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conseguiu. Depois de três dias sem dormir, forçou-se a abrir os olhos o suficiente para ver, por entre os cílios, o que fizera sua mão adormecer. Em vez de ver um garfo enterrado na mão, como imaginara, viu uma mulher deitada na cama, diante dele. Já que essa situação não era estranha o suficiente para tirá-lo do confuso estupor do sono, simplesmente tentou libertar a mão de novo para voltar a dormir, mas, dada a gentileza para com o sexo frágil com que fora educado, esforçou-se para fazer uma bem-educada pergunta sobre o problema dela, já com os olhos se fechando e mergulhando de novo no sono: —O que foi? A voz da mulher soou alarmada: —Eu não sei como sou! Stephen conhecera muitas mulheres obcecadas pela própria aparência, mas a preocupação desta, num quarto penumbroso no meio da noite, beirava o ridículo. Isso posto, não se sentiu obrigado a abrir os olhos quando ela lhe apertou mais a mão e perguntou, implorando: —Como eu sou? —Maravilhosa —respondeu o conde, sem expressão. Seu corpo todo doía porque, percebeu confusamente, ela estava na cama, mas ele não. Começou a pensar em reunir forças para pedir-lhe que lhe desse um espaço quando percebeu que alguém chorava. Voltou a cabeça em direção àquele som inconfundível, imaginando, irritado, o que teria feito para ela chorar, e resolveu que mandaria Wheaton levar-lhe um presentinho qualquer um broche de rubi ou algo parecido. Na maior parte dos casos, era o desejo de ter uma jóia que fazia as mulheres derramarem sentidas lágrimas. Mesmo dormindo ele sabia disso. O choro tornou-se um soluço angustiado, acompanhado por tremores e uma respiração ansiosa, sem ritmo. Fosse o que fosse que estava provocando aquela aflição, era mais do que simples zanga pela falta de elogio a um vestido novo ou à desistência de ir ao teatro. Aquela aflição merecia um colar de diamantes! Soluços convulsivos fizeram o corpo dela estremecer inteiro sob as cobertas. E um bracelete combinando. Exausto mental e fisicamente, ele tentou aprofundar-se mais no sono, procurando esquecer-se de tudo, mas algo que ela repetia sem cessar não o deixava dormir.

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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