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Ela assentiu, e ele virou-lhe as costas para sair. —Muito obrigada —murmurou ela. Ele voltou-se, surpreso: —Por quê? Os cândidos olhos de Sheridan fitaram os dele, perscrutadores, indagadores, e ele teve a estranha impressão de que, com o tempo, ela conseguiria enxergar dentro de sua alma. Ficou evidente que ainda não o conseguia, porque um cálido sorriso entreabriu seus lábios macios: —Por ter ficado comigo a noite inteira. A gratidão que iluminava os magníficos olhos cinzentos fê-lo sentir-se ainda mais culpado, mais desgostoso por aquela farsa, que a fazia pensar que ele era um galante cavaleiro branco, em vez do negro vilão que de fato era. Inclinando a cabeça em um arremedo brincalhão de reverência, Stephen deu-lhe um sorriso e um deliberado indício de seu verdadeiro caráter: —Esta é a primeira vez que uma mulher linda me agradece por eu ter passado a noite com ela. Ela ficou confusa, em vez de chocada, mas isso não diminuiu a sensação de alívio de Stephen. Ele não fizera essa subentendida ”confissão” sobre sua verdadeira natureza porque precisasse ou quisesse absolvição, nem porque quisesse ser castigado. O que mais lhe importava no momento era que conseguira ser honesto com ela por um momento, e isso o redimia um pouco aos próprios olhos. Enquanto percorria o longo corredor em direção ao seu quarto, o conde sentiu-se exultante por algo que iria durar algumas semanas, ou meses. Charise Lancaster estava a caminho da recuperação, tinha absoluta certeza disso. Ia ficar boa, portanto ele podia avisar o pai dela do acidente e ao mesmo tempo tranquilizá-lo, garantindo que a jovem ia sarar. Porém, antes de mais nada, precisava localizá-lo. Mas essa tarefa e o envio da carta seriam confiados a Matthew Bennett e seus funcionários.

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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