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fosse real: — Acho que gosto — respondeu, hesitante.— Quer dizer, sinto-me ansiosa e contente, o que deve ser um bom sinal. Os olhos azuis de Stephen sorriam ao encontrar os dela, mas, enquanto falava, Sheridan viu-os ficarem sérios e descerem até seus lábios, demorando-se neles, percorrendo-os. Aquilo era um beijo, compreendeu ela. Era um beijo, e Stephen percebeu que Sherry sabia disso, que sentia o beijo. Sem que ela percebesse o que fazia, sua mão moveu-se e procurou a dele, como no dia em que ela recuperara a consciência. Era um movimento tímido, que poderia ter passado despercebido, principalmente porque o lorde não a olhava, ocupado em cumprimentar amigos que tinham parado à entrada do camarote. No entanto, enquanto Sherry voltava a cabeça para cumprimentá-los também, a mão dele foi ao encontro da dela. Um arrepio percorreu a espinha de Sherry quando o polegar dele lhe tocou a palma da mão e deslizou por ela. Era outro beijo, compreendeu, perdendo o fôlego. Dessa vez um beijo lento, longo, profundo. Com o coração aos saltos, ela abaixou o olhar para a mão dele, grande, bem-feita, parcialmente coberta pelo leque aberto em seu colo, enquanto sentia o corpo derreter-se ao toque de Stephen. Lá embaixo, na plateia, e acima, na galeria, os espectadores menos ricos agitavam-se, barulhentos e curiosos, observando abertamente os ocupantes dos camarotes; Sherry procurava parecer tranquila e casual, enquanto o simples toque na palma macia de sua mão continuava a perturbá-la. Quando o movimento do dedo dele parou e seu coração voltou ao normal, ela achou que era uma loucura ser tão suscetível ao que com certeza era um gesto natural por parte dele. Meio por curiosidade, meio por travessura, resolveu fazer uma experiência. Stephen conversava com o irmão; ela deslizou o polegar pelas juntas dos dedos dele, concentrandose mais nisso do que na conversa. Pôde verificar que o efeito era notável. Ele abriu a mão, e por instantes Sheridan pensou que fosse retirá-la. Como a deixasse em seu colo, mas virando a palma para cima, ela percorreu cada dedo dele com os seus, desde a ponta até o centro da palma, enquanto Stephen continuava conversando com Clayton. Uma vez que ele parecia nada perceber e muito menos se opor, a seguir Sherry percorreu cada linha da palma da mão dele com a ponta da unha de seu indicador. Eu te amo, pensou emocionada,

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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