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simplesmente mobiliado com uma cama, uma cadeira, uma pequena penteadeira com a bacia e o jarro e um pequeno armário, mas era um luxo diante do quarto que ocupava no sótão da casa que os Skeffington tinham alugado em Londres. Melhor ainda, a mansão dos Claymore era tão vasta que ela poderia evitar com certa facilidade os proprietários e a família deles. Num esforço para se manter ocupada, sem pensar, lavou as mãos e o rosto, ajeitou suas poucas roupas no armário e foi para o quarto dos meninos. Havia duas outras governantas acomodadas no fim do corredor, e quando Sherry levou seus garotos para a sala de brinquedos, elas também foram, cada qual com um menininho de cerca de quatro anos. Depois de amáveis apresentações, as duas governantas fizeram os pequenos Skeffington interessarem-se em brincar com os delas, e Sheridan viu-se do modo que menos queria: com o tempo nas mãos. Ouvindo a barulheira que as quatro crianças faziam brincando, ela andou pela sala enorme, passou por uma grande mesa coberta por exércitos de soldadinhos de chumbo e foi pegar dois livros que estavam no chão, perto da estante. Colocou-os numa das prateleiras e, num gesto distraído, pegou um caderno de desenho que estava deitado sobre uns livros. Abriu-o… e seu coração falhou. Sob um desenho infantil, que parecia ser de um cavalo pastando num campo ou bebendo água num lago, havia um nome, escrito com caligrafia insegura e desajeitada: STEPHEN WESTMORELAND. Fechou o caderno de imediato e recolocou-o no lugar, mas suas defesas sofreram outro choque, dessa vez mais forte ainda: poucos metros adiante, acima de uma pequena mesa, havia um quadro que mostrava um menino com um braço passado pelo pescoço de um cavalo e um amplo sorriso no rosto. Era evidente que o quadro havia sido pintado por um amador com talento, e o sorriso do menino de cabelos escuros era travesso, meigo e irresistível; sem dúvida, o sorriso de Stephen. — Creio que vou brincar também disse, — virando as costas para o quadro. — O que vocês estão jogando? Thomas Skeffington, o menino mais velho, de sete anos, que estava se tornando obeso, respondeu: — Já tem jogadores demais, Miss Bromleigh. Quem vencer vai ganhar um doce, e se você jogar pode ganhar… mas o doce é meu!

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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