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Copyright © Megan Maxwell, 2013 Todos os direitos desta edição reservados à EDITORA OBJETIVA LTDA. Rua Cosme Velho, 103 Rio de Janeiro – RJ – CEP: 22241-090 Tel.: (21) 2199-7824 – Fax: (21) 2199-7825 www.objetiva.com.br Título original Sorpréndeme Capa Marcela Perroni sobre arte original da edição italiana Imagens de capa Shutterstock Revisão Cris Bastos Ana Grillo Suelen Lopes Coordenação de e-book Marcelo Xavier Conversão para e-book Abreu’s System Ltda.

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

M418s Maxwell, Megan Surpreenda-me [recurso eletrônico] / Megan Maxwell ; [tradução Monique D’Orazio]. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Objetiva, 2014. recurso digital Tradução de: Sorpréndeme Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web 336 p. ISBN 978-85-8105-212-0 (recurso eletrônico) 1. Literatura erótica espanhola. 2. Livros eletrônicos. I. D’Orazio, Monique. II. Título. 14-09388 CDD: 863 CDU: 821.134.2-3


Sumário Capa Folha de Rosto Créditos Dedicatória 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26


27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 EpĂ­logo


Este romance é dedicado com carinho a todos que, depois de lerem a trilogia Peça-me o que quiser, acharam Björn um belo de um bombom (o que ele é). Preparados? Espero que gostem!


1 Alto... Moreno... Olhos azuis... Sexy... Simpático... Björn Hoffmann era tudo isso. Curtir uma noite de sexo caliente no Sensations era a coisa mais fácil e divertida do mundo para um homem como ele. As mulheres, e também alguns homens, ficavam loucos sempre que Björn lhes dirigia seu olhar leonino e fazia a proposta de entrarem juntos em um reservado. Björn era atraente... muito atraente. Geralmente, os homens que entravam sozinhos nessa, ou em qualquer outra casa de swing, não tinham o direito de escolher. Eles é que eram escolhidos. Mas com Björn não funcionava assim. Ele escolhia. Ele decidia. Ele selecionava. Naquela noite, depois de uma semana de muito estresse e trabalho, dirigia seu elegante carro esportivo cinza em direção ao Sensations ouvindo a música Let’s Stay Together, de Al Green, um de seus cantores preferidos. I’m, I’m so in love with you Whatever you want to do Is all right with me ‘Cause you make me feel so brand new And I want to spend my life with you. Como costumava dizer sua grande amiga Judith, “quem canta, seus males espanta”, e cantarolar soul music enquanto dirigia fazia Björn relaxar e era um estímulo para a noite de sexo que desejava ter logo mais. Não havia ligado para nenhum de seus casinhos. Não precisava. Queria apenas sexo; não eram necessários jantares nem conversas. Gostava muito de mulher. Dava-se bem demais com elas. Eram maravilhosas e excitantes. Por isso, procurava a companhia daquelas que eram como ele. Que pensavam como ele. Que agiam como ele. Que só queriam sexo. Só sexo. Quando chegou ao Sensations, Björn parou o carro num estacionamento próximo. A segurança sorriu ao vê-lo. Ele já tinha ido ali outras vezes e, quando a olhava, ela se sentia especial. Saiu do estacionamento e, ao entrar na casa, encontrou vários amigos no bar. Conversou descontraidamente com eles até notar um casal conhecido, com o qual se entendeu só de olhar. Minutos depois, na companhia de dois amigos, Carl e Hans, Björn se aproximou do casal. George e Susan sorriram ao vê-los. Não era a primeira vez que faziam esses jogos juntos; minutos depois, os cinco se dirigiram até um dos reservados. Não era preciso falar nada. Todos sabiam o que queriam.


Todos sabiam o que estavam procurando. A noite prometia ser excitante e prazerosa. Ao entrar no reservado, George sentou-se na cama e os outros continuaram em pé. Susan, uma mulher atraente, de cabelos longos e sedosos, queria gozar muito junto com esses homens. Observando-os, mordeu o lábio à espera de que o jogo sensual começasse. Seus mamilos estavam arrepiados e sua vagina, molhada. Tremia só de pensar no prazer. Björn sorria. Gostava de sentir a excitação das mulheres. Assim, depois de deixar seu copo sobre a mesinha, chegou perto de Susan e perguntou no seu ouvido: — Está preparada, Susan? — Estou. — Você quer brincar com a gente? — insistiu, passando a mão no seio dela. Ela fez que sim com a cabeça e sua respiração se acelerou. Sem precisar tocar nela, só pela sua expressão, Björn sabia que o tecido fino da calcinha de Susan já estava molhado. Nunca, nenhuma mulher, em seus 32 anos de vida, tinha rejeitado esse contato íntimo. Elas gostavam. Ficavam excitadas. Björn era tão sexy, tão viril, que todas, absolutamente todas, eram seduzidas por ele, ainda mais quando viam seus olhos azuis. Susan gostava de brincar com vários homens. Não gostava de mulheres. Seu apetite sexual era insaciável e o marido adorava vê-la nesse estado ardente de desejo. Era o jogo deles. Eram as suas normas e eles adoravam curtir assim a sua sexualidade. Susan virou-se para encarar Björn. O olhar cheio de luxúria falava por si só. Desejava-o. Desejava que ele a tocasse. Morria de vontade de sentir prazer e ficava encharcada só de imaginar como aqueles homens brincariam com ela. Lentamente, Björn começou a desabotoar a blusa dela; a respiração de Susan acelerou. Dois segundos depois, ele viu os seios empinados, os mamilos rígidos e murmurou: — Susan, adoro seus seios. — São seus — ofereceu ela. Björn sorriu. Sentou-se na cama e fez um sinal com o dedo para que ela se aproximasse enquanto todos os outros observavam. Susan obedeceu e quando ficou frente a frente com ele, excitada, levou o maravilhoso mamilo direito até a boca de Björn, que o aceitou com deleite. Durante vários minutos, ele lambeu e chupou, até o mamilo ficar duro como pedra. Ela sorriu. George, o marido de Susan, levantou-se. Abriu o zíper da saia dela, que caiu aos seus pés. Em seguida, desamarrou duas correntinhas douradas que uniam as laterais do fio-dental, que também foi ao chão, deixando descoberto o púbis depilado e a bunda redonda e apetitosa. — Interessante — sussurrou Hans, aproximando-se para dar um tapa no traseiro de Susan. George, o marido, sorriu. Deu início ao jogo. Desabotoou a calça, que tirou junto com a cueca. Sentou-se na cama e, tocando o pênis duro, encarou Carl. Murmurou: — Também quero brincar. Carl aproximou-se dele sem demora; George tirou sua calça e a cueca. Diante de seus olhos


surgiu uma caliente ereção, que, sem pensar, enfiou na boca. Saboreou. Deliciou-se com ela e puxou Carl para si apertando sua bunda. Carl fechou os olhos de prazer. Susan, excitada ao presenciar a cena, suspirou enquanto Björn, com prazer cada vez maior, chupava seus mamilos; Hans começava a tocá-la por trás. O jogo estava ficando mais intenso. Susan e George encontraram o que tinham ido procurar naquele lugar. Björn saboreava o manjar que ela oferecia sem reservas. Porém, quando a mulher quis lhe tirar a roupa, Björn parou e falou com a voz baixa: — Eu tiro. — Não quer que eu te ajude? Björn negou com a cabeça. Não lhe agradava estar nas mãos de ninguém. Ele é quem decidia quando tirar a roupa e quando colocar. Esse era o jogo dele. Todas aceitavam essa condição e com Susan não seria diferente. Enquanto Björn tirava a roupa e deixava tudo dobrado com cuidado sobre a cadeira, Hans masturbava a mulher, que estava encharcada e desejava a ereção potente e viril diante dela. Björn sorriu. Sabia do magnetismo que exercia. Sentou-se pelado na cama. Sem tirar os olhos de Susan, percorreu seu púbis lisinho e ordenou: — Chega mais perto. Assim ela fez e Björn a tocou. Abaixou a mão lentamente até enfiá-la entre as pernas de Susan e comprovar que estava molhada, muito molhada. Hans, por trás, apertou seus mamilos. Susan fechou os olhos demonstrando o prazer que sentia, e seu marido George continuava chupando Carl com prazer. Durante vários minutos, Björn passeou os dedos pelo sexo molhado de Susan, até que ela separou as pernas para facilitar o acesso. Ele se ajoelhou na frente dela e pousou a boca sobre o púbis. Mordeu. E quando sentiu Susan vibrar de prazer, abriu-a com os dedos e meteu-lhe a boca entre as coxas. A mulher arquejou: a boca de Björn era impetuosa, enquanto ele se deleitava chupando o clitóris de Susan; ela só gemia e aproveitava. Minutos mais tarde, Björn se deu por satisfeito. Levantou-se e, pegando-a pela cintura, puxou a mulher para junto de si. Sem falar nada, enfiou um dedo na vagina já bem lubrificada e, em seguida, enfiou outro. — Gosta que eu brinque com você assim? Susan tremeu e fez que sim. Abriu mais as pernas e se agarrou aos ombros de Björn, deixandose ser masturbada com força por ele, enquanto Hans apertava sua bunda e sussurrava em seu ouvido coisas calientes, coisas muito... muito picantes, que a deixavam louca. Um gemido de prazer os fez perceber que Carl tinha chegado ao clímax com a chupada de George. Björn, ainda masturbando Susan com os dedos, parou de repente e disse: — Suba na cama e se ajoelhe em cima do seu marido. Excitada e querendo sexo, fez o que aquele deus grego lhe pedia. Quando viu a mulher posicionada como ele tinha pedido, Björn subiu na cama atrás dela e murmurou em seu ouvido: — Agora deite no seu marido e coloque seus peitos na cara dele.


Quando Björn percebeu que George os colocava na boca, falou entre dentes: — Quero que diga ao seu marido o que você quer que aconteça e depois o que sente enquanto eu te fodo. — Sim — gemeu excitada. — Abra as pernas, Susan. Não era a primeira vez que faziam esse jogo. Logo depois, enquanto Björn a masturbava, ela começou a dizer ao marido que queria ser comida por todos. Desejava todos entrando nela sem parar por horas. George, enquanto ouvia a mulher, masturbava-se com força deitado na cama. Os dois gostavam de jogar. Björn segurou o pênis duro, colocou um preservativo e lentamente penetrou Susan, que se contorcia de prazer. — Assim... todo... todo... Björn parou e, dando um tapa na bunda dela, exigiu: — Não me peça nada. Conte ao seu marido o que eu estou fazendo, entendeu? Excitada pela voz e pelo que ele lhe ordenava, Susan sussurrou: — Björn abriu minhas pernas e está me fodendo. — Ele deu um tranco com força, penetrando mais fundo, e ela ofegante, completou: — Enfiou o pau inteiro em mim, querido. Eu gosto assim. Me sinto preenchida... mais... Ardendo de prazer ao escutar o que ela dizia, o marido agarrou Susan pela cintura e a moveu para encaixá-la melhor em Björn. — Mais. Quero que ele te foda mais — sussurrou. Björn sorriu ao ouvir George e enfiou com força, até penetrá-la completamente. — Assim, George? Quer que eu foda a sua mulher assim? Susan gemeu. A luxúria e o tesão que sentia naquele instante não deixavam que falasse nada. George, enlouquecido, confirmou: — Assim... fode ela assim. Björn sorriu. Gostava desses jogos. Com um movimento forte penetrou Susan ainda mais fundo, agarrando seus cabelos para que ela levantasse a cabeça: — Quando eu sair de você, o Carl vai entrar e depois o Hans. O último a te possuir vai ser o seu marido. Quando ele acabar, vou te foder outra vez. É o que você quer, Susan? — Sim... sim... Esse tipo de sexo era selvagem, ardente, excitante, desinibido e todos gostavam. Especialmente Susan e George, que eram os que tinham começado o jogo. Björn aumentou o ritmo; os seios dela balançavam sobre o rosto do marido, que se masturbava ouvindo todo tipo de proposta indecente por parte de Carl e Hans. Deleite. Prazer. Era o que todos sentiam naquele instante.


Um a um, os homens penetraram Susan. Um a um ela os recebeu com prazer. Um a um eles a possuíram como ela pedia até que chegasse ao êxtase. Quando o marido terminou, Björn puxou-a pela mão e levou-a até a ducha. Susan colocou-lhe um preservativo com a boca e Björn penetrou-a outra vez. Quando o novo ataque terminou, levou-a mais uma vez até a cama: — Como acha que seu marido está se saindo? Sentindo calor, apesar da ducha que acabara de tomar, encarou George, que se deleitava ao ser penetrado por Carl, enquanto chupava Hans. Durante vários minutos, respirações masculinas ofegantes tomaram o reservado. Björn os observava junto a Susan. Esse não era o tipo de sexo que curtia, ele gostava de mulheres, mas era bom assistir. Quando o trio chegou ao clímax e se dirigiu ao chuveiro, a cama ficou livre. Björn, excitado pelo que tinha visto, rasgou uma embalagem de preservativo, colocou-o no pênis e se dirigiu a Susan: — Vem sentar em mim. Ela montou nele. Com habilidade, Björn moveu Susan em busca do próprio prazer. Gostava de ter o controle da situação e agora era ele quem queria sentir prazer. A mulher arfou com a profundidade da penetração; quando achou que não era possível ir mais fundo, Björn se moveu com decisão. Susan gritou e, ao ver que ele sorria, sussurrou: — Gosto de como você me possui. — Me fala o quanto você está gostando — exigiu Björn. — Muito... muito... Ai, assim! — gritou outra vez à nova investida. Os três homens saíram do chuveiro e ficaram em volta da cama. Björn, quando os viu, falou, metendo mais uma vez: — Susan, fale pro seu marido por que você gosta que eu te foda. — Porque você me preenche toda. É duro... muito duro... não para — gritou, abrindo-se mais para Björn. E ele não parou. Continuou aproveitando o que mais gostava. O sexo. O sexo sem compromisso. O sexo por puro prazer. O sexo sem amor. O sexo ardente e selvagem. Excitado pelos gritos da mulher, George não aguentou mais e exigiu participar. Björn sorriu. Apertou Susan sobre si e segundos depois George enfiou a ereção no mesmo lugar onde Björn a penetrava. Os dois preencheram a vagina dela enquanto ouviam os gemidos e a respiração excitada. Susan gritava de prazer. Era isso que desejava. Gostava de se sentir completamente possuída. Lambia os lábios de prazer enquanto os dois homens tomavam seu corpo e se deliciavam. De novo e de novo afundaram-se nela. Quando Björn não pôde mais aguentar, liberou seu gozo. Assim que os dois saíram de dentro dela, Björn levantou-se e foi direto para a ducha; Hans e Carl ocuparam seus lugares e possuíram Susan mais uma vez. Ela queria. Ela desejava. Ela se


entregava aos homens com tesão, ansiosa por dar e receber prazer. Enquanto a água corria por seu corpo, Björn fechou os olhos. O sexo o relaxava, o fascinava, mas uma parte de sua vida ainda estava incompleta. Não queria admitir, mas algo dentro de si queria ter o que outros amigos seus, como Frida e Andrés ou Eric e Jud, tinham. Uma vida sexual plena com uma parceira de verdade. O problema é que Björn era muito exigente e não era qualquer mulher que servia para ele. Apenas dois minutos depois de conhecê-lo, todas estavam babando e isso o deixava desconcertado. Precisava conhecer uma mulher que o surpreendesse. Que o deixasse louco! Mas nunca nenhuma delas conseguia surpreendê-lo o suficiente para seu interesse ultrapassar o primeiro encontro. Tinha amigas. Muitas amigas. Mas nenhuma especial. Assim que desligou a ducha, observou como os outros continuavam sua festa particular sobre a cama. Acariciou o pênis. Roçou os dedos e uma nova ereção surgiu. O sexo era excitante e aquilo que via logo o estimulou. Quando viu o orgasmo tomar o corpo de Carl, colocou um novo preservativo e, ainda molhado, caminhou novamente até a cama. Agarrou a mulher e lhe penetrou o ânus. Ela gritou. Possuindo-a, agarrou com força seu quadril e começou a movê-la como queria. Susan se contorcia enlouquecida. O marido, ao vê-los, rapidamente se posicionou na frente de Susan e enfiou o pênis na boca dela. Susan lambeu, chupou e ninguém parou antes que seus corpos ficassem tensos e finalmente atingissem o orgasmo. Três horas depois, Björn saiu sozinho do local. Foi até o estacionamento; após se despedir da segurança, que corou ao vê-lo, entrou no carro e dirigiu em direção à sua casa, ao som de Al Green, que tocava outra vez. Tinha que descansar.


2 O céu estava lindo. Era um daqueles dias em que ela gostava especialmente de pilotar, cantando I Gotta Feeling, do The Black Eyed Peas. I gotta feeling that tonight’s gonna be a good night That tonight’s gonna be a good night That tonight’s gonna be a good, good night Tonight’s the night Let’s live it up I got my money Let’s spend it up Melanie olhou o relógio: 15h18. Em 35 minutos eles iriam aterrissar na base norte-americana de Ramstein, no oeste da Alemanha. Lá esperavam por eles várias ambulâncias militares que levariam os americanos feridos a bala ou por explosivos que ela transportava em seu avião. Esfregou os olhos. Estava cansada, mas a música aumentava sua adrenalina e isso a mantinha acordada. Pilotar desde o Afeganistão deixava qualquer um esgotado e, naquela última etapa da viagem, ainda tinha a ansiedade por aterrissar logo. Baixou o volume da música para pedir a Neill: — Me passa a água? Neill girou na poltrona; Fraser, que estava logo atrás, passou-lhe uma garrafinha. Melanie, Mel para os amigos, bebeu e agradeceu. Mel, Neill e Fraser eram respectivamente piloto, copiloto e chefe de carga da Air Force C-17 Globemaster, e voltavam do Afeganistão. Haviam levado provisões a algumas bases de operações norte-americanas e voltavam com alguns militares feridos que seriam atendidos no hospital militar norte-americano de Landstuhl. — Que horas saímos pra Munique? — perguntou Neill. Melanie sorriu. Desejava ver sua filha, mas isso só seria possível no dia seguinte. Tanto ela, como Neill, tinham o que mais amavam os esperando em Munique. Ambos queriam chegar ao que chamavam de “lar”. — Bem cedo — respondeu. — Não saia sem mim. Quero ver a minha família. Mel fez que sim com a cabeça, aumentou novamente o volume da música e os três começaram a cantar em voz alta. Quando a música acabou e o silêncio tomou o lugar, Fraser observou: — Tenente, lembre-se de que desta vez eu vou com vocês a Munique. — Tem alguém especial te esperando? — ela perguntou, achando graça. Fraser, ouvindo isso, resmungou: — Uma aeromoça linda com pernas compridas e boca espetacular.


Neill deu uma gargalhada e Mel zombou. — Cretino. Fraser a encarou. Respondeu, divertindo-se: — Tenente, nem só de pão vive o homem e eu não sou de ferro. Mel riu. Ela não era de ferro, embora seus companheiros pensassem que fosse. Olhando para Fraser, acrescentou: — Desta vez não posso te oferecer o sofá da minha casa. Minha mãe está lá. — Não se preocupe. A Monica me ofereceu a cama dela. — Uau, aí tem — riu Neill. Fraser sorriu e deu-lhe um tapinha: — A Monica é uma mulher doce e sedutora — brincou, provocando o riso dos companheiros. — Esse é o pássaro do Robert? — perguntou Fraser indicando um avião. Os três observaram a aeronave que se distanciava. A tenente respondeu: — Não. Combinei com ele de jogar bilhar e tomar umas cervejas hoje à tarde. Ele teria me avisado se estivesse de partida. O silêncio tomou conta da cabine do avião até Mel perguntar: — O que aconteceu com a música? Achando graça, os dois sorriram; sem precisar falar, Neill trocou o CD. Deu play e a voz de Bon Jovi invadiu o cubículo. Os primeiros acordes de It’s My Life começaram a soar. Acompanhando com a cabeça, os três estavam cantando a plenos pulmões ao mesmo tempo que colocaram os óculos de sol. Aquele era um ritual. O ritual deles. Sempre a mesma música. Isso significava que estavam chegando em casa. Ao seu “lar”. It’s my life It’s now or never I ain’t gonna live forever I just want to live while I’m alive A música e seu significado eram muito especiais para os três amigos. Escutavam sempre que saíam ou chegavam de viagem. Era o começo e o fim de tudo. Como dizia Bon Jovi, “não vou viver para sempre, só quero viver enquanto estiver vivo”. Vida... essa palavra representava tudo para eles. Por causa do trabalho, viam coisas desagradáveis demais. Por causa do trabalho, aprenderam a ser sobreviventes. Por causa do trabalho, Mel perdeu o homem que amava. Enquanto cantarolava, ela se concentrou na aterrissagem. Diminuiu a velocidade e empinou o bico do avião. Quando o trem de pouso central tocou a pista, Mel puxou os freios ao máximo e ativou os de trás conforme a aeronave reduzia pouco a pouco a velocidade. Quando alcançou 40, 50 nós, reduziu a potência dos motores e o avião começou a parar, até que Mel, assumindo novamente o controle, o manobrou até o hangar indicado pelos companheiros em terra.


Quando os motores pararam, a porta traseira do avião foi aberta e deu-se início ao desembarque. Neill, Fraser e Mel ficaram para trás para vestir os uniformes. Quando acabaram e saíram da cabine, Mel ouviu: — Tenente Parker. Ela olhou e depois de uma saudação militar formal, respondeu: — Tenente Smith. Abaixaram as mãos e sorriram. Mel estava frente a frente com Robert Smith, um grande amigo e piloto de outro avião C-17. — Como foi o voo, Mel? — Normal... como sempre. Riram. Robert comentou: — Desta vez não vamos poder tomar cerveja juntos. Viajo para o Líbano assim que terminarem de carregar o meu pássaro. — Tem voo hoje? Robert fez que sim e disse: — Tenho. Teoricamente eu só ia viajar amanhã, mas estão precisando de abastecimento com urgência, por isso, vamos viajar um dia antes. Os dois balançaram as cabeças. Essa vida era assim. Mel deu uma piscadinha e perguntou: — Como está Savannah? Quando pensou na mulher, Robert sorriu. — Feliz com a transferência. Agora ela está em Fort Worth arrumando a casa. Espero estar com ela daqui a alguns meses. Aliás, tenho que agradecer ao seu pai. Savannah me disse que ele está ajudando com a papelada. — Papai te conhece, você é meu amigo, e ele sabe que a gente tem que cuidar dos amigos. Riram. Robert disse: — Manda um beijo grande pra princesa. — A minha mãe está aqui na Alemanha com ela. Assim que ouviu a amiga, Robert soltou um palavrão e completou em seguida: — Droga, eu teria gostado de ver Luján. Manda lembranças e muitos beijos pra essa bonequinha chamada Sami. Ela é meu ponto fraco. — Eu sei — riu Mel. Ao ver que García, a copiloto de Robert, estava chegando, murmurou: — Aquela cervejinha fica pra outro dia, tudo bem? Robert concordou. Com um sorriso no rosto apertou a mão de Mel e saiu. Ela observou o amigo se afastando, lembrando-se dos bons momentos que os dois tinham passado juntos. Voltando à realidade, se concentrou em checar seu pássaro. Quando Mel e os rapazes terminaram, ela pegou uns papéis que recebeu de Neill e disse: — Estou indo entregar isso pro comandante Lodwud.


Fraser e Neill concordaram com um gesto e Mel saiu em direção ao escritório do hangar 12. No caminho, vários homens bateram continência e Mel cumprimentou de volta. Quando chegou ao gabinete do comandante, bateu na porta com firmeza. Logo ouviu sua voz grave; sem pensar duas vezes, entrou. O militar de uns 40 anos, alto e forte, se levantou da mesa ao ver Mel, que disse: — Senhor, tenente Parker se apresentando. O comandante moveu a cabeça numa saudação. — Tenente Parker. Mel sorriu. Jogou os papéis sobre a mesa. Passou o trinco na porta e, já abrindo o zíper do macacão militar, disse: — Temos vinte minutos. Vamos aproveitar. O comandante se aproximou imediatamente, começou a passar os lábios no pescoço de Mel e os dois se entregaram ao prazer do sexo. Nada de beijos... Nada de carícias... Nada de amor... Os dois queriam sexo em estado puro. Quando as mãos do comandante subiram até os seios de Mel, ela o olhou nos olhos e sussurrou: — Tempo é dinheiro, comandante. Enlouquecido pela entrega que aquela jovem sempre demonstrava nesses encontros, não teve dúvida. Com brutalidade colocou os seios dela na boca e chupou-os enquanto a carregava para cima da mesa. Os papéis caíram no chão quando Mel se estendeu sobre ela. As roupas dos dois voaram pela sala. — Tenente... — ele sussurrou, já duro como pedra quando ela se ofereceu abrindo as pernas. Mel sorriu. Olhava para ele, queria aquilo que tinha ido procurar. Exigiu: — Vamos. O tempo está passando e os homens estão me esperando. Querendo continuar o que começou, o comandante pegou Mel nos braços e os dois entraram no banheiro do escritório. Os gemidos não seriam ouvidos de lá. Depois de fechar a porta, o comandante a encarou. Colocou-a no chão e disse: — Vira. Mel provocou num sussurro: — Vira o senhor... O comandante sorriu e deu a volta bruscamente. Aproximou a ereção do traseiro dela. Esfregando-se em Mel, disse, pegando um preservativo no armário do banheiro: — Abre as pernas e agacha. — Mel obedeceu. — Se apoia na borda da banheira. Já com o preservativo e com Mel na posição que queria, colocou a boca perto do ouvido dela: — Lembre-se, tenente. Nada de gemer, ou todo mundo vai ficar sabendo. — Lembre o senhor também, comandante — Mel respondeu. Ela queria sexo. Queria muito. Deixando-se manipular como uma boneca, Mel permitiu que o comandante lhe abrisse mais as pernas e penetrasse seu sexo molhado. O ataque foi tão intenso que


ela precisou morder o lábio para não gritar. Encaixados um no outro, o comandante apalpou a bunda dela e perguntou: — Gosta assim, tenente? — Sim... senhor... Voltou a penetrar outra... e outra vez. Aquilo era uma maravilha. Desejava, se deliciava e quando recuperou o controle do corpo, separou-se do comandante com um movimento rápido, virouse e ordenou: — Sente-se, senhor. Pego de surpresa com a mudança no jogo, o comandante tentou protestar, mas ela, com o seu pênis nas mãos, insistiu, mordendo o queixo dele. — Sente-se... já disse. O homem, excitado, fez o que ela pedia, sentando-se no vaso. Logo em seguida Mel sentou-se sobre o pênis dele, até que estivesse todo dentro de si. Sem deixá-lo falar, colocou um dos seios em sua boca; ele deu uma mordidinha no mesmo instante. — Assim... chupa. Os movimentos ficaram mais intensos. Os dois estavam cada vez mais excitados e o banheiro estava muito quente. O quadril de Mel dançava para a frente e para trás; encaixava-se no comandante num ritmo frenético. Ele a segurava e a ajudava no movimento, enlouquecido. Ele gemia cada vez mais fundo e Mel, fora de si, agarrava-se aos seus ombros cada vez mais forte, enquanto enfiava os seios na boca dele para abafar o som. Um prazer devastador invadiu o corpo de Mel, que por fim explodiu num orgasmo. Quando tudo acabou, durante vários segundos ficaram um nos braços do outro. Não falaram nada. Não se beijaram. Não se acariciaram. Até que Mel se levantou para se limpar; sem olhar para ele, saiu do banheiro, recolheu a roupa e começou a se vestir. Em seguida, ele foi ao encontro dela no gabinete. Quando ambos já estavam vestidos, Mel sorriu e comentou: — Como sempre, foi um prazer, comandante Lodwud. O militar sorriu e, deixando de lado as formalidades, perguntou: — Pensei que você fosse chegar antes. O que aconteceu? — Problemas no resgate. Olhou-a da cabeça aos pés com os olhos castanhos. Perguntou: — Vai passar a noite aqui? — Vou. — Tenho uma reserva para hoje num hotel. Boa comida, boa companhia... sexo. Que tal? Insinuante, Mel estendeu a mão. O comandante sorriu. Abriu a gaveta de uma mesinha e, pegando uma chave, disse: — Hotel Bristol. Quarto 168, às oito e meia. — Vou estar lá. Lodwud sorriu. O sexo e os jogos com Mel eram sempre excitantes. Quando viu que ela fechava o macacão cáqui, despediu-se: — Até logo, tenente.


— Tchau, senhor. Ela caminhou em direção à porta, abriu o trinco, saiu do escritório e voltou aos seus homens e seu avião. Não saiu de lá até que estivesse completamente vazio. Às seis da tarde, depois de se despedir de sua equipe e de combinar de se encontrar com Fraser e Neill às sete da manhã do dia seguinte, pegou um táxi até o hotel. Com a chave que o comandante lhe deu, abriu a porta e rapidamente tirou a roupa. Precisava de uma ducha naquele minuto. Ao sair do banho, colocou música para tocar no celular. Gostava muito de um grupo espanhol chamado La Musicalité. Especialmente uma música chamada Cuatro elementos, que começou a cantar. Dolor que no quiero ver, dolor que nunca se va, no puedo decir adiós, ni quiero decir jamás, tumbado al amanecer, llorando porque tú vuelvas otra vez. Era isso que estava sentindo. Dor. Uma dor que não queria ver, mas também não conseguia abandonar. Mike não deixava. Ou será que era ela mesma quem não deixava? Dançou. Subiu na cama como uma menininha e dançou sem controle até que, já cansada, abriu sua mochila e tirou um conjunto de lingerie limpo, que vestiu. Em seguida, olhou o saquinho que um amigo tinha conseguido para ela e, sem hesitar, enrolou um baseado. Com os olhos distantes por causa das recordações, continuou fumando. Sabia que não era certo fazer aquilo, mas naquele momento nada importava. Estava sozinha. Naquele instante era dona da própria vida e fazia o que queria. Depois daquele baseado, veio outro e outro. Quando olhou no relógio não ficou surpresa de ver que já eram 20h21. O comandante não ia demorar, o que, de fato, não aconteceu. Alguns minutos depois, a porta se abriu. Ao vê-la sentada na cama de calcinha e sutiã, fumando, ele sorriu. Sem falar nada, tirou o boné e a jaqueta, sentou-se com ela e perguntou, pegando o baseado da mão dela para dar um trago: — Tudo bem? Tentando disfarçar, Mel respondeu: — Tudo. — E por que você está fumando essa merda? Ela sorriu. — Estou tentando fugir um pouco. Lodwud compreendia, mas disse, disposto a tirá-la daquele caminho: — Essa merda não presta, Mel. — Eu sei, mas é a última vez que vou fumar isso. — Os dois riram. Mel continuou: — Também não é certo o que estamos fazendo aqui ou no escritório do hangar, mas, mesmo assim, continuamos fazendo. Aliás, essa merda não presta, mas bem que você está fumando agora.


Os dois sorriram e então ele disse, tragando outra vez: — Quando eu ou você encontrarmos alguém importante, deixaremos de nos encontrar, não acha? Mel deu de ombros. Não tinha a mínima intenção de encontrar alguém. — Veremos. Mas antes que isso aconteça, quero continuar me divertindo com você. A gente se conhece. A gente sabe que isso aqui é sexo sem compromisso e respeitamos algumas regras — respondeu. Sorriram mais uma vez. Não se beijavam e não pediam explicações. Essas eram as condições. Abraçando-o, Mel completou: — Estamos bem arranjados, eu e você. O amor destruiu a nossa vida e só nos restaram esses momentos bobos, que de certo modo inventamos. Nem a Daiana nem o Mike merecem isso, mas aqui estamos nós dois... como sempre. Lodwud concordou. Daiana era a mulher cruel que o tinha trocado por um alemão. Depois de alguns minutos, o comandante tomou as rédeas do jogo. Tirou um lenço escuro do bolso para vendar os olhos de Mel, mas ela não deixou. Lodwud ficou surpreso. — Não quer pensar no Mike? — Quero. Como sempre você será o Mike e eu, a Daiana. Mas não quero venda. Fiquei tão chapada que hoje nem preciso. — É você quem sabe. Pegou a mão dela e colocou-a entre as pernas para que ela o tocasse. — Quero uma Daiana caliente, receptiva e que sabe o que quer. Quando eu já tiver cansado dessa Daiana, quero outra que finalize o jogo do jeito que você já sabe — disse em voz baixa no ouvido dela. Mel tocou-o do jeito que sabia que ele gostava. Respondeu baixinho: — Mike... vamos brincar. Era um jogo perigoso para os dois. Duas almas ressentidas. Duas pessoas precisando de carinho e que, de vez em quando, se encontravam num quarto de hotel e fingiam que estavam transando com outra pessoa. — De joelhos, Daiana. Mel fez o que ele pedia sem precisar de mais instruções: fez o que Mike gostaria que ela fizesse. Tirou a calça, a cueca e colocou o pênis na boca. Chupou-o por vários minutos, saboreando, provocando-o até tê-lo duro como uma pedra. O comandante deixou Mel fazer o que queria, pensando que quem o chupava era Daiana. Quando não aguentou mais, tirou da boca dela e disse: — Tira a roupa e senta na cama. Totalmente nua em frente a Lodwud, Mel sentou. Ele sorriu e murmurou, ajoelhando-se: — Seus mamilos são lindos, querida. Mel sorriu e respondeu com voz sensual: — E eu adoro que você os chupe, Mike. O convite foi formalmente aceito e o comandante devorou o que ela lhe oferecia. Sensual, Mel segurou a cabeça dele e o apertou contra seus seios. Lodwud ficou louco. Chupou, deu mordidinhas e


quando os mamilos ficaram do jeito que ele gostava, pediu: — Abre as pernas... assim... assim... muito bem, Daiana. — Os olhos do comandante se tomaram de luxúria quando viram como Mel estava molhada. — Se abre com os dedos. Quero ver como me pede pra te chupar. Excitada ao ouvir Mike pedindo isso, com o indicador e o anular fez o que ele queria. Sentindoo entre as pernas, falou baixinho: — Assim... você gosta assim. Lodwud, que estava sentado no chão, agarrou as pernas de Mel, puxou-a para si e colocou a boca bem onde ela queria. O grito de prazer de Mel frente àquele ataque enlouquecido foi devastador. — Mike, meu amor, estou quase caindo da cama. O comandante pegou-a pela cintura e os dois caíram no chão. Ele colocou a boca embaixo dela outra vez e continuou, passando a língua sem descanso nos lábios de Mel, que gemeu ao sentir seu clitóris sendo chupado. Uma onda de prazer invadiu o seu corpo. A cama não tinha utilidade, a cama era o chão. Nele transaram de todas as maneiras conhecidas e desconhecidas, imaginando que estavam com duas pessoas que nunca mais voltariam para eles. — Vem... se entrega pra mim. Passa as pernas pela minha cintura, vem pra mim — exigiu, dando-lhe um tapa na bunda. — Vem pra mim, Daiana! Quando Mel atendeu ao pedido, o comandante gemeu e ela arqueou as costas. — Mike... — Você gosta assim? — Adoro, Mike... adoro. Continua... O sexo frio e impessoal reinou no quarto de hotel por várias horas. Esse era o sexo que vinham fazendo nos últimos dois anos. Satisfazia o desejo dos dois. Depois de terem vários orgasmos, fumaram nus, estirados na cama. Mel perguntou: — Que horas são? Lodwud olhou o relógio na mesa de cabeceira. — 0h20. O silêncio caiu outra vez sobre o quarto. Ele perguntou em seguida: — Por que a gente continua pensando na Daiana e no Mike? — Porque a gente é idiota. — Mel riu com amargura e disse, tentando não pensar muito: — Vou continuar com isso e vou procurar mais uma pessoa que queira jogar. Lodwud sorriu. — Ainda me lembro daquela mulher que você trouxe pro nosso último encontro. Ela ficou louca com a gente. Mel deu uma gargalhada e cochichou: — Você sim é que ficou louco com nós duas. Levantando-se da cama, vestiu a calcinha, uma camiseta e a calça camuflada. Não precisava mais de roupa para conquistar. Depois de se vestir, observou Lodwud, que disse: — É uma em


ponto. Se até as duas você não tiver voltado, eu é que vou escolher. — Nem pensar. Hoje sou eu que decido. Ao sair do quarto, caminhou decidida até o bar. Como sempre, escolhiam hotéis próximos do aeroporto para se encontrar. Como sempre, as pessoas que se hospedavam em lugares assim estavam só de passagem e procuravam, na maioria das vezes, uma noite divertida e sem compromisso. Decidida, Mel entrou no bar e deu uma olhada geral no lugar. Vários casais conversavam amigavelmente e alguns homens e mulheres bebiam sozinhos no balcão. Queria um homem e os observou com cuidado. O primeiro que viu não servia: muito velho e barrigudo. O segundo não era de todo mau, mas escolheu o terceiro: um executivo da idade dela. Aproximando-se do balcão, pediu ao barman: — Um uísque duplo com gelo. Era infalível. Era uma mulher pedir essa bebida que o homem ao lado olhava para ela, sempre. Sem tempo a perder, Mel sorriu e depois de piscar algumas vezes, ele girou na cadeira. Ela olhou no relógio: 1h10. Tinha tempo suficiente. Com um sorriso nos lábios, falou com o homem. O nome dele era Ludvig: sueco e de passagem pela Alemanha. Era perfeito. Explicou que trabalhava para uma empresa de automóveis e que estava visitando vários países. À 1h20 Ludvig já tinha olhado para os seios dela várias vezes e à 1h30 Mel já tinha colocado a mão na perna nele. À 1h40 o sueco já tinha se insinuado e ela tinha feito a proposta atraente de sexo a três. Faltando dez para as duas da manhã o sueco aceitou e à 1h52 Mel abriu a porta do quarto. Encarando Lodwud, que sorriu quando a viu entrar, comentou: — Vamos, rapazes... quero brincar. Depois de momentos excitantes com os dois homens, tudo terminou. Mel acompanhou o sueco até a porta, e ele saiu muito satisfeito. Mel fechou e se virou para Lodwud, que, encarando-a, caminhou até ela e comentou: — Daiana, você é uma menina... muito... muito má. Mel sorriu, tocou a ereção dele e concordou. — Sim, Mike... reconheço que sou mesmo. Na manhã seguinte, Mel foi para o aeroporto militar. Chegando lá, um rapaz se aproximou, cumprimentou-a com um gesto: — Bom dia, tenente Parker. — Bom dia, sargento. — Tenente, o major Parker está ao telefone e quer falar com a senhora — disse o sargento com o rosto sério. Pega de surpresa, Mel agarrou o telefone que estendiam para ela. Afastou-se alguns metros e cumprimentou: — Bom dia, major. — Tenente, como foi o voo de ontem? Mel sorriu. Seu pai. Aquele homem que muitos temiam pelo temperamento difícil, com a filha era um paizão. — Bem. Tudo perfeito, como sempre — respondeu. — Me disseram que agora você vai para Munique. — Vou.


— Descansou o suficiente? Pensou na noite louca que tinha passado com Lodwud e respondeu: — Sim, papai, descansei. Todos se preocupavam com ela e com a vida dela. Algo desnecessário. Mel estava convencida de que podia aguentar tudo o que tinha se disposto a fazer. — Papai, faz doze dias que eu estou fora de casa e quero ver a Sami e... — Eu sei — interrompeu. — Entendo você... entendo. Mas fala com a sua mãe. Ela me ligou duas vezes e você sabe como ela fica chata. Mel sorriu quando ouviu isso. Seus pais tinham se separado fazia pouco mais de um ano. — Tudo bem, eu ligo. — Aliás, você voltou a pensar naquilo de Fort Worth? — Não, papai... — Pois pense, Melanie. Quero que você e a menina fiquem perto de mim. A sua irmã volta no ano que vem e... — E a mamãe? — A sua mãe é bem grandinha para saber o que quer fazer da vida — respondeu com o tom cortante. Mel sorriu e preferiu não tocar mais no assunto, por isso disse: — Papai, vamos deixar esse assunto da mudança pra outra hora. — De acordo, filha. Mas lembre-se, a sua família está aqui. Na Alemanha você não tem nada. Para Cedric Parker não era nada fácil viver tão longe das filhas e da mulher. Especialmente de Melanie, seu maior orgulho. Depois de vários minutos falando com o pai, Mel desligou o telefone e pegou o envelope que lhe estendia o mesmo militar que tinha levado o telefone. — Tenente, aqui está o que a senhora pediu. Mel pegou o envelope com força. Dentro estavam as chaves do helicóptero que a levaria até a filha. Abrindo-o, perguntou: — Tudo bem por aqui, sargento? O jovem fez que sim. Depois de despedir-se com um gesto, deu meia-volta e foi embora. Nesse instante, chegaram Neill e Fraser. — Caramba... eu podia dormir um mês — comentou Fraser, esfregando os olhos. — Eu também, cara. Estou acabado. A tenente Parker sorriu ouvindo os amigos. — Vamos, bonecas, subam no helicóptero, quero ver a minha filha — riu. Naquele mesmo dia, depois de uma hora de voo, chegaram ao aeroporto de Munique, por volta das nove da manhã. Lá, depois de deixarem o helicóptero num hangar particular, pegaram um táxi com as mochilas nas costas. Primeiro deixaram Neill e depois continuaram até a casa de Mel.


Quando chegaram, a mãe dela abraçou-a assim que a viu. — Que alegria ter você aqui de novo, querida! Deixando-se abraçar, Mel fechou os olhos, feliz. — Oi, mamãe. Segundos depois, Luján cumprimentou Fraser enquanto Mel tirava a mochila e depois corria para ver a filha. Abriu com cuidado a porta do quarto e entrou. Sorrindo, observou a pequena Samantha, adormecida no berço. Era maravilhosa. A menina mais bonita que já tinha visto. Sem poder evitar, os olhos se encheram de lágrimas. Era a cara do pai. O cabelo, o sorriso... — Querida — sussurrou Luján entrando no quarto. — Venha, preparei algo pra você e Fraser comerem. Tenho certeza de que estão famintos. — Já vou, mamãe. Me dá um segundo. Luján assentiu. Ver a filha olhando triste para a menina adormecida lhe partia o coração. Tinham tentado de todo jeito que Mel começasse uma vida nova, mas não tinha adiantado. Ela se negava. Não conseguia esquecer Mike. Quando ficou novamente sozinha no quarto com a filha, aproximou-se com cuidado e tocou os cachos loiros. Sorriu. — Oi... — Fraser falou baixinho atrás dela. Ele a conhecia. Conhecia muito bem e sabia que por trás daquela aparência dura de tenente do exército dos EUA, ela sofria. Nunca esqueceria a reação dela quando soube o que tinha acontecido com Mike. O desespero, o choro, a impotência quando soube de detalhes nada agradáveis de sua morte. Grávida de sete meses, Mel se fechou em si mesma e não quis falar sobre isso com ninguém. Só era feliz quando estava com a pequena Sami ou quando pilotava o C-17. Mas, apesar da felicidade que a filha lhe dava, os olhos de Mel nunca mais voltaram a brilhar como antes. Desconfiava de todos os homens e isso era graças a Mike. Graças ao homem que amou e que a traiu. — O que achou da princesa? — Mel perguntou engolindo o choro. Fraser sorriu. — Maravilhosa. Ela já tem que idade? — Quase 2 anos e 1 mês. Os dois se olharam em silêncio. Mel murmurou: — Como o tempo passa, né? Os dois concordaram e Fraser, tentando desviar o assunto, zombou: — Essa menina vai partir muitos corações. E sou eu quem está dizendo, desse assunto entendo bem. Riram. Fraser passou a mão pela cintura dela. — Falei com a minha aeromoça. Ela vai chegar ao aeroporto hoje à tarde. — Perfeito.


Saíram com cuidado do quarto. Entraram na cozinha, onde Luján tinha preparado uma tortilla de batata. Enquanto comiam, a mulher disse à filha que precisava voltar para as Astúrias. A mãe dela, Covadonga, precisava ir ao médico e tinha se recusado a ir com Scarlett, a irmã de Mel. — Vovó e Scarlett — Mel zombou. — Não quero nem imaginar as duas sozinhas. — A sua irmã, às vezes, é pior que a sua avó — afirmou Luján. — Posso te falar com certeza. Quando se irrita, ameaça ir embora pra Fort Worth e eu tenho que convencê-la a não ir, em meio aos resmungos da sua avó. — Mamãe, Scarlett vai acabar se mudando. Você sabe que ela está nas Astúrias só por um tempo. — Sei, filha, eu sei. Fraser as escutava, mas não dizia nada. Fazia alguns anos, Fraser e Scarlett tinham tido um caso que só Mel sabia e que acabou quando Scarlett viu a irmã sofrer pela perda de Mike. De um dia para o outro decidiu deixar Fraser, que não pôde fazer nada, senão aceitar. Na hora foi horrível, mas depois ele finalmente aceitou. A vida dele era assim, e entendia que Scarlett não quisesse fazer parte dela. Uma hora depois, o cansaço acumulado pela longa viagem ficou evidente. Luján olhou para os dois e disse: — Fraser, Mel, descansar, já! — Mamãe... Fraser gargalhou e respondeu encarando a mãe da amiga: — Obrigado pela comida, mas vou embora. Tenho planos com uma linda mulher. Luján sorriu e Fraser, levantando-se, disse: — Agora pra caminha, tenente. Você está com cara de não ter descansado direito à noite. Mel concordou. A noite de sexo selvagem estava cobrando seu preço. Entrou com cuidado no quarto e sorriu ao ver a pequena sentada no berço. A filha abriu os bracinhos e esboçou um sorriso de orelha a orelha. — Mamiiiii. Sem demora, a tenente Parker correu para abraçar a filha. Sentiu o cheiro de inocência e sorriu encantada ao ouvir a menininha falar na língua dos bebês. Feliz, tirou-a do berço e a colocou na cama, para em seguida trocar de roupa e colocar um pijama. Quando terminou, entrou na cama com a pequena e começaram a brincar. O riso de Sami era o melhor, o mais bonito do mundo. Isso, como sempre, deixava Mel repleta de felicidade. Que maravilha estar com a filha em casa! Alguns minutos depois, a menina se aconchegou. Contente por estar com sua mamãe, relaxou e dormiu. Com carinho, Mel observou o rosto tranquilo da filha. Era linda, maravilhosa, divina, e lhe deu um beijo na testa. Com cuidado para não acordá-la, pegou a bolsa, de onde tirou uma carta. Uma carta dolorosa, mas que relia centenas de vezes. Com a luz de uma lanterna, leu: Minha querida Mel,


Se você está com esta carta nas mãos, é porque o nosso bom amigo Conrad a fez chegar até você, e isso significa que estou morto. Quero que saiba que você é o que aconteceu de melhor na minha vida, apesar de, em alguns momentos, eu ter me comportado como um idiota. Você sempre foi boa demais para mim e sabe disso, não sabe? O motivo desta carta é pedir desculpas por tudo o que você vai descobrir de mim agora. Sinto vergonha de pensar, mas essa é a minha vida e não tem nada que eu possa fazer, a não ser te pedir desculpas e esperar que não me odeie para sempre. Desejo que conheça um homem especial. Um homem que cuide de você, que te leve para festas, dance com você, que goste do nosso filho e te dê essa família que sei que você sempre quis ter. Espero que esse homem saiba te dar valor como eu não soube e que você seja o mais importante para ele. Você merece, Mel. Merece encontrar uma pessoa assim. Nem todos são como eu e, por mais que você saiba que eu gostava de você do meu jeito, também sabe que isso nunca foi suficiente. Diga ao nosso bebê que o pai dele o amava muito, mas deixe que ele goste como um pai dessa pessoa que espero que algum dia chegue na sua vida. Você é forte, Mel, sei que vai sair dessa. Você precisa recomeçar a vida. Prometa para mim e rasgue esta carta depois.

Com amor, Mike Como sempre que terminava de ler a carta, Mel chorou e não a rasgou.


3 Aquele dia tinha sido bom para Björn nos tribunais. Tinha ganhado dois julgamentos e isso o deixava satisfeito. — Nos vemos hoje à noite? — perguntou uma loira espetacular. Björn sorriu. Era a advogada da parte contrária. Passeou os olhos azuis pelo corpo dela. Abrindo a agenda, pediu: — Me dá seu telefone. Se eu não te ligar hoje à noite, ligo qualquer dia desses, que tal? A mulher sorriu. Depois de anotar o telefone, deu uma piscadinha, virou-se e foi embora. Björn a acompanhou com o olhar até que a mulher desaparecesse de vista. Olhou a agenda e sorriu quando leu o número de telefone e o nome de Tamara. Quando saiu do tribunal, foi direto ao Jokers, o restaurante do pai. — Pai, me dá uma cerveja bem gelada — só disse isso. Com um grande sorriso, Klaus fez o que o filho pedia e colocou uma caneca na frente dele. — Teve um bom dia hoje, filho? — perguntou, interessado. Björn bebeu um grande gole e cochichou, cúmplice: — Ótimo. Ganhei o julgamento do Henry Drochen e o do Alf Bermeulen. Klaus aplaudiu. Estava muito orgulhoso do filho. Além de ser um filho excelente, era um grande advogado e um conquistador. Durante um tempinho Björn explicou o que tinha acontecido nos julgamentos e o pai ouviu com atenção. Na hora da refeição, Klaus disse: — Seu irmão ligou hoje de manhã. Björn sorriu ao pensar em Josh, seu único irmão. — Como ele está em Londres? — Bem, filho, você conhece ele — riu Klaus. — Como sempre, ele se sai bem nas coisas dele. Ah... me pediu pra você ligar. Pelo visto, amanhã vem pra Munique com uma frota de carros e, entre eles, um que você queria. Ao ouvir isso, Björn olhou para o pai e perguntou: — Ele vai trazer o Aston? — Não sei, filho. Só me falou pra você ligar pra ele. E foi o que Björn fez. Josh atendeu depois de dois toques. — Não me diga que vai me trazer o carro que eu quero, mas com o volante do lado esquerdo. Josh soltou uma gargalhada.


— Te digo... e te confirmo. Um Vanquish maravilhoso, bordô, você ainda quer? — Lógico. Se você me fizer um preço bom e se ficar com o meu Aston. — Não tem problema, Björn. O seu Aston vende fácil e com preço bom. Não duvide! Você é meu irmão, porra. Os dois riram e depois de mais algum tempo se despediram até o dia seguinte. Björn almoçou com o pai, saiu do Jokers e passou no escritório. Durante algumas horas se concentrou em preparar o material para os julgamentos que teria dali a dois dias. O celular tocou. Era o amigo, Eric. — E aí, babaca? Eric deu uma gargalhada e observou: — Só a minha esposa querida me chama assim. Não se acostume. — Os dois riram. Eric continuou: — No domingo a Jud vai fazer uma comidinha aqui em casa, você vem, né? — Vai ter mulher bonita? Eric gargalhou outra vez. — Mais bonita que a minha mulher, impossível! Agora quem gargalhou foi Björn. O amigo tinha se casado com uma espanhola encantadora e meio maluquinha e estava completamente apaixonado. Eram como o dia e a noite, mas se adoravam. — Se você pensar em não vir, a Jud te busca e te traz pela orelha. — Não duvido — concordou Björn achando graça. Se existia algum consenso a respeito de Jud é que ela era fora de série. Björn gostava da personalidade dela, de sua maneira decidida e, principalmente, da confiança que ela sempre teve nele para tudo. — Vou, sim. Diga a ela que vou sim. Levo vinho? — Pode trazer. Vai trazer companhia? — Precisa? — Não. É só pra saber quantas pessoas serão. Björn respondeu alegre: — Vou levar vinho e companhia. — Ótimo. Agora preciso ir; tenho uma reunião em dez minutos. Quando desligaram, Björn sorriu. Eric e Jud eram seus melhores amigos. Amigos que sempre estavam ali, nas horas boas e nas ruins. Com um sorriso malicioso, pensando na esposa do amigo, abriu o celular e discou um número. — Oi, linda — disse com mel na voz. Ao ouvi-lo, a mulher baixou o tom.


— Oi, Björn, estava justamente pensando em você. — Pensamentos bons ou maus? O riso cristalino dela ressoou. — As duas coisas. Bons porque são pensamentos prazerosos, e maus porque você era muito... muito malvado. — Interessante — Björn sussurrou. Aquela mulher sensual e excitante era uma das suas conquistas. Chamava-se Agneta Turpin, uma das apresentadoras mais lindas e conhecidas da CNN alemã. A relação deles era excepcional. Sexo... sexo e mais sexo, sem ninguém exigir nada de ninguém. Era uma combinação perfeita, pois era o que os dois estavam procurando. — O que você vai fazer domingo, Agneta? — Tirar a roupa pra você... se quiser. Os dois riram. Björn explicou melhor: — Nada me agradaria mais, mas meu amigo Eric acabou de ligar. Vai ter um almoço na casa dele. Você quer ir comigo? — Almoço... um programa em família. Björn esclareceu: — Só o almoço, e prometo que a Jud não vai chegar nem perto de você. Agneta gostou da proposta. Conhecia os amigos dele, especialmente a esposa de Eric. Judith e ela nunca tinham sido amigas. Não gostava de como ela a encarava. Mas almoçar com Björn significava sexo à noite em sua casa ou na casa dele. Sem pensar duas vezes, respondeu: — Claro. Vou com você. — Perfeito! Continuaram conversando até que ele perguntou: — Onde você está? — Nesse momento, chegando em casa. O dia me deixou esgotada. Por isso, agora vou tirar a roupa e entrar numa jacuzzi relaxante, maravilhosa e cheia de espuma. — Sozinha? Agneta jogou a bolsa sobre o sofá caríssimo de design exclusivo e respondeu: — Tudo depende de você. Björn deu uma olhada no relógio, levantou e sussurrou: — Tira a roupa e se prepara. Em vinte minutos eu chego na sua casa com um amigo. Desligou o telefone. Agneta era excitante, e ele gostava disso. Enfiou o laptop e uns documentos na maleta. Como a casa e o escritório só estavam separados por uma porta, deixou a maleta sobre a mesa da cozinha e, sem tirar o terno Armani caríssimo, desceu até a garagem e, depois de ligar para o amigo Roland, saiu em seu carro esportivo.


Quando chegou à casa de Agneta, tocou o interfone. Subiu de elevador e, ao chegar ao corredor do edifício luxuoso, viu a porta aberta. Ouviu a música que vinha do interior e sorriu. Sade cantava No Ordinary Love. Sem demorar, abriu a porta, entrou e fechou-a atrás de si. Em seguida, apareceu à sua frente uma sensual Agneta vestindo apenas um robe vermelho. Entreolharam-se. Não falaram nada enquanto ela abria o robe e ele escorregava pelo corpo até cair no chão. Björn observava com prazer. Seus olhos devoravam o belo corpo esguio daquela mulher e sua ereção começava a aparecer. Sem desviar os olhos dela, tirou o sobretudo de couro. Depois o paletó escuro. Desatou a gravata. — Chega mais perto e dá uma voltinha — pediu Björn. Agneta fez o que ele pedia. Ele tirou a camisa branca e a colocou sobre uma cadeira. Abriu o cinto, que passou pelo traseiro nu de Agneta, e perguntou pertinho do ouvido: — Você foi uma boa menina hoje? — Não. Hoje fui muito, muito malvada. A resposta fez Björn sorrir. Deu uma chicotada com o cinto na bunda dela. Agneta gemeu, suplicou: — Mais uma. Björn repetiu. Ela gemeu de novo. Em seguida, Björn deixou o cinto cair no chão enquanto abria a calça. Pelado, colocou uma camisinha. Sussurrou: — Vou te foder como se faz com as meninas más. Não disse mais nada. Não precisava. Abriu as pernas dela com decisão, a expôs e, com um empurrão duro e certeiro, a penetrou. Agneta gritava enquanto Björn buscava o próprio prazer e ela encontrava o seu. Os dois eram egoístas no sexo. O prazer próprio era mais importante do que o da outra pessoa. Enlouquecidos, se encaixaram um no outro sem se importar com mais nada. Seu jogo era esse. Um jogo que os dois procuravam e os dois aceitavam. Quando alcançaram o orgasmo e ele saiu de dentro dela, Agneta sussurrou: — A jacuzzi está pronta. Nesse momento ouviram a campainha da casa. — Perfeito, Roland chegou. Naquela noite, quando Björn chegou na própria casa, estava cansado e saciado de sexo. No dia seguinte, não muito longe da casa de Björn, a tenente Melanie Parker conversava com a mãe enquanto esta fazia a mala para voltar para as Astúrias. — Robert mandou lembranças. — Robert Smith? — Sim, mamãe. Eu ia sair para tomar cerveja com ele ontem, mas adiantaram a missão. Por isso não deu. Luján, pensando naquele rapaz amigo de uma vida inteira da filha, sorriu.


— Robert é tão charmoso e Savannah, tão graciosa. Ainda me lembro do casamento deles. Como fomos bem tratados! Ao se lembrar daquele casamento, um ano antes, Mel sorriu. A mãe lhe perguntou. — Conseguiram a transferência para Fort Worth? — Sim. E provavelmente o papai está ajudando muito com toda a papelada. Luján perdeu o sorriso ao ouvir falar no marido. — O seu pai é um amor quando quer. Quando não quer é um monstro! — cochichou. Mel deu uma gargalhada e sua mãe continuou: — Como vai o curso de design que você estava fazendo pela internet? — Abandonado, mamãe. Mal tenho tempo. Luján suspirou: — Coloquei comida para a Peggy Sue. Aliás, que nojo me dão essas ratas. — Mamãe, ela não é uma rata, é a hamster da Sami — riu Mel ao se lembrar que Robert é que tinha comprado o animal para a menina. — Não precisa colocar tanta comida, ela está tão gorda que quase não consegue se mexer — insistiu Luján, olhando aquele bichinho branco. Mel olhou para Peggy Sue e sorriu. A hamster estava mesmo muito gorda. — Tudo bem, mamãe. Vou tentar controlar a Sami. Luján sorriu, mas, encarando a filha, comentou: — Saiba que ando preocupada com você. — Mamãe, não precisa se preocupar. — Como não vou me preocupar, Mel? — protestou a mãe. — Você é igualzinha ao seu pai. O exército corre nas suas veias e não posso fazer nada quanto a isso. Mas tem que pensar na sua filha. Ela precisa de você. Precisa de uma mãe que cuide dela, que a mime e, principalmente, que viva por muitos anos! Mas você não se dá conta de que seu trabalho é incompatível com a sua vida? A mãe tinha razão. Por ser mãe solteira, tudo era muito complicado. Cada vez que tinha que partir em alguma de suas viagens, precisava de alguém para ficar com a filha. Mas com esforço e determinação, sempre conseguia. Em Munique, Dora, uma vizinha da idade da sua mãe e de total confiança, cuidava da menina quando Mel fazia viagens curtas. Quando duravam mais de quatro dias, era a própria Luján que se deslocava até Munique para cuidar da neta, ou Mel tinha que levá-la até as Astúrias. — Escuta, mamãe, gosto do que faço e... — Já sei que você gosta. Eu repito que você é como o seu pai. Ele colocou o exército na frente da família e olha só no que deu. Mel respirou fundo e sua mãe prosseguiu:


— Não entendo como a sua irmã e você podem ser tão diferentes. Ela nunca quis saber de nada de exército, mas você... — Mamãe, a Scarlett é a Scarlett e eu sou eu. Quando você vai se dar conta disso? — Nunca! — gritou a mulher, irritada. — Quero uma filha que não corra perigo. Quero uma filha que seja feliz com a família. Quero uma filha que se deixe cuidar por um bom marido. Por que não pensa nisso? Cansada da mesma ladainha que ouvia sempre que se viam, Mel encarou a mãe: — Você tinha tudo isso. Uma vida sem perigos, uma família feliz e um homem que cuidava de você. Acho que você é a pessoa menos indicada pra falar essas coisas. Ouvindo isso, Luján fechou os olhos. Sentou-se na cama. — Tem razão. Eu tinha tudo isso. Mas não esqueça que vivi sem saber se o seu pai voltaria das missões ou não. Também convivi com as mudanças drásticas de humor dele. Vivi com os pesadelos noturnos quando ele voltava de alguma missão. Quer que eu continue? Mel negou com a cabeça. Tinha sido injusta com a mãe e, abraçando-a, sussurrou: — Tá bom, mamãe, desculpe. Você tem razão, e quem sou eu para dizer o que eu disse? — Olha, Mel, você sabe que eu gosto muito do seu pai. Eu o amo, mesmo que ele me odeie por causa do divórcio. Mas não quero que ninguém odeie você por colocar o exército na frente da família. — Mamãe... — Não quero que tenha pesadelos como ele. Não quero que sua vida seja só o exército. Quero que sua vida seja normal e que possa ser feliz com um homem que... — Não pretendo me juntar a ninguém. — Mas por quê, querida? O Mike era um homem bom, mas tenho certeza de que você poderá encontrar outro que preencha o seu coração. Luján não sabia a triste realidade que Mel havia descoberto sobre Mike. Desejando que a mãe guardasse a memória que tinha dele, disse: — Não preciso de homem algum, mamãe. Vivo muito bem do meu jeito. Sou dona da minha vida e não preciso que ninguém venha se intrometer. — O que você chama de “intrometer”, eu chamo “amar”. Nunca mais vai amar ninguém? — Eu amo você, o papai, a Sami, a Scarlett, a vovó... Desesperada com a cabeça-dura da filha, Luján insistiu: — A Sami vai crescer. — Espero que sim, mamãe. As fraldas são muito caras — zombou. — Como você acha que ela vai se sentir quando você for embora e deixar ela sozinha? — Ela nunca vai estar sozinha. Pra isso eu tenho vocês. — É claro que você tem a gente, querida, mas a menina vai achar ruim o que você faz — sussurrou Luján ao encarar a filha. — Já perdeu o pai e não pode perder você também. — Mamãe...


— Esqueceu as coisas que você dizia ao seu pai quando era criança e ele estava partindo? Acha que a Sami também não vai falar pra você? — Mamãe... — Esqueceu como você chorava quando ele saía e como ficava assustada quando ele voltava de alguma missão e tinha aqueles pesadelos terríveis? — Não tenho pesadelos, mamãe. — Mas terá! Fechou os olhos. Sua mãe tinha razão. Tinha começado a ter pesadelos. Mas não tinha nada, a não ser a própria filha, que a conectasse ao mundo e, tentando não pensar nisso, levantou-se. — Olha, mamãe, por enquanto quero continuar fazendo o que eu faço. Não há nenhum homem na minha vida e sou feliz assim. Tenho o que preciso e... — Como assim você tem o que precisa? — Mamãe... — Você precisa de estabilidade emocional, filha. Um homem que te abrace, que goste de você, que te mime... — Não ligo pra nada disso, mamãe. Não ligo... não ligo. Luján não se deu por vencida. Insistiu: — Desde que aconteceu aquilo com o Mike você voltou a se encontrar com alguém? — Não. — Então, como você pode ter tudo o que precisa? Sem querer revelar sua vida particular, encarou a mãe e disse baixinho: — Se você quer saber se eu dormi com algum homem, a resposta é sim. Essa questão eu tenho muito bem resolvida. Boquiaberta, Luján encarou a filha: — Ai, que sem-vergonha... Esse comentário fez as duas rirem. Abraçando a mãe, Mel disse: — Fica tranquila, mamãe. Até agora a minha vida vai bem. Tenho um trabalho de que gosto, uma família que cuida de mim, uma filha maravilhosa e uma grande tropa de homens que me dão o que eu preciso, quando eu quero e como eu quero. — Não quero ouvir mais nada. — Mas foi você que perguntou... — Melanie Parker Muñiz, já falei que não quero ouvir mais nada. Mel sorriu. Sempre que ficava zangada a mãe dizia seu nome completo. Luján, horrorizada pelo que a filha insinuava, fechou a mala. — Ainda vamos falar sobre isso, você e eu, mocinha. Não acho graça nenhuma que você fique trocando de homem, como tenho certeza de que o seu pai troca de mulher.


— Mamãe... — Agora chega, me leve até o aeroporto, senão vou perder o avião de volta pra Espanha. Meia hora depois, avó, filha e neta se dirigiram até o aeroporto. Na saída, um mímico deu à menina um adesivo com uma carinha sorridente. Mel sorriu e pensou que aquilo era um bom sinal. Tinha que sorrir mais!


4 Na concessionária, um caminhão enorme descarregava os carros, enquanto Josh Hoffmann, um alto executivo da Aston Martin, indicava aos funcionários onde colocar os veículos caríssimos e elegantes. Naquele dia tinham transportado vários carros de luxo e ele tinha avisado os clientes mais endinheirados para irem lá dar uma olhada. Enquanto os homens observavam tudo embasbacados, Josh dava uma atenção especial às mulheres deles. Assim como o irmão Björn, Josh ganhava as mulheres com facilidade e era difícil que alguma não o notasse. Mas, diferente de Björn, tinha os olhos e os cabelos castanhos e um rosto inocente que não tinha nada a ver com a realidade. Graças ao magnetismo que exercia, com apenas 27 anos já era um alto executivo da marca Aston Martin e também um homem que viajava o mundo todo. Quando a porta da concessionária se abriu e Björn entrou, já não existia mais ninguém para Josh. Os dois se adoravam. Com um sorriso descontraído, Josh caminhou até o irmão e o abraçou, sob os olhares das mulheres, que chegavam a suspirar. Eram dois homens lindos, bem-sucedidos e sua fama de gentlemen era bem conhecida. Depois do abraço caloroso, o mais novo dos irmãos Hoffmann disse: — Vem, vamos ver o seu carro. Em seguida caminharam até uma lateral da loja. Quando chegaram ao carro impressionante, Björn assobiou e Josh disse: — Aqui está, maninho. Aston Martin Vanquish Coupé. Velocidade máxima: 295 km/h. Vai de 0 a 100 em 4,1 segundos. Motor 12 cilindros em V. Estrutura de alumínio. Injeção. Tração traseira. Automático. Seis velocidades. — Todo meu — afirmou Björn tocando admirado o carro. Desde que tinha visto aquele carro numa revista há mais de um ano, sabia que deveria ser dele. Finalmente estavam frente a frente. Josh sorriu. Apreciava o prazer do irmão. Abriu uma das duas portas e propôs: — Vem, vamos dar uma volta. Björn concordou. Entrou no carro junto com o irmão e saíram da concessionária. Com todo o cuidado, dirigiu pelas ruas de Munique. Aquela máquina era impressionante. Assim que saíram da autopista, simplesmente voaram. Uma hora depois, ao voltarem para a loja, Björn tinha mais certeza ainda. Aquele carro era impressionante e tinha que ser dele. Afirmou em meio às risadas do irmão: — Quero ele amanhã. — Amanhã?! — Isso, amanhã. — Björn, tenho que resolver a papelada e... Björn olhou Josh de forma exigente. Interrompeu-o: — Amanhã eu te deixo o meu Aston velho e vou levar esse aqui. Vamos começar a mexer com a papelada agora mesmo, porque eu quero curtir esse carro logo. Não se preocupe com seguro, ligo para a Corina e ela me transfere o do outro carro.


Com quem mais você precisa falar? Josh sorriu. — Vem comigo. Vamos precisar fazer várias ligações, mas a gente dá um jeito. Se alguma coisa era certa sobre os irmãos Hoffmann era que sempre conseguiam o que queriam. Naquela tarde, Mel passeava com a filha por uma rua movimentada de Munique. Fazia frio. Em janeiro, sempre fazia um frio siberiano naquela cidade. Na companhia da filha, parou em centenas de lugares para comprar mil presentes; a menina aplaudiu, emocionada. Isso fez Mel rir. Sua filha era sua felicidade. Seu melhor presente. Quando entraram em uma cafeteria para beber alguma coisa, o celular tocou. Vendo que era um número especial, atendeu: — Tenente Parker na escuta. — E aí, tenente? Mel sorriu. Era Fraser, seu grande amigo. Sentou-se numa cadeira e perguntou: — Por que você está me ligando desse número? — Porque sabia que você ia atender. Mel fez cara de contrariada e protestou: — Você sabe que fora da base eu sou Melanie, nada de tenente Parker. — Eu sei... eu sei... Os dois riram e, finalmente, Mel perguntou: — Como foi com a aeromoça da Air Europa? — Bom... muito bom. Sua mãe já foi? — Sim. Ontem à noite eu levei ela até o aeroporto. Já está nas Astúrias com a família. — Perfeito. Um estranho silêncio surgiu entre os dois e Mel perguntou: — Que foi, Fraser? Depois de xingar num inglês típico do Kansas, ele respondeu: — É verdade que a sua irmã vai voltar pra Fort Worth? Mel deu um suspiro impaciente e respondeu: — Parece que sim. Você sabe que ela foi para a Espanha por um tempo, logo depois que meus pais se separaram, só que mais cedo ou mais tarde Scarlett tem que voltar à vida normal. — Tem razão. — Tentando pensar em outra coisa, mudou de assunto: — Onde você está? — Comprando presentes pra Sami. Adoro deixar ela mal-acostumada. E você? — Com a Monica, na casa dela. — Uau, parece bom! Fraser sorriu e, tentando esquecer a irmã de Mel, completou: — Só te digo que não saímos da cama desde ontem. — Então você está se divertindo por aí?


— E vou continuar assim. Só liguei pra saber se você precisava de alguma coisa, mas assim que desligar, volto pra cama com a Monica. Estou precisando muito disso. Os dois riram. — Volte pra cama, sargento. Esqueça as outras mulheres e satisfaça a sua necessidade. Ao desligar, olhou a menina de olhos azuis e disse: — O tio Fraser está mandando beijos, Sami. Quer comer alguma coisa? A filha bateu palmas, fazendo alguns idosos sorrirem ao lado delas. Samantha era uma graça de menina, além de simpática, chamava a atenção aonde fosse com a coroinha de princesa. Gostava das pessoas e demonstrava isso sorrindo e se aproximando de todo mundo. Diferente da mãe, era loira, mas as duas tinham um traço em comum: os olhos azul-claros. Enquanto desenhava num guardanapo, Mel sentiu-se feliz de ver como a filha era graciosa e também com os comentários que ouvia das pessoas próximas. Gostava da calma daquele lugar. Não tinha nada a ver com a falta de tranquilidade que vivia quando estava em uma missão. Mel sorriu observando uma senhora brincar com Sami. Mas o sorriso desapareceu quando se lembrou das palavras da mãe, quando disse que Samantha teria saudades dela quando crescesse. Sabia que ela tinha razão. Mas era o seu trabalho. Depois de pedir um café e sanduíches, mãe e filha lancharam. Horas mais tarde, já em casa, Dora, a mulher que cuidava de Sami quando Mel estava fora, passou para ver como a menina estava. Depois de conversarem por um instante, Mel perguntou: — Dora, você poderia ficar com a Sami umas três ou quatro horas esta noite? A mulher quis saber: — Você tem um encontro? Mel concordou. Depois da conversa com Fraser, soube que precisava sair aquela noite. Encarou a mulher e respondeu: — Sim, tenho um encontro.


5 Melanie decidiu ir ao Sensations, um lugar em que tinha estado poucas vezes, mas onde tinha vivido bons momentos. Desde que Mike morreu, ela não teve vontade de mudar sua vida, mas decidiu continuar o tipo de jogos que fazia desde antes de conhecê-lo. Só que, dessa vez, sozinha. Sabia o que queria e sabia o que procurava, e lá iria encontrar. Sem medo de nada, entrou e foi até o guarda-volumes deixar seu sobretudo. Os homens que passavam por ela a observavam. Alta, sexy, morena e com belas proporções, graças a todos os exercícios que fazia por causa do trabalho. Usando um lindo vestido curto de couro preto, um lenço vermelho no pescoço e andando em cima de um sapato de salto impressionante, foi decidida em direção ao segundo salão. Foi direto ao bar. Pediu um Bacardi com Coca-Cola e antes mesmo que o barman lhe entregasse o drinque, já tinha dois homens em volta. Mel os observou: um deles parecia interessante, mas descartou o outro na hora. Concentrando-se no loiro de olhos claros do qual tinha gostado, perguntou: — Como você se chama? — Carl, e você? — Melanie. Quando o barman colocou a bebida no balcão, Mel tomou um gole e o o cara chamado Carl quis saber: — Você está sozinha? Ela não respondeu. Carl insistiu: — O que uma garota como você veio fazer num lugar desses? Mel sorriu e respondeu com sinceridade: — O mesmo que você. Ele chegou mais perto dela. Mel não se moveu e perguntou: — Quer me tocar? — Quero. — Então me toca. A mão dele começou a subir pelas coxas dela. Sentindo o toque, Mel ficou toda arrepiada e, sem que ele parasse, disse: — Estou procurando dois homens. Um eu já encontrei. Logo chegará o outro. Carl sorriu. Não entendia o que ela queria dizer, mas não se importou. Era uma mulher linda e sensual e teve certeza de que ia gostar. Durante um tempo conversaram sobre sexo. Falar sobre isso


naquele tipo de lugar era a coisa mais normal do mundo. Quando tudo ficou muito claro, Carl propôs: — Vamos pra pista de dança. — Não, o quarto escuro é melhor. — Perfeito — o homem concordou. Mel bebeu mais um gole do drinque, desceu do banco e andou em direção à sala. Quando entraram, ouviu música eletrônica. Durante vários minutos, as mãos de Carl voaram pelo corpo de Mel, que fechou os olhos e o deixou fazer o que quisesse. Gostava de imaginar que Mike a estava observando e que logo as mãos fortes dele se juntariam às do homem que ela tinha acabado de escolher. Foi assim. Segundos depois, sentiu outro par de mãos em suas costas. Mike. Excitada pelo momento e no escuro, não podia ver o rosto de nenhum dos dois e gostava disso. As mãos voavam por sua cintura, seus seios, sua bunda, e quando não aguentou mais, disse, virandose para o homem de quem não tinha visto o rosto: — Não fale nada e esconda seu rosto, se você quiser que eu deixe você brincar comigo. Ele concordou e Mel acrescentou, decidida: — Vamos procurar um reservado. Os dois a seguiram. Mel não olhou no rosto do segundo homem em nenhum momento, nem ele permitiu que ela o visse. Ela não queria. Só queria pensar que era Mike. Sentia necesidade de fantasiar com ele, mesmo que em muitos momentos o tivesse odiado. Quando entraram no reservado, Mel colocou uma música para tocar e a voz de Bon Jovi encheu o local. O desconhecido, a pedido dela, abriu o zíper do vestido de couro e, quando ele caiu no chão, Mel saiu de dentro dele. Carl tirou a roupa e perguntou: — Posso te jogar na cama? — Não. — Agarrando-o com segurança, Mel ordenou olhando-o nos olhos: — Fica de joelhos na frente da cama e espera por mim. Carl fez o que ela pediu. Estava muito claro que ninguém dizia o que aquela mulher tinha que fazer. Ajoelhado, com uma jarra de água e um pano limpo, observou-a e viu que, sem olhar para o sujeito atrás dela, Mel pedia: — Tira a minha calcinha e me toca como se eu fosse sua. Não faça perguntas. Só faça o que você quiser, mas sem perguntar nada. Sentindo que era atendida, Mel fechou os olhos com força e cantarolou Have a Nice Day do Bon Jovi. Essa música transportava-a para o passado, quando Mike e ela se entregavam aos jogos eróticos com outras pessoas e sentiam prazer com isso. O desconhecido fez o que ela pedia. Depois de tirar-lhe a calcinha e deixá-la em uma cadeira, enfiou um dedo dentro de Mel, seguro de si; ela arquejou. Durante vários minutos, aquele homem continuou com o jogo e Mel deixou que ele a masturbasse. — Vou me sentar na cama — anunciou de repente, fazendo o homem parar. — Tira o lenço do meu pescoço e prende nos meus olhos. Não quero te ver, mas quero que continue brincando comigo, entendeu?


Sem dizer mais nada, caminhou até a cama. Sentou-se na frente de Carl e, quando levantou os olhos, notou que o desconhecido tinha sumido. Logo o sentiu atrás dela. Percebeu como ele desamarrava o lenço de seda preta do pescoço e o amarrava ao redor de sua cabeça, cobrindo os olhos. Excitada, deitou na cama e abriu as pernas em frente a Carl. Ficou totalmente exposta e ele soube o que fazer: lavou-a. Depois de secá-la, colocou as pernas dela nos ombros e na mesma hora começou a chupá-la. Com ansiedade, aproximou os lábios da vagina deliciosa e depilada que ela oferecia cheia de prazer. A respiração de Mel ficava cada vez mais ofegante. Aquilo era maravilhoso! Sexo! Como dizia Fraser, aquilo era uma coisa necessária, por isso decidiu aproveitar o máximo que podia. Carl, adorando a entrega de Mel, colocou as pernas dela sobre a cama e a fez abrir as coxas. Ela obedeceu. Carl agora via na sua frente o centro do prazer, ainda mais exposto. Aquele púbis depilado em forma de coração era maravilhoso e tentador e a abriu com os dedos para ter acesso mais fácil. Chupava... Sugava... Quando a língua chegou ao clitóris, depois de brincar um pouquinho em volta, Mel estremeceu. Agarrando-a pela cintura, Carl encaixou-a melhor em sua boca e Mel relaxou e gozou. Enlouquecida pelo prazer que acabava de sentir, levantou-se e ordenou, tomando o controle da situação: — Deita na cama. Quero te foder. Carl se levantou e mais uma vez fez o que ela pedia. Deitado, colocou um preservativo. Mel montou nele na mesma hora, sendo preenchida por sua ereção. Excitada, mexeu o quadril em busca do prazer. Precisava muito daquilo. Durante vários minutos, seus gemidos, junto aos de Carl, soaram pelo reservado, até que o desconhecido, que tinha permanecido até agora em segundo plano, subiu na cama e também colocou um preservativo. Fez o que Mel havia pedido e participou do jogo sem fazer perguntas. Carl, vendo as intenções do outro homem, deitou Mel sobre ele. Ela sentiu que passavam lubrificante em seu ânus e, para facilitar o acesso, enfiaram um dedo, depois dois, até que ela gritou de prazer ao ser penetrada. Nunca faltavam homens para ela. Por sorte, a genética deixava que escolhesse e eles nunca diziam não. Naquele instante, naquele momento, sentir-se preenchida e desejada era espetacular. — Mike... continua... continua... — suplicou. O desconhecido sabia que estava sendo chamado de Mike e agarrando-a pelos seios, penetrou-a de novo e de novo por trás, com golpes secos, enquanto Carl penetrava-a pela frente sem parar. Naquela noite, por volta das onze horas, Björn chegou ao Sensations acompanhado por uma linda ruiva. Maya era exuberante e, como ele, só queria bom sexo. Tomaram um drinque no bar e ali


mesmo começaram a conversar com outro casal. Depois do primeiro copo, vieram outros mais e antes de entrar num dos reservados, Björn foi ao banheiro. Ao passar por uma das salas privativas, a música eletrônica que vinha de lá chamou sua atenção. Levantou a cortina e observou dois homens e uma mulher na cama. — Não quero beijos — ela sussurrou. Essa recusa, que sempre tinha ouvido da amiga Judith, chamou a atenção dele, por isso parou para observar. Com prazer, olhou a curva das costas da mulher e seus olhos se fixaram numa tatuagem que havia ali. Não dava para ver bem na penumbra, mas parecia um apanhador de sonhos. Levado pela curiosidade e pela música, entrou no reservado. Sem fazer barulho, chegou pertinho para ver a tatuagem. Exatamente, era um apanhador de sonhos. Sem dizer nada, observou o jogo daqueles três. Era o tipo de sexo que o enlouquecia. Dois homens e uma mulher transando sem inibições. Ela lhe parecia deliciosa e convidativa. Pelo menos os gemidos eram delirantes e ela se entregava completamente. Não soube dizer quanto tempo ficou olhando, até que se lembrou da ruiva linda que estava lá fora. Decidiu sair dali, ir ao banheiro e voltar para onde a tinha deixado. Vinte minutos depois, enquanto Björn e sua ruiva conversavam sentados no balcão do bar, a cortina do reservado se abriu. Viu sair dali uma mulher morena, de cabelos curtos, mas não viu o rosto. No mesmo instante, percebeu que era a mulher que tinha observado. Nunca a tinha visto por ali e isso chamou sua atenção. Passava os olhos azuis por aquele corpo e estava admirado de ver como o vestido de couro preto ficava bem nela. Sem se mexer da cadeira, Björn viu a mulher desaparecer do local. A ruiva, querendo sexo, sugeriu no seu ouvido: — Vamos para um reservado? Björn, esquecendo-se da morena, sorriu e murmurou: — Claro que sim, linda. Não vejo a hora de tirar a sua roupa. Quando Mel chegou em casa, de madrugada, Dora sorriu ao vê-la e perguntou: — Como foi o encontro? Tirando os sapatos de salto, sorriu: — Bom. Muito bom. Quando Dora saiu da casa, Mel foi ver a filha. Tinha dormido. Tirou a roupa e entrou no chuveiro. A água caindo se confundia com suas lágrimas ao pensar, como sempre, em Mike. Por que ela não conseguia esquecê-lo?


6 No domingo, quando Björn chegou à casa dos amigos Eric e Judith, em seu novo Aston Martin e na companhia de Agneta, teve que se esforçar para não rir ao ver a cara de Judith. Estava mais do que evidente que ela e Agneta não iam uma com a cara da outra. Depois de cumprimentá-los e ver o carro novo, Eric convidou Agneta para entrar na sala. Judith agarrou Björn pelo braço e falou entre dentes: — Não entendo o que você vê na Fosqui. Björn riu ao escutar o apelido que Judith dava a Agneta. “É igualzinha a um poodle chamado Fosqui que a Pachuca teve quando eu era criança”, ela havia lhe explicado certa vez. — Ela é bonita e eu me divirto. Aliás, prometi que você não ia incomodar, por isso, se comporta, linda, tudo bem? Judith revirou os olhos. Disse sorrindo: — Ela é uma sonsa... uma sonsa de carteirinha. — Jud... não começa. — Deus, Björn, como você consegue se divertir com esse poodle antipático? Essa daí é a mulher mais sem sal que já conheci na minha vida. Ele gargalhou. Não tinha ninguém igual a Judith. Estava na cara que ela e Agneta nunca seriam amigas. — Na cama ela é tudo, menos sem sal. Judith franziu a testa e respondeu: — Mas é claro, às vezes as coisas são tão simples pros homens... A mulher pode ser insuportável, mas só porque é uma fera na cama, você continua com ela? — Ela não é insuportável comigo. — Você é outra história — ela riu —, mas pro resto da humanidade ela é uma imbecil que vou te contar. Pode controlar essa mulher ou hoje ela vai sair daqui bufando. Você se lembra que da última vez que a gente se viu essa idiota teve a ousadia de me chamar de assassina porque eu gosto de filé de vitela. E que fique bem claro que eu só não disse pra ela o que eu pensava porque ela estava com você. — A Agneta é vegetariana. Não leve isso em consideração. — Mas, caraca, Björn, por que você tinha que trazer ela aqui? Morrendo de rir, ele abraçou a amiga e respondeu: — Só trouxe pra irritar você, bobinha! Mas fica calma que ela vai se comportar se você também se comportar. Ouvindo isso, Judith sorriu e cochichou, cúmplice: — Seu babaca.


Entre risos, entraram na sala, onde estavam mais convidados. Eric e Jud apresentaram todos e quando chegaram a uma jovem que tinha nos braços o pequeno Eric, Jud perguntou animada: — Você se lembra da Melanie? Björn olhou a moça vestida de calça jeans e blusa preta de gola alta e negou com a cabeça. Judith continuou: — É uma amiga espanhola. Como ele conhecia aquela linda espanhola e não tinha o telefone dela? Impossível! Aquela morenaça de cabelo curto e bem negro não teria passado despercebida. Curioso, deu uma checada em seu corpo. O jeans caía muito bem nela e a blusa marcava os belos e tentadores seios, que ele teve vontade de tocar. Estava observando-a distraído, quando ouviu: — Minha nossa, mas se não é o James Bond em pessoa! Ouvindo isso, Björn mudou de expressão e rapidamente lembrou quem era aquela mulher. Sua mente em décimos de segundos a identificou como a garota que meses antes tinha ajudado Judith a sair do elevador e levado a amiga para o hospital no dia do parto. Por isso, sem muita vontade de ser simpático, sussurrou: — Ora, ora... se não é a Superwoman. Mel, diferente dele, ouvindo isso, abriu a boca e respondeu, surpresa: — Nossa... Como você me reconheceu? Björn, desconcertado pela gozação, perguntou: — Onde você deixou o disfarce, linda? Mel trocou um olhar animado com Judith e, cravando os olhões azuis nos dele, chegou perto e respondeu: — No Batmóvel, seu cretino. Mas, fica quietinho... não fala nada. Deixo ele lá, caso tenha que salvar o mundo de algum espião a serviço da Inteligência Britânica. Judith gargalhou. Ver a expressão de Björn era demais! Não entendia o que se passava entre seu amigo querido e aquela moça, mas se divertia. Björn era um sujeito de muito bom humor e, pelo visto, ela também, mas ele se recusava a entrar na brincadeira. Por fim, sem muita vontade de falar, ela viu Björn caminhar em direção a Eric. Mel deixou o pequeno Eric na cadeirinha e, olhando para Jud, perguntou: — Você acha que ele ainda me odeia porque não foi ele quem te levou ao hospital naquele dia? Judith deu de ombros e, certa do que dizia, respondeu: — Só te digo que ele é o melhor cara que eu conheço depois do meu marido e não entendo por que ele se comporta assim com você. Naquele instante ouviu-se barulho de vidro quebrando no chão. Agneta tinha derrubado um copo, que se fez em pedacinhos. Na mesma hora, Mel procurou a filha. Encontrou-a justo do lado do acidente, chorando. Foi correndo até ela, só que, antes chegar, observou que a menina estava agarrada ao vestido de Agneta, que empurrou a menina para se afastar, fazendo Sami perder o equilíbrio.


Björn tentou pegar a pequena no ar, mas mesmo assim ela caiu sentada no chão. Ao vê-la chorar, ele se agachou, apoiou uma das mãos no chão e pegou a menina. — Pronto, querida, não foi nada — sussurrou Melanie tirando a menina dos braços dele, pensando que aquela mulher, a tal da Agneta, era uma idiota. A criança, assustada, continuou chorando. A coroa rosa de princesa que trazia na cabeça também tinha caído no chão, e Björn a pegou. Todos observavam. Mel, esquecendo-se de tudo, ninou a criança nos braços até o choro passar. O importante era a filha, o resto não tinha importância. Quando Sami se acalmou, mostrou um dedinho e cochichou: — Fiz dodói. Vendo o sangue, Mel agiu rápido. Pegou um guardanapo e, delicadamente, limpou o dedinho. Não era nada grave. Só um pequeno corte. Mesmo assim, olhando a menina, disse enquanto caminhava até sua bolsa enorme: — Vem, meu amor, a mamãe vai cuidar de você. Eric, junto da mulher, na mesma hora orientou que fossem até a cozinha. Lá abriu um armário e pegou uma caixa de primeiros socorros. Com carinho, Mel e Judith cuidaram da menina, deram um pedaço de chocolate e puseram um band-aid das Princesas da Disney no dedo. Só que Sami queria que a mãe falasse as palavras mágicas, por isso, apontou o dedo. Mel sorriu e disse: — A Bela Adormecida vai fazer você sarar, num passe de mágica a dor vai passar, tchan... tchan... tchan!, para nunca mais voltar. Sami riu alto e Mel comentou com a amiga: — Se alguém me dissesse que ia fazer essas palhaçadas para a minha filha, eu nunca teria acreditado. As duas riram e quando voltaram para a sala todos estavam olhando. Mel trazia a filha no colo. — Sami, fala pra eles que você já está bem — animou-a, olhando para os convidados. Ao ser colocada no chão, a loirinha de olhos azuis, com um sorriso largo, mostrou o curativo e disse: — Tô bem. Todos sorriram e Björn, aproximando-se dela, agachou-se para perguntar: — Como você se chama? Ela piscou com graça e respondeu, agarrada às pernas da mãe: — Pincesa Sami. Mel completou, abraçando-a com carinho: — Se chama Samantha. Nós a chamamos carinhosamente de Sami, e ela se intitulou princesa. Björn, achando graça na desinibição da pequena, concordou com a cabeça, apontando a coroa que tinha caído no chão. Perguntou: — Tenho certeza de que ela é sua, não é? A criança, feliz, fez que sim. Pegou a coroa e colocou outra vez na cabeça. — Sou uma pincesa. Björn sorriu. Sami se aproximou, fez biquinho e, sem pensar duas vezes, deu-lhe um beijo estalado que fez todos rirem. Björn em primeiro lugar.


Comovida com esse beijo, Mel sorriu. Quando a menina se afastou correndo, pegou um guardanapo, limpou a bochecha de Björn suja de chocolate e, diante da expressão de surpresa dele, pediu: — Me mostra a mão. — Pra quê? — Me dá a mão — insistiu Mel. Björn, vendo que todo mundo estava olhando, cedeu e fez o que ela pedia. Mel, virando a mão com cuidado, observou a palma. — Entrou um caquinho de vidro. Não se mexe, que eu tiro. Achando graça naquilo, Björn zombou: — É como aquela história do espinho. Se você tirar o caco, vamos ser amigos pra sempre? Mel encarou-o e respondeu: — Duvido. Sem se mover, observou-a e viu como ela limpava com delicadeza e tirava o pequeno vidro da pele. Saiu uma gotinha de sangue e Mel, sem pensar, pegou um baid-aid das Princesas e, da mesma forma que tinha feito na filha, colocou na mão dele. — Pincesaaaass! — aprovou a menina, chegando perto. Assim que Mel terminou, olhou para Björn e disse animada ao perceber que a filha os observava: — Saiba que a Bela Adormecida vai fazer você sarar, num passe de mágica a dor vai passar, tchan... tchan... tchan!, para nunca mais voltar. Pego de surpresa por aquela bobagem, Björn olhou bem para ela e disse piscando: — Tá de brincadeira, né? Mel, vendo que a filha olhava atenta para eles, cochichou: — Disfarça e sorri. A Sami está olhando e acredita no poder dessas palavras. Ele, vendo a menina com a coroinha rosa de plumas do seu lado, sorriu e, prestando atenção outra vez na mãe da criança, sussurrou: — E se a Bela Adormecida me curar outra coisa? — O cérebro, talvez? Os dois se olharam. Com um sorriso de canto de boca, Björn respondeu: — Se quiser chamar ele assim, eu não ligo. Ele também não. Mel deu uma risada e, abaixando-se para olhar nos olhos da filha, sussurrou: — Seu cretino. Björn, achando graça da situação, sorriu enquanto Mel brincava com a filhinha. Agneta ao lado dele, reclamou: — Menina maldita! Por culpa dela, manchei o vestido! Ouvindo esse comentário, Mel ficou nervosa. Quem tinha dito aquilo? Levantou os olhos e viu que se tratava da acompanhante do James Bond. Antes que ela pudesse responder, Judith, que também tinha ouvido, interveio desafiadora: — O importante é que a criança está bem, não seu vestido, Agneta.


A loira suspirou e, quando viu que Judith se afastava, encarou Björn, ao seu lado, e protestou: — A simpática da sua amiguinha, como sempre, fica do lado de todo mundo, menos do meu. Essa catarrenta manchou meu vestido de sangue e eu nem posso reclamar. Mel, que não podia ficar quieta, respondeu: — Sinto muito que minha filha tenha manchado o seu belo vestido, mas em defesa dela, te digo que foi sem querer. Além disso, toma cuidado com o que você fala, porque eu sou a mãe e posso me ofender se chamá-la de “catarrenta” outra vez. E antes que você diga qualquer coisa, eu digo que a minha filha tem 2 anos e meio e ainda é um bebê. Você tem pelo menos uns 40, ou seja, tem idade suficiente para entender as coisas. Esse comentário fez Björn sorrir, mas ele disfarçou. Era evidente que a nova amiga da Jud não deixava passar uma. — Eu tenho 32! — explodiu Agneta, extremamente ofendida. — Sério? — perguntou Mel, tirando sarro. — É sério — afirmou a outra, de cara feia. — Você não está tentando me enganar? — insistiu. Agneta, soltando fumaça pelas orelhas, porque todos olhavam para ela duvidando da sua idade, afirmou com expressão contrariada: — Trinta e dois, nenhum a mais. Mel, adorando aquilo, concordou e murmurou maliciosamente ao se afastar: — Tudo bem, mas então você está bem acabada. Sem se dar conta, Björn sorriu mais uma vez. Gostando ou não dela, aquela mulher tinha seu charme e acabava de demonstrar. Disfarçando, acompanhou-a com os olhos e observou seu corpo com atenção. Deteve-se na bunda dela. Era tentadora. Agneta, ao seu lado, continuou a dar explicações sobre a própria idade. Quando todos se foram, olhou Björn e, ofendida, disse: — Essa mulher é uma grossa. — Quem? — ele perguntou, já sabendo a resposta. — A morena. A mãe da catarrenta. Björn viu o sorriso no rosto da amiga Judith, mostrou o curativo das Princesas e a fez rir alto. Em seguida, agarrou Agneta pela cintura e lhe disse: — Vem, vamos beber alguma coisa. Um tempo depois, todos relaxaram e passaram ao salão para almoçar. Como sempre, Simona tinha preparado uns quitutes deliciosos que todos comeram com muito prazer. Sem poder evitar, o olhar de Björn voou na direção de Mel, mas nunca conseguiu que seus olhos se cruzassem. Isso o irritou. Aquela mulher só parecia ter olhos para a filhinha. Quando terminaram de almoçar, os convidados começaram a conversar. Judith, depois de dar um beijo carinhoso no marido, levantou-se da mesa e foi até a outra sala para ver o filho. Antes de entrar, viu pela fresta da porta que Mel estava sozinha na cozinha. Quando entrou, sentiu um cheiro que chamou sua atenção.


— Você está fumando? Com a janela aberta, Mel olhou para ela e, antes que pudesse responder, Judith chegou mais perto. Então, Mel falou em voz baixa: — Você fuma? Jud sorriu. — Só de vez em quando ou quando quero irritar o Eric. Em meio a risadas, sentaram-se na mesa da cozinha. — A Sami dormiu? — Dormiu e seu filho também. — Sorriram, e Mel continuou falando com a coroa de plumas da filha na mão: — A Simona me disse que não precisamos nos preocupar com nada. Ela vai pra sala se eles acordarem. — Ai, minha Simona... — Judith suspirou, pensando naquela mulher de quem gostava tanto. — Sem ela, a minha vida não seria a mesma. Simona e o marido, Norbert, viviam na casa e se encarregavam de que tudo estivesse em ordem; Simona era maravilhosa. Jud se levantou e perguntou a Mel enquanto abria a geladeira: — O que você quer beber? Estou morrendo de vontade de tomar Coca-Cola. — Uma Coca pra mim também. Judith serviu as duas. Mel colocou a coroinha sobre a mesa, ofereceu outro cigarro a Judith e ela aceitou na hora. — Esse seu trabalho de aeromoça deve ser muito bom — disse-lhe. — Isso de viajar tanto e conhecer diferentes países tem suas vantagens. Mel sorriu. Meses antes, quando Judith perguntou o que ela fazia da vida, Mel contou que era aeromoça. Mas vendo que Judith era uma boa amiga e que não deveria ser enganada, chegou mais perto e cochichou: — Você guarda um segredo? — Claro, Mel. — É muito importante pra mim que você guarde segredo, Judith, promete? — Prometo, mulher... prometo. Afastou a franja do rosto e chegou mais perto da amiga. — Não sou aeromoça, sou piloto — confessou. Boquiaberta, Judith a encarou. — Sério? Caraca... que máximo. Achando legal ver a surpresa da amiga, Mel respondeu fazendo graça: — Sou a Superwoman, o que você estava pensando? Riram juntas. — Você trabalha para qual empresa? A pergunta fez Mel dar risada.


— Jura que você guarda segredo? — Vamos ver, o que eu preciso dizer para você confiar em mim? Mel sussurrou: — Para a empresa do Tio Sam. Judith piscou com espanto. Quando entendeu o que aquilo significava, exclamou surpresa: — Como?! — Sou piloto do exército americano. — Você é militar? Mel fez que sim e disse ainda: — Piloto de um Boeing C-17 Globemaster. Para você entender, é um avião enorme que tenho certeza de que você já viu alguma vez no noticiário, desses com uma abertura atrás para receber cargas de provisões pra certas operações e... — Você tá falando sério? — Seriíssimo. Você tem na sua frente a tenente Parker da Força Aérea Americana. Sou o filho que meu pai sempre quis ter e por azar não teve. Por rebeldia eu me alistei no exército com a intenção de provar pra ele que não precisava ter uma coisa balançando no meio das pernas para ser corajosa e ter voz de comando. — As duas riram. — Apesar de admitir que gosto do que faço, depois que a Sami nasceu, não sei se isso é certo. — Por quê? Mel deu uma tragada no cigarro e respondeu: — Porque odeio deixar ela sozinha. Odeio ver como ela chora quando saio e odeio pensar que algum dia ela possa me rejeitar. Por isso, faz tempo que tento fazer um curso de design gráfico a distância, mas não dá, não consigo me concentrar! Mesmo assim, tenho que fazer. Quem sabe um dia eu possa terminar e mudar de profissão. Judith entendia a amiga, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Mel continuou: — Por favor, é muito importante pra mim que você guarde segredo. Quando estou fora da base, costumo usar o sobrenome espanhol da minha mãe, Muñiz. Isso evita muitas perguntas. — Mas, menina, você é genial! Nossa.... Você é piloto americana! Mel sorriu e Judith, sem entender muito bem por que ela queria manter segredo, perguntou: — Não vou contar pra ninguém, mas me fala, por quê? — Porque não gosto que os outros saibam da minha vida. Além disso, nem todo mundo gosta dos soldados americanos. Assim, quero continuar sendo pra você e pra todos somente Melanie Muñiz, entendeu? Judith concordou. Tinha sido pega totalmente de surpresa. Querendo saber mais, perguntou: — Seu marido também é militar? Mel bebeu um gole da sua Coca e afirmou com a cabeça.


— É. — Ele está em alguma missão, por isso não o conheci ainda? A dor tomou os olhos de Mel e Judith percebeu. Mas antes que pudesse pedir desculpas pela pergunta, a amiga disse: — O Mike morreu no Afeganistão e não era meu marido... Horrorizada, Jud colocou a mão por cima da mão da amiga. — Sinto muito, Mel. Não queria que... — Não foi nada — murmurou, encarando Judith. — Você não sabia e é normal que me faça perguntas sobre o Mike. — Depois de um silêncio tenso disse: — Ele morreu quando eu estava grávida de sete meses, durante uma missão. — Deus, Mel, sinto muito... Tudo ficou em silêncio e Jud perguntou para mudar de assunto: — E como você se vira com o trabalho e com a Sami? — Ela fica ou com a Dora, uma vizinha maravilhosa, ou com a Romina, mulher do Neill. Elas me quebram um galho. A minha mãe também vem das Astúrias, ou senão eu levo Sami até ela. — Pois a partir de agora, você também pode contar comigo, entendido? — Mel fez que sim com a cabeça. Judith continuou: — Pode se considerar da família pra pedir ajuda quando você precisar. Agradecida, Mel apertou a mão da amiga. — Obrigada, Judith. — E ao ver a tristeza em seu olhar, falou baixinho: — Foi terrível perder o Mike. A pior experiência da minha vida. Mas a Sami e o seu sorrisinho me fazem saber que Mike vive nela, por isso eu tenho que ser feliz. Pega desprevenida, Judith ouviu. Não queria nem imaginar a dor que Mel sentia no coração. Se algo assim tivesse acontecido com ela, com certeza teria morrido com Eric, mas era admirável como Mel se mostrava incrivelmente forte. — Não conheci o Mike, mas tenho certeza de que ele ia querer que você tocasse a sua vida e fosse feliz, não é? Mel concordou. — Sério, Mel — reforçou —, pode contar comigo para tudo o que você precisar e... Naquele momento a porta da cozinha se abriu. Björn apareceu e ao vê-las ali sentadas, perguntou: — Que cheiro é esse? Björn, que de bobo não tinha nada, ao ver como as amigas se olhavam, disse: — Tá, vou fingir que não senti cheiro nenhum e não pergunto mais nada. Foi até a geladeira, pegou uma cerveja, abriu e deu um gole. Perguntou: — Conspiração das super-heroínas espanholas? Judith perguntou, rindo: — E aí? A princesa curou o seu machucadinho?


Björn, olhando para o curativo rosa, zombou: — Meu machucadinho está ótimo. — Chegando mais perto, ao ver o que elas tinham nas mãos, perguntou: — Vocês não sabem que fumar faz mal à saúde? — A gente tem que morrer de alguma coisa, né? — respondeu Mel, que, vendo a cara dele, fez a próxima pergunta: — Você não fuma, James Bond? — Não. — Nem um baseadinho de vez em quando pra relaxar? Perplexo pelo descaramento, Björn respondeu: — Não fumo. Não gosto dessa merda e eu queria que você parasse de me chamar por esse apelido ridíc... — Ah, que isso... você é igualzinho a sua namorada. Cadê seu senso de humor, cretininho! — Minha namorada? — E vendo que ela sorria, esclareceu: — Olha, linda, a Agneta não é minha namorada, é só uma amiga e se você voltar a me chamar de cretino... juro que... — Eh... eh... eh... eh... — Mel gritou fazendo Björn se calar. — Nem você, nem sua vida particular me interessam. Por isso, me poupa! Surpreso pela desenvoltura de Mel em fazê-lo ficar quieto, ele tentou dizer algo, mas Judith interrompeu: — Nem pense em contar ao Eric que me viu fumar, hein? Ouvindo isso, Mel olhou para a amiga e perguntou com um tom brincalhão: — Além de não ter senso de humor, o bonequinho é uma criancinha dedo-duro? Boquiaberto, Björn grunhiu: — Bonequinho eu não ligo. Agora, criancinha me ofendeu, e quanto a dedo-duro, deixa eu te falar uma coisa... — Eh... eh... eh... — gritou Mel de novo. Esse método era infalível. — Não me interessa o que você acha. Incrédulo pelo papel ridículo que estava fazendo, Björn protestou: — Quer parar de me tratar que nem um imbecil? — Ué, mas você não é um imbecil? De saco cheio e querendo estrangular Mel, Björn sibilou: — Pode ter certeza de que não. — Não, Mel... isso eu mesma posso te afirmar — interveio Judith. — Björn é um cara muito legal quando quer, mesmo que não acredite no poder das Princesas. As duas mulheres se entreolharam com cumplicidade e então Mel disse baixinho enquanto colocava a coroinha de plumas rosa da filha na cabeça: — Pode ficar do lado do James... Mas é difícil acreditar. Achando graça, Jud quis responder, mas Björn grunhiu outra vez: — Escuta aqui, sabichona...


— Princesa, por favor — esclareceu Mel, zombando enquanto apontava a coroa. Sem poder evitar, Judith soltou uma gargalhada. Mel era engraçadíssima, e Björn, olhando a descarada usando a coroinha rosa, falou entre dentes: — Você está me tirando do sério como pouca gente neste mundo consegue. Em menos de cinco minutos, me chamou de bonequinho, cretino, dedoduro e criancinha, e só vou falar mais uma vez antes de eu ir embora: me chamo Björn, não James, nem nenhum dos apelidos absurdos que você me colocou. Entendeu, princesinha? Mel sorriu. Adorava tirar os homens do sério e sem mudar a expressão, perguntou: — Tem certeza? — Certeza de quê? — Björn gritou exaltado. — Certeza de que você não se chama James, bonequinho? Björn falou um palavrão. Aquela mulher era insuportável. Então decidiu dar a volta e passar por ela, mas Mel o chamou antes: — James... James... o zíper da sua calça está aberto. Rapidamente ele fez menção de fechar a calça, mas se deu conta de que era mentira. Olhou Mel nos olhos, e ela disparou: — Você caiu, cretino! Vendo que iam começar o joguinho outra vez, Björn se virou, e com a cerveja na mão, saiu da cozinha com passos largos. Uma vez sozinhas, Mel tirou a coroa da cabeça e elas começaram a rir. — Por que você é tão má com ele? — perguntou Jud. — Eeeeeuuuuuu...? — Pobrezinho. Björn é um encanto de homem. Mel, animada, tomou um gole da sua Coca e respondeu: — Judith, eu vivo num mundo cheio de homens. Se eu não fizer isso com eles, eles fazem comigo. Por isso, decidi ser eu a espertinha que tira sarro. Viu só como ele ficou furioso? — Vou te contar, Mel. Acho que é a primeira vez que eu vejo ele assim, bravo com uma mulher. Acho que você pegou ele de surpresa. — Jura? — Juro — afirmou Judith. Mel, gostando de ter vencido, deu de ombros e murmurou: — Adoro pegar os homens de surpresa. Judith sorriu. Tinha certeza de que o amigo, no fundo, também tinha gostado da surpresa, mesmo que tivesse feito de tudo para negar. Naquela noite, por volta das dez horas, todos os convidados foram embora. Com carinho, Mel pegou a filha no colo e colocou-a no carro. Depois de se certificar de que estava segura na cadeirinha, cobriu-a com uma manta. Fechou a porta do carro, se virou para Judith e disse, abraçando-a: — Obrigada pelo convite. Gostei muito. — Obrigada por ter vindo. Te ligo depois de amanhã pra gente sair pra almoçar, tudo bem?


— Tudo bem. Já dentro do carro, se preparando para sair, viu passar do seu lado um esportivo bordô impressionante. Mel olhou para o motorista e encontrou os olhos fascinantes de Björn, que a reprovavam. Ela sorriu e, sem conseguir evitar, deu uma piscadinha, movendo os lábios para que ele entendesse: — Saionará, cretino. Dito isso, arrancou e partiu, deixando Björn sem palavras mais uma vez.


7 Dois dias depois, Judith e Mel se encontraram para fazer compras. Passaram metade da manhã no shopping, comprando coisas para os filhos e para elas. — Acho que a Sami vai adorar essa coroa de cristais e brilhantes coloridos. A gente tem mil coroinhas, ela adora! Minha filha é uma princesa dos pés à cabeça. — Mel riu. Depois de comprar e guardá-la na bolsa, sentiu o estômago roncar. Judith convidou: — Vem, vou te levar pra comer no melhor restaurante de Munique. Meia hora depois, entraram no Jockers. Klaus, pai de Björn, reconhecendo Judith, logo a cumprimentou. — Quanta mulher bonita por aqui! — comentou animado. — Já sei a quem o seu filho puxou — zombou Judith, que, lhe dando um beijo, disse animada: — Essa aqui é minha amiga espanhola, Melanie Muñiz. — Espanhola? Que maravilha! — respondeu Klaus. Mel estendeu a mão para ele com um sorriso simpático. — É um prazer, senhor. Klaus piscou um dos olhos para a jovem e cochichou: — Se me chamar de Klaus, eu agradeço. Esse negócio de senhor me lembra o exército. — É uma lembrança ruim? — Mel perguntou, curiosa. Klaus fez que sim com a cabeça e murmurou: — Minha segunda mulher me deixou por um filho da mãe americano. — Era militar? — perguntou Judith. Tentando sorrir, respondeu: — Era. Como se não bastasse, era comandante. Por isso eu te disse que isso de “senhor” não me agrada, como também não me agradam os americanos. As mulheres se entreolharam e nesse momento Judith lembrou do que Melanie tinha dito. Respondeu: — Ah, Klaus, não sabia. Sinto muito. — Faz alguns anos que isso aconteceu e ninguém quer se lembrar. Especialmente meu filho mais velho, que foi quem teve que tratar o divórcio com esse gringo. Comovida, Mel sussurrou: — Sinto muito, Klaus. O homem, esboçando mais uma vez um sorriso, disse: — Acho que a tristeza passaria com o jeito espanhol de cumprimentar. Judith, vendo como estavam se dando bem, respondeu: — Mas que interesseiro, Klaus. Você quer dois beijos!


— Mas é claro, querida. Tem alguma dúvida? Mel sorriu e, chegando mais perto dele, deu-lhe dois beijões no rosto. Em seguida, perguntou: — Passou a tristeza? O homem fez que sim com a cabeça e afirmou com um sorriso encantador: — Totalmente. Os três sorriram. — Sabia que achei seu nome lindo? — Klaus comentou. Mel arregalou os olhos e acrescentou: — Então, tenho certeza de que você gosta de E o vento levou, não gosta? O homem concordou. — É o melhor filme de todos os tempos, mesmo que seja americano. Ela gargalhou. — Para os meus pais também. Se eu disser, Klaus, que a minha irmã se chama Scarlett e eu, Melanie, você vai entender como eles gostam. Surpreso, ele perguntou: — Verdade, menina? — Verdade, Klaus. Esses nomes são a cruz que carregamos a vida toda. Dizendo isso, os três sorriram e Klaus levou as amigas até uma mesa. Sugeriu o que elas poderiam pedir e foi embora. — Que chato o que ele falou sobre os americanos. Eu não penso assim. Acho que existe muita gente boa e má em todo lugar — comentou Judith. Mel sorriu. — Já me acostumei. Por isso te disse pra guardar segredo. — É verdade que a sua irmã se chama Scarlett? — É sim... meus pais foram originais desse jeito. Só pra constar, se eu tivesse nascido menino, sem dúvida nenhuma, teria sido chamado de Rhett, como o protagonista. Em meio a risadas, as duas devoravam os pratos que Klaus ia trazendo. Estava tudo delicioso e Judith perguntou, tomando um gole de sua bebida: — Você está saindo com alguém? — Não. — Por que não? — Não tenho tempo, Judith. Fico muito ocupada com o trabalho e com a Sami. — Fixando o olhar na amiga, acrescentou: — Mas não se preocupe, tenho amigos com quem posso passar alguns momentos gostosos. Isso nunca me falta. Compreensiva, Judith murmurou: — Sinto muito pelo Mike. Deve ter sido terrível.


Mel tomou mais um gole e balbuciou: — Foi e ainda é. Ainda penso nele, mais do que ele merece. Surpresa ao ouvir isso, Judith olhou bem para Mel, que esclareceu: — Não sei por que eu te conto essas coisas, mas preciso dizer que o Mike me decepcionou muito. — Como?! — Quando ele morreu, descobri que eu não era a única mulher no coração dele. Digamos que, graças a ele, tenho a coisa mais linda da minha vida, que é a Sami, mas também, graças a ele, não acredito nos homens, nem no amor. Nem morta! — Nem todos os homens são iguais, Mel. — Vou ter que discordar de você. Mesmo que o Eric seja loucamente apaixonado pela esposa querida, não quer dizer que todos sejam como ele. As duas sorriram. Judith continuou: — Algum dia eu te conto a minha história com o Eric. Não foi nada fácil, mas o amor que sentíamos um pelo outro conseguiu superar tudo e aqui estamos nós. Antes que me diga qualquer coisa, acho que se você desse uma chance a um... — Judith — Mel interrompeu —, a última coisa que quero na minha vida hoje em dia é um homem. Só preciso de mim mesma para criar a minha filha. — Não sente falta de alguém que te abrace? — Não. — Mas se tivesse alguém do seu lado, teria uma segurança que agora você não tem e... — Não, Judith. Alguém do meu lado me deixaria, justamente, insegura. — Só porque você passou isso com o Mike não quer dizer que vá acontecer de novo. — Eu sei. Sei que você tem razão. Mas agora tenho muito cuidado. Não confio em homem nenhum. Além disso, sou militar, pensa na minha profissão. Que homem vai querer viver a vida que eu vivo? — Mas você disse que não quer ser militar a vida toda. — Uma coisa é o que eu digo e outra é a maldita realidade, Judith. Tenho uma filha que vou criar como puder, sozinha. Eu adoraria conseguir um trabalho de ilustradora, mas é algo muito difícil, por isso, por enquanto, tenho que manter os pés no chão e continuar no exército. — Tem que pensar na Sami e em você. — Eu sei, é o que eu faço. Mas pra ser sincera, não consigo deixar de pensar no Mike. Isso significa que penso nele até mesmo quando estou com outros homens. — Não acredito! Sem poder se conter, Mel continuou: — Sou idiota a esse ponto. O amor da minha vida me trai e ainda continuo pensando nele.


Naquele momento, ouviram uma voz vindo de trás delas: — Continua pensando em mim? Meu Deus, boneca, fico horrorizado em saber. Virando-se, notaram que era ninguém menos do que Björn. Mel bufou. — Cretino à vista. Ele sentou-se ao lado da amiga e deu-lhe um beijo. — De você, eu nem chego perto, menina — esclareceu, encarando a morena de olhos azuis. — Eu agradeço, menino. — Mel suspirou, sustentando o olhar. — Tem medo de gostar se eu me aproximar? — Mas é mesmo um convencido! Judith se preparou para dizer algo, quando Björn sussurrou, divertindo-se: — Você bem que gostaria de conhecer esse convencido bem de pertinho. Mel gargalhou. — Nada mais longe da realidade... gato. — Hum... gato?! Está tentando insinuar alguma coisa... gata? Porque, se for assim, deixa eu te contar que prefiro as loiras doces e delicadas às morenas grossas e agressivas. Lembrando-se da mulher que o acompanhava dois dias antes na casa de Judith, Mel disparou, irônica: — Se as loiras doces e delicadas são como aquela insuportável que você levou no outro dia, eu estou bem mais feliz sendo a morena grossa e agressiva! Judith, sem entender o que acontecia entre aqueles dois, encarou-os. — Gente, vocês dois são meus amigos, será que não conseguem ficar cinco minutos sem trocar elogios? — Não — responderam os dois ao mesmo tempo. Chateada com a atitude, Judith se levantou. — Preciso ir ao toalete. Tentem não se matar nesse meio-tempo. A sós na mesa, não falaram nada, até que Klaus chegou com uma caneca de cerveja para o filho. — Viu só que amiga mais linda a Judith tem? Björn, olhando em volta, perguntou: — Onde está essa beleza? Mel bufou impaciente. Klaus, ao ver o filho fazendo graça, respondeu: — Não se faça de sonso, porque sei que você a viu. Ela se chama Melanie. Que nome bonito, né? O rapaz bebeu um gole da cerveja e respondeu encarando Mel: — Só porque tem o nome da heroína do seu filme preferido, não quer dizer que tem que ser bonita. Klaus ia responder, mas um dos garçons o chamou. Ele se afastou, deixando-os sozinhos outra vez. Os dois se enfrentaram com o olhar até que ela quebrou o silêncio: — Vai me gastar, de tanto que você olha.


— Digo o mesmo, mas entendo que você olhe: todas olham. — Ah, é? Björn fez que sim e Mel, animada, continuou: — E nunca passou pela sua cabeça que elas te olham por causa dessa cara de bobo que você tem? E então foi ele quem riu. — Você é tão parecida com a Judith nas respostas que qualquer dia vai me dizer alguma de suas gracinhas espanholas. Gostando do comentário, Mel sorriu. Lembrou-se de que Judith tinha contado que falava essas coisas para o marido quando discutiam. — Seu babaca! — Incrível! — Björn ironizou. — As espanholas devem ter essa palavra no DNA. Mel ficou sem ação. Tentou responder, mas Björn interrompeu: — Você sempre anda com a metralhadora carregada? — Com abobados que nem você... ando. Björn bebeu mais um gole da cerveja e, tentando acalmar a vontade que sentia de continuar brincando com ela, perguntou: — Já sarou o dedinho da princesa Sami? Surpresa que ele se lembrasse do nome da filha, Mel mudou a expressão do rosto e respondeu: — Já. Realmente não foi nada, mas um band-aid das Princesas sempre consegue acalmá-la. — Jura? Mel sorriu. — Juro. A minha filha acredita no poder das Princesas e por isso eu falei aquela bobagem pra você na frente dela. Sorriram. Os dois entendiam aquilo como uma pequena trégua. Permaneceram alguns segundos sem falar nada e então Björn comentou: — Gostou da comida do restaurante? — Uma delícia — Mel afirmou. — Nunca tinha vindo aqui, mas vou voltar. Mais que tudo, adorei os brenz. — Os brenz que meu pai prepara são famosos em toda a Munique. O joelho de porco assado também. — O Klaus é seu pai? Björn fez um gesto afirmativo e Mel, achando curioso, continuou: — Nunca me passou pela cabeça. Ele é tão simpático e você é tão cretino... Mas agora que estou olhando com atenção, vocês dois têm os mesmos olhos bonitos. — Ah, não... — Que foi?


Björn sorriu: — Isso que você acaba de dizer é um elogio? — ironizou. Ao se dar conta do que tinha acabado de dizer, Mel concordou: — Sim. Os seus olhos são bonitos. São e ponto. Björn apoiou os cotovelos na mesa e se inclinou para a frente. — Você também tem olhos muito bonitos, sabia? Aquela conversa estava começando a deixar Mel nervosa. Então, tirando o cabelo negro do rosto, disse: — Obrigada, mas não precisa me elogiar também. — Como você disse, seus olhos são bonitos, são e ponto. Mel sentiu um calor. Fazia mais de dois anos que não ouvia algum elogio de um homem. Uma coisa eram as palavras legais dos amigos ou dos homens com quem queria apenas sexo. Outra, muito diferente, era aquele homem de olhar sensual falando dessa maneira. Por isso, para quebrar o clima, voltou a dar um sorrisinho e incorporou a tenente Parker: — Que bom que você gosta, mas não fica emocionado. Eles não te olham com luxúria. — Ah, não? — Não. Por definição, não gosto dos metidos a besta. — De metida já basta você, né? Com uma expressão que de certo modo o agradou, Mel perguntou: — Como você descobriu? Björn riu. Aquela mulher o atraía e não era por causa dos belos olhos. Porém, sem vontade de entrar em outra discussão, disse quando se levantou: — Como sempre, foi um prazer revê-la. — Igualmente. Sem olhar para trás, Björn foi andando até o pai. Sem tirar os olhos dele, Mel notou a química que havia entre os dois. Teve que sorrir ao ver como Klaus bagunçava o cabelo do filho. Instantes depois, Judith voltou do banheiro e exclamou encarando a amiga: — Não acredito. O Björn te deixou sozinha? — Eu que toquei ele daqui, não se preocupe. — Mas então, o que acontece com vocês dois? Por que sempre que eu os vejo, vocês fazem a mesma coisa? Dando de ombros, Mel sorriu. — Não sei. O caso é que meu santo não bate com o desse bonitão convencido. Naquele instante, Judith ouviu seu nome, olhou para trás e viu que Björn estava se despedindo dela e indo embora. Quando ele desapareceu, Judith olhou a amiga que bebia tranquilamente sua cerveja. — Pois quer você acredite ou não, Björn é um sujeito maravilhoso.


Mel sorriu: — Não duvido. Mas quanto mais longe ele ficar de mim... melhor.


8 Na terça-feira da semana seguinte, quando Mel deixou Sami na escolinha, voltou para casa e ligou para a família nas Astúrias. Depois de dois toques, atenderam. — Alô. Era a sua irmã. De brincadeira, Mel adotou um sotaque sulista: — Senhorita Escarlaaate..., senhorita Escarlaaate, aqui quem fala é a senhorita Melanie. — Mas que palhaça, Mel — riu a irmã, que continuou: — Saiba que hoje eu estou de péssimo humor. — Por quê? — A mamãe falou com o papai. — E? — Quando desliga, ela sempre fica histérica, e no fim acabamos discutindo. Ela não entende que eu quero voltar a Fort Worth. Me disse que aqui eu vivo melhor do que lá, mas... — Dê um tempo pra ela, Scarlett. Mesmo que ela se faça de durona, ainda não superou ter deixado o papai, e se você também for embora... — Belo par, vocês duas, Mel — interrompeu Scarlett. — Vão me deixar louca. E nem te conto da vovó. Agora todo o amor que ela tinha pelo papai virou raiva. Passa todo santo dia xingando-o de tudo quanto é nome. E, olha, gosto muito da vovó, mas não aguento mais escutá-la falando mal do papai. As irmãs riam até que Scarlett disse: — Vovó... um segundo. Estou conversando com ela. — Mas, finalmente, dando-se por vencida, anunciou: — Mel, vou te passar a vovó, não sei que diabo ela quer te dizer. Daqui a pouco continuamos conversando. Achando graça, Mel esperou até ouvir gritos do outro lado da linha: — Quando é que você vem, meu bebê? — perguntou a avó com seu sotaque asturiano. — Oi, vovó. Logo, mas ainda não sei quando. — Ai, ingrata! Qualquer dia eu bato as botas e você vai me ver com o paletó de madeira. — Vovó! — É sim. No meu testamento deixei um dinheirinho pra você e pra mocinha. Não se esqueça de pedir, porque a sua mãe e a sua irmã são muito espertas. — Vovó, por Deus! — Mel riu ao ouvir aquilo. Covadonga, que era uma mulher de 86 anos muito lúcida, insistiu: — Bebê... vem logo que a vovó quer ver você. Se você vier, vou fazer patê de peixe, que sei que você gosta muito e vou comprar a cidra da casa do Ovidio. Pensar naquele patê maravilhoso fez o estômago de Mel roncar.


— Está bem, vovó. Farei todo o possível pra ir. — Aliás, tem algum moço interessante à vista? — Não. Nenhum moço à vista — riu Mel. — Pois saiba que o Ceci liga o tempo todo. Acho que ele é meio pateta. — Vovó, o papai se chama Cedric... Cedric! Não Ceci... e também não é pateta, por mais que você tente fazê-lo parecer com um. É normal que ele ligue. Ele quer falar com a mamãe e com a Scarlett. A gargalhada de Covadonga finalmente fez Mel rir. Em seguida, ouviu a voz de Scarlett: — Nossa, a vovó, que filha da mãe! Você sabe que ela gosta de arranjar confusão. Falar pra você que eu e a mamãe queremos a sua parte da herança... É pra matar ela! — E não esquece que ela também aproveitou pra me dizer que o papai, o Ceci, como ela diz, não é muito inteligente. As duas riram daquilo. A avó era uma figura. Nunca tinha conseguido superar que a filha Luján tivesse se casado com um homem com um nome que ela não sabia pronunciar e muito menos que eles tivessem se separado. Após se despedir da irmã, Mel lavou roupas e estendeu no varal. Sentou-se no sofá para ler, mas cinco minutos depois já estava de pé. Não conseguia parar quieta. Vestiu uma roupa confortável e saiu para correr. Um pouco de exercício nunca fazia mal a ninguém. Já na rua, ligou o iPod e logo começou a tocar Pump it do The Black Eyed Peas. Mel gostava daquele grupo, por isso colocou o volume no máximo. Correu por uma hora sem parar até passar em frente a uma garagem. O carro que estava saindo a atingiu e ela acabou no chão. Confusa por causa do susto, bufou impaciente. Não tinha acontecido nada grave, mas quando olhou o joelho, viu que a calça estava rasgada e estava saindo sangue. Na mesma hora alguém tirou seu fone de ouvido e perguntou com a voz preocupada: — Você está bem? Quando foi responder, ficou muda ao perceber que quem estava na sua frente era o amigo de Judith. Aquele que ela gostava de provocar. Não podia ser. O que ele estava fazendo ali? Björn, tão surpreso quanto ela, disse: — Não posso acreditar! — Porra, nem eu! Desvencilhando-se dele, levantou-se com um salto, afastou-se alguns passos e gritou: — Você por acaso não olha quando vai sair dessa merda de garagem? Em resposta àquela explosão, Björn respondeu: — Claro que eu olho quando estou saindo de casa, mas... — Imagina se não olhasse — interrompeu Mel, enquanto se ouvia a música a todo volume. Olhando o joelho, Mel falou um palavrão. Björn rebateu:


— Quem deve ter problema é você, gata, ouvindo a música tão alta que não consegue escutar o que está acontecendo em volta. Ela fechou os olhos e resmungou entre dentes alguma coisa que não dava para entender. Ele tinha razão. Desligou o iPod e a música parou de tocar. Fixou o olhar naquele carro luxuoso e apontando para ele, disse: — Para o seu horror, te informo que você acabou de arranhar a pintura. Björn olhou na direção que Mel apontava e respondeu: — O carro não me importa, o que quero saber é se você está bem. Nossa... O bonequinho era menos materialista do que ela imaginava. Zombou: — Não vou morrer disso. Mas quando colocou o pé no chão, xingou: — Merda! Meeeeeeeeeerda! — Está doendo? Mel fez que sim com a cabeça e Björn disse: — Me desculpa, mas não tenho o band-aid das Princesas pra fazer parar de doer. Você tem algum aí? Ouvindo isso, Mel sussurrou: — Vai tomar no... — Olha a boca..., gata. — Eh.. eh... eh..., seu cretino, nem pense em me mandar calar a boca. Björn suspirou. Aquela mulher tirava-o do sério, mas ele estava tentando ajudar, por isso trancou o carro com o controle remoto e pegou Mel nos braços. — Vem — propôs —, vou te levar pra minha casa e aí a gente vê esse tornozelo. — Me solta! Björn nem deu bola. Continuou andando quando um tapa na cara o fez ir para trás. Mel desceu do colo dele com um pulo. — Mas você está louca ou o quê? — Björn gritou. — Por que está me batendo? — Falei pra você me colocar no chão e você não colocou. Tocando o nariz, Björn teve vontade de estrangular Mel. Que tapão tinha acertado nele! Mas, contendo o impulso, disse: — Olha aqui, linda, já está bem claro que eu e você, quanto mais longe a gente ficar um do outro, melhor. — Parte meu coração admitir isso, baby... mas dessa única vez você tem razão. Björn respirou fundo, irritado. Aquela mulher era no mínimo impertinente, mas se lembrou de manter a calma.


— Acabei de te atropelar — disse — e o mínimo que eu posso fazer, sendo uma pessoa sensata e decente, é me preocupar com você. Então, Superwoman, se você consegue voltar pra sua casa com o pé desse jeito, eu pego meu carro e vou embora. Por isso, me fala logo, você precisa de ajuda, ou não? Mel pensou um pouco. O pé estava doendo, mas como Björn tinha dito, quanto mais longe um do outro eles ficassem, melhor. Encarando-o, deu a ordem: — Vá embora. Eu consigo ir sozinha. — Certeza? — Absoluta. Björn virou-se, andou até o carro, entrou nele, deu partida e se mandou. Que aquela espertinha fosse à merda! Quando Mel viu que ele estava mesmo indo embora, sentou nos degraus ao lado da saída da garagem. Olhou o tornozelo e suspirou aliviada de ver que estava bem. Só tinha torcido. Como sempre, seu senso de autossuficiência tinha falado mais alto. O pé estava doendo e sabia que ia ser difícil chegar em casa, mas ia conseguir. Já tinha passado por situações piores. Acostumada com a dor, levantou-se e começou a andar devagarinho. Ia conseguir chegar em casa, claro que ia! Mas o pé estava doendo demais, por isso teve que andar aos pulinhos. Logo se deu conta de que um carro vinha acompanhando-a na rua. Quando percebeu que se tratava de Björn, colocou as mãos na cintura e perguntou: — Por acaso você quer me atropelar de novo? — Bem que eu gostaria. Anda, sobe. — Não. — Sobe logo, Ironwoman. — Já disse que nãããããooooo! Mel continuou andando e Björn, paciente, seguiu-a com o carro enquanto cantarolava Let’s stay together, do Al Green, que tocava no rádio do moderno carro esportivo. Sem tirar os olhos da cabeça-dura que andava dando pulinhos pela calçada, esperou que ela desistisse. Por fim, quando Mel não aguentou mais, parou, caminhou até o carro, abriu a porta e sentou-se ofendida com a expressão divertida na cara dele. — Eu moro bem perto daqui — disse. — Cinco ruas à frente. — Mas que alegria, somos vizinhos! — Björn murmurou. — Olha, gato, vê se não me irrita! — Eu? Deus me livre! O sinal ficou vermelho e nenhum dos dois falou mais nada. Björn continuou cantando a música até que Mel, olhando bem para ele, quebrou o silêncio: — Você devia escutar música boa. — Eu escuto. Mel apoiou a cabeça no encosto do banco e respondeu: — The Black Eyed Peas, Bon Jovi, ZZ Top ou AC/DC, isso sim é que é música boa.


— Prefiro soul. — Musiquinha romântica, que horror! Björn olhou para ela. Ao ver que estava sendo observada, Mel zombou: — Ah, claro, boneco. Eu tinha esquecido que você era conquistador e esse tipo gosta dessas musiquinhas. Björn fez uma expressão de impaciência. Se ela iria começar a tirar sarro dele outra vez, iria jogar Mel para fora do carro. Olhando por cima dos óculos de sol, ele respondeu: — Se você continuar com esse jogo, vai acabar indo a pé para a sua casinha... boneca. O sinal abriu e Mel decidiu ficar quieta. Com a dor que estava sentindo no tornozelo, preferia ir de carro. Quando passou em frente à creche da filha, comentou sem pensar: — Essa é a creche da Sami. — E olhando no relógio, murmurou: — Droga, tenho que buscá-la em 42 minutos. Björn não respondeu nada, continuou dirigindo até que ela ordenou que ele parasse em frente a um prédio alto. Ele obedeceu. Desceu para acompanhá-la, mas Mel, encarando-o, disse: — Obrigada e tchau. Sem dizer nada, Björn pegou-a mais uma vez no colo e, segurando bem as mãos para evitar qualquer ataque inesperado, avisou em alto e bom som: — Se você me bater de novo, juro que te jogo no chão na mesma hora. — Atreva-se. Björn sorriu. Pela primeira vez sentiu que tinha o controle da situação. — Melhor não me testar... melhor não me testar... — disse, de bom humor. Mel pegou uma chave do bolso e abriu a porta. Lá dentro, chamou o elevador e subiram até o quarto andar. Mel indicou uma porta com a letra D e anunciou: — Chegamos. Me solta. Björn não deu ouvidos. Ao ver que ele não se mexia, Mel disse entre os dentes: — Obrigada. Pode ir. Bye... Bye... Ciao... Bon voyage. Desconcertado como nunca na vida, Björn olhou para ela. Nunca mulher nenhuma tinha tentado se livrar dele com tanto descaramento. Mesmo querendo sair dali, algo dentro dele pedia aos gritos para ficar. Mas, finalmente, deu as costas e foi embora. Era o melhor. Ao entrar em casa, Mel foi direto para a cozinha. Abriu o congelador, pegou um saquinho de ervilhas congeladas e colocou no tornozelo. Por sorte não estava inchado, mas doía bastante. Fechou os olhos. Precisava descansar um pouco. Estava suada por causa da corrida e com dor por ter sido atropelada. Pensou em Björn e se deu conta de que o cheiro da colônia dele tinha ficado impregnado na sua roupa. Com curiosidade, encostou o nariz e teve que admitir: aquele homem era cheiroso demais. Quinze minutos mais tarde, levantou-se mancando e foi até a casa da vizinha. Precisava que ela fosse buscar a filha na creche, mas quando bateu, ninguém atendeu a porta. Sem outra saída, recuperou o ânimo, tomou uma ducha bem rápida e vestiu a roupa. Ela mesma iria buscar Sami. Quando estava vestindo o casaco, bateram à porta. Pulando numa perna só e com o cabelo ainda molhado por causa do banho, abriu a porta e ficou sem palavras ao ver que eram Björn, uma funcionária da creche e a sua filha.


Ao ver a mãe, a menina abriu os braços e Mel, boquiaberta, abraçou-a. Antes de ir embora, a funcionária desejou com um sorriso amigável que seu pé ficasse bom logo e, com uma olhada descarada para o homem ali parado, saiu. Quando ficou sozinha com um Björn que não tinha dado um pio, encostou a porta e perguntou: — Mas o que você está fazendo com a minha filha? — Você disse que tinha de ir buscá-la e como imaginei que o seu marido não ia chegar a tempo, resolvi o problema pra você. Ouvindo isso, Mel sentiu um arrepio. Não tinha marido nenhum, mas tentando não pensar, franziu a testa e perguntou: — E como acreditaram em você? Eles não te conhecem. — Escuta... — Não. Não escuto. Eles não deveriam ter deixado você levar a menina. Não é permitido. Mas que raio de lugar é esse que entrega as crianças pra qualquer um? Vou denunciar. Vou meter um processo neles, eles vão ver. Björn concordou com a cabeça. Ela tinha razão. Mas tentando tranquilizar Mel, comentou: — Eu conheço duas das cuidadoras, elas sabem onde eu moro e onde eu trabalho. Eu disse pra elas que nós somos amigos e que você não podia buscar a menina. — Vendo a expressão de irritação dela, completou: — Vamos, garota, olhe pelo lado bom. Assim você não teve que sair pra ir buscá-la. E fica tranquila que eles não iam entregar a menina a qualquer um. Você viu que uma das cuidadoras veio acompanhando a Sami até aqui? Naquele momento, a pequena Samantha estendeu os braços para Björn, que, sorrindo, pegou-a no colo. — Princesa Sami... fala pra mamãe: “Não fica brava, mamãe!” — Não fita bava, mamãeee. Mel sorriu e pegou a filha dos braços dele. Quis falar algo, mas Björn se adiantou: — Estou indo. Sinto muito pelo que aconteceu. Vendo que ele estava indo embora, Mel tentou ser amável pela primeira vez: — Ó... obrigada — resmungou. Björn não se virou para olhá-la, acenou com a cabeça e continuou o caminho até o elevador. Lá fora, sem querer mais pensar nisso, pegou o Aston Martin e desapareceu no trânsito. Tinha coisas a fazer.


9 Uma semana depois, já com o pé recuperado, Mel deixou Sami com a vizinha Dora. A menina chorou. Cada vez era mais difícil separar-se da mãe e Mel foi embora com o coração apertado. Tinha que viajar com seus companheiros para Cabul e levar suprimentos. Seria uma viagem curta, por isso não chamou Luján. Falou com a vizinha Dora e explicou que ficaria fora só por uns dois dias. Mas ao chegar ao destino, tudo se complicou e o que ia ser uma viagem de 48 horas, virou uma de 72 horas. Tinha que levar muitos feridos até a Alemanha por causa de um acidente de carro, mas como ainda não tinham chegado à base de Cabul, teve que esperá-los. — Tenente Parker. — Sim, senhor — respondeu Mel, cumprimentando um homem de meia-idade. — Peça a algum dos seus homens que diga ao dr. Jones onde está o material de que ele necessita. Com seu jeito profissional, Mel olhou para um de seus homens e instruiu: — Johnson, Hernández, busquem o material do dr. Jones e ajudem-no a carregar o carro. O médico, um homem sério e calado, chamou vários de seus homens e ordenou que colocassem as caixas trazidas por Johnson e Hernández dentro de um jipe. Eles teriam que levá-lo até a barraca que utilizavam como hospital de primeiros socorros. Uma aglomeração confusa se fez ao redor da tenente Parker, que, com a lista de suprimentos, indicou com voz de comando que distribuíssem tudo o que tinham trazido no avião. De repente um militar disse: — Tenente, estou procurando as baterias para os óculos de visão noturna e térmica. Em que compartimento elas estão? Mel checou a lista e respondeu no mesmo instante: — No 17 e no 18, senhor. O homem moveu a cabeça para indicar que tinha entendido, depois olhou para ela e perguntou: — A senhora é a filha do major Cedric Parker? — Sim, senhor. — Mande lembranças do comandante William Sullivan, quando falar com ele... agora a senhora e a sua equipe podem ir descansar. Quando chegarem os feridos que estamos aguardando, vamos partir. Mel concordou. Não gostava de dizer de quem era filha, pois muitos faziam gracinhas disso. E foi o que aconteceu. Quando entraram em uma das barracas, um tenente que a conhecia zombou: — Ora... ora... se não é a filhinha do major Parker. Ouvindo isso, Mel encarou-o e falou entre dentes: — E por que você não vai à merda? Vários dos que estavam ali presentes deram gargalhadas. Ser mulher e militar já era algo difícil, e ser filha de um alto oficial do exército não tornava nada mais fácil.


Mel olhou para o homem que a provocava e fez um gesto mal-educado com o dedo. Todos riram. — Uau... que garota durona! — Tenente — Neill tentou intervir —, acho que... — Relaxa, Neill — ela interrompeu com ares de piada. — Eu sei me defender dos cretinos sozinha. O outro tenente sorriu. Olhando para Mel outra vez, que tentava passar por ele, disse: — Só vejo dois belos peitos e uma bundinha gostosa. Neill e Fraser ficaram tensos. Conheciam Mel e sabiam como esse tipo de brincadeira costumava terminar. Depois de encarar o homem com indiferença, ela deitou-se na cama. Não queria problemas. Estava muito cansada. Mas o militar, querendo arranjar confusão, continuou: — Você precisa de uns carinhos. Seu rosto me diz que você está um pouco necessitada. Não precisou mais nada. Mel levantou-se com um salto da cama, pegou uma bota do chão, arremessou com todas as suas forças e acertou em cheio na cara do homem. — Você quebrou o meu dente! — ele gritou, muito espantado. Neill e Fraser sorriram, e mais ainda quando ouviram a resposta de Mel em um tom perigoso: — Se você falar outra vez comigo, seu babaca, juro que depois desse dente eu te arrebento a boca toda. Agora, se você não se importa, cretino, eu quero dormir. Depois de 18 horas de espera, por fim chegaram os feridos que deveriam ser transportados. Mel ficou sem palavras. Diante dela estavam vários companheiros da companhia Bravo 4, a de Mike. Ramírez, Friedman e Clooney se alegraram ao vê-la. Mel os abraçou. Eles explicaram que o comandante de sua unidade tinha sido ferido e que as coisas não eram nada boas. Preocupada com essa informação, saiu à sua procura. Conrad Palmer, comandante do batalhão e um bom amigo dela e de Mike, exclamou quando a viu: — Tenente, que bom ver você! Mel, deixando as formalidades de lado, agachou-se junto dele. Havia sangue na lateral do corpo e ele estava muito pálido e febril. — Conrad, como você está se sentindo? Com os olhos brilhantes por causa da febre, ele a encarou: — Estou melhor — respondeu quando um enfermeiro injetava alguma coisa em seu soro. — A Sami recebeu o brinquedo que você mandou de presente no aniversário dela. Obrigada — Mel disse com um sorriso forçado. O homem se alegrou. — Ela gostou? Mel fez que sim com a cabeça, tentando controlar a vontade louca que sentia de chorar. Conrad era um homem forte e cheio de vida. Vê-lo assim, com aquele fio de voz, fez ela supor que as coisas não iam nada bem, e ficou assustada.


Durante alguns segundos, ambos se olharam, até que ele finalmente disse: — Você sabe que eu gostava muito do Mike, mas também sabe que você era boa demais pra ele e que ele não te merecia, não sabe? — Mel não respondeu. Pensou na carta de Mike que Conrad tinha enviado a ela depois que Mike morreu. — Se você tivesse sido minha, eu nunca teria te decepcionado. Mel concordou com um gesto e, entendendo o que ele queria dizer, respondeu: — Fui feliz com ele, Conrad. Me contento com isso. — Eu sempre soube, linda. — Sorriu com dor. — Mas você precisa de alguém melhor. Você já conseguiu começar uma vida nova? — Não tenho tempo. Acho que... Com um esforço que fez com que franzisse o rosto, Conrad pegou o pulso dela e exigiu: — Pois comece. Quando ele a soltou, Mel concordou com carinho: — Sim, Conrad — murmurou. — Exijo que você siga em frente, tenente. É uma ordem — ele sussurrou com um fiozinho de voz. — Faça isso por mim. Não me decepcione. A jovem tenente, engolindo as lágrimas, respondeu: — Por enquanto, o que eu vou fazer é te levar para a Alemanha, para que cuidem de você. — Não duvido. — E antes de perder a consciência, disse: — Mel, aproveita a vida. Fraser e Neill, que sabiam quem era o homem, se entreolharam ao ouvir aquilo. Mike e Conrad eram muito amigos, por isso Fraser e Neill sabiam o quanto Mel gostava do comandante. Além disso, quando ela perguntou aos médicos sobre o estado de saúde de Conrad, soube que a situação não era nada boa. Quando Mel entrou na cabine do avião e sentou-se em sua poltrona, Fraser disse: — Mel... — Eh... eh... eh... — ela interrompeu. — Não, Fraser, não diga nada. Temos que chegar à Alemanha o mais rápido possível. Mel foi tomada pela angústia. Precisavam decolar dali o quanto antes e chegar ao hospital. Mas tudo era tão devagar, eram feridos demais. Quando finalmente puderam partir, estava tomada pela adrenalina e pela angústia e não conseguiu falar nada até chegarem à Alemanha. Quando aterrissaram, porém, soube que o comandante Conrad Palmer tinha morrido. Desesperada, não deixou cair nenhuma lágrima na frente de ninguém. Quando todos desembarcaram do avião, caminhou decidida até o gabinete do comandante Lodwud. Ele, quando a viu entrando, notou sua expressão e, já sabendo das más notícias, não disse nada. Assinou os papéis que ela deixou sobre a mesa e, ao ver que ela colocava uma caneta no bolso de cima do macacão cáqui, olhou fixo nos olhos dela: — Hoje você não vai colocar o trinco na porta? — perguntou. Sem vontade de transar, só querendo fugir dali e esquecer o que tinha acontecido, respondeu: — Não. Ele se levantou, caminhou até ela e, sem tocá-la, murmurou: — Quer passar a noite comigo?


— Não. Assim que puder, parto pra Munique. A dor e a raiva que viu nos olhos dela fizeram o comandante insistir: — Atrase a sua volta até amanhã. Mel olhou para ele. Não podia negar que o comandante James Lodwud era um homem muito atraente. — Sinto muito, mas não — respondeu. Sem dizer mais nada, abriu a porta, mas ele agarrou-a pelo braço para impedir sua saída. — Se você não vier, sabe que vou ligar pra outra, não sabe? Isso fez Mel sorrir. Para ela, James não era nada mais do que sexo e, soltando-se com um movimento brusco, respondeu antes de sair pela porta: — Divirta-se, James. Quando chegou em casa, Mel abraçou Sami. Precisava de calor humano. Calor sincero. Calor com amor, por isso ficou abraçando e beijando a filha até ela dormir. Mike morto... Conrad morto... O telefone tocou e Mel atendeu no mesmo instante. Era Robert. O grande amigo Robert. — Oi, linda, como você está? — Arrasada... completamente arrasada... — respondeu, acendendo um cigarro. Robert, que já sabia do que tinha acontecido, lamentou: — Sinto muito pelo Conrad, Mel. — Eu sei, Robert. Eu sei. Como você ficou sabendo? — O irmão de um dos meus homens está na Bravo 4. Durante um segundo, os dois permaneceram calados, até que Robert disse: — Mel, isso não é vida pra você. Eu entendo que você goste de pilotar, mas acho que deveria repensar seus planos de continuar no exército. Ouvir isso fez Mel sorrir. — Se não soubesse que isso é impossível, eu teria pensado que você falou com a minha mãe. Sorriram e ele perguntou: — E o curso de design gráfico? — Abandonei. Não tenho tempo, Robert. São muitas coisas. — Tem que achar tempo, Mel, e acabar. Se você gosta de ilustração mais do que gosta de pilotar um C-17, faça isso! Ou então procure um marido rico que te tire do exército, você decide! Isso sempre tinha feito os dois amigos rirem. Mel respondeu: — Tudo bem... prefiro terminar o curso de design gráfico. — Falando em homens, como andam as coisas?


Sentando-se no sofá, tirou o cabelo do rosto e respondeu: — Você sabe que eu não quero namorado. Gosto dos amigos. Isso já dá e sobra pra mim. — Mas pra mim não, Mel. Você tem que encontrar alguém especial. Alguém que... — Não. A resposta brusca fez com que ele respondesse: — Já falamos mil vezes, sua cabeça-dura. Nem todos os homens são como o idiota do Mike. Só porque ele te enganou não quer dizer que todos vão fazer o mesmo. Mas claro, te conhecendo como conheço, você deve fazer o papel da tenente Parker, a assustadora de homens, não é? Ele a conhecia muito bem... Achando graça, Mel respondeu: — Sabe, Robert? Se a tenente Parker gostasse mesmo de algum dos caras com os quais eu saio, ela não os assustaria. Mas acontece que eu não tento gostar. Só quero diversão. Romantismo não é a minha praia. — Mas era... você era muito romântica até o babaca do Mike estragar a sua vida. Aliás, você tem que agradecer a ele por ter a Sami, mas esse imbecil te fez tão mal, que... — Não quero mais falar nele — interrompeu. — Certo. Não vamos mais falar dele. Mas me parece que vou precisar arranjar um namorado pra você. Conheço vários homens que... — Nem pense nisso! Animados, conversaram durante um bom tempo. Robert sabia o quanto a morte de Conrad devia ter doído em sua amiga e não desligou o telefone até ouvir gargalhadas do outro lado da linha. No dia seguinte, depois de um passeio cansativo com Sami, quando chegou a noite, pediu à vizinha Dora que cuidasse da criança por algumas horas. Ela precisava sair para espairecer. Quando chegou ao Sensations, como sempre, rapidamente vários homens vieram falar com ela. Escolheu dois deles e uma mulher. Naquela noite, quando entraram no reservado, Mel ordenou que abaixassem a luz enquanto ela colocava um CD: a voz de Bon Jovi e seu rock pesado começaram a tocar. Os homens a olharam e Mel pediu que tirassem a roupa dela. Com prazer, atenderam ao pedido e, quando a deixaram totalmente nua, ela mesma colocou o lenço de seda nos olhos e ordenou: — Façam o que quiserem comigo. Não perguntem nada. Só façam o que quiserem. A mulher conduziu-a até a cama e a empurrou. Mel se deixou levar. Precisava esquecer. Precisava se desconectar de sua realidade terrível e sabia que aquilo, pelo menos enquanto durasse, faria com que se esquecesse de tudo. Ela queria gozar. Percebeu a movimentação em várias partes da cama e logo sentiu que beijavam a planta de seus pés, a barriga e os seios. Várias mãos passeavam sobre seu corpo até que ficou toda arrepiada. Durante um tempo foi aquilo que ela teve com Mike, outros homens, outras mulheres. Sexo... jogos... tesão. Viver a vida. Era excitante e ela queria aproveitar cada instante. Por ela. Por eles. Alguns minutos depois, sentiu as mãos da mulher abrindo suas pernas e se apoderando de seu


sexo com a boca. Chupou. Lambeu com deleite e desfrutou. A língua da desconhecida passava por seu clitóris, e Mel puxava-a para mais perto de si, queria oferecê-lo todo para ela. Logo em seguida, sentiu um dedo tentando penetrá-la por trás e logo conseguiu. Mel deu um gemido cheio de prazer. Enquanto isso, um dos homens dava mordidinhas em seus seios e o outro, ansioso, enfiava o pênis em sua boca. Com sensualidade, agora era Mel que chupava e lambia, enquanto deixava que aqueles três tomassem conta de seu corpo. A música pesada continuava tocando. Era um jogo excitante que gostava de praticar com Mike e agora precisava repetir. A mulher que estava entre as suas pernas se afastou. Mel notou que alguém tomava seu lugar e vinha penetrá-la. Ofegou quando aquele desconhecido meteu uma vez e mais outra, dando-lhe prazer. — Fala comigo — ela exigiu. Se havia algo que a deixava excitada eram as vozes carregadas de erotismo, as frases calientes durante o sexo. A linguagem obscena que usavam nessas horas, além, é claro, dos próprios jogos, era algo muito provocante. Mike fazia assim e Mel precisava muito disso. — Você gosta do jeito como eu te fodo? — o homem perguntou. — Gosto... gosto... continua. Ele agarrou-a pela cintura para que a penetrasse mais fundo. Ela falou baixinho: — Assim, Mike... — Isso, linda... — o desconhecido respondeu sem se importar que seu nome não fosse aquele. — Continua... continua assim. Aqueles movimentos provocaram nela um orgasmo intenso e quando ele também respirou fundo e alcançou o seu clímax, sentiu que outras mãos a pegavam com força, viravam-na sobre a cama e a colocavam de quatro para penetrá-la outra vez. — Abra bem as coxas... mais... mais... — exigiu o segundo homem. Mel obedeceu, e o homem, agarrando-a pelos ombros, enfiou o pênis inteiro nela. Mel gritou. — Desse jeito... vamos... outra vez — o homem sussurrou. Mel entregou-se mais uma vez e voltou a gritar, totalmente mergulhada no prazer. Aquele homem penetrava-a uma e outra vez sem parar. Seu pênis era mais grosso do que o do anterior e a preenchia mais. Mike! Era assim que fazia com ele. Mel se deleitou imaginando, fantasiando com um passado que não voltaria mais enquanto sentia o púbis daquele novo Mike golpeando a sua bunda. O cheiro de sexo tomava conta do lugar. Ninguém falava nada. A única coisa que faziam era dar e receber prazer; o prazer que ela tinha ido procurar e que tinha exigido sentir. Livre, Mel tremeu sem controle quando gozou e, sentindo o sexo se contraindo depois do que aquele homem tinha feito, mordeu o lençol para não soltar um grito enorme de prazer. O desconhecido fazia ruídos de prazer cada vez que a penetrava. Quando o segundo homem terminou, Mel sentiu as mãos da mulher fazendo-a sentar e depois


deitar na cama de barriga para cima. Abriu as pernas para a desconhecida, que a lavou com água. Terminou, secou, afastou as coxas de Mel ao máximo e, voraz, começou a massagear-lhe o clitóris com movimentos circulares, e em seguida apertando e soltando. Extasiada por aquilo tudo, Mel sentiu a língua ardente daquela mulher, que lambia seus fluidos enquanto os outros dois homens chupavam seus mamilos. Prazer em estado puro. Era disso que tinha necessidade. A mulher arrastou-se pelo corpo de Mel e, sem beijá-la, pois estava claro que não haveria beijos, chegou com a boca bem perto da boca dela e perguntou: — Posso me oferecer a você? Mel concordou e respondeu: — Só se eu também me oferecer a você. Contente, a mulher levantou Mel e se deitou. Ao senti-la na cama, trocou de posição, e a outra, agarrando-a pelos quadris, colocou a vagina sobre a boca, fazendo Mel gemer. Não via nada através do lenço, mas o cheiro de sexo fez com que soubesse que a mulher queria ser chupada. A urgência do momento fez Mel abaixar a boca e encostar naquela vagina aberta e molhada. Ao primeiro toque da língua, a mulher arfou. As duas faziam um 69 perfeito, e Mel se abria para que a mulher enfiasse nela os dedos e a língua. A desconhecida retribuía. Brincaram com o clitóris uma da outra, chuparam, morderam e sugaram até que os corpos alcançaram o prazer máximo. Ofereciam um espetáculo incrível para aqueles dois homens e, quando chegaram ao ponto mais alto do jogo, um deles sussurrou: — Não se mexam. Vamos foder vocês duas desse jeito. Mel aceitou. Agora estava ouvindo a música do Bon Jovi que Mike mais gostava, Social disease. Enquanto isso, na porta do Sensations, Björn jogava conversa fora com duas de suas amigas. Alexia e Diana eram sedutoras e divertidas, e sempre que se encontravam naquele lugar se divertiam muito. Depois de guardarem os casacos, Alexia propôs que fossem diretamente a um reservado. — Por que perder tempo? Ele concordou. Quando entraram no reservado 6, um rock pesado chamou sua atenção mais uma vez. Lembrouse da mulher do outro dia e levantou a cortina para ver se ela estava ali. Como sempre, gostou muito do espetáculo e sorriu ao ver que era ela mesma. Olhou mais uma vez para aquela tatuagem estranha. Um desenho que parecia se mexer quando ela se mexia. — Vem, Björn — apressou-o Alexia. Ele, encarando-a, respondeu: — Me dê dois minutos. Já vou. As amigas sumiram dentro do reservado e Björn sorriu. A noite com Alexia e Diana prometia ser no mínimo muito caliente. Mas mesmo assim, concentrou toda a sua atenção na mulher que se divertia com aqueles outros três. Observou-a desfrutar do sexo ao som da música pesada. Mais uma vez ela se oferecia deliciando-se, sexy. Sem ver o rosto dela, mas vendo como movia a cintura ao ser penetrada, Björn ficou excitado. Queria brincar com ela, por isso precisava descobrir quem era.


Tentou ver o rosto, mas por causa da pouca luz e do lenço nos olhos, isso foi impossível. Os gemidos chegaram ao máximo e Björn estava pegando fogo de desejo. Quis tirar a roupa, cair na cama com aquela mulher e possuí-la. Queria ter a sua vez, mas não deveria fazer isso. Não tinha sido convidado para aquela festa. Por fim, deu as costas e saiu em direção ao reservado onde era esperado. Lá, cinco minutos depois, duas mulheres muito sensuais deram tudo o que ele pediu. Naquela noite, quando Mel chegou em casa, depois de agradecer a Dora, entrou no piloto automático: tomou um banho e se deitou. O sexo para ela era só sexo. Nada de sentimentos. Apenas prazer. Sem pensar em mais nada, adormeceu.


10 Na sexta-feira à tarde, Mel ligou para Judith e combinou de ir tomar banho de piscina na casa da amiga. Quando chegaram, Samantha ficou louca. Depois de encher as boias de braço cor-de-rosa, Mel entrou com a filha na água aquecida. Feliz, observou como a menina se agitava e encorajou-a: — Vamos, querida, mexe os bracinhos. Sami, que tinha aulas de natação na creche, logo fez o que a mãe pediu, e Judith, que as observava sentada na borda da piscina com os filhos, aplaudiu: — Muito beeeem, Sami! Você nada muito bem! — Posso segurar a Sami? — perguntou Flyn, um dos filhos de Judith, pulando na água. — Claro, querido. Vem, fica aqui — disse Mel. Encantada, observou aquele menininho segurando a filha e se alegrou com o sorriso dos dois. Depois de algumas horas de diversão na piscina, a porta se abriu e Eric, o marido de Judith, entrou acompanhado do amigo Björn. Este, quando viu Mel, franziu a testa. Claro que bastava notar a presença dela para ficar nervoso. E assim foi. Quando percebeu Björn ali, Mel sorriu e cumprimentou: — Olha só... o atropelador de mulheres chegou. Todos riram e Björn, bem-humorado, respondeu: — Fala a verdade, não precisa fingir, linda. Você me viu e se jogou no meu maravilhoso carro pra chamar minha atenção. Ao ouvir isso, Mel levantou uma das sobrancelhas e respondeu: — Você bem que gostaria, baby. Sem se intimidar, ele sorriu. — Duvido, baby. — Björn, entra na piscina comigo? — pediu Flyn. Olhando para o menino de olhos puxados, respondeu: — Não, agora não. — Ué, você não sabe nadar, cretininho? — zombou Mel. Oferecendo as boias de braço cor-derosa das Princesas, continuou: — Aqui, a Sami te empresta. Judith soltou uma gargalhada. A história daqueles dois estava começando a ficar cômica e, olhando para Björn, quis falar algo, mas seu marido maravilhoso a agarrou pela cintura. — Oi, pequena. — Oi, grandalhão. Sem se importar com os outros, Judith e Eric se beijaram com verdadeira paixão, até que Björn disse: — Ei, vocês dois, procurem um quarto, por favor...


Mel sorriu ao ouvir aquilo. Pensava a mesma coisa, mas não quis dizer em voz alta. — Sami, agora fica boazinha enquanto a mamãe vai se vestir. Não entre na piscina, ouviu? — recomendou à filha depois de trocar o maiô dela e pôr a coroa em sua cabeça. A menina fez que não e Mel, rindo com cumplicidade, perguntou: — Você vai entrar na água outra vez? A pequena moveu a cabecinha para dizer que sim e correu até a lateral da piscina, onde estava Flyn. — Sami, volta aqui que você está sem boia — Mel chamou. Porém a filha, divertindo-se, continuou correndo. Mel e Judith se levantaram e foram atrás dela. Björn e Eric observavam o pequeno Eric, que dormia tão feliz na cadeirinha. — O que você acha do seu afilhado dormindo? — perguntou o pai, orgulhoso. — Porra! — Björn disparou de repente. Eric, vendo a cara do amigo, olhou em direção às mulheres, que riam e gargalhavam. — Que foi? — perguntou. Boquiaberto, Björn não se mexeu. Só conseguia olhar surpreso para a tatuagem que Mel tinha nas costas e, tirando a jaqueta, disse: — Acho que vi aquela tatuagem em outro lugar. — Onde? — Eric quis saber. Sem tirar os olhos de Mel, Björn falou baixinho para que só Eric pudesse ouvir: — Se eu disser, você não vai acreditar. Naquele momento, o pequeno Eric acordou e a atenção do pai foi direcionada exclusivamente para a criança. Adorava o filho e enquanto ele fazia um milhão de carinhos no bebê, Björn continuou vidrado em Mel. Em seguida, o quebra-cabeça se encaixou. Aquele corpo moreno e musculoso, a tatuagem e a música do Bon Jovi: não restava mais nenhuma dúvida sobre quem era. Surpreso pelo que acabava de descobrir, não podia tirar os olhos dela. Nunca teria imaginado. Quando as mulheres chegaram até eles, Mel disse com a filha nos braços: — Vem, querida, temos que ir pra casinha — Nããããooooo — gritou a menina, agarrando-se a Flyn. — Ela não quer ir, Mel... Ela quer nadar mais um pouquinho — comentou o menino. — Água... mais pixina — Sami insistiu. Mel sorriu ao ouvir a filha. Achava lindo aquele jeito de falar enrolado, mas olhando-a bem nos olhos, tentou convencê-la: — Sami, nós temos que ir embora. A filha resistiu e voltou a gritar: — Nããoo, pixina! — Sami, vem... Vamos ver desenho em casa, não quer? — insistiu. — Nããããooooo. Notando a rebeldia da criança, Björn aproximou-se dela, agachou-se e tentou convencê-la: —


Sami, as princesas são boas e obedientes. Obedece a sua mamãe. A menina olhou para ele e, com uma expressão graciosa, perguntou: — Você, píncipe? Björn sorriu. Mel deu uma risada. — Sim, príncipe das trevas. Vamos, Sami. Todos riram, exceto Björn. — Por que você vai tão cedo? — Eric perguntou. Mel, já com a filha mais calma, recolheu suas coisas e respondeu: — Tenho planos pra hoje à noite. Mas antes quero dar banho na Sami, dar o jantar e colocá-la na cama. — Jantarzinho romântico com o maridinho? — Björn quis saber. Os olhos de Mel dispararam farpas na direção dele e depois de trocar um olhar cúmplice com Judith, vestiu o jeans e uma camiseta. Respondeu: — Digamos que é só diversão. Mel se deu conta de que Björn não tirava os olhos dela e perguntou, encarando-o: — Por que você está me olhando assim? — Porque eu quero. — Tem alguma coisa na minha cara? — Não. — Então por que você não para de olhar? Björn sorriu e, chegando perto dela, cochichou no ouvido: — Eu gosto de ficar olhando para os esquisitos. — Você está me chamando de esquisita? — Björn fez que sim e ela sussurrou: — Como você é insuportável, meu filho. — Obrigado, mamãe, bom saber. — A última coisa que eu queria ser era a mãe de um jumento. — Você está me chamando de jumento? — Ela sorriu e Björn respondeu: — Você tem saída pra tudo? — Não duvide disso... seu cretino. Nervoso porque ela não calava a boca e sempre o tirava do sério, ia dizer algo, mas foi interrompido por Judith, que viu os dois se desafiando com o olhar. — Mas o que foi agora? — Esse píncipe que se acha! — Mel respondeu, vestindo uma blusa na filha. Ouvindo isso, Björn estreitou os olhos. — Falou a namorada do Thor — disse. — Cadê o martelo, gata? Mel fechou os olhos. Aquele homem era insuportável e com expressão contrariada, sibilou: — Você acaba de me ofender, seu idiota.


— Só porque eu te chamei de namorada do Thor? — Não, porque me chamou de esquisita. Eric soltou uma gargalhada. Não havia dúvida de que aquela mulher tinha deixado o amigo muito surpreso. Judith se manifestou em defesa da amiga: — Você acabou de chamar a Mel de esquisita? — Nem liga — Mel interveio. — Ele é um bobo e assim que eu encontrar o martelo do meu namorado famoso, vou carimbar a testa dele sem piedade. A pequena Sami olhou Björn e, com sua linguagem de bebê, repetiu, apontando com o dedinho: — Bobo. Você píncipe bobo. O tom de voz da criança fez Björn rir. Encarando a mãe, murmurou: — Não dá pra negar que é sua filha. Isso fez Mel rir também. Abaixou-se para colocar o gorrinho na cabeça da criança. — Muito bem, querida — elogiou. — Você tem que aprender a identificar os bobos desde pequena. Quinze minutos depois, Mel entrou no carro e foi embora. Quando Judith fechou a porta da casa, olhou Björn nos olhos e perguntou: — Como é que você pode ser tão bobo? — Você também? Judith olhou para o marido, que a observava com o filhinho no colo e então esclareceu a Björn: — A Melanie meio que é viúva, seu linguarudo! Eric e Björn surpreenderam-se com aquela notícia, e Judith, pegando o bebê do colo de Eric, disse antes de sair: — Sério, Björn, desta vez você deu uma bola fora. Judith se afastou e Björn, deslocado, encarou o amigo: — Caramba, cara, eu não sabia — murmurou. — E você? — Não. — O que a Judith já te contou sobre ela? Estranhando aquele interesse repentino de Björn pela jovem que o tirava do sério, Eric colocou a mão no ombro dele e disse: — Sinto muito, James Bond, mas a Judith nunca me falou nada sobre a namorada do Thor. Riram e Björn, querendo mudar de assunto, propôs: — Vamos, me convida pra tomar um uísque daqueles que eu gosto... E se voltar a me chamar de James Bond, vamos resolver isso no braço. Depois de jantar na casa dos amigos, Björn decidiu passar em casa para trocar de roupa e ir logo a certo local. Quem sabe, com um pouco de sorte, poderia responder às perguntas que tinha a respeito daquela mulher.


11 Naquela noite, ao chegar ao Sensations, Björn foi até o bar. Normalmente não chegava tão cedo, mas neste dia queria ver se Mel, a amiga misteriosa de Jud, apareceria por ali. Durante mais de uma hora, conversou com várias mulheres. Loucas para se sentirem especiais e querendo ser escolhidas, todas olhavam para ele, mas Björn não conseguia desviar os olhos da entrada. E foi então que a viu. Ali estava ela: com sapatos de salto espetaculares e com um vestido preto bem justo. Como Björn estava escondido atrás de duas mulheres, Mel não o viu, e ele pôde continuar seguindo os movimentos dela a distância. Viu-a chegar ao bar e, instantes depois, observou como vários homens a rodeavam. Com isso, seu campo de visão diminuiu, o que o deixou muito irritado. Durante vários minutos, tentou localizar Mel com o olhar, mas, sentado onde estava, isso era impossível. Quando viu que ela entrava no quarto escuro, não teve dúvida do que fazer em seguida: pegou a mão de uma das mulheres com quem estava e entrou também. No começo, a escuridão o cegou. Quase não era possível ver nada naquele quarto. Não havia música e só se ouviam gemidos. Quando seus olhos se acostumaram à falta de luz, localizou-a e se aproximou dela. Separando-se da mulher que o acompanhava, segurou com firmeza a cintura de Mel. O perfume dela invadiu seus sentidos. Era cheiro de morango. Björn gostou. Enquanto se agarravam, notou como o homem que entrou junto com Mel levantava o vestido dela para enfiar as mãos por baixo. Ela não falou nada, e quando Björn a virou, ficaram cara a cara. Nesse momento, o outro homem se agachou, com a intenção de morder a bunda dela. Abalado pela reação que a proximidade com aquela mulher irritante provocava em seu corpo, decidiu não abrir a boca. Se falasse, Mel certamente reconheceria sua voz e o jogo excitante e proibido acabaria. As mãos dela subiram até seu pescoço e logo os lábios começaram a distribuir milhares de beijos e mordidinhas cheios de tesão pelo corpo dele. Björn fechou os olhos e curtiu aquele momento, mas quando seu instinto animal lhe pediu mais, e quando puxou a nuca dela para beijar-lhe a boca, Mel se inclinou para trás e murmurou: — Não. Ele aceitou. Desejava beijá-la, mas se conteve. Mel voltou a passar a boca pelo pescoço dele e mais uma vez lhe deu doces mordidas, Björn não conseguiu se controlar e, apesar da negativa, aproximou-se da boca dela e a beijou. No começo ela ficou parada, mas, afastando-se, sussurrou: — Não. Mas de nada adiantou. Ávido, ele grudou os lábios nos dela e a devorou. Enfiou a língua naquela boca sensual e beijou-a com sofreguidão, sem se importar com as consequências. Mel, que não tinha beijado ninguém desde a morte de Mike, tentou resistir, mas diante daquele ímpeto, acabou cedendo e deixando que o desconhecido a beijasse profundamente na escuridão.


Abriu a boca e deixou que ele a explorasse, enquanto um gemido de satisfação saiu de dentro de sua alma. Fazia tanto tempo que ninguém a beijava daquele jeito, que sua força de vontade desapareceu. Deixou-se levar pelo momento. Aquele cara beijava muito bem. E mais: agora era ela que mergulhava no beijo dele e o agarrava desesperada. Gostava muito de como as grandes mãos dele a apertavam contra o seu corpo. Foi capturada por aquele perfume e ficou excitada ao perceber como aquele estranho conseguia dominá-la apenas com um beijo. Era bom demais, mas quando começou a tocar uma música romântica que a lembrava de Mike, voltou a si. Separou-se do homem com fúria e saiu do quarto escuro. Björn soltou um palavrão. O que tinha acontecido? Aquela boca o tinha seduzido, e ele queria mais. Desejava-a. Por todos esses motivos, foi atrás dela, mas quando chegou ao bar, viu que estava rodeada de homens mais uma vez. Não se aproximou. Apenas resolveu observar sem se esconder, até que seus olhos se cruzaram. Mel, ao vê-lo, ficou surpresa e não sabia se ria ou se chorava. O que aquele idiota estava fazendo ali? Porém, levantando-se do banco, chegou perto dele e perguntou em tom de brincadeira: — Você por aqui? Björn sorriu. — O curioso é ver você por aqui... e sozinha. — Algum problema em eu estar... sozinha? — Não é um bom lugar para vir... sozinha. — Por quê, baby? — ela desafiou. Björn ia responder, mas ela interrompeu: — Esse é um lugar aonde as pessoas vêm fazer o que vêm fazer, não acha? — Sei disso, baby... — Björn respondeu —, mas você precisa ter um pouco de cuidado. — Me viro muito bem sozinha. — Certeza? — Absoluta. Sem um pingo de vergonha, ela olhou os homens que a esperavam no bar e acrescentou: — Aliás, não estou sozinha. Como comentei, tenho um encontro com alguns amigos e, como você vai ver, não é nada romântico. Björn, olhando para ela, lembrou-se do episódio daquele dia: — Desculpe pelo que eu disse. Quando você foi embora a Judith me explicou sobre o seu marido. Surpresa pelo jeito como ele a olhava, Mel respondeu sem mudar a expressão do rosto: — Coisas da vida...


Ficaram calados durante uns bons minutos, até que ela mostrou intenção de sair dali. Ele a segurou e, chegando mais perto, murmurou num tom rouco e sexy: — Aonde você vai? — Estão me esperando, não está vendo? Björn olhou os homens que os observavam e, sem querer soltá-la, aproximou a boca do ouvido dela. Disse baixinho: — Você cheira a morango e eu adoro comê-los com chocolate. Cravando os olhos nos dele, com o coração a mil por causa do que aquele olhar intenso estava tentando dizer, ela respondeu: — Fico feliz por você. Sem se dar por vencido, Björn insistiu: — Se você quiser, eu e você... Naquele instante Mel identificou o perfume dele como o daquele homem que a havia beijado e tocado no quarto escuro. Com um tom de voz irritado, sussurrou: — Píncipe... você já brincou comigo tudo o que tinha pra brincar. Ganhando confiança, Björn murmurou sem desgrudar dela: — Não peço desculpas pelo beijo. — Pois deveria pedir. Num tom de voz baixo e íntimo, ele acrescentou: — Adorei a sua boca e tenho certeza de que eu gostaria do seu corpo, e você do meu. Não sei por que você resiste, linda... Somos adultos, estamos neste lugar e sabemos o que se faz por aqui. Surpresa, Mel o encarou. A intensidade daquele olhar e as coisas que ele dizia a excitavam. Pensar em Björn, aquele homem de lábios tentadores, chupando o seu corpo como se fosse morango com chocolate a excitou. Suas pernas amoleceram só de pensar como seria quando ele a possuísse, mas sem dar o braço a torcer para aquele miserável, respondeu: — Você desrespeitou uma das normas da casa. Você me beijou. Fez algo sem a minha permissão e eu poderia fazer com que te expulsassem daqui. Sabe disso, não sabe? — Sei — ele murmurou, passando a boca pelo pescoço dela. Negava-se a deixá-la sair dali. — Mas, mesmo que me custe caro, tenho de admitir que valeu a pena desrespeitar a norma. Excitada pela sensualidade que emanava dele quando a acariciava, deu um passo para trás a fim de se afastar, mas Björn, tenso, não deixou, e murmurou enquanto passava a mão pela bunda dela. — Pode ter certeza de que se a gente entrar num desses reservados, vou te deixar mais do que satisfeita. — Duvido, cretino.


Ele sorriu. — Não duvide, baby. — Você é mesmo um convencido! — E vendo como ele a observava, completou zombando: — Que atrevimento! Björn chegou mais perto da boca de Mel. — Não, querida, de convencido não tenho nada — disse. — Dá uma olhada em volta e me diz qual mulher não está caidinha por mim. Todas me querem entre as pernas. Todas querem que eu as faça gritar de prazer quando estiverem dando pra mim. Todas... — Todas não — ela interrompeu. — Eu não. Você é prepotente demais pro meu gosto. Divertindo-se com aquela conversa e sem deixar que ela se afastasse nem um milímetro, insistiu: — Ser alguém seguro de si é ser prepotente? — Ela não respondeu. — Olha, Mel querida, pois então eu acho que nós dois somos prepotentes... e bobos. Agora quem sorriu foi ela. Com um sorriso cativante, aproximou-se da boca dele e passou os lábios bem perto para deixá-lo louco. Sussurrou: — Eu não te desejo. — Você está mentindo, Superwoman, e sabe disso. A sua pele fica arrepiada quando eu te toco e os seus olhos brilham de desejo quando me observam. Você sabe que eu te deixaria louca de prazer e isso... — Como você se acha! — Tenho certeza de que se eu enfiar a mão no meio das suas pernas você vai estar molhada, não vai? Ele tinha razão. Ela estava muito molhada e excitada. Aquela proximidade, aquele homem e aquelas palavras faziam seu coração disparar, mas Mel não estava disposta a ceder. — Que tal você me soltar pra que eu possa me divertir? — sussurrou. — Quem sabe outro dia? Mel negou com a cabeça. — Nem hoje, nem nunca. Eu escolho muito bem os homens que deixo que coloquem as mãos no meio das minhas pernas. Não deixo qualquer um e você.... não serve pra mim. Björn soltou Mel como se ela estivesse pegando fogo. Não gostou daquelas palavras. Tirou as mãos da bunda dela. Mel deu uma piscadinha e murmurou antes de sair: — Divirta-se... baby. Sem sair do lugar, Björn viu como ela se aproximava do grupo que estava esperando por ela e como conversava com eles. Deu um gole na bebida e xingou. Era a primeira vez na vida que levava um fora de uma mulher. Mas isso não era a pior parte. O problema é que pela primeira vez na vida desejava muito uma mulher que não ia conseguir.


Sem tirar os olhos dela, observou como andava em direção a um reservado com dois homens e nem sequer olhava para ele. Fazia pouco caso. Isso deixou Björn irritado. Pediu outro uísque ao barman e, instantes depois, vários amigos vieram conversar com ele, e então tentou não pensar no que estava acontecendo atrás das cortinas. Só que meia hora depois, não aguentou mais e foi até lá. Bem rápido soube onde ela estava. Ouviu a música de Bon Jovi e, alucinado, abriu a cortina para observar. Mel se divertia em uma jacuzzi redonda enquanto os homens escolhidos davam-lhe prazer. Como se tivesse com os pés pregados no chão, Björn ficou ali durante um bom tempo, até que seu olhar cruzou com o dela. Sem tocá-la, só de olhar, sentiu a ereção explodindo. Aquela descarada devia estar esperando por ele, porque desta vez não estava usando venda e, entre gemidos de prazer, cravou os belos olhos azuis nos dele e sorriu com malícia ao ser penetrada vorazmente por dois homens. Björn queria dar o fora dali, mas não conseguia. Queria ouvi-la gemer... Morria de vontade de possuí-la... Mas isso era impossível. Por fim, transtornado, saiu dali e decidiu começar a própria festa. No salão, duas amigas se animaram a entrar num reservado com ele e, então, desfrutou de outros corpos enquanto não conseguia tirar Mel da cabeça. Dias depois, voltaram a se encontrar. Naquela ocasião, Mel estava rodeada por vários homens no bar e, sem um pingo de vergonha, Björn foi até eles para escutar o que conversavam. Todos queriam ser escolhidos por Mel. Todos queriam ouvi-la falar. Todos morriam de vontade de brincar com ela. Mel pegou dois pela mão e os levou até um reservado, de onde, pouco depois, dava para ouvir a voz de Bon Jovi. Em outra ocasião, em outra noite, Mel estava sozinha no bar. Os homens se aproximavam, mas ela os deixava de lado. Björn não foi até lá, manteve distância, mas os olhares, como sempre, se encontraram. Normalmente eles se encaravam em tom desafiador, mas desta vez ambos sabiam que se olhavam com desejo. Dois casais foram até Björn e sentaram-se ao seu lado. Ele os convidou para tomar um drinque. Mas desta vez ficou surpreso ao notar que era Mel quem não tirava os olhos dele. Isso o excitou e fez com que se sentisse bem. Enfim Björn tinha conseguido atrair toda a atenção de Mel. Em certo momento, seus olhares voltaram a se cruzar e ela deu um sorriso sexy. Björn devolveu o sorriso e depois desapareceu com os casais dentro de um reservado. Durante um bom tempo, ficou atento para ver se ouvia o rock, mas isso não aconteceu, o que era estranho. Quando saiu, ela não estava mais lá. Tinha ido embora. Uma semana depois, após alguns dias sem se verem, mais uma vez se encontraram no Sensations. Desta vez Björn não escondeu a atração que sentia. Não conseguia tirar da cabeça o jeito


como ela tinha olhado para ele no outro dia e, só de pensar, ficava excitado. Como era de se esperar, quando Mel o viu, sorriu e o jogo de olhares começou. Mas quando Björn pensou que já tinha tudo sob controle, Mel se levantou e depois de mandar uma piscadinha para outro casal a distância, desapareceu atrás das cortinas. E assim mais uma semana se passou. Em várias quintas-feiras e aos sábados os dois apareciam no clube. Björn nunca estava sozinho e Mel pôde comprovar como as mulheres gravitavam enlouquecidas ao redor dele, querendo ser as escolhidas da noite. Mesmo que no começo essas coisas não a incomodassem, depois de alguns dias, começou a sentir alguma apreensão. O que estava acontecendo? Todas as quintas e sábados, os dois ficavam se olhando, desafiando-se, para que então cada um entrasse em seu próprio reservado e gozasse do sexo. O problema é que agora não ficavam completamente satisfeitos e cada vez que a cortina era fechada, a diversão acabava. Até que um sábado, depois de ficarem vigiando um ao outro durante mais de uma hora, Björn, desorientado, saiu de braço dado com duas mulheres, Mel o seguiu. Viu que entrava em um dos quartos com várias camas e uma jacuzzi e que rapidamente começavam a brincar. Decidida, depois de escolher dois homens, Mel voltou até o quarto em que Björn estava. Lá dentro viu como ele se entregava ao sexo com as duas mulheres e quis fazer o mesmo. Deitou na cama da frente e quando teve certeza de que ele a tinha visto, se entregou ao prazer com seus dois homens, sem vendar os olhos. Björn, ao vê-la, não conseguiu mais se concentrar no que estava fazendo. As mulheres que o acompanhavam eram deliciosas, sedutoras e ardentes, mas para os seus olhos, só existia ela. Enquanto penetrava uma das mulheres que se movia enlouquecida embaixo dele e a outra dava mordidinhas em seu abdome esperando a vez dela, Björn encarava Mel. Ela agora estava montada sobre um dos homens, procurando o próprio prazer, enquanto movimentava os quadris, e o outro homem a tocava, também desejando penetrá-la. Mel sentia em seu corpo cada investida de Björn na outra mulher. Björn percebia cada movimento de Mel com o homem e isso o fazia perder o fôlego. A tensão sexual não resolvida estava matando os dois. Eles sabiam disso. Os olhares gritavam. Os corpos exigiam. Mesmo sem se aproximar, nem se tocar, o tesão era tanto que fez com que se sentissem transando um com o outro.


12 Na quadra de basquete, Björn fez um passe ao amigo Eric e este encestou bem no momento em que um som estridente anunciou o fim do terceiro tempo. Judith gritou de felicidade. — Olá. Judith olhou para o lado e sorriu ao ver Mel sentar-se perto dela. — Que bom que você veio! — A Dora ficou com a Sami e consegui fugir. Como eles estão indo? — Estamos ganhando de 65 a 59 — Judith respondeu. — Mas ainda falta o último tempo, e esses caras de Stuttgart são muito bons. Sorriram e começaram a bater papo. Eric ficou surpreso ao ver quem acompanhava sua mulher. — Olha só... a coisa está ficando interessante — cochichou chegando perto do amigo. Björn, que naquele momento bebia uma garrafinha de água que um assistente tinha lhe passado, olhou na direção que Eric indicava e, ao ver Mel ali, jogou água no rosto. — Interessantíssima — murmurou. O olhar dos dois se cruzou e Björn deu uma piscadinha bem-humorada. Mel sussurrou para a amiga: — Como você não me contou que o James Bond jogava basquete? — Pensei que você já sabia. — Pois não, não sabia. E se soubesse, nem teria vindo, pode ter certeza. Queria ter uma noite tranquila. Judith sorriu sem saber ao que ela se referia. Acalmou-a: — Você vai ter. Ele está ocupado com aquela ruiva ali. Aliás, vou apresentá-la a você. Judith deu um toquinho na mulher que estava na frente delas, conversando no celular, e disse: — Maya, essa aqui é a minha amiga Melanie Muñiz. A ruiva sorriu sem se levantar do assento. — Prazer, Melanie. — Igualmente, Maya. Quando a ruiva continuou falando ao telefone, Judith comentou: — Björn não vai jantar com a gente. Acho que tem planos com a Maya. Além disso, pretendo apresentar você pra alguns dos colegas do Eric: o número 12, o 18 e o 21. O que você acha? Curiosa, Mel olhou para os homens que Judith indicava e sorriu. A verdade era que todos eles eram lindos, mas respondeu olhando para a amiga: — Se a minha avó ouvisse você falando isso, teria te chamado de alcoviteira.


Judith sorriu. — A minha irmã e o meu pai também. Vamos, me diz qual você quer que eu te apresente. Passando os olhos pelos três, Mel por fim se decidiu: — O número 12. Deram risadinhas e logo em seguida começou o quarto tempo. As jogadas dos dois times eram maravilhosas, um espetáculo, e Judith logo viu que Mel entendia muitíssimo mais de basquete do que ela. Gostando de ver a partida, Mel notou como Björn jogava bem. Ele se movia pela quadra com tanta agilidade que ela ficava de boca aberta. Tendo visto Björn em ação em outros departamentos, ela suspirou. Aquele homem era um espetáculo ambulante, tanto de terno, como pelado ou com uniforme de basquete. Sem poder evitar, olhou para os braços fortes dele. Os braços com os quais tinha sonhado na noite anterior e que a deixavam completamente louca. Sozinho ele marcou 14 pontos e Mel aplaudiu. Björn era realmente incrível. Tinha movimentos elegantes, mas quando atacava não tinha para ninguém. Assim que tocou o sinal de fim de jogo, Judith e Melanie aplaudiram contentes e assobiaram. O time delas tinha ganhado e precisavam comemorar. Enquanto esperavam que os jogadores saíssem do chuveiro, Mel se concentrou na ruiva que esperava Björn. Aliás, acreditava que já tinha visto a moça antes no Sensations. Quando ele saiu do vestiário, caminhou direto para a ruiva e deu-lhe um beijo na boca. Murmurou algo que só os dois podiam ouvir, e que a fez sorrir. Distraída observando-o, Mel não se deu conta de que havia um homem ao seu lado, até que Judith, chamando sua atenção, disse: — Melanie, este é o Damian, o camisa 12. — Bela partida, Damian. — Obrigado, Melanie — respondeu o loiro, contente. Concentrando-se no homem que sorria diante dela, Mel o cumprimentou com dois beijinhos que ele, feliz, retribuiu. Conversaram durante algum tempo, enquanto o restante da equipe terminava de se arrumar e saía do chuveiro. Quando estavam todos prontos, Eric perguntou: — Onde vocês querem tomar alguma coisa? Vários lugares foram citados e por fim se decidiram pelo bar de um dos membros do time. No caminho até lá, Mel viu que Björn, de mãos dadas com a ruiva, os seguia. — Ué, mas você não disse que o James Bond tinha planos? — cochichou, chegando perto da amiga. Judith, olhando na direção que Mel estava apontando, perguntou levantando a voz: — Você vem com a gente pro bar, Björn? Ele afirmou com um sorriso: — Sim, eu e a Maya estamos com sede. Mel suspirou. Ficou irritada de ter que aguentar Björn aquela noite e evitou chegar perto dele para que não tivessem que conversar. Quando chegaram ao bar, sentou-se o mais longe possível.


Olhando o cardápio das bebidas, Judith comentou alegre: — Esse bar é do Svent e, olha só — apontou o cardápio —, esse é o meu coquetel. — O seu coquetel? Judith deu uma risada e explicou: — Teve uma noite em que o Svent fez um concurso de coquetéis e o meu ganhou, por isso ele decidiu incluir no cardápio. Surpresa, Melanie sorriu e, lendo o nome da bebida, perguntou: — “Peça-me o que quiser”, é esse o nome do seu coquetel? Judith afirmou alegremente. Ela e os que a conheciam na intimidade sabiam o porquê daquele nome. — Pede esse, você vai adorar — disse em seguida. Mel soltou uma risada e concordou. — Certo... mas o que tem nele? Sem querer revelar os ingredientes, Judith replicou: — Eu vou pedir. Você pede também e depois de experimentar, me diz o que achou. Alegre, Mel fez que sim. Queria experimentar aquela bebida. Quando o garçom se aproximou, pediu: — Nós queremos dois “Peça-me o que quiser”. Judith sorriu. Eric sorriu. E Björn, que tinha ouvido, também sorriu. Daquele grupo, só eles três sabiam que Judith tinha aquela frase tatuada no púbis, algo que sempre os deixava muito excitados. Quando o garçom trouxe a bandeja com vários coquetéis, Eric pegou um e entregou à mulher, que, encantada, deu-lhe um beijo. Mel os observava quando Björn pegou o outro coquetel e, zombando, estendeu-lhe, dizendo com uma voz sensual: — Peça-me o que quiser. Sem entender o significado dessas palavras, Mel olhou para ele, pegou o copo que ele entregava e, com uma expressão que fez os demais rirem, respondeu: — Eu pediria pra você plantar bananeira com uma mão só, mas acho que você ia despencar, boneco. Björn gargalhou e, sem responder, chegou perto de Maya e, beijando-lhe o pescoço, começou a conversar com ela, tentando esquecer a mulher que realmente lhe interessava. Mel bebeu um gole do coquetel. Estava delicioso, era refrescante. — Isso aqui tem Coca-Cola, não tem? — perguntou para Judith. A amiga riu, e depois de beber um gole, desafiou: — Agora adivinha o que mais.


Riram e continuaram o papo agradável enquanto Björn observava Mel. Sem deixar de falar com Maya, olhou Mel dos pés à cabeça. Aquela calça de couro preta, combinando com um colete também preto e botas de salto, ficava muito, mas muito bem nela. Estava sexy demais. Depois de vários coquetéis, todos decidiram sair para comer ou acabariam bêbados. No restaurante, Mel voltou a se sentar o mais longe possível de Björn. Reparou como seus olhares se cruzavam em vários momentos no bar e não queria que ninguém interpretasse mal. Ele, que também já tinha se dado conta dos olhares, procurou um ângulo onde podia continuar contemplando os movimentos de Mel sem ser visto. Não sabia o que estava acontecendo, mas aquela espanholinha convencida o atraía como um ímã. E quando ela se levantou no meio do jantar para ir ao banheiro, Björn, disfarçando, fez o mesmo logo em seguida. Assim que Mel saiu do banheiro, agarrou-lhe o braço e encurralou-a contra a parede. — Você vai ao Sensations hoje à noite? — perguntou. — Só porque você quer saber, não te digo. Björn fez uma careta. — Nunca conheci ninguém igual a você. — E nunca vai conhecer. Ele sorriu por esse atrevimento e insistiu: — Você está se divertindo com o Damian? Surpresa pela pergunta, Mel suspirou. — Escuta aqui, baby... cuida da sua ruiva e para de olhar pra mim. Estou de saco cheio de você ficar olhando pra mim e... — Se você sabe que eu fico te olhando é porque você também me olha. Ou será que estou enganado? Boquiaberta, sem saber como responder àquilo, Mel protestou: — Quer fazer o favor de me soltar, seu imbecil? Mas Björn não se mexeu. Ficou encarando-a com seus grandes olhos azuis, até que, nervosa, ela falou entre dentes: — Você e eu não temos nada a ver. Ouvindo isso, com um olhar ameaçador, Björn sorriu e aproximou sua boca da boca de Mel. — Você se engana... — murmurou —, podemos fazer muitas coisas. E de repente ele a beijou. Encostou a boca na dela com força e enfiou a língua, disposto a aproveitar aquilo que estava com vontade de fazer desde que tinha visto Mel na arquibancada da quadra. Era a hora de conseguir o que queria. Nem mesmo a mordida que ganhou no lábio fez Björn soltá-la. — Mas que bruta!


— Eeeeeeeeeuuuuuu? Björn tocou no lábio e ficou surpreso de ver que estava sangrando. Chateado, disparou: — De onde você tirou essa ideia de me morder? Sorrindo, Mel respondeu: — Tenho um band-aid das Princesas na bolsa, quer? A expressão no rosto dele deixava bem claro o quanto estava irritado por aquilo tudo. Mel gostou de ver e, sem se intimidar, afirmou zombando: — Me beija de novo e juro que arranco a sua língua. — E antes de sair: — Fecha o zíper da calça... seu cretino. Sem dizer mais nada, virou-se e saiu dali, deixando Björn dolorido por causa da mordida. Ele não ia cair outra vez na história do zíper. Quando conseguiu se recompor, voltou à mesa onde estavam todos e um de seus companheiros de equipe gritou: — Amigão... fecha o zíper, senão o passarinho voa. Björn bufou em meio às risadas de todos. Levou a mão à braguilha e fechou a calça, enquanto encarava Mel, que piscava com o olhar angelical. O jantar tinha sido fantástico e Damian tinha se mostrado um homem incrível. Mel conversou com ele sobre basquete, deixando-o surpreso ao ver o quanto ela conhecia sobre o esporte. Então Mel acabou confessando que tinha feito parte de um time na época do colégio e quando o jogador repetiu o fato em voz alta, todos olharam para ela. Björn, ainda ofendido pela mordida, propôs: — Quando você quiser, te desafio pra um joguinho. Mas pode ficar tranquila que vou te dar vantagem. Mel sorriu com todos os outros. — Não se preocupe, bonequinho. Ganho de você mesmo sem vantagem. — Certeza? — Absoluta. — E sem dar trégua, perguntou: — O que aconteceu com o seu lábio? Parece que ele está inchado. Todos olharam para Björn. Ele disse um palavrão por Mel ter sido tão indiscreta e sussurrou: — Mordi sem querer. Mel sorriu. Fez uma bolinha com miolo de pão e, sem se levantar da cadeira, arremessou em cheio na cara de Björn. — Onde eu ponho o olho, eu ponho a bola. Isso fez todos darem gargalhadas. Björn, louco da vida pelo atrevimento daquela mulher, pegou a bolinha de pão e, também sem se mexer do lugar, arremessou e acertou dentro do decote dela. — Onde eu ponho o olho, eu enfio o que quiser. Mais uma vez risadas, mas desta vez, pelo duplo sentido. Mel tirou a bolinha de pão do meio dos seios e antes que pudesse responder, foi interrompida por Björn: — Você acha mesmo que é tão boa assim, baby?


Sem nenhum tipo de piedade em relação à disputa, a tenente Parker cravou seus olhos azuis em Björn e respondeu decidida: — Sou a melhor naquilo que me proponho a fazer, baby. Mais uma vez risadas e aplausos para aquele duelo de gigantes. Judith olhou para a amiga e, vendo o traço de gozação na expressão de Björn, cochichou: — Deixa ele pra lá. Você não se deu conta de que ele faz isso só pra te provocar? Mel sorriu e respondeu antes de continuar conversando com Damian: — Que ele me deixe pra lá. Ele vai perceber que vale mais a pena. Ouvindo isso e notando como Björn olhava para a amiga, Judith tirou as próprias conclusões. Olhou para o marido. Alguma coisa estava acontecendo ali. Por isso, chegou perto de Eric e murmurou: — Acho que está rolando alguma coisa entre esses dois. — “Rolando”? — Eric repetiu achando graça. Judith abraçou o marido para que Mel não ouvisse. — Você acha que tem alguma coisa entre o Björn e a Mel? Não sei, talvez seja o meu sexto sentido, mas o jeito como eles se olham e se provocam parece dizer que eles estão atraídos um pelo outro. Você não acha? Eric olhou para os dois e, depois de beber um gole da cerveja, fitou sua bela mulher e respondeu: — Pequena, só te digo que desses dois eu espero qualquer coisa. Ambos sorriram. O destino sempre pregava suas peças. Quando pediram a sobremesa, Mel não pôde deixar de sorrir. Adorava chocolate. Björn se encarregou de pedir vários fondues de chocolate com frutas e quando, mais uma vez, seus olhos se cruzaram, ele espetou um morango, molhou no fondue e, depois de passá-lo nos lábios, colocou-o na boca, e o rosto se contraiu com a dor do lábio. Björn conhecia um segredo sobre ela que Mel não queria revelar a ninguém. As pessoas não costumavam ver com bons olhos o tipo de sexo que ele, Eric, Jud ou aquela desbocada praticavam. Se soubessem, com certeza seriam chamados de coisas que não eram. Perturbada pela excitação de ter visto Björn comendo o morango com chocolate, Mel espetou um pedaço de banana. Molhou na calda e quando foi tirá-lo dali, a banana tinha desaparecido. Surpresa, olhou o garfinho e, com o canto de olho, viu Björn sorrir. Maldito! Tentou não fazer caso daquilo. Não olhar para ele. Mas seus olhos só queriam olhar. Quando viu como ele passava um pedaço de banana com chocolate nos lábios da amiga Maya e depois os chupava, ficou excitada. Aquele simples ato pareceu o mais sensual que tinha visto em muito tempo e quando se recompôs do calor que sentiu, seu olhar encontrou o de Björn outra vez. Ele sorriu. Quando acabaram os fondues, Judith e Melanie decidiram ir ao banheiro. Lá, depois de lavarem as mãos, Mel as passou pelos curtos cabelos negros e, puxando-os para trás, perguntou: — E agora, pra onde vamos? — Com certeza vamos tomar umas no bar do técnico. No fim, quase sempre terminamos lá. — Perfeito! Judith, querendo perguntar algo, finalmente se decidiu:


— Você gosta do Björn? — E vendo como Mel reagia, completou: — Pergunto porque me parece curioso como vocês estão sempre se desafiando. E se te digo isso é porque conheço o Björn e tenho a sensação de que... — Esse energúmeno? — Os opostos se atraem e acho que vocês dois são... — Judith, por favor... tenho mais bom gosto pra homem. Surpresa por essas palavras, Jud murmurou: — Mas se o Björn é um espetáculo... Mel concordou e, tentando dissimular o que inexplicavelmente estava acontecendo com ela, disse: — Não duvido. Mas nem todas gostam do mesmo tipo de espetáculo, não acha? A porta do banheiro se abriu e um homem entrou. Um alemão vermelho como um caranguejo. Ao vê-lo, Judith disse: — Este é o banheiro feminino. Que tal se você for no masculino? Mas ele tinha tomado umas a mais e, encarando-a, sussurrou: — Calada, puta. Surpresas, as duas olharam uma para a outra e, então, Melanie deu um passo à frente e falou, empurrando o bêbado: — Vou segurar a minha língua venenosa e não vou dizer o que eu penso, mas puta é a sua mãe. Fora daqui, já! Quando o jogou para fora do banheiro, bateu a porta e encostou-se nela. — Mas que babaca! A porta se abriu outra vez com um golpe tão forte que lançou Mel contra a parede da frente. Bateu a boca nos azulejos e começou a sangrar na mesma hora. Judith, vendo aquilo, não teve dúvida e imediatamente começou a usar o que tinha aprendido anos antes na aula de karatê para imobilizar o sujeito. Mel falou um palavrão ao sentir o sabor metálico do sangue. Sua expressão mudou e, levantando-se do chão, lançou-se sobre o homem com força e começou a socá-lo enquanto Judith a observava surpresa. — O exército tem um código de honra, idiota — Mel gritou —, que é não se meter com as mulheres. E se alguém vê que um homem dá uma de espertinho, é preciso dar uma boa lição e chutar suas malditas bolas! O indivíduo, nocauteado pelas duas, ficou jogado no chão, até que um amigo dele entrou no banheiro e perguntou surpreso: — Mas o que vocês fizeram com ele? Naquele instante, entraram Björn e Eric, que haviam ouvido a confusão. Horrorizados pelo que viam, aproximaram-se enquanto Mel dizia: — O mesmo que vamos fazer com você, cretino, se passar pela sua cabeça avançar o sinal, o mínimo que seja, com nós duas. — Mas o que está acontecendo aqui? — perguntou Björn, observando Eric chegar perto de Judith e pedir explicações com expressão de fúria. Mel limpou o sangue da boca e gritou apontando o bêbado no chão.


— Foi esse metido a machão querendo dar uma de espertinho. Espantado, Björn olhou para ela quando o amigo do bêbado estava prestes a dizer algo. Mel interrompeu com raiva: — Experimenta abrir essa boca grande que você tem e eu juro pela minha filha que você vai se arrepender. Björn ficou impressionado pela força da voz dela e logo notou o sangue que tinha na boca. — Você está ferida. — Estou bem, isso não foi nada — Mel respondeu sem dar importância. Ele encarou-a por um longo tempo. — Sangue no lábio... Não, isso me lembra... — murmurou. Adivinhando o que ele ia dizer, Mel interrompeu com voz furiosa: — Se por acaso passar pela sua cabeça falar mais alguma coisa sobre o sangue na minha boca, juro que você vai pagar pela raiva que eu estou sentindo. Portanto, bico calado! — Mas como você é convencida, gata — ele respondeu, ofendido. Quando os amigos do bêbado levaram-no dali, Björn não pensou duas vezes, agarrou Mel pelo braço e, puxando-a para dentro do banheiro, junto a Eric e Judith, disse: — Vocês ficaram loucas? Mel sussurrou enquanto tentava se libertar: — Me solta. Eric, mal-humorado pelo acontecido, encarou a mulher e rosnou: — Quando você vai deixar de ser tão impulsiva? Não vê que poderia ter acontecido alguma coisa com você, pequena? Jud, que já estava acostumada com aquele tom de voz que o marido tinha quando estava zangado, respondeu: — Iceman, não começa. Esse imbecil entrou aqui e... — E por que você não pediu a minha ajuda? Judith soltou uma gargalhada e olhou para Mel, que os observava. — Porque não deu tempo, querido — respondeu. Dois minutos depois, Eric e Jud, concentrados em uma de suas enormes discussões, saíram do local e deram a noite por encerrada. Quando ficaram sozinhos dentro do banheiro, Björn olhou para Mel e disse: — Agora fica quietinha e me deixa olhar o machucado no seu lábio. — Agora você vai dar uma de médico? Com a testa franzida, Björn olhou bem para ela. Seu bom humor tinha evaporado. — Também posso ser muito metido, se eu quiser. — Uau! Que medinho! — E, levantando uma das mãos, acrescentou: — Olha só como eu estou tremendo.


Sentindo uma vontade louca de estrangular Mel, de tão arrogante que era, Björn levantou a voz e disse, furioso: — Falei pra você ficar quieta! Mel bufou e, por fim, fez o que ele pedia. Damian entrou no banheiro e, vendo o que tinha acontecido, quis substituir Björn e cuidar dela, mas este não deixou. Nem passava pela sua cabeça deixar que ele a tocasse. Por fim, Damian se deu por vencido e, mal-humorado, saiu dali. Björn limpou o sangue do queixo dela e os dois também saíram do banheiro. Vendo que um dos amigos do bêbado a observava, Mel não pensou duas vezes: — Que foi? Quer que eu faça omelete com os seus ovos também, seu cretino? — gritou. Alucinado, Björn agarrou Mel pela cintura e saiu dali carregando-a no colo, depois de pedir ao sujeito que a olhava com expressão pouco amável que a perdoasse, afinal estava fora de si. Quando já estavam bem afastados de todos eles, Björn soltou-a no chão. — Por acaso te falta um parafuso? — disparou. — Escuta aqui, gato, que seja a última vez que você se meta nos meus assuntos, entendeu? — Mel respondeu sem medo. E sem falar mais nada, virou-se para sair pela porta, mas Björn agarrou-a. — Posso saber aonde você pensa que vai? — Aonde me der na telha. — Sozinha? Sem se deixar intimidar, Mel se virou para ele e respondeu: — Antes só do que mal acompanhada. E agora, que tal você me soltar? Contrariado ao ver a reação dela, Björn comentou: — Juro que conheci muitos tipos de mulheres na minha vida, mas o seu descaramento me deixa sem palavras. — Deixar você sem palavras não é difícil, bonequinho. Com vontade de lhe dar um tapa na bunda por essa resposta, Björn respondeu: — Posso saber qual é o seu problema pra andar com a escopeta carregada o tempo todo? Porra, garota, olhar pra você é a mesma coisa que ver uma placa de “Perigo, alta voltagem”. Isso fez Mel sorrir. Já tinha sido chamada de tudo, mas nunca de placa de alta voltagem. Tentando desafiá-lo com voz suave, disse: — Vou pra casa, algum problema? Björn ficou agradecido pelo tom de voz mais calmo. — Vou com você — ele se ofereceu sem soltar o braço dela. — Agora você vai fantasiado do quê? Cavaleiro de armadura reluzente? Mais uma vez aquele sorrisinho de superioridade que tirava Björn dos eixos cruzou o rosto de Mel.


— Vou fantasiado de homem sensato que cuida de uma louca, que, no mínimo, deve ser a fundadora da banda Los Ángeles Del Infierno. Só quero que não arrebentem a sua cara antes de você chegar em casa. — Ah, vá! — E, achando graça, acrescentou: — Não preciso de babá, bonequinho. — Precisa sim, bonequinha. Irritada porque Björn não soltava o seu braço, Mel rebateu entre dentes: — Não esquece que aquela Barbie está esperando você. — Barbie? Que Barbie? — Björn perguntou surpreso. Sem vontade de ser agradável, Mel esclareceu: — A Barbie Maya, siliconada e com decote escandaloso que está esperando você na mesa. Vai deixar ela plantada lá? Ao ouvir essa descrição de sua acompanhante, Björn riu e soltou Mel. Fez um movimento rápido com as mãos indicando que ficasse onde estava e voltou para dentro. Mel revirou os olhos e, convencida de que aquele homem era um idiota, mas muito idiota mesmo, saiu do restaurante e foi até o carro transtornada. Acendeu um cigarro. Não precisava de nenhum imbecil para protegê-la. Ela sozinha sabia se cuidar muito bem. Logo em seguida, ouviu passos rápidos vindo em sua direção e virou-se para ver que era Björn. — Posso saber aonde você vai? — ela perguntou. — Falei que eu ia com você. Aqueles caras podem aparecer e... — Mas do que você está falando? — Mel, em que mundo você vive? — No mesmo que você. Com a diferença de que eu sou mulher e sei viver perigosamente. Por acaso você esqueceu que eu sou a namorada do Thor? Esse comentário fez Björn rir. — Vem... eu te levo pra casa. — Não preciso de babá — Mel insistiu, soltando uma baforada na cara dele. O sorriso de Björn desapareceu na mesma hora. — Fumar faz mal, e se você me chamar de “babá” outra vez, eu juro que... — Jura que o quê? Olharam-se em silêncio, espadas em punho, até que Mel insistiu: — Eu sei me defender. Você não viu? Björn olhou para ela, contrariado. Sua paciência estava chegando ao limite. Não pensava em desistir. — Chega! Não quero discutir com você — falou, furioso. — A partir de agora você vai ficar de bico calado, vai entrar na merda do meu carro e eu vou te levar pra merda da sua casa e então vou


me mandar e me divertir, entendeu? — Você acabou de chamar o seu pobre Aston Martin de “merda”? — Pelo amor de Deus!!! Quer fechar a porra da boca? — Björn explodiu. — Vou pra casa no meu carro, quer você goste ou não... E não fecho a porra da minha boca. Desespero. Foi isso que Björn sentiu ao ouvi-la e se convenceu de que Mel era uma cabeça-dura intratável. — Muito bem. Então eu vou na merda do seu carro. Fecha de uma vez a matraca e vamos logo. Irritada por essa insistência e sem vontade de discutir mais, Mel cedeu, mas querendo sempre dar a última palavra, acrescentou: — E não volte a chamar meu carro de “merda”. Só porque o seu é, não quer dizer que o meu também tem que ser, entendeu? Björn não respondeu. Tinha vontade de matá-la. Como podia ser tão convencida e insuportável? Uma vez dentro do Opel Astra, Björn olhou ao redor e ficou horrorizado. Atrás deles havia uma cadeirinha de bebê cor-de-rosa, que pensou ser de Sami, e o teto do carro estava cheio de adesivo de princesas. No chão tinha de tudo: pacote de biscoito, garrafinhas de água e brinquedos por toda parte. Aquilo era um verdadeiro caos que não parecia em nada com o seu carro impecável. Sem vontade de falar com ele, Mel ligou o CD player e Blurred lines, de Robin Thicke e Pharrell Williams, começou a tocar. Ela começou a cantar e mexer os ombros no ritmo da música. Ok, now he was close, tried to domesticate you. But you’re an animal, baby, it’s in your nature. Just let me liberate you. Hey, hey, hey. You don’t need no papers. Hey, hey, hey. That man is not your maker. Björn olhou para ela. Estava claro, por aqueles berros, que Mel estava tentando irritá-lo. Ninguém cantava tão absurdamente mal. Quando viu que Mel sorria, decidiu ficar quieto e não dizer o que estava pensando. Everybody get up. Everybody get up. Hey, hey, hey. Hey, hey, hey. Hey, hey, hey. Alguns minutos mais tarde, com a cabeça explodindo por causa dos gritos e pelo volume da música, notando que pisava em algo, um pequeno pônei lilás, abaixou o volume com um gesto brusco. — Por que você deixa o carro assim? — perguntou. Sem entender do que ele estava falando, ela o encarou. Björn mostrou o pônei desgrenhado com uma das mãos e um pedaço de biscoito mordido com a outra. Mel sorriu e justificou: — Tenho uma filha.


— E por acaso ter um filho transforma a gente num porco? Mel freou com tudo e Björn bateu no para-brisa. Sem se importar com a cara que ele fez, perguntou, desafiadora: — Está me chamando de “porca”? — Você ficou louca? — gritou, transtornado. — Como é que você freia desse jeito? Não restava dúvida de que não tinha conversa entre eles. Mel respirou fundo com impaciência e ordenou: — Abre essa merda de porta e cai fora do meu carro. Já! Sem se mexer, Björn pegou duas garrafinhas de água vazias e, indicando-as junto com o que tinha nas mãos, insistiu: — E você vai me dizer que isso aqui não é um lixo? Com um gesto rápido e nervoso, Mel pegou tudo o que estava na mão dele e jogou de volta no banco de trás. — Sai do carro — disse, irritada. — Não. — Repito: sai do carro! Björn encarou-a. Não ia se deixar intimidar por aquela fera. — Liga o carro, vamos pra sua casa. — Não. — Pois então me leva até onde deixei o meu carro. — Não sou chofer, baby. Incomodado por essa rebeldia, olhou para ela com superioridade. — Muito bem, me leve até o Sensations. Tenho um encontro lá. — Com a Barbie? Mel se arrependeu de ter dito isso, ainda mais depois de notar como Björn a desafiava com o olhar. — Se você quiser, pode entrar no reservado com a gente. Pode ter certeza de que vai gostar de ficar comigo e com a Maya. Você precisa relaxar... baby! E antes que Mel dissesse qualquer coisa, agarrou-a pelo pescoço, mas quando foi beijá-la viu a ferida em seu lábio e se lembrou de que ele também tinha uma. — Só não te beijo porque não quero machucar mais os nossos lábios. Mas fique sabendo que eu adoraria te chupar todinha. Você me deseja tanto quanto eu desejo você. Sei disso quando nós discutimos, quando você me olha e quando eu te olho. — Björn tocou com delicadeza o nariz no dela. — Vamos parar logo com isso, vamos pra cama de uma vez. Podemos ir pra sua casa, pra minha ou para um hotel. Como você quiser, linda. Você decide se eu vou terminar a festa com você ou com a ruiva. A tentação estava à sua frente. Sua voz...


Seu olhar... Sua proposta... Tudo era tentador... A temperatura dentro do carro subiu em décimos de segundos. Mel o desejava. Sentia-se atraída demais por aquele homem e quando estava a ponto de perder o controle e pular em cima dele, ordenou: — Sai da merda do carro. Sem se dar por vencido, Björn passou a boca pelo rosto dela e disse com voz sedutora: — “Merda”... acabou de chamar seu carro de merda. — E, insistindo, murmurou: — Vem, resmungona, vai ser gostoso. — Sai da porra do carro de uma vez antes que eu arranque a sua cabeça, seu cretino! — Mel insistiu, tremendamente excitada. Björn cedeu. Ele não suplicava nada a ninguém. Tirou o cinto de segurança, abriu a porta sem olhar para ela, desceu e fechou o carro com força. Naquele instante, Mel subiu o volume da música ao máximo, deu a partida e deixou Björn totalmente desconcertado no meio da calçada. Levar um fora não era algo com que Björn estivesse acostumado, mas, contrariando qualquer explicação, sorriu. Maldita cabeça-dura! Durante alguns minutos, caminhou pelas ruas frias de Munique. Precisava relaxar ou senão iria atrás dela outra vez. Por que aquela atrevidinha chamava tanto a sua atenção? Ao tocar o bolso do blazer, notou que tinha algo grudado. Arrancou com cuidado e sorriu ao ver um adesivo desbotado das Princesas. Guardou-o com cuidado. Dez minutos mais tarde, viu um táxi e pediu que parasse. A noite ainda ia continuar e Maya estava esperando.


13 Uma semana mais tarde, depois de passar dois dias fora de Munique por causa de uma viagem ao Iraque, Mel chegou em casa. A filha, ao vê-la, recebeu-a com um sorriso enorme e as duas não pararam de brincar durante horas. À noite, quando Mel entrou debaixo das cobertas sozinha, pela primeira vez em muito tempo não foi Mike quem ocupou seus pensamentos: em seu lugar, apareceu um cara prepotente de olhos azuis chamado Björn. Tentou tirá-lo da cabeça. Por acaso estava louca? O que a estava fazendo pensar naquele babaca? Tentou se concentrar em qualquer outra coisa, mas nada, absolutamente nada conseguia apagar o olhar que Björn tinha dado em sua direção. Por fim, cansada de se virar na cama sem dormir, decidiu se levantar e fazer o que seu corpo estava exigindo aos gritos. Notou com cuidado que a pequena estava dormindo e depois de ter certeza, abriu a gaveta de sua mesinha de cabeceira, pegou um nécessaire e tirou o que estava procurando. Saiu do quarto em silêncio, foi até o sofá, tirou a calcinha, olhou o vibrador preto e murmurou: — Preciso urgentemente de você, amigo. Sozinha na sala, no silêncio da noite, fez o que gostava. Abriu o pote de lubrificante, deitou-se no sofá, abriu as pernas e lambuzou a vagina. Queria que fosse suave e é o que aquilo faria. Excitada, ligou o vibrador na velocidade 1, passou-o pelos lábios melados de lubrificante, colocou-o sobre o clitóris e sussurrou: — Isso, assim... me dá o que eu preciso. Durante vários minutos, Mel abriu-se com uma das mãos e com a outra moveu o vibrador em busca do prazer. A sensação era maravilhosa. Plena. Estimulante. Seu corpo sentia pontadas de prazer, ela arfava e exigia mais e mais. Com os olhos fechados, imaginou o homem que tinha se instalado em sua memória: Björn. Fantasiando, seus gemidos ficaram mais intensos quando imaginava que era ele quem estava movimentando o vibrador sobre o clitóris, ou quem estava olhando enquanto ela o passava pelo sexo. Viu o olhar dele... Sentiu seus beijos... Lembrou-se das propostas... E tudo isso aqueceu seu corpo e fez com quisesse mais. Abriu mais as pernas e se entregou ao prazer que aquilo oferecia. Imaginar as grandes mãos dele sobre o seu corpo e seu hálito entre as pernas dela fez com que mordesse o lábio para não gritar de prazer, e aumentou a velocidade para a posição 2. Sentiu um calor intenso. Muito... muito intenso. Extremamente excitada, moveu-se pelo sofá e sussurrou: — Sim... baby... eu te desejo. Imagens de Björn no Sensations voltaram à sua mente.


O corpo dele... O abdome sarado... O pênis ereto. Imagens sensuais e excitantes. Momentos picantes e pecaminosos. Björn era caliente. Muito caliente. Ele demonstrava isso quando olhava para ela, quando a desafiava, quando tentou avançar o sinal. Sua respiração ficou mais ofegante. O orgasmo começava a crescer dentro dela como um tornado e, disposta a mais, aumentou para a velocidade 3. Seu sexo estremeceu e Mel arqueou o corpo no sofá. A voz de Björn pedia que ela não fechasse as pernas, que não afastasse o vibrador nenhum milímetro, e Mel obedeceu. Calor. O calor era intenso. Sabendo muito bem o que queria, apertou o brinquedinho maravilhoso sobre o clitóris já bastante excitado e o que esperava finalmente veio. Um orgasmo incrível tomou conta de seu corpo. Levantou o quadril e fechou as pernas, enquanto tremia toda e mordia o lábio inferior ao sentir aquele prazer alucinante, intenso e profundo. O sangue era bombeado por todo o seu corpo, em especial no seu púbis, e Mel estava ofegante, queria mais. Mas quando abriu os olhos e sua visão pousou nas fotos da sala, sabia que a fantasia tinha acabado. Só ela e sua imaginação estavam ali. Abaixou as pernas amolecidas até o chão, sentou-se no sofá e sorriu. Em poucas vezes tinha conseguido tamanho realismo ao se masturbar. Poucas vezes suas coxas tinham se molhado tanto com seus próprios fluidos. Sorrindo, olhou o brinquedinho e acendeu um cigarro. — Obrigada, amigo. Você nunca me decepciona. Naquela noite, quando deitou na cama, continuou pensando em Björn, mas, irritada, repreendeuse. Devia parar de pensar nele. Havia outros homens no mundo dos quais desfrutar, e ele, por mais que a deixasse louca de prazer, não deveria fazer parte de seus jogos e fantasias. Ou deveria? No sábado à tarde, depois de um dia dedicado totalmente à filha, decidiu pedir que Dora ficasse com Sami aquela noite. Precisava sair. Chegou ao Sensations mais tarde do que em outros dias e quase deu meia-volta quando viu ao fundo, no bar, seus amigos Eric e Jud conversando com Björn e duas mulheres. O que Eric e Judith estavam fazendo ali? Não sabia se entrava ou não. Aquilo era muito constrangedor. Mas, por fim, escondida entre vários casais, resolveu entrar. Eles não a viram e Mel sentou-se o mais longe possível deles, para poder observá-los com curiosidade. Com os olhos arregalados, viu como uma das mulheres colocava a mão entre as pernas de Jud e esta sorria; a mulher enfiava mais a mão e Jud deixava. Escondida, não se mexia para que eles não a vissem. Nunca poderia ter imaginado aquilo e muito menos que aquele casal praticava o mesmo tipo de sexo que ela. Ficou chocada. Considerava


Eric e Jud um casal totalmente tradicional, mas pelo visto as aparências enganavam! Logo seus olhos voaram até Björn. Ele e Eric pareciam estar gostando do espetáculo que as mulheres ofereciam e Björn, aproximando-se de Judith, disse alguma coisa que a fez sorrir. Mas que tipo de amizade tinham aqueles três? Outra mulher foi até eles e Björn a agarrou pela cintura. Durante vários minutos, Mel viu como os dois conversavam, e como ele beijava o pescoço dela, que parecia estar gostando muito daquilo. Mel não achou graça nenhuma e bebeu de seu copo para afogar a indignação que crescia segundo a segundo dentro dela. Dez minutos depois, o grupo entrou pela porta que levava aos reservados e, sem pensar duas vezes, Mel os seguiu. Chegando no corredor, ficou sem saber se olhava pela cortina do reservado ou não. O costume era que pessoas que não queriam ser vistas colocassem um cartaz escrito “Stop” na cortina e só uma delas tinha isso. Olhou os que não tinham, mas não ouviu a voz dos amigos em nenhum, por isso, deduziu que eles eram os que não queriam ser observados. Hesitou sobre o que fazer, mas a curiosidade venceu e Mel decidiu olhar, apesar de saber que não era certo. Lá dentro, Eric estava sentado na cama, enquanto as duas mulheres tiravam a roupa de Jud, e Björn preparava drinques numa das laterais. — Me beija, moreninha — Eric pediu. Contente, Jud se aproximou do marido e fez o que ele pedia. Mas, antes, brincou. Passou a língua primeiro por seu lábio superior, depois pelo inferior, deu uma mordidinha e Eric lhe deu um tapinha carinhoso; Jud o beijou. — Você me deixa louco, querida — murmurou ao fim do beijo. — Você sabe que eu adoro te deixar louco — ela respondeu, disposta a se divertir. Judith gostava de homens, mas tinha se dado conta de que também gostava quando era uma mulher quem fazia os jogos com ela. Até aquele momento, nunca tinha tomado a iniciativa com mulheres, apenas deixava que elas fizessem o que quisessem, e isso a deixava louca. Eric sabia e nunca propunha nada que Judith não quisesse. Ambos tinham suas próprias limitações quanto às fantasias sexuais e, disposto a dar à mulher o que os olhos dela pediam, perguntou: — Quer que a Diana e a namorada dela brinquem com você? Judith sorriu e respondeu: — Quero, mas também quero brincar com você e com o Björn. — Te prometo que sim. — Eric sorriu, beijando-a mais uma vez. Björn, que os observava da lateral, notou que o amigo se levantava da cama, deitava a mulher sobre ela e abrindo-lhe as pernas com desejo, dizia: — Diana... a minha mulher quer que você faça o que quiser com ela. Não foi preciso dizer mais nada. Diana, uma alemã companheira nos jogos eróticos, sem pensar duas vezes subiu na cama, colocou as mãos sobre as coxas de Judith, abrindo-as. — Da Judith eu quero tudo — murmurou. Depois olhou para sua namorada Marie e acrescentou: — Vem brincar com a gente, querida. A Judith quer ser o nosso brinquedo. Só tem uma regra: a boca


dela é só do marido. Marie concordou. Tudo estava claro. Sabia o que a namorada estava querendo dizer e, subindo na cama, foi direto aos seios de Jud. Diana, ao ver que Judith gostava que chupassem seus mamilos, pousou a boca naquele doce manjar que a jovem oferecia e se deliciou. Saboreou com habilidade o sexo dela até que ele se abriu todo e deixou o clitóris à vista. Judith ofegou quando Diana passou a língua ali e, sabendo o que ela gostava, sugou. O corpo de Judith tremeu. Olhou para o marido, que, excitado pela situação, sorriu. Aquelas duas mulheres deixaram Judith louca de prazer com sua habilidade. Quatro mãos a tocando. Quatro mãos que a exigiam. Quatro mãos para preenchê-la e duas bocas percorrendo seu corpo. — Quer mais, Judith? — Diana perguntou. — Quero... continua... continua... Excitada por aquilo, Marie não parou de chupar os mamilos e levou uma das mãos de Jud até o próprio sexo. Judith, sentindo o calor que emanava dele, não teve dúvida, enfiou um dedo e começou a movê-lo. Marie ficou louca e Diana, ouvindo seus gemidos, parou. Colocou um vibrador, se posicionou entre as pernas de Judith e a comeu. Os gemidos dela ficaram mais altos. Os dois homens tiraram a roupa e se prepararam para entrar no jogo a qualquer momento. Não demorou. Colocaram camisinhas. Björn se posicionou atrás de Marie, e Eric, de Diana, e os dois as penetraram por trás. Mel, que observava tudo aquilo meio escondida atrás da cortina, sentiu a respiração ficar descontrolada. Aquilo era excitante. Ver como aquelas cinco pessoas davam prazer umas às outras era alucinante e lhe dava um prazer incrível. Os grunhidos de prazer de Björn e de Eric tomaram conta do lugar e, quando alcançaram o clímax, saíram de dentro das mulheres, que continuaram com o seu jogo. Tiraram os preservativos e jogaram no lixo. Diana disse: — Marie, agora vem me foder você. Marie vestiu um cinturão, se posicionou atrás da namorada e introduziu-o nela pouco a pouco, fazendo Diana gritar de prazer. Judith gritou ao ser penetrada por Diana, que, em êxtase pelo que Marie lhe fazia, voltou a fundir-se com ela. As três mulheres curtiam o trenzinho sobre a cama quando Björn passou um copo de uísque a Eric. Beberam enquanto observavam o jogo maravilhoso entre as mulheres, até que Judith e Diana tiveram um orgasmo e tudo acabou. Diana saiu de Judith, tirou o consolo, olhou para a namorada e propôs, enquanto também tirava o cinturão dela: — Vamos fazer um 69. Sem descanso, as duas deitaram-se na cama e se chuparam uma à outra com prazer. Eric, vendo sua mulher com os olhos fechados, pegou-a nos braços e, levando-a até a ducha, perguntou: — Está tudo bem, querida? Judith fez que sim e o beijou. Björn sorriu. A pergunta típica de Eric a Judith depois de transarem. Nunca tinha passado por sua cabeça perguntar esse tipo de coisa a nenhuma de suas amigas. Não lhe importava o prazer delas.


Só importava o dele próprio. Então lembrou que Eric havia dito que, desde que estava com Judith, tinha mudado sua forma de ver o sexo. Enquanto observava os amigos se beijando com paixão na ducha, Björn voltou a sentir o que só sentia na companhia deles: solidão. Com outros casais esse sentimento não aparecia, só se preocupava em curtir o sexo e o prazer. Mas quando estava com os amigos e tomava consciência da relação maravilhosa e especial que eles tinham, sentia inveja. Ver como se olhavam, como se beijavam, como se amavam ou tinham necessidade um do outro era algo que ele nunca havia experimentado com ninguém. Será que era verdade que quando a gente se apaixona, nosso próprio prazer fica em segundo plano e a gente só deseja ver a outra pessoa sentindo prazer? Estava excitado olhando a cena quando Eric começou a fazer amor com Judith com toda a força contra a parede da ducha e, enquanto isso, Diana e a namorada desfrutavam sua sexualidade na cama. Björn estava convidado para qualquer uma das festas e ficou indeciso. O espetáculo era excitante e vê-lo dali onde estava dava-lhe um prazer intenso, por isso decidiu ficar olhando, enquanto seu pênis, gemido a gemido, segundo a segundo, ficava duro como pedra. Quando Eric e Jud acabaram e saíram da ducha, entraram na jacuzzi e convidaram Björn a acompanhá-los. Sem pensar duas vezes, ele aceitou, e quando foi se sentar, Judith entregou-lhe um preservativo e sussurrou: — Agora você. Desejando sexo, Björn rasgou a embalagem e colocou a camisinha. Sentou-se na jacuzzi, olhou para o amigo, que deu a permissão e, agarrando Judith pela mão, pediu: — Vem sentar em mim, linda. Judith fez o que ele pediu e gemeu conforme o pênis ia entrando. Björn, sem chegar perto da boca, que era só de Eric, murmurou: — Está sentindo ele duro? — Estou... — Vem, se aperta mais em mim. Judith obedeceu e um calafrio percorreu sua espinha. O marido, beijando-a, disse: — Assim, pequena... me dá os seus gemidos. Durante vários minutos, aquele jogo maravilhoso os deixou loucos. Björn, sentado na jacuzzi, recebia Judith sentada sobre ele, enquanto Eric bebia os gemidos de prazer da mulher. Mel, que os observava, cruzou as pernas. Estava ficando muito molhada e seu corpo pedia sexo. Ouviu Björn dizer: — Eric e eu vamos te foder do jeito que você gosta. Judith não conseguia falar. Sentiu como as mãos de seu marido a apertavam com força contra a ereção muito dura de Björn e murmurava em seu ouvido: — Vamos, pequena... assim... tudo. Sem trégua, Judith se deixou manipular por aqueles dois deuses gregos enquanto Björn movia o quadril dela num ritmo frenético, deixando-a louca, e agora sentia as mãos de Eric apertando sua bunda. Gemidos de prazer escaparam de sua boca e ficaram mais fortes quando sentiu que seu marido enfiava um dedo em seu ânus e depois outro. Mexia com eles. Provocava.


— Está gostando, Jud? — Björn perguntou. Ela fez que sim e quando ele a tombou sobre seu peito, ofereceu a bunda para que o marido penetrasse. Com cuidado, Eric fez o que ela queria. Entrar nela era sempre um prazer. Deixou escapar um gemido e quando toda a sua ereção estava lá dentro, sussurrou: — Pequena... diz se você está gostando. — Estou — Judith sussurrou ao sentir-se totalmente preenchida por aqueles dois. A partir daquele instante, cada um se moveu para procurar o próprio prazer, e Judith se abria para os dois e deixava que eles fizessem o que quisessem, apenas curtindo o momento. Uma... duas... três... quatro penetrações seguidas de cada um dos dois a fizeram gemer de prazer e um calor intenso se apoderou de seus corpos. Cinco... seis... sete... oito... Entravam e saíam dela com deleite e se preparavam para o novo ataque, querendo mais. Gozo... Sexo... Fantasias... Aquilo era prazer em estado puro. Judith não aguentou mais e com um grito mostrou que tinha alcançado o clímax. O segundo foi Björn e, por último, Eric. Quando Björn deitou a cabeça no ombro da amiga, se deu conta de que alguém meio escondido atrás das cortinas os observava e seu corpo logo reagiu. Ficou surpreso ao se dar conta de que era Mel. Rapidamente desviou os olhos de lá para que ninguém notasse e continuou sentado na jacuzzi. Alguns minutos depois, seu amigo saiu de dentro de sua mulher, e esta, de Björn. Eric e Judith foram juntos até a ducha. Excitado pela presença de Mel, Björn saiu da jacuzzi sem pressa. Tirou o preservativo e, molhado e nu, andou até uma das laterais do quarto. Mel, com a boca seca, perdeu-o de vista até que sentiu algo molhado atrás de si e, quando se virou, deu de cara com ele. Envergonhada, não soube o que dizer e Björn, baixando a voz para que ninguém os ouvisse a não ser ela, perguntou: — Espiando atrás da cortina? Mel não podia se mover. Se o fizesse, entraria no reservado dos amigos e, querendo que não a vissem, respondeu com voz suplicante: — Des... desculpa... eu... Surpreso ao ver que ela titubeava e ficava sem palavras pela primeira vez desde que a conhecia, Björn assumiu o controle da situação e perguntou: — Você não sabe o que significa a palavra “stop”? Ela fez que sim e ele acrescentou: — Você acaba de desrespeitar uma das normas do clube. Se eu quisesse, eles te tiravam daqui agora mesmo; você sabe, não sabe? Mel concordou, sentindo um calor e, arrependida, murmurou: — Não diga nada ao Eric e a Judith que eu estive aqui.


Lá de cima de sua estatura imponente e totalmente nu, Björn olhou para ela. — Por quê? — perguntou. — Por acaso você não faz o mesmo que eles? Nervosa, Mel quis escapar, mas não pôde. Björn, pegando-a pelo braço, chegou mais perto e murmurou quase em cima da boca dela: — Pode ter certeza de que se você entrar comigo, podemos aproveitar muito. Não acho que a Judith vai se assustar com a sua presença. Talvez até se surpreenda, mas se assustar... Não. Mel tentou se desvencilhar dele. — Eu... eu não jogo com amigos — sussurrou. — Ah, não? — Não. Adorando ver Mel sem jeito, ele sorriu e insistiu: — Por que não? — Porque não. E agora, me solte, seu cretino. Björn não soltou. Queria tirar a roupa dela, jogá-la na jacuzzi e ter sua companhia. Desejava-a mais do que tudo no mundo e deixou isso claro. Pegou a mão dela, levou até sua ereção e murmurou quando sentiu o toque de seus dedos: — Não volte a me chamar de “cretino”, ou juro por Deus que vou parar de ser educado com você, entendeu? — Ela não respondeu e ele sussurrou: — Você e eu não somos amigos. Vamos para outro reservado e... — Não — ela conseguiu balbuciar. Björn chegou com a boca perto do rosto dela, passeou por seus lábios e murmurou, excitado pelo que seu corpo estava pedindo: — Juro que você não vai se arrepender. A suavidade de sua pele... Sua voz... A intensidade de seu olhar... Tudo aquilo, a excitação pelo que tinha visto, fizeram Mel ficar indecisa. Meu Deus, desejava sentir aquele homem dentro dela, mas recuperando o controle, tirou a mão da ereção dele como se tivesse levado um choque. — Me solta — pediu. Björn sorriu. Não queria. Em vez disso, chegou mais perto dela. — Se eu te beijar, vai me morder outra vez? — Se eu fosse você não tentaria. Mas Björn, sem dar atenção, passou um dos braços pela cintura dela e, disposto até a levar outra mordida, pagou para ver e, por fim, beijou-a. Enfiou a língua e, contra todas as previsões, depois de alguns segundos, ela correspondeu. A resposta foi arrasadora. O sabor dela era delicioso e, trazendo-a para mais junto de si,


aprofundou o beijo. Mel soltou um gemido que só ele ouviu e sentiu como sua ereção crescia. Björn continuou o ataque implacável com Mel colada na parede. Desejava-a. Desejava aquela espanholinha impertinente e queria gozar com ela do jeito que fosse. Quando sentiu que ela baixava a guarda para desfrutar do que estavam fazendo, Björn parou o beijo. Mel olhou para ele com os olhos turvos de desejo, e Björn, depois de dar uma mordidinha sexy no lábio dela, disse quando a soltou: — Se você quiser mais, vai ter que entrar no reservado. Ela não sabia o que fazer. Desejava-o. Seu corpo inteiro pedia por Björn aos gritos. Mas resistiu e então negou com a cabeça. Desvencilhou-se dele e saiu dali sem olhar para trás. Björn, duro como pedra, xingou em silêncio por sua falta de tato. Talvez se tivesse continuado beijando um pouco mais ela teria cedido. Alucinado pelo que aquele beijo o tinha feito sentir, apoiou uma das mãos na parede e sentiu o coração disparado. O que estava acontecendo? Algumas mulheres saíram dos reservados ao lado e, ao vê-lo pelado no corredor e com aquela ereção, sorriram. Björn, consciente de que devia estar com cara de bobo, se recompôs na mesma hora e sem querer pensar mais no beijo de Mel, entrou no reservado, onde continuou jogando durante o resto da noite com os amigos. Mas não foi a mesma coisa. Desejava aquela outra boca e não pôde parar de pensar nela.


14 Duas semanas depois, na piscina coberta na casa de Judith, Mel conversava animada com sua amiga enquanto tomavam refrescos. Depois de ter visto certas coisas, não sabia como enfrentar aquela conversa com Judith. Queria falar, mas alguma coisa a impedia. Sabia que era a vergonha e o pudor. Nunca tinha tido uma amiga com quem conversar sobre essas intimidades. Aquele tipo de sexo era algo que ela praticava desde muito jovem, desde que tinha participado de uma orgia e gostou daquele estilo de vida. Mas nunca ninguém de seu círculo, exceto Mike ou Lodwud, souberam a respeito. Tinha vergonha do que poderiam pensar dela. Mesmo quando fez a proposta a Mike, o cara mais liberal do mundo, ele ficou um pouco desconcertado. Aquilo não era próprio de Melanie, mas quando aceitou, gostou até mais do que ela, e juntos tinham feito sexo a três algumas vezes. Quando Simona avisou que a mesa estava posta na cozinha, as duas amigas pegaram os filhos e lhes deram de comer primeiro. O pequeno Eric era um glutão e Samantha, por sua vez, devorou seu prato. Quando as crianças dormiram, as mães comeram também e, ao terminarem, Judith disse com um sorriso. — Tenho que te contar uma coisa. — Conta. Tirando o cabelo do rosto, Judith sorriu e anunciou: — Estou grávida! — Parabéns! Abraçaram-se e Mel perguntou: — Você está de quanto tempo? — A menstruação atrasou este mês e, mesmo que agora pareça que estou tranquila, juro pra você que quando fiz o teste, e vi os dois risquinhos, quase tive um treco! — E o pai ficou contente? Judith fez que sim com a cabeça e respondeu animada: — O Eric está feliz, mas está apavorado de ver como vou levar a gravidez. Da última vez os hormônios me deixaram louquinha e quase dei um pé na bunda dele. Pobrezinho! Deram uma gargalhada e Judith, tocando o ventre inexistente, murmurou: — Nós dois estamos muito felizes. Mel sorriu. — Desde quando você sabe? — Faz três dias. Liguei pra te contar, mas não consegui falar, então imaginei que você estivesse fora. Sério, Mel, da próxima vez que você sair de viagem, deixa a Samantha comigo. Pode ver que aqui ela fica bem. A Simona e o Norbert vão me ajudar com ela, o Flyn vai enchê-la de beijos e o Eric vai mimá-la. Juro que ela vai ser tratada como uma verdadeira princesa.


Mel gargalhou. — Não precisa repetir — replicou. — Prometo que da próxima vez que precisar que você cuide da Sami, eu te peço. Ou melhor, peço pra vocês! As duas amigas sorriram e Mel acrescentou: — Posso te fazer uma pergunta? — Claro. — É sobre o Flyn. Judith sorriu e explicou: — O Flyn é filho da Hannah, irmã do Eric. Ela morreu e o pai nunca quis saber nada do pequeno e, pra todos os efeitos, Eric e eu somos os pais dele. — Ah, pobrezinho. Judith concordou e prosseguiu: — Não se preocupe, ele está bem. O Flyn é nosso filho, como o pequeno Eric também é, mesmo que agora ele me adore e me beije por onde eu piso, te digo que esse pirralho resmungão me deu muito trabalho quando me conheceu. Se eu te contasse! — lembrou-se com alegria. — Ah... outra coisa: o pai dele era coreano, não chinês. Estou te dizendo porque o Flyn odeia que o confundam com chinês. — É bom saber. — Mel sorriu ao ouvir isso. Naquele momento a porta da sala se abriu e apareceram Eric e Björn, que exclamou, surpreso e contente, ao ver Mel: — Eric, a que nível chegamos! A mesmíssima namorada do Thor na sala da sua casa. — Björn! — Judith protestou enquanto ele colocava a pasta numa cadeira. — Olha só, chegou o burro do Shrek — Mel rebateu. Pega desprevenida por essa recepção, Judith olhou para os amigos e se queixou: — Vocês definitivamente gostam de discutir. Mas que dupla! Achando graça, Björn disse por sua vez: — Ela me chamou de “burro”... Não se esqueça disso! Mel sentiu calor quando o viu. Não havia uma única noite em que não pensasse nele. Em seu corpo nu. Em suas propostas. Na suavidade da pele onde ela tocou. Mas escondendo o que sentia da melhor maneira que conseguiu, colocou a coroinha de cristais que havia tirado de Sami antes de ela dormir e revidou: — Nós, as princesas, não falamos palavrão, senão, bonequinho, juro que te falaria um monte, e um mais cabeludo do que o outro. Eric sorriu ao ouvi-los, foi até sua linda mulher e a beijou: — No fundo acho que vocês gostam desse joguinho. Mel sorriu e, piscando um olho, respondeu zombando: — Adoro... Aliás, parabéns pelo bebê! — Obrigado. — Eric sorriu todo feliz. — Tenho certeza de que desta vez vai ser uma


moreninha. — Uma moreninha? — Mel repetiu sem entender. Todos riram e Jud esclareceu: — Uma menina. Eric quer ter uma filha morena como eu. Björn, depois de beijar Judith, não se aproximou de Mel. Eric disse: — Björn, vamos até o meu escritório. Preciso te consultar sobre negócios da empresa. — E, voltando-se para sua mulher, acrescentou: — Querida, comenta com a Mel sobre a festa na empresa. Björn não gostou de se afastar de Mel. Queria ficar ao seu lado, desfrutar de sua companhia, mesmo que fosse trocando farpas, mas quando viu que Mel, de coroa na cabeça, dava-lhe tchau com jeito de drag queen, admitiu: — Sim, melhor a gente ir pro seu escritório. Quando as mulheres ficaram sozinhas, Judith olhou para a amiga, que estava tirando a coroa, e comentou: — Vocês definitivamente têm atração um pelo outro. — Coitada de mim — Mel zombou. — Você pode dizer o que quiser, mas o que eu vejo é outra coisa e... — Jud, não inventa história — interrompeu Björn, que tinha voltado para pegar a pasta. — De princesas intrometidas já temos a Cruela Cruel! Mel contra-atacou: — E para idiotas linguarudos, já temos você! Björn bufou. Estava na cara que ela não ia facilitar, e, sem falar mais nada, ele saiu da cozinha. Judith sorriu e comentou: — A empresa do Eric vai dar a festa anual na sexta-feira que vem e queremos que você venha. O que você me diz? — Não sei. Judith puxou-a pelo braço e cochichou: — Você tem que vir, sozinha ou acompanhada. É um jantar de gala, com baile depois, e te juro que vai ser incrível. Depois de pensar, Mel respondeu: — Tudo bem. Se eu não estiver viajando, prometo colocar meu único vestido longo e ir à festa acompanhada. — Que bom! — Judith aplaudiu e propôs: — Que tal se a gente der um mergulho na piscina? — Perfeito! Mas quando saíram da sala, Judith afirmou: — Björn e você estão atraídos um pelo outro... Eu sei... Intuição...


15 Duas noites depois, quando Dora chegou para cuidar de Sami, Mel deu um beijo na cabecinha loira da filha e saiu de casa. Era dia de boliche com os amigos e companheiros. Até Robert, que estava passando uns dias em Munique, estaria lá e assim poderiam se ver. Quando chegou à rua, Mel deu partida no carro, subiu o volume da música ao máximo, como sempre, e seguiu em direção ao local combinado. Björn, que naquele momento estava parado na saída da garagem de sua casa, falava ao telefone: — Vamos ao Sensations, que tal? A mulher do outro lado da linha respondeu e Björn sorriu: teria uma grande noite de sexo pela frente. Na mesma hora a música ensurdecedora de um carro que passava pela rua chamou-lhe a atenção, e não ficou surpreso ao ver Mel no volante. — Kristel... vou ter que te deixar. Já te ligo — disse rapidamente antes de desligar. Disposto a seguir Mel, mergulhou no trânsito e foi atrás dela, até chegar a um centro comercial. Lá viu Mel estacionar o carro e descer. Estava vestida de preto, como quase sempre, e logo a viu sorrir e cumprimentar alguém. Viu que era um homem da sua idade. Quando o sujeito chegou perto dela, disse algo, Mel gargalhou e deu um soquinho no ombro dele. Surpreso por aquela risada sincera, Björn decidiu ir atrás. Estacionou o Aston Martin e logo começou a segui-los. Pareciam absortos em uma conversa divertida. Chegaram ao boliche do centro comercial e Björn, tomando cuidado para não ser visto por Mel, foi até a cafeteria e pediu algo para beber. Sem tirar os olhos dela, viu como os homens e uma só mulher que a esperavam cumprimentaram Mel com um toque esquisito e não com dois beijinhos. Pouco depois, observou que um dos homens entregava a Mel um par de sapatos especiais para jogar boliche, e ela logo os calçou. Durante mais de meia hora, Björn ficou vendo Mel jogar. Ela era boa. Realmente todos eram ótimos jogadores e sorriu quando a ouviu gritar e saltar como uma louca depois de fazer um strike. Mel, sem saber que era observada, se divertia com os amigos. — Neill, supera esse strike! — Garota... você é muito boa! — Robert aplaudiu. — Obrigada, garoto... — piscando um olho, admitiu: — Tive um bom professor. Ouvindo isso, Romina, a mulher de Neill, sorriu, e, levantando a garrafa de cerveja, gritou: — Vamos, querido, derruba todos os pinos e detona esses espertinhos. Mas a jogada de Neill não foi boa e mais uma vez Mel pulou de felicidade e deu gargalhadas. Fraser e Hernández, quando a viram, levantaram-se da cadeira, abraçaram-na e a pegaram no colo. Björn quis se mandar, quis desaparecer dali, mas o espetáculo que ela oferecia, com aquele sorriso puro que nunca oferecia a ele, deixava-o com os pés plantados no chão. A única coisa que desejava era chegar mais perto, pegar Mel nos braços, beijá-la. O que aquela mulher estava fazendo com ele?


Decidiram pedir uma nova rodada de bebidas e desta vez foi Mel a encarregada de ir até o bar. Björn, vendo que se aproximava, decidiu não se esconder. Quando ela o viu, fez uma careta e disse com ar de superioridade: — Que coincidência desagradável. Björn caminhou até ela e, com o mesmo ar, respondeu: — Já começou o joguinho de mulher difícil. — Não te xinguei de “cretino”, então não reclame. Sem dar atenção a ele, Mel pediu as bebidas ao barman e, enquanto este servia, Björn se apoiou no balcão. — Trocou o Sensations pelo boliche? — perguntou. Ouvindo aquilo, Mel levantou as sobrancelhas, olhou para os colegas e perguntou: — Não acha que eles dão pro gasto? Sem tirar os olhos dela, ele insistiu: — Aqui você também ataca? — Duvida? Björn fixou os olhos azuis nos seios dela e deixou escapar um suspiro quando viu que os mamilos estavam marcando a camiseta, como se estivessem dando as boas-vindas. Mel sorriu, um pouco incomodada, quando se deu conta de onde ele fixava os olhos com tanto descaramento. Bastou olhar para Björn e seus mamilos ficaram arrepiados. Frente àquilo, não podia fazer nada senão usar as cartas que tinha na manga. Por isso, pegou uma das garrafas de cerveja que o barman tinha posto na frente dela, levou até a boca e, vendo que Björn observava seus lábios e os seios, murmurou: — Você bem que gostaria que os meus lábios fizessem assim em você, não é? — Como? — Björn perguntou, pego de surpresa. Mel tomou um gole da cerveja e quando acabou, toda sexy, passou os lábios pela garrafa molhada e chupou-a com descaramento. Sorriu. Björn piscou acalorado. Aquela arrogante, com os mamilos marcando a blusa e aquele gesto sensual, tinha acabado de deixá-lo em ponto de bala. Tentando tomar as rédeas do jogo, perguntou: — Você gosta de provocar? Mel soltou uma gargalhada e, colocando a garrafa no balcão, respondeu: — E quem não gosta, baby? Disposto a ser tão cara de pau quanto ela, chegou mais perto e fez o que há muito tempo tinha vontade. Levantou a mão direita e colocou sobre o tecido que cobria o mamilo arrepiado. — Você gosta de como eu te toco? Mel quis protestar, quis reclamar, mas o prazer que seu corpo sentiu quando os dedos dele aprisionaram o mamilo fez com que perdesse o fôlego. Naquele momento, Romina veio na direção deles e ao ver Mel conversando com aquele homem lindo perguntou: — Estou atrapalhando? Björn tirou a mão e Mel, virando-se para a mulher, negou com a cabeça. Romina, percebendo que, sim, tinha atrapalhado, fez uma expressão de quem tinha entendido tudo, pegou a bandeja com as


bebidas e se desculpou: — Os rapazes estão morrendo de sede e já sabe como são esses americanos quando querem beber. Ficaram a sós mais uma vez e Björn aproveitou a deixa para questionar: — Seus amiguinhos são americanos? — São. — E, lembrando-se do que Klaus, pai de Björn, tinha dito, acrescentou: — Algum problema? Björn negou com a cabeça, com desprezo, e olhou-a nos olhos. — Vou estar no Sensations — murmurou. Dito isso, saiu dali, deixando Mel paralisada e totalmente excitada pelo que havia acontecido entre os dois. Quando ela se recompôs e voltou para os amigos, Robert, que estava observando a conversa de longe, perguntou interessado: — Quem era aquele cara? Sem querer dar muitas explicações, ela pegou a cerveja e, depois de tomar um gole, respondeu com um sorriso forçado: — Um amigo de um amigo. Ninguém importante. Algumas horas mais tarde, depois de muitas partidas de boliche, decidiram sair para tomar umas, mas sem pensar duas vezes, Mel disse que não ia. Despediu-se dos amigos e foi até o carro, onde acendeu um cigarro. Por acaso estava louca? Quando estacionou em frente ao Sensations, sabia muito bem o que queria e o que tinha ido fazer ali. Ao entrar na casa, viu Björn de papo com uma mulher no bar. Seus olhares se cruzaram e ele sorriu, mas não foi ao seu encontro. Tinha esperado por ela a noite inteira e agora que tinha Mel onde queria, seu ego masculino se inflou e, tomando pela mão a mulher com quem conversava, desapareceu por uma porta que levava ao vestiário. Sem hesitar, Mel os seguiu. Nada ficaria no caminho daquilo que estava querendo fazer. Quando desejava alguma coisa, se dedicava 100%. Depois de passar pelo vestiário masculino e tirar a roupa, Björn foi até a sala comum com uma toalha negra presa à cintura. Quando entrou, olhou ao redor e viu que sua acompanhante ainda não tinha saído. A jacuzzi estava vazia e decidiu esperar por ela ali, enquanto observava os jogos excitantes de outros casais e o quanto aproveitavam aquilo tudo. Pensou em Mel. O fato de ela ter ido até o clube naquela noite significava que queria alguma coisa, por isso, mais uma vez o orgulho masculino fez Björn sorrir. Teria aquela arrogante custasse o que custasse. E logo ficou imóvel quando a viu se aproximar com um roupão negro, caminhando em sua direção. Ela aproximou-se da jacuzzi com o olhar desafiador, tirou o roupão e o deixou cair no chão. Sem sair do lugar, Björn passeou os olhos pelo corpo de Mel e sentiu a boca ficar seca. Os seios dela eram lindos. As aréolas se contraíram quando ele olhou e os mamilos ficaram rígidos. Mel, aquela mulher provocante, era tentadora. Tentadora demais. Observou seu corpo com atenção e, por fim, cravou os olhos no púbis depilado e bem cuidado. Desejou tocá-lo, lambê-lo,


chupá-lo enquanto outras pessoas continuavam seus jogos prazerosos ao redor deles. Desafio... Duelo... Contradição... Era isso que os dois sentiam. Desejavam-se, mas eram rivais, queriam ter sempre a última palavra. Até que Mel pegou um dos preservativos que havia em um recipiente e atirando até Björn, disse: — Põe. Não fala nada e vamos fazer. Ele deixou a camisinha cair na jacuzzi e não pegou. Mel estava dando o braço a torcer? Björn sorriu com luxúria e perguntou atrevido: — E se agora eu não estiver com vontade? Mel deslocou o peso do corpo para a outra perna, colocou as mãos na cintura e respondeu: — Coloca a merda dessa camisinha, já! Meio surpreso porque ela tinha cedido, replicou: — Não... não... não... Não gosto de receber ordens, bonequinha. Além disso, estou esperando alguém. Achando graça, Mel tocou uma das sobrancelhas: — Acho que a sua acompanhante vai demorar um pouquinho para chegar. Assombrado por aquelas palavras, Björn interrogou, franzindo a testa: — O que você fez com a Kristel? Mel deu de ombros, pensou no que Carl e outro homem estavam fazendo com Kristel em um dos banheiros do vestiário. — Eu, nada. Só sei que ela vai demorar porque está se divertindo no vestiário com dois caras muito... muito... gostosos. Vendo aquela expressão travessa, Björn sorriu e quis entrar no jogo dela, pois sabia muito bem o que queria e não deixaria a ocasião passar em branco. Pegou o preservativo que estava flutuando na água e se levantou da jacuzzi. — Você está gostando do que está vendo? — perguntou. Ela respirou com dificuldade. Era incrível! O corpo moreno, forte e musculoso de Björn era impressionante. Dava para ver que ele se cuidava e frequentava a academia. Mel fixou os olhos no abdome definido e depois no pênis molhado, duro e tentador, e achou que ia morrer de tesão. Desejava aquele cara, mas não queria inflar ainda mais o ego dele. — Coloca a camisinha e deixa de ser tão metido — mandou. Björn sorriu. Mel era osso duro de roer e ele gostava disso. Ficava excitado com aquela mulher exigindo


coisas dele. Sem querer tentar a sorte, fez o que a insuportável espanholinha pedia. Tê-la nua na sua frente era um luxo sem preço que não pensava em desperdiçar por nada no mundo. Sem desviar os olhos, colocou a camisinha, e então ela pediu: — Senta na jacuzzi. — Já te disse que não gosto que me deem ordens — ele protestou, mas, vendo a cara dela, se apressou em completar: — Mas vou sentar porque eu já estava aqui e estava gostando das bolhas. Mel sorriu. No fundo ela gostava do senso de humor dele, mesmo que não quisesse admitir. Quando Björn se sentou na jacuzzi, ela entrou. Ele cravou os olhos no monte de Vênus depilado em forma de coração e sua excitação dobrou na hora. Queria sentir o gosto. Abrir as pernas dela e meter a boca até fazer Mel gritar de prazer. Ela foi sentar nele, mas Björn a deteve: — Antes de... quero te ver e sentir o seu gosto. — Não dá tempo — protestou. — A mulher que você está esperando vai vir e... — Eu disse que quero te ver e sentir o seu gosto — ele interrompeu implacável. — Apoia um dos pés na borda da jacuzzi e mostra você pra mim como eu me mostrei pra você. — O que é isso? Um açougue? Apoiado, ele olhou para ela e respondeu: — Pode pensar o que bem entender, linda... pra mim é indiferente. Excitada com aquilo tudo, apoiou um dos pés na borda da jacuzzi. Ele a segurou para que não escorregasse. — Abre os lábios com os dedos e se agacha na minha boca pra eu sentir o seu gosto. A respiração de Mel se acelerou. O que ele pedia era tentador. Muito tentador. Mas ela também não gostava de receber ordens e quando foi dizer que não, Björn lhe deu um tapa no traseiro e exigiu com a voz sexy: — Anda. Estou esperando. Sentindo uma onda de calor por causa do toque das mãos dele em sua pele, ela fez o que ele pedia. Quando a boca úmida e quente chegou perto e lambeu o clitóris, ela teve que se agarrar nos ombros dele para não cair. Deus, como aquilo era gostoso! — Assim... — murmurou extasiada. Como um lobo faminto, Björn escutou-a gemer. Durante alguns segundos, ele lambeu e sugou o clitóris inchado, deliciando-se. — Você tem cheiro de morango — murmurou, e Mel ficou louca. Aquele cheiro... o sabor era incrível. Mel não tinha o mesmo gosto das outras mulheres. Mas vendo o efeito que aquilo causava nela, Björn reuniu toda a sua força de vontade, afastou-se e sugeriu: — Certo... deixa pra lá. Você está com pressa. Vem sentar aqui. Mel ofendeu-se porque ele não ia continuar o que tinha começado e deu um suspiro impaciente. Queria continuar com a boca dele no meio das pernas, desejava demais, mas também não ia pedir por favor. Já era demais que tivesse dado o braço a torcer e ido até ele. Sem falar nada, sentou-se no colo de Björn e ele comentou em tom íntimo: — Seus seios são muito fofos.


— Fofos?! Björn tocou-lhe os mamilos até deixá-los duros e insistiu provocando-a: — É, não são de todo mal. Mel deu outro suspiro de impaciência e Björn, vendo aquela cara, deu outro tapa na bunda dela. — Se me bater de novo, arrebento o seu nariz — Mel ameaçou. Björn deu uma grande risada, deu mais um tapa e sussurrou apalpando aquela bunda: — Linda, deixa disso. Já vi que tipo de sexo você pratica e sei que você é chegada nuns tapinhas. — Sem deixar que ela protestasse, perguntou: — Achou ruim que não fiquei louco por causa dos seus peitos? — Não. — Então por que você está fazendo essa cara? — Porque eu sou esquisita, esqueceu? Isso fez os dois rirem. Björn agarrou Mel com força para senti-la encaixada nele. — Gosto de seios fartos, mas... — E eu, dos homens de pau enorme — ela rebateu. Björn ficou sem palavras por um instante. — E por acaso o meu pau não é grande o suficiente pra você? — perguntou, disposto a defender sua virilidade. — Já experimentei uns maiores e melhores. — Dos seus amiguinhos americanos? — Não duvide. A cara de ofendido de Björn fez Mel sorrir e, chegando bem perto do ouvido dele, disse: — Bonequinho, aqui se faz, aqui se paga... — Mas que atrevimento... — Björn respondeu. Vendo que ela achava graça, ele sorriu. Quis dizer algo, mas Mel tinha pressa. — Vamos, começa. — Começar a te foder? Sem que ele soubesse, estava provocando nela um calor absurdo. Ele continuava brincando com os mamilos, olhava para ela desafiando-a e a forma como ele falava foi deixando Mel cada vez mais excitada. — É — sussurrou. — Então me pede. — Acabei de pedir. Björn insistiu, chegando com a boca próximo da boca dela: — Me pede com tesão e desejo. Me pede daquele jeito que você pede quando deseja com todas


as suas forças, e que deixa quem escuta ardendo por dentro. Mel sorriu e com uma desenvoltura que, de fato, deixou o corpo inteiro de Björn ardendo, aproximou a boca dele e pediu com voz tentadora: — Agora você me tem, James Bond. Começa a me foder e me deixa curtir o seu corpo. Björn concordou na mesma hora. Percorreu a bochecha dela com a boca e murmurrou: — Ironwoman... agora sim eu te entendi. Ele puxou-a para mais perto e, quando Mel viu quais eram as intenções, impediu: — Não beije a minha boca. — Por quê? — perguntou sem se afastar dela. — Não tenho que dar mais explicações. Não faça isso e pronto. Björn, malicioso, sem vontade de recuar, deslizou os lábios tentadores sobre os dela. Tocou levemente ao mesmo tempo que guiava o pênis rígido ao centro de seu desejo. Penetrando-a pouco a pouco, sussurrou: — Não acho que eu consiga resistir a essa vontade que tenho de te beijar. — Vai ter que resistir — Mel murmurou extasiada, encaixando-se totalmente nele. Os dois fecharam os olhos de prazer quando seus corpos viraram apenas um. Perfeição. O encaixe era perfeito. Aquilo era magnífico, colossal. Björn gemia. — Surpreso? — Mel perguntou. Ele fez que sim e, agarrando-a pela cintura, apertou-a mais contra seu pênis, querendo ir mais fundo. Mel gritou louca de prazer. Foi a vez de Björn dizer: — Surpresa? Aquilo era um duelo de titãs. Os dois sabiam e ficavam ainda mais excitados. Mel agarrou o pescoço dele e esclareceu, movendo os quadris: — Vou tomar de você o que eu quero. Sou egoísta e quero só o meu prazer. — Então nós somos dois, gostosa. Estimulado pela força e pela ferocidade que sentia naquela mulher, Björn cravou os dedos na cintura dela e moveu seu corpo do jeito que mais gostava. Ela fechou os olhos e deixou a cabeça cair para trás, deliciada. Mel era linda, diferente, tentadora, ele gostava muito dela... cada dia mais e agora, depois daquele encontro, tinha certeza de que tudo ia mudar. Depois de alguns minutos em que Björn perdeu o controle, tirou uma das mãos da cintura dela e agarrou o pescoço para puxá-la e beijá-la. Com um movimento ágil, Mel recuou. — Na minha boca, não. — Sim... — Não... Agora era ela quem controlava o sexo e Björn, maravilhado, deixava-a fazer o que quisesse. Mel subia e descia nele num ritmo estimulante que não queria, nem podia parar. E quando viu que ela gemia e tombava a cabeça para trás outra vez, agarrou sua nuca e colou os lábios ardentes nos dela. — Sua boca, sim... — sussurrou.


Necessitava... Desejava... A forma como ele tomou posse fez com que Mel não se afastasse. Ao contrário, abriu a boca e respondeu com um beijo devastador que enlouqueceu a ambos. Björn tomava as rédeas novamente e Mel era quem agora não queria que as coisas parassem. Aquele ataque continuou por vários minutos. Dois rivais em busca do próprio prazer. Dois competidores desfrutando o ataque um do outro. Dois amantes dispostos a arder de paixão. Aquele pênis poderoso a penetrou ao máximo. Mel abria-se toda, deliciada, querendo recebê-lo dentro de si, gemendo de prazer. Pela primeira vez em muito tempo era outro homem e não Mike quem a possuía e a fazia perder o fôlego olhando-a nos olhos. O cheiro de Björn, sua ferocidade e o jeito como ele se apoderava dela deixavam Mel enlouquecida. Gritou num prazer desvairado quando ele a surpreendeu e aumentou o ritmo. — Vem, atrevidinha... vem... me dá o que eu quero. Ardendo de prazer, fora de si, ela procurou a boca dele e sentiu a vagina vibrar e sugá-lo. Confusa ao ver os olhos de Björn e não os de Mike, aproximou os lábios ardentes dos dele e o beijou. Deliciou-se. Deixou Björn alucinado. Aqueles beijos de línguas emaranhadas, loucas, fizeram Mel subir ao paraíso e de lá ela não queria descer. Ofereceu sua língua molhada a Björn sem descanso, e ele saboreou com desejo. Mel tomou o controle da situação outra vez. O combate continuava e tanto um quanto outro queriam deixar muito claro quem é que mandava ali. Ela moveu o quadril num ritmo frenético, para a frente e para trás, enfiou tudo dentro de si mais uma vez e Björn soltou um gemido gutural, apertou-a e a beijou, enlouquecido. Fascinado por aquelas sensações, Björn deixou Mel no controle. Não conseguia entender o que estava acontecendo: ele queria assumir o controle, mas Mel, como sempre, o anulava e continuava reinando absoluta. Continuaram assim mais alguns minutos até que Björn segurou os seios dela e não aguentou mais. Soltou um gemido viril e deixou o orgasmo vir, no mesmo instante em que ela também gritava de prazer, e ficaram abraçados, com seus corpos tremendo. Com a respiração agitada, continuaram abraçados um em cima do outro, sem se olharem. Cada um pensava à sua própria maneira naquilo que acabara de acontecer, mas não entendia. Mel não havia pensado em Mike, e Björn só tinha pensado nela e não em si mesmo, como de costume. Com Mel ainda aconchegada em seu peito, sem pensar, beijou-a com delicadeza no pescoço. Adorava aquele cheiro de morango. Precisava daquele contato doce e tentador e sentiu que ela se encolhia e dava beijinhos carinhosos nele. Permaneceram assim um bom tempo até que Mel murmurou quando se afastaram: — Não foi ruim. — Outro elogio? — arrancou dela um sorriso e continuou: — Vou me acostumar com eles,


linda. — Não deveria, creti... Quando viu o olhar dele, Mel se calou e Björn disse com um tom de voz íntimo: — Obrigado por cortar essa palavrinha desagradável. É, de verdade, o que acabamos de fazer não foi nada mau, mas sei que nós dois podemos superar esse deslize, não acha? Olharam-se nos olhos por alguns instantes. Os dois concordavam que o sexo entre eles poderia ser um fogaréu de paixão e ela sorriu. Aquele sorriso doce que Mel nunca tinha destinado a ele antes deixou Björn sem ação, e ainda mais quando ela beijou a ponta do nariz dele com delicadeza. — Não duvido de que podemos superar. Agora foi ele quem sorriu. Estava claro que os dois estavam muito à vontade e não queriam que aquele momento terminasse. — Por que você sempre cheira a morango? — Deve ser o gel que eu uso em casa. Presente da minha irmã — Mel respondeu animada. Björn aspirou o perfume dela outra vez e não identificou aquela fragrância com a de nenhuma outra mulher com as quais ele saía. — Olha só, você tem uma irmã — Björn comentou ao ouvir algum tipo de informação sobre ela. — Tenho. — É arrogante que nem você? — Vou te contar — Mel sorriu ao responder. Björn soltou uma gargalhada. Mordeu o pescoço dela e vendo que se encolhia, perguntou: — Cócegas? — Muitas — afirmou, divertida, quando percebeu que ele colocava a boca em seu pescoço mais uma vez. Durante algum tempo, brincaram na jacuzzi como dois adolescentes bobos e Björn conheceu uma nova faceta dela. Gostou muito. Morderam-se. Tentaram um ao outro. Divertiram-se até que Mel viu a mulher que acompanhava Björn entrar na sala junto com Carl. Isso a fez retornar à realidade. — Sua amiga chegou. Björn viu Kristel, mas não soltou Mel, pois desejava continuar brincando com ela. — Agora a minha acompanhante é você. Vamos brincar todos juntos. Mel mudou a expressão. Consciente de que aquela outra mulher estava procurando Björn, retirou os braços do corpo dele e ordenou: — Me solta. — Por quê? Mel direcionou a ele seu olhar frio e impessoal. — Porque estou mandando. Aquele tom de voz...


Aquele olhar duro... Foi isso que o fez soltá-la. Sem se mover, observou Mel sair da jacuzzi. O que tinha acontecido? Por que de doce e maravilhosa ela tinha se transformado de uma hora para a outra em uma pessoa arisca e antipática? Sem olhar para ele, Mel pegou o roupão que havia largado ali, vestiu-se e foi embora enquanto Björn a olhava sair. Ele também gostava que ela não desse moleza. Era provocante. Era tentador. Minutos depois, quando a amiga e Carl entraram na jacuzzi, Björn não conseguiu se concentrar. O cheiro de morango estava impregnado nele. Levantou-se, viu que a mulher o olhava. Desculpou-se: — Sinto muito, Kristel, mas tenho que ir.


16 Depois do que aconteceu naquela noite, nada foi mais o mesmo nem para ele, nem para ela. Björn não conseguia mais se concentrar no trabalho e passava os dias inteiros pensando nos momentos maravilhosos que tinha vivido com Mel. Gostava da entrega, da força e da paixão que via nela e desejou poder repetir a experiência. O problema é que Mel tinha desaparecido. Não voltou ao clube durante a semana seguinte, nem à casa de Judith e Eric. Onde ela tinha se metido? Na sexta-feira, Mel estava em casa se arrumando. Era a noite da festa da empresa do marido de Judith, e ela só pensava em se divertir. A campainha tocou e, quando Mel abriu, seu grande amigo Robert surgiu vestido de smoking preto. — Uau, cara, como você está gato! — Mel elogiou. O militar sorriu e exclamou: — Tenenteeee... você está deslumbrante! Ao ouvir Robert chamá-la daquele jeito, Mel deixou claro: — Isso de “tenente” você pode deixar de lado! Lembra que eu não quero que as pessoas saibam o que eu faço, tá? — Claro, tenente — Robert zombou. Mel estava se olhando no espelho quando Sami saiu do quarto. — Pincesaaaaa... — sussurrou a pequena ao ver a mãe. — É verdade, querida, hoje a mamãe está tentando ser uma princesa. Robert, babando sempre que via a menina, pegou-a nos braços e apontou um pacotinho. — O que o tio Robert te trouxe? — ele perguntou. Sami pegou o pacote e rasgou o papel de presente com as mãozinhas. — Uma coloa losa de pincesaaaaaa! — gritou emocionada. — Outra? — Mel perguntou achando graça. Robert, que sabia como a menina gostava de coroinhas, fez que sim com a cabeça. — Eu vi na minha última viagem a Bagdá e não consegui resistir. Os dois riram, e, olhando mais uma vez para ela, Robert repetiu: — Você está deslumbrante, Mel. Com aquele vestido azul-royal tomara que caia, ela parecia qualquer coisa, menos militar. Dez minutos mais tarde, já com Sami na cama e depois que a vizinha chegou para cuidar de sua filha, Mel pegou um xale preto combinando com a bolsinha e piscou para seu acompanhante. — Vamos nos divertir. No salão de festas, muitos carrões se amontoavam na entrada. De braço dado com Robert, Mel


entrou e logo sorriu ao ver a elegância daquele lugar. Encantada, aceitou uma taça de champanhe oferecida pelo garçom. Judith apareceu em seguida, usando um vestido vermelho-paixão. — Você veio, que alegria! — ela exclamou, aproximando-se deles. — Eu te disse que se estivesse na cidade eu viria — Mel respondeu e, olhando para seu acompanhante, acrescentou: — Judith, este é o meu grande amigo Robert Smith. Robert olhou para ela e beijou sua mão. — Prazer em te conhecer, Judith — ele disse —, obrigado pelo convite. Uma hora mais tarde, em meio a um drinque, Mel avistou Björn a distância. Ele estava impressionante de smoking. Ela sentiu a boca ficar seca, e seu estômago dar uma volta quando lembrou do que tinham feito juntos na outra noite. Björn não a viu. Estava ocupado conversando com várias mulheres que, como sempre, lutavam para ser o centro de sua atenção. Björn só notou Mel durante o jantar e, a partir de então, não conseguiu mais tirar os olhos dela. Mal podia acreditar em como ela estava maravilhosa, feminina e diferente com aquela roupa. Mas logo sua expressão ficou sombria quando começou a especular quem poderia ser o homem que a acompanhava e onde é que ela tinha se metido durante todo aquele tempo. Assim que o jantar acabou, a orquestra começou a tocar e Robert tirou Mel para dançar. Ela aceitou, pois era uma música agitada. Divertiram-se dançando durante horas até que a orquestra mudou de ritmo. Quando começou a tocar a canção romântica Blue Moon, as pessoas se abraçaram e Mel não quis mais dançar. Blue moon. You saw me standing alone. Without a dream in my heart. Without a love of my own. Judith notou que Mel já não estava mais na pista com o acompanhante, por isso, foi até eles e os apresentou a vários convidados. Todos ficaram encantados e a conversa rolou solta. Algum tempo depois, Robert tirou uma senhora para dançar. Björn tinha passado boa parte da noite observando Mel a distância, sem conseguir parar de olhar. Ali estava a mulher que não saía de sua cabeça e estava mais bonita do que nunca. O vestido azul-royal ajustava-se ao seu corpo de um jeito muito sensual. Ele teve vontade de se aproximar. Saber que embaixo daquela roupa se escondia a tatuagem que ele tanto gostava fez com que ficasse com água na boca. Durante vários minutos observou sem ser visto. Vários homens gravitavam ao redor dela, mas Mel, sem que Björn soubesse como, conseguia se livrar deles. Aquela imagem o fez rir. Resolveu ir até ela. — Ora, ora, ora, mas olha só quem está aqui... Assim que Mel ouviu aquela voz, seu corpo ficou tenso. Ela se virou e deu de cara com o homem que tinha sido o personagem principal dos seus sonhos nos últimos dias. Tomando um gole de seu drinque, ela comentou: — Cara, mas não está todo mundo aqui? Aquele tom de voz, principalmente depois do que tinha acontecido entre os dois, deixou Björn confuso.


— Fiquei te esperando no Sensations — começou a dizer. — Jura? — Juro. Por que você não foi? Mel tentou parecer tranquila e afastou o cabelo do rosto. — Tive outros compromissos. — Com o americano que veio com você? Mel sorriu e não respondeu. — É bom você se afastar dos americanos — Björn acrescentou —, eles não são boa companhia. Ela ficou curiosa para saber o que aquilo significava. — Ué, mas o que você tem contra os americanos? A expressão de Björn não demonstrava nenhuma reação. Ele bebeu um gole de seu copo e respondeu: — Simplesmente não gosto deles. Escuta o que eu estou te dizendo. Eles não são boa gente. Mel não respondeu. Se respondesse, acabaria dizendo coisas que não deveria, por isso, ficou calada. Durante algum tempo, os dois olharam para a pista. Björn viu que ela não ia abrir a boca e então perguntou: — Por que você não está dançando com o seu acompanhante? Ela não revelou os verdadeiros motivos. — Porque não estou com vontade. Björn estendeu a mão para ela e insistiu: — Quer dançar comigo? Mel o encarou, mas com um sorriso frio no melhor estilo tenente Parker, recusou: — Não, obrigada. Naquele instante uma das mulheres da festa chegou perto de Björn e começou a conversar com ele. Durante algum tempo, Mel ficou ouvindo, até que se cansou do falatório e de ver que ela não parava de se insinuar. Afastou-se à procura de Robert, que estava conversando com o marido da mulher que tinha acabado de convidar para dançar. Foi até lá e disse: — Desculpe atrapalhar, mas eu queria ir embora. Robert não questionou. Pegou Mel pelo braço e respondeu: — Quando você quiser, linda. Björn, atento aos movimentos dela, vendo que os dois caminhavam até a saída, aproximou-se e parou na frente deles. — Você já está indo? — ele perguntou, olhando para Mel. Ela fez que sim e beijou Robert com sensualidade no pescoço. — O americano e eu temos planos — respondeu. — Algum problema? Björn, incomodado, não respondeu. Mel e seu acompanhante continuaram o caminho. Fora do salão de festas, Robert, que tinha ficado surpreso com aquilo, perguntou: — Posso saber de onde


veio esse beijinho? Mel sorriu enquanto fazia sinal para um táxi parar. — Coisa minha, seu intrometido — ela respondeu. Robert lembrou-se de onde tinha visto aquele sujeito antes. — Aquele é o cara que estava conversando com você no boliche, não é? Mel respondeu sem querer mentir: — É. O militar não podia acreditar naquela reação de Mel por causa de um homem. — Você queria fazer ciúmes pra ele, por isso me deu um beijo no pescoço? — Não inventa, cretino. Porém, Robert estava achando aquilo tudo muito divertido. — Mel... não mente pra mim, que eu te conheço muito bem. Você gosta dele. Carambaaaaaa! Finalmente... Não consigo acreditar! Ofendida por aquele comentário, Mel deu um soquinho de leve no ombro de Robert e disse para fazê-lo ficar quieto: — Não enche, Robert Smith, e bico calado.


17 Na manhã seguinte, chateado com o que tinha acontecido na noite da festa, Björn decidiu ir atrás de Mel. Como sabia onde ela morava, andou por perto do prédio dela para ver se a encontrava por acaso. E nada. Vários dias se passaram assim, até que em uma manhã sua sorte mudou. Björn viu Mel sair da portaria com a filha e decidiu segui-las. Com toda a certeza, por causa do horário, ela devia estar levando Sami para a creche. Dito e feito. Depois de deixar a filha, Mel entrou no carro e se dirigiu para o centro da cidade. Lá visitou algumas lojas e, depois de colocar uns pacotes no porta-malas, voltou a entrar no veículo. Björn sabia que era agora ou nunca. Mel acendeu um cigarro, ligou a música e começou a cantar. Com tranquilidade, deu a partida, engatou a primeira, acelerou e quando viu que alguém entrava na sua frente, freou com tudo no meio da rua. Assustada, saiu do carro batendo a porta com força. — Mas você é idiota? — Não. E joga esse cigarro fora. Björn apagou o cigarro dela no chão. Sem entender o que ele pretendia, ela protestou: — Por acaso você quer que eu te atropele? — Eu te atropelei e você ainda está viva. Além disso, te dei a oportunidade de se vingar — ele zombou. — Agora estamos quites e eu vou poder dormir tranquilo à noite. Surpresa e perdida, ela sussurrou: — Cretino. Aquela mulher o fazia sentir coisas que o deixavam fora de seu juízo perfeito. Björn a puxou pelo braço e a trouxe para junto de si. Sem dizer nada, beijou-a num impulso cheio de paixão. Mel sentiu as pernas bambas com o calor que Björn provocava nela, ali no meio da rua. — Faz dias que estou atrás de você — Björn revelou quando seus lábios se separaram. — E pra quê? — Mel perguntou com um fio de voz depois daquele beijo. Ela não estava esperando encontrá-lo e tinha gostado bastante da surpresa. — Pra continuar com o que deixamos pela metade no outro dia — Björn respondeu —, e não me chama de “cretino”, você sabe que eu odeio essa palavra. — Você ficou louco? — Fiquei, e excitado também. — Mal são nove da manhã. — Hora fantástica pra você se enfiar na minha cama ou eu na sua — ele rebateu. — Me solta! — Na minha casa ou na sua? Você decide — insistiu Björn enquanto um carro buzinava. O Opel Astra de Mel estava bloqueando o trânsito.


— Nem em sonho. — Vamos, não precisa resistir, linda. Você me deseja, aceite isso. Pensa assim: se eu soubesse que não ia conseguir ficar com você, eu desistia, mas a sensação que eu tenho é que eu vou conseguir, por isso não vou recuar. Só desisto quando tenho cem por cento de certeza de que não vai dar certo. Mel não acreditava nos próprios ouvidos. — Como sempre, você tão prepotente e convencido — ela respondeu. Disposto a ir até o fim para conseguir o que desejava, Björn chegou perto dos lábios dela outra vez e sussurrou: — Escuta aqui, cabeça-dura, você me deseja tanto quanto eu te desejo. Você foi atrás de mim no clube e agora quem veio atrás de você fui eu. Quero fazer aquilo de novo e não vou parar de pedir até você me dizer que sim. E sabe por quê? — Ela negou com a cabeça e ele prosseguiu: — Porque outro dia eu vi em você uma mulher que até aquele momento eu nunca tinha visto. Além de arrogante, boca suja em alguns momentos e sexy, você me mostrou que era doce, carinhosa e, principalmente, que sabia sorrir. E eu gostei do que vi. Agora eram três carros que buzinavam e Mel, percebendo, disse: — Tenho que sair daqui. Não vê que estamos atrapalhando o trânsito? Björn beijou-a novamente. Dessa vez apertou o corpo dela mais junto do seu para que ela sentisse sua ereção. Com os lábios encostados nos dela, Björn murmurou: — Que os carros se f... — Você está louco? Björn respondeu com um sorriso que aqueceu a alma. — Louco eu estaria se não quisesse levar a linda namorada do Thor pra minha cama. — Vendo que ela erguia as sobrancelhas, ele acrescentou: — Por mais grossa que você decida ser hoje, juro que não vai escapar de mim tão fácil. Posso ser tão grosso quanto você. Essa insistência finalmente fez Mel sorrir. Enquanto isso, os motoristas tocavam as buzinas cada vez mais irritados. — Björn, a gente parou o trânsito. — Uau... Você me chamou pelo nome? Repete. Mas os carros continuavam buzinando. — O trânsito, não está vendo? — ela insistiu. — Estou falando com você. Presta atenção. — Mas os carros... — Os carros que se fodam — Björn repetiu. — E justo você me chamando de “grossa”? Com um sorriso sedutor, ele pediu: — Fala o meu nome outra vez. Mel estava gostando daquela loucura, por isso cochichou:


— Björn. — Hmm... Adoro como você o pronuncia. O jeito como você faz biquinho me deixa louco. Fala outra vez. A fila de carros começava a ficar quilométrica e Mel, incapaz de não ouvir as pessoas gritando, acabou cedendo: — Tudo bem, Björn, escolho a sua casa. Mas eu vou no meu carro. — Não, linda. Você vem no meu. Não confio em você. — Mas... Tirando as chaves da mão dela, ele acrescentou: — Prometo que vou ser um cavalheiro e venho buscá-lo com você. Em êxtase, Mel concordou e, enquanto pedia desculpas aos motoristas que reclamavam, Björn foi estacionar o carro dela. Depois de trancar a porta, ele entregou as chaves, pegou a mão dela com firmeza e a levou até o Aston Martin. Lá dentro, Mel ainda continuava sem entender como tinha se deixado levar por aquele homem. — Reconheço que o seu carro é incrível — declarou ela. — Você gostou? Mel olhou o acabamento caríssimo daquele veículo e concordou. — Sim, James, gostei muito do seu Aston Martin. Quando quiser, pode me dar um de presente da cor que preferir. Björn sorriu. Colocou a chave no contato e a suave música soul começou a tocar. Mel desligou o rádio na mesma hora. Björn ficou surpreso, mas não disse nada. Só queria chegar em casa, tirar a roupa dela e aproveitar. Entraram na garagem do prédio e estacionaram. Björn desceu e, antes que pudesse abrir a porta como um cavalheiro, Mel já estava do lado de fora. Björn fechou a porta, pegou a mão dela mais uma vez com autoridade e a levou até o elevador. Chegaram ao quarto andar e entraram no apartamento entre beijos. Björn desativou o alarme, fechou a porta e, prensando Mel contra a parede, murmurou: — Outro dia eu te mostro a casa. Agora estou morrendo de vontade de tirar a sua roupa e brincar com você. Mel não falou nada. Não conseguia. Era a primeira vez, desde a morte de Mike, que ela ficava sozinha na casa de um homem onde queria estar. Suas aventuras sexuais sempre tinham sido em bares ou em hotéis, nunca na intimidade da casa de alguém. Mas ela estava ali, na casa dele, sem saber ainda realmente por quê. O corpo de Björn a prendia contra a porta enquanto as mãos dos dois voavam pelo corpo um do outro, procurando satisfazer o desejo. Tiraram peça por peça de roupa até que ficaram sem nada. — Como eu adoro o seu cheiro de morango... Mel sorriu. Pela primeira vez em muito tempo, queria deixar de ser a tenente Parker e se converter numa mulher carinhosa que desejava amar e ser amada. Quando viu que ele segurava uma camisinha, ela, com um sorriso sexy no rosto, pegou, abriu, se agachou e começou a colocar nele.


Björn estava a ponto de enlouquecer com os movimentos dela. Enquanto Mel usava os dentes para desenrolar o preservativo pelo pênis ereto, com as mãos apertava sua bunda. Camisinha no lugar, Mel deu-lhe uma palmada, olhou nos seus olhos e disse quando se levantou: — Vamos ver o que você é capaz de fazer, píncipe. Ele sorriu e apertou Mel novamente contra a porta. — Pode ter certeza de que sou capaz de fazer muitas... muitas coisas. Sorriram e Björn girou Mel de costas para que ela ficasse olhando para a porta. Viu a tatuagem. Aquela que tinha chamado tanto sua atenção. Deliciou-se passando a língua por ela. — Adoro a sua tatuagem. — Eu também. — Qual o significado dela? Pensando naquela pergunta, Mel sussurrou, excitada pela forma como Björn a tocava. — Os apanhadores de sonhos afastam os medos e os pesadelos, e eu decidi ter o meu no próprio corpo. Björn sorriu e veio passando a língua desde o desenho até o pescoço. — Você é tão fogosa quanto eu — observou ele —, e mesmo que eu saiba que você gosta de brincar com homens e mulheres, hoje, a única pessoa que vai te comer sou eu. — Eu gosto de sexo, do prazer e dos jogos tanto quanto você. Excitado enquanto tocava a tatuagem, ele acrescentou: — Quero brincar com você e com outros homens em outra ocasião. Mas agora, abre as pernas, empina essa bundinha gostosa e se mexe, quando eu estiver dentro de você, pra eu ver como se move a sua bonita tatuagem. Mel obedeceu. Quando sentiu que ele abria seus lábios vaginais e a penetrava, grudou a boca na porta e gemeu. Sentir Björn tão duro e tão poderoso dentro dela despertou seus sentidos. Sentiu-se viva. Ela gritou com o primeiro movimento que a penetrou mais fundo. Seus gritos de prazer carregados de erotismo deliciaram Björn, que parou por um instante e murmurou com a voz rouca no ouvido dela: — Adoro quando você se mexe e a tatuagem balança. — Incrível... Continua. Björn enfiou um dedo na boca dela para que chupasse e a penetrou várias vezes. Mel deixou Björn fazer como queria, seu corpo estava se deliciando com aquele ataque devastador. Em nenhum momento ela tentou tomar o controle e ele ficou grato por isso. Ela moveu os quadris para trás e a brincadeira continuou. O pênis era absorvido dentro dela e Björn observava como o apanhador de sonhos tomava vida e balançava com aqueles movimentos. Calor... o calor era tremendo. Björn soltou a mão que segurava o quadril dela e deu um tapa seco em sua bunda que ressoou. Deixou cair o corpo por cima dela, agarrou-a pela cintura com força e aumentou o ritmo.


— Assim... vamos... geme... Quero ouvir. Mas os gemidos duraram pouco. Um orgasmo devastador alcançou os dois ao mesmo tempo e juntos sentiram o prazer tomar conta de tudo. Sua respiração descompassada deixou claro que aquele jogo tinha que continuar. Alguns minutos depois, com a respiração mais relaxada, Björn saiu de dentro dela e tirou o preservativo. Em seguida, virou Mel de frente, para beijar sua boca. — Fantástico — Mel suspirou. Björn sorriu sem afastar a boca e murmurou: — Eu te disse, linda, que eu sabia fazer muitas coisas. — Prepotente — ela riu, achando graça. — Muito prepotente, e com as atrevidinhas que nem você, ainda mais. Riram e Mel mexeu a mão para se abanar. Em seguida, Björn perguntou: — Aliás, que história é essa de afastar os pesadelos e os medos com o apanhador de sonhos nas suas costas? Que medos você tem? Incapaz de ser sincera, Mel murmurou: — Tento afastar os fantasmas, mas veja só, eu estou aqui com o fundador dessa espécie. Björn gargalhou. Mel o agarrou pelo pescoço, deu um salto e pulou no colo dele. — A ducha é ali? — ela perguntou. Björn se surpreendia pela naturalidade que Mel demonstrava naquele momento, tão diferente de como ela costumava ser. — Não, ali fica o meu escritório. — Vendo que ela o encarava, ele esclareceu: — Eu trabalho em casa. Sou advogado. Mel moveu a cabeça para mostrar que entendia e não fez mais perguntas. — Me leva pro chuveiro, estou precisando muito. — Nós dois precisamos — ele riu. Björn caminhou com Mel no colo até o banheiro. Eles passaram pelo quarto dele e ela sorriu ao ver a cama enorme. Quando chegaram ao banheiro elegante e espaçoso, Björn colocou Mel no chão. — Vou pegar a toalha. Ela concordou. Sozinha, olhou melhor para aquele banheiro enorme. Era espetacular: duas pias, jacuzzi, ducha de hidromassagem. Parecia um banheiro de anúncio. Não tinha nada a ver com o cômodo minúsculo que ela tinha em casa. Enxugando o suor que escorria por seu corpo, olhou-se no espelho e, desta vez, diferente de todas as outras, sorriu. Virou-se de costas e viu a tatuagem. Tinha feito depois que Sami nasceu. Aquele apanhador de sonhos tomava conta dela e de sua filha. Era o que ela acreditava e era assim que devia ser. A expressão de Mel mudou. A lembrança de Mike pairava ao seu redor e ela sacudiu a cabeça para fazer a imagem desaparecer. Ele não tinha nada que estar ali. Björn entrou e a viu de pé se olhando no espelho.


— Que foi? — ele perguntou. Apagando os pensamentos, ela respondeu: — Eu estava esperando você. Björn sorriu e colocou as toalhas em cima de um banquinho moderno. Pegou Mel pela cintura e disse quando entravam no chuveiro: — Já cheguei, vamos tomar um banho. O desejo capturou os dois mais uma vez. Fazia mais de dois anos que Mel não sentia as mãos de outra pessoa ensaboando suas costas, por isso fechou os olhos e curtiu. Deu um sorrisinho de prazer quando os lábios de Björn pararam em seu pescoço. Björn, totalmente surpreso pelo que estava acontecendo, aproveitou tanto ou mais que ela. Mel, que era a cabeça-dura que sempre o tirava do sério, na intimidade estava mostrando ser doce, sensual e dengosa. Isso o deixou louco e quando ela se agachou, pegou o pênis dele e o enfiou na boca, ele teve que se agarrar nas torneiras do chuveiro para não cair de tanto prazer. Ela o chupou com carinho e Björn perdeu o fôlego com a pressão das mãos dela em seus testículos e com a boca ao redor do seu pênis. Quando sentiu que ia gozar, ele fez Mel parar. — Se você continuar, eu não vou aguentar. — Então deixa vir — ela respondeu, pegando mais uma vez nos lábios aquele pênis enorme e duro. Björn se apoiou na parede e decidiu seguir o conselho. Mel, sentindo desejo, agarrou a bunda firme que ele tinha e aproveitou. Abriu a boca o máximo que conseguiu para dar mais espaço e obrigou Björn a bombear algumas vezes. O jeito como ele se movia, como suas pernas tremiam e como arquejava fizeram Mel saber que o clímax estava perto. Foi então que ele soltou um grunhido másculo e seu corpo começou a ter espasmos. Ela o agarrou pela bunda e o apertou mais forte contra sua boca e, naquele instante, soube que tinha conseguido seu propósito: o havia feito seu. Instantes depois, ela se levantou do chão e enfiou o rosto na água para limpar os restos de sêmen. Em seguida, colou seu corpo ao dele, que continuava de olhos fechados, e murmurou: — Bonequinho, você está me devendo um orgasmo. Mesmo nas nuvens, Björn concordou. O que Mel acabava de fazer tinha sido maravilhoso, diferente. Sua maneira de tocá-lo, de possuí-lo, de exigi-lo o deixara sem ar e sem reação. Quando, por fim, conseguiu abrir os olhos, ele disse: — Estou te devendo o que você quiser, linda. Vinte minutos depois, quando saíram do banho e entraram nus no quarto, Mel parou ao ouvir soul music tocando ali. Fazia quase dois anos que não se permitia ouvir aquele tipo de música de que gostava tanto em outras épocas. Quando Mike morreu, o soul morreu com ele, e Mel decidiu não ouvir mais nada que a deixasse triste, por isso só ouvia rock e música eletrônica. Era seu jeito particular de tentar evitar que as lembranças a enlouquecessem. — Você dança? Ela negou rapidamente com a cabeça. Björn, desconcertado, olhou para ela e lembrou que ela também não tinha dançado esse tipo de música na festa de Eric.


— Por que não? Mel o olhou nos olhos e respondeu com sinceridade: — Nunca mais dancei esse tipo de música desde que Mike morreu. A franqueza dela, tão dolorosa num momento como aquele, o surpreendeu. Ele chegou com os lábios perto dos dela e a beijou carinhosamente. — Sinto muito. Sinto muito pelo Mike. — Não se preocupe. Depois de alguns instantes de silêncio, Björn perguntou: — Quanto tempo faz que ele morreu? — Quase três anos — ela respondeu com um fiozinho de voz. Björn pegou uma camisa limpa do armário, colocou por cima dos ombros dela e depois a abraçou, levando-a até a cozinha. Ali ele colocou Mel sentada e preparou em silêncio um café com torradas. Podia ver a angústia no olhar dela. Um olhar que adorou no mesmo instante. Ele se sentou na frente dela e os dois começaram a comer. De repente, sem saber por quê, Mel resolveu se abrir com Björn. Contou sobre a dor que sentia. Contou sobre seu desespero quando soube da morte de Mike. Contou que ele era um militar americano, mas não revelou que ela também era. Björn escutou tudo muito impressionado. Aquela mulher vulnerável e natural, que de repente começava a abrir o coração, era o que ele tinha visto de mais genuíno em toda a vida. Ficaram daquele jeito por cerca de uma hora. Ele não reclamou quando Mel fumou. Ela agradeceu. — Pode tirar sarro — Mel logo zombou, apagando o cigarro num cinzeiro que Björn tinha buscado. — Agora, além de insuportável e arrogante, você vai achar que eu sou uma chata de galocha. A gente veio aqui pra se divertir e eu passei uma hora falando da minha vida e das minhas desgraças. Na tentativa de amenizar o momento, ele sorriu. Tocou o contorno do rosto dela com ternura e perguntou: — Quantos anos você tem? — Tenho 33, mas se eu diminuo a idade como a sua amiguinha loira, eu digo que tenho 25 e tiro onda. Björn gargalhou. Curiosa, foi a vez dela perguntar: — E você, quantos anos tem? — Trinta e dois. — Nossa... Sou mais velha que você e posso te levar pro mau caminho. — Socorro! — ele zombou. Quando os dois pararam de rir, Björn afastou o cabelo do rosto dela e as mãos de Mel foram pegar outro cigarro.


— Você não deveria. — Ela levantou a cabeça e ele continuou: — Fumar faz muito mal pra saúde e eu não gosto de te ver fumando. Mel sorriu, mas foi a tenente Parker quem respondeu: — Ah, sinto muito. Eu fumo, goste você ou não. Björn não insistiu. Quem era ele para proibi-la de fazer alguma coisa. Mel, porém, levou em consideração o seu pedido e aproveitou que estava de bom humor para guardar o cigarro na bolsa. — Tudo bem. Eu estou na sua casa e vou respeitar as suas regras. Com um sorriso caloroso, Björn agradeceu a gentileza. — Desde quando você pratica esse tipo de sexo? — ele quis saber. — Faz uns nove anos, mais ou menos, desde a minha época de vagabunda punk. — Vagabunda punk? — Björn riu. Achando graça da cara dele, Mel acrescentou: — Teve uma época em que eu dava mais trabalho em casa do que qualquer outra coisa. Coitados dos meus pais. Me perdi. Fumei maconha até dizer chega e um dia fui a uma festa que terminou numa orgia fora de série. No dia seguinte, mal conseguia acreditar no que eu tinha feito, mas gostei da experiência e repeti. Logo, por circunstâncias da vida, meu círculo social mudou e depois eu conheci Mike. Ele estava por fora de tudo isso e fui eu quem o levou a esse mundo de sexo e fantasia. A verdade é que ele gostou e se divertiu muito. — Você já fez sado? — Já, mas leve. Ter que apanhar pra sentir prazer não é a minha praia. Mas eu reconheço que alguns joguinhos de sado com algemas e chicotes de seda me excitam! Björn entendia. Ele gostava que ela fosse sincera e experiente. Continuou fazendo perguntas: — Você já experimentou de tudo? Mel sorriu e respondeu: — Se você estiver falando de homens e mulheres, já. E gosto mais dos homens. Mesmo assim, de vez em quando não ligo de brincar com alguma mulher. — O que você gosta nos homens? — Adoro ficar no meio deles. Fico excitada de deixar que brinquem comigo e de brincar com eles. Quando quero, sou eu quem oferece, sou eu quem pede ou sou eu quem exige. — E das mulheres, o que você gosta? — Nós mulheres sabemos muito bem onde encontrar o prazer uma na outra. Quando estou com mulher, fico só curtindo, me deixando levar, mas te digo que o que mais me excita é o vigor masculino. Você já esteve com outros homens? Björn soltou uma gargalhada e respondeu: — Estar... estar... só uma vez e não gostei da experiência. Comer um cara não é o que me excita, prefiro penetrar uma mulher onde ela quiser. Por isso a experiência que tenho com os homens se


limita a deixar que me toquem quando estamos no meio de um jogo, ou quando algum deles gosta de colocar o meu amiguinho na boca. Mais nada. Mas reconheço que ver mulheres transando me deixa louco. Vocês ficam muito atraentes e sensuais nos seus movimentos, e quando te vi com uma mulher no Sensations fiquei com muito tesão. Parecia que você estava gostando. — Sim, claro que eu gosto, se não gostasse, não faria — Mel respondeu. Essa sinceridade deixou Björn excitado, por isso, voltou a perguntar: — Por que você não queria que o Eric e a Jud soubessem que...? — Por vergonha — Mel interrompeu sem deixar que ele terminasse. — Vergonha? Você tem vergonha? — Björn achou curioso. — Um pouco, sim. — Ela riu. — O sexo e as minhas fantasias não são algo que eu goste de compartilhar com as pessoas. Digamos que é o meu segredo. Björn concordou. De certa forma, ele entendia. Também não saía por aí falando que tipo de sexo costumava fazer. — Com certeza alguma vez você já deve ter ido ao Sensations no mesmo dia em que a Jud e o Eric, mas em reservados diferentes. Assim como eu te encontrei, eles poderiam ter te encontrado. — Vendo a expressão infantil com que ela o observava, Björn murmurou: — Aliás, você anda me deixando espantado. — Por quê? Björn tirou o cabelo do rosto dela, num gesto íntimo. — Poder falar com você naturalmente e manter uma conversa interessante é mais do que eu pensei que fosse conseguir. Mel sorriu como uma menina e emocionou Björn. — Me beija — ele pediu. — O quê? — Me beija — insistiu. Mel pensou. Aquilo não era uma sugestão, era uma exigência e, assim, fez o que teve vontade. Aproximou os lábios, passou o nariz no dele e, por fim, enfiou a língua em sua boca e a devorou. Quando seus lábios se separaram, Björn olhou nos belos olhos azuis dela e pediu: — Posso perguntar umas coisas que estão me atormentando? — Depende. Você pergunta e, se eu não gostar, não respondo. — A Melanie arrogante está de volta? — ele comentou sorrindo. — Está. — Você é sempre tão direta? — Björn riu. — Quase sempre. Tudo depende do cretin... espertinho na minha frente. — Neste caso, o cretin... espertinho sou eu.


— Pode crer... baby. — Por que às vezes você é tão sem educação? — Porque eu posso... e quero, e agora, cala a boca! Divertindo-se com o tom de voz autoritário, Björn murmurou: — Não me dê ordens. Você parece um sargento. — Gosto mais de tenente. Ele aceitou o comentário. — Como Mike era? — Um bom militar. Roqueiro. Louco. Um amigo divertido e um péssimo namorado. O Mike era assim, mas eu gostava dele do jeito que era. — Por que você diz que ele foi um péssimo namorado? Mel levantou as sobrancelhas. — Eu não era a única mulher no coração dele. Mas eu só soube disso quando ele morreu. E graças a ele, hoje em dia posso dizer que não confio em nenhum exemplar da sua espécie. — Pra você nós somos uma espécie? Melanie sorriu. — Uma espécie que eu gosto de ter na cama, mas logo depois prefiro que eles voltem pras suas casinhas pra que eu continue a minha vida, cuide da minha filha e faça o meu trabalho. — Aliás, você trabalha em quê? A pergunta pegou Mel de surpresa e, como sempre fazia, respondeu: — Sou aeromoça. Björn assentiu com a cabeça. — Conheço várias aeromoças. — Que mentira! — ela zombou e fez Björn rir. — Em que companhia você trabalha? — Air Europa — ela respondeu rapidamente, lembrando-se do telefonema de Fraser. — Que idiomas você fala? — Inglês, espanhol, alemão e um pouco de italiano. — Você gostava que o Mike fosse militar? Mel sorriu e não respondeu. Omitindo que ela também era militar, perguntou por sua vez: — Você não gosta do exército? Björn sacudiu a cabeça. — Nem um pouco.


— Por que não? — Acho que você tem que ser louco hoje em dia pra fazer parte de algum exército. E nem estamos falando do exército americano, que costuma estar metido em todos os conflitos possíveis e imagináveis. A crítica aos militares americanos tocou um ponto sensível. Mais uma vez ela perguntou: — Mas me diga... o que você tem contra os americanos? — Não gosto. São convencidos e prepotentes. Mel se ofendeu, mas não disse o que pensava. — Ora, que nem você! — ela respondeu e, vendo como ele a olhava, sorriu e acrescentou: — Você não acha sexy as mulheres do exército? — Não. — Por que não? — Porque eu não gosto de nada que tenha a ver com o exército. Acabei de falar. — Tentando mudar de assunto, ele disse: — Aliás, vestida de aeromoça você deve ficar muito sexy. Da próxima vez, traga o uniforme. Vou adorar arrancar ele de você. Mel riu alto quando ouviu aquilo, mas ficou pensando no que ele tinha dito. Estava claro que, por ser militar e americana, nunca ia acontecer nada além de sexo entre eles dois. Mesmo que uma parte dela tivesse gostado disso, outra ficou triste. O que estava acontecendo? Björn, alheio ao que passava na cabeça dela e querendo conduzir o assunto outra vez para o que lhe interessava, perguntou: — Também é por causa do Mike que você não beija ninguém? Mel concordou. — Desde que ele morreu, não beijei nenhum outro homem. Você foi o primeiro. Björn apertou um pouquinho a coxa dela. — Hum... gostei de saber. Sem medo, ele voltou a beijá-la. Quando se separaram, ela murmurou: — Existem coisas demais na minha vida que têm a ver com Mike. — Inclusive a música? — Ela ficou surpresa com a pergunta, mas quando foi responder, Björn continuou: — Mike gostava de Bon Jovi? — Pra ele Bon Jovi era o que existia de melhor! Björn moveu a cabeça. Cada resposta explicava um pouco mais o comportamento dela e essa última revelação o fazia compreender por que Mel sempre escutava aquele cantor quando ia ao clube: era porque a deixava mais próxima de Mike. Mas Björn queria fazer com que ela esquecesse e se concentrasse só nele. — Mel, a vida continua para os vivos. Você tem que dançar, cantar, beijar, viver, sorrir, se divertir. Você tem uma filha e não pode impedir que ela veja a mãe dela feliz. Além disso, tenho certeza de que Mike gostaria que você agisse assim, não acha?


Ela fechou os olhos. Quantas vezes tinha ouvido aquilo? Concordou. Lembrou-se das ocasiões em que tinha dançado a música Always, de Bon Jovi, abraçada a Mike. Aquela era a canção deles e continuaria a ser até a morte. Mas ela não tinha morrido e, lembrando-se da carta que tinha lido tantas vezes sozinha, levantou-se e tentou dar um passo adiante por aquele homem que estava ali com ela. — Você tem razão — ela disse decidida. — Isso tem que mudar. Sinto muito, mas você vai ser a minha primeira vítima. — Vítima? Mel fez que sim e o pegou pela mão. — Qual é o seu sobrenome? — ela perguntou. — Hoffmann. Björn Hoffmann. Sorrindo, Mel fixou os impressionantes olhos azuis nele e disse: — Senhor Hoffmann, quer ser o primeiro a dançar comigo alguma bela canção de amor? — Qual o seu sobrenome? — perguntou Björn, porque não se lembrava. Mel sentiu vontade de dizer a verdade. Seu nome era Melanie Parker, mas respondeu por fim: — Muñiz. Melanie Muñiz. — Senhorita Muñiz, eu ficaria encantado em dançar com você a canção que escolher — afirmou ele, sorrindo e pegando-a pela mão com gentileza. Os dois gargalharam. Björn pegou Mel nos braços, levou-a até o quarto de novo e a colocou no chão. — São onze da manhã e já que este é um momento especial na sua vida e eu estou muito lisonjeado de ser a sua vítima, me diga que canção você quer dançar. Paralisada pelos sentimentos que lutavam para sair, Mel o encarou. — Não sei. Que tal a primeira música que começar a tocar no seu som? Na hora, começaram a soar os primeiros acordes de um piano. Sem pensar duas vezes, Mel se aproximou de Björn e passou os braços ao redor de seu pescoço. — Parece que é uma música boa — murmurou ela. Ele a abraçou. Não disse nada, mas gostava muito de Bruno Mars e daquela canção em especial. Same bed, but it feels just a little bit bigger now. Our song on the radio, but it don’t sound the same. When our friends talk about you, all it does is just tear me down. ‘Cause my heart breaks a little when I hear your name. It all just sounds like “Oooh”... Mmm, too young, too dumb to realize. That I should’ve bought you flowers and held you hand.


Björn a beijou no pescoço, enquanto se moviam no compasso da música, e sentiu como ela estava trêmula. A canção falava de um homem que tinha perdido a mulher que amava por só ter pensado em si mesmo. Lamentava-se de não ter dançado mais com ela, de não ter lhe comprado flores, de não a ter levado a festas, de não a ter tratado com carinho como ela merecia, e só pedia que o próximo homem que a amasse a fizesse feliz como ele não soube fazer. Sem que Mel esperasse, naquele instante Mike ficou mais próximo do que nunca e isso atormentou seu coração. My pride, my ego, my needs and my selfish ways. Caused a good strong woman like you to walk out my life. Now I never, never get to clean up the mess I made... Ooh... Björn ficou preocupado ao que ver que ela estava com o olhar perdido. — Você está bem? — ele perguntou, aproximando a boca de seu ouvido. Mel fez que sim e engoliu o emaranhado de sentimentos que aquela música estava provocando nela. Era como se Mike estivesse se despedindo através da canção e exigindo que ela seguisse em frente como tinha pedido em sua última carta. Björn não parou de olhar para ela enquanto dançavam. — Quero que você saiba que gosto dessa música e, a partir de agora, sempre que eu a ouvir, vou me lembrar de você — ele sussurrou no ouvido dela. — Que música é essa? — ela perguntou com um fiozinho de voz. — When I was your man, do Bruno Mars. Durante os minutos em que a canção durou, eles dançaram juntos e ele não a soltou. Quando acabou, Mel o olhou nos olhos. — Que música linda! — ela exclamou. — Mas talvez a letra seja um pouco triste, não acha? Mel concordou. — Com o que eu vou te contar agora, você vai pensar que estou mais louca ainda, mas eu sou uma pessoa que acredita muito nos sinais e esta música, neste momento, com essa letra, me fez pensar que o Mike a colocou no meu caminho para me dizer adeus. Houve um silêncio tenso no qual Björn não soube o que dizer. Por fim, para tentar fazê-la sorrir, sussurrou algo que a música dizia: — Prometo te comprar flores. Achando engraçado, Mel sorriu. — Não precisa. Feliz de senti-la tão receptiva, ele a beijou na ponta do nariz. — Você não gosta de flores? — Björn estranhou, e outra música começou a tocar. — Eu nunca ganhei flores.


Ele a encarou com espanto. — Nunca ninguém te deu flores? — Nunca fui o tipo de garota que ganha flores nem coisas delicadas — ironizou. — Se bem que na minha época de vagabunda punk me davam sementes de maconha pra plantar. Se isso puder ser considerado flor... então ganhei! Impressionado, Björn se afastou dela. Mel deu uma grande risada. — Para de me olhar desse jeito! — ela pediu. — Você planta maconha!? — Nãããããooo. Björn fez uma cara indescritível e Mel, escondendo que fumava de vez em quando, disse com voz de comando como fazia no exército: — Me dá um beijo agora! — Às ordens — zombou e então devorou os lábios dela com paixão. — Obrigada — ela balbuciou meio sem saber o que fazer, quando as bocas se separaram. — Por... — Por não ser o estúpido cretino convencido e insuportável que eu pensei que você fosse. — Bom... então obrigado a você também. — Vendo como ela o observava, acrescentou: — Por não ser a louca Ironwoman que eu achei que era. Se bem que agora você me revelou que já foi uma vagabunda punk, então não sei mais o que pensar de você. — Olha, todos nós temos um passado — Mel zombou. Os dois riram e então Mel olhou para o relógio. — Nunca tive um encontro sexual com um quase desconhecido a essa hora da manhã. — Fico feliz de saber que sou o primeiro. Riram novamente, e quando viu que Mel continuava olhando para o relógio, Björn perguntou: — O que você está olhando? — Dentro de três horas e meia tenho que ir buscar Samantha. — Não se preocupe, você vai estar lá no horário. — Promete? Björn, consciente do magnetismo que seu sorriso exercia, olhou lá do alto e disse com a voz rouca: — Prometo. Beijos... Prazer... Mãos... Tudo começou de novo e Mel, já que estava a fim de se divertir, decidiu mudar o rumo que aquilo estava tomando.


— Você se importa se eu mudar a música? — perguntou. — Bon Jovi, não — Björn deixou bem claro, sorrindo com um olhar desafiador. Mel concordou. Depois do que acabava de confessar, entendia perfeitamente que ele não quisesse ouvir Bon Jovi. — Prometo — murmurou, dando uma piscadinha. — Punk também não. Mel pôs a mão no coração: — Mas os Sex Pistols e os Ramones são ótimos. — Mas não pra esse momento comigo. — Tá boooom — Mel concordou com uma expressão divertida. Vendo que ela ia até a cozinha, Björn perguntou: — Ué, mas onde você vai pegar essa música? — Eu tenho um MP3 na bolsa. Posso colocar? — Claro, linda, mas você já sabe... — Nem punk, nem Bon Jovi... Já sei, chatinho! Björn deu uma risada. Mel saiu do quarto e foi até a cozinha. Lá encontrou a bolsa em cima do balcão, abriu e tirou o que estava procurando. Voltou ao quarto em seguida e conectou o aparelhinho no som. Vestiu a calcinha, os sapatos de salto e fechou os botões da camisa que ele havia emprestado. — Senta na cama e coloca uma camisinha. — Como? — Falei pra sentar na cama e colocar uma camisinha. — Não... não... não... eu não funciono assim, linda. Deita na cama e tira tudo isso que você vestiu. Onde você pensa que vai? Erguendo a voz como fazia com os seus militares, Mel respondeu: — Eh... eh... calado aí... amiguinho. — Não fala assim comigo ou... Mas não pôde falar mais nada. Ela lhe deu um empurrão e o colocou sentado onde queria. Olhou para ele com superioridade e acrescentou enquanto pegava uma gravata do armário aberto: — Coloca a camisinha já! — Mas olha só como você é mandona! — Eu gosto de mandar — Mel zombou. — Então, agora olha, presta atenção e aproveita. Não me toque e eu espero que você goste do presente. — Presente?


— Você gosta de striptease? Björn deu uma grande risada. — Sério que você vai me dar um striptease de presente? — Depois da minha fase de vagabunda punk, eu tive outra em que frequentei aulas de striptease. — Ela reparou na cara que ele fazia e então explicou: — Aprendi na academia, seu cabeça suja. — Nossa... você não para de me surpreender. Mel soltou uma risada. Não fazia aquilo há muito tempo, mas tinha certeza de que ainda conseguia. Olhou para ele e sussurrou carinhosa: — Sabia que a palavra strip quer dizer “tirar a roupa” e tease, “excitar”? — Björn disse que sim. Ela continuou: — Agora seja bonzinho e não me toque a não ser que eu peça. Essa é uma parte importante do espetáculo, tudo bem? — Prometo ser muito bonzinho, mas quando você terminar, vou ser muito... muito malvado. — Uau, isso promete! Björn fez o que ela pedia, adorando vê-la tão dedicada. Colocou o preservativo no lugar, fez um olhar sensual e desafiou: — Surpreenda-me! Logo em seguida, Mel ligou a música e começou a tocar Bad to the bone, do ZZ Top. Ela arrastou uma cadeira e a colocou na frente dele. Björn aprovou, adorando aquilo tudo. Assobiou e fez cara de mau. Ele ia amar aquilo. Logo Mel começou a se mover no compasso da música, com uma sensualidade que o deixou de boca seca em décimos de segundo. Chocado... Impressionado... E enlouquecido... Björn olhava Mel movendo o quadril de um lado para o outro, ao som da canção. Bad to the bone Bad to the bone B-B-B-B-Bad to the bone B-B-B-B-Bad to the bone Não conseguiu desgrudar os olhos dela. Vestida só com a camisa e a gravata, Mel estava fazendo o melhor striptease que Björn já tinha visto em toda a sua vida. Não deixou de olhá-la nem por um segundo enquanto ela lançava mensagens picantes sem abrir a boca. Mel fazia movimentos lentos, lindos e sensuais, e o pênis de Björn tremia e exigia estar dentro dela. Como uma verdadeira profissional, ela se tocou e passou as mãos pelas partes do corpo que queria que ele olhasse. Björn correspondeu. Não tinha nada melhor do que ver como ele se entregava totalmente ao espetáculo, com uma expressão sedutora no rosto. Depois de alguns minutos, Mel começou a tirar a gravata. Em seguida, levantou a camisa até a cintura, amarrou ali a gravata e continuou com a dança sensual sobre a cadeira. Sentou-se. Levantouse. Moveu os quadris e começou a desabotoar a camisa.


Como uma garota malvada, levantou-se para apontar, sem qualquer vergonha, o púbis tentador por baixo da calcinha. Abaixou a camisa, abriu os últimos botões e brincou com o prazer que aquilo provocava nele, prolongando o momento. A peça de roupa caiu pelos ombros dela e Björn sorriu. Como um lobo faminto, ele olhava enquanto ela dançava e a tatuagem de suas costas parecia se mover também no compasso da música. Com sensualidade, Mel mexeu no cabelo, tocou sua boca, chupou um dedo, tirou a calcinha e a jogou para Björn. Tirou a gravata da cintura, passou por entre as pernas, pela bunda, pelos seios e depois, bem sedutora, aproximou-se e passou no pescoço dele, sussurrando com um atrevimento que o deixou louco: — Vou te foder como ninguém fodeu antes, baby. — É o que eu espero, baby... — Eu disse que sou boa e vou te mostrar que sou a melhor. Afastando-se alguns passos, ela fechou os olhos e continuou dançando, disposta a provocá-lo ao máximo. Björn não tirava os olhos dela. Tesão. Era o que sentia a cada segundo que passava. Os seios dela se moviam com a dança e, vendo como ele os olhava com desejo ardente, ela tocou os mamilos e os deixou arrepiados. Björn salivou. Mel e sua dança o estavam deixando a mil e ele estava encantado com a sensualidade de seus movimentos. Quando a música acabou, Mel sorriu, sentou no colo dele e esfregou os seios em seu rosto. — Ficou surpreso? Ele concordou e ela, puxando-o pelos cabelos, inclinou a cabeça dele para trás e murmurou, chupando o queixo antes de meter a língua em sua boca: — Que bom saber. E agora vou te fazer meu, tá? Um beijo carregado de erotismo deixou os dois arrepiados. — Você me excita quando se faz de malvada — Björn murmurou quando suas bocas se separaram. — Ah é? — É... mas deixa eu te dizer que... Porém, foi interrompido. — Mudei de ideia. — Mel se deitou ao seu lado. — Faz em mim com a sua língua o que fez naquela noite na jacuzzi — ela exigiu. — Estou morrendo de vontade de sentir aquilo de novo. Björn sorriu. Estava disposto a fazer tudo, absolutamente tudo que Mel pedisse. Subiu nela e sussurrou: — Da próxima vez vou comprar chocolate pra passar em você. Mel sorriu e Björn colocou a boca ardente sobre a vagina dela. Foi dando mordidinhas nos lábios e, quando chegou ao clitóris, deu toquezinhos com a língua que fizeram Mel gritar de prazer. — O seu clitóris é muito... muito... brincalhão. — Continua... Continua... adoro que você brinque com ele. Não para — Mel suplicou.


Depois de arrancar dela vários gemidos escandalosos e ver como se retorcia de prazer na cama, Björn tocou o seu púbis depilado em forma de coração. — Achei lindo esse morango que você deixou. — Não é morango... é um coração — ela gemeu, sabendo sobre o que ele falava. — Pra mim, tem forma de morango e eu adoro. Cheira a morango. Tem gosto de morango... — Perfeito — ela afirmou enlouquecida. — Então come o meu morango de novo como você acabou de fazer. Björn sorriu quando a viu assim tão entregue e com a respiração entrecortada. Estava disposto a fazer o que ela desejava. — Às ordens, sargento. — Tenente... se não se importa. A boca de Björn voltou a pousar onde ela exigia e Mel arqueou as costas, cheia de prazer. Com as pernas abertas para ele, gemeu quando sentiu que ele mordia a parte interna de suas coxas e, depois de um beijo sensual, voltava para o clitóris. — Sim... oh, sim... mais... mais... Ele deu vários toques com a ponta da língua no clitóris inchado e molhado e depois o sugou. Mel gritou, agarrando-se aos lençóis. Suas pernas tremeram e ela levantou o quadril ao sentir um orgasmo maravilhoso. Adorando aquela reação, Björn mordeu o púbis dela e perguntou: — Será que você não tem na bolsa algum vibrador para o seu lindo botão de prazer? Mel tentava recuperar o ar depois daquele incrível orgasmo. Achando engraçado, respondeu: — Não costumo sair de casa com ele. Mas tenho um no meu quarto. — Não tenho tempo de ir até lá. — E eu não quero que você vá. Björn sorriu e beijou novamente o monte de Vênus. — Eu adoro como você é deliciosa — ele murmurou. Desejando que ele continuasse, Mel levantou a cabeça e disse entre dentes: — Se você não voltar a meter a língua onde ela estava e fazer o que estava fazendo, juro que vou te matar. Björn soltou uma gargalhada e fez o que ela mandava. Separou os lábios vaginais com os dedos e continuou a brincar com o já excitado clitóris. Chupou. Lambeu. Mordeu e provocou nela ondas de prazer. Mel tremia, convulsionava e, quando ficou toda molhada, chegou ao clímax mais uma vez. Björn foi para cima dela e a penetrou. — Assim... linda... É assim que eu quero você. Mel gemeu. Björn era um amante excelente. Tinha conseguido fazê-la gozar duas vezes nos últimos minutos só possuindo-a com a boca. — Não... lindo... — ela reuniu forças para sussurrar. — Sou eu que quero você assim.


Ela fez um movimento brusco e ele perdeu o equilíbrio. Segundos depois, Mel estava por cima, aproximando os lábios dos dele num beijo. — Você tem gosto de sexo... — ela murmurou depois de beijá-lo. Björn quis protestar, mas ela não deixou: — Não, meu bem, não... Agora quem dá as ordens sou eu. Sou eu que mando e eu é que vou te arrancar gemidos de prazer. — Moveu o quadril para a frente e sussurrou: — Abre a boca e me dá sua língua. O pedido deixou Björn excitado e ele obedeceu. E quando Mel o beijou e deu um empurrão com o quadril, Björn arquejou e tremeu enquanto Mel o mordia com delicadeza. Surpreso pelo que ela fazia, ele tentou se mover, mas Mel apertou as coxas, deixou Björn imobilizado, moveu o quadril com força e ele arquejou mais uma vez, fora de si. Desta vez mais forte. Mais áspero. Aquela reação fez Mel sorrir e olhando-o perguntou: — Está gostando? — Estou. — Eu te disse que eu era boa. — Sim, linda... você é — Björn concordou, louco de excitação. Mel sorriu mais uma vez e perguntou sedutora: — Quer mais? — Quero — ele suplicou, enquanto imaginava como se mexia o apanhador de sonhos nas costas dela. — Quanto mais? — Tudo o que você quiser me dar — ele respondeu em voz baixa, tremendamente excitado. Mel concordou. No controle da situação, ela passeou a boca pelo pescoço dele. — Não se mexa — pediu. — Eu proibi você de se mexer. — Não sei se vou conseguir. — Consegue — ela respondeu olhando-o nos olhos como uma tigresa. — Só eu vou me mexer e, se você me desobedecer, eu paro. — Björn sorriu e Mel pediu mais uma vez: — Me dá a sua mão. Vou colocar sobre a cabeça. Quero que os seus gemidos me façam saber o quanto você está gostando do que eu faço. Entendeu? — Entendi. Excitado, Björn se deixou levar pelo momento e permitiu àquela mulher fazer o que quisesse. Uma nova música pesada que não conhecia começou a tocar a todo volume. Mel agarrou-lhe as mãos e se moveu sobre ele como uma deusa. Primeiro para cima e para baixo, depois para a frente e para trás, com movimentos sinuosos e perturbadores. Björn, enlouquecido, suplicou que ela não parasse. Quis se mexer, mas cada vez que tentava, ela o fazia parar, deixando-o fora de si. De onde ela tirava aquela força? — Continua, Mel, continua...


Ela sorriu e depois de morder o lábio inferior dele, sussurrou: — Não se mexa e goze em mim. Os movimentos e as exigências dela o faziam perder a razão. Nunca nenhuma mulher havia pedido assim que ele gozasse. E pela primeira vez em muito tempo, Björn desfrutou do sexo sem joguinhos eróticos, sem se mexer, sem tapas, nem trios. Só com uma mulher incrível em cima dele, deixando-o louco. Fechou os olhos e quando não aguentou mais, curvou-se e teve um orgasmo maravilhoso que o deixou tremendo sobre a cama. A vagina dela o sugava e Mel se arqueava em cima dele e se deixava levar pela paixão. Esgotada pelo esforço, mas feliz pelo resultado, Mel caiu sobre o corpo musculoso de Björn. Sentiu que os braços dele a apertavam contra si e sorriu quando ele disse: — Meu Deus, menina... você é fantástica. O sexo com ela tinha sido maravilhoso. Incrível. Ele desejou mais dela... muito mais.


18 Seus encontros furtivos se converteram num hábito, e no dia em que um entregador trouxe um lindo ramalhete de rosas vermelhas para Mel, ela não parou de sorrir por horas depois de ler o bilhete: Quando você parar de fumar, prometo te dar muito mais. James Bond A verdade é que, quando estava com ele, o desejo de nicotina desaparecia. Björn a completava de tal maneira que ela não sofria com a falta do cigarro. Além de se encontrarem sempre às terças e quintas e de irem depois para a casa dele, agora também trocavam mensagens de celular e se viam sempre que o trabalho de ambos permitia. A única coisa que Björn não sabia era o verdadeiro emprego de Mel, pois, cuidadosa com sua intimidade, ela preferiu manter isso em segredo. O que nunca fazia era convidá-lo para a casa dela. Lá era o lugar de sua filha, e Mel tinha uma ideia muito clara de que onde a menina estivesse não entraria um homem sequer. Além disso, no momento em que ele entrasse no pequeno apartamento, acabaria descobrindo tudo e saberia que Mel era militar. Havia muitas recordações espalhadas pela casa que ela não estava disposta a esconder. Mel estava nas nuvens; desde que tinha começado aquela estranha história com Björn, quase não pensava mais em Mike e também sorria mais. Em uma manhã chuvosa, ao falar com Neill pelo telefone, recebeu a confirmação de que não tinham nenhuma ordem de mobilização para aquele dia. Assim que desligou, o telefone tocou outra vez. — O que foi que você esqueceu, chatinho? Não basta ter falado comigo por mais de meia hora? Björn ouviu aquilo e apressou-se em perguntar: — Quem é chato e com quem você ficou conversando mais de meia hora? Mel deu uma risada. — Com um colega de trabalho. — Um comissário? — É — respondeu Mel, achando muita graça em imaginar Neill vestido de comissário. — E o que ele queria? — E pra que você quer saber? Björn também riu. Ele adorava como Mel era direta nas respostas, mesmo que ficasse cada vez com mais vontade de saber sobre ela. Mas isso Mel não permitia. — Você vai ter que voar? — Björn perguntou então, sem querer estragar o momento. — Não, por enquanto, não. — E que tal se eu passar na sua casa e você se vestir de aeromoça pra eu arrancar sua roupa a mordidas? Mel gargalhou e respondeu:


— Com uniforme de trabalho não se brinca. Portanto, não! Nem em sonho. Björn sorriu. — Você já almoçou? — perguntou. — Não. — Perfeito. Em dez minutos eu passo aí pra te pegar. — Tudo bem. Quando Björn chegou, ela estava esperando na rua, de guarda-chuva aberto. Chovia a cântaros. Do carro, Björn observou Mel cruzar a calçada e sorriu ao ver sua aparência natural. Nada de salto alto. Nada de quilos de maquiagem. Simplesmente vestida com um jeans preto, uma jaqueta verde e botas de cano alto, mas sem salto. Estava espetacular. Assim que ela entrou no carro, Björn a levou para um restaurante próximo. O almoço foi pedido entre risadas e carinhos. Tudo tinha mudado entre os dois de uma maneira incrível, e agora aproveitavam o máximo possível o tempo que passavam juntos. — Tenho uma coisa pra você. — Pra mim? — Mel perguntou. — Sim. — Posso saber por quê? — Porque hoje é quinta e eu gosto das quintas-feiras. — Björn riu. Confusa, ela perguntou: — Você comprou alguma coisa pra mim? — Comprei. Quando vi, me lembrei de você. Mel arregalou os olhos, levou as mãos até o rosto e exclamou em tom cômico: — Não me diga que você me comprou um Aston Martin igualzinho ao seu! Meu Deus, que maravilha! Era o que eu queria. Vivam as quintas! Björn soltou uma gargalhada. Mel era incrível. Seu humor tinha ficado bem mais suave e agora já não discutiam. Tinham parado de brigar como cão e gato e estavam mantendo uma relação maravilhosa, mas da qual ninguém sabia. Ela era carinhosa, doce, atenciosa, e ele adorava tudo aquilo. Muito mesmo. Sem responder, Björn colocou diante dela uma caixinha vermelha de seda, que Mel olhou curiosa. Notando que ela não se mexia, ele comentou: — O Aston Martin eu deixei pra outra quinta, mas acho que você pode gostar do que tem dentro dessa caixinha. Ela sorriu e ele insistiu: — Vamos, abre! Juro que não morde. Ela o encarou, surpresa. Nunca nenhum homem, nem mesmo Mike, tinha lhe dado nada que coubesse numa caixinha de seda vermelha. Encantada, ela pegou o presente e abriu para ver o que tinha dentro. — Merda... Que incrível!


Björn sorriu. Com certeza, nenhuma das mulheres que conhecia e nenhuma para as quais alguma vez tivesse dado presentes tivera uma reação como aquela. Mas Mel era Mel e uma das características que Björn mais apreciava era a sua naturalidade. No dia anterior, tinha acompanhado seu amigo Eric para comprar uma joia de presente para Judith e, quando viu aquele pingente de morango mergulhado em chocolate, não pôde resistir. Teve de comprar para ela. Boquiaberta por um presente que tanto significava para eles dois, Mel ergueu os olhos e murmurou: — É lindo... — Você gostou do pingente? — Adorei... de verdade. Muito... muito obrigada. É uma pena, não tenho nada pra você. Björn levantou-se da cadeira, pegou a correntinha que ela tinha nas mãos e colocou-lhe em volta do pescoço. — Eu já tenho você — respondeu. — Além do mais, comprei pra que sempre que estiver com o morango no pescoço, você se lembre de mim. Sem palavras, Mel tocou a joia linda e delicada que Björn colocou nela. Durante alguns segundos os dois se olharam nos olhos em silêncio. Ela pensava em como agradecer a gentileza e, de repente, quando descobriu como, deu um sorrisinho. Na hora da sobremesa, entrou um rapaz no restaurante com uma cesta cheia de rosas. — Uma rosa para a dama? Antes que Björn falasse alguma coisa, Mel se adiantou: — Dê uma ao cavalheiro, por favor. Enquanto Mel pagava, Björn pegou, atônito, a flor que o rapaz lhe entregou. — É pra você — ela disse em voz baixa num jeito divertido, quando ficaram sozinhos. Confuso, Björn a encarou. Uma rosa para ele? — Não gostou? — Mel perguntou ao notar sua expressão. — Claro que gostei. Mas até agora era eu que... — Mas isso acabou — ela interrompeu. — Como é sempre você que me dá flores, hoje sou eu que te dou essa rosa. Igualdade entre os sexos, você não acha? Björn aproximou a rosa do nariz e sentiu o perfume. O aroma era maravilhoso, embora não tão espetacular como o da mulher que estava diante dele. E então Mel o emocionou quando disse: — Você é encantador, Björn. Espero que algum dia conheça essa pessoa especial que saiba te fazer feliz como você merece. As palavras dela o deixaram atônito e Björn não soube o que responder. Mel se deu conta disso e quis mudar de assunto: — Sabe de uma coisa? — O quê...? — ele sussurrou, colocando a rosa sobre o guardanapo. — A Judith me ligou hoje de manhã. Ela me convidou para ir à casa dela no sábado pra comer o


famoso cozido madrilenho, mas eu disse que não vou. — Ah, não — Björn protestou. — Eu vou e quero que você vá também. — Sinto muito, mas não vou. — Ah, Mel, não me irrita. Por que você não vai? Fixando os olhos nele, ela pensou no que dizer. Aquele dia era aniversário de namoro dela e de Mike. — Porque tenho umas coisas pra fazer — ela respondeu, tentando não mentir. — Que coisas? — Coisas e ponto final. A teimosia dela muitas vezes deixava Björn desconcertado e aquela era uma dessas vezes. No fim ele murmurou acariciando o queixo dela: — Eu ia gostar tanto se você fosse. Por favor... — Björn, eu te disse que tenho coisas pra fazer, além disso, acho que você vai disfarçar muito mal, e a Judith vai descobrir tudo sobre a gente. Björn não se cansava de olhar para ela. Adorava aqueles olhos azuis descarados. Seu corte de cabelo. Sua boca linda e sua independência. Mel era uma mulher pouco comum, o que Björn gostava. Ele valorizava aquela característica como nunca pensou que valorizaria. Tinha até mesmo deixado de ir sozinho ao Sensations, pois gostava de ir com ela e suas antigas acompanhantes não o interessavam mais. Björn se deliciou passando os dedos pelo rosto dela. — Fica tranquila — ele tentou convencê-la —, você sabe fingir. Eu volto a te tratar como o antigo cara irritante de sempre. — Tem certeza? — Eu prometo. Vou me comportar mal, muito mal! Eles riram. Mel tocou o morango que lhe enfeitava o pescoço e acrescentou: — Não quero que ninguém saiba de nada. O que existe entre a gente fica só entre a gente. Quanto menos pessoas souberem, melhor, porque... De repente houve um estrondo, e as janelas do lugar tremeram. Sobressaltados, olharam em direção à porta e, com o coração na mão, viram um carro enfiado no semáforo e um 4x4 tombado de lado. Um acidente! Sem pensar em nada, Mel saiu para a rua e foi seguida por Björn. Com a ajuda de outros clientes do restaurante, foram até o primeiro carro e tiraram a família que estava dentro dele. Subitamente, o 4x4 pegou fogo. O motor estava em chamas e todos correram apavorados. Aquilo ia explodir. Estava caindo um dilúvio, mas o fogo ardia com força. Björn olhou ao redor à procura de Mel e ficou sem fala quando viu que ela estava em cima do 4x4 tentando abrir a porta. Ele soltou o homem que estava amparando e correu até ela aos gritos: —


Você está louca? — Tem uma mulher aqui. Aquele carro podia ir pelos ares. — Desce daí agora mesmo! — Björn gritou. — Você não está vendo o fogo? Mel olhou para ele ensopada por causa da chuva e respondeu sem dar a mínima: — Essa maldita porta está emperrada. Rápido, me dá alguma coisa pra quebrar o vidro. — Mel, desce imediatamente. O carro pode explodir. Sem um pingo de medo, ela o olhou nos olhos e ordenou irritada: — Eu falei pra você me dar alguma coisa pra quebrar a merda do vidro. — Você ficou louca? — Tem uma mulher dentro deste carro e eu não saio daqui enquanto não conseguir tirá-la. — Vendo que um homem se aproximava correndo, ela acrescentou: — Björn, me dá esse extintor que o cara está trazendo. Ele pegou o extintor do homem e subiu com ela no carro. — Se acontecer alguma coisa com a gente, eu te mato — ameaçou. — Tá bom — Mel respondeu. — Agora quebra o vidro. Vou entrar no carro e te entregar a mulher. Com força, Björn quebrou a janela e, sem pensar duas vezes, Mel se jogou lá dentro. Alguns instantes depois, ele segurava a mulher, que gritava histérica: — Meu filho! Meu filho! Os dois olharam e não viram nada. Mas sem dúvida, tinha que haver um menino. A mulher não parava de gritar. — Leve-a daqui! — Mel gritou. — Vou procurar o menino. — Mel... — Some, porra... tira ela daqui! Desesperado e ensopado pela chuva, Björn gritou enquanto carregava a mulher no colo: — Mel, pelo amor de Deus, o carro vai explodir. — David... meu filho está no carro. Meu Deus, meu filho! Tirem o meu filho — a mulher gritava histérica. — Eu vou encontrar seu filho. Fique calma. — Mel... — Björn gritou. — Fora daqui! — ela ordenou. Com a mulher nos braços, ele desceu do 4x4 e correu para deixá-la no restaurante antes de voltar para buscar aquela louca. Porém, assim que a colocou no chão, um grande estrondo foi ouvido e todo mundo ao redor gritou. Com o rosto transtornado, Björn saiu em busca de Mel e viu o carro envolto em chamas.


A mulher foi atrás dele e quando viu o carro pegando fogo, começou a gritar o nome do filho, fora de si. Björn começou a tremer. O espetáculo era horrendo. Dantesco. Onde estava Mel? A angústia tomou conta dele. Gritou o nome dela com a mesma força com que a mulher chamava o filho e, de repente, viu Mel aparecer de trás de uns carros com o menino nos braços. Björn correu até ela e a abraçou. Mel estava trêmula, mas sem olhar para ele, foi até onde estava a mãe que chorava desesperada e entregou-lhe o filho. — O David está bem... — comunicou. — Ele foi lançado pela janela, mas está bem. A mulher abraçou o filho e, instintivamente, abraçou Mel também e lhe agradeceu sem parar de chorar. Björn, surpreso e emocionado pela cena, observava sem saber o que fazer, nem o que dizer. Havia um caos enorme na rua. Ambulâncias. Bombeiros. Pessoas em polvorosa. Vários médicos atendiam os feridos e Björn fez o possível para que um deles também examinasse Mel. Ela estava bem, exceto por uns cortes superficiais na testa e nos braços. Quis levá-la ao hospital, mas Mel se recusou. Não era para tanto. Ela o fitava com um sorriso nos lábios, mas Björn não sorria. Apenas olhava para ela. Quando o médico terminou e saiu dali, Mel comentou: — Muda essa cara, homem! Acabamos de salvar uma mãe e um filho. Olha pelo lado positivo. Björn tentou, mas não conseguia esquecer a angústia que tinha se instalado em seu peito com aquele acontecimento. Tudo tinha acabado bem, mas e se não tivesse sido assim? — Poderia ter acontecido alguma coisa com você. — Mas não aconteceu nada — ela replicou olhando para ele. — Mel, você não sentiu medo? Aquilo não tinha sido nada excepcional para ela. — Não — murmurou, sem deixar de olhá-lo. Björn ficou assombrado com a força que ela tinha e a abraçou. — Meu Deus, que susto você me deu! Eu pensei que tivesse acontecido alguma coisa com você. — Sou a namorada do Thor, esqueceu? Mas, mesmo assim, seria muito bom se você me colocasse um band-aid das Princesas e dissesse “tchan! tchan! tchan!”; a dor vai sumir. Björn sorriu. Definitivamente, Mel era incrível. Beijou-a com desejo e murmurou desesperado: — Você é mais louca do que eu imaginava... Muito mais. — Eu poderia dizer “eu te avisei”, mas, na verdade, não te avisei. Ela abriu a bolsa e pegou o maço de cigarros, mas, rapidamente, Björn o tirou de suas mãos. — Acho que você já teve fumaça demais por hoje, não é mesmo? Eles sorriram, e Mel o puxou pelo braço, pegou o maço de volta e o guardou na bolsa. — Tenho que ir buscar a Sami, mas nesse estado... — Eu vou.


— Você? Björn olhou para ela e acrescentou com uma expressão indecifrável: — Liga pra creche e dá os meus dados. Eu busco a menina e você espera no carro. Depois vamos pra minha casa, você descansa e eu vou cuidar de você. Louca! Você é louca de pedra. Mel gargalhou. Realmente, seria muito bom que alguém cuidasse dela. Gostaria de voltar para a própria casa, mas aceitou. — Tudo bem. Vamos passar primeiro na minha casa pra eu pegar o que preciso, só que... — Eu sei... não posso subir — Björn finalizou. Uns 45 minutos mais tarde, enquanto tomava uma chuveirada no banheiro impressionante de Björn, Mel tocou a correntinha. Aquele presente era algo muito íntimo entre eles, tinha um significado profundo. Nunca tinha ganhado um presente tão significativo. Todos a imaginavam como uma garota durona, a tenente Parker, e não uma menina para quem dar coisas bonitas ou flores. Receber o presente de Björn tocara seu coração. Na sala, ele olhava para Samantha tentando dar o iogurte que a menina tinha pedido, mas tinha ficado surpreso de ver sua vitalidade e como era difícil contê-la. Quando acabou, deixou a embalagem sobre a impecável mesa de vidro e pegou um guardanapo. — Fica quietinha pra eu limpar o seu rosto. — Nããããoooooo. A menina quis descer e Björn a soltou. Não queria machucá-la. Ela correu até a estante e, em tempo recorde, vários livros voaram pelo chão. Björn foi até perto dela e a repreendeu: — Não, Sami... não pode pegar. A pequena concordou com a cabeça e, sem pensar duas vezes, foi até a linda e enorme TV de plasma da sala, passou as mãos por toda a tela, depois pegou o controle remoto que estava em um dos lados e começou a apertar os botões. A TV ligou e Björn foi mais uma vez até lá. Tirou o controle da mãozinha de Sami e a repreendeu mais uma vez: — Não, Sami... não pode pegar. Sem se importar com a cara dele, a menina foi até a mesa em que Björn tinha deixado a embalagem de iogurte. Enfiou a mão lá dentro, se melecou com o resto do doce e depois esfregou tudo na mesa de vidro. Naquele instante, Mel chegou à sala de jantar e comentou: — Nossa, que cheiro é esse? — E, vendo a filha, se dirigiu a ela: — Sami, o que você está fazendo? A menina olhou para a mãe, levantou as sobrancelhas e perguntou: — Não pode? Björn sorriu quando ouviu aquilo: a menina era uma gracinha. Tentando descobrir o que era o mau cheiro do lugar, ele disse: — Sim, Sami... pode, pode sujar e desenhar com o iogurte o tanto que você quiser em cima da mesa. A pequena olhou para a mãe e concordou muito contente.


— Pode. Björn riu e Mel exclamou torcendo o nariz: — Que coisa horrível! — Chegou perto da filha e perguntou: — Sami, você fez cocô? A menina moveu a cabeça para dizer que sim. Mel olhou para Björn. — Por que você não trocou a fralda dela? — Eeeeeeuuuuuuuuu? — Confuso, ele olhou para a menina. — É ela que está fedendo? Mel respondeu com uma expressão divertida no rosto: — Ela não fede. O que fede é o cocô que ela fez. Sami ainda é pequena e está na fase de tirar as fraldas. Aliás, você sabe trocar fralda? — Não. — Quer aprender? Björn deu um passo para trás e destacou: — Definitivamente não. Não preciso saber essas coisas. — Como a minha mãe diria, conhecimento não ocupa espaço, bobinho. Divertindo-se, Mel pegou a pequena, deitou-a no sofá e fez o que toda mãe sabe fazer num piscar de olhos. Pegou os lenços umedecidos, uma fralda e, sem nojo nem reclamações, deixou a filha limpinha. Tudo isso em frente a um Björn horrorizado. Ele ficou espantado de ver que naquela ocasião Mel falava com a filha em inglês, um inglês muito especial. — A Sami não fica louca com tantos idiomas? Mel deu risada. — Não. Ela é pequena e aprende. Assim, quando for para as Astúrias, vai saber falar espanhol. Aqui ela fala alemão, e inglês ela aprende, porque... porque é bom que aprenda, não é? Björn concordou. Mel tinha razão: aprender as coisas desde cedo era melhor do que aprender depois de adulto. — Esse inglês que você fala é muito americano, não é? — ele observou em seguida. Mel sorriu e apressou-se em responder: — Trabalhei para a American Airlines durante vários anos, deve ser por isso. — E para mudar de assunto, entregou a fralda para Björn e ordenou: — Joga no lixo. — Ah não... Que nojo! Como pode ter saído isso de um bumbum tão pequeno? Mel gargalhou. — Isso aqui não é nada, píncipe... pode ter certeza de que tem vezes bem piores. Horrorizado, Björn pegou só com dois dedos a fralda suja que ela estendia e correu para jogar no lixo. Nunca em sua vida tinha precisado fazer algo assim.


Quando entrou na sala de jantar, Mel estava colocando Sami no chão. A menina correu de novo até a mesa e pegou o pote de iogurte, mas começou a chorar em seguida. Tinha cortado o dedo na borda. Aqueles gritos deixaram Björn escandalizado. Como é que ela podia ter uma voz tão poderosa? Mel logo percebeu o que tinha acontecido e em seguida limpou o dedo da filha. E então notou aquele cara enorme olhando para elas sem saber o que fazer. — Fica tranquilo, ela já vai se acalmar — cochichou. Tirou da bolsa um pacote de band-aids das Princesas e colocou um no dedinho da menina. — Escuta, Sami, a Bela Adormecida vai fazer você sarar, num passe de mágica a dor vai passar, tchan... tchan... tchan!, para nunca mais voltar. A dor já não passou? — Mel disse diante da cara confusa de Björn. Ainda com os olhos cheios de lágrimas, Sami ficou quieta, olhou o dedo e fez que sim com a cabecinha. — Pincesaaaaaasss — disse de repente com um sorriso no rosto. Dois minutos depois, já estava correndo outra vez em volta deles. Tudo aquilo era novidade para Björn. — Incrível — ele sussurrou. — Pelo que eu estou vendo, de criança você não entende nada vezes nada, não é mesmo? — ela observou com jeito divertido e começou a rir. Björn concordou. As crianças de quem ele tinha chegado mais perto eram Flyn, o bebê Eric e Glen, filho de seus amigos Frida e Andrés, mas nunca tinha cuidado deles. Sem parar de rir, Mel se aproximou de uma sacola que tinha trazido e disse, tentando acalmar um pouco a filha agitada: — Meu bem, você quer dar a comida da Peggy Sue? — Queeeeeelo! Björn viu que Mel tirava da sacola uma gaiolinha colorida e chegou mais perto para ver do que se tratava. — Meu Deus! — gritou horrorizado, dando um passo para trás. — O que foi? — ela perguntou. — Você trouxe um rato pra minha casa? — Um rato? — Porra, Mel, eu detesto ratos. — Mas a Peggy Sue é uma graça. Olha só como ela te olha — Mel insistiu. Ele se afastou ainda mais da gaiola. — Não me mostra. Tira agora mesmo esse bicho da minha sala — Björn sussurrou. Mel ficou atônita com a reação dele.


— Fica calmo, Björn, é a Peggy Sue, a hamster da Sami. Ele fez uma careta, espiou a gaiola e viu a hamster branca. — Que bicho nojento! — exclamou. — A Peggy Sue é bonitinha... não é nojenta, seu bobo — Sami o recriminou. A situação era cômica. Mel abriu a portinha da gaiola e tirou o animal. — Quer segurar? — Ela é maciiiiiiiiia — Sami afirmou. Björn nunca tinha gostado de roedores. — Tira essa rata de perto de mim se não quiser que eu jogue ela na privada e dê descarga — ele ameaçou muito sério. — Mas a Peggy Sue é muito boazinha — Mel insistiu, brincalhona. Porém Björn não estava achando graça nenhuma naquilo e fez uma cara que deixava muito claro o que estava pensando. — Faça o favor de enfiar esse bicho de volta na gaiola e tire da minha frente. Mel fez o que ele pediu, guardando Peggy Sue na bela gaiola colorida e fechando a portinha. Em seguida, Mel a colocou em cima da mesa para que Sami desse de comer a seu animalzinho de estimação. Sem chegar perto das duas, Björn observou mãe e filha, sem entender como podiam gostar tanto de uma ratinha branquela. Cinco minutos mais tarde, Sami, que já tinha se cansado da mascote, começou a esvaziar a bolsa da mãe no meio da linda sala. — Pôôôôôôôneis. Anda, cavalinhooooooo! — ela gritou toda animada tirando os cavalinhos da bolsa e fazendo-os cavalgar. Mel se levantou e foi colocar a gaiola numa lateral da sala. Quando voltou, Björn olhou bem para ela e perguntou, sem tirar o olho da menina que corria e gritava como uma louca: — É sempre assim? Ela sorriu e deu de ombros. — Ela é uma menina cheia de vitalidade e encanto. As crianças são assim. O que você esperava? Horas mais tarde, depois de lhe dar banho e jantar, Mel conseguiu fazer Sami dormir. Quando a pequena caiu de sono, Björn disse que Mel podia colocá-la no quarto ao lado do seu, e Mel assobiou em aprovação ao ver aquele cômodo pela primeira vez. Era tão grande como o quarto de Björn. Só um dos quartos era maior do que sua casa inteira. Depois de colocar a menina na cama e de cobri-la, Mel espalhou várias almofadas ao redor dela e no chão. — A Sami é pequena — explicou ao notar que Björn a observava —, se mexe muito e a cama não tem proteção nas laterais. Por isso eu tenho que evitar que ela caia da cama. E se ela cair, vai ser


no fofinho. Björn concordou e sorriu. Quando entraram no quarto dele, ele pegou Mel nos braços e fechou a porta. — Você colocou a rata no armário da entrada? — Sim, chatinho... mas se a Peggy Sue ficar traumatizada por ficar trancada ali dentro, a culpa vai ser sua. — Eu assumo as consequências — ele murmurou, beijando o pescoço dela. Durante alguns minutos, se beijaram em silêncio. — Sua filha me deixou esgotado — Björn comentou. — Muito... muito esgotado? Ele riu e a puxou para mais junto de si. — Não se preocupa — sussurrou. — Ainda posso deixar você esgotada. Mel riu e, feliz da vida, deixou que ele tirasse sua roupa. Ao passar as mãos pelo braço que ela tinha queimado no acidente, Björn beijou o curativo. — Louca... — murmurou. — Muito... mas agora continua a me esgotar. — Ah, sim... não duvide disso. Eu e você vamos brincar agora, entendeu? — Entendi. — Você trouxe os seus brinquedinhos? Mel indicou um pequeno nécessaire sobre a cama e Björn sorriu quando o abriu. Tinha coisas muito divertidas ali. Pegou um par de algemas de couro preto. — Hum... baby... isso me excita muito. Ele colocou as algemas nela, tirou a calça do pijama que havia lhe emprestado e a deixou totalmente nua da cintura para baixo, com a camisa aberta. Apagou a luz para deixar tudo no escuro. Estava disposto a deixar Mel exausta. — Fica de joelhos e abre as pernas... mais... mais — disse quando subiu na cama com ela. Quando Mel ficou do jeito que ele queria, Björn passou a mão por sua cintura e aproximou os lábios dos dela. — Não quero que você se mexa, entendeu? — ele falou baixinho. Mel fez que sim, mas quando percebeu os dedos dele entre suas pernas, se moveu e Björn lhe deu um tapa com a mão livre. — Falei pra você não se mexer — insistiu. — Não consigo — ela reclamou, adaptando os olhos à escuridão. Björn sorriu com o protesto e enfiou um dedo dentro dela.


— Quero masturbar você. Você quer? Com os lábios colados nos dele, Mel abriu a boca para dizer algo, mas foi um gemido que saiu no lugar das palavras. — Que bom... vejo que você gosta. Coloca as mãos em volta do meu pescoço. Vai ficar mais confortável pra você. — Tira as algemas. — Não... Nem pensar! — Björn colocou dois dedos dentro dela e disse entre dentes quando lhe deu mais um tapa na bunda: — Vamos, faz o que eu te pedi. Com muita vontade de entrar naquele jogo, passou as mãos unidas pelas algemas ao redor do pescoço dele e sentiu como era possuída cada vez mais rápido. Os dedos entravam e saíam de dentro dela enquanto o polegar massageava o clitóris já inchado e molhado. — Não é pra gozar — ele sussurrou sobre a boca dela. — Björn... não sei se vou aguentar... — Estou mandando você não gozar, entendeu o que eu disse, Mel? As palavras dele, o olhar, sua voz sussurrante e os movimentos enérgicos onde ela mais sentia prazer fizeram Mel arquejar de desejo e encharcar a mão de Björn com seus fluidos. Quando ouviu o barulhinho leve do massageador de clitóris, achou que ia morrer. — Agora eu vou brincar com o seu clitóris e você vai ficar bem paradinha. — Björn... — Você não vai fechar as pernas e vai deixar que o brinquedinho te masturbe, porque sou eu quem comanda o jogo, e sou eu quem manda agora, entendeu? Mel concordou, mas quando o vibrador tocou o clitóris molhado, ela se mexeu. Björn desencostou o aparelho e lhe deu mais um tapa. — Se você se mexer mais uma vez, vou te deixar imobilizada na cama com as algemas — avisou. — Björn... não consigo ficar parada. — Tem que conseguir. — Ele sorriu e acrescentou: — O máximo que eu deixo é você gemer no meu ouvido. Mais nada. O aparelho se aproximou mais uma vez do clitóris molhado e desta vez ela resistiu e, em vez de se mexer, gemeu e mordeu o ombro dele. — Isso, me morde... mas não se mexe. Vamos brincar com a fantasia. Fecha os olhos e imagina que eu e mais dois homens estamos com você na cama. Nós queremos masturbar você primeiro e depois vamos te comer, mas até que você faça tudo o que a gente mandar, não vamos fazer o que deseja. A fantasia, o que ele estava dizendo e o prazer imenso e ardente que o vibrador lhe proporcionava deixaram Mel trêmula. Cada vez que ela achava que ia gozar, Björn percebia e afastava o brinquedo.


— Ainda não... ainda não. Apesar da escuridão do quarto, ele podia perceber no rosto dela todo o prazer que estava sentindo e sorria quando ouvia os gemidos de frustração cada vez que diminuía a intensidade e não a deixava gozar. — Aguenta, Mel... ainda não quero que você goze. Quero que você dê os seus gemidos de presente pra mim e pra esses dois homens. Dê os seus gritinhos e os seus movimentos quando o orgasmo estiver chegando, mas não quero que você goze... ainda não. Algemada, excitada, enlouquecida, morrendo de calor e com as mãos ao redor do pescoço de Björn, Mel cravou os dedos na pele dele e suplicou: — Não aguento... me deixa gozar... Björn parou de novo. Beijou-a. Devorou seus lábios, sua língua, seu hálito... Quando sentiu que o corpo dela estava parando de tremer, colocou novamente o massageador no centro do prazer dela. — Não... ainda não, linda — disse baixinho. Mais uma vez, o corpo de Mel se contraiu todo com a tensão e a expectativa. Tentava não se mexer, mas era impossível. Seu corpo reagia àquele ataque e se apertava contra o massageador em busca de sensações delirantes. — Eu gosto assim... Isso... se aperte em mim. Mel fez novamente o que ele pediu. — Um dia vou fazer outro homem te masturbar pra poder desfrutar de todas as suas expressões. Você vai gostar? — Vou... vou... Um novo gemido. Excitado, Björn falou de novo: — Percebi que você fica louca quando eu brinco com o seu clitóris, não fica? — Fico sim... oh.... fico sim... — Isso me lembra da minha amiga Diana. Ela adora os clitóris. As mulheres que ficaram com ela gozaram mil vezes com o prazer que ela consegue dar com a língua e seus movimentos maravilhosos. Você gosta da ideia de ficar pelada com ela, abrir as pernas e pedir que ela te coma? Se você permitir, vou te oferecer pra ela. O vibrador e as palavras de Björn deixaram Mel fora de si. Imaginar aquela proposta era algo muito excitante. Desde a morte de Mike, nenhum homem tinha tido o poder de oferecê-la a ninguém. Quando jogava, ela só se oferecia a quem tinha vontade. E o fato de um homem como aquele estar propondo esse jogo fez Mel sussurrar: — Você me paga... Eu juro, Björn. — Claro que sim... claro que vou te pagar... não duvide disso. Com um sorriso que naquele momento Mel achou cruel, ele parou o ritmo mais uma vez e o corpo dela inteiro tremeu. Ele não a deixou chegar ao clímax. Mel olhou para ele no escuro do quarto e reclamou: — Vou te matar... vou te matar... Björn riu e mais uma vez aumentou a potência do vibrador. — Você não me respondeu. Posso te oferecer pra outras pessoas?


— Pode... — Vou abrir as suas pernas e vou deixar que elas entrem em você. É o que você quer? — Sim... quero... não para. — Me deixa ser o dono do seu corpo? — Deixo... deixo... Louco de ver como ela se entregava, Björn apertou os dedos nas costas dela e diminuiu a velocidade do vibrador. Mel suplicava. Estava com as bochechas coradas e sua respiração e seu olhar pediam aos gritos. Björn estava tremendamente excitado. — Você está algemada, aberta pra mim, muito molhada e excitada por tudo o que eu te disse. Tanto que acho que vou gozar antes de você. Mas não se preocupe, vou te dar um orgasmo maravilhoso. Quero que você se apoie em mim e abafe o grito mordendo o meu ombro, tudo bem? Mel concordou. Apoiou o queixo no ombro dele e notou como Björn aumentava a potência do massageador e colocava onde ela mais desejava. Ela sentiu como se uma língua de fogo devastadora subisse por seu corpo, queimando tudo até chegar à cabeça. — Agora, Mel... Goza pra mim — Björn exigiu. Ao ouvir aquilo, ela estremeceu num incrível espasmo de prazer. A língua de fogo explodiu em seu interior e, como ele tinha pedido, apoiou a boca em seu ombro e o mordeu para abafar o grito de êxtase, enquanto se retorcia e desfrutava um maravilhoso e estupendo orgasmo. Duro como pedra depois do espetáculo sensual oferecido por Mel, Björn lhe beijou o pescoço, tirou as algemas enquanto ela ainda gemia e colocou a camisinha. — Agora se vira e se oferece pra mim — ele pediu. Sem falar, Mel atendeu. Ficou de quatro e Björn a penetrou sem que ela oferecesse resistência alguma, lubrificada e muito excitada pelo orgasmo que acabava de ter. Ele a agarrou pelo quadril com jeito possessivo e se apertou contra ela enquanto os dois arfavam enlouquecidos. Novamente com o controle, Björn a penetrou uma e outra vez. O prazer era imenso e ambos estavam entregues àquela sensação. — Assim... assim... não para. — Não, linda, desta vez eu não vou parar. Tudo foi aumentando: o ritmo dos gemidos, o prazer, a intensidade. Tudo era perfeito entre os dois, até que, de repente, Björn observou com o canto do olho que a porta do quarto se abria e que uma pequena figura entrava ali. Sami! Perdido, Björn deu, sem saber por quê, um tapa no traseiro de Mel que ressoou por todo o quarto. Sacudiu-se de dentro dela com um movimento rápido e gritou: — Arre... cavalinho, arre! Iiiirrááá! — Björn, o que você está fazendo? — ela protestou. — Iiiiiiirráááááááá... Vamos, corre cavalinho!


Mel recebeu outro tapa forte e doído e olhou para trás e gritou: — Mas você é idiota? Sem saber como dizer que a filha dela estava na porta olhando, Björn gritou outra vez: — Iiiiiiirráááááá! Vamos, cavalinho... continua... Arrrreee! — Björn! — Mel gritou, sem entender nada, até que uma vozinha no escuro chamou: — Mami... O sangue congelou em suas veias. A filha tinha pegado os dois? Sem ação, ela não soube o que responder e viu Björn os cobrir com os lençóis. Logo em seguida, ele vestiu uma cueca, acendeu a luz e pegou Sami no colo, a fim de atrair toda a atenção da pequena para que desse tempo à mãe de se vestir. — Oi, princesa. A gente estava brincando de cavalinho. Acalorada, Mel vestiu a calcinha e fechou a camisa. De repente, Sami veio correndo eufórica e se jogou na cama. — Quelo biiincáááááááááá! — gritou. Mel e Björn se entreolharam. Tinham sido pegos! Ele rapidamente ergueu a menina, posicionoua nas costas da mãe e disse: — Vamos, Sami, fala pro cavalinho correr. Meia hora mais tarde, depois de cavalgarem com a menina nas costas, brincarem de cavalinho e a deixarem exausta, conseguiram fazer Sami dormir entre eles. Mel olhou para Björn e sussurrou: — Sinto muito pelo que aconteceu. Achando graça, ele apenas suspirou. — Como você pôde comprovar, ter uma filha pequena limita muitas coisas — Mel acrescentou. Björn soltou uma gargalhada. Nunca tivera um encontro assim com uma mulher antes. Chegou mais para o lado a fim de deixar espaço para Sami, tocou o cabelo de Mel e disse: — Não precisa sentir, linda. Mas uma coisa, sim: você está me devendo uma cavalgada, cavalinho!!! Sorriram. Era surreal. Mel tocou o pingente de morango. — Juro que o que eu vou fazer com você vai ser mais legal do que cavalinho. — Hum... baby... saber disso me deixa com tesão. Mel fechou os olhos sentindo-se contente. Queria só ver a cara dele quando pudesse dar a surpresa. — Acho que é melhor a gente dormir — Björn sugeriu. Porém, vinte minutos depois, ele continuava acordado. Era a primeira vez que dormia com uma criança na cama e tinha medo de espremê-la. No escuro do quarto, olhou curioso para a pequena Sami, que tinha dormido aconchegada nele, e depois olhou para Mel, que estava de barriga para cima, com os olhos fechados. Ela os abriu naquele instante e olhou para ele. — Que foi? — quis saber.


— Não consigo dormir. — Fica calmo, James Bond — zombou —, prometo que não vou te asfixiar com a almofada quando você dormir. Ele tapou a boca para não soltar uma gargalhada. Sem pensar duas vezes, saiu da cama, deu a volta e foi até o lado em que Mel estava, que o olhava sem entender nada. Ele puxou os lençóis, pediu que ela ficasse de boca fechada, pegou-a nos braços e a levou até o banheiro. Depois de entrarem, fechou a porta e a colocou no chão. Mel o observou com expressão divertida. — Ironwoman, tira a calcinha já!


19 No sábado, Björn e Mel se encontraram na casa de Judith, mas esconderam o que existia entre eles, apesar de Sami ter se mostrado mais carinhosa com ele do que de costume. Björn notou aquela mudança e tentou não ficar no campo de visão da menina. Se continuasse assim, acabariam descobrindo. Judith ficou toda preocupada com a amiga quando viu que ela estava com um corte na testa. Mel contou a história de como aquilo tinha acontecido e Jud ficou sem palavras. Björn, que estava por perto ouvindo, quis dizer o quanto aquilo o tinha deixado impressionado, mas não podia. Caso se incluísse na história, todos saberiam que ele e Mel estavam juntos. Por isso, deu o melhor de si e provocou, a fim de fazer parte da conversa: — Tem certeza de que não foi você que provocou a batida? Mel torceu o nariz. — É uma pena que você não estivesse dentro do carro — ela respondeu para mostrar que tinha ficado incomodada com o comentário. Björn achou divertido e respondeu fazendo graça: — Falou a namorada do Thor. Onde foi que você deixou o martelo? — Se você não fechar o bico, vai encontrar o martelo na sua cabeça, espertinho! A pequena Sami, que naquele instante corria, parou junto de Björn, e o agarrou pela perna. — Vamo bincá de cavalinho? — perguntou. Mel percebeu que Björn tinha ficado imóvel. Por isso apressou-se em pegar a filha. — Sami... quantas vezes eu tenho que dizer pra você não tocar em caca? — Que grosseria! — Björn protestou. Judith olhou para os dois com ar contrariado. Por que nunca mudavam? Foi então que resolveu ir até lá intervir para tentar acalmar os ânimos: — Por favor... por que vocês não fumam o cachimbo da paz? Mel incentivou a menina a correr atrás de uma bola e soltou uma gargalhada. — Eu ia colocar cianureto no cachimbo dele — respondeu de cara feia. Björn levantou as sobrancelhas, olhou para o amigo Eric, que os observava, e respondeu: — Não basta ser arrogante e prepotente, também é assassina? Querida Jud, que amizades são essas? — Björn, não seja estúpido — Judith protestou. — Ô, Jud — ele se queixou —, não me insulte. Só fiz um comentário. Mel, para ridicularizar Björn mais um pouquinho, olhou para uma Judith contrariada e respondeu: — Não existem comentários estúpidos, só existem estúpidos que comentam. Por isso, deixa ele pra lá, tá bom, Judith?


Björn soltou o ar bufando. Morria de vontade de tascar um beijo nela, de tão louco que estava ficando com aquele descaramento. Porém, havia nos olhos dela algo que o deixava desconcertado. Cruzou o olhar com Eric, que sorria ali por perto. — Não se esqueça, quando ela vier, seja um bom amigo e não me convide — Björn murmurou. Eric soltou uma gargalhada. Durante a refeição, Mel e Björn sentaram-se cada um numa ponta da mesa e se dedicaram a trocar as farpas de sempre. Judith não sabia o que fazer. Queria que seus dois amigos se dessem bem, mas era impossível. Eles se recusavam. — Me passa o grão-de-bico, Judith? — Mel pediu. Judith passou a travessa com satisfação. Quando a amiga estava se servindo, ouviu a voz de Björn dizer com certo tom sarcástico: — Se sobrar alguma coisa, eu gostaria muito de me servir também. Mel ouviu o comentário, olhou para ele e soltou a bandeja. — Aqui está, bonitão. É tudo seu. Marta, a irmã de Eric que tinha sido convidada junto com o namorado Arthur, ficou assombrada de ver como o bom Björn estava sendo mal-educado com aquela mulher, por isso, chegou perto da cunhada para perguntar: — Mas o que acontece com esses dois? — Simplesmente não se suportam — Judith sussurrou irritada. Em seguida, ela viu o marido entregar a Mel uma garrafa de champanhe para que ela abrisse. Clop! — Merda! O som do estouro do champanhe e o “merda!” em seguida fizeram com que todos se virassem e dessem risada, pois a tampa da garrafa tinha batido em cheio no rosto de Björn. — Você quer me deixar caolho? Horrorizada porque não queria ter feito aquilo, Mel ficou olhando de longe quando Björn se levantou para ir ao banheiro. Eric foi atrás. Judith ficou perplexa com um ataque tão direto. — Mel, eu entendo que vocês não se deem bem, mas uma rolha na cara dói. — Eu juro que não era a minha intenção. Foi um acidente. Alguns minutos depois, os rapazes voltaram do banheiro. Björn começou a gritar assim que a viu: — Que tal você pensar antes de fazer as coisas?! Mel quis pedir desculpas, dizer que tinha sido sem querer, beijar seu rosto dolorido, mas vendo a expressão que ele fazia, respondeu, entrando no jogo: — Quer um band-aid das Princesas? Confuso, Björn fez menção de responder, mas Eric interveio: — Acabou, pessoal. Vamos continuar a festa em paz. Vinte minutos depois, quando perceberam que Judith não estava olhando, o celular de Björn


apitou: “Me desculpa. Não queria ter te acertado com aquela rolha.” Ele sorriu e respondeu: “Tem certeza de que não queria me deixar caolho?” Do outro lado da mesa, ela fez beicinho. “Se eu quisesse, não teria errado!” Lendo aquilo, Björn fez um esforço para não rir e um maior ainda para não ir até lá e beijá-la na frente de todo mundo, como queria. Ao longo do dia, sem que ninguém percebesse, trocaram várias mensagens de celular. Por fim, ele perguntou: “Você vem pra minha casa hoje à noite?” “Não. A pessoa que fica com a Sami não está em casa.” Björn contraiu o rosto quando leu: queria ficar com ela. Lançou um olhar de testa franzida para o outro lado da sala, onde Mel estava, e insistiu: “Vou na sua casa.” Ela respondeu na mesma hora: “Não.” Ele bufou, irritado com a resposta. Mel observou de longe enquanto ele escrevia: “Pergunta se a Judith não conhece ninguém.” “Eu não deixo a minha filha com qualquer um.” Surpreendendo-a, Björn rapidamente respondeu: “Ou pergunta você, ou pergunto eu.” Mel ficou incomodada e quis responder, mas Judith, que acabava de se despedir dos cunhados, vendo que a amiga não parava de teclar no celular, se aproximou para perguntar cheia de curiosidade: — Pra quem você está mandando mensagem? Melanie, consciente de que todos olhavam para ela, deixou o celular de lado e entregou à filha um boneco que ela estava pedindo. — Com um cara chato que quer passar a noite comigo — respondeu, por fim. Björn veio sentar-se junto delas. — Pobre homem, tenho até pena. Ele não sabe onde está se metendo. — Björn... — protestou Judith. Mel cravou os olhos nele e respondeu entre dentes: — Existem homens por aí que sabem apreciar o que é uma mulher de verdade, baby. — Existe homem pra tudo, baby — zombou Björn. Incrédula, Judith tentou resolver a situação e olhou para Mel. — Você vai se encontrar com esse cara? — Não.


— Olha só que pingente de morango mais original. Tem até chocolate. — Judith riu. — Foi um presente — murmurou Mel em resposta, ao se dar conta de que o pingente tinha chamado a atenção. Eric notou o que estava interessando Judith e piscou várias vezes. Ele já tinha visto a joia antes e então olhou para o amigo, que estava ali fingindo que não tinha nada a ver com aquilo. — Olha... um morango com chocolate, que original! — exclamou Eric. Björn viu que tinha sido descoberto, por isso pediu com os olhos que ele não falasse nada. Alguns segundos depois, vendo que Mel não ia comentar nada, Björn tentou chamar a atenção de Judith: — Mas o que acontece, Ironwoman? Por acaso não tem com quem deixar a sua princesa hoje à noite? Mel irritou-se com a insistência. — Isso não é da sua conta, idiota. Sem se deixar intimidar e disposto a atingir seu objetivo, Björn insistiu. — Eu poderia ficar de babá pra você, mas marquei com uma mulher muito gata e não vou perder esse encontro por nada no mundo. — Eh... eh... eh... Você seria a última pessoa no mundo que eu escolheria pra cuidar da minha filha. — Provavelmente eu cuido melhor do que você imagina. — Duvido. — Se quiser, deixa a menina comigo — Judith respondeu ao ouvi-los. — Você sabe que ela vai ficar bem com a gente e pode vir buscá-la amanhã de manhã. Mel sentiu-se atraída pela ideia de ter a noite inteira só para ela e, pelo olhar de Björn, ele também. Porém, mesmo assim, contestou: — Não... não acho que seja uma boa ideia. Eric, que até aquele momento tinha permanecido em silêncio, insistiu também: — Aqui nós vamos cuidar dela como se fosse você. Não seja boba, saia hoje à noite e divirta-se. Björn olhou para o amigo e continuou semeando a discórdia: — Como você é pouco solidário com esse coitado, Eric. Tem certeza do que está fazendo? Você sabe que a Superwoman aqui é capaz de dar uma porrada nele, e vai acabar deixando-o traumatizado. — Não se fala mais nisso — Judith insistiu, desejando matar o querido amigo Björn. — A Sami vai ficar com a gente esta noite. — Mas... — Mel — interrompeu Judith —, sai hoje com esse cara e se divirta. Você merece! — E para Björn, acrescentou: — E você, bico calado, porque está me deixando nervosa. No fim, quem vai te dar uma porrada sou eu. — Amigo — Eric interveio —, se eu fosse você, ficava quieto. Não esquece que ela está grávida e os hormônios estão todos descontrolados!


Björn deu uma gargalhada. Tinha dado certo. — Estou indo — disse, se levantando para sair. — Vou ficar com uma gata que vai me encher de beijos quando me vir, em vez de porrada. — Pobrezinha — Mel zombou —, ela vai ter que ter estômago. Judith riu e Björn sussurrou: — Pra sua informação, sei de fontes seguras que ela gosta de mim. — Tem certeza? — Absoluta, linda. Além disso, talvez eu até a leve pra cavalgar. — Ué, mas à noite? — Judith perguntou surpresa. Ele sorriu sem querer olhar para Mel para não correr o risco de dar uma gargalhada. — Cavalgar com a luz da lua é maravilhoso. Mel trocou um olhar rápido com ele e recebeu uma piscadinha de cumplicidade. Tentou segurar a risada. Que cara de pau! Logo em seguida, as duas mulheres se levantaram e Eric veio falar com o amigo, que estava vestindo um casaco de couro. — Morango com chocolate? Björn percebeu que as mulheres não estavam por perto. — Fica quieto! — respondeu. Eric sorriu, chegou mais perto e tentou insistir: — O que você tem com a Mel? — Guarda segredo, amigo, depois a gente conversa. — Claro que a gente conversa, mas como diz a minha mulher, ponto um: pensa no que você está fazendo. Ponto dois: pode ter certeza de que a Jud não vai demorar a ligar os pontos, e quando ela ficar sabendo, você vai se arrepender de ter guardado segredo! Vinte minutos depois, Mel saiu com o carro do terreno dos amigos e não ficou surpresa ao ver Björn esperando algumas ruas mais adiante. — Me segue. Vamos colocar os dois carros na garagem do meu prédio — ele instruiu de dentro do próprio carro quando Mel parou ao lado. — Não. A resposta tão segura confirmou para Björn que alguma coisa estava errada naquela noite. — Por que não? — Porque não e ponto. Sem olhar para ele, Mel acendeu um cigarro. — O que está acontecendo? — Björn perguntou quando viu a cara que ela fazia.


Melanie bufou com impaciência. Era o aniversário dela com Mike. Seria o sexto, mas não estava a fim de falar a verdade. — Nada, não está acontecendo nada. Björn ficou surpreso com a negativa e então desceu do carro para ir até ela. — Você não quer ir pra minha casa? Mel fez que não com a cabeça e saiu do carro batendo a porta com força. — Eu disse que queria ficar com a Sami. Por que você teve que insistir? — Porque eu estava a fim de ficar com você, de te beijar, de te tocar e de cavalgar à luz da lua. As palavras tão íntimas, tão especiais, tocaram-lhe o coração. Quando Björn tentou chegar mais perto, porém, ela o impediu colocando a mão em seu peito. — Não quero mais nada com você além de sexo, não confunda as coisas. — Mas do que você está falando? — Björn perguntou desconcertado. — Já te disse que o assunto amor não é a minha praia — esclareceu, furiosa. — Uma coisa é eu me divertir com você, e outra bem diferente é eu te dar exclusividade. Por isso, se você quiser que a gente fique junto, vamos a uma casa de swing pra curtir. A proposta frustrava totalmente os planos de Björn. Ele adorava sexo, mas Mel e seu jeito especial de fazer amor o atraíam tanto que ele a queria só para ele. Confuso, fixou nela os impressionantes olhos azuis: — Você prefere ir a um clube a ir pra minha casa? — Prefiro — afirmou ela, apagando o cigarro. Björn queria protestar, reclamar. Mas, em vez disso, respirou fundo. — É sério que não aconteceu nada? — Faz cinco segundos que eu te respondi. Com uma paciência extraordinária, ele moveu a cabeça num gesto compreensivo. — E o que você acha se eu chamar mais alguém e a gente for pra minha casa? Mel o encarou. — Entrega em domicílio? O comentário fez Björn achar graça. — Tenho muitos amigos. De vez em quando eu organizo festinhas assim lá em casa e... — Tá bom, não quero saber mais. Se vai chamar alguém, que seja um homem e que seja atraente. Não é qualquer um que me agrada. — Mulher não? Irritada pelo rumo da conversa, Mel disse por fim: — Escuta aqui, se você quiser, chama uma mulher pra você e um homem pra mim. Não sou ciumenta.


Björn considerou as palavras. O sexo a quatro costumava ser divertido, mas decidiu deixar para outro dia. Finalmente, abriu o celular, falou com alguém e marcou de se encontrarem na casa dele em meia hora. Então, foi andando até o próprio carro. — Problema resolvido — anunciou. — Vai ser uma festa a três. — Você convidou um homem? — Convidei, agora me segue. No prédio, eles guardaram os carros na garagem. Assim que entraram no apartamento, Björn a beijou. — Hoje eu queria uma noite só com você — murmurou. Mel também estava a fim, mas não queria depender daquele garanhão: com toda certeza, se o deixasse entrar em sua vida, sairia de coração partido. — Vamos curtir. Sem essa de exclusividade! — Mel murmurou ao retribuir o beijo. Em ocasiões como aquelas, quando via tamanha frieza e arrogância, Björn ficava sem palavras. Qualquer uma das mulheres que conhecia mataria por uma noite a sós com ele, mas Mel não era assim. Isso marcava a diferença entre ela e as outras. Quis protestar, mas por fim disse, com os olhos fixos nos dela: — Eu é que vou comandar o jogo, tudo bem? — Tudo, mas não se acostume com isso. — Mel sorriu e aceitou com uma expressão divertida. Meia hora mais tarde, o interfone da casa de Björn tocou. Mel reconheceu Carl quando o viu entrando e sorriu. Cumprimentaram-se e imediatamente Björn sentiu raiva. Estava com ciúmes? Preparou uns drinques para se acalmar enquanto os dois conversavam. Não era a primeira vez que dividia uma mulher com seu amigo Carl, mas daquela vez, vendo os dois juntos, o que Björn sentiu foi diferente e o deixou inquieto. Não gostava de se sentir assim. Mel bebeu para quebrar o gelo e em seguida colocou um rock para tocar, como sempre. Björn olhou para ela assim que percebeu que se tratava de Bon Jovi. Desafiadora, Mel retribuiu o sorriso. Um sorriso frio que não agradou a Björn; ele entendeu que algo não ia bem. Acompanhou-a com o olhar e viu que ela tirava da bolsa um lenço escuro que mostrou aos dois e depois amarrou sobre os olhos. Björn se irritou. Conhecia-a e sabia o que significava. Levantou-se e chegou perto dela para saber do que se tratava. — O que você está fazendo? — Curtindo. — E posso saber por quê? — ele insistiu nervoso. Mel respondeu com um tom de voz que deixou Björn com frio na espinha: — Porque hoje eu quero estar com o Mike. Agora ele estava ofendido e além de tudo não conseguia ver os olhos dela. — Eu disse que era pra você me deixar comandar o jogo — ele grunhiu de irritação.


— Eu deixo, baby... mas hoje o Mike também vai jogar. Frustrado porque nada estava saindo conforme o planejado, Björn ficou tentado a acabar com tudo de uma vez, porém o desejo falou mais alto que a razão. — Mel, senta — ele exigiu, por fim, pegando-a pela mão. Ela obedeceu. Cada homem a atacou por um lado. Quatro mãos passearam por seus seios e sua cintura, e suas pernas foram abertas para expor o sexo ardente de desejo. Levantaram sua minissaia e primeiro um, depois o outro, enfiou os dedos no seu sexo molhado para sentir e proporcionar prazer. Dedos brincalhões puxaram o tecido fino da calcinha e a assaltaram. Os homens diziam coisas picantes para excitá-la. — Você gosta do que a gente te diz, Mel? — Carl perguntou. Ela fez que sim e Björn se levantou do sofá, já enlouquecido pelo prazer do momento. Mel o tirava do sério e o deixava impaciente como um adolescente. Ele se ajoelhou no chão e tirou a calcinha dela com um movimento brusco. — Abre mais as pernas e se oferece pra mim. Assim ela fez, e a boca de Björn foi direto onde Mel queria. Encostada no sofá, ela se entregou ao prazer do jogo. Carl abriu sua blusa, e levantou seus seios por cima do sutiã. Deu mordidinhas, brincou e os apertou. Chupou e saboreou os mamilos com prazer intenso. Descontrolada e tremendamente excitada pelo que os homens faziam, Mel se movia cheia de desejo e gemia enquanto Björn continuava com o ataque e comandava o que Carl fazia. A temperatura subiu. Björn estava totalmente envolvido no jogo. Colocou Mel de pé, tirou sua saia, abriu seu sutiã e quando a teve totalmente nua, deu mais uma instrução olhando para o lenço com que ela cobria os olhos: — Mel, fica de joelhos no tapete. Ela obedeceu sem hesitar e Björn tirou o lenço de seus olhos, pois queria olhar para ela e queria que ela também olhasse para ele. Não estava disposto a compartilhá-la com Mike. Mel não gostou daquilo. Direcionou um olhar irritado para Björn e decidiu agir sem falar nada. Levou as mãos até o cinto dos homens, desabotoou-lhes as calças, abriu os zíperes, puxou as cuecas e tocou com delicadeza as ereções prontas para brincar com ela. Com prazer, tocou e beijou primeiro a pontinha do pênis e então enfiou tudo na boca, deliciando-se. Os homens soltaram grunhidos másculos, que deixaram o corpo de Mel todo arrepiado. Ela sentiu ainda mais prazer quando Björn apoiou uma das mãos em sua cabeça, exigindo que ela continuasse. Ficaram um bom tempo assim, antes que Björn desse uma nova instrução: — Carl, masturbe Mel. O amigo ajoelhou-se atrás dela e começou a tocar sua bunda, morder as costelas e passar a língua pela tatuagem. Enquanto isso, Mel continuava lambendo o pênis ereto de Björn com todo o prazer. Excitado ainda mais de ver a tatuagem mexendo nas costas em resposta ao ataque de Carl, Björn afastou o cabelo dela do rosto para que olhasse para ele e então cravou os olhões azuis nos dela.


— Sou Björn... olha pra mim. Mais do que irritada, a exigência a deixou mais excitada. Carl continuava masturbando-a por trás. Enfiou dois dedos dentro da vagina lubrificada e mexeu enquanto ela gemia, se mexia e tentava continuar chupando o que Björn oferecia. Ele tirou o pênis da boca dela e observou as expressões de prazer provocadas pelas carícias de Carl. Observou a boca, os lábios, os seios que se moviam descontrolados em resposta ao ataque erótico. Quando não aguentou mais, colocou a camisinha, mudou de lugar com Carl e a penetrou com vontade. O corpo de Mel se contraiu todo ao sentir a ereção enorme dentro de si. — Abra-se pra mim — ele ordenou. Muito excitada, ela fez o que ele pedia. Björn lhe deu um tapa na bunda e exigiu: — Se ofereça. Vamos, se aperta em mim. Mel atendeu, enlouquecida. Porém, sabia o que ele estava fazendo: estava impedindo que ela pensasse em Mike num momento como aquele. Björn continuou falando enquanto penetrava repetidamente em seu interior: — Vou abrir as suas pernas pro Carl, como sei que você gosta e quer. Vou te oferecer pra ele e só pra ele, e depois vou te foder até você gritar meu nome. Esta noite, vamos ser só eu e o Carl que vamos fazer você gritar de prazer. Ninguém mais. De quatro, Mel concordou. Björn a agarrou pelo quadril e se aprofundou nela com movimentos delirantes. Saía e então entrava uma e outra vez, sempre falando, para que ela se lembrasse de que era ele e ninguém mais quem a possuía. — Está me sentindo, Mel? — Estou! — ela gritou em resposta aos movimentos enérgicos, ao calor, ao tamanho daquele pênis. — Fala meu nome — ele exigiu, penetrando-a de novo. Mel gemeu. O prazer era intenso. — Fala meu nome — Björn repetiu. Mel resistiu, mas Björn não estava disposto a ceder nem um milímetro. Penetrou-a mais uma vez com fúria. — Fala meu nome — exigiu. — Björn! — ela gritou, por fim. — Repete — insistiu. — Björn! — Outra vez. — Björn! — Mel obedeceu com a respiração entrecortada. Ele ficou muito satisfeito de fazê-la viver e sentir a realidade. Penetrou-a de novo, deixando-a louca. — Sim, meu bem, sim... Sou Björn, não se esqueça. Isso aqui é entre mim e você. Nosso jogo


não é de ninguém mais, entendeu? Mel não respondeu e Björn insistiu. — Você ouviu o que eu disse, Mel? — Ouvi... ouvi... Björn... Não para, agora não para. Aquela súplica e a forma como ela se arqueava para recebê-lo motivaram Björn a acelerar o ritmo de seus movimentos. Queria fazê-la sentir. Queria que gozasse e queria gozar também. Os gemidos de ambos se aceleraram e Mel se deixou levar pelo prazer, contraindo-se toda. Caiu de rosto no tapete e seu sexo se abriu ao sentir a última investida de Björn, acompanhada de um som rouco de prazer. Ele saiu de dentro dela e, sem se afastar em nenhum momento, colocou-a de barriga para cima. Olhou-a nos olhos e notou sua respiração agitada. Os dois adoravam aqueles jogos e ficavam muito excitados. Björn a beijou com jeito possessivo, para deixar claro que era ele quem comandava. — Está pronta pro Carl? Mel fez que sim e Björn chamou o amigo. — Carl... Ele tinha assistido a tudo aquilo e já estava com a camisinha, querendo brincar com ela. Assim que Björn a ofereceu, Carl penetrou a vagina molhada que pulsava. Os gemidos de Mel voltaram a tomar conta do lugar. Björn sentou-se ao lado dela e colocou a boca sobre seus lábios. — Isso, aproveita, querida... — sussurrou. — Se abre pro Carl. Vamos... grita de prazer. Quero te ouvir... quero ver o tanto que você está gostando... Mel gritou e fechou os olhos. Ele a segurou pelo queixo e exigiu: — Olha pra mim. Ela obedeceu. — Fala meu nome. Com os olhos fixos nele e consciente de quem estava ao seu lado, ela atendeu: — Björn... Ele moveu a cabeça em aprovação. Mel estava com ele. — Sim, eu e você — disse baixinho. — Esse jogo é nosso. Enlouquecida pelas sensações que causavam aquelas palavras, ela agarrou o pescoço dele e beijou seus lábios com desespero. Abriu sua boca e enfiou a língua no interior de tal maneira que quase o fez perder a razão com um simples beijo. A força com que Mel se entregava era surpreendente. Björn desejou cuidar dela como nunca havia cuidado de nenhuma outra mulher. Carl continuou possuindo Mel sem parar enquanto ela e Björn se beijavam. Sem tirar os olhos deles, passou as mãos por baixo das pernas dela para melhorar o acesso e continuou o próprio jogo. Carl ficou trêmulo ao ver o corpo nu da mulher que se entregava a ele daquela forma enquanto seu amigo a beijava na boca. Logo ele não conseguiu mais segurar e se entregou ao clímax, enfiando-se


nela uma última vez enquanto ela também gozava. Os três foram recuperando o fôlego. Carl saiu de dentro dela, Björn colocou-se de pé e a ajudou a levantar. Pegou Mel nos braços e a levou até o chuveiro. Na hora em que a água começou a cair entre os dois, ele a olhou nos olhos e disse: — Já estou duro e vou te comer outra vez. Dengosa, ela deixou. Björn a apoiou contra a parede e penetrou a vagina dilatada. Ao se sentir preenchida mais uma vez, Mel sussurrou com um fio de voz: — Björn. Comovido, ele fez um gesto afirmativo com a cabeça. Ela havia dito seu nome sem que ele pedisse. Agarrou-a pelo traseiro para ter controle de seu corpo e se apertou contra ela. — Sim, Mel... sou o Björn. Olhavam-se nos olhos e respiravam com dificuldade, curtindo a sensação de prazer intenso. A vagina de Mel se contraía e a sucção provocava sensações fantásticas, maravilhosas, em Björn. A brincadeira continuou por vários minutos e os dois curtiram como loucos. Em seguida, Björn separou as nádegas dela com as mãos e passou um dos dedos pelo seu ânus. — Carl — Mel sussurrou. Björn, que já tinha visto Mel fazer sexo anal no Sensations, entendeu o que aquilo significava e chamou o amigo. Carl entrou no banheiro e recebeu as instruções de Björn, que organizava o jogo: — Em alguns minutos, quero você aqui no chuveiro, junto com a gente. Carl concordou. Ficou olhando os dois brincarem sob a água caindo enquanto seu pênis se enrijecia até chegar o momento de colocar o preservativo. Entrou no chuveiro e desligou a água. Björn se moveu, colocou Mel entre os dois e Carl começou a tocá-la. Loucamente excitado, Björn aproximou seus lábios dos dela. — É isso o que você quer? — É — Mel respondeu quando sentiu Carl massageando sua bunda. — O Carl está te preparando. Está gostoso? — Está sim... O prazer era imenso e respirações ofegantes ressoavam pelo banheiro: era o prazer em estado puro que tomava conta dos três. O sexo dela sugava o pênis de Björn e ele apertava os dentes e tentava se controlar, não se deixando levar pelos instintos animais que estavam à flor da pele. Precisava dar tempo para que os dedos de Carl a dilatassem um pouco. Já não estava aguentando mais. — Vamos dar o que você deseja, linda — falou baixinho. — Sim, Björn... dá tudo pra mim. Aquele pedido o deixou louco de tesão. Além disso, ouvir Mel dizer seu nome provocava um prazer reconfortante de saber que ela confiava nele. Finalmente o jogo era seu. Um jogo onde eles eram os protagonistas e não outras pessoas. Beijos... A língua de Björn se enroscou na dela e ambos desfrutaram a paixão e o prazer sem limites.


— Björn, se apoia na parede e abre a Mel pra mim — Carl pediu, por fim. Björn olhou-a nos olhos e fez o que o amigo pedia. Ainda com o pênis dentro dela, segurou-a pela bunda e a abriu para dar acesso a Carl. Björn a ofereceu. Carl colocou a pontinha do pênis lentamente e começou a penetrá-la devagar enquanto Mel e Björn se olhavam nos olhos. Ela arquejou. — Era isso que você queria? — perguntou Björn, que estava prestando atenção nela a todo instante. — Era sim... — e sem tirar os olhos dele, ela sussurrou em seguida: — Você gosta de me oferecer? Aquilo deixou Björn fora de si. Ele sorriu, pois era verdade. — Eu adoro, linda... fico louco. Mel gemia de tanto prazer ao sentir os dois pênis dentro dela, um na frente e outro atrás. Os homens não hesitaram em nenhum instante e a penetraram várias vezes em busca do prazer. Ali no meio, ela arfava e beijava Björn com ferocidade. Prazer... Excitação... Fantasia... Essas três coisas chegaram ao nível máximo. O trio curtia o que gostava de verdade: sexo. Cheia de luxúria, Mel se contorceu de prazer nos braços deles, oferecendo o que tinha para dar. Foi penetrada repetidas vezes pelos dois homens, cada um a seu ritmo, em busca do orgasmo. Quando tudo acabou, Carl saiu de dentro dela e Björn indicou com um olhar que ele fosse tomar banho no outro banheiro. Não precisava dizer mais nada: Carl sabia que quando o jogo acabava ele não era mais necessário. Quando Mel e Björn ficaram sozinhos, ele ligou a água e a olhou nos olhos. A pergunta que ouviu dela em seguida foi um pouco inesperada. — Tudo bem? Ele respondeu que sim e algo em seu coração descongelou naquele instante. Lembrou-se de Eric e sorriu ao entender o que o amigo tinha tentado explicar tantas vezes sobre ele e Jud. Sem saber por quê, naquele momento, tudo fez sentido. A química com uma mulher, e tudo o que isso significava, surgia quando menos se esperava. Finalmente havia encontrado aquilo com Mel e não ia perder. Os jogos calientes e excitantes entre os três duraram até as quatro da madrugada. Assim que Carl foi embora, Mel tomou banho sozinha. Já vestida com a calcinha e o sutiã, começou a recolher sua roupa. — Aonde você vai? — Björn perguntou, encarando-a. — Pra minha casa — ela respondeu sem olhar para ele. Houve um silêncio tenso. — O que acontece hoje? E não adianta dizer que não é nada, porque você não me engana. O que


foi? — Björn... — Por que você queria que o Mike estivesse aqui? Por quê? Mel fechou os olhos. O comportamento no começo da noite tinha sido horrível e inaceitável. Ela deu de ombros e então disse baixinho: — Hoje é meu aniversário com o Mike. — Era — Björn enfatizou com firmeza. — Era! Você tem que começar a falar no passado. — Eu sei. Björn estava perdendo a paciência. Estava furioso. — O Mike não está mais aqui, Mel. Não é mais aniversário de vocês dois. Quando você vai entender isso? Ela não respondeu. Simplesmente fechou os olhos e continuou recolhendo a roupa. Björn queria mais do que tudo que ela não fosse embora, desejava que ela passasse o resto da noite com ele. Pensou no que fazer. Foi então que resolveu ir até o aparelho de som. Olhou vários CDs e escolheu um que achava muito especial, um que ouvia sempre sozinho. Na hora em que começaram a soar os primeiros acordes de Feelings, de Aaron Neville, Björn já estava atrás dela, murmurando em seu ouvido: — Vem... O coração dela disparou. Ela soltou as roupas que segurava e quis abraçá-lo. Precisava tanto... Aquela música... Aquele homem... Aquele momento... Feelings, nothing more than feelings. Trying to forget my feelings of love. Teardrops rolling down on my face. Trying to forget my feelings of love. Dançaram um nos braços do outro por alguns instantes ao som daquela maravilhosa canção romântica, até que Björn encostou a testa na de Mel e disse: — Me perdoa por ter falado daquele jeito. Ela moveu a cabeça para dizer que sim. — Você que precisa me perdoar, por eu ter me comportado como uma idiota — ela respondeu depois de alguns segundos. — Mel... Ela sacudiu a cabeça e Björn procurou sua boca com desespero, dando-lhe um beijo intenso. Afastou-se dela e murmurou com a voz rouca: — Não quero que você pense nele. — Björn, eu... — Eu e você. Aqui só estamos eu e você.


— Escuta, Björn... — Não, meu bem, me escuta você — ele interrompeu, deixando-a toda arrepiada. — Quando estiver comigo, só quero que pense em mim, em nós dois. Pode me chamar de egoísta, mas quando nós brincamos, com outros ou sozinhos, só quero que existamos eu e você. Mike é o passado e eu sou o presente, você não vê? Mel não respondeu. Não conseguia. Estava começando a ter sentimentos especiais por ele e isso a assustava. Não podia permitir. Não devia. Não tinha sido sincera com Björn desde o começo e sabia que cedo ou tarde, quando ele soubesse em que ela trabalhava, tudo iria pelos ares como uma bomba. Ela o beijou e saboreou seus lábios com deleite. — Fica comigo essa noite — ele pediu quando se separaram. — Não... — Não vá — Björn insistiu com a voz rouca. — Não posso. — Pode sim... claro que pode. Mel se comoveu pela voz e pelo que sentiu ali com ele. Olhou-o nos olhos e perguntou sem meias palavras: — O que estamos fazendo? A canção sensual continuou. Abraçados e enfeitiçados pelo momento, os dois se moveram ao compasso da música. Björn, aquele garanhão, a quem todas as mulheres adoravam, respondeu: — Não sei o que estamos fazendo, meu bem, mas estou gostando e não vou parar, porque você está se tornando alguém muito... muito especial pra mim. Mel fechou os olhos e sorriu. Gostava do romantismo de Björn. Gostava muito. Feelings, wo-o-o feelings. Oh... oh...my darling. Wo-o-o, feelings again in my heart. Ele cheirou os cabelos dela e ela o beijou no pescoço. Björn a abraçou com ânsia e sentiu seu aroma. Sem saber como, nem por que, aquela mulher o completava. Não queria se separar dela nem mais um só dia. Nem um só instante. Enfeitiçado, ele a levou até a cama e continuou a enchê-la de beijos. Queria lhe dar muito carinho e dizer centenas de coisas que nunca tinha dito, só que ele mesmo se assustava com o que estava sentindo. Tudo ia rápido, rápido demais. Teve que morder a língua para não dizer algo de que pudesse se arrepender depois. Beijos... Ternura... Desejo... Fizeram carícias um no outro ao compasso da bela canção. Sem pressa...


Sem parar... Quando a música chegou ao fim, começou outra, também de Aaron Neville. Agora era Tell it like it is. Se a outra música era romântica, essa era mais ainda. Mel foi cativada pela delicadeza, pela sensualidade e pelo prazer que Björn demonstrava naquele momento. Ela fechou os olhos quando sentiu que ele passava os lábios por seu queixo. Meu Deus, como era delicioso! Entregue aos gestos de carinho, Mel o ouviu sussurrar: — Vamos fazer amor com a minha música. Com a nossa música. — Você é um romântico mesmo — ela ironizou, dengosa. Ele concordou e esfregou o nariz no dela. — Você também é, mesmo que não acredite. Mel sorriu. Tocou o rosto dele e o beijou. — Desculpa te acertar com a rolha... Foi sem querer. Björn não deu importância. Tirou a cueca boxer preta que usava, jogou no chão e abriu mais um preservativo. Porém, Mel não deixou que ele colocasse. — Tem certeza? — Tenho. Quero sentir a sua pele na minha. Ele sorriu e ela o beijou. Há quanto tempo não fazia amor? No início de sua relação com Mike, tudo era romântico. Mas nas últimas vezes, era tudo frio e rápido. Tinha se esquecido do romantismo. Porém ali estava Björn: um homem impressionante que nada tinha a ver com ela e com seu estilo de vida. Um homem que nunca pensou atrair e que, de repente, fazia mimos, dava carinho e a tratava com tanto cuidado, que ela estava começando a acreditar novamente que o amor existia. Beijos saborosos. Beijos suculentos. Beijos deliciosos. Era assim que Björn a beijava enquanto a voz sensual de Aaron Neville preenchia o quarto. Aquela intimidade calorosa tocava seus corações. Olhavam-se com ternura... Tocavam-se com carinho... Mordiam-se os lábios com paixão e intimidade... Comunicavam-se sem falar nada e seus corpos ardentes se esfregavam; deliciavam-se contentes naquele instante profundo e tão mágico. Björn colocou o corpo forte sobre o dela com cuidado para não machucá-la e passeou a boca por sua testa, por suas bochechas e pelo seu pescoço, até terminar nos seios. Ela prendeu a respiração por um instante. Com um estremecimento, Mel enredou os dedos naqueles cabelos escuros e espessos e fez Björn olhar para ela.


— Faz amor comigo — pediu. Com os olhos vidrados de paixão, Björn voltou a beijá-la enquanto Mel escorregava as mãos pelas costas dele e cravava os dedos para segurá-lo junto a si. Björn tremeu, excitado e enlouquecido de desejo. Com movimentos felinos e deliberados, atirou a lingerie dela no chão. A ereção pulsava. O pênis duro estava pronto para uma nova invasão. Björn olhou Mel nos olhos, aproximou-se sentindo sua vagina molhada e a penetrou. Mel arqueou o corpo para recebê-lo e fazê-lo seu. Ambos se moviam lentamente no compasso da música e suas bocas se saboreavam e se mordiam. Com movimentos possessivos e sensuais, Björn continuou por cima e Mel, delirante, se abriu toda para acolhê-lo o mais fundo possível. Calmos, sem pressa e olhando-se nos olhos, encaixaram-se um no outro e, juntos, pele com pele, arrepiaram-se de prazer, sentindo aquele momento mágico. Apoiando as mãos na cama, ele moveu o quadril mais para a frente, querendo se aprofundar nela. Ela agarrou sua bunda com força. — Não se mexa — ela pediu com a voz trêmula. Björn, fundido ao corpo dela, parou, sentiu como a vagina o sugava e gemeu de prazer. Aquilo era delicioso. Incrível! — Oh, meu Deus, baby... — Não se mexa — ela suplicou quente de paixão. Maravilhado, Björn não se moveu. Desfrutaram aquela intimidade fervorosa, e seus corpos excitados foram tomados pelo prazer enquanto a música continuava. Alguns segundos depois, Björn uniu os lábios aos dela e sussurrou: — Gosto muito de você, Mel... Demais. Ela não disse nada, fechou os olhos e sentiu o corpo estremecer de prazer. Quando os tremores ficaram menos intensos, Björn se moveu para penetrá-la mais fundo e arrancou-lhe um gemido inocente. A voracidade crescia e, segundo a segundo, os movimentos ficavam mais rápidos, mais fortes, mais certeiros, mais carnais... Aquilo era necessário. Björn soltou um grunhido de satisfação e se fundiu totalmente nela: o orgasmo atingiu os dois ao mesmo tempo. E ela confessou num sussurro: — Também gosto muito de você, Björn... Demais.


20 Os dias se passaram, os encontros continuaram e a casa de Mel estava sempre florida. Pela primeira vez na vida, um homem a presenteava com lindas rosas e mensagens malucas que a faziam gargalhar. Naquele período, o celular de Björn tocava toda hora e, mesmo que ele não desse explicações, Mel supunha que eram amigas. Sem dizer nada, ela o observava conversar e inventar desculpas, mas Björn nunca se separava dela, e, de certo modo, sentia-se feliz por ser especial para ele. Até que uma noite, no Sensations, Björn fez o que um dia tinha prometido. Quando entraram num reservado, uma mulher esperava por eles. Mel logo a identificou como uma das que tinha visto da outra vez com Judith. Em silêncio, Björn deixou Mel nua, colocou-a sobre a cama e exigiu que abrisse as pernas. — Diana, te ofereço a Mel. Faça ela gritar de prazer. E foi o que aconteceu... A outra mulher fez coisas com a boca que deixaram Mel desnorteada, gritando de desejo. — Isso... assim... — Björn murmurou com os lábios sobre os dela —, goza pra mim. Diana era fantástica. Dominava sua arte muito bem e os movimentos bruscos que fazia em certos momentos deixavam Mel excitada demais. Sua língua era selvagem, rápida, dura e sabia brincar com o clitóris de uma maneira incrível. Quando Mel pensava que não gozaria de novo, conseguia mais uma vez. Björn sentou Mel na cama e ficou atrás. Diana enfiou os dedos nela e a masturbou. Mel se entregou ao prazer, e Björn não parou de beijá-la. Foi então que Diana parou de repente e foi a vez de Björn entrar em ação. Muito excitado, sentou Mel sobre ele e a penetrou com firmeza. Precisava penetrá-la ou enloqueceria. — Deite-a, Björn, e abre ela pra mim — Diana pediu. Björn atendeu. Mel sentia que aquela mulher lambuzava seu ânus com lubrificante e enfiava os dedos nela com a mesma maestria de segundos antes. — Que rabinho maravilhoso, Melanie. Está gostoso? Os olhos de Björn observavam sua reação. — Sim... está sim — Mel respondeu. Diana, que tinha muita experiência em proporcionar grandes prazeres, colocou um dedo dentro dela. — Agora vou colocar um strap-on e vou te foder — avisou. — Vou agarrar o seu quadril e vou meter em você até que volte a gritar de prazer. Quero sentir como você treme. Quero sentir seu rabinho vibrando pra mim enquanto Björn come essa bocetinha tão maravilhosa que eu comi e que estou desejando comer outra vez. Com a respiração difícil, Mel não tirou os olhos de um Björn tremendamente excitado.


— Sim... sim... — ela sussurrou. Björn a beijou mais uma vez com desespero, enfeitiçado pelo poder da mulher que olhava para ele com olhos intensos. Desta vez, fez com carinho, com deleite, com amor. Curtiram juntos o prazer ilimitado que a situação proporcionava, esquecendo-se do resto do mundo, pois naquele momento só existiam eles dois. Quando deixou Mel dilatada, Diana a segurou pelo quadril e a penetrou. Mel se entregou ao desejo, desvairada. Björn e Diana a possuíram. Ambos a preencheram. Era maravilhoso. Depois de tentar falar com Björn inúmeras vezes, Agneta decidiu ir sozinha ao Sensations. Quando se deu conta do que estava acontecendo naquele reservado, saiu dali soltando fogo pelas ventas. Não pelo tipo de sexo que via, mas pelas atenções e delicadezas que Björn dedicava àquela tal de Mel. Atenções que ela mesma nunca tinha recebido. Os dias se passaram e os encontros na casa dele e no Sensations eram sempre calientes e gostosos. Dia a dia, Björn pôde comprovar por si mesmo como Mel era experiente nos assuntos eróticos. Ela o deixava fora de si com as brincadeiras, com a forma de fazê-lo tremer de prazer com seus movimentos. Era enlouquecedor sentir que ela lhe pertencia. Ver seu olhar fixo quando outro a penetrava e a apertava contra si era das coisas mais excitantes que Björn já tinha experimentado na vida. Ofegava como um animal quando ela gemia e gostava ainda mais quando ela lhe dizia no ouvido, como uma gatinha no cio, tudo o que queria fazer com ele. Björn sentiu-se vivo. Queria que Mel contasse com ele para tudo e começou a desejar que ninguém mais tomasse as rédeas dos jogos com ela. Esconder de Eric e Judith era cada dia mais difícil. Estar com eles e outros amigos bebendo alguma coisa, ou jantando, e não poder beijar Mel, ou ver como outros homens se insinuavam querendo sair com ela, era uma verdadeira tortura. Apesar disso, quando estavam a sós, ele fazia o possível para ser recompensado. Tentou conhecer os amigos dela, mas Mel se recusou. Sempre encontrava uma desculpa para deixar para outro dia. O sexo entre eles era fenomenal. Quente e sensual. Era sempre incrível. Sempre tinham vontade de mais. Eram duas feras insaciáveis. Depois de vários dias separados por causa de uma viagem a Bagdá que Björn ignorava, Mel chegou em casa e trocou de roupa, já que não queria que ele a visse vestida com o uniforme militar. Ela saiu de casa outra vez e foi direto para o apartamento dele, onde ele a esperava. Assim que ele abriu a porta e os dois se olharam, seus corpos foram tomados por um calor imenso. Desejavam-se. Tinham sentido saudades um do outro. — Olá, linda. Mel o abraçou, enfiou a língua na boca dele e o beijou vorazmente, enquanto Björn a puxava para seus braços e a levava até o quarto. Quando chegaram lá, Mel se soltou e exigiu: — Tira a roupa. Excitado, ele fez exatamente o que ela pediu e quando já estava nu, Mel deu uma nova ordem. — Se masturbe. Björn franziu a testa. Não queria se masturbar, queria afundar-se dentro dela, sentir seu calor...


Ele fez menção de reclamar, mas Mel usou a voz da tenente Parker: — Mandei você se masturbar — ela ordenou. Aquela voz... Aquela exigência... A forma como olhava para ele foi o que fez Björn levar a mão até o pênis e começar a se tocar. Mel observou os movimentos com atenção, sem desviar o olhar, e quando viu que Björn fechou os olhos, parecendo estar prestes a gozar, ela o interrompeu: — Eh... eh... eh... Para! Deita na cama. — Hoje você está mandona? — ele perguntou em tom de brincadeira. Mel sorriu. Abriu a mochila que trazia e tirou cordas vermelhas. — Hoje eu vou fazer uma coisa com você que há dias tenho vontade. Björn olhou para as cordas e foi avisando: — Não gosto que ninguém me amarre. Mel sorriu, mas não saiu do lugar. — Eu não sou ninguém, sou a Mel e você vai fazer o que eu estou mandando, já! Björn não estava entendendo muito bem o que ela pretendia, mas cedeu. Deitado, viu Mel subir na cama sem tirar a roupa e amarrar um braço dele no encosto e depois fazer o mesmo com o outro. Ela só ficou satisfeita quando o viu imobilizado. Em seguida, pegou um lenço vermelho e tentou provocá-lo: — Você não vai ver nada — murmurou. — Só vai sentir... ouvir e... — Não, Mel, não quero que você cubra os meus olhos. Mel se agachou até ficar quase em cima da boca dele. — Hoje quem manda aqui sou eu... e você fica quieto. A brincadeira estava deixando Björn excitado demais. Desejava Mel mais do que tudo e aquilo era enlouquecedor. Sem falar nada, ela amarrou o lenço vermelho ao redor da cabeça dele e, quando se certificou de que ele não conseguia ver nada, levantou-se da cama. — E agora... prepare-se pra me dar o prazer máximo. Björn não via, mas ouvia Mel caminhando pelo quarto. Os barulhos o fizeram saber que ela tinha tirado as botas e a calça. Sentiu-a novamente na cama. — Quando você me soltar, juro que vai me pagar. — Quanto eu te soltar, juro que você vai estar muito satisfeito. Björn sorriu, imaginando as coisas que Mel tirava da mochila. De repente ouviu um zumbido. — O que você está fazendo? Ela não respondeu. Björn pôde ouvir um gemido. — O que você está fazendo? Mel estava estimulando o clitóris com um massageador.


— Estou dando a mim mesma um prazer fenomenal enquanto te vejo aí amarrado na cama com os olhos cobertos. Incrédulo, Björn sentiu vontade de protestar, porém, mais um gemido chegou até seus ouvidos. — Baby... você está me deixando louco. Björn tremia de desejo e sua excitação só aumentava. Logo sentiu Mel pegar seu pênis e o enfiar na boca. Ela lambeu por um bom tempo e parou quando percebeu que ele estava quase gozando. Björn sentiu que ela colocava alguma coisa nele. — O que você está colocando em mim? Mel sorriu e Björn protestou quando percebeu. — Porra, Mel, o que você está colocando em mim? — Adivinha! — Ela riu. Björn sentiu que aquela coisa fazia pressão ao redor do pênis. — Parece um anel. Pra que isso? Mel sorriu. Colocou o anel até o fim e se moveu para lamber os mamilos dele e dar mordidinhas. — Fica tranquilo, meu bem. Eu disse que você ia me pagar e hoje você só vai gozar quando eu deixar. Björn sorriu ao se lembrar do dia em que exigiu que ela não gozasse. — Como você é vingativa! Mel concordou com a cabeça e apertou a mão em volta do pênis ereto. — Aqui se faz, aqui se paga. E pode ter certeza de que eu passei esses dias longe pensando em como você ia me pagar. — Garota má... Mel deu uma risadinha. — Eu coloquei em você um anel vibrador de silicone que vai reforçar a sua ereção, vai estimular o meu clitóris e vai retardar a ejaculação até quando eu quiser. — Tá... Mel o beijou várias vezes e o tocou de um jeito muito estimulante. Ele sentiu que ela montava sobre ele e introduzia o pênis muito duro lentamente dentro de si. — Agora vamos brincar, eu e você — ela murmurou. Em seguida, cheia de tesão, ela moveu o quadril de um lado para o outro e sentiu o pênis latejar no seu interior. Deus... como tinha desejado aquilo. Alguns minutos depois, Björn estremeceu. Mel parou. — Não, píncipe, não... aguenta como eu aguentei. Sem poder abraçá-la, ele protestou. Sentia-se vulnerável com as mãos atadas.


— Solta as minhas mãos, Mel. Como resposta, a boca dela pousou sobre a sua e o beijou até deixá-lo sem ar. — Não, meu bem... aguenta — insistiu Mel. — Quero te tocar. — Não... não... não... como você me disse.... aguenta! O pênis de Björn estava duro como pedra. Mel acionou um botãozinho do anel e então ele começou a vibrar. Björn gemeu e Mel se apertou contra o membro para sentir a vibração no clitóris. — Quero encontrar o meu próprio prazer e, com isso, vou te deixar louco. A pressão que Björn sentia cada vez que ela se movia era extraordinária. Não podia ver Mel, mas podia sentir como cavalgava e sentia também o tremor nas coxas dela quando recebia as descargas de prazer no clitóris. Os gemidos de Mel... os movimentos dela... e não poder olhar para ela deixavam Björn fora de si. Ela acelerava os movimentos e quando sentia que ia chegar ao ápice, desacelerava. — Assim... assim, Björn... aguenta e me dá o que eu quero. — Não consigo... — Consegue sim... Continua... Ah, sim... Completamente ereto, ele só podia mexer o quadril para a frente na tentativa de se enterrar mais fundo quando ela sentava novamente. Ele ouvia sua respiração difícil e sentia como os dois corpos tremiam em resposta ao prazer. Björn mordeu os lábios, o suor brotando em sua testa. Nenhuma mulher o havia amarrado à cama alguma, pois aquilo quem fazia era ele. A diferença é que Mel sempre conseguia o que queria dele. De repente, ela tirou o lenço vermelho do rosto dele, olhou-o nos olhos e se apertou mais fundo, fora de si, e então os dois convulsionaram e chegaram a um orgasmo intenso. Momentos depois, quando a respiração dos dois ficou mais calma, Mel desamarrou os braços dele da cama. Björn lhe deu uma tapinha carinhoso e depois a abraçou. Tomaram uma chuveirada e fizeram amor no banheiro mais uma vez. Mel propôs irem ao Sensations, mas ele negou. Naquela noite não queria outros parceiros. Só queria Mel e ninguém mais. Por volta das três da madrugada, quando estavam sentados comendo sanduíches no balcão da cozinha, Björn perguntou: — Por que você não veio vestida de aeromoça? Mel engoliu o que tinha na boca e respondeu sorrindo: — Já te disse que com uniforme de trabalho não se brinca. Björn deu uma gargalhada e a beijou, encantado de tê-la ali na sua frente. — O que você acha se amanhã a gente for pra Veneza por uns dias? — Björn propôs. — Conheço um hotelzinho lindo onde ficaremos muito bem acomodados. A proposta era muito atraente. Nada agradaria mais a Mel do que uma viagem com ele. Porém, era preciso recusar: — Não posso. Tenho que ir buscar a Sami nas Astúrias. Estou com saudades


dela. — E não pode atrasar a viagem por uns dois dias? Mel negou com a cabeça. — Não. Estou com saudade da minha pequena. Björn tentou entender sua necessidade de ver a filha. — Minha intenção é ir buscá-la no sábado de manhã e voltar na terça bem tarde — Mel acrescentou. Aquela firmeza deixou claro para Björn que não importava o que dissesse, Mel não iria aceitar. — Posso te acompanhar? — ele perguntou ao se levantar. — Nas Astúrias? — É. — Você? Björn achou graça na cara que ela fez. — Posso ficar em um hotel — tentou convencê-la. — Só por algumas noites. O que você acha da ideia? Aquilo parecia tentador, mas não, não teria como. Björn não sabia certas coisas sobre ela e, se fosse às Astúrias, poderia descobrir. — Não acho uma boa ideia — Mel respondeu. — Quem sabe em outra ocasião... Mas ele já tinha tomado uma decisão. Pegou-a nos braços. Estava disposto a acompanhá-la para ver se nas Astúrias existia algo além da filha. — Você e eu vamos juntos pras Astúrias amanhã e nem ligo pro que você diz — insistiu. — Mas... E então Mel não pôde dizer mais nada. Os beijos ávidos e saborosos de Björn a fizeram perder a razão. Meia hora depois ela já tinha mudado de opinião. Na manhã seguinte, no aeroporto, Mel ficou besta ao ver que um jatinho particular esperava pelos dois. — Falei com o Eric e ele nos emprestou o jatinho. Assim fazemos um voo direto. — O Eric tem um jatinho particular? Björn sorriu. — Eric Zimmerman tem o que ele quiser e, por sorte, sou o melhor amigo dele! — O Eric sabe sobre a gente? Com o melhor dos sorrisos, Björn pensou em responder, mas Mel o interrompeu: — Porra, Björn, com certeza ele vai contar pra Judith e ela vai ficar brava comigo.


— Fica fria, ele vai manter segredo. Mas comece a planejar, pois vamos tornar isso aqui público. Não sei por que você faz tanta questão de que ninguém saiba. Naquele instante chegou o piloto, cumprimentando os dois e entregando um celular a Björn. — O senhor Zimmerman quer falar com o senhor. Björn pegou o aparelho e Mel comentou enquanto se afastava: — Vou ligar lá pra casa pra dizer que vamos chegar ao aeroporto ao meio-dia. Ligou para a irmã. Assim que ela atendeu, Mel se apressou em dizer: — Scarlett, fica calada e me escuta. Estou indo buscar a Sami com um homem, mas ele não sabe que eu sou militar e nem que o papai é. Preciso que você avise a mamãe e a vovó e, principalmente, peça que elas tirem as fotos que estão pela casa que... — Mas o que você está me contando? Você está vindo com um homem? Quem é? Por que ele não sabe que você é do exército? — Porra, quer ficar quieta? — Mel gritou, ao ver que a irmã não a escutava. — Nem pense em falar comigo com voz de tenente, bonitona, que eu te mando à merda — Scarlett protestou. Sem tirar a vista de Björn, Mel continuou falando: — Vou te contar tudo o que você quiser saber em outro momento. Mas, por favor... faz tudo o que eu estou te pedindo. Tira qualquer rastro de vida militar que possa ter pela casa da vovó. Você pode fazer isso? — Claro, boba, claro que posso fazer. A que horas você vai chegar? — Por volta do meio-dia. Ah... e ele pensa que sou aeromoça da Air Europa. Scarlett gargalhou bem alto. — Aeromoça? Não me faça rir. — Tá... pode rir tudo o que você quiser — Mel cochichou, vendo que Björn olhava para ela. — Vá nos buscar, entendeu? E, por favor, avise o pessoal pra que ninguém faça um só comentário sobre a minha profissão e deixe bem claro que eu sou aeromoça! Tchau. Quando desligou o telefone, Mel se virou e viu que Björn estava atrás dela, encarando-a. — Agora, quando a gente subir no avião, você vai me fazer isso que as aeromoças fazem de explicar onde ficam as saídas de emergência. — Mel deu risada e ele acrescentou: — Deve ser muito sexy olhar pra você enquanto dá as instruções. Com uma expressão divertida, Mel o beijou e, falando gracinhas, subiram juntos no avião.


21 Ao meio-dia e dez aterrissaram no aeroporto das Astúrias. Assim que saíram do avião, Mel viu Scarlett esperando por eles. — Aquela ali é a minha irmã. Björn viu uma jovem um pouco mais velha do que Mel e sorriu. Quando ficou frente a frente com ela, falou o que Mel tinha ensinado para ele em espanhol: — Olá, me chamo Björn, prazer em conhecê-la. Scarlett, que tinha ficado sem fala depois de ver a irmã aparecer com aquele cara tão absurdamente lindo, moveu a cabeça como uma bonequinha. Deu dois beijinhos nele e respondeu: — Olá, Björn, me chamo Scarlett e também é um prazer te conhecer. Ele olhou para Mel e ela lhe explicou em alemão: — Minha irmã disse que é um prazer te conhecer. Aliás, falem em inglês, que vocês se entendem. Eles sorriram e Björn pegou Mel pela cintura. — Mel não tinha me dito que vocês duas eram tão parecidas. Você é muito bonita. — Obrigadaaaaaaaa. — Scarlett — Mel interveio quando viu a cara de boba da irmã —, o Björn é meu... não se esqueça. Scarlett se ofendeu com o comentário. — Melanieeeeeeeeeee! — ela gritou. Mel soltou uma gargalhada ao ver a cara dela. — Uau... — Björn cochichou — se eu soubesse, teria vindo pra cá antes. Chegaram ao pequeno povoado e ele olhou ao redor com curiosidade. Aquele lugar chamado La Isla era lindo e tinha uma praia espetacular. Sentado no banco traseiro daquele carro caindo aos pedaços, Björn ouviu as garotas falando em espanhol, sem entender nada, e ficou olhando o mar, encantado. Ele sempre tinha gostado do mar. Talvez fosse por isso que viajava tanto a Zahara de los Atunes, um lugar que conhecia muito bem. Mas aquele povoado no norte da Espanha era lindo. Teve vontade de conhecer melhor. — Você fez tudo o que eu pedi? — Mel perguntou à irmã. — Fiz. Não tem nem uma única foto sua vestida de militar. Ah sim... e pode se entender com a mamãe: ela ficou bem brava por você ser tão mentirosa. Mas, me diga, ser militar é tão ruim assim pra esse homem? — Scarlett, por Deus! Não mencione essa palavrinha, senão ele vai entender! Ao notar a angústia da irmã, Scarlett olhou pelo retrovisor e viu Björn tranquilamente


observando a paisagem. — Posso saber em que encrenca você se meteu? Mel ainda não acreditava que Björn estivesse ali. — Na verdade, eu não sei. A única coisa que eu sei é que... — ... que esse cara é muito, mas muito gato, e eu juro que por alguém assim, também me meteria numa encrenca — Scarlett interrompeu, fazendo Mel rir. O carro parou em frente a um casarão de pedras cinza e Björn continuou observando tudo, cheio de curiosidade. Era enorme e devia ser muito antigo. De repente, a porta se abriu e Sami veio correndo, com sua habitual coroinha na cabeça. Mel abriu a porta do carro e também foi até ela. O reencontro com aquele abraço tão sentido deixou Björn emocionado e lhe provocou um sorriso de ternura. Depois da menina, saíram duas mulheres de idades diferentes, que Björn identificou como a mãe e a avó de Mel. As duas o observaram e cumprimentaram com um aceno. Björn retribuiu. — Píncipeeeeeeee! — a menina gritou, correndo até ele. Björn ficou encantado pela demonstração de carinho. Pegou Sami no colo e fez o que ela gostava: encheu seu pescocinho de beijos. A menina respondeu com risadinhas. As quatro mulheres se aproximaram de Björn, que colocou Sami no chão e usou o pouco espanhol que sabia: — Olá, me chamo Björn, prazer em conhecer. Mel se aproximou dele e cochichou: — Com a mamãe, você pode falar em inglês. Com a vovó... você está enrascado! Luján logo o cumprimentou. Quando Björn se virou para a avó, ela perguntou a Mel com seu sotaque asturiano: — Como você disse que o menino se chama? — Björn, vovó. — Coooooooomo? — Björn — insistiram Luján e as duas filhas. — Blon? — Björn, vovó — Mel repetiu, divertindo-se. — Bol? — Björn. A mulher balançou a cabeça, desaprovando. Acenou para aquele gigante de belos olhos azuis, virou-se de costas e cochichou: — Outro como o Ceci... com um nome impossível. — Vovó — Scarlett protestou —, é Cedric. O papai se chama Cedric. Mas Covadonga, com cara de contrariada, continuou: — Sinceramente, acho que vocês fazem de propósito. Procuram os que têm os nomes mais estranhos e que falem outras línguas só para que eu não possa me comunicar com eles.


Quando ela desapareceu, Björn olhou para as mulheres e Luján disse em inglês: — Minha mãe é muito idosa. Não leve em conta nada do que ela disser. Björn sorriu e entraram todos na casa para beber algo refrescante. Era julho e fazia um calor infernal. À tarde, comeram alguma coisa numa bela varanda, enquanto Sami brincava no chão com a hamster Peggy Sue. — Antes de chegar ao povoado, eu vi um hotel — Björn comentou. — Eu deveria ir lá agora ou ligar pra reservar. — Mas por que você vai a um hotel? — Luján perguntou. — Esta casa tem sete quartos. Não diga nada. Você fica aqui com a gente. Mel sorriu. Sabia que isso ia acontecer se ele falasse em hotel. — Como disse a mamãe, aqui tem espaço pra todos. — Não queria incomodar. — Não é incômodo, filho, por Deus — Luján insistiu. Covadonga os observava conversar e não entendia nada. — O que disse o rapaz? — perguntou. Scarlett, brincando com a sobrinha e o bichinho, foi quem explicou: — Ele disse que ia dormir num hotel. Não quer incomodar. A mulher, ouvindo o que a neta dizia, levantou-se da cadeira e foi até Björn: — Minha casa é muito grande e também tem espaço para você, menino. Mel traduziu o que a avó tinha dito e Björn ficou emocionado com a bondade que viu nos olhos daquela velha mulher. Pegou suas mãos e disse em espanhol com um sorriso espetacular: — Obrigado, vovó. Ela sorriu. — Que alegria, tenho mais um neto! E um bem bonito. Você vai ver só quando as vizinhas colocarem os olhos em você. E nem falo nada da Puri, que acha que o menino dela é o mais bonito do povoado. Ai, Deus dá comida para quem não tem dentes. Todas sorriram e Covadonga, sem soltar as mãos de Björn, fez com que ele se levantasse e o levou para fora da casa. Mel os viu sair e foi atrás. Onde sua avó o estava levando? Lá fora, viu que a avó gritava um cumprimento para uma vizinha. — Ô de casa! A vizinha respondeu de longe. Depois de um pouco de conversa fiada, a anciã protestou: — Como dizia a minha avó... vá à merda. Mel soltou uma gargalhada quando a avó disse: — Pois não me perguntaram se o rapaz é filho do Ceci? Ora, como se não soubessem que as


únicas filhas do Ceci que existem são você e sua irmã. Björn as encarou, mas Mel não traduziu nada. — Vovó... Cedric... Cedric, não Ceci. Quando a senhora vai aprender o nome do papai? Covadonga riu. Era uma brincalhona. Naquele instante, a vizinha voltou a perguntar gritando à moda dos asturianos e a avó protestou de novo: — Ah, vá amarrar seu burro em outra freguesia! Não está me perguntando agora se ele não é militar que nem você? — Vovóóóóóóó. Mel olhou para Björn, mas, por sorte, ele não entendia nada do que estava sendo dito. Mel então murmurou com um sorriso falso: — Vovó, não mencione nada que tenha a ver com a minha profissão, por favor. Acho que a Scarlett disse pra senhora que não quero que ele saiba em que eu trabalho. Por favor, evite mencionar essa palavra. Tá? — Ai, menina, mas o que você está fazendo? — Nada de ruim, vovó. — E se não é ruim, por que você não quer que o rapaz saiba de nada? — Vovó, por favor, me ajude e não faça perguntas. A mulher concordou. Ajudaria a neta no que fosse preciso. — Não se esqueça, menina, mentira tem perna curta. Não se esqueça. Aliás, sua mãe fala com o Ceci dia sim, e o outro também. E quando desliga, fica sorrindo que nem uma boba. Ela está tramando alguma coisa. Mel sorriu e respondeu: — Vovó, a senhora sabe que a mamãe e o papai se amam muito. Não gostaria que eles ficassem juntos de novo? Covadonga fez que sim com a cabeça. — Mas claro que sim — respondeu baixando a voz. — O Ceci e a sua mãe formam um belo casal. Mas sua mãe é muito cabeça-dura... demais. A avó viu que Björn as observava sem entender nada e, com um movimento de cabeça, indicou: — Blas, vem comigo. — Blas? — Mel repetiu segurando o riso. — A senhora chamou o Björn de Blas? A mulher fez que sim e levantou o queixo. — Mas preciso chamá-lo de alguma coisa, ora essa! Björn não entendia nada. Só ouvia a mulher falar e Mel rir até não poder mais. Supôs que não era nada de mau e sorriu, mas gostava cada vez menos da sensação de não entender nada do que diziam. Aquela noite, quando todos se retiraram para descansar e Sami adormeceu, Luján passou pelo quarto onde Mel estava com a menina.


— Por que tivemos que tirar as suas fotos e as do seu pai? — Mamãe, ele não sabe que sou militar. — Mas por que ele não sabe? Mel não estava com vontade de mentir. — Porque ele odeia os militares, em especial os americanos — confessou. Luján ficou surpresa. — Filha do céu, mas por quê? — Realmente não sei, mamãe. Só sei que é só falar “militar americano” que ele fecha a cara. — Mas... quer ele goste ou não, você não deveria mentir. Seu pai e você sempre tiveram muito orgulho do que são e de quem são. — Eu sei, mamãe. Eu sei. Cedo ou tarde, vou acabar contando o que eu e o papai somos, mas até lá, guarda segredo pra mim. Estou vivendo uma coisa tão bonita com ele que só quero que dure um pouco mais. — Então você gosta muito desse rapaz? — Gosto, mamãe, muitíssimo. E mesmo que você não acredite, a primeira a se sentir mal com tudo isso, por não ser sincera, sou eu, mas... — Você tem medo de perdê-lo. Quando ouviu aquelas palavras saírem da boca da mãe, Mel se deu conta de que ela tinha razão. Por isso, concordou olhando-a nos olhos. — Sim. O Björn é especial. Ficaram em silêncio por uns minutos, até que Luján mudou de assunto: — Ultimamente tenho falado muito com o seu pai. — Eu sei. A vovó e a Scarlett me contam. — Ele quer que eu volte pra ele, você consegue acreditar? Depois de um tempo separados, de repente, outro dia, ele me disse que não consegue viver sem mim e que precisa de mim mais do que de respirar. — Mamãããããe... — O Cedric é tão romântico às vezes que... — Isso é fantástico, não acha? Luján concordou, emocionada. — Mas não posso ir pra Fort Worth, filha. Você precisa de mim. Quem vai ficar com a Sami quando você passar semanas fora? — Não, mamãe, isso não. Não faça eu me sentir culpada por você não ir morar com o papai. — Não quero que você se sinta culpada, querida. Só quero que você entenda que precisa de um


homem como o Björn ao seu lado pra que todos nós saibamos que você e a Sami estão protegidas e bem cuidadas. Não posso ir embora se não tiver certeza disso. Sou sua mãe e mesmo que você tenha cem anos, vou continuar sendo e vou continuar querendo que você fique bem, entendeu? Mel sorriu por aquelas palavras e respondeu que sim com a cabeça. — Sim, mamãe, entendi. Mas agora vê se você me entende. Não sei se o Björn é esse homem que vai proporcionar tudo isso pra nós duas, mas o que sei é que em Fort Worth há um homem que precisa de você e que deseja que você vá morar com ele. Você sabe que dentro de alguns meses a Scarlett vai voltar. Sabe que ela veio por um tempo e... — Sim... sim... sim... vamos mudar de assunto. — Mamãe. E sem se importar com o olhar da filha, Luján anunciou: — O Björn é um homem muito bonito e educado. Você disse que ele é advogado? — É. — Solteiro? — É. A mulher sorriu. — Não se empolgue, mamãe, tá? — Mel murmurou. Luján concordou, deu um beijo na testa da filha e foi dormir. Mel ligou a babá eletrônica e se levantou da cama sem fazer nenhum barulho para ir até o quarto em que Björn estava. Ao entrar, foi recebida com um sorriso. — Oi, linda. — Vim te asfixiar com o travesseiro, mas como você está acordado, estragou meus planos. Björn sorriu e estendeu os braços. — Venha aqui. Mel se atirou nos braços dele e sentiu que Björn a apertava forte contra seu corpo. — Sinto muito não poder dormir com você, mas tenho que ficar com a minha filha. Você entende, não entende? — Claro que sim. Não se preocupe com nada. — E, no meio de um beijo, perguntou: — Você está bem? — Estou... — Aliás, o inglês que sua mãe, você e sua irmã falam é muito americano. Todas vocês trabalharam na American Airlines? — ele perguntou, desconfiado, mas com bom humor. Mel ficou aflita com a pergunta e deu uma explicação qualquer: — Bom, além de ser por causa do meu trabalho na American Airlines, minha família fala inglês porque fomos morar uns anos no Texas por causa do trabalho do meu pai.


— Sério? — Sério. — E em que o seu pai trabalha? — Ele trabalha com informática, na Apple — mentiu. E antes que Björn continuasse fazendo perguntas, acrescentou: — Mas não pergunte por ele. Mamãe e papai se separaram e elas não gostam de falar sobre ele, entendeu? Ficaram abraçados por vários minutos, até que Björn notou que Mel estava quase dormindo. — Levanta... vai lá dormir com a sua filha antes que eu me arrependa e tire sua roupa. Quando Mel saiu do quarto, Björn ficou olhando para o teto por um bom tempo. Estava onde queria estar, mas sem a mulher que tanto desejava ao seu lado. Mesmo assim, sorriu, apagou a luz e dormiu. No dia seguinte, Mel levantou bem tarde. Como todos sabiam, quando ela chegava de alguma missão, o que mais necessitava era dormir, por isso, ninguém a acordou. Björn, que tinha acordado por volta das sete da manhã, se vestiu e desceu até a cozinha, onde encontrou Covadonga. Logo que a mulher o viu, fez gestos para que ele tomasse o café da manhã e Björn aceitou. Também por meio de sinais, no fim, ela fez o rapaz acompanhá-la, indicou o carro e entregou as chaves. Björn entendeu que ela queria ser levada a algum lugar e assim o fez. Por volta do meio-dia, Mel acordou e levantou da cama com um salto. Björn estava ali, naquela casa, e não podia se separar dele para que ele não descobrisse nada. Tomou um banho rápido, se vestiu e, quando chegou na sala, viu sua filha, sua mãe e sua irmã, mas não viu Björn. — Onde está Björn? — perguntou. — Com a vovó — Scarlett informou. — Pegaram o carro. Não faço ideia de onde ele a levou. Mel mandou uma mensagem pare ele na mesma hora e sorriu quando recebeu a resposta: “Estou bem. Não entendo sua avó, mas dou risada com as caras que ela faz.” Mel abriu a geladeira, achando graça. De repente lembrou-se de algo e fez um comentário: — Ontem à noite Björn me disse que nosso sotaque é muito americano e eu disse que o papai trabalha na Apple e que já moramos no Texas. Por isso, se ele perguntar, vocês já sabem o que dizer. — Isso... você continua mentindo — Luján protestou. Mel preparou um café com leite. — Susana ligou — Scarlett anunciou. — Marquei com ela e com uns amigos hoje à noite no bar do Roberto. Pelo visto, tem show. — De quem? — La Musicalité. Mel sorriu. Adorava aquela banda. Não era a primeira vez que os via ao vivo nas Astúrias.


— Genial! — respondeu contente para Scarlett. Uma hora mais tarde, ouviram um carro. Quando Mel chegou lá fora, viu que eram Björn, a avó e o vizinho Ovidio. Björn parou o veículo, desceu e olhou para as mulheres que saíam da casa. — Ô de casa! — ele gritou alegremente. Mel achou aquilo o máximo e, vendo o ar de brincadeira na cara dele, deu risada. Em uma só manhã, a avó tinha conseguido fazê-lo gritar como um autêntico asturiano. Covadonga desceu do carro, indicou o porta-malas e pediu: — Blasinho, descarrega o carro. Björn entendeu e Mel perguntou surpresa ao se aproximar deles: — Blasinho? A avó fez que sim e deu uma piscadinha para a neta. — Já ficamos íntimos, menina — explicou —, e agora já nos tratamos de um jeito mais informal. — Virando-se para o senhor da sua idade que as observava, disse: — Ovidio, pare de olhar os peitos das minhas netas e venha que tenho trabalho para você. O homem concordou com a cabeça e foi caminhando atrás da mulher. — Eu me canso da paisagem — ele murmurou. As irmãs se entreolharam morrendo de rir. Mel foi até Björn. — Como vão as coisas? — perguntou. Depois de tirar várias sacolas de pães, verduras, carnes e mais um milhão de coisas, Björn fechou o porta-malas e respondeu: — A sua avó me mata. Que energia! Hoje de manhã fomos até onde vocês têm vacas, depois me levou pra tomar café e comer umas madalenas enormes na casa de uma mulher que gritava muito. Lá a gente se encontrou com o Ovidio. Em seguida voltamos ao lugar das vacas e, finalmente, fomos ao mercado, onde ela me apresentou a tooooooodo mundo. Aí sim, eu não entendi nada. Eu só entendia a sua avó por causa dos gestos que ela fazia. — Blasinho, vamos, entra com as compras — Covadonga gritou da porta. — Mamãe — Luján protestou —, ele se chama Björn, não Blasinho. A mulher olhou para a filha, moveu a cabeça e esclareceu: — Chamo ele como eu quiser e ponto final. Luján, vendo-o carregado de sacolas, foi até ele para ajudar. — Que tal você levar Björn para dar uma volta na praia? — Luján sugeriu à filha. — Acho que a sua avó já o incomodou o suficiente. Voltem daqui a umas duas horas para almoçar. Mel olhou para Björn com sentimento de culpa. — Desculpe ter levantado tão tarde. Além disso, acho que... Björn não a deixou terminar. Deu-lhe um beijo e sussurrou perto dos lábios dela: — Vi um hotel


bonitinho não muito longe daqui. O que você acha se hoje à noite ou amanhã a gente escapar, mesmo que seja por algumas horas e você me compensa por tudo? — Só umas horas? — Pode ser por mais do que algumas horas? — perguntou surpreso. Com desejo, Mel chegou pertinho e sussurrou tocando o pingente: — O que você acha se eu e você amanhã à noite... no hotel? Björn, que estava morrendo de vontade de ficar a sós com ela, concordou. — Me parece a melhor ideia que você já teve, querida. Mel sorriu e gritou: — Scarlett! — Quê? — Ainda está de pé aquilo de tomar umas sidras com os amigos? — Claro, eles querem te ver. — Aliás, a sua amiga Paqui ainda continua trabalhando no Palacio de Luces? Scarlett fez que sim. — Então liga pra ela e diz que quero reservar uma linda suíte pra amanhã. — Sério? — Sério. Amanhã. Eu e o Blasinho... temos um encontro. Scarlett sorriu ao ver como a irmã e Björn se beijavam. Quando se separaram, a avó apareceu gritando na porta: — Blasinho, vem aqui, precisamos de você. — Vovó, a gente estava indo à praia — Mel protestou. — Não dá, menina... Preciso do rapaz. Björn se afastou com uma expressão divertida no rosto. Mel foi para junto da irmã e disse aos cochichos: — Preciso de umas coisas pra amanhã à noite. — O quê? — Duas tigelas com chocolate ao leite derretido... — Chocolate derretido? Uau, Mel, isso parece perversão das boas. As duas deram uma risada. — Também preciso de um plástico bem grande pra cobrir a cama. — Meu Deus... Você vai se livrar do alemão e ocultar as provas! Mel soltou uma gargalhada e Scarlett comentou, ainda confusa: — Tudo bem... Vou considerar que o plástico não é para ocultação de cadáver. Vou falar com a Paqui pra ela reservar uma bela suíte e eu mesma me encarrego de deixar lá as coisas que você


pediu. Maaaaaaas, em troca, quero que me conte pra que você precisa do plástico grande, porque o chocolate, eu já imagino. Se gostar, também vou experimentar. — Combinado. — Mel riu. Naquela noite, Mel apresentou Björn a seus amigos e ele tentou se comunicar como pôde, através de sinais. Era um homem que sabia se virar, por isso rapidamente se enturmou. Ouviu as músicas de La Musicalité e viu Mel cantar e dançar. No puedes decir que no, no puedes decir jamás. No debes pedir perdón, tan sólo te quiero más. Dolor que no puedo ver. Ni siento cuando te vas. No puedes decirme adiós, te llevo en mi caminar gritando que no me ves, rezando porque tú vuelvas otra vezzzzzzzzz. Ver Mel sorrir deixava Björn feliz. — Gostei da música dessa banda, mesmo que não entenda nada — disse, agarrando-a pela cintura. Mel sorriu. — Eles são ótimos. Quando a gente voltar a Munique, vou te emprestar uns CDs. Divertiram-se no show por uma hora e meia, dançando e se beijando. Em seguida Mel viu uma amiga sua fumando e se deu conta de que não colocava um cigarro na boca há horas e que também não sentia nenhuma vontade. Sorriu, feliz pela descoberta. Quer dizer que aquele alemão ia conseguir fazê-la parar de fumar? Já Björn, que nunca tinha tido um relacionamento parecido com aquele com nenhuma mulher antes, sentia-se incrível. Gostava de estar junto com Mel e gostava que todo mundo soubesse que eles eram um casal. Simplesmente adorava. Será que ela era a mulher da sua vida? Quando o show acabou, muita gente foi embora, mas outros ainda ficaram um pouco. A música recomeçou e Björn foi com Mel até o bar para pegar uns drinques. Em seguida, um homem e uma mulher se aproximaram dela e bateram continência. Björn olhou a cena, surpreso. Que diabo era aquilo? Com toda a graça e criatividade possíveis, Mel tentou fazer piada. O homem era Roberto, dono do local. Quando ele se afastou, de braço dado com a mulher, Björn olhou para Mel e quis saber: — Por que ele te cumprimentou daquele jeito? Sentindo-se péssima pela mentira, ela respondeu: — Sei lá, vai ver é moda nas Astúrias. Björn concordou. A resposta não convencia, mas quando começou a música do Bruno Mars, When I was your man, ela olhou nos olhos dele e disse: — Você dança? — Quer dizer que você está ficando romântica? Mel enrugou a testa, mas respondeu com um sorriso: — Estou deixando a vida me levar.


Björn a beijou e aceitou com todo o prazer. Pegou sua garota pela mão e foi com ela até a pequena pista de dança. Dançaram abraçadinhos, enquanto a voz de Bruno Mars cantava: Hmmm too young, too dumb to realize. That I should have bought you flowers and held your hand. Should have gave your all my hours when I had the chance. Take you to every party ‘cause all you wanted to do was dance. Now my baby is dancing, but she’s dancing with another man. Sem falar, dançaram no compasso da música, que era especial para os dois e os unia tanto. Björn a beijou no pescoço. — Sempre que ouço essa canção, me lembro de você — Mel murmurou. — Se eu dissesse que não fico muito feliz em saber disso, estaria mentindo — ele respondeu. Mel sorriu. — Espero que já tenha alguém que te tire pra dançar e te dê flores de presente — Björn continuou dizendo. — Já existe — Mel sorriu. — Tem um tal de James Bond, que... — Bico calado, Cat Woman — ele riu encantado. Mel era tão direta, tão sincera e diferente de todas as outras mulheres que ele já tinha conhecido, que era impossível não se apaixonar mais por ela a cada segundo. Continuaram abraçados enquanto durou a música. Ao fim, voltaram ao grupo de amigos. Pelo resto da noite, Björn se concentrou em desfrutar da companhia dela e observá-la com curiosidade. Era divertido vê-la com os amigos e, quando ela saiu para dançar salsa com um deles, Björn ficou impressionado ao ver como dançava bem. Assim que ela voltou, transpirando, tirou o copo da mão de Björn e começou a beber. — Quem te ensinou a dançar assim? — ele perguntou. Enquanto bebia, Mel pensou. Não podia dizer que os companheiros latinos da base americana é que tinham ensinado. Em vez disso, respondeu sorrindo: — Digamos que aprendi em casas de salsa. Björn acenou com a cabeça e não quis perguntar mais. Alguns minutos depois, Mel notou que as outras mulheres devoravam Björn com os olhos, enquanto ele a agarrava pela cintura com jeito possessivo. Sem pensar duas vezes, ela decidiu marcar território e deu um beijo nele com todo o descaramento. Björn sorriu com a atitude e, disposto a provocá-la, murmurou: — Como as mulheres asturianas são bonitas. — Nem se atreva, bonequinho. Ele soltou uma gargalhada. Mel levou a cerveja aos lábios, bebeu e chupou a boca da garrafa de modo sedutor. — Se você continuar fazendo isso... não acho que vou conseguir me controlar — Björn avisou. — Você viu como os homens asturianos são bonitos? Björn parou de sorrir, mas a brincadeira o deixava de bom humor.


— Está passando da conta, Ironwoman. — Quer que eu passe os lábios assim no seu pênis? — Mel perguntou entre risos e carinhos, aproximando a garrafa da boca mais uma vez. — Eu adoraria. Mel continuou fazendo movimentos eróticos na garrafa e, quando tocou entre as pernas dele, sentiu que estava duro. — O que você acha de eu te levar pra salinha dos fundos? — Podemos? — Podemos. — Parece incrível — Björn concordou animado. — Você quer que sejamos só nós dois ou prefere que tenhamos companhia? — ela perguntou com um sorriso, chegando mais perto do corpo dele. Sem precisar que ela dissesse quem seria o terceiro, Björn soube: o homem que havia batido continência para Mel. A proposta o excitava. — O terceiro seria aquele cara, não é? — Mel viu quem Björn observava e concordou. Ele perguntou então: — Você já teve alguma coisa com ele? Mel se surpreendeu ao ver que ele torcia o nariz. — O Roberto é dono disso aqui e é um cara muito legal. Uma vez, por acaso, quando eu estava em Barcelona numa festinha particular com um amigo, nós nos encontramos. Ele tinha acabado de se divorciar e estava com a Lisbet, essa mulher que está com ele agora. Me lembro da cara de surpresa que ele fez. Foi constrangedor a gente se encontrar naquele lugar, pelados, mas mantivemos segredo e uma vez, quando vim para as Astúrias, fomos os três a uma festa particular em algum lugar de Oviedo pra nos divertirmos. Se eu já tive algum caso com ele? A resposta é não. Ele tem um relacionamento com a Lisbet e, pelo que sei, eles vão muito bem. Björn entendia. Ela tinha razão e ele não devia pensar em coisas estranhas. Apesar disso, imaginar Mel indo a festinhas particulares com outras pessoas não tinha a menor graça, mas confiou nela, como sempre. — Ainda está de pé ir para a salinha dos fundos? — Björn insistiu. — Com o Roberto e a Lisbet? Ele fez que sim. — Espera um segundo — Mel respondeu. Muito segura de si, ela foi até o amigo e os dois conversaram. Em seguida chamou Björn e os apresentou. — A Lisbet teve que ir, mas o Roberto disse que se a gente quiser, podemos ir pro quartinho dos fundos com ou sem ele. Björn ficou indeciso. Mas por que tinha dúvidas? Tentou recuperar o controle de seus


sentimentos. — Com ele. Quero que você goze pra mim. Extremamente excitada, Mel fez um sinal para Roberto, que foi indo na frente. Mel pegou Björn pela mão com força e os dois o seguiram. Sem falar nada, entraram em um cômodo e quando Roberto fechou a porta com chave, uma luz azul iluminou o local. Björn ficou surpreso. Viu caixas de bebidas, um freezer, uma mesinha e uma poltrona confortável. — Olha só... estou vendo que seu amigo passa bem aqui. Mel sorriu e Roberto perguntou através de sinais o que Björn queria beber. Ele pediu um uísque e Mel pediu uma Coca-Cola com rum. Roberto serviu e deixou os drinques sobre a mesinha. Dominando a situação, Björn agarrou Mel pela cintura e colou o corpo no dela, procurando sua boca para beijá-la. Roberto ficou olhando os dois a distância. Viu que o alemão lhe tirava a blusa e o sutiã e que depois abria a saia e a deixava cair no chão junto com a calcinha. Soube que tinha sido convidado para a festa. Björn grudou os lábios nos dela e a massageou na bunda. — Agora vou te virar de costas e vou te abrir pra que ele chupe o que é meu. Aquele sentimento de posse a encheu de surpresa. Björn deu-se conta daquilo e esclareceu, fitando-a nos olhos: — Esse jogo é nosso e não preciso dizer que te considero minha, porque acho que você já sabe o que sinto por você. Está de acordo, Mel? — Estou. — Tem certeza? — Tenho. Gosto de ser sua e de que você seja meu — disse, extasiada. Björn ficou comovido pelo que as palavras dela confirmavam. — Vou permitir que um cara que eu não conheço te lave, te toque, desfrute de você e te coma. Em troca, quero te ver sentindo prazer, quero que goze pra mim e quero que aproveite muito. Diga a ele que quero que chupe seu clitóris até você gritar de prazer. Entendeu? Mel fez que sim. Sentindo muito calor pela proposta e ouvindo a música tocar do lado de fora, olhou para Roberto, que os observava de longe, e anunciou: — Björn quer que você chupe o meu clitóris e que me faça gritar de prazer. — Diga a ele que eu farei tudo isso — Roberto murmurou. Mel sorriu. Nunca tinha sentido vontade de ser propriedade de ninguém, mas com Björn era diferente. Ele a fazia se sentir segura, protegida, mimada. Gostava de saber que ele a considerava sua e nem passava por sua cabeça protestar contra isso. Naquele quarto ninguém os ouviria. O barulho lá fora era tão intenso que seria impossível que ouvissem seus gemidos. Björn virou Mel de costas e a apoiou contra seu corpo. Baixou os dedos até a vagina que ela deixava exposta, tocou-a por alguns instantes, abriu os lábios e olhou para Roberto. Este entendeu


que Mel estava sendo oferecida e não pensou duas vezes. Abriu uma garrafa de água, limpou Mel com um pano úmido e depois se ajoelhou. Ele viu como o alemão abria os lábios vaginais para permitir o acesso e foi direto ao clitóris. O gemido de Mel não demorou. Roberto a segurou pelas coxas e enfiou a cabeça entre suas pernas, ansioso por saborear o manjar que ela oferecia. Enquanto isso, Björn dizia coisas em seu ouvido: — Assim... se aperta na boca dele. Deixa ele te chupar. Está gostoso, Mel? Ela confirmou. Aquilo era prazer em estado puro. — Deixa ele brincar com você — Björn continuou falando. — Dobra um pouco mais as pernas. Isso... assim... — Mel estremeceu quando se ajeitou, e Björn insistiu: — Não... não se afaste dele. Quero que ele te chupe. Quero que sinta o sabor da minha mulher e quero que você goze na boca dele pra mim. Mel perdeu o fôlego ao ouvir Björn dizer “o sabor da minha mulher”. As palavras e o sentimento de posse que elas demonstravam a deixavam quase tão excitada quanto o que Roberto fazia. — Isso, querida... Assim... desse jeito — Björn disse. Mel arquejou. Sentir-se entre os corpos dos dois homens a deixava louca. — Uma das minhas fantasias com você é te abrir como estou fazendo agora e dar acesso ao seu corpo a vários homens — Björn murmurou. — Quero pedir que se ajoelhem diante de você para te chupar, um a um, enquanto te seguro e vejo seu corpo vibrar em resposta. E então vou perguntar de qual você gostou mais e esse vai ser o primeiro a quem vou dar permissão pra te foder. Quando a gente chegar a Munique, vou organizar uma festinha na minha casa e você vai ser a minha maior fonte de prazer. Você quer, Mel? Roberto se agarrou às coxas dela, fez com que abrisse mais as pernas, e ela não pôde responder. O que Björn estava propondo era tão prazeroso e tão excitante que ela tremeu só de imaginar. Björn sentiu sua impaciência e murmurou com um sorriso: — Nenhum de nós dois vai te comer enquanto você não gozar na boca do Roberto. — Björn... — ... e quando você gozar — prosseguiu —, vamos te comer os dois juntos. — Sim... — Mel gemeu. Björn sorriu. Beliscou os mamilos dela e passeou a boca por seu pescoço. — Mas antes, já sabe o que eu quero, querida. Goza. Estimulada demais, Mel deixou um orgasmo espetacular se apoderar de seu corpo em resposta àquelas palavras e movimentos experientes de Roberto. Quando Björn sentiu que ela estremecia, sorriu e a soltou. Estava duro como pedra. — Vou esperar você no sofá quando o Roberto terminar. Mel viu que ele caminhava com passos decididos até o assento confortável, tirava da carteira algumas camisinhas e as deixava sobre a mesinha sem tirar os olhos dela. Roberto, enlouquecido, continuou com o jogo, fazendo Mel gemer outra vez.


Com prazer, ela viu que Björn tirava a roupa e então Roberto a soltou. Pegou novamente a garrafa de água e, sem que ela se movesse, lavou-a de novo. Quando acabou, Mel caminhou até seu homem sem dizer nada e se sentou no colo dele. Olhando-o bem nos olhos, sorriu, pegou a maravilhosa ereção nas mãos e a enfiou dentro de si. Mel sentou-se no centro daquele desejo duro e tentador e Björn a apertou mais para junto de si. — Sim, querida... Era o que eu precisava — ele disse. Durante alguns minutos, foi Mel quem controlou as rédeas. Com Björn sentado, ela assumiu o comando do joguinho, até um tapa de Roberto fazê-la parar. Björn, que via as intenções do outro, agarrou Mel pela cintura. — Deita em cima de mim, acho que nosso amigo quer continuar brincando com você. Com o pênis de Björn ainda dentro de si, Mel quase não conseguia se mover. Notou que Roberto lambuzava gel em seu ânus e começava a brincar com ele. Björn sentiu que Mel respirava ofegante e beijou seus lábios. Em seguida, ele disse baixinho: — Estou sentindo um desejo irrefreável de me mexer. Quer que eu me mexa? Mel concordou. Mas ele estava tão enterrado dentro dela, que quando se moveu, ela gritou. — Shhh... Todos vão nos ouvir e vão saber o que estamos fazendo. — Björn riu ao senti-la tão excitada. — Ai... Ai... Está me machucando. Björn franziu a testa e se moveu mais para trás na tentativa de se posicionar de outro jeito. — Agora melhorou. Roberto continuou a brincadeira. Alguns minutos depois, roçou o pênis ereto na bunda dela, agarrou-a pelo quadril e a penetrou pouco a pouco. Björn logo sentiu a investida do outro homem. Apesar de as paredes do corpo dela separarem os dois pênis, era possível sentir a pressão que um fazia no outro. Ele queria que ela curtisse tudo o que pudesse. — Estamos te machucando, querida? Emocionada com a preocupação dele, Mel respondeu com um beijo, movendo-se e os animando a continuar. Em um segundo, seu corpo estava totalmente preso entre os dois homens, que entravam e saíam dela com ritmos diferentes, arrancando gemidos maravilhosos de prazer. — Björn... Como sempre que ela dizia seu nome quando estavam transando, ele se excitou. Saber que ela estava com ele e com nenhum outro homem era uma das coisas mais maravilhosas do mundo. Agarrou-se ao quadril dela e a penetrou com mais força. — Sim, Mel, sou o Björn. Aquilo se estendeu por vários minutos. Fundidos nela, os dois homens continuaram o jogo de prazer. Respirações ofegantes... beijos apaixonados... palavras cheias de erotismo. Tudo era válido num momento como aquele, até os três chegarem ao clímax e acabarem um em cima do outro.


Quando recuperaram o fôlego, se limparam um pouco e se vestiram. Björn e Roberto apertaram as mãos. Mel sorriu. Saíram do quartinho e caminharam sem falar nada até onde estava Scarlett. — Onde vocês se meteram? — a irmã perguntou quando os viu. Mel a encarou com olhar brincalhão e respondeu: — Pra você eu conto.


22 Na manhã seguinte, quando Mel levantou, Björn tinha desaparecido outra vez com sua avó. Dava para ver que, mesmo de férias, continuava seguindo o horário alemão. Durante horas, Mel se ocupou da princesinha. A menina só queria brincar e, quando dormiu em seus braços, esgotada, Mel a levou para o quarto. Depois de colocar a filha na cama, deitou ao lado dela e pensou em Björn. Ainda tinha na cabeça o que ele tinha dito na noite anterior — quando brincavam juntos, ela era dele e ele era dela — e aquilo a deixava sorridente. No entanto, estremeceu ao se lembrar de quando ele tinha dito que ela era sua mulher. Em todos os anos em que ela e Mike estiveram juntos, ele nunca tinha dito aquelas palavras. Mel nunca tinha sido mulher dele, nem namorada. Sempre tinha sido “Parker” ou “linda”. Nunca tinha existido exclusividade entre os dois, nem sequer quando ela soube que estava grávida. Mel se levantou da cama e olhou pela janela. Björn tinha entrado na sua vida como um furacão e agora sentia falta dele. Gostava de sua proteção e de seus carinhos, mas ficava desesperada quando se lembrava de que não estava sendo sincera com ele. Como podia estar fazendo aquilo com um homem assim? Ao ouvir o barulho de um carro, ela viu Björn chegando pela estrada com a avó e Ovidio. Dali da janela e escondida atrás das cortinas, ela o observou entrando na casa e, com um sorriso agradecido, movendo a cabeça para concordar com alguma coisa que a velha lhe dizia. Mel teve vontade de rir. Mesmo sem entender nada, Björn era capaz de se comunicar com a avó dela. Nunca tinha visto algo assim! Nem mesmo com seu pai, o Ceci, como Covadonga o chamava, sua avó tinha se dado tão bem. Já que Sami estava dormindo, Mel foi lá fora ajudar. Quando Björn a viu, sorriu e a abraçou de um jeito carinhoso. — Bom dia, dorminhoca — ele cumprimentou. Mel não se importou com os olhares das vizinhas e o beijou nos lábios antes de ajudar com as sacolas das compras. Como no dia anterior, a avó, uma mulher muito mandona, começou a dar instruções. Luján tentou fazer sua mãe deixar Björn em paz, mas foi impossível; ela precisava de ajuda e colocou todo mundo para trabalhar. Quando Mel terminou de cumprir as ordens da senhora Covadonga, decidiu lavar o carro. De repente, apareceram Björn e Ovidio carregando lenha. Foram até o quartinho onde se guardava a lenha e, depois de receber instruções do velho sobre como manejar o machado, começou a cortar a madeira. Não demorou muito para que todos pudessem ver que não era a primeira vez que Björn cortava lenha. — Maninha... — Scarlett se aproximou para comentar —, esse cara é ótimo. — Eu sei — Mel concordou, sentindo a boca seca. Depois de um rápido silêncio, Scarlett fez uma pergunta: — Vi que você não está fumando. Você parou?


Mel sorriu. — Não, mas graças ao Björn fumo cada dia menos. Scarlett deu uma gargalhada e cochichou: — Você viu como as vizinhas olham pra ele? — Mel desviou o olhar para as vizinhas da avó, que só tinham olhos para Björn. Scarlett continuou dizendo: — Te digo que essas mulheres vão ter sonhos indecentes com ele. Com certeza. E amanhã, na missa, vão fazer o sinal da cruz e rezar três Pais-Nossos como penitência. O comentário fez Mel gargalhar. Scarlett continuou: — Se eu fosse você, eu o levava à rédea curta ou... Por favoooooor... Que barriga tanquinho mais gostosa ele teeeeeeem. — Não tenho que levar o Björn à rédea curta — ela respondeu, dando risada. — Ele é livre. — Livre? — É. — Mas você é louca?... O cara mais gato que eu vejo nos últimos anos e você me diz que ele é livre? — É... — Mas nem pense em falar uma coisa dessas quando a gente sair com as meninas, ou senão mais de uma vai querer colocar as garrinhas em cima dele. — Você acha? Scarlett moveu a cabeça, com os olhos saltando das órbitas. — Acho não, tenho certeza. Mel não pôde rebater. Com uma sensualidade incrível, Björn tirou a camiseta branca de manga curta, em câmera lenta, e a jogou no chão, ficando só de calça jeans de cintura baixa, que deixava evidente o abdome definido. Pegou uma garrafa de água do chão, bebeu um gole e jogou o resto do líquido pelo corpo. Estava com calor. — Porra — Mel sussurrou. — Minha nossa, que calores são esses que estou sentindo? — Parece aquele comercial da Coca-Cola — Mel comentou. Scarlett começou a se abanar com a mão. — Já eu acho que lembra aquele filme do Hugh Jackman em que ele joga um balde de água no corpo. Deus meu, que tesão! Björn notou que as irmãs o observavam e sorriu. Sabia o poder que seu corpo exercia nas mulheres e deu uma piscadinha para sua garota. — Você tem razão, Scarlett, preciso manter a rédea curta. Aqui tem muita vagabunda solta. — Vocês estão namorando?


— Não... Sim... Bom, não sei. — Como não sabe?! — exclamou a irmã. — Juro que se um cara desses vem na casa da minha avó é porque existe algo entre a gente. Aliás, que tal se você me contar por que tivemos que esconder suas fotos e as do papai? Mel olhou para Björn, ainda cortando lenha. — Ele odeia militares americanos e acho que, quando ficar sabendo que eu sou um deles, vai me odiar também, na mesma hora. — E por que ele odeia? — Não sei... acho que é por causa de alguma coisa com o pai dele. Nunca me contou e eu também não perguntei. — Mas, Mel, como você pode mentir pra um homem desses? — Não sei, Scarlett... Não sei o que eu estou fazendo. — Juro que não te entendo, menina — protestou a irmã. — O Björn é lindo, atencioso, encantador e você mente pra ele? — Ai, Scarlett, eu sei. Me sinto péssima. Mas agora não sei como contar a verdade. — Você acha que ele vai ficar muito bravo? Mel não teve nem que pensar. — Acho. Mas espero que compreenda. Concentradas nos próprios pensamentos, ficaram caladas por um bom tempo. Scarlett de repente exclamou: — Nossa, olha essas costas! Você já se deu conta de como ele parece com um modelo supergato chamado David Gandy? Mel nunca tinha pensado. Mas agora que a irmã dizia, ela tinha razão, Björn e David eram o mesmo tipo de homem: altos, morenos, olhos azuis, muito estilosos e com um corpão. Dez minutos depois, a excitação tomou conta de Mel e ela resolveu ir até Björn. Tirou o machado das mãos dele e o beijou na boca com desejo, sem se importar com o que as vizinhas da avó poderiam dizer. Naquele momento, Ovidio passava por eles segurando uma caixa e ela ouviu: — Isso aí, rapaz, põe a cara no meio das pernas dela e enfia a língua onde der. — Mas como você é nojentoooooo, Ovidio! — Scarlett gritou quando ouviu o comentário. Mel soltou uma gargalhada. — O que ele disse? — Björn perguntou. Sem conseguir parar de rir, Mel deu uma piscadinha e respondeu: — Hoje à noite eu te explico! Naquela noite, voltaram a sair para tomar uns drinques com os amigos. Björn não os entendia, mas eles fizeram com que se sentisse em casa. Depois de jantar, ele e Mel se despediram e foram para o Palacio de Luces, um cinco estrelas luxuoso no meio da natureza da Sierra del Sueve, na encosta da cidade de Colunga. No elevador, sorridente, Björn pegou Mel pela cintura e murmurou, puxando-a para junto de si:


— Essa noite quero você só pra mim. — Só pra você? Olhando-a do alto de sua estatura, ele confirmou, muito seguro de si: — Só pra mim. Entraram na suíte e Mel sorriu ao ver que sua irmã tinha cumprido a palavra. Quando Björn viu as tigelas de chocolate sobre a mesa, perguntou: — O que você pretende fazer comigo esta noite, senhorita Melanie? Ela respondeu beijando-o com paixão e depois sorriu apontando o chocolate. — Quando você me deu o pingente de morango, eu te disse que iria retribuir. Pois bem, se prepara, píncipe, que essa noite quero agradecer seu presente. Eles se jogaram na cama entre beijos e carícias. — Agora preciso que você me ajude a fazer uma coisa — Mel pediu. — O que você quiser, linda. Ela se desvencilhou dele, se levantou e foi até onde estava o plástico dobrado. — A gente precisa cobrir a cama com isso. — Com um plástico? — Sim, me ajude. — Mel o encorajou sorrindo. Quando tudo ficou do jeito que ela queria, Björn a encarou com cara de dúvida. — Não é época de morango — Mel comentou —, mas como tenho o meu próprio morango, trouxe o chocolate para que não te faltasse nada. Entendendo o que ela queria dizer, Björn sorriu e mordeu o lábio. — Meu Deus, baby, fico maravilhado com a sua sensualidade. — Eu sei, e você vai gostar ainda mais do que eu vou te dar. Björn deu uma grande risada. Viu que ela tirava a roupa e fez o mesmo. Depois, Mel pegou as tigelas de chocolate e subiu na cama com as duas nas mãos. — Vem, deita aqui. Björn atendeu. Mel deixou o chocolate no plástico e sussurrou toda provocante: — Sei que você gosta de chocolate, de morangos e de mim. Vem, meu bem, é tudo seu. Mel não falou mais nada. Colocou primeiro um mamilo no chocolate, depois o outro. Deixou-os molhados e subiu de quatro em cima de Björn, que ficou admirando os seios cobertos de chocolate. — Pode começar pelo que você quiser — ela anunciou. Enlouquecido, ele não pensou duas vezes. Atraiu para sua boca um dos mamilos magníficos e o chupou. — Delicioso. — Gostou?


Com o olhar cheio de desejo, a excitação no meio das pernas e a boca cheia de chocolate, Björn exigiu: — Me dá mais. Mel colocou o seio mais uma vez na boca dele. Björn degustou, desfrutou, apertou e sugou. Logo todo o chocolate tinha desaparecido. — Quer mais? — ela perguntou, toda dengosa. Björn respondeu que sim e Mel ofereceu o outro seio. Quando não sobrou mais chocolate, ela sorriu e Björn a agarrou pela nuca e a beijou. O sabor era doce, delicado, maravilhoso. — Você é a melhor sobremesa que eu comi em toda a minha vida e só de pensar que agora vou comer seu morango maravilhoso com chocolate, já fico louco. Mel deu uma gargalhada. — Você gosta da ideia? — Adoro. Aliás, agora entendo o motivo do plástico. Beijaram-se de novo e logo a voracidade se apoderou deles. — Também quero chupar isso aqui com chocolate — Mel disse, tocando a enorme ereção. Não precisou dizer mais nada. Björn se levantou na cama e colocou a ponta do pênis dentro da tigela de chocolate. Mel engatinhou sobre a cama e colocou a língua para fora, provocante. Sorriram e Mel começou a lamber. Depois abriu a boca e devorou aquele membro duro, cheia de desejo. Björn ficou ajoelhado de olhos fechados e deixou que ela o enlouquecesse de prazer. O que ela fazia com a língua o agradava muito e quando não pôde mais resistir pediu que ela parasse. — Estou com fome de você, querida. Deita e vamos nos divertir juntos. Mel se deitou. Björn molhou o pênis no chocolate e ficou em cima dela, de quatro no sentido oposto, formando um 69, e pegou uma das tigelas. — Deixa eu ver meu morango. — Seu morango? — Mel riu. Björn adorava ouvir seu riso. — Meu morango — afirmou com segurança, dando-lhe um tapa na bunda. Divertida e excitada de ver como Björn tomava posse dela, Mel abriu as pernas para ele. — Você gosta assim? — Adoro — Björn sussurrou, olhando para aquilo que o deixava louco. A excitação tomou conta do casal. Ele beijou a parte interna das coxas que ela oferecia e a fez estremecer. Mel começou a chupar o pênis coberto de chocolate e, segundos depois, quem estremeceu foi Björn. Vibrando, ele beijou o púbis dela. Passeou o nariz por aquele lugar que adorava e ficou sem fôlego quando ela o atacou de forma implacável. Assim que controlou os movimentos novamente, ele


pegou uma das tigelas, derramou sobre a vagina sem dizer nada e ficou vendo o chocolate escorrer. — Espetacular — murmurou. Num 69 perfeito, os amantes se deliciaram com o que tanto queriam, proporcionando-se um prazer infinito. Seus corpos roçavam um no outro e ficaram repletos de chocolate. Mas eles não se importavam. — O melhor morango com chocolate que já comi na vida. Mel sorriu, enquanto sugava cheia de prazer, e disse: — Continua... não para. O morango é todo seu. Tudo ao redor deles ficou cheio de chocolate: as mãos, os corpos, a cama, os rostos.... Aquele líquido viscoso e doce cobriu seus corpos enquanto eles desfrutaram um do outro. Quando a sofreguidão permitiu, Björn, que estava por cima, mudou de posição. Mel olhou para a cara dele cheia de chocolate e deu uma gargalhada. Björn levou o pênis lambuzado até a vagina e a penetrou enquanto a beijava. Sem falar nada, várias vezes se fundiu ao corpo dela. Ela levantava o quadril para recebê-lo enquanto o chocolate deslizava entre eles, proporcionando também um doce aroma e um prazer cheio de luxúria. Os gemidos tomaram conta do quarto. Quando Björn se contraiu numa última investida, Mel se agarrou nos ombros dele e gritou ao gozar. Ficaram se olhando, sentiam-se esgotados. — Acho que vai ser uma noite muito doce e interessante — Björn comentou com uma expressão divertida. Com chocolate até as orelhas, Mel sorriu e pegou o celular. — Vem, vamos tirar uma foto — propôs. Contentes, juntaram os rostos sujos de chocolate e Mel posicionou o celular. Às quatro da madrugada, recolheram o plástico em meio a risadas e foram para o chuveiro. Lá a água limpou o chocolate de seus corpos enquanto continuavam com as brincadeiras. Quando finalmente se saciaram, deitaram e dormiram abraçados. Na manhã seguinte, depois de uma noite em que fizeram amor várias vezes, um garçom bateu na porta e deixou uma bandeja com café da manhã. Mel sorriu ao ver rosquinhas de chocolate. — Não aguento nem mais uma gota de chocolate! Riram, tomaram café alegres e voltaram para a casa da família. Chegando lá, a avó os encarou de cima a baixo e moveu a cabeça em desaprovação. — Sua mãe e sua irmã estão na praia com a menina — ela comentou, dirigindo-se à neta. — Aliás, o que vocês preferem de almoço? Pantrucu ou cachopo? — Tanto faz, vovó. — Pergunte ao menino — a mulher pediu. Mel olhou para Björn, que lógico, não tinha entendido nada.


— O que você prefere comer, pantrucu ou cachopo? Björn fez cara de ponto de interrogação, pois nunca tinha ouvido aquelas palavras antes. — Isso é comida? — É. — E você pode me explicar o que são? Com uma expressão animada, Mel sorriu e respondeu: — Pantrucu é um tipo de chouriço muito gostoso que a minha avó faz. Ela enrola em folha de couve, corta e frita. Já o cachopo são filés de vitela recheados com presunto cozido e queijo, empanados e fritos. Para você entender, são empanados enormes. Björn avaliou o que ela tinha dito e então respondeu: — Acho que gosto mais do segundo. — Cachopo, vovó — Mel falou, olhando para a senhora. — Muito bem, Blasinho — Covadonga comentou sorrindo enquanto se afastava. Em seguida, Mel olhou para Björn e perguntou sorrindo: — Quer ir à praia? Minha mãe e minha irmã estão lá com a Sami. Björn concordou e foram até o quarto vestir uma roupa de banho. Sami viu a mãe aparecer com Björn e foi correndo até eles. Björn a pegou nos braços e a menina deu gargalhadas. Aquele gesto tão carinhoso com a criança o fazia se sentir muito bem. Orgulhava-se de ter a menina no colo e Mel segurando sua mão. Aquela sensação de plenitude era maravilhosa. Uma sensação que nunca o abandonava quando estava com elas. Na hora do almoço, voltaram ao casarão onde Covadonga os esperava e, maravilhados, comeram o cachopo que ela havia preparado. À tarde, Mel escapou com Björn e a menina para a praia mais uma vez. A avó estava fazendo mais planos para o Blasinho, mas Mel não estava disposta a dividi-lo com ninguém. — Isso é maravilhoso — disse Björn, olhando a menina que corria com um balde amarelo na mão. — Esse lugar é um dos mais bonitos que já vi na vida. Mel sorriu. — Sim. A praia de La Isla é uma maravilha, e se ainda por cima a gente pega o tempo bom como você pegou, é incrível! — ela respondeu. — Apesar de passear aqui no inverno também ter seu encanto. — Você já passeou muito no inverno por aqui? Mel fez que sim e olhou para a filha. — Já — respondeu. — Mais vezes do que eu gostaria de me lembrar. Björn concordou e, sem querer evitar o assunto, perguntou: — O Mike esteve aqui com você alguma vez?


— Não. — Por que não? Mel suspirou com um sorriso nos lábios. — Porque ele nunca quis. Quem sabe foi porque eu nunca fui realmente importante pra ele. Durante alguns segundos eles se fitaram sem falar nada, até que finalmente Björn murmurou: — Obrigado pela noite tão perfeita que tivemos ontem. — Eu que agradeço. Com o rosto sério, Björn pegou a mão dela. — Quero que saiba que você, a Sami e todos da sua família são muito especiais pra mim. Se você acredita que não foi importante pro Mike, quero que saiba que você é importante pra mim. Tão importante que agora comecei a ver a vida de um jeito diferente, e eu gosto disso. Gosto de estar com você e com a Sami e gosto de sentir que você é minha. Gosto de tudo o que venha de você. — Também gosta da Peggy Sue? — Mel zombou com um fio de voz. — Bom, isso é outra história — Björn riu ao pensar na hamster branca. Mel sorriu. Aquelas palavras significavam muito mais do que ela queria entender. Subitamente ela teve um impulso de sinceridade: — Björn. — Quê? — Tenho que te contar uma coisa. Björn cravou os impressionantes olhos azuis nela e sussurrou com um meio sorriso: — Fala, meu bem. Reunindo a coragem que tinha faltado em outros momentos, Mel ajeitou o boné na cabeça e começou: — Preciso ser sincera com você e dizer que... De repente, o choro de Sami chamou sua atenção. A menina estava no chão, aos prantos. Os dois se levantaram num salto e foram ver o que tinha acontecido. A menina só tinha caído, mas arranhara o joelho. De volta às toalhas, sem que Mel precisasse falar qualquer coisa, Björn abriu a bolsa dela, pegou um band-aid das Princesas, colocou no joelho da menina e disse: — Escuta, princesa Sami, a Bela Adormecida vai fazer você sarar, num passe de mágica a dor vai passar, tchan... tchan... tchan!, para nunca mais voltar. Dito isso, a menina, como sempre, parou de chorar, saiu dos braços da mãe e voltou a correr com o balde amarelo. Björn sorriu e Mel perguntou, espantada: — Como você se lembrou disso? Sorrindo, Björn se aproximou dela de uma forma carinhosa e beijou seu pescoço. — As coisas importantes eu não esqueço, e acabo de dizer que você e a Sami são muito importantes pra mim. E mesmo que essa rata que vocês têm como animal de estimação não seja objeto da minha adoração, vocês são e tudo o que fizer vocês duas felizes também me faz. Vendo Mel encarando-o desconcertada, Björn se lembrou da conversa que tinha sido interrompida minutos antes.


— O que você ia me contar agora há pouco? Mel sorriu, já sem coragem. — Queria dizer que você também é especial e importante pra mim e pra Sami, e fico muito feliz de sentir que você é meu. — Hum... gosto de saber disso — Björn riu. — Píncipeeeeeeee, vem! — gritou a menina. Björn deu um beijo nos lábios de Mel e correu até a criança. Quando chegou ao seu lado, sentou-se com ela no chão e começou a brincar. Mel ficou totalmente confusa, sentindo-se péssima. Björn estava lhe abrindo o coração e, em troca, ela não estava sendo sincera. Os três voltaram a Munique dois dias depois. Björn e Mel tinham que trabalhar e continuar com suas vidas.


23 Os meses se passaram e outubro chegou. Ninguém, exceto eles dois e Eric, sabia sobre seu relacionamento secreto. Os dois amigos tinham conversado em várias ocasiões sobre o assunto e Björn tinha pedido que Eric fosse discreto. Mel não queria que ninguém soubesse de nada e, apesar de Björn não gostar de ela não querer que os dois se apresentassem como um casal na frente dos amigos, decidiu respeitar. Não faria nada que pudesse deixá-la chateada. Numa madrugada, depois de uma noite excitante com Björn e outro casal num dos reservados do Sensations, onde seus únicos desejos tinham sido a fantasia e o prazer, Mel vestiu a calça, tirou o celular do bolso e viu que havia várias chamadas perdidas do número da vizinha Dora e também de seu colega Neill. Preocupada, ela telefonou em seguida e Björn pôde ver que ela levava as mãos à cabeça. Rapidamente ele se aproximou. — Que foi? — Preciso ir. A Sami... está no hospital. — O que aconteceu com ela? Mas Mel cobriu o rosto com as mãos, fora de si, e disse num gemido: — Oh, Deus... Oh, Deus... Sou uma mãe horrível... Eu aqui... aqui... fazendo... fazendo isso! E minha filha... Oh, meu Deus! Desnorteada, Mel não soube o que fazer e Björn a pegou pelo braço para detê-la. — Meu bem, concentre-se. O que foi? — Minha vizinha Dora e o Neill levaram a Sami pro hospital. Pelo visto ela começou a ter febre alta e a Dora se assustou. Ela me ligou várias vezes e, como eu não atendi, ligou para o Neill. Tenho que ir ao Klinik, minha filha está lá. Björn não sabia quem era Neill, mas naquele instante era o menos importante. Só Sami importava. Sem tempo a perder, levou Mel até o carro e dirigiu o mais rápido possível para chegar o quanto antes ao Klinik. Assim que estacionaram de qualquer jeito na porta do hospital, entraram correndo no prontosocorro. Mel viu Dora, Neill e sua mulher Romina e foi até eles. — Onde está a Sami? — perguntou, com o coração a mil por hora. — Ela está bem, Mel. Fica calma — Neill respondeu encarando-a. — Mas onde ela está? — gritou descontrolada. Dora, vendo que a jovem estava fora de si, tentou segurá-la pelo braço para explicar. — Ela está tomando uma injeção e não nos deixaram entrar. — Uma injeção? Por quê? O que ela tem? Romina viu Mel em pânico e começou a explicar rapidamente, — A Sami está com placas de pus na garganta e isso provocou febre muito alta. Não se preocupe, Mel, ela está bem. São coisas que as crianças têm.


Mel se apoiou na parede, levou as mãos ao rosto e escorregou até sentar no chão, sob os olhos de um Björn atônito. Chorou desconsoladamente. Ao saber que Sami estava bem, a angústia de Björn diminuiu um pouco, mas seu coração batia loucamente no peito. Nunca tinha visto Mel assim. Não podia vê-la chorando. Ela era uma mulher dura, forte. Sem pensar duas vezes, ele foi até ela para ajudá-la a se levantar e então a abraçou. Mel aceitou o abraço, trêmula e soluçando. — Calma... calma..., meu bem, a Sami está bem. Não chore, querida, não chore. Dora, Neill e Romina se entreolharam, mas ninguém disse nada. Quem era ele? A mulher o reconheceu: era o mesmo homem que tinha visto no boliche. Naquele momento, uma enfermeira veio até eles e anunciou: — Se a mãe da menina já chegou, pode entrar. Mel imediatamente fez que sim com a cabeça e disse para Dora: — Desculpe não ter ouvido o telefone. Desculpe, Dora. A mulher abraçou a jovem que se soltava daquele morenaço e a tranquilizou: — Quando você saiu, a menina estava bem. As crianças são assim, imprevisíveis. Por isso liguei para a casa do Neill e da Romina. Você sempre me disse que se não pudesse atender, ele deveria ser o primeiro a quem ligar. Anda, vai ver como está a Sami e dê um beijinho nela por mim. Mel desapareceu sem olhar para trás. Os três desconhecidos olharam para Björn, que se apresentou e estendeu a mão para cumprimentá-los: — Björn Hoffmann. As duas mulheres retribuíram o aperto de mão. Os olhos de Björn se cruzaram com os do americano, que se apresentou: — Neill Jackson. Aquele sotaque tão americano doeu nos ouvidos, mas, agradecido, Björn disse em voz baixa: — Obrigado por cuidar da Sami. Muito obrigado. Neill ficou surpreso. Quem era aquele homem? Sem tirar os olhos dele, respondeu: — Obrigado a você por não deixar a Mel sozinha e trazê-la aqui. Ambos pareciam homens responsáveis. — Björn, você leva a Mel e a menina pra casa? — Romina perguntou. — Claro — ele afirmou com toda segurança. Neill pensou por um momento, concordou, pegou a mão da esposa e se virou para Dora. — Venha, Romina e eu vamos levar a senhora pra casa. Assim que se foram, Björn ficou sozinho no corredor. Sentou-se e decidiu esperar. Dez minutos mais tarde, as portas se abriram e ele se levantou quando viu Mel surgir com a menina nos braços. Foi ao encontro delas com um sorriso no rosto. Sami, esgotada, dormia no colo da mãe. — Vocês duas estão bem? — ele perguntou. Mel acenou que sim, estava bem. Abraçar a filha fazia com que se sentisse reconfortada. — Venha — Björn disse, pegando Sami no colo. — Vou levar vocês pra casa. Saíram em silêncio do hospital, mas quando chegaram ao carro Mel parou e olhou para ele.


— Não podemos ir no seu carro. — Por que não? Ela suspirou e explicou com ternura: — O seu carro só tem dois assentos e não quero levar a Sami no banco da frente. Mesmo porque não é permitido. Björn não tinha se dado conta daquele detalhe. Fez menção de dizer algo, mas foi interrompido por Mel. — Volte pra sua casa e vá dormir. Vou pegar um táxi. Com movimentos rápidos, Björn entregou a menina para a mãe. — Não saiam daqui. Vou estacionar o carro e vamos pegar um táxi juntos. — Mas, Björn, não tem necessidade. Björn estava decidido. — Eu prometi que levaria você em casa e vou cumprir minha promessa, entendeu? Mel sorriu. Se alguém podia ser tão cabeça-dura quanto ela, esse alguém só podia ser Björn! Ela ficou olhando enquanto ele estacionava o carro e parava um táxi. Ela deu instruções ao taxista e se acomodou nos braços de Björn sem soltar Sami. Ele a beijou na testa. — Está mais calma? Mel apertou a menina contra o peito e deu um beijo em sua testa. — Me sinto tão culpada... Björn compreendia e afirmou com segurança: — Você é uma excelente mãe, a melhor que Sami pode ter, ouviu? Com um sorriso pálido, Mel fez que sim com a cabeça e o beijou nos lábios. — Você vai me deixar subir? — Björn perguntou. Ela sorriu. — Não. O lar da minha filha é inviolável. Björn não insistiu diante das palvras contundentes de Mel. Quando chegaram, ele pediu ao taxista que esperasse e as acompanhou até a porta do prédio. Beijou Mel na boca e partiu, prometendo ligar no dia seguinte.


24 Uma semana depois, Sami já estava ótima. Depois do almoço na casa de Björn, onde tinham aproveitado a manhã para satisfazer seus desejos, ele e Mel se prepararam para ir juntos buscar a menina na creche. Chegaram à garagem e Björn acionou o controle remoto. Em vez das luzes do Aston Martin, desta vez piscaram as de uma BMW impressionante. Mel viu aquilo e encarou Björn. — Esse carro é seu? Ele concordou. Depois do que tinha ocorrido na noite do hospital, Björn decidiu falar com o irmão e comprar um carro em que pudesse levar a menina. — Sou o James Bond, o que você esperava? — ele respondeu, com uma expressão divertida no rosto. Morrendo de rir, Mel caminhou até o carro. Quando entrou, soltou um assobio. — Tem cheiro de novo. — Porque é. — Então perguntou, olhando-a nos olhos: — Você viu o que tem no banco de trás? Mel ficou sem fala. Ali estava uma cadeirinha nova. Rosa. Das Princesas da Disney. — É o carro da Sami e ela merece o melhor — Björn anunciou. Perplexa, Mel sorriu. Não conseguia acreditar: Björn tinha comprado um carro para levar sua filha. Incrível. Quando chegaram na creche, foram juntos até a porta. A menina gritou na hora em que saiu e viu Björn. — Píncipeeeeeeeee! Ele sorriu e, sem pensar duas vezes, pegou no colo a loirinha com a coroa de princesa. Cada vez gostava mais dos encontros com aquele anjinho de olhos azuis. Aquelas duas mulherzinhas com seus modos e suas maneiras de ser, o tinham conquistado completamente. Mel piscou várias vezes antes de dizer: — Nem te conto o quanto ela vai gostar de você quando vir a cadeirinha nova. Björn sorriu e pegou Mel pela cintura de um jeito carinhoso. — Venha, está chovendo. O que vocês acham de a gente ir tomar um sorvete no shopping? Mãe e filha concordaram, entraram na BMW e Björn as levou até o shopping, como prometido. Lá, depois de tomarem sorvete, ele comprou um grande pacote de doces para Sami. — Por que você comprou isso? — Mel protestou. — As crianças gostam. Mel viu a menina colocar dois marshmallows na boca de uma vez e começar a mastigar. — Claro que gostam — rebateu. — Mas a gente precisa controlar os doces, senão elas podem passar mal.


— Não fala bobagem — ele respondeu, achando graça. — Deixa a menina comer. Mel concordou, não muito convencida. Se a filha comesse tudo o que tinha dentro daquele pacote enorme, passaria mal. Passearam de mãos dadas pelo shopping e Sami foi correndo na frente. Entraram em várias lojas e depois se sentaram para tomar café. Foi então que Björn, curioso, fez a pergunta: — De onde você conhece aqueles americanos? — Quais? — Esse tal de Neill Jackson que estava outro dia no hospital e os outros que vi com você no boliche. Mel pensou em mentir, mas algo dentro dela se rebelou. Deu uma olhada na direção da filha e decidiu dizer a verdade: — Me chamo Melanie Parker Muñiz. — Como? — Meu pai é americano. — O quê? — Meu pai é americano. Mora no Texas e... — Você é americana? Mel ficou nervosa ao ver a expressão dele. — Meu pai é americano, e mesmo que eu tenha nascido na Espanha, não vou negar que me criei em Fort... Mas não pôde continuar. Björn, furioso, pediu que ela ficasse quieta e a encarou com firmeza. — E por que você não me contou? Por que inventou essa história de que o seu inglês é americanizado porque você trabalhou na American Airlines? O coração dela batia a mil. Havia muito mais que ele ainda não sabia. — Escuta, Björn. — Porra, americana?! A coisa piorava segundo a segundo. Mel tentou se explicar: — Só não te contei antes porque você não gosta de americanos e tive medo de que quando você ficasse sabendo... O celular dele tocou. Mel olhou para a tela e viu o nome de Agneta. Aquilo a deixou irritada. Vendo que Björn não atendia, mudou o tom de voz e perguntou: — Não vai atender? — Estou falando com você — ele rebateu num tom duro que Mel não gostou. O celular continuou tocando e nenhum dos dois falou ou se mexeu. Estava claro que alguma coisa os incomodava. Finalmente, Björn pegou o telefone e interrompeu a chamada. O humor de Mel tinha se alterado. Ela não conseguia entender por que ele rejeitava assim os americanos. — Neill e os outros eram amigos do Mike? — ele perguntou.


Por um momento, ela ficou na dúvida sobre o que responder. Por um lado, queria continuar contando a verdade. Tinha necessidade de dizer a ele quem ela era e o que fazia da vida, mas, por outro, sabia que, se contasse, aquele belo dia que estavam vivendo acabaria. Ficou na dúvida. Pensou. Neill, Fraser e Hernández tinham conhecido Mike. Acabou optando por contar uma meia verdade. — Sim. Eram amigos do Mike, mas também são meus amigos. São pessoas importantes pra mim e eu os adoro e tenho carinho por eles, que também adoram a minha filha. E por mais que isso te deixe zangado, sou meio americana. Björn olhava para ela com uma expressão de mal-estar absoluto. Não restava dúvida de que tinha estragado o dia. — Esses americanos são minha família, meus amigos. Eles... — Porra... não consigo acreditar. — Ele olhou para ela e avisou: — Deixe esses caras longe de mim, entendeu? Sentir a hostilidade que Björn tinha por seus amigos sem nem mesmo os conhecer magoou Mel. Ela estava disposta a defender os homens que tantas vezes já tinham se arriscado por ela. — Eles não vão deixar de ser meus amigos nem por você nem por ninguém — murmurou irritada. — E, sim, sou meio americana e tenho muito orgulho disso. Portanto, você decide se quer continuar a sair comigo ou pode tratar de me esquecer imediatamente, porque não sou eu que tenho que decidir, entendeu? Dito isso, se levantou e foi andando até a filha. Porém, antes que chegasse até ela, Björn já tinha agarrado sua mão e a puxado para junto dele. Começou a beijá-la. Assim que seus lábios se separaram, ele murmurou: — Entendi. Eu entendo o que você quis dizer. Mas ela ainda estava ofendida. — Posso saber o que você tem contra os americanos? — Mel perguntou. Björn foi sincero: — Meu pai ficou viúvo quando eu era pequeno. Ele conheceu uma mulher chamada Grete, com quem acabou se casando. Como estava apaixonado, ele colocou tudo o que tinha no nome dela assim que ela ficou grávida do meu irmão Josh. Ela nunca foi um tipo de mãe exemplar. Não se preocupava com o meu irmão nem comigo, mas meu pai a amava e pra mim aquilo era o suficiente. Alguns anos depois, um militar americano chamado Richard Shepard virou nosso vizinho e logo ele e Grete se tornaram amantes. Foi então que ela nos abandonou. — Mas, Björn, isso que você está me contando pode acontecer com qualquer um, sem a necessidade de ser americano. Eu, por outro lado, tenho um amigo americano cuja mulher foi embora com um alemão e... — Richard Shepard — Björn a interrompeu de forma implacável — era um grande advogado do exército americano. Quando o meu pai e Grete se divorciaram, eu tinha acabado de me formar e meu pai fez de tudo para que eu o representasse. Tentei por todos os meios lutar contra as reivindicações que aquele homem fazia, tentei chegar a um acordo benéfico para as duas partes. Só que a experiência dele era muito superior à minha e ele fez questão de demonstrar isso da maneira mais


suja e mesquinha. No fim, meu pai teve que dar a Grete e a esse homem quase todo o seu patrimônio. Por sorte, meu irmão Josh tinha se tornado maior de idade naquele ano, do contrário teria de ir morar com eles em Oregon. Aquilo deixou meu pai arrasado. Não só tinha perdido mais uma vez a mulher que amava, como também perdeu tudo o que tinha lutado durante muitos anos para conquistar. Ele teve que recomeçar do zero. Josh e eu o ajudamos em tudo o que pudemos enquanto a gente seguia adiante com nossas próprias vidas, e hoje em dia meu pai vive bem, tem seu negócio e sua casa. A raiva pelo que aquele filho da puta fez com ele é o que me faz odiar os militares americanos. Mel se comoveu pela forma como Björn tinha aberto o coração, mas aquela história a deixava horrorizada. — Sinto muito, Björn. Sinto muito, querido... — ela sussurrou, tocando o cabelo dele. Ele concordou e acrescentou, olhando para Mel: — E agora chega você, a mulher mais atrevida, brigona e linda que conheci na vida e por acaso é meio americana. E, sabe de uma coisa? Não consigo te odiar. Te conhecer está mudando a minha vida de um jeito que você nem imagina e quero continuar. Por isso, senhorita Melanie Parker Muñiz, quer fazer o favor de me dar um beijo pra eu ficar quieto e parar de falar coisas de que posso me arrepender mais tarde? Com o coração acelerado, Mel sorriu e o beijou. A fascinação que lhe provocava aquele homem estava sendo ofuscada pelo pensamento de que não tinha sido totalmente sincera com ele. Tinha escondido mais uma coisa. A menos de sessenta metros dali, no shopping, Judith estava fazendo compras. Logo que reconheceu Björn e sua amiga Mel se beijando com paixão, ficou sem ação. Incrédula, entrou apressada numa loja para não ser vista. Björn beijou Mel, pegou Sami no colo e a colocou sobre os ombros. — Filhos da mãe! — Judith murmurou, chocada. Lá estavam aqueles dois, seus amigos, se beijando e brincando de casinha, só que na frente dela fingiam que queriam se matar. Ficou observando por um bom tempo. Era evidente que aquela não era a primeira vez que saíam juntos. Era só ver aquela cumplicidade para deduzir que já tinham saído mais vezes. Em seguida, sem nem pensar, pegou o celular da bolsa e ligou para Mel. Queria ver sua reação. Quando o telefone tocou, Mel o tirou do bolso da calça. Viu que se tratava de Judith e fez um sinal para Björn não falar nada. — E aí, bonitona? — Judith disse. — Oi, tudo bem? — Tudo. Tudo maravilhoso — Judith comentou de dentro da loja. — Nossa, estou ouvindo uma confusão. Onde você está? — Numa loja de doces com a Sami — Mel respondeu, passando a mão no cabelo. — Por quê? — Estou perto da sua casa e queria te ver — Judith respondeu e continuou sem deixar a amiga falar: — Na verdade, queria te convidar pra almoçar no sábado. O Eric organizou um almoço com os


amigos do basquete e eu ia gostar muito se você e a Sami viessem. O que me diz? Mel pensou rápido. No dia seguinte sairia de viagem, mas com certeza voltaria na sexta. — Maravilha. Sábado é bom pra mim. — Perfeito! Então te espero por volta do meio-dia, tá? — Estarei lá. Despediram-se, desligaram o telefone e, em seguida, Judith ligou para Björn. Na mesma hora ele tirou a menina dos ombros e a entregou para Mel antes de atender o telefone. — Oi, linda. Mel sorriu ao ver que se tratava de Judith e se afastou com a filha. — E aí, bonitão, como vai a vida? — Bem. Estou enrolado com o trabalho, mas tudo bem. — Você está muito ocupado? Björn seguiu Mel com o olhar e viu que ela corria atrás de Sami. — Demais! Judith sorriu ao ver sua cara de bobo. — O Eric te ligou? — ela perguntou. — Não, por quê? Aconteceu alguma coisa? — Ai, mas que cabeça a dele! — Jud respondeu. — No sábado ele organizou um almoço com os caras do basquete, você vem? — E antes que ele respondesse, completou: — Aliás, convidei minha amiga Mel, você não liga, né? Sem tirar os olhos da mulher de quem ela falava, ele respondeu: — Escuta, moreninha, por acaso você quer ver eu e a Ironwoman nos matando? Você já sabe que a gente não se suporta e... — Vem... faz isso por mim — ela interrompeu. — Você sabe que eu adoro a Mel e ela não tem muitos amigos em Munique. Pensei que um dos caras solteiros do basquete pudesse servir pra ela. — Servir?! Judith soltou uma gargalhada e respondeu: — Quando digo que podem servir, quero dizer que pode surgir alguma coisa entre ela e um deles. Ainda que a Ironwoman não seja o seu estilo de mulher, tenho certeza de que ela deve ser o estilo de algum outro homem, você não acha? A expressão de Björn mudou totalmente. Aquilo não era nem um pouquinho engraçado. Ver Mel, a sua Mel, entre os colegas de basquete como se fosse um troféu para ser conquistado o irritou. — Tá. Eu vou. — E pra você ver como sou boazinha, não vou achar ruim se você trouxer a Fosqui junto.


— A Agneta? — ele perguntou confuso. — E por que você quer que eu leve a Agneta, se você não a suporta? Judith conteve uma risada. — Faço isso pra você perceber que quero te ver feliz. Do mesmo jeito que estou procurando um cara pra minha amiga, quero que você também fique feliz. Björn nem pensou. A última coisa que queria era ver Mel e Agneta no mesmo lugar. — Não sei, Jud. Não sei se ela vai. Está muito ocupada na CNN. E agora preciso desligar, tenho umas coisas pra fazer. Um beijo. — Um beijinho, bonitão. Assim que desligou o telefone, Judith soltou uma gargalhada. Björn voltou a colocar Sami nos ombros e agarrou Mel pela cintura, e Judith tirou uma foto para imortalizar o momento. Aquilo ia ser divertidíssimo. Depois ligou para Eric e, sem contar o que tinha visto e o que pretendia, disse: — Oi, querido. Estou fazendo umas compras e fiquei pensando... O que você acha de organizar um almoço no sábado pros seus colegas do basquete? Depois do telefonema de Judith, Björn ficou pensativo. — Você gosta de algum dos caras do basquete? — perguntou a Mel. Sem saber a razão da pergunta, ela pensou nos homens e respondeu: — Tem uns dois que não são tão ruins assim. — Porém, ao ver a expressão dele, perguntou: — Ué, mas o que foi? Björn não queria ficar dando voltas. Ele a beijou e então propôs: — O que vocês acham de irem lá em casa? Gostando da proposta e sem querer saber o que estava acontecendo, Mel concordou e os três desceram para o estacionamento do shopping. Durante o trajeto, Sami os encantou com uma música aprendida na creche, e Mel cantou junto. Björn dirigia e as escutava até que a menina se calou, fez um barulho e um cheiro azedo e peculiar tomou conta do carro. — Porra... — Mel falou entre dentes ao perceber o que tinha acontecido. — Mami... — Sami começou a chorar. Björn enrugou o nariz. — O que aconteceu? Que cheiro é esse? — A Sami estreou o seu carro. O carro está oficialmente inaugurado! — Quê? — Ela vomitou. — Não brinca! Mel reprimiu a vontade louca que tinha de matá-lo por ter insistido que a menina se acabasse de tanto comer doces.


— Pare assim que der, Björn. Ele acionou a seta para a direita e parou o carro. Quando olhou para trás e viu a menina, exclamou horrorizado: — Porraaaaaaaa! Sem dizer nada, a menina estendeu as mãozinhas sujas e Mel foi até lá para abrir a porta. — Eu disse. Muitos doces não fazem bem e a Sami acabou vomitando! Tirou a menina do carro com rapidez e a limpou com lencinhos umedecidos enquanto Björn as observava. Por sorte, ela não tinha vomitado tanto assim. Assim que Mel terminou com a filha, olhou para Björn e perguntou: — Você não vai limpar o carro? Ele olhou para trás e exclamou, horrorizado: — Que nojo! Afff, que horror! Mel revirou os olhos. Sem reclamar, abriu todas as portas do carrão, pegou lenços umedecidos e limpou a cadeirinha da filha e o encosto do assento. Quando terminou, olhou para Björn: — Só assim você vai aprender que não se compra um pacote enooooooorme de doces para as crianças. E também vai aprender que é praticamente impossível ficar com o carro limpo e perfeito quando se tem um filho. E isso eu te digo porque uma vez você me chamou de “porca” no meu próprio carro. Assim que o cheiro azedo passou um pouco, os três entraram no carro de novo. Na porta da garagem do prédio, Björn ficou surpreso ao ver Agneta esperando por ele. Cruzou um olhar com Mel, se desculpou e desceu do carro. Agneta viu que quem o acompanhava era a amiga insuportável de Judith e torceu o nariz. — Te liguei mil vezes — Agneta falou entre dentes quando Björn se aproximou. — Agora entendi por que você não me atendeu. Björn franziu a testa. — E o que você está fazendo aqui? Agneta respondeu com um olhar cheio de reprovação: — Vi você com ela várias vezes no Sensations. É por isso que você não atende quando eu ligo? Por acaso ela tem exclusividade? — Agneta... — Faz uns três meses que a gente não se vê. Te ligo e você não me atende. Deixo mensagens na secretária e você não responde. Pode me dizer o que está acontecendo? Irritado, Björn chegou mais perto dela. — Não te entendo. Sempre fizemos o que nos deu prazer e temos consciência de que somos livres pra fazer o que nos der na telha. O que significa isso? Por acaso você não sai com o Ronald Presmand ou o Harry Delored ou... Quer que eu continue? — Mas você também sai com a Maya ou a Kristel, ou eu... eu... — Agneta — ele interrompeu com a voz grave —, a gente é livre pra sair com quem quiser. Entre mim e você, sempre foi claro que só existia sexo. Por que isso agora?


— Ela... Por causa dessa... Essa imbecil que está te esperando no carro — rebateu, apontando o veículo. — O que existe entre mim e ela é diferente — Björn respondeu sem olhar para onde ela apontava. — Não volte a insultá-la nunca mais, entendeu? O discurso carregado de irritação foi um alerta para Agneta, que nunca tinha visto Björn reagir assim. Como ela não sabia o que responder, ele retomou a palavra: — Quero que você vá embora e aceite que entre nós só existe sexo sem compromisso, nada mais. Nunca existiu exclusividade entre nós e pode ter certeza de que nunca vai haver. Agneta ficou nervosa ao ouvir aquelas palavras que nunca tinha esperado ouvir dele. Ergueu o rosto, mirou com fúria na direção de Mel, que os observava de dentro do carro, e respondeu: — Certo. Quando você cansar dela, vai me ligar. Assim que ela foi embora, Björn se virou, caminhou até o carro e entrou. Sem dizer nada, acionou o comando para abrir a garagem. Mel sussurrou em seguida: — Escuta, sério... Se você quiser, eu a Sami vamos embora e... — Mel — ele interrompeu e então confessou com o tom de voz mais suave: — O que eu mais quero neste momento é estar com você e com a Sami. Não faça nenhum prejulgamento, mas você não é ela, entendeu? Mel concordou com a cabeça. O portão se abriu e Björn conduziu o carro até a vaga. Quando entraram em casa, a menina olhou ao redor: ela adorava aquele lugar enorme. Mel, que já conhecia a pecinha muito bem, pegou a mão da filha e recomendou: — Lembra, Sami, não pode tocar em nada. Entendeu, meu bem? A menina fez que sim. Naquele momento tocou o telefone da casa. Como ninguém atendeu, a ligação caiu na secretária eletrônica e logo se ouviu a voz de uma mulher. — Oi, meu amor, é a Kristel, como você está? Liguei no seu celular, mas você não me atende. Me liga. Morro de vontade de estar com você. O rosto de Mel se contraiu ao ouvir aquilo tão pouco tempo depois do que tinha acontecido na porta da garagem. Onde estava se metendo? Björn olhou para ela e quis dizer algo, mas Mel se controlou, levantou a mão e se adiantou: — Não fala nada. Não quero saber. Somos adultos e solteiros. Não é preciso dizer nada. Foram até a cozinha em silêncio. — O que vocês querem comer? — Björn perguntou ao chegarem lá. Mel olhou para a geladeira e respondeu com indiferença: — A Sami vai comer um sanduíche. Tem presunto e pão de forma? Björn respondeu que sim, entregou o que ela pediu, e Mel começou a preparar. Ele a abraçou por trás. — Que foi? — Estou furiosa... me deixa. Não quero me sentir mais ridícula do que já me sinto agora. Incapaz de ficar quieto, Björn murmurou:


— O que nós temos é especial... — Mas o que nós temos? O que estamos fazendo? Björn entendeu o que ela queria saber. — Temos um relacionamento, querida. O nosso relacionamento. Lembro que nas Astúrias eu te disse que sentia como se você fosse minha e você me disse que me sentia seu. Isso explica tudo, não explica? — Mel não respondeu e ele prosseguiu: — O que nós temos é algo bonito que você se esforça pra esconder de todo mundo. Por que você não quer que os nossos amigos saibam? Ela não respondeu. — Você sabe que é especial pra mim — Björn insistiu. — Sabe que desde que entrou na minha vida, só existe você. Sabe que... que... Mel notou que ele hesitava. — Que o quê? — Mel, eu sinto algo muito forte por você. Gosto do sexo. Adoro o sexo, mas sem você, pra mim o sexo não é a mesma coisa. Nunca entendi melhor do que agora o que meu amigo Eric sentiu quando conheceu a Judith. Ele me explicava que sem ela os jogos não tinham sentido porque o prazer desaparecia. E isso foi o que aconteceu comigo quando te conheci. Você se tornou tão importante pra mim que nem penso mais em ir ao Sensations ou a nenhuma festa com outra mulher, porque meu único desejo é estar com você. Só quero brincar com você e curtir com você. O ciúme me consome. Odeio pensar que outros possam sorrir ou se insinuar pra você, quando estiver viajando a trabalho, e que você transe com eles. Me irrita e me perturba te imaginar com qualquer homem se eu não estiver junto. Eu te considero algo meu, algo que ninguém pode desfrutar, só eu e... — Björn — Mel interveio passando as mãos pelos cabelos escuros: — Eu também sinto algo muito forte por você e quero que fique tranquilo. Quando estou viajando não tenho olhos pra ninguém, pois só consigo pensar em você. Nunca ficaria com outro homem enquanto nós dois estivermos juntos, porque você é meu maior desejo e... Björn não a deixou terminar. Aproximou-se dela e a beijou com sofreguidão. — Estou tão bem com você que começo a ter medo de que alguma coisa ou alguém possa estragar tudo — ele disse quando se separaram. Mel deu um sorriso. — Não existem outras pessoas, Björn. Isso é algo só entre mim e você, querido. — E por que você não quer que ninguém saiba? O sentimento de culpa lhe martelava a cabeça. — Porque tenho medo de que a nossa vida caia na rotina — ela respondeu por fim — e que a atração que existe entre a gente desapareça. Acho que esse segredo aumenta o sentimento excitante de que é algo um pouco proibido e... — Mas como você é malvada. — Björn riu. — Muito... muito malvada — Mel reconheceu, ao ver que tinha conseguido convencê-lo. Ele fez que sim com a cabeça e Mel lhe deu um último beijo. Desvencilhou-se daquele abraço e


saiu toda descomposta atrás da filha. Como podia ser uma pessoa tão má? Björn se lembrou de que tinha uma surpresa na geladeira e foi até lá buscar. Enquanto Mel dava o lanche a Sami, picou algumas frutas e assim que tudo ficou pronto, levou até a sala de jantar, onde elas o esperavam. Mel sorriu ao ver aquilo e Sami esqueceu-se do sanduíche para se concentrar no tentador chocolate derretido. Durante algum tempo, os três riram e a pequena o lambuzou todo. Queria ser a primeira a experimentar. Já de barriguinha cheia, Sami sentou-se no chão e começou a tirar todos os seus brinquedos da bolsa enorme de sua mãe. — Mas isso é uma bolsa ou uma loja? — Björn zombou. Deixando de lado o que tinha acontecido minutos antes, Mel se pôs a explicar com um sorriso cativante no rosto: — Quando a gente vira mãe, a bolsa se transforma num armazém de brinquedos. Não conheço uma só mãe que não tenha uma bolsa mágica. Björn notou que a menina estava dando uma pequena trégua, por isso molhou uma fruta no chocolate e murmurou para provocar Mel: — Abre a boca. — O que você pretende fazer? Minha filha está vendo — ela perguntou, achando graça. — Abre a boca e você vai ver. Mel fez o que ele pedia. Björn deixou cair umas gotas de chocolate no lábio dela e colocou a fruta em sua boca. Em seguida a puxou para junto de si e limpou o chocolate com a língua. — É assim que vou molhar meu morango e comer depois — ele provocou. Acalorada, Mel deu uma risada. Björn viu de canto de olho que Sami continuava entretida com a bolsa da mãe. — Ela não está com sono? — ele perguntou, olhando para a menina. — Não... ela dorme à tarde na creche. — Merda! — Sim... merda! Björn sorriu. — Te desejo — ele murmurou. — E eu a você... ainda mais depois de saber o que pretende fazer com o “seu morango”. — Ambos riram. — Mas quando a gente tem filhos, o sexo fica em segundo plano, píncipe safado. Björn queria tirar a roupa dela e jogar chocolate nela todinha como naquele dia no hotel. Ele sorriu, mas o sorriso se congelou na boca quando viu que Sami estava em frente à estante onde ficavam guardadas suas joias musicais de vinil. Horrorizado, viu a menina pegando um dos discos com as mãos sujas de chocolate e depois jogá-lo no chão e sentar em cima. Mel notou a expressão de pânico no rosto dele, virou para ver o que Björn estava olhando e se levantou do sofá num salto para correr até lá e resgatar o vinil debaixo do bumbum da criança. — Não pode pôr a mão, Sami. É de gente grande — Mel repreendeu.


— Mas eu gostooooooooo. Björn pegou o disco das mãos dela e o olhou com atenção. Reprimindo o que queria dizer de verdade, murmurou com tom suave: — Não tem problema. Mel sorriu. — Vamos, pode reclamar, senão sua cabeça vai explodir. Björn aceitou a deixa. — Porra! Esse vinil é um clássico do Jim Morrison! — Olhou para Mel e quando viu a cara que ela fazia, acrescentou em seguida: — Desculpa, mas não estou acostumado a ter crianças na minha casa. — Percebe-se — Mel comentou. — Isso aqui é o paraíso da destruição para uma criança. Eles têm tudo à mão! Se você pretende que a minha filha volte aqui, acho que vai ter que repensar algumas coisas, não é mesmo? De repente a televisão ligou a todo volume. Sami estava com o controle nas mãos. Com um dedinho foi apertando todos os botões e mudando de canal. Os dois foram correndo até ela e Björn tirou o controle da TV caríssima da mão da criança: — Não pode? — Sami perguntou olhando para ele. — Não, princesa. — Tá... — e deu de ombros. Mel foi até Björn e olhou para ele, sorrindo. — Muito bem, píncipe... fez direitinho. Mas naquele instante ouviram um barulho de coisa caindo no chão. Logo perceberam que se tratava de uma estátua. A menina olhava para eles com as mãozinhas levantadas. — Epa! Caiu sozinho! Björn foi até lá. Mel suspirou e sentenciou: — Hora da morte: seis e meia. Descanse em paz. Ele fez menção de protestar, mas ela não deixou. — Prometo que vamos abrir nosso cofrinho e comprar uma estátua mais bonita. Björn viu que ela estava envergonhada e mostrou um sorriso. — Nem pense nisso... — respondeu, beijando o pescoço dela. — Não se preocupe, a Sami é criancinha. Porém, dois minutos depois, quando a criancinha deixou marcas de mão por toda parte, já não pensava assim. Björn queria que aquele diabinho de olhos azuis sossegasse. Esquecendo-se de Mel, foi até a menina e perguntou: — Do que você quer brincar, Sami? — De pincesaaaaaaaaaas e cavalinhoooooos. Mel deu risada. Sabia o que a filha queria dizer. Sem que Mel fizesse nada, a menina foi até a


bolsa e tirou de lá coroinhas rosa com pedrinhas de brilhante e vários pôneis pequenos. Pôs uma coroa na mãe e foi andando para pôr outra em Björn, que protestou olhando para Mel: — Eu tenho que pôr isso? — Arrã... e escolher um pônei. O rosa de pintinhas amarelas não, porque é o preferido dela. Com a coroinha na mão, a menina olhou para Björn e instruiu: — A mami é a pincesa Banca de Neve e você é a pincesa Bela. — Belo, pelo menos! — Nãooooo. — Sami colocou a coroa na cabeça dele e reforçou: — Você, pincesa Bela. — Princesa Bela, quer que a gente passe batom em você? — Mel perguntou a Björn, já entrando na brincadeira. Ele ficou confuso e não soube o que dizer, mas Sami sorriu. Um sorriso que o tocou no fundo do coração. Por fim, ele aceitou. — Tá, mas não contem pra ninguém. Mel concordou, morrendo de rir, e, contra qualquer previsão, Björn desfilou com uma bela coroinha na cabeça por mais de 45 minutos, deixou Sami passar batom nele e brincou de correr com os pôneis. Finalmente, para dar uma mãozinha, Mel propôs: — Sami, quer ver desenho? — Quelooooooooo! Mel pegou o controle da TV e começou a procurar desenho animado. Parou na Dora, a Exploradora e a pequena se sentou no chão, desligando como se tivesse um botãozinho. Parou de falar, de correr e de pedir coisas. Björn ainda estava perplexo pelo que tinha acontecido na última hora. Sentou-se no sofá e olhou para Mel, que tinha uma expressão divertida no rosto. — Por que você não colocou desenho antes? — ele perguntou. — Porque queria que você curtisse um pouco a criancinha. — Você é malvada. Já te disse isso alguma vez? Mel sorriu. — Sim, mas nunca com uma coroinha e os lábios vermelhos. O bom humor de Mel levou Björn a fazer cócegas na barriga dela. Assim que parou, os dois se levantaram e foram até a cozinha para levar as frutas e o chocolate que tinham sobrado. Mel pegou papel-toalha, deu um beijo carinhoso em Björn e limpou seus lábios. — Onde você comprou esse chocolate tão gostoso? — Numa delicatéssen. Parece que esse aqui é pra aquecer e brincar. — Mel sorriu e ele acrescentou em tom carinhoso e provocante: — O do seu morango fica pra outro dia. Não vejo a hora de te comer outra vez com chocolate. Mel o beijou.


— Sabe que você está muito sexy de coroinha? — Coroinha... você vai ver só — Björn respondeu, apertando-se nela. Alguns beijos calientes no balcão da cozinha deixaram os dois muito excitados. Desejavam-se. Necessitavam um do outro. Sem querer, nem poder evitar, com um olho na entrada da cozinha, Björn abriu a calça dela, virou-a de costas e abaixou a sua. — Odeio rapidinhas, mas acho que não temos outra opção. Mel concordou. Não tinham outra opção e ela o desejava. Escolheu um lugar onde a menina não os podia ver, mas de onde podiam controlar o que ela fazia. — Anda... Ela se agarrou ao balcão que escondia seu corpo e Björn tirou uma das pernas dela de dentro da calça e da calcinha. Assim que Mel ficou livre, ele abriu suas pernas e passou a mão pela vagina molhada. — Surpreenda-me. O que você quer que eu faça, linda? — Me come. Ele se posicionou atrás dela, tirou o pênis de dentro da cueca e, sem preliminares, abriu Mel com os dedos e a penetrou. Ela teve um sobressalto e perdeu o fôlego. — Shhh... não seja escandalosa, pincesa Banca de Neve — Björn riu. Mel concordou com a cabeça. Disposta a que ele sentisse o mesmo, moveu o quadril e Björn gemeu em resposta. — Shhh... pincesa Bela, não levante a voz. Ele a agarrou pela cintura e sorriu ao penetrá-la várias vezes num jogo prazeroso e implacável que o deixou muito excitado. Mel curtiu e deixou que ele a controlasse. Estava morrendo de vontade de sentir o que ele tinha para oferecer e deixou toda a iniciativa por sua conta, concentrando-se apenas em aproveitar o momento. E então gozaram. Ficaram sem se mexer por alguns minutos. Em seguida, Björn pegou papel-toalha, limpou os dois e deu um tapa carinhoso na bunda dela. — Veste a roupa antes que eu tenha vontade de começar de novo. Contente, ela se recompôs. Virou-se de frente para ele e se aproximou de seus lábios. — Vou sentir saudades de você nos próximos dias — ela confessou. — Por que vai sentir saudades? — ele perguntou surpreso. Mel não disse a verdade sobre a viagem. — Amanhã tenho que ir trabalhar e vou ficar uns dias fora. — Vai voar? — Vou. — Aonde você vai?


— Escócia — ela respondeu sem pensar. — E quando você ia me contar? — Ué, agora. Björn franziu a testa. As viagens dela o deixavam cada vez mais tenso. Como se não bastasse, os escoceses tinham fama de mulherengos. Não queria perdê-la de vista. Mel sorriu e ele sorriu também. — Quero ver você vestida de aeromoça — ele sussurrou. — Me liga quando chegar e vou te buscar no aeroporto. Mel soltou uma gargalhada e, sem responder, foi até a sala, onde a filha a esperava. Naquela noite, depois do sexo escondido na cozinha, Björn convidou Mel e a filha para dormirem lá, mas ela não aceitou. No dia seguinte teria que voar. Björn ficou sozinho em casa e olhou ao redor depois que Mel e Sami foram embora. O caos que reinava na sala era impressionante e seu carro cheirava a vômito. Mesmo assim, ele foi dormir com um sorriso no rosto.


25 No sábado, depois de voltar da viagem, Mel chegou à casa de Judith e sorriu ao ver o carro de Björn estacionado. Desejava muito vê-lo. Desde a última tarde na casa dele não tinham se visto mais, só tinham se falado pelo telefone. Judith viu o utilitário da amiga chegando e saiu para recebê-la. Cumprimentaram-se com dois beijinhos. — Como está a minha princesa preferida? — Beeeeeeeeeeeem! — a menina gritou. — Vem, Sami — Flyn chamou. — Vamos ver os gatinhos. A pequena correu atrás do menino e Judith explicou: — Tem uma gata que deu cria no jardim. O Eric anda soltando fogo pelas ventas, e Susto e Calamar já os adotaram. O Flyn está que nem louco com os filhotinhos. Aliás, você quer algum? Mel sorriu e recusou: — Não, obrigada. Na minha casa não cabe nem um alfinete. Já dava para notar que Judith estava grávida. Mel tocou sua barriga e perguntou: — Como você está? — Superbem. Essa gravidez está sendo tão diferente da primeira que quase não acredito. Em cinco meses, nem vômitos, nem nada do tipo. — Que sorte — afirmou Mel. — Porque eu, grávida da Sami, não parei de vomitar até o dia do parto. Foi horrível! As duas moveram a cabeça compreendendo uma a outra e Jud, tocando a barriga enquanto caminhavam para o interior da casa, comentou: — Desta vez o gordinho está se comportando muito bem. O apelido fez as amigas rirem. Quando entraram na casa, Mel não viu a mulher que sempre a recebia com um grande sorriso. — Onde está a Simona? — A irmã operou e ela foi com Norbert pra Stuttgart por uns dias pra ajudar. Mel viu Björn na sala. Seus olhos se cruzaram, mas ele logo disfarçou. Vestindo uma calça jeans de cintura baixa e uma camiseta branca, ele estava sexy... sexy demais! Desejou ir até ele, seu corpo pedia, mas se conteve. Não deveria. Em vez disso, cumprimentou todos os outros. Quando chegou a Björn, ele comentou, olhando-a nos olhos: — Ah, se não é a namorada do Thor quem chegou. — E antes que ela soltasse uma das suas, acrescentou: — Finge que eu não existo, boneca. Eu agradeço. Mel sorriu, ergueu as sobrancelhas e disse entre dentes:


— Boneco... Você vai ter uma velhice péssima. Judith, Mel e os que estavam ali em volta deram risada. Björn desaprovava com a cabeça e bebia cerveja da garrafa. Nem pensava em responder. — Vem, Mel — Judith chamou. — A gente tem que se afastar das más vibrações. Os lábios de Björn se curvaram num sorriso enquanto ele a observava com os olhos semicerrados. Ela estava linda com o jeans simples e uma camiseta escura. Minutos depois, o celular de Mel apitou. Uma mensagem. Lançou um olhar disfarçado para Björn e riu ao ler: “Tô morrendo de vontade de te beijar.” Judith, que andava de olho em tudo, sorriu quando viu Sami literalmente se jogar em Björn. O sorriso do amigo ao beijar a menina a deixou toda arrepiada. — Acho que você devia fazer as pazes com o Björn — ela disse, puxando Mel de canto. — Com esse convencido? Por quê? — Você viu só como ele gosta da Sami? — Judith perguntou, apontando Björn, que estava rindo por algo que a menina lhe dizia. Mel olhou e fingiu não dar importância. — Ela é criança e tem toda a liberdade de ser simpática com quem quiser. Mas não se preocupe, quando crescer ela vai aprender a não chegar perto desse tipo de idiota. Durante o almoço, Judith colocou Mel sentada entre dois solteiros do basquete: Efrén e Tyler, os últimos a entrarem para o time. Encantados, eles encheram Mel de atenção o tempo todo. Judith, sentada entre Björn e o marido, observou disfarçando como o amigo tentava ouvir o que Mel e os outros dois conversavam e precisou conter uma gargalhada ao ver a cara que Björn fez quando Tyler pegou Sami no colo e ela se desmanchou em risos. — Que casal bonito eles formam, não é? — Judith comentou. Björn sabia a quem ela se referia, mas se fez de desentendido. — Quem? — Ué, a Mel e o Tyler. Os dois são solteiros, bonitos e pelo que eu vejo, o Tyler gosta de crianças. Acho que seria o par perfeito para a Mel. Björn olhou para os dois, que conversavam. Uma fúria o queimou por dentro. — Se você acha... — ele respondeu apesar de tudo. Não quis dizer mais nada. Logo se deu conta de que era incapaz de se mostrar alegre e conversador como sempre. Ficou tenso ao ver outro homem curtindo o que ele queria curtir. Ficou tão perturbado que mal conseguiu comer. Em certo momento, Björn se levantou da mesa e foi até a cozinha. Ou respirava um pouco de ar puro, ou ia destruir tudo em volta. Abriu a geladeira, pegou uma cerveja e ficou bebendo. Instantes depois, Mel apareceu seguida por Tyler, e Björn franziu a testa assim que os viu. Deixaram o que traziam na cozinha e Mel entregou uma garrafa de vinho a Tyler. — Vai levando — ela pediu. — Eu já vou.


Tyler lançou um doce sorriso para Mel. — Não demore, coração. Assim que Tyler sumiu pela porta e Mel ficou sozinha com Björn, ele chegou até ela e repetiu: — Coração?! — Mel sorriu e ele insistiu com a voz rouca: — Está se divertindo, coração? — Poderia estar melhor — ela respondeu baixinho enquanto cortava um pouco de pão. — Além disso, faz uns dias que eu estou com vontade de comer chocolate. Por que será? Seus olhares falaram por si sós. Björn rapidamente esqueceu o aborrecimento. — Senti tanta saudade de você — ele sussurrou. — Pode ter certeza de que não tanto quanto eu. Björn sorriu e todas as dúvidas que aquele almoço tinham gerado em sua cabeça se dissiparam. Desesperado, colocou no balcão a garrafa de cerveja que tinha nas mãos e andou decidido até Mel, sem se importar com nada, e a encurralou num canto. — Björn, o que você está fazendo? — O que eu preciso. Sua boca tomou a dela e a devorou num beijo delicioso. Mel até ficou atordoada quando se separaram. — Alguém pode ver a gente... Björn a olhava nos olhos, encantado, admirando-a como nunca havia admirado uma mulher antes. — Não suporto ver esse imbecil babando em cima de você e acho que... Mas foi impossível continuar. Mel tomou os lábios dele num impulso arrebatador e Björn, feliz da vida, se rendeu. Durante alguns instantes, o prazer do momento os fez esquecer onde estavam. Ele a pegou nos braços e a colocou sentada sobre o balcão da cozinha. — Hoje à noite — ele sussurrou com a voz rouca —, você e eu sozinhos na minha casa. — Tá, mas vou ter que levar a Sami. Björn respondeu enquanto a beijava na testa. — Não tem problema, meu bem. Ela é tão bem-vinda quanto você. Mas quero que saiba que esse Tyler está me deixando nervoso. Não deixe ele chegar perto demais de você, entendeu? — Está com ciúme? Björn olhou para ela. Mentir era tolice. — Estou — afirmou. — Como nunca na minha vida. Fiquei a ponto de pegar aquele cara pelo pescoço e arrancar a cabeça dele. — Björn, mas o que você está dizendo? — O que você ouviu... O barulho de passos logo os despertou e se separaram rapidamente. Mel desceu do balcão e


continuou cortando o pão. A porta da cozinha se abriu: eram Judith e Eric. — Mas o que vocês dois estão fazendo aqui? — Judith perguntou, encarando os amigos. Björn ergueu a garrafa de cerveja. — Estava falando pra Ironwoman não cortar tanto pão que ele fica seco! Mel suspirou olhando para ele. — E eu estava falando pro Burro do Shrek que quem vai ficar seco é ele se não fechar essa boca enorme cheia de dentes. Meu Deus, que cara mais insuportável! — Escuta aqui, boneca — Björn protestou —, você é formada em... — He.. he... he... — Mel gritou, apontando a faca para ele. — Por que você não vai dar uma volta e se perde por aí? Eric foi até Mel quando viu a faca. Tirou o instrumento da mão dela e o colocou sobre o balcão. — Cuidado, as armas são controladas pelo diabo — alertou. Judith sorriu. Se Eric soubesse... — Obrigado, amigo — Björn aprovou. — E agora, se você tirá-la da cozinha e afastá-la do meu campo de visão, faço até uma ola! — Eu é que faço a ola se você sair daqui, pateta! — Uau, baby... quanta raiva! Se você for assim pra tudo, não quero nem imaginar! — Seu cretino! — Sua grossa! Eric fez menção de separar a briga dos dois, mas Judith interveio: — Santo Deus, como isso é insuportável! Olha só como meu pescoço se encheu de brotoejas por culpa de vocês dois. Mel e Björn a encararam. Judith prosseguiu: — Na minha terra, o que acontece entre vocês dois se chama tensão sexual não resolvida! Mel não respondeu e revirou os olhos. Pegou a cesta de pães e saiu da cozinha como o diabo que foge da cruz. Björn, que estava de olho, terminou a cerveja e comentou antes de sair também: — As bobagens que a gente tem que ouvir. Eric estava ficando cada vez mais desconcertado com aquele joguinho. — A partir de hoje, se convidarmos o Björn, a Mel não vem e vice-versa, entendeu, pequena? — ele murmurou, muito sério. Judith deu risada. — Posso saber o que tem tanta graça? — Eric perguntou. Judith se aproximou dele, enlaçou os braços em seu pescoço e respondeu pertinho do ouvido: — Você vai ver antes que termine o dia. Eric moveu a cabeça entendendo tudo. Imaginou que a esposa já tivesse descoberto e teve pena


do amigo. Depois do almoço, todos se sentaram na sala para bater papo. Tyler estava encantado com a presença de Mel e dava para perceber isso no seu rosto. Desfazia-se em gentilezas, a fazia rir e ia atrás dela em todo lugar. Mel foi deixando, pois ficava excitada de perceber como Björn a olhava. Aqueles risinhos entre os dois cada vez irritavam mais Björn. Em uma ou outra vez, quando viu Tyler se aproximar demais de Mel, esteve a ponto de pular no pescoço dele, mas se conteve. Não deveria fazer nada. Por outro lado, o que ele não parou de fazer foi mandar mensagens no celular dela. Mel lia tudo e sorria. Tentaram escapulir algumas vezes para se encontrarem a sós no banheiro, na cozinha, no corredor... mas foi impossível. Tyler não deixava Mel sozinha por nada no mundo, fazendo o nervosismo de Björn aumentar e aumentar. Por volta das seis da tarde, os convidados começaram a ir embora e no fim só ficaram Björn, Tyler, Mel e os donos da casa. Estavam sentados jogando conversa fora, quando Sami entrou na cozinha e pediu: — Mami, água. Antes que qualquer um pudesse se mexer, Tyler já estava estendendo um copo para a menina. Björn e Mel se entreolharam e ela pediu calma com o olhar. Assim que Sami saiu da cozinha e foi atrás de Flyn, Tyler perguntou: — Melanie, vamos sair pra jantar hoje à noite? — Impossível — ela sorriu. — Hoje não posso. Sem se abalar pela resposta, ele se aproximou mais para sussurrar: — Prometo que vai ser gostoso. Mel se afastou e fez que sim com a cabeça. — Não duvido. Mas não posso. — E amanhã, coração? Todos olharam para ela. Ao ver Björn se levantando, Mel respondeu: — Esta semana é impossível pra mim, Tyler. Desculpa. Mas ele era insistente: — A Judith me disse que você gosta de comida italiana. É verdade? — É. — Então, conheço um restaurante maravilhoso que tenho certeza de que você ia adorar e a Sami também. Me dá seu telefone, gata, que outro dia eu te ligo. Juro que você vai gostar e que vai amar as sobremesas. Björn fechou a geladeira com uma pancada e todos olharam em sua direção. O que estava acontecendo com ele? E foi então que naquele momento Eric se levantou e decidiu pôr um fim à conversa, sem se importar com o que pensariam. — Vamos, Tyler, você tem que ir embora, amigo. Judith olhou para o marido tão surpresa quanto Tyler. — Vem, Jud, vamos acompanhá-lo até a porta.


Sem entender bem o que acontecia ali, Tyler se foi. Björn e Mel ficaram sozinhos na cozinha, ele com o rosto transtornado. — Se esse cara voltar a pedir o seu telefone, eu... — Mas qual é o seu problema? — Mel perguntou ao ver como estava tenso. — Como assim, qual é o meu problema? Por acaso você não está vendo? Esqueceu como você se sentiu furiosa outro dia quando viu a Agneta? Pois é como eu estou me sentindo agora. Mel o entendeu e, embora gostasse de ver aquele tipo de sentimentos nele, algo dentro de si disse que teria problemas. Levantou-se da cadeira, certificou-se de que não tinha ninguém perto e abraçou o homem que estava amolecendo seu coração. — Não esquece, eu e você hoje à noite... sua casa... sua cama... seu morango... Björn concordou, excitado, e prensou Mel contra a geladeira e a beijou. Devorou seus lábios. Tinha muita necessidade do contato. Precisava do sabor... Quando já tinha se esquecido de tudo, ouviu: — Ora, ora, não me parece que vocês estejam achando tão ruim se beijarem. Mel e Björn se olharam. Tinham sido pegos com a mão na massa. Viraram-se para Eric e Jud, que não desgrudavam os olhos deles dois, e não souberam o que dizer. — Eu disse que antes do fim do dia tudo estaria resolvido — Judith disse virando-se para o marido. — Aqui está a tensão sexual... já resolvida. Eric soltou uma grande gargalhada. Sua mulher era terrível. Björn acabou rindo também das palavras da amiga, sem conseguir evitar. Mel, porém, os encarou desconcertada e Judith indicou a foto do celular, em que os dois estavam juntos no shopping. — Brincando de casinha? — ela zombou. Björn e Mel olharam confusos para o celular. — Vi vocês dois outro dia. Lembra quando liguei pra convidar pro almoço? — Mel e Björn fizeram que sim. — Pois então, eu estava numa das lojas na frente de onde vocês estavam. Aliás, Mel, comprou muitos doces pra Sami? E você, Björn, continua atolado em trabalho? Eric olhou para a foto muito surpreso. — E por que você não me disse nada, pequena? — Porque senão você ia abrir o bico pro seu amiguinho e eu não ia poder desmascará-los. Os dois homens riram às gargalhadas. Aquela bruxinha os conhecia muito bem. Divertido pela astúcia, Björn sorriu e respondeu: — Certo, sem mais mentiras. Eu e Mel estamos juntos. Eric e Judith sorriam por sua vez. — E por que vocês quiseram manter segredo? — Judith perguntou encarando a amiga. Björn pegou Mel pela cintura e respondeu, feliz: — Pergunte a ela, que é a mulher cheia dos segredos. Não quer me apresentar para os amigos de jeito nenhum. Logo que ouviu aquilo, Judith olhou para Mel e, ao ver sua expressão, entendeu imediatamente o


que a amiga andava escondendo. As duas mulheres cruzaram olhares e Mel negou com a cabeça. Judith acenou que entendia. — Bom, já que agora estamos sabendo, acabaram-se as mentiras, né? — Judith perguntou. Alheio ao assunto, Björn sorria e conversava com Eric. — Olha... Olha... isso aqui não é o que parece — Mel os interrompeu agoniada. Todos olharam para ela. Eric franziu a testa, Judith parou de sorrir e Björn, confuso, perguntou: — O que você disse? Mel não parava de passar a mão no cabelo com jeito contrariado. — Eles acham que estamos juntos — explicou —, mas não... não estamos. Simplesmente dormimos juntos algumas vezes, e isso é tudo. Ao ver aquela reação, Judith quis falar, mas Mel não deixou: — Judith, fica calada! Ela negou com a cabeça, não aprovava que Mel escondesse coisas de Björn. Ele, por sua vez, gritou fora de si: — Como assim, “isso é tudo”? Do que você está falando, Mel? Eric olhou para a mulher e a pegou pela cintura. — Acho que estamos sobrando, pequena. — Olhou então para o amigo, desconcertado, e informou: — Vamos pra sala. Assim que ficaram sozinhos na cozinha, Björn perguntou: — O que foi, Mel? — Ela não respondeu e ele insistiu: — Que história é essa de “simplesmente dormimos juntos algumas vezes, e isso é tudo”? Eu achei que existia alguma coisa especial entre a gente. Você mesma me disse que tinha sentido saudades e... — É verdade — ela interrompeu. — Claro que senti saudades, mas acho que as coisas estão andando muito rápido e não podemos nos precipitar. — Precipitar? — É, precipitar! — Eu gosto de você, você gosta de mim, por que a gente está se precipitando, pode me dizer? O que ela ainda escondia não a deixava viver em paz. — Olha, Björn, podemos continuar nos vendo, mas sem pressões. Acho que o mais inteligente é que a gente continue com as nossas vidas e... — Mas que droga você está dizendo? Ela se ofendeu com o tom de voz dele. — Não grita comigo — disse entre dentes, cerrando os punhos. — Como você não quer que eu grite? Você acabou de destruir um momento lindo entre nós dois. Acabou de jogar por terra algo que... que... Você não percebe? Naquele instante, Sami entrou correndo na cozinha e Mel, ao vê-la, encontrou uma maneira de


escapar. — Tenho que ir — anunciou, pegando a menina no colo. Björn bloqueou o caminho com o braço. Não queria que ela se fosse. Tinham que conversar. Mas Mel viu sua cara de aborrecimento e alertou: — Björn, estou com a Sami no colo. Toma cuidado com seu tom de voz e com o que vai dizer. Ele entendeu perfeitamente e saiu do caminho. Mel passou pela porta e foi embora. Minutos depois, Judith entrou na cozinha. — Desculpe se estraguei tudo. Björn estava transtornado pelo ocorrido. — Você não estragou nada. — Mas a culpa é minha que vocês tenham discutido — ela insistiu. Björn olhou para a amiga, deu de ombros e respondeu: — Não se preocupe. Discutir com a Mel não é difícil.


26 Dois dias depois, quando Björn entrou no tribunal, tinha uma expressão muito séria. Não tinha conseguido pregar o olho. Desde a última tarde com Mel, não tivera mais notícias dela. Tinha telefonado, mas ela não atendia. Por que se comportava assim? Por acaso não sentia o mesmo que ele? Uma mulher, a última que Björn poderia ter imaginado, o surpreendera como nenhuma outra antes. Ele não conseguia tirá-la da cabeça. Pensava em sua boca, em seus beijos, em seu corpo, em seu olhar e em sua paixão quando faziam amor. Nunca tinha se apaixonado. Nunca tinha perdido a razão por ninguém. Nunca tinha ficado dependente de uma mulher. Mas o que sentia por Mel era incontrolável. Era como se ela fosse sua. Sentia-se péssimo por não estar com ela e a sensação constante de estar perdido não o abandonou desde o dia em que tinham se separado. Depois de ganhar uma causa e perder outra, ele decidiu ir almoçar no restaurante do pai. Assim que o viu entrar, Klaus soube que algo estava acontecendo. De costume, seu filho sempre entrava com um sorriso no rosto, mas naquele dia tinha sido diferente. — O que te preocupa, filho? — Klaus perguntou quando se sentaram para almoçar. — Por que você pergunta? — Não está fazendo brincadeiras e está mais quieto do que o normal. Isso é raro em você. Björn sorriu. — Não aconteceu nada, pai. — Que foi, filho? — Klaus insistiu. A insistência do pai o surpreendeu. — Do que você está falando? — Sou velho, mas não sou bobo. — Não foi nada, pai — Björn negou com a cabeça. — Hoje na audiência, um dos casos acabou se complicando mais do que eu esperava e... — Não mente pra mim. — Quê? — Você está mentindo. — E Klaus baixou a voz para continuar: — Olha, filho, em todos esses anos, você só perdeu o sorriso duas vezes: no dia em que sua mãe morreu e na audiência da Grete. Lembrar-se de Grete, como sempre, deixava Björn enfurecido. — Ainda se lembra disso, pai?


Klaus fez que sim. — Ainda, filho. Por incrível que pareça, os pais não se esquecem desses detalhes. O sofrimento dos filhos é o nosso. — Paaaaaaai. — Boto minha mão no fogo se essa cara séria não for por causa de mulher. Não é? Björn se deu por vencido. Resignou-se e concordou com a cabeça. — É, pai. — Para chegar ao coração das mulheres, você tem que fazê-las rir. Se você conseguir fazer isso, rapaz, ela é sua! Quem é? Eu conheço? — Não, pai. — Já veio aqui? — Não. — Tem certeza? Eu tenho olho bom pra mulheres bonitas. Björn fechou os olhos por causa da insistência e confessou: — Ela se chama Melanie. Ao dizer o nome, Björn viu que tinha caído no jogo do pai. Deu uma risada e ouviu o que ele dizia: — A sabedoria vem com a idade. Eu já sabia que isso tudo tinha a ver com mulher. E, chamando-se Melanie, só pode ser a amiga espanhola da Judith, não é? Seu pai era esperto. Antes que Björn dissesse algo, Klaus continuou: — Já te disse que tenho um olho bom pra mulher bonita e a Melanie, com esse nome tão maravilhoso, não pode ser moça ruim. — O pai dela é americano. Klaus compreendeu. — E daí? Isso não faz dela uma má pessoa, filho, nem do pai dela. — Mas nunca gostei de americanos. O homem balançou a cabeça e insistiu: — Você está generalizando por causa do que aconteceu com a Grete e aquele militar. Mas não pode pensar assim. No mundo existe gente boa e gente má, sejam americanos, chineses ou alemães. Não podemos generalizar, Björn. Eu já te disse isso muitas vezes. As pessoas são como são. Não tem nada a ver com a nacionalidade. — A Mel está me deixando louco, pai. Klaus riu. — É normal, filho. As mulheres são assim. Deixam qualquer um louco! Os dois sorriram e Björn explicou com carinho: — Ela tem uma filha. Uma menina maravilhosa que tenho certeza de que te deixaria encantado. A Sami é linda, pai. É divertida, inteligente. Fala do jeitinho dela alemão, espanhol e inglês e é...


— Uma filha? Ela é casada? — Não, a Mel é mãe solteira. Você tem que ver como ela se desdobra pela Sami. Como cuida, como é carinhosa. Nunca conheci ninguém como ela. O velho sorriu. Sem dúvida alguma, aquela mulher tinha tocado o filho profundamente. — Pelo que você me diz, então, ela é uma lutadora. E sei do que estou falando. Praticamente criei você e o Josh sozinho e sei muito bem quanto custa criar um filho. Se você me diz que ela faz isso sozinha, só pode ser uma lutadora. — Mas eu não sei o que ela quer, pai. As coisas estavam maravilhosas entre a gente e de repente ela muda de opinião e... eu não sei o que fazer. Colocando uma das mãos no ombro do filho, Klaus perguntou: — Você gosta muito dela? — Gosto... O homem balançou a cabeça. — As mulheres são assim, inexplicáveis! E se você gosta tanto dessa Melanie como eu estou vendo, acho que você tem que lutar por ela. Não permita que outro homem veja nela a mesma coisa que você viu e a roube. Fique esperto, filho. Deixe-a apaixonada por você! Faça com que ela não possa viver sem você. Björn sorriu. Seu pai era um romântico... — Está bem, pai. Vou tentar — disse, levantando a caneca de cerveja para brindar. Klaus sorriu e exclamou animado: — É assim que eu gosto, Björn, atitude positiva! No domingo de manhã, Björn saiu para comprar o jornal e se sentou numa cafeteria para ler. Sempre tinha adorado aquele ritual. Domingo, tranquilidade, jornal e café. Mas naquele dia não estava tão concentrado como deveria, tinha mudado de cafeteria e, seguindo o conselho do pai, tinha decidido lutar por Mel. Uma semana tinha se passado e ela não tinha ligado. Decidido a recuperá-la, Björn se sentou na frente do prédio onde ela morava. Se ela não atendia o telefone, pelo menos não se negaria a falar com ele quando o visse na sua frente. Enquanto olhava para a porta do prédio esperando que ela se abrisse, ligou para ela do celular. Como sempre, Mel não atendeu e Björn xingou. Quando a visse, ia deixar bem claro com quem ela estava lidando. Desligou o telefone e em seguida ele tocou. Era Rania, uma de suas amigas. Quando ia atender, a porta se abriu e Björn viu Mel sair com a filha no colo. Sem se importar com Rania, interrompeu a chamada, saiu da cafeteria e foi ao encontro dela. Sem se dar conta de que Björn se aproximava, Mel abriu o carrinho da filha e a colocou dentro. Depois de prendê-la bem para não cair, levantou-se e teve um sobressalto ao ver Björn do seu lado.


— Porra, que susto! — Sou tão feio assim? — ele zombou. — Píncipe bobo — Sami falou, apontando para ele. Björn se agachou, deu um beijo na bochecha da menina e a cumprimentou com carinho: — Oi, princesa. Mel, comovida com o gesto, acrescentou: — Além de bobo, é um pouco feio sim, de verdade. Ele não se importou e tocou o narizinho da menina. — Se você me chamar de lindo te dou uma coisa que você vai gostar muito. A criança sorriu e rapidamente disse: — Lindo. Björn tirou um pacote do bolso e entregou a ela. A menina gritou emocionada quando o abriu: — Uma coloa losaaaaaaaaaaaaaaa de pincesaaaaaaaaaa! O advogado sério voltou a sorrir como um bobo ao ver a reação da menina. A mãe da criança murmurou, então: — Mas você é um chantagista. Comprou uma coroa de princesa pra minha filha? Mas ele, que não estava para brincadeiras, levantou-se para olhá-la nos olhos e perguntou: — O que foi, Mel? — E antes que ela respondesse, continuou: — Por que você não me liga? — Andei muito ocupada. — Por que você não atende o telefone? A presença dele a surpreendeu. Não o esperava por ali. Mel tentou recuperar as forças que a abandonavam quando o via e respondeu: — Porque tenho outras coisas mais importantes pra fazer. Björn falou um palavrão. Daquele jeito não ia dar certo. — Temos que conversar. — Não. — Sim. Com uma expressão que não o agradou, Mel disse em seguida: — Tudo bem, vou te ligar pra gente ir ao Sensations. — Mel... Sua paciência começava a se esgotar. Agarrou-a pela cintura e confessou: — Sinto sua falta. Mel se desvencilhou dele, colocou o carrinho da filha entre os dois e respondeu com a testa franzida: — Björn, não avance o sinal. — Como assim não avance o sinal? — Não grite comigo. Ele concordou. Ela tinha razão. Não podia perder a compostura.


— Escuta, meu bem... — ele sussurrou, desesperado. — Não me chame de “meu bem” — ela interrompeu e pegou um maço do bolso da calça e acendeu um cigarro diante da cara incomodada dele. Björn insistiu, sentindo-se cada vez mais espantado e irritado: — Mel, você está me deixando louco. Não sei o que acontece com você. Achei que me considerava alguma coisa sua. Achei que você gostava de mim e... — E gosto — ela afirmou. — Mas existem coisas que você não sabe e... — Quais coisas? Fala comigo, me conta! Porra, Mel, acho que você me conhece pelo menos um pouco pra saber que eu sou um cara com quem se pode falar abertamente. O que foi? O que está acontecendo pra você ficar tão negativa em relação a nós dois? — Tenho que ir. — Aonde você vai? — Tenho um compromisso. — Com quem? Não houve resposta. Björn estava se arrastando aos pés dela, mas Mel valia o esforço. Como um bobo, olhou para ela e perguntou finalmente, sem querer pressioná-la ainda mais: — Você me liga quando voltar? — Não — Mel retrucou, apagando o cigarro no chão. Björn ficou desconcertado com a resposta tão categórica. Encarou-a, confuso. — Mas por que não? — Porque não sei a que horas vou chegar. Além disso, amanhã eu saio de viagem outra vez e... — Você vai viajar outra vez? — Vou. — Pra onde? Sem saber o que dizer, Mel respondeu: — Vai ser por vários dias. É um voo intercontinental e de lá vou... — E a Sami? — Vai ficar com a minha mãe — ela informou com um fio de voz. Entreolharam-se por vários segundos. Disposta a acabar com o sofrimento, ela cravou os olhos azuis nos dele e afirmou: — Me dei conta de que não quero aprofundar a nossa relação. — Como? — A gente era mais feliz com a nossa vida. Isso está saindo do controle e um dos dois tem que saber quando parar. E se essa pessoa tiver que ser eu, que seja! Assumo o papel de vilã. Björn a encarou, incrédulo. Teve vontade de gritar. Teve vontade de discutir, de dizer o quanto


precisava da sua companhia, mas a pequena Sami estava ali e ele não devia fazer nada daquilo. A Melanie fria e impessoal que tinha conhecido no começo o observava agora. Sentiu-se ridículo em meio àquela conversa. Estava abrindo seu coração e ela parecia um iceberg. De repente um carro buzinou logo ao lado e Björn ouviu dizerem: — E aí, linda? Mel sorriu ao ver Neill e Fraser aparecerem num Hummer, enquanto Björn os encarava olhando feio. Reconheceu o primeiro como o sujeito da noite no hospital. Não conseguiu conter a fúria e perguntou: — Você dorme com eles? A cada segundo mais perturbada, Mel respondeu, disposta a afastá-lo. — Durmo. Com eles dois e com outros que você não conhece. Você não é o centro da minha vida sexual. — E vendo o olhar duro com que ele a observava, acrescentou: — Some daqui, tenho que ir. Ofendido. Com ciúmes. Irritado. Enganado. Foi assim que Björn se sentiu. Mel tinha dito que ele tinha que confiar nela, que ele era o centro de sua vida e, de repente, nada daquilo era verdade. Tinha vivido uma mentira incrível e tinha acreditado em tudo. A sensação de vazio doía demais. Nenhuma mulher tinha falado assim com ele, nem o tinha tratado daquela forma. Quando viu que os homens saíam do carro, reuniu um pouco do orgulho que lhe restava, se virou e foi embora, sem olhar para trás. Assim que Fraser e Neill chegaram ao lado de Mel, viram que o homem se afastava com passos largos. — Como está a minha princesa? — Fraser perguntou, olhando para Sami. A pequena fez festa e esticou os bracinhos. Ele a pegou do carrinho e a colocou sentada no banco traseiro do carro. Neill viu que Mel observava o homem que se afastava com expressão indecifrável. — O que foi? — perguntou. — Nada. — Aquele ali não é o Björn? — É. Conhecia a tenente e alguma coisa lhe dizia que o que ela tinha com aquele homem era especial. Mas também conhecia a expressão no rosto dela. — O que você fez, Mel? — ele insistiu encarando-a. — Ele não sabe que eu sou militar, Neill, e odeia os militares americanos. Eu fiz o que devia ter feito há muito tempo, terminei. Não preciso de ninguém. A Sami e eu estamos bem e... — Mas, Mel... Ela se recuperou em questão de segundos e interrompeu o amigo: — Não quero falar sobre esse assunto. Assim que os quatro entraram no carro, se dirigiram até a casa de Neill, onde Mel tentou saborear um almoço maravilhoso de despedida junto com a família dele, mas nada era como antes.


Agora Björn ocupava sua mente. Checou o celular mil vezes. Nenhuma mensagem. Nenhuma chamada. À noite, ao chegar em casa, ligou o computador e abriu o e-mail. Nada de Björn. Chateada, sem poder conter o choro, colocou no iPod as músicas de Aaron Neville e Bruno Mars que tinham dançado juntos de forma tão gostosa. Aquelas canções a faziam lembrar dele. Precisava ouvi-las para se sentir mais próxima. Mas por que às vezes era tão burra? Por que tinha que ter falado daquele jeito? Por que não tinha sido sincera com ele desde o início? Ela fechou os olhos e viu o sorriso dele, sentiu como ele a beijava e como cuidava dela e de Sami. Como na letra de Bruno Mars, tinha encontrado uma pessoa que a tratava com carinho, que a fazia rir, lhe dava flores... Sentiu-se péssima. Devia deixar que ele decidisse se a queria do jeito que era ou não. Tinha se comportado como uma idiota. Como uma criança, e Björn não merecia. Ligou para o celular dele, mas então foi ele que não atendeu. Tentou várias vezes, mas, entendendo que ele não queria atender, desistiu, com o coração aos pedaços. Björn, que estava jantando com uma de suas amigas, sentiu o coração acelerar ao ver o número dela no telefone. Devia atender? Achou melhor não. Se ele não era o centro da vida dela, ela não ia ser o centro da vida dele. Olhou para a ruiva à sua frente e sorriu. Havia uma noite espetacular esperando por ele com a chata da Maya.


27 No dia seguinte, logo de manhã, Mel pegou um voo direto para Oviedo, na Espanha. Naquela mesma noite, sairia numa missão de quinze dias e queria deixar a pequena Sami com a família. Quando desembarcou na cidade, sorriu ao ver a irmã. Scarlett pegou Sami, que estava dormindo, e então ela e Mel se abraçaram. Sem demora, sentaram a menina adormecida no banco traseiro do carro e seguiram caminho. — Como está a minha irmãzinha preferida? — Scarlett quis saber. — Fodida — ela respondeu, acendendo um cigarro. Scarlett perguntou enquanto dirigia: — Voltou a fumar? — Não... sim... Bom, não sei. — Que foi? Mel apagou no cinzeiro do carro o cigarro que acabara de acender e afirmou, furiosa: — Sou uma imbecil, uma babaca. Sou a pior pessoa que você vai conhecer na vida inteira. Sou... — Tá... tá... tá. — Scarlett parou o carro e olhou para ela. — Como você já me deixou claro que minha irmã é o ser mais repugnante da face da Terra, me diz o que aconteceu. — Terminei tudo com o Björn. — Ele ficou sabendo que você é militar? — Não. — E então? — Discutimos e eu dei a entender que durmo com outros caras pra que ele não queira saber mais de mim. Não contei que sou militar porque não consegui. Cada vez que eu tento, fico paralisada como uma idiota. — O que você está me dizendo? — O que você acabou de ouvir. — Mas como você deixou um homem daquele escapar? — E o que você queria que eu fizesse? A minha relação com ele era baseada numa mentira. E não da parte dele, mas da minha. E, por favor, não conte nem à mamãe, nem à vovó. Não quero que elas me atormentem com perguntas, ouviu? Scarlett concordou. — Olha, não sei o que te dizer — falou baixinho. Mel sacudiu a cabeça e prosseguiu: — Me comportei como uma menina malcriada, Scarlett, e o pior de tudo, não consegui falar e fui covarde, quando, na realidade, estou completamente apaixonada por ele.


— Como diria a vovó, acho que você é meio boba! — Meio não, inteira. Sou a pior de todas. As duas irmãs se abraçaram e Mel pediu: — Por favor, não me fale mais dele, tá? Preciso me focar ou não sei o que vai ser de mim. Tô tão mal-humorada, coitados do Neill e do Fraser. — Fraser? — a irmã repetiu, tentando esfriar o assunto. — Meu Deus... como esse cara é gato. — Scarlett! — Minha Nossa Senhora, Mel, ainda lembro quando eu e ele... Uau, sinto calor só de lembrar! Mas não deu certo e a vida continua. — Fique sabendo que ele continua perguntando de você pra mim. — Jura? — Juro de pé junto. E pode mudar essa cara de depravada. Se vocês não estão juntos, é porque você não quis, não foi culpa dele. — Eu não quero a vida da mamãe, Mel — Scarlett interrompeu. — Quero alguém que esteja comigo sempre, não alguém que eu só possa ver alguns dias por mês. Maaaaaaaaaaaas, não é porque estou de regime que vou deixar de olhar as sobremesas, e o Fraser é uma bela sobremesa! Mel sorriu. A irmã, como sempre, a animava, e com o humor melhor, seguiram viagem para La Isla. Ao chegarem à casa da avó, Luján as recebeu com um grito: — Que alegria ver de novo as minhas meninas! Luján beijou Mel com adoração e em seguida tirou a neta, que já tinha acordado, do carro, e encheu a menina de beijos. — Como está a minha bonequinha? Achando divertido, Sami riu e respondeu: — Vovó boba. — Você me chamou de “boba”, sua mini sem-vergonha? — Luján riu ao ouvi-la. Todas sorriram e Mel explicou: — Ela aprendeu a falar isso e agora pra ela todo mundo é bobo. A porta da casa se abriu novamente e Covadonga apareceu. — E o Blasinho? — a senhora perguntou à neta. Mel respondeu com o coração apertado: — Trabalhando, vovó. Ele mandou muitos beijos. A mulher sorriu. Estava claro que Björn tinha causado uma boa impressão. Então a mulher abriu os braços e exclamou: — Ai, minha menina, vem dar um abraço na sua vovó! Mel correu até a avó e a encheu de beijos.


— Você está pele e osso, menina. Precisa comer mais ou qualquer dia vai sumir. — Vovó, estou sempre igual — Mel se queixou. Covadonga, olhando as vizinhas que se reuniam nas portas das casas para ver quem tinha chegado, gritou: — Ô de casa! Elas a cumprimentaram com outro grito e Luján, orgulhosa da neta, foi até elas para lhes mostrar a menina. Covadonga continuou olhando para as vizinhas, que faziam palhaçadas na frente da pequena Sami, e torceu o pescoço para cochichar: — A Isa é meio boba. — Vovóóóóóóóóó, não comece! — repreendeu Scarlett. Morrendo de rir, Mel agarrou a mulher e a puxou para dentro de casa, divertida com as barbaridades que a avó começou a contar. Naquela tarde, depois de dar tchau para a filha, dizendo que ia comprar leite, Mel se despediu do restante da família e foi com Scarlett para o aeroporto. Quando chegaram lá, a irmã a abraçou. — Não se preocupe — disse Scarlett. — Você sabe que a Sami fica bem com a gente. — Eu sei... eu sei... mas a cada dia acho pior ter que me separar dela. Passo a vida mentindo pras pessoas que são mais importantes pra mim. A Sami... o Björn... Scarlett compreendia e abraçou a irmã mais uma vez. Adivinhou o que ela estava pensando e então aconselhou: — Quando você voltar, deve ir falar com ele e dizer a verdade. Mel acendeu um cigarro, deu duas tragadas e o apagou. — Vou fazer isso. Juro que vou fazer, nem que seja a última vez que ele fale comigo. Scarlett sorriu. — Você tem o exército no sangue — sua irmã comentou. — Mas, diferente do papai, você sente falta demais da sua filha e é capaz de deixar tudo por amor, não é? Mel confirmou com a cabeça. — Vá pra esse lugar e, quando voltar, procure o Björn. Fale com ele e tente explicar o que você sente e o porquê das suas mentiras. Se você for capaz de deixar o exército por amor, não acho que ele vá te desprezar. — Você acha? — Não sei, querida, mas por um cara daqueles, pode ter certeza de que eu moveria céus e terras. — Juro que, se por fora ele é impressionante, por dentro é muito mais! — Mel declarou sorrindo. Ambas riram e ela anunciou: — Tenho que embarcar. Cuida da Sami até eu voltar, tá? Abraçando-a de novo, Scarlett concordou, e sem dizer mais nada a tenente Parker se foi. Quando chegou a Munique, junto com os dois colegas que a esperavam no aeroporto, pegou o helicóptero que os levaria até a base americana de Ramstein, no oeste da Alemanha. De lá, quase meia-noite,


decolaram e foram em direção à base aérea de Balad, perto de Bagdá, no Iraque.


28 Melanie não apareceu no Sensations na semana seguinte nem na terça, nem na quinta. Também não voltou a ligar. O humor de Björn a cada dia se tornava mais sombrio e devastador. O jovem alegre que sorria para todo mundo de repente tinha se transformado num monstro que só reclamava e estava sempre chateado. Nem com o sexo ele se animava mais. Ouvir a canção Impossible, de James Arthur, revirava suas entranhas. Como dizia a letra, era preciso tomar cuidado no amor, mas com Mel ele tinha baixado a guarda e se sentia péssimo por isso. O que estava acontecendo? Por que não conseguia esquecê-la? Estava mesmo apaixonado por ela? Nunca tinha dependido da presença de nenhuma mulher específica antes e não entendia por que naquele momento era justo Mel que ele não conseguia tirar da cabeça. Passava horas em frente à cafeteria da casa dela, desejando vê-la entrar ou sair. Precisavam conversar e resolver o que tinha acontecido. Porém, nem Mel nem a menina entravam ou saíam. Onde tinham se metido? De uma hora para outra, Mel tinha se convertido numa espécie de droga para ele. Björn tinha necessidade de saber onde ela estava, com quem estava... ficar sem notícias o estava deixando louco. Por fim, decidiu recorrer à única fonte de informações que tinha: sua amiga Judith. — Não sei onde ela está, Björn. — Pequena — interveio o marido, sentado à mesa da cozinha —, se você sabe onde ela está, diga. — Mas eu não seeeeeeeeiii — Jud gritou, irritada. Aqueles dois estavam pressionando Judith de todos os lados, algo que a estava deixando muito nervosa. — Não acredito em você, Jud — Björn insistiu, encarando-a. — Como é que você não vai saber onde ela está? — E você acha que eu não tenho mais nada pra fazer além de ficar bisbilhotando a vida das minhas amigas? Aliás, por que agora eu tenho que te contar as coisas, quando você não me disse nada antes? — Porra, Jud! Eric olhou para a mulher. O rosto sério de Björn o fez saber que ele não estava de brincadeira. — Juro que não sei onde ela está — Jud assegurou por fim. — Estou falando a verdade. — Porra — Björn protestou novamente, passando a mão pelos cabelos. Judith cruzou o olhar com o do marido e então perguntou a Björn: — Então você está gostando dela, é isso?


— Deixa de falar besteira. O silêncio tomou conta da cozinha de novo, e Judith, incapaz de segurar o que pensava, disse, batendo na mesa com força: — Não, bonitão, deixa de besteira você... — Judith! — ele interrompeu. — Não me provoque, por favor. A explosão de fúria fez Judith e o marido trocarem olhares. Desde que o conheciam, era a primeira vez que Björn ficava assim por uma mulher. Ela colocou uma das mãos no braço dele e explicou: — Não era o que eu pretendia. Só quero falar com você do jeito que você falou comigo e com o Eric. Ou por acaso você esqueceu? Consciente de seu mau humor, Björn fitou a amiga. — Me perdoa — ele sussurrou. — Não sei o que me deu. Sorrindo de novo, Judith ergueu o queixo e, frente à expressão de divertimento do marido, recordou: — Você foi me buscar na Espanha. Conversou comigo, me escutou e pediu que eu lutasse pelo Eric. Tenho certeza de que você pediu que ele fizesse o mesmo por mim, se realmente me amasse e não pudesse viver sem mim. Por que agora não podemos te pedir o mesmo, se vemos que você está sofrendo pela Mel? — Os lábios de Björn se curvaram num sorriso e ela continuou: — Ainda me lembro do dia em que você me disse que gostava de mulheres lindas, atraentes, inteligentes e desconcertantes, e, principalmente, as que te surpreendem. — Ela deu uma piscadinha. — A Mel te surpreendeu, não foi? Ao se dar conta de que ela tinha razão em tudo, Björn se levantou e foi até a grande janela de onde via Simona com os meninos no jardim. — Porra, Judith. Não sei o que deu em mim por causa dela, mas... — Mas vocês não se suportavam. Ainda me lembro do dia em que você ficou irritado, quando ela estava trocando mensagens com um homem pelo celular. Lembrando-se do episódio, Björn sorriu e respondeu: — Nesse dia, a gente só estava brincando na sua frente. Judith ficou boquiaberta. — Você era o cara com quem ela estava trocando mensagens e com quem ela saiu depois? — Björn fez que sim e ela exclamou: — Vocês são idiotas?! — E olhando na direção do marido, que ria, perguntou: — Você já sabia? Eric levantou as mãos e riu. Judith ficou em choque por ele não ter lhe contado nada e por ter guardado o segredo do amigo. — Escondendo coisas de mim! Seus babacas! Björn e Eric acabaram rindo e, por fim, Judith se juntou a eles. — Quando vocês começaram a se ver? — ela perguntou a Björn em seguida. Disposto a ser sincero, sentou-se à mesa mais uma vez e explicou: — Encontrei com ela uma noite no Sensations. — No Sensations?! — Judith gritou, atônita.


Sem hesitar, Björn contou tudo o que tinha acontecido, enquanto sua amiga, muito surpresa, só ouvia. Ele observou sua cara de espanto e confirmou com a cabeça. Olhou para o amigo e continuou falando: — Aliás, da última vez que a gente foi lá com a Diana e a namorada dela, a Mel nos viu no reservado. — E por que ela não me disse nada? — Judith quis saber. — Porque ela ficou com vergonha — Björn explicou. Desconcertada, ela levou as mãos à cabeça. — Merda... merda... merda. Não consigo acreditar! — Pequena, controle seus hormônios. — Eric riu. — Querido, não me irrite mais — ela rebateu, tocando a barriga. — Fique sabendo que estou brava com você! Eric deu uma grande risada e olhou para a esposa com amor. — Pequena, você é terrível! — Você é uma bruxa, isso sim — Björn respondeu divertido. — Em vez de me ajudar, você não faz mais nada além de colocar obstáculos para que eu encontre a outra bruxa. E, aliás, quando me encontrar com ela, não sei o que vou fazer. — Vamos, moreninha — Eric insistiu —, diga ao Björn onde está a Mel. Você não tem pena dele? Judith suspeitou que ela devesse estar fora do país e ficou tentada a contar a verdade sobre a profissão da amiga. Só que tinha prometido guardar segredo e, percebendo que Mel não tinha revelado a verdade a Björn, ela o abraçou e disse: — Sei o mesmo que você. Deve estar viajando. Onde? Não sei. Pela cara da amiga, Björn soube que ela falava a verdade e naquela noite, quando chegou em casa, decidiu investigar por conta própria. Dois dias depois, descobriu algo de que não gostou.


29 Quando aterrissaram ao meio-dia na base de Ramstein, Mel estava esgotada. Aquela viagem tinha sido exaustiva. Ela só desejava chegar em casa para se enfiar na cama e dormir... dormir e dormir. Precisava descansar uns dois dias antes de ir para as Astúrias buscar a filha. Enquanto descarregavam o avião, ela se ocupou da papelada. Não via a hora de acabar e ir embora dali. Sem que ela se desse conta, um par de olhos azuis furiosos a observavam de uma grande distância. — Bom dia, tenente Parker. Mel se virou e deu de cara com James. Fizeram a continência habitual militar. — Comandante Lodwud. Durante um tempo, falaram sobre a papelada. Em seguida, vendo que não tinha ninguém em volta, o comandante perguntou: — Janta comigo esta noite? — Não — ela respondeu, enquanto caminhavam. — Vai, Mel, vamos nos divertir como sempre. Ela olhou para ele sorrindo e explicou: — Estou voltando para Munique hoje à tarde mesmo. Mas o comandante não se deu por vencido e, assim que chegaram à lateral do avião, ele insistiu: — Vamos, Mel... se anime. — Hoje não, Lodwud. O comandante aceitou a negativa, deu a volta e saiu dali. Ao vê-lo se afastar, Mel continuou com suas tarefas. Abriu um pequeno compartimento do avião e, quando ia se agachar, mãos a agarraram pelo braço. Mel se virou para reclamar: — Lodwud, não seja chato, por... Mas não conseguiu continuar. Diante dela estava Björn, não Lodwud, e pelo seu olhar não parecia contente. Durante alguns instantes, olharam um para o outro em silêncio até que ele, passando os olhos pela roupa que ela vestia, sussurrou num tom nada amigável: — Tenente Parker?! Mel não soube o que responder, e ele acrescentou, furioso: — Você é a porra de uma militar americana e não tinha me dito? — Björn... — Você disse que era aeromoça! — Björn... — Gostou de rir da minha cara? Maldita mentirosa. — Ele estava furioso e continuou falando sem deixar que ela dissesse nada: — Nunca imaginei que quando fosse investigar sua vida descobriria que...


— Você andou bisbilhotando a minha vida? — ela perguntou, irritada. — Porra... eu estava preocupado com você. De repente, você e a menina desaparecem da face da Terra, o que você queria que eu fizesse? A irritação... O tom de voz... O olhar confuso... Mel entendia a raiva. Entendia a inquietação. E sem querer perguntar mais nada, só querendo abraçá-lo e pedir perdão, ela tentou se aproximar. Ela precisava se aproximar, mas Björn deu um passo para trás. — Nem pense em chegar perto de mim nunca mais na sua merda de vida, tenente! Agora sim não te considero mais nada minha e eu é que dou toda a história por encerrada. Sem dizer nem fazer mais nada, ele deu as costas e se afastou. Porém Mel não podia deixar as coisas assim, Björn tinha se convertido em sua obsessão. Ela correu atrás dele e, quando o alcançou, sem se importar com quem os pudesse ver, agarrou-o pelo braço. Björn parou, olhou para ela, e Mel começou a pedir desculpas: — Me desculpe por não ter te contado, mas... — Mas o quê? — ele gritou descontrolado. — Era tão difícil ter dito a verdade? Tão difícil dizer “sou militar, não aeromoça”? Era tão difícil assim...? — Sim... sim, era difícil — ela respondeu. — Com você era. Você tinha deixado muito claro que não gostava de militares. Na verdade, tinha deixado claríssimo o que sentia pelos militares americanos. Como você acha que eu me senti esse tempo todo? Queria te contar a verdade, mas... mas não posso fugir de quem eu sou. Sou uma militar americana! — Agora entendo de onde vem essa arrogância toda, tenente! — E notando que Lodwud os observava, acrescentou: — Você também dorme com esse cara, não dorme? — Björn... — Nem Björn, nem nada — ele gritou, fora de si. — Eu abri a minha casa, a minha vida e... meu... E você me retribui com mentiras? Foi divertido, baby? O tom hostil e a maneira como ele a encarou fizeram Mel entender que tinha perdido aquela batalha, por isso, preferiu ficar quieta e não responder. Björn estava furioso. Ela tinha que tentar entender e não aumentar sua raiva ainda mais. Ele não merecia. Durante alguns segundos, se encararam olhos nos olhos e então o celular dele tocou. Quando atendeu, reconheceu quem era e, mudando o tom de voz por outro mais agradável, atendeu: — Oi, Agneta. Sem se mover, Mel o ouviu dizer: — É verdade, o outro dia foi gostoso. — E olhando para Mel com desprezo, continuou: — Se arruma e fica linda esta noite. Sim... eu também estou morrendo de vontade de te ver. A conversa fez a raiva de Mel chegar a níveis absurdos. Sem se importar em deixá-lo mais furioso, ela disse entre dentes: — Você é um idiota... um cretino... um babaca...


— Melhor eu ficar quieto pra não dizer o que eu acho de você — ele respondeu com indiferença. Mel teve vontade de dar um chute na bunda dele, mas deu um passo para trás. Não queria deixar que ele visse a dor que aquele telefonema tinha provocado nela e o seu desespero. Antes de dar as costas para sair dali, ela debochou: — Divirta-se com a sua amiguinha. — Você também, divirta-se. Mel parou e olhou para Lodwud, que os observava. — Não duvide disso... baby — ela afirmou com um sorriso que não agradou Björn nem um pouco. Em seguida, sem voltar a olhar para ele, Mel se virou e caminhou até a parte da frente do avião. Lá de dentro, Fraser e Neill tinham sido testemunhas de tudo. Assim que Mel chegou até eles, Fraser perguntou: — É esse o cara que estava com você e com a Sami na porta da sua casa? Mel não respondeu e com um gesto pediu que o amigo se calasse. Ela pegou os papéis que ele tinha nas mãos e disse em alto e bom som: — Vou entregar isso tudo ao comandante Lodwud. Neill, esta noite eu vou ficar aqui. Amanhã, na primeira hora, viajo pra Munique. E você vai fazer o quê? Pego de surpresa pela mudança de planos, o colega a encarou. — Você não está fazendo a coisa certa. Deveria ir falar com o Björn. Acho que... — Cala a boca, Neill! Não pedi a sua opinião — ela disse, furiosa. O militar moveu a cabeça para mostrar que tinha entendido. Ele respirou fundo e respondeu: — Eu vou esta noite. Quero ver a minha mulher. Mel concordou e se afastou. Seus amigos a olharam assombrados. Havia raiva nos olhos dela e nenhum deles disse nada. Só ficaram observando enquanto ela se afastava a passos largos na direção do hangar onde ficava o gabinete do comandante. Lá dentro, Mel ouviu chamarem: — Tenente Parker. Ela se virou e encontrou o amigo Robert. — O que foi? — ele perguntou com a testa franzida. — Nada... não foi nada. Robert, que como muitos outros tinha visto Mel discutir com um homem, pegou-a pelo ombro e a levou até a lateral do hangar. — Mel, eu vi o que aconteceu — insistiu. — Porra, somos amigos. O que você tem? Arrasada, mas contendo a raiva, Mel respondeu: — Eu estava saindo com aquele homem, mas terminamos porque eu o enganei e... — Ele ficou sabendo da história do Lodwud?


Mel ficou admirada por ele saber do caso que ela tinha com o comandante. — E como você sabe da história do Lodwud? — ela perguntou baixinho. Robert, com voz baixa para que ninguém os ouvisse, respondeu: — Não sei o que você tem com ele. A única coisa que eu sei é que já vi vocês dois saindo juntos de um hotel de madrugada. O santo do Lodwud não bate com o meu, Mel, e não acho que ele seja um bom homem pra estar ao seu lado. Você precisa de outra coisa. Ela concordou com a cabeça. Robert sabia menos do que ela temia. — E também não sei quem era o cara com quem você estava discutindo na pista, só sei que o vi no boliche, naquela festa em que você me beijou no pescoço pra deixá-lo com ciúmes, e agora aqui. E reconheço que mesmo sem o conhecer, vou com a cara dele. Enfrentar a supertenente Parker não é fácil e ele fez isso maravilhosamente bem. Gostei desse cara! E agora me conta como você o enganou. — Escondi que era militar. Robert não entendeu nada. — E daí?! — Ele odeia militares americanos por causa de um problema que teve no passado com um maldito comandante. — Mel ficou em silêncio por um instante enquanto tirava o cabelo do rosto e concluiu: — Olha, não faz diferença. Eu... eu não preciso de ninguém, Robert. Eu... — Como você não precisa de ninguém? Todos nós precisamos de alguém. — Eu achava que esse homem era... especial. Mas ele não quer falar comigo. Pra ele sou um maldito inimigo. Um militar americano. O que você quer que eu faça? — Porra, Mel... Se é dele que você gosta, convença-o de que, antes de ser militar, você é mulher. Faça o favor de se esquecer de uma vez por todas do seu passado e retome a sua vida. Deixa de ser a supertenente Parker 24 horas por dia e seja a Melanie. Juro que a vida vai ser melhor pra você, querida, porque todos nós precisamos de alguém especial que nos ame. — Tenente Smith — García, a copiloto de Robert, chamou. Ele fez um sinal com a mão, olhou para Mel, que o observava, e anunciou: — Vamos ter que continuar esta conversa num outro momento, tá? Mas vai pensando que isso não pode continuar assim. E se você gosta desse cara, vá atrás dele! Você é a Melanie Parker, a mulher mais valente que eu conheço e que não se rende frente a nada, nem a ninguém. Por isso, deixa de besteira e se esse homem te interessa, tenta falar com ele e demonstrar que você é uma mulher, além de ser uma maldita militar americana. Ela concordou e, quando viu Robert se afastar, continuou seu caminho. Mas sua fúria voltou quando se lembrou de que Björn tinha saído com Agneta. Como ele podia ter feito uma coisa dessas? Ao chegar à porta do comandante Lodwud, ela bateu. Ele respondeu e ela entrou. — O que deseja, tenente Parker? Esquecendo-se do que tinha conversado alguns segundos antes com Robert Smith, Mel passou o trinco na porta, jogou os papéis em cima da mesa e respondeu: — Quero sexo.


Lodwud fez que sim e se lembrou do cara que tinha visto discutir com ela na pista. — Você está irritada, Mel? — Estou. — Vi você discutindo com um homem. Foi ele quem te deixou furiosa? Ela tentou afastar os pensamentos sobre Björn e respondeu olhando nos olhos do militar musculoso que a desejava: — Foi. Não foi preciso dizer mais nada. Sentado na cadeira, o comandante viu como ela abria o zíper do macacão cáqui para provocálo. Sem pensar duas vezes, ele pediu: — Vem sentar no meu colo, tenente. Mel fez o que ele pediu, ficou de frente para ele, e Lodwud enfiou uma das mãos dentro do macacão dela com sofreguidão, alcançando a vagina. Abriu os lábios e enfiou um dedo. — Como se chama esse homem? — ele perguntou. — Björn. Movendo o dedo e enfiando mais fundo, o comandante sussurrou: — Isso vai te ajudar a relaxar, linda. Pensa no Björn. Com habilidade, ele mexeu o dedo no interior dela e a masturbou. Mel fechou os olhos, perdida nas sensações. O militar sabia o que a deixava excitada e fez o que ela gostava. Ele a conhecia. O tempo tinha feito com que eles conhecessem os gostos um do outro e suas necessidades. Com a mão livre, ele subiu a camiseta verde que ela usava por baixo do macacão, tirou um seio do sutiã e o mordeu. Chupou o mamilo até que ela se apertasse contra ele, dizendo o nome de Björn e suplicando para ele não parar. Mordendo os lábios, Mel engoliu os gemidos e foi em busca do próprio prazer, como sempre fazia quando estava com Lodwud. Assim que alcançou o clímax e molhou os dedos dele, ela se levantou com frieza e se recompôs. O comandante, sem deixar de olhar para ela, abriu uma gaveta, lançou uma chave e disse: — Hotel Sedan. Quarto 367. — Vou estar lá a partir das oito.


30 Furioso e sem vontade de ser simpático com ninguém, Björn foi ao Sensations se encontrar com Agneta. Quando viu sua amiga chegar vestida tão sexy como sempre, Björn literalmente se jogou sobre ela e a levou a um reservado para começarem o que interessava: sexo. Porém, naquela noite, o jogo se virou contra ele e ali só quem gozou foi Agneta. Isso o deixou com o humor ainda pior e convencido de que aquilo tinha que mudar, convidou dois casais para entrarem no reservado e, depois de vários uísques e muito sexo, tudo melhorou. Curtiu uma noite de swing excelente. Quando deixou Agneta em casa, satisfeita, dirigiu sentindo-se o dono do mundo até a garagem do seu prédio. Sua vida voltava a ser só sua. Entretanto, quando deitou na cama, não conseguiu dormir. As palavras de Mel e sua expressão quando tinha dito que ela também ia se divertir estavam gravadas na memória e Björn não podia deixar de pensar nelas. Olhou no relógio. Eram 5h20 da madrugada. Precisava falar com alguém, por isso decidiu enviar uma mensagem à única pessoa que sabia de tudo o que ele tinha descoberto sobre Mel. Eric, que estava acordado quando a recebeu, ligou logo em seguida. — Eu a vi. Vi aquela maldita mentirosa e... — Björn, fica calmo, cara — Eric pediu. Não fazia muito tempo, era Eric quem ficava desesperado com as coisas que Judith fazia e, tentando entender o que acontecia com o amigo, falou: — Escuta, Björn, a diferença entre mim e você é que você tem uma grande capacidade para compreender as coisas e eu não. O seu senso de humor sempre te ajudou e... — Te juro que nesse momento o meu senso de humor desapareceu. Depois de um silêncio tenso, Eric, tentando compreender o drama de Björn, insistiu: — Você sempre me disse que antes de tirar conclusões é preciso pensar, e acho que agora sou eu que tenho que te dizer isso. — Eric o ouviu bufar impaciente e acrescentou: — Sim, ela mentiu pra você. Escondeu que era militar, mas por acaso isso é tão importante assim pra que você dê por encerrado algo que estava te fazendo tão feliz? — É. — Björn... você também não facilitou nada. Se ela tivesse dito a você o que fazia, você não ia querer mais saber dela. Eu te conheço. Te conheço há muitos anos e sei o que você pensa de algumas coisas... Não me diga agora que não. — Porra, Eric — ele protestou, mal-humorado. O amigo tinha razão. Mas descobrir aquilo doía e o deixava arrasado. — Lembra o que você me disse, quando a Judith me escondeu coisas do passado? Os dois sorriram ao se lembrar daquilo e Eric prosseguiu: — Eu entendo que você esteja com raiva. Descobrir que alguém não é sincero com a gente irrita e irrita muito, mas dê valor ao que você sente por ela. Quer você goste ou não, a Melanie conseguiu chegar até o seu coração como nenhuma


outra mulher fez. É sério que você não vai perdoar? — É. Espantado com tamanha teimosia, Eric insistiu: — Isso não é típico de você, amigo. — Piloto?! Porra, ela me disse que era aeromoça e no fim das contas é uma maldita piloto americana. — Björn, fica calmo. — Não consigo, Eric... ela mentiu pra mim e eu me sinto como um idiota. — Fala com ela, talvez ela tenha uma razão pra... — Não. — Você vai se arrepender. — Duvido, Eric, duvido. Eric tinha consciência de quanto o coração doía quando se estava apaixonado. — Olha, Björn, eu sou e vou continuar sendo seu amigo pelo resto da vida, mas nos assuntos do coração, só você pode decidir — Eric acrescentou. — Se ela mentiu? Mentiu! Mas pensa que se ela fez isso é porque tinha medo da sua reação. Agora olha só, se você não quer voltar com ela pelo motivo que for, pelo menos a perdoe. Tente deixar que entre vocês fique a amizade; no fim das contas a Mel é amiga da Judith, e cedo ou tarde, vocês vão voltar a se ver. — Espero que seja mais tarde do que cedo — Björn respondeu entre dentes, irritado. — A última coisa que eu gostaria é vê-la. — Você está mentindo, amigo. Você morre de vontade de ver a Melanie, admita. — Eric o contradisse. — Quanto antes reconhecer isso melhor pra você. Björn não contestou. O amigo tinha razão. Desejava vê-la. Desejava beijá-la. Mas estava tão irritado com ela e suas mentiras que não queria dar o braço a torcer. — Eric, obrigado por conversar comigo — Björn disse por fim, antes de desligar. — Eu estou aqui e sempre vou estar. Você sabe disso. Eric desligou o telefone, olhou para a porta e viu que sua mulher o estava observando. Não se surpreendeu quando ela anunciou: — Amanhã vou à casa da Mel. Precisamos esclarecer as coisas de qualquer maneira.


31 Quando Mel abriu os olhos, eram cinco e meia da manhã. Ao seu lado, nu, o comandante dormia um sono tranquilo. Ela o acordou e os dois foram embora da suíte. Mel pegou um táxi para o aeroporto, onde foi até o helicóptero que esperava por ela. Assim que comprovou que tudo estava em ordem, decolou e foi para Munique. Chegando lá, deixou o helicóptero no hangar de sempre. Tomou outro táxi e às nove e meia estava entrando em casa. Sentia-se esgotada. Ligou para as Astúrias, falou com sua mãe e disse que já estava em casa, para que ela ficasse tranquila. Mais tarde, depois de ter dormido tudo o que precisava, voltaria a ligar. Desligou o telefone, se atirou na cama sem nem tirar a roupa e adormeceu. Um ruído estridente a despertou. Mel esfregou os olhos e de repente se deu conta de que era a campainha de casa. Colocou o travesseiro sobre a cabeça e decidiu continuar dormindo. Porém, quando tocou seu celular, ela saltou da cama, e, ao ver que era Judith, atendeu: — Onde você está, Mel? — Em casa, na cama. — Pois então vem abrir a porta. Estou tocando a campainha. Como um zumbi, ela se levantou e foi abrir a porta. O sorriso da amiga a encheu de alegria. Deram dois beijinhos e Judith perguntou: — Você dorme vestida? Mel sorriu ao ver que nem sequer tinha tirado a roupa. — Quando você chegou? — Judith voltou a perguntar. Mel olhou no relógio. Viu que eram três da tarde. — Deve fazer umas cinco horas — respondeu. Judith ficou horrorizada e levou as mãos ao rosto. — Aiiii, querida... — murmurou. — Achei que fazia mais tempo que você estava dormindo. Eu vou embora. Descansa. Mas Mel, que já estava menos sonolenta, disse: — Nem pense em ir embora. Me dá dez minutos para eu tomar uma ducha, tudo bem? Judith concordou e apontou umas sacolas com comida. — Tudo bem. Trouxe umas coisas pra gente almoçar. Dez minutos mais tarde, Mel saiu vestida do banheiro, encontrou a mesa posta e foi se sentar com a amiga. — Deus, estou morta de fome! — exclamou. — Onde está a Sami? — Nas Astúrias com a minha família. Amanhã vou lá buscá-la.


— Você vai ficar lá uns dias? — Judith perguntou. — Com certeza, mas já quero estar de volta na quinta-feira. Durante o almoço, conversaram sobre tudo, até que Judith reparou no pescoço de Mel. — Isso é um chupão? Mel tocou onde ela apontava, se levantou e foi se olhar no espelho. — Maldito comandante — ela murmurou. — Comandante? — Judith repetiu em seguida. Mel sentiu que tinha sido descoberta e então explicou: — Um amigo. — Mas um amigo... amigo... ou um amigo pra assuntos sexuais? Ela não estava a fim de mentir. — Um amigo com quem eu transo quando a gente está a fim. Tudo bem, eu entendo que você pense que é uma loucura e com certeza vai achar que eu sou uma depravada, mas quero que você saiba que... Judith colocou a mão na boca da amiga para fazê-la se calar. — Você não está louca e também não é depravada — ela afirmou com segurança. — Eu também tinha amigos assim antes de me casar com o Eric, por isso, não precisa se justificar. As duas se entreolharam e Judith, com vontade de comentar uma coisa com ela, perguntou: — Você acha que eu sou uma depravada pelo que me viu fazendo no Sensations? O rosto de Mel se contraiu e a amiga continuou: — Eu sei que você vai ao Sensations. Sei que você me viu lá e quero que a gente converse sobre isso. Atônita com a sinceridade de Judith, Mel respondeu: — O idiota do seu amigo já deu com a língua nos dentes. Jud sorriu. — Eu acho que pra você ele é mais do que um amigo, não é? E não... ele não é idiota. Imediatamente, Mel se colocou na defensiva. — Não sei o que foi que o linguarudo do James Bond te contou, mas... — Björn me contou o que você já sabe. Se existe alguém sensato no mundo, esse alguém é ele, e mais tarde vamos falar sobre esse assunto. Mas agora quero saber por que você não me disse que me viu no Sensations. Mel estava se sentindo desconfortável com a conversa. — Me deu vergonha — respondeu por fim. — Por quê? — Porque estamos falando de sexo, Judith, e eu reconheço que fiquei surpresa de encontrar


vocês lá. Você e o Eric parecem ter um casamento muito sólido e... — Nós temos um casamento muito sólido — Jud enfatizou. — E nada no que se refere a sexo acontece sem que um ou o outro esteja perfeitamente de acordo. — Ao ver a expressão de Mel, ela explicou: — Quando eu conheci o Eric, não praticava esse tipo de sexo. Me lembro que a primeira vez que fui a uma casa de swing, me escandalizei. Pensei que todos os que tinham esse estilo de vida eram pessoas depravadas e mais uma lista sem fim de bobagens, mas agora, passado um tempo, juro que não me escandalizo, nem penso mais assim. Aprendi a diferenciar o que é envolvimento só por prazer, o sexo e o meu marido. O sexo fora da minha cama é só sexo. Pra mim é um jogo entre mim e o Eric e nós o encaramos com nossas próprias regras e limitações. Mel ouvia e Judith continuou falando: — Sei que somos criados pra não falarmos abertamente de sexo. Estou convencida de que criaram você do mesmo jeito que me criaram. O sexo é tabu e tocar nesse assunto não é bom, não é assim? — Mel concordou com a cabeça e ela prosseguiu: — Eu não falo de sexo com qualquer pessoa e é uma pena que a minha amiga Frida esteja vivendo na Suíça, porque nós duas já nos divertimos muito falando desse assunto, e se você quiser, nós podemos nos divertir também. — Você está sugerindo que eu e você...? — Nãããããããoooo, só me refiro a poder falar desse assunto com naturalidade. — Judith riu. — Não gosto de mulher. Mas gosto de ter uma amiga próxima com quem comentar como foram as coisas e tal. — Mas eu vi você brincando com mulheres e parecia que estava gostando. — E estava. — Mel ficou vermelha e Judith acrescentou: — A Diana e a namorada dela são extremamente excitantes, e pra que você entenda o que eu quero dizer, não gosto de mulheres, mas descobri que gosto de ser seu brinquedinho. Fico louca de deixar que as bocas delas, os dedos ou qualquer objeto que elas tragam para o nosso jogo entrem em mim, e tenho certeza de que o Eric também adora. Ver a cara dele quando estou tendo prazer me dá um desejo incrível e te garanto que nossas transas são fantásticas! Vermelha como um tomate, Mel sussurrou: — Também te vi com o Eric e com o Björn. — E... — Vocês não se incomodam que um amigo tão próximo jogue com vocês? — Esse comandante que te deu esse chupão não é seu amigo? Mel fez que sim e tentou explicar o que queria dizer: — O Lodwud é meu amigo. Mas eu me refiro ao fato de o Björn, o Eric e você serem amigos no dia a dia. Entende o que eu quero dizer? Judith afirmou. — A primeira vez que concordei em fazer algo assim foi com o Björn. Naquele momento eu não o conhecia, mas o Eric tinha a máxima confiança nele. Com o tempo, o Björn se tornou um grande amigo e não me dá nenhuma vergonha transar com ele, porque ele, Eric e eu temos tudo muito claro na nossa vida. Aliás, acho péssimo você ter ido sozinha ao Sensations.


— Além de língua solta, é intrometido! Judith soltou uma gargalhada e continuou falando, sem pensar em mudar de assunto: — Mel, espero que a partir de agora você não tenha vergonha de falar sobre sexo comigo. É bom dividir as experiências e te garanto que é como tudo nesta vida: conhecimento não ocupa espaço! — Vou tentar quebrar esses tabus. Judith concordou com a cabeça. — Esses tabus, pelo menos entre nós duas, têm que acabar. Nós duas gostamos de sexo de uma maneira que nem todo mundo pratica e eu adoraria falar sobre isso com naturalidade com você. E olha, não gosto nada, nada de mulher, mas mesmo assim me excitou muito ficar falando com você. Quando chegar em casa, o Eric vai ter uma sessão excelente de sexo. Mel sorriu e Judith acrescentou: — Entre quatro paredes e com o meu marido, eu me entrego ao prazer. Adoro que ele me possua com outros homens e fico louca que o Eric fique satisfeito de ver um homem ou uma mulher no meio das nossas pernas. O sexo que compartilho com ele e com o Björn é fantástico e quando vamos a alguma festinha particular, fazemos tudo o que tivermos vontade na hora. Pode ter certeza de que eu não ligo se você estiver no mesmo reservado que nós. Sei do que eu gosto e já te disse que as mulheres não são meu forte. Você gosta de mulher? — Eu brinco com elas — Mel respondeu — e gosto que brinquem comigo. Judith assentiu e perguntou, achando graça: — Você se incomoda que a gente converse sobre isso? Um pouco sem jeito, Mel negou, e então sua amiga propôs: — Agora que começamos a trocar intimidades, me diga que tipo de sexo você já fez. — Sexo grupal — Mel respondeu com tranquilidade. — Gosto que me possuam e gosto de possuir. Quando tomo as rédeas, eu curto demais. Judith deu uma grande risada. — Sexo anal? — Sim, e quando vi você junto com o seu marido e com o Björn, reconheço que fiquei morrendo de tesão. São dois homens impressionantes. Judith riu mais uma vez e comentou: — Espero que não estrague a nossa amizade o fato do Björn compartilhar com a gente algo mais do que amizade. — Não, não, por favor. O que vocês têm é algo em que eu não vou me meter. Isso nem passaria pela minha cabeça. — Mel, o que nós três compartilhamos é prazer, sexo e fantasias. A única maneira de explicar isso a você é dizendo que do Eric, eu quero tudo. Quero vê-lo sentindo prazer, quero que sinta prazer comigo, quero beijá-lo, quero que me beije, que me divida com alguém e quero dividi-lo também. Quero que abra as minhas pernas, que me coma e que goste de ver quando outros me comem. E do


Björn eu só quero uma brincadeira excitante. Ele não é o meu par, nem o meu amor. Ele busca o prazer por conta própria, mas com isso eu não me preocupo. Eu só me preocupo com o Eric e comigo. É isso que marca a diferença. — E notando que Mel a escutava com atenção, acrescentou: — Acho que você consegue entender um pouco do que eu estou dizendo, não consegue? Além disso, se a relação de vocês tivesse continuado, tenho certeza de que a gente acabaria se encontrando alguma vez num reservado, não acha? — Mel ficou excitada só de imaginar. Judith prosseguiu: — Parece frio o que eu digo, mas é o que eu sinto, Mel. Eu amo o meu marido loucamente e aprendi a diferenciar o jogo do sexo entre quatro paredes da vida real. Agora, se não funciona na vida real, eu te digo que também não quero no meu jogo. Isso acontece, por exemplo, com a Fosqui. Não suporto ela! Sorriram. O sentimento que tinham por Agneta era mútuo. — A Fosqui é insuportável — Mel disse. — Eu também não conseguiria estar com ela num reservado. As amigas se entreolharam. Permaneceram em silêncio alguns segundos e Judith, desejando continuar conversando sobre as coisas que rondavam sua cabeça, prosseguiu: — Sei que você e o Björn andaram saindo juntos e também sei que ele descobriu que você não é aeromoça, mas militar. E antes que você diga qualquer coisa, lembra quando eu te disse que notava que vocês sentiam atração um pelo outro? O que eu não sabia era que nessa época vocês já saíam e, fique tranquila, não vou brigar por você não ter me contado, mas o que quero saber é o que o James Bond é pra você e por que quem te fez esse chupão foi outra pessoa e não ele. Mel afastou o cabelo do rosto e respondeu: — O Björn foi me ver na base. Nós discutimos e ele me desprezou, marcando de sair com a Agneta na minha frente, depois de ter feito questão de dizer que tinha passado uma ótima noite com ela alguns dias antes. Eu estava furiosa, precisava de sexo e o Lodwud sempre me dá. E sobre o Björn, reconheço que eu gostei enquanto durou. — Só gostou? Mel fechou os olhos e, angustiada, decidiu não mentir mais. — Estou arrasada, Judith. Totalmente arrasada. Fiz tanto mal a ele que tenho vergonha até de pensar. O Björn é o homem mais maravilhoso que conheci em toda a minha vida e... — Uau, menina... Você está arrasada mesmo. Sorriram e Judith continuou: — Ele também está arrasado. Como eu falei, ele é um cara incrível, mas acho que a sua mentira fez um grande estrago. — Eu sei. — O que você pensa em fazer? Mel se lembrou da conversa que tivera com o amigo Robert Smith. Ele tinha razão: ela deveria dizer a Björn que, antes de ser militar, ela era mulher. Deu de ombros e respondeu: — Não sei. — E acendeu um cigarro. — Eu gostaria de falar com ele, mas acho que ele não vai me dar a chance.


— Se você não tentar, não vai saber. Você tem a mim pra te ajudar em tudo o que precisar e acho que o Björn merece que você tente, não acha? Pela primeira vez em vários dias, Mel sorriu e concordou. — Ele já tentou comigo e eu o rejeitei, agora é a minha vez de tentar. Tentar consertar meu erro terrível. Ele merece.


32 A partir daquele dia, Mel tentou de tudo. Telefonou, mas ele não atendeu. Enviou mensagens no celular e no e-mail, mas ele não respondeu. Cansada de ficar sem respostas, ela fez hora no escritório de advocacia. Lá ele não poderia evitá-la. Vestida com um terninho escuro e sapatos de salto, ela foi até o prédio de Björn, mas, diferente das outras vezes, ela entrou pela porta do escritório e não pela porta da casa. Enquanto esperava na recepção, os joelhos dela tremiam. Quando a porta se abriu e ela o viu aparecer com o terno grafite impecável, junto com outros homens, achou que ia morrer. Björn olhou para ela, surpreso. O que ela estava fazendo ali? Com diplomacia e jogo de cintura, ele se despediu dos homens que tinha acabado de atender e assim que eles se foram, sua secretária se levantou para anunciar: — Senhor Hoffmann, a senhorita Parker marcou horário com o senhor. Um Björn completamente perplexo olhou a jovem sentada em uma das cadeiras. Ele apontou uma porta e disse com a voz controlada: — Senhorita Parker, pode entrar, por favor. Ela se levantou e, tentando não ter um ataque de pânico, caminhou na direção que ele indicava. Assim que entrou no escritório, aquele lugar onde tinham feito amor em outra ocasião, viu Björn se sentar do outro lado da mesa e ela também se sentou. Durante alguns minutos, ele olhou na agenda; não tinha se dado conta de que aquele horário estava marcado com ela. Ele riscou o nome, fechou a agenda e a encarou. — Diga-me, senhorita Parker. Para que precisa dos meus serviços? Ela olhou para ele com a boca seca. — Björn, quero conversar com você. Ele ergueu os olhos e os fixou nela com fúria. — Diga, senhorita Parker. Mel retorceu as mãos e escorregou para a ponta da cadeira. — Eu não costumo contar a ninguém qual é o meu trabalho. Quando comecei a me envolver com você, não achei oportuno dizer que era militar e depois, quando... — Senhorita Parker — ele interrompeu —, isso aqui é um escritório de advocacia. Se o seu problema não tem nada a ver com o que se discute aqui dentro, peço encarecidamente que se levante e se retire. — Björn, por favor — ela suplicou. Olharam-se nos olhos por alguns segundos, até que ele, levantando-se, disse entre dentes:


— Faça o favor de sair do meu escritório. Desesperada ao ver tanta frieza, ela se levantou também e insistiu, apoiando as mãos na mesa: — Eu sou uma idiota, uma imbecil, uma inconsequente, mas, por favor, me escuta! Björn, sinto tanto sua falta, querido. As palavras doíam nele. — Não me chame de querido, porque não sou, nem quero ser nada seu. Mel logo percebeu que teria que dar tudo de si. Engoliu a raiva que sentiu ao ver que ele a desprezava e respondeu: — Uma vez você me disse que lutava por mim porque sabia que eu estava a fim. Pois bem, agora quem vai lutar por você sou eu, até você me perdoar e me entender, até que eu fique sem forças e... — Suas palavras são muito americanas e parecem saídas de um filme. Mas deixa isso pra lá, não lute por algo que desde já te digo que você perdeu. — Björn. Dando um murro na mesa e lançando um olhar fulminante, ele tentou falar em voz baixa para não gritar e não dar escândalo no escritório: — Senhorita Parker, faça o favor de sair da minha sala imediatamente. A senhorita e eu não temos nada o que conversar. Ela mordeu o lábio inferior e se sentiu impotente. Mel se levantou e do jeito que conseguiu, foi embora. Assim que chegou à rua, respirou e, agitada, foi até a cafeteria que havia em frente ao escritório. Não pensava em desistir tão facilmente. Durante duas horas, ficou lá dentro sem tirar os olhos do prédio e quando as pessoas que trabalhavam saíram, tomou mais um copo de café para ganhar coragem e fazer o que tinha vontade. Ao entrar em casa, Björn tirou o blazer e o lançou sobre o sofá. Colocou música e serviu um uísque. A visita de Mel fez com que perdesse o foco e ainda não conseguia controlar a raiva que estava sentindo. Ele pegou o celular e escreveu: “Te espero na minha casa.” Dois segundos depois, quando Agneta respondeu toda contente, ele sorriu e foi para o chuveiro. Vinte minutos mais tarde, vestindo apenas uma calça preta, a campainha tocou. Ele olhou no relógio com surpresa. Agneta tinha chegado antes da hora. Björn tentou sorrir e foi abrir a porta, mas o sorriso congelou no rosto quando viu que era Mel quem estava diante dele. Sua insistência estava começando a deixá-lo irritado. — O que você pensa que está fazendo aqui? — ele perguntou, apoiando-se na porta. Entrando no apartamento sem ser convidada, ela respondeu: — A gente precisa conversar. Björn, ainda apoiado na porta, olhou para ela e perguntou: — Por acaso te convidei pra entrar na minha casa?


— Não, mas depois de ver como você me tratou hoje no escritório, imagino que também não vá me convidar pra entrar, por isso, acabei de me convidar eu mesma! Impressionado como sempre com as respostas dela, Björn arqueou as sobrancelhas e murmurou: — É a sua cara... como sempre. Depois de um silêncio mais do que significativo, Mel continuou encarando e balbuciou: — Björn, eu... Björn bateu a porta com uma força que fez tremer o prédio. — Porra, quando você estava pensando em me contar? Você é uma maldita militar, o que você estava esperando pra me dizer? — Björn explodiu com fúria. — Você tem razão... tem toda razão. — É lógico que eu tenho razão — ele rebateu mal-humorado. Ter Mel na sua frente o enchia de emoções. Ele a desejava. Ele precisava dela. Ele a amava, mas ela o traíra. Fez menção de falar, mas ela, parada na frente dele, disse primeiro: — Sou a tenente Melanie Parker Muñiz, filha do major Parker. — Eu sei, baby, mas não graças a você. — Eu trabalho para o exército dos Estados Unidos e faz cinco anos que piloto um Air Force C17 Globemaster. Eu gosto do meu trabalho, gosto do exército e não acho que todos os americanos são o que você pensa. Acho que você deveria entender que existe gente boa e gente má em todo lugar e se eu não te disse nada antes foi porque não queria que você pensasse que eu sou... — Que pensasse o que de você? E, aliás, o que você acha que eu penso? — Escuta, Björn, além de militar, eu sou uma mulher que... — Não me diga babaquices, bonequinha — explodiu. — Fiquei louco por uma mulher pela primeira vez na vida, por você! E estaria louco se voltasse a confiar em você. Mas o que você quer agora? Me engana, ri da minha cara, me chuta da sua vida dizendo que eu não sou especial pra você e agora volta. O que você quer, Mel? — Quero você — ela respondeu com um fio de voz. — Te amo, Björn, maldito seja. Te amo como nunca amei ninguém e preciso que você me perdoe pra gente ficar junto. Você é importante pra mim. É especial. Sem você, muitas coisas perderam sentido. Quando te conheci, eu negava muitas coisas, mas você me ensinou a acreditar que a felicidade entre um casal existe. Você me beijou, me animou a dançar, me deu flores de presente, fez minha filha gostar de você, minha avó, eu... não agi bem com você, mas quero que saiba que estou disposta a te pedir desculpas todos os dias até que você me perdoe. Te amo e preciso que você me ame. Ouvir o “Te amo e preciso que você me ame” era o máximo que Björn podia ouvir. Ele nunca tinha se atrevido a dizer aquelas palavras para ela, mas ali estava Mel, dizendo, e pedindo com olhos suplicantes uma nova chance. Depois de um silêncio incômodo entre os dois, Björn a olhou com uma frieza que chegou até o coração dela.


— Sinto muito, senhorita Parker, mas já não existe nada do que existia antes. Você foi especial pra mim, mas isso acabou. Não te quero, não te amo e muito menos quero que você me ame, entendeu? Magoada, Mel concordou. Ela merecia aquilo, mas a rejeição era dolorosa. Tentou de novo. — Björn, você é muito especial pra mim, acredita. Ele ficou enfurecido ao perceber que a situação estava saindo do controle. — Pois você tem um jeito muito curioso de demonstrar! — ele gritou e Mel se encolheu. — Você me disse que o pai da sua filha morreu no Afeganistão. Me disse que ele era um maldito militar americano. Por que não me disse que você também é e que o seu pai também? Por que me deixou acreditar que você era uma aeromoça da Air Europa que tinha um inglês muito americano por ter trabalhado na American Airlines? — Porque... — Já não me interessam as suas explicações — ele interrompeu. Desesperada por ver que era incapaz de atingir Björn, Mel insistiu: — De que importa a nacionalidade ou a profissão que eu tenha, Björn? Eu sou eu... sou a Mel, o resto não deveria ter importância pra você. — A mim importa. Você não vê que me importa? E as suas mentiras me machucaram, você não vê? Mel se calou. Via dor nos olhos dele. Durante alguns minutos, nenhum dos dois falou e então Björn quebrou o silêncio. — Como você acha que eu fiquei quando, preocupado com você, descobri quem você era e qual era a sua profissão? Te digo que li as coisas pelo menos umas cinco vezes, porque não conseguia acreditar. Não conseguia acreditar que a mulher que tinha roubado o meu coração, a mulher que estava me deixando louco, fosse uma maldita militar, além de ser uma mentirosa. Ela concordou com a cabeça. Não tinha jogado limpo. Os sentimentos contraditórios que sentia naquele momento a impediam de dizer qualquer coisa. Quando foi responder, Björn a interrompeu. — A diferença entre o seu trabalho e o meu é que eu converso e faço acordos com as pessoas nos tribunais e você vai pra guerra — ele disse com dureza. — Na guerra não se conversa, Mel, na guerra as pessoas disparam armas e se matam por uma infinidade de desacordos. Você vê por que eu tenho que me preocupar? Você vê o perigo no que faz? Vê por que eu não quero saber nada de você? Ela fechou os olhos, negou com a cabeça e se explicou: — Eu tento me desligar quando não estou em missão e levar uma vida relativamente normal pela Sami e por mim. Por isso vivo em Munique e não na base, em Ramstein. — Ao ver que ele não contestava, mas apenas a encarava com expressão severa, ela prosseguiu: — Acabei de dizer que sinto muito, que fiz mal a você, que te amo, que não posso viver sem você, o que mais você quer? — Não quero nada de você, Melanie, você ainda não percebeu? A contundência dessas palavras fez Mel ver a realidade: ele não a amava e não pensava em dar outra chance a ela. Mas Mel não queria perdê-lo e, surpreendendo-o, perguntou:


— Também não podemos ser amigos? Björn encarou Mel irritado. Queria gritar com ela, mandá-la embora de sua casa, mas sua mente, seu corpo e seu coração não deixavam. — Não — ele respondeu depois de alguns instantes. — Por que não? — Porque sou eu que decido quem eu quero como amigo — ele esclareceu com expressão dura. Completamente confuso, Björn voltou a andar até a porta, mas Mel, desesperada para fazê-lo ver a razão, se adiantou e se colocou entre a porta e ele. E então ela o agarrou, o puxou para mais perto e o beijou. Foi um beijo duro, um beijo há muito ansiado, um beijo desejado. Os dois se beijaram com paixão até que soou a campainha. Então, Björn soltou Mel, deu um passo para trás e advertiu: — Não volte a me beijar. — Por que não? Você me deseja, eu acabo de perceber. Björn a segurou pelo queixo e olhou para seu pescoço com um sorriso que não a agradou. — Belo chupão. — Ele a soltou com desprezo e acrescentou: — Vá embora. Tenho um encontro. Sem sair de onde estava, ela olhou para o homem que adorava e suplicou, tentando usar sua última cartada: — Se você não quer continuar com o que a gente tinha porque eu te traí, pelo menos tente ser meu amigo. Não quero te perder, Björn. Amizade nem passava pela cabeça dele. Precisava esquecê-la e o que ela pedia era uma loucura. Forçando um sorriso que sabia que iria doer nela, ele respondeu: — Olha, boneca, se o que você quer é sexo, eu não estou a fim de você e você já sabe muito bem como conseguir sozinha. As palavras carregadas de raiva doeram mais nela quando ele abriu a porta, sem se importar que ela estivesse apoiada ali, e disse com um sorriso espetacular: — Oi, Agneta. Entra, eu estava te esperando. Mel viu entrar a sempre sensual apresentadora da CNN, que ficou parada olhando para ela. As duas mulheres se contemplaram. Agneta agarrou Björn pela cintura e perguntou: — O que ela está fazendo aqui? Impassível, Björn a beijou no pescoço. — Não se preocupe. Foi uma visita inesperada. Tchau, Melanie. Mel tremeu de frustração ao ver a sua frieza, a forma como ele olhava aquela bela mulher e como deu um beijinho íntimo no seu pescoço. A raiva se apoderou de seu corpo e então saiu pela porta aos gritos: — Você é um cretino, um grandessíssimo de um cretino!


Assim que saiu, Björn bateu a porta com força, olhou para Agneta e deu uma palmada na bunda dela. — Prepara um uísque pra mim — ele pediu. — Vou terminar de me vestir em dois minutos e já vamos. Quando a amiga foi até a sala, Björn apoiou uma das mãos na porta. Com a outra, tirou o cabelo do rosto e tentou se acalmar. Tentou tirar da cabeça Mel e seu maravilhoso cheiro de morango.


33 Mel foi às Astúrias buscar a filha. Quando chegou lá, sua avó logo perguntou por Blasinho e ela conseguiu sorrir e explicar que ele tinha que trabalhar. Durante alguns dias, evitou falar do assunto com sua mãe, até que uma tarde em que estava na praia com Sami, Luján chegou com a esteira e se sentou ao lado dela para conversar. — Muito bem, filha. Já que você não me falou nada, o que aconteceu com o Björn? — Aiii, mamããããããee. Não quero falar sobre isso. — Ele descobriu, não foi? — Descobriu. — Me conta o que aconteceu. Desesperada, Mel foi sincera com a mãe. Contou como ele tinha descoberto e como havia ficado zangado com aquilo. — Foi isso que aconteceu, mamãe. Você já sabe de tudo — Mel concluiu. Luján acariciou o cabelo da filha. — É uma pena que ele pense assim. Esse homem, além de bonito, era um bom partido pra você. Era só ver como ele te olhava e olhava Sami pra saber que você era especial pra ele. — Era, mamãe. Você definiu maravilhosamente bem. Porque o que existia entre mim e ele acabou — ela respondeu, tocando o pingente em forma de morango, presente dele. Dois dias depois, Mel voltou a Munique um pouco mais tranquila e numa manhã, depois de deixar Sami na creche, passando por uma floricultura, sorriu ao ver lindas rosas vermelhas de caules compridos. Eram como as que Björn tinha mandado para ela durante muito tempo. Sem pensar, entrou na loja e pediu que entregassem uma rosa em uma caixa. Quando o entregador deixou a caixa no escritório do senhor Hoffmann, a secretária levou o presente até a sala dele. Assim que Björn viu a rosa, franziu as sobrancelhas e xingou ao ler: Uma vez eu disse que te daria flores de presente. Espero que goste. Mel Durante alguns segundos, Björn ficou olhando para as flores e, confuso, ordenou que a secretária devolvesse-as ao remetente. Quando a flor chegou à casa de Mel, sem nenhum recado, ela ficou sem fala. Que grosseria! Mas, decidida a dar a última palavra, foi outra vez à floricultura. Na mesma manhã, quando a secretária de Björn entrou na sala com uma nova caixa, desta vez maior, ele olhou para ela sem acreditar. Ao contrário da outra vez, ele sorriu ao ver um cacto de espinhos afiados. Pegou o cartão e leu: Isso é mais a sua cara, cretino. Aliás, se não quiser que eu te chame de “cretino”... é só dizer! Mel Sem poder evitar, Björn pegou o cacto de espinhos afiados e o colocou num canto da sala.


Depois, sentou-se à mesa e não pôde deixar de olhar para ele por horas. Sem se dar por vencida, Mel continuou tentando. Ela ia até a portaria da casa dele para encontrá-lo como se fosse por acaso, mas Björn nem olhava para ela. Os dois se encontravam na banca de jornal aos domingos, mas ele só cumprimentava Sami. Mel fez de tudo, tudo o que pôde para que Björn falasse com ela, mas ele dava a entender com seu desprezo que ela devia parar. Ele não queria saber dela e, por fim, Mel aceitou. Uma tarde, tomando lanche com Judith em uma cafeteria, Mel exclamou: — Acabou! Não aguento mais. Sua amiga suspirou, desolada pelo que ela acabava de contar. — Sério, achei que Björn voltaria atrás. — Eu juro que se continuar rastejando assim, eu me mato. Tudo bem, eu escondi que sou militar, mas porraaaaaa... já não consigo rastejar mais! Por isso, dou o assunto Björn por encerrado, por mais que me doa o coração. Se eu superei a história do Mike, posso superar a dele. — Fico supertriste de dizer, mas acho que você tem razão — afirmou Judith. — No seu lugar eu já teria pulado no pescoço dele e o teria matado com certeza. E olha que ninguém ganha do Eric em matéria de teimosia. Mas agora, depois de ver Björn, tenho minhas dúvidas. Com um movimento mecânico, Mel tirou a correntinha com o pingente de morango do pescoço e sussurrou, olhando para a joia: — Acabou. Agora sim sei que acabou. Vou devolver esse maldito colar pra ele e depois vou fazer minha vida voltar ao normal e continuar vivendo, o que não é pouco! Naquele instante, o celular de Judith tocou. — Oi, Marta. — Depois de um silêncio, Judith acrescentou: — Genial! No sábado? Bom... bom... eu vou e vou levar uma amiga minha. Nos vemos lá por volta das dez, o que você acha? Ela desligou e olhou para Mel. — Você tem alguma coisa pra fazer no sábado? — Judith perguntou. — Não. Vou ficar com a Sami. Judith sorriu, piscou um olho e explicou: — No sábado a Sami vai ficar com a sua vizinha ou na minha casa. Acabei de marcar com a minha cunhada Marta e uns amigos pra irmos dançar e tomar umas em um bar cubano chamado Guantanamera, você conhece? — Não. Judith sorriu e tentou animá-la. — Fica linda e sexy, porque nesse sábado você vai gritar “azúcar!”.


34 Quando soube dos planos da mulher para aquela noite, Eric ficou irritado. Ele não gostava que ela fosse àquela espelunca cubana. — Já falei que não, Jud, você não vai — ele insistiu, sentado à mesa do escritório. — Você está grávida, pelo amor de Deus. O que você pretende? Beber mojitos e gritar “azúcar!” com a minha irmã como você sempre faz? — A verdade é que os mojitos são uma tentação e gritar “azúcar!”, eu nem te conto — riu-se Judith. Perplexo, Eric olhou para a maluquinha da sua mulher e fez menção de protestar, mas ela interrompeu em tom doce: — Você já sabe, mi amol! Incrédulo de ver aquela ousadia toda, Eric quis protestar mais uma vez, mas Judith sentou no colo dele e disse: — Querido, eu só quero sair e me divertir com as minhas amigas. Não pretendo ser a rainha da pista, nem beber um mojito sequer. Só quero passar um tempinho agradável e diferente antes que nasça o Gordinho. — Já disse que não, Jud. E não é não. Mas ela já tinha decidido. Iria quer ele gostasse ou não, por isso começou a usar uma estratégia que sabia que funcionaria para fazer o que desejava. — Olha, querido... — Não. Não olho nada. E não se faça de engraçadinha que eu te conheço, moreninha. Você sabe que eu não gosto que você vá lá e... Mas não pôde continuar. Jud chegou com os lábios perto dos dele e murmurou: — Escuta, querido. — Não. Nem pens... Jud beijou Eric com paixão e o fez se calar. — Vamos juntos — ela sugeriu quando as bocas se separaram. — Naquela espelunca? Nem morto. Jud soltou uma gargalhada e passou a língua pela boca de Eric. Ela se apertou contra o corpo dele e cochichou no ouvido: — Aquele lugar te excita, pensa em como vamos fazer amor quando voltarmos. A gente tranca a porta do quarto e eu e você vamos brincar tão gostoso e... — Jud... A proposta era tentadora. Sempre que voltavam do Guantanamera eles tinham uma reconciliação


muito excitante. Era um clássico. — Vamos, Iceman, faz a minha vontade. Você me prometeu que de tempos em tempos você iria me acompanhar à minha balada favorita. Vamos... diz que sim. Eu estou grávida, e você não pode me dizer não. Olha, se o bebê resolver nascer com sotaque cubano, a culpa vai ser sua! Os lábios de Eric esboçaram um sorriso e Jud, que o conhecia melhor do que ninguém, insistiu: — Ah, vai, querido. Você sabe que eu gosto de dançar. Além disso, se você quiser, convida também o Björn pra ir com a gente, assim ele te faz companhia. Pode ter certeza de que vai ser o máximo. Incapaz de negar, ele se deu por vencido e perguntou sorrindo: — A Mel vai? — Judith fez que sim e Eric brincou, achando graça: — Pequena, você é muito malandra. O que você pretende que aconteça? — Primeiro, que eles se encontrem. Se a gente não fizer alguma coisa, aqueles dois nunca vão fazer as pazes. — Jud, não. — Querido, pensa só: o Björn nos ajudou muito, por que a gente não pode ajudá-lo agora? — Porque não sei se a Mel é a garota que ele precisa. Você acha uma boa resposta? Jud riu e beijou o marido. — E como ele sabia que eu era a pessoa que você precisava? — Vendo que Eric não respondia, ela insistiu: — Talvez porque te viu perdido? Talvez porque percebeu que eu era especial pra você? Pensa comigo, querido, desde que você conhece o Björn, alguma vez ele te falou de alguma mulher como falou da Mel? Alguma vez você o viu tão transtornado por alguém do jeito que ele está agora? Sério, você não percebe que ele gosta muito dela? Eric não respondeu. Apenas aproximou-se da boca da esposa, chupou o lábio superior, depois o inferior, e deu uma mordidinha. — Moreninha, você é uma bruxa. Jud concordou com uma expressão engraçada. — E você gosta que eu seja, não gosta? — Adoro... Eric a beijou com a paixão que sempre havia entre os dois. — E se o Björn reagir mal quando vir a Melanie? — ele perguntou quando seus lábios se separaram. Judith, querendo continuar saboreando os lábios dele, deu uma bronca: — Iceman, agora esquece tudo e se concentra em mim.


35 No sábado, Mel deixou Sami com a vizinha e chegou ao bar onde tinha marcado com sua amiga. Ficou surpresa ao ver que Eric também estava lá. Jud a cumprimentou e a apresentou aos amigos. Logo depois, ficou feliz ao ver que Mel estava dançando com Reinaldo. Quando Björn chegou, Jud sorriu, mas logo fez uma careta ao ver que ao lado dele estava Agneta. — O que a Fosqui está fazendo aqui? — Judith perguntou ao marido. Segurando o riso, Eric aproximou a boca da orelha dela e respondeu com seu sotaque alemão: — Você já sabe, mi amol! Jud ficou boquiaberta ao ouvir Eric falando aquilo. Ele deu uma gargalhada e explicou: — Querida, quando convidei o Björn pra vir, não podia pedir que ele viesse sozinho. Eu o conheço e sei que ele teria suspeitado na hora. — Merda — Jud, balbuciou contrariada. Ela olhou para a pista, onde Mel continuava dançando com Reinaldo, e quando Björn e sua acompanhante chegaram até eles, Judith os cumprimentou com um sorriso forçado. Pediram mojitos e, enquanto estavam bebendo, Mel apareceu animada junto com Marta, sem notar os dois novos membros do grupo. — Minha nossa, Judith, como o Reinaldo dança bem! — Mel disse. — Ele é incrível — ela concordou. — Então espera até dançar com o Máximo — Marta comentou. — Ele é tão gato e dança tão bem que eu juro que você não vai ficar indiferente. — Vocês querem beber alguma coisa? — Eric perguntou. — Cara — Marta gritou —, não tinha te visto, Björn. Quando você chegou, bonitão? Mel se arrepiou inteira. Björn? Onde ele estava? Olhou para sua direita e o viu atrás de Eric. Sorrindo, apesar da desolação que sentia, o cumprimentou com a cabeça. Agneta ficou morrendo de raiva ao ver Mel ali. Aquela mulher é que tinha separado Björn dela nos últimos meses. Para marcar território, o agarrou pelo braço. O gesto não passou despercebido por ninguém, e muito menos para Mel que, indiferente, pediu uma bebida ao garçom: — Um Bacardi com Coca-Cola. Todos conversaram durante um bom tempo, mas Mel e Björn não trocaram uma palavra. Seus olhares carregados de reprovação é que se encontraram em várias ocasiões. Judith, percebendo aquilo, tentou mediar a situação entre os dois. — Björn, não vi você cumprimentar a Mel. — Tenho olhos, não sou idiota — ele respondeu. Ouvindo aquilo, com todo o mau humor do mundo, Mel olhou para ele e respondeu: — Disso,


boneco, não tenho tanta certeza. Surpreso porque Mel voltava ao jogo de antes, Björn quis responder, mas Mel foi mais rápida e saiu para dançar com Reinaldo. Não pensava aguentar nem mais um segundo do carinho que a loira fazia agarrada ao braço dele. Jud, sempre de olho em tudo, viu que Agneta se levantava para ir ao banheiro e cochichou no ouvido do amigo: — Você é um bobalhão. — Obrigado, Jud. Adoro seus elogios! — Você não está vendo que a Mel está aqui? Björn fez uma expressão de incômodo. — Pra mim, é como se ela tivesse virado poeira no ar — ele respondeu, encarando a amiga. Judith, zangada pela indiferença de Björn, insistiu: — A Mel vale mil vezes mais do que a Fosqui, você não percebe? Ele sorriu com amargura e, sem vontade de entrar no assunto, respondeu: — A Agneta me dá tudo o que eu quero e não mente. Isso já me basta. — Sexo! Ok... — Judith rebateu. — Mas eu te conheço e sei que você não está bem. Você gosta da Mel e ela pode te dar sexo e amor. Não seja cabeça-dura. A palavra “amor” era como um balde de água fria. Björn cerrou os dentes e cravou um olhar furioso em Jud. — Que tal se você não se meter onde não é chamada, queridíssima Judith — Björn sussurrou —, e uma vez na vida pode esquecer que eu existo? A resposta e o olhar de Björn ofenderam Judith. Nunca, em todo o tempo que se conheciam, ele tinha falado daquele jeito. Ela se virou para a cunhada Marta, que conversava com Eric. — Marta, o Máximo acabou de chegar. — Onde está o Senhor Peitoral Perfeito? — Ali — Judith respondeu, apontando. Máximo, um argentino bonitão e galanteador até dizer chega, cumprimentava umas garotas na entrada, quando Marta informou: — Ele terminou com a Anita e está se sentindo muito solitário. Ontem ele estava lá em casa com o Arthur e comigo. Eric olhou para sua mulher e ela respondeu fazendo-o rir: — Mas o que você está me dizendo? — E propôs erguendo a voz, para que Björn ouvisse: — Vamos apresentá-lo à Mel. Tenho certeza de que eles vão combinar. As duas mulheres se foram. Eric dirigiu o olhar para o amigo e perguntou com cumplicidade: — Outro copo? Björn concordou e quando o garçom deixou a bebida na mesa deles, Eric limpou a garganta. — Falando da minha mulher, você tem noção do que acabou de fazer esta noite? — Percebendo


que Björn não tinha entendido, Eric explicou: — A Jud ficou muito, mas muito zangada com a sua resposta. E já sabe, os hormônios! Eu a conheço e isso vai ter consequências. — Que merda! — Björn murmurou. — E a primeira consequência — continuou Eric — é o Senhor Peitoral Perfeito. — Quem? — Máximo, o queridinho das garotas, você não o conhece? Pego de surpresa por saber que existia outro queridinho que não fosse ele, Björn se interessou. — E quem é esse cara? Björn seguiu a direção do olhar de Eric e ficou tenso ao ver Mel trocando beijinhos com um cara boa-pinta e estiloso. Notou como Máximo sorria para ela e então ficou nervoso ao ver que ele a agarrava pela cintura e a convidava para dançar. Achando engraçado ver como as narinas de Björn se dilatavam, Eric informou ao amigo: — Aquele é o Máximo. E até onde eu sei, ele deixa as mulheres loucas! O resto da noite foi uma autêntica tortura para Björn. Mel parecia ter encontrado um homem que jogasse seu jogo e não parou de dançar, nem de rir com ele. Ele a viu para lá e para cá com ele, gritando “azúcar!” com as loucas da Judith e da Marta, e foi testemunha de como o álcool começava a fazer efeito nela e na forma sensual como ela dançava. Eric observava tudo em silêncio e logo percebeu como Björn estava tenso. — Quando você quiser, a gente dá a noite por encerrada. Björn negou e tentou sorrir para Agneta. Ela dançava se insinuando, mas não tinha nem de longe a sensualidade que emanava de Mel. A música mudou e o DJ começou a tocar Orishas, um grupo cubano que agradava muito por ali. Todos dançaram e cantaram quando tocou a música Cuba. Assim que ela acabou, as garotas foram atrás de algo para beber. Mel pegou um dos mojitos, deu um gole maravilhoso e ouviu falarem atrás dela. — Você não acha que está bebendo demais? Surpresa, ela se virou, viu Björn, ergueu as sobrancelhas e olhou de um lado para o outro. — Você está falando comigo? — ela perguntou. — Estou. Mel sorriu e murmurou: — Seu cretino. Björn se ofendeu ao ouvir aquela palavrinha. Ela sabia que ele não gostava de ser chamado daquele jeito. Tentando chamar a atenção dela, Björn comentou: — Ontem um mensageiro me entregou o seu pingente. Mel fez que sim com a cabeça e tomou mais um gole do drinque.


— Não é o meu pingente, é o seu pingente — ela destacou. — Digamos que eu devolvi o seu morango com o mesmo desprezo com que você devolveu o meu. Agora estamos em paz, não acha? Zangado, Björn não respondeu. Mel deu de ombros e em seguida gargalhou. — Nem precisa perder o sono, cretino... já me conformei que você não quer saber de mim — Mel disse entre dentes. — Por isso, fica tranquilo, que eu vou superar. Ninguém é indispensável nessa maldita vida. Ela bebeu mais um gole da bebida e levou um esbarrão de uma moça passando ao seu lado. Mel tropeçou e Björn a segurou antes que ela caísse no chão. Ao notar as mãos dele na sua cintura nua, ela sentiu o corpo se arrepiar e quando ele a soltou, só conseguiu dizer: — Azúcar! Björn não disse nada. O perfume de morango que exalava dela já havia se infiltrado no seu nariz. Ele se virou e decidiu se afastar, porém, ouviu alguém dizer: — Se voltar a tocar nele, você vai ter um problema. Surpreso de ouvir a voz aguda de Agneta, Björn se virou novamente e viu Mel se defendendo: — Se você não soltar o meu braço, o dentista vai fazer a festa com você. — Agneta, o que você está fazendo? — Björn perguntou. Mel o encarou e aconselhou com um sorriso malicioso: — Controla a Fosqui ou esta noite ela vai sair daqui sem dentes. Ah... se vai! Dito isso, Mel se afastou e voltou para a dança e a diversão enquanto eles discutiam. Uma hora mais tarde, ela entrou no banheiro para se refrescar. Instantes depois, a idiota da Agneta entrou também, com vontade de arrumar confusão. — Quem você pensa que é? — Agneta gritou. Mel a olhou da cabeça aos pés e respondeu sem sair do lugar: — No momento, a tenente Melanie Parker, e se você não tirar sua bundinha de cadela no cio daqui agora mesmo, eu vou ficar nervosa. E quando eu fico nervosa, sou muito... muito malvada. — Você está me ameaçando? Mel se olhou no espelho. — Estou, definitivamente estou — ela afirmou com o atrevimento característico. — Acho que vou te pegar pelos cabelos, te arrastar pelo chão e... Assustada, Agneta se mandou apavorada, e Mel deu risada. Estava molhando o cabelo na pia, quando a porta se abriu de novo e um furioso Björn abriu caminho. — James Bond... este é o banheiro feminino. Se você veio atrás da Fosqui, sinto muito dizer que ela acabou de sair daqui, há apenas alguns segundos. Sem responder, ele a agarrou pelo braço e a encurralou na parede. — O que você fez com a Agneta? — Björn perguntou.


— Euuuuuuuuuu? — Ela disse que você bateu nela. Mel sorriu e negou, tomando consciência de como o corpo dele estava próximo. — Pode ter certeza de que se eu chegar a agredir aquela lá, não vou deixar nem a língua pra ela contar a história. Björn logo percebeu que Agneta tinha mentido e, com muita raiva, alertou: — Fica longe dela e de mim. Você e eu não temos mais nada um com o outro. Mel não fez esforço para conter seus impulsos. Ela o impediu de sair, se aproximou e respondeu com determinação: — Ah, claro, baby... Existem algumas coisas que a gente pode fazer. Sem ação, ele viu como Mel aproximava os lábios para beijá-lo. Ela tomou Björn para si como só ela sabia fazer e ele correspondeu. Sem trocarem uma palavra. Sem nem mesmo se olharem, ele a pegou nos braços e a apertou contra o seu corpo. O tesão tomou conta deles. Durante vários minutos, enquanto as pessoas continuavam se divertindo do lado de fora, eles dois se beijaram com autêntica paixão. Sem delicadeza, Mel colocou a mão no meio das pernas dele e sussurrou: — Vamos, boneco, me dá o que eu quero, eu sei que você deseja. Björn começou a perder o juízo. O que ele estava fazendo? Seu corpo parecia se mover sozinho. Ao sentir a língua dela dentro da sua boca, ele se apertou mais ainda ao corpo dela. De repente a porta do banheiro se abriu. Isso o fez retornar à realidade. Como se seus lábios estivessem queimando, ele a soltou e sussurrou antes de sair: — Não beba mais ou vai terminar muito mal. Björn saiu dali e a mulher que tinha aberto a porta entrou. Mel ficou respirando com dificuldade. Desejava aqueles lábios e aquelas grandes mãos que tinham percorrido seu corpo. Ela precisava dele. Porém, voltando à realidade, como Björn tinha feito segundos antes, ela abriu a porta e foi para o salão curtir a noite. Máximo, aproveitando sua loucura e seu corpo fresco, agarrou Mel assim que a viu e a levou para tomar um drinque. O DJ colocou Orishas para tocar mais uma vez. Ao ouvir a canção Nací Orishas, Máximo pegou Mel pelo quadril e os dois saíram para a pista cantando... Yo nací Orishas en el underground. Oye si de cayo hueso si tu bare. Yo nací Orishas en el underground... Björn os observou do bar, sem conseguir tirar os olhos de cima deles. Mel estava dançando para provocar aquele cara, que correspondia chegando perto e passando as mãos no corpo dela. Era algo que Björn não queria ver, mas não podia deixar de olhar. Duas coisas o deixavam louco: a tatuagem nas costas dela se mexendo e aquele imbecil passando a mão no seu corpo. Assim que a música terminou, outra começou em seguida e eles continuaram a dançar muito animados. O aborrecimento de Björn aumentava sem parar. Mel, por sua vez, não voltou a se aproximar do grupo onde ele estava com a poodle. Mel se negava a olhar para eles.


De madrugada, quando Eric e Björn falaram em ir embora, Jud logo concordou, pois já estava cansada e então foi se despedir da amiga. Björn, percebendo que todos estavam indo embora, menos Mel, parou Jud na saída para perguntar: — A Mel vai ficar? — Arrã... — Mas estamos todos indo... Sem se surpreender muito, Jud respondeu: — Ela fica em muito boa companhia, seu imbecil. — E ao intuir que ele fosse dizer algo mais, ela acrescentou irritada: — Queridíssimo Björn, que tal você dar o fora daqui com a Fosqui e dar a ração dela? Deixa a Mel em paz e não se mete onde não é chamado! Dito isso, Judith agarrou o braço da cunhada, e Eric, se aproximando do amigo, cochichou: — Eu te disse... essa é outra consequência.


36 Um mês passou sem que Mel e Björn soubessem um do outro. Davam sua relação por terminada, embora fossem incapazes de se esquecerem. Chegaram as festas de fim de ano e Judith se dedicou a montar sua tradicional árvore de Natal vermelha. Mel atendeu ao chamado da amiga e foi ajudá-la. Elas duas, Flyn e os dois menores enfeitaram a árvore em meio a risadas e brincadeiras. — Como disse a minha irmã — Judith riu —, eu encho eles de beijo! — Quando a tia Raquel vem com a Luz? — Flyn perguntou. Judith pensou na família e sorriu. — Dentro de quatro dias vão estar todos aqui e vamos dar uma festa incrível de Natal — ela respondeu, contente. — Aliás, Mel, quando você vai para as Astúrias? — Depois de amanhã. — Ah, que pena. Você não vai conhecer a minha família... — Judith lamentou. Mel deu de ombros e explicou com um sorriso meigo: — Acho que não. Tenho uma licença de doze dias e quero aproveitar ao máximo nas Astúrias. — E olhando para a filha, disse: — Sami, não pegue o carrinho do Eric. Judith concordou com a cabeça. O pequeno Eric era igual ao pai, exceto pelo temperamento risonho e alegre como o da mãe. Ver Eric e Sami juntos era encantador. Os dois tão loiros, com a pele tão branquinha e com aqueles olhos azuis, dava até vontade de mordê-los. Com a barriga enorme, Judith se levantou de onde estava e se abaixou para pegar um brinquedo do filho. De repente, ela soltou um gemido: — Ai, meu Deus, nããããooooooooooo. — O que foi? Flyn olhou para ela no mesmo instante. — Você está fazendo xixi, mamãe? Branca como cera, ela pediu a Mel: — Avisa o Eric no escritório. Acabou de estourar a bolsa! Quando chegou lá, Mel abriu as portas sem bater e gritou, acelerada: — Eric, temos que levar a Judith ao hospital, já! A partir daquele momento, tudo virou um caos. Simona, Norbert e o pequeno Flyn ficaram em casa com as crianças, e Mel acompanhou Eric e Judith no carro. Ele dirigiu por Munique como um louco até ser interrompido pelo grito da esposa: — Se você continuar assim, vai nos matar! — Pequena, você está bem? — ele perguntou, angustiado. — Sim... fica calmo. Só estourou a bolsa, não precisa ultrapassar todos os sinais vermelhos. Mel sorriu. Um novo bebê chegava ao mundo e aquilo sempre era motivo de felicidade.


Tentando relaxar a amiga, que torcia as mãos no colo, Mel comentou: — Toda vez que você entra em trabalho de parto, eu estou por perto. Judith sorriu, mas gritou novamente, preocupada com o jeito que Eric estava dirigindo. — Eric, se você ultrapassar outro sinal vermelho, eu juro que desço do carro e eu mesma dirijo. Morrendo de preocupação, Eric concordou e, a partir dali, tentou se acalmar. Ao chegarem ao hospital, uma enfermeira já estava esperando por eles com uma cadeira de rodas. Judith desceu do carro e disse baixinho para o marido: — Querido... a epidural. Que me injetem litros e litros de anestesia epidural. — Claro, pequena... — ele a tranquilizou, tirando a mão que ela levava ao pescoço, para que não começasse a se coçar, ou suas brotoejas iam piorar. — Assim que virmos a sua médica, vamos lembrá-la disso. A médica os atendeu assim que os viu aparecer e, para surpresa de todos, depois de um exame, disse que Judith teria que fazer uma cesariana de urgência, pois o bebê estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Eric viu o pânico no rosto da esposa e exigiu estar presente, mas a obstetra não autorizou. Em um parto de risco como aquele, o pai só iria atrapalhar. Por fim, Judith conseguiu convencê-lo e, depois de receber um beijo nos lábios, ele se contentou em ficar junto com Mel na salinha, à espera de notícias. — Fique calmo, tudo vai sair bem. Não se preocupe — Mel tentou animá-lo. Eric concordou. Não estar com Jud num momento como aquele o deixava completamente desnorteado. — Eu sei. — Eric encarou Mel e apertou a mão dela. — Jud não vai deixar que nada dê errado. Esperaram sem dizer mais nada. Eric não estava para conversa e Mel decidiu respeitar seu silêncio. Björn apareceu meia hora mais tarde, sem que eles o tivessem avisado. Simona é quem tinha dado a notícia. — Como estão as coisas? Eric não respondeu. Estava tão angustiado que era incapaz de articular mais de duas palavras seguidas. Sem entender nada, Björn olhou para Mel em busca de uma resposta. — Estão fazendo uma cesariana de emegência — ela explicou. — O bebê está com o cordão umbilical enrolado no pescoço, mas eu estava dizendo ao Eric que vai dar tudo certo. Björn encarou o amigo, que estava com os olhos fixos no chão, e tentou ser positivo como Mel. — Tenho certeza de que vai dar tudo certo — ele afirmou. O tempo passava. Ninguém dizia nada e Eric estava começando a se desesperar. De repente, a porta do centro cirúrgico se abriu e a médica foi até Eric com um bebê nos braços. — Parabéns, papai. Você tem uma filha linda. Aquele alemão loiro olhou sua bebezinha e perguntou com um fio de voz: — Como está a minha mulher?


A médica sorriu e entregou o bebê a ele. — Ela está ótima e deseja vê-lo. Por favor, me acompanhe. Vou levá-lo até ela. O rosto de Eric se abriu num sorriso: Jud estava bem. Eric contemplou a filha com grande felicidade. Agora sim podia respirar e sorrir. Ele olhou para seu grande amigo e disse: — Amigão, aqui está a minha outra moreninha. Os dois se abraçaram emocionados enquanto Mel os observava com um sorriso nos lábios. Que amizade tão maravilhosa tinham aqueles dois gigantes. Em seguida, Eric abraçou Mel e os dois riram ao ver como aquela menininha se parecia com Judith. Quando Eric desapareceu com a médica e o bebê pelas portas do centro cirúrgico, Björn e Mel se entreolharam e sorriram. Sem se tocar, nem se abraçar, nem trocar nenhuma palavra, os dois saíram do hospital e foram até o carro dele. — Se você quiser, posso te levar pra casa — ele ofereceu. Feliz pela amiga, mas triste pelo que aquele momento a tinha feito se lembrar, Mel olhou para ele tentando esboçar um sorriso e respondeu apenas: — Não, obrigada. Vou sozinha. Björn concordou, mas quando ela começou a andar, ele a chamou. Mel se virou e olhou para ele outra vez. — Sinto muito por tudo o que aconteceu entre a gente. Ela deu de ombros e engoliu o turbilhão de emoções que tinha na garganta. — Eu também sinto. Björn, confuso e sem saber o que fazer, finalmente estendeu a mão para ela. — Amigos? — ele perguntou. — Mesmo que eu seja militar? Ele sorriu e Mel apertou a mão dele com força, concordando com a cabeça. — Amigos. Dito isso, ela deu as costas e continuou andando, enquanto lágrimas escorriam por seu rosto. Não queria que Björn a visse chorando.


37 As festas passaram e tudo voltou à normalidade. A pequena Hannah era uma bonequinha morena. Judith já estava totalmente recuperada e Eric, como sempre, era o homem mais feliz do universo. Quando Mel voltou das Astúrias, tinha muitas novidades para contar e foi logo visitar sua amiga. Emocionadas, as duas estavam observando a pequenininha com carinho, quando chegaram Eric e Björn. Sami, ao vê-lo, correu até ele e se atirou em seus braços. — Píncipeeeeeeeeeee! — ela gritou. Encantado como sempre ficava quando via a menina, Björn a pegou no colo e a apertou num abraço. O Natal daquele ano tinha sido muito diferente. Ele tinha sentido saudades de Sami e de sua mãe mais do que imaginou que sentiria, porém não disse nada, pois não queria complicar mais as coisas. Preferindo deixar tudo como estava, ele se limitou a fingir na frente dos amigos e deixar para sofrer quando chegasse em casa. Ao ver como ele abraçava Sami, Mel se levantou sorrindo e o cumprimentou com cordialidade. Depois de brincar com as crianças, os dois homens foram para o escritório. Judith perguntou: — Como você está se saindo com a história do Björn? — Bem. Como disse a minha avó, o tempo cura tudo. — Meu pai também costuma dizer que o tempo põe tudo em seu lugar. Mel sorriu e colocou a coroinha de Sami na cabeça. — Tenho uma coisa pra te contar — ela anunciou. — Não me assuste, Mel, que a sua expressão não me parece coisa boa. Ela sorriu e respirou fundo. — Vou me mudar para a base de Fort Worth — explicou. — E onde fica isso? — No Texas. A cara de Judith se contraiu ao ouvir aquilo, e logo ela começou a chorar. Vendo aquela reação, Mel sentou-se ao lado dela e tentou consolá-la: — Por favor, por favor, não chore. — Como eu não vou chorar se todas as amigas que eu fiz aqui vão embora? Primeiro a Frida foi pra Suíça e agora você quer ir pro Texas. Mel sorriu. Ficava feliz de ver que Judith tinha tanto carinho por ela e a abraçou, numa outra tentativa de consolo. — Pensa que se eu for você vai ter lugar pra ficar lá também. Você vai poder ir até lá sempre que quiser e juro que minha casa vai ser muito maior e mais bonita do que meu apartamento daqui. — E por que você vai? É por causa do Björn? Ele era uma parte importante da decisão. Colocar meio mundo entre eles era o mais recomendável, mas Mel tentou não dar importância àquilo.


— Não, não tem nada a ver com ele. — Jura? — Juro. — E então, por que você vai se mudar? — Sinceramente, Judith, ficar na Alemanha agora é complicado pra mim. — Por quê? Mel se sentou junto da amiga e explicou: — A Scarlett vai voltar pra casa. E meus pais, por mais difícil que seja de acreditar, decidiram se dar uma segunda chance. Minha mãe e minha irmã estão agora mesmo no Texas organizando a mudança. — Isso é magnífico. — Eu sei — Mel concordou, olhando para a filha. — Mas eu não entendo o que você tem a ver com tudo isso. — Se minha irmã e minha mãe voltarem pro Texas, quando eu tiver viagens longas, não vou poder deixar a Sami com elas. A minha avó é muito idosa pra cuidar de uma criança e... — Mas você pode deixar a Sami aqui. Você sabe que eu e o Eric vamos cuidar bem dela, enquanto você estiver viajando. — Eu sei, querida. Claro que eu sei que vocês cuidariam bem dela. Só preciso ver o carinho que vocês nos dão quando estamos aqui, mas a Sami precisa ter a própria família e a minha é a que ela tem. Se eu viajo, o normal é que a Sami fique com eles. Não posso ser egoísta e tenho que pensar na minha filha. Ela precisa de uma família e a dela vai estar em Fort Worth. Aqui ela só tem a mim e se acontecer alguma coisa comigo, ela precisa estar perto dos parentes. Você entende, não entende? Judith fez que sim, claro que entendia! As duas amigas se uniram num abraço e começaram a chorar. A porta da cozinha se abriu e Björn, que entrava para buscar cerveja, olhou para elas com espanto. — Mas o que acontece com as duas Superwomen? Judith olhou para ele com tristeza e antes que explicasse Mel se adiantou. — Veja só, bonequinho, até as Superwomen têm sentimentos. Ele as encarou com surpresa. No caminho para o escritório, levando as duas cervejas e querendo saber o que estava acontecendo, ele soube o que tinha que fazer. Chegando lá, ele colocou as garrafas na mesa de Eric e comentou: — A sua pequena está se acabando de chorar na cozinha. Não foi preciso dizer mais nada. Eric se levantou rapidamente e foi até lá. Björn foi atrás e ouviu o amigo perguntar logo que abriu a porta: — O que foi, querida? A preocupação de Eric fez com que Jud recomeçasse a chorar. Mel olhou para Björn e sussurrou: — Mas que fofoqueiro que você é. Com uma das mãos no bolso e a outra segurando a cerveja, Björn se apoiou no batente da porta


vendo o amigo abraçar a esposa. Quando Judith se recuperou um pouco, Eric, que a conhecia bem e sabia que ela não chorava daquele jeito se não fosse por um motivo importante, incentivou Judith a falar: — Me conta, pequena, o que foi? Judith olhou para a amiga, que balançou a cabeça. Entretanto, sem dar importância ao gesto, ela anunciou: — A Mel vai morar em Fort Worth. Os dois homens olharam espantados para ela, que se explicou em tom de brincadeira: — Texas, yeah! Björn ficou tão chocado com a notícia que teve que se apoiar na bancada da cozinha. Como assim? Mel estava indo embora? Perdido depois daquela notícia, ele respondeu, colocando a cerveja de lado: — Você está de brincadeira com a gente, não está? Mel negou com jeito cômico e respondeu: — Não. Hoje é terça-feira e nas terças eu não minto. — Mas o que vocês vão fazer no Texas? Escondendo os sentimentos que essa mudança provocava, Mel respondeu apenas: — Trabalhar e morar, parece pouco? — E por que você quer ir morar lá? — ele voltou a perguntar. Ela o encarou com a testa franzida. — E o que isso te interessa, baby? — Sua grossa. — Oh... hoje não vou dormir de tanto desgosto. Você me chamou de “grossa”! — ela exclamou, sentando-se numa das banquetas da cozinha. Vendo que eles iam começar tudo de novo, Judith levantou a voz num grito: — Por favor, não discutam! Já estou supertriste por saber que a Mel vai embora. Vocês não precisam começar a se tratar mal. Sami viu a mãe com o rosto sério e foi até ela. Olhando para Björn, a menina disse: — Píncipe bobo! Mel pegou a menina no colo e deu um beijo nela. — Não, querida, o príncipe não é bobo. Ele é muito bobo! Ao ver que as duas olhavam para ele com um sorriso cúmplice, Björn pegou a cerveja e saiu da cozinha. Três minutos depois, Eric foi atrás. — Muito bem, princesa — Mel disse, levantando-se com a filha. — Vamos começar a recolher os brinquedos. Temos que ir pra nossa casinha. — Você vem almoçar aqui no sábado? — Judith quis saber. — Claro que sim. Não quero perder o seu cozido madrilenho nem morta! Meia hora depois, Judith estava na janela vendo a amiga sair com a filha nos ombros, quando Eric entrou para ver como ela estava.


— Já passou a tristeza? — ele perguntou com um abraço. Ela sorriu. — Você pode me dizer por que ela quer se mudar? — É um assunto familiar, Eric — Judith sorriu. — A irmã e a mãe dela, que moram nas Astúrias, estão voltando pro Texas, e a Mel, pelo bem da Sami, sabe que tem que ir também pra que a menina continue tendo uma família que cuide dela e a ame. Aqui, apesar de a Mel ter a gente, está muito sozinha. Eric compreendeu e não perguntou mais nada. Assim que possível, porém, contou a história ao amigo. Naquela noite, Mel precisava afogar as mágoas. Queria ir ao Sensations, mas sabia que, se fosse, com certeza encontraria Björn lá, por isso decidiu mudar de lugar. Iria ao Destiny, uma nova casa de swing como o Sensations, que ficava algumas ruas mais acima. Mel chegou ao lugar vestindo uma saia lápis preta e sapatos de salto. Ela entrou e caminhou segura de si até o primeiro bar, onde pediu algo para beber. A hostess da casa, ao ver Mel sozinha, se apresentou e mostrou o espaço para ela. Andaram pelas diferentes salas e Mel notou umas cabines prateadas, que chamaram sua atenção. Ao fim da visita, a mulher a apresentou a um casal, com quem ela foi para a sala seguinte. Ali havia poltronas e decidiram se sentar para continuar conversando. Tomaram alguns Bacardis com Coca-Cola e decidiram ir para a jacuzzi. Quando Mel saiu do vestiário, ouviu alguém chamar seu nome. — Mel! Surpresa, ela se virou e sorriu ao encontrar Carl. — O que você anda fazendo por aqui? Ele deu dois beijinhos nela e respondeu: — Vim com uma amiga. — Mel sorriu e o homem continuou: — Fazia muito tempo que eu não te via. Você não tem ido ao Sensations. Por onde você anda? Sorrindo, Mel deu de ombros. — Ultimamente eu andei muito ocupada, mas então ouvi falar deste lugar e decidi vir conhecer. Carl pensou no que ela estava fazendo ali sozinha, sem Björn. — Tudo de bom, Mel — ele desejou ao se despedir. Ela se afastou com um sorriso no rosto, sem perceber que Carl estava teclando alguma coisa no celular. Mel se juntou ao casal e foram os três até um bar lateral, perto da jacuzzi. Ali, pediram outro drinque. Mel achou a música ensurdecedora, alta demais para o seu gosto. Enquanto estava sentada esperando a bebida, o casal que acabara de conhecer se encontrou com outro e ela foi apresentada aos recém-chegados. Não demorou nada, as duas mulheres começaram a brincar uma com a outra e acabaram juntas na jacuzzi, enquanto Mel e os homens as observavam de longe. Nenhum deles a tocou. Ela não havia dado permissão para isso e todos a respeitavam. Quando os homens viram que ela não parecia querer jogar, decidiram se unir às mulheres e a troca de casais começou.


Algum tempo depois, Mel sentiu curiosidade e foi até as cabines prateadas, onde viu avisos muito intrigantes colados nas portas. Eles eram explícitos: indicavam as pessoas que estavam lá dentro e o que queriam. Três homens procuravam uma mulher. Duas mulheres procuravam um homem. Mel viu uma cabine que não pedia nada, soube que ela estava vazia e decidiu usá-la. Quando entrou, Mel olhou ao redor. O espaço era muito grande. Havia uma mesinha com preservativos, água e toalhas limpas, uma poltrona e, preso ao teto, um balanço sexual. Curiosa, ela o tocou e percebeu que as correias eram macias. Os cartazes estavam sobre a mesinha. Devia escrever na porta que era uma mulher à procura de... Durante algum tempo, ela ficou na dúvida e depois se decidiu: dois homens. Precisava de uma boa transa. Com segurança, pegou os dois cartazes e os prendeu na porta. Ela caminhou até o interruptor e deixou a luz bem baixa. Sentou no balanço e encostou as costas na corda de trás para se balançar. De repente, a porta se abriu e um homem entrou. Mel não conseguiu vê-lo até que ele se aproximou. O corpo dela estremeceu. — O que você está fazendo aqui, Björn? — ela perguntou com um fio de voz. Com o rosto sério e uma frieza incrível, ele respondeu: — O mesmo que você. Estou em busca de sexo. Os dois se entreolharam em silêncio e então ele perguntou com a voz neutra: — Você já usou o balanço alguma vez? Mel negou e ele explicou: — Do jeito que você está, coloque as pernas nas cordas de baixo. Você vai ficar suspensa com as pernas abertas. O prazer que o balanço proporciona é incrível. A penetração é mais profunda e vai ser mais gostoso pra nós dois. A explicação técnica de Björn e sua frieza chamaram a atenção dela, mas ela fez o que ele dizia. Mel ficou suspensa pela maneira como ele tinha dito, e Björn, que já estava nu quando entrou na cabine, se aproximou. Sem se inibir, ele passou a mão na vagina dela. — Tem algum problema se eu brincar com você esta noite? — ele perguntou. Problema? Tinha muitos problemas! Excitada pelo que a presença dele provocava, ela negou com a cabeça, porém perguntou: — O Carl te avisou? — Avisou. — Por quê? — Como ele é um bom amigo, me disse que você estava aqui. Das últimas duas vezes ele nos viu juntos no Sensations e estranhou ver você sozinha. Nada mais. A porta da cabine se abriu e outro homem entrou. Björn olhou para ele. — Mudamos de ideia, me desculpe.


O homem saiu da cabine e Mel, perplexa com o que ele fez, avisou: — Você está passando dos limites. Eu não mudei de ideia. Björn não respondeu e se limitou a olhar para ela. — Por acaso você entrou aqui pra atrapalhar a minha diversão? — Mel insistiu. Agora eram as palavras dela que incomodavam Björn. Ele respondeu com expressão impassível: — Eu estou atrás de sexo, Mel. Não quero nada que as pessoas que frequentam esse lugar não queiram. Mas se a minha presença te incomoda, vou embora procurar outras pessoas pra jogarem comigo. Ela ficou tentada a pedir que ele desse o fora dali, que se afastasse dela, mas não pôde. Seu coração e sua ânsia não permitiram. Ela o pegou pela mão e impediu que ele se fosse. Encontrar-se ali com Björn tinha sido uma surpresa agradável que ela não queria desperdiçar. — Calma, cretino. Podemos nos divertir. — Não me chame de “cretino”. Mel sorriu e acrescentou fazendo piada para esconder os verdadeiros sentimentos. — Perdão, senhor Hoffmann... perdão. Os dois se olharam nos olhos durante alguns segundos. A tensão sexual era palpável. Se ele era frio, ela podia ser um iceberg, mas seus corpos se esquentavam segundo a segundo. — Se abre pra mim — Björn disse, por fim, quando se sentou no chão. Mel fez o que ele pedia, com um frio enorme na barriga, e logo sua vagina começou a palpitar de tesão. Sentado no chão, Björn foi atraído por ela como um ímã. Puxou a corda onde ela estava sentada e aproximou-se do seu sexo. Assim que viu o morango de que tanto gostava, ele pousou a boca onde estava o centro de seu prazer e ela gemeu. Mel fechou os olhos. Sentir a boca ansiosa dele em seu sexo era a última coisa que tinha pensado que aconteceria naquela noite. Sem pudor algum, ela se entregou toda ao prazer. Björn segurou Mel pela bunda e meteu a boca naquela vagina molhada e saborosa. Chupou, lambeu... era tudo maravilhoso. — Se segure nas cordas e se incline pra trás — ele pediu. Agarrada às cordas, Mel enlouqueceu. Ela gemeu suspensa no ar enquanto o homem que não saía de seu coração e da sua mente abria suas pernas para fazer o que ela tanto queria. Sem piedade, Björn fez o que quis e sentiu Mel vibrar quando sugou o clitóris maravilhoso. Era um sonho. Ainda admirado pelo que estava fazendo, ele gemeu e, como um lobo faminto, a apertou contra sua boca. Era difícil de acreditar, mas ali estava ele. Mais cedo, quando tinha recebido a mensagem de Carl, não teve dúvidas: precisava ir atrás da mulher que desejava. Os gemidos tomaram conta da cabine. Mel se abria enlouquecida para Björn e experimentava o que era o sexo num balanço. Era incrível, como nunca tinha feito aquilo antes? Cada um em sua posição, os dois desfrutaram do momento e então Björn se levantou e Mel olhou para ele com os olhos transbordando de luxúria. Ele era impressionante. Björn fez menção de


colocar uma camisinha, ela o deteve. — Não ponha. Sem falar nada e extremamente confuso, ele jogou a camisinha no chão e guiou o pênis com impaciência. Agarrado nas cordas de cima do balanço, lenta e pausadamente ele se enfiou dentro dela. Quando se sentiu completamente dentro dela, fez um movimento rápido e Mel gemeu. — Estar suspensa vai te dar um prazer maior. Mel olhou para ele, agarrada nas cordas. Um movimento seco de Björn e ela deu um grito de prazer. Sem beijá-la, ele disse baixinho: — A cabine tem isolamento acústico. A gente pode gritar o quanto quiser. Uma nova investida e os dois gritaram. Daquela vez, sem reservas. O prazer era intenso e os gritos ecoando pela cabine os deixavam ainda mais excitados. — O balanço dá uma profundidade enorme. Você sente? — Björn perguntou. — Sinto. — Você gostou? Mel gritou de novo e Björn não parou. Mais algumas vezes ele entrou e saiu dela com movimentos rítmicos e implacáveis. Sentia necessidade daquele contato e de fazê-la sua. E assim ele fez, arrancando dela gritos apaixonados, gritos que o deixavam louco. O balanço dava sensações diferentes. Os corpos se chocavam descontrolados, a respiração se acelerava e se transformava em gritos e gemidos. Mel jogou a cabeça para trás, Björn deu um passo à frente e se aprofundou mais nela. Gritos de prazer retumbaram pela cabine, enquanto os dois buscavam o próprio gozo. Desejavam-se, necessitavam um do outro, mas não diziam nada. Eles eram só sensações e se deixavam dominar pela luxúria do momento. Quando Björn sentiu que ia chegar ao clímax, fez um movimento para sair de dentro dela, mas Mel o segurou pelas mãos e o impediu, olhando Björn nos olhos. — Não tira. Termina o que você começou. Você sabe que eu tomo pílula e não tem perigo, eu não vou engravidar. Incapaz de lhe negar aquilo, Björn se agarrou novamente nas cordas do balanço e, sem tirar os olhos dela, começou a bombear com força, enchendo-os de prazer. Quando não aguentou mais, deu um grito gutural e gozou; ela gozou em seguida. Com a respiração ofegante, Mel viu que Björn transpirava e enxugou a testa dele com a mão. — Como sempre, foi incrível, Björn — ela sussurrou. Ele concordou e, sem sair de dentro dela, com os lábios a alguns centímetros dos dela, ele perguntou: — Por que você vai pro Texas? — Por causa da Sami. — Só por causa dela? Acalorada pela proximidade e pela tentação de tomar aqueles lábios que tanto desejava, ela


respondeu: — Ela merece uma família e se eu ficar sozinha com ela em Munique, vou tirar isso dela. Em Fort Worth a Sami vai ter mais do que mãe: vai ter avós e uma tia. Se eu fico aqui, a Sami só vai ter uma mãe de temporadas, nada mais. Estou sozinha, Björn, mas não quero que a Sami esteja. Ele fechou os olhos. Doía ouvir aquilo e, apesar de entendê-la, ele disse de forma egoísta: — Aqui ela poderia ter outro tipo de família. Aqui estão a Jud, o Eric, os meninos, seus amigos americanos e eu. Todos nós poderíamos... — Não — ela interrompeu. — Preciso pensar nela e no que é melhor pra ela e aqui a Sami nunca vai ter uma família do jeito que merece. As palavras dela o confundiam, mas Björn concordou. Sem dizer nada, se afastou e Mel desceu do balanço. Quando ficaram frente a frente, a tensão dominava o ambiente. Björn quis se virar para sair dali, mas ela o agarrou e pediu que ficasse: — Não vá. — Ele olhou para ela e Mel acrescentou: — Vamos brincar juntos uma última noite. “Uma última noite.” Aquilo acelerou o coração de Björn. Seu sentimento por ela era tão forte que seu corpo chegava a doer. Seu orgulho de homem estava ferido e tê-la perto dele o confundia mais a cada instante. Mas ele queria continuar a noite ao lado dela. — Tem certeza? — ele perguntou com expressão impassível. — Certeza absoluta — Mel afirmou, apesar de saber que mais tarde se arrependeria daquilo. Björn concordou com a cabeça, tentando manter a compostura. Brincar com ela. Estar com ela era o que ele mais gostava no mundo. Pegando sua mão, ele disse: — Muito bem, Mel. Vamos curtir essa noite. Eles saíram da cabine e foram até as duchas. Depois de se refrescarem, sem falar nada, foram de mãos dadas até as camas onde mais pessoas desfrutavam o prazer e o contato físico. Trios. Orgias. Trocas de casais. Tudo aquilo eram jogos. Jogos calientes que as pessoas curtiam com amigos e desconhecidos, onde estabeleciam seus próprios limites e suas próprias regras. Quando Mel se sentou em uma das camas junto com outras pessoas, Björn olhou para ela depois de cruzar um olhar significativo com dois homens e uma mulher que os observavam. O grupo logo se aproximou. Com um homem de cada lado e Björn olhando nos seus olhos, Mel soube o que eles desejavam. Ela segurou a cabeça dos dois desconhecidos e os guiou até seus seios. Eles chuparam os mamilos com vontade, e a mulher, decidida, se enfiou entre as pernas dela. Mel se abriu e foi chupada com deleite. Björn os observou sem mudar de expressão. O que via o excitava. Mel era sua fonte máxima de prazer, uma jogadora experiente. Gemidos tomaram conta do quarto e todos desfrutaram aquilo que gostavam. Sexo. Prazer. Fantasia. Durante horas, a busca da satisfação foi o que dominou tudo. Mãos diferentes os tocaram, corpos diferentes os possuíram e todos compartilharam o prazer, mas Mel percebeu que Björn não a beijava. Ela tinha tentado algumas vezes, mas ele se afastou. Ela acabou entendendo e continuou com o jogo sem querer pensar em mais nada. Às quatro da madrugada, depois de uma noite repleta de sexo e prazer, Mel e Björn foram


embora dali para buscarem os carros. Com cavalheirismo, Björn a acompanhou até o carro dela e, quando chegaram, Mel disse com um humor melhor do que o dele: — Foi uma noite gostosa. Fiquei feliz que o Carl tenha te avisado. O bom humor de Mel atingiu Björn no coração. Como ela podia sorrir se ele era incapaz? — Entre mim e você não existe nada de especial — ele alfinetou com a voz dura. — Só curtimos o sexo. Essa declaração desnecessária doeu em Mel. Mas, disposta a aproveitar o último momento junto com ele, disse: — Sei muito bem o que foi isso, Björn. Não se preocupe. Ele concordou, um pouco desconcertado. Seu íntimo estava repleto de contradições que nem mesmo ele entendia. — Vamos, sobe no carro e vai — ele a apressou. — Está tarde. Mel concordou, mas queria algo mais. — Quero um beijo de despedida — ela anunciou. Perplexo, Björn olhou-a nos olhos. Havia passado a noite inteira tentando não beijá-la, pois sabia que, se começasse, não ia conseguir parar. — Não — Björn respondeu. A negativa tão direta fez Mel sorrir e dar de ombros. Chegando mais perto dele, ela murmurou: — Olha, amiguinho, eu gosto da sua boca. Eu gosto dos seus beijos e só porque eu te pedi um, não significa que estou pedindo amor eterno, mas só... Não conseguiu terminar. Björn assumiu o controle da situação, aproximou seus lábios dos dela e fez o que tinha vontade: enfiou a língua naquela boca que adorava e a beijou. Passou as mãos pela cintura dela e se entregou ao deleite daquele beijo violento e voraz. Ele ofereceu o que ela queria e o que seu próprio corpo pedia aos gritos. Ao se separarem, alguns segundos depois, Mel ainda estava de olhos fechados, saboreando o beijo. Com a boca diante dela, ele murmurou: — Era isso o que você queria, Mel? Ela abriu os olhos de repente e encontrou fúria nos dele. O que para ela havia sido um beijo desejado há muito tempo, para ele parecia ter sido uma obrigação sofrida. Mas como sempre, ressurgindo das cinzas, ela se separou dele, sorriu e buscou a tenente Parker que existia dentro dela. Mel acendeu um cigarro antes de responder: — Ah, sim, cretino... Me dei conta de que adoro beijar homens. Seu comentário mordaz tocou Björn no âmago, mas ele não deixou transparecer. Ele também não estava sendo especialmente amável com ela. Sem dizer mais nada, Mel entrou no carro e deu uma piscadinha para ele com um sorriso fingido. Deu partida e se mandou. Quando Björn ficou sozinho no meio da rua, a fúria tomou conta dele. O que ele tinha feito? Por que tinha ido àquele lugar? O sentimento que tinha por Mel o estava dilacerando. Ainda se lembrava do dia em que ela tinha dito que o amava. Não conseguia esquecer as palavras “Te amo e preciso que você me ame”. Momentos depois, quando seu corpo parou de tremer, Björn decidiu ir embora para casa. Era o que


devia fazer. Tudo tinha ficado claro entre os dois.


38 No sábado, dia do cozido madrilenho na casa dos Zimmerman Flores, como sempre, um bom número de pessoas estava reunido. Todos queriam saborear o prato maravilhoso que Judith preparava como ninguém. Naquela manhã, Mel tinha acordado com a filha na cama e, de pijama, as duas tinham brincado de pôneis por horas. Como era divertido brincar com a Sami! Quando estava preparando as coisas da pequena para irem à casa de Judith, Mel recebeu uma convocação por telefone: precisava se apresentar urgentemente à base de Ramstein. Eles partiriam para o Afeganistão dali a apenas quatro horas. Um dos aviões de abastecimento tinha sido abatido durante o voo e não havia sobreviventes. Sem receber mais informações, ela ficou parada olhando para o telefone, perplexa, com as mãos tremendo. Podia ter sido o seu avião. Podia ter sido ela e os seus homens. O telefone tocou mais uma vez. Era Neill. — Te ligaram? — Ligaram. — Mel, sinto muito pelo tenente Smith. Ao ouvir aquilo, Mel se deixou cair na cadeira. — Era o avião do Robert? — ela perguntou com um fio de voz. Um silêncio emocionado e doloroso caiu sobre eles. — Sinto muito, Mel — o colega respondeu. O gemido que Neill ouviu do outro lado da linha foi de partir o coração. Ele sabia como Robert era especial para sua tenente e sabia da amizade que os unia. Neill teve vontade de ir à casa dela o quanto antes. — Fique calma, Mel. Fique calma. Mas era impossível manter a tranquilidade num momento como aquele, depois de uma notícia como aquela. Robert, seu grande amigo Robert, tinha sido abatido durante o voo e Mel sentiu como se estivesse morrendo. Pensou na jovem mulher dele e no momento difícil que ela teria que enfrentar. Ficou desesperada. Ela tinha passado por aquilo quando Mike morreu e era doloroso. Muito doloroso. Imagens de Robert invadiram sua mente. Sua animação, seu sorriso, a forma como ele gostava de Sami. De repente, lágrimas abundantes ofuscaram sua razão. Durante vários minutos, Neill falou e falou, tentando fazer Mel se recompor e se parecer mais com a tenente Parker. Quando ela parou de chorar, o militar falou baixinho: — Fique calma, Mel. Eu vou passar na sua casa pra te buscar. — Espera, Neill — ela o interrompeu entre lágrimas. — A Romina pode ficar com a Sami até que a minha mãe ou a minha irmã venham buscá-la? — Desculpa, Mel, mas a Romina ainda está com as crianças na Califórnia.


Nervosa e fora dos eixos ao se lembrar daquilo, Mel concordou: — É verdade. Tudo bem. Não se preocupe. Vou dar um jeito de encontrar alguém que fique com ela. Mel desligou e sentiu vontade de vomitar. Não podia acreditar que Robert tinha morrido. Não queria acreditar. Como podia ter acontecido uma coisa daquelas com ele? — Mami, po que você tá cholando? A voz da filha a reanimou. Ela enxugou as lágrimas e tentou sorrir, mostrando um dedo para a menina. — Machuquei aqui, mas... Sem deixar a mãe terminar, Sami correu até a bolsa, tirou uma caixa de band-aids das Princesas e perguntou, olhando para Mel: — Eu ponho um? Abatida e com uma vontade terrível de chorar, Mel fez que sim, e a filha, cumprindo o ritual de sempre, enrolou a tirinha rosa no dedo da mãe, falando com jeito de bebê as palavras que sempre diziam. — Que boooooooooom... Já não está mais doendo! — a tenente Parker respondeu com um sorriso amplo. Sami sorriu. Mel lhe deu um beijo enorme no rosto e a colocou sentada na frente da TV para assistir aos desenhos. Sami ficou vidrada. Mel a observava a distância e engoliu o choro ao ver que a menina tinha colocado na cabeça a última coroinha que tinha ganhado de Robert. Aflita, Mel se abanou com as mãos. Precisava ter a cabeça fria e pensar na filha. Precisava encontrar com quem deixá-la, mas sua angústia cresceu e cresceu e teve que correr ao banheiro para vomitar o café da manhã. Pensar no destino terrível de Robert e seus homens a deixou horrorizada. Mel cobriu o rosto com as mãos e se permitiu chorar sem fazer barulho. Cinco minutos depois, lavou o rosto com água fria e tentou recuperar o controle pela filha. Sami não devia vê-la chorar. Ela segurou as emoções e se recompôs. Voltou à sala, onde a pequena continuava assistindo ao desenho, trocou o pijama pelo uniforme militar, arrumou sua mochila em dois minutos e a mala de Sami em outros dois. O telefone tocou de novo. Era seu pai. — Querida, você está bem? — Estou, papai. O major Parker achou que ia morrer quando ficou sabendo do avião. A possibilidade de que fosse sua filha o deixou louco e, sabendo quem era o piloto abatido, murmurou: — Sinto muito pelo tenente Smith. O Robert era um bom rapaz. — Sim, papai. Ele era — ela respondeu, emocionada. Incapaz de ouvir a filha chorando, o major retomou sua voz de comando e perguntou:


— Já te mobilizaram? Abanando-se para não chorar, ela respondeu: — Já. Em quatro horas nós partimos pro Afeganistão. A voz de sua mãe soou no telefone. — Ai, querida, que susto nós tomamos! Mel conseguia imaginar o que eles tinham passado quando as notícias chegaram ao gabinete do pai. Na tentativa de se mostrar forte como era, ela respondeu: — Eu sei, mamãe. Eu tomo cuidado. — O que você vai fazer com a Sami? Ai, Deus, minha criança. Onde você vai deixar a minha menina até eu ir buscá-la? Aquele era precisamente um dos problemas que Mel queria evitar quando sua mãe e sua irmã se mudassem para o Texas. Ela pensou com agilidade e então respondeu: — Vou falar com a Dora agora mesmo. Com certeza ela vai poder ficar com a Sami até você chegar. — Vá confirmar. Não desligue e vá falar com ela. Sem protestar, Mel atendeu ao pedido da mãe. Dora a abraçou, quando a viu com os olhos cheios de lágrimas. Mais uma vez Mel desmoronou num choro sentido e a mulher a consolou. Quando se recompôs, ela pediu que Dora ficasse com a pequena, mas a mulher se emocionou ao ter que dizer que só poderia ficar com ela por uma hora, pois estava indo viajar com a irmã. A mente de Mel trabalhou a todo vapor e então ela pensou em Judith. Ela ficaria com a menina sem nenhum problema. Dora ficaria com Sami e Judith iria buscá-la. Despediu-se da vizinha, correu até a sua casa, pegou o telefone e respondeu à mãe: — Mamãe, a Dora não pode ficar com ela. Quando você vier, vai ter que buscar a Sami na casa da minha amiga Judith. — A menina vai ficar bem com ela? Mel sorriu tristonha ao ouvir a pergunta e afirmou com toda a certeza: — Vai, mamãe, o Eric e a Judith vão cuidar da Sami tão bem como cuidam dos filhos deles. — Está bem, filha, se você diz, confio que vai ser assim. Estou procurando um voo e o mais cedo que vou conseguir chegar vai ser depois de amanhã. — Sem problemas, mamãe, a Sami vai ficar bem. Mel deu o endereço de Judith, desligou o telefone e ligou para o celular da amiga, que estava ocupado. Sem tempo a perder, ela desligou e pensou em ligar alguns minutos mais tarde. Com os olhos embaçados pela partida, Mel abraçou a filha. Não gostava de se separar dela assim tão de repente e ainda menos por um motivo daqueles. Sami, que tinha percebido o uniforme militar, supôs que a mãe estava de partida e a agarrou desesperada. Mel tentou tranquilizá-la com vários beijinhos e brincadeiras enquanto desciam no elevador com Dora. Assim que o Hummer de Neill apareceu, Mel foi rápida em sua despedida. Deixou a filha chorando nos braços de Dora e subiu no carro. Tinha que cumprir com seu dever, embora tivesse o


coração destroçado pelo choro da filha e pela morte de Robert. Vendo seu estado, Neill a abraçou. A casa de Judith e Eric cheirava a um cozido madrilenho de dar água na boca. Eric, feliz com a reunião familiar dos sábados, foi até sua esposa atarefada e perguntou: — A Mel vem com a menina? — Ela me disse que sim. Estranhando a demora, Jud foi verificar o celular e viu quatro chamadas perdidas. Ela tentou ligar de volta, mas Mel não atendeu. Isso era ainda mais estranho. Resolveu deixar uma mensagem de voz. — Oi, Mel. Vi que você me ligou. Me liga, ou senão eu ligo. Um beijo. Em seguida, Judith cumprimentou Marta e Arthur, que chegavam naquele momento junto com outros amigos. Quando Björn apareceu, foi recebido com carinho, apesar de Judith, por causa do que tinha acontecido da última vez, ter lhe lançado seu olhar espanhol. Ele bufou impaciente. Não gostava que Jud o olhasse daquele jeito e quando não aguentou mais, foi até ela, que estava com Eric, puxou-a pelo braço e a obrigou a entrar com ele e o marido na cozinha. — Tá bom, sou um babaca. Mas, por favor, fala comigo! Jud segurou a risada. Ela já sabia que Björn não resistia quando ela o olhava daquele jeito. — Hoje faça o favor de manter o biquinho fechado. Quero ter uma festa em paz. Odeio quando você e a Mel discutem. — Eu prometo. Ela fez que sim e acrescentou, com vontade de lhe dizer umas verdades: — Olha, Björn, vou falar uma coisa pra você e prometo que nunca mais vou voltar a me meter na sua vida, mas quero que você saiba que a Mel vale mil vezes mais do que a Fosqui e eu estou cagando que você me ache uma merda de uma leva e traz intrometida, mas você é meu amigo e eu tenho que te dizer, porque acho que se você falasse com a Mel, vocês poderiam chegar a um acordo. E antes que você me diga que não, tenho consciência de como você se preocupa com ela e sei que você pergunta ao Eric se ela está bem. E tem mais. Ela vem almoçar e faça o favor de parar de babaquices e tentar resolver todo esse mal-entendido, porque uma coisa é certa: você gosta dela e ela gosta de você. Você vai deixar que ela se mude pro Texas? As verdades que Judith jogou em sua cara deixaram Björn sem ação. Ele a encarou e então tentou rebater: — Bem que você gostou de me falar tudo isso, né? — Gostei — Jud respondeu. — Você sabe bem. Eric abriu a geladeira sem deixar de olhar para eles. Tirou duas cervejas e uma Coca-Cola e ofereceu, propondo: — Brindemos à amizade. Os três sorriram, fizeram tim-tim com as garrafas e beberam um gole. Em seguida, o celular de


Judith tocou e ela rapidamente o atendeu, ao ver que se tratava de Mel. — Onde você está? — ela perguntou, ao ouvir um ruído estrondoso. No aeroporto de Munique, Mel corria junto aos companheiros até o hangar. — Jud — disse apressada —, só tenho alguns minutos e preciso te pedir um favor enorme. Você não pode me dizer que não. Assustada, Judith olhou os dois homens, que a encaravam, e perguntou: — O que foi? Sem saber se ela tinha ficado sabendo das notícias ou não, Mel respondeu com um fio de voz: — Deixei a Sami com a Dora porque estou a caminho do Afeganistão. Houve um problema militar e... — O que aconteceu? Incapaz de conter um gemido ao falar com a amiga, a dura tenente Parker murmurou: — Meu amigo Robert, o homem que me acompanhou à festa da empresa do Eric, ele está morto... ele e seus homens estão mortos. Deus meu, o Robert está morto, Judith, e não posso acreditar. — Mel respirou fundo antes de acrescentar, tentando se recompor: — Preciso que você vá buscar a Sami na casa da minha vizinha e a leve para a sua casa. A Dora precisa sair em menos de uma hora. Provavelmente depois de amanhã a minha mãe vai chegar do Texas para buscá-la na sua casa. Por favor, você pode cuidar da Sami até que ela chegue? Sua voz acelerada e desesperada mostrava o quanto ela estava nervosa. — Claro que sim, Mel — Judith respondeu. — Fique tranquila e não se preocupe com nada. — Judith, por favor, vai buscar a Sami — ela gemeu, olhando o band-aid rosa no dedo. — Assim que você desligar eu vou pegar a menina, eu prometo. — Björn estava olhando para ela, quando Jud perguntou: — Mas você está bem? — Não se preocupe comigo. Só a Sami importa. Não acho que vou conseguir ligar pra você nas próximas horas. Por favor, não se esqueça dela, por favor. — Calma, Mel. Vou buscá-la agora mesmo, não se preocupe com nada. Você sabe que nós vamos cuidar bem dela. — Preciso desligar. Obrigada, Judith. Quando ela desligou, olhou para os homens que estavam ao seu lado com jeito confuso e anunciou: — Temos que ir buscar a Sami na casa da vizinha. — O que foi? — perguntou Björn. Judith, sem entender a gravidade da situação, afastou o cabelo do rosto e respondeu: — Não sei bem. Um amigo da Mel chamado Robert morreu. A Mel não vem, está a caminho do Afeganistão.


Morreu?! O rosto de Björn se contorceu. Mel, a sua Mel, estava indo embora e ele não tinha conseguido falar com ela. Com a expressão furiosa, Björn deu um soco no balcão da cozinha. Eric, ao vê-lo, pegou-o pelo braço e pediu calma. Dois segundos depois, Björn tratou de recuperar a compostura. — Jud, vamos buscar a Sami — ele disse. Quando chegaram à casa da vizinha de Mel, a menina ainda estava chorando. Estava com os olhinhos inchados pela tristeza de ter visto sua mãe indo embora, mas ao ver Björn, ela se jogou nos braços dele, choramingando. Precisava que ele cuidasse dela. Com um carinho do fundo de seu coração, aquele alemão lindo e grandalhão acolheu a menina nos braços e a ninou e consolou enquanto beijava sua cabecinha: — Não chore, princesa. Não precisa mais chorar. — Onde tá a mami? — Ela foi trabalhar, mas logo ela volta, querida. Eu prometo. A menina fez que sim com a cabeça e, olhando para o homem que a segurava no colo, sussurrou, esfregando os olhos: — A mami cholou, mas eu coloquei um culativo das pincesas e ela palou de cholá. Confuso, Björn não sabia o que responder. Olhou para Judith, que os observava, e abraçou mais uma vez a menina. — Você fez bem, Sami. As Princesas vão proteger a sua mãe. A vizinha, horrorizada pelas notícias que tinha ouvido e pelo estado de Mel, contou o que tinha acontecido com o avião igual ao que a jovem militar pilotava. Aquilo aumentou a angústia e o medo de todos. Judith pegou a mala que a mulher lhes entregava. Björn, tentando pensar com clareza apesar de estar atordoado, perguntou: — Onde está a Peggy Sue? Dora se lembrou da hamster e levou as mãos à cabeça. Na pressa de sair, Mel havia se esquecido do animal. Rapidamente, todos subiram até sua casa. Björn estava entrando naquele lugar pela primeira vez. Depois de observar ao redor, entendeu por que ela nunca quis que ele subisse: o apartamento era muito pequeno e estava cheio de fotos de militares. De Mel com o pai. De sua família das Astúrias com Sami. Dela e Sami com Neill, Fraser e mais homens uniformizados em frente a um avião, e ao ver uma de um homem loiro, soube que era Mike. Tinha o mesmo sorriso da menina. Havia muitas fotos de Sami, e Björn sorriu ao ver uma foto dele e Mel nas Astúrias, com a cara melecada de chocolate. Aquilo o emocionou. De repente foi como se ele tivesse visto tudo com clareza. Como podia ter sido tão idiota e tão cego? Quando Dora pegou a gaiola da hamster, Sami a agarrou com as mãozinhas e perguntou, encarando Björn: — A Peggy Sue vai? Ele sorriu e beijou a cabecinha dela, concordando.


— Claro que sim, princesa. A Peggy Sue vai com a gente. Judith o observou, comovida. O que estava vendo no amigo era amor puro e verdadeiro. No carro, depois de terem colocado a menina na cadeirinha no banco de trás, Judith perguntou: — Por que você deixou tudo isso chegar ao limite, Björn? Por quê? Você sabe que a Mel te ama e você a ama. Ela tentou chamar sua atenção, pedir perdão e você a rejeitou. Como pôde fazer isso? Desesperado e morto de preocupação, Björn suspirou: — O orgulho me cegou, Judith. — E vendo como ela olhava para ele, disse ainda: — Está bem... pode falar. Eu mereço. Estou esperando. — Babaca. Você é um autêntico babaca. — Eu sei... te dou toda a razão. Abatido como nunca antes em sua vida, Björn tocou os olhos. — Você tem que resolver isso, Björn — Judith afirmou. O sofrimento do amigo a tocava. — Quando ela voltar, você tem que fazer alguma coisa, ou a Mel vai pro Texas e vocês dois serão infelizes. Björn estava convencido de que seria aquilo que aconteceria e, no momento, sentia-se angustiado de não saber como Mel estava. — Eu prometo, Jud, que quanto ela chegar, eu vou resolver essa história. Naquela tarde, na casa de Eric e Jud, a pequena Sami não se separou nem um segundo de Björn, que também não a deixou. Juntos brincaram de princesas e pôneis. Ele entrou com ela na piscina e se sentiu o homem mais feliz do universo quando a fez sorrir, apesar da preocupação pelo que tinha visto no noticiário o estar corroendo por dentro. À noite, depois de dar de comer a Peggy Sue, Björn conseguiu que ela jantasse e depois dormisse, agarrada a seu pescoço. — Björn — Eric disse, olhando para ele —, acho que é melhor a gente levá-la para a cama. Sentado no sofá com a menina no colo, Björn tirou sua coroinha e murmurou como um bobo: — Ela é linda, não é? Eric olhou a menina de cachos loiros e concordou com um sorriso. — É, sim. Ela é uma graça de menina. — E tocando o ombro dele, acrescentou: — Não se preocupe com nada, a Mel vai ficar bem. Björn concordou e sem poder entender, comentou: — Como pôde querer ser militar? Ela está constantemente em perigo. Por acaso ela não percebe? Judith entrou naquele instante e se sentou ao lado dele antes de responder ao que tinha ouvido: — Foi a rebeldia que a levou a ser militar. O pai dela sempre quis um filho que seguisse seus passos, mas teve duas filhas e Mel acabou decidindo ser esse menino que o pai nunca teve. Ela me disse que quis mostrar pra ele que não precisava ter algo pendurado entre as pernas para ser forte e


ser militar. Isso fez Björn sorrir. Ele nunca havia dado a Mel a oportunidade de contar aquela história. — Ela gosta do que faz — Judith prosseguiu —, mas disse que desde que teve a Sami, realmente não sabe se está fazendo a coisa certa, mas não tem outra opção. Ela precisa continuar no exército pra criar a filha. — Quando ela voltar, vou oferecer um trabalho na Müller — Eric sugeriu. Ao ouvir o amigo, Björn afirmou: — Quando ela voltar, eu cuido dela. Podem ter certeza. Houve um silêncio entre os três e então Judith disse ao marido: — Querido, pegue a menina e a leve ao quarto do Eric. — Vocês se importam se hoje eu dormir aqui? — Björn perguntou. Eric entendeu o que o amigo pretendia e disse: — Vocês podem dormir no quarto ao lado do quarto do Eric. Tem duas camas lá. Dois minutos depois, com delicadeza, Björn pôs a menina na cama e colocou várias almofadas pelo chão como Mel tinha feito em outras ocasiões. Porém, não satisfeito, decidiu arrastar a sua cama e colocar ao lado, para evitar que a menina caísse. Ele deu um beijo na cabeça dela, desceu até a sala onde Eric tinha deixado um computador e entrou na internet. Precisava procurar notícias sobre o atentado. Ao ver as primeiras imagens do avião abatido, do qual não havia sobreviventes, sentiu o sangue congelar nas veias e ficou louco de preocupação. Com o coração gelado, Björn leu que outros dois aviões tinham se dirigido ao local do desastre. A partir daquele instante, a palavra “tranquilidade” desapareceu de sua vida.


39 No dia seguinte, depois de deixar Sami na creche, Björn foi com Judith à sede do canal CNN, onde Agneta trabalhava. Com certeza ela teria notícias recentes do atentado. Logo que ela o viu aparecer, seu rosto se iluminou com um sorriso cordial, que sumiu assim que avistou Judith. O que ela estava fazendo ali? Judith notou e decidiu permanecer em segundo plano. Só Mel importava nesse momento. Em cima de sapatos de salto impressionantes e rebolando no terninho caríssimo de grife, a apresentadora se aproximou de Björn e disse com voz melosa, depois de o beijar no rosto: — Que alegria ver você aqui. — E ao notar que Björn tinha a barba por fazer, ela perguntou: — O que aconteceu, meu bem? — Agneta, preciso de um favor — Björn disse pegando-a pelo braço e indo direto ao ponto. — É só falar — ela piscou os olhos várias vezes, olhando contrariada para Judith. Sem tempo a perder, ele contou a ela o que sabia do incidente militar e disse por fim: — É por isso que eu estou aqui. Sei que vocês da redação recebem as notícias continuamente sobre o atentado e com certeza você poderá me dizer mais do que eu sei. O rosto de Agneta se transformou. — A tal da Mel de quem você está falando é a mulher que...? — ela perguntou com uma expressão azeda. — É... — Björn respondeu logo. Não estava para brincadeiras. A famosa apresentadora, entendendo logo quem era aquela mulher e também o poder que a sua informação tinha naquele momento, torceu o nariz e fez uma proposta: — Janta comigo essa noite e eu vejo o que posso contar. Björn, que também não estava nem para jantares, nem para o que ela sugeria, protestou: — Eu vim pedir sua ajuda, não um jantar. A apresentadora se ofendeu com as palavras e a expressão dura que viu no rosto dele. — Pois eu sinto muito, Björn. Não posso te dar nenhuma informação. — Agneta — ele suplicou desesperado —, por favor. Judith ouviu a súplica dele e viu como a mulher olhava para as unhas, sem se importar com o estado de seu amigo. — Não. Impossível — Agneta respondeu. — As notícias que chegam à redação passam por uns filtros antes que a gente possa divulgar. Portanto, não. Não posso informar nada sobre o ocorrido. A fúria se apoderou de Björn, mas, depois de cruzar o olhar com Judith, que estava fervendo de raiva, tentou se controlar. Ele precisava daquela informação. Precisava saber que o avião de Mel tinha chegado bem. Durante um bom tempo, tentou por todos os meios que Agneta mudasse de


opinião, até que percebeu o jogo sujo dela. Ele não aguentou mais e então explodiu: — Você está me dizendo que, por você saber que eu estou apaixonado pela Mel, você não vai me dar essa informação? Sem pestanejar e com um olhar congelante, Agneta respondeu apenas: — Estou. Björn não quis ouvir mais. Estava claro que ela não ia ajudá-lo e com expressão de desagrado total, ele explodiu antes de ir embora. — Sabe de uma coisa, Agneta? A amizade é algo que eu valorizo muito nesta vida e hoje você está me demonstrando que de minha amiga você não tem absolutamente nada. Você sabe que eu amo essa mulher loucamente e, em vez de me tranquilizar e de me ajudar, você está colocando obstáculos no meu caminho. Pois muito bem, a partir de agora, esquece que eu existo, e eu vou me esquecer definitivamente de você. Björn começou a caminhar confuso em direção à saída do edifício. Judith, que tinha se mantido à margem pelo bem da informação de que precisavam, se aproximou da mulher e disse: — Nunca gostei de você. — Nem eu de você. Sentindo vontade de pegá-la pelo pescoço, Judith enfiou as mãos nos bolsos para não as utilizar e, sem se aproximar mais do que o estritamente necessário, disse em voz alta para que todos a ouvissem: — Você sempre me pareceu uma imbecil convencida só porque é apresentadora. Mas o que você acabou de fazer com o Björn me fez perceber que, além de imbecil, você é uma vagabunda ridícula. Você não sabe o que é amizade, nem o que é o amor e tenho certeza de que nunca vai saber, porque você é uma pessoa tão má que é incapaz de olhar além da merda do seu umbigo. As pessoas que passavam por ali ficaram olhando as duas mulheres. Judith, já se afastando, concluiu: — O único bem que o Björn vai tirar de tudo isso é se dar conta da classe de cadela a que você pertence. Adeus, Fosqui, juro que com isso ele não vai chegar perto de você nunca mais. Dois dias depois, os pais de Mel apareceram na casa de Judith. A menina correu ao ver sua avó e a abraçou. Contente, Judith os convidou a entrar e Luján se surpreendeu ao ver Björn ali. Muito feliz, ela o cumprimentou e o apresentou ao marido. O major Parker, ao entender pelo olhar da esposa que aquele era o jovem com quem sua filha tinha tido algo especial, fez um gesto de cabeça e endureceu a expressão. Judith os convidou para almoçar. Ela era uma anfitriã espetacular e, pelo bem de Sami, todos tentaram não fazer drama. Não sabiam nada de Mel, exceto que seu avião tinha decolado do lugar do acidente, rumo à base americana. Enquanto Eric falava com o major Parker e com Judith, Luján foi até Björn, que estava observando Sami brincar, e disse: — Sinto muito pelo que aconteceu entre você e a minha filha. E quero que saiba que os americanos e os militares não são pessoas más, Björn. Judith me contou o que aconteceu com você e


com esse comandante sem-vergonha e só posso dizer que eu lamento. Mas você não deve pensar que todo mundo é igual, porque você estará cometendo um equívoco. — Eu sei, Luján, eu sei e me sinto péssimo. — A minha filha é a tenente Parker, mas quando tira o uniforme e as botas militares, ela é a Melanie, uma jovem encantadora que tenta seguir em frente como pode, como a vida lhe permite — Luján disse e acrescentou com tristeza: — Tenho certeza de que ela não está bem. O piloto que foi morto, Robert Smith, era um amigo próximo, um rapaz excelente e sei que a minha filha, apesar de tentar ser durona, está sofrendo por isso. Tanto ela como Robert ou os homens que os acompanham em seus voos são uma grande família. Eles tomam conta uns dos outros e se protegem e se amam. Você está muito enganado se acha que, por serem americanos, eles são frios e não têm sentimentos. Envergonhado pelo que Luján parecia saber, Björn concordou: — Você tem razão, Luján. Sinto profundamente ter sido tão idiota. E nunca vou me cansar de pedir perdão a vocês por ter me comportado como um autêntico imbecil. Sei que fiz Mel pagar por algo que me atormentou no passado e não soube entender que o primeiro a colocar limites pra que ela não me contasse a verdade fui eu mesmo. Mas tenham certeza de que, quando ela voltar, eu vou resolver tudo. — Agora é tarde, Björn. O pai dela está arranjando tudo pra que ela siga em frente com a vida em Fort Worth, quando voltar desta missão. Vamos contratar uma mudança e o pouquinho que ela tem aqui vai ser levado e... — Eu não vou permitir que ela vá. — Björn... ela é militar e... — Luján — ele interrompeu —, a sua filha e a Sami não vão a lugar nenhum. Elas vão ficar comigo e eu vou tomar conta delas. Ao ouvir isso, todos olharam para ele e o major Parker interveio: — A Melanie vai morar com a gente em Fort Worth, rapaz. Por isso, eu te peço que a deixe em paz. Você já causou sofrimento suficiente, não acha? Björn não se intimidou frente àquele militar que o encarava com expressão dura. — Eu assumo os problemas que posso ter causado a ela — Björn assegurou —, mas não vou deixá-la em paz. E pode ter certeza de que ela e a Sami vão ficar em Munique, vivendo comigo. Eu cuidarei delas porque as amo. Adoro a Mel e adoro a Sami. Não vou permitir que elas saiam de perto de mim por mais que o senhor tente me convencer do contrário. O major Parker, com o mais militar dos jeitos, franziu as sobrancelhas e sussurrou: — E quero lembrar a você, meu jovem, que a minha filha continua sendo militar e americana. Ela sempre teve orgulho dos genes dela e eu não vou permitir que ninguém a faça mudar de opinião. Björn sentou-se frente a ele e esclareceu: — Ninguém vai fazê-la mudar de opinião. Eu só pretendo cuidar dela e ser o homem que precisa pra que ela fique comigo na Alemanha. — Vendo como o major o encarava, ele acrescentou: — Se o senhor quiser, podemos conversar. Mas quero que fique claro que nem os seus distintivos, nem as


suas medalhas, nem o seu tom de voz me impressionam. Eu não tenho distintivos, mas sei erguer a voz e defender o que eu amo e eu amo a sua filha. Naquela noite, Björn conversou com o major Cedric Parker durante mais de quatro horas. Quando ele e sua mulher levaram Sami embora, Björn ficou de coração partido. Pela primeira vez em toda a sua vida, a solidão tomou conta dele. Quando chegou em casa e olhou ao redor, ele chorou, chorou ao sentir-se impotente.


40 Um mês depois, a tenente Melanie Parker e sua equipe aterrissaram com o C-17 novamente na base de Ramstein, no oeste da Alemanha, depois de várias viagens que os levaram ao Líbano, ao Kuwait e aos Estados Unidos para assistir aos funerais dos companheiros mortos no avião abatido. Além disso, também tinham ido a Bagdá e resgatado vários soldados feridos e alguns jornalistas americanos que tinham sido libertados. O funeral de Robert foi triste. Desolador. Savannah, abraçada a Mel, chorava inconsolável, e ela não pôde fazer nada a não ser retribuir o abraço e compartilhar sua dor. O comandante Lodwud foi vê-la assim que soube que o avião de Mel tinha aterrissado. — Tenente Parker, bem-vinda — ele cumprimentou, quando se encontraram frente a frente. — Obrigada, senhor. — Vou estar no meu gabinete esperando os relatórios. Mel concordou. Preencheu junto a Fraser e Neill toda a papelada e se encaminhou até o hangar. Quando chegou diante da porta, como sempre, ela bateu. Assim que ouviu a voz do comandante, ela entrou, porém, diferente das outras vezes, não passou o trinco. Lodwud entendeu a mensagem. Ele se levantou da mesa, andou até ela e a abraçou. — Eu fiquei preocupado com você. Você está bem? — Estou. — Lamento o que aconteceu com o tenente Smith e os homens dele. Sei da amizade que unia vocês. — Obrigada, James. Lodwud se separou dela e se sentou de novo. Mel, que tinha permanecido de pé em frente à mesa, disse então: — Se o senhor assinar os papéis, vou poder retornar com os meus homens. — É certo que você vai para Fort Worth? — É. O major Parker está resolvendo todos os detalhes. — Por que você vai? — Assuntos de família. Lodwud se deu por satisfeito e assinou a papelada sem perguntar mais nada. Mel olhou para ele com um sorriso no rosto. À sua maneira, aquele militar sempre tinha sido um bom amigo e um companheiro. — Espero que algum dia você supere a história da Daiana, como eu acredito ter superado a história do Mike. Você merece uma vida melhor, James, e eu sei que você vai tê-la. Eu sei. Ele olhou para ela quando respondeu: — Foi um prazer te conhecer, Mel.


Ela andou até ele, se abaixou e o abraçou. — Digo o mesmo, James. Obrigada por tudo, porque, à nossa estranha maneira, você me ajudou a seguir vivendo. — Eles sorriram. — Espero que, se alguma vez você for a Fort Worth, a gente possa se ver outra vez, mesmo que nossos encontros já não sejam como os de antigamente. Eles sabiam que aquilo era uma despedida. Tinha chegado o momento de esquecer os fantasmas do passado e de tentar retomar suas vidas. Eles se afastaram, Mel pegou os papéis assinados e saiu do gabinete. Assim que ela se foi, o comandante olhou para a porta e sorriu por Mel. Ela era uma boa moça. Naquela tarde, na base de Ramstein, vestidos ainda com o uniforme camuflado, Neill e Mel se despediram. Ela pegaria um voo que a levaria até Madri e de lá, outro até as Astúrias. Sua filha estava vindo de Fort Worth com a avó e a tia para se encontrar com ela lá. — Fraser foi embora no pássaro do Thomson faz uma hora. Ele voltou ao Kuwait. Pelo visto, o irmão dele estava em missão lá e ele queria vê-lo. Cansado da viagem, Neill apenas concordou. — Mel, descanse quando chegar nas Astúrias — ele aconselhou. — Você precisa. — Você também. Com um olhar triste, o militar olhou para ela e confessou: — Pilotar com você todos esses anos foi incrível. Espero que em Fort Worth eles te tratem como você merece. — Digo o mesmo, Neill. Mas você não vai me perder de vista. Com certeza vamos voltar a nos encontrar em algum outro conflito, mesmo que você saiba que, dentro de dez meses, minha intenção seja deixar o exército para me dedicar a outra coisa. Preciso mudar de ares, pela Sami e por mim. Os dois riram e Neill comentou: — Acho que o exército vai perder um piloto maravilhoso, mas o mundo vai ganhar uma ilustradora maravilhosa algum dia. Abraçaram-se com carinho. Neill foi embora e ela ficou sozinha no aeroporto. Mel tirou do bolso o band-aid das Princesas que sua filha tinha colocado em seu dedo no dia que ela tinha deixado a Alemanha e sorriu. Depois pendurou a mochila nas costas e caminhou até o avião que a levaria à Espanha.


41 A chegada às Astúrias naquela ocasião foi diferente. Ela ficou triste por Scarlett não ter ido buscá-la no aeroporto. Já tinha se acostumado a ver a maluquinha da irmã ali e não encontrá-la fez Mel sentir saudade em dobro. Ainda uniformizada, ela alugou um carro e foi diretamente para a casa de sua avó. Chegando lá, a porta do casarão se abriu e Covadonga, ao ver que se tratava de sua neta, correu para recebê-la com os braços para o alto. — Ai, minha menina... ai, minha menina, você voltou para casa! Mel sorriu e abraçou a mulher que tanto amava. — Oi, vovó — sussurrou. — Já estou aqui de novo. Naquele momento, a preocupação de Covadonga desapareceu e ela olhou sua menina com o olhar vítreo. — Você está bem, minha vida? — ela perguntou. — Estou. — Eu estava muito, muito preocupada com você. — Estou perfeita, a senhora não vê? — Mel riu muito feliz. Covadonga a encheu de beijos e gritou a todas as vizinhas que a filha do Ceci e de sua filha Luján tinha voltado. Ao vê-la vestida de militar, todos a trataram como uma heroína. Naquela ocasião, Mel não corrigiu a avó. Se ela tinha decidido chamar seu pai de Ceci, não iria corrigi-la nunca mais. Naquela noite, por volta das sete, quando Mel caiu na cama, dormiu como uma pedra. Estava esgotada. Covadonga a deixou dormir, pois bastava ver a cara de cansaço de sua menina para saber o quanto ela precisava de repouso. No dia seguinte, Mel acordou às três da tarde. Ela tinha dormido quase vinte horas seguidas, apesar de ter acordado angustiada algumas vezes por causa dos pesadelos. Não conseguia esquecer o que tinha acontecido, o que a impedia de descansar com tranquilidade. Quando se levantou, olhou pela janela e viu que o dia estava cinzento e com um pouco de névoa. Em março, os dias nas Astúrias costumavam ser cinzentos e aquele era um dos muitos. Quando a avó a viu aparecer, sorriu e foi abraçá-la. — Você descansou bem, minha menina? — Descansei sim, vovó — mentiu. — Dormi como uma pedra, como se diz! Covadonga estava feliz por ter a neta de volta e serviu para ela um prato de sopa. — Vamos, coma logo — ela a apressou. Mel torceu o nariz e resmungou:


— Acabei de acordar, vovó. Não estou com vontade de comer. Mas a mulher estava disposta a engordar sua menina e por isso insistiu: — Coma! Você está parecendo um saco de ossinhos. Sem muita vontade, Mel fez a vontade da avó. Porém, quando o caldinho asturiano começou a bater no estômago, ela reconheceu que aquilo estava caindo muito bem. Olhou no relógio: quatro da tarde. — A que horas a minha mãe disse que chegava o avião? Covadonga pegou um papel de cima da lareira e entregou a ela. — Ela disse que iam chegar às sete. Ah... o Ceci vem também. — Meu pai vem? — Sim, menina... o seu pai também vem. Com certeza ele veio encher o saco, como sempre. — Vovó! A senhora deu uma gargalhada e Mel teve que rir também. Sua avó gostava do genro mais do que queria admitir. Quando terminou o caldo, Mel olhou pela janela. — Vovó, vou dar um passeio na praia, ela deve estar linda hoje. — Com essa umidade? — estranhou a velha. Ela conhecia a neta e por isso acrescentou: — Vá... vá, menina, vá, você sempre gostou de passear pela praia. Mas, antes, vá trocar de roupa. Não vá sair de pijama. Como Mel não tinha muitas roupas nas Astúrias, vestiu de novo a do dia anterior: calça camuflada e jaqueta do exército. Quando chegou à linda praia de La Isla, Mel sorriu. Apesar da neblina, aquele lugar era o mais bonito e mágico que ela jamais tinha visto. Ela caminhou até uma lateral e sentou-se sobre uma rocha. Durante um bom tempo, ela observou algumas mulheres que passeavam e aproveitou o som e a visão do mar. Observá-lo sempre a relaxava. Pensou na sua pequena Sami, estava com vontade de vê-la e, inconscientemente, pensou em Björn. Ela também tinha vontade de vê-lo, mas sabia que não devia. Encontrar-se com ele e continuar com os jogos eróticos só provocaria dor e sofrimento. Era preciso acabar de uma vez por todas com aquilo e uma maneira excelente de resolver aquela história era o que iria fazer: iria embora para Fort Worth. Assim evitaria as tentações. Quando sentiu o pescoço começar a doer por ficar sentada naquela pedra fria, Mel se levantou e foi andando até a beira do mar, mas antes que a água tocasse seus pés, ela parou. Ficar molhada seria uma temeridade, pois a água do Mar Cantábrico em março era fria que nem gelo. Mel se contentou em se agachar e tocá-la com a mão. Começou a caminhar até o outro extremo da praia, sentindo a cabeça fervilhar com centenas de pensamentos. Robert. Savannah. Björn. Sami. Afeganistão. Como era possível que ali existisse tanta paz, que se pudesse passear tranquilamente enquanto em outros lugares as pessoas se matavam sem qualquer sentimento de forma descontrolada? Mel estava perdida em seus pensamentos quando o som de um carro atraiu sua atenção, e quando


olhou, viu que ele estava estacionando junto a um dos espigueiros típicos das Astúrias. Dele desceram duas pessoas. De longe, ela viu que eram um homem e uma criança. Mel os observou atenta e então o movimento da criança correndo chamou sua atenção. Mel ficou olhando com curiosidade. Aquele saltimbanco corria com a mesma graça de sua filha. Aquela visão a fez sorrir. A vontade que tinha de ver Sami era tão grande que Mel pensava vê-la em todo lugar. Porém à medida que a criança se aproximava e era possível ouvir sua risada, sentiu o coração começar a bater com força. Mel parou no meio da praia e explodiu de felicidade quando viu que não eram outros senão Sami e Björn. Björn? O que ele estava fazendo com sua filha? — Mami! Mami! — a pequena gritava. Emocionada, Mel saiu correndo pela areia. Aquela era a sua menina. Quem estava chamando por ela era Sami. O espaço entre as duas foi diminuindo e Mel já conseguia ver com clareza que sua filha, com a famosa coroinha na cabeça, corria de braços abertos em busca de sua mamãe. Quando Mel chegou até ela, se agachou, a agarrou e a abraçou de olhos fechados, sorrindo emocionada pelo reencontro. Sami exalava vida, infância, inocência e futuro, e sentir suas mãozinhas enlaçando-lhe o pescoço quase fez Mel chorar de felicidade. Como tinha sentido saudades! Mãe e filha permaneceram abraçadas durante vários minutos. Assim que Mel abriu os olhos, viu Björn se aproximando com as mãos nos bolsos do jeans. Seu coração se descontrolou ao vê-lo ali, com um casaco de lã preto. O sorriso dele a deixou ainda mais confusa, especialmente quando a cumprimentou: — Olá, tenente Parker. Sem entender bem o que ele estava fazendo ali com sua filha, Mel fez menção de falar, mas a criança atraiu sua atenção. — Mami, a Peggy Sue escapou dento do calo e o píncipe teve que pegá ela. Mel olhou para Björn com espanto e ele confirmou a história com jeito divertido: — Asqueroso. Quase tive um troço quando precisei parar o carro pra pegar o animal, mas pela minha princesa Sami eu resgato o que for. Aliás, sua mãe quase teve um infarto ao ver o bicho solto pelo carro. De repente, gritos despertaram Mel. Numa lateral da praia, seus pais e sua irmã Scarlett chamavam a menina. Assim que ela os viu, Sami saiu correndo, deixando a mãe e Björn a sós. — Quando os meus pais chegaram com a Sami? — Mel perguntou, ainda desconcertada pela presença dele. — Faz uma hora. Eu fui buscá-los no aeroporto. Depois fomos até a casa da sua avó e ela nos disse que você estava aqui. Confusa, Mel piscou várias vezes e perguntou, fitando Björn nos olhos: — E você, o que está fazendo aqui? Com a voz segura, apesar de estar se sentindo nervoso por ter Mel diante de si, ele respondeu: — Eu precisava te ver, Mel.


Ela não soube o responder. — Eu sinto muito pelo que aconteceu ao seu amigo Robert e aos homens dele — Björn acrescentou. — Sinto de todo o coração, querida. “Querida”?! Como ela tinha desejado ouvir aquela palavra! Porém, Mel fechou os olhos ao se lembrar da morte do amigo. Pensar que nunca mais voltaria a ver Robert ainda doía demais. Quando recuperou o controle, Mel abriu os olhos e encarou Björn. Olhou para o homem que amava, que desejava, que precisava. Sem palavras, eles disseram o que estavam sentindo. Sem falar nada, se comunicaram. Björn tinha vontade de tocá-la. E então, ao ver as olheiras que ela tinha no rosto cansado, ele se desculpou: — Me perdoa, querida. Eu também não facilitei as coisas. Os sentimentos que afloravam nela por tudo o que tinha acontecido a atordoavam. Sua filha vinha chegando com os avós e Mel se apressou em sussurrar com um fio de voz: — Você está perdoado. Björn sorriu, tirou as mãos dos bolsos e as estendeu para ela. — Vem aqui, linda. Mel não pensou duas vezes e se jogou nos seus braços. Ele a abraçou com força enquanto espalhava centenas de beijos por seu rosto: o rosto que ele não tinha conseguido tirar da cabeça e que tinha lhe causado tanto sofrimento. Tê-la nos braços era o remédio que Björn precisava para voltar a sorrir. Eles se beijaram e Mel sorriu quando ele exigiu sua boca. Mel se sentiu especial outra vez. Sentiu-se querida e protegida. — Não parei de pensar em você — ela murmurou quando as bocas se separaram. Björn adorou ouvir isso e respondeu sem afastar o rosto: — Nem eu parei de pensar em você, meu amor. Nem eu. Durante vários minutos eles não falaram nada e também não se largaram. — Fiquei terrivelmente preocupado com você — Björn falou baixinho. — E antes que você diga qualquer coisa, deixa eu te dizer que me comportei como um idiota e que estou disposto a fazer o que for preciso pra que você volte a me amar como eu amo você. — Björn... — Sabe de uma coisa? — ele insistiu nervoso, sem deixar que ela falasse. — Meu pai me aconselhou que, pra eu fazer você se apaixonar por mim, eu devia fazer você rir. Mas fique sabendo que, cada vez que você ri, quem se apaixona ainda mais sou eu, como um idiota. Eu te amo. Te amo com toda a minha alma e nunca tive mais certeza de nada na minha vida. E se você não me amar, vai precisar comprar um grande carregamento de band-aids das Princesas pra tirar de mim a dor tão terrível que... — Björn... — Antes que você diga qualquer coisa — ele interrompeu outra vez —, quero que você saiba que estou disposto a lutar por você. Não me importa que você seja militar, nem americana, nem


russa, nem polonesa. Não vou permitir que você vá pro Texas. Se você for, prepare-se, porque eu vou atrás de você e não penso em deixá-la em paz até que você ceda e decida voltar comigo, porque eu te amo e preciso que você me ame. As últimas palavras lembraram Mel das que ela mesma tinha dito e por isso sorriu. Era daquilo que ela precisava. Precisava de Björn e de seu amor. Impressionada por todas as coisas maravilhosas que ele estava dizendo, Mel colocou uma das mãos sobre os lábios dele para que ele se calasse e confessou: — Te amo. Björn estava emocionado, enternecido e totalmente apaixonado, pois ela estava lhe dando uma oportunidade que ele não tinha sido capaz de dar. Ele olhou para ela com uma expressão abobada e Mel chegou mais perto em busca de contato. — Eu te amo e você me ama, por isso, me beije agora! Estou esperando. Imediatamente, Björn atendeu. Ele a tomou nos braços e a beijou como tinha vontade de fazer há semanas. De repente, sua vida voltava a ter a pessoa de que ele precisava. Ela estava bem, saudável, em segurança e receptiva. Naquele momento, era só o que ele precisava. À tarde, depois de várias horas na praia conversando sobre seus sentimentos, Mel e Björn chegaram à casa da avó, onde os pais e a irmã os esperavam com Sami. Assim que a viram, eles encheram Mel de beijos e ela pôde notar que seu pai e Björn pareciam estar se dando bem. Luján, ao ver como ela os observava, foi até a filha e informou com emoção: — Fique sabendo que esse rapaz lutou com unhas e dentes com o seu pai por sua causa. — Jura? Scarlett, que vinha chegando, deu mais detalhes: — Menina, mas que gênio tem esse alemão! Calou até o papai. Incrível! Sem palavras, Mel olhou para sua mãe. — É verdade, querida — Luján confirmou. — Eu juro. E você já sabe como é o seu pai, mas Björn não se intimidou e quanto mais o seu pai gritava com ele, mas ele gritava em resposta, até que o seu pai se tranquilizou. Com certeza é algo incrível. Inclusive, te digo que ele parou com o pedido de sua transferência pra Fort Worth atendendo ao Björn, até que vocês conversem e você decida o que realmente quer fazer. — O meu Blasinho não é militar, mas não fica devendo nada ao Ceci — Covadonga comentou. — Fico contente que ele não se intimide e que ponha os pingos nos is com aquele americano. — Mamããããee, não comece — Luján protestou. Mel olhou para Björn boquiaberta. Que ele tivesse enfrentado o seu pai era inédito, para dizer o mínimo. Ninguém enfrentava o major Parker. Mas Björn tinha feito aquilo e Mel ficou feliz em saber. Luján, ao ver a expressão da filha, insistiu: — O que você vai fazer, querida? Mel sorriu. Se Björn tinha conseguido dobrar seu pai, estava claro que ele tinha lutado como um leão por ela, como sua mãe tinha dito, e ela estava disposta a dar uma nova oportunidade ao amor. — Por enquanto, vou passar essa noite fora com ele. — E olhando para a irmã, Mel pediu: — Scarlett, preciso de uma suíte no hotel.


Sua irmã, que andava com o celular, disse olhando para ela: — Já está reservada, mas o chocolate eu não consegui. — Chocolate?! — perguntou a avó. — Para que você quer chocolate, menina? As irmãs riram e Luján, vendo a cara das filhas, caiu em si. — Está bem... não quero saber de mais nada, suas sem-vergonha!


42 Naquela noite, Mel colocou Sami para dormir e, para surpresa de Björn, o chamou para sair. Quando chegaram ao hotel, Mel anunciou baixinho: — Desta vez não tem chocolate. Feliz que tudo tivesse se saído bem, ele a abraçou e disse: — Tenho a única coisa de que preciso: você. Depois de passarem pela recepção e pegarem a chave, entraram no elevador, onde se beijaram como loucos até chegarem ao andar da suíte. — Que quarto é? — Björn perguntou. — 215. Enquanto caminhavam pelo corredor, Björn notou como ela estava linda uniformizada e a agarrou pela cintura. — Sabia que eu gosto muito de te ver vestida assim? — Ah, é? Björn fez cócegas na cintura dela. — Tenente, você fica muito gostosa de uniforme militar. Mel sorriu e respondeu, parando na frente da suíte: — Acho que você vai gostar ainda mais quando eu ficar nua. Entraram e Mel foi diretamente ao aparelho de som. Colocou um CD que tirou do bolso e os primeiros acordes de When I Was Your Man, de Bruno Mars, começaram a tocar. — Você dança? — ela perguntou olhando para ele. Ele não pensou duas vezes. Nas últimas semanas, aquela música e os CDs tinham sido seu único ponto de conexão com Mel. Björn a abraçou e curtiu a proximidade de seus corpos durante a dança, ouvindo aquela linda canção. Too young, too dumb to realize That I should have bought you flowers and held your hand. Should have gave you all my hours when I had the chance. Take you to every party ‘cause all you wanted to do was dance. Now my baby is dancing, but she’s dancing with another man. Björn a beijou no fim da música. Quando seus lábios se separaram, ela fez uma cara muito séria, se afastou dele e lhe entregou um papel: — Quero que você leia esta carta. É do Mike. E assim que você terminar, quero rasgá-la pra não ler nunca mais. Björn pegou a carta, comovido. — Você tem certeza? — ele perguntou olhando nos olhos dela. — Isso é algo entre você e ele. Mel concordou com um sorriso.


— Sim, querido. Tenho certeza. Leia. Björn pegou o papel e começou a ler, enquanto Mel o observava atentamente. Minha querida Mel, Se você está com esta carta nas mãos, é porque o nosso bom amigo Conrad a fez chegar até você, e isso significa que estou morto. Quero que saiba que você é o que aconteceu de melhor na minha vida, apesar de, em alguns momentos, eu ter me comportado como um idiota. Você sempre foi boa demais para mim e sabe disso, não sabe? O motivo desta carta é pedir desculpas por tudo o que você vai descobrir de mim agora. Sinto vergonha de pensar, mas essa é a minha vida e não tem nada que eu possa fazer, a não ser te pedir desculpas e esperar que não me odeie para sempre. Desejo que conheça um homem especial. Um homem que cuide de você, que te leve para festas, dance com você, que goste do nosso filho e te dê essa família que sei que você sempre quis ter. Espero que esse homem saiba te dar valor como eu não soube e que você seja o mais importante para ele. Você merece, Mel. Merece encontrar uma pessoa assim. Nem todos são como eu e, por mais que você saiba que eu gostava de você do meu jeito, também sabe que isso nunca foi suficiente. Diga ao nosso bebê que o pai dele o amava muito, mas deixe que ele goste como um pai dessa pessoa que espero que algum dia chegue na sua vida. Você é forte, Mel, sei que você vai sair dessa. Você precisa recomeçar a vida. Prometa para mim e rasgue essa carta depois. Com amor, Mike

Quando Björn terminou de ler, ele guardou a carta e olhou para Mel que, com um sorriso que inundou a alma dele, disse emocionada: — Você me valoriza. Dança comigo, cuida da minha filha e de mim e você quer nos dar a família que ele nunca quis dar, sem que eu tenha pedido. Björn, você é esse homem único e especial que eu sempre quis conhecer, e tenha certeza de que a Sami e eu te amamos com todo o nosso coração, porque... Antes que pudesse terminar, ela foi tomada pela emoção e Björn a abraçou. Assim que ele a acalmou, com todo o amor que ele estava disposto a dar a ela, disse: — Sabe, não me alegro por nada do que o Mike passou, mas me alegro, sim, de que ele não esteja com você, porque isso me permitiu conhecê-la e ficar louco por você. Quero que saiba que vou cuidar e mimar as minhas duas princesas como vocês merecem. Mel concordou com a cabeça, pegou a carta e a picou em pedaços. Definitivamente, Mike, como homem, era passado e Björn, seu futuro. Björn jogou os papeizinhos sobre a mesa e tirou o casaco preto de lã. — Tira a roupa, tenente — ele exigiu, fazendo Mel sorrir. Despiram-se com rapidez, sem tirar os olhos um do outro. Björn terminou antes dela e murmurou: — Estou tão duro que vou te arrombar. Ela sorriu e respondeu com audácia: — Me arromba, mas com carinho. Ele a pegou nos braços e a encostou contra a parede sem qualquer tipo de preliminares, abrindo as pernas dela e a penetrando com sofreguidão. Suas respirações ofegantes ressoaram pelo quarto. Björn a olhou nos olhos e disse com a voz rouca: — Você nem imagina como eu senti sua falta. Movendo-se para dar mais profundidade, ela respondeu: — Você nem imagina o quanto eu pensei em você. Björn mordeu o queixo dela e a penetrou mais uma vez.


— Eu quero você pra mim e, como um grande amigo meu disse pra mulher dele, “sua boca, seu corpo e você inteirinha, quero que seja tudo meu, só meu”, entendeu? — Não me dê mais ordens — ela arquejou. — A tenente aqui sou eu. Björn sorriu dando uma palmada no traseiro dela. — A sua patente não significa nada pra mim, linda. A resposta de Björn divertiu Mel, que foi beijada por ele outra vez. Enlouquecida pela paixão com que ele a possuía, Mel se entregou às carícias e deixou que ele guiasse o jogo de prazer. Sem dar trégua, Björn a possuiu uma e outra vez até que ele gemeu alto demais. — Shhh... não quero que nos expulsem do hotel — Mel disse baixinho. Com uma expressão divertida, ele respondeu dando outro tapa na bunda dela. — Não ligo pro hotel. Só me importa que você goze pra mim. — Só pra você? Penetrando-a de novo, ele confirmou com a cabeça e então disse com segurança: — Só pra mim, sempre que a gente jogar. Um gemido de Mel fez Björn renovar as energias, enlouquecido pela paixão que sentia. — Tá gostoso, Mel? — ele perguntou. — Tá... tá... eu gosto dos nossos jogos. Björn sorriu, sem parar seus movimentos implacáveis. — Gostosa... — Mel ofegou quando ele fez uma nova investida. — Me diz do que você quer brincar. Decidida a esquentar o momento com fantasias, com a voz carregada de sensualidade, ela murmurou em meio a novas investidas: — Estou de pé no chuveiro e você está atrás de mim, os homens estão de joelhos e desejam colocar o meu morango na boca, e você quer saber se eu deixo. Por trás, você abre os meus lábios e me expõe pra eles, pedindo que massageiem meu clitóris e, no meu ouvido, pede que eu goze pra você. Só pra você. Primeiro um enfia a boca no meio das minhas pernas e depois o outro. E quando eu tiver feito o que você me pediu, nós saímos do chuveiro, você me deita na cama e me come na frente deles pra ensinar o que nós gostamos. — Continua... gostosa... continua. — Quando você gozar — gritou, chegando ao clímax —, você vai abrir as minhas pernas e outro homem vai me penetrar e... e quando ele acabar, o seguinte vai entrar em mim enquanto você me pede que eu goze pra você. Só pra você, e eu vou morrer de prazer. Björn, naquele instante, não aguentou mais e se fundiu nela, também alcançando o orgasmo e seus corpos se convulsionaram como se fossem um só. Quando conseguiram acalmar a respiração, Mel, dengosa, o beijou na cabeça e perguntou: — Você gostou da fantasia? Ele confirmou olhando para ela com malícia. — Seus desejos são uma ordem pra mim, tenente. Quando a gente voltar a Munique, prometo


realizar essa fantasia. Naquela noite, quando Mel dormiu, Björn ficou olhando para ela como um bobo. Tê-la em sua cama e sob os seus cuidados era o melhor que tinha acontecido em muito tempo. Björn teve vontade de conversar com alguém e então pegou o celular e ligou para o amigo Eric. Depois de dois toques, ele atendeu e Björn disse: — Estou com a Mel. Eric ainda se lembrava de como Björn tinha ficado desesperado com tudo o que tinha acontecido. — Ela está bem? — ele perguntou. — Está. Cansada, mas está bem. Agora está dormindo. — E você, como está? Björn passou a mão no cabelo antes de responder: — Feliz... feliz como nunca antes na minha vida. Só quero ficar com ela, cuidar dela e... — Não consegue dormir e só consegue ficar olhando pra ela, não é? Björn sorriu. Eric o conhecia melhor do que ninguém no mundo. — Me sinto como um idiota — ele acrescentou. — Eu te entendo — Eric concordou, ao pensar na sua mulher. — No dia em que eu conheci a Jud, ela me nocauteou com seu gênio forte e acho que esse temperamento da Mel é o que nocauteou você também. A Mel e a Jud se parecem em muitas coisas e uma delas é nesse maldito gênio. Björn riu. Olhou para Mel, que dormia placidamente no centro da cama, e murmurou: — Esse temperamento me deixa louco, amigo. — Escuta, Björn, se o seu coração escolheu a Melanie, nada vai conseguir se opor a ele. Meu conselho é que você se deixe levar pelos sentimentos e se concentre no presente. O que tiver que ser, será. — Porra, cara, você está me assustando! Eric sorriu e antes de desligar, zombou: — Pode ficar assustado! Quando desligou o celular, Björn se sentou na cama e observou dormir a mulher que tirava seu sono já fazia tempo. Desejando estar ao seu lado, ele se deitou com ela e se aconchegou para se sentir mais próximo. — Melanie Parker... — sussurrou — estou louco por você. Um sorrisinho fez Björn perceber que Mel estava acordada e então fez cócegas nas costelas dela e sussurrou em meio aos risos que provocava. — Ouvindo conversas alheias? Ela deu uma gargalhada e agarrou as mãos dele. — Se você começa a conversar do meu lado, como você quer que eu não ouça?


Björn sorriu. Levantou-se da cama e fez Mel se sentar. Depois, apontou o pingente de morango molhado em chocolate e perguntou: — Você me deixa colocá-lo de novo? Mel concordou e Björn colocou o colar de volta no pescoço dela. Em seguida ela olhou para ele e comentou com uma expressão animada: — Por favor... você ficou tão sério que parece que me deu um anel de compromisso. — Casa comigo. Seja a senhora Hoffmann. Boquiaberta, Mel não conseguiu articular nenhuma palavra, mas Björn estava determinado a conseguir seu propósito. — Eu posso ser muito convincente. — Você vai ter que rebolar, boneco — Mel respondeu, olhando-o nos olhos. Com um jeito amável, Björn concordou. Ela era a mulher que ele sempre tinha procurado. Ela era o sentido que tanto tinha procurado na vida e, deixando-se levar pelo que sentia, ele propôs: — Melanie Parker, ainda que por enquanto você não queira se casar comigo, você e a Sami me fariam a honra de morar na minha casa, que passará a ser a nossa casa quando você aceitar a minha proposta? Piscando várias vezes, Mel compreendeu o que aquilo significava para a vida dos três e então respondeu, emocionada: — Sim, nós aceitamos. Björn a beijou na mesma hora, mas ela se afastou. — Um momento... um momento — Mel disse com a testa franzida. — O que foi? O que aconteceu agora? — Björn perguntou, alarmado. — A Peggy Sue também pode vir? Björn deu uma grande risada, beijou a mulher que adorava acima de tudo e se deitou sobre ela na cama. — Claro que sim, querida... — ele sussurrou: — A Peggy Sue é a mais importante da família.


Epílogo Munique... um ano depois. O espetáculo na creche era um momento especial para os pais. Fantasiadas de verduras, as crianças cantavam e dançavam, enquanto seus pais gravavam vídeos e tiravam milhares de fotografias. Sami, vestida de cenoura, terminou seu número e correu para os braços de Björn, que a pegou no colo, todo contente, mas a professora correu atrás da menina e a agarrou pela mão. — Não, Sami, volte para a fila — ela pediu. — Quero ficar com o meu papaaaaiii! Mel deu risada. Sami sentia pura adoração por Björn. Desde que moravam juntos a menina tinha dado esse título a ele, que, feliz da vida, tinha aceitado. Bobo de emoção, Björn colocou a câmera fotográfica no pescoço e quando foi falar, a professora pediu outra vez: — Samantha... tire a coroa. Você ainda não pode pôr. Björn, vendo a cara de sua menina, olhou para a mulher e respondeu com expressão contrariada: — A festa acabou. Ela ficou sem a coroa durante a apresentação. Já cumpriu a promessa e agora nós temos que cumprir a nossa. Dissemos que ela poderia colocar a coroa de princesa quando acabasse a festa e assim vai ser. A professora cruzou um olhar de cumplicidade com Mel, que revirou os olhos. Afinal, a professora deu o braço a torcer. — Está bem. Mas pelo menos ela tem que voltar pra fila com os outros. Contente por ter conseguido fazer valer sua vontade, Björn olhou para Sami, que o observava com sua coroa de princesa. — Você é a princesa cenoura mais bonita que eu já vi na minha vida — ele disse com convicção. — Mas agora você tem que voltar pra fila. Prometo que vou te buscar na porta da escola daqui a cinco minutos com a mamãe, está bem? A menina concordou, presenteando Björn com um sorriso espetacular, e correu para junto das coleguinhas. Mel, que tinha permanecido até então em segundo plano, agarrou a mão de Björn e deu um puxão. — Não sei quem é pior, se é você ou se é a princesa cenoura. Björn sorriu e caminhou abraçado com Mel até a porta da creche, onde conversou com outros pais sobre a maravilhosa apresentação das crianças. Ele era um paizão orgulhoso. Assim que pegaram a menina, os três subiram no carro e foram até a casa de seus amigos. Judith, ao ver a menina chegar, logo a elogiou. — Samiiiiiiiii, você está lindaaaaaaa. A menina, ainda com a fantasia de cenoura, olhou para todos e explicou: — Sou a pincesa cenola.


Eric deu risada e Björn exclamou: — A minha princesa é a melhor! Vocês tinham que ter visto a Sami no palco. Ela comeu o tomate e a couve-flor na apresentação. Mel revirou os olhos. Qualquer coisa que Sami fazia sempre estava ótima para Björn. Depois de ouvir aquilo, Judith foi cochichar com sua amiga: — Pode ter certeza de que quando os pequenos forem pra creche, o Eric vai babar do mesmo jeito. Ele é incrível com os filhos! Achando graça do comentário, todos entraram para tomar alguma coisa, enquanto Mel, agarrada a Björn, beijava-o e dizia: — Venha, boneco, você merece uma bebidinha. No ano que tinham passado juntos, tudo tinha sido incrível. Maravilhoso. Elas tinham ido morar com Björn e ele tinha adaptado sua casa às necessidades de Sami. Fort Worth estava esquecido. Em várias ocasiões, ele havia pedido Mel em casamento, mas ela se fazia de rogada, mesmo que tivesse prometido que, se em um ano ainda continuassem juntos, eles se casariam. Björn acabou aceitando. Nesse meio-tempo, ele conheceu Neill, Fraser e outros militares e novamente se deu conta de como tinha se equivocado. Aqueles americanos eram uma grande família, bastava ver como eles cuidavam uns dos outros, e cada vez que Mel tinha que pilotar, eles prometiam que cuidariam dela. No começo, cada vez que ela tinha que ir ao Afeganistão, ao Iraque ou a qualquer outra parte, Björn não dormia e ficava o dia inteiro ligado no noticiário. Cuidava de Sami com carinho e só de pensar que alguma coisa pudesse acontecer com Mel ele ficava transtornado. Mas o tempo passou, e como ela tinha prometido, quando o exército permitiu, passou a ser uma civil. Dormia todas as noites com a filha e com Björn e era completamente feliz. Agora tinha tempo para terminar o curso de design gráfico que tinha começado um dia e vivia uma vida tranquila. Não sabia se dali a um tempo sentiria falta do exército, mas o que ela sabia era que pela primeira vez era completamente feliz e estava criando sua própria família. Naquela noite, quando os filhos dormiram, as mulheres sugeriram que fossem à festa que uns amigos estavam dando em casa. Eric e Björn, depois de trocarem um olhar cúmplice, aceitaram, animados. Simona e Norbert se ocuparam das crianças e os quatro amigos saíram para se divertir. Chegando à festa, as mulheres cumprimentaram alguns conhecidos e foram ao bar para tomar algo. Pediram as bebidas e Mel cochichou com Judith: — Ai, ai... Acabo de ver a Diana com a namorada dela. Judith sorriu. Àquela altura do campeonato, elas já tinham se encontrado com as outras duas mulheres nas cabines do Sensations mais de uma vez e cada uma, à sua maneira, tinha se divertido. Com uma expressão divertida, Judith olhou para o marido, que conversava com Björn e dois homens, e perguntou a Mel: — O que você acha dos caras que estão com os nossos garotos? Mel os analisou e fez um movimento afirmativo de cabeça, entendendo o que Judith estava propondo. Björn notou o olhar de sua garota e sorriu, dando uma piscadinha.


— Quatro homens pra nós duas. Ótimo! Judith sorriu e cochichou depois de trocar um olhar com Eric: — Pela cara dele, o Iceman também gostou. Assim como Björn, Eric tinha percebido o cochicho das mulheres e fez um comentário animado com o amigo. Björn concordou. Sem precisar falar, os quatro se entenderam. Elas sorriram, pegaram suas bebidas e foram andando para uma das laterais do salão. Logo em seguida, os homens as acompanharam. Björn abraçou sua mulher, beijou-lhe o pescoço e abriu uma cortina. Havia várias camas com pessoas transando e alguns balanços presos no teto. Mel concordou logo que viu a cena. Grudou seus lábios nos de Björn e o beijou. Excitado, ele respondeu ao beijo ardente, oferecendo sua língua para que ela saboreasse. Sem hesitar, o grupo entrou no quarto. Ali, Björn e Eric se sentaram numa das camas e pediram que os outros dois homens tirassem a roupa das mulheres. Quando as duas ficaram nuas, foram até seus homens e montaram no colo deles. Depois de beijar Mel com paixão, Björn pediu: — Vira ao contrário, de frente pro Alfred. Mel atendeu e Björn tocou suas coxas com tesão, sussurrando em seu ouvido: — O Alfred está morrendo de vontade de sentir seu gosto, querida, e eu quero que ele sinta. O que você acha? Ela sorriu, olhou para Judith e para Eric, que se divertiam na cama com o outro homem. — Me parece uma ideia excelente — ela respondeu. Björn passou as mãos pelas pernas de sua mulher, separou suas coxas e olhou para o homem que os observava. — Brinca com o clitóris dela, que ela gosta — Björn instruiu. Alfred sorriu e se ajoelhou. — Vou brincar com o seu clitóris até você gozar na minha boca — ele respondeu. De joelhos, ele jogou água sobre a vagina dela e a secou com um pano limpo. Aproximou sua boca e sugou com deleite. As mãos de Björn abriam os lábios internos e davam acesso a ela, murmurando em seu ouvido: — Assim, Mel... Me deixe abrir você pra ele... Movendo o quadril para trás, ela perguntou: — Você gosta assim? Excitado, Björn concordou. — Gosto, querida, gosto... Se esfrega na boca dele. Mel deixou escapar um grito ao sentir aquele homem passando os lábios no seu clitóris, enquanto dava batidinhas doces com a língua. — Te amo, linda, grita, curte.


As mãos de Björn subiram até os seios dela e passaram a beliscar os mamilos. — Estou muito duro, Mel... Goza pra que eu possa te comer. O corpo dela estremeceu. Alfred agarrou suas coxas e as afastou ainda mais. Mel respondeu com mais gritos. — Sim... assim... isso, querida... Pra mim. Só pra mim — Björn cochichou. Sua voz... as coisas que ele dizia e como se entregava ao prazer eram excitantes. Ouvir a voz apaixonada e caliente de Björn em seu ouvido enquanto as mãos dele beliscavam seus seios sempre a deixavam louca. De repente, ela gritou ao chegar ao clímax e seu corpo convulsionou. — Isso, querida... isso... Goza na boca dele... — Björn disse. Sem forças, Mel apoiou as mãos na cabeça de Alfred e o apertou contra seu sexo enquanto ele chupava e lambia enlouquecido os fluidos que saíam de dentro dela. Por alguns minutos eles continuaram assim, até que um excitado Björn indicou que o momento dele tinha acabado e que a lavasse. Assim Alfred fez, secando-a em seguida, antes de se levantar. Björn virou Mel com voracidade e olhou nos olhos dela, enquanto guiava o pênis até sua vagina molhada. — Me diga, Cat Woman, você quer ser minha na cama ou no balanço? Excitada com a proposta do homem que adorava e que a tratava como uma princesa, Mel o beijou nos lábios e, querendo se abrir para ele do jeito que ele quisesse, respondeu apenas: — Surpreenda-me, James Bond.

Megan Maxwell - Surpreenda-me [oficial]  

Björn é um atraente advogado alemão para quem a vida sempre foi fácil. É um homem apaixonado pelas mulheres e pelo sexo sem compromisso. Ado...

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