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Que tipo de pessoa era ela, pensou, se ficara noiva de um homem que tivera a coragem de dizer o que o conde dissera? Que tipo de pessoa era ele? Seu estômago se retorceu quando se lembrou da frieza com que ele a fitara enquanto dava sua opinião sobre o amor. Como seria seu próprio modo de pensar, uma vez que aceitara casar-se com alguém como ele? Por que tinha ficado noiva desse homem?, perguntou-se, amarga. Mas já desconfiava da resposta: residia na sensação arrebatadora que tinha quando ele lhe sorria. Só que ele não estava sorrindo ao sair. Aborrecera-se porque ela falara em amor. Quando voltasse a vê-la, na manhã seguinte, trataria de pedir desculpas a ele. Ou quem sabe era melhor deixar aquilo passar e simplesmente procurar ser uma companhia divertida e alegre? Erguendo as cobertas, deitou-se e puxou-as até o queixo. De olhos muito abertos, com a garganta doendo pelo pranto contido, ficou olhando para o dossel. Não ia chorar, disse a si mesma. Não devia ter acontecido nada de irreparável no relacionamento deles, essa noite. Estavam comprometidos, afinal. Certamente o conde passaria por cima daquele pequeno desentendimento causado por pontos de vista diferentes. Então, lembrou-se que lhe perguntara se ele tinha coração. Aí, o bolo que lhe comprimia a garganta ficou do tamanho de um punho. No dia seguinte tudo lhe pareceria melhor, prometeu-se. Sentia-se muito fraca e cansada por ter tomado banho sozinha, além de se vestir e lavar o cabelo. No dia seguinte ele viria vê-la e tudo estaria bem outra vez.

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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