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Cães ficam para trás em desocupação de área da serra do Mar Cerca de 200 cachorros e gatos já foram abandonados pelas 530 famílias transferidas para prédios da CDHU Muitos dos animais têm sarna, bicheira, pulga, carrapato e são largados presos e sem comida pelos antigos donos CRISTINA MORENO DE CASTRO DE SÃO PAULO

Sempre que a cozinheira Renata Bergman, 27, avista um carro da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) no bairro Água Fria, Cubatão, onde mora, ela vai atrás. Sabe que o carro é indício de que mais um vizinho está sendo removido da serra do Mar —e que algum cão ou gato será abandonado por ele. “Já virou rotina. Espero encontrar ao menos um bicho. Às vezes preso, sem comida.” Muitos dos animais abandonados têm sarna, bicheira, pulga, carrapato. Ela leva para casa os mais debilitados. Após um mês, eles ficam com a aparência mais saudável: “A sarna sai, a bicheira cicatriza”. É aí que ela tenta doar, quase sempre sem sucesso. Na casa de Renata moram hoje 14 cães e uma gata, mas ela também calcula alimentar 36 cães de rua. Na casa de Áurea Dantas, 51, do bairro Cota 200, são cerca de 30 cachorros. Na mesma região, Helena Ribeiro, 46, abriga outros 24 cães e seis gatos. As três precisam de desembolsar parte do salário a fim de comprar alimentos e remédios para os bichos que os vizinhos não quiseram mais, após serem transferidos para um prédio da CDHU. Dizem que contam com apoio de ONGs e que a prefeitura local não as ajuda nem a castrá-los e vaciná-los. Helena mora com o marido, dois filhos e os 30 animais em uma casa de três quartos que fica num terreno de 150 m2. “Cheguei ao limite, não tenho mais condições.” Até pouco tempo ela tinha outros dez filhotes, que conseguiu doar. Diz que gasta os R$ 500 que ganha de pensão só com “comida, remédio e desinfetante” para os bichos. Áurea mora sozinha —com seus 30 cães adotados— em um barraco de um só cômodo, dividido por um guardaroupas. Ela trabalha de segunda a sábado e dorme só às 3h para conseguir cuidar de todos os animais. A ONG Associação em Defesa da Vida Animal de Cubatão calcula que já foram abandonados cerca de 200 animais, desde que as famílias começaram a ser retiradas, no começo do ano. “Já não estamos dando conta, imagine quando forem removidas mais famílias”, diz Denise Araújo, uma das protetoras da ONG. Até hoje, segundo a CDHU, já foram transferidas 530 famílias, ou 10% do total previsto. Ela aponta como possível solução para esse problema a construção de um novo abrigo para animais na região. IMPASSE

Segundo Lair Krähenbühl, secretário de Estado da Habitação, as pessoas foram liberadas para levar até dois animais para as novas moradias. Ele diz que já foi feito o orçamento para a construção de canis bancados pela CDHU, mas a Prefeitura de Cubatão não definiu o terreno onde seriam construídos. A prefeitura disse que há um impasse sobre quem for-

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D OMINGO, 19 DE SETEMBRO DE 2010 Q

neceria funcionários, equipamentos e demais despesas. O custo para abrigar um cão é de R$ 250 mensais e a prefeitura estima que 3.000 cães sejam abandonados até o fim do programa.

Ela informou também que seu novo Centro de Zoonoses, inaugurado no ano passado, já está superlotado e que não tem capacidade para atender à demanda de castrações que surgiu agora.

Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

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Helena Ribeiro adotou cães deixados para trás pelos donos, removidos da serra do Mar


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DOMINGO, 19 DE SETEMBRO DE 2010

Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

Já virou rotina. Espero encontrar ao menos um bicho. Às vezes sem comida RENATA BERGMAN cozinheira

Já não estamos dando conta, imagine quando forem removidas mais famílias DENISE ARAÚJO protetora de ONG de defesa animal

A gente leva mais da metade da vida para construir uma casa e agora tem de começar do zero ARÃO DE OLIVEIRA aposentado

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Transferência faz parte de recuperação ambiental Famílias vivem há anos em área de risco

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DE SÃO PAULO

Cachorros são abandonados presos e sem comida pelos antigos donos

A remoção das famílias para casas da CDHU faz parte de um programa de recuperação ambiental do Parque Estadual Serra do Mar. O local foi invadido há décadas e hoje há milhares de famílias vivendo em área de risco e de preservação ambiental. O programa foi implementado em 2007, seguindo decisão judicial e recomendação do Ministério Público, com verba de R$ 800 milhões dos governos estadual (R$ 400 milhões), federal (R$ 120 milhões) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Até agora, apenas 530 famílias foram removidas, mas outras 4.820 de Cubatão e 1.600 de cidades do litoral norte já estão cadastradas. Outras 2.410 famílias vão continuar em áreas da serra que serão urbanizadas. Desde agosto, 96 famílias foram transferidas para um bairro da própria Cubatão, o Jardim Casqueiro. É para onde foi, do último dia 10, Ana Maria Queiroz, 41, com seus três filhos e o marido. Ela achou o bairro mais “organizado e tranquilo”, mas o apartamento de dois quartos muito menor que a casa que tinha no bairro Cota 95, onde morou por 16 anos. Por ele, vai pagar R$ 150 mensais por 25 anos. Seu vizinho, o motorista Paulo Santos, 49, diz que preferia a serra, onde morou por 30 anos, porque agora vai ter que arcar com R$ 450 mensais. O prédio novo é “bom” e o bairro é “ótimo”, em sua opinião. Só não gostou de ter doado os botijões de gás e descoberto que estava sem gás no prédio novo —por um problema causado pela Sabesp, que será regularizado, segundo a CDHU. Nos bairros da serra, a população estava dividida. Enquanto uma parte quer ir para uma “casinha melhor”, a outra prefere ficar onde está há vários anos. No bairro Fabril, dez casas foram demolidas à beira da rodovia Anchieta, mas só a de Helena Silva, 38, continuou de pé. Ela diz que há mais de um mês está esperando para sair dali, com marido, dois filhos, enteada e genro. “Se todos os nossos vizinhos saíram, não tem condição de ficar só a gente aqui”, afirma Helena. Já o aposentado Arão de Oliveira, 53, morador da Cota 95, não quer sair. “A gente leva mais da metade da vida para construir uma casa e agora perde tudo o que tem para começar do zero.”

RECUPERAÇÃO DA SERRA DO MAR 530 famílias foram transferidas dos bairros de Cubatão na serra do Mar para imóveis da CDHU desde fevereiro 96 famílias continuaram em Cubatão; o restante foi para Praia Grande, Itanhaém, Peruíbe e São Vicente 7.000 famílias serão transferidas de áreas de risco até 2013 2.410 famílias vão continuar em bairros já consolidados, que serão urbanizados 798 milhões é o custo da operação, bancada pelos governos estadual e federal e pelo BID Fonte: CDHU


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S ÁBADO, 6 DE NOVEMBRO DE 2010 Q Silvia Zamboni/Folhapress

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Shopping Pátio Higienópolis abre ala após obter licença Alvará de funcionamento estava pendente havia dez anos; área expandida foi inaugurada nesta semana

Entrada da nova ala do shopping Pátio Higienópolis, na r. Albuquerque Lins, centro de SP

Promotoria pedia na Justiça que nova ala não fosse aberta sem que Subprefeitura da Sé emitisse o documento

Venha viver com qualidade de vida no residencial que tem tudo a ver com você

Perspectiva artística do stadium

CRISTINA MORENO DE CASTRO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um dia após obter a licença de funcionamento, pendente havia dez anos, o shopping Higienópolis (centro de SP) inaugurou uma nova ala, com 30 mil m2, na quarta. A nova construção tem quatro andares e um terraço externo com entrada na rua Albuquerque Lins. A expansão ocorreu em direção a um casarão tombado, que está sendo restaurado e será incorporado ao shopping nos próximos anos. A inauguração foi adiada pelo Ministério Público, que entrou com ação judicial em agosto, pedindo para que a nova ala não funcionasse até que a licença fosse emitida pela Subprefeitura da Sé. A Justiça acatou o pedido, obrigando o shopping a obter a licença da prefeitura, sob pena de multa diária. O imbróglio se resolveu no dia 2 de novembro, com a liberação da licença —o habi-

te-se foi concedido no dia 30. Das 59 novas lojas na área expandida, 26 ainda não estão abertas. Entre elas, marcas de grife de roupa, uma nova livraria e lanchonetes. A inauguração pegou os frequentadores do shopping de surpresa, já que não houve qualquer evento ou divulgação nesta semana. A estudante Amanda Ribeiro, 22, percebeu lojas diferentes, mas não reparou que a área tinha se expandido. Funcionários dizem que o movimento cresceu, mas as pessoas estão deixando as lojas antigas mais vazias, para conhecer as da nova ala. “Era muita gente e o shopping estava pequeno, tinha até trânsito na garagem”, disse a artista plástica Eduarda Hernandez, 25. Para Bruno Faria, 28, o shopping está buscando ampliar o perfil de seu público, com abertura de lojas mais “populares”. Procurado, o shopping não comentou até o fechamento desta edição.

Christiana Carvalho/Divulgação

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Foto que integra exposição sobre a região da cracolândia

Moradores e lojistas registram melhor e pior da cracolândia DE SÃO PAULO

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Foram dois meses de trabalho diário. Com câmeras descartáveis, cerca de 30 moradores, comerciantes e frequentadores da cracolândia registraram suas impressões sobre a área, que deve ser rebatizada como Nova Luz. As fotos estarão a partir de hoje no Espaço Nova Luz, parceria da prefeitura e do consórcio que faz o projeto urbanístico da área. “Sugeri-

dorms. (1 suíte ) *

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Incorporação e construção:

CRECI: PJ 1158

Registro do Memorial de Incorporação sob o R-2 da matrícula no 198.062, do 18o Ofício de Registro de Imóveis de São Paulo, em 21/09/2010. Elite Brasil Inteligência Imobiliária S.A - CRECI/SP 20.590-J. Delforte Empreendimentos Imobiliários S.A - Creci J19971; Acer Consultores em Imóveis S.A - Creci 19368J; Frema Consultoria Imobiliária S.A - Creci 497J. Responsável técnico: Carlos Eduardo Paes Barreto - CREA 5060650638. Arquitetura e Paisagismo: Agres Projetos e Construções LTDA. Endereço do empreendimento: Rua Antônio de Bonis, 273 - Rio Pequeno. Móveis, utensílios e itens de decoração das áreas comuns não fazem parte integrante do contrato. Imagens e perspectivas meramente ilustrativas. *Apenas no 3 dormitórios. **Consulte mais informações no stand.

mos que fotografassem o que mais gostam e o que menos gostam”, diz Christiana Carvalho, curadora da mostra. Pinacoteca, estação e parque da Luz são os mais admirados —a sujeira e o crack, os menos. “As pessoas querem continuar no lugar, mas estão apreensivas, principalmente os lojistas, que temem desapropriações”, afirma. “Resta saber como vai funcionar, se seremos ouvidos”, diz Paulo Garcia, presidente da Associação de Comerciantes da Santa Ifigênia, que questiona o plano na Justiça.


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SEGUNDA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2010 Carol Guedes/Folha Imagem

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SEGUNDA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2010

Ibirapuerarecebeanimais ‘expulsos’peloRodoanel

Carol Guedes - 12.mar.2010/Folha Imagem

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Luiz Carlos Murauskas - 9.mar.2010/Folha Imagem

Após início das obras, clínica da prefeitura no parque recebeu 221 animais da região Grandes obras, como a reforma da marginal Tietê, aumentam a demanda no centro de tratamento, que só atende espécies silvestres ................................................................................................

CRISTINA MORENO DE CASTRO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Macaco bugio, no “hospital” para animais no parque Ibirapuera

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Quando o gavião-carcará

chegou à Divisão de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre —uma espécie de hospital de animais ligado à Prefeitura de São Paulo, dentro do parque Ibirapuera— recebeu uma ficha clínica que registrou, dentre outros dados, sua origem (lote 5 do trecho sul do Rodoanel), histórico (parou de voar depois de trombar contra

um caminhão) e data de entrada (sexta-feira, 12 de março). Era o 39.519º animal atendido no lugar e um dos 221 que chegaram ali vindos das obras do trecho sul do Rodoanel. Segundo os biólogos da divisão, não era comum chegarem animais silvestres daquela região. Depois que as obras começaram, os bichos feridos vindos de lá já representam 4,7% de todos os atendidos no período. “Este lugar é um termômetro do que está acontecendo na cidade”, diz a bióloga Brígida Fries. Grandes obras, como a reforma na marginal Tietê e a do Rodoanel, causam impacto e aumentam atendimentos do centro de tratamento. O problema é que algumas daquelas espécies correm risco de extinção local, se perderem seu habitat. É o caso dos bugios, preguiças-de-três-dedos, quatis e cuícas, além de aves como o juriti-piranga, cuiú-cuiú e tucano-do-bico-verde, que foram trazidas das obras do Rodoanel. Aves migratórias e filhotes sofrem impacto maior. A Dersa não informou, até o fechamento desta edição, o número de animais silvestres atendidos nem como avalia o impacto do Rodoanel na fauna silvestre. Disse apenas que o

projeto é “muito complexo” e que os animais são encaminhados para vários centros. Hospital de animais No centro de tratamento do parque Ibirapuera, os animais silvestres recebem medicamentos, passam por reabilitações pós-cirúrgicas e depois são soltos na natureza (49%) ou enviados a cativeiro (14%). Um terço não sobrevive. Como num hospital, eles fazem exames e têm horário para banho de sol. Antes de terem uma destinação, os “pacientes” ficam de uma semana a vários meses em tratamento, dormindo em gaiolas separadas. Quando precisam de uma reabilitação maior, vão para a outra sede do centro, no parque Anhanguera. É o caso de corujas e gaviões que precisam reaprender a voar ou a caçar. A reportagem viu saguis, bugios, tartarugas e uma maioria esmagadora de aves —inclusive o gavião-carcará, que foi entregue por uma veterinária da Dersa na presença da Folha. O centro comporta pouco mais de 500 animais e não recebe espécies domésticas, nem animais que não estejam feridos ou doentes. Já recebeu 9.446 ameaçados de extinção.

Lixo e entulho são recolhidos nas obras do Complexo Viário Padre Adelino, na zona leste

Em Americanópolis, zona sul, equipe pintou guias e varreu ruas antes da chegada do prefeito

PrefeituralimparuaparaKassabpassar

Horasantesdohoráriomarcadoparaachegadadoprefeito,lixoérecolhidoecanteirossãopintadosporfuncionáriosdesubprefeituras A São Paulo vistapor Kassab é umacidade perfeita; a Folha presenciou a“operação prefeito” nas últimas semanas nas zonaslesteesul ................................................................................................

EVANDRO SPINELLI

DA REPORTAGEM LOCAL

São Paulo é uma cidade limpa. Mato sempre aparado, lixo e entulho recolhidos, ruas varridas, canteiros de avenidas capinados e pintados, asfalto perfeito, sem buracos. São Paulo é assim, só não vê quem não quer. Quem quiser viver nessa São Paulo perfeita é simples: basta acompanhar todos os dias as inaugurações e

vistorias que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) faz na cidade. Onde Kassab vai, tudo é limpo, tudo é perfeito. Horas antes do horário marcado para a chegada do prefeito, dezenas de equipes de limpeza começam a trabalhar para fazer uma maquiagem do local. Assessores chamam isso pejorativamente de “operação prefeito”. A Folha presenciou a “operação prefeito” nas últimas semanas em Guaianases, Vila Formosa, Tatuapé (zona leste) e Americanópolis (zona sul). Funciona sempre do mesmo jeito: duas a três horas antes da chegada de Kassab, funcionários das subprefeituras e/ou de empresas de limpeza desem-

barcam e começam a recolher sacos de lixo, entulho, materiais jogados nas ruas, cortam o mato do canteiro central. Pouco depois chega um caminhão. Quando o prefeito chega não tem nada mais, nem lixo, nem pessoal da limpeza. Sexta-feira, por exemplo, Kassab vistoriou as obras de um viaduto no Tatuapé às 10h30. Pouco antes das 9h chegam cerca de 20 funcionários para recolher o lixo da calçada e do canteiro central da avenida. Pouco depois das 10h, tudo limpo ao lado da obra —200 metros acima ou 200 metros abaixo ainda tinha lixo no canteiro central e nas calçadas. No dia 4 de março foi assim

no cemitério da Vila Formosa, onde Kassab vistoriou a obra do novo velório. Funcionários da subprefeitura cortaram o mato que já subia pelo muro, recolheram o lixo da área e varreram a entrada que seria usada por Kassab. Até asfalto novo colocaram na entrada. Na última terça-feira, mesma coisa em Americanópolis. Chegada marcada para as 10h30, equipes chegam antes das 9h, limpam tudo, cortam a grama, recolhem lixo e entulho. Na padaria em frente, funcionários questionavam o motivo de tanta gente limpando a região. Alertados que Kassab chegaria logo, os funcionários entenderam: “ah, então é isso”.

Limpeza cumpre calendário rigoroso, afirma prefeitura ........................................................................................

DA REPORTAGEM LOCAL

A gestão Gilberto Kassab (DEM) informou que a limpeza cumpre um “permanente e rigoroso calendário”, que é acompanhado pessoalmente pelo prefeito e pelo secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo. De acordo com a prefeitu-

ra, no ano passado Kassab esteve em 444 eventos administrativos nas ruas da cidade, sem contar as permanentes visitas-surpresa que ele faz “para averiguar a qualidade do serviço prestado pela administração municipal [o que inclui limpeza], fazendo cobranças diretamente aos gestores responsáveis”. A nota do governo Kassab afirma ainda que o cronograma dos serviços de varrição, coleta de lixo e limpeza de bocas de lobo pode ser acompanhado pela internet.


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S EXTA-FEIRA, 1º DE JULHO DE 2011 Q

TAM é punida por não alertar sobre cinto

Juíza concede indenização a idosa que estava sem equipamento de segurança e se feriu durante turbulência em voo Rodrigo Capote/Folhapress

Segundo a Anac, não existe lei que exija o uso do cinto na viagem toda; para magistrada, faltou orientar passageiros

OUTRO LADO

Empresa afirma ter orientado passageiros

ELIANE TRINDADE CRISTINA MORENO DE CASTRO

DE SÃO PAULO

DE SÃO PAULO

A TAM foi condenada, em primeira instância, a pagar 40 salários mínimos de indenização para uma passageira ferida durante turbulência por “permitir que seus passageiros permanecessem dentro da aeronave sem afivelarem os cintos de segurança”. A sentença foi proferida no dia 7 pela juíza Maria Rita Rebello Pinho Dias, de São Paulo, numa ação movida por Anna Maria Bernardes Lima, 75, e suas duas filhas. Anna Maria foi uma das 21 pessoas, entre 154 passageiros e tripulantes, que se feriram cerca de 15 minutos antes de o voo JJ 8095 se preparar para pousar em Guarulhos (Grande SP) vindo de Miami. O avião foi atingido por forte turbulência. O incidente aconteceu em 25 de maio de 2009. “É de conhecimento de todos aqueles que fazem uso frequente de transporte aéreo que a praxe para a utilização do cinto é na decolagem e no pouso”, diz a juíza. “É sabido que não existe orientação no sentido de que o cinto deve permanecer afivelado durante toda a viagem”, prossegue a sentença. SINAL LUMINOSO

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) diz que não há lei no mundo obrigando a usar o cinto o tempo todo. A justificativa é que as pessoas têm de se movimentar em voos longos, sob risco de terem problemas de saúde. A Anac diz que o cinto é obrigatório quando o sinal luminoso fica aceso: na decolagem, no pouso e em turbulências. “A juíza aceitou a tese de que as companhias aéreas não dão avisos suficientes sobre os riscos nem exigem que os passageiros fiquem com os cintos atados durante todo o voo”, afirma o advogado Luiz Roberto Sampaio, que representa Anna Maria e outros nove passageiros. TEMPO SUFICIENTE

Sampaio vai recorrer do valor de R$ 21.800 da indenização concedido à aposentada, que foi arremessada contra o teto e teve fraturas no fê-

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Anna Maria, que se feriu cerca de 15 minutos antes de o avião pousar em Guarulhos vindo de Miami, em maio de 2009

APERTEM OS CINTOS Justiça condena TAM por dar orientação inadequada a passageiros A REGRA

TRECHOS DA DECISÃO

A juíza entendeu que a companhia errou ao permitir que passageiros ficassem sem o cinto de segurança durante o voo

Segundo a Anac, o uso do cinto de segurança afivelado é obrigatório sempre que a tripulação determinar ou nos momentos em que o sinal luminoso fica aceso, como nas seguintes situações:

ORIENTAÇÃO

DECOLAGEM

POUSO

Os comissários devem recomendar o uso do cinto durante todo o voo quando fazem a apresentação das normas de segurança

TURBULÊNCIA

Fonte: Anac e "Manual do Usuário do Transporte Aéreo"

mur e em duas vértebras. “Eu só coloco o cinto quando mandam”, diz Anna Maria. No momento da turbulência, ela se levantava para ir ao banheiro. Na sentença, a juíza destaca que “foi dado o aviso, mas não houve tempo suficiente para que todos os passageiros afivelassem o cinto, porque a queda brusca da aeronave ocorreu pouco depois”. Anna Maria ficou 22 dias internada e seis meses em “home care”. Em novembro de 2009, voltou a viajar para Miami, onde vive seu neto, em um voo da TAM. “Eles me colocaram na primeira classe”, conta. “Fui de cinto a viagem inteira e só levantei para ir ao banheiro uma vez.”

"(...) Houve culpa da ré em permitir que seus passageiros permanecessem dentro da aeronave sem afivelarem o cinto de segurança." "(...) Foi dado o aviso, mas não houve tempo suficiente para que todos os passageiros afivelassem o cinto, porque a queda brusca da aeronave ocorreu pouco tempo depois desses avisos."

A TAM diz que o uso do cinto de segurança é obrigatório enquanto o sinal luminoso estiver aceso, mas seu uso é recomendado em todas as fases do voo. “Essa recomendação é feita pelos tripulantes durante as orientações (speechs) de segurança aos passageiros.” A empresa diz que irá recorrer da decisão e que prestou assistência à autora da ação até a sua alta médica. Para a Anac e especialistas, o cinto não pode ser obrigatório durante todo o voo. “O que é feito hoje está correto. Quando o aviso luminoso obriga o uso, não pode levantar nem apertado para fazer xixi”, diz Respício do Espírito Santo Jr., professor de transporte aéreo da UFRJ. Para ele, a segurança a bordo também depende do passageiro. “Todos têm de prestar atenção às normas de segurança na apresentação.” Jorge Leal, engenheiro aeronáutico e professor de transporte aéreo da USP, diz que poderia haver uma reorientação aos passageiros. “Nos EUA, o comandante diz que somente estarão liberados para se deslocar aqueles passageiros que precisarem realmente utilizar o toalete e os comissários”, diz Carlos Camacho, diretor de segurança de voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas de São Paulo.

Formol e restos mortais vazam de caixão em voo da Gol DO “AGORA”

mento foi constatado por técnicos do órgão no aeroporto de Campo Grande, mas a aeronave decolou para São Paulo antes de se decidir que

medida seria tomada com relação ao problema. Técnicos de Campo Grande então entraram em contato com o posto de Cumbica e

O vazamento de formol e de restos mortais de um caixão no bagageiro de um avião da Gol que pousou ontem de manhã no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande SP), levou à apreensão de cerca de 25 malas por suspeita de contaminação. O vazamento ocorreu na aeronave que decolou às 5h47 de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), fez escala em Campo Grande e chegou a Cumbica por volta das 10h. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que determinou a apreensão das malas, o vaza-

Em nota, a Gol afirmou lamentar o ocorrido e disse que os clientes que tiveram suas

bagagens atingidas serão ressarcidos. Segundo a companhia, o vazamento ocorreu porque a funerária que transportava o corpo na aeronave não lacrou o caixão. A empresa confirmou ter sido notificada sobre o vazamento em Campo Grande, mas disse que um funcionário da Anvisa liberou o voo.

89, casado com Esther Duarte Scotti. Deixa a irmã Maria Aparecida e o filho Domingos Savio. Cemitério do Araçá.

JOSÉ BENEDITO DE PAULA - Aos 44, casado com Eliana. Deixa dois filhos. Cem. e Crem. Metrop. Primaveras.

às 17h30, na paróquia N. Sra. Aparecida, r. Guimarães Passos, 412, V. Seixas, Ribeirão Preto (SP).

JOÃO SABINO DA SILVA - Aos 97, viúvo de Idalina Marcondes de Oliveira. Deixa cinco filhos. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras.

JOSÉ CARLOS MOREIRA WELLAUSEN - Aos 82, casado com Sally da Silva Wellausen. Deixa os filhos Thaís, Karen, Cícero, Felipe e Andréa, além de netos. Cemitério Parque Jaraguá.

ROBERTO PAULO DE ARAÚJO FILHO - Amanhã, às 16h, na N. Sra. da Esperança, av. dos Eucaliptos, 556.

NELSON ANTONIO PIRES - Aos 57. Deixa o filho Sandro. Cemitério de Congonhas.

FERNANDO VAZ - Hoje, às 19h30, na paróquia S. João Bosco, r. Cerro Corá, 2.101, Alto da Lapa.

OUTRO LADO

Clientes serão ressarcidos, diz companhia DO “AGORA”

comunicaram o vazamento detectado na aeronave. RISCOS

A Anvisa afirmou que o risco sanitário se deve ao fato de o formol ser cancerígeno e de os restos mortais apresentarem risco de contaminação. A Gol terá de limpar as malas antes de devolvê-las. O aposentado José Adriano Pontes Ribeiro, 66, teve sua mala apreendida e reclamou do atendimento recebido da companhia aérea. “Fiquei seis horas no aeroporto, esperando para saber se iriam devolver minha bagagem.” Ribeiro ainda espera receber a mala.

MORTES ALEXANDRINA VERISSIMO CARVALHO LOPES - Aos 87, viúva de Antonio Gomes dos Santos Lopes. Deixa os filhos Maria Herminia e Palmira. Cemitério de Congonhas. ANGELO MENEGHETTI - Aos 68, casado com Nanci de M. Meneghetti. Dei-

xa dois filhos. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. EUNICE FRANCO XAVIER - Aos 81, viúva de Paulo Xavier. Deixa duas irmãs e sobrinhos. Cemitério Santana. FRANCISCO MIGUEL SCOTTI - Aos

MARIA LÚCIA DE BARROS MOTT DE MELO SOUZA (1948-2011)

Cuca Mott, historiadora e escritora ESTÊVÃO BERTONI DE SÃO PAULO

A tese de doutorado defendida por Maria Lúcia de Barros Mott na Faculdade de História da USP, no anos 90, resgatava a trajetória da primeira parteira diplomada no Brasil: Madame Durocher. Aproveitando-se da pesquisa feita para esse trabalho, Cuca, como era chamada, resolveu escrever ficção. Em meados dos anos 90, “O Romance de Ana Durocher” saiu pela editora Siciliano. Publicar livros era coisa comum na família. Sua mãe, Odette de Barros Mott, foi

uma conhecida autora de mais de 60 obras de literatura infantojuvenil. A própria Cuca chegou a se aventurar escrevendo para crianças. O tema principal ao qual se dedicou, porém, foi a história da saúde. Deu aulas na Faculdade Adventista de Enfermagem, foi pesquisadora do Centro de Memória do Instituto da Saúde e, ultimamente, era do Laboratório de História da Ciência do Instituto Butantan, em São Paulo. Sua obra tem ainda dois livros paradidáticos e a biografia de Pérola Byington, cuja filha era sua amiga —o que lhe permitiu acesso privile-

giado ao arquivo da família. Cuca também se envolveu com pintura (foi uma das precursoras da pintura na praça da República nos anos 60) e com esculturas em barro. O marido, o também historiador José Inácio de Melo Souza, conta que a história foi a grande paixão da vida da mulher. Ela gostaria de ter finalizado seu último trabalho, ao qual se dedicou por quatro anos: um livro sobre a história dos hospitais de São Paulo. Não teve tempo. Morreu no domingo, aos 62, devido a um câncer de pulmão. Deixa uma filha. coluna.obituario@uol.com.br

SERGIO LUIS GONZALEZ - Aos 77, viúvo, deixa filhas e netos. Cem. e Crem. Memorial Parque Paulista. SHINYTI FUJIWARA - Aos 73, casado com Saiko Yamada Fujiwara. Deixa três filhos. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. THEREZA MEDINA TOLEDO - Aos 99, viúva de Carmelo Toledo. Deixa a filha Olga. Cemitério de Congonhas. VILMA ROSSI TEIXEIRA - Aos 83, viúva de Aroldo Castro Teixeira. Deixa os filhos José Julio, Silvia Regina, Aroldo e Ayres. Cem. de Congonhas.

7º DIA

MARIA ADELIA CLEMENTE - Amanhã, às 10h30, na igreja N. Sra. do Brasil, pça. N. Sra. do Brasil, 1, Jd. América. RICARDO DAL SECCO - Hoje, às 18h30, na N. Sra. de Lourdes, al. dos Piratinins, 679, Planalto Paulista. RITA DE CÁSSIA BATTEL - Amanhã,

30º DIA

FRANCISCO MIELI - Hoje, às 20h, na igreja nova de S. Judas Tadeu, av. Jabaquara, 2.682, Jabaquara. KENITI NOMOTO - Amanhã, às 11h, na paróquia S. Francisco de Assis, r. Borges Lagoa, 1.209, V. Clementino. ORLINDA BOTEON LAMPKOWSKI Amanhã, às 16h, na paróquia Sto. Inácio de Loyola, r. França Pinto, 115, V. Mariana. ROSA BACALLÁ - Hoje, às 20h, na igreja S. Judas Tadeu, av. Jabaquara, 2.682, Jabaquara.

4º MÊS

FERNANDO CÉSAR NOVAES GALHANO - Hoje, às 18h30, na igreja Coração Imaculado de Maria - PUC, r. Monte Alegre, 948, Perdizes.

1º ANO

MARGARIDA MARIA SIQUEIRA SPONTON - Hoje, às 19h, na Sta. Terezinha, r. Maranhão, 617.

2º ANO

JOSÉ ARISTODEMO PINOTTI - Hoje, às 9h, na igreja N. Sra. do Brasil, pça. N. Sra. do Brasil, 1, Jd. América.

17º ANO

FLORA NOGUEIRA AMAZONAS - Hoje, às 20h, na N. Sra. da Saúde, r. Domingos de Morais, 2.387, V. Mariana.

SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000 segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.


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brasil

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SEXTA-FEIRA, 9 DE JANEIRO DE 2009

TCUvêirregularidadesem 16universidadesfederais Auditorias foram feitas após escândalo que derrubou reitor da UnB em 2008 Para tribunal, que detectou dispensa ilegal de licitação e ausência de prestação de contas, fundações de apoio foram usadas como laranjas ................................................................................................

CRISTINA MORENO DE CASTRO GUSTAVO HENNEMANN DA AGÊNCIA FOLHA

Auditoria feita em 16 universidades federais pelo TCU (Tribunal de Contas da União) detectou irregularidades no uso das fundações de apoio das instituições, entre elas UFMG, UFPR e UFBA (veja quadro). A auditoria foi realizada no segundo semestre do ano passado, depois do escândalo entre a UnB e sua fundação de apoio (Finatec), que levou à renúncia do reitor Timothy Mulholland. Entre os problemas apontados há a falta de prestações de contas, dispensas ilegais de licitação, concessão de bolsas de estudo “exorbitantes” e contratação de funcionários das fundações de apoio para ocupar cargos sem concurso público. O TCU não deu detalhes, alegando que os processos ainda estão sendo apurados e que os reitores ainda serão ouvidos. As fundações têm como uma das funções a captação de recursos na iniciativa privada para complementar os orçamentos das instituições. Ajudam a manter a autonomia das universidades e a garantir o funcionamento de pesquisas. No entanto, o TCU diz que muitas delas passaram a ser usadas como laranjas ou como caixa dois. Foram fiscalizados 464 contratos e convênios referentes principalmente a 2007 e 2008 e que somaram quase R$ 950 milhões. A escolha das 16 Ifes (Instituições Federais de Ensino Superior) não seguiu um critério único, mas a amostra apontou problemas em todas.

CPI DOS GRAMPOS

Deputado pede mais punições para quebra ilegal .................................................................................

O relatório do TCU, divulgado no final de novembro, admite a possibilidade de que todas as 60 Ifes existentes permitam as mesmas irregularidades. Há hoje 111 fundações credenciadas no Ministério da Educação. O TCU chegou a encontrar prestação de serviços de fundações não credenciadas. Uma das práticas apontadas pelo tribunal é a transferência dos recursos enviados pelo go-

verno federal para contas privadas das fundações de apoio, de forma a garantir a execução do orçamento. As universidades têm de gastar a verba no mesmo ano em que ela é transferida pelo governo, e isso muitas vezes ocorre com atraso. “Em muitos casos, os contratos tinham a função de produzir recursos excedentes, guardados pelas fundações, mas sob gerência informal dos reito-

UFMG PEDE NO SUPREMO [+] CONTESTAÇÃO: MANDADO CONTRA ACÓRDÃO DO TCU A universidade impetrou um mandado de segurança no STF alegando que o acórdão inviabiliza o prosseguimento de vários projetos em curso. A UFMG pediu uma liminar para suspender a decisão do TCU e para que pudesse continuar contratando a fundação de apoio para a execução de obras. Reclamou ainda da “ameaça” de impor sanções ao reitor da UFMG, disse que o TCU foi “generalista” e abusou de seu poder. O STF concedeu parcialmente a liminar no último dia 2, suspendendo as sanções, mas mantendo a decisão do TCU na parte em que o tribunal manda parar obras no campus.

res”, disse o TCU em nota. Um dispositivo criado na Lei Orçamentária Anual de 2009 prevê que esses recursos possam ser transferidos para o ano seguinte, o que pode diminuir as práticas ilegais, diz o MEC. O acórdão do TCU fez determinações aos ministérios de Educação, Planejamento e Ciência e Tecnologia para aumentar a fiscalização e tentar conter as irregularidades. O governo tem até o final de maio para cumprir as determinações e criar normas para as universidades, sob pena de multas. O MEC informou que um grupo de trabalho interministerial já está sendo formado e que “o prazo será cumprido”. As instituições serão convocadas para responder aos questionamentos a partir do mês que vem e cada processo será avaliado pelo TCU, podendo levar a interrupção de obras, aplicação de multas, entre outros.

IRREGULARIDADES EM UNIVERSIDADES

Andifes nega que haja problemas nas instituições ........................................................................................

DA AGÊNCIA FOLHA

As universidades não estão cometendo irregularidades, exceto em casos isolados, e o acórdão do TCU é uma boa oportunidade para resolver problemas de gestão de recursos enfrentados pelos reitores, disse o vice-presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior) e reitor da UFG, Edward Madureira Brasil. A UFG disse que criou uma comissão para que já neste ano não haja distorções na relação com a fundação. A UFC disse ter feito o mesmo. O reitor da UFMG, Ronaldo Tadêu Pena, disse que a instituição discorda da interpretação do TCU em alguns pontos e recorreu ao STF: “Quando os auditores falam em bolsas exorbitantes, é preciso dizer em relação a quê. A lei não fixa valor”. O procurador jurídico da UFRR, Aldir Menezes, disse que, quando a auditoria foi realizada, a UFRR já discutia

a regulamentação da relação com sua fundação de apoio. A UFRN disse que não há irregularidades, só recomendações técnicas, e que tomou providências para adaptar situações julgadas impróprias. O pró-reitor de extensão e cultura da Ufersa, Rodrigo Moura, disse que a irregularidade é só formal e que a instituição transferia recursos à fundação para não ter de devolver as verbas à União. O vice-reitor da UFBA, Francisco José Gomes Mesquita, disse que a instituição está participando da discussão com outras universidade para solucionar os problemas. A UFPE disse que ainda não recebeu o relatório do TCU para poder comentá-lo. A UFOP disse que ainda está preparando suas justificativas sobre os problemas. A UFAM, a UFPI e a fundação de apoio da UFF foram contatadas, mas não se pronunciaram até a conclusão desta edição. Às 17h40, as assessorias da UFPR e da fundação disseram que não havia ninguém disponível para atender a reportagem. A Folha não conseguiu falar com a UFSC, a UFRRJ e a UFAC. (GUSTAVO HENNEMANN, CRISTINA MORENO DE CASTRO e SÍLVIA FREIRE)

memória

TCU aponta problemas em contratos entre universidades e fundações de apoio Universidade

Irregularidades

UFMG (Minas Gerais) UFOP (Ouro Preto) UFRRJ (Rio de Janeiro) UFF (Federal Fluminense) UFSC (Santa Catarina) UFPR (Paraná) UFG (Goiás) UFRR (Roraima) UFAM (Amazonas) UFAC (Acre) UFC (Ceará) UFRN (Rio Grande de Norte) UFPE (Pernambuco) UFBA (Bahia) UFERSA (Rural do Semiárido) UFPI (Piauí)

Pagamento de bolsas com valores exorbitantes Falta de órgão de controle interno adequado Falta de transparência dos contratos com fundações de apoio Existência de projetos não aprovados por instâncias competentes Fundações com credenciamento vencido junto ao MEC Envolvimento de empresas do coordenador do projeto na prestação de serviços Falta de norma para contratação de serviços de fundações Falta de ressarcimento pela utilização de bens e serviços da universidade Repasse total de recursos do REUNI para serem gerenciados por fundações Ausência de prestação de contas de contratos e convênios Formalização de ajustes com as fundações em desacordo com a legislação Utilização de bolsas como pretexto para desconto no INSS Falta de pesquisa comprovando a viabilidade de contratação da fundação Auditoria interna inadequada Previsão indevida de taxas de administração Dispensa indevida de licitação

Fonte: relatório do TCU

Em SP, reitor deixou cargo após denúncias ........................................................................................

DA REPORTAGEM LOCAL

No ano passado, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) teve problemas nas contas apontados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e pela CGU (Controladoria Geral da União). Por conta de denúncias, o então reitor, Ulysses Fagundes Neto, deixou o cargo. Fiscalização do TCU nas contas de 13 viagens internacionais de Fagundes Neto entre 2006 e 2007 eviden-

ciou o uso irregular de recursos do Estado para pagamento de itens de consumo de luxo, realização de viagens não autorizadas, entre outras atividades. Foi solicitada a devolução de R$ 229 mil. A equipe de inspeção foi designada em 16 de abril de 2008, depois da publicação de denúncias de que o reitor da Unifesp usara o cartão corporativo para fazer compras de mais de R$ 12 mil em artigos eletrônicos, cerâmicas e malas. Em junho de 2008, a Folha mostrou que, só em 2005, auditoria da CGU apontou falta de prestação de contas de mais de R$ 178 milhões da Unifesp.

Alessandro Rocantti - 11.abr.2006/Futura Press

EUA cobram que Brasil aceite maior fiscalização de seu programa nuclear

FLÁVIO FERREIRA DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse ontem que a descoberta da quadrilha responsável por violações de sigilos telefônicos, bancários e fiscais pela Polícia Civil de São Paulo vai reforçar a proposta de criação de uma lei para aumentar as penas para esses crimes. “É mais um caso que vai fazer com que tenhamos punições mais graves para crimes de violação de sigilo, que hoje têm penas de dois a quatro anos”, disse. Apesar de não ter conhecimento de provas, Itagiba disse que a quebra do sigilo do deputado José Aníbal (PSDB-SP) pela quadrilha teve motivação política. “Não tenho a menor dúvida de que o motivo para ouvir um deputado que é líder do PSDB e hoje faz oposição na Câmara só pode ser político.” Segundo Itagiba, a CPI pediu informações do caso à polícia e ao Ministério Público de São Paulo. Deputados tucanos vão solicitar todos os atos da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) no controle das operadoras de telefonia. A agência informou que fiscaliza o sistema, mas os procedimentos são sigilosos. Anteontem à noite, uma funcionária de uma operadora de cartão de crédito foi presa acusada de participar da quadrilha. Ontem, parte dos dez suspeitos detidos prestou depoimento. Colaborou FERNANDA ODILLA, da Sucursal de Brasília

Plano de Defesa, lançado em dezembro, diz que país não vai aderir a protocolo ................................................................................................

IGOR GIELOW SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os Estados Unidos cobraram ontem a adesão do Brasil ao chamado Protocolo Adicional do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear), um dia depois de finalmente aceitarem o mecanismo que permite uma fiscalização mais precisa dos programas atômicos dos países signatários do acordo. “Levou tempo para acertarmos os arranjos técnicos para sua implementação. Mas nós respondemos às questões, fizemos os acertos e agora estamos prontos para começar a implementá-lo. Esperamos que o Brasil faça o mesmo”, disse à Folha Gregory Schulte, embaixador americano na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Em dezembro, o governo Lula lançou sua Estratégia Nacional de Defesa, na qual a energia nuclear é tratada com destaque. O texto, ambíguo, lamenta restrição ao acesso a tecnologias e permite interpretação de que no futuro o Brasil pode lançar mão de outros usos da energia nuclear —leia-se a bomba. E é claro sobre sua posição em relação às potências atômicas, capitaneadas pelos EUA. “O Brasil zelará por manter abertas as vias de acesso ao desenvolvimento de suas tecnologias de energia nuclear. Não aderirá a acréscimos ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares sem que as potências nucleares tenham avançado na premissa central do tratado: seu próprio desarmamento”, diz o texto. Os “acréscimos” em questão

são justamente o Protocolo Adicional, que é assinado separadamente por cada país signatário do TNP e permite maior abertura de seus programas nucleares aos técnicos da AIEA, baseada em Viena. Ele foi criado após a descoberta do programa nuclear paralelo de Saddam Hussein após a primeira Guerra do Golfo, em 1991. Hoje são 118 os signatários, e 89 já o implementaram. Há 189 aderentes ao TNP. As palavras do embaixador

Levoutempo paraacertarmosos arranjostécnicospara suaimplementação [do ProtocoloAdicionaldo TNP]. Esperamosqueo Brasilfaçao mesmo GREGORYSCHULTE embaixador americano na AIEA Dieter Nagl - 5.jun.08/France Presse

O americano Gregory Schulte

Schulte, que foi informado sobre o texto da Estratégia Nacional de Defesa pela reportagem mas não o comentou, devolvem a bola ao campo brasileiro. Procurado pela Folha, o Itamaraty não comentou o caso imediatamente. É a praxe: sua missão em Viena tem de recolher dados e analisá-los antes de um posicionamento ser tomado. O Ministério da Defesa vai aguardar essa análise para se pronunciar ou não. Mas a posição brasileira é conhecida, tendo apenas sido explicitada em termos não muito diplomáticos no documento da Defesa. Desde os anos 70, quando buscou tecnologia alemã para reatores nucleares, o Brasil procura sua independência no campo. Só renunciou à bomba com o fim da ditadura. O TNP foi assinado pelo Brasil em 1998, e não são poucas as pessoas nos meios militares e diplomáticos que consideram a adesão uma capitulação a um tratado que foi desenhado para subordinar quem não tem a bomba atômica aos desígnios dos que a tem. Com efeito, os EUA demoraram anos para aderir ao Protocolo Adicional. “A adoção levantou questões políticas nos EUA, assim como no Brasil”, afirmou Schulte. “Ele é um instrumento de verificação, mas também serve como medida de estabelecimento de confiança”, disse ele, para quem uma adesão brasileira iria “ajudar a criar um padrão mais alto para o resto do mundo”. Na diplomacia brasileira, tais palavras tendem a ser lidas como uma tentativa de tutela, embora o relacionamento entre os países na AIEA seja bom.

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Deputado Vaz de Lima, durante sessão na Assembleia

foco

Tucano assume governo de SP e visita base eleitoral no interior e na capital ........................................................................................

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Vaz de Lima (PSDB), assumiu ontem à tarde, interinamente, o cargo de governador do Estado em virtude das ausências de José Serra, o titular, e Alberto Goldman, o vice, ambos tucanos e em viagens oficiais ao exterior. A previsão é de que Serra, em viagem aos EUA, retorne ao Brasil no domingo. Vaz de Lima tem programadas visitas e inaugurações hoje nas cidades de Araçatuba, Barretos e São José Rio Preto —onde possui família—, todas na região norte do Estado, sua base eleitoral. O governador em exercício —um dos nomes mais fortes do PSDB paulista para a disputa de uma vaga na Câmara Federal em 2010—

também deverá participar de evento, na capital, ligado aos agentes fiscais de rendas, sua categoria profissional. O interino afirma que parte da agenda já havia sido definida antes de sua posse pelo Palácio dos Bandeirantes. “E eu não iria mudá-la. São compromissos importantes, se fosse para ir apenas a Rio Preto, eu não aceitaria”, disse. Em 2004, a mulher dele, Ivani, foi candidata à prefeitura da cidade. Até o final do mês passado, o tucano trabalhava para modificar a Constituição do Estado e disputar a reeleição para a presidência da Casa, em março deste ano. Ele contava com apoio inclusive na oposição, mas, atendendo a pedidos da bancada tucana e do Palácio dos Bandeirantes, desistiu da ideia. (JOSÉ ALBERTO BOMBIG)


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Quinta-Feira, 6 De OutubrO De 2011

Toddynho saiu de fábrica com detergente PepsiCo diz que falha em dispositivo fez com que produtos de limpeza fossem envasados no lugar de achocolatado

até ontem, 27 pessoas ingeriram o líquido na embalagem do achocolatado em 11 municípios do rs cristina moreno de castro

Com ferida, garota ficou 3 dias sem comidas quentes

TODDYNHO SOB SUSPEITA Falha no processo de produção na fábrica em Guarulhos causou problema

COMO É A PRODUÇÃO

FeLiPe BÄcHtoLd

7m

de poRTo aleGRe

de são paulo

Pela primeira vez, a PepsiCo admitiu que houve falhas no processo produtivo em sua fábrica de Guarulhos (Grande SP). O erro fez com que embalagens de Toddynho contivessem produtos de limpeza em vez de achocolatado. “A máquina produziu um pequeno lote que não tinha Toddynho. Era uma solução que nós usamos para lavar a máquina: água e uma concentração de detergentes de 2%”, diz Vladmir Maganhoto, diretor da unidade de negócios Toddynho da PepsiCo. “Pode conter soda cáustica”, completou ele. Até agora, 27 pessoas ingeriram o líquido em caixinhas de Toddynho em 11 cidades do Rio Grande Sul. Maganhoto só deu entrevista após saber que a Folha ouviu de um funcionário da fábrica que um dispositivo defeituoso provocou o erro. Antes disso, a PepsiCo só emitia notas para a imprensa. Sobre o problema, o diretor informou apenas que “houve uma falha no processo produtivo como um todo” e que a empresa está levantando evidências para que o problema não se repita. Na linha de fabricação — que funciona 24 horas e produz 1,1 milhão de unidades de Toddynho por dia—, o achocolatado já pronto é levado, por tubulações, dos tanques para nove máquinas

1 O achocolatado é produzido e armazenado em tanques

Capacidade de até 20 mil litros

2 Do tanque, é enviado para tubos, onde é feita a esterilização

3 Dos tubos, o produto vai para o envasamento e é dividido em caixinhas

COMO É A FEITA A LIMPEZA DOS TANQUES

A POSSÍVEL FALHA

ORIENTAÇÃO AOS CONSUMIDORES

Quando o tanque é esvaziado totalmente, o processo é interrompido. Começa a lavagem da máquina

O dispositivo que alerta quando o tanque está vazio não funcionou. Assim, produtos de limpeza, à base de soda cáustica, ácido e água, foram enviados para a embalagem

A Secretaria da Saúde do RS recomenda não consumir achocolatado da marca Toddynho, caixa de 200 ml, de qualquer lote, até a conclusão das análises

que envasam o produto. Um dispositivo detecta quando o tanque está vazio e interrompe o processo. Isso permite a lavagem automática do tanque sem que os produtos de limpeza sejam envasados. O funcionário ouvido pela Folha disse que a falha ocorreu nesta etapa. Maganhoto confirma que

houve um problema no dia 23 de agosto, mas não precisou o tipo de anormalidade. QUATRO MINUTOS

Segundo ele, o problema só foi percebido depois de quatro minutos do início da lavagem do tanque, quando funcionários viram as embalagens saindo quentes da es-

teira e interromperam o funcionamento da máquina. O diretor diz que funcionários descartaram “uma grande parte” do que tinha sido envasado, porém 80 caixinhas de Toddynho podem ter saído da fábrica com o líquido da limpeza. A empresa tenta retirá-los do mercado. Maganhoto diz que, agora,

a prioridade é ajudar as vigilâncias sanitárias e as vítimas, mas que é prematuro discutir sobre indenizações. As vigilâncias sanitárias estadual e municipal de São Paulo estiveram na fábrica quatro vezes desde sexta. Os órgãos vão elaborar um relatório, ainda sem data para ficar pronto.

Com feridas na língua e na boca que apareceram após a ingestão de uma caixinha de Toddynho, na quinta, a neta do professor Neimaia Thomaz, 62, não pôde comer alimentos quentes durante três dias. “[Após tomar a bebida] Ela veio correndo, chorando, dizendo: ‘Está queimando’. Eu virei [a caixinha] na pia e saiu um líquido transparente. Coloquei na mão e queimou. No dia seguinte saiu até pele”, diz o avô, de Porto Alegre. A mãe de uma estudante de 21 anos que passou mal após tomar o produto em São Leopoldo (RS) também encontrou um líquido transparente na caixinha. A família foi até o local onde comprou o produto e abriu outras caixas, que, segundo a mãe (que não se identificou), tinham o mesmo conteúdo. A Secretaria de Saúde do município diz que a vigilância confirmou alteração nos produtos no local. A Folha ouviu familiares de outras três pessoas que se dizem vítimas e uma médica que atendeu um caso. Eles relatam sintomas diferentes, como febre, cólicas, náusea, dor de dente e feridas na boca. Colaboraram GUSTAVO HENNEMANN, LUIZA BANDEIRA e RICARDO SCHWARZ, de são paulo

Neco Varella/Folhapress

análise

Reações impessoais das empresas ajudam a explicar tamanho da crise Corria ontem à noite no Twitter, de José Simão: “Quer explodir? Toma um Toddynho no Center Norte!”. As duas marcas foram engolfadas em crises paralelas de imagem, espalhando-se por jornais, TV e mídias sociais. A maneira como responderam ajuda a compreender como se chegou a tanto. Desde o início, deixaram

para as autoridades, respectivamente no Rio Grande do Sul e em São Paulo, a iniciativa de defesa pública das vítimas. É das primeiras regras na gestão de crise de imagem corporativa: antes de mais nada, cuide das vítimas. Também soltaram notas sucintas e impessoais, o que continuavam fazendo até ontem, assinadas por “PepsiCo do Brasil”, “Direção do Center Norte” ou até sem assinatura. Outra lição da história

MARIA TEREZINHA DA FONSECA

SYLVIA KATHERINY PAIXÃO TORRE-

SILVEIRA - Hoje, às 19h, na igreja

TA - amanhã,às18h30,nasantíssimo

neLson de sÁ aRTICulIsTa da FOLHA

Família mostra líquido que diz ter saído de toddynho

da gestão de crises: dê um rosto à empresa, preferencialmente de relevância, como o presidente ou o controlador. Tem mais. No caso do shopping center, uma primeira reação dizia que o gás metano não era tóxico, longe do foco das autoridades e da segurança dos clientes, que era o risco de explosão. E no caso do achocolatado, a reação formal foi que se trata de um lote isolado, de 80 unidades, porém um funcionário já re-

vela à Folha, hoje, problemas na linha de produção —e a empresa, afinal, confirma. Terceira regra, portanto: transparência, não apenas pelo imperativo ético, diz Mauro Lopes, da MVL Comunicação e responsável pela gestão da crise do acidente da Gol que ocorreu há cinco anos, mas porque não se contém mais a informação. “Em situações de crise, já com a sua credibilidade abalada, você está sob um esquadrinhamento tão severo e tão amplo que não pode tergiversar, mas isso é recorrente”, diz. “Ainda mais com as mídias sociais. As empresas são verdadeiros queijos suíços”.

MOrteS EDGAR PEREIRA DOS SANTOS - aos 71. deixa oito filhos. Cemitério e Crematório parque dos Ipês. WILLIAN BARBOSA RODRIGUES aos 23. Cemitério e Crematório Me-

morial parque paulista.

7º DIA

GEORGES MATAR - amanhã, às 12h, na Catedral Metropolitana ortodoxa, rua Vergueiro, 1.515, paraíso.

Nossa senhora de Fátima estigmatinos, rua Júlio prestes, 523, Jardim sumaré, Ribeirão preto (sp).

sacramento, r. Tutoia, 1.125, paraíso.

6º MÊS OTTO DE MELLO - Hoje, às 18h, na pa-

GeorGes matar (1924-2011)

Sírio que fazia camisas sob medida

estêvão Bertoni de são paulo

Um freguês de Georges Matar certa vez lhe encomendou seis camisas. Quando ficaram prontas, o cliente as deu de presente para um amigo: o então presidente da República João Baptista Figueiredo. Na oficina do camiseiro, as costureiras enchiam-se de orgulho por terem trabalhado na peça usada pelo político. Georges nasceu na cidade de Homs, na Síria. Em 1929, aos cinco anos, veio com a família para o Brasil. Seu pai, comerciante de tecidos, abriu um negócio na Água Branca,

na zona oeste de São Paulo. Quando o pai vendeu a loja, Georges e mais dois irmãos montaram uma empresa de tecidos. Nessa época, aprendeu sozinho a fazer camisas. Tudo começou quando decidiu criar gorros para o pessoal do clube de futebol do qual era diretor. Deu tão certo que, no ano seguinte, fez camisas. E não parou mais. Em 1955, a sociedade com os irmãos terminou, e ele abriu uma oficina na rua Cavalheiro Basílio Jafet, na região central. Depois, migrou para o nº 2.875 da Augusta. Como cobrava preços salgados para as camisas, cal-

ções e pijamas que fazia sob medida, a clientela era rica — tinha gente de prestígio na comunidade síria e muitos eram diretores de banco. Aos fins de semana, ia ao clube sírio jogar futebol, que adorava. Era corintiano. Parou há poucos anos de trabalhar por problemas de saúde. Sofria de Alzheimer e, nos últimos tempos, esteve numa casa de repouso. Pedia que lhe dessem coisas que pudesse cortar, sinal da paixão que sentia por seu ofício. Morreu na sexta, aos 87, de falência de órgãos. Casado com Thereza, teve um filho. coluna.obituario@uol.com.br

róquia Coração Imaculado de Maria, r. Jaguaribe, 735, Higienópolis.

SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000

segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.

NOTA DE FALECIMENTO Faleceu nesta cidade de São Paulo (Capital), no dia 30 de setembro de 2011 a Profª MARIA APARECIDA PEREIRA GRISI (Dª Quita), casada , há 56 anos, com o Dr. Salvador Humberto Grisi, onde residia, na Rua Cardoso de Almeida, nº 865 – ap. 131 – Perdizes, SP. Deixa, além do esposo, 2 filhos, o Dr. Afonso Grisi Neto e a Pedagoga Luiza Regina Pereira Grisi Dones, além de neto, nora e genro. Seus pais, o Farmacêutico Anthenor Pereira e Dª Lúcia Vigna Pereira (falecidos). Deixa também uma irmã, a Profª Zilda Pereira Franco da Silveira, casada com o Prof. Darcy Franco da Silveira e demais familiares. O corpo da falecida foi cremado no Crematório da Prefeitura Municipal de São Paulo e seus restos mortais serão depositados no Cemitério Municipal de Pirassununga - SP , no jazigo da família do Sr. Affonso Grisi.

– Que o voo dos anjos embale o seu descanso e que sua nobre alma e virtuoso espírito resplandeçam no Reino de Deus-Pai –

MISSA DE 7º DIA A família da saudosa Profª MARIA APARECIDA PEREIRA GRISI convida parentes e amigos para assistirem à Missa, que, por intenção de sua nobre alma, será celebrada pelo Monsenhor Cássio Carvalho, no dia 06/10/2011 (5ª. feira), às 19 horas, na Paróquia “Coração Imaculado de Maria”, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na Rua Monte Alegre, nº 948 – Perdizes – SP.

– Por mais esse ato de amizade e fé cristã, a família, antecipadamente, agradece –


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Sexta-Feira, 7 De OutubrO De 2011

c FOCO

Divulgação

Neste ano, Yom Kipur terá megabalada na Villa Daslu VaNESSa cORREa DE SÃO PAULO

Jovens aproveitam uma das baladas realizadas em 2010; festa neste ano será unificada

No sábado à noite, quando judeus de todo o mundo encerrarem o jejum de 25 horas do Yom Kipur (Dia do Perdão), grande parte dos jovens paulistanos só terão uma coisa na cabeça: a grande balada que fecha esse dia há mais de dez anos na cidade. A festa é um momento de reencontrar amigos. Mas o que faz mesmo sua fama e traz pessoas até de outros Estados é a chance de esbarrar no grande amor. E até pode ser literalmente, como foi com Patrícia Podgaeti, 32. Numa dessas festas, em 2007, ela e seu marido, Ale-

xandre, 44, conversaram pela primeira vez. Na ocasião, ele derrubou uísque em Patrícia. “Eu falei que só ia ao banheiro, mas não voltei. Queria saber se ele estava interessado mesmo ou se ia sair paquerando. Mas, depois, ele veio falar comigo de novo.” A administradora Michele Dorf vem do Rio há sete anos especialmente para a festa. “Não perco por nada. É uma megabalada, só que da comunidade judaica.” Michele vem para reencontrar a turma da época em que vivia em São Paulo. Mas confirma que um dos maiores atrativos da festa é o clima de paquera. Feita em boates da moda ou espaços reservados para a

ocasião, a comemoração jovem já chegou a se espalhar por até quatro lugares ao mesmo tempo —com diferentes faixas etárias como alvo. Neste ano, porém, haverá apenas uma opção: a Kipur Privilege. Organizada por Roni Hajnal e voltada para um público de 25 a 35 anos, ela acontecerá na Villa Daslu. A Yom Kipur Night Party, que era promovida por Felipe Bogomoltz há 13 anos, não vai ocorrer por motivo de luto. Felipe perdeu o pai no ano passado. Mas ele diz que em 2012 a balada deve voltar. KIPUR PRIVILEGE

QUANDO 8 de outubro, às 23h ONDE Budha Bar e Kiss & Fly, na

Villa Daslu (av. Juscelino Kubitschek, 2.041, Vila Olímpia, zona oeste) QUANTO R$ 250 homens/ R$ 150 mulheres/ R$ 3.000 camarote CONTATO 0/xx/11/2626-3839

Fábrica do Toddynho é autuada após falha PepsiCo, que envasou produto de limpeza em caixas do achocolatado, pode ter de pagar multa de R$ 175 mil

ainda cabe recurso da autuação; empresa diz que 80 unidades do produto tinham detergente dentro

TODDYNHO SOB SUSPEITA Falha no processo de produção na fábrica em Guarulhos causou problema

DE SÃO PAULO

‘FALHA PONTUAL’

A equipe de fiscalização disse que “houve falha pontual que envolveu um equipamento de esterilização da fábrica”. Esse equipamento é o que fica entre o tanque que guarda o Toddynho e as máquinas de envasamento. A Folha mostrou ontem que uma das falhas no processo de produção foi em um

PepsiCo faz recall de 80 caixinhas do achocolatado

QUAL FOI O PROBLEMA

cRISTINa mORENO DE caSTRO

A PepsiCo, fabricante do Toddynho, foi autuada ontem pela Vigilância Sanitária do Estado de SP na fábrica de Guarulhos (Grande SP). O valor da multa pode chegar a R$ 175 mil e só será estipulado após se esgotarem as possibilidades de recursos por parte da empresa. A PepsiCo disse que não se manifestaria sobre a autuação porque não havia sido notificada ontem. Uma falha na linha de produção fez com que unidades do Toddynho fossem vendidas com produtos de limpeza em vez de achocolatado. Até ontem, havia subido para 37 o número de pessoas que relataram ter ingerido Toddynho com conteúdo comprometido no Rio Grande do Sul —em 14 cidades. A maioria dos consumidores relata ter tido queimadura e feridas na boca, cólicas e náuseas.

OUTRO LADO

1

2

LIMPEZA Em 23.ago, a produção foi interrompida e a lavagem automática começou nos tanques onde o achocolatado é produzido

FALHA O sensor que deveria avisar quando o tanque está vazio e parar o envasamento não funcionou

RS

14

cidades com vítimas

Passo Fundo

Caxias do Sul

3 ENVASAMENTO O detergente foi colocado no lugar do achocolatado

37

4

DISTRIBUIÇÃO O lote contaminado foi levado ao Rio Grande do Sul

vítimas registradas

Porto Alegre

dispositivo que faz com que o envase seja interrompido quando os tanques estão sendo lavados. A PepsiCo admite que 80 embalagens foram distribuídas com detergente. Segundo os fiscais, não houve necessidade de interdição da fábrica ou de equipamentos, porque a própria PepsiCo já havia tomado medidas necessárias. A Folha procurou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas o órgão não respondeu até o fechamento desta edição.

RS envia resultado de análises para a Anvisa DE PORTO ALEGRE DE SÃO PAULO

Um balanço da Secretaria daSaúdedoRioGrandedoSul sobre as análises com amostras de Toddynho apontou que, dos 13 lotes verificados, um estava adulterado. Foram analisadas 23 caixinhas. Quatro foram reprovadas. Segundo a coordenadora da vigilância estadual na área de alimentos, Susete Lobo de Almeida, algumas pessoas

que contataram o órgão disseram que a embalagem não continha Toddynho, mas outro líquido. Os resultados das análises serão enviados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os testes apontaram que quatro caixinhas estavam com um líquido de pH 13,3 (o normal é 7). A comercialização só será retomada após manifestações da Secretaria da Saúde de São Paulo, que inspecionou a fá-

brica, e da Anvisa. Em Gravataí, a mãe de uma jovem de 23 anos afirmou que a filha apresentou feridas na língua e na gengiva, além de dor na garganta e no estômago, após tomar Toddynho. A cidade tem outros cinco casos suspeitos. Em General Câmara, a Secretaria de Saúde investiga o caso de um menino de 10 anos que teve feridas na boca. (FELIPE BÄCHTOLD, GUSTAVO HEN-

NEMANN E RICARDO SCHWARZ)

DE SÃO PAULO

A PepsiCo formalizou no Ministério da Justiça o recall para recolhimento das caixinhas que estão no lote com 80 unidades do produto, que ela diz serem as únicas com conteúdo comprometido. Desde a semana passada, a empresa efetua a troca do Toddynho por similar ou devolve o valor ao consumidor. Até segunda-feira, 22 unidades tinham sido recolhidas. A empresa diz que, desde então, já recolheu “a maioria delas”, mas que não consegue passar o número fechado por não saber quantas estão em poder da Vigilância Sanitária para análises. A empresa não comentou a autuação da Vigilância Sanitária de SP, porque não havia sido notificada até ontem. A empresa disse que identificou o problema e que seu relatório interno já foi concluído, mas não deu detalhes. “Todo o processo foi revisto e a produção segue em seu ritmo normal”, disse a assessoria da empresa. Perguntada sobre como apenas 80 caixinhas podem ter se espalhado por 14 cidades gaúchas, disse: “Precisamos aguardar o relatório final da autoridade sanitária para identificar se os casos recebidos por eles fazem parte do problema identificado nas 80 unidades.”

MOrteS EURÍPIDES BULHÕES (1922-2011)

O bancário, os pássaros e as árvores ESTÊVÃO BERTONI DE SÃO PAULO

Quando menino, Eurípides Bulhões passava horas e horas estudando no alto das mangueiras e goiabeiras de Franca, no interior paulista. Como consequência desse período pendurado em copas de árvores, tornou-se (1) maníaco por frutas, (2) aficionado por pássaros e (3) apaixonado pela língua portuguesa. Filho de um sapateiro e de uma vendedora de doces que morreu quando ele tinha apenas 15 anos, Eurípides chegou a se arriscar na carreira de professor de português. Mas ainda jovem veio para

a capital paulista, onde começou a trabalhar no Banco Moreira Salles. Antes, conhecera em Orlândia (SP), durante as férias, a professora Elza, com quem se casou em 1955. Em São Paulo, entrou para o Banco do Brasil. Um dia, foi convidado para trabalhar no Banco Central. Acabou sendo chefe do setor de importação e exportação de lá. Ficou no banco até a aposentadoria, em 1977. Depois, com dois amigos, aventurouse pela área da construção civil. O momento econômico não era bom, e ele desistiu. Amava pássaros e não gostava de prendê-los. Espalhava pratinhos com comida e água

para as aves e deixava solta em casa uma calopsita. Quandoumapombaentravaemseu quarto, brincava com a filha: “Deixa, é a Margarida”. Preocupava-se em ter uma alimentação saudável, repleta de frutas, e gostava de caminhar, o que só parou de fazer nos últimos oito anos devido ao Parkinson. Morreu no sábado, aos 89, de trombose. Pediu para ser cremado e ter as cinzas jogadas no mar, no Guarujá, onde tinha apartamento e ia sempre. Viúvo, teve dois filhos e cinco netos. A missa do sétimo dia será amanhã, às 18h, na paróquia Bom Pastor, em Alphaville. coluna.obituario@uol.com.br

ANTONIO NATALINO AUGUSTO - Aos 72, casado com Maria da Glória Silva Augusto. Estava aposentado. Deixa sete filhos. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras.

RODRIGO MARTINELO RIBAS - Aos 33, casado. Deixa filhos. Cemitério Memorial Parque Paulista.

CLAUDIA LINS DE SOUZA - Aos 57. Deixa mãe, filhos e neto. Cemitério Memorial Parque Paulista.

ARLINDO REIS PINTO - Amanhã, às 16h, na igreja Sagrado Coração de Jesus, av. Morumbi, 8.825, Brooklin.

IDALINA ANSELMO DA SILVA - Aos 98, viúva de Adriano da Silva. Deixa filhos. Cemitério de Congonhas. JOSÉ EUSTÁQUIO PALHARES - Aos 63, casado com Maria Cícera Palhares. Deixa o filho Alessandro. Cemitério de Congonhas. JOSÉ MARTINS DE SOUZA - Aos 65, casadocomMariadeFatimadeSouza.Era vigilante. Deixa sete filhos. Cem. e Crematório Metropolitano Primaveras. LEILA NASSER MITRI - Aos 78, viúva. Deixa filha. Cemitério Quarta Parada. MARIA ALMERINDA SANTOS CORDEIRO - Aos 79, viúva de José Lidio Cordeiro. Deixa filhos. Cem. de Congonhas. MARIA CRISTINA BARBOSA CARNEIRO - Aos 49. Deixa irmão. Cemitério Memorial Parque Paulista. MARIA INES PAVANI FRANCO - Aos 65, viúva de Antônio Sérgio da Silveira Franco. Deixa filhos e netos. Cemitério do Araçá.

7º DIA

EURÍPEDES BULHÕES - Amanhã, às 18h, na paróquia Bom Pastor, av. Bom Pastor, 500, Alphaville. GEORGES MATAR - Hoje, às 12h, na Catedral Metropolitana Ortodoxa, r. Vergueiro, 1.515, Paraíso. REGINA CÉLIA NOGUEIRA MAGRI Amanhã, às 12h, na igreja do Colégio São Luís, avenida Paulista, 2.378, Cerqueira César. SYLVIA KATHERINY PAIXÃO TORRETA - Hoje, às 18h30, na Santíssimo Sacramento, r. Tutoia, 1.125, Paraíso.

1º ANO

CARLOS ALBERTO CREMONESI Amanhã, às 20h, na capela Santo Antônio, Aldeia da Serra.

13º ANO

SYLVIA VASCONCELLOS VICENTE DE AZEVEDO - Amanhã, às 15h, na igreja do Calvário, r. Cardeal Arcoverde, 950, Pinheiros.

IN MEMORIAM

GILBERTO TEIXEIRA DA SILVA JR. (BETO) - Amanhã, às 20h, na capela Sto. Antônio, Aldeia da Serra.

SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000 segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.


EF Quinta-Feira, 22 De Março De 2012

C1

cotidiano

ACIDENTE Perícia pode isentar thor de acusação de homicídio

DIA DA ÁGUA Metade das cidades do país corre risco de racionamento

Pág. C4

Págs. C8 e C9

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h

Indecisão adia obras para melhorar trânsito Prefeitura elabora lista de intervenções em vias, deixa ela na gaveta, muda de ideia e agora tenta dar conta de promessa Isadora Brant/Folhapress

Projeto de reparos em 15 pontos crônicos de congestionamentos foi elaborado em 2009 e está no plano de metas

mafórico, alargamento e adequação geométrica das vias, abertura de canteiros centrais e melhor sinalização. SEM TRANSTORNO

CRISTINA MORENO DE CASTRO REYNALDO TUROLLO JR.

DE SÃO PAULO

Das 15 obras em pontos de “congestionamento crônico” de São Paulo prometidas pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) em 2009, apenas uma foi concluída. E no meio do caminho, a companhiaresolveumudarde planos: abandonou nove dessas intervenções e as substituiu por outras nove. São pequenas reformas que, segundo técnicos do município, poderiam melhorar de forma considerável o fluxo de veículos na cidade. O cruzamento das ruas Domingos de Morais e Sena Madureira, na Vila Mariana, zona sul, foi um dos que saíram da lista. “A tendência agora é piorar”, diz o jornaleiro Rogério Feitoza, 29, que trabalha numa banca na esquina. “Só para fazer o retorno na Domingos para pegar a Sena Madureira [sentido Ibirapue-

Trânsito na avenida Rebouças, uma das vias nas quais a prefeitura preparou intervenções para diminuir a lentidão ra] levo mais de 20 minutos quando saio do trabalho.” A lista dos 15 gargalos do trânsito consta da Agenda 2012 —metas que, segundo a prefeitura, serão cumpridas até dezembro deste ano. A promessa de intervir em

15 “pontos crônicos”, elencados pela própria administração, foi feita em março de 2009. Mas as idas e vindas foram adiando o início das obras por quase três anos. Em outubro de 2010, cinco pontos nem haviam sido defi-

nidos, e apenas um —o entorno da praça João Mendes, no centro— tinha projeto pronto. No ano passado, a prefeitura “derrubou” da lista nove pontos —inclusive o da João Mendes e o da Domingos de Morais—e colocou ou-

tros nove no lugar. Até o momento, apenas um local teve as obras concluídas. Classificadas como “simples” pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), as intervenções previstas incluem mudança do tempo se-

“Seria pretensão achar que essa intervenção iria resolver o problema da praça João Mendes, mas tiraram o foco dos principais corredores”, disse o especialista em trânsito Flamínio Fichmann após comparar as duas listas. “A impressão é de que estão mais preocupados com o impacto gerado por essa pequena obra do que com o benefício. Mas, para melhorar o tráfego, é preciso fazer interferência que vá gerar impacto. A população aceita [o transtorno] quando sabe que a obra é necessária”, afirmou. Além da preocupação em gerar menos impactos, a CET afirma que as mudanças obedeceram a critérios técnicos. Às 18h de ontem, a avenida Nove de Julho tinha 5 km de lentidão nos dois sentidos (de 13 km) e a avenida Rebouças tinha 4 km (de 8,4 km). As duas constavam da primeira lista. A Nove de Julho saiu. A Rebouças teve o trecho da intervenção trocado.

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ab

Quinta-Feira, 22 De Março De 2012

MUDANÇA NOS PLANOS Pontos excluídos

No meio do caminho, Kassab altera lista de vias a receberem intervenções para melhoria no trânsito Pontos mantidos

Pontos acrescentados

Obras iniciadas

Obras previstas para começar neste mês

CRUZAMENTOS LISTADOS ANTES

ITAIM BIBI

CRUZAMENTOS LISTADOS AGORA 6 11 14 4

5

1

8

2

3

7 12

9

2

15 10

4

5 13

1 Av. 9 de Julho x Av. Me .C ab rin i R.

R. Cel. L isboa

lso R. Afonso Ce

R. Domingos de Morais

que R. Mairin

R. Sena a ir Madure

R. Berta

2 R. Domingos de

Av. Eng. Oscar American o

Morais x R. Sena Madureira

Av. Morumbi

Av. Giovanni Gronchi

MORUMBI

Av. Douto r Alberto Penteado

3 Av. Morumbi x Av.

Eng. Oscar Americano

R.

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4 Av. Rebouças x Av.

12

3

15 10

1

8

13

de São Paulo

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) afirma que as intervenções nos 15 pontos de congestionamento crônico de São Paulo serão fei-

tas até dezembro, prazo final para o cumprimento das metas da gestão Gilberto Kassab (PSD), que acaba neste ano. “Todas as obras especificadas têm duração de 90 dias”, informa a CET, pois são de “pequeno porte”. Segundo o órgão, a alteração dos nove pontos da lista inicial ocorreu para priorizar os seguintes aspectos: “Maiores benefícios para o transporte coletivo e tráfego em geral; elevado número de

solicitações de munícipes; pouca interferência com o tráfego durante as obras; reconfiguração urbanística e acessibilidade, entre outras.” As obras na estrada Itaquera-Guaianazes, na zona leste, já foram finalizadas. Em cinco locais foram iniciadas e, em outros cinco, começarão neste mês (veja quadro). Para justificar a revisão, a CET diz que locais como a praça João Mendes tiveram obras feitas por outros órgãos, co-

mo a SPTrans, o Metrô e subprefeituras. Mas não diz o que foi feito nesses locais. Tampouco a CET explica por que dois dos pontos que tiveram obras assumidas por outros órgãos (praças Campo de Bagatelle e Felisberto Fernandes da Silva) foram mantidos na lista. Não disse ainda por que as obras ficaram paradas por mais de dois anos, nemsearevisãolevouemconta a facilidade de fazer intervenções nos novos pontos.

Dr. Arnaldo

5 Praça João Mendes 6 Praça Ministro Pedro 7 8 9 10

11 12 13 14 15

Chaves Radial Leste x R. Silva Jardim R. Pirajuçara x R. Reação x R. Alvarenga Av. Aricanduva x R. Júlio Colaço Av. Aricanduva x Av. Afonso de Sampaio e Souza Praça Campo de Bagatelle Praça do Monumento x Av. D. Pedro I Praça Felisberto Fernandes da Silva R. Darzan x R. Dr. Zuquim Viaduto Vila Matilde x R. Joaquim Marra

1 R. das Juntas Provisórias

2011-2012

Reformas serão feitas ainda neste ano, afirma prefeitura

Companhia de tráfego não explica, porém, por quais motivos as obras contra trânsito ficaram paralisadas

BOM RETIRO

2 Av. do Estado x

Av. Cruzeiro do Sul Obra concluída

ITAQUERA

3 Estrada Itaquera -

Guaianazes x R. Virgínia Ferni x R. Maria Baumann Mendonça

4 Av. Rebouças, entre Al.

5 6

EXEMPLOS DE OBRAS

7

Remanejamento de interferências

Reconfiguração geométrica de pequeno porte, com duração prevista de Alargamento 90 dias

8

Construção de canteiro central

de pista

Fonte: CET (Companhia de Engenharia de Tráfego)

Revisão deixa gargalos críticos de trânsito de fora de São Paulo

A qualquer hora, do dia ou da noite, o gargalo entre a av. Rebouças e a Dr. Arnaldo (zona oeste) está congestionado. É o que dizem pessoas que trabalham na região, ouvidas pela Folha às 13h de ontem, quando o local já estava travado, apesar de não ser a prin-

cipal hora de pico na cidade. “Já fiquei duas horas a mais no trabalho, até as 20h, para não pegar o pior trânsito”, diz o analista de sistemas Carlos Barros, 42, que passa ali todos os dias, de carro. Aquele ponto seria um dos 15 que receberiam melhorias viárias para aumentar a fluidez. Na revisão, feita no ano

passado, esse local foi substituído por outro próximo: o quarteirão da Rebouças entre a al. Jaú e o viaduto Okuhara Koei, acesso para quem sobe para a av. Paulista. Mauro Higashi, 32, não gostou da mudança: “Já gastei uma hora no carro para vir do cemitério [do Araçá, na dr. Arnaldo] até o semáforo com

IPIRANGA

(sentido Ipiranga/Santana) x Av. do Estado

› OUTRO LADO ‹

CONSOLAÇÃO

ta lis au .P Av

Av. Dr. Arn ald o

2009-2010

6

9

7

São Gabriel

VILA MARIANA

11 14

R. das Juntas Provisórias

Gabriel Av. São

e ov o .N o ob Av Julh L s de ia El n. i M R. no za u S R.

cotidiano C3

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a Rebouças [700 metros]”. “Não acredito que a prefeitura tenha se debruçado de maneira séria e responsável para fazer essas listas”, diz o urbanista especialista em trânsito Flamínio Fichmann. Paraele,essessão“ajustes” e não obras que resolverão o problema dos congestionamentos e atropelamentos.

9 10

11 12 13 14 15

Jaú e Viaduto Okuhara Koei Ligação Av. Dr. Vital Brasil x Av. Lineu de Paula Machado R. Manuel Gaya entre R. Dr. Antonio Maria de Laet e R. Pero Vidal Av. Presidente Tancredo Neves x Av. N. S. da Saúde x Av. N. S. das Mercês Av. Washington Luís x Av. Interlagos Av. Alcântara Machado, entre Viaduto Pires do Rio e Av. Álvaro Ramos Av. Aricanduva x Av. Afonso de Sampaio e Souza Praça Campo de Bagatelle Praça do Monumento x Av. D. Pedro I Praça Felisberto Fernandes da Silva R. Darzan x R. Dr. Zuquim Viaduto Vila Matilde x R. Joaquim Marra

CASO mérCiA

SEqUEStrO-rELâmPAgO

APÓS ACiDENtE

Polícia prende o único integrante homem da ‘Gangue das Loiras’

Se cumprir exigências, Hopi Hari Justiça mantém decisão de levar poderá reabrir a partir de amanhã ex-policial Mizael a júri popular

DE SÃO PAULO - O único homem

apontado pela polícia como integrante da “Gangue das Loiras” foi preso ontem. Wagner de Oliveira Gonçalves, 36, era procurado junto com outras cinco mulheres pela suspeita de participar de sequestros-relâmpago na capital. O grupo foi descoberto com a prisão de Carina Geremias Vendramini, 25, presa no dia 9. As outras mulheres ainda são procuradas.

O grupo começou praticando roubos a condomínios e, desde 2008, atuava com sequestros-relâmpago. Em depoimento, Carina negou os crimes. A reportagem não teve acesso ao advogado dela e de Gonçalves. Segundo a polícia, o fato da maioria das integrantes ser loira dificultou as vítimas a fazer a identificação das criminosas pois, diz a polícia, elas são relativamente parecidas.

DE CAmPiNAS - O Hopi Hari po-

de ser reaberto amanhã, depois da assinatura de um novo acordo em que se comprometerá a realizar melhorias apontadas por peritos, de acordo com um dos advogados do parque, Alberto Toron. As atividades foram suspensas em 2 de março por um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado depois que a adolescente Gabriella Yukari Nichimura, 14, morreu ao cair

do brinquedo La Tour Eiffel —que seguirá interditado por tempo indeterminado. A Folha tentou falar com a promotora Ana Beatriz Vieira, responsável pelo acordo firmado com o parque, mas ela não atendeu a reportagem. O Ministério Público confirmou que o Hopi Hari pode reabrir amanhã, desde que se comprometa a cumprir as exigências apontadas pelos órgãos técnicos.

DE SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça de SP manteve ontem a decisão de levar o advogado e ex-policial Mizael Bispo de Souza e Evandro Bezerra Silva a júri popular. Eles são acusados de matar a ex-namorada de Mizael, Mércia Nakashima, em 2010. Ainda cabe recurso. A defesa havia entrado com um recurso contra a decisão do juiz Leandro Bittencourt Cano, em dezembro de 2011. A magistrada da 12ª Câma-

ra de Direito Criminal e relatora do processo, Angélica de Maria Mello de Almeida, no entanto, negou o pedido e foi seguida pelos desembargadores Carlos Vico Mañas e Breno de Freitas Guimarães Júnior. A reportagem procurou a defesa dos dois, mas não obteve retorno. Mizael e Silva, tido como seu cúmplice no crime, foram denunciados por homicídio triplamente qualificado. Eles negam participação.


C6 cotidiano

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ab

Sábado, 24 dE Março dE 2012

QUASE TUDO IGUAL Redução do limite de velocidade tem pouco impacto no trânsito, diz CET CAPACIDADE DA PISTA NA 23 DE MAIO Número de veículos por hora

Limite de velocidade

VELOCIDADE MÉDIA (KM/H)

Sentido centro

Sentido bairro

2009 (limite de 80 km/h) 2010 (limite de 70 km/h)

Em 2009

Em 2010

8.412

8.280

80

70

km/h

km/h

Em 2009

Em 2010

10.530

10.358

80

70

km/h

Sentido centro

Sentido bairro

49,8 50,8

51,4 49,4

km/h

Queda de 1,57%

Variação

Queda de 1,63%

Redução de velocidade não aumenta lentidão, diz CET

2%*

Variação

-3,89%

*Nas quatro faixas; desconsiderou-se a faixa da direita (quinta faixa), por ser atípica

POR QUE A REDUÇÃO DO LIMITE NÃO ALTERA O FLUXO DE VEÍCULOS Exemplo 1: Trânsito a 80 km/h Carros trafegam com velocidade maior, próxima ao limite. Entretanto, a distância entre um veículo e outro também tende a ser grande 80 km/h

Estudo da companhia derruba mito sobre causas de congestionamentos Ao andar mais devagar, carros podem diminuir distância entre si; após medida, avenida 23 de Maio manteve fluxo VANESSA CorrEA CrISTINA MorENo dE CASTro

De são paulo

Quando diminuímos a velocidade máxima de uma via com trânsito intenso, os congestionamentos aumentam? Estudo inédito da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) paulistana diz que não. A companhia analisou a redução da velocidade máxima da avenida 23 de Maio, de 80 km/h para 70 km/h, ocorrida em 2010, e concluiu que a quantidade média de carros que passam na via por hora praticamente não se alterou.

Em 2009, cerca de 10.530/h veículos passavam na pista sentido centro-bairro. Em 2010, passaram 10.358/h veículos no mesmo sentido. Taxistas ouvidos pela Folha confirmam que não notaram uma piora no trânsito decorrente da mudança na velocidade —inclusive porque a via costuma ficar travada. Mas tampouco aprovam redução ainda maior. “Se diminuir para 60 km/h? Aí complica”, diz o taxista Renato Aquino, 34, que passa cinco vezes por dia pela 23 de Maio. A conclusão do estudo da CET contraria o senso comum, mas é tida como esperada por especialistas. É que quanto mais rápido um carro anda, maior a distância que ele tem que guardar do veículo à frente. Portanto, quanto maior a velocidade, mais espaço cada car-

ro vai ocupar na via. Por outro lado, quando o trânsito está parado, um carro pode ficar colado ao outro. O maior fluxo possível ocorre quando todos os carros podem andar com segurança e cabe o maior número possível de veículos na via. Diz o estudo que, na av. 23 de maio, isso ocorreria a uma velocidade média de 50 km/h. Além disso, a diminuição da velocidade, diferentemente da percepção comum dos motoristas, tem pouco impacto no tempo que se leva para chegar ao destino. Segundo Horácio Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego e transporte, a redução de 80 km/h para 70 km/h em um trecho de dez quilômetros aumenta a viagem em apenas 1,5 minuto, se sempre mantida a velocidade máxima.

A redução das velocidades é defendida por especialistas como forma de diminuir o número e gravidade de acidentes e atropelamentos. Segundo dados da CET, na 23 de Maio, os acidentes caíram 27% no primeiro ano. REDUÇÃO EM SÉRIE

Ela foi a primeira via a sofrer redução de velocidade nesta gestão. Várias outras já foram alteradas desde então, como a Radial Leste, a Bandeirantes e a Sumaré. “Ao reduzir, a CET corrigiu um erro antigo”, diz Sérgio Ejzenberg, mestre em transportes pela USP. Ele pondera, no entanto, que há um limite. “Se diminuísse para 50 km/h na 23 de Maio, iria gerar um desconforto para o motorista fora do horário de pico, que ia ficar tentado a desobedecer a sinalização.”

c FOCO

Danilo Verpa/Folhapress

70

Exemplo 2: Trânsito a 70 km/h Com a redução da velocidade, os veículos tendem a trafegar mais próximos uns dos outros. Assim, a distância menor compensa a queda na velocidade

km/h

REFERÊNCIA O que o Detran e os manuais de direção defensiva pregam como distância segura que deve ser guardada entre os veículos pequenos, em condições normais

Velocidade 36 km/h 60 km/h 70 km/h 80 km/h

Distância do veículo à frente 20 m 33,3 m 38,9 m 44,4 m

Fonte: CET; estudo da velocidade na avenida 23 de Maio, em São Paulo, antes e depois da redução do limite

Grupo joga tinta colorida em cruzamento da São João VIVIANE VECCHI De são paulo

Tinta espalhada no cruzamento da avenida São João com a rua Helvétia, no centro, encobriu a sinalização de trânsito

A quantidade média de veículos por hora é quase a mesma nos dois casos

Sem saber que se tratava de uma intervenção artística, motoristas e pedestres que passaram pelo cruzamento da avenida São João com a rua Helvétia ontem, no centro, foram surpreendidos por cores espalhadas no asfalto Alguns carros foram parar no lava-rápido, resultado da ação que faz parte do festival BaixoCentro, que acontece entre 23 de março e 1º de abril, nos arredores do Minhocão. O coletivo responsável pelo festival fez uma poça de tinta e os veículos espalharam rastros verdes, vermelhos, azuis e amarelos. Inspirada numa obra do artista holandês Iepe, a pintura foi feita com 200 litros de tinta látex, “de fácil remo-

ção”, segundo o coletivo. Não foi o que constataram alguns motoristas. Segundo Vinícius Nunes, dono de um lava-rápido próximo, duas clientes deixaram os carros manchados para lavar. “Uma delas, inclusive, disse que pretendia chamar a polícia. Foi bem difícil tirar a tinta.” Segundo o BaixoCentro, a obra quer “manifestar o descontentamento com uma cidade cada vez mais fechada”. A Subprefeitura da Sé informou que não foi consultada sobre a intervenção e que já solicitou a limpeza da via. O grupo diz que qualquer um pode usar a via. Questionada se a tinta oferece perigo aos motoristas, a CET respondeu que não foi consultada e que não é recomendável ocupar a via sem prévia análise do órgão.

MorTES João bApTISTA MolINArI ArAuJo (1931-2012)

Chefiou uma fazenda experimental ESTêVão bErToNI

De são paulo

Após se formar, João Baptista Molinari Araujo morou por 25 anos numa fazenda experimental em Campinas. O engenheiro agrônomo chefiou o local, um centro de pesquisas do Instituto Biológico. Filho de agricultores que produziam pinga artesanal, nasceu em São João da Boa Vista (SP) e veio sozinho estudar na capital paulista. Foi aprovado em 13º lugar na Escola de Agricultura da USP, em Piracicaba (SP), onde se formou no final dos anos 50. No centro experimental,

dedicou-se a pesquisas no campo da defesa sanitária e vegetal. Publicou “Experiência para Combate à Verruga do Cafeeiro com Inseticidas Sistêmicos” e “Estudo sobre a Competição das Plantas Daninhas na Cultura do Milho”. Atuou também no Instituto Agronômico, no qual se aposentou, e esteve na França para fazer pesquisas bancadas pelo governo francês. Foi da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Herbicidas e Ervas Daninhas. A mulher, a professora primária Martha, que é dez anos

mais nova que o marido, João Baptista conheceu em Piracicaba. Casaram-se em 1962. Ela lembra que o marido, após se aposentar, foi síndico do condomínio onde moravam. Gostava de cuidar dos jardins e de jogar conversa fora tomando cerveja e fumando seu cigarrinho de palha. Para os netos, que sempre levava à escola, fazia churrascos nos finais de semana. Morreu na quinta (15), aos 80, após um infarto. Teve dois filhos e quatro netos. A missa do sétimo dia será hoje, às 16h30, na paróquia Santa Rita de Cássia, em Campinas. coluna.obituario@uol.com.br

CANDIDA DO CÉU MALGUEIRO - aos 97, viúva de José Joaquim Calejo. Deixa filhos. Cemitério de Congonhas. DARIO SION - aos76,casadocomVirgínia Bock sion. Deixa filhas e netos. Crematório Horto da paz. JITEMBERGUE SILVA MALTA - aos 69. Deixa filhos. Cemitério do Carmo. MERCEDES ALONSO ALVARES - aos 66. Deixa filhos. Cem de Congonhas. ORLANDO ACÁCIO PÓVOA - aos 88, casado com Maria adelaide Ventura póvoa. Deixa filhos. Cem. do Carmo. PEDRO DE ARAÚJO MOREIRA - aos 77, casado com silvia Rosa Moreira. Deixa filhos. Cemitério do Carmo.

30º DIA

VALDOMIRO MANOEL TAVARES amanhã, às 11h, na igreja s. Rafael, lgo. s. Rafael, Mooca. WALDYR BONADEI FÜCHER - Hoje, às 17h, no mosteiro de visitação de sta. Maria, r. Dona Inácia uchoa, 208.

1º ANO

LÚCIA HELENA PRADO BARRETO Hoje, às 15h30, na santíssimo sacramento, r. Tutóia, 1.125, paraíso. RUTH PISTORI - Hoje, às 15h30, na Coração Imaculado de Maria - puC, r. Monte alegre, 948, perdizes.

7º DIA

VALDOMIRO VALÊNCIO DE JESUS amanhã, às 11h30, na igreja do Calvário, r. Cardeal arcoverde, 950.

WATFE SARHAN SALOMÃO (NINA) Hoje, às 8h30, na igreja N. sra. de Fátima, av. Dr. arnaldo, 1.831, sumaré.

NORMA VASQUES DOMINGUEZ Hoje, às 15h30, na Nossa senhora da saúde, rua Domingos de Moraes, 2.387.

MIRNA CLEYDE CUOCO SADA - amanhã, às 18h30, no santuário N. sra. de Fátima, av. Dr. arnaldo, 1.831.

167º MÊS

SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000 segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.


EF Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2012

C1

cotidiano

SALVADOR Polícia admite que mortes em greve não serão esclarecidas

CASO ELOÁ Julgamento de acusado de matar ex-namorada começa hoje

Pág. C6

Pág. C9

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h

Caos paulistano no trânsito chega ao ABC

Consórcio intermunicipal contrata plano de mobilidade para região e começa em abril a restringir caminhões

Fotos ormuzd alves/Folhapress

Crescimento da frota, boom imobiliário e sistema viário obsoleto são algumas das razões citadas para o problema Cristina moreno de Castro

de são paulo

Reportagem leva duas horas e meia para andar 25 km

ABC CONGESTIONADO Boom imobiliário e de veículos complica tráfego na região da Grande São Paulo Pontos mais críticos no trânsito

Frota do Grande ABC

1.435.823

1

veículos (dez.2011)

76%

de aumento em relação à frota de dez.2002

Vim para São Bernardo em 2003 em busca de qualidade de vida e tranquilidade. Fazia [o trajeto] em 20 minutos para vir ao trabalho em São Paulo. Hoje, não faço em menos de uma hora. Isso piorou muito de dois anos para cá

2 3 4

Novos lançamentos na região*

5

9.008 só em 2011 São Paulo

6

> Rodovia Anchieta (alças de acesso a Santo André e São Bernardo) > Av. Piraporinha > Av. Lions > Av. Roberto Kennedy > Av. Lucas Nogueira Garcez > Av. Cupecê > Av. do Estado > Demais vias limítrofes entre municípios

AlEssAndRA cRuz, 42 coordenadora de RH e moradora de São Bernardo do Campo

“Se eu for de ônibus, tenho que sair duas horas e meia antes”, diz o analista de sistemas Maico Amorim, 22, que cumpre em uma hora de carro o trecho de 16 km entre sua casa, em Santo André, e o trabalho, na zona sul de São Paulo. O aumento estrondoso da frota de carros nas cidades do ABC reflete o desânimo dos moradores com o transporte público oferecido hoje. Existem apenas dois sistemas que interligam as cidades do ABC e a capital. O primeiro é a linha 10-turquesa da CPTM. Os usuários notaram melhorias após a inauguração da estação Tamanduateí do Metrô, que desafogou um pouco o número de passageiros —400 mil por dia— em parte do percurso, mas reclamam da mudança

da baldeação da Luz para o Brás, que aumentou o tempo de viagem em até 30 minutos. A explicação da CPTM é que as plataformas da Luz ficaram muito lotadas após a inauguração da linha 4-amarela do Metrô, e a mudança foi aprovada pelos usuários. A outra opção é o corredor ABD, entre o Morumbi, na zona sul de São Paulo, e São Mateus, na zona leste, passando por Diadema, São Bernardo e Santo André. Fora isso, há as promessas das prefeituras de implantação de corredores de ônibus, melhorias viárias, aumento da frota de ônibus e semáforos inteligentes. E o Estado promete a construção do Expresso ABC e de um monotrilho entre a estação Tamanduateí do metrô (para 2014) e São Bernardo do Campo (2016).

igran te

s

de são paulo

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Região tem poucas opções de transporte coletivo para a capital

6

Diadema

Parque do Paço

1 3

a hiet Anc ovia Rod

Parque do Estado

do

Colaborou GIBA BERGAMIM JR.

trânsito na via anchieta, que dá acesso ao aBC, onde mora alessandra Cruz (foto abaixo)

R o d.

Quando Alessandra Cruz, 42, se mudou para São Bernardo do Campo, há nove anos, atrás de “qualidade de vida”, havia 294 mil veículos na cidade. Hoje são 480 mil. Ela gastava cerca de 20 minutos para percorrer os 18 km que ligam sua casa ao trabalho, na zona sul de São Paulo. Hoje gasta mais de uma hora, em dias “normais”. Nos atípicos, como quando as lajes de um prédio em sua cidade desabaram, na semana passada, o trajeto chega a levar duas horas. A situação do trânsito na região do ABC está tão caótica que o consórcio intermunicipal que engloba os sete municípios da região decidiu contratar um Plano de Mobilidade Regional, cujo edital foi publicado na última semana e vai custar R$ 1 milhão (R$ 800 mil do governo e R$ 200 mil do consórcio). A medida chega com algum atraso, já que o problema se agravou há pelo menos três anos, dizem moradores. E atendendo a lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff em janeiro, que define que todo município com mais de 20 mil habitantes elabore um plano desse. Mas é uma primeira resposta a um problema que todos os municípios da região admitem existir, embora não exista medição oficial de lentidão como a de São Paulo. O plano vai discutir, por exemplo, a ampliação da rede de ônibus intermunicipais e a expansão do metrô até São Bernardo do Campo. “Vai apresentar soluções regionais, porque uma obra que resolve o problema em uma cidade joga-o para cidades ao lado”, diz João Ricardo Guimarães Caetano, diretor de programas e projetos do consórcio. Ele se refere a uma unanimidade entre as prefeituras do ABC: o fato de que a restrição aos caminhões na zona sul de São Paulo, há quase dois anos, prejudicou o trânsito nessas cidades que dão acesso ao Rodoanel Sul, também inaugurado em 2010. O ABC também decidiu implantar sua restrição a caminhões em algumas das principais vias em horário de pico. As multas começam a ser aplicadas a partir de abril. Outras razões também são apontadas para o caos recente: o aumento da frota de veículos (de 76% nos últimos dez anos), o boom imobiliário (aumento de 83% desde 2009 no número de lançamentos de imóveis na região, que chegam a ser 25% mais baratos que na capital), um sistema viário obsoleto e a falta de integração entre os transportes públicos das cidades. Enquanto os planos das prefeituras e do Estado não se concretizam, Alessandra continua podendo optar por gastar, duas vezes ao dia, uma hora (ou duas) de carro ou duas horas de ônibus para um percurso que, a pé, levaria três horas.

Santo André

2

São Bernardo Do Campo

5

4

O QUE MELHOROU > Frequência dos trens na linha 10-turquesa > Nova estação Tamanduateí (linha verde do Metrô) alivia a lotação antes de chegar à estação da Luz

O QUE PIOROU > Devido a mudança na rota em agosto, passageiros que iam até a Luz têm que descer no Brás e pegar um trem que vem lotado de Guaianases. O percurso aumentou entre 20 minutos e meia hora

PROJETOS > Monotrilho vai ligar a estação Tamanduateí, da linha 2-verde, a São Bernardo do Campo. Edital foi publicado na última semana, mas não há prazo para construção > Expresso ABC, que deve ser construído até 2012, de acordo com a CPTM

> Plano de Mobilidade Regional está em fase de planejamento pelo consórcio intermunicipal do ABC. O projeto trará sugestões para melhoria do trânsito e do transporte público da região metropolitana

*Englobando os municípios de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá

de são paulo

Na avenida do Estado, principal tronco de ligação entre São Paulo e cidades do ABC, o que mais se vê são carros com placas de Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá e São Caetano do Sul. E há muito tempo para ver e até para conversar com os motoristas dos carros próximos, já que o trânsito está completamente parado desde as 17h30, quando a reportagem da Folha chega ali, vinda do centro. O objetivo da viagem é verificar quanto tempo leva o trajeto de São Paulo ao centro de Santo André. A culpa do congestionamento da vez é um semáforo estragado por causa de uma breve chuva no cruzamento com a avenida dos Patriotas, onde o carro da Folha só consegue chegar às 18h35. Superado o trânsito da capital, chegamos a mais trânsito na rodovia Anchieta, onde se alcança apenas 20 km/h antes de cada nova brecada. Quando comemoramos os 50 km/h alcançados após 27 minutos, vemos novos engarrafamentos no primeiro acesso para Santo André. Entramos no trevo seguinte, que vai para São Bernardo, mas, surpresa!, a avenida Piraporinha também está lotada nos dois sentidos às 19h21. E assim estão as entradas para as avenidas Kennedy e Lucas Nogueira Garcez. O pesadelo só termina às 19h40, já perto do centro de Santo André, quando os carros param de escoar naqueles gargalos e já estacionam nas garagens das casas. Saldo da noite: duas horas e meia de trânsito pesado para percorrer 25 quilômetros.


Sexta-Feira, 4 De Maio De 2012

C1

cotidiano

Mortes por atropelamentos caem 2% na cidade em 2011 Pequena redução ocorre em ano de campanha paulistana de proteção ao pedestre Cet diz que efeitos do programa municipal ainda são tímidos porque ele começou em maio e só no centro

BREVE LANÇAMENTO

Um novo projeto, com os diferenciais Paulo Mauro, na Vila Romana.

Cristina moreno de Castro

de são paulo

No ano em que a prefeitura de São Paulo estreou seu programa de proteção ao pedestre, com multas a motoristas quenãoparamnafaixaecampanhas nas ruas e na TV, o número de mortos em atropelamentos teve redução de 2% na comparação com 2010. Segundo o relatório de acidentes de trânsito fatais, divulgado ontem, houve 617 mortos por atropelamento em 2011. Em 2010, foram 630. A redução foi menor do que os 6% registrados entre 2009 e 2010, quando não havia multas a motoristas nem propaganda massiva na cidade. A queda neste ano terá de ser drástica se a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) quiser atingir a meta da campanha —lançada em maio de 2011— de ter 50% a menos de mortes em toda a cidadeatédezembroquevem. Nancy Schneider, superintendente de educação no trânsito da CET, mantém a meta de redução de 50%. Segundo ela, os efeitos do programa nos números de 2011 “são insignificantes”, por ele ter começado apenas na região central, em maio, e só ter se expandido para toda a cidade em setembro, quando começou a campanha na TV. Ela diz que, no centro, os atropelamentos foram reduzidos. Mas os dados divulgados ontem mostram a avenida São João —alvo da campanha desde o início —entre as 50 mais perigosas da cidade. Na periferia a situação é mais grave. A Jacu-Pêssego, na zona leste, teve apenas um atropelamento em 2010. No ano passado —já ampliada após reforma e ligação com o trecho sul do Rodoanel— a via foi a segunda mais perigosa da cidade, atrás apenas da sempre campeã marginal Tietê, com 13 atropelamentos. AUMENTO GERAL

Ao todo, houve um pequeno aumento do número total de mortos no trânsito na cidade, algo que não ocorria desde 2007. Foram ao todo 1.365 mortes, número que supera os 1.069 assassinatos ocorridos na cidade —isso já vinha ocorrendo nos últimos anos. O que explica a alta violência no trânsito são as vítimas em motos, já que houve redução de acidentados em carros e o número de ciclistas mortos manteve-se estável. Ao todo, houve piora no número de acidentes fatais em 14 das 31 subprefeituras, principalmente nas zonas leste, norte e no extremo sul. Na região da Sé, que tinha sido a recordista de mortes em 2010, com 96 acidentes fatais —boa parte atropelamentos—, houve redução para 79. Ela continua sendo a subprefeitura com mais acidentes em 2011, seguida da Capela do Socorro, com 75, e Sapopemba, com 68.

» LEIA MAIS na pág. C3

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Joel silva/Folhapress

trânsito na av. JacuPêssego; via teve o maior aumento de mortes

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Sábado, 15 dE SEtEmbro dE 2012

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Caixa vai oficializar bolão a partir de outubro

cotidiano C9 Apu Gomes/Folhapress

Objetivo é garantir segurança e transparência, afirma o banco Apostas do tipo são proibidas atualmente, mas acabam feitas de forma informal pelas casas lotéricas DE SÃO PAULO

A Caixa Econômica Federal decidiu oficializar o famoso bolão em suas loterias. As apostas, que até então eram proibidas e feitas apenas de maneira informal pelas próprias casas lotéricas, começam a valer a partir de 1º de outubro. De acordo com a Caixa, o objetivo da medida é garantir segurança e transparência aos apostadores. O Bolão Caixa, anunciado ontem,seráfeitocomumatecnologia específica para esse tipodejogo.Osrecibosserãoimpressos de forma individual. Assim, em caso de premiação, cada apostador terá seu próprio recibo da cota premiada. Nos bolões oferecidos pelas lotéricas atualmente o apostador fica somente com um comprovante da casa, que não é reconhecido pela Caixa.

A discussão sobre a legalidade do bolão começou em fevereiro de 2010, quando 35 apostadores de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, que compraram um bolão com as dezenas premiadas da MegaSena, mas não levaram o prêmio porque a casa lotérica não havia registrado o jogo. O caso criou muita polêmica, foi parar na polícia e atualmente está sendo analisado pela Justiça. Na segunda-feira passada, a Justiça Federal de Novo Hamburgo negou o pedido de apostadores que pretendiam receber o prêmio de R$ 53 milhões. Ainda cabe recurso. COMO FUNCIONA

A aposta inicial vai custar R$ 10 e será limitada a dez jogos por recibo. O número mínimo de cotas é dois e o máximo é de 100, dependendo da modalidade escolhida — Mega-Sena, Dupla Sena, Quina, Loteca ou Lotofácil. As apostas poderão ser feitas nos volantes de cada loteria, que passarão a exibir um novo campo especialmente para o bolão.

» limpezA

Funcionário tenta desobstruir a pista do rodoanel, em osasco, na Grande são paulo, após um grupo de manifestantes sem teto fechar a via por volta das 6h40 de ontem; às 9h15, congestionamento na região era de 16 km

Instrutordeautoescolaterá‘provão’,dizministro Examinadores de Detrans também serão testados todo ano para melhorar formação de motoristas cristinA moreno de cAstro DE SÃO PAULO

Os cerca de 50 mil instrutores de trânsito e examinadores de Detrans do Brasil terão que fazer um provão anual, aos moldes do Enem, que ajudará na avaliação das autoescolas. O Enit (Exame Nacional de Instrutores de Trânsito) e o Enet (Exame Nacional de Examinadores de Trânsito) deverão ser aplicados já em 2013, disse à Folha o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. “Vamos melhorar o nível na base das pessoas que estão ensinando e formando os motoristas. Dar uma nota para começar a qualificar melhor quem está formando

nossos motoristas.” O ministro disse que o exame ainda está sendo estruturado, mas “logo” será anunciado oficialmente. Os exames são parte de um pacote que o Ministério das Cidades vai lançar durante a Semana Nacional de Trânsito (18 e 25 de setembro), que ganhou o nome de “Parada”: Pacto Nacional Pela Redução de Acidentes. Prevê medidas como maior capacitação de instrutores e lançamentos de filmes ligados à temática da redução de acidentes e peças publicitárias. O mote da campanha será “lugar de correr é na pista”. CAMpANhA

Ao contrário de outras cam-

panhas, lançadas em épocas específicas do ano com maior concentração de acidentes — como o Carnaval —, a ideia é que esta seja permanente e continue por toda a Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito (2011/2020). Essa é uma proposta da ONUparareduçãodosaciden-

O que estamos buscando é a sensibilização da sociedade para que todos assumam sua responsabilidade AguinAldo RibeiRo Ministro das Cidades

tes de trânsito em 50% no mundo, da qual o Brasil é signatário. Em 2010, último dado do Ministério da Saúde disponível, houve 42,8 mil mortos em acidentes de trânsito no país, um recorde histórico. “O problema é incorporar o hábito. Por isso queremos que seja permanente agora. A insistência também ajuda”, diz o ministro. Os recursos para a campanha serão incrementados por patrocínios. Anteontem,foifirmadoparceria com a Federação Internacional de Automobilismo e o Instituto Emerson Fittipaldi para que a campanha comece a ser divulgada no evento “6 Horas de São Paulo”, que ocorre hoje em Interlagos.


C8 cotidianoo

ab

S EXTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2011 Q Adriano Vizoni-9.fev.2010/Folhapress

Fevereiro de 2010

Isadora Brant/Folhapress

Nesta semana

Deformações no asfalto da rua Froben (zona oeste de SP), identificadas há quase um ano

Quase um ano após problema ser sanado pela prefeitura, buracos voltam ao mesmo local

Buracos voltam à mesma rua, 1 ano depois

Metade dos 57 trechos com deformações mapeados pela Folha em 2010 mantinha problemas no asfalto neste ano Novas falhas, quando não estavam no mesmo lugar do ano passado, tinham vizinhos a poucos metros ALENCAR IZIDORO CRISTINA MORENO DE CASTRO

DE SÃO PAULO

Mesmo avisada, a prefeitura demora para consertar os buracos em época de chuva em São Paulo. E, mesmo quando esse serviço é realizado, os problemas muitas vezes voltam logo depois. Um ano após a Folha alertar a gestão Gilberto Kassab (DEM) sobre 57 buracos e deformações do asfalto, falhas

persistiam em metade dos pontos. Ou seja, eles abriram de novo ou outros novos apareceram ao lado deles em 28 dos trechos mapeados. Às vezes, deformações profundas, com mais de 1 m de largura. Às vezes, pequenas —mas prestes aumentar. Até uma avenida do porte da Santo Amaro apresentava depressões —uma delas, encoberta por cone improvisado da CET— um ano depois de serem apontados mais de dez buracos ao longo da via. Os problemas foram monitorados em distritos como Santo Amaro, Vila Leopoldina, Lapa, Perdizes, Vila Mariana, Pinheiros e Sé. A prefeitura tinha a meta de realizar em até 48 horas os Daniel Marenco-31.mai.2010/Folhapress

serviços de tapa-buraco solicitados pela população. Em 2010, sem se identificar como jornalista, a Folha solicitou pela internet o serviço. Após dez dias, menos de metade dos pedidos tinha sido atendida —os demais reparos, só semanas depois. Em 2011, os buracos foram revisitados e, quando não estavam abertos exatamente no mesmo lugar, tinham vizinhos inconvenientes, a poucos metros de distância. Na rua Simões Álvares, em Pinheiros, por exemplo, um asfalto mal colocado em cima de paralelepípedos formava uma série de buracos. A prefeitura foi avisada de novo neste ano, recapeou o local, mas quatro novos bura-

Maio de 2010 Rua Oscar Freire (zona oeste) fechada por causa de buraco

OUTRO LADO

Material usado é de 1ª qualidade, diz prefeitura DE SÃO PAULO

A prefeitura diz que tem investido em recapeamento das pistas. Afirma que, “enquanto nem todas as vias onde este serviço é necessário podem ser atendidas”, usa material “de primeira qualidade” para tapar buracos. Sobre a volta dos problemas um ano depois, afirma que “é bastante complexo aferir, com razoável precisão,

a durabilidade dos serviços”. Diz que “diversos fatores” influenciam no surgimento de falhas, como idade do pavimento, quantidade e tipo do tráfego e interferências no subsolo por concessionárias. Em 2010, nos meses de pico, a média foi próxima de 60 mil buracos tapados por mês —2.000 mil por dia. Em 2010 houve recapeamento em 416 importantes vias, num total de 342 km. Outras 44 (42 km) têm serviços em andamento. A prefeitura afirma que “os responsáveis pelos serviços” recebem treinamento e um laboratório controla a qualidade dos materiais em uso. Gabo Morales/Folhapress

Tubulação da Sabesp rompe de novo e reabre cratera na rua Oscar Freire DE SÃO PAULO

FOTO 2.0 23.0

cos já tinham surgido na parte nova, uma semana depois. Na rua Xavier Kraus, atrás do Ceagesp, feirantes improvisaram pedras para minimizar a deformação da pista —mas elas não evitaram a queda de um motoqueiro. Luiz Sérgio Coelho, professor de engenharia civil da FEI (Fundação Educacional Inaciana), diz que falhas comuns no reparo dos buracos são a falta de camadas resistentes e de uma preparação do lugar a ser consertado. Ele afirma ainda que não basta tapar aquilo que está aberto. “Cada buraquinho é sinal de uma patologia maior na região. Tem que fazer por inteiro. Cada veículo que passa propicia mais desgaste.”

Uma cratera de dois metros de diâmetro se abriu na valorizada esquina da rua Oscar Freire com a avenida Rebouças anteontem à tarde. Segundo a Sabesp, companhia estadual de saneamento, um poço de visita (estrutura de acesso à rede de água e esgoto) foi danificado por causa das chuvas. Esta é a segunda vez que um buraco abre naquele mesmo lugar. A primeira foi em maio do ano passado, quando a rede de água chegou a ser danificada e um

carro ficou preso no buraco. Houve congestionamento por causa da interdição parcial da rua. “Todo mundo aqui ficou prejudicado, porque os clientes não vieram buscar mercadoria com esse trânsito fechado”, disse o comerciante e morador local, Antonio Matos, 58, que diz que faturou um terço do normal. A Sabesp disse que o conserto não pôde ser iniciado na véspera “por medida de segurança”, já que as redes no local estão próximas a tubulações de gás, energia elétrica e telefonia.

FOTO 2.0 23.0

Ontem Rua voltou a ser interditada por causa de novos buracos

MORTES ADALTO BRANDY - Aos 71, casado com Lourdes Hernandes Brandy. Deixa dois filhos. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. BEATRIZ PACHECO DE TOLEDO - Aos 92, casada com Paolo Rossi. Deixa os filhos Norma, Paulo Roberto e Perla

Beatriz, netos e bisnetos. Crematório de Vila Alpina. CLARICE PERAMOS BELLINI - Aos 81, viúva de João Bellini. Deixa três filhos. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. GERALDA MARIA DE FREITAS - Aos

77, casada. Deixa filhos, netos e bisnetos. Crematório e Cemitério Memorial Parque Paulista. HELIO BATISTA - Aos 82. Cem. e Crematório Metropolitano Primaveras. JOVITA FERREIRA MILAGRES - Aos 64, casada. Deixa irmãos, filhos e ne-

RAMIRO ELYSIO SARAIVA GUERREIRO (1918-2011)

Chanceler do governo Figueiredo ESTÊVÃO BERTONI

DE SÃO PAULO

Durante todo o governo Figueiredo (1979-1985), coube a Ramiro Saraiva Guerreiro comandar o Itamaraty. Filho de um médico, ele nasceu em Salvador (BA). Antes de ir para o Rio, onde se formou em ciências jurídicas e sociais em 1939, chegou a ser escrivão de polícia. Em 1945, concluiu estudos no Instituto Rio Branco e, no ano seguinte, foi ser terceirosecretário na missão brasileira na ONU, em Nova York. Passaria pelas embaixadas brasileiras na Bolívia, Es-

panha, EUA e Uruguai. Foi ainda secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores e embaixador na França. Até que se tornou ministro. O grupo que o cercava ficou conhecido como Barbudinhos do Itamaraty, por ser uma corrente progressista. No período, Guerreiro valorizou a relação com os países vizinhos e com a África. Também fez a primeira viagem à China comunista. Durante a guerra das Malvinas, reafirmou apoio à soberania argentina. E travou acordo com a Argentina para o funcionamento de Itaipu. Foi ainda embaixador ex-

traordinário para assuntos da dívida externa no governo Sarney. Defendeu a volta do país, em moratória, ao FMI. Era lembrado pela boa memória e pelo apelido de Soneca. Brincavam que ele era o único diplomata capaz de dormir enquanto discursava. Também o criticavam por ter criado duas embaixadas do Brasil na Áustria e outras duas em Londres. Em 1992, lançou “Lembranças de Um Empregado do Itamaraty”. Morreu anteontem, aos 92, de complicações respiratórias. Casado com Maria da Glória, teve dois filhos. coluna.obituario@uol.com.br

to. Cem. Memorial Parque Paulista. MATEUS FABOZI - Aos 86, casado com Adelheitt Krobath Fabozi. Esta aposentado, deixa dois filhos. Cem. e Crem. Metropolitano Primaveras. NELSON LOURENÇO - Aos 77, casado com Belmira Lourenço. Deixa os filhos Marina, Claudia, Marcos e Eduardo Tadeu e netos. Cemitério do Araçá.

7º DIA

ALEXI DE MORAES PICCININI - Hoje, Vitor Ramos (in memóriam), os filhos Nuno, Guiomar e Fernão, as noras Sandra e Maria Elise, os netos João, Miguel, Vicente, Helena, Vitor, Leo, Caetano e Bruno comunicam o falecimento de sua querida esposa, mãe, sogra e avó

DULCE HELENA PESSOA RAMOS E convidam para o seu sepultamento que acontecerá hoje às 12h no Cemitério da Consolação.

às 19h, na igreja Matriz de Santana de Parnaíba, centro, Santana de Parnaíba (SP). DINORAH GUARIM NOGUEIRA - Hoje, às 19h30, no Santuário N. Sra. de Salete, r. Dr. Zuquim, 1.746, Santana. MARIA BRÓVIA PASSERA - Hoje, às 12h, na igreja N. Sra. do Perpétuo Socorro, pça. Honório Líbero, 100, Jd. Paulistano. MARIA ROBERTO DE LIMA - Amanhã, às 15h, na igreja Sto. Expedito, r. Quedas, 465, V. Isolina Mazei.

30º DIA

CARLOS A. FANUCCHI DE OLIVEIRA - Hoje, às 18h30, na N. Sra. do Brasil, pça. N. Sra. do Brasil, 1, Jd. América. ROBERTO LOSCHI FILHO - Hoje, às 19h30, na paróquia Sto. Antonio, r. Conselheiro Moreira de Barros, 2.221, Lauzane Paulista.

1 MÊS DE FALECIMENTO A esposa Alaide e os filhos Cristiane, Andreia, Rodrigo e Pedro convidam para a missa em memória de

Orestes Quercia a ser celebrada no próximo dia 27 (quinta-feira), às 10:00hs, na Igreja São José, na rua Dinamarca nº 32, Jardim Europa.

1º ANO

PAULO SANDOVAL - Hoje, às 18h30, na paróquia Assunção de N. Sra., al. Lorena, 665, Jd. Paulista.

20º ANO

AVEDIS DEMERCIAN JUNIOR (AVE) Hoje, às 18h, na capela Sto. Antonio, Aldeia da Serra.

SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000 segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.


Adriano Vizoni/Folhapress

EF Sábado, 22 dE SEtEmbro dE 2012

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cotidiano

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Ciclistas adotam câmeras para denunciar motoristas Comum em outros países, prática vem se popularizando em São Paulo

» LEIA na pág. C2

A blogueira Silvia Ballan, 40, já postou mais de 30 vídeos

O E NT EV E R B AM Ç N LA

Seu ponto de encontro com sua nova vida.

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Sábado, 22 dE SEtEmbro dE 2012

Rostoeplacadeinfratorsãoexibidosnaweb Para especialistas, prática é boa, mas não deve estimular atitudes agressivas nem tornar motoristas únicos vilões do trânsito adriano Vizoni/Folhapress

Prática de filmar quem não respeita ciclista vem se popularizando em são Paulo; alguns já postaram 30 vídeos

c saiba mais Em Londres, vídeo vira prova para multar motorista

cristina moreno de castro

colaboração para a folha

de são paulo

bruno benevides fernanda kalena

Um dos pioneiros no uso de câmeras no trânsito, o londrino Ben Porter registrou em 2011 a fechada que levou de uma van, no seu caminho de bicicleta entre a casa e o trabalho, na capital londrina. As imagens captaram também o xingamento que recebeu. O vídeo não foi o primeiro do gênero, mas ficou famoso porque a polícia usou o material como prova para multar o motorista irritado. Desde então, outros foram publicados e recebem comentários. “Uns [motoristas] se desculpam, outros xingam”, diz Gaz William, editor do Cycle Camera TV, site que publica as imagens.

colaboração para a folha

Oito ciclistas cercam um carro preto, na avenida Paulista. O motorista, que antes os tinha xingado, ao ouvir que está sendo filmado, desvia das bicicletas em alta velocidade, avança o sinal vermelho, bate numa motociclista —que cai— e foge sem parar para ver como ela está. A imagem, de 1min34s, circula pela internet, nas redes sociais. Mostra o rosto do motorista e a placa do carro. E foi feita com uma camerazinha acoplada ao capacete, que está virando moda entre os ciclistas mais militantes. Segundo o cicloativista Daniel Labadia, do Instituto CicloBR, o uso da câmera esportiva está se “massificando” entre ciclistas paulistanos há uns dois meses, quando surgiu uma segunda fabricante no país. Em outros países, é tendência há meses. “O principal objetivo é flagrar as infrações contra ciclistas”, afirma. O equipamento, custa a partir de R$ 900. Especialistas advertem que a prática não pode constranger, colocar os motoristas como vilões do trânsito e nem estimular atitudes agressivas, como a de “tirar satisfações”. “Querer impor a educação ao motorista é um comportamento que não leva a resultados”, diz José Almeida Sobrinho, do Instituto Brasileiro de Ciências de Trânsito. A Folha viu vídeos que mostram o rosto dos condutores infratores e a placa dos carros, mas, na maioria das vezes, a imagem não vai muito além dos “raspões”, vistos da perspectiva do ciclista. Em ao menos um vídeo, a imagem mostra também o ci-

ciclista disputa faixa com ônibus na avenida Paulista (sP); filmar o comportamento de condutores está virando moda clista cometendo infração. Ademar Gomes, presidente da Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo), acha que não há problema em filmar e colocar na internet. “Se o motorista foi o responsável pelo acidente e fez isso em público, não vejo nenhum problema. Se ele processar o ciclista, perde, porque estava nas ruas”, disse. mais de 30 vídeos

A blogueira Silvia Ballan, 40, que pedala há 25 anos, já postou 30 vídeos no YouTube, mas evita mostrar as placas —tem medo de ser identificada e agredida nas ruas. O publicitário Caio Spinola, 28, que flagrou a cena que abre este texto, carrega a câmera há oito meses, mas divulgou só aquele vídeo para, diz, ajudar a motociclista atingida. “Tenho visto mais ciclis-

Ciclofaixas vão funcionar hoje, Dia Mundial Sem Carro CET prevê que medida deve piorar trânsito, já que motoristas ‘perderão’ 72 km para ciclistas de são paulo

Hoje é Dia Mundial Sem Carro e, para comemorá-lo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) decidiu que todas as quatro ciclofaixas de lazer já existentes na cidade, que geralmente funcionam aos domingos, também estarão abertas hoje, das 7h às 16h. Com isso, os motoristas “perdem” 72 km para os ciclistas neste sábado, em vias movimentadas como as avenidas Paulista e Berrini. A CET prevê que o trânsito fique pior e, por isso, “recomenda aos motoristas que evitem a região de ativação das ciclofaixas” — “mas, acima de tudo, que prefiram evitar o carro neste sábado e se integrem a esta mobilização internacional”. Amanhã as ciclofaixas de lazer também funcionarão normalmente. mais ônibus

Além disso, 110 ônibus serão incluídos à frota de sábado e algumas linhas serão reforçadas, para incentivar o uso do transporte coletivo. Segundo a SPTrans, as medidas representam 19.800 novos lugares disponíveis nos

veículos que circularão pela cidade hoje. Também serão inauguradas mais quatro estações do projeto Bike Sampa, que permite o compartilhamento de bikes a pequenas distâncias, totalizando 300 bicicletas em 30 estações. Até amanhã, a Polícia Militar continuará com sua ação de abordagem de pessoas em bares e restaurantes. Os policiais conversam com quem está bebendo e entregam panfletos, para orientar a não dirigirem na volta para casa.

c Pontos turísticos

centro ganha ciclofaixa no domingo

Amanhã, a ciclofaixa de lazer da Paulista ganhará o trecho de 9,5 km ligando a avenida à praça João Mendes, no centro, por meio da rua Vergueiro. A ciclofaixa funcionará sempre aos domingos e feriados, das 7h às 16h, passando por pontos turísticos, como a Catedral da Sé, o Theatro Municipal e o Pateo do Collegio.

tas com a câmera. Naquele dia, tinha uns 20 usando.” O estudante de medicina Rafael Darrouy, 26, de Vitória (ES), criou na internet a página “Ciclista Capixaba”, onde divulgou 32 vídeos. Ele teve a ideia após ser derrubado por uma motorista, que passou o carro por cima da bicicleta. “Pensei: se eu tivesse uma câmera, poderia ter evidências para um processo.” Desde então, fez com que pelo menos um respondesse a ação por direção perigosa. Quem não tem dinheiro para a câmera esportiva se vira com outras, como a fotógrafa Laura Sobenes, 25. Ela filmou com o celular um motorista que cruzou o sinal vermelho após jogar o ônibus para cima dela e dizer: “É você quem vai morrer, eu só vou assinar um BO”. O vídeo teve repercussão, e o motorista acabou suspenso.

(BRUNo BENEVIDES)

Riscoéestimularagressividade,dizespecialista de são paulo

Especialistas em trânsito veem a prática de filmar quem desrespeita ciclista com “bons e maus olhos”. José Almeida Sobrinho, presidente do conselho deliberativo do Instituto Brasileiro de Ciências de Trânsito, acha que o uso da câmera é uma boa forma de obter provas contra infrações, porque “automóveis e motos se acham os donos das ruas e colocam em risco os veículos menores e mais lentos”. Mas ele condena os ciclistas que tiram satisfações com os infratores. “A câmera não deve estimular atitudes agressivas. Os ciclistas são os que mais têm a perder com isso.” Para Reginaldo Paiva, presidente da comissão de bici-

cletas da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), o lado positivo das câmeras é que “mostram um pouco da realidade” nas ruas das cidades brasileiras. “Acho muito legal que se faça isso para mostrar as condições de insegurança que os ciclistas têm ao circular na área da Paulista”, afirma. PeRiFeRia

Ele ressalta que, das 600 mil bicicletas que circulam diariamente a trabalho na cidade, a maioria está na zona leste —no Jardim Helena, são 1.300 viagens por quilômetro quadrado, uma das maiores concentrações do país. Como os capacetes e essas câmeras são equipamentos caros, são utilizados, no entanto, segundo ele, por uma

pequena minoria do centro. “Mas mostram a falta de uma política por parte dos poderes municipais de fazer campanhas de compartilhamento do trânsito”, diz. Ele critica o fato de os ciclistas não mostrarem as infrações que eles próprios cometem nas ruas da cidade. “Esse tipo de vídeo tenta culpabilizar os outros, mostrar como motoristas são agressivos com ciclistas, mas nem todos são”, afirma. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) lançou o “Programa de Proteção aos Ciclistas” em 14 de maio deste ano, quando começou a multar motoristas que desrespeitavam os ciclistas. Desde então, diz que multou 212 motoristas —não informou por quais infrações.

DIA MUNDIAL SEM CARRO No evento anual, a população é convidada a deixar seu veículo na garagem e utilizar outros meios de transporte Victor Moriyama/Folhapress

ATIVAÇÃO DAS CICLOFAIXAS A CET irá liberar todas as ciclofaixas de lazer neste sábado (22), em caráter excepcional FUNCIONAMENTO Hoje, das 7h às 16h. No domingo, as ciclofaixas também irão operar normalmente, no mesmo horário MAIS ÔNIBUS No total, 110 ônibus serão adicionados à frota de sábado. De acordo com a SPTrans, as medidas representam 19.800 novos lugares disponíveis nos veículos que circularão pela cidade CICLORROTA TURÍSTICA Inaugura amanhã a ciclorrota turística, que inclui atrações do centro, como o Pateo do Collegio, a praça da Sé e o Theatro Municipal

Ciclofaixa da av. Paulista funciona hoje e amanhã Circuitos

Ciclofaixa da Paulista

Ciclofaixa Entre Parques

Ciclofaixa da Zona Norte

Ciclofaixa da Zona Leste

Extensão

5 km

45 km

8 km

14 km

Na av. Paulista, da rua da Consolação à praça Osvaldo Cruz

Interliga os parques do Ibirapuera, das Bicicletas, do Povo, Villa-Lobos e o futuro Parque Clube do Chuvisco

Liga a Pça. Heróis da F.E.B. à estação Parada Inglesa do Metrô

Passa pelas avenidas Gov. Carvalho Pinto, Dom Hélder Câmara e Calim Eid

Trajeto


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Sexta-Feira, 21 De Setembro De 2012

Caminhão volta à marginal na hora do pico Seis meses após início das restrições de circulação, marginal Tietê tem mais veículos circulando em horários proibidos Julia chequer/Folhapress

número de carros e de motos na via também cresceu, o que levou à piora da lentidão em quase todos os horários

ANÁLISE

Paliativos para o trânsito não têm mais lugar em São Paulo

cristina moreno de castro de são paulo

Seis meses após o início da restrição à circulação aos caminhões na marginal Tietê, esses veículos estão voltando, gradualmente, a ocupar a via nos horários proibidos (das 5h às 9h e das 17h às 22h). Contagem feita pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) a pedido da Folha mostra que, desde 5 de março, quando os caminhoneiros passaram a ser fiscalizados e multados, até 6 de setembro, houve um aumento de 43% no número de caminhões circulando em horários não permitidos na marginal. No primeiro dia de multa, foram 2.457 caminhões no período das 7h às 9h e no das 17h às 20h, ambos proibidos para esse tipo de veículo. No dia 6 deste mês, os desobedientes passaram para 3.898. No período, a CET aplicou 72.494 multas pelo desrespeito à restrição. Isso dá uma média de 471 autuações por dia —ou apenas 12% do total de caminhões irregulares. O número de carros, de ônibus e de motocicletas também subiu. Comparando-se com contagem feita em 2010, quando não havia restrições, o número de caminhões caiu 67% das 7h às 9h, mas o dos demais veículos subiu —aumento médio total de 25%. congestionamento

O resultado é que, apesar da restrição, a lentidão média, tanto na cidade quanto na marginal Tietê, piorou. Na cidade, o trânsito piorou em todos os horários medidos pela CET, das 7h às 20h, em relação ao mesmo período de 2011, quando não havia restrição na marginal Tietê. Já na marginal, houve melhora de 25% no pico da manhã (das 7h às 9h) e piora nos demais períodos. A lentidão na marginal Pinheiros, com restrição desde setembro de 2010, está pior em todo o dia. Quando a CET anunciou o programa, disse que esperava um incremento de 20% na velocidade média na cidade. Para especialistas, as restrições são medidas paliativas de fácil reversão. “Todo o espaço que os caminhões deixaram, os outros ocuparam rapidamente”, afirma Horácio Figueira, consultor em engenharia de tráfego. Já a CET diz que os índices de lentidão estão “dentro da média esperada” e que “a utilização do viário para o transporte de pessoas em detrimento do transporte de cargas” está sendo privilegiada, “conforme foi idealizado”. A companhia diz ainda que houve redução do número de acidentes com vítimas em 13% e de caminhões quebrados em 24%. O órgão também atribui a lentidão da cidade ao “momento de grandes obras”, como as do metrô.

JosÉ almeida sobrinho especial para a folha

caminhão circula na marginal tietê, em são Paulo, às 19h05; horário proibido vai das 5h às 9h e das 17h às 22h

DE VOLTA À PISTA Número de caminhões na marginal Tietê cresceu desde o início da restrição de circulação

3.898

Aumento de 59% em relação a 5.mar

Número de caminhões circulando em horários restritos* (das 7h às 9h e das 17h às 20h)

Horários em que caminhões estão proibidos na marginal Tietê

23,5% das 5h às 9h

foi o aumento no número total de veículos circulando na marginal Tietê nos horários de pico de 2010 (antes da restrição) até este mês

2.725 2.457

das 17h às 22h 5.mar.2012

22.mar.2012

6.set.2012

*A medição da CET é sempre feita das 7h às 20h, por isso não inclui o período completo da restrição a caminhões

Início da restrição

JOSÉ DE ALMEIDA SOBRINHO é presidente do conselho deliberativo do instituto Brasileiro de ciências do Trânsito

MÉDIA DE LENTIDÃO 2011

2012**

CIDADE TODA (em km de lentidão)

Das 7h às 9h

Das 9h às 17h

MARGINAL TIETÊ (em km de lentidão)

Das 17h às 20h

Das 7h às 9h

Das 9h às 17h

c eFeito colateral Das 17h às 20h

130 km

25,1 km

108 km 78 km

85 km

75 km

90 km

17,7 km

15,7 km

20 km

20,9 km

11,7 km

Variação: 9%

Sempre que o trânsito na capital paulista fica complicado, surgem as ideias para amenizar o transtorno. Os congestionamentos constantes resultam em medidas que visam melhorar a fluidez, quase sempre por meio da imposição de restrições aos usuários. O rodízio de placas, a proibição da circulação de determinados tipos de veículos em locais específicos, a proibição de estacionamento e tantas outras medidas restritivas são sempre lembradas quando o índice de lentidão ou congestionamento se eleva. Interessante é notar que raramente se pensa em medidas de incentivo à diminuição dos veículos em circulação na cidade, à troca do transporte individual pelo coletivo, até mesmo no esclarecimento sobre a falsa sensação de conforto que os automóveis costumam transmitir. Pois basta o enfrentamento de um congestionamento para que o conforto seja apenas uma vaga lembrança. As restrições usadas até hoje na cidade de São Paulo se revelam apenas medidas paliativas e temporárias, pois, diante da inércia sobre uma radical mudança de filosofia no transporte em nosso país, não demanda muito tempo para que a situação que motivou a restrição retorne à pauta das preocupações dos administradores do trânsito. Há que se começar a pensar em um novo modelo de transporte e circulação de pessoas e mercadorias na capital paulista, pois, caso contrário, continuaremos a tapar com rolhas os vazamentos nas paredes da grande represa que é a cidade. Os paliativos não têm mais lugar em uma metrópole cujo crescimento pode determinar sua implosão social. Medidas concretas e eficazes devem ser adotadas desde já, porque só assim se poderá preservar um mínimo de qualidade de vida para o paulistano.

Variação: 20%

Variação: 20,4%

Variação: -25,0%

Variação: 13,1%

Variação: 19,7% **Até junho

roubo de carga teve aumento, diz sindicato O sindicato dos caminhoneiros autônomos atribui à restrição e à lentidão o aumento dos roubos de cargas logo após entrar em vigor a medida: em março de 2012 foram 132 casos —164% a mais que no mesmo mês de 2011. Diz, ainda, que a categoria teve 30% de prejuízo, sem melhora no trânsito.

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TERÇA-FEIRA, 14 DE JUNHO DE 2011

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cotidiano

AEROPORTOS Companhias só dão benefício obrigatório para quem pede

ENERGIA Procon-SP pede à Aneel intervenção na AES Eletropaulo

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De bicicleta, acionista da Lorenzetti morre atropelado

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Marlene Bergamo/Folhapress

Ciclista experiente, italiano estava em avenida na região de Pinheiros Motorista de ônibus disse que só viu o corpo após ouvir um barulho ao fazer uma curva; ciclistas protestam GIBA BERGAMIM JR. CRISTINA MORENO DE CASTRO DE SÃO PAULO

O empresário Antonio Bertolucci, 68, morreu ontem de manhã após ser atropelado por um ônibus quando andava de bicicleta na alça de acesso à av. Paulo 6º, em Pinheiros (zona oeste), onde há tráfego intenso de fretados. Ciclista experiente e apaixonado por bicicletas, o italiano Bertolucci era acionista e presidente do Conselho de Administração do Grupo Lorenzetti, fabricante de duchas e chuveiros. Segundo parentes, ele fazia o mesmo trajeto quase que diariamente. O motorista José Carlos Pereira de Souza, que dirigia um ônibus fretado de Campinas para São Paulo, afirma só ter percebido o acidente

após ouvir um barulho ao fazer uma curva. Quando avistou a vítima, pelo retrovisor, ela já estava no chão. O motorista foi liberado pouco depois do registro do boletim de ocorrência. Passageiros do ônibus foram à delegacia para defendê-lo. “Por enquanto os indícios apontam para uma fatalidade”, diz a delegada do 14º DP (Pinheiros), Lilian Martins da Silva. Ela disse que vai ou-

Filho sempre advertia vítima sobre perigos DE SÃO PAULO

Rogério Bertolucci, 42, filho de Antonio, disse que sempre advertiu o empresário do perigo de andar de bicicleta em São Paulo. “Mas ele era um apaixonado.” A família estuda processar a prefeitura ou a empre-

vir o motorista e outras testemunhas e que aguarda o resultado do laudo da perícia. O motorista deve ser indiciado sob a suspeita de homicídio culposo (sem intenção). ATROPELADO TRÊS VEZES

Flavia, 27, casada com Tito Bertolucci, um dos seis filhos do empresário, disse que ele já fora atropelado outras três vezes, mas sem gravidade. “Ele morreu fazendo o que

sa de ônibus fretados. Todo dia, Antonio pedalava de casa, em Pinheiros, até uma padaria em Perdizes, onde comprava pão e o jornal. Depois, passava pela bicicletaria de Edson Souza, 62, na rua Arruda Alvim, e voltava para casa, sempre usando capacete. Souza, que falou com Antonio antes do acidente, guardou na loja a bicicleta destruída. “Tinha dado um capacete novo a ele após ele levar um tombo”, lembra.

amava: andar de bicicleta. Tinha várias [eram 20].” O empresário costumava fazer passeios diários pela manhã e pedalava havia mais de 20 anos. Na hora do acidente ontem, ele estava a quatro quilômetros de casa, em Pinheiros. Às vezes, também ia pedalando para o trabalho, na Mooca (zona leste). “Estamos indignados por tirarem a vida de alguém que a gente ama tanto por conta de uma imprudência.” Na noite de ontem, dezenas de pessoas promoveram uma manifestação no local do acidente. Cartazes cobrando “Faixa de ciclistas já!” e questionando “Até quando?” eram empunhados ao lado da faixa que dizia “Vai com Deus, tio Antonelo”. Uma bicicleta branca foi pendurada no semáforo. Cleide Silva, mulher do dono da Silvetur Transportes e Turismo, afirma que o motorista está abatido e que “lamenta a fatalidade”.

d LEIA MAIS na pág. C3

FOTO 2.0 46.0

Manifestação no local do acidente, na noite de ontem


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T ERÇA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2010 Q

EMPRESAS DE ÔNIBUS DESCUMPREM CONTRATOS

Falhas afetam passageiros de 16 bairros

Principais problemas* ATRASOS E SUSPENSÕES Relatório estimou 210 mil passageiros prejudicados em seis meses, apenas em parte das linhas, devido a atrasos e descumprimento de partidas

MODELOS ULTRAPASSADOS** SPTrans identificou a necessidade de mais ônibus com motor traseiro. Os ônibus com motor dianteiro são prejudiciais à saúde de motoristas e passageiros

ÔNIBUS VELHOS Consórcio manteve ao longo do ano 19 veículos, de uma frota de 993, com mais de dez anos de uso, descumprindo um limite exigido por contrato

Consórcio Leste 4 Total das empresas de ônibus

* Dados de outubro de 2010

Passageiros/mês 14,5 milhões 147 milhões

** Em novembro, o deficit diminuiu para 145 ônibus

SUJEIRA Vistorias flagraram centenas de ônibus do consórcio com condições "inaceitáveis" de limpeza. Em 5 de novembro passado, 168 de 268 ônibus analisados na área estavam nessa condição

Frota operacional 993 8.316

Fonte: Ministério Público Estadual, SPTrans e Consórcio Leste 4

Ônibus da zona leste têm atrasos e baratas

Promotoria aponta que serviço na região tem problemas sérios de higiene, frota velha e descumprimento de horário Eduardo Anizelli/Folhapress

Em 6 meses, 210 mil tiveram problemas para chegar ao destino; falhas estão sendo resolvidas, diz consórcio

Consórcio diz que está melhorando serviço prestado DE SÃO PAULO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

ALENCAR IZIDORO

DE SÃO PAULO

CRISTINA MORENO DE CASTRO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Os ônibus do Consórcio Leste 4 (CL4), que rodam por 16 bairros da zona leste, são apontados como os campeões de problemas na cidade pelo Ministério Público. A lista de falhas inclui atrasos, frota velha e condições “inaceitáveis” de limpeza, segundo relatório de fiscalização da prefeitura. “Só eu já matei cinco baratas aqui”, conta a costureira Reginalda Santos, 47, usuária da linha 4120/42. Já devido aos atrasos e cancelamentos, levantamento da SPTrans feito a pedido da Promotoria mostrou que, entre julho e dezembro de 2009, 210 mil passageiros tiveram problemas para chegar a seu destino. O consórcio (formado pelas empresas Himalaia e Novo Horizonte) transporta, diariamente, 480 mil passageiros, entre Tatuapé e a Ci-

Fila de passageiros em ônibus do consórcio Leste 4, de SP, que são apontados como os campeões de problemas na cidade dade Tiradentes. A receita é de R$ 27 milhões por mês. Para completar, relatório apontou que, de janeiro a novembro, 19 dos 993 veículos da frota tinham mais de dez anos, o que viola o contrato. Na cidade, oito consórcios são responsáveis pela circulação de ônibus, cada um atendendo uma região. “Os problemas de todos os consórcios são bastante semelhantes. Mas o que mais chama a atenção no CL4 é sua absoluta incapacidade

de resolver os problemas, mesmo com as constantes m u lt a s a pl i c a da s p e la SPTrans”, diz o promotor Saad Mazloum, que estuda processar o consórcio por danos morais coletivos. O CL4 diz que já substituiu os ônibus velhos e que atrasos são decorrentes de alterações viárias, que levaram mais caminhões às vias. Pela demora em fazer a substituição, o consórcio não recebeu um centavo do bônus da prefeitura que subsi-

dia a renovação de frota (só em outubro de 2009, foram distribuídos R$ 2,9 milhões). Em vez disso, aliás, o consórcio tem tido de arcar com penalidades. Só entre julho e dezembro de 2009, o CL4 foi multado 970 vezes pela SPTrans, que não informa o montante pago ou devido. Questionada pela reportagem, a SPTrans também não informa por que, após tantas multas, mantém o contrato. A Promotoria aponta também excesso de ônibus com

motor dianteiro, que são ultrapassados e considerados prejudiciais a motoristas e passageiros pela exposição maior ao calor e ao barulho. Esses veículos são proibidos na frota, mas há exceções quando a geometria das vias dificulta a passagem de ônibus mais modernos —por serem, por exemplo, mais baixos que os outros. Ainda assim, a frota da CL4 tem ao menos 145 veículos que não se enquadrariam nessas exceções.

O Consórcio Leste 4 atribui os problemas a alterações viárias na zona leste, que fizeram com que veículos pesados usassem as principais vias da região, prejudicando os ônibus. De acordo com o consórcio, os veículos com mais de dez anos já foram excluídos da frota. O grupo não comentou o deficit de 145 carros com motor traseiro. Disse ainda ter melhorado a limpeza e a dedetização dos veículos e que os problemas apontados pelos usuários são do “transporte como um todo”. FISCALIZAÇÃO

A SPTrans informou que abriu processo administrativo “que pode culminar na intervenção no Consórcio Leste 4, caso não adeque seus serviços aos termos exigidos pelo município”.

‘É mais comum atrasar do que não atrasar’, diz passageira O dia da empregada doméstica Enir Maria de Jesus, 58, começa cedo, já calculando os atrasos dos ônibus que ela pega para atravessar a cidade até o Jardim Paulista (zona oeste), onde trabalha. Os quase 40 km a partir da Cidade Tiradentes (zona leste) levam mais de duas horas. Na quinta, ela saiu de casa às 4h10, foi até o ponto de ônibus, acompanhada pela Folha, e, após 20 minutos de espera, conseguiu entrar em um 309T com lugar para sentar. Duas filas de 30 pessoas ficaram aguardando o próxi-

mo que teria assento livre. No caminho, havia quatro ônibus quebrados, três ainda no bairro —só um com alguém fazendo manutenção. As histórias que Enir foi contando no caminho —sobre veículos quebrados, atrasos e até baratas—, confirmadas por outros passageiros, ilustram sua rotina. ATRASOS

“É mais comum atrasar do que não atrasar, geralmente uns 20 minutos. Ontem não saiu, não apareceu ninguém para explicar, andei 30 minutos para pegar outra linha. O anterior já estava quebrado.” Álvaro Fagundes/Folhapress

QUEBRADOS

“Pego uma ou duas vezes por semana um ônibus que quebra no meio do caminho, desço e pego outro lotado.” FILAS

“Geralmente saio com duas filas de gente esperando os próximos ônibus, para irem sentados. Porque se eu ficar duas horas em pé já vou chegar ao trabalho cansada.” EMPREGO

“Várias vezes me atrasei no trabalho, mesmo saindo 2h30 mais cedo.”

ÁLVARO FAGUNDES

Veículo vencedor de premiação ao ônibus mais lento de NY

“No calor, as baratinhas saem por essas brechas da parede, a gente sente elas subindo em nossas pernas. No domingo peguei um que estava velho, descascando a fórmica das paredes. É comum ver campainha quebrada também, aí tem que gritar pra avisar que queremos descer.”

A lesma não demora para aparecer. Nada ameaçadora, se dirige ao seu ponto e logo já segue o seu caminho, no ritmo tradicional. O molusco em questão não tem corpo mole nem mucoso, é o M42, o ônibus que acabou de ganhar o prêmio Lesma de Ouro, concedido ao veículo mais lento de NY. Segundo o grupo responsável pela premiação, o M42, que é bicampeão, anda a uma velocidade média de 5,8 km por hora para atravessar os cerca de 3,2 km da rua 42, em Manhattan. É um ritmo, diz o grupo, que pode ser ba-

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FUNCIONÁRIOS

“É comum ver motorista com uma mão no volante e outra no celular e o cobrador dormindo. Que sono que eles têm!” (CRISTINA MORENO DE CASTRO e EDUARDO ANIZELLI)

Em Nova York, ônibus mais lento ganha o prêmio “Lesma de Ouro” DE NOVA YORK

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QUALIDADE DO ÔNIBUS

tido por uma pessoa jovem. A Folha decidiu testar o Lesma de Ouro, saindo a pé do mesmo ponto do coletivo. Uma placa no início da rota, na 1ª Avenida, promete vencer o caminho em 30 min —mais pessimista que o Google Maps, que aponta 27 min para chegar à 12ª Avenida. Com o desafio, o M42 parte em busca de passageiros —são oito paradas. À medida que se afasta das zonas mais turísticas, ganha velocidade. Com pouco mais de 24 min, o ônibus chega ao destino, 1min20s antes da reportagem. No final, ficou com o Lesma de Prata, mas não levou os US$ 2,25 (cerca de R$ 3,80) da passagem.

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Parte 7 do portfólio de Cristina Moreno de Castro  

Reportagens selecionadas publicadas originalmente na "Folha de S.Paulo", no portal G1 e no jornal "O Tempo", de 2008 a 2013. Na "Folha", fiz...

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