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┆┆┆ DIRETOR DE REDAÇÃO: OTAVIO FRIAS FILHO

ANO 91 a

UM JORNAL A SERVIÇO DO BRASIL DOMINGO, 24 DE JULHO DE 2011 a Nº 30.062

folha.com.br EDIÇÃO SÃO PAULO a CONCLUÍDA ÀS 23H01 a R$ 4,00 Dylan Martinez - 22.jun.2007/Reuters

Amy Winehouse, 27

Amy, aos 23, em Londres

Cantora é encontrada morta em seu apartamento em Londres

Mundo A14 e A15

ANDRÉ BARCINSKI

THALES DE MENEZES

Artista resgatou tradição das divas do soul dos anos 50 e 60

A14

Depois de Hendrix, Joplin e Cobain, maldição dos 27 faz outra vítima A15 Fabrizio Bensch/Reuters

Rodoanel deixa rastro de ‘órfãos’ depois das obras

Mulheres de bairros carentes vizinhos à construção em São Bernardo tiveram filhos com operários que foram embora

GANHE > Ilustríssima > Classificados com 6.188 ofertas

Taty Alves Parentes de vítimas e sobreviventes do massacre na ilha de Utoeya (Noruega) se consolam

Norueguês admite autoria de ataque O norueguês Anders Behring Breivik, 32, admitiu, por meio de seu advogado, responsabilidade pelos ataques que mataram 92 pessoas no centro de Oslo e na ilha de Utoeya. Loiro, de olhos azuis, ele seria ligado a grupos de extrema direita.

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Veja como entrar em contato com o serviço ao assinante, as editorias e a ombudsman fale.folha.com.br

Segundo o advogado, Breivik disse crer que “suas ações eram atrocidades, mas, em sua cabeça, elas eram necessárias”. Preso e interrogado pela polícia, o terrorista deve comparecer a uma audiência judicial, que pode ocorrer amanhã.

Dos 92 mortos, 85 foram alvo dos tiros de Breivik na ilha. Os demais morreram na explosão em Oslo. Sobreviventes de Utoeya relataram pânico: “Ouvi pessoas suplicando pela vida. Ele atirou em todas”, disse Erik Kursetgjerde. Mundo A21

ATMOSFERA

EDITORIAIS

Cotidiano C2

Nebulosidade atinge a Grande SP Mínima 13ºC

Máxima 18ºC

222 páginas - 350.135 exemplares Estão inclusas 8 da Ilustríssima, 84 da revista sãopaulo e 62 de Classificados

Opinião A2

Leia “Ciclo interminável”, sobre a evolução da taxa de juros, e “A verdade de Correa”, acerca de decisão que condenou jornalistas à prisão no Equador.

Revista mostra que paulistano gasta mais com cabelo Pág. 28 ESPORTE Natação feminina do Brasil ganha ouro inédito D11 ILUSTRÍSSIMA Ócio simboliza hoje tempo livre para pensar Pág. 4

Andre Conti/Folhapress

HOJE

Dezenas de mulheres, muitas delas adolescentes, engravidaram ao longo dos três anos em que cerca de 4.000 operários do trecho sul do Rodoanel moraram nas imediações da obra, informam Cristina Moreno de Castro e Adriano Brito. De 2007 a 2010, eles viveram em seis bairros carentes de São Bernardo do Campo. Em 2008, com os alojamentos já cheios de operários, houve aumento de 31% no total de grávidas na cidade —e de 61% de gestantes com menos de 20 anos.

“Foram muitos problemas trazidos pelo Rodoanel. Muitas crianças órfãs, porque o pai sumiu”, afirma Evaldo Carvalho, que é líder comunitário na região. São casos como o de Edicleide dos Santos, 39, que namorou “Ceará”, 48, em 2009. Ela engravidou, ele foi embora. O filho do casal foi registrado, mas até hoje não recebe pensão. Cotidiano C1

BNDES opta por investir em empresas que faturam mais

Perto de fechar patrocínio, TAM ofertou jato a Teixeira

Levantamento da Folha mostra que 7 em cada 10 das principais empresas nas quais o BNDES tinha participação acionária em 2010 estão entre as 300 maiores por faturamento no país. Em quase 40% dos casos, o banco figura como acionista há ao menos dez anos. A preferência pelas grandes companhias tem gerado críticas. O BNDES diz que as ações não contradizem seus objetivos. Mercado B1 e B3

Perto de patrocinar a seleção brasileira, a TAM propôs vender a Ricardo Teixeira, presidente da CBF, um avião novo, aceitando um jato usado da própria companhia aérea como parte da quitação, relatam Elvira Lobato e Julio Wiziack. A TAM confirma que fez a oferta em 2009, mas Teixeira diz que nunca a recebeu. A empresa e o dirigente negam influência do caso no patrocínio. Esporte D2 a D4

COLEÇÃO FOLHA GRANDES ÓPERAS “Manon”, de Jules Massenet, encerra série de clássicos

tv folha

Assista vídeo com as “mães do Rodoanel” folha.com/mm948538

Folha.com lança hoje site com reportagens em inglês e espanhol

Poder A12


Leticia Moreira/Folhapress

EF

DOMINGO, 24 DE JULHO DE 2011

C1

cotidiano

Obras do Rodoanel deixam ‘órfãos’ na região do ABC

Dezenas engravidaram e foram abandonadas com filhos por trabalhadores da via São Bernardo do Campo teve aumento de 31% de gestantes, em 2008; prefeitura diz que não há relação nos casos CRISTINA MORENO DE CASTRO ADRIANO BRITO DE SÃO PAULO

Edicleide, 39, conheceu “Ceará”, 48, em 2009, num forró. Ele, operário do trecho sul do Rodoanel. Ela, moradora do Jardim Represa, bairro de São Bernardo do Campo, vizinho à obra inaugurada em março de 2010. Namoraram, juntaram, ela engravidou, ele ficou com outra (que também engravidou), brigaram, ele sumiu. O filho foi registrado, mas nunca recebeu um centavo de pensão. O paradeiro de “Ceará” é desconhecido. Hoje, ela vive em uma casa de dois cômodos com o auxílio do Bolsa Família —pago pelo governo federal— e a pensão de outras duas filhas. A história de Edicleide Maria dos Santos é apenas um dos relatos de gravidez e abandono ouvidos pela Folha em seis bairros carentes da cidade, vizinhos às obras iniciadas em 2007. Líderes comunitários, moradores, funcionários da prefeitura e conselheiros tutelares afirmam que “dezenas de mulheres” —muitas delas, adolescentes— engravidaram durante os três anos em que cerca de 4.000 operários permaneceram no local (em todo o trecho sul, foram 11 mil empregados diretos). “Foram muitas crianças órfãs, porque o pai sumiu e retornou para seus familiares”, diz Evaldo Carvalho, 43, líder comunitário do Parque Los Angeles. “PAI DE ONZE”

O município não tem o levantamento dos casos. Porém, em 2008, com os alojamentos já apinhados de operários, houve aumento de 31% no total de grávidas na cidade —e de 61% de gestantes com menos de 20 anos. Em quatro das cinco unidades de saúde que atendem bairros do entorno da obra, houve aumentos de 40% a 82% —e de 73% a 91% no caso de gestantes adolescentes. A prefeitura ressalta que, como houve aumento também em regiões distantes da obra, “não é possível concluir categoricamente que houve aumento significativo dessas ocorrências por causa dos relacionamentos fortuitos de operários do Rodoanel com as mulheres da região”. Nos cinco dias em que percorreu a região, a Folha conversou com seis mães, além de parentes e vizinhos de outras nove —total de 15 casos. Um conselheiro tutelar que pede para não ser identificado confirma que foram “dezenas” —fora os casos que não chegaram ao conselho e os das maiores de idade. No setor da conselheira Érica Santana, foram cinco adolescentes, entre 15 e 17 anos —além de denúncias de que um operário engravidou 11 meninas no bairroAreião.

d LEIA MAIS nas págs. C3 e C4

Edicleide dos Santos e o filho em São Bernardo do Campo


o

ab

DOMINGO, 24 DE JULHO DE 2011

Aumento do número de partos 82%

1 UBS Rio Grande 2 UBS Vila União

51% 41%

4 UBS Batistini 5 UBS Primo Finco

40% 18%

São Bernardo do Campo

2

SÃO BERNARDO DO CAMPO

Rodoanel Concluído Em projeto

4

el oan d o R

Represa Billings

3 5 tes igran s Im . do Rod

3 UBS Jardim da Represa

Centro

São Paulo

a hiet Anc d. Ro

NOVOS FILHOS DO ABC UBSs próximas do Rodoanel registraram aumento de grávidas entre 2007 e 2008

cotidiano C3

Q

ENTRE 2007 E 2008, PRIMEIRO ANO DE OBRA

31% foi quanto aumen- 61% foi quanto aumentou 1

tou o número de mulheres grávidas na cidade

o número de adolescentes (menores de 20 anos) grávidas

Projetos sociais focaram os removidos

Segundo a Dersa, responsável pelas obras, pouco foi feito em relação ao impacto causado às famílias que ficaram na região Gerente da estatal diz que os projetos serão ampliados durante a construção do trecho norte do Rodoanel DE SÃO PAULO

A Dersa, empresa do governo estadual responsável pelas obras do Rodoanel, admite que os projetos sociais do trecho sul foram voltados para as famílias removidas e que pouco foi feito em relação aos impactos causados às que ficaram na região. Por isso, diz o gerente da Divisão de Gestão Social, Luciano Dias, a Dersa pretende ampliar os projetos sociais no trecho norte, cuja construção deve começar em dezembro. Ele questiona, porém, a relação direta entre a obra e a alta de gestantes. Dias afirma que a licitação do novo trecho deverá incluir o compromisso das empreiteiras em trabalhar junto com a Dersa nas ações sociais, inclusive dentro dos canteiros das obras. Ele diz que o crescimento de grávidas não foi cogitado porque não ocorreu no trecho oeste. “Já que teve uma situação, vamos ver o que a gente pode fazer contra isso em relação ao trecho norte para que não se repita”. Dario Rais Lopes, secretário de Transportes na época da contratação da obra, na gestão anterior do governador Geraldo Alckmin (PSDB), diz que não tinha como se prever esse impacto. Ele defende que essa preocupação seja incorporada. Mauro Arce, secretário de Transportes durante a execução da obra, na gestão José Serra (PSDB), foi procurado, mas não deu entrevista. A Secretaria de Estado da Saúde enfatiza que a responsabilidade pela orientação de planejamento familiar é dos municípios e que enviou recursos no período. CADASTROS

Rodolfo Strufaldi, coordenador do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Prefeitura de São Bernardo, atribui a alta de gestantes à melhoria do cadastro da prefeitura, mas admite que a obra pode ter contribuído. Segundo ele, a prefeitura reagiu rápido, com aumento de agentes comunitários (de 100 para 1.115 desde 2008), grupos de discussão nas UBSs e distribuição de preservativos aos operários. Dos três consórcios que atuaram na região, o Queiroz Galvão/CR Almeida não respondeu aos questionamentos e se limitou a dizer que “se pautou pela execução responsável da obra e sempre cumpriu os requisitos estabelecidos em contrato”. Já o Odebrecht/Constran diz ter feito campanhas de prevenção, incluindo temas como DST, planejamento familiar e reuniões com a comunidade. O Andrade Gutierrez/Galvão Engenharia acrescentou ter abordado também prevenção contra drogas e alcoolismo.

d LEIA MAIS na pág. C4


ANÁLISE

Impacto social que construções atraem costuma ser ignorado

ab

D OMINGO, 24 DE JULHO DE 2011 Q

Inara Chayamiti/Folhapress

C4 cotidianoo

Alcione Amaro com o filho de 2 anos e 3 meses

CLAUDIO ANGELO DE BRASÍLIA

Os acrianos têm uma explicação para a quantidade de pessoas de olhos claros no interior do Estado: dizem tratar-se de herança da era da borracha, quando prostitutas eram trazidas da França para animar os barracões. Henry Ford, ao instalar seu megaempreendimento de produção de borracha no Pará na década de 1920, ignorou esse fato elementar da natureza humana e tentou proibir o álcool, a prostituição e o jogo entre seus milhares de empregados. Enfrentou greves e rebeliões como resultado e, no final, teve de se conformar com a instalação de um centro de diversões chamado “Ilha da Inocência” —que como conta o historiador Greg Grandin, tinha esse nome porque “ninguém lá era inocente”— no rio Tapajós, na vizinhança de sua Fordlândia. A transformação do Brasil num imenso canteiro de obras tem pendido mais para Ford do que para os seringalistas do AC quando se trata de prever e mitigar o impacto causado pelo afluxo de milhares de homens solteiros para as frentes de construção. Os EIA-Rimas (estudos e relatórios de impacto ambiental) em geral subestimam a quantidade de atraídos para as obras. E não mencionam que a multiplicação dos bordéis é uma das primeiras etapas da construção. Como as chamadas ações antecipatórias —que deveriam preparar a região para receber a obra— nunca são cumpridas antes da licença, o roteiro de caos trabalhista, exploração sexual e pressão sobre saúde, educação e recursos naturais se repete. Que o diga Rondônia, onde os homicídios cresceram 44% e os estupros, 76% entre 2008 e 2010, após o início das usinas de Santo Antônio e Jirau, como mostrou a Folha. A bola da vez é Belo Monte, em Altamira (Pará). Antes da licença, vários pareceres do Ibama acusavam o consórcio Norte Energia de não ter um cálculo adequado do número de pessoas a serem atraídas à região. A licença saiu, mas o Rima da usina passa longe dos termos “violência” e “prostituição”, focando em “empregos”.

Mães solteiras da região enfrentam o preconceito

Crianças são chamadas de ‘filhos do Rodoanel’; assunto atrai desconfiança e ironia

Na periferia de São Bernardo do Campo, o tema é tabu; moradores relatam aumento de brigas e prostituição DE SÃO PAULO

“Filha do Rodoanel!” —da janela da manicure de 35 anos dava para ouvir uma vizinha gritando, em referência à criança de um ano e nove meses que ela teve com um mestre de obras da via. “Preconceito existe. Fazem piadinha falando que somos ‘mães do Rodoanel’, mas tenho que focar na vida daqui pra frente”, diz. O tema é tabu no Parque Los Angeles, periferia de São Bernardo do Campo, onde mora a manicure. Falar sobre grávidas e Rodoanel ali geralmente resulta em silêncio, desconfiança, evasivas, negativas ou risadinhas. “O povo não gosta de falar sobre a gente porque é coisa íntima, eles têm medo de que a gente ache ruim”, diz a empregada doméstica Gizele Cerqueira, 30, que afirma não sofrer preconceito. Ela sabe que o pai de sua filha, de dois anos e meio, é de Alagoas, mas ignora seu paradeiro. A criança não foi registrada e ele sumiu quando ela tinha 15 dias de vida. A autônoma Alcione Ama-

ro, 30, do Parque Los Angeles, teve mais sorte. Seu namorado da época, topógrafo mineiro, foi embora quando ela estava grávida de dois meses, deixando apenas um telefone. “Eu ligava todo dia, fiquei desesperada porque não conseguia contato.” Oito meses depois, já com o bebê nascido, ela conseguiu. Desde então, ele paga a pensão do menino. Os moradores também falam da presença de meninas,

c SAIBA MAIS

Obras de Jirau e Santo Antônio são os casos mais novos DE SÃO PAULO

Queixas sobre impactos sociais são recorrentes nas grandes obras realizadas no país. O caso mais recente envolve as obras das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Porto Velho (RO), ainda em andamento. Conforme a Folha informou em março, a população da cidade cresceu 12,5% entre o início das obras, em 2008, e o ano passado. Juntas, as usinas geraram cerca de 35 mil postos de trabalho, de acordo com os con-

de 12 a 17 anos, que iam para os alojamentos, de mochila e tudo, direto da aula. FESTAS E PROSTITUIÇÃO

Outros impactos da obra apontados pela comunidade são: aumento de prostituição, consumo e tráfico de drogas, acidentes, brigas e isolamento de bairros. Jornais como o “São Bernardo Hoje” e o “Diário do Grande ABC” já haviam apontado os problemas, que, segundo

sórcios responsáveis. No mesmo período, o número de homicídios dolosos subiu 44%. No Estado, a alta nos registro de estupros foi ainda maior: 76,5%. Entre as grávidas, aumentou sensivelmente a proporção de adolescentes. Na década de 1970, problemas ocorreram durante as obras de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), como o surgimento de favelas e alta na criminalidade e nos casos de prostituição infantil. A construção de Tucuruí, no Pará dos anos 1980, fez a população local crescer dez vezes, sem estrutura para tanto. Ao lado de bem cuidadas vilas para funcionários, estava uma cidade com esgoto a céu aberto.

eles,também atingiram Santo André e Mauá. À epoca, moradores alugaram casas e chácaras aos trabalhadores. “Tinha muita menina de 15 anos no alojamento com 40 peões”, conta a manicure Maria Cristiane Santos, 21, que engravidou de um operário do Piauí. “Havia brigas e confusão, a gente nem dormia”, lembra a dona de casa Cátia Cirilo, 36. Também havia mais bares abertos, que viviam cheios. “Houve um momento de abundância econômica e, depois que esses homens voltaram para suas terras, deixaram as dívidas para trás”, diz o vereador Paulo Dias (PT). O prefeito Luiz Marinho, do mesmo partido, não deu entrevista. Marinei Marques, 51, foi uma das que não recebeu por algumas roupas que lavou. Mas ela guarda cuidadosamente um bilhete deixado por um gaúcho que conheceu: “Mara, saiba que você foi minha gostosa.” Ela não engravidou, mas entrou em depressão quando o namorado foi embora e trocou o número do celular. “Morro por causa daquele homem!”, diz, entre gargalhadas. (CRISTINA MORENO DE CASTRO)

Veja os depoimentos folha.com/mm948538

Sobreposição de carências facilita os problemas DE SÃO PAULO

Os impactos sociais das grandes obras não ocorre à toa. As carências do local em que se instalam impulsionam os problemas, dizem os especialistas. “O bode expiatório acaba sendo a migração. O problema, na verdade, é que ela ocorre numa região onde já há uma sobreposição de carências”, diz Rosana Baeninger, professora do departamento de Demografia da Unicamp. “Tem de ter um planejamento do município. Não pode deixar na mão de empreiteira, que jamais vai pensar na população.” Maria Luiza Duarte Araujo, da ONG Coletivo Mulher Vida, de Pernambuco, diz que poucoé feito. “O impacto social das grandes obras só agora está começando a ser considerado no país. Daí a ser previsto, é outra coisa. É muito aquém do que deveria ser feito”,afirma. Já a professora Rosa Ester Rossini, especialista em Geografia Humana da USP, diz que problemas semelhantes ocorrem, por exemplo,na agricultura. Segundo Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança de São Bernardo, foi criado um projeto para avaliar o caso, abortado por falta de verba. “O Estado deveria arcar com as compensações sociais, em conjunto com as construtoras”,diz. (ADRIANO BRITO)

MORTES CARMEN HIRATA DE AZEVEDO - Aos 53, casada com João Batista, deixa a filha Regiane. Cem. de Congonhas. EDWARD SÁ DE MIRANDA - Aos 89, casado com Maria Alice Prado Sá de Miranda. Deixa irmã. Cem. e Crem. Horto da Paz, Itapecerica da Serra.

ELVIRA SIQUEIRA MILA - Aos 76, deixa os filhos Hamilton, Fatima, Sandra, Walter e netos. Cemitério e Crematório Memorial Parque Paulista.

matório Memorial Parque Paulista.

NELSON FERREIRA DA SILVA - Aos 54, casado, deixa os filhos Karlan, Daiane, Darlan e netos. Cem. e Cre-

SHOJIRO TAKAHASHI - Aos 84, casado com Suzue, deixa os filhos Nelson e Carlos. Cemitério de Congonhas.

RUTH BRAGA DOS SANTOS - Aos 91, viúva, deixa a filha Mariza. Cemitério de Congonhas.

Dentista e prefeito de Getulina DE SÃO PAULO

Em Getulina, a 453 km de São Paulo, os pais de Fumio Izuê acreditaram que a vida poderia ser melhor. Imigrantes japoneses que trabalhavam com agricultura, mudaram-se para lá logo depois que o filho nasceu em Ituverava, no interior paulista. O primeiro emprego de Fumio foi como agente de estatística no IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mas teve uma doença que o limitou e acabou se aposentando precocemente. Continuou perseguindo

CAIO RAMOS DE OLIVEIRA - Hoje, às 18h, na paróquia N. Sra. Mãe da Igreja, al. Franca, 889, Jd. Paulista. OSVALDO LACERDA - Amanhã, às 19h15, na igreja S. Gabriel, av. S. Gabriel, 108, Jd. Paulista. PAULO ROBERTO MACHADO MAGALDI - Hoje, às 10h, na Sta. Rita de Cássia, r. Sta. Rita, 784, Pari.

FUMIO IZUÊ (1933-2011)

ESTÊVÃO BERTONI

7º DIA

seu grande sonho: ser dentista. No fim dos anos 60, entrou em odonto em Lins (SP). Segundo o filho Maurício, médico, o pai se formou em 1970, aos 37 anos, e passou a trabalhar como dentista na cidade, em seu consultório. A mudança de área, da estatística à saúde bucal, acabou o levando a se tornar secretário da Saúde do município entre 1992 e 1996. E o contato com a política, por sua vez, o levaria a se candidatar. Em 1997, pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), tornou-se prefeito da cidade em que seus pais, lá atrás, apostaram. Aposentou-se da clí-

nica e governou até 2000. Casado com Mitico, que conhecera em Getulina, teve três filhos: um médico e dois dentistas —a filha é falecida. Maurício lembra que o pai era brincalhão e que, para se distrair, gostava de pescar na região, no rio chamado Feio. Viajou para o Japão uma vez e conheceu a cidade dos pais. Entendia bem a língua que ouvia desde pequeno. Há cerca de cinco meses, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral). Morreu no domingo, aos 78, em decorrência de uma infecção generalizada. Teve duas netas. coluna.obituario@uol.com.br

30º DIA

CONSUELO FABREGAT PEREZ - Hoje, às 18h, na Pessoal Alemã S. Bonifácio, r. Humberto I, 298, V. Mariana. RITA DE CÁSSIA BATTEL - Hoje, às 9h30, no Santuário N. Sra. Aparecida, r. Guimarães Passos, V. Seixas, Ribeiro Preto (SP).

2º MÊS

MACK KRUSE ZENAID - Hoje, às 19h30, na paróquia S. Luiz Gonzaga, av. Paulista, 2.378, Cerqueira César.

1º ANO

NOEMIA GUERREIRO GUIMARÃES Hoje, às 18h, na igreja N. Sra. do Carmo, r. Brás Cubas, 163, Aclimação. SATURNINO DE QUADROS SALES Hoje, às 19h, no Santuário Sta. Rita de Cássia, r. Hauer, Curitiba (PR).

14º MÊS

GILBERTO TEIXEIRA DA SILVA (GIBE) - Hoje, às 18h, na capela Sto. An-

tônio, Aldeia da Serra.

2º ANO

WILSON MARCELINO DA SILVA Amanhã, às 18h, na Residência Episcopal, pça. Pio XII, 479, Maringá (PR), e às 18h30, na Assunção de N. Sra., al. Lorena, 665, Jd. Paulistano.

8º ANO

ROBERTO GUEDES - Hoje, às 11h, na Coração Imaculado de Maria - PUC, r. Monte Alegre, 948, Perdizes.

159º MÊS

NORMA VASQUES DOMINGUEZ - Hoje, às 18h, na N. Sra. da Saúde, r. Domingos de Moraes, 2.387.

MATZEIVA CEM. ISRAELITA DO BUTANTÃ JAYME ZATZ - Hoje, às 12h, q. 331, sep. 112, set. O. LILA KNOBLOCH - Hoje, às 12h, q. 263, sep. 87, set. L. MAXIMILIANO DICKER - Hoje, às 11h, q. 407, sep. 110, set. R. NORBERT FUHRMAN - Hoje, às 11h30, q. 376, sep. 79, set. R.

CEM. ISRAELITA DO EMBU ABRÃO WOLF AJZENBERG - Hoje, às 11h, q. 7, sep. 27, set. B.

SHLOSHIM CEM. ISRAELITA DO BUTANTÃ

BRIGITTE KRONER - Hoje, às 10h30, q. 404, sep. 134, set. R. CHIARA GUTTMANN PFEFERMAN Hoje, às 11h, q. 261, sep. 29, set. L. ELIAHU CHUT - Hoje, às 11h30, q. 231, sep. 100, set. M. HAJKA SINGER - Hoje, às 11h30, q. 240, sep. 92, set. M. NATAN SPIEWAK - Hoje, às 11h, q. 323, sep. 1, set. O.

SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000 segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.


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Patrimônio histórico está virando mato em Peruíbe Ruínas de Abarebebê são tombadas, mas falta de manutenção é aparente Local, ‘testemunho da colonização do Brasil’, desde a morte de seu porteiro, fica fechado quase todos os dias CRISTINA MORENO DE CASTRO

DE SÃO PAULO

Diz a lenda registrada nos arquivos de Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, que as ruínas de Abarebebê ficaram iluminadas por “milhares de vaga-lumes e pirilampos” no dia de morte do jesuíta Leonardo Nunes, que ali fundou a vila, no ano de 1530. Hoje o milagre dificilmente poderia ser visto, com todo o mato alto que invadiu as ruínas da antiga igreja e as árvores que começaram a brotar no meio das pedras. Foi assim que a Folha encontrou o lugar na última quinta-feira. Um papel pregado a durex indicava que o “testemunho da colonização do Brasil” é aberto a visitação de quarta a domingo, das 11h às 17h. Mas a porta estava fechada e não havia vigia. O mato chega a um metro de altura e, no meio das ruínas, as pedras ficam escondidas sobre o capim. Trepadeiras, samambaias e até uma caixeta —que alcança grande porte— saem dos muros. “Se deixarem lá, vão acabar separando as pedras e destruindo a edificação, como é comum acontecer com ruínas históricas”, diz o ambientalista Ricardo Cardim. As ruínas do “padre voador”, na língua dos índios catequizados por Leonardo Nunes, já foram uma das primeiras igrejas do Brasil e, por isso, são protegidas por lei municipal, estadual e federal e tombadas desde 1979. “Há uma possibilidade de desaparecerem todos os vestígios que ainda existem e que testemunharam a presença de uma missão do século 16”, diz a arqueóloga do Museu Paulista da USP Margarida Davina, que fez prospecções arqueológicas ali em 1987. Dos três templos construídos naquela época entre Peruíbe e São Vicente, dois já sumiram e parte das ruínas de Abarebebê caíram na década de80, por falta de cuidado. MANUTENÇÃO

A diarista Raquel Santos, 52, que nasceu e mora ainda em uma casa ao lado das ruínas, lembra-se de quando eram maiores. Seu pai vendia cana-de-açúcar na entrada da atração, cheia de turistas. Ela conta que “seu Francisco”, o porteiro, morreu há quatro meses e, desde então, o lugar permanece quase sempre fechado. O diretor do Departamento de Cultura de Peruíbe, Ayrton Modolo, nega o abandono. Segundo ele, há sempre um ou dois estagiários monitorando o parque diariamente. “Ontem [quinta] o estagiário não pôde ir”, afirma. Ele diz que é preciso uma manutenção específica, mas que aguardam o fim da temporada de chuvas. O Condephaat, responsável pela fiscalização dos bens tombados, disse que só poderia dar detalhes da vistoria na semana que vem. O Iphan, também responsável, foi procurado e não respondeu.

cotidiano C5

o

Q

DOMINGO, 3 DE ABRIL DE 2011 Marcelo Justo/Folhapress

RAIO-X MG SP

Poços de Caldas

PR

MG SP

Peruíbe

São Paulo

Santos

135 km de SP Ruínas de Abarebebê, em Peruíbe, que formavam uma das primeiras igrejas do Brasil

POPULAÇÃO Aproximadamente 57.686 habitantes (2009) ÁREA 326,214 km2


C1

cotidiano

Bebê de 9 meses sobrevive a choque de carro a 140 km/h Acidente provocado por adolescentes em fuga deixa três mortos em Guarulhos

Acompanhados de um homem, três garotos haviam roubado veículo horas antes na zona norte de São Paulo CRISTINA MORENO DE CASTRO DE SÃO PAULO

Após roubar um Honda Civic na zona norte paulistana, dirigir por dez quilômetros até Guarulhos e fugir da polícia por outros quatro, três adolescentes —um com 12 e dois com 15 anos— bateram a 140 km/h em um Voyage, matando duas mulheres. Um bebê de nove meses, filho da representante de vendas Rafaela Rabelo Franciscone, 27, uma das vítimas fatais, foi arremessado para fora do carro com o impacto. A criança, numa cadeirinha, sobreviveu e passa bem. Segundo familiares, o cinto de segurança não havia sido colocado na cadeirinha. O bebê estava enrolado em um cobertor, o que teria amortecido o impacto após ser jogado para fora do carro. A auxiliar administrativa Natalia Probio Murillo, 23, que também estava no Voyage, morreu no local do acidente. Rafaela chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Um dos jovens de 15 anos guiava o Honda Civic. Ele também morreu no hospital. Os outros dois sofreram ferimentos leves e foram encaminhados para a Justiça. O Honda Civic foi roubado às 18h15 de anteontem na Vila Guilherme. A empresária Dirlei Aparecida Kunzel, 44, estava estacionando o carro quando foi abordada pelos três adolescentes —ela diz ter reconhecido seus rostos— e por um homem. O grupo usou duas armas na ação. Eles também levaram o celular da empresária, além de seu dinheiro e documentos. Por volta das 23h, um PM que fazia ronda em Guarulhos percebeu que a placa do carro havia sido adulterada e começou uma perseguição. Em alta velocidade, os adolescentes cruzaram ruas da favela São Rafael, entraram pela avenida Emílio Ribas e, na avenida Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, se chocaram com outro carro de polícia, que dava apoio à perseguição, e, em seguida bateu no Voyage.

FOTO 2.0 24.96 Apu Gomes/Folhapress

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QUARTA-FEIRA, 13 DE JULHO DE 2011

Jamal, Mel e Safira, filha de Cristal, 3 das 5 girafas do Zoo de SP

MUNDO ANIMAL Em 2 semanas, girafa e leão morrem em zoológico de São Paulo Pág. C5 h

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QUASE CUNHADAS

Rafaela é descrita por seus amigos como uma pessoa “dócil” e “muito dedicada ao trabalho”. Ela atuava como representante de vendas em Guarulhos há dez anos. Há pouco tempo, participou de um processo seletivo que lhe garantiu uma promoção para a gerência. Ela, no entanto, desistiu porque teria de se mudar para Curitiba. “Rafaela era muito comunicativa”, disse Sérgio Guerreiro, 49, colega de trabalho da representante de vendas. Natália iria se casar no fim do ano, justamente com o irmão de Rafaela. Segundo amigos, a auxiliar administrativa vinha se dedicando muito aos detalhes da festa.

d LEIA MAIS na pág. C3

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Jovens de classe média agridem 4 na av. Paulista

Polícia investiga 3 ataques; vítimas foram para hospital e depois liberadas Advogados e parentes dos rapazes dizem haver exagero da polícia e que caso foi uma “confusão que virou agressão” DE SÃO PAULO

Um grupo de cinco jovens de classe média, colegas de um colégio particular da capital, foi preso ontem acusado de promover uma série de ataques, sem motivo aparente, a quatro pessoas que estavam pela região da Paulista. Em dois desses ataques a polícia diz haver indícios de motivação homofóbica. As agressões eram feitas com chutes, socos e até com bastões de luz branca. Duas das vítimas foram socorridas em hospitais da região. Os agressores foram reconhecidos. Advogados e parentes dos cinco jovens, quatro deles adolescentes de 16 e 17 anos, dizem haver um exagero por parte da polícia e o que houve foi apenas “uma confusão que acabou em agressão”. “Eles podem não ser vítimas, mas não são algozes assim”, disse o advogado Orlando Machado Júnior, defensor de um adolescentes de 16 anos. Dois dos ataques ocorreram por volta das 6h30 próximo à estação Brigadeiro do Metrô, na av. Paulista. Os jovens, segundo a família e advogados, voltavam de ônibus de uma festa em Moema. De acordo com as vítimas Otávio Dib Partezani, 19, e Rodrigo Souza Ramos, 20, eles estavam próximos a um ponto de táxi quando viram o grupo caminhar na direção de ambos, mas sem demonstrar qualquer agressividade. Mas quando o grupo chegou próximo aos dois iniciou os ataques. O grupo dizia, segundo as vítimas, “Suas bichas”, “Vocês são namorados!”. Rodrigo fugiu para o Metrô, quando Otávio foi agredido por três rapazes. Logo após essa agressão, o quinteto atacou outro jovem, Luís, 23, que estava com dois colegas. Ele foi ferido no rosto e na cabeça com lâmpadas de bastão. Os colegas não foram agredidos, segundo a polícia. O sobrenome dele foi preservado a pedido dele. Testemunhas que viram as agressões chamaram a PM e os jovens foram levados para o 5º DP (na Aclimação). Por volta das 13h, quando a ocorrência estava sendo registrada como formação de quadrilha e lesão corporal gravíssima, apareceu o lavador de carros Gilberto Felipe Andrade, 18, dizendo ter sido vítima de uma agressão. Ele reconheceu os jovens. Segundo Andrade, ele foi agredido por volta das 3h na av. Brigadeiro Luís Antônio. Ele disse à Folha que o grupo seguia atrás dele quando um dos adolescentes lhe acertou com um soco na nuca. Os outros rapazes o agrediram em seguida. Os adolescentes apreendidos seriam transferidos para a Fundação Casa, enquanto o mais velho, Jonathan Lauton Domingues, seria encaminhado para o Centro de Detenção Provisória.

d LEIA MAIS na pág. C3

Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

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SEGUNDA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2010

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Rapaz acusado de agredir jovens na av. Paulista, ontem


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SÁBADO, 4 DE ABRIL DE 2009 Caio Guatelli/Folha Imagem

FOTO 3.0 26.0

Rio Paraíba do Sul, cuja poluição tem afastado fiéis que tomavam banho e bebiam água no local

Poluiçãoafastafiéis derioondeimagem desantafoiachada Cadavez menospessoassearriscamabebereatomar banho no ParaíbadoSul,emAparecida(SP);cidadedespejatodo oesgoto no rio ONG fala em ‘caso desaúde pública’ e cobraconstruçãode estação detratamentono município, quereceberá141 mil fiéis naSemanaSanta

ONDE FICA O PARAÍBA DO SUL Rio, que está poluído, corta SP, MG e RJ MG

O rio tem 1.150 km de extensão

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CRISTINA MORENO DE CASTRO DA AGÊNCIA FOLHA, EM APARECIDA

A poluição afastou os fiéis que costumavam tomar banho e beber água do rio onde foi encontrada, quase três séculos atrás, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Em Aparecida (180 km de SP), o Paraíba do Sul recebe dejetos e esgoto sem tratamento de uma população de 36 mil habitantes e dos mais de 100 mil turistas que aparecem nos feriados religiosos. A cidade do Vale do Paraíba espera receber 141 mil fiéis na Semana Santa. Cada um é responsável por gerar de 20 a 50 litros de esgoto por dia no Santuário Nacional, que conta com quase mil peças sanitárias. No município, mais de 50 litros por segundo de dejetos são lançados diretamente no rio. “Não é só uma questão ambiental. É também uma questão de saúde pública”, diz Devanir Amâncio, presidente da ONG Educa São Paulo. “Os romeiros que visitam o santuário passam pelo rio, costumam tomar sua água, tomam banho lá, levam a água para fazer alimentos em casa.” Segundo Amâncio, a tradição de captar água no ponto do rio onde a imagem da santa foi encontrada sempre fez parte do percurso turístico dos fiéis. Mas hoje, segundo moradores e pescadores, cada vez menos pessoas se arriscam. Havia apenas seis moradores no local anteontem. Eles dizem que ninguém mais se banha nas águas poluídas e “só alguns pegam água em garrafinhas”. Em outro ponto do Paraíba do Sul, a 600 metros do santuário, dez moradores pescavam

SP PR

Aparecida Rio Paraíba

Cidade de Aparecida Basílica

Fonte:

mandis e lambaris —o que restou de um rio que já deu “quilos” de tilápia, piaba e outras espécies de peixes, segundo o ajudante geral Jéferson Jer, 28. Elenise Conceição, 45, que custava a encher um quinto de seu balde, diz que nos últimos anos o rio se transformou. “Antes era igual praia, dava para nadar aqui.”

ÁGUA [+] RISCO: DO RIO TEM

COLIFORMES E PODE CAUSAR DOENÇAS Romeiros que beberem água retirada do rio Paraíba do Sul correm riscos de contrair doenças devido ao alto índice de coliformes fecais no local, segundo Vander Eustáquio Salomon, gerente da Cetesb (agência ambiental paulista) em Aparecida. O consumo de água contaminada pode causar diarreia, vômito, desidratação e até hepatite A. O gerente afirma que o consumo não é recomendável nem se a água for aquecida. “Tem bactérias que resistem a até 90˚.” O correto, diz, é que a água tenha adição de cloro.

Ao lado deles, dois canos de esgoto lançavam dejetos da cidade no rio. Os moradores contam que há muitos outros canos pela margem do rio. Mas eles não se importam em comer os peixes “depois de colocar vinagre e limão”, conta Jer. Há 15 dias, a ONG de Amâncio pediu à prefeitura e ao governo do Estado a construção de uma estação de tratamento de esgoto. Segundo ele, não houve resposta. A estação sairá em 2012, diz a prefeitura —a obra está em fase de projeto. O engenheiro Carlos Ohya, responsável pelos projetos do Santuário Nacional de Aparecida, diz que a igreja “se sente na obrigação moral de participar no sentido de colaborar com o meio ambiente”, embora a responsabilidade pelo saneamento seja da prefeitura. Ele diz que o santuário contratou especialistas da USP para colaborar com o projeto da prefeitura. Para Marli Leite, secretáriaexecutiva do Comitê de Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul, a situação atual, em que diversas cidades do Vale não têm estações —inclusive São José dos Campos, que só trata 45% do esgoto—, “pesa bastante na qualidade do rio”.

Estação de tratamento de esgoto será concluída em 2012, afirma prefeitura ................................................................................................

DA AGÊNCIA FOLHA, EM APARECIDA DA AGÊNCIA FOLHA

A Prefeitura de Aparecida diz ter desde 2006 um projeto em parceria com o governo do Estado para a construção de uma estação de tratamento de esgoto. O convênio para elaboração do projeto, já em andamento, é de R$ 500 mil —dos quais R$ 400 mil são do Estado.

O diretor-executivo do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Aparecida, Paulo Piza, a licitação será feita em 2010 e a obra será concluída até março de 2012. A autarquia é a responsável por gerenciar o serviço no município. Ubirajara Tannuri Felix, superintendente do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), órgão ligado ao governo de São Paulo, afirma que o projeto das obras deverá ser concluído ainda neste semestre.

A empresa responsável pelo trabalho, diz, foi contratada em novembro do ano passado. A demora, segundo Felix, ocorreu em razão de problemas na licitação para contratação do projeto em 2007 —só retomado no ano passado. Felix afirma que o governo já providenciou a inclusão de Aparecida no programa “Água Limpa”, que prevê a implantação de sistemas de tratamento de esgoto em municípios com até 30 mil habitantes. (CMC E MP)

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Q UARTA-FEIRA, 29 DE SETEMBRO DE 2010

Poda de árvore leva até um ano em SP

Relatório de comissão da Câmara Municipal aponta demora no atendimento de pedidos de moradores na cidade Silvia Zamboni/Folhapress

Houve 28 feridos e dois mortos por quedas de árvores este ano em São Paulo, de acordo com o Corpo de Bombeiros CRISTINA MORENO DE CASTRO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

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O morador que quer podar a árvore de sua rua espera em média dois meses para ver o serviço realizado pela Prefeitura de São Paulo. Em alguns casos, a espera é de um ano. Os dados constam do diagnóstico da arborização da cidade concluído esta semana pela Comissão do Meio Ambiente da Câmara Municipal. “Em períodos de chuva, muitas caem, matam gente e causam prejuízos”, diz o vereador tucano Floriano Pesaro, presidente da comissão. Houve 28 feridos e dois mortos por quedas de árvores este ano na cidade, de acordo com os Bombeiros. O relatório também diz que o problema é agravado com o aumento do número de árvores na cidade —202 mil novas no ano passado. O problema está na burocracia: são exigidos laudos de quatro órgãos diferentes para cuidar de uma árvore. Além disso, não há mapa da flora urbana que aponte quais árvores precisam ser

tratadas, por exemplo, por causa de pragas. O levantamento ainda está no início: de estimadas 2 milhões de árvores, 5.000 foram cadastradas em seis meses. A Secretaria de Verde e do Meio Ambiente afirma que, a partir desta iniciativa, “promoverá intervenções necessárias”, como poda, reforma de um canteiro ou remoção de árvores. Ela fez 356 podas, 103 remoções e 20 plantios na Lapa, no projeto-piloto. Para o arborista Joaquim Neto, da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, o que falta é conhecimento sobre o manejo de árvores nas cidades. “Quando a poda é errada, produz resultados adversos, como pragas e a morte da árvore”, afirma.

ANÁLISE

Árvores disputam espaço com os equipamentos urbanos DEMÓSTENES FERREIRA DA SILVA FILHO

ESPECIAL PARA A FOLHA

MONITORAMENTO

A prefeitura diz que “a poda ou remoção de uma árvore deve atender a critérios técnicos avaliados por engenheiros agrônomos e que nem todos os pedidos são passíveis de atendimento”. A administração municipal afirma ainda que as podas não são feitas apenas conforme a demanda dos cidadãos, já que equipes “monitoram diariamente as vias”. A Eletropaulo, que faz podas de árvores entrelaçadas a fiações elétricas, afirma que fez 149 mil podas no primeiro semestre e pretende chegar a 340 mil até dezembro.

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Árvore atinge fios elétricos na Vila Romana, em São Paulo

A floresta urbana da cidade de São Paulo existe muitas vezes como espaço a ser construído, tomado de volta de estacionamentos, vias públicas e construções. As vias públicas são oportunidades de levar cobertura arbórea para toda a cidade, já que estão presentes mesmo em bairros onde já não existem áreas livres. Contudo, esse espaço viário possui concorrência de outros equipamentos urbanos, como telefones, iluminação, rede elétrica, postes e sinalizações viárias que estão em constante conflito com as copas das árvores. Para compatibilizar tais equipamentos com as árvores, o recurso mais usado são podas que, em geral, mutilam e reduzem a capacidade das copas das árvores de prover serviços ambientais, como filtrar o ar de poluentes. Na cidade de São Paulo, toda a preocupação com podas e cortes decorre da falta de estrutura tanto financeira quanto humana.

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DE SÃO PAULO

Há quase cinco anos, moradores de um prédio de 12 apartamentos da rua Augusta, no centro de São Paulo, lutam contra um aborrecimento: dois bares que funcionam ininterruptamente, lado a lado, no térreo do edifício. Não importa se é domingo, dia santo ou feriado: o Bar do Matão e o Bar 24 Horas ficam abertos, como anunciado, 24 horas por dia. É principalmente de madrugadaqueatraemumamultidão de clientes, que costumam ficar na calçada e na rua. Os vizinhos do edifício Regência, onde funcionam os bares, reclamam do barulho de frequentadores bêbados na soleira do prédio, consumo de drogas, brigas, sujeira na calçada, fumaça, cheiro de gás e falta de higiene. Mas a principal crítica é quanto ao descumprimento da lei municipal de 1999 que obriga todos os bares da cidade a fecharem à 1h. “Quando compramos os apartamentos do prédio, em 2008, já existiam os bares, mas não sabíamos que eles funcionavam 24 horas por dia. Só depois percebemos o tumulto que é”, diz a secretária executiva Vanessa Nogueira, 30, síndica do condomínio. Eles já recorreram à Ouvidoria da prefeitura, à Subprefeitura da Sé, ao Psiu, à Vigilância Sanitária e à polícia. Em fevereiro, procuraram o Ministério Público. O órgão pediu à Corregedoria da Prefeitura para averiguar por que os bares tinham licença para funcionar sem restrições de horário, assinada em 2010 pelo Psiu. A resposta foi que houve um “equívoco”. Novos alvarás foram emitidos neste mês, com o horário correto.

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Terça-Feira, 28 De agosTo De 2012

barulho

24 horas

Há 5 anos, vizinhos de dois bares da rua Augusta brigam para que os locais cumpram a lei; já recorreram à prefeitura e à polícia, mas nada aconteceu Eduardo Anizelli/Folhapress

Proprietário de bares diz que não vai desistir Edwal Vitor, 46, dono dos dois bares, diz que vai recorrer para funcionar 24 horas.

H Folha - Seu contrato prevê funcionamento 24 horas? Edwal Vitor - Sempre foi 24

horas lá. Mas no passado não existia documento pra isso. Com a vinda desse pessoal novo, a prefeitura começou a dar em cima dos bares. A gente não tinha alvará, porque antigamente os bares não tinham. Eu gastei um monte de dinheiro para conseguir tirar. Quando tirou os alvarás?

Depois da chegada dos novos moradores [2008]. Reclamaram do barulho. Fechei oito vitrôs. Fiz isolamento acústico no bar inteiro. Mesmo assim, reclamam. É implicância. Tanto que o Psiu veio

três vezes neste ano e disse que aqui não tem barulho. E a multidão na madrugada?

É na rua, de dentro não sai o barulho. Às vezes um cara coloca som no carro, que estremece o bar. Isso é a Augusta, sempre foi assim. Eles deveriam pôr janela antirruído. a prefeitura disse que a licença para funcionar 24 horas foi um “equívoco”.

Foi dada conforme a exigência deles. É perseguição. Meu sogro ouviu os moradores comentando ‘vamos tirar essa lanchonete daqui!’ — querem que eu saia. Mas vão pagar o investimento que já fiz? Só de isolamento acústico, gastei R$ 30 mil. A coifa foi R$ 10 mil. O tratamento do cheiro foi R$ 6 mil. A última reforma por causa da Vigilância Sanitária foi R$ 30 mil. aprefeituraemitiunovoalvará e diz que o sr. deve fechar à 1h.

Vou recorrer e ir atrás dos nossos direitos.

análise

Moradores só reagem de forma pontual contra o incômodo JOãO GUALbERtO DE AzEvEDO bARInG ESPECIAL PARA A FOLHA

tudo igual

Até ontem os bares continuavam funcionando por 24 horas. O dono dos dois estabelecimentos, Edwal Vitor, 46, diz que desconhece a mudança e que vai recorrer. A prefeitura diz que irá ao local verificar o cumprimento dos novos horários. O promotor Marcos Lúcio Barreto, que investiga o caso, vai oficiar a prefeitura cobrando essa fiscalização. Desde que o inquérito foi aberto, em fevereiro, já houve fiscalizações da subprefeitura, da Secretaria do Verde, do Psiu e da Vigilância Sanitária nos bares, que tiveram que fazer reformas e adequações para continuarem funcionando.

OUTRO LADO

Frequentadores de bares ocupam calçada em frente a prédio residencial da rua Augusta (SP)

Ambiente poluído pelos sons é aquele que se torna prejudicial ao equilíbrio emocional dos seres vivos, gerando inadaptação. E a tensão, ou estresse, pode levar a patologias diversas. Desde os últimos anos 60, a poluição sonora intensa e persistente vem sendo rejeitada por parcelas consideráveis das pessoas atingidas. Para causas bem definidas e localizadas, essas pessoas souberam se organizar para combatê-las. Em São Paulo, tornaramse emblemáticas as ações populares que resultaram nas restrições à operação do aeroporto de Congonhas à noite e na interdição do Minhocão, no mesmo período. Contra bares e assemelhados, porém, as pessoas atingidas só conseguem reagir pontualmente, por meio dos escassos meios de que dispõem junto ao poder público municipal. Órgãos de fiscalização têm conseguido que alguns se

adequem, com tratamentos acústicos, mas o problema se alastra, devido à desproporção entre essas ações e a proliferação dos estabelecimentos, face ao gigantismo das metrópoles. As únicas saídas são ações populares organizadas para a prevenção de novos casos e mitigação dos existentes. Existem associações de acústica no Brasil que podem ajudar tanto moradores quanto donos de bares, instruindo sobre aspectos legais, técnicos, questões psicológicas e de argumentação. Soluções sempre existem e a prevenção evita que se tornem complexas e onerosas. Os donos dos estabelecimentos fiscalizados costumam demonstrar conceitos errôneos sobre como lidar com a situação. Uma vez dispondo de ajuda gratuita e capacitada, seu tino comercial os levará a abraçar a causa capaz de converter vizinhos aborrecidos em novos clientes. JOÃO GUALBERTO DE AZEVEDO BARING é consultor especialista em acústica e professor doutor da FAU-USP

MorTes ADÃO ALVES ARAÚJO - Aos 65, casado com Maria da Graça Rodrigues de Araújo. Deixa dois filhos. Cemitério do Carmo. AUZENDA DE ALMEIDA DUARTE - Aos 89, viúva. Deixa filho e netos. Cemitério Municipal de Abirarema (SP). CLAUDETE FERREIRA DO NASCIMENTO - Aos 40. Deixa um filho. Cem. e Crem. Metropolitano Primaveras. DALILA MARTINS - Aos 87, viúva de Geraldo Lopes. Deixa nove filhos. Cem. e Crem. Metrop. Primaveras. DEOCLIDES DE ARAUJO LIMA - Aos 61, casado com Sonia Regina Pires Li-

ma. Era cabeleireiro. Cemitério e Crematório Metropolitano Primaveras. JOSÉ ALVES AMORIM - Aos 72, casado com Rosalina Nogueira Amorim. Deixa quatro filhos. Cemitério do Carmo.

de netos. Cemitério Gethsêmani. RUY ANACLETO - Aos 96, casado. Deixa três filhos. Cemitério Municipal de Bebedouro (SP).

7º DIA

ANA CATARINA DE ALBUQUERQUE CAVENDISH CARVALHO - Hoje, às 18h30, na igreja S. Gabriel, av. S. Gabriel, 108, Jd. Paulista.

EDMEA BUENO DOS REIS MARTINEZ - Hoje, às 19h, na paróquia Coração Imaculado de Maria - PUC, r. Monte Alegre, 948, Perdizes.

MARIO TURI CATALDI - Aos 82, casado com Laura Inês Pacheco Cataldi. Era professor universitário e estava aposentado. Deixa três irmãos, os filhos Fabio, Fernando e Renata, além

ANTONIO CARLOS CASTILHO DE ANDRADE - Amanhã, às 19h, na igreja N. Sra. do Perpétuo Socorro, pça. Honório Líbero, 90, Jd. Paulistano.

EDUARDO CARLOS DE CARVALHO VAZ - Hoje, às 11h, na igreja S. José, r. Dinamarca, 32, Jd. Europa.

ANTONIO CARLOS DO AMARAL SAN-

Um mestre de trilhas de cinema Baixista que aliava amplo domínio técnico de seu instrumento com muito “groove” e sentimento em suas interpretações, Aurelio Dias, 54, morreu na manhã de anteontem, no Rio. Internado na unidade de Vila Isabel do Inca (Instituto Nacional do Câncer), lutava contra um Gist (tipo raro de câncer gastrointestinal), doença considerada irreversível pelos médicos. Em seus mais de 30 anos de carreira, o instrumentista e compositor nascido em Manaus gravou com um

CONCEIÇÃO DE ARRUDA LEME - Hoje, às 18h, na N. Sra. da Esperança, av. dos Eucaliptos, 556, Moema.

JOSÉ AUGUSTO DA SILVA - Aos 62, casado com Eleny Cardoso dos Santos da Silva. Deixa dois filhos. Cemitério do Carmo.

AURELIO DIAS (1958-2012)

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

TOS - Amanhã, às 18h, na paróquia Verbo Divino, r. Verbo Divino, 392, Chácara Sto. Antônio.

grande número de artistas de relevo na cena nacional. Dias participou de faixas em álbuns de nomes como Fernanda Abreu (no disco “Entidade Urbana”, de 2000), Zélia Duncan (em “Acesso”, de 1998), Ed Motta (em “As Segundas Intenções do Manual Prático”, de 2000), Daniela Mercury (em “Sol da Liberdade”, de 2000) e Arícia Mess (em “CabeçaCoração”, de 1999). Também tocou com artistas como Herbert Vianna e Marina Lima, entre outros. Além de seu trabalho nos palcos e nos estúdios, ele foi muito ativo na edição e na mi-

xagem de trilhas em mais de 30 trabalhos para o cinema. Entre os filmes nos quais trabalhou estão os documentários “Vou Rifar meu Coração” e “Dzi Croquetes”, além da animação “Infinitum”. Ele também colaborou no ainda inédito “Fernando Pessoa”, de Julio Bressane. O músico, que desenvolveu método próprio de ensino de baixo elétrico, deixa a viúva —a produtora audiovisual Maria Byington— e uma filha de 15 anos. Seu corpo seria cremado às 9h10 de hoje no Cemitério do Caju, no Rio. coluna.obituario@uol.com.br

MARINA DE ALMEIDA PRADO GALVÃO DE ASSUNÇÃO - Amanhã, às 18h30, no Colégio Sta. Cruz, av. Arruda Botelho, 225, Alto de Pinheiros. SERGIO SCANAVINI - Hoje, às 12h, na S. José, r. Dinamarca, 32.

6º MÊS

FRANCISCO CARVALHO - Hoje, às 19h30, na igreja S. João Maria Vian-

ney, pça. Cornélia, Lapa.

de Cássia, pça. Sta. Rica de Cássia, Mirandópolis.

1º ANO

RUBENS GARCIA - Amanhã, às 20h, na igreja Sta. Rita de Cássia, pça. Sta. Rica de Cássia, Mirandópolis.

7º ANO

JULIA GUERRA VIEIRA - Hoje, às 18h30, na igreja S. Geraldo, lgo. Pe. Péricles, S/Nº, Perdizes.

MARIA CELINA CESAR GARCIA Amanhã, às 20h, na igreja Sta. Rita de Cássia, pça. Sta. Rica de Cássia, Mirandópolis. MARIA LUCIA LATTARO GARCIA Amanhã, às 20h, na igreja Sta. Rita SERVIÇO VOCÊ DEVE PROCURAR O SERVIÇO FUNERÁRIO MUNICIPAL DE SP: tel. 0/xx/11/3247-7000 e 0800-10-9850 fax 0/xx/11/3242-1203 Serão solicitados os seguintes documentos do falecido: Cédula de Identidade (RG); Certidão de Nascimento (em caso de menores); Certidão de Casamento. ANÚNCIO PAGO NA FOLHA: tel. 0/xx/11/3224-4000

20º ANO

segunda à quinta, das 8h às 20h, sexta das 8h às 21h, sábados e domingos, das 9h às 17h. AVISO GRATUITO NA SEÇÃO: tel.: 0/xx/11/3224-3505 ou 0/xx/11/3224-3305 e-mail: necrologia@uol.com.br até as 15h, ou até as 19h da sexta-feira para publicação aos domingos. Se utilizar o e-mail, coloque um número de telefone para a checagem das informações. Aos domingos, ligue para 0/xx/11/3224-3602, das 15h às 18h.

O Conselho de Administração, a Diretoria e os funcionários da Klabin S.A. manifestam seu profundo pesar pelo falecimento, no dia 27 de agosto de 2012, do diretor e grande amigo que, por 34 anos, honrou a Klabin com sua competência, firmeza e honestidade na condução dos negócios.

SR. ANTONIO ANDRUCIOLI


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DOMINGO, 27 DE FEVEREIRO DE 2011

Clube obriga babá a usar branco e barra ida a restaurante Pinheiros diz que existem áreas, como piscina e locais de eventos, que possuem regras específicas para acesso Para coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, regras significam um apartheid social CRISTINA MORENO DE CASTRO

DE SÃO PAULO

O crachá deve estar sempre no pescoço e a roupa deve ser toda branca. Em alguns dos mais tradicionais clubes de São Paulo, não basta às babás apresentarem carteirinha, como os sócios. É preciso estar trajada de acordo com as regras. É assim no Pinheiros, no Paineiras e no Paulistano, todos na zona oeste, cujos títulos chegam a R$ 25 mil. No Pinheiros, algumas babás relatam que são cobradas a usar calçados fechados, mesmo em dias quentes. No Paulistano, é preciso usar “sapatênis, sapatos ou tênis da mesma cor do uniforme”. “Acho discriminação”, diz a babá Silvana Santana, 36, que vai ao Pinheiros duas vezes por dia. Na semana passada, ela teve apreendida sua carteirinha (onde se vê escrito “acompanhante”) porque vestia bermuda jeans e blusa branca. Foi avisada de que só o patrão poderia retirar o documento. Outra passou por uma “blitz de babás” e teve a carteirinha retida, pois não usava branco. Ficou “constrangida e envergonhada.” Sua empregadora, que preferiu não se identificar, afirma que ficou tão incomodada que enviou uma carta ao clube explicando que ela não usa uniforme em casa e pedindo que não tivesse de fazê-lo no clube. “Foi indeferido. Alegaram que é regra.” Juliana Rodrigues, 25, também babá, diz que já lhe chamaram a atenção no Pinheiros porque sua blusa branca tinha “uma florzinha no canto” e porque usava sandália “neste calor”. Diz ainda ser proibida de ir ao restaurante acompanhada apenas das crianças e conta que um sócio já pediu que ela se levantasse de um banco perto da piscina. O Pinheiros confirma que as babás só podem ir ao restaurante infantil. Sócia do clube, a professora Nuria Carbó, 35, considera o uniforme discriminatório. “Passaram a vir de branco porque muitos sócios reclamaram da presença delas.” Já Paula Krishnan, 37, também sócia, acha que a regra é uma forma de controle. “Assim como os funcionários do clube, [as babás também] têm identificação.” O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, Martim Sampaio, vê discriminação na exigência da roupa branca e, sobretudo, no veto ao restaurante. “O clube tem o direito de saber quem está adentrando a dependência, até por questão de segurança, mas a carteirinha basta para isso”, diz. “É um constrangimento ilegal a empregada ter que se vestir de forma diferenciada e é absurdo impedir que ela entre no restaurante. Ser obrigada a levantar do banco é um apartheid social.” Segundo o Pinheiros, o clube tem 37 mil sócios e 1.500 acompanhantes de idosos, crianças e deficientes cadastrados. Eles devem apresentar crachá “e portá-lo em local visível durante a sua

permanência no clube, como acontece com funcionários em qualquer organização”. Uniforme e crachá servem para identificação, diz. Afirmou que algumas

áreas possuem “regras específicas para acesso, podendo ser reservados exclusivamente aos associados”. Paineiras e Paulistano não se manifestaram.

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Carlos Cecconello/Folhapress

FOTO 3.0 25.0

Babás em entrada do Pinheiros, na zona oeste de SP, onde só podem entrar de branco


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Domingo, 19 DE Agosto DE 2012 danilo Verpa/Folhapress

C10 cotidiano

danilo verpa cristina moreno de castro

Quando vi, minha casa virou ponto turístico

de são paulo

Todo mundo que passa por ali reduz a velocidade para olhar melhor. Não raro, param para tirar fotos e filmar. Afinal, é como se a Barbie em pessoa morasse naquela casa, com sete totens da boneca espalhados no jardim, em vez dos triviais gnomos. A parede da casa, encravada em um condomínio de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), é toda pintada de rosa-azaleia, com um capacho rosa-choque na porta. Dentro, duas rosas imensas pintadas nas paredes, um quadro com a Barbie-sereia, uma Barbie-fada pendente do teto e 19 bonecas sobre a mesa. Outra Barbie em tamanho natural está desenhada a lápis na parede (ainda) vazia. Quem abre a porta é uma mulher de 34 anos, com longos cabelos loiros, olhos verdes e vestida com um blazer... cor-de-rosa. Cristiane Pichetti, a dona da casa, é conhecida como “tia Barbie” pelas crianças que visitam ou moram no condomínio Aruã, com 1.300 casas de classe média alta. Tudo começou quando Cristiane se mudou para lá, há quatro anos, e quis pintar a casa nova com a cor “rosa orquídea”. Quase branco. A tinta foi trocada por engano e, quando ela viu, a casa já estava toda pintada em um rosa bem mais forte. Não se importou, porque essas cores são comuns em sua cidade natal, a catarinen-

Cristiane PiChetti dona da casa da Barbie em condomínio de Mogi das Cruzes

cristiane pichetti em frente à sua casa

a casa da

Bonecas decoram

BARBIE se São Miguel do Oeste. Ela própria viveu até a adolescência em uma casa rosa, que era conhecida entre os vizinhos como a “casa das bonecas”. Era cheia de Barbies, com que brincava com as duas irmãs. Ao decidir manter a cor,

Cristiane passou a ouvir dos seguranças do condomínio que aquela era a “casa da Barbie”. A notícia se espalhou, e as crianças da vizinhança começaram a aparecer pedindo para conhecer o lugar. “Quando vi, virou ponto

turístico”, deleita-se ela. Para compor esse “mundo rosa” e agradar as crianças, Cristiane, que fazia curso de pintura, fez o primeiro totem de uma Barbie. Tinha que ser retirado toda noite, para não estragar com o sereno e a chu-

jardim

e interior de casa em

condomínio de Mogi das

Cruzes

va, mas acabou furtado. Hoje, os sete totens feitos pelo pai de Cristiane, também pintor, ficam o tempo todo no jardim, protegidos da chuva por verniz e dos ladrões por duas câmeras de segurança. Cristiane diz que todos os

Sucessos do cinema em DVD por apenas R$ 12,99!

Veja a lista completa em: www.livrariadafolha.com.br/filmes1299

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dias recebe visitas das crianças, que insistem para entrar. Pouco antes da chegada da reportagem, uma vizinha levou suas duas filhas para conhecerem a casa da Barbie, como “prêmio” por terem que ir ao dentista. Elas deixaram um DVD da Barbie, que entrou para o inventário da coleção. Outras “fãs” deixam presentinhos (cor-de-rosa) e cartinhas para a Barbie na caixa de correio da casa. Cristiane jura que o marido e os dois filhos adolescentes não acham ruim. Na hora do chimarrão, fecham a cortina paradarprivacidadeàfamília. E como chegou a esse ponto de parecer um museu dedicadoàboneca?“Vaiindo,agradandoopessoalenosagradando.” Cristiane pensou até em colocar um fusca rosa na porta para enriquecer o cenário.


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SÁBADO, 21 DE AGOSTO DE 2010

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cotidiano

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VACINAÇÃO Secretaria da Saúde de São Paulo nega risco de volta da raiva Pág. C6

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EDUCAÇÃO ProUni não garante meta de jovens na universidade Cotidiano 2

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Grupo de teatro é barrado na Inglaterra

País é o que mais recusa brasileiros, de acordo com dados do Itamaraty; atores tiveram celulares confiscados Rodrigo Capote/Folhapress

Os dez brasileiros foram convidados há seis meses para participar, de graça, de festival; eles foram escoltados

OUTRO LADO

País pode barrar quem quiser, diz consulado

CRISTINA MORENO DE CASTRO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Quando foram convidados para apresentar “Otimismo”, de Voltaire, em um festival na Inglaterra, o grupo de dez integrantes da companhia Teatro da Curva não imaginava que o serviço de imigração lhes pregaria uma peça. Após 12 horas de viagem, eles tiveram que esperar por cerca de seis horas em uma sala do aeroporto e, com carimbo de inadmitidos no passaporte, foram escoltados até um avião de volta para o Brasil, na noite de segunda. Entraram nas estatísticas do país que mais barra brasileiros, segundo o Itamaraty: dentre todos os 9.093 brasileiros inadmitidos em 2009, 3.985 (44%) tentaram entrar na Inglaterra. “Fomos humilhados. Ficamos isolados, cada um com dois seguranças, no saguão do aeroporto, na frente de todo mundo”, disse o ator Celso Melez, 30. Ele conta que, na “cela dis-

O consulado britânico afirmou que não pode comentar nada relacionado a um caso de inadmissão individual. Não pode dizer, portanto, o que teria feito o serviço de imigração barrar o grupo Teatro da Curva. “A autoridade de imigração no aeroporto é a autoridade final sobre quem entra ou não entra no país.” No site do Consulado-Geral do Brasil em Londres há um aviso para os viajantes: “O Reino Unido tem o direito e o poder de autorizar ou denegar entrada a estrangeiros sem qualquer explicação”. Trata-se de sua “soberania”. O Itamaraty diz que, como é prerrogativa de cada Estado, seu poder de ação nesses casos é limitado. O órgão disse que vai buscar informações sobre o caso do grupo de teatro e que, se for o caso ou se constatar maus-tratos, vai solicitar esclarecimento à Inglaterra.

Integrantes do grupo Teatro de Curva, que foram barrados ao tentar entrar na Inglaterra para se apresentar em festival farçada”, havia 16 imigrantes inadmitidos. Eles tiveram acesso a banheiro, água e comida. Mas todo o grupo teve os celulares confiscados, não pôde abrir as malas, nem tomar banho e, como o número da embaixada brasileira estava anotado em um celular,

c SAIBA MAIS

Em cartilha, Itamaraty sugere discrição a viajante

DE SÃO PAULO

O Ministério das Relações Exteriores anunciou nesta semana que irá distribuir uma cartilha em que dá orientações de comportamento aos viajantes na chegada a países da Europa. O objetivo do material é reduzir o risco de os brasileiros serem barrados. A principal recomendação é ser discreto e educado diante das autoridades de imigração estrangeiras. Além disso, a cartilha sugere que o viajante responda às perguntas com clareza e coerência e evite comentários desnecessários.

Em pouco tempo, o material será distribuído juntamente com os novos passaportes emitidos pelo governo brasileiro. A cartilha foi criada como resposta à crise provocada pelo contingente de brasileiros barrados na Espanha em 2008. Naquele ano, aproximadamente 2.200 pessoas foram mandadas de volta para o Brasil pelas autoridades espanholas. Os agentes de imigração normalmente verificam se o viajante tem renda no Brasil, lugar para ficar no país visitado, dinheiro para as despesas e passagem de volta, por exemplo. A cartilha do Ministério das Relações Exteriores pode ser consultada na íntegra no site Portal Consular (www.portalconsular. mre.gov.br).

não puderam telefonar. Segundo Melez, todos foram tratados bem até o momento em que foram avisados que não seriam aceitos no país, faltando uma hora para o embarque de volta. Nessa hora, os oficiais “tornaram-se agressivos”. Todos

os atores foram revistados três vezes, tiveram que tirar fotos, registrar as digitais de todos os dedos e assinar papéis em inglês, sem tradutor. Em todos os papéis, foram descritos como atores profissionais pagos para atuar no país, o que exigiria um visto

de trabalho. Mas eles dizem que foram convidados para participar —de graça— do festival Camden Fringe, o que não exige visto. Todos tinham passagens compradas para voltar em até dez dias depois da chegada ao país.

DICAS DO GOVERNO Veja quais são as recomendações do Itamaraty aos brasileiros que viajam à Europa

2

1 Visita ao consulado Antes de viajar, o brasileiro deve consultar o consulado ou a embaixada do país em que primeiro desembarcará na Europa, seja qual for o destino final. Dessa forma, o viajante poderá obter informações atualizadas das condições de entrada

Imigração O viajante deve apresentar toda a documentação requisitada. Também deve responder às perguntas da imigração de forma objetiva e clara. A falta de clareza nas respostas pode levantar suspeitas de que a pessoa esteja omitindo algo

3 Atitude cortês É recomendável que o turista brasileiro evite comentários que não tenham relação com as perguntas formuladas pela imigração. Deve-se manter uma atitude cortês, respeitosa e discreta em todos os momentos

O QUE É AVALIADO NA ENTREVISTA: > A coerência das respostas > A situação de emprego no Brasil > Razões que confirmem a intenção de retorno ao Brasil > O número de malas >O conteúdo da bagagem > A condição migratória da pessoa com quem se hospedará > A não sujeição do viajante a uma proibição de entrada (por exemplo, ter ficado na Europa por mais de seis meses dentro do período de um ano ou ter sido expulso de algum país europeu)

Fonte: MRE

Rodrigo Capote/Folhapress

Publicidade de banco na USP recebe crítica de professores DE SÃO PAULO

FOTO 3.0 26.0

Totem de 1,20 m por 1,80 m com anúncio de banco na Cidade Universidade, em SP

Os sorrisos simpáticos de dois jovens causaram mau humor em docentes da USP. Não pelos sorrisos em si, mas pelo fato de eles estarem na Cidade Universitária em propagandas do banco Itaú, que busca atrair estudantes para seu programa de estágio. Foram espalhados pelo campus dez totens, de cerca de 1,20 m por 1,80 m, onde há o logotipo da empresa e dados sobre a iniciativa. Em alguns aparece um rapaz; em outros, uma jovem. Ambos têm pinta de bem sucedidos. “Se você passa de carro, parece uma simples propa-

ganda do banco. Achei agressivo, considerando que estamos dentro de uma universidade pública”, afirmou a docente Heloísa Borsari, do Instituto de Matemática e Estatística e diretora da Adusp (sindicato dos professores). “Nunca vi isso na USP. Parece que a universidade está apoiando o programa de estágio de um banco”, disse um professor, ex-diretor de unidade, que trabalha na USP há mais de 20 anos e pediu para não ser identificado. Apesar de causar críticas internas na escola, a publicidade não fere a lei Cidade Limpa, pois o campus é considerado zona de exceção.

A assessoria de imprensa da USP disse que os recursos recebidos pela cessão dos espaços são revertidos para melhorias do campus. Disse ainda que a iniciativa não é inédita. Os valores não foram informados à reportagem. O Itaú afirmou em nota que tem “bom relacionamento há anos com a USP e suas faculdades, sempre em busca de recrutar jovens talentos para programas de atração”. O banco disse que usou espaços cedidos pela própria universidade para ações de comunicação. O programa de estágio também foi apresentado em outras instituições privadas da capital. A prioridade da campanha, porém, foram redes sociais. Além dos totens, o campus também recebeu propagandas em seus relógios de rua. (FÁBIO TAKAHASHI)


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SEGUNDA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2011

cotidiano C7

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Alessandro Shinoda/Folhapress

Um dia, perguntei a um estudante como se dizia ‘bom dia’ em inglês. Depois, soube o que era ‘my friend’. E assim fui engrenando e melhorando a abordagem I study a lot É meu marketing JOSÉ ROBERTO DA SILVA, 46 vendedor de balas em Higienópolis

O vendedor O vendedor dede balas balas José José Roberto Roberto dada Silva Silva conversa conversa com com cliente cliente

do you speak Autodidata, Bob Chiclete,

vendedor de balas em uma

esquina de Higienópolis, busca interagir só em inglês com clientes

CRISTINA MORENO DE CASTRO

DE SÃO PAULO

“Hey, man!”, gritam duas crianças, enquanto atravessam a rua Sergipe, em frente à Consolação, fazendo joia com as mãos. Em um período de dez minutos, outras sete pessoas, em carros, motos e até num veículo da Receita Federal, passam soltando cumprimentos em inglês. Elas se dirigem ao vendedor de balas que trabalha naquele ponto há 21 anos.

Não é um vendedor qualquer. É “Joseph Robert” da Silva, 46, “nickname” Bob Chiclete, que só vende suas balas de eucalipto e hortelã falando “in English”. E onde aprendeu a falar?, vem a pergunta inevitável. “It’s easy. Here, at the corner”, responde prolixamente, dizendo que é fácil, aprendeu nas esquinas. Mais tarde, explica: “Um dia, perguntei a um estudante como se dizia ‘bom dia’ em inglês. Depois, soube o que

Ele está sempre aqui, bonitão assim, é um barato WALDIR GUERRA, 53 fotógrafo e cliente de Silva

english?

era ‘my friend’. E assim fui engrenando e melhorando a abordagem”. Segundo ele, até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, morador da região, já lhe deu algumas dicas sobre falsos cognatos e formas “polite” de se conversar. Outros lhe presentearam com livros didáticos, que ele estuda com afinco durante a tarde, ao chegar em casa, em Embu, depois de vender balas entre 9h e 14h. “I study a lot”, afiança.

E dessa forma autodidata foi que aprendeu ainda o português, já que cursou apenas no ano retrasado até a quarta série do ensino fundamental. E frases de alemão, grego, japonês, italiano, francês e árabe —o que a repórter não pôde comprovar. Além de livros, ele também ganha roupas de presente dos clientes, que, em sua maioria, viraram amigos do popular vendedor. Na quinta-feira passada, vestia um sapato de couro

Ouvidoria da Câmara Municipal de São Paulo.

A voz das ruas na casa do povo.

preto com bico fino, calça de linho verde-musgo, camisa mostarda, gravata e blazer grafite. Mesmo tão bem-vestido, diz que já sofreu preconceito de quem acha “absurdo” ele saber inglês. Ele brinca que só faz negócio com quem corresponde. E por que tudo isso, afinal? “É meu marketing.” Vende mais? “Of course!” —diz, dando certeza. “I hope”, relativiza em seguida, com seu “espero que sim”. Mas parece verdade. Na

mesma hora uma moça buzina para ele se aproximar e leva dois pacotes de balas, R$ 1 cada um. É a bancária Bruna Luca, 21, que “sempre compra” de Bob Chiclete, ela própria falando inglês com ele. No fim do dia, Bob costuma ter vendido tudo, R$ 54. Quem não entende a língua se cativa com a simpatia: “Ele está sempre aqui, bonitão assim, é um barato”, diz o fotógrafo Waldir Guerra, 53, em outro carro. “Não sei inglês, mas me divirto.”


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Sexta-Feira, 31 De agoSto De 2012

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cotidiano C9

Obras da ‘calçada da fama’ são retomadas Projeto na rua Canuto do Val foi contestado na Justiça pela vizinhança e ficou suspenso por quase três anos moradores dizem que bares não respeitam a lei do silêncio, uma das condições previstas em acordo de 2010 cristina moreno de castro

de são paulo

Quase três anos após ter sido suspensa pela Justiça, a obra da “calçada da fama”, na rua Canuto do Val, em Santa Cecília (zona oeste de São Paulo), foi retomada. O projeto vai ser feito exatamente como foi idealizado pela empresária Lilian Gonçalves, apesar da contestação dos vizinhos desde 2009. A ideia virou lei e foi aprovada pela Câmara Municipal em 2008: prevê luzes “diferenciadas”, estrelas em homenagem a personalidades e o alargamento do passeio em dois metros (passando para seis), no mesmo quarteirão onde ficam os cinco bares da Rede Biroska, de Lilian. Só o aumento da calçada custou R$ 77 mil, pagos pela prefeitura. O restante, que está sendo feito agora, é custeado pela empresária.

O barulho deve piorar se essa calçada for inaugurada José RicaRdo campelo presidente da Associação Santa Cecília Viva

A lei está sendo cumprida Thiago adami advogado da Rede Biroska

Bob donask/Folhapress

Com o apoio do Ministério Público, os moradores argumentaram na Justiça que esse alargamento prejudicaria o trânsito e beneficiaria apenas à empresária, que poderia colocar mais mesas na porta de seus bares. Conseguiram a suspensão das obras por meio de uma decisão liminar. Em 2010, o grupo cedeu e assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com a empresária. O acordo exigia, dentre outros pontos, a redução de um pequeno trecho já ampliado da calçada, na esquina da rua Dona Veridiana, e a retirada das mesas da calçada após a 1h, conforme a lei. A redução da calçada foi concluída em junho. Logo em seguida, a Rede Biroska retomou a construção de seu projeto, com previsão de término já em setembro. No entanto, vizinhos ainda reclamam do descumprimento da lei do silêncio. “O barulho continua e deve piorar se essa calçada for inaugurada”, diz José Ricardo Campelo, presidente da Associação Santa Cecília Viva. Desde a assinatura do TAC, o Ministério Público pediu duas vistorias ao Psiu, fiscalizador da lei do silêncio. Em uma delas, em agosto do ano passado, quatro bares estavam descumprindo a lei. Um deles foi multado e três foram lacrados. Um agente do Psiu relatou que sofreu agressões físicas e ameaças verbais de Lilian. A polícia abriu inquérito. Procurada, a Rede Biroska não quis se manifestar. O advogado Thiago Adami disse que “a lei está sendo cumprida, as mesas são retiradas à 1h e o TAC foi cumprido”.

obra na “calçada da fama”, que foi retomada no bairro de santa cecília; projeto é inspirado em Los angeles (eUa)

DEPOIMENTO

Sem fiscalização, passeio dos bares é uma ilha de barulho em Santa Cecília fernanda mena editora da “ilustrada”

Quando me mudei para uma simpática e arborizada rua da Santa Cecília, não sabia o que me esperava na janela dos fundos: cinco bares em sequência, do mesmo grupo, em que a música ao vivo é tocada a portas abertas e seus “habitués” gritam na calçada madrugada adentro sem intervenção dos funcionários, como se fosse uma ilha. Perdi a conta dos protoco-

los que registrei ao longo de anos no telefone do “cidadão” que a prefeitura dispõe apenas para cumprir tabela, sem nunca receber um retorno de nenhuma inspeção. A cada 30 dias, telefonava para saber da resposta. Em vão. Perdi também a conta das madrugadas em que apelava para a polícia, que inúmeras vezes vi receber lanchinhos e tapinhas nas costas nos mesmos bares em que deveriam zelarpelocumprimentodalei. Como ali há serviço de va-

let, mas não há recuo na via para os carros encostarem, o buzinaço domina as noites. E a única vez em que fui atendida foi quando a CET pintou na área, quebrando o esquema que, na noite seguinte, já operava novamente. Até que finalmente cedi às janelas antirruído por uma pequena fortuna. Ainda assim, nem sempre elas dão conta do recado. A “calçada da fama” poderia se chamar calçada do barulho e da malandragem.

Alargada em cerca de um metro e meio, o passeião da rua Canuto do Val serve para que os cinco bares pertencentes à famigerada Rede Biroska se espalhem folgadamente no tempo e no espaço. Duas fileiras de mesas e cadeiras, com um corredor confortável para o trânsito dos garçons ao centro, deixam um metro de calçada no qual os pedestres se espremem entre árvores e seguranças. Não bastasse esse mico, os bares desrespeitam completamente o horário-limite para mesas em calçadas, que ficam armadas ao relento às vezes até as 2h. Se já era difícil para a Rede Biroska respeitar a lei do silêncio antes, imagine agora.


EF Terça-Feira, 6 De Março De 2012

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16h18

MACAPÁ Jovem reconstrói a vida após ter cabelo arrancado por motor

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Fotos apu Gomes/Folhapress

cotidiano

EDUCAÇÃO Justiça manda governo pagar piso nacional a professores no rS

17h19

Carros e caminhões enfrentam trânsito carregado no sentido Castello Branco da marginal

Fluxo de veículos diminui nas pistas assim que passa a valer a restrição de caminhões

Protesto barra entrega de gasolina em posto Contra a restrição de caminhões na marginal Tietê, caminhoneiros deixam de abastecer cidade com combustível

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PRINCIPAIS VIAS AFETADAS 1

Marginal Tietê

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Av. General Edgar Facó

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Av. Ermano Marchetti

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Av. Marquês de São Vicente

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Rua Norma Pieruccini Giannotti e rua Sérgio Tomás

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Av. Presidente Castello Branco

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Av. Luiz Inácio de Anhaia Mello

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Av. do Estado

Multas são aplicadas desde ontem no novo trecho > R$ 85,13 > 4 pontos na carteira

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Av. Tancredo Neves

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Av. Salim Farah Maluf

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Av. Juntas Provisórias

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Av. Presidente Wilson

ZMRC (Zona de Máxima Restrição de Circulação); Restrição de 2ª a 6ª feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h. VUCs* cadastrados podem circular das 10h às 16h Restrição de 2ª a 6ª feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h (exceto feriados). VUCs* são proibidos, exceto na Radial Leste Restrição de 2ª a 6ª feira, das 4h às 22h, e aos sábados, 10h às 14h (exceto feriados) Restrição de 2ª a 6ª feira, das 5h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h (exceto feriados)

‘Com seis meses volta ao que era’, diz especialista de são paulo

Consultor em engenharia de tráfego e transporte, Horácio Augusto Figueira acha que a restrição será inócua para o trânsito.

★ Folha - A restrição é eficaz para diminuir o trânsito? Horácio Figueira - Pode

aliviar agora, mas em seis meses volta ao que era. A prefeitura tem de criar alternativas, mas faz o contrário: sinaliza que é para comprar carro. Por que a marginal vai voltar a lotar?

Rotas alternativas serão abandonadas. E, como a linha vermelha do metrô está superlotada, quem tem carro vai deixar de usá-la. O que querem é punir o transporte de carga, que abastece a cidade. Leia a íntegra da entrevista folha.com/no1057578

1 LENTIDÃO NA MARGINAL**

MOVIMENTO

Segundo José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de SP), os dias de maior volume de abastecimento dos postos são, justamente, segunda e terça-feira. “Quem pediu para hoje já está com o estoque chegando ao final, porque a capacidade é para quatro dias, no máximo. Em alguns postos pode acabar logo”, afirmou. Ainda segundo Gouveia, na última vez que houve crise semelhante, há cerca de 15 anos, o abastecimento dos postos demorou mais de uma semana para se normalizar. Ontem, alguns proprietários de postos chegaram a registrar um aumento de 10% no movimento. Num deles, na ruaHeitorPenteado,zonaoeste da cidade, o combustível acabou já no início da tarde. Empresas de ônibus, como a Viação Cometa, que tem posto próprio, também não receberam combustível ontem em suas garagens. O estoque dá para mais dois dias. Segundo a viação, ela co-

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Novas vias com restrição para caminhões Proibido o trânsito de caminhões de 2ª a 6ª feira, das 5h às 9h e das 17h às 22h, e aos sábados, das 10h às 14h (exceto feriados)

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Motoristasquetransportam combustível interromperam o abastecimento da cidade de São Paulo ontem em protesto à restrição de caminhões na marginal Tietê e em outras 27 vias. As multas para quem circular nos horários proibidos começaram a ser aplicadas ontem pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Se a paralisação continuar por “tempo indeterminado”, como prometem os caminhoneiros, poderá faltar combustível nos postos a partir de amanhã, dizem empresários do setor ouvidos pela Folha. Nenhum posto que pediu combustível o recebeu ontem. Caminhões não podem circular na via entre as 5h e as 9h e das 17h às 22h, sob pena de pagar multa de R$ 85,13 e receber quatro pontos na carteira de habilitação. Os VUCs, caminhões de carga menor, estão liberados para rodar. A CET mobilizou 142 dos 2.400 marronzinhos que trabalham na cidade para fiscalizar o cumprimento da regra.

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de são paulo

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RESTRIÇÃO A CAMINHÕES Veículos estão sujeitos a multa desde ontem em nova área proibida

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Manifestantes dizem que fornecimento ficará cortado por prazo indeterminado; há risco de estoques acabarem

meçou a remanejar o abastecimento. Alguns ônibus vão para Santos, por exemplo, para reabastecimento. A paralisação de ontem tem articulação do sindicato dos transportadores autônomos, que responde por 90% das entregas feitas na capital. Segundo o presidente da entidade, Norival de Almeida Silva, 100% da entrega foi paralisada. A reivindicação é o fim da restrição na marginal.

1

Segundas-feiras de março de 2011 Ontem (já com a restrição) Às 8h

25 km

Às 9h

23,7 km

-31%

17,1 km

-13%

20,6 km

NEGOCIAÇÃO

A Secretaria Municipal de Transportes diz que fez uma série de reuniões com o setor para chegar à definição desse período, que originalmente seria três horas maior. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) admite renegociar a restrição (leia texto ao lado). O presidente do sindicato das empresas de transporte de carga, Francisco Pelucio, diz que o frete deve aumentar em 20% — valor, diz, a ser repassado para os consumidores. (CRISTINA MORENO DE CAS-

TRO E EDUARDO GERAQUE)

Número de caminhões*** 27.fev 5.mar Marginal Tietê sentido Ayrton Senna 1.153 408 sentido Castello Branco 680 168 Av. do Estado sentido Ipiranga 159 74 sentido Parque D.Pedro 48 15 * Veículo Urbano de Carga ** Três pistas da marginal Tietê nos dois sentidos, Ayrton Senna/Castelo Branco e Castelo Branco/Ayrton Senna) ***Contagem feita pela reportagem durante 40 min em cada via Fonte: CET

Trânsito melhorou em relação a Kassab diz que segundas-feiras de 2011, diz CET pode renegociar de são paulo do “aGora”

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) informou que estudo comparando a lentidão na marginal Tietê ontem com os congestionamentos no mesmo horário nas segundas de março de 2011 indica tendência de melhora no período da restrição. O órgão espera ter um ganho de até 20% na velocidade média dos veículos na via, que hoje é de 29,8 km/h. Às 7h a melhora chegou a 62%: 5 km de lentidão ontem contra 13,3 km na máxima das segundas-feiras de março. A partir das 11h, quando os caminhões podem circular, houve piora de até 98%. Houve um acidente envolvendo um caminhão e uma moto —o motociclista morreu. Circulam diariamente na marginal 350 mil veículos,

sendo 75 mil caminhões. Das 8h às 9h, o trânsito era intenso, com pontos parados em diversos trechos nas pistas expressa e local. Para percorrer os 5,4 km da ponte da Casa Verde à do Piqueri, a Folha levou 23 minutos. Comparando com a segunda-feira da semana passada, houve piora de 100% na pista expressa às 8h e de 36% às 9h. No pico da tarde, no entanto, houve melhora. A avenida do Estado também estava travada —com restrição e sem restrição. JáasavenidasAnhaiaMello e Salim Farah Maluf (zona leste), também percorridas, estavam fluindo bem —geralmente elas ficam congestionadas nos horários de pico. Apesar de ter havido redução significativa do número de caminhões nas vias restritas, muitos ainda desrespeitaram a norma.

termos da regra do “aGora”

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) sinalizou ontem que pode ceder à pressão dos caminhoneiros e voltar a negociar com a categoria. “Caso haja necessidade de aperfeiçoar o decreto, vamos aperfeiçoar, isso não diminui em nada a administração”, disse. Ele salientou conhecer o impacto da medida ao trabalho dos caminhoneiros. Kassab também disse que é normal a “desorganização” nos primeiros dias, pois é um período de transição e os profissionais esquecem da proibição. Antes de a nova regra entrar em vigor, a prefeitura chegou a reduzir o período de restrição.


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Segunda-Feira, 3 de OutubrO de 2011

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Fotos Alessandro Shinoda-29.set.2011/Folhapress

C6 cotidiano

Placas e vasos de plantas, de cobre e de bronze, são furtados no cemitério da Consolação; autônomos que trabalham lá estimam em mais de 300 as peças roubadas só mês passado

Cemitérioda Consolação temondade furtosapeças Alvos são objetos de bronze, como placas Cristina moreno de Castro de São pAulo

Quadra 54, sepultura 17, cemitério da Consolação: montinhos de areia indicam o lugar em que estavam até quarta-feira passada dois vasos de bronze de 40 kg. A poucos passos, no túmulo da família Margutti, um buraco marca a ausência do portão, furtado de quarta para quinta. Atrás, a planta jogada ao chão denuncia outro vaso levado na mesma noite. Apesar de comuns há pelo menos um ano, os furtos de portões, vasos, jardineiras, placas, alças e até bustos do único cemitério municipal tombado na cidade aumentaram no mês de setembro. A informação é de funcionários autônomos contratados pelas famílias para fazer a manutenção diária dos jazigos. Oito deles falaram em furtos de mais de 300 peças só no mês passado. Não há números oficiais. “Está fora de controle, desta magnitude nunca vi”, diz Fernando Pinheiro, 34, que limpa túmulos há dez anos. Os furtos ocorrem inclusive à luz do dia. A última prisão em flagrante foi na manhã de quinta-feira —dia em que sete vasos amanheceram encostados no muro de uma rua próxima ao cemitério. Segundo um sepultador, há poucos dias um carro encostou na rua da Consolação, às 18h, e dois homens passaram vasos por cima do muro. Três pontos do arame farpado estão amassados, mostrando os lugares mais usados como passagem. Na madrugada de quarta, levaram o letreiro da família Mesquita Campos, que custou R$ 350 a Sidney Campos, 59. Só sobrou pedra. “Logo vai ter que ter um guia turístico para mostrar o que foi roubado”, ele ironiza. No mercado de ferro velho, uma peça de bronze é vendida por cerca de R$ 5 o quilo. De cobre, sobe para R$ 9. Assim, portões de bronze que pesam em torno de 35 kg rendem R$ 175, pagos à vista, no comércio de metais. segurança

Não é difícil entrar pela porta da frente e se esconder no cemitério: a área tem 76,3 mil m² e 8.200 túmulos. Na última quinta, em duas horas de passeio, a Folha não viu nenhum guarda no cemitério. Também não há câmeras no local —promessa da prefeitura desde 2008. A prefeitura diz que o Serviço Funerário vem intensificando a segurança em todos os cemitérios, com apoio da Guarda Civil, e que houve nove prisões em flagrante neste ano na Consolação. Afirma também que famílias pagam pela concessão do terreno (R$ 3.173/m²) e devem custear a conservação e a segurança, isentando o Serviço Funerário de “quaisquer responsabilidades administrativa, civil e criminal” no caso de furtos desses materiais. Vídeo mostra a onda de furtos no cemitério folha.com/no983895


EF Sexta-Feira, 16 De Março De 2012

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ciência

Militar morto na antártida é enterrado na Bahia folha.com/ciencia

Morre César Ades, mestre da mente animal Psicólogo de formação, cientista da USP foi um dos fundadores do estudo do comportamento de animais no país

divulgação

Cientista ajudou a unir biologia evolutiva com a pesquisa sobre a complexidade da mente; ele tinha 69 anos

O etólogo César Ades, morto anteontem em São Paulo

reinAldO jOSé lOPeS

editor de “ciência e saúde”

CriStinA mOrenO de CAStrO

de são paulo

César Ades, um dos fundadores do estudo do comportamento animal no Brasil, morreu anteontem no Hospital das Clínicas de São Paulo, após sofrer traumatismo craniano causado por um atropelamento. Ele tinha 69 anos. Ades, professor do Instituto de Psicologia da USP, estava internado havia seis dias. Ele fazia caminhada quando foi atingido por um carro, na av. Brigadeiro Luís Antônio. Foi levado, sem documentos, para o hospital. A família só conseguiu localizá-lo no dia seguinte. Para ex-alunos e colegas, o pesquisador foi um homem intelectualmente versátil, um acadêmico que transitava entre os mais diferentes campos do conhecimento. Formado em psicologia, Ades tornou-se etólogo (dáse o nome de etologia à pesquisa sobre o comportamento dos animais). Interessavase por filosofia, arte e ética, mas as várias linhas de pesquisa que abraçou tinham um objetivo em comum: entender a mente, tanto a humana quanto a animal, sob a perspectiva da teoria da evolução. “Ele teve enorme sucesso em aproximar a psicologia da biologia”, afirma Elisabeth Spinelli de Oliveira, pesquisadora da USP de Ribeirão Preto e presidente da Sociedade Brasileira de Etologia, que Ades ajudou a fundar. Wagner Ferreira dos Santos, também da USP de Ribeirão e vice-presidente da sociedade, enumera as várias criaturas cujo comportamento foi alvo do interesse de Ades: preás, porquinhos-daíndia, primatas brasileiros (muriquis e bugios), cães, lobos-guarás —e gente. alexandria

As aranhas, no entanto, foram as primeiras a capturar a curiosidade científica de Ades, conforme ele contou em entrevista à revista “Scientiae Studia” no ano passado. “Com 13 anos de idade, em um jardim de Alexandria [no Egito, onde nasceu], eu ia vendo como uma aranha caçava os insetos que eu depo-

sitava na teia e como se livrava de folhas ou gravetos”, disse então o cientista. Décadas depois, ele escreveria suas teses de doutorado (em 1973) e livre-docência (em 1991) sobre o comportamento e a capacidade de aprendizado da aranha Argiope argentata, mostrando que havia flexibilidade, além de instinto “cego”, guiando as caçadas do aracnídeo. Ele e seus colegas também descobririam sinais de complexidade simbólica nos chamados emitidos pelos muriquis, grandes macacos da mata atlântica. Ex-alunos recordam a dedicação do antigo professor. “Ele era muito generoso, muito próximo dos alunos, aberto para conversar”, afirmou o psicólogo André Meller, que foi orientado por César Ades durante sua iniciação científica na faculdade, em 1992, numa pesquisa sobre a percepção que as pessoas tinham sobre a inteligência dos animais. De origem judaica, Ades chegou ao Brasil aos 15 anos e se formou na USP em 1965. Até fevereiro, foi diretor do Instituto de Estudos Avançados da universidade. Divorciado, o etólogo deixa duas filhas. Foi enterrado ontem, às 15h, no Cemitério Israelita do Embu.

POR DENTRO DA MENTE ANIMAL Os muitos interesses de Cesar Ades SÍMBOLOS A capacidade de cães se comunicarem com humanos usando um teclado com sinais arbitrários

VOZES As vocalizações emitidas por espécies de primatas brasileiros, como os muriquis e bugios

PLANOS Como aranhas aprendem a arquitetar suas teias misturando instinto e experiência

SELEÇÃO A importância da teoria da evolução de Darwin para entender a mente humana

Culpa é de neurotransmissor semelhante a outro que também existe no ser humano riCArdO BOnAlUme netO

Ela não quis transar com você? Encha a cara! Esse é o curioso recado que as moscas de frutas deram agora para os humanos —embora não seja algo propriamente novo entre o Homo sapiens. Mas, além de uma curiosidade científica, é algo que poderá ajudar no tratamento de problemas como alcoolismo, vício em drogas e obesidade. Pesquisadores demonstraram que machos de moscas do gênero Drosophila que eram impedidos de fazer se-

xo comiam mais comida “temperada” com álcool. Já machos que tinham sexo à vontade mostravam pouco interesse em ficar “calibrados”. Sexo, álcool e drogas são formas de “recompensa” para o cérebro. Na falta de um, o outro pode ser uma consolação, segundo o estudo publicado na revista “Science”. Mas que mecanismo bioquímico poderia estar por trás disso? A equipe, que teve como principal autora a pesquisadora Galit Shohat-Ophir, da Universidade da Califórnia, foi atrás de potenciais moléculas envolvidas, e des-

sidarta ribeiro neurocientista do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

ele ia na contramão do que a gente vê em parte da ciência moderna, esse excesso de pragmatismo, de preocupação com financiadores elisabeth spinelli de oliveira pesquisadora da USP de Ribeirão Preto e presidente da Sociedade Brasileira de Etologia

ele poderia ficar conosco por mais décadas, trazendo conhecimento e alegria dora fix ventura vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Moscas sem sexo buscam consolo no álcool de são paulo

era um cientista superrigoroso e dulcíssimo. em duas semanas ele viria aqui, no instituto do Cérebro, para uma banca de concurso. estou arrasado

cobriu que o “culpado” era o neurotransmissor chamado NPF (neuropeptídeo F). Moscas macho que faziam sexo consumiam menos álcool e tinham maiores níveis de NPF. Moscas sem sexo consumiam mais álcool e tinham menores níveis de NPF. Os humanos têm uma molécula semelhante, NPY (neuropeptídeo Y), também vinculada a questões de vício em drogas, álcool e prazer em geral criado por interações sociais ligadas à recompensa. “Em mamíferos, incluindo seres humanos, o NPY pode ter um papel semelhante. Se

for o caso, seria possível argumentar que a ativação do sistema de NPY poderia reverter os efeitos nocivos de experiências traumáticas e estressantes, que frequentemente levam ao abuso de drogas”, disse Shohat-Ophir. “Humanizar” os resultados da pesquisa é algo difícil de colocar de lado, diz o autor de um comentário sobre a pesquisa publicado na mesma edição da “Science”, Troy Zars, da Universidade de Missouri. “Mas sua relevância para o comportamento humano obviamente ainda não está estabelecida”, conclui.

c SAiBA mAiS Visão de Darwin sobre emoções inspirou cientista do editor de “ciência e saúde”

Um dos livros de cabeceira de César Ades era “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”, estudo do fundador da biologia evolutiva, o britânico Charles Darwin, publicado em 1872. Em um dos primeiros livros ricamente ilustrados com fotografias da história, Darwin usava todo tipo de expressão facial para demonstrar a universalidade e o caráter inato de grande parte das emoções humanas, bem como seu elo com as dos animais. Ades era entusiasta dessa abordagem, apostando na união da psicologia com a teoria da evolução para explicar como as emoções —e as outras características da mente humana— surgiram como estratégias adaptativas, ou seja, como estratégias que ajudam a sobreviver e ter sucesso reprodutivo. (rjl)

nA FAPeSP

Encontro discute conhecimento científico no jornalismo do Brasil de SãO PAUlO - A Fapesp (Fun-

dação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) debate o papel da sistematização do conhecimento e da prática do jornalismo no Brasil no dia 22, a partir das 9h. O seminário “Conhecimento científico do jornalismo no Brasil: a contribuição de Alberto Dines” comemora o octogésimo aniversário do jornalista e aproveita para refletir sobre essas questões. Ao longo de sua carreira, Dines contribuiu intensamente para as discussões sobre a prática do jornalismo no Brasil, sendo responsável por intro-

duzir no país a comparação sistemática de produtos jornalísticos para obter algum tipo de conhecimento universal, bem como a crítica da mídia. Entre os palestrantes convidados estão Celso Lafer, José Marques de Melo, Caio Túlio Costa e Eugênio Bucci, além do próprio Dines. A programação completa e a ficha de inscrição estão no site da Fapesp (http://fapesp.br/6845).


Parte 1 - portfólio de Cristina Moreno de Castro