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Interiores de Quarteirão Como podemos verificar nesta planta de análise dos interiores de quarteirão das Avenidas Novas, hoje fruto da maneira como os loteamentos foram feitos, e não havendo quaisquer exigências ou regulamentos sobre a área construída vs área livre/permeável, temos interiores de quarteirão esquartejados e cada vez mais construídos, que resultam em espaços desinteressantes e que trazem atrás de si um sem número de problemas. A reabilitação, com intervenções de conjunto no interior dos quarteirões, é essencial para que a cidade ganhe novos lugares públicos ou semi-públicos de escala intermédia, entre o grande “equipamento” de espaço público e o jardim privado, de que tanto necessita. Se medirmos os quarteirões pelo eixo das vias que os circundam verificamos que a área do interior do quarteirão representa um quarto da área total. O potencial aqui reunido é enorme. Assim é possível propor para os interiores de quarteirão novas tipologias de espaço, usos e percursos para os interiores de quarteirão que visam dotar a cidade de espaços e equipamentos que hoje carece. Ao mesmo tempo é possivel aumentar a matéria vegetal e biológica dos interiores de quarteirão para retirar mais dióxido de carbono do ar e reduzir assim a poluição atmosférica tendo em vista o aumento da qualidade do ar.

Planta de Análise dos Interiores de Quarteirão das Avenidas Novas

Pontualmente a área do interior dos quarteirões poderá ser utilizada para ajudar a resolver o problema do estacionamento à superfície através da construção de silos automóveis subterrâneos que se destinariam ao armazenamento dos automóveis dos habitantes do quarteirão onde o silo é construído e dos oito com que este quarteirão directamente comunica. Proposta Num contexto específico seria explorada a possibilidade de densificação das Avenidas Novas através da construção em altura no interior dos quarteirões. Esta construção só seria possível em lotes que atravessam o quarteirão de um lado ao outro e que se localizam a meio deste. A ideia é colocar um novo volume, levantado do chão para libertar a área interior do quarteirão que se quer requalificar, e assim construir mais habitações nesta zona da cidade. Este volume seria elevado à altura do nível médio das cérceas dos edifícios do quarteirão de forma a marcar um limite, determinando uma nova linha limite da cércea. Assim seria possível estabelecer uma regra para a densificação do edificado sem alterar significativamente o perfil e o ambiente das ruas das Avenidas Novas. No fundo estes novos volumes seriam a excepção que confirma e faz a regra para o edificado que aqui se venha a construir por necessidade de substituição de edifícios devolutos.

1. Rematar as empenas cegas e completar a frente de rua, criando possibilidade de atravessamento e acesso ao interior do quarteirão.

3. A Habitação constrói-se suspensa unindo as duas frentes de rua e virando-se para o interior de quarteirão reabilitado.

2. Regularizar o espaço interior do quarteirão reabilitandoo, e tornando-o semi-público

4. Resolver o problema de estacionamento desta zona com a construção de um parque de estacionamento subterrâneo que se articula com o parque já existente do Hotel contíguo.

Área Construída

Área de Solo Premeável e Coberturas Ajardinadas

Área Pavimentada

Lotes Devolutos

Estacionamento Automóvel

Lotes Vazios

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100 Possibilidades de Habitar Lisboa Francisco Costa | Universidade Autónoma de Lisboa


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Axonometria: 1. Habitação | 2. Comércio e Serviços | 3. Planta Piso Tipo

Corte Transversal

Alçado Sul

Do Quarteirão ao Edifício O Projecto consiste num grande volume levantado do chão que une as duas frentes de rua do lote e em outros quatro volumes mais baixos que fazem o prolongamento das cérceas dos edifícios contíguos, definindo assim o plano das ruas e reforçando a ideia de interior de quarteirão. Para reforçar a clareza da estratégia para este projecto, apenas o grande volume elevado do chão contém as habitações pedidas no enunciado. Por ser uma zona que o PDM prevê como mista, os outros quatro volumes destinam-se a comércio, escritórios e a um equipamento comunitário. Assim a separação programática vem reforçar a ideia implícita na separação e assunção por si dos volumes.

O projecto pretende, além da construção de fogos de habitação contida no enunciado, pensar o que pode vir a ser o espaço de interior deste quarteirão. As premissas do projecto vão no sentido de enfatizar essa vontade de pensar e valorizar o interior do quarteirão, já que o edifício de habitação se formaliza como uma ponte que une as duas frentes de rua, levantando-se do chão e libertando assim mais área no interior do quarteirão.

O projecto tem a ideia de pensar e qualificar o interior do quarteirão como um todo. O objectivo é tornar este espaço, que está hoje esquartejado e privatizado em pequenos segmentos avulsos numa ampla praça interior, ajardinada e arborizada, à qual possam aceder todos os moradores do quarteirão e também os utentes dos hotéis nele existente. Para isso seriam demolidas todas as construções e ruínas do interior do quarteirão, e para esta intervenção ter viabilidade económica seria construído no subsolo um parque de estacionamento, na área onde existe a nova construção, que serviria de garagem para todos os moradores, os escritórios e os hotéis desta zona. O desenho do interior do quarteirão é feito através de percursos que redesenham o perímetro do interior e dão acesso a todos os edifícios do quarteirão. Estes percursos procuram também definir um novo espaço interior ajardinado que confere uma leitura mais unitária deste espaço. Sob o volume das habitações, tirando partido quer da topografia quer do facto de ser uma área impermeabilizada pela presença do estacionamento, é criado um pequeno espaço de estar em forma de auditório ao qual se junta o atravessamento do interior quarteirão. É também desenhado um espelho de água onde seriam despejadas as águas pluviais recolhidas na cobertura e nos pátios das novas construções. Estas águas serviriam também para regar o jardim criado no interior do quarteirão.

O volume das habitações pretende também reforçar a ideia de requalificação do interior do quarteirão, já que inverte a lógica de desenho de alçado habitual, sendo os seus alçados de rua cegos e os que dão para o quarteirão desenhados como se de fachadas principais se tratassem, com um padrão ritmado para dar uma nova “cara” a este interior. Este ritmo é dado pelas variações da tipologia base e pela simetria em planta que os pisos vão tendo à medida que subimos. Ao contrário do que é comum os acessos ao edifício de habitação são localizados já no interior do quarteirão, em duas pequenas ruas que são criadas para lhe dar acesso. Os acessos verticais deste edifício localizam-se a cada dois apartamentos, sendo assim o acesso às habitações feito em esquerdo-direito, como na maior parte dos edifícios da cidade. Com a variação das tipologias ao longo dos pisos consegue-se por vezes que o átrio de acesso seja exclusivo a uma única habitação.

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Axonometria | Esc. 100 Legenda: 1. Entrada | 2. Cozinha | 3. W.C | 4. Despensa | 5. Arrumos | 6. Sala | 7. Sala de Jantar | 8. Pátio | 10. Quarto

Planta Piso 0 | Esc. 1:50

Planta Piso 1 | Esc. 1:50

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i.s .

Tip

Corte Transversal | Esc. 1:50

olo

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Tipologia | Permutas Várias

O Habitar

número maior de habitantes, e uma maior variedade na ocupação dos espaços.

Aquilo a que me propus neste exercício foi procurar o habitar ideal para a cidade de Lisboa. Pareceu-me em primeiro lugar que um habitar qualificado em Lisboa exigiria a integração de um espaço exterior privado, um pátio, terraço ou varanda, com dimensão suficiente que permitisse aos habitantes gozarem do exterior nas suas habitações. Esta decisão acontece baseada na observação das condições climáticas e geográficas da nossa cidade. Lisboa tem um clima temperado todo o ano devido à proximidade do mar. Mesmo no Outono e no Inverno, altura em que as temperaturas baixam, é possível desfrutar de dias ensolarados e amenos. Além disso, dada a topografia da cidade, é possível ter vistas de vários pontos sobre a cidade. Assim é dada ao pátio uma importância central na habitação, representando um quarto da área do piso 0. Este pátio é tratado como uma sala exterior que permite o seu usufruto todo o ano, e serve também como um dispositivo que medeia a relação do interior com as vistas sobre a cidade. Para esta habitação foi escolhida trabalhar como base a tipologia T3 por me parecer ser a tipologia mais flexível. É a tipologia limite para albergar um único habitante e permitir que este se sinta confortável, e tendo mais uma divisão que o T2, permite ter um

A habitação desenvolve-se em duplex e é dividida em 4 por dois eixos perpendiculares. No piso térreo temos num primeiro “quadrante” a entrada, junto aos acessos verticais, com pé direito simples, que se abre para a sala de duplo pé direito. Esta entrada comunica com a cozinha. O volume da cozinha tem também uma despensa e uma casa de banho. No lado oposto encontram-se as escadas para o piso de cima e uma divisão que abre para o pátio que pode ser utilizada como sala de jantar ou escritório. O pátio, para o qual as divisões principais da casa se abrem, conta com a mesma área da sala de duplo pé direito, e juntas têm metade da área do piso térreo da casa. No piso de cima temos ao centro a saída das escadas e um mezanine que se abre sobre a sala e dá acesso à casa de banho e aos quartos. De cada lado da casa encontram-se os quartos com as mesmas dimensões. No alçado sul existe apenas uma grande abertura, a do pátio, que pretende reforçar a importância deste na casa. No alçado norte o desenho de fachada é inverso ao alçado sul sendo agora abertos vãos directamente neste alçado. Como se pode ver nos esquemas, a partir desta tipologia base, são feitas inúmeras variações, ocupando sempre a mesma área de laje e tendo divisões de áreas iguais, que pretendem possibilitar a máxima variação na apropriação do espaço pelos diferentes tipos de ocupantes.

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100 Possibilidades de Habitar Lisboa Lisboa, tal como outras metrópoles, atravessa um momento de crise no que toca ao tema da habitação. A terciarização e consequente mono funcionalidade dos centros das cidades faz com que cada vez menos pessoas aí fixem residência e que assim os centros urbanos e históricos atravessem um grave problema de desertificação. Moram neste momento 550.000 pessoas no concelho de Lisboa, mas a capital perde cerca de 10.000 habitantes todos os anos para as suas periferias. Apesar disso 2,1 milhões de pessoas vivem na sua periferia e uma grande percentagem destas continua a deslocar-se para o centro de Lisboa todos os dias, mas quando percorremos as ruas da cidade fora das horas de expediente ou ao fim-de-semana temos a sensação assustadora de que falta gente a esta cidade, de que lhe falta densidade. No entanto há hoje em Lisboa mais de 60.000 casas vazias prontas a habitar. O problema da habitação não passa directamente pela arquitectura e pela construção de novas casas, é sim uma consequência directa da asfixia provocada pelo mercado imobiliário e de erros sucessivos nas políticas de habitação da cidade. A oportunidade de criar “100 Possibilidades de Habitar” permite analisar todo o problema complexo da habitação em Lisboa e repensá-lo de forma a procurar novas soluções que venham oferecer mais qualidade de vida aos habitantes e ao mesmo tempo repovoar o centro da cidade.

O objectivo é, através da ocupação de vazios urbanos no seio da cidade consolidada, tentar potenciar as zonas envolventes para que possam inverter a tendência de desertificação. Assim, os lotes escolhidos encontram-se naquela que é hoje a área central da nossa cidade, com a vida mais cosmopolita, as Avenidas Novas. Melhor servida de infra-estruturas e serviços, esta é a zona mais activa economicamente, e que melhor receberá uma maior densidade de construção e de gente, da qual Lisboa neste momento tanto necessita. Estando esta zona localizada no Planalto de Lisboa é possível explorar aqui a densificação da cidade através da construção em altura, já que esta não interferirá com um dos maiores patrimónios da “cidade das sete colinas”, a sua intensa relação visual com o Rio Tejo, e o sistema de vistas sobre a própria cidade. Este trabalho permitiu uma reflexão transversal sobre o que é habitar hoje, partindo da escala da cidade até ao conforto da proporção dos espaços da casa e dos materiais que os constituem. Paralelamente é dada em todas as escalas uma importância fundamental ao espaço exterior, quer ele seja o grande espaço público na cidade, quer a possibilidade da existência de um pátio em cada uma das habitações.

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