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—Acho que os turbantes são muito práticos. Dispensam o uso de pentes e escovas… —Isso mesmo— assentiu Stephen, maravilhado com a firmeza e a coragem que se escondiam sob a beleza daquela moça. Sentia-se tão grato por ela estar falando e tão tocado por sua atitude que lhe pareceu perfeitamente natural e certo cobrir-lhe a mão com a sua, fitar diretamente os fascinantes olhos prateados e perguntar, com ternura: —Dói muito? Como está se sentindo? —Tenho um pouco de dor de cabeça, só isso— admitiu ela, sorrindo, como se tudo fosse absolutamente natural. —Não se aflija pensando que me sinto tão mal quanto minha aparência é ruim. A voz dela era suave, doce, e no entanto sua expressão era franca, aberta. Pouco antes ela revelara uma ansiedade bem feminina a respeito de sua aparência, mas agora aceitava tranquilamente que ela não devia estar muito boa e brincava com isso. Esse modo de agir dava a Stephen a clara impressão de que fingir era algo desconhecido para aquela moça, e que ela era admiravelmente única nesse ponto, e com certeza em muitos outros também, o que a tornava adorável. Assim que fez essa constatação, ele saltou para outra, que acabou com toda a sua alegria e o fez largar a mão dela, num gesto rápido. Não havia nada de natural ou certo no que ele estava fazendo e no que pensava a respeito dela. Não era noivo dessa moça, como a deixara acreditar; era o homem responsável pela morte do noivo dela. Um pouco de decência, respeito humano pelo homem que ele matara e simples bom gosto, tudo isso enfim exigia que ele mantivesse distância dela, física e mentalmente. Era o último homem no mundo que tinha direito de tocá-la ou de pensar nela de qualquer maneira pessoal. Esperando encerrar aquele episódio do melhor modo possível, ergueu-se e movimentou os ombros doloridos, procurando livrar-se da tensão. Voltando ao último comentário dela sobre a própria aparência, declarou: —Na verdade, se eu tivesse que descrevê-la neste momento, diria que você parece uma múmia muito elegante. Ela riu, mas estava cansada. Notando isso, ele disse: —Vou pedir a uma criada que lhe traga o café da manhã. Prometa-me que vai comer.

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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