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Revista

HOSPITAL DE BASE Ano A no I nºº I - 2009 200 009 9

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60 ANOS NA IMPRENSA


Hospital de Base - dĂŠcada de 70

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Rio Preto terá o maior hospital pediátrico do Brasil

Com um investimento de R$ 30 milhões de reais, o Hospital da Criança de Rio Preto, será o maior do Brasil totalmente direcionado para o atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde, está sendo construído em uma área com mais de 22 mil metros quadrados com 255 leitos, sendo 87 para UTI Neonatal e Pediátrica, 120 para internação, 31 para maternidade e gestação de alto risco e 17 para o berçário. A direção do HB será responsável pela administração do novo hospital, que terá 10 andares, além de um anexo com outros dois pavimentos. A unidade será referência para todo Brasil, em atendimento, diagnóstico e tratamento de doenças infantis, dentro dos padrões internacionais de qualidade com vistas e uma concepção integral de saúde. “O hospital é um importante passo para a descentralização da saúde na Capital. Ele vai levar saúde de qualidade para todo Estado e também para crianças de outros Estados do país”, afirma o governador do Estado de São Paulo, José Serra. A obra, que começou a ser construída no segundo semestre de 2007, é idealizada há 13 anos e deverá ser entregue em março de 2010.

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Hospital de Base fecha contrato internacional e inédito no país As empresas norte-americanas Mayo Clinic e Children’s Heart Link são as novas parceiras do HB em cirurgias cardíacas infantis O Hospital de Base é um dos poucos centros médicos do país que é referência em cirurgias cardíacas pediátricas, o que lhe rendeu um acordo inédito no Brasil, que trará conhecimentos e troca de experiências. O HB foi escolhido entre cinco instituições brasileiras visitadas, em dezembro passado, pela Children’s Heart Link. “O HB foi escolhido por várias razões, entre as quais, porque realiza mais de 150 cirurgias por ano, dispõe de equipe completa e UTI exclusiva para as crianças, com 16 leitos”, explicou o diretor executivo do Hospital de Base, Horácio Ramalho. O cirurgião cardíaco Ulisses Croti, chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca Pediátrica do hospital, citou também como razões para a escolha, a existência em São José do Rio Preto de uma indústria de produtos cirúrgicos e de uma instituição que oferece amparo às famílias dos pacientes, a Amicc - Casa dos Amigos com Câncer e Cardiopatias. A Mayo Clinic enviou 14 profissionais, entre cirurgiões cardiovasculares, cardiologistas pediátricos, enfermeiros, fisioterapeutas, infectologistas, anestesistas e outros especialistas. “É uma troca de experiência fantástica e uma oportunidade maravilhosa para as crianças que nascem com malformações graves no coração”, disse o cirurgião Ulisses Croti. O cirurgião Joe Dearani, da Mayo Clinic, disse durante a visita que a semana foi extremamente positiva, já que a troca de conhecimentos foi mútua. “As anomalias são praticamente as mesmas, o que diferencia um caso do outro é a maneira com que a cirurgia será conduzida. A semana foi fantástica e aprendemos muito uns com os outros”, ressalta o cirurgião. Assim como Joe Dearani, a responsável pela instituição Children’s Heart Link, Estelle Brouwer, disse que ficou surpresa com o nível dos profissionais da instituição e enfatizou que o contrato, inicialmente de 2 anos, poderá ser prorrogado, inclusive com a ida dos médicos do HB até os Estados Unidos.

Em um hospital, às vezes

tem-se a saúde do paciente

Projetos futuros

em suas mãos, mas sempre se terá a sua dignidade em primeiro lugar. Dr. Jorge Fares Diretor Administrativo

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EDITORIAL

“O Hospital de Base de São José do Rio Preto não é apenas uma referência regional. É uma instituição de alta credibilidade em todo o país, atraindo pacientes de diversos Estados, que buscam tratamentos diferenciados e antenados ao que há de mais novo em termos de pesquisa. É um hospital pioneiro numa série de procedimentos e intervenções, como a primeira cirurgia de sexo feita pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no país. O Hospital de Base é uma das vitrines de São José do Rio Preto no país, contribuindo de forma decisiva no status da cidade de referência na saúde.”

Hárlen Felix, jornalista

Hospital de Base 60 anos na imprensa • Comissão Editorial Arnaldo Vieira Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves • Coordenador de publicação Arnaldo Vieira • Editores Chefes Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves • Editor Assinante Arnaldo Vieira • Colaboradores Allexandre Silva Jaqueline Barros Roger Goulart • Suporte de Redação Marcelo Gomes Silvia Damacena • Textos Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves • Editores de textos Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves • Revisão Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves • Correção de textos Marcelo Gomes

Edição de arte Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves Roger Goularte • Montagem editorial, diagramação e tratamento de imagens Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves Roger Goulart • Material gráfico Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves • Foto da capa Luis Fernando Neves • Fotos Danilo Vieira Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves Arquivo Hospital de Base Intermídia Comunicação Empresarial • Tiragem 2.500 exemplares • Periodicidade Revista comemorativa • Orientação Arnaldo Vieira • Contato Telefone 9171-6066 9102-9811 e-mail: hb-60anos@hotmail.com

• Projeto Gráfico Kele Catarina Perez Luis Fernando Neves

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Hospital de Base: orgulho nacional É com muita satisfação que concluímos esta revista comemorativa de 6 décadas do HB na imprensa. Depois de muito trabalho e dedicação, é hora de entregar a vocês o resultado deste trabalho desenvolvido com muito carinho. O Hospital de Base é um centro de atendimento hospitalar que trata pacientes de alta complexidade de todo o Brasil, sendo referência em diversos procedimentos. Inaugurado oficialmente no final da década de 60, sua história teve início na imprensa já em 1949, quando o jornal “A notícia” divulgou a construção de um novo hospital para a região. O único centro de saúde existente na cidade voltado ao atendimento de pacientes públicos (na época, ainda não existia o Sistema Único de Saúde) era a “Santa Casa de Misericórdia”, este não suportava mais o número de procuras por atendimento. Começa então a história do HB com a imprensa, uma relação pautada por momentos que vão dos denuncismos da saúde até a divulgação dos avanços da medicina, hoje, ao alcance de todos. O HB de Rio Preto sempre teve um bom relacionamento com a mídia local, nacional e internacional, ampliando esta relação com a instituição de sua assessoria de imprensa, que teve várias transformações.

As notícias do hospital já foram divulgadas por médicos e pela Secretaria de Saúde do Estado, em seguida, vieram os jornalistas internos e após este período, a prestação de serviços através de empresas especialmente contratadas para este serviço. Falar sobre saúde não é fácil, pois é uma área que necessita de conhecimento e de muita ética, essa mesma ética dentro de um hospital é abordada em uma de nossas matérias, pelo jornalista Allexandre Silva. Além de matérias envolvendo a história do hospital, as premiações, o trabalho voluntário e várias conquistas, também lembraremos as notícias mais lidas e comentadas pela sociedade nestes anos de publicações. Desejamos a todos uma ótima leitura e que mergulhem nesta emocionante história. Outrossim, desejamos a todos que ninguém tenha, por momento, a necessidade de ser atendido pela instituição que aqui retratamos mas, quando inevitavelmente chegarem a esta necessidade, que comprovem por si mesmos a excelência e humanidade dos serviços ali prestados e que fazem do HB referência nacional em saúde pública. Saúde para todos, e uma ótima leitura.

“Já trabalhei em diversas áreas e variados tipo de empresas, mas nenhuma experiência foi ou é tão gratificante quanto trabalhar no Hospital de Base. Aqui, às vezes se lida com o sofrimento alheio, mas também se recebe o carinho dos pacientes, apenas por você estar fazendo seu trabalho, que é atender com o máximo de atenção todos os usuários do hospital.”

Éder Luis Pavan Pinhabel, 50 anos, assessor técnico administrativo do HB

“Dr. Raul Aguiar, Dr. Domingo Braile, e outros, a Famerp e HB no peito, foi muita questão de raça, luta e amor pela medicina. O HB é um hospital-escola e atende milhares de pessoas com traumas graves todo ano, é um dos centros médicos mais importantes da região. Em algumas épocas vive momentos de super lotação por ser uma das únicas referências em saúde no interior, porém batalha diariamente para oferecer um tratamento digno à população”,

Profº Dr. Dr. Hélcio Werneck, o professor mais antigo da instituição, que iniciou suas atividades na Famerp em 1968.

“O HB investe sempre em seus profissionais, sua última aquisição foi o direito de usar o UpToDate, um sistema de informação que beneficia médicos, alunos e docentes com informações de novos procedimentos e tratamentos atualizados. É muito importante saber que o hospital não para no tempo e procura trazer o que há de melhor para seus usuários e para a equipe médica”.

Dr. Marcelo Lopes, residente da Nefrologia

Kele Catarina e Luis Fernando Neves

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O HB por eles

Opinião

ÍNDICE

Mesmo com todas as dificuldades e empecilhos enfrentados ao longo dos anos, o Hospital de Base se tornou referência nacional em todos os seus serviços disponíveis, sendo o único hospital de fundação particular a atender também pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com a mesma dedicação e seriedade que atende seus pacientes conveniados. Aos poucos foi conquistando o respeito da população, a admiração de profissionais de diversas áreas, o comprometimento de seus funcionários e a confiança de seus inúmeros usuários.

8 6 Rio Preto: A cidade da medicina A cidade destaque em tratamentos médicos e cirurgias

8 HB - 40 anos de fundação e 6 décadas de história

“Para a minha vida e de minha família o HB é essencial. Meus filhos cresceram sendo atendidos pelos pediatras do hospital, meu esposo fez uma cirurgia há alguns anos atrás e foi extremamente bem cuidado pelos médicos e pela equipe clinica. Minha mãe também ficou internada no HB pelo SUS e todo acompanhamento necessário foi oferecido, até atendimento psicológico a família eles deixaram a nossa disposição, já que minha mãe estava em estado terminal e veio a falecer dias depois. Sem contar a praticidade de todos os exames solicitadores poderem ser feitos lá, já que o a HB conta com todos os equipamento necessários.”

O Hospital de Base e seus 60 anos na im prensa

10 HB – assessoria de imprensa e comunicação de resultados

Ines Maniere Lopes, 38 anos, modelista

“O Hospital de Base é fundamental para sustentar esta identidade que Rio Preto criou de ser uma referência médica nacional. Ao chegar à cidade fiquei impressionado com a capacidade que o hospital tem de atender um enorme número de pacientes em diversas especialidades. Outra coisa que me chama a atenção é o HB como empreendimento, mesmo tendo sido criado há 40 anos, é até hoje referência de mercado. E mais que isso, em breve vai inaugurar outra melhoria para a cidade, o Hospital da Criança.”

A imagem de uma instituição e a Implantação e contribuição da assessoria de comunicação

11 Artigo

A comunicação hospitalar e a ética

A história da fundação e suas primeiras notícias na imprensa

Michel Martines Achoâ, 21 anos, publicitário e morador de São José do Rio Preto há 4 anos

Entrevista Dr. Jorge Fares O diretor administrativo do hospital fala sobre a instituição e os novos projetos

13

“Aceito que falem mal de minha família, mas não admito que falem mal do HB. Aqui é minha casa, é meu chão, é meu conforto. Amo esse hospital”

Dayane Barbosa Akimura, 20 anos, auxiliar contábil , com seu filho Ótavio Henrique, que nasceu em dezembro do ano passado no Hospital de Base

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13 Entrevista Dr. Jorge Fares 14 As principais manchetes Fatos que marcaram época

16 E para você? O que é o HB?

Usuários, funcionários, médicos e comunicadores falam o que o hospital representa para eles.

Sônia Grego, secretária do HB

“Eu tinha uma ideia errada quanto ao atendimento pelos SUS no HB, achava que seria mal tratada ou que não receberia os cuidados necessários em meu parto. Fui surpreendida, em todos os momentos os médicos me explicavam os procedimentos que fariam, eles foram muito atenciosos comigo e com o meu filho. Fiquei muito satisfeita com o atendimento e a higiene do hospital.”

12 Atendimento com qualidade e compromisso

Hospital de Base fecha contrato internacional e inédito no país

18 Projeto e parceria

Hospital da Criança tem inauguração prevista para 2010

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HB em rede nacional

Você sabe qual é o seu órgão de choque? Esse foi o tema do programa exibido pela Globo, em rede nacional, no dia 17 de abril deste ano, que abordou o tratamento de milhares de brasi sileiros que sofrem com problemas de nervo nervosismo, instabilidade e depressão. O méd médico cirurgião João Gomes Netinho, e equip pe mostraram mo sua equipe os diversos tratamentos realizados no Ambulatório do HB e frisou a cura para estas doenças. Já no programa Domingo Legal, Dr. Jorge Adas Dib, frisou a qualidade dos serviços prestados pelo hospital em atendimento graves. O programa apresentado por Celso Portiolli exibiu o quadro “Aconteceu Comigo”, que relatava o atendimento de emergência prestado a um peão na instituição, após cair de um touro e ficar entre a vida e a morte, e sair sem sequelas.

Rio Preto: a cidade da medicina

Atendimento de qualidade “O SUS que funciona”, este foi o título da matéria veiculada pela Revista Veja em 11 de março de 1998, que trazia o Hospital de Base de Rio Preto, como um centro de referência em atendimento a usuários do Sistema Único de Saúde. Na matéria a repórter cita que o HB mostra como fazer um bom atendimento gratuito e que cenas encontradas nesta instituição, são difíceis de serem vistas nos demais 7000 hospitais do estado. No ano de 2009 o HB ficou entre as 20 melhores instituições de atendimentos a usuários deste sistema, mostrando que mantém o perfil de bom prestador de serviços à população, mesmo 11 anos depois da publicação.

O HB no mundo E ao contrario do que muitas pessoas pensam, o HB não é apenas notícia nos jornais de Rio Preto. Frequentemente casos de pacientes atendidos no Hospital de Base estão em mídias nacionais com grande índice de audiência, além de sites e blogs informativos. Como na manchete ao lado, que além de ter sido publicada no portal ‘G1’ da TV Globo teve repercussão nacional e internacional.

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HB na imprensa

As principais manchetes

Interesse público, repercussão nacional e destaque para o Hospital de Base em jornais e noticiários, regionais e nacionais. Muitas notícias envolvendo o hospital e seus pacientes marcaram época e atraíram todos os “olhares” para o HB, entre procedimentos cirúrgicos, atendimentos e descobertas cientificas algumas manchetes foram essênciais para a construção da imagem de referência nacional do Hospital de Base.

Primeiro em troca de sexo

Primeiro no ranking

O Hospital de Base é referência em cirurgia para troca de sexo até hoje. Em maio de 1998 o hospital foi destaque nas mídias de todo o país, como a primeira unidade da região a realizar cirurgia de troca de sexo, e a segunda do Brasil, de lá pra cá, o número de pessoas interessadas cresce rapidamente. Médicos como Dr. Oliane e Dr. Carlos Cury são símbolos deste avanço da medicina no país. A transexual Guta Silveira, mostrada na matéria, leva uma vida normal perante a sociedade, 11 anos depois da cirurgia, ela mantém família e busca destaque na política rio-pretense. Outros transexuais podem comemorar, já que a cirurgia poderá ser oferecida pelo SUS a partir de 2010.

Líder, essa era a palavra que destacava o HB em setembro de 2001, quando ficou em primeiro lugar no estado, com mais números de transplantes de coração, com ênfase na afirmação de Dr. Marcolino Braile, “Todos os pacientes estão vivos”. Na época o hospital comemorava 1 ano realizando este tipo de procedimento com 11 transplantados, hoje, 9 anos depois do início, o HB já realizou mais de 60 transplantes. Rio Preto é destaque em procedimentos médicos do coração com diversas clínicas e a famosa empresa Braile Biomédica, que exporta válvulas de cirurgias do coração para todo o mundo.

Pacientes de todo o país Em 1997, o jornal Diário da Região, noticiava que pacientes viajavam mais de 12 horas, para ser atendido no interior de São Paulo, mas especificamente, no Hospital de Base de Rio Preto, há 450 km da capital paulista. Os pacientes eram de diversas regiões, entre elas, Goiás, Mato Grosso e Bahia, que não conseguiam dar um atendimento digno a seus usuários. Saímos do século 19 e entramos no século 20, porém o que se nota, é que nada mudou. O HB continua atendendo pacientes de todas as partes do país sendo referência para tratamentos de ponta, e o mais importante, com dignidade. Muitos ainda se perguntam se a Saúde no país não evoluiu, o que podemos afirmar é que a demanda de pacientes que procuram atendimentos no HB, não reduziu.

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Rio Preto e a medicina

Medicina riopretense:

dos curandeiros a centro de referência Hoje a medicina riopretense é destaque internacional, porém as lutas para esta conquista foram intensas entre médicos e políticos Até a virada do século 19, a cidade de Rio Preto não teve nenhum médico, os atendimentos aos doentes eram realizados pelos curandeiros ou farmacêuticos, entre eles se destacaram Benecdito Tavares da Silva e Portífiro Pimentel que prestavam atendimento e receitavam medicamentos. A Câmara da cidade criou um subsídio mensal de 100 mil réis em 1898 para atrair um médico que receberia essa quantia para atender a população mais pobre, com direito de cobrar consultas dos mais abastados.

Rio Preto: a cidade da medicina São José do Rio Preto está localizada no norte do estado de São Paulo, há 451 quilômetros d a capital paulista. Com 157 anos, a cidade cresce rapidamente e apresenta características de cidade metropolitana. Um dos seus destaques é a saúde de ponta. Na última década a taxa de mortalidade infantil caiu 50% na cidade, posicionando-se na frente do índice do estado todo, calculado por cada mil bebês nascidos vivos. A cidade também apresenta um maior número de leitos de SUS do que o próprio estado, baseado no coeficiente por número de habitantes. Rio Preto destaca-se também pelo grande número de médicos, enfermeiro, hospitais e clínicas. Pelo menos duas centenas de clínicas oferecendo 40 especialidades médicas fazem da cidade um império da medicina.

Esse subsídio Pessoas de várias partes do mundo visiatraiu Fileno Fatam a cidade em busca de atendimento méggiani, vindo de Campinas, o pri- dico de qualidade, que vai desde um tratameiro médico a mento de alcoolismo até procedimentos de clinicar na cidade. alta complexidade. Destacam-se pesquisas Registros afirmam realizadas pelos médicos Roberto Ardito e que o médico che- Oswaldo Grecco, pioneiros em aplicação de gou aproximadacélulas-tronco na área cardíaca. mente em 1900, e ocupou posição de destaque na cidade. Em julho de 1907, o médico Aristi- doação de seu terreno, no atual bairdes Serpa chegou à cidade para che- ro Boa Vista, para construção de um fiar o Posto de Higiene, ele começou hospital para atender aos pobres. A Santa Casa funcionou precariaatendendo na Pharmacia Central, com preços que poucos podiam pa- mente e sem recursos até 1927, com 18 leitos e médicos prestando servigar. Sua chegada a Rio Preto foi essen- ços gratuitamente. Na década de 40 começou a conscial para o início da saúde pública, pois a maioria dos cidadãos não tinha trução do Hospital das Clínicas, futuhábito de limpar quintais ou destinar ramente Hospital de Base, já que o único hospital existente na cidade já a água suja nos lugares corretos. Ele teve dificuldade para imple- não tinha mais capacidade de atenmentar regras na saúde local, porém der toda cidade. Entre lutas e conquistas, hoje a através de multas com preços elevados, ele conseguiu vários destaques, cidade mantém a conquista de 8 como o destino certo do lixo residen- hospitais, sendo 3 particulares, e 23 Unidades Básicas da Saúde. O HB é cial e funeral em caixão adequado. A vinda de Serpa à cidade propor- o maior hospital da cidade, com 706 cionou também o avanço das obras leitos e irá inaugurar em 2010 o Hospara inauguração do primeiro hospi- pital da Criança, o maior em especiatal da região, conhecido atualmente lidade infantil do país. A luta dos médicos riopretenses, como Santa Casa de Misericórdia. O hospital foi um pedido no testamen- da Sociedade de Medicina e Cirurgia to do fazendeiro Theodoro Rodrigues de Rio Preto e de antigos bons políde Nazareth, 37 anos, que deixou ticos fizeram de Rio Preto referência em sua herança, um pedido para a internacional em medicina de ponta.

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História

Entrevista

Entrevista com Dr. Jorge Fares

HB

40 anos de fundação e 6 décadas de história

Hospital de Base entre desafios e glórias, a realização de um sonho

Em 1938, o Dr. José Arroyo observando as necessidades de São José do Rio Preto, sonhou com um hospital para a cidade semelhante com os já existentes em Araraquara. Em 1952, como vereador da cidade, Arroyo apresentou projeto para a criação de um novo hospital, que não recebeu a atenção devida por parte das lideranças políticas rio-pretenses. No ano seguinte, o também médico Dr.Oscar de Barros Serra Dória uniu médicos em torno da ideia da criação do “Hospital das Clínicas”. Graças ao empenho de outros médicos, o projeto do hospital foi aprovado e a doação da Chácara Dalafina deu espaço para a realização do tão sonhado empreendimento. As obras foram iniciadas no ano 1954 em uma área de 14 mil metros quadrados. Nesta mesma época, Oscar Dória almejava outro projeto para o desenvolvimento da cidade,

Você Sabia? Q

uando iniciou suas atividades, o Hospital de Base contava com 30 leitos, mas dez anos depois este número passou para 350. Hoje o HB oferece mais de 700 leitos para seus usuários, sendo 162 destinados para pacientes do convenio HB Saúde.

O HB atende 101 cidades da região, em torno

de 1.800 atendimentos diários e em média 800 mil atendimentos por ano.

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a criação de uma escola de medicina. Os dois sonhos naquele momento andavam lado a lado e os empecilhos para o desenvolvimento de ambos os projetos eram cada vez mais presentes. O hospital teve suas obras paradas em 1957 e com isto a criação da faculdade de medicina ficou mais distante, já que para a concretização do projeto da faculdade, era necessário que o hospital estivesse pronto para a realização de atividades e aulas à beira do leito. Foram anos de luta, mas graças ao trabalho árduo dos médicos rio-pretenses e o apoio governamental, tanto o Hospital de Base quanto à faculdade de medicina foram inaugurados na década de 60. Em funcionamento há pouco mais de 40 anos, o Hospital de Base passou por inúmeras dificuldades antes se tornar a referência médica nacional que é hoje. Devido ao trabalho intenso de médicos, funcionários e demais profissionais que desempenham suas funções na instituição, o hospital que era “sonho” tornou-se realidade e hoje marca presença na vida de milhares de pessoas, dentro e fora de Rio Preto.

O

“Hospital das Clínicas” teve seu nome substituído e adotado Hospital de Base por ser o hospital de aprendizagem dos alunos da FAMERP (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), ou seja, por ser à base de ensino dos alunos da Faculdade de Medicina de Rio Preto.

Neste ano o HB recebeu da Secretaria de Saúde do Estado o prêmio “Amigo do Meio Ambiente 2009”, pelo serviço exemplar executado na área de lixo hospitalar, cerca de 1 tonelada de lixo contaminado é esterilizado por dia, evitando a agressão ao meio ambiente.

Revista HB - O que representa o HB para região e para o país? Dr. Jorge - Representa o ponto final, aqui chegam os pacientes mais críticos. É aqui que os pacientes depositam suas perspectivas de melhoras. O HB é um centro de referência em várias especialidades para todo o país, e tenho orgulho de ser diretor de um centro de saúde tão importante. Revista HB - O hospital saiu na revista Veja de 1998, como referência no bom atendimento ao usuário do SUS (Sistema Único de Saúde), o hospital continua sendo referência? Dr. Jorge: O SUS daquele ano pra cá se reorganizou, o país estava em uma crise na área da saúde, e muitos hospitais só tinha reclamações, não davam conta da demanda e ainda geravam muita despesa. Nós estávamos bem organizados, atendíamos bem e não dávamos despesas. Hoje não temos com negar que há muitos centros que funcionam bem, que se organizaram, porém o atendimento do HB sempre estará focado na busca pela excelência. Revista HB - O que acrescenta a vindo do Hospital da Criança? Dr. Jorge: Será um acréscimo, possibilitará o crescimento da área pediátrica na instituição, mais atendimentos, além de novos tratamentos. Isso nos possibilita sermos um centro cada vez mais diferenciado. Um exemplo de um bom trabalho que terá continuidade no HC, será a tão divulgada parceria entre uma empresa norteamericana e nosso hospital nas cirurgias de coração. Revista HB - Qual a relação do HB com a imprensa? Dr. Jorge: Hoje temos um bom relacionamento com a imprensa em geral. Teve uma época que o HB saia muito

em coluna social e coluna de inquérito policial, mas hoje temos muitas notícias boas, novos procedimentos, prêmios e conquistas. É importante sair menos matérias de coluna social, já que esse não é o papel da instituição e ser publicadas mais matérias científicas, que exalte a qualidade de atendimentos e técnicas. Estamos sempre de portas abertas à imprensa em tudo que é possível, é muito importante esse bom relacionamento. Revista HB - Com tantos anos de casa, qual o vínculo que se cria com a instituição? Dr. Jorge: Torna-se um segundo lar, uma segunda casa. A gente acaba vivenciando as lutas e conquistas. Gera aquela ânsia de melhorar sempre, de manter o bem-estar social. Não tem como não se envolver em todos os processos, quando é pra rir, rimos todos juntos e quando é pra chorar, também choramos juntos. Revista HB - Qual é a visão da diretoria na busca pela melhoria constante? Dr. Jorge: A instituição tem melhorado sempre, vejo com boa expectativa o crescimento. Temos pessoas que batalham pelo HB, que trazem um verdadeiro amor no peito. É muito importante esta satisfação do colaborador com a instituição, isso nos leva à excelência no atendimento ao usuário.

Hoje não temos com negar que há muitos centros que funcionam bem, que se organizaram, porém o atendimento do HB sempre estará focado na busca pela excelência.

O diretor Administrativo do HB, Dr. Jorge Fares, concedeu uma entrevista para o jornalismo de nossa revista. Entre risos descontraídos e uma rápida conversa, o médico nos revela a imensa satisfação de ser diretor de um hospital tão importante para o país e o bom relacionamento com a imprensa. Ele graduou-se na Faculdade de Medicina de Rio Preto em 1979 e trabalha contratado pela instituição desde 1982. Foi 3 vezes eleito como diretor da instituição, batalhando no dia a dia para o reconhecimento deste centro da medicina brasileira. Permaneceu por 13 anos no cargo e assumiu novamente em 2009, quando exerce o mandato até 2012.

Ao lado, Dr. Jorges Fares supervisiona a reforma do Hospital de Base. Acima recebe o Governador do Estado Dr.José Serra, no HB

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Referência nacional

Atendimento com qualidade e compromisso

Hospital de Base e a Imprensa Dr. João Gomes Netinho, Proctologista Inaugurado há mais de 4 décadas, o Hospital de Base de São José do Rio Preto e a Faculdade de Medicina – FAMERP – não pararam no tempo, muito pelo contrário. Ambos alcançam destaque na área da Medicina, seja ela em tratamentos de última geração, ou mesmo em trabalhos reconhecidos internacionalmente. O HB possui mais de 4100 profissionais envolvidos no atendimento de mais de 50 mil pacientes/mês, onde os mesmos podem ser encaminhados para o atendimento Ambulatorial (onde concentram todas as especialidades e serviços oferecidos pelo HB, realizando consultas, pequenas cirurgias e exames de menor complexidade a todos os pacientes encaminhados pelas cidades de origem pertencentes à DRS XV); Emergência Cirúrgica (com uma equipe da Cirurgia do Trauma, responsável pelo maior volume de cirurgias realizadas pelo serviço); Emergência Clínica (setor de avaliação e tratamento de emergências que não encontrem resolutividade em postos de saúde); Emergência Pediátrica (serviço de emergência destinado a crianças de 0 a 13 anos); e Hospital Dia (duas unidades, sendo uma de doenças infecto-parasitárias e outra no setor de Transplante de Medula Óssea). São mais de 44 especialidades médicas à disposição de 101 municípios, que correspondem a uma população de aproximadamente 1 milhão e meio

Dr. Domingo Marcolino Braile, Cirurgião Cardíaco

Os melhores estão aqui Além da referência Hospital de Base, a cidade se destaca por nomes importantes da medicina que estão entre os melhores médicos do país, sendo reconhecidos internacionalmente pelos serviços prestados à saúde. de habitantes. Além da excelência em números, o HB possui uma das maiores emergências do interior paulista, inaugurada em 1997, com um atendimento mensal de 10 mil pacientes. Para este setor são encaminhados diariamente casos graves de traumas automobilísticos que necessitam de equipe experiente e cuidados específicos.

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Dr. João Roberto Antonio, Dermatologista Além de um centro de convergência nacional, o Hospital de Base destaca-se ainda na sua posição de instituição de ensino e hospital-escola, além de ser considerado um pólo de referência nacional em todos os seus serviços e procedimentos de alta complexidade, caracterizandoo como o único hospital de fundação particular com gestão filantrópica no Estado de São Paulo, a atender majoritariamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Motivo de muito orgulho para a cidade de São José do Rio Preto é saber que a região é conhecida internacionalmente pelos serviços prestados à saúde. Médicos como Dr. Domingo Marcolino Braile, Dr. João Gomes Netinho, Dr. João Roberto Antonio, entre outros, são mencionados constantemente em publicações, convocados para seminários, entrevistas, documentários, e muitas vezes são chamados para levar até outros países o segredo do sucesso alcançado aqui no Brasil. Além disso, técnicas e serviços oferecidos pelo HB foram destaques nos últimos anos em todo o mundo. Transplantes, cirurgias e atendimentos são matérias de nível nacional. Desde o pioneirismo na cirurgia de mudança de sexo até trabalhos com células troncos, o Hospital de Base coloca Rio Preto e o Brasil no mapa mundial, orgulho para nós, orgulho para o país.

Jornal “A Notícia” de 1952 – É a primeira notícia do Hospital de Base que se há registro imprenso. Mas historiadores da cidade de Rio Preto contam que a partir de 1949 já haviam notícias sobre a criação do “Hospital das Clínicas”

As obras do HB foram iniciadas no ano 1954, em uma área de 14 mil metros quadrados, o responsável pelo projeto foi o arquiteto francês Raymond Jehelen, com planta desenhada pelo engenheiro Odair Pacheco Pedroso. Revista Veja de Março de 1998 – A matéria mostra que o Hospital de Base é um centro de excelência em medicina, que se destaca pela tecnologia de ponta usada nos tratamentos, pelo volume de atendimento e por se manter quase que exclusivamente com dinheiro do SUS (sistema público de saúde).

Ao abrir os jornais, imediatamente os leitores “mergulham” em novas informações e acompanham a resolução de casos publicados anteriormente, e entre todos os gêneros da notícia, há um que está todos os dias presente nas páginas dos jornais. São as matérias sobre saúde e o principal personagem destas reportagens é o Hospital de Base de Rio Preto. Mas está história entre o HB e a imprensa não vem de hoje, ela começou há muito tempo, há seis décadas. A primeira notícia que se há registro impresso foi publicada em 1952, pelo jornal “A Notícia” (ano em que o Dr. José Arroyo apresentou o projeto “Hospital das Clínicas” na Câmara Municipal), a nota falava sobre a criação do “Hospital das Clínicas”, uma casa de saúde semelhante a de outras cidades. Historiadores rio-pretenses afirmam que desde o ano de 1949 a instituição já era citada em publicações como um projeto futuro, almejado por muitos médicos, inclusive pelo Dr. J. Arroyo, “As notícias sobre o HB são publicadas há 60 anos, antes mesmo de se ter o projeto os jornais já publicavam que médicos da cidade queriam criar um hospital.” Conta Allexandre Silva, jornalista e historiador. De lá para cá, o HB esteve diariamente nos jornais de Rio Preto e região e eventualmente em veículos de circulação e exibição nacional. No princípio as publicações relatavam o caminhar das obras, as dificuldades no início dos atendimentos, os novos leitos e etc., mas aos poucos, através da dedicação de médicos e funcionários, as reportagens passaram a abordar o dia-a-dia do hospital, falando dos vários pacientes que por ali passavam, casos excepcionais, suas conquistas, barreiras e dificuldades diárias. Contudo, a instituição e a imprensa sempre tiveram um bom relacionamento, um sendo útil ao outro. Os jornais interessados em levar informações novas a cada dia para seus leitores e o hospital querendo mostrar para a população o trabalho de qualidade que exercem. Muitos usuários do HB acabam conhecendo mais sobre o hospital através dos jornais, como a professora aposentada Idalina Pavani, 73, anos, que diz ter ficado sabendo das especialidades que o centro médico atende por ter lido nas matérias, “Eu vou lá há muitos anos e não sabia a metade dos serviços médicos que o HB oferece, após ter visto uma matéria sobre o hospital no “Globo Repórter” que tive interesse de saber um pouco mais sobre ele e foi nos jornais de Rio Preto que eu pude acompanhar o trabalho do HB para Rio Preto e região.” Completa Idalina. E esta parceria não para por ai, ela apenas fortalece e agrega novos valores, sempre priorizando levar informação de conteúdo e qualidade para seus leitores e usuários do HB.

Revista - Hospital de Base 2009 | 09


A comunicação hospitalar e a ética

Artigo

HB – assessoria de imprensa e comunicação de resultados fundamental importância neste pro-

equívocos cometidos involuntaria-

cesso, aparando arestas e ruídos de

mente pela equipe.

comunicação e fazendo com que o

Elaborar planos de comunicação

conceito de credibilidade fosse os-

e atenção não apenas à imprensa,

tentado mesmo em face às crises

mas ao público interno, profissio-

às quais uma instituição de saúde

nais, funcionários e usuários, foi

constantemente está sujeita.

outro passo importante com a im-

Se vista por alguns repórteres da

plementação de um trabalho além

grande imprensa como um cercear

da assessoria de imprensa, mas de

do processo de elaboração de sua

comunicação empresarial completa

matéria, a presença full time de um

que incorporou o marketing, endo-

jornalista de comunicação empresa-

marketing e ações sócio ambientais

rial durante a construção da matéria

para o contexto social da instituição.

agiliza o processo, soluciona proble-

Foi com este trabalho que o HB

mas, define previamente a linha

conseguiu ao longo de sua história

que conduzirá a pauta e, sobretudo,

mais recente modificar sua visão pe-

Não é preciso fazer uma longa

resguarda a imagem do paciente,

rante a comunidade, estreitar laços

pesquisa para detectar que a grande

respeitando sua individualidade e

de relacionamento com a mesma e,

maioria da população prefere o aten-

privacidade.

principalmente, colocar-se na po-

dimento do Hospital de Base a outros

Com este acompanhamento, que

sição de parceiro da imprensa, não

hospitais públicos e privados da cida-

deve levar em conta a liberdade de

apenas como o alvo que, por muitos

de e região.

expressão da imprensa e do jorna-

anos, foi alvejado.

Embora o corpo profissional e

lista presente na cobertura do fato,

A postura e posição proativa de

equipamentos disponíveis pela ins-

uma série de equívocos são evitados

uma assessoria de imprensa em qual-

tituição sejam os principais respon-

face a presença constante de um

quer instituição é de fundamental

sáveis por este fato, a comunicação

representante da instituição pronto

importância não apenas para hospi-

feita dentro da instituição foi de

para auxiliar nas dúvidas ou corrigir

tais, mas também para todas as empresas que queiram uma aproximação maior com a comunidade em que se insere, o público que atende e a imprensa que a procura, construindo assim um ciclo de relacionamento forte, eficaz e de resultados.

Década de 90. Hospital superlotado e corredores transformados em leitos e UTIs improvisadas dão o tom da saúde pública no país. A cidade é São José do Rio Preto, o local, o Hospital de Base, já nesta época, principal centro de atendimento regional e estadual em saúde e tratamentos de alta complexidade. Cenário ainda mais alarmante, a comunicação feita dentro de redes de saúde como esta desrespeitavam não apenas a instituição como serviço, mas, principalmente, o paciente ali encontrado, invadindo a privacidade dos mesmos em momentos delicados de dor, morte, acidentes e uma série de motivos que os levaram à instituição. Equipes de imprensa “invadindo” os corredores, entrevistando pacientes e nenhum acompanhamento para este trabalho era uma realidade constante, o que fazia com que a instituição perdesse totalmente o controle do que se falava sobre ela na mídia e levava a imprensa a informações nem sempre corretas, equivocadas ou, ainda pior, tendenciosas.

Embora o HB já trabalhasse há tempos com uma assessoria de imprensa, foi a partir dos últimos anos que esta atenção dada ao paciente acima mesmo da instituição ganhou vulto. Em especial, uma frase do então superintendente e hoje diretor do HB, o médico Jorge Fares, reflete esta opção ao afirmar que “...em um hospital, as vezes se tem a saúde do paciente em suas mãos, mas sempre se terá a sua dignidade em primeiro lugar”. Trabalhar este conceito com a imprensa e saber dosar qual o limite entre a informação pública e a limitada apenas à família é um desafio diário uma vez que grande parte do fluxo de notas e feed backs dados por uma assessoria se referem a pacientes acidentados, vítimas de violência e outras intempéries, respondendo por 70% do trabalho de uma assessoria. Embora uma das linhas de frente mais fáceis de serem trabalhadas, está é também uma das que exigem maior cuidado uma vez que, embora o fato que tenha levado tal pessoa ao

atendimento hospitalar possa ser público, seu quadro de saúde e possíveis seqüelas do trauma são de interesse particular dele e sua família. Assim, comunicar a família do interesse da imprensa, ao médico que o atende e filtrar as informações que podem ser transmitidas é um processo obrigatório para que a dignidade deste paciente seja mantida em todo o tempo. Foi apenas a partir desta filosofia de trabalho que a instituição deixou aos poucos sua alcunha de “depósito humano” para implantar então seu conceito máximo de humanização, o que faz com que hoje, mesmo atendidos em corredores visto a quase impossibilidade de solucionar o problema da superlotação, a comunidade ainda tenha como preferência o atendimento do HB a outras instituições de saúde na região. Alexandre Silva

Alexandre Silva

Na foto, o saguão do Hospital de Base por onde passam cerca de 60 mil pacientes por mês

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revista Hospital de Base - 60 anos na imprensa