Issuu on Google+


Helena Lourenรงo Da Cruz Roque


DIÁRIO DE CAMPO De Fevereiro a Junho deste a no fiquei particularmente atenta a qualquer documento ou situação que, no dia a dia, me levasse a estabelecer relações com a temática da educação em geral e do ensino das artes em particular. A recolha, feita de modo aleatório, não deixa contudo de reflectir as preocupações que dominam a escola actual e em particular a minha actividade enquanto professora. Arte, ciência, filosofia, economia, política, sociedade, familia, novas tecnologias, qualquer área do conhecimento e da actividade humana permitem afinal estabelec er relações com a educação e com o ensino. A especialização que marca a actualidade não pode alhear-se da complexidade do mundo e da multiplicidade de olhares que o desvenda. Estar atenta ao mundo e a tudo o que o faz mover é condição essencial na formação de qualquer professor. Neste díario de campo os “pedaços” de histórias apresentados fazem parte dos elementos da construção dos caminhos da “minha narrativa.”

Os rascunhos da nossa infância são provavelmente os mais importantes. Serão um dia os labirintos da nossa memória e os caminhos de nossa história. (Etienne Samain)


teorias desconhecidas dos ouvintes. No decorrer das aulas, Ferry

percebeu que não existia nas livrarias nada equivalente ao curso que es-

tava construindo. Resultado daquelas reuniões amigáveis, ‘Aprender

a viver’ é voltado para adultos que

querem entender a filosofia, mas que não necessariamente pretendem se

tornar experts no assunto, e jovens que desejam estudá-la a fundo e

procuram um bom embasamento.

Apesar de ser uma iniciação à filosofia, o livro não abre mão da riqueza

e da profundidade das idéias filosó-

ficas, oferecendo muito mais que uma leitura superficial de textos

fundamentais para o entendimento do mundo. Além de apresentar de Neste livro, Luc Ferry apresenta o

essencial da filosofia em linguagem acessível para leigos, mostrando

como a sabedoria pode ser o caminho para uma vida melhor. O que é a

forma acessível a história da filosofia, da Grécia antiga à filosofia contem-

porânea pós-Heidegger, ‘Aprender a viver’ também a coloca em contra-

ponto a religião.

filosofia? Para que ela serve? Durante uma viagem de férias, amigos pro-

puseram ao ex-ministro de Educação

da França Luc Ferry que improvisasse

um curso no qual respondesse a estas perguntas de forma clara e acessível para pais e filhos leigos no assunto. Sem tempo de recorrer a nenhuma

bibliografia, o filósofo viu-se obrigado a ir diretamente ao essencial, sem

utilizar palavras complicadas, citações eruditas ou

“Aprender a viver “, como finalidade de toda aprendizagem e de todo o conhecimento, daria um novo sentido à educação e aos métodos e práticas pedagógicas cujos horizontes se alargariam para um mundo melhor.


Reações químicas Observar obras de arte proporciona mesmo prazer de estar apaixonado, revela pesquisa

Se não há amor, procure a arte. É o que sugere uma pesquisa realizada na Inglaterra, que mostra que a mesma parte do cérebro que é estimulada quando uma pessoa se apaixona reage quando olhamos uma grande obra de arte. A ob-

servação da arte pelo homem provoca um aumento de uma substância química associada ao bem-estar, a dopamina, no córtex órbito-frontal do cérebro, resultando em sensações de intenso prazer.

O resultado se assemelha ao que as pessoas sentem com o amor romântico ou quando estão sob efeito de determinadas drogas. Numa série de experimentos

de mapeamento do cérebro, o professor Semir Zeki, neurobiologista da University College London, escaneou os cérebros de voluntários conforme eles olhavam para 28 figuras.

Na pesquisa, foram incluídas obras como o Nascimento de Vênus, de Sandro

Botticelli; e os Banhistas na Grenouillière, de Claude Monet. Zeki percebeu que o fluxo de sangue aumentou em áreas do cérebro geralmente associadas ao amor.


Houve avanços significativos em nossa compreensão do que acontece no nosso cérebro quando olhamos trabalhos de arte - ele disse. - Recentemente, desco-

brimos que quando observamos coisas que consideramos bonitas, há aumento da atividade nos centros de compensação de prazer do cérebro.

Há uma grande associação de dopamina nesta área. Essencialmente, esses

centros são estimulados, similar aos estados de amor e desejo. A reação foi imediata.

O estudo está sendo revisado e será publicado ainda este ano. A pesquisa sugere que a arte poderia ser usada para aumentar o bem-estar e a saúde mental

do público em geral. Pesquisas realizadas anteriormente mostraram que a arte

pode reduzir o sofrimento de pacientes em hospitais e conduzir a recuperação rápida de problemas de saúde.

A arte constituiu desde sempre uma linguagem universal que o Homem utilizou para recriar o mundo à medida das suas necessidades de prazer, de beleza e de eterno.


TSF – Pessoal

e

Transmissivel (click aqui)

Eduardo Punset 19 Abril 2011

Trocou a política pela divulgação científica porque acha incrível que a humanidade tenha sobrevivido dois milhões de anos sem

saber o que se passa no interior do cérebro humano. O ex-ministro espanhol Eduardo Punset - autor do livro «A alma está no

cérebro» - é o convidado de Carlos Vaz Marques, ao fim da tarde.

UMA BOA CAUSA MERECE UMA BOA LUTA!

A cultura vê-se muitas vezes, em confronto com os bens de consumo, e da moda associados ao prestigio social, numa luta em que a razão imposta pelas normas sociais apoia mais facilmente a futilidade que a cultura.


A Internet está a mudar a nossa forma de pensar? 08.01.2010 - 09:14 Por Ana Gerschenfeld (click aqui)

Acha que a Internet alterou a sua mente ao nível neuronal, cognitivo, processual, emocional? Sim, não, talvez, respondem filósofos, cientistas, escritores,

jornalistas à pergunta do ano do site edge.org, em dezenas de textos que são hoje colocados on-line.

Todos admitem que ninguém sai ileso da Internet (Mike Blake/Reuters) No Verão de 2008, o

escritor norte-americano Nicholas Carr publi-

cou, na revista Atlantic Monthly, um artigo in-

titulado Is Google making us stupid?: What

the Internet is doing to our brains, onde se

mostrava muito crítico dos efeitos da Internet nas nossas capacidades intelectuais. O artigo teve um grande impacto, tanto nos media como na blogosfera

O site edge.org - o “salão” intelectual on-line - vem agora expandir e aprofundar o debate no âmbito do seu tradicional desafio anual a dezenas de

craques mundiais da ciência, da tecnologia, do pensamento, da arte, do jornalismo. A pergunta de 2010 é, literalmente: “Como está a Internet a mudar a maneira como você pensa?” (“How is the Internet changing the way you think?”) Eles respondem: que a Internet os (nos) tornou mais espertos, menos pro-

fundos, mais rápidos, menos focados, mais acelerados, menos criativos, mais

tácteis, menos visuais, mais altruístas, menos arrogantes. Que expandiu radical-

mente a nossa memória, mas fez de nós, ao mesmo tempo, reféns do presente. A grande teia surge equiparada a um ecossistema, um cérebro colectivo, uma memória universal, uma consciência global, um mapa total da geografia e da história.


Mas uma coisa é certa: sejam eles fãs ou críticos, todos a usam e todos admitem que ninguém sai ileso da Internet. Ninguém fica indiferente a coisas

como a Wikipedia ou o Google, ninguém escapa à atracção da comunicação e do saber globais e instantâneos.

Até ao fecho desta edição, tinham respondido ao desafio 121 filósofos, cientistas,

Fac-símile da realidade médicos, engenheiros, escritores, artistas, jornalistas. Eu escolhi uma, com ligação as Artes Visuais: Eric Fischl e April Gornik (Artistas visuais)

Para o artista visual, olhar é essencial ao pensamento. Como é que a Internet mudou a nossa maneira de ver? De forma subtil mas profunda. Uma das mu-

danças é a perda do sentido de escala. Outra é a perda de diferenciação dos

materiais. A informação visual passou a ser baseada apenas na imagem. A realidade foi substituída por um fac-símile.

Podemos ver aqui a ilustração da metodologia utilizada pela professora e a aprendizagem significativa. O aluno dá sentido ao que ouve ou vê com as referências que possui. Outro exemplo é a gravura de um anónimo italiano que desenhou a partir do natutral uma baleia lançada à praia em Ancona. O animal parece ter orelhas porque o desenhador se enganou, tomando uma das barbatanas do cetáceo por orelha, e por isso mesmo colou-a perto demais do olho. Foi induzido em erropor um esquema familiar, o esquem a da cabeça típica.


A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas novos olhares.” Marcel Proust

Esta viagem requer tanto de atenção, como de intenção pois integra sempre um processo de busca. A queda da maçã sobre a cabeça de Newton levou-o à descoberta da gravidade, porque Newton procurava há muito entender tal fenómeno. A escola pode ser um meio privilegiado no desenvolvimento quer do processo de busca quer da interpretação das respostas.

Quino, o cartoonista argentino autor da Mafalda, desiludido com o rumo

deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartoon o seu sentimento:


ENTREVISTA  - INVESTIGADOR  

 

“O sector financeiro está atrasado”    DON TAPSCOTT   O especialista diz que a Internet viabiliza a colaboração em massa e indica que pode proporcionar mudanças tão profundas quanto a que sepultou o feudalismo e inaugurou a era industrial     Don Tapscott fala num ritmo pré-digital: lento, cadenciado e meticuloso. Nada falha nele, que foi um rebelde nos anos 60, insurgindo-se contra a guerra do Vietname e a opressão das mulheres. Hoje, é um dos mais respeitados estudiosos do impacto da tecnologia nas empresas e nas sociedades.     Autor ou co-autor de 14 livros, Tapscott diz que a Internet não muda o que aprendemos, mas sim o modo como aprendemos - e que o impacto disso será tão intenso quanto a invenção da impressão com tipos móveis, por Gutenberg. “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência partilhada”, explica.    

Focus - Há tecnologias que melhoram a vida humana, como a invenção do

calendário, e outras que revolucionam a história humana, como a invenção da

roda. A Internet, o iPad, o Facebook, o Google são tecnologias que pertencem a

que categoria?    

Don Tapscott - À das que revolucionam a História. O que está a acontecer no Mundo de hoje em dia é semelhante ao que se passou com a sociedade agrária depois da impressão com tipos móveis de Gutenberg. Antes, o conhecimento estava concentrado em oligopólios. A invenção de Gutenberg começou a democratizar o conhecimento e as instituições do feudalismo entraram num processo de atrofia. A novidade afectou a Igreja católica, as monarquias, os poderes coloniais e, com o passar do tempo, deu origem a revoluções na América Latina, nos Estados Unidos e na França, assim como à democracia parlamentar, à reforma protestante, à criação das universidades, do próprio capitalismo.


Martinho Lutero chamou à impressão com tipos móveis “a mais alta graça de Deus”. Agora, mais uma vez, o génio da tecnologia saiu da lâmpada. Com a imprensa móvel, ganhámos acesso à palavra escrita. Com a Internet, cada um de nós pode ser o seu próprio editor. A imprensa deu-nos acesso ao conhecimento que já havia sido produzido e estava registado. A Internet dá-nos acesso ao conhecimento contido no cérebro de outras pessoas em qualquer parte do Mundo. Isso é uma revolução. E, tal como aconteceu no passado, está a fazer com que as nossas instituições se tornem obsoletas. Os exemplos estão por toda a parte. As instituições globais não conseguem resolver a crise da dívida na Europa. Os jornais estão a entrar em declínio. As universidades estão a perder o monopólio da educação superior. São instituições da era industrial, que está final mente a chegar ao fim.  

Focus - Quais são, na sua visão, as principais características da sociedade pós-

industrial?    

D.T. - Na era industrial, tudo é feito para as massas. Criámos a produção de massas, a comunicação de massas, a educação de massas, a democracia de massas, a sociedade de massas. A característica central da sociedade industrial é a de que as coisas começam com um (aquele que tem o conhecimento) e chegam a muitos (aqueles que não têm o conhecimento). No modelo da educação de massas, eu sou o professor, porque tenho o conhecimento, e os outros são os alunos, porque não têm o conhecimento. O fluxo é sempre no sentido de um para muitos. No sistema de saúde, eu sou o médico, porque tenho o conhecimento, e os outros são os pacientes, não apenas porque estão doentes, mas porque não têm o conhecimento. De novo, é de um para muitos. A democracia de massas funciona nos mesmos moldes. Os eleitores votam num dia, mas apenas um governa por alguns anos. Na sociedade pós-industrial, o conhecimento já não será transmitido de um para muitos, mas de um para um ou de muitos para muitos.

Focus - No melhor espírito capitalista, as pessoas cuidam dos seus próprios

Interesses. Por que subitamente se entregariam à partilha colectiva?  


D.T. - Porque a Internet está a derrubar radicalmente o custo da colaboração e será do interesse das pessoas colaborar umas com as outras. Por exemplo:

a indústria chinesa de motocicletas é formada por centenas de pequenas empresas que cooperam entre si. Não há uma empresa central, uma sede, uma

fábrica nos padrões tradicionais da era industrial. Os envolvidos encontra-se em casas de chá ou conversam online. Cada um responde por uma parte do negó-

cio. Um fabrica o sistema de ignição, outro faz os travões, um recolhe o dinheiro, outro opera o marketing do produto. Em pouco tempo, essa rede tornou-se na maior indústria de motocicletas da China. No meu penúltimo livro, apelidei esse sistema de wikinomia, a fusão de “wiki” com “economia”. A Wikipédia

não tem dono, é feita por um milhão de pessoas, já é 10 vezes maior do que

a enciclopédia Britannica e é traduzida para 190 idiomas. Os estudos mostram

que a Wikipédia é quase tão precisa quanto a Britannica. A wikinomia é a arte e a ciência da inovação em partilha. Será a mudança mais profunda na estrutura

das corporações num século. Vai mudar o modo como inovamos, a forma como criamos bens e serviços.

Focus - Qual é o sector da economia que melhor aplica os princípios da wikino-

mia?    

D.T. - Há exemplos de empresas isoladas, não de sectores inteiros. A Procter & Gamble, um conglomerado de produtos de higiene e limpeza, está a usar a

colaboração em massa. Começou a procurar uma molécula capaz de tirar manchas de vinho tinto da roupa. Em vez de buscar a resposta entre os 7000 en-

genheiros químicos da própria empresa, criou um site e foi procurá-la entre os milhões de engenheiros químicos fora da empresa. Multiplicou a probabilidade

de encontrar o que busca. Quem sabe se um químico reformado ou um recémformado não aparece com a resposta certa. Nesse caso, a P&G paga 300 mil dólares ao químico e fica com um novo produto.  

Focus - Qual é o sector mais atrasado da wikinomia?   D.T. - Sem dúvida, o sector financeiro. Os bancos funcionam na velha base da sociedade industrial. Pelo menos nos Estados Unidos, eles têm sido a própria negação dos cinco princípios centrais da nova economia, que são:


colaboração, abertura, partilha de propriedade intelectual, interdependência e

integridade. A crise financeira de 2008 é o resultado da mais perfeita negação desses princípios.    

Focus - Na economia tradicional, há uma tensão permanente entre o Estado e a

Iniciativa privada. Na wikinomia, qual é o papel do Estado?    

D.T. - Os Governos, com as toneladas de informações que possuem, podem

transformar-se em plataformas para a criação de valor. Recentemente, numa

conversa com autoridades de Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, pedi um exemplo de dados arquivados pela polícia local. Eles citaram estatísticas sobre acidentes com bicicletas. Eu disse: “Óptimo. Então ponham essas    

estatísticas na Internet e aposto que, dentro de 24 horas, alguém vai aparecer com algum tipo de mapa interactivo dos lugares mais perigosos. Em breve, as pessoas estarão a evitar os locais mais perigosos e Melbourne estará a salvar

vidas sem gastar um tostão.” É um exemplo trivial de como os Governos têm

milhares de categorias de dados que poderiam divulgar, o potencial é enorme.    

Focus - Os Governos têm tendência para esconder Informação e não para a dis-

tribuir. É possível mudar Isso?    

D.T. - A ideia de que a concentração de informação é sinónimo de poder faz

parte do velho modelo industrial. Quando retemos conhecimento e informação,

criamos poder sobre as pessoas. No novo modelo, criaremos poder através das pessoas. O caso da Goldcorp, empresa do sector mineiro, é exemplar. A companhia estava insegura sobre onde tentar explorar ouro e tomou uma atitude inédita: divulgou os seus dados geológicos, que normalmente são o grande

segredo desse sector, e ofereceu um prémio a quem tivesse a melhor análise

que indicasse onde fazer uma exploração. A empresa pagou 500 mil dólares em prémio e encontrou 3,4 mil milhões de dólares em ouro. O valor de mercado da Goldcorp subiu de 90 milhões para 10 mil milhões de dólares.  


Focus - Na era da partilha em massa, as pessoas serão mais influentes do que

hoje, seja como cidadãos, eleitores ou consumidores?  

 

D.T. - As revoluções no Médio Oriente são a prova da mudança dessa natureza. Até há três meses, todas as revoluções eram verticais. Havia um líder e uma

vanguarda. Organizavam a revolução e, quando o velho regime caía, tomavam

o poder. A mesma dinâmica pautava todas as revoluções, pouco importando o seu arcabouço ideológico. Foi assim com George Washington, com Fidel Cas-

tro ou Mao Tsé-tung. Agora, como a Internet reduz o custo da colaboração, as pessoas podem unir-se da noite para o dia com uma força tão extraordinária a

ponto de, no Egipto, derrubar Hosni Mubarak. O Médio Oriente está a fazer wiki-

revoluções. São revoluções que só aconteceram de modo repentino e horizontal devido às redes sociais, principalmente o Facebook. Na Tunísia, havia atira-

dores furtivos da polícia escondidos nos telhados para disparar contra os manifestantes nas ruas. Os jovens rebeldes tiravam fotos, cruzavam a localização deles e enviavam os dados a aliados nas    

unidades militares, que, em seguida, saíam às ruas para desmobilizar os ati-

radores. As redes sociais não servem só para localizar as namoradas. Salvam vidas. Isso não quer dizer que a tecnologia esteja a instigar levantamentos

populares em todo o Mundo. Apenas que mudou o modo como são feitos. Antigamente, eram colados cartazes nos postes.    

Focus - Mas os regimes autoritários não censuram o fluxo de informação na

Internet, controlam a rede, podendo até tirá-las do ar?  

 

D.T. - É verdade, mas os Governos árabes que tentaram cortar a Internet deram um tiro no próprio pé. Os ditadores queriam impedir que os jovens se articulassem, mas o efeito colateral foi que o pequeno comerciante não pôde fazer a

sua encomenda online, a mãe não recebeu o diagnóstico do filho doente, e assim por diante.  

 

Focus - Actualmente, em muitos países, os Jovens são maioria, vivem numa

economia de desemprego altíssimo e têm acesso a uma tecnologia poderosa. É

uma mistura explosiva, não?  


D.T. - Sim. Estamos a caminhar para um choque de gerações. Começou na Tunísia, com a revolução do desemprego. Os jovens correspondem hoje a uma enorme parcela da população, à excepção do que ocorre na Europa Ocidental e no Japão. Além de numerosos, eles são a geração mais bem instruída da História e a tecnologia permite-lhes saber o que está a acontecer, distribuir informação e organizar respostas colectivas. Os jovens de hoje cresceram a ouvir que se estudassem com dedicação e não se metessem em problemas, teriam uma vida confortável na idade adulta. Mentimos-lhes. Chegaram ao mercado de trabalho e não há emprego.   André Petry Uma perspectiva das mudanças que as novas tecnologias introduziram na sociedade actual. Ter uma “vida confortável”, “boa” continua a ser o paradigma a que aspiram todas as gerações. “Estudar com dedicação e não se meter em problemas” o caminho para lá chegar. É mentira? Esse foi o caminho em que as gerações anteriores acreditaram e se revelou muitas vezes verdadeiro. Mas para descobrir o “seu” caminho a geração actual não pode prescindir do estudo, para construir um conceito de vida confortável e boa, certamente do das gerações anteriores. A escola e os professores devem fazer parte dessa descoberta. A arte um meio importante para caminhar nessa nova entrada onde qualquer acto da vida não se reduza a um simples acto económico de compra e venda.


, O NEGOCIO

O problema em tratar a Educação como negócio é que assim o aluno torna-se cliente. E, como todos sabem: “O cliente tem sempre a razão!”. Ou seja, é o aluno que passa a ditar o que deve ocorrer e não o professor, subvertendo o processo clássico. O que pode justificar noticias como a que se segue.


Educação

Facilitismo em teste intermédio do 9.º ano Prova de físico-química gera acusações. 24 Maio 2011 Por:Bernardo Esteves    Acusações de facilitismo no ensino público multiplicaram-se ontem devido às perguntas elementares do teste intermédio de Físico-Química do 9º ano, elaborado pelo Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE ) do Ministério da Educação. Numa delas, são enunciados todos os planetas do sistema solar e depois pergunta-se aos alunos quantos são. “Saber contar até oito, sejam planetas ou borboletas, ao fim de 9 anos de escola, não é uma meta de aprendizagem aceitável”, critica Carlos Fiolhais, professor catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, acrescentando: “É um indicador do estado calamitoso do nosso ensino. Há facilitismo para mostrar bons resultados para a estatística”. Para Fiolhais, nos últimos anos deu-se “um processo de estupidificação geral, mas somos todos tomados como capazes”. “No fundo, isto é um ataque à escola pública e um convite às pessoas para porem os filhos no privado”, afirmou. A Sociedade Portuguesa de Física (SPF) considera que a questão referida “não avalia nenhum conhecimento científico, apenas a literacia de leitura”. E refere que o teste tem “diversos itens” em que “o que é pedido ao aluno é demasiado elementar”, indicando mais duas questões concretas. Já o Ministério da Educação considera que “não faz sentido associar o grau de dificuldade de uma prova a uma ou duas perguntas que podem e devem ser fáceis”. “Uma prova bem elaborada tem de incluir também este tipo de questões, as quais permitem detectar dificuldades de aprendizagem que, embora elementares, só assim poderão ser conhecidas e ultrapassadas na continuação do processo de ensino-aprendizagem”, refere o gabinete de Isabel Alçada, lembrando que as provas não podem ignorar a “amplitude nos resultados entre as diversas escolas”. O ME diz ainda que as notas destes testes “estão, em regra, muito abaixo” das notas de frequência.


Quais as consequências deste “facilitismo”? - Como se reflecte o “estado calamitoso do nosso ensino” na vida de cada aluno e na sociedade em geral. - É esse tipo de ensino que dita o desemprego? - É esse tipo de ensino que leva o individuo à inércia e à submissão? - É esse tipo de ensino que permite mão de obra barata qualificada ou só aparentemente e certificadamente qualificada? - É esta escola publica que “abre oportunidades” à concorrência do sector privado? - É este tipo de ensino que “apazigua” muitos problemas sociais cujo processo de “combustão” se inicia nas escolas? - Esta escola responde às necessidades do individuo ou da economia e do mercado?

TSF – Pessoal

e

Transmissivel

(clique

aqui)

07 JUL 11

Entevista a Luc Ferry A família moderna está a revolucionar não só os costumes mas a própria política, neste início do século XXI. A tese é defendida pelo intelectual francês Luc Ferry e ele vem explicá-la na conversa com Carlos Vaz Marques, ao fim da tarde


A Obesidade Mental -

Andrew Oitke

Por João César das Neves - 26 de Fev 2010 O prof.  Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.» Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna “fast food” intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.» para que é que ela serve. Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado “Os Abutres”, afirma:


«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.  A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular». O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto». As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.» Leio deste texto e dele destaco: “O problema central está na família e na escola”. Imagino-me então um “master-chef” da educação e das artes visuais, elaborando ementas preciosas e requintadas ou um “personal trainer” com levas de 200 meninos por ano empanturrados de lixo informativo, incitando-os a correr alegre e diligentemente para uma imagem escorreita, musculada e apolínea, que a sociedade (inocente ou maldosamente?) não pára de engordar.


Não há receitas Uma máxima na formação dos professores é de que não há receitas. Os professores são todos diferentes, os alunos e as situações também. Sendo assim passamos ao estudo de teorias que transmitem o conhecimento geral de como lidar com situações especificas. Isto é como se para cozinhar bacalhau, fossemos ler sobre a espécie do bacalhau, as suas características, onde ele vive, do que se alimenta, etc, onde costuma ser capturado, depois é seco e salgado e costuma-se comer cozido, frito e assado. Mas como se faz, isso não há receitas, agora com esse conhecimento tem que se saber como fazer, afinal os bacalhaus não são todos iguais. È claro, que o bacalhau cozido é bacalhau cozido e na realidade até existem variadas receitas para o bacalhau cozido. Qual é o problema de termos as receitas à disposição e depois faze-las conforme achamos o mais apropriado e claro que como somos uma pessoa única e o bacalhau também é único, o meu bacalhau cozido ainda que siga uma receita não vai ser igual ao de outra pessoa que siga a mesma receita. Porque a receita não tem que ser um fim em si mesmo, mas uma parte do caminho que já foi percorrido que se pode conhecer para que nos possamos tornar todos chefes. Para além do que também, na culinária, existem modas, já houve alturas que o bacalhau com natas era o máximo, hoje é talvez demasiado calórico.

TodasAsPalavras »nm#927»entrevista Cidadania José Manuel Resende, sociólogo da educação, fala sobre os significados das aprendizagens da escola pública como arena política. Poderá estar a germinar nas escolas uma recomposição ideológica que as novas modalidades e formas de intervenção dos estudantes revelam. Entrevista de Sarah Adamopoulos Noticiasmagazine 28 fev. 2010

O lugar escola é rico nessas contradições. Mas se, por um lado, há um mal-estar endémico entre os professores e os alunos, por outro há ainda uma cultura de escola profundamente marcada pelo valor da autoridade estatutária do professor. E há este novo valor da autonomia das escolas. uma cultura de escola profundamente marcada pelo valor da autoridade estatutária do professor. E há este novo valor da autonomia das escolas. Por


um lado, um conjunto de coisas tradicionalmente ocultas e, por outro, tudo o que é novo e cujo alcance ainda não conseguimos compreender bem.

A minha lição de agregação, defendida nesta faculdade [Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa] em 2007,chamase «A sociedade contra a escola– socialização política escolar num contexto de incerteza» e revela, do ponto de vista dos docentes, os mal-estares que acabou de apontar. Estamos agora a trabalhar o ponto de vista dos alunos, mas para já poderei falar melhor sobre o ponto de vista dos professores. Há de facto uma grande controvérsia na escola pública portuguesa actual e que é a da clivagem entre aquilo que designo como o «modelo escolar», ou a «razão escolar», e o «modelo juvenil», ou a «razão juvenil». A massificação escolar levou a juventude para a escola, e levou os modelos culturais juvenis para a escola – a que modelos me refiro? Eles estão representados em todos os objectos que fazem parte das indústrias culturais actuais, do telemóvel à nternet, do Gameboy ao mp3, todos estes gadgets da modernidade fazem parte de uma indústria tecnológica muito ligada às práticas culturais: a música, os filmes, a fotografia, ou seja, a imagem e o som são transportáveis para o espaço público.

filmes, a fotografia, ou seja, a imagem e o som são transportáveis para o espaço público. Há um lado lúdico, de prazer, e até de um certo narcisismo (temperado pelo modelo de filiada organização por pares) que se confronta com a visão dos adultos sobre a escola, marcada pela «razão escolar» e que é assente na disciplina, na autoridade e, sobretudo, na questão da transmissão dos saberes. Do que resulta que talvez este modelo juvenil tenha de ser regulado – e os professores terão de encontrar mecanismos de regulação desse modelo. Porque levado ao extremo ele traduz-se numa desvalorização absoluta e num certo niilismo relativamente à transmissão dos saberes pela escola. Em cada contexto histórico é preciso saber quais são os fundamentos do saber que a escola deve continuar a transmitir para a geração seguinte. E esses saberes não são só obviamente os básicos saber ler, contar e escrever, mas todos os outros que importam para o confronto com o mundo. O que obriga a uma determinada organização do trabalho escolar e a uma capacidade de convencer os adolescentes que estudar implica sacrifício, mas que isso transporta uma certa grandeza. Que é necessária uma certa concentração, e que isso obriga a desligar os dispositivos de ligação ao outro, e isso são regras importantíssimas porque eles vão confrontar-se com elas na universidade. (Excerto da entrevista)


O modelo juvenil de que o autor parte para as questões “quais os fundamentos do saber que a escola deve continuar a transmitir para a geração seguinte” e que saberes importam para o confronto com o mundo. Levam-me a focalizar essas questões em dois aspectos que me interessam em particular. Por um lado o papel da educação visual e artística na mudança de paradigma de valorização de saberes e como adequar esses saberes às nossas necessidades de comunicação dos jovens que me ocorre ilustrar com a pergunta corrente: “Queres que te explique ou que te faça um desenho?”. Que podemos interpretar como a primazia da imagem sobre a palavra na explicação do mundo. Por outro lado o papel socializador da escola faz igualmente parte do novo paradigma de “saberes que importam para o confronto com o mundo” através da educação para a cidadania e da formação cívica áreas cada vez mais importantes na educação. A este propósito, não posso deixar de relatar um episódio que vivi na escola, onde cheguei em Maio deste ano para substituir uma colega em 4 turmas do 6º ano, como par pedagógico. No dia 6 de Junho uma 2ª feira depois de sair da escola, já em casa lembreime dos 130euros que na véspera os avós do meu filho lhe tinham dado e que eu tinha guardado na mala. Não encontrei o dinheiro e cheguei à conclusão que só podia ter desaparecido na escola. Podia ter sido na sala de aula, ou na sala dos professores. No dia seguinte, antes de entrar na sala de aula, após a saída dos alunos verifiquei que tinha a mala aberta e os 10 euros tinham desaparecido. Contei imediatamente o sucedido no Conselho Executivo que chamou alguns alunos da turma e identificou a aluna que roubara os 10 euros, que me foram devolvidos pelo Conselho Executivo. Sobre os 130 euros negou ter sido ela a roubá-los.


Durante os dias que antecederam a aula seguinte com aquela turma ninguém me falou mais sobre o assunto., continuei a ver aluna na escola , mas soube que não ia às aulas. Antes de entrar na aula, procurei junto do Conselho Executivo como tinha ficado o assunto pois ia estar com aluna e tinha intenção de falar com ela. Disseram-me que não valia a pena pois o assunto estava resolvido. Como? – perguntei-chamámos a mãe que lhe deu uma tareia! responderam-me. –E a escola? – Nesta altura do ano, estamos no fim, não vale a pena. Na reunião de avaliação, alguns colegas acharam que eu devia ter insistido. Respondi-lhes que desistira do assunto porque não senti da parte de ninguém, nem do Conselho Executivo nem do Director de turma, nem de nenhum colega apoio ou interesse em fazer mais do que foi feito. Além disso eu estava de saída, pouco mais podia fazer, eles é que ficavam com a aluna. Eu ficava sem o dinheiro mas o problema ficava com eles. Na hora de avaliar a aluna na disciplina de Educação Cívica a professora propôs uma nota positiva o que um dos colegas contestou considerando ao que se passara ao que o professor respondeu que não tinha a ver com a disciplina, só alterou a nota para negativa sob o protesto dos colegas. A família, concordando-se ou não com a tareia que a mãe disse que deu à aluna, agiu de acordo com o modelo de educação e a forma de castigo que conhecia. E a escola? Afinal o que se deve esperar da escola? Vamos deixar que funcione como um espaço de tempos livres para alunos que a sociedade em geral, e em particular a escola, paradoxalmente desculpam e condenam exactamente pelos mesmos motivos e razões porque são pretos ou ciganos, porque são pobres, porque têm pais pouco cultos, porque não gostam da escola.


No âmbito da disciplina educação e sociedade, tive que apresentar um trabalho de grupo em que o tema era a Educação Multi-intercultural. Fizemos uma pesquisa sobre o tema ao nível cinematográfico e descobrimos vários filmes interessantes que abordam a temática da multi-interculturalidade tais como o Babel , o Entre muros da escola e os Escritores da Liberdade, sendo que os dois últimos relacionam esta temática com a educação. Escolhemos tratar os Escritores da Liberdade por se aproximar mais do que queriamos dizer e também por ser baseado num caso verídico. Algumas das ideias que transmite são de que a transformação, subjacente à ideia de aprender a viver juntos e a relacionar-nos numa base mais igualitária implica mudanças.e a de que a aposta intercultural envolve um movimento e um processo de consciencialização pessoal e de criação de novas oportunidades de inclusão para todos.


A história da professora G e seus alunos e alunas tidos como delinqüentes e desprovidos de inteligência, toma um rumo extraordinário quando a professora passa o Diário de Anne Frank para seus alunos lerem. Isto porque vê semelhanças entre a perseguição aos judeus e os desclassificados jovens adolescentes, imigrantes americanos. Um verdadeiro caldeirão multi cultural, onde o que manda é a lei das gangues. E no meio de tanta violência, desigualdade e desprestigio, a professora G lança o olhar para as experiências daqueles jovens, motivando-os a ler e escrever sobre suas vidas. Da escrita emerge solidariedade, tolerância, simpatia, valores um tanto quanto esquecidos até pela direção da escola. É um filme que mergulha em certas questões sociais e educacionais, mostrando imperfeições do sistema educacional americano, cheio de regras e normas, bem como a luta de uma professora por uma causa quase morta: a melhoria/qualidade da educação em todos os níveis sociais. A professora se doa incondicionalmente ao seu fazer, não como uma ação assistencialista, mas como uma professora aprendiz. Alguém que se dispõe a ensinar e aprender sobre mundos completamente diferentes do que ela vive. Fica aqui uma questão: Uma pessoa pode fazer a diferença?


«Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus;induzir nos outros um amor por aquilo que amamos;fazer do seu presente interior o seu futuro; eis uma tripla aventura como nenhuma outra. (..) Uma sociedade como a do lucro desenfreado, que não honre os seus professores, é uma sociedade defeituosa. (...) Nenhum meio mecânico, por mais expedito que seja, nenhum materialismo, ainda que triunfante, poderá erradicar esse alvorecer interior que experimentamos sempre que compreendemos um Mestre» (G. Steiner)

“Educar não é encher um cântaro, mas acender um fogo.”(William Butler Yeats)

[...] contribuir para o entendimento dos panoramas social e cultural habitados pelo indivíduo. As crianças do amanhã precisam das artes para capacitá-las a compreender e a comunicar-se com os termos de sua sociedade, para que elas possam ter um futuro nessa sociedade (EFLAND) [...] temos a ilusão de estarmos pensando com nossa própria cabeça e agindo por nossa própria vontade de maneira racional e livre, de acordo com nosso entendimento e nossa liberdade, porque desconhecemos as condições econômicas e sociais nas quais a classe social que domina a sociedade exerce seu poder sobre a mente de todos, fazendo com que suas idéias pareçam ser verdades universais, válidas para os membros da sociedade e para todas as classes sociais Marilena Chaui, Este conjunto de citações traduzem de forma incisiva aspectos fulcrais da educação que a política e a economia dominantes mantem na periferia das suas preocupações A afectividade como o motor de comunicação com o outro e a força capaz de gerar entusiasmo , liberdade e entusiasmo. O exercício de uma racionalidade e de um pensamento critico capazes de discernir as barreiras e as pontes que se interpõem entre si e os outros: As artes como meio privilegiado de expressão de um humanismo de que as sociedades economicistas não podem prescindir, sob pena de se desmoronarem..


Liberdade Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O sol doira Sem literatura. O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quando há bruma, Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca. O mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Os livros e o estudo não podem ser as correntes que aprisionam os nossos alunos às aulas maçadoras, e desinteressantes e inúteis mas sim os instrumentos de liberdade que permitem desfrutar da beleza do mundo e da vida.



Livro de campo