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O

s The Godspeed Society vão contar-te uma história.

Uma história de horror, que se passa em Bloody City, uma cidade que nunca encontrarás no mapa pois só existe num tempo futuro, mas onde se respira o ar pesado do passado. Exclusivamente através do Myspace, poderás acompanhar o crescimento da história, capítulo a capítulo e conhecerás de perto os estranhos personagens que fazem deste conto, uma verdadeira história de VINGANÇA.


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É noite. É noite cerrada em Bloody City e faz vento. Um vento estranho sopra numa única direcção. Sopra frio. Gelado. Uma mulher passa a estrada apressada, com os sacos de compras na mão, atrasada para o jantar. Não há ninguém em redor... Nem vivalma. As folhas das árvores, caídas no chão, dançam soltas num bailado perfeito, sem repetirem os movimentos e sem parecerem querer abrandar. Apenas as luzes acesas das casas, indicam a presença humana. Caminhando sem destino aparente, como que num impulso, percorro toda a rua deserta. Algo me empurra num sentido. Termino de fronte a um portão.


Um enorme e majestoso portão, interrompe as paredes de cimento, que limitam o cemitério da cidade. Uma barreira de ferrugem, divide o burburinho intenso dos vivos e a eterna quietude dos mortos. Páro. Páro, para me questionar porque razão, o velho portão se encontra entreaberto àquela hora. Ou para ganhar coragem para o atravessar. O vento esbofeteia-me a face e os cabelos. As folhas, outrora soltas, juntamse nos meus pés, como que a suplicar que não entre. Desafio-as e decido entrar. Os olhos correm as campas, as esculturas, as cruzes, a pedra fria, analisando-as, à procura de algo. Ao fundo, bem ao fundo, ergue-se a silhueta do mais belo mausoléu de todo cemitério. Vetado ao abandono, solitário e sujo, o velho mausoléu, tinha um novo inquilino, que provocava um desconforto generalizado nas viúvas que diariamente ali se dirigiam para compor as campas dos seus familiares. Todos recusavam passar por perto, evitavam inclusivé,


simplesmente olhar. Tão pouco sequer, falavam no assunto, quando alguém as inquiria. Abanavam a cabeça e encolhiam os ombros. E era tudo. O seu mais recente ocupante, terá sido assassinado de forma trágica e o seu corpo abandonado. Fora encontrada a flutuar no rio e o seu semblante inalterado, como se ainda vivesse... Enquanto avanço, o ar fica cada vez mais gelado e o vento corre mais forte, as folhas perseguem-me e enrolam-se a meus pés, prendem-se às minhas roupas como que suplicando para parar... Esta não é uma noite qualquer...


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Com toda a violência, as portas do mausoléu abrem-se de par em par, o vento sopra mais forte que o habitual e o som que provoca, ruge na escuridão qual grito desesperado... Um súbito e anómalo nevoeiro, surge e forma um anel em volta da caixa de pedra. Uma frágil força, um último reduto, a proteger o seu interior. Encharcada, de joelhos e em clara dificuldade, Baby arrasta-se rompendo o anel de fumo. Ofegante e descompassada, como se tivesse de novo a aprender a respirar, confusa, toca no peito. O seu cérebro processa imagens a uma velocidade que a própria não consegue acompanhar, a sucessão de pensamentos e sensações, ao invés de a ajudarem a recompor-se, causam-lhe ainda mais dor e num reflexo, fazem na curvar, enrolandose no chão, como um animal ferido...


Num segundo, que dura toda a eternidade, um calor, que anteriormente não sentia, invade-lhe o corpo, percorrendo-o como uma explosão, provocando-lhe convulsões que a incapacitavam de ter controlo, e com a rapidez com que chegou, da mesma forma partiu, deixando-a num estado de transe, onde tentava ordenar as imagens, debitadas aleatoriamente. Conseguia recordar com alguma clareza, os mais recentes acontecimentos da sua vida. Lentamente e à medida que saía do estado em que se encontrava, sentia que o estranho calor não a abandonara por completo e a mente ia alternando entre a construção das memórias e a origem da chama que ardia. Leva as mãos ao peito,...está ferida! O sangue ainda jorra, e está quente, mas não pára! Entorpecida, de novo as imagens invadem-lhe o cérebro sem permissão, pequenos fragmentos da sua vida, vão e vêm em catadupa, e é invadida xx


por um terror que a deixa num semi estado de consciência... -Estou morta... Lembra-se de tudo. Agarrou-o pela mão, pediu-lhe que a ouvisse, implorou-lhe que ficasse. Disselhe que queria que ele não fosse embora e que ela era dele, só dele. Ele respondeulhe, que sim..., que ela era dele, só dele e que não ia embora... Ela sorriu, aliviada e pegou-o pelo pescoço para o abraçar. E abraçou-o. Atónita, os seus olhos abriram-se, e numa fracção demasiado curta, tentou compreender o que se estava a passar. Teria sido porventura, o mais perfeito acto de amor, se não fosse sentir o frio do metal a rasgar-lhe as entranhas. Pequenos pedaços seleccionados, só que desta vez com uma exactidão precisa, pequenas pontas soltas, que em vida eram descuradas, mas que agora faziam todo o sentido e explicavam grande parte das questões. Ela não se lembrava, de alguma vez o ter visto à luz do dia. Toda a sua história fora


passada durante a noite, tendo a lua como testemunha. Os passeios, ao longo das margens daquele escuro rio, as fugas pelas ruas evitando a luz e por consequĂŞncia as pessoas, as sombras por companhia. O rosto. Ela nĂŁo conseguia visualizar o seu rosto.

continua...


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Jack mantinha, sempre, um olho semiaberto enquanto repousava. O seu sucesso como agente da autoridade, num lugar como Bloody City era algo que ultrapassava a compreensão. Num lugar sem rei, nem roque, Jack destacava-se por não aceitar “contribuições” , nem “favores” de ninguém, o que obviamente, lhe trazia como consequência, um sem número de inimigos, alguns deles perfeitamente identificáveis, outros bem camuflados por entre as mais altas individualidades da cidade. Jack era de uma família de origens humildes. Alistou-se na polícia, ainda bastante novo, como forma de descobrir e punir, o assassino do seu pai. Este fora executado, por ser a única testemunha da morte do patrão, por este se recusar pagar, a um desses mafiosos que na altura proliferavam. Jack sabia o nome do mandante, um dos mais perigosos por


sinal, mas não o do executor, e desde essa altura que a razão da existência de Jack, é descobrir a identidade do homem que apertou o gatilho. Todavia, esta era a única missão, onde Jack ainda não tinha sido bem sucedido. Foi subindo de posição, graças ao seu empenho. Trabalhava, noite e dia e o seu esforço era recompensado com maiores e mais importantes detenções, sendo rapidamente reconhecido e promovido a detective, cargo onde gozava de um prestígio enorme, atingindo todos os estratos sociais. Até nas esferas criminais ele surtia efeito. O nome de Jack, era significado, de que algo inesperado, podia acontecer. Naquela madrugada porém, o som do telefone de Jack a ecoar pela casa, despertara-o de forma errática, persentindo que quem estaria do outro lado a ligar-lhe a esta hora, não lhe traria boas notícias. Sentia o seu corpo, como se este fosse uma máquina, que recomeçava a trabalhar, após um longo período parado, quando a informação passada pela voz metálica que saía do auscultador, fez Jack


estremecer, que desligou sem ouvir na totalidade. Nem queria acreditar no que acabara de ouvir. Apressou-se a tomar um duche, bebeu uma chávena de café e saiu para a rua. Ao chegar à cena do crime e enquanto os agentes que estavam no local o punham a par da situação, um brutal ajuste de contas, uma chacina que deixou corpos espalhados por todo o lado, Jack só consegue pensar que nesta altura o seu plano falhou. O gang que assassinou o seu pai, incluindo o cabecilha, tinha sido atraído para este armazém na periferia da cidade, tinha-lhes sido montada uma cilada e estavam agora, todos sem excepção, reduzidos a uma gigantesca massa uniforme de cor rubí, que se estendia desde as paredes ao tecto e que indicava que haviam sido vitimas de uma tremenda explosão. Mas quem preparou e planeou este ataque tinha outros planos para o chefe, o seu torso estava separado dos membros e pelos rastos de sangue, tinham


sido extraídos com o seu portador ainda vivo, o que demonstrava um incrível desejo de vingança e sangue-frio. Jack não sabia o que sentir, perante o cenário que estava diante de si, se por um lado estava satisfeito por haver menos um bando de criminosos a infestar a sua cidade, por outro, havia um sentimento de frustração por não ter sido ele a conseguir vingar a morte do seu pai, por alguém se ter adiantado a ele, parecia que lhe faltava algo, que perdera e agora ganhava a consciência de que nunca mais a iria recuperar, e é enquanto está neste impasse, que ouve um murmúrio atrás de si... Manda afastar todos os agentes que estavam no local, saca da sua arma e vai investigar a proveniência do som que ouviu. Incrivelmente, a onda de choque da explosão poupou um corpo, que ficou protegido atrás de uns caixotes de madeira. Jack, fitava o corpo de uma bela e jovem mulher, inconsciente, mas que aparentemente não tinha ferimentos e era


a única sobrevivente e testemunha do que realmente se terá passado ali. Chamou os paramédicos que a diagnosticaram e concluíram que estava bem e esperou que ela acordasse. Assim que Baby, abriu os olhos e encarou o seu salvador, foi invadida pelo pânico, embora temporariamente amnésica, ela sabia bem a quem pertencia o rosto que acabara de reconhecer. Jack, aguardou que ela recuperasse, e foi-lhe pondo a par do que sabia ter acontecido, na esperança de ajudá-la a lembrar, ao mesmo tempo que esperava que ela, o ajudasse a esclarecer as partes que lhe faltavam. Quando Baby articulou as primeiras sílabas, a sua voz espalhou-se por todo o armazém, como uma doce fúria. Forte e convicta, sem ser alta, uma suave agressão infiltrava-se nos ouvidos, tal como Jack imaginava, que seriam as vozes dos anjos. E Baby contou-lhe tudo o que sabia, como chegara até ali e a sua percepção dos acontecimentos. Em troca, Jack prometeu ajudá-la a xxxx


refazer a sua vida, uma nova oportunidade naquela cidade, longe de uma carreira intrinsecamente ligada ao crime. Baby aceitou quase de imediato. Estava farta de viver permanentemente em sobressalto, sem poder fazer planos a médio/longo prazo e a servir de objecto de admiração. Queria uma vida. Uma vida que fosse dela e na qual ela pudesse escolher as suas opções sem estas serem impostas por ninguém. Estava cansada de viver sob o comando de terceiros e sem ter poder de decisão, nem escolha. Tinha sido assim durante toda a sua vida e esta parecia–lhe ser a chance que precisava. Depois de ouvir o percurso de Baby, e quão penoso e triste tinha sido, Jack sentiu-se iluminado e forçado a agir. Rapidamente se tornaram amigos e nos primeiros tempos de Baby em Bloody City, Jack foi essencial. Fora ele quem lhe arranjara casa e lhe deu comida, enquanto ela não se conseguia sustentar, davam grandes passeios para que ela pudesse


conhecer o meio onde se movimentava, sempre sob a orientação dele, que lhe mostrava os lugares mais aconselháveis para se estar e aqueles que ela deveria evitar a todo o custo. E quando Baby descobriu finalmente a sua vocação, era ele que estava ao seu lado e que a incentivou a perseguir o seu sonho..., ser cantora. Havia um senão... Esta aproximação entre os dois, fez com que o implacável detective, começasse a ficar baralhado com os sentimentos que nutria pela cantora. Habituado à solidão, que o seu trabalho implicava, Jack nunca tinha tido uma relação duradoura, e à medida que a amizade com Baby ia crescendo, mais confuso ele ía ficando, apesar de o negar veemente. -“ Somos só amigos..., como irmãos!” – dizia. Mas tudo iria mudar em breve e rapidamente, Jack traçou um novo objectivo e um novo alvo. Desta vez, não iria falhar!

Killing Tale 2nd. Chapter  

Second chapter for Killing Tale from The Godspeed Society

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