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obrigavam a reavaliar os costumes que até então achara naturais e corretos. De acordo com o Gazette —informou-o Sherry, rindo, enquanto os criados colocavam em seu prato um suculento pedaço de pato, —o vestido com que a condessa de Evandale se apresentou na corte era embelezado por três mil pérolas. Você acha que o número de pérolas era esse mesmo? —Tenho absoluta confiança na integridade jornalística do repórter social do Gazette — brincou Stephen. —Se isso for verdade —comentou ela, com um sorriso esperto, tenho que imaginar que eram pérolas muito pequeninas ou que essa lady é uma mulher muito forte. —Por quê? —Porque se as pérolas eram grandes e ela não, e deve ter sido necessário um guindaste para erguê-la depois que ela se ajoelhou diante do rei. Stephen ainda ria, imaginando a fria, magnífica e rotunda condessa sendo guinchada da frente do trono, enquanto Sheridan passava de repente do frívolo para o sério. Apoiando o queixo sobre os dedos entrelaçados de ambas as mãos, ela fitou-o do outro lado da grande mesa de jantar e perguntou: —Em abril, quando todas as pessoas importantes se reúnem em Londres para a temporada, que dura até junho, o que fazem com as crianças? —Elas ficam no campo, com suas babás, governantas e tutores. —E acontece a mesma coisa no outono, durante a pequena temporada? —O conde assentiu; ela inclinou um pouquinho a cabeça e disse, com ar sério: —As crianças inglesas devem sentir muita solidão durante esses longos meses. —Mas elas não ficam sozinhas— afirmou ele, paciente. —Solidão nada tem a ver com ficar só, seja para crianças ou adultos. Stephen sentiu-se tão desesperado para evitar um assunto que, temia, iria levar diretamente para uma impossível discussão sobre os filhos deles que não percebeu que sua voz gelava e que sua pergunta parecia um dardo lançado contra ela: —Está falando por experiência própria? —Eu… eu não sei —hesitou Sheridan.

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Até Você Chegar - Judith McNaught  

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