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com ilustrações de Débora Cabral, Denise Escudeiro, João Fernandes e Kira Laureano

1ª EDIÇÃO

2012

Editora AESO Olinda


© by Débora Cabral, Denise Escudeiro, João Fernandes e Kira Laureano Todos os direitos reservados à Laboratório de Impressos - AESO Avenida Transamazônica, 405 Olinda - PE, 53300-240 (0xx) 81 2128-9797 Equipe de produção Débora Cabral Denise Escudeiro João Fernandes Kira Laureano Revisão Denise Escudeiro Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Cabral, Débora Escudeiro, Denise Fernandes, João Laureano, Kira Letras Ilustradas do Mestre Luiz Gonzaga - 1. ed. - Olinda 2012 ISBN 000-00-000-0000-0


Sumário Prefácio ____________________________ 7

Ilustrações - João Fernandes _____ 30

Introdução _________________________ 9

ABC do Sertão ________________________ 32

Ilustrações - Débora Cabral _______ 14

A Morte do Vaqueiro __________________ 34

Olha pro Céu __________________________ 16

Pagode Russo ________________________ 36

Xote das Meninas _____________________ 18

Ilustrações - Kira Laureano _______ 38

Vem Morena __________________________ 20

Baião ________________________________ 40

Ilustrações - Denise Escudeiro ____ 22

A Vida do Viajante ____________________ 42

Asa Branca ___________________________ 24

Que nem Jiló _________________________ 44

Ovo de Codorna _______________________ 26

Glossário _________________________ 48

Feira de Caruaru _____________________ 28


Prefácio Este livro é um projeto da disciplina de Design Editorial, da Faculdade Aeso Barros Melo, de Pernambuco. Ele foi proposto aos alunos de Design Gráfico do 3º período, pela professora Adrianna Coutinho, como uma forma de homenagear o centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. A introdução é um texto editado do colecionador e pesquisador de Luiz Gonzaga, Fábio Mota. Conta um resumo da vida pessoal e artística do Rei do Baião. Normalmente suas obras são representadas através da xilogravura, por ser um estilo de ilustração típico de Pernambuco, mas não neste livro. Foram escolhidas algumas de suas músicas mais importantes para serem ilustradas e diagramadas, pelo grupo de quatro estudantes. Cada um ficou responsável por representar três músicas, utilizando estilos variados de ilustração, diagramação, coloração e diferentes tipografias. Foi um projeto diversificado e interessante de produzir. Ficam claras as diferenças entre cada música, e cada uma delas teve o cuidado e o carinho necessário. A presença de pop-ups criam um imaginário e interação entre o livro e leitor. Ao fim da produção de todas as músicas, percebeu-se a necessidade de um glossário. Algumas palavras são particu-

7 larmente familiares ao Nordeste, e por isso o glossário ganha extrema importância para que o livro possa ser compreendido por pessoas de todas as regiões do Brasil. Espera- se que a variação de formas, cores, fontes e estilos, tornem o livro mais agradável para diferentes tipos de leitores. E é com imensa satisfação que lançamos essa obra em suas mãos. Divirta-se, ligue o som, e ouça a sanfona tocar. Denise Escudeiro


Introdução

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe à 12km de Exu, filho de Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus (Mãe Santana). Foi batizado na matriz de Exu no dia 05 de janeiro de 1913, cuja celebração batismal, foi realizada pelo Pe. José Fernandes de Medeiros. Desde sua infância o pequeno Gonzaga namorava o fole de oito baixos, instrumento este, executado por “Pai Januário” no qual começou seus primeiros acordes. “Luiz de Januário” como era conhecido na infância, aos 8 anos de idade substitui um sanfoneiro que falhou no trato em festa tradicional no terreiro de Miguelzinho na Fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai. Naquela noite o pequeno Lula deleitava-se tocando e cantando a noite inteira, e pensava na possibilidade de Dona Santana deixar ele tocar mais vezes. Luiz Gonzaga tocava feliz porque era a primeira noite que tocava com a permissão de “Mãe Santana”. Naquela noite ele recebeu pela primeira vez o cachê de 20$000 rés. Luiz Gonzaga recorda as palavras de Dona Santana que pareciam ter uma esperança de tocar com sua permissão: “Luiz! Isso é gente pra tocar em dança? (…) E se o sono der nele pru lá?” Luiz Gonzaga ia crescendo, com sua simpatia e esperteza conseguiu agradar Sinhô Aires, passando a ser o garoto de confiança do Cel. Sua primeira sanfona era de marca “veado” comprada na loja de Seu Adolfo em Ouricori, Pernambuco, com a fiança do Cel. Manuel Aires

9 de Alencar, o Sinhô Aires, custando 120$000 rés. O futuro de Gonzaga estava realmente na sanfona, profissão posteriormente executada em todo Brasil, graças as observações aos dedos ágeis de “Pai Januário”. Antes de Gonzaga completar 16 anos já era conhecido no Araripe e em toda redondeza. Aos 17 anos o filho de Januário apaixona-se por Nazarena, filha de um Alencar. O padrasto da jovem, o senhor Raimundo Deolindo sabendo da inclinação do jovem sanfoneiro pela menina-moça, resolve impedir o namoro. Luiz Gonzaga muito magoado com a situação resolve então encará-lo num sábado na feira do Exu, e disse ‘as do fim!’. Foi por causa de “Nazinha”, como a chamava, que Gonzaga levou uma surra de Dona Santana, por ocasião de seu atrevimento com o senhor Raimundo Deolindo, fugindo de casa em 1930. Lula resolve então arranjar uma maneira de fugir de casa, foi quando com a ajuda de Zé de Elvira, com quem armou sua fuga, caminhando a pé cerca de 65Km de Exu ao Crato. Chegando no Crato Luiz Gonzaga vende ao lavrador, o senhor Raimundo Lula, sua sanfona por 80:000 rés. Essa decisão na vida de Luiz Gonzaga foi em julho de 1930, quando chega em Fortaleza e alista-se no 23º Batalhão de Caçadores do Exército, servindo no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Ceará, Piauí, Belo Horizonte, Campo Grande e no Rio de Janeiro. O então soldado de n.º 122, ganha fama no Exército e um apelido: “Bico de Aço”, por ser um excelente corneteiro. Deu baixa no


10 Exército em Minas Gerais, no dia 27 de março de 1939 e viajou para o Rio de Janeiro, para esperar o navio que o levaria a Recife, em seguida Resolveu então a convite de um amigo, foi ganhar a vida tocando no Mangue, com uma sanfona de 80 baixos, uma Horner branquinha, sua primeira sanfona branca comprada em São Paulo. Vale ressaltar que a partir de então, Luiz Gonzaga só usa sanfona branca até o final de sua vida. Em 1940 Gonzaga conhece o guitarrista português, Xavier Pinheiros, e forma dupla tocando no Mangue e nas casas noturnas(cabarés), do Rio de Janeiro. Ele começou tocando músicas de Manezinho Araújo, Augusto Calheiros e Antenógenes Silva, começou a apresentar-se nas rádios em programas de Calouros. Em 1941 conhece Januário França, no qual transmite a Gonzaga um convite de Genésio Arruda, para acompanhá-lo numa gravação na RCA Victor. Logo em seguida é convidado para gravar um disco solo; grava dois, e nos cinco anos seguintes, Luiz Gonzaga grava cerca de 30 discos. A partir de 1941, Luiz Gonzaga já tinha o título de Maior Sanfoneiro Nordestino. Luiz Gonzaga sofreu muito no Rio de Janeiro, para se firmar artisticamente. Com muita luta e vencendo as ironias de Ari Barroso, em 1942 Luiz Gonzaga começa a fazer sucesso nas emissoras de rádio. Em 1944 ele foi despedido da Rádio Tamoio e, logo em seguida foi contratado por Cr$ 1.600.00 pela Rádio Nacional. Recebe neste ano o apelido de “Lua”, por Paulo Gracindo. Em 1945 Luiz Gonzaga conhece o futuro grande

parceiro, o advogado Humberto Cavalcanti Teixeira, nascido em Iguatu, Ceará. No dia 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou seu primeiro disco em voz. No dia 22 de setembro de 1945 nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, fruto do amor de Luiz Gonzaga com Odaléia Guedes dos Santos, cantora e bailarina profissional do coro de Ataulfo Alves. Gonzaga conviveu com Odaléia, cerca de 5 anos. Odaléia faleceu de tuberculose em 1952, quando Gonzaguinha tinha 7 anos (vale ressaltar que Gonzaguinha nesta época já morava com os padrinhos Xavier e Dina no Morro de São Carlos). Em 1946 com Humberto Teixeira, Luiz Gonzaga compõe e grava a primeira de uma série de 18 parcerias: “No meu pé de serra”. O sucesso de Gonzaga com esta música começa a ser enorme e ao mesmo tempo seu nome começa a correr pelo mundo: Europa, EUA, Japão, etc. Neste mesmo ano Luiz Gonzaga resolve então rever a família, e chega em casa pela madrugada. Fica frente a frente com Seu Januário e é interrogado: “Quem é o Sinhô? Luiz Gonzaga seu filho! Isso é hora de você chegar em casa corno sem vergonha!?” Deste encontro, Luiz Gonzaga com Humberto Teixeira, compõem a música Respeita Januário, em homenagem àquele homem que foi o responsável pela inclinação do “negrinho fiota” para a música. Em 1947 no mês de março, Gonzaga gravou a música Asa Branca, que foi inicialmente refutada pelo diretor. A música Asa Branca começou a receber diferentes interpretações e gravações em vários países, como Israel e Itália.


11 Em julho de 1947, na Rádio Nacional, Luiz Gonzaga conheceu Helena das Neves Cavalcanti, sua futura esposa. No dia 16 de junho de 1948 Luiz Gonzaga casa-se com a contadora pernambucana Helena das Neves Cavalcanti, natural de Gravatá – PE. resolve então fazer um passeio para apresentar a esposa a “Pai Januário”, que não pôde ir ao Rio de Janeiro para o casamento do filho. Neste dia 05 de abril de 1949 Luiz Gonzaga soube a caminho, que no dia anterior tinha começado em Exu um conflito político entre as famílias Alencar, Sampaio e Saraiva. Em 1949 Gonzaga conhece em Recife o médico José Dantas de Sousa Filho. Com o novo parceiro, Gonzaga grava no dia 27 de outubro, o baião Vem Morena e o Forró de Mané Vito. E o Brasil se deliciava com a boa música do “negrinho fiota”, que saiu lá das bandas do Exu para conquistar o coração dos brasileiros. No dia 01 de novembro de 1949, Seu Januário, Dona Santana, Geni, Muniz, Chiquinha, Socorro e Aloísio seguiram para o Rio de Janeiro, no caminhão comprado por Luiz Gonzaga. Em 1950 o Lua recebe dos paulistas o título de “Rei do Baião” que o consagra até nossos dias. Neste mesmo ano “Lua” grava também a toada Assum Preto e os baiões Qui nem Jiló e Paraíba, Gonzaga neste período está no auge de sua carreira. A música Paraíba foi gravada por uma cantora japonesa Keiko Ikuta, e também pela Emilinha Borba. Em 1951 Luiz Gonzaga coroou a cantora Carmélia Alves como a “Rainha do Baião”

na Rádio Nacional, no programa “No Mundo do Baião” de Humberto Teixeira e Zé Dantas. No ano de 1952 Luiz Gonzaga tentou projetar para todo o Brasil, nos festejos juninos o talento musical da família através das rádios Tupi e Tamoio tendo como atração, Os Sete Gonzagas: Seu Januário, Luiz Gonzaga, Severino Januário, José Januário (Zé Gonzaga), Chiquinha Gonzaga, Socorro e Aloísio. Em 1953 grava ABC do Sertão, Vozes da Seca e a A Vida do Viajante. Neste mesmo ano Luiz Gonzaga assume plenamente sua identidade nordestina, começando a usar o gibão de couro. No dia 09 de julho de 1954 mataram em Serrita Raimundo Jacó, primo de Luiz Gonzaga. Em 1959 Dona Marieta, mãe de Dona Helena, veio a falecer no Rio de Janeiro. O Rei do Baião não parava, andava por todo o País cantando e decantando o Nordeste. No amanhecer do dia 11 de junho de 1960, Dona Santana, mãe de Luiz Gonzaga, falecia no Rio de Janeiro, com a doença de chagas. A partir de 1960 Luiz Gonzaga começa a ser esquecido dos meios de comunicação, e faz então um desabafo a Dominguinhos: “Eu vou parar de cantar baião, pois ninguém dá a mínima atenção pra minha música. Vou comprar um transiscorde para você, pra gente fazer bailes. Eu toco contrabaixo, enquanto você toca esse instrumento eletrônico que saiu agora”, ( isso foi só um desabafo, pois Gonzaga continuou compondo baião até o final de sua vida). Em 1962 a parceria da dupla (Gonzaga e Zé Dantas), se desfaz por ocasião do falecimento de Zé Dantas. E em 1963, o Rei do Baião gravou


12 A Morte do Vaqueiro, uma homenagem a seu primo Raimundo Jacó “morto covardemente”. Neste mesmo ano Luiz Gonzaga foi surpreendido com o roubo que fizeram de sua sanfona e conhece o poeta cearense Patativa do Assaré, de quem grava em 1964 a música A Triste Partida. Em 1964 Luiz Gonzaga faz uma homenagem a Sanfona Branca roubada, com a música Sanfona do Povo. O Rei do Baião faleceu no dia 02 de agosto de 1989, às 5:15min da manhã no Hospital Santa Joana, em Recife. Foi na Veneza Brasileira que Luiz Gonzaga dava seu último suspiro. O corpo do Rei do Baião chegou a sua terra natal, sua querida Exu no dia 03 a noite. Foi velado na Igreja Matriz de Exu, durante a noite do dia 03 e todo o dia 04, saindo para o sepultamento no Cemitério São Raimundo às 15:45min, no carro corpo de bombeiros. Passando por diversas ruas da cidade rumo ao Cemitério São Raimundo, local onde aconteceram as últimas manifestações de carinho, àquele que só foi alegria. O caixão desceu a sepultura depois que Gonzaguinha, Dominguinhos, Alcimar Monteiro e mais de 20 mil pessoas cantarem a música ASA BRANCA às 16:50min. Luiz Gonzaga foi embalado no seio da terra na sexta feira, no mesmo dia da semana, que ele nasceu. E outra coincidência é que ele morreu no amanhecer do dia, assim como ele nasceu no amanhecer do dia 13 de dezembro de 1912.

Fábio Mota


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Ilustrações - Débora Cabral


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Olha pro cĂŠu Xote das meninas Vem morena


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O Xote das Meninas Mandacaru Quando fulora na seca É o siná que a chuva chega No sertão Toda menina que enjôa Da boneca É siná que o amor Já chegou no coração... Meia comprida Não quer mais sapato baixo Vestido bem cintado Não quer mais vestir timão... Ela só quer Só pensa em namorar Ela só quer Só pensa em namorar... De manhã cedo já tá pintada Só vive suspirando Sonhando acordada O pai leva ao dotô A filha adoentada Não come, nem estuda Não dorme, não quer nada...

Ela só quer Só pensa em namorar Ela só quer Só pensa em namorar... Mas o dotô nem examina Chamando o pai do lado Lhe diz logo em surdina Que o mal é da idade Que prá tal menina Não tem um só remédio Em toda medicina... Ela só quer Só pensa em namorar Ela só quer Só pensa em namorar...

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Vem Morena Vem, morena, pros meus braços vem, morena, vem dançar quero ver tu requebrando quero ver tu requebrar quero ver tu remechendo resfulego da sanfona inté que o sol raiar esse teu fungado quente bem no pé do meu pescoço arrepia o corpo da gente faz o véio ficar moço e o coração de repente bota o sangue em arvoroço vem, morena, pros meus braços vem, morena, vem dançar quero ver tu requebrando quero ver tu requebrar quero ver tu remechendo resfulego da sanfona inté que o sol raiar esse teu suor sargado é gostoso e tem sabor pois o teu corpo suado com esse cheiro de fulô tem um gosto temperado dos tempero do amor


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Ilustrações - Denise Escudeiro


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Asa Branca Ovo de codorna Feira de caruaru


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Asa Branca Quando “oiei” a terra ardendo Qual a fogueira de São João Eu perguntei a Deus do céu, ai Por que tamanha judiação

Morreu de sede meu alazão Por farta d'água perdi meu gado Morreu de sede meu alazão

Eu perguntei a Deus do céu, ai Por que tamanha judiação

Inté mesmo a asa branca Bateu asas do sertão “Intonce” eu disse, adeus Rosinha Guarda contigo meu coração

Que braseiro, que fornaia Nem um pé de “prantação” Por farta d'água perdi meu gado


25 “Intonce” eu disse, adeus Rosinha Guarda contigo meu coração Hoje longe, muitas légua Numa triste solidão Espero a chuva cair de novo Pra mim vortar pro meu sertão Espero a chuva cair de novo Pra mim vortar pro meu sertão

Quando o verde dos teus “óio” Se “espaiar” na prantação Eu te asseguro não chore não, viu Que eu vortarei, viu Meu coração Eu te asseguro não chore não, viu Que eu vortarei, viu Meu coração


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Ovo de Codorna Eu quero um ovo de codorna pra comer O meu problema ele tem que resolver (bis) Eu tô madurão Passei da flor da idade Mas ainda tenho Alguma mocidade, Vou cuidar de mim Pra não acontecer Vou comprar ovo de codorna Pra comer Eu quero um ovo de codorna pra comer... Eu já procurei Um doutor meu amigo Ele me falou “Pode contar comigo” Ele me ensinou E eu passo pra você Vou lhe dar ovo de codorna pra comer Eu quero um ovo de codorna pra comer...


Eu andava triste Quase apavorado Estavam me fazendo De um pobre coitado

Minha companheira Tรก feliz porque Eu comprei ovo de codorna pra comer Eu quero um ovo de codorna pra comer O meu problema ele tem que resolver

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A Feira de Caruaru A Feira de Caruaru, Faz gosto a gente vê. De tudo que há no mundo, Nela tem pra vendê, Na feira de Caruaru.

Tem massa de mandioca, Batata assada, tem ovo cru, Banana, laranja, manga, Batata, doce, queijo e caju, Cenoura, jabuticaba, Guiné, galinha, pato e peru, Tem bode, carneiro, porco, Se duvidá... inté cururu.


29 Tem cesto, balaio, corda, Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu, Tem fumo, tem tabaqueiro, Feito de chifre de boi zebu, Caneco acuvitêro, Penêra boa e mé de uruçú, Tem carça de arvorada, Que é pra matuto não andá nú.

Tem rêde, tem balieira, Mode minino caçá nambu, Maxixe, cebola verde, Tomate, cuento, couve e chuchu, Armoço feito nas torda, Pirão mixido que nem angu, Mubia de tamburête, Feita do tronco do mulungú.

Tem loiça, tem ferro véio, Sorvete de raspa que faz jaú, Gelada, cardo de cana, Fruta de paima e mandacaru. Bunecos de Vitalino, Que são cunhecidos inté no Sul, De tudo que há no mundo, Tem na Feira de Caruaru.


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Ilustrações - João Fernandes


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ABC do Sert達o A Morte do Vaqueiro Pagode Russo


B

C


ABC do Sertão Lá no meu sertão pros caboclo lê Têm que aprender um outro ABC O jota é ji, o éle é lê O ésse é si, mas o érre Tem nome de rê O jota é ji, o éle é lê O ésse é si, mas o érre Tem nome de rê Até o ypsilon lá é pissilone O eme é mê, O ene é nê O efe é fê, o gê chama-se guê Na escola é engraçado ouvir-se tanto “ê” A, bê, cê, dê, Fê, guê, lê, mê, Nê, pê, quê, rê, Tê, vê e zê Lá no meu sertão pros caboclo lê Têm que aprender outro ABC O jota é ji, o éle é lê O ésse é si, mas o érre Tem nome de rê

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O jota é ji, o éle é lê O ésse é si, mas o érre Tem nome de rê Até o ypsilon lá é pissilone O eme é mê, O ene é nê O efe é fê, o gê chama-se guê Na escola é engraçado ouvir-se tanto “ê” A, bê, cê, dê, Fê, guê, lê, mê, Nê, pê, quê, rê, Tê, vê e zê A, bê, cê, dê, Fê, guê, lê, mê, Nê, pê, quê, rê, Tê, vê e zê Atenção que eu vou ensinar o ABC A, bê, cê, dê, e Fê, guê, agâ, i, ji, ka, lê, mê, nê, o, pê, quê, rê, ci Tê, u, vê, xis, pissilone e zê


34 A Morte do Vaqueiro

Tengo, lengo, tengo, lengo, tengo, lengo, tengo

Numa tarde bem tristonha Gado muge sem parar

Ei, gado, oi

Lamentando seu vaqueiro Que não vem mais aboiar

Sacudido numa cova Desprezado do Senhor

Não vem mais aboiar Tão dolente a cantar

Só lembrado do cachorro Que inda chora

Tengo, lengo, tengo, lengo, tengo, lengo, tengo

Sua dor

Ei, gado, oi

É demais tanta dor A chorar com amor

Bom vaqueiro nordestino Morre sem deixar tostão

Tengo, lengo, tengo, lengo, tengo, lengo, tengo

O seu nome é esquecido Nas quebradas do sertão

Tengo, lengo, tengo, lengo, tengo, lengo, tengo

Nunca mais ouvirão Seu cantar, meu irmão

Ei, gado, oi E... Ei...


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Ilustrações - Kira Laureano


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Bai茫o A Vida do Viajante Que nem Jil贸


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Baião Eu vou mostrar pra vocês Como se dança o baião E quem quiser aprender É favor presta atenção Morena chegue pra cá, Bem junto ao meu coração Agora é só me seguir Pois eu vou dançar o baião Eu já dancei, balancei, Chamego, samba em Xerém

Mas o baião tem um quê, Que as outras danças não têm Quem quiser só dizer, Pois eu com satisfação Vou dançar cantando o baião Eu já cantei no Pará Toquei sanfona em Belém Cantei lá no Ceará E sei o que me convém Por isso quero afirmar Com toda convicção Que sou doido pelo baião


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A Vida do Viajante

Minha vida é andar Por esse país Pra ver se um dia Descanso feliz Guardando as recordações Das terras por onde passei Andando pelos sertões E dos amigos que lá deixei.

Chuva e sol Poeira e carvão Longe de casa Sigo o roteiro Mais uma estação E a saudade no coração Minha vida é andar...


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Mar e terra Inverno e verão Mostra o sorriso Mostra a alegria Mas eu mesmo não E a alegria no coração Minha vida é andar...


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Que Nem Jiló Se a gente lembra só por lembrar O amor que a gente um dia perdeu Saudade inté que assim é bom Pro cabra se convencer Que é feliz sem saber Pois não sofreu Porém se a gente vive a sonhar Com alguém que se deseja rever Saudade, entonce, aí é ruim Eu tiro isso por mim, Que vivo doido a sofrer Ai quem me dera voltar Pros braços do meu xodó Saudade assim faz roer E amarga qui nem jiló Mas ninguém pode dizer Que me viu triste a chorar Saudade, o meu remédio é cantar


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POP UP


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POP UP


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GLOSSÁRIO

A Aboiar - Reunir o gado

B

Baião - Tipo de dança Balieira - Arma artesanal de lançar pedras (badoque)


C

Cossaco - Pertencente do povo cossaco, natural da Ucrânia Cururu - Tipo de sapo

D

Dolente - Indolente, preguiçoso

F

Fulora - Aflorar, florescer

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G

Guiné - Galinha de angola Gréia - Grelha

J

Jaú - Tipo de fruta

Mubia - mobÌlia Mulungú - Árvore brasileira


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Nambu - Ave da Amaz么nia

Resfulego - Entrada e sa铆da de ar (da sanfona)

Tamburete - banco baixo


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Uruçu - Tipo de abelha

Xerém - Prato típico da culinária pernambucana Xote - Tipo de dança


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Este livro foi impresso na cidade de Recife em Maio de 2012, pela Escudeiro Gráfica e Editora Ltda., para a Editora AESO. O papel do miolo é kraft natural 125g/m2, para a capa foram utilizados papelão chipboard 950g/m2 e kraft natural 125g/m2. Editora AESO Av. Transamazônica, 405, Jardim Brasil II, 53300-240 - Olinda, PE


Livro Luiz Gonzaga  

Trabalho acadêmico, realizado em grupo, sobre o centenário do Luiz Gonzaga.

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