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adamascada verde-escura e verdeclara ficavam de frente uma para a outra, diante da lareira, com uma mesinha baixa, oval, no meio. A atenção de Sheridan voltou-se para a cabeça de cabelos escuros que repousava perto de seu quadril, e ela sentiu-se reanimada. Tinha muita sorte, pois seu noivo não só era um lindo homem, como também parecia ser muito rico. Uma vez que ficara com ela a noite inteira, dormindo naquela desconfortável posição sem largar-lhe a mão, devia amá-la de verdade. Era evidente que a tinha cortejado e pedido em casamento. Fechou os olhos procurando algum sinal da presença dele em seu passado, mas não havia nada, a não ser um vazio negro. Mulher nenhuma esqueceria se fosse cortejada e amada por um homem como esse, era impossível. Ia lembrar-se disso a cada minuto, prometeu a si mesma, lutando contra uma onda de pânico tão violenta que lhe provocou náuseas. Na sua cabeça soavam palavras que com certeza ele lhe dissera: ”Quer dar-me a honra de se tornar minha esposa, Miss…?” Miss o quê? Miss O QUÊ? Calma!, exigiu Sheridan de si mesma, desesperada. Pense em outras coisas… nas coisas lindas que ele deve ter dito. Sem perceber que passara a respirar pesadamente e fechara a mão com tanta força que enterrava as unhas na palma, ela tentava pensar, lembrar-se dos dois juntos em algum momento. Ele a teria tratado com a cortesia própria de um pretendente. Deveria ter-lhe levado flores e dito que ela era inteligente, encantadora e linda. Sim, porque só sendo inteligente, encantadora e linda poderia conquistar o coração de um homem daqueles… Tentou pensar algo inteligente, mas seu cérebro ficou em branco. Tentou pensar numa frase encantadora, e seu cérebro continuou em branco. Procurando manter a calma, quis lembrar-se de seu rosto. Seu rosto… Não tinha rosto. NÃO TINHA ROSTO! Algum instinto ou traço latente de seu caráter lutava por mantê-la calma, mas o terror a sacudia por dentro. Não se lembrava de seu nome. Não conseguia lembrar-se de seu nome. NÃO conseguia LEMBRAR-SE DE SEU PRÓPRIO ROSTO! De repente, ainda dormindo, Stephen percebeu que algo apertava fortemente seus dedos a ponto de cortar a circulação. Quis libertar a mão do desconfortável aperto, mas não

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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