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As sobrancelhas dele juntaram-se, os olhos estreitaram-se e soltaram um fogo azul, mas quando ele falou sua voz soava calma e pausada: —Na outra noite você me pareceu consciente de que eu… que as coisas entre nós não eram… o que você espera de um noivo. Sherry assentiu com um leve e majestoso aceno de cabeça que indicava superficial interesse. —Há uma explicação para isso— continuou Stephen, desconcertado pela atitude dela. Deu-lhe então a única razão que lhe parecera lógica e aceitável entre as muitas que pensara. —Brigamos na última vez que nos vimos. Enquanto você esteve doente, esqueci da briga, mas quando se recuperou, na outra noite, descobri que aquilo ainda continuava na minha cabeça. Foi por isso que me mostrei… —Frio e distante? —ajudou-o ela, mais com surpresa e dor na voz do que com raiva. —Exatamente —assentiu Stephen. Ela sentou-se, e o conde descontraiu-se, aliviado por aquele duelo e as mentiras terem terminado. Mas seu alívio durou pouco. —Por que brigamos? —voltou a inquirir Sheridan. Ele devia saber que uma rebelde americana de cabelos ruivos, com uma disposição imprevisível, sem respeito algum por títulos nobres ou etiqueta no vestir, insistiria em prolongar o embate, em vez de aceitar seu pedido de desculpas e deixar o assunto esfriar, bem-educadamente. —Brigamos por causa do seu gênio —respondeu, procurando manter-se calmo. —Meu gênio? —Os olhos cinzentos mergulharam nos dele. —O que há de errado com ele? —Eu o acho muito… briguento. —Ah, sei. Stephen quase podia ouvi-la pensar que ele era muito mesquinho, uma vez que continuava alimentando uma briga apesar do acidente que ela sofrera. Ela olhou para as próprias mãos, unidas no colo, como se de repente não conseguisse mais encará-lo, e depois perguntou, em tom desapontado e hesitante:

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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