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Segunda-Feira, 24 de OutubrO de 2011

DESAFINOU

HHH

Pianos colocados no metrô para “popularizar a arte” estão sem manutenção

cotidiano C3

A iniciativa é muito boa. Pessoas que não têm piano em casa podem parar e tocar aqui. Mas tinha que fazer a manutenção a cada quatro meses

Juliana D’agOstini pianista

apu Gomes/Folhapress

cristina moreno de castro de são paulo

Pelo centro da estação Sé ecoavam, na manhã da última quinta, o concerto número 1 para piano e orquestra de Mendelssohn e a “Polonaise op. 44”, de Chopin. Era a pianista Juliana D’Agostini, 25, que testava o piano Fritz Dobbert, a pedido da Folha, enquanto oito pessoas se aproximavam, curiosas, para ouvir melhor. No final, ela decretou: “Está totalmente desafinado!” Não só isso: 11 cordas estão quebradas e duas teclas do agudo estão presas. Problemas parecidos foram constatados por ela nas estações Tamanduateí (linha verde) e Santana (linha azul) — entre cordas quebradas e presas, há problemas no pedal e nos abafadores. Essas estações e a do Largo 13 (linha lilás) hospedam pianos há sete meses, quando o Metrô criou o projeto “Piano no Metrô”, para popularizar a arte. Apesar dos problemas verificados pela pianista, em todas as estações visitadas havia sempre alguém experimentando o piano do local. “A iniciativa é muito boa. Pessoas que não têm piano em casa podem parar e tocar aqui. Mas tinha que fazer a manutenção no máximo a cada quatro meses”, diz Juliana, que toca há 20 anos, den-

tro e fora do país, e lançou dois CDs de música clássica. O estudante Rafael Drumond, 18, também percebeu que os pianos “desandaram” de dois meses para cá, quando ele foi tentar tocar canções dos Beatles e viu que algumas notas nem sequer emitiam mais som. Ele pratica piano há um ano e meio e costuma tocar na Sé sempre que vai para o centro de São Paulo. “A atitude de disponibilizar os pianos ao público foi bem recebida, mas, após sete meses, os instrumentos já parecem abandonados”, diz. EDITAL

Aluizio Gibson, chefe do departamento de marketing corporativo do Metrô, admite o problema e diz que ele logo será resolvido, com a publicação de um edital, “em fase final de elaboração”, para contratar uma empresa responsável pela manutenção. Os pianos, que custam R$ 6.550 (são do modelo mais simples fabricado no Brasil) foram entregues novos em março e nunca passaram por manutenção completa, embora já tenham sido afinados. “Preferimos mantê-los assim a tirar, pois a população continua tocando.” Ouça o teste nas

Pianista Juliana d’agostini, 25, testa o piano instalado na estação tamanduateí, na linha verde do metrô de são Paulo

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cotidiano

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SEGUNDA-FEIRA, 18 DE JANEIRO DE 2010

Falido,cartãodoSUSgeracustodeR$401mi

Inspeções feitas pelo governo federal flagraram cartões queimados e máquinas de leitura magnética abandonadas Ministério da Saúde identificou problemas no programa criado em 1999 para agilizar atendimento do paciente na rede pública ................................................................................................

DIMMI AMORA

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Máquinas abandonadas como sucata em depósitos. Car-

tões jogados no lixo ou queimados. Equipamentos eletrônicos novos armazenados em caixas. Esse é o resultado de uma inspeção feita pelo Ministério da Saúde para avaliar o andamento do projeto do Cartão Nacional de Saúde, o Cartão SUS. Dez anos, seis ministros e R$ 401,2 milhões depois, o projeto não funciona e é fonte de desperdício e suspeita de des-

vio de dinheiro público. As inspeções ocorreram em 7 das 44 cidades onde foi implantado o projeto piloto do cartão. A ideia era que o cartão, com tarja magnética, contivesse o histórico médico do paciente, agilizando o atendimento. Em 2000 foi feita uma licitação para a compra de terminais de atendimento chamados TAS, para ler os cartões. Ao pre-

ço de R$ 89,2 milhões, duas empresas —Hypercom e Procomp— venceram a licitação para desenvolver as máquinas e os sistemas para utilizá-las. Na época houve denúncias de direcionamento da concorrência. Em três anos, 10 mil máquinas deveriam estar em todas as unidades de saúde dos municípios do projeto piloto. O Ministério da Saúde e 11

Estados deveriam receber outros equipamentos. Em 2001, a pasta autorizou gastos de mais R$ 33,9 milhões. Nas inspeções feitas em 2008 em Vitória, Florianópolis, Cabo de Santo Agostinho (PE), Campo Grande (MS), Betim (MG), Volta Redonda (RJ) e Castanhal (PA), foi constatado que dos 1.937 TAS entregues nessas cidades, só sete funcionavam em duas cidades: Castanhal e Campo Grande. O restante estava armazenado em caixas ou pior: 251 aparelhos sumiram. De 1,1 milhão de cartões magnéticos enviados a essas sete cidades para serem distribuídos à população, pelo menos 346 mil estavam guardados. “Nunca pedem o cartão para nada. É como se ele fosse só para andar na carteira”, contou Vanabacia Gomes da Silva, 39, que procurava atendimento para a irmã em um posto de saúde em Cabo de Santo Agostinho. Elas receberam o cartão há quatro anos. Para ela, o atendimento da cidade não melhorou em nada desde então. No final de 2005, a Procomp foi contratada para um novo serviço dentro do mesmo projeto. Desta vez, sem licitação, ela ganhou mais R$ 11,8 milhões para desenvolver softwa-

res em Aracaju e Fortaleza. A empresa recebeu todo o pagamento antes de fazer o serviço, de acordo com uma tomada de contas feita pela Controladoria Geral da União, que recomendou a abertura de inquérito para devolução do dinheiro. O Cartão SUS custou R$ 156,3 milhões entre 2004 a 2009 (valores não corrigidos monetariamente encontrados no Portal da Transparência, do governo federal). Entre 2000 e 2003, segundo a ONG Contas Abertas, já haviam sido gastos outros R$ 170,6 milhões. Há ainda R$ 74,3 milhões doados pela Unesco, órgão das Nações Unidas. Desde 2004, o maior beneficiário dos contratos do programa é a empresa de informática B2BR, do Distrito Federal, com R$ 33,3 milhões acumulados. Numa investigação realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre um dos contratos da B2BR no projeto, técnicos apontaram que houve superfaturamento de 126% na compra de software. A proprietária da B2BR, Cristina Boner, aparece em vídeos em análise na operação Caixa de Pandora, que investiga pagamento de propina a funcionários do governo do DF.

Nuncapedemo cartãopara nada. Écomo se ele fossesópara andarna carteira VANABACIAGOMESDASILVA,39 que procurava atendimento para a irmã em Cabo de Santo Agostinho (PE)

40 milhões de cartões têm de ser checados ........................................................................................

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Dos quase 130 milhões de cadastros do Cartão SUS, o Ministério da Saúde afirma que 90 milhões são confiáveis e que é preciso checar se há duplicidade nos outros 40 milhões. O órgão informa, por email, que gastou R$ 397,3 milhões no programa até 2008, sem revelar o valor de 2009 (de acordo com o Portal da Transparência, foi de R$ 30 milhões). Para 2010, o orçamento para o projeto é de R$ 48,1 milhões. O e-mail diz que o ministro Temporão “ordenou, em 2008, a reformulação do cartão, principalmen-

te na adaptação tecnológica”. A Unesco afirmou que o convênio de cooperação do cartão encerrou-se em fevereiro de 2008 e que foi produzido um relatório final sem avaliar impactos. A B2BR diz que não é investigada e que, em relação ao Cartão SUS, apenas vendeu softwares, sempre participando de concorrências. De acordo com a empresa, as recomendações do TCU na investigação sobre a venda de um software para o Datasus foram para órgãos do governo. Além disso, o voto dos ministros do tribunal não considerou que houve superfaturamento. A Procomp, que pertence à Diebold, informou que cumpriu tudo o que foi determinado pelo ministério e que o projeto funciona bem em Aracaju. A Hypercom não respondeu.

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SEGUNDA-FEIRA, 18 DE JANEIRO DE 2010

Parquese praçasdeSP têmplantas tóxicas

Espécies causam inflamação e distúrbio intestinal; crianças são maiores vítimas Das 283 pessoas intoxicadas por plantas em 2007 no Estado (dados mais recentes), 121 delas foram crianças de até quatro anos; ................................................................................................

CRISTINA MORENO DE CASTRO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A praça General Sodré e Silva, encravada entre as ruas Surubim e Taperoá, há anos é motivo de reclamação dos moradores do Brooklin (zona sul da capital paulista). A área verde, de 3.500 m2, possui plantas tóxicas, como a mamona, a coroa-de-cristo e as da família da comigo-ninguémpode. Ingeridas ou manipuladas, podem causar distúrbios intestinais, inflamação na pele e edemas nas crianças que as colocam na boca. A Folha percorreu cinco praças e parques da cidade e viu que essas plantas são corriqueiras. Além delas, aroeiras, vincas, espadas-de-são-jorge e plantas-aranha —todas tóxicas— foram encontradas no praça Buenos Aires, em Higienópolis, no parque da Aclimação, na praça dr. Sampaio Vidal, em Vila Formosa, e na praça do Forró (pd. Aleixo Monteiro Mafra), em São Miguel. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente disse que as subprefeituras são as responsáveis pelas praças de suas regiões. A Subprefeitura de Pinheiros, que cuida da praça do Brooklin, disse que uma equipe de paisagismo vai estudar a revitalização da área e a “substituição de espécies de plantas inadequadas nesta semana”. “As maiores causadoras de problemas são as da família da comigo-ninguém-pode e 70% dos casos de intoxicação ocorrem em crianças”, diz Rejane Oliveira, bióloga da USP especialista em plantas tóxicas. Ela defende que a prefeitura coloque placas educativas nos canteiros para alertar os pais. Plantas como espirradeiras e chapéus-de-napoleão, também comuns em praças, segundo Rejane, não deveriam ser plan-

tadas, porque, ingeridas, causam distúrbios cardíacos e podem levar à morte. De acordo com os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, 121 das 283 pessoas intoxicadas por plantas em São Paulo em 2007 eram crianças de até quatro anos. O Estado teve o segundo maior número de casos no país naquele ano, atrás do Rio Grande do Sul. Dos casos registrados, 82% deles ocorreram por contato acidental. O médico sanitarista e toxicologista Sérgio Zanetta, que atende no Centro de Controle de Intoxicação de Santos, disse que as ocorrências devem ser muito maiores, porque “um mar de intoxicações mais simples” não chega aos hospitais. Conservação O aposentado Francisco de Moraes, 82, que mora há 41 anos a duas quadras da praça do Brooklin, afirma que tenta uma solução para ela há mais de dez anos. “Se as crianças não puderem ir à praça pra brincar, então vão aonde?” O lugar —que já foi movimentado, no dizer dos moradores— hoje está abandonado. Coroas-de-cristo cercam toda a praça e mato alto, cheio de lixo, ocupa o lugar do que a placa anuncia como gramado. A subprefeitura disse que recolhe diariamente o lixos, mas os moradores despejam de novo.

[+] REPAGINADO: ELETROPAULO VAI RETIRAR 248 POSTES DO IBIRAPUERA A retirada começa a ser feita hoje. Ao todo, serão enterrados 4,7 km de cabos. O projeto de R$ 3,7 milhões tem como objetivo criar uma rede mais segura contra interrupções provocadas por chuvas.

cotidiano

C5

PLANTAS TÓXICAS Espécies podem causar edemas, distúrbios intestinais e inflamações na pele Tipos encontrados em praças e parques de SP

EM CASO DE INTOXICAÇÃO Lave a área que enconstou na planta com água limpa corrente

1

Provoque vômito, especialmente nos momentos iniciais da intoxicação. O xarope de ipeca pode ajudar a produzir vômito

2

Da família da comigo-ninguémpode

Coroa- de-cristo

>> O látex causa

náuseas, vômitos e >> Se levadas à boca, irritações na pele e podem causar edemas em mucosas e irritação

Aroeira

>> Causa irritação

Vinca

>> Se ingerida em

na pele: bolhas, grande quantidade, vermelhidão, coceira, pode atingir o sistema só com contato nervoso, provocando agitação e alucinação

Fontes: Rejane Barbosa de Oliveira, bióloga e Sérgio Zanetta, médico toxicologista do CCI-Santos

Espirradeiras

>> Se ingeridas, causam distúrbios cardíacos e até neurológicos. Podem matar

3

Procure um médico


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Sábado, 28 dE Julho dE 2012

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cotidiano C5 Fotos adriano Vizoni/Folhapress

Vista do carrossel do playcenter, iluminado no final da tarde de ontem em são paulo

Em clima de nostalgia,pais se despedem do Playcenter Eles levaram os filhos ao local, que fecha amanhã de são paulo

Pais na faixa dos 30 e 40 anos que passaram boa parte da infância brincando no Playcenter levaram ontem os filhos para conhecer o parque. Todos os brinquedos apresentavam alguma fila —o Tsunami, por exemplo, com mais de cem pessoas às 17h30— e o clima geral era de nostalgia. Afinal, o parque, que encerra suas atividades amanhã, aos 39 anos de idade, era ponto obrigatório de excursões escolares e familiares de boa parte dos paulistanos. “Vim pela primeira vez aos seis anos, com minha mãe e minha madrinha. Os shoppings não tinham brinquedos”, disse o supervisor de call center Rogério Jofre, 43, que foi ao local com a mulher, dois filhos e um sobrinho. A dentista Fernanda Esteves, 33, foi com a mãe, a filha, duas irmãs e amigas para se despedir do parque. “Eu quis relembrar minha infância. Minha filha vai fazer seis anos e ainda não conhecia.” Até as 17h, 5.088 ingressos tinham sido vendidos. O parque, que abre das 11h às 19h, tem capacidade para 12 mil. A memória afetiva dos frequentadores mais exigentes cobrava a presença de brinquedos que sumiram ao longo dos anos, como a Montanha Encantada. Mas ainda estavam lá os tradicionais carrossel, carrinho bate-bate e tremfantasma, ao lado de outros mais modernos, como a Looping Star (montanha-russa). O auxiliar de confeiteiro José Roberto Ramos da Silva, 42, um dos funcionários mais antigos, com 16 anos de casa, diz que quando o parque decidiu fechar as portas —para reabrir, em 2013, com outro formato—, avisou aos cerca de 400 funcionários, que ficaram “abismados”. “Eu esperava que eu fosse sair e o parque continuar; nunca imaginei ver ele fechando as portas”, disse. (Cristina moreno de Castro)

acidente

Corpo de Brasileira morta no Peru é enterrado em Osasco Foi enterrado ontem à tarde o corpo da estudante de medicina Paula Sibov, 24, no cemitério Bela Vista, em Osasco (SP). Ela morreu no domingo (22), após cair de um penhasco no vale do Colca, próximo a Arequipa, região sul do Peru. O corpo foi embarcado anteontem à noite em Lima e chegou ao Brasil ontem de manhã. Rafael Magnani, 25, e Lilian Marçal, 25, que viajavam com Paula, receberam auxílio do Itamaraty para voltar ao país.

de são paulo -

Montanha-russa do parque, que fica na região da Barra Funda e será fechado amanhã


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Desde 1921 DIRETOR DE REDAÇÃO: OTAVIO FRIAS FILHO

ANO 90 a

UM JORNAL A SERVIÇO DO BRASIL

QUINTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2011 a Nº 29.884 Amr Abdallah Dalsh/Reuters

Governo do Egito prende manifestantes; seis morrem A ditadura egípcia endureceu contra atos antigoverno, iniciados anteontem. O Ministério do Interior do país disse que não vai tolerar mais protestos públicos. Até agora, seis pessoas morreram. Ontem, mais de 700 pessoas foram detidas. Os manifestantes protestavam contra a pobreza, a inflação e o desemprego e têm como alvo Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. A Tunísia enviou à Interpol alerta para prender o exditador Ben Ali. Mundo A12

folha.com.br EDIÇÃO SÃO PAULO a CONCLUÍDA À 0H29 a R$ 2,50

SP adotará padrão mais rígido para poluentes

Para especialistas, desafio é avançar na melhoria da qualidade do ar

BOA NOTÍCIA

Mulher discute com policial em nova manifestação contra o governo Mubarak, no Cairo Fotos Moacyr Lopes Junior/Folhapress

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3

1

O Estado de SP adotará padrão mais rígido para classificar a qualidade do ar; o assunto será tratado hoje pelo conselho ambiental. O parâmetro atual foi estabelecido em 1990 e está defasado em relação ao definido em 2005 pela Organização Mundial da Saúde. Se o novo padrão estivesse em vigor, a Grande SP teria tido, em 2008, o ar inadequado 1.265 vezes para o poluente poeira. Foram duas.

A adoção do padrão da OMS será gradual, relatam Eduardo Geraque e Cristina Moreno de Castro. Grupos sensíveis —crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas e respiratórias— poderão ter mais controle da exposição a riscos e se preparar melhor para dias de poluição crítica. Para especialistas, há avanço; o desafio será criar política de melhoria da qualidade do ar. Cotidiano C1

4 PAINEL

Lula vai ganhar R$ 13 mil por mês e ser registrado em carteira pelo PT O PT decidiu pagar um salário mensal de R$ 13 mil ao ex-presidente Lula. O contracheque será equivalente ao do presidente da legenda, José Eduardo Dutra.

5

» PRECIOSIDADES Na sala de Edemar, obras de Sandro Chia 1 , Georg Baselitz 2 , Karel Appel 3 , Robert Rauschenberg 4 e Jonh Chamberlain 5 ; na sala de jantar, luminária do alemão Ingo Maurer, comprada por R$ 600 mil em valores atuais 6 , mesa de mogno do século 18 para 20 pessoas, que custou R$ 652 mil 7 , e pórtico barroco 8

MUSEU de tudo

A casa de 4.100 m2 do exbanqueiro Edemar Cid Ferreira parece um museu de tudo, relata Mario Cesar Carvalho. Há esculturas fenícias, busto romano, pórtico barroco, obras modernistas, pintores famosos. O imóvel deve ir a leilão para cobrir o rombo de R$ 2,2 bilhões do banco, com lance mínimo em torno de R$ 80 milhões. Mercado B10

6

O Ibama concedeu licença de instalação parcial para o início do projeto de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA). A Nesa (Norte Energia S.A.) obteve agora permissão para desmatamentos visando a montagem de canteiros e acampamentos da obra situada no rio Xingu.

MÔNICA BERGAMO

Herdeiros de Carmen Miranda processam Rosa Chá Ilustrada E2

7

Fabio Braga/Folhapress

complicou Corinthians fica no 0 a 0 na primeira partida da Libertadores Esporte D2

A2

Leia “Saudade do Sputnik”, sobre o discurso de Barack Obama; e “A regra do privilégio”, acerca das novas normas para passaportes diplomáticos. Ronaldo durante o empate com o Tolima (Colômbia), no Pacaembu

E5

Ator e produtor John Herbert morre aos 81 em São Paulo 90 páginas - 294.825 exemplares Estão inclusas 10 páginas do Turismo e 8 páginas de Classificados

A hidrelétrica será a terceira maior do mundo, atrás de uma usina chinesa e da binacional Itaipu. Poder A11 ANÁLISE Para evitar que a usina de Belo Monte atrasasse um ano, governo criou o licenciamento especial, escreve Leila Coimbra. Poder A11 CLÓVIS ROSSI

Mundo A19

ilustrada

Ibama dá licença parcial para iniciar Belo Monte

8

Oposição rebate discurso e diz que Obama leva os EUA à bancarrota EDITORIAIS

“Ele é um importante dirigente político”, argumenta Dutra. Como o estatuto não prevê pagamento a cargos simbólicos, o registro será de assessor. Poder A4

RODÍZIO EM SP Não devem circular carros com placas cujo final seja:

Pág. C2

78 ou

FALE COM A FOLHA

Veja como entrar em contato com o serviço ao assinante, as editorias e a ombudsman fale.folha.com.br

COMIDA Prepare a colher para comer queijo de ovelha Ilustrada E6 CIÊNCIA Groenlândia pode derreter menos do que se pensava C11 TURISMO Veja cidades reais e ficcionais de quadrinhos F1 ATMOSFERA

Pág. C2

Dia de sol e chuva à tarde na Grande SP Mínima 20ºC

Máxima 31ºC

Nunca a imagem do Brasil em Davos foi tão positiva Mercado B11

Planalto não chega a acordo com centrais sobre mínimo O governo manteve posição fechada ontem, em reunião com as centrais sindicais, de estabelecer um salário mínimo de R$ 545 em 2011, “sem espaço para demagogias”, mas acenou com a tendência de corrigir a tabela do IR em 4,5%. Sindicalistas defenderam R$ 580, mas reconheceram que o governo dificilmente passe de R$ 550. Poder A10

Ministros do TCU acatam acusação contra fundação de José Sarney

Poder A6


Eduardo Anizelli/Folhapress

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QUINTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2011

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cotidiano

SP adotará padrão mais rígido para qualidade do ar

Classificação usada no Estado, criada em 1990, foi alterada pela OMS em 2005

Parque Ibirapuera, onde há alta concentração de ozônio

Proposta de grupo de estudos coordenado pelo governo terá de ser ratificada por órgãos estaduais EDUARDO GERAQUE CRISTINA MORENO DE CASTRO

DE SÃO PAULO

O Estado de São Paulo adotará uma classificação mais rígida para a qualidade de seu ar, adequando-se aos padrões definidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2005. Pelos parâmetros mais frouxos de hoje, que foram estabelecidos em 1990, o ar é frequentemente tido como “regular” (prejudicial a doentes crônicos e crianças), quando deveria ser “inadequado” (nocivo a todos). Com a revisão do padrão atual, pessoas com doenças cardíacas e respiratórias serão mais bem alertadas do risco a que estão expostas e poderão se preparar para um dia crítico de poluição. Além disso, as informações mais precisas poderão pautar melhor as discussões sobre poluição, as medidas do poder público na área etc. Um grupo de estudo liderado pelo governo já definiu como ficará a nova classificação e, para que ela seja colocada em prática, falta a ratificação de órgãos do próprio governo, que tiveram representantes nas reuniões. Grupos de interesses privados, como a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), também participaram. Hoje, o relatório deverá ser votado pelo Consema (Conselho Estadual de Meio Ambiente), órgão estadual. São Paulo deverá ser, então, o primeiro Estado do país a deixar de ter um padrão frouxo e corrigir a defasagem sobre o definido pela OMS, adotado na Europa, nos EUA e no México, por exemplo.

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Cruzeiros de 6 noites Nordeste Mariner of the Seas® FEVEREIRO E MARÇO

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POEIRA

As mudanças atingem a classificação de nível de substâncias como ozônio e fumaça. A poeira fina (partículas liberadas, por exemplo, por escapamentos, que causam entupimento no pulmão) é a que melhor exemplifica a mudança. Pela classificação atual, apenas por duas vezes a poeira tornou o ar “inadequado” em 2008, ano usado no estudo. Pelos novos padrões, seriam 1.265 vezes como “inadequado” nas 26 estações medidoras da região. Depois de o relatório ser aprovado, faltará ainda ao Poder Executivo determinar a implementação de todas as mudanças, que deve ser feita de forma gradual. Ainda não há prazos. Especialistas ouvidos pela Folha consideram um avanço a atualização da classificação. O desafio, dizem, será responder ao alerta mais rigoroso com políticas públicas que melhorem o ar que a cidade respira.

d LEIA MAIS na pág. C4

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C4 cotidianoo CLASSIFICAÇÃO DO AR 0

Quais os efeitos na sua saúde

50 BOA Índice de 0 - 50*

Praticamente não há riscos à saúde

ab

Q UINTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2011

100

REGULAR Índice de 51 - 100 A população em geral não é afetada. Mas grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas) podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço

300

200 INADEQUADA Índice de 101 - 199

MÁ Índice de 200 - 299

PÉSSIMA Acima de 299

Toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço e ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas de grupos sensíveis podem apresentar efeitos mais sérios na saúde

Toda a população pode apresentar agravamento dos sintomas (tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta) e também falta de ar e respiração ofegante. Efeitos ainda mais graves nos grupos sensíveis

Toda a população pode ter sérios riscos de manifestações de doenças respiratórias e cardiovasculares. Além disso, há aumento de mortes prematuras em pessoas de grupos sensíveis

Quantidade de poeira fina, medida em micrograma/m3, em 24 horas

*De acordo com o padrão vigente

Só alterar índice não basta, diz médico

Pesquisador da USP afirma que é preciso também ampliar a fiscalização da emissão de poluentes no Estado Alfésio Braga diz que as mortes causadas pela poluição devem voltar a crescer por conta do aumento de veículos

QUALIDADE DO AR EM SÃO PAULO

A qualidade do ar é determinada pelo poluente que apresenta o maior índice em uma região. Os poluentes monitorados são poeira fina, fumaça dos veículos, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e ozônio*, produtos da queima de combustíveis

DE SÃO PAULO

Para Alfésio Luís Braga, pesquisador do Núcleo de Estudos de Epidemiologia Ambiental da Faculdade de Medicina da USP, não basta deixar os índices mais rigorosos, é preciso fiscalizar a emissão de poluentes. Braga diz que mortes causadas pela poluição devem voltar a crescer. ★

Limites para cada poluente A partir do qual o ar é considerado inadequado Padrão atual**

Poeira fina Fumaça Dióxido de enxofre Monóxido de carbono Ozônio

Folha - Quais as doenças agravadas pela poluição? Alfésio Luís Braga - Princi-

50 50 20 9 100

Dicas contra a poluição

> Procure não praticar atividades físicas em horário de tráfego intenso

Dias com ar inadequado por excesso de poeira fina em 2010, com novo padrão

Nossa Senhora do Ó

1

Por que a classificação será alterada? Os parâmetros usados hoje são os mesmos desde 1990. A proposta agora é seguir os padrões da OMS criados em 2005

2

Quando isso deverá acontecer? Após notificação de órgãos do governo, os novos padrões deverão entrar em vigor em três etapas, que ainda não têm datas

3

> Deixe portas e janelas de sua casa fechadas na hora do rush

> Tome bastante água em dias em que a umidade do ar estiver baixa

Exemplos de bairros que não registraram ar inadequado em 2010, mas que passariam a ter segundo o novo padrão

Perguntas e respostas

Essas doenças aumentaram?

As pessoas deveriam acom-

150 150 365 9 160

Novo padrão

** Índice que mede a quantidade de poluente por micrograma/m3 em determinado período de tempo

palmente respiratórias e cardiovasculares, como sinusite, faringite, pneumonia, bronquite, asma, angina, infarto agudo do miocárdio. Também afeta pacientes com insuficiência cardíaca e com arritmias cardíacas e causa problemas oculares. A poluição provoca doenças em quem é saudável e agrava as doenças de quem já tem. A partir dos anos 90, houve redução gradual da concentração dos poluentes em São Paulo e o número de mortes atribuídas à poluição reduziu de 12/dia em 1990, para 8/dia em 2005. Mas as concentrações de poluentes estão diminuindo menos: o que foi conseguido com melhoria tecnológica está sendo perdido com o aumento de veículos. Estimamos que aumentará o número de óbitos.

Estado adotará limites mais rígidos

> Use umidificadores de ar. O ar seco agrava os efeitos da poluição

12 mil internações

e 875 mortes por ano são decorrência da poluição causada pelos veículos em São Paulo

Santana

43

92

Cerqueira César

42 Parque o D. Pedro 2

34

49

85 Ibirapuera Ib apue Ibirapue uera

Qual a consequência da mudança? A população ganhará com o acesso a informações mais precisas sobre um assunto que afeta sua saúde. E essas informações poderão pautar políticas públicas no futuro

Mooca

Congonhas 58

*Entre outros fatores Fonte: Cetesb

panhar a qualidade do ar?

Com certeza. Em países da Europa existem programas de TV que divulgam não só a previsão do tempo, mas a previsão da qualidade do ar. Aí as pessoas mais esclarecidas, sob orientação médica, podem inclusive ajustar as

doses de medicamento. O que mais poderiam fazer?

Quando fazem atividade física num período do dia em que a concentração é maior, estão se expondo mais ao poluente. Se se garantir uma boa umidade no ambiente,

as partículas de poluentes vão se adensar e vai ser mais difícil inalar isso, então a umidificação do ambiente é bastante desejável. O fato de haver uma mudança no índice ajuda como?

O reconhecimento de que

um certo nível de poluente tem que ser mais baixo para o ar ser considerado de boa qualidade é uma primeira etapa que precisa acontecer. Mas é preciso efetivamente buscar a redução da emissão para a qualidade do ar ficar dentro dos novos padrões.

Como São Paulo sofre mais com a poluição, é natural que tome a dianteira, seguindo o padrão da OMS. E que o Conama adote um padrão semelhante para todo o país.

tima, av. Dr. Arnaldo, 1.831, Sumaré.

Antônio, 2071, Bela Vista.

O Conama tem um sistema de alerta à poluição próprio, ele também deveria se adequar?

MORTES ALEXANDRO FERREIRA DA SILVA Aos 29. Era programador júnior. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras.

VIVALDO VIEIRA - Aos 62, casado com Creuza Oliveira Vieira. Deixa quatro filhos. Cemitério Jardim Parque dos Ipês.

BERNARDO LORENA - Aos 80, casado com Mary Lorena. Deixa filhos, netos e bisnetos. Cemitério do Morumbi.

7º DIA

CATARINA DO NASCIMENTO REIS Aos 100, viúva. Era pensionista. Deixa filho. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. GERVASIO JOSÉ DE LIMA - Aos 93, viúvo de Celina Silva Lima. Deixa oito filhos. Cem. Jardim Parque dos Ipês.

ANTONIO DE PAIVA NETO - Hoje, às 12h30, na igreja N. Sra. do Brasil, pça. N. Sra. do Brasil, 1, Jd. América. JEFFERSON M. ALMEIDA PRATA - Hoje, às 10h30, na igr. N. Sra. do Brasil, pça. N. Sra. do Brasil, 1, Jd. América. LUCY DE ARAUJO LIMA DELDUQUE (TIA LUCY) - Amanhã, às 19h30, na

paróquia Sta. Tereza, r. Clodomiro Amazonas, 50, Pinheiros. LUIZ RÉGIS GALVÃO - Hoje, às 19h30, na igreja Imaculada Conceição, av. Brig. Luís Antônio, 2.071, Bela Vista. MARCIA CRISTINA WALDER MORA Hoje, às 19h30, na igreja N. Sra. do Brasil, praça N. Sra. do Brasil, 1, Jd. América. MARIA APARECIDA RIBEIRO DE CARVALHO - Amanhã, às 12h, na igreja S. Luiz Gonzaga, av. Paulista, 2.378, Cerqueira César.

LUIZ REGIS GALVÃO (1937-2011)

O promotor e o feitiço de Catanduva ESTÊVÃO BERTONI

DE SÃO PAULO

Luiz Regis Galvão chegou em 1968 a Catanduva, no interior de SP, para ficar só seis meses. Era seu plano inicial, que falhou: Luiz, promotor de Justiça, permaneceu na cidade até a semana passada. “Por isso chamam Catanduva de cidade feitiço”, brinca o filho Regis, advogado. Nascido em Barretos (SP), Luiz era filho de um médico e, aos 13 anos, perdeu a mãe. Na juventude, veio a São Paulo para estudar num colégio marista, como interno. Em 1964, estava formado

em direito pelo Mackenzie. Logo no ano seguinte, prestou concurso e foi aprovado no Ministério Público. Como promotor de Justiça, voltaria a viver no interior paulista. Em Jales, onde foi trabalhar, conheceu a mulher, moradora de Araçatuba. Casaram-se em 1967 e, no ano seguinte, acabaram vítimas do feitiço de Catanduva. Naquela época, conta o filho, Luiz era um promotor “clínico geral”, pois fazia de tudo. Não havia promotores especializados em áreas, como a de família ou a cível. Até na área trabalhista ele atuou. O Ministério Público foi

sua grande paixão, segundo a família. Após se aposentar, Luiz foi advogar, mas sentia falta da antiga rotina. Seu grande prazer passou a ser a fazenda em Goiás, onde criava gado de corte. Quando voltava a SP, fazia questão de ir ao Mercadão ou comer uma pizza no centro. Devido a uma fibrose pulmonar, Luiz morreu na sexta, aos 73. Deixa viúva, quatro filhos e sete netos. Haverá uma missa do sétimo dia hoje, às 19h, na igreja São Francisco, em Catanduva, e outra, também hoje, às 19h30, na igreja Imaculada Conceição, SP. coluna.obituario@uol.com.br

RUBENS ALBERTO RODRIGUES MANO - Hoje, às 19h, na igreja Nossa Senhora da Candelária, praça Candelária, 1, Vila Maria. VALQUIRIA BATISTA SETA - Hoje, às 19h, na igreja Sta. Cecília, lgo. Sta. Cecília, centro.

30º DIA

MARY JOYCE BITTENCOURT - Amanhã, às 17h30, na igreja N. Sra. de Fá-

1º ANO

32º ANO

ANA RODRIGUES MANO - Hoje, às 19h, na igreja N. Sra. da Candelária, pça. Candelária, 1, V. Maria.

EUCLIDES CREMONESI - Hoje, às 18h, na igreja Santo Antonio, Aldeia da Serra.

2º ANO

35º ANO

HILDEBRANDO FLÁVIO DE CAMPOS RIBEIRO - Hoje, às 19h30, na igreja Imaculada Conceição, av. Brig. Luís

A esposa, os filhos, o genro, a nora, as netas e o irmão do querido

Dr. Caio M. F. Mendes

agradecem as manifestações de carinho e pesar recebidas e convidam parentes e amigos para a Missa de 7º dia a ser celebrada dia 28 de Janeiro, às 12:30 horas, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, à Praça Nossa Senhora do Brasil, Jd. Paulista, São Paulo-SP.

Os filhos, Sérgio, Maria Stella, Yvonne, Maria Cecília e Maria Eloísa, desolados comunicam o falecimento da sua querida mãe

FRANCISCA FAMÁ D’ANTINO (Chiquinha)

ocorrido no último dia 22/janeiro e informam que farão realizar a missa de sétimo dia, na próxima 6ª-feira (28/01) às 20:30hs, na Paróquia São João Bosco, à Rua Cerro Corá, n° 2101 – Alto da Lapa.

NAZHA MADI - Hoje, às 17h30, na igreja N. Sra. do Carmo, r. Brás Cubas, 163, Aclimação. SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000 segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.

O esposo Samir, os filhos Ronaldo, Adriana e Christiana, os genros Romeu, José Francisco e a nora Maira, os netos, a mãe Dª Edith e o irmão Dedier de

KATIA RIBAS FERREIRA ABDENOUR Agradecem as manifestações de carinho por ocasião do falecimento de sua amada ocorrido em 23/01/2011 e convidam para a Missa de 7º Dia a ser celebrada no dia 31/01/2011 às 12:30 h, na Igreja N. S. do Brasil


C4 cotidianoo

ab

Q UINTA-FEIRA, 14 DE ABRIL DE 2011

VIZINHA DO BARULHO Locais onde o ruído da marginal Tietê está acima do saudável

8

1

Pte. Atílio Fontana

Pte. do Limão

9

CPTM

Pte. do Piqueri

Telhanorte Leroy Merlin

80 Aeroporto Campo de Marte

RIO TIE TÊ C&C

Pte. Júlio de Mesquita Neto

Sambódromo

Playcenter

3

Noite

70

Carrefour

7

Dia

Terminal Rodoviário do Tietê Shopping Center Norte

Anhembi

4

Pte. das Bandeiras

Estádio do Canindé

60

Ro d. Pre s. Du tra

s do s d. te Ro iran e nd Ba 2

Ruídos registrados, em decibéis Limite estipulado pela ABNT*

Pte. da Freguesia do Ó

10

O LIMITE DO BARULHO

50

Pte. Jânio Quadros

40 30 20

5

10

6

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9 10

1

2

3

4

5

6

7

8

9 10

* Em pontos onde havia mais de um limite possível, considerou-se o mais alto

Nova Marginal extrapola limite de ruído

Barulho do tráfego é maior que o permitido por normas técnicas brasileiras nos dez pontos medidos pela Dersa OS EFEITOS PARA A SAÚDE, SEGUNDO A OMS

Até 50 dB, som confortável e nenhum efeito negativo

EDUARDO GERAQUE CRISTINA MORENO DE CASTRO

> Aumenta o nível de cortisona no sangue e diminui a resistência imunológica > Induz liberação de endorfina > Aumenta a concentração de colesterol no sangue

> Organismo começa a sofrer impactos do ruído > Dificuldade para relaxar > Menor concentração > Menor produtividade no trabalho intelectual

> O estresse torna-se degenerativo e abala a saúde mental > Aumenta riscos de infarto, infecções, entre outras doenças sérias Shutterstock

Instalação de barreiras antirruído como as já usadas em trechos do Rodoanel é uma das soluções apontadas

DE SÃO PAULO

ADAPTAÇÃO

Presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, José Eduardo Dolci diz que, mesmo com a adaptação ao ruído, os vizinhos estão sujeitos a problemas. “O nosso cérebro se adapta. Dentro de uma balada, por exemplo, o barulho inicialmente incomoda tremendamente”, afirma Dolci. Depois de um tempo, segundo o médico, o incômodo diminui. “Só quando a pessoa sai é que percebe o quanto o som incomodava. As células do cérebro respondem até um ponto, depois vem a fadiga”, diz ele. Abaixo de 80 decibéis, afirma ele, não há lesão auditiva. Mas o volume medido na Nova Marginal “causa prejuízo ao sono e, dia após dia, traz prejuízo à saúde, diminuindo a concentração”. Nas vizinhanças da marginal, a menos de cem metros, existem centenas de casas,

50 dB 65 dB 70 dB

Jefferson Coppola - 1º.mar.11/Folhapress

180

de co rri d Av a iã Fo o gu et e

100 130

Referências sonoras

Ca rro

in te ns o

75

Tr ân sit o

Ja rd im

60

Li qu id ifi ca do r

50

Co nv er sa

30

tra nq ui lo

20

Co ch ich ar

Medições realizadas na marginal Tietê mostram que ela extrapola todos os limites de barulho aceitos pelas normas técnicas brasileiras. A Dersa, estatal de transportes do Estado, realizou a medição em dez pontos a partir de exigências do processo de licenciamento ambiental para a construção da terceira pista da via, aberta ao tráfego em março de 2010. Em ruas residenciais do Bom Retiro ou do Pari, bairros da região central paulistana, o nível de ruído é muito intenso, inclusive à noite. O governo do Estado terá de lidar com o problema, segundo a Prefeitura de São Paulo, que licencia a obra. As soluções possíveis são a instalação de barreiras antirruído ao redor das pistas —como já ocorre no trecho oeste do Rodoanel— ou trocar o asfalto das vias por um material menos barulhento. Tais soluções são comuns em estradas e avenidas europeias próximas a moradias. Moradores do entorno da marginal ouvidos ontem pela Folha dizem estar acostumados com o som do trânsito. “Percebi que o barulho aumentou um pouco depois da inauguração da Nova Marginal”, diz Lusimar Nascimento, moradora do Bom Retiro. A casa de Lusimar fica a menos de 200 m das pistas. “Mas não incomoda. Moro aqui faz dois anos e já estou bem acostumada. Eu, meu marido e meus filhos dormimos sem problemas. Quando vou para um lugar silencioso é que fico incomodada”, diz. Tanto vizinhos de Lusimar quanto moradores do Pari, bairro próximo ao Bom Retiro, não reclamam do barulho da marginal. Eles também se dizem acostumados.

SOLUÇÕES PREVISTAS Tapume É uma barreira física, normalmente feita de acrílico, que impede a passagem do som; já é usada no Rodoanel

Asfalto antirruído É um asfalto que diminui o atrito, causando menos ruído; ainda não é usado nas vias da cidade de São Paulo

c ENTREVISTA

Segundo monge, ‘silêncio pacifica o pensamento’

DE SÃO PAULO

O monge e arquiteto Marcio Lupion fala sobre a importância do silêncio. (CMC) ★ Folha - Por que o silêncio é importante? Marcio Lupion - Pacifica o

pensamento, a mente se acalma e a gente percebe melhor a realidade. O barulho é uma agressão, gera confusão e as pessoas não conseguem nem perceber os outros. Sofremos o tempo inteiro agressões aos

Construção do muro de contenção de ruído no trecho oeste do Rodoanel

escolas, universidades e um grande hospital, o da Vila Maria (zona norte da cidade). Além de barreiras antirruído e mudança do asfalto, o estudo da Dersa aponta uma alternativa radical para resolver o problema de barulho: retirar casas, apartamentos e comércios do entorno, deixando só indústrias. A realidade, no entanto, é outra. Trechos da marginal Tietê, nas zonas oeste e leste, têm sido alvo de vários lançamentos imobiliários.

Só quando a pessoa sai [de local barulhento] é que ela percebe o quanto o som incomodava. As células do cérebro respondem até um ponto, depois vem a fadiga

JOSÉ EDUARDO DOLCI presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia

nossos sentidos. Isso faz a gente achar o ruído normal. As pessoas já se acostumaram ao barulho?

A meninada coloca o walkman com música alta e consegue dormir. As pessoas não percebem mais o ruído porque houve uma adaptação da estrutura biológica para que a gente não perceba. Não é que melhorou, é que não se ouve mais. Quanto tempo uma pessoa deveria dedicar ao silêncio?

Todas as pessoas têm que ter pelo menos de seis a oito horas de sono em silêncio. Faz parte do metabolismo se recompor para o dia seguinte, para mantermos a sanidade mental.

ANÁLISE

Fontes de barulho começam a entrar na pauta do poder público saúde e de qualidade de vida para as pessoas, além de provocar alterações auditivas irreversíveis a quem está constantemente exposto a ela.

ANDRÉA CINTRA LOPES ESPECIAL PARA A FOLHA

A diversidade de fontes de poluição sonora está se tornando objeto de preocupação do poder público e da população nas grandes metrópoles brasileiras. Entre essas fontes de poluição estão as máquinas de construção civil, os congestionamentos, as atividades industriais e o número excessivo de pessoas concentradas em locais fechados. Leis municipais que tentam impor certos limites aos ruídos existentes hoje de nada adiantam se a fiscalização dos órgãos públicos competentes não for eficiente. A poluição sonora pode trazer sérios problemas de

LISTA EXTENSA

PERDA AUDITIVA, INSÔNIA, DORES DE CABEÇA E PROBLEMAS CARDÍACOS PODEM SURGIR COM O RUÍDO EXCESSIVO NAS GRANDES METRÓPOLES

A lista de problemas é extensa: insônia, estresse e consequências que daí advêm, como mudança de comportamento, dificuldade de concentração, cansaço, aumento da pressão arterial, queda do rendimento escolar ou no trabalho, dores de cabeça, redução da capacidade de comunicação e de memorização, distúrbios neurológicos, cardíacos, circulatórios e gástricos, entre outros. A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera que um som ou ruído deve ficar

em até 50 dB (decibéis) para não causar prejuízos à saúde e à qualidade de vida. A partir de 85 dB, o barulho começa a causar lesões irreversíveis no sistema auditivo das pessoas. Quanto maior for o ruído ao qual a pessoa está exposta, maior relevância das lesões. LONGO E CURTO PRAZOS

Os problemas auditivos podem ocorrer a curto prazo. Mas também podem levar anos para serem notados. De acordo com a OMS, cerca de 10% da população mundial é afetada pela perda da audição. Cerca de 15 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência auditiva no Brasil. Entre elas, 350 mil não conseguem ouvir nada. ANDRÉA CINTRA LOPES é professora do departamento de fonoaudiologia da USP-Bauru e coordenadora estadual do Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído, previsto para o dia 27 de abril


C6 cotidiano

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Domingo, 8 DE Abril DE 2012

Prédios ‘disfarçam’ tamanho da garagem para burlar lei Segundo Promotoria, estratégia é para evitar obras de compensação do trânsito ministério Público acionou empreiteiras e Prefeitura de são Paulo por dar autorização para o início da obra crisTina moreno de casTro

de são paulo

O prédio em construção no Butantã, na zona oeste, vai ter apartamentos de até 72 m², área de lazer completo e 499 vagas na garagem. Veja bem: 499. Se tivesse uma vaga a mais, o prédio já seria enquadrado como “polo gerador de trânsito” e suas empreiteiras teriam que arcar com custos de obras nas ruas do entorno para compensar o impacto que os novos moradores vão causar no trânsito local. Sem essas obras, o prédio não obteria o habite-se nem poderia ser lançado. Para o promotor Maurício Ribeiro Lopes (habitação e urbanismo), a falta de apenas uma vaga é uma “fraude”. Ele entrou com uma ação contra as empreiteiras Camargo Corrêa e a Multipla Engenharia, que fazem a obra na av. Cândido Motta Filho. Outros dois casos que ele considera terem burlado a lei chegaram à Promotoria após denúncias de moradores vizinhos e viraram inquérito. “E, como esses, seguramente há outros”, diz Lopes. Em um deles, no Morumbi, o panfleto que anuncia o projeto mostra os oito blocos como se estivessem interligados e fossem um só empreendimento, batizado de Club Life Morumbi. Juntos, somam 1.218 vagas —mas cada lote foi cadastrado na prefeitura com uma matrícula diferente, cada uma com pouco mais de 300 vagas de estacionamento. Morador vizinho ao empreendimento, o industrial Vicente Mello, 58, aponta a preocupação com duas escolas públicas que funcionam no mesmo quarteirão. “Nos horários de entrada e saída das aulas o fluxo é totalmente interrompido pois os alunos bloqueiam a rua, porque as calçadas são minúsculas e a rua é estreita.” Ele e outros cerca de 200 moradores de cinco prédios próximos se mobilizaram contra a construção e procuraram o Ministério Público (veja texto na pág. C7). Outro projeto na Barra Funda fez o mesmo desmembramento de matrículas, mas já estuda, segundo o promotor, fazer uma rua ligando a av. Marquês de São Vicente à marginal Tietê. “Quando a prefeitura alivia o empreendedor, ou ela traz para si essa conta, porque vai ter que realizar essas obras com nossos impostos, ou nem ela exige e nem faz — e ficamos simplesmente com o impacto”, diz o promotor. Ele também incluiu a Prefeitura de São Paulo na ação contra o empreendimento do Butantã. A Secretaria de Habitação é a responsável por autorizar os projetos das obras e fazer a triagem dos polos geradores de tráfego

Quando a prefeitura alivia o empreendedor, ou ela traz para si essa conta, porque vai ter que realizar essas obras com nossos impostos, ou nem exige e nem faz Maurício ribeiro Lopes promotor

antes de enviá-los para a Secretaria de Transportes. “A Sehab precisa olhar pra esses empreendimentos com olhos um pouco mais sociais e não do ponto de vista do mercado”, afirma ele. DINHEIRO

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) analisou impacto do prédio no Butantã, a pedido da Promotoria.

Concluiu que, para minimizar o impacto, o empreendimento deveria rebaixar guias de calçadas, abrir o canteiro central da av. Cândido Motta Filho para um retorno e implantar sinalização, semáforos e iluminação nas travessias de pedestres. As empreiteiras ofereceram, segundo a ação, R$ 100 mil —recusados pela CET. “Ao sonegar uma única va-

ga de estacionamento, livrouse de despesa de milhares de reais, a ponto de oferecer, confessadamente, para minimizar os danos a importância de R$ 100 mil”, argumenta Lopes na ação. Uma audiência de conciliação foi marcada para o próximo dia 19. O juiz Kenichi Koyama disse, em sua decisão, que considera que há “margem de diálogo”.

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Domingo, 8 DE Abril DE 2012

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cotidiano C7

Fabio Braga/Folhapress

Trânsito no Butantã, em frente a prédio criticado por Promotoria

PRÉDIOS E O TRÂNSITO Edifícios residenciais burlam lei para não ter de custear obras viárias, diz Promotoria O QUE DIZ A LEI Prédios residenciais com 500 vagas ou mais são considerados polos geradores de tráfego. Por isso, devem tomar medidas para minimizar o impacto no trânsito A prefeitura define o que deve ser feito; o empreendimento é que tem de arcar com custos e fazer a obra viária Só depois das medidas é que o prédio ganha um termo da prefeitura dizendo que não há mais pendências e, com ele, pode pedir o habite-se

O QUE OS PRÉDIOS ESTÃO FAZENDO

EXEMPLOS DE OBRAS

499 vagas Um dos empreendimentos, por exemplo, fez projeto com 499 vagas para fugir da exigência, o que a Promotoria considera uma “fraude”

Rebaixar guias para pedestres Implantar semáforos

Criar retornos Sinalização horizontal e vertical nas ruas

Prédios ‘independentes’ Outros dois condomínios desmembraram suas matrículas para parecer que são vários prédios independentes. Mas somadas, as vagas, todas de um mesmo empreendimento, elas são mais de 500

OUTRO LADO

Empreiteiras dizem cumprir a legislação de são paulo

Responsáveis pela obra no Butantã que é questionada na Justiça, a Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário e a Múltipla Engenharia afirmam que o empreendimento foi aprovado pela prefeitura e atende à legislação. “Por não se enquadrar como polo gerador de tráfego devido ao número de vagas, o empreendimento foi dispensado por lei do estudo de impacto de trânsito.” Alexandre Pacheco, diretor comercial da Incorporadora Exto, uma das responsáveis pela obra no Morumbi, diz estar “dentro da lei” e que os quatro lotes, que somam 1.218 vagas, são separados, e por isso tiveram as matrículas desmembradas. “Fizemos projeto de uma rotatória. Estamos esperando avaliação da CET.” As incorporadoras Gafisa e Bueno Netto, que fazem as obras na Barra Funda, que têm, em seis lotes, 1.679 vagas, dizem que “todo o empreendimento cumpre rigorosamente a legislação e apresenta todas as licenças e aprovações pertinentes”. A Secretaria de Habitação diz que “os processos de licenciamento “são analisados conforme a legislação vigente” e que, “sempre que solicitada, envia à Promotoria as informações pedidas”.

Vizinhos se unem para denunciar desrespeito a regra de são paulo

Cerca de 200 moradores do Morumbi se uniram contra a obra na esquina das ruas Dr. Laerte Setúbal com Dr. José Carlos de Toledo Piza. No local, serão erguidas oito torres com 25 andares. O temor é com a quantidade de carros que serão despejados diariamente no quarteirão. Graças a eles, o Ministério Público abriu o inquérito. “As ruas já são muito estreitas e o trânsito está saturado. Isso aqui vai virar um inferno”, diz o professor da USP Alberto Ramos, 55. No Butantã, os moradores fizeram um abaixo-assinado quando a obra começou a ser construída na rua Cândido Motta Filho. “Já estamos com dificuldades de sair do bairro, imagine com 4.000 moradores a mais”, diz Arnaldo Tonella, 54, vizinho da construção. O consultor em engenharia de tráfego Horácio Augusto Figueira critica a postura da Prefeitura de São Paulo por autorizar os megaempreendimentos em locais já saturados da cidade. “A prefeitura é que está autorizando essas coisas. Precisa chegar num acordo. Falar: gente, não cabe mais.


C6 cotidiano

HHH

Câmara dobra multa da lei seca e permite prova de testemunha Proposta fortalece legislação após STJ fixar, em março, que só bafômetro ou exame de sangue podem atestar embriaguez Pelo projeto aprovado, que segue agora para análise o senado, valor da autuação passa a ser de r$ 1.915,40 Maria clara cabral

de Brasília

A Câmara dos Deputados aprovou ontem um projeto de lei que valida testemunhos e exames clínicos (observações visuais de médicos) como provas em processos criminais contra motoristas que dirigem embriagados. A proposta também dobra o valor da multa, que passa a ser de R$ 1.915,40. Se aprovado pelo Senado e sancionado pela Presidência, o projeto vai, na prática, invalidar a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual só bafômetros e exames de sangue podem valercomoprova—testemunhos eexameclínico,queeramusados em alguns casos, portanto, foram invalidados. Pelo fato de uma pessoa não ser obrigada a produzir prova contra si mesma e, portanto, poder recusar o bafômetro e o exame de sangue, especialistas em direito dizem que a lei seca, no que se refere às punições criminais, foi enterrada pelo STJ. De 2008, a lei seca estabelece dosagens de álcool no sangue para punições administrativas —multas e perda de habilitação— e criminais — até três anos de prisão. Para fins penais, quem tiver seis ou mais decigramas de álcool por litro de sangue (dois chopes) estará cometendo crime. O STJ tomou sua decisão baseada justamente na “subjetividade” de testemunhos e exames clínicos. Por não serem capazes de ter a precisão sobre as decigramas, eles não poderiam ser usados como provas,disseramosministros. Deputados explicaram que o texto aprovado ontem garante a motoristas o poder de apresentar contraprova em oposição aos testemunhos, aviaçÃo

Em crise, Gol começa a cortar serviço de bordo gratuito dE sÃo PaUlo - Em crise finan-

ceira, a Gol começou a cortar o serviço de bordo gratuito oferecido em seus voos. A medida, implantada na semanapassada,afetainicialmente180(22%)dos820voosdiários da companhia. Até o fim do semestre,ocorteatingirá44%dos voos—todososquedurammais de uma hora e meia. Até então, os passageiros dos voos afetados recebiam gratuitamente suco ou refrigerante, mais amendoim ou batatas chips. Já havia também o serviço de bordo pago. Desde 2 de abril, há apenas a opção do cardápio pago nos voosquepassarampelamudança. Refrigerante, suco e batatinha saem por R$ 5 cada um. Para a companhia, o serviço gratuitodeixoudefazerdiferença, mas ele continuará a existir na ponte aérea Rio-São Paulo. Iniciado em 2009, o serviço de venda a bordo faz parte do modelo de baixo custo da Gol. ÉadotadotambémpelaWebjet, comprada pela Gol no ano passado, e por outras companhias aéreas que atuam no exterior. A Gol encerrou 2011 com um prejuízo de R$ 710,4 milhões.

ab

Quinta-Feira, 12 De abril De 2012

com o uso do bafômetro. A ideia inicial dos deputados era votar uma proposta de “álcoolzero”eoendurecimento das penalidades —o que acabaria com a subjetividade

dos seis decigramas. Mas, por falta de acordo, deputados acertaramcomogovernoavotação apenas da ampliação de provas. A pena máxima continua a ser de três anos.

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Quinta-Feira, 12 De abril De 2012

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cotidiano C7

Fabio Braga/Folhapress

MAIS MUDANÇAS NA LEI SECA O que acontecia antes da decisão do STJ e como pode ficar com novo projeto de lei COM A DECISÃO DO STJ

COMO ERA > Lei estabelece o bafômetro e o exame de sangue como provas válidas de embriaguez em processos criminais

> Mas, na prática, juízes consideravam também outras provas, como exame clínico e testemunhos

No final de março, ministros decidiram que apenas bafômetro e exame de sangue podem provar a embriaguez na Justiça

VALOR DA MULTA para o motorista autuado por embriaguez ao volante

R$ 957,70

Hoje

R$ 1.915,40

Pelo projeto votado na Câmara

PRÉDIOS E O TRÂNSITO Edifícios residenciais burlam lei para não ter de custear obras viárias, diz Promotoria

COM O NOVO PROJETO

O QUE DIZ A LEI Prédios residenciais com 500 vagas ou mais são considerados polos geradores de tráfego. Por isso, devem tomar medidas para minimizar o impacto no trânsito

Lei seria alterada, de forma a considerar, para fins penais, o uso de provas além do bafômetro e do exame de sangue

A prefeitura define o que deve ser feito; o empreendimento é que tem de arcar com custos e fazer a obra viária

TRAMITAÇÃO

Só depois das medidas é que o prédio ganha um termo da prefeitura dizendo que não há mais pendências e, com ele, pode pedir o habite-se

Projeto agora será encaminhado ao Senado

EXEMPLOS DE OBRAS

Rebaixar guias para pedestres Implantar semáforos

Criar retornos Sinalização horizontal e vertical nas ruas

Empreendimento no Morumbi, acusado pelo Ministério Público de disfarçar megagaragem

Prédios são alvo de ação contra garagem ‘escondida’ Empreendimento terá lugar para 1.218 carros cristina MorEno dE castro de são paulo

O Ministério Público entrou ontem com uma segunda ação judicial contra prédios que, no entender da promotoria, estão disfarçando o tamanho das garagens para burlar a lei municipal. A prática foi revelada pela Folha no domingo, quando já havia uma ação tramitando contra um empreendimento em construção no Butantã. Agora, o alvo é uma construção no Morumbi, que já era investigada após reclamação de moradores vizinhos. O Club Life Morumbi é um megaempreendimento, que terá oito torres, com 25 andares cada, entre as ruas José Carlos de Toledo Piza e Laerte Setúbal. Ele foi listado como exemplo na reportagem de domingo. Para fazer o complexo, foram comprados quatro lotes, que tiveram suas matrículas registradas separadamente na prefeitura, cada uma com pouco mais de 300 vagas de garagem. Somadas, elas chegam a 1.218 vagas. De acordo com a lei, prédios residenciais com 500 vagas ou mais já são enquadrados como polos geradores de tráfego e precisam realizar obras viárias para minimizar o impacto no trânsito. Para o promotor Maurício Ribeiro Lopes (habitação e urbanismo), autor da ação, o desmembramento dos lotes em várias matrículas foi uma “clara burla” e uma “manobra” para “livrar-se de incômoda e onerosa obrigação legal de realizar obras viárias”. Ele sustenta, na ação, que “a lógica, o bom-senso, a moral e o direito mostram que são um só empreendimento”. Em reunião entre as incorporadoras Exto, Yuni e Atua, responsáveis pela obra, e o promotor, ficou acordado que elas pediriam à CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) um estudo do impacto que a obra causaria, para saber as exigências a cumprir. Segundo a CET, até hoje esse pedido não foi feito —o que levou a promotoria a entrar com a ação, com pedido de liminar para que as três empreiteiras obtenham as exigências das obras viárias, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Também foi pedido que a Secretaria Municipal de Habitação anule os alvarás de execução das construções. Alexandre Pacheco, diretor comercial da Incorporadora Exto, reafirmou que não houve desmembramentos dos lotes, porque os condomínios são separados e não há comunicação entre eles. Depois disse que as incorporadoras preferem esperar receber a ação antes de comentarem o assunto.


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DOMINGO, 7 DE AGOSTO DE 2011

Para evitar desvalorização, prédios em São Paulo “somem” com 1º andar

cotidiano C3

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1º ANDAR EM EXTINÇÃO É cada vez mais comum que a numeração dos prédios comece pelo 2º andar

CRISTINA MORENO DE CASTRO

DE SÃO PAULO

Da janela do arquiteto Ricardo Luíz Silva, 30, o barulho do trânsito se mistura ao dos bêbados que passam gritando madrugada adentro. Ele vai se mudar e tenta alugar o imóvel da rua Maria Antônia. Encontra resistência de interessados, pois está no primeiro andar. “Ninguém questiona o segundo andar. Há o estigma de quem mora no primeiro andar.” Os últimos empreendimentos imobiliários de classe média e alta lançados em São Paulo acharam uma so-

lução contra o preconceito: sumiram com o primeiro andar inteiro e seus prédios agora começam do segundo e até do terceiro andar. Não adianta nem procurar o número 1 nos elevadores. A Folha identificou ao menos seis casos. A “mágica” é aumentar o pé direito dos halls, no térreo, ou acrescentar estacionamento e mordomias no mezanino do prédio. “Faz parte do processo de encantamento do cliente: olha, este já é o segundo andar”, diz o arquiteto Ivan Cassola, sócio da C+H Arquitetura. “É mera jogada de marketing para não vender

como primeiro andar.” Além do barulho, outros problemas fazem com que o primeiro andar demore mais a ser vendido e custe cerca de 10% a menos que o último andar de um prédio: menos privacidade, menos ventilação, pouca vista da cidade. Para o arquiteto Itamar Berezin, a mudança da numeração dos andares é consequência da maior exigência por térreos com pé direito maior, de seis a oito metros de altura —quando antes era comum com três metros. “Aí pegam carona nisso. O pessoal tem preconceito com o primeiro andar.”

Ilustração Paladino

Numeração dos edifícios passou a começar no 2º ou até no 3º andar; arquiteto afirma que mudança ocorre porque pé direito está mais alto

O QUE É CONSTRUÍDO NO LUGAR DO 1º ANDAR: > salão de festas ou jogos > sala de ginástica > estacionamentos

AVIAÇÃO

Começa hoje interdição para reforma de pista de Cumbica DE SÃO PAULO - Com a promessa

de que não haverá transtornos para passageiros, começa hoje a interdição parcial de uma das pistas do aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos (Grande SP), o maior do país. A interdição atingirá 40% da maior pista do aeroporto, de 3.700 metros, para substituição do asfalto. Cumbica tem outra pista, de 3.000

metros, que não será afetada. Ao menos inicialmente, não haverá redução de voos. Mas aviões de grande porte, usados em rotas internacionais, terão de decolar com menos carga e passageiros. Segundo a Jurcaib (junta das empresas que operam voos internacionais no Brasil), a maior parte das companhias reduziu apenas carga.

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MAIS LUXO Quanto mais “nobre” o prédio, maior o pé-direito do hall

MAIS BARATO O 1º andar, geralmente, é mais barato e o último a ser vendido. Em geral, quanto mais alto o apartamento, mais caro ele é


GUIA DAS

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Ilustração Ra fael Sica

profissões

EF DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2008

¤ ESPECIAL

1

Quem é o profissional que o mercado de trabalho procura hoje e pelos próximos cinco anos

CARREIRAS + PROMISSORAS • ARQUITETURA • ADMINISTRAÇÃO • MEDICINA • FARMÁCIA • GEOLOGIA • NUTRIÇÃO • PROFESSORES • COMPUTAÇÃO • ENGENHARIA • RELAÇÕES PÚBLICAS


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DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2008

guiadasprofissões

especial 3 Lalo de Almeida/Folha Imagem

FAÇA A SUA ESCOLHA

Aluno caminha na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; arquitetura é uma das carreiras em alta para os próximos anos

ÍNDICE

Conheça as profissões que estão em alta no mercado Dez carreiras foram escolhidas após consulta a 158 especialistas e instituições

Nutrição Pág. 4

Medicina Pág. 6

Farmácia Pág. 8

Computação Pág. 9

................................................................................................

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DA REDAÇÃO

Talento. Gosto. Afinidade. Tudo isso deve ser levado em conta na hora de escolher uma profissão. Além disso, saber como está o mercado de trabalho também é importante ao optar por uma carreira. Para ajudar vestibulandos em dúvida, a Folha analisou os setores do mercado que mais crescem atualmente e que deverão continuar em alta nos próximos cinco anos ou mais. A reportagem pesquisou também que tipo de formação os profissionais dessas áreas em alta devem ter para conseguir bons empregos. Houve ainda a preocupação de que as profissões escolhidas contemplassem as áreas de exatas, humanas e biológicas. O resultado são dez carreiras promissoras, cujo perfil foi traçado com a ajuda de 158 profissionais e instituições de referência em suas áreas.

Na análise do secretário de políticas públicas de emprego do Ministério do Trabalho, Ezequiel Nascimento, o crescimento da economia brasileira facilita o ingresso do profissional em todos os setores. “Os cursos tradicionalmente procurados por jovens de classe média, como direito, não são o forte deste momento. Mas, com o atual crescimento, todas as áreas são promissoras, não há um emprego que esteja caindo agora”, diz Nascimento. O destaque são as atividades ligadas à área de produção, co-

Oscursostradicionalmente procuradospor jovensde classe média,como direito, nãosãoo forte deste momento EZEQUIELNASCIMENTO secretário do Ministério do Trabalho

mo energia, tecnologia da informação, infra-estrutura urbana e construção. Com a prospecção de novas reservas de petróleo no país, aumenta ainda a necessidade de engenheiros e geólogos. O secretário do ministério estima que sejam necessários mais de dois milhões de profissionais para trabalhar nessa área nos próximos cinco anos. Só de engenheiros, o país tem uma demanda de cerca de 80 mil profissionais para os próximos três anos, segundo Nascimento. Na saúde, falta mão-de-obra qualificada em algumas áreas, como a medicina pública —aplicada em programas sociais do governo federal. Além disso, o envelhecimento da população amplia a demanda por geriatras e oncologistas e o avanço de tecnologias abre espaço para as áreas da genética —em que a biomedicina cumpre papel importante. A preocupação com a saúde também chega à mesa, e nutricionistas são cada vez mais re-

quisitados, tanto pelo setor público quanto pelo privado. Já as empresas procuram profissionais que cuidem de sua imagem e comunicação, como o relações-públicas, e administradores com especialização. Conhecimento específico é o que falta também a professores de ensino médio, principalmente nas áreas de filosofia, sociologia, matemática, química, física e biologia. Previsões As previsões para jovens são otimistas. Pesquisa lançada neste mês pela Fundação Getulio Vargas e pelo Instituto Votorantim mostra que, de 1,6 milhão de empregos formais criados em 2007, 93% foram ocupados por gente de até 29 anos. Para quem gosta de pensar para a frente, este especial traz ainda uma entrevista com Carlos Antônio Leite Brandão, 49, coordenador de um instituto da Universidade Federal de Minas Gerais que estuda as profissões que deverão ser criadas daqui a duas décadas.

Geologia Págs. 10 e 11

Engenharia Págs. 12 e 13

Arquitetura Pág. 14

Administração Pág. 16

Relações públicas Págs. 18 a 19

Professores Pág. 20

Entrevista Pág. 22

Veja quais faculdades oferecem os cursos no site www.educacaosuperior.inep.gov.br

Veja o desempenho das faculdades no Enade pelo site www.inep.gov.br/superior/enade


EF SÁBADO, 11 DE ABRIL DE 2009 ★

Serviço de atendimento ao assinante: 0800-775-8080 Grande São Paulo 0/xx/11/3224-3090 Ombudsman: ombudsman@uol.com.br

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Prefeito Gilberto Kassabcria mais uma secretaria

José Emílio Perillo - 1.abril.09/Gazeta de Alagoas

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Tel.: 0/xx/11/3224-3402 Fax: 0/xx/11/3224-2285 E-mail: cotidiano@uol.com.br

Pág. C6

AlagoaseEspíritoSanto lideramrankingdaviolência Levantamento foi feito pela Folha com base em dados de 2008 das secretarias da Segurança dos Estados; em 2005, Pernambuco e o Rio eram os mais violentos LEIA MAIS C3

Manifestantes estendem camisas com nomes de vítimas da violência na Universidade Federal de Alagoas durante protesto


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SÁBADO, 11 DE ABRIL DE 2009

cotidiano

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Pernambucoagoraé3ºnorankingdemortes Em três anos, índice de assassinatos aumenta no Estado, mas crescimento em AL e no ES é ainda maior; Rio é o quarto

DA AGÊNCIA FOLHA

Considerados durante anos os Estados mais violentos do

Na comparação entre os dados de 2008 e os de 2005, é possível ver que a violência aumentou nos quatro Estados —mas em Alagoas e no Espírito Santo o aumento foi maior. No Rio, o índice de homicídios por 100 mil habitantes passou de 40,5 (2005) para 45,1 (2008); em Pernambuco, de 48 para 51,6. Já no Espírito Santo, o aumento foi de 37,7 para 56,6; e em Alagoas, de 37,2 para 66,2.

HOMICÍDIOS NO PAÍS RR

TAXA DE HOMICÍDIOS POR 100 MIL HABITANTES EM 2008*

AP

PA

AM

MA

CE PI

AC

TO

RO

BA

MT

23,7

GO

DF

MS

é a taxa média aproximada de homicídios por 100 mil habitantes do Brasil

RN PB PE AL SE

MG SP

ES RJ

PR SC

R$ 144

de 55 a 70

RS

de 40 a 55

milhões

de 25 a 40

é quanto o Rio de Janeiro recebeu de verba do Pronasci no ano passado, Estado que mais recebeu do programa

de 10 a 25 Estados que não divulgaram total ou parcialmente seus dados

AL ES PE RJ BA RO MT DF PR SE MS AC CE GO AM RN TO RS MA PB SP SC RR

66,2 56,6 51,6 45,1

32,8 30,3 30,0 28,0** 27,1 26,9 25,2 24,3 24,2 20,9*** 20,7 18,7 18,0 15,9 15,4 14,7 13,2 13,0 10,6

* A Folha cruzou os dados a partir da soma de assassinatos, latrocínios e lesões seguidas de morte (critério do Ministério da Justiça) dos boletins de ocorrência, incluindo homicídios decorrentes de confrontos com policiais; a população segue estimativa do IBGE para 2008 ** Não contabiliza confronto com a polícia, considerado irrelevante para a secretaria *** Só computa os dados depois da conclusão do inquérito policial Fonte: Secretarias da Segurança e IBGE

O levantamento em todos os Estados do país levou em conta um critério único, usado pelo Ministério da Justiça: a soma de assassinatos, latrocínios e lesões seguidas de morte, inclusive homicídios decorrentes de confrontos com policiais. Os dados foram repassados pelas secretarias da Segurança e se baseiam em boletins de ocorrência —exceto Goiás, que computa os dados após a conclusão de inquéritos policiais. Roraima é o Estado com o melhor índice (10,6 por 100 mil) —acima, porém, do que a OMS (Organização Mundial da Saúde) considera como zona epidêmica de homicídios: a partir de dez assassinatos por 100 mil habitantes. 23 Estados e o DF O levantamento inclui dados completos de 23 Estados e do Distrito Federal. Minas Gerais não repassou dados do último trimestre. Piauí só tinha dados da capital, Teresina. Pará e o Amapá não informaram. Para Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Violência, que usa dados do sistema de saúde para calcular taxas de morte, alguns pontos podem justificar a mudança. “Ao aumentar a repressão nos centros tradicionais, como Rio e São Paulo, pulverizou-se a criminalidade.” Para ele, “dinâmicas locais, como pistolagem e narcotráfico” também explicam essa nova disposição. Cláudio Beato, coordenador do Crisp (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública), afirma que é difícil comparar Estados. Ele diz ainda que “a greve da polícia [de agosto de 2007 a fevereiro de 2008] em Alagoas pode estar se refletindo na taxa”.

Secretário de AL culpa drogas e pistolagem ........................................................................................

DA AGÊNCIA FOLHA

O secretário da Segurança de Alagoas, José Paulo Rubim, levanta alguns pontos que podem explicar o alto índice de homicídios no Estado. “Aqui há uma cultura de pistolagem, matadores de aluguel e muito crack na área de exclusão social”, afirma. Para Rubim, as estatísticas policiais melhoraram. “Fizemos um mapeamento completo, desde o ano passado, que tem locais dos crimes, tipos de arma usada e de vítima. Com tudo isso mapeado, pudemos congestionar essas áreas com policiamento.” Segundo dados no site da secretaria, houve redução de 15% no número de vítimas de

crimes violentos letais nos dois primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O secretário da Segurança do Espírito Santo, Rodney Miranda, também reconhece que a taxa de homicídios no Estado é elevada. “É uma trajetória que vem se mantendo há muitos anos”, diz. Segundo ele, o Estado tem números baixos de outros crimes, como sequestro relâmpago e roubos. Segundo ele, 34 mil pessoas foram presas em 2008. Ele, no entanto, diz que o Brasil não tem uma “metodologia de coleta de dados que permita comparar um Estado com outro”. “Nosso Estado é pequeno e nós publicamos todos os dados.” Segundo o Ministério da Justiça, “a iniciativa, autonomia e responsabilidade sobre políticas de segurança pública édosEstados”. (CA e CMC)

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CRISTINA MORENO DE CASTRO CÍNTIA ACAYABA

país, Rio de Janeiro e Pernambuco perderam o posto. Levantamento feito pela Folha com base em dados de 2008 mostra que Alagoas e Espírito Santo agora lideram o ranking de homicídios no país. Em 2005, segundo o último levantamento feito pelo Ministério da Justiça, Pernambuco e Rio lideravam as estatísticas de homicídios. Agora, ocupam o terceiro e quarto lugares.

DeBRITO

Para coordenador do Mapa da Violência, criminalidade está “pulverizada” com aumento da repressão em locais como Rio e São Paulo


C6 cotidianoo

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D OMINGO, 17 DE ABRIL DE 2011 Q

‘Doutor Ratão’ é o terror dos roedores do metrô há 35 anos O veterinário Angelo Boggio, 72, é o responsável pelo controle de pragas nos 60 km de trilhos de São Paulo

O veterinário Angelo Boggio, conhecido como “Doutor Ratão”, na estação Sé do metrô

Quando ele começou, CRISTINA MORENO DE CASTRO eram milhões de ratos DE SÃO PAULO nas linhas do metrô; Em 1975, uma pane parou hoje Boggio e sua equipe o metrô de São Paulo por homatam três por mês ras. Motivo: os milhões de ra-

tos que infestavam os túneis comeram cabos elétricos importantes e o sistema travou. Naquela época, aos 36 anos, o higienista Angelo Boggio, que trabalhava na então Secretaria Municipal de Higiene e Saúde, foi chamado às pressas para exterminar a praga urbana. Ali se iniciava a carreira do “Doutor Ratão” (apelido recebido dos colegas) no metrô. Desde então, nenhum rato causou nenhuma outra pane. Hoje o metrô de São Paulo é considerado um dos mais limpos do mundo. “Agora matamos três por mês, no máximo. Quando comecei, eram milhões. Dava para ver a fila de ratos, a perder de vista.” Não é exagero. Os roedores faziam fila debaixo do trilho eletrizado com 750 volts de corrente contínua, com o único propósito de se eriçarem, e dessa forma se livrarem dos carrapatos e piolhos que habitavam seus pelos. O metrô era muito menor. Tinha cerca de 7 km (hoje são cerca de 20). Mas Doutor Ratão era um só. Hoje, conta com uma tropade 33 homens. Formado em veterinária e com cursos de bioquímica, química macromolecular, ecotoxicologia médica, entre outros no currículo, ele diz que foi o primeiro a montar um serviço de controle de roedores e vetores do Brasil e a criar o primeiro Centro de Controlede Zoonoses. Mas Boggio nunca foi atacado por um rato? “Só uma vez, em Belo Horizonte. Um rato de mais de um quilo me mordeu aqui [mostra o calombo no dedão direito] e arrancou um pedaço”, conta. “Tomei mais um pouco de conhaque, joguei [o conhaque] em cima, coloquei um esparadrapo e fui dormir”, continua, às gargalhadas. Não se sabe se foi graças ao álcool, mas “Doutor Ratão” não pegou nenhuma doença. Mesmo assim, não usa equipamentos de proteção —máscaras, botas, luvas etc.—, para trabalhar. Hoje, aos 72 anos, faz um trabalho de vistoria surpresa, duas ou três vezes por semana. VENENO SECRETO

A equipe do “Doutor Ratão” usa três tipos de veneno, alternados, para evitar que os ratos se acomodem. Ele não conta a receita dos remédios. Diz apenas que são anticoagulantes que matam os ratos com a perda de sangue, depois de sete dias, a tempo de outros roedores levarem os sachês para a toca e morrerem também. “Eu não escolho os produtos, quem escolhe são os ratos.” Sachês com venenos são trocados a cada 60 dias, a desinsetização é feita a cada 90 dias e o controle do mosquito da dengue, a cada 20. Toda noite, as cinco equipes se dividem e fazem o trabalho em trechos: dentro dos trens, nas estações, nos trilhos ou na área externa, num raio de 50 metros da estação. “Se o metrô parar de fazer isso vai ter invasão de rato e barata até dizer chega. É um trabalho sem fim.” (Os três roedores cinzentos que cruzaram com a repórter na praça da Sé devem concordar.) Colaborou ALENCAR IZIDORO

Veja o vídeo de uma noite de trabalho de Angelo Boggio no metrô folha.com.br/mm903541


Moacyr Lopes Junior/Folhapress

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SÁBADO, 29 DE MAIO DE 2010

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cotidiano

Empresas reduzem coleta seletiva e misturam o lixo

Redução ocorre porque cooperativas não conseguem processar material Sem ter onde deixar o lixo reciclável, empresas o recolhem junto ao comum; prefeitura admite falha EVANDRO SPINELLI

DE SÃO PAULO

CRISTINA MORENO DE CASTRO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A coleta seletiva de lixo foi reduzida na cidade de São Paulo porque as 17 cooperativas de catadores conveniadas com a prefeitura não têm conseguido processar todo o material recebido. Assim, latas, papéis e outros produtos recicláveis, separados pelos moradores, vão parar nos aterros, misturados ao lixo comum. Os caminhões especiais da coleta seletiva chegam a recolher o lixo nas casas e depois estacionar em frente às cooperativas. Esperam horas para descarregar e, algumas vezes, retornam lotados para as garagens. A consequência são menos desses caminhões especiais nas ruas e, com isso, lixo reciclado recolhido pelos veículos comuns, misturado ao lixo não separado. Em média, as empresas Loga e Ecourbis recolhem 120 toneladas de lixo reciclável por dia contra um total de 9 mil toneladas de lixo residencial comum. Nas cooperativas, os catadores separam, limpam e embalam o material, que depois é revendido —num processo que leva tempo, o que limita a capacidade de receber mais descartes. Até algumas semanas atrás, as empresas levavam o lixo da coleta seletiva diretamente para os aterros destinados ao lixo comum. A prefeitura passou a proibir a entrada dos caminhões de lixo reciclável no aterro, o que não mudou em nada o problema. FALHAS

Loga e Ecourbis confirmam que têm despejado lixo que foi separado para reciclagem em aterros. A prefeitura admite que há falhas na coleta seletiva e diz que vai multar as empresas. O problema ocorre na cidade inteira, segundo funcionários da Loga e cooperativas ouvidas pela reportagem. “Todo mundo está lotado”, confirmou Jacy Cardoso, presidente da Cooperação, grupo de catadores da Vila Leopoldina (zona oeste). Para a presidente, o problema se resolveria se mais cooperativas fossem conveniadas pela prefeitura. “Tinha que ter 62 cooperativas, duas por subprefeitura.” São Paulo tem 94 cooperativas de catadores de lixo, mas apenas 17 são credenciadas pelo município. De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores, se todas as cooperativas fossem credenciadas, o número de pessoas envolvidas no processo saltaria de 1.000 para cerca de 4.000. O movimento defende que a prefeitura credencie todas as cooperativas, como forma de resolver o problema.

d LEIA MAIS na pág. C3

Catadora descansa em meio a sacos de lixo reciclável


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esporte

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QUINTA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 2008

Ailton Cruz - 1º.out.08/‘O Jornal’

Painel FC

painelfc.folha @ uol.com.br

RICARDO PERRONE

Veneno caseiro Ao fim do Brasileiro, Muricy Ramalho ficará com a faca e o queijo na mão para pedir aumento ao São Paulo graças a uma decisão da diretoria. Por meio de seu agente, o treinador pediu que fosse feito um adendo em seu contrato para a inclusão de multa rescisória. Ouviu um não. Na ocasião, o técnico alegava que recusara oferta do exterior, mas corria risco de demissão. O time não estava bem. A multa amenizaria o prejuízo se perdesse o emprego. Agora, tem sido procurado por outros clubes. E não precisa pagar multa para sair.

Coleira. Conselheiros do

Ferido. Diego Souza virou

São Paulo avaliam que Muricy fará exigências caso confirme o tri brasileiro. A diretoria responde que no Morumbi o rabo não abana o cachorro.

motivo de chacota de seus companheiros no vestiário do Palmeiras por causa de entrevista de Affonso Della Monica. O presidente disse que o jogador foi o maior investimento do clube e deveria render mais. Diego agora está chateado com o cartola.

Estrago. Atletas do Corinthians já falam em pedir aumento após a diretoria cogitar reforços caros como Ronaldo e Jorge Wagner.

Malabarismo. Em outubro, o futebol palmeirense arrecadou R$ 6,2 milhões e gastou R$ 8,3 milhões. No ano, já consumiu R$ 92,2 milhões e obteve R$ 96 milhões.

Donativos. O C13 ofereceu ao governo de SC ajuda aos desabrigados em virtude das chuvas. Pedirá aos times que montem postos nos estádios no fim de semana para a doação de roupas e alimentos.

Trovoadas. Os membros do Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras, porém, ficaram alarmados ao conhecerem os gastos do futebol. Acham muito dinheiro para conquistar só o Paulista.

Não cai. Em evento beneficente, o santista Marcelo Teixeira apresentou Fábio Costa como o melhor goleiro do Brasil. E Márcio Fernandes como comandante da virada.

Ginástica. Em outubro, o Palmeiras pegou R$ 2,6 milhões da Adidas antecipadamente. Já são R$ 3,3 mi adiantados pela patrocinadora, cerca de um terço do valor anual.

Degrau. Roberto Gesta, da confederação de atletismo, pediu a Carlos Arthur Nuzman que contrate advogado estrangeiro. Quer reivindicar o ouro do 4 x 100 m em Sydney-00, após Tim Montgomery confessar doping.

Roleta. Os palmeirenses Affonso della Monica e Gilberto Cipullo chegaram atrasados à festa de gala da Conmebol, em Assunção. Deram ainda escapada rápida ao cassino vizinho ao local da cerimônia.

com a compra da Toro Rosso pela Red Bull e sem vaga em 2009, Rubens Barrichello pediu que sua irmã, Renata, ligasse para o dono do time.

Colaboraram EDUARDO ARRUDA e TATIANA CUNHA, da Reportagem Local, e RODRIGO BUENO, enviado especial a Assunção

Dividida Se o Luxemburgo está triste, deveria ir trabalhar naquela rede de supermercado de gente feliz DeRICARDOPISANI,conselheirodeoposiçãopalmeirense,ironizando ainsatisfaçãodotreinadornocargo

EMPATES

DERROTAS

VITÓRIAS

EMPATES

DERROTAS

SALDO DE GOLS

64 35 29 53 34 19 55 42 13 55 44 11 61 40 21 52 42 10 54 43 11 46 44 2 49 41 8 46 44 2 42 40 2 50 59 -9 47 46 1 44 53 -9 39 49 -10 42 53 -11 43 71 -28 54 70 -16 45 64 -19 35 62 -27

VITÓRIAS

11 5 9 8 4 12 7 10 9 9 11 11 10 12 9 13 8 14 6 16 9 14 11 13 10 15 10 15 9 16 10 16 11 16 7 19 10 17 7 20

GOLS CONTRA

20 19 20 19 18 14 14 14 14 14 13 12 11 11 11 10 9 10 9 9

GOLS PRÓ

36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36

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VITÓRIAS

71 66 64 64 63 53 52 51 50 48 48 47 43 43 42 40 38 37 37 34

EMPATES

JOGOS

Libertadores Sul-Americana Rebaixamento

PONTOS

Classificação

APROVEITAMENTO (%)

CAMPEONATO BRASILEIRO-2008

1º São Paulo 2º Grêmio 3º Cruzeiro 4º Palmeiras 5º Flamengo 6º Coritiba 7º Goiás 8º Internacional 9º Botafogo 10º Vitória 11º Sport 12º Atlético-MG 13º Fluminense 14º Santos 15º Atlético-PR 16º Náutico 17º Figueirense 18º Vasco 19º Portuguesa 20º Ipatinga

65,7 61,1 59,3 59,3 58,3 49,1 48,1 47,2 46,3 44,4 44,4 43,5 39,8 39,8 38,9 37 35,2 34,3 34,3 31,5

14 13 14 14 11 10 11 12 9 11 10 9 7 9 9 8 6 7 8 9

3 4 2 2 3 6 4 4 4 4 6 7 5 5 6 5 5 4 7 3

1 1 2 2 4 2 3 2 5 3 2 2 6 4 3 5 7 7 3 6

6 6 6 5 7 4 3 2 5 3 3 3 4 2 2 2 3 3 1 0

8 5 2 5 6 5 6 5 4 2 3 4 5 5 3 5 6 3 3 4

4 7 10 8 5 9 9 11 9 13 12 11 9 11 13 11 9 12 14 14

CASA

FORA

Regulamento: Critérios de desempate: 1) vitórias; 2) saldo de gols; 3) gols pró; 4) confronto direto (quando o empate ocorrer apenas entre dois clubes); 5) cartões vermelhos; 6) cartões amarelos; 7) sorteio

37ª RODADA Coritiba

DOMINGO x

Vasco

17h - Couto Pereira

Náutico

x

Atlético-PR

17h - Aflitos

Ipatinga

x

Atlético-MG

x

Grêmio Santos

17h - Mineirão

Botafogo

x

Figueirense

17h - Engenhão

São Paulo

x

38ª RODADA 7.dez (domingo) Palmeiras Sport

Fluminense

Santos

x

Sport

17h - Canindé

Internacional

x

Vasco

Cruzeiro

x

Goiás

17h - Maracanã

Vitória

x

Palmeiras

17h - Barradão

EmSC,nem riodentro deginásio páraesporte Torneios nacionais e prova de kart são mantidos apesar de estado de calamidade Governo recomenda que os eventos sejam suspensos, mas nem as competições estaduais param em meio às enchentes e ao caos

x

Coritiba

x

Náutico

x

GIULLIANA BIANCONI MARIANA BASTOS DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar da situação de calamidade que assola Santa Catarina em virtude das fortes chuvas, parte do calendário de eventos esportivos do Estado não foi alterado. Nem mesmo após a destruição de um ginásio em Blumenau, uma das cidades mais atingidas pela inundação. Graças a uma lei de incentivo local —Fundesporte—, Santa Catarina conta atualmente com equipes de primeira linha em esportes como futebol, futsal, basquete, vôlei e handebol. O secretário estadual de Turismo, Cultura e Esporte, Gilmar Knaesel, recomendou o adiamento ou cancelamento de todos os eventos esportivos no Estado. Apesar do alerta do governo e de alguns problemas estruturais, jogos de vôlei, basquete, futsal e futebol foram mantidos pelos organizadores. “Não temos controle sobre partidas relacionadas a torneios nacionais”, disse Knaesel. Embora seja contra a realização de eventos enquanto o Estado estiver mobilizado para atender às vítima das chuvas, o secretário deu o aval para a realização, neste final de semana, do Desafio Internacional de Estrelas, em Florianópolis. A corrida de kart, promovida pelo piloto Felipe Massa e pelo empresário Carlos Romagnolli, contará com a presença do heptacampeão da F-1, o alemão Michael Schumacher, e de astros do automobilismo nacional. “Não teria como adiar esse evento devido ao calendário dos pilotos que vão participar”, justificou o secretário, embora todos os pilotos estejam em período de férias. Quem se aventurar a ir ao evento terá de pegar rotas alternativas. O principal acesso, a rodovia SC-401, está interditado devido às enxurradas. No total, foram investidos R$ 1,7 milhão do Fundesporte neste evento. Romagnolli doou R$ 50 mil às vítimas das chuvas. A Superliga de vôlei também

não será interrompida. O maior torneio nacional da modalidade conta com quatro equipes catarinenses: Florianópolis e Unisul, no masculino, e Pomerode e Brusque, no feminino. Nem mesmo as goteiras no ginásio Capoeirão foram suficientes para adiar ou cancelar partidas. Lá, o Florianópolis receberá o Álvares Cabral amanhã, e o Santo André, na terça. “É uma tradição dos ginásios brasileiros ter goteiras”, minimizou Chico Lins, supervisor do clube da capital catarinense. “Diante da enxurrada, ter apenas duas goteiras é pouco.” Lins não crê que possíveis chuvas nos próximos dias prejudiquem a ida do público ao Capoeirão. “No sábado, com toda a chuva torrencial, tivemos 1.500 pessoas vendo o jogo contra o Minas”, disse o supervisor. Já no basquete, os dirigentes desistiram do otimismo após o desabamento do ginásio do clube Vasto Verde, em Blumenau, um dos finalistas do estadual feminino. “Um rio passou no meio do ginásio”, disse o presidente da Federação Catarinense de Basquete, Oscar Archer, que quer transferir os playoffs da decisão para Brusque. Archer diz que o esforço é para fechar o torneio até o dia 15. “Contratos de atletas vencem após essa data, e aí complica.” LEIA MAIS C1

Não vai mesmo sernada fácil resolver essasituação, estou olhando paraforada janelaejáestá chovendodenovo OSCARARCHER presidente da Federação Catarinense de Basquete

GOL A GOL O QUE VER NA TV* 18h

Portsmouth x Milan Copa da Uefa- futebol RecordeESPNBrasil- aovivo

* Programação fornecida pelas emissoras

PLACAR

Rei Pelé é destronado por Marta em Alagoas ................................................................................................

CRISTINA MORENO DE CASTRO FUTEBOL Brasileiro da Série B - 37ª rodada Amanhã: Gama x Bahia; Santo André x Paraná Sábado: Marília x Ceará; Fortaleza x Brasiliense; Avaí x São Caetano; Vila Nova x Bragantino; Juventude x Barueri; América-RN x Corinthians; CRB x ABC; Ponte Preta x Criciúma Classificação 1º Corinthians 2º Avaí 3º Santo André 4º Barueri 5º Bragantino 6º Ponte Preta 7º Vila Nova 8º Juventude 9º São Caetano 10º Bahia 11º Paraná 12º Ceará 13º Brasiliense 14º ABC 15º América 16º Fortaleza 17º Marília 18º Criciúma 19º Gama 20º CRB

P 85 66 65 63 57 55 55 53 53 51 49 49 47 45 43 42 42 41 34 24

J 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37

V 25 18 18 20 16 16 16 15 14 14 14 12 13 11 11 11 10 11 9 5

E 10 12 11 3 9 7 7 8 11 9 7 13 8 12 10 9 12 8 7 9

D 2 7 8 14 12 14 14 14 12 14 16 12 16 14 16 17 15 18 21 23

Copa Sul-Americana Final - jogo de ida Ontem: Estudiantes 0x1 Internacional Copa dos Campeões Fase de grupos - 5ª rodada Grupo A Ontem: Bordeaux 1x1 Chelsea; CFR Cluj 1x3 Roma Classificação 1º Roma 2º Chelsea 3º Bordeaux 4º Cluj

P 9 8 7 4

J V E D 5 3 0 2 5 2 2 1 5 2 1 2 5 1 1 3

Grupo B Ontem: Inter de Milão 0x1 Panathinaikos; Anorthosis 2x2 Werder Bremen Classificação 1º Inter de Milão* 2º Panathinaikos 3º A. Famagusta 4º Werder Bremen

P 8 7 6 4

J V E D 5 2 2 1 5 2 1 2 5 1 3 1 5 0 4 1

Grupo C Ontem: Shakhtar Donetsk 5x0 Basel; Sporting 2x5 Barcelona Classificação 1º Barcelona* 2º Sporting* 3º Shakhtar 4º Basel

P 13 9 6 1

J V E D 5 4 1 0 5 3 0 2 5 2 0 3 5 0 1 4

Grupo D Ontem: Atlético de Madri 2x1 PSV; Liverpool 1x0 Olympique de Marselha Classificação 1º A. de Madri* 2º Liverpool* 3º Olympique 4º PSV

P 11 11 3 3

J V E D 5 3 2 0 5 3 2 0 5 1 0 4 5 1 0 4

Copa da Uefa Fase de grupos - 3ª rodada Hoje: PSG x Racing Santander; Partizan x S. Liège; Galatasaray x Metalist; NEC x Tottenham; Dínamo de Zagreb x Spartak Moscou; Portsmouth x Milan; Braga x Wolfsburg; Zilina x Slavia Praga; Hamburgo x Ajax; Club Brugge x St. Etienne; Rosenborg x Valencia; CSKA Moscou x Lech; La Coruña x Feyenoord; Olympiacos x Benfica; Sampdoria x Stuttgart; Schalke 04 x Manchester City [ TV ,Record e ESPN Brasil, 16h, ao vivo] BASQUETE Nacional feminino Ontem: Mangueira 80x67 Sport Hoje: São Caetano x Americana; Ourinhos x Catanduva *Classificadoparaasoitavas-de-final

CLUBE FICARÁ SEM FESTA EM SUA [+] AVAÍ: DESPEDIDA DA SÉRIE B, NARESSACADA A ascensão já confirmada do Avaí à primeira divisão do Brasileiro em 2009 terá que ser comemorada pelos seus torcedores durante a partida contra o São Caetano, no sábado. A diretoria do clube, que tinha a intenção de fazer uma festa após o jogo, já descartou a possibilidade, segundo a sua assessoria de imprensa. Mas, mesmo com o caos que se instalou no Estado devido às chuvas, o clube catarinense acredita que o público do jogo não será afetado e espera cerca de 12 mil pessoas no estádio da Ressacada.

DA AGÊNCIA FOLHA

O estádio Rei Pelé, em Maceió, vai ter o nome mudado para Rainha Marta, em homenagem à jogadora Marta da Silva, 22, eleita duas vezes a melhor do mundo pela Fifa. É o que determina projeto de lei aprovado pela Assembléia de Alagoas, anteontem, por 15 votos a 6. Deputados justificam a decisão dizendo que Pelé nunca prestigiou o Estado. Marta é alagoana. Sua família vive no município de Dois Riachos (a 152 km de Maceió). O deputado Temóteo Correia (DEM), autor do projeto que tramita há dois meses, diz que a substituição do nome é “quase uma unanimidade entre os alagoanos”. Segundo ele, “há uma revolta” porque Pelé recebeu a homenagem em 1970, mas “não fez jus a ela”. “Ao contrário de Pelé, Marta é humilde. Ela reúne amor e respeito a Alagoas, que Pelé não tem”, diz. O deputado afirma ainda que a homenagem foi “mal empregada”. “Pelé só veio aqui na inauguração e não voltou nunca mais, nem quando foi ministro [dos Esportes, nos anos 90]”, diz Correia. A jogadora ficou sabendo da aprovação do projeto na Assembléia ao conversar com a Folha por telefone, no aeroporto de Guarulhos (SP), recém-chegada da África do Sul. Marta disse “é uma honra saber que isso [a mudança de nome] pode acontecer”. “Fico muito feliz e muito honrada com essa homenagem, até porque é no meu Estado”, afirmou. O deputado Paulão (PT) foi um dos seis que votaram contra o projeto, o qual classificou como “modismo”. Ele diz que Marta merece a homenagem, mas “deveriam fazer na região onde ela nasceu, no sertão”. Além disso, ele acha que Pelé é uma “referência não só para o Brasil, mas para o mundo”. “Hoje será a rainha Marta. Quem garante que, daqui a cinco, dez anos, não poderá ter mudança? A gente tem que ter segurança na hora de prestar homenagem, para não ficar modificando nome de monumentos de uma forma emotiva, só porque o Pelé não prestigia o Estado”, disse Paulão. Pelé, que estava nos Estados Unidos, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que, “se for a vontade do povo”, ele aceita a mudança do nome. O projeto agora depende da sanção do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) para entrar em vigor. Ele tem 15 dias para decidir. Se houver veto, ainda pode ser derrubado com votos de 18 deputados. Segundo a assessoria do governador, ele está indeciso e usará “todo o tempo” para avaliar sua decisão. O Rei Pelé é o maior estádio de Alagoas.

Vitória

17h - São Januário

Grêmio

x

Atlético-MG

17h - Olímpico

Fluminense

x

Ipatinga

17h - Maracanã

Atlético-PR

x

Flamengo

17h - Arena da Baixada

Goiás

x

São Paulo

17h - Bezerrão

17h - Beira-Rio

Flamengo

Botafogo

17h - Vila Belmiro

17h - Morumbi

Portuguesa

x

17h - Parque Antarctica

17h - Ilha do Retiro

17h - Ipatingão

O estádio Rei Pelé, em Maceió, que passará a se chamar Rainha Marta, segundo projeto aprovado pela Assembléia alagoana

................................................................................................

Classificados. Empolgado

Após a 36ª de 38 rodadas

FOTO 4.0 21.00

Figueirense

x

Internacional

17h - Orlando Scarpelli

Cruzeiro

x

Portuguesa

17h - Mineirão

GRÊMIO TIME TENTA MELHORAR FINALIZAÇÕES A GOL O técnico Celso Roth avaliou que o time desperdiçou muitas chances quando vencia o Vitória por 1 a 0 —acabou perdendo por 4 a 2. E mandou ontem os atacantes treinarem à exaustão os chutes a gol.

CORINTHIANS PARA NÃO ‘ILUDIR’ TORCEDORES, ANDRES SE DESMENTE Em comunicado oficial, o presidente do Corinthians afastou a chance de o clube contratar jogadores citados por ele durante a festa de comemoração pelo título da Série B. Entre eles, Jorge Wagner, do São Paulo, e Kléber, do Palmeiras. “Eu não afirmei que estávamos em negociação com aqueles atletas”, afirma Andres, em nota oficial no site do Corinthians. “Temos o compromisso de não iludir nosso torcedor. E é preciso deixar claro que não vamos contratar todos esses jogadores”, diz.

CRUZEIRO ARTILHEIRO DA EQUIPE É DÚVIDA CONTRA INTER Guilherme, artilheiro do Cruzeiro no Brasileiro, com 18 gols, está em tratamento para edema muscular na coxa direita. O time mineiro, terceiro no Brasileiro, pega o Internacional domingo, no Beira-Rio.


C8 cotidianoo

ab

T ERÇA-FEIRA, 19 DE ABRIL DE 2011 Q

Joel Silva/Folhapress

Aeromoça tem que matar galinha e rastejar na lama CRISTINA MORENO DE CASTRO

ENVIADA A JUQUITIBA

Comissários de bordo fazem treino de sobrevivência na selva em Juquitiba, interior de SP

Modelo na Itália até sete meses atrás, Pâmela Carvalho, 24, se vê diante de uma galinha, presa pelo pé, de ponta-cabeça, no tronco de uma árvore. Sua missão é cortar o pescoço da ave. Só depois de vários minutos consegue concluir o abate, o corpo todo trêmulo. É aplaudida e vai acabar de chorar longe dos colegas, enquanto outros três experimentam o sangue do bicho. Essa é uma das atividades do curso de treinamento na selva para candidatos a aeromoça e comissários exigido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). “Achei que fossem mostrar como se fazia riscando com caneta no pescoço da galinha”, diz Pâmela, que tenta ganhar o salário médio

de R$ 1.800 das aeromoças. Das 217 pessoas de 18 a 35 anos que estavam na mata em Juquitiba (72 km de SP), no último sábado, 70% são mulheres —em sua maioria esbeltas e de unhas feitas. Na mata, os alunos são chamados pelo número estampado no boné e cada um só pode perder cinco pontos, ou é reprovado. ‘PEDE PRA SAIR’

“Quem acha que não vai aguentar pode aproveitar e descer do ônibus agora”, disse o diretor do Centro Educacional de Aviação do Brasil, Salmeron Cardoso. “É o famoso ‘pede pra sair’”, reforça ele com jeito de capitão Nascimento, de “Tropa de Elite”. Além de sangue frio, os futuros comissários têm de aprender, ao longo de quatro a oito meses, de etiqueta a noções de meteorologia. Ali,

na “selva”, última etapa do treinamento, descobrem até como se faz uma boia com calça jeans. A animação chega ao auge quando todos têm que rastejar na lama e apagar fogo com extintores. Mas nem tudo tem final feliz entre eles. A aluna do boné 214, por exemplo, foi flagrada comendo barrinha. “Eu estava com muita fome, porque trabalho à noite em um restaurante e vim direto do trabalho”, disse. Eles só podem ingerir punhados de sal, açúcar e água até o fim do curso, às 20h30. Pior sorte teve outra aluna durante travessia na água. Os candidatos tinham que simular situações no mar. Em pânico, ela não suportou e precisou ser socorrida. Enquanto era tranquilizada, ouvia da gerente da escola: “Calma, você pode voltar em agosto.” Para isso, porém, terá que desembolsar mais R$ 350 —o curso todo custa cerca de R$ 3.000. Veja cenas do treinamento folha.com.br/fg2681

Motorista põe cadeirinha e esquece cinto Em cinco anos, condutores sem a proteção multados nas estradas do Estado de São Paulo aumentaram 54% Juca Varella/Folhapress

No ES, três irmãos com cadeirinhas sobrevivem a um acidente; duas pessoas sem cinto de segurança morreram

A CADEIRINHA CERTA Até 1 ano

Bebê conforto, voltado para vidro traseiro, de costas para o motorista

ALENCAR IZIDORO

ENVIADO ESPECIAL A MG E ES

A viagem que uma família de Minas faria a parentes no litoral capixaba na véspera do último Carnaval terminou em uma curva da BR-262, em Domingos Martins (ES). O casal que estava no banco dianteiro de um Voyage morreu após a batida de frente com um Honda Fit. Os três filhos, de 1, 5 e 6 anos, sobreviveram. Usavam as cadeirinhas automotivas —exigidas por lei seis meses antes. A 15 km dali, na mesma rodovia, um caminhão tombou. No mesmo feriado e no mesmo Estado, foi a segunda morte sob suspeita de ter ocorrido pela falta do cinto de segurança —equipamento de uso obrigatório também no banco traseiro há anos. Os acidentes —que integram um mapeamento da Folha sobre as vítimas nas estradas federais do país no Carnaval de 2011— refletem um pouco uma preocupação dos especialistas sobre os equipamentos de proteção dentro dos veículos. Se, de um lado, houve mobilização do poder público e da sociedade para exigir a utilização de cadeirinhas de proteção das crianças de até sete anos e meio, de outro há sinais de desconhecimento ou relaxamento de motoristas e passageiros sobre a importância do cinto, especialmente no banco traseiro. Em São Paulo, um balanço das multas nas rodovias estaduais dá uma dimensão do problema: os flagrantes pela falta do cinto de segurança de passageiros ou de condutores saltaram 54% em cinco anos. Em 2010, a média foi de 190 multados por essa infração por dia. Outro levantamento, com dados da Polícia Rodoviária, aponta que, em média, sete condutores sem cinto se envolveram diariamente em acidentes em estradas federais no primeiro semestre do ano passado. Em 2009, a média era de 6,3 a cada dia. TEMORES

A sobrevivência das três crianças (duas com cadeirinha e uma com booster, assento de elevação adequado conforme a idade) sem ferimentos graves no acidente

De 1 a 4 anos

Cadeirinha deve ficar voltada para a frente do veículo

De 4 a 7 anos e meio

Assento de elevação ou booster e cinto de três pontos

Irmãos que perderam os pais em acidente de carro, na casa dos avós, em Belo Horizonte; cadeirinhas salvaram os três

FALTA DO CINTO 190 carros/dia são multados em vias estaduais de SP Número de multas nas rodovias

DO ENVIADO A MG E ES

69.544 2010

61.480 2009

54%

de alta em cinco anos

51.827 2006 47.079 2008

45.233 2005

Família mineira fazia questão de proteger os filhos no carro

41.119 2007

Fonte: DER (Departamento de Estradas de Rodagem) de São Paulo

da BR-262 no Carnaval foi atribuída por policiais rodoviários aos assentos infantis. Embora haja temores sobre um relaxamento da fiscalização, a única pesquisa já feita pela ONG Criança Segura após a obrigatoriedade, com 500 pais em São José dos Campos (a 97 km de SP), trazia sinais positivos no final

de 2010 —quando 82% conheciam a lei e 98,6% diziam ter os equipamentos. A punição pelo transporte sem a cadeirinha é de R$ 191,54 (sete pontos na CNH). “É preciso manter a fiscalização constante para não cair em descrédito”, cobra Alessandra Françoia, da ONG Criança Segura.

O que sobrou do Voyage do casal mineiro Jorge Soares da Silva, 30, e Viviane Alves da Silva, 27, mal será suficiente para comprar uma nova cadeirinha para as três crianças que sobreviveram. A morte dos dois no Carnaval ocorreu num dia chuvoso na BR-262, no Espírito Santo. A batida foi de frente, num trecho de pista simples com sinalização discreta e deficiente para um ponto crítico, que já teve ao menos 67 acidentes, 24 com feridos e três com mortos, desde 2005. No transporte das vítimas no carro funerário até Minas, mais uma tragédia. O veículo caiu numa ribanceira na estrada, espalhou os corpos e provocou atraso no enterro. A carcaça do que restou do Voyage foi vendida por R$ 400 pelos parentes que assumiram a criação das crianças —os avós e um tio, moradores de uma casa simples na periferia de Belo Horizonte. “Só a maior teve um machucado no joelho. Os outros mal tiveram arranhões”, diz Edmar Ribeiro Alves, 19, tio que troca fraldas, leva as

crianças à escola e à igreja evangélica, assumindo um pouco o papel de “paizão”. “A menor é a que mais chama pela mãe”, afirma José Dino Alves de Sousa, 50, avô que abrigou os dois meninos e a menina sobreviventes num cômodo que deveria ser a garagem da residência. Dos três, os dois mais velhos eram filhos de criação do casal Jorge e Viviane —que assumiu a educação das crianças de uma irmã logo depois do nascimento. Com salário de porteiro de R$ 616, José Dino ganhou cesta básica e leite no bairro para sustentar os netos. As cadeirinhas, por isso, ainda não foram trocadas —a recomendação é não usá-las de novo após um acidente. O casal que morreu havia adquirido os equipamentos (dois deles após a nova lei) com os salários de caixa de um sacolão da mãe e de faixas de pano feitas pelo pai. “Sempre foram muito rígidos com a segurança. Uma vez, não quiseram levar meus filhos à rodoviária porque não tinha cadeirinha para todos”, conta a cunhada Juliana de Medina, 26.

A partir de 7 anos e meio

Cinto de segurança normal no banco traseiro

c CADEIRINHA

SP APLICA 1.714 MULTAS DESDE O INÍCIO DA LEI

Na capital paulista, a CET aplicou 1.714 multas pela falta da cadeirinha de setembro de 2010, quando a regra começou a ser aplicada, a fevereiro deste ano. Até então, no transporte de crianças era exigido apenas que as de até dez anos fossem levadas no banco traseiro com cinto (3.058 multasem 2009).


Parte 6 do portfólio de Cristina Moreno de Castro