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CAPÍTULO 5 No café da manhã seguinte, Patrick viu-se diante de uma índia linda, de tranças, com o mesmo tipo de tira de cabeça e cinto enfeitados por contas que Cão que Dorme usava. Levou instantes para descobrir que aquela índia fora feita por ele mesmo. Depois de rápidas negociações, Cão que Dorme juntou-se definitivamente a eles, com a obrigação de produzir cintos, tiras e braceletes para Patrick vender durante a viagem. Com a permissão de seu ”sócio”, Sheridan deu o nome de Corre Ligeiro para o cavalo malhado, e nos dias seguintes montou-o o tempo todo. Enquanto seu pai e Cão que Dorme viajavam dignamente acomodados no carroção, ela galopava à frente, depois voltava para trás deles, inclinada sobre o pescoço do cavalo, com os cabelos ao vento, misturados à crina negra, e o som de suas risadas se espalhava sob o céu azul. No dia em que perdeu completamente o medo de disparar a galope, orgulhosa, perguntou a Cão que Dorme se já cavalgava como um rapaz índio. Ele a fitou como se essa possibilidade fosse absurda, ou melhor, impossível, e jogou no meio da estrada o miolo da maçã que acabara de comer. —Pode Sábia Sempre pegar isso quando passar cavalgando? indagou, apontando o miolo da maçã. —Claro que não —declarou ela, sem jeito. —Rapaz índio faz. Nos três anos seguintes Sherry aprendeu essa façanha e muitas outras e algumas delas provocavam advertências preocupadas de seu pai. Cão que Dorme aprovava cada sucesso dela com um resmungo, sempre seguido de um novo desafio, que parecia impossível, mas algum tempo depois Sherry já o vencia. As economias deles aumentaram muito com a venda do intrincado e bonito artesanato do velho índio, e passaram a comer bem melhor com o resultado das caçadas dele e de sua habilidade na pesca. Se as pessoas os consideravam um estranho trio o velho índio, a menina de calças compridas de couro de veado, que cavalgava em pêlo fazendo acrobacias incríveis a galope, e o amável irlandês de fala macia, que jogava regularmente mas com cautela, Sherry não o notou. Na verdade, ela achava que as pessoas que viviam amontoadas em cidades como Baltimore, Augusta e Charlotte é que levavam uma vida estranha, comparada com a deles. Não se importava que

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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