Busato e os professores estadual que a imortalizou como Francisco Tiago da Costa patronesse da escola que lecionou e João Roque Tosin, Direpor muitos anos. Faleceu ainda jo- tora Rita S. Siqueira vem, com 49 anos no dia 1º de abril de 1979260. Chega a Tamandaré em 1959 às 16:00 horas a Senhora Conceição Pereira do Nascimento, nascida em 06 de maio de 1930. A qual se tornaria uma das mais tradicionais professoras do município. No entanto nesta época estava terminando o curso Normal Regional. Sendo suas professoras: Dona Alda de Siqueira, Eli Stocchero, Rosa Bini e as Diretoras Mair Taborda Ribas, Itália Fulgencio e Norma Breny. Na Escola Isolada da Capivara, no ano de 1958, iniciava no magistério, a professora Ângela Lucia Sandri Teixeira, nascida no Juruqui, Vila Tamandaré em 11 de junho de 1925. Na década de 1930, estudou na Escola de São Miguel. Após

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BRASINHA (Informativo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição). Professora Rosa Frederica Johnson/Elly Furquim Stocchero. Ano IV, novembro de 2003.

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casamento foi residir na localidade de Tranqueira. No ano de 1962, começou a lecionar na Escola Isolada de Tranqueira. Formou-se normalista em 1967 sendo seus professores: Francisco Tiago da Costa, Itália Fulgencio, Norma Brenny, Marilde Virginia S. de Lara, Mair Taborda Ribas, Geny Leite Fagundes, Maria Faria Von Der Osten, Maria Luiza G. Johnson, João Roque Tosin, Professor José Carlos de Miranda (contemporâneo presidente do Paraná Clube) e a Diretora Rita S. Siqueira. Faleceu em 29 de novembro de 1976. Pela sua dedicação ao ensino e coragem de enfrentar distancias para realizar seu trabalho, a professora Ângela foi homenageada como patronesse do Colégio Estadual localizado no Km 11 da Rodovia dos Minérios261. Esta escola em que é patronesse, possui sua gênese na década de 1920, a qual se situava nas proximidades do Haras do Berkol, onde se encontra atualmente a propriedade da Família Joppert. Sua primeira professora foi à senhora Policena dos Santos Correia. Por volta de 1929 a escola foi transferida para a entrada do Caçador (entre Tranqueira e a propriedade dos Chimelle). Nesta época a professora foi a Senhora Tereza Fama, depois dona Chiquita (Francisca Vicini Correia). No ano de 1931 a escola mudou de local novamente para a propriedade da família Miclak. Nesta época as professoras foram: Suzana Muller e Ester Von Kruger. Em 1937 é Construída a Casa escolar de Tranqueira sendo que em 1984 foi reformada e ampliada com quatro salas de alvenaria, secretaria, sanitários, pátio cobertos e foi cercada. No período da construção foi utilizado o posto de saúde para complementar as salas que faltavam para receber os alunos. Sendo que a Escola de Tranqueira funcionava em três períodos. Em 1988 a antiga construção foi 261

Dossiê Histórico do Surgimento de Tranqueira. Ângela Sandri de Teixeira. 1986.

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demolida já que colocava em risco a integridade física das pessoas que utilizavam o estabelecimento. Neste ano foi construída a nova escola. Porém no período da construção foram utilizadas as dependências do Salão Paroquial da Igreja de Tranqueira262. Porém, derivado da pioneira Escola de Tranqueira, se originou a Escola Municipal Bortolo Lovato em 2004. Porém esta instituição já em 1995 possuía autorização para atender o Ensino Fundamental nas suas séries iniciais. Em 2007 estavam matriculados 347 alunos. Foto: quadro de formandos da Escola Normal Alvarenga Peixoto, turma Leônidas Antonio Rodrigues Dias de 1967, pertencente a Antonio Ilson Kotovski (colega de turma da professora Angela

Primeira imagem é a fachada original da Casa Escolar de Tranqueira de 1937, porém com a reforma ocorrida em 1984/Foto: Dossiê histórico do surgimento de Tranqueira, 1986. Na segunda imagem temos a foto da patronesse professora Angela Sandri Teixeira

Também na década de 1950, a professora Divanir Lucia Sandri Meger destaca-se, por ter que se deslocar a pé da Lamenha Pequena, para chegar até a localidade do Botiatuba para desempenhar seu dom de ensinar. Inicialmente foi professora da Escola Isolada Nova Romastak. No ano de 1960, no prédio onde se localizava o Grupo Escolar Almirante Tamandaré, teve inicio a Escola Normal 262

Idem, Escola de Tranqueira.

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Relatos de um Tamandareense

Regional Alvarenga Peixoto que habilitava professoras a lecionar no antigo primário. A diretora responsável inicialmente pela escola foi Álda Dóris Siqueira263. O patronato da escola foi uma homenagem ao advogado, poeta e inconfidente (Inconfidência Mineira) Inácio José de Alvarenga Peixoto. No ano de 1991 a escola ganha um novo endereço junto a Rua Coronel João Candido de Oliveira, estando sob competência do município e oferecendo exclusivamente o curso de Ensino Fundamental para as séries iniciais. Inicialmente com nome de Escola do Morro Azul, se fez presente à educação na localidade que legou o nome a escola em 1961. A qual funcionou em uma casinha muito simples de chão batido, que foi emprestada pelo Senhor João Afornalli. A 1ª Professora foi à dinâmica Ledy Risolette Straiotto. O qual enfrentou muitas dificuldades, já que se deslocava do Botiatuba em tempos de meios e infraestruturas de transportes precários porque não havia nenhum professor na região. Em 1985, o senhor João Afornalli doou o terreno para a construção da Escola, quando esta passou a ser chamada pelo nome de Escola Rural Municipal João Johnson, que foi uma homenagem ao sogro do doador do terreno. Em 2007 possuía 36 alunos matriculados no ensino de 1ª a 4ª série. Em 1965 foi fundada a Escola Isolada de Pacotuba. Já em 1966 foi construída a nova escola ao lado da Igreja de Santa Ana. Com novo prédio em alvenaria, no ano de 1990 passou a denominar-se Escola Rural Serzedelo de Siqueira, em homenagem a este cidadão que nasceu no bairro. Em 2007 atendia apenas 38 alunos de 1ª a 4ª série. Em 1966 é construída no terreno da Igreja do Bonfim uma sala de aula para atender poucos alunos, sendo inici263

LUGARINI. Célia Maria Bini. Síntese Histórica do Colégio Estadual Ambrosio Bini. 06 de abril de 1995.

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almente denominada de Escola Municipal Bonfim. Na data de 19 de setembro de 2002 é entregue o prédio novo, com a nova denominação de Escola Municipal Mirta Naves Prodóscimo. Patronato em homenagem a uma antiga professora da região. Contava em 2007 com 144 alunos matriculados nas séries de 1ª a 4ª. Da união das pioneiras: Escola Isolada do Cercadinho com a Escola Isolada do Boixininga que transcendiam a década de 1930 surgiu a Escola Rural Municipal Cercadinho em 1967, sendo esta construída na propriedade do Sr. Aleixo Brotto, que também ajudava fornecendo água para a instituição. No ano de 1987, o Presidente da Sede Campestre dos Comerciários, Sr. Vicente da Silva, doou a área onde esta localizada a atual escola em alvenaria, construída em 1984. Em 2007 infelizmente só possuía 11 alunos matriculados no curso fundamental séries iniciais, o que acarretou no seu fechamento em 2009. A escola Municipal Coronel João Candido de Oliveira foi criada como uma escola isolada funcionando em casa de colonos da região. Na década de 1960 o senhor Francisco Subinski, doou verbalmente um terreno para que fosse construída uma sede para a escola. Inicialmente recebeu o nome de Casa Escolar da Cachoeira. No ano de 1971 recebeu a denominação de Grupo Escolar João Candido de Oliveira. Em 2007 contava com 579 alunos de 1ª a 4ª série. No ano de 1983, na gestão do prefeito Ariel Buzato, foi construído um dos maiores complexos escolares no município nesta época para abrigar 490 alunos distribuídos em 9 salas de aulas inicialmente, fora as dependências administrativas, cantina, pátio coberto. Desta escola se originou o Colégio Estadual Edmar Wrigt. Que se destacou no município por sua competência e dedi291


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cação ao ensino. Porém, por problemas envolvendo familiares no contexto do período do Regime Militar no Brasil, está educadora teve que enfrentar diversos problemas em sua vida profissional e particular. Atualmente ela é patronesse de um Colégio Estadual de Ensino Fundamental e Médio localizado junto a Rua João Antunes de Lara, 50 na Cachoeira. O qual presta serviço à sociedade desde o dia 12 de abril de 1993, por força legal da Resolução 4103/93 de 19 de agosto de 1994. Porém sua implantação se deu de forma gradativa já no início do ano letivo de 1993, proporcionando a população o Curso de Magistério. Em 1997 foi iniciado o Curso de Educação Geral (atual Ensino Médio). Um ano após este fato a Instituição Educacional é reconhecida pela resolução 170/98 de 23 de janeiro de 1998 com devida publicação legal no Diário Oficial do Estado datada de 26 de fevereiro de 1998. Sendo que este mesmo dispositivo reconhecia o pioneiro Curso de Magistério264. Neste mesmo ano é autorizado o funcionamento do Curso de Educação Geral, legalmente reconhecido pela resolução nº480/98 assinada em 17 fevereiro de 1998 sendo a mesma devidamente publicada no Diário Oficial do Estado em 05 de março de 1998. Já o Ensino Médio raiou com o advento da resolução 3844/2000 assinada em 21 de dezembro de 2000 com publicação oficial obrigatória em 05 de fevereiro de 2001265. Já em 2006 foi autorizado o funcionamento do Curso de Formação de Docentes da Educação Infantil e dos anos Iniciais do Ensino Fundamental na Modalidade Normal e Médio, observando a implantação gradativa 264

265

REDE ESCOLA. Colégio Estadual Professora Edimar Wright EMeN. Disponível em: < http:// www.attedimar.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1 > Acesso em: 14 mar. 2011. Idem.

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a partir do início do ano letivo de Foto: Colégio Estadual Edimar Wright 2006, em concordância com a Resolução nº3714/2006 de 28 de julho de 2006266. A década de 1970, a Educação no Município passou por intensas transformações, devido à frenética urbanização descontrolada. As quais começaram a ser sentidas na gestão do Prefeito municipal Roberto Luiz Perussi, Professora Edimar Wright, diante desta perspectiva, havia a ne- patrona de escola no baircessidade de se desenvolver uma ad- ro da Cachoeira ministração educacional eficiente, mas ao mesmo tempo flexível aos diversos problemas que surgiriam. Foi neste contexto que assumiu o cargo de Secretária de Educação do Município a professora Floripa Perussi Lovato (Dona Nena). Pessoa com experiência adquirida em 25 anos de magistério e com passagem por diversas escolas desde Rio Branco do Sul inicialmente, até a Sede. Ou seja, conviveu com diversas realidades desde o final da década de 1950. Mais 06 anos de trabalho burocrático de inspetora educacional. Pelo reconhecimento de seu trabalho pelos seus colegas, é convidada em 1989 a ser Secretária de Educação novamente do município. Foram colegas de classe de Dona Nena que se formou com ela: Leônidas Antonio Rodrigues Dias, o professor Carlos Augusto Rose e as saudosas professoras Conceição P. Nascimento e a senhora Rosa Frederica Johnson. Uma notoriedade observada na trajetória de vida dos professores de décadas anteriores a de 1960 que atrapalhava o desenvolvimento da Educação, foi o difícil acesso até 266

Idem.

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a escola. Ou seja, ou os professores moravam na região da escola, ou tinham que se deslocar até a ela. Mas como naquele tempo não existia transporte coletivo, acessibilidade a automóveis e até transporte escolar, o jeito era para quem morava longe e tinha que trabalhar, se hospedar na casa de algum morador na região próxima ao trabalho. Sendo que só na sexta-feira de tarde que poderiam ir visitar seus familiares, voltando no domingo à noite. No centro da cidade, se destacou o estabelecimento comercial de seu José Ido da Cruz, que além de ser mercearia, lanchonete e restaurante era uma hospedaria. A qual abrigou muitas normalistas na década de 1950. Porém, além da dificuldade das professoras terem que se deslocar para o trabalho. Existia outro agravante que ocorria nas escolas isoladas (escola rural). Eis, que eram as professoras que preparavam a merenda para seus alunos. Esta condição só começou a mudar a partir de meados da década de 1970. Este mesmo dilema era vivido por alunos que gostariam de se aprimorar mais nos estudos. Não raro era verificar moradores da sede acolhendo filhos de conhecidos que moravam no interior do município. No entanto, esta condição mudou no final da primeira gestão do prefeito Roberto Perussi. Pois, a prefeitura adquiriu um micro-ônibus que fazia este serviço. Porém de forma limitada. Em 1972 a Escola Normal Regional Alvarenga Peixoto, passou a denominar-se de Ginásio Estadual Alvarenga Peixoto. Porém, em 1972, a instituição de ensino mudou novamente de nome, sendo que desta vez recebeu o nome do ex-deputado estadual e prefeito Ambrósio Bini. Neste contexto, a professora Rosa Bini de Oliveira, se tornava a primeira Diretora do Colégio Estadual Ambrósio Bini. O qual 294


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em 1980 implantou o ensino de 2º Grau com o Curso Profissionalizante Básico em Comércio. Em 1991 o Colégio passa a gerir sobre a luz da Educação Geral267. Na Antiga Estrada do Bonfim, foi fundada a Escola Rural Alexandre Perussi no ano de 1977, a qual inicialmente funcionava em um prédio de madeira. No ano de 1987 a escola ganhou dependências novas de alvenaria. Em 2007 a escola tinha 478 alunos matriculados no ensino de 1ª a 4ª série. No ano letivo de 1978 foi inaugurada a Escola Rural Municipal Nossa Senhora da Luz no Marmeleirinho, em homenagem a padroeira da comunidade. A escola inicialmente funcionava em um paiol na propriedade do Senhor José Canane Ida. Tempos depois o terreno foi comprado pela família da Professora Lucia Perussi Gasparim, que continuou com o funcionamento da Escola. Em 1985 o Senhor José Perussi doou para a prefeitura a área onde foi construído um prédio para a escola. Este fato faz que em 1987 a escola fosse denominada de Escola Rural Municipal José Perussi Gasparim. Em 2007 contava com 14 alunos matriculados no ensino de 1ª a 4ª série. Em 2009 suas atividades foram encerradas pela baixa taxa de matriculas. Também no ano de 1978 tem inicio uma das maiores escola do município. A Escola João Paulo I que foi erguido na gestão do Governador Jaime Canet e inaugurado nas festividades de comemoração do aniversario de emancipação política da cidade em 11 de outubro de 1978268. O qual recebeu esta denominação devido a comoção mundial pela morte do Cardeal Albino Luciani (Papa João Paulo I), ocorrida em 28 de setembro de 1978 às 23:00 local. Em 1983 foi 267 268

LUGARINI. Célia Maria Bini. Síntese Histórica do Colégio Estadual Ambrosio Bini. 06 de abril de 1995. Relatório das festividades de comemoração do 31º aniversário de Emancipação Política de Almirante Tamandaré. Gestão Roberto Perussi.

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reconhecida pela resolução 3440/82 de 14 de janeiro de 1983269. Sendo que neste mesmo ano a escola que já possuía a maior estrutura do município e teve que receber mais 4 salas na Gestão do Prefeito Ariel Buzato em resposta ao extremo aumento de demanda de matriculas originado pela desenfreada crescente população. Até o ano de 2004 a instituição estadual compartilhava o espaço com a Escola Municipal São Jorge. Quando esta ultima ganhou prédio próprio no mês de junho deste ano, junto a Rua São José (a 300 metros aproximadamente do pioneiro estabelecimento). No ano de 1999 é reconhecido o Ensino Médio. Sendo que contemporaneamente o Colégio João Paulo I em 2008 contava com 1050 alunos matriculados nos cursos de 5ª a 8ª séries e no Ensino Médio, distribuídas em 15 salas de aula, num total de 33 turmas que funcionam organizadas em três períodos. Já a Escola Municipal São Jorge recebe alunos de 1ª a 4ª séries, como também atende o EJA. A Escola Municipal Jardim Ipê, foi fundada no ano de 1980. Seu nome deriva da região onde esta localizada. A qual possui muitas árvores de Ipê. Neste mesmo ano entra em funcionamento a Escola Municipal Jardim Graziela, sendo mantida pela prefeitura até 1984, quando passou para competência estadual. Com o advento da municipalização, passou a ter competência exclusiva para o Ensino Fundamental das séries iniciais. Em 2007 estavam matriculados 443 alunos. A escola Municipal Alvorada começou suas atividades em um barracão onde hoje esta instalada a Igreja São Pedro em 1980 quando foi criada com a denominação de Escola Rural Jardim Apucarana (contemporânea Escola Estadual Jardim Apucarana) que funcionava em um pequeno 269

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Colégio Estadual Papa João Paulo I, 2008, p. 01.

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prédio que servia inicialmente para atender 125 alunos de ensino primário. Com o Ato Autorizatório nº 7489 de 24 de outubro de 1984, assinado pelo então Governador José Richa começou a funcionar de forma mais ampla. Pois, a demanda de alunos aumentou e a necessidade de estender o ensino a um nível maior já era notória. Neste contexto, ocorre o inicio das obras para uma escola mais ampla no final do Governo José Richa sendo concluída em março de 1987 no Governo João Elísio Ferraz de Campos com recursos administrados pela Fundação Educacional do Estado do Paraná (FUNDEPAR). Em convênio com a prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré Gestão Ariel Adalberto Buzzato270. No inicio do ano letivo de 1991 começa a atender especificamente o ensino de 1º grau (atual Ensino Fundamental), no período noturno. Dois anos depois, em virtude do aumento da demanda de alunos de Ensino Fundamental, abre o período vespertino. No ano letivo de 2005 começou a funcionar no estabelecimento a modalidade do PAC – Ensino Médio, que atendeu inicialmente uma turma, no período noturno271. Porém, apesar de seu prédio ser Estadual, a escola ainda funciona em regime de compartilhamento com a Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré. O qual cede o período diurno para as atividades educacionais de 1ª à 4ª série. Neste período a instituição funciona sob a denominação Escola Municipal Alvorada272. Que em 2007 atendeu 276 alunos. No ano letivo de 1983 começa a funcionar na Região da Vila Ajambi, uma escola que leva o mesmo nome, inicial270

271 272

REDE ESCOLA. Escola Estadual Jardim Apucarana. Disponível em:< http://www.attapucarana.seed.pr.gov.br/ modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=9 > Acesso em: 14 mar. 2011. Idem. Idem.

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Relatos de um Tamandareense

mente em duas salas de aula popularmente reivindicadas por abaixo assinado colhidos junto a moradores da região. Sua autorização de funcionamento raiou com a resolução nº 7489/84 que permitia atender o ensino primário. Sendo desta forma os pioneiros professores: Geni Genésia Prado, Elvira Oyama, Ana Lucia Pereira, Jefferson da Silva, Gizela Guimarães Pereira e Lucimeri Costa273. Em virtude da crescente demanda, o espaço saturou o que mobilizou a comunidade escolar lutar por um prédio mais amplo. O qual ocorreu. No entanto, no período que ocorreu a construção, os alunos foram remanejados para as instalações junto a Capela Anjo da Guarda, que foram construídas pela Prefeitura Municipal em caráter emergencial a estrutura mínima para tal remanejamento. A de se destacar que muitos dos que participaram desta obra, estavam desempregados antes do fato274. Inicia-se o ciclo básico no ano letivo de 1988. No entanto fez parte da história da escola o Mobral e a Educação Educar (educação destinada aos adultos). Mas com a municipalização das escolas no ano de 1991, ocorreu a criação da Escola Municipal Jardim Gramado com competência para o ensino primário, no período diurno e vespertino. Sendo que o ginásio era de competência da Escola Estadual Vila Ajambi. Porém esta funcionava apenas em período noturno, havendo ainda a necessidade de construir mais duas salas de aula em 1992275. Em 1996 a Escola Gramados começa a funcionar em prédio próprio. Recentemente a Escola Municipal Gramados, localizada na Rua João Goulart, 70, Jardim Cerejeira, foi redenominada por força da Lei Municipal nº 1495 de 18 de dezembro 273

274 275

REDE ESCOLA. Colégio Estadual Vila Ajambi. Disponível em:< http://www.attajambi.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=54> Acesso em: 15 mar 2011. Idem. Idem.

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de 2009, como Professora Angela Antonia Misga de Oliveira. Esta homenagem foi consequentemente estabelecida pelo seu contemporâneo trabalho (década de 1980-2000), dedicado tanto na formação de alunos do ensino primário na Escola Municipal Gramados. Quanto sua dedicação para encaminhar pessoas fora idade escolar, ao mundo do conhecimento e a novas perspectivas enquanto docente da cadeira de Português do Colégio Estadual Vila Ajambi, na região de mesma denominação. Infelizmente nos deixou ainda jovem (42 anos. Nascida em 23 de setembro de 1964), em 15 de agosto de 2007. Mas com um legado notório, na atitude involuntária de agradecimento de seus pupilos e no contexto de seu reconhecimento como patronesse da escola, partindo dos próprios colegas em forma de abaixo assinado (o qual tive a honra de assinar), apresentado posteriormente junto a Câmara dos Vereadores. Neste mesmo ano a escola atendia 307 alunos de ensino fundamental séries iniciais. Com a criação do CAIC, ocorreu a liberação para matricular nos três períodos alunos de 5ª a 8ª series no ano letivo de 1993. A partir deste momento a demanda da escola só aumentava o que resultou na necessidade de ampliação de suas dependências o que ocorreu em 30 de dezembro de 1997 com o convenio nº 2225/97 entre a Associação de Pais e Mestre da Escola Estadual Vila Ajambi e a FUNDEPAR. O qual permitiu de duas salas emergenciais de 117,00 m². Já a quadra de esporte se tornou realidade a partir do Convênio nº 1837/97 acordado em 16 de outubro de 1997, o qual possibilitou a construção em uma área de 348,00 m².276 Com esta nova estrutura foi possível o funcionamento legal do Curso Supletivo de Ensino Fundamental Fase II, a 276

Idem.

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partir da Resolução nº 1481/2000 publicada no Diário Oficial do Estado do Paraná em 18 de maio de 2000. Sendo que no ano letivo de 2006 começava a funcionar o Ensino Médio por força legal da Resolução nº 4224 de 26 de setembro de 2006 e DOE de 25 de outubro de 2006277. A década de 1980 foi um campo onde brotaram muitas escolas estaduais no município. Sendo que a gênese do Colégio Estadual Jardim Paraíso teve inicio na data de 1982, quando foi solicitada junto a Secretária Municipal de Educação Floripa Perussi Lovato para que autorizasse e fornecesse as dependências da Escola Municipal Novos Horizontes para o funcionamento de uma Escola que atendesse o ensino de 5ª a 8ª. Fundada no real argumento que a distância de deslocamento que os alunos que concluíam a 4ª série tinham de fazer até o Colégio Ambrósio Bini, era muito grande e desmotivadora. Sendo assim, este fato gerava elevadas taxas de abandono do estudo278. No ano letivo de 1984 por força da Resolução nº 7489 de 24 de outubro de 1984 e publicado no Diário Oficial do Estado na data de 08 de novembro de 1984 era autorizado o funcionamento do ensino de 1ª Grau nos períodos diurnos e vespertino. Porém, só no ano de 1991 a Resolução 1019/ 91 de 14 de março de 1991 autorizou o ensino no período noturno279. Devido à crescente demanda de alunos, até 1996 a Escola Estadual Jardim Paraíso compartilhou o mesmo espaço do estabelecimento da Escola Municipal Novos Horizontes (contemporânea Escola Municipal Eurípedes de Siqueira). Pois, naquele ano foi entregue o prédio estadual que atende até este momento o Colégio Estadual Jardim Para277 278 279

Idem. COLÉGIO ESTADUAL JARDIM PARAÍSO. Projeto Político Pedagógico. p.05 Idem.

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íso. No entanto, por falta de espaço na Escola Novos Horizontes. O prédio Estadual acolheu até o final de 1999 duas turmas da escola municipal280. Na data de 1998, a Diretora Rita Joseli da Cruz encaminhou o pedido de reconhecimento do Ensino Fundamental, sendo este aprovado em 08 de outubro de 1999 e reconhecido sob a luz da Resolução nº 4142/1999 e publicado no Diário Oficial do Estado em 07 de dezembro de 1999. Neste mesmo ano devido à procura e a necessidade de se implantar o Ensino Médio, o qual logrou êxito com a autorização expressada pela Resolução nº 719/1999 de 04 de fevereiro de 1999, e posteriormente publicado no Diário Oficial do Estado. Em relação à história da Escola Municipal Novos Horizontes, a qual se confunde com a própria trajetória do Colégio Estadual Jardim Paraíso, sendo que a instituição pioneira foi municipalizada em 1991. A qual foi redenominada por Lei Municipal em 2004, sendo o patronato entregue como justa homenagem ao Prefeito e Tabelião, o saudoso Eurípedes de Siqueira. Em 2007 contava com 475 alunos. Em 2011 recebeu ampliações em sua estrutura. Também no ano de 1984 é aberta no Jardim Monte Santo a Escola Municipal Lourenço Angelo Busato. Conhecida como a “Escola do Morro”. A escola possui esta denominação devido a ser um imigrante que veio do Município de Colombo para desenvolver atividades na área da cal e calcário na cidade. Em 2007 possui 300 alunos matriculados. No ano de 1988 no Mato Dentro foi construída uma nova escola para substituir a pioneira Escola Isolada do Mato Dentro que transcende a década de 1970. Além de prédio novo, a instituição ganhou uma nova denominação: Escola 280

Idem.

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Municipal João Batista de Siqueira. Homenagem ao ex-prefeito da cidade e morador da localidade. Em agosto de 1988 é inaugurada a Escola Municipal José Antoniacomi. Cujo nome, foi uma homenagem prestada ao pai pelo ex-vereador João Chevônica Antoniacomi281. Com efêmera duração de 20 anos, na região da Venda Velha a pedido da comunidade teve inicio no ano de 1989 a Escola Rural Municipal Sant’Ana, localizada inicialmente na propriedade do senhor Alcenio Teixeira. No ano de 1991 foi construído um novo prédio em um terreno doado pelo Senhor José Tartaia. A denominação recebida se liga diretamente a devoção que o povo daquela localidade expressava e ainda expressa a Santa Ana. No ano de 2007 contava com 56 alunos de 1ª a 4ª série. Em 2009 foi fechada por possuir um numero muito baixo de alunos matriculados. A jovem Escola Rural do Boixininga que surgiu no contexto da mobilização da comunidade em meados da década de 1980, para criar uma escola na localidade. Inicialmente a escola chamava-se escola nossa Senhora dos Remédios e funcionou em uma casa alugada. Sendo que posteriormente ganhou sede própria. Em 2007, possuía matriculados 26 alunos de 1ª a 4ª série. Com 23 anos de existência a Escola Rural Municipal Campina de Santa Rita foi fechada em 2009. Inicialmente suas atividades ocorreram em um prédio de madeira em 1986, sendo que posteriormente ganhou dependências de alvenaria. Em 2007 possuía matriculados 10 alunos em um contexto de ensino multisseriado, o que já dava indicio de seu destino. Na década de 1970 o candidato a vereador Vicente Kochany doa o terreno onde foi construída a Escola Lamenha 281

Histórico da Escola, 2007.

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Grande, porém só em 1989 a escola foi denominada com o seu nome. Mas era para se chamar Serzedello de Siqueira. Pois, segundo o senhor João Antonio Bini vereador que viveu este episódio, a proposição do nome foi feita pelo vereador Reimundo Siqueira (seu Neninho). No entanto, conhecedor do contexto da história da doação do terreno, seu João Antonio Bini alertou o fato para não se cometer uma injustiça, o qual logrou êxito282. De suas salas começa a trajetória do Colégio Estadual Tancredo Neves que iniciou suas atividades no ano de 1986, devido ao fato de não existir na região uma escola que atendesse os alunos que concluíam a 4ª série. Apenas em 1990 ocorreu o reconhecimento do curso de 1º Grau, sendo que no ano de 1995 foi entregue o prédio exclusivo ao colégio. Neste mesmo ano deu-se inicio ao funcionamento do curso de 2º Grau Técnico em Administração. Seu patrono foi é um político mineiro de reconhecimento nacional que foi um símbolo da luta pela redemocratização do Brasil. Criada em 1991, em uma casa alugada de madeira tem inicio a história da Escola Municipal do Jardim Roma. Por reivindicação popular da comunidade, foram construídas duas salas de madeira junto ao posto de saúde. Mas só em 1996 foi construído um prédio adequado para receber atividades escolares. Em 2007 a escola atendeu 412 alunos de 1ª a 4ª séries além de funcionar o sistema de EJA (Ensino Jovens e Adulto). No final do ano de 1992, foi construído pelo Governo Federal na Rua Piraquara nº 500, no Jardim Roma, a primeira instituição do município de Educação Integral e o terceiro do Paraná. Ou seja, o Centro de Atenção Integral a Criança, mais conhecido como CAIC. O qual dispõe de um nú282

Relato de João Antonio Bini, abril de 2011.

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cleo esportivo (ginásio de esporte), núcleo de educação com capacidade para 1000 alunos, núcleo de cultura, saúde e educação, para o trabalho; teatro, biblioteca, ambulatório médico e odontológico e salas para cursos profissionalizantes. Sua atividade se iniciou em 1993, mesmo sem ter recebido o mobiliário, os quais foram emprestados pela FUNDEPAR. Na mesma época foram criadas três classes especiais: DM. Deficiência mental; D.A. Deficiência auditiva e D.V. Deficiência visual, contando na época com professores especializados, atendimento psicológico e fonoaudiólogo. Com a chegada do mobiliário ainda em dezembro 1993, foi possível iniciar a Educação para o Trabalho, sendo ofertados os cursos profissionalizantes de corte e costura e pintura em tecido, ministrados em parcerias com o SESI. E em 1994 começou a funcionar a creche para crianças atender 160 crianças de 0 a 6 anos. Nesta época o CAIC contava com 70 funcionários, sendo administrado pelo Diretor Geral, o Sr. Renato Ferro Sofiati. Faz parte da Estrutura do CAIC – São Francisco de Assis a Escola Municipal Arco-Íris, o qual possui a mesma data de fundação. Em 2007 atendia 338 alunos. Inicialmente a Escola Estadual Alvarenga Peixoto fundada em 25 de julho de 1994 para atender exclusivamente jovens e adultos por força legal da Resolução nº 3755/94, era composta por duas turmas integrada à modalidade de Período, gradativamente, somente com o Ensino Fundamental – Fase II283. Sob nova denominação de Escola Estadual Ayrton Senna da Silva ocorrida em agosto de 1994, em virtude de força legal da resolução nº 4.291/94, ofertou o sistema de suple283

REDE ESCOLA. Ceebja Ayrton Senna da Silva – Ensino Médio. Disponível em:< http:// www.attceebjayrton.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1 > Acesso em: 15 mar 2011.

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tivo para o 1º Grau. No entanto em janeiro de 1998 foi autorizado o Ensino Médio, o que provocou novamente a mudança de denominação de “Escola” para “Colégio”, iniciando também gradativamente em observação a Resolução nº 4.356/98. No ano letivo de 1999 iniciou o Experimento Pedagógico em forma de blocos de disciplinas durando por um período de dois anos e retornando à modalidade de Período. Já no ano letivo de 2001 teve inicio a modalidade de Etapas. Sendo que a partir do ano de 2000 a instituição ofertou somente Ensino Médio, mas agora sobre a denominação de CEEBJA (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos) reconhecido pela resolução nº 1.739/ 01. Com as alterações de programas educacionais relacionadas ao supletivo ocorreu que final do ano de 2005, houve novamente uma mudança de modalidade ocorrendo à introdução do sistema Coletivo e Individual. Diante disto o Colégio passou a atender novamente alunos jovens e adultos desde a 5º série do Ensino Fundamental, à 3ª série do Ensino Médio e cessando gradativamente a forma de Etapas284. No ano letivo 2010, o CEEBJA Ayrton Senna da Silva conta com cerca de 700 (setecentos) alunos. Porém, este número constantemente sofre alterações, porque nesta nova modalidade, a matrícula pode ser feita a qualquer momento285. O CEEBJA Ayrton Senna compartilha o espaço com a Escola Municipal Professora Rosilda Aparecida Kowalski, criada em 1998 para atender inicialmente os alunos do Jardim Monte Santo, que estavam instalados em uma precária casa de madeira. O patronato da escola foi uma home284 285

Idem. Idem.

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nagem prestada à professora Rosilda por ela ter administrado o antigo Grupo Escolar Almirante Tamandaré que ali existiu pioneiramente. Atendia em 2007, 432 alunos de 1ª a 4ª séries. Na gestão do Prefeito Cide Gulin, o Senac instalou-se em Almirante Tamandaré, ampliando as oportunidades de ensino técnico no município. No dia 18 de outubro de 1995, ocorria a formatura da primeira turma do Senac de Almirante Tamandaré, no Curso de Auxiliar de Escritório em Departamento Comercial e Datilografia. A escola Municipal Jardim Taiza foi fundada em janeiro de 1996. Sendo sua primeira diretora a professora Mara Solange Purkote. Em 2007 possui matriculados 267 alunos das series iniciais do Ensino Fundamental. Seu nome foi herdado da localidade que esta estabelecida. O Colégio Estadual Vereador Pedro Piekas possui uma história recente iniciada em 1998. Oferta o Ensino Fundamental e o Médio e funciona em três períodos. No ano de 2007 contava com aproximadamente 643 alunos. Esta instituição compartilha o espaço com a Escola Municipal Vereador Atílio Bini que atendia em 2007, 316 alunos das series iniciais do Ensino Fundamental. Na data de 1983 foi entregue na Gestão de Ariel Buzato as dependência da Escola Vila Feliz, ou seja, duas salas de aula, conjunto de sanitários e cantina. Funcionava em dois turnos e atendeu inicialmente 240 alunos286. No inicio do século XXI, no Colégio Vila Feliz, falecia no contexto de seu exercício profissional a professora Maria Lopes de Paula ocupante da Cadeira de Geografia. Sendo que esta profissional já carregava em seu nobre currículo, 286

REVISTA PARANAENSE DOS MUNICÍPIOS. Especial Almirante Tamandaré. Curitiba: Ed. Revista Paranaense dos Municípios Ltda, Fevereiro de 1986, ano XVIII, p.02.

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40 anos de amor e préstimos dedicados ao magistério do Município de Almirante Tamandaré. Por força do triste incidente e de sua vida profissional, recebeu justa homenagem no que tange o patronato da nova unidade que estava para ser concluída e inaugurada já em janeiro de 2002 no novo endereço junto à Rua Estados Unidos 133, Jardim Gineste287. Contemporaneamente o Colégio Maria Lopes de Paula, se destaca pelo seu trabalho junto ao desenvolvimento artístico e cultura, tendo em sua Fanfarra e Coral seus principais pontos de referencia, além da boa qualidade de ensino e organização da instituição. No ano letivo de 2003 começa a funcionar na antiga Escola Rural São João Batista (contemporânea Escola Rural Municipal Luis Eduardo Cumin), a Escola Estadual Professora Terezinha Elizabete Kepp em regime de compartilhamento. Por força legal de Autorização de Funcionamento advinda da Resolução nº 371/03 DOE 27 de fevereiro de 2003 para ofertar inicialmente o curso de Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série no período diurno. Devido à consequência da mudança na competência municipal administrativa recaída sobre a região do Jardim São João Batista, no ano de 2006 a Escola passou fazer parte do município de Almirante Tamandaré288. O patronato da atual Escola Estadual foi uma homenagem à professora Terezinha Elizabete Kepp, que foi vitimada pela violência urbana no inicio da década de 2000. Esta é mais uma instituição estadual que se originou de uma escola municipal. Sendo que inicialmente a Escola 287

288

DIA-DIA-EDUCAÇÃO. Consulta Escolas. Disponível em: < http://www.attmaria.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1>Acesso em 30 dez 2010. REDE ESCOLA. Escola Estadual Professora Terezinha Elizabete Kepp. Disponível em:< http:// www.attterezinhaekepp.seed.pr.gov.br/modules/noticias/ > Acesso em: 15 mar 2011.

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Municipal Luis Eduardo Cumim, foi fundada em 1981, a qual sua denominação foi uma homenagem prestada a um aluno que passou pelos bancos da mesma escola, que substituiu o pioneiro nome de Escola Rural São João Batista. Na data de 10 de fevereiro de 2006 se abria inscrição para o pioneiro curso a distancia técnico do município, gerido através da modalidade de vídeos aulas, as quais se apresentavam simultaneamente para todo o Brasil, a partir de recepção via satélite, existentes nas tele salas. Sendo assim, foram ofertados os Cursos Técnicos em Administração Empresarial, Secretariado, Gestão Pública e Técnico em Contabilidade289. Sendo que, isto só foi possível, graça ao convênio feito entre a Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré e o ITDE (Instituto Tecnológico de Desenvolvimento de Educacional), onde os cursos ministrados eram certificados pela Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná 290. Em 05 de maio de 2008, a implantadora e Coordenadora do Polo do ITDE em Almirante Tamandaré, Josélia Aparecida Kotoviski entrega o certificado a 62 novos técnicos 291. A Educação no município é uma área que esta em constante evolução. Muito ainda deve ser feito. No entanto, ela nunca deixou de estar presente. Esteve distante de muitas pessoas, ou pela própria localização ou pela mentalidade de um passado não muito distante, onde não raro era escutar alguém dizer, “que 289

290

291

Processo administrativo nº 0033468/ITDE – Termo de Convenio. Secretaria Municipal de Governo. Implantação. 11 de fevereiro de 2005. Processo administrativo nº 0033468/ITDE – Termo de Convenio. Termo de Convenio assinado em 18 de outubro de 2005. FOLHA DE TAMANDARÉ. Alunos recebem diploma de curso profissionalizante. Ano XXIII, nº 598, 1ª quinzena de maio de 2008, p.6.

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escola não servia para nada!”. Os tempos mudaram, e a demanda populacional do município também mudou. Hoje já existem, faculdades no município na modalidade de ensino a distância (EAD). Realidade, que o morador mais visionário das décadas 1970 para trás, nem sequer cogitava a imaginar. No entanto, a história dos pioneiros professores não pode ser esquecida, nem daqueles que não eram o Estado e tão pouco recebiam algo em troca. Mas mesmo assim, construíam pequenas salas de madeiras, ou sediam seus paióis ou a própria casa para que as futuras gerações tivessem o mínimo de instrução. Não é apologia, enaltecer estas pessoas. Porém, é um desrespeito deixar a suas histórias desaparecerem. No processo desta pesquisa, quando olhava o nome de algumas escolas que não estava denominada com o nome de um professor, pensava ser um ato injusto. Mas depois dessa breve pesquisa, percebi que aquelas pessoas que ali são reconhecidas como patronas, fizeram algo pela Educação. Talvez não tenham dado aula, mas possibilitaram que outros ensinassem. A Educação de Tamandaré foi e é um conjunto de vontades de vários setores da sociedade. Pois, foi a Igreja Católica, que estabeleceu os primeiros passos da educação no Botiatuba, foram os imigrantes poloneses que montaram a primeira escola particular do município. Foi à monarquia que levou escola nos povoados de maior habitação e posteriormente a Província, o Estado e o Município que consolidaram a Educação nestas terras e foram raras pessoas civis de bom coração que doaram seu tempo, recursos e condições para tornar possível a Educação. 309


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A história da Educação no município, não é uma história diferente de outros lugares no Brasil. No entanto, ela serve como uma referência de evolução, mesmo não parecendo. Mas a Educação não se reverte apenas ao ensino e aprendizagem, mas também se pauta em melhorar as condições de segurança e igualdade de condições materiais do aluno no contexto escolar. É neste sentido que em junho de 2005 na gestão do Prefeito Vilson Goinski, ocorreu o inicio do "Programa Criança na Escola", o qual fornecia inicialmente para alunos do ensino fundamental séries iniciais o uniforme escolar (calça, jaqueta, camiseta), mas com o passar dos anos foi se aperfeiçoando. Sendo que atualmente o kit escolar é composto pelo uniforme, mochila, calçado e material escolar básico. O qual contemporaneamente beneficia mais de 11 mil alunos da rede publica municipal. Sendo que esta ação governamental tornou-se lei em 24 de maio de 2010 com o advento da Lei Ordinária nº 1511/2010. Neste contexto se percebe que a Educação no Município é um conjunto de ações de diversos setores. Fonte: Folha de Tamandaré, nº 593, fevereiro de 2008/foto : Ari Dias

Solenidade de entrega do kit escolar no ano de 2008 pelo Prefeito Vilson Goinski 310


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Cultura tamandareense

E

m tempos onde a televisão dita à cultura e molda personalidades, ainda é possível nos dias de hoje experimentar de forma concreta e palpável a sensação única de participar de manifestações culturais populares. Ocorridas no contexto de festas de igrejas, comemorações cívicas, feiras e eventos artísticos ainda realizados na cidade de Almirante Tamandaré. Foto: Arquivo Família de José Ido da Cruz

Desfile de Aniversário do Município 1966. Nesta época, os desfiles eram feitos na Rua Coronel João Candido de Oliveira 311


Relatos de um Tamandareense

Lembro bem da Comemoração do Centenário da Cidade de Almirante Tamandaré, ocorrido na segunda Gestão do Prefeito Roberto Luiz Perussi, cujas festividades foram comemoradas nos dias 28 e 29 de outubro de 1989. Sendo que a programação do dia 28 começou as 6:00 horas com a Alvorada Festiva, seguida posteriormente de um Culto Ecumênico em frente à Prefeitura Municipal as 9:00 horas. As 10:00 horas ocorreram o hasteamento das bandeira do Brasil, Paraná e a do Município (que era a mesma que existe hoje), simultaneamente ao canto dos Hino Nacional e o Hino do Município (que não era o atual, oficializado pela Lei Ordinária nº 246/1993). As 11:30 horas ocorreu a Apresentação da Fanfarra da Policia Militar, com posterior descerramento da Placa Comemorativa as 11:45 horas. As 14:00 horas ocorreu à abertura da exposição (uma feira com produtos agrícolas, históricos, industriais e artesanais, produzido pelos habitantes da cidade já as 20:00 horas, desse dia ocorreu o show pirotécnico. No dia 29 de outubro, a exposição ocorreu durante o dia todo, além de realização de atividades esportivas (torneio de futebol) e culturais apresentado no Ginásio Buzatão (dança, concurso de miss,...). Mas esta comemoração não foi exclusiva do Centenário. Pois, uma das marcas da gestão do prefeito Roberto Perussi, sempre foi comemorar o aniversário da cidade. Este fato já era notório na primeira gestão. Época em que não se comemorava o em 28 de outubro o aniversário de Almirante Tamandaré, mas sim dia 11 de outubro, data da retomada da autonomia administrativa em 1947. Por este, motivo que a Tribuna dos Minérios, de 12 de outubro de 1978, destaca na sua p. 05 a manchete “Almirante Tamandaré no dia alusivo ao seu 31º aniversário”. Nesta mesma oportunidade é 312


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destacada que as 6:00 horas a cidade é acordada pela Alvorada Festiva ao som da Banda de Musica do 27º Batalhão Logístico de Curitiba. As 14:45 horas, com a presença do então Governador do estado o Sr. Jayme Canet Junior, iniciou-se na Avenida Emilio Johnson, um desfile composto pelos alunos das Escolas Municipais e Estaduais, abrilhantado pela Banda de Musica da Polícia Militar, Corpo de Bombeiro e do Exército. O inicio do desfile, foi uma apresentação organizada dentro de uma linha do tempo, onde puxando o desfile seguia um grupo representando os Tinguis, em seguida os escravos acorrentados carregando seus senhores. Depois, um grupo representando os trabalhadores primitivos e atuais com carroças puxadas a cavalo e maquinas, seguindo por um grupo representando o magistério e um grupo representando os funcionários do hospital e Maternidade Tamandaré. Em seguida teve inicio o desfile escolar com a Escola Ambrósio Bini e a fanfarra comandada pelo professor Paulo Almeida, seguidas pelas apresentações autônomas das outras escolas. O desfile durou cerca de uma hora. A solenidade terminou com a distribuição do título de Cidadão Honorário ao Governador Jayme Canet Junior, entregue pelo vereador Jorge Jareki, em solicitação do presidente da Câmara Municipal naquela época, o Sr. Wilsom Mouro Konque. Já o 32º aniversario do município, datado de 11 de outubro de 1979, teve inicio as 8:00 horas na Igreja Matriz com a celebração de uma missa de Ação de Graças oficiada pelo Frei Lourenço Cachuba. Com o término da missa os professores, pais e alunos da Escola Ambrósio Bini, fizeram uma caminhada da igreja até o Campão (atual Estádio Municipal Joaquin Daledone), onde foram realizadas as solenida313


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des cívicas. Sendo que as 9:30 horas se hastearam as bandeiras nacional, estadual e do município (a contemporânea). Respectivamente pelo Vice-Prefeito Sebastião Natal Colodel, pelo Sargento Sabadim (chefe do departamento de transito da cidade), e pela Diretora da Escola Ambrósio Bini Professora Almira Fagundes onde simultaneamente foram cantados os hinos: Nacional e Municipal (diferente ao contemporâneo). As 10:00 horas deu-se o jogo entre os Funcionários da Prefeitura contra os Contabilistas. Após, este jogo, foi oferecido um grandioso churrasco. Das 13:00 às 16:00, ocorreu uma gincana, onde participaram pais, professores e alunos. E finalizando o dia festivo, ocorreu o jogo entre os alunos do período Diurno contra os do noturno. Foto: Tribuna dos Minérios. Tamandaré: 32 anos de Emancipação Política. Ano XII, nº 275, 14/10/1979

32º Aniversário do Município comemorado no Campão/1979 – Foto – Djalma C. Schneider

No final da década de 1960, ocorreu um fato trágico que marcou a comemoração (desfile) de 11 de outubro. Eis, que na Estrada do Assungui esquina com as ruínas da casa da Sra. Raquel C. de Siqueira, o então Frei Mauro que cuidava das crianças da Escola do Botiatuba, que iam desfilar, caiu da carroceria do caminhão, a qual resultou em sua morte. Mesmo com o advento desta tragédia, o desfile de aniver314


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sário do município se realizou, sob um clima de luto. Por este motivo, em tempos mais recentes, a rua em que o sacerdote morreu, foi denominada de Rua Frei Mauro. As comemorações do 104º, realizada no ano de 1993 na gestão do prefeito Cide Gulin, tiveram uma programação durante todo o mês de outubro: sendo o dia 01/10 o lançamento das festividades realizadas as 9:00, na sede da prefeitura, com a presença das escolas municipais e estaduais. No 02/10 se realizou um passeio ciclístico pela sede, com saída as 9:00; 03/10 foi realizado uma Missa Ecológica as 10:00 no Marmeleiro; nos dias 08, 09 e 10/10 se realizou o primeiro Festival Folclórico Internacional com inicio as 18:30 no dia 08/10, no Ginásio de Esporte Buzatão, onde contou com diversas apresentações (capoeira, coral, dança, teatro, concurso de miss, e apresentações diversas realizadas pelas escolas,...); no dia 11/10, às 20:00 no Ginásio Buzatão ocorreu à entrega dos primeiros diplomados no sistema de supletivo na cidade. Já no dia 12, 13 3 14/10, foi comemorado o Dia das Creches com atividades especiais para as crianças (passeio, circo, gincana,...); dia 17/10 ocorreu a Festa de São Francisco no CAIC, sendo o dia todo. No dia 22/10 ocorreu um Torneio de Tranca realizado pela APMI as 19:30 no Salão Paroquial da Matriz. No dia 24/10, ocorreu a Festa da Tradição as 10:00 na Escola Municipal Nossa senhora Aparecida (consolidada-Retiro); dia 27/10 as 17:00 na Prefeitura, foi marcado pelo lançamento primeiro guia de ruas do município, sob organização de Antonio Ilson Kotovski. Em 28/10 das 9:30 às 19:00 foi a Festa de Aniversário realizada na Sede. Dia 30/10 as 15:00 foi marcado pelo Festival de Música Sertaneja e Baile Gauchesco e por fim para fechar as comemorações dos 104 anos do município, realizaramse em 31/10 as 9:00 na sede uma corrida rústica. 315


Relatos de um Tamandareense Foto: Aristides Gustavo Machado, outubro de 1993 No ano de 1994 ainda sob a gestão do Prefeito Cide Gulin, a comemoração do aniversário de 105º da cidade foi marcado pelo II Festival Folclórico de Tamandaré, com a apresentação de Solenidade de lançamento do 1º Guia de Ruas quinze grupos fol- e Serviço da cidade. A direita do prefeito Cide Gulin, Antonio Ilson Kotoviski, o organizador do clóricos nacionais e Guia. Á esquerda o Chefe do Gabinete do Prei n t e r n a c i o n a i s , feito o jovem Vilson Rogério Goinski além de apresentações diversas promovida pelas escolas, cujo objetivo era resgatar a cultura local. Neste ano teve a primeira edição do Bolo de 105 metros, feito pela Panificadora Timoneira (mais de 1600 kg). No ano de 1995, em alusão aos 106 anos de história do Município foram desenvolvidas as seguintes atividades, 21/ 10 teve inicio às 17 horas o III Festival Folclórico do Município continuando as 14:00 do dia seguinte (22/10). Na manhã do dia do aniversário do município 28/10, foi instalada a Comarca de Almirante Tamandaré no Prédio do Fórum (prédio que em décadas anteriores funcionou hospital e posto de saúde e atualmente é deposito de medicamento da Saúde). Localizado na Rua Coronel João Candido de Oliveira, bifurcação com a Avenida Emilio Johnson. Em seguida as 15:00 no Ginásio de Esporte Buzatão, foi oferecido ao público, o Bolo de 106 metros. E encerrando as festividade desse dia, ocorreu as 19:00 a final do Campeonato Municipal de Futebol no Estádio Joaquim Daledone. Já a Comemoração do 107º iniciou-se no dia 20 de outu-

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bro de 1996 com a Realização da IV Edição do Festival Folclórico, no Ginásio Buzatão; no dia 27 foi distribuído o Bolo Gigante de 107 metros com 1700 kg. E o encerramento ocorreu na data festiva de 28 de outubro com o show do Grupo Sertanejo Barulho de Carroça. Por ser uma atração na época os bolos gigantes sempre foram produzidos pela Padaria e Confeitaria Timoneira, o qual era preparado com os seguintes ingredientes: 745 kg de pão-de-ló, 340 kg de nata, 320 kg de pêssego em calda, 140 kg de doce-de-leite, 42 kg de coco, 27 kg de açúcar e 1 kg de corante alimentício. Para fazer os 745 kg de pão-deló. Foram necessários 6700 ovos, 367 kg de açúcar, 22 kg de volumex, 15 kg de fermento. O bolo era feito em partes, depois estas partes eram montadas no formato do número referente à idade do município292. Foto: GAZETA ANCORADO - Ano II, nº 24, 25 de outubro de 1996 Os festivais folclóricos só foram possíveis graças ao trabalho árduo das: Professora Rita Joseli da Cruz Queluz, Sônia Maria Johnson Bonfim, Francisca Kotoviski Bolo gigante de 106 metros Manfron, a Secretaria da Educação Professora Adalzi Gulin Paes, o Coral de Almirante Tamandaré e CTG 8 de Dezembro. Além de outras pessoas. Outra manifestação cívica cultural existente no município, diz respeito aos desfiles de Sete de Setembro, raramen292

GAZETA ANCORADO. Receita do Bolo Gigante. Ano II, nº 24, 25 de outubro de 1996.

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te não realizado. No entanto, estes desfiles, geralmente apresentam particularidades, os quais não se configuram apenas marchar. Pois, muitas escolas apresentam algum tema para expor, sempre relacionado à história nacional, municipal e fatos marcantes. Como existem oportunidades, onde outros grupos do cotidiano da cidade também desfilam. Foto: Folha de Tamandaré. Prefeito Cezar Manfron proporciona espetáculo que ficará na história de Almirante Tamandaré/ agosto de 2004

Desfile Cívico de 04 de Setembro de 2004 em alusão a 07 de Setembro, o maior desfile que a cidade já viu até o presente instante. Pois, foram reunidas mais de 10 mil pessoas na Av. Emílio Johson

O município possui manifestações ligadas às Igrejas, como é o caso da tradicional Festa de São Cristóvão que se realiza desde 1967 no mês de julho. Onde seu marco começa com uma Missa em Louvor ao Santo, seguido da tradicional carreata que onde os diversos meios de transporte terrestre são abençoados, com consequente almoço realizado no Salão Paroquial da Igreja Matriz e posterior bingo. Com o advento da reforma do Salão Paroquial da Igreja Matriz em 2009, foi utilizado o Salão da Igreja Redonda do Botiatuba, para atender a comunidade. Este almoço por tradição é 318


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composto por churrasco bovino, pão, arroz ou risoto, maionese, salada de tomate, cebola e agrião (na década de 1970). Atualmente foi acrescentado o frango. Esta festa Foto: Arquivo Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, 1969 se tornou tradicional no município, pelo fato de São Cristóvão ser o padroeiro dos motoristas. E como a atividade de extração do Procissão Carreata de São Cristóvão em 1969. Caminhonete carregando a imagem de São Cristóvão a qual calcário, se in- foi trazida de São Paulo pelo Senhor Cide Gulin e doatensificou no da pela família Gulin a Paróquia final da década de 1960 o numero de caminhões aumentou em decorrência deste fato. Surgiu então um grande grupo de pessoas no município, que encontraram no transporte rodoviário de carga, o seu sustento. É por este motivo que esta festa tradicional, é um reflexo da religiosidade e da principal atividade econômica que movimenta a cidade. Existe na cidade, a tradicional Festa de Santo Antonio e de Santa Luzia abrilhantada pela tradicional Sopa do Bucho realizada no Salão Paroquial da Colônia Antonio Prado desde 1970, cujo, receita foi trazida pelo senhor Pedro Lovato, que a fazia desde a década de 1950 no Salão Paroquial do Boichininga. A partir de 1970, o Sr. Pedro Piekas começou a promover esta sopa em forma de Festa. Apesar de sua morte em 1996, seu filho Sérgio Piekas continua mantendo a tradição, que ocorre sempre no 2º domingo de Junho e de Dezembro293. 293

Relato de Vicente Coradassi, 2011.

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Inicialmente era apenas uma Festa em Louvor a Santo Antonio com origem na confraternização comunitária de imigrantes em comemoração ao dia do Padroeiro da Igreja erguida por eles. Porém com o passar dos anos esta festa ganhou importância. Já em dezembro se comemora a Festa em Louvor a Santa Luzia, que teve origem com os cortadores de pedras que viviam na colônia. Pois, esta santa é protetora da visão. E como no processo de cortar as pedras, muitas lascas poderiam atingir os olhos, estes trabalhadores se prendiam na fé de proteção dessa santa. Por este motivo mandaram confeccionar uma imagem desta santa de madeira, o qual foi colocada na Igreja de Santo Antonio. A festa do Morango é uma manifestação típica colonial polonesa, realizada desde 1998, no segundo semestre do ano no barracão da igreja de São Miguel, no bairro de Juruqui. Essa festa tem almoço festivo, exposição de comidas típicas feitas com morango e é acompanhada de atrações recreativas (uma delas é a tradicional escolha da Rainha do Morango). Ela representa um reflexo da agricultura e gastronomia da região. O almoço é composto por churrasco, frango, maionese, risoto ou arroz, salada de tomate e cebola. Na região do Juruqui é comemorada no salão de festa da Igreja Nossa Senhora do Rocio a tradicional Festa dos Cavaleiros em louvor a São Benedito. Cujo, começa com uma procissão dos cavaleiros partindo da Igreja do Marmeleiro, com posterior missa campal e almoço (churrasco, risoto, salada de tomate, cebola, maionese e pão), finalizando com bingo. Já no ano de 2000, iniciava-se o tradicional Jantar Dançante da Quirera, organizado pelo Rotaract, com objetivos filantrópicos. Sempre realizado no Segundo semestre do 320


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ano294. Porém, se deve destacar que o Rotary Club de Almirante Tamandaré já realizava este tradicional Jantar Dançante sob o nome de Baile da Quirera já transcendente a sete de abril de 1989. O cardápio do jantar é a tradicional quirera com suam acompanhada pela salada de chicória ou agrião. A origem deste típico prato gastronômico da cidade transcende a época da colonização. Porém, só no final do século XIX os imigrantes poloneses aperfeiçoaram este prato na região, como resposta a dura sobrevivência em tempos de desbravação em seus assentamentos. Pois, observaram no milho uma cultura que poderia ser bem aproveitada e naturalmente já difundida, aliada a carne de porco que era facilmente obtida em qualquer chácara na época. Ou seja, era um alimento nutritivo e barato que foi também difundido pelos tropeiros, já que era fácil seu preparo295. Em 02 de setembro de 1985, o pioneiro Rotary Clube de Almirante Tamandaré sob a presidência do Sr. João Siqueira Neto, inaugura na Rua Didio Santos, nº 43, Centro, à Casa da Amizade. Que representava a primeira fase de um projeto de Construção de um Salão Social de 240 m², para festas, bailes, reuniões e atividades culturas, tanto do próprio clube, quanto para a comunidade tamandareense. Infelizmente a Casa da Amizade não evoluiu para a segunda fase. Porém, apesar deste fato, nunca os rotaractianos deixaram de prestar auxilio e ajuda as manifestações festivas culturais religiosas no município, como também a desenvolver projetos sociais. Esta instituição segundo informações documentais já faz presença na cidade desde maio de 1978296. 294

295

296

ROTARY INTERNATIONAL. 700 pessoas prestigiam o Jantar Dançante da Quirera. Disponível em: < http:/ /www.rotary4730.org.br/jml1515/index.php?option=com_content&view=article&id=841:700-pessoas-prestigiam-o-jantar-dancante-da-quirera&catid=1:notas&Itemid=19>Acesso em: 31 dez. 2010. INVENTARIO DA OFERTA TURÍSTICA. Município de Almirante Tamandaré/Secretaria Municipal da Cultura e Lazer, 1994, p.15. FOLHA DE TAMANDARÉ. Wilson no Rotary. Ano I, nº 09, julho de 1985.

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Também é observada a ocorrência de festas de Igreja sendo a mais tradicional a festa de Nossa Senhora da Conceição, na Sede. Porém existe durante o ano todo comemorações em outras localidades, festas em louvor a seu respectivo padroeiro. Geralmente estas festas iniciam-se com as tradicionais missas, com posterior almoço (churrasco, frango, risoto, maionese, salada de tomate e cebola) e bingo. Foto: Arquivo Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, 1953 No entanto, ligado a estas Igrejas Católicas, se observa as tradicionais organizações de procissões de Sexta-Feira Santa e Pen- Procissão de recepção do Sacerdote Ambrósio Lairto tecoste, as quais Bini em 13 de dezembro de 1953 transcendem a história do próprio município. Pois, segundo consta, uma das funções das Câmaras das Vilas era cuidar para que todos participassem das procissões, já no século XVI297. Consta que 1969 no segundo domingo de março, realizou-se no Botiatuba, a última Festa da Gruta a partir desta data começou funcionar a tradicional Piscina dos Padres, contemporaneamente Recanto Santo Antônio. Já no Seminário, se comemorava a Festa de Santo Antônio, sendo a última realizada no mês de junho de 1970, onde junto com os festejo se realizava um tradicional torneio de futebol (festival) com equipes da localidade. Depois disto, o 297

MELANI, Maria Raquel Apolinário. Projeto Araribá: História 6ª. São Paulo: Moderna, 2006, p.173.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Seminário se restringiu a ser exclusivamente um local de retiro. Outra manifestação cultural religiosa que persiste no município é a Transição das Capelinhas entre moradores da comunidade, os quais recebem Imagem de Santa Maria em casa as 18:00 horas e a repassam no mesmo horário do dia seguinte ao próximo fiel. Estas capelinhas se distribuem na Sede, Marmeleiro, Botiatuba desde 1955, no São Miguel desde 1949. Porém esta manifestação não é exclusiva destas localidades citadas, pois, em outras regiões do município ela ocorre. Esta manifestação católica cristão começou a ser realizada em 1888 em Guayaquil no Equador, chegando ao Brasil (Minas Gerais) em 1914 e em Curitiba se manifestou em 1937298. Além deste movimento de capelinhas, unem os moradores das comunidades tamandareenses as tradicionais novenas, que acontecem a cada semana em um domicílio diferente da comunidade. A religião também colabora com o desenvolvimento da arte cênica. Pois, dependendo do ano geralmente ocorrem encenações ao vivo da Paixão de Cristo, desenvolvida da união entre membros da comunidade, grupo de jovens e instituições como o Rotary Club. No entanto esta manifestação não é exclusiva a Sede. Geralmente estas apresentações ocorrem na Sexta-Feira Santa como aconteceu em março de 2008, quando o evento contou com a presença de 60 jovens de diferentes grupos da região para a apresentação da morte de Jesus na Cruz, realizada na Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Uma interessante manifestação cultural foi registrada na Comunidade do Jardim Monte Santo na data de 12 de 298

SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DO CARMO. Movimento das Capelinhas. Disponível em:< http:// www.santuariodocarmo.com.br/area_publica/controles/ScriptPublico.php?cmd=verMovimento&codigo=9> Acesso em 04 jan. 2011.

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Relatos de um Tamandareense

novembro de Foto Antonio Kotoviski, publicada na Folha de Tamandaré 29 de novembro de 1995 1995. Quando ocorreu a Segunda Edição do Concurso de Boneca Viva. Ainda no ano de 1995 em 14 de agosConcurso de Boneca Viva to, foi lançado o programa Trilhas da Cultura, onde a abertura do programa foi feito com o show de João Lopes o Bicho do Paraná, na Praça do Evangélico, localizada junto à atual Avenida Emilio Johnson esquina com a Rua Lourenço Angelo Buzato. Na continuidade do programa, houve de 14 a 18 de agosto varias Oficinas de Bonecos, com a apresentação do teatro de bonecos, “ A mala e os cartões” de Odílio Malheiros, no CAIC. Já na Escola Municipal São Jorge ocorreu a Oficina Foto: Folha de Tamandaré, nº75, abril de 1989 de Coral infantil e adulto, surgindo assim à semente de um coral tamandareense que se apresentou no III Festival Folclórico InSolenidade do IV Aniversário da Folha de Tamandaré. ternacional de Leônidas Dias entregando a placa de homenagem a Almirante TaSra. Josélia Aparecida Kotoviski, funcionária do Banmandaré, reaco Banestado em 31 de maio de 1989 324


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lizado nas comemorações dos 106 anos. Outra manifestação de preservação histórica cultural de tradição de 24 anos até o momento no município é o evento do aniversário da Folha de Tamandaré, que no seu contexto premia os cidadãos que melhor se esforçaram para dignificar a imagem do município, nos mais variados setores da sociedade. No ano de 1993 o prefeito Cide Gulin, convidava a população para a solenidade de abertura da 1ª Mostra de Artista da Terra. A qual se realizou em 07 de maio de 1993, na Prefeitura Municipal, com a programação que se iniciou as 16:30 horas com a apresentação do Coral do Paraná, posterior descerramento da fita e visitação a exposição, que contou com pintores e poetas. Foram lem- Fonte: Acervo da Secretaria Municipal de Cultura de Almirante Tamandaré brados: o senhor Paulo Oberik, morador do Monte Santo, que desde os 13 anos dedicava-se às artes Plásticas, sendo a cerâmica Na Primeira foto Paulo Oberik desenvolvendo sua um legado de fa- técnica. Na segunda foto a pintora Neuza Busato mília passado de geração a geração. Estudou desenho com o professor Guido Viaro. É professor do SESC onde participa de oficina de modelagem; a pintora filha de Tamandaré Viviam Cristina Tozin, que cursou pintura no Centro de Criatividade – Parque são Lourenço; a pintora Rosalina T. Carvalho dos Santos que aprendeu as técnicas com as professoras Lia Folch e Guilherme Mata; a pintora Neuza do Rosário Busato, moradora do Mato Dentro; Maria Inês Di Be325


Relatos de um Tamandareense

lla, desenhista, gravadora e escultora e o artesão, escultor e entalhador Altamiro Sérgio Genoveski. Porém, por desconhecimento da comunidade tamandareense naquele momento, sequer foi tocado no nome do internacional pintor Albano Agner de Carvalho, filho do professor Adolfo Militão de Carvalho e de Maria Bárbara Agner de Carvalho. Nascido na recém-criada Vila de Tamandaré em 12 de agosto de 1899, sendo que aos 13 anos sua mãe o matriculou na Escola de Alfredo Andersen, onde estudou de 1912 a 1916. Depois, se tornou aprendiz de litografia em uma gráfica. Ao ser convocado para o exército, passa a exercer a profissão de litógrafo no Serviço Militar. Faleceu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 03 de dezembro de 1992 onde passou os últimos anos de sua vida. Foto: Álvaro Botelho

A 1ª foto mostra o pintor ao lado do quadro “Vila Almirante Tamandaré”, onde nasceu em 12 de agosto de 1899. Na 2ª, pintura da casa onde nasceu na Vila Tamandaré

No ano de 1998, a artista Mari Inês Piekas expôs suas obras de Litogravuras. Neste mesmo ano, a Secretaria municipal de Cultura realiza o terceiro concurso Miss 3ª Idade. Em maio deste mesmo ano, se é estudado a viabilidade da Lei de Criação da Fundação Cultural de Almirante Tamandaré. A qual logrou êxito em 30 de junho de 1993, sendo sancionada pelo prefeito Cide Gulin, a Lei 220/93, que 326


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Cria a Fundação Cultural de Almirante Tamandaré. Em 18 de maio de 1994, o Decreto nº 15/94, assinado por Cide Gulin, aprova o Estatuto da referida Fundação Cultural. Já o Decreto 64/2001, assinado pelo prefeito Cezar Manfron, aprova ementas complementares neste estatuto. Na primeira década do século XXI, a Secretaria Municipal de Cultura se estabelece na quase centenária casa da Família Siqueira construída aproximadamente em meados de 1918 e que pertenceu a Dona Rachel Candido de Oliveira, a qual foi restaurada, visando ser o mais parecido com a original. Pois, esta mesma casa, na década de 1980, abrigou uma Oficina de Bicicleta do Sr. Rildo e posteriormente abrigou uma pizzaria (que no final da década de 1980 foi um point da juventude, nas noites de fim de semana). Antes disto, na década de 1970 havia sido sede de uma Igreja Evangélica e Coletoria Estadual. Foto: arquivo Josélia Aparecida Kotoviski, 2001

Casa da Família Siqueira datada de meados da década de 1910, estabelecida junto a Rua Rachel Candido de Siqueira, antes da restauração 327


Relatos de um Tamandareense

Existe uma história ou estória que foi relata por seu Francisco Manfron no ano de 1995, que possuía nesta data 84 anos, que no processo de fundação desta casa, foram enterrados juntos a pedras e cimento muitos objetos de valor, ouro e dinheiro. Neste contexto, sempre foi notório as parceria para o desenvolvimento cultural entre o município e o Estado. Sendo que, na gestão do Prefeito Vilson Goinski, mais uma vez ocorreu este fato no contexto do projeto Paraná Fazendo Arte. O qual foi realizado nos dias 28, 29 e 30 de março de 2005, realizado no Centro de Convenção Edson Dalk, o qual se iniciou com a peça teatral, “Terezinha, uma História de Amor e Perigo”, encenado pelo grupo Filhos da Lua de Renato Sodré. Neste mesmo contexto, a programação foi preenchida pela Oficina Contação de História e posteriormente Oficina Teatral, o qual possibilitou aos participantes a aprendizagem de varias técnicas de encenação teatral. No Carnaval de 1997, um grupo formado por setenta tamandareenses participaram do desfile das Escolas de Samba de Curitiba, em uma das alas da Escola de Samba Leão da Zona Norte. Este grupo se apresentou fantasiado de Figurinha e Balas do Zequinha (que fez muito sucesso na década de 1970), feitos pelos participantes e coordenados pela professora Valdeci Tozin, secretaria da Cultura naquele período. Eis, que o enredo da escola de samba era “Zequinha Curitibano”299. Ainda no que tange o Carnaval, ocorreu uma época na cidade quando os bailões eram locais de divertimento e não fonte de notícia policial, cujo, os quais promoviam Bailes de Carnaval. Sendo a tarde reservada para a criançada e a 299

FOLHA DE TAMANDARÉ. Tamandaré no carnaval curitibano. Ano XII, nº 287, 25 de fevereirode 1997, p. 05.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto publicada: FOLHA DE TAMANDARÉ. Tamandaré no carnaval curitibano. 25 de fevereiro de 1997

noite para os adultos. As casas que realizavam esta programação foram o Bailão do Siqueira, o Bailão da Tia Tede e na Cachoeira o Bailão do Purkote. Mas isto na década de 1980. Ou seja, o Carnaval na cidade, era de Salão. No entanto, enquanto a Sociedade Beneficente Almirante Tamandaré existiu, muitas atividades carnavalescas foram ali realizadas, o mesmo comentário se estende a Sociedade educativa Tanguá. Em 20 de dezembro de 2004, foi criado um local especifico para o desenvolvimento cultural do município, pelo então Prefeito Cezar Manfron, que entregou a população tamandareense o Centro de Convenção Edson Dalk, localizado na Rua João Antonio Zem esquina com a Rua Raquel Candido de Siqueira. O qual possui um palco e espaço, destinado a apresentações teatrais, palestras, exposições, oficinas,... Este Centro foi assim denominado pela Lei nº 1062 de 10 de dezembro 2004. Outro local que por muitas ocasiões foi palco teatral, 329


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auditório de palestras e reuniões civis, salão de eventos, formaturas, casamentos e aniversários, dos inesquecíveis saraus dos anos oitentas, do tradicional Jantar Dançante da Quirera,... Foi e ainda é o Salão Paroquial da Igreja Matriz. Que para dar mais conforto aos seus usuários, foi reconstruído e inaugurado em 08 de dezembro de 2010 com uma missa de Ação de Graça e louvor pela inauguração e como marco comemorativo pelos cento e onze anos de instalação da Paróquia no Município. Celebrou a missa o Pároco Frei José Reimi Martins. Esta nova instalação substituiu o antigo salão de material erguido na década de 1970 no período do pároco Frei Lourenço Kachuba junto com a Casa Paroquial, que substituiu o antigo salão feito de madeira pelo pároco Fausto Schmidt. Mas Almirante Tamandaré, não possui só como expressão cultural seus festivais, eventos religiosos e escritores. Eis, que a música, também merece destaque, porque em 1995, as Sras. Marinha e Marinéia domiciliadas na Cachoeira, formaram a Dupla Sertaneja: IRMÃS CARRARA, sendo que lançaram em 1995, o seu primeiro disco, produzido pela Gravadora Mantiqueira. Neste LP, se encontra 12 músicas as quais, cinco delas tiveram sua letra elaborada pela cantora Marinha Minha vida na fazenda; Meu cawboy; Lágrimas da Solidão, Motorista e Rio do meu sertão criada em parceria com o compositor Campanal. Anos depois lançaram o disco Irmãs Cararas Volume II. Pioneiramente, a primeira dupla sertaneja a gravar um disco no município, foi à formada pelos cantores Edi. Lemos e João Adão no ano de 1993. Na década de 1960, quando existia a sede da já pioneira Sociedade Beneficente Tamandaré, construída com uma 330


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

verba que venho para a prefeitura na década de 1930300, localizada na contemporânea Rua Coronel João Cândido de Oliveira, existia um Trio de Música tamandareense que abrilhantava os bailes geralmente realizados nos sábados. Formada pelos senhores: Silvio Siqueira (no acordeom), o policial Gasparim (no violão) e o Nego Aroldo (no pandeiro). Em meados da década de 1970, o fogo destruiu a construção de madeira, sede desta sociedade. Outra Banda de música que alegrava os moradores de Tamandaré no Domingo, na Estação de Trem, na década de 1940, era a comandada pelo Maestro Pedro Botério, sendo os músicos: Zacarias de Cristo, João David, Ico Scucato, Pedro Bini, Ambrósio Bini, Francisco Lopes, Américo Lopes, Adelmar Teixeira, Tonico Teixeira e Bortolo Stocchero301. Outra região que contava com uma sociedade cultural foi a localidade de São Miguel, fundada em 16 de agosto de 1931 sob a denominação de Sociedade Operaria Beneficente Casemiro o Grande, cujo, denominação foi alterada em 1º de maio de 1938 para Sociedade Operaria e Beneficente São Miguel. A qual foi novamente alterada seu nome para Sociedade Agrícola Beneficente e Recreativa São Miguel em 1º de junho de 1939. Esta ultima mudança de denominação se deu em virtude da expressão “operaria”, a qual não condizia com a atividade realizada na região que era exclusivamente agrícola. Por este motivo que passou a se utilizar a expressão “rural”. Infelizmente a sede da sociedade também terminou em chamas na década de 1980302.

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Relato do Senhor Antonio Candido de Siqueira, em 2001. BRASINHA (Informativo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição). A Saudade/ Harley Clóvis Stocchero. Ano III, abril de 2002. KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p. 55-63.

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Relatos de um Tamandareense Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril 2011

O bairro do Tanguá contava desde 1945 com a Sociedade Educativa Tanguá, o ultimo grande salão de sociedade ainda de pé no município. Atualmente sua sede social não expressa o que em seus anos iniciais representava para aquela região e proximidades

Segundo o relato do padre Wendelin Swierczek é possível identificar a existência de uma sociedade cultural fundada por poloneses na Lamenha, desde 1893. Cujo, o nome era Sociedade Santo Izidoro303. No ano de 2006 começava a chamar a atenção no pátio da ORPEC Engenharia, Indústria e Comércio Ltda, junto a Avenida Wadislau Bugalski enormes dinossauros em tamanho natural (Um Diplodoco de 27 metros comprimento por 10 de altura (erguido na década de 1990), um Tiranossauro Rex de 8 metros de altura e um Pterodonte). Porém construídos com sucata produzida pela atividade da industrial da empresa. Ou seja, o lixo foi transformado em arte através do projeto idealizado artista e Diretor Industrial da ORPEC Engenharia, Fabio Ceci Szezesniak e mais 15 amigos. A escultura chamou tanto a atenção que a própria prefeitura municipal de Almirante Tamandaré quis colocar as esculturas em um local publico e integrar os dinossauros no circuito turístico da cidade. Porém, tal possibilidade não foi 303

SWIERCZEK, Wendelin. Na seara do semeador. Curitiba: Vicentina, 1980, p.149.

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possível em virtude que não existe forma de transportar a estrutura sem a desmontá-la. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, março de 2011

Tiranossauro Rex de 8 metros e o Pteranodonte em frente a ORPEC

Outra manifestação interessante que se manifesta no seio de qualquer sociedade, sendo que em Almirante Tamandaré isto não é diferente. Diz respeito a enorme gama de produções de contos e lendas que espontaneamente vertem das observações populares. No entanto, estes supostos contos e lendas carregam informações históricas muito importantes, que muitas vezes aos olhos dos leigos passam despercebidas. Eis que se prendem a ficção e deixam de observar o rico contexto real que se esconde na própria história. Pois, segundo alguns pesquisadores, toda lenda nasce de um fato real. Um exemplo simples sem análises complexas: quando uma lenda ou um conto fala de assombração, a ficção a principio é o fantasma. Porém o fato real que ocultamente se expressa neste contexto se refere, é que a sociedade de onde provem esta estória ou história já contempla em seu cotidiano um universo religio333


Relatos de um Tamandareense

so e já possui um conhecimento formado sobre manifestações fora do natural. Independente de ser aceita por alguns ou por muitos. Neste exposto irei tecer um fato real que se transforma em conto. Certa feita, em um domingo provavelmente do ano de 1983 o meu saudoso tio Adriano junto com nosso funcionário e caseiro Fernando, resolveram pescar no rio Botiatuba que corta a chácara. Até ai tudo bem. Porém, a pesca ganhou a noite e lá pela 23:00 horas mais ou menos, meu pai, mãe e eu acordamos com gritos desesperado do tio Adriano que corria feito louco do fundo da chácara. Meu pai assustado pegou seu rifle e saiu para ver o que era. Meu tio, homem que serviu o Exército Brasileiro em Brasília, só falava: “tem visagem no mato,...”. Sem o que falar daquilo tudo, meu pai deu uns tiro no mato. E a pesca acabou por ai. Foi quando também chegou o Fernando e disse: “vocês estão atirando no homem com mais de dois metros com terno e chapéu social que me cumprimentou e depois não vi mais?”. Terno e chapéu social no meio do banhado? Depois disso a pesca acabou. Não pelos tiros, mas pelo o misterioso senhor e o brilho no meio do mato que se manifestaram naquela noite. Praticamente doze anos depois deste fato, foi trabalhar em casa uma amiga que era e ainda é uma seguidora de uma afro-religião. Coincidência ou não, só foi um dia trabalhar. Motivo: via coisas no brejo que não quis relatar. Ou seja, no mesmo local onde se manifestou todo o alvoroço que assustou meu tio. A partir desta história, o que se pode tirar de real e de ficção? 334


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Ou seja, este exemplo tecido, mostrou algumas realidades cotidianas, como: pescar, relacionamento familiar, vestuário, ferramentas de defesa, atividade profissional de algumas personagens, nome de rio,... Já no contexto supostamente fictício, mostrou uma realidade mística supersticiosa que se oculta culturalmente dentro de cada ser, que influência a interpretação de um acontecimento. Pois, à noite em um brejo, e de repente uma luz do nada aparece. O que vai pensar? Depois da adrenalina e do susto passar é que vem a analise, que poderia ser o reflexo de alguma planta umedecida que se movimentou com o vento e refletiu a luz da casa ou de um refletor não muito longe daquele ponto, ou outra coisa dentro de uma racionalidade plausível. No entanto independente do que era realmente no que tange o que foi visto naquele dia e do contexto real no qual se oculta em cada palavra, à cidade é rica de história como essa e de qualidade mais apurada. Diante disto, pioneiramente a professora Dr. Mestra Josélia Kotoviski, desenvolveu em 2002 um projeto escolar que buscou resgatar estas histórias e estórias do município. Sem querer resgatou mais que conto e lendas, resgatou a história que se perdia do município no contexto de cada versão captada entre o povo de tamandareense. Pois, mostrou marcos que referendavam fatos históricos a serem explorados. Em maio de 2008, foi criado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Planejamento, o Projeto Memórias da Minha Terra, o qual tinha como objetivo resgatar a história cotidiana dos bairros para fins de resgatar uma parte da história do município. Porém, infelizmente este projeto que deveria gerar um livro, e ser lançado 335


Relatos de um Tamandareense

em 28 de outubro daquele ano, acabou só ficando no papel304. Em geral, a cultura tamandareense se contextualiza ampla e abrangente, porém não típica, já que convive com o conjunto de várias manifestações culturais, herdadas principalmente da religião cristã e de hábitos portugueses. Ocorre, porém, nas localidades de forte imigração polonesa, uma variação comportamental de costumes. Já nas regiões de grande concentração populacional sob influencia de um fluxo migratório ocorre uma notória diversidade cultural. Neste contexto, não existe um ritmo musical ou dança que lhe represente, mas sim vários. Não existe um habito alimentar especifico, mas sim relacionado ao habito alimentar típico da Região Metropolitana. Porém, a de se destacar que a influencia do imigrante na cultura local se tornou tímida em decorrência do período do Estado Novo, o qual com a filosofia de integralizar a cultura nacional brasileira. Proibiu toda e qualquer manifestação cultural de cunho estrangeira em todo território nacional305. Não absurdo é observar na cultura existente na cidade um contexto cosmopolita, com traços regionais em suas regiões interioranas. O povo tamandareense esta mais para uma cultura metropolitana do que para uma isolada. Pois, como já foi tecido. A história da região foi forjada por um conjunto de vetores culturais.

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FOLHA DE TAMANDARÉ. Memórias da minha terra. Ano XXIII, nº 598, 1ª quinzena de maio de 2008, p.6. KANASHIRO, Milena. Paisagens étnicas em Curitiba: um olhar histórico-espacial em busca de entopia. Tese de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná – UFPR, da linha de pesquisa “Urbanização, Cidade e Meio Ambiente”, Curitiba PR: 2006, p. 253-255.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Religião

N

ão raro, é abrir e ler em diferentes jornais ou assistir em qualquer noticiário televisivo notícias de lugares onde a intolerância religiosa provoca a guerra entre países e a morte em nome de doutrinas que no papel pregam a paz e tolerância. Mas na pratica, seus seguidores parecem esquecer-se de tudo que deveriam praticar, para seguir em harmonia. Por sorte, vivo em uma cidade onde este tipo de fato não ocorre. Pois, existe harmonia entre os seguidores de diversas doutrinas cristãs. Tanto é que é possível perceber templos de diferentes visões cristãs estabelecidas na mesma rua e até “vizinhos de cerca”. Ou seja, o povo de Almirante Tamandaré é muito tolerante as manifestações religiosas, independente se cristã ou não. Neste sentido, é notória a manifestação cristã no município, já que esta foi o principal legado do povo português para a história religiosa da cidade. Oficialmente a doutrina Católica foi a que se manifestou pioneiramente na autônoma cidade, a partir de 05 de março de 1899, data corres337


Relatos de um Tamandareense da Paróquia Nossa Senhora pondente a criação da Paró- Foto: Galeria dosdaPárocos Conceição de Alm. Tamandaré, s/d quia da cidade, cujo primeiro pároco, foi o Frei Xisto Meiwes em 1899, que era alemão da cidade de Hagen306. Outra característica católica cristã que ainda sobrevive, é a existência de uma data, reservada a comemorar o dia da padroeira da cidade, ou seja, no dia 08 de dezembro se comemora o dia de Nossa Senhora da ImacuFrei Xisto Meiwes lada Conceição. 1º Pároco 1899-1900 Porém, a de ressaltar, que o fato, de só ser criada a paróquia em 1899, não inspira a pensar que antes não havia padre ou igreja na região. Eis, que existia já, a Capela Nossa Senhora da Luz, a qual foi erguida ainda no século XIX (1882) em madeira, no Marmeleiro. Sendo que a atual foi erguida 1908, a partir dos esforços da comunidade local e principalmente dos senhores Antonio Eduardo Trevizan e Manoel Pereira307. No entanto, a localidade não possuía um povoamento capaz de ter o status de Capela Curada (localidade reconhecida pela Igreja Católica com certa importância econômica e populacional). E talvez por este não reconhecimento deste status na localidade, que Almirante Tamandaré demorou a ser reconhecida como Freguesia e posteriormente Vila. Pois se um povoado não possui condição de construir uma igreja, como é que vai quere ser cidade?

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BONAMIGO, Euclides. Histórico da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré. 1998. Placa de comemoração do Nonagésimo aniversário da Capela Nossa Senhora da Luz do Marmeleiro, 24 de maio de 1998.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011

Igreja Nossa Senhora da Luz (Marmeleiro), prédio erguido em 1908

Eis, que também foi relatada, através da Festa do Centenário da Imigração Italiana na Colônia Gabriela, realizada em novembro de 1985, a existência de uma igreja na localidade, cujo, a qual remonta o século XIX. Ou seja, 1885, ano em que nesta localidade foi construída pelos imigrantes308. A mesma não existe mais. Pois, foi substituída por uma construção contemporânea maior. Independente deste fato, aproximadamente em 1863, é construída uma das primeiras Igrejas do Município, na sesmaria de dona Maria dos Anjos, na região do Cercado (atual Sede). Porém, como já foi comentado, este prédio original teve que ser demolido, já que ficou comprometida sua estrutura, (era feita de uma mistura de barro com cal, numa estrutura de varas entrelaçadas (estuque)309, pela proximidade que possuía com a linha férrea. Provavelmente no período em que o Padre Martinho Maitztequi era responsável pela paróquia. 308

309

FOLHA DE TAMANDARÉ. Colônia Gabriela anuncia festa da Imigração Italiana. Ano I, primeira quinzena de novembro de 1985, p.07. Relato de Generoso Candido de Oliveira, 1998.

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Relatos de um Tamandareense

No entanto, uma nova foi reconstruída com o dinheiro da indenização do espaço cedido a ferrovia, mais colaborações de populares, entre elas a doação do terreno em definitivo a paróquia, feita pelo Sr. João Candido de Oliveira e sua esposa Bertolina Agnes Kendrick de Oliveira. Porém, só em 1914 tem inicio a construção de uma Igreja maior que foi inaugurada em 1918310. Em 13 de dezembro de 1953 é organizada uma procissão para recepcionar o taman2ª Igreja Matriz, 1918/ Foto: Arquivo Paróquia Nossa dareense Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré, 1931 Sacerdote Ambrósio Lairto Bini, filho de Paulo Bini. No entanto anos mais tarde, este senhor desistiu da vida sacerdotal e casou-se. Sendo que teve filhos, o qual um deles foi posto o nome de Cesar Augusto Bini. Ou seja, um nome homônimo ao filho do Deputado e Prefeito Ambrósio Bini, cujo qual relatou este peculiar fato311. Quarenta e oito anos depois da construção da 2ª Igreja Matriz, em virtude de problemas estruturais e de espaço. O Frei Gregório Maria, solicitou que a Igreja fosse demolida em 1965. Neste período, as missas foram realizadas no barracão do senhor João Roque Tosin, até a inauguração da 310 311

Livro Tombo, nº 93, 1909, p. 20. Relato de Cesar Augusto Bini (filho do Deputado Ambrosio Bini) em 27 de fevereiro de 2011.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

nova Igreja em 1970, a qual teve sua primeira missa realizada em 18 de novembro de 1970, pelo Frei Beda Maria. A demolição da igreja foi muito contestada a principio por alguns moradores mais tradicionais. Porém, a contestação não surtiu efeito, sendo que a mesma foi derrubada com muita dificuldade, naquele mesmo ano312. Segundo relatos de seu Generoso Candido de Oliveira, no dia em que foi feita a terraplanagem do terreno do novo templo, se encontravam muitas pessoas ao seu redor. Pois, o motivo deveria ser a novidade de se ver tal evento na cidade. No entanto, o real motivo se dava ao fato de que todos sabiam que a Dona Maria dos Anjos havia sido enterrada onde a Igreja estava. Diante disto, corria uma história ou estória, que junto ao local onde esta senhora foi enterrada existiam peças de ouro. Pois, esta senhora em sua época, desfrutava de grandes riquezas e poder político desfrutado na capital pelo seu marido. Sendo que isto era plausível, já que era a dona das sesmarias que hoje correspondem ao atual Monte Santo e Jardim São Francisco, além de possuir escravos negros. Diante desta possibilidade, que alimentava os sonhos de muitos. O maquinista seu José Perussi (Juca Perussi), ao esbarrar no caixão, cujo um lado estava intacto, parou a maquina. Rapidamente reuniu o pessoal. Porém, apenas foram encontrados os restos mortais e principalmente os cabelos da Senhora Maria dos Anjos. O qual foi colhido pelo senhor Generoso Candido de Oliveira (seu neto) e levado até o jazigo da Família Oliveira, que se encontra no atual Cemitério Municipal313. No fim da década de 1990, a Igreja Matriz passa por uma 312 313

Relato de José Ido da Cruz, abril de 2011. Relatos de Generoso Candido de Oliveira, 2001.

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Relatos de um Tamandareense Foto: Folha de Tamandaré Julho de 1993

3ª Igreja Matriz de 1970

nova reforma, sendo reinaugurada em dezembro de 1999314. Sua primeira missa foi rezada pelo frei Darci Catafesta. É notória a fé cristã católica no município também na localidade do Botiatuba já em 1901, onde existia uma capela com a denominação de São Pedro, pertencente à Família Gouveia. Sendo que nela, foram relatados no livro do Curato de Tamandaré a realização de dois batizados realizados pelo Padre Policarpo Schuhem na data de 11 de abril de 1901315. Sendo que ao redor da mesma existiu um pequeno cemitério. Em 1918, é construída uma nova Igreja em Tranqueira pelo senhor Antonio Stocchero, para pagar promessa feita a Santo Antonio. No entanto, nesta localidade a relatos do Bispo D. José Camargo de Barros, sobre a existência de uma capela em 1899316. Ou seja, já no século XIX existia uma igreja no povoado. 314 315 316

Pedra fundamental. BONAMIGO, Euclides. Histórico da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré. 1998. Dossiê histórico do Surgimento de Tranqueira. (coordenado pelos professores Adalzi Gulin Paes e Renato Ferro Sofiati da Escola Angela Sandri Teixeira). Capela de Tranqueira, 1986.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Arquivo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré

2ª Igreja de Tranqueira, 1918, a qual foi retratada em uma pintura feita pelo Albano Agner de Carvalho

Infelizmente a histórica Igreja foi demolida em 21 de outubro de 1989, para dar lugar a uma nova. No ano de 1935, é inaugurado o Seminário Santo Antonio no Botiatuba, onde até 1979, funcionou como centro administrativo da Paróquia. Atualmente, se reverte exclusivamente na formação de novos sacerdotes. Em 112 anos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré existiram 36 Párocos, sendo: Frei Xisto Meiwes, OFM (1899 – 1900); Frei Redenptor Kulmann, OFM (1900 – 1906); Padre Geraldo Palomera, CMF (1906 – 1907); Padre José Domingo, CMF (1907); Frei Martinho Maitztegui, CMF (1907-1912); Padre João Sadurmi, CMF (1912-1916); Padre Raimundo Castolin, CMF (1916-1919); Padre Gregório de Angoita CMF (1919-1925); Padre Vicente Conce, CMF (1925-1926); Frei Ricardo de Vescovana, OFM Cap. (1927-1932); Frei Inácio Dal Monte, OFM (1932-1936); Frei Tarcísio de Bovolone - OFM Cap. (1936-1937); Frei Barnabé Ivo Tenani, OFM Cap. (1937-1946); Frei Orlando Bu343


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satto, OFM Cap. (1946-1948); Frei Henrique de Treviso, OFM Cap. (1948-1949); Frei Donato de Ênego, OFM Cap. (19491951); Frei Germano Barison, OFM Cap. (1951-1954); Frei Carlo Benetti, OFM Cap. (1954); Frei Eugênio Nichele, OFM Cap. (1954); Frei Celestino Coletti, OFM Cap. (1955); Frei Beda Gavello, OFM, (1956-1957); Frei Lucas de Tomazina, OFM (1958); Frei Beda de Gavello, OFM (1959-1960); Frei Vital Basso, OFM Cap. (1961-1963); Frei João Estêvão Costa, OFM (1964-1966); Frei Estêvão de Campo Magro, OFM (1967-1968); Frei Beda Gavello, OFM (1968-1971); Frei Davi Nogueira Barboza, OFM (1972); Frei Fausto Schmidt, OFM (1973-1976); Frei Lourenço Kachuba, OFM (1977-1985); Frei Moacir Antonio Nasato OFM Cap. (1986); Frei Antonio Emídio Gomes Neto, OFM Cap. (1987-1990); Frei Danilo Biasi, OFM Cap. (1991-1995); Frei Anselmo Jacó Schuarça, OFM Cap. (1996); Frei Darci Catafesta, OFM Cap. (1997-2005) e o Frei José Reimi Pereira Martins (2005 a presente data)317. Para esclarecimento, a sigla OFM significa Ordem dos Frades Menores, OFM Cap. possui o significado de Ordem do Frades Menores Capuchinhos. Já a sigla CMF significa Cordis Mariae Filius. É esta a sigla oficial que cada Missionário Filho do Coração de Maria (Claretiano) acrescenta ao seu nome. No ano de 1999, foi criada na Cachoeira a Paróquia Anjo da Guarda, a qual compreende as seguintes capelas: São José (Bomfin), Divino Espírito Santo (Cachoeira), São Vicente de Paula (São Jorge) e Capela Nossa Senhora das Graças (Jardim Roma). Seus párocos foram Jeferson Antonio da Silva, Rivael de Jesus Nascimento e Cleberson Adriano Evangelista (atual)318. 317 318

Galeria de Párocos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré. Informação Secretaria da Paróquia Anjo da Guarda, 2011.

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Segundo informações da paróquia o Padroeiro escolhido se deu entre os seguintes nomes: São Jorge, Sagrada Família, Santa Edwirges, São Venâncio, devido ao local onde seria construída a Capela que pertencia na época (1967) à Paróquia Nossa Senhora das Graças e Santa Gema Galgani (Barreirinha) e Anjo da Guarda319. O Santo padroeiro que ganhou preferência foi “Anjo da Guarda” sugerido pelo Sr. Miguel e apoiado pelo Pe. Orestes F. Grein (pároco da Paróquia da Barreirinha na época). Pois, esta denominação se deu ao fato de que não havia nenhuma outra capela com este patronato na paróquia e região. Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril de 2011

Igreja Anjo da Guarda, prédio atual construído em 1982

Em virtude do crescimento da comunidade católica da Lamenha Grande ocorreu a necessidade de se criar uma paróquia. Sendo que em 23 de março de 2008, em um Do319

Padre Cleberson Evangelista. Breve Relato. Disponível em: < http://www.padreclebersonevangelista.org.br/ index.php?option=com_content&view=article&id=1020&Itemid=89 > Acesso em: 11 abr. 2011.

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mingo de Páscoa, o arcebispo de Curitiba, Dom Moacyr José Vitti, na celebração Eucarística, instala a Paróquia de São João Batista – Lamenha Grande a qual foi desmembrada do território da Paróquia Sant’Ana de Abranches. Sendo que sua jurisdição abrange as capelas: Capela São Sebastião (Bonfim), Capela São Francisco Xavier (Colônia Gabriela), Capela Sagrada Família (Giannini), Capela Nossa Senhora das Graças (Monterrey), Capela São Miguel (Lamenha Grande) e Capela Nossa Senhora Aparecida (Tanguá). Seu primeiro pároco foi o Edilson de Lima (2008/2009) e o segundo e atual é o Padre Valdecir Dávila (2009-até a presente data desta pesquisa). Uma realidade que fazia parte das comunidades tamandareenses até meados da década de 1960 era a falta de capelas. Sendo que a celebração de Eucaristia geralmente era feita na casa de algum morador da comunidade local. Uma dessas localidades que conviveu com esta situação foi o Juruqui. No entanto, toda vez que as celebrações terminavam corria a ideia de se construir uma capela. Porém, foi no meio de um jogo de cartas, que começou a se discutir um projeto para concretizar aquele sonho da localidade. Neste contexto, um grupo de moradores foi falar com o pároco que na época era o tamandareense Frei Vital Basso320. Tal ideia repercutiu bem, sendo que de imediato os Senhores Francisco Meguer e José Júlio Meguer, doaram o terreno para a construção. Posteriormente a este fato, foi realizado no local na data de 22 de setembro de 1962 a 1ª Missa e a bênção solene da pedra fundamental. Sendo que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi doada pelo Senhor Atílio Bini que saiu em procissão da Sede até o Juruqui321. 320

321

ESCOLA ESTADUAL LAMENHA PEQUENA. Projeto: A evolução do Bairro Lamenha Pequena/Professora Paula Fabiane Manfron. 1999. Idem.

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Foram os pioneiros idealizares e fundadores da Igreja Nossa Senhora do Rocio no Juruqui: Presidente, Francisco Sandri; Vice-Presidente, Francisco Meguer; Tesoureiro, Francisco Manfron; Conselheiros: Antonio Bernardo, Antonio Straiotto, Antonio Sandri, Abílio de Moraes, Lício de Moraes e outros322. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, de abril 2011 A Igreja Nossa Senhora do Rocio ficou pronta em 1965. No Bairro Humaitá, no Jardim Monte Santo em 12 de Outubro de 2005 é inaugurada a Capela NosContemporânea Igreja Nossa Senhora sa Senhora Apado Rocio no Bairro do Juruqui recida construída em terreno comprado com esforços da comunidade junto a Rua São Bartolomeu, com missa realizada pelo frei Darci Roberto Catafesta. Realizou-se então Fonte: Brasinha, dezembro de 2005 neste dia um antigo sonho da comunidade católica, a qual se expressava desde o ano de 1985. Antes da construção da capela as missas eram realizadas nas casas de Capela Nossa Senhora Aparecida moradores. 322

Idem.

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Uma manifestação de fé católica herdada dos antigos imigrantes que ainda persiste no município no Bairro da Caximba e na localidade do Marmeleirinho, diz respeito à reunião de pessoas dessas comunidades em um oratório. Sendo que o Oratório do Marmeleirinho foi construído aproximadamente em 1969 com esforços da comunidade323. Sendo que o mesmo é cuidado por diversas pessoas da região. Contemporaneamente segundo informações dos moradores, o dia de orações ocorre nos sábados às cinco horas da tarde. Na operação censitária de 1950, foram detectados 8697 católicos e 115 pessoas pertencentes a outras religiões. Estas 115 se referiam a doutrinas protestantes presbiteriana. Porém, em 1911 chegam ao Brasil, missionários da corrente doutrinaria Pentecostal da Igreja Assembleia de Deus, onde na década de 1960, se instala em Almirante Tamandaré. Se tornando a pioneira igreja evangélica na cidade. Porém, desta época até os dias contemporâneos, ocorreu um crescimento Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril 2011 muito grande de novas doutrinas protestantes no município. Por este motivo, no ano de 1999, foi instituído pelo prefeito Cezar Manfron, através da Lei 692 de 29 de setembro de Oratório do Marmeleirinho, construção de 1969 1999, o dia do evangélico, que se comemora em 13 de maio. 323

Relato do Sr. Nene Zem, abril de 2011.

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Para marcar este dia, foi batizada a praça existente na esquina da Rua Emilio Johnson com a Rua Lourenço Angelo Buzato, construída da gestão de Arcidíneo Felix Gulin (Cid Gulin), como “Praça do Evangélico”, na gestão do prefeito Cezar Manfron. Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, março 2011 Entre as doutrinas protestantes na cidade, se destaca a Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma, fundada em 1914, porém, que se estabeleceu Igreja Adventista fundada em 1986 permanentemente no município a partir de 1986, quando na região do Botiatuba foi construído um templo para atender as necessidades religiosas da crescente comunidade adventista presente na localidade. Este templo teve como cerimônia inicial o casamento do senhor Nelson Devai com a senhora Patrícia Thomé filha do pioneiro casal fundador e propagador da doutrina Adventista na região, o Senhor e Pastor Antonio Thomé e a Senhora Halina Jadwiga Grus Thomé324. Antes da construção desta, os cultos eram realizados na sua Sede em Curitiba junto a Rua Davi Carneiro. No entanto, este destaque não se reverte exclusivamente ao fato da fundação de mais uma doutrina cristã que prega a paz, harmonia e a preservação dos bons costumes. Mas sim, pelo fato desta comunidade ter desenvolvido na região ações que vão além de palavras. Pois, inicialmente 324

Relato da senhora Halina Jadwiga Grus Thomé, 02 de março de 2011.

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antes do surgimento do templo, o visionário Antonio Thomé resolveu criar um hospital naturalista e terapias alternativas a partir de experiências colhidas na Argentina. Sendo assim em 1974 ocorreu a compra do terreno onde contemporaneamente se encontra o Hospital Naturalista Oasis Paranaense. Porém, a construção do mesmo só se iniciou em 1976 sendo concluído em outubro de 1980 e iniciado seu funcionamento em setembro de 1981. Os recursos para o desenvolvimento da obra foram obtidos através de contribuições espontâneas, através de um carne de sócio fundadores e recursos mais vultuosos de seus idealizadores: Antonio Thomé, Elias de Souza, Aderval P. da Cruz, Antonio Xavier, Jorge Grus, Manoel Schwab, Halina J. Grus Thomé. Sendo o primeiro médico responsável o senhor Edivaldo P. Baracho325. Com o advento e consolidação do Hospital, foi criada na mesma região a Escola Missionária Ebenezer, sendo que em 1994 para atender a comunidade foi criada uma Escola de Ensino Fundamental, a qual abriu suas portas a pessoas de fora da comunidade. Surgi a partir deste fato a Escola Isaac Newton que conta atualmente com 400 alunos, a qual possui matriz com a mesma ideologia e nome em São Paulo326. Inspirados na doutrina naturalista, membros da comunidade adventistas costumam empreende clinicas de terapias alternativas na região. Uma delas foi a Associação Paranaense de Estilo de Vida fundada em 1999 de iniciativa do Senhor Onias Pessoa Luna, a qual atendia pessoas com o intuito de desintoxicação e combate aos vícios. Contemporaneamente em fase experimental o Dr. Luiz Costa 325

326

Relatos da senhora Halina Thomé, Dr. Elias de Souza e placa comemorativa de fundação do hospital em 02 de março de 2011. Idem.

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pretende concretizar um SPA com ênfase na nutrição, fisioterapia e terapias alternativas. Para finalizar as contribuições da comunidade Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma para com a sociedade tamandareense, se destaca o Conjunto Musical de Cordas, coordenado pelo senhor Nelson Devai. Porém, a cidade de Almirante Tamandaré não possui só a doutrina cristã como base de sua formação cultural. Pois, existe no município a presença de praticantes de crenças africanas como a Umbanda e o Candomblé. No entanto a manifestação que mais me chamou atenção pelo fato de possuir representante na cidade foi o Islamismo. Eis, que detectei esta presença em uma aula realizada em 1998 enquanto expunha a importância da escrita e da leitura para o desenvolvimento de uma sociedade. Pois, um aluno involuntariamente falou que seu pai não sabia ler e escrever. Única coisa que ele sabe é fazer uns desenhos e ler um livro cheio de desenho. Perguntei para o aluno como que era o nome do livro. Então ele respondeu que era Corão. Perguntei se por acaso era Al Corão. Ele respondeu que sim. A partir disso, expliquei que o pai dele sabia ler e escrever muito bem. Pois, os desenhos que ele fazia eram letras do alfabeto árabe. E o livro que lia estava escrito na língua árabe. No entanto seu pai tinha dificuldade com a escrita ocidental e com a nossa língua por ser um imigrante. Resumindo, o ilustre seguidor do islamismo em terra tamandareense identificado no ano de 1998 era um imigrante da Republica do Líbano. Ou seja, o senhor Ali Hussein Jarrar, filho de Hussein Jarrar com Karine Abdala. No contexto religioso apresentado pelo senso do ano de 2000 apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e 351


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Estatística, ficou demonstrado que no que tangia o credo da população de 88.277 habitantes da cidade era: 55.804 seguiam a Doutrina Cristã Católica Apostólica Romana; 20.856 seguiam a Doutrina Cristã Evangélica (representadas por diversas igrejas); 8.221 não possuíam religião; 1.280 se identificaram como Católicos Apostólicos Brasileiros; 781 pertenciam a Doutrina Cristã Testemunhas de Jeová; 355 não declararam credo; 293 seguiam a Doutrina Espírita; 264 seguidores de religiões não determinadas; 186 seguiam a Doutrina Cristã expressada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; 55 seguiam as tradições africanas da Doutrina da Umbanda; 22 seguem a Doutrina de Novas Religiões Orientais; 13 se identificam com tradições esotéricas; 11 seguem a tradição doutrinaria Judaica e 07 pessoas seguem a Doutrina Islâmica. Porém, um assunto interessante que chama atenção, é o sepultamento de entes queridos. Pois, houve um tempo na cidade em que isto era um problema. Pois, até a década de 1930, não existia cemitério na Sede. Diante disto, muitas famílias enterravam seus familiares, no próprio terreno. Um exemplo, da dificuldade de se enterrar, é a história da Capelinha do Pacotuba, de 1929, que em seu terreno, foram muitas pessoas enterradas. Hoje uma parte desse terreno, virou rua. No entanto, as localidades do Marmeleiro, Tranqueira, Prado e Cachoeira já dispunham de cemitério desde o século XIX. A falta de cemitério nesses tempos era notória e não exclusiva de Tamandaré. Pois, o único cemitério oficial existente na região era o de Tranqueira. No qual eram sepultados pessoas de Votuverava, Colônia Assungui e da Sede. O tumulo mais antigo encontrado e preservado está datado de 1908. 352


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Com o advento do Seminário dos Padres Capuchinhos no Botiatuba na década de 1930, aparece o primeiro cemitério oficial na localidade. Porém, restrito a sepultamento de padres. Foto: acervo da Secretaria Municipal de Cultura

Na primeira imagem mostra o exterior da Capela do Seminário Santo Antonio. Na segunda imagem aparece o interior da capela. Atrás dela se encontra o cemitério

Contava seu José Real Prado Sobrinho, nas visitas que fazia a mercearia de meu avô no Botiatuba, que no século XIX (1818, 1831 e 1838 até o começo do século XX), se desencadeou um surto de Bexiga (varíola) em Curitiba, o qual dizimou muitos moradores, tropeiros e pessoas que viajavam do litoral para o Assungui327. Ou seja, que passavam pela Freguesia do Pacotuba (Almirante Tamandaré). Diante deste fato, os que morreram com esta doença, foram enterrados no terreno que margeia a Wadislau Bugalski, próximo as atuais ruínas da Pedreira Botiatuba. Dona Noêmia Kotovski, confirmou tal relato, pois, ela dizia que quando foi morar no Botiatuba, tinha medo de passar pela região à noite, por causa dessa história, contatada por seu 327

KUBO, Elvira Mari. Aspectos demográficos de Curitiba: 1801 – 1850. Dissertação de Mestrado, Departamento de História, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná: Curitiba, 1974, p. 106.

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Zezinho e outros moradores já de idade, que moravam na região, quando a dona Noêmia era moça. Atualmente, existem casas sobre este terreno. Porém, um fato curioso, é o contado pelo Sr. Albino Milek. O qual relatou, que na época da II Guerra Mundial, quando um alemão ou descendente de alemão morria na Cachoeira, os poloneses da Colônia Antonio Prado não deixavam este serem enterrado no Cemitério do Prado. Em represaria a este fato, os alemães de São Venâncio não deixavam os poloneses falecidos serem enterrados no Cemitério da Cachoeira. Outra situação incompreensível para os dias atuais é que nas décadas anteriores a 1960, protestantes não podiam ser enterrados em cemitério de católicos e vice-versa328. Por este motivo que o cemitério da Cachoeira também é conhecido como “cemitério evangélico”. Outra situação marcante narrada por Albino Milek, era o sepultamento com esteira. Ou seja, como o caixão era caro, as pessoas mais humildes costumavam dispor o falecido sobre uma esteira, em seguida este era enrolado, e as pontas amarradas (como se fosse uma linguiça), em seguida era colocado na cova e coberto com terra. Isto tudo, feito na frente de todo mundo. Nesta época, em que o caixão pronto era caro, existiam os carpinteiros que faziam caixão. Porém, este caixão era feito simultaneamente ao velório. Ou seja, enquanto o falecido era velado, o carpinteiro, ficava montando o caixão no quintal. Pelos relatos, dava uma sensação ruim presenciar tudo aquilo329. Seu Generoso Candido de Oliveira, também relatou que até 1930 não existia Cemitério na Sede, sendo que os sepultamentos eram feitos no próprio terreno330. 328 329 330

Relato de Valter Johson Bomfin, abril de 2011. Relato de Otavio Kotoviski, em 2011. Relato de Generoso Candido de Oliveira, 1998.

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No século XIX, pela falta de cemitérios na região, grande parte dos moradores da Lamenha inclusive os imigrantes, eram sepultados no cemitério do Abranches. Cuja, a cruz que fica em cima do portão do cemitério foi doada pelo pai do Desembargador Isidoro Brzezinski, ou seja, o senhor Pedro (Piotr) Brzezinski331. Longe de apavorar as pessoas, vejo com certa preocupação, o desconhecimento da existência de antigos cemitérios não oficiais, espalhados pelo município. Pois, independente de superstição ou respeito ao terreno sagrado, o que me preocupa são os falecidos por varíola ou outra moléstia grave que foram enterrados de qualquer jeito, em um local onde existe uma grande quantidade de água guardada no subsolo. Se esta preocupação procede ou não, isto eu não sei. Porém, como já presenciei enterros onde o falecido foi posto em caixão especial devido a sua moléstia. Ficam duvidas sobre esta situação. Mesmo passando quase cento e quarenta anos do ocorrido. Uma situação curiosa, que marcou a “história dos guardamentos” de Almirante Tamandaré, e atualmente é contada como estória. Foi um fato ocorrido na década de 1960, na gestão do Sr. Domingos Stocchero. Eis, que o Sr. Sebastião Bueno, ex-vereador do município, mas na época funcionário da prefeitura, foi encarregado de buscar o falecido no necrotério e se encarregar de comprar a roupa. Cumpriu a missão (em partes). Eis, que perdeu no caminho o dinheiro para comprar a roupa do defunto. Diante de tal situação, colocou o falecido no caixão, e o entregou a família, dizendo que não era para ser aberto. Pois, tinha morrido de uma doença muito grave. E se retirou do local para ver o que fazia332. 331

332

HAYGERT. Aroldo Mura G. Vozes do Paraná: retratos de paranaenses/João Osório Brzezinski. 22 Ed. Curitiba: Convivium, 2009, p. 05. FOLHA DE TAMANDARÉ. “Não abra o caixa... O defunto esta pelado”. Ano V, nº 83, 30 setembro de 1989, p.06.

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Quando retornou, dezenas de pessoas que cercavam o morto preparavam-se para abrir o caixão. Vendo aquilo, o “Bastião”, começou a gritar: “Mingo, Mingo,..., não deixe abrir o caixão”. O Prefeito Domingos Stocchero, assustado, quis saber o motivo. A resposta foi de espantar: “o pessoal do necrotério se esqueceram de colocar a roupa no defunto, ele está pelado!” (Caso real, envolvendo pessoa de uma família da Capivara)333. Na data de 22 de agosto de 2002, era assinada a Lei Ordinária nº 913. A qual permitia a transferência através de “dação de pagamento”, alguns imóveis públicos do município, para o IPMAT (Instituto de Previdência do Município de Almirante Tamandaré), como forma de saldar uma divida da Prefeitura com esta Instituição. Entre estes imóveis, faziam parte do rol de dação o Cemitério Municipal da Sede e o Cemitério Municipal de Tranqueira. Já na data de 23 de março de 2006 com o advento da Lei Ordinária nº 1154, o município comprava os imóveis listados pela Lei 913/2002. O qual pagaria em quatrocentos e vinte parcelas (35 anos). Deixando de lado as curiosidades e peculiaridades ligadas ao mundo dos homens. Observo com bons olhos, o desenvolvimento de doutrinas que preguem a harmonia e o bem comum entre as pessoas. Independente de religião, doutrina ou maneira de se expressar a Deus ou se referir a ele. Pois, em termos de religiosidade, o povo tamandareense da um bom exemplo de convivência pacifica e harmoniosa.

333

Idem.

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Esporte

U

m dia desses, parei para descansar na Praça VicePrefeito Frederico Manfron, estabelecida pela Lei nº 971/ 2003 sancionada pelo então Prefeito Cezar Manfron e inaugurada em 19 de junho de 2004. Mas que todos a conhecem como Praça do Skate. Sentado no banco, nostalgicamente viajei, ao tempo da saudosa Cancha de Esportes que ali, exatamente naquele local existia. Tantas recordações, mas algumas se tornam difícil de esquecer. Pois, a memorável cancha, antes da existência do Ginásio de Esportes, era um dos principais locais de apresentações, festividades juninas e torneios esportivos do município. Como também era um principal ponto de encontro e lazer da juventude das décadas de 1970, 1980 e 1990 nos domingos à tarde. Pois, nos dias de semana, o local estava reservado às atividades escolares do Colégio Ambrósio Bini. Sendo também ali que se localizava o ponto final do ônibus Tamandaré/ Curitiba. Era uma cancha praça. Já que de um lado do muro, se dispunha a cancha de concreto multimodalidades (futebol, basquete, voleibol e handebol), uma cancha de futebol 357


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de areia e uma pequena cancha de areia ao lado onde se jogava vôlei. No meio do terreno tinha uma casa, onde um lado se guardava as bolas, redes e outros materiais para a prática esportiva. Do outro lado ficava o vestiário (com chuveiro e banheiro). No outro lado do muro, ficava os pontos (ônibus e taxi), a banquinha de doce, os bancos onde a turma ficava namorando e duas pedras fundamentais. Uma, que o qual na época sentava em cima (tinha uns 12 anos de idade), e nem sabia o que estava escrito na placa de bronze. Sendo que, só fui descobrir no processo desta pesquisa que se tratava de uma homenagem prestada em outubro de 1985 pelo município, na época administrado pelo prefeito Ariel Buzzato, aos 14 Bravos de Almirante Tamandaré, que foram convocados para lutar na Segunda Grande Guerra. Os quais eram: Afonso Herberto Wolfergrand, Antonio Schartz, Bonifácio Wotekoski, Deodolino Souza, Eduardo Brunick, João Sachacheviski, Joaquim Arnaldo Franco Ribas, José Francisco dos Santos, José Guedes de Carvalho, José Mathozo da Silva, José Ribeiro Schulchaski, Jurandir Aleixo de Cristo, Pedro Chipanski e Roque de Cristo. Outra personalidade histórica que lutou na guerra, que não aparece na placa de bronze porque era filho de Colombo, porém, que mora em Almirante Tamandaré, a mais de 40 anos, é o senhor Pedro Goinski. Por sorte, tiveram a consciência de reservar um espaço na atual praça para a pedra que homenageia os nossos heróis de guerra nascido em solo tamandareense. Esta saudosa praça esportiva carregou uma história que reflete bem a ação de bem aventurados cidadãos que dedicaram uma parte de seu tempo ao bem de todos da comunidade. Inicialmente o terreno onde se encontrava a antiga cancha pertencia à prefeitura municipal, o qual teve ori358


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gem na antiga sesmaria parcelada na década de 1950 que deu origem ao loteamento Santa Terezinha. Por ser uma área plana serviu por muito tempo como um campo de futebol. Posteriormente, para atender a pratica de Educação Física do recém-criado Colégio Ambrósio Bini, em substituição a denominação existente da Escola Normal Regional Alvarenga Peixoto, observou-se a necessidade de se construir uma quadra esportiva. Por iniciativa do professor José Schlichting (Professor Zeca) e da Diretora Rosa Bini de Oliveira foi desenvolvido um projeto para arrecadar fundos para a construção da quadra. Neste contexto, uma das formas de arrecadação foi à realização do Concurso da Rainha dos Minérios, o qual ocorreu nos anos de 1974, 1975 e 1976. A obra iniciou-se no final de 1974 e foi concluída no começo de 1975334. Na gestão do prefeito Ariel Buzzato, a cancha, se transformou em cancha-praça, sendo o local reservado a pratica esportiva, remodelado com um vestiário, refletores e quadras de areia. Recordo de uma Festa Junina que foi feita em 1983, à noite, que contou até com uma fogueira de 5,5 metros na cancha de areia. Porém, no ano de 1985, em comemoração ao aniversário da cidade, foi realizado o “Rock in Rio Barigui” (nome do evento inspirado no histórico Rock in Rio de 1985) 335 que era uma espécie de sarau, realizado a noite, na quadra de concreto. O sarau teve como animação a Equipe de Som Sabotagem. Porém, em termos de eventos esportivos, era em suas quadras que se realizavam alguma modalidades dos Jogos Escolares do Município. Como também foi nela que se realizou o primeiro Campeonato Municipal de Futebol de Salão, realizado em 1989, pela Secretaria de Educação e Es334 335

Relato do Senhor José Schlichting, abril de 2011. Relato de Luiz Arcélio da Cruz, uns dos donos da Sabotagem Som.

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porte do Município, tendo como primeiro campeão o Caldeirão. Tinha até bateria de fogos de artifício, para saudar a entrada do “Rubro-Negro do Sumidouro” em quadra. Com o desenvolvimento econômico e populacional do município, foi possível se investir mais em esporte e cultura. Tal fato pode ser observado, no próprio objetivo da construção de um ginásio de esportes para atender de forma apropriada e confortável, as diversas manifestações culturais e esportivas do município. Diante disto, em 17 de dezembro de 1988, é inaugurado na gestão do prefeito Ariel Buzzato, o Ginásio Municipal Buzatão, o qual em sua programação de solenidades, contou com um jogo amistoso de voleibol entre os times profissionais e de maior destaque da década de 1980: Sadia de Santa Catarina contra o Banespa de São Paulo. Porém, antes deste evento oficial de inauguração, semana antes, ocorreu um evento para a criançada, que foi uma apresentação de telequete (luta livre Foto Arquivo: Reginaldo Lopes 1994 de mentira). O qual fazia muito sucesso na época, o qual contou com a presença do comerciante do ramo de farmácia na cidade, o Sr. Jorge Silva (Pirata). O qual, por muiPioneira Equipe de Competição Intermunicipal de tos anos com Voleibol da cidade 1-Lucio Silva, 5- Reginaldo Loeste apelido, foi pes, 7- Isaias Lopes, 12- João Luiz Lopes, 11- Andersom Ferreira da Silva, 6- Luciano, 4 – Cícero de juiz destas ani- Oliveira e 8- Carlos Perussi. Estiveram ausentes madas “lutas”. Claudio da Cruz e Laertes da Cruz 360


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Lembro que com o termino do telequete, ocorreu uma distribuição para o publico (criançada) de pão com mortadela. Com o advento do Ginásio de Esportes, ocorreu uma diversificação de esportes no município. Pois, o voleibol municipal, cresceu muito, a ponto de ter sempre fortes equipes masculinas no contexto de disputas dos Jogos Abertos do Paraná. O qual é sempre candidato a titulo na fase regional. E com um detalhe, sem precisar se reforçar de jogadores de fora, como outras equipes. Este mesmo ginásio possibilitou o desenvolvimento de campeonatos de futebol de salão com melhor estrutura e conforto para quem assiste. Porém, como é um esporte que depende dos programas esportivos realizado pelo município, infelizmente morreu a partir do inicio do século XXI. Porém, existem ainda no ginásio, programas de atividades físicas e ginástica para a população interessada. No entanto em seu auge, 1992/1993/1994, existia no ginásio, aulas de Kung-Fu, Karatê e dança. Que atraia pessoas de outros municípios. Em 1997 chegou a abrigar uma academia de musculação. Mas apesar do ginásio de esporte estar passando por certos problemas na contemporaneidade, relativos à sua manutenção e apropriado uso para que lhe foi idealizado (pois, abrigou o DETRAN, um posto de auxilio desemprego, assistência jurídica,...). Ele sempre atendeu e foi um importante palco, para as manifestações culturais históricas na cidade. Que foi o já referenciado Festival Folclórico. Iniciado no final da segunda gestão do Prefeito Roberto Perussi e sabiamente continuado na gestão do prefeito Cide Gulin. Da mesma forma, que ele representa o principal centro para as atividades dos Jogos Escolares Municipais. No ano de 2002, o Ginásio foi dado por força da Lei Ordi361


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nária nº 913 de 22 de agosto de 2002 como parte de um pagamento de uma divida gigante que o município possuía com o Instituto de Previdência Municipal de Almirante Tamandaré336. Posteriormente comprado na forma que tange a Lei Ordinária nº 1154 de 23 de março de 2006. Paralelo em importância para eventos esportivos e culturais, porém, pioneiro. O “Campão”, como era chamado o terreno onde se encontrava um campo de futebol, doado de boca para a prefeitura na década de 1920 para a prática do futebol pelo senhor Joaquim Antonio Dalledone. E posteriormente em novembro de 1985 a doação foi efetuada de forma legal para a prefeitura, pelo seu Diomar Augusto Dalledone, que manteve a palavra de seu pai337. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, abril de 2011

Sede do Tupã Futebol Clube, localizado nas margens da Rua Alberto Piekas, este estádio se confunde com a própria história do futebol tamandareense 336

337

LEIS MUNICIPAIS. Disponível em: <http://www.leismunicipais.com.br/cgi-local/topsearch.pl?city=Almirante Tamandaré&state=pr&tp=&page_this=5&block=40&search_all=1&ementaouintegra=naintegra&wordkey=IPMAT> Acesso em 08 fev. 2011. FOLHA DE TAMANDARÉ. “Estádio Joaquim Dalledone” realização do tamandareense. Ano I, nº32, primeira quinzena de novembro.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Esta doação deu-se necessária, porque naquele terreno de área de 18.000m², seria construído de forma oficial, um Estádio capaz de abrigar a grandeza do futebol tamandareense. Diante disto, em 16 de outubro de 1988, era inaugurado o Estádio Municipal Joaquim Antonio Dalledone, cercado, com arquibancada para 5000 pessoas, vestiários, espaço para imprensa. Ou seja, uma praça esportiva capaz de atender as exigências da Federação Paranaense de Futebol, no contexto de sediar eventos futebolísticos de porte profissional naquele momento histórico. Antes da infraestrutura proporcionada pelo novo estádio, os jogos mais importantes eram disputados no Estádio Valentin Kokot, no Jardim Apucarana. Um exemplo disso foi o jogo de entrega de faixa na década de 1980, entre o campeão Calcoagro da Copa Folha Tamandaré contra o Expressinho profissional do Coritiba. Na data de 28 de junho de 1991, o novo Estádio recebeu o evento mais importante de sua história até então. Eis, que naquela noite, o SERAT (Sociedade Esportiva Recreativa Almirante Tamandaré), receberia o time profissional do Coritiba em um amistoso que marcava a inauguração de seus refletores. Infelizmente o time da casa, levou uma sonora goleada de 8X0, o qual alegrou a gigante maioria da torcida que ali se fazia presente em favor dos Coxas. Porém, os jogadores do SERAT receberam o apoio de uma pequena, mais barulhenta torcida de 20 torcedores, que foram lá ver o espetáculo. No entanto, esta torcida era formada por atleticanos, com camisa, bandeira e corneta. Lembro como se fosse hoje, tinha uma fila enorme de coxas brancas esperando para pegar autografo dos jogadores, quando chegou seu Zair José de Oliveira, e nos chamou para ver os jogadores. Detalhe: 363


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meu grupinho com a camisa do Atlético teve a oportunidade de cumprimentar os jogadores alviverdes depois do jogo, entre eles: Tostão, Chicão, Serginho, Pachequinho,... Porém, este não foi o único time profissional a pisar nos gramados do Estádio, eis que o Pinheiros (atual Paraná Clube) se fez presente em 1989 (antes da fusão com o Colorado), e ganhou do SERAT por 4X0. Já em 1993, o time profissional do Atlético, trouxe seu plantel para treinar, sendo que o coletivo treino principal era contra o time do Cobra (grupo de ex-profissionais e jogadores amadores que jogavam nos sábados no Campo do Kotoviski), o jogo terminou 6X1 para o Atlético. No ano de 2000, após um convenio entre a prefeitura e a Universidade Tuiuti do Paraná, ocorreu à realização de um sonho antigo. Ou seja, a cidade seria representada profissionalmente por um clube, ou seja, a agremiação Tamandaré Esporte Clube. O qual já em sua estreia em torneio profissional tornou-se vice-campeão da série bronze (terceira divisão do futebol profissional paranaense), perdendo o titulo para o time do Nova Estrela. Em 22 de agosto de 2002, o Estádio Joaquim Antonio Dalledone é dado pela Prefeitura sob a luz das disposições da Lei Ordinária nº 913 como parte de pagamento da divida que o município possuía com o IPMAT338. Posteriormente recuperado com o advento da Lei Ordinária nº 1154 de 23 de março de 2006. Em 13 de agosto de 2004 surge a ADAPAR (Associação dos Amigos do Paraná Clube), com sede na Rua Nossa Senhora Aparecida, 501 - Parque São Jorge - Almirante Ta338

LEIS MUNICIPAIS. Disponível em: <http://www.leismunicipais.com.br/cgi-local/topsearch.pl?city=Almirante Tamandaré&state=pr&tp=&page_this=5&block=40&search_all=1&ementaouintegra=naintegra&wordkey=IPMAT> Acesso em 08 fev. 2011.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

mandaré/PR339, que ocupou o lugar do Tamandaré Esporte Clube, já que o convenio entre a prefeitura e a universidade se exauriu. Sendo assim a ADAPAR, representou o município na Série Prata (por lei deveria começar na terceira divisão ou a divisão mais inferior existente, porém, em 2004 só ocorreu o certame da Série Ouro e Prata, então a Adapar, se inscreveu na segundona). Porém, em 2006, acabava o sonho. Pois, a ADAPAR depois de realizar uma pífia campanha no certame da Série Prata (Segunda Divisão do Campeonato Paranaense de Futebol)340, mudou de nome para Dínamo Adapar, e se retirou das disputas profissionais de futebol, pelo município. Porém, tradicionalmente o futebol tamandareense, é reconhecidamente muito forte na Região dos Minérios, esta condição se deu devido a sua trajetória na Liga dos Minérios e na Taça Paraná. Sendo que seu auge ocorreu no ano de 1986, quando ficou muito próximo do principal titulo do futebol amador do Brasil (Taça Paraná). Só para constar, no mês de novembro deste ano, pelo certame da Taça Paraná, o “Sanhaço” (apelido do time, devido ao seu uniforme azul), enfiou uma sonora histórica goleada no supercampeão amador Trieste (Santa Felicidade/Curitiba!), de 6 gols a dois, em pleno Estádio Francisco Muraro em Santa Felicidade341. O resultado dilatado, porém jogo duro, pois, o atleta Amarildo Gulin do Tamandaré, foi deslealmente atingido pelo jogador Marcelo do Trieste, a ponto de ter sua perna gravemente fraturada (fratura exposta)342. Porém, se o futebol tamandareense possuiu uma histó339

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TIMES DO BRASIL. ADAPAR. Disponível em:< http://www.timesdelbrasil.com.br/PR/adapar-pr.htm> Acesso em: 18 jan de 2011. FEDERAÇÃO PARANAENSE DE FUTEBOL. Tabela e sumulas antigas. Disponível em: < http:// www.federacaopr.com.br/v2011/index.php> Acesso em: 18 jan de 2011. FOLHA DE TAMANDARÉ. Tamandaré fulminante. Banho no Trieste 6x2. Ano I, nº 36, primeira quinzena de novembro de 1986, p.8. Idem, p.07.

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ria gloriosa, foi graças aos ilustres cidadãos tamandareense que tiravam “dinheiro do bolso” ou que dispunham de seu precioso tempo, para organizar o time ou torneios, para ajudar seus atletas a realizarem o sonho de disputar um torneio oficial. Cito os principais: Arzemir Francisco Gulin, Vicente Romano Lovato, Joaquim Antonio Dalledone, Leônidas Antonio Rodrigues Dias, Antonio Rodrigues Dias, Luciano Perussi, Juvino da Cruz, Família Kokott... Porém, o futebol não é exclusivo da de sede. Pois, existe a Sociedade Educativa Tanguá, fundada em 08 de agosto de 1943, com sede no Bairro do Tanguá, onde manda seus jogos no Estádio Francisco Thiago da Costa. A Sociedade Operaria Beneficente Esportiva Areias (do bairro de Areias); Tupã Futebol Clube, desde a década de 1950 que possui o Estádio Valentin Kokot (Jardim Apucarana); Grêmio Esportivo 7 de Setembro, fundado em 07 de setembro de Foto: Arquivo do jornal Estado do Paraná

Inauguração do Estádio Francisco Tiago da Costa em abril de 1979 366


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1986, que manda seus jogos no Estádio Leopoldina Dias Farias (talvez uns ou o único Estádio de futebol no Brasil e até no Mundo, que possui uma patronesse como denominação); além de outros clubes... Porém, na década de 1950, e 1960, existiram times que marcaram época, mas que não existem mais: o 1º de Maio (Cachoeira), cujo campo ficava onde hoje se encontra a Escola Municipal Coronel João Candido de Oliveira e o Supermercado Quiti; o Cachoeira, fundado pioneiramente pelo senhor Antonio Rodrigues Dias e amigos; o Bracatinga Futebol Clube (Lamenha Pequena); Continental (Mato Dentro); Tranqueira (mandava seu jogos em um campo próximo a antiga Estação Ferroviária),... Em 26 de outubro de 2002 na Lamenha Grande foi inaugurado pela prefeitura municipal mais um estádio de futebol para atender as necessidades não só do futebol tamandareense. O estádio com 2500 m² contava com uma arquibancada para acomodar 500 pessoas, vestiário, sala para imprensa e dois banheiros. No evento de inauguração se apresentaram a Fanfarra do Colégio Estadual Professora Maria Lopes de Paula e dois times (Associação Desportiva Lamenha Grande e o Casemira Clube, ambos de Almirante Tamandaré). Sendo que o jogo inaugural foi entre os veteranos do Lamenha Grande contra um time de Veterano da Prefeitura Municipal (4x1 para Prefeitura). Marcaram presença na inauguração o Prefeito Cezar Manfron, a Primeira Dama Neli Simões, o vice-prefeito Ariel Buzato, e os vereadores: Lourenço Buzato, Zair José, Amauri Lovato, João Antonio Bini, Osvaldo Stival e a senhora Matilde Czorne além do diretor de esporte Arley Bini343. 343

FOLHA DE TAMANDARÉ. Lamenha grande ganha centro de referencia ao esporte. Ano XVII, nº 437, outubro de 2002, p. 10.

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No entanto, existem grupos de futebol em Tamandaré, que não disputam campeonato, porém, há décadas se reúnem para jogar futebol. O mais antigo é o time (grupo) do Cobra, que desde 1976, joga na Chácara do Kotovski, onde craques e personalidades do futebol brasileiro, lá já jogaram e fizeram parte do grupo, cito: Assis (do Atlético, Fluminense), Levir Culpi (técnico consagrado), Serginho (Paraná, Coritiba, Pinheiros), Leomir (Coritiba, Fluminense), Carlinhos Neves (preparador físico da Seleção Brasileira)344,..., outro grupo que ainda persiste já há três décadas é o Clube Butantã, fundado por Antonio Rodrigues Dias e continuado por seu filho o Sr. Leônidas Dias345 e por fim o grupo do Candido Bini. Existem e existiram outros, porém, estes são os mais tradicionais da cidade. No entanto, são grupos fechados. O time do Cobra, é grupo particular com sede na Chácara do Kotovski no Botiatuba, o qual seu campo é denominado de Ninho da Cobra. Sendo seu fundador Antonio Ilson Kotoviski no ano de 1976. Mas só em 1985 foi estabelecido um uniforme personalizado. O jogo de estreia do uniforme foi batizado por uma bela vitória de 5 contra um gol do time do Bairro Alto (agremiação tradicional do futebol amador). Participaram pelo Cobra deste histórico jogo o goleiro Otavio Kotovski, Imério Milek, Antonio Kotovski, Aldinei Siqueira, João Antonio Bini, Carlinhos, Marcão, Tico, Fratone, Gilberto (Gil), Roberto, Biro-Biro. O treinador era o Polaco. Com o passar dos anos muitos jogadores profissionais vestiram a camisa do Cobra, sendo: Claudio Marques (Coritiba), Caxias (Paraná), Edson Borges (Coritiba), Reinaldo Xa344 345

FOLHA DE TAMANDARÉ. Kotovski reuni cobrões da bola. Ano V, nº 89, 30 de janeiro de 1990, p. 03. CÂMARA MUNICIPAL DE CURITIBA. Indicação a Mérito Esportivo/proposição 1999. Disponível em:< http:/ / d o m i n o . c m c . p r. g o v. b r / p r o p . n s f / 6 6 2 c 7 a 9 b f 8 4 5 2 8 d f 8 3 2 5 6 8 7 2 0 0 6 8 5 4 1 7 / f6d28a220d86cc1e032567d10066bc0e?OpenDocument> Acesso em: 18 jan. 2011.

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vier (Palmeiras), Dionísio (comentarista), Assis (Atlético-Pr), Marlon (Paraná), Alexandre Totó (Coritiba), Pedrali (Atlético-Pr),... Nos finais de ano, se fazia a festa de encerramento, era sempre realizado um jogo contra um grupo de jogadores profissionais treinado pelo Levir Culpi e Carlinhos Neves. Os jogos mais importantes do grupo Cobra foi: a entrega de faixa ao Tupã (campeão municipal em 1995) e contra o Clube Atlético Paranaense nos festejos 103º aniversario da cidade. No ano de 2004 o Cobra se torna o Grupo Formol, onde num contexto de grupo restrito e fechado é formado por atletas com mais de 40 anos. Realizando suas atividades sempre aos domingo pela manhã. Não realiza mais amistoso. Fonte: Acervo do Cobra, 1985

F.V.Cobra, em pé: Polaco, Imério Milek, Antonio Kotoviski, Moizés, Otavio Kotoviski, Carlinho, Marcão. Agachados: Aldinei Siqueira, Tico, Antonio Fratone, Biro-Biro, João Antonio Bini, Gilberto (Gil) e Roberto

Mas, a marca futebolística tradicional e uma das mais importantes do Brasil, depois da Taça Paraná ou paralela a ela no contexto do futebol amador, é a Copa Folha de Ta369


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mandaré, que reúne clubes amadores de Curitiba e Região Metropolitana, que já se realiza desde 1985. Também, existe a Liga de Tamandaré (mais antiga, porém, de história comprometida pela desorganização em determinados períodos políticos do município), que reúne os clubes do município e o Torneio do Trabalhador que é aberta a qualquer equipe, pois se realiza em 1º de Maio. Apesar de o futebol ser uma paixão da maioria dos brasileiros, jogar em nível profissional é para poucos. Pois, nem sempre quem tem talento, consegue seguir a carreira futebolística. Como também nem todos que tem condição e disposição, conseguem alcançar o profissionalismo. No entanto, existem aqueles que em época onde o trabalho estava acima de tudo, a ponto de ofuscar a importância do esFonte: acervo de Leônidas Dias

Foto do final da década de 1950 onde aparece o atleta do Palestra, Leônidas Dias, em dia de jogo no antigo Estádio do Palestra Itália no bairro do Tarumã/Curitiba (não existe mais) 370


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tudo e consequentemente marginalizar o esporte, conseguiram se destacar, vencer e realizar um sonho. Um dos pioneiros foi o esportista de coração e atitude Leônidas Antonio Rodrigues Dias, Jornalista de profissão, natural de Almirante Tamandaré, nascido em 11 de agosto de 1944. O qual jogou profissionalmente futebol pelo Palestra Itália (atual Paraná Clube)346. Porém, na entrevista realizada com ele em uma tarde memorável do dia 19 de abril de 2011, ele não se considerava profissional. Pois, explicava que jogou no time profissional meio tempo contra o Olímpico de Iratí e meio tempo contra o Seleto de Paranaguá. No entanto, ele era ainda Juvenil (na época equivalia à categoria Junior)347. Outro tamandareense, mas do Botiatuba que vestiu a camisa 1 de goleiro do Pinheiros (atual Paraná Clube) em 1977, foi o esportista Otavio Kotoviski. Já com maior destaque devido a acidente sofrido no clássico Pinheiros e Coritiba. Aonde venho a fraturar a perna na dividida com o jogador e atual comentarista Dionísio Filho, foi o tamandareense da Sede, o professor de Educação Física Vitor Lovato, que vestiu a camisa do Coritiba em 1985-86, Iguaçu de União da Vitória e do Fantasma (Operário Ferroviário Esporte Clube). No ano de 1994 o tamandareense Marcelo Dilson Cordeiro Junior (Italiano), vestiu a camisa de zagueiro do Coritiba348. Na década de 1990, também representou o futebol tamandareense no futebol profissional, foi o goleiro Willer Ariel Chevônica, que jogou no Batel de Guarapuava. Já o jogador tamandareense que mais teve destaque no futebol a partir de 1998, foi o atacante Marcelo Tamandaré (Edson Marcelo de Faria Manfron). Que teve passagem pelo Coriti346 347 348

Idem. Relato de seu Leônidas Dias, 19 de abril de 2011. FOLHA DE TAMANDARÉ. Italiano é profissional. Ano VIII, nº 196, 28 de fevereiro de 1994.

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ba, Malutron, América do México, Ajaccio da França, Beleneses de Portugal, Vasco da Gama – RJ, Portuguesa, Atlético-PR, Fortaleza, e até este momento joga Ionikos da Grécia. Porém, foi uma mulher tamandareense que chegou a Seleção Brasileira de Futebol Feminina. Eis, que a dona dessa façanha foi a zagueira Angela Marcia Ferreira da Silva, que em 1996 foi convocada para a Seleção Olímpica de Futebol Feminino, que disputaria o torneio de futebol nas Olimpíadas de Atlanta. No entanto, foi cortada. Foto- Álbum da Família Kotoviski

Goleiro Otavio Kotoviski, jogando no antigo campão/1975

É lógico que existiram mais jogadores profissionais em Tamandaré, principalmente a partir do ano de 2000. Porém, a de se destacar que estes citados, foram os pioneiros. Porém, nas categorias de base dos times da capital, não raro era encontrar um tamandareense, a tal ponto, que se eu for citar nomes, vai faltar espaço no livro. Nas décadas de 1960 e 1970 eram realizados os Festivais de Futebol, que na verdade eram torneios realizados sempre em um domingo de cada mês, que além do futebol contavam em algumas edições com apresentações de dan372


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ça ao ar livre. A princípio os organizadores mandavam um convite (oficio), para os organizadores de time de cada localidade de Almirante Tamandaré. Segundo relatos de moradores antigos, um desses torneios seria realizado no campo do São Miguel (onde hoje é a garagem da TABA, junto à atual Rua Pedro Jorge Kotoviski). E por indisciplina de sua torcida e jogadores, a localidade do Botiatuba não foi convidada. Torcedores do time da localidade, revoltados com tal atitude dos organizadores, resolveram se vingar. Eis, que na madrugada de sábado para domingo, eles araram o campo. No domingo de manhã, quando os organizadores chegaram e viram aquilo. Ficaram loucos. Porém, com um pequeno mutirão, conseguiram arrumar o campo. No entanto já passava das duas horas. Segundo uns dos relatores que era morador da localidade e era pia na época. O qual foi solicitado para ver como estava o clima. Chegando lá, viu todos bravos, mas se quer desconfiavam de quem havia feito tal sacanagem. Voltou até a Igreja do Botiatuba e informou que o festival ia começar e que ninguém desconfiava do autor daquela sacanagem. Diante disso, se reuniu os jovens do Botiatuba e foram ver o festival. Chegando lá, perceberam que apesar do pessoal não saber quem foi. Desconfiavam deles. No tocante desse clima hostil, a turminha do Botiatuba subiu no caminhão e estava indo embora. Foi neste instante, que por destino a bola (a única) passou em frente do caminhão. Resultado. O motorista ao invés de desviar, passou por cima e fugiu, para evitar confusão. Neste contexto todo, o Festival do São Miguel não teve um campeão naquele dia. Em novembro de 2000, no Estádio Recanto Tricolor pertencente ao Combate Barreirinha, se realizou o clássico 373


Relatos de um Tamandareense

Combate X Tupã, valendo uma vaga para a final da Taça Paraná. Infelizmente o filho nato da terra o Tupã foi eliminado, ficando com a terceira posição naquele ano. Apesar do Combate possuir seu estádio em território tamandareense, ele é um clube da capital. Ou seja, é um filho “compartilhado” da terra. Fonte: Tupã Futebol Clube

Jornal de 30 de Novembro exposto em um quadro na sede do Estádio Valentim Kokott

Porém, o esporte em Almirante Tamandaré não se resume só ao futebol. Eis, que em outubro de 1985, o departamento de Esporte da Prefeitura de Almirante Tamandaré, realizou a Olimpíada Tamandaré 85. A qual estava aberta a todos os atletas da cidade e região, para disputar diversas modalidades349. Tamandaré merece destaque no ciclismo, pois, teve em Marcos Aurélio Tavares, seu pioneiro representante, o qual iniciou nesta modalidade em 1976. Em 1978 fez parte da 349

FOLHA DE TAMANDARÉ. Olimpíada Tamandaré 85. Ano I, primeira quinzena de novembro de 1985, p.07.

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Equipe Peugeot de Ciclismo. No ano de 1993, participou da primeira competição de Mountain Bike realizada em Almirante Tamandaré. Em 1996, o ciclista tamandareense Maicon Jean de Freitas (Kito), foi campeão Paranaense de Ciclismo, categoria infantil, assim como na mesma categoria, a ciclista Taís Tavares, recebeu o troféu de terceira melhor ciclista paranaense da temporada de 1996350. Em 16 de outubro de 1999, a cidade teve pela primeira vez em sua história esportiva, representante na modalidade de Mountain Bike, nos Jogos Abertos do Paraná, realizado em Toledo, graças ao apoio de Vitor Lovato, Secretário de Esporte da época, que inscreveu Antonio Ilson Kotoviski Filho (001) e Cleverson Ribeiro (002). Porém, foi um tamandareense que corria por Colombo, que ficou com a medalha de prata (José Luciano Lopes), quebrando a dobradinha dos maringaenses (Campeões Paranaenses e do Sul do Brasil)351. No ano de 2001, na região da “tríplice fronteira do município” (Almirante Tamandaré/Campo Magro, Curitiba/Campo Magro e Almirante/Campo Magro). Foi realizado o Campeonato Brasileiro Universitário de Mountain Bike, promovido pioneiramente pela FPDU (Federação Paranaense do Desporto Universitário), em parceria com a CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo) e FPC (Federação Paranaense de Ciclismo). O qual teve o atleta tamandareense da UNIBRASIL, Antonio Ilson Kotoviski Filho, conquistando a medalha de Bronze desta competição, a qual só tinha o nome de “universitária”, pois, todos os atletas que disputaram esta competição de Cross Country de Mountain Bike, pertenciam à categoria Elite de seus respectivos Estados352. 350 351

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GAZETA ANCORADO. Campeão Paranaense de Ciclismo. Ano II, nº 31, 24 de dezembro de 1996, p. 07. FOLHA DE TAMANDARÉ. O Mountain Bike Tamandareense nos Jogos Abertos do Paraná. Ano XIV, nº 360, 1º de Dezembro de 1999. JORNAL DA UNIBRASIL. Mountain bike. Ano II, nº09, maio de 2002, p.02.

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No ano de 2003, ficou notório que Almirante Tamandaré não é só futebol, pois, a Secretaria de Esporte, promoveu o encontro dos Desportistas com homenagens aos atletas tamandareense, entre eles o cross-motociclista Paulo Stedile (Paulinho), Campeão Brasileiro de Brasileiro de Motocross na categoria MX2, no ano de 1997; Campeão Brasileiro de Supercross categoria 250cc em 2001; Bi-Campeão Brasileiro Supermotard SM2 (2006/2007); Campeão Brasileiro em 2009 de Velocross VX1 e VX2. Também teve destaque neste dia o nadador Fabiano Machado, medalhista de bronze nas paraolimpíadas de Atlanta em 1996,...353. No ano de 2007 o tenista Leonel Wandley de Siqueira, alcançou o 11º posto no Ranking Geral da federação Paranaense de Tênis, com 150 pontos, sendo o 4º na Classe 6MB354. Já em 2010 o Sr. Arnaldo Sergio Buzato terminou em 7º posto no ranking geral, somando 300 pontos, na categoria 6MB355. Fonte: Jornal do Bugalski (propaganda de candidato), setembro de 1992)

Corrida de Rua da Lamenha, pelotão entrando na Av. Wadislau Bugalski 353

354

355

FOLHA DE TAMANDARÉ. Tamandaré promove encontro dos desportistas com homenagem. Ano XVIII, nº 459, agosto de 2003, p. 04. FEDERAÇÃO PARANAENSE DE TÊNIS. Ranking. Disponível em:< http://www.fpt.com.br/ranking.asp > Acesso em: 22 jan. 2011. Idem.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Outra manifestação do esporte que se tornou tradicional no município, foi a Corrida de Rua ou Prova de pedestre da Lamenha Grande, iniciada no ano de 1982, que se realizava sempre na data de 7 de setembro. Já em 26 de março de 1995, foi disputada a primeira prova de Duathlon Terrestre na cidade, valendo para a 1ª etapa do Campeonato Paranaense. Foi realizado no percurso da Rodovia do Calcário356. No de 1982, existiu no Haras Tamandaré, uma pequena academia de musculação (sem aparelhos, só alteres, barras e anilhas) e de Karatê, porém com efêmera duração. Já no ano de 1983, na Avenida Emilio Johnson 806, abriu a Academia Dragões do Karatê, tendo como professor o Mestre Amauri. Esta academia só funcionava a partir das 18:00, pois, o Mestre era Caixa do Extinto Banco Banestado. Em 16 de Dezembro de 1983, graduo a primeira turma ao nível de faixa amarela. No ano seguinte, se estabeleceu no Sindicato dos Comerciários. Uma das coisas que aprendi e nunca me esqueci desta época, foi contar em japonês até dez! Neste mesmo local, em 1984, a professora Rita Joseli da Cruz, promovia aulas de Ginástica Estética. A qual em 1986 passou a ser na sede da Assemat357 e com advento do Ginásio de Esportes, passou lá serem realizadas estas atividades. Com o desenvolvimento da cidade, as atividades físicas começaram a fazer parte do cotidiano da população. Sendo que em 2000, se concretizaram academias na Sede, Monte Santo, Tanguá, Tranqueira e em Cachoeira. Apareceram outras escolas de modalidades de artes marciais. 356 357

FOLHA DE TAMANDARÉ. Duathlon em Tamandaré. Ano IX, nº 221, 15 de fevereiro de 1994, p. 05. FOLHA DE TAMANDARÉ. Ginástica Estética. Ano II, nº36, novembro de 1986, p.07.

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No ano de 2006, na Rua Francisco Busato nº 11 – Mato Dentro começa a funcionar a primeira escola de natação do município, denominada de Escola de Natação Reinaldo Busatto. Também em Tamandaré é tradicional o Jogo de Bocha, trazido pelos imigrantes italianos na década de 1930. Uma das pioneiras quadras do município pertencia à antiga Sociedade localizada na Sede na Rua Coronel João Candido de Oliveira. Onde sempre eram realizados torneios que movimentavam a cidade. Os destaques desta época eram: Francisco de Lara Vaz (Chiquinho Vaz), Atílio Bini, Antonio Candido de Siqueira (seu Tono), Ambrósio Bini, José Ido da Cruz,... Existia na Cachoeira onde era o Bailão Minuano uma cancha de bocha. No dia 12 e 13 de novembro de 1985, no Bar do Milek, junto a Rua Fredolin Wolf (Sede), foi realizado um pioneiro Torneio de Bocha, promovido pela prefeitura municipal358. O Sr. José Ido da Cruz foi o campeão da repescagem. Na data de 09 de abril de 1989, no mesmo local, porém, com nova denominação “Lanches Graciosa”, foi realizado outro torneio de Bocha. Contemporaneamente as principais quadras deste esporte no município se encontram no Restaurante Castelinho na Sede, Clube 21 de Abril no Botiatuba e no estabelecimento comercial do sr. Aldo Manfron no Juruqui. No ano de 2005, a equipe do Sr. Arlei Bini, além de disputar o Campeonato Paranaense, também disputou os Jogos Abertos do Paraná em Guaratuba359. Também merece destaque, o fato da cidade possuir representantes femininas neste esporte. 358 359

FOLHA DE TAMANDARÉ. Torneio de Bocha. Ano I, nº 32, novembro de 1985, p. 08. FOLHA DE TAMANDARÉ. Bocheiros de Tamandaré agradecem prefeito Vilson Goinski: Paranaense. Ano XX, nº 515, junho de 2005, p.04.

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Outra personalidade esportiva, morador e casado com uma filha da terra, que colabora com o desenvolvimento do Punhobol não só no Paraná, mas consequentemente no Brasil é o professor de Educação Física, Gilberto Martins Queluz Junior. O qual foi técnico das equipes masculinas adultas do Clube Duque de Caxias e do Clube Rio Branco. Em 1995, foi técnico do Duque de Caxias, onde disputou torneios na Suíça, Áustria e Alemanha (tradicionais países representantes destes esportes) já em 2005 participou do Sulamericano de Clubes no Chile. O esporte na cidade é feito por cidadãos anônimos, que muitas vezes conseguem grandes feitos, mas que infelizmente não são divulgados ou são timidamente divulgados. Ou seja, caem em esquecimento. Por sorte, que a partir de 1985, com a fundação do Jornal Folha de Tamandaré, uma parte da história esportiva tamandareense, ficou registrada, é por este motivo, que o Cidadão Benemérito360 da cidade, o Sr. Leônidas Dias, é sempre homenageado por varias instituições. Pois, divulga o esporte amador da região metropolitana através de seu periódico e outros meios de comunicação. É lógico que prevalece o futebol. Pois, é um esporte popular, barato, e que pode ser jogado por qualquer pessoa. No entanto, sempre que existe um fato marcante em outras modalidades ou o simples apoio com uma nota de apresentação de um atleta para a comunidade, seu Leônidas, não nega espaço em seu jornal. Neste contexto, é possível observar, que o esporte tamandareense, não foi construído só por atletas, mas por pessoas que possibilitaram o atleta desenvolver os seus dons. Seja como patrocinador, treinador, colaborador, divulgador, organizador,..., ou seja, é neste sentido que também 360

FOLHA DE TAMANDARÉ. Dia 3, será a vez de Leônidas Dias. Ano XIX, nº 495, novembro de 2004, p. 02.

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merece destaque novamente seu Leônidas, pois ele foi fundador das Ligas dos Minérios, Bocaiúva do Sul, Rio Branco do Sul, Colombo, Almirante Tamandaré e Campo Magro. Pois sua dedicação ao esporte é a sua história de vida, pois fez e ainda esta fazendo muito pelo esporte de Curitiba e da Região Metropolitana. Pois, ainda jovem, coordenou de 1967 a 1972 o Campeonato de Futebol do SESI; idealizou e coordenou o Campeonato de Futebol Varzeano; lançou em sua primeira edição o Campeonato Feminino de Futebol; foi de iniciativa em Curitiba por Leônidas Dias, em parceria com o Jornal Diário Popular e Rádio Capital, o Campeonato Veterano de Futebol, “O Veteranão”; realizou o Campeonato Super-Praião – Shangrilá e idealizou seu maior legado o Campeonato Copa Folha de Tamandaré e o Campeonato Cobrinhas. Por sua dedicação, fez parte da Federação Paranaense de Futebol, ocupando o cargo de diretor do Departamento de Interior, coordenando à Taça Paraná por dois anos361. Na história de qualquer lugar, existem sempre os que se dedicam a algum setor da sociedade. Diante disto, tentei nos meus humildes relatos, demonstrar aqueles que se destacaram no setor do esporte. Sei que faltam pessoas e atletas. Mas com certeza um dia serão lembrados e devidamente relatados. Pois, os feitos do esporte, são eternos.

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CÂMARA MUNICIPAL DE CURITIBA. Indicação a Mérito Esportivo/proposição 1999. Disponível em:< http:/ / d o m i n o . c m c . p r. g o v. b r / p r o p . n s f / 6 6 2 c 7 a 9 b f 8 4 5 2 8 d f 8 3 2 5 6 8 7 2 0 0 6 8 5 4 1 7 / f6d28a220d86cc1e032567d10066bc0e?OpenDocument> Acesso em: 19 jan. 2011.

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Diversão

É

equivocado pensar que nas décadas anteriores a 1960 a vida era um tédio por falta do que fazer, simplesmente porque não existia televisão, baladas ou outra atividade que nos prende atualmente. Eis, que naqueles tempos a diversão existia e era muito apreciada. Existiam as praticas esportivas (futebol), desfiles cívicos, conversas de fim de tarde nas mercearias, pessoas que se reuniam para escutarem rádio a tarde na casa de quem tinha, bailes, matinês, circo, festas de igreja, aniversários,... Ou seja, dentro da realidade da época existia diversão. A diversão da criançada nas décadas anteriores a 1960 nada pareciam com o que se tem na contemporaneidade. Pois, as crianças brincavam e muitas vezes produziam seus próprios brinquedos. Aguçavam a criatividade através disto. Da mesma forma que desenvolviam espontaneamente a coordenação motora. Não raro nas conversas que escutei espontaneamente de diversas pessoas da sociedade tamandarrense, principalmente quando eles observavam seus netos brincarem 381


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ou ganharem brinquedos sofisticados. Foi uma unanimidade descritiva de confirmação de um fato comum. Ou seja, relatos espontâneos que no tempo deles (décadas anteriores a 1960) as brincadeiras eram mais sadias e os brinquedos eram feitos em casa. Com rara exceção. A maioria comentou ou conheciam a brincadeira da perna-de-pau, cujo brinquedo era feito por eles mesmos. Como também brincavam de corrida, atravessar banhado, jogar bola,..., tudo utilizando a perna-de-pau. Esta brincadeira não era exclusiva só de pia. Mas as meninas também brincavam. No contexto da pesquisa, descobri que a brincadeira da perna-de-pau é milenar e praticada por vários povos no mundo. Pois, ela é derivada de atividades ligadas à sobrevivência. Esta ganhou impulso nas apresentações circenses que por efeito foram imitadas por populares no contexto de suas brincadeiras na Europa, sendo que chegou ao Brasil enraizado na própria cultura do colonizador português e espanhol. Outra brincadeira era empurrar argola com um pedaço de pau. Ou seja, a criança precisava de uma argola e um cabo de vassoura, o qual tinha um arame na ponta dobrado em forma de gancho. Sendo que o objetivo era controlar a argola. Enquanto se andava ou corria. Esta era uma brincadeira praticamente de menino. Com o aparecimento das latas de leite ou de outro produto, começa a se difundir a carretinha de lata desde 1960. A qual era várias latas preenchidas com areia ou barro, e ligada uma na outra com um arame, que atravessavam a lata. Sendo que estas eram puxadas como se fosse um carrinho de plástico moderno. Poderia ser feita com uma única lata. Esta brincadeira conseguiu sobreviver até o inicio da década de 1980. Este brinquedo era também feito pelas 382


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próprias crianças. Era uma brincadeira de pia. Existiu também a brincadeira de carrinho de roda de madeira. A qual era parecida com os carrinhos de rolemam. Porém, como os rolamentos eram caros e de difícil acesso, além de não existir estrada com descida asfaltada, o que inviabiliza o rolamento naquela época, mas que na década de 1980 começou a se difundir. As crianças ficavam horas subindo e descendo as ladeiras. No entanto, quando se morava perto de uma colina com grama ou mato de inclinação acentuada, as crianças desciam em cima de tabuas ou papelão. Otávio Kotoviski relatou que teve um dia que estavam brincando de escorregar nos morros onde fica o atual Parque Santa Maria. Foi quando chegou seu irmão Antonio, com um carrinho de descida com roda de madeira com um freio simples (um pedaço de pau que encostava no chão, que era puxado quando ficava muito próximo da ladeira mais inclinada). No entanto, resolveram descer de três em cima do carrinho Ari, Milto e Antonio. Como a prancha ficou pesada, a descida foi rápida. Resultado. Na hora de parar o freio quebrou e a piazada acabou caindo na ladeira mais inclinada em meio ao mato, saindo dela todos esfolados. Já as meninas brincavam com bonecas de pano, de casinha e escola. Imitavam o cotidiano doméstico das mães. Brincavam de rodas e cantavam em meio a esta atividade infantil. Também brincavam de cobra cega junto com os meninos. Existiam os brinquedos: raias (pipa), peão, ioiô e o bibloquê. Os quais eram fabricados pelas próprias crianças. Como também as brincadeiras de faz de conta, os quais elas imaginavam uma personagem e imitavam e se organi383


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zavam para imitar o que imaginavam e observavam na realidade. Muitas crianças, principalmente os meninos não saiam de casa sem a cetra (estilingue), para caçar passarinho. Dai tinha a temporada da pesca, tomar banho em rio. Jogavam bola. Alguns com bola de meia. Outro com bola costurada. Existia o jogo de búlica. Era comum passeio com cavalos na época, mas este era uma pratica reservada aos adolescentes. É lógico, que a criançada também fazia malvadeza, como amarrar capim nas trilhas, para os distraídos caírem. Os meninos faziam arco e flecha para caçar e acertar paina nos outros. Tinha as tradicionais brincadeiras de pega-pega e esconde-esconde e amarelinha ou caracol (praticado pelas meninas). Odete Basso da Cruz, contava que em sua infância não existia luz elétrica, e por este motivo as noites eram iluminadas por luz de velas ou lamparinas. Nesta condição costumavam brincar de fazer sombra na parede. Ou seja, conforme se colocava a posição das mãos em frente à vela, surgia uma imagem de um bicho na parede. Existiam os milenares jogos de tabuleiro já presente no cotidiano do século de 1920. Ou seja, os jogos de dama, ludo e trilha a pesar de já difundidos, ele era feito caseiramente, sendo que seu tabuleiro era desenhado e as pedras eram botões de roupa. O jogo de xadrez por ter suas peças mais complexas era mais raro. Porém, já se conhecia. Ou seja. As crianças se divertiam e apreendiam e se desenvolviam física, criativamente e socialmente com as brincadeiras. Por isto que estas brincadeiras eram sadias. Quanto aos brinquedos mais sofisticados e industrializados, estes eram feitos de lata e eram à base de corda, outros brinquedos como o cavalinho, ou miniatura de carros na década de 1930, eram feitos de madeira artesanal384


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mente. Já as bonecas eram de porcelanas. Não existiam brinquedos de plásticos ou a pilhas. Existia bicicleta, porém esta era cara e restrita, no entanto na década de 1960 era já comum vê-las pelas ruas da cidade. Mas sendo usada por adultos. Até a década de 1950 não era tão comum ver criança se alimentando com doces o dia inteiro. Pois, vários motivos colaboravam com isto, já que a venda desse alimento até este período era pouco praticada. Porém, não raro era ver crianças comendo balas caseiras, ou seja, caramelo. O qual era feito de forma simples com açúcar derretido na panela. A partir da década de 1960 os doces industrializados começam a se difundir e ficar acessível. Neste contexto, marcaram época as Balas Zequinha, Chiclete Americano, Bala Rainha, Campeão, Bala de Gasosa, Sete Belo, Rintintim, Pirulito Psicodélico, os doces tradicionais: cocada, pé-de-moleque, Maria-Mole, chocolate de licor, diamante negro e Maria Cachucha. Alguns desses doces também eram feitos em casa. Minha mãe conta que quando era menina e minha avó ia para Curitiba, geralmente esta trazia um chocolate Diamante Negro (uma barrinha de 21 gramas), o qual dividia os pequenos tabletes entre ela e seus irmãos. Pois, na época o preço do chocolate era caro362. Não era como hoje, que existe barra de 80 e 170 gramas a preço acessível. Até o começo da década de 1980 era possível ver as crianças jogando bets ou bete-ombro (um jogo derivado do Cricket, criado por jangadeiros no Brasil no século XVIII), brincando de se esconder a noite, rodas de voleibol, jogando bola tendo as latas como gol dispostas no meio das ruas. Não raro era ver mães indo buscar seus filhos na antiga cancha de esporte. 362

Relato de Josélia Aparecida da Cruz Kotoviski.

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Nesta época na saudosa cancha de esporte se jogava o trave a trave (gol a gol) que se consistia em um adversário chutar a bola de sua meta e tentar marcar o gol no outro e vise-versa. Tinha a dupla de pênalti, onde os participantes se revezavam entre cobranças e goleiro, o qual se desce rebote ficavam driblando até sair o gol ou o goleiro segurar a bola, da mesma forma se o rebote tivesse origem no travessão era uma pontuação, na trave outra e no ângulo outra. Desde que fizesse o gol. Tinha o controlinho, que consistia em uma dupla ficar tocando dentro de um limite de três ou quatro toques na bola. Sem invadir a área. O objetivo era fazer o gol. Caso a bola fosse direto para fora por três vezes, o ultimo que chutava tinha que ir para o gol ou se alguém da linha ultrapassasse os três ou quatro toques. Também era comum a corrida de tampinha de garrafa jogada na areia. Sob uma pista com rampa e obstáculos a ser desviados pelos participantes. Cada participante só poderia dar três toques na tampinha por vez. Caso não conseguisse saltar a rampa e cair na pista, tinha que voltar onde estava, da mesma forma se esbarrasse nos obstáculos ou saísse do traçado da pista. Existia a brincadeira do garrafão onde se desenhava uma grande garrafa. Onde existia um participante que ficava dentro do garrafão tentando pegar os que tentavam atravessar o mesmo. Se por acaso isto ocorresse a pessoa pega tinha que correr até o pique para não ser malhado. Depois tinha que ficar dentro do garrafão tentando pegar alguém. No inicio da década de 1980 ocorre a febre do vídeo-game Atari 2600 (para os mais abastados) e o Dactar (similar nacional mais barato). No entanto mesmo o Dactar sendo mais barato era poucas pessoas que possuíam. Outro problema eram os cartuchos de jogos que eram caros e limitados, os 386


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principais e tradicionais jogos comercializados nesta época eram Enduro, Pac-Mam, River Raid, Space Invaders, Atlantis, Megamania e Donk Kong. O terceiro problema era que nem sempre se tendo dinheiro se conseguia comprar o aparelho. Pois para se ter uma ideia, na extinta Loja Mesbla na capital, existia a necessidade de se ficar em uma fila de espera para comprar o aparelho (isto no inicio, dois anos depois esta realidade mudou). Mas relevando os problemas citados, os que possuíam o vídeo-game na cidade independente de variedade de jogos tinham que conviver com as visitas de fim de tarde. Existia a opção de jogar fliperama na Rua Domingos Scucato. O qual pertencia ao saudoso Edson Dalk já pelo ano de 1981. Infelizmente esta realidade mudou devido à violência, ao transito de veículos e as novas tendências ditadas pela televisão. Já alguns moradores adultos da cidade até a década de 1950, se divertiam com o jogo de azar denominado de Cachola. O qual possuía uma pequena gangorra. Onde se colocava em uma das extremidades uma moeda. Na outra extremidade o jogador batia com a mão, sendo que esta moeda era arremessada para cima. Porém, antes de bater se apostava se a moeda quando caia ao chão mostrava a face cara ou coroa. Sendo que quem ganhava continuava batendo e levando o dinheiro das apostas até perder. Esta pratica era tradicionalmente realizada aos domingos e feriados, onde a homarada se reuniam para praticar este jogo em vários locais do município. Um estabelecimento comercial que ocorria esta pratica era o de propriedade do Sr. Randolfo Siqueira (Lulo) no Pacotuba. Porém uma diversão que persiste até os dias de hoje, trazida pelos espanhóis e aprendido com os jesuítas e pro387


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pagados pelos bandeirantes foi o jogo de truco desde o século XVII, sendo em 08 de setembro de 1822 é fundado o Conselho Mundial de Truco em Santos363. Já outro jogo de carta tradicional no município é jogo de escopa e vinte e um. Introduzido na cidade pelos imigrantes italianos já no século XIX364. Existe também o jogo de Pif ou Cacheta, muito jogado em festas, bares e nas residências. O jogo de carta é tão difundido na cidade, principalmente os que envolvem apostas, que não raro é escutar notícias correrem na cidade, referente à prisão de seus jogadores que estavam reunidos na casa de alguém. Porém, estes acontecimentos transcendem a década de 1980. Outro detalhe é o sensacionalismo da imprensa, que quando divulga a noticia, geralmente utiliza a expressão: “policia estourou mais um cassino em Almirante Tamandaré”. Cassino! Quem escuta isto imagina máquina caça níquel, roleta, bacará,..., ou seja, utilizam uma denominação errada para uma simples mesa que se encontra seis ou oito jogadores apostando, tomando cerveja, fofocando e falando besteira. Porém, esta pratica é ilegal, por isto é que muitos respondem judicialmente. Independente do tipo de diversão desenvolvida pelos diferentes habitantes e sua respectiva idade na cidade. Ela sempre é diversão. Se sadia ou não, não cabe a este texto julgar. Porém, é fato notório no município que ela sofre variações conforme a localidade, porém existia um padrão de semelhança a qual é possível presenciar em nossos hábitos nos dias atuais.

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VELHO CHICO ONLINE. História do Jogo de Truco no Brasil. Disponível em:< http://velhochico.net/ index_arquivos/Page%20953G.htm> Acesso em: 15 jan. 2011. REGRA DOS JOGOS. Escopa. Disponível em:< http://www.regrasdosjogos.com.br/ntc/default.asp?Cod=47> Acesso em: 15 jan. 2011.

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Segurança

H

avia um tempo, em que a imagem de Almirante Tamandaré, não era manchada pelas manchetes de Jornais Policiais. Havia um tempo, que se alguém pronuncia a palavra vandalismo, esta seria interpretada como atitude do povo Vândalo (povo bárbaro), não como depredador, baderneiro, pichador, quebrador de lâmpada, furtador de placa de bronze,..., ou seja, criminoso! Estes tempos se foram, culpa de um progresso desordenado e da omissão de muitos, que se prendem em grandes ocorrências, se cegando aos pequenos acontecimentos. Os quais quando somados, se tornam gigantes perto do “grande problema” que prendia a atenção de muitos. Tudo neste contexto merece atenção, não a devoção exclusiva. No entanto, afirmar que Tamandaré era um paraíso é errôneo. Porém, as calamidades que ocorrem atualmente, não podem ser comparadas as anteriores as da década de 1960. Existia “vandalismo”, porém este estava mais ligado a brincadeiras de mau gosto dos Sábados de Aleluia, do que propriamente a depredação espontânea cotidiana. Eis, que segundo relatos de diversos moradores, um dos costumes dos jovens mais exaltados era de arrancar os portões das chácaras e colocarem no meio da rua para atrapalhar o 389


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pessoal que ia à missa no Domingo de manhã. Às vezes soltavam as criações de animais durante a noite, escondiam carroças,...365 Porém, isto era feito por algumas pessoas e exclusivamente no Sábado de Aleluia. No entanto não deixava de ser uma coisa errada. Já que, muitos moradores das comunidades onde esta pratica existia reclamavam e até faziam tocaia no Sábado de Aleluia para pelo menos impedir a brincadeira de mau gosto. Porém não se comparava ao contemporâneo vandalismo. Pois, pelos relatos de muitos ilustres moradores, a paz só era rompida às vezes por brigas entre clientes nas mercearias que bebiam um pouco além do limite; nos períodos de políticas e raros casos de assassinatos. Com exceção os realizados por pistoleiros contratados. Para se ter uma ideia, a maioria dos que ficavam presos no porão da Prefeitura Velha, era por motivo de “rompimento da ordem” (bagunça ou briga) e pequenos furtos366. Nestes tempos, os delegados eram escolhidos pelos Intendentes (prefeitos), geralmente alguém de respeito e que soubesse lidar com a desordem sem exercer de violência. Eram tempos, que o delegado apenas ganhava a responsabilidade, o status de ser um homem da lei e um muito obrigado. Pois, não se recebia salário. Foram delegados (calça curta) nesta época: José Ido da Cruz, Theolindo Batista de Siqueira, Antonio Dalazuana, Luiz J. Perroti, Hermenegildo de Lara, Generoso Cândido de Oliveira, João Siqueira,... Quanto aos policiais, geralmente era escolhido dois ou três soldados de um grupo treinados pelos coronéis, para fazer a função de auxiliar do delegado. No entanto, como não tinha serviço e não se recebia nada por isto, desempe365 366

Relatos de Otavio Kotoviski, José Ido da Cruz, Generoso Candido de Oliveira,... Relato de Antonio Candido de Siqueira, 2002.

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nhavam suas funções normais do dia-a-dia, no aguardo de ser requisitado. Somente em 1922, pela Lei nº 3052 é criada a polícia de carreira367. Segundo relato de seu Antonio Candido de Siqueira, o qual contou que na época dos confrontos mais acirrados das disputas políticas entre os Pica-Paus e Maragatos. Eram comuns os soldados deste período histórico em Tamandaré confiscar os cavalos das pessoas na rua, sem nenhum motivo368. Como também, não raro era escutar comentários que mulheres eram violentadas e pessoas eram atacadas. Outro morador pioneiro na cidade, seu Estanislau Pupia, confirma a ação violenta dos revolucionários (soldados/policiais), que no ano de 1924 ajudou a empurrar e esconder no meio do mato a carroça de seu tio Vadeco Melanski. Pois, se esta providencia não tivesse sido tomada, os policiais tomariam os cavalos e a carroça sem motivo algum369. Mais organizado administrativamente e evoluído politicamente, o recém-autônomo município de Timoneira é agraciado pelo Estado em 1952, com Delegacia de Policia e cadeia com quatro celas370. A partir desta época, a prefeitura deixou de servir também como cárcere. Porém, tanto policiais militares como policiais civis, compartilhavam o mesmo prédio. Porém, ainda nesta época, os delegados não recebiam salários, somente os policiais militares. No mês de Agosto de 1988, o prefeito Ariel Adalberto Buzato, entrega o prédio construído com recursos do próprio município, que abriga o atual Destacamento da Policia Militar, referente à 5ª Companhia do 17º Batalhão da Poli367

368 369 370

POLICIA CIVIL. Histórico. Disponível em: <http://www.policiacivil.pr.gov.br/modules/conteudo/ conteudo.php?conteudo=1> Acesso em: 14 jan. 2011. Relato de Antonio Candido de Siqueira, 2002. KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p.102. CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ. 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná. Porto Alegre RS: Livraria do Globo S.A, 1953, p. XVI.

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cia Militar. Já a Delegacia de Policia, se torna prédio exclusivo da Polícia Civil. Na data de 02 de maio de 1979, se instala em Tranqueira a Polícia Rodoviária Estadual, inicialmente no Km 21, na margem sentido Curitiba/Rio Branco do Sul para fiscalizar a crescente demanda de veículos que circulam na Rodovia dos Minérios. Atualmente o Posto Rodoviário se localiza no Km 22 na margem contraria. O qual recebe o nome de Cabo Patrulheiro Manoel Cesar Nascimento. Morto em serviço na Rodovia dos Minérios, atropelado por um caminhão desgovernado no inicio das curvas em “s” na proximidade da ponte sobre o Rio Barigui, sentido Curitiba- Tamandaré. Eis, que esta fatalidade ocorreu ocasionada por um bloqueio que se fazia necessário no que tangeu a manutenção da ponte. Na data de 08 de agosto de 2006, foi entregue a população tamandareense, a primeira unidade do Corpo de Bombeiro, que inicialmente funcionou na Rua Frei Mauro, 300. Esta unidade faz parte do Programa Bombeiro Comunitário, que é uma parceria entre o Estado do Paraná e a Prefeitura de Almirante Tamandaré. Cujo, contingente, apresentou 12 agentes da defesa civil, mantidos pela prefeitura371. Em 29 de junho de 2007, foi inaugurado nas esquinas da Avenida Rafaela com a Rua Rio Ouro Fino, o Posto de Bombeiro Comunitário, que recebeu o nome de Dr. Wallace Tadeu de Mello e Silva. Já em 12 de novembro de 2010, como iniciativa para conter o vandalismo e proteger o patrimônio público surge o Núcleo de Proteção e Vigilância Municipal, que tem como 371

AGÊNCIA DE NOTICIAS DO ESTADO DO PARANÁ. Almirante Tamandaré passa a contar com unidade do Bombeiro Comunitário. Disponível em: < http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/ article.php?storyid=22756&tit=Almirante-Tamandare-passa-a-contar-com-unidade-do-Bombeiro-Comunitario> Acesso em: 14 jan 2011.

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objetivo, a missão de fazer a guarda e vigilância de todos os prédios públicos municipais, 24 horas por dia. Inicialmente quarenta agentes de segurança passaram por treinamento e capacitação para atuar na área de segurança e proteção, com ronda e monitoramento ininterruptos372. Estes agentes recebem o apoio de uma central de monitoramento localizada ao lado do Centro Administrativo Vereador Dirceu Pavoni. A qual é equipada com sistemas de controle e observação de alarmes instalados em todas as Escolas Municipais, (CMEIS), Unidades de Saúde e outros prédios públicos. Além disso, os agentes fazem as rondas em veículos e motocicletas, cobrindo todo o perímetro do município373. Ou seja, com esta ação, foi criada a Guarda Municipal. Com o advento do Parque Estadual Ambiental Aníbal Khury, se estabeleceu no local devido a sua infraestrutura herdada do antigo Haras Tamandaré Ltda existente na década de 1970, a sede do 4º Esquadrão do regimento de Polícia Montada da PM. O qual colabora com a ronda no município. Porém, apesar da cidade ter uma notória presença de forças estaduais de contenção a violência civil. O município é na atual realidade uma grande fonte de noticia que forjam a fama e a gloria de muitos apresentadores de televisão e radio de característica sensacionalista. Um deles, que atualmente é deputado estadual e de grande votação na região, instituiu ironicamente em seu programa o titulo de denominação de “Cidade da Bala”, como premio a cidade com maior ocorrência de mortes violentas. 372

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FOLHA DE TAMANDARÉ. Almirante Tamandaré inaugura sistema de vigilância 24 horas nos prédios públicos. Ano XXV, nº 664, novembro de 2010, p. 08. BEM PARANÁ. Segurança. Disponível em: <http://www.bemparana.com.br/metropole/index.php/category/ almirante-tamandare/page/2/> Acesso em: 14 jan. 2011

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É de consciência que contra notórios e contínuos fatos não existe argumento. Porém, este sensacionalismo não atinge o “bandido”, mas sim o cidadão de bem, que possui vergonha na cara e zela por respeito, simplesmente por ser morador da cidade. Pois, não raro é escutar comentário rotuladores, recaírem em pessoas honestas. Pelo simples fato, que muitos que não conhecem a cidade, criarem a imagem em suas cabeças que aqui é como nos filmes de faroeste ou como os filmes policiais. Um dia um ser iluminado de forma séria me perguntou se eu não tinha medo de morar em Tamandaré. Levei tal comentário na esportiva porque percebi que não era deboche. Porém, refleti sobre o quanto as informações podem ser daninhas se propagadas sem responsabilidade ou com um objetivo especifico. Houve um tempo, em que ocorreu a morte em série de 20 mulheres no município (período de 1999-2002), o qual gerou protesto dos familiares e acabou se vinculando com política, policia,... Ou seja, uma mina de ouro para ser explorada. Tanto é que este número de vitima foi aumentado para 23, já que infelizmente ocorreu neste período outras três mortes. No entanto, segundo as informações policiais e judiciais estas três mulheres a mais, eram casos que não se relacionavam com as outras vinte. Infelizmente a de se destacar que uma das vitimadas por latrocínio foi à professora Teresinha Elizabete Kepp374, a qual lecionava na Escola do loteamento São João Batista. Devido a este trágico incidente, colegas e moradores resolveram prestar uma homenagem, denominando a Escola Estadual que funciona no prédio onde ela trabalhava, com o seu nome. 374

JUSBRASIL. Almirante Tamandaré /Três são condenados por assassinato. Disponível em:< http:// www.jusbrasil.com.br/noticias/653759/almirante-tamandare-tres-sao-condenados-por-assassinato> Acesso em 07 de março de 2011.

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Resultado, não raro era escutar pai de família reclamando ou desabafando triste para os conhecidos ou colegas, que quando chegava ao trabalho em Curitiba, já começavam as piadinhas: “...fique de olho na secretaria!”; “...mulherada, fujam! O homem de Tamandaré chegou!”... Isto sem contar os relatos de jovens e boêmios dessa época, que percebiam na expressão facial ou de movimentos involuntários de medo que as mulheres nas danceterias deixavam transparecerem quando se falava que era de Tamandaré. Algumas eram educadas e diziam que iam ao banheiro e não voltavam mais. Outras desconversavam e iam se afastando. Ou seja, quando se perguntava de onde era, tinha que mentir ou dizer que morava no prolongamento da Mateus Leme! Resumindo, eram as pessoas de bem que sofreram este tipo de ação e que mesmo contando isto de forma séria, muitas vezes são levadas na brincadeira. No entanto, para quem não é leigo e entende bem deste contexto, sabe que isto é uma ação involuntária de medo, criada por um sensacionalismo que se fundamente no direito de liberdade de expressão sem contemplar o dever de prever as consequências e os ônus que dele resultam direta e indiretamente. Ou seja, os sensacionalistas só consideram o inciso IV do artigo 5º da Constituição Federal, porém, se esquecem de lerem o inciso V do mesmo artigo, como também o titulo do Capitulo I do Titulo II que começa no já citado artigo. Porém, que fique claro que eu não sou contra a propagação destas informações. Mas sim, sou contra a forma que elas são passadas. Principalmente pelos motivos já elucidados. Para amenizar a violência na cidade, foi votada e sancionada a Lei Ordinária de Almirante Tamandaré-PR, nº 1137 395


Relatos de um Tamandareense

de 01/12/2005 que estabelecia a proibição de bailões e bailes dançantes em estabelecimentos comerciais. A qual entrou em vigor em 15 de fevereiro de 2006. Antes deste evento funcionou: o pioneiro 9 de Junho na Cachoeira e posteriormente o Bailão do Minuano, Clube dos Amigos e o Bailão do Purkote na Cachoeira que mais tarde foi denominado de Estúdio P. Outro local na localidade era o Magistral; na Campina do Arruda existia o Bailão Lauro 21; o Salão Bracatinga, o qual recebia este nome porque no meio do salão de dança existia um enorme tronco de bracatinga; na localidade de Tranqueira existiu o Bailão do Juvino e posteriormente o Bailão Bem-te-vi; na sede existiu o tradicional Bailão da Tia Tede (década de 1980 e 1990) e também nesta mesma época o Bailão do Siqueira (o qual contou com uma apresentação de Teodoro e Sampaio e Gaúcho da Fronteira ainda em tempos que sonhavam com a fama375). Na década de 1990 também na sede, porém na margem sentido Curitiba da Rodovia dos Minérios, abriu o Big Baile, o qual contou com a apresentação da cantora Gretchen. Existiram outros. Porém, os citados foram os que marcaram época. Independente se bailão é bom ou ruim para a sociedade. O grande problema é a crescente violência que contamina tudo que toca. E que infelizmente acaba gerando consequências direta e indireta ao cidadão de bem. Que muitas vezes tem que ficar preso em casa. Quando na verdade deveria ser o contrario, o bandido estar preso. Mas, este é um evento que tem que ser vencido. Porém, não existe uma fórmula pronta e mágica que mude tudo da noite para o dia. 375

Relato de Luiz Arcélio da Cruz, janeiro de 2011.

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Vizinhos indesejáveis

F

oi em um domingo de Natal, já mais ou menos, pelas quatro da tarde, que meu tio Otavio, apareceu em casa para me chamar para andar de bicicleta. Sem o que fazer, já que mal tinha voltada do almoço de Natal na casa de minha avó Odete, aceitei o convite. Como sempre, o tio contando as histórias de quando ele era pia. Neste trajeto, passamos em frente ao desativado Lixão da Lamenha Pequena, região pertencente a Curitiba, porém divisa com a localidade do Juruqui em Almirante Tamandaré. Ou seja, naquele trecho, a margem da Rua Alexandre Meguer que segue para a Sede do município é território tamandareense, já a margem que segue o trecho oposto, é Curitiba. Logo me lembrei da luta dos moradores da Comunidade da região da Lamenha Pequena, que conseguiram fazer parar o descarregamento do lixo de Curitiba no Aterro Sanitário já em 1989. Aproveitando este fato e a notória reivindicação também dos moradores da região da Comunidade do Juruqui pela 397


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desativação do “Lixão”. O Vereador João Carlos Bugalski, no mês de março de 1989, apresentou a Câmara dos Vereadores do Município para ser votado e posteriormente aprovado, o requerimento que solicitava ao Sr. Prefeito Roberto Luiz Perussi, que não mais depositasse o lixo coletado da cidade, no Aterro Sanitário. Como consequência desta atitude do município tamandareense e posteriores reuniões entre lideranças políticas das duas cidades envolvidas em 15 de junho de 1989, por determinação do prefeito de Curitiba Jaime Lerner foi desativado o Aterro Sanitário de Lamenha Pequena, que funcionava desde 1964. Porém, segundo a Gazeta do Povo de 20 de setembro de 2010, mesmo após 20 anos fechado, o Aterro Sanitário da Lamenha Pequena, ainda produz graves passivos ambientais, causado pelo chorume e gás. O qual vai custar quase meio milhão de reais (R$ 423.177,14) para os cofres do município de Curitiba, para realizações de obras dos sistemas de drenagem das águas pluviais, dos acessos internos e do sistema de tratamento de afluentes, além da recuperação do sistema de monitoramento de água subterrânea. Enganam-se, quem pensa que só foi por causa do cheiro e da proliferação de animais peçonhentos que ocorreu a desativação do lixão. Segundo relatos do cidadão tamandareense o Sr. Virgilino Vieira que mora no Juruqui, e trabalhou no aterro, no ano de 1975 a 1977 na função de guardião e serviços gerais. O qual relata que o cheiro era o menor dos problemas, pois, perigoso era o gás que saia da terra, pois queimavam as pessoas. Tal fato era tão grave, que em uma noite de inverno, uma pessoa alcoolizada, parou as margens da rua para se esquentar no bafo desse calor, o problema foi que devido a embriagues da pessoa, ela não 398


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percebeu uma súbita evacuação violenta desse gás. Consequentemente, a pessoa sofreu varias queimaduras graves e sofre com isto até os dias atuai. Porém, o mesmo Sr. Virgilino relata um fato curioso. O qual contou que na época que ficava como guardião do local. Tinha que tocar um pessoal que ia roubar o lixo reciclável de catadores que por não terem condições de levarem em uma mesma viagem o fruto de seu trabalho de separação no mesmo dia para vender nas reciclagens. Deixavam guardados lá, o material para buscar no outro dia. Porém, o problema de se conviver com um novo “lixão”, assustou os moradores tamandareenses, em especial os da região da Cachoeira. Já que em meados de 1989, se propôs a criação de uma Usina de Reciclagem, a qual forçou alguns representantes da câmara municipal e lideranças do município a visitar uma usina de reciclagem em funcionamento em São Paulo. Porém, a lei de autorização para criação da usina de reciclagem na região da Cachoeira não logrou êxito na votação dos vereadores em 01 de março de 1989. Tal fato se deu, principalmente pela característica, modelo e forma de funcionamento da usina que se queria implantar na cidade. E com relevante pressão da comunidade local, sob a liderança do professor Luiz Romero Piva (primeiro vereador eleito do PT no município em 2000/2004 e 2005, e primeiro político a concorrer ao senado do município captando 34.179 votos, no ano de 2010). Na mesma época, se apresentava simultaneamente ao fato supracitado, mais especificamente, 10 de janeiro de 1990, no distrito tamandareense de Campo Magro, um projeto ambiental da Fundação Rural de Educação e Integração (FREI), de recolhimento do lixo que não é lixo de Curitiba, e posterior separação para envio para reciclagem. Que 399


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espantou qualquer suspeita de possíveis transtornos ambientais e para a sociedade campo magrense. Esta reunião serviu de parâmetro na decisão de implantação na uma suposta “usina de reciclagem” na Cachoeira, a qual tinha um projeto totalmente divergentes ao apresentado pela FREI. Tal fato se confirma na contemporaneidade, onde este projeto desenvolvido pela FREI se tornou referencia mundial no processo de reciclagem, sendo um ponto turístico educacional do contemporâneo município de Campo Magro. Resolvido o problema “lixão”, e atualmente consolidado devido ao fato de preservação da qualidade da água do Aquífero Karst. Porém, lembrei que a região do Juruqui em 1993, teve que enfrentar outro problema da mesma magnitude. Eis, que a empresa Spigma Comércio e Representação de Produtos para Mineração queria implantar na região um deposito de explosivos. Porém, o prefeito Cide Gulin, homem experiente do ramo de extração de calcário e conhecedor do potencial destrutivo do produto que seria armazenado, já que o utilizava no advento de sua atividade profissional antes de ser prefeito, foi contra a instalação do deposito. A qual se confirmou em reunião com a comunidade e em Assembleia com a presença do Deputado Algaci Túlio e do Tenente Nobuaki Morodone da Divisão do Exército encarregado da concessão de licença para instalação de empreendimento desta categoria no Estado. O resultado desta empreitada foi que na primeira quinzena do mês de setembro de 1993, era negada a licença pelo Exército a referida empresa, a qual ficou impossibilitada legalmente de armazenar explosivo na cidade. Porém, o Tenente comentou que mesmo com a liberação do Exérci400


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to, a empresa necessitaria do Alvará Municipal para funcionar. Então refleti: como seria a região do Juruqui com um aterro sanitário em pleno funcionamento e recebendo a demanda de lixo que se produz contemporaneamente? Então minha mente paranoica imaginou a terrível realidade de se ter um depósito de dinamite, nitroglicerina e outros explosivos, praticamente vizinha de uma área de grande concentração gás metano (produzido a partir da decomposição de lixo orgânico). Que naturalmente estava disperso no ar livre e no subsolo! Então sorri, e lembrei-me da ação louvável de políticos e cidadãos anônimos que lutaram contra tudo isto. Pelo caminho, meu tio sempre reparava um detalhe: a falta de consciência de algumas pessoas e comentava que não entendia porque tinha certas criaturas que jogavam lixo no terreno alheio ou na beira de estrada. Porém, não estou tecendo sobre jogar papel no chão, mas sim de jogar sacos de cheio lixo grandes. E o mais curioso, é que em um dos lugares que foi jogado, existia uma placa da prefeitura municipal avisando que era proibido jogar lixo, de acordo com a Lei 865/2001 artigo 20, denuncie 3657-3034. Era hilário, porém preocupante, pois, querendo ou não, existe a coleta de lixo no município, desde a primeira gestão do prefeito Roberto Luiz Perussi em 1977, ou seja, são mais de 33 anos de existência do serviço de coleta. O qual me faz tentar achar o motivo de tal ato. Será que custa alguma coisa, colocar o saco de lixo em frente da casa para o caminhão coletar? Independente de motivo, esta situação se agrava mais na Rodovia do Calcário, a qual entre o km 2 ao km 4 jogam até resto de boi. Então ao lembrar esses atos criminosos contra o meio 401


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ambiente (pois, é proibido por lei!), me dá a vontade de perder um dia inteiro ou dois e se preciso até três, e ficar escondido no mato, só para filmar este pessoal e proceder a denuncia direto ao Ministério Público. O problema é que pessoa de bem tem que trabalhar, e funcionário público do Estado, (no caso professor), quando falta, causa um transtorno na escola. Mas a questão não é essa, será que vai acontecer alguma coisa ao criminoso? Destinar o lixo ao lugar certo, separar o lixo reciclado e levar até uma reciclagem (existe várias na cidade), não é vergonhoso, é um ato nobre. O qual não se faz um favor só para a Natureza, mas para si próprio, já que o ser humano é um elemento transformador que faz parte de um ecossistema de ações inter-relacionadas, onde toda ação gera uma reação. Só para efeito de informação, a Lei Ordinária nº 865 de 14 de dezembro de 2001, sancionada pelo prefeito Cezar Manfron, instituiu o Código de Meio Ambiente do Município de Almirante Tamandaré, o qual pela também Lei Ordinária nº 1260 assinada pelo Prefeito Vilson Goinski, acrescentou novos dispositivos a lei original. Diante deste fato, basta agora o cidadão de bem ajudar fazer se cumprir a lei. No entanto, um fato criminoso contra o meio ambiente ocorreu em 2002 na localidade Rural da Capivara dos Manfron, devido ao descarte de 60.000 pneus em terreno particular. Porém, como o suposto deposito estava irregular e o risco da propagação do mosquito transmissor da dengue se tornava grande, ocorreu à intervenção da Secretaria Municipal de Saúde. A qual formalmente em 26 de novembro de 2002 pediu providências urgentes junto ao Ministério Público sob a responsabilidade na época do promotor Diego Fernandes Dourado. Porém, só em outubro de 2004, após 402


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varias denuncias e reportagens de alertas e pedidos de providencias através dos mais diversos meios de comunicação. Foi que a montanha de pneus foi removida da localidade376. Porém, parece que as pessoas só lembram que se tem que proteger o meio ambiente, quando este começa a reagir contra o seu agressor. Pois, um fato curioso na cidade que acompanha ela desde sua criação são as constantes inundações. O qual a cada ano os alagamentos ocorrem cada vez maiores e vorazes. No entanto existem vários fatores para diminuí-lo. Mas, não existe uma forma de conte-lo, já que foi o rio que escolheu passar pela cidade. No entanto se a lei for aplicada sobre aqueles que aterram dolinas, várzeas ou que constroem na beira de riacho ou rio, talvez ocorra uma diminuição destas constantes enchentes. Da mesma forma, remanejar o pessoal invasor instalado nas áreas de várzeas; não manilhar rio ou riacho, dragar e limpar os rios, não jogar lixo nos rios, cobrar da fiscalização responsável ações enérgicas contra infrações ambientais, denunciar ações contra o meio ambiente,... Ou seja, o rio não pode se tornar um vizinho indesejado simplesmente porque não respeitamos seu território e a sua natureza. Pois, ele já estava ali antes de nós se estabelecermos na região. Neste caso então o vizinho indesejado somos nós. É triste, mas a ação humana contra Natureza, sempre se reverte contra o próprio homem. E o mais triste ainda, é que possuem pessoas que afrontam o ambiente sabendo disso, e hipocritamente inflamam os atingidos pelas consequências de suas ações contra um “laranja”, tudo para ocultar seus atos. Mas existem pessoas que percebem isto, porém,... 376

FOLHA DE TAMANDARÉ. Tamandaré da adeus à montanha de pneus. Ano XVIII, nº 493, outubro de 2004, p.06.

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Proteger, entender, respeitar as regras de convivência com os elementos da Natureza é proteger o futuro da própria cidade. Pois, ela ainda esta avisando. O problema é quando ela deixar de avisar. Pensando nisto, em 24 de agosto de 2007 a Lei Ordinária nº 1266/07 criou a ASSOL (Associação Solução Ambiental de Catadores) para desenvolver o projeto pioneiro entre os municípios da Região Metropolitana, para organizar, capacitar e valorizar o trabalho dos catadores de lixo reciclável. Da mesma forma este projeto visa fomentar ás atividades de reciclagem estabelecendo vinculo com a sociedade e gerando emprego e renda além de se desenvolver como empreendimento solidário. Para atender este projeto a prefeitura cedeu em comodato um barracão de 420 m² localizado na Rua Aides A. de Oliveira, 183 no Jardim Roma, para desenvolver as atividades de separação e armazenamento do lixo377. Foto: Folha de Tamandaré, agosto de 2007, capa

Sede da ASSOL. Inauguração em agosto de 2007

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FOLHA DE TAMANDARÉ. Prefeitura de Tamandaré entrega barracão para catadores. Ano XXII, nº 578, agosto de 2007, p.01.

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Com esta iniciativa a prefeitura contribui para reduzir a exploração dos atravessadores na compra pelo lixo reciclável, possibilitando ao catador melhores preços. Além de incentivar a proteção ao meio ambiente. No entanto a atividade de reciclagem do lixo já é uma pratica cotidiana no município desde meados da década de 1970, sendo uns dos pioneiros dessa nobre e importante atividade é o senhor Otavio Kazeker. O qual relata que até o aparecimento do Deposito de Recicláveis do Dalmir no Jardim Maria Claudia e do Sr. José Antonio da Cruz na Sede em meados da década de 1980, o produto coletado tinha que ser levado para Curitiba. Sendo que os mais próximos era no Taboão (lado Curitiba) e na Cachoeira (lado Curitiba). Porém, segundo seu Kazeker, ele não era o único a sobreviver com esta atividade, pois já em seu tempo já existiam outros que prestavam este serviço à sociedade e ao meio ambiente378. A de ressaltar que a preocupação com o meio ambiente não é nova, da mesma forma que a conscientização de proteção a este. Pois, no contexto de publicação dos atos oficiais do Município de Almirante Tamandaré exposto no Jornal Tribuna dos Minérios de 23 de setembro de 1979, aparecia a Lei nº 037 de 18 de setembro de 1979 sancionada pelo Prefeito Municipal Roberto Luiz Perussi, que Criava o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA). Sendo que em seu artigo 11, ocorreu a previsão de obrigatoriamente contar nos currículos escolares, nos estabelecimentos de ensino da Prefeitura, noções e conhecimentos e providencias relativos à preservação do meio ambiente. Ou seja, a preocupação e a consciência social relativo ao meio em que estamos integrados já é antiga, pois estas lei revo378

Relato de Otavio Kazeker, abril de 1980.

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gava disposições antigas e em contrários. Diante disto, ninguém pode dizer que é leigo no contexto de não saber que é errado poluir.

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Fenômenos climáticos históricos

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im de domingo, sempre ia dormir cedo, já que minha jornada começava já as 6:00 horas da manhã. Pois, em 1992, eu estudava na Escola São José do Abranches. Naquele tempo, o problema não era ir para escola ou levantar cedo. Mas sim, ter que enfrentar o superlotado ônibus Jardim Paraíso, já as 6:20 horas. Poderia pegar o ônibus de dez para as sete, mas era muito mais lotado. Naquele Domingo, não estava conseguindo pegar no sono em definitivo, pois, ventava muito forte, a ponto de ter caído à luz e derrubado o lustre externo da casa, lá pela 23:00 horas da noite, só escutei a tampa da caixa de água ser espatifada. Foi um bate porta e assovios irritantes causado pelo vento. Só de madrugada consegui dormir. No outro dia, no caminho de ida até a escola, comecei achar estranho, já na altura do Jardim Buenos Aires, o ônibus Paraíso não parava para pegar as pessoas, (pois, não tinha ninguém nos pontos). Foi ai, que percebi ao ver o terreno em frente ao Bar Guarapuava, já na Lamenha, um monte de Araucárias arrancadas com 407


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raiz caídas no chão, e até um pinheiro entrelaçado a outro. Porém, pela Rua Wadislau Bugalski, não se podia entender o que aconteceu. Tanto é, que dentro do ônibus, todo mundo achava que só foi uma ventania que atingiu a região. Chegando ao colégio, já vi uns professores perguntando para uns conterrâneos se estavam tudo bem com eles e a família. Achei estranho, e pensei que eram outras coisas, menos o óbvio. Já em sala de aula, meus colegas já chegaram perguntando como eu sobrevivi. Achei estranho e mandei eles verem se eu estava na esquina (não foi bem isso que falei!). Eu não estava entendendo até que me explicaram. Daí eu comecei a entender o que tinha ocorrido. Cheguei em casa e fui assistir logo os noticiários de meiodia. Era a manchete principal, tanto do Jornal Estadual, quanto do Jornal Hoje, do Jornal Nacional, dos jornais da Rede Bandeirantes e da Rede Manchete e até na BBC de Londres. Resumindo, por uma semana a cidade virou manchete nacional. Foi capa de revista e tabloides. Segundo as informações da época, um tornado da classe EF3 (com ventos superiores a 118 km/h), atingiu uma área de 80 km². Deixando uma notória destruição e mortes: sendo que 350 casas foram totalmente destruídas; 33 pessoas foram gravemente ferida; 6 pessoas foram encontradas mortas; mais de 1500 pessoas desabrigadas aproximadamente; além de carros tombados, casas destelhadas, plantações destruídas, árvores arrancadas, poste de energia elétrica arrancados,..., em seu ápice no trajeto Lamenha Grande, Cachoeira Bonfim e Tanguá, em 17 de maio de 1992379. 379

JORNAL ZERO HORA. Tamandaré entre em estado de Emergência e conta os feridos. Jornal Zero Hora de 19 de maio de 1992, p. 38

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Em 18 de maio de 1992, pela primeira vez na história do município, era oficialmente decretado pelo prefeito Roberto Perussi o Estado de Emergência. Na semana da tragédia, os mais antigos comentavam sobre vendavais fortes que assolaram a cidade, sendo que tanto minha avó Odete quanto minha avó paterna Noêmia, contam que em 1º de maio de 1938, um vendaval muito forte passou pela cidade. Sendo que na região da Varova, (mais ou menos onde atualmente se encontra a praça de provas equestres Dom Camilo da Família Lovato), existiu uma casa que teve o banheiro arrancado, sendo que, a banheira deste, foi encontrada na região da Cachoeira. Porém, também se encontrou pessoas penduradas em cercas de arames ou enroladas neles. No entanto, a destruição não foi tão grande, porque, a região por onde passou este tornado na época, era muito pouca povoada380. Este, mesmo tornado, abalou as estruturas do novo colégio das freiras no Botiatuba, e machucou muitas pessoas segundo João Bugalski Sobrinho381. Ou seja, o tornado passou fraco por Pacotuba, se fortaleceu no Botiatuba (trincou a cozinha de alvenaria do Seminário), alcançou seu ápice na Varova, onde causou vitimas e seguiu para a Cachoeira. Infelizmente, é um ciclo do cotidiano climático tamandareense este fenômeno, os quais às vezes passam fraco, mais às vezes se manifestam extremamente destrutivo. No entanto, numa quinta-feira de um outro dia 17, porém do mês de julho de 1975, os moradores tamandareense foram acordado não com destruição, mas com uma rara e bela surpresa, proporcionada pela neve. 380

381

Relato de Noêmia Kotoviski, aproximadamente 1993, Odete Basso da Cruz, aproximadamente 1993, José Ido da Cruz, aproximadamente 1993. Relato de João Bugalski Sobrinho, a Pedro Martim Kokuszka na obra: Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses, p.117.

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Apesar de nossa região apresentar um inverno bem rigoroso, ele não apresenta as condições propicias para a precipitação da neve. Diante disso, foi uma novidade que dificilmente se veria de novo. Foto do Álbum da Família de José Ido da Cruz

A neve de 1975. Observem o telhado branco das casas. Nesta época a Rua Coronel João Candido de Oliveira, ainda não era asfaltada. Pousaram para esta histórica foto tirada pelo Moizés Bini com a câmera fotográfica de seu Zé Ido, em frente à delegacia, os senhores: Luiz Arcélio da Cruz, Francisco Dalke (Chico-Loco), Antonio Ilson Kotoviski, soldado Silvio Siqueira, soldado Ademar Ferreira da Silva, seu Generoso Cândido de Oliveira e o Sargento José Sabadim

Neste contexto, poucas imagens foram registradas desse momento único até os presentes dias na cidade, com exceção da foto do arquivo familiar (álbum) da família do seu José Ido da Cruz, o qual ilustrou e ilustra alguns documentos de divulgação do município. É lógico que devem existir outras fotos em outros álbuns familiares, que também mostre a beleza desse dia. No entanto, pelo desconhecimento do seu valor histórico, não são expostos. 410


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto – Álbum de fotos da Família Kotoviski/ 17 de junho de 1975

Casa de seu José Ido da Cruz, Rua Didio Santos esquina com Emilio Johnson. Nesta histórica foto se observa a neve sobre os carros, no chão e telhados; o morro de seu Pedro Jorge ainda sem as marcas da extração do saibro, e a rua Didio Santos ainda não asfaltada e o moinho de cereais do seu Zé Ido, ao lado de sua casa

Já que se esta tecendo sobre o frio, saibam que no começo da década de 1900 e 1910, foram registradas temperaturas muito baixas. Eis que: em 18 de agosto de 1908, se registrou (– 3.1°); em 23 de maio de 1909 o mesmo (-3.1°); em 19 de julho de 1910 (– 3.9°); em 24 de junho de 1911, a população experimentou (– 4.5º) (neste ano a média do inverno foi de 6.6°). Já em 1912, a média do inverno subiu para (7.0°), sendo que a menor 411


Relatos de um Tamandareense

temperatura registrada foi de (– 2.8°) em 03 de novembro 382. Outro fenômeno não tão raro, mas que muitas vezes por sua excessiva precipitação acaba trazendo muitos prejuízos para a agricultura e moradores é a chuva de granizo. Eis, que mais ou menos em 1992 ocorreu uma forte chuva de pedra que atingiu a sede e proximidades. Parecia que havia nevado, pela tamanha quantidade de gelo que se acumulou no chão. No entanto, um fenômeno que atinge a cidade de forma natural e normal, mas que quase sempre costuma dar muito prejuízo são as chuvas de janeiro e fevereiro. Eis, que infelizmente, pelo Centro de Tamandaré estar muito próximo às zonas de várzea do Rio Barigui, é quase que comum quando chove forte e por um tempo além do normal, alagar a região. Porém, se engana quem pensa que este fenômeno é recente. Eis, que isto acontece já há décadas, e causam transtornos graves para a população e para a administração publico burocrática, principalmente porque algumas dessas enchentes atingiram o prédio da Prefeitura Velha enquanto sede administrativa. Os quais são sentido atualmente porque muitos documentos oficiais se perderam. Sendo que alguns desses documentos possuíam importância histórica, que revelariam fatos das gestões do inicio da cidade. Se história ou estória, a de se destacar que muitos documentos importantes que sumiram nesta época segundo alguns relatos, não foi à enchente que levou. Mas a culpa foi dela! 382

ANNUARIO ESTATISTICO DO BRAZIL. Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio/directoria Geral de estatística. 1º Anno, Volume I, Republica dos Estados Unidos do Brazil, rio de Janeiro: Typographia da Estatistica, 1916, p. 33.

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Já em contexto burocrático e legal, alguns documentos que se perderam, serviam para provar o tempo de trabalho prestado, por muitos servidores públicos no advento da solicitação da aposentadoria. Porém, este fato possui um mecanismo para resolução, que esta sendo utilizado e garantindo o direito do servidor. Infelizmente, existem no município áreas que sofrem com o mesmo problema de alagamento. No entanto, os moradores antes de forçosamente se instalarem nesta localidade já sabiam disso. Pois, se instalaram em local que não é possível ser regularizado, justamente porque esta protegido por lei ambiental, em virtude de ser área de várzea e de terreno com elevada inclinação, ou seja, com histórico natural de alagamento e desmoronamento. Mas mesmo assim se instalam invadindo, porque no município existe uma indústria da invasão e de exploração politiqueira da desgraça alheia. O qual acaba fazendo sofrer o povo humilde e sem muito conhecimento, que não tem para onde ir. Porém, existem vezes que o dono do terreno impróprio para habitação humana, na impossibilidade de lotear legalmente já que a prefeitura não libera, cria mecanismo para burlar a lei, usando as brechas na legislação. Ou seja, loteia por conta própria, transmitindo apenas um documento de posse de uma determinada área delimitada dentro do terreno, através de um contrato de compra e venda, registrado em cartório. Sendo que o portador daquela carta de posse, depois do decorrer de um determinado período legal de habitação continua e mansa, deixa o status de posseiro para o status de proprietário de fato e direito, que deve ser lavrada em registro oficial. Raro é o juiz, que consegue observar a maracutaia e não conceder tal direito. Independente de certo ou errado tal atitude, infelizmen413


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te, é da personalidade da Natureza de nosso município agredir severamente quem afronta seus santuários, rios, ar, animais,... Saber conviver com os elementos naturais não é deixar de progredir, mas sim progredir com sabedoria que se revertem em mais lucros palpáveis e saudáveis, ao invés de lucros que a água e o vento levam.

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Agricultura

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air com meu tio Otavio, ou ficar escutando as histórias de meu avô Zé Ido, minha avó Odete, avó Noêmia, meu padrinho Albino, seu Valter Pavim, tio Cide Gulin,..., nas festas de fim de ano, de aniversário ou outra comemoração ou casamento onde eles se reúnem com seus conhecidos. É o mesmo que entrar em uma maquina do tempo. Pois, a aula de história que se presencia sobre o município e região é espetacular. Um dia, nestes eventos, parei para escutar eles falarem da agricultura. Neste contexto, escutei eles comentarem sobre plantação de trigo em Tamandaré. Fiquei curioso, pois, há muito tempo o nosso município não desenvolve este tipo de cultura, com exceção do ano de 1988, que se tentou explorar novamente esta cultura, mas que não logrou êxito383. Em 1989 a família Schultz, no Botiatuba, já se preparava para a colheita384. 383

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FOLHA DE TAMANDARÉ. Almirante Tamandaré incrementa plantio de trigo. Ano IV, nº 63, 15 de junho de 1988, p.05. FOLHA DE TAMANDARÉ. Almirante Tamandaré volta a plantar trigo. Ano V, nº 87, Dezembro de 89.

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Eles comentavam, que o trigo desde o começo do século XX, já era plantado em pequena quantidade, na cidade, porém, com intuito de sub existência do morador local. Um dos motivos principais era porque o trigo que chegava à região e por sinal no Paraná era importado, e por este motivo era caro. Porém, nas colônias de poloneses na cidade, esta realidade era em relação aos cereais mais cômodas, já que nelas era comum o cultivo de cevada, trigo, centeio e aveia, já que era o alimento essencial destes primeiros imigrantes. Os quais dominavam a sua técnica de cultivo, já que a trouxeram por efeito da Europa. Mas isto, já no final do século XIX. Fiquei meio curioso sobre o assunto, e dias depois resolvi pesquisar, e descobri que o trigo naturalmente já era plantado em terras paranaense desde o período colonial, (inicialmente trazido da Europa) o qual fazia muita riqueza aos agricultores da região do primeiro planalto que lidavam com esta cultura. Porém, esta atividade no final do século XIX, não conseguiu mais atender a demanda da população, ocasionado principalmente pela ferrugem (uma moléstia que atingia a planta e a matava). Sendo assim, vários programas de incentivo ao plantio de trigo foram desenvolvidos pelos governos paranaenses. Porém, nenhum surtiu o efeito desejado, a ponto de boa parte do trigo que vinha para o Paraná, tinha que ser importado. Neste sentido, se desenvolveu o programa CRUZADA DO TRIGO, que a partir de 1924 modificou o panorama do cultivo do trigo, chegando a 25.949.50 kgs em 1931. Consolidada a produção de trigo no Paraná, que atingiu todas as cidades existentes na época. É notório o auge da produção alcançada também por Tamandaré, na época Timoneira (1952), onde se alcançou uma safra de 61.200 kgs no contexto de uma área de cultivo de 416


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72 alqueires (correspondente à região do Botiatuba, São Miguel e Lamenha)385. No ano de 1956, a cidade era uma grande produtora de centeio (farinha preta)386. Os produtores de trigo da Vila Tamandaré e posteriormente, na década de 1920 a 1950, levavam o seu produto para ser moído no moinho (cereais) do sr. Tertuliano Raimundo no Pacotuba; Frederico Manfron na Capivara; em Tranqueira (no moinho da Família Stocchero); no Juruqui (da família Sandri); no (Botiatuba, da Dona Maria Graboski e posteriormente vendido ao sobrinho José Francisco Kotoviski, no final da década de 1950), na Barra de Santa Rita (Bonifácio Cruz) e no Taboão um moinho da Família Weigert, próximo a atual ponte do Taboão, na divisa do município387. Estes moinhos eram movidos por tração animal ou pela força hidráulica. Porém, como notoriamente não se vê mais plantações de trigo e centeio na região e sim de milho, resolvi pesquisar só por curiosidade, descobri que este precioso alimento é um legado dos nativos americanos a nossa sociedade. Ou seja, ele se fez presente antes da chegada do português ao Brasil. Neste contexto, foi percebido em vários trabalhos científicos, que a partir do século XIX, o Paraná e São Paulo, eram os maiores produtores dessa planta no Brasil. Como em toda parte do território nacional, o milho serviu e ainda serve para a engorda de animais e para a alimentação humana na forma de farinha de milho, fubá, óleo, amido e água-ardente (isto já no século XIX). Em Almirante Tamandaré, esta cultura, se consolidou e sobrevive firme 385

386

387

CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ. 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná. Porto Alegre RS: Livraria do Globo S.A, 1953, p. 175-178. ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Curitiba –PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26. PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961

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e forte até os dias contemporâneos, sendo que 1952 a produção alcançou 38.000 sacas de 60 kgs388. Já em 1956, estes números dobraram. As regiões de maior produção nesta época foram: Freguesia, Conceição, Córrego Fundo, Marmeleiro e Barra de Santa Rita. Os produtores dessas regiões também destinavam uma parte da colheita para transformá-las em farinha e fubá. Sendo que a farinha de milho era feita a partir de um sistema artesanal, onde o milho era socado no manjolo e depois torrada em um chapa de ferro. Já o milho destinado a ser fubá, era moído junto aos moinhos supracitado. Até final da década de 1960, alguns moradores da cidade de Almirante Tamandaré também constituíam renda com a Erva-Mate (A Erva do Diabo, na visão dos jesuítas ainda no inicio da colonização das terras tinguis). Independente da opinião jesuíta, a erva-mate desde o inicio da colonização Ibérica (Espanha e Portugal), se tornou uma bebida muito apreciada entre os colonos e naturalmente entre os índios. Já no século XIX, ocorreu a industrialização do mate, sendo que os moradores da região de Curitiba (atual região metropolitana) vendiam sua produção aos engenhos. Neste contexto, em pequena escala, os poucos ervais tamandareense, entravam como complementação de renda a população agrícola. Sendo assim, o seu Arlindo França Machado se destacou como grande produtor na região do Marmeleiro. O processamento nos engenhos funcionava mais ou menos assim: após a poda das folhas, estas eram levadas a um sapecador e posteriormente era levado ao moedor (feito de madeira cheio de “dentes”), movido por tração animal. O conjunto onde ocorria o processamento era conhecido 388

CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ,... p. 180-181.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

como carijo389. Onde uma parte da produção era consumida dentro do município e a outra era levada para o Assungui e Capital. Uma cultura que transcende a própria História do município é a do feijão, o qual foi também um legado do nativo americano aos colonizadores, que facilmente apreciou o novo alimento a ponto de tornar a região, autossuficiente nesta produção, possibilitando ser exportado para outras regiões. Principalmente para o litoral, que muito pouco produzia. Ou seja, a produção das quatros cidades litorâneas existentes em 1952 (Antonina, Paranaguá, Morretes e Guaratuba), mal conseguiam superar a metade da produção de Timoneira, a qual correspondia a 5.750 sacas de 60 kgs, porém, Timoneira era a menor produtora de feijão da Zona do Planalto de Curitiba. Geralmente o feijão era uma cultura plantada depois da colheita do milho390. Já a batata é uma cultura de origem peruana, que primeiro teve que ir para a Europa em 1570, onde se popularizou, para depois, voltar para o Brasil. Em consequência da população colonial do território português do sul, estar muito próximo às povoações espanholas, o habito e a cultura da batata, começou a ser difundida também em território luso. Ou era, introduzido por índios capturados por bandeirantes, ou pelos próprios jesuítas oriundos de Reduções da região do território de Guairá. Porém, o consumo deste alimento era ainda pouco apreciado na colônia. Mas já era conhecido. Porém, isto iria mudar já no século XIX, com a chegada da imigração europeia no sul, mais especificamente no Paraná e na região de Curitiba, onde se encontrava a Colônia Lamenha, em futuro território Tamandareense. 389

390

MUSEU PARANAENSE. Parque Histórico do Mate. Disponível em: < http://www.museuparanaense.pr.gov.br/ modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=62> Acesso em 2 jan 2011. CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ,... p. 188.

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Este fato se deve, porque, além da cultura e tradições, os europeus também trouxeram seus hábitos alimentares. Neste sentido, ampliaram e desenvolveram na região a cultura da batata-inglesa, pelo seu fácil manejo. O qual se espalhou entre os colonos do Distrito de Campo Magro criado pela Lei 970 de 9 de abril de 1910, sancionada pelo Presidente dó Estado Francisco Xavier da Silva sendo denominado de Nossa Senhora da Conceição a partir de 4 de abril 1924. No ano de 1956, Almirante Tamandaré se torna autossuficiente na produção desta cultura. Sendo a região de Campo Magro grande produtora, a ponto de contemporaneamente se Comemorar a Festa da Batatinha com o tradicional concurso da Rainha da Batatinha. Apesar da batata no atual momento não receber a mesma importância de outrora pelos produtores no município, devido à extrema queda de seu preço nos últimos anos (muito produto). É uma cultura consolidada no município e na própria cultura popular local. Pois, não raro é escutar alguém se referir ao produtor rural descendente dos primeiros imigrantes, como batateiro ou “polaco batateiro”. Outro legado dos imigrantes europeus (principalmente o polonês) se desenvolveu e se consolidou desde a sua chegada ao século XIX foi o cultivo de hortifrutigranjeiro (cenoura, beterraba, repolho,...) como cultura suplementar a já existente, que com o tempo se tornou autossuficiente. A ponto de abastecer a capital sendo que a partir de meados de 1950, eram transportados em carroças para Curitiba, onde eram comercializados em uma feira que funcionava de madrugada na Praça 19 de Dezembro e também na Rua Sete de Setembro onde futuramente seria o Mercado Municipal. Os produtores destas específicas culturas no município (região de São Miguel e Botiatuba) correspondem à quarta 420


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geração dos primeiros imigrantes, porém com a diferença que hoje a produção é mecanizada. Destaca-se a família Moçon no Botiatuba, a qual já na década de 1970 utilizava o sistema de irrigação mecânica. O que era notório pelos relatos de muitos moradores. Pois, nos períodos de seca prolongada, os campos cultivados, estavam sempre verdes e produtivos. Observando o uso de tecnologias na agricultura, no período entre a década de 1960 a meados da década de 1970, era extremamente raro a utilização de tratores agrícolas nos campos de cultivo da cidade. No entanto, existiam pessoas que possuíam tal maquinário e o alugavam prestando serviço de aração nos campos de quem solicitava o serviço. Um prestador de serviço que por um período obteve renda com esta atividade foi o Senhor José Ido da Cruz, que possui um trator. Na década de 1980 é instituído o trator comunitário, o qual era emprestado pela prefeitura de forma gratuita esta tecnologia que facilita a vida dos agricultores mais humildes. Muitos podem achar estranhos os versos do atual hino municipal, que contempla: “...tendo aqui sempre boa produção..., nosso milho, a batata e o feijão; também forte é nossa lavoura o repolho, o tomate e a cenoura...”. Porém, estes versos não são rimas aleatórias, e sim, um reflexo histórico do legado do imigrante, o qual também reflete a atual produção destes produtos agrícolas, que atendem as necessidades do município como também ajuda com boa parcela, a complementar a demanda absorvida pela capital do Estado. Sendo que, esta característica da região era contemplada pelo antigo hino que bem pouco destacava os minérios391. 391

Relato de José Roberto Perussi em janeiro de 2011.

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Em termos de fruta, a cultura alienígena que mais se destacou e sempre esteve presente desde o advento da colônia no Brasil, foi à uva, trazida e plantada por Brás Cubas em 1532392, na Capitania de São Vicente. Porém, como Portugal estabeleceu leis severas e especificas que proibiam a produção na colônia de muitos produtos. A quase inexistente produção de vinho na colônia desapareceu, já que Portugal era um grande produtor de vinho na época. Sendo assim, a colônia não poderia concorrer com a metrópole, mas sim comprar dela (sistema do pacto colonial). Porém, a partir do século XVIII, isto mudou e o plantio de videiras se propagou e produção de vinho no Brasil ganhou impulso, Pois, o Brasil se tornava Capital do Império Português e futuramente independente. Ou seja, a produção de vinho em Almirante Tamandaré, também transcende a sua origem. No entanto com o advento da chegada dos italianos, na Colônia Antonio Prado, Santa Gabriela, Nova Romastak, Juruqui, Campo Magro e Barra de Santa Rita e com os italianos na década de 1910 e posteriormente no período da Segunda Guerra. A produção se tornou bem difundida a ponto de existir videira quase em todos os terrenos da cidade. Desta forma, os derivados de vinhos, como suco, vinho, doce,..., eram normais em qualquer casa, principalmente em casa de italianos. Minha avó Odete Basso da Cruz relata que seus avôs na década de 1920, faziam vinho, no processo tradicional, o qual se extraia o suco da uva a partir do procedimento de se pisar sobre ela. Na cidade, se destacaram como produtores de vinho em grande escala para o comércio: o Sr. Angelo Brotto Sobri392

ACADEMIA DO VINHO. Disponível em:< http://www.academiadovinho.com.br/_regiao_mostra. php?reg_num=BR>Acesso em: 03 Jan 2011.

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nho e Domingos Carlesso no Boichininga e João Antonio Zem na Lamenha Pequena, e o Sr. Bortolo Vale na Lamenha Grande; Domingos Gulin e Irmão em Tranqueira; João Batista de Santa na Cachoeira; José Trevisam no Canavial; Humberto Herim no Pacotuba e Angelo Shiral Lello no Juruqui393. Porém, até a década de 1960, as videiras se deram bem na região, no entanto com o advento, da doença Pérola-daTerra, a produção de vinho sofreu um enorme impacto. Principalmente porque o município vizinho de Colombo, também comprava o excedente da produção de uva de Almirante Tamandaré, já que era um grande produtor de vinho do Estado394. Porém, no ano de 1939 outra praga foi relata, só que desta vez, proporcionada por gafanhotos, que atacaram as lavouras dos imigrantes da Colônia Gabriela. Pois, este fato, resultou na construção da Capelinha São Carlos Borromeu na encruzilhada próxima a Igreja de São Francisco Xavier. Eis, que esta religiosa edificação teve como finalidade expressar o agradecimento dos pioneiros imigrantes, pelo fim de uma praga de gafanhotos que por dois anos seguidos tinha dizimaram as lavouras395. Em observância aos relatos de moradores antigos, os gafanhotos, que estavam destruindo as plantações, se dispersaram no instante em que a procissão, iniciada na igreja e organizada pelo Padre Natal, a qual tinha por objetivo pedir a intervenção divina para acabar com a praga, chegou ao seu ponto final. Um dos colonos, o pedreiro Martin Rolenski sugeriu a construção do oratório como forma de 393

394

395

PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961. SISTEMA FAEP. Sebrae/PR estimula plantação de uva na região Metropolitana. Disponível em:<> Acesso em: 03 Jan 2010. GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ/SECRETARIA DO ESTADO E DA CULTURA. Espirais do tempo. Bens tombados do Paraná. Curitiba, 2006, p. 48.

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Relatos de um Tamandareense Foto: Antonio Ilson Kotovski Filho, abril 2011 agradecimento às graças alcançadas e elaborou o projeto. Diante disto, o Padre Natal pediu a dois colonos que executassem a obra396. Neste contexto apresentado, é possível perceber que até a segunda metade do século XIX, que os habitantes da futura cidade de Tamanda- Oratório São Carlos Boromeu. 1º Patrimônio Histórico Cultural do Paraná tomré, localizado no primeiro bado em Almirante Tamandaré ProcesPlanalto Paranaense, se so nº 071/79. Inscrição nº 70, Livro do alimentavam especifica- Tombo Histórico. Data: 13/03/1979 mente de milho, feijão, arroz e mandioca. Que eram considerados produtos típicos de primeira necessidade, além do mate e naturalmente da carne (suína, bovina, ovina, caprina e de aves)397. Porém, isto não era uma alimentação exclusiva dos moradores da região do atual Tamandaré, mas sim, de todos os moradores da região da província paranaense que já possuíam estes hábitos alimentares desde os tempos da formação da colônia. Mas isto só mudou com a chegada do imigrante camponês europeu, que introduziu novas culturas e técnicas agrícolas398, como também o próprio crescimento da população, que obrigou a produção em grande escala. Foi neste contexto, que Tamandaré em seus primórdios como Villa autônoma, se sustentou economicamente e posteriormente até a década de 1990, como cidade tipicamente de economia agrária. 396 397 398

Idem. SANTOS. Carlos Roberto Antunes dos. Vida Material e econômica. Curitiba: SEED, 2001, p. 82. Idem.

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Terra dos minérios

Q

uem chega pela primeira vez na cidade, e observa a imagem do topo do morro central de propriedade de seu Pedro Jorge que existe na Sede, já percebe que a aqui é uma terra onde se explora minério. Talvez pela fama da cidade, muitos devam pensar que aquela alteração naquele morro seja fruto da exploração do calcário. Porém, a grande verdade, que aquela paisagem contemporânea, só ficou daquela forma devido à exploração de saibro ocorrido no início da década de 1980, para atender exclusivamente as necessidades de construção e fundação que sustenta a pista de pouso do Cindacta na Base Aérea do Bacacheri em Curitiba. Talvez, depois do forninho continuo da cal, o símbolo que melhor represente a história econômica de Almirante Tamandaré, esteja na imagem daquele morro. Quando se olha para a região de Almirante Tamandaré, não se consegue imaginar que um dia ela foi uma imensa floresta. Porém, tão pouco se consegue imaginar que foi o ouro encontrado por Salvador Jorge Velho399, na Conceição 399

ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Curitiba –PR. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 139.

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em 1680 na região do atual Município de Campo Magro antes Almirante Tamandaré, e o ouro encontrado na região do Pacotuba. Que foram os grandes responsáveis pelo interesse do ser humano em habitar a terra tão hostil à sobrevivência humana, mesmo que temporariamente. Mas que acabou se tornando para muitos, seu estabelecimento vitalício. Contemporaneamente, o que se sabe sobre o ouro são histórias. Histórias que relatam que o ouro encontrado nestas terras, mal conseguia sustentar quem o explorava. Já que a quantidade deste metal foi efêmera. Mas suficiente para criar sonhos nunca possíveis de realizar. No entanto, os descendentes dos que ficaram, encontraram em outros minerais a riqueza e o sustento. Muito maior de fato, mas menos que o esperado, quando se sonha com o que o ouro pode prover. No entanto em seu auge, no final do século XVII, um dos últimos grandes empreendedores português chamado Gaspar Correia, estabeleceu, no interior do município, ao longo do rio Conceição, a extração do metal áureo. A mão de obra utilizada foi escrava, mais africana que indígena. No processo de exploração, alterou o curso do rio para facilitar a retirada do ouro, e com o auxílio de peles de carneiros, extraiam o fino ouro do rio. A partir desse fato, mas tarde nascia a Trilha do Ouro, hoje um atrativo histórico natural do município de Campo Magro. O qual é possível observar na trilha que acompanha o curso do rio Conceição diversos vestígios (o muro artificial que divide o curso do rio) da exploração aurífera na região que provavelmente deu origem a Campo Magro e consequentemente a Almirante Tamandaré400. 400

PREFEITURA DE CAMPO MAGRO. Turismo r ural/Trilha do Ouro. Disponível em: < http:// prefeituradecampomagro.blogspot.com/p/turismo-rural.html> Acesso em 15 jan. de 2011.

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A primeira grande riqueza mineral depois do ouro a ser explorada efetivamente para fins comerciais no município foi a cal. Graças ao advento da estrada de ferro que cortava o território da recém-criada Villa de Tamandaré, que em seus preliminares estudos geológicos em 1906, detectaram grandes reservas de rochas calcarias, cal e mármore branco passivos de exploração. Porém, existe a necessidade de observar que o calcário na região era conhecido muito antes do século XIX. Pois, este era extraído artesanalmente para fornecer a matéria prima das construções de estuque que se faziam na cidade. A pioneira capela existente na sede, feita pela família Candido Oliveira era de estuque. Neste contexto, observando a necessidade de novas fontes de riquezas, tanto para o município, quanto particular. Alguns políticos da época e pessoas de posse que entraram em contato com este relatório, resolveram iniciar a exploração comercial, baseadas nas técnicas já existentes que transcendiam a chegada dos portugueses ao Brasil. E que já haviam sido iniciadas na vizinha cidade de Colombo desde abril de 1890, pelo imigrante italiano Giovanni Ceccon401. No ano de 1916, o alemão Guilherme Kalmann na região de Tranqueira tentou utilizar as pedras de calcário como pedra mármore. Para este fim montou próximo à pedreira uma pequena instalação de serra e maquina de polimento, o qual não logrou êxito devido à característica do calcário402. Porém, as caieras na Villa, eram bem rudimentares em relação aos modernos fornos de cal. Pois, eram buracos (tipo um poço) feitos estrategicamente na beira de um barranco, 401

402

MIMESSE, Eliane, MASCHIO, Elaine. Imigrantes italianos nas províncias de São Paulo e Paraná: diferenças e semelhanças no desenvolvimento dos núcleos coloniais. Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, Brasil e Faculdade Internacional de Curitiba, Curitiba, Brasil, p.16. Relatório do decreto de concessão de pesquisa de jazida de calcário na região de Tranqueira (Município de Colombo), Decreto nº 16.233 de 27 de julho de 1944. p.01.

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onde na parte baixa desses barrancos, era o local onde se colocava o fogo, já o buraco maior (poço), era enchido com pedras calcarias. Este processo de queima da pedra durava 4 dias (24 horas). Quando as pedras se transformavam em cal virgem, o fogo era apagado. Sendo que, se esperava alguns dias para se retirar as pedras do forno, em sua abertura onde se colocava o fogo. Estas pedras eram colocadas em carroças ou no trem onde eram transportadas até Curitiba, as quais eram utilizadas nas construções, curtumes e como tinta. Nesta época se vendia a cal em metros cúbicos. Segundo o relato do Sr. Generoso Cândido de Oliveira, seu Antonio Baptista Siqueira (intendente de Tamandaré em 1924), filho de dona Rachel Candido de Siqueira, possui um forninho de barranco, próximo onde hoje é a Estação de Telefonia da Oi. Já antes dele o senhor Antonio Candido de Siqueira, possui um forninho na antiga Estrada do Assungui, praticamente na esquina com a atual Rua Coronel João Candido de Oliveira (antes de 1910). Porém, na década de 1920, já existiam outras pessoas na região do Pacotuba, Marmeleiro e Boichininga, que queimavam a cal. Como pode ser percebido nos comentários feitos também por Sebastião Paraná em sua obra técnica-geográfica de 1925.403 Segundo os relatos do Senhor. Generoso Cândido de Oliveira, o primeiro forno continuo construído na cidade, foi obra do italiano de Eduardo Canziani. O qual construiu este forno fundamentado em uma planta feita por engenheiros na Itália trazida pelo seu filho Zizi Canziani. Ou seja, este fato já remonta o ano de 1912 e também é confirmado nos relatórios históricos de Hermenegildo de Lara404. 403

404

PARANÁ, Sebastião. Os Estados da Republica. 3ª Ed. Curitiba: França e Cia Limitada, Livraria Mundial, 1925, p. 306. LARA. Hermenegildo de. Dados Biográficos do inesquecível Senhor Ambrosio Bini. Curitiba: 18 de abril de 1985.

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No dia 12 de setembro de 1912 o Padre Martinho Maiztequi fez a benção do importante empreendimento. Inicialmente trabalharam dois foguistas e sua produção era de 200 a 250 toneladas mensais. Sendo a matéria prima retirada da pedreira dos Buzatos. Sendo a produção escoada através do trem até Santa Catarina e Rio Grande do Sul405. Este forno era quadrado, e se localizava, onde fica a contemporânea Empresa Cal Hidra, na Rua Antonio Bini. O qual foi comprado por Carlos Macedo. Anos depois foi vendido para o seu Antonio Bini em sociedade com Domingos Scucato, Angelo Buzato e Bernardo Grarachenski406. Sendo posteriormente a parte do senhor Angelo Buzato e do senhor Grarachenski sendo vendida a seu Domingos e seu Antonio Bini. Diante deste fato, a Firma Scucato & Companhia, possuía uns dos primeiros ou o primeiro forno de Cal continuo construído no Brasil407 como também foi dono deste forno a Produtora de Cal Tamandaré Ltda (sócio-gerente Ambrósio Bini, filho de Antonio Bini e seu Atílio Bini)408. Em sua história este saudoso forno quase foi tombado como patrimônio cultural do Paraná. O problema do seu não tombamento se deu pelo fato do Estado querer realizar isto sem proceder com a devida indenização para com os donos do terreno e do forno. Ou seja, o local seria simplesmente desapropriado de graça409. Por ser mais prático e com maior capacidade para receber pedras, na década de 1940 se popularizou e se espalhou por outras regiões. Sendo os principais donos de forno 405

406 407

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Primeiro forno de Cal de Almirante Tamandaré. Pesquisa realizada pelas professoras: Valdirene do Rocio Buzato (Escola Alvarenga Peixoto), Carmem L. Cavassim Nascimento (Escola Municipal Alexandre Perussi, Simone Lovato (escola Municipal de Tranqueira). Sendo entrevistados os senhores Pedro Bini (filho de Antonio Bini), Antoninha Gulin, Harley Clovis Stocchero e Ersilha Stocchero. Documento da década de 1980. Relato de seu Generoso Cândido de Oliveira, 2002 /Relato de João Antonio Bini, abril de 2011. TRIBUNA DOS MINÉRIOS. Centenário de Domingos Scucato/por Verginia Siqueira Neta. Ano XII, nº 273, 23 de setembro de 1979. LARA. Hermenegildo de. Dados Biográficos do inesquecível Senhor Ambrosio Bini. Curitiba: 18 de abril de 1985. Relato de João Antonio Bini, abril de 2011.

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nesta época, o Sr. Francisco de Lara Vaz, Joanim Buzatto, Leleto Chimelli, Joaquim Dalledone,...410 Foto: Antonio Kotoviski Filho, abril de 2011 Em 1933, na região da Tranqueira o Senhor Domingos Chimelli iniciou os trabalhos de exploração do calcário na pedreira do senhor Guilherme Kulmam, sendo o produto 1º Forno contínuo de queima da pedra da cal, da cidade retratada na pintura feita por Jacira Bini final desta explo- Perussi em 2000 e presenteada ao senhor João ração exportada Antonio Bini para Barra funda no Rio Grande Sul411. Além destes pioneiros donos, na década de quarenta foram identificados os fornos de cal na localidade do Juruqui de propriedade de Francisco Pionlek; Forno de Calfinar no Quarteirão do Boixininga (1931); Forno na localidade do Marmeleiro de Ermelino José de Lara; Empresa R. Cal Ltda (Forno Continuo) em Tranqueira; Sociedade Cal Paraná (Forno Continuo) Mato Dentro; Irmãos Buzato A. C. Ltda (Forno Continuo) Mato Dentro; Irmãos Thá (Forno Continuo) em Campo Magro; Heitor B. e Frederico Manfron (Forno Continuo) na Barra de Santa Rita e José Ferro (Forno Continuo) em Campo Magro412. A partir, desta época se desenvolve paralelamente a extração a plantação da bracatinga, que abastecia os fornos 410

411

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PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961. Relatório do decreto de concessão de pesquisa de jazida de calcário na região de Tranqueira (Município de Colombo), Decreto nº 16.233 de 27 de julho de 1944. p.01. Idem.

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da cal. Cujo, uns dos principais fornecedores eram: Bortolo Stival (comercio de lenha)413. Com o advento das leis ambientais na década de 1990, ocorreu uma diminuição do uso de madeira. Sendo, que contemporaneamente, os fornos são abastecidos em grande parte, pela serragem das madeireiras da região. Surge neste contexto, uma nova profissão, os construtores de forno, que cortavam pedras de basalto ou granito, para serem posteriormente utilizadas na construção do forno. Pelo Decreto nº 24.226 de 17 de dezembro de 1947 assinado pelo Presidente da Republica Eurico Gaspar Dutra, é oficialmente autorizado o Sr. Pedro Busato a pesquisar reservas de minério de calcário nos municípios de Colombo e Timoneira, em suas propriedades e em duas áreas distintas. Sendo que no Artigo 2º deste decreto, se referiu que o título da autorização de pesquisa, que será uma via autêntica deste Decreto, pagará a taxa de trezentos cruzeiros (Cr$ 300,00) e será transcrito no livro próprio da Divisão de Fomento da Produção Mineral do Ministério da Agricultura. Já o Decreto nº 30712, de 03 de abril de 1952. Autorizou os cidadãos brasileiros Reinaldo Busato e Angelo Antoniacomi a pesquisar calcário e associados no Município de Timoneira Estado do Paraná. Em 1953, foram observadas com porte de indústria aos padrões da época, a existência de 9 empresas de Cal, gerando emprego para 94 operários414. Porém, não raro era encontrar caeras de fornos descontínuos (forninho de barranco), localizadas na beira de estradas e da estrada de ferro415. 413 414

415

Idem. CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ. 1º Centenário de Emancipação Política do Paraná. Porto Alegre RS: Livraria do Globo S.A, 1953, p. 163. REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Expedição Cientifica a Serra de Paranapiacaba e ao Alto da Ribeira (Cel. João de Mello Moraes). Ed. IBGE, Ano XIX, julho - setembro de 1957, nº 3, p.05.

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No ano de 1968, algumas empresas de Cal de Almirante Tamandaré, começam a produzir calcário, utilizado para a correção de solos. Sendo que os maiores compradores deste produto inicialmente eram os grandes produtores agrícolas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Neste contexto, os pioneiros da produção deste novo produto no município, foram o Cal Chimelli Ltda e Gustavo Joppert Companhia Ltda de Calcário416. A produção de calcário se difere da cal, pelo fato do minério extraído da pedreira, ser diretamente moído, sem a necessidade de ser queimado primeiramente nos fornos. O moimento do minério bruto era até o ano de 1971, feito pelos gigantescos moinhos de bola. Os quais consumiam muita energia, sendo pouca a produção. Este moinho era uma caixa de 4m x 4m, onde se encontravam bolas de aço, que giravam, batendo nas pedras ali depositadas, até elas virarem pó. Porém, com o advento do Calcário Santa Terezinha de propriedade dos senhores Albino Milek e Antonio Ilson Kotovski, localizado na Av. Emilio Johnson, onde hoje se encontra a Loja de Ferragens Colodel, ocorreu uma revolução. Pois, o senhor Antonio Kotovski, inspirado em um moinho de moer grãos, desenvolveu o primeiro protótipo do Moinho de Martelo (britador). Sendo que este pioneiro projeto foi levado ao metalúrgico Constante Bonatto, cujo, o mesmo, depois de muita insistência por parte de seu Antonio, começou a montar o moinho com grelhas de aço 1045 temperado e os martelos em aço manganês. Tinha apenas um diâmetro de 70 cm por 50 de largura. Apesar do tamanho em relação aos gigantescos moedo416

PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961

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res de bola, este protótipo conseguiu a façanha de moer 4 vezes mais por hora o minério de calcário, com 50% menos energia empregada. Devido a sua versatilidade, a Metalúrgica Rama tomou conhecimento deste moinho e posteriormente o desenvolveu maior e a um padrão industrial, sendo consequentemente vendidos para as novas fabricas que em Tamandaré se instalaram, ocasionando uma histórica “Corrida pelo Calcário”. Pois, com o advento do moinho de martelo, o custo para se montar uma empresa diminuiu muito, já que só o moedor de bola, custava 10 vezes mais que o revolucionário britador. Neste período, o numero de empresa de exploração de cal e calcário, instalada só no município tamandareense chegou a 33. Foto: Antonio Kotovski, janeiro de 2011 Já a extração inicial no começo do século XX era feita a base de picareta. Na década de 1930 e 1940 começou a ser utilizada a pólvora negra, Cal Gulin, de propriedade do empresário Cide porém com baixo Gulin, neste estabelecimento se produz cal moíimpacto, mas o da e calcário suficiente para explodir alguns metros de minérios. Já a partir da década de 1950, com o desenvolvimento industrial da exploração do minério de calcário, ocorreu à necessidade de uma maior demanda de minério, e consequentemente, começou a ser utilizados explosivos mais potentes. Em 1974, começou a ser produzido no município, à cal concentrada, que era na verdade a cal virgem moída. Sen433


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do que os maiores consumidores da Cal eram Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Na década de 1990, ocorreu uma forte crise no setor, devido à enorme queda de preço do calcário e da cal, ocasionado pelo excedente de produto no mercado. Tendo como efeito direto, o fechamento de muitas firmas pequenas na região dos minérios (Almirante Tamandaré, Colombo e Rio Branco do Sul). Porém, nem só do minério de calcário que se sustentou a economia mineral em Almirante Tamandaré. Eis, que a água mineral é uma das nossas mais importantes riquezas, com um futuro promissor. Pois, isto já era percebido já na década de 1950, onde no município foram encontradas duas fontes, em Tranqueira e em Pacotuba. Uma das primeiras empresas a explorar esta riqueza foi a Água de Boixininga, e a Água de Pacotuba na década de 1950417. Porém, em 1962, na região de Tranqueira foi aberta as águas Timbu, na época contando com apenas 5 funcionários que engarrafam esta riqueza mineral em garrafas de vidro de 1litro. Contemporaneamente conta com mais de 90 funcionários418. Conforme revela a analise da água engarrafada Pacotuba, trata-se de uma água mineral alcalino-terrosa, sendo sua composição: Bicarbonato de Cálcio (HCO³)² na proporção de 0.1139 grs, Carbonato de Cálcio (CaCO³) na proporção de 0.0200 grs, Bicarbonato de Magnésio Mg (HCO³)² na proporção de 0.1184 grs e Sílica (SiO²) na proporção de 0.0095 grs. Esta avaliação seguia a Lei nº 16.300419. 417 418

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CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ....., p. 191. ÁGUA MINERAL TIMBU. Empresa. Disponível em:< http://www.aguatimbu.com.br/empresa.shtml> Acesso em: 10 jan. de 2011. CÂMARA DE EXPANSÃO ECONÔMICA DO PARANÁ...., p. 191.

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Voltando a falar de pedra, é importante destacar, que na cidade, também foi explorado o mármore branco, na forma de petit-pavê. Sendo que os principais cortadores de pedras na década de 1940 foram à família Cavassim e o seu Leleto Chimelli. Pois, segundo consta no relatório do Decreto nº 16.233 de 27 de julho de 1944, o senhor Plácido Cavassim compra parte da área da pedreira do senhor Domingos Chimelli, que inicialmente pertencia a Guilherme Kalmann e passa explorar pedra bruta para produzir o petit-pavê. No ano de 1950 as principais pedreiras pertenciam a Rafael Greca, Reinaldo G. Gonçalves e Salaquiel Domingos Chinasso (Cachoeira), Gaspar Sgoba e Manoel Ferreira do Nascimento (Lamenha Pequena), Angelo Salvaro (Santa Gabriela), Placido Cavassin e Gustavo Joppert (Tranqueira) e José B. Maximiliano Straioto (Botiatuba)420. Apesar do ouro não ter trazido a riqueza sonhada, foram os filhos das recentes gerações da terra de Tamandaré, que encontraram no subsolo, as riquezas que beneficiaram o município. Se hoje possuímos três rodovias, é porque um dos motivos foi à exploração destes minérios que forçaram em consequência estas se desenvolverem. Mesmo que uma delas tenha sido feita pela Companhia de Cimento. Foi por causa dos grandes calcareiros da década de 1960, que foi possível ser introduzido o telefone na cidade. Pois, este era muito caro, um artigo que poderia ser até alugado. Como foi também, no ápice da “Corrida do Calcário”, que o Banestado se interessou em abrir uma agência no município em 1977, já que começou existir um fluxo de valores altos circulando no município. Em consequência destas empresas de exploração, outras atividades econômicas foram se 420

Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931.

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desenvolvendo. Pois, o plantio e exploração de bracatinga, o transporte rodoviário, o aparecimento de metalúrgicas que faziam britadores e outras peças metálicas para as firmas, posto de gasolina, emprego para população local,... Ou seja, se o ouro, trouxe as pessoas para as terras tinguis, a cal e o calcário lhe forneceram o desenvolvimento. É lógico, que existem problemas ambientais causados por esta exploração. Porém, são fatos que já estão sendo resolvidos, provocados principalmente pela legislação e pela própria característica do industrial na atualidade, que busca sempre atender as exigências de qualidade do mercado, a qual exige que os produtos produzam o mínimo possível de impacto ambiental. Porém, muito ainda deve ser feito. Notoriamente, se percebe que calcário e a cal, não permitem os mesmos lucros de outrora. Por este motivo, não raro é ver empresas fechando na cidade. Porém, as que sobrevivem, são aquelas que buscam sempre novas técnicas. No entanto, apesar da exploração ser já antiga em Almirante Tamandaré, a água mineral de mesa (engarrafada), poderá em um futuro, ser um prospero investimento, assim como a própria água do subsolo, que é explorada, mas que ainda pouco recurso trás para o município. Novos tempos raiam tímidos no horizonte, para trazer a lembrança dos velhos tempos que ainda persistem no cotidiano deste povo que tem nos minérios, o seu caminho para o progresso.

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Comércio

A

s facilidades encontradas na atualidade para comprar o que queremos. Faz-nos esquecer dos tempos em que mesmo tendo dinheiro, nem sempre era possível adquirir na hora ou em dias o que se desejava. Não raro, é nos zangarmos, quando surge a necessidade de ir até a capital para buscar algum objeto, não disponível na cidade. Porém, nos dias de hoje a locomoção é tão fácil e rápido para a capital, que às vezes até deixamos de privilegiar o comercio local. O comércio na região onde se encontra Almirante Tamandaré, praticamente apareceu junto ao aventureiro que por estas bandas vieram atrás do ouro no século XVII. Pois, a busca pelo ouro, não se contemplava em dias, mas sim em anos. Diante disso, os pequenos arraias por servirem de pouso ao aventureiro cansado, já que era sua base e onde se localizava seu domicilio, com certeza dispunha de algum pequeno comércio ou atividade comercial ambulante, que fornecia o necessário para a sobrevivência daquele povoamento. Porém, provavelmente limitado a ferramentas vendidas sobre encomenda, couro, tecido, vinho,..., ou 437


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seja, produtos, que a principio, não eram produzidos na localidade. Nesses tempos, muitos negócios eram feitos a base do escambo (troca). Às vezes o aventureiro trazia alguma “droga do sertão” (erva-mate, hortelã,...,), que eram trocadas por alguns metros de tecido, por exemplo. Ou seja, não era comum circular dinheiro nesses tempos. As coisas mudaram com o advento da Villa Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, onde apareceram os primeiros armazéns do Primeiro Planalto Paranaense. Diante desse fato, produtos novos foram aparecendo, trazidos por vendedores da Capital que se deslocavam com carroças cheias de produtos, para serem vendidos ou trocados nas localidades mais afastada da Villa (Curitiba). Já no século XIX, começaram a aparecer na região da Freguesia do Pacotuba, armazéns bem abastecidos. No entanto, nas localidades mais afastadas o comércio era feito através de vendedores que passavam nestas localidades. Ou os moradores se deslocavam até o armazém mais próximo para comprar o produto que necessitava. Porém, às vezes encomendava alguma coisa a alguém que estivesse indo até a Freguesia ou a capital. Existem relatos, que já em meados do século XIX, existia na região do Botiatuba, uma mercearia pertencente ao Sr. José Real Prado (Cônsul da Espanha em Curitiba), que era avó do Sr. José Real Prado Sobrinho casado com dona Izalita Rodrigues do Couto Prado, que nasceu em 1909, e relatou em 2002 este fato421. Outra mercearia existente na região no final do século XIX, provavelmente em 1876, era a mercearia do português Teholindo Baptista de Siqueira casado com 421

Relato de Izalita Rodrigues do Couto Prado, 2002.

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a senhora Rachel Cândido de Siqueira, onde neste estabelecimento além de provimentos alimentares e ferramenta, existiam fazendas de sedas, fio de casimira. Era uma mercearia muito movimentada, que dava pouso aos tropeiros que vinham do Assungui controlando as boiadas. Pois, a mercearia de dona Rachel, ficava bem as margens da Estrada do Assungui (na atual esquina da Rua Frei Mauro com a Rua Rachel Candido de Siqueira, onde existem as ruínas de uma antiga construção)422. Já em 1912, o Sr. Domingos Scucato, se estabelece na cidade, abrindo um armazém de secos e molhados, armariFoto: acervo particular da Família Viana nhos e fazendas. Ou seja, foi um dos maiores e mais completos armazéns da Villa de Tamandaré, o qual possuía uma enorme variedade de Armazém de secos e molhados que estava localizado na atual Rua Coronel João Candido de Oliveira do Sep r o d u t o s nhor Domingos Scucato. Antonio Scucato, sentada Dona (desde ferra- Maria Scucato Siqueira, atrás Rosa Scucato ao lado de mentas a ga- João Scucato (Joani), sentada a Senhora Pechina Coradin, em pé atrás a senhorita Piera Scucato Alves, sensolina). Fica- tado João Coradim, Domingos Scucato, a criança Marva no antigo garida Scucato, dona Ana Caradim Scucato e a criança cruzamento Tereza Scucato Alves da atual Rua Coronel João Candido de Oliveira, com a Es422

Relatos de seu Generoso Candido de Oliveira, 2002. Joel de Siqueira, 2001.

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trada do Assungui (ao lado da ponte do Rio Barigui)423. No final da década de 1930, o senhor Pedro Jorge Kotoviski, abriu um armazém no Córrego Fundo. Já a partir de 1947 abriu um armazém de secos e molhados no Botiatuba424, o qual possuía tudo que podia ser vendido, desde roupa, tecido, ferramenta, querosene, medicamentos, arma de fogo, pólvora, munição, radio, bicicleta, peça de bicicleta,..., ou seja, produtos que antes tinham que ser comprados diretamente em Curitiba. Nesta época, os produtos eram vendidos a granel, ou seja, era raro e caro os produtos que já vinham embalados. Foto: Álbum de Família de Antonio Kotoviski/ 2002 Neste contexto, ocor re uma contradição com inicio do relato deste tamandareense, pois, citei que em Tamandaré não era fácil achar certos produtos. RealmenArmazém de seco e molhados de Pedro Jorge te, porém, com o Kotoviski, construído na década de 1950 no Boadvento desses tiatuba. Não existe mais, ruiu devido à construraros armazéns ção da nova Wadislau Bugalski estratégicos, muitos produtos começaram a ser acessível ao morador do município. No entanto, com a construção da Estrada Estratégica e o desenvolvimento dos carros e das linhas de ônibus, a existência desse tipo de armazém, foi desaparecendo já em meados da década de 1970. Nesta época, não existia o sistema atual compra, onde o cli423

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TRIBUNA DOS MINÉRIOS. Centenário de Domingos Scucato/por Virginia Siqueira Neta. Ano XII, nº 278, 23 de setembro de 1979. PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961

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ente se servia nas prateleiras. Mas sim, o cliente dizia o que queria, e o balconista se encarregava de pegar a mercadoria. Outros comerciantes fortes eram o Sr. Alfredo Lugarini, na região do Passauna; Frederico Manfron na região da Capivara; Gumercindo Boza e Jacob Manfron em Campo Magro, Jeronymo de Souza Roza (Tranqueira)425, Albino Milek no na Sede, fora outros não citados, mas que foram importantes para o desenvolvimento econômico no município. Na década de 1950, existiam na cidade, 62 estabelecimentos comerciais (armazéns, mercearias e bares)426. Nesta época ( e anterior a ela) o sistema de cobrança de imposto tinha uma particularidade, pois, o comerciante registrava as vendas em um livro, onde posteriormente era calculado o imposto, o qual deveria ser pago com a compra de selos na coletoria, que eram colados nestes livros e carimbados. Estes selos até eram coloridos sendo que cada cor representava um valor. Com o advento da autonomia da cidade com a denominação de Timoneira, o selo possui como gravura em cor única o brasão da atual da cidade. Ou seja, o atual Brasão, pelas características nele impressas, e pela restauração dos símbolos municipais e estaduais com o fim do período Vargas, tudo leva a possibilidade que o Brasão Municipal tenha sido criado já no final da década de 1940. Já os selos anteriores, carregavam o antigo Brasão do Estado do Paraná. Curiosamente estes selos tarifários comprados na Coletoria também funcionavam informalmente como moeda corrente. Nestes tempos, grande parte dos produtos chegavam aos comerciantes em sacos de 50 kg, ou em barris, no caso dos líquidos como o vinho e a pinga. Os quais eram engarrafa425

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PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961 ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Almirante Tamandaré. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26.

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dos pelos próprios comerciantes. Por exemplo: a Pinga Scucato possuía este procedimento antes de 1950, além de também ser distribuídas a outros estabelecimentos. O primeiro selo foi utilizado a partir A partir de 1960, o comér- 1948, observem o detalhe do brasão. cio começou encontrar um Já o segundo e o terceiro eram os selos utilizados na década de 1930, mercado mais forte na cida- porém estes eram confeccionados de, em virtude principalmen- pelo Estado te das indústrias de cal que se desenvolviam e geravam empregos na cidade. Já em 1970, o comércio começava a se especializar em determinados produtos. Principalmente o de material de construção. Já a partir de 1980 começam aparecer papelarias, açougues, autopeças, banca de revista, lojas de moveis,... Ou seja, a evolução do comércio da cidade, é uma consequência do desenvolvimento da exploração mineral e da desenfreada urbanização devido à proximidade com a capital. Sendo que o IBGE em 2005 registrou 297 comércios varejistas e 24 comércios atacadistas. Os atuais tempos, não lembram nada do tempo em que a circulação do dinheiro em grande monta era escassa. Pois, observando o relato do Senhor Albino Milek, muitas negociações envolvendo bens duráveis (imóvel ou móvel) eram muitas vezes ou a maioria das vezes feita à base de troca. No entanto, este tipo de negociação ainda era comum na década de 1960. Um exemplo para ilustrar o fato: se trocava alguns metros de madeira por um cavalo. Ou seja, os negócios ocorriam no contexto do interesse dos envolvidos. Porém, existiam valores de referencia que norteavam as negociações.

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Atividades econômicas gerais

A

lmirante Tamandaré desde seus primórdios tempos, sempre dependeu do comércio e da exploração de minérios. Porém, foram os minérios que atraíram as pessoas para aqui viverem e em consequência empreender algo que garantisse a sobrevivência. Alguns optaram pela agricultura, já outro por atividades do terceiro setor da economia. Já outros, tirando os exploradores da cal, optaram e desenvolver pequenas fábricas, de produtos básicos. Um desses produtos básicos era o tijolo e a telha. Pois, eram produtos, que além de servirem a população local, poderia ser exportado para a capital. Neste contexto, existiu no Tanguá a olaria do Sr. Artur Wolf que remonta a década de 1940. Já na região da ponte do Taboão, existia a olaria Paulo C. Shimitz Cia Johnson, também remontando a década de 1940. A Sede do município, também contava com a olaria do Sr. Pedro Jorge, que remontava a década de 1940427. Em 1950 existia a Irmão Bini Ltda na Sede; Himério

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PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961.

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Lugarini no Passauna e Indústrias R. Fredolin Wolf na Lamenha Pequena428. Outra forma de captar recursos foram às serrarias, as quais forneciam tabuas, sarrafos, vigas,..., ou seja, produziam matéria prima para construções. As principais espécies vegetais exploradas foram à araucária, imbuia e canela, muito abundante nesta época as quais eram cortadas na base do machado e transportadas em carroças. Como não existia energia elétrica em quantidade naquela época para alimentar motores, as serrarias funcionavam através de um sistema hidráulico (rodas da água), com serras vai e vem. Eram denominadas popularmente de engenho. No século XIX, na região do Pacotuba, é relatado a existência de uma serraria, movida a roda de água. Sendo que, no mesmo prédio, existia na parte superior (no sótão), um moinho. O dono deste moinho era um alemão, o Sr. Zeferino Zenf429. Na década de 1940, existia no município na região do Boixininga, a serraria do Sr. Pedro Broto de Andrade, onde hoje fica contemporaneamente o Restaurante e PesquePague do Broto. Já na região da Conceição, existia a serraria da família Wolf; no Marmeleiro existia a serraria da família dos Zem e na Tranqueira as serrarias pertenciam aos Stocchero; J. Domingos Chimelli (1928-1931) Tranqueira; Davi Manosso possuía um engenho de serra no Juruqui430. Na região da ponte do Taboão já na década de 1920, existia uma ferraria, onde se fazia carroça, charrete, carrinho de mão, ferravam cavalo, faziam arado,..., ou seja, ferra428

429 430

Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931. Relato de Estanislau Pupia, 1997. PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961

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mentas agrícolas,..., sendo o proprietário o Sr. Teófilo Sczepanski sendo que mais tarde passou para o Sr. Paulo Macionki. Ainda existe esta ferraria, porém na forma de serralheria. Outra ferraria era Vacari Bevirato e Cia no Juruqui431. Em 1950 existia a Francisco Lovato e Irmão na Tranqueira, Pedro Cavichiolo (Lamenha Pequena e Atílio Stela (Passauna). Outra atividade que proporcionou recursos às famílias no município foram as fabricas de derivados de carnes (fábrica de banha, salame e linguiça). Que funcionaram no município desde a década de 1940, sendo uma delas localizada na Cachoeira, na Rua Mauricio Rosemann, que pertencia ao senhor Stanislau Borowski, que posteriormente foi comprada pelo João Fruhwert (João Peixeiro). Já a outra fabrica se localizava em Tranqueira, de propriedade do Sr. Istanislau Miclak432. As quais eram abastecidas por gado vindo do Assungui e da região. Em Campo Magro existia a fabrica de Angelim Pianaro; Himério Lugarini no Passauna e Antonio Alves na Sede433. Existiram no município, desde o século XVIII, os pequenos engenhos de farinha de milho ou biju. Uma herança indígena. Esta farinha era fabricada com milho umedecido, onde era socado por um sistema chamado de manjolo, até virar uma pasta, depois torravam em uma chapa. A maioria das casas possuía esta fabrica artesanal. Quem não possuía, utilizava o manjolo de quem tinha, pois era comunitário. Existiu em grande quantidade, na região do Córrego Fundo, Conceição, Marmeleiro, Barra de Santa Rita e Capivara. Na região da sede, não existia esta atividade. 431 432 433

Idem. Idem. Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura Municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931.

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Esta técnica existiu até meados da década de 1960, sendo substituída por modernas máquinas. O que extinguiu a produção artesanal para a venda em nosso município. Na década de 1920 na Lamenha Pequena, existiu uma fabrica de Barrica que foi fechada em 1931 de propriedade de João Antonio Zem434. No Pacotuba, ainda no inicio do século, o Sr. Damião Kotoviski produzia calçados em sua Oficina de Sapato. Já na Sede existiu uma fabrica de tinta (Irmãos Garibaldi Ltda) na década de 1940 até meados da década de 1950. Existiu uma Fabrica de Tamanco na Colônia Santa Gabriela de propriedade de Bejamim Granato nas décadas de 1940 e 50435. Já o Senhor João Batista de Siqueira possuía uma Fabrica de Crina Vegetal no Mato Dentro. Também merece destaque já na década de 1940 a Panificadora de propriedade de Maire Stocchero em Tranqueira e a Panificadora Palanicheski na Sede. Outra atividade verificada foi: Alfaiataria de Leonardo Lewirkoski na Colônia Lamenha e a Alfaiataria de Brutus Clemens na Cachoeira436. Em 16 de maio de 1977, é inaugurado na Avenida Emilio Johson, o Banco BANESTADO (Banco do Estado do Paraná). Foram os primeiros funcionários desta agência (Josélia Aparecida Kotoviski, Dioclécio Ferreira da Silva, Cesar Augusto Bini, Luiz Mozart Gobor, Gerente Benedito Mendonça, Jurez Campele, Luiz Fernando dos Santos). No ano de 2001, o Banestado se torna Banco Itaú, operando no mesmo local da antiga denominação. Em meados da década de 1980 o Banco do Brasil, abre 434

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Arquivo de Requerimento apresentado a Prefeitura Municipal de Tamandaré à contar de 11 de novembro a 30 de dezembro de 1931. PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961. PREFEITURA MUNICIPAL DE TIMONEIRA. Livro de Lançamento do Imposto/Imposto de indústria, profissões de pesos e medidas. 1947-1961.

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uma agência, ao lado do Banestado. Por ser pequena e não acompanhar a demanda necessária para uma qualidade melhor de atendimento, o Banco do Brasil, mudase para a esquina da av. Emilio Johnson, com a Rua Fredolin Wolf, (imóvel do Sr. Albino Milek, onde é atualmente é a Panificadora Reis). Por fim, com sede própria muda-se no endereço em frente na própria avenida, onde existe até o momento. Luiz Arcélio da Cruz relata que em junho do ano de 1989, é inaugurado também na Av. Emílio Johson no imóvel de propriedade do seu Albino Milek (onde hoje se encontra a Loja Santista), uma agência do extinto Banco Bamerindus, onde pioneiramente trabalhou na função de caixa. Este banco fechou em 1997, onde seus funcionários foram remanejados para a agência em Colombo sob o novo nome de HSBC. Já no dia 10 de maio de 2004, junto a Rua José Carlos Colodel, esquina com a Rua Lourenço Ângelo Buzato, se estabelece no município a Caixa Econômica Federal, com a denominação de Agência Pedra Branca. Nome definido através de um concurso cultural promovido entre os alunos das Escolas da Rede Municipal de Ensino, em conjunto com a prefeitura. Seu primeiro gerente foi João Antonio Devita437. Por fim, em Julho de 2008, se estabelece no município o Banco Bradesco, tendo como primeiro gerente o Sr. Almir Jacson Blogoslowiski. Esta informação foi possível graça ao Sr. Reginaldo Bassetti, que também foi um dos pioneiros funcionários da agência. No final da década de 1980, (depois de 1987), foi estabe437

FOLHA DE TAMANDARÉ. Caixa Econômica agência em Almirante Tamandaré. Ano XVIII, nº 477, abril de 2004, p.07.

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lecido no Bairro da Cachoeira um posto avançado do Banco Banestado, vinculado a Agência Banestado 202-X do centro de Almirante Tamandaré. O qual na década de 1990 deixou de funcionar. Antes da existência de bancos na cidade, os empresários locais tinham que se deslocar até a capital, para poder utilizar-se dos serviços bancários. Como é possível observar não só neste capitulo, mas em um contexto econômico geral da história da cidade. Que o município teve como principais atividades econômicas o comércio representado por mercearias, botequins, secos e molhados; a queima da cal e derivados; olaria; ferraria; depósitos e extração de lenha; exploração de pedreira; fabrica de vinho; moinhos de cereal, a agricultura e fabrica de vinho como os carros chefes provedores de recursos ao seu povo. Ou seja, existiam outras atividades, mas que eram explorada de forma solitária e limitada. Mas que também colaboraram para o desenvolvimento da cidade. Em 2006 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o município conta: 18 indústrias de extração de minerais; 52 indústrias de produtos minerais não metálicos; 32 indústrias metalúrgicas; 04 indústrias mecânicas; 07 indústrias de materiais elétricos e de comunicações; 03 indústrias de materiais de transporte; 22 indústrias de materiais e do mobiliário; 05 indústrias do papelão, papel, editorial e gráfica; 10 indústrias da borracha, fumo, couros, peles, produtos sintéticos e indústria diversa; 17 indústrias químicas, produtos farmacêuticos, veterinários, perfumes, sabões, velas e materiais plásticos; 05 indústrias têxteis, vestuário e artefatos de tecido; 16 indústrias de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico e 06 serviços industriais de utilidade pública. Este mesmo senso registrou os seguintes números de 448


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estabelecimentos prestadores de serviços: 38 na construção civil; 04 instituições de crédito, seguro e de capitalização; 45 administradoras de imóveis, valores mobiliários, serviços técnicos profissionais e auxiliares ativos economicamente; 27 prestadores de transporte e educação; 69 serviços de alojamento, alimentação, reparo, manutenção, radiodifusão e televisão; 12 serviços médicos, odontológicos e veterinários; 08 de ensino e 16 prestadores de serviços de agricultura, silvicultura, criação de animais, extração vegetal e pesca. Como é possível observar nestas estatísticas e no cotidiano, fica notório o acelerado desenvolvimento econômico que atingiu o município nas ultimas três décadas. Porém, este desenvolvimento ainda deve ser aperfeiçoado para realmente trazer efeitos benéficos no contexto da realidade da cidade. Foto: Antonio Ilson Kotoviski Filho, maio de 2011

Moinho Nossa Senhora do Carmo, no Marmeleiro, construído em 1948 pelo senhor Natal Perussi. Este estabelecimento também funcionou como mercearia além de produzir energia elétrica para alimentar a própria residência e carregar baterias. Por anos produziu Fubá, Quirera, Canjica e Biju, sua força hidráulica era produzida pelas águas do Rio Passauna

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Neste contexto, deve ser destacado como grande colaborador do desenvolvimento econômico no município o Senhor Antonio Gedeão Tosin, o qual foi segundo muitos dos moradores antigos entrevistados, uns dos primeiros tamandareenses a desenvolver a industrialização no município. Pois, praticamente desenvolveu e se especializou na hidratação da cal. Segundo informações da Folha de Tamandaré de 16 de janeiro de 1986 em seu numero 22. Este tradicional cidadão foi o primeiro a construir uma Fabrica de Cal no Brasil (não confundir com o primeiro forno contínuo). Nasceu em Colombo em 20 de julho de 1891, mas viveu praticamente sua vida toda em Tamandaré até o advento de seu falecimento em 15 de setembro de 1974.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ

Biografia

Meu nome é ANTONIO ILSON KOTOVISKI FILHO. Nasci as 10:00 horas do dia 10 de outubro do ano de 1976 (Domingo de primavera no hemisfério sul, com cara de inverno) no Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Fátima. Que se localizava na Avenida Visconde de Guarapuava 3077, cidade de Curitiba, Estado do Paraná, Brasil, Continente da América – Subdivisão América do Sul. Sou o primeiro filho do casal formado por Antonio IIson Kotoviski e Josélia Aparecida da Cruz Kotoviski. Este casal já está casado á 34 anos. Antonio Ilson Kotoviski, filho de Pedro Jorge Kotoviski (filho de Damião Kotovcz (meu bisavô filho de Nestor Kotovcz e Anastacia Kotovcz) com Francisca Brzezinski Kotovcz (minha bisavó filha de Pedro Brzezinski com Paulina Ponezek) e Noêmia Cordeiro Kotoviski (minha avó, filha de Antônio de Paula Cordeiro, filho de Manoel de Paula Cordeiro com Geralda Gouveia) e Belarmina de França Dias filha de Honorato Dias da Rosa e Dina de Lara), respeitada senhora da sociedade tamandareense. Era comerciante. Já meu avô na sua ju451


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ventude participou como soldado artilheiro do Exército Brasileiro no famoso e histórico Cerco de Itararé, que foi consequência da Revolução Constitucionalista de 1932. Meu pai é industrial e empresário do setor de iluminação pública, foi presidente do PSC (Partido Social Cristão) é uma pessoa com grande influencia política nos municípios de Almirante Tamandaré, Campo Magro, Bocaiúva do Sul, Rio Branco do Sul e Itaperuçu. Foi criador do primeiro Guia de rua e serviços do município de Almirante Tamandaré, no ano de 1993. É cunhado do ex-prefeito de Almirante Tamandaré Cide Gulin (Arcidíneo Felix Gulin) (meu tio) e irmão da Vereadora de Almirante Tamandaré Clarice Gulin (minha tia) que teve a honra de ser uma das primeiras mulheres a exercer o cargo de vereadora do município. O qual geraram três filhos Luciano Gulin, Rogério Gulin e Alessandro Gulin. Meu pai ainda possui outros irmãos: Otavio Kotoviski, comerciante do ramo de vidraçaria que foi jogador de futebol profissional na posição goleiro (1977) do Pinheiros (atualmente é Paraná Clube), protetor do meio-ambiente, casado com Jussara Pavin prima da ex-prefeita e deputada estadual do município de Colombo, Elisabete Pavin, que possuem dois filhos Phablo Kotoviski e Flavia Kotoviski. Irmão de Francisca Kotoviski Manfron, professora do Estado do Paraná, três vezes Secretaria de Educação do município de Campo Magro, casada com Sérgio Manfron, que geraram três filhos: Fabio Manfron, Karina Manfron e Jerusa Manfron. Irmão de Adriano Wilson Kotoviski, comerciante e soldado do Exército Brasileiro servindo em Brasília (Capital da Republica Federativa do Brasil) casado com Lúcia Margarida Bini Kotoviski, geraram três filhos: Thais Adriana Kotoviski, Lincoln Adriano Kotoviski e Débora 452


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Laís Kotoviski. Irmão de Leonice Kotoviski Milek, respeitada senhora da sociedade tamandareense (minha madrinha), casada com o comerciante Albino Milek, criaram dois filhos: Imério Milek e Luciana Milek. Meu pai Antonio possui dois irmãos os quais não conheci. Como também nenhum dos meus outros tios paternos. Pois estes faleceram no parto, seriam os meus tios mais velhos, seus nomes eram José Kotoviski e Adão Kotoviski. Josélia Aparecida da Cruz Kotoviski (minha mãe), é professora de Língua Portuguesa, Inglês e Literatura. Foi Diretora, Vice-Diretora, Coordenadora do Colégio Estadual Jardim Paraíso. Mestra em Ciência da Educação, bancária do extinto Banco do Estado do Paraná (BANESTADO), pintora, coordenadora de ensino especial do município de Almirante Tamandaré, coordenadora municipal do projeto Paraná Alfabetizado no ano de 2005, e coordenadora de Curso Técnicos a Distância ofertados pelo ITDE da Universidade Federal do Paraná no município tamandareense. Foi comerciante do ramo de confecções. É filha de José Ido da Cruz (meu avô, filho de Rodolfo Estevão da Cruz filho de (Adolfo Estevão da Cruz e Juvina C. da Cruz) com Irene Colodel da Cruz filha de (José Colodel e Filomena Lugarini Colodel) comerciante do ramo de supermercado, ex-delegado do município de Almirante Tamandaré. Odete Basso da Cruz (minha avó, filha de Frederico Manosso Basso filho de Francisco Basso e Maria Hercule Basso) com Vitória Manosso Basso (filha de Davi Manosso e Silvia Justi Manosso), comerciante do ramo de confecção, enfermeira do Hospital Pequeno Príncipe (hospital especializado em atendimento a crianças), e senhora muito respeitada na sociedade tamandareense. Irmã de Rita Joseli da Cruz, ex-Diretora do Colégio Estadual Jardim Paraíso, professora 453


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de Educação Física, Especialista em Educação Especial casada com Gilberto Martins Queluz Junior, geraram um filho, Felipe Heron Queluz. Irmã de Carlos Rodolfo da Cruz comerciante, político do Município de Almirante Tamandaré, casado com Juçara Daluz Dalazuana, geraram um filho Carlos Rodolfo da Cruz Junior e Fernanda Augusta da Cruz (filha do primeiro casamento com Amarilda Gulin). Irmã de José Antonio da Cruz, comerciante e empresário do ramo de reciclagem, professor do Estado do Paraná da disciplina de Matemática, foi presidente Municipal do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), gerou uma filha, Isis Danniele Cury da Cruz. Irmã Luiz Arcélio da Cruz que foi funcionário público do Estado do Paraná, bancário do 5º. maior banco do mundo (HSBC), ex-peão de rodeio, oficial de justiça da Comarca de Almirante Tamandaré, casado com Djanane Pedroso da Cruz (funcionaria pública, na função de secretaria escolar), geraram dois filhos, Gabriel Henrique da Cruz e Lucas da Cruz. Foto: Álbum Familiar/2004

Família Cruz/Em pé: Josélia, José Antonio, Rodolfo, Rita, Célio. Sentados: Odete e José Ido 454


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Possuo um irmão mais novo, Jeann Carlo Kotovski, engenheiro eletricista, católico atuante, ex-soldado do Exército Brasileiro e musico (toca teclado, piano e órgão), casado com Melissa Camargo Kotovski (pedagoga, proprietária de empresa de treinamento e desenvolvimento profissional/organizacional). Estudei no centenário (fundado em 1904) Colégio Vicentino São José, que se localiza na Rua Padre José Joaquim Goral, 182, bairro Abranches, Curitiba, Estado do Paraná – Brasil, do ano de 1981 a 1993. Cursei o Ensino Médio no Colégio Unificado que se localiza na Rua 13 de Maio, 450, Centro, Curitiba, Paraná no ano de 1994. Mas terminei os estudos no Colégio Estadual Ambrósio Bini que se localizava na Avenida Emilio Johnson 1152, cidade de Almirante Tamandaré, Paraná nos anos de 1995 a 1996. Cursei e me formei em Estudos Sociais em 03 de julho de 1998 pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE), localiza-se na Rua José Bongiovani, 700, cidade de Presidente Prudente – Estado de São Paulo – Brasil. Cursei e me formei em História, também pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) em 30 de junho de 2000. Cursei e me tornei Mestre em Ciência da Educação no ano letivo 2000/2001 pela Universidade Internacional, que se localiza na Rua Vasco da Gama, 14 – 2685 Portela – LRS – país Portugal. Cursei Direito e me tornei bacharel em 2007, pelo Complexo de Ensino Superior do Brasil (UNIBRASIL) que se localiza na Rua Konrad Adenaur, 442 – bairro Tarumã, Curitiba – Estado do Paraná. Tornei-me Especialista em História do Brasil em 2010 pela Faculdades Integradas de Jacarepaguá, localizada na Ladeira da Freguesia, 196 – Freguesia – Jacarepaguá – Rio de Janeiro. 455


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No dia 17 de fevereiro de 1997 fui admitido pelo Estado do Paraná para lecionar inicialmente na Escola Estadual Jardim Paraíso e na Escola Jaci Real Prado de Oliveira, ainda em tempos que esta instituição compartilhava o espaço com a Escola Municipal São Francisco. Sendo minhas primeiras disciplinas que lecionei: Educação Física e História no Jardim Paraíso e Português (6ª e 8ª séries), Matemática (5ª série) e Ciências (8ª série) na Escola Jaci. Ou seja, 36 horas aulas semanais e mais 3 horas aulas para ajudar fechar o quadro de aulas. Trabalhei como professor de História do Brasil, História do Paraná, História Geral, Geografia do Brasil, Geografia do Paraná, Geografia Geral, Filosofia, Educação Física, Matemática, Língua Portuguesa, Química, Ensino Religioso e Ciências nas seguintes escolas de ensino médio e fundamental: Colégio Estadual Jardim Paraíso, Escola Estadual Professora Jaci Real Prado de Oliveira, Escola Estadual Jardim Apucarana, Escola Estadual Lamenha Pequena, Escola Estadual Pedro Piekas, Colégio Estadual Tancredo Neves, Escola Estadual Floripa Teixeira, Colégio Estadual Vila Ajambi e Colégio Ângela Sandri Teixeira. Todas localizadas em Almirante Tamandaré nos períodos de 1997 até os dias atuais (2011). Fui Professor do Curso de Pós-Graduação em História, ofertado pela Faculdades Integradas de Jacarepaguá – Rio de Janeiro – Rio de Janeiro. Trabalhei também como comerciante de artigos de presente e confecções, fui proprietário de uma loja e oficina de peças e equipamentos para bicicleta e proprietário da empreiteira de iluminação publica Comercial Saturn, todas localizadas na cidade de Almirante Tamandaré nos anos 1989 a 1996. Fui um grande desportista. Como aprendiz de Karatê, graduei-me na faixa amarela no ano de 1982. Como apren456


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diz de Kung-Fu, conquistei o nível azul nos anos de 1992 a 1994. Fui jogador de futebol do Clube Atlético Paranaense na posição de zagueiro-central, quarto-zagueiro e médio volante, da categoria “cobrinha” (sub-12) na temporada de 1987 e 1988. Também vesti as cores da Sociedade Recreativa Almirante Tamandaré nos anos de 1989 a 1990. Porém foi no Mountain Bike que eu mais me destaquei. Tive a honra de disputar mais de 100 competições, nos anos de 1995 a 2003. Entre estas competições de Mountain Bike destaco a competição dos Jogos Ciclísticos Universitários (2000) onde alcancei a medalha de bronze. Fui o primeiro ciclista a participar dos Jogos Aberto do Paraná em Toledo (1999) como representante da cidade de Almirante Tamandaré, fiz parte da Seleção Paranaense de Mountain Bike montada pela extinta APRMTB (Associação Paranaense de Mountain Bike). Disputei e consegui a primeira posição em uma competição de Duathlon realizada em Almirante Tamandaré (1999). Como praticante de mountain bike disputei campeonatos nacionais, estaduais, regionais, metropolitanos, provas festivas,... nas categorias Cadete (1995), Estreantes (1995-1997), Expert(1998), Sub-23(1999), Pró-Elite(1999-2003). Também fui atleta das modalidades dos 100 metros rasos, 200 metros rasos, revezamento 4 X 100 e salto e distância, quando integrava o time de atletismo do Colégio Vicentista São José (1990 a 1993), onde tive a oportunidade de disputar os Jogos Escolares de Curitiba. Mas uma paixão me despertou o dom da poesia, sendo que cheguei até a escrever um livro para explicitar o meu amor que sentia por uma senhorita de minha cidade. Acreditem não adiantou muito! Sendo assim comecei a tomar gosto pelo mundo das palavras e lancei outro livro. Os li457


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vros lançados foram “Amor descrito por um apaixonado pela vida” (2001) e “Sonhando escrevi sobre o amor” (2002). Estes livros foram distribuídos a diversas bibliotecas espalhados pelo Brasil e mundo. Mas existem outros já prontos, mas que não foram lançados até o momento (2010), são eles: Versos imperfeitos. Intenções verdadeiras (poesia); Viagem versada (poesia); Poesias: o refugio de uma alma romântica (poesia); Inspiração derradeira (poesia); Escrituras românticas (poesia); Voz interior! (poesia); Reflexos de muitos momentos (poesia); A história da humanidade em versos (poesia); A história brasileira em versos (poesia); Os países do planeta terra em versos (poesia); Livro negro: o lado oposto do amor (poesia); Horizonte terminal (romance ficção cientifica); A indisciplina no contexto escolar (técnico Foto: Arquivo da Família Kotoviski, 2009 pedagógico); O Integralismo no Brasil (técnico histórico) e o Librorum Prohibitorum (filosófico e Nova Era). Atualmente já são mais de 1850 poesias inéditas criadas por mim. Além de escrever poesias escrevi artigos sobre futebol (mais especificamente sobre o Clube Atlético Paranaense), para os sites www.furacão.com, e www.rubronegro.net. Mestre Antonio Ilson Escrevi um breve histórico de Kotoviski Filho, formando em Direito minha vida desde o meu nascimento até este momento em que possuo 34 anos. O que vier depois disso tentarei descrever e colocar em uma outro obra literária.

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Considerações finais

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ontar a história de uma localidade não se faz do dia para a noite. Tão pouco em meses ou em alguns anos de pesquisa. Tão pouco a história de um lugar se prende a política única e exclusivamente ou a fatos analisados por uma visão doutrinaria ou ideológica. Ou seja, na perspectiva de julgamento se certos ou errados. A História de um lugar são relatos de fatos, que forjam a cultura de um povo. São fatos e acontecimentos cotidianos que parecem simples e até passam sem receber nenhuma atenção. Mas que dentro de um contexto especifico para a localidade proporcionaram uma grande revolução. A história de Almirante Tamandaré possui esta particularidade. Pois, independente de estar englobada em uma história maior e sofrer as influencias diretas e indiretas daquela. A cidade em si, possui uma história única e exclusiva. A qual a torna particular e exclusiva de seu povo. O modesto livro tecido que preencheu a mente de muitos com informações e curiosidades, como também fez renascer lembranças até então adormecidas que pareciam 459


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sem importância. Foram imortalizadas em pouco mais de cinco meses. Ou seja, este livro de história foi lavrado em cinco meses! Mas muitos irão se questionar: “cinco meses de pesquisa, então grande parte do que esta escrito aqui é uma falácia.” Sim. Realmente, tal revelação superficialmente passa este raciocínio. Porém, ele foi tecido em cinco meses, não pesquisado. Pois, para se ter a facilidade de escrever algo sobre um lugar em tão breve período é necessário possuir uma grande gama de informações. E é neste contexto que aparece o primeiro passo da investigação cientifica. Ou seja, conhecimentos específicos sobre o contexto e veracidade destas informações. É no tocante a esta condições que iniciou a minha investigação. Pois, já são 34 anos que recebo informações sobre a história de Almirante Tamandaré. São conhecimentos que adquiri, escutando involuntariamente a conversa dos outros. Eis, que sou um filho nato desta terra, meus pais também são e os pais deles,... Ou seja, eu sou um membro da sociedade, que participa de eventos, de festas, de reuniões e do cotidiano que movimentam a cidade,..., sou uma pessoa que desde a minha infância acompanho meus familiares e familiares de outras famílias tradicional da cidade. Neste contexto possuo o que todo tamandareense nato de minha idade ou mais experiente que eu contempla. Ou seja, marcos de referencia. Diante disto, se nós precisarmos de informações sobre política, saberemos a quem recorrer; sobre calcário, saberemos onde encontrar,... Ou seja, o que é um mistério para muitos que não são da terra, para nós, é uma coisa tão comum, que às vezes nem percebe460


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mos a importância disto, a ponto de deixar o tempo consumi-la. Mas, não é só de relatos orais que uma obra cientifica ganha credibilidade. Mas sim dos fundamentos que recepcionam estas informações e lhe dão terreno firme e plausível. Foi a partir deste raciocínio e posterior reflexão e a forma como estão se propagando certos fatos históricos, que me raiou a ideia de escrever um livro sobre a história da cidade. Pois percebi, que os professores que contam a “História de Almirante Tamandaré”, já estão em idade muito avançada. Diante deste natural quadro, conclui que se alguém não guardar o conhecimento que estes ilustres senhores e senhoras da sociedade local possuem sobre a história tamandareense, anterior a década de 1950, eles se perderiam no tempo, como ocorreu nos tempos ainda dos pioneiros desbravadores. Os quais estiveram aqui. Porém, não sabemos quem eram, quantos eram e o que realmente faziam. Tudo que sabemos é baseado em suposições técnicas e de vagas pesquisas de geógrafos e historiadores da década de 1920. Ou de relatórios oficiais ainda do tempo em que a nossa região pertencia a Curityba, mas que também estão se consumindo no tempo ou possuem acesso restrito e extremamente burocrático. Diferente dos pioneiros habitantes, ainda é possível, conhecer a história de Tamandaré desde sua emancipação, até os dias atuais, ou seja, mais de 122 anos se contar ainda um pequeno período anterior a sua emancipação. Pois, os professores os quais pude apreender algo com eles, nasceram em 1909, 1910, e conviveram com pessoas nascida no século XIX. No caso, cito minha avó Noêmia Kotoviski que nasceu em 1920, e lucidamente conta a his461


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toria dos pais dela, que nasceram no século XIX; o firme e forte seu Tono, (Antonio Candido de Siqueira), neto de um Intendente de tradicional família pioneira do município, nascido em 1921; a saudosa Izalita Rodrigues do Couto Prado, que nasceu em 24/02/1909 e o seu esposo seu Zezinho (o saudoso José Real Prado Sobrinho), que conheci ainda criança, mas nesse tempo, escutava ele falar do passado, como se lá estivesse naquele momento. O também saudoso Seu Generoso Cândido de Oliveira, nascido em 1916, filho do Coronel João Candido de Oliveira. O tio José Francisco Kotoviski, que cheguei conhecer, nascido em 1909; o saudoso avô Pedro Jorge Kotoviski; nascido em 19 de outubro de 1913; também o meu saudoso bisavô Rodolfo Estevão da Cruz nascido em 20 de junho de 1905; a saudosa dona Adelina Santos Scucato, nascida em 1919, a qual quando ia comprar na loja de confecção de minha mãe, fazia uma retrospectiva histórica espetacular espontaneamente,... Ou seja, estes professores, relatavam coisas naturalmente, em simples conversas que tinham com velhos conhecidos. E por sorte eu escutei muita dessas conversas, mas só agora percebi a importância de todas estas histórias que eles tinham a satisfação de contar. Porém, outros professores mais recentes, que também relatam muita coisa, são meu avô materno seu José Ido da Cruz, filho de filho da terra, desde 1932, minha avó Odete Basso da Cruz, filho da terra desde 1935, porém de pais imigrantes da Itália. Seu Joel Siqueira nascido em 1949, o senhor João Bugalski, neto de Ignácio Lipski, o Sr. Zair José de Oliveira nascido em 1946, neto do Coronel João Candido e de seu José Real Prado Sobrinho, seu Albino Milek, meu pai Antonio Kotoviski, meus tios Otavio Kotovski, Luiz Arcélio da Cruz,... Cada professor deste foi especializado em um determi462


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nado setor da sociedade. Um exemplo são meus avôs. Eis que eles possuem uma gama de informações, porque possuíam armazéns e mercearias em tempos que estes não eram encontrados com facilidade na cidade. Ou seja, escutavam historia (e não estórias), de tudo que é tipo. Neste sentido, eu sempre tive a meu dispor um suporte referencial. Onde meu único trabalho na realização desta obra era o de confirmar a veracidade e casar informações, no contexto de outras versões que recebia de outros professores e com fontes documentais escritas, preservada em periódicos, fotos e documentos oficiais dos mais diversos gêneros. Neste contexto de confirmação e fundamentação, meu pai que muito me ajudou com suas informações, ficava bravo, quando eu ia confirmar o tal fato com outras pessoas e em documentos diversos. Achava que eu não acreditava. Porém, eu sempre explicava para ele, que era necessário, pois, desta vez eu não estava escrevendo um livro de poesia, mas sim um documento histórico, onde a oralidade deve possuir uma base probatória em documentos, leis, mapas, periódicos, fotos e notoriedade pública (que se confirmem em outros relatos). Como também toda fonte documental deve ser analisada dentro de um procedimento e método cientifico especifico para verificar sua coerência e veracidade, não para julgar se certo ou errado ou para interpretar sobre um contexto doutrinário438. Pois, não quero cometer erros, como o do professor Ronel Corsi, cujo qual, expôs de forma publica em seu Blog439 e no Museu da Escola Pública, a informação que o prédio da atual Escola Rosilda Municipal Kowalski e CEBJA Ayrton Senna, foi construído em 1911. Quando na verdade o 438 439

BOOTH, Wayne C, COLOMB, Gregory G, WILLIAMS, Joseph M. A arte da pesquisa. São Paulo: Martins Fontes, 2000. REVELANDO A MEMÓRIA NA MEDIDA E NA NECESSIDADE. Revelando a memória na medida e na necessidade: Detalhes arquitetônicos escolares/terça-feira, 27/10/2009. Disponível em:< http:// ronelcorsi.blogspot.com/2009/10/revelando-memoria-na-medida-e-na_27.html > Acesso em: 29 jan. 2011.

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mesmo só foi entregue em 1950. Ou seja, o projeto até pode ser de 1911, mas sua construção só ocorreu em 1950. Como também, nenhuma foto panorâmica da região, anterior a 1950, possui o edifício no local onde se encontra contemporaneamente. Da mesma forma, uns dos pedreiros que ajudaram a erguer a escola, foi o saudoso Bernardo Milek. Que também participou da construção da Delegacia de Almirante Tamandaré440. A de ressaltar que as pedras utilizadas para construir as bases deste prédio e da delegacia, foram fornecidas pelo Sr. Albino Sipla (nascido em 1914)441. Outro fator relevante é que no relatório de obras do Governo Moysés Lupion esta obra aparece em fase de construção442. Ou seja, o que eu tentei demonstrar, que qualquer informação de caráter histórico, deve possuir um embasamento de confirmação em mais de uma fonte. Pois, a credibilidade de um fato histórico, não esta em sua “interpretação social ideológica”, mas sim em sua precisão de ocorrência e descrição. Da mesma forma que nem tudo que se encontra escrito em um livro possui o status de infalibilidade. Pois, quando se explora um passado que em um primeiro momento ocorre a ausência de documentos e fica preso somente a oralidade, a informação pode se distorcer involuntariamente com o tempo. Já que um conta de um jeito e é repassada de outro. Neste contexto se comprova a existência do fato, mas esta comprovação não se estende no contexto de como ela se processou. Outro fato importante a demonstrar, é que não basta ter este cuidado apenas. Deve-se possuir necessariamente conhecimentos geográficos regionais muito amplos,... Pois, caso contrário pode recair em armadilhas, as quais resul440 441 442

Relato de Albino Milek, em 2011. KOKUSZKA. Pedro Martim. Nos Rastros dos Imigrantes Poloneses. Curitiba: Ed. Graf. Arins, 2000, p. 95. GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. A concretização do plano de obras do Governador Moyzés Lupion 1947-1950. (Arquivo Publico do Paraná, Ano 1947-1950 MFN 1146, Moysés Lupion), p. 84.

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tam em erros graves. Um exemplo: a localidade Botiatuba. Eis que em muitos livros e documentos ela se apresenta como um arraial próximo à mina de ouro443 e por coincidência vizinha ao Passaúna. Já em outros sem uma exposição geográfica se apresenta: “como terra doada em 1686, pelo Capitão-Mor governador Thomaz Fernandes de Oliveira ou Sr. Manoel Soares que era dono da região do atual Butiatuba vizinhas com a sesmaria de seu sogro D. Rodrigo e o Rio Passaúna”444. Ou seja, dentro de uma lógica parece que esta se tecendo sobre o Botiatuba tamandareense, já que este fica próximo a nascente do Rio Passauna. E por este motivo se recai no erro de se tecer estas informações verídicas como se pertencentes à localidade. No entanto, esta informação esta equivocada. Por que? Porque o Botiatuba que se esta se referindo é o que está localizado em Campo Largo (Botiatuva), ao lado das minas de Itambé. Porém, naquela época se escrevia Botiatuva que é o mesmo que Botiatuba, Butiatuva e Butiatuba. O qual era vizinho do Passauna. Que fica próximo do Botiatuvinha. Ou seja, não basta verificar a veracidade da informação, se deve também verificar a posição geográfica e se não existe uma localidade homônima. Mas hipoteticamente, a área atual do Botiatuba tamandareense, poderia ter pertencido a essa sesmarias, a qual foi dividida com o tempo entre herdeiros de Baltazar Carrasco dos Reis e os herdeiros destes,... Pois, no século XVII as sesmarias eram de grandes extensões territoriais. E as divisas naquele tempo, eram demarcadas por marcos naturais (rio, colinas, campos,...). Este marco era o Rio Passau443 444

WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do Paraná. 9. ed. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2001, p. 62-63. STANCZYK FILHO, Milton. Alianças Matrimoniais e Estratégias de Bem Viver no Espaço Social da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba (1690 – 1790). Universida Federal do Paraná, trabalho apresentado no XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, realizado em Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil de 4 a 8 de novembro de 2002, p. 10-11.

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na, o qual possivelmente foi estudado e investigado para ver se não existia ouro de aluvião no caminho feito por ele. Tanto em a sua foz, quanto em direção de sua nascente. Como não seria surpresa, que a região do Botiatuba, derivou da área maior, a sesmaria de Butiatuba (atual Botiatuva em Campo Largo), que é separada pela área do Butiatuvinha (não muito longe um do outro, também derivada deste)445. Talvez seja este motivo que a região do Marmeleiro e Botiatuba já aparecem com povoamentos em meados do século XVIII e antes disto pelo número de pessoas existentes dentro de um contexto de “quarteirão”. Porém, isto é uma hipótese, não uma afirmação. Ou seja, só expus uma observação de considerações finais, sem ter conseguido uma prova concreta para tal fato, mesmo eu tendo tido o contato com fragmentos de escrituras e instrumentos de transferências e testamentos desta época. Pois, o problema aparecia pela falta de mapas precisos e no contexto homônimo de localidades, além do fato desses documentos estarem dispersos entre os cartórios da Comarca de Campo Largo, Curitiba, Paranaguá, Arquivo Publico e museus restritos, fora os que se perderam com o tempo por indevida conservação. Ou seja, como expressei inicialmente, estes fatos eram tão comuns, que ninguém se dava conta que um dia seria histórico, por isto ninguém cuidou adequadamente. A mentalidade de preservação de acontecimento cotidiano é um fato tímido, indireto, recente e restrito a certas pessoas. Não é uma mentalidade geral e difundida. Por este motivo que esta observação não aparece nos capítulos iniciais. E não deve ser considerada como verídica ou plausível. 445

NEGRÃO. Francisco. Boletim do Archivo Municipal de Curytiba/Documentos para a história do Paraná/ Fundação da Villa de Curytiba 1668-1745. Vol.VII, Curytiba, Livraria Mundial, 1924, p. 07-09.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto: Galeria dos Prefeitos No entanto o Botiatuba tamandareense foi uma área de sesmaria (mas de quem inicialmente?) e seu nome tem origem na língua tingui. Isto é fato. Outra questão homônima observada no processo desta pesquisa foi observar que a foto do Intendente Theophilo Cabral disposta na parede da Galeria dos Prefeitos não corresponde a sua real Theophilo Cabral, neto do Intendente Theophilo Cabral imagem. Pois, a que esta lá é a foto de seu neto, que por ter o mesmo nome do avô confundiu a conclusão do historiador446. Foto: Família Viana

Nesta foto de meados da década de 1920, aparece enfrente ao Grupo Escolar, o Intendente Theophilo Cabral, o qual esta de preto ao centro segurando um buque de flores que recebeu em uma homenagem prestada na época 446

Comentário feito pelo senhor Harley Stocchero (Harleyzinho), filho do Acadêmico Harley Clovis Stocchero. Março de 2011.

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Porém, no desenvolver da obra, começou aparecer um fato, que poderia dar fundamento para uma conclusão de falta de credibilidade. Isto se deu, porque alguns acontecimentos marcantes foram realizados por meus familiares. E como sou eu que estou escrevendo a história, poderia se entender, que existe uma apologia aos meus familiares. Em relação a esta circunstancia, não é da natureza de qualquer historiador que passou por uma academia de História, possuir um fato histórico na mão, e não contá-lo. Pois, é de consciência que pode acarretar um rompimento sequencial temporal e lógico de uma informação. Neste contexto, ocultar fatos notórios que forjaram a história do município seria pior que a descrença neles. Já que, que na década de 1950, a população tamandareense não passava de 9 mil habitantes, sendo estes espalhados em 487 km², sendo desta forma, 5,52 habitantes por quilometro quadrado447. Ou seja, era pouca gente, e nem todos tinham recursos e as facilidades que encontramos hoje, muita coisa era feita no improviso e com um olhar visionário, que melhor atendesse as necessidades da sobrevivência. Só para ilustrar este fato, a Sede do município, descrita por todas estas ilustres e pioneiras pessoas, não possuía mais de 16 casas (a Sede em um contexto disposto de agrupamento de casas de forma concentrada, como é hoje), existiam muitos sítios e localidades espalhadas448. Praticamente as pessoas se conheciam do município, se não intimamente, mas por nome. Não era como hoje, que existe um mercado, uma escola, praticamente na esquina ou na frente de nossas casas. Talvez até possa ter ocorrido de eu não ter percebido a existência anterior de um fato considerado como 447

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ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Almirante Tamandaré. IBGE, Vol. XXXI Paraná, Rio de Janeiro, 1959, p. 26. Relatos de Albino Milek e José Ido da Cruz.

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pioneiro. Porém, no contexto de confirmação, pessoas distintas, separadas de localidade e família, confirmam o fato. E como naquele tempo os fatos inusitados corriam mais rápido na cidade do que na internet, considerei tal informação junto com observações nos livro caixa de coleta de impostos da época e outros documentos oficiais. Um desses fatos, por possuir um grau de importância relevante à história do calcário na cidade, até deu briga aqui em casa, pelo fato de não querer relatá-lo em um primeiro momento no livro. Pois, o protótipo do britador de calcário, criado de forma a atender os interesses da firma em si, não de outros ou ser algo a ser comercializado em contexto geral, foi o que me deu mais trabalho para confirmar. Porém, foi graça a procura pela confirmação da veracidade da história de meu pai. Que entrei em contato com outros fatos históricos, que desde criança os conhecia, mas que por desinteresse já que não fazia parte do meu mundo, nunca tinha dado bola. Outra informação relevante a ser destacada e considerada, porque só se fala de Botiatuba, Pacotuba, Rua Rachel Candido de Siqueira, Rua Coronel João Candido de Oliveira, se atualmente estes lugares, “são pouco movimentados”. O Botiatuba era importante, porque possuía uma localização que era cortada pela a Estrada do Assungui, ou seja, a via mais importante que ligava Cerro Azul a Capital, e uma das duas vias que ligavam a Sede de Tamandaré a Curitiba. E como, existia uma concentração populacional razoável para a época na localidade, alguns investimentos foram ali realizados. A Rua Rachel Candido de Siqueira, como já foi explicado era o trecho da Estrada do Assungui que passava pela Sede. Pacotuba era um antigo arraial que 469


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servia de base aos aventureiros que por ali passavam em busca de ouro e posteriormente foi Sede. Sendo que a prefeitura se localizava inicialmente onde fica o Pesque e pague do Lucianinho. Foi o local de estabelecimento do primeiro Cartório de Registro Civil da cidade, que funcionou na Estrada da Água Boa, na casa de Dona Cornélia449. A Estrada da Cachoeira foi um advento ocorrido em meado do século XIX, já a Estrada do Assungui, transcende o século XVIII. Já a Rua Coronel João Candido de Oliveira, era a rua onde ficava a Sede do Município, o primeiro Grupo Escolar, o posto de puericultura,... Recebeu este nome já com o advento da transferência de sede do município do Pacotuba para a Vila Conceição do Cercado. Ou seja, ainda em tempos que o Coronel João Candido estava vivo. Pois, isto se deveu porque aquela região que compreende desde a ponte do Barigui, terminal, Jardim São Francisco, Monte Santo, Parque São Jorge, Humaitá, até a divisa com a Colônia São Venâncio (atual bairro), pertencia à sesmaria da família Candido Oliveira, ou seja, a seu pai Candido Machado de Oliveira. Já o território Cercado que se estendia do terminal, ao portal e adjacência até a sesmaria dos Teixeira de Freitas onde fica o Botiatuba, Varova, Restinga Seca. Pertencia a Província (Estado) gerada por um ato de confisco ainda no século XVII. A qual só na década de 1950 foi doada pelo Estado e loteada. O nome da Rua Coronel João Candido de Oliveira, já constava na Ata de Inauguração da Prefeitura em 1916.450 Porém, como bacharel em História que sou, reconheço, que podem existirem divergência quanto à localização ou 449 450

Relato de seu Antonio Candido de Siqueira, no ano de 2001. Acta da Sessão Extraordinária de inauguração do edifício destinado a Municipalidade de Tamandaré. 26 de março de 1916.

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datas. Isto ocorre, porque as pessoas que relataram estes fatos, muitas vezes se confundem com detalhes específicos como datas. Pois, estamos falando de 80, 70, 60,..., anos atrás. Mesmo nós, não conseguimos datar fatos não cotidianos precisamente, que ocorreram a três ou quatro anos passados. Um exemplo é o terminal de ônibus, quantos conseguem afirmar convictamente, a data de implantação dele no centro? Pois, é. E é um fato recente. Neste mesmo contexto se verifica que a forma com que se escrevem os sobrenomes se diferem muito da forma como se escreve hoje, apesar de ser da mesma família. Isto é valido para os nomes das localidades. Outra consideração relevante, que muitos poderão não compreender, é que não teci uma obra para enaltecer as realizações políticas. Mas sim, para mostrar que certas obras que hoje passam despercebidas, mas que contribuíram para o desenvolvimento do município, e nem percebemos isto. Porém, pela responsabilidade que alguém possui em assinar a realização de uma obra, eu vejo importante, o direito deste que exerceu para si as responsabilidades legais, de ser também lembrado. Não é apologia, mas sim respeito a quem empreendeu obras, arriscando num plausível resultado. Um exemplo é a implantação da coleta de lixo no município. Imagine, se isto não existisse hoje. Porém, na época pessoas da comunidade achavam que era um gasto desnecessário. Sei que muitos poderão raciocinar que muitas obras, tiveram dois lados, o lado de beneficio ao povo e outro ao próprio beneficio do executor. Porém, não me vejo em condições técnicas e probatórias de escrever sobre isto. Pois, segundo o que aprendi na Academia de Direito, é que tudo que se aponta e expressa para o público, deve necessaria471


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mente possuir uma fundamentação legal e probatória fática, para ter valor jurídico. Conversa de cara desiludido com a sua vida e que busca na difamação do próximo a justificativa para o seu fracasso, não é fundamento legal e cientifico. Diante disso, meus textos se limitam a falar de fatos, e dependendo do fato não examina e expõe seu contexto. Mas, se alguém quiser se aventurar a julgar personalidades históricas do município, a tentar provar coisas que promotores não conseguiram, então escrevam um livro e contem o que realmente aconteceu, não queiram se apegar a isto para pré-julgar a forma como retratei os acontecimentos da cidade. Feitas estas considerações, tudo que eu espero ter feito, é ter contribuído com a preservação histórica e cultural do município. Talvez eu tenha esquecido de alguns fatos, de pessoas e outros lugares fora do centro. Peço desculpa por não considerar as regiões que hoje formam Campo Magro. Pois, mesmo elas tendo participado da História de Tamandaré, suas características observadas, se ligam mais a Sede daquele município e aos caminhos traçados pelo seu pioneiro e dono Baltazar Carrasco dos Reis, família e herdeiros. Ou seja, minha intenção é ter feito algo realmente útil em minha vida. Por este motivo, reuni meus conhecimentos da Ciência da História com a Metodologia da Pesquisa Cientifica e Jurídica, para tentar promover um resultado satisfatório, na integralização dos conhecimentos que possuo sobre Tamandaré, com sua expressão no contexto da proximidade com a veracidade. Neste sentido, devo destacar que o Acervo Histórico da Biblioteca Pública do Paraná; da Biblioteca do Museu Paranaense; Biblioteca Municipal Harley Clóvis Stocchero; Ar472


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quivo Público do Paraná; do Arquivo Restrito do Projeto Contos e Lendas de Um Povo, da senhora Josélia Kotoviski; dos jornais da Tribuna dos Minérios e Folha de Tamandaré (os quais possuo arquivados); Placas de Pedra Fundamentais; Cartório de São Vicente-SP; Documentos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré e sites de instituições públicas oficiais, Projetos Políticos Pedagógicos das escolas da rede municipal e estadual,... colaboram em fornecer as respostas que procurava. Porém, é com pesar que relato que na busca por informações históricas muitas placas de pedras fundamentais e de túmulos foram arrancadas. Provavelmente por pessoas que acham que 3 kg de bronze (R$ 15,00) é um grande lucro (até imagino para comprar o que!). Também verifiquei que muitos livros e documentos foram ou estão se consumindo por má conservação. E o pior, que não existe no município um Arquivo Publico, que conserve os documentos oficiais de forma adequada e aberto ao publico. E com isto preserve uma parte de sua história. Outro fato curioso, é que muitos sobrenomes são escrito de várias maneiras, mesmo pertencendo à mesma família. Exemplos: Kotovski – Kotoviski – Kotowski – Kotowiski; Busato – Busatto – Buzato – Buzzato – Buzatto,...; Cândido de – Candido de; Lipinski – Lipski;..., Romero – Romeiro; afinal qual é o certo, se nos documentos oficiais como o do TRE-PR, expressa: em 2008 Luiz ROMEIRO Piva, em 2004 ROMERO; no relatório de 1982, Ariel Adalberto Buzzato, já em 1976 Ariel Adalberto Busato, Lourenço Alberto Buzato em 2000; Antonio Kotowski em 1972, Josélia Kotovski em 2004,... Isto sem contar a Rua Bertolina Kendrick de Oliveira – Rua Bertolina Candido de Oliveira – Rua Bertolina Kenidy de Oliveira(?); Mileck (TER-PR) – Milek. Independente 473


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de qual esta certo ou errado, fica um aviso. Atualmente, como a as famílias do município são conhecidas, este irrelevante fato hoje, não faz diferença nenhuma, porém, daqui 200 anos? É lógico, que em um livro de história como o meu, que é também baseado em documentos oficiais, pode ocorrer estas variações. No entanto são estas variações que influenciam outras, que pode ter efeitos em fatos de interpretação futura. Neste contexto em uma entrevista realizada com seu Valter Johson Bomfin, ele observou um erro que é cometido no contexto do sobrenome Bomfin. Pois, o certo segundo ele é “Bomfin” e não “Bonfim ou Bonfin”451. Outro exemplo, na minha carteira de motorista, aparece KotoVISki, já na de meu irmão KotoVSki. Isto sem contar que nasci em 10 de outubro. Mas meu CPF diz que eu nasci em 11 de outubro. Estas interpretações já fazem efeito. Pois, na busca por cidadania o pedido esbarra nesta variação de sobrenomes. Um exemplo que surpreende é que nenhum dos Kotovski citado é o sobrenome carregado pelo ancesAcervo Família Kotoviski

Carteira de identidade de estrangeiro expedida apenas em 16/10/1942. Praticamente 23 anos depois da chegada de Damião no município, vindo de território Ucraniano invadido pela Rússia com o advento da Primeira Guerra Mundial 451

Relato de Valter Johson Bomfin, abril de 2011.

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tral da família. Pois, observando a assinatura do meu bisavô Damião, percebe-se que o sobrenome é “Kotovcz”. Neste mesmo documento em que ele assina seu nome, que é a Carteira de Identidade para estrangeiro. Aparece seu sobrenome “Kotowski”, no contexto de preenchimento pelo funcionário responsável. A de ressaltar que são estas pequenas informações, que às vezes se tornam um “bode expiatório”, para derrubar a credibilidade de um fato no contexto falacioso de muitos argumentos de pseudos-historiadores. Como também separam dentro do contexto legal e burocrático famílias que possuem parentesco comum. E o pior é que estes erros se fazem presentes em documentos oficiais diversos. Também a de se destacar que muitos nomes foram escritos “errados”, em virtude do cartorário ou responsável pelas confecções dos documentos legais, na época da chegada dos imigrantes terem escrito errado. Um exemplo é o relato de Cide Gulin, quando expressou que o sobrenome Goulim, surgiu de um erro do cartorário. Porém, que tanto Gulin quanto Goulim é mesma coisa452. Em referencia a este fato, peço desculpa se escrevi o sobrenome errado de alguma família neste livro referenciada. Pois, quando entro em contato com relatos e documentos, nem sempre é possível confirmar como se escreve certos nomes. No entanto, a variação de alguns nomes, principalmente aos de imigrante italianos vindos a partir da década de 1930, se dá em virtude de uma estratégia contra uma possível perseguição política, que muitos achavam que poderia ser feita aqui no Brasil por parte de partidários de regimes diversos na Itália. No entanto, a “perseguição” partiu 452

Relato de Arcidineo Felix Gulin, em fevereiro de 2011.

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do próprio Estado Federal, que proibiu fundamentado em uma política de integração e nacionalização cultural, a utilização de nomes estrangeiros em estabelecimentos comerciais até na restrição a liberdade e locomoção. Principalmente a alemães, italianos e japoneses. Outra expressão da perseguição se deu no contexto de confisco de bens de súditos do Eixo; proibição de falar em publico com língua estrangeira453,... Mas isto não é uma informação de livro apenas. Pois, segundo o relato de Odete Basso da Cruz (descendentes de italianos), esta perseguição era notória. A ponto de seus parentes terem que ficar escondidos nas regiões mais afastadas da Sede para não sofrerem repressão das autoridades. Diante deste exposto, espero que os relatos deste tamandareense, sirvam de inspiração, para outros relatos, que não permitam que a história local morra. Como assim fez até o presente levantamento o Sr. Hermenegildo Lara, que provavelmente foi um dos primeiros ou o primeiro filho da Villa de Tamandaré a se preocupar em registrar a história do município. Pois, sua própria história profissional o credenciavam e o inspirava a isto. Pois, já aos em 1926 (aos dezessete anos), começou a trabalhar no Cartório Civil de Registro de Nascimento, Casamento e Notas da cidade. Foi escrivão da delegacia de policia em 1928, e foi lhe concedido o titulo de tabelião como o oficial maior do cartório em 1935. Tornou-se delegado em 1938 e Agente Administrativo do Distrito de Tamandaré. Faleceu com 87 anos, em 24 de março de 1997454. Porém, deixando um legado muito importante, que hoje serve para ajudar a contar uma parte da história 453

454

KANASHIRO, Milena. Paisagens étnicas em Curitiba: um olhar histórico-espacial em busca de entopia. Tese de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná – UFPR, da linha de pesquisa “Urbanização, Cidade e Meio Ambiente”, Curitiba PR: 2006, p. 255. FOLHA DE TAMANDARÉ. Nossa Gente/Hermenegildo de Lara. Ano I, nº 32, primeira quinzena de novembro de 1985.

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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE ALMIRANTE TAMANDARÉ Foto publicada Folha de Tamandaré. do município. Porém, este legado Nossa Gente. Novembro de 1985 poderia ser muito maior se as autoridades que entraram em contato com ele antes de seu falecimento, tivessem realizado seu cívico desejo. O de ser criado um museu na cidade para guardar o material coletado por ele sobre a cidade durante a sua gloriosa vida. No entanto, não ocorreu o interesse por parte dos governantes. E por Agente Administrativo este fato, muito deste valioso maHermenegildo de Lara/ pioneiro historiador terial se perdeu com a sua morte. tamandareense Outro cidadão que merece destaque por ter produzido um importante documento sobre as características do município é o senhor Didio Santos que no desempenhar de sua função pública elaborou o Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira, em parceFonte: Folha de Tamandaré, Nov/1985 ria com Harley Clóvis Stocchero no ano de 1951455. O senhor Didio Santos nasceu em Paranaguá em 14 de novembro de 1894, foi secretário do município na gestão do Prefeito João Wolf e nas duas administrações do Prefeito Ambrósio Bini. Faleceu em 25 de maio de 1962456. Mais recentemente outro cidaDidio Santos, importante dão colaborou com a história do figura política da década de 1940 a 1960 município sem perceber necessa455 456

STOCCHERO, Harley Clóvis. Ermida Pobre. Curitiba: O Formigueiro, 1984, p.04. Idem.

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riamente que fazia isto. Pois, no contexto de elaborar um dossiê histórico de exposição simples e com fotos e fatos diversos sobre a Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Almirante Tamandaré em 1998, o Frei Euclides Bonamigo preservou um fragmento norteador da história de elevada importância para as futuras gerações do município. Também é necessário destacar o trabalho das escolas estaduais e municipais que no processo do ensino-aprendizagem desenvolvem projetos de resgate da história da comunidade. Sendo que os principais arquivos disponibilizados e que foram de extrema utilidade se referem aos trabalhos realizados por professores da Escola Estadual Lamenha Pequena (1999), Colégio Estadual Ângela Sandri (1986), Colégio Estadual Jardim Paraíso (2001-2002), Escola Jaci Real Prado de Oliveira (2010) e da Escola Alvarenga Peixoto na década de 1980. Em consequência desses trabalhos, resgataram bem mais que objetivaram inicialmente. É necessário ressaltar que foi graças ao diversos Projetos Político Pedagógico (documento burocrático oficial escolar) que entrei em contato no decorrer desta pesquisa, os quais foram importantes marcos norteadores que inspiraram novas informações, averiguações e conclusões. Porém, contar a história do município, que parece fácil, muitas vezes se torna difícil e dificultada. Pois, se torna uma disputa entre quem vai ser o historiador oficial de Almirante Tamandaré. Como se isto existisse e fizesse alguma diferença na ordem do dia. Mas em 1989, em decorrência da centenária comemoração, entrou em pauta na Câmara Municipal um Projeto de Lei, que esclarecia que a data de comemoração de 11 de outubro estava errada e mudava a data comemorativa para 28 de outubro. Mas para se comprovar tal fato, se havia a necessidade de apresen478


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tar argumentações históricas para isto. Neste contexto, a Folha de Tamandaré nº 83 de 30 de setembro de 1989, publicou em seu Editorial Tamandaré 100 anos, na página 02 a seguinte frase: “Vereador Jarek pode entrar para a história do município”, da mesma forma foi referenciado um resumo histórico feito por Hermenegildo de Lara457, neste contexto, seu Harley revoltado, escreveu uma carta a Folha de Tamandaré de 15 de outubro de 1989, onde apresentou seus argumentos contestando tal fato. O qual revelou, que seu pai, já havia feito um resumo histórico, sendo que este foi disposto dentro de um tubo de PVC e enterrado junto à pedra fundamental da atual Prefeitura458. De certa forma o vereador Gerônimo Jarek, entrou e fez a história do município, pois, a sua proposição logrou êxito e corrigiu uma injustiça histórica com o advento da Lei nº 31/89, sancionada pelo prefeito Roberto Perussi em 05 de outubro de 1989. A partir deste dia a comemoração oficial da data festiva, se daria no dia 28 de outubro. E o ano de emancipação política, se contaria a partir de 1889459. Porém, o resumo da história municipal já existia e foi tecida na parceria entre Didio Santos e Harley Clóvis Stocchero no contexto do Estudo histórico, estatístico, econômico, descritivo do município de Timoneira. Que era um relatório oficial da Prefeitura Municipal de Timoneira, publicado em dezembro de 1951. O qual se fundamentou nos relatórios apresentados oficialmente ao governo do Estado em décadas anteriores. Mas este não é o mais antigo, era apenas um aperfeiçoamento de outros resumos já elaborados em relatórios para o governo estadual, feito por pesso457 458

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FOLHA DE TAMANDARÉ. Tamandaré 100 anos. Ano V, nº 83, 3º de setembro de 1989, p. 02. FOLHA DE TAMANDARÉ. Dr. Harley diz que todos os méritos na realização da pesquisa sobre Almirante Tamandaré são seus/10 de outubro de 1989. Ano V, nº 84, 15 de outubro de 1989, p.06. Idem, p. 07.

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as que infelizmente se desconhecem os nomes. O problema neste caso talvez tenha sido a forma como foi divulgado e interpretado o acontecimento. Que a propósito foi involuntário e superficial já que se vinculou ao autor da lei em uma época em que todos estavam presos as tensões dos preparativos para as festividades dos 100 anos do município. Independente de quem fez ou deixou de escrever a “história oficial do município”, e não mais se vinculando ao assunto supracitado, pois este tem contexto totalmente diferente do que tecerei agora. Prendo-me a observação de que muitos querem escrever a história da cidade, porém, poucos querem pesquisá-la, buscar e referenciar coerentemente de onde vieram tais informações e como se chegou até a elas (metodologia da pesquisa cientifica). Pois, se fizerem isto, irão enaltecer pessoas que realmente fizeram uma pesquisa, mas que não tiveram recursos para expor a mesma em forma de livro. Ou seja, não possuem a humildade de reconhecer que teve que fazer copia (plágio). Pois, assumem compromissos, e no contexto de apresentar resultados acabam tendo que apelar a copiar na integra o trabalho alheio, pensando que ninguém está vendo. Existem outros que querem transformar a história do município em estórias que o povo conta. Se prende a ideologia e ao “achismo” de que possuem o “real” ponto de vista. Ou seja, transformam acontecimentos concretos e de notoriedade publica, em lendas. E consequentemente distorcem o que lhe foi relatado. O efeito disso, é que quando um historiador sério vai fazer uma pesquisa, as pessoas ficam receosas de contar o que sabem, pois, se contarem o que realmente viram e viveram, serão tachadas indiretamente de mentirosas na visão hipócrita de “pseudo-histori480


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ador”. Resumindo, as portas se fecham para todos, por causa da má fé de aventureiros e pessoas sem rumo que passam por Tamandaré, que querem se enaltecer e tirar proveito de alguma oportunidade de lucro ou gloria. Porém, quando se queimam se mando do município, viram história do livro da malandragem. E existem os que se apropriam indevidamente de documentos. Por exemplo, o rascunho do Livro Tamandaré: contos e lendas de um povo, organizado pela professora Josélia Kotoviski. Quase se tornou obra de pessoas que se quer se esforçaram para produzi-lo, e que sumariamente ocultaria o nome de todos aqueles que colaboraram com relatos. Outro fato triste colhido em relatos no decorrer desta pesquisa que resumi bem este contexto, foi à apropriação indevida (furto) de um conjunto de três obras literárias produzidas pelo Senhor Luiz Fernando dos Santos (morador de Tamandaré que muitos anos trabalhou no Banestado). As quais eram observações criticas que denunciavam a ocultação de acontecimento e manipulação popular por detrás das noticias e da televisão. Segundo o relato, esta sua obra foi usada pela pessoa de má fé, até como parte de trabalho cientifico. Porém, seu Luiz não pode fazer nada, pois o seu trabalho não havia sido registrado na Biblioteca Nacional, no entanto foi pela pessoa460. Também ocorrem que fotos antigas de arquivos familiares, somem, e aparecem em capas de guias, internet e ainda com o dizer: “foto pertencente ao arquivo de fulano de tal, reprodução protegida por lei”! Ou seja, as pessoas não deixam mais ver álbuns familiares, documentos pessoais, emprestar fotos ou permitir certos relatos. Porque além de certos seres se apropriarem indevidamente da foto, ainda 460

Relato de Luiz Fernando dos Santos, 22 de abril de 2011.

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se intitulam como donos. Eu conto história. Porém, eu quero deixar um documento que possua o valor da credibilidade. Por este motivo, que exponho as minhas fontes nas notas de rodapé, referências e no contexto dos textos quando existe a possibilidade. Pois, eu não vivi antes de 1976, sendo assim, como é que eu poderia renegar o nome de quem me contou ou me informou o que ocorreu antes disso. Porém, apesar destes fatos que se ocultam no ato de pesquisar história, verifiquei um fato interessante mais preocupante. O qual reflete bem a falta de consciência histórica que circula na cidade. Pois, no contexto do capítulo Caminhos que levam até Tamandaré, observei que não existe nenhuma rua até o presente momento (abril de 2011) com o nome do primeiro administrador do município, tão pouco do segundo, do terceiro... Os únicos lembrados da antiga Tamandaré foram o Coronel João Candido, Antonio Baptista de Siqueira, Serzedelo de Siqueira, Antonio Zem, Fredolin Wolf, João de Barros Teixeira, Domingos Scucato. Ou seja, nenhuma rua, praça, escola, ou outro patrimônio público carrega o nome dos Senhores Alberto Munhoz, Theophilo Cabral, Frederico Augusto de Souza e Vasconcelos, Manoel Francisco Dias, Manoel Miguel Ribeiro, João Evangelistas dos Santos Ribas (Rua da Lamenha Grande, João Evangelista?),... Longe de apologia, mas uns dos motivos para o patrimônio público possuir denominação de pessoas, datas ou outra referencia, diz respeito a ser um mecanismo de preservação da história e cultura local. Pois, sempre vai existir o cidadão que irá questionar quem é o patrono do bem público. É neste contexto que a história se propaga. Não existe nenhuma rua com a data Onze de Outubro, Vinte e Oito de Outubro,..., não existe nenhuma com o 482


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nome do primeiro pároco da cidade, ou seja, dá a impressão que a cidade não tem história. No entanto, rua um,..., e outras denominações de pessoas que se quer passaram pela cidade existe aos montes. Está certo que alguns destes patronos foram importantes, mas a história deles é universal, já a nossa é especifica, local e precisa ser preservada. Mas a de ressaltar que esta preocupação não é exclusiva minha, pois de forma mais restrita e especifica. Porém com significado amplo para o bom entendedor, o Dr. Harley Stocchero expressava em sua Coluna (Página da Saudade), do jornal paroquial Brasinha, por que o nome de Dona Luíza Johnson não aparecia em nenhuma rua, escola ou creche? Ou seja, seria falta de memória histórica. Um povo que não preserva sua história é um povo que não sabe o que é, e para que luta além da sobrevivência. Estas considerações resumem em um contexto de linguagem universal e compreensível os caminhos que utilizei para alcançar certas informações. Sendo que, o período pré-histórico de Almirante Tamandaré, foi obtido exclusivamente por fontes bibliográficas (geográficas, geológicas, antropológicas, indígenas), rara exceção de transcendência que ocorria de um fato hoje que se liga a um do passado, mas mesmo assim utilizei fontes legais, jornalísticas e eletrônicas. Para escrever sobre o período Colonial Coritibano de Almirante Tamandaré, as fontes se prenderam em documentos legais administrativos, civis e penais. Fontes bibliográficas da história do Paraná e Curitiba. No contexto do período Freguesia (que vai desde o seu reconhecimento como Freguesia até a extinção da Villa de Tamandaré). Foi possível utilizar fontes orais como referencia para serem exploradas em fontes biográficas, bibliográ483


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ficas, relatórios oficiais administrativos e de instituições sociais privadas (maçonaria, sociedades culturais), legislação, instituições religiosas e fotos. Já o período Timoneira que se estende até o dia que Almirante deixou de ser um município do interior, foi possível utilizar fontes orais como norte para documentos oficiais, periódicos, fotos e bibliografia esparsa em pesquisas acadêmicas. Além de informações colhidas em órgão de classes, clubes, instituições religiosas e educacionais. Por fim, o período Região Metropolitana, se fundamentou em tabloides, fontes orais como referencia, áudios-visuais, documentos oficiais, fotos, bibliografias, legislação, processos judiciais,... Ou seja, a partir desta demonstração a obra “Relatos de um tamandareense”, no contexto de uma concepção técnica é caracterizada por uma pesquisa de campo no que tange o levantamento de fatos a partir de fontes orais. As quais são integralizadas e confrontadas com fontes escritas oficiais e de circulação publica. Sendo que muitas dessas fontes foram também analisadas e confrontadas suas informações com outras fontes para ganharem um status de credibilidade e serem utilizadas. Ou seja, é também uma pesquisa de característica bibliográfica. Sendo que seu padrão de exposição textual se vincula ao descritivo e não ao contexto analítico. É uma obra de referencias e marcos, não de hipóteses e analises contextuais sócio/econômica/cultual. Com características de textos de contemplação ao leigo e ao técnico. Neste contexto, as referencias e algumas explicações ocorrem no rodapé. Da mesma forma, que informações oficiais são descritas em forma de paráfrases (como os históricos das escolas, por exemplo). A história tamandareense é um tesouro, que não pode 484


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