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banho no pequeno Jamie. Lembrara-se do jeito como Jamie ficava sentadinho na água, gritando suas palavras ininteligíveis, rindo, feliz, batendo as rechonchudas mãozinhas na água. Mamãe adorava cantar; ensinava canções inglesas para Sheridan, e as duas cantavam juntas, enquanto trabalhavam. Às vezes ela parava de cantar e ficava ouvindo Sheridan, com a cabeça meio inclinada e um estranho e orgulhoso sorriso iluminando-lhe o rosto. E muitas vezes abraçava a filha com força, dizendo algo maravilhoso como: Sua voz é muito doce e muito especial… exatamente como você. As lembranças desses dias idílicos faziam doer os olhos de Sheridan, enquanto permanecia ajoelhada junto do riacho. As palavras da canção favorita da mãe soavam em sua mente, junto com a visão dela sorrindo, primeiro para Jamie, que ria e espirrava água, depois para ela, que também estava toda molhada. Cante para nós ela diria. Cante para nós, meu anjo… Como se tivesse voltado àquele dia, Sheridan tentara atender ao pedido, mas sua voz se quebrara, e as lágrimas haviam inundado seus olhos. Com as costas das mãos, enxugara as lágrimas e percebera que a camisa de seu pai estava sendo levada pelo riacho, já fora de seu alcance. Fora então que ela perdera a batalha, deixando de se mostrar eficiente e crescida. Dobrando os joelhos junto ao peito, escondera o rostinho no avental que fora da mãe e chorara, de profunda tristeza e terror. Entre as flores campestres do verão e o odor de mato, ela balançava-se para diante e para trás, chorando alto, chorando muito, até que suas palavras se tornaram um rouco e soluçante cântico. Tenho saudade de você, mamãe dizia, entre soluços. Tenho saudade, muita saudade de você. Tenho saudade de Jamie. Por favor, volte para papai e para mim… Por favor, volte, volte… Ah, por favor… Não posso continuar sozinha, mamãe. Não posso, não posso… A litania de dor fora interrompida de repente pela voz de seu pai não a voz esquisita, sem vida e terrivelmente desconhecida que ele tinha há meses, mas sua velha voz, naquele momento alterada pela tristeza e pelo amor. Agachando-se ao lado dela, tomara-a nos braços:— Eu também não posso continuar sozinho —dissera ele, apertando-a fortemente contra o peito. —Mas acho que juntos vamos conseguir, meu bem. Mais tarde, depois que o choro dela cessara, ele perguntara: —O que você acha de ir embora daqui, de viajar, só nós dois? Cada dia será uma aventura. Eu costumava ter muitas aventuras. Foi assim que encontrei sua mãe… Eu estava

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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