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#15 – ANO 8 SETEMBRO DE 2017

u cheguei lá. E “lá” não significa que cheguei no fim, “lá” é onde eu quero estar agora. Confesso q u e nem sempre é possível escolher. As dificuldades, muitas vezes, querem decidir por você. Mas se manter firme é o que te faz dono de si. E eu sou o meu dono. 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0

Sou livre. Disso não abro mão. Liberdade não é algo que alguém vai te dar. Ela é uma conquista. E de todas as minhas, essa é a maior. É ela que me faz tentar, insistir e conseguir. Se não conseguir? Tudo bem. Não é uma derrota que me

MODA AUTORAL Ensaio exclusivo com looks que valorizam o conceito do handmade nordestino

faz perdedor. Na verdade, eu me sinto um vencedor. E você sabe muito bem quem eu sou. Eu sou você.

ARTE

Rua Maria Tomásia, 545 - Aldeota | 85 3099.0124

9 771518 223083

00015

Nº 15 – ANO 8 SETEMBRO DE 2017

Suas conquistas te trouxeram aqui.

Exposição reúne obras do pintor, desenhista e gravurista cearense Antonio Bandeira

R$ 14,00

ENTREVISTA

Sucesso nos palcos e na tevê, Wellington Muniz, o Ceará, fala sobre humor, família e carreira


Em atenção à Lei Federal nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), esclarecemos que as imagens deste impresso são meramente ilustrativas. Todos os itens e especificações estão contidos 0800 570 de 0800 / www.ce.sebrae.com.br no memorial descritivo de incorporação. Empreendimentos Juridicamente Perfeitos. WSTC SOHO: Registro Incorporação R.02/86027 1ª Zona. Cosmopolitan: Registro de Incorporação R.02/78551 1ª Zona. Parc Victoria: Registro de Incorporação R.03/81278 1ª Zona.


Em atenção à Lei Federal nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), esclarecemos que as imagens deste impresso são meramente ilustrativas. Todos os itens e especificações estão contidos no memorial descritivo de incorporação. Empreendimentos Juridicamente Perfeitos. WSTC SOHO: Registro de Incorporação R.02/86027 1ª Zona. Cosmopolitan: Registro de Incorporação R.02/78551 1ª Zona. Parc Victoria: Registro de Incorporação R.03/81278 1ª Zona.


NESTA EDIÇÃO N°15 16. BASKET BAGS Bolsas de palha ganham novas conceituações e invadem os espaços urbanos com a proposta do handmade

32. UNIFOR Exposição "Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida" reúne obras do pintor e desenhista cearense

40. TATTOO

54. ENTREVISTA

Traços autorais fazem parte do rico repertório de jovens mulheres que se dedicam à arte da tatuagem

24. MEMÓRIA Edificações de Fortaleza guardam histórias que ficaram restritas ao passado da cidade

Wellington Muniz, o Ceará, fala com exclusividade sobre os caminhos que o levaram ao sucesso nacional

48. FOTOGRAFIA Projeto do Museu da Fotografia oferece oficinas a grupos de jovens e crianças em comunidades de Fortaleza

GENTE INDICA. p 10 — MERCADO DE LUXO. p 92 — OMAR DE ALBUQUERQUE. p 104 — TECNOLOGIA. p 114 — POMPEU VASCONCELOS. p 124

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SETEMBRO – 2017 64. MODA

132. GASTRONOMIA

O senso estético do homem moderno se revela no estilo dândi, que busca o incomum sem cair no exagero

Chefs cearenses preparam um rico banquete regional com frutos do mar típicos do nosso litoral

84. MAKE

140. TURISMO

Na maquiagem, a tendência é o mix de cores em tons vibrantes e toques divertidos, referenciados nos anos 1980

96. CARROS Pequenos no tamanho e gigantes em praticidade, os Minis se destacam no mercado com versões luxuosas

Localizada no Sul de Portugal, a região do Algarve surpreende pelas belas paisagens e a riqueza cultural

118. CAPA Digital influencer, Paulinha Sampaio mostra a diversidade criativa da moda autoral exibida durante o DFB 2017

BELEZA. p 80 — MEU LUXO. p 112 — SERVIÇO. p 152 — PERCEPÇÕES. p 154

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15ª EDIÇÃO – SETEMBRO DE 2017

Revista Gente é uma publicação do JORNAL DIÁRIO DO NORDESTE diariodonordeste.com.br

EDITORA VERDES MARES LTDA. Praça da Imprensa Chanceler Edson Queiroz, S/N Bairro Dionísio Torres Fortaleza, CE - CEP 60135-690 C.G.C.07.209.299/0001-38 DIRETOR SUPERINTENDENTE: Pádua Lopes DIRETOR EDITOR: Ildefonso Rodrigues GERENTE GERAL DE COMERCIALIZAÇÃO: Rafael Rodrigues COORDENAÇÃO EDITORIAL: Ildefonso Rodrigues EDIÇÃO: Marlyana Lima SUBEDIÇÃO: Carol Kossling PRODUÇÃO: Larissa Freire PROJETO GRÁFICO E DESIGN: Felipe Goes - Carta&Carta TEXTOS: Anchieta Dantas Jr., André Marinho, Carol Kossling, Gabriela Dourado, José Augusto Lopes, Karine Zaranza, Marlyana Lima, Naiana Rodrigues FOTOGRAFIAS: Fabiane de Paula ILUSTRAÇÕES: Lincoln Souza EDITORIAL DE MODA: Márcia Travessoni TRATAMENTO E FINALIZAÇÃO DE IMAGENS: Edilberto Rodrigues REVISÃO: Vânia Monte Gerente de Noticiário e Suplementos Editoriais: Lívia Medeiros Gerente de Projetos e Eventos: Pollyana Brandão PLANEJAMENTO DE VENDAS: Adriano Mollik IMPRESSÃO: Tecnograf

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EDITORIAL

PLURALIDADE CULTURAL DÁ NOVO SENTIDO AO LUXO Ceará. O nome do Estado também é codinome de nosso entrevistado, o ator e humorista Wellington Muniz. A feliz coincidência acontece quando entregamos ao público a nossa 15ª edição. A Revista Gente chega à importante marca comemorando uma sólida relação com as raízes cearenses, sem perder a sintonia com as tendências internacionais. A pluralidade mais uma vez se materializa em nosso conteúdo. A arte, no entanto, é que abre o caminho da leitura tendo como ponto de partida a genialidade do pintor, desenhista e gravador fortalezense Antonio Bandeira, cujas obras, celebradas mundialmente, estão expostas no Espaço Cultural Unifor. O compromisso com o resgate da memória cearense também está presente, dessa vez abrangendo espaços arquitetônicos que testemunharam importantes momentos de nossa história. Seguindo adiante, mergulhamos no mundo do design a partir do olhar sensível de mulheres artistas cujos traços autorais se materializam em tatuagens. Também abrimos espaço para as formas trançadas em palha. Do artesanato, o material conhecido dos nordestinos foi catapultado ao milionário mundo da moda com as chamadas basket bags, bolsas sociais femininas vistas nas passarelas internacionais em desfiles de respeitadas grifes e maisons. Ainda em meio ao universo fashion, editorial exclusivo de moda masculina mostra como os homens estão mesclando o clássico e o despojado sem perder o bom gosto. Novos "dândi" que expressam no vestir a sua maneira de ver o mundo. Para completar, uma explosão de cores encontra lugar em nosso editorial de beleza inspirado nos 80's. E por falar em novidades, a revista traz uma seleção de produtos que são destaques no setor automotivo, de decoração, tecnologia e do mercado de luxo. De Portugal, mais precisamente da região do Algarve, vem a matéria-prima para as páginas de turismo. Conferimos de perto os roteiros que encantam milhões de visitantes. As dicas são imperdíveis, assim como a leitura da revista que preparamos especialmente para você, leitor. Está feito o convite.

NOSSA CAPA: PAULINHA SAMPAIO EXIBE VESTIDO PRODUZIDO EM DENIM, DO ESTILISTA ANDRÉ SAMPAIO, NOS BASTIDORES DO DRAGÃO FASHION BRASIL — FOTO: NICOLAS GONDIM

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A GENTE INDICA

arte moda cultura estilo

MELHOR DE LONDRES ♦ CLÁUDIO SILVEIRA, IDEALIZADOR DO DFB

“Meu local preferido é Londres. Especialmente Shoreditch, espaço que todos os modernos conhecem. Tem lojas em contêineres, marcas sustentáveis, lojas lounge com café e livrarias e barbearias. É o melhor lugar do mundo para pesquisar” CATEGORIA

Turismo

ONDE Londres - Inglaterra INFORMAÇÕES visitlondon.com

RETRATO DO NAZISMO ♦ INDICAÇÃO VALTER COSTA LIMA, ARQUITETO

“Minha indicação é o Museu Judaico de Berlim, cujo novo prédio é projeto do arquiteto Daniel Libeskind, filho de sobreviventes do Holocausto. Programa imperdível, pois dá para vivenciar, por meio da arquitetura, um pouco do horror vivido pelos judeus”

CANTANDO NA CHUVA A peça busca ser fiel ao longa, com a estética dos anos 20, e recria a emblemática cena na qual o ator Gene Kelly sapateia na chuva. CATEGORIA Musical ONDE São Paulo QUANDO até 26 de novembro SITE teatrosantander.com.br

CATEGORIA Cinema estreia mundial QUANDO 14 de dezembro SITE br.starwars.com

Turismo BERLIM - Alemanha jmberlin.de

ONDE

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Star Wars: Os Últimos Jedi é o oitavo episódio da franquia espacial que leva agora a assinatura da Disney e Lucasfilm.

ONDE

CATEGORIA

SITE

CLÁSSICO DA TELONA

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A GENTE INDICA

arte moda cultura estilo

NOVOS RECORDES A 46ª edição do GP Brasil de F1 traz novidades, entre elas um amplo paddock cobrindo toda a extensão dos boxes. Esporte São Paulo QUANDO 10 a 12 de novembro SITE gpbrasil.com.br CATEGORIA ONDE

SUNSET INCRÍVEL ♦ RODRIGO FROTA, EMPRESÁRIO

“Ibiza não oferece só baladas. O lugar tem desde restaurantes renomados a beach clubs. Um dos melhores locais para ver o pôr do sol, com direito a experiência sensorial incrível, é o Sunset Ashram. Por lá, há comidas mediterrânea e hindu, além de sushi"

FEMINILIDADE

20 ANOS

Em Amaluna, o Cirque du Soleil convida o público a visitar uma misteriosa ilha governada por deusas e guiada pelos ciclos da lua.

Bienal da Dança do Ceará apresenta bailarinos da Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Congo, Espanha, França e Suécia.

CATEGORIA

Espetáculo São Paulo QUANDO até 17 de dezembro SITE cirquedusoleil.com

CATEGORIA

ONDE

ONDE

Turismo Espanha turismoibiza.com

CATEGORIA ONDE SITE

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Dança Ceará QUANDO outubro SITE bienaldedanca.com


Ministério da Cultura e Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, apresentam a exposição

Espaço Cultural Unifor Até 10 de dezembro de 2017 Visitação: terça a sexta, 9h às 19h; sábados e domingos, 10h às 18h Curadoria: Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud Av. Washington Soares, 1321 Campus da Universidade de Fortaleza 85 3477.3319

Patrocínio

Apoio

Produção executiva

Entrada gratuita Estacionamento no local www.unifor.br

Realização

Detalhe: Antonio Bandeira | Favelas em azul, 1953 | óleo sobre tela | Foto: Ares Soares | Coleção particular Fortaleza


A GENTE INDICA

arte moda cultura estilo

DO POP AO BLUES O cantor e compositor John Mayer, vencedor de sete Grammy Awards, volta ao Brasil com a turnê Search for Everything World Tour.

THRILLER SUECO NA TELONA

Música SP/MG/PR/RS/RJ QUANDO outubro SITE johnmayer.com CATEGORIA ONDE

♦ AILTON MONTEIRO, CRÍTICO DE CINEMA

“Boneco de Neve, com direção do sueco Tomas Alfredson, conta a história de um serial killer que mata mulheres e as coloca em bonecos de neve. A história parece simples, mas o trailer vende bem o filme, com várias cenas aterrorizantes. Indico"

HOMENAGEM Relato revelador e intimista sobre uma figura fascinante da MPB, Belchior, sob o olhar do jornalista Jotabê Medeiros.

NOVOS BAIANOS Livros ONDE Brasil SITE todavialivros.com.br CATEGORIA

Cinema estreia nacional QUANDO 2 de novembro SITE universalpictures.com

A turnê reúne Moraes Moreira, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão em única sessão. Show Fortaleza QUANDO 21 de outubro SITE bilheteriavirtual.com

O QUE

CATEGORIA

ONDE

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basket bags

A bolsa do momento é versátil e sustentável. Trançada em fibras naturais, com uma pegada do feito à mão, as basket bags prometem ultrapassar a efemeridade de tendências fashion

MODA DE texto Karine Zaranza fotos Fabiane de Paula produção Larissa Freire

AGRADECIMENTOS Alix Brand Full Vinyl Stylist Lugage Marcos Marla Iury Costa Modelo Viori Anastácia Duarte Schutz Make Florinda Celso Férrer

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As basket bags não se restringem à praia. Agora elas invadem espaços urbanos exibindo designs modernos como o modelo Didi Caracas

FIBRA

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m dos ícones da moda, a atriz e cantora inglesa Jane Birkin, já popularizou o uso de bolsas de palha nos anos 1970. A célebre história de como surgiu uma das mais famosas it-bags da Hermès, a que leva o nome de Birkin, teria começado quando objetos que a atriz carregava em sua “cestinha de piquenique” caíram próximos a Jean-Louis Dumas-Hermès, dono da marca à época. O fato é que, quase 40 anos depois, o acessório feito de palha ou vime se tornou febre, conquistando marcas internacionais, como Chanel, Balenciaga, Mark Cross, Prada e Cult Gaia, e invadiu os ambientes mais urbanos. A volta da palha nos acessórios e o “boom” das basket bags, nome fashionista para a bolsa-cesta, vêm numa proposta de valorização dos produtos orgânicos e feitos à mão. Além da versatilidade e conforto, os consumidores também buscam sustentabilidade em suas compras. Usam peças únicas, sendo ou não de grandes marcas, mas que carregam no artesanal a etiqueta de exclusividade. No Brasil, grifes como a Catarina Mina, que desde 2005 aposta na força do artesanal com linhas de bolsas em crochês, resolveu se abrir também para outras tipologias. E a palha foi a escolhida para uma coleção-cápsula em parceria com a Neon, marca de Dudu Bertholini e Rita Comparato, que mesclou o crochê e estamparia. Desde 2016, quando as seis criações chegaram ao público, nacional e internacional, a aceitação foi imediata.

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basket bags

“O Dudu Bertholini é uma pessoa maravilhosa. Junto com a Verônica (artesã da equipe criativa) nós criamos os modelos a seis mãos, além daquelas das artesãs da FIA, que compartilharam com a gente as técnicas e cuidados com a palha. O resultado foi bem bacana, generoso, com uma mistura de cores especial, ponto forte tanto da Catarina Mina como da Neon”, explica a designer Celina Hissa, responsável pela marca cearense. Ela acredita tanto no poder da palha que aposta: o material vai ultrapassar essa temporada. “A moda dá voltas e ela gira, gira e volta (risos). O retorno das basket bags é algo que acompanha o retorno do rústico, da palha, da valorização do feito à mão. Tendência que vem forte há várias estações”, completa a designer que mergulhou nessa matéria-prima quando realizou oficinas com r pos de artes s de obral e distritos próximos para o FIA, um proeto de financiamento coletivo ma das tipologias que mais trabalhamos foi a palha. Conheci o grupo, aprimoramos técnicas. Durante a coleção da Neon, lançamos as bolsas que além do trabalho de macramê com cordas incluíram também o crochê. Foi muito bacana”. Aliar essa técnica herdada dos índios brasileiros a um design com assinatura

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respeitada e o trunfo de usabilidades diversas, como as bolsas que viram cestas (feitas pelo coletivo de artesãs de Sobral), é uma forma de garantir uma longevidade ao produto. Ultrapassar a febre e se tornar uma peça afetiva. Com essa certeza, a estilista cearense Diana Caracas deu uma guinada na vida. Depois de mais de uma década de experiência em desenvolvimento de acess rios para marcas locais no fim de 2016, resolveu apostar em modelos para sua grife, a Didi Caracas. No portfólio, vários formatos, desde as mais tradicionais aos modelos a tiracolo coloridos, ideais para uma balada jovem. Os preços partem de R$ 150 e chegam a R$ 195. Diana, que trabalha com dois artesãos para trançar suas criações, confessa e vem tendo dific ldade para atender a uma demanda crescente. O produto feito à mão tem esse charme: o de brincar com o tempo apressado do fast-fashion. Na Catarina Mina, apesar de um grupo de 35 crocheteiras e 20 artesãs que trabalham com a palha, uma coleção não demora menos que três meses para ser desenvolvida. Diana também vai se acostumando com esse tempo. Ela é responsável, além da criação, pela venda, customização das

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peças, divulgação e promoção. É preciso ainda pesquisar, testar e misturar cores e materiais. “Comecei com bolsas mais comuns, tipo baú. Mas fui pensando em outros designs, incrementando com torçais, couro, madeira, búzios. Tento fugir do que se vende costumeiramente nos mercados”, explica ela. Apesar das pesquisas, Didi Caracas apresenta muito mais o gosto pessoal de sua criadora que tendências internacionais. Nesse sentido, a estilista segue respeitando suas crenças. “Penso numa bolsa que vai da praia para a balada. Acho que ela nunca vai morrer. Temos uma identidade de praia e isso é mais forte que modinhas”, defende. Na Central de Artesanato do Ceará (Ceart) houve uma renovação. Por meio de capacitações regulares, artesãos vêm recriando peças com criatividade. De acordo com a estilista da entidade, Angélica Freitas, a inovação está em técnicas, cores e formatos novos. Sem parar no tempo, os artes os conse em vencer o desafio trazer o novo e manter a tradição. “Eles têm que fazer um produto que mantenha uma identidade cultural e ao mesmo tempo que seja novidade, que as pessoas queiram comprar. E isso não é fácil. Fazer o novo com uma identidade cultural é mais difícil”, pondera.

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1 — Em tamanhos menores, ideais para baladas, as bolsas Didi Caracas carregam cores fortes e enfeites como torçais e madeira 2 — A Catarina Mina misturou seu tradicional trabalho em crochê à palha, no modelo em formato de cesto 3 — Na Ceart, diversidade não falta. Com cores, formatos e matérias-primas diferentes, as bolsas são de vários artesãos cearenses 4 — O resultado da parceria entre a Neon e a Catarina Mina foi uma coleção-cápsula de bolsas que mistura palha, estamparia forte e crochê

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basket bags Por meio de formações com designers, artesãos cearenses desenvolvem modelos de bolsas que misturam texturas e cores

Garantir que essa identidade seja mantida mesmo em meio a tantas demandas por novidades é quase um mantra entoado pelos técnicos da Central de Artesanato. Uma forma de conseguir isso se deu através do desenvolvimento, pelo Governo do Estado, da Certificação da Autenticidade dos Produtos Artesanais e de Reconhecimento das Obras de Arte Popular Cearenses (Selo Ceart). Criado em 2016, é um sistema de certifica o e recon ece as obras de arte popular, a partir da observação dos requisitos que garantem autenticidade, especialmente sua identidade cultural e excelência. O produto é avaliado por profissionais e recebe ma nota e o coloca em uma das três categorias estabelecidas pela Ceart. O artesão também recebe o feedback para que haja uma evolução. “O benefício do selo é a melhora na qualidade do produto do artesão. É um processo também pedagógico”, explica a coordenadora do Programa de Desenvolvimento do Artesanato do Estado, Amanaci Diógenes. Atualmente, existem mais de tr s mil prod tos certificados Como uma de nossas vocações, o tranado das fibras an a ainda mais variedade com a riqueza de materiais existentes no Estado. Angélica Feitosa aponta como um dos diferenciais cearense o trabalho cuidadoso com a palha da carnaúba, principalmente em regiões do Jaguaribe, Acaraú e Cariri, mas também com o uso de o tras fibras como a taboa cip cro e as palhas de milho e bananeira. A primeira-dama do Estado, Onélia Leite, destaca os esforços que garantem um programa de capacitação que traga inovação com designers contratados para ministrar os cursos. Dessa forma, o artesanato cearense vem ganhando não somente o Brasil, como também está retomando

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basket bags

seu lugar no mercado internacional. Se a moda é a bolsa de palha, então, mais do que nunca, o Ceará está em alta!

Mulheres de fibra

Em Aracati, no município de Cabreiro, uma comunidade inteira sobrevive do que a palha dá. Bolsas, chapéus, itens de decoração e até mobiliário entram no "catalogo". O of cio vai passando de m e para fil a e anhando, com as novas gerações de artesãs, uma pegada mais arrojada e inventiva. São cores, misturas de tipologias e de matérias-primas, novos formatos e até mesmo usos v o fa endo brotar dessas fibras dese os de consumidores de todo o Brasil. A presidente da Associação dos Moradores da Comunidade do Serrote e Adjacências, Maria Helena Monteiro, conta que atualmente são mais de 105 artistas da palha integrando esse coletivo. “Desde que eu nasci, comecei a me criar na pa-

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“Desde que eu nasci, comecei a me criar na palha. As crianças, desde os cinco anos, já começam a trançar. E isso vai passando de mãe para filho” MARIA HELENA MONTEIRO, ARTESÃ

lha. As crianças, desde os cinco anos, já começam a trançar. E isso vai passando de m e para fil o conta ela e divide com a fil a o of cio do al se or l a Somente para a Ceart, todos os meses, são aproximadamente oito mil produtos confeccionados, fora outros compradores interessados na produção. Entre os itens, o mais pedido é, sem dúvida, a bolsa. Ela diz que é de praia, mas “a meninada usa também na rua”. As encomendas chegam pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Não existe fronteira para as criações desses artesãos. Também não se tem limite para sonhar.

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Um dos polos tradicionais, que trabalha a tipologia da palha no Ceará, fica em Aracati. Em Cabreiro, 105 artesãos sobrevivem das bolsas


história

O que hoje é cenário de dignas edificações em Fortaleza foram no passado importantes palcos de acontecimentos históricos soterrados pelo manto da invisibilidade urbana

texto José Augusto Lopes ilustrações Lincoln Souza

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mbora a at al ima em de certos lo rado ros e edifica es fortalezenses se revista de dignidade, ou abrigue uma missão de utilidade pública, surgem indagações sobre o registro histórico de suas antigas e importantes funções na formação social e cultural de Fortaleza. Sede atual da Academia Cearense de Letras, os interiores do secular Palácio da Luz nem parecem haver sido palco de tensos e decisivos momentos da ist ria pol tica do ear edifica o original data do início do século XIX e contou, para sua modesta estrutura nos tempos coloniais, com os recursos da mão de obra indígena. Foi, de início, a residência do capitão-mor Antônio de Castro Viana. Ali funcionou, também, a Câmara Municipal, passando o prédio para o governo do Estado em 1847, quando era presidente da província Ignácio Correia de Vasconcellos. o princ pio a edifica o incl a em ane o o local onde hoje é a Praça do Rosário, cercado por uma muralha e funcionando para a população como uma espécie de passeio público. Era o chamado "Largo do Palácio", onde provincianos rapazes e mocin as se re niam para o p ritano e erc cio do erte distância, ainda na primeira metade do século XIX. Em paralelo, o Palácio da Luz vivenciou épocas nas quais os con itos pol ticos eram resolvidos na base da for a br ta o das armas. Assim foi na deposição do então presidente Clarindo de Queiroz pela Escola Militar, em 1892. Um tiro de canhão atingiu a estátua do General Tibúrcio, a qual, no entanto, caiu impavidamente de pé, reforçando o mito de que assim deve ser

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Atual sede da Academia Cearense de Letras, o edifício na Praça dos Leões já abrigou o Palácio da Luz

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história

A Praça da Lagoinha já abrigou um coreto e uma bela fonte, hoje abandonada ao esquecimento público

nos atentados contra símbolos de ombridade e bravura. A sede do governo também serviu de cenário à massiva intervenção popular quando foi deposto do poder, e posteriormente exilado do Ceará, o oligarca Nogueira Acioly. O nome Palácio da Luz decorreu de uma sugestão do jonal extremamente conservador e católico O Nordeste, que condenava ao fo o do inferno at mesmo os espectadores de filmes considerados "imorais". Isso não impediu a realização, no local, de ma festa pr carnavalesca oficial no ano de com toda a liberdade e descontração características dos bailes em homenagem ao Rei Momo. e tantas modifica es sofridas em s a ar itet ra o al cio da se en adra na classifica o de estilo brido mais radical das mudanças nele ocorrida foi a retirada de seus jardins para dar passagem à Rua Guilherme Rocha, muito movimentada por ve c los na poca a finalidade especificamente c lt ral da casa teve início com o funcionamento da Biblioteca Pública, quando a sede do governo se mudou para a Aldeota. Em seguida, foi a vez da Casa de Cultura Raimundo Cela, órgão de importante função no incremento às atividades artísticas no Ceará.

O que foi a Praça da Lagoinha, atualmente sobrevive apenas nas recordações de alguns poucos saudosistas, que entendem o valor da preservação da memória e das tradições, na consolidação da identidade de uma grande urbe como é a capital cearense. Ao contrário do clima democrático que um dia predominou na Lagoinha, como o local era carinhosamente chamado pelos fortalezenses, uma das mais fortes demonstrações de preconceito social caracterizou por décadas o belo Passeio Público, na realidade Praça dos Mártires, denominação derivada do fuzilamento naquele local, na terceira década do século XIX, dos heroicos idealistas participantes do movimento separatista Confederação do Equador, que uniu Estados do Nordeste em torno do propósito de criar, na região, um país independente do Brasil. O movimento foi sufocado e o imperador eliminou seus líderes com a pena de morte. Entre os cearenses executados, estavam o padre Gonçalo Mororó, Feliciano José da Silva Carapinima, Francisco Miguel Ibiapina e Pessoa Anta, hoje registrados historicamente apenas como nomes de ruas. Quando urbanizado, o local recebeu o nome de Praça dos Mártires, apresentando planos em três níveis, respectivamente destinados às classes rica, média e pobre. Em 1879, as duas praças mais baixas foram desativadas e aquela que guarda a feição atual viu-se também dividida em três setores, ainda segundo os rígidos ditames da exclusão social. s ricos ficaram com a alameda do lado da praia a classe média com o lado da Rua Dr. João Moreira, e aos pobres restou a parte do centro, ilhados sob a indiferença pedante dos setores que os cercavam. Coisas da Belle-Èpoque fortalezense, cujo espírito excludente ainda hoje subsiste. Um detalhe curioso sobre a memória do Passeio Público, onde atualmente se cultuam as feijoadas dos sábados no quios-

Romance inacabado

Quem agora teme passar à noite na Praça da Lagoinha, por causa da onda de perigos urbanos, nem imagina que aquele local já foi um ponto de encontros românticos para jovens namorados, ao som de retretas da Banda de Música da Polícia Militar, postada de forma imponente sobre um coreto em forma de harpa, demolido em uma das mais absurdas reformas já perpetradas contra um logradouro de Fortaleza. Sem falar na bela fonte de inspiração europeia que já peregrinou por vários outros locais da cidade e, literalmente, jaz inoperante na Praça Murilo Borges.

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URBANISMO. APÓS TANTAS

MODIFICAÇÕES, FORTALEZA PERDEU PARTE IMPORTANTE DO SEU PASSADO PARA OS AJUSTES FEITOS EM NOME DO PROGRESSO. PRAÇA DA LAGOINHA, PALÁCIO DA LUZ E CINE DIOGO EXEMPLIFICAM BEM A FALTA DE APREÇO PARA COM A HISTÓRIA

que central, as belas reproduções estatuárias da Antiguidade Clássica como fundo para fotos de moda e a solidez do secular baobá, aconteceu a primeira partida de futebol em Fortaleza, entre rapazes da sociedade local e ingleses residentes no Ceará, em time complementado por compatriotas britânicos da tripulação de um navio ancorado no porto. Na ocasião, o time cearense sofisticadamente denominado Foot-ball Club, perdeu pelo placar de 2 x 0.

por vezes motivos maliciosos para essa oculta ligação, boato posteriormente desmentido quando a bela Igreja da Sé foi demolida para dar lugar à construção da nova Catedral. Como costuma acontecer em Fortaleza, o Palácio do Bispo, tal como continuou a ser chamado pela população ao longo de décadas, foi alvo de várias reformas, inclusive quando passou para as mãos da Prefeitura em 1973. eli mente o im vel fi ra entre m dos menos descaracterizados arquitetonicamente da cidade, em contraste com tantas outras terríveis mutilações sofridas por importantes e seculares prédios citadinos. No caso do Paço Municipal, a mudança mais notória foi a observada em suas atividades internas, nas quais o sagrado dos rituais religiosos foi substituído pelo "profano" das funções b rocr ticas e administrativas sso no sentido fi rado sem nos atermos aos objetivos, muitos deles meritórios, de ambas as atividades.

Sagrado e profano

rante a fase imperial o com rcio de ortale a se intensifico bastante. A Igreja Católica, ainda vinculada ao Estado, ganhou do governo a imponente residência do comendador Joaquim Mendes Guimarães, pois o Ceará havia sido alçado à categoria de diocese em 1859 e precisava de um local condigno para instalar o Palácio do Bispo. Diziam as lendas urbanas da época que um túnel subterrâneo ligava o imóvel à antiga Catedral, apontando

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história Cine Diogo,um dos mais belos cinemas de rua da cidade foi transformado em shopping popular, no Centro da cidade

...E o vento levou

a produções mitológicas como ...E o Vento Levou e Casablanca, assim como o marco inicial de estilos marcantes a exemplo do neorrealismo italiano, por meio de obras-primas como Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini, e Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica. Sua sessão dominical das quatro horas da tarde, com seu público jovem e irreverente, tornou-se famosa e até chegou a ser tema de livro do brilhante escritor e jornalista Blanchard Girão. Por força da descaracterização do Centro de Fortaleza, que praticamente perdeu sua zona residencial, além do advento do v deo a proporcionar o conforto de ver filmes em casa e da migração dos espectadores para as modernas salas dos "shopping centers", com todo o aparato de conforto e segurança que elas oferecem, o Diogo fechou suas portas, como tantos outros cinemas de rua. Em seu lugar, funciona um "shopping" de características populares, em espaços que antes acolheram o esplendor de uma época, cuja lembrança parece ter sido levada pelas tempestades de areia dos filmes de o n ord na emba ada tela de uma memória hoje praticamente invisível.

Em termos estéticos, o mais sensível apagão de memória deu-se em relação ao monumental Cine Diogo, que transformou de forma notória a vida social, cultural e os próprios costumes dos fortalezenses. Enquanto grande parte do mundo padecia os desastrosos efeitos de a rados pela eclos o da e nda Guerra Mundial, a cidade ganhava de Luiz Severiano Ribeiro um cinema inspirado nas grandes salas exibidoras de Nova or com ma estoso balc o teto abobadado vasos de p rfiro e sala de espera em mármore de Carrara e com vidros bisotados. O edifício Diogo e seu cinema foram construídos segundo projeto do arquiteto Sebastião Fragelli, com decoração de Jacques Moroitz. Severiano Ribeiro adquiriu os direitos de explorar comercialmente o cine, inaugurado em 7 de setembro de 1940, com o musical norte-americano Balalaika. Com quase mil lugares, quase sempre lotados, o Diogo exigia o uso de paletó para homens, até a inauguração do Cine São Luiz, em 1958. Exibiu praticamente toda a evolução de uma fase mágica da história do cinema, desde os musicais multicoloridos

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exposição

DO HOMEM MITOLÓGICO AO ARTISTA REAL EXPOSIÇÃO EM CARTAZ NO ESPAÇO CULTURAL UNIFOR REÚNE 91 OBRAS DO CEARENSE ANTONIO BANDEIRA, PINTOR, DESENHISTA E GRAVADOR DO ABSTRATO E DA POESIA texto Naiana Rodrigues fotos Fabiane de Paula produção Larissa Freire

Sem título, 1957 Óleo sobre tela 100x80cm

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exposição A ida de Antonio Bandeira para Paris lhe rendeu mais do que títulos formais. Suas obras ganharam admiração no mundo inteiro e podem ser vistas na exposição do Espaço Cultural Unifor

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uem foi Antonio Bandeira? Os mais apressados dirão tratar-se de um renomado artista cearense. Os mais precisos far o men o ao abstracionismo ao rafismo e densidade de suas obras. Ele é tudo isso e mais um pouco que nem os historiadores da arte conseguiram decifrar. O homem Antonio Bandeira segue um mistério cujas pistas estão em seus trabalhos e nos relatos de amigos e contemporâneos guardados nos arquivos empoeirados da imprensa. Um desses guardiões de lembranças é o artista plástico cearense Zé Tarcísio. Ele acolhe na memória, no coração e em seu ateliê alguns desenhos de Antonio Bandeira, além de muitas histórias. Zé, aos 76 anos, relembra com nitidez a conviv ncia com o brasileiro de aint ermain como fico conhecido o amigo na imprensa especializada nacional durante sua primeira estadia na França, onde viveu de 1946 a 1950. “O lado humano dele era alegria e generosidade. Muito comunicativo, tinha sempre um sorriso aberto, mas não fazia o tipo cearense”, rememora Zé Tarcísio que teve em Bandeira o primeiro mentor artístico. O homem de fala rouca deu-lhe um consel o e o artista tem como filosofia de vida at o e ale pouco, escute mais e observe”. Mesmo praticando a escuta e a observação, Antonio Bandeira causou certo frisson na mídia e no circuito artístico por onde passou. Isso se deveu, talvez, ao fato de ele “ser um homem que vivia bem”, como recorda Zé Tarcísio. O lado bon vivant entrava em cena, principalmente, nos “famosos sábados” - conta Zé Tar-

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císio - realizados na cobertura da rua Bolívar, no Rio de Janeiro. O imóvel foi adquirido pelo abstracionista com a venda de obras para o acervo do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC). Assim, ele pode abrigar sua legião de amigos em tardes e noites de conversas, festejos e criação. “Ele me deu uma chance de participar desses encontros e lá conheci o mundo cultural do Rio”, explica o artista plástico. Por essas e outras, Bandeira despertou a atenção na cena artística da cidade do Cristo Redentor. “Ele cria uma persona e isso ajuda, mas também atrapalha. Ele criou um mito sobre si mesmo. Em Paris, falava-se mais dele do que de suas obras. No Rio de Janeiro, ele virou celebridade. Ninguém sabia o que ele fazia, mas falavam muito dele. Por isso essa persona se sobrepõe, às vezes, à qualidade do trabalho dele”, observa Giancarlo Hannud, um dos curadores da Exposição Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida, montada no Espaço Cultural Unifor, na Universidade de Fortaleza. A fama dele se acentuou no retorno da Europa, em 1959. Já instalado na Cidade Maravilhosa, o pintor participou de mostras coletivas e de individuais em espaços de grande prestígio da cidade fi rando constantemente nos ornais da poca m Fortaleza, não foi diferente. Quando voltou em 1961, expôs no MAUC, reunindo a elite da cidade e muitos curiosos que queriam ver o trabalho do notório conterrâneo, mesmo sem entendê-lo. Hannud é responsável pela pesquisa para a composição do catálogo raisoneé parcial de Antonio Bandeira, que será lançado

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1 — Homem de cavanhaque, 1944 - Aquarela sobre papel, 46x39cm 2 — Luares sobre a cidade negra, 1954 - Óleo sobre tela 3 — Unbouquetrouge, 1957 - Óleo sobre tela, 54x46cm 4 — Nordeste, 1942 - Óleo sobre tela, 78,1x58,3cm

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exposição ainda este ano pela Fundação Edson Queiroz. Composto de dois volumes de 500 páginas, o catálogo revisará a trajetória artística do cearense e trará vestígios desse mito que habitou o imaginário da arte brasileira na metade do século XX. “Ele enquanto homem não se abria, não se revelava, a gente não consegue entrar na fi ra mana pint ra revela essa personalidade que se fecha e não se abre”, analisa o curador.

Poesia visual

O que se sabe ao certo sobre Antonio Bandeira é que seu abstracionismo informal, lírico era um elogio à vida. Diferentemente dos geométricos ou de outros informais que se preocupavam em problematizar o fazer artístico, o cearense se negava ser representante de uma corrente, de um estilo, de uma escola estética. Não se arrogava títulos, nem teorizações. O autodidatismo é uma demonstração do apreço pela liberdade que guiou toda sua produção. “Ele nunca se prendeu a coisa nenhuma, sempre se permitiu experimentar. Esse abstrato amigo da vida vem daí, de que ele nunca deixou a vida de lado para entrar na teoria”, explica Giancarlo Hannud. As vivências de Antonio Bandeira na Europa, no Rio de Janeiro e em Fortaleza marcam sua obra assim como o relacionamento com outros artistas. “Ele não olha para dentro da pintura. Ele parte da realidade e, dessas imagens do mundo, cria a própria pintura. A singularidade é porque ele tem leveza, é poético, lírico mesmo afirma e ina ei eira de arros e tamb m assina a curadoria da exposição no Espaço Cultural Unifor. Esse paradoxo de um abstrato que se constrói pela realidade fica em relevo em m itas obras do cearense os trabal os c os temas evidentes são as cidades, ele expressa com maestria esse jogo entre real e imaginário. oda a s rie de cidades est definida por essa t cnica mental e emocional de mistura, que é transformação. Onde o observador comum esperava encontrar a forma convencional de edifícios, sinais de trânsito, postes, depara com a forma fascinante de

A catedral, 1952 Óleo sobre tela 65 x 162cm

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“Bandeira não olha para dentro da pintura. Ele parte da realidade e dessas imagens do mundo, cria a própria pintura. A singularidade de Bandeira é porque ele tem leveza, é poético, lírico mesmo.” REGINA TEIXEIRA DE BARROS, CURADORA

pequeninos pontos luminosos, azuis, vermelhos, pretos que concentram a palpitação, a vida, o sofrimento, as alegrias dos habitantes”, explica o próprio Bandeira, em excerto de texto disponível na exposição. Na obra intitulada Cidade, de 1951, as linhas e pinceladas formam uma metáfora do processo de urbanização moderno caracterizado pela confusão, pela densidade populacional, pela expansão desordenada. Apesar de a obra historicamente estar delineada por esse contexto, o que o autor quer de fato testar nessa e em outras produções que realiza em sequência é a leveza dos traços e da cor. E nessa experimentação que, como frisam os curadores, era racionalmente organizada, Antonio Bandeira profetiza a própria organização da vida na contemporaneidade, estabelecida com um emaranhado de redes e laços que unem pessoas e tecnologias em espaços físicos e virtuais. O abstracionismo do cearense mostra-se, assim, uma obra verdadeiramente aberta, pois permite que o apreciador atualize os si nificados das cria es de acordo com se repert rio ist rico e cultural. Mas sem perder de vista, claro, as particularidades e fi eram de andeira m artista t o est dado e enaltecido por gerações. “Ele sempre vai controlar o gesto. Sempre vai se concentrar na linha, na miniatura, por maior que o trabalho seja”, explica Giancarlo Hannud sobre a técnica do cearense. o fi rativo do in cio da carreira ainda aos anos ele se transforma rumo ao abstrato gestual, sempre recorrendo ao uso do grid (um eixo geométrico de linhas horizontais e verticais) para demarcar a área de trabalho, essa que é preenchida de forma a conduzir o olhar sempre para o centro. Essa estratégia proporciona uma imersão na imagem, fazendo o espectador se perder em um vórtice de sensações durante a fruição da exposição que traz quadros de diferentes fases da trajetória de Antonio Bandeira, agrupados por proximidade técnica e temática.

Sem título, 1957 Óleo sobre tela 162x97,3cm

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exposição

“A ele devo esse primeiro impulso na arte. Ele me orientou a procurar uma cidade grande, ir observar a vida lá e me mandou ouvir mais do que falar” ZÉ TARCÍSIO, ARTISTA PLÁSTICO

Encontro marcado

A estética de Antonio Bandeira dialogava com muitos contemporâneos do abstracionismo.Mas o homem conversava mesmo era com o conterrâneo Zé Tarcísio, um amigo fiel e admirador

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Os caminhos, ou melhor, as artes de Antonio Bandeira

Nas visitas ao ateliê, nas reuniões aos sábados, Zé

e Zé Tarcísio se encontraram nos idos de 1961, quan-

Tarcísio foi construindo sua estima por Bandeira. E

do o jovem Zé, no auge de seus 20 anos, conheceu o

este a retribuiu sendo deveras generoso, como em

maduro conterrâneo, na casa de seus 39. O encontro

um episódio em que levou seu séquito de amigos

parecia já estar predestinado, coisa da força do uni-

para apreciar as obras de Tarcísio, em uma de suas

verso, pois, a diferença entre eles só estava na idade

mostras coletivas no Rio. “Fiquei contente vendo ele

mesmo, as semelhanças eram bem maiores que as

chegar com aquele bando de gente”, conta.

quase duas décadas de separação etária.

Quando Antonio Bandeira retorna para Paris, ainda

O menino Zé cresceu brincando nos arredores e na

em 1961, Zé Tarcísio entra na Escola de Belas Artes do

própria fundição do pai de Bandeira. Ele conheceu

Rio de Janeiro, e assim como o indomável amigo que

primeiro a família do artista plástico para só depois

mal frequentou as aulas na Escola Nacional Superior

ser apresentado ao ilustre rebento da casa. Logo

de Belas Artes, em Paris, Zé também abandonou a

ganhou a atenção - e possivelmente o coração - do

academia. “Os professores me aconselharam a sair”,

homem Antonio Bandeira.

revela em tom de brincadeira. A liberdade criativa

“A ele devo esse primeiro impulso na arte. Ele me orientou a procurar uma cidade grande, ir observar

era um apreço dos dois artistas cearenses que assim seguiram suas trajetórias. Um aqui e outro lá.

a vida lá e me mandou ouvir mais do que falar”, conta

Mesmo distantes, ainda se falavam, nem que fosse

o artista como se estivesse se transportando para

por cartões-postais. E o encurtamento dessa amizade

aquele 1961, quando seguiu todos os conselhos e

ainda é lamento para Zé Tarcísio, que mantém a estima

foi-se embora para o Rio de Janeiro.

pelo homem Bandeira na memória e em sua arte.

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SUA MARCA. SEU MAIOR PATRIMร”NIO.

Rua Visconde de Mauรก, 2151 - Aldeota - CEP 60125-161 - Fortaleza - CE - Brasil (+55 85) 3261.6636 | 3062.2097 - escritorio@joseaurizbarreira.com.br www.joseaurizbarreira.com.br


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Mulheres cearenses trilham caminhos autorais no universo das tatuagens superando preconceitos estéticos e de gênero

( AS ) RISCADAS

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texto Naiana Rodrigues fotos Fabiane de Paula produção Larissa Freire Desenhos autorais fazem parte do rico repertório de tatuadoras cearenses, cujos estilos refletem seu modo de viver

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ada linha, torta ou reta, cada risco, pontilhado ou tracejado marcam na pele uma história visual que não pertence apenas ao corpo riscado, mas diz respeito a uma trajetória estética e política protagonizada, sobretudo, por jovens mulheres que escolheram a tat a em como profiss o e e press o Com stêncil e máquinas a postos, elas resistem à masculinização de uma área de trabalho e constroem uma nova narrativa no campo das artes plásticas, reproduzindo mais do que desenhos e sim dando forma a um movimento que considera a tatuagem como linguagem do contemporâneo. Amanda Roosevelt, Carol Telles, Raquel Gomes e Susanna Mota são algumas das intrépidas cearenses que trocaram o papel pela pele e hoje veem suas artes ganharem movimento e vivacidade nos corpos de clientes que também entendem a tatuagem como uma marca do tempo presente. Nada de old school, maori, realismo ou tribais, elas se distanciam dos estilos clássicos das tatuagens e investem todo o tempo e criatividade em desenhos autorais. Até dialogam com escolas como pontilhismo, geometria e aquarela, porém, a essas técnicas, acrescentam seus toques idiossincráticos que fazem de cada trabalho uma obra única e carregada de subjetividades, da artista e do cliente. Diferentemente da compra de um quadro ou de outra peça de arte, a aquisição de uma tatuagem é um processo dialógico e de coautoria. O cliente, que é o próprio suporte da obra, participa da criação. “Chamo as pessoas para conversar sobre a ideia da tatuagem. Podem ser conversas simples ou demoradas. Tem clientes que me contam histórias para eu criar baseada nisso. Tem gente que começa a contar a vida”, explica Raquel Gomes. Há ainda aqueles que encurtam o processo e se identificam primeira

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vista com as criações autorais, ressi nificando o desen o a partir de s as viv ncias o in cio e ficava muito apegada aos desenhos, ao que eles si nificavam para mim s pessoas achavam meus desenhos fofos, por exemplo, mas eu não os fazia para serem fofos”, revela Susanna Mota, a mais nova do quarteto a ingressar no mundo das tattoos, com apenas seis meses de trabalho. Aceitar que a arte ganha vida própria e sentidos diferentes nos corpos riscados o mais simples dos desafios a serem superados pelas tatuadoras. Em uma área historicamente dominada por homens, elas encontram nos preceitos feministas apoio para se afirmarem enquanto criadoras. “Eu odeio quando as pessoas perguntam se quem tatua é o meu namorado”, conta Amanda Roosevelt, a garota que um dia acreditou que precisava fazer "cara de má" para ser respeitada no meio. Hoje, feminina e feminista, lembra com bom humor desse período, mas também se recorda das inúmeras situações e histórias relatadas pelas clientes que sofreram violências de homens e encontraram nas simbologias das tatuagens um conforto para os traumas vividos. Cada tatuadora tem no mínimo uma história de preconceito para contar. Por essas e outras circunstâncias que Carol e Susanna se uniram e decidiram abrir um estúdio próprio para trabalharem com liberdade (tatuando apenas os desenhos autorais) e partilharem o espaço com outras mulheres tatuadoras, cis e transgênero. “Quando comecei a tatuar, era raro ver mulheres tatuadoras em estúdios. Todo estúdio hoje se não tem, era pra ter uma tatuadora”, enfatiza Carol.

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Aceitar que a arte ganha vida própria e sentidos diferentes nos corpos riscados é o mais simples dos desafios a serem superados pelas tatuadoras. Em uma área historicamente dominada por homens, elas encontram nos preceitos feministas apoio para se afirmarem enquanto criadoras

1 — Desenhos abstratos compõem o repertório autoral de Raquel Gomes, também muito procurada por conta de sua caligrafia 2 — Motivos da natureza compõem o acervo figurativo de Amanda Roosevelt, que usa técnicas de aquarela 3 — Susanna Mota flerta com o minimalismo e o fantástico em desenhos que a ela soam grotescos, mas nos quais é possível ver doçura

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ARTE

A POLÍTICA DA ARTE / Aos 25 anos, a

tranquila e conversadeira Raquel Gomes nem chegou a exercer a profiss o para a al tanto est do ireito e i as lin as erráticas traçadas pela vida e hoje encontrou se camin o riscando corpos do come o invol ntariamente talento para o desen o era latente desde a infância, mas foi uma linha desenhada no corpo do ex-namorado, também tatuador, que a fez perceber o potencial para a arte esta e ela carre ava no pr prio corpo m dia decidi e eria fa er mesmo i ma frase omecei com o tra o s pertremido Mas entre a primeira e a última palavra, mel orei o tra o lembra Há dois anos, ela vem melhorando, melhorando e melhorando a ponto de ter ma identidade criativa la erta com o pontilhismo, com o contraste entre linhas finas e rossas mas tem m apre o maior pelos trabalhos de teor mais abstratos, aqueles que começam e terminam com uma nica lin a o sei se o estilo est definido estou numa busca, já tenho uma identidade, mas contin o b scando pesar da proc ra por ma a todefini o est tica a el identificada pela leve a do tra o e pela cali rafia arcas estas e a levaram at o est dio adame attoo onde hoje trabalha e goza de certa liberdade para reali ar trabal os e se identificam n o apenas com seu estilo, mas também com sua pol tica or al mas ra es e dei o de tat ar ist rias de mac ismo omofobia e racismo me fa em declinar amb m n o tat o nomes de namorados os po cos vo conseguindo desenvolver estratégias para alin ar a pol tica e a arte conse i firmar mais essas posi es revela o rol das possibilidades a el fe parcerias com v rios il stradores da cidade tat ando se s desen os m processo em e respeito m ito a cria o da pessoa Respeito esse que se estende também para a cidade, cuja paisagem a inspira e envolve tanto que já transformou várias ve es o afeto por ortale a em risco

A formação em Direito rendeu a Raquel o necessário para seu engajamento político e a tatuagem lhe garantiu a expressão necessária para desaguar sentimentos e ideias

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“Foram uns seis meses aprendendo para começar, pois sempre achei muito importante um desenho meu ficar no corpo, na vida de uma pessoa para sempre”

SUSANNA MOTA

A MENINA DOS DESENHOS MELANCÓLICOS / Susanna Mota demorou para aceitar a tat a em no corpo e como op o profissional ormada em esi n de oda a artista n o ima inava chegar hoje, em pleno 2017, abrindo seu próprio estúdio. Aos 30 anos, fez sua primeira tattoo e aos 32 virou tatuadora. Vegana e feminista, Susanna vem imprimindo suas marcas nas peles alheias há apenas seis meses. A primeira pele a receber um desenho seu foi da irmã, a jornalista Marina Mota, que executou a tattoo com Ramon Cavalcante. Depois dela, muitas outras pessoas já exibem as criações de Susanna por aí. “Sofri pressão de muita gente para tatuar. Foram uns seis meses aprendendo para começar, pois sempre ac ei m ito importante m desen o me ficar no corpo na vida de ma pessoa para sempre pesar de ter procurado alguns estúdios para trabalhar, não obteve resposta. Ela acredita que a autoralidade de seus desenhos a afasta do que se espera de muitos tatuadores. De fato, as criações com uma pegada melancólica e um quê de realismo fantástico não são para qualquer um. ”São desenhos grotescos, que causam incômodo vermel o ma das po cas cores e aparecem nos trabal os de sanna as lin as pretas finas e até mesmo irregulares aproximam o estilo dela do minimalismo.

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A busca por liberdade levou Susanna Mota a abrir seu próprio espaço para tatuar. Além da autoralidade, ela opta por utilizar insumos veganos no ofício, sendo fiel ao seu estilo de vida


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DA ALMA PARA O CORPO / A leveza e doçura de Amanda Roosevelt em nada combinam com o estereótipo troo das tatuagens. Há três anos, ela se dedica exclusivamente a tatuar. Quando tudo começou, tinha apenas 19 anos e era uma estudante do Curso de Letras apaixonada por livros mas que viu no Design de Moda a possibilidade de dar vazão para a habilidade do desenho. a poca c e ava a ficar oito oras por dia desenhando e uma dessas criações conquistou o coração de uma amiga que pediu para tatuá-la. A originalidade e perfeição do traço chamaram a atenção de Jr Animal, tatuador conhecido na cidade. Ele convidou Amanda para aprender a tatuar e foi assim que ela obteve seu primeiro emprego com carteira assinada no estúdio Kaleidoscópio. Dentre as inúmeras possibilidades criativas, Amanda escolheu a aquarela. Os desenhos com cores esfumaçadas e aspectos etéreos são uma boa metáfora para o espírito da jovem curiosa e devota do sagrado feminino. “Entrei no grupo Mulheres da Lua, que trabalha com o feminino. A partir de então, meus desenhos ganharam personalidade e passaram a ter novos si nificados As simbologias femininas e que remetem à espiritualidade são tatuadas por Amanda também por meio do pontilhismo e do preto. Ela busca referências em livros sobre arte, natureza e também nas histórias de outras mulheres artistas. Apesar de não ter concluído o curso de graduação, a tatuadora é uma pesquisadora autodidata e emprega todo o universo de informações que garimpa em suas obras. “É a política e a religião. É o que consumo tanto no horário de folga como nas informações para trabalhar”, explica. A espiritualidade adentrou o trabalho da tatuadora de tal forma que ela se organizou para ter um espaço de atendimento próprio, onde pode receber os clientes com calma, para conversar sem pressa, e ainda criar um clima mais intimista e personalizado com objetos de decoração que falem sobre suas crenças e paixões. Também abriga novos sonhos, como a ilustração de livros infantis, iniciativa que ela já experimentou e espera repetir.

Amanda Roosevelt é também uma pesquisadora dedicada que encontra em livros de botânica, artes e espirituais suas inspirações

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tattoo ODE À VIDA/ O sorriso de uma ponta a outra do rosto mostra o contentamento de Carol Telles,

VIDA

anos com a parceria no novo est dio de tat a em felicidade n o vem apenas da reali a o profissional, mas é uma verdadeira ode à vida. Dentre todas as mulheres aqui apresentadas, ela foi quem começou a tatuar mais cedo, ainda nos idos de 2012, sob as bênçãos do amigo Saicol, que lhe orientou no ofício. Em um ano e meio como aprendiz, poucas foram as oportunidades em que tatuou desenhos próprios. Em uma virada do destino, teve que adiar mais ainda o exercício da arte. Em 2014, Carol foi diagnosticada com câncer de mama e, por conta do tratamento, interrompeu muitas atividades em sua vida, tatuar foi uma delas. Só agora, três anos depois, já curada e devidamente preparada para retomar tudo o que precisou ser interrompido, ela volta com entusiasmo a tatuar. E toda essa vontade e alegria não combinavam com as restrições do trabalho em um estúdio convencional. Foi aí que ela soube do desejo de Susanna Mota. Mesmo com estéticas diferentes - Carol tem uma pegada mais old school com linhas grossas e um estilo black - elas se uniram por ideologias semelhantes, e montaram o espaço próprio. “Tenho uma pilha de desenhos e estou doida para tatuar todos eles, só faltam os corpos”, brinca Carol, com a certeza de que os clientes irão aparecer. E um bem especial já chegou: seu pai, José Átila, foi uma das últimas pessoas a serem tatuadas por Carol antes dela interromper suas atividades. Agora, ela retoma esse novo ciclo também com o apoio dele. “Quero trabalhar todo dia, toda hora. Transformar os desenhos das tattoos em produtos, em quadros para as pessoas levarem para casa, em bijuterias. Temos muitas ideias para colocar em prática”, revela.

Depois de superar o câncer de mama, Carol agora passa por cima das barreiras do preconceito contra mulheres tatuadoras autorais tendo um espaço próprio para trabalhar e ser feliz

“Eu tenho uma pilha de desenhos e estou doida para tatuar todos eles, só faltam os corpos”

CAROL TELLES

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NOVOS OLHARES, Em preto e branco, luz e sombra, sonho e realidade, projeto do Museu da Fotografia Fortaleza

MÚLTIPLAS

texto Karine Zaranza

trabalha a construção de identidade de crianças e adolescentes

IDENTIDADES

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Q Dentro da programação das oficinas está uma visita ao Museu da Fotografia Fortaleza. A maioria das crianças experimenta, pela primeira vez, o contato com essa linguagem artística

uando Yasmin Reis, oito anos, descobriu que poderia criar sua própria c mera foto r fica e revelar o e o itan in o arda para em o observa ela soube que seria uma fotógrafa. O sonho de ser ma m dica an o novos tons o ser médica e fotógrafa”, disse a pequena e participo das oficinas de foto rafia artesanal do pro eto se na om nidade do se da oto rafia ortale a menina fa parte de m r po de crianças, de oito a 12 anos, que passou a enxergar a si e a sua comunidade de o tra forma m preto e branco l e sombra son o e realidade pro eto trabal o com r pos no orro de anta ere in a esse ana e itan in o arte

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a ora r mo ao o o da ra a ervil e assar as ma proposta e s r e com o vi s itinerante n o se amarra a destinos er mesmo atin ir p blico e fa er da foto rafia meio de constr o de identidade or isso mesmo com po co tempo de e ist ncia deve ter novos desmembramentos, como promete a coordenadora do se da oto rafia ortale a ernanda liveira ente pensa em ampliar o pro eto e s r e com o se da om nidade o al trabal a a foto rafia artesanal eremos voltar para essas mesmas com nidades com o pro eto de foto rafia di ital em tamb m o se tinerante c a ideia e pandir o mesmo pro eto para

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fotografia 1

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o nterior do ear e plica ernanda que acompanha de pertinho cada etapa do processo ed cativo com as crian as coordenadora e plica e o se na om nidade foi pensado antes mesmo eo abrisse s as portas consel o art stico do e ipamento c lt ral formado pelos fot rafos ia o antana elso liveira atricia eloso ernando osta n ela erlinde ilvio rota ilas de a la e odri o rota concebe o se como m espa o al m da visita o proposta era e ele fosse ativo at ante participante da sociedade vi s ed cativo apro ima essa com nica o com esse p blico de ortale a o pro eto vem concretizar essa ideia”, pontua. essa forma o ed cador do pro eto o fot rafo an el m e dei o a capital paraense para comandar as oficinas c e a às comunidades assistidas acompanhado por monitores com a miss o de ensinar m ito mais e foto rafia m seis o oito encontros professores e al nos aprendem ntos e m lado passado m po co da ist ria da arte t cnicas foto r ficas constr o de c mera pin ole e sa latas de al m nio para capt rar ima ens e m po co de mica o o tro eles revelam como se en er am ensinam o e aprenderam e v o trocando ol ares cada ve mais c riosos crian a sa a foto rafia como ferramenta como lin a em rabal a o l dico trabal a o ol ar mas est re etindo

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1 — No Museu da Fotografia, além de apreciar referências, os integrantes conseguem interagir com as obras de arte 2 — As crianças constroem câmeras de papelão, latinhas e caixa de fósforo para registrar o dia a dia de seus bairros 3 — Por ser uma linguagem acessível, a fotografia integra todos os participantes do projeto itinerante 4 — No dia a dia, o Museu realiza uma série de ações para promover a fotografia contemporânea 3

"A criança usa a fotografia como ferramenta, linguagem. Trabalha o lúdico, o olhar e reflete valores culturais de sua própria comunidade. Ela reafirma sua identidade" FERNANDA OLIVEIRA, COORDENADORA DO MUSEU DA FOTOGRAFIA FORTALEZA

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A fotografia artesanal é utilizada como proposta de desconstrução do que as crianças entendem como processo de registro. Com câmeras feitas por eles, meninos e meninas reproduzem suas realidades

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sobre se s valores c lt rais de s a pr pria com nidade atrav s da foto rafia re ete ernanda liveira an aposta no l dico para cost rar todos esses elementos em ma oficina s les aprendem mais e foto rafia prendem cidadania ente trabal a m ito o l dico e o artesanal com aspecto m ico tili amos isso como fio cond tor plano de a la aberto criamos m v nc lo e constr mos essas oficinas ntos afirma o ed cador e convida as crian as a foto rafarem em v rias matri es a come ar pela mem ria ma das a las acontece no se da oto rafia s crian as v o ao encontro de refer ncias itas pisam ansiosas pela primeira ve em m templo de arte oi muito interessante porque os meninos que participaram n o tin am nen m contato com foto rafia itos deles n nca tin am visitado m m se na vida o dia da visita m deles ficava per ntando se estava

As crianças expõem o resultado da oficina em sua própria comunidade. No fim do ano, os melhores trabalhos serão exibidos no Museu da Fotografia Fortaleza

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bonito e di ia e n o tava indo nem de c inela e sim de sand lia para con ecer o m se conta oberta ampos t cnica do entro om nit rio anta ere in a ma das associa es parceiras do pro eto ara ela e v as crian as desabrocharem com as oportunidades de um proeto como esse meninos e meninas de comunidades podem sair de um cenário de v lnerabilidade e se perceberem como s eitos de direitos a eles ma nova vis o pensar fora da cai a di o fim do ano mais m momento deve ficar ravado na mem ria ma e posi o com as mel ores foto rafias ser reali ada e as crian as e viram obras de artier resson ierre er er e ebasti o al ado e postas poder o se or l ar de ver se trabal o dividindo o mesmo espaço.


wellington muniz

CASA DE CEARENSE

NO MELHOR MOMENTO DE SUA CARREIRA, WELLINGTON MUNIZ, O "CEARÁ", COMEMORA CONQUISTAS MAS NÃO SE DESLUMBRA COM A FAMA. EM SUA RESIDÊNCIA, EM SÃO PAULO, O HUMORISTA FALOU À GENTE SOBRE TRAJETÓRIA, FAMÍLIA E PLANOS texto Carol Kossling fotos Rafael Sales

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A maior inspiração para Wellington também é um cearense. Chico Anysio e suas criaturas imortais influenciaram o jeito gaiato com que Ceará elabora seus personagens

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e garoto tímido a um dos grandes nomes do humorismo brasileiro. Aos 44 anos de idade e quase 28 de carreira, Wellington Muniz, o Ceará, tem fala e pensamentos rápidos. É simples, simpático, direto e não faz o tipo celebridade. Pelo contrário. Em sua casa, na região Sul de São Paulo, ele abriu espaço em sua agenda, cada vez mais cheia de compromissos, para receber a equipe da revista. Casado com Mirella Santos e pai de Valentina, o humorista não poupa sorrisos e brinca o tempo todo mas dei o claro e leva m ito a s rio a profiss o e escolheu. Em meio a uma conversa descontraída, acabou viajando em suas memórias. embro da inf ncia e adolesc ncia falo dos desafios revelo pro etos e claro mostrou o lado que o público menos conhece. O artista que, no ar, parece não ter limites para fazer graça, longe das câmeras e dos palcos é um homem que vive "dentro da casinha"... (a sua), onde a família é prioridade.

O que te inspira para criar piadas e personagens? Como é seu processo de criação? Varia muito. Com relação a imitação pego alguém conhecido e ensaio, ensaio...Às vezes não sai naquele momento e tenho que anotar o que a pessoa mais diz, os jargões e os bordões que usa. É um processo, eu estudo e faço assim com muitas personagens. Outras vezes, acontece do "nada". Não conseguia na hora, mas depois via a pessoa na televisão e percebia alguma frase. Com personagem é diferente. Por exemplo, o Silvio (Santos) que faço é inspirado no original. Já no programa do Multishow (Ceará Fora da Casinha), as personagens são inspiradas em anônimos ou em pessoas que acho que existem. Como você é um dos filhos da Terra do Humor, é impossível não querer saber os nomes que te inspiraram... Muita gente me inspirou. O Chico Anysio era um gênio e me influenciou mesmo. Ele não fazia imitações de famosos, se inspirava, como no caso do "Painho" em cantores da Bahia. Tinha 209 personagens que criou para ele, mas era tão generoso que fazia para os outros também. Não era um artista

de muitas vozes. E com aquela única voz, criava 15 tipos de personagens e só mudava o sotaque, a alma, o bordão. Ele foi e ainda é a minha maior inspiração de ator, humorista e artista. Você acompanha o que acontece na cena cearense? Sabe quem são os expoentes no humor? Estou em São Paulo há 20 anos. Às vezes fico longe da minha terra porque a vida é muito corrida. Quando tenho tempo vou a Fortaleza, mas fico enclausurado com a minha mãe e meus irmãos. Quando dá tempo vou conhecer os novos nomes do humor da cidade. Tem um rapaz que gosto muito que é o Ery Soares, é amigo de um dos meus irmãos que é músico, o João Muniz. Tem muita gente nova. O cearense tem um tipo de humor único e existe uma galera nova fazendo stand up. Por falar nisso, como você vê os novos humoristas que surgiram por meio da internet? Tem público para todo tipo de profissional. Acho que humor só tem um: o engraçado! E acredito que ele se renove com as pessoas que estão chegando com mais vontade, que querem estar no cenário e estar com

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os grandes. Existe proposta nova como dos youtubers. Entre eles há uma galera muito boa que sabe fazer humor para um determinado target. Respeito e tem gente engraçada. Mas também vemos aqueles que pegam carona porque "alguém" disse que eles podem ser humoristas. São pessoas que fazem aquilo só para ganhar uma grana a mais, mas não é a dele realmente. Não estou aqui para julgar e faço questão de estar perto desta molecada para aprender porque tem que ter respeito. Antigamente era para respeitar só quem tinha 20, 30 anos de carreira. Hoje, alguém pode ter cinco anos de estrada, já possuir muita bagagem e estar querendo me ensinar. É uma troca. Tem gente boa, mas tem a galera que vai passar. Tem planejado novas interpretações? Tenho preparado personagens para os shows "Ceará dando as caras" que roda o Brasil. Inclusive, estive em Fortaleza este ano e fiquei preocupado porque dizem que santo de casa não faz milagre, mas fiquei surpreso. No show você tem o feedback na hora. Eu vou na plateia, recebo no camarim, tiro fotos. No humor como pode tudo, ou quase tudo, o que deu errado pode ser engraçado.

gente


wellington muniz

Fazer humor atualmente requer um feeling mais apurado para fugir das armadilhas do politicamente correto sem perder também o "time" da piada. Como você lida com isso? Tenho cuidado. Nunca quis ofender. Não quero rir da pessoa e sim com a pessoa. No show que faço, tiro sarro de mim e me acabo, assim estreito a ponte e humanizo. Fico credenciado para brincar com as pessoas e não me torno inatingível. Isso no palco, porque, no dia a dia, sou um cara nomal que não deixa de fazer as coisas, vou à padaria, à farmácia. Mas, no meu trabalho, não me levo a sério. É chato este politicamente correto. É chato, pois tem gente que pega isso ao extremo e aí você não pode mais brincar com um irmão, primo ou amigo com quem tem intimidade que já vão achar que é preconceito. Mas também tem o outro lado: de gente que é realmente preconceituosa. Abomino esse tipo, pois o ser humano é igual, independente da crença, da cor, do poder aquisitivo. Trato todos iguais. Dá para usar o humor como instrumento para falar de temas delicados? Dá sim, só não pode ser ofensivo. Você pode brincar, mas não ofender. Antes as pessoas se sacaneavam, pois numa piada sempre alguém se ferra. Você já passou por situações de preconceito pelo fato de ser nordestino? Nunca senti. Além disso, as pessoas de São Paulo me receberam muito bem. Mas tem sempre aquelas piadas. Acho ótimo ser chamado de Ceará porque represento meu Estado, que é um celeiro de humoristas. É um nome prático e tenho o maior orgulho.

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“Fiz esta mudança profissional (sobre sua saída do "Pânico") pela Valentina. Ela tinha cerca de 40 dias de vida, olhei para minha filha e pensei: 'sei o que quero e o que não quero'. As pessoas têm que saber dizer não, sem medo de retaliação, com jeito”

Assim como o pai, a pequena Valentina fala rápido e gosta de conversar. Talentosa, ela também faz imitações como a de Silvio Santos

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Para ser feliz de verdade, não tem segredo. É se alegrar com as pequenas maravilhas de cada dia. Uma bola de sorvete, o riso de um bebê, dançar sem ter por quê. Nessas coisas simples, a gente encontra alegria para encantar a vida.

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wellington muniz Quem vê o humorista hoje em dia, interpretando vários papéis e à vontade em contar piadas, não imagina que na infância Wellington era tímido

Quando você se sentiu humorista? Eu era criança, muito tímido e nunca imaginei que iria ser humorista. Já meu pai contava piadas e era uma pessoa benquista. Eu ficava observando e pensava: 'por que não sou assim?'. Aí, disse para mim mesmo: 'vou aprender a contar piadas para um dia ter coragem de falar uma para meu pai e ele rir'. Como não sabia nenhuma, ia na banca e comprava aqueles livros do Ari Toledo e do Costinha e tentava decorar, mas nunca tinha coragem de falar com meu pai. No colégio, não conseguia sequer falar em público. Não me socializava e sofria bullying, acabei reprovado duas vezes na quinta série. Meu pai, militar bravo, me tirou do colégio e me colocou para estudar Tornearia Mecânica e lá só tinha homens. Comecei a contar piadas e a imitar o professor. Descobri o que queria ser! Antes de concluir o curso, faltando seis meses eu disse: 'pai vou ser um humorista, apresentador e imitador famoso e conhecido em todo Brasil". Mas era sem pretensão, falei isso sem ter nada em vista. Comecei a procurar nas rádios em Fortaleza. Fui reprovado em todos os testes, pois minha voz era fina. Fui uma criança que sofreu com a voz, inclusive, pois tive calo na garganta. Só me restou tentar o humor. Foi quando comecei a trabalhar com o Hiran Delmar que estava montando um show. Fui ser 'escada' para ele. Foi um começo do qual tenho muito orgulho. E a vontade de trabalhar em rádio? Só consegui mesmo em 1994. Passei por algumas até chegar na 'Verdinha' (Rádio

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Verdes Mares, AM 810). Em paralelo, fazia shows de humor nas barracas de praia. Fui me virando. Quando não tinha cachê o pagamento era uma pizza e refrigerante. Lembro que tinha um empresário que comprava dez shows a R$ 100 cada e demorava dois meses para pagar. Se ele tiver vivo ainda quero encontrá-lo e agradecer, pois isso me fez mais forte e com que não desistisse de buscar meus sonhos e faz parte da minha história. Sou nordestino, posso não ter mais o sotaque, mas tenho minhas raízes. As pessoas têm que insistir todos os dias e se desafiar, tentar melhorar como ser humano, como profissional e eu busco isso. Melhorar e me desafiar. Saí de um programa no qual eu estava na zona de conforto, mas não era feliz. Como você foi parar em São Paulo? Muita gente não sabe desta história. Trabalhava com rádio, em Fortaleza, e um belo dia um locutor chamado William Hurt me ligou de São Paulo. Descobriu meu celular com alguém e se apresentou. Disse que o pessoal da emissora paulistana tinha ouvido falar de mim e queria mandar a passagem no dia seguinte para eu trabalhar lá. Achei que era trote. Agradeci, disse que não conhecia São Paulo, mas tinha um show na quinta e só poderia ir na sexta. Fiz o show, nem dormi, estava preocupado e fui direto para o aeroporto. Viajei, conheci a rádio, fiz o teste e voltei. Ficamos numa espécie de namoro e pensei que não iam me chamar pelo fato do humor ser diferente. Um mês depois eles me procuraram e fechamos.

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De olho na geração que está chegando ao cenário do humor, Ceará destaca os youtubers. Para ele, trata-se de uma nova proposta com foco em um público bem específico

Como foi a saída do Pânico após 18 anos entre programas na rádio e TV? Sou muito decidido. Quando a Valentina (a filha de três anos) nasceu, eu já estava pensando que ali não tinha mais espaço para mim, não tinha mais como crescer, já tinha feito de tudo. Tinha muita gente no elenco naquele momento e pensei 'aqui vou estagnar'. Poderia ter ficado na zona de conforto, ganhando meu salário e me acomodar. Mas sabia que lá eu não conseguiria ir além. Fiquei dez anos parado sem fazer shows, pois trabalhava muito, tinha as gravações e a família. Quando decidi sair, não voltei atrás. Admiro pessoas que têm atitudes como o jornalista Evaristo Costa. Adorei o que ele fez.

“Lembro que tinha um empresário que comprava dez shows a R$ 100 cada e demorava dois meses para pagar. Se ele tiver vivo ainda quero encontrá-lo e agradecer, pois isso me fez mais forte. Sou nordestino, posso não ter mais o sotaque, mas tenho minhas raízes”

Como está sua vida agora? Atualmente eu consigo ter tempo para meus shows, mando na minha agenda. Estou presente nas redes sociais com minha filha. A gente consegue fazer campanhas publicitárias. Tudo dá certinho. Dinheiro você ganha e você perde. Tem que ter habilidade para reconquistar e dar a volta por cima. Fiz essa mudança profissional pela Valentina. Minha filha tinha cerca de 40 dias de vida quando olhei para ela e pensei: 'sei o que quero e o que não quero'. As pessoas têm que saber dizer não sem medo de retaliação, com jeito. Um não aqui vai ser muito importante para um sim lá na frente. A Valentina me motivou. Olhei para Mirella e disse: 'amor vou sair do grupo. Você me apoia?' Ela me apoiou. E eu coloco minha família em primeiro plano, sempre.

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wellington muniz Quando não está fazendo shows ou gravando, Wellington confessa que seu melhor programa é ficar em casa com a esposa Mirella Santos e a filha Valentina

“Não quero usar a Valentina para sensacionalismo. Também não quero que ela se sinta acuada. Tomamos cuidado para não interferir no seu crescimento” Pensa em fazer cinema? Quero ir na contramão e fazer algo fora da comédia algo mais sério, um policial ou um político corrupto. Você aprende e se desafia, sou humorista e sempre vou ser, mas é bom 'surfar numa outra onda'. Percebe-se um DNA artístico forte na Valentina. Como você e Mirella lidam com essa questão? É muito difícil porque as pessoas adoram ou odeiam e outros elogiam quando olham a criança. Não dou bola para torcida e trato bem a todas as pessoas. Se alguém foi nas mídias para criticar

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e ofender não discuto, odeio barraco, apago e, se insistir, bloqueio. Valentina já recebeu algum convite para programas de TV? Ela já recebeu, mas prefiro segurar um pouco porque uma coisa é ela estar na minha atmosfera, aqui em casa, onde fazemos os vídeos e editamos. Não quero usar a Valentina para sensacionalismo. Também não quero que ela se sinta acuada. Tomamos cuidado para não interferir no seu crescimento. Ela não é artista, pode ser que um dia queira, mas eu não forço.

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Falando em família, o que gosta de fazer quando não está trabalhando? Adoro ficar em casa porque viajo muito. Costumo ver filmes. Estou nessa residência há sete anos e só comecei a aproveitar depois da carreira solo. Para finalizar, o que faz o Wellington perder o bom humor? Ficar muito tempo sem comer ou quando o voo atrasa ou muda de portão. Também me irrita trânsito. Mas tento fazer piadas com isso. Ter mau humor, raiva, chateação só envelhece e só faz mal a nós mesmos.


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NEO D Â NDI

O bom gosto e o fantástico senso estético do homem moderno se misturam ao ambiente rústico/sofisticado da Cavalieri Confraria para mostrar como a moda masculina atual consegue sair do óbvio com facilidade, sem cair nas armadilhas do exagero

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Ricardo Almeida

gente


Garage Lucianna Rangel

LOOK TOTAL BRACELETES

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Look Total Look Total

Gloria Coelho para Garage Ricardo Almeida


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Look Total

Gloria Coelho para Garage Ricardo Almeida

Look Total

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LOOK TOTAL

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John John


Look Total

Reserva


Look Total

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Reserva

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Calça David

Lee

Camiseta Reserva

Sapato Acervo

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Look Total Reinaldo Brincos Lucianna

Lourenรงo para Garage Rangel

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EXPEDIENTE DIREÇÃO Márcia

Travessoni Eleutério | Voir Image EDIÇÃO Igor Dantas | Voir Image ASSISTÊNCIA Rebeca Arruda STYLING Milena Lima BELEZA Carla Ferreira ASSISTENTE DE BELEZA Maria Gildilene MODELOS Pedro Salazar e Joyce Monteiro (RC Model Agency) PRODUÇÃO EXECUTIVA Lucas Magno FOTO Rafa

AGRADECIMENTO ESPECIAL

Cavalieri Confraria e Felipe Queiroz Rocha

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BELEZA

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setembro — 2017

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A maquiagem da temporada sugere uma explosão de cores em tons vibrantes e com toques de diversão. Em uma clara referência aos anos 1980, é hora de perder o medo e investir em produtos numa volta ao passado repleta de glamour!

por Gabriela Dourado

BEM NA SUA CARA

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EXPEDIE

NTE Coordenaçã o Gabriela Dourado Fotos Rafa el Sales Make up Pa trick Pontes Face Aline Oliveira (a gência Elo)

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Sofisticação máxima

Tecnologia brasileira

A Armatti Yachts, linha de lanchas esportivas fabricada no Brasil, apresentou seu novo modelo de 33 pés no São Paulo Boat Show 2017, realizado em setembro. A Armatti 330 foi projetada para quem busca linhas arrojadas e excelente navegabilidade tanto no mar, quanto em lagos, rios e represas. Um dos destaques da embarcação é a versatilidade dos espaços – comporta até 12 pessoas durante o dia e 4 para pernoite. Também possui um moderno posto de comando no pavimento principal, solário na proa e, na popa, é possível escolher entre um sofá ou a instalação de um espaço gourmet. SOB CONSULTA — ARMATTI.COM.BR

Com elementos que agregam funcionalidade à alta tecnologia, o Sky-Dweller é, atualmente, a peça mais elaborada da Rolex. Vendido em diferentes versões, incluindo o icônico ouro amarelo, esse impressionante relógio é equipado com o calibre 9001, mecanismo de corda automática inteiramente desenvolvido pela Rolex. Para se ter ideia, ele possui sete patentes e figura entre os calibres mais complexos jamais desenvolvidos pela marca até hoje. Sua arquitetura, fabricação e inovações lhe conferem uma precisão e uma confiabilidade sem igual. U$ 33.680 — ROLEX.COM

Paisagens mágicas No extremo leste dos Himalaias, fica um dos mais exóticos destinos de viagem de luxo: o Butão. O pequeno país, que faz fronteira com a China e a Índia, chama atenção de viajantes abastados graças ao ecoturismo e às hospedagens 5 estrelas como as da rede Amankora Resort. Com 70% de suas terras constituídas por florestas, o Butão possui paisagens paradisíacas como o Mosteiro de Taktsang, construído em 1692, a 3.120 metros. Há relatos de que o próprio Buda tenha meditado no local. SOB CONSULTA — TOURISM.GOV.BT

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MERCADOdeLUXO vitrines - coleções - mundos - edições

Fica em Drače, a cerca de uma hora ao norte da famosa Dubrovnik, na Croácia, a vinícola submarina Edivo Vina. Nela, as garrafas de vinho – depois de passarem três meses envelhecendo fora do oceano – são mergulhadas a uma profundidade de até 25 metros para o processo de amadurecimento e ficam ali por 700 dias. O resultado é o Navis Mysterium, bebida com um leve aroma de pinheiro que é vendida acondicionada em garrafas customizadas pelo próprio Mar Adriático. Quem quiser, ainda pode agendar um mergulho guiado à adega subaquática da marca.

Nas profundezas do Mar Adriático

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Requinte a bordo Homenagem ao savoir-faire A Maison Boucheron, casa de joias com sede em Paris, apresentou sua nova coleção. Chamada Quatre, é considerada por especialistas como a "expressão contemporânea do conhecimento criativo". A marca, conhecida por combinar elegância e inovação, faz uso de quatro diferentes minerais nobres (ouro rosa, amarelo, branco e diamantes em versão pavê) na composição de suas novas alianças. O trabalho artesanal surpreende com relevos inusitados, frutos de técnicas como a Clous de Paris (quadrados), inspirados nos paralelepípedos da capital francesa. SOB CONSULTA — US.BOUCHERON.COM

Com cruzeiros que chegam aos destinos mais badalados da Europa, o Seven Seas Explorer foi eleito o navio mais luxuoso do mundo. A bordo há mais de 2.200 obras de arte – entre elas quatro de Picasso, dois Mirós e um Chagall. Seu imponente lobby, criado pela Tillberg Design, possui escadas de mármore e lustre de cristal em cascata. SOB CONSULTA — REGENTCRUISES.COM

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VIVA A EMOCAO DE CELEBRAR SEUS MELHORES MOMENTOS NO LA MAISON. O La Maison tem estrutura completa para o seu evento. E agora com uma novidade: o Terrasse, um espaço aconchegante, ao ar livre e com vista exuberante para o mar. Venha desfrutar dessa experiência emocionante.

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MINIS SÃO O MÁXIM carros

No sufoco do trânsito congestionado, nada mais prático do que um carro fácil de manobrar. Melhor ainda se for pequeno, caiba em qualquer espaço e mantenha conforto, estilo e performance. É o caso dos minis que vieram para revolucionar e provar que menos pode ser mais

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S QUE O IMO IM T

oda grande cidade sofre com o trânsito engarrafado. Isso é fato! Para manter a paciência e suportar tanto tempo parado, um veículo com conforto é essencial. Mas, se tiver facilidade para manobrar e estacionar ainda melhor. Para isso foram pensados os carros compactos estilo Premium. São veículos ideais para pessoas descoladas, com bom poder aquisitivo, que vivem antenadas com a modernidade e não abrem mão do desempenho ao escolher seus automóveis. Marcas como Mercedes, BMW, Audi, Fiat, dentre outras, já faz algum tempo, descobriram o novo nicho de mercado e decidiram investir com força em projetos automotivos para esse público. Não por acaso, todas as montadoras conseguiram boas vendas com seus minis, mesmo em tempos onde os SUVs se mantêm entre os carros mais desejados no Brasil. Para fazer sucesso há alguns elementos primordiais. Esses pequenos "grandes" carros têm tecnologia de ponta, equipamentos de série e acabamento com materiais de alta qualidade, podendo ser personalizados. Há compactos com pe ada esportiva confi ra o d as portas e motor t rbo caso de modelos da Audi e Mini. Eles podem ter transmissão manual ou automática, dois ou quatro lugares. A lista de escolha tem limites, mas uma seleção bem elaborada garantirá a satisfação do cliente. E, aliás, ser feliz apesar do trânsito caótico é uma vantagem a mais não é mesmo?

por André Marinho

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gente


carros O modelo ainda contava com o propulsor 1.4 16V MultiAir a gasolina, de 105 cv e 13, 6 kgfm, que trazia a opção automática de seis marchas,

Fiat 500

equipando as configurações Sport Air e Lounge Air. Em 2013, o motor veio no formato bicombustível, saltando para

Veículo histórico da marca italiana,

107 cv e 13,8 kgfm.

nasceu no pós-guerra, no esforço de

O 500 contava com três versões no

conter um uso maior do aço e dos

portfólio: Cult manual (R$ 56,9 mil)

materiais em escassez. Ressurgiu

e Dualogic (59,9 mil); conversível

repaginado, com fabricação na

Cabrio - vendida desde 2012 - manual

Polônia e México, e com versões

(R$ 64,9 mil), Dualogic (R$ 67,9 mil) e

supercharmosas, como é o caso do 500

automática (R$ 82 mil) e Topo Abarth

Cabriolet (conversível) e Abarth, com

(R$ 94 mil), importada desde 2014

foco na performance.

com o potente motor 1.4 16V MultiAir

Lançado em 2009 no Brasil, nas

Turbo, de 167 cv e 23,5 kgfm.

versões Sport e Lounge, o veículo

O 500, que chegou a ser vendido

de estilo retrô chegava importado

por R$ 39 mil em 2011, teve preços

da Polônia com o motor 1.4 16V a

ajustados para R$ 56 mil e chegou a

gasolina, de 100 cv e 13,4 kgfm,

custar R$ 94 mil na versão esportiva

associado aos câmbios manual e

Abarth. Em novembro de 2016 a Fiat

Dualogic, de cinco velocidades. Foram

deixou de importar o modelo. Mas

2.200 unidades comercializadas.

ainda há muitos seminovos charmosos

Algum tempo depois, a importação do

do 500 circulando no País.

compacto passou a ficar inviável com a alta do dólar. A partir de 2011, a Fiat decidiu trazêlo do México, também na versão de entrada Cult, que tomava emprestado do Palio e do Uno o propulsor 1.4 EVO 8V flex, de 88 cv, mantendo as transmissões manual e Dualogic. As vendas subiram para mil unidades/ mês, fechando o ano com 15.922 licenciamentos.

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1.4 L 197 cv CÂMBIO Automático ou manual PREÇO de R$ 56 mil a R$ 94 mil MOTOR

POTÊNCIA


Mini Cooper O modelo ficou famoso nas comédias estreladas pelo atrapalhado personagem Mr. Bean. Mas, a aparente fragilidade externa

MOTOR

é compensada pelo motor de alta performance, com DNA da

POTÊNCIA

1.5 L, turbo, 3 cilindros 136 cv CÂMBIO Automático, 6 velocidades PREÇO R$ 105 mil

alemã BMW. O inglês Mini Cooper tem capacidade para quatro pessoas e acelera de 0 a 100 km em apenas 7,8 segundos. Seu motor é um turbo, 1.5l, 3 cilindros, com potência de 136 cv. Combinado a isso tudo há uma transmissão automática com seis velocidades. Um carro leve, livre, solto e ágil. Preço da fera: a partir de R$ 105 mil.

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gente


carros

Audi A1 Carro alemão é sinônimo de eficiência e alto desempenho. O

O motor 1.8 turbo de 192 cv e 25,5 mkgf a apenas 1.250

modelo de entrada no mundo Audi não foge à regra. Seu mo-

rpm trabalha em excelente sintonia com o câmbio de dupla

tor 1.8 turbo garante 192 cv de potência. Montado sobre a

embreagem e sete marchas S tronic – o mesmo DSG aplicado

plataforma do Polo europeu, o A1 recebeu um facelift no ano

no Golf, rebatizado na Audi. Entenda como excelente sintonia

passado. Mudaram, basicamente, os para-choques dianteiro e

um desempenho empolgante, com acelerações vigorosas e

traseiro. À frente, os novos faróis chamam a atenção pelo efei-

retomadas instantâneas.

to dramático proporcionado pela linha de LED que o contorna,

Quanto aos equipamentos, o A1 Ambition 1.8 TFSI (há também

uma assinatura visual dos veículos Audi.

o Attraction 1.4 TFSI) é bastante completo. Faróis com xenônio

A cabine recebe bem seus quatro ocupantes – o banco trasei-

e LED, airbags laterais, controle de estabilidade e seletor de

ro tem lugar para apenas duas pessoas. Por conta disso, elas

modos de condução estão inclusos no preço de R$ 124.990.

viajam com espaço de sobra na altura dos ombros.

Quer diversão com esportividade? Vai de Audi.

1.8 L, turbo 192 cv CÂMBIO Automático PREÇO R$ 124 mil MOTOR

POTÊNCIA

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O CONSERTO DO SEU CARRO NÃO PRECISA SER UM DRAMA MEXICANO.

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Smart Com assinatura Mercedes a linha Smart

exemplar. A atitude em curvas é melhor

era vendida no Brasil até o ano passa-

do que a esperada, sobretudo em vista

do. Mas, por enquanto, só com impor-

de sua altura e largura.

tação direta. Sua versão Smart Fortwo

E o pequeno Fortwo é bem ágil no

deixou saudades. Importado da Ale-

trânsito, com ótima disposição. Os três

manha , o carrinho leva duas pessoas

cilindros empurram o carrinho de ma-

e mede menos de 3 metros de compri-

neira exemplar. Há um pequeno retar-

mento. Ele é oferecido em duas varia-

do de atuação no turbo, mas pouco aci-

ções da mesma carroceria: cupê (com

ma de 2.500 rpm ele se manifesta com

teto fechado) e cabriolet. Mas desde

clareza. A linha Smart divulga máxima

janeiro de 2016 as revendas Mercedes

bem modesta (145 km/h), mas com boa

não trazem mais o modelo. Tudo indica

aceleração de 0 a 100 em 10,9 segun-

que por causa da alta do dólar.

dos. Será que voltará a ser vendido no

Por conta do motor na traseira, como

Brasil? Façam suas apostas.

os fuscas antigos, nem pense em fazer uma viagem com muita bagagem. Não vai caber. Mas o veículo chama atenção e é superfuncional no dia a dia das grandes cidades. Espaço para estacionar não vai faltar. O motor tem três cilindros, é 1.0 com 84 cv de potência. Por suas características, curto e alto, a suspensão é um tanto quanto dura e esse aspecto se faz notar com intensidade em nossas ruas esburacadas. Em pavimento ruim, esse detalhe incomoda um pouco. Por outro lado, em asfalto liso, o comportamento do carro é

1.0 L, 3 cilindros 84 cv CÂMBIO Automático PREÇO R$ 69 mil MOTOR

POTÊNCIA

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OMAR DE ALBUQUERQUE decoração - móveis - ambientes

LUMINÁRIA CORRUPIO

ARMÁRIO BAR JAMACARU Da DP Arquitetura, de Denise Olinda e Pablyto Leivio, a peça se apropria de elementos da cultura nordestina, em especial a região do Cariri cearense. O projeto resultou em um armário bar que imprime em sua modelagem, o rústico e o sofisticado. Na casca do móvel se sobressai a brasilidade desenhada a partir de técnicas artesanais e rico repertório visual. DPARQUITETURA.COM

O nome da curiosa luminária é inspirada no brinquedo popular homônimo: Corrupio. O elemento lúdico, feito com tampinhas de metal, serviu como referência, inclusive para o conceito: reforçar o uso de materiais sustentáveis. O produto assinado pelo designer Érico Monteiro destina-se a ambientes alegres e criativos. Recentemente, foi selecionado para participar de uma exposição promovida pela Apex em Montreal, no Canadá. WEBGRAM.CO/ERICOMONTEIRO

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OMAR DE ALBUQUERQUE decoração - móveis - ambientes

MESA VIBRA

TOTÓ

BANCO

Projetado por Eliana Braga e Rafael Studart para a Tarugo Design, o Totó é o perfeito apoio para uma poltrona ou sofá. Seu revestimento em azulejos sobre a estrutura em compensado naval, projetado pelo designer Guilherme Luigi, inspirado no movimento modernista brasileiro, complementa a sensação de familiaridade da peça, evocando nossa memória afetiva.

Com formas inusitadas, a mesa Vibra, do designer Érico Monteiro, é a primeira no mundo que se molda ao formato de outro objeto/espaço ou adquire múltiplas formas de acordo com a necessidade. Seu nome se apoia no conceito da vibração que muda a forma à medida que é influenciado por novas "frequências". Adaptável, lúdica, interativa e integrativa, a peça promove uma interação criativa entre homem e objeto ao gosto do usuário.

TARUGODESIGN.COM.BR

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COMBINA COM TODOS OS MOMENTOS DA SUA VIDA

SANTOS DUMONT • CAMBEBA • ÁGUA FRIA • VIRGÍLIO TÁVORA • BEZERRA DE MENEZES


OMAR DE ALBUQUERQUE decoração - móveis - ambientes

PENTEADEIRA

SAMPA

“É que Narciso acha feio o que não é espelho”. O inquieto trecho da canção de Caetano Veloso foi inspiração para desenvolvimento do mobiliário feito sob medida para maquiar e pentear. Confeccionada em metal dourado, madeira e palhinha, sua transparência com curvas e boleados proporciona leveza e elegância às peças. Destaque para os espelhos frontal maior e que possui lente, ambos já inclusos no conjunto da DP Arquitetura. DPARQUITETURA.COM

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Tradição, excelência e inovação para uma odontologia surpreendentemente agradável ESTRUTURA COMPLETA EQUIPE INTERDISCIPLINAR RADIOLOGIA E TOMOGRAFIA DIGITAL DAY CLINIC ODONTOLÓGICO ODONTOLOGIA 3D CEREC PLANEJAMENTO DIGITAL DO SORRISO 700m² minuciosamente pensados a fim de proporcionar uma acolhedora e agradável experiência. As surpresas vāo desde um lounge de 100m² que lhe propicia a sensaçāo de bem estar de um lobby de hotel 5 estrelas, até a visāo privilegiada dos consultórios, que permite ao paciente um momento de contemplaçāo de um jardim deliciosamente projetado nos seus mínimos detalhes.

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SORRISOS PLANEJADOS COM ARTE E TECNOLOGIA


OMAR DE ALBUQUERQUE decoração - móveis - ambientes

BANCO ONDULAÇÃO

LUMINÁRIA GRAVETO Recobrando o imaginário das histórias regionais, os arquitetos Laís Sampaio e Gustavo Augusto desenvolveram peças de iluminação minimalistas, com design exclusivo. A Graveto remete ao uso de materiais simples numa releitura que foi concretizada em metal com acabamento em pintura acobreada, acompanhando a tendência do uso dos metais nas ambientações. LAGUSARQUITETURA.COM

O Armazém 43 acaba de receber peças da dupla de designers Richard Nascimento e Kati Takahashi, do Estúdio Rika. Os dois trabalham na criação de produtos com foco na simplicidade do cotidiano e na máxima interação entre formas e materiais. Caso do banquinho “Ondulação”, feito em tiras de alumínio, com assento em madeira jequitibá. As cores das tiras podem ser dourada, cobre ou prata. Produzido em série limitada de 10 peças. ESTUDIORIKA.COM

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MEU LUXO

EDITH GOMES moda - estilo - comportamento

No mercado de moda há 10 anos, a influenciadora

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digital revela o que considera luxo: "saúde, acompanhar o crescimento do meu filho, muito trabalho e o celular (iPhone 7 plus) sempre carregado. No nécessaire, produtos que não podem faltar no dia a dia como a base com protetor solar Vichy, gloss Latika e rímel Maybeline.

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1. Edith veste macaquinho branco Jumpsuits da Colcci com detalhes de renda Richelieu — 2. Óculos clássico e redondo de metal da Ray Ban — 3. Colar e brincos Acessorizar — 4. Bolsa Zara com aplicações feitas à mão, adquirida em recente viagem à Espanha — 5. Creme Rockin' Body Leg Shine, Victoria's Secret — 6. Sandália Schutz exclusiva coleção com seu nome

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TECNOLOGIA

gadgets acessórios lançamentos

SOM DO FUTURO ENTRE GIGANTES

A JBL apresentou, na feira de tecnologia, em Berlim, a sua mais recente criação: a Boombox. O potente alto-falante tem clara inspiração nos poderosos rádios portáteis dos anos 80 e é resistente à água. A novidade fica por conta da bateria com 20.000 mAh que assegura energia para alimentar o aparelho por 24 horas. U$ 600 — JBL.COM

REALIDADE VIRTUAL EM AÇÃO A HTC, especializada em tecnologia de ponta, vem conquistando fãs em todo o mundo com o seu headset de realidade virtual, o Vive. Além de preço mais em conta, ele inclui ainda um mês de assinatura do Viveport, a loja de apps da fabricante que oferece cinco jogos gratuitos mensalmente, para quem adquirir o gadget. O aparelho já vendeu 725 mil unidades desde o seu lançamento.

Mate 10, novo smartphone da Huawei, será lançado oficialmente no dia 16 de outubro. O dispositivo funcionará com o processador Kirin 970 e terá 6 GB de memória RAM e 64 GB de armazenamento interno. As poderosas câmeras, traseira e frontal, terão 34 e 12 megapixels. E mais: sua tela quase não terá bordas. U$ 599,99 — HUAWEI.COM/BR

U$ 599 — VIVE.COM

Universo de possibilidades

Noite de sono sob medida

Com variação de cores e tecnologia superavançada, o Gear Fit 2 Pro é o novo Smartwatch da Samsung. Ele chega ao mercado com tela curvada Super Amoled de 1,5 polegadas, tem 4 GB de RAM e é à prova d’água. O dispositivo vem com GPS integrado e permite ao usuário conferir o ritmo cardíaco, além de velocidade, distância e duração dos treinos.

O termo "dormir nas nuvens" ganhou um novo significado com a atualização da Sleep Number C2. Muito além de um móvel, a chamada cama do futuro, oferece ajuste personalizado de cada parte do colchão, através de controle remoto, e monitora todos os detalhes do sono de seu usuário: da respiração aos padrões de movimento. A peça tem nada menos do que 25 anos de garantia.

U$ 199 — SAMSUNG.COM.BR/GEAR/FIT2

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U$ 1.499 — SLEEPNUMBER.COM

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TECNOLOGIA

gadgets acessórios lançamentos

DE OLHO NO BABY

As mamães de primeira viagem vão adorar a baby sitter eletrônica VM991 Safe & Sound, fabricada pela VTech. O aparelho monitora o bebê com sistema de vídeo HD, tela de 5 polegadas e câmera Wi-Fi. Com ele, é possível ouvir e visualizar o bebê, remotamente, em vários dispositivos, como smartphone ou tablet. U$ 220 — VTECH.COM

EU, ROBÔ?

CONEXÃO CHEGA AO MUNDO DA MODA A grife de luxo italiana Ermenegildo Zegna, famosa por seus ternos de caimento impecável, aderiu ao mundo da tecnologia com o estilo luxuoso que lhe é característico. Assim, lançou uma jaqueta com conexão Bluetooth e

controles de MP3 para que o usuário possa parear a roupa com o smartphone e, dessa forma, não tenha necessidade de tirar o aparelho do bolso. A novidade já está à venda no site oficial da empresa.

U$ 1.295 — ZEGNA.COM.BR

Canteiro inteligente

ROTA DOS GAMERS

A Linksys lançou um roteador desenvolvido para gamers, o WRT32X. O dispositivo é ideal para quem quer jogar online com o mínimo possível de lag. Possui quatro antenas dual-band e quatro portas Ethernet Gigabit. No WiFi, o aparelho opera no padrão 802.11ac, o mais rápido da atualidade. U$ 299,99 — LINKSYS.COM.BR

O universo dos gadgets reserva algumas boas surpresas. É o caso do SmartPot, o canteiro que se rega sozinho. O aparelho da Click and Grow é perfeito para pessoas que adoram ter plantas em casa, mas têm pouco tempo ou costumam viajar bastante. Agora, basta abastecer o reservatório eletrônico que a manutenção dos vegetais está garantida por até uma semana. U$ 89 — CLICKANDGROW.COM

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Impossível não se apaixonar por esse misto de brinquedo e robô. O Humanoid Alpha 1S, da Ubtech, imita o movimento humano, toca música, dança e até lê para as crianças. Funciona como despertador e até pode jogar futebol com outros bots 1S. Um controlador bluetooth e um software 3D podem potencializar suas ações. R$ 419 — UBTROBOT.COM


D C — Ç ensaio

e S— O n S T R u ã O— por Paulinha Sampaio fotos Nicolas Gondim stylist Milena Lima

Desconstruir para construir. Em meio ao agitado deadline, no backstage do DFB 2017,

a stylist do evento garimpou looks de criadores que levaram às passarelas diferentes

propostas autorais. Empoderadas de conceito, cada uma delas marca presença nesse editorial

se apropriando de um DNA único que é peça-chave do handmade nordestino

PERSONALIDADE Ousadia é marca da criação de Bryann Ivanovick apresentada no concurso Ceará Moda Contemporânea. Em cena, tecidos rústicos e amarrações inusitadas

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ensaio

DELICADEZA A marca cearense RendĂĄ por Camila Arrais destaca um handmade luxuoso. Os bordados se sobressaem ressaltando a forte identidade local

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FEMINILIDADE Jovens e talentosas, as estilistas da marca baiana VillĂ´, Vivianne Pinto e Emily Dias, imprimem um novo conceito ao crochĂŞ, criando um shape sensual e extremamente feminino

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ensaio TRADIÇÃO A veterana Almerinda Maria, já consagrada por seu trabalho com diferentes rendas, trabalha sua matéria-prima associada a transparências e camadas em vestido exclusivo

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EXPEDIENTE / Fotos Nicolas Gondim / Stylist Milena Lima / Beauty Celso Ferrer / Modelo Paulinha Sampaio / Tratamento Alan Uchoa

jeans O estilista André Sampaio dá um ar streetwear ao elaborado vestido produzido com recortes de denim e a técnica de franzir

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POMPEU VASCONCELOS viagem - estilo - sociedade

THE ULTIMATE ESCAPE Em um pequeno canto do Mar Egeu, entre as inúmeras ilhas do Mediterrâneo, existe um tesouro escondido. Meca da diversão, opulência e do hedonismo, ele se chama Mykonos, a fervida ilha grega onde jetsetters de todas as partes do planeta aterrissam, ano sim outro também, para curtir os dias longos e ensolarados do verão europeu.

Mykonos Grécia IDIOMA grego POPULAÇÃO 10.134 (2011) Euro FUSO NORMAL +3 horas INVERNO entre 8°C e 14°C VERÃO entre 28°C e 35°C PAÍS

MOEDA

Em roteiro de puro charme, Pompeu Vasconcelos e Marília Quintão elegeram os beachclubs Nammos, Principote, Scorpios, Alemagou, Spilia, Kalua e Santana, além do passeio de barco pela costa das ilhas vizinhas

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A turma, formada por 26 cearenses, embarcou no Porto de Ornos para um dia de pura alegria e animação pelas águas geladas do Mar Egeu, com direito a pit-stop em frente ao badalado Nammos

Localizado na rua principal da Vila de Chora, a Bombonière se transforma em uma baladinha animada nas fervidas noites do verão

Encravado em uma rocha à beira mar, o Spilia é parada obrigatória para quem gosta de exclusividade. Animado ao som dos deejay, o restaurante é especializado em frutos do mar


POMPEU VASCONCELOS viagem - estilo - sociedade

Membro do The Leading Hotels of The World, o Belvedere Hotel se debruça sobre a Vila de Chora, em uma localização privilegiada, onde também funciona o badalado Restaurante Nobu Matsuhisa

Perfeito para uma comemoração, o iate de 100 pés serviu de cenário do aniversário de 40 anos de Francisco Marinho

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Mariana e Francisco Marinho festejaram os 40 anos dele, em Mykonos

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POMPEU VASCONCELOS viagem - estilo - sociedade

Little Venice é imperdível! A localidade formada por antigas casas de pescadores do século XVIII, hoje oferece restaurantes com camarotes para assistir ao pôr do sol próximo ao mar e aos famosos moinhos de vento

Destino de luxo, charme e glamour, em Mykonos encontra-se inúmeras galerias de arte espalhadas pelas ruas estreitas de Chora

Um dos mais fervidos beachclubs de Mykonos, o Scorpios é parada obrigatória para quem busca diversão na Ilha Grega

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Rodrigo e Marcela Carvalho se divertiam em um dos camarotes mais disputados da Scorpios

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CLÍNICA DERMATOLÓGICA

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POMPEU VASCONCELOS viagem - estilo - sociedade

No século XVI, os moinhos de vento eram um dos principais ícones de Mykonos. Os Kato Myloi estão situados no sudoeste da ilha

Philip e Sakie Brooks recarregam as energias e põem o bronzeado em dia no Alemàgou, em Ftelia, Mykonos

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Estas antigas casas de pescadores do século XVIII, de frente para o mar, em Little Venice, são um dos principais cartões-postais do local

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gastronomia

ÁGUA DO MAR...

texto Leo Gondim fotos Fabiane de Paula produção Larissa Freire

...ÁGUA NA BOCA

Desafiados a explorar os sabores oriundos do litoral cearense, os chefs Leo Gonçalves, Cirlanderson Moreira e João Luiz Lima entregam à Gente pratos exclusivos, onde a criatividade está posta à mesa

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Dos verdes mares bravios do Ceará, a Terra da Luz, saem preciosos frutos que encantam e arrebatam paladares, realizando desejos de sabores frescos. Oferecemos, então, ao leitor um banquete bem regional, com receitas elaboradas por três chefs da cena gastronômica cearense

O

Ceará não é apenas um celeiro de Imbuídos dessa hospitalidade, selegrandes chefs de cozinha. De seu cionamos três "frutos do mar" oriundos território, seja mar, serra ou sertão, saem do litoral cearense para que talentos da insumos dignos de uma verdadeira "Festa cozinha tradicional do Ceará desenvolde Babette". Mas, não há dúvida de que o vessem preparações culinárias capazes litoral, famoso por suas belas praias, se de encantar o leitor da revista. destaca quando a questão é matéria-prima Camarão, lagosta e o delicado peixe para os pratos mais desejados da nossa camurim foram estudados e testados, para gastronomia. Diversos biomas - incluindo que, de forma simpática e apetitosa, remangues e lagoas - geram frutos deliciosos. surgissem em nossas páginas como pratos Temos, em diferentes épocas do ano, peixes, que irão despertar o desejo digno de uma lagostas, camarões, búzios, sururu, arraias boa mesa. entre outras tantas maravilhas que saem da Começamos com a lagosta, que tanta água do mar para provocar água na boca! riqueza trouxe para o Ceará. O crustáceo Mas antes dos insumos chegarem aos de carne macia e suculenta é um ícone pratos em forma de receitas ma n ficas de nossa cozinha, sempre tratada como - amadas pelos turistas que aqui chegam "estrela" nos desejos gastronômicos de - toda uma saga se descortina na costa ce- nativos e turistas. Nosso "banquete" tem arense. Ainda é madrugada quando, dos sequência com o camarão. Seja ele rosa, tradicionais povoados pesqueiros, saem os branco ou mesmo de cativeiro - o marisco jangadeiros, em busca do "peixe de cada sempre estará em destaque nos cardápios dia". Muitos retiram exclusivamente dos cearenses. Não há como negar que ele verdes mares o sustento de suas famílias. já faz parte do nosso imaginário como Comercializam, ali mesmo, na areia da referência de uma mesa farta e prestigiada. praia, o que a maré lhes permitiu retirar. Finalmente, "servimos" um peixe caSem perceber, protagonizam um espe- murim, o conhecido robalo do Sudeste táculo à beira-mar, que já dura séculos. do rasil om s a carne branca e firme Como dizem as poéticas palavras da ele se presta a preparações marcantes, pesquisadora e professora da Pós-Gra- aceitando molhos que fazem a diferença. duação em Sociologia da Universidade Entre tantos talentosos chefs das terras Federal do Ceará (UFC), Peregrina Ca- alencarinas, convidamos Leo Gonçalves, pelo nossa tradi o tra pocas de in - Cirlanderson Moreira e João Luiz Lima ências culturais múltiplas (índio, negro e e os desafiamos a apresentarem receitas europeu), que se intercruzam, traçando exclusivas com nossos peciosos insumos. assim ma carto rafia de ostos estos O resultado são preparações culinárias de afetividades, palavras reais e imaginárias, encher os olhos e despertar o desejo de ondulações, dobras e desdobras, nervuras cada um de nós. Está posta a mesa e feito e bordaduras, que utilizam um jeito de ser, o convite. Agora é só saborear! tendo como pano de fundo a hospitalidade Em cada um dos pratos há um toque tão característica da alma cearense". de mestre. A lagosta foi preparada por

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gastronomia

Lagosta das origens cearenses Leo Gonçalves, do Restaurante O Mar Menino, um legítimo representante da nossa Cozinha Contemporânea Regional. Trabalhou em restaurantes estrelados de São Paulo (como o de Alex Atala) e utiliza o que há de mais inusitado em suas preparações que mesclam à perfeição aromas e sabores. Cirlanderson Moreira nos serve o camarão. Chef executivo do Hotel Gran areiro m profissional e al m de criativo, segue as técnicas da cozinha internacional. Prepara uma mesa com o que há de mais especial entre os insumos da região Nordeste. O camurim leva a assinatura de João Luiz Lima, um articulador da gastronomia no Governo do Estado do Ceará, com atividades voltadas para a valorização de tradições e costumes de nossa gente. onfiram as receitas e se deliciem om apetite e um “salve” à Cozinha Regional dos Mares Cearenses.

INGREDIENTES › 2 lagostas médias › 2 cebolas pequenas › 2 cebolas grandes › 5 pimentas de cheiro › 1 dente de alho › 2 tomates maduros › 1 maço de coentro

› 2 litros de caldo de camarão › 1 kg de mão de vaca (mocotó) › 100g de macaxeira cozida › 1 pepino japonês › 4 limões › Cúrcuma › Manteiga

MODO DE PREPARO Caldo de mocotó 1 - Em uma panela, cubra o mocotó com água e o suco dos 4 limões e deixe descansar por 15 minutos 2 - Descarte a água e encha novamente a panela. Cozinhe o mocotó por 2 horas 3 - Em um liquidificador, coloque um pouco do caldo do

cozimento do mocotó e bata bem com as cebolas grandes, os tomates, a macaxeira cozida, as pimentas de cheiro, o alho, 2 colheres de sopa de cúrcuma e um pouco de coentro. Junte ao caldo de mocotó e deixe cozinhar por mais uma hora 4 - Corrija o sal

Lagosta 1 - Com a ajuda de uma tesoura, abra a cauda de lagosta sem danificar a carne e retire o filé 2 - Coloque o caldo de camarão para ferver e desligue assim que entrar em ebulição. Passe um palito de churrasco pelo meio da lagosta no sentido do comprimento para evitar que

ela fique curvada e coloque dentro do caldo já desligado 3 - Deixe cozinhando por 3 minutos. Retire a lagosta e pincele com uma mistura de manteiga e caldo de mocotó em partes iguais. Leve ao forno ou churrasqueira por 2 minutos, pincelando sempre

Guarnição 1 - Corte as duas cebolas no sentido longitudinal e coloque em uma frigideira bem quente para queimar as bordas das pétalas 2 - Deixe queimar até ficar preta. Depois é só separar com as mãos ou uma pinça.

“Tenho orgulho da nossa cozinha cearense. Podemos fazer bonito em qualquer lugar do Brasil e do mundo. Basta ter orgulho e preparar sempre o melhor. Não vale ficar parado no mesmo lugar” CHEF LEO GONÇALVES

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3 - Com uma mandolina, faça fatias finas de pepino. Pincele um pouco de azeite e enrole em espiral


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gastronomia

Do mar, serra e sertão INGREDIENTES

MODO DE PREPARO

› 200g de camarão limpo - 16/20 › 80g de cachaça › Q.B de sal › Q.B de pimenta do reino

1 - Temperar o camarão com sal, pimenta, metade da cachaça e deixar marinando no vácuo por 20 minutos 2 - Utilizando uma panela, aqueça a manteiga da terra, grelhe os camarões até dourar e flambe com a cachaça

› 100g de arroz de palmácia › 20g de cebola › 10g de alho › 50g de castanha de caju › 20g de sal › 80g de nata fresca › 30g de manteiga da terra › Q.B de água

1 - Utilizando uma panela, aqueça a manteiga da terra, refogue a cebola e o alho, em seguida acrescente o arroz e a água quente 2 - Acertar o sal e deixar cozinhar por 10 minutos 3 - Por último, coloque a castanha de caju e a nata fresca

Dadinhos de tapioca

› 100g de farinha de tapioca granulada › 150g de leite › 5g de sal › 10g de ovos › 40g de queijo de coalho

1 - Misture a farinha, sal, queijo de coalho, ovos, metade do leite e deixe hidratar por meia hora 2 - Aqueça o restante do leite, em seguida verter sobre a primeira mistura e mexer utilizando uma colher 3 - Untar uma forma, verter a mistura e levar para gelar por aproximadamente uma hora 4 - Cortar cubos pequenos e fritar em óleo quente

Redução de cajuína

› 200g de cajuína › 50g de açúcar › 20g de amido de milho

Levar ao fogo a cajuína e o açúcar e deixar reduzir por aproximadamente 15 minutos, em seguida adicionar o amido dissolvido em um pouco de cajuína

Camarão grelhado na manteiga da terra

Arroz de palmácia com castanha de caju e nata

“Esses ingredientes remetem à história da minha família. Meus pais e avós moravam no sertão e subiam a serra em busca de emprego. Em minha infância, a castanha, manteiga da terra, tapioca e queijo de coalho estavam sempre presentes na mesa de casa e marcaram minha formação” CHEF CIRLANDERSON MOREIRA

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gastronomia

Camurim Ibiapaba grelhado em óleo de babaçu, com purê de favas de Viçosa e perfume de cajarana

“A comida cearense, antes de tudo, deve respeitar os insumos da nossa terra e a simplicidade da nossa forma de cozinhar. Este peixe dos mares locais encontra os frutos da serra da Ibiapaba e junto com eles compõe um prato cujos sabores levam a uma viagem pelos lugares de onde vieram” CHEF JOÃO LUIZ LIMA

Peixe

Purê de favas

Perfume de cajarana

INGREDIENTES

MODO DE PREPARO

› 1 corte de camurim com cerca de 180g › Sal e pimenta para temperar › Óleo de babaçu para grelhar

1 - Tempere o peixe com sal e pimenta 2 - Esquente uma frigideira e regue com um fio de óleo de babaçu. Grelhe os peixes dos dois lados até obter uma coloração dourada em sua superfície

› 500g de favas de Viçosa do Ceará › 1 cebola média › 2 cravos › Sal e pimenta a gosto › 1 colher de sopa de nata

1 - Deixe as favas de molho para que amoleçam 2 - Em uma panela, cozinhe as favas em 1,5 litro d´água e com a cebola e os cravos espetados nela 3 - Acerte o sal 4 - Quando cozidas, coe as favas e passe no processador de alimentos (sem a cebola) com um pouco da água do cozimento e a nata até chegar na consistência de um purê cremoso. Acerte o sal

› Polpa de uma cajarana cortada em cubinhos bem pequenos › 1 colher de sopa de pimentão vermelho picado no mesmo tamanho que a cajarana › 1 colher de chá de pimenta de cheiro sem as sementes cortadas em cubinhos pequenos › 1 colher de chá de cebola roxa picada em cubinhos pequenos › 50 ml de azeite de oliva

Misture todos os ingredientes e deixe apurar os sabores por pelo menos uma hora antes de adicionar à montagem do prato

EMPRATAMENTO 1 - Escolha um prato bonito 2 - Disponha sobre ele o purê de favas e arrume 3 - Em cima do purê de favas coloque o peixe gentilmente 4 - Arrume o perfume de cajarana pelos cantos do prato para compor a decoração 5 - Termine de decorar com folhas de coentro pequenas e brotos que estiverem a sua disposição

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O clima ameno durante todo o ano, a costa repleta de praias magníficas banhadas pelo Oceano Atlântico, paisagens paradisíacas, um cenário repleto de cores, esportes náuticos, golfe e vida noturna animada fazem do sul de Portugal um destino perfeito para dias de descanso e lazer

Sul de Portugal CAPITAL Faro Lagos, Sagres, Portimão, Albufeira e Tavira ATIVIDADES Passeios de barco, caiaque, trilhas, esportes náuticos e vida noturna QUANDO IR A melhor época é de maio a outubro LOCALIZAÇÃO

PRINCIPAIS DESTINOS

Mediterrâneo | 15°C inverno e 30°C verão Português MOEDA Euro VISTO Brasileiros não necessitam de vistos para turismo com estada até três meses VACINAS Não há exigências CLIMA

LÍNGUA

As praias de Dona Ana (ao fundo), do Camilo (ao meio) e a Ponta da Piedade estão entre as mais bonitas do Algarve

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ALGARVE: FÉRIAS PARA FICAR NA MEMÓRIA texto e fotos Anchieta Dantas Jr.

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algarve

A

localização privilegiada, no extremo sul do país, e os muitos dias de sol fazem do Algarve um dos destinos mais encantadores de Portugal. Para onde quer que se olhe, as várias tonalidades de suas rochas, falésias e do mar estão sempre presentes, resultando em uma incrível paleta de tons terrosos, dourados, verdes e azuis. Do seu ponto no extremo oeste, Sagres - bem na curva com o Oceano Atlântico -, à encantadora e histórica Tavira - já quase na divisa com a Espanha, a região não falha em agradar até o mais exigente dos turistas. Praias paradisíacas, piscinas naturais, marinas, a boa mesa e as noites animadas convidam a dias inesquecíveis. Um passeio a pé pelo emaranhado de ruas, vielas e escadinhas de suas graciosas cidades e vilas tamb m n o pode ficar de fora e contribui para a singularidade desse destino. Numerosas igrejas, monumentos históricos, o casario tradicional, as praças e os belos jardins farão você voltar no tempo, esquecer a correria dos dias atuais e se deixar relaxar. Embora Faro, a 278 Km de Lisboa, seja a porta de entrada para quem chega de

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avião, as grandes protagonistas turísticas do Algarve são Lagos, marcada pela época dos descobrimentos e as praias mais lindas da região; e Albufeira, cidade cheia de animação de dia e de noite. Com tempo, dá ainda para percorrer Portimão, igualmente agitada, assim como as pequenas praias que pontilham escondidas nas enseadas que se formam em meio às rochas. Aventurar-se mais para o interior, chegando às serras, onde cultura e natureza convivem harmonicamente, mantendo as tradições, é outra opção. Mas foi em Lagos e Albufeira que concentramos o nosso roteiro pelo Algarve. São estes os destinos que vamos conhecer em detalhes – o que fazer e o que visitar e quais as melhores praias. Está feito o convite, pois!

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1 1 — Lagos tem um histórico encantador, com casinhas brancas e coloridas, repleto de bares, lojinhas e restaurantes 2 — A charmosa Igreja de Santo Antônio é datada de 1769 3 — Passear pela marina é um programa imperdível em Lagos

Lagos: natureza, aventura e muita história À primeira vista, esta pode parecer apenas mais uma pequena cidade litorânea, com casinhas brancas e coloridas e um centro histórico encantador, repleto de bares e restaurantes. Acredito, que quase a totalidade dos visitantes desconhece ou pouco se interessa pela história do lugar. Não é para menos: as praias da região são simplesmente lin3

díssimas e roubam a cena histórica local. Pois saiba que Lagos (302 Km de Lisboa e 66 Km de Faro) foi fundada quase dois mil anos antes de Cristo, como um importante porto, onde fenícios, gregos e cartaginenses faziam comércio. Depois foi conquistada pelos romanos, passando em seguida para o domínio dos mouros e finalmente tomada pelos cristãos. Foi desta cidade que saíram ainda as embarcações portuguesas que nos séculos XV e XVI descobriram o caminho marítimo para diversas partes do mundo. Por isso, antes de aproveitar o sol e o mar, vale reviver um pouco dessa história pelo centro de Lagos em um passeio rápido de meio-dia. Ali você verá que toda a trajetória marítima da cidade está refletida nas suas edificações, que vão desde sólidas muralhas, passando por um forte, a igrejas ornamentadas e casas decorativas. A caminhada

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algarve

Lagos foi fundada quase 2000 anos antes de Cristo, como um importante porto, onde fenícios, gregos e cartaginenses faziam comércio. Depois foi conquistada pelos romanos, mouros e pelos cristãos é bastante agradável, visto que muitas

fim de explorar por outro ângulo algumas

ruas são fechadas à circulação de carros.

das melhores praias do Algarve.

No roteiro, destaque para o Mercado

Estas praias também podem ser conheci-

Municipal e a Praça Gil Eanes, onde há

das por terra, em um percurso de quatro

uma estátua em pedra bem diferente, por

quilômetros saindo da Avenida dos Des-

sinal, de Dom Sebastião, um dos reis de

cobrimentos à sua direita, margeando o

Portugal, que deu a Lagos o status de

mar, até chegar às deslumbrantes falésias

cidade, em 1573.

da Ponta da Piedade.

Passando por essa praça, tome a rua 25

No caminho, nesta ordem, estão as praias

de Abril. Caminhando por ela, no final,

da Batata, do Estudante, do Pinhão, de

chega-se à Igreja de Santo Antônio, da-

Dona Ana, do Camilo, Praia Grande e a

tada de 1769.

Ponta da Piedade.

E a uma quadra dali está a belíssima Praça

No entanto, reserve mais tempo para as

Infante Dom Henrique, com uma fonte

praias de Dona Ana, do Camilo e Ponta

bem ao meio. De um lado você encontra

da Piedade, seja para dar um mergulho

o edifício onde funcionou o Mercado de

(apesar da água gelada mesmo no verão)

Escravos, hoje um museu. Do outro, a

ou apenas contemplar o cenário.

Igreja de Santa Maria, a principal da ci-

Entre falésias douradas ou acobreadas,

dade, construída em 1498 e restaurada

dependendo da luz do sol, o mar de di-

ao longo dos séculos.

versos tons de azul e verde, bem calmo,

Se você continuar seguindo em direção

a Praia de Dona Ana possibilita fotos

à praia, chegará enfim ao Forte da Ponta

maravilhosas e, de quebra, oferece uma

da Bandeira, construído, entre 1679 e

ótima infraestrutura de apoio ao visitante.

1690, para proteger a cidade de piratas e ataques inimigos. Outro passeio imperdível é caminhar pela bela Marina de Lagos, lugar com o qual você se depara assim que chega à cidade, se vier de trem ou de ônibus. Margeando o lado que dá para o centro histórico está a Avenida dos Descobrimentos, que tem uma espécie de calçadão e uma feirinha de artesanato e souvenires. Do outro, cruzando uma ponte, dessas que se abre para passagens de barcos, vê-se muitos iates e veleiros, assim como bares e restaurantes descolados. É nessa área da cidade onde você poderá contratar um dos incontáveis passeios de barco, caiaque ou de stand up paddle, a

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A comida algarvia tem como base peixes, como o bacalhau ao forno, e os frutos do mar


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algarve

O visitante pode escolher entre diversos passeios de barco na costa do Algarve. Um dos melhores inclui a Ponta da Piedade, com suas belas cavernas

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Aliás, trata-se de uma das imagens mais divulgadas das praias do Algarve. Não é

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à toa que já foi eleita pela revista Condé Nast Traveller e pelo TripAdvisor como a mais bonita de Portugal e ainda do mundo. No entanto, confesso que paixão à primeira vista senti por sua vizinha, a Praia do Camilo. A paisagem é deslumbrante. Um pequeno paraíso ao qual se tem acesso por uma escadaria de 200 degraus. Já a Ponta da Piedade exibe uma série de formações de arenito bastante desgastadas ao longo dos séculos, transformando-se em arcos de pedra, grutas e cavernas marítimas impressionantes.

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4 — Na Praça Infante Dom Henrique estão o edifício onde funcionou o Mercado de Escravos, hoje um museu, e a Igreja de Santa Maria, a principal da cidade 5 — A caminhada pelo Centro Histórico é bastante agradável, visto que muitas ruas são fechadas à passagem de carros, facilitando a circulação tranquila dos pedestres 6 — Assim como outros esportes náuticos, a prática de stand up paddle é bastante comum nas praias de Lagos 7 — Muito comuns na região, os passeios de barco oferecem momentos de puro prazer e exploram por um outro ângulo as praias do Algarve

À noite, a sugestão é circular novamente pelas ruas do Centro Histórico de Lagos para jantar em um dos inúmeros restaurantes da região. A comida algarviana tem como base os peixes e os frutos do mar. Recomendo o bacalhau ao forno, as sardinhas na brasa, os risotos e massas com camarão ou mexilhões. Muito procurado ainda é o frango com piripíri, pimenta vermelha como a nossa malagueta. Se esticar sua estada em Lagos, antes de seguir para Albufeira, você pode reservar mais um dia para conhecer a pequena Sagres e seu forte. A cidade é o ponto mais ocidental do Algarve e do continente europeu. Ou ainda Portimão, a apenas dez quilômetros e bem menos turística.

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Albufeira: no balanço do mar e agito das festas

Diferentemente do que encontramos em Lagos, Albufeira (256 Km de Lisboa e 29 km de Faro) tem um ritmo bem mais intenso. Durante o dia todos aproveitam o sol, o mar e os esportes náuticos. Mas quando anoitece, são os restaurantes, os bares e as boates que iluminam a cidade. É gente de todos os cantos da Europa, principalmente ingleses, que elegem o lugar para suas despedidas de solteiro. Uma cena comum são grupos de homens ou mulheres que desfilam pelas ruas a fazer barulho em busca de festa. A escolha é compreensível: há praias para todos os gostos e são todas irresistíveis, desde longas faixas de areias douradas a enseadas rochosas, quase intimistas, emolduradas pelo o azul esverdeado (ou seria verde azulado?) do oceano e falésias acobreadas. E a grande diversidade de lugares para

Em Albufeira, há praias para todos os gostos, desde longas faixas de areias douradas a enseadas rochosas, quase intimistas, emolduradas pelo mar

beber, comer e dançar faz com que a noite de Albufeira seja uma das mais famosas do Algarve. Há ainda numerosos campos de golfe, uma marina, parques temáticos para crianças e a diversidade do comércio. Mas antes de se render às areias e ao sol, recomendo começar

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Da marina, rodeada de edifĂ­cios coloridos, saem emocionantes passeios de barco de todos os tipos e tamanhos para ver golfinhos e conhecer as cavernas e grutas encravadas no mar. A mais famosa delas ĂŠ a de Benagil

Entre as cavernas e grutas encravadas no mar do Algarve, a mais famosa ĂŠ a de Benagil. No interior, uma praia com abertura natural no topo que permite a entrada da luz do sol

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Inatel, à esquerda. Basta caminhar e escolher a preferida.

o passeio pelo centro histórico. O local tem uma atmosfera deliciosa, com um gostinho de ilhas gregas. O cenário,

O acesso à Praia do Peneco também pode ser feito por meio

composto com as casas todas caiadas de branco e ruas

de um túnel que liga as ruas do centro histórico e que fica no

estreitas repletas de cafés e lojas que vão dar em uma praça

fim da Rua 5 de Outubro, ou também por um elevador.

central pitoresca rodeada de bares e restaurantes, que o diga.

Mais afastadas, outras opções para curtir o sol são as

Existem muitos restaurantes italianos e bares irlandeses,

praias de Santa Eulália, com extensa faixa de areia e águas

holandeses e ingleses para atender à demanda das principais

tranquilas; a da Falésia e de São Rafael. Esta última, muito

nacionalidades que visitam Albufeira.

pitoresca, conta com formações rochosas dentro da água.

Entre os pontos de interesse histórico estão a Torre do Relógio,

Para além disso, a parte antiga de Albufeira tem duas

o Museu Arqueológico, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de São

propostas para o visitante. Da esplanada Dr. Frutuoso da Silva

Sebastião, a Igreja Matriz e ainda a Igreja de Sant’Ana. Saindo

para o poente, siga pela rua que margeia o mar do alto das

um pouco das ruas principais, encontramos bairros charmosos

falésias desfrutando da vista até a marina de Albufeira.

e bastante calmos habitados por pessoas da região.

Da marina, rodeada de edifícios coloridos, saem emocionantes

E se nos afastarmos do centro, já próximo à estação de trem

passeios de barco de todos os tipos e tamanhos para ver

ou do terminal rodoviário, por exemplo, percebe-se um tempo

golfinhos e conhecer as cavernas e grutas encravadas no mar.

ainda mais lento, repleto de figueiras e laranjeiras, com todo o

A mais famosa delas é a de Benagil.

sabor de uma cidade de interior.

Trata-se de uma praia gruta de difícil acesso, cuja melhor

Já falando das praias, Albufeira tem três grandes e urbanas: a

forma de chegar é pelo mar. Em seu interior existe uma

dos Pescadores, do Peneco (também conhecida por praia do

grande abertura natural no topo que permite a entrada da luz

Túnel) e do Inatel.

do sol. O visual é simplesmente fascinante.

Para chegar à primeira, caminhe pela Rua das

Quando finda o dia e as luzes começam a cintilar, Albufeira

Telecomunicações, onde no fim nos deparamos com um

apresenta-lhe outro convite irrecusável: uma noite de festa.

mirante que oferece uma vista privilegiada. Desse local, é

Para além das celebrações de rua organizadas pela Câmara

possível contemplar o mar e também as inúmeras casas e

Municipal, sempre com um espetáculo diferente, a noite tem o

prédios branquinhos de cal com as típicas chaminés do Algarve.

seu foco central na rua dos bares que se estende até a Praça

Depois é só procurar pela escada rolante que fica do lado

dos Pescadores.

direito e descer até a areia. A Praia dos Pescadores fica entre

Ainda no quesito animação, localizada a dois quilômetros

a Praia do Peneco, à sua direita de frente para o mar, e a do

de Albufeira, há também a área conhecida como Rua da Oura (The Strip) – ou Avenida Sá Carneiro. Ela é muito movimentada na alta temporada, por conta da grande quantidade de bares e boates.

A atmosfera é deliciosa. O cenário é composto por casas caiadas de branco, praças, ruas estreitas repletas de cafés, lojas e restaurantes

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serviço

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bags

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ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DA COMUNIDADE DO SERROTE E ADJACÊNCIAS CABREIRO (ARACATI) T. 88 99454.1905 CATARINA MINA Av. Barão de Studart, 207, Meireles T. 85 3023.0234 S. catarinamina.com IG. @catarinamina CEART Av. Santos Dumont, 1589 A, Aldeota T. 85 3101.1644 DIDI CARACAS T. 85 99985.3082 IG. @didicaracas

p.32

exposição ESPAÇO CULTURAL UNIFOR Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz T. 3477.3319 E. espacocultural@unifor.br S. unifor.br IG. @uniforcomunica

p.40

tattoo MADAME TATTOO Rua Barão de Aratanha, 1555 T. 85 3032.4893 IG. @madametattoo RAQUEL GOMES IG. @risco.raquel

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museu da fotografia

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GARAGE Rua Pereira Valente, 1222, Meireles T. 85 3104.0283 / 3121.6296 F. garagenoface IG. @garage_maison JOHN JOHN T. 85 4062.9308 S. johnjohndenim.com IG. @johnjohndenim

FIAT IGUAUTO Av. Rogaciano Leite, 4000, Água Fria T. 85 3452.1444 S. fiatiguauto.com.br

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MUSEU DA FOTOGRAFIA FORTALEZA Rua Frederico Borges, 545, Varjota T. 85 3017.3661 IG. @museudafotografiafortaleza

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percepções LUCIANA BASTOS S. lubastos.tictail.com F. lulis.bastos


FONTE: KANTAR IBOPE MEDIA | MW/TELEREPORT | COV% - ALCANCE ACUMULADO | TOTAL DE DOMICÍLIOS/TOTAL DE INDIVÍDUOS | PERÍODO: JULHO/2017 | MERCADO GRANDE FORTALEZA *NÚMEROS PROJETADOS BASE ATLAS DE COBERTURA REDE GLOBO | UNIVERSO: 6.903.873

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PERCEPÇÕES Luciana Bastos — ilustradora

Transmutar, 2017

"Transmutar tem muito de autopercepção. A consciência de que temos o poder de escolha. Não há situação que não possa ser diferente, nem presente que, de algum modo, não transmute. A escolha sobre como nos colocamos perante as situações está em nossas mãos. Sinta, mova-se e movimente o mundo. Ilustrar tem um bocado desse verbo também. Como perceber o que está à volta e o que está dentro. No ato de comunicar, os significados se movem e se modificam em diferentes versões de mundo. Sou grata por isso".

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Em atenção à Lei Federal nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), esclarecemos que as imagens deste impresso são meramente ilustrativas. Todos os itens e especificações estão contidos 0800 570 de 0800 / www.ce.sebrae.com.br no memorial descritivo de incorporação. Empreendimentos Juridicamente Perfeitos. WSTC SOHO: Registro Incorporação R.02/86027 1ª Zona. Cosmopolitan: Registro de Incorporação R.02/78551 1ª Zona. Parc Victoria: Registro de Incorporação R.03/81278 1ª Zona.


#15 – ANO 8 SETEMBRO DE 2017

u cheguei lá. E “lá” não significa que cheguei no fim, “lá” é onde eu quero estar agora. Confesso q u e nem sempre é possível escolher. As dificuldades, muitas vezes, querem decidir por você. Mas se manter firme é o que te faz dono de si. E eu sou o meu dono. 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0

Sou livre. Disso não abro mão. Liberdade não é algo que alguém vai te dar. Ela é uma conquista. E de todas as minhas, essa é a maior. É ela que me faz tentar, insistir e conseguir. Se não conseguir? Tudo bem. Não é uma derrota que me

MODA AUTORAL Ensaio exclusivo com looks que valorizam o conceito do handmade nordestino

faz perdedor. Na verdade, eu me sinto um vencedor. E você sabe muito bem quem eu sou. Eu sou você.

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Nº 15 – ANO 8 SETEMBRO DE 2017

Suas conquistas te trouxeram aqui.

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ENTREVISTA

Sucesso nos palcos e na tevê, Wellington Muniz, o Ceará, fala sobre humor, família e carreira

15ª Edição da Revista Gente  
15ª Edição da Revista Gente  
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