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Editorial Em meados de abril recebi um telefonema, em nome da diretoria do Conselho Bageense da Mulher Empreendedora, perguntando se eu me interessava em escrever um projeto de moda, que homenageasse Bagé nesses 200 anos. Aceitei o desafio e, com o prazo de uma semana, escrevi o Bagé Sob o Olhar da Moda. A apresentação do projeto aconteceu via teleconferência, ou seja, não era possível saber qual a percepção das integrantes da diretoria sobre o projeto: era eu e o meu computador em Porto Alegre. Apenas ao final da apresentação, ouvindo as palmas pelos autofalantes, tive certeza da aprovação. Desde então foram quatro meses e 20 dias de muita pesquisa, muito trabalho e uma infinidade de parcerias fundamentais para que o projeto se tornasse realidade. Iniciamosos convites às lojas, fotógrafos, personalidades, empresas parceiras e, a cada dia, ficávamos surpresos com a grande receptividade e entusiasmo de todos. Produzimos o editorial de divulgação em três semanas exaustivas, enfrentando o julho chuvoso de frio, frio mesmo, muito frio! Quatorze produções em parceria com lojas e salões de beleza, clicadas por ótimos fotógrafos bajeenses, onde parte do trabalho vocês poderão conferir aqui. Essa mesma pesquisa foi responsável pelo abastecimento de um DROPS semanal no Programa Rota 20, que contava brevemente o contexto de cada época. Gravamos um documentário com as lembranças que diversos bajeenses guardavam sobre a moda, que aqui se usou, e coletamos fotografias, roupas e objetos para a construção de um belíssimo vernissage, que antecede o desfile do evento. Agradeço, mais uma vez ao COBAME, pela confiança no meu trabalho e total liberdade na organização deste evento, bem como a todos que, de alguma forma, contribuíram para que o Bagé Sob o Olhar da Moda saísse das páginas de um projeto para encher nossas vidas de cultura. Toda grande ideia só se torna um grande feito se as pessoas ao redor acreditam e possibilitam o seu acontecimento, por isso me orgulho muito de iniciar a modificar de alguma forma, mesmo que sutilmente, a visão das pessoas quanto à importância da moda. Ter a Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Cultura, como apoiador é uma grande responsabilidade, e hoje pretendemos mostrar a que viemos e porque estamos exaltando tanto o acontecimento do Bagé Sob o Olhar da Moda. Através deste caderno queremos mostrar um pouco do que produzimos para que este evento aconteça e, aproveitamos para convidá-los a prestigiarem esta homenagem que acontece no dia de hoje, às 19h30, no Clube Comercial, em benefício à APAE.

Por Kelly Pinheiro

Ficha técnica R ea ão eall izaç ização ão:: COBAME ão G ução Gee r a l : Kelly Pinheiro P ro d uç Co m is são O rg Com issão Org rgaa n izado izadorr a : Presidente COBAME - Taís da R. Stefani Diretoras - Ana Lúcia D. de Souza Célia Dalmolin Rose Pinheiro Ruth Guimarães Co o rde n ado K T de M íd ia o cia is Coo den adorr de M MK Míd ídia iass SSo ciais is:: Marcelo Rockett A mb ie n t aç ão mbie ien ação ão:: RM Arquitetura D e c o r aç ão ação ão:: Miriam Akagi D J: Murilo Dotto P ia n is ian istt a : Lúcia Antônia Bezerra de Mello Mu sicis sicistt a : Oraides Rosa da Silva Pe r cu cuss são são:: Vicente Des Essarts Vo c a is is:: Diuliane Soares Pa rc ei eirros os:: Clube Comercial Jornal Minuano Madre Maria Programa Rota 20 Ap o io io:: Prefeitura Municipal de Bagé Secretaria Municipal de Cultura E n t id ade B idade Bee neficiad neficiadaa : APAE D esig n ggrr áfic o e ddia ia ão ccade ade p e cia esign áfico iagg r a maç ação aderr no es esp ciall : Sandro Leal

Referências da pesquisa: - A Moda do Século – BAUDOT, François; - Revolução Francesa – BLUCHE, Frederic; -História do Brasil Colônia – TROMPOWISKY, Marechal; - História da Indumentária – SILVA, Ursula; - Bagé, Relatos de sua História – LEMIESZEK, Cláudio Leão; - O Romantismo – GUINSBURG, Jaco; - Romantismo e a Idéia de Nação no Brasil – RICUPERO, Bernardo; - A Era Vitoriana – Col. Para Conhecer Melhor – FLORES, Elio Chaves; GUEDES, Iris Helena; - Fashion of Belle Epoque – Paper dolls – TIERNEY, Tom; - Coco Channel e Igor Stravinsky – GREENHALGH, Chris;King Of Fashion, The Auto Bigraphy of Paul Poiret – POIRET, Paul; - La I Guerra Mundial – ANDRIESSEN, J. H. J. squisa Tee x t o : K Keell llyy P Pin inh eiroo - P e squ isa e T in h eir


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Apresentação A moda não só pode retratar a história de uma cidade, como é determinante para a caracterização dos períodos. É um dos pontos mais interessantes das civilizações e encanta até mesmo os que, a ela, dão pouco ou nenhum valor. Como objetivo deste evento deve-se somar história, moda, arte e interatividade e, através da junção de dados disponibilizados pela sociedade e amantes destes meios. Gilles Lipovetsky, grande filósofo e sociólogo, já em 1987, no seu livro “O Império do Efêmero”, afirmou que a moda era o espelho da sociedade e, mesmo que pareça fútil, a fundo não é somente aparência. Quem repudia a frivolidade não deve temer o estudo da moda, deve sim tê-la como grande ponto histórico social. Não deve trata-la como soma e sim como algarismo de uma multiplicação, se ignorada e zerada torna toda história, também, nula. A partir deste pensamento, foi desenvolvido o projeto deste evento, que contou, inicialmente, com uma pesquisa histórica de todos os períodos da moda que aconteceram durante os 200 anos da cidade de Bagé. Assim, aos poucos fomos conectando a história de Bagé à história da moda, relatos de personalidades à fotografias e tantas outras memórias ao presente. Hoje vamos mostrar um pouco dessa história, que ainda deve ser muito estudada para alcançar os detalhes importantes, que tornam toda pesquisa mais, e mais, interessante. É preciso que se tenha consciência de que este evento é apenas um sobrevoo a um estudo que levaria anos para ser descrito com maior exatidão. O grande intuito, de projetos como este, é plantar uma semente de curiosidade na cabeça de cada um e, promover o início de uma nova etapa de discussões e pensamentos sobre determinado assunto. E é a moda que, agora, está na moda! " “A moda é celebrada no museu, é relegada à antecâmara das preocupações intelectuais reais; está por toda parte: na rua, na indústria e na mídia, e quase não aparece no questionamento teórico das cabeças pensantes.” (LIPOVETSKY, 1994, p. 9).


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Parceiros Quando o Bagé Sob o Olhar da Moda era apenas várias linhas escritas em algumas páginas de um projeto, houveram cinco nomes que acreditaram na proposta de contar a História de Bagé através dos olhos da moda. Eles apostaram no nosso projeto e nos deram forças para continuar a busca pela realização deste evento.

São eles me C l ub ubee Co Come merr cia ciall de B Baa g é , um dos clubes mais tradicionais da nossa cidade, fundado em 3 de junho de 1886. Imagem que se confunde com a construção da identidade bajeense. No decorrer de sua história, o Clube Comercial proporcionou a sociedade inúmeras atividades sociais e eventos de grande pompa e beleza marcantes na memória da sociedade bajeense. Hoje o Clube Comercial é palco deste evento. M adr adree M Maar ia L Loja Café Gou ourrmet met, está localizada no centro histórico cultural da cidade de Bagé, oja e C afé G ou oferece ambiente confortável e descontraído mesclando moda, música, arte e gastronomia! Nesse clima aconteceu o lançamento do evento, dia 06 de maio de 2011. Este lançamento se deu para imprensa e autoridades, que desde então começaram a divulgar nosso evento. Foi na Madre que demos o start e é lá que encerramos: após o evento, na Madre Maria, acontecerá a festa oficial do Bagé Sob o Olhar da Moda. P r o g r a ma R ot Rot otaa 20 20, o primeiro programa do Canal 20 da NET Bagé, que hoje é uma referência do bom trabalho da agência Stratégia. Está no seu 12º ano de produção ininterrupta ajudando a divulgar os melhores acontecimentos da cidade através de deliciosas reportagens. Foi grande responsável pela divulgação deste evento, nos acompanhando a cada novo passo da execução do projeto. Além disso, através de DROPS semanais contamos, juntos, um resumo dos períodos da história destes 200 anos, levando a todos a máxima do slogan deste evento: história, arte, moda e interatividade! Jor na l M Mii n u a no no, editado pelo Jornalista Glauber Pereira, possui uma equipe de reportagem experiente e qualificada, o que traduz os resultados que apontam o veículo como o meio impresso local mais lembrado da região. E é através deste grandioso jornal, que chegamos à casa de todos vocês contanto tudo que envolve este, que não é mais um projeto e sim, uma realidade! ur a M u n ici p a l de B Sem esquecer-se do apoio da Pr efeit efeitu Mu icip Baa g é através da Secretaria Municipal de Cultura. É com muito orgulho que contamos com estes parceiros desde o início!


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Estilo Império Nosso start se dá em 1811, ano oficial da fundação da cidade de Bagé. Quando Dom Diogo, que estava em nossas bandas para conter as revoluções na Região do Prata, decide que parte do exército se mantivesse em nosso território devido ao intenso inverno de chuvas e a dificuldade de viajar. Com os soldados ficaram comerciantes, médicos e mulheres que acompanhavam a comitiva formando, então, um vilarejo. No Brasil recém havia desembarcado a corte portuguesa, fugida da “sacudida Napoleônica” após o Bloqueio Continental. Sabendo que a Inglaterra tinha a maior potência naval da Europa e se opunha à expansão francesa, Napoleão, determinou que todos os países europeus deveriam fechar seus portos para o comércio com a Inglaterra, enfraquecendo a inimiga e promovendo uma crise industrial. Portugal tinha como sua maior parceira comercial a Inglaterra, ou seja, não tinha como cortar relações e, com medo da invasão francesa, foge a família real portuguesa com quase todo poder estatal para a colônia: o Brasil. Mas e a moda neste contexto? Assim como quem dominava a Europa eram os franceses, a moda também era determinada por eles. Para entender: a França vinha de uma época de muito luxo e extravagância inundadas em muito Barroco e Rococó, tendo como referência um de seus maiores ícones imperialista: Maria Antonieta. Entretanto, a Revolução Francesa guilhotinou, literalmente, os luxos da monarquia absolutista que governava o país declarando “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” tanto na política quanto na moda: "Nenhuma pessoa, de qualquer sexo, poderá obrigar nenhum cidadão a vestir-se de uma maneira determinada, sob a pena de ser considerada e tratada como suspeita e perseguida como perturbadora da ordem pública: cada um é livre para usar a roupa e adorno de seu sexo que deseje“ (Trecho do Decreto do Governo Revolucionário, 1793, França). Eisquesurge o EstiloIm pério,primeiroperíodo do BagéSob O Olharda Moda.Oinício do século XIX será m arcado porum asilhuetainspiradana Anti g uidade Clás -

sica,totalmentecontrastantecom o que se vinhausando atéentão.Advinda dos ideaisdegoverno que Napoleão foi buscarna Grécia Anti g a,apartir de 1790, a palavra de ordem eraconforto. M ulherescom vestidos de musseline ou cambrai a, m ui t ofluidos como cam isolas;cintura abaixo dos seios; penteados sim ples e naturai s. As luvasaindaeram mui to usadaseosxalesentraram como o acessório chave do século XIX .Oshomenssegui am um alinhainglesa,vindo a usar casacos de caçalisos e xadrezes,botas,cal çascadavez mai s parecidascom as de hoje. Golasaltas e ma j estosos lenços am arrados no pescoço,como enfeite . H eróiparauns,vi lãoparaoutros, Napoleãotevegrandeinf luência na modadesteperíodotantonoseuiníciocomo no seu desenvolvimento.Sejapelosprobl em aspolí ti cosque enf rentavacom a Inglaterrae,por outrolado, com a intenção de expandiraindústriatêxtilfrancesa,proibiuaim portação de musselineinglesafomentando a produçãotêxtilna França.Também proibiuasdam asdesuacortederepetirem em públi coouso de seusvestidos.Taldecisãogerou um maior consumo de têxteis,fortal ecendo a im agem francesa no uni versoda moda,um avezqueaInglaterraaindatinhaparticipação determ inantenasvestes masculinas. Portanto,foiestaa“moda”que desembarcou no Brasileque chegou aqui no pam pagaúcho! Mesmo com nomes im portantescomo D. MariaIeCarlotaJoaquina mantendo fortesinf l uências dos tra j es do período anterior (apertados, gi g antescos e ostentati vos), foi o EstiloIm périoque melhorseencai xou ao clim adestacolôniaeperm aneceu mesmo quando, na Europa,voltou todo o desconforto absoluti staapós a queda de Napoleão.

Estilo Império (1811 - 1820) Por Cristiano Lameira - para Cia. dos Detalhes. - Produção: Kelly Pinheiro - Hair’n Make up: Estética Fêmina - Tânia Camargo e Tainá Britto. - com Bárbara Lignon Pichler.

Romantismo Vamos voltar ao ano de 1820, quando, naEuropa,iniciou um movimentoque buscavaaelevação dos sentimentos,embarcando num uni verso de escapi smo e subjeti vidade. Era o Rom anti smo, quesurgiaem contra partida ao racionalIlum ini smo, da Revolução Francesa,descri ta no EstiloIm pério. N oBrasil,durante o mesmo período, a CorteReal sofriacom a pressão dos portugueses, que exigi am o retorno daFam l íiaReal,em reflexo do movimentolibertário que acontecia na Europa.Eass im, Dom João VI retornaàPortugal.Entretanto,aqui no Brasil,eraorganizado um abai xoass inado solicitando a perm anência de Pedro de Al cântaraFrancisco AntônioJoão Carlos Xavi er de Paula Mi g uel Ra faelJoaquim José Gonzaga PascoalCipri ano Serafim de BragançaeBourbon, mai s conhecido como Dom Pedro.Ele acaba não acom panhando a Fam l íia Realeprotagonizando, então, o famoso Dia do Fi co e a Proc lam ação daIndependência. O Brasilincorpora-senatendêncialibertária mundi al. N osul do paísjáseespalhavam pensamentosli beraisresultantes,principalmente do recuo brasileiroà G uerra Ci splatina.Aprovíncia de São Pedro,atualRio

Romantismo (1820 - 1840) - por Ricardo Torman da Foto Everest para Don Juan - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Estética Fêmina - Tânia Camargo e Tainá Britto - com Tiago Marin

Grande do Sul,senti a-sepre judi cadapelogovernocentralizado do Brasil:pensamentosuficienteparasemearaRevolução Farroupi lha - movimentodecaráterli bertário.Seráqueatépolí ti catem “moda”? N oano de 1836, Bagéeraum vi lare jocom aprox im adamente 100 casasefoipal codaim portanteBatalha do Seival.Nesse mesmo ano foique o Rom antismo se di fundiutotalmente no país nos meios daarte , li teratura,pintura e MOD A . A modarom ânti ca masculinainiciou o Dandismo, que ultrapassou o intui to de modaatingindo statusdeum movimentoeestilodevida.Essa moda bus cavasobri edade e di stinção,sendo referência paratoda a moda masculina do século XIX .Asilhuetaelegante seconfundiacom o ararrogantedoestiloquesetraduziaem tra jescomo casaco,colete,cal ção ou cal çacom prida.Ascam isascom altasgolasepescoços adornados comlençosam arrados com sofisti cados nós:oplastron. O acessório maisfashioneindi spensáveleraacartola. A modafem ininaresgatou os valorestradicionaiseseinspirou no Período Medi e val:tecidosli strados e floraissem restri ções de cores,cintura de volta aolugaredefinidacom corpetes.Assai asvoltam a ter volume, atravésdeanáguas,tornando-secôni cas.Tam bém as mangasacom panham o exagero,sendo enormemente bufantes e cham adasde“m angaspresunto”. O sdecotesacentuados em form adecanoaapareciam à noi te. O xalecontinuavasendo o acessório mais“it” do momento,juntamentecom o leque. Chapéus,colares, pulseiras,broches,laços,babados, fitaseflores: tudo paraestarna modarom ânti ca.


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Era Vitoriana Agora feche os olhos e volte para 1840. Estamos na Era Vitoriana, época de grande prestígio da burguesia devido ao início da Revolução Industrial que caminhava rumo ao progresso. No Brasil iniciava o Segundo Reinado, com a maioridade de D. Pedro II declarada. Nessa mesma época a Província de São Pedro teve Bagé como sua capital por um curto período, onde, também, em terras bajeenses, se assina o tratado de paz dando fim à Revolução Farroupilha. Pouco tempo depois, após duas leis aprovadas, em 05 de junho de 1946, Bagé é elevada à freguesia e município. Enquanto isso, na Europa, acontecia dois marcantes reinados: na França, o império autoritário de Napoleão III, já na Inglaterra, o puritano da Rainha Vitória. Rainha essa que perde seu marido e mergulha num profundo luto (que durou até o fim de sua vida) e, que se tornou uma tendência da moda deste período! A moda Vitoriana vestiu de preto a Europa e as Américas por muito tempo. Esse período é tido como muito rico para universo fashion, pois representou toda ascensão e luxo, que a sociedade burguesa capitalista buscava nesta época. Na moda feminina, o esplendor deste estilo é representado pela crinolina (uma armação de aros de metal usada sob a saia e que permitia que esta obtivesse um enorme volume cônico e circular) e, por cima as anáguas. As mulheres tinham de aparentar fragilidade e, inclusive, um aspecto doentio, pois saúde e vigor era tida como vulgaridade. Espartilhos que deformavam (evoluídos do corset) tinham fins estéticos: cintura fina e seios fartos eram um ideal de beleza feminina. E a beleza, como bem se sabe, exige alguns sacrifícios, mas não tantos como no passado. Naquela época houve, inclusive, casos de morte de mulheres sem conseguir respirar em função do espartilho apertado demais. Profundos decotes, ombros, braços amostra e vestidos volumosos, todos confeccionados

com tecidos “puro-luxo”. Xales e chapéu grandes decorados eram os acessórios preferidos, seguidos dos leques, sombrinhas e salto altos. Surge a tão venerada diferenciação da alta classe parisiense: o surgimento da alta costura; destaque para o costureiro Charles Worth que revolucionou a moda criando o primeiro conceito de grife. Se a moda feminina estava cada vez mais enfeitada, a masculina, devido ao progresso do trabalho e indústria, ficava cada vez mais prática e sóbria: traje de alfaiataria clássica (fraque, casaca, colete e calça); sapatos bicolores; cartola; Bengala ou guarda-chuva e lenço. Assim as mulheres se destacavam nitidamente, tornando-se símbolos da riqueza e prosperidade do marido. Para o final da Era Vitoriana, entre 1870 e 1890 as roupas femininas foram se simplificando: a crinolina de metal evolui para a anquinha, espécie de almofadinha, que mantinha o volume somente na parte de trás dos vestidos. Curiosamente, os tecidos de decoração passaram a ser a onda do fim do século XIX. A Era Vitoriana se manteve até meados de 1900, entretanto por volta de 1870 “os ventos” começaram a mudar. Quer saber o que aconteceu? Continue lendo essa história!

Era V itoriana (1840 - 1870) Vitoriana - por Jorge Goularte para Magui Modas - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Estética Lauar, Chris Prates - com Julia Benitez

Belle Époque Embarcamos em um dos períodos conhecidos como a era de ouro da beleza, inovação e paz na Europa. Foi entre 1870 e 1900 que surgiu o telefone, o cinema, a bicicleta, o automóvel, o avião e, que acabou por inspirar novas percepções de criação e arte. A efervecência cultural européia cultuava a natureza, no campo artístico, sob o título de Art Nouveau, um dos temas protagonistas da “La Belle Époque”. Nesse período houve prof undas transformações culturais que se traduziram em novos modos de pensar e viver. O lazer e o esporte passaram a ser valorizados, devido, também, ao surgimento da luz elétrica, que aumentou as possibilidades de vida social. A França vivia sua paz político-social com a Belle Époque, mas sua rixa com a Inglaterra (que no mesmo período vivia a Era Eduardiana) passou a ser sobre quem era o pólo ditador de moda. Todos já enchergavam Paris como a “menina dos olhos” do mundo, e para lá rumaram vários pensadores e inventores, hoje consagrados, como: Picasso, Stravinski e Santos Dumont. Lá eles esperavam que tivessem atenção às suas ousadas ideias e criações. A modernidade, contrariando o pensamento de muitos, começou nos primeiros anos do século XX, mas foi interrompida pela guerra. No Brasil, houve uma explosão de acontecimentos políticos-sociais e revoluções regionais, que ficaríamos horas recordando e debatendo. Em resumo, com o fim da Guerra do Paraguai, houve o avanço da difusão das idéias positivistas do movimento abolicionista, que, no mesmo período, alcançou a abolição da escravatura. Foi em 1889 que o Brasil através do Golpe de Es-

Belle Époque (1870 - 1900) - por Francisco Bosco para Maria La Teja - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Marcos Senna - com Marcelle Ceolin

tado Militar, em 15 de novembro, derruba a monarquia e se torna uma república. A Revolução Federalista aconteceu após a Proclamação da República, de um lado os Chimangos e de outro os Pica-paus que pretendiam "libertar o Rio Grande do Sul da tirania de Júlio de Castilhos”, então presidente do estado. Bagé, com aproximadamente 30 mil habitantes, quatro anos antes da abolição nacional da escravatura, já havia extinguido a escravidão. E mais, já era servida pela ferrovia e entretida pelo cinematógrafo do Teatro 28 de Setembro, possuía duas casas bancárias, nove hotéis, três curtumes, oito escolas públicas e quatro particulares, além mais uma infinidade

de modernidades para então, que classificava Bagé como uma das cidades mais desenvolvidas e elegantes do estado, aos olhos dos que aqui visitavam. Nesse período, nossa cidade foi sitiada pelos federalistas, durante a revolução, que só declarou a paz em 1895. A cidade foi a primeira do Rio Grande do Sul a ter energia elétrica, mostrando a rápida modernização e construção da cidade. Vamos falar de moda? A moda dessa época incorpora o detalhismo das curvas e movimentos provenienteas da Art Nouveau, ainda se exaltava a cintura fina feminina de 40 cm de circunferência: a cintura ampulheta. A roupa feminina cobriu todo o corpo da mulher, nada podia apa-

recer, com exceção do rosto e das mãos (quando sem luvas). Golas altíssimas (em contraponto com o periodo anterior) e nos detalhes laços, babados, fitas e rendas estavam em profusão. As práticas esportivas consagraram a Belle Époque e trouxeram, ao guarda roupa feminino, duas novas peças de roupas que originaram, um pouco mais tarde, o tailleur. O banho de mar iniciou a ser um hábito: a roupa era de malha (em geral de fios de lã), cobriam o tronco e atingiam a altura dos joelhos; e ainda meias, sapatos e muitas vezes uma capa por cima de tudo, com intuito de proteção. As roupas de banho encaminham o começo à atenção ao vestuário infantil. Este é o inicio da moda marinheiro, conhecida como navy, relida ao longo de todo século XX e até hoje! No final do período a anquinha desapareceu e as saias ficaram com formato de sino. Chapéus com flores e botas eram indispensáveis. Os homens permanecem mantendo a praticidade e funcionalidade, em voga desde o Romantismo. O traje era composto por sobrecasaca, cartola e terno. As calças eram retas e com vinco na frente. Uma das fortes características eram os cabelos curtos e o uso do bigode. E é com a propagação da cultura urbana e o desenvolvimento da comunicação e transportes que se encerra este período.


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I Guerra Mundial E chegamos à I Guerra Mundial, tempo de forte expressão de dor, onde mais de 20 milhões de pessoas morreram, economias paralisaram, gerando caos inflacionário, miséria, fome e sofrimento. Porém, a mesma Guerra que ceifa destinos, constrói caminhos inevitáveis sociais e culturais. Este cenário transformou as mulheres em propulsoras de uma sociedade decadente, quando seus homens partiram para a batalha conhecida como a “Guerra das Guerras”. No início deste período, no Brasil acontecia o governo do gaúcho, Hermes da Fonseca, movimentado pela Revolta da Chibata, que foi conhecida por ter sido arquitetada pelos militares da marinha brasileira por mais de um ano. Aqui no sul, o proletariado, baseado nos pensamentos anarquistas e socialistas, protagonizava sucessivas manifestações populares contra as políticas governamentais, e a nossa Bagé acompanhava as mutações políticas do estado. Nós já tínhamos o serviço do telefone, que trazia euforia e, ainda, alguns poucos descrentes da revolução que tal invenção poderia causar. Para usar telefone tinha-se que saber as regras que continham no seu regulamento. A história é, realmente, curiosa, não é mesmo? Fomos a primeira cidade do estado a importar um automóvel, éramos um das 4 mais importantes cidades do Rio Grande do Sul. Dados que fizeram, estes tempos, um dos mais esplendorosos e de crescimento da nossa cidade. Ainda sob o reflexo da Guerra, este período trouxe uma série de mudanças no conceito social de família com estrutura patriarca, além do declínio do prestigio cristão que defendia esse formato familiar. A mulher começou a traçar, à passos lentos, sua libertação, ganhando importância em uma sociedade, que, até então, a repelia. E esse foi um dos grandes motivos para a transformação da história da moda. Paul Poiret foi o maior nome fashion do início desse período e traduziu toda ansiedade e vulnerabilidade da moda, eternizando seu nome no mundo fashion, com a onda oriental: cores fortes, drapeados suaves, saias afuniladas e muitos botões, sendo os enfeiteis favoritos da época. Ele iniciou os trabalhos de moulage e drapping , além de ter sido pioneiro

na expansão vertical da sua marca : móveis, artigos para decoração, perfumes tudo em uma única maison. A tristeza do período fez com que a moda feminina fosse perdendo seu colorido, sua ostentação e luxo. Precisou ser prática e cômoda para atender à mulher moderna, que ocupava o lugar do homem no trabalho e, também, ser compatível à escassez de materiais disponíveis para a confecção de roupas. Seria impossível manter os velhos trajes e a postura intocável feminina. A moda tomou ares militares e permitiu que as mulheres encurtassem as saias e, até, usassem calças. Os estilistas do período passaram a se inspirar em todo o contexto trágico para criar. Muitos estilos inovadores nasceram dessa paisagem crítica, como a da jovem Coco Chanel. Ela ganhou espaço com seus tailleurs feitos de jérsei dotados de toque macio, sedoso, e elasticidade. Chanel seguiu seu caminho de criadora e consolidou-se vindo a ser a estilista mais importante de todo o século XX. A moda masculina estagnou, enquanto feminina deu uma reviravolta: as roupas ficaram mais curtas, surgiram as calças mais largas; as saias e casacos, retos; os chapéus diminuíram de tamanho e continuaram a ser usados durante a guerra. Toda essa época é uma das grandes provas de que a história da moda sempre esteve unida às questões sociais distinguindo classes, períodos e, muitas vezes prevendo situações. A moda foi se simplificando no momento exato em que estouraria a I Guerra Mundial, que teve a Europa como palco principal, mas, que como sempre, refletiu-se em todo mundo.

I Guerra Mundial (1900 - 1914) - por Diones Alves Photographia para Strelitza Moda e Acessorios - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Marcos Senna - com Carolina Gehres

Era do Jazz O fim da guerra e o retorno da paz fez com que todos percebessem as inovações e pensamentos modernos iniciados na Belle Époque, eram os “Anos Loucos” da década de 20. Foi um período conhecido pela prosperidade e liberdade: o homem inicia a ideia de uma vida apressada, com muitas coisas a se fazer. A sociedade explora o mundo, viaja, bronzeia-se. A partir de agora a moda sempre trará uma pitada de escândalo e ruptura de comportamentos, fazendo do entre guerras a transformação de Paris no mito da moda, que é até hoje. A Europa respirava aliviada com o fim da guerra, se reerguendo vagarosamente. Como disse François Baudot, a sociedade devorava a vida com sofreguidão desenhando novos rumos sem memórias. No Brasil, e também no Rio Grande do Sul, iniciam-se pensamentos culturais e políticos com raízes nacionais se afastando da mentalidade européia. A Semana da Arte Moderna, em 1922, reforçava o nacionalismo como novo caminho e trazia a art-déco construtivista - preocupada com a funcionalidade- além de uma nova linha literária. Nessa mesma década o movimento Tenentista formado pela Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, em 1922, a Revolução de 1924 e a Comuna de Manaus, além da Coluna Prestes, buscavam reformas políticas na estrutura do poder no país. Em 1925 os mestres surrealistas mostram seus trabalhos em Paris: Picasso, Miró entre tanto. A arte que ultrapassou as barreiras do tempo. Aqui em Bagé a sociedade tomava forma: importantes famílias, de hoje, já faziam parte de nossa cidade. Bailes de Gala, carnaval e outros eventos sociais colocavam Bagé no auge da Era do Jazz. Motivos que causaram frisson na moda do pampa e, era no Bazar da Moda que os bajeenses encontravam o glamour de vestir. A moda manteve as linhas funcionais, práticas e simples que surgiram nos anos 10: silhueta andrógina e tubular para as mulheres (cintura na altura dos quadris, seios achatados com faixas), sem mudanças revolucioná-

A Era do Jazz (1920) - por Alexandre Teixeira para Loja - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Marcos Senna - com Silvana Nogueira, Marcelo da Rocha— com Marcelle Ceolin

rias para os homens. O gosto pela vida em sociedade, pelos bailes e da vida noturna trouxeram inovações na moda. Os vestidos e saias encurtaram para poderem dar conta dos ritmos do Charleston, do Foxtrot e do Jazz, chegando à altura dos joelhos. As saias, mais curtas, iniciaram um lindo caso de amor e ódio entre as mulheres e as meiascalças. Livre dos espartilhos, usados até o final do século 19, a mulher começava a ter mais liberdade de mostrar o colo, usar maquilagem, ter novos hábitos e atitudes, antes tidas como masculinas. O chapéu de uso obrigatório passou a ser restrito ao dia, porém menor. Quem não conhece o cloché? A mulher sensual não tinha curvas, mas tinha uma diversidade de acessórios como o chapéu! Para os homens as roupas pouco mudaram. Destaca-se o smocking , que passou a ser usado em ocasiões mais formais, o surgimento do tecido Príncipe de Gales e os sapatos bicolores. O colete ficou demodê e o chapéu era o coco, eternizado por Charles Chaplin. Falando em ‘coco’: Channel é ítem indispensável da década! A estilista que pôs em prática a vida moderna e, por que não, o lado mais clean da mulher. Uma mulher bem vestida, era pouco vestida. Suas criações nasceram da própria necessidade de ser versátil, lançando moda após outra moda. Cortes retos, capas, blazers, cardigãs, colares compridos, boinas e cabelos curtos. Não esqueçamos Jean Patou, que desenvolveu roupas com inspiração nos esportes, em voga no período. Criou coleções inteiras para a estrela do tênis Suzanne Lenglen, que levou a moda, também, para fora das quadras. Roupas de banho também revolucionaram e sua maison foi trampolim para muitos nomes famosos da moda. Essa época de inovação e modernidade vê seu fim no dia 29 de outubro de 1929, quando a bolsa de valores de Nova York registrou a maior baixa de sua história, de um dia para o outro, os investidores perderam tudo. Inicia a Grande Depressão, marcada pela crise econômica geral e o desespero da sociedade.


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A Crise de 29 Um dos períodos mais sofisticados da moda de todos os tempos, contrariando toda uma época de crise após a queda da bolsa de Nova York em 1929. O cinema foi a grande referência de glamour nesta época, eternizando grandes divas de beleza que ditaram a moda dos anos 30. Marlene Dietrich, Mae West, Jean Harlow e Greta Garbo influenciaram uma geração que ignorou o caos político e econômico do mundo. A Alemanha protagonizava um dos períodos mais tristes da história mundial, sob o comando de Hitler. É bem verdade que este período teve tudo para ser a pior década do século XX, como muitos contemporâneos do período denominaram, mas a moda teimou em fantasiar um mundo de luxo, glamour e beleza ao qual a realidade por longe passava. No Brasil enfrentava-se a revolução de 30 encabeçada pelo anti-herói Getúlio Vargas, finalizando a década com o início do Estado Novo. O Rio Grande do Sul de 30, como sempre na história brasileira, foi um estado importantíssimo dentro da cultura política do país. Bagé vivia um período eufórico social: bailes, exposições, comércio e crescimento. Muito material deste período pode se encontrar em maravilhosas revistas da Exposição Feira publicadas durante a década de 30. Evento este que acontecia desde 1903 e, acontece, até os dias de hoje. A moda 1930 esqueceu toda androgenia adotada nos anos 20, redesenhou os contornos femininos, mas de uma forma bem diferente dos tempos antigos. Viviase uma beleza natural, sem sofrimentos e exigências descabidas. O fashionismo se modificava de acordo com as ocasiões: para o dia eram usados vestidos na altura da panturrilha e para a noite os longos. Boleros, casacos,

capas; a cintura se recoloca sem exageros. O ponto alto deste período, que revolucionou a moda feminina foram os decotes nas costas, enormes que chegavam até a cintura. A vida ao ar livre trouxe para as mulheres uma aparência bronzeada, os cabelos ficam mais alongados e os chapéus de longas abas ou os pequeninos, eram o grande charme. Godê, evasê e sereia eram os cortes mais usados. Surgiram os tecidos sintéticos, e o cetim completou o glamour de 30. Os homens seguiam variando seus trajes em largura de calças e colarinhos, a novidade foi o chapéu de palheta. Porém, a alta costura fez da mulher seu ponto importante, inclusive nos grandes nomes da moda: Madeleine Vionnet surge com sua moulage; Madame Grés, abusava dos drapeados; e ainda Jeanne Lanvin e Nina Ricci. Mas houve homem que escreveu seu nome na história do vestuário, Cristóbal Balenciaga, que terá seu ápice nos anos 50. A década de 30 vê em seu fim o início da II Guerra Mundial afugentando da Europa os grandes nomes da moda, fugidos da grande crise que avassalaria boa parte do mundo.

A crise de 29 (1930) - por Stela Vasconcellos para Núria Roupas Acessórios - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Marcos Senna - com Liara Gonçalves

II Guerra Mundial A década de 40 iniciou já em meio aos conflitos da 2ª Guerra Mundial, porém, mesmo com o racionamento imposto pelos governos e a limitação de tecidos possíveis para confecções, a moda sobreviveu. Grandes estilistas fecharam suas maisons, pois Paris já estava ocupada pelos alemães. O Brasil vivia o auge da ditadura Vargas, que desde 1939 promovia a censura, provocando o fechamento de diversos jornais do país. A censura, de Vargas, mesmo podando comportamentos, enalteceu o nacionalismo e o trabalho, além de ter sido um grande impulso para o início de diversos pensamentos de identidade e engajamento cultural brasileiro, na sociedade. No Rio Grande do Sul, a política nacionalista de Getúlio oprimiu os imigrantes, que aqui haviam se instalado. Essas medidas enfraqueceram a economia, promovendo o êxodo rural, das colônias, que vieram a se transformar em princípios de favelas na capital do estado. Em Bagé, o comércio local se firmava, e grandes boutiques iniciavam a oferecer cada vez mais alternativas de vestuário, burlando as dificuldades do período. Muitas modistas locais começavam a produzir o que as bajeenses sonhavam, já que, desde a década anterior, as revistas de moda circulavam com maior popularidade no Brasil. A moda usou dos artifícios da criatividade para ultrapassar o momento de escassez que sofria com a II Guerra Mundial. Não havia cabeleireiros e as mulheres resolviam este empecilho com chapéus e lenços ou com grampos. Por razão disso, despertou o interesse das mulheres pelos chapéus nas mais diversas formas, foi o reinado das chapelarias. Outro aspecto que a guerra prejudicou, foram as meias finas, o náilon e a seda estavam em falta, fazendo com que ela desaparecessem do mercado e fossem trocadas pelas meias soquetes ou pelas pernas nuas. Algumas mulheres, inclusive, riscavam a costura das meias nas pernas com tinta para fingir que as vestiam. As bicicletas substituíram os transportes públicos e, por isso, algumas peças sofreram alterações, para serem mais práticos. As bolsas ficaram a tira colo, tanto as grandes quanto as pequenas, e as saias-calças

II Guerra Mundial (1940) - por Leko Machado para Georgina Modas - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Estética Fêmina - Tânia Camargo e Tainá Britto - com Daniela Rosa

retomaram sua importância. Carmen Miranda, que fazia da alegria um ilusionismo, durante este período, ajudou a difundir o uso dos sapatos plataforma. Os homens sofreram total estagnação na moda de 40. Essa aparência, mais séria e pesada, durou até o final dos conflitos. A guerra fez com que as mulheres iniciassem o hábito de reformar suas roupas e utilizar tecidos alternativos no lugar dos mais sofisticados, utilizados anteriormente. A viscose, o raiom e as fibras sintéticas foram as alternativas que as mulheres usaram para continuar na moda à baixo custo. Os casacos tinham ombros acolchoados angulosos e cinturões. O tweed pesado e resistente, foi muito usado na época. As saias estavam mais curtas, com pregas finas ou franzidas; as calças compridas já não eram um tabu e trouxeram a praticidade. Ainda havia os vestidos, que imitavam saia com casaco. O ano de 1945 protagonizou o fim da guerra, trazendo de volta a alegria da sociedade. Os Estados Unidos, que não foram palco da guerra, estavam com a indústria consolidada, originando o ready-to-wear que transformaria a confecção das roupas. Esse formato produzia roupas em escala industrial, em diversos tamanhos com qualidade e agilidade, promovendo uma mudança irreversível para o universo da moda. O pós-guerra possibilitou o ressurgimento de Paris, com um inteligente projeto de marketing : uma exposição em miniatura de grandes obras de costureiros famosos como Balenciaga, Balmain, Dior, Givenchy, entre outros. As meias de nylon voltaram a ser confeccionadas e surge o bikini, duas peças (criado por Louis Réard e assim batizado por conta do bombardeio atômico sofrido pela ilha de Bikini, no Pacífico). Em 1947 Dior lança uma de suas grandes criações no mundo da moda, o new look, que devolveu às mulheres o glamour e o luxo perdidos com a guerra, a feminilidade volta à tona: saias rodadas e compridas, cintura fina, luvas e sapatos de salto alto que consagrariam a década seguinte. Sem deixar de citar outros grandes nomes da época como Elsa Schiaparelli, Jacques Fath, e muitos outros.


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O clássico 50 Declarado o renascimento da feminilidade a partir da criação de Dior: o new look. A década de 50 está em nossas memórias pela chegada da televisão, pelo início das mudanças (aparentes) comportamentais da sociedade e pelo esplendor da alta costura. A Europa via Paris brilhar, no universo da moda, como nunca. Lançou novas linhas e tendências utilizadas até hoje. O mundo assistia a “idade de ouro” do cinema e a Globalização iniciava a ser uma realidade. Quem nunca ouviu falar em algum destes clássicos do cinema: “Cantando na Chuva”, “Um Bonde chamado Desejo”, “Luzes da Ribalta”, “Os Homens Preferem as Loiras” e “Juventude Transviada”? A década de 50 fabricou celebridades, estereótipos e sonhos. O mundo queria o glamour das telas e, a moda, como sempre, acompanhou os anseios da sociedade. O Brasil vivia o início dos Anos Dourados, pois havia recebido durante a guerra, dos EUA, somas significativas de recursos que financiaram diversos empreendimentos e novos projetos no país. Em Bagé, vivia-se com luxo o início da era de ouro brasileira, a sociedade fervorosa interagia em bailes semanais, que ficaram na memória saudosa dos bajeenses que vivenciaram tal período. A Exposição-feira era uma das grandes datas do calendário bajeense do período, assim como os Bailes de Debutantes. A moda trouxe Dior, Balenciaga, Givenchy, Nina Ricci e Chanel, estilistas que resgataram toda feminilidade da mulher. O período se caracterizou, principalmente, pela cintura mar-

O clássico 50 (1950) - por Roberta Hecht para ASM - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Estética Hilda Pinheiro e Eliézer da Luz - com Antonio Machado, Adrielli Scardoelli

cada e as saias rodadas permaneceram com destaque. Os scarpins complementavam o visual, assim como chapéus de aba larga, bijuterias, imitando joias, e as indispensáveis luvas. Diversas propostas de volume foram criadas, surgindo as linhas H (tubinho), A (abrindo os vestidos da cintura para baixo) e Y (evidenciando golas). Ainda apareceram os chemisier, inspirados nas camisas trazidas do guarda-roupa masculino. Nessa mesma época as pinups caricatura-

ram essa nova fase feminina, através das divas do cinema Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, Jane Fonda, Betty Boop, exemplos ícones de beleza e sensualidade até os dias de hoje. O fim da escassez dos cosméticos motivou uma infinidade de novidades nesse campo. O clima era de sofisticação e era tempo de cuidar da aparência: houve o lançamento do arsenal completo dos olhos das mulheres composto por sombras, rímel, lápis para os olhos e sobrance-

lhas, além do insubstituível delineador. Os cabelos experimentaram, pela primeira vez, as tinturas, loções alisadoras e fixadoras. Os homens usaram ternos sóbrios e gravata, fazendo do colete uma peça démodé. Já os jovens rapazes incorporaram o estilo rebelde, por influência de James Dean e Marlon Brando, no cinema, e de Elvis Presley, na música: calça jeans com a barra virada, camiseta branca e a jaqueta de couro. Os jovens começaram a procurar sua identidade e uma moda específica. A cultura juvenil passou a ter força na década de 50, porque buscava reconstituir uma prosperidade perdida durante os anos da guerra. Vieram os cardigãs de malha, sapatos baixos, meias soquete e rabo de cavalo, compondo a linha batizada de college. Apareceram também as calças compridas cigarrete, usadas com sapatil ha . Era a popu larização do sportswear redefinindo as silhuetas. O fim da década escreveu o inicio da confecção em massa, o ready-to-wear, que revolucionaria a moda e se apresentava como a grande oportunidade de democratização da mesma.

60’s On The Road Iniciam os anos 60, época de verdadeiras mudanças, adaptações culturais e sociais. Foi quando o homem pisou na lua e os jovens disseminaram seus ideais de estilos diversos e paz ao som de muita música boa. A década de 60 foi o berço de muitos dos grandes artistas da música, idolatrados até os dias atuais. Muito se ouve o saudosismo dos que defendem as cabeças criadoras deste período, declarando-o como único na música e na moda. A partir de agora a moda não terá, nunca mais, um único caminho certo, haverá uma infinidade de proposições. A televisão e a publicidade, em cores, provocaram um consumismo jamais visto anteriormente, tendo os filhos do baby-boom como os grandes protagonistas da década. Era o avanço da liberação feminina, das passeatas em busca de novas conquistas, início da Bossa Nova e dos festivais, da Garota de Ipanema, dos hippies, dos Beatles e dos Rolling Stones, do bicampeonato no futebol, e, ainda, do Golpe de 1964, que mudou tudo. Nos períodos anteriores não seguir a ditadura da moda era sinônimo de inferioridade social. A partir dos anos 60, ser diferente era muito mais que ter personalidade, era demonstrar a liberdade dos novos tempos. O ready-to-wear se consolidou totalmente na Europa (lá pret-à-porter), possibilitando que os pensamentos da cultura jovem progredissem: a moda tornou-se unissex e provocou uma espécie de uniformização de “tribos” e estilos. O vestir tornou-se sinônimo de comportamento! Essa reviravolta na moda produziu uma profunda crise na alta costura e as grandes maisons se viram obrigadas a expandir seus leques de produtos. Assim grandes marcas de roupas tornaram-se de acessórios e perfumaria com a tarefa de manter o mesmo status, qualidade e sofisticação anterior. Porém, o pret-à-porter apenas engatinhava no Brasil. Fosse qual fosse a tendência, as boutiques tentavam se aproximar do que era mostrado nos desfiles internacionais, importando tecidos, copiando peças e tentando antecipar o fenômeno da confecção ready-to-wear ou prêt-à-porter. Paris continuava sendo o berço da moda mundial, abastecendo os olhos dos fashionistas de criações cada vez mais ousadas e interessantes. Courrèges, Pierre Cardin, Yves Saint Laurent (discípulo de Dior), Pacco Rabanne, Mary Quant e Emílio Pucci, foram alguns dos nomes que surgiram na década de 60 e estão eternizados, até os dias de hoje, no mundo da moda. Cada um deles carimbou sua criatividade e contribuição artística para a moda: Courrèges trouxe dinamismo com as minissaias; Saint Laurent transportou peças do guarda-roupa masculino para o feminino com muita classe e distinção, além de eternizar as estampas geométricas em suas criações; Pierre Cardin trouxe, pela primeira vez, o futurismo como tendência fashion; Pacco Rabanne trabalhou com materiais inéditos que, também, faziam alusão ao futuro, Mary Quant também é tida como a criadora da minissaia, porém a mesma diz que nem ela, nem Courrèges criaram, que esta foi uma criação da rua! Por muito tempo a minissaia fez a cabeça das mulheres dos anos 60, com 30 cm de comprimento espalharam o nome de Mary

' 60s

on the Road (1960)

- por Gleider Ayres para Salim Kalil - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Estética Lauar - Chris Prates - com Thamires Sonaglio, Rafael Ritta Quant no mundo, e sua loja, Bazaar chegou a ter 470 filiais entre Inglaterra e EUA. Mas ainda tinham os tailleurs com mangas três quartos, tubinhos variados, terninhos e saias godês faziam a moda da época. A idade da minissaia assistiu o início da emancipação feminina na sociedade, da mulher que dança, mas não mais nos braços dos homem, que toma anticoncepcional, que faz escolhas. As cores surgem com força total nas estampas. Os cabelos armados, e se poucos fossem, valiam perucas! Brincos e pulseiras de plástico e mais um turbilhão de sintéticos que davam brilho e contrastes vibrantes à moda. Emilio Pucci foi o criador das estampas mais fashion do período, conhecidas mundialmente e precursoras de uma moda geométrica e psicodélica, conhecida como op art, redefinindo a moda do final da década. Outra manifestação artística do fim dos anos 60 foi a pop art, que destacaram Andy

Warhol e Roy Linchtenstein. Os rapazes foram influenciados pelo “jeito Beatle de ser”, com seus ternos ajustados, gravatas finas e muito estilo, enquanto Frank Sinatra enchia de charme as telas dos cinemas mundiais. O trio Roberto, Erasmo e Wanderléa traziam uma pitada de romantismo para moda brasileira. Mais ao fim da década, os homens viveram uma grande mudança no seu estilo, talvez a maior de todas até então: os ternos foram menos usados dando espaço às jaquetas com zíper, gola alta, botas, calça mais justa e as camisas coloridas e estampadas. Além do início do uso de enfeites e acessórios, antes tidos como femininos. O homem iniciava a respirar do Universo Fashion. No Brasil com apoio da Rhodia, começa uma série de desfiles de moda na Fenit, que foram determinantes para alavancar a moda no país. A Revista Manequim, a primeira revista de moda brasileira, já servia os antenados desde 1959. O futurismo, que invadiu a moda, se refletiu no Brasil embalado com a construção de Brasília, o avanço da medicina e a TV à cores. Na metade da década acontece o Golpe de 64, que instaura no Brasil a ditadura militar depondo Jango, atual presidente do país. Esse período político destacou o Rio Grande do Sul no cenário nacional através do, então deputado, Leonel Brizola que era contra o Golpe. Ainda no mesmo estado, Ieda Maria Vargas, a gaúcha que foi Miss Universo, em 1963 fez o Brasil comemorar o título, assim como uma Copa do Mundo. Bagé era uma cidade tranquila onde as pessoas conviviam mais. Vizinhanças inteiras se reuniam para o chimarrão no fim da tarde. As artes plásticas mostravam uma feição expressionista, onde, muitas vezes, tinha cunho social e regionalista. Destaca-se a atividade de artistas como Francisco Stockinger, Vasco Prado, Iberê Camargo e os membros do Grupo de Bagé e do Clube de Gravura de Porto Alegre. O final da década de 60 viu o surgimento do movimento hippie que, principalmente, contestava a Guerra do Vietnã: “Em 1968, esse jovens, em passeata por Washington contra a guerra, colocaram flores nos canos dos revólveres e espingardas dos policiais norte americanos. Verdadeiramente era o “Flower Power” (Poder da Flor), um dos slogans do movimento hippie, além do obviamente famoso e mundialmente difundido “Peace and Love” (Paz e Amor). Outro mote também de extrema importância foi o “Make Love Not War” (Faça Amor, Não Faça Guerra) e, sendo assim, os jovens, com seus valores, foram se firmando com seus conceitos e suas modas”. (BRAG A , 2007, p.90) Para marcar este movimento, que fechou a década de 60 e, também, foi muito importante para a década que viria, houve o festival mais conhecido de todos os tempos: Woodstock, que trouxe grandes nomes da música para cantar por paz e amor. Filmes, livros, peças de teatro, musicais e canções usaram este acontecimento como grande inspiração artística até os dias de hoje.


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A Era de ser Livre Acabam os Beatles, a Guerra do Vietnã, o rebolado de Elvis Presley. Porém a televisão inicia, definitivamente, a abrir as portas do mundo, tudo podia ser visto por todos. Estamos na era dos movimentos musicais, pacifistas e ambientais, do auge da ditadura brasileira e da exaltação pela nacionalidade e liberdade de expressão. Preste atenção, que é dos anos 70 que nós vamos falar! É a diversificação da moda, do surgimento de diversos estilos: Hippie, New Romantic, Disco, Punk, Glam Rock, o que você vestiu? Foi a década da difusão dos grandes bureaux de estilo, empresas que se dedicam inteiramente à pesquisa de tendências que vão surgir na moda, ou seja, quem dita a “moda de massa”. Estamos na Era de ser Livre A moda da década de 70 mostrou ao mundo um jeito diferente de se viver, cada um poderia ser o que gostava, sem regras, sem medo de cometer enganos, apesar da crise econômica mundial e da censura militar no Brasil. Mesmo com a recessão americana, o Brasil vive sob o efeito do tri campeonato mundial de futebol e do milagre econômico, que o colocou como 9ª economia mundial mais forte. Só para o fim da década a situação mudou, com a segunda crise do petróleo. O Rio Grande do Sul, assim como todo o país, vive uma fase cultural reprimida, devido a grande rigidez da ditadura nacional, desse período, que promovia a censura contra as expressões artísticas em geral. Tal momento fez florescer a exaltação do sentimento gaúcho, assim como o nacionalista no país e, como exemplo disso, iniciou a Califórnia da Canção Nativa, que se ramificou por todo estado. Ainda em termos político-sociais, a boa fase econômica, do início da década, patrocinou diversas obras públicas pelo Brasil, muitas em Porto Alegre considerada capital de um dos estados – motores – da economia nacional. Em Bagé, no entanto, vivia-se uma vida pacata onde o ponto de encontro era a Bomboniérie do Samir ou na confeitaria do Clube Comercial; já as festas aconteciam no bar Tropicalha. Ainda usava-se o trem e a Difusora mantinha as sessões vermut no MiniCine. Não se esqueçam que domingo era dia de matiné, no Avenida. O Alaor já apitava pela cidade e o Franquito cantava Elton

A Era de ser Livre (1970) - por Emília Rosa para Loja Chili - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Marcos Senna - com Álvaro Kaiser, Marcinha Rodrigues

Jhon na frente do IMBA e do Comercial. Só que se a conversa é sobre moda, era no Bazar da Moda ou na Elegância Paris que o fashionismo acontecia. O movimento hippie, que iniciou a década, produziu o estilo new romantic privilegiando flores, rendas e acessórios românticos; houve a tendência da mulher independente e trabalhadora, usando ternos masculinizados; também a moda esportiva, com os conjuntos de calça comprida e agasalho em moletom. As calças jeans foram peças muito usadas, em diversos modelos. Havia as boca de sino do início da década, as tradicionais, no decorrer dos anos e as semi-baggy e baggy do final do decênio. A moda glam também se lançou nesse período, esteve ligada aos grupos musicais do estilo glam rock, como David Bowie, Rod Stewart, Elton John e outros. O visual defendia muito brilho e a

marca registrada foi a bota plataforma de cano alto. A mistura do masculino com o feminino mostrou uma mulher mais poderosa, e um homem mais ousado. A minissaia ficou micro e passou a dividir espaço com outras peças, entre elas o short e as saias de comprimento mídi e máxi. As estampas psicodélicas e as cores fortes aliadas a pantalonas, calças knickers usadas por dentro de botas e muito conjuntinho de tudo, até de short com sobretudo, faziam o visual rebelde da década. E as Havaianas? Nasceram como as únicas que não soltam as tiras e nem têm cheiro. A moda dos anos 70 trouxe todo o referencial estético e idealista surgido com o movimento hippie, somado ao black power, que veio com o início dos protestos contra o racismo. A onda black, do fim da década, juntou-se com o filme “Saturday Night Fever” e, aqui no Brasil, com a novela “Dancing Days” embarcando na moda Disco, que continuaria durante os anos 80. Os punks também surgiram no final de 1970, donos de uma ideologia agressiva e de repúdio à sociedade. Vestiram roupas rasgadas, jaquetas de couro preto e botas surradas. Os cabelos espetados e os piercings faziam parte de um visual cheio de muitos detalhes metálicos. Vivienne Westwood e seu marido, Malcon McLaren, líder do Sex Pistols, foram grandes nomes da moda punk, além dos Ramones. Estilistas como Calvin Klein e Ralph Laurent propuseram praticidade, versatilidade e descontração. Assim, o conceito de grife surgiu com a ideia de se ter uma moda mais acessível, porém com uma assinatura de peso. Aconteceu tanta coisa na década de 70, que um resumo não conta o suficiente.

A Década do Exagero

Década do Exagero (1980) - por Julinho Pimentel para Madre Maria - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Estética Hilda Pinheiro e Eliézer da Luz - com Anahy Dalé de Souza

Os movimentos dance, que iniciaram no final da década de 70, foram importantíssimos pra a caracterização da moda da década que surgia. Agora, mais do que nunca, estávamos à vontade para “Abrir as asas e soltar as feras”... Estamos falando da década de 80, tempo de consumismo desenfreado, de Michael Jackson, de Madonna, de Xuxa, que não só contribuíram com música como também, e muito, com a moda. É o início da era da informação e, em contraponto da AIDS que mostrava ao homem, ainda, sua insignificância! Para a América Latina falou-se de década perdida, mas para o universo da moda nada se perdeu! A velocidade de inovações e novas proposições transformam as ruas ocidentais e põe em alerta a criatividade do oriente. Jamais a moda esteve tão em moda. John Lennon é assassinado e a música vive uma nova fase: o mundo assiste o nascimento do estrelato do rei do pop, Michael Jackson, acompanhado de Madonna, Cyndi Lauper, Prince, Bon Jovi e outros. Já o Brasil vê o crescimento do rock nacional com Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Barão Vermelho, Cazuza e companhia. Os walkmans, dos anos 80, ouviram as playlists mais descoladas de todos os tempos. O mundo assiste ao famoso atentado ao Papa João Paulo II e, também, à presidência com maior índice de aprovação de todo século XX na América do Norte: Ronald Reagan, que governou por quase toda década de 80 os Estados Unidos. No Brasil, o movimento Diretas Já inicia, mesmo assim, Trancredo Neves é eleito ainda indiretamente. Com seu falecimento um pouco antes de assumir o cargo, quem o substitui é seu vice, Sarney. É o fim da ditadura brasileira. A criação da nova Constituição coloca o Brasil na lista dos países capitalistas de política neoliberal, que marcaram toda a década de 80. Bagé inicia a sofrer com o direcionamento da economia do estado para a industrialização. Mesmo assim, a vida social vive a euforia da década. Os bajeenses assistem à modernização da cidade, através da arquitetura e tecnologia. Foi em 1980 que a antiga Estação Ferroviária se tornou o Centro Administrativo da cidade. O entroncamento principal da ferrovia acabou sendo modificado para a cidade de Rio Grande. Na metade da década iniciam os artigos e as reflexões sobre os “anos 80”, prova de que tanto aconteceu em 5 anos, que já era necessário estudar, de alguma forma, tudo aquilo. A sociedade consumista ganhou outro nome: “sociedade do espetáculo”. A década de 80 trouxe consigo a geração yuppie (Young Urban Professionals), que valorizaram a aparência como complemento profissional. Parecer tornase uma necessidade do mundo moderno! A roupa, então, é um fenômeno social, é a tradução das vontades de uma juventude que cansou de utopias e anseia por poder. A

moda foi o grande acontecimento cultural e social do período, todos os holofotes iluminavam as passarelas do fashion world. Evoluída desde a década de 60, a moda deixou de ser uma imposição, trouxe opções: do jeans ao chique, do hiper colorido ao mais profundo preto. O sentido de “tudo” ganhou seu real significado e, finalmente, TUDO era permitido, se com personalidade! Estiveram presentes os justos e os amplos, os coloridos e as cores sóbrias, o simples e o exagerado. Havia um universo de possibilidades, uma pluralidade de várias realidades. Couro, ombreiras altas, sensualidade, estampas, a febre da ginástica e do culto ao corpo. E então, definiram-se as tribos, diversas subculturas nasceram, ditando moda pelos subúrbios do mundo e, anos mais tarde cairiam no gosto popular. Como, por exemplo, os punks, que se multiplicaram em góticos e darks. Tinham o preto como “lei”, mas um ideal de fundo romântico e nostálgico. A França pela primeira vez deixa de ser o único polo dominante, Inglaterra, Alemanha e, inclusive, estilistas japoneses viraram referência, trazendo a limpeza da década e o slogan “menos é mais” como rei Kawakubo e Yohji Yamamoto. O look exagerado e poderoso se manteve mais para as mulheres já posicionadas no mercado de trabalho: enormes ombreiras; com cintura e quadris também salientados. Inspirar-se no guarda-roupa básico masculino foi tendência e trouxe diversas peças para o guarda-roupa feminino, assim como permitiu aos homens aderirem ao “truque da ombreira”. Os anos 80 quiseram ver reflorescer a alegria dos loucos anos 20 e de diversos outros tempos, quiseram mostrar que ser desta década é diferenciar-se. Não era possível uma explicação, era uma moda que se compreendia imediatamente. A moda acompanhou a pressa dos tempos, e a cada seis meses, através dos desfiles, as coleções mudavam completamente. Como disse Baudot (2008) “A moda é uma competição e shopping um esporte”. A década de 1980 desenvolveu as “fashion victms”, pessoas que seguiam freneticamente os passos e criações relâmpagos de quem ditava moda: Giorgio Armani, Christrian Lacroix, Jean-Paul Gaultier, Kenzo, Karl Lagerfeld, Ralph Lauren, Thierry Mugler, Azzedine Alaia. A velocidade da criação com a busca pela singularidade transformou moda em indústria do luxo e fez o novo revisitar o velho para não se esgotarem as ideias. Releitura foi uma fuga e tanto. A moda ganhou o status, que de fato tem e, François Mitterand, presidente da França no período, disse, quando reinaugurou a ala das Artes da Moda no Louvre: “Os países que não conhecem a moda são os países do uniforme”.


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O Individualismo A partir das reflexões de Braga (2007), a década de 90 trouxe a seguinte máxima: “A falta de identidade passou a ser a identidade”. Estamos falando do período em que sofremos uma enxurrada de informações e tivemos acesso ao maior número de referências em menor tempo da história sabida, até então. O período que o celular tornou-se indispensável, que morream ícones e nasceram clones. 1990 possibilitou às pessoas a liberdade de expressão quanto ao que vestir: era possível, a cada dia, ser pertencente a uma tribo diferente e não sofrer nenhuma espécie de estranhamento das outras partes. Um legítimo supermercado de tendências que mostrou desde um superficialismo consumista até a militância ambientalista e antiglobalizante. Este período assistiu a ascensão do primeiro mundo, a queda histórica do comunismo e, com isso, os efeitos colaterais da Guerra Fria como o início do terrorismo, especialmente na Ásia. O Brasil elegia Fernando Collor de Mello, que protagonizou um dos golpes mais indignantes da história política brasileira, elevando a inflação em 1200% ao ano, além das denúncias de corrupção política junto a Paulo César Farias. Foi então que o Brasil organizou uma das mais bonitas manifestações públicas, com objetivo político-social: Os Caras Pintadas. Este movimento foi formado por milhares de estudantes, em todo o país e clamou pelo impeachment de Co llor, com sucesso! Bagé iniciou uma breve crise econômica devido a industrialização da economia do estado, já percebida na década anterior. Com isso a população desenvolveu um pensamento de que a cidade era insuficientemente produtiva. Assim houve um enorme êxodo da juventude, que buscou estudar e profissionalizar-se fora da cidade. Felizmente, hoje, vivemos outros tempos. De qualquer forma, mesmo com a grande lista de decisões equivocadas, Collor colaborou muito com a globalização da moda no Brasil. Das muitas infelizes atitudes a abertura do mercado nacional às importações, que se somou à informatização, fez com que todos nós tivéssemos acesso aos mais diversos grupos e/ou "tribos da moda". Apareceram os grunges, os clubbers, os drag queens, os ravers, e muitos outros. Voltamos, timidamente, à estética dos anos 70 e aprendemos a fazer releituras, 60 e 80 também entraram na moda. Em resposta aos excessos da década de 80, a segunda metade dos anos 1990 se caracteriza pelo “menos é mais”, nos tor-

namos minimalistas e decidimos quais seriam as peças básicas e clássicas do nosso guarda-roupa, hoje, cheio de possibilidades. Um grande marco de estilo dos anos 90, impulsionado pelo rock, foi o grunge, que influenciou a moda e o comportamento dos adolescentes com seu estilo despojado de calças/bermudões largo. Sem esquecer da camisa xadrez, verdadeira coqueluche presente mesmo nos armários mais tradicionais. Ainda com influência da década anterior vieram os jeans coloridos e blusas segunda-pele alavancando a moda íntima e trazendo peças para serem usadas à mostra. Houve também uma proposta de “desconstrutivismo”, principalmente por Martin Margiela, que complementava o estilo: bainhas ficaram desfiadas e as costuras overlock aparentes. As ideias politizadas trouxeram a preocupação ecológica e teve reflexos na moda nos anos 90. Muitos estilistas aderiram à este novo pensamento e denunciaram as agressões à natureza, como Gianni Versace e Moschino. Karl Lagerfeld assume a criação da Chanel e inicia uma onda de rejuvenescimento empresarial no universo fashion. Inspiradas pela Chanel, outras marcas seguem o caminho como a Dior, Givenchy, Prada, Gucci, SaintLauret, entre outras. Esse novo ambiente de moda trouxe à tona a profissão que faria a cabeça das meninas de 1990: as top models. Surge Naomi Campbell, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Kate Moss e, inclusive, Gisele Bündchen que, mais tarde, ganharia o nome ícone de Übermodel. Na tecnologia têxtil, a microfibra evoluiu muito, então surgem tecidos de alta performance tecnológica, conhecidos como tecidos inteligentes. As pessoas passam a não se preocupar apenas com o preço e aparência que a roupa lhes proporcionava, mas também com a forma com que eram produzidas, assim, surgem novas fibras ecológicas, meios de beneficiamento menos agressivos, entre outras ações que visavam a preservação do meio ambiente. Inovamos e recriamos: o esporte teve brilho, ser sexy não era vulgar, animal print podia ser fake, a praia ficou chic. Só glamour não bastava, tinha de ter excentricidade. Tanto no cabelo como na maquiagem, a moda respondia a ideia de cada dia poder ser de um estilo – os cabelos encurtaram, ficaram mais lisos e comportados, o rosto recebeu menos cores e brilho, tudo muito clean. A toxina botulínica, o botóx, foi a revolução antirrugas que se consolidou nessa década. As câmaras de bron-

Individualismo (1990) - por Iracema P. Isquierdo para Loja Primalli - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Marcos Senna - com Maria Eugênia Silveira zeamento se popularizam fazendo da aparência dourada uma forte característica de 1990. Outros tratamentos estéticos iniciaram e teriam a década de 2000 como grande aliada. Não foi mesmo?

Década da Transformação Iniciam os anos 2000, a Era da Globalização, tempo em que o jovem é o grande formador de novos conceitos. Foi nesta década que o Brasil entrou na moda tanto no exterior como no próprio país. A década mais quente dos últimos tempos, o clima ficou louco, efeito colateral do aquecimento global. Como precisamos de energia renovável, a tendência fashion também foi reciclar. É a consolidação da internet como meio de comunicação difusor de pensamentos, tecnologia e moda. Os anos 90 foram marcados pelas privatizações, já o início dos anos 2000 pelo enfraquecimento do neo-liberalismo. Dados apontam que a economia mundial inicia uma de suas melhores fases desde 73. O Brasil vê Luís Inácio Lula da Silva alcançar a presidência do país. Nunca, na história brasileira, a posse de um presidente mobilizou tantas pessoas: mais de 150 mil foram à Brasília presenciar o momento. O mesmo governo que trouxe esperança de mudança e igualdade à maioria dos brasileiros trouxe uma série de escândalos políticos à tona. Ainda assim Lula se reelege e, após seu último mandato, é o grande responsável por eleger, em 2010, a primeira mulher presidente do Brasil. Bagé iniciava sua recuperação econômica, experimentava a volta do orgulho das pessoas em serem bajeenses. Foi um tempo de resgate histórico e valorização do passado de glórias da Rainha da Fronteira, iniciando pela restauração de prédios históricos até a valorização das nossas raízes. A moda continuou recapitulando o que viveu. Trouxe dos anos 1950 o ladylike, a feminilidade com a cintura marcada, cores doces e delicadas. Somou a isto, cuidadosamente o colorido dos anos 1960 e boas doses da energia dos 1970. Não se esqueceu de mesclar com a

Década da TTransfor ransfor mação (2000) ransformação - por Bia Barcellos para Sposabella - Produção: Kelly Pinheiro - Hair'n Make up: Estética Lauar - Chris Prates - com Bruna Robaina, Sergio Rodrigues

ostentação dos anos 1980. Foi a grande década das tops brasileiras: Gisele Bündchen, Isabeli Fontana, Adriana Lima, Alessandra Ambrosio, Isabel Goulart, Ana Beatriz Barros, Letícia Birkheuer, Ana Claudia Michels, Jeisa Chiminazzo, Raica Oliveira, Fernanda Tavares, Carol Trentini e Raquel Zimmermann, entre tantas outras, sacudiram as passarelas. Acabou a ilusão de que bom é o que é importado. Antes tarde do que nunca, não é mesmo? Os criadores nacionais passaram a acreditar na identidade brasileira para encantar o público mundial. Era uma vez o país que plagiava a moda européia e norte-americana! Adquirimos conteúdo fashion e a personalidade brasileira chegou á roupa. Dentre as "tribos", os

clubbers vivem seu auge no inicinho da década e, além disso, o movimento gótico tem expressivo aumento. Entre os adolescentes surge a moda emo. Piercings e tatuagens se tornam cada vez mais comuns. Surgem os tênis com amortecedores e botas com plataforma, quem não teve? Os cabelos arrepiados viram febre entre os homens e, para as mulheres, surgem as famosas escovas progressivas. Tornam-se comuns os concursos de moda, para descobrir novos estilistas e designers talentosos. Criadores não poderiam ter melhor oportunidade para mostrar sua capacidade. E não só os estilistas buscavam novidade, os tecidos também propuseram novidade e tecnologias avançadas para acompanha-

rem os novos tempos. Tecidos de alta performance, a reafirmação da moda esportiva e das cores fortes criaram possibilidades infinitas de estilo. Para os profissionais brasileiros essa foi à oportunidade para se fixar no mercado: Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, Gloria Coelho, Huis Clos, Isabela Capeto, Lino Villaventura, Reinaldo Lourenço entre outros. O calendário oficial de moda brasileira, com o SPFW, colocou o Brasil no mapa da moda, e então o país produzia e exportava estilo. Depois da metade dos anos 2000 houve uma nova maneira de pensar, que declarou o fim absoluto do luxo ostensivo e do glamour extravagante. A roupa tinha que ter conforto, facilidade, durabilidade e, acima de tudo estilo, muito estilo! As principais tendências foram: passado-presente, inspiração veio das décadas de 1960, 1970 e 1980, mas com um toque de novo milênio; clássicos, o navy, masculino x feminino e romantismo; sexy glam, sensualidade high tech e atitude blasé; mix de estilos, esportivo e glamoroso, oriental e ocidental; high tech, novos materiais, novas texturas, muito brilho; esporte, roupas inspiradas nas peças usadas para praticar esportes, mais ousadas e chics. E agora, qual história da moda nós vamos escrever?


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Documentários Os livros, realmente, são maravilhosos, no entanto desde muito pequenos nos fascinamos ouvindo, com grande atenção, as histórias que os adultos nos contavam. Fictícias ou não, o prazer de ouvi-las transforma as simples palavras, de uma história, em um misturado de emoções que nos leva á um passo da realidade daquele momento. Seria impossível contar qualquer história se não houvesse a colaboração das pesso-

as, suas vivências, lembranças e conhecimentos. Dessa vez não foi diferente! O Bagé Sob o Olhar da moda, desde sua idealização, propôs que a história de Bagé fosse brevemente contada através da Moda e, ninguém melhor que as pessoas, que aqui vivem, para contar essa história! O esboço inicial desta etapa previa fragmentos de história para que, em um dado momento, unidos, se tornassem o todo. Através da

Stratégia Agência de Comunicação e Marketing, ficamos com a faca e o queijo na mão, ou seja, câmera e microfone para o grande trabalho. Entre idas e vindas da capital, gravações e fotografias começamos a documentar uma história jamais antes percebida entre os bajeenses. A riqueza de dados e curiosidades contadas durante as gravações dos depoimentos foi tanta, que a produção do evento, juntamente com

a organização do COBAME, decidiu ampliar o projeto inicial e desenvolver o primeiro relato sobre a história da moda bajeense. Talvez, ainda hoje, caros leitores, não seja possível perceber a importância deste documento, porém com o tempo, sem sombra de dúvidas, teremos a consciente certeza de que fizemos muito pela conservação da nossa história, cultura e costumes. Hoje, dia 23 de setembro

de 2011, às 19h 30 minutos, no Clube Comercial iremos assistir flashs deste documentário, que muito em breve prevê seu lançamento na íntegra . Agradecemos, mais uma vez, a disponibilidade de todos os nossos participantes e a grande equipe da Stratégia Agência de Comunicação e Marketing.

Do cu me ntário B ob o Ol har ddaa M o da cume men Baa g é SSo Olh Mo Im ag e ns M o ck et el ly P iç ão SSttraté g ia Ag mun ic aç ão e M Maa rc elo R Ro cket ettt e K Kel elly Piin hei heirro | Ed Ediç ição iaAg Agêê ncia de Co Com icaç ação Maarket etii ng


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Documentรกrios


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Agradecimentos O Conselho Bageense da Mulher Empreendedora agradece a todos que colaboraram para a realização do Bagé Sob o Olhar da Moda, inclusive as pessoas que emprestaram fotos, roupas e objetos que fazem parte da exposição.

Lojas:

Fotógrafos

ASM Chili Cia dos Detalhes Don Juan Georgina Modas Madre Maria Magui Modas Maria La Teja Núria Roupas e Acessórios Primálli Salim Kalil Sposabella Strelitza Temppo

Alexandre Teixeira Bia Barcellos Cristiano Lameira Diones Alves Photografia Emília Rosa Foto Everest Francisco Bosco Gleider Ayres Iracema Isquierdo Jorge Goulart Julinho Pimentel Leko Machado Roberta Hecht Stela Vasconcellos

Cenário das fotos Bosque do Palacete Pedro Osório Cantegril Clube de Bagé Catedral de São Sebastião Centro Cultural Museu Dom Diogo de Souza Clube Comercial Frigorífico São Domingos Hotel do Comércio IMBA Praça Rio Branco V8 3º R C MEC Residência Família Contreiras Residência: Maria do Carmo Kalil Residência: Ricardo e Eliane Kalil Residência: Terezinha Garrastazu

Hair`n make up stylists Chris Prates (Estética Lauar) Eliéser da Luz (Centro de Estética Hilda Pinheiro) Marcos Senna Tainá Brito e Tânia Camargo (Estética Fêmina)

Apoio em mídia

Colaboradores

Prefeitura Municipal de Bagé Secretaria Municipal de Cultura Departamento de Água e Esgo tos de Bagé RBS TV Bagé

-Barriga Verde -Casa de Cultura Pedro Wayne -Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Ciências Exatas Ambientais da URCAMP -IMBA -Moinhos Shopping -Museu Dom Diogo de Souza -Plancópias -Salton -Samir Armarinhos -Secretaria Municipal de Atividades Urbanas -Stratégia Agência de Comunicação e Marketing -York Modas

Um carinho a Bagé... “... Assim como o Rio de Janeiro é especial para se passar o inverno. O Casino para se fugir do verão. São Paulo para quem quer se meter em negócios. Recife afim de passear. Bagé é para se passar a vida... Há cidades que se carrega nos olhos. Não vão além de nossas retinas. São puros panoramas. Outras para serem trazidas no paladar. Valem pelos bons pratos que apresentam. Ainda se encontra as que se leva nos ouvidos. Atraem pelas músicas, dansas, can-

ções populares, ruído das aguas, murmúrio dos galhos e das folhas. Há as que ocupam nosso tacto. Para impressionarem precisam ser tocadas com as mãos. Merecem nossas visitas pelo ouro que dão e as pedras preciosas que contêm. Também existem as que insinuam pelo olfacto. Prevalescem em nós pelo perfume das flores que apresentam, das essências odorosas que dispões. Bagé é diferente. Não está classificada entre nenhuma destas. Bagé se infiltra em nós. Se

dilui no nosso sangue. Circula por todo nosso corpo. Bagé se carrega no coração.” ( por Pedro Wayne – Revista Bagé 1937) Em meio às pesquisas para o Bagé Sob o Olhar da Moda, Kelly Pinheiro, através de uma revista emprestada por Elizabeth Fagundes, encontrou o que decidimos como as últimas palavras deste caderno. Façam do sentimento do Pedro Wayne, a homenagem que o COBAME e a produção deste evento desejam transmitir à querida Bagé.


Caderno Bagé sob o Olhar da Moda 2011 completo  

Caderno completo sobre pesquisa e evento que contou a história dos 200 anos da cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul - Brasil, através da per...

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