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calmo. —Bom golpe, Cornelia —disse, em voz baixa. —Está falando exatamente como deve falar a altiva filha mais velha do Squire Faraday. Eu tinha esquecido como você era, mas você não esqueceu.— Os últimos sinais da raiva que ele sentira sumiram-lhe do semblante enquanto olhava ao redor. Sacudiu a cabeça, com um sorriso triste. —Não importa que você viva em uma casa que é menor do que o hall de entrada da mansão Faraday, que ganhe para viver ensinando boas maneiras para as filhas de outras pessoas… continua a ser a filha do Squire Faraday, orgulhosa e altaneira como sempre. —Então, talvez você pelo menos lembre— falou tia Cornelia, em tom baixo, mas decidida— que a mãe de Sheridan era minha única irmã. E posso afirmar com certeza, Patrick, que se ela estivesse viva ficaria horrorizada ao ver a criatura… ridícula que você fez de Sheridan. Não— corrigiu-se em seguida, com autoridade, —ela ficaria envergonhada da filha. Do outro lado da porta, Sherry, alarmada, sentiu seu corpo enrijecer. Envergonhada dela? Nunca. Sua mãe jamais se envergonharia dela, porque a amava. Visões da mãe no tempo em que moravam na fazenda passaram-lhe pela mente. Mamãe servindo o jantar, usando um vestido simples mas elegante, avental imaculadamente limpo, os cabelos recolhidos num enorme coque, na nuca… mamãe escovando os longos cabelos de Sheridan até que eles cintilassem… mamãe fazendo um ”vestido especial” para Sheridan com um corte de algodão e rendas que alguém lhe dera. Com a imagem da mãe de avental engomado e cabelos bem penteados ainda na mente, Sheridan abriu os braços e olhou-se. Calçava botas de menino porque não gostava de lidar com cordões, e as botas estavam gastas, empoeiradas. A calça de couro tinha uma porção de manchas, sem falar na parte do traseiro, que estava fininha a ponto de rasgar; na cintura, tinha o cinto que Cão que Dorme havia feito para ela, que servia para segurar a calça e ao mesmo tempo manter a blusa fechada. Envergonhada… Sem pensar, foi para o banheiro e olhou-se no pequeno espelho da tia, para examinar o rosto e o cabelo. A imagem que viu a fez recuar, chocada; parou, piscou os olhos e sacudiu a cabeça, a fim de expulsar aquela visão. Por momentos ficou paralisada, completamente perdida, sem saber o que fazer; depois ergueu as mãos e tentou pentear com os dedos a

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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